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A Visão Da Cidadania Mundial
O maior desafio que a comunidade mundial enfrenta na mobilização para implementar a Agenda 21 é o de liberar os enormes recursos financeiros, técnicos, humanos e morais necessários ao desenvolvimento sustentável. Tais recursos somente serão liberados na medida em que os povos do mundo desenvolvam um profundo senso de responsabilidade pelo destino do planeta e pelo bem-estar da inteira família humana.
Este senso de responsabilidade somente poderá emergir da aceitação da unidade da humanidade, e somente será sustentado por uma visão unificadora de uma sociedade mundial pacífica e próspera. Sem esse tipo de ética global, as pessoas não poderão se tornar participantes ativos e construtivos no processo mundial de desenvolvimento sustentável.2
Ainda que a Agenda 21 forneça um arcabouço indispensável de conhecimento científico e "know-how" técnico para a implementação do desenvolvimento sustentável, ela não inspira um compromisso pessoal a uma ética global. Isso não significa que a ética e os valores tenham sido desconsiderados durante o processo da Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento (UNCED). A chamada por valores unificadores foi levantada durante todo aquele processo, por Chefes de Estado, oficiais da ONU, representantes de organizações não-governamentais (ONG’s) e cidadãos individuais. Em particular, os conceitos de "nossa humanidade comum", "cidadania mundial" e "unidade na diversidade" foram invocados para servirem como o sustento ético para a Agenda 21 e a Declaração do Rio.3
Assim, a comunidade mundial já chegou a um acordo básico sobre a necessidade de uma ética global para vitalizar a Agenda 21. Sugerimos que a expressão, cidadania mundial, seja adotada para englobar o conjunto dos princípios, valores, atitudes e comportamentos que os povos do mundo devem adotar para a realização do desenvolvimento sustentável.
A cidadania mundial começa com a aceitação da unidade da família humana e a interconexão das nações da "Terra, nosso lar".4 Ao mesmo tempo que incentiva um patriotismo são e legítimo, ela insiste também numa lealdade mais ampla, um amor à humanidade como um todo. Não implica, entretanto, no abandono de lealdades legítimas, na supressão da diversidade cultural, na abolição da autonomia nacional ou na imposição da uniformidade. Ela é caracterizada pela "unidade na diversidade". A cidadania mundial engloba os princípios de justiça social e econômica, entre as nações e dentro das mesmas; a tomada de decisões de maneira cooperativa em todos os níveis da sociedade; a igualdade dos sexos; a harmonia racial, étnica, nacional e religiosa; e, a disposição de sacrificar-se pelo bem comum. Outras facetas da cidadania mundial - todas as quais promovem a honra e a dignidade humanas, a compreensão, a amizade, a cooperação, a confiabilidade, a compaixão e o desejo de servir -podem ser deduzidas daquelas já mencionadas. Alguns destes princípios5 têm sido articulados na Agenda 21; entretanto, a maioria chama a atenção pela sua ausência. Outrossim, não foi fornecido nenhum arcabouço conceitual sob o qual eles pudessem ser harmonizados e promulgados.
Fomentar a cidadania mundial é uma estratégia prática para promover o desenvolvimento sustentável. Enquanto a desunião, o antagonismo e o provincialismo caracterizarem as relações sociais, políticas e econômicas dentro e entre as nações, um padrão global e sustentável de desenvolvimento não poderá ser estabelecido.6 Há mais de um século, Bahá’u’lláh advertiu, "O bem-estar da humanidade, sua paz e segurança, são inatingíveis, a não ser e até que se estabeleça firmemente sua unidade". Uma sociedade global sustentável somente poderá ser construída sobre o alicerce de unidade, harmonia e compreensão genuínas entre os diversos povos e nações do mundo.
Portanto, recomendamos que a cidadania mundial seja ensinada em todas as escolas e que a unidade da humanidade – o princípio que fundamenta a cidadania mundial – seja constantemente declarado em cada nação.
O conceito de cidadania mundial não é novo para a comunidade mundial. Ele está implícito e explícito em muitos documentos, cartas e acordos da ONU, inclusive nas primeiras palavras da própria Carta da ONU: "Nós, os povos das Nações Unidas...", e já está sendo promovido ao redor do mundo em todas as culturas por diversas ONG’s, acadêmicos, grupos de cidadãos, artistas, programas educativos e pela mídia. Tais esforços são significativos, mas precisam ser largamente ampliados. Uma campanha de longo prazo, cuidadosamente planejada e orquestrada, e envolvendo todos os setores da sociedade em nível local, nacional e internacional, precisa ser iniciada para fomentar a cidadania mundial. A mesma deve ser prosseguida com todo o vigor, coragem moral e convicção que as Nações Unidas, seus Estados membros e todos os parceiros que estiverem dispostos a colaborar, possam reunir.
A Promoção Da Cidadania Mundial
A seguinte proposta de uma campanha para promover a cidadania mundia7 cabe naturalmente dentro do arcabouço para a reorientação da educação, conscientização e capacitação visando o desenvolvimento sustentável, conforme apresentado no Capitulo 36 da Agenda 21.
A Educação
A educação – formal, não-formal e informal – é, sem dúvida, a maneira mais eficaz de moldar os valores, atitudes, comportamentos e habilidades que capacitarão os povos do mundo a agirem de acordo com os interesses de longo prazo do planeta e da humanidade como um todo.8 As Nações Unidas, os governos e as agências educacionais deveriam procurar tomar o princípio da cidadania mundial parte integrante da educação de cada criança.
Os detalhes dos programs e atividades educativas incorporando tal princípio irão variar muito entre as nações e dentro das mesmas. Entretanto, para que a cidadania mundial seja considerada um principio universal, todos os programas deverão ter certos aspectos em comum. Baseados no princípio da unidade da raça humana, eles deveriam cultivar a tolerância e a fraternidade, fomentando uma apreciação pela riqueza e importância dos diversos sistemas culturais, religiosos e sociais do mundo e fortalecendo aquelas tradições que contribuem para uma civilização mundial sustentável. Eles deveriam ensinar o princípio da "unidade na diversidade" como a chave para o poder e a riqueza, tanto para as nações quanto para a comunidade mundial. Deveriam fomentar uma ética de serviço ao bem comum e incutir uma compreensão dos direitos e responsabilidades da cidadania mundial. Tais programas e atividades deveriam partir dos esforços positivos do país e realçar seus sucessos tangíveis, incluindo modelos de unidade racial, religiosa, nacional e étnica. Deveriam enfatizar a importância da ONU na promoção de cooperação e compreensão globais; suas metas, objetivos e programas universais; sua relevância imediata aos povos e nações do mundo; e o papel que ela deve continuamente assumir em nosso mundo cada vez mais interconectado.
Antes que seja iniciada uma campanha para promover a cidadania mundial, será preciso desenvolver uma compreensão comum do conceito e alcançar um consenso sobre o mesmo. A Comissão para o Desenvolvimento Sustentável poderia formar um comitê especial ou grupo de trabalho para começar a desenvolver diretrizes para a cidadania mundial e propostas para a incorporação deste princípio nos programas existentes de educação formal c não-formal. Alternativamente, a Comissão poderia buscar a ajuda do Conselho Assessor de Alto Nível para o Desenvolvimento Sustentável ou o Comitê Inter-Agência sobre o Desenvolvimento Sustentável. O Secretariado da ONU poderia estabelecer um Centro para a Cidadania Mundial, semelhante ao antigo Centro de Estudos da Paz, para desenvolver tais diretrizes e coordenar a implementação em todo o sistema da educação para a cidadania mundial. Qualquer que seja o caminho escolhido-, esta tarefa terá que receber alta prioridade.
A cidadania mundial poderia facilmente ser incorporada em todas as atividades sugeridas no Capitulo 36. S. da Agenda 21, para reorientar a educação na direção do desenvolvimento sustentável. Alguns exemplos são ilustrativos:
As assessorias nacionais /mesas redondas (36.5.c) deveriam facilitar a incorporação da cidadania mundial nos programas educacionais dentro do país.
Os programas de treinamento e aperfeiçoamento para todos os professores, administradores, planejadores educacionais e educadores não-formais (36.5.d) deveriam incluir o princípio da cidadania mundial nas suas programações.
Os materiais educativos sobre o desenvolvimento sustentável produzidos pelas agências da ONU, bem como os materiais educativos sobre as Nações Unidas, deveriam incentivar a cidadania mundial (36.5.g).
A Agenda 21 recomenda "o desenvolvimento de uma rede internacional" para apoiar os esforços globais de educação para o desenvolvimento sustentável (36.5.k). Tal rede poderia incentivar as agências das Nações Unidas e ONG’s afiliadas a criarem materiais baseados nas diretrizes para a cidadania mundial e providenciarem os meios de compartilhá-los.
Os governos e as autoridades educacionais já foram instados a "eliminar os estereótipos baseados em gênero nos currículos", como um meio de promover o desenvolvimento sustentável (36.5.m). Recomendamos que, dentro do espírito de cidadania mundial, os estereótipos baseados em religião, cultura, raça, classe, nacionalidade e etnicidade sejam também eliminados.
A Conscientização Do Público
As pessoas precisam considerar-se cidadãos do mundo entender sua responsabilidade de promoverem o desenvolvimento sustentável.9 As campanhas de conscientização dos desafios da cidadania mundial devem aproveitar toda a mídia e as artes, inclusive a televisão, vídeo, cinema, rádio, redes eletrônicas, livros, revistas, cartazes, panfletos, teatro c música. Tais campanhas deveriam envolver as indústrias de publicidade e entretenimento, os meios tradicionais e não tradicionais de comunicação, o sistema inteiro das Nações Unidas, todos os Estados membros, as ONG’s e personalidades populares. Elas deveriam alcançar o lar, o local de trabalho, as áreas públicas e as escolas. As diretrizes para a cidadania mundial cujo estabelecimento foi recomendado acima devem ser adequadas para uso em tais campanhas de conscientização, e devem servir como a referência básica para toda a programação para a mídia.
