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RESPOSTAS A ALGUMAS
PERGUNTAS


Existe um Deus? Pode Deus conversar com os homens?
As respostas a tantas perguntas que atormentam
a humanidade.

EDITORA
BAHÁ´Í

RESPOSTAS A ALGUMAS PERGUNTAS


A 23 de maio de 1844, a primeira mensagem telegráfica no mundo, enviada de Baltimore para Washington, anunciava: “O que Deus realizou”. No mesmo dia, na longínqua Pérsia, nascia o meigo, humilde, tranqüilo, dadivoso e sábio ´Abdu´l-Bahá, que, por amor à Verdade e por vivê-la e ensiná-la, foi perseguido. Viveu quarenta anos encarcerado pelos que temiam a Verdade. Mas, a Verdade tem esplendor...
´Abdu´l-Bahá, cristamente, amava os próprios inimigos, pois, indiferente a envelopes sujos e amarrotados, considerava apenas a mensagem amiga do Senhor que cada ser humano contém.
Incentivava o abandono de preconceitos e dogmas e ensinava a corajosa busca da “Verdade que liberta” e unifica.
“O fato de imaginarmos que temos razão e que os outros estão errados, é o maior de todos os obstáculos no caminho da unidade, a qual é imprescindível se desejamos alcançar a Verdade, pois a Verdade é uma só... A luz é boa, seja qual for a lâmpada em que brilhe! Uma rosa é bela, não importa em qual jardim floresça!” – palavras daquele que se chamou “O Servo de Deus”.
A um mundo carente de verdade, de união e paz, a cada ser atônito e aflito, nesta hora se apresenta uma luz em lâmpada pura e uma rosa num jardim sem fronteiras – o “RESPOSTAS A ALGUMAS PERGUNTAS”.





Hermógenes








RESPOSTAS A ALGUMAS

PERGUNTAS






























´ A B D U ´ L – B A H Á



RESPOSTAS A ALGUMAS

PERGUNTAS



Título Original: Respostas a Algumas Perguntas


APONTAMENTOS COLHIDOS EM PALESTRAS COM
´ABDU´L-BAHÁ EM ´AKKÁ, 1904-1906


Colecionados e traduzidos do persa para o inglês
por
LAURA CLIFFORD BARNEY




?






EDITORA BAHÁ´Í DO BRASIL
Rua Engenheiro Gama Lobo, 267
Rio de Janeiro – Brasil


Título da edição inglesa:

SOME ANSWERED QUESTIONS


Tradução portuguesa de:

Leonora Stirling Armstrong






Edições portuguesas:
Primeira edição (resumida): Rio de Janeiro, 1948 – Comitê de Publicações Bahá´ís.

Segunda edição (completa): Rio de Janeiro, 1959 – Editora Bahá´í (Brasil).

Terceira edição (completa): Rio de Janeiro, 1975 – Distribuidora Record.

Quarta edição (completa): Rio de Janeiro, 1979 – Editora Bahá´í (Brasil)








Direitos exclusivos em língua portuguesa adquiridos pela
EDITORA BAHÁ´Í
Caixa Postal: 198/ 13.800-000 Mogi Mirim/SP – Brasil

































´ABDU´L-BAHÁ
O Exemplo Perfeito O Filho de
de Vida Bahá´í Bahá´u´lláh



´ABDU´L-BAHÁ

´Abdu´l-Bahá, filho mais velho do Profeta Fundador da Fé Bahá´í Mundial – Bahá´u´lláh, participou, desde a infância, da perseguição, do exílio e do encarceramento de Seu amado Pai. Uma vida de sofrimento que abateria ou amarguraria a muitos, Nele só serviu para aumentar a devoção à Fé e tornar mais profunda a ternura e a compreensão que Ele dispensava tão liberalmente a todos com que tinha contato. Sua benevolência e meiga persuasão amoleciam os corações até dos inimigos mais acerbos.
Bahá´u´lláh nomeara a ´Abdu´l-Bahá Intérprete de Seus ensinamentos e Exemplar de Sua Fé. Em 1908, aos 68 anos de idade, foi Ele libertado da prisão de Akká por causa da revolta dos Novos Turcos, quando então deu início às Suas viagens ocidentais – a Londres, Paris, Stuttgart, Viena e outras cidades européias, viajando também por todos os Estados Unidos em 1912. Falou em City Temple em Londres e almoçou com o Lorde Mayor. Na América, fez discursos em universidades e igrejas, diante de sociedades pró-paz, organizações científicas e outros grupos. Durante esse tempo, teve inúmeras entrevistas com membros das várias raças e classes. Seu amor a cada alma individual, Suas exposições lógicas e Seu entendimento científico conquistaram-lhe o amor e o respeito de todos.
´Abdu´l-Bahá almoçou na casa do Tesoureiro dos Estados Unidos, foi convidado por Alexander Graham Bell a falar a uma sociedade científica da qual era presidente, palestrou com os pobres na Missão Bowery, apertando a mão de cada um, enquanto lhe oferecia um presente. Sentindo-se à vontade com todos indiferentemente – fosse estadista, cientista ou o mais humilde inquiridor, este Homem que passara a vida em encarceramento e exílio, exerceu um efeito profundo sobre inúmeras vidas. Dele disse David Starr Jordan (então Presidente da Universidade de Stanford) que Ele haveria, seguramente, de unir o Leste e o Oeste, pois seguia “o caminho místico com pés práticos”. Tolstoy considerava Seus preceitos “a forma mais elevada e mais pura do ensino religioso”.
Ao regressar para Sua residência em Haifa, ´Abdu´l-Bahá cuidou dos múltiplos assuntos da sempre-crescente Fé Bahá´í e manteve uma correspondência volumosa com pessoas de toda parte do mundo. Durante a Primeira Guerra Mundial organizou extensas operações agrícolas perto de Tiberias, as quais evitaram a fome de centenas de pobres pertencentes a todas as fés religiosas. O governo britânico, impressionado por essa obra, por Seu nobre caráter e pelos grandes esforços despendidos por Ele em prol da paz e conciliação, conferiu-lhe o título de Knight, em abril de 1920.
Em volta da mesa hospitaleira de ´Abdu´l-Bahá reuniam-se representantes das várias nações, raças e religiões do mundo. Apreciavam Seu infalível humor bem como Sua profunda compreensão dos mais variados assuntos. Algumas destas “palestras à mesa” foram anotadas por Laura Clifford Barney, de Paris e publicadas como Some Answered Questions.



Para a orientação daqueles que pouco ou nada sabem acerca da Fé Bahá´í,
citamos a seguinte nota traduzida da Enciclopédia Larousse:


Bahá´ismo, religião dos discípulos de Bahá´u´lláh, derivado do Babismo. – Mirza Husain ´Ali Nuri Bahá´u´lláh nasceu em Teerã em 1817. A partir de 1844 tornou-se ele um dos primeiros partidários do Báb, e devotou-se à pacífica propagação de sua doutrina na Pérsia. Após a morte do Báb, fora ele exilado, com os principais bábis, para Bagdá, e mais tarde para Constantinopla e Andrinopla, sob a vigilância do governo otomano. Foi nesta última cidade que ele declarou abertamente sua missão. Era Aquele que Deus haveria de manifestar, e que o Báb anunciara em seus escritos, o grande Manifestante de Deus, prometido para os últimos dias. Em cartas endereçadas aos principais chefes de Estado na Europa, convidava-os a reunirem-se a ele para o estabelecimento da religião e paz universais. Desde então os bábis que o reconheceram tornaram-se bahá´ís. O Sultão exilou-o (1868) para ´Akká na Palestina, onde ele redigiu a maior parte de suas obras doutrinárias, e onde morreu em 1892 (29 de maio). Confiara ele a seu filho, ´Abbas Efendi ´Abdu´l-Bahá, a missão de difundir a religião e manter a ligação entre os bahá´ís de todas as partes do mundo. Atualmente, de fato, há bahá´ís em toda parte, não somente nos países maometanos mas, também, em todos os países da Europa, nos Estados Unidos, no Canadá, no Japão, na Índia, etc. Deve-se isto a ter Bahá´u´lláh sabido transformar o babismo em religião universal, a qual se afigura como o cumprimento e o complemente necessário de todas as crenças antigas. Os judeus esperam o Messias, os cristãos a volta de Cristo, os muçulmanos o Mahdi, os budistas o quinto Buda, os zoroastrianos Shah Bahram, os indus a reencarnação de Krishna, e os ateus – uma melhor organização social! Bahá´u´lláh representa tudo isso, e assim destrói as rivalidades e inimizades das diferentes religiões; reconcilia-as em sua pureza primitiva, livrando-as da corrupção dos dogmas e dos ritos. Pois o bahá´ismo não tem clero, nem cerimônias religiosas, nem orações públicas; a crença em Deus e em Seus Manifestantes (Zoroastro, Moisés, Jesus, etc, Bahá´u´lláh) é o seu único dogma. As principais obras de Bahá´u´lláh são: Kitáb-i-Iqán, Kitáb-i-Aqdas, Kitáb-i-Ahd, e numerosas epístolas dirigidas a soberanos ou a particulares. Não existe ritual na religião; deve ela ser manifestada em todos os nossos atos e cumprida no amor ao próximo. Devem todos ter uma ocupação. A educação da criança faz parte da religião e é por ela regulada. Ninguém tem poder de receber a confissão dos pecados nem conceder a absolvição. Os sacerdotes das religiões existentes devem renunciar ao celibato, e devem pregar pelo próprio exemplo, vivendo no meio do povo. A monogamia é universalmente recomendada, etc. As questões de que ele não trata, deixa-as para a lei civil de cada país e para as decisões do Baitu´l-Adl, ou Casas de Justiça, instituídas por Bahá´u´lláh. O respeito ao chefe do estado faz parte do respeito a Deus. Uma língua universal e a criação de tribunais de arbitragem, entre as nações, devem suprimir as guerras. “Sois todos folhas da mesma árvore e gotas do mesmo mar” – assim se expressou Bahá´u´lláh. Em resumo, não é tanto uma nova religião senão Religião renovada e unificada, dirigida hoje por ´Abdu´l-Bahá. – (Nouveau Larousse Illustre, supplement, pág. 66).






































ÍNDICE


Pág.
Introdução à Primeira Edição Inglesa .......................................................................... 11
Introdução à Presente Edição ....................................................................................... 13

PARTE I

A INFLUÊNCIA DOS PROFETAS NA EVOLUÇÃO
DA HUMANIDADE

I Toda a Natureza é Governada por uma Lei Universal ......................... 23
II Evidências e Provas da Existência de Deus ......................................... 24
III A Necessidade de um Educador ........................................................... 26
IV Abraão ................................................................................................... 30
V Moisés .................................................................................................... 31
VI Cristo ..................................................................................................... 33
VII Maomé .................................................................................................. 34
VIII O Báb .................................................................................................... 39
IX Bahá´u´lláh ........................................................................................... 41
X Provas Tradicionais Exemplificadas do Livro de Daniel ..................... 48
XI Comentário sobre o Décimo Primeiro Capítulo da Revelação
de São João ............................................................................................ 55
XII Comentário sobre o Décimo Primeiro Capítulo de Isaías ...................... 68
XIII Comentário sobre o Décimo Segundo Capítulo da Revelação
de São João ............................................................................................ 71
XIV Provas Espirituais ................................................................................... 75
XV A Riqueza Verdadeira ............................................................................ 79


PARTE II

ALGUNS TEMAS CRISTÃOS

XVI Figuras Sensíveis e Símbolos Devem ser Usados para
Transmitir Conceitos Intelectuais ........................................................... 85
XVII O Nascimento de Cristo .......................................................................... 87
XVIII A Grandeza de Cristo é Devida às Suas Perfeições ................................ 89
XIX O Batismo de Cristo ................................................................................ 90
XX A Necessidade do Batismo ...................................................................... 92
XXI O Simbolismo do Pão e do Vinho ........................................................... 95
XXII Milagres ................................................................................................... 97
XXIII A Ressurreição de Cristo ......................................................................... 99
XXIV A Descida do Espírito Santo sobre os Apóstolos .................................... 101
XXV O Espírito Santo ...................................................................................... 102
XXVI A Volta de Cristo e o Dia do Juízo .......................................................... 103
XXVII A Trindade ............................................................................................... 105
XXVIII Explicação do Versículo 5, Capítulo 17 do Evangelho de
S. João: “E agora glorifica-me Tu, ó Pai, junto de Ti Mesmo, com
aquela glória que tinha Contigo antes que o mundo existisse” .............. 107
XXIX Explicação do Versículo 22, Capítulo 15 da Primeira Epístola
de S. Paulo aos Coríntios .......................................................................... 108
XXX Adão e Eva ................................................................................................ 111
XXXI Explicação da Blasfêmia contra o Espírito Santo ..................................... 115
XXXII Explicação do Versículo: “Porque São Muitos os Chamados e
Poucos os Escolhidos” ............................................................................ 116
XXXIII A “Volta” Anunciada pelos Profetas ....................................................... 118
XXXIV A Confissão de Fé de S. Pedro ................................................................ 120
XXXV A Predestinação ....................................................................................... 123


PARTE III

OS PODERES E AS CONDIÇÕES DOS MANIFESTANTES
DE DEUS

XXXVI Os Cinco Aspectos do Espírito ............................................................... 127
XXXVII A Divindade Só Pode Ser Compreendida por Intermédio
dos Manifestantes Divinos ...................................................................... 129
XXXVIII As Três Condições dos Manifestantes Divinos ....................................... 133
XXXIX A Condição Humana e a Condição Espiritual dos
Manifestantes Divinos ............................................................................ 135
XL O Conhecimento dos Manifestantes Divinos ......................................... 137
XLI Os Ciclos Universais .............................................................................. 139
XLII O Poder e a Influência dos Manifestantes Divinos ................................ 140
XLIII As Duas Classes de Profetas ................................................................... 142
XLIV Explicação das Repreensões que Deus Dirige aos Profetas .................... 144
XLV Explicação do Versículo do Kitab-i-Aqdas: “Não Há Associado
Para o Alvorecer do Mandamento da Suprema Impecabilidade” ......... 147


PARTE IV

A ORIGEM, OS PODERES E AS CONDIÇÕES DO HOMEM

XLVI A Modificação das Espécies ................................................................... 153
XLVII O Universo Não Teve Começo – A Origem do Homem ........................ 155
XLVIII A Diferença que Existe entre o Homem e o Animal .............................. 159
XLIX O Crescimento e Desenvolvimento da Espécie Humana ........................ 164
L Provas Espirituais da Origem do Homem ............................................... 167
LI O Espírito da Mente do Homem Existem Desde o Princípio ................. 169
LII O Aparecimento do Espírito no Corpo ................................................... 170
LIII A Relação entre Deus e a Criatura .......................................................... 172
LIV Da Procedência Divina do Espírito Humano ........................................... 174
LV Alma, Espírito e Mente ............................................................................ 176
LVI Os Poderes Físicos e os Poderes Intelectuais .......................................... 177
LVII As Causas das Diferenças nos Caracteres dos Homens .......................... 178
LVIII O Grau de Conhecimento Possuído pelo Homem e pelos
Manifestantes Divinos ............................................................................ 181
LIX Nosso Conhecimento de Deus ................................................................ 183
LX A Imortalidade do Espírito (I) ................................................................ 185
LXI A Imortalidade do Espírito (II) ............................................................... 188
LXII As Perfeições São Ilimitadas .................................................................. 191
LXIII A Evolução do Homem no Outro Mundo ............................................... 193
LXIV O Estado do Homem e Seu Progresso Após a Morte ............................. 193
LXV Explicação de um Versículo do Kitáb-i-Aqdas ...................................... 196
LXVI (I) A Existência da Alma Racional após a Morte do Corpo .................. 196
(II) A Imortalidade das Crianças ............................................................ 197
LXVII A Vida Eterna e a Entrada no Reino de Deus ........................................ 198
LXVIII O Destino ............................................................................................... 200
LXIX A Influência das Estrelas ....................................................................... 200
LXX Livre Arbítrio ......................................................................................... 202
LXXI Visões e Comunicações Com Espíritos .................................................. 204
LXXII Cura por Meios Espirituais ..................................................................... 206
LXXIII Cura por Meios Materiais ....................................................................... 208


PARTE V

TEMAS VARIADOS

LXXIV A Inexistência do Mal ........................................................................... 213
LXXV As Duas Espécies de Tormento ............................................................. 214
LXXVI A Justiça e a Misericórdia de Deus ....................................................... 215
LXXVII O Método Certo de Tratar os Criminosos .............................................. 216
LXXVIII Greves .................................................................................................... 220
LXXIX A Realidade do Mundo Exterior ............................................................ 224
LXXX A Verdadeira Preexistência ................................................................... 225
LXXXI A Reencarnação .................................................................................... 226
LXXXII O Panteísmo .......................................................................................... 232
LXXXIII Os Quatro Métodos para a Aquisição do Conhecimento ....................... 238
LXXXIV A Necessidade de Serem Seguidos os Ensinamentos dos
Manifestantes Divinos ............................................................................ 240



























INTRODUÇÃO À PRIMEIRA EDIÇÃO INGLESA


“Dei-lhe os meus momentos de maior cansaço.” Foram as palavras de ´Abdu´l-Bahá, (1) ao levantar-se da mesa, após haver respondido a uma de minhas perguntas.
Tal como foi nesse dia, assim continuou: entre as horas de trabalho sua fadiga encontrava alívio em novas atividades; em algumas ocasiões pôde ele falar extensamente; em outras, se bem que o assunto exigisse mais tempo, era chamado logo após; e às vezes passavam-se dias, e até semanas, sem que ele tivesse oportunidade de me instruir. Meu dever, porém, era ser paciente, pois tinha sempre diante de mim a maior lição – a de sua vida pessoal.
Durante as minhas várias visitas a ´Akká, estas respostas foram escritas em persa, enquanto ´Abdu´l-Bahá falava, não com o propósito de serem publicadas, mas apenas para que eu as tivesse como base de estudos futuros. No começo, tinham que ser adaptadas à tradução verbal do intérprete; mais tarde – depois de haver eu adquirido um conhecimento superficial do persa – ao meu vocabulário limitado. Isso explica a repetição de imagens e frases pois ninguém possui domínio mais extenso de expressões felizes do que ´Abdu´l-Bahá. Nestas lições, não é orador, nem poeta, mas o mestre que se adapta ao discípulo.
Este livro apresenta apenas certos aspectos da Fé Bahá´í, a qual é universal em sua mensagem e tem para cada um a resposta adaptável a seu desenvolvimento e suas necessidades especiais.
Em meu caso, foram simples os ensinamentos, a fim de corresponderem aos meus conhecimentos rudimentares, e não são, portanto, de modo algum completos ou exaustivos, como possa sugerir o Índice, o qual se acrescentou somente a fim de mencionar os assuntos ventilados. Creio, porém, que a muitos outros pode ser útil aquilo que para mim foi de tão grande valor, já que todos os homens, não obstante suas diferenças, estão unidos na mesma ânsia de buscar a realidade. Assim, pedi permissão a ´Abdu´l-Bahá para publicar estas palestras.
Não foram dadas originariamente em ordem especial. Agora, porém, foram ligeiramente classificadas, atendendo à conveniência do leitor. O texto persa foi fielmente seguido, ao ponto de prejudicar muitas vezes o inglês, fazendo-se algumas modificações, apenas quando a tradução literal parecia demasiado intrincada e obscura. As palavras aqui interpoladas – por necessidade a fim de tornar o sentido mais claro – não são apontadas como tais, para evitar a freqüente interrupção do pensamento com sinais técnicos ou explicativos. Também muitos dos nomes persas e árabes foram escritos na forma mais simples, não obedecendo estritamente a um sistema científico que talvez causasse confusão à maioria dos leitores. Só as notas indispensáveis figuram nesta primeira edição, a fim de se satisfazer, sem mais demora, o pedido para sua publicação. (1)


LAURA CLIFFORD BARNEY


Maio de 1907.




























INTRODUÇÃO À PRESENTE EDIÇÃO


Este livro dá as respostas de um grande Instrutor às numerosas questões que inquietam profundamente o homem moderno. Primeiramente publicado em Londres, em 1908, Some Answered Questions é tão oportuno hoje como o era naquele tempo; nossa necessidade deste livro tornou-se ainda mais aguda com a passagem dos anos. As muitas questões de que trata encontram-se ainda sem resposta ou mal entendidas na mente das massas da humanidade. Que é o homem? Existe um Deus? Como podemos conhecer a Deus? Pode Deus conversar com os homens? Que dizer dos milagres, do batismo, da Trindade, da predestinação, da imortalidade, do livre arbítrio, da reencarnação, do panteísmo e de curas? Neste livro há, também, explicações de passagens bíblicas e comentários adaptados à nossa idade de amadurecimento.
Destina-se Some Answered Questions àquele que busca com a mente aberta e o espírito independente. As respostas não são ortodoxas. A religião, livre do ritual e da tradição, torna-se racional e viva. Se o sonho de um mundo em paz acompanha a busca da verdade, se o estudioso está disposto a receber uma idéia maior do que qualquer outra já conhecida, uma idéia que o faça viver de um modo significativo para os outros bem como para ele próprio, então a Fé Bahá´í Mundial oferece a resposta.
Tolstoy disse uma vez que passamos a vida tentando desvendar os mistérios do universo, mas um prisioneiro do governo turco, Bahá´u´lláh, possui a chave. A Rainha Marie da Romênia, referindo à Mensagem de Bahá´u´lláh, escreveu: “É a Mensagem de Cristo trazida novamente, nas mesmas palavras quase, mas adaptada à diferença dos mil e tantos anos transcorridos entre o primeiro século e o nosso”. Orou Jesus: “Venha a nós o Vosso Reino”; o bahá´í sabe que a realização está próxima. O objetivo bahá´í é um mundo novo – a criação do Reino de Deus em nosso planeta. Nas palavras do Guardião da Fé Bahá´í Mundial: “Encontramo-nos no limiar de uma era cujas convulsões proclamam igualmente a agonia da ordem moribunda e as dores de parto da nova.”
Quem não percebe os sintomas de doença na sociedade contemporânea? Na opinião bahá´í, a cura só se efetuará através de um despertar espiritual. Escreveu H. G. Wells, em 1920, estas palavras significativas: “... possivelmente surgirá da agitação e da tragédia destes tempos, e da confusão diante de nós, um renascimento moral e intelectual, um renascimento religioso, de tal simplicidade e de tal âmbito que possa unir homens de raças incôngruas e tradições agora disjuntas, num modo de viver comum e estabelecido, para os serviços mundiais.”
A Fé Bahá´í Mundial oferece um renascimento espiritual para toda a humanidade, e acelera o amadurecimento do homem. Para seus adeptos, não é novo o conceito de “um só mundo”. Na Comunidade Bahá´í Mundial o Oriente encontra o Ocidente e os dois se unem em compreensão e amor. Os muitos seres divergentes aproximam-se uns dos outros para servir ao mundo, assim como Wells previu. Surge uma humanidade nova, inspirada pelas palavras de Bahá´u´lláh: “Em verdade, é o homem aquele que se dedica hoje ao serviço da humanidade inteira.”
O bahá´í almeja estabelecer uma nova civilização. Trabalha em prol da paz entre as nações; ainda mais, esforça-se por promover harmonia entre todas as raças, religiões e classes. O Guardião da Fé dá-nos uma descrição adequada do “padrão para a sociedade futura”, o qual inclui um sistema federal mundial, com uma legislatura mundial para formular as leis necessárias; um executivo mundial que tenha o apoio de uma força internacional, a fim de levar a efeito as decisões tomadas por essa legislatura; um tribunal mundial que pronuncie seu veredicto compulsório e final em qualquer disputa surgida entre os vários elementos constituintes desse sistema universal; um idioma mundial a ser ensinado nas escolas de todas as nações federadas como auxiliar às línguas nativas. Segundo seu conceito, os recursos econômicos do mundo seriam de tal modo organizados que nenhum povo se achasse desprovido; conciliar-se-iam a ciência e a religião, e os homens viriam a reconhecer universalmente um só Deus e assim prestar lealdade a uma Revelação comum.
Talvez pareça utópico esse objetivo. Obviamente, os princípios bahá´ís em geral estão adiantados para nossos tempos. Mas o presente consiste sempre nos sonhos e nas realizações do passado, e todo futuro deve ser construído hoje. E quando a um sonho e a energia que se despende a fim de torná-lo uma realidade, se junta o impulso inspirador da religião verdadeira, não há limites para as realizações do homem.
Os bahá´ís consideram a Fé a renovação de toda religião profética. A revelação é progressiva. Cristo expressou este conceito ao dizer: “Ainda tenho muitas coisas que vos dizer mas vós não as podeis suportar agora, porém quando vier aquele Espírito da Verdade, ele vos guiará em toda a verdade”. Cristo, como também os outros Instrutores divinos, prometeu a vinda de um Outro que guiaria mais uma vez Seus filhos...
O bahá´í vê todas as grandes religiões proféticas como partes de um plano divino para educar o homem a fim de que ele possa por sua vez levar avante “uma civilização que há sempre de evoluir”. Desde Abraão, cada Educador Divino tem trazido uma mensagem na qual se destaca algum princípio necessário, e cada vez se reiteram certos preceitos básicos por serem estes sempre verdadeiros, sempre vitais ao bem-estar do homem. Moisés trouxe uma mensagem de justiça, Buda ensinou a renúncia, Jesus o amor, Maomé a submissão. Hoje o Autor da Fé Bahá´í Mundial traz a mensagem da unidade. Mas através de todas essas mensagens se percebe a Regra de Ouro, segundo a qual todos os homens são irmãos, filhos de um só Deus.
É óbvia a razão porque o Criador tem enviado uma série de Mensageiros. Assim como a criança no jardim de infância não está pronta para enfrentar a álgebra, também os homens no tempo de Jesus estavam longe de poder compreender o conceito de um só mundo. Naquele tempo os meios de comunicação rápida não haviam ligado as nações. À medida que as condições mudam, deve a religião adaptar-se. E quando a religião declina, tem que ser revitalizada. Somente Deus pode efetuar a transformação.
Esta transformação deverá ter início no coração dos homens do mundo inteiro. O ensino religioso só pode ter efeito se se educam os corações. Nosso Criador funciona através dos homens; são eles Seus instrumentos para criar novos padrões de ação, devendo, pois, evoluir. Urge haver homens de coração maduro bem como de mente madura. O bahá´í acredita ser possível transformar-se a natureza humana, podendo-se enobrecê-la quando o homem se sujeita espontânea e consciamente à Vontade Divina.
Deforme era a humanidade à qual Bahá´u´lláh se dirigiu, aleijada de mente e espírito, e Ele proveu a cura. Na receita que ofereceu, a vida pessoal deve imbuir-se de um grande fluxo de amor e compreensão. Quando não podemos amar um indivíduo por suas características pessoais, devemos apreciá-lo por amor a Deus. Todo homem é filho do Criador. Deve ser nosso objetivo ver a face de Deus – falando figuradamente – em toda criatura humana...
Estes ensinamentos podem ser melhor compreendidos à luz de uma breve história da Fé Bahá´í Mundial. Não deve causar admiração o fato de não se haver anunciado em todo o mundo o nascimento da Fé. Jesus não figurou em cabeçalhos no Seu tempo. H. G. Wells observou com acerto que os primórdios do renascimento religioso “nunca são conspícuos”. No dia 23 de maio de 1844, um jovem persa de vinte e cinco anos de idade, que viria a ser conhecido como o Báb, anunciou Sua missão: a de preparar o caminho para “Aquele que Deus tornaria manifesto”, e de introduzir certas reformas vitais. À medida que o número de Seus adeptos crescia, o clero maometano se alarmava. Após apenas seis anos de ensino, Ele foi martirizado publicamente por ordem desse clero. Já cumprira, porém, Sua missão. Assim como João Batista preparou os corações e as mentes para o advento de Jesus, também o Báb abriu o caminho para a vinda de Bahá´u´lláh (“Glória de Deus”).
Nascido numa família de grandes recursos, na Pérsia, em 1817, Bahá´u´lláh deveria ter seguido os passos de Seu pai, que era Ministro de Estado do Xá, porém a isso renunciou. Ainda em criança, mostrava sabedoria e bondade extraordinárias. Mais tarde abraçou os ensinamentos do Báb sem receio das conseqüências, seguindo-se resultados catastróficos: a bastonada, a confiscação de Suas propriedades, longos anos de encarceramento e exílio.
No ano de 1863, pouco antes de Seu degredo de Bagdad à cidade de Constantinopla, Bahá´u´lláh disse aos adeptos que era Aquele cuja vinda não só o Báb mas todos os Profetas haviam predito. Esta estupenda verdade se insuflara Nele num tempo de grande sofrimento físico. Seus adeptos receberam esta declaração com júbilo intenso. Muitas notabilidades, inclusive o governador de Bagdá, vieram prestar homenagens ao Prisioneiro antes de Sua partida. Finalmente, para afastarem Bahá´u´lláh das multidões que se sentiam tão atraídas a Ele e à Sua Mensagem, encarceraram-No na terrível colônia penal de ´Akká na Palestina. Por muito tempo, muros espessos excluíram-No da natureza que Ele tanto amava.
Professor Browne da Universidade de Cambridge, única pessoa do Ocidente a visitar Bahá´u´lláh, conta-nos: “Desnecessário era perguntar em presença de quem eu me achava, enquanto me curvava ante Aquele que é objeto de uma devoção e um amor que os reis bem poderiam invejar e os imperadores suspirar em vão”. Proferiu-lhe Bahá´u´lláh palavras de ânimo: “Só desejamos o bem do mundo e a felicidade das nações. Que todas as nações se unam na mesma fé e todos os homens se tornem irmãos; que se fortaleçam os laços de afeto e união entre os filhos dos homens, cesse a divergência de religião e se anulem as diferenças de raça. Que mal há nisso? E assim há de ser: essas lutas infrutíferas, essas guerras ruinosas passarão, e a Maior Paz virá. ... Não se vanglorie o homem de amar à pátria; antes tenha ele glória em amar sua espécie”.
Não permitindo que exílio e encarceramento lhe sustassem a pena, Bahá´u´lláh escreveu longas epístolas aos governantes do mundo ocidental, exortando-os ao caminho da paz. Foi autor de muitos livros que abrangem inúmeros assuntos. Segundo seu conceito, a religião é uma atitude para com Deus que se reflete em nossa vida de todo dia. Assim Seus Escritos tratam da ética e moral, de fé em Deus, das relações humanas, da prece e da meditação; interpretam os Ensinamentos religiosos anteriores e as profecias do futuro; discorrem sobre a economia política, a educação e as relações entre as raças... Embora seja estupenda a pretensão de Bahá´u´lláh – a de ser o Prometido de todos os tempos, o Espírito da Verdade predito por Jesus – Sua sublime Mensagem, segundo a expõem esses Escritos, sustenta a pretensão.
Com o falecimento de Bahá´u´lláh em 1892, Seu filho mais velho, ´Abdu´l-Bahá, tornou-se Seu intérprete autorizado da nova Fé. Na conferência sobre as Religiões do Mundo realizada na Feira Mundial de Chicago, em 1893, introduziu-se esta Fé nos Estados Unidos. ´Abdu´l-Bahá visitou a América em 1912, difundindo a Mensagem de Bahá´u´lláh de costa à costa numa tournée histórica. Na última Vontade e Testamento, ´Abdu´l-Bahá nomeia Seu neto, Shoghi Effendi, o primeiro de uma sucessão de guardiões que deverão servir de intérprete dos Sagrados Escritos, para que esta nova Fé não se desintegre por causa de interpretações divergentes.
Vinte mil martírios não lograram sustar a influência dos novos Ensinamentos que vieram então a abranger o globo e são apreciados desde Egedesminde, na Groenlândia até Magallanes do Chile, a cidade mais próxima do Pólo Sul. Bahá´ís já se estabeleceram em mais de 75.000 centros nuns 300 países. Há representantes de dezenas de raças, entre elas sudaneses da África, esquimós no Alasca e maoris na Nova Zelândia; as origens religiosas são muitas; traduziu-se a literatura para 350 idiomas, inclusive doze línguas africanas. Desde as Ilhas de Fiji no Pacífico, do Japão e da Índia até a Alemanha e a Grã-Bretanha, onde quer que os bahá´ís se encontrem, corações e mentes associam-se em harmonia. Representantes da Comunidade Bahá´í Internacional ocupam atualmente lugares como delgados e observadores nas conferências internacionais e regionais das Nações Unidas, convocadas para selecionadas organizações não-governamentais. Erigiu-se em Wilmette, Illinois, uma magnífica Casa de Adoração, inaugurada em maio de 1953. Há palavras de Bahá´u´lláh inscritas sobre suas entradas que encerram pensamentos tão sublimes como estes: “A terra é apenas um país, e os seres humanos seus cidadãos”; “Não sussurres os pecados de outrem enquanto tu próprio fores pecador”; “Teu coração é Meu lar, santifica-o para Minha descida”; “Fiz da morte um mensageiro de júbilo para ti, por que lastimas?” e “A fonte de todo o saber é o conhecimento de Deus, exaltada seja Sua glória”.
As atividades bahá´ís coordenam-se harmoniosamente dentro de um sistema administrativo que é tão simples quanto eficaz. Não havendo clero, é dever dos bahá´ís ensinarem a Fé e trabalharem onde quer que haja necessidade. Há Bahá´ís isolados, outros em grupos; servem nos comitês, nas comunidades, com as Assembléias Locais, ou nas Assembléias Nacionais, ou no Conselho Internacional. Não existe facção: tomam decisões após preces e consulta franca, com espírito de amor. Aqueles eleitos aos vários cargos têm as respectivas responsabilidades em virtude de mérito, a ninguém tendo de responder senão a Deus. Deste modo consegue-se unidade em meio a grande diversidade.
Nesta Fé os homens vêem cumprirem-se as profecias, quase em nossos dias; acham a solução para seus problemas, respostas às suas preces, e paz de espírito e de coração. Os aspectos pessoais da Fé satisfazem o indivíduo; seus aspectos sociais haverão de curar uma civilização.
Quem deseja conhecer a Fé Bahá´í deve lembrar-se de que esta Fé não somente é um vibrante apelo para a paz mundial, mas também convoca a todos poderosamente para Deus. A Palavra de Deus exorta o homem neste versículo de Palavras Ocultas: “Volve tua face para a Minha e renuncia a tudo menos a Mim; pois Minha soberania dura e Meu domínio não perece. Se buscares a outro senão a Mim, ainda que procures no universo para todo o sempre, em vão será tua busca”.
Respostas a Algumas Perguntas oferece um convite para uma independente pesquisa da verdade. Basta um olhar rápido para o Índice para nos mostrar a seqüência lógica e o vasto âmbito do livro. Parte I trata, logicamente da “influência dos Profetas na evolução da humanidade”. Conceitos básicos são considerados à luz da razão. Principiando com um ensaio sobre a lei universal assim como é encontrada na natureza, procede o leitor às provas da existência de Deus, e então lhe é exposta a necessidade de um Educador Divino. Vários desses Educadores, desde Abraão são considerados à luz de Suas realizações. De tais Seres deriva a única verdadeira riqueza do homem.
Como este livro foi escrito primariamente, talvez, para a mente ocidental, Parte II trata de temas cristãos que hoje requerem esclarecimento. No cristianismo moderno a mente racional defronta-se com tropeços. Alguns desses assuntos são esclarecidos, inclusive o simbolismo religioso, o conceito do Espírito Santo e a “volta” ou segunda vinda de Cristo. Parte III apresenta-nos uma explicação racional daquele Ser tão pouco compreendido, o Profeta. Em verdade, é só por Seu intermédio que Deus pode dirigir-se precisamente a grupos inteiros de pessoas ao mesmo tempo. Parte IV, por outro lado considera aspectos do homem comum, também pouco compreendido. Aqui temos ampla oportunidade de descobrir quem é o homem e para onde ele vai. Parte V conclui o livro e trata de “Temas Variados”. São persuasivas as respostas dadas, sejam para um problema prático como o da greve ou a teoria do panteísmo.
Este livro fará um apelo ao raciocínio do homem mais do que à sua emoção. Esclarecerá o pensador que tenha tido instrução religiosa, enquanto ao mesmo tempo servirá de estímulo para o agnóstico e o ateu. Seus capítulos acentuam mais a crença pessoal do homem do que sua conduta social. A Fé Bahá´í Mundial, no entanto, invoca tanto a emoção como o raciocínio. É uma religião a um tempo, pessoal e social.

ANNAMARIE K. HONNOLD















PARTE I


A INFLUÊNCIA DOS PROFETAS NA
EVOLUÇÃO DA HUMANIDADE


I

TODA A NTUREZA É GOVERNADA POR UMA
LEI UNIVERSAL


A Natureza é a condição, a realidade, que consiste aparentemente em vida e morte ou, em outras palavras, na composição e decomposição de todas as coisas.
Essa Natureza está sujeita a uma organização absoluta, a leis determinadas, a uma ordem completa, a um plano consumado, dos quais jamais se afastará, e a tal ponto que, se examinarmos a criação atentamente, com vista aguçada, desde o mais microscópio átomo até aos maiores astros do universo, tais como o globo solar ou as outras grandes estrelas e esferas luminosas – seja observando sua posição, sua composição, sua forma ou seu movimento – verificaremos, na realidade, acharem-se todos no mais alto grau de organização, e sujeitos a uma lei, da qual jamais se poderão afastar.
Ao contemplarmos, porém, a própria Natureza, vemos que ela não tem inteligência ou vontade. O fogo, por exemplo, tem como qualidade inerente a de queimar, e queima, pois, sem vontade ou inteligência; a água por natureza flui, assim fazendo sem vontade ou inteligência; é da natureza do sol brilhar, e ele brilha sem vontade ou inteligência; o vapor, segundo exigência de sua natureza, sobe, assim agindo sem vontade ou inteligência. Torna-se evidente, pois, que os movimentos naturais de todas as coisas são involuntários; não há movimento voluntário, exceto nos animais e, sobretudo, no homem. O homem pode desviar-se da Natureza e ir de encontro às suas leis, porque conhece a constituição das coisas, e assim domina as forças da Natureza; todas as suas invenções são devidas à sua descoberta da constituição das coisas, como, por exemplo, o telégrafo, meio de comunicação entre oriente e ocidente. É óbvio, pois, que o homem rege a Natureza.
Ora, vendo essa tão perfeita organização, essa ordem e lei, pode-se dizer que tudo isso seja efeito da Natureza, embora ela não possua nem inteligência nem percepção? Se não é assim, essa Natureza, que carece de percepção e inteligência, está, evidentemente, nas mãos de Deus, o Todo-poderoso, Regente do mundo da Natureza. Tudo que é de Seu desejo, Ele faz a Natureza manifestar.
Uma das coisas que apareceram no mundo da existência e um dos requisitos da Natureza, é a vida humana. Considerado sob esse aspecto, o homem é o ramo, e a Natureza a raiz; será, então, possível que a vontade, a inteligência, e as perfeições que existem no ramo, não existam na raiz?
Está claro, pois, que a Natureza em sua própria essência está nas mãos de Deus, o Eterno, o Onipotente. Ele faz a Natureza conformar-se a leis acuradas: Ele a rege. (1)


II

EVIDÊNCIAS E PROVAS DA EXISTÊNCIA DE DEUS


Uma das demonstrações, uma das provas, da existência de Deus, é o fato de o homem não ter dado origem a si mesmo; quem o criou e o modelou não foi ele próprio.
É certo, é indiscutível, que o criador do homem não se assemelha ao homem, pois é impossível uma criatura sem poder criar outra. O criador tem de possuir todas as perfeições, a fim de que possa criar.
Pode a criação ser perfeita, e o criador imperfeito? Pode uma tela ser obra-prima, e o pintor ser imperfeito na sua arte, quando ela é criação sua? Além disso, a tela nunca vem a ser igual ao pintor, pois então se teria criado a si mesma. Por mais perfeita que seja a tela, comparada com o pintor, está no grau máximo da imperfeição.
A contingência é a origem das imperfeições; Deus é a origem das perfeições. As imperfeições do mundo contingente são em si prova das perfeições de Deus. Por exemplo, quando se observa o homem, nota-se que é fraco. Essa fraqueza da criatura é uma prova da força do Todo-poderoso, do Eterno, pois se não houvesse força, não se poderia imaginar fraqueza. Então, a fraqueza da criatura é uma prova do poder de Deus, porque se não houvesse poder, não seria possível haver fraqueza; assim, dessa fraqueza, vê-se que existe poder no mundo. Também, no mundo contingente há pobreza; então, já que se vê pobreza no mundo, necessariamente existe riqueza. No mundo contingente há ignorância; já que existe ignorância, há de existir conhecimento, pois se não houvesse conhecimento, tampouco haveria ignorância. A ignorância é a inexistência do conhecimento, e se não houvesse existência, não haveria inexistência.
É certo que todo o mundo contingente está sujeito a uma lei, a um plano, do qual nunca pode fugir; até o próprio homem é forçado a submeter-se à morte, ao sono, e a outras condições. Significa isto que, sob certos aspectos, o homem é governado; necessariamente, pois, alguém o governa. Desde que um dos característicos dos seres contingentes é a dependência, e essa dependência é uma necessidade inerente, deve haver, pois, um ser que possua uma independência própria, essencial.
É claro, também, que o fato de haver homens doentes prova que há pessoas com saúde; pois se não houvesse saúde, não se distinguiria a doença.
Disso concluímos, portanto, haver um Todo-poderoso, um Ser Eterno, possuidor de todas as perfeições, porque se não as possuísse, seria semelhante à Sua criatura.
Em todo o mundo da existência ocorre o mesmo: a menor coisa criada prova que há um criador. Este pedaço de pão, por exemplo, prova que alguém o fez.
Louvado seja Deus! A mais ligeira mudança efetuada na forma da mínima coisa prova a existência de um criador. Será possível, então, que este grande universo – este universo infinito, se tenha criado a si mesmo, que deva sua existência apenas à ação da matéria, dos elementos? Que erro extraordinário é tal suposição!
Esses argumentos, tão óbvios, destinam-se às almas fracas, mas quando a percepção interior está atenta, cem mil provas claras tornam-se evidentes. Assim, quando o homem sente o espírito dentro de si, não tem necessidade de argumentos para provar essa existência; para os que não possuem a graça espiritual, porém, impõem-se argumentos de ordem externa.


III

A NECESSIDADE DE UM EDUCADOR


Ao examinarmos a existência, verificamos necessitarem os mundos mineral, vegetal, animal e humano de alguém que os cultive.
Se a terra não for cultivada, tornar-se-á uma espécie de floresta, onde crescerá apenas mata inútil; mas se um agricultor a vier lavrar, produzirá colheitas que irão nutrir os seres vivos. É claro, portanto, que o solo precisa ser trabalhado pelo lavrador. Observemos as árvores: sem trato não produzem frutos, sendo assim inúteis; mas quando recebem os cuidados de um agricultor, essas mesmas árvores estéreis tornam-se frutíferas e, graças ao cultivo, à fertilização e enxertia, as que tinham frutos amargos dão frutos doces. Estas provas são racionais e, na época em que vivemos, os povos do mundo necessitam de argumentos racionais.
Algo semelhante ocorre também no que diz respeito aos animais: quando amestrado, o animal torna-se doméstico. Também o homem que não recebe educação é bestial. Mais ainda: se o homem permitir que a natureza o domine, colocar-se-á mais abaixo do animal, enquanto, se for educado, tornar-se-á um anjo. A maioria dos animais não devora os de sua espécie, mas os homens, como sucede entre os negros da África Central, matam-se e comem-se uns aos outros.
Agora reflitamos: a educação sujeita oriente e ocidente à autoridade do homem, produz indústrias maravilhosas e divulga a glória das ciências e das artes; é graças à educação que novas descobertas se realizam e as leis evoluem. Se nenhum educador tivesse existido, não haveria as facilidades de hoje, nem conforto de espécie alguma; a própria civilização, e até mesmo os sentimentos de humanidade seriam desconhecidos. Se o homem for abandonado numa selva onde não veja nenhum semelhante, permanecerá inculto, sem dúvida. A necessidade de um educador é óbvia.
Há três espécies de educação: material, humana e espiritual. A primeira trata do crescimento, do desenvolvimento do corpo por meio da alimentação, do repouso, e de todos os recursos materiais. Esse tipo de educação é comum ao animal e ao homem.
A educação humana significa civilização, progresso; quer dizer, governo, administração, obras de caridade, profissões, artes e ofícios, ciências, descobertas das leis físicas, e grandes invenções – atividades estas que, além de essenciais ao homem, ainda o distinguem do animal.
A educação divina é a do Reino de Deus: consiste na aquisição das perfeições divinas – é a verdadeira educação; pois, graças a ela, o homem torna-se o centro das virtudes divinas, a manifestação das palavras: “Façamos o homem à Nossa imagem e semelhança”. Eis o supremo objetivo do mundo humano.
Ora, precisamos de um educador que possa dar ao mesmo tempo a educação material, a humana e a espiritual, e cuja autoridade seja válida em todas as circunstâncias.
Se alguém dissesse: “Possuo perfeita compreensão e inteligência, e não necessito de tal educador”, estaria negando tanto o claro e o evidente, como se uma criança dissesse: “Não preciso de educação, agirei de acordo com meu raciocínio e minha inteligência, e assim adquirirei as perfeições da existência”; ou como se um cego dissesse: “Não tenho necessidade de vista, porque muitos outros cegos vivem sem dificuldade”.
É, pois, claro, indiscutível, que o homem necessita de um educador, e esse educador deve ser, fora de qualquer dúvida, perfeito em todos os sentidos; deve distinguir-se entre todos os homens. De outro modo não poderá ser seu educador, pois essa educação deve abranger ao mesmo tempo os planos material, humano e espiritual, ensinando a tratar de assuntos materiais, estabelecer um plano social que assegure subsistência na vida, e realizar, enfim, uma organização material adaptável a quaisquer circunstâncias que possam surgir.
O educador terá de tratar da educação humana: treinará a inteligência e os pensamentos a fim de que se desenvolvam da maneira mais completa, os conhecimentos aumentem, as ciências se divulguem, e a realidade das coisas, os mistérios da criação, as propriedades da existência, sejam reveladas. Assim, dia a dia, o nível da instrução se elevará, veremos invenções mais perfeitas, leis melhoradas, e, das coisas perceptíveis aos sentidos, tiraremos conclusões de natureza intelectual.
Também deve ele incutir a educação espiritual, a fim de que inteligência e compreensão penetrem o mundo metafísico, e o homem receba as graças purificadoras do sopro do Espírito Santo, integrando-se na Assembléia Suprema. Ele deve educar a realidade humana, a ponto de torná-la centro das virtudes divinas, para que o nome e os atributos de Deus resplandeçam no espelho dessa realidade, provando assim a verdade do santo versículo: “Faremos o homem à Nossa imagem e semelhança”.
Ao poder humano, é claro, falta a capacidade para desempenhar este exaltado papel; a razão por si só seria incapaz de assumir a responsabilidade de missão tão grandiosa. Como pode alguém, sozinho, sem auxílio ou apoio, lançar os alicerces desta nobre construção? Tem de estar ele na dependência do poder espiritual, divino, a fim de empreender essa missão elevada.
Um único Ente Sagrado vivifica o mundo humano, transforma o aspecto do globo terreno, leva a inteligência a progredir, anima as almas, lança os alicerces de uma nova existência, estabelece a base de uma criação maravilhosa, organiza o mundo, reúne as nações e as religiões à sombra da mesma bandeira, liberta o homem dos vícios, das imperfeições, e incute-lhes o desejo e a necessidade das perfeições inatas e adquiridas. Somente um poder divino realizaria obra de tamanha grandeza. Devemos considerar o assunto com justiça, pois requer justiça.
Uma Causa que todos os governos, todos os povos do mundo, apesar de seus grandes recursos e exércitos, não podem promulgar e estabelecer, um único Ente Sagrado promove sem auxílio ou apoio! Seria isso realizável por simples poder humano? Não, em nome de Deus! Cristo por exemplo, inteiramente só, levantou o estandarte da paz espiritual e da retidão, obra esta que todos os governos vitoriosos, com todas as suas hostes, não puderam realizar. Reflitamos sobre o destino de tantos impérios e povos diversos: o Império Romano, a França, a Alemanha, a Rússia, a Inglaterra, etc. Todos reuniram-se sob o mesmo teto; isto é, quando Cristo veio, uniu essas várias nações e a tal ponto – tamanha foi a influência do cristianismo – que algumas pessoas sacrificaram suas vidas e seus bens pelas outras. Depois de Constantino, defensor do cristianismo, sugiram dissensões entre elas.
O ponto a que desejo chegar é: Cristo sustentou uma Causa que todos os reis da terra não puderam estabelecer! Ele uniu as várias religiões e alterou costumes antigos. Consideraremos as grandes divergências existentes entre sírios, egípcios, fenícios, israelitas, e entre romanos, gregos e outros povos da Europa! Cristo, no entanto, removeu estas divergências; mais ainda, tornou-se causa de amor entre estas comunidades. Embora, tempos depois, os impérios destruíssem essa união, a obra de Cristo fora realizada.
O educador universal deve ser, pois, educador não só no sentido material, mas também nos planos humano e espiritual. Ele deve possuir um poder sobrenatural, a fim de desempenhar o papel de educador divino. A não ser que demonstre esse santo poder, não será capaz de educar; pois, se for imperfeito, como poderá dar uma educação perfeita? Se for ignorante, incutirá ele sabedoria nos outros? Se for injusto, de que modo fará justos aos outros? Se for terreno, tornará os outros celestiais?
Ora, devemos refletir com justiça: os divinos Manifestantes (1) que têm aparecido, possuíam, ou não, todos esses atributos? Se não os possuíam, se não demonstraram essas perfeições, não eram educadores verdadeiros.
Nossa tarefa deve ser, pois, a de apresentar, aos que pensam, argumentos racionais, a fim de provarmos que Moisés, Cristo, e os outros Manifestantes Divinos eram verdadeiros Profetas. As evidências e provas que citaremos não devem ser baseadas em argumentos tradicionais, mas sim, em racionais.
Por argumentos racionais já provamos ter o mundo da existência, necessidade absoluta de um educador, sendo sua educação alcançada somente através de um poder divino. Sem dúvida alguma, este santo poder vem pela inspiração, e o mundo há de ser educado por este poder que transcende o meramente humano.


IV

ABRAÃO


Abraão foi um dos que possuíram esse poder e foram por ele amparados. Nasceu no país de entre-rios (Mesopotâmia), de uma família que nenhum conhecimento tinha da Unidade de Deus. Ele se opôs a Seu próprio povo, até mesmo à Sua própria família, com o repúdio a todos os deuses em que acreditavam. Sozinho, e sem apoio, resistiu a uma tribo poderosa – ato nem simples, nem fácil. Era como se alguém em nosso tempo fosse a um povo cristão, um povo devotado à Bíblia, e negasse Cristo; ou, na Corte Papal – Deus me perdoe! – blasfemasse violentamente contra Cristo, em oposição a todos os circunstantes.
Aquele povo não acreditava em um só Deus, mas em muitos deuses, aos quais atribuía milagres. Por isso, levantaram-se todos contra Ele, menos Lot, filho de seu irmão, e duas ou três outras pessoas sem importância. Finalmente, reduzido à completa miséria pela oposição dos inimigos, Abraão teve que sair da terra natal. Na verdade, expulsaram-No para que fosse destruído, esmagado, e Dele não restasse nenhum traço sequer.
Veio, pois, Abraão para o solo da Terra Santa. Os inimigos haviam pensado que Seu exílio seria Sua destruição, Sua ruína, pois lhes parecia impossível um homem ser desterrado, privado de seus direitos, oprimido por todos os lados, e ainda escapar ao extermínio – mesmo sendo rei. Abraão, no entanto, manteve-se inabalável, demonstrando uma firmeza sobrenatural, e Deus fez esse exílio tornar-se causa de Sua honra eterna, pois Ele estabeleceu a Unidade de Deus em meio a uma geração politeísta. Em conseqüência do exílio, os descendentes de Abraão vieram a ser poderosos, e a Terra Santa foi-lhes concedida. Ainda como resultado disso, os ensinamentos de Abraão foram largamente disseminados, surgindo entre os Seus pósteros um Jacob, e um José, que foi regente do Egito. E mais outra conseqüência do exílio: um Moisés, e um entre como Cristo, surgiram de Sua posteridade, bem como, ainda nesta, encontrou-se Hagar, de quem nasceu Ismael, de quem descendeu, por sua vez, Maomé. São igualmente da descendência de Abraão os profetas de Israel, e também o Báb. (1) E assim há de continuar para todo o sempre. Finalmente, como resultado de Seu exílio, a Europa inteira e a maior parte da Ásia vieram abrigar-se à sombra do Deus de Israel.
Vemos que grande poder foi esse, graças ao qual um fugitivo de seu país conseguiu fundar semelhante família, promulgar tais ensinamentos, e estender tão longe a fé divina. Poderá alguém dizer que isso tivesse ocorrido acidentalmente? Devemos ser justos: este homem foi um educador, ou não?
Se o exílio de Abraão, de Ur a Alepo na Síria, produziu tamanho resultado, qual será o efeito do exílio de Bahá´u´lláh, e de Suas inúmeras peregrinações: de Teerã a Bagdá, daí a Constantinopla, à Romélia, e à Terra Santa?
Que educador perfeito foi Abraão!







V

MOISÉS


Moisés, durante muito tempo, vivia no deserto como pastor. Aos olhos do mundo, era um homem criado por uma família tirânica, e tido nas redondezas como assassino. Era detestado pelo governo e pelo povo de Faraó.
Tal foi o homem que libertou dos grilhões do cativeiro uma grande nação, e a tornou feliz, levando-a do Egito para a Terra da Promissão.
Seu povo foi assim elevado da mais profunda degradação às alturas da glória. Fora cativo; tornou-se livre. Era um dos mais ignorantes entre os povos; veio a ser o mais sábio. Graças às instituições estabelecidas por Moisés, este povo alcançou uma posição que o enobreceu entre todas as nações, e sua fama estendeu-se por todas as terras, a tal ponto que, nas nações vizinhas, se alguém queria elogiar um homem, dizia: “Certamente, é israelita”. Moisés estabeleceu a lei religiosa e a lei civil; estas deram vida ao povo de Israel, e elevaram-no ao mais alto grau de civilização possível naquele tempo.
Tão grande foi o desenvolvimento atingido por esse povo, que os sábios da Grécia vieram a considerar os homens ilustres de Israel como modelos de perfeição. Sócrates, por exemplo, visitou a Síria, recebeu dos filhos de Israel os ensinamentos relativos à unidade de Deus e à imortalidade da alma e, após seu regresso, disseminou-os em toda a Grécia. Mais tarde, o povo levantou-se contra ele, acusando-o de impiedade; processaram-no no Areópago, e condenaram-no à morte por veneno.
Ora, como pôde um homem gago, criado na casa de Faraó, com fama de assassino – durante muito tempo se ocultando por medo, mais tarde pastor – sustentar uma Causa tão grande, quando os maiores filósofos do mundo não atingiram a milésima parte dessa influência? Eis, na verdade, um prodígio!
Um homem que gaguejava, mal podendo falar corretamente, conseguiu sustentar esta grande Causa! Sem o apoio do poder divino, nunca teria realizado obra tão elevada. É um fato inegável. Os cientistas, os filósofos gregos, os grandes homens de Roma, tornaram-se célebres no mundo inteiro por se terem especializado, cada um deles, num único ramo de conhecimento: assim, Galeno e Hipócrates na medicina, Aristóteles na lógica, e Platão na ética. Como pôde um pastor adquirir todos esses conhecimentos? Deve ter tido, sem dúvida alguma, o amparo de um poder supremo. Consideremos também quantas provações e dificuldades vem a sofrer uma pessoa. A fim de impedir um ato cruel, Moisés viu-se obrigado a atacar um egípcio, e tornou-se então conhecido como assassino, mais notavelmente porque o homem morto pertencia à nação dominante. Fugiu, e só mais tarde foi elevado ao grau de Profeta!
Apesar da má fama, quão admiravelmente um poder sobrenatural o guiou a estabelecer Suas grandes leis e instituições!


VI

CRISTO


Depois veio Cristo, afirmando: “Nasci do Espírito Santo”. Embora hoje os cristãos aceitem facilmente esta asserção, naquele tempo isso era muito difícil. Segundo o texto do Evangelho, os fariseus diziam: “Não é este o filho de José de Nazaré, nosso conhecido? Como pode dizer, então: – Desci do céu?”
Numa palavra, este homem tão humilde, aos olhos de todos, ergueu-se com tamanho poder que destronou uma religião datando de mil e quinhentos anos, e quando a mais leve divergência em relação a ela expunha o transgressor a perigos, ou mesmo à morte. Além disso, no tempo de Cristo, a moral do mundo inteiro se tornara confusa e se corrompera, e Israel havia descido aos mais baixo nível de degradação, miséria e cativeiro. Em determinada época foram os israelitas escravizados pelos caldeus e persas; em outra, pelos assírios; depois, tornaram-se súditos e vassalos dos gregos; finalmente, no tempo de Cristo, os romanos exerciam domínio sobre eles e os tratavam com desprezo.
Este jovem, Cristo, através de um poder sobrenatural, anulou a antiga Lei Mosaica e estabeleceu um mais alto nível geral de moralidade; assim, mais uma vez, foram lançados os alicerces da glória eterna dos israelitas. Ele, além disso, trouxe à humanidade a boa nova da paz universal, e difundiu ensinamentos que não eram só para Israel mas também se destinavam a promover o bem-estar de todos os homens.
Quem primeiro tentou aniquilá-lo foram os israelitas e os próprios parentes, e, a julgar pelas aparências, venceram-No, submeteram-No a extremas angústias, colocando-Lhe finalmente na cabeça uma coroa de espinhos, e crucificando-O. Cristo, porém, enquanto parecia estar na mais profunda miséria e aflição, proclamava: “Este Sol resplandecerá, esta Luz brilhará, minha graça há de abalar o mundo, e meus inimigos serão humilhados.” Tal como Ele disse, aconteceu: todos os reis da terra não Lhe puderam resistir, todos os seus estandartes foram derrubados, enquanto a bandeira deste Oprimido se ergue até o zênite.
Isto escapa a todas as normas da razão humana. É claro, pois, é óbvio, ter sido este Ser Glorioso um verdadeiro educador da humanidade, assistido e confirmado por um poder divino.


VII

MAOMÉ


Passemos agora a Maomé. Na América e na Europa tem circulado muitas histórias a respeito do Profeta, tidas por autênticas, embora seus narradores fossem, ou pessoas de nenhum conhecimento, ou inimigos. Muitos eram sacerdotes, e outros muçulmanos sem instrução, que repetiam histórias infundadas acerca de Maomé, com as quais eles, por ignorância, supunham louvá-Lo.
Assim, alguns muçulmanos atrasados fizeram de Sua poligamia objeto de louvores, considerando-a uma maravilha, uma coisa excelente; e os historiadores europeus, em sua maior parte, confiaram no testemunho dessas pessoas ignorantes. Disse uma, por exemplo, a um clérigo, ser a verdadeira prova da grandeza a bravura, o derramamento de sangue, e que, num só dia no campo de batalha, um adepto de Maomé havia degolado cem homens! Disso o clérigo inferiu que pelo assassinato o crente deveria provar a Maomé sua fé Nele – o que é pura imaginação. As expedições militares de Maomé, pelo contrário, foram sempre defensivas. Uma prova disso é que Ele e os discípulos suportaram em Meca, durante treze anos, as mais violentas perseguições. Durante todo esse tempo tornavam-se alvo das setas do ódio: alguns foram mortos, sendo confiscados os seus bens; outros fugiram para países estrangeiros. O próprio Maomé, após as mais severas perseguições movidas pelos goreishitas, que haviam finalmente resolvido matá-Lo, fugiu para Medina altas horas da noite. Mesmo assim, os inimigos não O deixaram em paz; perseguiram-No até Medina, e os discípulos até a Abissínia.
Essas tribos árabes viviam no mais baixo nível de barbarismo, de selvageria; comparados a eles, os selvagens da África e índios da América eram tão adiantados como Platão. Estes não enterram vivas as filhas, como faziam os árabes, vangloriando-se disso como se fora coisa louvável. (1) Muitos homens ameaçavam as esposas, dizendo: “Se deres à luz uma filha, matar-te-ei”. Ainda hoje os árabes desprezam as filhas. Além disso, naquele tempo era permitido a um homem esposar mil mulheres, e a maioria tinha mais de dez no lar. Quando essas tribos faziam guerra, a tribo vitoriosa levava consigo as mulheres e crianças inimigas e as escravizava.
Quando morria um homem que tinha dez mulheres, os filhos destas apoderavam-se uns das mães dos outros; se um deles atirava o manto sobre a cabeça de uma esposa do pai, exclamando: “Esta mulher é, por lei, propriedade minha”, a infeliz era desde então o que desejasse: matá-la, encarcerá-la num poço, bater-lhe, amaldiçoá-la e torturá-la até que a morte a livrasse, pois de acordo com os hábitos e costumes dos árabes era seu amo.
Claro que é que existiam no lar, entre esposas e filhos, malignidade, ciúmes, ódios e inimizade; não precisamos estender-no sobre o assunto. Podemos bem imaginar a situação, a vida dessas mulheres oprimidas! Além disso, essas tribos árabes viviam de pilhagem e roubo, e estavam constantemente guerreando; matavam-se uns aos outros, saqueavam os bens uns dos outros e capturavam mulheres e crianças, as quais vendiam aos estrangeiros. Quantas vezes não aconteciam aos filhos e filhas de um amir – que trocavam os dias por noites de vaidade e requintada luxúria – verem suas noites seguidas por manhãs de extrema vergonha, de pobreza e de cativeiro. Ontem eram amires, hoje cativos; ontem grandes senhoras, hoje escravas.
Entre essas tribos foi Maomé criado, e após suportar durante treze anos suas perseguições, fugiu. (1) Não cessaram, porém, de oprimi-Lo; reuniram-se para exterminar a Ele e a todos Seus adeptos. Em tais circunstâncias Maomé viu-se forçado a recorrer às armas. Esta é a verdade; pessoalmente, não temos preconceitos, não desejamos defendê-Lo, mas somos justos e dizemos o que é justo. Vede isto com justiça. Tivesse o próprio Cristo se encontrado em circunstâncias iguais, no meio de tribos tão tirânicas e bárbaras – se Ele e os discípulos houvessem suportado todas essas provações, pacientemente, durante treze anos, tendo por fim fugido de Sua terra natal, e se, apesar disso, essas tribos selvagens continuassem a persegui-Lo, a matar o homens, a saquear suas propriedades, e a fazer cativas suas mulheres e crianças – qual teria sido a atitude de Cristo? Se tal opressão se houvesse limitado a Sua pessoa, Ele as teria perdoado, e Seu ato teria sido muito louvável; mas se tivesse visto aqueles assassinos cruéis, sedentos de sangue, querendo matar, saquear e danificar a todos esses oprimidos, e capturar as mulheres e crianças, certamente Ele os teria protegido, teria resistido aos tiranos. Que objeção, pois, pode-se fazer aos atos de Maomé? Pode-se censurá-Lo e a Seus adeptos, com esposas e filhos, por não se terem querido submeter àquelas tribos selvagens? O maior benefício a prestar àquelas tribos era livrá-las de sua sede de sangue; era um verdadeiro favor coagi-las e contê-las, mesmo à força. Assemelhavam-se a um homem que segura na mão um copo de veneno, quando, no momento exato de bebê-lo, um amigo lhe quebra o copo, assim o salvando. Tivesse Cristo se achado em circunstâncias iguais, teria, certamente, com um poder triunfante, livrado os homens, mulheres e crianças das garras daqueles lobos sanguinários.
Jamais Maomé se mostrou inimigo dos cristãos, mas sim, tratava-os bondosamente e concedia-lhes inteira liberdade. Em Najran viva uma comunidade cristã sob Seus cuidados e proteção. Maomé disse: “Se alguém lhes infligir os direitos, Eu mesmo serei seu inimigo e na presença de Deus o acusarei”. Nos éditos por Ele promulgados, disse claramente que as vidas, as propriedades, e as leis dos cristãos e dos judeus estavam sob a proteção de Deus, e também, se um maometano casasse com uma cristã, não a deveria impedir de freqüentar a igreja, nem a obrigar a usar o véu, e, se ela morresse, devia entregar os restos mortais ao cuidado do clero cristão. Disse ser dever do Islã auxiliar aos cristãos se estes desejassem construir uma igreja. Em caso de guerra entre o Islã e seus inimigos, os cristãos deveriam ser isentos da obrigação de combater, a não ser que desejassem tomar parte, por sua espontânea vontade, visto estarem sob a proteção dos maometanos; mas em compensação, por essa imunidade, deveriam pagar anualmente uma pequena quantia. Há sede éditos pormenorizados que tratam desses assuntos, dos quais ainda existem algumas cópias, em Jerusalém. Isso é um fato estabelecido, independente de minha afirmação. O decreto do segundo califado (1) existe ainda, sob a custódia do Patriarca ortodoxo de Jerusalém: disso não há dúvida. (2)
Após certo tempo, no entanto, em conseqüência das transgressões de ambos, maometanos e cristãos, surgiram entre eles ódios e inimizades. Fora disto, todas as narrações de muçulmanos, cristãos ou outros, não passam de simples invenções, que se originaram no fanatismo, na ignorância, ou na inimizade. Dizem os muçulmanos, por exemplo, que Maomé rachou a lua, fazendo-a cair sobre a montanha de Meca; pensam ser a lua um corpo pequeno que Maomé dividiu em duas partes jogando uma sobre essa montanha e a outra sobre outra. Tais histórias são pura obra de fanatismo. Também as tradições citadas pelo clero e os incidentes que censuram, são todos exagerados, quando não inteiramente sem base.
Em resumo, Maomé apareceu no deserto de Hijaz, na Península Árabe, numa região desolada, estéril, arenosa e desabitada. Algumas partes, como Meca e Medina, são quentes, em excesso; o povo é nômade, com os costumes e modos dos habitantes do deserto, inteiramente destituído de educação e de conhecimento científicos. O próprio Maomé era analfabeto, e o Alcorão foi escrito originariamente sobre omoplatas de carneiro, ou sobre folhas de palmeira. Esses pormenores indicam a condição do povo ao qual Maomé fora enviado. A primeira pergunta que Ele lhes fez foi: “Por que não aceitaram o Pentateuco e o Evangelho, nem acreditam em Cristo, e em Moisés?” Isso apresentou-lhes dificuldades , e argüiram: “Os nossos antepassados não acreditavam no Pentateuco, nem no Evangelho; diga-nos: por que sucedeu isso?” E ele replicou: “Eles estavam errados; vós deveis rejeitar os que não acreditam no Pentateuco e no Evangelho, ainda que sejam vossos pais ou vossos antepassados”.
Num país como esse, entre tribos tão bárbaras, um homem analfabeto criou um livro em que expôs, num estilo eloqüente, sublime, as qualidades e perfeições divinas, esclarecendo o dom de profeta concedido aos Mensageiros de Deus, e revelando as leis divinas e alguns fatos científicos.
Sabemos que, antes das observações dos tempos modernos, isto é, durante os primeiros séculos e até ao século XV da era cristã, todos os matemáticos do mundo concordaram em dizer que a terra era o centro do universo, e que o sol se movia. O famoso astrônomo (1) propugnador da nova teoria descobriu o movimento da terra e a fixidez do sol. Todos os astrônomos e filósofos anteriores haviam seguido o sistema ptolemaico, considerando ignorante quem não o aceitasse. Se bem que Pitágoras, e Platão – durante a última parte da vida – adotassem a teoria de que o movimento anual do sol em seu percurso do zodíaco procedia do movimento da terra em volta do sol, em vez de ser do próprio sol, essa teoria havia sido inteiramente esquecida, sendo o ptolemaico o sistema aceito por todos os matemáticos. Há, no entanto, alguns versículos revelados no Alcorão contrários à teoria do sistema ptolemaico, como: “O sol move-se num lugar fixo”, (2) o que mostra a fixidez do sol e seu movimento em redor de um eixo, e em outro versículo: “E cada estrela move-se em seu próprio céu”. (1) Assim é explicado o movimento do sol, da lua, da terra e dos outros astros. Quando apareceu o Alcorão, todos os matemáticos ridicularizavam essas afirmações, atribuindo à ignorância tal teoria. Até mesmo os doutores do Islã, verificando serem esses versículos contrários ao sistema ptolemaico, universalmente aceito, sentiram-se constrangidos a dar-lhes outra interpretação.
Foi somente depois do século XV da era cristã, quase novecentos anos após Maomé, que um astrônomo famoso fez novas observações por meio do telescópio por ele inventado, dos quais resultaram descobertas importantes, como a rotação da terra, a fixidez do sol, e também seu movimento em volta de um eixo. Viu-se, assim, que os versículos do Alcorão estavam em harmonia com os fatos existentes e o sistema ptolemaico era imaginário.
Enfim, muitos povos orientais foram educados durante treze séculos à sombra da religião de Maomé. Na Idade Média, quando a Europa descera ao mais baixo nível de barbarismo, os povos árabes eram superiores às outras nações da terra em conhecimentos – nas artes e ciências, na matemática, e em seu sistema de governo; a sua civilização era a mais adiantada. Quem educou, quem iluminou essas tribos árabes, fundando entre raças tão divergentes uma civilização que refletisse as perfeições humanas, foi um homem analfabeto – Maomé. Esse homem ilustre foi, ou não, um educador perfeito?
Impõe-se um julgamento imparcial.


VIII

O BÁB


Quanto ao Báb (2) – possa eu oferecer-Lhe, em holocausto, minha alma – quando era ainda muito jovem, isto é, no vigésimo quinto ano de Sua vida abençoada, levantou-se para proclamar Sua causa. Entre os xiitas, universalmente, se admite não haver Ele estudado em nenhum colégio nem adquirido conhecimentos de instrutor algum. Deste fato todos os habitantes de Shíráz dão testemunho. De Súbito, porém, apareceu Ele do povo, e demonstrando a mais completa erudição. Embora apenas um mercador, confundia todos os ulemás (1) da Pérsia. Inteiramente só, de um modo que ultrapassa a imaginação sustentava a Causa em oposição aos persas, célebres por seu fanatismo religioso. Esse espírito ilustre levantou-se com tal poder, que fez tremerem os esteios da religião, da moral, dos hábitos, costumes e condições predominantes na Pérsia, e instituiu novas normas e leis, e uma nova fé. Não obstante se haverem erguido grandes personagens do Estado, inclusive a maioria do clero e dos altos funcionários, a fim de destruí-Lo, aniquilá-Lo, Ele, sozinho, resistiu a todos e abalou a Pérsia inteira.
Entre os ulemás e os homens públicos, no entanto, como entre outros grupos, havia também muitos que sacrificaram a vida alegremente pela Sua Causa, correndo em direção ao martírio.
O governo, porém, e os teólogos, as altas personalidades e o povo em geral, desejaram extinguir Sua luz, mas não o puderam. Brilhou, afinal, como uma estrela; ergueu-se tal qual uma lua; estabeleceram-se firmemente os Seus alicerces, e Sua alvorada raiou. A uma multidão submersa nas trevas, Ele deu a educação divina, produzindo maravilhosos efeitos no pensamento, na moral, nos costumes e condições dos persas.
Aos que O seguiam, anunciou a boa nova – a manifestação do Sol de Bahá – e preparou-os para que Nele acreditassem.
O aparecimento de tão admiráveis sinais e grandes resultados, a influência evidenciada no espírito do povo e nas idéias correntes, o grande impulso ao progresso, e a organização dos princípios do sucesso e da prosperidade – tudo isso por um jovem mercador – constituem a maior prova de ter sido Ele um educador perfeito. Uma pessoa justa jamais hesitará em acreditar nisso.


IX

BAHÁ´U´LLÁH


Bahá´u´lláh (1) apareceu num tempo em que o Império Persa estava imerso em profundo obscurantismo e ignorância, mergulhado no mais cego fanatismo. Já deveis ter lido, nas histórias européias, descrições minuciosas dos costumes, idéias e moral dos persas nos últimos séculos. Desnecessário é repeti-las. Diremos, simplesmente, que a Pérsia descera ao ponto de causar lástima aos visitantes estrangeiros, ao verem este país tão glorioso antigamente, cujo nível de civilização fora tão elevado, achar-se agora em plena decadência, ruína e caos, vindo seu povo até a perder o sentido de dignidade.
Foi quando Bahá´u´lláh se manifestou. Seu pai era um vizir, e não um dos ulemás. Como todo o povo da Pérsia sabe, Ele nunca estudara em colégio algum, nem se associara aos ulemás ou homens de erudição. A primeira parte de Sua vida foi passada na maior felicidade. Seus companheiros eram persas da mais alta posição, embora não fossem sábios.
Apenas Bahá´u´lláh soube da manifestação de Báb, afirmou: “Este grande homem é o Senhor dos retos; crer Nele é dever de todos”. E levantou-se em apoio ao Báb, dando inúmeras provas e evidências positivas de Sua verdade, apesar de haverem os ulemás da religião oficial constrangido o governo da Pérsia a mover-Lhe oposição e, mais ainda, terem decretado, para aqueles que O seguiam, matança, pilhagem, perseguição e expulsão. Em todas as províncias, começaram a matar, incendiar, roubar os adeptos, e assaltar até as mulheres e crianças. Não obstante tudo isso, Bahá´u´lláh ergue-se e proclamou a palavra do Báb fervorosamente e com indomável firmeza. Nem por um momento se escondeu; não, andava abertamente no meio de Seus inimigos. Ocupava-se em dar provas e evidências, e era reconhecido como arauto da palavra de Deus. Sob várias condições e circunstâncias suportou infortúnios extremos, e a cada momento corria o risco de ser martirizado. Foi posto numa prisão subterrânea, em correntes, sendo confiscada Sua herança e saqueadas Suas vastas propriedades. Quatro vezes exilado de um lugar para outro, só encontrou descanso, afinal, na “Maior Prisão”. (1)
A despeito de tudo isto, nem por um momento sequer, deixou Bahá´u´lláh de proclamar a grandeza da Causa de Deus. Tais foram Seus ensinamentos, Suas virtudes, Suas perfeições, que Ele se tornou objeto da admiração de todo o povo da Pérsia. Em Teerã, Bagdá, Constantinopla, Romélia, e até em ´Akká, todos os sábios e homens de ciência, quer amigos, quer inimigos, quando admitidos à Sua presença, recebiam sempre, para qualquer pergunta que Lhe tivessem feito, a resposta mais completa e persuasiva, vindo assim a confessar, freqüentemente, ser Ele único, incomparável, em todas as perfeições.
Acontecia muitas vezes reunirem-se em Bagdá certos ulemás, rabinos e cristãos, com alguns sábios europeus. Nesses abençoados momentos, cada um tinha alguma pergunta a propor, e todos, embora seus graus de cultura fossem muito diversos, recebiam respostas adequadas e convincentes, podendo então retirar-se satisfeitos. Até mesmo os ulemás persas de Karbilá e Najaf escolheram um sábio, de nome Mulla Hasan Amu, e Lhe mandaram em missão. Esse emissário foi admitido à Santa Presença e apresentou as várias perguntas dos ulemás, às quais Bahá´u´lláh respondeu. Então, Hasan Amu disse: “Os ulemás reconhecem, sem hesitação, e confessam a sabedoria e a virtude de Bahá´u´lláh, e estão convencidos unanimemente que em toda a erudição ele é único, sem igual; é evidente também que nunca estudou, portanto não adquiriu essa erudição; mas, ainda os ulemás dizem: “Não estamos contentes com isso; não admitimos a realidade de sua missão em virtude de sua sabedoria e integridade. Pedimos-lhe, pois, que nos faça um milagre, a fim de satisfazer e tranqüilizar os nossos corações”.
Bahá´u´lláh respondeu: “Embora não tenhais direito de pedir isso, pois só a Deus compete provar Suas criaturas, e não estas a Deus, admito, no entanto, e aceito esse pedido. A Causa de Deus, porém, não é exibição teatral, apresentada de hora em hora, da qual se possa esperar todos os dias um divertimento novo; se assim fosse, tornar-se-ia mero brinquedo de crianças. Os ulemás devem, pois, reunir-se e de comum acordo escolher um milagre, e escrever que, após a sua realização, não mais terão dúvidas a Meu respeito, mas admitirão e confessarão a verdade de Minha Causa. Selem o documento e tragam-no. Este deve ser o critério aceito: realizado o milagre, não lhes restará dúvida; em caso contrário, nós seremos acusados de impostura”. O sábio, Hasan Amu, levantou-se e respondeu: “Nada mais há a dizer”, beijou então o joelho do Abençoado, embora não fosse crente, e partiu. Reuniu os ulemás e transmitiu-lhes a sagrada mensagem. Depois de se consultarem, disseram: “Esse homem é mágico; talvez faça mágica e assim nada mais teremos a dizer”, e agindo de acordo com isto, não ousaram levar avante a questão. (1)
Hasan Amu falou dessa ocorrência em muitas reuniões. Depois de deixar Karbala, foi a Kirmanshah e Teerã, e em toda parte contou os pormenores, frisando sempre o medo e a retirada dos ulemás.
Numa palavra, todos os adversários de Bahá´u´lláh no Oriente admitiam Sua grandeza, sublimidade, sabedoria e virtude, e, não obstante serem Seus inimigos, sempre se referiam a Ele como “o famoso Bahá´u´lláh”.
No tempo em que esta grande Luz se ergueu de súbito no horizonte da Pérsia, o povo, os ministros, ulemás e membros das outras classes levantaram-se contra Ele, perseguindo-O com a maior animosidade e proclamando que esse homem queria eliminar e destruir a religião, a lei, a nação e o império. Dizia-se o mesmo de Cristo. Bahá´u´lláh, entretanto, só, sem apoio, resistiu a todos, jamais mostrando a mínima fraqueza. Finalmente disseram: “Enquanto esse homem permanecer na Pérsia, não haverá paz nem tranqüilidade; devemos exilá-lo, a fim de que a Pérsia possa voltar a um estado de sossego.”
Empregaram, pois violência para com Ele, a fim de obrigá-lo a pedir permissão para sair da Pérsia, pensando que assim se extinguiria a luz de Sua verdade; mas o resultado foi justamente o contrário. A Causa tornou-se mais gloriosa; mais intensamente ardia sua chama. Difundira-se, de início, pela Pérsia, somente, mas com o exílio de Bahá´u´lláh, atingiu outros países. Mais tarde, Seus inimigos disseram: “Iraque Arabi (1) não é bastante longe da Pérsia; temos que mandá-lo para um reino mais distante.” Assim o governo persa resolveu mandar Bahá´u´lláh do Iraque para Constantinopla; mas, novamente, se verificou que a Causa nem por isso se enfraquecia. Ainda outra vez os persas disseram: “Constantinopla é um lugar de passagem, de morada temporária para várias raças e povos, entre os quais muitos persas”, e exilaram-No, pois, para mais longe, para a Romélia. Ali se intensificou, porém, o ardor de Sua chama; a Causa era enaltecida cada vez mais. Disseram os persas afinal: “Nenhum desses lugares está seguro contra sua influência; devemos exilá-lo para algum lugar em que esteja completamente destituído de poder, e sua família e seus adeptos tenham que se submeter às mais penosas aflições”. Escolheram, portanto, a prisão de ´Akká, reservada especialmente para assassinos, ladrões e salteadores de estrada – e foi, em verdade, entre tais criminosos que O classificaram.
O poder de Deus, entretanto, manifestou-se: Sua palavra foi divulgada, e a grandeza de Bahá´u´lláh tornou-se evidente, pois foi sob tais circunstâncias, enquanto nessa prisão, que Ele fez a Pérsia progredir em conhecimentos. Venceu todos os inimigos, provou-lhes que não podiam resistir à Causa. Seus santos ensinamentos penetraram todas as regiões; firmou-se a Sua Causa.
Em toda a Pérsia, surgiram contra Ele os inimigos cheios de ódio. Sujeitavam os adeptos ao açoite, à prisão, até à morte; incendiavam e arrasavam milhares de moradas. Por todos os meios queriam exterminar a Causa, esmagá-la completamente. Apesar de tudo isso, se bem que fosse promulgada de uma prisão de assassinos, salteadores e ladrões, esta Causa era enaltecida. Seus ensinamentos foram largamente disseminados: Suas exortações atingiram até mesmo muitos daqueles mais cheios de ódio, transformando-os em crentes fervorosos. O próprio governo da Pérsia despertou, e arrependeu-se do que sucedera por culpa dos ulemás.
Com a vinda de Bahá´u´lláh a essa prisão na Terra Santa, os sábios perceberam que a boa nova dada por Deus pela boca dos Profetas, dois ou três mil anos antes, havia novamente se manifestado; Deus fora fiel à sua promessa, pois a alguns dos Profetas revelara a boa nova de que “O Senhor dos Exércitos se manifestaria na Terra Santa”. Todas estas promessas se cumpriram e, não fossem as perseguições infligidas pelos inimigos – não fosse Sua expulsão – difícil seria ver como Bahá´u´lláh poderia ter deixado a Pérsia e levantado Sua tenda na Terra Santa. Seus inimigos visaram com esse encarceramento a destruição total da sagrada Causa, mas foi, na realidade, o maior benefício; tornou-se meio de seu desenvolvimento. O renome da sublimidade de Bahá´u´lláh estendeu-se pelo Oriente e pelo Ocidente; os raios do Sol da Verdade iluminaram o mundo inteiro. Louvado seja Deus! Embora prisioneiro, ergueu tenda no Monte Carmelo e movia-se livremente com a maior majestade. Cada um que vinha à Sua presença, fosse amigo, fosse estranho, dizia: “Este é um príncipe e não um cativo”.
Logo após a chegada a esse cárcere, dirigira Bahá´u´lláh uma epístola a Napoleão, (1) enviando-a por intermédio do embaixador francês. Seu conteúdo foi, em resumo: “Pergunta qual o nosso crime, e por que estamos encarcerados nesta prisão, nesta masmorra”. Napoleão não respondeu. Foi-lhe enviada outra epístola, a qual se encontra no Suratu´l-Haikal, (2) e na qual advertiu: “Ó Napoleão, por não haveres escutado a minha proclamação, nem a ela respondido, perderás em breve teu domínio e sofrerás destruição total.” Essa epístola foi enviada a Napoleão pelo correio, graças ao cuidado de Cesar Ketafagoo (1) – fato este conhecido por todos Seus companheiros de exílio. O texto desta advertência espalhou-se por toda a Pérsia, porque nesse tempo divulgou na Pérsia o Kitabu´l-Haikal, no qual estava incluído. Isso aconteceu em 1869. Como fizessem o Suratu´l-Haikal circular na Pérsia e na Índia, e assim chegar às mãos de todos os crentes, estes aguardavam com ansiedade os futuros acontecimentos. Logo depois, em 1870, rebentou a guerra entre a Alemanha e a França, e embora ninguém esperasse naquele tempo a vitória da Alemanha, Napoleão conheceu, afinal, a derrota e a desonra, teve que render-se aos inimigos, e sua glória se transformou, realmente, em profunda humilhação.
Foram enviadas epístolas a outros reis, entre os quais Sua Majestade, Nasiru´d-Din Xá. Nesta epístola Bahá´u´lláh disse: “Mandai-me chamar, reuni os ulemás, e pedi provas e argumentos, a fim de se saber o que é verdadeiro e o que é falso”. Sua Majestade Nasiru´d-Din Xá enviou a sagrada epístola aos ulemás, propondo-lhes que empreendessem a missão, mas não o ousaram fazer. Pediu então a sete dos mais célebres entre eles que escrevessem uma resposta ao desafio. Após algum tempo, devolveram a sagrada epístola, dizendo: “Esse homem opõe-se à religião e é inimigo do Xá”. Sua Majestade, o Xá da Pérsia, muito aborrecido, disse: “Esta questão exige provas e argumentos para demonstrar sua verdade ou sua falsidade; que tem isso com inimizade ao governo? Ai! quanto respeitávamos esses ulemás, mas nem podem responder a esta epístola!”
Em resumo, tudo o que estava escrito nas epístolas aos reis está se cumprindo. Se conferirmos os acontecimentos desde o ano 1870, verificaremos terem quase todos se realizados de acordo com as profecias; restam apenas poucas, as quais mais tarde hão de se cumprir.
Assim, povos estrangeiros também, e várias seitas que não acreditaram em Bahá´u´lláh, atribuíram-Lhe muitas coisas maravilhosas, dizendo alguns que era santo. Outros escreveram acerca Dele, entre os quais Sayyd Dawoudi, sábio sunita de Bagdá, que compôs um pequeno tratado no qual relata alguns atos sobrenaturais. Há pessoas ainda, em toda parte do Oriente, que O consideram santo e têm fé em Seus milagres, embora não O aceitam como Manifestante Divino.
Tantos inimigos como adeptos, e todos aqueles admitidos à Sua presença, reconheciam e atestavam a grandeza de Bahá´u´lláh embora Nele não acreditassem, e logo que entravam neste santo lugar, tal era o efeito de Sua presença, que quase todos se sentiam sem o poder de pronunciar uma palavra. Quantas vezes acontecia um de seus acérrimos inimigos dizer de si para si: “Direi tais e tais coisas ao chegar à sua presença, disputarei e argüirei do seguinte modo”, mas quando ali entrava, ficava atônito e confuso, até mesmo mudo.
Bahá´u´lláh, nunca estudara o árabe; não tivera instrutor ou professor, nem freqüentara escola; no entanto, a eloqüência, o estilo elevado, de Suas dissertações na língua árabe, como também Suas obras escritas no mesmo idioma, causaram admiração, até espanto, aos sábios árabes de mais renome, e todos reconheceram e declararam ser Ele incomparável e sem igual.
Se examinarmos cuidadosamente o texto da Bíblia, veremos que o Manifestante Divino jamais disse aos que O negavam: “Seja qual for o milagre que desejardes, estarei pronto para realizá-lo, e submeter-me-ei a qualquer prova que propuserdes.” Na epístola ao Xá, porém, Bahá´u´lláh disse claramente: “Reuni os ulemás e mandai-me chamar, para que as provas e evidências possam ser estabelecidas.” (1)
Com a firmeza de uma montanha, Bahá´u´lláh enfrentou os inimigos durante cinqüenta anos. Todos desejavam destruí-Lo; mil vezes planejaram crucificá-Lo. Durante cinqüenta anos esteve Ele em constante perigo.
Tal é o grau de decadência e ruína da Pérsia hoje, que todas as pessoas inteligentes, sejam persas, ou estrangeiras, compreendendo a verdadeira situação do país, reconhecem que o progresso, a cultura e a reforma dependem da adoção dos ensinamentos desta grande personagem, e do desenvolvimento de Suas teorias.
Cristo, em Seu tempo abençoado, educou realmente apenas onze homens, dos quais o maior era Pedro, se bem que este, ao ser interrogado, O negasse três vezes. Não obstante isso, a Causa de Cristo penetrou, em seguida, o mundo inteiro. Em nosso tempo, Bahá´u´lláh educou milhares de almas, as quais, sob a ameaça da espada, erguiam aos céus o grito de “Yá Bahá´u´l-Abhá” (1) e no fogo das provações suas faces reluziam como ouro. Reflitamos, pois, no que há de suceder no futuro.
Enfim, devemos ser justos e reconhecer o grande educador que foi esse Ente Glorioso; devemos verificar os maravilhosos sinais por Ele manifestados, e admitir que, em todo o mundo, Dele emanaram forças e poder inegáveis.


X

PROVAS TRADICIONAIS EXEMPLIFICADAS
DO LIVRO DE DANIEL


Hoje, à mesa, falemos um pouco a respeito de provas. Se tivésseis vindo a este lugar abençoado nos dias da manifestação da Luz evidente, se tivésseis atingido a corte de Sua Presença e visto Sua beleza luminosa, teríeis compreendido que Seus ensinamentos e Sua perfeição não necessitavam de outra evidência.
Somente pela honra de entrarem em Sua Presença, muitas almas se tornaram crentes confirmados; outras provas eram desnecessárias. Até aqueles que O rejeitaram e Lhe tinham ódio amargo, ao encontrarem-se com Ele, deram testemunho da grandeza de Bahá´u´lláh, dizendo: “É um homem magnífico, mas, que pena ele ter tal pretensão! Se não fosse isso, tudo o que ele diz seria aceitável.”
Mas agora que aquela Luz da Realidade se extinguiu, todos necessitam de provas, e incumbe-nos, pois, apresentar provas lógicas de Sua pretensão. Citaremos uma que será suficiente para todos aqueles que são justos, e que ninguém pode contestar. É que esse ilustre Ser ergueu Sua causa na “Maior Prisão”; desta Prisão foi difundida Sua luz; Sua fama conquistou o mundo; e a proclamação de Sua glória atingiu Leste e Oeste. Até os nossos tempos, jamais ocorreu tal coisa. Se houver justiça, isso será admitido. Há pessoas, porém, que não julgarão com justiça, ainda que lhes forem apresentadas todas as provas do mundo! Assim a religião e o Estado da Pérsia, com todo o seu poder, não lograram resistir a Ele. Em verdade, Ele, inteiramente só, encarcerado e oprimido, conseguia tudo o que desejava.
Não quero mencionar os milagres de Bahá´u´lláh, pois se poderia dizer, talvez, que sejam tradições, sujeitas tanto ao erro como à verdade, semelhantes aos milagres de Cristo relatados no Evangelho, os quais nos vêm dos apóstolos e não de qualquer outra pessoa, e que contudo são negados pelos judeus. Se, entretanto, eu desejasse mencionar os atos sobrenaturais de Bahá´u´lláh, poderia dizer que são numerosos e admitidos no Oriente, até mesmo por pessoas estranhas à Causa. Mas estas narrativas não constituem provas e evidências decisivas para todos; quem as ouvir, poderá dizer talvez que não estejam de acordo com a realidade, pois se sabe que várias seitas relatam milagres realizados por seus fundadores. Os brâmanes, por exemplo, relatam milagres: qual a evidência de serem estes falsos e aqueles verdadeiros? Se aqueles são fábulas, os outros também o são; se aqueles são geralmente aceitos, os outros também são geralmente aceitos. Por conseguinte, tais narrativas não são provas satisfatórias. Sim, milagres são provas para a testemunha ocular somente, e até esta pode-os considerar encantamento e não milagres. Também de alguns mágicos têm sido relatados feitos extraordinários.
Numa palavra, quero dizer que muitas coisas maravilhosas foram feitas por Bahá´u´lláh, mas nós não as relatamos, porque não constituem provas e evidências para todos os povos da terra. Nem para aqueles que os vêem são provas decisivas, pis até por eles podem elas ser atribuídas ao encantamento.
Também a maioria dos milagres dos Profetas que se menciona tem um sentido interior. Encontra-se escrito no Evangelho, por exemplo, que na ocasião do martírio de Cristo, trevas predominavam, e a terra tremia, e o véu do templo se rasgou em duas partes de alto a baixo, e os mortos saíram das sepulturas. Se tais coisas tivessem acontecido, teriam sido de fato maravilhosas, e certamente a história da época as teria registrado. Teriam perturbado muitos os corações. Os soldados teriam tirado Cristo da cruz ou então fugido. História alguma relata esses acontecimentos, o que torna evidente, pois, que não devem ser tomados em seu sentido literal, mas sim, interior.
Não é nosso propósito negar tais milagres; queremos dizer apenas que não constituem provas decisivas, mas que têm um sentido interior.
Hoje à mesa, então, nós nos referiremos à explicação das provas tradicionais contidas nos Livros Sagrados. Até agora, temo falado somente de provas lógicas.
A condição em que se deve estar, a fim de buscar seriamente a verdade, é a da alma ardente, sequiosa da água da vida, ou a do peixe que se esforça para alcançar o oceano, ou do paciente que se dirige ao verdadeiro médico a fim de obter a cura divina, ou da caravana perdida que se empenha em encontrar o caminho certo, ou do navio errante que tenta atingir a costa da salvação.
Também aquele que busca deve possuir certas qualidades. Em primeiro lugar, deve ser justo, e desprendido de tudo menos de Deus; seu coração deve volver-se inteiramente para o horizonte supremo; ele deve estar livre da escravidão dos vícios e das paixões, pois tudo isto serve de obstáculo; além disso, deve ele ser capaz de suportar todas as durezas; deve ser absolutamente puro e santificado, e desapegado do amor ou do ódio dos habitantes do mundo. Por quê? Porque o fato de seu amor a uma pessoa ou uma coisa poderia impedi-lo de reconhecer a verdade numa outra e, igualmente, seu ódio de alguma coisa poderia ser um obstáculo para seu discernimento da verdade. É esta a condição de quem busca; são estas as qualidades que deve possuir. Até que ele atinja esta condição, não lhe será possível alcançar o Sol da Realidade.
Voltemos agora a nosso assunto.
Todos os povos do mundo esperam dois Manifestantes, que devam ser contemporâneos; todos esperam o cumprimento desta promessa. Na Bíblia, os judeus têm a promessa do Senhor dos Exércitos e do Messias; no Evangelho é prometida a volta de Cristo e de Elias. Na religião de Maomé, há a promessa do Mihdi e do Messias, e é o mesmo com a religião zoroástrica e com as outras, mas se tratássemos em detalhe destes assuntos, tomaríamos tempo demais. O fato essencial é que em todas são prometidos dois Manifestantes que deverão vir um após o outro. No tempo destes dois Manifestantes, segundo a profecia, o mundo existente será renovado e os seres se ataviarão em vestes novas. A justiça e a caridade se espalharão pelo mundo inteiro; desaparecerão a inimizade e o ódio, as causas de divergência entre os povos – entre as raças e as nações, sendo substituídas por aquilo que cause unidade, harmonia e concórdia. Os negligentes despertarão; os cegos adquirirão vista, os surdos, ouvido, e os mudos poderão falar; os enfermos serão curados, e os mortos, ressuscitados. A paz haverá de substituir a guerra; o amor conquistará a inimizade; as causas de disputa e contenda serão removidas inteiramente e se realizará a verdadeira felicidade. Todas as nações tornar-se-ão uma só; as religiões serão unificadas; todos os homens serão de uma só família e da mesma raça. Todas as regiões da terra serão como uma só; as superstições causadas por raças, países, indivíduos, línguas e política desaparecerão; todos os homens atingirão a vida eterna, abrigados à sombra do Senhor dos Exércitos.
Agora devemos provar pelos Livros Sagrados que esses dois Manifestantes já vieram, e devemos descobrir o significado das palavras dos Profetas, pois desejamos provas tiradas dos Livros Sagrados.
Há poucos dias, à mesa, expusemos provas lógicas, estabelecendo a verdade desses dois Manifestantes.
Enfim no Livro de Daniel, (1) desde a reconstrução de Jerusalém até o martírio de Cristo, setenta semanas são apontadas; pois pelo martírio de Cristo, é consumado o sacrifício e destruído o altar. É uma profecia da manifestação de Cristo. Essas setenta semanas começam com a restauração e reconstrução de Jerusalém, concernente ao que foram emitidos quatro éditos, por três reis.
O primeiro foi emitido por Cyrus no ano de 536 A.C.; este é mencionado no primeiro capítulo do Livro de Ezra. O segundo édito, referente à reconstrução de Jerusalém, é o de Dario da Pérsia no ano de 519 A.C.; este é mencionado no sexto capítulo de Ezra. O terceiro é o de Artaxerxes no sétimo ano de seu reinado, isto é, em 457 A.C.; segundo consta do sétimo capítulo de Ezra. O quarto é o de Artaxerxers no ano de 444 A.C.; este é mencionado no segundo capítulo de Neemias.
Mas Daniel se refere especialmente ao terceiro édito, emitido no ano de 457 A.C. Setenta semanas fazem quatrocentos e noventa dias. Cada dia, segundo o texto do Livro Sagrado, é um ano.” (1) Quatrocentos e noventa dias, pois, são quatrocentos e noventa anos. O terceiro édito de Artaxerxes foi emitido quatrocentos e cinqüenta e sete anos antes do nascimento de Cristo, e Cristo, quando foi martirizado e ascendeu, tinha trinta e três anos de idade. Quando se acrescenta trinta e três a quatrocentos e cinqüenta e sete, o resultado é quatrocentos e noventa, que é o tempo anunciado por Daniel para a manifestação de Cristo.
No vigésimo quinto versículo do nono capítulo do Livro de Daniel, porém, isso é expresso de outra maneira, como sete semanas e sessenta e duas semanas, o que aparentemente difere da primeira declaração. Por causa desta diferença, muitos se tornam perplexos ao tentarem reconciliar as duas afirmações. Como podem setenta semanas ser certas num lugar, e sessenta e duas semanas e sete semanas em outro? As duas exposições não concordam.
Daniel menciona, entretanto, duas datas. Uma começa com a ordem de Artaxerxes a Ezra para a reconstrução de Jerusalém; esta é das setenta semanas que terminaram com a ascensão de Cristo, quando por Seu martírio cessaram o sacrifício e a oblação.
O segundo período, ao qual se refere o vigésimo sexto versículo, quer dizer que após o término da reconstrução de Jerusalém até a ascensão de Cristo, haverá sessenta e duas semanas; as sete semanas são o tempo que durou a reconstrução de Jerusalém, ou sejam quarenta e nove anos. Quando se adicionam estas sete semanas às sessenta e duas semanas, fazem sessenta e nove semanas, e na última (69-70) ocorreu a ascensão de Cristo. Estas setenta semanas são assim completadas, e não há contradição.
Já que foi provada pelas profecias de Daniel a manifestação de Cristo, provemos agora a de Bahá´u´lláh e a do Báb. Anteriormente temos mencionado apenas provas lógicas; falaremos agora de provas tradicionais.
No oitavo capítulo do Livro de Daniel, versículo 13, se lê: “Então ouvi eu um dos santos que falava; e um outro santo perguntou àquele que falava: “Até quando durará a visão relativa ao sacrifício diário, e o pecado da desolação, e até quando serão pisados aos pés o santuário e a fortaleza?” Respondeu ele então (V. 14): “Até dois mil e trezentos dias; então o santuário será purificado”; (V. 17) “Mas ele me disse... esta visão se cumprirá no fim a seu tempo.” Quer isto dizer: quanto tempo haverá de durar esse infortúnio, essa ruína, essa humilhação e degradação? Isto é, quando será a alvorada do Manifestante? Então respondeu ele, “Doze mil e trezentos dias; então será purificado o santuário.” Significa esta passagem, enfim, que ele aponta dois mil e trezentos anos, pois no texto da Bíblia cada dia é um ano. Assim, desde a data em que foi emitido o édito de Artaxerxes para reconstruir Jerusalém até o dia do nascimento de Cristo, há 456 anos, e do nascimento de Cristo até o dia da manifestação do Báb, há 1844 anos. Quando se acrescenta 456 anos a esse número, se tem 2.300 anos. Isto quer dizer, o cumprimento da visão de Daniel ocorreu no ano de 1844 A.D., o qual é o ano da manifestação do Báb, assim concordando com o texto exato do Livro de Daniel. Vede com que clareza ele determina o ano da manifestação; não poderia haver profecia mais clara do que esta para uma manifestação.
Em S. Mateus, capítulo 24, versículo 3, Cristo diz claramente que o que Daniel queria dizer com essa profecia foi a data da manifestação. Eis o versículo: “Enquanto estava assentado no Monte das Oliveiras, se chegaram a ele seus discípulos em particular, perguntando-lhe: “Dize-nos, quando sucederão estas coisas? e que sinal haverá de tua vinda, e da consumação do século?” Uma das explicações que Ele lhes deu em resposta foi esta (V. 15): “Quando vós pois virdes a abominação da desolação que foi predita pelo profeta Daniel, estai no lugar santo (o que lê, entenda).” Nesta resposta Ele diz que devem ler o oitavo capítulo do Livro de Daniel, e quem o ler deverá entender ser este o tempo ao qual se refere. Considerai com que clareza é mencionada no Velho Testamento e no Evangelho a manifestação do Báb.
Agora vamos explicar a data da manifestação de Bahá´u´lláh segundo a Bíblia. A data de Bahá´u´lláh é calculada de acordo com os anos lunares desde a missão e a Héjira de Maomé, pois na religião de Maomé, é usado o ano lunar, como o é também em todas as ordens de adoração.
No Livro de Daniel, capítulo 12, versículo 6, está escrito: “E disse alguém ao homem que estava vestido de roupas de linho, o qual se sustinha em pé sobre as águas do rio: - Quando se cumprirão estas maravilhas? – E eu ouvi que este homem que estava vestido de roupas de linho e se sustinha em pé sobre as águas do rio, tendo levantado ao céu a sua mão direita, e a mão esquerda, jurou nesta ação por aquele que vive eternamente, que isso seria depois de um tempo, e dois tempos e metade de um tempo. E todas estas coisas se cumprirão quando se acabar a dispersão do ajuntamento do povo santo.”
Como já expliquei o que significa um dia, não é necessário explicá-lo mais; mas diremos, em poucas palavras, que cada dia do Pai conta como um ano, e em cada ano há doze meses. Assim três anos e meio fazem quarenta e dois meses, nos quais há mil duzentos e sessenta dias. O Báb, precursor de Bahá´u´lláh, apareceu no ano de 1260 da Héjira de Maomé, segundo o calendário do Islã.
Depois, no versículo 11, se lê: “E desde o tempo em que o sacrifício perpétuo for abolido, e a abominação para a desolação for posta, passarão mil e duzentos e noventa dias. Bem-aventurado o que espera, e que chega até mil e trezentos e trinta e cinco dias!”
O começo deste cálculo lunar é desde o dia da proclamação de ser Maomé profeta, na região de Hijaz, o que foi três anos após Sua missão; porque, de início, foi guardado em segredo o fato de ser Maomé profeta, não o sabendo ninguém exceto Khadija e Ibn Naufal. (1) Depois de três anos foi anunciado. E Bahá´u´lláh, no ano (2) de 1290 depois da proclamação da missão de Maomé, tornou conhecida Sua manifestação.


XI

COMENTÁRIO SOBRE O DÉCIMO PRIMEIRO
CAPÍTULO DA REVELAÇÃO DE SÃO JOÃO


No começo do décimo primeiro capítulo da Revelação de São João está escrito:
“E deu-se-me uma cana semelhante a uma vara, e esteve lá o anjo, dizendo: - Levanta-te, e mede o templo de Deus, e o altar, e os que nele fazem as suas adorações.
“Mas o átrio, que está fora do templo, deixa-o de fora, e não o meças, porque ele foi dado aos gentios, e eles hão de pisar com os pés a cidade santa por quarenta e dois meses.”
Esta cana é um homem perfeito que se assemelha a uma cana, e a maneira de sua semelhança é esta; quando o interior de uma cana está vazio e livre de toda matéria, pode produzir belas melodias; e como o som e as melodias não provêm da cana, mas sim, do flautista que a toca, também o coração desse bendito ser está vazio e livre de tudo menos de Deus, puro e isento dos laços de todas as condições humanas, e é o companheiro do Espírito Divino. O que ele diz não procede dele mesmo mas do verdadeiro flautista, e é uma inspiração divina. É por isso que ele é comparado a uma cana; e esta cana é como uma vara, isto quer dizer, é uma ajuda para todo incapacitado, o sustentáculo dos seres humanos. É a vara do Pastor Divino com a qual Ele guarda Seu rebanho e o conduz pelos pastos do Reino.
Então se diz: “E esteve lá o anjo, dizendo: Levanta-te, e mede o templo de Deus, e o altar, e os que nele fazem as suas adorações”; quer isto dizer, comparar e medir; pela medição se descobre a proporção. Assim disse o anjo: Compara o templo de Deus e o altar e aqueles que aí oram, isto é, investiga sua verdadeira condição, descobre em que grau estão, quais são suas qualidades, perfeições, conduta, e que atributos possuem, e informa-te dos mistérios dessas almas santas que habitam o Santo dos Santos, em pureza e santidade.
“Mas o átrio que está fora do templo, deixa-o de fora, e não o meças, porque ele foi dado aos gentios.”
No princípio do sétimo século depois de Cristo, quando Jerusalém foi conquistada, o Santo dos Santos foi preservado exteriormente; isto quer dizer, a casa que Salomão construiu; mas fora do Santo dos Santos o átrio foi dado aos gentios. “E eles hão de pisar com os pés a cidade santa por quarenta e dois meses”, isto é, os gentios haverão de governar e controlar Jerusalém por quarenta e dois meses, significando mil duzentos e sessenta dias; e como cada dia significa um ano, assim isso quer dizer mil e duzentos e sessenta anos, o que é a duração do ciclo do Alcorão. Pois nos textos do Livro Sagrado, cada dia é um ano; assim como diz no quarto capítulo de Ezequiel, versículo 6: “Tomarás sobre ti a iniqüidade da casa de Judá por quarenta dias; é um dia que eu te dei por cada ano.”
Estas profecias são desde o tempo do aparecimento do Islã, quando Jerusalém foi pisada com os pés, o que significa que foi desonrada. Mas o Santo dos Santos foi preservado, protegido e respeitado; e esses acontecimentos continuaram até 1260. Estes mil duzentos e sessenta anos se referem à manifestação do Báb (1) de Bahá´u´lláh, o que ocorreu no ano 1260 da Héjira de Maomé, e como o período de mil duzentos e sessenta anos já findou, Jerusalém, a Cidade Santa, está começando agora a prosperar, tornando-se populosa e florescente. Qualquer pessoa que viu Jerusalém há sessenta anos passados e a vê agora, deve reconhecer quanto tem crescido e prosperado e como está sendo outra vez honrada.
É este o significado exterior destes versículos da Revelação de São João, mas eles têm outra explicação e um sentido simbólico, que é o seguinte: a Lei de Deus se divide em duas partes. Uma é a base fundamental que abrange todas as coisas espirituais: isto é, se refere às virtudes espirituais e qualidades divinas, e é imutável, inalterável; é o Santo dos Santos, que é a essência da Lei de Adão, Noé, Abraão, Moisés, Cristo, Maomé, do Báb e de Bahá´u´lláh, a qual dura sempre, sendo estabelecida em todos os ciclos proféticos. Jamais será ab-rogada, pois é verdade espiritual e não material; é fé, conhecimento, certeza, justiça, piedade, retidão, integridade, amor a Deus, paz interior, pureza, desprendimento, humildade, submissão, paciência e constância. Tem compaixão do pobre, defende o opresso, mostra generosidade ao indigente e levanta o caído.
Estas qualidades divinas, estes mandamentos eternos, jamais serão abolidos, mas, sim, durarão, estabelecendo-se firmemente para sempre. Estas virtudes da humanidade renovam-se em cada um dos vários ciclos, pois no fim de cada ciclo, a Lei espiritual de Deus – isto quer dizer, as virtudes humanas – desaparece, persistindo apenas a forma. Assim entre os judeus, no fim do ciclo de Moisés, que coincide com a manifestação de Cristo, desapareceu a Lei de Deus, restando apenas uma forma sem espírito. Do Santo dos Santos foram privados; mas o átrio de fora de Jerusalém – expressão esta usada para indicar a forma da religião – caiu nas mãos dos gentios. Do mesmo modo, os princípios fundamentais da religião de Cristo, os quais são as maiores virtudes da humanidade, desapareceram, restando a forma nas mãos do clero, dos padres. Igualmente desapareceu a base da religião de Maomé, mas sua forma permanece nas mãos dos ulemás oficiais.
Esses fundamentos da Religião de Deus, que são espirituais e as virtudes da humanidade, não podem ser ab-rogados; são irremovíveis, eternos, e se renovam no ciclo de cada Profeta.
A segunda parte da Religião de Deus, referente ao mundo material, a qual inclui jejum, formas de oração, casamento e divórcio, a abolição da escravidão, processos legais, transações, indenizações por assassínio, violência, roubo e ofensas – esta parte da Lei de Deus que trata das coisas materiais, é modificada em cada ciclo profético de acordo com as necessidades do tempo.
Numa palavra, o que significa o termo Santo dos Santos é aquela Lei espiritual que nunca há de ser alterada ou rescindida, enquanto que Cidade Santa significa a lei material, lei esta sujeita à anulação. E esta lei material, descrita como a Cidade Santa, ia ser pisada sob os pés por mil duzentos e sessenta anos.
“E eu darei poder às minhas duas testemunhas, e, vestidas de saco, profetizarão por mil e duzentos e sessenta dias”. Essas duas testemunhas são Maomé, o Mensageiro de Deus, e Áli, filho de Abu Talib.
No Alcorão está escrito que Deus se dirigiu a Maomé, o Mensageiro de Deus, dizendo: “Fizemos de vós uma Testemunha, um Arauto de boas novas e um Admoestador.” Quer isso dizer, Nós te estabelecemos como a testemunha, o portador de boas novas e como quem adverte sobre a ira de Deus. (1) O significado de “testemunha” é aquele por cujo testemunho coisas podem ser verificadas. Os mandamentos dessas duas testemunhas seriam cumpridos mil duzentos e sessenta dias, sendo que cada dia significa um ano. Ora, Maomé foi a raiz, e Ali o ramo, assim como Moisés e Josué. Está escrito que eles “estão vestidos de saco”, significando que, aparentemente, seriam vestidos em roupas velhas, e não novas; em outras palavras, de início, não possuiriam eles esplendor algum aos olhos do povo, nem pareceria nova a sua Causa; pois a Lei espiritual de Maomé corresponde à de Cristo no Evangelho, e a maioria de Suas leis relativas às coisas materiais corresponde às do Pentateuco. Eis o que significa a vestimenta velha.
Depois se diz: “Estes são as duas oliveiras e os dois candeeiros, postos diante do Deus da terra”. Essas duas almas são comparadas a oliveiras porque naquele tempo todas as lâmpadas se acendiam com azeite de oliva. Significa, pois, duas pessoas que irradiam aquele espírito da sabedoria de Deus, a causa da iluminação do mundo. Essas luzes de Deus haveriam de brilhar e resplandecer, sendo assim semelhantes a dois candeeiros – o candeeiro é onde reside a luz e donde se irradia. Do mesmo modo cintilaria a luz que guia, emitida por essas almas iluminadas.
Em seguida está escrito: “Estão postos diante de Deus”, o que significa que estão a serviço de Deus, educando Suas criaturas, tais como as bárbaras tribos nômades da península árabe, as quais eles educaram de tal maneira que naquele tempo alcançaram o mais alto grau de civilização, tornando-se mundiais sua fama e seu renome.
“Se alguém, pois, lhes quiser fazer mal, sairá fogo das suas bocas, que devorará os seus inimigos.” Quer isso dizer que ninguém lhes poderia resistir; se uma pessoa quisesse menosprezar seus ensinamentos e sua Lei, tal pessoa seria cercada e destruída por esta mesma Lei que procedia de suas bocas, e todo aquele que tentasse ofendê-los e lhes mostrar antagonismo e ódio, seria exterminado por um mandamento que sairia de suas bocas. E assim aconteceu: todos os seus inimigos foram vencidos, postos em fuga e aniquilados. De um modo tão evidente Deus os ajudou.
Está escrito em seguida: “Eles têm poder de fechar o céu para que não chova, pelo tempo que durar sua profecia”, o que significa que nesse ciclo seriam como reis. A Lei e os ensinamentos de Maomé, e as explicações e os comentários de Ali, são graças celestiais; quando Eles desejam dispensá-las, têm o poder de assim fazer. Se não quiserem, a chuva não cairá, sendo que a chuva simboliza graças.
Diz-se depois: “Têm poder sobre a água, para a converter em sangue”, significando ser a condição de profeta própria de Maomé assim como o fora de Moisés, e ser o poder de Ali igual ao de Josué: se assim quisessem, poderiam converter a água do Nilo em sangue, para os egípcios e aqueles que os negavam. Quer isso dizer: o que era causa de sua vida, tornar-se-ia causa de sua morte, devido a sua ignorância e seu orgulho. Assim a soberania, a riqueza e o poder de Faraó e de seu povo – fontes da vida da nação – em conseqüência de sua hostilidade, rejeição e arrogância, tornaram-se causa de sua morte – foram dispersos, degradados, destituídos, aniquilados. Essas duas testemunhas têm, pois, o poder de destruir as nações.
E em seguida: “E de ferir a terra com todo o gênero de pragas, todas as vezes que quiserem”, o que significa que também teriam o poder e a força material necessária para educar os iníquos e aqueles que são opressores e tiranos; pois a essas duas testemunhas Deus concedeu tanto o poder exterior como o interior, para que pudessem educar e corrigir os árabes nômades, tão ferozes, sanguinários e tirânicos, semelhantes a animais de rapina.
“E depois de eles terem acabado de dar o seu testemunho,” quer dizer: quando tiverem desempenhado o que lhes fora ordenado, havendo transmitido a Mensagem Divina, promovido a Lei de Deus e propagado os ensinamentos celestiais, a fim de que se manifestassem nas almas os sinais da vida espiritual, se irradiasse a luz das virtudes do mundo humano, até ser realizado entre as tribos nômades um desenvolvimento completo.
A “fera que sobe do abismo fará contra eles guerra e vencê-los-á e matá-los-á” se refere a Bani-Umayya, (1) que os atacou do abismo do erro e se levantou contra a religião de Maomé e contra a realidade de Ali, ou seja, contra o amor de Deus.
Diz: “A fera fará contra eles (essas duas testemunhas) guerra” – isto é, uma guerra espiritual, o que significa que “a fera” agiria em inteira oposição aos ensinamentos, costumes e instituições dessas duas testemunhas, a tal ponto que as virtudes e perfeições difundidas pelo poder dessas testemunhas entre os povos e tribos se desvaneceriam completamente, e a natureza animal e os desejos carnais venceriam. Assim, pois, a guerra vitoriosa travada contra eles por essa fera, quer dizer: a escuridão do erro proveniente dessa fera haveria de exercer domínio sobre os horizontes do mundo e matar aquelas duas testemunhas, ou, em outras palavras, destruiria a vida espiritual por elas difundida em meio à nação e eliminaria totalmente as leis e ensinamentos divinos, espezinhando a Religião de Deus e nada deixando, pois, senão um corpo inanimado, sem espírito.
“E os seus corpos jazerão estirados nas praças da grande cidade que se chama espiritualmente Sodoma e Egito, onde também o nosso Senhor foi crucificado.” “Os seus corpos” significam a Religião de Deus e “nas praças” quer dizer à vista do público. O significado de “Sodoma e Egito”, o lugar “onde também o nosso Senhor foi crucificado” é esta região da Síria, e especialmente Jerusalém, onde os Bani-Umayya tinham então seus domínios; e foi aqui que primeiro desapareceram a Religião de Deus e os ensinamentos divinos, restando assim um corpo sem espírito. “Seus corpos” representam a Religião de Deus, a qual se assemelha a um corpo morto, destituído de espírito.
“E os das tribos, e povos, e línguas e nações verão os corpos deles estirados por três dias e meio, e não permitirão que os seus corpos sejam postos em sepulcros.”
Como se já explicou, na terminologia dos Livros Sagrados três dias e meio significam três anos e meio, os quais são quarenta e dois meses, ou sejam mil e duzentos e sessenta dias; e como cada dia, segundo o texto do Livro Sagrado, significa um ano, isso quer dizer que por mil e duzentos e sessenta anos, isto é, durante o ciclo do Alcorão, as nações, tribos e raças olhariam para seus corpos, ou fariam um espetáculo da Religião de Deus. Embora não agissem de acordo com ela, não permitiriam, todavia, que seus corpos – ou seja a Religião de Deus – fossem postos em sepulcros. Quer isto dizer: aparentemente, adeririam à Religião de Deus não permitindo que desaparecesse completamente de seu meio, nem que seu corpo fosse de todo destruído e aniquilado. Na realidade, porém, haveriam de abandoná-la, embora preservando seu nome e sua comemoração exteriormente.
Essas “tribos, povos e nações” significam aqueles que se reúnem à sombra do Alcorão e não permitem que a Causa de Deus e Sua Lei sejam exteriormente destruídas, aniquiladas por completo, pois ainda existem entre eles oração e jejum, embora tenham desaparecido os princípios fundamentais da Religião de Deus, ou sejam a moralidade e a conduta, e o conhecimento dos mistérios divinos; extinguiu-se a luz das virtudes do mundo humano, as quais dependem do amor e do conhecimento de Deus, enquanto as trevas da tirania, da opressão, dos desejos e paixões satânicas, se tornaram vitoriosas. O corpo da Lei de Deus, semelhante a um cadáver, foi exposto à vista pública durante mil duzentos e sessenta dias, sendo cada dia contado como um ano, e este período é o ciclo de Maomé.
Os povos perderam seu direito a tudo o que essas duas pessoas haviam estabelecido, ou seja à base da Lei de Deus, e destruíram as virtudes do mundo humano – isto é, as dádivas divinas e o espírito dessa Religião – a tal ponto que desapareceram de seu meio a veracidade, a justiça, o amor, a união, a pureza, a santidade, o desprendimento e todas as qualidades divinas. Apenas persistiam na religião a prece e o jejum, sendo que por mil duzentos e sessenta anos, enquanto durava o ciclo do Furqan (1) continuou assim. Foi como se essas duas pessoas estivessem mortas, restando-lhes apenas o corpo, sem o espírito.
“E os habitantes da terra se alegrarão sobre eles, e farão festas, e mandarão presentes uns aos outros, porque estes dois profetas tinham atormentado os que habitavam sobre a terra.” “Os habitantes da terra” significam as outras nações e raças, como os povos da Europa e da Ásia longínqua, pois quando viram a completa transformação no caráter do Islã – havendo sido abandonada a Lei de Deus e perdidas as virtudes, o zelo e a honra – eles se alegraram e se encheram de júbilo porque o povo do Islã em conseqüência de sua corrupção moral, seria vencido por outras nações. Assim veio isto a se realizar. Observai a degradação desse povo que atingira o cume do poder; vede como está agora espezinhado.
Os outros povos “mandarão presentes uns aos outros”. Significa isso que haveriam de se ajudar uns aos outros, pois “estes dois profetas tinham atormentado os que habitavam sobre a terra” – isto é, venceram os outros povos e nações do mundo e os subjugaram.
“Mas depois de três dias e meio o espírito de vida entrou neles, da parte de Deus, e eles se levantaram sobre seus pés, e, dos que os viram, se apoderou um grande temor.” Três dias e meio, como já mostramos, significam mil duzentos e sessenta anos. As duas pessoas cujos corpos jaziam sem espírito são os ensinamentos e a Lei estabelecidos por Maomé – ensinamentos estes que Ali promoveu mas que vieram depois a perder sua realidade, conservando apenas a forma. O espírito entrou novamente neles; isto é, se estabeleceram mais uma vez aqueles ensinamentos fundamentais. Em outras palavras, a espiritualidade da Religião Divina se transformara em materialidade, as virtudes em vícios. Ódio substituíra o amor a Deus; treva, a iluminação. Qualidades divinas se haviam mudado em satânicas – justiça em tirania, clemência em inimizade, sinceridade em hipocrisia, verdade em erro e pureza em sensualidade. Então, após três dias e meio, ou sejam mil duzentos e sessenta anos, segundo a terminologia dos Livros Sagrados, esses ensinamentos divinos, essas virtudes celestiais, perfeições e graças espirituais, foram renovados com o aparecimento do Báb e pela devoção de Janabi Quddus.(1)
Os sopros da santidade difundiram-se e a luz da verdade resplandeceu; veio a primavera ressuscitadora e o amanhecer da iluminação. Aqueles dois corpos inanimados tornaram-se vivos, ao surgirem estes dois grandes Seres, fundador e promotor, semelhantes a dois candeeiros, pois iluminaram o mundo com a luz da verdade.
“E ouviram uma grande voz do céu que lhe dizia: Subi para cá. E subiram ao céu” – o que significa que ouviram do céu invisível a voz de Deus, dizendo: “Já cumpristes plenamente com vosso dever de transmitir os ensinamentos e as boas-novas; destes Minha Mensagem ao povo e levantastes o chamado de Deus, completando assim vossa missão. Agora, como Cristo, deveis sacrificar a vida pelo Bem-Amado, deveis sofrer o martírio. E esse Sol da Realidade e essa Lua da Orientação, (1) ambos, se puseram no horizonte do maior martírio, assim como fizera Cristo, e ascenderam ao Reino de Deus.
“E os viram os inimigos deles” – isto é, muitos de seus inimigos depois de terem presenciado seu martírio, perceberam sua sublimidade e excelsa virtude, e assim deram testemunho de sua grandeza e sua perfeição.
“E naquela hora sobreveio um grande terremoto, e caiu a décima parte da cidade; e no terremoto foram mortos sete mil homens.” Ocorreu este terremoto em Shíráz após o martírio do Báb. A cidade estava em caos, sendo destruídas muitas pessoas. Houve grande agitação, também, em conseqüência de cólera e outras moléstias, fome e aflições jamais vistas.
“E os sobreviventes foram atemorizados e deram glória ao Deus do céu.” Quando ocorreu o terremoto em Fars, todos que sobreviveram lamentaram dia e noite, suplicando a Deus e Lhe dando glória. Tão agitados e atemorizados estavam que lhes era impossível dormir ou descansar à noite.
“É passado o segundo ai, e eis aqui o terceiro, que cedo virá.” O primeiro ai é o aparecimento do Profeta Maomé – paz seja com Ele! O segundo ai é o do Báb – a Ele glória e louvor! O terceiro ai é o grande dia da manifestação do Senhor dos Exércitos e do esplendor da Beleza do Prometido. A explicação deste termo, “ai”, é mencionada no trigésimo capítulo de Ezequiel, versículos 1, 2 e 3, onde diz: “E foi-me dirigida a palavra do Senhor, a qual dizia: “Filho do homem, profetiza e dize: Isto diz Senhor Deus: Daí urros, ai, ai do dia; porque o dia está perto, e se apropinqua o dia do Senhor”. É certo, pois que o dia do ai é o dia do Senhor, pois neste dia ai é para os desatentos, ai é para os pescadores, ai é para os ignorantes. Por isso se diz: “É passado o segundo ai, e eis aqui o terceiro, que cedo virá!” Este terceiro ai é o dia da manifestação de Bahá´u´lláh, o Dia de Deus, o que é próximo ao dia do aparecimento do Báb.
“E o sétimo anjo tocou a trombeta, e ouviram-se no céu grandes vozes que diziam: Os reinos deste mundo passaram a ser os reinos de nosso Senhor e de Seu Cristo; e Ele reinará para sempre e sempre.”
O sétimo anjo é um homem dotado de atributos celestiais, que se levantará manifestando essas qualidades e um caráter celestial. Vozes se farão ouvir: o aparecimento do Manifestante Divino será proclamado e difundido. No dia em que se manifestar o Senhor dos Exércitos, ou seja na época do ciclo divino do Onipotente – época esta que todos os livros e escritos dos Profetas prometem – neste Dia de Deus, será estabelecido o Reino Espiritual, Divino, e renovado assim o mundo. Um espírito novo insuflar-se-á no corpo da criação; virá a estação da primavera divina, quando cairá chuva das nuvens da misericórdia, brilhará o sol da realidade, brisas ressuscitadoras soprarão, vestes novas adornarão o mundo humano e a superfície da terra será um paraíso sublime. A humanidade será educada: desaparecerão guerras, disputas, brigas e malignidade, sendo substituídas por veracidade, justiça, honra e devoção a Deus; predominarão no mundo união, amor e fraternidade, e Deus reinará para sempre. Quer isso dizer que será estabelecido o Reino Espiritual e Eterno. É assim o Dia de Deus. Pois todos os dias passados foram os dias de Abraão, Moisés e Cristo, ou dos outros Profetas, mas este é o Dia de Deus, porque nele se levantará o Sol da Realidade em plena glória.
“E os vinte e quatro anciões que diante de Deus estavam assentados nas suas cadeiras, se prostaram sobre os seus rostos e adoraram a Deus, dizendo:
“Graças Te damos, Senhor Deus Todo-poderoso, que és, e que eras, e que hás de vir; por haveres recebido o Teu grande poderio e entrado no Teu Reino.”
Em cada ciclo foram doze os guardiões e almas santas. Assim Jacob teve doze filhos; no tempo de Moisés, houve doze chefes das tribos; no tempo de Cristo, doze apóstolos; e no tempo de Maomé houve doze Imames. Mas nesta manifestação gloriosa, há vinte e quatro, o dobro do número dos outros, pois a grandeza desta manifestação assim requer. Estas almas santas estão na presença de Deus, sentadas em seus próprios tronos; significando isto que reinam eternamente.
Essas vinte e quatro grandes pessoas, embora estejam sentadas nos tronos do domínio eterno, adoram, no entanto, o Manifestante universal, quando aparece, e são humildes e submissos, dizendo, “Graças Te damos, Senhor Deus Todo-poderoso, que és, e que eras, e que hás de vir; por haveres recebido o Teu grande poderio e entrado no Teu Reino.” Quer isso dizer: Tu emitirás todos os Teus ensinamentos, reunirás todos os povos da terra à Tua sombra e abrigarás todos os homens sob uma só tenda. Embora seja isso o Eterno Reino de Deus, e Ele tenha possuído sempre e ainda possua um Reino, o significado aqui de “Reino” é a manifestação Dele Próprio (1) e Ele dará todas as leis e todos os ensinamentos que são o espírito do mundo humano e da vida eterna. E este Manifestante universal vencerá o mundo com poder espiritual e não por meio de guerra e combate; fará isso com paz e tranqüilidade e não pela espada ou por qualquer arma. Estabelecerá este Reino Celestial por meio do amor verdadeiro, e não pelo poder da guerra. Com bondade e retidão, promoverá Ele esses ensinamentos divinos, e não recorrendo à força ou crueldade. A tal ponto educará as nações e raças que, apesar de suas várias condições, seus costumes e caracteres diferentes, suas religiões e origens étnicas diversas, todas, assim como diz a Bíblia, semelhantes ao lobo e o carneiro, ao leopardo e o cabrito, e à criança de peito e a serpente, se tornarão companheiras e amigas. Serão inteiramente removidas as lutas entre raças, as divergências de religião e as barreiras entre nações, havendo todos de se reconciliar e atingir perfeita união à sombra da Árvore Bendita.
“E as gentes se irritaram”, pois Teus ensinamentos se opõem às paixões dos outros povos; e “chegou a Tua ira”, isto é, todos sofrerão prejuízo evidente; porque não seguem Teus preceitos, conselhos e ensinamentos, serão privados de Tua misericórdia eterna e velados à luz do Sol da Realidade.
“E o tempo de serem julgados os mortos” significa ter vindo o tempo em que os mortos – ou sejam os privados do espírito do amor de Deus e da santa vida eterna – serão julgados com justiça, isto é, levantar-se-ão para receber o que merecem. Ele tornará evidente a realidade de seus segredos, mostrando como é baixa sua condição no mundo existente, e que estão, realmente, sob o domínio da morte.
“E de dar o galardão aos profetas Teus servos, e aos santos e aos que temem o Teu Nome, aos pequenos e aos grandes.” Isto é: Ele distinguirá os retos com infinitas graças, fazendo-os brilhar no horizonte da honra eterna, assim como as estrelas do céu. Ajudá-los-á dotando-os de conduta e ações que sejam a luz do mundo humano, o meio de guiar a humanidade e lhe conceder a vida eterna no Reino Divino.
“E de exterminar os que corromperam a terra” significa que Ele privará totalmente os desatentos; pois estará manifesta a cegueira dos cegos, como também a visão dos que vêem. A ignorância do povo do erro será reconhecida, enquanto se tornarão evidentes os conhecimentos e a sabedoria do povo guiado. Assim, pois, serão destruídos os destruidores.
“Então foi aberto no céu o templo de Deus” quer dizer que a Jerusalém divina foi descoberta e o Santo dos Santos se tornou visível. Segundo a terminologia do povo da sabedoria, o Santo dos Santos significa a essência da Lei Divina e os verdadeiros ensinamentos celestiais do Senhor, que não são alterados no ciclo de Profeta algum, como já explicamos. O santuário de Jerusalém assemelha-se à realidade da Lei de Deus, a qual é o Santo dos Santos, enquanto todas as leis e convenções, os ritos e regulamentos materiais são a cidade de Jerusalém. É por isso que é chamada a Jerusalém celestial. Numa palavra, como neste ciclo o Sol da Realidade fará a Luz Divina brilhar com o máximo esplendor, assim a essência dos ensinamentos de Deus será realizada no mundo existente – será dissipada a treva da ignorância, o mundo se tornará um novo mundo, e a iluminação predominará. Assim aparecerá o Santo dos Santos.
“Então foi aberto no céu o templo de Deus” também significa que pela difusão dos ensinamentos divinos, com o aparecimento dos mistérios celestiais e o nascer do Sol da Realidade, se abrirão por todos os lados as portas da prosperidade, e se tornarão evidentes os sinais da bondade e das bênçãos celestiais.
“E apareceu a arca de seu testamento no seu templo”. Quer isso dizer: o Livro de Seu Testamento aparecerá em Sua Jerusalém, estabelecer-se-á a Epístola do Convênio, (1) e o significado do Testamento e do Convênio se tornará evidente. O renome de Deus se estenderá por Leste e Oeste, e a proclamação da Causa de Deus encherá o mundo. Os que violaram o Convênio serão degradados e postos em debandada, enquanto carinho e glória caberão aos fiéis, por se haverem segurado ao Livro do Testamento e se mantido firmes e constantes.
“E sobrevieram relâmpagos e vozes, e trovões, e um terremoto, e uma grande chuva de pedra”, o que significa que, depois de aparecer o Livro do Testamento, haverá uma grande tempestade, e os relâmpagos da ira de Deus fulgurarão, ressoará o trovão do rompimento do Convênio, ocorrerá o terremoto das dúvidas, o granizo dos tormentos afligirá os violadores do Convênio, e até aqueles que professam a fé cairão em dificuldades e tentações.


