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A DISPENSAÇÃO DE BAHÁ´U´LLÁH
POR
SHOGHI EFFENDI
EDITORA BAHÁ´Í – BRASIL
Primeira Edição – 1953
Segunda Edição – 1985
Capa: Flávia Sales
BAHÁ´U´LLÁH
Aos amados de Deus e servos do Misericordioso em todo o Ocidente.
Colaboradores da Vinha Divina:
No dia 23 de Maio deste auspicioso ano, o mundo bahá´í celebrará o nonagésimo aniversário da fundação da Fé estabelecida por Bahá´u´lláh. Nós que nesta hora nos encontramos no limiar da última década do primeiro século da era bahá´í, bem poderíamos nos deter afim de refletir sobre as graças misteriosas de tão augusta e momentosa Revelação. Que vasto e fascinante panorama é o que se desenrola ante nossos olhos com a revolução de noventa anos! Quase que nos acabrunha sua grandeza sobrepujante. Se apenas se contemplar este espetáculo sem paralelo e formar um conceito, por mais inadequado que seja, das circunstâncias que acompanharam o surgir dessa suprema Teofania e seu desenvolvimento gradativo, e se forem lembradas, ainda que em seu mais simples esboço, as dolorosas lutas que proclamaram seu início e aceleraram sua marcha, isto será o bastante para convencer todo observador imparcial daquelas verdades eternas que motivam a vida desta Revelação e devem continuar a impulsioná-la até que alcance sua destinada ascendência.
Dominando todo o âmbito deste deslumbrante espetáculo, sobressai a figura incomparável de Bahá´u´lláh, de transcendente majestade, serena, venerável, de uma sublimidade sem par. Aliado, embora subordinado em grau, e investido da autoridade de presidir, com Ele, os destinos desta suprema dispensação, brilha sobre este quadro mental o Báb, em toda a glória de Sua juventude, com Sua infinita ternura, com Seu encanto irresistível e heroísmo jamais excedido, e Seu paralelo nas circunstâncias dramáticas de Sua curta e momentosa vida. E surge, finalmente, a personalidade vibrante, magnética de ´Abdu´l-Bahá, ainda que num plano próprio e numa categoria inteiramente distinta daquela ocupada pelas Figuras gêmeas que O precederam. Num grau jamais alcançado por homem algum, por elevada que fosse sua posição, reflete ´Abdu´l-Bahá a glória e o poder possuídos por Aqueles – e por Aqueles somente – que são os Manifestantes de Deus.
Com a ascensão de ´Abdu´l-Bahá e, sobretudo, com o falecimento de Sua bem-amada e ilustre irmã, a Folha Mais Sagrada, a última sobrevivente de uma era heróica e gloriosa, encerrou-se o primeiro e o mais comovente capítulo da história bahá´í, marcando a conclusão do Período Primitivo e Apostólico da Fé de Bahá´u´lláh. Foi ´Abdu´l-Bahá quem pelas provisões de Seu poderoso Testamento, forjou o elo vital que há de ligar para sempre a era que acaba de expirar com aquela em que ora vivemos – o Período Transitório e Formativo da Fé – etapa que há de florescer na plenitude dos tempos e frutificar nas proezas e nos triunfos destinados a anunciar a Idade Áurea da Revelação de Bahá´u´lláh.
Meus amados amigos! Graças aos cuidados dos escolhidos de uma Fé de vasto alcance, estão se reunindo e organizando agora, gradualmente, ante os nossos próprios olhos, as forças impetuosas que dois Manifestantes independentes, vindos em rápida sucessão, milagrosamente liberaram. Essas forças estão se cristalizando pouco a pouco em instituições que virão a ser consideradas os marcos gloriosos da era que devemos estabelecer agora e imortalizar pelas nossas obras. Pois das tentativas que fazemos hoje e, sobretudo, da intensidade do nosso esforço por reformar nossas vidas segundo o modelo de sublime heroísmo associado àqueles que nos precederam, deve depender a eficácia dos instrumentos que agora moldamos – instrumentos esses que devem erigir a estrutura daquela bem-aventurada Comunidade que irá assinalar a Idade Áurea de nossa Fé.
Não é meu propósito, ao passar em revista estes anos repletos de proezas, tentar fazer nem sequer um breve relato dos grandiosos acontecimentos ocorridos desde 1844 até hoje. Nem tenciono analisar as forças que os precipitaram, ou avaliar sua influência sobre povos e instituições em quase todos os continentes do globo. Os fatos autênticos registrados sobre a vida dos primeiros crentes do período inicial de nossa Fé, bem como a assídua investigação que deve ser empreendida, por competentes historiadores bahá´ís do futuro transmitirão à posteridade uma exposição da história dessa época, muito mais magistral do que qualquer esforço meu conseguiria fazer. O que mais me preocupa neste período tão desafiador da história bahá´í, é o dever de levar à atenção daqueles destinados a serem os campeões na construção da Ordem Administrativa de Bahá´u´lláh, certas verdades fundamentais cuja elucidação lhes há de facilitar grandemente o eficaz prosseguimento de sua grandiosa obra.
Além disso, a posição internacional já atingida pela Religião de Deus exige imperativamente o esclarecimento definitivo de seus princípios básicos. O ímpeto sem precedente que os brilhantes feitos dos bahá´ís americanos deram à marcha da Fé; o intenso e rápido interesse que o primeiro Mashriqu´l-Adhkár do Ocidente está despertando entre as diversas raças e nações; a consolidação gradual das instituições bahá´ís em nada menos de quarenta dos países mais adiantados do mundo; a disseminação da literatura bahá´í em vinte e cinco dos mais difundidos idiomas; o êxito que coroou os esforços dos bahá´ís persas, recentemente, em seus passos preliminares para o estabelecimento, nos arredores da capital de sua terra natal, do terceiro Mashriqu´l-Adhkár do mundo bahá´í; as medidas que já estão sendo tomadas para a formação imediata de sua primeira Assembléia Espiritual Nacional, que deve representar os interesses da grande maioria dos adeptos bahá´ís; a ereção, já projetada, de mais um pilar da Casa Universal de Justiça, primeiro em seu gênero no hemisfério meridional; os testemunhos, tanto verbais como escritos que a Fé, em seu esforço incansável, tem recebido de realezas, de instituições governamentais, de tribunais internacionais e dignitários eclesiásticos; a publicidade devida às próprias acusações dirigidas contra ela por inimigos inexoráveis, antigos e recentes; o ato formal que libertou uma parte de seus adeptos dos grilhões da ortodoxia muçulmana em um país considerado o mais adiantado entre as nações islâmicas – tudo isso prova sobejamente a crescente rapidez com que a comunidade invencível do Nome Supremo se aproxima da vitória final.
Muito estimados amigos! Numa época em que a luz da publicidade está focalizada cada vez mais sobre nós, considero que minha incumbência – em virtude das obrigações e responsabilidades que eu, como Guardião da Fé de Bahá´u´lláh, devo cumprir – dar ênfase especial a certas verdades que baseiam nossa Fé, e cuja integridade é nosso primeiro dever salvaguardar. Estou convencido de que estas verdades, se forem corajosamente apoiadas, e assimiladas de um modo adequado, reforçarão muito o vigor de nossa vida espiritual e concorrerão para neutralizar as intrigas de um inimigo implacável e vigilante.
É minha convicção inalterável que todo fiel adepto deve ter, como sua primeira obrigação e o objeto de seu constante esforço, adquirir um conhecimento mais adequado do significado da estupenda Revelação de Bahá´u´lláh. Uma compreensão exata e completa de tão vasto sistema, de tão sublime revelação, de tão sagrada incumbência, está, por óbvias razões, fora do alcance de nossas mentes limitadas. Contudo podemos – e é nosso dever incontestável, enquanto trabalhamos na propagação de Sua Fé – procurar derivar nova inspiração e maior apoio, mediante um conceito mais nítido das verdades que essa Fé encerra, e dos princípios em que se baseia.
Ao explicar a posição do Báb, numa das comunicações dirigidas aos crentes americanos, fiz uma ligeira referência à incomparável grandeza da Revelação de que Ele se considerava o humilde Precursor. Ele – aclamado por Bahá´u´lláh no Kitáb-i-Iqán, como o prometido Qá´im – Aquele que manifestou nada menos de vinte e cinco dentre as vinte e sete letras destinadas a ser reveladas por todos os profetas – esse tão grande Revelador testemunhou. Ele mesmo, a respeito da preeminência da Revelação superior que dentro em breve haveria de suceder à Sua própria. “O germe”, assevera o Báb no Bayán persa, “que contém dentro de si as potencialidades da Revelação que há de vir, é dotado de um poder superior às forças reunidas de todos os que Me seguem”. “De todos os tributos que prestei Àquele destinado a Me suceder”, Ele afirma ainda, “o maior é este: Minha confissão, por escrito, de que palavra alguma por Mim proferida poderá descrevê-Lo adequadamente e, tão pouco, referência alguma a Seu respeito em Meu Livro, o Bayán, poderá apresentar, de uma maneira digna, a Sua Causa.” “O Bayán”, declarou Ele categoricamente no mesmo Livro: “e quem quer que nele esteja mencionado, giram em torno das palavras daquele que Deus tornará manifesto, assim como o Alif (o Evangelho) e qualquer um que nele estivesse mencionado giraram ao redor das palavras de Maomé, o Apóstolo de Deus.” “A leitura do Bayán”, disse mais, “ainda que seja feita mil vezes, não poderá igualar a leitura cuidadosa de um só versículo a ser revelado por Aquele que Deus tornará manifesto... O Bayán encontra-se hoje em estado embrionário; a sua perfeição completa será mostrada ao iniciar-se a Revelação daquele que Deus tornará manifesto... O Bayán e todos seus crentes anelam por Ele mais ardentemente do que qualquer amante por sua amada... Toda a glória do Bayán deriva daquele que Deus tornará manifesto... Bem-aventurado quem Nele acreditar, e ai de qualquer um que rejeite Sua Verdade!”
Dirigindo-se a Siyyid Yahyáy-i-Dárábí, conhecido como Vahíd, o mais proeminente entre os adeptos, em virtude de sua erudição, sua eloqüência e seu prestígio, o Báb pronuncia esta advertência: “Pela justiça Daquele cujo poder faz germinar a semente e que infunde o espírito da vida em todas as coisas! Se eu soubesse que, no dia de Sua manifestação, tu O negarias, não vacilaria em te renunciar e repudiar tua fé... Se, por outro lado, Me disserem que um cristão, que não deve lealdade à Minha Fé, virá a crer Nele, a este Eu considerarei como a menina de Meus Olhos.”
Numa de Suas orações, Ele assim comunga com Bahá´u´lláh: “Exaltado sejas, Ó meu Senhor, o Onipotente! Quão insignificantes e desprezíveis parecem minhas palavras e tudo o que me pertence, a não ser que estejam relacionados à Tua grande glória. Permite, pela Tua graça, que qualquer coisa que me pertença seja aceitável ante os Meus olhos.”