A cidadania mundial poderia ser incluída nas atividades apresentadas no Capítulo 36.10. da Agenda 21, para aumentar a consciência e a sensibilidade do público em relação ao desenvolvimento sustentável. Os seguintes exemplos são ilustrativos:
Conselhos assessores nacionais e internacionais (36.10.a) poderiam incentivar os diversos meios de comunicação a adotarem as diretrizes para a cidadania mundial. A mídia tem feito muito para conscientizar o público sobre a interdependência global e os enormes desafios que a comunidade mundial enfrenta. Tem, também, realçado as diferenças aparentemente insuperáveis que nos dividem.
A mídia tem a responsabilidade de ajudar as pessoas a entenderem que a diversidade não precisa ser uma fonte de conflito; antes, a diversidade pode, e agora deve, servir como um recurso para o desenvolvimento sustentável. A mídia poderá alcançar esta meta, focalizando os empreendimentos construtivos, unificadores e cooperativos que comprovam a capacidade da humanidade de trabalhar junto para vencer os enormes desafios que ela enfrenta.
Ao promover "um relacionamento cooperativo com a mídia" (36.10.e), a ONU deve corajosamente definir sua própria identidade e a promessa que ela oferece à comunidade mundial. A Organização das Nações Unidas foi estabelecida com elevados ideais e uma visão de um mundo pacífico e progressivo. Fornecendo um arcabouço para a comunicação e a cooperação e iniciando inúmeros projetos construtivos, ela tem contribuído significativamente para a compreensão, esperança e boa vontade no mundo. Contudo, suas realizações são pouco conhecidas pela humanidade em geral.
Usando o conceito de cidadania mundial como tema integrador, as Nações Unidas deveriam divulgar seus ideais, atividades e metas, para que as pessoas venham a entender o papel único e vital que a ONU desempenha no mundo e, portanto, nas suas vidas. Semelhantemente, a ONU deveria promover a cidadania mundial em todas as suas atividades públicas, inclusive nas comemorações do quinquagésimo aniversário das Nações Unidas e nos passeios pela Sede da ONU. Cada documento da ONU que trata do desenvolvimento sustentável, a começar pelo preâmbulo da proposta Carta da Terra, deveria também incluir esse principio. A cidadania mundial deve-se tomar o ponto de referência ético mais importante em todas as atividades da ONU.
Os serviços da indústria de publicidade (36.10.e) devem ser recrutados para a promoção da cidadania mundial. Campanhas poderiam ser organizadas ao redor de temas tais como:
Nós, os Povos das Nações Unidas:
Celebrando a Unidade na Diversidade
Um Planeta, Um só Povo
Em Toda Nossa Diversidade,
Nós Somos uma só Família Humana
Nosso Futuro Comum:
A Unidade na Diversidade
Concursos deveriam ser realizados e prêmios concedidos pela promoção da cidadania mundial (36.10.e).
Enquanto conscientiza o público "sobre os impactos da violência na sociedade" (36.10.1), a mídia pode gerar um compromisso para com a cidadania mundial, realçando exemplos de empreendimentos construtivos e unificadores que mostram o poder da unidade e de uma visão comum.
Cada país deveria ser encorajado a alocar recursos para a promoção da cidadania mundial. Também deve-se considerar incluir nos propostos "indicadores do desenvolvimento sustentável" (40.6.) a promoção deste princípio. Por exemplo, os países poderiam ser incentivados a relatarem os esforços para promover o respeito e a apreciação das outras culturas, a igualdade dos sexos e o conceito de uma única família humana, através dos currículos escolares, do entretenimento e da mídia.
O Desafio Da Cidadania Mundial
Em conclusão, a cidadania mundial é um conceito tão desafiador e dinâmico quanto as oportunidades que a comunidade mundial enfrenta. A sabedoria exige que nós, os povos e nações do mundo, corajosamente adotemos seus princípios subjacentes e nos guiemos por eles em todos os aspectos das nossas vidas - nas nossas relações pessoais e comunitárias e nos assuntos nacionais e internacionais; nas nossas escolas, locais de trabalho e mídia e nas nossas instituições jurídicas, sociais e políticas. Nós, portanto, instamos a Comissão a encorajar o sistema inteiro das Nações Unidas a incorporar o princípio da cidadania mundial em todos seus programas e atividades.
A Comunidade Internacional Baha'i, que há mais de um século vem promovendo a cidadania mundial, aceitaria de bom grado ajudar a Comissão, os Governos, as ONG’s e outros a ampliarem os conceitos contidos neste documento; fornecer modelos práticos de unidade racial, religiosa, nacional e étnica para o desenvolvimento sustentável; e participar de consultas sobre esta questão crucial. Como uma comunidade global que abarca a diversidade da humanidade e compartilha uma visão comum, a Comunidade Internacional Baha'i continuará a promover o desenvolvimento sustentável, encorajando as pessoas a se considerarem cidadãos de um só mundo e construtores de uma civilização mundial justa e próspera.
NOTAS
(1) Agenda 21, Capítulo 1.6.
(2) Um dos temas mais frequentemente repetidos da Agenda 21 é a importância vital da "ampla participação pública na tomada de decisões"; "comprometimento e envolvimento genuíno de todos os grupos sociais"; "verdadeira parceria social"; e "novos níveis de cooperação entre Estados, setores chaves da sociedade e pessoas".
(3) A chamada por uma ética global foi levantada muitas vezes durante o processo da UNCED, especialmente na Cúpula da Terra e no Fórum Global, por Chefes de Estado, oficiais da ONU e Representantes das ONG’s; através de documentos oficiais da UNCED, tratados de ONG’s, oficinas de trabalho, livros e apresentações artísticas.Os seguintes exemplos são apenas alguns dos muitos:
- Os discursos na Cúpula da Terra pelo Presidente do Brasil; o Presidente da França; o Primeiro Ministro da Irlanda; o Primeiro Ministro do Japão; o Presidente da República das Ilhas Marshall; o Presidente dos Estados Unidos Mexicanos; o Príncipe do Reino do Marrocos; o Primeiro Ministro do Reino dos Países Baixos; o Primeiro Ministro da Turquia; o Primeiro Ministro de Tuvalu; o Secretário de Estado da Santa Sé e o Secretário Geral da UNCED;
- Tratados de ONG’s preparados no Fórum Global, inclusive O Tratado dos Jovens; A Carta da Terra; A Declaração do Rio de janeiro; A Declaração do Poro da Terra; O Tratado de Educação Ambiental para Sociedades Sustentáveis e Responsabilidade Global e O Tratado de Compromissos Éticos;
- Atividades do Fórum Global, inclusive a Série Noturna no Parque, refletindo "a diversidade cultural da Família Humana" e o Monumento à Paz, cuja inscrição reza, "A Terra é um só país, e os seres humanos seus cidadãos";
- Declarações e publicações de governos, agências da ONU e ONG’s para as diversas Sessões Preparatórias e outros eventos relacionados à UNCED, inclusive O Código Universal de Conduta Ambiental (Simpósio ONG/Mídia, outubro de 1990); Em Nossas Mãos. As Mulheres e as Crianças Primeiro (Relatório do Simpósio UNCED/UNICEF/FNUAP, maio de 1991); A Carta da Terra (Rede de cidadãos dos EUA sobre UNCED, julho de 1991); Comunidade de uma Única Terra (O Grupo de Trabalho das Comunidades Religiosas sobre UNCED, agosto de 1991); Cuidando da Terra (IUCN/PNUMA/WWF,outubro de 1991); Uma Carta da Terra (Comitê Internacional de Coordenação sobre a Religião e a Terra, 199 1); Agenda Ta Wananchi (Raízes do Futuro, dezembro de 1991); Uma Ética Ambiental ou Carta da Terra (PNUMA - Comitê Nacional do Reino Unido, fevereiro de 1992); Princípios sobre Direitos e Obrigações Gerais (documento da Assembléia Geral A/CONF.151/PC/ WG.III/L.28,9 março 1992); Carta da Terra, Japão (Fórum dos Povos, Japão, 1992); Carta para o Conserto da Terra (Fundação para o Conserto da Terra, 1992);e NossoPaís, O Planeta (Sir Shridath Ramphal, 1992).
(4) Declaração do Rio sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, Preâmbulo.
(5) Ver, por exemplo, A Declaração do Rio sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, Princípios 5, 8, 20, 25; e Agenda 21, Capítulos 1, 2, 3, 23, 24 e 36.
(6) Ver A Declaração do Rio sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento, Princípio 25.
(7) Dentro do contexto da cidadania mundial, este programa deve ser "executado pelos vários agentes conforme as diferentes situações, capacidades e prioridades dos países e regiões" (Agenda 21, Capítulo 1.6.).
(8) A Agenda 21, Capítulo 36.3., afirma que "A educação... deveria ser reconhecida como um processo pelo qual os seres humanos e as sociedades podem alcançar seu mais alto potencial. A educação é fator crítico na promoção do desenvolvimento sustentável e na capacitação das pessoas para lidarem com questões de meio ambiente e desenvolvimento.... Tanto a educação não-formal quanto formal são indispensáveis para a mudança das atitudes das pessoas.... Outrossim, é de fundamental importância na formação de uma consciência, valores e atitudes ecológicas que sejam coerentes com o desenvolvimento sustentável e adequados para a participação efetiva do público na tomada de decisões. Para ser eficaz,... a educação... deveria tratar da dinâmica do meio ambiente físico/biológico e do meio sócio-econômico, assim como do desenvolvimento humano (incluindo, o espiritual)".