XII
COMENTÁRIO SOBRE O DÉCIMO PRIMEIRO
CAPÍTULO DE ISAÍAS


No Livro de Isaías, capítulo 11, versículos 1 a 10, se lê: “E sairá uma vara do tronco de Jessé, e um Ramo brotará de sua raiz. E descansará sobre ele o espírito do Senhor, espírito de sabedoria e de entendimento, espírito de conselho e de fortaleza, espírito de ciência e do temor do Senhor. E enchê-lo-á o espírito do temor do Senhor; não julgará segundo a vista dos olhos, nem argüirá pelo fundamento de um ouvi dizer; mas julgará os pobres com justiça, e argüirá com eqüidade em defesa dos mansos da terra; e ferirá a terra com a vara de sua boca, e matará o ímpio com o assopro de seus lábios. E a justiça será o cinto dos seus lombos, e a fé o talabarte de seus rins. O lobo habitará com o cordeiro e o leopardo se deitará ao pé do cabrito; o novilho, o leão e a ovelha viverão juntos; e um menino pequenino os conduzirá. E o novilho e o urso irão comer às mesmas pastagens; as suas crias descansarão umas com as outras; e o leão comerá palha como o boi. E divertir-se-á a criança de peito sobre a toca do áspide; e na caverna do basilisco meterá a sua mão a que estiver já desmamada. Eles não farão dano algum, nem matarão em todo o meu santo monte; porque a terra estará cheia da ciência do Senhor, assim como as águas do mar que a cobrem.”
Essa “vara do tronco de Jessé” poderia ser interpretada como referente a Cristo porque José foi descendente de Jessé, pai de Davi, mas por haver Cristo vindo a existir por intermédio do Espírito de Deus, Ele se chamava o Filho de Deus. Se assim não tivesse feito, esta descrição poderia referir-se a Ele. Mas além disto, o que deveria suceder nos dias dessa “vara”, se for interpretado em sentido simbólico, foi cumprido em parte no dia de Cristo, mas não totalmente; e se não for assim interpretado, nenhum desses sinais, por certo, foi cumprido. O leopardo e o cordeiro, por exemplo, o leão e o novilho, a criança e o áspide, são metáforas – símbolos de várias nações, povos, seitas e raças inimigas que são tão divergentes e hostis como o lobo e o cordeiro. Dizemos que os sopros do espírito de Cristo criaram entre eles concórdia e harmonia, lhes deram vida e os fizeram associar uns aos outros.
Mas “não farão dano algum, nem matarão em todo o meu santo monte, porque a terra estará cheia da ciência do Senhor, assim como as águas do mar que a cobrem”: tais condições não prevaleceram no tempo da manifestação de Cristo, pois até hoje existem no mundo nações diversas e mutuamente hostis, e muito poucos aceitam o Deus de Israel, estando a maioria sem conhecimento de Deus. A paz universal não veio a existir no tempo de Cristo; não cessaram disputas e dissídios; estavam ausentes a reconciliação e a sinceridade; continuava inimizade entre as nações, não havendo concórdia ou paz. Assim, ainda hoje, entre as próprias seitas e nações cristãs, encontramos ódio e a mais violenta hostilidade.
Esses versículos, entretanto, podem ser aplicados, palavra por palavra, a Bahá´u´lláh. Neste ciclo maravilhoso, a terra será transformada, e o mundo humano atingirá tranqüilidade e beleza. Disputas, contendas e assassínio serão substituídos por paz, verdade e concórdia; entre as nações e raças, veremos amizade e amor. A guerra, afinal, será inteiramente suprimida, vindo a se estabelecer cooperação e unidade. Quando as leis do Livro Mais Sagrado forem executadas, contenções e disputas serão decididas, finalmente, com absoluta justiça, perante um tribunal geral das nações, sendo assim resolvidas as dificuldades que surgirem. Os cinco continentes do mundo formarão apenas um, as numerosas nações se tornarão uma só, a superfície da terra será um só país, e o gênero humano será apenas uma comunidade. As relações entre os países, o intercâmbio, união e amizade entre os povos e as comunidades, atingirão tal ponto que a espécie humana será como uma só família. Brilhará a luz do amor celestial, dissipando do mundo a treva da inimizade e do ódio. A paz universal erguerá sua tenda no centro da terra, e a Abençoada Árvore da Vida crescerá até abrigar à sua sombra Oriente e Ocidente. Fortes e fracos, ricos e pobres, seitas rivais e nações hostis – que se assemelham a lobo e cordeiro, a leopardo e cabrito, a leão e novilho – virão a tratar-se reciprocamente com o mais perfeito amor, amizade, justiça e equidade. O mundo encher-se-á de ciência, do conhecimento da realidade dos mistérios dos seres, e do conhecimento de Deus.
Agora consideremos neste grande século, que é o ciclo de Bahá´u´lláh, quanto progrediram a ciência e o conhecimento, e quão numerosos os segredos da existência descobertos, e as grandes invenções que dia a dia se multiplicam. Dentro em breve, a ciência e os conhecimentos materiais, bem como o conhecimento de Deus, farão tamanho progresso, e manifestarão tais maravilhas que isso será motivo de espanto aos que o presenciarem. Tornar-se-á perfeitamente claro, então, o mistério deste versículo no Livro de Isaías, “Porque a terra estará cheia da ciência do Senhor”.
Reflitamos, também, em que pouco tempo, desde a vinda de Bahá´u´lláh, pessoas de todas as nações e raças têm entrado nesta Causa. Cristãos, judeus, zoroastristas, budistas, hindus e persas todos se associam mutuamente com a máxima amizade e o mais perfeito amor, como se tivessem sido parentes por mil anos; pois são como pai e filho, mãe e filha ou irmã e irmão. Este é um dos sentidos da associação entre lobo e cordeiro, leopardo e cabrito, e leão e novilho.
Um dos grandes acontecimentos a se realizarem no dia da manifestação desse Ramo incomparável é a elevação do Estandarte de Deus entre todas as nações; isto é, todas as nações e raças entrarão na sombra dessa Bandeira Divina, que não é outra senão o próprio Ramo Senhoril, e haverão de se tornar um só povo. O antagonismo entre seitas e religiões, a hostilidade racial e as diferenças nacionais desaparecerão. Todos unir-se-ão em uma só fé, uma só raça e um mesmo povo, habitando na mesma terra natal, no globo terrestre. A paz e concórdia universais serão realizadas entre todas as nações, e esse Ramo Incomparável reunirá todo Israel; isto é, neste ciclo Israel regressará para a Terra Santa; o povo judaico espalhado por Leste e Oeste, Norte e Sul, se reunirá.
Agora vejamos: isso não ocorreu no ciclo cristão, pois as nações não se reuniram sob um só Estandarte, o Ramo Divino. Neste ciclo do Senhor dos Exércitos, porém, todas as nações e raças entrarão na sombra desta Bandeira. Semelhantemente, Israel, espalhado pelo mundo inteiro, não se uniu na Terra Santa no ciclo cristão; mas no princípio do ciclo de Bahá´u´lláh, esta promessa divina, assim como se acha claramente exposta em todos os Livros dos Profetas, já começou a se manifestar. Podemos ver como judeus estão vindo de todas as partes do mundo para a Terra Santa; moram em vilas e adquirem terras, e dia a dia seu número aumentará até que toda a Palestina se torne seu lar.


XIII

COMENTÁRIO SOBRE O DÉCIMO SEGUNDO CAPÍTULO DA
REVELAÇÃO DE SÃO JOÃO


Já explicamos que o sentido mais usual da Cidade Santa, ou Jerusalém de Deus, mencionada no Livro Sagrado, é a Lei de Deus. É comparada algumas vezes a uma noiva, outras vezes a Jerusalém, e ainda ao novo céu e nova terra. Assim em capítulo 21, versículos 1, 2 e 3 da Revelação de S. João, diz: “E vi um céu novo e uma terra nova; porque o primeiro céu e a primeira terra se foram e o mar já não é. E eu, João, vi a Cidade Santa, a Jerusalém nova, que da parte de Deus descia do céu, adornada como uma esposa ataviada para o seu esposo. E ouvi uma grande voz, vinda do trono, que dizia: Eis aqui o tabernáculo de Deus com os homens, e Ele habitará com eles, e eles serão Seu povo, e o mesmo Deus, no meio deles, será seu Deus”.
Notemos como é claro e evidente serem o primeiro céu e a primavera terra a Lei anterior. Pois diz que o primeiro céu e a primeira terra se foram, e não existe mais o mar. Isto é, a terra é o lugar do juízo e, nesta terra do juízo, não há mar, o que significa que os ensinamentos e a Lei de Deus se espalharão completamente sobre a terra e todos os homens entrarão na Causa de Deus, e o mundo inteiro será habitado por aqueles que crêem, não mais havendo mar porque a morada do homem é a terra firme. Em outras palavras, neste tempo, o campo da Lei será para o prazer do homem. Tal terra é sólida – nela os pés não escorregam.
A Lei de Deus é descrita também como a Cidade Santa, a Nova Jerusalém. Evidentemente, a Nova Jerusalém que desce do céu não é cidade de pedra, argamassa, tijolos, terra e madeira. É a Lei de Deus que desce do céu e é chamada nova, pois é claro não ser a Jerusalém de pedra e terra a que desce do céu e é renovada. O que se renova é a Lei de Deus.
Compara-se a Lei de Deus também a uma esposa ataviada, que aparece com os mais belos adornos, como está escrito no capítulo 21 do Apocalipse de S. João: “E eu, João, via Cidade Santa, a Jerusalém nova, que da parte de Deus descia do céu, adornada como uma esposa ataviada para seu esposo”. E no capítulo 12, versículo 1, se lê: “E apareceu uma grande maravilha no céu: uma mulher vestida do sol, que tinha a lua debaixo de seus pés, e uma coroa de doze estrelas sobre a cabeça”. Esta mulher é aquela esposa, a Lei de Deus que desceu sobre Maomé. O sol que era sua vestimenta e a lua debaixo de seus pés, são as duas nações abrigadas à sombra desta Lei – os reinos da Pérsia e da Turquia, pois o emblema da Pérsia é o sol, e o da Turquia a lua crescente. Assim o sol e a lua são os emblemas de dois reinos sob o domínio da Lei de Deus. E depois diz: “Sobre sua cabeça está uma coroa de doze estrelas”. Essas doze estrelas são os doze Imames que promoveram a Lei de Maomé e educaram o povo, brilhando como estrelas no céu da orientação.
Diz então o segundo versículo: “E estando prenhada, clamava com dores de parto”, o que significa que esta Lei caiu nas maiores dificuldades, sofrendo severas tribulações e angústias até trazer à luz uma progênie perfeita, isto é, o Manifestante que viria, o Prometido, ou seja a progênie, criada no regaço desta Lei, a qual é como sua mãe. A criança aqui mencionada é o Báb, o Primeiro Ponto, que de fato nasceu da Lei de Maomé. Isto é, a Santa Realidade, que é o filho, o fruto, da Lei de Deus, sua mãe, e é prometida por essa religião, vem a existir no reino dessa Lei, mas por causa do despotismo do dragão, o filho foi arrebatado para Deus. Após mil duzentos e sessenta dias, o dragão foi destruído, e o filho da Lei de Deus, o Prometido, manifestou-se.
Versículos 3 e 4: “E apareceu uma grande maravilha no céu, e eis aqui um grande dragão vermelho, que tinha sete cabeças e dez cornos, e nas suas cabeças sete diademas. E a causa dele arrastava a terça parte das estrelas do céu, e as fez cair sobre a terra”. Estes sinais fazem alusão à dinastia dos Umayyads, que dominaram a religião maometana. Sete cabeças e sete diademas significam sete países e domínios sobre os quais os Bani-Umayya tinham poder: a saber, o domínio romano em volta de Damasco, e os domínios da Pérsia, da Arábia e do Egito, juntamente com o domínio da África – isto é, Tunísia, Marrocos e Algéria, o domínio da Andalusia, o qual é agora Espanha e o domínio do Turquestão e da Transoxânia. Os Bani-Umayya tinham poder sobre estes países. Os dez cornos referem-se aos nomes dos dez regentes de Umayyad: isto é, sem repetição, houve dez nomes de regentes, ou de comandantes e chefes, sendo o primeiro Abu Sufian e o último Marwan, mas há mais de um com o mesmo nome. Assim, há dois Mu´awia, três Yazid, dois Walid e dois Marwan. Se, porém, os nomes fossem contados sem repetição, haveria dez. Os Bani-Umayya, o primeiro dos quais foi Abu Sufian, Amir de Meca e chefe da dinastia dos Umayyads, e o último dos quais foi Marwan, destruíram a terça parte do povo santo da linhagem de Maomé, que se assemelhava às estrelas do céu.
Versículo 4: “E o dragão parou diante da mulher que estava para partir, a fim de tragar o seu filho logo que ela o tivesse dado à luz”. Como já explicamos, esta mulher é a Lei de Deus. O dragão estava perto da mulher para devorar seu filho, o qual era o prometido Manifestante, fruto da Lei de Maomé. Os Bani-Umayya sempre esperavam apoderar-se do Prometido, que viria da linhagem de Maomé, a fim de destruí-Lo e exterminá-Lo, pois muito receavam eles o aparecimento do prometido Manifestante, e tentavam matar qualquer um dos descendentes de Maomé que fosse muito estimado.
Versículo 5: “E pariu um filho varão, que havia de reger todas as gentes com vara de ferro”. Este grande filho é o prometido Manifestante nascido da Lei de Deus e nutrido no regaço dos ensinamentos divinos. A vara de ferro é símbolo de poder e grandeza, e não uma espada – que significa que ele, com o poder divino, será o pastor de todas as nações da terra. Este filho refere-se ao Báb.
Versículo 5: “E seu filho foi arrebatado para Deus e para Seu trono”. É uma profecia a respeito do Báb, que ascendeu para o reino celestial, para o Trono de Deus e o centro de Seu Reino. Consideremos como tudo isso corresponde aos acontecimentos.
Versículo 6: “E a mulher fugiu para o deserto”: isto é, a Lei de Deus fugiu para o deserto – o vasto deserto de Hijaz, e a Península Árabe; “onde tinha um retiro que Deus lhe havia preparado”; a Península Árabe veio a ser a habitação e o centro da Lei de Deus; “para que lá a sustentassem por mil e duzentos e sessenta dias”. Na terminologia do Livro Sagrado, estes mil e duzentos e sessenta dias significam os mil e duzentos e sessenta anos em que a Lei de Deus estava estabelecida no deserto da Arábia, no grande deserto. Daí veio o Prometido. Após mil e duzentos e sessenta anos, deixará essa Lei de exercer sua influência, pois o fruto da Árvore terá aparecido – o resultado se terá tornado manifesto.
Consideremos como os profetas estão de acordo. No Apocalipse, o tempo marcado para o aparecimento do Prometido é após quarenta e dois meses, enquanto Daniel o assinala como três tempos e meio, o que também significa quarenta e dois meses, ou sejam mil duzentos e sessenta dias. Em outra passagem do Apocalipse de S. João, se refere a isto claramente como mil e duzentos e sessenta dias, e o Livro Sagrado diz ser cada dia um ano. Nada poderia ser mais claro do que esta harmonia entre as profecias. O Báb apareceu no ano de 1260 após a Héjira de Maomé, o que marca o começo da era islamítica, segundo o cálculo universal. Não existem nos Livros Sagrados provas mais claras que estas para qualquer Manifestante. Para quem é justo, a prova mais concludente está no fato de estarem aqueles grandes Seres de pleno acordo a respeito do tempo. Não é possível outra qualquer interpretação dessas profecias. Bem-aventuradas as almas justas que buscam a verdade. Onde não há justiça, porém, verificam-se ataques, disputas e aberta refutação da evidência. Assim os fariseus, ao manifestar-se Cristo, refutaram com a maior obstinação Suas explicações e as de Seus discípulos, obscurecendo-Lhe a Causa aos olhos do povo ignorante com sua alegação de não se referirem essas profecias a Jesus mas, sim, ao Prometido que deveria vir mais tarde, segundo as condições mencionadas na Bíblia. Algumas destas condições foram: “Ele deveria ter um reino, estar sentado no trono de David, executar a Lei da Bíblia, e manifestar tamanha justiça que o lobo e o cordeiro se juntassem na mesma fonte.
E assim impediram o povo de conhecer Cristo (1)


XIV

PROVAS ESPIRITUAIS


No mundo material, o tempo tem ciclos; lugares sofrem mudanças devidas às estações, que se alternam; e para as almas há progresso, educação e retrocesso.
Numa época, temos a primavera; em outra, a estação outonal, e em outra ainda, o verão, ou o inverno.
Na primavera, as nuvens enviam a chuva preciosa, as brisas são perfumadas de almíscar, os zéfiros trazem-nos vida; o ar é perfeitamente temperado, a chuva cai, o sol brilha, os ventos fecundantes impelem as nuvens, o mundo renova-se, o sopro da vida aparece nas plantas, nos animais e nos homens. Os seres terrestres passam de uma outra condição. Todas as coisas adornam-se de novo: a terra negra cobre-se de vegetação, montanhas e planícies vestem-se de verde, as árvores florescentes exibem suas folhas, os jardins enchem-se de flores e plantas fragrantes. O mundo torna-se outro, adquire um espírito vivificador. A terra, que estava como um corpo inanimado, encontra um espírito novo, e manifesta infinita beleza, graça e frescura. Assim, a primavera traz uma nova vida, infunde um novo espírito.
Depois, vem o verão, o calor aumenta, e o crescimento e o desenvolvimento galgam o apogeu. A força da vida no reino vegetal alcança a perfeição: aparecem os frutos, e, onde havia sementes, estão agora os montes de cereais. É o tempo da colheita; armazenam-se alimentos para o inverno.
Vem em seguida o outono tumultuoso, com seus ventos insalubres e estéreis; é a estação doentia, em que tudo murcha, e o ar balsâmico se vicia. As suaves brisas da primavera cedem lugar aos ventos outonais; as árvores viçosas verdejantes murcham e despem-se; as flores e ervas fragrantes desvanecem-se, e o belo jardim não é mais que um monte de terra.
Depois, segue-se o inverno, com frio e tempestades, nevadas, granizos, trovões e relâmpagos. Congela-se tudo; as plantas morrem, os animais sofrem e languescem.
Ao atingir-se esse estado, volta de novo a primavera vivificante, e assim se renova o ciclo. A estação primaveril, com suas hostes de frescor e formosura, instala-se sobre planícies e montanhas, com grande pompa e magnificência. Ainda outra vez se renovam as formas dos seres; a criação inicia-se novamente; os seres crescem e desenvolvem-se. Planície e floresta tornam-se verdejantes e férteis, e as árvores floridas. Primavera, que se havia ido no ano anterior, volta com toda sua plenitude e glória. Tal é e há de ser o ciclo, a sucessão, na existência; tal é o ciclo, ou revolução, do mundo material.
O mesmo sucede aos ciclos espirituais dos Profetas. Isto é, o tempo em que aparece o Santo Manifestante é a primavera espiritual, a estação do esplendor divino, das graças celestiais, dos sopros da vida. É o nascer do Sol da Realidade. O espírito humano reanima-se, o coração refresca-se e reforça-se, a alma torna-se mais pura; a existência recebe um novo impulso, a essência do homem rejubila-se, cresce, progride em virtudes e perfeições. Há um progresso universal, há ressurreição, mas também há lamentação, pois é o dia do juízo, a hora do caos e da angústia, ao mesmo tempo que é a estação do júbilo, da felicidade e da Graça Divina.
Mais tarde a primavera ressuscitadora termina em verão frutífero. Exalta-se o Verbo de Deus, promulga-se a Lei de Deus; tudo atinge a perfeição. Estende-se a mesa celestial; as brisas sagradas perfumam tanto o Oriente como o Ocidente; os ensinamentos de Deus conquistam o mundo. Os homens tornam-se educados, e constatam-se admiráveis resultados; o progresso universal manifesta-se no mundo humano, e as graças divinas abrangem todas as coisas. O Sol da Realidade levanta-se no horizonte do Reino com pleno calor e força. Quando houver alcançado o meridiano, começará a declinar, a descer, e o verão espiritual será seguido pelo outono – época em que se paralisam todo o crescimento e desenvolvimento. As brisas transformam-se em ventos daninhos, e a estação insalubre dissipa a beleza e a frescura dos jardins, dos rosais e das planícies. Quer dizer, a atração e a boa vontade já não existem, as qualidades divinas são preteridas, ofusca-se o brilho dos corações, a espiritualidade diminui, os vícios usurpam o lugar das virtudes, fazendo que a santidade e a pureza se desvaneçam. Da Religião de Deus resta apenas o nome, persistindo somente as formas exteriores dos ensinamentos divinos. Uma vez destruídas as bases da Religião de Deus, nada mais resta senão formas e costumes. Aparecem divisões, a firmeza transmuta-se em instabilidade, o espírito humano abate-se, o coração enlanguesce, a alma torna-se inerte. É o inverno. A frieza da ignorância envolve o mundo; prevalecem as trevas do erro humano. Vemos, então, indiferença, desobediência, falta de consideração, indolência e baixeza; predominam os instintos animais, e os seres tornam-se tão frios e insensíveis como as pedras. É como a estação do inverno, quando o globo terrestre já não recebe os benefícios do calor do sol, ficando desolado e sombrio. Quando o mundo da inteligência, ou do pensamento, chega a tal ponto, nada lhe resta senão a morte contínua, a inexistência perpétua.
Decorridos os efeitos do inverno, volta novamente a primavera espiritual; aparece um ciclo novo. As brisas espirituais sopram, a alvorada luminosa resplandece, as nuvens divinas enviam suas chuvas, os raios do Sol da Realidade brilham, o mundo contingente alcança uma nova vida, e reveste-se de maravilhosos ornamentos. Nessa nova estação, reaparecem, talvez com esplendor maior, todos os sinais e dádivas da primavera passada.
Os ciclos espirituais do Sol da Realidade assemelham-se aos ciclos do sol material; sempre volvem e se renovam. O Sol da Realidade, do mesmo modo que o sol material, nasce em muitos pontos diferentes: num dia, no signo zodiacal de Câncer; noutro, no signo de Libra ou Aquário; e em outro ainda, é do signo de Áries que difunde os seus raios. O sol, entretanto, é único, uma mesma realidade; e quem possui discernimento, ama o sol, não se deixando fascinar pelo lugar em que se levantou, ou alvoreceu. Quem tem percepção busca a verdade, e não os lugares de sua aparição, os pontos de seu alvorecer. Adora o sol, pois, seja qual for o ponto do Zodíaco em que apareça; procurará ver a Realidade em cada Alma santificada que a manifestar. Atingirá sempre a verdade, jamais se excluindo do Sol do Mundo Divino. Assim, quem ama o sol e almeja a luz, há de se dirigir sempre para o sol, quer ele brilhe no signo de Áries, quer dispense suas graças quando no signo de Câncer, ou resplandeça no dos Gêmeos. Aqueles a quem falta discernimento, ou instrução, amam os signos do Zodíaco, se enamoram, fascinam, não pelo sol mas pelos lugares de seu alvorecer. Quando o sol estava no signo de Câncer, para ali se dirigiram, e como era o signo que amavam, continuaram a dirigir-se e a prender-se a ele, quando já o sol se mudara para o signo de Libra. Somente, pois, por haver o sol mudado de lugar, privaram-se de suas graças. Uma vez, por exemplo, os raios do Sol da Realidade emanaram do signo de Abraão; outra vez, do de Moisés, daí iluminando o horizonte; mais tarde, o Sol levantou-se com excelso poder e brilho no signo de Cristo. Os que almejavam a Realidade, adoraram-na onde quer que a vissem, mas os que se prenderam a Abraão, foram privados dos benefícios da Realidade quando esta brilhou sobre Sinai, iluminando a realidade de Moisés, enquanto o Sol da Realidade já brilhava em Cristo com toda sua glória e seu majestoso esplendor, também se privou, e assim por diante.
Por isso, o homem deve buscar a Realidade, e ele encontrá-la-á em cada uma das Almas Santificadas. Deve sentir-se fascinado, em êxtase pelas graças divinas, e ser para elas atraído. Deve assemelhar-se à mariposa, que ama a luz não importa em que lâmpada brilhe, ou ao rouxinol apaixonado pela rosa, seja qual for o jardim em que desabroche.
Se o sol nascesse no Ocidente, seria ainda sol, e nós nem por isso deveríamos fugir dele, achando que o Ocidente fosse sempre o lugar do pôr do sol e não de seu nascer. Devemos aspirar, pois, às graças celestiais, à Aurora Divina, e, onde quer que apareçam dedicar-lhes todo o nosso amor. Não houvessem os judeus persistido em se dirigir ao horizonte de Moisés, mas sim, olhado só para o Sol da Realidade, tê-lo-iam reconhecido, sem dúvida alguma, quando alvoreceu na plenitude de seu divino esplendor, na realidade de Cristo. Que lástima! Mil vezes que lástima! Por estarem apegados às palavras externas de Moisés, privaram-se das graças divinas, dos esplendores sublimes!


XV

A RIQUEZA VERDADEIRA


A honra, a exaltação, de todo ser que existe, depende de causas e circunstâncias.
A excelência, a beleza, a perfeição da terra está em seu verdor e sua fertilidade, graças às nuvens primaveris. Crescem as plantas, as flores e ervas fragrantes; as árvores frutíferas florescem e dão frutos novos e frescos. Os jardins e os prados tornam-se belos; vestem-se de verde montanhas e planícies; campos, aldeias e cidades são embelezadas. Eis a prosperidade do mundo mineral.
A culminância da exaltação, a perfeição do mundo vegetal, pode-se resumir numa árvore que cresce à margem de uma corrente de água doce, bafejada por brisas suaves, aquecida pelo ardor do sol, cultivada por um agricultor, desenvolvendo-se assim gradativamente, e produzindo frutos. Sua verdadeira prosperidade, entretanto, está em sua contribuição para o progresso do mundo animal, e até para o humano, substituindo o que foi esgotado nos corpos dos animais e dos homens.
A exaltação do mundo animal consiste em possuir membros, órgãos e sentidos perfeitos, e em satisfazer todas as necessidades. Nisso consiste sua glória suprema, sua honra, sua exaltação. Assim, a maior felicidade para um animal consiste na posse de um prado verde e fértil, uma corrente de água pura, uma floresta verdejante, encantadora. Tendo isso, terá toda a prosperidade concebível para o animal. Se um pássaro, por exemplo, construir seu ninho numa floresta verdejante e viçosa , num belo lugar, sobre um ramo muito alto, numa árvore forte, e se ele encontrar água e grãos em abundância, terá alcançado perfeita prosperidade.
A verdadeira prosperidade do animal consiste, entretanto, na transferência do mundo animal para o humano, tal como sucede com os seres microscópicos da água e do ar que entram no organismo humano e são assimilados, substituindo o que foi gasto. Nisso está a grande honra, a grande prosperidade para o mundo animal; não se pode imaginar maior.
É claro, pois, que essa riqueza material, esse conforto e essa abundância, constituem para o mineral, o vegetal e o animal a prosperidade completa. E não há no mundo material, riqueza, conforto ou bem-estar comparável a essa opulência do pássaro; toda a vasta extensão das planícies e montanhas é sua morada; todos os grãos, todas as colheitas, são seu alimento e sua propriedade, todas as terras – aldeias, prados, pastagens, florestas e selvas – são possessões suas. Ora, qual é mais rico, esse pássaro ou o homem mais próspero? Não importa quantos grãos o pássaro tome ou dê, não se nota diminuição nos seus bens.
Assim vemos claramente que a honra e a exaltação do homem devem consistir em algo mais que bens materiais. Os confortos materiais são apenas ramos, mas a raiz da exaltação do homem são as boas qualidades e virtudes que adornam sua realidade: são os atributos divinos, as graças celestiais, as emoções sublimes, o amor e o conhecimento de Deus; são a sabedoria universal, a percepção intelectual, as descobertas científicas, a justiça, a eqüidade, a veracidade, a benevolência, a coragem natural, a fortaleza inata. Consistem também em respeitar os direitos, e em cumprir promessas e convênios, em agir com retidão em todas as circunstâncias, servir à causa da verdade sob todas as condições, sacrificar a própria vida pelo bem coletivo, mostrar bondade e estima para com todas as nações, seguir os ensinamentos de Deus, servir ao Reino Divino, orientar o povo, e educar as nações e raças. Eis a prosperidade do mundo humano! Eis a exaltação do homem na terra! É a vida eterna, é a honra celestial!
Tais virtudes só se manifestam no homem através do poder de Deus e dos ensinamentos divinos, pois para sua manifestação um poder sobrenatural é necessário. É possível que apareçam no mundo da natureza alguns traços dessas perfeições, mas não são sólidos ou duradouros; são como os raios do sol projetados na parede.
Já que Deus, o Compassivo, lhe colocou sobre a cabeça uma coroa tão maravilhosa, o homem deve esforçar-se para que as jóias cintilantes desta coroa se tornem visíveis no mundo.




PARTE II


ALGUNS TEMAS CRISTÃOS


XVI


FIGURAS SENSÍVEIS E SÍMBOLOS DEVEM SER
USADOS PARA TRANSMITIR CONCEITOS INTELECTUAIS


Um ponto muito importante no esclarecimento dos assuntos já mencionados, e de outros de que vamos tratar, para que a essência dos problemas seja compreendida, é este: há duas espécies de conhecimento humano.
Uma é o conhecimento das coisas perceptíveis aos sentidos – isto é, aquelas percebidas pela visão, pelo ouvido, pelo olfato, pela gustação ou pelo tato, coisas chamadas objetivas ou sensíveis. Assim, dizemos que o sol, por ser coisa visível, é objetivo; do mesmo modo, os sons são sensíveis porque os ouvidos os percebem; os perfumes também o são, já que podem ser inalados e percebidos pelo olfato; os alimentos são sensíveis porque o paladar percebe sua doçura, sua acidez ou sua salinidade; o calor e o frio são sensíveis por serem percebidos pelo tato. Dizemos que tudo isso são realidades sensíveis.
A outra espécie de conhecimento humano é a intelectual: isto é, uma realidade do intelecto, não tendo forma externa, não ocupando lugar, nem sendo perceptível aos sentidos. O poder do intelecto, por exemplo, não é sensível. Todas as qualidades interiores do homem são realidades intelectuais, e não coisas sensíveis. Assim, o amor é realidade mental, e não sensível, porque o ouvido não o ouve, os olhos não o vêem, o olfato não o percebe, a gustação não o discerne, nem o tato o sente. Até mesmo o éter, cujas forças são – segundo a física – calor, luz, eletricidade e magnetismo, é uma realidade intelectual, e não sensível. Também a natureza é, em essência, uma realidade intelectual, e não sensível. O mesmo se pode dizer do espírito humano.
A fim de explicarmos essas realidades intelectuais, somos obrigados a usar figuras sensíveis, desde que nada há na existência exterior que não seja material. Para podermos esclarecer, pois, a realidade do espírito, sua condição, seu estado, devemos empregar em nossas explicações as formas de coisas sensíveis, visto ser sensível tudo o que existe no mundo exterior. A tristeza e o contentamento, por exemplo, são coisas intelectuais; quando desejamos expressar estas qualidades espirituais, dizemos: “Meu coração se comprime, ou meu coração se expande”, embora, propriamente, o coração humano não se possa comprimir nem se expandir. Somos apenas constrangidos a recorrer a figuras sensíveis a fim de explicarmos esses estados intelectuais ou espirituais.
Outro exemplo: “Tal pessoal – dizemos – fez grande progresso”, ainda que esteja no mesmo lugar, ou: “A posição de tal homem foi elevada” se bem que ele, como nós todos, esteja sobre a terra. Esse progresso e essa elevação são estados espirituais, realidades intelectuais, mas a fim de explicá-las, recorremos a figuras sensíveis, por não haver no mundo exterior nada que não seja sensível.
Assim, o símbolo do conhecimento é a luz, e o da ignorância, a escuridão, mas será que o conhecimento seja luz sensível, ou a ignorância escuridão sensível? Não, são apenas símbolos. São estados intelectuais, mas quando queremos expressá-los exteriormente, chamamos ao conhecimento, luz, e à ignorância, escuridão. Dizemos: “Meu coração estava em trevas, e iluminou-se”. Essa luz do conhecimento e essa escuridão da ignorância são realidades intelectuais, e não sensíveis, mas a fim de explicá-las em termos do mundo exterior temos que lhes dar uma forma sensível.
Evidentemente, a “pomba” que desceu sobre Cristo não foi pomba material, mas apenas o símbolo de um estado espiritual; a fim de torná-lo compreensível, empregou-se essa figura. Diz o Velho Testamento que Deus apareceu na forma de uma coluna de fogo. Isso não significa a forma material, mas uma realidade intelectual expressa por uma imagem sensível.
Cristo diz: “O Pai está no Filho, e o Filho está no Pai”. Estava Cristo dentro de Deus, ou Deus dentro de Cristo? Não, em nome de Deus! É um estado intelectual expresso por uma figura sensível.
Desejamos agora explicar as palavras de Bahá´u´lláh quando diz: “Ó Rei! Em verdade, eu não era mais que um homem qualquer, adormecido em meu leito; os sopros do Mais Glorioso passaram sobre mim e me deram a conhecer o segredo de tudo quanto existe. Isto não provém de mim, mas do Poderoso, do Sábio”. (1) Isso se refere ao estado de manifestação; não é sensível, é uma realidade intelectual, isenta e livre do tempo – quer seja passado, presente ou futuro. É uma explicação, uma analogia, uma metáfora, não devendo ser interpretada literalmente; não é um estado que possa ser compreendido pelo homem.
Dormir ou despertar é passar de um a outro estado. O sono é a condição do repouso, a vigília do movimento; o sono é o estado do silêncio, a vigília o do falar; o sono é o estado do mistério, a vigília é o da manifestação. Existe uma expressão tanto persa como árabe, na qual se diz que a terra estava adormecida, e com a vinda da primavera despertou; ou que a terra estava morta e ressuscitou quando veio a primavera. Essas expressões são metáforas, alegorias, explicações místicas no mundo da significação.
Em resumo, os Santos Manifestantes sempre foram e hão de ser Realidades Luminosas, não podendo haver em Sua Essência mudança ou variação alguma. Antes de se manifestarem, estão silenciosos, quedos, como se dormissem; após Sua manifestação, falam e estão iluminados, como quem despertou...


XVII

O NASCIMENTO DE CRISTO


Pergunta – Como foi que Cristo nasceu do Espírito Santo?
Resposta – A respeito dessa questão, teólogos e materialistas estão em desacordo. Os teólogos acreditam ter Cristo nascido do Espírito Santo, porém os materialistas acham isso impossível, inadmissível, afirmando que Ele tinha, sem dúvida, pai humano.
O Alcorão diz: “E mandamos a ela Nosso Espírito e Ele lhe apareceu em forma de homem perfeito”, (1) o que significa haver o Espírito Santo assumido a semelhança da forma humana, tal como uma imagem num espelho, e se dirigido a Maria.
Os materialistas têm como imprescindível o casamento, dizendo ser impossível originar-se um corpo vivo de um ser sem vida, e que sem macho e fêmea não pode haver fecundação. Acham-na impossível, não somente no caso do homem, mas também no dos animais e das plantas, pois essa união de macho e fêmea existe em todos os seres vivos.
Até mesmo o Alcorão alude a essa dualidade de sexos: "Glória àquele que criou aos pares as coisas que a terra produz, e as que se produzem por si mesmas, e que nem se conhecem." (2) Isto é, homens, animas e plantas são todos aos pares - "e de tudo criamos dois gêneros". Quer isso dizer, criamos todos os seres aos pares.
Dizem, pois, que um homem sem pai humano não pode ser imaginado. Replicam os teólogos: "Isso não é impossível, ou irrealizável, apenas não se viu, e há uma diferença grande entre uma coisa impossível e uma desconhecida. Nos tempos antigos, por exemplo, o telégrafo, meio de comunicação entre Oriente e Ocidente, era coisa desconhecida, porém não impossível; não se conheciam a fotografia e a fonografia; entretanto, não eram coisas impossíveis".
Os materialistas insistem nesse ponto, e os teólogos replicam, perguntando: "Este globo é eterno ou contingente?" Respondem, então, os materialistas que, segundo a ciência, em vista de algumas descobertas importantes, é fato estabelecido ser ele contingente. De início, era um globo flamejante; pouco a pouco veio a ser temperado; formou-se-lhe ao redor uma crosta, sobre a qual vieram a existir plantas, depois animais, e, finalmente, o homem.
Dizem os teólogos: "Do que vós dizeis, torna-se claro e evidente que a humanidade se encontra no globo terrestre de modo transitório e não eterno. Certamente, então, o primeiro homem não teve pai, nem mãe, desde que o homem é contingente. Não será a criação do homem sem pai nem mãe, ainda que realizada gradativamente, mais difícil do que apenas a de um sem pai? Se admitis a existência do primeiro homem como tendo ocorrido - súbita ou gradativamente - sem pai nem mãe, não resta dúvida que a de um homem sem pai humano é possível e admissível; não podeis considerá-la impossível; doutro modo, seríeis ilógicos. Se dissermos, por exemplo, que uma vez esta lâmpada foi acessa sem pavio nem óleo, e então dissermos que é impossível acendê-la sem pavio, teremos aqui um contra-senso."
Cristo teve mãe; o primeiro homem, segundo a convicção dos materialistas, não teve nem pai nem mãe. (1)


XVIII

A GRANDEZA DE CRISTO É DEVIDA
ÀS SUAS PERFEIÇÕES


Um grande homem é um grande homem, quer tenha nascido de pai humano ou não. Se é virtude não se ter pai, Adão, nesse caso, é maior e mais perfeito que todos os Profetas e Mensageiros, pois não teve pai nem mãe.
A honra e a grandeza provêm do esplendor e da abundância das perfeições divinas. O sol nasceu de substância e forma, que podem ser comparadas a pai e mãe, e é a absoluta perfeição; a escuridão, por outro lado, não tem nem substância nem forma, nem pai nem mãe, e é a absoluta imperfeição. A substância da vida física de Adão foi terra, ao passo que a de Abraão foi o esperma puro; é certo que o esperma puro e casto é superior à terra.
E mais, no primeiro capítulo do Evangelho de São João, versículos 12 e 13, lemos: "Mas a todos quantos o receberam deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, aos que crêem no seu nome.
"Os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do varão, mas de Deus".
Esses versículos mostram claramente que a essência do apóstolo também não é criada pelo poder físico, mas pela realidade espiritual.
A honra e grandeza de Cristo nada têm com o fato de Ele não ter tido um pai humano; elas são devidas às suas perfeições e graças, à Sua glória divina.
Se a grandeza de Cristo consistisse no fato de Ele não ter tido pai, Adão seria maior que Cristo, por lhe haver faltado não somente pai como mãe também. O Velho Testamento diz: "Formou o Senhor Deus o homem do pó da terra, e soprou em seus narizes o fôlego da vida, e o homem foi feito alma vivente." (1) Diz, pois - devemos notar - que Adão deve sua existência ao Espírito da vida. Além disso, a expressão usada por São João com referência aos apóstolos, prova que eles também procedem do Pai Celestial. É claro, pois, que de Deus provém a santa realidade, ou verdadeira vida, de todo grande homem; sua existência depende do sopro do Espírito Santo.
Em conclusão: o esplendor e a honra das pessoas santas e dos Manifestantes divinos derivam de suas perfeições celestiais, de sua glória e suas graças espirituais, e não de outra coisa.


XIX

O BATISMO DE CRISTO


Pergunta - Diz o Evangelho de S. Mateus, capítulo III, versículos 13-15:
"Então veio Jesus da Galiléia ao Jordão ter com João, para ser batizado por ele. Porém João o impedia, dizendo: Eu sou o que devo ser batizado por ti, e tu vens a mim? E respondendo Jesus, lhe disse: Deixa por ora, porque assim nos convém cumprir toda a justiça. Ele então o deixou."
Qual a sabedoria disso? Já que Cristo possuía toda a perfeição essencial, por que necessitava do batismo?
Resposta – O princípio do batismo é a purificação pelo arrependimento. Após ter advertido e exortado, até conduzir o povo ao arrependimento, João o batizava. Vê-se, pois, que esse batismo é o símbolo do arrependimento de todos os pecados; o seu significado está nas seguintes palavras: “Ó Deus! Assim como meu corpo foi purificado de toda impureza física, torna puro e santo também meu espírito, para que se livre das impurezas do mundo natural, indignas que são do Limiar de Tua Unidade!”
O arrependimento é a volta da desobediência para a obediência. Depois de o homem se ter afastado, assim privando-se de Deus, ele se arrepende e sujeita-se à purificação. Isso é um símbolo que significa: “Ó Deus! Faze bom e puro meu coração, santificado e livre de tudo menos de Teu amor.”
Como Cristo desejava fosse observada por todos naquele tempo essa instituição de João, mostrou deste modo Sua conformidade, a fim de despertar o povo e cumprir a lei da religião anterior. Embora a ablução do arrependimento fosse instituída por João, fora praticada também antes, na religião divina.
Necessidade alguma tinha Cristo do batismo, mas como era aprovado nesse tempo como até meritório, um sinal das boas novas do Reino, Ele o confirmou. Mais tarde declarou Ele, entretanto, ser o verdadeiro batismo não o da água material, mas sim, o do espírito e da água. Água, neste caso, não significa água material, pois em outra ocasião disse Ele, em termos explícitos, ser o batismo com espírito e fogo, donde se depreende claramente não se tratar de fogo material nem de água material, pois batismo com fogo é impossível.
O espírito é a graça divina; a água, o conhecimento e a vida; o fogo, o amor de Deus. A água material não torna puro o coração do homem, mas apenas seu corpo, enquanto a água celestial e o espírito, isto é, conhecimento e a vida, fazem bom e puro o coração humano. O coração que recebe graças do Espírito, torna-se santo, adquire bondade e pureza. Quer dizer, a essência da personalidade purifica-se, libertando-se das impurezas do mundo natural, das paixões inferiores, como sejam: ira, luxúria, mundanidade, orgulho, falsidade, hipocrisia, fraude, egoísmo, etc.
O homem não pode livrar-se do furor das paixões carnais, sem a ajuda do Espírito Santo. Por isso diz Ele ser necessário, essencial, o batismo com o espírito, a água e o fogo – com o espírito da graça divina, a água do conhecimento e da vida, e o fogo do amor de Deus. O homem deve ser batizado com esse espírito, essa água, e esse fogo, a fim de receber abundantemente as graças eternas. De outro modo, que valor tem o batismo pela água material? Não, esse batismo com água era símbolo de arrependimento e de pedir perdão pelos pecados.
No ciclo de Bahá´u´lláh, porém, esse símbolo já não é necessário, desde que sua realidade, ou seja o batismo pelo Espírito e pelo Amor de Deus, está agora compreendida e assentada.





XX

A NECESSIDADE DO BATISMO


Pergunta – Será a ablução do batismo útil e necessária, ou inútil e desnecessária? No primeiro caso, se é útil, por que foi abandonada, e no segundo, se é inútil, por que motivo João a praticou?
Resposta – A mudança de condição – as alterações, as transformações – são necessidades da essência dos seres, e uma necessidade essencial não pode ser separada da realidade das coisas. Não podemos, em absoluto, isolar condições inerentes entre si, tais como o calor e o fogo, a umidade e a água, a luz e o sol. Por serem as mudanças de condição necessidades dos seres, assim, pois, devem as leis ser alteradas de acordo com as modificações dos séculos. No tempo de Moisés, por exemplo, Sua Lei estava em harmonia com as condições então prevalecentes; mas como na era de Cristo essas condições se haviam alterado, a Lei Mosaica, por não mais ser adaptável às necessidades do homem, foi revogada. Assim, Cristo não guardou o sábado, e proibiu o divórcio. Após Cristo, quatro discípulos, entre os quais Pedro e Paulo, permitiram o uso de alimento animal proibido pela Bíblia, condenando apenas as “carnes sufocadas”, a carne dos animais sacrificados a ídolos, e o sangue. (1) Proibiram também a fornicação. Mantiveram estes quatro mandamentos. Mais tarde, Paulo permitiu que se comesse até a carne de animais “sufocados” ou sacrificados, e o sangue, mantendo somente a proibição da fornicação. Assim, no Capítulo XIV, versículo 14, de sua Epístola aos Romanos, Paulo escreveu: “Sei, e estou certo no Senhor Jesus, que nenhuma coisa é de si mesma imunda, senão para aquele que a tem por imunda; para esse é imunda.”
Também na Epístola de Paulo a Tito, capítulo I, versículo 15: “Todas as coisas são puras, para os puros, mas nada é puro para os contaminados e infiéis; antes, o seu entendimento e consciência estão contaminados.”
Ora, essas mudanças e revogações são devidas à impossibilidade de se equiparar o tempo de Cristo com o de Moisés. As condições e as necessidades eram outras, completamente mudadas. Mister, pois, se tornou a revogação das leis anteriores.
A existência do mundo pode ser comparada à vida do homem, e os Profetas e Mensageiros de Deus a médicos competentes. O ser humano não pode permanecer na mesma condição; está sujeito a diferentes males, cada um dos quais exige um remédio especial. O médico hábil não usa os mesmos remédios para todas as moléstias, e todos os males, porém aplica-os segundo as várias exigências das moléstias e as necessidades diferentes de cada constituição. Se uma pessoa tiver uma doença grave proveniente de uma febre, um bom médico dar-lhe-á remédios refrescantes; em outra época, quando suas condições estiverem mudadas, e a febre for substituída por um calafrio, o mesmo médico, é claro, rejeitará o remédio refrescante e permitirá o uso de outros, de efeito contrário. Essa mudança na prescrição é exigida pelo estado do paciente, e prova, sem dúvida, a habilidade do médico.
Reflitamos: seria possível executar na época atual a Lei do Velho Testamento? Não, em nome de Deus! Seria impossível, impraticável. Foi por isso, certamente, que Deus a revogou na era de Cristo. Lembremo-nos também que o batismo no tempo de João Batista, visava despertar o povo, exortando-o a se arrepender de todos os pecados, e a esperar vigilantemente a vinda do Reino de Cristo. Na Ásia, porém, os católicos e os adeptos da Igreja Ortodoxa mergulhavam as crianças recém-nascidas em água misturada com azeite de oliva, e isso provoca tamanho abalo que elas se agitam, e muitas adoecem. Em outros lugares, o sacerdote deixa cair a água batismal sobre a fronte. Entretanto, nem de um modo, nem de outro, recebem as crianças qualquer benefício espiritual. Qual o resultado obtido, então? Não falta quem se admire e pergunte: Por que mergulhar a criancinha na água, se isso não a desperta espiritualmente, nem é motivo de fé ou conversão, mas um simples costume? No tempo de João Batista não era assim; antes de tudo, ele exortava o povo, incutia-lhe o arrependimento, e conduzia-o a desejar e a aguardar com vigilância a vinda de Cristo. Quem recebia o batismo e se arrependia dos pecados com absoluta humildade, também purificava seu corpo, lavava-o das impurezas externas. E dia e noite, constantemente, esperava com grande anelo a manifestação de Cristo, e a entrada no Reino do Espírito de Deus. (1)
Em resumo: queremos dizer que mudanças e modificações nas circunstâncias e nas necessidades das diferentes épocas constituem motivo de revogação das leis, porque chega um tempo em que estas já não se adaptam às exigências da época. Que grande diferença entre as necessidades dos primeiros séculos, da Idade Média e as dos tempos modernos! Seria possível executar hoje as leis dos primeiros séculos? É claro que seria impossível, impraticável. Da mesma maneira, futuramente, após alguns séculos, as necessidades não serão as mesmas de agora; e sem dúvida haverá mudanças, alterações. Na Europa as leis têm sido constantemente alteradas, modificadas; em tempos idos, quantas leis existiam nos sistemas europeus que são hoje obsoletas! Essas mudanças são devidas a variações nos pensamentos, circunstâncias e costumes. Se assim não fosse, a prosperidade do mundo humano ver-se-ia detida em sua marcha.
No Pentateuco há uma lei condenando à morte quem violar o sábado. Ainda mais, há dez sentenças de morte no Pentateuco. Seria possível conservarmos essas leis em nossos tempos? Claro que não; seria absolutamente impossível. Há, pois, mudanças e modificações nas leis, e essas são uma prova suficiente da suprema sabedoria de Deus.
Este assunto exige profunda meditação. Só assim, a causa dessas mudanças tornar-se-á evidente.
Bem-aventurados os que refletem!


XXI

O SIMBOLISMO DO PÃO E DO VINHO


Pergunta – Cristo disse: “Eu sou o pão vivo que desceu do céu; se alguém comer deste pão, viverá para sempre.” Qual o sentido dessa afirmação?
Resposta – Esse pão significa o alimento celestial, as perfeições divinas. Assim, “Se alguém comer deste pão” quer dizer: se qualquer homem adquirir as graças celestiais, receber a luz divina, participar das perfeições de Cristo, ele deste modo atingirá a vida eterna. O sangue também significa o espírito da vida, as perfeições divinas, o esplendor celestial, as graças eternas, pois todas as partes do corpo recebem a essência vital mediante a circulação do sangue.
No Evangelho de S. João, capítulo VI, versículo 26, está escrito: “Na verdade vos digo que me buscais, não pelos sinais que vistes, mas porque comestes do pão, e vos saciastes.” É óbvio ser o pão do qual os discípulos comeram, e com o qual se saciaram, a graça celestial, pois no versículo 33 do mesmo capítulo está “Porque o pão de Deus é aquele que desde do céu, e que dá vida ao mundo”. O corpo de Cristo, é claro, não desceu do céu, mas sim, veio do ventre de Maria; o que desceu do céu de Deus foi o espírito de Cristo. Como os judeus pensavam que Cristo se referisse a Seu corpo, levantaram objeções: “E dizem: Não é este Jesus, o filho de José, cujo pai e mãe nós conhecemos? Como pois diz ele – Desci do céu?”
Evidentemente, ao falar em pão celestial, Cristo queria referir-se a Seu espírito, Suas graças, Suas perfeições, Seus ensinamentos, pois diz no versículo 63: “O espírito é o que vivifica, a carne para nada aproveita”.
É claro, pois, ser o Espírito de Cristo uma graça celestial, que desceu do céu; quem receber luz em abundância deste espírito, isto é, os ensinamentos celestiais encontrará a vida eterna. Eis porque se diz no versículo 35: “E Jesus lhes disse: Eu sou o pão da vida; aquele que vem a mim não terá fome, e quem crê em mim nunca terá sede.” Notemos que Cristo se refere a vir a Ele como comer, e crer Nele como beber. O alimento celestial consiste, pois, nas graças divinas, nos esplendores espirituais, nos ensinamentos celestiais – é a significação universal de Cristo. Comer é aproximar-se Dele, beber é crer Nele. Cristo tinha um corpo material e uma forma celestial. O corpo material foi crucificado, mas a forma celestial está viva, é eterna, e é causa de vida eterna. O primeiro era humano, a segunda é divina.
Pensam alguns ser a eucaristia a realidade de Cristo, e que a Divindade e o Espírito Santo descem até ela e nela subsistem. Ora, uma vez tomada, isto é, depois de poucos momentos, a eucaristia decompõe-se, transforma-se inteiramente. Como podemos conceber isso? Deus nos defenda! Sem a menor dúvida, é pura fantasia.
Concluindo: pela manifestação de Cristo, os ensinamentos divinos – verdadeiras graças eternas – divulgaram-se por toda parte; irradiou-se a luz que guia os homens, e o espírito da vida foi-lhes concedido. Quem atingiu esta luz, achou a vida: quem dela se viu privado, tornou-se presa da morte perpétua. O pão que desceu do céu foi o corpo divino de Cristo, os elementos espirituais, e deste, os discípulos comeram, atingindo assim a vida eterna.
Os discípulos haviam recebido muitas refeições das mãos de Cristo; em que a última se distinguia das demais? É óbvio que o pão do céu não significava pão material, mas o alimento divino, o corpo espiritual de Cristo – a graça divina, as perfeições celestiais – de que Seus discípulos participaram e de que estavam cheios.
Consideremos também que Cristo, quando abençoou o pão e o deu aos discípulos, dizendo: “Isto é o meu corpo”, estava com eles – Ele mesmo, em pessoa, em presença corpórea. Não se transformou em pão e vinho; se assim fosse, não teria permanecido com os discípulos – Ele mesmo, presente, em carne e osso.
É claro, pois, serem pão e vinho apenas símbolos, cujo sentido era: “Dei-vos minhas graças e perfeições e, quando as tiverdes recebido, tereis adquirido a vida eterna – tereis recebido vosso quinhão do alimento celestial.”


XXII

MILAGRES


Pergunta – Está escrito que Cristo fez milagres: devem estes ser tomados realmente, ao pé da letra, ou têm outra interpretação? Cientificamente está provado ser imutável a essência das coisas e estarem todos os seres sujeitos a uma única lei e ordem universal, das quais não se podem afastar. Por conseguinte, é impossível haver uma coisa contrária à lei universal.
Resposta – Os Santos Manifestantes são fontes de milagres, autores de prodígios. Para Eles a coisa mais difícil e impraticável torna-se possível e fácil. Graças a um poder sobrenatural, fazem prodígios, e por esse poder que ultrapassa toda força natural, dominam o mundo da natureza. De todos os Manifestantes temos visto coisas maravilhosas.
Os Livros Sagrados usam, porém, uma terminologia especial, e nenhuma importância é dada a esses milagres e prodígios pelos próprios Manifestantes; nem sequer desejam Eles mencioná-los. Se considerássemos os milagres como argumentos, deveríamos admitir que só o seriam para quem estivesse presente ao ato de sua realidade, e não para os ausentes. Por exemplo, se aludirmos a milagres a um interlocutor que nada sabe de Moisés ou Cristo, ele haverá certamente de negá-los e nos dizer: “Prodígios são constantemente atribuídos também aos falsos deuses, sendo atestados por muitos e afirmados nos Livros. Os brâmanes escreveram um livro acerca dos milagres de Brama.” Dirá também: “Como poderemos saber que os judeus e os cristãos dizem a verdade, e os brâmanes não? Pois todos têm tradições geralmente aceitas, relatadas em livros, e podem ser consideradas verdadeiras ou falsas.” Das outras religiões poderemos dizer o mesmo: se uma é verdadeira, todas o são; se aceitarmos uma, devemos aceitar todas. Milagres, pois, não constituem prova. Embora o possam ser para aqueles que os assistem, não o são para os ausentes.
Mas no tempo do Manifestante, quem possui a visão interior percebe milagres em todas as Suas condições, pois são superiores às de outrem, sendo isto em si um milagre absoluto. Lembremo-nos de que Cristo, solitário e sozinho, sem ninguém que O amparasse ou protegesse, sem exército nem legiões, vítima da mais severa opressão, levantou o estandarte de Deus ante todos os povos do mundo, resistindo-lhes e, finalmente, conquistando a todos, embora Seu corpo fosse crucificado. Eis um verdadeiro milagre que jamais poderemos negar. Outra prova da verdade de Cristo é desnecessária.
Os milagres exteriores nenhuma importância têm para os adeptos da Realidade. Por exemplo, se um cego recuperar a vista, algum dia haverá de perdê-la outra vez, porque morrerá, sendo assim privado de todos os sentidos e poderes. Restituir-lhe a vista, pois, é de pouca importância, relativamente, desde que esse sentido, cedo ou tarde, há de desaparecer. Que adianta ressuscitar alguém, se o corpo tem que morrer de novo? Mais importantes são, pois, visão e vida eternas – vida espiritual, vida divina. Já que esta vida física não é imortal, sua existência equivale à inexistência. Cristo disse a um de Seus discípulos: “Deixa os mortos sepultarem os seus mortos”, pois “O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito.”
Observemos: aqueles que ainda viviam aparentemente no corpo físico, Cristo os considerava mortos, por ser vida a vida eterna, e existência, a verdadeira existência. Os Livros Sagrados ao falarem em ressuscitar “os mortos” querem dizer que a estes fora concedida a bênção da vida eterna; quando dizem ter um cego recuperado a vista, referem-se à verdadeira percepção, ou que um surdo adquiriu a audição, estão se referindo à audição espiritual, celeste. Isto é demonstrado claramente no texto do Evangelho, onde Cristo disse: “E neles se cumpre a profecia de Isaías, que diz: Ouvindo, ouvireis, mas não compreendereis, e vendo, vereis, mas não perceberei; ... e eu os curei.”
Não queremos dizer que os Manifestantes sejam incapazes de realizar milagres, pois Eles têm todo o poder, mas simplesmente que as coisas de valor, as coisas que contam para Eles, são a visão interior, a cura espiritual, a vida eterna. Por conseqüência, sempre que os Livros Sagrados dizem ter um cego recuperado a vista, tratam de cegueira interior e vista espiritual; querem dizer com isso que um ignorante se tornou sábio, ou um desatento, atento, ou que um ser terreno se transformou num ser celestial.
Por serem eternas, esta visão, audição, cura e vida interiores têm importância. Mas, comparativamente, que valor têm a vida animal e todos seus poderes? Após alguns dias, esta há de cessar, tal como um pensamento efêmero. Se acendermos de novo uma lâmpada que se extinguiu, ela mais tarde haverá de se extinguir outra vez, porém a luz do sol é sempre luminosa. Esta, é que conta.


XXIII

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO


Pergunta – Que significa a ressurreição de Cristo após três dias?
Resposta – As ressurreições dos Manifestantes Divinos não são do corpo. Todos os seus estados, suas condições, seus atos, as coisas por eles estabelecidas, seus ensinamentos – suas expressões e parábolas, têm um significado espiritual, divino, nada tendo que ver com coisas materiais. Tomemos, por exemplo, o assunto da vinda de Cristo do céu. Diz-se claramente em várias passagens do Evangelho que o Filho do homem veio do céu, está no céu e irá para o céu. Assim no capítulo 6, versículo 38, do Evangelho segundo S. João, está escrito: “Porque eu desci do céu”, e também no versículo 42, lemos: “E diziam: Porventura não é este Jesus o filho de José, cujo pai e mãe nós conhecemos? Como logo diz ele: Desci do céu?” Também em S. João, capítulo 3, versículo 13: “Ninguém subiu ao céu senão aquele que desceu do céu, a saber, o Filho do homem, que está no céu.”
Observamos que diz: “O Filho do homem está no céu”, enquanto Cristo, naquele tempo, estava na terra. Notemos também que diz haver Cristo vindo do céu, embora tivesse vindo do ventre de Maria, tendo Seu corpo nascido de Maria. Evidentemente, pois, quando diz que o Filho do homem veio do céu, isso tem um significado interior; não é fato material, mas sim, espiritual. Quer isso dizer que, embora Cristo tivesse nascido aparentemente do ventre de Maria, na realidade veio do céu, do centro do Sol da Realidade, do Mundo Divino, do Reino Espiritual. E como se tornou evidente o fato de ter Cristo vindo do céu espiritual do Reino Divino, assim também Seu desaparecimento debaixo da terra por três dias tem um significado interior, e não se realizou exteriormente. Simbólica, também, é Sua ressurreição da terra; é fato espiritual, divino, e não material. Do mesmo modo, Sua ascensão para o céu foi espiritual e não corpórea.
Além destas explicações, a ciência já provou ser o céu visível uma área ilimitada, completamente vazia, onde revolvem inumeráveis estrelas e planetas.
Dizemos, pois, que a ressurreição de Cristo tem o seguinte significado: Os discípulos estavam agitados e angustiados após Seu martírio, e assim a Realidade de Cristo, isto é, Seus ensinamentos, Suas dádivas, Suas perfeições e Seu poder espiritual se ocultaram por dois ou três dias depois de Seu martírio. Não mais resplandeceu, nem se manifestou, essa Realidade; de fato, estava perdida, porque os crentes eram poucos e sua agitação foi extrema. A Causa de Deus parecia um corpo inanimado, mas quando, após três dias, os discípulos recuperaram sua fé e certeza, começaram a servir à Causa de Cristo e resolveram difundir os ensinamentos divinos, pondo em prática Seus conselhos e se levantando para servi-Lo, a Realidade de Cristo resplandeceu novamente. Suas dádivas tornaram-se manifestas, Sua religião ressuscitou-se; mais uma vez estavam evidentes Seus ensinamentos e Suas advertências. Em outras palavras, a Causa de Cristo se assemelhara a um corpo sem vida, até ser atingida pelas graças vivificadoras do Espírito Santo.
É o que significa a ressurreição de Cristo, e esta foi uma verdadeira ressurreição. Mas por não haver o clero compreendido o que significam os Evangelhos, nem sabido interpretar os símbolos, dizia-se ser a religião contraditória à ciência e esta em oposição àquela, como, por exemplo, neste assunto da ascensão de Cristo em Seu corpo elemental ao céu visível, o que é contrário à ciência da matemática. Ao se esclarecer, porém, a verdade deste assunto e explicar o símbolo, a ciência de modo algum se opõe; pelo contrário, a ciência e a inteligência, a afirmam.


XXIV

A DESCIDA DO ESPÍRITO SANTO
SOBRE OS APÓSTOLOS


Pergunta – De que maneira desceu e posou sobre os apóstolos o Espírito Santo, segundo narra o Evangelho, e qual o sentido disso?
Resposta – O Espírito Santo não desceu, assim como o ar penetra no corpo humano. Descida aqui é apenas uma expressão, uma analogia, e não uma imagem exata ou literal. Assemelha-se ao reflexo do sol num espelho; significa que seu esplendor nele se manifesta.
Após a morte de Cristo, os discípulos estavam angustiados; entre eles surgira divergência de idéias e pensamentos – reinava a discórdia. Mais tarde, porém, adquiriram espírito de firmeza e união e, reunidos na festa de Pentecostes, renunciaram às coisas deste mundo. Com desprendimento, abandonaram o conforto, o bem-estar material; imolaram o corpo e a alma ao Bem-amado; deixaram seus lares, tornando-se errantes, sem teto, e até mesmo se esqueceram de sua própria existência. Receberam, então, o amparo divino, e viram manifesto o poder do Espírito Santo; a espiritualidade de Cristo venceu e o amor de Deus se tornou predominante. Assim fortalecidos, dispersaram-se em várias direções, a fim de pregar a Causa de Deus, e demonstrar suas provas evidentes.
A descida do Espírito Santo sobre os apóstolos simboliza, pois, sua atração pelo Espírito de Cristo, graças ao qual adquiriram estabilidade e firmeza. Através do espírito do amor de Deus, foram ressuscitados e perceberam Cristo vivo, ajudando-os e protegendo-os. Eram semelhantes a gotas e se transformaram em mares; de frágeis insetos, volveram-se em águias majestosas; fracos que eram, tornaram-se poderosos. Assemelhavam-se a espelhos voltados para o sol; em verdade neles se manifestou uma parte da luz.


XXV

O ESPÍRITO SANTO


Pergunta – Que é o Espírito Santo?
Resposta – São as Graças de Deus, os raios luminosos que emanam do Manifestante, pois o foco para onde convergiam os raios do Sol da Realidade era Cristo; e irradiando desse foco glorioso, da Realidade de Cristo, as Graças Divinas refletiam-se nos outros espelhos, ou seja, na realidade dos apóstolos. A descida do Espírito Santo sobre os apóstolos significa, pois, que as gloriosas graças divinas neles se refletiram plenamente.
Além disso, o entrar e o sair, o descer e o subir, são características de corpos, e não de espíritos. Quer isso dizer, as realidades sensíveis entram e saem, mas as sutilezas do intelecto, as realidades mentais, como a inteligência, o amor, o conhecimento, a imaginação e o pensamento, não entram, não saem, nem descem, mas sim, guardam uma relação íntima. Por exemplo, o conhecimento, sendo um estado atingido pela inteligência, é uma condição intelectual. A entrada de uma coisa na mente, e sua saída dela, são condições imaginárias: mas entre a mente e a aquisição do conhecimento há uma relação semelhante àquela que existe entre o espelho e as imagens nele refletidas.
Por isso, desde que as realidades intelectuais não entram nem descem, e é absolutamente impossível também ao Espírito Santo subir, descer, entrar, sair ou penetrar só podemos concluir que o modo pelo qual o Espírito Santo aparece em todo o seu esplendor, é semelhante ao do sol no espelho.
Em algumas passagens dos Livros Sagrados, se fala em espírito quando se refere a uma certa pessoa, assim como é usual, em conversação, dizermos que certa pessoa é um espírito corporificado, ou a personificação da misericórdia e da generosidade. Neste caso, é para a luz que olhamos e não para o vidro.
No Evangelho de S. João, falando-se do Prometido que haveria de vir após Cristo, está escrito, no capítulo XVI, versículos 12, 13: “Ainda tenho muitas coisas que vos dizer, mas vós não as podeis suportar agora. Porém, quando vier aquele Espírito de Verdade, ele vos guiará em toda a verdade; porque não falará de si mesmo, mas falará tudo o que tiver ouvido.”
Consideremos cuidadosamente: a julgar destas palavras, “não falará de si mesmo, mas falará tudo o que tiver ouvido”, é claro que “Espírito de Verdade” se refere a um homem dotado de individualidade, de ouvidos para ouvir de uma língua para falar. O nome “Espírito de Deus” é aplicado, pois, a Cristo, assim como, ao falarmos em luz, nos referimos a ambas, luz e lâmpada.


XXVI

O VOLTA DE CRISTO E O DIA DO JUÍZO


Está escrito nos Livros Sagrados que Cristo virá outra vez, e que Sua vinda estará ligada ao aparecimento de certos sinais: quando Ele vier de novo, será acompanhado por estes sinais. Por exemplo: “O sol escurecerá, e a lua não dará o seu resplendor, e as estrelas cairão do céu... Então aparecerá no céu o sinal do Filho do homem; e todas as tribos da terra se lamentarão e verão o Filho do homem, vindo sobre as nuvens do céu, com grande poder e glória.” Bahá´u´lláh explicou estes versículos no Kitáb-i-Iqán; (1) não e necessário, pois, repetirmos; podeis consultar esta obra e assim entendereis o que significam.
Tenho algo mais que dizer, entretanto, sobre este assunto. Também ao vir pela primeira vez, Cristo veio do céu, como afirma explicitamente o Evangelho. O próprio Cristo diz: “E ninguém subiu ao céu, senão o que desceu do céu, a saber, o Filho do homem, que está no céu.”
É claro para todos que Cristo veio do céu, embora parecesse vir do ventre de Maria. Assim como veio do céu a primeira vez, se bem que, aparentemente, nascido de ventre humano, do mesmo modo virá do céu a segunda vez, vindo ainda, aparentemente, de ventre humano. As condições assinaladas no Evangelho para a segunda vinda de Cristo, são as mesmas que foram mencionadas para a primeira, conforme já dissemos.
Segundo diz o Livro de Isaías, o Messias há de conquistar leste e oeste; à Sua sombra abrigar-se-ão todas as nações do mundo, e o Seu reino será firmado; Ele virá de um lugar desconhecido, julgará os pecadores, e a tal ponto a justiça predominará, que o lobo e o carneiro, o leopardo e o cabrito, a criancinha de peito e a víbora reunir-se-ão às margens da mesma fonte, no mesmo prado, na mesma morada. (2) A primeira vinda foi nestas mesmas condições, embora nenhuma delas se realizasse exteriormente, motivo este por que os judeus rejeitaram Cristo e – Deus nos perdoe! – chamaram o Messias de masikh, (3) acusaram-No de haver destruído o templo de Deus, deixado de guardar o sábado, e violado a Lei. E condenaram-No à morte. Cada uma dessas condições, entretanto, tinha um sentido que os judeus não perceberam, sendo eles assim impedidos de reconhecer a verdade de Cristo.
A segunda vinda de Cristo deve ser da mesma maneira: todas as condições mencionadas como sinais têm um sentido simbólico, e não devem ser tomadas ao pé da letra. Entre outras, encontra-se a seguinte: as estrelas cairão sobre a terra. As estrelas são inumeráveis, infinitas, e, de acordo com provas científicas modernas, matematicamente estabelecidas, o globo solar é cerca de um milhão e meio de vezes maior que a terra, e cada uma das estrelas fixas é mil vezes maior que o sol. Se fossem cair sobre a superfície da terra, onde iriam essas estrelas encontrar lugar? Seria como se mil milhões de Himalaias caíssem em cima de um grão de mostarda! De acordo com a razão e a ciência, isto é absolutamente impossível. E mais estranho ainda é o fato de Cristo haver dito que talvez viesse enquanto todos dormissem, porque o Filho do homem viria como vem um ladrão, que pode estar dentro da casa sem que o dono saiba.
É claro, pois, é óbvio, terem esses sinais um sentido simbólico, não devendo ser tomados ao pé da letra. Encontram-se amplamente explicados no Kitáb-i-Iqán: consultai-o.




XXVII

A TRINDADE


Pergunta – Que significa a Trindade – as Três Pessoas em Uma?
Resposta – A Realidade Divina, pura e santificada, está muito além da compreensão dos seres humanos, e jamais poderá ser imaginada, nem pelos mais inteligentes e sábios; ultrapassa qualquer conceito. Esta Realidade Sublime não admite a divisão, pois a divisão e a multiplicidade são propriedades das criaturas, que são existências contingentes; tais acidentes não podem atingir Àquele que existe por si próprio.
A Realidade Divina está isenta da singularidade e, muito mais ainda, da pluralidade. A descida desta Realidade Divina para condições e graus outros, seria contrária à perfeição – seria absoluta imperfeição e, portanto, inteiramente impossível. Sempre esteve essa Realidade, como ainda está, no mais elevado grau da santidade. Tudo o que se diz das Alvoradas – os Manifestantes de Deus – refere-se ao reflexo divino, e não a uma descida às condições terrenas.
Deus é pura perfeição, e as criaturas simples imperfeições. Para Ele, o descer às condições terrenas constituiria a maior das imperfeições; Sua manifestação, Seu aparecimento, ou Sua alvorada, é como o reflexo do sol num espelho cristalino, puro e polido. Todas as criaturas são sinais evidentes de Deus, semelhantes às coisas terrestres sobre as quais brilham os raios do sol, mas sobre as planícies, as montanhas, as árvores e os frutos brilha apenas uma parte da luz, pela qual todas estas coisas se tornam visíveis e se desenvolvem, atingindo assim o objetivo de sua existência, ao passo que o Homem Perfeito (1) é semelhante a um espelho puro no qual o Sol da Realidade se reflete plena e visivelmente, manifestando-se em todas as suas qualidades e perfeições. A Realidade de Cristo era um espelho límpido e polido, sumamente puro e fino, e assim o Sol da Realidade, a Essência Divina, refletiu-se nesse espelho, nele manifestou luz e calor. Não desceu, porém, de Seu elevado grau de santidade, de Seu sagrado céu, para entrar no espelho e nele habitar; ao contrário, continua a subsistir em Sua glória e sublimidade, enquanto se reflete no espelho e nele manifesta Sua beleza e Sua perfeição.
Se dissermos, pois, que vimos o sol em dois espelhos, sendo um destes espelhos Cristo, e o outro o Espírito Santo, isto é, que vimos três sóis, estando um no céu e os outros dois na terra, diremos a verdade. E se dissermos que há somente um sol, que é único, sem companheiro ou igual, estaremos ainda dizendo a verdade.
Em resumo: a Realidade de Cristo foi um espelho puro, e o Sol da Realidade, ou seja a Essência da Unidade, com Seus infinitos atributos e perfeições, tornou-se visível no espelho. Não queremos dizer com isso que o sol, a Divina Essência, se tivesse dividido ou multiplicado, pois o sol é um e único; apenas se reflete no espelho. Eis porque disse Cristo: “O Pai está no Filho”, isto é: o sol está visível, manifesto, neste espelho.
O Espírito Santo significa as Graças de Deus, as quais se tornam visíveis e evidentes na Realidade de Cristo. A condição de Filho é o coração de Cristo, e o Espírito Santo é a condição do espírito de Cristo. Assim provamos, fora da menor dúvida, ser a Divina Essência absolutamente única, sem igual ou semelhante.
Eis o que se entende por Três Pessoas da Santíssima Trindade. De outro modo, a Religião de Deus basear-se-ia numa proposição ilógica, inconcebível – podemos acreditar numa coisa que nem nos é possível conceber? Nada se pode abranger com a inteligência que não seja apresentado de forma inteligível, pois seria apenas fantasia.
Está claro agora, pela exposição acima, o sentido de Três Pessoas da Santíssima Trindade. A Unidade de Deus também está provada.


XXVIII

EXPLICAÇÃO DO VERSÍCULO 5, CAPÍTULO XVII,
DO EVANGELHO DE S. JOÃO


“E agora glorifica-me Tu, Ó Pai, junto de Ti mesmo, com aquela glória que tinha contigo, antes que o mundo existisse.”
Há duas espécies de preexistência: uma essencial, não precedida por nenhuma causa, existindo por si própria. Por exemplo, o sol tem luz em si mesmo; seu brilho não depende da luz de outras estrelas. Isso chama-se uma luz essencial. A luz da lua, por outro lado, é recebida do sol; a lua depende do sol para sua luz. No tocante à luz, pois, o sol é a causa, e a lua o efeito. Aquele é anterior, antecedente, enquanto esta é posterior, conseqüente.
A segunda espécie de preexistência é a de tempo; não tem começo. O Verbo de Deus (1) é santificado, isento do tempo. Para Deus, passado, presente, futuro são todos iguais. Ontem, hoje, amanhã, não existem no sol.
Há também uma preexistência referente à glória; isto é, o mais glorioso procede o menos glorioso. Assim, a Realidade de Cristo, ou seja, o Verbo de Deus, deve indubitavelmente proceder às criaturas, no que diz respeito a essência, atributos e glória. Antes de assumir a forma humana, o Verbo de Deus já existia na plenitude da santidade e da glória, em toda a beleza, no máximo esplendor, nas sublimes alturas de Sua magnificência. Quando, pela sabedoria de Deus, o Altíssimo, se manifestou o Verbo de Deus, das alturas de Sua glória, radioso num corpo humano, então, mediante esse mesmo corpo, Ele tornou-se presa da opressão, a ponto de cair nas mãos dos judeus, cativo dos tiranos, dos ignorantes, sendo por fim crucificado. Foi por isso que Ele se dirigiu a Deus, suplicando: "Livrai-me dos grilhões do corpo, liberta-me desta prisão, para que eu possa ascender até às alturas da honra e da glória, alcançar a grandeza antiga, o poder que preexistia ao mundo corporal, regozijar-me no reino eterno, e elevar-me à morada anterior, para o mundo além da matéria e de tudo que a vista alcança."
Assim vemos que até neste mundo de terras e almas, a glória e a grandeza de Cristo só apareceram após Sua ascensão. Antes, enquanto prisioneiro do corpo, sofrera o máximo desprezo e escárnio por parte da mais débil nação do mundo, os judeus, que ainda se permitiram pôr sobre a sagrada cabeça uma coroa de espinhos. Após Sua ascensão, porém, as mais cintilantes coroas de reis curvaram-se com humildade ante a coroa de espinhos.
Eis a glória alcançada, até neste mundo, pelo Verbo de Deus!


XXIX

EXPLICAÇÃO DO VERSÍCULO 22, CAPÍTULO 15,
DA PRIMEIRA EPÍSTOLA DE S. PAULO AOS CORÍNTIOS


Pergunta - No versículo 22 do capítulo 15 de 1 Aos Coríntios está escrito: "E assim como em Adão morrem todos, assim também todos serão vivificados em Cristo". Que significam estas palavras?
Resposta - Saibam que há no homem duas naturezas: a física e a espiritual. De Adão ele herda a natureza física; da Realidade do Verbo de Deus, que é a espiritualidade de Cristo, herda ele sua natureza espiritual. A natureza física nasce de Adão e é fonte de toda imperfeição, enquanto a espiritual deriva das graças do Espírito Santo, e é a fonte de toda a perfeição.
Cristo sacrificou-se a fim de que os homens se livrassem das imperfeições da natureza física e viessem a possuir as virtudes da natureza espiritual. Esta, vindo a existir pelas graças da Realidade Divina, reúne em si todas as perfeições, manifestando-se através do sopro do Espírito Santo. São as perfeições divinas - luz, espiritualidade, orientação, sublimidade, aspiração elevada, justiça, amor, benevolência, bondade para com todos, filantropia, a essência da vida. É o reflexo do esplendor do Sol da Realidade.
Cristo é o Foco central do Espírito Santo; nasceu do Espírito Santo; foi animado pelo Espírito Santo; é descendente do Espírito Santo. Isto é: a Realidade de Cristo não descendeu de Adão, mas sim, nasceu do Espírito Santo. Segundo esta terminologia, pois, o versículo - "Como em Adão morrem todos, assim também todos serão vivificados em Cristo" - significa ser Adão o pai da humanidade, ou seja, a causa de sua vida física. Embora uma alma vivente, não foi ele quem deu a vida espiritual, enquanto Cristo é a origem da vida espiritual do homem - Sua foi a paternidade espiritual. Adão é alma vivente; Cristo, espírito animador.
Este mundo físico do homem está sujeito ao poder dos desejos lascivos, havendo o pecado em conseqüência; não se acha sob o domínio das leis da justiça e da santidade. O corpo humano é cativo da natureza, agindo de acordo com seus ditames. Cristo é, pois, que pecados como zanga, ciúme, contenção, cobiça, avareza, ignorância, preconceito, ódio, orgulho e tirania existem no mundo físico. Existem na natureza humana todas estas qualidades brutais. Sem a educação espiritual, o homem é bruto. Selvagens da África, por exemplo, cujos atos, hábitos e moral são puramente sensuais, seguem as exigências da natureza ao ponto de se despedaçarem e comerem uns aos outros. É evidente, pois, ser o mundo físico do homem um mundo de pecado. Neste mundo, o homem não se distingue do animal.
Todo o pecado se origina nas demandas da natureza, as quais, vindo das qualidades físicas, não constituem pecados para os animais, ao passo que para o homem o são. O animal é a fonte das imperfeições, como zanga, sensualidade, ciúme, avareza, crueldade, orgulho; todos estes defeitos se encontram nos animais, sem que constituam pecados, mas no homem são pecados.
De Adão se origina a vida física do homem, mas a Realidade de Cristo, isto é, o Verbo de Deus, é a causa da vida espiritual. "Serão vivificados" significa que todas as imperfeições provenientes das necessidades da vida física do homem são transformadas em perfeições humanas, graças aos ensinamentos e à educação deste espírito. Assim, pois, Cristo foi um espírito vivificador, a causa da vida em toda a humanidade.
Adão foi causa da vida física, e desde que o mundo físico do homem é o mundo das imperfeições, as quais são equivalentes à morte, S. Paulo se refere às imperfeições físicas como sendo a morte.
Os cristãos em geral, entretanto, acreditam que, por haver Adão comido da árvore proibida, assim pecou, pois desobedeceu, e a conseqüência desastrosa de sua desobediência foi transmitida como herança, permanecendo entre sua posteridade, sendo assim que ele se tornou causa da morte do gênero humano. Tal explicação é pouco razoável e, evidentemente, errada; pois significaria que todos os homens, até os Profetas, os Mensageiros de Deus, sem terem cometido qualquer pecado ou erro, simplesmente por serem da posteridade de Adão, sem outra razão, fossem pecadores, devendo permanecer cativos no inferno, sofrendo dolorosos suplícios, até o dia do sacrifício de Cristo. Longe seria isto da justiça de Deus. Se Adão foi pecador, qual foi o pecado de Abraão? Qual o erro de Isaac, ou de José? De que teve culpa Moisés?
Mas Cristo, que é o Verbo de Deus, sacrificou-se. Isto tem dois significados, um evidente e um esotérico. O primeiro é este: foi o objetivo de Cristo representar e promover uma Causa destinada a educar o mundo humano, vivificar os filhos de Adão e esclarecer todos os homens, e desde que o apoio a tão grande Causa - uma Causa vista com hostilidade pelos povos do mundo, por todas as nações e todos os reinos - acarretava Seu sacrifício, exigia que fosse crucificado, assim Cristo ao proclamar Sua missão sacrificou a vida. A Seu ver, a cruz era um trono, a ferida um bálsamo, e o veneno mel. Ergueu-se a fim de educar os homens e, para dar-lhes o espírito da vida, Ele se sacrificou a si próprio. Pereceu no corpo a fim de animar os outros pelo espírito.
O segundo sentido do sacrifício é este: Cristo era como uma semente, e esta semente sacrificou sua própria forma para que a árvore crescesse e se desenvolvesse. Embora fosse destruída a forma da semente, sua realidade manifestou em perfeita majestade e beleza na forma da árvore.
A posição de Cristo foi a de absoluta perfeição e, semelhante ao sol, Ele fez Suas perfeições se irradiarem sobre todas as almas crentes, e as graças de Sua luz iluminaram a realidade do homem. Eis porque Ele diz: "Eu sou o pão que desci do céu; quem comer deste pão, não morrerá". Quer isso dizer: quem participar deste alimento divino, atingirá a vida eterna, ou, em outras palavras, quem participar destas graças e adquirir estas perfeições, alcançará a vida eterna, obterá os favores preexistentes, livrar-se-á das trevas do erro, sendo guiado pela Sua luz iluminadora.
Assim, pois, a forma da semente foi sacrificada em benefício da árvore, mas suas perfeições, em virtude desse sacrifício, tornaram-se evidentes, havendo estado oculta na semente a árvore com ramos, folhas e flores. Ao sacrificar-se a forma da semente, suas perfeições apareceram na forma perfeita de folhas, flores e frutos.










XXX

ADÃO E EVA


Pergunta - Que verdade há na história de Adão, segundo a qual ele comeu do fruto da árvore?
Resposta - Na Bíblia está escrito que Deus pôs Adão no jardim do Éden, para o cuidar e guardar, e lhe disse: "Come de todos os frutos das árvores do jardim menos dos da árvore do bem e do mal, pois se desta comeres, morrerás". Diz a narrativa, então, que Deus infundiu a Adão um sono profundo, e lhe tirou uma das costelas, da qual formou a mulher a fim de que fosse sua companheira; e, depois disso, que a serpente induziu a mulher a comer da árvore, dizendo: "Deus vos proibiu de comer da árvore, a fim de que vossos olhos não se abrissem e vós não conhecêsseis o bem e o mal." Comeu, pois, Eva da árvore e deu de seus frutos a Adão, que também comeu; abriram-se seus olhos, conheceram que estavam nus e cobriram os corpos de folhas. Em conseqüência deste ato, foram repreendidos por Deus. Perguntou Deus a Adão se comera da árvore proibida, ao que ele respondeu que Eva o havia tentado e assim ele comeu. Deus respondeu, pois, a Eva, que disse: "A serpente me tentou e eu comi." Por isso foi maldita a serpente, e inimizade foi posta entre ela e Eva, e entre a posteridade de ambos. E Deus disse: "Eis aí, está feito o homem como um e nós, conhecendo o bem e o mal, e talvez ele como da árvore da vida e viva eternamente." Assim Deus guardou a árvore da vida.
Esta história, tomada em seu sentido aparente, segundo a interpretação das massas, é de fato extraordinária. A inteligência não pode aceitá-la, afirmá-la ou imaginá-la, pois tais arranjos, detalhes, discursos e repreensões estão longe de ser de um homem inteligente, e muito menos da Divindade - daquela Divindade que organizou este infinito universo do modo mais perfeito, e seus inumeráveis habitantes como ordem, poder e perfeição absolutas.
Devemos refletir um pouco: tomando-se esta história em seu sentido literal, ninguém, de certo, admitiria, logicamente, ser tal procedimento o de um ser dotado de inteligência. Devemos considerar, pois, esta história de Adão e Eva, que comeram da árvore e foram expulsos do Paraíso, como simplesmente simbólica, e perceber que encerra mistérios divinos e significados universais e permite explicações maravilhosas. Somente aqueles que são iniciados nos mistérios e estão próximos da Corte do Todo-Poderoso estão cientes destes segredos. Assim, pois, estes versículos da Bíblia têm numerosos sentidos.
Explicaremos um deste do seguinte modo: Adão significa o espírito de Adão, e Eva sua alma. Em algumas passagens dos Livros Sagrados que mencionam mulheres, estas representam a alma do homem. A árvore do bem e do mal significa o mundo humano, pois o mundo espiritual, divino, é puramente bom e absolutamente luminoso, mas no mundo humano existem condições opostas, luz e trevas, bem e mal.
A serpente significa ligação ao mundo humano. Esta ligação do espírito ao mundo humano fez a alma e o espírito de Adão deixarem o mundo da liberdade para o da escravidão, voltarem-se do Reino da Unidade para o reino humano. Quando a alma e o espírito de Adão entraram neste mundo, ele saiu do paraíso da liberdade e desceu ao plano da escravidão; das alturas da pureza e bondade absoluta, veio ao mundo do bem e do mal.
A árvore da vida é o grau máximo da existência: a posição do Verbo de Deus e do Manifestante Universal. Esta posição foi preservada, pois, e, ao aparecer o mais nobre Manifestante Universal, tornou-se clara e evidente. Pois a posição de Adão, com respeito ao aparecimento das perfeições divinas, era embrionária; a posição de Cristo era a da maturidade, do raciocínio; e o surgir do Luminar Supremo (1) era a da perfeição da essência e das qualidades. Eis porque no mais alto paraíso, árvore da vida é a expressão para o centro de santidade absolutamente pura, isto é, o Manifestante Divino Universal. Do tempo de Adão até o de Cristo, pouco se falou da vida eterna e das perfeições celestes universais. Essa árvore da vida foi a posição da Realidade de Cristo; em virtude de Sua manifestação foi plantada e se adornou de frutos imperecíveis.
Consideremos agora quanto esta interpretação se conforma com a realidade. Pois o espírito e a alma de Adão, ao se ligarem ao mundo humano, passaram do estado da liberdade ao da escravidão, e seus descendentes continuaram escravizados. Esse cativeiro da alma e do espírito no mundo humano, o que constitui pecado, foi herdado pelos descendentes de Adão e é a serpente que está sempre em meio a seus espíritos e lhes é hostil. Essa inimizade continua, persiste. Pois a ligação ao mundo se tornou causa do cativeiro dos espíritos, o que é idêntico ao pecado e foi transmitido de Adão à sua posteridade. Em conseqüência dessa ligação foram os homens privados da espiritualidade essencial e de uma posição elevada.
Ao serem difundidos os sopros santificados de Cristo e a luz sagrada do Luminar Supremo, (1) as realidades humanas, ou sejam aqueles que se dirigiram ao Verbo de Deus e receberam em abundância Suas dádivas, salvaram-se desse cativeiro, desse pecado, atingiram a vida eterna, livraram-se dos grilhões da escravidão, e alcançaram o mundo da liberdade. Livres dos vícios do mundo humano, obtiveram a benção das virtudes do Reino. Eis o significado das palavras de Cristo, "Dei meu sangue pela vida do mundo"; isto é, escolhi todas estas tribulações, estes sofrimentos e calamidades, até o maior martírio, a fim de atingir este objetivo, a remissão dos pecados; ou seja, que os espíritos se desprendam do mundo humano e sejam atraídos ao divino, para que surjam almas que se tornem a própria essência de guia entre os seres humanos, e manifestem as perfeições do Reino Supremo.
Notemos: se fosse aceito o sentido esotérico, segundo as suposições do Povo do Livro, (2) isso seria absoluta injustiça, predestinação completa. Se Adão pecou por se ter aproximado da árvore proibida, qual foi o pecado do glorioso Abraão, e qual o erro de Moisés, o Interlocutor? Que crime cometeu Noé, o Profeta ou transgressão José, o Veraz? Qual foi a iniqüidade dos Profetas de Deus, e que culpa teve João, o Casto? Teria a justiça de Deus permitido que esses Manifestantes iluminados, por causa do pecado de Adão, sofressem tormento no inferno até a vinda de Cristo e Seu sacrifício para salvá-los das angústias excruciantes? Tal idéia transgride toda a lei e regra, e não pode ser aceita por uma pessoa inteligente.
Não, significa o que já dissemos: Adão é o espírito de Adão, e Eva sua alma; a árvore é o mundo humano, e a serpente é a ligação a este mundo, o que constitui pecado e contaminou a posteridade de Adão. Cristo por Seus sopros sagrados salvou os homens desse cativeiro, livrou-os desse pecado. O pecado em Adão é relativo à sua posição. Embora dessa ligação procedam resultados, no entanto, relativamente ao mundo espiritual, é considerada um pecado. As boas ações dos fiéis são os pecados dos Próximos. É isto estabelecido. Assim o poder corpóreo é defeituoso só em relação ao espiritual; comparado a este, é fraqueza. Igualmente, a vida física em comparação com a vida eterna no Reino, é considerada morte. Cristo chamou de morte a vida física, dizendo: "Deixa que os mortos sepultem seus mortos". Embora essas almas possuíssem a vida física, esta, a Seus olhos, era apenas morte.
Eis uma das interpretações da história bíblica de Adão. Refleti até descobrirdes as outras...


XXXI

EXPLICAÇÃO DA BLASFÊMIA CONTRA
O ESPÍRITO SANTO


Pergunta - "Portanto vos digo: Todo o pecado e blasfêmia serão perdoados aos homens; porém a blasfêmia contra o Espírito Santo não lhes será perdoada. E todo o que disser alguma palavra contra o Filho do homem, perdoar-se-lhe-á; porém o que a disser contra o Espírito Santo, não se lhe perdoará, nem neste mundo, nem no outro." S. Mateus xii.31,32.
Resposta - As santas Realidades dos Manifestantes de Deus têm duas posições espirituais. Uma é o lugar da manifestação, comparável à posição do globo solar; e a outra é o esplendor do Manifestante, que se assemelha à sua luz e irradiação. Estas são as perfeições de Deus ou, em outras palavras, o Espírito Santo. Pois o Espírito Santo são os dons divinos e as perfeições celestiais, sendo estas perfeições divinas assim como os raios e o calor do sol. Os brilhantes raios do sol constituem seu próprio ser, sem os quais não seria o sol. Se não estivesse em Cristo a manifestação ou o reflexo das perfeições divinas, Jesus não seria o Messias. Ele é manifestante porque reflete em Si próprio as perfeições divinas. Os Profetas de Deus manifestam as perfeições celestiais; isto é, o Espírito Santo neles se torna visível.
Embora uma pessoa se afaste do Manifestante, será possível ainda que desperte, pois apenas não reconheceu a manifestação das qualidades divinas. Se, entretanto, abominar as próprias perfeições divinas, ou seja o Espírito Santo, tal pessoa será, evidentemente, como o morcego que odeia a luz.
A aversão à luz não tem remédio e é imperdoável; quer isto dizer, é impossível à pessoa que a odeia se aproximar de Deus. Esta lâmpada é lâmpada em virtude de sua luz, sem a qual deixaria de sê-la. Se, pois, uma alma detesta a luz da lâmpada, é como se fosse cega, não podendo compreender a luz; e a cegueira é causa de se ser banido de Deus por toda a eternidade.
Evidentemente, as almas recebem graça das dádivas do Espírito Santo refletido nos Manifestantes de Deus, e não da personalidade destes. Quando a alma, portanto, não participa das dádivas do Espírito Santo, ela se priva da Graça Divina, e o próprio afastamento põe a alma além do alcance do perdão.
Por esta razão muitas pessoas eram inimigas dos Manifestantes enquanto não os reconheceram, mas vieram a ser seus amigos uma vez que os conhecessem. Assim a inimizade para com o Manifestante não se tornou causa de afastamento perpétuo, pois os que a mostravam eram inimigos dos portadores da luz, não sabendo serem estes as luzes resplandecentes de Deus. Não eram inimigos da luz e logo que compreenderam ser o portador da luz o verdadeiro lugar de sua manifestação, tornaram-se seus amigos sinceros.
O que significa é isto: afastar-se do portador da luz não implica banimento eterno, pois se pode despertar e ser vigilante, mas ser-se inimigo da luz é causa de se ser banido para sempre; para isto não há remédio.





XXXII

EXPLICAÇÃO DO VERSÍCULO: "PORQUE SÃO
MUITOS OS CHAMADOS, E POUCOS OS ESCOLHIDOS"


Pergunta - No Evangelho, Cristo diz: "São muitos os chamados mas poucos os escolhidos", e no Alcorão está escrito: "Ele concederá misericórdia especial a quem Ele quiser." Que sabedoria há nisto?
Resposta - Saibamos que a organização e a perfeição do universo inteiro exigem que a existência se manifeste em inúmeras formas. Pois os seres existentes não se poderiam incorporar em uma só categoria, condição, espécie ou classe; é necessário, sem dúvida, que haja diferença de grau, distinção de forma, variedade de espécie. Quer isso dizer: é imprescindível o grau das substâncias mineral, vegetal e animal, bem como o do homem, pois o mundo não poderia ser organizado, e adquirir beleza e perfeição, com o homem somente. Tão pouco poderia este mundo manifestar belas paisagens, uma organização exata, e exímio adorno, com apenas animais, ou plantas, ou minerais. É, sem dúvida, em virtude da variedade de graus, condições, espécies e classes, que a existência se torna resplandecente e mostra suma perfeição.
Esta árvore, por exemplo, se consistisse inteiramente de frutos, não poderia atingir as perfeições vegetais; pois folhas, flores e frutos são todos necessários a fim de que a árvore seja adornada da maneira mais bela e perfeita.
Outrossim, consideremos o corpo do homem: deve ser composto de várias partes, de diferentes órgãos e membros. A beleza, a perfeição humana, exige a existência dos ouvidos, olhos, cérebro e até dos cabelos e das unhas; se o homem fosse somente cérebro, ou olhos, ou ouvidos, isto equivaleria à imperfeição. Assim a ausência de cabelo, pestanas, dentes ou unhas seria um defeito absoluto, embora sejam estes, em comparação com os olhos, insensíveis, assemelhando-se nesse respeito ao mineral ou à planta. Sua falta no corpo humano, entretanto, constitui, necessariamente, imperfeição e desagrado.
Sendo assim, pois, vários os graus da existência, alguns seres estão mais altos na escala do que outros. É pela vontade de Deus, portanto, que algumas criaturas são escolhidas para o grau mais elevado, como o homem, enquanto que outras se acham num grau médio, como o vegetal, e ainda outras, como o mineral, estão no grau ínfimo.
Por causa da bondade de Deus, foi o homem escolhido para o grau máximo, e as diferenças existentes entre os homens, no que diz respeito a progresso espiritual e perfeições celestiais, também são devidas à escolha do Compassivo. Pois a fé, que é a vida eterna, é sinal de bondade divina e não é resultado da justiça. A chama do fogo do amor, neste mundo de terra e água, deriva do poder da atração; não vem em conseqüência de esforço. Por esforço e perseverança, no entanto, podem o conhecimento, a ciência e outras perfeições ser adquiridas; mas somente a luz da Beleza Divina pode comover e enlevar os espíritos pela força da atração. É por isso que se diz: "São muitos os chamados e poucos os escolhidos."
Os seres materiais, porém, não devem ser desprezados ou julgados responsáveis por seu próprio grau ou condição. Por exemplo, mineral, vegetal e animal, em seus vários graus são aceitáveis, mas se em seu próprio grau permaneceram imperfeitos, serão dignos de culpa, pois o grau em si é puramente perfeito.
São de duas espécies as diferenças entre os seres humanos. Uma é de grau e não é culpável. A outra diferença é a respeito de fé e certeza, a falta das quais é censurável, pois assim a alma é acabrunhada de seus desejos e paixões, e estes o privam das bênçãos, impedindo-a de sentir o poder da atração do amor de Deus. Embora tal homem seja aceitável e digno de louvor em seu grau, no entanto, por ser privado das perfeições desse grau, ele se tornará fonte de imperfeições, pela qual será julgado responsável.


XXXIII

A "VOLTA" ANUNCIADA PELOS PROFETAS


Pergunta - Queira explicar o assunto da volta.
Resposta - Bahá'u'lláh explanou esse tema ampla e minuciosamente no Iqán; se o lerdes, a verdade sobre este assunto se vos tornará evidente. Mas já que a pergunta foi feita, explicá-lo-ei em poucas palavras. Comecemos a elucidação pelo Evangelho, pois ali está bem assinalado que, quando apareceu João, filho de Zacarias, dando aos homens a boa nova da vinda do Reino de Deus, perguntaram-lhe: "Quem és tu? És tu o Messias prometido?" Ele respondeu: "Eu não sou o Cristo". E perguntaram-lhe: "És tu Elias? E disse: Não sou." (1) Estas palavras mostram que João, filho de Zacarias, não era o prometido Elias, mas no dia da transfiguração, no Monte Tabor, Cristo disse claramente que o era.
No capítulo IX, versículos 11-13, do Evangelho segundo S. Marcos, está escrito: "E interrogaram-no, dizendo: Por que dizem os escribas ser necessário que Elias venha primeiro? E, respondendo ele, disse-lhes: Em verdade Elias virá primeiro, e todas as coisas restaurará; e, como está escrito do Filho do homem, convém que padeça muito e seja aviltado. Digo-vos, porém, que Elias já veio, e fizeram-lhe tudo o que quiseram, como dele está escrito."
No capítulo XVII, versículo 13 de S. Mateus, está escrito: "Então entenderam os discípulos que lhes falara de João Batista."
Perguntaram a João Batista: "És tu Elias?" Ele respondeu: "Não sou", embora esteja escrito no Evangelho que João era o prometido Elias, e Cristo também disse isso claramente. Então, se João era Elias, por que disse: "Não sou", e se não era Elias, por que disse Cristo que o era?
Explica-se do seguinte modo: não é à personalidade que isto se refere, mas à realidade das perfeições. Noutros termos: as mesmas perfeições que havia em Elias existiam exatamente em João Batista, manifestaram-se também nele. João Batista foi, portanto, o prometido Elias. Não se trata aqui da essência, (2) e sim, das qualidades. Havia, por exemplo, uma flor no passado, e há neste ano uma flor também. Se eu disser, então, que a flor do ano passado voltou, não quero dizer com isto que a mesma flor, com sua individualidade exata, tenha voltado. Não. Apenas como esta flor tem as mesmas qualidades que a do ano passado, o mesmo perfume, a mesma delicadeza, a mesma forma e cor, digo: a flor do ano passado voltou; esta flor é a anterior. Quando chega a primavera, dizemos que a primavera voltou, porque na deste ano há tudo o que havia na do ano anterior. Foi por isso que Cristo disse: Vereis então as mesmas coisas que foram vistas nos tempos dos profetas antigos.
Façamos outra comparação: lança-se na terra a semente do ano passado, da qual se manifestam ramos e folhas, vindo a aparecerem em seguida flores e frutos e, depois, tudo volta à semente. Ao semear-se esta, a segunda semente, cresce uma árvore, e mais uma vez temos ramos, folhas, flores e frutos - uma árvore perfeita. Visto ter sido o começo uma semente, e o fim também uma semente, dizemos que a semente voltou. Se contemplarmos a árvore em si, veremos que é outra mas se considerarmos suas flores, suas folhas e seus frutos, perceberemos a mesma fragrância, a mesma delicadeza, e o mesmo gosto. Voltaram, pois, as perfeições da árvore.
Do mesmo modo, se olharmos para o indivíduo, verificaremos que é outro; entretanto, se considerarmos as qualidades, as perfeições, veremos que as mesmas voltaram. Quando, pois, Cristo disse: Este é Elias, Ele queria dizer: esta pessoa é a manifestação da bondade, das qualidades, das perfeições, das virtudes, do caráter de Elias. Não obstante, João Batista disse: Não sou Elias. É que Cristo considerava as qualidades, as perfeições, o caráter, as virtudes de ambos, enquanto que João olhava apenas sua substância, sua individualidade. Esta lâmpada que estava aqui ontem à noite está acesa hoje também, e ainda amanhã brilhará. Quando dizemos que a lâmpada de hoje é a luz de ontem, que voltou, falamos da luz, e não do óleo, do pavio ou do suporte.
No Kitáb-i-Iqán há uma exposição clara e completa deste tema.


XXXIV

A CONFISSÃO DE FÉ DE S. PEDRO


Pergunta - No Evangelho de S. Mateus lemos: "Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja". Que significa este versículo?
Resposta - Estas palavras de Cristo confirmam a declaração de Pedro: "Tu és o Cristo, Filho do Deus vivo", quando Cristo lhe perguntara: "E vós, quem dizeis que sou eu?" Então disse-lhe Cristo: "Tu és Pedro" (1) - Cephas no aramaico significa pedra - "e sobre esta pedra edificarei a minha igreja". Os outros, ao serem interrogados, haviam respondido que era Elias, ou João Batista, e outros ainda, Jeremias, ou um dos Profetas.
Cristo, queira, por uma alusão, uma figura, confirmar as palavras de Pedro, e assim, por ser tão apropriado seu nome, Pedro disse: "e sobre esta pedra edificarei a minha igreja", querendo dizer "Tua crença de que Cristo é o Filho do Deus vivo será o alicerce da Religião de Deus; e sobre essa crença, será estabelecido o alicerce da igreja de Deus, isto é, a Lei de Deus."
A existência do túmulo de Pedro em Roma é duvidosa, nunca havendo sido autenticada; alguns dizem estar em Antióquia.
Além disso, comparemos as vidas de alguns Papas com a religião de Cristo. Cristo, faminto e sem teto, comia ervas no deserto, e era incapaz de ofender pessoa alguma. Alguns Papas sentavam em carruagens cobertas de ouro, vivendo no maior esplendor, entre prazeres e luxos, riquezas e veneração como nem os reis alcançaram.
Cristo não ofendeu a ninguém, mas alguns Papas mataram pessoas inocentes. Consultai a história. Quanto sangue foi derramado pelos Papas na defesa de seu poder temporal! Por simples diferença de opinião, apreendiam encarceravam e matavam milhares de homens que serviam à humanidade, e sábios que haviam descoberto os segredos da natureza. A que ponto opunham-se à verdade!
Reflitamos sobre os ensinamentos de Cristo, e indaguemos dos hábitos e costumes dos Papas. Vejamos: existe alguma semelhança entre os ensinamentos de Cristo e o governo papal? Não desejamos criticar, mas a história do Vaticano é extraordinária. O propósito de nosso argumento é demonstrar que os ensinamentos de Cristo e o modo de governo adotado pelos Papas são duas coisas inteiramente diferentes; não concordam. Quantos protestantes sofreram morte por edito papal! Quantas tiranias e opressões tiveram sua conivência, e quão numerosos os castigos e tormentos infligidos! Pode-se perceber em tais ações algo das doces fragrâncias de Cristo? Não, em nome de Deus! Essas pessoas não obedeceram a Cristo, enquanto Santa Bárbara, cujo retrato está em nossa frente, Lhe obedecia, seguindo suas pegadas e pondo em prática Seus mandamentos. Também houve entre os Papas algumas almas abençoadas, que seguiam as pegadas de Cristo, especialmente nos primeiros séculos da era cristã, quando as coisas temporais faltavam e as provações de Deus eram severas. Ao adquirirem o poder governamental, porém, ao atingirem a honra mundana e a prosperidade material, os Papas esqueceram-se inteiramente de Cristo, e ocuparam-se com o poder temporal, a grandeza, o conforto e o luxo; matavam, opunham-se à disseminação dos conhecimentos, torturavam os homens de ciência, impediam a difusão da sabedoria, ordenavam o saqueio e a carnificina. Milhares de almas, homens de ciência e de erudição, pereceram, inocentes, nas prisões de Roma. Em vista de tal procedimento, de tais atos, como podemos acreditar no Vigário de Cristo?
O Papado tem sido inimigo do conhecimento; até mesmo na Europa admite-se que a religião se opõe à ciência, e esta destrói as bases da religião. A Religião de Deus, entretanto, promove a verdade, fornece alicerces à ciência, aos conhecimentos, dá pleno apoio aos homens de erudição, civiliza a humanidade, descobre os segredos da natureza, ilumina os horizontes do mundo. Em conseqüência, como podemos dizer que ela se oponha ao conhecimento? Deus nos defenda! Não, aos olhos de Deus o conhecimento é a mais gloriosa dádiva do homem, a mais nobre das perfeições humanas. Opor-se ao conhecimento é mostrar ignorância; e quem detesta a ciência, o conhecimento, não é o homem, mas apenas animal sem inteligência. Pois o conhecimento é luz, é vida, é felicidade, é perfeição e beleza, e é o meio de se aproximar do Limiar da Unidade. É a honra, a glória do mundo humano, e a maior dádiva de Deus. Possuir conhecimento é ser guiado; permanecer na ignorância é verdadeiro erro.
Feliz quem devota seus dias à aquisição da sabedoria, à descoberta dos segredos da natureza e das sutilezas da verdade pura! E infeliz quem está satisfeito sem buscar conhecimento, alegrando o coração com a imitação irrefletida, mergulhado nas profundezas da ignorância e da insensatez, e desperdiçando sua vida.







XXXV

A PREDESTINAÇÃO


Pergunta – Se Deus tem conhecimento de um ato que será cometido por alguém, e se isso já foi escrito no Livro do Destino, é possível resistir-lhe?
Resposta – O conhecimento antecipado de uma coisa não é causa de sua realização. O conhecimento essencial de Deus abrange a realidade das coisas antes e depois de sua existência, mas não se torna causa dessa existência. É uma perfeição de Deus. O que por inspiração divina foi profetizado pela língua dos Profetas, com relação ao aparecimento do Prometido da Bíblia, não foi a causa da manifestação de Cristo.
Os segredos do futuro foram revelados aos Profetas e eles, deste modo, conheceram os acontecimentos vindouros que anunciaram. Esse conhecimento e essas profecias não causaram os acontecimentos. Agora, por exemplo, todos sabem que o Sol, daqui a sete horas, nascerá, mas este conhecimento antecipado, possuído por todos, não provoca o nascer, o aparecimento do Sol.
Assim, o conhecimento de Deus no reino contingente não produz as formas das coisas; está isento de passado, presente e futuro. É idêntico à realidade das coisas; não é causa dos acontecimentos.
Do mesmo modo, a menção de uma coisa no Livro não se torna causa de sua existência. Os Profetas, graças à inspiração divina, sabiam o que havia de acontecer. Sabiam, por exemplo, por inspiração divina, que Cristo seria martirizado, e anunciaram isso. Ora, pode-se considerar o conhecimento, ou a informação, a causa do martírio de Cristo? Não, esse conhecimento é uma perfeição dos Profetas, e não causou o martírio.
Os matemáticos sabem, graças aos cálculos astronômicos, que em determinado tempo ocorrerá um eclipse da lua ou do sol. Certamente, essa descoberta não causa o eclipse. Trata-se aqui, sabemos, apenas de uma analogia, e não de uma imagem exata.










PARTE III


OS PODERES E AS CONDIÇÕES DOS
MANIFESTANTES DE DEUS


XXXVI

OS CINCO ASPECTOS DO ESPÍRITO


Saibamos que, de um modo geral, há cinco divisões do espírito. Primeiro, o espírito do vegetal: este é um poder que resulta da combinação dos elementos, da união de substâncias – de acordo com o decreto de Deus, o Supremo – e da influência, da relação e do efeito de outras existências. Quando estas substâncias, estes elementos, se separam, o poder do crescimento cessa; assim como a eletricidade resulta da combinação de elementos, mas ao se desintegrarem estes, se dispersa, se perde. É este o espírito do vegetal.
Há o espírito do animal, que também resulta da mistura, da combinação dos elementos, sendo que é mais completa, e, segundo o decreto do Senhor Todo-Poderoso, uma composição perfeita é obtida; resulta daí o espírito animal, ou, em outras palavras, o poder dos sentidos. Daquilo que é visto, tangível, ou percebido pelo gosto ou pelo olfato, este poder alcançará a realidade das coisas. Após a dissociação, a decomposição dos elementos combinados, esse espírito, naturalmente, também terá que desaparecer. É como esta lâmpada que vemos: ao se juntarem ao querosene, o pavio e o fogo, o resultado será luz; mas, quando o querosene estiver acabado, e o pavio gasto, a luz também haverá de amortecer, desaparecerá.
O espírito humano assemelha-se às graças que o sol dispensa a um cristal. O corpo do homem é composto de elementos, formado da mais perfeita maneira; é a construção mais sólida, a combinação mais nobre, a existência mais perfeita. Cresce e desenvolve-se por meio do espírito animal. Este corpo aperfeiçoado podemos comparar a um cristal, e o espírito humano ao sol. Ainda que o cristal quebre, as graças do sol continuarão; se o cristal for destruído, se deixar de existir, dano algum atingirá as graças do sol, as quais são eternas. Esse espírito tem o poder do descobrimento; abrange todas as coisas. É autor de todos esses prodígios, dessas descobertas científicas, das grandes realizações e importantes acontecimentos históricos que conhecemos. Por meio do poder espiritual, trouxe-os do reino invisível, oculto, para o plano do visível. Assim, o homem está na terra, mas faz descobertas nos céus. Das realidades conhecidas, isto é, das coisas sabidas e visíveis, ele descobre coisas desconhecidas. O homem está neste hemisfério, mas como Colombo, por exemplo, mediante seu poder de raciocínio, descobre outro hemisfério, a América, até então desconhecida. Seu corpo é pesado, mas ele consegue, por meio de um instrumento que inventa, elevar-se nos ares. Seus movimentos são vagarosos; ele descobre um meio, porém, de viajar de leste a oeste com grande rapidez. Numa palavra, este poder abrange todas as coisas.
O espírito do homem tem, entretanto, dois aspectos: um divino, outro satânico. É capaz da maior perfeição, como também da maior imperfeição. Se adquirir virtudes, será o mais nobre dos seres existentes, e se adquirir vícios, tornar-se-á o mais degradado.
O quarto grau do espírito é o celestial: é o espírito da fé, é uma dádiva de Deus; provém do sopro do Espírito Santo e, pelo poder divino, se torna a causa da vida eterna. É o poder que faz do homem terreno um ser celestial, e do homem imperfeito um perfeito. Torna o impuro puro, o silencioso eloqüente; purifica e santifica quem está prisioneiro dos desejos carnais; do ignorante, faz um sábio.
O quinto espírito é o Espírito Santo. Este é o mediador entre Deus e Suas criaturas. É como um espelho voltado para o sol. Assim como o espelho puro recebe luz do sol e transmite esta graça aos outros, também o Espírito Santo é o intermediário da Santa Luz do Sol da Realidade, transmitindo-a às realidades santificadas. Está adornado com todas as perfeições divinas. Sempre que aparece, o mundo é renovado, um novo ciclo se inicia. O corpo da humanidade põe novas vestimentas. É comparável à primavera, cuja vinda faz o mundo passar de uma a outra condição. Ao vir a época primaveril, a terra negra – os campos e as solidões – tornam-se verdejantes e floridas, todas as espécies de flores e ervas olorosas crescem; ressuscitam-se as árvores, aparecem frutos novos; um novo ciclo começa. Assim também é o aparecimento do Espírito Santo: reanima sempre o mundo humano, incute na realidade humana um espírito novo, adorna o mundo existe com vestes dignas de louvor, dispersa as trevas da ignorância, fazendo irradiar a luz das perfeições. Cristo com este poder renovou o ciclo: a primavera celestial ergueu sua tenda no mundo humano com a maior frescura e suavidade, e o zéfiro vivificador encheu de perfume o olfato dos iluminados.
Assim também foi o aparecimento de Bahá´u´lláh: veio uma nova primavera com brisas sagradas, as hostes da vida eterna, o poder celestial. Estabeleceu Ele o Trono do Reino Divino no centro do mundo, através do Espírito Santo infundindo vida nova às almas e iniciando um novo ciclo.





XXXVII

A DIVINDADE SÓ PODE SER COMPREENDIDA
POR INTERMÉDIO DOS MANIFESTANTES DIVINOS


Pergunta – Qual a relação entre a Realidade Divina e os lugares em que se manifesta, ou os Alvoreceres Divinos?
Resposta – Saibamos que a Realidade Divina, ou seja a substância da Essência da Unidade, é a absoluta santificação, a pura santidade; noutros termos: é sagrada e excede a todo louvor. Os mais elevados atributos próprios dos vários graus da vida, com referência ao plano divino, não passam de ficção. É invisível essa Realidade – incompreensível e inatingível – uma pura essência que não admite descrição, pois a Essência Divina abrange todas as coisas, e, em verdade, o que abrange é maior que o abrangido; o circunscrito não poder conter aquilo que o circunscreve, nem compreender sua realidade. Por mais que a mente progrida, embora atinja o grau máximo da compreensão, alcance o limite de seus poderes de entendimento, verá apenas os sinais e atributos divinos manifestos no mundo da criação, e nada no mundo de Deus. Pois a essência e os atributos do Senhor da Unidade estão nas alturas da santidade, e por caminho algum pode a compreensão do homem aproximar-se desse estado. “O caminho está fechado, e a busca é proibida”.
A compreensão do homem, evidentemente, é uma qualidade de sua existência, e o próprio homem é um sinal de Deus. Como pode uma simples qualidade do sinal envolver o criador do sinal? Isto é, como pode o entendimento, que é uma qualidade da existência humana, compreender a Deus? A Realidade Divina, pois, está além de toda compreensão, está oculta das mentes de todos os homens. É absolutamente impossível ascender até àquele plano. Vemos que o ser inferior é incapaz de compreender a realidade do superior. Assim, a pedra, a terra, a árvore, por mais que evoluam, nunca hão de compreender a realidade do homem, nem imaginar suas faculdades de vista ou audição, ou seus outros sentidos, apesar de serem todos, igualmente, coisas criadas. Menos ainda poderá o homem – a criatura – abranger a realidade da pura Essência do Criador. Aquele plano não é acessível ao entendimento, desafia explicação, está muito além de qualquer poder de descrevê-lo. Que tem um átomo de pó com o mundo puro? Qual a relação entre a mente limitada e o mundo infinito? As mentes são incapazes de compreender a Deus; as almas confundem-se quando tentam explicá-Lo. “Os olhos não O vêem, mas Ele vê os olhos. Ele é o Onisciente, o Sábio.” (1)
Toda elucidação que se refere àquele plano da existência é, pois, inadequada; toda descrição e todos os louvores se mostram indignos; é vão qualquer conceito, é fútil toda a meditação. Reflete-se, porém, no mundo existente, aquela Essência das essências, aquela Verdade das verdades, aquele Mistério dos mistérios; tem Suas alvoradas, aparece com grande esplendor. Os lugares em que surgem esses esplendores, em que aparecem essas manifestações, são as Santas Alvoradas, as Realidades Universais, os Seres Divinos, sendo Eles os verdadeiros espelhos da sagrada Essência de Deus. Todas as perfeições, graças e esplendores emanados de Deus, estão visíveis e evidentes na Realidade dos Santos Manifestantes, assemelhando-se estes a espelhos polidos e límpidos, nos quais o sol resplandece com todas as suas graças e perfeições. Se dizemos que os espelhos são os manifestantes do sol, as alvoradas da Estrela Matinal, isso não quer dizer que o sol tenha descido das alturas da sua santidade e se incorporado ao espelho – que a Infinita Realidade se tenha limitado a esse lugar de Seu aparecimento. Deus nos defenda! Tal é a crença dos antropomorfitas. Não, todos os louvores, descrições e elogios referem-se aos Santos Manifestantes. Quer dizer: todas as descrições, as qualidades, os nomes e atributos que mencionamos, são aplicáveis aos Manifestantes Divinos, pois desde que ninguém atingiu jamais a Realidade da Essência Divina, não há quem possa descrever, explicar, ou lhe atribuir mérito ou glória. Tudo o que a realidade humana sabe, descobre e compreende com relação aos nomes, atributos e perfeições de Deus, refere-se a esses Santos Manifestantes. Nada mais nos é acessível: “O caminho está fechado, e a busca é proibida.”
Nós, entretanto, referimo-nos aos atributos da Realidade Divina, e queremos louvá-La dizendo que possui vista, audição, vida e conhecimento. Não provamos com isso as perfeições de Deus, mas apenas negamos que Ele seja capaz de uma imperfeição. Ao contemplarmos o mundo existente, vemos que a ignorância é imperfeição, e o conhecimento perfeição, e assim dizemos que a Santa Essência de Deus é sabedoria. A fraqueza é imperfeição, e o poder perfeição; dizemos, portanto, que a Santa Essência de Deus é o auge do poder. Não é que nós possamos compreender Seu conhecimento, Sua vista, Seu poder, ou Sua vida, pois tudo está além de nossa compreensão. Os nomes e atributos essenciais de Deus são idênticos à Sua Essência, e esta ultrapassa toda a compreensão. Se os atributos não são idênticos à Essência, deve haver uma multiplicidade de preexistências, desde que se diferencia entre atributos e Essência. Já que Preexistência é necessária, a seqüência de preexistências assim se tornaria infinita, o que seria, claramente, um erro.
Por conseguinte, todos esses atributos, nomes, louvores e elogios são aplicáveis apenas a Seus Manifestantes; fora disso, tudo o que imaginamos e supomos é pura fantasia, pois nenhum meio temos nós de compreender aquilo que é invisível e inacessível. É por isso que se diz: “Tudo que tendes distinguido pela ilusão de vossa fantasia, em vossas sutis imagens mentais, é apenas uma criação igual a vós, e a vós mesmos voltará.” Se quisermos, imaginar a Realidade Divina, tal imagem, é óbvio, será a coisa abrangida, enquanto nós somos quem a abrangeu, e certamente quem circunscreve é maior que a coisa circunscrita. Assim é claro, é certo, que, se imaginarmos uma Essência Divina fora dos Santos Manifestantes, será pura fantasia, pois qualquer outro caminho que leve para a Essência da Divindade é-nos vedado, e tudo o que nós imaginamos é apenas suposição.
Reflitamos, pois: vários povos do mundo movem-se em volta de imaginações, têm por ídolos seus próprios pensamentos, suas próprias conjecturas. Eles não o percebem; pensam ser o que imaginam aquela Realidade que está acima de toda compreensão e muito além de todas as descrições. Consideram-se a si próprios o povo da Unidade e aos outros como idólatras; mas ao menos os ídolos têm existência mineral, enquanto os pensamentos e imaginações que o homem adora não passam de fantasmas, nem sequer tendo existência mineral. Sede, pois, advertidos, Ó possuidores de percepção!
Saibamos que os atributos perfeitos, o esplendor das graças divinas e as luzes da inspiração, se acham visíveis e evidentes em todos os Santos Manifestantes; sendo, porém, que Cristo, o glorioso Verbo de Deus, e Bahá´u´lláh, o Nome Supremo, são Manifestantes que ultrapassam a imaginação, pois possuem todas as perfeições dos Manifestantes que vieram antes e, ainda mais, outras virtudes que tornam os Manifestantes anteriores dependentes Deles. Assim, todos os Profetas de Israel foram centros de inspiração, como Cristo também o foi, mas que diferença há entre a inspiração do Verbo de Deus e as revelações de Isaías, Jeremias e Elias!
Reflitamos: a luz é expressão das vibrações do éter, pelas quais são afetados os nervos dos olhos e disso resulta a vista. A luz da lâmpada, bem como a do sol, existe graças à vibração do éter, mas que grande diferença entre a luz do sol e das estrelas e a luz da lâmpada!
O espírito do homem manifesta-se, seja na condição embrionária, na infância, ou na maturidade, tornando-se resplandecente ao atingir a perfeição. O espírito é um só, mas no estado embrionário faltam-lhe as faculdades da vista e da audição. Em seu amadurecimento e perfeição é que manifesta o máximo brilho e esplendor. Assim também, a semente no começo forma folhas, e aqui o espírito vegetal aparece; na condição do fruto manifesta o mesmo espírito, isto é, o poder do crescimento atinge a maior perfeição, mas que diferença há entre o estado da folha e o do fruto! Pois deste se originam cem mil folhas, embora ambos, fruto e folha, cresçam e se desenvolvam graças ao mesmo espírito vegetal.
Observemos a diferença entre as virtudes e perfeições de Cristo, os esplendores e brilho de Bahá´u´lláh, e as virtudes dos Profetas hebraicos, como Ezequiel ou Samuel. Todos foram inspirados, mas há entre eles uma diferença infinita...




XXXVIII

AS TRÊS CONDIÇÕES DOS MANIFESTANTES DIVINOS


Saibamos que os Santos Manifestantes, embora possuidores de graus infinitos de perfeição, têm, falando-se em sentido geral, somente três condições. A primeira é a física; a segunda, a humana, ou a da alma racional; a terceira, a da graça divina, do esplendor celestial.
A condição física é fenomênica, uma composição de elementos, e tudo o que é composto está necessariamente sujeito à decomposição; é impossível que uma composição não se desintegre.
A segunda é a condição da alma racional, isto é, a realidade humana, a qual é também fenomênica, e pertence aos Santos Manifestantes como a toda a humanidade.
Devemos saber que, embora a alma humana tenha existido na terra durante longas épocas, não deixa de ser fenomênica. (1) Como é um sinal de Deus, uma vez vindo a existir, torna-se eterna. O espírito do homem teve começo, mas não tem fim, continua eternamente. Assim, também as espécies existentes sobre a terra são fenômenos pois é fato provado que houve um tempo em que não existiam na superfície da terra essas espécies. Ainda mais, a própria terra não existe desde sempre, se bem que sempre houvesse existência, pois o universo não se limita a este globo terrestre. A alma humana, embora tivesse começo, é imortal, imperecível, perpétua. O mundo das coisas, em comparação com o do homem, é o mundo da imperfeição; e o mundo do homem, comparado ao das coisas, é o mundo da perfeição. As imperfeições, desde que alcançaram o grau da perfeição, tornam-se eternas. (2) É preciso que compreendamos o significado deste exemplo.
A terceira condição é a do aparecimento divino, do esplendor celestial; é o Verbo de Deus, a Graça Eterna, o Espírito Santo. Não teve começo, nem terá fim, pois tais coisas são atributos deste mundo das contingências e não do mundo divino. Para Deus, o fim é igual ao princípio. Assim, o cálculo dos dias, semanas, meses e anos, de ontem e hoje, pertence ao globo terrestre, mas no sol não há tal coisa – não existem ontem, nem amanhã, não se conhecem meses ou anos – tudo é o mesmo. O Verbo de Deus, semelhantemente, transcende todas essas condições, está livre de restrições, das leis e dos limites deste mundo das contingências. A Realidade do Profeta, pois, a qual é o Verbo de Deus e o estado perfeito de manifestação, não teve começo nem terá fim; seu alvorecer é diferente de todos os outros, sendo como o do sol. Quando alvoreceu Cristo, por exemplo, teve o maior esplendor e brilho, e essa alvorada é eterna, imperecível. Vemos quantos reis conquistadores já viveram, quantos estadistas e príncipes, poderosos organizadores, os quais todos desapareceram, enquanto o sopro de Cristo ainda se faz sentir, Sua Luz resplandece, Sua melodia ressoa, Sua bandeira flutua, Seus exércitos combatem, e ainda se ouve Sua voz celestial, suave e harmoniosa, Suas nuvens derramam suas graças, Seu relâmpago cintila, Seu reflexo continua luminoso e radiante, Seu esplendor ainda brilha; e é o mesmo para aqueles que estão sob Sua proteção e refletem Sua Luz.
Evidentemente, pois, os Manifestantes possuem três condições: a física, a da alma racional, e a própria manifestação divina, do esplendor celestial. A condição física, certamente, decompor-se-á, enquanto a da alma racional, embora tivesse começo, não terá fim, sendo dotada de vida eterna; mas para a Santa Realidade, à qual se refere Cristo quando diz: “O Pai está no Filho”, não há começo nem fim. Quando falamos em começo, queremos nos referir à manifestação; simbolicamente, o estado de silêncio é como o do sono. Por exemplo, um homem adormece; depois, quando começa a falar, está acordado, mas, adormecido ou acordado, é sempre a mesma pessoa; nada o alterou em sua situação, seu prestígio, sua glória, realidade ou natureza. O estado de silêncio assemelha-se ao do sono, e o de manifestação ao da vigília. Um homem, esteja adormecido ou acordado, é o mesmo homem. É um estado o sono; é outro, a vigília. A época do silêncio é como a do sono, e a manifestação como a da vigília.
Diz o Evangelho: “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus.” Disso se deduz, claramente, não ter sido no momento do batismo – quando o Espírito Santo descia e pousava sobre Ele, em figura de pomba – que Cristo atingisse a condição de Messias e os atributos messiânicos. Não, o Verbo de Deus, ab eterno, está no grau máximo de santificação, e assim será por todos os séculos dos séculos.


XXXIX

A CONDIÇÃO HUMANA E A CONDIÇÃO ESPIRITUAL
DOS MANIFESTANTES DIVINOS


Dissemos que os Manifestantes têm três planos: primeiro, a realidade física, a qual depende do corpo; segundo, a realidade individual, isto é, a alma racional; terceiro, a própria manifestação divina, ou sejam as perfeições divinas que são a causa da própria existência, da educação do homem, de sua orientação, e do esclarecimento do mundo das contingências.
O estado físico é o estado humano, o qual perece, por ser composto de elementos, já que toda composição de elementos há necessariamente de se decompor e dispersar.
A realidade individual dos Manifestantes de Deus, todavia, é uma realidade santa, e em virtude de ser assim sagrada, sua natureza distingui-se de tudo mais. É semelhante ao sol, que por sua natureza essencial emite luz e não pode ser comparado à lua, ou é como as partículas que formam o globo solar, as quais não são comparáveis àquelas que compõem a lua. As partículas e a organização do sol produzem raios, o que não sucede no caso da lua, pois, em vez de produzir luz, ela necessita recebê-la. Assim os seres humanos assemelham-se à lua, a qual toma sua luz do sol, enquanto a Santa Realidade é luminosa por si mesma.
O terceiro plano desse Ser (1) é a Graça Divina, o esplendor da Beleza Preexistente, e o brilho da luz do Todo-Poderoso. As realidades individuais dos Manifestantes Divinos não se separam das Graças de Deus e do Esplendor Sublime, assim como são inseparáveis o orbe solar e a luz. Podemos dizer que a ascensão do Santo Manifestante é apenas o abandono dessa forma elementar. Se, por exemplo, uma lâmpada iluminar este nicho, e, mais tarde, em conseqüência da destruição do nicho, sua luz deixar de iluminá-lo, os benefícios da lâmpada não cessarão por isso. Numa palavra, nos Santos Manifestantes as Graças Preexistentes são como a luz, sua individualidade assemelha-se ao globo de vidro, e sua forma ao nicho. Ainda que o nicho seja destruído, a lâmpada continuará ardendo. Os Manifestantes Divinos são como espelhos diversos, pois cada um tem sua individualidade própria, mas o que se reflete nesses espelhos é um único sol. Quanto à Sua Realidade Individual, é claro que Cristo difere de Moisés.
Desde o princípio, de fato, essa Santa Realidade (1) conhece o segredo da existência, e desde Sua infância nela aparecem claramente os sinais de grandeza. Como seria possível, pois, o possuidor de todas essas graças e perfeições não possuir tal conhecimento?
Dissemos que os Santos Manifestantes têm três planos: a condição física, a realidade individual, e o centro em que aparece a perfeição: é como o sol, seu calor e sua luz. Os outros indivíduos têm o plano físico e o da alma racional – o espírito e a mente. (1) Assim as palavras: “Eu estava adormecido quando os sopros divinos passaram sobre mim, e despertei” são como as de Cristo: “O corpo está triste e o espírito está alegre” ou “Estou aflito”, “Estou tranqüilo”, ou “Estou perturbado.” Tudo isso se refere à condição física, nada tendo com a realidade individual nem com a manifestação da Realidade Divina. Vejamos quantos milhares de vicissitudes sobrevêm ao corpo do homem, sem que seu espírito, contudo, seja afetado; alguns membros do corpo podem até ficar completamente aleijados, mas a essência da mente permanece, é eterna. Mil acidentes podem acontecer a uma roupa, sem que aquele que a veste corra perigo. Estas palavras de Bahá´u´lláh: “Eu estava adormecido quando os sopros divinos passaram sobre mim, e despertei” referem-se ao corpo.
No mundo de Deus não há passado, nem futuro, nem presente; tudo é uma coisa só. Assim, quando Cristo disse: “No princípio era o Verbo”, isso quer dizer: era, é, e será, pois não existe tempo no mundo de Deus. O tempo tem domínio sobre as criaturas, mas não sobre Deus. Por exemplo, Ele diz na oração: “Santificado seja Teu nome”; isso quer dizer que “Teu Nome” era, é, e será santificado. Manhã, meio-dia e tarde são coisas referentes à terra; no sol, porém, não há manhã, nem meio-dia, nem tarde.


XL

O CONHECIMENTO DOS MANIFESTANTES DIVINOS


Pergunta – Um dos poderes possuídos pelos Manifestantes Divinos é o conhecimento: até que ponto está limitado?
Resposta – O conhecimento é de duas espécies: um objetivo e outro subjetivo; isto é, há um conhecimento derivado da percepção, e um outro que é intuitivo.
O conhecimento das coisas que os homens em geral possuem deriva da reflexão ou de evidências extrínsecas, sendo que formamos o conceito de um objeto mediante um poder mental, ou reproduzimos sua forma no espelho do coração após termos visto o objeto. Não é de grande alcance tal conhecimento, porque depende do resultado de nossos esforços.
A segunda espécie, porém, ou seja o conhecimento do ser, é intuitivo; é semelhante à consciência que o homem tem de si próprio. Por exemplo, a mente e o espírito do homem têm consciência das condições dos membros e partes que formam seu corpo, e de todas as sensações físicas, assim também percebendo seu poder, seus sentimentos e suas condições espirituais. É o conhecimento do ser que o homem atinge; pois o espírito abrange o corpo e é consciente de suas sensações e forças. Esse conhecimento não é resultado de esforços ou estudos; é algo que existe, é um dom absoluto.
Desde que as Santas Realidades, os Manifestantes universais de Deus, circunscrevem a essência e as qualidades das criaturas, transcendem e contêm as realidades existentes, e compreendem todas as coisas, o seu conhecimento é, pois, divino, e não adquirido – é um santo dom, uma revelação de Deus.
Daremos um exemplo, a fim de tornar compreensível este assunto. O mais nobre ser no mundo é o homem. Ele abrange o reino animal, o vegetal e o mineral; isto é, contém suas condições ou seus estados, possui-os, e é consciente de seus mistérios e dos segredos, de sua existência. Isso é apenas um exemplo, e não uma analogia. Numa palavra, os Manifestantes universais conhecem a realidade dos mistérios de tudo o que existe e assim estabelecem leis apropriadas, adaptáveis ao estado da humanidade; pois a religião é a conexão essencial que emana da realidade das coisas. O Manifestante, o Santo Legislador, a não ser que conheça esta realidade das coisas, não compreenderá a conexão essencial que emana de sua realidade e não poderá, certamente, estabelecer uma religião de acordo com os fatos e adaptada às circunstâncias. O Profeta de Deus, ou Manifestante universal, assemelha-se ao médico competente, sendo o mundo o corpo humano, e as leis divinas o remédio, ou tratamento. O médico deve conhecer todos os membros e partes do corpo, e também a constituição e o estado do paciente, para que possa prescrever um remédio eficaz contra o vírus da moléstia. De seus sintomas ele deduz o tratamento adaptável ao paciente, fazendo o diagnóstico e então prescrevendo o remédio para a doença. Se não descobrir o mal, como poderá ele prescrever o remédio e tratamento? O médico deve, pois, conhecer a fundo a constituição, os membros e órgãos, o estado do paciente, e também todas as moléstias e todos os remédios a fim de poder indicar o tratamento apropriado.
A religião é, pois, a conexão necessária que emana da realidade das coisas; e desde que os Manifestantes universais de Deus conhecem os mistérios da existência, Eles devem compreender esta conexão essencial e, graças a tal conhecimento, estabelecer a Lei de Deus.


XLI

OS CICLOS UNIVERSAIS


Pergunta – Qual é a verdadeira explicação dos ciclos que sucedem no mundo existente?
Resposta – Todos os corpos luminosos deste imenso firmamento têm seus ciclos, os quais variam em duração, girando cada um em sua própria órbita; e, uma vez completa sua revolução, um ciclo novo principia. Assim a terra, cada trezentos e sessenta e cinco dias, cinco horas, quarenta e oito minutos e alguns segundos, completa uma revolução, depois da qual se inicia um ciclo novo, ou melhor, o ciclo anterior renova-se. Assim também, para o universo inteiro, quer céus, quer homens, há ciclos de grandes acontecimentos, de ocorrências importantes. Ao findar um ciclo, outro começa, e o anterior, devido a esses acontecimentos importantes, é inteiramente esquecido, não restando dele traço ou recordação sequer. Vemos que não há documentos históricos de vinte mil anos atrás, embora já tenhamos provado ser a vida nesta terra muito antiga. Ela não tem cem mil anos, nem duzentos mil, nem ainda um milhão ou dois milhões de anos, mas é, sim antiqüíssima, havendo desaparecido completamente as provas e os vestígios antigos.
Assim também, cada um dos Manifestantes Divinos tem Seu ciclo, no qual são observados Seus mandamentos e Suas leis, e quando termina este, com a vinda de um novo Manifestante, um ciclo novo se inicia. Deste modo os ciclos principiam e atingem seu fim, depois do que se renovam, até ser consumido no mundo um ciclo universal. Então haverá grandes acontecimentos, ocorrências importantes, que apagarão todo e qualquer traço do passado, não deixando uma recordação sequer. Assim terá início no mundo um novo ciclo universal. Este universo não teve começo, mas já que demos provas sobre este assunto, não precisamos repeti-las.
Numa palavra, diremos que um ciclo universal no mundo existente significa grande duração de tempo – inúmeros períodos, eras incalculáveis. No decorrer de tal ciclo, os Manifestantes aparecem com esplendor no reino visível, até que um grande Manifestante universal faz do mundo o centro de Seu brilho. Graças à Sua Manifestação, o mundo atinge a maturidade, e a extensão de Seu ciclo é vasta. Outros Manifestantes surgirão depois, à Sua sombra, e renovarão, de acordo com as necessidades do tempo, certos mandamentos relativos aos assuntos e questões materiais, permanecendo sempre, porém, à Sua sombra.
Estamos no ciclo iniciado em Adão, e seu Manifestante universal é Bahá´u´lláh.


XLII

O PODER E A INFLUÊNCIA DOS MANIFESTANTES DIVINOS


Pergunta – Qual o grau do poder e das perfeições dos Tronos da Realidade, ou Manifestantes de Deus, e que limite tem Sua influência?
Resposta – Consideremos o mundo existente, o mundo das coisas materiais. O sistema solar é obscuro, tenebroso, mas recebe luz de seu centro, o sol, ao redor do qual giram todos os seus planetas e de cujos benefícios eles participam. O sol é a causa de vida e iluminação; é o meio de crescimento e desenvolvimento de todos os seres de seu sistema. Não fossem os benefícios do sol, ser algum existiria; predominariam a treva e a destruição. É claro, pois, que o sol é o centro de luzes e a fonte de vida para os seres do sistema solar.
De modo idêntico, os Santos Manifestantes de Deus são focos da luz da Realidade, fontes dos Mistérios, e das graças do amor. Resplandecem no mundo dos corações e pensamentos, irradiam Suas graças eternas sobre o mundo espiritual, concedem a vida do espírito e brilham com luz verdadeira, a luz da realidade. Desses focos de luz, dessas fontes de mistérios, emana a iluminação do mundo. Não fossem os ensinamentos desses Seres e as graças de Seu esplendor, o mundo das almas e dos pensamentos estaria submerso em escuridão impenetrável. Sem os irrefutáveis ensinamentos dessas Fontes de mistérios, o mundo humano tornar-se-ia pasto de apetites e imperativos animais e a própria existência seria uma ilusão – não haveria vida verdadeira. Eis porque diz o Evangelho: “No princípio era o Verbo”, pois o Verbo deu início a toda a vida.
Consideremos agora a influência do sol sobre os seres terrestres: certas condições resultam, evidentemente, da posição solar – sua proximidade ou seu afastamento, sua alvorada ou seu ocaso. Em determinada época é outono, em outra é primavera, e em outras é verão, ou inverno. Quando o sol passa a linha do Equador, vem a primavera, trazendo vida e esplendor, e depois, no estio, as frutas atingem o auge da perfeição, os cereais amadurecem – todos os seres terrestres alcançam o grau máximo de desenvolvimento.
Assim também, quando o Santo Manifestante de Deus – o sol do mundo de Sua criação – brilha sobre as almas, iluminando-lhes os pensamentos e os corações, é a primavera espiritual: dá início a uma vida nova, e o poder da estação primaveril traz todas as suas maravilhas, seus benefícios admiráveis. Ao aparecer um Manifestante de Deus, como já observamos, um progresso extraordinário ocorre nos planos intelectual e espiritual. Nesta era divina, por exemplo, constatemos o desenvolvimento já atingido, e lembremo-nos de que isto é apenas o alvorecer. Vereis que, dentro em breve, novas graças e divinos ensinamentos iluminarão este mundo escuro, transformando suas regiões sombrias num paraíso, num Éden.
Fôssemos expor os sinais e as dádivas de cada um dos Santos Manifestantes, requereríamos demasiado tempo. Pensai e refleti, por vós mesmos, de modo a atingirdes a verdade do assunto.