No Qayyúmu´l-Asmá – o comentário do Báb sobre o Súrih de José, caracterizado pelo Autor do Iqán como “o primeiro, o maior e o mais poderoso”, dos livros revelados pelo Báb – lemos as seguintes referências a Bahá´u´lláh: “Do simples nada, Ó grande e onipotente Mestre, Tu, através da potência celestial de Tua grandeza, me fizeste aparecer e me levantaste para proclamar esta Revelação. Em ninguém exceto em Ti depositei minha confiança; não dependi senão de Tua vontade... Ó Tu, Remanescente de Deus, sacrifiquei-me inteiramente por Ti; aceitei maldições por Tua causa, e nada anelei senão o martírio no caminho de Teu amor. Testemunho suficiente para mim é Deus, o Excelso, o Protetor, o Ancião dos Dias...” “E quando houver soado a hora designada”, disse o Báb, dirigindo-se novamente a Bahá´u´lláh no mesmo comentário, “deves Tu, com a aprovação de Deus, o Onipotente, revelar das alturas do Monte Místico, do Monte mais sublime, uma centelha ligeira, infinitésima, de Teu impenetrável Mistério, para que aqueles que hajam reconhecido o brilho do Esplendor Sinaico possam esvair-se e falecer ao avistar um fugaz vislumbre da Luz ardente, carmesim, que envolve Tua Revelação.”
Como mais uma prova da grandeza da Revelação de Bahá´u´lláh, podem ser citados os seguintes extratos de uma Epístola dirigida por ´Abdu´l-Bahá a um eminente adepto zoroastriano: “Havias escrito que se encontra nos livros sagrados daqueles que seguem Zoroastro a profecia de que, nos últimos dias, em três Dispensações distintas, o sol haveria de parar. Na primeira Dispensação, segundo a predição, o sol permanecerá imóvel por dez dias; na segunda, por duas vezes este tempo; na terceira, por nada menos de um mês inteiro. A interpretação dessa profecia é a seguinte: a primeira Dispensação a que ela se refere é a Dispensação Maometana, durante a qual o Sol da Verdade permaneceu imóvel por dez dias. Cada dia representa um século. A Era Maometana, portanto, deve ter durado nada menos de mil anos – exatamente o período que transcorreu entre o ocaso da Estrela do Imanato e o advento da Era proclamada pelo Báb. A segunda Dispensação mencionada nesta profecia é aquela inaugurada pelo próprio Báb, sendo que começou no ano 1260 (depois da Hégira) e findou no ano 1280 (depois da Hégira). Quanta à terceira – a Revelação proclamada por Bahá´u´lláh – desde que o Sol da Verdade, ao atingir essa posição, brilha na plenitude de eu esplendor meridiano, fixou-se um mês inteiro como o período de sua duração – o tempo máximo para a passagem do sol por um signo do zodíaco. Disto podes imaginar a magnitude do ciclo bahá´í – um ciclo que há de abranger um período de pelo menos quinhentos mil anos.”
Pelo texto dessa explícita e autorizada interpretação de tão antiga profecia, é evidente quão necessário se torna que todo fiel seguidor da Fé aceite a origem divina da Revelação maometana e sustente sua posição independente. Nestas mesmas passagens, além disso, está implicitamente reconhecida a validade do Imanato – aquela instituição divinamente estabelecida, de cujo membro mais eminente era o próprio Báb descendente direto, e que, por um período não inferior a duzentos e sessenta anos, continuou a ser guiada pelo Todo Poderoso e a ser o depositário de um dos mais preciosos legados do Islã.
Esta mesma profecia – devemos reconhecer – atesta também o caráter independente da Revelação do Báb e corrobora indiretamente o fato de que, segundo o princípio da revelação progressiva, cada Manifestante divino deve, necessariamente, conceder a divina guia à humanidade de Seu Tempo, em escala mais ampla do que teria sido possível em qualquer época anterior privada ainda da capacidade de a receber ou apreciar. Por isso – e não por algum mérito superior, inerente, que se possa atribuir à Fé Bahá´í – essa profecia dá testemunho da glória e do poder sem paralelo, de que foi investida a Dispensação de Bahá´u´lláh – uma Dispensação cujas potencialidades apenas começamos agora a perceber e nunca haveremos de determinar toda a sua plenitude.
A Fé Bahá´í deve ser considerada – se quisermos ser fiéis às tremendas implicações de sua mensagem – como a culminação de um ciclo, a etapa final numa série de revelações sucessivas, preliminares e progressivas. Começando com Adão e terminando com o Báb, estas revelações vêm preparando o caminho para o advento daquele Dia dos Dias, antecipando-o com uma ênfase sempre crescente – o Dia em que o Prometido de Todos os Tempos haveria de se manifestar.
Dessa verdade encontramos, nas palavras de Bahá´u´lláh, amplo testemunho. Basta uma ligeira referência às declarações feitas por Ele mesmo, repetidas vezes, com tanta veemência e tão irresistível poder, para se demonstrar plenamente o caráter da Revelação de que Ele foi o escolhido portador. Às palavras, pois, que emanam de Sua Pena – manancial de tão intensiva Revelação – devemos dirigir nossa atenção se quisermos obter uma compreensão mais nítida de sua importância e significado. Quer seja ao fazer Suas asseverações sem precedentes, quer seja em Suas alusões às forças misteriosas por Ele liberadas, ou em tais passagens que exaltam as glórias de Seu Dia há tanto esperado, ou que engrandeçam a posição destinada àqueles que tenham reconhecido as virtudes ocultas neste Dia – Bahá´u´lláh, e também o Báb e ´Abdu´l-Bahá em grau quase igual, legaram à posteridade tesouros de tão grande valor que nenhum de nós que pertencemos à presente geração podemos avaliar adequadamente. Tais testemunhos acerca deste tema estão impregnados de tal poder, e revelam tanta beleza, que só aqueles versados nos idiomas originais podem dizer que os tenham apreciado devidamente. E tão grande é seu número que seria necessário escrever um volume inteiro para compilar só os mais salientes dentre eles. Tudo o que eu posso aventurar-me a fazer, neste momento, é compartilhar as passagens que pude escolher de Seus volumosos escritos.
“Dou testemunho perante Deus”, proclama Bahá´u´lláh, “da grandeza, da inconcebível grandeza desta Revelação. Repetidamente, na maioria de Nossas Epístolas, temos atestado essa verdade a fim de despertar de sua indiferença o gênero humano”. “Nesta poderosíssima Revelação”, anuncia Ele de modo inequívoco, “todas as Revelações do passado alcançaram sua consumação mais alta e final.” “O que se manifestou nessa Revelação sublime, proeminente, não tem paralelo nos anais do passado, e tão pouco será igualado em épocas futuras.” “Foi Ele”, proclama ainda Bahá´u´lláh referindo-se a Si próprio, “quem o Velho Testamento chamava de Jeová, Aquele designado no Evangelho como o Espírito da Verdade, e no Alcorão aclamado como o Grande Anúncio.” “Se não fosse Ele, a nenhum Mensageiro divino se haveria conferido o manto de profeta, nem se teria revelado nenhuma das sagradas escrituras. Disso dão testemunho todas as coisas criadas.” “A palavra proferida neste Dia, por Deus, Uno e Verdadeiro, ainda que seja a mais comum e familiar das expressões, está investida de distinção suprema, inigualável.” “A maioria da humanidade acha-se, todavia, imatura. Se houvesse adquirido capacidade suficiente, Nós lhe teríamos concedido tão ampla porção de Nossa sabedoria que todos os que habitam na terra e no céu se haveriam tornado – em virtude das graças emanadas de Nossa Pena – completamente independentes de todo o conhecimento, exceto o conhecimento de Deus e teriam se estabelecido com toda segurança no trono da perene tranqüilidade.” “A Sagrada Pena – afirmo solenemente perante Deus – escreveu sobre a nívea brancura de Minha fronte, em letras de refulgente glória, estas palavras radiantes, perfumadas de almíscar, sacratíssima: ´Eis aqui, vós que habitais na terra, e vós, moradores do céu, daí testemunho: Ele, em verdade, é vosso Bem-Amado. É Aquele cujo igual jamais foi visto pelo mundo da criação, cuja deslumbrante beleza deleitou os olhos de Deus, o Ordenador, o Todo-Poderoso, o Incomparável.”
“Seguidores do Evangelho!” exclama Bahá´u´lláh, dirigindo-se à toda a cristandade, “Eis aqui, abertos de par em par, os portais do céu. Aquele que para aí ascendera, veio agora. Escutai a Sua voz, que clama através da terra e do mar, anunciando a toda a humanidade o advento desta Revelação – uma Revelação por cujo intermédio a Língua da Grandeza ora proclama: ´Eis aqui! Cumpriu-se a sagrada Promessa, pois já veio o Prometido!´” “Do santo vale clama a voz do Filho do Homem: ´Eis-Me aqui, eis-Me aqui, Ó Deus, meu Deus!...´ enquanto vem da Sarça Ardente o grito de: ´Vêde, o Desejado do mundo se manifestou em Sua transcendente glória!´ O Pai já veio. Cumpriu-se aquilo que vos foi prometido no Reino de Deus. Eis o Verbo que o Filho revelou quando disse àqueles a Seu redor que naquele tempo não o podiam suportar... Verdadeiramente, o Espírito da Verdade veio a fim de vos guiar a toda a verdade... Ele foi quem glorificou o Filho e Lhe exaltou a Causa...” “O Confortador, prometido em todas as Escrituras, veio agora para vos revelar todo o conhecimento e sabedoria. Buscai-O por toda a superfície da terra, para que possais, porventura, encontrá-Lo.”
“Chama Sião, Ó Carmelo!”, escreve Bahá´u´lláh, “e anuncia as boas novas: ´Já veio Aquele que estava oculto aos olhos mortais; está manifesta Sua soberania suprema; revelou-se Seu esplendor que tudo abarca... Apressa-te e circunda a Cidade Divina descida do céu, a Kaaba celestial, objeto da adoração dos favorecidos de Deus, dos puros de coração, e da companhia dos anjos mais sublimes.” “Eu sou Aquele” afirma Ele em outra ocasião, “que foi louvado pela língua de Isaías, Aquele cujo Nome adornou tanto o Torah como o Evangelho.” “Apressa-se a glória do Sinai a circundar a Aurora desta Revelação, enquanto das alturas do Reino se ouve a voz do Filho de Deus a proclamar: ´Levantai-vos, Ó vós, soberbos da terra, e sem demora aproximai-vos Dele! O Carmelo apressou-se neste Dia, com anelo e adoração, para alcançar Sua Corte, enquanto surge do coração do Sião este brado: ´Cumpriu-se agora a Promessa de todos os tempos. Manifestou-se aqui o que fora anunciado nas Sagradas Escrituras de Deus, o Bem-Amado, o Altíssimo.´” “Hijaz desperta com os sopros divinos que anunciam as novas de uma jubilosa reunião, e ouvimo-la exclamar: ´Louvado sejas, Ó meu Senhor, o Altíssimo! Por causa de minha separação de Ti eu estava morta e os sopros fragrantes de Tua Presença ressuscitaram-me. Feliz de quem se dirigir a Ti, e ai daquele que se desviar.´” “Por Deus, Uno e Verdadeiro, Elias apressou-se para Minha Corte e circundou, dia e noite, o Meu Trono de glória.” “Salomão, em toda a sua majestade, circula-Me em adoração, neste dia, pronunciando estas elevadas palavras: Voltei minha face para Tua face, Ó poderosíssimo Rei do mundo! Estou completamente desprendido de todas as coisas que me pertencem, e anelo por aquilo que Tu possues.” “Se Maomé, o Apóstolo de Deus, houvesse atingido esse Dia”, escreve Bahá´u´lláh, numa Epístola que revelou às vésperas de Seu desterro para a colônia penal de ´Akká, “Ele teria exclamado: Em verdade, Eu Te reconheci, Ó Tu, Desejo dos Mensageiros Divinos. Tivesse Abraão o alcançado, Ele também ter-se-ia prostrado ao solo e com absoluta humildade ante o Senhor teu Deus exclamado: ´Meu coração está cheio de paz. Ó Tu, Senhor de tudo o que existe no céu e na terra! Declaro que Tu desvendaste aos meus olhos toda a glória de Teu poder e a plena majestade de Tua lei!...´ Se o próprio Moisés o tivesse atingido, também teria levantado a voz, dizendo: ´Toda a glória seja a Ti, por haveres feito surgir sobre mim a luz de Teu semblante e me incluído entre aqueles que tiveram o privilégio de contemplar Tua face!´” “Tanto o Norte como o Sul vibram ao ouvir anunciado o advento de Nossa Revelação. Podemos ouvir a voz de Meca exclamando: ´Todo o louvor seja a Ti, Ó Senhor Meu Deus, o Todo Glorioso, por haveres exalado sobre mim os sopros fragrantes de Tua Presença!´E Jerusalém, de modo semelhante, chama em voz alta: ´Louvado e glorificado és Tu, Ó Bem-Amado da terra e do céu, por haveres transformado a agonia de minha separação de Ti em regozijo, pela força ressuscitadora da reunião!´”
“Pela justiça de Deus”, afirma Bahá´u´lláh, desejoso de revelar a plena potência de Seu invencível poder, “se um homem, completamente só, se levantar em nome de Bahá e vestir a armadura de Seu amor, o Todo-Poderoso conceder-lhe-á a vitória, ainda que se juntem contra ele as forças da terra e do céu.” “Por Deus – e não há outro Deus além Dele! – Se qualquer um se esforçar pelo triunfo de Nossa Causa, Deus torná-lo-á vitorioso, embora dezenas de milhares se aliem contra ele. E se seu amor por Mim aumentar, Deus estabelecerá sua ascendência sobre todos os poderes da terra e do céu. Assim insuflamos o espírito do poder em todas as regiões.”