(9) A Agenda 21, Capítulo 36.9., chama a atenção à importância de se promover "ampla conscientização pública, como parte essencial de um esforço global de educação para fortalecer as atitudes, valores e ações que forem compatíveis com o desenvolvimento sustentável".
O maior desafio que a comunidade mundial enfrenta na mobilização para implementar a Agenda 21 é o de liberar os enormes recursos financeiros, técnicos, humanos e morais necessários ao desenvolvimento sustentável. Tais recursos somente serão liberados na medida em que os povos do mundo desenvolvam um profundo senso de responsabilidade pelo destino do planeta e pelo bem-estar da inteira família humana.
Este senso de responsabilidade somente poderá emergir da aceitação da unidade da humanidade, e somente será sustentado por uma visão unificadora de uma sociedade mundial pacífica e próspera. Sem esse tipo de ética global, as pessoas não poderão se tornar participantes ativos e construtivos no processo mundial de desenvolvimento sustentável.2
Ainda que a Agenda 21 forneça um arcabouço indispensável de conhecimento científico e "know-how" técnico para a implementação do desenvolvimento sustentável, ela não inspira um compromisso pessoal a uma ética global. Isso não significa que a ética e os valores tenham sido desconsiderados durante o processo da Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento (UNCED). A chamada por valores unificadores foi levantada durante todo aquele processo, por Chefes de Estado, oficiais da ONU, representantes de organizações não-governamentais (ONG’s) e cidadãos individuais. Em particular, os conceitos de "nossa humanidade comum", "cidadania mundial" e "unidade na diversidade" foram invocados para servirem como o sustento ético para a Agenda 21 e a Declaração do Rio.3
Assim, a comunidade mundial já chegou a um acordo básico sobre a necessidade de uma ética global para vitalizar a Agenda 21. Sugerimos que a expressão, cidadania mundial, seja adotada para englobar o conjunto dos princípios, valores, atitudes e comportamentos que os povos do mundo devem adotar para a realização do desenvolvimento sustentável.
A cidadania mundial começa com a aceitação da unidade da família humana e a interconexão das nações da "Terra, nosso lar".4 Ao mesmo tempo que incentiva um patriotismo são e legítimo, ela insiste também numa lealdade mais ampla, um amor à humanidade como um todo. Não implica, entretanto, no abandono de lealdades legítimas, na supressão da diversidade cultural, na abolição da autonomia nacional ou na imposição da uniformidade. Ela é caracterizada pela "unidade na diversidade". A cidadania mundial engloba os princípios de justiça social e econômica, entre as nações e dentro das mesmas; a tomada de decisões de maneira cooperativa em todos os níveis da sociedade; a igualdade dos sexos; a harmonia racial, étnica, nacional e religiosa; e, a disposição de sacrificar-se pelo bem comum. Outras facetas da cidadania mundial - todas as quais promovem a honra e a dignidade humanas, a compreensão, a amizade, a cooperação, a confiabilidade, a compaixão e o desejo de servir -podem ser deduzidas daquelas já mencionadas. Alguns destes princípios5 têm sido articulados na Agenda 21; entretanto, a maioria chama a atenção pela sua ausência. Outrossim, não foi fornecido nenhum arcabouço conceitual sob o qual eles pudessem ser harmonizados e promulgados.
Fomentar a cidadania mundial é uma estratégia prática para promover o desenvolvimento sustentável. Enquanto a desunião, o antagonismo e o provincialismo caracterizarem as relações sociais, políticas e econômicas dentro e entre as nações, um padrão global e sustentável de desenvolvimento não poderá ser estabelecido.6 Há mais de um século, Bahá’u’lláh advertiu, "O bem-estar da humanidade, sua paz e segurança, são inatingíveis, a não ser e até que se estabeleça firmemente sua unidade". Uma sociedade global sustentável somente poderá ser construída sobre o alicerce de unidade, harmonia e compreensão genuínas entre os diversos povos e nações do mundo.
Portanto, recomendamos que a cidadania mundial seja ensinada em todas as escolas e que a unidade da humanidade – o princípio que fundamenta a cidadania mundial – seja constantemente declarado em cada nação.
O conceito de cidadania mundial não é novo para a comunidade mundial. Ele está implícito e explícito em muitos documentos, cartas e acordos da ONU, inclusive nas primeiras palavras da própria Carta da ONU: "Nós, os povos das Nações Unidas...", e já está sendo promovido ao redor do mundo em todas as culturas por diversas ONG’s, acadêmicos, grupos de cidadãos, artistas, programas educativos e pela mídia. Tais esforços são significativos, mas precisam ser largamente ampliados. Uma campanha de longo prazo, cuidadosamente planejada e orquestrada, e envolvendo todos os setores da sociedade em nível local, nacional e internacional, precisa ser iniciada para fomentar a cidadania mundial. A mesma deve ser prosseguida com todo o vigor, coragem moral e convicção que as Nações Unidas, seus Estados membros e todos os parceiros que estiverem dispostos a colaborar, possam reunir.
A Promoção Da Cidadania Mundial
A seguinte proposta de uma campanha para promover a cidadania mundia7 cabe naturalmente dentro do arcabouço para a reorientação da educação, conscientização e capacitação visando o desenvolvimento sustentável, conforme apresentado no Capitulo 36 da Agenda 21.
A Educação
A educação – formal, não-formal e informal – é, sem dúvida, a maneira mais eficaz de moldar os valores, atitudes, comportamentos e habilidades que capacitarão os povos do mundo a agirem de acordo com os interesses de longo prazo do planeta e da humanidade como um todo.8 As Nações Unidas, os governos e as agências educacionais deveriam procurar tomar o princípio da cidadania mundial parte integrante da educação de cada criança.
Os detalhes dos programs e atividades educativas incorporando tal princípio irão variar muito entre as nações e dentro das mesmas. Entretanto, para que a cidadania mundial seja considerada um principio universal, todos os programas deverão ter certos aspectos em comum. Baseados no princípio da unidade da raça humana, eles deveriam cultivar a tolerância e a fraternidade, fomentando uma apreciação pela riqueza e importância dos diversos sistemas culturais, religiosos e sociais do mundo e fortalecendo aquelas tradições que contribuem para uma civilização mundial sustentável. Eles deveriam ensinar o princípio da "unidade na diversidade" como a chave para o poder e a riqueza, tanto para as nações quanto para a comunidade mundial. Deveriam fomentar uma ética de serviço ao bem comum e incutir uma compreensão dos direitos e responsabilidades da cidadania mundial. Tais programas e atividades deveriam partir dos esforços positivos do país e realçar seus sucessos tangíveis, incluindo modelos de unidade racial, religiosa, nacional e étnica. Deveriam enfatizar a importância da ONU na promoção de cooperação e compreensão globais; suas metas, objetivos e programas universais; sua relevância imediata aos povos e nações do mundo; e o papel que ela deve continuamente assumir em nosso mundo cada vez mais interconectado.
Antes que seja iniciada uma campanha para promover a cidadania mundial, será preciso desenvolver uma compreensão comum do conceito e alcançar um consenso sobre o mesmo. A Comissão para o Desenvolvimento Sustentável poderia formar um comitê especial ou grupo de trabalho para começar a desenvolver diretrizes para a cidadania mundial e propostas para a incorporação deste princípio nos programas existentes de educação formal c não-formal. Alternativamente, a Comissão poderia buscar a ajuda do Conselho Assessor de Alto Nível para o Desenvolvimento Sustentável ou o Comitê Inter-Agência sobre o Desenvolvimento Sustentável. O Secretariado da ONU poderia estabelecer um Centro para a Cidadania Mundial, semelhante ao antigo Centro de Estudos da Paz, para desenvolver tais diretrizes e coordenar a implementação em todo o sistema da educação para a cidadania mundial. Qualquer que seja o caminho escolhido-, esta tarefa terá que receber alta prioridade.
A cidadania mundial poderia facilmente ser incorporada em todas as atividades sugeridas no Capitulo 36. S. da Agenda 21, para reorientar a educação na direção do desenvolvimento sustentável. Alguns exemplos são ilustrativos:
As assessorias nacionais /mesas redondas (36.5.c) deveriam facilitar a incorporação da cidadania mundial nos programas educacionais dentro do país.
Os programas de treinamento e aperfeiçoamento para todos os professores, administradores, planejadores educacionais e educadores não-formais (36.5.d) deveriam incluir o princípio da cidadania mundial nas suas programações.
Os materiais educativos sobre o desenvolvimento sustentável produzidos pelas agências da ONU, bem como os materiais educativos sobre as Nações Unidas, deveriam incentivar a cidadania mundial (36.5.g).
A Agenda 21 recomenda "o desenvolvimento de uma rede internacional" para apoiar os esforços globais de educação para o desenvolvimento sustentável (36.5.k). Tal rede poderia incentivar as agências das Nações Unidas e ONG’s afiliadas a criarem materiais baseados nas diretrizes para a cidadania mundial e providenciarem os meios de compartilhá-los.
Os governos e as autoridades educacionais já foram instados a "eliminar os estereótipos baseados em gênero nos currículos", como um meio de promover o desenvolvimento sustentável (36.5.m). Recomendamos que, dentro do espírito de cidadania mundial, os estereótipos baseados em religião, cultura, raça, classe, nacionalidade e etnicidade sejam também eliminados.