XLIII

AS DUAS CLASSES DE PROFETAS


Pergunta – Quantas espécies de Profetas há?
Resposta – Universalmente os Profetas são de duas espécies: os independentes, com seguidores, e os dependentes, seguindo os primeiros.
O Profeta independente é o legislador, e inicia um novo ciclo. Com Seu aparecimento, o mundo adorna-se de vestes novas, estabelecem-se as bases da religião, e um Livro novo é revelado. Ele, sem intermediário, recebe as graças da Realidade Divina – Sua iluminação é uma iluminação essencial. É como o sol, que resplandece por si mesmo e não recebe luz de outro astro, sendo sua própria luz uma necessidade essencial. Esses Seres em que alvorece a Unidade são as fontes da Graça, os Espelhos da Essência da Realidade.
Os outros Profetas seguem e dão-lhes seu apoio, pois são apenas ramos, não tendo independência, recebem a Graça dos Profetas universais. Assemelham-se à lua, que não é luminosa e radiante por si mesma, mas recebe do sol a sua luz.
Os Manifestantes dotados da qualidade de Profeta universal, que tenham aparecido independentemente, são, por exemplo, Abraão, Moisés, Cristo, Maomé o Báb e Bahá´u´lláh, enquanto os outros, Seus seguidores e apóstolos, são como Salomão, David, Isaías, Jeremias, e Ezequiel. Pois os Profetas independentes são fundadores; estabelecem uma nova religião e fazem dos homens criaturas novas; modificam a moral, promovendo novos costumes e instituições; renovam o ciclo e a Lei. Sua vinda é como a da primavera, que adorna de novas vestimentas os seres terrestres e lhes concede uma vida nova.
Os Profetas que pertencem à segunda categoria, seguidores dos primeiros, também promovem a Lei Divina, tornam conhecida a Religião de Deus, e proclamam Sua Palavra. Não manifestam, no entanto, poder e grandeza próprios – só têm o que recebem dos Profetas independentes.
Pergunta – Qual a categoria de Buda e Confúcio?
Resposta – Buda também estabeleceu uma nova religião, e Confúcio renovou a moral e as antigas virtudes, mas suas instituições foram completamente destruídas. As crenças e os ritos dos budistas e confucionistas já não são conformes aos ensinamentos de seus fundadores. Buda foi uma alma maravilhosa. Estabeleceu a Unidade de Deus, mas gradualmente desapareceram os princípios originais de Suas doutrinas, sendo eles substituídos por cerimônias e costumes retrógrados, ao ponto de prevalecer finalmente a adoração a estátuas e imagens.
Ora, consideremos: Cristo frisou repetidas vezes a necessidade de serem seguidos os dez mandamentos do Pentateuco – insistiu em que fossem mantidos. Diz um destes mandamentos: “Não adorarás quadro ou imagem”. Existem hoje, em algumas igrejas cristãs, muitos quadros e imagens. Assim vemos claramente que a Religião de Deus não mantém entre o povo seus princípios originais, mas se modifica e altera até ser completamente destruída. Vem, por isso, um novo Manifestante a fim de estabelecer uma religião nova. Se não houvesse essas alterações na religião, não haveria necessidade de renová-la.
A árvore, no começo de sua existência, manifestava grande beleza, estando florida, depois cheia de frutos, mas, afinal, envelheceu, tornou-se inteiramente infrutífera, murchou, e decaiu. Por isso, o Verdadeiro Jardineiro planta uma árvore nova da mesma espécie, de incomparável beleza, que cresce e se desenvolve dia a dia, sombreia o jardim divino e dá frutos admiráveis. Assim as religiões, com o decorrer do tempo, desviam-se de sua base original, a tal ponto que a verdade da Religião divina desaparece completamente, seu espírito não persiste, surgem heresias, e resta, afinal, apenas um corpo sem alma. É por isso que se renova a Religião.
Os budistas e confucionistas adoram atualmente imagens e estátuas, esquecendo-se da Divina Unidade e acreditando em deuses imaginários, do mesmo modo que os gregos antigos. De início, porém, não era assim; seus princípios eram diferentes, suas leis outras.
Vemos até que ponto estão esquecidos os princípios da religião de Cristo, e quantas heresias já surgiram. Cristo proibiu a vingança, por exemplo, mandando, ainda mais, retribuir com benevolência e misericórdia a injúria e o mal. Ora reflitamos: entre as próprias nações cristãs, quantas guerras sanguinárias já houve – quanta opressão, crueldade, capacidade e sede de sangue! Muitas dessas guerras foram travadas por ordem dos Papas. É claro, pois, que com a passagem do tempo, as religiões são alteradas, mudam totalmente. São por isso renovadas.


XLIV

EXPLICAÇÃO DAS REPREENSÕES QUE DEUS
DIRIGE AOS PROFETAS


Pergunta – Os Livros Sagrados contêm algumas repreensões dirigidas aos Profetas. Para quem é a censura?
Resposta – Todos os discursos divinos contendo repreensões, embora sejam realmente para o povo, são dirigidos em aparência aos Profetas, por uma sabedoria que é absoluta misericórdia, a fim de que o povo não se desanime ou desalente. É por isso que parecem ser dirigidos aos Profetas, mas em verdade o são para o povo, e não para os Profetas.
Além disso, o rei poderoso e independente representa seu país; o que ele diz é dito por todos, qualquer pacto que ele faça é como se todos os fizessem, pois os seus desejos, a sua vontade, encerram os desejos e a vontade de todos os seus súditos. Assim também, todo Profeta é a expressão do povo inteiro e, portanto, as promessas e os discursos que Deus lhe dirige são dirigidos a todos. A linguagem da reprovação é geralmente muito severa para o povo, e lhe afligiria demais o coração. Assim, a Perfeita Sabedoria adota tal modo de falar, como se encontra na Bíblia, por exemplo, quando os filhos de Israel se rebelaram e disseram a Moisés: “Nós não podemos lutar contra os amalecitas, porque eles são poderosos, fortes e valentes.” Deus então repreendeu a Moisés e Abraão, embora a obediência de Moisés fosse completa e Ele jamais se rebelasse. De certo, tão grande homem – o mediador da Graça de Deus, incumbido de transmitir Sua Lei – há necessariamente de obedecer aos Seus mandamentos. Esses Santos Seres são como as folhas de uma árvore, movida pelos sopros do vento e não pelo Seu próprio desejo, pois impelem-nos os sopros do amor de Deus, e a Ele esses seres submetem, de modo absoluto, a vontade própria. As palavras que proferem são as palavras de Deus, Seus mandamentos são os de Deus, e qualquer proibição que façam é proibição de Deus. São como o globo de vidro que recebe luz da lâmpada; embora a luz pareça emanar do vidro, é realmente da lâmpada que se irradia. Assim também o movimento e o repouso dos Profetas de Deus, ou centros de manifestação, procedem da inspiração divina e não das paixões humanas. Doutro modo, como seria o Profeta digno de confiança? Como poderia Ele ser o Mensageiro de Deus, e transmitir Seus mandamentos e Suas proibições? Eis a explicação de todos os defeitos que nos Livros Sagrados são atribuídos aos Manifestantes.
Louvado seja Deus por terdes vindo aqui e conhecido os servos de Deus! Tereis percebido neles outra coisa senão a fragrância de Seu beneplácito? Não, em verdade. Com os próprios olhos tendes visto quanto se esforçam e luta, sem outro objetivo senão o de enaltecer a Palavra de Deus, de instruir os homens, melhorar as condições das massas, incentivar o progresso espiritual, e promover a paz universal, a boa vontade entre todos os seres humanos e benevolência para com todas as nações. Sacrificam-se pelo bem da humanidade, renunciando a todas as vantagens materiais; empenham-se em dotar de virtudes o gênero humano.
Mas voltemos ao nosso assunto. Diz o Velho Testamento, por exemplo, o Livro de Isaías, capítulo XLVIII versículo 12: “Dá-me ouvidos, ó Jacob, e tu, ó Israel, a quem chamei: Eu sou o mesmo, Eu o primeiro, Eu também o último.” Evidentemente, isso não significa que Jacob fosse Israel mas refere-se ao povo de Israel. Também no Livro de Isaías, capítulo XLIII, versículo 1, lemos: “Porém agora, assim diz o Senhor que te criou, O Jacob, e que te formou, O Israel: Não temas, porque Eu te remi; chamei-te pelo teu nome; tu és Meu.”
E mais; em Números, capítulo XX, versículo 23: “E falou o Senhor a Moisés e a Arão no monte de Hor, na costa da terra de Edom, dizendo: Arão recolhido será a seus povos, porque não entrará na terra que tenho dado aos filhos de Israel, porquanto rebeldes fostes à minha boca, junto às águas de Meribah”; e no versículo 13: “Estas são as águas de Meribah, porque os filhos de Israel contenderam com o Senhor: e se santificou neles:” Vemos que o povo de Israel foi quem se rebelou; no entanto, a censura foi, aparentemente, dirigida a Moisés e Arão. No Livro de Deuteronômio, capítulo III, versículo 26, está escrito: “Porém o Senhor indignou-se muito contra mim por causa de vós, e não me ouviu; antes me disse: Baste-te, não Me fales mais nisto.”
Ora, esse discurso e essas repreensões eram realmente para os filhos de Israel porque se haviam rebelado contra o mandamento de Deus, permanecendo, em conseqüência, durante muito tempo, cativos no deserto, do outro lado Jordão, até o tempo de Josué – bendito seja! Essas censuras, pois, destinaram-se ao povo de Israel, embora parecessem ser para Moisés e Arão.
No alcorão palavras semelhantes são dirigidas a Maomé: “Nós te concedemos uma vitória manifesta, para que Deus te perdoe os pecados, tanto os precedentes como os subseqüentes.” (1) Estas palavras, se bem que dirigidas, aparentemente, a Maomé, foram na realidade para o povo inteiro. Usou-se tal modo de falar, segundo a perfeita sabedoria de Deus, como já dissemos, para que os corações do povo não se tornassem confusos, ansiosos, e atormentados.
Quantas vezes em Suas preces os Profetas de Deus e Seus Manifestantes universais confessam Seus pecados e defeitos! Assim fazem somente para ensinar aos homens, para animá-los, incutir-lhes a humildade e a submissão, e induzi-los a confessar os defeitos e pecados. Pois esses Santos Seres são puros, sem pecado, livres de qualquer defeito. Relata o Evangelho que veio um homem a Cristo e o chamou de “Bom Mestre”, ao que Cristo replicou: “Por que me chamas bom? Não há bom senão um só, que é Deus.” Não significa isto ser Cristo um pecador – Deus nos defenda! Apenas queria Ele ensinar ao homem com quem falava a submissão, a humildade, a brandura e a modéstia.
Estes Santos Seres são luzes, e a luz não se une com a treva; são vida, a qual não se confunde com a morte; vêm a fim de guiar ao caminho certo, onde não se admite o erro; corporificam a obediência, a cujo lado não pode existir a rebelião.
Em suma, embora as repreensões contidas nos Livros Sagrados pareçam ser dirigidas aos Profetas ou Manifestantes de Deus, não o são realmente; destinam-se ao povo. Isso percebemos claramente quando examinamos com diligência os Livros Sagrados...


XLV

EXPLICAÇÃO DO VERSÍCULO DO KITÁB-I-AQDAS:
“NÃO HÁ ASSOCIADO PARA O ALVORECER DO MANDAMENTO
NA SUPREMA IMPECABILIDADE


Diz o sagrado versículo: “Não há associado para o Alvorecer do Mandamento na Suprema Impecabilidade. Em verdade, Ele é Quem manifesta “Ele faz o que deseja” no reino da criação. Verdadeiramente, Deus reservou para Si Próprio esta condição inviolável, a ninguém permitindo dela compartir.”
Saibam que há duas espécies de impecabilidade: a essencial e a adquirida, assim como no caso de outros atributos: por exemplo, o conhecimento essencial e o adquirido. A impecabilidade essencial é peculiar ao Manifestante universal, pois é Seu essencial requisito, e um requisito essencial não pode ser separado da própria coisa. Os raios são a necessidade essencial do sol, e lhe são, pois, inseparáveis. O conhecimento é necessidade essencial de Deus e é inseparável Dele. O poder é necessidade essencial de Deus, e Dele, portanto, é inseparável. Se pudesse ser separado, Ele não seria Deus. Pudessem os raios se separar do sol, este deixaria de ser o sol. Se, pois, alguém imaginasse a possibilidade de se separar do Manifestante Universal a Impecabilidade Suprema, não seria Ele o Manifestante universal carecendo assim das perfeições essenciais.
A impecabilidade adquirida, porém, não é necessidade natural; ao contrário, é um raio da graça da Impecabilidade que brilha do Sol da Realidade sobre os corações, concedendo às almas uma parte de si próprio. Embora estas almas não tenham impecabilidade essencial, estão, no entanto, sob a proteção de Deus; isto é, Deus as preserva do pecado. Assim muitos dos sagrados seres nos quais não havia alvorecido a Suprema Impecabilidade, foram guardados e preservados do pecado, entretanto, à sombra da proteção divina, pois eram os mediadores de graça entre Deus e os homens. Se Deus não os protegesse do erro, seu erro levaria as almas crentes a caírem no erro, e assim o fundamento da Religião Divina seria derrubado, o que não seria próprio nem digno de Deus.
Em epítome: a impecabilidade essencial pertence sobretudo aos Manifestantes universais, enquanto a adquirida é quinhão de toda alma santa. Por exemplo, a Casa Geral da Justiça, se for estabelecida segundo as condições necessárias – com os membros eleitos por todos – tal Casa da Justiça estará sob a proteção e a guardiania de Deus. Se esta Casa de Justiça decidir unanimemente, ou por maioria, um assunto não mencionado no Livro, (1) sua decisão será guardada de erro. Ora, os membros da Casa da Justiça, individualmente, não têm impecabilidade essencial, mas o organismo da Casa da Justiça está sob a proteção de Deus. Isto se chama infalibilidade conferida.
Em suma, diz-se que o “Alvorecer do Mandamento” é a manifestação das palavras, “Ele faz o que deseja”; é condição peculiar àquele Santo Ser, não podendo os outros participar dessa perfeição essencial. Quer isso dizer, como os Manifestantes universais possuem, certamente, a impecabilidade essencial, o que Deles emana é verdadeiro, está de acordo com a realidade. Não estão Eles à sombra das leis anteriores. O que dizem é a palavra de Deus, e todo ato Seu é um ato justo. Nenhum crente tem o direito de criticar; seu estado deve ser o da submissão absoluta, pois o Manifestante se ergue com perfeita sabedoria.
Assim, pois, tudo o que o Manifestante universal diz e faz é sabedoria absoluta, está em harmonia com a realidade. Se algumas pessoas não compreendem o significado secreto de um de Seus mandamentos ou atos, não lhe devem fazer objeção, pois o Manifestante universal age segundo Sua própria vontade. Quantas vezes acontece, quando um homem de grande inteligência e perfeita sabedoria faz uma coisa, que outros incapazes de compreender a razão de seu ato se admiram de haver um homem sábio falado ou agido de tal maneira. Essa oposição deriva da ignorância de tais pessoas; a sabedoria do sábio é pura e isenta de erro. Da mesma forma, o médico perito, ao tratar o paciente, “faz o que deseja”, e o paciente não tem o direito de fazer objeção; o que o médico diz e faz está certo; todos devem considerá-lo a manifestação destas palavras, “Ele faz o que deseja e manda como Lhe apraz”. Certamente, o médico fará uso de algum medicamento contrário às idéias de outrem, mas àqueles não versados na ciência e na arte da medicina é vedada a objeção. Não, em nome de Deus! Todos devem ser submissos e cumprir tudo o que o médico perito manda. Assim o médico hábil “faz o que deseja”, e os pacientes não participam deste direito. Deve-ser verificar primeiro a habilidade do médico, mas uma vez estabelecida esta, “Ele faz o que deseja.”
De igual modo, quando o comandante-chefe de um exército é sem rival na arte da guerra, no que ele diz e manda “faz o que deseja”. Se o capitão de um navio é proficiente na arte da navegação, em tudo o que diz e manda, “faz o que deseja”. E como o verdadeiro educador é o Homem Perfeito, “Ele faz o que deseja” em tudo o que diz e ordena.
Em suma, é este o significado de “Ele faz o que deseja”: se o Manifestante diz alguma coisa, dá uma ordem ou realiza um ato, e os crentes não compreendem sua razão, ainda não se lhe devem opor, nem por um simples pensamento sequer, procurando saber por que Ele falou assim ou procedeu de tal modo. As outras almas abrigadas à sombra dos Manifestantes universais, submetem-se àquilo que a Lei de Deus ordena, não devendo dela se desviar nem pela largura de um cabelo. Com a Lei Divina devem elas conformar seus atos e suas palavras. Pelo mínimo desvio serão responsáveis, e na Presença de Deus serão reprovadas. Certo é que não participam do direito de “Ele faz o que deseja”, pois esta condição é peculiar aos Manifestantes universais.
Assim Cristo – Oxalá meu espírito Lhe seja sacrificado! – foi a manifestação destas palavras: “Ele faz o que deseja”, mas os discípulos não compartilharam desta condição, pois estando à sombra de Cristo, não puderam desviar-se de Seus mandamentos e Sua vontade.






PARTE IV


A ORIGEM, OS PODERES E AS CONDIÇÕES
DO HOMEM


XLVI

A MODIFICAÇÃO DAS ESPÉCIES


Passemos agora ao assunto da modificação das espécies e do desenvolvimento orgânico: isto é, ao ponto de verificar se o homem descende do animal.
Essa teoria encontrou aceitação no espírito de alguns filósofos europeus, de modo que agora é muito difícil fazer-se entender sua falsidade, mas futuramente será muito fácil, vindo os próprios filósofos europeus a perceber seu erro. Pois é, de fato, um erro evidente.
Quando o homem contempla atentamente a criação, examina as condições dos seres, e vê o estado, a organização e a perfeição do mundo, convence-se de que, no reino do possível, nada há mais maravilhoso que aquilo já existente. Pois todos os seres que existem, sejam terrestres ou celestiais, como também esse espaço ilimitado e tudo o que nele está, foram criados segundo a devida ordem e combinação, sendo dispostos e aperfeiçoados precisamente como deviam ser. O universo não tem imperfeição. Se todos os seres se tornassem pura inteligência e meditassem perpetuamente, ser-lhes-ia impossível imaginar algo melhor do que aquilo que existe.
Se no passado a criação não fora adornada com a máxima perfeição, a existência teria sido imperfeita e sem sentido: a criação teria sido incompleta. Esse assunto deve ser considerado muito atenta e refletidamente. Por exemplo, imaginemos que o mundo da possibilidade, isto é, o mundo da existência, se assemelhe, de um modo geral, ao corpo humano. Se fossem diferentes essa composição, organização, beleza e perfeição que existem atualmente no corpo humano, isso seria absoluta imperfeição. Ora, se imaginarmos um tempo em que o homem tenha pertencido ao mundo animal, sendo animal simplesmente, concluiremos ter sido imperfeita sua existência; noutros termos, não teria havido o homem. O membro principal, correspondendo no corpo do mundo ao cérebro e mente no homem, teria faltado. O mundo assim teria sido absolutamente imperfeito. Evidentemente, pois, se houvesse um tempo em que o homem permanecesse estritamente no reino animal, a perfeição da existência seria destruída, pois o homem é o principal membro, deste mundo, e o corpo privado de seu membro principal seria certamente imperfeito. Dizemos ser o homem o membro supremo, porque, entre as criaturas, ele é a soma de todas as perfeições que existem. Ao falarmos em homem, queríamos nos referir ao ser perfeito, preeminente no mundo, que reúne em si as perfeições espirituais e visíveis, um verdadeiro sol entre os seres. Imaginemos um tempo em que o sol não existisse, ou fosse apenas um planeta – quanta desordem isso haveria de causar nas relações dos seres? Como podemos imaginar tal coisa? Para quem examina o mundo existente, o que já dissemos basta.
Há outra prova mais sutil. É fato conhecido ser composto de elementos cada um dessa infinidade de seres que habitam o mundo, quer seja homem, animal, vegetal ou mineral. Segundo a criação divina, essa perfeição inerente a todos os seres, sem dúvida, deriva da composição dos elementos, de sua combinação apropriada, em quantidades proporcionais, e também da maneira de sua composição, e da influência dos outros seres – porque todos os seres estão ligados, como os elos de uma corrente – e o auxílio e a influência recíprocos, próprios das coisas, são o que condicionam a existência, o desenvolvimento e o crescimento dos seres criados. Existem evidências indiscutíveis de que cada ser atua universalmente sobre os demais seres, seja de um modo direto, ou por associação. Enfim, a perfeição de cada ser individual – a perfeição manifesta atualmente no homem ou nos outros seres – no tocante aos seus átomos, membros ou poderes, é devida à composição dos elementos, à sua medida, ao seu equilíbrio, ao método de sua combinação, e à influência recíproca. Quando todos esses elementos se encontram reunidos, o homem existe.
Desde que a perfeição do homem é devida inteiramente, pois, à composição dos átomos – os quais por sua vez compõem os elementos, dependendo de sua medida, do método de sua combinação, e da influência e ação recíprocas dos diferentes seres, e, desde que o homem, há dez mil ou há cem mil anos passados foi feito desses elementos terrestres, na mesma medida e com o mesmo equilíbrio, pelo mesmo método de combinação e pela mesma influência dos outros seres, segue-se que o mesmo homem existiu então exatamente como agora. Isso é claro e não merece discussão. Se daqui a cem milhões de anos esses elementos do homem forem reunidos, dispostos nessa proporção especial, combinados segundo o mesmo método, e sujeitos à mesma influência dos outros seres, existirá exatamente o mesmo homem. Por exemplo, se daqui a cem mil anos houver querosene, fogo, um pavio, uma lâmpada, e quem a acenda – numa palavra, se houver todos os requisitos que agora existem, existirá exatamente a mesma lâmpada.
Estes são fatos claros e concludentes, enquanto os argumentos usados por aqueles filósofos europeus apresentam provas duvidosas e não concludentes.



XLVII

O UNIVERSO NÃO TEVE COMEÇO
A ORIGEM DO HOMEM


É uma verdade, embora das mais obscuras, que o mundo da existência – este universo infinito, não teve começo.
Já explicamos que os próprios nomes e atributos da Divindade pressupõem a existência dos seres. Não obstante haver sido esse assunto já explicado com minúcias, falaremos dele novamente em forma resumida. De fato, é impossível imaginarmos um educador sem alguém que receba a educação, ou um monarca sem súditos, ou um mestre sem discípulos; um criador sem criatura é inconcebível, como também o é um provedor sem que exista alguém beneficiado. Todos os nomes e atributos divinos implicam a existência de seres. Se pudéssemos conceber um tempo em que não existissem seres, tal conceito encerraria a negação da divindade de Deus. Além disso, a inexistência absoluta não pode tornar-se existência. Se os seres houvessem sido absolutamente inexistentes, a existência não teria vindo a se realizar. Como, pois, a Essência da Unidade, isto é, a existência de Deus, é duradoura, eterna – não tendo começo nem fim – é certo também que não há para esse mundo existente, esse infinito universo, nem começo nem fim. Pode acontecer, é verdade, que uma das partes do universo, um dos astros, por exemplo, venha a existir ou a decompor-se, mas ainda existiram outros astros sem conta; o universo não seria destruído por isso, nem perderia sua ordem. Não, a existência é perpétua, é eterna. Como todo astro teve seu começo, terá forçosamente seu fim, desde que toda a composição – seja coletiva, ou individual – há de se desfazer. A única diferença é que algumas se decompõem rapidamente, e outras com lentidão, mas é impossível que um ser composto não venha a decompor-se.
Devemos saber, portanto, o que era, a princípio, cada uma das existências, pois, sem a menor dúvida, a origem foi uma só, assim como a origem de todos os números é um, e não dois. Evidentemente, a matéria foi uma, desde o começo e, em cada elemento, esta mesma matéria aparecia sob aspectos diferentes, sendo assim produzidas várias formas; e esses aspectos diversos, à medida que se produziam, tornavam-se constantes, sendo cada elemento especializado. Essa constância, porém, não era definida; só depois de muito tempo atingiu plena realização, ou existência perfeita. Esses elementos vinham então a se compor, organizar e combinar uma infinidade de formas; ou melhor, resultaram da combinação desses elementos, inúmeros seres.
Através da sabedoria de Deus e Seu preexistente poder, essa composição foi produzida de uma só organização natural, combinada com a máxima força, segundo uma lei universal e sábia. Assim, claro está, tudo é uma criação de Deus, e não composição ou organização fortuita. Portanto, de toda composição natural um ser vem a existir, mas de uma acidental, ser algum pode resultar. Se um homem, por exemplo, pela sua própria inteligência, reunir e combinar alguns elementos, não virá daí um ser vivo, por não ser este o método natural. Aqui está a resposta à pergunta: “Por que, se os seres são resultantes da composição, da combinação dos elementos, não podemos nós reuni-los, combiná-los, e assim criar um ser vivo?” Não o podemos, porque a origem da composição é divina – Deus é quem a faz, e desde que seja feita pelo sistema natural, um ser resulta de cada composição – uma existência realiza-se. Resultado algum haverá, porém, de uma composição de autoria humana, porque o homem não pode criar.
Numa palavra, já dissemos que as formas, as infinitas realidades e os inúmeros seres derivam da composição e combinação dos elementos, nas devidas proporções e também da própria decomposição, e da ação de outros seres sobre eles. Este globo terrestre – é claro – não apareceu logo de uma vez em sua forma atual, mas sim, gradativamente, esta existência universal veio atravessando fases diversas até atingir sua presente perfeição. Os seres universais são semelhantes aos individualizados, pois ambos estão sujeitos a um mesmo sistema natural, a uma mesma lei universal e organização divina. Verificamos, então, serem os mais pequeninos átomos do sistema universal similares aos maiores seres do universo. É claro que derivam de um mesmo laboratório de poder, segundo o mesmo sistema da natureza e uma lei única universal, e, por conseguinte, são comparáveis uns aos outros. O embrião humano no ventre materno cresce e se desenvolve gradativamente, aparecendo sob formas e condições diversas, até atingir seu pleno desenvolvimento – época em que manifesta a máxima formosura e graça, em que adquire uma forma perfeita.
Assim, a semente desta flor que vemos era, a princípio, uma coisa insignificante, muito pequenina; cresceu, porém, desenvolveu-se no ventre da terra e, depois de assumir várias formas, atingiu seu estado atual de perfeito viço e encanto. Da mesma maneira, evidentemente, este globo terrestre, uma vez tendo vindo a existir, cresceu, desenvolveu-se no ventre do universo, aparecendo em formas e condições diversas, alcançando pouco a pouco sua perfeição atual, adornando-se com inúmeros seres, até que atingiu um grau consumado de organização.
Está claro, pois, que a matéria original no estado embrionário, e suas formas primitivas, resultante da reunião e composição dos elementos, cresceram gradativamente, evoluindo por muitas épocas e ciclos, passando de uma a outra forma, até manifestarem, afinal, a perfeição, o sistema, a ordem e a organização atuais, graças à suprema sabedoria de Deus.
Voltemos ao nosso assunto: o homem no começo de sua existência, nas entranhas da terra, semelhante ao embrião no ventre materno, cresceu e desenvolveu-se gradativamente, passando de uma a outra forma e condição, até atingir seu presente estado de perfeição, formosura, força e poder. É certo que não possuía desde o princípio esse encanto, essa graça e essa excelência, mas só aos poucos adquiriu sua forma atual tão bela e graciosa. Indubitavelmente, o embrião humano não apareceu logo de início nessa forma – não era desde o começo símbolo das palavras: “Louvado seja Deus, o melhor dos criadores.” Só aos poucos, atravessando várias condições e aspectos diversos, veio a atingir essa perfeição, esse belo aspecto, com sua graça e seu encanto. Assim é claro, é indiscutível, que o desenvolvimento do homem na terra, até alcançar sua perfeição atual, é comparável ao do embrião no ventre materno: passou gradativamente, de um a outro estado, de uma a outra forma, estando isso de acordo com as exigências do sistema universal e da Lei Divina.
Por outras palavras, o embrião atravessa estados diferentes e graus numerosos antes de manifestar os sinais do raciocínio e da madureza, quando alcança a forma que justifica esta glorificação: “Louvado seja Deus, o melhor dos criadores.”
Do mesmo modo, o homem na terra atravessou muitos graus em sua caminhada desde o princípio até seu estado atual, sua forma e suas condições presentes, e isso levou necessariamente muito tempo. O homem é, entretanto, desde o começo de sua existência, espécie distinta, justamente como o embrião humano no ventre materno. Embora o embrião, a princípio, tivesse uma forma estranha, passando em seguida de um a outro aspecto, de um a outro estado, até adquirir a máxima formosura e perfeição, era ainda aí – apesar de tão estranha forma, completamente diferente de sua forma ulterior – embrião de espécie humana, e não de animal. A espécie e a essência não mudam. E ainda que se admita existirem realmente vestígios de órgãos já desaparecidos, isso não constitui prova da inconstância da espécie; não prova que ela não seja original. Indica, quando muito, que a forma, a aparência e os órgãos do homem têm progredido. O homem foi sempre espécie distinta – homem, e não animal. Se, pois, o embrião humano no ventre materno, passa de uma a outra fase, de tal modo que a segunda não se parece com a primeira, será isso prova de que a espécie tenha mudado, tendo sido primeiramente animal e depois, com o progresso e desenvolvimento de seus órgãos, se tornado homem? Certamente que não! Quão pueril e sem base é tal idéia, tal pensamento! A originalidade da espécie humana, a constância da natureza do homem, é clara e evidente.





XLVIII

A DIFERENÇA QUE EXISTE ENTRE O HOMEM
E O ANIMAL


Falamos já uma ou duas vezes sobre o assunto do espírito, mas nossas palavras não foram escritas.
Há duas categorias de pessoas, ou dois grupos. Um nega a existência do espírito e diz que o homem também é uma espécie de animal, pois – perguntam eles – não vemos que os animais e os homens participam dos mesmos poderes e sentidos? Esses elementos simples, singelos, que enchem o espaço, formam uma infinidade de combinações, de cada uma das quais um ser é produzido. Entre eles figura o possuidor de espírito, (1) de sentidos e outros poderes. Quanto mais perfeita a combinação, mais nobre o ser. A combinação dos elementos no corpo do homem excede em perfeição a qualquer outro ser; sendo feita com absoluto equilíbrio, é mais elevada, é mais perfeita. “Não é”, dizem eles, “que o homem tenha espírito e poderes especiais de que careçam os outros animais; estes possuem também sensibilidade, apenas o homem em alguns sentidos atingiu um desenvolvimento maior, embora no que diz respeito aos sentidos exteriores, tais como o ouvido, a vista, o gosto, o olfato e o tato, e até a algumas faculdades interiores, como a memória, o animal é mais ricamente dotado que o homem.” “O animal”, afirmam eles, “também possui inteligência e percepção.” Só concedem ser maior a inteligência do homem.
É o que sustentam os filósofos da atualidade; tal é o que afirmam e supõem; é o que lhes dita sua imaginação. Com poderosos argumentos e provas prendem ao animal a origem do homem; dizem ter havido um tempo em que o homem era animal, tendo, então, a espécie se modificado e progredido gradativamente, até alcançar seu estado atual.
Dizem os teólogos, entretanto: Não; não é assim. Embora o homem tenha faculdades e sentidos exteriores em comum com o animal, existe nele um poder extraordinário que o animal não possui. As ciências, artes, invenções, indústrias, e as descobertas de fatos reais resultam do poder espiritual – poder este que abrange tudo, compreende a realidade de tudo, descobre todos os mistérios ocultos nos seres e, graças a este conhecimento, controla-os, percebendo até coisas que não existem exteriormente, isto é, realidades intelectuais, que não podem ser percebidas pelos sentidos e não têm existência exterior, sendo invisíveis. Assim, este poder compreende a mente, o espírito, as qualidades, os caracteres, o amor e a tristeza do homem, que são realidades intelectuais. Houve um tempo em que as ciências hoje existentes, as artes, as leis, e as inúmeras invenções do homem, eram segredos – invisíveis, misteriosos, ocultos; só o poder humano, que tudo abrange, conseguiu descobri-las e fazê-las sair do plano do invisível para o do visível. Em certa época, a telegrafia, a fotografia, a fonografia, e todas essas invenções e artes maravilhosas eram mistérios; a mentalidade humana descobriu-as e levou-as do plano do invisível para o do visível. Nos tempos primitivos, as qualidades deste ferro que vemos, bem como de todos os outros metais, eram mistérios; o homem descobriu este metal e deu-lhe sua forma industrial. Igual caso se dá com todas as outras descobertas e inúmeras invenções do homem. Isso não podemos negar.
Talvez aleguemos ser tudo isto o efeito de poderes possuídos pelo animal também, dos sentidos corpóreos, mas, obviamente, estes podem ser superiores no caso do animal. A visão de certos animais, por exemplo, é muito mais aguda do que a do homem, como são também suas faculdades olfativa e gustativa. Numa palavra, no tocante aos poderes comuns ao homem e ao animal, vemos ser o animal em muitos casos superior. Tomemos o poder da memória, por exemplo: se levarmos um pombo daqui a um país distante e lá o soltarmos, ele voltará, porque se lembrará do caminho. Podemos levar um cachorro daqui ao centro da Ásia e soltá-lo, e ele regressará sem se desviar nenhuma vez. O mesmo sucede com as outras faculdades – o ouvido, a vista, o olfato, o gosto e o tato.
Evidentemente, pois, se não houvesse no homem um poder diferente de qualquer dos que existem no animal, este seria superior ao homem em invenções e na compreensão dos fatos. É claro que o homem possui um dom não possuído pelo animal. O animal percebe as coisas sensíveis, mas não as realidades intelectuais. Vê, por exemplo, o que está ao alcance de sua visão, porém aquilo que não está, ele é incapaz de perceber ou imaginar. É impossível o animal compreender o fato de que a terra possui a forma de globo. O homem, entretanto, das coisas conhecidas deduz as desconhecidas, descobre verdades novas. Vê a curva do horizonte, e daí deduz a redondeza da terra. A Estrela Polar, por exemplo, está em ´Akká a 33 graus acima do horizonte; eleva-se um grau acima do horizonte por cada grau de distância que viajamos em direção ao Pólo Norte; isto é, a altitude da Estrela Polar será de 34 graus, depois 40, 50, 60, 70. Se viajarmos até o Pólo Norte, sua altitude será de 90 graus – terá atingido o zênite, estará justamente na vertical. A Estrela Polar e sua ascensão são coisas sensíveis. Quanto mais viajarmos em direção ao Pólo, mais a Estrela Polar se eleva. Destes fatos conhecidos, descobrimos um desconhecido: o horizonte é curvo, isto é, o horizonte de cada ponto na terra é diferente do horizonte de outro ponto. O homem percebe isto e daí prova uma coisa invisível: a redondeza da terra. É impossível que o animal perceba isto. Tampouco pode ele compreender que o sol é o centro em cujo redor a terra gira. O animal é prisioneiro dos sentidos, está restrito a eles, e, portanto, tudo o que estiver além dos sentidos, todas as coisas fora de seu alcance, jamais as compreenderá, apesar de ser superior ao homem no que diz respeito aos sentidos exteriores. Está assim provado que existe no homem um poder de descoberta que o distingue do animal, isto é, o espírito do homem.
Louvado seja Deus! O homem mira sempre as alturas, tendo aspirações elevadas, desejando constantemente alcançar um mundo superior àquele em que vive, subir a uma esfera mais alta que esta na qual se acha. Amor à elevação é uma das características do homem. Causa-me espanto que certos filósofos da América e da Europa têm satisfação em se aproximarem pouco a pouco do mundo animal, isto é, em retrogradar, enquanto a tendência de tudo o que existe deve ser para a elevação. Se porém, dissermos a um deles: “Sois animal”, ele se ofenderá no extremo.
Quão grande é a diferença entre o mundo humano e aquele ao qual o animal pertence, entre a elevação do homem e a vileza do animal, entre as perfeições humanas e a ignorância que caracteriza o animal, entre a iluminação do homem e a treva em que o animal está submerso, entre a glória humana e a degradação do estado animal! Um menino árabe de dez anos pode governar duzentos ou trezentos camelos no deserto, e pela sua voz conduzi-los para frente ou para trás. Um hindu fraco pode controlar um enorme elefante a tal ponto que este se torna o mais obediente criado. Todas as coisas são domadas pela mão do homem; ele pode resistir à natureza, enquanto todas as outras criaturas são suas escravas, não podendo, nenhuma delas, fugir de suas exigências. Somente o homem pode resistir à natureza. A natureza atrai os corpos para o centro da terra; o homem por meios mecânicos afasta-se dele, voando nos ares. A natureza impede o homem de atravessar os mares, mas ele constrói um navio e viaja através do grande oceano, e assim por diante – o assunto é inesgotável. O homem, por exemplo, guia máquinas sobre as montanhas e através dos desertos; reúne em um lugar as notícias dos acontecimentos do oriente e do ocidente. Tudo isso ultrapassa a natureza. O mar com sua grandeza não pode se desviar por um átomo sequer das leis da natureza; o sol, com toda a sua magnificência, não pode infringir as leis naturais, nem pela largura de uma ponta de agulha, e jamais poderá compreender as condições, o estado, as qualidades, os movimentos e a natureza do homem.
Qual o poder, pois, existente nesse pequeno corpo humano, que é capaz de abranger tudo isso? Que poder é esse, graças ao qual ele subjuga todas as coisas?
Resta um ponto ainda. Dizem os filósofos modernos: “Nunca vimos o espírito; não obstante nossas pesquisas, nossas tentativas de penetrar os segredos do corpo humano, não percebemos um poder espiritual. Como imaginar um poder imperceptível?” Replicam os teólogos: “O espírito do animal tampouco é sensível, ou perceptível pelos poderes corporais. Como, pois, provar a existência do espírito animal? São os seus efeitos que constituem prova indiscutível da existência no animal de um poder que não existe na planta, o poder dos sentidos – vista, audição, como outros poderes também – do que se conclui que há um espírito animal. Assim, pois, das provas e dos sinais mencionados, argumentamos que há um espírito humano. Uma vez que haja no animal sinais inexistentes na planta, dizemos ser esse poder de sensação uma propriedade do espírito animal. Também no homem vemos sinais, poderes e perfeições inexistentes no animal, e assim deduzimos que existe nele um poder de que o animal carece”.
Se quisermos negar tudo o que não seja perceptível, teremos de negar as realidades que indiscutivelmente existem. O éter, por exemplo, é imperceptível, embora se não possa duvidar da sua existência. O poder da atração é imperceptível, embora exista, certamente. Por que meios conhecemos essas existências? Por meio de seus sinais. Assim, esta luz é vibração do éter, e dessa vibração deduzimos a existência do éter.


XLIX

O CRESCIMENTO E DESENVOLVIMENTO
DA ESPÉCIE HUMANA


Pergunta – Qual a sua opinião a respeito das teorias sustentadas por alguns filósofos europeus sobre o crescimento e desenvolvimento dos seres?
Resposta – Embora tenhamos falado acerca desse assunto, há poucos dias, trataremos dele novamente. Toda a questão se resume em determinar se as espécies são ou não originais – se a espécie humana se acha estabelecida desde sua origem, ou se derivou posteriormente dos animais.
Certos filósofos europeus concordam em dizer que não somente a espécie cresce e se desenvolve, como também modificações podem ocorrer. Uma das provas apresentadas em apoio dessa teoria é que se tornou claro, mediante um estudo atencioso da ciência da geologia, ter a existência do vegetal precedido à do animal, e a deste precedido à existência do homem. Admitem que tanto as espécies vegetais como as animais, têm mudado, porque em algumas camadas da terra foram descobertas plantas que existiam no passado mas não existem agora. Ao longo da evolução, esses espécimes progrediram, tornaram-se mais fortes, mudando de forma e aspecto; assim, as espécies se modificaram. Há também nas camadas da terra algumas espécies de animais que sofreram metamorfose. Um destes é a serpente. Há indícios de que em certo período possuía pés, mas com o correr do tempo esses membros desapareceram. De modo semelhante, existe na coluna vertebral do homem um indício, praticamente prova, de que ele – como os animais – numa determinada época, possuía cauda. Esse membro alguma vez teve sua utilidade, mas com o desenvolvimento do homem deixou de ter; desapareceu, pois, gradativamente. Quando a serpente começou a refugiar-se debaixo da terra, tornando-se réptil, já não precisava de pés, e assim estes desapareceram, persistindo, porém, seus vestígios. O argumento principal é este: a existência de vestígios de membros prova que estes em algum tempo existiram e, como foram perdendo a utilidade, aos poucos vieram a desaparecer. Assim, enquanto persistiam os membros perfeitos e necessários, os desnecessários gradualmente desapareceram, pela modificação da espécie, embora se vejam ainda seus vestígios.
A primeira resposta a esse argumento é que o fato de haver o animal precedido ao homem não constitui prova da evolução ou transformação da espécie; não indica que o homem fosse elevado do plano animal para o humano. Embora seja certo o aparecimento individual desses diferentes seres, é possível, no entanto, ter o homem vindo a existir após o animal. Quando examinamos o reino vegetal, vemos que os frutos das várias árvores não amadurecem simultaneamente; pelo contrário, uns vêm primeiro, e outros depois, mas esta prioridade não prova que o fruto de uma árvore fora produzido do fruto anterior de outra.
Em segundo lugar, esses ligeiros traços e sinais de membros talvez possuam sua razão de ser, a qual o nosso intelecto ainda não conhece. Quantas coisas existem cuja razão nós ainda ignoramos! Assim, a ciência da filosofia, isto é, o estudo das funções do organismo, desconhece ainda a razão por que diferem as cores dos animais e dos cabelos humanos, por que são vermelhos os lábios, e por que variam as cores dos pássaros – tudo isso são segredos ainda não revelados. Sabe-se, porém, que a pupila do olho é preta em função dos raios do sol, porque, se fosse de outra cor, isto é, uniformemente branca, não os atrairia. Assim como é desconhecida, pois, a razão das coisas mencionadas, igualmente o pode ser a razão desses vestígios de membros, quer seja no animal, quer no homem. Há uma razão, sem dúvida alguma, embora nos seja ignorada.
Em terceiro lugar, suponhamos ter havido uma época em que certos animais, ou até o homem, possuíssem membros agora desaparecidos; isto não é prova suficiente da mudança e evolução da espécie. Pois a forma e a aparência do homem, desde o começo do período embrionário até à plena maturidade, passam por modificações. Ele muda de aspecto, forma, aparência e cor; passa de uma a outra forma, de uma a outra aparência. Desde o início do período embrionário, no entanto, ele é da espécie humana, ou seja o embrião de um homem, e não o de um animal. A princípio, não aparenta sê-lo, porém mais tarde vê-se claramente que é. Suponhamos ter o homem se assemelhado ao animal em certo período, e depois ter progredido e mudado – supondo que isso seja verdade, ainda não prova que houvesse mudança de espécie. Quando muito, indica, como já dissemos, que essas mudanças são comparáveis às modificações por que passa o embrião humano antes de adquirir o raciocínio e alcançar a perfeição. Falaremos mais claramente: suponhamos que num tempo remoto o homem andasse com as mãos e os pés, ou tivesse tido cauda; as modificações que sofreu desde então são comparáveis àquelas do embrião no ventre materno. Se bem que o embrião mude de todas as maneiras, crescendo e se desenvolvendo até adquirir a forma perfeita, é, não obstante, desde o começo, espécie distinta. Vemos também no reino vegetal, que as espécies originais do gênero não mudam, mas que há modificações, ou progresso, no que diz respeito à forma, à cor, e ao tamanho.
Em resumo: assim como o homem no ventre materno experimenta várias conformações, mudando e se desenvolvendo, e todavia é espécie humana desde o início do período embrionário, de modo idêntico, o homem, desde o princípio de sua existência no ventre do mundo, é também espécie distinta, isto é, humana, apenas tendo evoluído gradativamente em sua conformação. Ainda que se admita, portanto, a realidade da mudança de aspecto, da evolução dos membros, do desenvolvimento e progresso (1), isto não constitui uma negação da originalidade da espécie. O homem desde o princípio guarda essa forma e essa composição perfeitas, possuindo capacidade e aptidão para adquirir perfeições, tanto materiais como espirituais, e sendo assim a manifestação das palavras: “Faremos o homem à nossa imagem e semelhança”. Ele apenas tem adquirido qualidades mais amáveis – maior formosura e graça. A civilização elevou-o acima de seu estado selvagem, do mesmo modo que os frutos silvestres cultivados por um fruticultor se tornam mais belos, mais doces, mais cheios de viço e de paladar mais delicado.
Os fruticultores do mundo humano são os Profetas de Deus.


L

PROVAS ESPIRITUAIS DA ORIGEM DO HOMEM


As provas que já aduzimos, relativas à origem da espécie humana eram provas lógicas; apresentaremos agora as provas de ordem espiritual, que são as essenciais. Pois, como usamos argumentos lógicos para provar a Divindade, e também provamos logicamente haver sido o homem desde sua origem sempre homem, tendo sua espécie existido desde toda a eternidade, vamos agora estabelecer provas espirituais da necessidade da existência humana, ou espécie do homem, mostrando que, sem o homem, as perfeições da Divindade não apareceriam. Mas estas são provas espirituais, e não lógicas.
Já muitas vezes demonstramos e estabelecemos o fato de ser o homem o mais elevado dos seres, a soma de todas as perfeições, sendo todas as criaturas, todas as existências, centros dos quais a glória de Deus se reflete; isto é, na realidade das coisas e das criaturas aparecem os sinais da Divindade de Deus. Assim como o globo terrestre é o lugar em que os raios do sol se refletem, sendo sua luz, calor e influência visíveis em todos os átomos da terra, também os átomos dos seres neste infinito espaço proclamam e dão provas de uma das perfeições divinas. Coisa alguma é destituída desse benefício; é sinal da misericórdia de Deus, ou de Seu poder, de Sua grandeza, justiça ou sublimidade, que concede a educação; ou é sinal da divina generosidade, da visão, audição, sabedoria ou graça divina, e assim por diante.
Indubitavelmente, cada ser é centro de irradiação da glória de Deus; isto é, nele aparecem com resplendor as perfeições divinas, assim como o sol brilha sobre o deserto, o mar, as árvores, as flores e os frutos, e sobre todas as coisas terrestres. O mundo, ou, de fato, cada um dos seres existentes, proclama-nos um dos nomes de Deus, mas a realidade do homem é a realidade coletiva ou geral, é o centro de onde se irradia a glória de todas as perfeições de Deus. Quer isso dizer, de cada qualidade ou perfeição que atribuímos a Deus, existe no homem um sinal. Se assim não fosse, nem poderia o homem imaginar essas perfeições, e menos ainda compreendê-las. Assim, dizemos que Deus vê, e os olhos são os sinais de Sua visão; se não existisse no homem a faculdade visual, como lhe seria possível imaginar a visão de Deus? Pois o cego, pelo menos o cego de nascimento, não pode imaginar o que é a vista; para o surdo, isto é, para quem nasceu surdo, é inconcebível a audição; e o morto (1) não compreende a vida. A Divindade de Deus, soma de todas as perfeições, reflete-se, pois, na realidade do homem; quer isto dizer, a Essência da Unidade é a reunião de todas as perfeições, e desta Unidade Ele lança um reflexo sobre a realidade humana. O homem é assim o perfeito espelho voltado para o Sol da Verdade, é o centro irradiante, e nesse espelho resplandece o Sol da Verdade. As divinas perfeições refletem-se na realidade do homem, sendo ele, pois, uma imagem de Deus, e Seu mensageiro. Privado da existência do homem, o universo não teria finalidade, pois o objetivo da existência é a manifestação das perfeições de Deus.
Portanto, não se deve supor haver sido um tempo em que o homem não existisse. Tudo o que podemos dizer é isto: em certa época este globo terrestre não existia e, no começo de sua existência, o homem não aparecia nele, mas desde o princípio que não teve princípio, até ao fim que não terá fim, sempre existe um perfeito manifestante. Este homem de quem falamos não é qualquer homem; referimo-nos ao homem perfeito. Pois a parte mais digna da árvore é o fruto, o qual é sua razão de ser e sem o que ela nada significaria. Assim, não podemos imaginar que os mundos existentes – sejam as estrelas ou a terra – estivessem em certo tempo habitados por animais como o burro, o boi, o rato e o gato, e sem o homem! Tal suposição é falsa e irracional. A palavra de Deus é clara como o sol.
A prova que acabamos de aduzir é espiritual, e não deve ser apresentada, de início, aos materialistas. Quando falamos com eles, devemos usar primeiro argumentos lógicos, e depois espirituais.


LI

O ESPÍRITO E A MENTE DO HOMEM EXISTEM
DESDE O PRINCÍPIO


Pergunta – Possui o homem, desde o princípio, mente e espírito, ou são estes o resultado de sua evolução?
Resposta – O princípio da existência do homem no globo terrestre é comparável à sua formação no ventre materno. Ele aqui cresce e se desenvolve até o nascimento, e depois continua a crescer e a desenvolver-se até alcançar o discernimento e a maturidade. Embora desde a infância apareçam no homem os sinais do intelecto e do espírito, estes não chegam logo à perfeição, estando de início imperfeitos. Só quando o homem atinge a maturidade é que a mente e o espírito se revelam com a máxima perfeição.
A formação do homem no ventre do mundo foi análoga à do embrião. Este progride gradativamente, crescendo e se desenvolvendo até atingir a maturidade, quando o intelecto e o espírito se revelam em todo seu poder. No começo de sua formação, já existem a mente e o espírito, porém ocultos, sendo que só mais tarde se manifestam. Também no homem, no ventre do mundo, existem, desde o princípio, mente e espírito, mas estão ocultos e só mais tarde se tornam manifestos. De modo idêntico, a árvore existe na semente, porém oculta, só se revelando à medida que a semente se desenvolve e cresce. Assim, o desenvolvimento de todos os seres é gradativo, de acordo com a organização divina universal, o sistema natural. A semente não se torna logo árvore; não é num instante que o embrião se transforma em homem; o mineral não se torna de repente pedra. Não, crescem e se desenvolvem gradativamente até atingirem o limite de sua perfeição.
Todos os seres, sejam grandes ou pequenos, foram criados perfeitos e completos desde o princípio, mas suas perfeições só vão se manifestando aos poucos. A organização de Deus é una; a evolução da existência é una; é uno o sistema divino. Sejam pequenos ou grandes, todos os seres estão sujeitos a uma mesma lei e sistema. Cada semente, por exemplo, tem dentro de si, desde o princípio, todas as perfeições vegetais, mas não de modo visível; depois, pouco a pouco, elas vêm vindo à luz. Assim, da semente primeiro surge o broto, depois os ramos, as folhas, as flores e os frutos, mas isso tudo, desde o começo de sua existência, está na semente, embora em potência apenas, e não visível.
De igual modo, o embrião possui desde o princípio todas as perfeições – o espírito, a mente, a vista, a olfação, a gustação – enfim, todas as faculdades, porém elas não se acham visíveis, só aos poucos vindo a manifestar-se.
Assim também, o globo terrestre foi criado inicialmente com todos os seus elementos, substâncias, minerais, átomos e organismos, porém estes só se revelaram pouco a pouco: primeiro, o mineral; depois, a planta; mais tarde, o animal; e finalmente, o homem. Todas essas espécies, no entanto, existem desde sempre, embora não se houvessem desenvolvido logo no globo terrestre, só gradativamente vindo a manifestar-se. Pois a suprema organização de Deus, o sistema natural universal, se estende a todos os seres – todos estão sob seu controle. Quando se contempla este sistema universal, verifica-se que não há um único destes seres que tenha alcançado logo no começo de sua existência o limite da perfeição. Não, é gradativamente que eles crescem e desenvolvem, e assim atingem o grau de perfeitos.


LII

O APARECIMENTO DO ESPÍRITO NO CORPO


Pergunta – Qual a razão do aparecimento do espírito no corpo?
Resposta – A razão do aparecimento do espírito no corpo é a seguinte: o espírito humano é-nos confiado por Deus e necessitar passar por todas as condições da existência, a fim de adquirir suas perfeições. Assim, quando um homem viaja e visita vários países e regiões, estudando-os sistematicamente, com método, vem a se aperfeiçoar, porque verá diversos lugares e cenas, e destarte descobrirá condições existentes nos outros países. Tornar-se-á conhecedor de sua geografia, suas maravilhas e artes, familiarizando-se com os hábitos e costumes dos povos; constatará a civilização e o progresso da época; adquirirá conhecimento da orientação dos governos, e do poder e da capacidade de cada país. O mesmo sucede quando o espírito humano atravessa as várias condições da existência: alcança novos graus e estados. Até mesmo no corpo, pode, seguramente, adquirir perfeições.
Além disso, é necessário que apareçam neste mundo os sinais da perfeição do espírito, não só para que sejam produzidos entre as criaturas inúmeros efeitos como também para que esse corpo receba vida e manifeste as graças divinas. Os raios do sol devem brilhar sobre a terra, e assim, graças ao seu calor, os seres terrestres desenvolver-se-ão; em caso contrário, este planeta ficaria inabitado, não progrediria, nem teria razão de ser. Da mesma maneira, a menos que se manifestassem no mundo as perfeições do espírito, nenhuma iluminação existiria; a brutalidade é que haveria de dominar. É só quando o espírito se revela em forma física, que o mundo é iluminado. Justamente como o corpo humano tem no espírito a causa da sua vida, também o mundo, como se fosse o corpo, depende do homem, o qual, por assim dizer, lhe serve de espírito. Se não fosse o homem, não se veriam as perfeições espirituais, nem resplandeceria no mundo a luz da inteligência. Este mundo seria, em verdade, um corpo sem alma.
Podemos comparar o mundo, também, a uma árvore frutífera, e o homem a seu fruto, sem o qual a árvore nenhuma utilidade teria.
Além disso, essa composição – esses membros e elementos encontrados no organismo humano – agem como ímã, para atrair o espírito; fatalmente, o espírito tem de se manifestar aí. Sem a menor dúvida, um espelho límpido deve atrair os raios do sol, tornando-se luminoso e refletindo admiráveis imagens. Assim, esses elementos existentes, ao serem reunidos segundo a ordem natural, com perfeita força, tornar-se-ão um ímã para o espírito, o qual se manifestará neles com todas as suas perfeições.
Não se pode perguntar, então: “Que necessidade têm os raios solares de descer para o espelho?” Pois a relação que existe entre as realidades das coisas, sejam espirituais, sejam materiais, implica no reflexo da luz solar no espelho quando se ache este límpido e voltado para o sol. De igual modo, quando os elementos estiverem dispostos e combinados de determinada maneira, segundo o mais glorioso sistema e a mais perfeita organização, neles se manifestará o espírito humano. Assim decretou o Poderoso, o Sábio.


LIII

A RELAÇÃO ENTRE DEUS E A CRIATURA


Pergunta – Qual a natureza da relação entre Deus e a criatura, isto é, entre o Independente, o Altíssimo, e os outros seres?
Resposta – A relação entre Deus e as criaturas é a que existe entre um criador e sua criação; é semelhante àquela que há entre o sol e a escuridão dos seres contingentes; é a relação entre o artífice e as coisas por ele feitas. O sol em sua própria essência é independente dos corpos que ilumina, pois sua luz é-lhe inerente, nada tendo que ver com o globo terrestre. Nosso planeta, sim, está sob a influência do sol, dele recebendo sua luz; o sol e seus raios, porém, são inteiramente independentes da terra. De fato, sem o sol, não poderia existir nem a terra, nem um só dos seres terrestres.
As criaturas dependem, pois, de Deus, e essa dependência é por emanação. Isto é, as criaturas emanam de Deus, e não O manifestam; a relação é de emanação, e não de manifestação. É isto que se entende por emanação: é como o aparecimento dos raios daquele astro que ilumina os horizontes do mundo.
A santa essência do Sol da Verdade não se divide, nem desce até às condições das criaturas, assim como o globo solar não se divide nem desce para a terra; apenas seus raios, que são suas graças, emanam e iluminam os corpos escuros.
O aparecimento por manifestação, por outro lado, é similar ao modo pelo qual da semente surgem haste, folhas, flores e frutos; pois a semente em sua própria essência torna-se ramos e frutos, sua realidade entra nos ramos, nas folhas e nos frutos. Acreditar que Deus, o Altíssimo, se manifeste dessa maneira é atribuir-Lhe simples imperfeição, o que é inteiramente impossível; equivaleria a dizer que o Preexistente Absoluto tem qualidades fenomenológicas. Se assim fosse, entretanto, a pura independência tornar-se-ia simples pobreza, e a verdadeira existência, mera inexistência – o que seria um contra-senso.
Por conseguinte, todas as criaturas emanam de Deus; isto é, graças a Ele, tudo se realiza, todos os seres vêm a existir. A primeira coisa a emanar de Deus foi aquela realidade universal denominada pelos filósofos antigos “Primeira Inteligência”, e pelos Bahá´ís “Primeira Vontade”. Essa emanação, no tocante à sua atividade no mundo divino, não é limitada nem no tempo nem no espaço; não teve começo, tampouco terá fim – em relação a Deus, começo e fim são o mesmo. A preexistência de Deus é uma preexistência de essência, e também de tempo; e a fenomenalidade dos seres contingentes é essencial e não temporal, como já explicamos um dia à mesa.
Embora não tivesse começo, a “Primeira Inteligência” não participa da preexistência de Deus, pois existência da realidade universal em comparação com a Existência Divina é simplesmente nada – não tem o poder de se associar a Ele ou de Lhe ser semelhante quanto à preexistência. Este argumento já foi explicado em outra ocasião.
A vida dos seres depende de sua composição; a sua decomposição implica a morte. A matéria universal, porém, os elementos, não são absolutamente destruídos; o que chamamos inexistência é apenas transformação. Por exemplo, o homem ao morrer torna-se pó, mas ainda existe em forma de pó. Não se torna, pois, absolutamente inexistente; apenas sujeita-se a uma transformação, à decomposição ocidental. O mesmo sucede com os outros seres, já que a existência não se torna absoluta inexistência, bem como esta não se torna existência.


LIV

DA PROCEDÊNCIA DIVINA DO ESPÍRITO HUMANO


Pergunta – Na Bíblia se lê que Deus insuflou o espírito no corpo do homem. Qual o sentido deste versículo?
Resposta – Precisamos compreender que há duas espécies de procedência: por emanação e por manifestação. Um exemplo de procedência por emanação vemos no ato que provém de seu autor, ou na obra do escritor. Ora, o que este escreve emana dele: o discurso emana do orador; do mesmo modo, o espírito do homem emana de Deus. A procedência divina do espírito humano não é por manifestação; quer isto dizer, nenhuma partícula separou-se da Realidade Divina para entrar no corpo do homem. Não, justamente como o discurso emana do orador, assim também o espírito aparece no corpo humano. Quando falamos em procedência por manifestação, queremos dizer que a realidade de uma coisa se manifesta sob outras formas, como, por exemplo, esta árvore provém da semente de uma árvore, ou esta flor da semente de uma flor, pois é a própria semente que assume a forma de ramos, folhas e flores. É isso que chamamos procedência por manifestação. O espírito do homem, em relação a Deus, tem uma dependência por emanação, assim como o discurso procede do orador, ou a obra literária do escritor; isto é, o próprio orador não se torna o discurso, o escritor não se transforma em sua obra. É apenas uma procedência por emanação. O orador é dotado de perfeita habilidade e poder, e assim, seu discurso emana dele, do mesmo modo que o ato do autor. O verdadeiro Orador, a Essência da Unidade, esteve sempre em uma mesma condição, a qual não muda, não se sujeita à transformação ou vicissitude. Ele é o Imortal, o Eterno. É, pois, por emanação que o espírito humano provém de Deus. Quando a Bíblia diz que Deus insuflou no homem Seu espírito, refere-se à emanação do espírito, semelhante a um discurso emanado do verdadeiro Orador, a atuar sobre a realidade do homem.
A procedência por manifestação, porém, é aplicável ao aparecimento do Espírito Santo e do Verbo de Deus, embora não se refira aqui a uma fragmentação da Divindade, como já dissemos. Está escrito no Evangelho de São João: “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus.” O Espírito Santo e o Verbo referem-se, pois, à revelação de Deus; isto é, às perfeições divinas que estavam com Deus e se manifestaram na realidade de Cristo, assim como o sol manifesta no espelho toda a sua glória. O Verbo não significa o corpo de Cristo, mas as divinas perfeições Nele manifestas. Cristo era semelhante a um espelho límpido voltado para o Sol da Realidade, e as perfeições deste Sol, sua luz e seu calor, estavam visíveis nesse espelho. Ao olharmos para o espelho, vemos o sol, e dizemos: é o sol. Assim, Deus se revela no Verbo e no Espírito Santo, que significam as divinas perfeições. É a isso que se refere o versículo do Evangelho: “O Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus”; pois as divinas perfeições não se distinguem da Essência da Unidade. As perfeições de Cristo são denominadas o Verbo, isto é, palavra, porque todos os seres estão na condição de letras, as quais, isoladas, carecem de sentido completo, ao passo que, quando são dispostas em forma de palavras, podemos inferir delas um sentido completo. Assim, as perfeições de Cristo têm o poder do verbo; por ser Sua Realidade a manifestação das perfeições divinas, assemelha-se ao verbo. Por quê? Porque Ele é a soma dos significados perfeitos. É por isso que ele se chama o Verbo.
Quando falamos na procedência divina do Verbo e do Espírito Santo, como sendo uma procedência por manifestação, não imaginem que nos refiramos a uma divisão ou multiplicação da Realidade Divina, ou a uma descida desta Realidade das sublimes alturas da santidade e pureza. Deus nos defenda! Se um espelho puro e fino estiver voltado para o sol, manifestará sua luz e seu calor, sua forma, sua imagem, e com tal esplendor que, se alguém, vendo no espelho todo esse brilho, disser: “É o sol”, dirá a verdade. O espelho, entretanto, é o espelho, como o sol também é o sol. O sol, ainda que apareça em numerosos espelhos, é uno. Sua condição não é moradia ou entrada, nem de associação ou descida, pois entrada, moradia, descida, saída e associação são necessidades características dos corpos e não dos espíritos. Muito menos ainda, pois, podem essas características pertencer à Realidade Divina, àquela Realidade santificada e pura. Deus está livre de tudo o que não estiver de acordo com Sua pureza, ou Sua exaltada e sublime santidade.
O Sol da Realidade, segundo já dissemos, esteve sempre em uma mesma condição, isento de qualquer mudança, alteração, transformação ou vicissitude. E eterno, imperecível. Mas a Santa Realidade do Verbo de Deus está na condição do espelho puro, fino e brilhante, no qual se refletem a luz, o calor, a imagem e semelhança, ou sejam as perfeições do Sol da Realidade. Eis porque Cristo diz no Evangelho: “O Pai está no filho”; isto é, O Sol da Realidade aparece no espelho. Louvado seja o Uno que brilhou sobre esta Santíssima Realidade, entre todos os seres santificada!


LV

ALMA, ESPÍRITO E MENTE


Pergunta – Qual a diferença entre a mente, o espírito e a alma?
Resposta – Em outra ocasião explicamos que o espírito se divide universalmente em cinco categorias: o vegetal, o animal, o humano, o da fé e o Espírito Santo.
O espírito vegetal é o poder do crescimento que se atua na semente pela influência de outras existências.
O espírito animal é o poder de todos os sentidos; depende da composição e associação dos elementos, perecendo quando estes se desintegram. Assemelha-se a esta lâmpada: ao se combinarem o querosene, o pavio e o fogo, resulta luz, mas uma vez dissolvida essa combinação, separando-se as partes associadas, a luz se extingue.
O espírito humano, que distingue o homem do animal, é a alma racional. Estes dois termos, espírito humano e alma racional, designam a mesma coisa. Tal espírito, ou, segundo a terminologia dos filósofos, essa alma racional, abrange tudo e – dentro dos limites da capacidade humana – descobre a realidade das coisas, tornando-se conhecedor de suas peculiaridades e de seus efeitos, e das qualidades e propriedades dos seres. Os segredos divinos, porém, as realidades celestiais, escapam ao espírito humano, a menos que este seja reforçado pelo espírito da fé. É semelhante a um espelho, que, embora claro, polido e brilhante, ainda precisa de luz. Enquanto não receber um raio do sol, não descobrirá os segredos celestiais.
A mente é o poder do espírito humano. O espírito é o foco; a mente é a luz que dele irradia. O espírito humano é a árvore e a mente o fruto. A mente é a perfeição do espírito, é sua qualidade essencial, assim como os raios solares são uma necessidade essencial do sol.
Demos esta explicação em forma resumida, porém completa; refleti, pois, sobre isso, para que, através da graça Divina, possais compreendê-la mais a fundo.


LVI

OS PODERES FÍSICOS E OS PODERES
INTELECTUAIS


Existem no homem cinco poderes exteriores, sendo estes os agentes da percepção, o meio pelo qual ele percebe os seres materiais. São: a vista, que observa as formas visíveis; o ouvido, sensível aos sons audíveis; o olfato, que distingue os odores; o gosto, que conhece os alimentos; e o tato, encontrado em todas as partes do corpo e percebedor das coisas tangíveis. Esses cinco poderes percebem as existências exteriores.
O homem possui também poderes espirituais: a imaginação que concebe as coisas; o pensamento, que reflete sobre sua realidade; a compreensão, que as entende; e a memória, cuja função é a de reter o que o homem imagina, pensa, e compreende. O intermediário entre as cinco faculdades exteriores e as interiores é o sentido que possuem em comum, isto é, o sentido que age entre elas, transmitindo às faculdades interiores tudo quanto seja discernido pelas exteriores. Denomina-se faculdade comum, por ser o meio de comunicação entre as faculdades exteriores e as interiores, sendo-lhes assim comum.
A visão, por exemplo, é uma das faculdades exteriores; percebe esta flor e conduz esta percepção à faculdade comum, a qual a leva ao poder da imaginação. Este, por sua vez, concebe a forma a imagem, transmitindo-a, então, à faculdade do pensamento, a qual medita e, uma vez abarcada sua realidade, leva-a ao poder da compreensão. Depois de ser compreendida, a imagem do objeto percebido é entregue à memória, e esta, afinal, guarda-a em seu repositório.
Os poderes exteriores são cinco: a vista, o ouvido, o gosto, o olfato e o tato.
Os poderes interiores também são cinco: a faculdade comum, e os poderes da imaginação, do pensamento, da compreensão e da memória.


LVII

AS CAUSAS DAS DIFERENÇAS NOS CARÁTERES
DOS HOMENS


Pergunta – Quantas espécies de caráter tem o homem, e qual a causa das diferenças e variações nos homens?
Resposta – O homem possui o caráter inato, o herdado, e o adquirido, este na dependência da educação.
Quanto ao caráter inato, embora seja puramente boa a criação divina, as qualidades naturais do homem variam; todas são excelentes, porém em maior ou menor grau. Todos os seres humanos possuem inteligência e capacidade, mas há entre eles, obviamente, vários graus de inteligência, de capacidade, de mérito.
Por exemplo, se observarmos um grupo de meninos pertences à mesma família, nativos do mesmo lugar, até estudando as mesmas lições, na mesma escola, e sob a orientação do mesmo professor, sujeitos a idênticas condições de clima, vestuário e alimentação, verificaremos que, ainda assim, alguns deles se distinguirão nas ciências, enquanto outros mostrarão uma habilidade apenas média, ou até muito inferior. Disso deduzimos que existe na natureza original uma diferença de grau, bem como uma variação na capacidade e no mérito dos homens. Tal diferença não implica no bem ou no mal; é simplesmente uma diferença de grau. Um está no grau mais elevado, outro num grau médio, e outro ainda inferior. O homem existe, como também existem todos os outros seres – animal, planta e mineral, mas os graus dessas quatro existências variam. Que diferença entre a existência do homem e a do animal! Ambos, no entanto, existem. A variedade de graus na existência é, pois, óbvia.
As qualidades herdadas variam, como se sabe, segundo a força ou fraqueza de constituição: de pais fortes nascem filhos robustos, e de pais fracos, filhos fracos. Sangue puro exerce um grande efeito, pois o germe puro é como a estirpe superior no caso das plantas ou dos animais. É natural crianças de pais débeis terem uma constituição débil e nervos fracos, estarem sujeitas à doença, faltando-lhes resistência, resolução, perseverança e paciência, desde que herdaram a fraqueza dos pais.
Além disso, uma benção especial é concedida a certas famílias e gerações, como, por exemplo, no caso de Abraão, pois todos os Profetas dos filhos de Israel são de Sua descendência. É uma benção conferida por Deus a esta família, e que se estende a Moisés por parte do pai, bem como da mãe, a Cristo, pela linhagem materna, e também a Maomé, ao Báb e a todos os Profetas e Santos Manifestantes de Israel. Evidentemente, pois, há um caráter herdado. Tanto assim que, se o caráter de alguém que pertença fisicamente a certa linhagem não se mostrar digno desta linhagem, não será ele considerado, espiritualmente falando, membro da família. Assim aconteceu no caso de Canaã (1) que não é incluído entre os descendentes de Noé.
A variação nas qualidades de acordo com a cultura ou a educação é, entretanto, muito grande; é, de fato, imensa sua influência. É por seu intermédio que o ignorante adquire conhecimentos, e o covarde, valor; assim como o ramo torto se endireita mediante cultivo, a fruta azeda, amarga, das montanhas e selvas, torna-se doce, deliciosa, e a flor de cinco pétalas vem a ter centenas. Graças à educação, os povos selvagens tornam-se civilizados, e até os animais se domesticam. De suma importância é, pois, a educação. Como no plano físico as moléstias são extremamente contagiosas, também o são as qualidades de coração e espírito. A educação tem influência universal; as diferenças por ela causadas são muito grandes.
Se alguém afirmar que a variação em capacidade existente entre os homens explica a diferença de caráter (1), refutaremos tal asserção, pois não há somente a capacidade natural, mas também a adquirida. A primeira, criação de Deus, é puramente boa, porque o mal não existe na criação divina. É da capacidade adquirida que surge o mal. Por exemplo, Deus criou o homem de tal modo, dotando-o de tal constituição, de tais capacidades, que ele colhe benefício do açúcar ou do mel, mas é prejudicado, e até destruído pelo veneno. Essa natureza, essa constituição, é inata, concedida por Deus a toda a humanidade. Um homem, no entanto, vem a habituar-se, pouco a pouco, a um certo veneno; toma cada dia uma pequena quantidade, aumentando-a gradativamente ao ponto de não poder passar, digamos, sem uma grama de ópio por dia. Assim, as capacidades naturais pervertem-se completamente. Observemos quanto a constituição e a capacidade natural mudam, ao ponto de se perverterem absolutamente, em conseqüência de certos hábitos. Não censuramos o homem viciado por causa da natureza e capacidades inatas, mas por causa das adquiridas.
Na criação não existe o mal; tudo é bom. Certas qualidades inatas em algumas pessoas, embora pareçam ser censuráveis, não o são na realidade. Por exemplo, notamos numa criança desde o começo de sua vida, enquanto ainda amamentada, certos sinais de desejo, ira e impaciência, e disso talvez queiramos inferir que o bem e o mal sejam inatos no homem. Tal inferência, entretanto, seria contrária ao conceito da pura bondade da natureza, e de toda a criação. A explicação é a seguinte: o desejo – a vontade de possuir algo – é uma qualidade louvável, contanto que seja usado de modo conveniente. Assim, um homem pode desejar adquirir ciência ou outros conhecimentos, ou talvez queira tornar-se compassivo, generoso e justo. Tudo isso é muito louvável. Se exercer sua indignação e ira contra os tiranos sanguinários, que são como animais ferozes, isso ainda será muito meritório. Se, porém, essas qualidades não forem usadas de maneira apropriada, serão também censuráveis.
Realmente, pois, mal algum existe na natureza, na criação. Só quando o homem usa suas qualidades naturais de um modo ilegítimo é que estas se tornam censuráveis. Se um rico der generosamente a um pobre, mas se este, em vez de empregar a quantia recebida para suas necessidades, preferir gastá-la com coisas condenáveis, isso será repreensível. Igual caso se dá com todas as qualidades naturais do homem, que constituem o capital da vida: se forem usadas ou exteriorizadas de um modo condenável, tornar-se-ão censuráveis. É claro, pois, ser a criação puramente boa. Vejamos a pior das qualidades, o mais odioso dos atributos, a base de todo o mal, a mentira. Não se pode imaginar uma qualidade mais repreensível, pois destrói todas as perfeições humanas, e dá origem a inúmeros vícios. Não há característica pior; é a base de todos os defeitos. Não obstante tudo isso, se um médico com intuito de consolar um doente, disser: “Graças a Deus, está melhor; há esperança de seu restabelecimento”, isso não será censurável, ainda que tal afirmação seja contrária à verdade, pois pode animar o doente e até deter a marcha da doença.
O assunto está agora claramente elucidado...


LVIII

O GRAU DE CONHECIMENTO POSSUIDO PELO
HOMEM E PELOS MANIFESTANTES DIVINOS


Pergunta – Qual o grau da inteligência humana, e quais são suas limitações?
Resposta – Sabemos que a inteligência varia, sendo em grau ínfimo a do animal, isto é, a percepção natural que depende dos sentidos e que se chama sensação. Este grau é comum ao animal e ao homem, e até há alguns animais superiores ao homem no que diz respeito aos sentidos. Entre os seres humanos a inteligência varia segundo suas condições.
A primeira condição da inteligência no mundo da natureza é a da alma racional. Todos os homens são dotados desta inteligência, sejam crentes ou descrentes, vigilantes ou descuidados. Essa alma racional humana é criação divina; encerra e ultrapassa as outras criaturas; é a mais elevada, sobressai mais, e abarca todas as coisas. O poder da alma racional descobre a realidade das coisas, compreende as peculiaridades dos seres, penetra os mistérios da existência. Todos os conhecimentos – as artes e ciências – todas as maravilhas, instituições, descobertas e empresas são devidos ao exercício da inteligência da alma racional. Houve um tempo em que tudo isso era desconhecido, misterioso, secreto, mas a alma racional conseguiu pouco a pouco desvendar esse mistério e transportá-lo do plano do invisível, do oculto, para o domínio do visível. É o grau máximo de inteligência existente no mundo da natureza. Em seu mais alto vôo, compreende a realidade dos seres contingentes, discerne suas propriedades e seus efeitos.
A mente divina universal, entretanto, que transcende a natureza, é uma graça do Poder Preexistente. Por ser divina, ela abarca a realidade de tudo o que existe, e recebe a luz dos mistérios de Deus. É poder consciente, e não depende de investigação ou pesquisas. O poder intelectual do mundo da natureza só por meio de investigações e pesquisas descobre a realidade dos seres existentes e suas propriedades, mas o poder intelectual divino, que transcende a natureza, abrange tudo, compreende, conhece, entende tudo, é cônscio dos mistérios, do sentido das realidades divinas, e atinge as mais recônditas verdades do Reino espiritual. Este poder intelectual divino é atributo próprio dos Santos Manifestantes e Profetas; um raio desta luz cai sobre o espelho do coração dos retos – uma parte deste poder é-lhes concedida por intermédio dos Santos Manifestantes.
Os Santos Manifestantes possuem três condições: a física, a da alma racional, e a da manifestação do esplendor e das perfeições celestiais. O corpo abrange as coisas na medida de sua capacidade no mundo físico, e portanto, em certos casos, demonstra fraqueza física. Vejamos, por exemplo, as palavras: “Eu estava adormecido, inconsciente; atingiu-me o sopro de Deus, despertando-me e ordenando que eu proclamasse o Verbo”; ou então quando, Cristo, aos trinta anos, foi batizado, e o Espírito Santo desceu e pousou sobre Ele, pois antes disso não se havia manifestado Nele. Tudo isso se refere à condição corporal dos Manifestantes, mas Sua condição celestial abrange todas as coisas, conhece todos os mistérios, descobre todos os sinais, rege tudo – não só antes, como depois de Sua missão. Por isso Cristo disse: “Sou Alfa e Omega, o primeiro e o último”; isto é, nunca houve nem haverá em mim mudança ou alteração alguma.








LIX

NOSSO CONHECIMENTO DE DEUS


Pergunta – Até que ponto é a mente humana capaz de compreender Deus?
Resposta – É um assunto que exige muito tempo; não é fácil explicá-lo assim, à mesa, mas tratá-lo-emos de forma resumida.
Notemos que há duas espécies de conhecimento: o da essência de uma coisa, e o de suas qualidades. É apenas pelas qualidades que se conhece a essência de uma coisa; de outro modo estaria oculta, completamente desconhecida. Já que nosso conhecimento das coisas – até das coisas criadas, que têm limites – é restrito ao conhecimento de suas qualidades, não nos sendo possível penetrar sua essência, como, pois, haveremos de compreender, em Sua Essência, a Realidade Divina, a qual é ilimitada? Não compreendemos a substância da essência de coisa alguma, mas apenas suas qualidades. Por exemplo, a substância do sol é desconhecida: apenas suas qualidades, calor e luz, são perceptíveis. Tampouco se conhece a substância, a essência do homem, nem se pode percebê-la; só pelas qualidades que a caracterizam pode a essência ser conhecida. De tudo, pois, conhecemos simplesmente as qualidades, e não a essência. Embora a mente alcance todas as coisas, compreenda todos os seres exteriores, é incapaz, no entanto, de penetrar sua essência; apenas conhece suas qualidades.
Como será possível, então, conhecermos em Sua Essência o Senhor Eterno, imperecível, aquele Ser santificado além de nossa compreensão e de todo e qualquer conceito? Isto é, se as coisas só podem ser conhecidas pelas qualidades, e nunca pela essência, não resta dúvida de que a Realidade Divina é desconhecida no tocante à Sua essência, nada se podendo conhecer além de Seus atributos. Reflitamos: seria possível a realidade transitória compreender a Realidade Preexistente? Pois compreensão é resultado da delimitação – deve-se delimitar, a fim de se poder compreender. Ora, a Essência da Unidade circunscreve tudo, e não é circunscrita por coisa nenhuma.
As diferenças de condição verificadas entre os seres tendem a obstruir o entendimento. Por exemplo, este mineral pertence ao reino mineral e, por mais que evolua, nunca há de compreender o poder de crescimento. As plantas, as árvores, não importa quanto se desenvolvam, jamais conceberão o poder de ver ou as outras faculdades. Tampouco poderá o animal imaginar a condição do homem, isto é, seus poderes espirituais. Diferença de condição é, pois, um obstáculo ao conhecimento; o grau inferior é incapaz de compreender o superior. Como pode o que é fenomenológico, então, compreender a Realidade Preexistente? O nosso conhecimento de Deus limita-se a Seus atributos; não atinge Sua Realidade. Nem tampouco é absoluto esse conhecimento dos atributos, pois depende da capacidade humana. A filosofia trata de compreender a realidade das coisas existentes, de acordo com a capacidade e os poderes do homem. Só até os limites de sua capacidade poderá a realidade fenomênica compreender os atributos do Preexistente. O mistério da Divindade é santificado, indo além dos poderes do entendimento humano, pois qualquer concepção do homem depende daquilo que ele compreende, e seus poderes de compreensão não alcançam a Realidade da Essência Divina. Tudo o que o homem é capaz de compreender, pois, são os atributos da Divindade, cujo esplendor se irradia visivelmente nos mundos e nas almas.
Ao contemplarmos os mundos e as almas, vemos indícios claros, maravilhosos, das perfeições divinas, porque a realidade das coisas é prova da Realidade Universal. A Realidade Divina assemelha-se ao sol, o qual, das alturas de sua magnificência, brilha sobre todos os horizontes, dispensando a cada horizonte, a cada alma, uma fração de seu esplendor. Se não houvesse essa luz, esses raios, não existiriam os seres; todos os seres exprimem algo disso, participam de algum raio, de alguma fração dessa luz. Os esplendores dos atributos, das graças e perfeições de Deus irradiam-se em toda a sua plenitude da realidade do Homem Perfeito, isto é, do Incomparável, do Manifestante Divino Universal. Os outros seres recebem apenas um raio, mas o Manifestante Universal é o espelho em que esse Sol se reflete em toda a sua perfeição, revelando todos os seus atributos, sinais e maravilhas.
Conhecer a Divina Realidade é-nos vedado, porém conhecer o Manifestante de Deus equivale a conhecer Deus, visto serem revelados Nele os atributos, graças e esplendores divinos. Se, pois, o homem atingir o conhecimento do Manifestante, terá conhecido o próprio Deus; e também, se desprezar a graça de conhecer o Santo Manifestante, será privado da graça de conhecer a Deus. Está claro então, serem os Santos Manifestantes os centros dos sinais, graças e perfeições de Deus. Bem-aventurados os que recebem, dessas Alvoradas Luminosas, a luz da graça divina.
Oxalá os amigos de Deus, com uma força irresistível, atraiam essas graças da própria fonte, e se ergam tão intensamente iluminados que dêem testemunho irrefutável da existência do Sol da Realidade!









LX

A IMORTALIDADE DO ESPÍRITO (I)


Já que demonstramos a existência do espírito humano (1) devemos agora provar sua imortalidade.
Os Livros Sagrados falam da imortalidade do espírito: é a base fundamental das religiões divinas. Dizem haver duas espécies de recompensas e punições, as desta vida, e as do outro mundo. Em todos os mundos de Deus, seja neste, ou nos mundos celestiais, espirituais, há paraíso e há inferno. Ganhar as recompensas é ganhar a vida eterna. Por isso Cristo disse que se deveria pelos atos merecer atingir a vida eterna, e, nascendo da água e do espírito, entrar no Reino do Céu.
As recompensas desta vida são as virtudes e perfeições que adornam o homem. Por exemplo, ele está submerso em trevas e torna-se luminoso; tem pouco conhecimento, e adquire sabedoria; é descuidado, e torna-se vigilante; adormecido, e desperta; morto, e ressuscita; é cego, e adquire a visão; surdo, e ganha o poder de ouvir; de homem terreno, transforma-se em homem celestial; de materialista, em homem de espiritualidade. Em virtude de tais recompensas, alcança o nascimento espiritual; faz-se nova criatura. É-lhe aplicável, pois, o versículo do Evangelho que diz, com referência aos discípulos: “Não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do varão, mas de Deus”(2). Equivale a dizer: libertaram-se das qualidades animais que caracterizam a natureza humana, e adquiriram as divinas, as graças de Deus. É isso que significa o segundo nascimento. Para essas almas, não há maior tortura que a de serem excluídas de Deus, nem existe punição mais severa do que a de serem dominadas pelos vícios sensuais e desejos da carne, e estigmatizadas por baixezas e indignidades. Quando, graças à luz da fé, elas se libertam da escuridão de tais vícios, sendo iluminadas pelo esplendor do Sol da Realidade e enobrecidas por todas as virtudes, nisso vêem sua maior recompensa – nisso reconhecem o verdadeiro paraíso. Da mesma maneira, elas consideram a punição espiritual, isto é, a tortura ou o castigo da existência, como equivalente a estar sujeito ao mundo da natureza, a ser privado de Deus, a ser brutal e ignorante, dominado pela luxúria, absorvido pela fraqueza animal, caracterizado por más tendências, tais como a tirania, a crueldade, a mentira, o apego às coisas deste mundo e a sujeição a idéias satânicas. Para essas almas, tudo isso constitui a maior tortura, a mais severa punição.
De modo semelhante, as recompensas do outro mundo são a vida eterna mencionada claramente em todos os Livros Sagrados, as perfeições e as graças divinas, e a eterna felicidade; são as perfeições e a paz alcançadas no domínio espiritual, após se haver deixado este mundo, assim como as recompensas desta vida são as verdadeiras perfeições luminosas obtidas neste mundo e causadoras da vida eterna, pois nelas consiste o próprio progresso da existência. Tal como sucede quando o homem passa do estado embrionário para o da maturidade e assim se torna a manifestação destas palavras: “Abençoado seja Deus, o melhor dos criadores”. As recompensas do outro mundo são, pois, a paz, as graças espirituais, as várias dádivas espirituais no Reino de Deus, a realização dos desejos da alma e do coração, e o encontro com Deus no mundo da eternidade; justamente como, por outro lado, as punições ou torturas do outro mundo consistem em achar-se destituído das especiais bênçãos divinas e graças absolutas, e em degradar-se aos graus inferiores da existência. Quem se priva destes favores divinos, embora continue a existir após sua partida deste mundo, é, no entanto, considerado pelo povo da verdade como sendo um morto.
Uma prova lógica da imortalidade do espírito é esta: uma coisa inexistente não pode dar sinal de existência; é impossível que sinais apareçam da inexistência absoluta, porque sinais são um resultado, o que depende de uma causa. De um sol inexistente não se irradiará luz alguma, bem como, de um mar inexistente, nenhuma onda surgirá; jamais cairão chuvas de uma nuvem que não existe, nem aparecerão frutos numa árvore inexistente; tampouco poderá um homem inexistente manifestar ou produzir coisa alguma. Enquanto, pois, aparecerem sinais de existência, estes serão prova de uma existência.
Consideremos: o Reino de Cristo ainda hoje existe; de um rei inexistente, seria possível manifestar-se um reino tão grandioso? Seria possível terem ondas tão altas surgido de um mar que existia, ou tão deleitável fragrância ter emanado de um jardim inexistente? Reflitamos: não resta efeito, vestígio ou influência alguma de qualquer outro ser após a dispersão das partes que o compunham, uma vez desintegrados seus elementos – sejam estes de mineral, vegetal ou animal. Somente o homem, o espírito humano, persiste, continua a agir e exercer poder ainda depois da desintegração do corpo e da dispersão das partículas que o compunham.
Este é um ponto extremamente sutil: considerai-o com atenção. Apresentamos uma prova racional, para que os sensatos possam pesar na balança da razão e da justiça. Se, porém, o espírito humano enlevar-se, se for atraído ao Reino de Deus, se adquirir a visão interior e fortalecer o ouvido espiritual, a tal ponto que os sentimentos espirituais predominem, então verá a imortalidade do espírito tão claramente como vê o sol, e perceberá a boa nova e os sinais de Deus por todos os lados.
Amanhã daremos outras provas.



LXI

A IMORTALIDADE DO ESPÍRITO (II)


Ontem tratamos da imortalidade do espírito.
Observamos que tanto o poder de entendimento como a capacidade de ação do espírito humano, são de duas categorias; isto é, o espírito percebe e age de duas maneiras diferentes: uma, por meio de instrumentos ou órgãos, como, por exemplo, vê com os olhos, ouve com os ouvidos, fala com a língua. Tal é a percepção do homem – do espírito humano, e tal é seu modo de agir, por meio de órgãos. É o espírito quem vê, sendo os olhos o instrumento; o espírito quem ouve, por meio dos ouvidos; o espírito quem fala, por intermédio da língua.
A outra maneira pela qual o espírito manifesta seus poderes de perceber e agir não depende dos órgãos. Por exemplo, durante o sono, vê sem precisar de olhos, ouve sem usar os ouvidos, fala sem língua, e move-se sem pés. Estas ações não dependem de instrumentos e órgãos. Quantas vezes acontece, durante o sono, o espírito perceber um sonho, cujo significado se torna claro uns dois anos depois, ao sucederem os fatos correspondentes. Assim também, quantas vezes acontece que um problema insolúvel no estado de vigília é resolvido no mundo dos sonhos. Acordado, o homem enxerga com os olhos apenas uma pequena distância, ao passo que, em sonho, pode do oriente ver o ocidente. Acordado, vê o presente, enquanto dormindo, vê o futuro. Acordado, o homem viaja, por meios rápidos, apenas vinte farsakhs (1) por hora; em sono, num abrir e fechar de olhos, atravessa o mundo, de leste a oeste. O espírito, pois, viaja de dois modos: sem meios, sendo esta uma viagem espiritual, e com meios, no caso de uma viagem material, assim como um pássaro pode voar ou ser transportado.
Enquanto adormecido, o corpo parece morto: não vê, nem ouve; não sente, não tem consciência ou percepção; seus poderes estão inativos. O espírito, entretanto, vive, subsiste; ainda mais, sua penetração é aumentada, seu vôo é de maior alcance, sua inteligência é superior. Imaginar que o espírito pereça ao morrer o corpo, é como imaginar que o pássaro morra ao quebrar-se-lhe a gaiola. Nada tem o pássaro que recear, porém, com a destruição da gaiola. Nosso corpo é apenas a gaiola, enquanto o espírito é o pássaro. Vemos que esse pássaro voa no domínio do sono, sem a gaiola; portanto, se esta for quebrada, ele continuará a existir, e seus sentimentos serão até mais poderosos, suas percepções mais agudas, e sua felicidade maior. Na verdade, deixará um inferno para entrar num paraíso de delícias, pois para os pássaros gratos, não há paraíso maior que se libertar da gaiola. É por isso que os mártires se precipitam na arena do sacrifício com perfeito contentamento e alegria.
Quando o espírito humano age por intermédio do corpo, seu poder é limitado pela capacidade corporal. Assim, com os olhos físicos, o homem vê até uma certa distância, equivalente a uma hora(2), mas com a vista interior, com os olhos mentais, vê a América, percebe o que está ali, examina e pode decidir determinados assuntos. Fosse o espírito idêntico ao corpo, o poder da vista interior estaria na mesma proporção. Torna-se claro, pois, que o espírito é diferente do corpo – que o pássaro é diferente da gaiola – e que seu poder aumenta, e sua penetração é mais aguda, quando age independentemente do corpo. Ao abandonar um instrumento, o possuidor continua a agir. Um escritor pode quebrar a pena e permanecer vivo e presente. Uma cada pode ser destruída, sem que o dono deixe de viver. Aqui temos uma das evidências lógicas da imortalidade da alma.
Há outra: o corpo pode aumentar ou diminuir de peso, adoecer ou recuperar a saúde, fatigar-se ou descansar, perder às vezes uma mão ou uma perna, ou sofrer uma mutilação, ficar cego, ou surdo, ou mudo, ou paralítico – numa palavra, está sujeito a todas as imperfeições. O espírito, entretanto, conserva seu estado original, sua própria percepção; é eterno, não pode ser mutilado, nem se tornar defeituoso. Quando o corpo, porém, é completamente dominado por alguma doença ou outra aflição, pode ficar privado das graças do espírito, tal como o espelho, quando se quebra ou se cobre de poeira, e assim não reflete os raios do sol, nem revela suas graças.
Já explicamos que o espírito do homem não existe no corpo, por ser santificado e não sujeito a entradas nem saídas – coisas que são puras condições físicas. A relação entre espírito e corpo é semelhante à do sol com o espelho. O espírito mantém-se numa só condição, não sendo afetado pelas moléstias do corpo, nem pela sua saúde; não adoece, nem enfraquece; não diminui em peso ou em tamanho; não se torna pobre, nem infeliz. As enfermidades do corpo não o atingem; ainda que o corpo se torne débil, perca mãos, pés e língua, ou seja privado dos sentidos, audição ou vista, nada disso terá efeito algum sobre o espírito. É claro, pois, é indiscutível, que o espírito difere do corpo, e sua duração é independente da duração deste. Na verdade, o espírito exerce supremo domínio sobre o corpo; sua força e sua influência tornam-se visíveis nele, semelhantes às graças do sol refletidas no espelho. O espelho, porém, ao cobrir-se de pó, ou quebrar-se, deixa de refletir os raios do sol.




LXII

AS PERFEIÇÕES SÃO ILIMITADAS


Observemos que as condições da existência se restringem às de servidão, estado profético, e Divindade. As perfeições divinas e as contingentes, ambas, são ilimitadas. Ao refletirmos, descobrimos serem ilimitadas até as perfeições exteriores da existência, porque não encontramos ser algum tão perfeito que não lhe possamos imaginar um superior. Por exemplo, não se vê no reino mineral um rubi, ou no reino vegetal uma rosa, ou no reino animal um rouxinol, de tal perfeição que se não possa imaginar espécimes mais perfeitos. Como são infinitas as graças divinas, também o são as perfeições humanas. Se nos fosse possível atingir o limite da perfeição, teríamos então alcançado a condição de seres independentes de Deus – o contingente teria atingido a condição do absoluto. Mas há para cada um dos seres um ponto que ele não pode ultrapassar. Por exemplo, quem está no grau de servo, por mais que progrida nos sentido de adquirir perfeições, nunca alcançará a condição de Divindade. O mesmo sucede com os outros seres: o mineral, não importa quanto progrida em seu próprio reino, jamais adquirirá o poder vegetal, como tampouco aparecerá na flor, por mais que ela progrida em seu reino, qualquer poder sensorial. Assim, esta prata não há de adquirir o poder de ouvir ou ver, podendo, quando muito, melhorar dentro de sua própria condição, aperfeiçoar-se como mineral; jamais terá o poder do crescimento nem o da sensação – não adquirirá vida. Ela só poderá progredir dentro dos limites de sua própria condição.
Por exemplo, Pedro não se pode tornar Cristo. Tudo o que pode fazer é atingir infinitas perfeições em seu estado de servo, pois cada ser existente está apto a fazer progresso. Desde que o espírito humano, após haver abandonado esta forma material, tem uma vida eterna, e já que todo ser vivo pode, certamente, progredir, é-nos permitido orar para que um homem progrida após a morte, receba perdão, misericórdia, graça e várias bênçãos, pois tudo que existe é capaz de progresso. É por isso que as orações de Bahá´u´lláh pedem clemência e remissão dos pecados para os mortos. Além disso, assim como neste mundo precisamos de Deus, também no outro precisaremos Dele. As criaturas estão sempre necessitadas, seja neste mundo, ou no outro, enquanto Deus é a absoluta independência.
A riqueza do outro mundo consiste na proximidade de Deus. Por conseguinte, é permitido aos que estão próximos da Corte Divina interceder pelos outros, sendo tal intercessão aprovada por Deus. Mas a intercessão no outro mundo não é como neste: é outra coisa, outra realidade, impossível de expressar em palavras.
Se na hora da morte um rico legar aos pobres e infelizes uma parte de sua riqueza para ser gasta em benefício deles, tal ato pode ser causa de seu perdão e de seu progresso no Reino Divino.
Acontece muitas vezes passarem pai e mãe pelas maiores provações e durezas por causa dos filhos, e apenas estes chegam à idade adulta, os pais têm de partir para o outro mundo. Raramente vêem neste mundo a recompensa dos cuidados que dedicaram aos filhos. Estes, pois, reconhecendo tais cuidados e sacrifícios, devem mostrar caridade e misericórdia e implorar perdão para os pais. Assim, o amor e a bondade que vos foram dispensadas pelo vosso pai, deveis retribuir, dando aos pobres em seu nome, rogando perdão e remissão de seus pecados com a maior humildade, implorando para ele a suprema misericórdia.
É até possível modificar o estado dos que morreram em pecado, descrentes; isto é, o perdão ser-lhes-á concedido, graças à bondade de Deus, e não de acordo com Sua justiça, pois dar quando não há merecimento constitui pura bondade, enquanto a justiça exige que se dê o que é merecido. Assim como temos neste mundo o poder de orar por essas pessoas, tê-lo-emos no outro mundo, também, no Reino de Deus. Não continuarão todos a ser naquele mundo, criaturas de Deus? Portanto, ali poderão também progredir. Como aqui recebem luz por meio da prece, igualmente poderão ali pedir perdão e receber luz mediante preces e súplicas. As almas neste mundo progridem graças às súplicas e preces de pessoas santas, e após a morte o mesmo ocorrerá. Progridem também pelas próprias orações e súplicas, e mais especialmente quando por eles intercedem os Santos Manifestantes.


LXIII

A EVOLUÇÃO DO HOMEM NO OUTRO MUNDO


Observemos: nenhuma coisa existente permanece inerte; tudo está em movimento. Todas as coisas crescem ou declinam, vêm da inexistência para a existência, ou saem desta para aquela. Assim, esta flor, este jacinto, durante certo período de tempo esteve passando do mundo da inexistência para o da existência, e agora vai passando deste para aquele. Tal estado de movimento consideramos essencial, ou natural, pois não pode ser isolado dos seres, já que é um requisito essencial deles, assim como queimar é requisito inerente ao fogo.
Torna-se claro, então, ser o movimento indispensável à existência, a qual é obrigada ou a progredir ou a retroceder. Como o espírito continua a existir após a morte, tem necessariamente de progredir ou de retroceder – não progredir é, no outro mundo, a mesma coisa que retroceder – mas nunca sairá de sua própria condição; nela há de se desenvolver sempre. Por exemplo, a realidade do espírito de Pedro, não importa quanto progrida, jamais atingirá a condição da Realidade de Cristo; apenas progredirá dentro de seu próprio estado.
Vejamos este mineral: por mais que evolua, apenas evoluirá em sua própria condição; é impossível elevar o cristal a ponto de adquirir o sentido da vista. Assim a lua que está nos céus, não importa quanto evolua, jamais se tornará um sol luminoso, embora tenha, em sua própria condição, apogeu e decadência. Por mais que progredissem, os discípulos nunca se tornariam Cristo. É verdade que o carvão se transforma em diamante, mas é por estarem ambos na condição mineral e terem os mesmos elementos componentes.


LXIV

O ESTADO DO HOMEM E SEU PROGRESSO
APÓS A MORTE


Ao contemplarmos os seres, notamos estarem divididos, de um modo geral, em três grupos: mineral, vegetal e animal, contendo cada um suas várias espécies. A espécie mais elevada é a humana, por possuir as perfeições de todos os grupos. O homem tem um corpo que cresce e que sente, e não só tem as perfeições do mineral, do vegetal e do animal, mas também possui especiais atributos dos quais carecem os outros seres: os atributos intelectuais. Por conseguinte, o homem é o mais elevado dos seres.
O homem alcançou o grau máximo da materialidade, e o começo da espiritualidade, ou seja, o fim da imperfeição e o princípio da perfeição. Está no último grau da escuridão e no começo da luz. Foi dito, por isso, que no estado humano são assinalados o fim da noite e o princípio do dia; isto é, o homem é a soma de todos os graus da imperfeição e possui também os da perfeição. Tem o lado animal, bem como o angélico; fazer este lado predominar sobre aquele é o que visa o educador em seu esforço de orientar a alma humana. Se, pois, o poder divino no homem, ou seja sua perfeição essencial, predominar sobre o poder satânico, o qual é absoluta imperfeição, ele tornar-se-á, efetivamente, a mais elevada das criaturas; se, por outro lado, o poder satânico vencer o divino, ele será o mais decaído de todos. Por isso dizemos ser o homem o fim da imperfeição e ao mesmo tempo o começo da perfeição. Em espécie alguma do mundo existente encontramos essa diferença, esse contraste, essa contradição, ou oposição, que vemos na espécie humana. Assim, o reflexo da Luz Divina percebemos num Cristo e notamos quanto amor e reverência Lhe são dedicados! Por outro lado, vemos um homem adorar uma pedra, um monte de terra, ou uma árvore. Quão vil se mostra em adorar a mais baixa forma da existência – uma pedra, ou barro, que não tem espírito, um monte, uma floresta, ou uma árvore! Será concebível maior vergonha para o homem do que isto – adorar as formas inferiores da criação? O conhecimento é uma qualidade do homem, como também o é a ignorância; a sinceridade é um de seus atributos, e também o é a falsidade; a honradez e a perfídia, a justiça e a injustiça, são atributos humanos, e assim por diante. Numa palavra, todas as perfeições e virtudes, bem como todos os vícios, são propriedades do homem. Semelhantemente, consideremos as diferenças que existem entre vários indivíduos. Cristo apresentou-se em forma de homem, e Caifás também. Moisés e Faraó, Abel e Caim, Bahá´u´lláh e Yahya(1), eram homens.
Diz-se que o homem é quem melhor representa Deus, sendo o Livro da Criação, porque encerra todos os mistérios da existência. Se o homem se abrigar à sombra do Verdadeiro Educador e receber a devida orientação, tornar-se-á a essência das essências, a luz das luzes, o espírito dos espíritos; será o centro dos sinais divinos e a fonte das virtudes espirituais, a alvorada das luzes celestes e o receptáculo das inspirações divinas. Se, porém, for privado dessa educação, manifestará qualidades satânicas, tornando-se sede dos vícios animais e fonte de todas as torpezas.
É a missão do Profeta educar o homem, a fim de que esse pedaço de carvão se transforme em diamante, essa árvore infrutífera seja enxertada de modo a produzir frutos mais doces e deleitáveis. Após haver atingido o mais elevado grau possível no mundo humano, o homem poderá ainda progredir nos graus da perfeição, embora não em estado, pois os estados são limitados, enquanto as divinas perfeições são infinitas.
Não só antes de abandonar esta forma material, mas também depois de o fazer, há progresso, aperfeiçoamento, embora não seja em estado. No homem perfeito os seres encontram sua consumação. Não existe criatura superior ao homem perfeito. Quando atinge esse estado, o homem pode ainda progredir no sentido de se aperfeiçoar, embora não em estado, pois não há estágio superior ao do homem perfeito para o qual possa ser transferido. Ele progride somente dentro do estado humano, sendo infinitas as perfeições humanas. Assim por mais sábio que seja um homem, ainda é possível imaginarmos um outro mais sábio.
Logo, em virtude de serem infinitas as perfeições da humanidade, o homem pode continuar a afeiçoar-se após sua partida deste mundo.






LXV

EXPLICAÇÃO DE UM VERSÍCULO
DO KITÁB-I-AQDAS


Pergunta – No Kitáb-i-Aqdas está escrito: “Ele pertence ao povo do erro, ainda que manifeste todas as boas ações”. Que significa este versículo?
Resposta – Este abençoado versículo significa que a base da plenitude e da salvação é o conhecimento de Deus, e que as boas ações, os frutos da fé, resultam desse conhecimento.
O homem que não o possui, afasta-se de Deus; e quando há tal afastamento, as boas ações não alcançam efeito completo. Esse versículo não quer dizer que as almas afastadas de Deus sejam iguais, independentemente de suas ações boas ou más, e sim apenas que é fundamental o conhecimento de Deus, sendo as boas ações resultantes disso. Entre as almas privadas de Deus, há sem dúvida uma diferença, conforme sejam boas, pecadoras ou perversas. O homem de bons princípios, de bom caráter, ainda que conheça Deus, merece Seu perdão, enquanto o homem de más qualidades, de caráter perverso, um pecador, priva-se das graças e bênçãos divinas. Aí está a diferença.
Esse bendito versículo, significa, pois, que a salvação eterna, a prosperidade e o bem-estar imperecíveis – a entrada no Reino de Deus, não depende somente das boas ações mas também do conhecimento de Deus.


LXVI

A EXISTÊNCIA DA ALMA RACIONAL
APÓS A MORTE DO CORPO


Pergunta – Quando o corpo for abandonado, e o espírito estiver livre, de que modo existirá a alma racional? Suponhamos que as almas amparadas pelas graças do Espírito Santo atinjam a verdadeira existência e a vida eterna, mas que será das almas racionais(1), ou espírito velados?
Resposta – Há quem pense ser corpo a substância, existindo por si, e o espírito o acidente, dependendo da substância corpórea; mas, pelo contrário, a alma racional é a substância, da qual o corpo depende. Se o acidente – corpo – for destruído, a substância – espírito – permanecerá.
Em segundo lugar, a alma racional, ou seja o espírito humano, não desce para o corpo, nem entra nele, pois descida e entrada são características dos corpos, e a alma racional está isenta disso. Visto que o espírito jamais entrou neste corpo, não carecerá de morada, ao abandoná-lo. A relação entre o espírito e o corpo é semelhante à relação desta luz com este espelho. Quando o espelho está limpo, perfeito, a luz da lâmpada torna-se visível nele, mas quando se encobre de poeira, ou se quebra, a luz desaparece.
Já que a alma racional, ou seja o espírito humano, não entrou neste corpo, nem existiu por seu intermédio, por que imaginarmos que precisará de qualquer substância para continuar a existir após a decomposição do corpo? Ao contrário, a alma racional é a substância, e graças a ela o corpo existe. A personalidade da alma racional existe desde seu começo, não sendo devida à mediação do corpo. O estado e a personalidade da alma racional, entretanto, podem fortalecer-se neste mundo. A alma poderá progredir, atingindo vários graus de perfeição, como também poderá estacionar no mais fundo abismo da ignorância, privada dos sinais de Deus.
Pergunta – De que dependerá o progresso do espírito humano, ou da alma racional, após sua partida deste mundo mortal?
Resposta – O progresso do espírito do homem no mundo divino, após perder o contacto com o corpo, que é pó, será somente através das graças do Senhor; seja pela intercessão e preces sinceras de outros seres humanos, ou pelas caridades ou boas obras importantes realizadas em seu nome.


A IMORTALIDADE DAS CRIANÇAS


Pergunta – Qual a condição das crianças mortas antes de alcançarem a idade do discernimento, ou antes de nascerem?
Resposta – Essas criancinhas ficam à sombra do favor de Deus. Desde que não cometeram pecado algum, nem se macularam com as impurezas do mundo da natureza, são focos de manifestação da bondade, e o Olhar Misericordioso pousará nelas.





LXVII

A VIDA ETERNA E A ENTRADA NO REINO
DE DEUS


Perguntastes sobre a vida eterna e a entrada no Reino. A expressão usada para indicar o Reino é céu, mas isso é apenas uma figura, ou modo de dizer, e não uma realidade ou fato. O Reino aqui não é um lugar material, pois transcende o tempo e o espaço. É um mundo espiritual, divino, o centro da soberania de Deus; é independente do corpo e daquilo que é corpóreo, e sua pureza e santidade pairam acima de toda a imaginação humana. Ser limitado pelo espaço é próprio dos corpos e não dos espíritos. Espaço e tempo envolvem o corpo, mas não a mente ou o espírito. Vemos o corpo do homem confinar-se a um pequeno espaço, ocupar uns dois palmos de terra, ao passo que seu espírito e sua mente viajam a todos os países e regiões, até mesmo através do ilimitado espaço dos céus, abrangendo tudo o que existe, fazendo descobertas nas mais elevadas esferas e mais infinitas distâncias. Isso é porque para o espírito não existe espaço, e circunscrevê-lo é impossível. O espírito vê terra e céus como uma só coisa, fazendo em ambos as suas descobertas. O corpo, por outro lado, está restrito a um espaço, e nada sabe daquilo que estiver além desse espaço.
Há duas espécies de vida: a do corpo e a do espírito. A primeira é material, mas a segunda expressa a existência do Reino, depende do Espírito Divino e do sopro de vida que emana do Espírito Santo. A vida material, se bem que tenha existência, é para os santos, pura inexistência; é morte absoluta. Assim, o homem existe, e esta pedra também existe, mas quão diferentes a existência do homem e a da pedra! A pedra existe, mas em relação ao homem, é inexistente.
A vida eterna é uma graça concedida pelo Espírito Santo, assim como o ar e as brisas primaveris são as graças da estação recebidas pela flor. Consideremos: esta flor tinha, a princípio, uma vida comparável à do mineral; ao chegar a primavera, com as graças de suas nuvens e o calor do sol ardente, atingiu outra vida, adquiriu fragrância, delicadeza e frescura. A primeira vida da flor, em comparação com a segunda, é apenas morte.
Queremos dizer com isso que a vida do Reino é a do espírito, a vida eterna, pura e independente de lugar, assim como o espírito humano, que é inespacial. Se examinardes o corpo humano, não encontrareis nenhum ponto ou local destinado ao espírito, porque, sendo imaterial, nunca se localizou. Associa-se ao corpo do mesmo modo que o sol, a este espelho. O sol não está dentro do espelho, mas tem com ele alguma relação.
Assim também, o mundo do Reino é santificado acima de tudo o que é perceptível pela vista ou pelos outros sentidos – audição, olfato, gosto ou tato. A mente do homem, cuja existência é reconhecida – em que parte do corpo está? Se com os olhos, ouvidos, ou outros sentidos examinardes o corpo, não a encontrareis; entretanto, a mente existe. É, pois, inespacial, mas se associa ao cérebro. O Reino Divino também é assim. O amor não tem sede, mas está ligado ao coração. Semelhantemente, o Reino não se limita a um certo lugar, mas tem uma relação com o homem.
A entrada no Reino é através do amor a Deus e do desprendimento; depende de se ser santo e casto, sincero e puro; é pela constância, pela fidelidade, e pelo sacrifício da vida.
Estas explicações mostram que o homem é imortal, que vive eternamente. Para os que acreditam em Deus, que Lhe têm amor e fé, a vida é excelente, é eterna, mas para aquelas almas privadas de Deus, embora tenham vida, sua vida é obscura – comparada com a vida dos que acreditam em Deus, é inexistência.
Por exemplo, os olhos e as unhas têm vida, mas a das unhas em comparação com a dos olhos equivale à inexistência. Esta pedra e este homem ambos existem, mas a existência da pedra em comparação com a do homem é inexistência, pois quando o homem morre, seu corpo, decompondo-se, torna-se igual à pedra ou à terra. É claro, pois, que o mineral, embora exista, é, em relação ao homem, inexistente.
De modo semelhante, as almas privadas de Deus, se bem que existam neste mundo e no vindouro, em comparação com a santa existência dos filhos do Reino Divino, são inexistentes e afastados de Deus.


LXVIII

O DESTINO


Pergunta – A predestinação mencionada nos Livros Sagrados é uma coisa decretada? Se o é, não se torna inútil o esforço de evitá-la?
Resposta – Há duas espécies de destino: uma é pretraçada, enquanto a outra é condicionada a eventualidades. O destino pretraçado não pode ser mudado ou alterado, e o destino condicional pode ou não ocorrer. Assim, para esta lâmpada o destino decretado é que o óleo queime e se consuma. Sua extinção final é, portanto, um decreto impossível de ser mudado ou alterado, porque é uma fatalidade. Também no corpo humano foi criado um poder vital, e quando este for destruído, esgotado, o corpo decompor-se-á, do mesmo modo que a lâmpada se apaga, forçosamente, ao esgotar-se o óleo.
O destino condicionado a eventualidades é comparável ao seguinte caso: há óleo ainda na lâmpada, mas vem um vento muito forte e a apaga. Tal é o destino condicional. É prudente evitá-lo, proteger-se contra ele, ser cauteloso e moderado.
O destino pretraçado, porém, semelhante ao esgotamento do óleo na lâmpada, não pode ser alterado – é imutável e impreterível. Tem de acontecer. Certamente a lâmpada haverá de se apagar.


LXIX

A INFLUÊNCIA DAS ESTRELAS


Pergunta – As estrelas dos céus exercem ou não alguma influência sobre a alma humana?
Resposta – Algumas das estrelas celestes têm um efeito material, claramente visível sobre o globo terrestre e seus seres, o qual não necessita de explicação. Por exemplo, o sol, graças ao amparo e providência de Deus, dá vida à terra e a todos os seres que a habitam. Sem sua luz e seu calor, todas as criaturas terrestres, fatalmente, deixariam de existir.
Se refletirdes profundamente sobre a influência espiritual das estrelas, embora tal influência no mundo humano possa parecer coisa estranha, não vos admirareis tanto. Não quero dizer, porém, que tudo quanto os astrólogos dos tempos antigos inferiam dos movimentos das estrelas tivesse correspondido aos fatos. Seus decretos foram apenas frutos da imaginação, criados pelos sacerdotes egípcios, assírios e caldeus, ou então pelas fantasias dos hindus, dos mitos gregos, romanos e de outros adoradores das estrelas. Quero dizer, sim, que este infinito universo assemelha-se ao corpo humano, no qual todas as partes revelam uma vigorosa interdependência. Vemos como estão inter-relacionados seus órgãos, membros e partes, para mútuo benefício e cooperação, e quanto influi um sobre o outro! Semelhantemente estão inter-relacionadas as partes deste infinito universo, exercendo seus membros e elementos uma influência recíproca, tanto espiritual como material.
Os olhos vêem, por exemplo, e isso afeta todo o corpo; o ouvido ouve, e isso pode ter um efeito sobre todos os membros. Não há dúvida a esse respeito, e o universo é semelhante a uma pessoa. A relação que existe entre os seres deve sobretudo e necessariamente ter uma influência, tanto material como espiritual.
Para aqueles que negam a possibilidade de uma influência espiritual sobre coisas materiais, citamos este exemplo simples: os maravilhosos sons e tons, as melodias e vozes encantadoras, são apenas acidentes que afetam o ar – pois som significa vibrações do ar – e essas vibrações afetam por sua vez os nervos do tímpano, provocando a audição. Ora, reflitamos: a vibração do ar – acidente sem importância – atrai ou perturba o espírito do homem, exerce grande efeito sobre ele, fazendo-o chorar ou rir, ou talvez afetando-o a tal ponto que o leve a expor-se a perigos. Vejamos, pois, qual a relação existente entre o espírito humano e a vibração atmosférica, para que possa o movimento do ar transportá-lo de um a outro estado, dominá-lo completamente, e roubar-lhe a paciência e a tranqüilidade. É bem estranho: o cantor nada emite que penetre em seu ouvinte; no entanto, um grande efeito espiritual é produzido. Sem dúvida, pois, essa estreita relação entre os seres deve exercer influência espiritual.
Dissemos que as várias partes do organismo humano se afetam reciprocamente. Os olhos vêem, e isso afeta o coração; o ouvido ouve, e isso exerce uma influência sobre o espírito; o coração entra em repouso, os pensamentos tornam-se serenos, e todo o corpo humano atinge um estado deleitável. Que grande essa relação, e que harmonia! Já que existe tal relação, tal influência ou efeito espiritual, entre as partes do corpo desse homem, que é apenas um dos muitos seres finitos, deve haver indubitavelmente, entre os seres universais, infinitos, uma relação tanto espiritual como material. Embora não conseguíssemos ainda descobrir essas relações por meio da ciência atual ou qualquer regra conhecida, sua existência entre todos os seres é, não obstante, certa e absoluta.
Em conclusão: os seres, sejam grandes ou pequenos, estão ligados uns aos outros, em acordo com a perfeita sabedoria divina, e exercem uma influência recíproca. Se assim não fosse, haveria desordem e imperfeição no sistema do universo, no plano geral da existência. Como existe entre os seres, porém, uma relação muito estreita, eles acham-se em ordem nos seus lugares, e são perfeitos.
Este assunto merece ser examinado.


LXX

LIVRE ARBÍTRIO


Pergunta – É o homem agente livre em todas as suas ações, ou é ele compelido e forçado?
Resposta – Essa questão é um dos mais importantes e mais abstrusos dos problemas divinos. Se Deus quiser, qualquer outro dia, ao começo do jantar daremos uma explicação minuciosa desse assunto; agora explicá-lo-emos ligeiramente, em poucas palavras, da seguinte maneira.
Algumas coisas estão sujeitas ao livre arbítrio do homem, tais como a justiça e a equidade, ou a injustiça e a tirania, bem como todas as ações boas e más. É claro que estas ações, em sua maioria, são deixadas à vontade do homem. Há certas coisas, por outro lado, às quais o homem é forçado a submeter-se: tais como o sono, a doença, o declínio do poder, os danos e infortúnios e a morte. Tudo isso é independente da vontade humana, e portanto, o homem não é responsável, sendo realmente forçado a suportar tais coisas. Mas na escolha de ações boas ou más, ele é agente livre; comete-as de acordo com sua própria vontade.
O homem pode, por exemplo, se ele quiser, passar seu tempo louvando a Deus, ou pode ocupar-se com outros pensamentos. É-lhe possível ou ser uma luz acesa pelo fogo do amor divino, um filantropo, ou absorver-se com as coisas materiais, e ser um misantropo. Ele pode ser justo, como também pode ser cruel. Tudo isso está sob o controle da vontade do próprio homem, sendo ele, por conseguinte, responsável por tais atos.
Surge agora outro aspecto: o homem é uma criatura fraca e dependente, pois força e poder são próprios de Deus. Tanto seu enaltecimento como sua humilhação dependem do prazer e da vontade do Altíssimo.
Está escrito no Evangelho: Deus é como um oleiro que faz “um vaso para a honra e outro para a desonra.” O vaso desonrado não tem direito de censurar o oleiro e perguntar: “Por que não fizeste de mim uma taça preciosa, para ser passada de mão em mão?” Este versículo dá a entender que as condições dos seres são diferentes. Quem está no grau interior da existência, no plano mineral, não tem o direito de queixar-se, dizendo: “Ó Deus, por que não me deste as perfeições do vegetal?” Igualmente, não compete à planta queixar-se por não lhe terem sido concedidas as perfeições do reino animal. Tampouco tem o animal o direito de se queixar porque lhe foram negadas as perfeições humanas. Não, para cada um desses seres há perfeições próprias de seu grau, e todos eles devem esforçar-se por alcançá-las. Os seres inferiores, como já dissemos, não têm direito às perfeições próprias dos graus superiores, nem tampouco à incapacidade de adquiri-las. Seu progresso forçosamente limita-se ao seu próprio grau.
A atividade do homem, ou sua inação, depende das graças divinas, pois, sem estas, não pode ele fazer ações boas, nem más. Quando a graça da existência lhe é concedida pelo Senhor Generoso, o homem pode fazer o bem ou o mal, mas ao ser privado desta graça, ele é absolutamente tolhido de agir. Eis porque os Livros Sagrados falam das graças e amparo divinos. O homem assemelha-se a um navio impelido pela força do vento ou do vapor, sem a qual não pode, em absoluto, se mover. O leme do navio, entretanto, dirige-o para um lado ou para outro, enquanto a força motriz oriunda do vento ou do vapor o impele na direção desejada. Se for dirigido para leste, irá para leste; ou se for dirigido para oeste, para ali irá. Esse movimento não provém do navio, mas do vento ou do vapor. De modo semelhante, em toda a ação ou inação do homem, seu poder deriva do amparo de Deus, mas a ele próprio cabe a escolha do bem ou do mal.
Se um rei nomeasse alguém para governar uma cidade, concedendo-lhe a força da autoridade e indicando-lhe os caminhos da justiça e da injustiça, segundo as leis, e se então tal governador cometesse injustiça, embora amparado pela autoridade e poder do rei, o rei não teria culpa disso. Se, por outro lado, o governador agisse com justiça, estaria assim fazendo pela autoridade do rei, e ao agrado deste.
Numa palavra, embora a escolha do bem e do mal seja de sua competência, o homem, no entanto, sob todas as circunstâncias, depende do amparo indispensável à vida, que provém do Onipotente. O Reino de Deus é muito grande, e todos são cativos nas mãos de Seu Poder. O servo nada pode fazer por sua própria vontade somente. Deus é poderoso, é Onipotente, é Quem ampara todos os seres.
O assunto está agora esclarecido...


LXXI

VISÕES E COMUNICAÇÃO COM ESPÍRITOS


Pergunta – Algumas pessoas acreditam na descoberta de certos meios de comunicação espiritual; isto é, na possibilidade de falar com os espíritos. Que espécie de comunicação é essa?
Resposta – Há duas espécies de revelação espiritual: uma é fruto da imaginação, simples afirmativa gratuita de algumas pessoas, enquanto a outra é semelhante à inspiração, e é autêntica. A esta última espécie pertencem as revelações de Isaías, de Jeremias e de São João, as quais são verdadeiras.
Não olvidemos que a força do pensamento humano pode seguir dois caminhos. Um, real, conduz-nos até uma verdade já provada, e onde vamos encontrar a realização de opiniões acuradas, teorias corretas, descobertas científicas e invenções. O outro só nos leva a pensamentos vãos e idéias inúteis, que nenhum fruto ou resultado produzem, carecendo de realidade, surgindo apenas como ondas do mar da imaginação e esvaindo-se como sonhos ociosos.
Temos, assim também, duas classes de revelações espirituais. Na primeira, figuram as dos Profetas e as visões espirituais dos eleitos. As visões dos Profetas não são sonhos, mas sim, verdadeiras revelações espirituais. Se eles dizem, por exemplo: “Vi uma pessoa de certa forma, a quem eu disse tal coisa, dando-me ela tal resposta”, esta visão pertence ao mundo da vigília e não ao do sono. É uma revelação espiritual expressa em forma de uma visão.
A outra classe de revelações espirituais não passa de pura imaginação, embora se apresente às vezes sob aparências tão convincentes, que muitas pessoas ingênuas acreditam em sua realidade. Mas a prova clara de que não passam de simples narrativas e histórias é a ausência absoluta de qualquer fruto, ou resultado, desse controle de espíritos.
A realidade do homem, de fato, abrange a realidade das coisas, penetra-lhes as propriedades e os segredos. Tanto assim que os conhecimentos – artes, ciências, e todas as maravilhas – foram descobertos pela realidade humana. Houve um tempo em que esses conhecimentos – essas artes e ciências e todas essas maravilhas – eram mistérios ocultos. O homem pouco a pouco as descobriu, trazendo-as do reino invisível para o visível. O espírito do homem, portanto, tem força capaz de abranger a realidade das coisas. Ele está na Europa, e descobre a América; está na terra e explora os céus. Traz à luz o segredo das coisas, penetra a realidade do que existe. Essas descobertas, com bases reais, são semelhantes à revelação, que é entendimento espiritual, inspiração divina, associação entre os espíritos humanos. Quando o Profeta diz, por exemplo: “Vi, disse, ouvi tal coisa”, torna-se claro possuir o espírito uma percepção que ultrapassa qualquer dos cinco sentidos, como sejam vista, audição, etc. Entre os que cultivam a vida espiritual há um entendimento espiritual, revelações, uma comunhão que nada tem de ver com a imaginação e a fantasia, uma associação que escapa à ação do tempo e do espaço. Diz o Evangelho que no Monte Tabor Moisés e Elias vieram ter com Cristo: evidentemente, não se trata aqui de um encontro material, mas sim de um acontecimento espiritual, apenas referido em termos físicos.
A outra espécie de aparecimento e comunicação apresentada como sendo atos de espíritos, não passa de pura fantasia, simulando realidade.
A mente humana às vezes descobre verdades, das quais decorrem evidentes resultados; são pensamentos com base. Mas há outros, sem base nenhuma, que são como ondas de um mar imaginário, sem resultado ou fruto de espécie alguma. Assim, o homem poderá ter durante o sono uma visão que tenha mais tarde a realizar-se exatamente, ao passo que, em outra ocasião, sonhará coisas absolutamente desprovidas de quaisquer conseqüências.
Assim, o que chamamos aqui conversa ou comunicação de espíritos é passível de divisão em duas espécies: uma simplesmente imaginária, outra semelhante às visões mencionadas no Livro Sagrado, tais como as revelações de São João e Isaías, e o encontro de Cristo com Moisés e Elias. Estas são reais, e operam maravilhas nos pensamentos, na mente dos homens, atraindo-lhes os corações.









LXXII

CURA POR MEIOS ESPIRITUAIS


Pergunta – Algumas pessoas curam os doentes por meios espirituais, isto é, sem a medicina. Como se explica isto?
Resposta – Saibam que há quatro espécies de cura sem a medicina. Duas derivam de causas materiais, e duas de espirituais.
Das duas espécies de cura material, uma é devida ao fato de que no homem a saúde e a doença, ambas, são contagiosas. O contágio da doença é violento e rápido, enquanto o da saúde é extremamente fraco e lento. Quando dois corpos estão em contato, partículas microbiais passam inevitavelmente de um ao outro. Assim como a moléstia é transmitida de um corpo a outro com rápido e forte contágio, é possível que a saúde vigorosa de uma pessoa robusta alivie um ligeiro mal numa doente. Isto é, enquanto o contágio da moléstia é violento e de efeito rápido, o da saúde é muito lento e exerce uma influência pequena, sendo apenas em enfermidades ligeiras que têm este pouco efeito. Assim, pois, o grande vigor de um corpo saudável pode superar a ligeira fraqueza de um doente, daí resultando saúde. É esta uma espécie de cura.
A outra espécie de cura independente da medicina é através da força magnética transmitida por um corpo a outro, que efetua uma cura. Também esta força é só de pequeno efeito. Às vezes se pode aliviar uma pessoa doente pondo-lhe a mão na cabeça ou sobre o coração. Por quê? Por causa do efeito do magnetismo e da impressão mental feita no doente que faz desvanecer-se a moléstia. Este efeito, porém, é muito leve e fraco.
Das outras duas espécies de cura que são espirituais, sendo o meio de cura um poder espiritual, uma é realizada quando a mente de uma pessoa forte se concentra inteiramente numa pessoa enferma, e esta espera, com toda sua fé concentrada, que se efetuará uma cura através do poder espiritual da pessoa forte, ao ponto de se estabelecer entre as duas pessoas uma relação cordial. O maior esforço possível é feito para que a cura seja realizada, e o paciente deve ter certeza de ser curado. Essas impressões mentais produzem um excitamento dos nervos, e isto pode causar o restabelecimento do enfermo. Assim quando uma pessoa enferma tem um desejo ardente e uma fervorosa esperança de alguma coisa, e ouve subitamente a notícia de sua realização, pode resultar um excitamento nervoso que faça a doença desaparecer por completo. De modo igual, se houver de súbito um motivo de terror, talvez seja produzido um excitamento nos nervos de uma pessoa forte que cause logo uma doença. A causa não será de natureza material, pois a pessoa pode não ter comido nem tocado coisa alguma que lhe fosse nociva – a única causa da doença é, pois, o excitamento dos nervos. Também a súbita realização de um grande desejo motivará tanta alegria que os nervos serão estimulados, e disso pode resultar saúde.
Enfim, havendo uma relação completa, perfeita, entre o médico espiritual e o doente – isto é, de tal modo que o médico espiritual se concentre inteiramente, e toda a atenção da pessoa enferma seja prestada ao médico espiritual, de quem ela espera obter saúde – isso pode causar um excitamento de nervos do qual resulte a cura. Tudo isso, porém, é eficaz só até certo ponto, e nem sempre. Quando alguém é atingido por uma moléstia violenta, ou é ferido, tais meios não poderão remover a moléstia nem fechar a ferida. Isto é, são improfícuos no caso de uma enfermidade severa, a não ser que a constituição ajude, pois esta, quando é forte, vence muitas vezes a doença. Assim é a terceira espécie de cura.
A quarta espécie de cura resulta do poder do Espírito Santo. Não depende de contato, vista ou presença, nem de qualquer outra condição. Seja branda ou severa a enfermidade, haja ou não contato de corpo, e ainda que se não estabeleça entre o doente e o curador uma relação pessoal, a cura realiza-se através do poder do Espírito Santo.


LXXIII

CURA POR MEIOS MATERIAIS


Ontem à mesa falamos de cura espiritual, do tratamento de doenças através dos poderes espirituais. Vamos falar agora de cura material.
A ciência médica está ainda na fase da infância; não atingiu a maturidade, mas quando a tiver alcançado, curas serão realizadas por meio de coisas que não sejam repugnantes ao olfato e ao gosto do homem, ou seja por alimentos – frutas e vegetais agradáveis ao paladar e ao cheiro.
O que provoca a doença – o que a faz entrar no corpo humano – ou é coisa física ou é o efeito do excitamento dos nervos. As causas principais da moléstia, porém, são físicas. O corpo humano é composto por numerosos elementos, mas em tal proporção que haja um equilíbrio especial. Enquanto for mantido este equilíbrio, o homem será preservado da doença. Perturbando-se, porém, este equilíbrio, que é o pivô da constituição, a ordem desta será alterada, vindo assim a atingi-la a moléstia.
Há, por exemplo, um decréscimo num dos ingredientes constituintes do corpo humano, ao passo que em outro há um aumento, sendo assim perturbada a proporção de que depende o equilíbrio, e, sucede, pois, a doença. Digamos ser necessário que haja de um ingrediente mil gramas, e de um outro cinco, a fim de manter o equilíbrio, e que então o peso do primeiro diminua até setecentas gramas, e o do segundo aumente até que seja alterada a medida do equilíbrio, do que resulta doença. Quando por meio de remédios e tratamentos o equilíbrio for restabelecido, a doença desvanecer-se-á. Se, por exemplo, o constituinte sacarino aumenta, a saúde é prejudicada, e quando o médico proíbe, pois, alimentos doces e amidoados, assim diminuindo a sacarina, restabelece-se o equilíbrio e a doença se afasta.
Ora, o reajuste destes constituintes do corpo humano é obtido de duas maneiras: ou por remédios, ou por alimentos, sendo que qualquer destes dois meios pode banir a moléstia pelo restabelecimento do equilíbrio da constituição. Todos os elementos combinados no homem existem também nos vegetais, e se, portanto, no caso da diminuição de um de seus constituintes, ele tomar alimentos contendo grande quantidade desse constituinte decrescido, restaurará o equilíbrio, conseguindo assim curar-se. Visto ser o objetivo reajustar os constituintes do organismo, isso pode ser efetuado tanto pela alimentação como pela medicina.
A maioria das moléstias que atacam o homem atacam também o animal; mas este não se cura por meio de drogas. Nas montanhas e selvas o animal tem como seu médico sua própria faculdade de cheirar e o sentido do gosto. O animal doente cheira as plantas que crescem no mato e come daquelas que parecem doces a seu paladar e fragrantes a seu faro, curando-se deste modo. E a causa de sua cura é esta: quando o ingrediente sacarino, por exemplo, decresce em sua constituição, ele começa a desejar alimentos doces, e assim come uma erva que seja doce a seu paladar, sendo guiado pela natureza a fazer isso; porque o cheiro e o gosto da erva lhe agradam, ele a come. O ingrediente sacarino em seu organismo é deste modo acrescido, e ele recupera a saúde.
Evidentemente, pois, é possível efetuar curas por meio de alimentação – frutas e vegetais, mas como a ciência da medicina hoje está imperfeita, este fato não foi ainda plenamente compreendido. Quando a ciência médica tiver alcançado a perfeição, tratamento será por meio de alimentos – frutas fragrantes e vegetais, e por várias águas, quentes e frias de temperatura.
Este discurso é breve, mas em outra ocasião conveniente, se Deus quiser, o assunto será tratado de uma forma mais completa.










PARTE V


TEMAS VARIADOS


LXXIV

A INEXISTÊNCIA DO MAL


A verdadeira explicação deste assunto é assaz difícil. Sabemos que os seres se dividem em duas categorias: materiais e espirituais, ou sejam, os perceptíveis aos sentidos, e os puramente intelectuais.
As coisas sensíveis são aquelas percebidas pelos cincos sentidos exteriores, como, por exemplo, as realidades externas vistas pelos olhos, enquanto as intelectuais são aquelas que não têm existência externa, sendo apenas conceitos mentais. A mente em si, por exemplo, é uma coisa intelectual; não tem existência externa. Todas as características e qualidades do homem formam uma existência puramente intelectual, não sendo elas coisas sensíveis.
Numa palavra, as realidades intelectuais, tais como as admiráveis qualidades e perfeições do homem, são puramente boas e existem. O mal é simplesmente sua inexistência. Assim, ignorância é apenas falta de conhecimento, bem como erro significa a falta de orientação. Quando nos falha a memória, chamamos isso de esquecimento, e quando o bom senso se ausenta, alegamos a presença de estupidez. Nenhum destes males, no entanto, realmente existe.
De modo idêntico, as realidades sensíveis são absolutamente boas; é de sua ausência que o mal provém. Assim a cegueira é a falta da visão, bem como a surdez significa a falta da audição. A pobreza implica na carência da riqueza, a doença na da saúde, a fraqueza na da força, e a própria morte nada mais é que a falta de vida.
Mas surge uma dúvida. Escorpiões e serpentes são venenosos, e no entanto existem. São bons ou maus? Sim, o escorpião é mau em relação ao homem, como também o é a serpente, porém, em relação a eles próprios não o são, pois seu veneno é sua arma; com seu aguilhão é que se defendem. Por estarem os elementos de seu veneno em desarmonia com os nossos elementos, no entanto, eles são maus, isto é, em vista do antagonismo entre os vários elementos, mas é justamente neste antagonismo que o mal está: eles em si são realmente bons.
Numa palavra, é possível que uma coisa seja má em relação a outra, e ao mesmo tempo, dentro dos limites de seu próprio ser, não o seja. Está claro, pois, que não existe o mal, que tudo o que Deus criou foi bom. O mal é o simples nada. A morte é apenas a ausência da vida; só quando o homem perde a vida, é que ele morre. A escuridão nada mais é que a falta de luz; só onde não há luz, reina a escuridão. A luz é coisa que existe, mas a escuridão não é. A riqueza é coisa existente, porém a pobreza é inexistente.
Obviamente, todos os males reduzem-se à inexistência. O bem existe; o mal é inexistente.


LXXV

AS DUAS ESPÉCIES DE TORMENTO


Há duas espécies de tormento: sutil e grosseiro. Por exemplo, a própria ignorância é um tormento, porém do tipo sutil. A indiferença para com Deus é em si um tormento, como também o são a mentira, a crueldade e a perfídia. Todas estas imperfeições constituem tormentos, mas são tormentos sutis. Sem dúvida, para um homem inteligente, a morte é melhor que o pecado, e uma língua cortada é preferível à mentira ou à calúnia.
A outra espécie de tormento é a grosseira. Destas categorias são as penas, como encarceramento, açoite, expulsão e desterro.
Mas para o povo de Deus, o maior de todos os tormentos consiste em afastar-se Dele.