“Este é o Rei dos Dias” – de tal modo Ele exalta a época que testemunhou o advento de Sua Revelação – “o Dia que presenciou a vinda do Mais-Amado, Daquele que é aclamado, desde toda a eternidade, o Desejo do Mundo”. “O mundo existente brilha neste Dia com o esplendor desta Revelação Divina. Todas as coisas criadas elogiam suas graças salvadoras e cantam seus louvores. O universo acha-se envolto num êxtase de júbilo e contentamento. As Escrituras das Dispensações passadas celebram o grande regozijo que há de saudar este, o mais grandioso Dia de Deus. Bem-aventurado quem viveu até ver esse Dia e reconheceu o grau de sua grandeza.” “Se a humanidade desse ouvidos, de uma maneira digna, a apenas uma palavra deste louvor, encher-se-ia de deleite ao ponto de ficar enlevada de admiração. Extasiada, brilharia, pois, resplandecente sobre o horizonte da verdadeira compreensão.”
“Sede justos, Ó vós, povos do mundo!” – assim faz Ele seu apelo à humanidade. – “Será digno e decoroso que ponhais em dúvida a autoridade de um Ser cuja presença “Aquele que conversou com Deus” (Moisés) ansiou por alcançar, a beleza de cujo semblante o “Bem-Amado de Deus” (Maomé) anelou contemplar, graças à potência de cujo amor o “Espírito de Deus” (Jesus) subiu ao céu, e por cuja Causa o “Ponto Primordial” (o Báb) ofereceu em holocausto a sua vida?” “Aproveitai vossa oportunidade”, adverte Ele aos que O seguem, “pois um momento fugaz neste Dia excede em valor séculos de uma era passada... Dia igual jamais foi visto, nem pelo sol nem pela lua... É evidente ter sido divinamente ordenada toda era em que tenha vivido um Manifestante de Deus, podendo ser caracterizada, pois, de certo modo, como o Dia designado de Deus. Este Dia, porém, é incomparável e deve ser distinguido dos que o precederam. A designação de “Selo dos Profetas” revela e demonstra plenamente sua alta posição.”
Dissertando sobre as forças latentes em Sua Revelação, Bahá´u´lláh revela o seguinte: “Com o movimento de Nossa Pena de glória – por imperativo do Onipotente, que tudo ordena – insuflamos uma vida nova em cada ser humano, e imbuímos cada palavra de uma nova potência. Todas as coisas criadas proclamam as provas dessa regeneração universal. São as novas mais grandiosas, mais regozijantes”, acrescenta Ele, “que a Pena deste Injuriado já participou à humanidade”. “Como é grande a Causa!”, exclama Ele em outra passagem, “quão acabunhador o peso de sua mensagem! Este é o dia de que se disse: Ó meu filho! Em verdade, Deus há de revelar tudo, mesmo que tenha apenas o peso de um grão de mostarda e esteja escondido numa rocha, quer no céu, quer na terra, pois Deus é Quem tudo penetra e de tudo está informado.” “Pela retidão de Deus, Uno e Verdadeiro! Se for perdida a mais infinitésima jóia, ficando ela enterrada debaixo de um monte de pedras, e escondida além dos sete mares, a Mão da Onipotência seguramente há de revelá-la neste Dia, pura e livre de escória.” “Quem participar das águas de Minha Revelação provará as incorruptíveis delícias ordenadas por Deus desde o princípio que não teve princípio até o fim que não terá fim.” “Cada uma das letras procedentes de Nossa boca é dotada de um poder regenerador que a torna capaz de fazer aparecer uma nova criação - uma criação cuja magnitude é inescrutável para todos exceto Deus. Ele, em verdade, tem conhecimento de todas as coisas.” “Está em Nosso poder – se assim quisermos – fazer com que uma partícula flutuante de pó, em menos de um abrir e fechar de olhos, gere sóis de infinito e inconcebível esplendor, ou uma gota de orvalho se converta em vastos e inumeráveis oceanos, ou em cada letra seja infundida uma força que a torne capaz de revelar todo o conhecimento das épocas passadas e futuras.” “Possuímos tamanho poder que se for revelado, transmutará o veneno mais mortal em panacéia de infalível eficácia.”
Avaliando a posição do verdadeiro crente, Ele observa: “Pelos pesares que afligem a beleza do Todo Glorioso! É tal a posição destinada ao verdadeiro crente que, se fosse revelada à humanidade uma pequena parte de sua glória – menor até em tamanho que o fundo de uma agulha – todos os que a contemplassem consumir-se-iam na ânsia de alcançá-la. Eis porque se decretou que, nesta vida terrena, ficasse velada para os olhos do crente a glória de sua própria posição em toda a sua plenitude.” “Se se levantasse o véu”, afirma Ele também, “manifestando assim a plena glória da posição dos que se tenham voltado inteiramente para Deus e renunciado o mundo por Seu amor, toda a criação ficaria estupefata.”
Fazendo ressaltar o caráter superlativo de Sua Revelação, comparada com aquela que lhe precedeu, Bahá´u´lláh faz a seguinte afirmação: “Se todos os povos do mundo forem investidos dos poderes e atributos destinados às Letras do Vivente – os discípulos escolhidos do Báb e cuja posição é dez mil vezes mais gloriosa que qualquer das posições alcançadas pelos apóstolos da antiguidade – e se um destes povos hesitar, ou até mesmo todos hesitarem, embora seja por menos de um abrir e fechar de olhos, em reconhecer a luz de Minha Revelação, de nada lhes servirá a sua fé e eles serão contados entre os infiéis.” “Tão tremenda é a efusão das graças divinas nesta Era que, se houvessem mãos mortais bastante ágeis para registrá-las, fluiriam versículos com tal abundância, no breve espaço de um dia e uma noite que equivaleriam ao conteúdo inteiro do Bayán persa.”
“Escutai minha advertência, Ó vós, povo da Pérsia!” – assim Ele se dirige a Seus conterrâneos. – “Se eu for sacrificado por vossas mãos, Deus seguramente fará surgir outro que tomará o lugar deixado vazio com a Minha morte, pois este é o método usado por Deus desde os tempos antigos, e modificação alguma podereis encontrar em Seu modo de proceder.” “Se tentarem ocultar Sua luz no continente, Ele, com toda a certeza, levantará a cabeça no próprio âmago do oceano e, alçando Sua voz, proclamará: “Eu sou quem dá vida ao mundo”...” E se O arrojarem dentro de um fosso escuro, encontrá-Lo-ão sentado nos cumes mais elevados da terra, exclamando a toda a humanidade: “Veio o Desejo do mundo! Ei-Lo em Sua majestade, Sua soberania e Seu domínio transcendente!” E se O sepultarem nas profundezas da terra, Seu espírito, remontando ao ápice do céu, fará ressoar este chamado: “Eis o advento da Glória; vede o Reino de Deus, o Santíssimo, o Clemente, o Todo-Poderoso!” “Há acentos aprisionados na garganta deste Jovem” - consta ainda outra estupenda declaração – “os quais, se forem revelados à humanidade, embora em porção menor que a contida no fundo de uma agulha, bastarão para fazer desmoronarem todas as montanhas, descolorirem-se as folhas das árvores e caírem seus frutos; para obrigar toda cabeça a se inclinar em veneração e toda face a se dirigir em adoração a este Rei onipotente que, em várias épocas e de modos diversos, aparece como uma chuva devoradora, ou um oceano encapelado, ou uma luz radiante, ou como a árvore que, arraigada ao solo da santidade, eleva seus galhos e estende seus ramos até mesmo além do trono da glória perene.”
Antecipado o Sistema que o irresistível poder de Sua Lei estava destinado a desenvolver em épocas subseqüentes. Ele escreve: “O equilíbrio do mundo foi alterado pela vibrante influência desta Ordem grandiosa, desta nova Ordem Mundial. A vida ordenada do gênero humano foi revolucionada pela ação deste Sistema maravilhoso, incomparável, cujo igual jamais foi visto por olhos mortais.” “A mão da Onipotência estabeleceu Sua Revelação sobre alicerces inexpugnáveis, perenes. As tempestades das lutas humanas são impotentes para minar sua base, nem tampouco poderão as fantásticas teorias dos homens danificar-lhe a estrutura.”
No Súratu´l-Haykal, uma das mais imponentes obras de Bahá´u´lláh, encontram-se os seguintes versículos, cada um dos quais prova o irresistível poder infundido pelo seu Autor na Revelação que Ele proclamara: “Em Meu Templo, nada se vê senão o Templo de Deus; em Minha beleza, não se vê senão Sua Beleza; em Meu ser, só é visível Seu Ser; em Mim mesmo, outro não se manifesta senão Ele Mesmo; em Meu movimento se vê apenas Seu Movimento; em Minha aquiescência, se vê apenas Sua Aquiescência, e em Minha pena, apenas Sua Pena, a Poderosa, de todos louvada. Jamais houve em Minh´alma outra coisa senão a Verdade, e em Mim mesmo nada se viu a não ser Deus.” “O Próprio Espírito Santo foi gerado em virtude de uma só letra revelada por este Espírito Supremo – se pudésseis compreender...” “Dentro do tesouro dos Nossos conhecimentos, jaz um que ainda não foi revelado, do qual bastaria uma só palavra – se a quiséssemos divulgar à humanidade – para fazer todo ser humano reconhecer o Manifestante de Deus e admitir Sua onisciência, descobrir os segredos de todas as ciências, e alcançar tal posição que se tornasse completamente independente de toda erudição, quer do passado, quero do futuro. Possuímos outros conhecimentos, também, dos quais nenhuma só letra podemos revelar; tampouco achamos a humanidade capaz de ouvir a mais ligeira referência do seu significado. Assim, Nós nos informamos do conhecimento de Deus, o Onisciente, o Sapientíssimo.” “Aproxima-se o dia em que Deus, por um ato de Sua Vontade, terá criado uma raça de homens cuja natureza será inescrutável para todos exceto para Ele, o Todo-Poderoso, o Independente.” “Muito em breve fará Ele com que se elevem do Seio da Potestade as Mãos da Ascendência e do Poder. – Mãos que se esforçarão pela vitória deste Jovem e purificarão a humanidade da corrupção dos ímpios e degradados. Essas Mãos serão as destemidas campeãs da Fé divina, e, em Meu Nome, o Independente, o Poderoso, subjugarão os povos e raças da terra. Ao entrarem nas cidades, encherão de temor os corações de todos seus habitantes. Tais são as evidências do poder de Deus; como é temível, como é veemente Seu poder!”