A Conscientização Do Público
As pessoas precisam considerar-se cidadãos do mundo entender sua responsabilidade de promoverem o desenvolvimento sustentável.9 As campanhas de conscientização dos desafios da cidadania mundial devem aproveitar toda a mídia e as artes, inclusive a televisão, vídeo, cinema, rádio, redes eletrônicas, livros, revistas, cartazes, panfletos, teatro c música. Tais campanhas deveriam envolver as indústrias de publicidade e entretenimento, os meios tradicionais e não tradicionais de comunicação, o sistema inteiro das Nações Unidas, todos os Estados membros, as ONG’s e personalidades populares. Elas deveriam alcançar o lar, o local de trabalho, as áreas públicas e as escolas. As diretrizes para a cidadania mundial cujo estabelecimento foi recomendado acima devem ser adequadas para uso em tais campanhas de conscientização, e devem servir como a referência básica para toda a programação para a mídia.
A cidadania mundial poderia ser incluída nas atividades apresentadas no Capítulo 36.10. da Agenda 21, para aumentar a consciência e a sensibilidade do público em relação ao desenvolvimento sustentável. Os seguintes exemplos são ilustrativos:
Conselhos assessores nacionais e internacionais (36.10.a) poderiam incentivar os diversos meios de comunicação a adotarem as diretrizes para a cidadania mundial. A mídia tem feito muito para conscientizar o público sobre a interdependência global e os enormes desafios que a comunidade mundial enfrenta. Tem, também, realçado as diferenças aparentemente insuperáveis que nos dividem.
A mídia tem a responsabilidade de ajudar as pessoas a entenderem que a diversidade não precisa ser uma fonte de conflito; antes, a diversidade pode, e agora deve, servir como um recurso para o desenvolvimento sustentável. A mídia poderá alcançar esta meta, focalizando os empreendimentos construtivos, unificadores e cooperativos que comprovam a capacidade da humanidade de trabalhar junto para vencer os enormes desafios que ela enfrenta.
Ao promover "um relacionamento cooperativo com a mídia" (36.10.e), a ONU deve corajosamente definir sua própria identidade e a promessa que ela oferece à comunidade mundial. A Organização das Nações Unidas foi estabelecida com elevados ideais e uma visão de um mundo pacífico e progressivo. Fornecendo um arcabouço para a comunicação e a cooperação e iniciando inúmeros projetos construtivos, ela tem contribuído significativamente para a compreensão, esperança e boa vontade no mundo. Contudo, suas realizações são pouco conhecidas pela humanidade em geral.
Usando o conceito de cidadania mundial como tema integrador, as Nações Unidas deveriam divulgar seus ideais, atividades e metas, para que as pessoas venham a entender o papel único e vital que a ONU desempenha no mundo e, portanto, nas suas vidas. Semelhantemente, a ONU deveria promover a cidadania mundial em todas as suas atividades públicas, inclusive nas comemorações do quinquagésimo aniversário das Nações Unidas e nos passeios pela Sede da ONU. Cada documento da ONU que trata do desenvolvimento sustentável, a começar pelo preâmbulo da proposta Carta da Terra, deveria também incluir esse principio. A cidadania mundial deve-se tomar o ponto de referência ético mais importante em todas as atividades da ONU.
Os serviços da indústria de publicidade (36.10.e) devem ser recrutados para a promoção da cidadania mundial. Campanhas poderiam ser organizadas ao redor de temas tais como:
Nós, os Povos das Nações Unidas:
Celebrando a Unidade na Diversidade
Um Planeta, Um só Povo
Em Toda Nossa Diversidade,
Nós Somos uma só Família Humana
Nosso Futuro Comum:
A Unidade na Diversidade
Concursos deveriam ser realizados e prêmios concedidos pela promoção da cidadania mundial (36.10.e).
Enquanto conscientiza o público "sobre os impactos da violência na sociedade" (36.10.1), a mídia pode gerar um compromisso para com a cidadania mundial, realçando exemplos de empreendimentos construtivos e unificadores que mostram o poder da unidade e de uma visão comum.
Cada país deveria ser encorajado a alocar recursos para a promoção da cidadania mundial. Também deve-se considerar incluir nos propostos "indicadores do desenvolvimento sustentável" (40.6.) a promoção deste princípio. Por exemplo, os países poderiam ser incentivados a relatarem os esforços para promover o respeito e a apreciação das outras culturas, a igualdade dos sexos e o conceito de uma única família humana, através dos currículos escolares, do entretenimento e da mídia.
O Desafio Da Cidadania Mundial
Em conclusão, a cidadania mundial é um conceito tão desafiador e dinâmico quanto as oportunidades que a comunidade mundial enfrenta. A sabedoria exige que nós, os povos e nações do mundo, corajosamente adotemos seus princípios subjacentes e nos guiemos por eles em todos os aspectos das nossas vidas - nas nossas relações pessoais e comunitárias e nos assuntos nacionais e internacionais; nas nossas escolas, locais de trabalho e mídia e nas nossas instituições jurídicas, sociais e políticas. Nós, portanto, instamos a Comissão a encorajar o sistema inteiro das Nações Unidas a incorporar o princípio da cidadania mundial em todos seus programas e atividades.
A Comunidade Internacional Baha'i, que há mais de um século vem promovendo a cidadania mundial, aceitaria de bom grado ajudar a Comissão, os Governos, as ONG’s e outros a ampliarem os conceitos contidos neste documento; fornecer modelos práticos de unidade racial, religiosa, nacional e étnica para o desenvolvimento sustentável; e participar de consultas sobre esta questão crucial. Como uma comunidade global que abarca a diversidade da humanidade e compartilha uma visão comum, a Comunidade Internacional Baha'i continuará a promover o desenvolvimento sustentável, encorajando as pessoas a se considerarem cidadãos de um só mundo e construtores de uma civilização mundial justa e próspera.
NOTAS
(1) Agenda 21, Capítulo 1.6.
(2) Um dos temas mais frequentemente repetidos da Agenda 21 é a importância vital da "ampla participação pública na tomada de decisões"; "comprometimento e envolvimento genuíno de todos os grupos sociais"; "verdadeira parceria social"; e "novos níveis de cooperação entre Estados, setores chaves da sociedade e pessoas".
(3) A chamada por uma ética global foi levantada muitas vezes durante o processo da UNCED, especialmente na Cúpula da Terra e no Fórum Global, por Chefes de Estado, oficiais da ONU e Representantes das ONG’s; através de documentos oficiais da UNCED, tratados de ONG’s, oficinas de trabalho, livros e apresentações artísticas.Os seguintes exemplos são apenas alguns dos muitos:
- Os discursos na Cúpula da Terra pelo Presidente do Brasil; o Presidente da França; o Primeiro Ministro da Irlanda; o Primeiro Ministro do Japão; o Presidente da República das Ilhas Marshall; o Presidente dos Estados Unidos Mexicanos; o Príncipe do Reino do Marrocos; o Primeiro Ministro do Reino dos Países Baixos; o Primeiro Ministro da Turquia; o Primeiro Ministro de Tuvalu; o Secretário de Estado da Santa Sé e o Secretário Geral da UNCED;
- Tratados de ONG’s preparados no Fórum Global, inclusive O Tratado dos Jovens; A Carta da Terra; A Declaração do Rio de janeiro; A Declaração do Poro da Terra; O Tratado de Educação Ambiental para Sociedades Sustentáveis e Responsabilidade Global e O Tratado de Compromissos Éticos;
- Atividades do Fórum Global, inclusive a Série Noturna no Parque, refletindo "a diversidade cultural da Família Humana" e o Monumento à Paz, cuja inscrição reza, "A Terra é um só país, e os seres humanos seus cidadãos";
- Declarações e publicações de governos, agências da ONU e ONG’s para as diversas Sessões Preparatórias e outros eventos relacionados à UNCED, inclusive O Código Universal de Conduta Ambiental (Simpósio ONG/Mídia, outubro de 1990); Em Nossas Mãos. As Mulheres e as Crianças Primeiro (Relatório do Simpósio UNCED/UNICEF/FNUAP, maio de 1991); A Carta da Terra (Rede de cidadãos dos EUA sobre UNCED, julho de 1991); Comunidade de uma Única Terra (O Grupo de Trabalho das Comunidades Religiosas sobre UNCED, agosto de 1991); Cuidando da Terra (IUCN/PNUMA/WWF,outubro de 1991); Uma Carta da Terra (Comitê Internacional de Coordenação sobre a Religião e a Terra, 199 1); Agenda Ta Wananchi (Raízes do Futuro, dezembro de 1991); Uma Ética Ambiental ou Carta da Terra (PNUMA - Comitê Nacional do Reino Unido, fevereiro de 1992); Princípios sobre Direitos e Obrigações Gerais (documento da Assembléia Geral A/CONF.151/PC/ WG.III/L.28,9 março 1992); Carta da Terra, Japão (Fórum dos Povos, Japão, 1992); Carta para o Conserto da Terra (Fundação para o Conserto da Terra, 1992);e NossoPaís, O Planeta (Sir Shridath Ramphal, 1992).
(4) Declaração do Rio sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, Preâmbulo.
(5) Ver, por exemplo, A Declaração do Rio sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, Princípios 5, 8, 20, 25; e Agenda 21, Capítulos 1, 2, 3, 23, 24 e 36.
(6) Ver A Declaração do Rio sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento, Princípio 25.
(7) Dentro do contexto da cidadania mundial, este programa deve ser "executado pelos vários agentes conforme as diferentes situações, capacidades e prioridades dos países e regiões" (Agenda 21, Capítulo 1.6.).