LXXVI

A JUSTIÇA E A MISERICÓRDIA DE DEUS


Saibamos que a justiça consiste em dar a cada um segundo seu merecimento. Quando um homem trabalha desde a manhã até à noite, é justo que receba seu salário; em caso contrário, quando nenhum esforço faz, porém algo lhe é dado, isto é pura bondade. Quando damos esmolas ou presentes a um pobre, sem que ele nos tenha prestado qualquer serviço ou feito coisa alguma para merecê-los, isto demonstra bondade. Assim Cristo pediu perdão para Seus algozes – a isto denominamos bondade.
A questão de decidir se qualquer coisa é boa ou má depende da razão ou da lei. Uns acreditam que o seja por lei, como os judeus, por exemplo, os quais aceitam todos os mandamentos do Pentateuco como absolutamente obrigatórios, achando, pois, ser questão de lei, e não de razão. Um mandamento do Pentateuco proíbe que manteiga seja tomada com carne, denominando isso taref (termo hebraico que significa impuro, o contrário de kosher, ou puro), o que, dizem eles, é apenas uma questão de lei, e não de razão.
Os teólogos, por outro lado, acham que o bem e o mal das coisas dependem de ambas: razão e lei. A proibição do roubo baseia-se primeiramente na razão, como sucede também no caso da perfídia, ou da falsidade, da hipocrisia ou da crueldade. Todo homem inteligente compreende serem o assassinato, o roubo, a perfídia, a falsidade, a hipocrisia e a crueldade, coisas más, repreensíveis. Se um homem se queixa só por ser ferido por um espinho, e até grita, e geme, ele deve facilmente compreender que o assassinato, segundo a razão, é um ato mau e repreensível. Se cometer tal ato, pois, será responsável, ainda que o conhecimento do Profeta não o tenha alcançado, já que a razão formula o caráter repreensível do ato. Quem o cometer, seguramente será tido como responsável.
Onde não se conhecem os mandamentos do Profeta, porém – onde o povo não age de acordo com as instruções divinas, como, por exemplo, o mandamento de Cristo de retribuir o mal com o bem, onde, ao contrário, se guia pelos desejos naturais, atormentando a quem lhe atormenta – tal povo não é culpado, sob o ponto de vista da religião, por nunca lhe haver sido transmitido o mandamento divino. Embora não mereça misericórdia e benevolência, Deus não lhe nega Sua misericórdia e perdão. Realmente, a vingança é condenável também segundo a razão, pois não traz proveito algum ao vingador. Se um homem assaltar a outro, e este se vingar, retribuindo o golpe, qual será sua vantagem? Servirá isso de bálsamo para sua ferida, ou de remédio para sua dor? Não, Deus nos defenda! Em verdade, os dois atos são iguais; ambos são injúrias. A única diferença está em ter sido um cometido em primeiro lugar. Se, ao contrário, o assaltado perdoar, e retribuir o mal com o bem, isto será louvável. A lei da comunidade punirá o agressor, mas não se vingará. A punição tem o fim de advertir, proteger e combater a crueldade e a transgressão, e evitar a tirania alheia.
Quando o agredido perdoa, está agindo com grande misericórdia, e isto é digno de louvor.








LXXVII

O MÉTODO CERTO DE TRATAR
OS CRIMINOSOS


Pergunta – Deve o criminoso ser punido ou deixado impune?
Resposta – Há dois tipos de punição: vingança e correção. O homem não tem o direito de se vingar, mas a comunidade tem o direito de castigar o criminoso, a fim de advertir e prevenir, de modo que outra pessoa não ouse cometer crime semelhante. Este tipo de castigo visa proteger os direitos humanos; não é uma vingança. A vingança aplaca a ira do coração, opondo um mal a outro, mas isso é proibido, pois o homem não tem direito de vingar-se. Se, porém, os criminosos fossem plenamente perdoados, a ordem do mundo se perturbaria. Assim, a punição é uma das necessidades essenciais para a segurança das comunidades, mas o ofendido não tem direito de vingar-se, devendo, ao contrário, perdoar, por ser isso digno do reino humano.
As comunidades devem punir o agressor, o assassino, o malfeitor, a fim de advertir e impedir outros de cometerem crimes semelhantes. O mais importante, porém, é que o povo seja educado de modo a não cometer crime algum, pois é possível educar suficientemente as massas, a ponto de evitarem os delitos, de fugirem deles, de considerarem o próprio crime como o maior castigo, a mais severa condenação, o tormento máximo. Assim nenhum crime será cometido, tornando-se desnecessária qualquer punição.
Devemos tratar de coisas cuja realização seja possível neste mundo. Há muitas teorias e elevadas idéias acerca deste assunto, mas são impraticáveis. Devemos falar de coisas passíveis de execução.
Se, por exemplo, alguém oprimir, injuriar ou maltratar a outro, e este revidar, isto será uma vingança e, portanto, censurável. Se o filho de Amru matar o filho de Zaid, este não terá o direito de matar o filho de Amru, pois se assim fizesse, isto seria uma vingança. Se Amru desonrar a Zaid, este não terá o direito de desonrar a Amru; se assim proceder, estará se vingando, o que é muito condenável. Em lugar de assim fazer, deve pagar o mal com o bem, e não só perdoar mas também, se lhe for possível, prestar algum serviço ao opressor. Esta é a conduta digna do homem. Que lucraria ele com a vingança? As duas ações são equivalentes: se uma é repreensível, a outra também o é. A única diferença está em ter sido, uma, cometida antes, e a outra, depois.
Mas a comunidade tem o direito de defesa e proteção própria. Além disso, a comunidade não alimenta ódio, nem animosidade, contra o assassino; ela o prende ou pune simplesmente para proteger e garantir os outros. Não deseja se vingar do assassino, mas sim, infligir um castigo como medida de segurança para a comunidade. Se a comunidade e a família do assassinado perdoassem e retribuíssem o mal com o bem, o criminoso continuaria a maltratar os outros, cometendo novos assassinatos. Os perversos, como lobos, haveriam de destruir as ovelhas de Deus. A comunidade não nutre rancor nem malevolência ao infligir um castigo; não deseja aplacar a ira do coração. Sua punição visa apenas à proteção dos outros, para que atrocidades não sejam perpetradas.
Assim, pois, quando Cristo disse: “Se alguém te bater na face direita, oferece-lhe também a esquerda”, foi com o propósito de ensinar aos homens a não tomar vingança pessoal. Ele não pretendeu dizer que, quando um lobo quisesse destruir um rebanho, nós devêssemos animá-lo a assim o fazer. Não, se Cristo tivesse sabido que um lobo entrara no aprisco e estava prestes a destruir o rebanho, certamente teria tentado impedi-lo.
Assim como a clemência é um dos atributos do Senhor Misericordioso, a justiça também o é. A tenda da existência é sustentada pelo pilar da justiça, e não da clemência. Não é desta que depende a continuação da humanidade, mas sim da justiça. Se presentemente a lei da clemência fosse praticada em todos os países, o mundo, dentro em breve, cairia em desordem, e as bases da vida humana desmoronariam. Não houvessem os governos da Europa, por exemplo, resistido ao famigerado Átila, ele não teria deixado vivo nem um só homem.
Há pessoas parecidas com lobos sanguinários: a menos que saibam que a punição os espera, matarão por mero prazer, por divertimento. Um dos tiranos da Pérsia matou seu preceptor com o fim único de se divertir, como se fosse um jogo, um esporte. O famoso Mutawakkil, o Abbasid, após haver reunido em sua presença seus ministros, conselheiros e funcionários, soltou na assembléia uma caixa cheia de escorpiões, e proibiu a todos de se moverem, caindo então em gargalhadas ao ver os escorpiões aguilhoarem os presentes.
Em resumo: a constituição das comunidades depende da justiça e não da clemência. Cristo não pretendeu dar a entender por clemência e perdão, que, ao vos atacarem as nações, queimando-vos os lares e roubando-vos o bem, assaltando as vossas esposas, os vossos filhos e parentes, e atacando-vos a honra, devêsseis permanecer submissos em presença desses inimigos tirânicos, e permitir que cometessem todos os seus atos de crueldade e opressão. Não, as palavras de Cristo referem-se à conduta de um indivíduo para com outro. Se uma pessoa assaltar outra, a injuriada deverá perdoar, mas as comunidades devem proteger os direitos do homem. Se alguém me assaltar, injuriar, oprimir ou ferir, não lhe farei nenhuma resistência; perdoá-lo-ei. Se, porém, uma pessoa quiser assaltar Sayyid Manshadi (1), eu certamente hei de impedi-la. Não interferir seria, evidentemente, mostrar bondade em relação ao malfeitor, mas para Manshadi seria uma injustiça. Se agora mesmo entrasse aqui um árabe selvagem, com espada desembainhada para vos assaltar, ferir ou matar, eu seguramente o impediria. Se eu vos abandonasse ao árabe, isso seria uma injustiça, e não uma justiça. Qualquer ofensa a mim pessoalmente, porém eu a perdoaria.
Uma coisa ainda resta dizer: que as comunidades se ocupam dia e noite em fazer leis penais, em preparar instrumentos e organizar meios de punição. Constroem prisões, fazem cadeias e algemas, arranjam exílios e desterros, e várias espécies de provações e torturas, pensando por tais meios corrigir os criminosos, ao passo que na realidade estão destruindo a moral e pervertendo os caracteres. A comunidade deve, em lugar disso, dedicar todos os seus esforços à educação completa do homem, fazê-lo progredir dia a dia, aumentar seus conhecimentos, torná-lo virtuoso, possuidor de uma sã moral, e combater-lhe os vícios, de modo a se acabarem os crimes. Presentemente, o contrário prevalece: a comunidade preocupa-se sempre com a execução das leis penais, com o preparo de instrumentos de castigo e morte, ou de lugares para encarceramento ou exílio; espera que crimes sejam cometidos. Tudo isso exerce um efeito desmoralizador.
Se, em lugar disso, a comunidade se esforçasse por educar as massas, seriam assim mais difundidas as ciências, com os outros ramos de conhecimento, e haveria mais compreensão, uma sensibilidade mais desenvolvida, costumes bons e uma moralidade normal. Numa palavra, em todos estes terrenos veríamos progresso e, em conseqüência, menor número de crimes.
Já se verificou ser o crime menos freqüente entre os povos civilizados do que entre os incultos, isto é, entre os que adquiriram a verdadeira civilização, a civilização divina, aqueles nos quais se encontram reunidas todas as perfeições espirituais, bem como todas as materiais. O crime, desde que provém da ignorância, deverá diminuir à medida que forem disseminados os conhecimentos. Vemos a freqüência do assassínio entre os bárbaros da África; até matam a fim de comerem a carne e o sangue do semelhante! Por que não se vêem na Suíça tais selvagerias? A razão é evidente: a educação e o elevado grau de moralidade impedem isso.
As comunidades, pois, devem pensar em meios de impedir o crime em vez de se preocuparem com modos rigorosos de punição.


LXXVIII

GREVES


Perguntastes acerca de greves. É um assunto que apresenta atualmente – e por muito tempo ainda há de apresentar – grandes dificuldades. Greves são devidas a duas causas: à excessiva astúcia e rapacidade dos capitalistas e industriais, e, por outro lado, à imoderação, à avidez e à má vontade dos operários e artífices. Faz-se mister, pois, remediar ambas as causas.
As leis da nossa civilização atual são em grande parte responsáveis por esse estado de coisas, pois permitem a um pequeno número de indivíduos acumular fortunas inestimáveis, muito além de suas necessidades, enquanto a maioria permanece desprovida, destituída de tudo, entregue à mais completa miséria. Isto é contrário à justiça, a todo sentimento de equidade ou humanidade; é a culminância da iniqüidade, a verdadeira antítese daquilo que agrada a Deus.
Este contraste é peculiar ao mundo humano. Entre as outras criaturas, isto é, entre quase todos os animais, existe uma espécie de justiça ou igualdade. No caso de um rebanho sob os cuidados de um pastor, ou de um grupo de veados nos campos, ou de pássaros nos prados, planícies, colinas ou pomares, cada um recebe, em geral, sua parte justa, baseada na igualdade. Esta desigualdade nos meios de substância não se encontra entre eles, absolutamente, e, por isso, vivem em paz, e em perfeito contentamento.
Muito diferente é o caso da espécie humana, a qual persiste em grandíssimo erro, em absoluta iniqüidade. Consideremos: um homem acumula tesouros, colonizando uma região em seu próprio interesse; adquire uma fortuna incalculável, usufruindo lucros enormes, rendas que deslizam como um rio, enquanto a cem mil infelizes, fracos e desvalidos, falta até o pão. Não há justiça, nem fraternidade neste estado de coisas. Vemos que assim é impossível existir tranqüilidade ou contentamento entre os homens; vemos quanto isso prejudica o bem-estar geral, e torna infrutífera a vida coletiva. De fato, um grupo muito limitado tem em suas mãos a fortuna, o prestígio, a direção total do comércio e da indústria, ao passo que os demais têm de se submeter a uma grande série de dificuldades, a inúmeros desgostos; não podendo participar de lucros ou de quaisquer vantagens, nem adquirir conforto ou sossego.
Urge, pois, uma legislação limitando as fortunas excessivas de certos indivíduos, e aliviando a miséria de milhões de pobres, e assim certa moderação seria obtida. É impossível, porém, a igualdade absoluta de fortunas e honras, como também a igualdade na direção do comércio, da agricultura e da indústria, pois isto destruiria por completo a ordem da comunidade, condicionada a falta de conforto, o desânimo, uma desorganização nos meios de subsistência – enfim, um desapontamento universal. Há grande sabedoria, pois, em não se fazer uma lei impondo a igualdade; é preferível a moderação operar por si mesma. O essencial é que leis e regulamentos impeçam a acumulação de fortunas excessivas nas mãos de uns poucos, e ao mesmo tempo providenciem as necessidades das massas. Os fabricantes e os chefes industriais amontoam tesouros dia a dia, enquanto os pobres operários nem ganham seu sustento diário. É a culminância da iniqüidade. Um homem justo não pode admitir tal estado de coisas. Devemos estabelecer leis segundo as quais o trabalhador receberá não somente seu salário mas também sua parte nos lucros, digamos um quarto ou um quinto, dependendo das necessidades da fábrica; ou então, por algum outro sistema, devem operários e patrões participar eqüitativamente dos lucros e das várias vantagens. Compete ao dono da fábrica, a direção, a administração, mas ao operário cabe o trabalho, a lida. É justo, pois, que este receba um salário que lhe garante um sustento adequado, sendo-lhe facultado também, ao envelhecer ou tornar-se incapacitado, e ter assim de abandonar o trabalho, receber do dono da fábrica uma pensão suficiente. O salário deve ser sempre adequado, para que o trabalhador esteja satisfeito com a quantia recebida e possa também guardar um pouco para os dias de invalidez e conseqüente necessidade.
Quando assim se fizer, não poderá mais o dono da fábrica acumular, dia após dia, muito além de suas necessidades (sem levar em conta o fato de que um capitalista se sujeita a grandes dificuldades e aborrecimentos, podendo até sucumbir sob a carga tremenda de uma fortuna desproporcionada, pois a administração de uma fortuna excessiva é assaz difícil e esgota as forças naturais do homem). Por outro lado, os trabalhadores não mais se encontrarão em necessidade, em plena miséria, nem sujeitos, no fim da vida, às mais penosas privações.
Evidentemente, pois, a conservação das grandes fortunas nas mãos de um pequeno número de indivíduos, enquanto as massas permanecem na miséria, é uma iniqüidade, uma injustiça, mas também a igualdade absoluta seria um obstáculo na vida do homem, prejudicando-lhe o bem-estar, a ordem e a paz. É preferível um meio termo. Depende de os capitalistas se moderarem na aquisição de lucros, e levar em conta o bem-estar dos pobres e necessitados. Como já dissemos, os operários devem receber não somente um salário fixo, mas também uma parte nos lucros gerais da empresa.
É de suma importância a legislação social que garanta os direitos de ambos, patrões e operários, permitindo que aqueles tenham lucros moderados, e estes os meios necessários de subsistência, bem como segurança para o futuro quando não puderem mais trabalhar, devido à velhice ou fraqueza, ou quando morrerem deixando filhos menores, para que estes não sucumbam à pobreza. Eles têm direito a uma parte da renda da empresa, para lhes proporcionar meios de subsistência.
Por outro lado, os trabalhadores não mais deveriam revoltar-se, nem fazer demandas além de seus direitos, nem fazer greves, ou pedir salário desproporcionados; devem ser obedientes e submissos. Os direitos mútuos de ambas as partes serão estabelecidos segundo os costumes, por leis justas, imparciais. No caso de uma infração de qualquer das partes, as cortes de justiça procederiam ao julgamento ajustando as dificuldades e restabelecendo a ordem, pondo termo a tais infrações por meio de multas eficazes. É legal a interferência das cortes de justiça e do governo em casos de dissídios entre patrões e operários, já que não são como os casos comuns, particulares, que não afetam o público e portanto não devem preocupar o governo. As divergências entre patrões e trabalhadores, embora pareçam simples questões entre indivíduos, causam realmente prejuízos à comunidade, pois o comércio, a indústria, a agricultura e os negócios gerais do país, estão todos intimamente ligados, tanto que, se qualquer deles sofrer uma injustiça, a coletividade também sofrerá. Assim as divergências entre trabalhadores e patrões tornam-se causa de prejuízos gerais.
A corte de justiça, pois, como também o governo, tem o direito de interferir. Quando surge entre dois indivíduos uma questão puramente de direitos particulares, é necessário que um terceiro a ajuste. É o que cabe ao governo. Essa questão de greves, muitas vezes devidas tanto às demandas excessivas dos trabalhadores como à capacidade dos patrões, causando transtornos num país – como pode o governo deixar de levá-la em consideração?
Grande Deus! Será possível um homem viver tranqüilo em sua mansão luxuosa, rodeado de todos os confortos, vendo o semelhante faminto, destituído de tudo? Quem vê o próximo na maior miséria poderá sentir prazer ao contemplar sua própria fortuna? A Religião de Deus prescreve que os ricos contribuam cada ano com uma determinada parte de sua fortuna para a manutenção dos pobres e infelizes. É o mais essencial dos Mandamentos – é a base da Religião Divina.
Se um homem pela bondade natural de seu coração, com a maior espiritualidade, contribuir para os pobres, enquanto o governo ainda não o obrigue a assim fazer, realizará um ato muito louvável, digno de aprovação.
É o que significam as boas obras mencionadas nos Livros Sagrados e nas Epístolas Divinas!


LXXIX

A REALIDADE DO MUNDO EXTERIOR


Certos sofistas pensam ser a existência uma ilusão; dizem que cada ser é uma absoluta ilusão, inexistente, ou, em outras palavras, que a existência dos seres é como uma miragem, ou o reflexo de uma imagem na água ou num espelho, sendo apenas uma aparição, que não tem si princípio, fundamento ou realidade.
Tal teoria é errada, pois embora a existência dos seres em relação a existência de Deus seja uma ilusão, há, entretanto, na condição de ser, uma existência real e certa. É fútil negarmos isto. A existência do mineral, por exemplo, em comparação com a do homem é inexistência; pois a aparente aniquilação do homem é quando seu corpo se torna mineral, mas este tem existência no mundo mineral. Evidentemente, pois, a terra, em relação ao homem, é inexistente, sua existência é ilusória; em relação ao mineral, porém, ela existe.
Assim também a existência dos seres em comparação com a existência de Deus é apenas uma ilusão, simplesmente nada; é uma aparição, semelhante à imagem refletida num espelho. Embora a imagem vista num espelho seja uma ilusão, no entanto, a origem e a realidade dessa imagem ilusória é a pessoa refletida, cujo rosto aparece no espelho. Enfim, o reflexo em relação à pessoa refletida é ilusão.
Assim é claro que os seres em relação a Deus não têm existência, sendo semelhantes à miragem ou aos reflexos no espelho, mas que em seu próprio grau, no entanto, eles existem.
Por isso os que desatenderam a Deus, os negadores de Cristo, foram chamados de mortos, embora vivessem aparentemente, pois em relação aos que tinham fé, eram cegos, surdos e mudos – eram mortos. Foi isso que Cristo queria dizer quando ordenou, “Deixai que os mortos sepultem seus mortos”.


LXXX

A VERDADEIRA PREEXISTÊNCIA


Pergunta – Quantas espécies há de preexistência e de fenômenos?
Resposta – Acreditam alguns sábios e filósofos haver duas espécies de preexistência: a essencial e a de tempo. Os fenômenos também são de duas espécies, essenciais e de tempo.
A preexistência essencial é uma existência não precedida por nenhuma causa, mas os fenômenos essenciais são precedidos de causas. A preexistência de tempo não teve começo, mas os fenômenos do tempo têm começos e fins; pois a existência de tudo depende de quatro causas – a causa eficiente, a substância, a forma e a causa final. Esta cadeira, por exemplo, teve quem a fez, ou seja um carpinteiro; uma substância, que é madeira; uma forma, que é a de cadeira; e uma finalidade – a de ser usada como assento. É portanto, essencialmente fenomenal, pois foi precedida de uma causa, e sua existência depende de causas. Isto se chama o essencial e realmente fenomenal.
Ora, este mundo existente em relação a seu Criador é fenômeno real. O corpo, sendo sustentado pelo espírito, é, em relação a este, um fenômeno essencial. O espírito é independente do corpo e, em relação ao corpo, é uma preexistência essencial. Se bem que os raios sejam sempre inseparáveis do sol, este, no entanto, é preexistente, enquanto que os raios são fenomenais, por ser sua existência dependente do sol. A existência do sol, porém, não depende da dos raios, pois é o sol que dá, e os raios são a dádiva.
A segunda preposição é que a existência e a inexistência são ambas relativas. Se dissermos que certa coisa veio da inexistência para a existência, isto não se refere à inexistência absoluta, mas significa haver sido sua condição anterior, em relação à atual, como simplesmente nada. Pois o nada absoluto não pode alcançar existência, não possuindo capacidade para existência. O homem, assim como o mineral, existe, mas a existência deste, em relação à vida humana, nada representa – vemos o corpo do homem, ao ser destruído, tornar-se pó, ou mineral. Quando o pó progride até atingir o mundo humano, e o corpo morto se torna vivo, o homem vem a existir. Embora o pó, isto é, o mineral, tenha existência em sua própria condição, comparado ao homem, é inexistente. Ambos existem, mas a existência do pó, ou do mineral, em relação ao homem, é inexistência, afigura-se como nada, pois vemos que o homem, ao deixar de existir, volta ao pó, ao estado mineral.
Assim, pois, embora o mundo contingente exista, afigura-se como nada em comparação com a existência de Deus. Existem o homem e o pó, mas que grande diferença entre a existência de um e a do outro! A deste, em relação à daquele, é pura inexistência. De modo igual, a existência da criação, comparada à Existência Divina, nada mais é que inexistência. Claro é, pois, que embora os seres existam, nada são em relação a Deus, e ao Verbo de Deus, senão inexistentes. Eis o princípio e o fim do Verbo de Deus, quando diz: “Sou Alfa e Omega”, pois Ele é o princípio e o fim da Graça. Sempre teve o Criador uma criação; os raios sempre têm brilhado e reluzido da realidade do sol, pois sem eles, o sol seria apenas treva opaca. Os nomes e atributos de Deus exigem a existência de seres, e a Graça Eterna não cessa. Se fosse cessar, isso seria contrário às perfeições de Deus.


LXXXI

A REENCARNAÇÃO


Pergunta – O que há de certo na teoria da reencarnação em que algumas pessoas acreditam?
Resposta – O objetivo do que vamos dizer é explicar a realidade, e não desprezar as crenças alheias. Não nos opomos às idéias dos outros nem aprovamos a crítica. Vamos só expor os fatos.
Conheçamos, pois, os dois grupos de crentes na reencarnação. Uns não acreditam em punições ou recompensas espirituais no outro mundo, mas supõem que o homem as receba voltando para este mundo, isto é, pela reencarnação; restringe, pois, o céu e o inferno a este mundo, não se referindo à existência de outro. Neste grupo há ainda duas subdivisões: uns pensam que o homem às vezes volta a este mundo em forma de animal, a fim de sofrer severo castigo, e então, após haver suportado tão cruel tormento, livra-se do mundo animal e volta novamente ao humano (a teoria da transmigração); e outros pensam que o homem, depois de ter vivido no mundo humano, ainda volta para este mesmo mundo e neste regresso obtém as recompensas e os castigos merecidos por sua vida anterior (a teoria da reencarnação, propriamente dita). Nenhuma dessas duas subdivisões fala de um outro mundo além do presente.
O segundo grupo de crentes na reencarnação afirma a existência do outro mundo, mas considera a reencarnação o meio de aperfeiçoamento, isto é, pensa que o homem, partindo deste mundo e regressando várias vezes, adquire gradativamente perfeições, até alcançar afinal a perfeição máxima. Em outras palavras, acreditam que o homem se compõe de matéria e força, e que, a princípio, no primeiro ciclo, a matéria está imperfeita, mas que ela, ao vir repetidas vezes a este mundo, progride, purifica-se, torna-se mais delicada, até assemelhar-se a um espelho polido, e não a força, que não é senão o espírito, reflete-se nela com todas as perfeições.
Eis, em resumo, o que sustentam os que acreditam na reencarnação e na transmigração. Se fossemos entrar em detalhes, necessitaríamos de muito tempo e, portanto, devemos limitar-nos a este resumo. Eles não apresentam provas ou argumentos lógicos, mas apenas suposições, inferências tiradas de conjeturas, em vez de argumentos concludentes. Deve-se pedir aos crentes na reencarnação que apresentem provas, e não conjeturas, suposições e fantasias.
Mas pediram-me argumentos que demonstrassem a impossibilidade da reencarnação; é o que devemos, pois, explicar agora. O primeiro argumento é que o exterior é a expressão do interior. A terra é o reflexo do Reino Divino; o mundo material corresponde ao espiritual. Ora, notemos que no mundo sensível nenhum ser se repete, nem é, em nenhum aspecto, idêntico a outro, jamais o mesmo que outro. O sinal da unidade é visível, evidente, em todas as coisas. Se todos os celeiros do mundo estivessem cheios de cereais, não seriam encontrados dois grãos absolutamente iguais, inteiramente idênticos, sem nenhuma distinção. Sem dúvida alguma, haveria diferenças entre eles. Já que a evidência da unidade existe em todas as coisas – pois elas em sua essência refletem a unidade e a singularidade de Deus – é absolutamente impossível a repetição do mesmo ser. Igualmente impossível, irrealizável, é a reencarnação, por implicar na vinda, repetidas vezes, do mesmo espírito, em sua condição anterior, com sua essência anterior, no mesmo mundo fenomenal. Como para cada um dos seres materiais, a repetição é impossível, interdita, assim também para os seres espirituais o regresso à mesma condição, tanto no que diz respeito ao arco descendente, como ao ascendente, é interdito e impossível, pois que existe correspondência entre o material e o espiritual.
No caso dos seres materiais, entretanto, observamos uma repetição de espécie. As árvores que em tempos idos produziam folhas, flores e frutos, hão de produzir em anos vindouros exatamente as mesmas folhas e flores, e os mesmos frutos. A isso chama-se repetição de espécie. Se alguém alegar que a folha, a flor e o fruto, após sua decomposição – sua descida do reino vegetal ao mineral – voltaram outra vez do reino mineral para o vegetal, e que isso constitua uma repetição, a resposta é que a flor, a folha e o fruto do ano passado foram decompostos, que esses elementos anteriormente combinados se separaram e se dispersaram no espaço, que as partículas da folha e do fruto do ano anterior não se reuniram novamente após a decomposição. Foi, antes, pela composição de elementos novos que a espécie voltou. O mesmo sucede com o ser humano: ao decompor-se o seu organismo, os elementos que o compunham dispersam-se. Se surgisse novamente do reino mineral ou do vegetal um corpo semelhante, ele não teria exatamente a mesma composição, os mesmos elementos que o homem anterior, já que esses foram decompostos e dispersos, dissipando-se neste vasto espaço. Foram, pois, outras partículas de elementos que se combinaram depois, para formar o segundo corpo. É possível ter uma das partículas do indivíduo anterior entrado na composição do sucessor, mas aquelas partículas não se conservaram exata e inteiramente, as mesmas, sem adição ou diminuição, de tal modo que pudessem combinar-se novamente e assim produzir um outro indivíduo. Não podemos provar, pois, o regresso desse corpo, com todas as suas partículas, vindo assim, o homem anterior a tornar-se o posterior, o que seria uma repetição. Tampouco é possível provar que o espírito tenha voltado, que a sua essência, após a morte, tenha vindo novamente a este mundo.
Se afirmarmos ser necessária a reencarnação para que sejam adquiridas as perfeições e a matéria se refine e se torne mais delicada, permitindo assim à luz do espírito refletir-se nela com plena perfeição, isso também não passa de imaginação pura, pois, pro mais razoável que nos pareça esse argumento, não é possível que a natureza, pelo simples regresso, se transforme. A essência da imperfeição, por ter voltado, não se torna a essência da perfeição; a escuridão absoluta, regressando, não se torna fonte de luz; a essência da fraqueza não se transforma em poder, pelo simples fato de haver aparecido novamente, nem a natureza terrena tornar-se, com a repetição, uma realidade celestial. Não importa quantas vezes cresça a árvore de Zaqqum, (1) ela nunca produzirá um fruto doce; igualmente a boa árvore, não importa quantas vezes venha a aparecer, não dará um fruto amargo. É claro, pois, que o regresso ao mundo material não causa a perfeição. Tal teoria carece de prova, de evidência; é apenas uma idéia. A verdadeira causa do aperfeiçoamento é a bondade de Deus.
Os teosofistas acreditam que no arco ascendente, (2) o homem voltará muitas vezes, até alcançar o centro supremo, quando então a matéria se tornará um espelho límpido a refletir a luz do espírito em seu pleno poder, e assim a perfeição essencial terá sido alcançada. Ora, é uma bem fundada proposição teológica, que os mundos materiais terminam no fim do arco descendente, e que a posição do homem está onde finda o arco descendente e se inicia o ascendente, achando-se esse ponto em frente ao Centro Supremo. Entre as duas extremidades do arco ascendente há também numerosos graus espirituais. O arco descendente chama-se o começo, enquanto que o ascendente se chama progresso. Aquele termina na materialidade, e este na espiritualidade. O ponteiro do compasso, ao descrever um círculo, não faz movimento retrógrado, pois isso seria contrário à natureza, à ordem divina; a simetria do círculo seria desfeita.
Além disso, este mundo material não possui tão grande valor, nem tal excelência que o homem, uma vez liberto dessa gaiola, dessa armadilha, deva desejar cair nela novamente. Não, graças à Bondade Eterna, o homem demonstra claramente seu valor, sua verdadeira capacidade, ao atravessar os graus da existência, e não ao regressar. Uma vez aberta a concha, vê-se claramente se contém uma pérola ou apenas substância sem valor. Quando a planta tiver crescido, produzirá espinhos ou flores; não é necessário que torne a crescer. Ainda mais, o progresso através dos mundos em ordem direta, segundo a lei natural, é causa da existência, ao passo que um movimento contrário ao sistema, à lei da natureza, causa a inexistência. O regresso da alma após a morte seria contrário ao movimento natural; seria oposto ao sistema divino.
É absolutamente impossível, pois, obter-se a existência mediante o regresso. É como se o homem, uma vez liberto do ventre materno, para lá voltasse novamente. Consideremos como é pueril a crença na reencarnação e na transmigração. Os que assim acreditam vêem o corpo como um vaso em que o espírito é contido, semelhante à água numa taça; tira-se a água de uma taça para despejá-la em outra. É uma idéia infantil. Não compreendem que o espírito é um ser incorpóreo, que não entra nem sai, sendo sua conexão com o corpo semelhante à do sol com o espelho. Se fosse como pensam – se o espírito pudesse pelo regresso a este mundo material atravessar os vários graus e atingir a perfeição essencial, seria melhor que Deus prolongasse suficientemente a vida do espírito no mundo material até ele poder adquirir todas as graças e perfeições sem ter que provar a taça da morte ou passar por uma segunda vida.
A idéia de que a existência se limite a este mundo perecível – isto é, negar-se a realidade dos mundos divinos -, teve origem na imaginação de certos crentes na reencarnação. Mas os mundos divinos são infinitos. Se culminassem neste mundo material, a criação seria fútil – a existência seria um brinquedo. O resultado desses inúmeros seres, ou seja, a pobre existência do homem, passaria alguns dias nesta morada mortal, ir-se-ia e tornaria a vir, e finalmente, após haver recebido castigos e recompensas, estaria perfeito. A criação divina, os infinitos seres existentes, seriam aperfeiçoados, consumados, e então a Divindade do Senhor, os nomes e atributos de Deus, no tocante a esses seres espirituais, acabariam na inércia, na inação! “Glória ao teu Senhor – o Senhor que está santificado acima de todas as suas descrições!”
Tal foi a mentalidade acanhada dos filósofos antigos, como, por exemplo, Ptolomeu, e os outros que imaginavam o mundo, a vida – enfim, toda a existência -, restrita a este globo terrestre, acreditando estar o infinito espaço confinado dentro dos nove esferas do céu, e todas estas vazias e inúteis. Vemos quanto eram limitados seus pensamentos, seus conhecimentos. Os adeptos da reencarnação limitam os mundos espirituais aos da imaginação humana. Alguns, como, por exemplo, os drusos e os nosários, crêem que a existência se restrinja a este mundo físico. Que suposição pouco inteligente! Neste universo de Deus, que se apresenta na maior perfeição, formosura e grandeza, as luminosas estrelas do universo material são inumeráveis! Quanto mais ainda devem os mundos espirituais ser ilimitados, infinitos, pois são o fundamento essencial. “Sede atentos, ó vós que possuis a vista interior!”
Mas voltemos ao nosso assunto. As Divinas Escrituras, os Livros Sagrados, falam em “volta”, porém seu significado não foi compreendido por pessoas de escassos conhecimentos, e os crentes na reencarnação fizeram conjeturas sobre o assunto. O que os divinos Profetas querem dizer por “volta” não é a volta da essência, mas apenas a das qualidades; não se referem à volta do próprio Manifestante mas simplesmente à de Suas perfeições. Diz o Evangelho que João, filho de Zacarias, é Elias. Isso não significa haver regressado a alma racional, a personalidade de Elias, no corpo de João; apenas se acham manifestas em João as qualidades, as perfeições de Elias.
Uma lâmpada brilhou nesta sala ontem à noite, e quando hoje brilha outra, dizemos que a luz de ontem se irradia novamente. Uma fonte jorra água, e depois cessa: quando volta a jorrar, dizemos que é a mesma água correndo de novo, assim como dizemos ser esta luz idêntica à anterior. O mesmo sucede à primavera passada, quando havia ervas, flores fragrantes e frutos deliciosos. No ano seguinte dizemos que aqueles frutos deliciosos voltaram, aquelas ervas e flores apareceram novamente. Isto não quer dizer terem sido exatamente as mesmas partículas componentes das flores do ano passado que se combinaram outra vez, após a decomposição, para voltarem aqui. Não, significa apenas que a delicadeza, a frescura, o deleitável perfume, e os admiráveis matizes das flores do ano anterior apareceram do mesmo modo, exatamente, nas flores deste ano. Numa palavra, referimo-nos simplesmente à semelhança que existe entre as flores anteriores e as posteriores.
A “volta” mencionada nas Divinas Escrituras é o que acabamos de expor. Uma explicação completa, feita pela Pena Suprema, (1) encontra-se no Kitáb-i-Iqán. Consultai esta obra a fim de conhecerdes a verdade dos mistérios divinos...

LXXXII

O PANTEÍSMO


Pergunta – Como entendem os teosofistas e os sufis a questão do panteísmo? (2) Que significa, e até que ponto se aproxima da verdade?
Resposta – Saibam que o assunto do panteísmo é antigo; não é crença restrita aos teosofistas e sufis, pois alguns sábios da Grécia a tinham, assim como disse Aristóteles: “A simples verdade são todas as coisas, mas não é nenhuma delas.” Neste caso, “simples” é o contrário de “composto”; é a Realidade isolada, pura e sagrada além da composição e divisão, e que se resolve em inúmeras formas. Portanto, a Existência Real são todas as coisas, mas não é nenhuma das coisas.
Numa palavra, os que acreditam no panteísmo acham a Existência Real comparável ao mar, e os seres às Suas ondas. Estas ondas, ou sejam os seres, são inúmeras formas daquela Existência Real, e assim a Santa Realidade é o Mar da Preexistência, (1) sendo as incontáveis formas das criaturas as ondas que surgem.
De modo semelhante, comparam essa teoria à verdadeira unidade e à infinidade dos números: a verdadeira unidade reflete-se nos graus dos números infinitos, pois os números são a repetição da verdadeira unidade. Assim, o número dois é a repetição de um, e é o mesmo no caso dos outros números.
Uma de suas provas é esta: todos os seres são conhecidos de Deus, e o conhecimento sem coisas conhecidas não existe, porque o conhecimento se relaciona com aquilo que existe e não com a inexistência. A pura inexistência não pode ter especificação ou individualização nos graus do conhecimento. A realidade dos seres, portanto, sendo conhecida por Deus, o Altíssimo, tem a existência que o conhecimento tem, (2) desde que possua a forma do Conhecimento Divino; e é preexistente, assim como o Conhecimento Divino é preexistente. Logo, as coisas conhecidas são igualmente preexistentes e as individualizações e especificações dos seres, sendo conhecimentos preexistentes da Essência da Unidade, são o próprio Conhecimento Divino; porque a realidade da Essência da Unidade, a do conhecimento e as das coisas conhecidas, têm uma unidade absoluta que é real e estabelecida. Se assim não fosse, a Essência da Unidade se tornaria o lugar de múltiplos fenômenos, pressupondo isto a multiplicidade de preexistências, (3) o que seria absurdo.
Está assim provado que as coisas conhecidas constituem o próprio conhecimento, e este a própria Essência; quer isso dizer: o Conhecedor, o conhecimento e as coisas conhecidas são uma simples realidade. E se alguém imaginasse qualquer coisa fora disso, seria necessário admitir a multiplicidade de preexistências e o encadeamento; (1) e preexistências vêm a se tornar inúmeras. Já que a individualização e a especificação dos seres no conhecimento de Deus são a própria Essência da Unidade, não havendo entre elas diferenças alguma, há apenas uma verdadeira Unidade, sendo que todas as coisas conhecidas se difundem e incluem na realidade da Essência única. Quer isso dizer: segundo o modo da simplicidade e da unidade, constituem elas o conhecimento de Deus, o Altíssimo, e a Essência da Realidade. Quando Deus manifestou Sua glória, essas individualizações e especificações dos seres que tinham uma existência virtual, isto é, eram uma forma do Conhecimento Divino, tiveram sua existência substancializada no mundo exterior; e esta Existência Real resolveu-se a Si Própria em infinitas formas. Tal é a base de seu argumento.
Os teosofistas e os sufis dividem-se em dois ramos. Um destes, composto pela maioria, acredita no panteísmo simplesmente em espírito de imitação, sem compreender o que queriam dizer seus sábios de renome; pois a generalidade dos sufis acredita que o significado Ser é existência geral, tomada substantivamente, sendo compreendida pelo raciocínio, pela inteligência; isto é, que o homem a compreende. Em vez disso, a existência geral é um dos acidentes que penetram a realidade dos seres, e as qualidades destes são a essência. Esta existência acidental, dependente dos seres, é como outras propriedades das coisas que elas dependem. É acidente entre acidentes, e sem dúvida o que é a essência é superior àquilo que é o acidente. Pois a essência é a origem, e o acidente a conseqüência; a essência depende de si própria, e o acidente necessita de outra coisa, ou seja de uma essência de que depender. Segundo seu argumento, Deus seria a conseqüência da criatura, teria necessidade dela, e a criatura seria independente Dele.
Por exemplo, cada vez que os elementos isolados se combinam segundo o sistema divino universal, um ser entre os seres vem ao mundo. Isto é, ao combinarem-se certos elementos, uma existência vegetal é produzida; quando outros se combinam, formam um animal; e ainda outros, as várias criaturas. Assim a existência das coisas é conseqüência de sua realidade: como seria possível que essa existência – um acidente entre acidentes, e necessitando de uma essência, de que depender – fosse a Essência Preexistente, Autor de todas as coisas?
Opinam, no entanto, os sábios iniciados entre os teosofistas e sufis que estudaram o assunto, haver duas categorias de existência. Uma é a geral, a compreendida pela inteligência humana, isto é, um fenômeno, um acidente entre acidentes; e a realidade das coisas é a essência. O panteísmo, porém, não é aplicável a esta existência geral, imaginária, mas somente à Existência Verdadeira, livre e santificada acima de qualquer outra interpretação. É por Seu intermédio que existem todas as coisas; é a Unidade através da qual todas as coisas vieram ao mundo, tais como matéria, energia e essa existência geral compreendida pela mente humana. Eis a verdade da questão segundo os teosofistas e sufis.
Enfim, quanto à teoria de que todas as coisas existem em virtude da Unidade, todos estão de acordo – isto é, Profetas e filósofos. Mas há uma diferença entre eles. Dizem os Profetas: o Conhecimento Divino não necessita da existência de seres, enquanto o conhecimento da criatura pressupõe a existência de coisas conhecidas; se o Conhecimento Divino tivesse necessidade de qualquer outra coisa, seria o conhecimento da criatura e não o de Deus. O preexistente é diferente do fenomenal, e este contrário àquele; o que atribuímos à criatura, ou sejam as necessidades dos seres contingentes, negamos para Deus, pois a pureza, a santificação de imperfeições, é uma de Suas propriedades necessárias. Assim, no fenomenal, vemos ignorância, enquanto que no Preexistente verificamos conhecimento; no fenomenal vemos fraqueza, no Preexistente, poder; no fenomenal percebemos pobreza, no Preexistente atestamos riqueza. O fenomenal é, pois, a fonte das imperfeições, e o Preexistente a soma das perfeições. O conhecimento fenomenal exige coisas conhecidas; o Preexistente é independente da existência destas. Não há, portanto, preexistência de especificação e individualização de seres que são as coisas conhecidas por Deus, o Altíssimo; nem podem Seus atributos perfeitos, divinos, ser compreendidos pela inteligência, de modo que nós possamos decidir se o Conhecimento Divino tem ou não, necessidade das coisas conhecidas.
Vimos, pois, o argumento principal dos sufis, e se desejássemos mencionar todas as suas provas e explicar suas respostas, isto levaria muito tempo. A prova decisiva, o argumento claro, dos sufis e teosofistas – pelo menos de seus sábios, foi o que vimos.
A questão, porém, da Existência Verdadeira em virtude da qual existem todas as coisas – isto é, a realidade da Essência da Unidade através da qual todas as criaturas vieram ao mundo – isto é admitido por todos. A diferença reside naquilo que dizem os sufis: “A realidade das coisas é a manifestação da Unidade Verdadeira”, enquanto os Profetas afirmam que “essa realidade emana da Unidade Verdadeira”, e grande é esta diferença, entre manifestar e emanar. Aparecimento por manifestação significa que uma coisa simples, se mostra em inúmeras formas. A semente, por exemplo, é coisa simples, dotada das perfeições vegetativas, que ela manifesta numa infinidade de formas, resolvendo-se a si própria em ramos, folhas, flores e frutos. Isto é aparecimento por manifestação. No aparecimento por emanação, a Unidade Verdadeira permanece no sublime estado de Sua santidade e a existência das criaturas Dela emana – não é por Ela manifestada. Tomemos o sol como exemplo: dele emana a luz que se irradia sobre todas as criaturas, mas o sol continua na elevada condição de sua santidade: não desce, não se resolve a si próprio em formas luminosas; não aparece na substância das coisas mediante a especificação e individualização destas; o preexistente não se torna o fenomenal; a riqueza independente não se converte em pobreza encadeada; a pura perfeição não se transforma na imperfeição absoluta.
Recapitulando: os sufis admitem Deus e a criatura, e dizem que Deus se resolve a Si Próprio nas infinitas formas das criaturas, manifestando-se assim como o mar se manifesta nas inúmeras formas das ondas, as quais, embora sejam fenomenais, imperfeitas, são a mesma coisa do Mar Preexistente, ainda que este seja a soma de todas as perfeições divinas. Os Profetas, ao contrário, crêem que há o mundo de Deus, o mundo do Reino e o mundo da criação – três coisas. A primeira emanação de Deus é a graça do Reino, que emana e se reflete na realidade das criaturas, assim como a luz que emana do sol e resplandece nas criaturas; e esta graça, que corresponde à luz, se reflete em inúmeras formas na realidade de todas as coisas, especificando e individualizando-se segundo a capacidade, o merecimento e o valor intrínseco das coisas. Mas a afirmação dos sufis requer a descida da Riqueza Independente para o grau da pobreza; exige que o Preexistente se limite às formas fenomenais, e que o Poder Puro se restrinja ao estado da fraqueza, de acordo com as limitações dos seres contingentes. É este um erro evidente. Observai que a realidade do homem – de todas as criaturas a mais nobre – não desce à realidade do animal, e que a essência deste, dotado dos poderes de sensação, tampouco se reduz ao grau do vegetal, nem a realidade do vegetal, ou seja o poder do crescimento, se abaixa à realidade do mineral.
Numa palavra, a realidade superior não desce, não se abaixa às condições inferiores. Como seria possível, pois, a Realidade Universal de Deus, livre que é de toda descrição e qualificação, e não obstante Sua santidade e pureza absoluta, resolver-se a Si Própria nas formas das realidades das criaturas, as quais são fontes de imperfeições? É pura imaginação, inteiramente inconcebível.
Pelo contrário, essa Santa Essência é a soma das perfeições divinas, enquanto que todas as criaturas são favorecidas pela graça do resplendor através de Sua emanação, recebendo a luz, a perfeição e a beleza de Seu Reino, assim como toda as criaturas terrestres obtêm a graça da luz dos raios do sol, embora este não desça, não se abaixe às realidades favorecidas dos seres terrestres.
Em vista de ser tarde a hora, não há tempo para se explicar mais...




LXXXIII

OS QUATRO MÉTODOS PARA A AQUISIÇÃO
DO CONHECIMENTO


Há somente quatro métodos aceitos de compreensão: isto é, as realidades das coisas são compreendidas por estes quatro métodos.
O primeiro método é pelos sentidos: tudo o que os olhos, os ouvidos, o gosto, o olfato e o tato percebem, é compreendido por este método. É o método hoje considerado o mais perfeito pelos filósofos europeus; dizem que o método principal para se adquirir conhecimento é este, através dos sentidos: este método, eles o acham supremo. É, no entanto, imperfeito, sujeito ao erro. Tomemos, por exemplo, o maior de todos os sentidos, o poder da vista. Esta vê a miragem como água, e imagens refletidas em espelhos como reais, existentes; corpos grandes, mas remotos, parecem ser pequenos, e um ponto em rotação afigura-se como círculo. Segundo a vista, a terra é imóvel enquanto o sol se move, e em muitos casos semelhantes há engano. Nela, pois, não podemos confiar.
O segundo é o método do raciocínio, o qual foi o dos filósofos antigos – sustentáculos que eram da sabedoria. É este o método da compreensão. Eles provavam as coisas pelo raciocínio, aderiam firmemente às provas lógicas; todos os seus argumentos são argumentos de raciocínio. Não obstante isso, havia entre eles grandes divergências, sendo muitas vezes contraditórias suas opiniões. Até mesmo mudavam de idéias: isto é, durante vinte anos, digamos, provavam eles a existência de uma coisa por argumentos lógicos, e depois, também por argumentos lógicos, negavam-na. Assim Platão primeiro provou logicamente a imobilidade da terra e o movimento do sol, e mais tarde, por argumentos lógicos, provou ser o sol o centro estacionário em volta do qual a terra se movia. Subseqüentemente, a teoria ptolemaica foi divulgada, vindo assim a ser esquecida a idéia de Platão, até que, afinal, um novo observador a ressuscitou. Todos os matemáticos, pois, dissentiram, embora dependessem de argumentos racionais. De igual modo, por argumentos lógicos, provavam um problema em certa ocasião, o qual vieram a negar mais tarde por argumentos da mesma natureza. Assim, um dos filósofos apoiava firmemente uma teoria por algum tempo, com fortes argumentos e provas, a qual mais tarde, usando argumentos racionais, ele contradizia e retratava. Torna-se, pois, evidente ser imperfeito o método do raciocínio, sendo isto provado pela divergência de opinião entre os filósofos antigos, e por sua falta de estabilidade. Fosse perfeito esse método, todos deveriam estar unidos em suas idéias e acordes em suas opiniões.
O terceiro método é por tradição, ou seja pelo texto das Sagradas Escrituras, pois costuma-se dizer: no Velho Testamento, ou no Novo, Deus assim falou. Tampouco é perfeito esse método, porque as tradições são compreendidas pelo raciocínio. Já que o próprio raciocínio é sujeito ao erro, como pode-se dizer que não errará em interpretar o significado das tradições? É possível que se engane; não se pode atingir a certeza. É este o método dos teólogos. Tudo o que entendem do texto dos Livros é aquilo que seu raciocínio deduz do texto, e não necessariamente a verdade real, pois o raciocínio é como uma balança, enquanto os significados contidos no texto dos Livros Sagrados são as coisas a ser pesadas. Se a balança for inacurada, como será possível certificar-se do peso?
Saibam, pois: o que está nas mãos dos homens, o que acreditam, é sujeito ao erro. Se, a fim de provarem ou refutarem algo, eles recorrerem à evidência derivada dos sentidos, este método, assim como mostramos, não é perfeito; é o mesmo no caso das provas intelectuais; tampouco são infalíveis as provas tradicionais. Não há norma, portanto, nas mãos dos homens, da qual possam depender.
A graça do Espírito Santo, porém, dá o verdadeiro método de compreensão – método este que é infalível e indubitável. Isso é através do amparo do Espírito Santo que vem ao homem, e é nesta condição somente que se pode atingir a certeza.


LXXXIV

A NECESSIDADE DE SEREM SEGUIDOS
OS ENSINAMENTOS DOS MANIFESTANTES DIVINOS

Pergunta – Os que se distinguem por suas boas ações e sua benevolência universal, que possuem característicos louváveis, mostrando amor e bondade para com todas as criaturas, cuidando dos pobres, esforçando-se por estabelecer a paz universal – que necessidade têm eles de ensinamentos divinos, dos quais se julgam, de fato, independentes? Qual a condição de tais pessoas?
Resposta – Saibamos que tais ações, palavras e esforços são louváveis e aprovados, e constituem a glória da humanidade. Mas estas ações, apenas, não bastam; assemelham-se a um corpo dotado da maior formosura, porém, sem espírito. A fonte da vida eterna, de honra imperecível, da iluminação universal, da verdadeira salvação e prosperidade, é, antes de tudo, o conhecimento de Deus. Sabemos que o conhecedor a Deus ultrapassa todo o conhecimento, e constitui a maior glória do mundo humano. O conhecimento da realidade das coisas traz-nos proveito material, promove o progresso exterior da civilização, enquanto o conhecimento de Deus motiva o progresso espiritual, leva-nos a perceber a verdade, a atingir a civilização divina, exaltando a humanidade pela retidão moral e pela iluminação.
Consideremos, em segundo lugar, o amor de Deus, cuja luz brilha da lâmpada do coração de quem O conhece, cujos raios cintilantes iluminam o horizonte, concedendo ao homem a vida do Reino Divino. Em verdade, o fruto da existência humana é o amor de Deus, pois é o espírito da vida, e a graça eterna. Não fosse o amor de Deus, o mundo contingente estaria envolto em trevas; sem este amor de Deus, o coração do homem perderia até a sensação de existir, estaria, de fato, como morto. Se o amor de Deus não existisse, estaria desfeita a união espiritual, e não se irradiaria sua luz sobre a humanidade – não mais haveriam de abraçar-se Oriente e Ocidente, como dois amigos afetuosos. Não fosse o amor de Deus, a desunião não se transformaria em fraternidade, a indiferença não cederia lugar à afeição, a estranheza não se tornaria a amizade. O amor existe no mundo humano origina-se do amor de Deus; graças à Sua bondade e benevolência é que se manifesta.
É claro que a realidade do homem apresenta divergências, tanto de opinião, como de sentimento. Esta diferença de opinião, de pensamento, de inteligência e de afetos verificada na espécie humana, provém de uma necessidade essencial, pois a diferença de grau que se manifesta entre as criaturas é um dos imperativos da existência, a qual se revela numa infinidade de formas. Necessitamos, portanto, de um poder soberano que domine os sentimentos, opiniões e pensamentos de todos, anule os efeitos destas divisões, e leve à união todos os membros individuais da humanidade. É claro, é evidente, que este grandíssimo poder no mundo humano é o amor de Deus. Ele reúne os vários povos sob um mesmo teto de afeição fraternal, e põe entre nações hostis e famílias inimigas o amor e a união.
Vemos, depois de Cristo, quantas nações, raças, tribos e famílias vieram abrigar-se à sombra do Verbo de Deus, graças ao poder de Seu amor, e tanto assim que desapareceram completamente dissensões e diferenças que por mil anos haviam persistido. Desapareceu qualquer pensamento de raça ou pátria; as almas uniram-se, e todos tornaram-se espirituais, verdadeiros cristãos.
A terceira virtude humana é a boa vontade, base das boas ações. Alguns filósofos consideram a intenção como superior à ação, sendo a boa vontade luz absoluta, pura e santificada, isenta do egoísmo, da inimizade, da decepção. É possível um homem cometer um ato, aparentemente reto, porém motivado pela cobiça. Um carniceiro, por exemplo, cria um carneiro e protege-o, mas sua boa ação é ditada pelo desejo de obter lucro; todo seu cuidado tem por fim a matança do pobre animal! Quantas boas ações são ditadas pela cobiça! A boa vontade, porém, é santificada e isenta de tais impurezas.
Numa palavra, se ao conhecimento de Deus acrescentarmos o amor a Ele e também a atração, o êxtase, e a boa vontade, teremos um ato reto realmente íntegro, perfeito. Em caso contrário, se não for sustentada pelo conhecimento de Deus, pelo amor a Ele, e por uma intenção sincera, a boa ação, embora louvável, será imperfeita. Consideremos o exemplo do corpo humano: para que seja perfeito, deve reunir todas as perfeições. Não lhe basta a visão, embora esta seja extremamente preciosa; a audição é imprescindível. A audição também é muito apreciável, mas o poder da linguagem lhe deve servir de auxílio e este, por mais importante que seja, depende, por sua vez, do raciocínio; e assim por diante. Só quando o homem possui todos estes poderes – todos os órgãos e membros do corpo, e todos os sentidos – é ele realmente perfeito.
Encontramos hoje no mundo pessoas que sinceramente desejam o bem universal, fazem tudo ao seu alcance para proteger os oprimidos e auxiliar os pobres, e se dedicam com entusiasmo à causa da paz e bem-estar universais. Embora tais pessoas sejam perfeitas sob este ponto de vista, não o são na realidade, enquanto privadas do conhecimento e do amor de Deus.
Galeno, o médico, comentando em seu livro o tratado de Platão sobre a arte de governar, diz que os princípios fundamentais da religião concorrem muito para o estabelecimento de uma civilização perfeita, porque “a multidão não pode compreender a relevância das palavras descritivas, e portanto precisa de palavras simbólicas que anunciam recompensas e punições no outro mundo; e o que prova a verdade desta afirmação,” diz ele, “é que vemos hoje um novo chamado cristão, acreditando em recompensas e punições, e os atos dessa seita são tão belos como os de um verdadeiro filósofo. Assim todos observamos claramente que eles não têm medo da morte, esperam e desejam da multidão só a justiça e a equidade, e são considerados verdadeiros filósofos”.
Vejamos o grau de sinceridade e fervor demonstrado por um crente em Cristo; consideremos a elevação de seus sentimentos espirituais e de seu conceito de amizade, e a nobreza de suas ações, ao ponto de ter razão Galeno, embora não pertencendo à religião cristã, quando ao testemunhar a boa moral e as virtudes de seus adeptos, proclamou que eram verdadeiros filósofos. Mas essas virtudes, essa moral, não provinham apenas das boas ações, pois se a virtude consistisse simplesmente em se obter e transmitir o bem, então por que não louvarmos esta lâmpada que ilumina a casa, e cuja iluminação é, sem dúvida, um benefício? Do sol depende o crescimento de todos os seres da terra; graças ao seu calor e à sua luz é que todos se desenvolvem. Existe benefício maior? Por não se originar na boa vontade, entretanto, nem no amor, nem no conhecimento de Deus, tamanho benefício é imperfeito.
Quando um homem, porém, oferece a outro um simples copo de água, este sente-se grato e manifesta gratidão. Alguém, sem refletir, dirá: esse sol que dá luz ao mundo merece adoração e louvor pela suprema bondade que manifesta; por que não devemos ser gratos ao sol pelas suas graças, quando louvamos um homem por um simples ato de bondade? Ao tentarmos discernir a verdade, porém, vemos que o ato bondoso do homem, embora insignificante, provém de sentimentos conscientes que existem, e por isso é louvável, enquanto a luz e o calor do sol não são devidos a sentimentos conscientes e não merecem, pois, nossos louvores e agradecimentos, ou nossa gratidão.
Do mesmo modo, a boa ação de uma pessoa, por mais louvável que seja, quando não é motivada pelo conhecimento de Deus nem pelo amor a Ele, é imperfeita. Também, se refletirmos, perceberemos que até as boas ações de pessoas ignorantes de Deus são, fundamentalmente, devidas aos ensinamentos de Deus. Antigos Profetas induziram os homens a fazer o bem, demonstrando-lhes a beleza e os excelentes efeitos da boa ação, e assim vinham se difundindo entre os homens, um após outro, Seus ensinamentos, permitindo que seus corações se inclinassem a estas perfeições. Vendo, pois, a beleza da boa ação, e verificando quanto concorria para a felicidade da espécie humana, os homens seguiam estes ensinamentos.
Vemos, então, que estas ações também são condicionadas pelos ensinamentos de Deus, embora a justiça seja necessária, a fim de perceber isso, nada valendo a controvérsia ou a discussão. Louvado seja Deus por terdes estado na Pérsia e visto como os persas, inspirados pelos sopros sagrados de Bahá´u´lláh, tornaram-se benévolos para com a humanidade. Antigamente, ao encontrarem alguém que pertencia a outra raça, sentiam grande inimizade, ódio e malevolência, e atormentavam-no; a tal ponto desprezavam qualquer estranho que jogavam terra sobre ele. Queimavam o Evangelho e o Velho Testamento, e então lavavam as mãos por acharem-nas poluídas pelo contato. Mas hoje, em suas reuniões e assembléias, a maioria deles recita e entoa o conteúdo destes dois Livros, expondo seus sentidos esotéricos. E demonstram hospitalidade até para com os inimigos. De lobos sanguinários, transformaram-se em gazelas meigas, nas planícies do amor divino. Tendes visto os seus costumes e hábitos e ouvido o que contam acerca dos persas antigos. Será possível que tamanha transformação moral, que tão grande melhora em sua conduta e em suas palavras, tenha sido efetuada de outra maneira senão através do amor divino? Não, em nome de Deus. Se quiséssemos introduzir essa moral, esses costumes, por meio da ciência ou de qualquer conhecimento material, levaríamos mil anos, e mesmo assim não teríamos conseguido disseminá-los completamente entre as massas.
Hoje, graças ao amor de Deus, com a maior facilidade tudo isto é conseguido.
Sede, pois, vigilantes, ó possuidores de inteligência!




IMPRESSO NOS ESTAB. GRÁFICOS BORSOI S.A. INDÚSTRIA E COMÉRCIO,
À RUA FRANCISCO MANUEL, 55 – ZC-15, RIO DE JANEIRO, R.J.


RESPOSTAS A ALGUMAS PERGUNTAS


A 23 de maio de 1844, a primeira mensagem telegráfica no mundo, enviada de Baltimore para Washington, anunciava: “O que Deus realizou”. No mesmo dia, na longínqua Pérsia, nascia o meigo, humilde, tranqüilo, dadivoso e sábio ´Abdu´l-Bahá, que, por amor à Verdade e por vivê-la e ensiná-la, foi perseguido. Viveu quarenta anos encarcerado pelos que temiam a Verdade. Mas, a Verdade tem esplendor...
´Abdu´l-Bahá, cristãmente, amava os próprios inimigos, pois, indiferente a envelopes sujos e amarrotados, considerava apenas a mensagem amiga do Senhor que cada ser humano contém.
Incentivava o abandono de preconceitos e dogmas e ensinava a corajosa busca da “Verdade que liberta” e unifica.
“O fato de imaginarmos que temos razão e que os outros estão errados, é o maior de todos os obstáculos no caminho da unidade, a qual é imprescindível se desejamos alcançar a Verdade, pois a Verdade é uma só... A luz é boa, seja qual for a lâmpada em que brilhe! Uma rosa é bela, não importa em qual jardim floresça!” – palavras daquele que se chamou “O Servo de Deus”.
A um mundo carente de verdade, de união e paz, a cada ser atônito e aflito, nesta hora se apresenta uma luz em lâmpada pura e uma rosa num jardim sem fronteiras – o “RESPOSTAS A ALGUMAS PERGUNTAS”





Hermógenes

(1) O texto persa de “Respostas de ´Abdu´l-Bahá a Algumas Perguntas”, sob o título de Na-Nuru´l-Abhá fi Mufawadat ´Abdu´l-Bahá, é publicado por Kegán Paul, Trench, Trubner & Co., Ltd.
(1) Uma tradução francesa por M. Hippolyte Dreyfus, sob o título de Lês Leçons de Saint-Jean-d´Acre, é publicada por Ernest Leroux, 28 Rue Bonaparte, Paris.
(1) Acerca da idéia de Deus, cf. Capítulo XXXVII: “A Divindade só pode ser compreendida por intermédio dos Manifestantes Divinos”, e Capítulo LIX: “Nosso conhecimento de Deus”. O leitor verá então que a Fé Bahá´í não tem uma concepção antropomórfica de Deus, e, sempre que emprega uma terminologia mais corrente, dá simultaneamente uma explicação cuidadosa simbólica.
(1) Os Manifestantes Divinos são os fundadores das religiões. V. Capítulo XLIII – “As Duas Classes de Profetas”.
(1) O Báb era descendente de Maomé.
(1) Os Bani-Tamin, uma das mais bárbaras tribos árabes, tinham esse costume odioso.
(1) A Medina.
(1) De Umar.
(2) V. Umayyads e Abbasids de Jurji Zaydan. Tradução de D.S. Margoliouth.
(1) Copérnico.
(2) Alcorão, Sura 36.
(1) Alcorão, Sura 36.
(2) Báb é aqui desginado pelo Seu título de Hazrati Ala, Sua Suprema Alteza; mas, para a conveniência do leitor, continuaremos a designá-lo pelo nome pelo qual é conhecido em toda a Europa, isto é, o Báb.
(1) Doutores da religião do Islã.
(1) Jamali Mubarak, a Abençoada Beleza, título aqui dado a Bahá´u´lláh. Ele é chamado também Jamali Qidam, o Preexistente, ou Beleza Antiga. Nós, porém, designá-Lo-emos Bahá´u´lláh, título pelo qual é conhecido no Ocidente.
(1) Exilado primeiro para Bagdá, mais tarde para Constantinopla,e então para Adrianopla; foi encarcerado em ´Akká (Acre), na “Maior Prisão”, em 1869.
(1) O juízo penetrante de Bahá´u´lláh nessa ocasião venceu a malignidade dos inimigos, os quais, certamente, nunca teriam chegado a um acordo quanto ao milagre que deveriam escolher.
(1) A região onde fica Bagdá.
(1) Napoleão III.
(2) Uma das obras de Bahá´u´lláh, escrita depois de Suas Declarações.
(1) Filho de um cônsul francês na Síria com quem Bahá´u´lláh tinha relações amigáveis.
(1) ´Abdu´l-Bahá dá grande importância a este exemplo do bom senso de Bahá´ u´lláh a fim de frisar o pouco valor do milagre como prova da verdade dos Manifestantes de Deus. V. “Milagres”, Capítulo XXII.
(1) Uma exclamação usada como declaração de fé pelos bahá´ís, e que significa, literalmente: “Ó Glória, o Mais Glorioso!”
(1) Capítulo IX 24.
(1) Números XIV, 34.
(1) Waraqat-Ibn-Naufal, primo de Khadija.
(2) O ano de 1290 depois da proclamação da missão de Maomé, foi o ano de 1280 da Héjira, ou 1863-1864 de nossa era. Foi nesta época (abril de 1864) que Bahá´u´lláh, a partir de Bagdá para Constantinopla, declarou aos que o cercavam ser ele mesmo o Manifestante anunciado pelo Báb.
É esta declaração que os bahá´ís celebram pela Festa de Ridván, sendo este o nome do jardim à entrada da cidade, onde Bahá´u´lláh se deteve durante doze dias e onde fez a declaração.
(1) A Porta, isto é, precursor.
(1) Este trecho é a tradução persa do texto árabe do Alcorão que acaba de ser citado.
(1) Dinastia dos Umayyads.
(1) Outro nome para o Alcorão, significando a Distinção.
(1) Um dos discípulos principais do Báb e uma das dezenove Letras dos Vivos.
(1) O Báb e Janabi Quddus.
(1) Isto é: Sua mais completa Manifestação...
(1) Uma das obras de Bahá´u´lláh, na qual Ele indica expressamente a ´Abdu´l-Bahá como aquele a quem todos se devem dirigir após Sua morte.
(1) Nestas últimas Conversações ´Abdu´l-Bahá deseja reconciliar, numa nova interpretação, as profecias apocalípticas de judeus, cristãos e muçulmanos, em vez de mostrar seu caráter sobrenatural. Sobre os poderes dos Profetas, cf. capítulos XL e LXXI.
(1) Trecho da carta a Nasiru´d-Din Shah.
(1) Alcorão, Sura 19.
(2) Alcorão, Sura 36.
(1) Demonstra-se com esta palestra quanto é inútil a discussão sobre tais assuntos; os ensinamentos de 'Abdu'l-Bahá relativos ao nascimento de Cristo, serão encontrados no próximo capítulo.
(1) Gênesis II: 7.
(1) Atos XV:20.
(1) Isto é, de Cristo, a quem os muçulmanos dão freqüentemente o título de Ruh u´lláh, o Espírito de Deus.
(1) Kitáb-i-Iqán: uma das primeiras obras de Bahá´u´lláh, escrita em Bagdá, antes da declaração de Sua Manifestação.
(2) Nestas conversações, como o leitor já terá observado, ´Abdu´l-Bahá deseja indicar o sentido de certas passagens das Escrituras, em vez de citar o texto exato.
(3) Masikh: o monstro. No árabe é possível formar um trocadilho com as palavras Masih, o Messias, e Masikh, o Monstro.
(1) O Manifestante Divino.
(1) Isto é, a Realidade de Cristo.
(1) Bahá'u'lláh.
(1) Bahá'u'lláh.
(2) Judeus e cristãos.
(1) S. João I 21.
(2) Isto é, a individualidade.
(1) É fato muito conhecido que o verdadeiro nome de Pedro era Simon, mas Cristo chamava-o Cephas, que corresponde à palavra grega petras, a qual significa pedra.
(1) Alcorão, Sura 6.
(1) Isto é, por ocasião do nascimento.
(2) Isto é, no reino humano, único em que o Espírito manifesta imortalidade. V. “Cinco Aspectos do Espírito” (Capítulo XXXVI) e “O Estado do Homem e Seu Progresso Após a Morte” (Capítulo LXIV).
(1) O Manifestante.

(1) V. “Alma, Espírito e Mente”, Capítulo LV.
(1) Alcorão, Sura 48.
(1) Kitáb-i-Aqdas.
(1) O homem.
(1) Isto é, admitindo-se, por exemplo, ter sido o homem anteriormente quadrúpede ou ter ele tido cauda.
(1) Isto é, o espiritualmente morto.
(1) V. Gênesis IX: 25.
(1) E, portanto, ninguém tem culpa de seu caráter.
(1) V. Capítulo XLVIII. A Diferença Que Existe Entre o Homem e o Animal.
(2) S. João, I, 13.
(1) Um farsakh é equivalente a quatro milhas, aproximadamente.
(2) É costume persa calcular em horas a distância.
(1) Mirza Yahya Subhi Azal, irmão de Bahá´u´lláh por parte de pai e seu inimigo irreconciliável.
(1) Isto é, almas que não possuem o espírito da fé. Cf. Alma, Espírito e Mente.
(1) Um bahá´í sentado à mesa conosco.
(1) A árvore infernal mencionada no Alcorão.
(2) Isto é, do Círculo da Existência.
(1) Bahá´u´lláh.
(2) Literalmente, a unidade da existência.
(1) Deus.
(2) Isto é, uma existência intelectual.
(3) Deuses.
(1) Isto é, uma continuação infinita de causas e efeitos.
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Beantwortete Fragen á ‘Abdu’l-Bahá á Bahá'í Verlag GmbH, Auflage 13.01 (O-2022-01-25)

Beantwortete Fragen
‘Abdu’l-Bahá

Vorwort

Im letzten Jahrzehnt des neunzehnten Jahrhunderts führte die Verbreitung des Glaubens Bahá’u’lláhs im Westen bald zu einer gegenläufigen Bewegung in den Osten: Schon nach wenigen Jahren fanden sich erste Gruppen westlicher Pilger in der Gefängnisstadt ‘Akká ein, in der das irdische Leben und Wirken des Religionsstifters zu Ende gegangen war, und wo ‘Abdu’l-Bahá, der Mittelpunkt Seines Bundes, weiterhin lebte. Eine der herausragendsten Persönlichkeiten unter diesen frühen Pilgern war Laura Clifford Barney, die Tochter einer angesehenen Familie von Gelehrten und Künstlern aus Washington, D.C. Sie wurde um 1900 von May Bolles Maxwell in Paris mit dem neuen Glauben bekannt gemacht und unternahm bald darauf die erste von vielen weiteren Reisen nach ‘Akká.
Es waren die gefährlichsten und dramatischsten Jahre der Amtszeit ‘Abdu’l-Bahás, in denen Er von den osmanischen Behörden innerhalb der Mauern der Gefängnisstadt gefangen gehalten wurde, einer fortwährenden Überwachung ausgesetzt und ständig von Weiterverbannung oder gar Hinrichtung bedroht war. Angesichts solcher Restriktionen und Verdächtigungen war es gefährlich, überhaupt Besucher zu empfangen, geschweige denn hochrangige westliche Gäste zu beherbergen. Doch ‘Abdu’l-Bahá war fest entschlossen, die frisch gekeimte Saat des Glaubens zu nähren. Inmitten dieser düsteren Zeit der Jahre 1904 – 1906 kam Miss Barney zu mehreren ausgedehnten Besuchen, die sich manchmal über Wochen oder Monate erstreckten, während derer sie das Vorrecht genoss, Ihm bei zahlreichen Gelegenheiten zu begegnen und Fragen zu sehr vielfältigen Themen zu stellen. Viele der Gespräche fanden am Mittagstisch statt. Es wurde dafür gesorgt, dass einer der Schwiegersöhne ‘Abdu’l-Bahás oder einer Seiner drei damaligen Sekretäre den Wortlaut Seiner Antworten auf Persisch niederschrieb. Aus dieser Sammlung von Aufzeichnungen wurde eine Auswahl getroffen. ‘Abdu’l-Bahá korrigierte diese Aufzeichnungen daraufhin zweimal mit eigener Hand, revidierte sie dabei bisweilen in erheblichem Maße und überprüfte den endgültigen Wortlaut sorgfältig.
Von den ausgewählten und überarbeiteten Aufzeichnungen wurden 1908 drei verschiedene Erstausgaben von Beantwortete Fragen von großen Verlagen herausgegeben: Der persische Originaltext bei E. J. Brill in Holland; Miss Barneys englische Übersetzung bei Kegan Paul, Trench, Trübner Co. in London; und eine französische Übersetzung von Hippolyte Dreyfus (den Miss Barney später heiratete) bei Ernest Leroux in Paris.
Ein Blick ins Inhaltsverzeichnis vermittelt bereits einen Eindruck von der Bandbreite der behandelten Themen. Teil 1 enthält eine Reihe einführender Vorträge über einige Religionsstifter und ihren Einfluss im Verlauf der Menschheitsgeschichte, sowie mehrere Kapitel, in denen bestimmte Prophezeiungen der Bibel erläutert werden. Teil 2 bietet neue Interpretationen wesentlicher Elemente der christlichen Lehre wie etwa die Taufe, die Dreieinigkeit, das Abendmahl und die Auferstehung Christi. Teil 3 befasst sich mit den Kräften und Seinsweisen der Manifestationen Gottes – Ihrer einzigartigen Stufe in der Welt, der Quelle Ihres Wissens und Einflusses und der zyklischen Natur Ihres Erscheinens auf der Bühne der Geschichte. Teil 4 behandelt den Ursprung, die Kräfte und Seinsweisen des Menschen, einschließlich seiner Entwicklung auf Erden und alles was damit zusammenhängt, die Unsterblichkeit der Seele, das Wesen des Verstandes und die Verbindung zwischen Seele und Körper. Teil 5 schließt ab mit verschiedenen Themen, von praktischen Fragen, wie etwa zu Arbeitsverhältnissen und der Bestrafung von Kriminellen, bis hin zu schwerer verständlichen Themen, wie der Reinkarnation und der Sufi-Vorstellung von der Einheit des Daseins.
Wie umfassend und breit gefächert die in Beantwortete Fragen behandelten Themen auch sein mögen, so war das Buch, wie der Titel bestätigt, nicht dazu gedacht, die erschöpfende Darstellung einer in sich geschlossenen Weltsicht zu sein. Einige grundlegende Lehren des Glaubens werden daher nicht ausdrücklich erwähnt. Darüber hinaus wurde in den Monaten und Jahren, in denen die Vorträge gehalten wurden, das gleiche Thema manchmal bei unterschiedlichen Gesprächen aus verschiedenen Blickwinkeln beleuchtet, sodass die Konzepte, die zum vollständigen Verstehen eines bestimmten Themas erforderlich sind, auf verschiedene Kapitel verteilt sein können oder der Inhalt eines nachfolgenden Kapitels die Grundlage für das Verständnis eines früheren bildet. Schließlich sei noch angemerkt, dass ‘Abdu’l-Bahá, obwohl Er den Text überprüfte und korrigierte, nicht versucht hat, dabei die ursprüngliche Struktur der Antworten zu ändern oder das Material umzustellen und zusammenzufassen. Für ein vollständigeres Bild der Erläuterungen ‘Abdu’l-Bahás zu einem bestimmten Thema sollte der aufmerksame Leser jedes Kapitel im Zusammenhang des gesamten Buches und das Buch im größeren Kontext der Gesamtheit der Bahá’í-Lehren betrachten.
Ein bemerkenswertes Beispiel dafür ist das Thema der Entwicklung der Arten, das in Teil 4 ausführlicher behandelt wird und das im Lichte verschiedener Bahá’í-Lehren verstanden werden muss, insbesondere des Prinzips, dass Wissenschaft und Religion im Einklang stehen. Religiöser Glaube darf Wissenschaft und Vernunft nicht widersprechen. Eine bestimmte Lesart mancher Passagen der Kapitel 46–51 könnte einige Gläubige zu persönlichen Schlussfolgerungen führen, die der modernen Wissenschaft widersprechen. Doch das Universale Haus der Gerechtigkeit erklärt, dass die Bahá’í ernsthaft danach trachten, ihr Verständnis der Aussagen ‘Abdu’l-Bahás mit den anerkannten wissenschaftlichen Sichtweisen in Einklang zu bringen. Man muss somit nicht daraus schließen, dass die Textstellen Vorstellungen beschreiben, die die Wissenschaft ablehnt, wie etwa eine ›parallel‹ verlaufende Evolution, die bedeuten würde, dass sich die Spezies Mensch seit Anbeginn des Lebens auf der Erde biologisch in einer unabhängigen Evolutionslinie parallel zum Tierreich entwickelt hätte.
Eine sorgfältige Betrachtung der Aussagen ‘Abdu’l-Bahás in diesem Buch und in anderen Quellen legt nahe, dass Er sich nicht mit den Mechanismen der Evolution befasst, sondern mit den philosophischen, sozialen und spirituellen Auswirkungen der neuen Theorie. Seine Verwendung des Begriffs ›Art‹ etwa erinnert an das Konzept ewiger, beständiger Archetypen, was nicht der Definition des Begriffs in der heutigen Biologie entspricht. ‘Abdu’l-Bahá schließt eine Wirklichkeit jenseits der stofflichen Welt mit ein. Während ‘Abdu’l-Bahá an anderer Stelle die physischen Eigenschaften anerkennt, die der Mensch mit dem Tier gemein hatA1 und die dem Tierreich entstammen, betont Er in diesen Vorträgen eine andere Fähigkeit, nämlich eine Fähigkeit zum rationalen Bewusstsein, die den Menschen vom Tier unterscheidet und die weder im Tierreich noch in der Natur selbst zu finden ist. Diese einzigartige Fähigkeit, die ein Ausdruck des menschlichen Geistes ist, ist kein Ergebnis des Evolutionsprozesses, sondern ist in der Schöpfung selbst angelegt. Wie ‘Abdu’l-Bahá erklärt, »… da der Mensch vor zehn- oder hunderttausend Jahren aus denselben irdischen Elementen, mit denselben Abmessungen und Mengen, derselben Art der Zusammensetzung und Kombination und denselben Wechselwirkungen mit anderen Wesen hervorgebracht wurde –, folgt daraus, dass der Mensch genau so war, wie er heute existiert.« »Wenn daher in tausend Millionen Jahren«, so fährt Er fort, »die Bestandteile des Menschen zusammengeführt, nach den gleichen Verhältnissen bemessen, in gleicher Weise kombiniert und der gleichen Wechselwirkung mit anderen Wesen unterworfen werden, tritt genau derselbe Mensch ins Dasein.«A2 Sein Argument richtet sich im Kern also nicht gegen wissenschaftliche Erkenntnisse, sondern gegen die materialistischen Behauptungen, die auf ihnen fußen. Die Evolutionslehre wird von den Bahá’í anerkannt, nicht aber die Schlussfolgerung – mit all ihren Auswirkungen auf die Gesellschaft – die Menschheit sei nur ein zufällig entstandener Zweig des Tierreichs.
In den Jahren seit der ersten Veröffentlichung von Beantwortete Fragen wurde immer deutlicher, dass eine sorgfältige und gründliche Überarbeitung der Übersetzung sehr zugutekommen würde. Frau Barney erlernte damals, wie sie selbst sagte, die persische Sprache und beherrschte – ungeachtet ihrer Fähigkeiten – ihre Feinheiten nicht völlig. Auch konnte sie natürlich noch nicht vom Licht der Erläuterungen profitieren, das die autoritativen Übersetzungen Shoghi Effendis später auf die Heiligen Texte des Glaubens werfen sollten. Darüber hinaus wurde im Laufe der zahlreichen Nachdrucke die englische Übersetzung nur geringfügig korrigiert, so dass sie gegenüber dem Text der Erstausgabe weitgehend unverändert blieb.
Das hundertjährige Jubiläum der Reisen ‘Abdu’l-Bahás in den Westen bietet eine passende Gelegenheit, um einerseits Laura Clifford Barneys unvergänglichen Beitrag als maßgebliche Impulsgeberin und erste Übersetzerin dieses Buches zu würdigen und andererseits eine verbesserte Übersetzung dieser »unschätzbar wertvollen Erklärungen«A3 zu präsentieren. Mit der Neuübersetzung soll hauptsächlich Inhalt und Stil des Originals getreuer wiedergegeben werden, insbesondere indem die Feinheiten in den Erklärungen ‘Abdu’l-Bahás klarer erfasst werden, der Gesprächscharakter und zugleich die Erhabenheit des Stils besser wiedergegeben werden und die philosophischen Begriffe im gesamten Text konsistentere Verwendung finden. In dieser Ausgabe wird versucht, viele der eleganten Formulierungen und gelungenen Redewendungen der ursprünglichen Übersetzung beizubehalten, ohne an sie gebunden zu sein.
Beantwortete Fragen sind seit ihrer Veröffentlichung eine maßgebliche Quelle der profunden Einsichten ‘Abdu’l-Bahás und ein unentbehrlicher Bestandteil jeder Bahá’í-Bibliothek. Shoghi Effendi merkte an, dass das Buch die Grundüberzeugungen der Sache Gottes in einer einfachen und klaren Sprache darlege und erachtete dessen Inhalt als unentbehrlich, um Bedeutung und Tragweite der Bahá’í-Offenbarung zu erfassen. In Beantwortete Fragen, so schrieb er, werde man »einen Schlüssel zum Verständnis aller verwirrenden Fragen finden, die den Verstand des Menschen auf seiner Suche nach wahrer Erkenntnis aufwühlen. Je achtsamer und sorgfältiger dieses Buch gelesen wird, desto mehr wird es offenbaren und desto vollständiger versteht man seine innere Wahrheit und Bedeutung.«A4 Möge die neue Übersetzung zukünftigen Generationen helfen, auf diese unerschöpfliche Fundgrube des »Wissens über grundlegende spirituelle, ethische und soziale Fragen«A5 zuzugreifen.

Vorwort der Autorin zur ersten Auflage

»Ich habe dir meine Momente der Müdigkeit gewidmet«, waren die Worte ‘Abdu’l-Bahás, als Er sich nach der Beantwortung einer meiner Fragen vom Tisch erhob. So war es jeden Tag; zwischen den Arbeitsstunden erholte Er sich von Seiner Erschöpfung durch erneute Tätigkeit. Gelegentlich konnte Er ausgiebig sprechen; aber oft, auch wenn das Thema mehr Zeit erfordert hätte, wurde Er nach einigen Augenblicken hinausgerufen, und wieder konnten Tage, ja Wochen vergehen, in denen Er keine Gelegenheit fand, mich zu unterweisen. Aber ich konnte mich natürlich gedulden, denn ich hatte stets die bedeutendere Lektion vor Augen – die Unterweisung durch Sein persönliches Leben.
Während meiner wiederholten Besuche in ‘Akká wurden, als ‘Abdu’l-Bahá sprach, diese Antworten auf Persisch festgehalten, nicht in Hinblick auf eine Veröffentlichung, sondern einfach um sie für künftige Studien verwenden zu können. Zuerst mussten sie der mündlichen Übersetzung des Dolmetschers angepasst werden und später meinem begrenzten Wortschatz, als ich etwas Persisch gelernt hatte. Allein aus diesem Grunde wiederholen sich manche Ausdrücke und Redewendungen, denn niemandem stehen treffende Formulierungen besser zu Gebote als ‘Abdu’l-Bahá. In diesen Unterweisungen ist Er nicht der Redner und Dichter, sondern der Lehrer, der sich Seinem Schüler anpasst.
Dieses Buch stellt lediglich bestimmte Aspekte des Bahá’í-Glaubens dar, dessen Botschaft universell ist und für jeden Fragenden die Antwort bereithält, die auf seine eigene Entwicklung und besonderen Bedürfnisse zugeschnitten ist.
In meinem Fall wurden die Lehren vereinfacht, um meinen nur rudimentären Kenntnissen zu entsprechen, und sie sind daher keineswegs umfassend und erschöpfend, wie es das Inhaltsverzeichnis suggerieren mag – das Inhaltsverzeichnis wurde lediglich hinzugefügt, um die behandelten Themen anzugeben. Aber ich glaube, dass das, was mir so wertvoll war, auch für andere nützlich sein könnte, da die Menschen bei aller Verschiedenartigkeit doch alle nach der Wahrheit suchen. Deshalb habe ich ‘Abdu’l-Bahá um Erlaubnis gebeten, diese Lehrgespräche veröffentlichen zu dürfen.
Sie wurden ursprünglich nicht in einer bestimmten Reihenfolge gehalten, sondern jetzt als Hilfe für den Leser nach Themen geordnet. Die Übersetzung hält sich eng an den persischen Wortlaut, bisweilen sogar zu Lasten des Englischen; nur wo die wörtliche Wiedergabe zu verwirrend und unverständlich schien, wurden einige Änderungen angebracht. Die eingeschobenen Wörter, die erforderlich waren, um den Sinn zu verdeutlichen, wurden nicht besonders gekennzeichnet, um die allzu häufige Unterbrechung des Gedankens durch technische oder erklärende Hinweise zu vermeiden. Auch viele der persischen und arabischen Namen wurden in ihrer einfachsten Form geschrieben, ohne sich strikt an ein wissenschaftliches System zu halten, das den Leser unter Umständen verwirren könnte.
Laura Clifford Barney

Teil 1–Der Einfluss der Propheten auf die Entwicklung der Menschheit

Kapitel 1

Die Natur steht unter einem allumfassenden Gesetz

Die Natur ist die Gegebenheit oder Wirklichkeit, auf die, äußerlich betracht, Leben und Tod – mit anderen Worten die Zusammensetzung und Auflösung aller Dinge – zurückzuführen ist.
Diese Natur unterliegt einem ausgewogenen System, unumstößlichen Gesetzen, einer vollkommenen Ordnung und einer vollendeten Gestaltung, wovon sie niemals abweicht. Das gilt in einem Ausmaß, dass du, solltest du es mit Einsicht und Unterscheidungskraft betrachten, erkennen würdest, dass alle Dinge in der Welt des Daseins – von den kleinsten unsichtbaren Teilchen bis zu den größten Gestirnen, wie die Sonne, die anderen großen Sterne und leuchtenden Himmelskörper – hinsichtlich ihrer Ordnung, Zusammensetzung, äußeren Gestalt oder Bewegung aufs Vollkommenste angeordnet sind, und einem universellen Gesetz gehorchen, von dem sie niemals abweichen.
Betrachtest du die Natur als solche, so erkennst du, dass sie weder Bewusstsein noch Willen hat. Es liegt in der Natur des Feuers, zu brennen; es brennt, ohne es zu wollen oder dessen gewahr zu sein. Es liegt in der Natur des Wassers, zu fließen; es fließt, ohne es zu wollen oder dessen gewahr zu sein. Es liegt in der Natur der Sonne, Licht zu spenden; sie scheint, ohne es zu wollen oder dessen gewahr zu sein. Es liegt in der Natur des Dampfes, aufzusteigen; er steigt empor, ohne es zu wollen oder dessen gewahr zu sein. So wird deutlich, dass die natürliche Bewegung in allem Erschaffenen zwingend erfolgt und sich nichts aus eigenem Antrieb bewegt, mit Ausnahme des Tieres und insbesondere des Menschen.
Der Mensch kann der Natur widerstehen und sich ihr widersetzen, da er die Beschaffenheit der Dinge entdeckt und dank dieser Entdeckung die Natur selbst beherrscht. Tatsächlich geht jegliche Fertigkeit, die der Mensch entwickelt hat, aus dieser Entdeckung hervor. Er hat zum Beispiel den Telegrafen erfunden, der Ost und West verbindet. Daran sieht man, dass der Mensch über die Natur herrscht.
Können nun ein solches System, eine solche Ordnung und solche Gesetze, wie du sie im Dasein beobachtest, allein der Wirkung der Natur zugeschrieben werden, obwohl doch die Natur selbst weder Bewusstsein noch Verstand besitzt? So wird deutlich, dass diese Natur, die weder Bewusstsein noch Verständnis hat, im Griff des allmächtigen Herrn liegt, der die Welt der Natur beherrscht und sie dazu bewegt, hervorzubringen, was immer Er wünscht.
Einige sagen, dass die menschliche Existenz zu jenen Dingen gehört, die in der Welt des Seins erschienen sind und die den Erfordernissen der Natur geschuldet sind. Sollte dies zutreffen, so wäre der Mensch der Zweig und die Natur die Wurzel. Kann es sein, dass Wille, Bewusstsein und bestimmte Vorzüge im Zweig vorhanden sind, aber in der Wurzel fehlen?
Daher ist klar, dass die Natur in ihrem innersten Wesen im machtvollen Griff Gottes ruht, und dass es dieser Ewige und Allmächtige ist, der die Natur vollkommenen Gesetzen und Ordnungsprinzipien unterwirft und über sie herrscht.

Kapitel 2

Beweise und Argumente für die Existenz Gottes

Zu den Beweisen und Argumenten für die Existenz Gottes gehört die Tatsache, dass der Mensch sich nicht selbst erschaffen hat, vielmehr, dass sein Schöpfer und Gestalter ein anderer ist. Es lässt sich gewiss nicht leugnen, dass der Schöpfer des Menschen nicht mit dem Menschen zu vergleichen ist, denn ein machtloses Wesen kann kein anderes Wesen erschaffen, vielmehr muss ein Schöpfer in seinem Wirken jede Vollkommenheit aufweisen, um sein Werk hervorzubringen.
Kann ein Werkstück vollkommen sein, wenn der Handwerker unvollkommen ist? Kann ein Gemälde ein Meisterwerk sein, wenn der Maler es zwar geschaffen hat, aber seine Kunst nicht vollkommen beherrscht? Nein: Das Bild kann nicht wie der Maler sein, denn sonst hätte es sich selbst gemalt. Wie vollendet das Gemälde auch immer sein mag, im Vergleich zum Maler ist es absolut mangelhaft.
So ist die bedingte Welt der Ursprung von Unzulänglichkeiten und Gott der Ursprung der Vollkommenheit. Gerade die Mängel der bedingten Welt zeugen von der Vollkommenheit Gottes. Wenn du zum Beispiel den Menschen betrachtest, stellst du fest, dass er schwach ist, und gerade die Schwäche des Geschöpfes ist ein Zeichen der Macht des Ewigen, des Allmächtigen, denn ohne Macht wäre Schwäche nicht vorstellbar. Die Schwäche des Geschöpfes ist also ein Zeichen für die Macht Gottes: Ohne Macht könnte es keine Schwäche geben. Diese Schwäche verdeutlicht, dass es eine Macht in der Welt gibt.
Desgleichen gibt es Armut in der bedingten Welt, also muss es Reichtum geben, damit Armut in der Welt sichtbar wird. Es gibt Unwissenheit in der bedingten Welt, also muss es Wissen geben, damit Unwissenheit sichtbar wird. Wenn es kein Wissen gäbe, könnte es auch keine Unwissenheit geben; denn Unwissenheit ist die Abwesenheit von Wissen, und wenn es keine Existenz gäbe, könnte Nicht-Existenz nicht sein.
Es ist sicher, dass die gesamte bedingte Welt unter einer Ordnung und einem Gesetz steht, wovon sie niemals abweichen kann. Selbst der Mensch muss sich dem Tod, dem Schlaf und anderen Daseinsbedingungen beugen – das heißt, er ist in bestimmten Bereichen Zwängen unterworfen, und eben diese Zwänge lassen auf die Existenz eines Allbezwingenden schließen. Solange die bedingte Welt durch Abhängigkeit gekennzeichnet ist und solange diese Abhängigkeit eines ihrer Wesensmerkmale ist, muss es Einen geben, der in Seinem eigenen Wesen von allem unabhängig ist. In gleicher Weise zeigt die Existenz eines Kranken, dass es einen Gesunden geben muss, denn ohne Letzteren wäre die Existenz des Ersteren nicht feststellbar.
Offensichtlich gibt es also einen Ewigen, Allmächtigen, der Inbegriff der Vollkommenheit ist, denn andernfalls würde Er sich nicht von den Geschöpfen unterscheiden. So zeugt selbst das kleinste erschaffene Ding in der ganzen Welt des Daseins von der Existenz eines Schöpfers. Dieses Stück Brot etwa genügt als Beweis dafür, dass es jemand hergestellt hat.
Gütiger Gott! Schon die äußere Veränderung des kleinsten aller Dinge beweist die Existenz eines Schöpfers: Wie könnte dann dieses riesige, grenzenlose Universum sich selbst erschaffen haben und ausschließlich durch die Wechselwirkung der Elemente ins Dasein getreten sein? Wie offensichtlich falsch ist solch eine Vorstellung!
Dies sind theoretische Begründungen, die für schwache Seelen angeführt werden, wenn sich aber das geistige Auge öffnet, so wird es hunderttausend eindeutige Beweise schauen. Wenn daher der Mensch den Geist in seinem Innersten spürt, braucht er keine Beweise für dessen Existenz; aber für jene, die der Gnade des Geistes beraubt sind, muss man Begründungen aus der äußeren Welt heranziehen.

Kapitel 3

Die Notwendigkeit eines Erziehers

Wenn wir das Dasein betrachten, stellen wir fest, dass im Mineral-, Pflanzen-, Tier- und Menschenreich alles und jedes eines Erziehers bedarf.
Wird das Feld von niemandem bestellt, ist das Resultat ein Dickicht wildwachsenden Unkrauts, wenn sich jedoch ein Bauer findet, um es zu bewirtschaften, wird die bevorstehende Ernte viele Lebewesen versorgen. Es ist also offensichtlich, dass das Land der Bewirtschaftung durch einen Bauern bedarf. Betrachte die Bäume: Wenn niemand für sie sorgt, werden sie keine Früchte tragen, und ohne Früchte sind sie nutzlos. Überlässt man sie einem Gärtner zur Pflege, wird der unfruchtbare Baum fruchtbar, und durch Kultivierung, Kreuzung und Veredelung bringt ein Baum mit bitteren Früchten süße Früchte hervor. Dies sind rationale Argumente, wie Menschen sie heutzutage erwarten.
Betrachte auch die Tiere: Zähmt man ein Tier, wird es zutraulich, während der Mensch einem Tier gleich wird, wenn er ohne Bildung und Erziehung bleibt. Es ist sogar so, dass ein Mensch, der der Herrschaft der Natur überlassen wird, noch tiefer fällt als das Tier, wird er aber erzogen, wird er einem Engel gleich. Denn die meisten Tiere fressen ihre eigenen Artgenossen nicht, aber Menschen im Sudan, inmitten von Afrika, zerfleischen und verzehren sich gegenseitig.
Nun beobachte, dass es die Bildung ist, die Ost und West der Herrschaft des Menschen unterstellt, all diese wunderbaren Handwerkskünste erzeugt, diese mächtigen Künste und Wissenschaften vorantreibt und diese neuen Entdeckungen und Unterfangen erst ermöglicht. Ohne einen Erzieher wären die Voraussetzungen für Wohlergehen, Zivilisation und Menschlichkeit nicht geschaffen worden. Wenn ein Mensch allein gelassen wird in der Wildnis, wo er keinem seiner Artgenossen begegnet, wird er zweifellos nichts als ein Tier. Es ist daher klar, dass ein Erzieher erforderlich ist.
Doch es gibt drei Arten von Erziehung: auf materieller, menschlicher und geistiger Ebene. Die Erziehung auf materieller Ebene dient dem Wachstum und der Entwicklung des Körpers und besteht darin, seine Versorgung zu sichern sowie die Mittel für ein unbeschwertes Leben bereitzustellen. Diese Erziehung gilt für Mensch und Tier gleichermaßen.
Erziehung und Bildung auf menschlicher Ebene umfasst hingegen Zivilisation und Fortschritt, das heißt gute Staatsführung, Gesellschaftsordnung, menschliche Wohlfahrt, Handel und Industrie, Künste und Wissenschaften, bedeutsame Entdeckungen und große Unternehmungen, was die zentralen Unterscheidungsmerkmale zwischen Mensch und Tier sind.
Was die göttliche Erziehung betrifft, so ist sie die Erziehung durch das Königreich Gottes und besteht darin, himmlische Vollkommenheit zu erlangen. Das ist die wahre Erziehung, denn durch sie wird der Mensch zum Mittelpunkt göttlicher Segnungen und zur Verkörperung des Verses »Lasset uns Menschen machen, ein Bild, das uns gleich sei.«A6 Das ist das höchste Ziel für die Menschenwelt.
Nun, es bedarf eines Erziehers, der in der Lage ist, zugleich auf der materiellen, menschlichen und geistigen Ebene zu erziehen, damit seine Autorität auf allen Daseinsstufen wirken kann. Und sollte jemand sagen: »Ich bin mit vollkommener Vernunft und Einsicht begabt und bedarf keines solchen Erziehers«, so würde er das Offenkundige leugnen. Es ist, als ob ein Kind sagen würde: »Ich brauche keine Erziehung, sondern werde entsprechend meinem eigenen Denken und Verständnis nach der Vollkommenheit des Daseins streben«, oder als ob ein Blinder behauptete: »Ich brauche kein Augenlicht, denn es gibt viele Blinde, die zurechtkommen.«
Es ist daher klar und erwiesen, dass der Mensch eines Erziehers bedarf. Dieser Erzieher muss zweifellos in jeder Hinsicht vollkommen sein und sich vor allen Menschen auszeichnen. Denn wenn er wie jeder andere wäre, könnte er niemals ihr Erzieher sein, zumal er sie zugleich in materieller, menschlicher und geistiger Hinsicht erziehen muss. Das bedeutet, er muss für die Regelung ihrer materiellen Belange sorgen, und eine Gesellschaftsordnung stiften, damit sie einander darin unterstützen, für ihren Lebensunterhalt zu sorgen und damit ihre materiellen Belange in jeder Hinsicht geordnet sein mögen.
Ebenso muss er das Fundament der menschlichen Bildung legen – das heißt, er muss Verstand und Denken der Menschen so schulen, dass sie bedeutsame Fortschritte erzielen können; dass Wissenschaft und Erkenntnisse wachsen und gedeihen; dass die Wirklichkeit der Dinge, die Geheimnisse des Universums und die Eigenschaften alles Existierenden enthüllt werden; dass Gelehrsamkeit, Entdeckungen und große Unternehmungen sich täglich mehren; und dass aus dem mit den Sinnen Wahrgenommenen durch den Verstand Schlüsse gezogen und Erkenntnisse abgeleitet werden können.
Er muss auch geistige Erziehung vermitteln, damit Geist und Verstand die metaphysische Welt wahrnehmen, den geheiligten Odem des Heiligen Geistes einatmen und mit den himmlischen Heerscharen in Beziehung treten möge, und damit göttliche Segnungen sich in der Wirklichkeit des Menschen offenbaren, auf dass alle Namen und Attribute Gottes sich in der Wirklichkeit des Menschen spiegeln mögen und die Bedeutung des gesegneten Verses: »Lasset uns Menschen machen, ein Bild, das uns gleich sei« verwirklicht werde.
Es ist allerdings klar, dass menschliche Macht allein dieser gewaltigen Aufgabe nicht gewachsen ist und menschliches Denken allein solche Segnungen nicht bewirken kann. Wie kann eine einzelne Person ohne Hilfe oder Unterstützung das Fundament für ein solch erhabenes Bauwerk legen? Es bedarf somit einer göttlichen, einer geistigen Kraft, die ihn befähigt, diesen Auftrag zu erfüllen. Schau, wie ein geheiligtes Wesen der Menschenwelt neues Leben einhaucht, das Antlitz der Erde verwandelt, den Verstand der Menschen weiterentwickelt, die Seelen belebt, neues Leben entstehen lässt, neue Grundlagen schafft, die Welt ordnet, die Völker und Religionen unter einem Banner versammelt, den Menschen aus dem Griff der Niedertracht und der Unzulänglichkeit befreit und ihn ermahnt und ermutigt seine angeborene und erworbene Vollkommenheit zu entfalten. Gewiss kann nichts anderes als eine göttliche Macht eine solche Meisterleistung vollbringen! Man muss dies gerecht betrachten, hier ist Unvoreingenommenheit geboten.
Eine heilige Seele verbreitet – ohne jede Hilfe oder Unterstützung – eine Sache, die alle Regierungen und Völker der Erde, trotz all ihrer Macht und ihrer Armeen, zu fördern und zu verbreiten außerstande sind! Kann dies durch bloße menschliche Kraft erreicht werden? Nein, bei Gott! Christus hat zum Beispiel allein und auf sich gestellt das Banner des Friedens und der Freundschaft gehisst – eine Tat, dergleichen alle mächtigen Regierungen der Welt mit vereinten Kräften nicht vollbringen konnten. Schau, in welch großer Zahl die verschiedenen Regierungen und Nationen wie Italien, Frankreich, Deutschland, Russland, England und andere unter dem gleichen Baldachin versammelt wurden! Entscheidend ist, dass das Erscheinen Christi die Verbundenheit dieser unterschiedlichen Völker bewirkte. Tatsächlich waren einige dieser Völker, die an Christus glaubten, so geeint, dass sie sogar Leben und Vermögen füreinander hingaben. Das blieb so bis zur Zeit Konstantins, der der Sache Christi zu höherem Ansehen verhalf. Nach einer gewissen Zeit kam es wegen unterschiedlicher Interessen erneut zu Spaltungen unter ihnen. Damit ist gemeint, dass Christus diese Völker einte, nach langer Zeit die Regierungen aber von neuem Zwietracht heraufbeschworen.
Kurzum, Christus hat vollbracht, wozu alle Könige der Erde außerstande waren. Er vereinte unterschiedliche Nationen und veränderte althergebrachte Bräuche. Schau, welche großen Gegensätze zwischen Römern, Griechen, Syrern, Ägyptern, Phöniziern, und Israeliten, sowie anderen Völkern Europas bestanden. Christus schaffte diese Gegensätze ab und wurde zum Wegbereiter für die Eintracht unter diesen Volksgruppen. Auch wenn die Regierungen nach längerer Zeit diese Einheit zerstörten, hatte Christus Seine Mission doch erfüllt.
Damit ist gemeint, dass der universelle Erzieher auf materieller, menschlicher und geistiger Ebene zugleich wirkt. Erhaben über die Welt der Natur, muss Er über eine andere Macht verfügen, damit Er die Stufe eines göttlichen Lehrers einnehmen kann. Übte Er nicht eine solch himmlische Macht aus, so wäre Er nicht in der Lage zu erziehen, denn Er wäre selbst unvollkommen. Wie könnte Er dann Vervollkommnung fördern? Wäre Er unwissend, wie könnte Er anderen zu Wissen verhelfen? Wäre Er ungerecht, wie könnte Er andere dazu bringen, gerecht zu handeln? Wäre Er irdisch gesinnt, wie könnte Er in anderen himmlische Eigenschaften wecken?
Jetzt müssen wir unvoreingenommen betrachten, ob diese göttlichen Manifestationen, die erschienen sind, all die Eigenschaften innehatten oder nicht. Fehlten ihnen diese Eigenschaften und diese Vollkommenheit, dann wären sie keine wahren Erzieher.
Wir brauchen also für rationale Menschen rationale Argumente als Beweis für das Prophetentum Mose, Christi und der anderen göttlichen Manifestationen. Die Beweisführung, die uns hier vorliegt, fußt nicht auf Überlieferungen, sondern auf rationalen Argumenten.
So zeigen rationale Argumente, dass für die Welt des Daseins ein Erzieher zwingend erforderlich ist, und ihre Erziehung durch eine himmlische Macht erfolgen muss. Diese himmlische Macht ist ohne Zweifel die göttliche Offenbarung und durch diese Macht, die menschliche Macht übersteigt, muss die Welt erzogen werden.

Kapitel 4

Abraham

Unter denen, die über diese göttliche Macht verfügten und durch sie bestätigt wurden, war Abraham. Der Beweis hierfür ist: Abraham wurde in Mesopotamien geboren und stammte aus einer Familie, die nicht um die Einheit Gottes wusste; Er stellte sich gegen die eigene Sippe, die Obrigkeit und sogar gegen Seine eigene Familie; Er lehnte all ihre Götter ab, und allein und auf sich gestellt widerstand Er einem mächtigen Volk. Solch hartnäckiger Widerstand war keineswegs einfach. Es ist, als würde man heutzutage unter Christen, die sich fest an die Bibel halten, Christus leugnen oder als würde man am päpstlichen Hof – Gott bewahre! – wider Christus lästern, sich gegen all Seine Anhänger auflehnen und sich dabei äußerst grob verhalten.
Diese Menschen glaubten nicht an einen Gott, sondern an viele Götter, denen sie Wunder zuschrieben, und deshalb erhoben sie sich alle gegen Abraham. Niemand unterstützte Ihn außer Sein Neffe Lot sowie ein oder zwei andere Personen ohne nennenswerten Einfluss. Schließlich zwang ihn die heftige Gegnerschaft Seiner Feinde völlig zu Unrecht dazu, Seine Heimat zu verlassen. Tatsächlich wurde Er verbannt, um Ihn zugrunde zu richten, damit keine Spur von Ihm verbliebe. Daraufhin kam Abraham hier in diese Gegend, also ins Heilige Land.
Ich will damit sagen: Seine Feinde dachten, diese Verbannung werde zu Seiner völligen Vernichtung führen. Und wirklich, wenn ein Mensch aus seinem Heimatland verbannt wird, seiner Rechte beraubt ist und von allen Seiten bedrängt wird, würde er – selbst als König – unweigerlich zunichte. Abraham aber zeigte außerordentliche Standhaftigkeit und Ausdauer, und Gott wandelte Seine Verbannung in bleibende Ehre, bis Er schließlich den Glauben an die Einheit Gottes begründete, denn zu jener Zeit waren die Menschen gemeinhin Götzenanbeter.
Diese Verbannung wurde zur Ursache für den Fortschritt der Nachkommen Abrahams. Diese Verbannung führte dazu, dass ihnen das Heilige Land gegeben wurde. Diese Verbannung führte zur Verbreitung der Lehre Abrahams. Diese Verbannung führte zum Erscheinen Jakobs aus Abrahams Nachkommenschaft und Josefs, dem die Herrschaft über Ägypten übertragen wurde. Diese Verbannung führte zum Erscheinen Mose aus demselben Geschlecht. Diese Verbannung führte dazu, dass aus Seiner Abstammungslinie Christus erschien. Diese Verbannung führte dazu, dass sich Hagar fand, die Ismael gebar, von dem wiederum Muḥammad abstammte. Diese Verbannung führte dazu, dass aus der Nachkommenschaft Abrahams der Báb erschien. Diese Verbannung führte dazu, dass die Propheten Israels aus dem Geschlecht Abrahams hervorgingen – und so wird es für alle Zeit weitergehen. Diese Verbannung führte dazu, dass ganz Europa und der größte Teil Asiens in den Schatten des Gottes Israels trat. Seht, welche Macht es war, die es einem Auswanderer ermöglichte, eine solche Familie zu gründen, ein solches Volk hervorzubringen und eine solche Lehre zu verbreiten. Kann nun jemand behaupten, dass das alles Zufall war? Wir sollten uns unvoreingenommen fragen: War dieser Mann ein Erzieher oder nicht?
Wir sollten einmal über Folgendes nachdenken: Wenn die Auswanderung Abrahams von Ur nach Aleppo in Syrien zu solchen Ergebnissen geführt hat, wie wird sich die Verbannung Bahá’u’lláhs von Ṭihrán nach Baghdád und von dort nach Konstantinopel, nach Rumelien und ins Heilige Land auswirken!
Nun sieh, welch ein vollendeter Erzieher Abraham war!

Kapitel 5

Mose

Mose war lange Zeit ein Hirte in der Wildnis. Dem äußeren Anschein nach war Er ein Mann, der im Schoß der Tyrannei aufgewachsen war, als Mörder galt, Hirte wurde und grenzenlosem Hass und Zorn von Volk und Regierung des Pharaos ausgesetzt war. Ein solcher Mensch befreite ein großes Volk von den Fesseln der Gefangenschaft und überzeugte es davon, Ägypten zu verlassen und ins Heilige Land zu ziehen.
Die Angehörigen dieses Volkes waren in tiefste Erniedrigung gesunken und wurden zum Gipfel der Herrlichkeit erhoben. Sie waren Gefangene und wurden befreit. Sie waren unter allen Völkern durch völlige Unwissenheit gekennzeichnet und erlangten dann höchste Gelehrsamkeit. Dank der Grundlagen, die Er schuf, machten sie solche Fortschritte, dass sie sich unter allen Völkern auszeichneten. Ihr Ruhm breitete sich in allen Landen derart aus, dass die Bewohner der Nachbarländer, wenn sie jemanden loben wollten, sagten: »Das ist bestimmt ein Israelit!« Mose verfügte Gesetze und Gebote, die dem Volk Israel neues Leben verliehen, und führte es zum Gipfel der Zivilisation in jener Zeit.
Ihr Fortschritt war so groß, dass die Philosophen Griechenlands bei den Gelehrten Israels nach Wissen suchten. Unter ihnen war Sokrates, der nach Syrien kam und von den Israeliten die Lehre von der Einheit Gottes und der Unsterblichkeit der Seele übernahm. Er kehrte dann nach Griechenland zurück und verbreitete diese Lehren, woraufhin die Bevölkerung sich gegen ihn auflehnte, ihn der Gottlosigkeit bezichtigte, ihn vor Gericht anklagte und zum Tode durch Gift verurteilte.
Wie konnte nun so ein Mann, ein Stotterer, aufgewachsen im Hause des Pharaos, als Mörder bekannt, der sich aus Furcht lange Zeit verborgen hielt und sein Dasein als Hirte fristete, eine so gewaltige Sache ins Leben rufen, von der die weisesten Philosophen der Erde nicht einmal einen Bruchteil hätten hervorbringen können? Dass das außergewöhnlich ist, liegt auf der Hand.
Ein Mensch, der stottert oder stammelt, wird kaum ein gewöhnliches Gespräch führen können, geschweige denn das erreichen, was Er vollbrachte. Nein, hätte keine göttliche Macht hinter Ihm gestanden, wäre Er nicht dazu in der Lage gewesen, solch eine gewaltige Aufgabe zu erfüllen. Das sind Argumente, die niemand leugnen kann. Die materialistischen Denker, die griechischen Philosophen und die großen Männer Roms, die in der ganzen Welt zu Ruhm gelangten, waren alle in nur einem Wissensgebiet bewandert. Galen und Hippokrates wurden für ihre Heilkunst, Aristoteles für logisches und spekulatives Denken und Plato für Ethik und göttliche Philosophie gerühmt. Wie kann ein einfacher Hirte das Fundament für all diese Wissenszweige legen? Es besteht kein Zweifel, dass eine außergewöhnliche Macht hinter Ihm stand.
Sieh, wie die Menschen mit Prüfungen und Schwierigkeiten konfrontiert werden. Mose streckte einen Ägypter nieder, um einen Drangsalierten zu schützen und ward fortan als Mörder verrufen, zumal das Opfer der Herrscherklasse angehörte, musste fliehen und wurde nach all dem doch zum Propheten erhoben. Sieh, wie Er trotz Seines schlechten Rufs von einer außergewöhnlichen Macht darin unterstützt wurde, großartige Einrichtungen ins Leben zu rufen und mächtige Vorhaben in die Wege zu leiten!

Kapitel 6

Christus

Danach erschien Christus und sprach: »Ich bin aus dem Heiligen Geist geboren.« Es fällt heute den Christen zwar leicht, diesen Anspruch anzuerkennen, damals war das aber sehr schwierig. So fragten die Pharisäer dem Evangelium zufolge: »Ist das nicht der Sohn von Josef aus Nazareth, den wir kennen? Wie kann er denn sagen: ›Ich bin vom Himmel gekommen‹?«A7
Kurz, dieser in aller Augen unbedeutende Mann erhob sich dennoch mit der Macht, ein fünfzehnhundert Jahre altes religiöses Gesetz abzuschaffen, obgleich man schon durch die geringste Übertretung in ernste Gefahr geriet und dem sicheren Tod entgegensah. Zudem waren die allgemeinen Sitten und die Verhaltensweisen der Israeliten zur Zeit Christi gänzlich verdorben und Israel war in einen Zustand äußerster Erniedrigung, in Elend und Knechtschaft gesunken. Einmal fielen sie in die Hände der Chaldäer und Perser, ein andermal wurden sie von den Assyrern unterjocht. Das eine Mal wurden sie Untertanen und Vasallen der Griechen, ein anderes Mal wurden sie von den Römern bezwungen und gedemütigt.
Obschon jung an Jahren, hob Christus mit einer außergewöhnlichen Macht das altehrwürdige mosaische Gesetz auf und begab sich daran, die allgemeinen Sitten zu erneuern. Er legte erneut die Grundlagen ewigen Ruhms für die Israeliten – mehr noch, Er stellte sich der Aufgabe, das Wohl der ganzen Menschheit wiederherzustellen – und verbreitete Lehren, die nicht allein Israel vorbehalten waren, sondern die Grundlage für das allgemeine Glück der menschlichen Gesellschaft bildeten.
Die ersten, die sich erhoben Ihn zu vernichten, waren die Israeliten – Sein eigenes Volk und Seine eigene Sippe. Dem äußeren Anschein nach bezwangen sie Ihn tatsächlich und stürzten Ihn in äußerste Erniedrigung, bis sie Ihm schließlich die Dornenkrone aufs Haupt setzten und Ihn kreuzigten. Doch während Er äußerlich zutiefst erniedrigt war, verkündete Er: »Diese Sonne wird aufgehen, dieses Licht wird erstrahlen, Meine Gnade wird die Welt umfangen und alle Meine Feinde werden besiegt sein.« Und es geschah so, wie Er es gesagt hatte, denn kein König auf Erden konnte sich Ihm widersetzen. Mehr noch, all ihre Standarten wurden niedergerissen, während die Standarte dieses Unterdrückten zu höchsten Höhen emporgehoben ward.
Ist dies nach menschlichem Ermessen überhaupt möglich? Nein, bei Gott! Man sieht also, dass dieses erhabene Wesen wirklich ein Erzieher der Menschheit war und eine göttliche Macht Ihn unterstützte.

Kapitel 7

Muḥammad

Was nun Muḥammad betrifft, so haben die Menschen in Europa und Amerika gewisse Geschichten über den Propheten gehört und für wahr gehalten, auch wenn solche Schilderungen oftmals von christlichen Geistlichen verbreitet wurden, die teils unwissend oder gar böswillig waren. Auch einige unwissende Muslime verbreiteten haltlose Geschichten über Muḥammad, die Ihm ihrer Ansicht nach zum Ruhme gereichten. So wurde die Vielzahl Seiner Frauen von einigen einfältigen Muslimen aufs Höchste gelobt und als Zeichen für Seine wundersamen Kräfte angesehen, denn für diese Unwissenden grenzte das an ein Wunder. Die Berichte europäischer Historiker beruhen zum größten Teil auf den Aussagen solcher Ignoranten.
Zum Beispiel erzählte einmal ein törichter Mensch einem christlichen Priester, dass der Beweis für wahre Größe in überragender Tapferkeit und im Blutvergießen läge und dass einer der Anhänger Muḥammads an einem einzigen Tag hundert Männer auf dem Schlachtfeld enthauptet habe! Daraufhin mutmaßte der Priester, dass der Wahrheitsbeweis der Religion Muḥammads im Töten bestand, was nichts als reine Einbildung ist. Im Gegenteil, Muḥammads Kriegszüge dienten stets Verteidigungszwecken. Der deutliche Beweis dafür ist: Dreizehn Jahre lang haben Er und Seine Gefährten in Mekka die heftigsten Verfolgungen erduldet und waren immerzu das Ziel für die Pfeile des Hasses. Einige Seiner Gefährten wurden getötet und ihres Besitzes beraubt; andere ließen ihre Heimat zurück und flohen in fremde Lande. Muḥammad Selbst wurde aufs Schwerste verfolgt und als Seine Feinde den Entschluss fassten Ihn zu töten, war Er gezwungen mitten in der Nacht aus Mekka zu fliehen und nach Medina auszuwandern. Doch selbst dann ließen Seine Feinde nicht von ihrem Vorhaben ab und verfolgten die Muslime bis nach Medina und nach Abessinien.
Die arabischen Stämme waren äußerst barbarisch und raubgierig und im Vergleich zu ihnen waren die wilden und streitbaren Ureinwohner Amerikas die Platoniker ihrer Zeit, denn sie begruben nicht ihre Töchter bei lebendigem Leib, wie die Araber, die das mit ihren Töchtern machten und noch behaupteten, es sei eine ehrenvolle Tat, derer sie sich brüsteten. So bedrohten viele Männer ihre Frauen und sagten: »Wenn dir eine Tochter geboren wird, töte ich dich.« Sogar heute noch schrecken viele Araber vor dem Gedanken zurück, eine Tochter zu haben.
Ein Mann konnte tausend Frauen nehmen, und die meisten Männer hatten mehr als zehn Frauen in ihrem Haushalt. Wenn diese Stämme Krieg gegeneinander führten, nahmen die Sieger die Frauen und Kinder der Besiegten gefangen und betrachteten sie als Sklaven, mit denen sie Handel trieben.
Wenn ein Mann starb und zehn Frauen hinterließ, dann eilten die Söhne dieser Frauen zu den anderen Müttern, und sobald einer von ihnen seinen Umhang über das Haupt einer der Frauen seines Vaters warf und sie als sein rechtmäßiges Eigentum beanspruchte, so wurde diese unglückliche Frau zur Gefangenen und Sklavin ihres Stiefsohnes, der mit ihr verfahren konnte, wie es ihm beliebte. Er konnte sie töten, in ein Kellerloch sperren, sie Tag für Tag schlagen, verfluchen und misshandeln, bis sie langsam zugrunde ging. In Übereinstimmung mit den Gesetzen und Gebräuchen der Araber stand es ihm bei all dem frei zu tun, was ihm beliebte. Dass Verbitterung und Eifersucht, Hass und Feindseligkeit zwischen den Ehefrauen mitsamt ihren Kindern herrschten, ist vollkommen klar und bedarf keiner weiteren Darlegung. Stell dir vor, unter welchen Bedingungen diese unterdrückten Frauen leben mussten!
Darüber hinaus lebten diese arabischen Stämme von Raub- und Beutezügen, die sie gegeneinander führten, wodurch sie sich in ständigem Streit und Krieg befanden, einander töteten, sich gegenseitig ausplünderten, sich der Frauen und Kinder bemächtigten und sie an Fremde verkauften. Wie oft verbrachten die Söhne und Töchter eines Stammesfürsten den Tag unbeschwert in Luxus, doch schon zur Abenddämmerung fanden sie sich in völliger Erniedrigung, in Elend und Gefangenschaft wieder. Gestern noch waren sie Fürsten, heute schon sind sie Gefangene; gestern noch waren sie angesehene Damen, heute schon sind sie Sklavinnen.
Solcherart waren die Stämme, zu denen Muḥammad entsandt wurde. Dreizehn Jahre lang fügten sie Ihm alles erdenkliche Leid zu, bis Er schließlich aus der Stadt floh und nach Medina auswanderte. Doch es kam ihnen nicht in den Sinn nachzulassen, vielmehr verbündeten sie sich, stellten eine Armee auf und griffen an, um all Seine Gefährten, Männer, Frauen und Kinder zu vernichten. Unter diesen Umständen und gegen ein solches Volk war Muḥammad gezwungen, zu den Waffen zu greifen. Das sind die wahren Umstände: Wir wollen nicht fanatisch an etwas festhalten, noch blind nach einer Rechtfertigung suchen, vielmehr prüfen wir und schildern den Sachverhalt unvoreingenommen. Sie sollten ebenfalls Folgendes unvoreingenommen abwägen: Wenn Christus Selbst in ähnlicher Weise unter solch gesetzlose und barbarische Stämme geraten wäre; wenn Er und Seine Jünger dreizehn Jahre lang jede ihnen zugefügte Grausamkeit geduldig ertragen hätten; wenn sie durch diese Unterdrückung gezwungen worden wären, ihre Heimat zu verlassen und Zuflucht in der Wüste zu suchen; und wenn diese gesetzlosen Stämme auch weiterhin das Ziel verfolgt hätten, die Männer niederzumetzeln, ihre Besitztümer zu entwenden und sich ihrer Frauen und Kinder zu bemächtigen – wie wäre Christus mit ihnen umgegangen? Hätte diese gewaltsame Unterdrückung nur Ihm gegolten, dann hätte Er ihnen vergeben und eine solche Vergebung hätte Lob und höchste Anerkennung verdient; aber hätte Er gesehen, dass grausame und blutrünstige Mörder darauf bedacht waren zu töten, zu plündern, viele wehrlose Menschen zu quälen und sich der Frauen und Kinder zu bemächtigen, so ist sicher, dass Er die Unterdrückten verteidigt und sich den Unterdrückern entgegengestellt hätte.
Was kann man da Muḥammad zum Vorwurf machen? Etwa, dass Er sich nicht mit Seinen Gefährten, ihren Frauen und Kindern diesen gesetzlosen Stämmen auf Gedeih und Verderb ausgeliefert hatte? Zudem war es ein Geschenk des Himmels, diese Stämme von ihrer Blutgier zu befreien; sie im Zaum zu halten und in ihre Schranken zu verweisen war reine Gnade. Es ist, wie wenn ein Mann einen Giftbecher hält und im Begriff ist, ihn zu leeren. Ein wahrer Freund würde ihm gewiss den Becher aus der Hand schlagen und ihn am Trinken hindern. Christus hätte in so einer Situation zweifellos mit allbezwingender Macht die Männer, Frauen und Kinder aus den Klauen solch gieriger Wölfe befreit.
Muḥammad kämpfte niemals gegen die Christen; im Gegenteil, Er behandelte sie mit Respekt und gewährte ihnen vollkommene Freiheit. In Najrán lebte eine christliche Gemeinde unter Seinem Schutz. Muḥammad sprach: »Sollte jemand ihre Rechte verletzen, so wird er in mir einen Feind finden, der ihn vor Gott anklagt.« In Seinen Erlassen heißt es ganz klar, dass Leben, Eigentum und Ehre von Juden und Christen unter dem Schutz Gottes stehen; dass ein muslimischer Gatte seine christliche Frau nicht daran hindern darf, zur Kirche zu gehen, noch von ihr verlangen darf, einen Schleier zu tragen; dass er nach ihrem Tod ihre sterblichen Überreste einem Priester anzuvertrauen hat; und dass, wenn die Christen eine Kirche bauen wollen, die Muslime sie darin unterstützen müssen. Ferner waren in Zeiten des Krieges zwischen dem islamischen Reich und seinen Feinden die Christen vom Kriegsdienst befreit, es sei denn, sie wünschten in Anbetracht des Schutzes, den sie genossen, sich aus freien Stücken den Muslimen anzuschließen und sie bei der Schlacht zu unterstützen. Zum Ausgleich für diese Freistellung hatten sie jedes Jahr einen kleinen Betrag zu zahlen. Kurz gesagt, es gibt sieben umfangreiche Erlasse zu diesen Themen und einige Abschriften davon sind bis heute in Jerusalem erhalten.A8 Dies ist eine Tatsache und nicht nur meine eigene Behauptung: Der Erlass des zweiten KalifenA9 ist immer noch in der Obhut des orthodoxen Patriarchen von Jerusalem, das steht außer Zweifel. Doch nach einer Weile regte sich Missgunst und Hass zwischen Muslimen und Christen, da sich beide Seiten Übergriffe zu Schulden kommen ließen.
Abgesehen von dieser Wahrheit ist alles, was auch immer Muslime, Christen oder andere sagen mögen, reine Erfindung, die aus Fanatismus, Unwissenheit und erbitterter Feindschaft entsteht. Zum Beispiel behaupten Muslime, der Mond sei von Muḥammad gespalten worden und auf den Berg von Mekka gefallen. Sie stellen sich den Mond als ein kleines Gebilde vor, das Muḥammad entzweischlug, davon einen Teil auf einen Berg und den zweiten auf einen anderen warf! Solche Geschichten entstehen aus purem Fanatismus. Ebenso sind die Darstellungen der christlichen Geistlichen und ihre Anschuldigungen immer übertrieben und oft haltlos.
Kurz, Muḥammad erschien in der Wüste Ḥijáz auf der Arabischen Halbinsel, einer baumlosen und unfruchtbaren Einöde, die sandig, ausgesprochen trostlos und an einigen Orten, wie Mekka und Medina, überaus heiß war. Die dort lebenden Nomaden folgten den Sitten und Verhaltensweisen von Wüstenbewohnern und waren bar jeder Bildung und Gelehrsamkeit. Selbst Muḥammad war des Lesens und Schreibens unkundig, und der Qur’án wurde ursprünglich auf Schulterknochen von Schafen oder auf Palmblätter geschrieben. Daraus kannst du schließen, welche Verhältnisse unter den Menschen herrschten, zu denen Muḥammad gesandt wurde!
Als erstes warf Er ihnen vor: »Warum lehnt ihr die Thora und das Evangelium ab und warum weigert ihr euch, an Christus und Mose zu glauben?« Diese Aussage traf sie wirklich hart, denn sie fragten: »Was ist denn dann mit unseren Vätern und Vorvätern, die nicht an die Thora und das Evangelium geglaubt haben?« Er antwortete: »Sie waren auf Abwege geraten und ihr müsst euch von denen lossagen, die nicht an die Thora und das Evangelium glauben, auch wenn es eure eigenen Vorfahren sind.«
In solch einem Land, unter solch barbarischen Stämmen, brachte ein ungebildeter Mensch ein Buch hervor, in dem die Attribute und die Vollkommenheit Gottes, die prophetische Stufe Seiner Gesandten, die Gebote Seiner Religion und bestimmte Wissensgebiete sowie wissenschaftliche Fragestellungen höchst vollkommen und eloquent dargelegt wurden.
Wie du weißt, war es beispielsweise vor den Beobachtungen des bekannten Astronomen aus jüngerer Vergangenheit,A10 das heißt von den ersten Jahrhunderten bis hin zum fünfzehnten Jahrhundert christlicher Zeitrechnung, bei allen Mathematikern der Welt Konsens, dass die Erde im Mittelpunkt steht und die Sonne sie umkreist. Auf diesen Astronomen geht die neue Theorie zurück, nach der die Erde sich bewegt und die Sonne ein Fixstern ist. Bis zu seiner Zeit hielten alle Mathematiker und Philosophen der Welt am ptolemäischen System fest und wer nur ein Wort dagegen sprach, galt als unwissend. Es stimmt schon, dass Pythagoras und Plato in der zweiten Hälfte ihres Lebens die Vorstellung entwickelten, dass die Bewegung der Sonne im Jahresverlauf entlang des Tierkreises nicht von ihr selbst herrührt, sondern von der sie umkreisenden Erde. Diese Theorie geriet jedoch völlig in Vergessenheit und die ptolemäische Theorie wurde allgemein von sämtlichen Mathematikern angenommen. Im Qur’án jedoch wurden einige Verse offenbart, die dem ptolemäischen System widersprachen. In einem davon heißt es: »Und die Sonne bewegt sich an einem festen Ort«A11, was auf die feste Position der Sonne und ihre Bewegung um eine Achse hinweist. Auch in einem anderen Vers, »Sie alle schweben auf einer Himmelsbahn«A12, wird die Bewegung der Sonne, des Mondes, der Erde und der anderen Himmelskörper beschrieben. Als der Qur’án nun über die Landesgrenzen hinaus verbreitet wurde, spotteten alle Mathematiker darüber und führten diese Sichtweise auf Unwissenheit zurück. Selbst die muslimischen Geistlichen, die feststellten, dass diese Verse dem ptolemäischen System widersprachen, sahen sich genötigt, sie bildhaft auszulegen, denn Letzteres wurde als unumstößliche Tatsache angesehen, obwohl der Qur’án dem ausdrücklich widersprach.
Erst ab dem fünfzehnten Jahrhundert der christlichen Zeitrechnung, fast neunhundert Jahre nach Muḥammad, kam es zu neuen Beobachtungen eines berühmten Mathematikers;A13 das Teleskop wurde erfunden, es kam zu wichtigen Entdeckungen, die Rotation der Erde und die Fixposition der Sonne wurden nachgewiesen und deren Bewegung um eine Achse wurde ebenfalls entdeckt. Dann wurde klar, dass der Wortlaut des Qur’án vollkommen mit der Wirklichkeit übereinstimmte und das ptolemäische System reine Einbildung war.
Kurz gesagt: Eine Vielzahl östlicher Völker wurde seit dreizehn Jahrhunderten im Schatten des Glaubens Muḥammads erzogen. Im Mittelalter, als Europa in den tiefsten Abgründen der Barbarei versunken war, übertrafen die Araber alle anderen Völker der Erde in Wissenschaften und Handwerkskunst, in Mathematik, Kultur, Staatsführung und anderen Künsten. Erzieher und Triebfeder für die Entwicklung der Stämme auf der arabischen Halbinsel und Stifter einer auf menschliche Vervollkommnung aufbauenden Kultur unter den rivalisierenden Stämmen war ein ungelehrter Mann, Muḥammad. War dieser hoch geschätzte Mann ein universeller Erzieher oder nicht? Lasst uns unvoreingenommen urteilen.

Kapitel 8

Der Báb

Der BábA14 – möge meine Seele ein Opfer für Ihn sein – erhob sich in jungen Jahren, das heißt im fünfundzwanzigsten Jahr Seines gesegneten Lebens, um Seine Sache zu verkünden. Unter den Schiiten ist allseits bekannt, dass Er nie in einer Schule studiert oder bei einem Lehrer Wissen erworben hat. Jedermann in Shíráz wird das bezeugen. Und dennoch trat Er plötzlich mit vollendetem Wissen vor den Menschen auf und – obschon nur ein Kaufmann – verblüffte Er alle Geistlichen Persiens. Ganz auf sich gestellt übernahm Er eine nahezu aussichtslose Aufgabe; denn die Perser sind in der ganzen Welt für ihren religiösen Fanatismus bekannt. Dieses erhabene Wesen erhob sich mit solcher Macht, dass die Grundlagen der religiösen Gesetze, Bräuche und Verhaltensweisen, der Sitten und Gewohnheiten in Persien erschüttert wurden und stiftete ein neues Gesetz, einen neuen Glauben und eine neue Religion. Obwohl die bedeutenden Staatsmänner, der Großteil des Volkes und die Religionsführer sich geschlossen erhoben, Ihn auszulöschen und zu vernichten, bot Er ihnen völlig auf Sich gestellt die Stirn und versetzte ganz Persien in Aufruhr. Wie zahlreich die Geistlichen, die führenden Persönlichkeiten und Bewohner dieses Landes, die ihr Leben in vollkommener Freude und Glückseligkeit auf Seinem Pfade opferten und auf das Feld des Martyriums eilten!
Die Regierung, das Volk, der Klerus und führende Persönlichkeiten versuchten Sein Licht auszulöschen, jedoch vergeblich. Schließlich ging Sein Mond auf, Sein Stern erstrahlte, der Grundstein war gelegt und der Horizont Seines Erscheinens lichtüberflutet. Er ließ einer Vielzahl von Menschen göttliche Erziehung angedeihen und übte wundervollen Einfluss auf Gedanken, Bräuche, Moral und Verhaltensweisen der Perser aus. Er verkündete all Seinen Anhängern die Frohe Botschaft vom Erscheinen der Sonne Bahás und machte sie für Glauben und Gewissheit empfänglich.
Dass solch wunderbare Zeichen sichtbar wurden und gewaltige Unterfangen entstanden, Gedanken und Verstand der Menschen beeinflusst wurden, die Grundlagen für Fortschritt gelegt und die Voraussetzungen für Erfolg und Wohlergehen durch einen jungen Kaufmann geschaffen wurden, ist der größte Beweis dafür, dass Er ein universeller Erzieher war. Kein unvoreingenommener Mensch würde zögern, diese Tatsache anzuerkennen.