Deste modo, queridos amigos, Bahá´u´lláh deu Seu próprio testemunho, por escrito, a respeito da natureza de Sua Revelação. Já me referi às afirmações do Báb, cada uma das quais apóia essas notáveis declarações, aumentando-lhes a força e confirmando-lhes a verdade. O que ainda me resta considerar, relativo a este assunto, são aquelas passagens nos escritos de ´Abdu´l-Bahá – o designado intérprete dessas mesmas declarações – que ampliam e esclarecem mais os diversos aspectos deste cativante tema. Tão enfática, realmente, é Sua linguagem como a de Bahá´u´lláh ou do Báb, e não menos fervoroso é Seu tributo.
“Não apenas séculos mas eras devem passar”, afirma Ele em uma de Suas primeiras Epístolas, “antes que a Estrela Dalva da Verdade volte a brilhar com todo seu fulgor estival, ou apareça outra vez resplandecente em sua glória primaveril... Como devemos ser gratos por havermos sido escolhidos, neste Dia, para sermos os recipientes de tão grandioso favor! Oxalá tivéssemos dez mil vidas para oferecer como ação de graças por tão raro privilégio, tão alta realização e tão inestimável dádiva!” “A mera contemplação da Era inaugurada pela Abençoada Beleza”, acrescenta Ele, “teria sido suficiente para deixar atônitos os santos das eras passadas, os quais tanto anelaram participar, por um momento apenas, de sua grande glória.” “Os santos de eras e séculos passados – todos eles sem exceção – com os olhos vertendo lágrimas na intensidade de seu desejo, anelaram viver no Dia de Deus, ainda que fosse por um só momento. Sem poderem satisfazer sua aspiração, porém, passaram para o Grande Além. Como é generosa, pois a Beleza de Abhá que, sem levar em conta essa falta absoluta de merecimento, graças à Sua Misericórdia, insuflou-me o espírito da vida neste século divinamente iluminado, reuniu-nos sob o estandarte do Bem-Amado do mundo e se dignou a nos conferir aquela dádiva almejada em vão pelos mais poderosos das épocas passadas.” “As almas dos eleitos da Assembléia do alto”, afirma Ele também, “os sagrados habitantes do Paraíso excelso, acham-se sedentos de regressar a este mundo neste dia, a fim de prestarem qualquer serviço de que sejam capazes no limiar da Beleza de Abhá.”
“O Esplendor da refulgente Misericórdia Divina”, declara Ele, num trecho que alude ao crescimento e ao futuro progresso da Fé, “Envolveu todos os povos e raças da terra, ficando o mundo inteiro imerso em sua glória radiante... Breve virá o dia em que a luz da Divina União tenha a tal ponto penetrado o Oriente e o Ocidente que jamais homem algum se atreverá a desprezá-la.” “Agora a Mão do Poder Divino lançou no mundo contingente os alicerces firmes dessa suprema generosidade, desse maravilhoso dom. Tudo o que estiver latente no mais recôndito deste sagrado ciclo há de surgir e se manifestar gradativamente, pois agora é apenas o começo de seu crescimento, a aurora da revelação de seus sinais. Antes do fim deste século e desta era, terá se tornado claro e evidente como foi admirável esse período primaveril, e celestial esse dom!”
Confirmando a elevada posição do verdadeiro crente de que falara Bahá´u´lláh, revelou Ele o seguinte: “A posição a ser atingida por aquele que haja reconhecido verdadeiramente esta Revelação, é igual àquela destinada aos profetas da casa de Israel que não sejam considerados Manifestantes dotados de constância.”
Quanto aos Manifestantes subseqüentes à Revelação de Bahá´u´lláh, a seguinte declaração clara e importante é feita por ´Abdu´l-Bahá: No que concerne aos Manifestantes que futuramente descerão nas sombras das nuvens, saibam que, em verdade, se acham à sombra da Antiga Beleza no que diz respeito à fonte de Sua inspiração. Em Sua relação à época em que aparecem, entretanto, cada um ´faz aquilo que Lhe aprouver.´”
“Ó meu amigo!”, disse Ele em uma de Suas Epístolas, dirigindo-se a uma pessoa de reconhecida autoridade e posição. “O Fogo imperecível que o Senhor do Reino acendeu na Árvore Sagrada, flameja intensamente no âmago do mundo. A conflagração assim provocada há de envolver toda a terra. Suas chamas ardentes iluminarão seus povos e raças. Já se revelaram todos os sinais; já se manifestou aquilo a que os profetas aludiram. Tudo o que as Escrituras do passado encerraram tornou-se evidente. Não mais será possível duvidar ou hesitar... O tempo urge. O Corcel Divino impacienta-se; não mais esperará. É nosso dever apressar-nos e, antes que seja tarde, ganhar a vitória.” E vejamos, finalmente, este trecho tão comovente que Ele, num momento de exultação, se sentiu impelido a dirigir a um de Seus mais fiéis e eminentes adeptos, nos primeiros dias de Seu ministério: “Que mais posso Eu dizer? Que mais pode Minha pena relatar? Com as vibrações de tão forte chamado, que repercute do Reino de Abhá, os ouvidos mortais quase ensurdecem. Toda a criação parece-me cambalear e se desmoronar em conseqüência do chamado Divino que procede do trono da glória. Mais do que isso não posso escrever”.
Caríssimos amigos! Basta o que já foi dito, com os numerosos e variados excertos citados das obras do Báb, de Bahá´u´lláh e de ´Abdu´l-Bahá, para convencer o leitor consciencioso da sublimidade deste ciclo sem paralelo na história religiosa do mundo. Seria absolutamente impossível exagerar sua significação ou dar demasiado valor à influência que exerceu e há de continuar a exercer, cada vez mais, à medida que seu grande sistema vá se desenvolvendo em meio ao tumulto de uma civilização já em colapso.
Antes de prosseguir com o desenvolvimento de meu tema, entretanto, parece-me aconselhável fazer uma advertência a quem quer que leia estas páginas. Aquele que procura, à luz dos trechos supracitados, meditar sobre a natureza da Revelação de Bahá´u´lláh, não deve se enganar a respeito de seu caráter ou interpretar erroneamente a intenção de Seu Autor. De modo algum deve-se admitir um conceito errado da divindade atribuída a um Ser tão grandioso e da encarnação completa dos nomes e das qualidades de Deus numa Pessoa tão sublime. O templo humano que se fez o veículo de tão transcendente Revelação deve – se nos mantivermos fiéis aos princípios de nossa Fé – ficar sempre completamente distinto daquele “Espírito dos Espíritos”, daquela “Eterna Essência das Essências”, daquele Deus invisível, conquanto racional, cuja Realidade infinita, incognoscível, incorruptível, que tudo abrange, de modo algum poderia se encarnar na forma concreta, limitada, de um ser mortal, por mais que exaltemos a divindade daqueles Seres que O manifestam na terra. Com efeito, à luz dos ensinamentos de Bahá´u´lláh, um Deus que pudesse de tal modo encarnar Sua própria Realidade, deixaria imediatamente de ser Deus. Essa teoria tosca, fantástica, de encarnação divina é tão incompatível com os princípios essenciais da crença bahá´í como o são as não menos inadmissíveis concepções panteístas e antropomórficas de Deus, as quais os ensinamentos de Bahá´u´lláh enfaticamente repudiam como falsas.
Aquele que, em inumeráveis passagens, disse ser Sua palavra a “Voz da Divindade, o Chamado do Próprio Deus”, faz no Kitáb-i-Iqán a seguinte afirmação solene: “Para todo coração esclarecido, dotado de discernimento, torna-se evidente ser Deus, a Essência incognoscível, o Divino Ser, incomensuravelmente exaltado acima de todos os atributos humanos, tais como existência corporal, ascensão e descida, saída e regresso... Ele está – e sempre esteve – velado na antiga eternidade de Sua Essência, e permanecerá na Sua Realidade eternamente oculto da vista dos homens... Elevado está, além de toda separação e união, de toda proximidade e de todo afastamento... ´Deus estava só; ninguém havia senão Ele´ é um testemunho seguro dessa verdade”.
“Desde os tempos imemoriais”, explica Bahá´u´lláh, falando de Deus, “Ele, o Ente Divino, esteve velado na inefável santidade de Seu Próprio Ser excelso, e continuará a Essência incognoscível... Dez mil Profetas, cada um Deles um Moisés, ficam atônitos no Sinai de Sua busca, ao ouvirem a voz de Deus assim lhes proibir: ´Jamais Me verás!´, enquanto miríades de Mensageiros, cada um tão grande como Jesus, estão cheios de consternação em Seus tronos celestiais ante a interdição de: ´Minha Essência, nunca a compreenderás!´ “Quanto fico perplexo, insignificante que sou”, afirma Bahá´u´lláh em Sua comunhão com Deus, “ao tentar sondar as sagradas profundezas de Teu conhecimento! Quão fúteis são meus esforços para conceber a magnitude do poder inerente à Tua obra – a revelação de Teu poder criador!” “Quando contemplo, Ó meu Deus, a relação que une a Ti”, testifica Ele em ainda outra oração revelada e escrita de Seu próprio punho, “sinto-me impelido a proclamar a todos os seres criados: ´Em verdade, Eu sou Deus!’; e quando considero meu próprio ser, ei-lo!, parece-me mais grosseiro que o barro!”
“Estando assim fechada diante de todos os seres a porta para o conhecimento do Ancião dos Dias”, diz Bahá´u´lláh ainda no Kitáb-i-Iqán, “Ele, a Fonte das graças infinitas, fez aparecerem do reino do espírito essas luminosas Jóias de Santidade, na nobre forma do templo humano, e se manifestarem ante todos os homens, para que transmitissem ao mundo o conhecimento dos mistérios do Ser imutável e das sutilezas de Sua Essência imperecedoura... Todos os Profetas de Deus, Seus eleitos, Seus santos Mensageiros são, sem exceção, portadores de Seus Nomes e manifestam Seus atributos... Esses Tabernáculos da Santidade, esses Espelhos Primazes que refletem a luz da glória que não se esvaece, são apenas expressões Daquele que é o Invisível dos Invisíveis.”
Apesar da intensidade sobrepujante de Sua Revelação, Bahá´u´lláh deve ser visto como um desses Manifestantes de Deus, não podendo jamais ser identificado com aquela Realidade invisível, a Essência da própria Divindade. Constitui isso um dos princípios básicos de nossa Fé, e nunca deve qualquer adepto permitir que fique obscurecido ou que lhe comprometa a integridade.