(8) A Agenda 21, Capítulo 36.3., afirma que "A educação... deveria ser reconhecida como um processo pelo qual os seres humanos e as sociedades podem alcançar seu mais alto potencial. A educação é fator crítico na promoção do desenvolvimento sustentável e na capacitação das pessoas para lidarem com questões de meio ambiente e desenvolvimento.... Tanto a educação não-formal quanto formal são indispensáveis para a mudança das atitudes das pessoas.... Outrossim, é de fundamental importância na formação de uma consciência, valores e atitudes ecológicas que sejam coerentes com o desenvolvimento sustentável e adequados para a participação efetiva do público na tomada de decisões. Para ser eficaz,... a educação... deveria tratar da dinâmica do meio ambiente físico/biológico e do meio sócio-econômico, assim como do desenvolvimento humano (incluindo, o espiritual)".
(9) A Agenda 21, Capítulo 36.9., chama a atenção à importância de se promover "ampla conscientização pública, como parte essencial de um esforço global de educação para fortalecer as atitudes, valores e ações que forem compatíveis com o desenvolvimento sustentável".
Den största utmaningen som möter världssamfundet, när det samlar sig för att förverkliga Agenda 21, blir att frigöra de enorma ekonomiska, tekniska, mänskliga och moraliska resurser som krävs för en hållbar utveckling. Dessa resurser kan endast frigöras, när världens folk utvecklar en djup känsla av ansvar för planetens öde och hela den mänskliga familjens välfärd.
Denna ansvarskänsla kan endast utvecklas ur ett erkännande av mänsklighetens enhet och kan endast upprätthållas av en förenande vision av ett fredligt och välmående världssamhälle. Utan en sådan global etik kommer folk att vara oförmögna att bli aktiva, konstruktiva deltagare i det världsomspännande genomförandet av hållbar utveckling. "2
Agenda 21 ger en oumbärlig ram till vetenskaplig kunskap och tekniskt vetande för förverkligandet av hållbar utveckling. Den inspirerar emellertid inte till personligt engagemang för en global etik. Detta betyder inte att etik och värderingar förbisågs under genomförandet av FN:s konferens om miljö och utveckling, UNCED. Yrkanden på förenande värderingar hördes genomgående under denna från såväl statsöverhuvuden som FN-ämbetsmän, representanter för icke-statliga organisationer och enskilda medborgare. Särskilt blev idéer såsom "enighet i mångfald", "världsmedborgarskap" och "vår gemensamma mänsklighet" åberopade att tjäna som etiskt underlag för Agenda 21 och Rio-deklarationen.3
Världssamfundet har således redan kommit till ett grundläggande samförstånd om behovet av en global etik för att ge livskraft åt Agenda 21. Vi föreslår att begreppet världsmedborgarskap antas för att omfatta den konstellation av principer, värderingar, attityder och beteenden som världens folk måste anamma om hållbar utveckling skall kunna förverkligas.
Världsmedborgarskap börjar med ett accepterande av den mänskliga familjens enhet och nationernas samhörighet på "jorden, vårt hem".4 Emedan det uppmuntrar en sund och rättmätig patriotism, vidhåller det också en mer omfattande lojalitet, en kärlek till mänskligheten som helhet. Det innebär däremot inte att överge legitima lojaliteter, undertrycka kulturell mångfald, avskaffa nationell självständighet och ej heller att påtvinga någon likformighet. Dess kännetecken är "enighet i mångfald". Världsmedborgarskap omfattar principerna om social och ekonomisk rättvisa, såväl inom som mellan nationer; beslut som fattas utan motsättningar på alla nivåer i samhället; jämlikhet mellan könen; rasmässig, etnisk, nationell och religiös harmoni; viljan att göra uppoffringar för det gemensamma bästa. Andra aspekter av världsmedborgarskap - som alla främjar mänsklig heder och värdighet, förståelse, vänlighet, samarbete, tillförlitlighet, medkänsla och en önskan om att tjäna - kan härledas från dem som redan nämnts. Ett fåtal av dessa principer 5 har uttryckts i Agenda 21 - de flesta däremot är märkbart frånvarande. Vidare ges där ingen övergripande idéram, genom vilken de kan bringas i samklang och spridas.
Att främja världsmedborgarskap är en praktisk strategi för att stödja hållbar utveckling. Så länge som oenighet, fiendskap och provinsialism karakteriserar de sociala, politiska och ekonomiska relationerna inom och mellan nationer kan ett globalt, hållbart utvecklingsmönster inte etableras.6 För mer än ett hundra år sedan varnade Bahá’u’lláh: "Mänsklighetens välfärd, dess fred och säkerhet är omöjliga att uppnå såvida icke dess enighet är fast grundad". Ett hållbart globalt samhälle kan upprättas endast på en grund av äkta enighet, harmoni och förståelse mellan världens mångfaldiga folk och nationer.
Vi rekommenderar därför att det i varje skola undervisas om världsmedborgarskap och att mänsklighetens enhet - principen bakom världsmedborgarskap - ständigt hävdas i varje land.
Begreppet världsmedborgarskap är inte nytt för världssamfundet. Det är både underförstått och uttryckt i en mängd FN-dokument, deklarationer och överenskommelser inte minst i de inledande orden i FN-stadgan: "Vi, de Förenta Nationernas folk..." Det befrämjas redan över hela världen i alla kulturer av icke-statliga organisationer, akademiker, medborgargrupper, underhållare, utbildningsprogram, konstnärer och media. Dessa ansträngningar är betydelsefulla men behöver kraftigt förstärkas. En över lång tid omsorgsfullt planerad och välorganiserad kampanj med syfte att främja världsmedborgarskap, vilken involverar alla samhällssektorer - lokala, nationella och internationella - måste igångsättas. Den måste fullföljas med all den energi, moraliskt mod och övertygelse som Förenta Nationerna, dess medlemsstater och andra villiga parter kan uppbåda.
Befordrandet Av Världsmedborgarskap
Följande förslag till en kampanj för att främja världsmedborgarskap7 passar naturligt in i ramen för den omorientering av utbildning, allmänhetens medvetenhet och fostran mot en hållbar utveckling, som presenteras i kapitel 36 av Agenda 21.
Utbildning
Utbildning - såväl formell som icke-formell - är obestridligen det mest effektiva sättet att skapa värderingar, förhållningssätt, uppträdanden och färdigheter som gör världens folk i stånd att handla för jordens och hela mänsklighetens långsiktiga intressen.8 Förenta Nationerna, regeringar och utbildningsorgan bör arbeta för att principen om världsmedborgarskap skall ingå i alla barns grundutbildning.
Detaljerna i utbildningsprogrammen och aktiviteterna som införlivar denna princip kommer att variera en hel del inom och mellan nationer. Men om världsmedborgarskap skall förstås som en universell princip måste alla program ha vissa gemensamma aspekter. Då de är baserade på principen om den mänskliga rasens enhet, bör de odla tolerans och broderskap, ge näring åt en uppskattning av rikedomen i och betydelsen av världens olika kulturella, religiösa och sociala system och stärka de traditioner som bidrar till en hållbar världscivilisation. De borde lära ut principen om "enighet i mångfald" som nyckeln till såväl styrka som välstånd för både nationer och världssamfundet. De bör stödja en tjänandets etik för det gemensamma bästa och förmedla en förståelse för både rättigheterna och ansvaret i världsmedborgarskap. Dessa program och aktiviteter bör bygga på landets positiva ansträngningar och belysa landets faktiska framgångar, inklusive modeller för rasmässig, religiös, nationell och etnisk enighet. De bör understryka FN:s betydelse i främjandet av globalt samarbete och förståelse; dess universella mål och program, dess omedelbara relevans för världens folk och nationer, och den roll som FN alltmer måste ta på sig i vår ständigt krympande värld.
Innan en kampanj för att befordra världsmedborgarskap igångsättes, måste man komma överens om och utveckla en gemensam förståelse av begreppet. Kommissionen för hållbar utveckling skulle kunna bilda en särskild kommitté eller arbetsgrupp för att påbörja utvecklandet av riktlinjer för världsmedborgarskap och förslag för inlemmandet av denna princip i de redan existerande formella och informella utbildningsprogrammen. Alternativt kunde kommissionen söka hjälp hos the High Level Advisory Board on Sustainable Development eller the Inter-Agency Committee on Sustainable Development. FN:s sekretariat skulle dessutom kunna välja att bilda en World Citizenship Unit, liknande förutvarande Peace Studies Unit, för att utveckla riktlinjerna och koordinera det systemomfattande genomförandet av fostran i världsmedborgarskap. Vilken väg man än väljer, måste denna uppgift ges hög prioritet.
Världsmedborgarskap kan införlivas i alla de aktiviteter som föreslås i kapitel 36.5 i Agenda 21 för omorientering av utbildning mot en hållbar utveckling. Några få exempel illustrerar detta:
Nationella rådgivande samordningsorgan (36.5.c) borde främja införlivandet av världsmedborgarskap i utbildningsprogram inom landet.
Förberedande och interna utbildningsprogram för alla lärare, administratörer, utbildningsplanerare och icke-formella lärare (36.5.d) borde inkludera principen världsmedborgarskap i sina program.
Såväl undervisningsmaterial om hållbar utveckling utgivet av FN-kontor som undervisningsmaterial om Förenta Nationerna bör uppmuntra världsmedborgarskap (36.5.g)
Agenda 21 yrkar på "utvecklingen av ett internationellt nätverk" för att stödja globala ansträngningar i utbildningen i hållbar utveckling (36.5.k). Detta nätverk kunde stödja både FN-kontor och medlemmar av icke-statliga organisationer att framställa material baserat på riktlinjerna för världsmedborgarskap och ge medel för att dela dem.