Kapitel 9

Bahá’u’lláh

Bahá’u’lláhA15 erschien zu einer Zeit, als Persien in finsterste Unwissenheit versunken und von blindem Fanatismus zersetzt war. Zweifellos hast du in den Geschichtsbüchern Europas ausführliche Berichte über Moral, Sitten und Gedankenwelt der Perser in den letzten Jahrhunderten gelesen und dies bedarf keiner Wiederholung. Es genügt zu sagen, dass Persien so abgrundtief gesunken war, dass ausländische Reisende allesamt beklagten, dass ein Land, das einst der Inbegriff der Größe und Kultur war, nun derart erniedrigt, verwüstet und verfallen war und seine Bewohner in äußerstem Elend dahinsiechten.
In solch einer Zeit erschien Bahá’u’lláh. Sein Vater war ein Minister am Hofe, kein Geistlicher, und es ist in ganz Persien bekannt, dass Bahá’u’lláh nie eine Schule besucht hat oder in Kreisen von Gelehrten und Geistlichen verkehrte. Er verbrachte den Anfang Seines Lebens äußerst glücklich und zufrieden und Seine Freunde und Gefährten waren eher Persönlichkeiten von Rang und Namen als Gelehrte.
Sobald der Báb Seine Sache offenbart hatte, verkündete Bahá’u’lláh: »Dieser herausragende Mann ist der Herr der Rechtschaffenen, und es obliegt allen, Ihm treu ergeben zu sein.« Er erhob sich, die Sache des Báb zu verbreiten, indem Er schlüssige Beweise und überzeugende Argumente für Dessen Wahrheitsanspruch anführte. Obwohl die Geistlichen des Landes die persische Regierung genötigt hatten, heftigsten Widerstand zu leisten; obwohl sie selbst alle Dekrete für Massaker, Plünderung, Verfolgung und Vernichtung der Bábí erlassen hatten; und obwohl sich die Bevölkerung im ganzen Land aufgemacht hatte, sie zu töten, zu verbrennen und auszurauben und sogar ihre Frauen und Kinder zu peinigen – trotz alledem setzte sich Bahá’u’lláh mit höchster Standhaftigkeit und Gelassenheit für die Verherrlichung des Wortes des Báb ein. Er verbarg sich niemals, sondern trat in aller Öffentlichkeit unter die, die Ihm übelwollten, widmete Sich der Beweisführung und wurde bekannt dafür, das Wort Gottes zu erhöhen. Immer wieder sah Er sich größten Widrigkeiten ausgesetzt und jeden Augenblick war Sein Leben in ernster Gefahr.
Er wurde in Ketten gelegt und in ein unterirdisches Verlies geworfen. Sein beträchtliches ererbtes Vermögen wurde vollständig geplündert, Er wurde vier Mal von Land zu Land verbannt und schließlich dauerhaft in das Größte GefängnisA16 verbracht.
Trotz alledem wurde unaufhörlich der Ruf Gottes erhoben und der Ruhm Seiner Sache erscholl über die Landesgrenzen hinaus. Er legte ein solches Wissen, eine solche Weisheit und Vollkommenheit an den Tag, dass jeder in Persien darüber staunte. Alle gelehrten Menschen – ob Freund oder Feind –, die in Ṭihrán, Baghdád, Konstantinopel, Adrianopel oder in ‘Akká in Seine Gegenwart gelangten, erhielten auf jede ihrer Fragen eine umfassende, für sie überzeugende Antwort. Alle bestätigten ohne Umschweife, dass Er in jeder Hinsicht vollkommen war und niemand auf der Welt Ihm gleichkam.
Oft kamen in Baghdád muslimische, jüdische und christliche Geistliche und europäische Gelehrte in Seiner gesegneten Gegenwart zusammen. Jeder von Ihnen stellte eine andere Frage und trotz ihrer unterschiedlichen Glaubensüberzeugungen erhielt jeder eine vollständige und überzeugende Antwort, die ihn zufrieden stellte. Sogar die persischen Geistlichen, die in Karbilá oder in NajafA17 wohnten, bestimmten einen Gelehrten namens Mullá Ḥasan ‘Amú und entsandten ihn als ihren Vertreter. Er gelangte in Seine gesegnete Gegenwart und stellte in ihrem Auftrag eine Reihe von Fragen, die Bahá’u’lláh beantwortete. Dann sagte Er: »Die Geistlichen sind sich vollkommen des Ausmaßes Ihres Wissens und Ihrer Errungenschaften bewusst und alle erkennen an, dass Sie in jedem Wissensgebiet ohnegleichen sind. Zudem ist offenkundig, dass Sie diese Gelehrsamkeit nicht durch Studieren erworben haben. Nun sagen aber die Geistlichen, dass sie sich damit nicht zufrieden geben und dass sie die Wahrheit Ihres Anspruchs nicht allein auf Grundlage Ihres Wissens und Ihrer Errungenschaften anerkennen können. Darum bitten sie Sie, ein Wunder zu vollbringen, um sie zufrieden zu stellen und ihren Herzen Gewissheit zu verschaffen.«
»Auch wenn sie kein Recht haben, darum zu bitten«, erwiderte Bahá’u’lláh, »denn es ist Gott, der Seine Geschöpfe prüft, und es ist nicht an ihnen, Gott zu prüfen, so wird in diesem Fall ihr Ansinnen akzeptiert und zugelassen. Aber die Sache Gottes ist keine Schauspielbühne, auf der jede Stunde eine neue Aufführung dargeboten und jeden Tag eine neue Forderung gestellt werden kann. Denn andernfalls würde die Sache Gottes zum Spielzeug für Kinder werden.
Mögen also die Geistlichen zusammenkommen, sich einstimmig auf ein Wunder einigen und sodann schriftlich festhalten, dass sie, sobald es vollbracht ist, keinen Zweifel mehr hegen werden, sondern die Wahrheit dieser Sache anerkennen und bezeugen werden. Dieses Schriftstück sollen sie versiegeln und Mir überbringen. Als Maßstab für die Wahrheit sollen sie Folgendes festhalten: Wenn es vollbracht wird, darf auf ihrer Seite kein Zweifel mehr verbleiben; und wenn nicht, so sind Wir des Betrugs überführt. «
Der Gelehrte erhob sich und erwiderte: »Dem ist nichts hinzuzufügen.« Er küsste Bahá’u’lláhs Knie, obwohl er kein Gläubiger war, und reiste ab. Dann rief er die Geistlichen zusammen und übermittelte ihnen Bahá’u’lláhs Botschaft. Sie berieten miteinander und stellten fest: »Dieser Mann ist ein Magier; vielleicht wird er irgendeinen Zauber vorführen und dann haben wir keine weitere Handhabe mehr«, und so trauten sie sich nicht zu antworten.
MulláḤasan‘Amú erzählte jedoch in vielen Versammlungen, was sich zugetragen hatte. Er verließ Karbilá und ging nach Kirmánsháh und Ṭihrán, wo er überall von den Einzelheiten dieses Vorfalls berichtete und die Furcht und Untätigkeit der Geistlichen beschrieb.
Der Punkt hier ist, dass die Größe Bahá’u’lláhs, Seine Vortrefflichkeit, Sein Wissen und Seine Bildung von all Seinen Gegnern im Osten anerkannt wurden und sie Ihn trotz ihrer Feindseligkeit als ›den berühmten Bahá’u’lláh‹ bezeichneten.
Kurz gesagt, dieser größte Stern erschien plötzlich am Horizont Persiens und alle Menschen dieses Landes, ob Amtsträger, Geistliche oder Bevölkerung, erhoben sich gegen Ihn in erbitterter Feindschaft und behaupteten, Er sei darauf aus, Religion, Gesetz, Volk und Reich restlos auszulöschen – so wie es schon Christus nachgesagt worden war. Doch ohne auch nur im Geringsten zu wanken, konnte Bahá’u’lláh allein und auf sich gestellt ihnen allen standhalten.
Schließlich sagten sie: »Solange dieser Mann in Persien ist, wird es weder Frieden noch Ruhe geben. Er sollte verbannt werden, damit Persien wieder zur Ruhe kommt.« Sie brachten daher Bahá’u’lláh in schwerste Bedrängnis, auf dass Er gezwungen wäre, die Erlaubnis zum Verlassen Persiens einzuholen, und sie wähnten, dass hierdurch die Lampe der Sache ausgelöscht würde. Diese Verfolgung führte jedoch zum Gegenteil: Die Sache gewann an Größe und ihre Flamme brannte noch heller. War sie bis dahin nur innerhalb Persiens verbreitet, weitete sie sich nun auch auf andere Gebiete aus. Später sagten sie: »Der Irak ist zu nah an Persien; wir müssen Ihn in entlegenere Länder verbringen.« So ließ die persische Regierung nicht nach, bis Bahá’u’lláh vom Irak nach Konstantinopel weiterverbannt worden war. Aber wieder sahen sie, dass Er keinerlei Schwäche zeigte. Sie sagten: »In Konstantinopel treffen verschiedene Völker und Nationen aufeinander und dort gibt es viele Perser.« Also unternahmen sie weitere Schritte und sorgten dafür, dass Er nach Adrianopel verbannt wurde. Aber die Flamme brannte immer heißer und die Sache gewann sogar noch an Ansehen. Schließlich sagten die Perser: »Keiner dieser Orte war für Ihn wirklich demütigend: Er muss an einen Ort verbracht werden, der Ihn entehrt, wo Er Prüfungen und Verfolgungen ausgesetzt sein wird und Seine Verwandtschaft und Seine Anhänger schrecklichstes Leid ertragen werden.« So entschieden sie sich für die Gefängnisstadt ‘Akká, die Aufständischen, Mördern, Dieben und Straßenräubern vorbehalten war, und zwangen Ihn unter solchen Menschen zu leben. Aber die Macht Gottes offenbarte sich, denn dieses Gefängnis wurde zum Mittel für die Erhöhung Seines Glaubens und die Verherrlichung Seines Wortes. Die Größe Bahá’u’lláhs zeigte sich darin, dass es Ihm gelang, aus einem solchen Gefängnis heraus und unter solch erniedrigenden Umständen den Zustand Persiens völlig zu verwandeln, Seine Feinde zu überwinden und allen die unwiderstehliche Macht Seiner Sache vor Augen zu führen. Seine heiligen Lehren verbreiteten sich überallhin und Seine Sache war fest verankert.
Hasserfüllt erhoben sich Seine Feinde in jeder Provinz Persiens und zerstörten Hunderte von Haushalten, deren Mitglieder sie ergriffen und töteten, verprügelten und verbrannten, wobei sie jede Art von Gewalt einsetzten, um Seine Sache auszulöschen. Dessen ungeachtet brachte Er Seine Sache voran und verkündete Seine Lehre aus diesem Gefängnis voller Mörder, Diebe und Wegelagerer, rüttelte viele Seiner erbittertsten Feinde auf und machte sie zu standhaften Gläubigen. Seine Taten entwickelten einen solchen Einfluss, dass die persische Regierung selbst aus ihrem Schlaf erwachte und bedauerte, was auf Betreiben der bösartigen Geistlichen angerichtet worden war.
Als Bahá’u’lláh in diesem Gefängnis im Heiligen Land ankam, wurden aufmerksame Menschen der Tatsache gewahr, dass die Prophezeiungen, die Gott durch die Zunge Seiner Propheten zwei- oder dreitausend Jahre zuvor geäußert hatte, allesamt eingetreten waren und dass sich Seine Verheißungen erfüllt hatten, denn Er hatte bestimmten Propheten offenbart und dem Heiligen Land verkündet, dass der Herr der Heerscharen dort erscheinen werde. All diese Verheißungen wurden erfüllt, aber ohne die Gegnerschaft Seiner Feinde, ohne Seine Vertreibung und Verbannung ist kaum vorstellbar, warum Bahá’u’lláh Persien verlassen und Sein Zelt im Heiligen Land hätte aufschlagen sollen. Seine Feinde beabsichtigten mit dieser Gefangenschaft Seine Sache vollständig zu zerstören und zu vernichten, aber stattdessen wurde Seine Einkerkerung zur größten Bestätigung und zur Ursache ihrer Verbreitung. Der Ruf Gottes erreichte den Osten und den Westen und die Strahlen der Sonne der Wahrheit erleuchteten alle Lande. Preis sei Gott! Obwohl Er ein Gefangener war, wurde Sein Zelt auf dem Karmel aufgestellt und mit größter Majestät konnte Er sich dort frei bewegen. Und wer auch immer in Seine Gegenwart trat, ob Freund oder Fremder, rief aus: »Dies ist kein Gefangener, sondern ein König!«
Unmittelbar nach Seiner Ankunft im Gefängnis schickte Er über den französischen Botschafter einen Sendbrief an Napoleon, dessen Tenor ist: »Erkundige dich, für welches Verbrechen Wir in dieses Gefängnis gesperrt wurden.«A18 Napoleon gab keine Antwort. Dann wurde ein zweiter Brief entsandt, der in der Súriy-i-Haykal zu finden ist und der im Wesentlichen sagt: »O Napoleon! Da du es versäumt hast, Meinen Ruf zu beachten und darauf zu antworten, wirst du deine Herrschaft verlieren und völlig zunichtewerden.«A19 Dieser Brief wurde Napoleon per Post mit Hilfe von César CatafagoA20 übersandt und all Seine Gefährten im Exil waren darüber im Bilde. Der Inhalt des Sendschreibens erreichte bald ganz Persien, denn das Kitáb-i-Haykal, das auch dieses Sendschreiben enthielt, wurde damals in jeden Winkel des Landes versandt. Dies geschah im Jahr 1869, und da die Súriy-i-Haykal in ganz Persien und Indien verbreitet worden war, hatten alle Gläubigen sie zur Hand und warteten auf das, was dieses Schreiben angekündigt hatte. Nicht lange danach, im Jahre 1870, entbrannte der Krieg zwischen Deutschland und Frankreich, und obwohl niemand zu dem Zeitpunkt den Sieg Deutschlands erwartete, erlitt Napoleon eine vernichtende Niederlage, ergab sich seinen Feinden und musste mit ansehen, wie sich seine Herrlichkeit in tiefste Erniedrigung verwandelte.
Auch anderen Königen wurden Sendbriefe geschickt, darunter ein Schreiben an Seine Majestät Náṣiri’d-Dín Sháh. In diesem Brief schrieb Bahá’u’lláh: »Rufe Mich in deine Gegenwart, versammle sodann alle Geistlichen und frage nach Zeugnis und Beweis, auf dass Wahrheit von Irrtum unterschieden werde.«A21 Seine Majestät leitete Bahá’u’lláhs Brief weiter an die Geistlichen und übertrug ihnen diese Aufgabe, aber sie wagten es nicht, sie anzunehmen. Dann beauftragte er sieben der bekanntesten Religionsgelehrten damit, auf diesen Brief zu antworten. Nach einer Weile sandten sie den Brief zurück und stellten fest: »Dieser Mann ist ein Gegner des Glaubens und ein Feind des Königs.« Seine Majestät der Shháh von Persien war sehr verärgert und sagte: »Dies ist eine Frage von Beweisführung und Zeugnis, von Wahrheit und Irrtum. Was hat es mit der Feindseligkeit gegenüber der Regierung zu tun? Ein Jammer, dass wir diesen Geistlichen solche Achtung erwiesen haben, dabei können sie nicht einmal eine Antwort auf diesen Brief verfassen.«
Kurzum, alles, was in den Sendbriefen an die Könige niedergeschrieben wurde, ist eingetreten. Man muss nur einmal ihren Inhalt mit den Ereignissen vergleichen, die sich seit dem Jahr 1870 zugetragen haben, um zu erkennen, dass jede Voraussage sich erfüllt hat, abgesehen von wenigen, die sich in der Zukunft noch erfüllen werden.
Menschen aus dem Ausland und Nichtgläubige schrieben darüber hinaus Bahá’u’lláh wundersame Werke zu. Einige glaubten, Er sei ein Heiliger, und einige schrieben in diesem Sinne sogar Berichte, wie etwa Siyyid Dávúdí, ein sunnitischer Geistlicher aus Baghdád, der eine kurze Abhandlung verfasste, in der er in einem gewissen Zusammenhang manche außergewöhnliche Taten Bahá’u’lláhs beschrieb. Bis zum heutigen Tag gibt es überall im Osten Menschen, die nicht an Bahá’u’lláh als eine Manifestation Gottes glauben, die Ihn jedoch als einen Heiligen betrachten und Ihm Wunder zuschreiben.
Zusammenfassend kann man sagen, dass kein einziger Mensch, weder Freund noch Feind, der in Bahá’u’lláhs Gegenwart gelangte, umhinkam, Seine Größe anzuerkennen und zu bezeugen. Wenngleich er nicht zu einem Gläubigen wurde, so bezeugte er doch Seine Größe. Sobald jemand in Seine Gegenwart trat, machte diese Begegnung solch einen Eindruck auf diese Person, dass sie sich in den meisten Fällen außerstande sah, auch nur ein Wort herauszubringen. Wie oft war ein erbitterter Feind fest dazu entschlossen, in Seiner Gegenwart das eine oder andere zu sagen oder Ihm dies oder jenes vorzuhalten, nur um zu erleben, wie verblüfft, verwirrt und völlig sprachlos er war!
Bahá’u’lláh hatte nie Arabisch gelernt, keinen Lehrer oder Hauslehrer gehabt und keine Schule besucht. Doch Seine Redekunst und Sprachgewandtheit, die sich sowohl im gesprochenen Arabisch als auch in Seinen arabischen Sendschreiben zeigte, erstaunte die beredsamsten und sachkundigsten arabischen Literaten und sie alle gestanden ein, dass Seine Fertigkeiten ihresgleichen suchten.
Wenn wir den Text der Thora sorgfältig untersuchen, sehen wir, dass keine der Manifestationen Gottes jemals zu denen, die Sie leugneten, sagte: »Ich bin bereit, jedes von euch verlangte Wunder zu vollbringen. Ich werde mich jeder Prüfung, die ihr vorschlagt, unterziehen.« Und dennoch stellt Bahá’u’lláh in Seinem Sendbrief an den Sháh deutlich heraus: »Versammle die Geistlichen und rufe Mich in deine Gegenwart, damit Zeugnis und Beweis erbracht werden.«
Fünfzig Jahre lang hielt Bahá’u’lláh Seinen Feinden stand, unverrückbar wie ein Berg: Sie alle versuchten Ihn auszulöschen; sie alle griffen Ihn an; sie planten tausendmal Ihn zu kreuzigen und zu vernichten; und während dieser fünfzig Jahre war Er stets in größter Gefahr.
Was Persien betrifft, das sich bis heute in einem solch erbärmlichen und zerrütteten Zustand befindet, erkennt im Inland wie im Ausland jeder Verständige, der mit der Lage dort vertraut ist, dass Fortschritt, Wohlstand und Kultur Persiens völlig von der Verkündung der Lehren und der Verbreitung der Prinzipien dieses erhabenen Wesens abhängen.
Während Seines gesegneten Lebens erzog Christus in der Tat nur elf Menschen, wobei der Bedeutendste unter ihnen, Petrus, Ihn dreimal verleugnete, als er geprüft wurde. Sieh, wie sich die Sache Christi dennoch in der Folge über die ganze Erde verbreitete! An diesem Tag aber hat Bahá’u’lláh tausende Seelen erzogen, die durch das Schwert bedroht, zum höchsten Himmel riefen: »O Du Herrlichkeit des Allherrlichen!«A22 und deren Antlitz glänzend wie Gold im Feuer der Prüfungen leuchtete. Schließe nun daraus, was sich in Zukunft ereignen wird!
Wir müssen unvoreingenommen sein und anerkennen, was für ein Erzieher der Menschheit dieses erhabene Wesen war, welch wunderbare Zeichen Er offenbarte und welche Macht und Kraft in der Welt des Seins durch Ihn zum Vorschein kam.

Kapitel 10

Vernunftbeweise und überlieferte Argumente aus der Heiligen Schrift

Lass uns heute bei Tisch ein wenig über Beweise reden. Wärst du in den Tagen, als das überaus hell strahlende LichtA23 erschien, zu diesem gesegneten Ort gelangt, und hättest du den Hof Seiner Gegenwart betreten und Sein leuchtendes Antlitz geschaut, du hättest sofort erkannt, dass Seine Äußerungen und Seine Schönheit keines weiteren Beweises bedurften. In welch großer Zahl gelangten Menschen in Seine Gegenwart, wurden auf der Stelle zu überzeugten Gläubigen und bedurften keines weiteren Beweises mehr! Selbst die von abgrundtiefem Hass und völliger Missachtung durchdrungen waren, bezeugten in der Begegnung mit Bahá’u’lláh Seine Größe und sagten: »Dies ist ein wirklich herausragender Mann. Wie bedauerlich, dass er einen solchen Anspruch erhebt! Denn was immer er sonst sagen könnte, wäre uns willkommen.«
Da aber die Sonne der Wahrheit untergegangen ist, sind alle auf Beweise angewiesen, und so haben wir uns mit Vernunftbeweisen befasst. Einen weiteren unwiderleglichen Beweis sollten wir noch erwähnen und dieser allein sollte jedem gerecht urteilenden Menschen genügen: Dieses erhabene Wesen trieb Seine Sache vom Größten Gefängnis aus voran, von dort erstrahlte Sein Licht, umspannte Sein Ruhm die Welt und erreichte die Kunde Seiner Herrlichkeit den Osten wie den Westen. Bis zum heutigen Tage hat sich nichts Derartiges ereignet, wenn man es unvoreingenommen betrachtet. Aber manche Menschen urteilen auch dann nicht gerecht, wenn ihnen sämtliche Beweise der Welt vorgelegt werden! Mit all ihrer Machtfülle waren Regierungen und Völker nicht in der Lage, sich Ihm zu widersetzen; Er hingegen, allein und auf sich gestellt, ungerecht behandelt und eingekerkert, vollbrachte alles, was Er sich zum Ziel gesetzt hatte.
Ich will nicht über die Wunder Bahá’u’lláhs sprechen, denn wer davon hört, könnte entgegnen, das seien lediglich Überlieferungen, die wahr sein können oder auch nicht. So ist es ja auch mit dem Evangelium, in dem uns die Apostel und niemand sonst von den Wundern Christi berichten, die von den Juden jedoch geleugnet werden. Sollte ich dennoch Bahá’u’lláhs wundersame Taten erwähnen: Sie sind zahlreich und werden im Orient zweifelsfrei anerkannt, selbst von einigen Nichtgläubigen. Aber diese Berichte können kein schlüssiger Beweis für die Allgemeinheit sein, denn wer davon erfährt könnte sagen, sie beruhten nicht auf Tatsachen, denn Anhänger anderer Glaubensgemeinschaften berichten auch von Wundern ihrer Anführer. Die Hindus erzählen beispielsweise von gewissen Wundern des Brahma. Wie können wir wissen, dass die einen falsch und die anderen wahr sind? Wenn es sich hier um Überlieferungen handelt, so auch dort. Wenn diese weithin bezeugt werden, so gilt dasselbe für jene. Also stellen solche Berichte keinen hinreichenden Beweis dar. Für einen Augenzeugen mag ein Wunder natürlich ein Beweis sein, aber selbst dann könnte er nicht sicher sein, ob das, was er sah, ein echtes Wunder oder bloße Zauberei war. Tatsächlich wurden auch einigen Zauberern außergewöhnliche Taten zugeschrieben.
Kurz, es geht darum, dass Bahá’u’lláh viel Wunderbares vollbracht hat, aber wir berichten nicht darüber, denn es stellt weder Beweis noch Zeugnis für die Menschheit dar, ja es ist nicht einmal ein entscheidender Beweis für die, die dabei waren und es möglicherweise für Zauberei halten.
Darüber hinaus haben die meisten der Wunder, die den Propheten zugeschrieben werden, eine innere Bedeutung. Zum Beispiel berichtet das Evangelium, dass unmittelbar nach dem Märtyrertod Christi eine Dunkelheit hereinbrach, die Erde bebte, der Vorhang des Tempels entzweiriss und die Toten aus ihren Gräbern auferstanden. Wenn sich das tatsächlich so zugetragen hätte, so wäre das wirklich erstaunlich gewesen. Ein solches Ereignis wäre zweifellos in den Chroniken der damaligen Zeit aufgezeichnet worden; Bestürzung hätte die Menschenherzen ergriffen. Zumindest hätten die Soldaten Christus vom Kreuz genommen oder wären geflohen. Da aber diese Ereignisse in keiner Chronik aufgezeichnet sind, ist klar, dass sie nicht wörtlich, sondern nach ihrer inneren Bedeutung zu verstehen sind. Damit soll nichts in Frage gestellt, sondern lediglich darauf hingewiesen werden, dass diese Berichte keinen schlüssigen Beweis darstellen und dass sie eine innere Bedeutung haben, nichts weiter.
Und so werden wir uns heute bei Tisch mit Erklärungen überlieferter Argumente aus den Heiligen Schriften befassen, denn bisher haben wir lediglich über rationale Argumente gesprochen.
Da es sich hier um die Stufe der Suche nach Wahrheit und des Strebens nach Erkenntnis der Wirklichkeit handelt – die Stufe, da der unter brennendem Durst Leidende nach dem Wasser des Lebens lechzt und der sich mühende Fisch das Meer erreicht, da der Kranke den wahren Arzt aufsucht und ihm göttliche Heilung gewährt wird, da die verirrte Karawane den Weg der Wahrheit findet und das planlos herumtreibende Schiff das rettende Ufer erreicht –, muss der Sucher mit bestimmten Eigenschaften begabt sein. Zunächst muss er unvoreingenommen und losgelöst sein von allem außer Gott. Sein Herz muss völlig dem Höchsten Horizont zugewandt sein und es muss von den Fesseln eitler und selbstischer Begierden befreit sein, denn dies sind Hindernisse auf dem Pfad. Darüber hinaus muss er jede Trübsal ertragen, höchste Reinheit und Heiligkeit verkörpern und sich abkehren von Liebe und Hass zu allen Völkern der Welt, damit seine Liebe für das eine ihn nicht davon abhalte, das andere zu erforschen oder sein Hass gegen etwas ihn nicht hindere, dessen Wahrheit zu erkennen. Dies ist die Stufe der Suche und der Suchende muss mit diesen Eigenschaften und Merkmalen ausgestattet sein – das heißt, solange er diese Stufe nicht erreicht, wird es ihm unmöglich sein, die Sonne der WahrheitA24 zu erkennen.
Lass uns zu unserem Thema zurückkehren. Alle Völker der Welt erwarten zwei Manifestationen, die Zeitgenossen sind. Das wurde ihnen allen verheißen. Den Juden wird in der Thora der Herr der Heerscharen und der Messias verheißen. Im Evangelium wird die Wiederkehr Christi und des Elias vorausgesagt. In der Religion Muḥammads gibt es die Verheißung, dass der Mahdi und der Messias kommen werden. Das Gleiche gilt für die Zoroastrier und andere, aber dies weiter auszuführen, würde unser Gespräch in die Länge ziehen. Damit soll lediglich zum Ausdruck gebracht werden, dass allen Menschen zwei aufeinanderfolgende Manifestationen verheißen wurden. Durch diese zwei Manifestationen, so ist prophezeit worden, wird die Erde zu einer anderen Erde; wird alles Sein erneuert; wird die bedingte Welt mit dem Gewand neuen Lebens bekleidet; werden Gerechtigkeit und Rechtschaffenheit den Erdball umfassen; werden Hass und Feindschaft verschwinden; wird jede erdenkliche Ursache von Spaltung unter Stämmen, Völkern und Nationen getilgt; und alles, was Einheit, Harmonie und Eintracht sicherstellt, wird gefördert. Die Achtlosen werden aus ihrem Schlaf erwachen, die Blinden sehen, die Tauben hören, die Stummen sprechen, die Kranken geheilt werden, die Toten auferweckt werden und Krieg wird dem Frieden weichen. Feindschaft wird in Liebe verwandelt; die Ursachen von Streit und Zwietracht werden beseitigt; die Menschheit wird wahre Glückseligkeit erlangen; diese Welt wird zum Spiegel für das himmlische Königreich werden und die Erde hienieden wird zum Thron des Reiches droben. Alle Nationen werden zu einer; alle Religionen werden zu einer; die ganze Menschheit wird zu einer Familie, zu einer Sippe; alle Regionen der Erde werden zu einer; rassische, nationale, persönliche, sprachliche und politische Vorurteile werden vollständig beseitigt und alle werden ewiges Leben unter dem Schatten des Herrn der Heerscharen erlangen.
Nun gilt es, das Kommen dieser beiden Manifestationen mit Bezug auf die Heiligen Schriften und durch Folgerungen aus den Worten der Propheten zu begründen. Denn hier sollen nun Argumente angeführt werden, die den Heiligen Schriften entnommen sind, da Vernunftbeweise für die Wahrheit dieser beiden Manifestationen vor einigen Tagen bei Tisch erbracht wurden.A25
Das Buch Daniel legt den Zeitraum zwischen dem Wiederaufbau Jerusalems und dem Märtyrertod Christi mit siebzig WochenA26 fest, denn durch den Märtyrertod Christi wird dem Opferbrauch ein Ende bereitet und der Altar verwüstet. Diese Prophezeiung bezieht sich somit auf das Kommen Christi.
Diese siebzig Wochen beginnen mit dem Wiederaufbau Jerusalems. Dazu wurden vier Edikte von drei Königen erlassen. Das erste Edikt stammt von Kyros aus dem Jahr 536 vor Christus und ist im ersten Kapitel des Buches Esra festgehalten. Das zweite Edikt über den Wiederaufbau Jerusalems stammt von Darius von Persien aus dem Jahr 519 vor Christus und ist im sechsten Kapitel von Esra verzeichnet. Das dritte wurde von Artaxerxes im siebten Jahr seiner Regentschaft ausgegeben, das heißt 457 vor Christus, und ist im siebten Kapitel von Esra verzeichnet. Das vierte Edikt wurde von Artaxerxes 444 vor Christus erlassen und ist im zweiten Kapitel von Nehemia festgehalten.
Daniel bezieht sich auf das dritte Edikt, das 457 vor Christus ausgegeben wurde. Siebzig Wochen ergeben insgesamt 490 Tage. Nach dem Text der Bibel entspricht ein Tag einem Jahr, denn in der Thora heißt es: »Der Tag des Herrn ist ein Jahr.«A27 Somit entsprechen 490 Tage 490 Jahren. Das dritte Edikt von Artaxerxes wurde 457 Jahre vor der Geburt Christi erlassen, und Christus war dreiunddreißig Jahre alt zu der Zeit Seines Märtyrertods und Seines Aufstiegs. Dreiunddreißig Jahre zu den 457 Jahren hinzugezählt ergeben 490 Jahre, die von Daniel angekündigte Zeitspanne bis zum Erscheinen Christi.
In Daniel 9:25 hingegen wird dies anders ausgedrückt, da heißt es, sieben Wochen und zweiundsechzig Wochen, was dem äußeren Anschein nach von der ersten Aussage abweicht. Viele waren ratlos darüber, wie sie diese beiden Aussagen in Einklang bringen sollen. Wie kann an einer Stelle von siebzig Wochen und an anderer von zweiundsechzig und sieben Wochen die Rede sein? Diese beiden Aussagen stimmen nicht überein.
In Wirklichkeit bezieht sich Daniel auf zwei verschiedene Zeitangaben. Eine beginnt mit dem Edikt, das Artaxerxes an Esra richtete, Jerusalem wiederaufzubauen, und entspricht den siebzig Wochen, die mit dem Aufstieg Christi zu Ende gingen, als Opferbräuche und Opfergaben durch Seinen Märtyrertod beendet wurden. Die zweite, die in Daniel 9:26 erwähnt wird, beginnt nach dem Abschluss des Wiederaufbaus Jerusalems zweiundsechzig Wochen vor dem Aufstieg Christi. Der Wiederaufbau von Jerusalem dauerte sieben Wochen, was neunundvierzig Jahren entspricht. Sieben Wochen zu zweiundsechzig Wochen hinzugefügt ergibt neunundsechzig Wochen, und in der letzten Woche erfolgte der Aufstieg Christi. Damit sind die siebzig Wochen vollständig und der Widerspruch ist aufgelöst.
Da nun das Kommen Christi in den Prophezeiungen Daniels nachgewiesen ist, wollen wir Hinweise auf das Kommen Bahá’u’lláhs und des Báb erbringen. Bisher haben wir nur rationale Argumente angeführt; kommen wir nun zu den Argumenten, die auf Überlieferungen beruhen.
In Daniel 8:13 heißt es: »Ich hörte aber einen Heiligen reden, und ein anderer Heiliger sprach zu dem, der da redete: Wie lange gilt dies Gesicht vom täglichen Opfer, vom verwüstenden Frevel und dass Heiligtum und Heer ausgeliefert und zertreten werden? Und er antwortete mir: Bis zweitausenddreihundert Abende und Morgen vergangen sind; dann wird das Heiligtum wieder sein Recht erhalten,« bis es heißt: »Dies Gesicht gilt der Zeit des Endes.« Also wie lange soll diese Heimsuchung, dieser Verfall, diese Erniedrigung und Demütigung dauern? Mit anderen Worten, wann wird der Morgen der Offenbarung anbrechen? Darauf sprach er: »2300 Tage; dann wird das Heiligtum wieder sein Recht erhalten.« Um es kurz zu machen, der Punkt ist, dass er einen Zeitraum von 2300 Jahren festsetzt, denn nach dem Text der Thora entspricht jeder Tag einem Jahr. Daher sind vom Zeitpunkt des Edikts von Artaxerxes, Jerusalem wiederaufzubauen bis zum Tag der Geburt Christi 456 Jahre und von der Geburt Christi bis zum Tag des Kommens des Báb 1844 Jahre vergangen, und wenn 456 Jahre zu 1844 hinzugefügt werden, ergeben sich 2300 Jahre. Das heißt, die Vision von Daniel erfüllte sich im Jahr 1844, und dies ist das Jahr, in dem der Báb erschien. Prüfe den Text des Buches Daniel und schau, wie klar er das Jahr Seines Erscheinens angibt! In der Tat könnte es keine klarere Prophezeiung für eine Manifestation Gottes geben als diese.
In Matthäus 24:3 sagt Christus deutlich, dass sich Daniel mit dieser Prophezeiung auf das Datum des Erscheinens der Manifestation bezieht, und dies ist der Vers: »Und als er auf dem Ölberg saß, traten seine Jünger zu ihm und sprachen, als sie allein waren: Sage uns, wann wird das geschehen? Und was wird das Zeichen sein für dein Kommen und für das Ende der Welt?« Er antwortete darauf unter anderem mit folgenden Worten: »Wenn ihr nun sehen werdet den Gräuel der Verwüstung stehen an der heiligen Stätte, wovon gesagt ist durch den Propheten Daniel – wer das liest, der merke auf! –« Also verwies Er sie auf das achte Kapitel des Buches Daniel und deutete an, dass, wer immer es liest, begreifen sollte, wann jene Zeit kommen würde. Sieh, wie klar und deutlich in der Thora und im Evangelium das Kommen des Báb angegeben ist!
Nun wollen wir aus der Thora das Datum für das Kommen Bahá’u’lláhs bestimmen. Dieses Datum wird ausgehend von der Offenbarung der Sendung Muḥammads und Seiner Auswanderung in Mondjahren berechnet. Denn in der Religion Muḥammads wird der Mondkalender verwendet und alle Verordnungen zu Gottesdiensten folgen diesem Kalender.
In Daniel 12:6 heißt es: »Und er sprach zu dem Mann in leinenen Kleidern, der über den Wassern des Stroms stand: Wann kommt das Ende dieser großen Wunder? Und ich hörte den Mann in leinenen Kleidern, der über den Wassern des Stroms stand. Er hob seine rechte und linke Hand auf gen Himmel und schwor bei dem, der ewiglich lebt, dass es eine Zeit und zwei Zeiten und eine halbe Zeit währen soll; und wenn der ein Ende hat, der die Macht des heiligen Volks zerschlägt, soll dies alles geschehen.«
Da ich bereits die Bedeutung von »Tag« erläutert habe, bedarf es keiner weiteren Erklärung, aber lass uns kurz festhalten, dass jeder Tag des Vaters einem Jahr entspricht, und jedes Jahr aus zwölf Monaten besteht. So entsprechen dreieinhalb Jahre zweiundvierzig Monaten, zweiundvierzig Monate entsprechen 1260 Tagen, und jeder Tag in der Bibel entspricht einem Jahr. Und gemäß dem islamischen Kalender ist es genau im Jahre 1260 nach der Auswanderung Muḥammads, dass der Báb, der Vorbote Bahá’u’lláhs, Seine Sendung offenbarte.
Später heißt es in Vers 11 und 12: »Und von der Zeit an, da das tägliche Opfer abgeschafft und das Gräuelbild der Verwüstung aufgestellt wird, sind 1290 Tage. Wohl dem, der da wartet und erreicht 1335 Tage!«
Der Beginn dieser Rechnung nach dem Mondkalender fällt mit der öffentlichen Verkündigung des Prophetentums Muḥammads im Lande Ḥijáz zusammen; und das war drei Jahre nach der Offenbarung Seiner Sendung, denn am Anfang war das Prophetentum Muḥammads noch verborgen und niemand außer Khadíjih und Ibn-i-NawfalA28 wusste davon, bis es drei Jahre später öffentlich verkündigt wurde. Und im Jahr 1290, ausgehend von der Bekanntgabe der Sendung Muḥammads, verkündete Bahá’u’lláh Seine Offenbarung.A29

Kapitel 11

Kommentar zum elften Kapitel der Offenbarung des Johannes

In der Offenbarung des Johannes 11:1–2 heißt es: »Und es wurde mir ein Rohr gegeben, einem Messstab gleich, und mir wurde gesagt: Steh auf und miss den Tempel Gottes und den Altar und die dort anbeten. Aber den äußeren Vorhof des Tempels lass weg und miss ihn nicht, denn er ist den Heiden gegeben; und die Heilige Stadt werden sie zertreten zweiundvierzig Monate lang.«
Mit diesem Schilfrohr ist der Vollkommene Mensch gemeint und der Grund für diesen Vergleich ist, dass ein Schilfrohr, wenn das Mark aus seinem Innern vollends entfernt wird, wundervolle Melodien hervorbringen kann. Es ist nicht das Rohr selbst, das diese melodischen Weisen hervorbringt, sondern der, der darauf spielt. In gleicher Weise ist das geheiligte Herz dieses gesegneten Wesens leer und frei von allem außer Gott, jegliche selbstsüchtige Neigung liegt ihm fern und es ist innig vertraut mit dem Odem des göttlichen Geistes. Seine Rede geht nicht von Ihm selbst aus, sondern vom vollkommenen Spieler und von der göttlichen Offenbarung. Daher wird Er mit einem Schilfrohr verglichen, das wiederum einem Stab gleicht, was bedeutet, es ist ein Beistand für die Schwachen und eine Stütze für den Körper der Welt. Es ist der Stab des Wahren Hirten, mit dem Er Seine Herde hütet und sie durch die Auen des Gottesreichs führt.
Dann wird gesagt, dass der Engel sich an ihn wandte und sprach: »Steh auf und miss den Tempel Gottes und den Altar und die dort anbeten«; das heißt, wäge und messe. Messen bedeutet, etwas in seinen Ausmaßen zu bestimmen. Damit sagt der Engel, er solle das Allerheiligste, den Altar und die dort Betenden erfassen – das heißt ihren wahren Zustand erkunden, ihren Rang und ihre Stufe, ihre Errungenschaften, ihre Vollkommenheit, ihr Verhalten und ihre Eigenschaften entdecken und sich vertraut machen mit den Geheimnissen dieser heiligen Seelen, die auf der Stufe der Reinheit und Heiligkeit im Allerheiligsten weilen.
»Aber den äußeren Vorhof des Tempels lass weg und miss ihn nicht, denn er ist den Heiden gegeben.« Als am Anfang des siebten Jahrhunderts der christlichen Zeitrechnung Jerusalem erobert wurde, wurde das Allerheiligste – das von Salomon errichtete Gebäude – äußerlich bewahrt, aber sein Vorhof wurde besetzt und den Heiden übergeben.
»Und die Heilige Stadt werden sie zertreten zweiundvierzig Monate lang«; das heißt, die Heiden werden Jerusalem für zweiundvierzig Monate oder 1260 Tage oder, da ein Tag einem Jahr entspricht, 1260 Jahre lang besetzen und unterwerfen, was der Dauer der qur’ánischen Sendung entspricht. Denn nach dem Text der Bibel entspricht jeder Tag einem Jahr, so wie es in Hesekiel 4:6 heißt: »… und sollst tragen die Schuld des Hauses Juda vierzig Tage lang; denn ich gebe dir hier auch je einen Tag für ein Jahr.«
Diese Prophezeiung bezieht sich auf die Dauer der Sendung des Islam, als Jerusalem mit Füßen getreten, sprich, entehrt wurde, während das Allerheiligste erhalten, beschützt und geachtet blieb. Dieser Zustand währte bis zum Jahr 1260. Diese 1260 Jahre stellen eine Prophezeiung dar, die sich auf das Kommen des Báb bezieht – das zu Bahá’u’lláh führende ›Tor‹ – das sich im Jahr 1260 nach der Hijrah ereignete. Nach Abschluss der Zeitspanne von 1260 Jahren beginnt die Heilige Stadt Jerusalem nun wieder zu blühen und zu gedeihen. Wer Jerusalem vor sechzig Jahren sah und es heute wieder sieht, wird erkennen, wie sehr es sich in der Zwischenzeit entwickelt hat und wieder zu Ehren gekommen ist.
Dies ist der äußere Sinn dieser Verse der Offenbarung des Johannes, aber sie haben auch eine innere Bedeutung und einen symbolischen Sinngehalt, wie folgt. Die Religion Gottes besteht aus zwei Teilen: Einer ist das Fundament schlechthin und gehört zur Welt des Geistes, das heißt, er betrifft geistige Tugenden und göttliche Eigenschaften. Dieser Teil unterliegt weder Wechsel noch Wandel: Er ist das Allerheiligste, das Wesen der Religion Adams, Noahs, Abrahams, Mose, Christi, Muḥammads, des Báb und Bahá’u’lláhs, und er wird in allen prophetischen Sendungen fortbestehen. Er wird niemals aufgehoben, denn er besitzt eine geistige und keine materielle Wirklichkeit. Er bedeutet Glaube, Erkenntnis, Gewissheit, Gerechtigkeit, Frömmigkeit, edle Gesinnung, Vertrauenswürdigkeit, Liebe zu Gott und Nächstenliebe. Er ist Barmherzigkeit gegenüber den Armen, Beistand für die Unterdrückten, Freigebigkeit gegenüber den Bedürftigen und eine helfende Hand für den Gestrauchelten. Er ist Reinheit, Loslösung, Demut, Nachsicht, Geduld und Beständigkeit. Dies sind himmlische Eigenschaften. Diese Gebote werden niemals aufgehoben, sie werden vielmehr in alle Ewigkeit gültig bleiben. Diese menschlichen Tugenden werden in jeder Sendung wieder neu belebt; denn am Ende jeder Sendung schwindet das geistige Gesetz Gottes, das in den menschlichen Tugenden besteht, und was verbleibt, ist nur noch eine äußere Hülle.
So verschwand mit dem Kommen Christi, zum Ende der Sendung Mose, die wahre Religion Gottes aus dem Volk der Juden und nur eine leblose Hülle verblieb. Das Allerheiligste gab es nicht mehr, nur der Vorhof des Tempels, der für die äußere Form der Religion steht, fiel den Heiden in die Hände. Genauso existiert der wahre Kern der Religion Christi, der die höchsten menschlichen Tugenden umfasst, nicht mehr, aber die äußere Hülle verblieb in den Händen der Priester und Mönche. Ebenso hat sich die Grundlage der Religion Muḥammads aufgelöst, nur noch seine äußere Form verbleibt in den Händen der muslimischen Geistlichen.
Diese Grundlagen der Religion Gottes jedoch, geistig und aus den menschlichen Tugenden bestehend, werden niemals aufgehoben, sondern gelten für alle Zeit und werden in jeder prophetischen Sendung erneuert.
Der zweite Teil der Religion Gottes, der sich auf die materielle Welt bezieht, und solche Dinge betrifft wie Fasten, Gebet, Gottesdienst, Ehe, Scheidung, Freilassung von Sklaven, richterliche Entscheidungen, Handel, Strafen bei Mord, Überfall, Diebstahl und Körperverletzung, wird in jeder prophetischen Sendung verändert und abgewandelt und kann aufgehoben werden, denn Richtlinien, Handels- und Strafvorschriften und andere Gesetze müssen gemäß den Erfordernissen der Zeit abgewandelt werden.
Kurz, mit dem Begriff »Allerheiligstes« ist jenes auf das Geistige bezogene Gesetz gemeint, das nie verändert oder aufgehoben werden kann, und mit »Heilige Stadt« ist das auf das Weltliche bezogene Gesetz gemeint, das durchaus außer Kraft gesetzt werden kann; und dieses auf das Weltliche bezogene Gesetz – die Heilige Stadt – wurde 1260 Jahre lang mit Füßen getreten.
»Und ich werde meinen zwei Zeugen Vollmacht geben, und sie werden 1260 Tage weissagen, mit Sacktuch bekleidet.«A30 Mit diesen zwei Zeugen sind Muḥammad, der Gesandte Gottes, und ‘Alí, der Sohn von Abú-Ṭálib, gemeint. Im Qur’án heißt es, dass Gott zu Muḥammad sprach: »Wir haben Dich als Zeugen, als Freudenboten und Warner gesandt.«A31 Das heißt, wir haben Dich als Einen bestimmt, der Zeugnis ablegt, der frohe Botschaften von künftigen Ereignissen überbringt und der vor dem Zorn Gottes warnt. Ein ›Zeuge‹ ist jemand, durch dessen Bestätigung ein Sachverhalt geklärt wird. Die Gebote dieser beiden Zeugen sollten 1260 Tage befolgt werden, wobei jeder Tag einem Jahr entspricht. Muḥammad war hier die Wurzel und ‘Alí der Zweig, sowie es bei Mose und Josua war. Es wird gesagt, dass sie »mit Sacktuch bekleidet« sind, was bedeutet, dass sie offenbar kein neues Gewand, sondern ein altes tragen. Mit anderen Worten, anfangs haben sie keine Bedeutung für andere Völker und ihre Sache erscheint nicht wirklich neu. Die geistigen Prinzipien der Religion Muḥammads entsprechen nämlich den Prinzipien Christi im Evangelium und Seine auf das Weltliche ausgerichteten Gebote entsprechen zum größten Teil denen der Thora. Darauf spielt die Symbolik vom alten Gewand an.
»Diese sind die zwei Ölbäume und die zwei Leuchter, die vor dem Herrn der Erde stehen.«A32 Diese zwei Seelen werden mit Olivenbäumen verglichen, weil zu jener Zeit in allen Lampen nachts Olivenöl brannte. Mit anderen Worten, durch diese zwei Seelen wird das Öl der göttlichen Weisheit – die Ursache für die Erleuchtung der Welt – zum Vorschein kommen und die Lichter Gottes werden hell und strahlend leuchten. So wurden sie auch mit Kerzenständern verglichen. Der Kerzenständer ist der Ort, wo das Licht scheint, und von dort breitet es sich aus. In gleicher Weise erstrahlt von diesen leuchtenden Angesichtern das Licht der Führung.
Weiter heißt es: »Sie stehen in der Gegenwart Gottes«, das bedeutet, sie haben sich erhoben, Ihm zu dienen, und erziehen Seine Geschöpfe. So wurden die rohen, in der Wüste lebenden Stämme der arabischen Halbinsel durch sie derart gebildet, dass sie den Gipfel der damaligen menschlichen Kultur erreichten und ihr Ruhm und Ansehen sich in der Welt verbreitete.
»Wenn ihnen jemand Schaden zufügen will, schlägt Feuer aus ihrem Mund und verzehrt ihre Feinde.«A33 Das heißt, kein Mensch könnte ihrer Macht widerstehen. Sollte also jemand danach trachten, ihre Lehren oder ihr Gesetz zu untergraben, würde er durch dieses Gesetz, das knapp oder ausführlich aus ihrem Munde hervorgeht, bezwungen und besiegt werden. Mit anderen Worten, sie würden einen Befehl erteilen, der jeden Feind vernichten würde, sollte er versuchen, ihnen zu schaden oder sich ihnen entgegenzustellen. Und genau das ist geschehen: All ihre Gegner wurden bezwungen, auseinander getrieben und vernichtet und diese zwei Zeugen wurden ganz offensichtlich durch die Macht Gottes unterstützt.
»Sie haben Macht, den Himmel zu verschließen, damit kein Regen fällt in den Tagen ihres Wirkens als Propheten.«A34 Das bedeutet, sie üben in jenem Zeitalter höchste Herrschaft aus. Mit anderen Worten, das Gesetz und die Lehren Muḥammads und die Erläuterungen und Auslegungen ‘Alís sind eine himmlische Gnade. Es liegt in ihrer Macht diese Gnade zu gewähren, wie es ihnen gefällt, und sollte dies nicht ihrem Wunsch entsprechen, so wird kein Regen fallen. Mit »Regen« ist hier die Ausgießung der Gnade gemeint.
»Sie haben auch Macht, das Wasser in Blut zu verwandeln.«A35 Das bedeutet, das Prophetentum Muḥammads glich dem des Mose und die Macht ‘Alís ähnelte der Josuas. Das heißt: Wäre es ihr Wunsch gewesen, so hätten sie die Macht gehabt, für die Ägypter und für die Leugner das Wasser des Nils in Blut zu verwandeln – mit anderen Worten, wegen ihrer Unwissenheit und ihrem Stolz die Quelle ihres Lebens in die Ursache ihres Todes zu verwandeln. So wurden Herrschaft, Reichtum und Macht des Pharao und seines Volkes, die Lebensgrundlage dieser Nation waren, durch Feindschaft, Leugnung und Stolz für sie zur Ursache von Tod, Ruin, Zerstörung, Erniedrigung und Elend. Somit wird deutlich, dass diese zwei Zeugen die Macht haben, Nationen zu zerstören.
»Und die Erde zu schlagen mit allen möglichen Plagen, sooft sie wollen.«A36 Dies bedeutet, sie sind auch mit äußerlicher Macht und Überlegenheit ausgestattet, um den Übeltätern und Verkörperungen der Unterdrückung und Tyrannei eine Lehre erteilen zu können. Denn Gott hatte diesen zwei Zeugen sowohl äußere als auch innere Macht verliehen und so bewirkten sie Wandel und Erziehung der niederträchtigen, blutrünstigen und bösartigen arabischen Wüstensöhne, die reißenden Wölfen und Bestien glichen.
»Und wenn sie ihr Zeugnis vollendet haben«A37, das bedeutet, wenn sie ihren Auftrag erfüllt und die göttliche Botschaft überbracht haben, die Religion Gottes verkündet und Seine himmlischen Lehren verbreitet haben, so dass die Zeichen geistigen Lebens in den Seelen der Menschen erscheinen, das Licht menschlicher Tugenden erstrahle und diese Wüstenstämme grundlegende Fortschritte erzielen.
»…wird das Tier, das aus dem Abgrund heraufsteigt, Krieg mit ihnen führen, sie besiegen und töten.«A38 Mit diesem Tier sind die Umayyaden gemeint, die aus dem Abgrund des Irrtums diese Zeugen überfielen. Und so geschah es wirklich, dass die Umayyaden die Religion Muḥammads und die Wahrheit ‘Alís, die auf Liebe zu Gott beruhen, angriffen.
»Das Tier wird Krieg gegen diese beiden Zeugen führen.«A39 Gemeint ist hier ein geistiger Krieg, bei dem das Tier so sehr in völligem Widerspruch zu den Lehren, dem Verhalten und Charakter dieser zwei Zeugen handelt, dass die Tugenden und Vollkommenheiten, die durch die Macht der zwei Zeugen unter den Völkern und Nationen verbreitet worden waren, gänzlich verloren gingen und tierische Charakterzüge und fleischliche Begierden vorherrschen. Daher wird dieses Tier Krieg gegen sie führen und die Vorherrschaft erlangen, was darauf hinweist, dass das Dunkel des Irrtums, den das Tier verbreitet, sich in der ganzen Welt durchsetzen und die beiden Zeugen umbringen wird – das heißt, es wird ihr geistiges Licht im Volke auslöschen, ihre göttlichen Gesetze und Lehren vernichten, die Religion Gottes mit Füßen treten und nichts als einen toten und seelenlosen Körper zurücklassen.
»Und ihr Leichnam wird auf der Straße der großen Stadt liegen, die, geistlich gesprochen, Sodom und Ägypten heißt, wo auch ihr Herr gekreuzigt wurde.«A40 Mit »ihrem Leichnam« ist die Religion Gottes und mit »der Straße« deren öffentliche Zurschaustellung gemeint. »Sodom und Ägypten, wo auch ihr Herr gekreuzigt wurde«, bezieht sich auf das Land Syrien und vor allem auf Jerusalem, denn die Umayyaden hatten ihr Machtzentrum in diesem Land, und hier schwanden die Religion Gottes und die göttlichen Lehren als erstes und ließen einen seelenlosen Körper zurück. »Ihr Leichnam« bezieht sich auf die Religion Gottes, die als toter und seelenloser Körper zurückblieb.
»Und viele aus den Völkern und Stämmen und Sprachen und Nationen sehen ihren Leichnam drei Tage und einen halben und erlauben nicht, ihre Leichname ins Grab zu legen.«A41 Wie bereits erläutert, bedeuten dreieinhalb Tage im Sprachgebrauch der Heiligen Schriften dreieinhalb Jahre. Dreieinhalb Jahre entsprechen zweiundvierzig Monaten und zweiundvierzig Monate sind 1260 Tage. Da nach dem Wortlaut der Bibel jeder Tag einem Jahr entspricht, bedeutet dies, dass 1260 Jahre lang – was der Dauer der qur’ánischen Sendung entspricht – Nationen, Stämme und Völker deren Leichname sehen; das heißt, sie werden die Religion Gottes vor Augen haben, aber nicht im Einklang mit ihr handeln. Dennoch werden sie es nicht zulassen, dass diese Leichname – die Religion Gottes – zur letzten Ruhe gebettet werden. Das heißt, sie klammern sich an ihre äußere Form und lassen sie weder gänzlich aus ihrer Mitte verschwinden, noch erlauben sie, dass der Körper völlig zerstört und vernichtet wird. Vielmehr geben sie seine Wirklichkeit auf, während sie nach außen hin seinen Namen und sein Gedenken aufrechterhalten.
Hier wird auf solche Stämme, Völker und Nationen angespielt, die unter dem Schatten des Qur’án versammelt waren. Sie sind es, die nicht zulassen, dass die Sache Gottes und der Glaube auch nach außen hin vernichtet wird. So hielten sie sich zwar noch an das Beten und Fasten, aber die wahre Grundlage der Religion Gottes – ein guter Charakter, aufrechtes Verhalten und die Erkenntnis der göttlichen Geheimnisse – war verschwunden; das Licht menschlicher Tugenden, das aus der Liebe und Erkenntnis Gottes hervorgeht, war erloschen; die Dunkelheit der Unterdrückung und der Tyrannei, der fleischlichen Begierden und satanischen Eigenschaften hatten obsiegt, und der Körper der Religion Gottes wurde wie ein Leichnam öffentlich zur Schau gestellt.
Im Verlauf von 1260 Tagen, jeder Tag einem Jahr entsprechend – das heißt für die Dauer der islamischen Sendung – ging alles, was diese zwei Personen als die Grundlage der Religion Gottes aufgebaut hatten, bei ihren Anhängern verloren. Die Spuren menschlicher Tugenden – die Gaben Gottes sind und die den Geist dieser Religion ausmachen – wurden so sehr verwischt, dass Wahrhaftigkeit, Gerechtigkeit, Liebe, Eintracht, Reinheit, Heiligkeit, Loslösung, einfach alle himmlischen Eigenschaften aus ihrer Mitte verschwanden und was von der Religion verblieb, war nur Gebet und Fasten. Dieser Zustand hielt 1260 Jahre an, was der qur’ánischen Sendung entspricht. Es war, als wären diese beiden Personen gestorben und hätten nur ihre seelenlosen Körper hinterlassen.
»Und die Bewohner der Erde freuen sich darüber, beglückwünschen sich und schicken sich gegenseitig Geschenke; denn die beiden Propheten hatten die Bewohner der Erde gequält.«A42 Mit »den Bewohnern der Erde« sind andere Völker und Nationen gemeint, wie jene aus Europa und aus fernen asiatischen Ländern, die sahen, dass der Charakter des Islam sich gänzlich verändert hatte, dass man die Religion Gottes aufgegeben hatte, dass Tugend, Anstand und Ehre verschwunden waren und der Charakter der Menschen verdorben war und die sich daraufhin freuten, dass die Moral der Muslime korrumpiert worden war und sie somit von anderen Nationen besiegt werden konnten. Und dies ist ganz unübersehbar eingetreten. Schau, wie dieses Volk, das einst größte Macht ausübte, erniedrigt und unterjocht wurde!
Die anderen Völker »schicken sich gegenseitig Geschenke« bedeutet, dass sie sich gegenseitig unterstützen, denn »die beiden Propheten hatten die Bewohner der Erde gequält«; das heißt, sie hatten die anderen Völker und Nationen der Erde unterjocht und unterworfen.
»Und nach drei Tagen und einem halben fuhr in sie der Geist des Lebens von Gott, und sie stellten sich auf ihre Füße; und eine große Furcht fiel auf die, die sie sahen.«A43 Dreieinhalb Tage sind, wie bereits erklärt, 1260 Jahre. Diesen beiden Personen, deren Leichname seelenlos dalagen, – das sind die Lehren und die Religion, die von Muḥammad gestiftet und von ‘Alí verbreitet worden waren, deren Wirklichkeit verloren gegangen und von denen nur eine leere Hülle verblieben war –, wurde wieder ein neuer Geist eingehaucht; diese Lehren wurden gewissermaßen neu begründet. Das heißt, das Geistige der Religion Gottes, das dem Stofflichen gewichen war; die Tugenden, die zum Laster geworden waren; die Liebe Gottes, die zum Hass geworden war; das Licht, das zur Finsternis geworden war; die göttlichen Eigenschaften, die zu satanischen Merkmalen geworden waren; die Gerechtigkeit, die zur Tyrannei verkommen war; die Barmherzigkeit, die zur Bosheit geworden war; die Aufrichtigkeit, die zur Heuchelei geworden war; die Führung, die zur Irreleitung geworden war; die Reinheit, die zur Fleischeslust geworden war – all diese göttlichen Lehren, himmlischen Tugenden und Vollkommenheiten sowie geistigen Gaben – wurden nach dreieinhalb Tagen, was nach dem Sprachgebrauch der Heiligen Schriften 1260 Jahren entspricht, durch das Erscheinen des Báb und durch die Gefolgschaft von Quddús erneuert.
So wehten die Brisen der Heiligkeit, das Licht der Wahrheit erstrahlte, die lebensspendende Frühlingszeit begann und der Morgen der Führung brach an. Diese zwei Leichname wurden wieder zum Leben erweckt und diese zwei großen Persönlichkeiten – der Stifter und der Verkünder – erhoben sich und wirkten wie zwei Leuchten, denn sie erhellten die ganze Welt mit dem Licht der Wahrheit.
»Und sie hörten eine große Stimme vom Himmel zu ihnen sagen: Steigt herauf! Und sie stiegen auf in den Himmel in einer Wolke«A44, das heißt, sie hörten, wie vom unsichtbaren Himmel aus die Stimme Gottes zu ihnen sprach: Ihr habt alles erfüllt, womit ihr beauftragt wart im Hinblick auf die Erziehung der Menschen und die Verkündigung der frohen Botschaft dessen, was kommen wird. Ihr habt Meine Botschaft dem Volk überbracht, den Ruf der Wahrheit erhoben und jede Eurer Verpflichtungen erfüllt. Nun sollt ihr es Christus gleichtun, euer Leben auf dem Pfad des Geliebten hingeben und den Märtyrertod erleiden. Und in diesem Sinne gingen beide, die Sonne der Wirklichkeit und der Mond der Führung,A45 wie Christus am Horizont des höchsten Opfers unter und stiegen in das himmlische Reich auf.
»Und es sahen sie ihre Feinde.«A46 Das heißt, nach ihrem Martyrium erkannten viele ihrer Feinde ihre erhabene Stufe und ihre vortreffliche Tugendhaftigkeit, und sie bezeugten ihre Größe und Vollkommenheit.
»Und zu derselben Stunde geschah ein großes Erdbeben, und der zehnte Teil der Stadt stürzte ein; und es wurden getötet in dem Erdbeben siebentausend Menschen.«A47 Dieses Erdbeben ereignete sich in Shíráz nach dem Märtyrertod des Báb. Die Stadt versank in Aufruhr und viele Menschen wurden getötet. Ein erheblicher Aufruhr entstand zudem durch Krankheiten, Cholera, Unterversorgung, Hungersnöte und andere Bedrängnisse – ein Aufruhr, desgleichen man bis dahin nie gesehen hatte.
»Und die andern erschraken und gaben dem Gott des Himmels die Ehre.«A48 Als sich das Erdbeben in der Provinz Fárs ereignete, jammerten und klagten die Überlebenden Tag und Nacht, priesen Gott und flehten Ihn an. Ihre Angst und Unruhe waren so groß, dass sie des Nachts weder Ruhe noch Frieden finden konnten.
»Das zweite Wehe ist vorüber; siehe, das dritte Wehe kommt schnell.«A49 Das erste Wehe war das Erscheinen des Gesandten Gottes, Muḥammad, der Sohn des ‘Abdu’lláh, Friede sei mit Ihm. Das zweite Wehe war das Kommen des Báb, auf Ihm sei Herrlichkeit und Lobpreis. Das dritte Wehe ist der große Tag der Ankunft des Herrn der Heerscharen und die Offenbarung der verheißenen Schönheit. Die Erklärung dieser Frage findet sich im dreißigsten Kapitel Hesekiels, wo es heißt: »Und des Herrn Wort geschah zu mir: Du Menschenkind, weissage und sprich: So spricht Gott der Herr: Heulet! Wehe, was für ein Tag! Denn der Tag ist nahe, ja, des Herrn Tag ist nahe.«A50 Es ist also offensichtlich, dass der Tag des Wehs der Tag des Herrn ist; denn an jenem Tag gilt das Weh den Achtlosen, den Sündern und den Unwissenden. Darum heißt es, »Das zweite Wehe ist vorüber; und siehe, das dritte Wehe kommt schnell.« Dieses dritte Wehe ist der Tag der Offenbarung Bahá’u’lláhs, der Tag Gottes, und es ist nahe dem Tag des Erscheinens des Báb.
»Und der siebente Engel blies seine Posaune; und es erhoben sich große Stimmen im Himmel, die sprachen: Nun gehört die Herrschaft über die Welt unserm Herrn und seinem Christus, und er wird regieren von Ewigkeit zu Ewigkeit.«A51 Dieser Engel erwähnt menschliche Seelen, die mit himmlischen Eigenschaften ausgestattet wurden und denen eine engelhafte Natur und Gesinnung verliehen ist. Stimmen werden sich erheben und das Erscheinen der göttlichen Manifestation wird weithin verkündet. Es wird verkündet, dass dieser Tag der Tag des Erscheinens des Herrn der Heerscharen und diese Sendung die Gnadengabe göttlicher Vorsehung ist. In allen heiligen Büchern und Schriften wurde verheißen und festgehalten, dass an diesem Tag Gottes Seine himmlische und geistige Herrschaft errichtet wird, die Welt erneuert wird, ein neuer Geist dem Körper der Schöpfung eingehaucht wird, der göttliche Frühling eingeläutet wird, die Wolken der Barmherzigkeit herabregnen werden, die Sonne der Wahrheit erstrahlen wird und lebensspendende Brisen wehen werden. Die Menschenwelt wird mit einem neuen Gewand geschmückt, das Antlitz der Erde wird geradezu dem höchsten Paradies gleichen, der Menschheit wird Erziehung zuteilwerden; Krieg, Uneinigkeit, Auseinandersetzungen und Streit werden verschwinden; Wahrhaftigkeit, Aufrichtigkeit, Frieden und Frömmigkeit werden obsiegen; Liebe, Eintracht und Einheit werden die Welt umfassen und Gott wird für immer herrschen – das heißt, eine immerwährende geistige Herrschaft wird errichtet. Das ist der Tag Gottes. Alle Tage, die kamen und gingen, waren die Tage Abrahams, Mose, Christi oder anderer Propheten; dieser Tag jedoch ist der Tag Gottes, da an diesem Tag die Sonne der Wahrheit mit der größten Intensität und Strahlkraft scheinen wird.
»Und die vierundzwanzig Ältesten, die vor Gott auf ihren Thronen saßen, fielen nieder auf ihr Angesicht und beteten Gott an und sprachen: Wir danken dir, Herr, allmächtiger Gott, der du bist und der du warst, dass du deine große Macht an dich genommen und die Herrschaft ergriffen hast!«A52 In jeder Sendung gab es zwölf Auserwählte: Zur Zeit Josefs gab es zwölf Brüder, zur Zeit Mose zwölf Stammesführer, zur Zeit Christi zwölf Apostel und zur Zeit Muḥammads gab es zwölf Imáme. Aber in dieser ruhmreichen Offenbarung gibt es, bedingt durch ihre Größe, vierundzwanzig solcher Seelen, doppelt so viele wie bei all den anderen.A53 Diese heiligen Seelen thronen in der Gegenwart Gottes, was bedeutet, dass sie auf ewig herrschen.
Obwohl diese vierundzwanzig ruhmreichen Seelen auf dem Throne ewiger Souveränität sitzen, verbeugen sie sich dennoch in demütiger Ergebenheit vor jener allumfassenden Manifestation Gottes und sprechen: »Wir danken dir, Herr, allmächtiger Gott, der du bist und der du warst, dass du deine große Macht an dich genommen und die Herrschaft ergriffen hast!« Das heißt: Du wirst alle Deine Lehren verkünden, die ganze Menschheit unter Deinem Schatten versammeln und alle Menschen unter einem einzigen Tabernakel zusammenführen. Und obwohl die Herrschaft immer Gottes ist und Er seit jeher und bis in alle Ewigkeit höchster Herrscher bleiben wird, bezieht sich diese Stelle hier auf die Souveränität der Manifestation Seines eigenen Selbstes, die Gesetze und Lehren verkünden wird, die den Geist der Menschenwelt und die Quelle ewigen Lebens darstellen. Diese allumfassende Manifestation wird die Welt nicht durch Krieg und Streit, sondern durch eine geistige Macht unterwerfen. Er wird die Welt mit Frieden und Einklang schmücken und nicht mit Schwertern und Speeren. Er wird diese göttliche Herrschaft durch aufrichtige Liebe begründen, nicht durch militärische Macht. Er wird diese göttlichen Lehren durch Güte und Freundschaft verbreiten, nicht durch Gewalt und Waffen. Auch wenn diese Nationen und Völker angesichts der Verschiedenartigkeit ihrer Verhältnisse, ihrer unterschiedlichen Bräuche und Wesenszüge, der Vielfalt ihrer Religionen und Hautfarben so unterschiedlich sind wie der Wolf und das Lamm, der Leopard und das Böcklein, der Säugling und die Natter, wird Er sie so erziehen, dass sie einander umarmen, sich zueinander gesellen und einander vertrauen werden. Rassenhass, religiöse Feindseligkeit und nationale Rivalitäten werden völlig beseitigt, und alle werden vollkommene Gemeinschaft und Eintracht unter dem Schutz des Gesegneten Baumes finden.
»Und die Völker sind zornig geworden«, denn Deine Weisungen standen im Widerspruch zu den selbstsüchtigen Wünschen der anderen Völker, »und es ist gekommen Dein Zorn«A54, was bedeutet, dass alle schwerwiegende Verluste erleiden mussten, da sie Deinen Ratschlägen, Ermahnungen und Lehren nicht folgten; sie waren der ewigen Gnade beraubt und Schleier trennten sie vom Licht der Sonne der Wahrheit.
»Und die Zeit, die Toten zu richten«A55 bedeutet, dass die Zeit gekommen ist, in der über die Toten, also jene, die den Geist der Liebe Gottes entbehren und des ewigen und heiligen Lebens beraubt sind, das gerechte Urteil gesprochen werden soll, was bedeutet, dass jeder nach Wert und Fähigkeit auferweckt wird und dass die volle Wahrheit offen gelegt werden soll, in welchen Abgründen der Erniedrigung sie sich in dieser Welt des Seins befinden und dass sie wahrhaftig zu den Toten zählen.
»Und den Lohn zu geben Deinen Knechten, den Propheten und den Heiligen und denen, die Deinen Namen fürchten, die Kleinen und die Großen«A56, das heißt, Du wählst die Gerechten für Deine grenzenlose Gnade aus, lässt sie wie himmlische Sterne am Horizont urewiger Herrlichkeit leuchten und stehst ihnen bei, ein Verhalten und einen Charakter an den Tag zu legen, mit dem sie die Menschenwelt erleuchten und zum Mittel der Führung und zum Born ewigen Lebens im Königreich Gottes werden.
»Und zu vernichten, die die Erde vernichten.«A57 Das heißt, Du wirst den Achtlosen alles nehmen; denn die Blindheit der Blinden wird bloßgestellt und die Sehkraft der Sehenden wird offenkundig; die Unwissenheit und Torheit der Irregeleiteten wird erkannt werden und die Erkenntnis und Weisheit der Rechtgeleiteten wird offenbart und so werden die Zerstörer vernichtet.
»Und der Tempel Gottes im Himmel wurde aufgetan.«A58 Damit ist gemeint, dass das himmlische Jerusalem erschienen und das Allerheiligste offenbar geworden ist. Für die Menschen mit wahrem Wissen bezieht sich das Allerheiligste auf das Wesen der Religion Gottes und auf Seine wahre Lehre, die, wie zuvor erklärt, in allen prophetischen Sendungen unverändert geblieben ist, wobei Jerusalem die Wirklichkeit der Religion Gottes, also das Allerheiligste, ebenso umfasst wie all die Gesetze, Transaktionen, die Riten und materiellen Verordnungen, die die Stadt ausmachen. Darum heißt es das himmlische Jerusalem. Kurz gesagt, im Laufe der Sendung der Sonne der Wahrheit werden die Lichter Gottes mit größter Pracht leuchten und so wird der Kern göttlicher Lehren in der Welt des Seins verwirklicht werden, die Dunkelheit der Unwissenheit und der Torheit wird vertrieben, die Welt wird eine andere Welt, geistige Erleuchtung wird alle umfassen, und so wird das Allerheiligste erscheinen.
»Und der Tempel Gottes im Himmel wurde aufgetan.«A59 Das heißt auch, dass durch die Verbreitung dieser göttlichen Lehren, die Enthüllung dieser himmlischen Mysterien und durch das Aufgehen der Sonne der Wahrheit die Pforten des Fortschritts nach allen Seiten weit geöffnet und die Zeichen himmlischer Segnungen und Gnadengaben offenkundig werden.
»Und die Lade seines Bundes wurde in seinem Tempel sichtbar.«A60 Das bedeutet, dass das Buch Seines Bundes in Seinem Jerusalem erscheinen wird, dass die Tafel des Testaments aufgezeichnet wird und dass die Bedeutung des Bundes und des Testaments klar ersichtlich wird. Der Ruf Gottes wird überall in Ost und West widerhallen, und der Ruhm der Sache Gottes wird die Erde umspannen. Die Bundesbrecher werden gedemütigt und erniedrigt, und die Gläubigen werden Ehre und Ruhm erlangen, denn sie halten sich beharrlich an das Buch des Bundes und bleiben standhaft und unerschütterlich auf dem Pfad des Testaments.
»Und es geschahen Blitze und Stimmen und Donner und Erdbeben und ein großer Hagel.«A61 Das bedeutet, dass nach dem Erscheinen des Buches des Bundes ein großer Sturm hereinbrechen wird, dass Blitze des göttlichen Grolls und Zorns aufflammen, der Donner des Bundesbruchs losbrechen, das Beben des Zweifels die Erde erschüttern, der Hagel der Qualen auf die Bundesbrecher niederprasseln wird und dass diejenigen, die behaupten zu glauben, auf die Probe gestellt werden.

Kapitel 12

Kommentar zum elften Kapitel Jesajas

In Jesaja 11:1–9 heißt es: »Und ein Spross wird hervorgehen aus dem Stumpf Isais, und ein Schössling aus seinen Wurzeln wird Frucht bringen. Und auf ihm wird ruhen der Geist des HERRN, der Geist der Weisheit und des Verstandes, der Geist des Rates und der Kraft, der Geist der Erkenntnis und Furcht des HERRN; und er wird sein Wohlgefallen haben an der Furcht des HERRN. Er wird nicht richten nach dem, was seine Augen sehen, und nicht zurechtweisen nach dem, was seine Ohren hören, sondern er wird die Geringen richten in Gerechtigkeit und die Elenden des Landes zurechtweisen in Geradheit. Und er wird den Gewalttätigen schlagen mit dem Stab seines Mundes und mit dem Hauch seiner Lippen den Gottlosen töten. Gerechtigkeit wird der Schurz seiner Hüften sein und die Treue der Schurz seiner Lenden. Und der Wolf wird beim Lamm weilen und der Leopard beim Böckchen lagern. Das Kalb und der Junglöwe und das Mastvieh werden zusammen sein, und ein kleiner Junge wird sie treiben. Kuh und Bärin werden miteinander weiden, ihre Jungen werden zusammen lagern. Und der Löwe wird Stroh fressen wie das Rind. Und der Säugling wird spielen an dem Loch der Viper und das entwöhnte Kind seine Hand ausstrecken nach der Höhle der Otter. Man wird nichts Böses tun noch verderblich handeln auf meinem ganzen heiligen Berg. Denn das Land wird voll von Erkenntnis des HERRN sein, wie von Wasser, das das Meer bedeckt.«
Dieser »Spross aus dem Stumpf Isais« scheint auf Christus hinzuweisen, denn Josef war ein Nachkomme von Isais, dem Vater von David. Weil Christus aber durch den göttlichen Geist ins Leben gerufen wurde, bezeichnete Er sich als Sohn Gottes. Wäre das nicht der Fall gewesen, hätte diese Aussage durchaus auf Ihn zutreffen können. Darüber hinaus sind die für die Tage dieses Spross’ vorhergesagten Ereignisse im übertragenen Sinne nur teilweise eingetreten und wenn man sie wörtlich nimmt, dann sind sie in den Tagen Christi gänzlich ausgeblieben.
Zum Beispiel könnte man sagen, der Leopard und das Böckchen, der Löwe und das Kalb, der Säugling und die Viper repräsentieren die verschiedenen Nationen, die feindlichen Völker und streitenden Stämme auf Erden, die in ihrer Feindseligkeit Wolf und Lamm glichen und durch die Brisen des messianischen Geistes mit dem Geist der Einheit und Gemeinschaft beschenkt wurden, zum Leben erwachten und vertrauten Umgang miteinander pflegten. Der Zustand aber, auf den hier angespielt wird, »Man wird nichts Böses tun noch verderblich handeln auf meinem ganzen heiligen Berg. Denn das Land wird voll von Erkenntnis des HERRN sein, wie von Wasser, das das Meer bedeckt«, ist in der Sendung Christi nicht eingetreten. Tatsächlich gibt es bis zum heutigen Tage verschiedene einander feindlich gesinnte und miteinander streitende Völker: Nur wenige erkennen den Gott Israels an und die meisten sind bar der Erkenntnis Gottes. Ebenso wurde mit dem Kommen Christi kein allumfassender Friede begründet, das heißt, unter den feindseligen und streitsüchtigen Nationen wurden Frieden und Wohlergehen nicht verwirklicht, Auseinandersetzungen und Konflikte nicht beigelegt und Eintracht und Aufrichtigkeit nicht erreicht. So herrschen sogar bis heute unter christlichen Völkern extreme Feindschaft, Hass und Konflikte.
Diese Verse treffen aber Wort für Wort auf Bahá’u’lláh zu. In dieser wundersamen Sendung wird zudem die Erde zu einer anderen Erde und die Menschenwelt wird in vollkommener Ruhe und Schönheit erstrahlen. Zwietracht, Streit und Blutvergießen werden weichen für Frieden, Aufrichtigkeit und Eintracht. Unter den Nationen, Völkern, Stämmen und Regierungen wird Liebe und Freundschaft herrschen und Zusammenarbeit und enge Verbundenheit wird dauerhaft bestehen. Schließlich wird der Krieg gänzlich abgeschafft und sobald die Gesetze des Heiligsten Buches in Kraft gesetzt sind, werden Auseinandersetzungen und Streitigkeiten von einem weltweiten Gerichtshof der Regierungen und Völker in äußerster Gerechtigkeit beigelegt und alle etwaigen Probleme gelöst. Die fünf Kontinente der Welt werden wie ein einziger Kontinent, ihre verschiedenen Nationen zu einer Nation, die Erde wird zu einer Heimat und die Menschheit zu einem Volk. Länder werden so eng miteinander verbunden sein, und Völker und Nationen werden so miteinander verwoben und vereint, dass die Menschheit wie eine einzige Familie wird. Das Licht der himmlischen Liebe wird leuchten, und die düstere Finsternis von Hass und Feindschaft wird so weit wie möglich aufgelöst werden. Allumfassender Frieden wird sein Festzelt inmitten der Schöpfung errichten und der gesegnete Baum des Lebens wird so wachsen und gedeihen, dass sein schützender Schatten sich über Ost und West erstreckt. Starke und Schwache, Reiche und Arme, streitende Stämme und feindliche Nationen – sie gleichen Wolf und Lamm, Leopard und Böckchen, Löwe und Kalb – werden einander mit größter Liebe, Einheit, Gerechtigkeit und Unparteilichkeit begegnen. Die Erde wird erfüllt sein mit Wissen und Gelehrsamkeit, mit den Wahrheiten und Geheimnissen der Schöpfung und mit der Erkenntnis Gottes.
Nun bedenke, wie weit in diesem ruhmreichen Zeitalter, dem Jahrhundert Bahá’u’lláhs, Wissen und Gelehrsamkeit fortgeschritten sind, wie umfassend die Geheimnisse der Schöpfung enthüllt worden sind und wie viele großartige Unternehmungen auf den Weg gebracht wurden und sich Tag für Tag mehren! Bald werden weltliches Wissen und Gelehrsamkeit sowie geistige Erkenntnis derartige Fortschritte machen und solche Wunder bewirken, dass sie jedes Auge in Staunen versetzen und die ganze Bedeutung des Verses Jesajas offenbaren: »Denn das Land wird voll von Erkenntnis des Herrn sein.«
Bedenke auch, dass in der kurzen Zeitspanne seit dem Kommen Bahá’u’lláhs Menschen aller Nationen, Geschlechter und Völker in den Schatten dieser Sache getreten sind. Christen, Juden, Zoroastrier, Hindus, Buddhisten und Perser begegnen einander mit solch vollkommener Liebe und Verbundenheit, als hätten sie tausend Jahre lang demselben Stamm und derselben Familie angehört – als wären sie tatsächlich Vater und Sohn, Mutter und Tochter, Schwester und Bruder. Dies ist eine der Bedeutungen der Gemeinschaft von Wolf und Lamm, von Leopard und Böckchen, von Löwe und Kalb.
Eines der großen Ereignisse, das sich am Tag der Manifestation dieses unvergleichlichen Schösslings ereignen wird, ist das Hissen des Banners Gottes unter allen Völkern. Damit ist gemeint, dass alle Völker und Geschlechter unter dem Schatten dieses göttlichen Banners, das nichts anderes als der Schössling des Herrn selbst ist, zu einem einzigen Volk werden. Religiöse und sektiererische Gegensätze, Feindschaft zwischen Völkern und Menschen unterschiedlicher Herkunft und Streitigkeiten zwischen Nationen werden beseitigt sein. Alle Menschen werden einer Religion angehören, einem gemeinsamen Glauben folgen, zu einem Menschengeschlecht verschmelzen und zu einem einzigen Volk werden. Alle werden in einem gemeinsamen Heimatland wohnen, das den gesamten Erdball umschließt.A62 Allumfassender Friede und Eintracht wird unter allen Nationen herrschen. Dieser unvergleichliche Schössling wird ganz Israel versammeln; das heißt, in Seiner Sendung wird Israel im Heiligen Land versammelt werden; das jüdische Volk, das jetzt im Osten und Westen, im Norden und im Süden verstreut ist, wird versammelt werden.
Beachte, dass diese Ereignisse nicht in der christlichen Sendung stattgefunden haben, denn die Nationen haben sich nicht unter einem einzigen Banner – jenem göttlichen Schössling – versammelt, aber in dieser Sendung des Herrn der Heerscharen werden alle Nationen und Völker in Seinen Schatten treten. Desgleichen wurde das über die ganze Welt verstreute Israel nicht im Zuge der christlichen Sendung im Heiligen Land versammelt, aber zu Beginn der Sendung Bahá’u’lláhs begann diese in allen Büchern der Propheten eindeutig gegebene göttliche Verheißung Wirklichkeit zu werden. Sieh, wie aus allen Teilen der Welt jüdische Volksgruppen in das Heilige Land kommen, Dörfer und Ländereien erwerben, um dort zu wohnen und von Tag zu Tag werden es immer mehr, so dass ganz Palästina für sie zur Wohnstatt wird.

Kapitel 13

Kommentar zum zwölften Kapitel der Offenbarung des Johannes

Wir haben bereits erörtert, dass mit der Heiligen Stadt oder dem göttlichen Jerusalem in den Heiligen Schriften meist die Religion Gottes gemeint ist, die bisweilen auch mit einer Braut verglichen wird oder ›Jerusalem‹ genannt oder als der neue Himmel und die neue Erde beschrieben wird. So heißt es in der Offenbarung, Kapitel 21: »Und ich sah einen neuen Himmel und eine neue Erde; denn der erste Himmel und die erste Erde sind vergangen, und das Meer ist nicht mehr. Und ich, Johannes, sah die Heilige Stadt, das neue Jerusalem, von Gott aus dem Himmel herabkommen, bereitet wie eine geschmückte Braut für ihren Mann. Und ich hörte eine große Stimme von dem Thron her, die sprach: Siehe da, die Hütte Gottes bei den Menschen! Und er wird bei ihnen wohnen, und sie werden sein Volk sein und er selbst, Gott mit ihnen, wird ihr Gott sein.«A63
Denke darüber nach, wie unverkennbar »der erste Himmel« und »die erste Erde« sich auf die äußeren Aspekte der früheren Religion beziehen. Denn es heißt: »… der erste Himmel und die erste Erde sind vergangen, und das Meer ist nicht mehr.« Das heißt, die Erde ist der Schauplatz des Jüngsten Gerichts, und dort wird es das Meer nicht mehr geben, was bedeutet, dass die Lehre und das Gesetz Gottes auf der ganzen Erde verbreitet sein werden, die ganze Menschheit Seine Sache angenommen haben wird, und die Erde gänzlich von Gläubigen bevölkert sein wird. Es wird also kein Meer mehr geben, weil der Mensch das Festland und nicht das Meer bewohnt – das heißt, in jener Sendung wird sich der Einflussbereich der Religion über alle von Menschen bewohnten Länder erstrecken und sie wird auf festem Grund stehen, auf dem die Füße nicht straucheln.
Ebenso wird die Religion Gottes als die Heilige Stadt und das Neue Jerusalem bezeichnet. Es liegt auf der Hand, dass das Neue Jerusalem, das vom Himmel herabkommt, keine Stadt aus Stein und Kalk, aus Ziegel und Mörtel ist, sondern vielmehr die Religion Gottes, die vom Himmel hernieder kommt und als neu bezeichnet wird. Denn es ist offensichtlich, dass nicht das Jerusalem aus Stein und Mörtel vom Himmel herabkommt und erneuert wird; was erneuert wird ist die Religion Gottes.
Zudem wird die Religion Gottes mit einer geschmückten Braut verglichen, die mit größter Anmut erscheint, wie es in Kapitel 21 der Offenbarung des Johannes heißt: »Und ich sah die Heilige Stadt, das neue Jerusalem, von Gott aus dem Himmel herabkommen, bereitet wie eine geschmückte Braut für ihren Mann.«A64 Und in Kapitel 12 heißt es: »Und es erschien ein großes Zeichen am Himmel: eine Frau, mit der Sonne bekleidet, und der Mond unter ihren Füßen und auf ihrem Haupt eine Krone von zwölf Sternen.« Diese Frau ist jene Braut, die Religion Gottes, die auf Muḥammad herabkam. Die Sonne, mit der sie bekleidet war, und der Mond unter ihren Füßen sind die beiden Regierungen, die im Schatten dieser Religion stehen, die persische und die osmanische, denn das Wahrzeichen Persiens ist die Sonne und das des Osmanischen Reiches ist der Halbmond. So spielen die Sonne und der Mond auf zwei Regierungen im Schatten der Religion Gottes an. Danach heißt es, dass »… auf ihrem Haupt eine Krone mit zwölf Sternen« ruhe. Diese zwölf Sterne stehen für die zwölf Imáme, die Förderer der Religion Muḥammads und Erzieher des Volkes waren und wie Sterne am Himmel der Führung leuchteten.
Dann heißt es: »Sie war schwanger und schrie in Kindsnöten und litt große Qual bei der Geburt«A65, was bedeutet, dass diese Religion unter großen Schwierigkeiten zu leiden hat und große Not und Mühsal ertragen wird, bis ein vollkommener Nachkomme aus ihr hervorgeht, das heißt, bis die nachfolgende und verheißene Manifestation als vollkommener Nachkomme im Schoße dieser Religion aufgewachsen ist, die Ihm wie eine Mutter ist. Mit diesem Nachkommen ist der Báb gemeint, der Erste Punkt, der ja tatsächlich aus der Religion Muḥammads hervorging. Mit anderen Worten, diese heilige Wirklichkeit, die Kind und Frucht der Religion Gottes – seiner Mutter – und zugleich ihr Verheißener war, kam im Himmelreich dieser Religion ins Dasein, wurde aber zu Gott entrückt, um dem Aufstieg des Drachens zu entgehen. Nach 1260 Tagen wurde der Drache vernichtet und der Nachkomme der Religion Gottes, des Verheißenen, wurde offenbart.
»Und es erschien ein anderes Zeichen am Himmel, und siehe, ein großer, roter Drache, der hatte sieben Häupter und zehn Hörner und auf seinen Häuptern sieben Kronen. Und sein Schwanz fegte den dritten Teil der Sterne des Himmels hinweg und warf sie auf die Erde.«A66 Dieser Drache steht für die Umayyaden, die die Herrschaft der Religion Muḥammads an sich gerissen hatten; und die sieben Häupter und sieben Kronen repräsentieren die sieben Herrschaftsgebiete und Königreiche, über die sie regierten: das römische Herrschaftsgebiet in Syrien; das persische, arabische und ägyptische Herrschaftsgebiet; das Herrschaftsgebiet Afrikas, das heißt Tunesien, Marokko und Algerien; das Herrschaftsgebiet Andalusiens, das heutige Spanien; und das Herrschaftsgebiet der türkischen Stämme von Transoxanien. Die Umayyaden erlangten Macht über all diese Herrschaftsgebiete. Die zehn Hörner stehen für die Namen der Umayyaden-Herrscher, denn abgesehen von Wiederholungen sind es zehn Regenten, also zehn Namen von Oberhäuptern und Herrschern. Der erste ist Abú Sufyán und der letzte ist Marván. Einige Namen wiederholen sich, darunter sind zwei Mu‘áviyihs, drei Yazíds, zwei Valíds und zwei Marváns. Werden diese Namen jedoch nur einmal gezählt, so sind es insgesamt zehn. Angefangen bei Abú Sufyán, dem ehemaligen Oberhaupt von Mekka und Gründer der Dynastie, bis hin zu Marván – vernichteten die Umayyaden ein Drittel der heiligen und gesegneten Nachkommen aus der reinen Abstammung Muḥammads, die wie die Sterne am Himmel waren.
»Und der Drache trat vor die Frau, die gebären sollte, damit er, wenn sie geboren hätte, ihr Kind fräße.«A67 Diese Frau ist die Religion Gottes, wie zuvor erklärt wurde. Dass der Drache vor ihr steht, deutet darauf hin, dass er nur darauf wartet, ihr Kind sofort nach der Geburt zu verschlingen. Dieses Kind war die verheißene Manifestation, der Nachkomme der Religion Muḥammads. Die Umayyaden waren stets darauf bedacht, den Verheißenen, der von Muḥammad abstammen sollte, zu ergreifen, um Ihn zu vernichten, denn sie hatten große Angst vor Seinem Kommen. Und wo immer sie einen Nachkommen von Muḥammad fanden, der bei den Menschen besonders angesehen war, töteten sie ihn.
»Und sie gebar einen Sohn, einen Knaben, der alle Völker weiden sollte mit eisernem Stabe.«A68 Dieser herrliche Sohn ist die verheißene Manifestation, geboren aus der Religion Gottes und aufgewachsen im Schoß der göttlichen Lehren. Der eiserne Stab ist eine Metapher für Kraft und Macht – sie ist kein Schwert – und bedeutet, dass Er alle Völker der Erde mit Seiner göttlichen Kraft und Macht weiden wird. Und mit diesem Sohn ist der Báb gemeint.
»Und ihr Kind wurde entrückt zu Gott und seinem Thron.«A69 Dies ist eine Prophezeiung über den Báb, der zum Königreich, dem Throne Gottes und Sitz Seiner Souveränität emporgestiegen ist. Sieh, wie genau dies mit dem übereinstimmt, was tatsächlich eingetreten ist.
»Und die Frau entfloh in die Wüste«A70; das heißt, die Religion Gottes zog sich in die Wüste zurück, womit die riesige Wüste von Ḥijáz und die arabische Halbinsel gemeint ist.
»Wo sie einen Ort hatte, bereitet von Gott«A71, das heißt, die Arabische Halbinsel wurde zum Zufluchtsort, zur Wohnstätte und zum Zentrum der Religion Gottes.
»Dass sie dort ernährt werde tausendzweihundertsechzig Tage«A72. Gemäß der Terminologie der Bibel bedeuten diese 1260 Tage, wie zuvor erläutert wurde, 1260 Jahre. So wurde 1260 Jahre lang die Religion Gottes in der riesigen Wüste Arabiens aufgebaut, bis der Verheißene erschien. Nach 1260 Jahren wurde diese Religion außer Kraft gesetzt, denn die Frucht dieses Baumes war erschienen und sein Ergebnis war erreicht.
Betrachte, wie genau die Prophezeiungen miteinander übereinstimmen! Das Buch der Offenbarung legt das Erscheinen des Verheißenen auf zweiundvierzig Monate fest. Der Prophet Daniel gibt drei Zeiten und eine halbe an, das entspricht auch 42 Monaten oder 1260 Tagen. Ein anderer Abschnitt der Offenbarung des Johannes nennt unmittelbar 1260 Tage, und in der Bibel wird explizit darauf verwiesen, dass jeder Tag einem Jahr entspricht. Noch klarer könnten diese Prophezeiungen nicht miteinander übereinstimmen. Der Báb erschien im Jahr 1260 nach der Hijrah, dem Kalender entsprechend, dem alle Muslime folgen. In der Heiligen Schrift gibt es keine klarere Prophezeiung über irgendeine Manifestation als diese. Gerecht beurteilt ist die Übereinstimmung zwischen den von diesen erhabenen Seelen angegebenen Zeiten der schlüssigste Beweis und kann nicht anders gedeutet werden. Gesegnet sind die Gerechten, die die Wahrheit suchen.
Wenn es jedoch an Gerechtigkeit mangelt, dann ziehen die Menschen das Offensichtliche in Zweifel, bestreiten und leugnen es. Ihr Verhalten ist wie das der Pharisäer in der Zeit Christi, die die Auslegungen und Erklärungen von Ihm und Seinen Aposteln hartnäckig abstritten, und die vorsätzlich die Wahrheit vor den unwissenden Massen verbargen, indem sie sagten: »Diese Prophezeiungen beziehen sich nicht auf Jesus, sondern auf den Verheißenen, der bald unter den in der Thora genannten Voraussetzungen erscheinen wird« – dazu zählt, dass Er ein König sein und auf dem Thron Davids sitzen werde, das Gesetz der Thora durchsetzen, die größte Gerechtigkeit einführen und bewirken werde, dass sich Wolf und Lamm an derselben Quelle versammeln. Und so haben sie die Menschen davon abgehalten, Christus zu erkennen.

Kapitel 14

Zyklen in der materiellen und der geistigen Welt

In der materiellen Welt bringt die Zeit zyklische Veränderungen mit sich und der Raum unterliegt wechselnden Bedingungen. Jahreszeiten folgen aufeinander und Menschen machen Fortschritte, Rückschritte und entwickeln sich. Es gibt die Zeit des Frühlings und die des Herbstes; es gibt die Zeit des Sommers und die des Winters.
Die Frühlingszeit bringt schwere Regenwolken und duftende Moschusbrisen, sanften warmen Wind und ein wunderbar mildes Wetter. Es regnet, die Sonne scheint, belebende Brisen wehen, die Welt wird erneuert, und der Lebensodem offenbart sich in Pflanze, Tier und Mensch. Alles irdische Dasein geht von einem Zustand in einen anderen über. Alle Dinge sind mit einem neuen Gewand bekleidet: Die schwarze Erde wird von üppigem Gras bedeckt, Berge und Ebenen erscheinen in einem smaragdgrünen Gewand, Bäume tragen Blätter und Blüten, Gärten bringen Blumen und duftende Kräuter hervor, die Welt wird zu einer anderen Welt und die ganze Schöpfung wird mit neuem Leben erfüllt. Die Erde, die wie ein lebloser Körper war, empfängt einen neuen Geist und zeigt sich in höchster Schönheit, Anmut und Ausstrahlung. So bringt die Frühlingszeit neues Leben hervor und verleiht einen neuen Geist.
Dann kommt der Sommer, die Hitze nimmt zu und Wachstum und Entwicklung entfalten ihre ganze Kraft. Die Lebenskraft im Pflanzenreich erlangt ihre Fülle: Früchte und Getreide bilden sich heraus, die Erntezeit kommt, die Saat wird zur Garbe, und es wird für die Wintermonate vorgesorgt.
Dann kommt der unerbittliche Herbst, wenn sich unheilvolle Stürme erheben, heftige Winde wehen und die karge, entbehrungsreiche Jahreszeit beginnt. Alles verdorrt, die angenehme Luft wird rau und kühl, die Frühlingsbrisen verwandeln sich in Herbstwinde, Bäume, die zuvor grün und fruchtbar waren, verkümmern und werden kahl, Blumen und Kräuter welken dahin und köstliche Gärten werden zu trostlosen Staubhaufen.
Es folgt der Winter, wenn eisige Winde wehen und Stürme aufkommen. Es schneit und stürmt, es hagelt und regnet, es donnert und blitzt; alles friert und erstarrt. Pflanzen sterben und Tiere siechen dahin und verkümmern.
Wenn dieses Stadium erreicht ist, kehrt die lebensspendende Frühlingszeit wieder zurück und ein neuer Zyklus beginnt. Der Frühling mit seiner grenzenlosen Energie und Anmut und in der Fülle seiner Größe und Majestät, schlägt sein Zelt auf Bergen und Ebenen auf. Und erneut wird die Gestalt erschaffener Dinge wiederbelebt und die Schöpfung bedingter Wesen erneuert. Lebendige Körper wachsen und entwickeln sich, Felder und Ebenen werden grün und fruchtbar, Bäume bringen Blüten hervor, und der Frühling des letzten Jahres kehrt in größter Majestät und Pracht zurück. Die bloße Existenz des Erschaffenen wird immer von diesen Zyklen und Abfolgen abhängen und durch sie aufrechterhalten werden. Das sind die Zyklen und Umwälzungen in der materiellen Welt.
Die geistigen Zyklen, die mit den Propheten Gottes verbunden sind, verlaufen in gleicher Weise. Das heißt, der Tag des Erscheinens der Heiligen Manifestationen ist der geistige Frühling. Er ist göttlicher Glanz und himmlische Gnade; er ist der Odem des Lebens und die Morgendämmerung der Sonne der Wahrheit. Der Geist wird belebt, das Herz erfrischt, die Seele veredelt, alles Sein wird in Bewegung versetzt, der Menschen Wirklichkeit frohlockt und Fertigkeiten und Vollendung nehmen zu. Allgemeiner Fortschritt wird erzielt, die Seelen werden versammelt und die Toten zum Leben erweckt, denn es ist der Tag der Auferstehung, die Zeit der Unruhe und Gärung, die Stunde der Freude und des Glücks, die Zeit der Verzückung und der Hingabe.
Dieser lebensspendende Frühling bringt dann einen Sommer voller Früchte hervor. Das Wort Gottes wird verkündet, Sein Gesetz verbreitet, und alles Dasein erreicht einen Zustand der Vollkommenheit. Die himmlische Tafel wird ausgebreitet, die duftenden Brisen der Heiligkeit dringen nach Ost und West, die Lehren Gottes erobern die ganze Erde, Seelen werden erzogen, lobenswerte Ergebnisse werden erzielt, allgemeiner Fortschritt wird im Menschenreich erlangt, die göttlichen Gaben umfassen alles Dasein, und die Sonne der Wahrheit scheint über dem Horizont des himmlischen Königreichs in ihrer vollen Macht und Stärke.
Wenn diese Sonne ihren Zenit erreicht, beginnt sie zu sinken, und auf diese Sommerzeit des Geistes folgt der Herbst. Wachstum und Entwicklung kommen zum Stillstand, sanfte Brisen verwandeln sich in verheerende Winde und die karge, entbehrungsreiche Jahreszeit lässt die Lebenskraft und Schönheit der Gärten, Felder und Lauben schwinden. Das heißt, geistige Anziehungskräfte schwinden, göttliche Eigenschaften vergehen, das Strahlen der Herzens verblasst, die Geistigkeit der Seelen wird getrübt, Tugenden werden zu Lastern, Heiligkeit und Reinheit sind nicht mehr zu finden. Vom Gesetz Gottes verbleibt nichts als ein Name und von den göttlichen Lehren nichts als eine äußere Form. Die Grundfesten der Religion Gottes werden zerstört und vernichtet, Bräuche und Traditionen treten an ihre Stelle, es kommt zu Spaltungen und Standhaftigkeit verwandelt sich in Bestürzung. Der Geist verkümmert, das Herz ermattet und die Seele erstarrt.
Der Winter bricht herein; das heißt, die Kälte der Torheit und Unwissenheit umhüllt die Welt und es herrscht die Dunkelheit eigensinniger und selbstsüchtiger Wünsche. Darauf folgt Gleichgültigkeit und Widerspenstigkeit, Trägheit und Torheit, Niedertracht und tierische Merkmale, Kälte und Versteinerung, genau wie zur Winterzeit, wenn der Erdball ohne den Einfluss der Sonnenstrahlen wüst und leer wird. Wenn das Reich von Geist und Verstand dieses Stadium erreicht, verbleibt nichts als der unabänderliche Tod und endloses Nichtsein.
Wenn jedoch die Winterzeit zu Ende geht, kehrt der geistige Frühling wieder zurück und ein neuer Zyklus offenbart seinen Glanz. Die Brisen des Geistes wehen, der strahlende Morgen bricht an, die Wolken des Barmherzigen regnen herab, die Strahlen der Sonne der Wahrheit leuchten, und die Welt des Seins wird mit neuem Leben erfüllt und in ein wundersames Gewand gekleidet. In dieser neuen Jahreszeit erscheinen alle Zeichen und Gaben des vorangegangenen Frühlings wieder, vielleicht sogar in noch größerem Maße.
Die geistigen Zyklen der Sonne der Wahrheit befinden sich wie die Zyklen der physischen Sonne in einem Zustand ständiger Bewegung und Erneuerung. Die Sonne der Wahrheit kann mit der materiellen Sonne verglichen werden, die an vielen verschiedenen Orten aufgeht. Einmal erhebt sie sich im Zeichen des Krebses und einmal im Zeichen der Waage; einmal erstrahlt sie im Zeichen des Wassermanns und ein andermal im Zeichen des Widders. Doch die Sonne ist nur eine Sonne und eine einzige Wirklichkeit. Die wahres Wissen besitzen, lieben die Sonne und sind nicht ihren Aufgangsorten verhaftet. Wer mit Einsicht begabt ist, sucht die Wahrheit selbst, nicht ihre Stellvertreter oder ihre Verkörperungen. So beugen sie sich in Anbetung vor der Sonne, in welchem Zeichen und über welchem Horizont sie auch immer aufgehen mag, und suchen die Wahrheit bei jeder geheiligten Seele, die sie offenbaren könnte. Solche Menschen entdecken unweigerlich die Wahrheit und sind nicht durch Schleier vom Licht der Sonne des göttlichen Himmels getrennt. Wer die Strahlen liebt und das Licht sucht, wird sich stets der Sonne zuwenden, ob sie nun im Zeichen des Widders scheint, ob sie ihre Gunst im Zeichen des Krebses gewährt oder ihre Strahlen im Zeichen des Zwillings aussendet.
Aber die Törichten und Unwissenden sind nur von den Tierkreiszeichen angetan und von den Aufgangsorten verzaubert, nicht von der Sonne selbst. Als sie im Krebs stand, wandten sie sich ihr zu, aber als sie in die Waage überging, fuhren sie – an das frühere Zeichen gefesselt – fort ihren Blick auf dieses Zeichen zu richten und daran festzuhalten. So beraubten sie sich der Strahlen der Sonne, sobald sie sich bewegt hatte. So erstrahlte einst die Sonne der Wahrheit im Zeichen Abrahams, später erhob sie sich im Zeichen Mose und erleuchtete den Horizont und noch später schien sie mit größter Kraft, Wärme und Ausstrahlung im Zeichen Christi. Die nach der Wahrheit suchten, beteten sie an, wo immer sie sie sahen, aber sobald die Sonne ihre Strahlen auf den Sinai warf und die Wirklichkeit Mose erleuchtete, wurden diejenigen, die sich weiter an Abraham hielten, ihrer beraubt. Und die sich an Mose klammerten, waren ebenso wie durch Schleier von Gott getrennt, als die Sonne der Wahrheit die Strahlenfülle ihres himmlischen Glanzes vom Aufgangsort Christi aus verbreitet hatte und so setzte es sich immer weiter fort.
Deshalb muss man nach der Wahrheit suchen, sich von jeder geheiligten Seele, in der man sie findet, verzücken und verzaubern lassen und sich ganz und gar von den Gnadengaben Gottes anziehen lassen. Wie ein Nachtfalter muss man das Licht lieben, in welcher Lampe es auch immer leuchtet; und wie eine Nachtigall muss man von der Rose bezaubert sein, in welcher Laube sie auch immer blüht.
Würde die Sonne im Westen aufgehen, so wäre es immer noch die Sonne. Ja, wo auch immer die Sonne aufgehen mag, es ist stets dieselbe Sonne. Man darf nicht annehmen, dass ihr Aufgang sich auf einen einzigen Ort beschränkt und dass die anderen Orte daran keinen Anteil haben. Man darf sich nicht von ihrem Aufgang im Osten täuschen lassen und den Westen als Ort ihres Untergangs betrachten. Man muss nach der mannigfachen Gunst Gottes suchen, nach dem göttlichen Strahlenglanz Ausschau halten und sich von jeder Wirklichkeit, in der sie klar und deutlich zu finden sind, verzücken und verzaubern lassen. Bedenke: Hätten sich die Juden nicht an den Horizont Mose geklammert, sondern ihren Blick auf die Sonne der Wahrheit gerichtet, dann hätten sie gewiss die Sonne in ihrer göttlichen Strahlenfülle in diesem wahren Aufgangsort, in Christus, wahrgenommen. Aber ach, tausendmal ach! Sie klammerten sich an den Namen Mose und beraubten sich dieser himmlischen Gnade und dieses göttlichen Glanzes.

Kapitel 15

Wahres Glück

Ehre und Erhabenheit alles Existierenden hängt von bestimmten Ursachen und Bedingungen ab.
Die Vortrefflichkeit, Zierde und Vollkommenheit der Erde liegen darin, dass sie durch die Frühlingsschauer grün und fruchtbar wird, Pflanzen aus ihr hervorsprießen, Blumen und Kräuter wachsen, blühende Bäume reichen Ertrag und frische und saftige Früchte hervorbringen, Gärten entstehen, Wiesen erblühen, Ebenen und Berge in smaragdgrünem Gewand erscheinen und Felder, Lauben, Dörfer und Städte geschmückt sind. Das ist das GlückA73 des Mineralreichs.
Der Gipfel der Erhabenheit und Vollkommenheit für die Pflanzenwelt liegt darin, dass ein Baum an einem Fluss frischen Wassers steht, eine sanfte Brise weht und die Sonne ihm ihre Wärme spendet, ein Gärtner ihn pflegt und er von Tag zu Tag wächst und Früchte trägt. Aber ihr wahres Glück liegt darin, in die Welt der Tiere und Menschen überzugehen und zu ersetzen, was in den Körpern der Tiere und Menschen verbraucht wurde.
Die Erhabenheit der Tierwelt liegt darin, vollkommene Glieder, Organe und Kräfte zu besitzen und alle Bedürfnisse decken zu können. Das ist der Gipfel ihrer Herrlichkeit, Ehre und Erhabenheit. So liegt das größte Glück für ein Tier in einer grünen fruchtbaren Wiese, in einem Fluss mit kristallklarem Wasser oder in einem belebten Wald. Wenn all diese Dinge bereit stehen, kann man sich kein größeres Glück für das Tier vorstellen. Sollte zum Beispiel ein Vogel sein Nest in einem grünen fruchtbaren Wald, in angenehmer Höhe, auf einem mächtigen Baum, in den höchsten Zweigen bauen, und sollte er so viel Körner und Wasser haben wie er braucht, dann wäre das sein vollkommenes Glück.
Aber wahres Glück liegt für das Tier darin, aus der Tierwelt ins Menschenreich zu gelangen, wie die mikroskopisch kleinen Lebewesen, die durch Luft und Wasser in den Körper des Menschen gelangen, aufgenommen werden und ersetzen, was von ihm verbraucht wurde. Das ist die größte Ehre und das größte Glück für die Tierwelt, und keine größere Ehre ist für sie vorstellbar.
Solch materielle Unbeschwertheit, Bequemlichkeit und Fülle stellt also offensichtlich das höchste Glück für Mineralien, Pflanzen und Tiere dar. Kein Reichtum, kein Wohlstand, keine Behaglichkeit und keine Unbeschwertheit in unserer materiellen Welt kann dem Reichtum eines Vogels gleichkommen, denn er hat die ganze Weite der Felder und Berge als Heimstatt; alle Samenkörner und Ernten sind sein Reichtum und seine Nahrung; und alle Ländereien, Dörfer, Wiesen, Weiden, Wälder und jede Wildnis sein Besitz. Wer ist nun reicher – dieser Vogel oder der Reichste unter den Menschen? Ganz gleich, wie viele Körner der Vogel auch sammeln oder verschenken mag, sein Reichtum wird nicht geschmälert.
Somit ist klar, dass Ehre und Erhabenheit des Menschen nicht nur in materiellen Freuden und irdischen Vorteilen liegen kann. Das materielle Glück ist zweitrangig, während die Erhabenheit des Menschen in erster Linie in solchen Tugenden und Errungenschaften liegt, die die menschliche Wirklichkeit schmücken. Diese bestehen in göttlichen Segnungen, himmlischen Gaben, aufrichtigen Gefühlen, Liebe und Erkenntnis Gottes, Bildung, Verstandeswahrnehmungen und wissenschaftlichen Entdeckungen. Sie bestehen in Gerechtigkeit und Unparteilichkeit, Wahrhaftigkeit und Güte, innerem Mut und natürlicher Menschlichkeit, dem Schutz der Rechte anderer und der Wahrung der Unantastbarkeit von Verträgen und Vereinbarungen. Sie bedeuten rechtschaffenes Verhalten unter allen Umständen, bedingungslose Liebe zur Wahrheit, Aufopferung für das Wohl aller Menschen, Güte und Mitgefühl für alle Völker, Gehorsam gegenüber den Lehren Gottes, Dienst für das himmlische Königreich, Führung für die gesamte Menschheit und Bildung für alle Völker und Nationen. Das ist das Glück der Menschenwelt! Das ist die Erhabenheit des Menschen in der bedingten Welt! Das ist ewiges Leben und himmlische Ehre!
Diese Gaben erscheinen jedoch in der Wirklichkeit des Menschen allein durch eine heilige und göttliche Macht, und durch die himmlischen Lehren, denn sie bedürfen einer übernatürlichen Macht. Ansatzweise mag diese Vollkommenheit zwar in der Natur auftauchen, aber sie ist so flüchtig und kurzlebig wie Sonnenstrahlen auf einer Wand.
Da der barmherzige Herr das Haupt des Menschen mit einem solch strahlenden Diadem gekrönt hat, müssen wir danach streben, dass seine leuchtenden Edelsteine ihr Licht auf die ganze Welt werfen.

Teil 2 – Einige christliche Themen

Kapitel 16

Intelligible Wirklichkeiten und ihr mit den Sinnen wahrnehmbarer Ausdruck

Es gibt einen Gesichtspunkt, der ausschlaggebend für das tiefere Verständnis der Fragen ist, die wir bereits erörtert haben und noch erörtern werden, dass nämlich menschliche Erkenntnis auf zweierlei Wegen erfolgt.
Ein Weg ist die Erkenntnis über die Sinne. Was das Auge, das Ohr, der Geruchs-, Geschmacks- oder Tastsinn erfassen kann, nennt man ›mit den Sinnen wahrnehmbar‹. Zum Beispiel ist die Sonne wahrnehmbar, da man sie sehen kann. Ebenso sind Töne wahrnehmbar, da das Ohr sie hören kann; Gerüche, da sie eingeatmet und durch den Geruchssinn wahrgenommen werden können; Speisen, da der Gaumen ihren süßen, sauren, bitteren oder salzigen Geschmack wahrnehmen kann; Hitze und Kälte, da sie durch den Tastsinn wahrgenommen werden können. Dies nennen wir mit den Sinnen wahrnehmbare Wirklichkeiten.
Der andere Weg zur Erkenntnis geht über das verstandesmäßig Fassbare; das sind die intelligiblen Wirklichkeiten, die nicht an Form und Raum gebunden und nicht mit den Sinnen wahrnehmbar sind. Beispielsweise ist weder die Kraft des Verstandes noch irgendeine menschliche Eigenschaft mit den Sinnen wahrnehmbar: Es sind intelligible Wirklichkeiten. Auch Liebe ist eine intelligible und keine mit den Sinnen wahrnehmbare Wirklichkeit. Denn das Ohr hört diese Wirklichkeiten nicht, das Auge sieht sie nicht, der Geruchssinn kann sie nicht wahrnehmen, der Geschmacksinn sie nicht feststellen, der Tastsinn sie nicht spüren. Selbst der Äther, dessen Kräfte in der Naturphilosophie mit Wärme, Licht, Elektrizität und Magnetismus beschrieben werden, ist eine intelligible und keine mit den Sinnen wahrnehmbare Wirklichkeit. Auch das Wesen der Natur ist eine intelligible und keine mit den Sinnen wahrnehmbare Wirklichkeit; der menschliche Geist ist eine intelligible und keine mit den Sinnen wahrnehmbare Wirklichkeit.
Wenn du aber versuchst, diese intelligiblen Wirklichkeiten zu erklären, dann bist zu gezwungen, sie in eine mit den Sinnen wahrnehmbare Form zu gießen, da es in der Außenwelt nichts gibt, das über die Sinneswahrnehmung hinaus geht. Wenn du also die Wirklichkeit des Geistes, seinen Zustand und seine Stufen darstellen möchtest, musst du sie zwangsläufig wie etwas beschreiben, das mit den Sinnen wahrnehmbar ist, denn in der Außenwelt gibt es nur das mit den Sinnen Wahrnehmbare. Kummer und Freude sind zum Beispiel intelligible Zustände. Wenn man diese geistigen Befindlichkeiten jedoch beschreiben möchte, sagt man: »Mir wurde schwer ums Herz« oder »Mir wurde leicht ums Herz«, obwohl das Herz nicht wirklich schwerer oder leichter wird. Vielmehr handelt es sich um einen geistigen, intelligiblen Zustand, der nur mit Analogien aus der Sinneswahrnehmung beschrieben werden kann. Ein anderes Beispiel wäre die Aussage: »Ein gewisser Soundso ist weit voran gekommen«, obgleich er an Ort und Stelle geblieben ist, oder: »Soundso hat eine hohe Stellung«, obwohl er, wie jeder andere auch, weiterhin auf der Erde einhergeht. Aufstieg und Fortschritt bezeichnen geistige Zustände und intelligible Wirklichkeiten; um sie jedoch darzustellen, muss man sie mit Begriffen der Sinneswelt beschreiben, da es in der Außenwelt nichts gibt, das über die Sinneswahrnehmung hinaus geht.
Um ein weiteres Beispiel zu nennen: Wissen wird bildhaft als Licht und Unwissen als Dunkelheit beschrieben. Aber denke darüber nach: Ist Wissen wahrnehmbares Licht oder Unwissen wahrnehmbare Dunkelheit? Natürlich nicht. Es sind nur intelligible Zustände. Wenn man sie jedoch anschaulich beschreiben möchte, bezeichnet man Wissen als Licht und Unwissen als Dunkelheit und sagt: »Mein Herz war finster und es wurde erleuchtet.« Da das Licht des Wissens und die Dunkelheit des Unwissens intelligible und keine sinnlich wahrnehmbaren Wirklichkeiten sind, müssen wir sie als Sinneswahrnehmung beschreiben, um sie in der Außenwelt zum Ausdruck bringen zu können.
Desgleichen ist offensichtlich, dass die Taube, die auf Christus herniederkam,A74 keine leibhaftige Taube war, sondern ein Geisteszustand, der für ein besseres Verständnis so versinnbildlicht wurde. Beispielsweise heißt es im Alten Testament, dass Gott als Feuersäule erschienA75. Gemeint ist hier kein mit den Sinnen wahrnehmbares Phänomen, sondern eine intelligible Wirklichkeit, die auf diese Weise veranschaulicht wird.
Christus sagt: »Wisst, dass der Vater in mir ist und ich im Vater.«A76 Ist denn nun Christus in Gott oder Gott in Christus? Nein, bei Gott! Dies ist ein intelligibler Zustand, der in einer mit den Sinnen fassbaren Weise ausgedrückt wurde.
Wir kommen nun zur Erklärung der Worte Bahá’u’lláhs: »O König! Ich war nur ein Mensch wie andere und lag schlafend auf Meinem Lager. Siehe, da wehten die Lüfte des Allherrlichen über Mich hin und lehrten Mich die Erkenntnis all dessen, was war. Dies ist nicht von Mir, sondern von Einem, der allmächtig und allwissend ist.«A77 Das ist die Stufe göttlicher Offenbarung. Es ist keine mit den Sinnen wahrnehmbare, sondern eine intelligible Wirklichkeit. Sie ist geheiligt über Vergangenheit, Gegenwart und Zukunft und transzendiert diese. Es handelt sich um einen Vergleich, eine Analogie, eine Metapher und nicht um die Wahrheit im wortwörtlichen Sinn. Wenn hier davon die Rede ist, dass jemand schlief und dann erwachte, so ist damit nicht das gängige Verständnis gemeint, sondern es bezeichnet den Übergang eines Zustands in einen anderen. Schlafen ist zum Beispiel der Zustand der Ruhe und Wachsein der Zustand der Bewegung. Schlafen ist der Zustand der Stille und Wachsein der Zustand der Äußerung. Schlafen ist der Zustand der Verborgenseins und Wachsein der Zustand Sichtbarwerdens.
So heißt es etwa im Persischen und Arabischen, dass die Erde schlief, dann der Frühling kam und die Erde erwachte, oder dass die Erde tot war, der Frühling kam und sie wieder lebendig wurde. Diese Ausdrucksweisen sind Vergleiche, Analogien und bildhafte Auslegungen und beziehen sich auf die innere Bedeutung.
Kurz gesagt, die Manifestationen Gottes waren immer leuchtende Wirklichkeiten und werden es immer sein, und in ihrem Wesen gibt es weder Wandel noch Veränderung. Sie sind allenfalls vor Ihrer Offenbarung ruhig und schweigsam, wie jemand, der schläft, und nach Ihrer Offenbarung sind sie beredt und strahlend, wie jemand, der wach ist.

Kapitel 17

Die Geburt Christi

Frage: Wie wurde Christus aus dem Heiligen Geist geboren?
Antwort: In dieser Frage widersprechen sich die geistig gesinnten und die materialistischen Philosophen. Die einen glauben, Christus sei aus dem Heiligen Geist geboren, während die anderen so etwas für unmöglich und unhaltbar erachten und der Auffassung sind, Er habe notwendigerweise einen menschlichen Vater gehabt.
Im Qur’án heißt es: »… da sandten Wir Unseren Geist zu ihr, und Er erschien ihr in Gestalt eines vollkommenen Menschen«A78, was bedeutet, dass der Heilige Geist menschliche Gestalt annahm, etwa wie ein Bild im Spiegel erscheint, und dann zu Maria sprach.
Die materialistischen Philosophen halten Paarung für unabdingbar und sagen, dass ein lebendiger Körper keinesfalls von einem leblosen Körper ins Dasein gebracht werden könne und ohne Vereinigung von Mann und Frau nicht entstehen könne. Sie sind der Ansicht, dass dies nicht nur bei Menschen, sondern auch bei Tieren und darüber hinaus sogar bei Pflanzen unmöglich sei. Denn eine Paarung von männlich und weiblich gebe es bei allen Tieren und Pflanzen. Sie argumentieren sogar, dass auch der Qur’án diese Paarung aller Dinge bestätige: »Preis sei dem, der all die Paare erschaffen hat: bei dem, was die Erde wachsen lässt, bei den Menschen selbst und bei dem, was sie nicht wissen!«A79; das heißt, Menschen, Tiere und Pflanzen existieren alle in Paaren. »Und von allem haben Wir ein Paar erschaffen«A80; das heißt, Wir haben alles Existierende in Paaren erschaffen.
Kurz, sie sagen, ein Mensch sei ohne menschlichen Vater undenkbar. Die geistig gesinnten Philosophen halten jedoch dagegen, so etwas sei nicht ausgeschlossen, nur weil es niemand beobachtet habe, und es gebe einen Unterschied zwischen dem Unmöglichen und dem, was lediglich nicht beobachtet wurde. Vor der Erfindung des Telegrafen, beispielsweise, war ein unmittelbarer Nachrichtenaustausch zwischen Ost und West unbekannt, aber nicht unmöglich; ebenso waren Fotografie und Tonaufzeichnung noch unbekannt, aber nicht unmöglich.
Die materialistischen Philosophen beharren auf ihrer Überzeugung, und die geistig gesinnten Philosophen antworten: »Besteht dieser Erdball ewig oder ist er entstanden?« Die materialistischen Philosophen antworten, dass er gesicherten wissenschaftlichen Erkenntnissen zufolge entstanden ist; dass er anfangs eine geschmolzene Kugel war, die allmählich abkühlte; dass sich eine Kruste darum gebildet hat; und dass auf dieser Erdkruste Pflanzen entstanden, dann Tiere und schließlich Menschen.
Die geistig gesinnten Philosophen sagen: »Aus Ihrer Aussage geht klar hervor, dass die menschliche Gattung auf dem Erdball entstanden und nicht ewig ist. Somit hatte der erste Mensch sicherlich weder Vater noch Mutter, denn die Existenz der Gattung Mensch hat einen zeitlichen Beginn. Was ist nun fraglicher: dass der Mensch, wenn auch allmählich, ohne Vater und Mutter entsteht, oder dass er ohne Vater ins Dasein tritt? Wenn du zugibst, dass der erste Mensch ohne Vater und ohne Mutter entstanden ist, sei es allmählich oder in kurzer Zeit, kann es keinen Zweifel daran geben, dass auch ein Mensch ohne menschlichen Vater möglich und logisch nachvollziehbar ist. Man kann dies also nicht einfach als unmöglich zurückweisen und täte man es, so würde dies einen Mangel an Unvoreingenommenheit verraten. Wenn man zum Beispiel sagt, diese Lampe sei ohne Docht und ohne Öl angezündet worden, und dann sagt, dass es unmöglich sei, sie ohne Docht anzuzünden, dann verrät dies einen Mangel an Unvoreingenommenheit.« Christus hatte eine Mutter, aber der erste Mensch hatte nach den materialistischen Philosophen weder Vater noch Mutter.

Kapitel 18

Die Größe Christi

Frage: Welchen Vorteil und Nutzen hat es, vaterlos zu sein?
Antwort: Ein herausragender Mensch ist herausragend, mit oder ohne menschlichen Vater. Wäre es eine Tugend vaterlos zu sein, so würde Adam alle Propheten und Gesandten übertreffen, denn er hatte weder Vater noch Mutter. Was zu Größe und Ruhm beiträgt, ist der Strahlenglanz und die Ausgießung göttlicher Vollkommenheit. Die Sonne entstand aus Materie und Form, die man mit Vater und Mutter vergleichen kann, und doch ist sie absolute Vollkommenheit; die Dunkelheit dagegen hat weder Materie noch Form, weder Vater noch Mutter, und doch ist sie schiere Unvollkommenheit. Die Materie für das stoffliche Leben Adams war Staub, aber die Materie Abrahams war ein reiner Samen; und sicherlich steht ein reiner und guter Samen über Erde und Stein.
Ferner heißt es im Johannesevangelium 1:12–13: »Wie viele ihn aber aufnahmen, denen gab er Macht, Gottes Kinder zu werden: denen, die an seinen Namen glauben, die nicht aus menschlichem Geblüt noch aus dem Willen des Fleisches noch aus dem Willen eines Mannes, sondern aus Gott geboren sind.«A81 Aus diesem Vers des Johannes geht klar hervor, dass auch das Dasein der Apostel von einer geistigen Wirklichkeit und nicht etwa von einer materiellen Kraft ausgeht. Die Ehre und Größe Christi liegt nicht darin, dass Er keinen Vater hatte, sondern vielmehr in Seiner göttlichen Vollkommenheit, Seinen göttlichen Ausgießungen und Seinem göttlichen Strahlenglanz. Läge die Größe Christi in Seiner Vaterlosigkeit begründet, so wäre Adam noch bedeutender, denn er hatte weder Vater noch Mutter.
In der Thora heißt es: »Da machte Gott der Herr den Menschen aus Staub von der Erde und blies ihm den Odem des Lebens in seine Nase. Und so ward der Mensch ein lebendiges Wesen.«A82 Denke darüber nach, dass gesagt wird, Adam sei aus dem Geist des Lebens entstanden. Darüber hinaus beweist Johannes’ Äußerung über die Apostel, dass auch sie vom himmlischen Vater kommen. So ist klar erwiesen, dass die heilige Wirklichkeit – die wahre Existenz – eines jeden herausragenden Menschen von Gott ausgeht und ihr Dasein dem Odem des Heiligen Geistes zu verdanken hat.
Damit meine ich, wenn es die größte menschliche Errungenschaft wäre, vaterlos zu sein, so würde Adam alle übertreffen, denn er hatte weder Vater noch Mutter. Ist es besser, wenn ein Mensch aus lebendiger Materie oder aus Staub erschaffen wird? Sicher ist es besser, aus lebendiger Materie erschaffen zu sein. Christus jedoch wurde durch den Heiligen Geist geboren und kam durch ihn ins Dasein.
Kurz gesagt, die Ehre und Herrlichkeit dieser geheiligten Seelen, der Manifestationen Gottes, beruht auf ihrer Vollkommenheit, ihren Ausgießungen und ihrem Strahlenglanz, die alle dem Himmel entstammen, und auf nichts anderem.

Kapitel 19

Wahre Taufe

In Matthäus 3:13–15 heißt es: »Zu der Zeit kam Jesus aus Galiläa an den Jordan zu Johannes, dass er sich von ihm taufen ließe. Aber Johannes wehrte ihm und sprach: Ich bedarf dessen, dass ich von dir getauft werde, und du kommst zu mir? Jesus aber antwortete und sprach zu ihm: Lass es jetzt zu! Denn so gebührt es uns, alle Gerechtigkeit zu erfüllen. Da ließ er’s ihm zu.«
Frage: Warum bedurfte Christus angesichts Seiner angeborenen Vollkommenheit der Taufe und was war die Weisheit dahinter?
Antwort: Das Wesen der Taufe ist die Reinigung durch Reue. Johannes warnte und ermahnte die Menschen, sorgte dafür, dass sie bereuen und taufte sie dann. So ist diese Reinigung offensichtlich ein Symbol der Abkehr von jeglicher Sünde, als ob man sagte: »O Gott! So wie mein Körper von Schmutz gesäubert und gereinigt worden ist, so reinige und heilige auch meinen Geist von den Verunreinigungen der Welt der Natur, die Deiner göttlichen Schwelle unwürdig sind.« Reue ist die Rückkehr von der Widerspenstigkeit zum Gehorsam. Erst nachdem der Mensch Entfremdung und Entbehrung von Gott erlebt hat, bereut er und reinigt sich. Diese Reinigung ist somit ein Symbol, das besagt: »O Gott! Mache mein Herz gut und rein, reinige und heilige es von allem außer Deiner Liebe.«
Da Christus wünschte, dass dieser von Johannes eingeführte Brauch zu jener Zeit von allen praktiziert werde, unterwarf Er sich ihm, auf dass Menschen erweckt und das aus der früheren Religion hervorgegangene Gesetz erfüllt würde. Denn obwohl dieser Brauch von Johannes eingeführt wurde, stellte er in Wirklichkeit die Reinigung durch Reue dar, die in allen göttlichen Religionen praktiziert wurde.
Christus bedurfte der Taufe nicht, aber Er unterzog sich ihr, weil diese Handlung damals vor Gott lobenswert und annehmbar war und die frohe Botschaft des Gottesreiches ankündigte. Später verkündete Er jedoch, dass die wahre Taufe nicht mit stofflichem Wasser, sondern mit Geist und Wasser erfolgen müsse, und an anderer Stelle sprach Er von Geist und Feuer.A83 Was hier mit »Wasser« gemeint ist, ist kein stoffliches Wasser, denn an anderer Stelle wird ausdrücklich gesagt, dass die Taufe durch Geist und Feuer erfolgen muss, und Letzteres macht deutlich, dass es sich nicht um stoffliches Feuer und Wasser handelt, da eine Taufe mit Feuer unmöglich ist.
Mit »Geist« ist göttliche Gnade gemeint, mit »Wasser« Wissen und Leben und mit »Feuer« die Liebe Gottes. Stoffliches Wasser reinigt nämlich nicht das Herz des Menschen, sondern seinen Körper. Das Herz des Menschen aber wird durch himmlisches Wasser und Geist, das für Wissen und Leben steht, geläutert und gereinigt. Mit anderen Worten, das Herz, das an der ausströmenden Gnade des Heiligen Geistes teilhat und geheiligt wird, wird gut und rein. Die menschliche Wirklichkeit soll so von Verunreinigungen durch die Welt der Natur – von schändlichen Eigenschaften wie Zorn, Lust, Weltlichkeit, Stolz, Unehrlichkeit, Heuchelei, Betrug, Eigenliebe und vielem mehr – gereinigt und geheiligt werden.
Der Mensch kann sich ohne die bestätigende Gnade des Heiligen Geistes nicht selbst vom Ansturm eitler und selbstsüchtiger Wünsche befreien. Deshalb heißt es, dass die Taufe mit dem Geist, mit Wasser und Feuer erfolgen muss, das heißt mit dem Geist der göttlichen Gnade, mit dem Wasser des Wissens und des Lebens und mit dem Feuer der Liebe Gottes. Mit diesem Geist, diesem Wasser und diesem Feuer muss der Mensch getauft werden, damit er der ewigen Gnade teilhaftig werden kann. Denn welcher Nutzen liegt darin, mit stofflichem Wasser getauft zu werden? Nein, diese Taufe mit Wasser stand in Wirklichkeit für Reue und für den Wunsch nach Vergebung der Sünden.
In der Sendung Bahá’u’lláhs jedoch ist diese symbolische Handlung nicht mehr nötig, denn ihre Wirklichkeit – mit dem Geist und der Liebe Gottes getauft zu werden – ist erwiesen und als wahr erkannt.

Kapitel 20

Die Taufe und der Wandel des göttlichen Gesetzes

Frage: Ist die Reinigung durch Taufe nützlich und notwendig, oder ist sie nutzlos und unnötig? Wenn Ersteres gilt, warum wurde sie trotz ihrer Notwendigkeit aufgehoben? Und wenn Letzteres gilt, warum hat Johannes sie praktiziert, obwohl sie unnötig ist?
Antwort: Wechsel und Wandel der Verhältnisse sowie Abfolge und Umwälzung von Zeitaltern gehören zu den notwendigen Wesensmerkmalen der bedingten Welt, und diese notwendigen Wesensmerkmale können nicht von der Wirklichkeit der Dinge getrennt werden. So ist es unmöglich, Hitze von Feuer, Nässe von Wasser oder Strahlen von der Sonne zu trennen, denn das sind notwendige Wesensmerkmale. Und da Wechsel und Wandel zu den Erfordernissen von allem Bedingten gehören, ändern sich auch die Gebote Gottes entsprechend dem Wandel der Zeit. Zum Beispiel war in den Tagen Mose Sein Gesetz notwendig und stimmte mit den damals herrschenden Verhältnissen überein. Doch in den Tagen Christi hatten sich die Verhältnisse so geändert, dass das mosaische Gesetz nicht mehr angemessen war und den Bedürfnissen der Menschheit nicht mehr gerecht wurde, und deshalb wurde es aufgehoben. So brach Christus den Sabbat und verbot die Scheidung. Nach Ihm erlaubten vier Jünger, darunter Petrus und Paulus, den Verzehr tierischer Speisen, die in der Thora verboten waren, ausgenommen davon war der Verzehr von Fleisch strangulierter Tiere, von Opfergaben für Götzen und von Blut. Sie verboten auch die Unzucht.A84 Demnach behielten sie diese vier Gebote bei. Später erlaubte Paulus das Essen von strangulierten Tieren, von Tieren, die Götzen geopfert wurden und von Blut, aber er behielt das Verbot der Unzucht bei. So schreibt er in Römer 14:14: »Ich weiß und bin gewiss in dem Herrn Jesus, dass nichts unrein ist an sich selbst; nur für den, der es für unrein hält, für den ist es unrein.« Außerdem steht in Titus 1:15 geschrieben: »Den Reinen ist alles rein; den Unreinen aber und Ungläubigen ist nichts rein, sondern unrein ist beides, ihr Sinn und ihr Gewissen.«
Nun war dieser Wandel, diese Veränderung und Aufhebung darauf zurückzuführen, dass das Zeitalter Christi mit dem des Mose nicht vergleichbar war. Die Verhältnisse und Anforderungen hatten sich völlig geändert und deshalb wurden die früheren Gebote aufgehoben.
Der Körper der Welt kann mit dem eines Menschen verglichen werden, und die Propheten und Gesandten Gottes mit fähigen Ärzten. Ein Mensch bleibt nicht immer im gleichen Zustand. Es treten unterschiedliche Beschwerden auf, die jeweils ein bestimmtes Heilmittel erfordern. So behandelt ein fähiger Arzt nicht alle Beschwerden auf gleiche Weise, sondern er passt Behandlung und Heilmittel den verschiedenen Beschwerden und dem jeweiligen Zustand an. Eine Person kann schwer an einer Erkrankung leiden, die durch Überhitzung hervorgerufen wird. Der fähige Arzt wird dann zwangsläufig kühlende Medikamente verabreichen.A85 Wenn sich zu einem anderen Zeitpunkt der Zustand dieser Person ändert und die Hitze einem Übermaß an Kälte weicht, wird der Arzt natürlich die kühlende Arznei beiseitelassen und eine wärmende verschreiben. Dieser Wechsel und Wandel hängt vom Zustand des Patienten ab und beweist offenkundig das Geschick des Arztes.
Betrachte folgendes Beispiel: Könnte das Gesetz der Thora in der heutigen Zeit umgesetzt werden? Nein, bei Gott! Das wäre völlig unmöglich, und aus diesem Grund war es notwendig, dass Gott zur Zeit Christi das Gesetz der Thora aufgehoben hat. Bedenken Sie, dass auch in den Tagen Johannes des Täufers die Reinigung durch die Taufe dazu diente, die Menschen zu erwecken, zu ermahnen und sie dazu zu bewegen, alle Sünden zu bereuen und das Kommen des Reiches Christi zu erwarten. Aber heutzutage tauchen Katholiken und Orthodoxe in Asien Säuglinge in eine Mischung aus Wasser und Olivenöl, so dass einige durch diese Strapaze krank werden und während der Taufe zittern und sich wehren. Andernorts sprenkelt der Priester das Taufwasser auf die Stirn. Aber in keinem der beiden Fälle führt das bei diesen Kindern zu irgendwelchen geistigen Empfindungen. Wozu soll es also gut sein? Andere Völker fragen sich, warum das Kind ins Wasser getaucht wird, da dies weder geistiges Bewusstsein noch Glauben noch Erweckung verleiht, sondern lediglich ein Brauch ist, der befolgt wird. In der Zeit von Johannes dem Täufer war es aber nicht so: Johannes ermahnte zuerst die Menschen, brachte sie dazu, ihre Sünden zu bereuen und rief sie auf, das Kommen Christi zu erwarten. Alle durch die Taufe Geläuterten bereuten sodann mit größter Bescheidenheit und Demut ihre Sünden, säuberten und reinigten auch ihren Leib von äußeren Verunreinigungen und erwarteten voller Sehnsucht Tag und Nacht und jeden Augenblick das Kommen Christi und die Aufnahme in Sein Reich.
Kurz gesagt, gemeint ist hier, dass Wechsel und Wandel in den Bedingungen und Erfordernissen der Zeit die Ursache für die Aufhebung religiöser Gesetze ist, denn die Zeit kommt, da diese früheren Gebote nicht mehr den herrschenden Bedingungen entsprechen. Bedenke, wie sehr sich die Anforderungen der Neuzeit von denen der Antike und des Mittelalters unterscheiden! Könnten die Gebote früherer Jahrhunderte in dieser jüngeren Zeit erlassen werden? Ganz offensichtlich wäre dies völlig unmöglich. Ebenso wird das, was heute notwendig ist, nach Ablauf vieler Jahrhunderte nicht mehr den Bedürfnissen jenes künftigen Zeitalters entsprechen und Änderung und Wandel werden unvermeidlich sein.
In Europa werden die Gesetze laufend verändert und angepasst. Wie zahlreich sind die Gesetze, die einst in den europäischen Rechtssystemen und Regelwerken existierten und die inzwischen außer Kraft gesetzt wurden! Diese Veränderungen sind auf den Wandel des Denkens, der Gepflogenheiten und der Lebensbedingungen zurückzuführen, und ohne sie wäre das Wohlergehen der Menschenwelt gestört.
Zum Beispiel verhängt die Thora das Todesurteil für den, der den Sabbat bricht. Die Thora sieht sogar in zehn Fällen die Todesstrafe vor. Könnten diese Gebote in unserer Zeit angewandt werden? Es liegt auf der Hand, dass dies völlig unmöglich wäre. So wurden sie geändert und abgewandelt, und allein dieser Wechsel und Wandel der Gesetze stellt einen hinreichenden Beweis für die vollendete Weisheit Gottes dar.
Über dieses Thema muss man tief nachdenken, und der Grund dafür ist klar und deutlich. Gut steht es um die, die nachdenken!