Embora a Revelação Bahá´í se declare a culminação de um ciclo profético e o cumprimento da promessa de todas as eras, nem por isso pretende, sob quaisquer circunstâncias, invalidar aqueles princípios primordiais, eternos, que eram vitais e básicos nas religiões que a precederam. Admite e estabelece como sua própria base final e mais firme, a mesma autoridade divina que fora concedida a cada uma dessas religiões. Considera-as como apenas diferentes etapas na história eterna e na evolução constante de uma só religião, divina e indivisível, da qual constitui, ela mesma, uma parte integrante. Não pretende obscurecer-lhes a origem divina, nem menosprezar a reconhecida magnitude de suas realizações colossais. Não admite tentativa alguma de lhes deformar as feições ou de desacreditar as verdades que incutem. Os ensinamentos da Revelação Bahá´í não divergem – nem pela grossura de um fio de cabelo – das verdades que elas também encerram, e de modo algum sua imponente mensagem diminui, por um jota ou til, a influência que as religiões anteriores exercem, ou a lealdade que inspiram. Longe de querer derrubar o alicerce espiritual dos sistemas religiosos do mundo, seu fim declarado e inalterável é o de lhes alargar a base, dando nova expressão aos princípios antigos fundamentais, conciliando-lhes os propósitos e lhes restaurando a vida. Visa demonstrar a unidade inerente a todas, restaurar a pureza primitiva dos ensinamentos de todas, coordenando-lhes as funções e lhes facilitando a realização das mais altas aspirações. Essas religiões divinamente reveladas – assim se expressou graficamente alguém que as observara de perto – “são destinadas não a morrer mas sim a renascer... ´Não é um fato que a criança sucumbe no jovem, e este no homem, e contudo, não perece nem a criança nem o jovem?´”
“Aqueles que são as Luminárias da Verdade e os Espelhos que refletem a luz da Unidade Divina”, explica Bahá´u´lláh no Kitáb-i-Iqán, “em qualquer época ou ciclo que sejam enviados de suas habitações invisíveis de glória antiga, para este mundo, a fim de educar as almas dos homens e revestir de graças todas as coisas criadas, são dotados, invariavelmente, de um poder sobrepujante e uma soberania invencível... Esses Espelhos santificados, essas Auroras da glória antiga, são todos, sem exceção, os expoentes na terra Daquele que é o Orbe central do universo, a essência e o propósito final. Dele recebem o conhecimento e o poder; Dele derivam a soberania. A beleza do semblante deles é apenas um reflexo de Sua Imagem, e o que revelam nada mais é que um sinal de Sua glória perene... Através deles se transmite uma graça que é infinita, e se revela a luz que jamais se esvairá... Nunca poderá língua humana cantar louvores que lhes sejam dignos; jamais palavra humana desvendará seu mistério”. “Essas Aves do Trono celestial”, acrescenta Ele, “já que todas são enviadas do céu da Vontade de Deus e se levantam para proclamar Sua Fé irresistível, devem ser consideradas como uma só alma, com a mesma pessoa... Todas habitam no mesmo Tabernáculo, remontam ao mesmo céu, sentam-se no mesmo Trono, proferem as mesmas palavras e proclamam a mesma Fé. Apenas diferem na intensidade de sua revelação e na potência comparativa de sua luz... Por não haverem essas Essências do Desprendimento manifestado exteriormente um certo atributo divino, não quer isso dizer, de modo algum, que essas Auroras dos atributos de Deus, esses Tesouros de Seus santos Nomes, realmente não possuíssem tal atributo.”
Deve-se lembrar, também, de que esta Revelação, por maior que seja o poder por ela manifestado, e não obstante o vasto alcance da Dispensação que seu Autor inaugurou, repudia enfaticamente a pretensão de ser considerada a revelação final da vontade e do plano de Deus para a humanidade. Adotar-se tal conceito de seu caráter e suas funções equivaleria trair sua causa e negar sua verdade. Estaria em conflito, necessariamente, com o princípio fundamental que constitui o alicerce sólido da crença bahá´í, isto é, que a verdade religiosa não é absoluta, mas relativa: que a Revelação Divina é metódica, contínua e progressiva, e não espasmódica ou final. De fato, a categórica rejeição, pelos adeptos da Fé de Bahá´u´lláh, da pretensão à finalidade avançada por qualquer sistema religioso inaugurado pelos Profetas do passado, é tão clara e enfática como sua própria recusa a fazer essa pretensão no caso da Revelação com que eles se identificam.
“Acreditar que tenha findado toda a revelação, que estejam fechados os portais da Divina Misericórdia, que jamais dos albores da santidade terna possa nascer um sol, que para sempre o oceano das graças imperecedouras tenha deixado de se mover, que não mais se possam manifestar, do tabernáculo da glória antiga, os Mensageiros de Deus” – tal crença deve constituir, aos olhos de todo seguidor da Fé, uma violação grave, imperdoável, de um de seus princípios mais estimados e fundamentais.
Para estabelecermos sem a menor sombra de dúvida a verdade desse princípio cardial, bastará, certamente, referirmo-nos a algumas das palavras já citadas de Bahá´u´lláh e ´Abdu´l-Bahá. Não poderá também a seguinte passagem das Palavras Ocultas ser interpretada como uma alusão alegórica ao caráter progressivo da Revelação Divina, uma admissão por parte do Autor de que a Mensagem que Lhe fora confiada não seja a última, a expressão final da vontade do Todo Poderoso? “Ó Filho da Justiça! Ao anoitecer a beleza do Ser imortal retirou-se das alturas esmeraldas da fidelidade, indo ao Sadratu´l-Muntahá, onde chorou com tal pranto que a assembléia no alto e os habitantes os reinos do além gemeram por causa de Seu lamento. Com isso se perguntou: Por que os gemidos e choro? E Ele deu a resposta: Assim como Me fora ordenado, Eu, cheio de expectativas, esperava no monte da fidelidade, mas não percebia a fragrância da fidelidade daqueles que habitam na terra. Ao ser chamado a regressar, olhei então, e eis que certas aves da santidade estavam sendo atormentadas nas garras dos cães terrenos. Com isso a Donzela do céu resplandecente, sem véu, apressou-se a sair de Sua mansão mística, perguntou seus nomes e todos foram ditos menos um. E ao se insistir, a primeira letra desse foi pronunciada, quando então os habitantes dos aposentos celestiais apressaram-se a sair de sua morada e glória. E enquanto se pronunciava a segunda letra, cada um prostrou-se sobre o pó. Nesse momento uma voz vinda do mais recôndito do santuário se fez ouvir. “Até aí, e não além. Em verdade damos testemunho daquilo que fizeram e agora fazem”.
Numa de suas Epístolas reveladas em Adrianópolis, atesta Bahá´u´lláh esse fato em linguagem mais explícita: “Saibam que, em verdade, não se levantou completamente o véu que oculta Nosso Semblante. Nós Nos revelamos num grau correspondente à capacidade do povo de Nosso tempo. Se a Beleza Antiga se revelasse na plenitude de Sua glória, a deslumbrante intensidade de Sua Revelação cegaria os olhos mortais.”
No Súriy-i-Sabr, revelado no ano de 1863, no mesmo dia de Sua chegada no Jardim de Ridván, Ele faz a seguinte afirmação: “Deus enviou Seus Mensageiros para suceder a Moisés, e Jesus, e assim continuará a fazer até ´o fim que não tem fim´; de modo que Suas graças possam descer ininterruptamente do céu da Divina Generosidade para os homens.”
“Não estou apreensivo por Minha própria causa”, declara Bahá´u´lláh ainda mais explicitamente, “Meus receios são para Aquele que vos será enviado após Mim – Aquele que será investido de grande soberania e poderoso domínio”. E ainda outra vez escreve Ele, no Súratu´I-Haykal: “Nas palavras que revelei, não me refiro a Mim mesmo, mas Àquele que virá depois de Mim. Testemunha disso é Deus, o Onipotente”. “Não trateis a Ele”, acrescenta Bahá´u´lláh, “como tratastes a Mim”.
Num trecho mais detalhado de Seus escritos, o Báb sustenta a mesma verdade: “É claro e evidente”, escreve Ele no Bayán persa, “que todas as Eras anteriores visaram preparar o caminho para o advento de Maomé, o Apóstolo de Deus. Por sua vez, a Era Maometana juntamente com essas tiveram em mira a Revelação proclamada pelo Qá´im. E é o objetivo desta Revelação, como o foi das precedentes, anunciar do mesmo modo o advento da Fé Daquele que Deus tornará manifesto. E essa Fé – a Fé Daquele que Deus tornará manifesto – por sua vez com todas as Revelações anteriores, tem por objeto a Manifestação destinada a sucedê-la. Também esta última, do mesmo modo que as Revelações precedentes, preparará o caminho para a Revelação futura. Assim o processo do nascer e do por do Sol da verdade há de continuar por um tempo indeterminado – é um processo que não teve começo nem terá fim”.
“Saibam com segurança”, explica Bahá´u´lláh sobre esse ponto, “que em cada Era a Luz da Revelação Divina concedida aos homens é diretamente proporcional à sua capacidade espiritual. Considerem o sol. Como são fracos seus raios no momento em que surge no horizonte. Quão gradual é o aumento em seu calor e sua potência à medida que se aproxima do zênite, permitindo deste modo que todas as coisas criadas se adaptem à crescente intensidade de sua luz. Testemunhamos, em seguida, seu declínio constante até alcançar seu ocaso. Se as suas energias latentes se manifestassem subitamente, isso, sem dúvida, danificaria todas as coisas criadas... De igual maneira, se o Sol da Verdade, nas primeiras etapas de Sua manifestação, revelasse de repente os plenos poderes que a providência do Todo-Poderoso lhe concedeu, a terra da compreensão humana seria danificada, consumir-se-ia, pois os corações dos homens não poderiam suportar a intensidade de sua revelação, nem seriam capazes de refletir o esplendor de sua luz. Consternados e acabrunhados, deixariam de existir”.
É nosso dever óbvio, à luz desta nítida e concludente exposição, tornar indubitavelmente claro – para todo aquele que busca a verdade – que, desde “o começo que não teve começo”, os Profetas de Deus, Uno e Incognoscível, inclusive o próprio Bahá´u´lláh, todos – como intermediários das graças divinas, expoentes de Sua unidade, Espelhos de Sua Luz e Reveladores de Seu plano – foram incumbidos de conceder à humanidade, em medida cada vez maior a Sua verdade, uma sempre crescente compreensão de Sua vontade inescrutável e de Sua divina direção, e continuarão, até “o fim que não terá fim”, a conceder ainda mais completas e poderosas revelações de Sua ilimitada grandeza e glória.
Bem podemos ponderar em nossos corações os seguintes trechos de uma oração revelada por Bahá´u´lláh, pois afirmam de um modo enfático a grande verdade essencial que se encerra no próprio âmago de Sua Mensagem ao gênero humano, e fornecem mais uma evidência de sua realidade: “Louvado Sejas Tu, Ó Senhor meu Deus, pelas maravilhosas revelações de Teu decreto inescrutável e pelas múltiplas provações e angústias que Tu me destinaste. Num tempo, Tu me entregaste às mãos de Nimrod; e em outro, permitiste que a vara de Faraó me perseguisse. Somente Tu – graças à Tua onisciência e à operação de Tua vontade – podes avaliar as incalculáveis aflições que tenho sofrido nas mãos deles. Em outra ocasião, Tu me arrojaste na prisão dos ímpios, só porque me sentia impelido a sussurrar nos ouvidos dos favorecidos habitantes de Teu Reino uma ligeira idéia da visão com que Tu, pelo Teu conhecimento, me inspiraras, e cujo significado, através da eficácia do Teu poder, Tu me havias revelado. E, em outra ocasião, decretaste que eu fosse decapitado pela espada do infiel. Em ainda outra ocasião, fui crucificado, por haver revelado aos olhos dos homens as jóias ocultas de Tua gloriosa unidade, e lhes desvendado os maravilhosos sinais de Teu poder soberano e eterno. Quão amargas as humilhações amontoadas sobre mim, numa época subseqüente, na planície de Karbilá! Como me sentia solitário no meio de Teu povo; a que estado de desamparo fui reduzido naquela terra! Não satisfeitos com tamanhas indignidades, meus perseguidores decapitaram-me e, levando minha cabeça de terra em terra, exibiram-na ante a multidão, incrédula e depositaram-na na sede dos perversos e infiéis. E em outra época ainda, suspenderam-me, e meu peito foi alvo das flechas da crueldade maliciosa de meus inimigos. Crivaram-me de balas os membros do meu corpo e despedaçaram-no. E finalmente, neste dia, vê como meus inimigos traiçoeiros se têm aliado contra mim e tramado continuamente para instilar nas almas de Teus servos o veneno do ódio e da malícia. Recorrem a toda maquinação possível a fim de realizar seu propósito. Por pesaroso que seja meu dilema, Ó Deus, meu Bem-Amado, agradeço-Te, e meu espírito está cheio de gratidão por qualquer coisa que me tenha sucedido no caminho da Tua vontade. Estou muito contente por aquilo que ordenaste para mim, e acolherei com prazer, por mais aflitivas que sejam, as angústias e tristezas que me sobrevierem”.