Regeringar och undervisningsorgan har redan uppmanats att "undanröja könsstereotyperna i läroplaner" som ett medel för att främja hållbar utveckling (36.5.m). Vi vill rekommendera att, i världsmedborgarskapets anda, även klichéer baserade på religion, kultur, ras, klass, nationalitet och etnisk bakgrund avskaffas.
Allmänhetens Medvetenhet
Varje människa behöver se sig själv som världsmedborgare och inse sitt personliga ansvar i att främja hållbar utveckling.9 Kampanjer för att öka allmänhetens medvetenhet om de utmaningar som ett världsmedborgarskap skulle innebära, måste till fullo utnyttja medierna och konstarterna till exempel television, video, film, radio, elektroniska nätverk, böcker, tidskrifter, affischer, flygblad, teater och musik. Dessa kampanjer bör värva reklam- och underhållningsindustrierna, media - både traditionella och otraditionella - hela FN-systemet, alla medlemsstater, icke-statliga organisationer och populära personligheter. De bör nå ut till hemmet, arbetsplatsen, offentliga platser och skolor. Riktlinjerna för världsmedborgarskap som efterlyses ovan, bör vara lämpliga att användas vid sådana kampanjer och bör tjäna som grundläggande referens för alla mediaprogram.
Världsmedborgarskap skulle kunna arbetas in i de aktiviteter som presenteras i kapitel 36.10 i Agenda 21 för att öka allmänhetens medvetenhet och mottaglighet för hållbar utveckling. Följande exempel illustrerar detta:
Nationella och internationella rådgivande organ (36.10.a) kunde uppmuntra olika media att anta riktlinjerna för världsmedborgarskap. Media har gjort mycket för att öka medvetenheten om globalt ömsesidigt beroende och den enorma utmaning som världssamfundet står inför. De har också visat på de till synes oöverstigliga skillnaderna som splittrar oss.
Media har ett ansvar att hjälpa människor att förstå att mångfald inte behöver vara en orsak till konflikt; mångfald kan och måste nu hellre tjäna som en källa till hållbar utveckling. De kan göra detta genom att fokusera på de konstruktiva, förenande och samverkande åtaganden som bevisar mänsklighetens förmåga till samarbete för att möta de enorma utmaningar som den står inför.
När man befrämjar "samarbete med media" (36.10.e) måste Förenta Nationerna djärvt definiera sin egen identitet och det hopp det innebär för världssamfundet. Förenta Nationerna grundades på höga ideal och med en vision om en fredlig, progressiv värld. Genom att ge en ram för kommunikation och samarbete och genom att initiera oräkneliga, konstruktiva projekt, har FN på ett betydande sätt bidragit till förståelse, hopp och välvilja i världen. Ändå är resultaten föga kända för folk i allmänhet.
Genom att använda begreppet världsmedborgarskap som ett genomgående tema borde Förenta Nationerna tillkännagiva sina ideal, aktiviteter och mål, så att människor förstår den enastående och vitala roll som FN spelar i världen och därför i deras liv. På liknande sätt bör FN befrämja världsmedborgarskap i alla sina offentliga aktiviteter, innefattande firandet av dess historiska milstolpar och FN-högkvarterets guidade turer. Varje FN-dokument som behandlar hållbar utveckling bör också inkludera denna princip - med en början i inledningen av det föreslagna Earth Charter. Världsmedborgarskap måste bli en etikens ledstjärna för alla FN-aktiviteter.
Reklamindustrins tjänster (36.10.e) bör engageras i att befrämja världsmedborgarskap. Kampanjer skulle kunna organiseras kring teman som:
Vi, de Förenta Nationernas folk: hyllar enighet i mångfald
En planet, ett folk
I all vår mångfald är vi en enda mänsklig familj
Vår gemensamma framtid; enighet i mångfald
Världsmedborgarskap bör främjas - internationellt. nationellt och lokalt - genom arrangerande av tävlingar och utdelande av utmärkelser (36.10.e).
Samtidigt som man höjer allmänhetens medvetenhet "vad beträffar våldets effekter på samhället" (36.10.l), kan media alstra ett engagemang för världsmedborgarskap genom att belysa exempel på konstruktiva, förenande åtaganden som visar styrkan i enighet och en gemensam vision.
Alla länder bör uppmuntras att anslå resurser för att befrämja världsmedborgarskap. Man bör dessutom överväga att bland föreslagna "indikatorer på hållbar utveckling" (40.6) införliva befrämjandet av denna princip. Länder bör, till exempel, uppmuntras att redogöra för ansträngningar att befordra tolerans och uppskattning av andra kulturer, jämlikhet mellan könen och begreppet att vi är en mänsklig familj genom läroplaner, underhållning och media.
Världsmedborgarskapets Utmaning
Sammmanfattningsvis, världsmedborgarskap är ett begrepp lika utmanande och dynamiskt som de möjlighteter världssamfundet står inför. Vi, världens folk och nationer, skulle göra klokt i att modigt anamma dess underliggande principer och låta oss vägledas av dem i alla aspekter av våra liv – från våra personliga och samhälleliga relationer till våra nationella och internationella angelägenheter; från våra skolor, arbetsplatser och media till våra juridiska , sociala och politiska institutioner. Vi anmodar därför kommissionen att uppmuntra hela FN-systemet till att införliva principen om världsmedborgarskap i hela spetrat av dess program och aktiviteter.
Bahá’í International Community, som under mer än ett århundrade har arbetat för världsmedborgarskap, skulle med glädje biträda kommissionen, regeringar, icke-statliga organisationer och andra att vidare utveckla de begrepp som beskrivs i detta dokument; att erbjuda praktiska modeller av rasmässig, religiös, nationell och etnisk enighet för hållbar utveckling; och att deltaga i konsultationer kring denna avgörande fråga. Som ett globalt samfund som omfattar mänsklighetens mångfald och som delar en gemensam vision, kommer Bahá’í International Community att fortsätta befrämja hållbar utveckling genom att uppmuntra människor att se sig själva som medborgare i en värld, byggare av en rättvis och välmående världscivilisation.
Noter
- De tal till Rio-konferensen som gavs av Brasiliens president; Frankrikes president; Irlands premiärminister; Japans premiärminister; Marshall-öarnas president; Mexicos president; Kronprinsen av Marocko; Nederländernas premiärminister; Turkiets premiärminister; Tuvalus premiärminister; Påvestolens utrikesminister; och generalsekreteraren för UNCED.
- De NGO-avtal som utarbetades under "Globalt forum" omfattade: The Youth Treaty; The Earth Charter; The Rio de Janeiro Declaration; The People’s Earth Declaration; The Treaty on Environmental Education for Sustainable Societies and Global Responsibility; och The Treaty of Ethical Commitments.
- Globalt forums aktiviteter, innefattande kvällsprogrammen i parken, vilka återspeglade "den mänskliga familjens kulturella mångfald"; och Fredsmonumentet, vars inskription lyder "Jorden är endast ett land och mänskligheten dess medborgare".
- Regeringars, FN-kontors och NCO uttalanden till de olika förberedelsekommittéernas möten och andra UNCED-relaterade händelser inkluderade The Universal Code of Evironmental Conduct (NGO/Media-symposiet, oktober 1990); In Our Hands: Women and Children First (Rapport från UNCED/UNICEF/UNFPA-symposiet, maj 1991); The Earth Charter (US Citizens Network on UNCED, juli 1991); One Earth Community (Arbetsgruppen för religiösa samfund i UNCED, augusti 1991); Caring for the Earth (IUCN/UNEP/WWF, oktober 1991); An Earth Charter (International Coordinating Committee on Religion and the Earth, 1991); Agenda Ya Wananchi (Roots of the Future, december 1991); An Environmental Ethic or Earth Charter (UNEP-UK National Committee, februari 1992); Principles on General Rights and Obligations (General Assernbly document, A/CONF,151/PC/WG.III/L.28,9, mars 1992); Earth Charter, Japan (Peoples Forum, Japan, 1992); Earth Repair Charter (Earth Repair Foundation, 1992); och Our Country, the Planet (Sir Shridath Ramphal, 1992).
Agenda 21, kapitel 1.6.
Ett av de mest frekventa upprepade teman i Agenda 21 är den stora betydelsen av "brett offentligt deltagande i beslutsfattande;" "förpliktelse och helhjärtad medverkan av alla sociala grupper;" "äkta socialt partnerskap;" och "nya nivåer av samarbete mellan stater, samhällens och folkgruppers nyckelområden".
Uppmaningen att anta en global etik hördes ofta under UNCED-processen, och särskilt intensivt på Rio-konferensen och Globalt forum, från statsöverhuvuden till FN-företrädare och representanter för icke-statliga organisationer; i officiella UNCED-dokument, NGO-avtal, arbetsgrupper, böcker och konstnärliga presentationer. Det följande är endast några få exempel:
Rio-deklarationen om miljö och utveckling, inledningen.
Se till exempel Rio-deklarationen om miljö och utveckling, principer nummer 5, 8, 20, 25; och Agenda 21 kapitel 1, 2, 3, 23, 24 och 36.
Se Rio-deklarationen om miljö och utveckling, princip 25.
Inom ramarna för principen om världsmedborgarskap bör detta program "genomföras av de olika aktörerna i enlighet med olika situationer, möjligheter och prioriteringar hos länderna och regionerna" (Agenda 21, kapitel 1.6).
Agenda 21, kapitel 36.3. bekräftar att " Undervisning… bör anses vara en process genom vilken människor och samhällen kan uppnå den högsta graden av självförverkligande. Utbildning är avgörande för att främja en hållbar utveckling och förbättra människors förmåga att lösa miljö- och utvecklingsproblem... Både formell och icke-formell utbildning är nödvändig för att ändra människors attityder... Den är också av avgörande betydelse för att uppnå medvetande om betydelsen av miljö och etik, värderingar, attityder, färdigheter och beteenden som är förenliga med hållbar utveckling och för att allmänheten effektivt skall kunna deltaga i beslutsprocessen. För att vara effektiv bör utbildning... omfatta dynamiken i såväl den fysiska/biologiska, sociala och ekonomiska miljön som människans utveckling (vilken kan inkludera andlig utveckling)."