Kapitel 21

Brot und Wein

Frage: Christus sagte: »Ich bin das lebendige Brot, das vom Himmel gekommen ist. Wer von diesem Brot isst, wird leben in Ewigkeit.«A86 Was bedeutet diese Äußerung?
Antwort: Mit diesem Brot ist die himmlische Nahrung göttlicher Vollkommenheit gemeint. Mit anderen Worten, wem diese Nahrung zuteilwird – das heißt, wer die göttliche Gnadenfülle erlangt, wer Erleuchtung aus Seinem Licht zieht und seinen Anteil an der Vollkommenheit Christi erhält, der wird ewiges Leben erlangen. Mit Blut ist wiederum der Geist des Lebens gemeint, der aus göttlicher Vollkommenheit, himmlischem Glanz und ewiger Gnade besteht. Denn jeder Teil des Körpers erhält seine Lebenskraft aus dem Blutkreislauf.
In Johannes 6:26 heißt es: »Ihr sucht mich nicht, weil ihr Zeichen gesehen habt, sondern weil ihr von dem Brot gegessen habt und satt geworden seid.« Offensichtlich waren die Brotlaibe, von denen die Jünger aßen und satt wurden, die himmlische Gnade, denn in Vers 33 desselben Kapitels heißt es: »Denn dies ist das Brot Gottes, das vom Himmel kommt und gibt der Welt das Leben.« Offensichtlich kam der Leib Christi nicht vom Himmel herab, sondern wurde aus dem Schoß Marias geboren: Was vom Himmel Gottes herabkam, war der Geist Christi. In der Annahme, dass Christus von Seinem Leib sprach, brachten die Juden den Einwand, wie in Vers 42 desselben Kapitels geschrieben steht: »Ist dieser nicht Jesus, Josefs Sohn, dessen Vater und Mutter wir kennen? Wie kann er jetzt sagen: Ich bin vom Himmel gekommen?«
Bedenke, wie eindeutig es ist, dass Christus mit dem himmlischen Brot Seinen Geist, Seine vielfältige Gunst, Seine Vollkommenheit und Seine Lehren meinte; denn in Vers 63 des besagten Kapitels heißt es: »Der Geist ist’s, der da lebendig macht; das Fleisch ist nichts nütze.«
Somit ist klar geworden, dass der Geist Christi eine göttliche Gabe war, die vom Himmel herabkam, und dass jeder, der die Ausgießungen dieses Geistes empfängt, also dessen himmlische Lehren annimmt, ewiges Leben erlangt. So heißt es in Vers 35: »Jesus aber sprach zu ihnen: Ich bin das Brot des Lebens. Wer zu mir kommt, den wird nicht hungern; und wer an mich glaubt, den wird nimmermehr dürsten.«
Beachte, dass Er »zu Ihm kommen« als Essen und »an Ihn glauben« als Trinken bezeichnet. Somit ist klar erwiesen, dass die himmlische Nahrung aus göttlichen Gaben, geistigem Strahlenglanz, himmlischen Lehren und allumfassenden Wahrheiten Christi besteht, und essen bedeutet, Ihm näher zu kommen und trinken bedeutet, an Ihn zu glauben. Denn Christus hatte sowohl einen stofflichen als auch einen himmlischen Körper. Der stoffliche Körper wurde gekreuzigt, aber der himmlische ist lebendig, ewig und die Quelle unvergänglichen Lebens. Der stoffliche Körper war Seine menschliche Natur und der himmlische Körper Seine göttliche Natur. Gütiger Gott! Manche wähnen, das Brot des Abendmahls sei die Wirklichkeit Christi, und das Göttliche und der Heilige Geist seien darin verkörpert und gegenwärtig, obwohl das Abendmahl, nachdem es eingenommen wurde, sich in wenigen Minuten völlig auflöst und verwandelt. Wie kann man zu solch einem Fehlschluss gelangen? Ich bitte Gott um Vergebung für einen solch groben Irrtum!
Diese Worte besagen, dass durch die Manifestation Christi die heiligen Lehren – diese immerwährende Gnade – weithin verbreitet wurden, das Licht der Führung erstrahlte und der Geist des Lebens den Menschen verliehen wurde. Wer recht geleitet wurde, fand Leben und wer auf dem Irrweg blieb, fiel dem endgültigen Tod anheim. Der himmlische Leib Christi und das, woraus Seine Geistigkeit bestand, war das Brot, das vom Himmel herabkam, wovon die Jünger aßen und wodurch sie ewiges Leben erlangten.
Die Jünger hatten so oft Speisen aus der Hand Christi erhalten; warum wurde dann das letzte Abendmahl hervorgehoben? Mit dem himmlischen Brot ist also offensichtlich nicht dieses stoffliche Brot gemeint, sondern die göttliche Speise des geistigen Leibes Christi, das heißt, die göttliche Gnade und die himmlische Vollkommenheit, an denen Seine Jünger teilhatten und die sie erfüllte.
Bedenke auch, dass Christus, als Er das Brot segnete und es Seinen Jüngern gab und sagte: »Das ist Mein Leib«A87, deutlich sichtbar persönlich und körperlich unter ihnen anwesend war und nicht in Brot und Wein verwandelt wurde. Wäre Er selbst zu Brot und Wein geworden, so hätte Er nicht deutlich sichtbar körperlich und persönlich unter ihnen anwesend bleiben können.
Daher ist klar, dass Brot und Wein Symbole waren, die bedeuteten: Meine Gunst und Meine Vollkommenheit wurden euch gegeben, und da ihr dieser vielfältigen Gunst teilhaftig wurdet, habt ihr immerwährendes Leben erlangt und euren Anteil an der himmlischen Speise empfangen.

Kapitel 22

Die Wunder Christi

Frage: Christus wurden gewisse Wunder zugeschrieben. Sind diese Berichte wörtlich zu verstehen oder haben sie andere Bedeutungen? Denn durch gründliche Forschungen ist belegt, dass sich das innere Wesen der Dinge nicht wandelt, dass alles Erschaffene einem universellen Gesetz und Ordnungsgefüge unterliegt, von dem es unmöglich abweichen kann, und dass demzufolge nichts gegen dieses universelle Gesetz verstoßen kann.
Antwort: Die Manifestationen Gottes sind Ursprung erstaunlicher Zeichen und Wunder. Was schwierig oder ausgeschlossen scheint, ist für sie machbar und zulässig. Denn Sie vollbringen außergewöhnliche Taten durch eine außergewöhnliche Macht und beeinflussen die Natur durch Kräfte, die über die Natur hinausgehen. Jede von Ihnen hat Wunder bewirkt.
In den Heiligen Schriften wird indessen eine besondere Ausdrucksweise verwendet, und in den Augen der Manifestationen Gottes sind diese Zeichen und Wunder ohne Bedeutung – sodass Sie deren Erwähnung nicht einmal als wünschenswert erachten. Denn selbst wenn diese Wunder als unschlagbare Beweise gelten würden, so wären sie doch nur für Augenzeugen ein gültiger Beweis, nicht für die Abwesenden.
Wenn zum Beispiel einem nicht gläubigen Fragesteller von den Wundern Mose und Christi berichtet würde, so würde er sie abstreiten und sagen: »Wunder wurden seit ewigen Zeiten auch bestimmten Götzen durch das Zeugnis einer Vielzahl von Menschen zugeschrieben und in Büchern festgehalten. So haben die Brahmanen ein ganzes Buch über die Wunder Brahmas zusammengestellt.« Der Fragesteller würde dann sagen: »Wie können wir wissen, dass die Juden und Christen die Wahrheit sagen und die Brahmanen lügen? Beide Berichte beruhen auf Überlieferungen, beide werden weithin akzeptiert und beide sind in einem Buch festgehalten. Jeder kann als glaubwürdig oder als unglaubwürdig angesehen werden. Wie bei jedem anderen Bericht gilt: Wenn einer wahr ist, müssen beide wahr sein; wenn einer angenommen wird, müssen beide angenommen werden.« Wunder können daher kein schlüssiger Beweis sein, denn selbst wenn sie gültige Beweise für die Augenzeugen sind, können sie jene nicht überzeugen, die nicht dabei waren.
Doch am Tag der Offenbarung Gottes werden die Einsichtigen alles, was mit dem Offenbarer zusammenhängt, als Wunder ansehen. Denn all dies hebt sich von allem anderen ab, und diese Besonderheit ist an sich schon ein wahres Wunder. Überlege, wie Christus allein und eigenständig, ohne Helfer oder Beschützer, ohne Legionen oder Streitkräfte und mit äußerster Sanftmut das Banner Gottes vor allen Völkern der Welt hisste, wie Er ihnen widerstand und wie Er sie schließlich alle unterwarf, auch wenn Er augenscheinlich gekreuzigt wurde. Nun, dies ist ein wahres Wunder, das keineswegs geleugnet werden kann. Tatsächlich bedarf die Wahrheit Christi keines weiteren Beweises.
Die sichtbaren Wunder sind für die Anhänger der Wahrheit bedeutungslos. Ein Blinder zum Beispiel, der zum Sehen gebracht wird, wird am Ende wiederum sein Augenlicht verlieren, denn er wird sterben und seiner Sinne und Fähigkeiten beraubt sein. Es ist also nicht von bleibender Bedeutung, Blinde zum Sehen zu bringen, da die Sehkraft am Ende zwangsläufig wieder schwindet. Und wenn ein Leichnam wiederbelebt wird, was wird dadurch gewonnen, da er am Ende wieder sterben muss? Wichtig ist, wahre Erkenntnis und immerwährendes Leben zu verleihen, d.h. ein geistiges und göttliches Leben; denn dieses stoffliche Leben wird nicht bestehen bleiben und sein Dasein ist gleichbedeutend mit Nichtsein. Wie Christus einem Seiner Jünger zur Antwort gab: »Lass die Toten ihre Toten begraben!«, denn »Was aus dem Fleisch geboren ist, das ist Fleisch; und was aus dem Geist geboren ist, das ist Geist.«A88
Bedenke, dass Christus jene für tot erachtete, die doch augenscheinlich körperlich lebendig waren; denn das wahre Leben ist das ewige Leben und die wahre Existenz ist die geistige Existenz. Wenn also in den Heiligen Schriften von der Auferweckung der Toten die Rede ist, dann bedeutet das, dass sie das immerwährende Leben erlangt haben; wenn es heißt, dass ein Blinder sehend wurde, dann ist die Bedeutung dieser Sehkraft die wahre Erkenntnis; wenn es heißt, dass ein Gehörloser hörend wurde, dann bedeutet das, dass er ein inneres Ohr und geistiges Hörvermögen erlangt hat. Dies geht aus dem Text des Evangeliums hervor, wo Christus sagt, sie seien wie jene, über die Jesaja einst bemerkte, sie haben Augen und sehen nicht, sie haben Ohren und hören nicht; und Er heile sie.A89
Das soll nicht heißen, dass die Manifestationen Gottes keine Wunder vollbringen können, denn das liegt sehr wohl in Ihrer Macht. Aber in Ihren Augen ist allein das innere Sehen, das geistige Hören und das ewige Leben von Bedeutung. Wo immer also in den Heiligen Schriften berichtet wird, dass jemand blind war und sehend wurde, bedeutet das, dass er innerlich blind war und geistige Einsicht gewann oder dass er unwissend war und zur Erkenntnis gelangte oder achtlos war und aufmerksam wurde oder der Welt verhaftet war und seinen Sinn auf das Himmlische richtete.
Da dieses innere Sehen, Hören, Leben und Heilen ewig währt, ist es wirklich wichtig. Welche Bedeutung, welchen Wert und Nutzen können demgegenüber bloßes tierisches Leben und dessen Kräfte besitzen? In wenigen Tagen wird es vorübergehen wie eine flüchtige Laune. Wenn man zum Beispiel eine Lampe anzündet, wird sie bald darauf wieder erlöschen, das Licht der Sonne hingegen strahlt immerzu und das ist es, worauf es ankommt.

Kapitel 23

Die Auferstehung Christi

Frage: Was bedeutet die Auferstehung Christi nach drei Tagen?
Antwort: Die Auferstehung der Manifestationen Gottes ist nicht die des Leibes. Alles, was Sie betrifft – Ihr jeweiliger Zustand und Ihre Lebensbedingungen, alles, was Sie tun, gründen, lehren, auslegen, veranschaulichen und verordnen – hat mystischen und geistigen Charakter und gehört nicht zum Reich der Materie.
So ist es auch beim Kommen Christi vom Himmel. An zahlreichen Stellen des Evangeliums heißt es ganz klar, dass der Menschensohn vom Himmel herabgekommen ist oder im Himmel ist oder in den Himmel aufsteigen wird. So heißt es in Johannes 6:38: »Denn ich bin vom Himmel gekommen« und in Johannes 6:42 steht geschrieben: »Und sie sprachen: Ist das nicht Jesus, der Sohn Josefs, dessen Vater und Mutter wir kennen? Wie kann er jetzt sagen: Ich bin vom Himmel herabgekommen?«, und in Johannes 3:13 heißt es: »Und niemand ist in den Himmel aufgestiegen außer dem, der vom Himmel herabgestiegen ist: der Menschensohn.«
Bedenke, wie gesagt wird, dass der Menschensohn im Himmel ist, obwohl Christus zu diesem Zeitpunkt auf der Erde weilte. Bedenke auch, dass es ausdrücklich heißt, dass Christus vom Himmel kam, obwohl Sein Leib aus dem Schoß Marias geboren wurde. Es ist daher klar, dass die Behauptung, der Menschensohn sei vom Himmel herabgekommen, eher eine mystische als eine wörtliche Bedeutung hat und eher ein geistiges als ein physisches Ereignis ist. Es soll bedeuten, dass Christus zwar aus dem Schoß Marias geboren wurde, aber in Wirklichkeit vom Himmel kam, dem Sitz der Sonne der Wahrheit, die in der göttlichen Welt des himmlischen Königreichs leuchtet. Und da feststeht, dass Christus aus dem geistigen Himmel des göttlichen Königreichs gekommen ist, muss sein dreitägiges Verschwinden unter der Erde eine mystische und keine wörtliche Bedeutung haben. Ebenso ist Seine Auferstehung aus dem Schoß der Erde eine mystische Angelegenheit und beschreibt kein physisches, sondern vielmehr ein geistiges Geschehen. Und Seine Himmelfahrt ist in ihrem Wesen ebenfalls geistig und nicht physisch.
Abgesehen davon hat die Wissenschaft festgestellt, dass der physische Himmel ein grenzenloser leerer Raum ist, in dem sich zahllose Sterne und Planeten bewegen.
Meine Deutung der Auferstehung Christi ist daher die Folgende: Nach dem Märtyrertod Christi waren die Apostel verwirrt und bestürzt. Die Wirklichkeit Christi, die in Seinen Lehren, Gnadengaben, Seiner Vollkommenheit und geistigen Kraft besteht, war nach Seinem Märtyrertod zwei oder drei Tage lang verborgen und trat nach außen nicht mehr in Erscheinung – es war, als wäre sie völlig verloren. Denn es gab nur ganz wenige, die wirklich glaubten, und selbst diese wenigen waren verwirrt und bestürzt. Die Sache Christi war somit wie ein lebloser Leib. Nach drei Tagen gewannen die Apostel an Festigkeit und Standhaftigkeit, erhoben sich die Sache Christi zu fördern, beschlossen die göttlichen Lehren zu verbreiten und den Weisungen ihres Herrn nachzukommen und bemühten sich Ihm zu dienen. Daraufhin erstrahlte die Wirklichkeit Christi und Seine Gnade, Seine Religion wurde neu belebt und Seine Lehren und Ermahnungen wurden deutlich sichtbar. Mit anderen Worten, die Sache Christi glich einem leblosen Körper und wurde zum Leben erweckt und von der Gnade des Heiligen Geistes umfangen.
Das ist die Bedeutung der Auferstehung Christi, und dies war eine wahre Auferstehung. Aber da die Priester die Bedeutung der Evangelien nicht erfassten und dieses Geheimnis nicht begriffen, wurde behauptet, dass die Religion der Wissenschaft widerspreche und die Wissenschaft mit der Religion unvereinbar sei, denn der Aufstieg Christi in einem physischen Körper zum sichtbaren Himmel steht, wie auch andere Dinge, im Widerspruch zur Naturwissenschaft. Aber wenn der wahre Hintergrund dieser Frage klargestellt und dieses Sinnbild erläutert ist, steht es in keiner Weise der Wissenschaft entgegen, vielmehr wird es von Wissenschaft und Vernunft bestätigt.

Kapitel 24

Das Herabsteigen des Heiligen Geistes auf die Apostel

Frage: In den Evangelien wird berichtet, dass der Heilige Geist auf die Apostel herabgestiegen sei. Wie geschah dieses Herabsteigen und welche Bedeutung hatte es?
Antwort: Das Herabsteigen des Heiligen Geistes ist nicht so, wie wenn Luft in den menschlichen Körper eintritt. Es ist weder ein genaues Bild noch ein Bericht, vielmehr ist es eine Metapher und Analogie. Damit ist gemeint, dass es dem Herabsteigen der Sonne in einen Spiegel gleicht, wenn ihr Strahlenglanz darin reflektiert wird.
Nach dem Tode Christi waren die Apostel verwirrt und uneins in ihren Gedanken und Meinungen; später aber wurden sie standhaft und einig. Zu Pfingsten versammelten sie sich, entsagten der Welt, gaben ihre eigenen Wünsche auf, verzichteten auf jedes irdische Wohl und Glück, opferten ihrem Geliebten Leib und Seele, verließen ihr Heim, trennten sich von all ihren Fürsorgepflichten und ihrem Hab und Gut und vergaßen sogar ihr eigenes Leben. Dann wurde ihnen göttlicher Beistand gewährt und die Kraft des Heiligen Geistes zeigte sich. Der Geist Christi obsiegte und die Liebe Gottes gewann die Oberhand. An jenem Tag empfingen sie göttliche Bestätigungen, jeder ging in eine andere Richtung, die Sache Gottes zu lehren und löste seine Zunge, um Beweise vorzubringen und Zeugnis abzulegen.
Das Herabsteigen des Heiligen Geistes bedeutet also, dass die Apostel zum messianischen Geist hingezogen wurden, Beständigkeit und Standhaftigkeit erlangten, durch den Geist der Liebe Gottes neues Leben fanden und in Christus ihren immerwährenden Helfer und Beschützer erkannten. Sie waren nur Tropfen und wurden zum Ozean; sie waren klägliche Mücken und wurden zu Adlern hoch am Himmel; sie waren schwach und wurden mit Kraft erfüllt. Sie waren wie der Sonne zugewandte Spiegel und die Strahlen und der Glanz der Sonne werden zweifellos darin reflektiert.

Kapitel 25

Der Heilige Geist

Frage: Was ist mit ›dem Heiligen Geist‹ gemeint?
Antwort: Mit ›dem Heiligen Geist‹ ist die überfließende Gnade Gottes und das leuchtende Strahlen gemeint, das von Seiner Manifestation ausgeht. So war Christus der Brennpunkt für die Strahlen der Sonne der Wahrheit, und von diesem mächtigen Mittelpunkt, der Wirklichkeit Christi, strahlte die Gnade Gottes auf die anderen Spiegel, die Wirklichkeit der Apostel.
Die Herabkunft des Heiligen Geistes auf die Apostel bedeutet, dass diese herrliche göttliche Gnade ihr Licht und ihren Glanz auf deren Wirklichkeit wirft. Im Übrigen sind Eintritt und Austritt, Abstieg und Verbleib Merkmale von Körpern, nicht von geistigen Wesen. Das heißt, Eintritt und Verbleib betreffen nur Wirklichkeiten, die mit den Sinnen wahrnehmbar sind, nicht aber intelligible Feinheiten. Und intelligible Wirklichkeiten wie Vernunft, Liebe, Erkenntnis, Vorstellungskraft und Denken treten nicht ein und aus, noch verbleiben sie, vielmehr bezeichnen sie Verbindungen.
Zum Beispiel ist Erkenntnis, die im Verstand Form annimmt, etwas Intelligibles, und es ist widersinnig zu sagen, es trete in den Verstand ein oder aus ihm heraus. Vielmehr ist die Verbindung ein Aufnehmen, so wie bei Bildern, die in einem Spiegel reflektiert werden.
Da intelligible Wirklichkeiten offensichtlich und erwiesenermaßen weder eintreten noch verbleiben, folgt daraus, dass der Heilige Geist in keiner Weise auf- oder absteigen, ein- oder austreten, sich vermischen oder verbleiben kann. Allenfalls erscheint er wie die Sonne im Spiegel.
Zudem ist an manchen Stellen in den Heiligen Schriften, wo auf den Geist angespielt wird, eine ganz bestimmte Person gemeint, so wie es im allgemeinen Sprachgebrauch heißt, dieser oder jener Mensch sei der Geist in Person oder er sei die Verkörperung der Barmherzigkeit und Freigebigkeit. In diesem Fall liegt das Hauptaugenmerk nicht auf der Lampe, sondern auf dem Licht.
So heißt es zum Beispiel in Johannes 16:12 in Bezug auf den Verheißenen, der nach Christus kommen wird: »Noch vieles habe ich euch zu sagen, aber ihr könnt es jetzt nicht tragen. Wenn aber jener kommt, der Geist der Wahrheit, wird er euch in der ganzen Wahrheit leiten. Denn er wird nicht aus sich selbst heraus reden, sondern er wird reden, was er hört.«
Nun achte genau darauf, dass die Worte »Denn er wird nicht aus sich selbst heraus reden, sondern er wird reden, was er hört« deutlich zum Ausdruck bringen, dass der Geist der Wahrheit von einem Menschen verkörpert wird, der eine Seele hat, der Ohren hat zu hören, und eine Zunge zu sprechen. Auch Christus wird ›Geist Gottes‹ genannt, in gleicher Weise, wie wir von Licht sprechen und damit sowohl das Licht als auch die Lampe meinen.

Kapitel 26

Die Wiederkunft Christi und der Tag des Gerichts

In den Heiligen Schriften steht geschrieben, dass Christus wiederkommen wird und dass Seine Wiederkunft von der Erfüllung bestimmter Zeichen abhängt: Wenn Er wiederkommt, werden Ihn diese Zeichen begleiten. Eines der Zeichen ist: »Die Sonne wird sich verfinstern und der Mond seinen Schein verlieren, und die Sterne werden vom Himmel fallen.« Zu dieser Zeit werden »alle Stämme der Erde wehklagen«, und »das Zeichen des Menschensohnes« wird »am Himmel erscheinen«, »und sie werden den Menschensohn kommen sehen auf den Wolken des Himmels mit großer Kraft und Herrlichkeit.«A90 Zu diesen Versen hat Bahá’u’lláh im Kitáb-i-Íqán eine ausführliche Auslegung gegeben, und wir müssen sie hier nicht wiederholen. Greife darauf zurück und du wirst ihre Bedeutung verstehen.A91
Im Folgenden möchte ich noch einige Worte zu diesem Thema sagen. Christus kam auch beim ersten Mal vom Himmel, wie es im Evangelium ausdrücklich heißt. Christus selbst sagt, der Menschensohn kam vom Himmel herab und der Menschensohn ist im Himmel: Und niemand ist in den Himmel aufgestiegen außer dem, der vom Himmel herabgestiegen ist.A92 So wird von allen anerkannt, dass Christus vom Himmel herabkam, obwohl Er dem äußeren Anschein nach aus dem Schoß Marias kam.
Ebenso wie Er das erste Mal in Seiner äußeren Erscheinung aus dem Schoß der Mutter kam, aber in Wirklichkeit vom Himmel, so wird Er auch das zweite Mal in Seiner äußeren Erscheinung aus dem Mutterleib kommen, aber in Wirklichkeit vom Himmel. Wie zuvor erläutert, sind die im Evangelium verzeichneten Bedingungen für die Wiederkunft Christi in der Tat dieselben, wie die für Sein erstes Kommen.
Das Buch Jesaja verkündet, dass der Messias den Osten und den Westen erobern wird, dass sich alle Nationen der Erde unter Seinem Schatten versammeln werden, dass Sein Königreich errichtet wird, dass Er von einem unbekannten Ort kommen wird, dass die Sünder gerichtet werden und dass die Gerechtigkeit so weit obsiegen wird, dass der Wolf und das Lamm, der Leopard und das Böckchen, der Säugling und die Viper sich alle an einer Quelle, auf einer Aue und in einer Wohnstätte versammeln werden. Auch das erste Kommen geschah unter diesen Bedingungen, wenngleich keine von ihnen sichtbar eintrat. So bekrittelten die Juden Christus. Sie nannten Ihn – Gott bewahre – ein UngeheuerA93 und betrachteten Ihn als Zerstörer des Bauwerks Gottes, als Sabbat- und Gesetzesbrecher und erwirkten Sein Todesurteil. Nun hat jede einzelne dieser Bedingungen eine innere Bedeutung, aber den Juden fehlte dafür das Verständnis, daher blieb ihnen verwehrt Ihn zu erkennen.
Die Wiederkunft Christi folgt einem ähnlichen Muster. Alle dargelegten Zeichen und Bedingungen haben eine innere Bedeutung und sind nicht wörtlich zu nehmen. So heißt es unter anderem, dass die Sterne auf die Erde fallen werden. Es gibt jedoch unzählige Sterne und heutige Mathematiker haben den wohlbegründeten Nachweis erbracht, dass die Masse der Sonne etwa anderthalb Millionen Mal größer ist als die der Erde, und dass jeder Fixstern tausendmal größer als die Sonne ist. Wenn diese Sterne auf die Erdoberfläche fallen würden, wie könnte dort Platz für sie sein? Es wäre, als ob tausend Millionen Berge, so gewaltig wie der Himalaya, auf ein Senfkorn fallen würden. So etwas ist gemäß der Vernunft und Wissenschaft – und allein schon dem gesunden Menschenverstand zufolge – völlig unmöglich. Und noch erstaunlicher ist, dass Christus sprach: Vielleicht werde ich kommen, wenn ihr schlaft, denn das Kommen des Menschensohnes gleicht dem Kommen eines Diebes.A94 Vielleicht ist der Dieb im Haus und der Besitzer ist sich dessen nicht bewusst.
Deshalb ist klar und offensichtlich, dass diese Zeichen innere Bedeutungen haben und nicht wörtlich genommen werden dürfen. Diese Bedeutungen wurden ausführlich im Kitáb-i-Íqán erklärt, greife darauf zurück.

Kapitel 27

Die Trinität

Frage: Was ist die Bedeutung der Trinität und ihrer drei Personen?
Antwort: Die Wirklichkeit des Göttlichen ist geheiligt und erhaben über das Begreifen alles Erschaffenen; sterblicher Geist und Verstand kann sich kein Bild von ihr machen und sie übersteigt jede menschliche Vorstellung. Diese Wirklichkeit lässt keine Teilung zu, denn Teilung und Vervielfältigung gehören zu den Merkmalen des erschaffenen und damit bedingten Seins und sind keine Vorgänge, die auf das Notwendigerweise Existierende Sein einwirken könnten.
Die göttliche Wirklichkeit ist über Einzigkeit geheiligt – wie viel mehr über Vielheit. Denn ein Herabsteigen dieser göttlichen Wirklichkeit auf Ebenen und Stufen wäre gleichbedeutend mit Unzulänglichkeit, es wäre der Vollkommenheit entgegengesetzt und schlechthin unmöglich. Sie war immer auf den höchsten Höhen der Heiligkeit und Reinheit und wird immer dort bleiben. Alles, was in Bezug auf die Erscheinung und Offenbarung Gottes erwähnt wurde, bezieht sich auf den Glanz Seines Lichts und nicht auf einen Abstieg auf die Stufe des Daseins.
Gott ist reine Vollkommenheit und die Schöpfung absolute Unvollkommenheit. Stiege Gott auf die Stufe des Daseins herab, so wäre das die größte aller Unvollkommenheiten; vielmehr ist Sein Sichtbarwerden, Heraufdämmern und Erstrahlen vergleichbar mit dem Erscheinen der Sonne in einem klaren, glänzenden und polierten Spiegel.
Alle erschaffenen Dinge sind strahlende Zeichen Gottes. So scheinen die Sonnenstrahlen auf alles Irdische, doch fällt nur so viel Licht auf Ebenen, Berge, Bäume und Früchte, dass alles sichtbar ist, alles wachsen kann und seinen Daseinszweck erfüllt. Der Vollkommene Mensch indessen ist mit einem klaren Spiegel vergleichbar, in dem sich die Sonne der Wahrheit in der Fülle ihrer Eigenschaften und in aller Vollkommenheit offenbart. Dementsprechend war die Wirklichkeit Christi ein blank polierter Spiegel von höchster Reinheit und Klarheit. Die Sonne der Wahrheit, das Wesen des Göttlichen, erschien in diesem Spiegel und offenbarte ihr Licht und ihre Hitze darin, aber sie stieg nicht von den geweihten Höhen und vom Himmel der Heiligkeit herab, um darin zu wohnen. Nein, sie verbleibt in ihrer erhabenen Höhe, offenbart sich aber im Spiegel in all ihrer Schönheit und Vollkommenheit.
Wenn wir nun sagen, dass wir die Sonne in zwei Spiegeln gesehen haben – einer davon Christus und der andere der Heilige Geist – oder, mit anderen Worten, dass wir drei Sonnen gesehen haben – eine im Himmel und zwei auf der Erde –, dann sprechen wir die Wahrheit. Und würden wir sagen, es gibt nur eine Sonne, die in ihrer absoluten Einzigkeit keinen Ebenbürtigen oder Partner hat, dann entspräche das wiederum der Wahrheit.
Damit soll zum Ausdruck gebracht werden, dass die Wirklichkeit Christi ein klarer Spiegel war, in dem die Sonne der Wahrheit – also das göttliche Wesen – erschien und in unendlicher Vollkommenheit und mit grenzenlosen Eigenschaften erstrahlte. Es ist nicht so, dass die Sonne, die das Wesen der Göttlichkeit darstellt, jemals geteilt oder vervielfacht wurde – sie bleibt nur eine – aber sie manifestierte sich im Spiegel. Deshalb sagte Christus: »Der Vater ist im Sohn«, was bedeutet, dass jene Sonne in diesem Spiegel offenbar und sichtbar erstrahlt.
Der Heilige Geist ist die Gnade Gottes, die sich in der Wirklichkeit Christi offenbart und manifestiert hat. Die Sohnschaft ist die Ebene des Herzens Christi, während der Heilige Geist die Ebene Seines Geistes ist. Es ist also klar erwiesen, dass das Wesen des Göttlichen absolute Einheit ist ohne jede Gleichrangigkeit, Ebenbürtigkeit oder Ähnlichkeit.
Dies ist die wahre Bedeutung der drei Personen der Trinität. Andernfalls würden die Grundlagen der Religion Gottes auf einer unlogischen Annahme beruhen, die kein Verstand sich jemals vorstellen kann; und wie könnte vom Verstand gefordert werden etwas zu glauben, was er sich nicht vorstellen kann? So etwas könnte die menschliche Vernunft nicht begreifen, wie viel weniger könnte es in eine intelligible Form gefasst werden; es würde bloße Einbildung bleiben.
Nun, mit dieser Erklärung wird die Bedeutung der drei Personen der Trinität verdeutlicht und zugleich das Eins-Sein Gottes festgestellt.

Kapitel 28

Die Präexistenz Christi

Frage: Welche Bedeutung hat der folgende Vers im Johannes-Evangelium: »Und nun, Vater, verherrliche du mich bei dir mit der Herrlichkeit, die ich bei dir hatte, ehe die Welt war.«A95
Antwort: Es gibt zwei Arten der Präexistenz. Die eine ist die Präexistenz im Wesen, der keine Ursache vorausgeht, sondern die durch sich selbst existiert. Zum Beispiel scheint die Sonne aus sich selbst und braucht für ihr Licht nicht die Strahlen der anderen Sterne. Das wird wesenhaftes Licht genannt. Das Licht des Mondes hingegen stammt von der Sonne, denn der Mond braucht die Sonne um zu leuchten. Auf das Licht bezogen ist somit die Sonne die Ursache und der Mond die Wirkung. Die Erste ist sehr alt, ihre Ursprünge liegen weit zurück, vor allem anderen, während bei Letzterem schon etwas vorher existierte.
Die zweite Art der Präexistenz ist die zeitliche Präexistenz, die keinen Anfang hat. Das transzendente Wort Gottes ist über die Zeit geheiligt. Vor Gott ist Vergangenheit, Gegenwart und Zukunft das Gleiche. Für die Sonne gibt es kein Gestern, Heute oder Morgen.
Auch im Hinblick auf Ehre und Auszeichnung gibt es eine Rangordnung; das heißt, das am höchsten Ausgezeichnete überragt das Ausgezeichnete. So überragt die Wirklichkeit Christi – das Wort Gottes – zweifellos alles Erschaffene in Bezug auf Wesen, Eigenschaften und Auszeichnung. Vor seinem Auftreten in Menschengestalt befand sich das Wort Gottes in einem Zustand höchster Heiligkeit und Herrlichkeit und weilte in vollkommener Schönheit und Pracht auf der Höhe seiner Majestät. Als dieses Wort durch die Weisheit des Allerhöchsten sein Licht vom Gipfel der Herrlichkeit auf die körperliche Welt ergoss, erfuhr es Angriffe durch das Fleisch. So fiel es in die Hände der Juden, wurde zum Gefangenen der Unwissenden und Ungerechten und wurde schließlich gekreuzigt. Deshalb rief Er zu Gott: Befreie Mich von den Fesseln des Körperlichen, erlöse Mich von diesem Käfig, damit Ich zu den Höhen der Größe und Majestät aufsteigen und die einstige Heiligkeit und Herrlichkeit wiedererlangen kann, derer Ich Mich erfreute, bevor die Welt des Fleisches zu Meiner Wohnstatt wurde; lass Mich frohlocken im ewigen Reiche und Meinen Flug nehmen zu Meiner wahren Wohnstätte, dem Reich des Raumlosen im ungeschauten Königreich.
Wie du gesehen hast, hat sich die Größe und Herrlichkeit Christi nach Seinem Aufstieg sowohl im Reich der Herzen als auch über die Grenzen der Erde hinweg und selbst in jedem Staubkorn gezeigt. Solange Er in der Welt des Körpers weilte, wurde Er vom schwächsten Volk auf Erden, den Juden, die es für angemessen hielten, dass eine Dornenkrone auf Sein gesegnetes Haupt gesetzt wird, verachtet und beschimpft. Aber nach Seinem Aufstieg unterwarfen sich alle juwelenbesetzten Königskronen demütig dieser Dornenkrone.
Seht die Herrlichkeit, die das Wort Gottes sogar in dieser Welt erlangt hat!

Kapitel 29

Sünde und Vergebung

Frage: Im 1. Korintherbrief 15:22 steht geschrieben: »Denn wie in Adam alle sterben, so werden in Christus alle lebendig gemacht werden.« Was bedeuten diese Worte?
Antwort: Wisse, dass die Natur des Menschen von zweierlei Art ist, stofflich und geistig. Die stoffliche Natur des Menschen ist das Erbe Adams, während die geistige Natur Erbe der Wirklichkeit des Wortes Gottes ist, das geistige Wesen Christi. Die stoffliche Natur ist aus Adam geboren, aber die geistige Natur wird aus der Gnade des Heiligen Geistes geboren. Die stoffliche Natur ist die Quelle für jede Unvollkommenheit und die geistige Natur die Quelle aller Vollkommenheit.
Christus hat sich Selbst geopfert, damit die Menschheit von den Unvollkommenheiten der stofflichen Natur befreit und mit den Tugenden der geistigen Natur bekleidet werde. Diese geistige Natur, die durch die Gnade der göttlichen Wirklichkeit entstand, ist der Inbegriff der Vollkommenheit und geht aus dem Odem des Heiligen Geistes hervor. Sie ist göttliche Vollkommenheit, Licht, Geistigkeit, Rechtleitung, Erhöhung, hohe Gesinnung, Gerechtigkeit, Liebe, Großzügigkeit, Güte gegenüber der ganzen Schöpfung und Wohltätigkeit: Sie ist Leben über Leben. Diese geistige Natur ist eine Ausstrahlung des Glanzes der Sonne der Wahrheit.
Christus ist der Brennpunkt des Heiligen Geistes; Er wurde aus dem Heiligen Geist geboren; Er wurde vom Heiligen Geist erweckt; Er entspringt dem Heiligen Geist; das heißt, Seine Wirklichkeit entstammt nicht der Familie Adams, sondern ist aus dem Heiligen Geist geboren. Die Bedeutung vom Korinther 15:22, wo es heißt: »Denn wie in Adam alle sterben, so werden in Christus alle lebendig gemacht werden« ist daher: Adam wird gemeinhin als »Vater des Menschen« bezeichnet, das heißt, er ist die Ursache des stofflichen Lebens der Menschheit und nimmt die Stellung stofflicher Vaterschaft ein. Er ist eine lebendige, wenn auch keine lebensspendende Seele, während Christus die Ursache für das geistige Leben des Menschen ist, und im Hinblick auf den Geist nimmt Er die Stellung geistiger Vaterschaft ein. Adam ist eine lebendige Seele; Christus ist ein lebensspendender Geist.
In dieser stofflichen Welt wird der Mensch von Instinkten und Begierden beherrscht, die unausweichlich zur Sünde führen, denn diese Begierden sind nicht an die Gesetze der Gerechtigkeit und Rechtschaffenheit gebunden. Der Körper des Menschen ist ein Gefangener der Natur und wird tun, was auch immer ihm die Natur gebietet. Daraus folgt, dass in der stofflichen Welt Sünden wie Zorn, Neid, Streitsucht, Gier, Habsucht, Unwissenheit, Groll, Korruption, Stolz und Grausamkeit existieren müssen. Diese tierischen Eigenschaften existieren alle in der Natur des Menschen. Ein Mensch, dem eine geistige Erziehung verwehrt wurde, gleicht einem Tier, wie jene Bewohner Afrikas, deren Taten, Verhaltensweisen und Sitten nur den Instinkten folgen und die nach den Zwängen der Natur handeln, sogar soweit, dass sie sich gegenseitig zerreißen und essen. So wird deutlich, dass die stoffliche Welt des Menschen eine Welt der Sünde ist und dass der Mensch auf dieser Ebene vom Tier nicht zu unterscheiden ist.
Jede Sünde wird durch Forderungen der Natur ausgelöst. Diese Zwänge der Natur, die zu den Kennzeichen körperlichen Daseins gehören, sind in Bezug auf das Tier keine Sünden, aber in Bezug auf den Menschen sind sie Sünden. Das Tier ist die Quelle solcher Unvollkommenheiten wie Ärger, Begierde, Neid, Gier, Grausamkeit und Stolz. All diese tadelnswerten Eigenschaften gehören zur Natur des Tieres und sind in Bezug auf das Tier keine Sünden, wohingegen sie beim Menschen Sünden sind.
Adam ist die Ursache für das stoffliche Leben des Menschen, aber die Wirklichkeit Christi, das heißt das Wort Gottes, ist die Ursache für sein geistiges Leben. Sie ist lebensspendender Geist, was bedeutet, dass jede Unvollkommenheit, die durch das stoffliche Leben des Menschen verursacht wird, durch die Unterweisung und Rechtleitung dieses Wesens der Loslösung in menschliche Vollkommenheit verwandelt wird. Deshalb war Christus ein lebensspendender Geist und die Ursache für das geistige Leben der ganzen Menschheit.
Adam war die Ursache des stofflichen Lebens, und da die materielle Welt des Menschen das Reich der Unvollkommenheit ist und Unvollkommenheit dem Tod gleichkommt, verglich Paulus das eine mit dem anderen.
Aber die meisten Christen glauben, dass Adam eine Sünde und Übertretung beging, indem er vom verbotenen Baum aß, dass die verhängnisvollen und verheerenden Folgen dieser Übertretung für alle Zeit von Seinen Nachkommen ererbt wurden und dass Adam so zur Ursache des Todes für den Menschen wurde. Diese Erklärung widerspricht aller Vernunft und ist offensichtlich falsch, denn sie besagt, dass alle Menschen, selbst die Propheten und Gesandten Gottes ohne eigenes Verschulden und ohne eine Sünde begangen zu haben, aus keinem anderen Grund als ihrer Abstammung von Adam schuldig geworden sind und bis zum Tag des Opfers Christi die Qualen der Hölle zu erleiden hatten. Das läge der Gerechtigkeit Gottes fern. Wenn Adam ein Sünder war, welche Sünde hat Abraham begangen? Was war die Verfehlung von Isaak und Josef? Was war die Übertretung von Mose?
Aber Christus, das Wort Gottes, hat Sich Selbst geopfert. Dies hat zwei Bedeutungen – eine äußere und eine wahre Bedeutung. Die äußere Bedeutung ist folgende: Da Christus eine Sache voranbringen wollte, die die Erziehung der Menschheit, die Belebung der Menschenkinder und die Erleuchtung der gesamten Menschheit mit sich brachte, und da die Förderung einer solch mächtigen Sache – eine Sache, die alle Völker der Erde gegen sich aufbringen und dem Widerstand jeder Nation und Regierung trotzen würde, – zwangsläufig zum Vergießen Seines Blutes und zu Seinem Kreuzestod führen würde, opferte Er in dem Augenblick, in dem Er Seine Sendung offenbarte, Sein Leben, hieß das Kreuz als Seinen Thron willkommen, betrachtete jede Wunde als Balsam und jedes Gift als süßen Honig und erhob sich, um die Menschen zu unterweisen und rechtzuleiten. Das heißt, Er opferte sich Selbst, um den Geist des Lebens zu verleihen, und Er starb körperlich, um andere geistig zu beleben.
Die zweite Bedeutung des Opfers ist jedoch folgende: Christus war wie ein Samenkorn, und dieses Samenkorn opferte seine Gestalt, damit der Baum wachsen und sich entwickeln konnte. Obwohl die Gestalt des Samenkorns zerstört wurde, zeigte sich seine Wirklichkeit in vollkommener Majestät und Schönheit in der äußeren Gestalt des Baumes.
Die Stufe Christi war die Stufe absoluter Vollkommenheit. Diese göttliche Vollkommenheit leuchtete gleichsam wie die Sonne auf alle gläubigen Seelen, und die Ausgießungen dieses Lichtes offenbarten sich strahlend in deren Wirklichkeiten. Darum sagt Er: »Dies ist das Brot, das vom Himmel kommt, damit, wer davon isst, nicht sterbe«A96, das heißt, wer an dieser göttlichen Nahrung teilhat, der wird ewiges Leben erlangen. So fand ein jeder, der dieser Gunst teilhaftig wurde und einen Anteil an dieser Vollkommenheit erlangte, ewiges Leben, und ein jeder, der Erleuchtung von Seiner altehrwürdigen Gnade begehrte, wurde von der Finsternis des Irrtums befreit und durch das Licht der Rechtleitung erleuchtet.
Die Gestalt des Samenkorns wurde für den Baum geopfert, aber seine Vollkommenheit wurde durch dieses Opfer enthüllt und offenbart: Denn der Baum, seine Zweige, seine Blätter, seine Blüten lagen im Samenkorn schlummernd verborgen, aber als die Gestalt des Samenkorns geopfert wurde, zeigte sich seine Vollkommenheit in den Blättern, Blüten und Früchten.

Kapitel 30

Adam und Eva

Frage: Inwiefern ist die Geschichte von Adam, der vom Baum der Erkenntnis aß, wahr?
Antwort: In der Thora steht geschrieben, dass Gott Adam in den Garten Eden brachte, damit er diesen pflege und hege, und zu Ihm sprach: »Von allen Bäumen des Gartens darfst du essen, doch vom Baum der Erkenntnis von Gut und Böse darfst du nicht essen; denn am Tag, da du davon isst, wirst du sterben.«A97 Dann heißt es, dass Gott Adam einschlafen ließ, Ihm einen Rippenknochen entnahm und Ihm daraus eine Frau als Gefährtin erschuf. Weiter heißt es, die Schlange habe die Frau dazu verleitet, vom Baum zu essen, indem sie sagte: »Gott hat euch verboten, vom Baum zu essen, damit eure Augen nicht geöffnet werden und ihr nicht zwischen Gut und Böse unterscheiden könnt.«A98 Dann aß Eva von dem Baum und gab etwas davon Adam, der auch aß. Daraufhin wurden ihre Augen geöffnet, sie sahen, dass sie nackt waren und bedeckten ihre Blöße mit Blättern. Daraufhin stellte Gott sie zur Rede, indem Er zu Adam sprach: »Hast du vom verbotenen Baum gegessen?« Adam antwortete: »Eva hat mich dazu verleitet.« Dann rügte Gott Eva, die zur Antwort gab: »Die Schlange hat mich dazu verleitet.« Dafür wurde die Schlange verflucht, und daraus entstand Feindschaft zwischen der Schlange und Eva und zwischen ihren Nachkommen. Und Gott sprach: »Siehe, der Mensch ist wie einer von uns geworden, dass er Gut und Böse erkennt. Vielleicht wird er vom Baum des Lebens essen und ewig leben.« Daher bewachte Gott den Baum des Lebens.A99
Sollten wir diese Erzählung, dem üblichen Sprachgebrauch folgend, wörtlich nehmen, wäre das wirklich höchst sonderbar und man könnte vom menschlichen Verstand nicht erwarten, es zu akzeptieren, dem zuzustimmen oder es sich auch nur vorzustellen. Denn solche komplexen Zusammenhänge und Einzelheiten, solche Aussagen und Vorhaltungen wären unglaubwürdig, selbst wenn sie von einer intelligenten Person stammten, geschweige denn von der Gottheit Selbst, die dieses unendliche Universum in höchst vollkommener Form geschaffen und seine zahllosen Wesen in bester Ordnung, Robustheit und Vollkommenheit gestaltet hat.
Man sollte hier etwas innehalten: Sollte die wortwörtliche Bedeutung dieser Erzählung einem weisen Mann zugeschrieben werden, so würden alle klugen Menschen dies sicherlich ablehnen mit der Begründung, ein derartiges Konzept und Gedankenkonstrukt könne nie und nimmer von solch einer Person herrühren. Die Erzählung von Adam und Eva, wie sie von dem Baum gegessen haben und aus dem Paradies vertrieben wurden, besteht aus Sinnbildern und göttlichen Geheimnissen. Sie haben umfassende Bedeutungen und es gibt dafür wunderbare Auslegungen, aber ihre wahre Tragweite eröffnet sich nur denen, die mit den göttlichen Geheimnissen vertraut sind und die vom allgenügenden Gott begünstigt wurden.
Die Verse der Thora haben somit zahlreiche Bedeutungen. Eine davon werden wir erklären und darlegen, dass mit »Adam« der Geist Adams gemeint ist und mit »Eva« Sein Selbst. Denn an bestimmten Stellen der Heiligen Schriften, wo Frauen erwähnt werden, ist das menschliche Selbst gemeint. Mit »dem Baum der Erkenntnis von Gut und Böse« ist die materielle Welt gemeint, denn das himmlische Reich des Geistes ist reine Güte und vollkommener Strahlenglanz. In der materiellen Welt jedoch sind Licht und Dunkelheit, Gut und Böse und alle möglichen Gegensätze zu finden.
Die Schlange steht für die Bindung an die materielle Welt. Diese Bindung des Geistes an die materielle Welt führte zur Vertreibung des Selbstes und des Geistes Adams aus dem Reich der Freiheit in die Welt der Knechtschaft und bewirkte, dass Er sich vom Reich Göttlicher Einheit zur Welt des menschlichen Daseins wandte. Sobald Adams Selbst und Geist in die materielle Welt gelangte, verließ Er das Paradies der Freiheit und stieg hinab in das Reich der Knechtschaft. Er hatte sich in den Höhen der Heiligkeit und des absolut Guten aufgehalten und betrat dann die Welt von Gut und Böse.
Mit »Baum des Lebens« ist die höchste Stufe in der Welt des Seins gemeint, die Stufe des Wortes Gottes und Seiner allumfassenden Manifestation. Tatsächlich war diese Stufe wohl gehütet und verborgen, bis sie strahlend in der höchsten Offenbarung Seiner allumfassenden Manifestation erschien. Denn im Hinblick auf die Offenbarung und das Erscheinen göttlicher Vollkommenheit war die Stufe Adams die eines Embryos; die Stufe Christi war die des Heranwachsens und Heranreifens; und die Morgendämmerung des Größten LichtsA100 war die Stufe der Vollkommenheit im Wesen und in den Eigenschaften. Deshalb steht der Baum des Lebens im höchsten Paradies für den Mittelpunkt vollkommener Heiligkeit und Reinheit, nämlich die allumfassende Manifestation Gottes. Denn von den Tagen Adams bis zur Zeit Christi wurde wenig über das ewige Leben und die allumfassende Vollkommenheit des Reiches der Höhe gesprochen. Dieser Baum des Lebens verweist auf die Stufe der Wirklichkeit Christi: Er wurde in Seiner Sendung gepflanzt und mit unvergänglichen Früchten geschmückt.
Schau, wie genau diese Deutung mit der Wirklichkeit übereinstimmt: Denn als der Geist und das Selbst Adams sich an die materielle Welt banden, gelangten sie aus dem Reich der Freiheit in das Reich der Knechtschaft; dieser Zustand setzte sich in jeder nachfolgenden Generation fort, und Seine Nachkommen erbten diese Bindung von Geist und Selbst an die materielle Welt, was gleichbedeutend ist mit Sünde. Diese Bindung ist die Schlange, die für immer mitten im Geiste der Nachkommen Adams und in Feindschaft mit ihnen sein wird, denn die Bindung an die Welt wurde die Ursache für die Knechtschaft des Geistes. Diese Knechtschaft ist die Sünde, die von Adam an Seine Nachkommen weitergegeben wurde, denn sie hat die Menschen daran gehindert, ihre wesenhafte Geistigkeit zu erkennen und zu erhabenen Stufen zu gelangen.
Als der heilige Odem Christi und das geheiligte Licht der Größten Lichtgestalt sich überallhin ausbreiteten, wurde die Wirklichkeit der Menschen – das heißt der Menschen, die sich dem Wort Gottes zuwandten und an Seiner vielfältigen Gunst teilhatten – von dieser Bindung und Sünde errettet, ihnen wurde ewiges Leben gewährt, sie wurden aus den Ketten der Knechtschaft befreit und betraten das Reich der Freiheit. Sie wurden von irdischen Lastern befreit und mit himmlischen Tugenden begabt. Die Bedeutung der Worte Christi ist, dass Er Sein Blut für das Leben der Welt gab.A101 Das heißt, Er hatte sich entschieden, alle Prüfungen, Leiden und Trübsale, selbst das größte Martyrium zu ertragen, um dieses höchste Ziel zu erreichen und die Vergebung der Sünden sicherzustellen – das heißt, die Loslösung des Geistes von der Welt der Materie und die Anziehung hin zum göttlichen Reich –, damit sich Menschen erheben, die zum Wesen der Rechtleitung und zur Verkörperung der Vollkommenheit des Königreichs der Höhe werden.
Beachte: Würden diese Aussagen wörtlich genommen, so wie das Volk der SchriftA102 es sich vorstellt, wäre dies schiere Ungerechtigkeit und reine Tyrannei. Wenn Adam sündigte, als Er sich dem verbotenen Baum näherte, was war dann die Sünde des ruhmreichen Abraham, des Freundes Gottes, und die Verfehlung des Mose, der mit Gott sprach? Was war das Vergehen des Propheten Noah und die Übertretung des aufrichtigen Josef? Was war die Schuld der Propheten Gottes und was das Versäumnis von Johannes, dem Keuschen? Würde es die göttliche Gerechtigkeit zulassen, dass die lichterfüllten Offenbarer wegen der Sünde Adams so lange die Qualen der Hölle erleiden, bis sie durch das Kommen Christi und Seinen Opfertod aus den Tiefen des Feuers gerettet werden? Eine solche Vorstellung liegt jenseits aller Regeln und Prinzipien und kein vernünftiger Mensch kann so etwas jemals akzeptieren.
Wie bereits erwähnt ist die Bedeutung vielmehr: Adam ist der Geist Adams und Eva ist Sein Selbst; der Baum ist die materielle Welt, und die Schlange ist die Bindung daran. Diese Bindung – das ist die Sünde – wurde an die Nachkommen Adams weitergegeben. Durch den Odem der Heiligkeit hat Christus Seelen von dieser Bindung errettet und sie von dieser Sünde erlöst.
Diese Sünde in Adam steht im Übrigen im Zusammenhang mit Seiner Stufe: Obwohl diese weltliche Bindung beachtliche Ergebnisse gezeitigt hat, wird sie in Bezug auf die Bindung zum geistigen Reich nichtsdestotrotz als Sünde angesehen, und es bestätigt sich hierbei die Wahrheit des Ausspruchs »Die guten Taten der Rechtschaffenen sind die Sünden derer, die Gott nahestehen«. Anders gesagt, es ist wie die Kraft des Körpers, die im Gegensatz zur Kraft des Geistes unvollkommen ist – sie ist im Vergleich dazu nichts als Schwäche. Ebenso wird das körperliche Leben im Vergleich zum ewigen Dasein und dem Leben des Königreichs als Tod angesehen. Daher bezeichnete Christus dieses körperliche Leben als Tod und sagte: »Lasst die Toten ihre Toten begraben.«A103 Obwohl jene Seelen sich des körperlichen Lebens erfreuten, war dieses Leben in Seinen Augen wie der Tod.
Dies ist nur eine der Bedeutungen der biblischen Erzählung über Adam. Denke darüber nach, damit du auch die anderen herausfindest.

Kapitel 31

Lästerung wider den Heiligen Geist

Frage: »Darum sage ich euch: Jede Sünde und Lästerung wird den Menschen vergeben werden, aber die Lästerung gegen den Heiligen Geist wird nicht vergeben werden. Auch wer ein Wort gegen den Menschensohn sagt, dem wird vergeben werden; wer aber etwas gegen den Heiligen Geist sagt, dem wird nicht vergeben, weder in dieser noch in der zukünftigen Welt.«A104
Antwort: Die geheiligte Wirklichkeit der Manifestationen Gottes hat zwei geistige Stufen: Die eine ist die mit der Sonne vergleichbare Stufe der göttlichen Manifestation, und die andere ist die der Ausstrahlung und der Offenbarung, die mit dem göttlichen Licht und der göttlichen Vollkommenheit – dem Heiligen Geist – verglichen werden kann. Denn der Heilige Geist verkörpert die vielfältigen Gnadengaben und die Vollkommenheit Gottes; und diese göttliche Vollkommenheit gleicht den Strahlen und der Wärme der Sonne. Die Sonne ist die Sonne wegen ihres Strahlenglanzes; ohne diese Strahlen wäre sie nicht die Sonne. Wenn die Vollkommenheit Gottes sich nicht in Jesus offenbart hätte, so wäre Er nicht Christus. Er ist genau deswegen eine Manifestation Gottes, weil die göttliche Vollkommenheit in Ihm offenbar wird. Die Propheten Gottes sind Manifestationen, und die göttliche Vollkommenheit – also der Heilige Geist – ist das, was in Ihnen erscheint.
Wenn sich ein Mensch von der Manifestation entfernt, kann er noch erweckt werden, weil er vielleicht nicht um Sie wusste und Sie nicht als die Verkörperung göttlicher Vollkommenheit erkannt hat. Wenn er aber die göttliche Vollkommenheit, also den Heiligen Geist, verabscheut, dann zeigt dies, dass er wie eine Fledermaus das Licht hasst.
Dieser Hass auf das Licht selbst ist unheilbar und unverzeihlich, das heißt, es ist einer solchen Seele unmöglich, Gott nahe zu kommen. Diese Lampe hier ist eine Lampe wegen ihres Lichts; ohne das Licht wäre sie keine Lampe. Eine Seele, die das Licht der Lampe verabscheut, ist sozusagen blind und kann das Licht nicht wahrnehmen, und diese Blindheit ist die Ursache ewigen Verlustes.
Es ist offensichtlich, dass den Seelen durch die Ausgießungen des Heiligen Geistes, die in den Manifestationen Gottes zum Ausdruck kommen, Gnade zuteilwird und nicht etwa durch die individuelle Persönlichkeit der Manifestation. Wenn also eine Seele an den Ausgießungen des Heiligen Geistes keinen Anteil hat, bleibt sie der Gnade Gottes beraubt, und dieser Verlust selbst ist gleichbedeutend mit dem Entzug göttlicher Vergebung.
Deshalb gab es viele Menschen, die sich den Manifestationen Gottes entgegenstellten, ohne zu erkennen, dass Sie Manifestationen waren, aber sie wurden zu Freunden, nachdem sie Sie anerkannt hatten. So war die Feindschaft gegen die Manifestation Gottes nicht die Ursache ewigen Verlustes, denn sie waren Feinde des Kerzenleuchters und erkannten nicht, dass es der Sitz des strahlenden Lichtes Gottes war. Sie waren nicht die Feinde des Lichtes selbst, und als sie verstanden, dass der Kerzenleuchter der Sitz des Lichtes war, wurden sie wahre Freunde.
Damit ist gemeint, dass das Fernsein vom Kerzenleuchter nicht die Ursache ewigen Verlustes ist, denn man kann noch erweckt und rechtgeleitet werden; vielmehr ist die Feindschaft gegenüber dem Licht selbst die Ursache ewigen Verlustes und dagegen gibt es kein Heilmittel.

Kapitel 32

Viele sind gerufen, wenige aber auserwählt

Frage: Christus sagt im Evangelium: »Viele sind gerufen, wenige aber auserwählt«A105 und im Qur’án steht geschrieben: »Gott aber schenkt Seine Barmherzigkeit in besonderer Weise, wem Er will.«A106 Welche Weisheit liegt darin?
Antwort: Wisse, dass die Ordnung und Vollkommenheit des Universums eines Daseins bedarf, das in unzähligen Formen entstehen muss. Erschaffene Dinge können daher nicht auf einer einzigen Stufe, auf einer Seinsebene, in einer Weise, Beschaffenheit und Art entstehen: Es muss zwangsläufig Stufenunterschiede, Formenvielfalt und eine Vielzahl von Arten geben. Die Reiche des Minerals, der Pflanze, des Tieres und des Menschen sind also notwendig, denn allein durch den Menschen könnte die Welt des Daseins nicht hinreichend geordnet, geschmückt, geregelt und vervollkommnet werden. Aus dem gleichen Grund würde allein mit Tieren, Pflanzen oder Mineralien diese Welt keine so wunderbare Erscheinung besitzen, nicht so wohl geordnet und fein ausgestaltet sein: Unterschiede des Ranges, der Stufe, und der Art sind nötig, damit das Dasein in höchster Vollkommenheit erstrahlen kann.
Wenn zum Beispiel dieser Baum gänzlich zu Früchten würde, so könnte das Pflanzenreich keine Vollkommenheit erlangen, denn es bedarf der Blätter, Blüten und Früchte, damit der Baum in höchster Schönheit und Vollkommenheit erscheinen kann.
Betrachte in gleicher Weise den Körper des Menschen, der notwendigerweise aus verschiedenen Teilen, Gliedern und Organen zusammengesetzt sein muss. Für die Schönheit und Vollkommenheit des menschlichen Körpers sind Ohr, Auge, Gehirn und sogar Nägel und Haare erforderlich: Wenn der Mensch ausschließlich aus Gehirn, Augen oder Ohren bestünde, wäre das gleichbedeutend mit Unvollkommenheit. Das Fehlen von Haaren, Wimpern, Zähnen und Nägeln stellt demnach eine Unvollkommenheit dar, denn auch wenn Letztere im Vergleich zu den Augen zu keiner Sinneswahrnehmung in der Lage sind und damit dem Mineral und der Pflanze ähneln, so ist es doch höchst misslich und unangenehm, wenn sie im Körper fehlen.
Solange sich also die erschaffenen Dinge auf unterschiedlichen Stufen befinden, werden manche naturgemäß anderen überlegen sein. Demnach folgt aus der Tatsache, dass die Auswahl bestimmter Geschöpfe, so etwa des Menschen für die höchste Stufe, die Einordnung anderer, wie der Pflanzen auf der mittleren Stufe und wieder anderer, etwa der Mineralien, auf der niedrigsten Stufe, allesamt auf den Willen und die Absicht Gottes zurückzuführen sind, dass die Auswahl des Menschen für die höchste Stufe durch die Gnade Gottes geschieht und dass Unterschiede zwischen den Menschen hinsichtlich geistiger Errungenschaften und himmlischer Vollkommenheit ebenfalls bestehen, weil der Allbarmherzige es so wünschte. Denn der Glaube – das ewige Leben – ist ein Zeichen der Gnade und nicht das Ergebnis der Gerechtigkeit. In dieser Welt aus Erde und Wasser brennt die Flamme des Feuers der Liebe durch Anziehungskraft und nicht durch menschliches Bemühen und Streben, obwohl man tatsächlich durch Letzteres zu Wissen, Gelehrsamkeit und Vervollkommnung auf weiteren Gebieten gelangen kann. Es ist also das Licht der göttlichen Schönheit, das durch seine Anziehungskraft den Geist aufrütteln und bewegen muss. Darum heißt es: »Viele sind gerufen, wenige aber auserwählt.«A107
Was die stofflichen Lebewesen betrifft, so dürfen sie nicht wegen ihres eigenen Ranges und ihrer Stufe getadelt, verurteilt oder zur Rechenschaft gezogen werden. So sind das Mineral, die Pflanze und das Tier auf ihren jeweiligen Stufen annehmbar, aber wenn sie hinter ihren Möglichkeiten zurückbleiben sollten, wären sie zu tadeln, auch wenn die Stufe selbst vollkommen ist.
Gleichwohl ist der Unterschied zwischen den Menschen von zweierlei Art: Der eine ist ein Rangunterschied und der ist nicht tadelnswert. Der andere Unterschied liegt im Glauben und in der Gewissheit – ihr Fehlen ist tadelnswert, denn um dieser Gnadengabe und der Anziehungskraft der Liebe Gottes beraubt zu sein, muss die Seele ihren eigenen Begierden und Leidenschaften zum Opfer gefallen sein. So lobenswert und annehmbar sie auf ihrer menschlichen Stufe sein mag, so wird sie, der Vollkommenheit dieser Stufe beraubt, zu einer Quelle von Unzulänglichkeiten und wird dafür zur Rechenschaft gezogen.

Kapitel 33

Die Wiederkunft der Gottesboten

Frage: Würden Sie das Thema der Wiederkunft erläutern?
Antwort: Dieses Thema hat Bahá’u’lláh detailreich und ausführlich im Kitáb-i-ÍqánA108 erläutert. Lies es, dann wird die Wahrheit dieser Angelegenheit klar und offensichtlich. Aber weil du die Frage aufgeworfen hast, gibt es hier auch eine kurze Erklärung dazu.
Wir werden dieses Thema anhand des Textes des Evangeliums erklären. Darin heißt es, dass Johannes, der Sohn des Zacharias, erschien und den Menschen die Ankunft des Reiches Gottes ankündigte, und sie fragten ihn: »Wer bist du? Bist du der verheißene Messias?« Er antwortete: »Ich bin nicht der Messias.« Daraufhin fragten sie ihn: »Bist du Elias?« Er antwortete: »Ich bin es nicht.«A109 Aus diesen Worten geht eindeutig hervor, dass Johannes, der Sohn des Zacharias, nicht der verheißene Elias war.
Am Tag der Verklärung auf dem Berg Tabor jedoch sagte Christus ausdrücklich, dass Johannes, der Sohn des Zacharias, der verheißene Elias war. In Markus 9:11 heißt es: »Und sie fragten Ihn und sprachen: Sagen nicht die Schriftgelehrten, dass zuvor Elias kommen muss? Er aber antwortete und sprach zu ihnen, Elias soll ja zuvor kommen und alles wieder zurechtbringen. Wie steht dann geschrieben von dem Menschensohn, dass er viel leiden und verachtet werden soll? Aber ich sage euch: Elias ist gekommen, und sie haben ihm angetan, was sie wollten, wie von ihm geschrieben steht.« Und in Matthäus 17:13 heißt es: »Da verstanden die Jünger, dass er von Johannes dem Täufer zu ihnen geredet hatte.«
Nun hatten sie Johannes den Täufer gefragt: »Bist du Elias?« und er hatte geantwortet: »Ich bin es nicht«, während im Evangelium gesagt wird, dass Johannes der verheißene Elias selbst war, und Christus das auch klar zum Ausdruck gebracht hatte. Wenn Johannes Elias war, warum hat er gesagt, dass er es nicht war, und wenn er nicht Elias war, warum hat Christus gesagt, dass er es war?
Der Grund dafür ist, dass wir hier nicht die individuelle Persönlichkeit, sondern die Wirklichkeit seiner Vollkommenheit betrachten, das heißt, die gleiche Vollkommenheit, die Elias besaß, zeigte sich auch in Johannes dem Täufer. So gesehen war Johannes der Täufer der verheißene Elias. Was hier betrachtet wird, ist nicht das WesenA110, sondern die Eigenschaften.
Letztes Jahr gab es hier zum Beispiel eine Blume und in diesem Jahr ist hier auch eine Blume erschienen. Wenn ich sage, dass die Blume des letzten Jahres zurückgekehrt ist, dann meine ich nicht, dass die Blume mit derselben Identität zurückgekehrt ist. Aber da diese Blume mit denselben Attributen ausgestattet ist wie die Blume des letzten Jahres – sie besitzt ja denselben Duft, dieselbe Zartheit, Farbe und Form – heißt es, dass die Blume des letzten Jahres zurückgekehrt ist und dass es genau dieselbe Blume ist. Ebenso sagen wir, wenn der Frühling kommt, dass der Frühling des letzten Jahres zurückgekehrt ist, denn alles, was es im vorherigen Frühling gab, gibt es im darauffolgenden wieder. Deshalb sagte Christus: »Ihr werdet selbst alles sehen, was in den Tagen der früheren Propheten geschehen ist.«A111
Nehmen wir noch ein weiteres Beispiel: Im letzten Jahr wurde ein Samen gesät, Zweige und Blätter erschienen, Blüten und Früchte bildeten sich aus, und schließlich wurde ein neuer Samen hervorgebracht. Wenn dieser zweite Samen gepflanzt wird, wird er zu einem Baum heranwachsen, wieder werden Blätter, Blüten, Zweige und Früchte zurückkehren und der frühere Baum wird wieder zum Vorschein kommen. Da es am Anfang ein Samenkorn gab und am Ende ebenfalls, sagen wir, dass der Samen zurückgekehrt ist. Wenn wir die stoffliche Substanz des Baumes betrachten, ist sie eine andere, aber wenn wir die Blüten, Blätter und Früchte betrachten, werden der gleiche Duft, der gleiche Geschmack und die gleiche Köstlichkeit hervorgebracht. Somit ist die Vollkommenheit des Baumes erneut zurückgekehrt.
Wenn wir desgleichen das Individuum betrachten, ist es ein anderes, aber wenn wir die Eigenschaften und Vollkommenheit betrachten, sind genau dieselben zurückgekehrt. Als Christus also sagte: »Das ist Elias«, meinte Er: In diesem Menschen zeigen sich die Gnade, die Vollkommenheit, die Qualitäten, die Eigenschaften und die Tugenden des Elias. Und als Johannes der Täufer sagte: »Ich bin nicht Elias«, meinte er: »Ich bin nicht dieselbe Person wie Elias.« Christus betrachtete ihre Attribute, Vollkommenheit, Qualitäten und Tugenden, und Johannes bezog sich auf sein physisches Dasein und seine Individualität. Es ist wie bei dieser Lampe: Gestern Abend war sie hier, heute Abend wird sie wieder angezündet, und auch morgen Abend wird sie wieder leuchten. Wenn wir sagen, dass die Lampe von heute Abend dieselbe ist wie die von gestern Abend und dass sie zurückgekehrt ist, meinen wir das Licht und nicht das Öl, den Docht oder den Halter.
Diese Aspekte wurden ausführlich im Kitáb-i-Íqán erläutert.

Kapitel 34

Petrus und das Papsttum

Frage: Im Matthäusevangelium sagt Christus zu Petrus: »Du bist Petrus, und auf diesen Felsen will ich meine Kirche bauen«A112. Was bedeutet dieser Vers?
Antwort: Diese Äußerung Christi ist eine Bestätigung der Antwort von Petrus als Christus fragte: »Ihr aber, für wen haltet ihr mich?«, worauf Petrus antwortete: »Du bist der Christus, der Sohn des lebendigen Gottes!« Dann sagte Christus zu ihm: »Du bist Petrus«A113 – denn »Kephas« bedeutet auf Hebräisch ›Fels‹ – »und auf diesen Felsen werde ich meine Kirche bauen.« Denn andere hatten Christus geantwortet, Er sei Elias, oder Johannes der Täufer, oder Jeremia, oder einer der Propheten.A114
Christus wollte durch diesen bildlichen Ausdruck und die Anspielung Petri Worte bestätigen. Und da dessen Name ›Fels‹ bedeutete, sagte er: »Du bist Petrus, und auf diesen Felsen werde ich meine Kirche bauen.« Das heißt, dein Glaube, dass Christus der Sohn des lebendigen Gottes ist, wird das Fundament der Religion Gottes werden, und auf diesem Glauben wird das Fundament der Kirche Gottes – also das Gesetz Gottes – errichtet werden.
Hinsichtlich der Grabstätte des Petrus ist es fraglich und umstritten, ob sie sich in Rom befindet, manche vermuten sie in Antiochia.
Außerdem sollten wir die Taten mancher Päpste an der Religion Christi messen. Christus, der Hunger litt und mittellos war, ernährte sich von den Kräutern der Wildnis und hätte es nicht zugelassen, dass irgendein Herz betrübt wird. Der Papst fährt in einer goldenen Kutsche, verbringt seine Tage in größtem Luxus und umgibt sich mit Annehmlichkeiten und Vergnügungen, die sogar den Überfluss und die Selbstgefälligkeit aller Könige der Erde übertrifft.
Christus hat niemandem Schaden zugefügt, manche Päpste aber haben viele unschuldige Menschen getötet. Schlag nach in den Geschichtsbüchern. Wie viel Blut haben die Päpste vergossen, nur um ihre vergängliche Herrschaft zu sichern! Wie viele Tausende von Dienern der Menschheit, darunter gelehrte Männer, die die Geheimnisse des Universums entdeckt hatten, haben sie gefoltert, eingesperrt und getötet, alles nur wegen Meinungsverschiedenheiten! Wie nachdrücklich haben sie sich der Wahrheit entgegengestellt!
Betrachte die Ermahnungen Christi und untersuche die Gepflogenheiten und Verhaltensweisen der Päpste: Stimmen die Ermahnungen des einen mit der Amtsführung der anderen in irgendeiner Weise überein? Wir suchen nicht gern nach Fehlern, doch die Chroniken des Vatikans sind wirklich erstaunlich. Damit soll gesagt sein, dass die Anweisungen Christi eine Sache sind und das Verhalten der päpstlichen Regierung eine ganz andere: Sie stimmen nicht im Geringsten überein. Schau, wie viele Protestanten auf Befehl der Päpste ermordet wurden, welche Missstände und Grausamkeiten gutgeheißen und welche Foltern und Strafen verhängt wurden! Können die süßen Düfte Christi in irgendeiner Weise in diesen Taten wahrgenommen werden? Nein, bei der Gerechtigkeit Gottes! Dergleichen Menschen haben nicht auf Christus gehört, während die heilige Barbara, deren Bild wir hier haben, Ihm gehorchte, auf Seinem Pfad wandelte und sich an Seine Ermahnungen hielt.
Tatsächlich gab es besonders in den frühen Jahrhunderten der christlichen Ära, als irdische Mittel knapp und Prüfungen, die der Himmel schickte, heftig waren, unter den Päpsten einige gesegnete Seelen, die den Fußspuren Christi folgten. Aber als die Mittel für eine irdische Herrschaft geschaffen und weltliche Ehre und Wohlstand erzielt worden waren, vernachlässigte die päpstliche Regierung Christus völlig und befasste sich nur noch mit irdischer Herrschaft und Größe, mit materiellen Annehmlichkeiten und Luxus. Sie brachte Menschen zu Tode, wandte sich gegen die Verbreitung von Bildung, verfolgte Wissenschaftler, verbarg das Licht der Erkenntnis und erteilte Befehle zu morden und zu plündern. Tausende von Menschen, Wissenschaftler und Gelehrte sowie Unschuldige, gingen in den Gefängnissen Roms zugrunde. Wie kann man bei solch einem Verhalten und solchen Taten den Anspruch auf das Stellvertreteramt Christi anerkennen?
Der Heilige Stuhl hat konsequent die Ausweitung von Wissen bekämpft; das ging so weit, dass in Europa die Auffassung vertreten wird, Religion sei der Feind der Wissenschaft und Wissenschaft zerstöre die Grundlage der Religion. Die Religion Gottes hingegen verficht die Wahrheit, schafft die Grundlage für Wissenschaft und Lernen, unterstützt das Wissen, sorgt für die Kultivierung der Menschheit, deckt die Geheimnisse des Daseins auf und erleuchtet die Horizonte der Welt. Wie könnte sie sich dann dem Wissen entgegenstellen? Gott bewahre! Im Gegenteil, vor Gott ist Wissen die bedeutsamste menschliche Tugend und die edelste menschliche Vollkommenheit. Wissen abzulehnen ist reine Unwissenheit, und wer die Künste und Wissenschaften verabscheut, ist kein Mensch, sondern wie ein Tier ohne Verstand. Denn Wissen ist Licht, Leben, Glückseligkeit, Vollkommenheit und Schönheit und bewirkt, dass die Seele sich der göttlichen Schwelle nähert. Es ist Ruhm und Ehre in der Menschenwelt und die größte aller Gaben Gottes. Wissen ist identisch mit Rechtleitung, Unwissenheit hingegen der Inbegriff des Irrtums.
Glücklich, wer seine Tage mit der Suche nach Wissen, der Entdeckung von Geheimnissen des Universums und der sorgfältigen Erforschung der Wahrheit verbringt! Und wehe denen, die sich mit Unwissenheit begnügen, sich an gedankenloser Nachahmung erfreuen, in den Abgrund von Unwissenheit und Achtlosigkeit gefallen sind und damit ihr Leben vergeudet haben!

Kapitel 35

Freier Wille und Vorherbestimmung

Frage: Wenn Gott um die zukünftige Tat einer Person weiß und diese auf der ›Verwahrten Tafel‹ des Schicksals aufgezeichnet wird, ist es dann möglich, sich dem zu widersetzen?
Antwort: Das Wissen um etwas ist nicht die Ursache dafür, dass es geschieht, denn das wesenhafte Wissen Gottes umfasst die Wirklichkeit aller Dinge bevor und nachdem sie ins Dasein treten, aber es ist nicht die Ursache ihres Daseins. Dies ist ein Ausdruck der Vollkommenheit Gottes.
Gleiches gilt für die Aussagen der Propheten, die ihnen durch göttliche Offenbarung eingegeben wurden und die das Kommen des in der Thora Verheißenen verkündeten: auch sie waren nicht die Ursache für das Erscheinen Christi. Aber die verborgenen Geheimnisse künftiger Tage wurden den Propheten enthüllt, wodurch sie künftiger Ereignisse gewahr wurden, die sie dann verkündeten. Dieses Wissen und die Verkündigung waren nicht die Ursache für das Eintreten dieser Ereignisse. Zum Beispiel weiß heute Abend jeder, dass in sieben Stunden die Sonne aufgehen wird, aber dass dies jedermann weiß, verursacht nicht den Sonnenaufgang.
Genauso bringt Gottes Wissen in der bedingten Welt nicht die Form der Dinge hervor. Vielmehr ist dieses Wissen frei davon, zwischen Vergangenheit, Gegenwart und Zukunft zu unterscheiden und es entspricht allem, was geschieht, ohne die Ursache für dessen Verwirklichung zu sein.
Ebenso wird etwas, das in den Heiligen Schriften verzeichnet ist oder Erwähnung findet, nicht zur Ursache dafür, dass es existiert. Die Propheten Gottes erfuhren durch göttliche Eingebung, dass gewisse Ereignisse sich zutragen würden. Durch göttliche Eingebung wussten sie zum Beispiel, dass Christus als Märtyrer sterben würde, was sie daraufhin verkündeten. Hat nun ihr Wissen und ihre Kenntnis das Martyrium Christi verursacht? Nein: Dieses Wissen ist ein Zeichen ihrer Vollkommenheit und nicht die Ursache Seines Martyriums.
Durch astronomische Berechnungen können Mathematiker den Zeitpunkt bestimmen, an dem eine Sonnen- oder Mondfinsternis eintreten wird. Sicherlich ist diese Vorhersage nicht der Auslöser der Finsternis. Das ist natürlich nur ein Vergleich und kein exaktes Bild.

Teil 3 – Über die Kräfte und Seinsweisen der Manifestationen Gottes

Kapitel 36

Die fünf Arten des Geistes

Wisse, dass es insgesamt fünf Arten von Geist gibt. Zunächst ist da der Geist der PflanzeA115, die Kraft, die aus der Zusammensetzung und Verbindung der Elemente gemäß der Weisheit und dem Befehl des Höchsten entsteht und sich sowohl aus ihren Wechselwirkungen als auch aus ihrem Einfluss auf andere erschaffene Dinge und ihrer Verknüpfung mit ihnen ergibt. Wenn diese Bestandteile und Elemente voneinander getrennt werden, verschwindet die damit verbundene Wachstumskraft ebenfalls. Um einen Vergleich zu ziehen: Wenn bestimmte Bauteile zusammengefügt werden, kann elektrischer Strom fließen, aber sobald diese Teile voneinander getrennt werden, wird die elektrische Kraft sofort unterbrochen und verschwindet. So ist es auch mit dem Geist der Pflanze.
Als Nächstes kommt der Geist des Tieres: auch er entsteht, wenn Elemente in einer einzigartigen Weise miteinander verbunden werden. Aber diese Zusammensetzung ist vollendeter, und wenn sie durch den Ratschluss des allmächtigen Herrn eine größere Vollkommenheit der Verbindung erreicht, entsteht der Geist des Tieres, der auf der Kraft der Sinne beruht. Diese Kraft nimmt die den Sinnen zugängliche Wirklichkeit wahr – alles, was man sehen, hören, schmecken, riechen oder berühren kann. Nach Trennung und Auflösung dieser zusammengesetzten Bestandteile wird auch dieser Geist naturgemäß aufhören zu existieren. Es ist wie die Lampe, die du hier siehst: Wenn Öl, Docht und Flamme zusammengebracht werden, wird Licht erzeugt; aber wenn das Öl verbraucht ist und der Docht abgebrannt ist, wird auch das Licht verlöschen.
Mit dem menschlichen Geist verhält es sich ähnlich wie mit den Gaben der Sonne bezogen auf ein Glas. Das heißt, der Körper des Menschen, der sich aus Elementen zusammensetzt, ist die vollendetste Form der Zusammensetzung und Verbindung, die beste Anordnung, die edelste Zusammensetzung und das vollkommenste aller existierenden Dinge. Er wächst und entwickelt sich durch den Geist des Tieres. Dieser vollkommene Körper ist vergleichbar mit einem Spiegel und der menschliche Geist mit der Sonne: Wenn das Glas zersplittert oder der Spiegel zerbricht, dann ändert das nichts an der Gnade, die der Sonne unbeeinträchtigt weiter entströmt.
Dieser Geist ist die Kraft der Entdeckung, die alle Dinge umfasst. Alle wundersamen Zeichen, alle Handwerke und Entdeckungen, all die mächtigen Unternehmungen und bedeutsamen historischen Ereignisse, die dir bekannt sind, wurden von diesem Geist entdeckt und durch seine geistige Kraft aus dem unsichtbaren Reich auf die Ebene des Sichtbaren gebracht. So wohnt er auf der Erde und macht doch Entdeckungen am Himmel und erschließt sich Unbekanntes aus bekannten und sichtbaren Wirklichkeiten. Zum Beispiel befindet sich der Mensch auf dieser Hemisphäre, aber durch die Kraft des Verstandes entdeckt er, genau wie Kolumbus, den amerikanischen Kontinent, der bis dahin unbekannt war. Er hat einen schweren Körper, aber er fliegt am Himmel mit Vehikeln, die er selbst erfunden hat. Seine Bewegung ist langsam, aber er reist in hoher Geschwindigkeit durch Ost und West mit Hilfe von Fahrzeugen, die er entwickelt hat. Kurz gesagt, diese Kraft umfasst alle Dinge.
Aber dieser menschliche Geist hat zwei Seiten: eine himmlische und eine satanische – das heißt, er ist sowohl zur höchsten Vollkommenheit als auch zur größten Unvollkommenheit fähig. Wenn er sich Tugenden aneignet, ist er von allem Erschaffenen das Edelste und wenn er sich Laster aneignet, dann ist er an Abscheulichkeit nicht zu überbieten.
Was die vierte Art des Geistes betrifft, so ist es der himmlische Geist, das heißt der Geist des Glaubens und die Gnadenfülle des Allbarmherzigen. Dieser Geist geht aus dem Odem des Heiligen Geistes hervor und wird durch die Kraft Gottes zur Ursache ewigen Lebens. Diese Kraft macht die irdische Seele himmlisch und den unvollkommenen Menschen vollkommen. Sie reinigt die Unreinen, löst die Zunge der Schweigsamen, heiligt die Sklaven der Leidenschaft und Begierde und verleiht den Unwissenden Wissen.
Die fünfte Art des Geistes ist der Heilige Geist, der Mittler zwischen Gott und Seiner Schöpfung. Er ist wie ein Spiegel, der der Sonne zugewandt ist: So wie ein makelloser Spiegel die Strahlen der Sonne aufnimmt und ihre Gaben anderen spiegelt, so ist auch der Heilige Geist der Mittler für das Licht der Heiligkeit, das er von der Sonne der Wahrheit an geheiligte Seelen weitergibt. Dieser Geist ist mit jeglicher göttlichen Vollkommenheit geschmückt. Wann immer er erscheint, wird die Welt wiederbelebt, wird ein neuer Zyklus eingeleitet und der Körper der Menschheit in ein neues Gewand gekleidet. Es ist wie der Frühling: Wenn er anbricht, versetzt er die Welt von einem Zustand in einen anderen. Denn mit dem Frühlingsbeginn werden die dunkle Erde, die Felder und die Wiesen grün und fruchtbar; Blumen und süß duftende Kräuter aller Art treiben aus; Bäume erwachen zu neuem Leben; wunderbare Früchte gedeihen; und ein neuer Zyklus wird eröffnet.
Genauso ist es mit der Manifestation des Heiligen Geistes: Wann immer Er erscheint, verleiht Er der Menschheit neues Leben und der menschlichen Wirklichkeit einen neuen Geist. Er kleidet alles Sein in ein prächtiges Gewand, vertreibt die Dunkelheit der Unwissenheit und lässt das Licht menschlicher Vollkommenheit erstrahlen. Mit eben dieser Kraft erneuerte Christus diesen Zyklus – woraufhin die göttliche Frühlingszeit mit höchster Frische und Anmut in der Menschenwelt ihr Zelt aufschlug und die Sinne der erleuchteten Seelen mit ihren lebensspendenden, duftenden Brisen erfüllte.
Ebenso glich die Offenbarung Bahá’u’lláhs einer neuen Frühlingszeit, die mit den süßen Düften der Heiligkeit, mit den Heerscharen ewigen Lebens und mit der Kraft des himmlischen Königreichs erschien. Er errichtete mitten im Herzen der Welt den Thron der Herrschaft Gottes, erweckte durch die Kraft des Heiligen Geistes die Seelen zu neuem Leben und läutete einen neuen Zyklus ein.

Kapitel 37

Die Verbindung zwischen Gott und Seinen Manifestationen

Frage: Was ist die Wirklichkeit des Göttlichen und ihre Verbindung zum jeweiligen Tagesanbruch des göttlichen Strahlenglanzes und den Dämmerungsorten des Lichtes des Allbarmherzigen?
Antwort: Wisse, dass die göttliche Wirklichkeit und das erhabene Wesen Gottes unaussprechliche und absolute Heiligkeit ist, das heißt, erhaben und geheiligt über jeden Lobpreis. Alle Attribute, die den höchsten Ebenen des Daseins in Bezug auf diese Stufe zugeschrieben werden, entspringen der Phantasie. Das Unsichtbare und Unerreichbare kann nie erkannt werden; das absolute Wesen kann niemals beschrieben werden. Denn das göttliche Wesen ist allumfassend und alle erschaffenen Dinge werden davon umfasst. Das Allumfassende ist mit Sicherheit größer als das Umfasste, und so kann das Umfasste keinesfalls zum Allumfassenden vordringen oder seine Wirklichkeit begreifen. Wie weit der menschliche Verstand auch voranschreiten mag, selbst wenn er den höchsten Grad menschlichen Begreifens erreichte, so liegt doch die äußerste Grenze für dieses Begreifen darin, die Zeichen und Attribute Gottes in der Welt der Schöpfung zu schauen, nicht aber im Reich des Göttlichen. Denn das Wesen und die Attribute des allherrlichen Herrn sind in den unerreichbaren Höhen der Heiligkeit verwahrt und Verstand und Begreifen des Menschen werden niemals einen Weg zu dieser Stufe finden. »Der Weg ist versperrt und jede Suche verwehrt.«A116
Offensichtlich folgt alles, was der Mensch versteht, aus seinem Dasein, und der Mensch ist ein Zeichen des Allbarmherzigen: Wie kann dann das, was aus dem Zeichen folgt, den Schöpfer des Zeichens umfassen? Mit anderen Worten: Wie kann menschliches Verständnis, das aus dem Dasein des Menschen folgt, Gott begreifen? So ist die Wirklichkeit des Göttlichen allem Begreifen verborgen und verhüllt vor dem Verstand aller Menschen, und es ist unmöglich zu dieser Stufe aufzusteigen.
Wir können beobachten, dass alles Niedere unfähig ist, die Wirklichkeit des Höheren zu begreifen. Wieweit sie sich auch entwickeln mögen, können der Stein, die Erde und der Baum niemals die Wirklichkeit des Menschen begreifen oder sich die Kräfte des Sehens, des Hörens und der anderen Sinne vorstellen, selbst wenn das eine wie das andere erschaffene Dinge sind. Wie kann dann der Mensch, ein bloßes Geschöpf, die Wirklichkeit des geheiligten Wesens des Schöpfers begreifen? Kein menschliches Verstehen kann in die Nähe dieser Stufe gelangen, keine Äußerung kann ihre Wahrheit erschließen, und keine Anspielung kann ihr Geheimnis vermitteln. Was hat ein Staubkorn mit der Welt der Heiligkeit zu tun, und welche Verbindung kann je zwischen dem begrenzten Verstand und der Weite des grenzenlosen Reiches bestehen? Der menschliche Verstand ist machtlos, Ihn zu verstehen, und Seelen sind verwirrt, wenn sie versuchen, Seine Wirklichkeit zu beschreiben. »Die Blicke erreichen Ihn nicht, Er aber erreicht die Blicke. Und Er ist der Feinfühlige, der Kenntnis von allem hat!«A117
Daher ist in Bezug auf diese Stufe jede Aussage und Erklärung unzureichend, jede Beschreibung und Charakterisierung unwürdig, jede Vorstellung haltlos und jeder Versuch, sie zu ergründen, zwecklos. Aber dieser Wesenskern allen Wesens, diese Wahrheit aller Wahrheiten, dieses Geheimnis aller Geheimnisse, zeigt sich durch Pracht, Strahlenglanz, Offenbarungen und Erscheinungen in der Welt des Seins. Die Aufgangsorte dieses Strahlenglanzes, die Dämmerungsorte und der jeweilige Ursprung dieser Offenbarungen sind jene Verkörperungen der Heiligkeit, jene universellen Wirklichkeiten und göttlichen Wesen, die die wahren Spiegel des geheiligten Wesens des Göttlichen sind. Jede Vollkommenheit, alle Gaben und die Pracht des einen wahren Gottes sind in der Wirklichkeit Seiner Heiligen Manifestationen deutlich sichtbar, so wie das Licht der Sonne mit all seiner Vollkommenheit und seinen Gaben in einem klaren, makellosen Spiegel vollständig reflektiert wird. Und wenn gesagt wird, dass die Spiegel die Offenbarungen der Sonne und die Dämmerungsorte des Tagesgestirns der Welt sind, so bedeutet das nicht, dass die Sonne von den Höhen ihrer Heiligkeit herabgestiegen ist oder sich im Spiegel verkörpert hat, oder dass diese grenzenlose Wirklichkeit auf diese sichtbare Ebene beschränkt worden wäre. Gott bewahre! Das ist die Überzeugung derer, die den Anthropomorphismus vertreten. Nein, all diese Beschreibungen, jeder Ausdruck von Lobpreis und Herrlichkeit beziehen sich auf diese heiligen Manifestationen; das heißt, alles, was wir erwähnen, jede Beschreibung, jedes Lob, jeder Name und jedes Attribut Gottes, gilt Ihnen. Aber niemand hat je die Wirklichkeit des Wesens des Göttlichen ergründet, um sie gebührend andeuten, beschreiben, loben oder verherrlichen zu können. So bezieht sich alles, was die menschliche Wirklichkeit von den Namen, Attributen und der Vollkommenheit Gottes erkennt, entdeckt und versteht, auf diese heiligen Manifestationen und auf nichts anderes: »Der Weg ist abgeschnitten und alles Suchen ist verwehrt.«
Dennoch schreiben wir der Wirklichkeit des Göttlichen bestimmte Namen und Attribute zu und preisen Ihn für Sein Auge, Sein Ohr, Seine Macht, Sein Leben und Sein Wissen. Wir betonen diese Namen und Attribute nicht, um die Vollkommenheit Gottes zu bekräftigen, sondern um zu bestreiten, dass Er irgendeine Unvollkommenheit haben könnte.
Wenn wir die bedingte Welt betrachten, erkennen wir, dass Unwissenheit Unvollkommenheit bedeutet und Wissen Vollkommenheit ist, und deshalb nennen wir das geheiligte Wesen Gottes allwissend. Schwäche ist Unvollkommenheit und Kraft ist Vollkommenheit, und so sagen wir, dass das geheiligte und göttliche Wesen allmächtig ist. Dies bedeutet nicht, dass wir Sein Wissen, Sehen, Hören, Seine Kraft oder Sein Leben an sich verstehen können: Das geht sicherlich über unser Begreifen hinaus, denn die wesenhaften Namen und Attribute Gottes sind identisch mit Seinem Wesen, und Sein Wesen ist über alles Verstehen geheiligt. Wären die wesenhaften Attribute nicht identisch mit dem Wesen, dann müsste es eine Vielzahl von Präexistenzen geben und die Unterscheidung zwischen dem Wesen und den Attributen wäre somit auch fest begründet und präexistent. Aber das würde eine unendliche Kette von Präexistenzen implizieren, was offensichtlich falsch ist.
Daraus folgt, dass all diese Namen, Attribute und Lobpreisungen auf die Manifestationen Gottes selbst zutreffen und dass alles, was wir uns darüber hinaus ausdenken oder überlegen könnten, reine Einbildung ist, denn wir können niemals einen Weg zum Unsichtbaren und Unzugänglichen finden. Deshalb wurde gesagt: »Alles, was ihr in eurer Eitelkeit meint erkannt zu haben und in allerfeinsten Worten beschrieben habt, ist nur eine Schöpfung wie ihr selbst und geht auf euch selbst zurück.«A118
Wenn wir uns die Wirklichkeit des Göttlichen vorstellen wollten, liegt auf der Hand, dass diese Vorstellung selbst umfasst wäre und unser Verstand es ist, der sie umfasst – und das Umfassende ist gewiss größer als das Umfasste! Daraus folgt, dass jede Wirklichkeit, die wir uns jenseits der heiligen Manifestationen für das Göttliche vorstellen könnten, nur eine Einbildung wäre, da es keine Möglichkeit gibt, sich der göttlichen Wirklichkeit zu nähern, die völlig außerhalb der Reichweite des Verstandes liegt. Und alles, was wir uns vorstellen könnten, ist reine Einbildung.
Überlege dann, wie die Völker der Welt um ihre eigenen eitlen Einbildungen kreisen und die Götzen ihrer eigenen Gedanken und Vorstellungen verehren, ohne sich auch nur im Geringsten dessen bewusst zu sein. Sie halten diese eitlen Einbildungen für jene Wirklichkeit, die über allem Verstehen geheiligt und über jede Andeutung erhaben ist. Sie verstehen sich als Verfechter der göttlichen Einheit und betrachten alle anderen als Götzenverehrer, auch wenn Götzen zumindest ein mineralisches Dasein genießen, während die Götzen der menschlichen Gedanken und Vorstellungen reine Einbildungen sind und nicht einmal das Dasein eines Steins besitzen. »Zieht nun die Lehre daraus, ihr Einsichtigen.«A119
Wisse, dass die Attribute der Vollkommenheit, die göttliche Gnadenfülle und der Strahlenglanz göttlicher Offenbarung aus allen Manifestationen Gottes hervorleuchten, dass aber Christus, das allumfassende Wort Gottes, und Bahá’u’lláh, Sein Größter Name, mit einer Offenbarung erschienen sind, die jede Vorstellung übersteigt. Denn sie besitzen nicht nur jede Vollkommenheit der früheren Manifestationen, sie überragen sie vielmehr mit solch einer Vollkommenheit, dass alle anderen eher ihren Jüngern gleichen. So waren alle Propheten Israels Empfänger göttlicher Offenbarung, und so auch Christus, aber wie groß ist der Unterschied zwischen der Offenbarung dessen, der das Wort Gottes war, und der Inspiration eines Jesaja, eines Jeremia oder eines Elias!
Beachte, dass Licht auf die Schwingungen des Äthers hindeutet, was den Sehnerv stimuliert und das Sehen ermöglicht. Nun, diese Schwingungen des Äthers gibt es sowohl in der Lampe als auch in der Sonne, doch welch ein Unterschied besteht zwischen dem Licht der Sonne, dem der Sterne oder dem der Lampe!
Der menschliche Geist weist im Stadium des Embryos bestimmte Merkmale und Erscheinungsformen auf und im Stadium der Kindheit, der Jugend und der Reife zeigt sich noch eine ganz andere Pracht und Ausprägung. Der Geist ist ein einziger, und doch fehlt ihm im embryonalen Stadium die Kraft des Sehens und Hörens, während er in den Stadien der Jugend und Reife mit größter Pracht und Ausstrahlung erscheint. Ebenso beginnt der Samen sein Wachstum anfangs nur als Blatt, dem Erscheinungsort des Pflanzengeistes; und wenn er Früchte trägt manifestiert sich derselbe Geist, das heißt die Kraft des Wachstums, in der Fülle seiner Vollkommenheit – doch wie weit ist die Stufe des Blattes von derjenigen der Frucht entfernt! Denn aus der Frucht werden mit der Zeit hunderttausend Blätter hervorgehen, auch wenn sie alle durch denselben pflanzlichen Geist wachsen und sich entwickeln. Und nun denke einen Moment nach über den Unterschied zwischen den Tugenden und der Vollkommenheit Christi und der Pracht und dem Strahlenglanz Bahá’u’lláhs einerseits und den Tugenden der Propheten des Hauses Israel wie Hesekiel oder Samuel andererseits. Sie alle waren Empfänger göttlicher Offenbarung, aber wie unermesslich ist der Unterschied zwischen ihnen.

Kapitel 38

Die drei Seinsebenen der göttlichen Manifestationen

Wisse, dass Tugend und Vollkommenheit der Manifestationen Gottes zwar grenzenlos sind, Sie aber nur drei Seinsebenen einnehmen: Erstens die körperliche Ebene; zweitens die menschliche Ebene, also die der vernunftbegabten Seele; und drittens die Ebene der göttlichen Offenbarung und des himmlischen Strahlenglanzes.
Was die körperliche Ebene betrifft, so liegt ihr Ursprung in der Zeit, denn sie ist aus Elementen zusammengesetzt, und jeder Zusammensetzung folgt notwendigerweise eine Auflösung. Es ist in der Tat unmöglich, dass auf eine Zusammensetzung kein Zerfall folgt.
Die zweite Ebene ist die der vernunftbegabten Seele, sie ist die Wirklichkeit des Menschen. Auch diese Ebene hat einen Anfang und die Manifestationen Gottes teilen sie mit allen Menschen.
Die dritte Ebene ist die der göttlichen Offenbarung und des himmlischen Strahlenglanzes; sie ist das Wort Gottes, die immerwährende Gnade und der Heilige Geist. Auf dieser Ebene gibt es weder Anfang noch Ende, denn Anfang und Ende gehören zur bedingten Welt, nicht aber zur Welt Gottes. Bei Gott sind Anfang und Ende ein und dasselbe. Auch die Berechnung von Tagen, Wochen, Monaten und Jahren – von gestern und heute – richtet sich nach der Erde; in der Sonne sind sie unbekannt: Es gibt weder gestern noch heute noch morgen, weder Monate noch Jahre – alle sind gleich. In gleicher Weise ist das Wort Gottes über alle diese Bedingungen geheiligt und über jedes Gesetz, jede Einschränkung und Begrenzung der bedingten Welt erhaben.
Wisse, dass Menschen zwar seit unzähligen Zeitaltern und Zyklen auf der Erde existieren, die menschliche Seele aber dennoch erschaffen ist. Und weil sie ein Zeichen Gottes ist, lebt sie, einmal ins Dasein gelangt, in alle Ewigkeit. Der menschliche Geist hat einen Anfang, aber kein Ende: Er bleibt für immer bestehen. Auch die verschiedenen Spezies, die auf der Erde leben, haben einen zeitlichen Ursprung; denn es wird allgemein anerkannt, dass es eine Zeit gab, in der diese Arten nirgendwo auf Erden existierten, und darüber hinaus gab es eine Zeit, in der selbst die Erde nicht existierte. Aber die Welt des Seins gab es immer, denn sie ist nicht auf diese Erdkugel beschränkt.
Damit soll gesagt werden, dass die menschlichen Seelen zwar einen Ursprung haben, aber dennoch unsterblich sind und ewig fortdauern. Die stoffliche Welt ist nämlich eine Welt der Unvollkommenheit verglichen mit der des Menschen; und die Menschenwelt ist eine Welt der Vollkommenheit verglichen mit der stofflichen Welt. Erreichen unvollkommene Dinge die Stufe der Vollkommenheit, so werden sie unvergänglich. Dies soll ein Beispiel sein: Versuche zu erfassen, was damit wirklich gemeint ist.
Nun hat die Wirklichkeit des Prophetentums, die das Wort Gottes und die Stufe vollkommener göttlicher Offenbarung ist, weder Anfang noch Ende, aber ihr Strahlen ist veränderlich wie das der Sonne. Zum Beispiel erhob sie sich überaus strahlend und prächtig im Zeichen Christi, und dies bleibt so für immer und ewig. Sieh, wie viele Könige die Welt eroberten, und wie viele kluge Minister und Herrscher kamen und gingen und doch fielen sie allesamt der Vergessenheit anheim – während jetzt noch die Brisen Christi wehen, Sein Licht leuchtet, Sein Ruf erhoben wird, Sein Banner entfaltet ist, Seine Heerscharen kämpfen, Seine wohlklingende Stimme ertönt, Seine Wolken lebensspendende Schauer herabregnen, Sein Blitz den Himmel erhellt, Seine Herrlichkeit klar und unbestreitbar ist, Seine Pracht strahlend leuchtet; und das Gleiche gilt für eine jede Seele, die unter Seinem Schatten wohnt und teilhat an Seinem Lichte.
Daher ist klar, dass es für die Manifestationen Gottes drei verschiedene Seinsebenen gibt: die physische Ebene, die Ebene der vernunftbegabten Seele und die Ebene der göttlichen Offenbarung und des himmlischen Strahlenglanzes. Die körperliche Ebene wird unausweichlich vergehen. Was die Ebene der vernunftbegabten Seele betrifft: Sie hat zwar einen Anfang, aber kein Ende und ist ausgestattet mit ewigem Leben. Was aber die heilige Wirklichkeit betrifft, von der Christus sagt: »Der Vater ist im Sohn«A120, so hat sie weder Anfang noch Ende: Ihr ›Anfang‹ bezieht sich lediglich auf die Offenbarung Seiner eigenen Stufe. So vergleicht Er Sein Schweigen mit dem Schlaf: Ein Mann, der schweigt, ist wie einer, der schläft, und wenn er spricht, dann ist es, als sei er erwacht.A121 Und doch sind der Schlafende und der Wachende ein und derselbe: An seiner Stufe, seiner Erhabenheit, seiner Größe, seiner Wirklichkeit und seiner Natur hat sich nichts geändert. Es wurde nur der Zustand des Schweigens mit dem Schlaf und der Zustand der Offenbarung mit dem Wachsein verglichen. Ein Mensch ist derselbe, ob er schläft oder wacht. Schlaf ist nur ein möglicher Zustand, Wachsein ein anderer. Und so wird die Zeit des Schweigens mit dem Schlaf, und die Zeit der Offenbarung und Führung mit dem Wachzustand verglichen.
Im Evangelium heißt es: »Im Anfang war das Wort, und das Wort war bei Gott.« Daraus folgt, dass Christus nicht erst im Augenblick Seiner Taufe, als der Heilige Geist in Form einer Taube auf Ihn herabkam, Seine messianische Stufe und Seine Vollkommenheit erreichte. Vielmehr war das Wort Gottes immer auf den höchsten Höhen der Heiligkeit und wird es immer sein.

Kapitel 39

Die menschliche und die göttliche Seinsebene der Manifestationen

Wir haben bereits von den drei Seinsebenen der Manifestationen Gottes gesprochen: erstens die stoffliche Wirklichkeit, die den menschlichen Körper betrifft; zweitens die individuelle Wirklichkeit, das heißt die vernunftbegabte Seele; und drittens die himmlische Offenbarung, die aus den vollkommenen göttlichen Eigenschaften besteht und die Quelle des Lebens der Welt, der Erziehung der Seelen, der Führung der Menschen und der Erleuchtung der ganzen Schöpfung ist.
Die körperliche Ebene ist menschlicher Natur und wird sich auflösen, denn sie ist eine Zusammensetzung von Elementen und das, was aus Elementen zusammengesetzt ist, muss zwangsläufig zerfallen und sich auflösen.
Aber die individuelle Wirklichkeit der Manifestationen des Allbarmherzigen ist eine geheiligte Wirklichkeit, weil sie alle erschaffenen Dinge in ihrem Wesen und in ihren Attributen übertrifft. Sie ist wie die Sonne, die aufgrund ihrer naturgegebenen Beschaffenheit zwangsläufig Licht erzeugen muss und mit der sich kein Mond vergleichen lässt. Beispielsweise sind die Bestandteile der Sonne nicht mit denen des Mondes vergleichbar. Durch die Zusammensetzung und Anordnung der Bestandteile der Ersteren werden notwendig Strahlen erzeugt, während durch die des Letzteren zwangsläufig Licht aufgenommen, aber nicht erzeugt wird. Die menschliche Wirklichkeit aller anderen Seelen gleicht der des Mondes, der sein Licht von der Sonne bezieht, wohingegen jene geheiligte Wirklichkeit aus sich selbst heraus leuchtet.
Die dritte Seinsebene ist die der göttlichen Gnade, die Enthüllung der Schönheit des Altehrwürdigen der Tage und der Strahlenglanz des Lichtes des lebendigen und allmächtigen Herrn. Die individuelle Wirklichkeit der heiligen Manifestationen kann genauso wenig von göttlicher Gnade und Offenbarung getrennt werden, wie die physische Masse der Sonne von ihrem Licht getrennt werden kann. So ist das Hinscheiden der heiligen Manifestationen einfach das Verlassen ihres physischen Körpers. Betrachte beispielsweise die Lampe, die diese Nische beleuchtet. Ihre Strahlen können nicht mehr auf die Nische fallen, wenn diese zerstört wird, aber die Lichtfülle der Lampe wird nicht unterbrochen. Die präexistente Gnade der heiligen Manifestationen ist wie das Licht, Ihre individuelle Wirklichkeit wie der Glasschirm und ihr menschlicher Tempel wie die Nische: Wenn die Nische zerstört ist, brennt die Lampe weiter. Die Manifestationen Gottes gleichen vielen verschiedenen Spiegeln, denn jede hat Ihre eigene Individualität, aber das, was von diesen Spiegeln reflektiert wird, ist ein und dieselbe Sonne. Somit ist offensichtlich, dass die Wirklichkeit Christi sich von der des Mose unterscheidet.
Von Anfang an ist sich diese geheiligte Wirklichkeit des Geheimnisses des Seins bewusst, und von Kindheit an sind die Zeichen der Größe in Ihm deutlich sichtbar. Wie könnte Er nun trotz solcher Gaben und solcher Vollkommenheit Seine eigene Stufe nicht wahrnehmen?
Wir erwähnten die drei Seinsebenen der Manifestationen Gottes: die körperliche Existenz, die individuelle Wirklichkeit und die vollkommene göttliche Offenbarung, was vergleichbar ist mit der Sonne, ihrer Hitze und ihrem Licht. Andere Menschen haben ebenfalls ein körperliches Dasein und eine vernunftbegabte Seele – den Geist und Verstand. Aussagen wie »Ich schlief auf Meinem Lager, als der Windhauch Gottes über Mich wehte und Mich aus Meinem Schlummer erweckte«A122, ähneln dem Worte Christi: »Das Fleisch ist mit Kummer beladen, aber der Geist ist voller Freude«, oder Bemerkungen wie: »Ich bin betrübt«, oder »Ich bin entspannt«, oder »Ich bin beunruhigt«: All diese Aussprüche beziehen sich auf die körperliche Ebene und haben keinen Einfluss auf die individuelle Wirklichkeit oder auf die Stufe der Offenbarung der göttlichen Wirklichkeit. Zum Beispiel könnte der menschliche Körper tausenden von Wechselfällen ausgesetzt sein, aber der Geist ist sich dessen überhaupt nicht bewusst. Es ist sogar möglich, dass einzelne Körperfunktionen völlig ausfallen, während das Wesen des Verstandes unberührt bleibt. Ein Kleidungsstück mag vielfach durchlöchert und zerrissen werden, sein Träger kann trotzdem unversehrt bleiben. So beziehen sich die Worte Bahá’u’lláhs, »Ich schlief auf Meinem Lager, als ein Windhauch über Mich wehte und Mich aus Meinem Schlummer erweckte«, auf den Körper.
In der Welt Gottes gibt es keine Vergangenheit, Gegenwart oder Zukunft: Alles dies ist eins. Wenn also Christus sagte: »Im Anfang war das Wort«A123, meinte Er damit, das Wort war, ist und wird sein, denn in der Welt Gottes gibt es keine Zeit. Zeit herrscht über die Geschöpfe, nicht aber über Gott. So spricht Christus in dem Gebet: »Geheiligt werde Dein Name«A124, was bedeutet: Dein Name war und ist geheiligt und wird immer geheiligt sein. Abermals, Morgen, Mittag und Abend gibt es auf der Erde, aber auf der Sonne gibt es weder Morgen, noch Mittag noch Abend.

Kapitel 40

Das Wissen der Manifestationen Gottes

Frage: Welche Grenzen sind den Kräften der Manifestationen Gottes gesetzt, insbesondere bezüglich Ihres Wissens?
Antwort: Wissen ist von zweierlei Art: wesenhaftes Wissen und formales Wissen, das heißt, intuitives Wissen und konzeptionelles Wissen.
Das Wissen, das die Menschen haben, gewinnen sie in der Regel durch Verständnis von Zusammenhängen und durch Beobachtung, das heißt, entweder wird das Objekt mit dem Verstand erfasst, oder durch seine Beobachtung wird ein Bild davon im Spiegel des Herzens erzeugt. Dieses Wissen ist recht begrenzt, da man es erst erwerben und sich aneignen muss.
Die andere Art von Wissen jedoch, wesenhaftes und intuitives Wissen, ist wie das Wissen und die Kenntnis des Menschen über sein eigenes Selbst.
Zum Beispiel sind sich Verstand und Geist des Menschen all seiner Befindlichkeiten und Gegebenheiten, aller Teile und Glieder seines Körpers und all seiner körperlichen Empfindungen sowie seiner geistigen Kräfte, Wahrnehmungen und Zustände bewusst. Dies ist ein wesenhaftes Wissen, durch das der Mensch seinen eigenen Zustand wahrnimmt. Er fühlt und begreift es, weil der Geist den Körper umfasst und sich seiner Empfindungen und Kräfte bewusst ist. Dieses Wissen wird nicht durch Anstrengung erworben: Es ist Teil des Wesens, einfach eine Gabe.
Da jene geheiligten Wirklichkeiten, die allumfassenden Manifestationen Gottes, alle erschaffenen Dinge sowohl in ihrem Wesen als auch in ihren Eigenschaften umfassen, da Sie alle existierenden Wirklichkeiten übersteigen und enthüllen; und da Sie um alle Dinge wissen, ist folglich Ihr Wissen göttlich und nicht etwa erworben – das heißt, es ist eine himmlische Gnade und eine göttliche Enthüllung.
Nehmen wir ein Beispiel, nur um den Punkt klar zu machen. Das edelste aller irdischen Wesen ist der Mensch. In ihm sind das Tier-, das Pflanzen- und das Mineralreich verwirklicht; das heißt, all diese Ebenen sind in ihm enthalten, so dass er mit ihnen allen ausgestattet ist. Und mit all diesen Ebenen und Stufen betraut, ist er ihrer Mysterien gewahr und kennt die Geheimnisse ihrer Existenz. Dies ist nur ein Beispiel und nicht etwa eine genaue Entsprechung.
Kurz gesagt, die allumfassenden Manifestationen Gottes sind sich der Wahrheit, die den Mysterien aller erschaffenen Dinge zugrunde liegt, bewusst und so schaffen Sie eine Religion, die auf dem vorherrschenden Zustand der Menschheit beruht und damit in Einklang steht. Denn Religion beruht auf den notwendigen Beziehungen, die sich aus den Wirklichkeiten der Dinge ableiten. Wenn die Manifestation Gottes – der göttliche Gesetzgeber – nicht über die Wirklichkeiten der Dinge im Bilde wäre, wenn Er die notwendigen Beziehungen, die sich aus diesen Wirklichkeiten ergeben, nicht verstehen würde, könnte Er sicherlich keine Religion schaffen, die zu den Nöten und Bedingungen der Zeit passt. Die Propheten Gottes, die allumfassenden Manifestationen, gleichen fähigen Ärzten; die Welt des Seins ist wie der Körper des Menschen; und die göttlichen Religionen sind wie die Therapie und das Heilmittel. Der Arzt muss über alle Körperteile und Organe, die Konstitution und die Lebensumstände des Patienten Bescheid wissen, damit er ein wirksames Heilmittel verschreiben kann. Tatsächlich leitet der Arzt aus der Krankheit selbst das Heilmittel ab, denn er diagnostiziert zuerst die Erkrankung und behandelt dann deren Ursache. Solange die Krankheit nicht genau diagnostiziert ist, wie kann da eine Therapie oder ein Heilmittel verschrieben werden? Der Arzt muss daher die Konstitution, die Körperteile, Organe und die Lebensumstände des Patienten genau kennen und ebenso mit jeder Krankheit und jedem Heilmittel vertraut sein, um die richtige Behandlung zu verordnen.
Religion beruht also auf den notwendigen Beziehungen, die sich aus der Wirklichkeit der Dinge ableiten. Im Bewusstsein der Geheimnisse der Schöpfung sind die allumfassenden Manifestationen Gottes vollkommen über diese notwendigen Beziehungen im Bilde und schaffen damit die Religion Gottes.

Kapitel 41

Universelle Zyklen

Frage: Es wurden universelle Zyklen erwähnt, die in der Welt des Seins auftreten. Bitte erläutern Sie, wie es sich damit in Wirklichkeit verhält.
Antwort: Jeder der leuchtenden Himmelskörper dieses grenzenlosen Firmaments hat seinen Umlaufzyklus, der Zeitraum, in dem eine volle Umlaufbahn beendet wird, bevor eine neue beginnt. Die Erde beispielsweise vollzieht alle 365 Tage, fünf Stunden und annähernd achtundvierzig Minuten einen Umlauf und beginnt dann erneut auf derselben Erdumlaufbahn. Ebenso durchläuft das gesamte Universum Zyklen bedeutender Ereignisse und Geschehnisse, sei es im Hinblick auf das Reich der Natur oder des Menschen.
Wenn ein Zyklus zum Abschluss kommt, wird ein neuer eröffnet, und der vorhergehende Zyklus schwindet aufgrund folgenschwerer Ereignisse so gänzlich aus der Erinnerung, dass er keine Aufzeichnung oder Spur hinterlässt. Wie du weißt, haben wir keine Aufzeichnungen aus der Zeit vor zwanzigtausend Jahren, obwohl wir vorher durch rationale Argumente festgestellt haben, dass das Leben auf dieser Erde sehr alt ist – nicht ein oder zweihunderttausend, nicht einmal ein oder zwei Millionen Jahre alt: Es ist in der Tat uralt, und die Aufzeichnungen und Spuren der Urzeit wurden vollständig ausgelöscht.
Für jeden der Offenbarer Gottes gibt es ebenfalls einen Zyklus, in dem Seine Religion und Sein Gesetz ihre volle Kraft und Wirkung haben. Wenn Sein Zyklus durch das Kommen eines neuen Offenbarers beendet ist, beginnt ein neuer Zyklus. So werden Zyklen eröffnet, abgeschlossen und erneuert, bis ein universeller Zyklus in der Welt des Daseins vollendet ist und folgenschwere Ereignisse eintreten, die jede Aufzeichnung und Spur der Vergangenheit auslöschen; dann beginnt ein neuer universeller Zyklus in der Welt, denn das Reich des Daseins hat keinen Anfang. Wir haben bereits Argumente und Beweise zu diesem Thema dargelegt, und es ist nicht nötig sie zu wiederholen.A125
Kurz gesagt, wir stellen fest, dass ein universeller Zyklus in der Welt des Daseins einen gewaltigen Zeitraum und unzählige Zeitalter und Epochen umfasst. In einem solchen Zyklus treten die Offenbarer Gottes in der sichtbaren Welt in Erscheinung, bis ein allumfassender und höchster Offenbarer die Welt zum Mittelpunkt göttlichen Glanzes macht und sie durch Seine Offenbarung zur Stufe der Reife führt. Die Dauer Seines Zyklus ist sehr lang. Andere Offenbarer werden sich im Laufe dieses Zyklus in Seinem Schatten erheben und entsprechend den Zeiterfordernissen bestimmte Gesetze in Bezug auf materielle Angelegenheiten und Vorgänge erneuern, aber sie werden in Seinem Schatten bleiben. Wir befinden uns in dem Zyklus, der mit Adam begann und dessen allumfassender Offenbarer Bahá’u’lláh ist.

Kapitel 42

Die Macht und Vollkommenheit der göttlichen Manifestationen

Frage: Wie weit erstrecken sich die Kräfte und die Vollkommenheit der Manifestationen Gottes, jener Throne der Wahrheit, und welche Grenzen hat ihr Einfluss?
Antwort: Betrachte die Welt des Daseins, also die stoffliche Schöpfung. Das Sonnensystem ist von Dunkelheit umgeben. Innerhalb seiner Grenzen ist die Sonne der Mittelpunkt allen Lichts, alle zugehörigen Planeten umkreisen sie und werden von ihrer Gabenfülle erleuchtet. Die Sonne ist der Ursprung von Leben und Licht und die Ursache für Wachstum und Entwicklung aller Dinge innerhalb des Sonnensystems. Würde die Gabenfülle der Sonne versiegen, könnte dort kein Lebewesen mehr existieren: Alles würde im Dunkel versinken und zugrunde gehen. Es ist daher klar und offensichtlich, dass die Sonne innerhalb des Sonnensystems das Zentrum allen Lichts und der Ursprung allen Lebens ist.
In gleicher Weise sind die heiligen Manifestationen Gottes die Brennpunkte des Lichtes der Wahrheit, die Quellen der verborgenen Geheimnisse und der Ursprung der ausströmenden göttlichen Liebe. Sie werfen ihren Strahlenglanz auf das Reich des Herzens und des Verstandes und gewähren der Welt des Geistes ewige Gnade. Sie verleihen geistiges Leben und erstrahlen im Glanz innerer Wahrheiten und Bedeutungen. Die Erleuchtung der Welt der Gedanken geht aus von jenen Mittelpunkten des Lichts, die die Geheimnisse enthüllen. Ohne die Gnade der Offenbarung und Unterweisung durch diese geheiligten Wesen würde die Welt der Menschen und das Reich der Gedanken in tiefste Finsternis stürzen. Ohne die wohlbegründeten und wahren Lehren dieser Erklärer der Geheimnisse würde die menschliche Welt zum Schauplatz tierischer Merkmale und Eigenschaften, alles Dasein würde zu einer flüchtigen Einbildung und es gäbe kein wahres Leben mehr. Deshalb heißt es im Evangelium: »Im Anfang war das Wort«, das heißt, es war der Ursprung allen Lebens.A126
Betrachte nun den durchdringenden Einfluss der Sonne auf alle irdischen Wesen und welche sichtbaren Wirkungen und Folgen sich aus ihrer Nähe oder Ferne, ihrem Auf- und Untergang ergeben. Zu einer Zeit ist es Herbst, zu einer anderen ist es Frühling. Zu einer Zeit ist es Sommer, zu einer anderen ist es Winter. Wenn die Sonne die Tagundnachtgleiche passiert, erscheint der lebensspendende Frühling in seiner ganzen Pracht, und wenn sie die Sommersonnenwende erreicht, gelangen die Früchte zur vollen Reife, Getreide und Pflanzen bringen ihre Erträge, und alles Irdische erreicht die Fülle seines Wachstums und seiner Entwicklung.
Sobald in vergleichbarer Weise die heilige Manifestation Gottes – die Sonne der Welt der Schöpfung – Ihre Pracht auf die Welt der Herzen, des Verstandes und des Geistes wirft, wird ein geistiger Frühling eingeläutet und ein neues Leben enthüllt. Die Kraft der unvergleichlichen Frühlingszeit erscheint und ihre wunderbaren Gaben werden sichtbar. So kannst du beobachten, dass mit dem Kommen jeder der Manifestationen Gottes erstaunliche Fortschritte im Bereich des menschlichen Verstandes, der Gedanken und des Geistes erzielt wurden. Betrachte zum Beispiel den Fortschritt, der in diesem göttlichen Zeitalter in der Welt des Verstandes und der Gedanken erreicht wurde – und das ist erst der Anfang der Morgendämmerung! Bald schon wird sich zeigen, wie diese neuen Gnadengaben und himmlischen Lehren diese düstere Welt mit ihrem Licht durchfluten und dieses mit Kummer erfüllte Reich in das allerhöchste Paradies verwandeln.
Würden wir den Einfluss und die Gnadengaben jeder der Manifestationen Gottes ausführlich erläutern, so würde dies sehr lange dauern. Sinne tief darüber nach, um selbst dieser Frage auf den Grund zu gehen und die Wahrheit zu erfassen.

Kapitel 43

Die zwei Arten von Propheten

Frage: Wie viele Arten von Propheten gibt es?
Antwort: Man kann von zwei Arten von Propheten sprechen. Einige sind unabhängige Propheten mit Nachfolgern, während andere nicht unabhängig und selbst Nachfolger sind.
Jeder der unabhängigen Propheten ist Urheber einer göttlichen Religion und Stifter einer neuen Sendung. Mit Ihrem Kommen wird die Welt in ein neues Gewand gekleidet, es wird eine neue Religion gestiftet und ein neues Buch offenbart. Diese Propheten erlangen ohne einen Vermittler die Gnadenfülle der göttlichen Wirklichkeit. Ihr Strahlen ist ein wesensbedingtes Strahlen, vergleichbar mit der Sonne, die in sich selbst und durch sich selbst leuchtet und deren Leuchtkraft eine wesensbedingte Bestimmung ist und nicht etwa von einem anderen Stern erworben wurde: Somit gleichen sie der Sonne, nicht dem Mond. Diese Morgendämmerungen göttlicher Einheit sind der Urquell göttlicher Gnade und die Spiegel für das Wesen der Wirklichkeit.
Die andere Art von Propheten sind Nachfolger und Verkünder, denn sie nehmen eine abhängige, keine unabhängige Stufe ein. Sie erlangen die göttliche Gnade von den unabhängigen Propheten und suchen das Licht der Führung bei der Wirklichkeit des allumfassenden Prophetentums. Sie sind wie der Mond, der nicht aus sich selbst leuchtet und strahlt, sondern sein Licht von der Sonne empfängt.
Zu den allumfassenden, unabhängig erschienenen Propheten gehören: Abraham, Mose, Christus, Muḥammad, der Báb und Bahá’u’lláh. Zur anderen Art, die aus Nachfolgern und Verkündern besteht, gehören Salomon, David, Jesaja, Jeremia, Hesekiel. Die unabhängigen Propheten sind Stifter; das bedeutet, Sie errichten eine neue Religion, erschaffen die Seelen neu, erneuern die ethischen Grundlagen der Gesellschaft und verkünden eine neue Lebensweise und einen neuen Verhaltensmaßstab. Durch sie erscheint eine neue Sendung und eine neue Religion wird gestiftet. Ihr Kommen gleicht dem Frühling, wenn alle irdischen Dinge ein neues Gewand anlegen und zu neuem Leben gelangen.
Was die zweite Art von Propheten betrifft, die Nachfolger sind, so fördern sie die Religion Gottes, verbreiten Seinen Glauben und verkünden Sein Wort. Sie verfügen über keine eigene Macht und Autorität, sondern leiten die ihrige von den unabhängigen Propheten ab.
Frage: Zu welcher Kategorie gehören Buddha und Konfuzius?
Antwort: Auch Buddha stiftete eine neue Religion und Konfuzius erneuerte die althergebrachten Verhaltensweisen und Moralvorstellungen, aber die ursprünglichen Grundsätze wurden völlig verändert und ihre Anhänger halten sich nicht mehr an das ursprüngliche Muster des Glaubens und des Gottesdienstes. Der Stifter des Buddhismus war ein kostbares Wesen, der in Seinen Lehren die Einheit Gottes bestätigte; aber später gerieten Seine ursprünglichen Grundsätze in Vergessenheit und wurden durch primitive Bräuche und Rituale verdrängt, was schließlich zur Anbetung von Statuen und Bildern führte.
Denke zum Beispiel daran, dass Christus die Menschen immer wieder dazu anhielt, die Zehn Gebote der Thora zu beachten und auf ihrer strikten Einhaltung bestand. Eines der Zehn Gebote verbietet aber die Anbetung von Bildern und Statuen.A127 Dennoch gibt es heute in den Kirchen bestimmter christlicher Konfessionen zahllose Bilder und Statuen. Offensichtlich wahrte die Religion Gottes nicht ihre ursprünglichen, Grundsätze sondern wurde allmählich bis zur Unkenntlichkeit verändert und umgestaltet und so erscheint eine neue Manifestation und stiftet eine neue Religion. Denn wenn die frühere Religion nicht verändert und abgewandelt worden wäre, so hätte es keine Notwendigkeit für Erneuerung gegeben.
Anfangs war dieser Baum voller Lebenskraft und mit Blüten und Früchten beladen, aber allmählich wurde er alt, verbraucht und unfruchtbar, bis er gänzlich dahinwelkte und verdorrte. Daher wird der Wahre Gärtner erneut einen zarten Ableger vom selben Stamm pflanzen, damit er Tag für Tag wachse und sich entwickle, seinen schützenden Schatten in diesem himmlischen Garten ausbreite und seine wertvollen Früchte hervorbringe. Genauso verhält es sich mit den göttlichen Religionen: Im Laufe der Zeit verändern sich ihre ursprünglichen Grundsätze, ihre zugrundeliegende Wahrheit erlischt völlig, ihr Geist schwindet, Häresien kommen auf und sie werden zu einem seelenlosen Körper. Aus diesem Grunde werden sie erneuert.
Damit soll gesagt sein, dass die Anhänger von Buddha und Konfuzius heutzutage Bilder und Statuen anbeten und sich der Einheit Gottes nicht mehr bewusst sind, stattdessen aber wie die alten Griechen an imaginäre Götter glauben. Aber das waren nicht ihre ursprünglichen Grundsätze; in der Tat waren ihre ursprünglichen Grundsätze und ihr Verhalten völlig anders.
Bedenke auch, inwieweit die ursprünglichen Grundsätze der christlichen Religion vergessen wurden und wie viele Häresien entstanden sind. Zum Beispiel verbot Christus Gewalt und Rache und forderte stattdessen, Böses und Verletzendes mit Güte und Liebe zu erwidern. Aber bedenke, wie viele blutige Kriege christliche Völker gegeneinander geführt haben und wie viel Unterdrückung, Grausamkeit, Raffgier und Blutrünstigkeit damit verbunden war! Tatsächlich wurden viele dieser Kriege auf Geheiß der Päpste geführt. Es ist daher völlig klar, dass die Religionen im Laufe der Zeit gänzlich verändert und abgewandelt werden, und deshalb werden sie erneuert.

Kapitel 44

Die Vorhaltungen, die Gott den Propheten macht

Frage: In den Heiligen Schriften wurden gewisse Worte des Tadels an die Propheten Gottes gerichtet. An wen sind sie gerichtet und auf wen beziehen sie sich letztlich?
Antwort: Jede göttliche Äußerung in Form eines Tadels, mag sie auch äußerlich an die Propheten Gottes gerichtet sein, wendet sich in Wirklichkeit an ihre Anhänger. Die Weisheit darin ist nichts als reine Barmherzigkeit, auf dass die Menschen nicht bestürzt, entmutigt oder durch solchen Vorwurf und Tadel belastet werden. Diese Worte sind deswegen nach außen hin an die Propheten gerichtet, aber eigentlich sind sie für die Anhänger und nicht für den Gesandten bestimmt.
Mehr noch: ein mächtiger und souveräner Monarch eines Landes repräsentiert alle Bewohner dieses Landes; das heißt, alles, was er äußern mag, ist das Wort für alle, und jeder Bund, den er schließt, ist der Bund für alle, denn Wünsche und Ziele all seiner Untertanen sind in seinen eigenen eingeschlossen. Ebenso ist jeder Prophet der Vertreter der Gesamtheit seiner Anhänger. Der Bund, den Gott mit Ihm schließt, und die Worte, die Er an Ihn richtet, gelten somit für Sein gesamtes Volk.
Nun wird ein göttlicher Vorwurf und Tadel in der Regel die Herzen der Menschen belasten und betrüben und deshalb verlangt die vollkommene Weisheit Gottes solch eine Form der Ansprache. Aus der Thora selbst geht zum Beispiel hervor, dass die Israeliten gegen Mose rebellierten und sagten: »Wir können die Amalekiter nicht bekämpfen, denn sie sind mächtig, wild und kühn.« Gott tadelte dann Mose und Aaron, obwohl Mose vollkommen gehorsam war und sich nicht auflehnte.A128 Sicherlich muss ein solch ruhmreiches Wesen, der Kanal der Gnade Gottes und Verfechter Seines Gesetzes, dem göttlichen Gebot gehorsam sein.
Diese heiligen Seelen sind wie die Blätter eines Baumes, die durch eine Brise und nicht aus eigenem Antrieb in Bewegung versetzt werden, denn sie werden vom Odem der Liebe Gottes angezogen und haben ihren eigenen Willen aufgegeben. Ihr Wort ist das Wort Gottes, Ihr Gebot ist das Gebot Gottes, Ihr Verbot ist das Verbot Gottes. Sie sind wie dieser gläserne Lampenschirm, dessen Licht von der Flamme der Lampe herrührt. Obwohl das Licht aus dem Glas zu kommen scheint, geht es in Wirklichkeit von der Flamme aus. Ebenso ergeben sich Bewegung und Ruhe der Propheten Gottes, die Seine Manifestationen sind, aus der göttlichen Offenbarung und nicht aus bloßem menschlichen Verlangen. Wäre es nicht so, wie könnte der Prophet als vertrauenswürdiger Stellvertreter und auserwählter Gesandter Gottes handeln? Wie könnte Er Gottes Gebote und Verbote verkünden? Alle Mängel, die die Heiligen Schriften den Manifestationen Gottes zuschreiben, müssen daher in diesem Licht verstanden werden.
Gelobt sei Gott, dass ihr hier hergekommen seid und den Dienern Gottes begegnet seid! Hast du außer dem Duft des Wohlgefallens des Herrn jemals etwas anderes bei ihnen wahrgenommen? Gewiss nicht! Mit eigenen Augen hast du gesehen, wie sie sich Tag und Nacht um nichts anderes bemühen, als das Wort Gottes zu verherrlichen, die Erziehung der Menschen zu unterstützen, das Glück der Menschheit wiederherzustellen, für geistigen Fortschritt zu sorgen, universellen Frieden voranzubringen, allen Völkern und Nationen Freundlichkeit und guten Willen zu erweisen, sich für das Gemeinwohl zu opfern, ihren eigenen materiellen Vorteil aufzugeben und die Tugenden der Menschenwelt zu fördern.
Doch lass uns zu unserem Thema zurückkommen. Im Alten Testament bei Jesaja 48:12 heißt es »Höre mir zu, Jakob, und du, Israel, den ich berufen habe: Ich bin’s, ich bin der Erste und auch der Letzte.« Es ist offensichtlich, dass die beabsichtigte Bedeutung nicht Jakob ist, der Israel genannt wurde, sondern die Israeliten. Auch in Jesaja 43:1 heißt es: »Und nun spricht der Herr, der dich geschaffen hat, Jakob, und dich gemacht hat, Israel: Fürchte dich nicht, denn ich habe dich erlöst; ich habe dich bei deinem Namen gerufen; du bist mein!«
Ferner heißt es im 4. Buch Mose, 20:23–4: »Und der Herr redete mit Mose und Aaron am Berge Hor an der Grenze des Landes der Edomiter und sprach: Aaron soll versammelt werden zu seinen Vätern; denn er soll nicht in das Land kommen, das ich den Israeliten gegeben habe, weil ihr meinem Munde ungehorsam gewesen seid bei dem Haderwasser«; und in Vers 20:13: »Das ist das Haderwasser, wo die Israeliten mit dem Herrn haderten und er sich heilig an ihnen erwies.«
Beachte, dass es das Volk Israel war, das rebelliert hatte, aber der Vorwurf wurde nach außen an Aaron und Mose gerichtet, wie es im 5. Buch Mose, 3:26 heißt: »Aber der Herr zürnte mir um euretwillen und erhörte mich nicht, sondern sprach zu mir: Lass es genug sein! Rede mir davon nicht mehr!«
Nun, dieser Vorwurf und Tadel richtete sich in Wirklichkeit an die Kinder Israels, die wegen ihrer Auflehnung gegen die Gebote Gottes lange Zeit in der kargen Wüste jenseits des Jordans wohnen mussten, bis zur Zeit Josuas. Dieser Vorwurf und Tadel schien an Mose und Aaron gerichtet zu sein, aber in Wirklichkeit galt er dem Volk Israel.
In gleicher Weise wird im Qur’án zu Muḥammad gesagt: »Wir haben dir einen offenkundigen Erfolg gewährt, damit Gott dir deine Sünden vergebe, die früheren und die späteren.«A129 Obwohl nun diese Worte scheinbar an Muḥammad gerichtet waren, war in Wirklichkeit Sein ganzes Volk damit gemeint; und dies entspringt, wie wir zuvor festgestellt haben, der vollkommenen Weisheit Gottes, damit die Herzen nicht beunruhigt, verwirrt oder bestürzt werden.
Wie oft haben die Propheten Gottes und Seine allumfassenden Manifestationen in Ihren Gebeten Ihre Sünden und Verfehlungen bekannt! Das geschieht nur, um andere zu lehren, sie zu inspirieren und zu ermutigen, demütig und gehorsam vor Gott zu sein und ihre eigenen Sünden und Verfehlungen einzugestehen. Denn diese heiligen Seelen sind über jegliche Sünde geheiligt und frei von jeder Verfehlung. Zum Beispiel heißt es im Evangelium, dass ein Mensch zu Christus kam und ihn »Guter Meister« nannte. Christus antwortete darauf: »Was nennst du mich gut? Niemand ist gut als Gott allein.«A130 Nun, das bedeutete nicht – Gott bewahre –, dass Christus ein Sünder war, Seine Absicht war vielmehr, den Mann, den Er ansprach, Demut, Milde, Sanftmut und Bescheidenheit zu lehren. Diese gesegneten Seelen sind Licht, und Licht verträgt sich nicht mit Dunkelheit. Sie sind ewiges Leben, und Leben ist nicht mit Tod vereinbar. Sie sind Führung, und Führung kann nicht mit Eigensinn zusammengebracht werden. Sie sind das wahre Wesen des Gehorsams, und Gehorsam kann nicht mit Auflehnung Hand in Hand gehen.
Kurz, damit ist gemeint, dass die in den Heiligen Schriften niedergeschriebenen Vorhaltungen, auch wenn sie sich äußerlich an die Propheten – die Manifestationen Gottes – richten, in Wirklichkeit für das Volk bestimmt sind. Wenn du die Bibel liest, wird dies klar und deutlich werden.