O BÁB
Caríssimos amigos! Ainda outra verdade fundamental que a Mensagem de Bahá´u´lláh proclama com insistência – e que seus adeptos devem sustentar incondicionalmente – é que o Báb, o iniciador da Era Bábí, deve ser considerado um Manifestante de Deus independente, investido de poder e autoridade soberanos, podendo Ele, assim, exercer todas as prerrogativas de Profeta independente. Um fato que me sinto obrigado a demonstrar, a fazer ressaltar, é que Ele não deve ser julgado apenas um inspirado Precursor da Revelação Bahá´í. Muito ao contrário – como Ele mesmo testifica no Bayán persa – devemos ver em Sua Pessoa o cumprimento da missão de todos os Profetas que O precederam. Faltaríamos, certamente, ao nosso dever para com a Fé que professamos, violaríamos um de seus princípios básicos e sagrados, se, por nossas palavras ou nossa conduta, vacilássemos em reconhecer a inferência deste princípio fundamental da crença bahá´í, ou nos recusássemos a sustentar incondicionalmente sua integridade e demonstrar sua verdade. De fato, ao empreender a tarefa de redigir e traduzir a narrativa imortal de Nabíl, visava eu, antes de tudo, proporcionar a todos os adeptos da Fé no Ocidente a uma compreensão mais fácil e completa do que significa, em suas largas repercussões, a elevada posição do Báb, para que Lhe dedicassem mais ardente admiração e amor.
Constitui a característica mais distintiva da Dispensação Bahá´í, sem a menor dúvida, a dupla missão que o próprio Báb tão intrepidamente proclamou, a qual Lhe fora ordenada pelo Onipotente – missão essa afirmada repetidas vezes por Bahá´u´lláh e sancionada, finalmente, pelo Testamento de ´Abdu´l-Bahá. Essa característica incomparável contribui grandemente para o poder de que foi investido esse sagrado ciclo, para sua força e autoridade misteriosas. Em verdade, a grandeza do Báb consiste, sobretudo, não em ser Ele o Precursor divinamente designado para tão transcendente Revelação, mas, antes, no fato de que possuía aquele poder inerente a quem inicia uma dispensação religiosa distinta, e também no fato de que empunhava o cetro de profeta independente, num grau não rivalizado pelos Profetas anteriores.
Nem a exígua duração de Sua Era, nem o âmbito restrito em que Suas leis e Seus mandatos têm vigorado, devem ser tomados como critério para se julgar a origem divina dessa Era ou avaliar a potência de Sua mensagem. “O fato de haver tão pequeno intervalo”, explica o próprio Bahá´u´lláh, “entre esta maravilhosa e poderosíssima Revelação e Minha Manifestação anterior, é um segredo que homem algum pode descobrir, um mistério que mente alguma é capaz de penetrar. Sua duração foi predestinada, e ninguém jamais perceberá a razão disso, a não ser que e até que ele se informe do conteúdo de Meu Livro Oculto.” “Vede”, expõe Bahá´u´lláh ainda no Kitáb-i-Badí – obra em que refuta os argumentos do povo do Bayán – “vede como, ao se completar o novo ano dessa maravilhosa, benéfica e sacratíssima Revelação, foi consumado imediata mas secretamente o número exigido de almas puras, que demonstraram santidade e consagração absoluta.”
As extraordinárias ocorrências que prenunciaram o advento do Fundador da Era Bábí, as dramáticas circunstâncias de Sua própria vida tão repleta de acontecimentos notáveis, a miraculosa tragédia de Seu martírio, a influência mágica que Ele exercia sobre os mais eminentes e poderosos de Seus conterrâneos – segundo testifica cada capítulo da comovente narrativa de Nabíl – tudo isso devemos aceitar como ampla evidência do direito do Báb a tão elevada posição entre os Profetas com a que Ele para si reclama.
Conquanto nítido o registro de Sua vida que o eminente cronista transmitiu à posteridade, tal brilhante narrativa empalidece diante do luminoso tributo que é prestado ao Báb pela pena de Bahá´u´lláh. E o próprio Báb dá pleno apoio a esse tributo, em Suas claras asseverações, enquanto o testamento de ´Abdu´l-Bahá, por escrito, lhe reforça poderosamente o caráter e elucida o significado.
Onde, a não ser no Kitáb-i-Iqán, pode o estudante da Revelação Bábí encontrar as afirmações que inequivocamente atestem o poder e o espírito que nenhum homem, a não ser um Manifestante Divino, jamais poderá demonstrar? “Poderia tal coisa se manifestar” – exclama Bahá´u´lláh – “se não fora através da potência de uma Revelação Divina e da invencível Vontade de Deus? Pela justiça de Deus! Fosse alguém nutrir no coração uma Revelação tão grandiosa, bastaria só o pensar em tamanha declaração para confundi-lo! Se fossem comprimidos dentro de seu coração os corações de todos os homens, ele ainda hesitaria em se atrever a tão formidável empreendimento.” “Jamais se viu tão grande efusão de graças”, afirma Ele em outra passagem, “nem se ouviu de Revelação igual, de tanta misericórdia. ... Cada um dos Profetas dotados de constância, cuja glória e sublimidade brilham como o sol, foi honrado com um Livro que todos já viram, os versículos do qual foram devidamente averiguados. Enquanto os versículos, porém, que caíram como uma chuva copiosa desta Nuvem da Divina Misericórdia, foram de tal abundância que ninguém conseguiu até agora estimar seu número... Como podem menosprezar esta Revelação? Já houve outra era que visse tão momentosos acontecimentos?”
Comentando o caráter e a influência daqueles heróis e mártires que o espírito do Báb magicamente transformara, Bahá´u´lláh revela o seguinte: “Se não são esses companheiros que verdadeiramente buscam a Deus, haverá outro que possa pretender a tal distinção? ... Se, apesar de todos os seus admiráveis testemunhos e suas maravilhosas obras, esses companheiros forem falsos, quem será digno de reclamar para si a verdade? ... Será que o mundo desde os dias de Adão tenha testemunhado tumulto igual, tão violenta comoção? ... Só em virtude de sua firmeza, parece-me, foi que se revelou a paciência, e a própria fidelidade não foi gerada senão pelos seus feitos.”
Querendo ressaltar a sublimidade da elevada posição do Báb em comparação com a dos Profetas passados, Bahá´u´lláh, na mesma Epístola, assevera: “Nenhuma compreensão pode abranger a natureza de Sua Revelação, nem conhecimento algum abarcar, em toda a plenitude, Sua Fé.” Cita Ele, então, em confirmação ao Seu argumento, estas palavras proféticas: “O conhecimento é representado por vinte e sete letras. Tudo o que os Profetas até agora revelaram foram apenas duas dessas letras. Homem algum já conheceu mais do que essas duas letras. Mas o Qá´im, ao aparecer, fará manifestarem-se as vinte e cinco letras restantes.” “Eis a grandeza, a sublimidade, de Sua posição!”, acrescenta Ele, “Excede a de todos os Profetas, e Sua Revelação transcende a compreensão de todos os Seus eleitos.” “Os Profetas de Deus, Seus Santos e eleitos, não foram informados de Sua Revelação” – diz Ele ainda – “ou, então, segundo o decreto inescrutável de Deus, não a divulgaram.”
Entre todos os atributos que a pena infalível de Bahá´u´lláh se dignou prestar à memória do Báb, Seu “Mais-Amado”, a seguinte passagem, breve porém eloqüente, que tanto relevo dá ao trecho final da mesma Epístola, é o mais memorável e comovente. “Entre todos”, escreve Ele, referindo-se às penosas provações e aos perigos que O cercavam na cidade de Bagdá, “estamos aqui, com a vida na mão, inteiramente resignados à Sua Vontade – porventura, graças à Divina Misericórdia, esta Letra revelada, manifesta, (Bahá´u´lláh) possa oferecer a vida em holocausto no caminho do Ponto Primordial, do Verbo Excelso (o Báb). Por Aquele em virtude de cuja ordem falou o Espírito, se não fosse esse ardente desejo em nossa alma, não mais teríamos demorado – nem por um momento sequer – nesta cidade.”
Caríssimos amigos! Tão ressoante elogio, tão audaz asserção como essa que emanou da pena de Bahá´u´lláh, numa obra tão imponente, é refletida plenamente na linguagem em que a Fonte da Revelação Bábí se dignou expressar Sua própria declaração. “Sou o Templo Místico” – assim, no Qayyúmu´l-Asmá´, o Báb proclama Sua posição – “que a Mão da Onipotência ergueu. Sou a Lâmpada que o Dedo de Deus acendeu dentro de seu nicho e fez brilhar com esplendor imortal. Sou a Chama daquela Luz superna que resplandeceu sobre o Sinai, no Lugar jubiloso, e jazia oculta dentro da Sarça Ardente.” “Ó Qurratu´l-´Ayn!”, exclama Ele, dirigindo-se a si próprio no mesmo comentário, “Não reconheço em Ti senão o “Grande Anúncio” – o Anúncio proclamado pela Assembléia no alto. Por esse nome, testifico, aqueles que circundam o Trono da Glória sempre Te têm conhecido.” “Com cada um dos Profetas que enviamos no passado”, acrescenta Ele ainda, “estabelecemos um Convênio separado relativo à “Lembrança de Deus” e Seu Dia. Manifestos, no reino da glória e através do poder da verdade, estão a “Lembrança de Deus” e Seu Dia ante os olhos dos anjos que rodeiam Seu trono de misericórdia.” “Se for Nosso desejo”, afirma Ele novamente, “está em Nosso poder, por meio de apenas uma letra de Nossa Revelação, compelir o mundo, e tudo o que nele está, a reconhecer, em menos de um abrir e fechar de olhos, a verdade de Nossa Causa.”
“Sou o Ponto Primordial, do qual se geraram todas as coisas criadas” – assim o Báb, da prisão-fortaleza de Máh-kú, se dirige a Muhammad Sháh... “Sou o Semblante de Deus, e nunca Seu esplendor se esvairá; sou a luz divina, e jamais decrescerá o Seu brilho... Todas as chaves do céu, Deus as quis por à Minha Mão direita, e todas as chaves do inferno, à Minha esquerda... Sou um dos pilares que sustentam o Verbo Primaz de Deus. Quem quer que me tenha reconhecido, terá sabido tudo o que seja direito e verdadeiro, terá atingido a tudo o que seja bom e digno... A substância de que Deus Me criou não é a argila de que formou os outros. Ele Me conferiu aquilo que os versados nos conhecimentos do mundo jamais poderão compreender, nem os fiéis descobrir.” “Neste dia”, afirma categoricamente o Báb, desejando frisar as ilimitadas potencialidades latentes em Sua Revelação, “se uma pequenina formiga quisesse possuir o poder de desenredar as mais abstrusas e intrincadas passagens do Alcorão, seu desejo, sem dúvida, seria satisfeito, já que o mistério do poder eterno vibra dentro do âmago de todas as coisas criadas”. “Se tão impotente criatura”, comenta ´Abdu´l-Bahá a respeito desta espantosa afirmação, “pode ser dotada de uma capacidade tão sutil, quanto mais eficaz não deve ser o poder libertado através das graças abundantes de Bahá´u´lláh!”