Agenda 21, kapitel 36.9 uppmärksammar betydelsen av att främja "ett brett allmänt medvetande som ett väsentligt led i globala utbildningsinsatser för att stärka attityder, värderingar och åtgärder som är förenliga med hållbar utveckling."
Denna ansvarskänsla kan endast utvecklas ur ett erkännande av mänsklighetens enhet och kan endast upprätthållas av en förenande vision av ett fredligt och välmående världssamhälle. Utan en sådan global etik kommer folk att vara oförmögna att bli aktiva, konstruktiva deltagare i det världsomspännande genomförandet av hållbar utveckling. "2
Agenda 21 ger en oumbärlig ram till vetenskaplig kunskap och tekniskt vetande för förverkligandet av hållbar utveckling. Den inspirerar emellertid inte till personligt engagemang för en global etik. Detta betyder inte att etik och värderingar förbisågs under genomförandet av FN:s konferens om miljö och utveckling, UNCED. Yrkanden på förenande värderingar hördes genomgående under denna från såväl statsöverhuvuden som FN-ämbetsmän, representanter för icke-statliga organisationer och enskilda medborgare. Särskilt blev idéer såsom "enighet i mångfald", "världsmedborgarskap" och "vår gemensamma mänsklighet" åberopade att tjäna som etiskt underlag för Agenda 21 och Rio-deklarationen.3
Världssamfundet har således redan kommit till ett grundläggande samförstånd om behovet av en global etik för att ge livskraft åt Agenda 21. Vi föreslår att begreppet världsmedborgarskap antas för att omfatta den konstellation av principer, värderingar, attityder och beteenden som världens folk måste anamma om hållbar utveckling skall kunna förverkligas.
Världsmedborgarskap börjar med ett accepterande av den mänskliga familjens enhet och nationernas samhörighet på "jorden, vårt hem".4 Emedan det uppmuntrar en sund och rättmätig patriotism, vidhåller det också en mer omfattande lojalitet, en kärlek till mänskligheten som helhet. Det innebär däremot inte att överge legitima lojaliteter, undertrycka kulturell mångfald, avskaffa nationell självständighet och ej heller att påtvinga någon likformighet. Dess kännetecken är "enighet i mångfald". Världsmedborgarskap omfattar principerna om social och ekonomisk rättvisa, såväl inom som mellan nationer; beslut som fattas utan motsättningar på alla nivåer i samhället; jämlikhet mellan könen; rasmässig, etnisk, nationell och religiös harmoni; viljan att göra uppoffringar för det gemensamma bästa. Andra aspekter av världsmedborgarskap - som alla främjar mänsklig heder och värdighet, förståelse, vänlighet, samarbete, tillförlitlighet, medkänsla och en önskan om att tjäna - kan härledas från dem som redan nämnts. Ett fåtal av dessa principer 5 har uttryckts i Agenda 21 - de flesta däremot är märkbart frånvarande. Vidare ges där ingen övergripande idéram, genom vilken de kan bringas i samklang och spridas.
Att främja världsmedborgarskap är en praktisk strategi för att stödja hållbar utveckling. Så länge som oenighet, fiendskap och provinsialism karakteriserar de sociala, politiska och ekonomiska relationerna inom och mellan nationer kan ett globalt, hållbart utvecklingsmönster inte etableras.6 För mer än ett hundra år sedan varnade Bahá’u’lláh: "Mänsklighetens välfärd, dess fred och säkerhet är omöjliga att uppnå såvida icke dess enighet är fast grundad". Ett hållbart globalt samhälle kan upprättas endast på en grund av äkta enighet, harmoni och förståelse mellan världens mångfaldiga folk och nationer.
Vi rekommenderar därför att det i varje skola undervisas om världsmedborgarskap och att mänsklighetens enhet - principen bakom världsmedborgarskap - ständigt hävdas i varje land.
Begreppet världsmedborgarskap är inte nytt för världssamfundet. Det är både underförstått och uttryckt i en mängd FN-dokument, deklarationer och överenskommelser inte minst i de inledande orden i FN-stadgan: "Vi, de Förenta Nationernas folk..." Det befrämjas redan över hela världen i alla kulturer av icke-statliga organisationer, akademiker, medborgargrupper, underhållare, utbildningsprogram, konstnärer och media. Dessa ansträngningar är betydelsefulla men behöver kraftigt förstärkas. En över lång tid omsorgsfullt planerad och välorganiserad kampanj med syfte att främja världsmedborgarskap, vilken involverar alla samhällssektorer - lokala, nationella och internationella - måste igångsättas. Den måste fullföljas med all den energi, moraliskt mod och övertygelse som Förenta Nationerna, dess medlemsstater och andra villiga parter kan uppbåda.
Befordrandet Av Världsmedborgarskap
Följande förslag till en kampanj för att främja världsmedborgarskap7 passar naturligt in i ramen för den omorientering av utbildning, allmänhetens medvetenhet och fostran mot en hållbar utveckling, som presenteras i kapitel 36 av Agenda 21.
Utbildning
Utbildning - såväl formell som icke-formell - är obestridligen det mest effektiva sättet att skapa värderingar, förhållningssätt, uppträdanden och färdigheter som gör världens folk i stånd att handla för jordens och hela mänsklighetens långsiktiga intressen.8 Förenta Nationerna, regeringar och utbildningsorgan bör arbeta för att principen om världsmedborgarskap skall ingå i alla barns grundutbildning.
Detaljerna i utbildningsprogrammen och aktiviteterna som införlivar denna princip kommer att variera en hel del inom och mellan nationer. Men om världsmedborgarskap skall förstås som en universell princip måste alla program ha vissa gemensamma aspekter. Då de är baserade på principen om den mänskliga rasens enhet, bör de odla tolerans och broderskap, ge näring åt en uppskattning av rikedomen i och betydelsen av världens olika kulturella, religiösa och sociala system och stärka de traditioner som bidrar till en hållbar världscivilisation. De borde lära ut principen om "enighet i mångfald" som nyckeln till såväl styrka som välstånd för både nationer och världssamfundet. De bör stödja en tjänandets etik för det gemensamma bästa och förmedla en förståelse för både rättigheterna och ansvaret i världsmedborgarskap. Dessa program och aktiviteter bör bygga på landets positiva ansträngningar och belysa landets faktiska framgångar, inklusive modeller för rasmässig, religiös, nationell och etnisk enighet. De bör understryka FN:s betydelse i främjandet av globalt samarbete och förståelse; dess universella mål och program, dess omedelbara relevans för världens folk och nationer, och den roll som FN alltmer måste ta på sig i vår ständigt krympande värld.
Innan en kampanj för att befordra världsmedborgarskap igångsättes, måste man komma överens om och utveckla en gemensam förståelse av begreppet. Kommissionen för hållbar utveckling skulle kunna bilda en särskild kommitté eller arbetsgrupp för att påbörja utvecklandet av riktlinjer för världsmedborgarskap och förslag för inlemmandet av denna princip i de redan existerande formella och informella utbildningsprogrammen. Alternativt kunde kommissionen söka hjälp hos the High Level Advisory Board on Sustainable Development eller the Inter-Agency Committee on Sustainable Development. FN:s sekretariat skulle dessutom kunna välja att bilda en World Citizenship Unit, liknande förutvarande Peace Studies Unit, för att utveckla riktlinjerna och koordinera det systemomfattande genomförandet av fostran i världsmedborgarskap. Vilken väg man än väljer, måste denna uppgift ges hög prioritet.
Världsmedborgarskap kan införlivas i alla de aktiviteter som föreslås i kapitel 36.5 i Agenda 21 för omorientering av utbildning mot en hållbar utveckling. Några få exempel illustrerar detta:
Nationella rådgivande samordningsorgan (36.5.c) borde främja införlivandet av världsmedborgarskap i utbildningsprogram inom landet.
Förberedande och interna utbildningsprogram för alla lärare, administratörer, utbildningsplanerare och icke-formella lärare (36.5.d) borde inkludera principen världsmedborgarskap i sina program.
Såväl undervisningsmaterial om hållbar utveckling utgivet av FN-kontor som undervisningsmaterial om Förenta Nationerna bör uppmuntra världsmedborgarskap (36.5.g)
Agenda 21 yrkar på "utvecklingen av ett internationellt nätverk" för att stödja globala ansträngningar i utbildningen i hållbar utveckling (36.5.k). Detta nätverk kunde stödja både FN-kontor och medlemmar av icke-statliga organisationer att framställa material baserat på riktlinjerna för världsmedborgarskap och ge medel för att dela dem.
Regeringar och undervisningsorgan har redan uppmanats att "undanröja könsstereotyperna i läroplaner" som ett medel för att främja hållbar utveckling (36.5.m). Vi vill rekommendera att, i världsmedborgarskapets anda, även klichéer baserade på religion, kultur, ras, klass, nationalitet och etnisk bakgrund avskaffas.