Kapitel 45

Die Größte Unfehlbarkeit

In dem gesegneten Vers wird gesagt: »Er, der Aufgangsort der Sache Gottes, hat keinen Teilhaber an der Größten Unfehlbarkeit. Im Reiche der Schöpfung ist Er die Manifestation des ›Er tut, was immer Er will‹. Gott hat Seinem Selbst diese Auszeichnung vorbehalten und niemandem einen Anteil an dieser hehren, überragenden Stufe zuerkannt.«A131
Wisse, dass es zwei Arten von Unfehlbarkeit gibt: Unfehlbarkeit dem Wesen nach und Unfehlbarkeit als Attribut. Das Gleiche gilt für alle anderen Namen und Attribute: So gibt es zum Beispiel das Wissen um das Wesen einer Sache und das Wissen um ihre Eigenschaften. Unfehlbarkeit des Wesens ist den allumfassenden Manifestationen Gottes vorbehalten; denn Unfehlbarkeit ist ihr notwendiges Wesensmerkmal, wobei das Wesensmerkmal einer Sache untrennbar mit der Sache selbst verbunden ist. Die Strahlen sind ein notwendiges Wesensmerkmal der Sonne und untrennbar mit ihr verbunden; Wissen ist ein notwendiges Wesensmerkmal Gottes und untrennbar mit Ihm verbunden; Macht ist ein notwendiges Wesensmerkmal Gottes und ebenso untrennbar mit Ihm verbunden. Wäre es möglich, all dies von Ihm zu trennen, so wäre Er nicht Gott. Wenn die Strahlen von der Sonne getrennt werden könnten, wäre es nicht die Sonne. Würde man sich also vorstellen, die Größte Unfehlbarkeit wäre von der allumfassenden Manifestation Gottes getrennt, so wäre Er keine allumfassende Manifestation und Ihm würde die wesenseigene Vollkommenheit fehlen.
Unfehlbarkeit als Attribut ist jedoch kein notwendiges Wesensmerkmal; sie ist vielmehr ein Strahl der Gabe der Unfehlbarkeit, der von der Sonne der Wahrheit ausgeht, bestimmte Herzen erleuchtet und einen Anteil daran gewährt. Obwohl diese Seelen dem Wesen nach nicht unfehlbar sind, stehen sie unter der Obhut, dem Schutz und der unfehlbaren Führung Gottes – das heißt, Gott bewahrt sie vor Irrtum. Und so gab es viele heilige Seelen, die nicht selbst Tagesanbruch der Größten Unfehlbarkeit waren, aber dennoch unter dem Schatten der Fürsorge und des Schutzes Gottes behütet und vor Irrtum bewahrt wurden. Sie waren nämlich zwischen Gott und Mensch die Kanäle für Seine Gunst, und wenn Gott sie nicht vor Irrtum bewahrt hätte, dann hätten sie alle Gläubigen ebenfalls in die Irre geleitet und damit die Grundlage der Religion Gottes völlig untergraben, was Seiner erhabenen Wirklichkeit unangemessen und unwürdig gewesen wäre.
Um zusammenzufassen: Die wesenhafte Unfehlbarkeit ist den allumfassenden Manifestationen Gottes vorbehalten, während die Unfehlbarkeit als Attribut geheiligten Seelen verliehen wird. Das Universale Haus der Gerechtigkeit zum Beispiel, wenn es unter den erforderlichen Bedingungen errichtet wird – das heißt, wenn es von der gesamten Gemeinde gewählt wird – dieses Haus der Gerechtigkeit wird unter dem Schutz und der unfehlbaren Führung Gottes stehen. Sollte dieses Haus der Gerechtigkeit einstimmig oder durch Stimmenmehrheit in einer Angelegenheit entscheiden, die nicht ausdrücklich im Buche verzeichnet ist, wird dieser Beschluss und diese Verfügung vor Irrtum bewahrt sein. Nun sind die Mitglieder des Hauses der Gerechtigkeit als Individuen nicht wesenhaft unfehlbar, aber die Körperschaft des Hauses der Gerechtigkeit steht unter dem Schutz und der unfehlbaren Führung Gottes: Dies wird als verliehene Unfehlbarkeit bezeichnet.
Kurz, Bahá’u’lláh sagt: »Er, der Aufgangsort der Sache Gottes« ist die Manifestation des »Er tut, was immer Er will«, diese Stufe ist jenem geheiligten Wesen vorbehalten, und niemand anderes hat an dieser wesenhaften Vollkommenheit einen Anteil. Da die wesenhafte Unfehlbarkeit der allumfassenden Manifestationen Gottes erwiesen ist, stimmt somit alles, was von Ihnen ausgeht, mit der Wahrheit überein und entspricht der Wirklichkeit. Sie stehen nicht im Schatten der vorhergehenden Religion. Was auch immer Sie sagen, ist das, was Gott sagt, und was auch immer Sie tun, ist eine gerechte Tat, und kein Gläubiger hat das Recht zu widersprechen; er muss in dieser Hinsicht vielmehr uneingeschränkte Ergebenheit zeigen, denn die Manifestation Gottes handelt mit vollendeter Weisheit, und der Verstand der Menschen mag unfähig sein, die verborgene Weisheit in bestimmten Dingen zu erfassen. Aus diesem Grund ist alles, was die allumfassende Manifestation sagt und tut, der Inbegriff der Weisheit und stimmt mit der Wirklichkeit überein.
Nun, falls gewisse Menschen die Geheimnisse, die in einem bestimmten Befehl oder einer Handlung des Einen Wahren verborgen sind, nicht erfassen können, sollten sie keinen Einwand erheben, denn der allumfassende Offenbarer Gottes »tut, was immer Er will«. Wie oft ist es schon geschehen, dass ein kluger, fähiger und scharfsinniger Mensch einen Weg eingeschlagen hat, und diejenigen, die die Weisheit dahinter nicht begreifen konnten, Einwände erhoben und in Frage stellten, warum er so handelte oder sich so äußerte. Dieser Vorbehalt entspringt der Unwissenheit, wohingegen die Weisheit dieses Weisen frei und geheiligt von Irrtum ist.
In gleicher Weise tut ein qualifizierter Arzt »was immer er will«, wenn er den Patienten behandelt, und letzterer hat kein Recht zu widersprechen. Was der Arzt auch sagen oder tun mag, es ist fundiert und zutreffend und alle müssen ihn ansehen als den Inbegriff des »Er tut, was immer Er will und verordnet, was immer Ihm beliebt.« Der Arzt wird zweifellos Heilmittel verschreiben, die nicht den gängigen Auffassungen entsprechen, aber ist es zulässig, dass diejenigen, die keine Kenntnisse der Wissenschaft und Medizin haben, sich dagegen wenden? Nein, bei Gott! Im Gegenteil, alle müssen sich damit zufrieden geben und dem folgen, was immer der qualifizierte Arzt verordnet. Der qualifizierte Arzt »tut, was er will«, und die Patienten haben keinen Anteil an dieser Stufe. Zuerst muss die Qualifizierung des Arztes sichergestellt werden, und sobald dies erfolgt ist, »tut er, was er will«.
Ebenso wird ein General, der die Kriegskunst beherrscht wie kein Zweiter, in allem, was er sagt oder befiehlt, »tun, was immer er will«, und Gleiches gilt für den Kapitän, der die Seefahrt beherrscht, und für den Wahren Erzieher, dem alle menschliche Vollkommenheit zu eigen ist: Sie tun, was immer sie wollen, in allem, was sie äußern und anordnen.
»Er tut, was immer Er will« bedeutet zusammengefasst: Wenn der Offenbarer Gottes einen Befehl erteilt, ein Gesetz erlässt oder etwas tut, dessen Weisheit Seine Anhänger nicht begreifen können, dürfen sie auch nicht für einen Moment daran denken, Seine Worte oder Sein Handeln in Frage zu stellen. Alle stehen im Schatten der allumfassenden Manifestation, müssen sich der Autorität der Religion Gottes unterwerfen und dürfen nicht um Haaresbreite davon abweichen. Vielmehr müssen sie all ihr Tun und Handeln mit der Religion Gottes in Einklang bringen, und sollten sie davon abweichen, werden sie zurechtgewiesen und müssen vor Gott Rechenschaft ablegen. Klar ist, dass sie keinen Anteil haben an der Stufe des »Er tut, was Er will«, denn sie ist auf die allumfassende Manifestation Gottes beschränkt.
So war Christus – möge meine Seele ein Opfer für Ihn sein! – die Verkörperung der Worte »Er tut, was immer Er will«, Seine Schüler hatten jedoch keinen Anteil an dieser Stufe, denn sie standen in Seinem Schatten und es war ihnen nicht erlaubt, von Seinem Willen und Befehl abzuweichen.

Teil 4 – Über den Ursprung, die Kräfte und die Seinsweisen des Menschen

Kapitel 46

Die Evolution und die wahre Natur des Menschen

Wir kommen nun zu der Frage nach der Veränderung der Arten und der evolutionären Entwicklung der Organe, ob also der Mensch aus dem Tierreich hervorgegangen ist.A132
Im Denken einiger europäischer Philosophen ist diese Vorstellung fest verankert, und es ist sehr schwierig, die Fehleinschätzung begreiflich zu machen. In Zukunft wird es jedoch klar und deutlich werden, und die europäischen Philosophen werden es selbst erkennen. Denn es handelt sich wirklich um einen offenkundigen Irrtum. Wer die Schöpfung eingehend untersucht, wer die Feinheiten alles Erschaffenen erfasst und den Zustand, die Ordnung und die Vollendung der Welt des Seins erkennt, der wird von der Wahrheit überzeugt sein, dass »es nichts Wundersameres in der Schöpfung gibt, als das, was bereits existiert«A133. Denn alles, was besteht, sei es auf Erden oder im Himmel, selbst dieses grenzenlose Firmament mit allem, was darin enthalten ist, wurde aufs Trefflichste erschaffen, gestaltet, zusammengesetzt, angeordnet und vollendet und weist keinerlei Makel auf. Das ist so zutreffend, dass selbst wenn alle Geschöpfe zu reiner Intelligenz würden und bis zum Ende, das kein Ende hat, darüber nachdächten – so könnten sie sich doch nichts Besseres vorstellen als das, was bereits existiert.
Hätte es der Schöpfung in der Vergangenheit jedoch an solcher Vollständigkeit und Ausstattung gefehlt, und hätte sie sich in einem niederen Zustand befunden, dann wäre das Dasein notwendigerweise unzulänglich, unvollkommen und damit unvollständig gewesen. Dieses Thema erfordert größte Aufmerksamkeit und tiefes Nachdenken. Stellen wir uns zum Beispiel vor, die gesamte bedingte Welt – die Welt des Seins – würde dem Körper des Menschen entsprechen. Wären die Zusammensetzung, die Anordnung, die Vollständigkeit, die Schönheit und die Vollkommenheit, die jetzt im menschlichen Körper existieren, in irgendeiner Weise anders, wäre das Ergebnis reine Unvollkommenheit.
Wenn wir uns also eine Zeit vorstellen würden, in der der Mensch zum Tierreich gehörte, das heißt, als er nur ein Tier war, so wäre das Dasein unvollkommen gewesen. Das bedeutet, es hätte keinen Menschen gegeben, und dieser Hauptbestandteil, der für den Körper der Welt wie der Verstand und das Gehirn für den Menschen ist, hätte gefehlt, und die Welt wäre somit gänzlich unvollkommen gewesen. Das genügt als Beweis dafür, dass, wenn der Mensch zu irgendeiner Zeit zum Tierreich gehört hätte, die Vollständigkeit des Daseins zerstört gewesen wäre, denn der Mensch ist der Hauptbestandteil des Weltenkörpers und ein Körper ohne sein Hauptbestandteil ist zweifellos unvollkommen. Wir betrachten den Menschen als Hauptbestandteil, weil er unter allen erschaffenen Dingen alle Vollkommenheit des Daseins umfasst.
Was hier mit ›Mensch‹ gemeint ist, ist der vollständige Mensch, das vortrefflichste Wesen in der Welt, das alle geistige und materielle Vollkommenheit in sich vereint und unter allen erschaffenen Dingen wie die Sonne ist. Nun stell dir eine Zeit vor, in der die Sonne nicht als solche existierte, mit anderen Worten, eine Zeit, als die Sonne nur ein weiterer Himmelskörper war. Zu einer solchen Zeit hätte es zwischen den bestehenden Dingen zweifellos keine Verbindung gegeben. Wie wäre so etwas vorstellbar? Sollte jemand die Welt des Seins sorgfältig untersuchen, würde ihm allein dieses Argument genügen.
Wir wollen noch einen scharfsinnigeren Beweis liefern: Die unzähligen erschaffenen Dinge in der Welt des Seins – seien es Menschen, Tiere, Pflanzen oder Mineralien – müssen alle aus Elementen zusammengesetzt sein. Es besteht kein Zweifel daran, dass die Vollständigkeit jedes einzelnen Wesens durch göttliche Schöpfung entsteht und zwar aus den jeweiligen Bestandteilen, ihrer entsprechenden Kombination, ihrer passenden Abmessung, der Art ihrer Zusammensetzung und dem Einfluss durch andere erschaffene Dinge. Denn alle Wesen sind wie eine Kette miteinander verbunden, und gegenseitige Hilfe, Unterstützung und Zusammenarbeit gehören zu ihren ureigenen Eigenschaften und sind die Ursache für ihre Entstehung, ihre Entwicklung und ihr Wachstum. Zahlreiche Beweise und Argumente belegen, dass alles und jedes direkt oder über eine Kausalkette auf alles andere wirkt und es beeinflusst. Zusammenfassend lässt sich sagen, dass die Vollständigkeit von allem und jedem – also die Vollständigkeit, die jetzt im Menschen oder in anderen Wesen in Bezug auf ihre Organe, Gliedmaßen und Kräfte zu sehen ist – sich aus ihren Bestandteilen, Mengen und Abmessungen, der Art und Weise ihrer Zusammensetzung und der Wechselwirkung durch Handeln, Interaktion und Einflussnahme ergibt. Wenn all dies zusammenkommt, tritt der Mensch ins Dasein.
Da die Vollständigkeit des Menschen ganz von den Bestandteilen, ihren Abmessungen, ihrer Art der Zusammensetzung und der Wechselwirkung mit anderen Wesen herrührt – und da der Mensch vor zehn- oder hunderttausend Jahren aus denselben irdischen Elementen, mit denselben Abmessungen und Mengen, derselben Art der Zusammensetzung und Kombination und denselben Wechselwirkungen mit anderen Wesen hervorgebracht wurde –, folgt daraus, dass der Mensch genau so war, wie er heute existiert. Das ist eine offensichtliche Wahrheit, sie kann nicht bezweifelt werden. Wenn daher in tausend Millionen Jahren die Bestandteile des Menschen zusammengeführt, nach den gleichen Verhältnissen bemessen, in gleicher Weise kombiniert und der gleichen Wechselwirkung mit anderen Wesen unterworfen werden, tritt genau derselbe Mensch ins Dasein. Wenn man zum Beispiel in hunderttausend Jahren Öl, Flamme, Docht, Lampe und ein Streichholz zusammenbringen würde – kurz, wenn alles, was jetzt benötigt wird, auch dann zusammenkäme – würde genau die gleiche Lampe entstehen.
Diese Angelegenheit ist offensichtlich und diese Argumente sind schlüssig. Was aber die europäischen Philosophen vorgebracht haben, ist bloße Vermutung und nicht wirklich schlüssig.

Kapitel 47

Der Ursprung des Universums und die Entwicklung des Menschen

Wisse, dass es eine der verwirrendsten Fragen des Göttlichen ist, dass die Welt des Daseins – das heißt, dieses unendliche Universum – keinen Anfang hat.
Wir haben bereits erklärt, dass die Namen und Attribute des Göttlichen die Existenz des Erschaffenen voraussetzen. Obwohl dieses Thema bereits ausführlich erklärt wurde,A134 soll es hier noch einmal kurz angesprochen werden. Wisse, dass ein Fürst ohne seine Vasallen nicht vorstellbar ist; dass es einen Herrscher ohne Untergebene nicht geben kann; dass kein Lehrer ohne Schüler eingesetzt werden kann; dass ein Schöpfer ohne Schöpfung unmöglich ist; dass ein Versorger ohne jemanden, der zu versorgen wäre, undenkbar ist – denn alle göttlichen Namen und Eigenschaften erfordern die Existenz der Schöpfung. Wenn wir uns eine Zeit vorstellen wollten, in der es keine Schöpfung gab, käme das dem Negieren der Göttlichkeit Gottes gleich.
Abgesehen davon kann völliges Nichtsein nicht zu Dasein werden. Wäre das Universum ein bloßes Nichts, hätte ein Dasein nicht entstehen können. Da also jenes Wesen der Einheit, das göttliche Sein, ewig und unvergänglich ist, das heißt, da es weder Anfang noch Ende hat, so folgt daraus, dass die Welt des Daseins, dieses unendliche Universum, ebenfalls ohne Anfang ist. Natürlich könnte ein Teil der Schöpfung – etwa einer der Himmelskörper – neu entstehen oder vergehen, aber die unzähligen anderen Himmelskörper blieben weiterhin bestehen und die Welt des Daseins selbst würde nicht beeinträchtigt oder zerstört werden. Im Gegenteil, sie existiert unverändert immer weiter. Da nun jeder Himmelskörper einen Anfang hat, muss er auch zwangsläufig ein Ende haben, denn alles, was zusammengesetzt ist, ob ganz oder teilweise, muss notwendigerweise zerfallen. Manches mag schnell und anderes wiederum langsam zerfallen, aber es ist unmöglich, dass etwas Zusammengesetztes letztlich nicht zerfällt.
Wir müssen daher wissen, was ein jedes der großen existierenden Dinge zu Beginn war. Ohne Zweifel gab es anfangs nur einen einzigen Ursprung: Es kann keine zwei Ursprünge gegeben haben. Weil der Ursprung aller Zahlen eins und nicht zwei ist, bedarf die Zahl zwei selbst eines Ursprungs. Damit wird deutlich, dass es ursprünglich nur einen Grundstoff gab, und dass dieser eine Grundstoff in jedem Element in einer anderen Form auftrat. So entstanden verschiedene Formen, und dabei nahmen sie jeweils eine eigenständige Form an und wurden zu einem bestimmten Element. Aber diese Differenzierung erreichte erst nach sehr langer Zeit ihre Vollendung und ihre Verwirklichung. Diese Elemente wurden zu unendlich vielen Formen zusammengefügt, angeordnet und verbunden; mit anderen Worten, aus der Zusammensetzung und Verbindung dieser Elemente erschienen unzählige Wesen.
Diese Zusammensetzung und Anordnung entstand durch die Weisheit Gottes und Seine urewige Macht aus einer einzigen natürlichen Ordnung. Da diese Zusammensetzung und Verbindung vollkommen robust aus einer natürlichen Ordnung entstand, einer vollendeten Weisheit folgt und einem universellen Gesetz unterliegt, ist offenkundig, dass es eine göttliche Schöpfung und keine zufällige Zusammensetzung und Anordnung ist. Schöpfung bedeutet, dass aus jeder natürlichen Zusammensetzung ein Lebewesen entsteht, aber aus einer zufälligen Zusammensetzung wird kein Lebewesen entstehen. Wenn beispielsweise der Mensch, mit all seiner Scharfsinnigkeit und Intelligenz, bestimmte Elemente zusammenstellen und verbinden sollte, würde dadurch kein Lebewesen entstehen, weil es nicht der natürlichen Ordnung entspräche. Das beantwortet auch die implizite Frage, die sich stellen könnte, ob wir nicht auch – da diese Wesen durch Zusammensetzung und Verbindung der Elemente entstehen – genau die gleichen Elemente zusammenstellen und verbinden könnten um so ein Lebewesen zu erschaffen? Diese Vorstellung ist falsch, denn die ursprüngliche Zusammensetzung ist eine göttliche Zusammensetzung, die Verbindung wird entsprechend der natürlichen Ordnung von Gott hervorgebracht, und aus diesem Grund wird aus dieser Zusammensetzung ein Lebewesen geschaffen und ins Dasein gebracht. Aber eine von Menschen gemachte Zusammensetzung bringt nichts hervor, weil der Mensch kein Leben erschaffen kann.
Kurz gesagt, wir haben darüber gesprochen, dass aus der Zusammensetzung von Elementen, aus ihrer Verbindung, ihrer Art und ihren Mengenverhältnissen und durch Wechselwirkungen mit anderen Wesen zahllose Formen und Wirklichkeiten und unzählige Wesen ins Dasein getreten sind. Aber natürlich ist diese Erdkugel in ihrer jetzigen Gestalt nicht auf einmal entstanden, vielmehr durchlief das allgemeine Dasein nach und nach verschiedene Stufen, bis es in seiner heutigen Vollendung erschien. Das allgemeine Dasein kann mit dem konkreten verglichen werden, denn beides untersteht einer einzigen natürlichen Ordnung, einem allgemein gültigen Gesetz und einer göttlichen Anordnung. Wir sehen zum Beispiel, wie die kleinsten Atome in ihrer allgemeinen Struktur den größten Gebilden im Universum gleichen, und es ist offensichtlich, dass sie aus einem einzigen Labor der Macht gemäß einer natürlichen Ordnung und einem universellen Gesetz hervorgegangen sind und daher miteinander verglichen werden können.
Zum Beispiel wächst und entwickelt sich der menschliche Embryo allmählich im Schoß seiner Mutter und durchlebt verschiedene Formen und Zustände, bis er in äußerster Schönheit zur Reife gelangt und in vollendeter Form mit größtem Liebreiz erscheint. Genauso war der Same dieser Blume, die du vor dir siehst, am Anfang klein und unbedeutend, aber er wuchs und entwickelte sich im Schoß der Erde und nahm verschiedene Formen an, bis er diesen Zustand vollkommener Lebenskraft und Eleganz erreichte. Es ist genauso offensichtlich, dass diese Erdkugel im Gefüge des Universums ins Dasein trat, wuchs, sich entwickelte und verschiedene Formen und Zustände annahm, bis sie allmählich zu ihrer gegenwärtigen Vollständigkeit gelangte und mit unzähligen Geschöpfen geschmückt in solch vollendeter Form erschien.
Somit ist offensichtlich, dass die Ursubstanz, die dem Embryo entspricht, zunächst zusammengesetzte, miteinander verbundene Elemente bildete und diese Zusammensetzung allmählich über unzählige Zeitalter und Jahrhunderte wuchs und sich von einer Gestalt und Form zur nächsten entwickelte, bis sie durch die vollendete Weisheit Gottes in solcher Vollständigkeit, Ordnung, Zusammensetzung und Tauglichkeit erschien.
Lass uns zu unserem Thema zurückkehren. Seit Beginn seines Daseins im Schoße der Erdkugel wuchs und entwickelte sich der Mensch allmählich wie ein Embryo im Mutterleib und ging von einer Gestalt und Form zur anderen über, bis er in dieser Schönheit und Vollkommenheit, dieser Kraft und Beschaffenheit erschien. Gewiss besaß er anfangs nicht solch eine Lieblichkeit, Anmut und Feinheit, und erst allmählich erlangte er eine solche Gestalt, Beschaffenheit, Schönheit und Anmut. Zweifellos erschien der Embryo der Menschheit, genau wie der Embryo im Mutterleib, nicht unmittelbar in dieser Ausprägung und verkörperte noch nicht die Worte: »Geheiligt sei der Herr, der vortrefflichste aller Schöpfer!«A135 Vielmehr durchlief er nach und nach verschiedene Zustände und Ausprägungen, bis er diese Gestalt und Schönheit, diese Vollkommenheit, Feinheit und Zier erlangte. Es ist daher klar und deutlich, dass das Wachstum und die Entwicklung des Menschen auf diesem Planeten bis zu seiner gegenwärtigen Vollständigkeit, ähnlich wie das Wachstum und die Entwicklung des Embryos im Mutterleib, Stufe um Stufe und von einer Form zur nächsten erfolgt ist, denn dies entspricht den Erfordernissen der universellen Ordnung und des göttlichen Gesetzes.
Das bedeutet, der menschliche Embryo nimmt verschiedene Zustände an und durchläuft zahlreiche Stadien, bis er zu der Gestalt gelangt, in der er die Wirklichkeit der Worte »Geheiligt sei der Herr, der vortrefflichste aller Schöpfer!« verkörpert und die Zeichen der vollen Entwicklung und Reife aufweist. Ebenso muss seit den ersten Anfängen des Menschen auf diesem Planeten bis er seine jetzige Gestalt, Form und Beschaffenheit annahm, eine lange Zeit verstrichen sein, und er muss viele Stufen durchschritten haben, bevor er seinen gegenwärtigen Zustand erreichte. Aber seit dem Beginn seines Daseins war der Mensch eine eigene Art. Das ist vergleichbar mit dem Embryo des Menschen im Mutterleib: Er hat zunächst eine merkwürdige Gestalt. Dann nimmt sein Körper eine Gestalt und Form nach der anderen an, bis er in voller Schönheit und Vollkommenheit erscheint. Aber selbst wenn er im Mutterleib eine merkwürdige Gestalt besitzt – völlig anders als seine gegenwärtige Gestalt und Erscheinung – ist es der Embryo einer eigenen Art und nicht der eines Tieres: Das Wesen der Art und die angeborene Wirklichkeit erfahren keinerlei Veränderung.
Sollte nun jemand Spuren verkümmerter Organe finden, würde das die Unabhängigkeit und Ursprünglichkeit der Art nicht widerlegen. Es würde allenfalls beweisen, dass sich die Gestalt, das Aussehen und die Organe des Menschen im Laufe der Zeit entwickelt haben. Aber der Mensch war schon immer eine eigene Art – er war immer Mensch, nicht Tier. Überlege: Wenn der Embryo des Menschen im Mutterleib von einer Gestalt zu einer anderen übergeht, die in keiner Weise der früheren ähnelt, ist das ein Beweis für eine Veränderung der Art? Dass er zuerst ein Tier war und seine Organe sich immer weiter entwickelten, bis er ein Mensch wurde? Nein, bei Gott! Wie haltlos und unbegründet ist diese Annahme! Denn die Ursprünglichkeit der menschlichen Art und die Unabhängigkeit des menschlichen Wesens sind klar und offenkundig.

Kapitel 48

Der Unterschied zwischen Mensch und Tier

Wir hatten schon ein- oder zweimal über das Thema Geist gesprochen, aber ohne es mitzuschreiben.
Wisse, dass es zwei Arten von Menschen auf der Welt gibt, also Menschen, die zu zwei Gruppen gehören. Die eine Gruppe leugnet den Menschengeist und sagt, der Mensch sei eine Art Tier. Warum ist das so? Weil wir sehen, dass es Kräfte und Sinne gibt, über die Mensch und Tier gleichermaßen verfügen. Die einfachen, einzelnen Elemente, die den Raum um uns herum füllen, werden in unzähligen Variationen zusammengesetzt und eine jede davon ergibt ein anderes Wesen. Darunter sind fühlende Wesen, die mit bestimmten Kräften und Sinnen ausgestattet sind. Je vollständiger die Zusammensetzung, desto edler das Wesen. Die Verbindung der Elemente im Körper des Menschen ist vollständiger als in jedem anderen Wesen und seine Bestandteile sind völlig ausgewogen zusammengefügt; deshalb ist er edler und vollkommener. Der Mensch, so wird behauptet, verfüge keineswegs über eine besondere Kraft oder einen besonderen Geist, der anderen Tieren fehle. Auch Tiere besäßen Sinneswahrnehmungen, nur dass die Kräfte des Menschen in gewisser Hinsicht noch feiner seien – wenngleich das Tier hinsichtlich der äußeren Kräfte wie Hören, Sehen, Schmecken, Riechen und Fühlen, und selbst bei inneren Kräften wie etwa dem Gedächtnis, dem Menschen überlegen ist. Das Tier, sagen sie, besitze Verstandeskraft und Auffassungsvermögen. Sie gestehen lediglich ein, dass die Auffassungsgabe des Menschen größer sei.
So etwas wird von heutigen Philosophen behauptet. Das sind ihre Worte und ihre Behauptungen und das gibt ihnen ihre Einbildung vor. Und so stellen sie nach eingehenden Nachforschungen und mit schlagkräftigen Argumenten gerüstet den Menschen in eine Linie mit dem Tier, indem sie sagen, der Mensch sei einstmals ein Tier gewesen und diese Spezies habe sich allmählich verändert und entwickelt, bis sie die Stufe des Menschen erreichte.
Aber die geistig gesinnten Philosophen sagen, das sei so nicht. Obwohl Mensch und Tier die gleichen äußeren Kräfte und Sinne besitzen, gibt es im Menschen eine außergewöhnliche Kraft, die dem Tier fehlt. Sämtliche Wissenschaften, Künste und Erfindungen, jedes Handwerk und jede Entdeckung einer Wahrheit entspringen dieser einzigartigen Kraft. Es ist eine Kraft, die alle erschaffenen Dinge umfasst, ihre Wirklichkeit begreift, ihre verborgenen Geheimnisse enträtselt und sie kontrolliert. Sie begreift sogar Dinge, die kein äußeres Dasein haben, also intelligible, nicht fühlbare und unsichtbare Wirklichkeiten wie Verstand und Geist, menschliche Eigenschaften und Tugenden, Liebe und Trauer, die allesamt intelligible Wirklichkeiten sind. Darüber hinaus waren einst alle Wissenschaften und Handwerkskünste, alle großen Unternehmungen und unzähligen Entdeckungen des Menschen versteckte und verborgene Geheimnisse, und nur dank der allumfassenden menschlichen Kraft wurden sie entdeckt und aus dem Unsichtbaren ins Sichtbare gebracht. So waren Telegrafie, Fotografie, Grammofon – all diese großen Erfindungen und Handwerkskünste – einst verborgene Geheimnisse, die von dieser menschlichen Wirklichkeit entdeckt und aus dem Unsichtbaren ins Sichtbare gebracht wurden. Es gab sogar eine Zeit, da war dieses Stück Eisen vor dir, und in der Tat jedes Mineral, ein verborgenes Geheimnis. Die menschliche Wirklichkeit entdeckte dieses Mineral und schmiedete das Metall in diese Form. Das Gleiche gilt für alle anderen zahllosen Entdeckungen und Erfindungen des Menschen. Diese Tatsachen sind nicht zu widerlegen und es ist zwecklos, sie zu leugnen.
Würden wir behaupten, dass all dies den Kräften der tierischen Natur und den physischen Sinnen entspringt, dann könnten wir ganz deutlich erkennen, dass die Tiere im Hinblick auf diese Kräfte dem Menschen überlegen sind. Zum Beispiel ist das Sehvermögen von Tieren viel schärfer als das des Menschen, ihr Gehör viel feiner und Gleiches gilt auch für ihr Geruchsvermögen und ihren Geschmackssinn. Kurz, bei den Kräften, die Mensch und Tier gemeinsam haben, ist das Tier oft überlegen. Nimm das Gedächtnis: Wenn du eine Taube von hier aus in ein fernes Land bringst und dort freilässt, wird sie sich an den Weg erinnern und nach Hause zurückkehren. Bring einen Hund von hier bis ins Innere Asiens, lass ihn frei und er wird nach Hause zurückkehren, ohne auch nur vom Weg abzukommen. Und so ist es auch mit den anderen Kräften wie Hören, Sehen, Riechen, Schmecken und Fühlen. Somit ist klar: Hätte der Mensch keine Kräfte, die über die der Tiere hinausgehen, würde das Tier bei bedeutenden Entdeckungen und im Verständnis der Wirklichkeit den Menschen zwangsläufig übertreffen. Aus dieser Beweisführung folgt, dass der Mensch mit einer Gabe ausgestattet ist und eine Vollkommenheit aufweist, die es im Tier nicht gibt.
Ferner kann das Tier zwar das mit den Sinnen Wahrnehmbare erkennen, intelligible Wahrheiten kann es jedoch nicht erkennen. Was zum Beispiel im Sichtbereich des Tieres ist, kann es erkennen, aber was dahinter liegt, kann es nicht durchschauen oder nachvollziehen. So kann das Tier unmöglich begreifen, dass die Erde eine kugelförmige Gestalt hat. Aber der Mensch kann das Unbekannte aus dem Bekannten ableiten und unbekannte Wirklichkeiten entdecken. So kann der Mensch zum Beispiel auf die Krümmung der Erde schließen, wenn er die Neigungswinkel am Himmel beobachtet. Der Polarstern über ‘Akká steht zum Beispiel auf 33 Grad; seine Neigung über dem Horizont beträgt also 33 Grad. Geht man Richtung Nordpol, so erhebt sich der Polarstern für jeden Grad zurückgelegten Weges um ein weiteres Grad über dem Horizont; das heißt, der Neigungswinkel des Polarsterns erreicht 34 Grad, dann 40, 50, 60 und 70 Grad. Wenn man zum Nordpol gelangt, wird der Neigungswinkel des Polarsterns 90 Grad betragen und der Stern wird im Zenit zu sehen sein, das heißt er erhebt sich genau über dem Pol.
Der Polarstern ist mit den Sinnen erfassbar, ebenso wie sein Aufstieg, also die Tatsache, dass der Polarstern umso höher steigt, je näher man dem Pol kommt. Und mit Hilfe dieser beiden bekannten Tatsachen wird eine unbekannte Tatsache entdeckt, nämlich der Neigungswinkel am Himmel, was bedeutet, dass der Himmel über dem Horizont auf jedem Breitengrad anders ist als auf einem anderen Breitengrad. Der Mensch begreift diesen Zusammenhang und begründet damit ein bisher unbekanntes Phänomen, nämlich die Krümmung der Erde. Dem Tier ist es jedoch nicht möglich, dies zu verstehen. Ebenso wenig kann das Tier begreifen, dass die Sonne im Zentrum steht und die Erde sie umkreist. Das Tier ist ein Gefangener seiner Sinne und wird von ihnen begrenzt. Es kann nichts begreifen, was jenseits der Reichweite oder Kontrolle der Sinne liegt, obwohl es den Menschen hinsichtlich der äußeren Kräfte und Sinneswahrnehmungen übertrifft. Es ist also klar erwiesen, dass der Mensch mit einer Entdeckerkraft ausgestattet ist, die ihn vom Tier unterscheidet, und diese Kraft ist nichts anderes als der menschliche Geist.
Preis sei Gott! Der Mensch strebt immer nach größeren Höhen und erhabeneren Zielen. Stets strebt er nach einer Welt, die besser ist als die, in der er lebt, und zu einer Stufe aufzusteigen, die über die seine hinausgeht. Diese Liebe zur Transzendenz ist eines der Wesensmerkmale des Menschen. Ich bin erstaunt, dass manche Philosophen in Amerika und Europa sich selbst bereitwillig in das Tierreich erniedrigen und damit einen Rückschritt hinnehmen, wo doch alles Dasein immer aufwärts streben muss. Doch solltest du einen von ihnen als Tier bezeichnen, wäre er schwer verletzt und gekränkt.
Welch ein Unterschied besteht zwischen der Menschenwelt und dem Tierreich! Welch ein Unterschied besteht zwischen der Erhabenheit des Menschen und der Niedrigkeit des Tieres, zwischen der Vollkommenheit des Menschen und der Unwissenheit des Tieres, zwischen der Herrlichkeit des Menschen und der Herabstufung des Tieres! Ein zehnjähriges arabisches Kind kann zwei oder dreihundert Kamele in der Wüste bändigen und sie mit seiner bloßen Stimme führen. Ein schwacher Inder kann einen mächtigen Elefanten so zähmen, dass er sich völlig gehorsam verhält. Alles wird bezwungen durch die Hand des Menschen, der die Natur beherrscht.
Alle anderen Geschöpfe sind Gefangene der Natur und können sich nicht von ihren Zwängen befreien – allein der Mensch kann die Natur beherrschen. So zieht die Natur alle Körper zum Mittelpunkt der Erde, aber mit Hilfe der Mechanik entfernt sich der Mensch davon und erhebt sich in die Luft. Die Natur verhindert, dass der Mensch über das Meer gelangt, aber der Mensch baut Schiffe und überquert den größten Ozean, und dergleichen mehr – das Thema ist endlos. Zum Beispiel durchquert der Mensch Berge und Ebenen in Fahrzeugen und erfährt an einem beliebigen Ort von den Geschehnissen in Ost und West. So trotzt der Mensch der Natur. Das ganze weite Meer kann nicht ein Jota vom Gesetz der Natur abweichen; die Sonne in all ihrer Größe kann nicht einmal um die Spitze einer Nadel vom Gesetz der Natur abweichen, noch kann sie jemals den Zustand, die Beschaffenheit, die Eigenschaften, die Bewegungen und die Natur des Menschen begreifen. Welche Macht ist es nun, die der kümmerlichen Gestalt des Menschen innewohnt und all dies umfasst? Welch bezwingende Macht ist es, die alles unterwirft?
Noch ein weiterer Punkt bleibt. Moderne Philosophen sagen: »Wir sehen nirgendwo einen Geist im Menschen, und obwohl wir das Innerste des menschlichen Körpers bis ins kleinste Detail untersucht haben, finden wir nirgendwo eine geistige Kraft. Wie können wir uns dann eine Macht vorstellen, die nicht mit den Sinnen wahrnehmbar ist?« Die geistig gesinnten Philosophen erwidern: »Der Geist des Tieres ist auch nicht mit den Sinnen wahrnehmbar und durch unsere körperlichen Kräfte nicht erfassbar: Wie lässt sich auf seine Existenz schließen? Zweifellos wirst du von seinen Auswirkungen auf die Existenz einer Kraft im Tier schließen, die es in der Pflanze nicht gibt, und das ist die Kraft der Sinne, des Sehens, des Hörens und der anderen Kräfte. Daraus folgt, dass es einen Geist im Tier gibt. In gleicher Weise solltest du aus den erwähnten Zeichen und Argumenten auf die Existenz eines Menschengeistes schließen. Da es also im Tier Zeichen gibt, die man nicht in der Pflanze findet, kannst du sagen, dass diese Sinneskraft eines der Kennzeichen des Tiergeistes ist. Ebenso siehst du im Menschen Zeichen, Kräfte und eine Vollkommenheit, die das Tier nicht besitzt: Du kannst daraus schließen, dass er eine Kraft innehat, die dem Tier fehlt.«
Wenn wir alles bestreiten würden, was den Sinnen nicht zugänglich ist, dann wären wir gezwungen, zweifellos existierende Tatsachen zu leugnen. Zum Beispiel ist der Äther nicht mit den Sinnen wahrnehmbar, obwohl seine Wirklichkeit nachgewiesen werden kann. Die Anziehungskraft der Erde ist nicht mit den Sinnen wahrnehmbar, obwohl ihre Existenz ebenfalls unbestreitbar ist. Wie können wir feststellen, dass es sie gibt? Anhand ihrer Wirkung. Dieses Licht besteht beispielsweise aus den Schwingungen des Äthers, und von diesen Schwingungen schließen wir auf seine Existenz.

Kapitel 49

Die Evolution und die Existenz des Menschen

Frage: Was sagen Sie zu der von manchen europäischen Philosophen vertretenen Theorie von der Entwicklung der Lebewesen?
Antwort: Wir sind auf diese Frage bereits vor kurzem eingegangen, aber wir werden noch einmal darüber sprechen. Kurz gesagt, diese Frage bezieht sich auf die Ursprünglichkeit oder Nicht-Ursprünglichkeit der Arten, das heißt, ob das Wesen der menschlichen Art vom Ursprung her festgelegt war oder ob es sich aus dem Tierreich entwickelt hat.
Manche europäische Philosophen gehen davon aus, dass die Arten sich nicht nur entwickeln, sondern sich sogar ändern und in andere Arten umwandeln können. Zu den Beweisen, die sie für diese Behauptung vorbringen, gehört, dass durch sorgfältige geologische Forschungen und Untersuchungen klar und offenkundig geworden ist, dass die Existenz der Pflanzen derjenigen der Tiere vorausging, und dass die Existenz der Tiere der des Menschen vorausging. Außerdem gehen sie davon aus, dass es sowohl im Pflanzenreich als auch im Tierreich eine Veränderung gegeben hat; denn in bestimmten Schichten der Erde sind Pflanzen entdeckt worden, die in der Vergangenheit existierten, aber inzwischen verschwunden sind, was bedeutet, dass sie sich weiterentwickelt haben, widerstandsfähiger geworden sind und sich in Form und Aussehen verändert haben und somit auch eine Änderung der Art erfolgt sei. Ebenso gibt es in den Erdschichten bestimmte Tierarten, die sich verändert haben. Eine davon ist die Schlange, die verkümmerte Gliedmaßen hat, d. h. Zeichen deuten darauf hin, dass sie einst Füße hatte, die im Laufe der Zeit verschwunden sind und von denen nur ein Rest übrig geblieben ist. In der Wirbelsäule des Menschen befindet sich gleichfalls ein Überbleibsel, das darauf hinweist, dass er wie andere Tiere einst einen Schwanz hatte, von dem, so behaupten sie, Spuren noch vorhanden sind. Irgendwann war dieses Körperteil nützlich, aber als der Mensch sich entwickelte, verlor es seinen Nutzen und verschwand allmählich. Genauso brauchte die Schlange keine Füße mehr, als sie begann unterirdisch zu leben und zu einem kriechenden Tier zu werden, und so verschwanden die Füße und es blieb nur ein Relikt übrig. Ihr Hauptbeweis ist, dass diese verkümmerten Gliedmaßen Zeugnis von der Existenz früherer Gliedmaßen ablegen, die wegen fehlendem Nutzen allmählich verschwunden sind, und deren Fortbestand keinen Vorteil mehr bietet. So blieben die notwendigen Gliedmaßen erhalten, während die überflüssigen durch die Veränderung der Art allmählich verschwunden sind, jedoch ein Relikt zurückgelassen haben.
Die erste Antwort auf diese Beweisführung lautet, dass die Tiere, die vor dem Menschen lebten, kein Beweis dafür sind, dass es im Wesen der menschlichen Art eine Veränderung oder einen Wandel gegeben hat, oder dass der Mensch dem Tierreich entstammte. Denn solange man anerkennt, dass diese unterschiedlichen Lebewesen im Lauf der Zeit erschienen sind, ist es möglich, dass der Mensch einfach nach dem Tier ins Dasein trat. So stellen wir im Pflanzenreich fest, dass die Früchte verschiedener Bäume nicht alle zugleich erscheinen, im Gegenteil, einige erscheinen früher in der Jahreszeit und andere später. Diese Reihenfolge ist kein Beweis dafür, dass die spätere Frucht eines Baumes aus der früheren Frucht eines anderen gewonnen wurde.
Zweitens könnte diesen kleinen Spuren und verkümmerten Gliedmaßen eine besondere Weisheit zugrunde liegen, die der menschliche Geist bisher nicht zu erfassen vermochte. Wie viele Dinge gibt es auf dieser Welt, deren zugrunde liegende Weisheit bis heute nicht verstanden wurde! So heißt es in der Physiologie – der Lehre von der Funktion der Körperorgane –, dass die zugrunde liegende Weisheit und Ursache für die Unterschiede in der Färbung von Tieren und menschlichem Haar, der Röte der Lippen oder der Farbenvielfalt der Vögel noch unbekannt ist und verborgen bleibt. Aber es wurde entdeckt, dass die Schwärze der Pupille des Auges darauf zurückzuführen ist, dass sie die Sonnenstrahlen absorbiert, denn wenn sie eine andere Farbe hätte – sagen wir, gleichmäßig weiß – könnte sie diese Strahlen nicht absorbieren. Insofern die Weisheit der oben erwähnten Dinge unbekannt ist, kann man sich auch gut vorstellen, dass Ursache und Weisheit der verkümmerten Gliedmaßen, ob beim Tier oder beim Menschen, ebenfalls unbekannt sind. Solch eine Weisheit dahinter gibt es natürlich, auch wenn sie vielleicht noch nicht bekannt ist.
Drittens, selbst wenn wir annehmen würden, dass bestimmte Tiere oder sogar der Mensch einmal Gliedmaßen besaßen, die jetzt verschwunden sind, wäre dies kein ausreichender Beweis für die Veränderung der Art. Denn der Mensch nimmt von der Befruchtung des Embryos bis zur Erlangung der Reife unterschiedliche Gestalten und Erscheinungsformen an. Sein Aussehen, seine Gestalt, seine Merkmale und seine Farbe verändern sich, das heißt, er schreitet von Gestalt zu Gestalt und von Erscheinungsform zu Erscheinungsform. Und doch gehört er von der Entstehung des Embryos an zur menschlichen Art, ist also der Embryo eines Menschen und nicht der eines Tieres. Aber diese Tatsache ist zunächst nicht offensichtlich; erst später wird sie deutlich sichtbar.
Nehmen wir einmal an, dass der Mensch einst dem Tier ähnelte und dass er sich seitdem entwickelt und gewandelt hat. Dieser Aussage zuzustimmen beweist nicht die Veränderung der Art, sondern könnte mit der Veränderung und dem Wandel verglichen werden, die – wie bereits erwähnt – der menschliche Embryo durchläuft, bevor er seine volle Entwicklung und Reife erreicht hat. Um es noch deutlicher auszudrücken: Nehmen wir an, der Mensch wäre einmal auf allen Vieren gelaufen oder hätte einen Schwanz gehabt: Diese Veränderung und dieser Wandel ist vergleichbar mit der des Fötus im Mutterleib. Auch wenn sich der Fötus in jeder erdenklichen Weise entwickelt und entfaltet, bevor er seine volle Entwicklungsstufe erreicht, gehört er doch von Anfang an zu einer eigenen Art. Dasselbe gilt auch im Pflanzenreich, wo wir sehen, dass sich der ursprüngliche und unverwechselbare Charakter einer Art nicht verändert, während sich Gestalt, Farbe und Masse verändern, wandeln und entwickeln.
Zusammenfassend lässt sich sagen: So wie der Mensch im Mutterleib fortschreitet, sich entwickelt und von einer Gestalt und Erscheinung in eine andere umgestaltet wird, wobei er von Anfang an ein menschlicher Embryo war, so war auch der Mensch – das heißt, die menschliche Art – seit dem Beginn der Entstehung im Gefüge der Welt ein eigenes Wesen und hat allmählich eine Gestalt nach der anderen angenommen. Daraus folgt, dass diese Veränderung der äußeren Erscheinung, dieser Entwicklung der Organe, dieses Wachstum und diese Entwicklung die Ursprünglichkeit der Art nicht ausschließen. Doch auch wenn man die Existenz von Entwicklung und Fortschritt als gegeben annimmt, so hat der Mensch doch vom Augenblick seines Erscheinens an eine vollkommene Zusammensetzung besessen und hat die Fähigkeit und das Potential inne gehabt, sowohl materielle als auch geistige Vollkommenheit zu erlangen und die Verkörperung des Verses zu werden: »Lasset uns Menschen machen, ein Bild, das uns gleich sei.«A136 Kurz: er ist gefälliger, verfeinerter und anmutiger geworden, und durch die Kultur ist er aus seinem wilden Zustand herausgewachsen, so wie die wilden Früchte durch die Kultivierung des Gärtners immer feiner und süßer, immer köstlicher und frischer werden.
Die Gärtner für die Menschenwelt sind die Propheten Gottes.

Kapitel 50

Geistige Beweise für die Ursprünglichkeit des Menschen

Die bisher angeführten Argumente für die Ursprünglichkeit der menschlichen Art waren rationaler Natur. Nun kommen wir zu geistigen Argumenten, die tatsächlich die grundlegenden sind. Wir haben mit rationalen Argumenten die Existenz Gottes belegt, und mit rationalen Argumenten ebenfalls dargelegt, dass der Mensch seit Anbeginn Mensch war und der Wesenskern seiner Art seit Ewigkeiten besteht. Nun werden wir geistige Beweise dafür vorlegen, dass das menschliche Dasein – also die menschliche Art – notwendig ist und dass die Vollkommenheit des Göttlichen ohne den Menschen nicht erstrahlen würde. Das sind jedoch geistige und keine rationalen Argumente.
Wir haben immer wieder durch Argumente und Beweise belegt, dass der Mensch das edelste aller Wesen und der Inbegriff aller Vollkommenheit ist. Alles was existiert ist in der Tat der Enthüllungsort der Offenbarung göttlichen Strahlenglanzes, das heißt, die Zeichen der Göttlichkeit Gottes sind in der Wirklichkeit aller Dinge offenbar. So wie die Erde der Ort ist, an dem die Sonnenstrahlen reflektiert werden – was bedeutet, dass das Licht, die Wärme und der Einfluss der Sonne in allen Atomen der Erde klar und deutlich sichtbar sind – so kündet auch jedes einzelne Atom des Universums in diesem unendlichen Raum von einer der vollkommenen Eigenschaften Gottes. Nichts ist davon ausgenommen: Ein jedes ist entweder ein Zeichen der Barmherzigkeit Gottes oder ein Zeichen Seiner Macht, Seiner Größe, Seiner Gerechtigkeit, Seiner bleibenden Fürsorge, Seiner Großmut, Seines Sehens, Seines Hörens, Seines Wissens, Seiner Güte und so weiter.
Damit soll zum Ausdruck kommen, dass alles was existiert notwendigerweise der Enthüllungsort der Offenbarung göttlichen Strahlenglanzes ist, das heißt, die Vollkommenheit Gottes verkörpert und offenbart sich darin. Es ist so wie die Sonne, die auf die Wüste, auf das Meer, die Bäume, die Früchte, die Blüten – auf alle irdischen Dinge scheint. Nun, die Welt des Daseins, ja, ein jedes erschaffenes Ding, verkündet nur einen der Namen Gottes, die Wirklichkeit des Menschen ist hingegen eine allumfassende und universelle Wirklichkeit – der Offenbarungsort der Fülle der göttlichen Vollkommenheit. Das heißt, für jeden einzelnen Namen, jedes Attribut und jede vollkommene Eigenschaft, die wir Gott zuschreiben, existiert ein Zeichen im Menschen. Wäre das nicht der Fall, dann wäre er nicht dazu in der Lage, sich diese Vollkommenheit vorzustellen oder sie zu begreifen. Zum Beispiel sagen wir, dass Gott alles sieht. Das Auge ist das Zeichen Seines Sehvermögens: Wenn diese Fähigkeit dem Menschen fehlte, wie könnten wir uns dann das Sehvermögen Gottes vorstellen? Denn jemand, der von Geburt an blind ist, kann sich nicht vorstellen, was es bedeutet, zu sehen, ebenso wenig, wie jemand, der von Geburt an taub ist, sich vorstellen kann, was es heißt zu hören, oder der Leblose, was es bedeutet lebendig zu sein.
So offenbart sich die Göttlichkeit Gottes – der Inbegriff aller Vollkommenheit – in der Wirklichkeit des Menschen, das heißt, das göttliche Wesen ist die Gesamtheit aller vollkommenen Eigenschaften, und von dieser Stufe aus wirft sie einen Strahl ihres Glanzes auf die menschliche Wirklichkeit. Mit anderen Worten, die Sonne der Wahrheit wird in diesem Spiegel reflektiert. So ist der Mensch ein vollkommener, der Sonne der Wahrheit zugewandter Spiegel, und er reflektiert sie. Der Strahlenglanz aller göttlichen Vollkommenheit offenbart sich in der Wirklichkeit des Menschen, und deshalb ist er der Statthalter und Apostel Gottes. Wenn es den Menschen nicht gäbe, würde das Universum keine Frucht bringen, denn der Zweck des Daseins ist die Offenbarung göttlicher Vollkommenheit. Wir können also nicht sagen, dass es eine Zeit gab, in der es den Menschen nicht gab. Wir können allenfalls sagen, dass es eine Zeit gab, in der diese Erde nicht existierte, und dass am Anfang der Mensch nicht auf ihr lebte.
Aber vom Anfang, der keinen Anfang hat, bis zum Ende, das kein Ende hat, gab es immer eine vollkommene Manifestation. Dieser Mensch, von dem wir hier sprechen, ist nicht irgendein Mensch; hier ist vielmehr der Vollkommene Mensch gemeint. Denn der edelste Teil des Baumes und der grundlegende Zweck seines Daseins ist die Frucht. Ein Baum ohne Früchte ist ohne Nutzen. Daher kann man sich nicht vorstellen, dass die Welt des Daseins, seien es ihre Höhen oder Niederungen, einst von Kühen und Eseln, Katzen und Mäusen bevölkert waren und ihr doch die Gegenwart des Menschen vorenthalten blieb. Was für eine falsche und nichtige Vorstellung!
Das Wort Gottes ist klar wie die Sonne. Dies ist ein geistiges Argument, das aber nicht direkt zu Anfang den materialistisch gesinnten Philosophen vorgelegt werden kann. Vielmehr müssen zunächst rationale Argumente und erst dann geistige Argumente vorgelegt werden.

Kapitel 51

Das Erscheinen von Geist und Verstand im Menschen

Frage: Sind Geist und Seele von Anfang an in der menschlichen Spezies erschienen? Oder manifestierten sie sich in der allmählichen Entwicklung der Menschheit oder erst nach ihrer Vervollkommnung? Und im letzteren Fall: Geschah dies über einen kurzen oder einen langen Zeitraum?
Antwort: Der Beginn der Herausbildung des Menschen auf der Erdkugel ist vergleichbar mit der Entstehung des menschlichen Embryos im Mutterleib. Der Mensch wächst und entwickelt sich als Embryo allmählich bis zu seiner Geburt, danach wächst und entwickelt er sich weiter, bis er zur Reife gelangt. Obwohl im Menschen die Zeichen von Verstand und Geist bereits in der Kindheit vorhanden sind, erscheinen sie da noch nicht in ihrer Vollkommenheit und bleiben begrenzt. Sobald der Mensch zur Reife gelangt, treten Verstand und Geist in höchster Vollkommenheit hervor.
Ebenso glich der Mensch zu Beginn seiner Entstehung im Gefüge der Welt einem Embryo. Dann schritt er von Stufe zu Stufe voran, wuchs und entwickelte sich, bis er das Stadium der Reife erreichte, in dem sich Verstand und Geist in höchster Vollkommenheit zeigten. Zwar existierten Verstand und Geist von Anbeginn seiner Entstehung, aber sie waren verborgen und zeigten sich erst später. Auch in der Welt des Mutterleibes existieren Verstand und Geist im Embryo, sind aber verborgen und zeigen sich erst später. Es ist wie bei einem Samenkorn: Der Baum existiert darin, ist aber noch verborgen und unsichtbar; sobald der Samen wächst und sich entwickelt, zeigt sich der Baum in seiner ganzen Pracht. Wachstum und Entwicklung aller Wesen erfolgt in gleicher Weise, Schritt für Schritt. Das ist das universelle, von Gott bestimmte Gesetz und die natürliche Ordnung. Das Samenkorn wird nicht plötzlich zum Baum; der Embryo wird nicht unmittelbar zum Menschen; die mineralische Substanz wird nicht sofort zum Stein: Nein, alles wächst und entwickelt sich allmählich, bis das jeweilige Maß der Vollkommenheit erreicht ist.
Alle Wesen, sei es in ihrer Gesamtheit oder in ihrer besonderer Ausprägung, wurden von Anfang an in vollendeter und vollkommener Weise erschaffen. Man kann allenfalls sagen, dass ihre Vollkommenheit erst allmählich sichtbar wird. Es gibt nur ein Gesetz Gottes, eine Entwicklung des Daseins, eine göttliche Ordnung. Alle Wesen – seien sie groß oder klein – unterliegen einem einzigen Gesetz und einer einzigen Ordnung. Jedes Samenkorn trägt von Anfang an die ganze Vollkommenheit der Pflanze in sich. So existierte beispielsweise in dem Samenkorn von Anfang an die ganze pflanzliche Vollkommenheit, sie war aber unsichtbar und erschien erst nach und nach. Zuerst geht also der Keimling aus dem Samen hervor, dann folgen die Zweige, Blätter und Blüten und schließlich die Frucht. Aber von Beginn seines Werdens an existierte das alles schon, wenn auch unsichtbar, als Möglichkeit im Samenkorn. Ebenso besitzt der Embryo von Anfang an jede Vollkommenheit – den Geist, den Verstand, das Seh- und Riechvermögen und den Geschmack – mit einem Wort, alle Kräfte – aber sie sind unsichtbar und treten erst nach und nach in Erscheinung.
Auch die Erdkugel wurde von Anfang an mit all ihren Elementen, Substanzen, Mineralien und Bestandteilen erschaffen, aber erst nach und nach erschienen zuerst die Mineralien, dann die Pflanzen, dann die Tiere und schließlich der Mensch. Diese Gattungen und Arten waren jedoch von Anfang an im Erdball verborgen und erschienen erst nach und nach. Denn das höchste Gesetz Gottes und die universelle natürliche Ordnung umfassen alle Dinge und unterwerfen sie ihren Regeln. Wenn du diese universelle Ordnung betrachtest, siehst du, dass kein einziges Wesen, unmittelbar nachdem es ins Dasein tritt, das volle Maß der Vollkommenheit erreicht, vielmehr wächst es und entwickelt sich nach und nach, bis es diese Stufe erreicht.

Kapitel 52

Das Erscheinen des Geistes im Körper

Frage: Welche Weisheit steht hinter dem Erscheinen des Geistes im Körper?
Antwort: Dem Erscheinen des Geistes im Körper liegt folgende Weisheit zugrunde: Der menschliche Geist ist ein von Gott anvertrautes Gut und muss alle Stufen durchschreiten, denn indem er die Stufen des Daseins durchschreitet, erlangt er Vollkommenheit. Wenn zum Beispiel jemand gut geplant und systematisch durch viele verschiedene Länder und Regionen reist, wird dies sicherlich ein Mittel zur Vervollkommnung sein, denn er wird mit eigenen Augen verschiedene Orte, Landschaften und Regionen sehen; sich über die Angelegenheiten und Lebensumstände anderer Völker informieren; sich mit der Geographie anderer Länder vertraut machen; sich mit ihren Künsten und Wundern auseinandersetzen; Näheres über die Sitten und Gebräuche, sowie den Charakter ihrer Bürger erfahren; die Kultur und die Errungenschaften der Zeit kennenlernen; und die Regierungsführung, die Fähigkeit und Empfänglichkeit jedes Landes erkunden. In gleicher Weise wird der menschliche Geist, wenn er die Stufen des Daseins durchquert und jede Stufe und jede Ebene – auch die des Körpers – erreicht, ganz gewiss zur Vervollkommnung gelangen.
Darüber hinaus müssen die Zeichen der Vollkommenheit des Geistes in dieser Welt erscheinen, damit das Reich der Schöpfung Früchte in Hülle und Fülle trage und der Körper der bedingten Welt belebt werde und die göttlichen Gnadengaben offenbare. So muss zum Beispiel die Sonne auf die Erde scheinen und ihre Wärme muss alle irdischen Wesen versorgen; wenn die Strahlen und die Wärme der Sonne die Erde nicht erreichen würden, bliebe sie öde und trostlos und es gäbe keine Entwicklung mehr. Ebenso würde diese Welt ohne das Erscheinen der Vollkommenheit des Geistes finster und ganz und gar animalisch werden. Durch das Erscheinen des Geistes im Körper wird diese Welt erleuchtet. So wie der Geist des Menschen die Ursache für das Leben seines Körpers ist, so ist die ganze Welt wie ein Körper und der Mensch ist wie ihr Geist. Wenn der Mensch nicht existierte, wenn sich die Vollkommenheit des Geistes nicht verkörperte und das Licht des Verstandes nicht in dieser Welt erstrahlte, wäre sie wie ein Körper ohne Geist.
Ebenso ist diese Welt wie ein Baum und der Mensch wie die Frucht; ohne Frucht wäre der Baum nutzlos.
Darüber hinaus wirken die Elemente, Bestandteile und Verbindungen, die sich im Menschen befinden, wie ein Magnet für den Geist: Der Geist muss darin erscheinen. Genauso ist ein polierter Spiegel dazu bestimmt, das Licht der Sonne aufzunehmen, angestrahlt zu werden und wundervolle Bilder wiederzugeben. Das heißt, wenn diese physischen Elemente entsprechend der natürlichen Ordnung und mit äußerster Vollkommenheit zusammenkommen und sich verbinden, so werden sie zu einem Magneten für den Geist, und der Geist wird darin mit all seiner Vollkommenheit erscheinen.
Aus dieser Perspektive fragt man nicht: »Warum müssen die Sonnenstrahlen auf den Spiegel fallen?«; denn durch die Beziehungen, ob geistig oder materiell, die alle Dinge verbinden, muss zwangsläufig ein Spiegel, wenn er poliert und der Sonne zugewandt ist, deren Strahlen reflektieren. Ebenso wird der menschliche Geist, wenn die Elemente nach der erhabensten Ordnung, Einteilung, Art und Weise zusammengesetzt und verbunden werden, erscheinen und sich darin zeigen. So hat es der Allmächtige, der Allweise verfügt.

Kapitel 53

Die Verbindung zwischen Gott und Seiner Schöpfung

Frage: Welcher Art ist die Verbindung zwischen Gott und Seiner Schöpfung, zwischen dem Absoluten und unerreichbaren Einen und allen anderen Wesen?
Antwort: Die Verbindung zwischen Gott und Seiner Schöpfung ist die zwischen dem Erzeuger und dem Erzeugten, der Sonne und den dunklen Himmelskörpern, dem Handwerker und seiner Handarbeit. Die Sonne ist nicht nur in ihrem Wesen geheiligt über alle Himmelskörper, die durch sie erleuchtet werden, auch ihr Licht ist in seinem Wesen geheiligt und unabhängig von der Erde. Obwohl die Erde von der Sonne versorgt wird und ihr Licht empfängt, sind die Sonne und ihre Strahlen über sie geheiligt. Die Erde und alles irdische Leben hingegen könnten ohne die Sonne nicht existieren.
Gottes Schöpfung ist ein Prozess, der durch Emanation entsteht. Das heißt, die Schöpfung emaniert von Gott; Gott erscheint nicht in ihr. Die Verbindung beruht auf Emanation und nicht auf Manifestation. Das Licht der Sonne emaniert aus der Sonne; es manifestiert sie nicht. Das Erscheinen durch EmanationA137 ist wie das Erscheinen der Sonnenstrahlen: Das geheiligte Wesen der Sonne der Wahrheit ist unteilbar und steigt nicht auf die Stufe der Schöpfung herab. Ebenso wenig teilt sich die Sonne auf oder steigt auf die Erde herab, sondern ihre Strahlen – die Ausgießungen ihrer Gnade – emanieren aus ihr und erleuchten die dunklen Himmelskörper.
Aber das Erscheinen durch Manifestation ist wie die Manifestation der Zweige, Blätter, Blüten und Früchte aus dem Samen; denn der Same selbst wird zu den Zweigen und Früchten, und seine Wirklichkeit geht in sie ein. Dieses Erscheinen durch Manifestation wäre für den Allhöchsten reine Unvollkommenheit und gänzlich unmöglich, denn es würde voraussetzen, dass die unbedingte Präexistenz Attribute des Erschaffenen annehmen müsste, dass absolute Unabhängigkeit sich in extreme Bedürftigkeit verwandelte und der Inbegriff des Seins zu bloßem Nichtsein würde; und das ist schlichtweg unmöglich.
Folglich ist alles aus Gott emaniert: das heißt es ist Gott, durch den alle Dinge in die Wirklichkeit treten, und durch Ihn ist die bedingte Welt entstanden. Das erste, was aus Gott emaniert, ist jene universelle Wirklichkeit, die die alten Philosophen ›Erster Intellekt‹ nannten und von dem das Volk Bahás als dem ›Ersten Willen‹ spricht. Diese Emanation ist in Bezug auf ihr Wirken in der Welt Gottes weder zeitlich noch räumlich begrenzt und hat weder Anfang noch Ende, denn bei Gott sind Anfang und Ende ein und dasselbe. Die Präexistenz Gottes bezieht sich sowohl auf das Wesen als auch auf die Zeit, während die Entstehung der bedingten Welt nur das Wesen betrifft, nicht aber die Zeit, wie wir bereits früher einmal beim Essen erläuterten.A138
Obwohl der Erste Intellekt ohne Anfang ist, bedeutet das nicht, dass er an Gottes Präexistenz teilhat, denn im Vergleich zur Existenz Gottes ist die Existenz dieser universellen Realität ein bloßes Nichts – man kann nicht einmal sagen, dass sie existiert, geschweige denn, dass sie an Gottes Präexistenz teilhat. Diese Frage wurde bereits bei einer früheren Gelegenheit erläutert.
Für alles Erschaffene gilt, dass Zusammensetzung Leben bedeutet und Zersetzung Tod. Aber die Materie und die universellen Elemente können nicht vollständig zerstört und vernichtet werden. Nein, Ihre Vernichtung ist lediglich eine Umwandlung. Wenn etwa ein Mensch stirbt, zerfällt sein Körper zu Staub, aber er wird nicht zu völligem Nichts: Er behält eine mineralische Existenz, aber es hat eine Veränderung stattgefunden, und das Zusammengesetzte wurde zersetzt. Das Gleiche gilt für die Vernichtung aller anderen Wesen; denn Dasein wird nicht zu völligem Nichtsein, und völliges Nichtsein erlangt kein Dasein.

Kapitel 54

Das Hervorgehen des menschlichen Geistes aus Gott

Frage: Wie geht der menschliche Geist aus Gott hervor? In der Thora wird ja gesagt, Gott habe den Geist in den menschlichen Körper gehaucht.A139
Antwort: Wisse, dass das Hervorgehen auf zweierlei Art geschieht: Hervorgehen und in Erscheinung treten durch Emanation, und Hervorgehen und in Erscheinung treten durch Manifestation. Das Hervorgehen durch Emanation ist wie das Hervorbringen eines Werkstücks durch dessen Urheber. Ein Schriftstück etwa wird vom Schriftsteller hervorgebracht. Nun, so wie die Schrift aus dem Schriftsteller und die Rede aus dem Redner emaniert, so emaniert auch der menschliche Geist aus Gott. Aber das verkörpert Ihn nicht; das heißt, von der göttlichen Wirklichkeit hat sich kein Teil getrennt, um in den Körper des Menschen einzutreten. Nein, so wie die Sprache aus dem Sprecher emaniert, so emaniert der menschliche Geist und zeigt sich im Körper des Menschen.
Mit dem Entstehen durch Manifestation hingegen ist gemeint, dass sich die Wirklichkeit von etwas in anderer Gestalt manifestiert, so wie dieser Baum oder diese Blume aus ihren Samen entsteht, denn es ist der Same selbst, der sich in Form von Zweigen, Blättern und Blumen manifestiert hat. Das nennt man Entstehen durch Manifestation.
Der Geist des Menschen geht durch Emanation aus Gott hervor, so wie die Rede vom Redner und die Schrift vom Schreiber; das bedeutet, dass der Redner selbst nicht zur Rede wird, ebenso wenig wie der Schreiber zur Schrift wird: Die Verbindung ist vielmehr ein Hervorgehen durch Emanation. Denn der Sprecher bleibt in seinem Können und seiner Kraft völlig uneingeschränkt während die Rede aus ihm emaniert, so wie eine Handlung aus dem Handelnden. Der wahre Sprecher, die göttliche Wesenheit, bleibt immer im gleichen Zustand und erfährt weder Wechsel noch Wandel, weder Umgestaltung noch Veränderung. Sie hat weder Anfang noch Ende. Das Hervorgehen des Menschengeistes aus Gott ist daher ein Hervorgehen durch Emanation. Dort, wo in der Thora gesagt wird, dass Gott dem Menschen Seinen Geist eingehaucht hat, entspricht dieser Geist der Rede, die aus dem wahren Sprecher emaniert und in der Wirklichkeit des Menschen wirkt.
Wenn wir nun das Hervorgehen durch Manifestation als ›in Erscheinung treten‹ und nicht etwa als ›Aufspaltung in Teile‹ verstehen, so ist das, wie bereits gesagt, die Art des Hervorgehens und Erscheinens des Heiligen Geistes und des Wortes, die von Gott kommen. Wie es im Johannesevangelium heißt: »Im Anfang war das Wort, und das Wort war bei Gott.«A140 Folglich sind der Heilige Geist und das Wort die Erscheinung Gottes und bestehen in der göttlichen Vollkommenheit, die in der Wirklichkeit Christi erstrahlt. Und diese Vollkommenheit war bei Gott, genauso wie die Sonne, die die Fülle ihrer Herrlichkeit in einem Spiegel offenbart. Denn mit dem »Wort« ist nicht der Leib Christi gemeint, sondern die göttliche Vollkommenheit, die sich in Ihm offenbart hat. So war Christus wie ein makelloser Spiegel, der sich der Sonne der Wahrheit zuwandte, und die Vollkommenheit dieser Sonne – das heißt, ihr Licht und ihre Wärme – zeigten sich deutlich in diesem Spiegel. Wenn wir in den Spiegel schauen, sehen wir die Sonne und sagen, es sei die Sonne. Deswegen stellen das Wort und der Heilige Geist, die aus der Vollkommenheit Gottes bestehen, die Erscheinung des Göttlichen dar. Das ist die Bedeutung des Verses im Evangelium, in dem es heißt: »Das Wort war bei Gott, und Gott war das Wort«A141, denn die göttliche Vollkommenheit kann nicht vom Wesen Gottes unterschieden werden. Die Vollkommenheit Christi wird als das Wort bezeichnet, denn alle erschaffenen Dinge sind wie einzelne Buchstaben und einzelne Buchstaben vermitteln keine vollständige Bedeutung, während die Vollkommenheit Christi ein ganzes Wort ist, denn aus einem Wort lässt sich eine vollständige Bedeutung ableiten. Da die Wirklichkeit Christi die Manifestation göttlicher Vollkommenheit war, kam sie einem Wort gleich. Warum ist das so? Weil sie eine vollständige Bedeutung umfasste, wurde sie das Wort genannt.
Wisse, dass das Hervorgehen des Wortes und des Heiligen Geistes aus Gott ein Hervorgehen und Erscheinen durch Manifestation ist und nicht so zu verstehen ist, dass die Wirklichkeit des Göttlichen geteilt oder vervielfältigt wurde oder von ihren Höhen der Reinheit und Heiligkeit herabgestiegen wäre. Gott bewahre! Wenn ein klarer und makelloser Spiegel vor die Sonne gestellt würde, so würden sich das Licht und die Hitze, die Form und das Bild der Sonne darin so manifestieren, dass ein Betrachter – sollte er sagen: »Das ist die Sonne« – die Wahrheit spräche. Aber der Spiegel ist der Spiegel und die Sonne ist die Sonne. Die Sonne bleibt immer nur die eine Sonne, auch wenn sie in zahlreichen Spiegeln erscheint. Es gibt hier kein Innewohnen, kein Eintreten, keine Vermischung und kein Herabsteigen; denn Eintreten, Austreten, Innewohnen, Abstieg und Vermischung gehören zu den Merkmalen und Erfordernissen des Körpers, nicht zu denen des Geistes – wie viel weniger zu denen der geheiligten und geweihten Wirklichkeit des Göttlichen. Verherrlicht ist Gott über alles, was Seiner Heiligkeit und Reinheit nicht zugehört, und erhaben ist Er in den höchsten Höhen!
Die Sonne der Wahrheit ist, wie gesagt, immer im gleichen Zustand geblieben und durchläuft weder Wechsel noch Wandel, weder Umgestaltung noch Veränderung. Sie hat weder Anfang noch Ende. Aber die geheiligte Wirklichkeit des Wortes Gottes ist wie ein klarer, makelloser und glänzender Spiegel, in dem die Hitze und das Licht, die Gestalt und das Bild der Sonne der Wahrheit – also all ihre Vollkommenheit – reflektiert werden. Deshalb sagt Christus im Evangelium: »Der Vater ist im Sohn«A142, das heißt, dass Vollkommenheit der Sonne der Wahrheit in diesem Spiegel hell erstrahlt. Preis sei Ihm, Der Seine Pracht auf diese über alles Erschaffene geheiligte Wirklichkeit geworfen hat!

Kapitel 55

Geist, Seele und Verstand

Frage: Was ist der Unterschied zwischen Verstand, Geist und Seele?
Antwort: Es wurde bereits erklärt, dass der Geist insgesamt in fünf Kategorien unterteilt ist: der Geist der Pflanze, der Geist des Tieres, der Geist des Menschen, der Geist des Glaubens und der Heilige Geist.A143
Der Geist der Pflanze ist jene Kraft des Wachstums, die durch den Einfluss anderer erschaffener Dinge im Samenkorn entsteht.
Der Geist des Tieres ist jene allumfassende Kraft der Sinne, die durch die Zusammensetzung und Verbindung der Elemente entsteht. Wenn diese Zusammensetzung zerfällt, vergeht auch der Geist und hört auf zu existieren. Er kann mit dieser Lampe verglichen werden: Wenn Öl, Docht und Flamme zusammengebracht und miteinander verbunden werden, leuchtet sie; und wenn sich diese Verbindung löst, das heißt, wenn die Bestandteile voneinander getrennt werden, erlischt auch die Lampe.
Der Geist des Menschen, der Mensch und Tier unterscheidet, ist die vernunftbegabte Seele, und diese beiden Begriffe – der Geist des Menschen und die vernunftbegabte Seele – bezeichnen ein und dasselbe. Dieser Geist, der in der Terminologie der Philosophen die vernunftbegabte Seele genannt wird, umfasst alle Dinge, entdeckt – soweit es menschliche Fähigkeiten ermöglichen – deren Wirklichkeit, und wird sich der Eigenschaften und Wirkungen, der Merkmale und Zustände irdischer Dinge bewusst. Aber der Geist des Menschen kann mit den göttlichen Geheimnissen und himmlischen Wirklichkeiten nicht vertraut werden, es sei denn, er wird vom Geist des Glaubens unterstützt. Er ist wie ein Spiegel, der zwar klar, glänzend und poliert ist, aber dennoch des Lichtes bedarf. Erst wenn ein Sonnenstrahl auf ihn fällt, kann er die göttlichen Geheimnisse entdecken.
Was den Verstand betrifft: Er ist die Kraft des menschlichen Geistes. Der Geist ist wie die Lampe, und der Verstand ist wie ihr strahlendes Licht. Der Geist ist wie der Baum, der Verstand wie die Frucht. Der Verstand ist die Vollendung des Geistes und ein wesentliches Attribut desselben, so wie die Sonnenstrahlen ein Wesensmerkmal der Sonne sind.
Diese Erklärung ist zwar kurz, aber vollständig. Denke darüber nach und du wirst, so Gott will, die Feinheiten darin erfassen.

Kapitel 56

Die äußeren und inneren Kräfte des Menschen

Es gibt fünf nach außen gerichtete physische Kräfte im Menschen, die der Wahrnehmung dienen, das heißt fünf Kräfte, durch die der Mensch das materielle Umfeld wahrnimmt. Das Sehvermögen sieht äußere Formen; das Hörvermögen nimmt Klänge wahr; der Geruchssinn nimmt Gerüche wahr; der Geschmackssinn nimmt essbare Dinge wahr; und der Tastsinn, der auf den ganzen Körper verteilt ist, nimmt Tastbares wahr. Diese fünf Kräfte nehmen äußere Objekte wahr.
Der Mensch hat zudem einige geistige Kräfte: die Vorstellungskraft, die ein geistiges Bild von etwas schafft; das Denkvermögen, das über die Wirklichkeit der Dinge nachsinnt; das Verstehen, das diese Wirklichkeit begreift; und das Gedächtnis, das behält, was der Mensch sich vorgestellt, gedacht und verstanden hat. Zwischen diesen fünf nach außen gerichteten Kräften und den inneren Kräften gibt es einen Gemeinsinn, einen vermittelnden Sinn, der den inneren Kräften alles weitergibt, was die nach außen gerichteten Kräfte wahrgenommen haben. Er wird als Gemeinsinn bezeichnet, da er sowohl den nach außen gerichteten als auch den inneren Kräften zugerechnet wird.
Die Sehkraft, eine der nach außen gerichteten Kräfte, sieht zum Beispiel diese Blume, nimmt sie wahr und übermittelt diese Wahrnehmung der inneren Kraft des Gemeinsinns; der Gemeinsinn überträgt sie an die Vorstellungskraft, die dieses Bild wiederum empfängt, formt und es an die Kraft des Denkens überträgt; die Kraft des Denkens sinnt darüber nach und gibt es, nachdem sie dessen Wirklichkeit erfasst hat, an die Kraft des Verstehens weiter; und sobald diese Kraft es verstanden hat, übergibt sie das Bild des wahrnehmbaren Objekts dem Gedächtnis, das es in Erinnerung bewahrt.
Es gibt fünf äußere Kräfte: das Sehvermögen, das Hörvermögen, den Geschmackssinn, den Geruchssinn und den Tastsinn. Und es gibt auch fünf innere Kräfte: den Gemeinsinn, die Vorstellungskraft, das Denkvermögen, das Verstehen und das Gedächtnis.

Kapitel 57

Charakterunterschiede unter den Menschen

Frage: Wie viele verschiedene Charaktertypen gibt es und woher rühren ihre Unterschiede und ihre Vielfalt?
Antwort: Es gibt den angeborenen Charakter, den ererbten Charakter und den erworbenen Charakter, der sich durch Erziehung bildet.
Was den angeborenen Charakter betrifft: Obwohl die von Gott verliehene angeborene Natur vollkommen gut ist, so unterscheidet sich dieser Charakter doch durch den Grad, in dem ein Mensch ihn besitzt: Alle Abstufungen sind gut, aber einige sind besser als andere. So besitzt jeder Mensch Intelligenz und Fähigkeiten, aber Intelligenz, Fähigkeiten und Begabung unterscheiden sich von Mensch zu Mensch. Das ist offensichtlich.
Nehmen wir zum Beispiel einige Kinder aus demselben Ort und derselben Familie, die dieselbe Schule besuchen und vom selben Lehrer unterrichtet werden, mit der gleichen Nahrung und im selben Klima aufwachsen, die gleiche Kleidung tragen und denselben Unterricht erhalten: Gewiss werden sich einige dieser Kinder in Kunst und Wissenschaft qualifizieren, einige werden durchschnittlich begabt sein und andere werden dumm bleiben. Es ist daher klar, dass es in der angeborenen Natur des Menschen unterschiedliche Abstufungen, Begabungen und Fähigkeiten gibt, aber es ist keine Angelegenheit von Gut oder Böse – es geht lediglich um einen unterschiedlichen Grad. Einer nimmt den höchsten Rang ein, ein weiterer den mittleren und noch ein anderer den niedrigsten. In gleicher Weise existiert der Mensch, das Tier, die Pflanze und das Mineral, aber die Existenz dieser vier Lebensformen ist unterschiedlich. Welch ein Unterschied besteht zwischen der Existenz des Menschen und der des Tieres! Doch sie alle existieren, und es ist offensichtlich, dass es im Dasein Rangunterschiede gibt.
Was die Unterschiede im ererbten Charakter betrifft, so ergeben sie sich aus Stärke und Schwäche der Konstitution des Menschen, das heißt, wenn die Eltern eine schwache Konstitution haben, werden auch die Kinder so sein, und wenn sie stark sind, werden auch die Kinder robust sein. Darüber hinaus übt die Vortrefflichkeit der Abstammungslinie großen Einfluss aus; denn ein guter Samen ist so wie der hochwertige Grundstock, der ebenso im Pflanzen- und Tierreich existiert. Zum Beispiel siehst du, dass Kinder von schwachen und kränklichen Eltern von Natur aus eine schwache Konstitution und schwache Nerven haben, es fehlt ihnen an Geduld, Ausdauer, Entschlossenheit und Durchhaltevermögen, sie sind impulsiv, denn sie haben die Schwäche und Anfälligkeit ihrer Eltern geerbt.
Abgesehen davon wurden bestimmte Familien und Abstammungslinien für einen besonderen Segen erwählt. So erhielten die Nachkommen Abrahams den besonderen Segen, dass alle Propheten des Hauses Israel von ihnen abstammten. Dies ist ein Segen, den Gott dieser Abstammungslinie verliehen hat. Mose durch Seinen Vater und Seine Mutter; Christus durch Seine Mutter; Muḥammad, der Báb und alle Propheten und Heiligen Israels gehören zu dieser Abstammungslinie. Auch Bahá’u’lláh ist ein Nachfahre Abrahams, denn Abraham hatte neben Ismael und Isaak noch weitere Söhne, die damals nach Persien und Afghanistan auswanderten, und die Gesegnete Schönheit ist einer ihrer Nachkommen.
Das zeigt deutlich, dass es auch ererbten Charakter gibt und zwar in einem Ausmaß, dass jemand, dessen Charakter nicht mit dem der eigenen Vorfahren übereinstimmt, im geistigen Sinne nicht zu dieser Abstammungslinie gezählt wird, selbst wenn er körperlich diesem Geschlecht entstammte. Dies ist der Fall bei Kanaan, der nicht zu den Nachkommen Noahs gerechnet wird.A144
Was die Charakterunterschiede betrifft, die von der Erziehung und Bildung herrühren, so sind sie in der Tat groß, denn Erziehung und Bildung üben einen enormen Einfluss aus. Durch Erziehung und Bildung wird der Unwissende gelehrt, der Feige mutig, der krumme Ast wird gerade, die scharfe und bittere Frucht der Berge und Wälder wird köstlich und süß, und eine Blume mit fünf Blütenblättern bringt hundert Blütenblätter hervor. Durch Erziehung werden barbarische Völker zivilisiert und selbst Tiere nehmen menschenähnliche Verhaltensweisen an. Der Erziehung und Bildung muss die größte Bedeutung beigemessen werden; denn so wie Krankheiten in der körperlichen Welt leicht übertragbar sind, so sind auch Charakterzüge im Bereich von Herz und Geist leicht übertragbar. Die Unterschiede, die durch Erziehung und Bildung geschaffen werden, sind gewaltig und haben einen überragenden Einfluss.
Nun mag jemand sagen, solange Fähigkeiten und Begabungen von Menschen unterschiedlich sind, wie kann man den Bösen einen Vorwurf machen, da der Unterschied doch auf ihren Fähigkeiten beruht.A145 Aber das ist nicht der Fall, denn Fähigkeiten sind von zweierlei Art: angeboren und erworben. Die angeborenen Fähigkeiten, die Gott erschaffen hat, sind ganz und gar gut – in der angeborenen Natur gibt es nichts Böses. Die erworbenen Fähigkeiten können jedoch zur Ursache des Bösen werden. Zum Beispiel hat Gott alle Menschen in einer solchen Weise mit solchen Fähigkeiten und Veranlagungen erschaffen, dass ihnen Zucker und Honig guttun, sie aber durch Gift geschädigt oder getötet werden. Dies ist eine angeborene Fähigkeit und Veranlagung, die Gott allen Menschen gleichermaßen verliehen hat. Aber der Mensch kann anfangen nach und nach Gift zu sich zu nehmen, indem er jeden Tag eine kleine Menge einnimmt und sie allmählich steigert, bis er so weit kommt, dass er ohne den täglichen Konsum von mehreren Gramm Opium zugrunde gehen würde und seine angeborenen Fähigkeiten vollständig untergraben sind. Schau, wie angeborene Fähigkeiten und Veranlagungen durch eine veränderte Gewohnheit und Erziehung so vollständig umgewandelt werden können, dass sie ins Gegenteil verkehrt werden. Es ist nicht ihre angeborene Fähigkeit und Veranlagung, die man den Frevlern vorwirft, sondern das, was sie selbst aus sich gemacht haben.
In der Natur der Dinge liegt nichts Böses – alles ist gut. Dies gilt auch für bestimmte tadelnswerte Eigenschaften und Anlagen, die manchen Menschen innezuwohnen scheinen, die aber in Wirklichkeit nicht verwerflich sind. Zum Beispiel kannst du bei einem Säugling vom Beginn seines Lebens an Zeichen von Gier, Zorn und Wut sehen; und so könnte man argumentieren, dass Gut und Böse in der Wirklichkeit des Menschen angeboren sind, und dass dies im Widerspruch zur reinen Güte der Schöpfung und der angeborenen Natur steht. Die Antwort ist, dass Gier, also das Verlangen nach immer mehr, eine lobenswerte Eigenschaft ist, vorausgesetzt, sie zeigt sich unter den richtigen Umständen. Sollte also eine Person Gier zeigen, wenn es um den Erwerb von Wissenschaften und Erkenntnis geht, oder wenn sie Mitgefühl, Aufgeschlossenheit und Gerechtigkeit übt, wäre dies höchst lobenswert. Und sollte er seine Wut und seinen Zorn gegen blutrünstige Tyrannen richten, die wilden Tiere gleichen, wäre auch das höchst lobenswert. Sollte er diese Eigenschaften aber unter anderen Bedingungen zeigen, wäre es tadelnswert.
Daraus folgt also, dass es im Dasein und in der Schöpfung nichts Böses gibt, dass es aber wohl zu tadeln ist, wenn die angeborenen Eigenschaften des Menschen in unrechtmäßiger Weise genutzt werden. Wenn also ein wohlhabender und großzügiger Mensch einem armen Mann Almosen zur Deckung seiner Bedürfnisse spendet, und wenn dieser dann die Summe in unangemessener Weise ausgibt, so ist dies tadelnswert. Das Gleiche gilt für alle angeborenen Eigenschaften des Menschen, die den Reichtum des menschlichen Lebens ausmachen: Wenn sie sich in unrechter Weise zeigen und eingesetzt werden, sind sie tadelnswert. Es ist also klar, dass die angeborene Natur uneingeschränkt gut ist.
Bedenke, dass der schlimmste Charakterzug, die abscheulichste Eigenschaft und die Grundlage allen Übels die Lüge ist und man sich im gesamten Dasein keine schlimmere oder verwerflichere Eigenschaft vorstellen kann. Sie macht jegliche menschliche Vollkommenheit zunichte und führt zu zahllosen Lastern. Es gibt keine schlechtere Eigenschaft als diese, und sie ist die Grundlage aller Verderbtheit. Trotz alledem sollte ein Arzt einen Patienten trösten und sagen: »Gott sei Dank, es geht dir besser und es gibt Hoffnung auf deine Genesung«, auch wenn diese Worte der Wahrheit widersprechen mögen, aber manchmal werden sie das Gemüt des Patienten beruhigen und zum Mittel werden, die Krankheit zu heilen. Und das ist nicht zu tadeln.
Diese Frage wurde nun eindeutig geklärt.

Kapitel 58

Ausmaß und Grenzen menschlichen Begreifens

Frage: Wie weit reicht das menschliche Begreifen und wo liegen seine Grenzen?
Antwort: Wisse, dass das Begriffsvermögen variiert. Seine niedrigste Stufe bilden die Sinnesfunktionen des Tierreichs, das heißt die natürlichen Empfindungen, die sich aus den Kräften der nach außen gerichteten Sinne ergeben. Dieses Begriffsvermögen haben Menschen und Tiere gemein, und tatsächlich übertreffen manche Tiere in dieser Hinsicht den Menschen. In der Menschenwelt variiert das Begriffsvermögen jedoch entsprechend dem unterschiedlichen Niveau, auf dem der Mensch sich befindet.
Den höchsten Grad an Begriffsvermögen in der Welt der Natur besitzt die vernunftbegabte Seele. Diese Kraft und dieses Begriffsvermögen haben alle Menschen gemein, ob sie nun achtlos oder aufmerksam sind, ob sie vom Weg abgekommen oder treu sind. In der Schöpfung Gottes umfasst die vernunftbegabte Seele des Menschen alle anderen erschaffenen Dinge und zeichnet sich ihnen gegenüber aus: Da sie edler und vornehmer ist, umfasst sie alle. Durch die Kraft der vernunftbegabten Seele kann der Mensch die Wirklichkeit der Dinge entdecken, ihre Merkmale begreifen und die Geheimnisse des Daseins durchdringen. Alle Wissenschaften, Wissensgebiete, Künste, Erfindungen, Einrichtungen, Unternehmungen und Entdeckungen entspringen dem Begriffsvermögen der vernunftbegabten Seele. Einst handelte es sich um undurchdringliche Geheimnisse, verborgene Mysterien und unbekannte Wirklichkeiten, doch die vernunftbegabte Seele entdeckte sie nach und nach und brachte sie aus dem Unsichtbaren in das Reich des Sichtbaren. Dies ist die höchste Kraft des Begreifens in der Welt der Natur; und die äußerste Grenze, zu der es sich aufzuschwingen vermag, ist das Erfassen der Wirklichkeiten, Zeichen und Eigenschaften des Bedingten.
Aber der umfassende göttliche Verstand, der die Natur transzendiert, ist die überströmende Gnade der präexistenten Macht. Er umfasst alle existierenden Wirklichkeiten und empfängt seinen Anteil am Licht und an den Geheimnissen Gottes. Er ist eine allwissende Kraft, keine Kraft des Erforschens oder der Sinneswahrnehmung. Die geistige Kraft in der Welt der Natur ist die Kraft des Forschens, und durch das Erforschen entdeckt sie die Wirklichkeit und die Eigenschaften der Dinge. Aber die über die Natur hinausgehende himmlische Verstandeskraft umfasst, kennt und begreift alle Dinge; sie ist sich der göttlichen Geheimnisse, Wahrheiten und inneren Bedeutungen bewusst und entdeckt die verborgenen Wahrheiten des Königreichs. Diese göttliche Verstandeskraft ist auf die heiligen Manifestationen und die Aufgangsorte des Prophetentums beschränkt. Ein Strahl dieses Lichts fällt auf die Spiegel der Herzen der Rechtschaffenen, damit sie durch die heiligen Manifestationen einen Anteil und Nutzen aus dieser Kraft empfangen.
Für die heiligen Manifestationen gibt es drei Seinsebenen: die Ebene des Körpers, die Ebene der vernunftbegabten Seele und die Ebene, auf der sich der göttliche Glanz vollkommen manifestiert. Ihre Körper nehmen Dinge nur im Rahmen der Fähigkeit der materiellen Welt wahr, und so kommt es, dass sie zu bestimmten Zeiten körperliche Schwäche zeigten. Zum Beispiel: »Ich schlief auf Meinem Lager, siehe, da wehte der Windhauch Meines Herrn, des Allbarmherzigen, über Mich, erweckte Mich aus Meinem Schlummer und befahl Mir, Meine Stimme zu erheben«A146; oder als Christus in Seinem dreißigsten Lebensjahr getauft wurde und auf Ihn der Heilige Geist herabkam, der sich zuvor nicht in Ihm offenbart hatte. All dies bezieht sich auf die körperliche Ebene der Manifestationen, aber ihre himmlische Ebene umfasst alle Dinge und Sie sind sich aller Geheimnisse bewusst, wissen um alle Zeichen und herrschen über alle Dinge. Und das gilt sowohl vor dem ersten Anzeichen Ihrer Sendung als auch danach in gleicher Weise. Deshalb sagte Christus: »Ich bin das Alpha und das Omega, der Erste und der Letzte«A147 – das heißt, es gab nie und wird niemals einen Wechsel oder Wandel in Mir geben.

Kapitel 59

Was der Mensch von Gott begreifen kann

Frage: In welchem Ausmaß kann die menschliche Wahrnehmung Gott begreifen?
Antwort: Dieses Thema benötigt Zeit und es bei Tisch zu erklären, wird schwierig sein. Dennoch soll es kurz erläutert werden.
Wisse, dass es zwei Arten von Wissen gibt: das Wissen um das Wesen von etwas und das Wissen um dessen Eigenschaften. Das Wesen von etwas lässt sich nur durch seine Eigenschaften erkennen; darüber hinaus ist sein Wesen unbekannt und unergründlich.
Da sogar unser Wissen um die erschaffenen und begrenzten Dinge nur ihre Eigenschaften und nicht ihr Wesen berührt, wie sollte es dann möglich sein, das Wesen der unumschränkten Wirklichkeit des Göttlichen zu begreifen? Denn das innerste Wesen von etwas kann niemals erkannt werden, nur seine Eigenschaften. Zum Beispiel ist die innere Wirklichkeit der Sonne unbekannt, aber sie wird durch ihre Eigenschaften – Hitze und Licht – verstanden. Das innere Wesen des Menschen ist unbekannt und unergründet, aber es wird durch seine Eigenschaften charakterisiert und erkannt. So wird alles durch seine Eigenschaften und nicht durch sein Wesen erkannt: Auch wenn der menschliche Verstand alles umfasst und alle äußeren Dinge begreift, so sind sie doch in ihrem Wesen unbekannt und können nur in ihren Eigenschaften erkannt werden. Wie kann dann der Herr, der immer war und immer sein wird, der über alles Begreifen und über jede Vorstellung geheiligt ist, in Seinem Wesen erkannt werden? Wenn also alles Erschaffene nur durch seine Eigenschaften und nicht durch sein Wesen erkannt werden kann, bleibt auch die Wirklichkeit des Göttlichen im Wesen unbekannt und wird nur hinsichtlich ihrer Eigenschaften erkannt.
Wie kann darüber hinaus eine Wirklichkeit, die erschaffen wurde, jene Wirklichkeit umfassen, die schon seit aller Ewigkeit existiert? Denn Begreifen ist das Ergebnis des Umfassens – Letzteres muss geschehen, damit Ersteres eintritt –, das göttliche Wesen hingegen ist allumfassend und kann niemals umfasst werden.
Überdies verhindern Stufenunterschiede in der Welt der Schöpfung die Erkenntnis. Weil zum Beispiel dieses Mineral zum Mineralreich gehört, kann es, soweit es auch emporsteigen mag, niemals die Wachstumskraft begreifen. Pflanzen und Bäume, wie weit sie sich auch entwickeln mögen, können sich weder die Sehkraft noch die übrigen Sinneskräfte vorstellen. Das Tier kann sich die Stufe des Menschen, das heißt seine Geisteskräfte, nicht vorstellen. So verhindern Stufenunterschiede die Erkenntnis: Die niedrigere Stufe kann die höhere nicht erfassen. Wie sollte dann eine erschaffene Wirklichkeit jene Wirklichkeit begreifen können, die seit aller Ewigkeit existiert?
Gott zu erkennen bedeutet daher, Seine Attribute, nicht aber Sein Wesen zu begreifen und zu erkennen. Und selbst diese Erkenntnis Seiner Attribute bleibt völlig unzulänglich und reicht nur so weit, wie es menschliche Möglichkeiten und Fähigkeiten zulassen. In der Philosophie geht es darum, die innere Wirklichkeit von Dingen soweit zu erfassen, wie es dem Menschen möglich ist. Für die erschaffene Wirklichkeit gibt es keinen anderen Weg, als die präexistenten Attribute innerhalb der Grenzen menschlicher Fassungskraft zu begreifen. Das unsichtbare Reich des Göttlichen ist geheiligt und erhaben über das Begreifen aller Wesen, und alles, was man sich vorstellen kann, entspricht nur dem menschlichen Verständnis. Die Kraft menschlichen Verstehens umfasst nicht die Wirklichkeit des göttlichen Wesens: Alles, was der Mensch je erreichen kann, ist die Attribute des Göttlichen zu erfassen, deren Licht sich in der Welt und in den Seelen glänzend manifestiert.
Bei genauer Betrachtung der Welt und der Seele des Menschen erscheinen die deutlichen Zeichen der Vollkommenheit des Göttlichen klar und offenbar, denn die Wirklichkeit aller Dinge zeugt von der Existenz einer allumfassenden Wirklichkeit. Die Wirklichkeit des Göttlichen gleicht der Sonne, die von ihren geheiligten Höhen auf alle Lande scheint und von deren Strahlen jedes Land und jede Seele einen Anteil erhält. Ohne dieses Licht und dieses Strahlen könnte nichts existieren. Alles Erschaffene kündet von diesem Licht, bekommt seinen Anteil an den Strahlen, aber die ganze Pracht der Vollkommenheit, der Gnadengaben und der Attribute des Göttlichen erstrahlt aus der Wirklichkeit des Vollkommenen Menschen, jener einzigartigen Person, die die allumfassende Manifestation Gottes ist. Denn alle anderen Wesen haben jeder für sich nur einen Teil jenes Lichtes empfangen, die allumfassende Manifestation Gottes hingegen ist der Spiegel, der vor diese Sonne gehalten wird und Letztere zeigt sich darin mit all ihrer Vollkommenheit, mit all ihren Eigenschaften, Zeichen und Wirkungen.
Die Erkenntnis der Wirklichkeit des Göttlichen ist in keiner Weise möglich, die Erkenntnis der Manifestationen Gottes hingegen ist die Erkenntnis Gottes, denn die Gnadengaben, der Strahlenglanz und die Eigenschaften Gottes sind in Ihnen offenbar. Wer also zur Erkenntnis der Manifestationen Gottes gelangt, gelangt zur Erkenntnis Gottes, und wer achtlos bleibt, beraubt sich dieser Erkenntnis. Somit steht fest, dass die Heiligen Manifestationen himmlische Gaben, Zeichen und jegliche Vollkommenheit in sich vereinigen. Gesegnet sind, die das Licht göttlicher Gnadengaben von diesen leuchtenden Sonnenaufgängen empfangen!
Wir hegen die Hoffnung, dass die Geliebten Gottes wie eine magnetische Kraft diese Gaben direkt aus ihrer Quelle schöpfen und sich so strahlend erheben und einen solchen Einfluss üben, dass sie zu unübersehbaren Zeichen der Sonne der Wahrheit werden.

Kapitel 60

Die Unsterblichkeit des Geistes (1)

Nachdem die Existenz des menschlichen GeistesA148 feststeht, sollten wir nun seine Unsterblichkeit nachweisen.
In den himmlischen Büchern wird die Unsterblichkeit des Geistes erwähnt, die wahre Grundlage göttlicher Religionen. Denn es wird gesagt, dass es zwei Arten von Lohn und Strafe gebe – zum einen Lohn und Strafe im Dasein und zum anderen Lohn und Strafe in der nächsten Welt. Das Paradies und die Hölle des Daseins ist in allen Welten Gottes zu finden, ob in dieser Welt oder in den himmlischen Welten des Geistes, und den Lohn zu bekommen bedeutet das ewige Leben zu erlangen. Deshalb sagte Christus: Handelt so, dass ihr ewiges Leben erlangt, aus Wasser und Geist geboren werdet und so in das Königreich eintretet.A149
Den Lohn des Daseins bilden Tugenden und Vollkommenheit, die Zierde der menschlichen Wirklichkeit. Zum Beispiel war der Mensch in Dunkelheit gehüllt und wird erleuchtet; er war unwissend und erlangt Wissen; er war achtlos und wird achtsam; er schlief und ist erwacht; er war tot und ist zum Leben erweckt; er war blind und wird sehend; er war taub und wird hörend; er war irdisch und wird himmlisch; er war materialistisch und wird geistig. Durch diesen Lohn wird er im Geist wiedergeboren, wird neu erschaffen und er wird zur Manifestation des Verses im Evangelium, in dem es heißt, dass die Apostel »nicht aus Blut, aus Fleisch oder aus dem Willen des Menschen geboren wurden, sondern aus Gott«A150 – das bedeutet, sie wurden befreit von den tierischen Eigenschaften und Merkmalen, die der menschlichen Natur innewohnen, und erlangten himmlische Eigenschaften, die der Gnade Gottes entströmen. Dies ist die wahre Bedeutung der Wiedergeburt. Für solche Seelen gibt es keine größere Qual, als wie durch Schleier von Gott getrennt zu sein, und keine schmerzlichere Strafe als selbstsüchtige und böse Eigenschaften, niedrige Gesinnung und Verstrickung in fleischliche Begierden. Wenn diese Seelen durch das Licht des Glaubens aus der Dunkelheit dieser Laster befreit werden, wenn sie durch die Strahlen der Sonne der Wahrheit erleuchtet und mit jeder menschlichen Tugend begabt sind, betrachten sie dies als höchsten Lohn und als das wahre Paradies. In gleicher Weise betrachten sie es als geistige Strafe, das heißt existenzielle Qual und Pein, sollten sie der Welt der Natur unterworfen sein; wie durch Schleier von Gott getrennt; unwissend und unachtsam; ungezügelten Begierden verhaftet; ganz in tierischen Lastern aufgehend; von bösen Eigenschaften wie Tyrannei und Ungerechtigkeit gekennzeichnet; weltlichen Dingen verhaftet und in satanische Vorstellungen eingetaucht – all dies schätzen sie als die größte aller Qualen und Strafen ein.
Der höchste Lohn, das ewige Leben, ist in allen heiligen Schriften ausdrücklich verzeichnet. Er ist himmlische Vollkommenheit, ewige Gnade und immerwährende Freude. Der höchste Lohn sind die Gaben und die Vollkommenheit, die der Mensch in den geistigen Welten erlangt, nachdem er diese Welt verlassen hat. Der Lohn im Diesseits indessen sind jene wahren und strahlenden vollkommenen Eigenschaften, die noch zu Lebzeiten erlangt werden und die Ursache ewigen Lebens sind. Denn der Lohn im Diesseits bestehen im Fortschritt des Daseins selbst – vergleichbar mit dem Fortschritt des Menschen von der Stufe des Embryos zur Reife, wenn er zur Verkörperung des Verses wird: »Gepriesen sei der Herr, der vortrefflichste aller Schöpfer!«A151 Der höchste Lohn sind geistige Gnaden und Gunstbezeigungen, wie die vielfältigen Gaben für die Seele nach ihrem Aufstieg ins Königreich Gottes, die Erfüllung der Herzenssehnsucht und die Wiedervereinigung mit Ihm im ewigen Reich. In gleicher Weise besteht Vergeltung und Strafe in der nächsten Welt darin, der besonderen Gunstbezeigungen und unerschöpflichen Gaben Gottes beraubt zu sein und auf die niedrigsten Stufen des Daseins herabzusinken. Und wer dieser Gnadengaben beraubt ist, gilt in den Augen des Volkes der Wahrheit als tot, auch wenn er nach dem Tode weiter existiert.
Ein Vernunftbeweis für die Unsterblichkeit des Geistes ist, dass etwas nicht Existentes keine Wirkung hervorbringen kann; das heißt es ist unmöglich, dass aus dem absoluten Nichts irgendeine Wirkung hervorgeht. Denn die Wirkung einer Sache ist seiner Existenz untergeordnet; und das Untergeordnete hängt von der Existenz des Übergeordneten ab. So können von einer nicht existenten Sonne keine Strahlen ausgehen; auf einem nicht existenten Meer können keine Wellen wogen; aus einer nicht existenten Wolke kann kein Regen fallen; ein nicht existenter Baum kann keine Frucht tragen; ein nicht existenter Mensch kann nichts hervorbringen. Solange also die Wirkungen der Existenz sichtbar sind, beweisen sie, dass der Urheber dieser Wirkung existiert.
Sieh, wie die Herrschaft Christi bis zum heutigen Tage besteht. Wie kann eine so bedeutende Herrschaft von einem nicht existenten Herrscher herrühren? Wie können sich hohe Wogen aus einem nicht existenten Meer erheben? Wie können solch himmlische Brisen aus einem nicht existenten Garten herüberwehen? Bedenke: Zerfällt etwas in seine Bestandteile und löst sich die Zusammensetzung seiner Elemente auf – seien es Mineralien, Pflanzen oder Tiere –, so verschwindet jede Wirkung, jeder Einfluss und jede Spur davon. Das ist jedoch ganz anders mit dem menschlichen Geist und der menschlichen Wirklichkeit, die weiterhin ihre Zeichen offenbaren, Einfluss üben und Wirkung zeigen – auch nach der Auflösung und Zersetzung der verschiedenen Teile und Glieder des Körpers.
Diese Frage ist sehr tiefgründig: Denke sorgfältig darüber nach. Dies ist ein rationaler Beweis, wir bringen ihn vor, damit rational denkende Menschen ihn auf der Waage der Vernunft und Unparteilichkeit prüfen können. Wenn aber der Geist des Menschen von Freude erfüllt und zum Königreich hingezogen ist, wenn sich das innere Auge öffnet, das geistige Ohr sich einstimmt und wenn geistige Empfindungen vorherrschen, dann wird die Unsterblichkeit des Geistes so deutlich erkennbar sein wie die Sonne und die himmlischen Botschaften und Andeutungen werden diesen Geist erfüllen.
Morgen werden wir weitere Beweise anführen.

Kapitel 61

Die Unsterblichkeit des Geistes (2)

Gestern haben wir über die Unsterblichkeit des Geistes gesprochen. Wisse, dass es für den menschlichen Geist zwei Wege gibt, wahrzunehmen und Einfluss zu üben; das heißt, der menschliche Geist kann auf zweierlei Art wirken und verstehen. Eine Art nutzt die Mittel und Organe des Körpers. So sieht er mit dem Auge, hört mit dem Ohr und spricht mit der Zunge. Dies sind Wirkungen des Geistes und Vorgänge in der menschlichen Wirklichkeit, aber sie erfolgen durch körperliche Mittel. So ist es der Geist, der sieht, aber mit Hilfe des Auges; es ist der Geist, der hört, aber durch das Ohr; es ist der Geist, der spricht, aber mittels der Zunge.
Die andere Art, wie der Geist wirkt und Einfluss übt, erfolgt ohne diese körperlichen Mittel und Organe. Zum Beispiel sieht er im Schlaf ohne Augen, hört ohne Ohren, spricht ohne Zunge, läuft ohne Füße – kurz gesagt, alle diese Kräfte wirken ohne körperliche Mittel und Organe. Wie oft kommt es vor, dass der Geist in der Welt des Schlafes einen Traum hat, dessen Inhalt zwei Jahre später genau eintritt! Und wie oft kommt es vor, dass der Geist in der Traumwelt ein Problem löst, das er im wachen Zustand nicht lösen konnte. Im Wachzustand sieht das Auge nur über eine kurze Entfernung, aber in der Traumwelt kann jemand, der sich im Osten befindet, den Westen sehen. Im Wachzustand sieht er nur die Gegenwart; im Schlaf nimmt er die Zukunft wahr. Im Wachzustand reist er nicht schneller als 120 Kilometer pro Stunde; im Schlaf durchquert er in einem Augenblick den Osten und den Westen. Denn der Geist hat zwei Möglichkeiten zu reisen: ohne Hilfsmittel als geistige Reise und mit Hilfsmitteln als körperliche Reise – so wie wenn ein Vogel fliegt oder in einem Fahrzeug transportiert wird.
Im Schlaf ist dieser physische Körper gleichsam tot. Er sieht nicht, hört nicht, fühlt nicht und hat weder Bewusstsein noch Wahrnehmung – seine Kräfte sind aufgehoben. Aber der Geist ist nicht nur lebendig und beständig, sondern er übt auch einen größeren Einfluss aus, erhebt sich in erhabenere Höhen und besitzt ein tieferes Verständnis. Anzunehmen, dass der Geist beim Tod des Körpers zugrunde ginge, ist wie die Vorstellung, dass ein in einem Käfig eingesperrter Vogel umkäme, wenn der Käfig zerbräche, obwohl der Vogel vom Zerbrechen des Käfigs nichts zu befürchten hat. Dieser Körper ist dem Käfig und der Geist dem Vogel vergleichbar. Wir beobachten, dass der Vogel ohne seinen Käfig frei durch die Welt des Schlafes fliegt. Sollte der Käfig zerbrochen werden, würde der Vogel nicht nur weiterleben, sondern seine Sinne würden geschärft, seine Wahrnehmung würde erweitert und seine Freude würde intensiver werden. In der Tat würde er einen qualvollen Ort verlassen um in ein herrliches Paradies einzutreten; denn für die dankbaren Vögel gibt es kein größeres Paradies als von ihrem Käfig befreit zu sein. Und so kommt es, dass die Märtyrer das Feld des Opfers frohlockend und in höchster Freude betreten.
Im Wachzustand sieht das Auge des Menschen höchstens bis zu einer Entfernung von einer Wegstunde, denn der Einfluss des Geistes reicht mit körperlichen Mitteln nur so weit; aber mit dem Auge des Verstandes und der Vorstellungskraft sieht er Amerika, versteht dieses Land, erfährt von seinem Zustand und ordnet die Dinge dementsprechend. Wäre der Geist mit dem Körper identisch, so könnte seine Sehkraft nicht weiter reichen. Somit liegt auf der Hand, dass der Geist vom Körper verschieden ist, dass der Vogel vom Käfig verschieden ist und dass Kraft und Einfluss des Geistes ohne die Vermittlung des Körpers ausgeprägter sind. Wenn nun das Mittel nicht mehr gebraucht wird, bleibt sein Anwender weiter bestehen. Wenn der Stift beispielsweise nicht benutzt wird oder zerbrochen ist, bleibt der Schriftsteller dennoch gesund und lebendig; und wenn ein Haus zerstört wird, lebt sein Besitzer weiter. Dies ist einer der Vernunftbeweise für die Unsterblichkeit der Seele.
Ein weiterer Beweis ist folgender: Der Körper des Menschen kann schwach oder stark, krank oder gesund, müde oder ausgeruht sein; er kann eine Hand oder ein Bein verlieren; seine körperlichen Kräfte können nachlassen; er kann blind, taub, stumm oder bewegungsunfähig werden – kurz gesagt, er kann schwer beeinträchtigt sein. Trotzdem behält der Geist seinen ursprünglichen Zustand und seine geistigen Wahrnehmungen bei und erleidet keine Beeinträchtigung oder Störung. Wenn der Körper jedoch von einer schweren Krankheit oder einem großen Unglück heimgesucht wird, ist er der Segnungen des Geistes beraubt, wie ein Spiegel, der zerbrochen oder mit Staub bedeckt das Licht der Sonne nicht mehr reflektieren und ihre Gaben nicht mehr offenbaren kann.
Wir haben bereits erklärt, dass der Geist des Menschen nicht im Körper enthalten ist, denn er ist befreit und geheiligt über Eintritt und Austritt, die zu den Kennzeichen des physischen Körpers gehören. Die Verbindung des Geistes mit dem Körper ist vielmehr wie die der Sonne mit dem Spiegel. Kurz gesagt, der menschliche Geist bleibt immer im selben Zustand. Er erkrankt weder an der Krankheit des Körpers, noch gesundet er durch seine Gesundheit; er wird nicht schwach und unfähig, elend oder niedergeschlagen, gemindert oder eingeschränkt – das bedeutet, er erleidet keinen Schaden und keine Krankheit aufgrund der Gebrechen des Körpers, selbst wenn der Körper verkümmert, wenn Hände, Füße und Zunge abgetrennt wären oder wenn das Seh- und Hörvermögen beeinträchtigt wäre. So ist klar und erwiesen, dass der Geist sich vom Körper unterscheidet und dass seine Unsterblichkeit nicht von der Unsterblichkeit des Körpers abhängt, sondern dass der Geist in der Welt des Körpers die Oberherrschaft hat und seine Kraft und sein Einfluss so deutlich sichtbar sind wie die Freigebigkeit der Sonne in einem Spiegel. Doch wenn der Spiegel mit Staub bedeckt oder zerbrochen ist, bleiben ihm die Sonnenstrahlen vorenthalten.

Kapitel 62

Die grenzenlose Vervollkommnung des Daseins und der Fortschritt der Seele in der nächsten Welt

Wisse, dass die Stufen des Daseins beschränkt sind auf die Stufe des Dienstes, des Prophetentums und des Göttlichen. Aber die Vollkommenheit Gottes und die Vervollkommnung der Schöpfung sind grenzenlos. Wenn du den Sachverhalt sorgfältig untersuchst wirst du feststellen, dass es für das Dasein selbst in seiner rein äußerlichen Form keine Grenze der Vervollkommnung gibt; denn es ist unmöglich etwas Erschaffenes zu finden, das man sich nicht noch vollkommener vorstellen könnte. So wird man im Mineralreich keinen Rubin, im Pflanzenreich keine Rose und im Tierreich keine Nachtigall finden, von denen man sich nicht noch bessere Exemplare vorstellen könnte.
Ebenso wie die Gnade Gottes grenzenlos ist, sind auch die Möglichkeiten zur Vervollkommnung des Menschen grenzenlos. Wenn es möglich wäre, dass irgendetwas in seiner Wirklichkeit den Gipfel der Vollkommenheit erreichte, dann würde es von Gott unabhängig werden und die Wirklichkeit des bedingten Seins würde die Stufe der Wirklichkeit des notwendigen Seins erreichen. Aber jedem erschaffenen Ding wurde eine Stufe zugewiesen, die es nicht überschreiten kann. Wer also die Stufe des Dienens einnimmt, kann niemals die Stufe der göttlichen Herrschaft erreichen, wie weit er auch fortschreiten und welche unendliche Vollkommenheit er auch erwerben mag. Dasselbe gilt für alle anderen erschaffenen Dinge. Wie weit ein Mineral auch fortschreiten mag, kann es im Mineralreich doch niemals die Kraft des Wachstums erlangen. Wie weit diese Blume auch fortschreiten mag, kann sich im Pflanzenreich an ihr doch niemals die Kraft der Sinne zeigen. So kann dieses Stück Silber niemals Seh- oder Hörvermögen erlangen; es kann höchstens auf seiner eigenen Stufe fortschreiten und ein vollkommenes Mineral werden, aber es kann weder Wachstums- noch Sinneskraft erlangen und niemals lebendig werden: es kann nur auf seiner eigenen Stufe fortschreiten.
Zum Beispiel kann Petrus nicht Christus werden. Er kann allenfalls auf der Stufe der Dienstbarkeit unendliche Vollkommenheit erreichen, denn jede existierende Wirklichkeit ist zum Fortschritt fähig. Da der Geist des Menschen ewig weiterlebt, nachdem er diese ursprüngliche Hülle abgelegt hat, ist er wie alles Erschaffene zweifellos in der Lage, Fortschritte zu machen. Und deshalb kann man für den Fortschritt einer dahingeschiedenen Seele beten, dass ihr vergeben werde und sie die Gunst, die Gaben und die Gnade Gottes empfangen möge. Deshalb wird in den Gebeten Bahá’u’lláhs die Vergebung und Verzeihung Gottes für jene erfleht, die in die nächste Welt aufgestiegen sind. Mehr noch, so wie die Menschen Gott in dieser Welt brauchen, brauchen sie Ihn auch in der nächsten Welt. Die Geschöpfe sind immer bedürftig und Gott ist immer unabhängig von ihnen, ob in dieser oder in der künftigen Welt.
Der Reichtum in der nächsten Welt besteht in der Nähe zu Gott. Es ist daher gewiss, dass diejenigen, die der göttlichen Schwelle nahe sind, Fürbitte einlegen dürfen, und dass diese Fürbitte von Gott angenommen wird. Die Fürbitte in der nächsten Welt hat jedoch keine Ähnlichkeit mit der Fürbitte in dieser Welt. Es ist ein völlig anderer Zustand und eine andere Wirklichkeit, die sich nicht in Worte fassen lassen.
Sollte sich ein reicher Mann dazu entschließen, einen Teil seines Vermögens nach seinem Tod an die Armen und Bedürftigen zu vererben, wird diese Tat vielleicht göttliche Vergebung und Verzeihung bewirken und zu seinem Fortschritt im Königreich des Allbarmherzigen führen.
In gleicher Weise ertragen Eltern für ihre Kinder größte Mühen und Schwierigkeiten, und oft gehen die Eltern in die jenseitige Welt ein, wenn die Kinder herangewachsen sind. Nur selten erfreuen sich Mutter und Vater in dieser Welt des Lohns für all die Mühen und Schwierigkeiten, die sie für ihre Kinder auf sich genommen haben. Die Kinder müssen daher als Dank für diese Mühen und Schwierigkeiten Spenden für wohltätige Zwecke leisten und gute Werke in ihrem Namen vollbringen und um Verzeihung und Vergebung für ihre Seelen bitten. Du solltest daher als Dank für die Liebe und Güte Deines Vaters in seinem Namen freigebig zu den Armen sein und mit äußerster Demut und aus tiefster Seele um Gottes Verzeihung und Vergebung und um Seine unendliche Barmherzigkeit beten.A152
Es ist sogar möglich, dass diejenigen, die in Sünde und Unglauben gestorben sind, verwandelt werden, das heißt, zum Gegenstand göttlicher Vergebung werden. Das geschieht durch die Gnade Gottes und nicht durch Seine Gerechtigkeit, denn es ist Gnade, jemanden zu beschenken, der es nicht verdient hat, und es ist Gerechtigkeit, nach Verdienst zu geben. So wie wir hier die Kraft haben, für diese Seelen zu beten, werden wir auch in der nächsten Welt, der Welt des Königreichs, die gleiche Kraft besitzen. Sind nicht alle Geschöpfe jener Welt von Gott erschaffen? Daher müssen sie auch in jener Welt Fortschritte machen können. Und so wie sie hier durch ernsthaftes Flehen Erleuchtung suchen können, können sie auch dort um Vergebung bitten und durch demütiges Gebet nach Erleuchtung suchen. So wie die Seelen in dieser Welt durch ihr eigenes Bitten und Flehen und durch die Gebete heiliger Seelen voranschreiten können, so können sie auch nach dem Tod durch ihre eigenen Gebete und inständiges Flehen voranschreiten, insbesondere wenn sie Gegenstand der Fürbitte der heiligen Manifestationen werden.

Kapitel 63

Der Fortschritt aller Dinge auf ihrer eigenen Stufe

Wisse, dass nichts, was existiert, in einem Zustand der Ruhe verharrt – das heißt, alle Dinge bleiben in Bewegung. Sie wachsen oder verfallen, kommen entweder vom Nichtsein ins Dasein oder gehen vom Dasein ins Nichtsein. So ist diese Blume, diese Hyazinthe, für eine gewisse Zeit vom Nichtsein ins Dasein getreten und geht jetzt wieder vom Dasein ins Nichtsein. Dies nennt man notwendige oder naturgegebene Bewegung, die nicht von den erschaffenen Dingen getrennt werden kann, denn sie ist ein unverzichtbares Wesensmerkmal, genau wie es ein unverzichtbares Wesensmerkmal des Feuers ist zu brennen.
Daher ist erwiesen, dass Bewegung, sei es als Fortschritt oder Rückschritt, für das Dasein unerlässlich ist. Da nun der menschliche Geist nach dem Tod weiterlebt, muss er entweder Fortschritte oder Rückschritte machen, und in der nächsten Welt ist das Fehlen von Fortschritt dasselbe wie Rückschritt. Aber der menschliche Geist verlässt niemals seine eigene Stufe: Er schreitet nur auf seiner Stufe voran. Zum Beispiel werden der Geist und die Wirklichkeit Petri, soweit sie auch voranschreiten mögen, niemals die Stufe der Wirklichkeit Christi erreichen, sondern werden nur innerhalb ihrer eigenen Grenzen voranschreiten.
So siehst du, dass dieses Mineral, wie sehr es sich auch fortentwickeln mag, nur auf seiner eigenen Stufe fortschreitet; du kannst zum Beispiel das Kristall unmöglich in einen Zustand bringen, in dem es Sehkraft erlangt. Oder der Mond: Wie auch immer er sich entwickeln mag, kann er doch niemals zur strahlenden Sonne werden, seine Erdferne und seine Erdnähe werden immer innerhalb der Grenzen seiner eigenen Stufe bleiben. Und wie weit die Apostel fortgeschritten sein mögen, sie können doch nie Christus werden. Es ist wahr, dass Kohle zu einem Diamant werden kann, aber beide stehen auf der Stufe des Minerals und ihre Bestandteile sind gleich.

Kapitel 64

Stufe und Fortschritt des Menschen nach dem Tod

Wenn wir alle Dinge mit einem wachen Auge untersuchen, stellen wir fest, dass sie insgesamt nur drei Kategorien zuzuordnen sind: dem Mineralischen, dem Pflanzlichen, dem Tierischen. So gibt es drei Kategorien von Geschöpfen und jede hat ihre eigenen Spezies. Der Mensch ist die vornehmste Spezies, da er die Vollkommenheit jeder der drei Kategorien in sich vereint – das heißt, er besitzt einen materiellen Körper, die Wachstumskraft und die Sinneskraft. Über die Vollkommenheit des Mineralischen, Pflanzlichen und Tierischen hinaus besitzt er jedoch noch eine besondere Vollkommenheit, die anderen erschaffenen Dingen fehlt, nämlich die Vollkommenheit des Verstandes. Somit ist der Mensch das Edelste von allen Lebewesen.
Der Mensch bekleidet den höchsten Rang des Stofflichen und steht am Anfang der Geistigkeit; das heißt, er befindet sich am Ende der Unvollkommenheit und am Anfang der Vollkommenheit. Er befindet sich am Ende der Finsternis und am Anfang des Lichts. Deshalb wird über die Stufe des Menschen gesagt, sie sei das Ende der Nacht und der Anbruch des Tages, was bedeutet, dass er jegliche Unvollkommenheit umfasst und potenziell jede Vollkommenheit besitzt. Er hat sowohl eine tierische als auch eine engelhafte Seite, und die Rolle des Erziehers besteht darin, die menschlichen Seelen so auszubilden, dass die engelhafte Seite die tierische überwinden kann. Wenn also die göttlichen Kräfte, die mit Vollkommenheit identisch sind, die satanischen Kräfte im Menschen, die völliger Unvollkommenheit entsprechen, überwinden, wird er das edelste aller Geschöpfe, im umgekehrten Fall wird er jedoch das schändlichste aller Wesen. Deshalb ist er das Ende der Unvollkommenheit und der Beginn der Vollkommenheit.
Man sieht bei keiner anderen Spezies in der Welt des Daseins solche Unterschiede, Gegensätze, Kontraste und Widersprüche wie beim Menschen. So ist es auch der Mensch, auf den das strahlende Licht des Göttlichen fiel, so wie es bei Christus geschah – sieh, wie herrlich und edel der Mensch ist! Zugleich betet er Steine, Bäume und Lehmklumpen an – sieh, wie erbärmlich er ist, dass der Gegenstand seiner Verehrung die niedrigste Daseinsstufe ist, das heißt leblose Steine, Erdklumpen, Berge, Wälder und Bäume! Was kann es für den Menschen Erbärmlicheres geben, als die niedrigste Daseinsstufe anzubeten?
Darüber hinaus ist Wissen eine menschliche Eigenschaft, aber auch Unwissenheit; Wahrhaftigkeit ist eine menschliche Eigenschaft, aber auch Lüge; und das Gleiche gilt für Vertrauenswürdigkeit und Verrat, Gerechtigkeit und Tyrannei und so weiter. Kurz gesagt, jede Vollkommenheit und Tugend ist wie jedes Laster eine Eigenschaft des Menschen. Man muss auch die Unterschiede berücksichtigen, die zwischen den Menschen bestehen. Christus hatte die Gestalt eines Menschen ebenso wie Kephas. Mose war ein Mensch und ebenso der Pharao; Abel war ein Mensch und Kain ebenso; Bahá’u’lláh war ein Mensch und YaḥyáA153 ebenso. Deshalb gilt der Mensch als das größte Zeichen Gottes – das heißt, er ist das Buch der Schöpfung – denn alle Geheimnisse des Universums sind in ihm zu finden. Sollte er in die Obhut des wahren Erziehers gelangen und richtig ausgebildet werden, wird er zum Edelstein aller Edelsteine, zum Licht allen Lichtes, zum Inbegriff des Geistes. Er wird zum Mittelpunkt göttlichen Segens, zur Quelle geistiger Attribute, zum Dämmerungsort himmlischen Lichtes und zum Empfänger göttlicher Inspiration. Sollte ihm diese Ausbildung jedoch vorenthalten bleiben, wird er zur Verkörperung satanischer Attribute, zum Inbegriff tierischer Laster und zur Quelle all dessen, was bedrückend und finster ist.
Dies ist die Weisheit des Auftretens der Propheten: Die Menschheit zu erziehen, auf dass der Klumpen Kohle zu einem Diamanten werde und der unfruchtbare Baum veredelt werde und Früchte von größter Süße und Zartheit hervorbringe. Und nachdem die edelste Stufe der Menschenwelt erreicht wurde, kann ein weiterer Fortschritt nur im Grad der Vollkommenheit erzielt werden, aber nicht in der Stufe, denn die Stufen sind endlich, aber für die göttliche Vollkommenheit gibt es keine Grenze.
Sowohl vor als auch nach dem Ablegen dieser stofflichen Hülle schreitet die menschliche Seele in ihrer Vollkommenheit voran, jedoch nicht in der Stufe. Alles Erschaffene entwickelt sich bis zu seinem Gipfel, dem vollendeten Menschen, und es gibt kein höheres Geschöpf als ihn. Der Mensch kann, nachdem er die menschliche Stufe erreicht hat, nur in der Vollkommenheit voranschreiten, aber nicht in der Stufe, denn es gibt keine höhere Stufe, zu der er gelangen kann, als die eines vollendeten Menschen. Er kann sich nur auf der menschlichen Stufe weiterentwickeln, da die Vervollkommnung des Menschen unendlich ist. So gelehrt ein Mensch auch sein mag, es ist immer möglich, sich einen noch gelehrteren vorzustellen.
Weil es nun für die Vollkommenheit des Menschen keine Grenze gibt, kann er auch nach seinem Aufstieg aus dieser Welt Fortschritte in seiner Vervollkommnung machen.

Kapitel 65

Glaube und Taten

Frage: Im Kitáb-i-Aqdas heißt es: »… wer dessen beraubt ist, geht in die Irre, hätte er auch alle gerechten Werke vollbracht.«A154 Was bedeutet dieser Vers?
Antwort: Die Bedeutung dieses gesegneten Verses ist, dass es die Grundlage von Erfolg und Erlösung ist, Gott anzuerkennen, und dass gute Taten, die Frucht des Glaubens sind, aus dieser Anerkennung erwachsen.
Wenn diese Anerkennung nicht erfolgt, bleibt der Mensch wie durch Schleier von Gott getrennt, und wegen dieses Schleiers erreichen seine guten Werke nicht ihre volle und gewünschte Wirkung. Dieser Vers bedeutet nicht, dass die durch Schleier von Gott Getrennten alle gleich sind, ob sie nun Gutes oder Böses tun. Es bedeutet nur, dass Gott anzuerkennen, die Grundlage ist und gute Taten aus dieser Erkenntnis hervorgehen. Dennoch ist sicher, dass unter denen, die wie durch Schleier von Gott getrennt sind, ein Unterschied besteht zwischen dem, der gute Taten vollbringt, und dem Sünder und Übeltäter. Denn die wie durch Schleier von Gott getrennte Seele, die mit gutem Charakter und Verhalten ausgestattet ist, verdient die Vergebung Gottes. Dem wie durch Schleier von Gott getrennten Sünder, der schlechte Charakterzüge und Verhaltensweisen aufweist, bleiben jedoch die Wohltaten und Gaben Gottes versagt. Hierin liegt der Unterschied.
Dieser gesegnete Vers bedeutet daher, dass ohne Gott anzuerkennen, gute Taten allein nicht zu ewiger Erlösung, dauerhaftem Erfolg und Heil und zur Aufnahme in das Reich Gottes führen können.A155

Kapitel 66

Der Fortbestand der vernunftbegabten Seele nach dem körperlichen Tod

Frage: Wodurch wird die vernunftbegabte Seele weiterleben, nachdem sie den Körper abgelegt hat und der Geist emporgestiegen ist? Nehmen wir an, dass die Seelen, die durch die Gnadengaben des Heiligen Geist unterstützt werden, wahres Sein und ewiges Leben erlangen. Aber was wird aus den vernunftbegabten Seelen, die wie durch Schleier von Gott getrennt sind?
Antwort: Manche meinen, der Körper sei das Substanzielle und bestehe durch sich selbst, und der Geist sei unwesentlich und bestehe nur durch das Substanzielle des Körpers. Die Wahrheit ist jedoch, dass die vernunftbegabte Seele das Substanzielle ist, durch das der Körper besteht. Wenn das Nicht-Wesentliche – der Körper – zerstört wird, bleibt das Substanzielle – der Geist – übrig.
Zweitens besteht die vernunftbegabte Seele, mit anderen Worten der menschliche Geist, nicht dadurch, dass sie dem Körper innewohnt, das heißt, sie tritt nicht in ihn ein; denn Innewohnen und Eintreten sind Merkmale von Körpern. Die vernunftbegabte Seele ist darüber erhaben. Sie ist von Anfang an niemals in den Körper eingetreten, andernfalls wäre eine andere Wohnstatt für sie erforderlich, sobald sie den Körper wieder verlässt. Nein, die Verbindung des Geistes mit dem Körper ist so wie die Verbindung dieser Lampe mit einem Spiegel. Wenn der Spiegel rein und makellos ist, erscheint das Licht der Lampe darin, aber wenn der Spiegel zerbrochen oder mit Staub bedeckt ist, bleibt das Licht verborgen.
Die vernunftbegabte Seele – der menschliche Geist – ist von Anfang an nicht in diesen Körper herabgestiegen, noch besteht sie durch ihn, denn sonst wäre sie auch auf etwas Substanzielles angewiesen, nachdem sich die Bestandteile des Körpers aufgelöst haben. Im Gegenteil, die vernunftbegabte Seele ist das Substanzielle, auf das der Körper angewiesen ist. Die vernunftbegabte Seele besitzt von Anfang an ihre Individualität; sie erwirbt sie nicht mittels des Körpers. Was sich höchstens sagen lässt, ist, dass die Individualität und Identität der vernunftbegabten Seele in dieser Welt gestärkt werden kann, und dass die Seele entweder fortschreiten und sich vervollkommnen kann oder dass sie im tiefsten Abgrund der Unwissenheit verbleibt und wie durch Schleier von den Zeichen Gottes getrennt und ihrer Sicht beraubt bleibt.
Frage: Wodurch kann der Geist des Menschen – die vernunftbegabte Seele – Fortschritte machen, nachdem er von dieser sterblichen Welt gegangen ist?
Antwort: Nachdem der Geist vom Körper getrennt ist, macht der menschliche Geist in der göttlichen Welt entweder allein durch die Gunst und Gnade des Herrn Fortschritte, oder durch die Fürsprache und die Gebete anderer menschlicher Seelen oder durch großzügige Spenden und wohltätige Werke, die in seinem Namen dargebracht werden.
Frage: Was geschieht mit Kindern, die vor Erreichen des Reifealters sterben oder gar vor dem Geburtstermin?
Antwort: Diese Kinder weilen unter der Obhut der göttlichen Vorsehung, und da sie keine Sünde begangen haben und unbefleckt vom Schmutz der Welt der Natur sind, werden sie zu Offenbarungen der göttlichen Gnade und die Augen göttlicher Barmherzigkeit werden auf sie gerichtet sein.

Kapitel 67

Ewiges Leben und Eintritt in das Reich Gottes

Du hast nach dem ewigen Leben und dem Eintritt ins Königreich gefragt. Das Königreich wird äußerlich als ›Himmel‹ bezeichnet, aber dies ist nur ein Ausdruck und ein Vergleich, keine Tatsache oder Wirklichkeit. Denn das Königreich ist kein stofflicher Ort, sondern über Raum und Zeit geheiligt. Es ist ein geistiges Reich, eine göttliche Welt, und es ist der Sitz der Souveränität Gottes. Es ist über den Körper und alles Körperliche erhaben und es ist frei und geheiligt von den eitlen Vorstellungen der Menschen. An einen Ort gebunden zu sein, ist ein Merkmal des Körpers und nicht des Geistes: Raum und Zeit umfassen den Körper, nicht den Geist und die Seele.
Beachte, dass der Aufenthaltsort für den Körper des Menschen ein begrenzter Raum ist, nicht mehr als ein Fleckchen Erde. Aber der Geist und Verstand des Menschen durchquert alle Länder und Regionen und sogar die grenzenlose Weite des Himmels; er umfasst alles Dasein und macht Entdeckungen in den Sphären droben und in den unendlichen Weiten des Universums. Dies liegt daran, dass der Geist an keinen Ort gebunden ist: Er ist eine Wirklichkeit ohne Ort, und für den Geist sind Erde und Himmel gleich, da er in beiden Entdeckungen macht. Aber der Körper ist beschränkt auf den Raum und weiß nicht um das, was darüber hinausgeht.
Es gibt also zwei Arten von Leben, das des Körpers und das des Geistes. Das Leben des Körpers ist das stoffliche Leben, aber das Leben des Geistes ist eine himmlische Existenz, die darin besteht, die Gnade des göttlichen Geistes zu empfangen und durch den Odem des Heiligen Geistes belebt zu werden. Obwohl das stoffliche Leben ein Dasein hat, ist es in den Augen der heiligen und geistig gesinnten Seelen völlige Nichtexistenz und Tod. So existiert der Mensch ebenso wie dieser Stein, aber welch ein Unterschied besteht zwischen der Existenz des Menschen und der des Steins! Obwohl der Stein existiert, ist er im Vergleich zur Existenz des Menschen nicht existent.
Mit ›ewigem Leben‹ ist gemeint, die Gnade des Heiligen Geistes zu empfangen, so wie eine Blume an den Gaben und Brisen des Frühlings teilhat. Schau, wie diese Blume anfangs ein rein mineralisches Leben besaß, wie sie aber mit Beginn des Frühlings, dem Herabregnen der Frühlingsschauer und der Hitze der strahlenden Sonne ein anderes Leben fand und mit größter Frische, zart und duftend erschien. Im Vergleich zu diesem Leben war das vorherige Leben der Blume wie der Tod.
Damit soll gesagt sein, dass das Leben des Königreichs das Leben des Geistes ist, dass es ewig währt und über Zeit und Raum geheiligt ist, so wie der menschliche Geist, der an keinen Ort gebunden ist. Denn solltest du den menschlichen Körper gründlich untersuchen, so könntest du doch keinen bestimmten Platz oder Ort für den Geist finden. Der Geist ist an keinen Ort gebunden und er ist immateriell, aber er hat eine Verbindung mit dem Körper, so wie die Sonne eine Verbindung mit diesem Spiegel hat: Die Sonne nimmt keinen Platz im Spiegel ein, aber sie ist damit verbunden. Genauso ist auch die Welt des Königreichs über alles geheiligt, was vom Auge gesehen oder von den anderen Sinnen wie Hören, Riechen, Schmecken oder Fühlen wahrgenommen werden kann.
Wo kann man nun im Menschen diesen Verstand finden, der ihm innewohnt und dessen Existenz außer Zweifel steht? Würdest du den menschlichen Körper mit dem Auge, dem Ohr oder den anderen Sinnen untersuchen, könntest du den Verstand nicht finden, obwohl er eindeutig existiert. Der Verstand hat somit keinen festen Ort, obwohl er mit dem Gehirn verbunden ist. Das Gleiche gilt für das Königreich. Ebenso hat die Liebe keinen festen Ort, aber sie ist mit dem Herzen verbunden. Und genauso hat das Königreich keinen Ort, sondern ist mit der menschlichen Wirklichkeit verbunden.
Der Zugang zum Königreich erfolgt durch die Liebe Gottes, durch Loslösung, durch Läuterung und Heiligkeit, durch Wahrhaftigkeit und Reinheit, durch Standhaftigkeit und Treue und durch Selbstaufopferung.
Aus diesen Erklärungen geht klar hervor, dass der Mensch unsterblich ist und ewig lebt. Wer an Gott glaubt, Ihn liebt und Gewissheit erlangt hat, erfreut sich an diesem gesegneten Leben, das wir das ewige Leben nennen; die aber, die wie durch Schleier von Gott getrennt sind, obwohl sie mit Leben ausgestattet sind, leben doch in Dunkelheit, und ihr Leben ist im Vergleich zu dem der Gläubigen Nichtsein.
So lebt sowohl das Auge als auch der Fingernagel, aber das Leben des Fingernagels im Vergleich zu dem des Auges kommt dem Nichtsein gleich. Der Stein und der Mensch existieren beide, aber verglichen mit dem Menschen hat der Stein keine Existenz und kein Dasein. Denn wenn der Mensch stirbt und sein Körper zerfällt und zugrunde geht, wird er wie der Stein, die Erde und das Mineral. Es ist daher klar, dass das Mineral, obwohl es existiert, verglichen mit dem Menschen nicht existiert.
Ebenso sind die Seelen, die vor Gott verhüllt sind, obwohl sie in dieser Welt und in der kommenden Welt existieren, verglichen mit dem geheiligten Dasein der Kinder des göttlichen Königreichs nicht existent und verloren.