A essas autorizadas asserções e solenes declarações, feitas por Bahá´u´lláh e pelo Báb, deve ser acrescentado o testemunho incontroverso de ´Abdu´l-Bahá. Ele, o designado intérprete das palavras de Bahá´u´lláh e também do Báb, corrobora a verdade dessas declarações já citadas, não indireta, mas sim, clara e categoricamente, tanto em Suas Epístolas como em Seu Testamento.
Numa Epístola dirigida a um bahá´í em Mázindarán, na qual ´Abdu´l-Bahá explica o que realmente significa uma afirmação acerca do nascer do Sol da Verdade neste século que Lhe fora atribuída e que havia sido mal interpretada, Ele expõe, de um modo resumido porém concludente, o que deve ser para sempre nosso verdadeiro conceito da relação entre os dois Manifestantes associados à Revelação Bahá´í. “Ao fazer tal afirmação”, explica Ele, “não me referia senão ao Báb e a Bahá´u´lláh, sendo meu propósito a elucidação do caráter de Suas Revelações. A do Báb pode ser comparada ao sol, sendo que sua posição corresponde ao primeiro signo do zodíaco, o de Áries, no qual o sol entra no equinócio vernal. A posição da Revelação de Bahá´u´lláh, por outro lado, é representada pelo signo de Leão, a mais elevada posição do sol, a do pleno verão. Quer isso dizer que esta sagrada Revelação é iluminada pela luz do Sol da Verdade brilhando de sua posição mais elevada, na plenitude de seu esplendor, sua glória, e seu ardor.”
“O Báb, o Excelso”, afirma ´Abdu´l-Bahá mais especificamente em outra Epístola, “é o Amanhecer da Verdade, o esplendor de cuja luz brilha através de todas as regiões. Ele é também o Arauto da Luz Suprema, a Luminária de Abhá. A Abençoada Beleza é Aquele prometido pelos Livros Sagrados do passado, a revelação da Fonte de luz que brilhou sobre o Monte Sinai, cujo fogo ardeu no meio da Sarça Ardente. Nós todos somos servos no Seu limiar; cada um de nós é um humilde zelador à Sua porta.” “Todas as provas e profecias” – é Sua advertência ainda mais enfática – “e toda espécie de evidência, quer baseada no raciocínio, quer no texto das escrituras e tradições, devem ser consideradas como focalizadas nas pessoas de Bahá´u´lláh e do Báb. Neles se há de encontrar seu pleno cumprimento.”
E em conclusão, em Seu Testamento, repositório de Suas últimas vontades e instruções finais, Ele põe o selo de Seu testemunho quanto à elevada posição do Báb, na seguinte passagem designada especificamente para expor os princípios guias da crença bahá´í: “A base da crença do povo de Bahá (oxalá lhe seja oferecida em holocausto a minha vida!) é esta: Sua Santidade, o Excelso (o Báb) é a Manifestação da Unidade Divina e o Precursor da Beleza Antiga (Bahá´u´lláh). Sua Santidade, a Beleza de Abhá (Bahá´u´lláh) (oxalá minha vida seja oferecida em holocausto por Seus amigos leais!) é o Supremo Manifestante de Deus e a Aurora de Sua mais divina Essência.” “Todos os outros”, acrescenta Ele significativamente, “são Seus servos e cumpridores de Sua Vontade.”
´ABDU´L-BAHÁ
Caríssimos amigos! Nas páginas precedentes aventurei-me a tentar uma exposição daquelas verdades implícitas – segundo minha firme convicção – na proclamação Daquele que é a Fonte Primaz da Revelação Bahá´í. Tentei, além disso, dissipar quaisquer conceitos errôneos que possam, naturalmente, surgir no espírito de quem contemple tão transcendente manifestação da glória de Deus. Esforcei-me para explicar o significado da divindade com que deve ser investido Aquele que é o veículo de tão misterioso poder. Tentei demonstrar também, o mais que pude, que a Mensagem de que este grande Ser foi incumbido por Deus de transmitir à humanidade, nesta época, admite a origem divina de todas as Revelações inauguradas pelos profetas do passado, lhes sustenta os princípios fundamentais, como também está inextricavelmente relacionada com todas elas. Achei necessário provar e ressaltar, igualmente, o fato de que o Autor desta Fé não diz que Sua Revelação, embora tão vasta, seja final, do mesmo modo que Ele repudia pretensões nesse sentido por parte de líderes de diversas denominações. Que o Báb, não obstante a exígua duração de Sua Dispensação, deve ser considerado primariamente não como o escolhido Precursor da Fé Bahá´í, mas sim, como um Ser investido da autoridade incondicional assumida por cada um dos Profetas independentes vindos no passado – parecia-me ser ainda outro princípio básico cuja elucidação seria extremamente desejável na presente etapa da evolução de nossa Causa.
Urge agora – estou plenamente convencido – tentarmos esclarecer a posição ocupada por ´Abdu´l-Bahá e compreender o seu significado nesta sagrada Dispensação. Seria verdadeiramente difícil – para nós que estamos ainda tão próximos dessa imponente figura e que somos atraídos pelo misterioso poder desta personalidade tão magnética – obter uma compreensão clara e exata do papel e do caráter Daquele que, não somente na Revelação de Bahá´u´lláh, mas em todo o terreno da história religiosa, preenche uma função ímpar. Assim, movendo-se em uma esfera própria e possuindo um grau radicalmente diferente daquele do Autor e do Precursor da Revelação Bahá´í, ´Abdu´l-Bahá forma, juntamente com estes – em virtude da posição que lhe foi ordenada pelo Convênio de Bahá´u´lláh – aquilo que se pode chamar as Três Figuras Centrais de uma Fé que permanece sem par na história espiritual do mundo. Dominando, com eles, os destinos desta nascente Fé divina, ergueu-se de um nível a que jamais poderá aspirar, dentro de um período de mil anos completos, nenhum indivíduo ou grupo que venha a servir os interesses da Fé após Ele. Se alguém tentasse diminuir-lhe o prestígio incomparável, julgando que Seu grau fosse em pouco ou nada superior ao daqueles sobre cujos ombros tenha caído o manto de Sua autoridade, isso seria um ato de impiedade tão grave como a crença, não menos herética, que visa exaltá-Lo a um estado de igualdade absoluta com a Figura central de nossa Fé ou com seu Precursor. Por mais largo que seja o abismo que separa ´Abdu´l-Bahá Daquele que é a Fonte de uma Revelação independente, nunca poderá ser considerado tão vasto como a distância entre Ele, o Centro do Convênio, e Seus ministros que hão de continuar Sua obra, não importando quais sejam os seus nomes, categorias, funções ou futuras realizações. Os que conheceram ´Abdu´l-Bahá e, atraídos pela Sua magnética personalidade, Lhe dedicaram tão fervorosa admiração, devem refletir, à luz dessa afirmação, sobre a grandeza Daquele cuja posição é tão superior.
Que ´Abdu´l-Bahá não é Manifestante Divino, e não ocupa posição similar à posição de Seu Pai, embora seja o sucessor deste, e que ninguém exceto o Báb ou Bahá´u´lláh poderá reclamar para si semelhante grau antes da expiração de mil anos completos – são verdades que encerram as específicas palavras tanto do Fundador de nossa Fé como do Intérprete de Seus ensinamentos.
“Se alguém, antes do término de mil anos completos”, - adverte-nos explicitamente o Kitáb-i-Aqdas – “pretender ser portador de uma Revelação direta de Deus, tal homem seguramente, será um impostor mentiroso. Pedimos a Deus que o ajude, pelas Suas graças, a retratar-se e repudiar tal pretensão. Caso se arrependa, Deus, sem dúvida, perdoá-lo-á, mas se ele persistir em seu erro, Deus enviará alguém, seguramente, que não lhe mostrará piedade. Terrível, em verdade, é Deus, quando pune!” E para tornar ainda mais enfático este ponto, Ele acrescenta: “Quem interpretar este versículo de outro modo, que não seja o óbvio, privar-se-á do Espírito de Deus e de Sua misericórdia que abrange todas as coisas criadas.” “Se aparecer um homem” – é outra afirmação concludente – “antes de se completar um período de mil anos – sendo que cada ano consiste de doze meses, segundo o Alcorão, e de dezenove meses de dezenove dias cada, segundo o Bayán – e se este homem revelar ante vossos olhos todos os sinais de Deus, rejeita-o, sem a menor hesitação!”
Com suas próprias afirmações, ´Abdu´l-Bahá corrobora essa advertência, em termos não menos enfáticos e incondicionais: “Esta é minha convicção firme e inabalável”, declara Ele, “a essência da minha crença manifesta e explícita – uma convicção e uma crença com que estão de pleno acordo os habitantes do Reino de Abhá: A Abençoada Beleza é o Sol da Verdade, e Sua luz é a luz da verdade. Do mesmo modo é o Báb o Sol da Verdade, e Sua luz, a luz da verdade... Minha posição é a da servitude – uma servitude que é completa, pura e real, firmemente estabelecida, durável, óbvia, explicitamente revelada e não condicionada a interpretação alguma... Sou Eu o Intérprete da Palavra de Deus; é essa minha interpretação.”
E no próprio testamento de ´Abdu´l-Bahá – num tom e numa linguagem que bem poderiam confundir até os mais inveterados dos infratores do Convênio de Seu Pai – não torna Ele nula a arma principal daqueles que se haviam esforçado tão persistentemente afim de Lhe imputar a pretensão tácita de ser igual, ou até mesmo superior, a Bahá´u´lláh? “A base da crença do povo de Bahá é esta:” – assim proclama uma das mais imponentes passagens deste último documento, deixado para transmitir, a toda a posteridade, as instruções e vontades de um Mestre que partira – “Sua Santidade O Excelso (o Báb), é a manifestação da Unidade Divina e o Precursor da Beleza Antiga. Sua Santidade a Beleza de Abhá (Bahá´u´lláh) (Oxalá minha vida seja oferecida em holocausto por Seus amigos leais) é o supremo Manifestante de Deus e a Aurora de Sua mais divina Essência. Todos os outros são Seus servos e cumpridores de Sua Vontade”.
Destas declarações, entretanto, tão inequívocas, categóricas, e incompatíveis que são com qualquer pretensão de ser Profeta, não devemos inferir, de modo algum, que ´Abdu´l-Bahá seja apenas um dos servos da Abençoada Beleza, ou mesmo um cuja função se limite à interpretação autorizada dos ensinamentos de Seu Pai. Longe de mim tal noção ou o desejo de incutir tais idéias, julgá-Lo assim seria, claramente, uma traição da inestimável herança que Bahá´u´lláh legou à humanidade. A posição que Lhe foi conferida pela Pena Suprema é incomensuravelmente exaltada acima e além do que se infere dessas, Suas próprias declarações escritas. Quer seja no Kitáb-i-Aqdas, a mais imponente e sagrada de todas as obras de Bahá´u´lláh, quer no Kitáb-i-´Ahd, o Livro de Seu Convênio, ou no Súriy-i-Ghusn (Epístola do Ramo), as referências registradas pela pena de Bahá´u´lláh – referências estas poderosamente reforçadas pelas Epístolas que o Pai de ´Abdu´l-Bahá Lhe dirigiu – investem-no de um poder e o cercam de uma auréola que a presente geração jamais poderá apreciar devidamente.