Allmänhetens Medvetenhet
Varje människa behöver se sig själv som världsmedborgare och inse sitt personliga ansvar i att främja hållbar utveckling.9 Kampanjer för att öka allmänhetens medvetenhet om de utmaningar som ett världsmedborgarskap skulle innebära, måste till fullo utnyttja medierna och konstarterna till exempel television, video, film, radio, elektroniska nätverk, böcker, tidskrifter, affischer, flygblad, teater och musik. Dessa kampanjer bör värva reklam- och underhållningsindustrierna, media - både traditionella och otraditionella - hela FN-systemet, alla medlemsstater, icke-statliga organisationer och populära personligheter. De bör nå ut till hemmet, arbetsplatsen, offentliga platser och skolor. Riktlinjerna för världsmedborgarskap som efterlyses ovan, bör vara lämpliga att användas vid sådana kampanjer och bör tjäna som grundläggande referens för alla mediaprogram.
Världsmedborgarskap skulle kunna arbetas in i de aktiviteter som presenteras i kapitel 36.10 i Agenda 21 för att öka allmänhetens medvetenhet och mottaglighet för hållbar utveckling. Följande exempel illustrerar detta:
Nationella och internationella rådgivande organ (36.10.a) kunde uppmuntra olika media att anta riktlinjerna för världsmedborgarskap. Media har gjort mycket för att öka medvetenheten om globalt ömsesidigt beroende och den enorma utmaning som världssamfundet står inför. De har också visat på de till synes oöverstigliga skillnaderna som splittrar oss.
Media har ett ansvar att hjälpa människor att förstå att mångfald inte behöver vara en orsak till konflikt; mångfald kan och måste nu hellre tjäna som en källa till hållbar utveckling. De kan göra detta genom att fokusera på de konstruktiva, förenande och samverkande åtaganden som bevisar mänsklighetens förmåga till samarbete för att möta de enorma utmaningar som den står inför.
När man befrämjar "samarbete med media" (36.10.e) måste Förenta Nationerna djärvt definiera sin egen identitet och det hopp det innebär för världssamfundet. Förenta Nationerna grundades på höga ideal och med en vision om en fredlig, progressiv värld. Genom att ge en ram för kommunikation och samarbete och genom att initiera oräkneliga, konstruktiva projekt, har FN på ett betydande sätt bidragit till förståelse, hopp och välvilja i världen. Ändå är resultaten föga kända för folk i allmänhet.
Genom att använda begreppet världsmedborgarskap som ett genomgående tema borde Förenta Nationerna tillkännagiva sina ideal, aktiviteter och mål, så att människor förstår den enastående och vitala roll som FN spelar i världen och därför i deras liv. På liknande sätt bör FN befrämja världsmedborgarskap i alla sina offentliga aktiviteter, innefattande firandet av dess historiska milstolpar och FN-högkvarterets guidade turer. Varje FN-dokument som behandlar hållbar utveckling bör också inkludera denna princip - med en början i inledningen av det föreslagna Earth Charter. Världsmedborgarskap måste bli en etikens ledstjärna för alla FN-aktiviteter.
Reklamindustrins tjänster (36.10.e) bör engageras i att befrämja världsmedborgarskap. Kampanjer skulle kunna organiseras kring teman som:
Vi, de Förenta Nationernas folk: hyllar enighet i mångfald
En planet, ett folk
I all vår mångfald är vi en enda mänsklig familj
Vår gemensamma framtid; enighet i mångfald
Världsmedborgarskap bör främjas - internationellt. nationellt och lokalt - genom arrangerande av tävlingar och utdelande av utmärkelser (36.10.e).
Samtidigt som man höjer allmänhetens medvetenhet "vad beträffar våldets effekter på samhället" (36.10.l), kan media alstra ett engagemang för världsmedborgarskap genom att belysa exempel på konstruktiva, förenande åtaganden som visar styrkan i enighet och en gemensam vision.
Alla länder bör uppmuntras att anslå resurser för att befrämja världsmedborgarskap. Man bör dessutom överväga att bland föreslagna "indikatorer på hållbar utveckling" (40.6) införliva befrämjandet av denna princip. Länder bör, till exempel, uppmuntras att redogöra för ansträngningar att befordra tolerans och uppskattning av andra kulturer, jämlikhet mellan könen och begreppet att vi är en mänsklig familj genom läroplaner, underhållning och media.
Världsmedborgarskapets Utmaning
Sammmanfattningsvis, världsmedborgarskap är ett begrepp lika utmanande och dynamiskt som de möjlighteter världssamfundet står inför. Vi, världens folk och nationer, skulle göra klokt i att modigt anamma dess underliggande principer och låta oss vägledas av dem i alla aspekter av våra liv – från våra personliga och samhälleliga relationer till våra nationella och internationella angelägenheter; från våra skolor, arbetsplatser och media till våra juridiska , sociala och politiska institutioner. Vi anmodar därför kommissionen att uppmuntra hela FN-systemet till att införliva principen om världsmedborgarskap i hela spetrat av dess program och aktiviteter.
Bahá’í International Community, som under mer än ett århundrade har arbetat för världsmedborgarskap, skulle med glädje biträda kommissionen, regeringar, icke-statliga organisationer och andra att vidare utveckla de begrepp som beskrivs i detta dokument; att erbjuda praktiska modeller av rasmässig, religiös, nationell och etnisk enighet för hållbar utveckling; och att deltaga i konsultationer kring denna avgörande fråga. Som ett globalt samfund som omfattar mänsklighetens mångfald och som delar en gemensam vision, kommer Bahá’í International Community att fortsätta befrämja hållbar utveckling genom att uppmuntra människor att se sig själva som medborgare i en värld, byggare av en rättvis och välmående världscivilisation.
Noter
- De tal till Rio-konferensen som gavs av Brasiliens president; Frankrikes president; Irlands premiärminister; Japans premiärminister; Marshall-öarnas president; Mexicos president; Kronprinsen av Marocko; Nederländernas premiärminister; Turkiets premiärminister; Tuvalus premiärminister; Påvestolens utrikesminister; och generalsekreteraren för UNCED.
- De NGO-avtal som utarbetades under "Globalt forum" omfattade: The Youth Treaty; The Earth Charter; The Rio de Janeiro Declaration; The People’s Earth Declaration; The Treaty on Environmental Education for Sustainable Societies and Global Responsibility; och The Treaty of Ethical Commitments.
- Globalt forums aktiviteter, innefattande kvällsprogrammen i parken, vilka återspeglade "den mänskliga familjens kulturella mångfald"; och Fredsmonumentet, vars inskription lyder "Jorden är endast ett land och mänskligheten dess medborgare".
- Regeringars, FN-kontors och NCO uttalanden till de olika förberedelsekommittéernas möten och andra UNCED-relaterade händelser inkluderade The Universal Code of Evironmental Conduct (NGO/Media-symposiet, oktober 1990); In Our Hands: Women and Children First (Rapport från UNCED/UNICEF/UNFPA-symposiet, maj 1991); The Earth Charter (US Citizens Network on UNCED, juli 1991); One Earth Community (Arbetsgruppen för religiösa samfund i UNCED, augusti 1991); Caring for the Earth (IUCN/UNEP/WWF, oktober 1991); An Earth Charter (International Coordinating Committee on Religion and the Earth, 1991); Agenda Ya Wananchi (Roots of the Future, december 1991); An Environmental Ethic or Earth Charter (UNEP-UK National Committee, februari 1992); Principles on General Rights and Obligations (General Assernbly document, A/CONF,151/PC/WG.III/L.28,9, mars 1992); Earth Charter, Japan (Peoples Forum, Japan, 1992); Earth Repair Charter (Earth Repair Foundation, 1992); och Our Country, the Planet (Sir Shridath Ramphal, 1992).
Agenda 21, kapitel 1.6.
Ett av de mest frekventa upprepade teman i Agenda 21 är den stora betydelsen av "brett offentligt deltagande i beslutsfattande;" "förpliktelse och helhjärtad medverkan av alla sociala grupper;" "äkta socialt partnerskap;" och "nya nivåer av samarbete mellan stater, samhällens och folkgruppers nyckelområden".
Uppmaningen att anta en global etik hördes ofta under UNCED-processen, och särskilt intensivt på Rio-konferensen och Globalt forum, från statsöverhuvuden till FN-företrädare och representanter för icke-statliga organisationer; i officiella UNCED-dokument, NGO-avtal, arbetsgrupper, böcker och konstnärliga presentationer. Det följande är endast några få exempel:
Rio-deklarationen om miljö och utveckling, inledningen.
Se till exempel Rio-deklarationen om miljö och utveckling, principer nummer 5, 8, 20, 25; och Agenda 21 kapitel 1, 2, 3, 23, 24 och 36.
Se Rio-deklarationen om miljö och utveckling, princip 25.
Inom ramarna för principen om världsmedborgarskap bör detta program "genomföras av de olika aktörerna i enlighet med olika situationer, möjligheter och prioriteringar hos länderna och regionerna" (Agenda 21, kapitel 1.6).
Agenda 21, kapitel 36.3. bekräftar att " Undervisning… bör anses vara en process genom vilken människor och samhällen kan uppnå den högsta graden av självförverkligande. Utbildning är avgörande för att främja en hållbar utveckling och förbättra människors förmåga att lösa miljö- och utvecklingsproblem... Både formell och icke-formell utbildning är nödvändig för att ändra människors attityder... Den är också av avgörande betydelse för att uppnå medvetande om betydelsen av miljö och etik, värderingar, attityder, färdigheter och beteenden som är förenliga med hållbar utveckling och för att allmänheten effektivt skall kunna deltaga i beslutsprocessen. För att vara effektiv bör utbildning... omfatta dynamiken i såväl den fysiska/biologiska, sociala och ekonomiska miljön som människans utveckling (vilken kan inkludera andlig utveckling)."
Agenda 21, kapitel 36.9 uppmärksammar betydelsen av att främja "ett brett allmänt medvetande som ett väsentligt led i globala utbildningsinsatser för att stärka attityder, värderingar och åtgärder som är förenliga med hållbar utveckling."
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