Kapitel 68

Zweierlei Arten von Schicksal

Frage: Ist Schicksal, das in den Heiligen Büchern Erwähnung findet, etwas Unwiderrufliches? Wenn ja, welcher Nutzen liegt in dem Versuch, es abzuwenden?
Antwort: Es gibt zwei Arten von Schicksal: Eines ist unwiderruflich und das andere ist bedingt, oder wie man sagt in der Schwebe. Unwiderrufliches Schicksal ist nicht zu ändern oder abzuwenden, während bedingtes Schicksal eintreffen kann oder auch nicht. So ist das unwiderrufliche Schicksal dieser Lampe, dass ihr Öl verbrannt und verbraucht wird. Ihr endgültiges Verlöschen ist daher gewiss, und es ist unmöglich, diesen Ausgang zu ändern, denn dies ist ihr unwiderrufliches Schicksal. Ebenso wurde der Körper des Menschen mit einer Kraft versehen, deren Abbau und Erschöpfung unvermeidlich zum Zerfall des Körpers führt. Es ist so wie mit dem Öl in dieser Lampe: Sobald es verbrannt und verbraucht ist, wird die Lampe mit Sicherheit verlöschen.
Dem bedingten Schicksal wäre Folgendes vergleichbar: Obwohl noch Öl übrig ist, bläst ein starker Wind und löscht die Lampe aus. Dieses Schicksal ist bedingt. Es ist ratsam, dieses Schicksal abzuwenden, sich davor zu schützen und vorsichtig und umsichtig zu sein. Aber das unwiderrufliche Schicksal, das dem Verbrauch des Lampenöls gleicht, kann nicht geändert, abgewandelt oder verzögert werden. Es ist unausweichlich, die Lampe wird zweifellos verlöschen.

Kapitel 69

Der Einfluss der Sterne und wie alle Dinge miteinander verbunden sind

Frage: Haben die Sterne des Himmels einen geistigen Einfluss auf die menschliche Seele oder nicht?
Antwort: Bestimmte Himmelskörper üben einen physischen Einfluss auf die Erde und ihre Geschöpfe aus, was klar und offensichtlich ist und keiner Erklärung bedarf. Betrachte die Sonne, die Dank göttlicher Gnade die Erde und alle ihre Geschöpfe versorgt. Ohne das Licht und die Wärme der Sonne würden tatsächlich alle irdischen Dinge aufhören zu existieren.
Was geistige Einflüsse betrifft, mag es zwar seltsam erscheinen, dass die Sterne einen geistigen Einfluss auf die menschliche Welt ausüben sollen, aber würdest du tief über diese Angelegenheit nachdenken, wärest du davon nicht sehr überrascht. Damit will ich jedoch nicht behaupten, dass die Astrologen der Antike aus den Bewegungen der Sterne und Planeten die richtigen Schlussfolgerungen gezogen haben, denn das waren bloße Einbildungen, die ihren Ursprung bei den ägyptischen, assyrischen und chaldäischen Priestern hatten, oder vielmehr den törichten Annahmen der Hindus und dem Aberglauben der Griechen, der Römer und anderer Sternenanbeter entstammten. Ich will vielmehr sagen, dass dieses grenzenlose Universum wie der menschliche Körper ist, dessen Teile zusammenhängen und in höchster Vollkommenheit miteinander verbunden sind. Das heißt, so wie die Teile, Glieder und Organe des menschlichen Körpers miteinander verbunden sind und sich gegenseitig unterstützen, verstärken und beeinflussen, so sind auch die Teile und Glieder dieses endlosen Universums miteinander verbunden und beeinflussen sich gegenseitig geistig und stofflich. Zum Beispiel sieht das Auge etwas und es betrifft den gesamten Körper; das Ohr hört und alle Teile des Körpers werden angeregt. Daran besteht kein Zweifel, denn die Welt des Daseins gleicht einem lebendigen Menschen. Zu der Verbindung, die zwischen den verschiedenen Teilen des Universums besteht, gehören notwendigerweise gegenseitige Einflussnahme und Wechselwirkungen, sei es im Stofflichen oder im Geistigen.
Für diejenigen, die den geistigen Einfluss materieller Dinge bestreiten, erwähnen wir hier ein kleines Beispiel: Schöne Klänge, wundersame Töne und harmonische Melodien sind Vorkommnisse, die auf die Luft einwirken; denn Schall besteht aus Luftschwingungen, und diese Schwingungen regen das Trommelfell und die Nerven an und das führt zum Hören. Bedenke, wie die Luftschwingungen, die ein Vorkommnis unter vielen sind und für bedeutungslos gehalten werden, den Geist des Menschen anziehen, ihn mit außerordentlicher Freude erfüllen und zutiefst bewegen: Sie bringen ihn zum Lachen, zum Weinen und können sogar bewirken, dass er sich selbst einer Gefahr aussetzt. Beobachte nun, welche Verbindung zwischen dem Geist des Menschen und den Schwingungen der Luft besteht, die ihn in einen anderen Zustand versetzen und ihn so überwältigen können, dass er jegliche Geduld und Gelassenheit verliert. Überlege, wie seltsam das ist, denn nichts kommt aus dem Sänger hervor und tritt in den Hörer ein, und dennoch werden große geistige Wirkungen erzeugt. Diese enge Beziehung zwischen allen erschaffenen Dingen muss daher zwangsläufig zu geistigen Einflüssen und Wirkungen führen.
Es wurde bereits erwähnt, dass sich Körperteile und Organe im menschlichen Körper gegenseitig beeinflussen. Zum Beispiel sieht das Auge etwas und das Herz wird bewegt. Das Ohr hört und der Geist wird beeinflusst. Das Herz findet Frieden, die Gedanken erweitern sich und alle Glieder des Körpers erfahren einen Zustand des Wohlbefindens. Was für eine Verbindung und Beziehung ist das! Und wenn solche Beziehungen, solche geistigen Einflüsse und Wirkungen zwischen den verschiedenen Körperteilen des Menschen zu finden sind, der ja nur ein einzelnes Geschöpf unter vielen ist, dann müssen mit Sicherheit sowohl geistige als auch materielle Beziehungen zwischen der Gesamtheit der zahllosen Wesen bestehen. Und obwohl unsere gegenwärtigen Methoden und Wissenschaften diese Beziehungen innerhalb der Gesamtheit der Geschöpfe nicht nachweisen können, sind sie dennoch klar und unbestreitbar vorhanden.
Zusammengefasst sind alle Geschöpfe als Gesamtheit und als Einzelne, gemäß Gottes vollendeter Weisheit miteinander verbunden und beeinflussen sich gegenseitig. Wäre dies nicht der Fall, würde die allumfassende Organisation und die universelle Ordnung des Daseins in Unordnung geraten und gestört. Und da alle erschaffenen Dinge aufs Beste miteinander verbunden sind, sind sie wohl geordnet, gestaltet und vollendet.
Diese Frage verdient eine gründliche Untersuchung mit gebührender Aufmerksamkeit und sorgfältigem Nachdenken.

Kapitel 70

Der freie Wille und seine Grenzen

Ist der Mensch frei und uneingeschränkt in allem, was er tut, oder handelt er unter Zwang und ohne Wahlfreiheit?
Antwort: Dies ist eine der wichtigsten Fragen des Göttlichen und die Zusammenhänge sind äußerst verwirrend. So Gott will, werden wir diese Angelegenheit an einem anderen Tag zu Beginn unseres Mittagessens ausführlich erläutern. Jetzt werden wir nur kurz ein paar Worte dazu sagen.
Bestimmte Angelegenheiten unterliegen dem freien Willen des Menschen, wie zum Beispiel gerechtes, unparteiisches oder auch unrechtes, schädliches Handeln – mit anderen Worten, die Wahl zwischen guten und bösen Taten. Es ist ganz offensichtlich, dass der Wille des Menschen bei solchen Taten eine große Rolle spielt. Aber es gibt bestimmte Dinge, zu denen der Mensch gezwungen und genötigt ist, dazu gehören Schlaf, Tod, Krankheit, schwindende Kräfte, Unglück und materieller Verlust. Diese Dinge unterliegen nicht dem Willen des Menschen, und er ist nicht verantwortlich dafür, denn er ist gezwungen, sie zu erdulden. Aber er hat die freie Wahl zwischen guten und bösen Taten, und er führt sie aus eigenem Willen aus.
Wenn er möchte, kann er zum Beispiel seine Tage damit verbringen, Gott zu preisen, und wenn er es wünscht, kann er sich mit anderem als Ihm beschäftigen. Er kann die Kerze seines Herzens mit der Flamme der Liebe Gottes entzünden und ein Wohltäter der Welt werden, oder er kann ein Feind der ganzen Menschheit werden oder seine Vorlieben auf weltliche Dinge richten; er kann sich entscheiden gerecht oder ungerecht zu sein. Über all diese Taten und Handlungen hat er die Kontrolle, und daher ist er dafür verantwortlich.
Es stellt sich jedoch eine andere Frage: Der Mensch befindet sich in einem Zustand völliger Hilflosigkeit und absoluter Armut. Alle Kraft und Macht ist allein bei Gott, und Erhöhung wie Erniedrigung des Menschen hängen vom Willen und der Absicht des Höchsten ab. So heißt es im Neuen Testament, dass Gott wie ein Töpfer sei, der »ein Gefäß zu ehrenvollem und ein anderes zu nicht ehrenvollem Gebrauch«A156 schafft. Nun hat das nicht ehrenvolle Gefäß kein Recht, dem Töpfer Vorwürfe zu machen und zu sagen: »Warum hast du mich nicht zu einem kostbaren Becher gemacht, der von einer Hand zur nächsten gereicht wird?« Diese Worte bedeuten, dass die Seelen unterschiedliche Stufen einnehmen. Was die niedrigste Stufe des Daseins einnimmt, so wie das Mineral, hat kein Recht zu klagen und zu sagen: »O Gott, warum hast Du mir die Vollkommenheit der Pflanze verwehrt?« Ebenso hat die Pflanze kein Recht, sich darüber zu beschweren, dass ihr die Vollkommenheit des Tierreiches vorenthalten bleibt. Und in ähnlicher Weise steht es dem Tier nicht zu, das Fehlen menschlicher Vollkommenheit zu beklagen. Nein, auf ihrer eigenen Stufe sind all diese Dinge vollkommen und müssen die Vollkommenheit dieser Stufe anstreben. Wie zuvor gesagt, ist das von niedrigerem Rang weder berechtigt noch befähigt, die Stufe und Vollkommenheit eines höheren Ranges anzustreben, sondern muss innerhalb des eigenen Ranges voranschreiten.A157
Abgesehen davon sind selbst Ruhe oder Bewegung des Menschen von der Hilfe Gottes abhängig. Sollte er diesen Beistand nicht bekommen, kann er weder Gutes noch Böses tun. Aber wenn mit dem Beistand des allfreigebigen Herrn der Mensch ins Dasein tritt, ist er sowohl zum Guten als auch zum Bösen fähig. Und sollte dieser Beistand enden, wäre er völlig machtlos. Deshalb wird in den Heiligen Schriften von der Hilfe und dem Beistand Gottes gesprochen. Es ist wie bei einem Schiff, das sich durch Wind- oder Dampfkraft bewegt. Sollte diese Kraft unterbrochen werden, könnte sich das Schiff überhaupt nicht bewegen. Unabhängig davon, in welche Richtung das Ruder gedreht wird, treibt die Kraft des Dampfes das Schiff in diese Richtung voran. Wenn das Ruder nach Osten gedreht wird, bewegt sich das Schiff nach Osten, und wenn es nach Westen gerichtet ist, bewegt sich das Schiff nach Westen. Die Fortbewegung wird nicht durch das Schiff selbst bewirkt, sondern durch Wind oder Dampf.
Genauso werden alle Taten des Menschen durch die Kraft göttlichen Beistands gestützt, aber die Entscheidung für Gut oder Böse liegt allein bei ihm. Es ist, als würde der König jemanden zum Gouverneur einer Stadt ernennen, ihm die volle Autorität gewähren und ihm zeigen, was nach dem Gesetz gerecht und ungerecht ist. Sollte der Gouverneur nun ein Unrecht begehen, dann würde, auch wenn er durch die Macht und Autorität des Königs handelte, der König seine Ungerechtigkeit dennoch nicht gutheißen. Und sollte der Gouverneur gerecht handeln, würde dies ebenfalls durch die königliche Autorität geschehen, und der König wäre zufrieden und erfreut über seine Gerechtigkeit.
Das bedeutet, dass die Wahl von Gut und Böse beim Menschen liegt, dass er aber unter allen Umständen auf den lebenserhaltenden Beistand der göttlichen Vorsehung angewiesen ist. Die Souveränität Gottes ist fürwahr gewaltig, und alle befinden sich fest im Griff Seiner Macht. Der Diener kann nichts allein aus eigenem Willen tun: Gott ist allmächtig und verleiht der ganzen Schöpfung Seinen Beistand.
Diese Frage wurde nun eindeutig geklärt und erläutert.

Kapitel 71

Geistige Enthüllungen

Frage: Manche Menschen glauben, dass sie geistige Enthüllungen erleben, das heißt, dass sie mit Geistern kommunizieren. Wie kann das sein?
Antwort: Es gibt zwei Arten von geistigen Enthüllungen: Die eine Art, auf die sich manche Völker beziehen, ist reine Einbildung, während die andere Art echte geistige Visionen sind, wie zum Beispiel die Offenbarungen von Jesaja, von Jeremia und von Johannes.
Bedenke, dass die kontemplativen Kräfte des Menschen zwei Arten von Vorstellungen hervorbringen. Die eine Art besteht aus fundierten und zutreffenden Konzepten, die, verbunden mit Entschlossenheit, in der Welt realisiert werden, etwa in Form von geeigneten Maßnahmen, weisen Ansichten, wissenschaftlichen Entdeckungen und technologischen Neuerungen. Die andere Art besteht aus falschen Ideen und haltlosen Vorstellungen, die fruchtlos bleiben und jeder Grundlage entbehren. Sie branden auf wie die Wellen des Meeres der Täuschung und verblassen wie flüchtige Träume.
Ebenso gibt es zwei Arten von geistigen Enthüllungen. Zum einen gibt es die Visionen der Propheten und die geistigen Enthüllungen der Auserwählten Gottes. Die Visionen der Propheten sind keine Träume, sondern wahre geistige Enthüllungen. Wenn sie also sagen: »Ich habe jemanden in einer solchen Gestalt gesehen, und ich habe solche Worte gesprochen, und er hat eine solche Antwort gegeben«, ereignet sich diese Vision im Wachzustand und nicht in der Traumwelt. Es ist eine geistige Entdeckung, die in Form einer Vision Ausdruck findet.
Die andere Art der geistigen Enthüllung ist reine Einbildung, aber solche Einbildungen nehmen im Kopf eine so greifbare Form an, dass sie vielen leichtgläubigen Menschen real erscheinen. Der offensichtliche Beweis dafür ist, dass nie ein greifbarer Erfolg oder ein Ergebnis aus dieser vermeintlichen Geisterbeschwörung hervorgeht. Nein, das sind nichts als Fabeln und Fiktionen.
Du solltest also wissen, dass die menschliche Wirklichkeit die Wirklichkeit aller Dinge umfasst und deren wahre Natur, ihre Eigenschaften und ihre Geheimnisse entdeckt. Beispielsweise wurden alle Handwerkskünste, Erfindungen, Wissenschaften und Wissensgebiete von der menschlichen Wirklichkeit entdeckt. Einstmals waren sie alle verborgene Geheimnisse, aber die Wirklichkeit des Menschen entdeckte sie allmählich und brachte sie aus der unsichtbaren Welt ins Reich des Sichtbaren. Es ist daher offensichtlich, dass die Wirklichkeit des Menschen alle Dinge umfasst. So befindet er sich in Europa und entdeckt Amerika; er befindet sich auf der Erde und macht Entdeckungen im Kosmos. Er lüftet die Geheimnisse aller Dinge und erfasst die Wirklichkeit aller Wesen. Diese wahren Enthüllungen, die mit der Wirklichkeit übereinstimmen, ähneln Visionen – die in dem geistigen Verständnis, himmlischer Inspiration und engem geistigen Austausch von Menschen bestehen – und so wird der Empfänger sagen, dass er solches gesehen oder gesagt oder gehört hat.
Daher ist klar, dass der Geist auch ohne die Vermittlung der fünf Sinnesorgane, wie etwa Augen und Ohren, zu machtvollen Wahrnehmungen fähig ist. In Bezug auf geistiges Verständnis und innere Enthüllungen gibt es unter den geistig gesinnten Seelen eine Einheit, die jede Vorstellung und jeden Vergleich übertrifft, und einen Austausch, der Raum und Zeit transzendiert. Wenn zum Beispiel im Evangelium geschrieben steht, dass Mose und Elias auf dem Berg Tabor zu Christus kamen, ist klar, dass dies keine stoffliche Zusammenkunft war, sondern ein geistiger Zustand, der als physische Begegnung beschrieben wurde.
Die andere Art, Geister zu beschwören, mit ihnen zu sprechen und zu verkehren, ist leere Einbildung und bloße Illusion, auch wenn sie real erscheinen mag. Mit Verstand und Nachdenken entdeckt der Mensch zuweilen gewisse Wahrheiten, und dieses Nachdenken, dieses Entdecken führen zu konkreten Ergebnissen und sind von Nutzen. Solche Gedanken haben eine feste Grundlage. Aber viele Dinge fallen einem ein, die den Wellen des Meeres leerer Einbildung gleichen; sie tragen keine Früchte und bringen kein Ergebnis. Auch in der Welt des Schlafes mag man einen Traum haben, der genauso eintrifft, während man bei einer anderen Gelegenheit einen Traum haben wird, der absolut zu nichts führt.
Damit soll zum Ausdruck gebracht werden, dass das, was wir als Gespräch oder Kommunikation mit Geistern bezeichnen, von zweierlei Art ist: Die eine ist reine Einbildung, und die andere ist real und besteht aus den in der Bibel erwähnten Visionen, wie den Visionen von Jesaja und Johannes und der Begegnung von Christus mit Mose und Elia. Letztere üben eine wunderbare Wirkung auf Verstand und Denken aus und erzeugen eine starke Anziehung in den Herzen.

Kapitel 72

Heilung ohne Arzneimittel

Frage: Es gibt Menschen, die heilen Erkrankte auf geistige Weise – das heißt ohne Arzneimittel. Wie ist das möglich?
Antwort: Eine ausführliche Erklärung zu diesem Thema wurde bereits früher gegeben. Wenn dir nicht alles klar geworden sein sollte, will ich es hier für dich wiederholen. Wisse, dass es vier Arten der Behandlung und Heilung ohne Arzneimittel gibt. Zwei davon beruhen auf materiellen und die anderen beiden auf geistigen Ursachen.
Was die zwei materiellen Verfahren betrifft, ist eines der Tatsache geschuldet, dass sowohl Gesundheit als auch Krankheit ansteckend sind. Die Ansteckung mit Krankheit geschieht schnell und heftig, wohingegen die Ansteckung durch Gesundheit äußerst langsam und schwach ist. Wenn zwei Körper in Kontakt miteinander sind, kommt es ganz sicher dazu, dass Mikroorganismen von einem auf den anderen übertragen werden. So wie sich eine Krankheit schnell und heftig von einem Körper auf einen anderen überträgt, kann auch die robuste Gesundheit eines gesunden Menschen eine sehr leichte Unpässlichkeit eines Kranken bessern. Das bedeutet, dass die Übertragung einer Krankheit schnell und heftig geschieht, wohingegen sich Gesundheit sehr langsam und mit beschränkter Wirkung überträgt, und nur in Fällen geringfügiger Erkrankung ist diese bescheidene Wirkung spürbar. In solchen Fällen überwindet die Kraft des gesunden Körpers die leichte Schwäche des kranken Körpers und lässt ihn gesunden. Dies ist eine Art der Heilung.
Bei einer anderen geschieht die Heilung durch eine Art magnetischer Kraft des Körpers, bei der die magnetische Kraft des einen Körpers auf einen anderen Körper wirkt und zur Genesung führt. Auch diese Kraft hat nur eine geringfügige Wirkung. So kann jemand seine Hand auf den Kopf oder den Bauch eines Patienten legen und vielleicht wird es ihm nützen. Wieso? Weil die Wirkung des Magnetismus und der Eindruck auf die Psyche des Patienten die Krankheit vertreiben kann. Aber auch diese Wirkung ist ausgesprochen gering und schwach.
Die beiden anderen Arten sind geistiger Natur, also das Mittel zur Heilung ist eine geistige Kraft. Eine davon kommt zum Tragen, wenn ein gesunder Mensch seine ganze Aufmerksamkeit auf einen Kranken richtet und dieser seinerseits voller Zuversicht und vollkommen davon überzeugt ist, von der geistigen Kraft des Gesunden geheilt zu werden, so sehr, dass eine starke Verbindung zwischen ihren Herzen entsteht. Wenn der gesunde Mensch dann alle Anstrengungen unternimmt, um den Kranken zu heilen, und dieser völlig darauf vertraut, dass er gesund wird, kann durch diese von Seele zu Seele wirkenden Einflüsse eine Erregung in seinen Nerven erzeugt werden und schließlich zur Heilung führen. Wenn zum Beispiel ein Kranker plötzlich die frohe Botschaft erhält, dass sein sehnlichster Wunsch erfüllt wurde, kann die Begeisterung darüber seine Nerven so erregen, dass die Beschwerden vollkommen verschwinden. Auf gleiche Weise kann ein plötzlich eintretendes schreckliches Ereignis eine solche Erregung in den Nerven eines gesunden Menschen erzeugen, dass er sofort krank wird. Die Krankheit hat keine materielle Ursache, denn diese Person hat nichts zu sich genommen und ist mit nichts in Berührung gekommen: Allein die Erregung der Nerven hat die Krankheit verursacht. Ebenso kann die plötzliche Erfüllung eines zutiefst gehegten Wunsches solche Freude vermitteln, dass die Nerven erregt und die Gesundheit wiederhergestellt wird.
Kurz gesagt, eine vollständige und perfekte Verbindung zwischen dem geistig gesinnten Arzt und dem Patienten, das heißt eine, bei der der Arzt seine gesamte Aufmerksamkeit auf den Patienten richtet und bei der der Patient ebenfalls seine gesamte Aufmerksamkeit auf den geistig gesinnten Arzt richtet und davon ausgeht, dass Heilung eintritt, verursacht einen Nervenreiz, wodurch die Gesundheit wiederhergestellt wird. Dies ist jedoch nur bis zu einem gewissen Grad und nicht in allen Fällen wirksam. Sollte sich beispielsweise jemand eine schwere Krankheit oder Verletzung zuziehen, werden diese Mittel die Krankheit weder vertreiben noch die Verletzung lindern oder heilen – das heißt, diese Mittel haben keinen Einfluss auf schwere Krankheiten, es sei denn, sie werden durch die Konstitution des Patienten unterstützt, denn eine starke Konstitution wird eine Krankheit oft abwehren. Dies ist die dritte Art der Heilung.
Bei der vierten Art jedoch wird Heilung durch die Kraft des Heiligen Geistes bewirkt. Diese hängt weder vom Körperkontakt, noch vom Sehen und nicht einmal von der Anwesenheit ab: Sie hängt von keiner Bedingung ab. Ob die Krankheit leicht oder schwer ist, ob es einen Kontakt zwischen den Körpern gibt oder nicht, ob eine Verbindung zwischen Patient und Arzt hergestellt wird oder nicht, ob der Patient anwesend ist oder nicht, diese Heilung erfolgt durch die Kraft des Heiligen Geistes.

Kapitel 73

Heilung durch stoffliche Mittel

Wir haben in Verbindung mit der Frage nach Medizin und Heilung durch den Geist erwähnt, wie Krankheiten durch geistige Kräfte geheilt werden können.
Nun werden wir über Heilung durch stoffliche Mittel sprechen. Die Wissenschaft der Medizin steckt noch in den Kinderschuhen, sie hat ihre Reife noch nicht erlangt. Wenn sie aber diese Stufe erreicht, werden Behandlungen mit Mitteln durchgeführt, die nicht abstoßend riechen oder schmecken, das heißt durch Nahrungsmittel, Früchte und Pflanzen, die wohlschmeckend sind und angenehm duften. Denn dass eine Krankheit den menschlichen Körper befällt, liegt entweder an den Körpersäften oder wird durch Nervenreizung verursacht.
Was die Körpersäfte betrifft, die die Hauptursache für Krankheiten sind, so ist ihre Wirkung auf Folgendes zurückzuführen: Der menschliche Körper besteht aus zahlreichen Elementen, die einem bestimmten Gleichgewichtszustand entsprechen. Solange dieses Gleichgewicht erhalten bleibt, ist der Mensch vor Krankheit geschützt. Wird aber dieses grundlegende Gleichgewicht – die wichtigste Voraussetzung für eine gesunde Verfassung – gestört, so wird seine Konstitution so geschwächt, dass es zur Erkrankung kommt.
Wenn zum Beispiel ein Mangel in einem der Bestandteile des Körpers und ein Überfluss in einem anderen auftritt, ist das Gleichgewicht gestört und es kommt zur Erkrankung. So kann für das Gleichgewicht beispielsweise tausend Gramm einer Komponente und fünf Gramm einer anderen erforderlich sein. Wenn das Gewicht der Ersteren auf siebenhundert Gramm fällt und das der Letzteren sich so weit erhöht, dass der Zustand des Gleichgewichts gestört ist, dann wird Krankheit eintreten, und sollte das Gleichgewicht durch Medikamente und Behandlungen wiederhergestellt werden, wird die Krankheit überwunden. Wenn etwa der Zuckeranteil zu hoch wird, beeinträchtigt das die Gesundheit; und wenn der Arzt süße und stärkehaltige Lebensmittel verbietet, nimmt der Zuckeranteil ab, das Gleichgewicht wird wiederhergestellt und die Krankheit wird gebannt.
Nun kann das Gleichgewicht dieser körperlichen Komponenten durch zwei Mittel wiederhergestellt werden, entweder durch Medikamente oder durch Nahrungsmittel, und wenn die Konstitution wieder im Gleichgewicht ist, wird die Krankheit überwunden. Da alle Bestandteile des menschlichen Körpers auch in Pflanzen zu finden sind, würde, wenn eine dieser Komponenten einen Mangel erfährt und man sich dann an Lebensmittel hält, die reich an dieser Komponente sind, das Gleichgewicht wiederhergestellt und Heilung herbeigeführt. Solange es um das Gleichgewicht der Körperbestandteile geht, kann dies gleichermaßen durch Medikamente oder diverse Nahrungsmittel erfolgen.
Von den meisten Krankheiten, die den Menschen befallen, sind auch Tiere betroffen, aber das Tier behandelt sie nicht mit Medikamenten. Der Arzt des Tieres in den Bergen und der Wildnis ist sein Geschmacks- und Geruchssinn. Das kranke Tier riecht die Pflanzen, die in der Wildnis wachsen, frisst solche, die sein Geruch und Geschmack als süß und duftend empfinden, und wird geheilt. Der Grund dafür ist folgender: Wenn zum Beispiel die Zuckerkomponente in seinem Körper unzulänglich wird, sehnt es sich nach Süßem und frisst so süß schmeckende Pflanzen, denn die Natur drängt und leitet es dazu. Wenn das Tier also Dinge frisst, die seinem Geruch und Geschmack entsprechen, nimmt die Zuckerkomponente zu und es gewinnt seine Gesundheit zurück.
So wird klar, dass es möglich ist, Krankheiten durch Früchte und andere Nahrungsmittel zu heilen. Aber da die Wissenschaft der Medizin noch unvollkommen ist, hat man diese Tatsache noch nicht ganz verstanden. Wenn diese Wissenschaft zur Vollkommenheit gelangt, werden Behandlungen mit duftenden Früchten und Pflanzen sowie mit anderen Nahrungsmitteln und mit unterschiedlich temperiertem, heißem oder kaltem Wasser durchgeführt.
Dies ist nur eine kurze Erklärung. So Gott will, werden wir dies ein anderes Mal bei passender Gelegenheit ausführlicher erklären.

Teil 5 – Verschiedene Themen

Kapitel 74

Über Gut und Böse

Die wahren Zusammenhänge zu erklären ist sehr schwierig. Wisse, dass es zwei Arten von erschaffenen Dingen gibt: stoffliche und geistige, mit den Sinnen wahrnehmbare und intelligible. Das heißt, einige Dinge sind mit den Sinnen wahrnehmbar, während andere nur mit dem Verstand wahrgenommen werden können.
Den Sinnen zugängliche Wirklichkeiten sind solche, die von den fünf äußeren Sinnen wahrgenommen werden. So werden beispielsweise äußere Objekte, die das Auge sieht, als mit den Sinnen wahrnehmbar bezeichnet. Intelligible Wirklichkeiten sind solche, die kein äußeres Dasein haben, jedoch mit dem Verstand wahrgenommen werden. Der Verstand selbst ist zum Beispiel eine intelligible Wirklichkeit ohne äußere Existenz. Ebenso sind alle menschlichen Tugenden und Eigenschaften intelligibel und nicht greifbar. Das heißt, sie sind Wirklichkeiten, die mit dem Verstand und nicht mit den Sinnen wahrgenommen werden.
Kurz, geistig erfassbare Wirklichkeiten wie lobenswerte und vollkommene Eigenschaften des Menschen sind ausschließlich gut und existieren wirklich. Das Böse ist einfach deren Nichtvorhandensein. So ist Unwissenheit der Mangel an Wissen, Irrtum der Mangel an Führung, Vergesslichkeit der Mangel an Erinnerung, Torheit der Mangel an Verständnis. All dies für sich genommen ist nichtig und hat keine wirkliche Existenz.
Auch für die den Sinnen zugänglichen Wirklichkeiten gilt: Sie sind gänzlich gut, und schlecht ist lediglich ihr Nichtvorhandensein; das heißt, Blindheit ist der Mangel an Sehvermögen, Taubheit der Mangel an Hörvermögen, Armut der Mangel an Reichtum, Krankheit der Mangel an Gesundheit, Tod das Fehlen des Lebens und Schwäche der Mangel an Kraft.
Hier regt sich ein Zweifel: Skorpione und Schlangen sind giftig – ist das gut oder schlecht, da sie doch wirklich existieren? Ja, es ist wahr, dass Skorpione und Schlangen böse sind, aber nur im Verhältnis zu uns und nicht zu sich selbst, denn ihr Gift ist ihre Waffe und mit ihrem Stich verteidigen sie sich. Aber da die Zusammensetzung ihres Giftes sich nicht mit unserem Körper verträgt, da also die jeweiligen Bestandteile gegeneinander wirken, ist das Gift böse oder vielmehr sind die Bestandteile in ihrer Wechselwirkung böse, während sie in ihrer eigenen Wirklichkeit jeweils gut sind.
Zusammenfassend kann man sagen, dass etwas im Verhältnis zu etwas anderem böse sein kann, aber nicht böse innerhalb der Grenzen seines eigenen Seins. Daraus folgt, dass es das Böse nicht gibt: Was auch immer Gott erschaffen hat, hat Er gut erschaffen. Das Böse besteht lediglich im Nichtvorhandensein. Zum Beispiel ist der Tod die Abwesenheit von Leben: Wenn ein Mensch nicht länger durch seine Lebenskraft erhalten wird, dann stirbt er. Dunkelheit ist die Abwesenheit von Licht: Wenn es kein Licht mehr gibt, herrscht Dunkelheit. Licht ist etwas, was wirklich existiert, aber Dunkelheit existiert nicht wirklich; sie ist nur die Abwesenheit von Licht. Ebenso ist Reichtum etwas, was wirklich existiert, Armut jedoch ist lediglich dessen Abwesenheit.
Damit ist offensichtlich, dass alles Böse bloßes Nichtsein ist. Das Gute ist wirklich existent, Böses ist lediglich dessen Abwesenheit.

Kapitel 75

Zweierlei Arten von Qual

Wisse, dass es zweierlei Arten von Qual gibt, unterschwellige und spürbare Qual. Zum Beispiel ist Unwissenheit selbst schon eine Qual, aber sie ist eine unterschwellige Qual; Gleichgültigkeit gegenüber Gott ist eine Qual; Falschheit ist eine Qual; Ungerechtigkeit und Verrat sind Qualen. Tatsächlich sind alle menschlichen Unvollkommenheiten Qualen, aber es sind subtile Qualen. Eine Person, die mit Einsicht begabt ist, wird sich sicherlich lieber töten lassen, als zu sündigen, und sie lässt sich eher die Zunge herausschneiden, als zu verleumden und zu lügen.
Die andere Art der Qual ist körperlich spürbar und besteht aus physischen Strafen wie Inhaftierung, Prügel, Vertreibung und Verbannung. Die größte aller Qualen für das Volk Gottes ist aber, wie durch Schleier von Ihm getrennt zu sein.

Kapitel 76

Gerechtigkeit und Barmherzigkeit Gottes

Wisse, Gerechtigkeit bedeutet einem jeden zu geben, was ihm gebührt. Wenn zum Beispiel ein Arbeiter von morgens bis abends arbeitet, so fordert es die Gerechtigkeit, dass er seinen Lohn erhält, während Großmut bedeutet, ihn zu belohnen, auch wenn er keine Arbeit geleistet und keine Anstrengung unternommen hat. Wenn du einem Armen, der keine Anstrengung unternommen hat und nichts zu deinem Wohle beigetragen hat, ein unverdientes Almosen gibst, dann ist das Großmut. So bat Christus um Vergebung für die, die für seinen Tod verantwortlich waren: Das ist Großmut.
Darüber hinaus wird die Frage, ob Dinge vortrefflich oder schändlich sind, entweder durch die Vernunft oder durch religiöses Gesetz bestimmt. Für manche beruht sie auf dem religiösen Gesetz, so etwa bei den Juden, die glauben, dass alle Gebote der Thora verbindlich sind und es sich dabei um religiöses Gesetz handelt und nicht um eine Frage der Vernunft. So sagen sie, dass eines der Gebote der Thora ist, dass Fleisch und Butter nicht zusammen gegessen werden dürfen, denn das wäre ›trefah‹ (und ›trefah‹ bedeutet auf Hebräisch unrein, während ›koscher‹ rein bedeutet). Das, so sagen sie, sei eine Frage des religiösen Gesetzes und nicht der Vernunft.
Aber die geistig gesinnten Philosophen sind der Meinung, dass Vortrefflichkeit und Schändlichkeit sowohl von der Vernunft als auch vom religiösen Gesetz abhängen. Auf Vernunft beruht etwa das Verbot von Mord, Diebstahl, Verrat, Falschheit, Heuchelei und Ungerechtigkeit: Jeder vernünftige Mensch kann begreifen, dass diese Dinge alle abscheulich und verwerflich sind. Wenn du einen Mann nur mit einem Dorn stichst, wird er vor Schmerz aufschreien: Wie gut muss er da nachvollziehen können, dass Mord aller Vernunft nach abscheulich und verwerflich ist. Und sollte er ein solches Verbrechen begehen, würde er dafür zur Rechenschaft gezogen werden, ob die prophetische Botschaft ihn erreicht hat oder nicht, denn die Vernunft selbst erkennt den verwerflichen Charakter dieser Tat. Wenn also eine solche Person derart schändliche Taten begeht, wird sie mit Sicherheit zur Verantwortung gezogen.
Aber wenn die prophetischen Anordnungen einen Ort nicht erreicht haben und die Menschen infolgedessen nicht in Übereinstimmung mit den göttlichen Lehren handeln, dann werden sie nach religiösem Gesetz nicht zur Rechenschaft gezogen. Zum Beispiel hat Christus angeordnet, dass man Grausamkeit mit Güte begegnen sollte. Wenn eine Person nichts von dieser Anordnung weiß und instinktiv reagiert, wenn sie also auf eine Verletzung mit einer Gegenverletzung reagiert, dann wird sie nach den Gesetzen der Religion nicht zur Verantwortung gezogen, denn diese göttliche Verfügung ist ihr nicht übermittelt worden. Obwohl ein solcher Mensch keine göttliche Großmut und Gunst verdient, wird Gott mit ihm dennoch nach Seiner Barmherzigkeit verfahren und ihm Vergebung gewähren.
Rache ist jedoch auch der Vernunft nach verwerflich, denn sie nutzt dem Rächer nichts. Wenn ein Mann einen anderen schlägt und das Opfer sich entschließt Rache zu nehmen, indem es den Schlag erwidert, welchen Vorteil bringt ihm das? Wird das ein Balsam für seine Wunde oder ein Mittel gegen seine Schmerzen sein? Nein, Gott bewahre! Beide Taten sind in Wirklichkeit gleich: Beide sind Verletzungen; der einzige Unterschied ist, dass die eine der anderen vorausging. Wenn also das Opfer vergibt, oder besser noch, wenn es genau das Gegenteil tut, ist dies lobenswert.
Was das Staatswesen betrifft, so wird der Angreifer bestraft, aber nicht, um Rache zu üben. Der Zweck dieser Bestrafung besteht vielmehr darin, abzuschrecken und Ungerechtigkeit und Aggression zu bekämpfen, damit andere davon abgehalten werden, ihre Hand ebenfalls in Unterdrückung auszustrecken. Aber wenn das Opfer sich entscheidet zu vergeben und stattdessen größte Barmherzigkeit zu zeigen, dann findet dies vor Gott die höchste Anerkennung.

Kapitel 77

Die Bestrafung von Kriminellen

Frage: Soll ein Krimineller bestraft werden, oder sollte man ihm vergeben und sein Verbrechen ignorieren?
Antwort: Es gibt zwei Arten von Strafmaßnahmen: Die eine ist Rache und Vergeltung, die andere Bestrafung und Wiedergutmachung. Ein Individuum hat kein Recht auf Rache, aber der Staat hat das Recht, den Verbrecher zu bestrafen. Diese Bestrafung soll andere abschrecken und davon abhalten, ähnliche Verbrechen zu begehen. Sie dient zur Wahrung der Rechte des Menschen und stellt keine Rache dar, denn Rache ist die innere Genugtuung, die daraus resultiert, Gleiches mit Gleichem zu vergelten. Das ist nicht zulässig, da niemand das Recht hat Rache zu üben. Wenn jedoch Verbrecher völlig sich selbst überlassen blieben, würde die Ordnung der Welt aus den Fugen geraten. Während also die Bestrafung eines der unverzichtbaren Erfordernisse des Staatswesens ist, hat der Geschädigte kein Anrecht darauf, Rache zu üben. Im Gegenteil, er sollte Vergebung und Großmut zeigen, denn das ist der Menschenwelt angemessen.
Der Staat muss jedoch Unterdrücker, Mörder und Angreifer bestrafen, um andere abzuschrecken und davon abzuhalten, ähnliche Verbrechen zu begehen. Aber das Wesentliche ist, die Massen so zu erziehen, dass von vornherein keine Verbrechen begangen werden; denn Menschen können so erzogen werden, dass sie gänzlich vor jedem Verbrechen zurückschrecken und das Verbrechen selbst als die größte Strafe und die schlimmste Qual und Bestrafung ansieht. So würden von vornherein keine Straftaten verübt, die diese Bestrafungen nach sich ziehen.
Aber lasst uns nur von dem sprechen, was in der Welt durchführbar ist. Es gibt in der Tat eine Fülle von hohen Idealen und Vorstellungen, die sich nicht verwirklichen lassen. Deshalb müssen wir uns auf das Machbare beschränken.
Wenn zum Beispiel jemand einem anderen Unrecht zufügt, ihn verletzt und angreift, und dieser sich in gleicher Weise revanchiert, ist das Rache und tadelnswert. Wenn Peter den Sohn von Paul tötet, so hat Paul kein Recht, den Sohn von Peter zu töten. Wenn er das tun würde, wäre es ein Akt der Rache und höchst verwerflich. Vielmehr muss er genau anders herum handeln, Vergebung zeigen und, wenn möglich, sogar bereit sein, seinem Angreifer Unterstützung zu gewähren. Das ist wirklich das, was des Menschen würdig ist; denn welchen Nutzen bietet die Rache? Beide Taten sind ein und dasselbe: Wenn die eine verwerflich ist, ist es auch die andere. Der einzige Unterschied ist, dass die eine der anderen vorausging.
Aber der Staat hat das Recht für Schutz und Sicherheit zu sorgen. Er hegt keinen Groll gegen den Mörder, steht ihm nicht feindselig gegenüber, sondern will ihn einzig und allein zum Schutz anderer inhaftieren oder bestrafen. Die Absicht ist nicht Rache zu üben, sondern eine Strafe zu verhängen, durch die die Gesellschaft geschützt wird. Denn sollten andernfalls sowohl die Erben des Opfers als auch die Gesellschaft Vergebung gewähren und das Böse mit Gutem vergelten, würden die Übeltäter niemals ihre Angriffe einstellen, und ständig würde der nächste Mord begangen werden – nein, blutrünstige Menschen würden wie Wölfe die Herde Gottes völlig vernichten. Der Staat verfolgt keine böse Absicht, wenn er eine Strafe verhängt; er handelt unvoreingenommen und will keine Rachegelüste befriedigen. Seine Absicht bei der Verhängung der Strafe ist, andere zu schützen und zu verhindern, dass zukünftig solche verwerflichen Taten verübt werden.
Als Christus also sagte: »Wenn dich jemand auf deine rechte Wange schlägt, dem biete auch die andere dar«A158, war das Ziel, die Menschen zu erziehen, und nicht etwa, einem Wolf zu helfen, der über eine Schafherde herfällt und sie alle verschlingen will. Nein, wenn Christus gewusst hätte, dass ein Wolf in die Herde eingedrungen wäre und die Schafe töten wollte, hätte er es zweifellos verhindert.
So wie Vergebung zu den Attributen der Barmherzigkeit Gottes gehört, so ist die Gerechtigkeit eines der Attribute Seiner Herrschaft. Der Baldachin des Daseins ruht auf dem Pfeiler der Gerechtigkeit, nicht der Vergebung, und das Leben der Menschheit hängt von der Gerechtigkeit und nicht von der Vergebung ab. Würde also von nun an in allen Ländern ein Straferlass gelten, so würde sehr bald die ganze Welt in Unordnung geraten und die Grundlagen menschlichen Lebens würden zerstört. Wenn desgleichen die Mächte Europas dem berüchtigten Attila nicht widerstanden hätten, hätte er keinen einzigen Menschen am Leben gelassen.
Manche Menschen sind wie blutrünstige Wölfe: Bräuchten sie keine Bestrafung zu befürchten, würden sie andere allein zum Vergnügen und zur Unterhaltung töten. Einer der Tyrannen von Persien tötete seinen Lehrer nur zum Vergnügen. Mutawakkil, der berühmte abbasidische Kalif, rief seine Minister, Abgeordneten und Treuhänder zu sich, ließ eine Kiste voller Skorpione unter ihnen frei, verbot allen, sich zu bewegen und brach dann in lautes Gelächter aus, sobald einer von ihnen gestochen wurde.
Zusammenfassend lässt sich sagen, dass das ordnungsgemäße Funktionieren des Staates von Gerechtigkeit und nicht von Vergebung abhängt. Christus meinte also mit Vergebung und Großmut nicht, dass ihr euch – falls eine andere Nation euch überfällt, eure Häuser niederbrennt, euren Besitz plündert, sich an euren Frauen, Kindern und Verwandten vergeht und eure Ehre verletzt – diesem tyrannischen Heer unterwerfen und ihnen jede Art von Ungerechtigkeit und Unterdrückung gestatten müsst. Vielmehr beziehen sich die Worte Christi auf den persönlichen Umgang zweier Personen und besagen, dass bei einem Angriff von einer Person auf eine andere der Geschädigte dem anderen vergeben sollte. Der Staat hingegen muss die Rechte der Menschen schützen. Sollte mich also jemand angreifen, verletzen, unterdrücken und verwunden, so würde ich mich ihm in keinster Weise widersetzen, sondern ihm vergeben. Aber wenn hier jemand Siyyid ManshádíA159 angreifen wollte, würde ich ihn natürlich davon abhalten. Obwohl die Nichteinmischung dem Angreifer als Freundlichkeit erscheinen würde, wäre sie Manshádí gegenüber die reinste Grausamkeit. Wenn also in diesem Moment ein wilder Araber mit gezücktem Schwert den Raum beträte, mit der Absicht dich anzugreifen, zu verletzen oder zu töten, würde ich ihn natürlich daran hindern. Würde ich dich diesem Mann überlassen, wäre das Grausamkeit, und keine Gerechtigkeit. Aber wenn er mir persönlich etwas antun würde, würde ich ihm verzeihen.
Ein letzter Punkt: Der Staatsapparat befasst sich tagtäglich mit der Ausarbeitung von Strafgesetzen und der Bestimmung von Mitteln und Wegen zur Bestrafung. Es werden Gefängnisse gebaut, Ketten und Fesseln angeschafft und Orte vorgesehen für Exil und Verbannung, für Pein und Härte, um dadurch den Verbrecher zu läutern, obwohl es in Wirklichkeit nur dazu führt, dass die Moral sich verschlechtert und der Charakter zerrüttet wird. Das Staatswesen sollte stattdessen Tag und Nacht mit allen Mitteln für eine gute Erziehung der Menschen sorgen, damit sie täglich Fortschritte machen, in Wissenschaft und Gelehrsamkeit vorankommen, lobenswerte Tugenden und Verhaltensweisen erwerben und jede Gewalttätigkeit aufgeben, sodass es erst gar nicht zu Verbrechen kommt. Gegenwärtig herrscht das Gegenteil vor: Der Staat ist unentwegt darauf bedacht, die Strafgesetze zu verschärfen, für Mittel zur Bestrafung, Züchtigung und Hinrichtung zu sorgen und Gefängnisse und Verbannungsorte bereitzustellen, um dann darauf zu warten, dass Verbrechen begangen werden. Das hat einen äußerst schädlichen Einfluss.
Gäbe es aber Bildung und Erziehung für alle, sodass Wissen und Gelehrsamkeit von Tag zu Tag zunähmen, das Verständnis erweitert, die Sichtweisen verfeinert, Sitten und Gebräuche erneuert würden – mit einem Wort, dass Fortschritte auf jeder Stufe der Vollkommenheit gemacht würden – dann würde das Verbrechensaufkommen nachlassen.
Die Erfahrung zeigt, dass Kriminalität bei zivilisierten Völkern weniger verbreitet ist – also bei denen, die wahre Zivilisation erreicht haben. Und wahre Zivilisation ist göttliche Zivilisation, die Zivilisation derer, die materielle und geistige Vollkommenheit in sich vereinen. Da die Wurzel der Kriminalität in der Unwissenheit liegt, gilt: Je weiter Wissen und Gelehrsamkeit entwickelt sind, desto weniger Verbrechen werden begangen. Denke an die gesetzlosen Stämme Afrikas: Wie oft töten sie sich gegenseitig und verzehren sogar Fleisch und Blut des anderen! Warum kommen solche Grausamkeiten nicht in der Schweiz vor? Der Grund liegt eindeutig in Erziehung, Bildung und Tugend.
Deshalb muss der Staat versuchen, Verbrechen von vornherein zu verhindern, anstatt harte Strafmaßnahmen zu ersinnen.

Kapitel 78

Streiks

Du fragst nach Streiks. Im Zusammenhang mit diesem Thema hat es schon große Schwierigkeiten gegeben und das wird auch weiterhin so bleiben. Es gibt zwei Gründe für diese Schwierigkeiten: Der eine liegt in der maßlosen Geldgier und Habsucht der Fabrikbesitzer, der andere liegt in den übertriebenen Forderungen, der Geldgier und Unnachgiebigkeit der Arbeiter. Deshalb muss man sich mit beidem befassen.
Nun, die Grundursache für diese Schwierigkeiten liegt in dem Gesetz der Natur, das die heutige Zivilisation beherrscht, denn das führt dazu, dass eine Handvoll Menschen riesige Vermögen anhäufen, die weit über ihre Bedürfnisse hinausgehen, während die große Mehrheit mittellos, notleidend und hilflos bleibt. Dies steht im Widerspruch zu Gerechtigkeit, Menschlichkeit und Redlichkeit; es ist der Gipfel der Ungerechtigkeit und läuft dem Wohlgefallen des Allbarmherzigen zuwider.
Dieses Missverhältnis ist auf das Menschengeschlecht begrenzt: Unter anderen Geschöpfen, das heißt unter Tieren, herrscht eine gewisse Gerechtigkeit und Gleichheit. So gibt es Gleichheit innerhalb einer Schafherde, oder innerhalb einer Herde von Hirschen in der Wildnis, oder unter den Singvögeln, die in den Bergen, Ebenen und Gärten leben. Die Tiere jeder Art genießen ein gewisses Maß an Gleichheit und unterscheiden sich in ihrer Lebensweise nicht wesentlich voneinander; daher leben sie in vollkommener Ruhe und Zufriedenheit.
Ganz anders steht es um die Menschheit, wo größte Unterdrückung und Ungerechtigkeit zu finden sind. So kannst du einerseits beobachten, wie ein Einzelner, der ein Vermögen angehäuft hat, ein ganzes Land zu seiner persönlichen Kolonie machte, immensen Reichtum erwarb und für einen ununterbrochenen Fluss von Gewinnen und Profiten sorgte, und andererseits, wie hunderttausend hilflose Menschen, schwach und machtlos, nach einem Bissen Brot schmachten. Hier gibt es weder Gleichheit noch Nächstenliebe. Sieh, wie dadurch der allgemeine Friede und das Glück so zerstört wurden und das Wohlergehen der Menschheit so beeinträchtigt wurde, dass das Leben eines Großteils der Menschen sinnlos geworden ist! Denn all der Reichtum, die Macht, der Handel und die Industrie befinden sich in den Händen einiger weniger Menschen, während alle anderen unter der Last endloser Entbehrungen und Schwierigkeiten leiden, aller Vorteile und Vergünstigungen, jeder Annehmlichkeit und Zufriedenheit beraubt sind. Es müssen daher solche Gesetze und Vorschriften erlassen werden, die das übermäßige Vermögen von Wenigen begrenzen und die Grundversorgung der unzähligen Millionen von Armen gewährleisten, um einen gewissen Ausgleich zu erreichen.
Absolute Gleichheit ist jedoch ebenso unmöglich, denn die völlige Gleichheit von Reichtum, Macht, Handel, Landwirtschaft und Industrie würde zu Chaos und Unordnung führen, die Lebensgrundlage vieler zum Erliegen bringen, allgemeine Unzufriedenheit hervorrufen und die geregelte Verwaltung der gemeinschaftlichen Angelegenheiten untergraben. Denn ungerechtfertigte Gleichheit birgt auch Gefahren in sich. Es wäre also besser, zu einem gewissen Ausgleich zu gelangen, und hiermit ist die Verabschiedung solcher Gesetze und Vorschriften gemeint, die die ungerechtfertigte Konzentration des Reichtums in den Händen von Wenigen verhindern und die wesentlichen Bedürfnisse von Vielen befriedigen. Zum Beispiel verdienen die Fabrikbesitzer täglich ein Vermögen, aber der Lohn, den die armen Arbeiter erhalten, kann nicht einmal ihren täglichen Bedarf decken: Das ist höchst ungerecht, und sicherlich kann kein gerechter Mensch das akzeptieren. Daher sollten Gesetze und Verordnungen erlassen werden, so dass den Arbeitern sowohl ein Tageslohn als auch eine Beteiligung an einem Viertel oder Fünftel des Gewinns der Fabrik entsprechend ihrer Mittel gewährt wird oder dass auf andere Weise die Arbeiter so wie die Eigentümer einen gerechten Anteil an den Gewinnen erhalten. Denn das Kapital und die Unternehmensführung kommen von den Letzteren und die Mühe und Arbeit von den Ersteren. Den Arbeitnehmern könnte entweder ein Lohn gewährt werden, der ihren täglichen Bedarf angemessen deckt, sowie ein Recht auf eine Beteiligung an den Einnahmen der Fabrik, wenn sie verletzt, arbeitsunfähig oder krank sein sollten, oder es könnte ein Lohn festgelegt werden, der es den Arbeitnehmern ermöglicht, sowohl ihren täglichen Bedarf zu decken als auch etwas für Zeiten der Schwäche und Arbeitsunfähigkeit zu sparen.
Wenn die Angelegenheiten derart geregelt wären, würden weder die Fabrikbesitzer jeden Tag ein Vermögen ansammeln, das für sie völlig nutzlos ist – denn sollte ihr Vermögen unangemessen zunehmen, dann wäre das eine sehr schwere Bürde und würde ihnen übermäßige Härten und Schwierigkeiten auferlegen, und sie müssten erkennen, dass die Verwaltung eines solchen unmäßigen Vermögens äußerst schwierig ist und die physischen Kräfte eines Menschen erschöpft – noch würden die Arbeiter solche Plagen und Härten erdulden, dass sie jede Kraft verlieren und am Ende ihres Lebens in bitterste Not geraten.
Es ist daher unbestreitbar, dass die Aneignung von übermäßigem Reichtum durch einige wenige Einzelpersonen unter Missachtung der Bedürfnisse der Massen unredlich und ungerecht ist. Ebenso würde absolute Gleichheit die Existenz, das Wohlergehen, den Wohlstand, den Frieden und das geordnete Leben der Menschheit stören. Deshalb ist es natürlich am besten, Mäßigung anzustreben, was für den Reichen bedeutet, dass er erkennt, welche Vorteile es hat, sich im Profitstreben zurückzuhalten und das Wohlergehen der Armen und Bedürftigen zu berücksichtigen, das heißt, einen Tageslohn für die Arbeiter festzulegen und ihnen zudem einen Anteil am Gesamtgewinn der Fabrik zukommen zu lassen.
Kurz gesagt, wenn es um die jeweiligen Rechte der Fabrikbesitzer und der Arbeiter geht, müssen Gesetze erlassen werden, die es Ersteren ermöglichen, angemessene Gewinne zu erzielen und Letztere entsprechend ihren gegenwärtigen und künftigen Bedürfnissen zu versorgen, damit, wenn sie arbeitsunfähig oder alt werden oder sterben und kleine Kinder hinterlassen, sie oder ihre Kinder nicht von bitterer Armut erdrückt werden, sondern eine bescheidene Rente aus den Einnahmen der Fabrik erhalten.
Die Arbeiter ihrerseits sollten keine überzogenen Ansprüche stellen, nicht starrköpfig sein, nicht mehr verlangen als ihnen zusteht und nicht in den Streik treten. Sie sollten gehorchen und sich fügen und keine überhöhten Löhne fordern. Vielmehr sollten die gegenseitigen, ausgewogenen Rechte beider Parteien offiziell festgelegt und nach den Gesetzen der Gerechtigkeit und des Mitgefühls festgeschrieben werden, und jede Partei, die sie verletzt, sollte nach einer fairen Anhörung verurteilt und einem rechtskräftigen Urteil unterzogen werden, das von der Exekutive durchgesetzt wird, so dass alle Angelegenheiten sachgerecht geregelt und alle Probleme angemessen gelöst werden können.
Das Eingreifen der Regierung und der Gerichte in die Probleme, die sich zwischen Eigentümern und Arbeitern ergeben, ist voll und ganz gerechtfertigt, da es sich hierbei nicht um solche Einzelfälle handelt wie eine gewöhnliche Transaktion zwischen zwei Personen, die die Öffentlichkeit nicht betreffen und bei denen die Regierung kein Recht haben sollte, sich einzumischen. Denn Probleme zwischen Eigentümern und Arbeitern, auch wenn sie eine Privatangelegenheit zu sein scheinen, sind dem Gemeinwohl abträglich, da die kommerziellen, industriellen und landwirtschaftlichen Angelegenheiten und sogar die allgemeine Volkswirtschaft allesamt eng miteinander verbunden sind: Ein Schaden für einen bedeutet einen Verlust für alle. Und da die Probleme zwischen Eigentümern und Arbeitern dem Gemeinwohl abträglich sind, haben die Regierung und die Gerichte das Recht einzugreifen.
Selbst im Falle von Meinungsverschiedenheiten, die zwischen zwei Personen in Bezug auf bestimmte Rechte entstehen, ist eine dritte Partei, nämlich die Regierung, erforderlich, um den Streit beizulegen. Wie kann dann das Problem der Streiks, die alles im Land zum Erliegen bringen – seien sie durch die überzogenen Forderungen der Arbeiter oder durch die übertriebene Gier der Fabrikanten entstanden –, weiterhin vernachlässigt werden?
Gütiger Gott! Wie kann jemand seine Mitmenschen hungrig, mittellos und benachteiligt sehen und dabei selbst friedlich und behaglich in seiner herrlichen Villa wohnen? Wie kann man andere in der größten Not sehen und sich dabei an seinem eigenen Glück erfreuen? Deshalb wurde in den göttlichen Religionen verordnet, dass die Reichen jedes Jahr einen Teil ihres Reichtums für die Versorgung der Armen und die Unterstützung der Bedürftigen aufbringen sollen. Dies ist eine der Grundlagen der Religion Gottes und eine für alle verbindliche Verfügung. Und da man in dieser Hinsicht nicht äußerlich von der Regierung genötigt oder verpflichtet wird, vielmehr den Armen aus eigener Herzensgüte und in einem Geist strahlender Freude hilft, ist eine solche Tat höchst lobenswert, angesehen und wohlgefällig.
Das ist mit rechtschaffenen Taten gemeint, wie sie in den göttlichen Büchern und Schriften erwähnt werden.

Kapitel 79

Die Wirklichkeit der Welt des Seins

Die Sophisten sind der Ansicht, alles Dasein sei Illusion, ja, jedes einzelne Wesen sei reine Einbildung ohne eigene Existenz – mit anderen Worten, die Existenz alles Erschaffenen gleiche einem Trugbild oder der Spiegelung eines Bildes im Wasser oder in einem Spiegel, und sei lediglich eine Erscheinung ohne jegliche Substanz, Grundlage oder erfassbare Wirklichkeit.
Diese Vorstellung ist falsch, denn obwohl die Existenz der Dinge im Vergleich zur Existenz Gottes eine Illusion ist, ist sie doch in der bedingten Welt fest begründet, nachgewiesen und nicht zu leugnen. Zum Beispiel hat das Mineral im Vergleich zum Menschen keine Existenz, denn der Körper des Menschen wird zum Mineral, wenn er stirbt; im Mineralreich aber existiert das Mineral wirklich. Es ist somit klar, dass Staub im Vergleich zum Menschen nicht existiert oder nur eine scheinbare Existenz hat, dass er aber im Mineralreich existiert.
So ist auch die Existenz des Erschaffenen reine Illusion und völliges Nichtsein im Vergleich zur Existenz Gottes, sie ist eine bloße Erscheinung, wie ein Spiegelbild. Aber obwohl dieses Spiegelbild eine Illusion ist, ist sein Ursprung und seine Wirklichkeit die Person, deren Bild im Spiegel erscheint. Kurz gesagt, die Spiegelung ist eine Illusion im Vergleich zu dem, was gespiegelt wird. Daher ist klar, dass im Vergleich zur Existenz Gottes den erschaffenen Dingen zwar keine Existenz zukommt, sind sie doch wie ein Trugbild oder ein Spiegelbild, aber auf ihrer eigenen Stufe existieren sie.
Deshalb bezeichnete Christus diejenigen als tot, die achtlos gegenüber Gott waren und Seine Wahrheit verleugneten, auch wenn sie augenscheinlich lebendig waren; denn im Verhältnis zu den Gläubigen waren sie tatsächlich tot, blind, taub und stumm. Darauf wies Christus hin, als er sagte: »Lasst die Toten ihre Toten begraben.«A160

Kapitel 80

Präexistenz und Entstehung

Frage: Wie viele Arten von Präexistenz und Entstehung gibt es?
Antwort: Manche Gelehrte und Philosophen sind der Meinung, es gebe zwei Arten von Präexistenz – wesenhafte und zeitlich gebundene – und dass es ebenfalls zwei Arten von Entstehung gibt – wesenhafte und zeitlich gebundene.
Wesenhafte Präexistenz ist eine Existenz, der keine Ursache vorausgeht; der wesenhaften Entstehung geht jedoch eine Ursache voraus. Zeitliche Präexistenz hat keinen Anfang; Entstehung in der Zeit hingegen hat sowohl einen Anfang als auch ein Ende. Denn die Existenz von allem und jedem hängt von vier Ursachen ab: der wirkenden Ursache, der materiellen Ursache, der formgebenden Ursache und der zweckbestimmenden Ursache.A161 So hat dieser Stuhl einen Schöpfer, das ist der Tischler, ein Material, das ist das Holz, eine Form, das ist die eines Stuhls, und einen Zweck, das ist als Sitz zu dienen. Dieser Stuhl ist somit wesenhaft entstanden, denn ihm geht eine Ursache voraus, und seine Existenz hängt davon ab. Das nennt man wesenhafte oder wirkliche Entstehung.
Anders als ihr Schöpfer ist die Welt des Daseins wesenhaft entstanden. Zum Beispiel ist dieses Haus im Vergleich zu seinem Erbauer vom Wesen her geschaffen worden. Da in gleicher Weise der Körper vom Geist abhängt und davon erhalten wird, ist er anders als der Geist wesenhaft entstanden. Umgekehrt braucht der Geist den Körper nicht und ist daher anders als der Körper wesenhaft präexistent. Obwohl die Strahlen immer untrennbar mit der Sonne verbunden sind, ist die Sonne präexistent und die Strahlen sind entstanden; denn die Existenz der Strahlen hängt von der Sonne ab, aber nicht umgekehrt. Die Sonne schenkt ihre Gaben und die Strahlen sind diese Gaben.
Die zweite Überlegung ist, dass Existenz und Nicht-Existenz beide relativ sind. Wenn gesagt wird, dass etwas aus der Nicht-Existenz heraus entstanden ist, ist damit nicht völlige Nicht-Existenz gemeint, sondern vielmehr, dass der vorherige Zustand im Verhältnis zum gegenwärtigen Nicht-Existenz war. Denn völlige Nicht-Existenz kann nicht zur Existenz werden, da ihr schlechthin jede Grundlage zur Existenz fehlt. Der Mensch existiert und das Mineral existiert ebenfalls, aber die Existenz des Minerals ist im Verhältnis zu der des Menschen nicht existent; denn wenn der Körper des Menschen zerstört wird, wird er zu Staub und Mineral, und wenn der Staub in die menschliche Welt übergeht und dieser unbelebte Körper lebendig wird, entsteht der Mensch. Obwohl der Staub – das Mineral – auf seiner eigenen Stufe existiert, ist er im Verhältnis zum Menschen nicht existent. Damit soll zum Ausdruck gebracht werden, dass beides existiert, aber die Existenz von Staub und Mineralien ist im Vergleich zum Menschen Nicht-Existenz, denn wenn der Mensch stirbt, wird er zu Staub und Mineralien.
Deshalb ist die bedingte Welt, obwohl sie existiert, im Vergleich zur Existenz Gottes Nicht-Existenz und Nichtsein. Mensch und Staub existieren beide, aber wie groß ist der Unterschied zwischen der Existenz des Minerals und der des Menschen! Das eine ist im Verhältnis zum anderen nichtexistent. Ebenso ist die Existenz der Schöpfung im Verhältnis zur Existenz Gottes nichtexistent. Obwohl also das Universum existiert, ist es im Verhältnis zu Gott nichtexistent.
So ist klar und offensichtlich, dass das Erschaffene sehr wohl existiert, im Verhältnis zu Gott und Seinem Wort aber nicht existiert. Das Wort Gottes ist Anfang und Ende, wenn es heißt: »Ich bin das Alpha und das Omega«, denn Es ist sowohl die Quelle der Gnade als auch ihr letztes Ziel. Der Schöpfer besitzt seit jeher eine Schöpfung, und die Strahlen gehen seit jeher aus der Sonne der Wahrheit hervor; denn eine Sonne ohne Licht wäre undurchdringliche Dunkelheit. Die Namen und Attribute Gottes setzen die Existenz von erschaffenen Dingen voraus, und ein Ende der Ausgießung der altehrwürdigen Gnade Gottes ist unvorstellbar, denn das stünde im Gegensatz zur göttlichen Vollkommenheit.

Kapitel 81

Reinkarnation

Frage: Was gibt es über Reinkarnation zu sagen, eine Überzeugung, die von den Anhängern einzelner Religionen vertreten wird?
Antwort: Die Absicht der nun folgenden Worte ist, der Wahrheit Ausdruck zu verleihen und nicht die Glaubensüberzeugungen anderer herabzusetzen. Es geht nur darum, den Sachverhalt zu erklären und sonst nichts. Im Übrigen möchten wir weder die tief verwurzelten Überzeugungen anderer anfechten, noch heißen wir das Kritisieren gut.
Wisse, dass es zwei Gruppen von Menschen gibt, die an Reinkarnation glauben. Die einen glauben nicht an geistigen Lohn und geistige Strafe in der nächsten Welt. Sie glauben vielmehr, dass der Mensch seine Strafe oder seinen Lohn durch Reinkarnation und Rückkehr in diese Welt erhält; sie betrachten Himmel und Hölle als auf dieses materielle Reich beschränkt und glauben nicht an ein Jenseits. Diese Gruppe besteht wiederum aus zwei Teilen: Ein Teil glaubt, als harte Strafe nehme der Mensch bisweilen bei der Rückkehr in diese Welt eine Tiergestalt an, und nachdem er diese schmerzhaften Qualen ertragen habe, komme er aus dem Tierreich in die Menschenwelt, was sie als Seelenwanderung bezeichnen. Die andere Gruppe glaubt, dass der Mensch in die gleiche Menschenwelt zurückkehre, aus der er geschieden ist, und dass er Lohn und Strafe des früheren Lebens bei seiner Rückkehr erfahren werde, und dies nennen sie Reinkarnation. Keine dieser beiden Gruppen glaubt an eine Welt jenseits dieser Welt.
Die zweite Gruppe von Menschen, die an Reinkarnation glauben, hält an der nächsten Welt fest und sieht die Reinkarnation als Mittel zur Vervollkommnung, wobei der Mensch allmählich Vollkommenheit erlange, indem er von dieser Welt scheide und wieder zurückkehre, bis er zum Inbegriff der Vollkommenheit gelangt. Das soll heißen, der Mensch bestehe aus Materie und Energie: Am Anfang oder im ersten Zyklus sei die Materie unvollkommen, aber wenn sie wiederholt in diese Welt zurückkehre, mache sie Fortschritte und erwerbe Reinheit und Feinheit, bis sie wie ein polierter Spiegel werde; und dann werde die Energie, die für den Geist steht, darin in aller Vollkommenheit verwirklicht.
Dies ist eine Kurzdarstellung der Überzeugungen derer, die an Reinkarnation oder an Seelenwanderung glauben. Würden wir auf Einzelheiten eingehen, würde es zu lange dauern – diese Zusammenfassung wird genügen. Diese Menschen haben keine rationalen Beweise oder Argumente für ihre Glaubensüberzeugung, die auf bloßen Vermutungen und Schlussfolgerungen, nicht aber auf schlüssigen Beweisen fußt. Man muss von denen, die an Reinkarnation glauben, Beweise fordern und sich nicht mit Folgerungen, Mutmaßungen und Vorahnungen zufrieden geben.
Aber du hast mich um Beweise und Argumente für die Unmöglichkeit von Reinkarnation gebeten und deshalb müssen wir die Gründe für ihre Unmöglichkeit erklären. Der erste Beweis besteht darin: Das Äußere ist Ausdruck des Inneren: Das irdische Reich ist der Spiegel des Himmelreichs, und die materielle Welt steht in Übereinstimmung mit der geistigen Welt. Beachte nun, dass sich in der mit den Sinnen wahrnehmbaren Welt die göttlichen Erscheinungen nicht wiederholen, denn nichts Erschaffenes kann mit etwas anderem Erschaffenen völlig identisch sein. Das Zeichen der Göttlichen Einheit ist in allen Dingen sichtbar und gegenwärtig. Wären alle Kornkammern der Welt mit Getreide gefüllt, hättest du größte Schwierigkeiten auch nur zwei Körner zu finden, die in jeglicher Hinsicht identisch und nicht zu unterscheiden sind: Irgendein Unterschied oder eine Abweichung wird zweifellos zwischen ihnen bestehen. Da nun in allen Dingen der Beweis der Göttlichen Einheit existiert und die Einheit und Einzigkeit Gottes in der Wirklichkeit aller Wesen sichtbar ist, ist die Wiederkehr derselben göttlichen Erscheinung in keiner Weise möglich. Daher wäre Reinkarnation, also die wiederholte Manifestation desselben Geistes in dieser Welt, einschließlich seines früheren Wesens und seiner Vorbedingungen, dieselbe Erscheinung und daher unmöglich. Und da die Wiederkehr derselben göttlichen Erscheinung für stoffliche Wesen unmöglich ist, ist die wiederholte Einnahme derselben Stufe, ob auf dem absteigenden Bogen oder auf dem aufsteigenden Bogen, für geistige Wesen ebenfalls unmöglich, denn die materielle Welt entspricht der geistigen Welt.
In Bezug auf die Spezies jedoch sind Rückkehr und Wiederkehr in der stofflichen Wirklichkeit deutlich sichtbar, das heißt, die Bäume, die in den vergangenen Jahren Blätter, Blüten und Früchte trugen, werden in den kommenden Jahren die gleichen Blätter, Blüten und Früchte tragen. Dies wird als Wiederkehr der Spezies bezeichnet. Würde jemand einwenden, dass Blatt, Blüte und Frucht zerfallen, vom Pflanzenreich ins Mineralreich abgestiegen und wieder in das erstere zurückgekehrt sind, und es somit eine Wiederkehr gegeben hat, würden wir antworten, dass die Blüte, das Blatt und die Frucht des letzten Jahres zerfielen und ihre Bestandteile sich zersetzt und aufgelöst haben. Es ist nicht so, dass dieselben Bestandteile des Blattes und der Früchte des letzten Jahres, die sich zersetzt hatten, wieder zusammengesetzt wurden und zurückgekehrt sind, sondern dass das Wesen der Art durch die Zusammensetzung neuer Elemente zurückgekehrt ist. Ebenso wird der menschliche Körper nach der Zersetzung und Auflösung seiner Bestandteile vollständig zerfallen. Würde dieser Körper aus dem Mineral- oder Pflanzenreich zurückkehren, würde er nicht die gleichen Bestandteile enthalten wie der vorherige Mensch, denn dessen Elemente wurden zersetzt, aufgelöst und überall verteilt. Danach verbinden sich andere Grundbestandteile und ein neuer Körper wird gebildet. Und auch wenn manche Bestandteile des früheren Körpers zur Zusammensetzung des neuen Körpers beitragen, wurden diese Bestandteile nicht genau und vollständig bewahrt, ohne dass etwas hinzugefügt oder entfernt wurde, so dass bei ihrer erneuten Zusammensetzung und Verbindung ein anderes Individuum entsteht. Man kann also nicht daraus schließen, dass dieser Körper mit all seinen Bestandteilen zurückgekehrt wäre, dass das frühere Individuum zu Letzterem geworden wäre, und somit eine Wiederkehr stattgefunden hätte, dass genau derselbe Geist, wie auch der Körper, zurückgekehrt und sein Wesen nach dem Tod wieder in diese Welt gelangt wäre.
Und wollten wir behaupten, dass Reinkarnation zu Vollkommenheit führen soll, damit die Materie an Reinheit und Verfeinerung gewinnt und das Licht des Geistes in ihr mit äußerster Vollkommenheit erscheint, so wäre auch das bloße Einbildung. Denn selbst wenn wir solch einer Annahme zustimmten, kann doch die Erneuerung der Existenz eines Gegenstandes nicht die Transformation seines Wesens bewirken. Denn durch Wiederkehr wird der Stoff der Unvollkommenheit nicht zur Wirklichkeit der Vollkommenheit; völlige Dunkelheit wird nicht zur Quelle des Lichts, elende Schwäche wird nicht zu Macht und Stärke, und ein irdisches Wesen wird nicht zu einer himmlischen Wirklichkeit. Wie oft der HöllenbaumA162 auch zurückkehren mag, er wird niemals eine süße Frucht hervorbringen, noch wird der gute Baum eine bittere Frucht tragen. Es ist also klar, dass Wiederkehr und Rückkehr in die materielle Welt nicht das Mittel sind, um zur Vollkommenheit zu gelangen, und dass es für diese Annahme keinerlei Beweis gibt; sie ist lediglich eine Vermutung. Nein, das Erlangen der Vollkommenheit hängt in Wirklichkeit von der Gnade Gottes ab.
Die Theosophen glauben, dass der Mensch immer wieder zum aufsteigenden Bogen zurückkehren wird, bis er das höchste Zentrum erreicht, wo die Materie wie ein makelloser Spiegel wird, das Licht des Geistes in der Fülle seiner Macht erstrahlt und die wesenhafte Vollkommenheit erreicht ist. Wer jedoch die Fragen des Göttlichen gründlich untersucht hat, ist sich dessen gewiss, dass die materiellen Welten am Ende des absteigenden Bogens enden; dass sich die Stufe des Menschen am Ende des absteigenden Bogens und am Anfang des aufsteigenden Bogens befindet, was dem Höchsten Zentrum gegenüber liegt; und dass vom Anfang bis zum Ende des aufsteigenden Bogens die Stufen des Fortschritts geistiger Natur sind. Der absteigende Bogen wird als der des ›Hervorbringens‹ und der aufsteigende Bogen als der des ›Neuschaffens‹ bezeichnet. Der absteigende Bogen endet in der materiellen Wirklichkeit und der aufsteigende Bogen endet in der geistigen Wirklichkeit. Die Zirkelspitze kehrt ihre Bewegung nicht um, wenn sie einen Kreis beschreibt, denn dies stünde im Widerspruch zur natürlichen Bewegung, zur göttlichen Ordnung und würde die Gesetzmäßigkeit des Kreises stören.
Darüber hinaus besitzt diese materielle Welt keinen so hohen Wert oder solche Vorzüge, dass jemand, der ihrem Käfig entkommen ist, erneut versucht wäre, sich in seiner Schlinge zu verfangen. Nein, durch Gottes ewige Gnade offenbart sich die wahre Fähigkeit und Empfänglichkeit menschlicher Wirklichkeit, indem er die Daseinsstufen durchläuft, aber nicht durch Wiedererscheinen und Rückkehr. Wenn eine Muschel auch nur einmal geöffnet wird, zeigt sich klar und deutlich, ob sie eine glänzende Perle oder wertlose Materie in sich birgt. Wenn eine Pflanze auch nur einmal gewachsen ist, bringt sie entweder Blumen oder Dornen hervor: Sie muss nicht noch einmal wachsen. Davon abgesehen ist Fortschritt und Fortbewegung durch die Welten auf einer direkten Linie gemäß der Ordnung der Natur die Ursache des Daseins, und eine Bewegung gegen die Ordnung und das Gefüge der Natur verursacht den Verfall. Die Rückkehr des Geistes nach dem Tod ist unvereinbar mit der natürlichen Bewegung und widerspricht der göttlichen Ordnung.
Demnach ist es gar nicht möglich, durch Rückkehr zur Existenz zu gelangen: Es ist, als ob der Mensch, nachdem er aus dem Mutterleib befreit wurde, wieder dorthin zurückkehren würde. Betrachte, wie unbegründet die Vorstellungen derer sind, die an Reinkarnation und Seelenwanderung glauben! Sie begreifen den Körper als ein Gefäß und den Geist als seinen Inhalt, wie Wasser und Becher, wobei das Wasser aus einem Becher ausgegossen und in einen anderen eingefüllt wird. Das ist wirklich eine naive Vorstellung: Sie denken nicht tief genug nach, sonst würden sie erkennen, dass der Geist völlig körperlos ist, dass er nicht eintritt oder austritt, und dass er höchstens so mit dem Körper verbunden sein kann wie die Sonne mit dem Spiegel. Wenn der Geist tatsächlich alle Stufen durchlaufen und zu wesenhafter Vollkommenheit gelangen könnte, indem er wiederholt in die materielle Welt zurückkehrt, dann wäre es doch besser gewesen, wenn Gott das Leben des Geistes innerhalb dieser materiellen Welt verlängert hätte, damit er Tugenden und Vollkommenheit erwerben kann, und es so nicht nötig wäre, dass er den Kelch des Todes schmeckt und ein zweites Mal in dieses Leben eintritt.
Diese Auffassung geht auf manche Verfechter der Reinkarnation zurück, die sich vorstellen, das Dasein sei auf diese vergängliche Welt beschränkt, und die die anderen Welten Gottes leugnen, obwohl diese Welten in Wirklichkeit unbegrenzt sind. Würden die Welten Gottes in dieser materiellen Welt gipfeln, dann wäre die ganze Schöpfung sinnlos und das Dasein ein kindisches Spiel. Denn das Endergebnis dieses endlosen Universums, die höchst edle Wirklichkeit des Menschen, würde hier und dort einige Tage in diesem vergänglichen Aufenthaltsort verbringen und seine Belohnungen und Strafen erhalten. Schließlich würde alles Vollkommenheit erreichen, die Schöpfung Gottes mit seinen unendlichen Wesen wäre fertig und vollendet, und so würden die Göttlichkeit des Herrn und die Namen und Attribute Gottes keine Wirkung und keinen Einfluss mehr auf die jetzt existierenden geistigen Wesen haben. »Fern sei der Herrlichkeit deines Herrn, des Allherrlichen, was Seine Geschöpfe von Ihm behaupten!«A163
Die begrenzten Verstandeskräfte der alten Philosophen, wie unter anderem Ptolemäus, hielten das Reich des Lebens und des Daseins für beschränkt auf diese Erdkugel und dachten, dieser unendliche Raum sei in den neun himmlischen Sphären enthalten, von denen alle öde und leer waren. Siehe, wie begrenzt ihre Auffassung und wie unzulänglich ihre Argumentation war! Diejenigen, die an Reinkarnation glauben, stellen sich außerdem vor, dass die geistigen Welten auf jene Bereiche beschränkt sind, die der menschliche Verstand begreifen kann. Einige von ihnen, wie die Drusen und die Nuṣayrís, stellen sich sogar vor, das Dasein sei auf diese materielle Welt beschränkt. Was ist das für eine törichte Annahme! Denn in diesem Universum Gottes, das in äußerster Vollkommenheit, Schönheit und Größe erscheint, gibt es zahllose Sonnen des materiellen Universums. Denk einen Moment lang nach und folgere daraus, wie zahllos und unbegrenzt die geistigen Reiche Gottes, die ja das eigentliche Fundament bilden, sein müssen! »Zieht nun die Lehre daraus, ihr Einsichtigen.«A164
Doch lass uns zu unserem ursprünglichen Thema zurückkehren. In den Heiligen Büchern und Schriften wird von einer »Wiederkunft« gesprochen, aber die Unwissenden haben ihre Bedeutung nicht erfasst und glaubten, sie beziehe sich auf Reinkarnation. Denn was die Propheten Gottes mit »Wiederkunft« meinten, ist nicht die Rückkehr des Wesens, sondern die der Attribute; es ist nicht die Rückkehr der Manifestation Selbst, sondern Seiner Vollkommenheit. Im Evangelium heißt es, dass Johannes, der Sohn Zacharias, Elias sei. Mit diesen Worten ist nicht gemeint, dass die vernunftbegabte Seele und die Persönlichkeit des Elias im Leib des Johannes zurückgekehrt sei, sondern vielmehr, dass die Vollkommenheit und die Eigenschaften des Elias sich deutlich in ihm zeigten.A165
In diesem Raum wurde gestern Abend eine Lampe angezündet: Wenn heute Abend eine weitere Lampe angezündet wird, sagen wir, das Licht der letzten Nacht würde wieder leuchten. Wenn eine Quelle versiegt und das Wasser aufhört zu fließen, dann aber erneut fließt, würden wir sagen, dass es das gleiche Wasser ist, das wieder fließt, so wie wir sagen, dass dieses Licht das gleiche ist wie das frühere Licht. Ebenso wuchsen im letzten Frühjahr Blumen und duftende Kräuter und köstliche Früchte entstanden; nächstes Jahr werden wir sagen, dass diese köstlichen Früchte und diese Blüten, Blumen und süßen Kräuter zurückgekehrt sind. Es ist nicht so, dass dieselben Bestandteile der Blumen des letzten Jahres nach der Zersetzung neu zusammengesetzt wurden und wiederkehrten. Nein, es bedeutet vielmehr, dass die gleiche Frische und Zartheit, der gleiche angenehme Duft und die gleiche wundersame Farbe, die die Blumen des letzten Jahres auszeichneten, genauso in den Blumen dieses Jahres zu finden sind. Kurz gesagt, der Kernpunkt ist die Ähnlichkeit und Gleichartigkeit zwischen den früheren und später auftretenden Blumen. Das ist die »Wiederkehr«, von der in den himmlischen Schriften gesprochen wird. Dies hat Bahá’u’lláh im Kitáb-i-Íqán ausführlich erklärt: Schlage es nach, damit du über die Wahrheit der göttlichen Geheimnisse im Bilde bist. Mit dir seien Gruß und Lobpreis.

Kapitel 82

Die Einheit des Seins

Frage: Was hat es mit der ›Einheit des Seins‹ auf sich, die von den Theosophen und den Sufis vertreten wird, und was meinen sie eigentlich damit?A166 Ist diese Glaubensüberzeugung wahr oder nicht?
Antwort: Wisse, dass die Idee von der Einheit des Seins sehr alt und nicht nur auf die Theosophen und die Sufis beschränkt ist. Tatsächlich haben einige griechische Philosophen sie verfochten, wie etwa Aristoteles, der sagte: »Die nicht-zusammengesetzte Wirklichkeit ist die Summe aller Dinge, aber sie ist kein einzelnes von ihnen.«A167 »Nicht-zusammengesetzt« steht hier im Gegensatz zu ›zusammengesetzt‹, das heißt, diese eine Wirklichkeit, die über Zusammensetzung und Teilung geheiligt und erhaben ist, habe sich in unzählige Formen aufgelöst. So sei das wirkliche Sein alle Dinge, aber es sei kein einzelnes davon.
Die Verfechter der Einheit des Seins sind der Ansicht, wahres Sein sei wie der Ozean und alle erschaffenen Dinge glichen dessen Wellen. Diese Wellen, symbolhaft für alles Erschaffene, seien die zahllosen Formen, die dieses wirkliche Sein annähme. Daher sei jene geheiligte Wirklichkeit das präexistente Meer, und die zahllosen Formen des Erschaffenen seien die davon erzeugten Wellen dieses Meeres.
Ebenso vergleichen sie dies mit der Eins und den unendlichen Zahlen, da sich Erstere in den Werten Letzterer manifestiere, denn alle Zahlen seien die Wiederholung der Eins. So sei Zwei die Wiederholung von Eins, und dementsprechend gehe es weiter mit den anderen Zahlen.
Einer der Beweise, den sie anführen, ist: Alles Erschaffene sei Gegenstand des göttlichen Wissens und kein Wissen könne ohne den Gegenstand des Wissens erlangt werden, denn Wissen beziehe sich auf etwas, das existiere, nicht auf etwas Nicht-Existentes. Wie kann völliges Nichtsein im Spiegel des Wissens spezifiziert und konkretisiert werden? Daraus folge, dass die Wirklichkeiten aller zum Wissen des Allhöchsten gehörenden erschaffenen Dinge eine intelligible Existenz hätten, da sie vom göttlichen Wissen gestaltet seien, und sie präexistent seien, da das göttliche Wissen präexistent sei. Sofern das Wissen präexistent sei, müsse es auch der Gegenstand des Wissens sein. Die Spezifizierung und Konkretisierung des Erschaffenen – Gegenstand des präexistenten Wissens des göttlichen Wesens – seien identisch mit dem göttlichen Wissen selbst. Der Grund dafür sei, dass die Wirklichkeit, das Wissen und jeder Wissensgegenstand des göttlichen Wesens als ein Zustand absoluter Einheit begriffen werden müssten. Andernfalls würde das göttliche Wesen zum Sitz verschiedenster Phänomene und eine Vielzahl von Präexistenzen wären zwingend, was abwegig sei.
So kommen sie zum Schluss, der Gegenstand des Wissens sei identisch mit dem Wissen selbst, und das Wissen wiederum sei identisch mit dem Wesen, das heißt, dass der Wissende, das Wissen und der Gegenstand des Wissens eine einzige Wirklichkeit seien. Jede andere Vorstellung würde zwangsläufig zu vielfältigen Präexistenzen und zu endlosem Rückschritt, ja sogar zu unzähligen Präexistenzen führen. Und da innerhalb des Wissens Gottes die Konkretisierung und Spezifizierung erschaffener Dinge mit Seinem Wesen identisch und davon vollkommen ununterscheidbar seien, herrsche wahre Einheit vor, und jeder Gegenstand des Wissens sei in einer nicht-zusammengesetzten und ungeteilten Weise in der Wirklichkeit des göttlichen Wesens eingeschlossen und darin enthalten. Mit anderen Worten, alle erschaffenen Dinge wären in einer nicht-zusammengesetzten und ungeteilten Weise Gegenstand des Wissens des Allerhöchsten und identisch mit Seinem Wesen. Und durch das manifeste Erscheinen Gottes erhielten diese Konkretisierungen und Spezifizierungen, die eine intelligible Existenz hätten, das heißt vom göttlichen Wissen gestaltet wären, in der äußeren Welt ihre tatsächliche Existenz und so hätte jene wahre Existenz sich in unzählige Formen aufgelöst. Das bildet die Grundlage ihrer Argumentation.
Theosophen und Sufis bilden zwei Gruppen. Eine Gruppe, die Mehrheit, glaubt aus reiner Nachahmung an die Einheit des Seins und hat die wahre Bedeutung der Lehren ihrer führenden Vertreter nicht verstanden. Denn die meisten Sufis verstehen unter ›Dasein‹ das allgemeine Dasein, das vom Verstand und Geist des Menschen erkannt wird, das heißt, für den Menschen begreifbar ist.
Dieses allgemeine Dasein ist jedoch nur eines von vielen nicht-wesentlichen Ereignissen, die in die Wirklichkeit erschaffener Dinge eintreten, während die Essenz der erschaffenen Dinge das Substanzielle ist. Dieses nicht-wesentliche Dasein, das genauso wie die Eigenschaften der Dinge von eben diesen Dingen abhängt, ist nur ein nicht-wesentliches Ereignis unter vielen.
Das Substanzielle steht nun zweifellos über dem Nicht-Wesentlichen, denn das Substanzielle ist das Primäre und das Nicht-Wesentliche ist das Untergeordnete; das Substanzielle besteht durch sich selbst, während das Nicht-Wesentliche auf etwas fußt – das heißt, es braucht etwas Substanzielles, durch das es bestehen kann.
Nach der oben erwähnten Anschauungsweise wäre Gott Seiner Schöpfung untergeordnet und ihrer bedürftig und die Schöpfung könnte gänzlich auf Ihn verzichten.
Um dies zu veranschaulichen: Immer, wenn einzelne Elemente sich in Übereinstimmung mit der universalen göttlichen Ordnung verbinden, tritt ein bestimmtes Wesen ins Dasein. Das heißt, wenn bestimmte Elemente verbunden werden, entsteht ein pflanzliches Wesen; wenn andere verbunden werden, entsteht ein tierisches Wesen; wenn noch andere verbunden werden, treten andere Dinge ins Dasein. In jedem Fall ergibt sich die Existenz von Dingen aus ihrer Wirklichkeit. Wie könnte dann ein solches Sein, das eines von vielen nicht-wesentlichen Dingen ist, und das etwas Substanzielles erfordert, durch das es leben kann, vom Wesen her präexistent und Erzeuger aller Dinge sein?
Die wahren Gelehrten unter den Theosophen und Sufis sind jedoch nach eingehender Prüfung der Sachlage zu dem Schluss gekommen, dass es zwei Arten des Daseins gibt. Zum einen ist es das allgemeine Dasein, das der Mensch mit seinem Verstand begreift. Dieses Dasein ist entstanden und ist eines von vielen nicht-wesentlichen Dingen, wohingegen die Wirklichkeit der Dinge das Substanzielle ist. Die Einheit des Seins ist aber nicht das gemeinhin wahrgenommene Dasein, sondern die wirkliche Existenz, die geheiligt und über jede Darstellung erhaben ist, eine Existenz, durch die alles ins Dasein tritt. Diese Existenz ist nur eine; alle Dinge – wie Materie, Energie und das allgemeine Dasein, das vom menschlichen Verstand erfasst wird – sind durch diese eine Existenz entstanden. Das ist die Wahrheit, die dem Glauben der Theosophen und der Sufis zugrunde liegt.
Kurz gesagt, die Propheten und die Philosophen stimmen in einem Punkt überein, nämlich, dass die Ursache, durch die alles entsteht, nur eine ist. Der Unterschied besteht darin, dass die Propheten lehren, dass Gottes Wissen nicht von der Existenz des Erschaffenen abhängt, während das Wissen der Geschöpfe die Existenz von Gegenständen des Wissens erfordert. Sollte das göttliche Wissen irgendetwas benötigen, dann wäre es wie das Wissen der Geschöpfe und nicht das Wissen Gottes; denn das Präexistente ist unvereinbar mit dem Erzeugten und das Erzeugte ist dem Präexistenten entgegengesetzt. Das, was wir für die Entstehung der Schöpfung als Voraussetzungen bekräftigen, lehnen wir für Gott ab; denn eine der Eigenschaften des Notwendigerweise Existierenden Seins ist es, geheiligt und über alle Unvollkommenheiten erhaben zu sein.
Zum Beispiel sehen wir im Erzeugten Unwissenheit; im Präexistenten erkennen wir Wissen. Im Erzeugten sehen wir Schwäche, im Präexistenten erkennen wir Macht. Im Erzeugten sehen wir Armut, im Präexistenten erkennen wir Reichtum. Daher ist das Erzeugte die Quelle aller Unvollkommenheiten, und das Präexistente ist der Inbegriff aller Vollkommenheit. Und da das Wissen des Erzeugten auf Gegenstände des Wissens angewiesen ist, muss das Wissen des Präexistenten unabhängig von deren Existenz sein. Daraus folgt, dass die Spezifizierung und Konkretisierung des Erschaffenen, die Gegenstand des göttlichen Wissens sind, nicht präexistent sind. Darüber hinaus versetzen die Attribute der göttlichen Vollkommenheit den menschlichen Verstand nicht in die Lage zu entscheiden, ob das göttliche Wissen Gegenstände braucht oder nicht.
Kurz gesagt, was vorhin erwähnt wurde ist der wichtigste Beweis für die Sufis; wenn wir alle ihre Argumente ansprechen und darauf eingehen wollten, würde es sehr lange dauern. Das Gesagte ist jedoch der entscheidendste Beweis und deutlichste Beleg, den die Gelehrten unter den Sufis und Theosophen vorgebracht haben.
Die wahre Existenz, durch die alles verwirklicht wird, also die Wirklichkeit des göttlichen Wesens, durch die alle Geschöpfe ins Dasein getreten sind, wird von allen anerkannt. Der Unterschied besteht darin, dass die Sufis behaupten, die Wirklichkeiten aller Dinge sei die Manifestation des Einen, während die Propheten sagen, dass sie aus dem Einen emanieren. Und in der Tat gibt es einen bedeutenden Unterschied zwischen Manifestation und Emanation. Erscheinen durch Manifestation bedeutet, dass sich etwas Einzelnes in zahllosen Formen manifestiert. Wenn etwa ein Samenkorn, also etwas Einzelnes, das mit der Vollkommenheit des Pflanzenreiches ausgestattet ist, sich manifestiert, geht es in unendlich viele Formen von Zweigen, Blättern, Blumen und Früchten über. Das nennt man Erscheinen durch Manifestation, während beim Erscheinen durch Emanation der Eine in den Höhen Seiner Heiligkeit transzendent bleibt, und die Existenz der Geschöpfe aus Ihm durch Emanation, nicht durch Manifestation erlangt wird. Das ist vergleichbar mit der Sonne: Die Strahlen gehen von ihr aus und scheinen auf alle Dinge, aber die Sonne verbleibt in den Höhen ihrer Heiligkeit. Sie steigt nicht herab; sie geht nicht über in die Form der Strahlen; sie nimmt keine individuelle Gestalt an durch Spezifizierung und Konkretisierung: Das Präexistente wird nicht zum Entstandenen; absoluter Reichtum gelangt nicht in die Fesseln der Armut; uneingeschränkte Vollkommenheit wird nicht in völlige Unvollkommenheit umgewandelt.
Zusammengefasst sprechen die Sufis nur von Gott und der Schöpfung und glauben, dass Gott in die unendlichen Formen Seiner Schöpfung übergegangen sei und sich durch sie manifestiert habe, gleichsam wie das Meer, das in den unendlichen Formen seiner Wellen erscheint. Diese erzeugten und unvollkommenen Wellen seien identisch mit dem präexistenten Meer, das der Inbegriff aller göttlichen Vollkommenheit sei. Die Propheten vertreten jedoch die Sicht, dass es die Welt Gottes, die Welt des Königreichs und die Welt der Schöpfung gibt – drei Dinge. Die erste Emanation ist die ausströmende Gnade des Königreiches, die aus Gott emaniert und sich in der Wirklichkeit aller Dinge zeigt, so wie die von der Sonne ausgehenden Strahlen von allen Dingen reflektiert werden. Und diese Gnade – die Strahlen – erscheint in zahllosen Formen in der Wirklichkeit aller Dinge und wird entsprechend deren Fähigkeit, Empfänglichkeit und Wesen spezifiziert und konkretisiert. Aber die Behauptung der Sufis würde bedeuten, dass absoluter Reichtum zu Armut herabsteigt, dass das Präexistente sich auf die entstandenen Formen beschränkt und dass sich der Inbegriff der Macht im Spiegel der Ohnmacht spiegelt und den innewohnenden Grenzen der bedingten Welt unterworfen ist. Und das ist ein offensichtlicher Irrtum, denn wir stellen fest, dass die Wirklichkeit des Menschen, der das edelste aller Geschöpfe ist, nicht zur Wirklichkeit des Tieres hinabsteigt; dass das Wesen des Tieres, das mit der Kraft der Empfindung ausgestattet ist, sich nicht auf die Stufe der Pflanze herablässt; und dass die Wirklichkeit der Pflanze, die die Kraft des Wachstums ist, nicht zur Wirklichkeit des Minerals herabsteigt.
Kurz gesagt, höhere Wirklichkeiten steigen nicht herab oder begeben sich auf die Stufe untergeordneter Wirklichkeiten. Wie könnte die allumfassende Wirklichkeit Gottes, die alle Beschreibungen und Attribute transzendiert, trotz ihrer absoluten Erhabenheit und Heiligkeit sich in die Formen und Wirklichkeiten der bedingten Welt auflösen, die die Quelle der Unvollkommenheit schlechthin sind? Das wäre reine Fantasie und eine haltlose Mutmaßung. Dieses Wesen der Heiligkeit ist im Gegenteil die Gesamtheit aller göttlichen Vollkommenheit des Herrn, und alle Geschöpfe erhalten Erleuchtung aus den Emanationen Seiner Erscheinung und sie haben Teil an den Lichtstrahlen Seiner himmlischen Vollkommenheit und Schönheit, gerade so, wie alle irdischen Geschöpfe die Gnade des Lichts durch die Strahlen der Sonne erhalten. Aber die Sonne erniedrigt sich nicht und steigt nicht zu den ihr entströmten Wirklichkeiten dieser irdischen Wesen herab.
Nach dem Abendessen und in Anbetracht der späten Stunde, ist keine Zeit mehr für weitere Ausführungen.

Kapitel 83

Die vier Wege zur Erkenntnis

Es gibt nur vier anerkannte Wege zur Erkenntnis, das heißt vier Wege um die Wirklichkeit der Dinge zu verstehen.
Der erste Weg geht über die Sinne, das heißt, alles, was Auge, Ohr, Gaumen, Nase und Tastsinn wahrnehmen, wird als »mit den Sinnen wahrnehmbar« bezeichnet. Derzeit halten alle europäischen Philosophen dies für den vollkommenen Weg. Sie behaupten, dass Sinneswahrnehmung der beste Weg sei, und dies ist ihnen heilig. Und doch ist der Weg über die Sinne unzulänglich, da er irreführend sein kann. Zum Beispiel ist das Sehvermögen von allen Sinnen der bedeutendste. Das Sehvermögen jedoch sieht in einer Luftspiegelung Wasser und hält Bilder, die im Spiegel erscheinen, für real; es nimmt große Körper als klein wahr, sieht in einem wirbelnden Punkt einen Kreis, stellt sich vor, dass die Erde feststeht und die Sonne sich bewegt und ist vielen anderen Irrtümern ähnlicher Art ausgesetzt. Man kann sich also nicht vorbehaltlos auf die Sinne verlassen.
Der zweite Weg ist der des Intellekts, der Hauptweg zur Erkenntnis für jene Säulen der Weisheit, die alten Philosophen. Durch die Verstandeskraft leiteten sie Dinge her und stützten sich auf rationale Argumente: Alle ihre Argumente basieren auf der Vernunft. Trotzdem wichen ihre Auffassungen stark voneinander ab. Sie änderten sogar ihre eigene Sichtweise: Zwanzig Jahre lang leiteten sie mit rationalen Argumenten die Existenz von etwas her und widerlegten dieselbe später wiederum mittels rationaler Argumente. Auch Platon bewies zunächst durch rationale Argumente die Unbeweglichkeit der Erde und die Bewegung der Sonne, und belegte dann, wiederum durch rationale Argumente, die zentrale Position der Sonne und die Bewegung der Erde. Dann verbreitete sich die ptolemäische Theorie, und Platons Theorie geriet völlig in Vergessenheit, bis ein moderner Astronom sie wieder aufleben ließ. So vertraten die Mathematiker unterschiedliche Ansichten, obwohl sich alle auf rationale Argumente stützten.
Ebenso belegten sie irgendwann etwas durch rationale Argumente und widerlegten es dann später, wiederum durch rationale Argumente. So hielt ein Philosoph einige Zeit an einer Sichtweise fest und führte eine Reihe von Beweisen und Argumenten an, um sie zu belegen, und danach änderte er seine Meinung und widerlegte seine frühere Haltung durch rationale Argumente.
Es ist daher offensichtlich, dass der Weg der Vernunft unvollkommen ist, wie die Kontroversen zwischen den alten Philosophen sowie die mangelnde Übereinstimmung und die Neigung, ihre eigenen Ansichten zu ändern, beweisen. Denn wenn der Weg des Intellekts vollkommen wäre, sollten alle einig in ihren Ansichten sein und in ihren Meinungen übereinstimmen.
Der dritte Weg ist der der Überlieferung, also der Text der Heiligen Schrift, wenn es heißt: »Gott sagte dies in der Thora«, oder »Gott sagte dies im Evangelium.« Auch dieser Weg ist nicht fehlerlos, denn die Überlieferungen müssen mit dem Verstand begriffen werden. Da der Verstand selbst zum Irrtum neigt, wie kann man da sagen, dass er zur vollkommenen Wahrheit gelangen werde und sich nicht irre, wenn er die Bedeutung der Überlieferung herleitet und begreift? Denn der Verstand unterliegt Irrtümern und kann nicht zur Gewissheit führen. Das ist der Weg der Religionsführer. Was sie dem Text des Buches entnehmen, ist lediglich, was ihr Verstand begreift, und nicht unbedingt die Wahrheit in der Angelegenheit; denn der Verstand ist wie ein Waage, und die in den Texten enthaltenen Bedeutungen sind wie die zu wiegenden Gegenstände. Wenn die Waage nicht stimmt, wie kann das Gewicht ermittelt werden?
Wisse daher, dass das, was die Menschen besitzen und für wahr erachten, dem Irrtum unterworfen ist. Denn wenn die Sinneswahrnehmung als Beweis oder Widerlegung herangezogen wird, ist dieser Weg eindeutig unvollkommen; wenn ein rationaler Beweis erbracht wird, gilt dasselbe; und ebenso, wenn ein Beweis durch Überlieferung erbracht wird. Damit ist klar, dass der Mensch keinen Weg der Erkenntnis besitzt, auf den er sich verlassen kann.
Die Gnade des Heiligen Geistes hingegen ist der wahre Weg, über den es keinen Zweifel und keine Ungewissheit gibt. Diese Gnade besteht in den Bestätigungen des Heiligen Geistes, die dem Menschen gewährt werden und durch die er Gewissheit erlangt.

Kapitel 84

Gute Taten und ihre geistigen Voraussetzungen

Frage: Die Gutes tun, der ganzen Menschheit wohlgesinnt sind, einen lobenswerten Charakter haben, allen Menschen Liebe und Freundlichkeit entgegenbringen, sich um die Armen kümmern und für allumfassenden Frieden arbeiten – warum bedürfen sie der göttlichen Lehren, auf die sie doch ihrer Überzeugung nach gut und gerne verzichten können? In welcher Lage befinden sich solche Menschen?
Antwort: Wisse, dass solches Verhalten, solche Worte und Taten gelobt und anerkannt werden sollen, und dass sie der Menschheit zur Ehre gereichen. Aber diese Taten allein reichen nicht aus: Sie sind ein Körper von größter Schönheit, aber ohne Geist. Nein, was zu ewigem Leben, immerwährender Ehre, umfassender Erleuchtung und zu wahrem Erfolg und zu Erlösung führt, ist in erster Linie die Erkenntnis Gottes. Es ist klar, dass die Erkenntnis Gottes Vorrang vor jeder anderen Erkenntnis hat und die größte Tugend der menschlichen Welt darstellt. Denn die Wirklichkeit der Dinge zu verstehen verschafft im Reich des Seins einen materiellen Vorteil und bewirkt den Fortschritt der äußeren Zivilisation, die Erkenntnis Gottes hingegen ist die Ursache für Fortschritt und Hingezogensein des Geistes, wahre Schau und Einsicht, Erhöhung der Menschheit, das Erscheinen göttlicher Kultur, die Besserung der Sitten und Erleuchtung des Bewusstseins.
An zweiter Stelle steht die Liebe zu Gott. Das Licht dieser Liebe wird durch die Erkenntnis Gottes in der Lampe des Herzens entzündet und seine Strahlen verbreiten sich, erleuchten die Welt und verleihen dem Menschen das Leben des Königreichs. Und die Frucht menschlicher Existenz ist in Wahrheit die Liebe Gottes, sie ist der Geist des Lebens und ewige Gnade. Gäbe es die Liebe Gottes nicht, wäre die bedingte Welt in tiefe Dunkelheit gehüllt. Gäbe es die Liebe Gottes nicht, wären die Menschenherzen des Lebens und der Regungen des Gewissens beraubt. Gäbe es die Liebe Gottes nicht, würde die Vollkommenheit der menschlichen Welt ganz und gar verschwinden. Gäbe es die Liebe Gottes nicht, gäbe es keine wahre Verbindung der Menschenherzen. Gäbe es die Liebe Gottes nicht, ginge jede geistige Vereinigung verloren. Gäbe es die Liebe Gottes nicht, würde das Licht der Einheit der Menschheit verlöschen. Gäbe es die Liebe Gottes nicht, würden sich Ost und West niemals wie zwei Liebende umarmen. Gäbe es die Liebe Gottes nicht, würden Zwietracht und Spaltung nicht in Gemeinschaft verwandelt. Gäbe es die Liebe Gottes nicht, würde Entfremdung nicht der Einheit weichen. Gäbe es die Liebe Gottes nicht, würde der Fremde nicht zum Freund werden. Die Liebe in der Menschenwelt ist ein Strahl der Liebe Gottes und eine Spiegelung Seiner Freigebigkeit.
Es ist klar, dass sich die Lebenswirklichkeit von Mensch zu Mensch unterscheidet, dass Meinungen und Sichtweisen voneinander abweichen, und dass diese Verschiedenheit der Gedanken, Meinungen, Auffassungen und Ansichten unter den Einzelnen eine wesentliche Notwendigkeit ist. Denn verschiedene Stufen in der Schöpfung gehören zu den wesentlichen Erfordernissen des Daseins, das unzählige Formen annimmt. Wir benötigen daher eine allumfassende Macht, die allen Gedanken, Meinungen und Empfindungen überlegen ist, die diese Trennungen aufheben und alle Menschen unter die Herrschaft des Prinzips der Einheit der Menschheit bringen kann. Und es ist klar und offensichtlich, dass die größte Macht in der Menschenwelt die Liebe Gottes ist. Sie versammelt die verschiedenen Völker im Schatten des Tabernakels der Einheit und fördert größte Liebe und Verbundenheit unter feindseligen und streitenden Völkern und Nationen.
Schau in welch großer Zahl sich die verschiedenen Nationen, Volksgruppen, Sippen und Stämme nach der Ankunft Christi durch die Kraft der Liebe Gottes im Schatten Seines Wortes versammelten. Denke daran, wie die Unterschiede und Spaltungen von tausend Jahren vollständig beseitigt wurden, wie die Illusion der Überlegenheit von Rasse und Nation aufgelöst wurde, wie die Einheit im Fühlen und Denken erreicht wurde und alle wahrhaftige und vergeistigte Christen wurden.
Die dritte Tugend des Menschen ist die reine Absicht, sie bildet das Fundament aller guten Taten. Manche Wahrheitssucher denken, dass die Absicht der Tat überlegen sei, denn eine reine Absicht sei nichts als Licht und völlig geheiligt von der geringsten Spur von Bosheit, List oder Betrug. Man kann nämlich eine Handlung ausführen, die rechtschaffen erscheint, in Wirklichkeit aber aus Eigennutz geschieht. Zum Beispiel zieht ein Metzger ein Schaf auf und sorgt für seine Sicherheit, aber diese gute Tat des Metzgers ist durch die Hoffnung auf Profit motiviert, und am Ende all dieser Sorgfalt wird das arme Schaf geschlachtet. Wie zahlreich sind die guten und gerechten Taten, die in Wirklichkeit aus Eigennutz geboren werden! Aber die reine Absicht ist erhaben über solche Mängel.
Kurz gesagt, gute Taten werden erst dann vollkommen und vollendet sein, wenn die Erkenntnis Gottes erworben wurde, die Liebe Gottes sich manifestiert, geistiges Hingezogensein und reine Beweggründe erlangt worden sind. Andernfalls sind gute Taten zwar lobenswert, aber wenn sie nicht aus der Erkenntnis Gottes, aus der Liebe zu Gott und aus einer aufrichtigen Absicht geschehen, werden sie unvollkommen sein. Zum Beispiel muss das menschliche Dasein jede Vollkommenheit besitzen, um vollständig zu sein. Die Sehkraft ist kostbar und wird hoch geschätzt, aber sie muss durch das Hörvermögen unterstützt werden; das Hörvermögen wird hoch geschätzt, aber es muss durch Beredsamkeit unterstützt werden; die Beredsamkeit wird hoch geschätzt, aber sie muss durch Verstandeskraft unterstützt werden; und so ist es auch mit den anderen Kräften, Organen und Körperteilen des Menschen. Wenn all diese Kräfte, Sinne, Teile und Organe kombiniert werden, wird Vollkommenheit erreicht.
In der heutigen Welt treffen wir Menschen, die aufrichtig das Wohl aller Menschen wünschen, die alles tun, was in ihrer Macht steht, um den Armen zu helfen und den Unterdrückten beizustehen, und die sich für den allumfassenden Frieden und das allgemeine Wohlergehen einsetzen. Doch so vollkommen sie in dieser Hinsicht auch sein mögen, sie bleiben der Erkenntnis und der Liebe Gottes beraubt und sind somit unvollkommen.
Galen, der Arzt, schrieb in seinem Kommentar zu Platons Abhandlung über die Staatskunst, dass religiöse Überzeugungen einen großen Einfluss auf die wahre Zivilisation ausüben, und der Beweis dafür sei: Die meisten Menschen können eine Abfolge logischer Argumente nicht erfassen und brauchen daher symbolische Andeutungen auf Lohn und Strafe in der nächsten Welt. Das Zeichen dafür ist, dass wir heute ein Volk sehen, das als Christen bezeichnet wird, die an die Belohnungen und Strafen der nächsten Welt glauben und gute Taten aufweisen, die denen eines wahren Philosophen gleichen. So sehen wir alle deutlich, dass sie keine Angst vor dem Tod haben und dass sie aufgrund ihrer glühenden Sehnsucht nach Gerechtigkeit und Billigkeit als wahre Philosophen anzusehen sind.A168
Nun sieh genau, wie groß die Aufrichtigkeit, die Selbstverleugnung, die geistigen Empfindungen, die reinen Absichten und die guten Taten der christlichen Gläubigen für Galen, einen Philosophen und Arzt, der selbst kein Christ war, gewesen sein müssen, dass er die Sitten und die Vollkommenheit dieser Menschen bezeugte und sie wahre Philosophen nannte. Solche Tugenden und Eigenschaften können nicht allein durch gute Taten erreicht werden. Wenn Tugend nur bedeutet, dass etwas Gutes erreicht und verliehen wird, warum loben wir dann nicht diese brennende Lampe, die den Raum erhellt, da doch ihr Licht ohne Zweifel eine gute Sache ist? Die Sonne nährt alle irdischen Dinge und fördert ihr Wachstum und ihre Entwicklung durch ihre Wärme und ihr Licht – was gibt es Besseres? Da dieses Gute jedoch nicht guten Absichten und der Liebe und Erkenntnis Gottes entspringt, beeindruckt es nicht im Geringsten. Aber wenn jemand einem anderen ein Glas Wasser anbietet, wird ihm Wertschätzung und Dankbarkeit entgegengebracht. Ein gedankenloser Mensch könnte sagen: »Diese Sonne, die der Welt Licht spendet und diese Gabenfülle manifestiert, muss sicherlich gelobt und verherrlicht werden. Denn warum sollten wir einen Menschen für ein so bescheidenes Geschenk loben, der Sonne aber keinen Dank erweisen?« Wenn wir jedoch mit dem Auge der Wahrheit schauten, würden wir sehen, dass das bescheidene Geschenk, das dieser Mensch macht, aus der Regung des Bewusstseins stammt und daher lobenswert ist, während das Licht und die Hitze der Sonne nicht darauf zurückzuführen sind und sie daher unser Lob und unsere Dankbarkeit nicht verdienen. In gleicher Weise sollten diejenigen, die gute Taten vollbringen, gelobt werden, aber wenn diese Taten nicht aus der Erkenntnis und Liebe Gottes hervorgehen, sind sie gewiss unvollkommen.
Wenn du abgesehen davon diese Angelegenheit gerecht betrachtest, wirst du sehen, dass auch die guten Taten der Nichtgläubigen ihren Ursprung in den göttlichen Lehren haben. Das heißt, von alters her ermahnten die Propheten die Menschen zu solchen Taten, erklärten ihre Vorteile und erläuterten ihre positiven Wirkungen; diese Lehren verbreiteten sich dann unter den Menschen, erreichten nach und nach die Nichtgläubigen und zogen ihre Herzen zu dieser Vollkommenheit hin; und als sie diese Handlungen lobenswert fanden und sahen, dass sie Freude und Glück unter den Menschen hervorriefen, passten sie sich ihnen an. So entspringen auch diese Taten den göttlichen Lehren. Aber um das zu sehen, ist ein gewisses Maß an Unparteilichkeit erforderlich.
Gelobt sei Gott, du hast Persien besucht und erlebt, wie die geheiligten Brisen Bahá’u’lláhs Perser dazu brachten, der ganzen Menschheit liebevolle Freundlichkeit zu erweisen. Wenn sie früher auf einen Anhänger einer anderen Religion trafen, haben sie ihn mit äußerster Feindschaft, mit Hass und Bosheit angegriffen und ihn sogar als unrein angesehen. Sie verbrannten das Evangelium und die Thora und wuschen sich die Hände, wenn sie durch das Berühren dieser Bücher verunreinigt waren. Aber jetzt rezitieren und kommentieren die meisten von ihnen bei ihren Treffen und Versammlungen, dem Anlass entsprechend, etwas aus diesen beiden Büchern und erklären und erläutern ihre inneren Bedeutungen und Geheimnisse. Sie begegnen ihren Feinden mit Freundlichkeit und behandeln blutrünstige Wölfe mit zärtlicher Fürsorge, als wären es die Gazellen auf den Wiesen der Liebe Gottes. Du hast ihr Verhalten und ihren Charakter gesehen, und du hast von den Sitten der Perser in vergangenen Zeiten gehört. Kann dieser Sittenwandel und diese Verbesserung von Sprache und Verhalten anders als durch die Liebe Gottes herbeigeführt werden? Nein, bei Gott! Sollten wir versuchen, solche Sitten und Gebräuche allein durch Wissen und Bildung zu verbreiten, würden tausend Jahre vergehen, und doch wären sie von den Massen nicht umgesetzt worden.
Dies wurde Dank der Liebe Gottes an diesem Tag mit größter Leichtigkeit erreicht. Merkt auf, o ihr mit verständigem Herzen!

Literaturverzeichnis

Bahá’u’lláh
– Anspruch und Verkündigung, Sendbriefe aus Edirne und ‘Akká, Hofheim, 2007
– Ährenlese, Eine Auswahl aus den Schriften Bahá’u’lláhs, Hofheim, 7. Auflage, 2012, Nachdruck der 4. revidierten Auflage 1999 als Taschenbuch
– Brief an den Sohn des Wolfes, Auflage 2.02-online (2019-02-20), bibliothek.bahai.de, Bahá’í Verlag 2019
– Kitáb-i-Aqdas – Das Heiligste Buch, Hofheim, 2000
– Kitáb-i-Íqán – Das Buch der Gewissheit, Frankfurt am Main, 1958, 4. völlig überarbeitete Auflage: Hofheim 2004
– Verborgene Worte, Hofheim, 12.Auflage, 2015
Balyuzi, H. M.
– Bahá’u’lláh – Der Herr der Herrlichkeit, Hofheim, 1991
‘Abdu’l-Bahá
– Briefe und Botschaften, Hofheim, 1992
– The Promulgation of Universal Peace, translation Howard MacNutt, Wilmette, IL, 2012
– Ansprachen in Paris, Hofheim, 2014, 10. Veränderte Auflage
Aristoteles
– Physik
Bibel, verschiedene Ausgaben
Qur’án, verschiedene Ausgaben
Nicholson, R. A.
– Mysticism, The Legacy of Islam, edited by Sir Thomas Arnold und Alfred Guillaume, Oxford 1931, S. 224
Shoghi Effendi
– Die Weltordnung Bahá’u’lláhs, Briefe von Shoghi Effendi, Hofheim, 1977
– Der verheißene Tag ist gekommen, Frankfurt, 1967
– Gott geht vorüber, Hofheim, 2019, Auflage, 4.01-P(2019-10-16)
Platon
– Parmenides, nach der Übersetzung Francis MacDonald Cornford
Plotin
– Enneaden, nach der Übersetzung von Armstrong
Ibn Abí Uṣaybi‘ih
– ‘Uyúnu’l-Anbá’ fí Ṭabaqáti’l-Aṭibbá’, Kairo 1882
Jurjí Zaydán
– Umayyads and ‘Abbásids: Being the Fourth Part of Jurjí Zaydán’s History of Islamic Civilization, translation D. S. Margoliouth, London 1987
Alle Bibel- und Qur‘ánpassagen wurden verbatim aus im deutschsprachigen Raum erhältlichen Übersetzungen zitiert, wobei jeweils diejenige Version gewählt wurde, die möglichst gut mit der englischen Übersetzungsvorlage übereinstimmt.

Quellenangaben

Anmerkungen

A1 Vergleiche zum Beispiel: ‘Abdu’l-Bahá, Briefe und Botschaften, 30:2; ‘Abdu’l-Bahá, The Promulgation of Universal Peace, Ansprache am 1. September 1912, im Haus von Mr. und Mrs. William Sutherland Maxwell; ‘Abdu’l-Bahá, Ansprachen in Paris, 2:1 und 28:6
A2 Kapitel 46, Absatz 7
A3 Shoghi Effendi, Gott geht vorüber 482
A4 Aus einem Brief Shoghi Effendis vom 13. März 1923 an die Bahá’í in Australasien.
A5 Aus einem Brief vom 14. November 1940 im Auftrag von Shoghi Effendi an einen einzelnen Gläubigen.
A6 Genesis 1:26
A7 Vergleiche: Johannes 6:42
A8 Vergleiche: Jurjí Zaydán, Umayyads and ‘Abbásids: Being the Fourth Part of Jurjí Zaydán’s History of Islamic Civilization, translation D. S. Margoliouth, London 1987, S. 125ff.
A9 ‘Umar
A10 Kopernikus
A11 Qur’án 36:38
A12 Qur’án 36:40
A13 Galileo
A14 ‘Abdu’l-Bahá bezieht sich auf den Báb mit Dessen Titel Ḥaḍrat-i-A‘lá – Seine Heiligkeit der Erhabene –, aber Er wird hier mit dem Namen bezeichnet, unter dem Er im Westen bekannt ist.
A15 ‘Abdu’l-Bahá bezieht sich hier auf Bahá’u’lláh mit Dessen Titel Jamál-i-Mubárak (die Gesegnete Schönheit). Er wird auch Jamál-i-Qidam (Urewige Schönheit) und Qalam-i-A‘lá (Feder des Höchsten) genannt, aber Er wird hier durchweg nach Seinem Titel Bahá’u’lláh benannt, unter dem Er im Westen bekannt ist.
A16 Bahá’u’lláh wurde zuerst von Ṭihrán nach Baghdád verbannt, dann nach Konstantinopel (Istanbul) und Adrianopel (Edirne). 1868 wurde Er in ‘Akká, dem „Größten Gefängnis“, inhaftiert, und verstarb 1892 in der näheren Umgebung.
A17 Zwei Städte im Irak, in denen sich die Grabmäler des ersten und des dritten Imáms der Shí‘iten befinden, und die wichtige Pilgerstätten sind.
A18 Bahá’u’lláhs erstes Sendschreiben an Napoleon III. wurde in Adrianopel offenbart, das Bahá’u’lláh als »entlegenen Kerker« bezeichnete. (siehe Bahá’u’lláh, Brief an den Sohn des Wolfes 76).
A19 Vergleiche: Bahá’u’lláh, Súriy-i-Haykal, in: Anspruch und Verkündigung 1:138
A20 Der Sohn des französischen Konsuls in Syrien, der laut Nabíl-i-A‘ẓam ein Anhänger Bahá’u’lláhs war. Vergleiche: Balyuzi, H. M., Bahá’u’lláh – Der Herr der Herrlichkeit, S. 371
A21 Vergleiche: Bahá’u’lláh, Súriy-i-Haykal, in: Anspruch und Verkündigung 1:221
A22 ›Yá Bahá’u’l-Abhá‹, eine Anrufung des Größten Namens Gottes (der Allherrliche, oder auch der Herrlichste).
A23 Bahá’u’lláh
A24 Vergleiche: Bahá’u’lláh, Kitáb-i-Íqán – Das Buch der Gewissheit 213
A25 Siehe oben, Kapitel 8–9
A26 Vergleiche: Daniel 9:24
A27 Vergleiche: Numeri 14:34; Hesekiel 4:6
A28 Das heißt, Muḥammads Frau und deren Cousine Varaqih-ibn-i-Nawfal.
A29 Da das öffentliche Wirken Muḥammads zehn Jahre vor der Hijrah begann, entspricht dieses Datum dem Jahr 1280 n.d.H. bzw. 1863 n.Chr.
A30 Offenbarung 11:3
A31 Qur’án 48:8
A32 Offenbarung 11:4
A33 Offenbarung 11:5
A34 Offenbarung 11:6
A35 Offenbarung 11:6
A36 Offenbarung 11:6
A37 Offenbarung 11:7
A38 Offenbarung 11:7
A39 Offenbarung 11:7
A40 Offenbarung 11:8
A41 Offenbarung 11:9
A42 Offenbarung 11:10
A43 Offenbarung 11:11
A44 Offenbarung 11:12
A45 Der Báb und Quddús
A46 Offenbarung 11:12
A47 Offenbarung 11:13
A48 Offenbarung 11:13
A49 Offenbarung 11:14
A50 Hesekiel 30:1–3
A51 Offenbarung 11:15
A52 Offenbarung 11:16–17
A53 »In Bezug auf die vierundzwanzig Ältesten erklärte der Meister in einem Sendschreiben, dass es sich um den Báb, die 18 Buchstaben des Lebendigen und fünf andere handelt, die in Zukunft bekannt werden würden.« (Aus einem Brief vom Juli 1943 an einen einzelnen Gläubigen, geschrieben im Auftrag Shoghi Effendis) ‘Abdu’l-Bahá benannte in einem Sendschreiben eine der verbleibenden fünf Personen als Ḥájí Mírzá Muḥammad-Taqí Afnán, Vakílu’d-Dawlih.
A54 Offenbarung 11:18
A55 Offenbarung 11:18
A56 Offenbarung 11:18
A57 Offenbarung 11:18
A58 Offenbarung 11:19
A59 Offenbarung 11:19
A60 Offenbarung 11:19
A61 Offenbarung 11:19
A62 Die Übersetzung des Absatzes folgt bis zu dieser Stelle Shoghi Effendis überarbeiteter Übersetzung, wie zitiert in: Shoghi Effendi, Die Weltordnung Bahá’u’lláhs, S. 299 und in: Shoghi Effendi, Der verheißene Tag ist gekommen, S. 183. Es ist zu beachten, dass das Wort ›Nahál‹, das im Englischen ›rod‹ entspricht und in den Absätzen 1–2 als solches wiedergegeben wurde, in diesem Absatz als ›Schössling‹ wiedergegeben wurde. Beide Begriffe beziehen sich auf Bahá’u’lláh.
A63 Offenbarung 21:1–3
A64 Offenbarung 21:2
A65 Offenbarung 12:2
A66 Offenbarung 12:3–4
A67 Offenbarung 12:4
A68 Offenbarung 12:5
A69 Offenbarung 12:5
A70 Offenbarung 12:6
A71 Offenbarung 12:6
A72 Offenbarung 12:6
A73 Das Wort ›Sa‘ádat‹, das hier als ›Glück‹ wiedergegeben wird, hat weitere Bedeutungen wie Wohlstand, Freude und Wohlbefinden.
A74 Vergleiche: Matthäus 3:16–17, Markus 1:10–11, Lukas 3:22
A75 Vergleiche: Exodus 13:21–22
A76 Vergleiche: Johannes 10:38
A77 Aus Bahá’u’lláhs Sendschreiben an Náṣiri’d-Dín Sháh, in Súriy-i-Haykal, in: Brief an den Sohn des Wolfes 12
A78 Qur’án 19:17; vergleiche auch Lukas 1:26–28
A79 Qur’án 36:36
A80 Vergleiche Qur’án 13:3
A81 Johannes 1:12–13
A82 Genesis 2:7
A83 Vergleiche: Matthäus 3:11, Markus 1:8, Lukas 3:16, Johannes 1:33
A84 Vergleiche: Apostelgeschichte 15:20
A85 ‘Abdu’l-Bahá bezieht sich hier auf das Konzept von Hitze und Kälte, das in der traditionellen islamischen Medizin eine wichtige Rolle spielt.
A86 Johannes 6:51
A87 Matthäus 26:26
A88 Matthäus 8:22, Johannes 3:6
A89 Vergleiche: Matthäus 13:14–15, Johannes 12:39–40
A90 Vergleiche: Matthäus 24:29–30
A91 Vergleiche: Bahá’u’lláh, Kitáb-i-Íqán – Das Buch der Gewissheit, Absatz 27–42 und 66–87
A92 Vergleiche: Johannes 3:13
A93 Masíkh (Monster), eine Verzerrung von Masíḥ (Messias).
A94 Vergleiche: 1 Thessaloniker 5:2, 2 Petrus 3:10
A95 Johannes 17:5
A96 Vergleiche: Johannes 6:50–51
A97 Vergleiche: Genesis 2:16–17
A98 Vergleiche: Genesis 3:5
A99 Vergleiche: Genesis 3:11–15, 22
A100 Bahá’u’lláh
A101 Vergleiche: Johannes 6:51
A102 D.h. Juden und Christen
A103 Matthäus 8:22
A104 Matthäus 12:31–2
A105 Matthäus 22:14
A106 Qur’án 2:105 und 3:74
A107 Matthäus 22:14
A108 Vergleiche: Bahá’u’lláh, Kitáb-i-Íqán – Das Buch der Gewissheit 156–179
A109 Vergleiche: Johannes 1:19–21
A110 Das heißt, die Individualität von Johannes.
A111 Vergleiche Matthäus 23:34–36
A112 Matthäus 16:18
A113 Der Vorname von Petrus war Simon, aber Christus nannte ihn Kephas, was den griechischen Wörtern ›Petros‹ oder ›Petra‹ entspricht und ›Fels‹ bedeutet.
A114 Vergleiche: Matthäus 16:14–18
A115 An anderer Stelle umfasst ‘Abdu’l-Bahás Klassifizierung auch den Geist des Minerals, vergleiche Beantwortete Fragen Kapitel 64, Briefe und Botschaften 30:2, und The Promulgation of Universal Peace (2012), S. 95, 264f., 336, 360 und 377f.
A116 Aus einer Überlieferung, die Imám ‘Alí zugeschrieben wird.
A117 Qur’án 6:103
A118 Aus einer Überlieferung, die Imám ‘Alí zugeschrieben wird.
A119 Qur’án 59:2
A120 Vergleiche: Johannes 14:11 und 17:21
A121 ‘Abdu’l-Bahá nimmt hier eine Frage über den Beginn der Offenbarung Bahá’u’lláhs vorweg, die in Kapitel 16 und 39 ausführlicher behandelt wird.
A122 Vergleiche: Ährenlese, Eine Auswahl aus den Schriften Bahá’u’lláhs, Kapitel 41, und Bahá’u’lláh, Súriy-i-Haykal, in: Anspruch und Verkündigung 1:192
A123 Johannes 1:1
A124 Matthäus 6:9, Lukas 11:2
A125 Siehe: Kapitel 14
A126 Johannes 1:1
A127 Vergleiche: Exodus 20:4–5, Deuteronomium 5:8–9
A128 Vergleiche: Numeri 13–14
A129 Qur’án 48:1–2
A130 Matthäus 19:16–17
A131 Bahá’u’lláh, Kitáb-i-Aqdas – Das Heiligste Buch 47
A132 Das Wort ›Naw‘‹, das hier und in den folgenden Kapiteln als ›Art‹ übersetzt wird, hat eine Reihe von Bedeutungen, darunter ›Art‹, ›Gattung‹ und ›Spezies‹. ‘Abdu’l-Bahá verwendet das Wort nicht in der modernen biologischen Bedeutung, sondern in der Bedeutung unveränderlicher archetypischer Formen.
A133 In einer Tafel schreibt Bahá’u’lláh diese Worte Hermes zu.
A134 Siehe zum Beispiel Kapitel 2 und 80
A135 Qur’án 23:14 und Bahá’u’lláh, Verborgene Worte, pers. 9
A136 Genesis 1:26
A137 Wie im nächsten Kapitel zu sehen ist, verwendet ‘Abdu’l-Bahá die Begriffe ›In Erscheinung treten durch Emanation‹ und ›Hervorgehen durch Emanation‹ synonym.
A138 Vergleiche: Kapitel 80
A139 Vergleiche: Genesis 2:7
A140 Johannes 1:1
A141 Johannes 1:1
A142 Vergleiche: zum Beispiel Johannes 14:10–11 und 17:21
A143 Siehe: Kapitel 36
A144 Vergleiche: Genesis 9:22–7
A145 Ein solcher Unterschied in den Fähigkeiten muss unweigerlich zu einem Unterschied im Charakter führen.
A146 Vergleiche: Ährenlese aus den Schriften Bahá’u’lláhs, Kapitel 41; und Bahá’u’lláh, Súriy-i-Haykal, in: Anspruch und Verkündigung 1:192
A147 Vergleiche: Offenbarung 22:13
A148 Vergleiche: Kapitel 48
A149 Vergleiche: Johannes 3:5
A150 Vergleiche: Johannes 1:13
A151 Qur’án 23:14
A152 ‘Abdu’l-Bahá wendet sich hier direkt an Laura Clifford Barney, deren Vater 1902 verstorben war.
A153 Mírzá Yaḥyá, Halbbruder und eingeschworener Feind Bahá’u’lláhs
A154 »Die erste Pflicht, die Gott Seinen Dienern auferlegt, ist die Anerkennung Dessen, der der Tagesanbruch Seiner Offenbarung, der Urquell Seiner Gesetze ist und Gott im Reiche Seiner Sache und in der Welt der Schöpfung vertritt. Wer diese Pflicht erfüllt, hat alles Gute erreicht, und wer dessen beraubt ist, geht in die Irre, hätte er auch alle gerechten Werke vollbracht.«(Kitáb-i-Aqdas – Das Heiligste Buch 1)
A155 Siehe Kapitel 84 für eine ausführlichere Erörterung dieses Themas.
A156 Römer 9:21
A157 Siehe: Kapitel 32, 62 und 63
A158 Vergleiche: Matthäus 5:39
A159 Ein Bahá’í, der mit am Tisch saß.
A160 Matthäus 8:22
A161 Vergleiche: Aristoteles, Physik 194b16–195a1
A162 Der Baum von Zaqqúm, erwähnt in Qur’án 17:60, 37:62–66, 44:43–46 und 56:52–53
A163 Vergleiche: Qur’án 37:180
A164 Qur’án 59:2
A165 Siehe: Kapitel 33 für eine ausführlichere Erörterung dieses Themas.
A166 Wie ‘Abdu’l-Bahá erklärt, liegt der Ursprung der Idee jedoch sehr weit zurück, seine Geschichte im islamischen Denken beginnt mit Ibnu’l-‘Arabí (1165–1240). »Ibnu’l-‘Arabí ist ein überzeugter Monist, und der Name seiner Lehre (Vaḥdatu’l-Vujúd, die Einheit der Existenz) beschreibt sie treffend. Er ist der Ansicht, dass alle Dinge im Wissen Gottes als Vorstellung präexistent sind, von dort aus emanieren und dorthin schließlich zurückkehren.« Nicholson, R. A., Mysticism, The Legacy of Islam, edited by Sir Thomas Arnold und Alfred Guillaume, Oxford 1931, S. 224
A167 Vergleiche: Plotin, Enneaden 5.2.1: »Das Eine ist alles und auch nicht eins.« (nach der Übersetzung von Armstrong); und Platon, Parmenides 160b2-3: »Wenn es also das Eine gibt, ist das Eine sowohl Alles als auch Nichts, sowohl in Bezug auf sich selbst als auch auf die anderen« (nach der Übersetzung von Cornford). In der Tradition der islamischen Philosophen werden einige der Schriften des Plotin Aristoteles zugeschrieben.
A168 Vergleiche: Ibn Abí Uṣaybi‘ih, ‘Uyúnu’l-Anbá’ fí Ṭabaqáti’l-Aṭibbá’, Kairo 1882, 1:76–77