Ele é – e para todo o sempre deve assim ser considerado – primeiro e acima de tudo, o Centro e Eixo do incomparável e todo abrangente Convênio de Bahá´u´lláh, Sua mais exaltada obra, o imaculado Espelho de Sua Luz, o perfeito Exemplar de Seus ensinamentos, o infalível Intérprete de Sua Palavra, a encarnação de todos os ideais e virtudes bahá´ís, o Mais Poderoso Ramo nascido da Raiz Antiga, o Sustentáculo da Lei de Deus, o Ser “em torno de Quem giram todos os nomes”, o Manancial da Unidade do Gênero Humano, o Porta-Estandarte da Paz Máxima, a Lua do Orbe Central desta mais sagrada Revelação – denominações e títulos estes que são implícitos e que acham sua mais alta, verdadeira e justa expressão no nome mágico: ´Abdu´l-Bahá. Acima e além dessas denominações, Ele é o “Mistério de Deus” – uma expressão que o Próprio Bahá´u´lláh escolhera para designá-Lo e que, embora de modo algum justifique que se Lhe atribua a posição de Profeta, mostra como na pessoa de ´Abdu´l-Bahá se reúnem e harmonizam completamente as incompatíveis características de uma natureza humana e de um conhecimento e perfeição sobre-humanos.
“Quando o Oceano de Minha Presença estiver em refluxo, e o Livro de Minha Revelação houver terminado”, proclama o Kitáb-i-Aqdas, “voltai as faces para Aquele que Deus designou, que brotou desta Raiz Antiga”. E também, “Quando a Pomba Mística tiver alçado vôo de seu Santuário de Louvor e procurado seu destino remoto, sua morada oculta, qualquer coisa que não compreendais no Livro, referi-a Àquele que brotou desta poderosa Estirpe”.
No Kitáb-i-Ahd, além disso, Bahá´u´lláh declara solene e explicitamente: “Incumbe aos Aghsán, aos Afnán e a todos os Meus parentes, voltarem as faces para o Mais Poderoso Ramo. Considerai o que revelamos em Nosso Sacratíssimo Livro. “Quando o oceano de Minha presença estiver em refluxo, e o Livro de Minha Revelação houver terminado, voltai as faces para Aquele que Deus designou, que brotou desta Raiz Antiga”. O objeto deste sagrado versículo não é outro senão o Mais Poderoso Ramo (´Abdu´l-Bahá). Através de Nossas graças, Nós vos revelamos Nossa Potentíssima Vontade, e Eu sou em verdade o Misericordioso, o Onipotente”.
No Súriy-i-Ghusn (Epístola ao Ramo) foram registrados os seguintes versículos: “Brotou do Sadratu´l-Muntahá este sagrado e glorioso Ser, este Ramo de Santidade; bem-aventurado quem tenha buscado Seu amparo e habite à Sua sombra. Em verdade, o Sustentáculo da Lei divina surgiu desta Raiz que Deus plantou firmemente no Solo de Sua Vontade, e cujo Ramo se ergueu até abranger a criação inteira. Glorificado seja Ele, pois, por essa Obra sublime, abençoada, poderosa e exaltada!... Como prova de Nossa misericórdia, emanou uma Palavra da Suprema Epístola – uma Palavra que Deus embelezou com os adornos de Seu próprio Ser e fez soberana sobre a terra e tudo o que nela está, e um sinal de Sua grandeza e poder entre seus povos... Agradecei a Deus, Ó povo, por haver Ele aparecido; pois, em verdade, Ele é a maior de todas as graças, a mais perfeita dádiva a vós; e por Seu intermédio se ressuscitam até os ossos em decomposição. Quem se dirigir a Ele terá se dirigido a Deus, e quem Dele se desviar, terá se desviado de Minha Beleza, terá repudiado Minha Prova e transgredido contra Mim. Ele é Quem Deus confiou a vós, de quem Ele vos incumbiu, Seu manifestante entre vós, e o Seu aparecimento entre Seus servos favorecidos... Fizemo-Lo descer na forma de um templo humano. Bendito e santificado seja Deus, que cria qualquer coisa que deseje através de Seu decreto inviolável, infalível. Aqueles que se privam da sombra do Ramo estão perdidos na solidão do erro, consumidos pelo fogo dos desejos mundanos, são daqueles que, seguramente, hão de perecer”.
“Ó Tu que és a menina de Meus Olhos!” escreve Bahá´u´lláh, de Próprio punho, dirigindo-se a ´Abdu´l-Bahá, “Descansem sobre Ti Minha glória, o oceano de Minha benevolência, o sol de Minha bondade, o céu de Minha misericórdia. Pedimos a Deus que ilumine o mundo através de Teu conhecimento e Tua sabedoria, que ordenes para Ti o que possa alegrar Teu coração e consolar Teus olhos”. “Que a glória de Deus esteja sobre Ti”, Ele diz em outra Epístola, “e sobre qualquer um que Te sirva e se mova a Teu redor. Ai daquele que Te fizer oposição ou Te injuriar. Bem-aventurado quem Te jurar lealdade; e que o fogo infernal atormente quem for Teu inimigo”. “Nós Te fizemos um refúgio para toda a humanidade”, afirma Ele em ainda outra Epístola, “um escudo para todos os que estão no céu e sobre a terra, uma cidadela para quem quer que tenha acreditado em Deus, o Incomparável, o Onisciente. Permita Deus, que por Teu intermédio, Ele os possa enriquecer e sustentar; que Ele Te inspire com aquilo que seja um manancial de riquezas para todas as coisas criadas, um oceano de graças para todos os homens, e a aurora da compaixão para todos os povos”.
“Tu sabes, Ó meu Deus”, suplica Bahá´u´lláh numa oração revelada em honra de ´Abdu´l-Bahá, “que nada desejo para Ele senão o que Tu desejaste, e nenhum destino tenho escolhido para Ele senão aquele que Tu escolheras. Concede-Lhe a vitória, pois, pelos Teus exércitos na terra e no céu... Imploro-Te, pela intensidade de Meu amor a Ti, e por Meu fervoroso desejo de manifestar Tua Causa, que ordenes para Ele, como também para aqueles que O amam, o que Tu destinastes a Teus Mensageiros e aos incumbidos de transmitir a Tua Revelação, Em verdade, Tu és o Todo-Poderoso, o Onipotente”.
Numa carta ditada por Bahá´u´lláh e endereçada por Mirzá Aqá Ján, Seu secretário, a ´Abdu´l-Bahá, durante a estada deste em Beirut, lemos o seguinte: “Louvado seja Ele por ter honrado a Terra de Bá (Beirut) com a presença Daquele em torno de Quem giram todos os nomes. Todos os átomos da terra anunciaram a todas as coisas criadas as novas de que surgira de trás dos portais da Cidade-Prisão, brilhando por cima de seu horizonte, a beleza do grande, do Supremo Ramo de Deus – Seu Mistério antigo e imutável – encaminhando-se para uma outra terra. Tristeza envolve, pois, esta Cidade-prisão, enquanto uma outra terra se regozija... Bendito, duplamente bendito o solo pisado pelos Seus pés, benditos os olhos alegrados pela beleza de Seu semblante, os ouvidos honrados pelo privilégio de escutar Seu chamado, o coração que experimentou a doçura de Seu amor, o peito que vibrou com Sua comemoração, a pena que expressou Seu louvor, o pergaminho a que foi conferido o testemunho de Seus escritos”.
´Abdu´l-Bahá, confirmando a autoridade que Lhe fora conferida por Bahá´u´lláh, declara o seguinte: “De acordo com o explícito texto do Kitáb-i-Aqdas, Bahá´u´lláh designou para ser o Intérprete de Sua Palavra o Centro do Convênio – um Convênio tão firme e poderoso que nunca, desde o princípio do tempo até o dia presente, nenhuma Revelação religiosa produziu igual”.
Não obstante tão elevada posição, porém, e os elogios tão profusos com que Bahá´u´lláh glorificou Seu Filho nestes sagrados Livros e Epístolas, essa distinção sem paralelo nunca deve ser interpretada como prova de ser Sua condição idêntica à condição de Seu Pai, o Próprio Manifestante, ou, de modo algum, equivalente. Dar-se tal interpretação a qualquer dessas passagens citadas teria, obviamente, o efeito imediato de a por em conflito com as asserções e advertências não menos claras e autênticas às quais eu já me referi. De fato – como já tive ocasião de afirmar – os que atribuem a ´Abdu´l-Bahá um grau em demasia elevado são tão repreensíveis como aqueles que Lhe querem diminuir o valor, nem é menos perniciosa a influência destes. E isso pela simples razão de que, quando persistem em suas deduções inteiramente injustificáveis, tiradas dos escritos de Bahá´u´lláh, estão fornecendo ao inimigo, se bem que inadvertidamente, contínuas provas para acusações falsas e ambíguas.
Sinto-me compelido, pois, a declarar inequivocamente e sem a menor hesitação, que não existe no Kitáb-i-Aqdas, nem no Livro do Convênio de Bahá´u´lláh,nem mesmo na Epístola do Ramo ou em outra Epístola, quer revelada por Bahá´u´lláh, quer por ´Abdu´l-Bahá, autoridade alguma para a opinião que tende a sustentar a assim chamada “unidade mística” de Bahá´u´lláh e ´Abdu´l-Bahá, ou a estabelecer a identidade deste com Seu Pai ou com qualquer Manifestante anterior. Tal conceito errôneo pode ser atribuído em parte a uma interpretação inteiramente extravagante de certos termos e certas passagens na Epístola do Ramo, ao fato de se haver introduzido na tradução inglesa certas palavras que não existem no original, ou que dão uma impressão errada, ou são ambíguas em sua conotação. Baseia-se isso principalmente, sem dúvida, numa inferência que não é, em absoluto, justificável, tirada das passagens iniciais de uma Epístola de Bahá´u´lláh, da qual alguns extratos, segundo são reproduzidos na obra “Bahá´í Scriptures”, precedem imediatamente a Epístola do Ramo sem, entretanto, formarem parte integrante da mesma. A todos que lêem estes extratos, deve-se esclarecer que a frase “a Língua do Antigo” se refere somente a Deus, que o termo “O Nome Supremo” é uma referência óbvia a Bahá´u´lláh, e que “o Convênio” não quer dizer o Convênio específico de que Bahá´u´lláh é o Autor imediato e ´Abdu´l-Bahá o Centro, mas sim aquele Convênio geral que – segundo os ensinamentos bahá´ís – o próprio Deus, ao inaugurar uma nova Revelação, estabelece invariavelmente com a humanidade. A “Língua” que “dá” as “boas novas”, como dizem estes extratos, não é outra senão a Voz de Deus referindo-se a Bahá´u´lláh, e não este se referindo a ´Abdu´l-Bahá.
Além disso, se, em vez de vermos na declaração: “Ele é Eu mesmo” uma alusão à unidade mística de Deus e Seus Manifestantes, segundo explica o Kitáb-i-Iqán, tentássemos provar por tal declaração a identidade de ´Abdu´l-Bahá com Bahá´u´lláh, estaríamos violando diretamente o tão frisado princípio da unidade dos Manifestantes de Deus – um princípio que o Autor destes mesmos extratos tenta, por inferência acentuar.
Equivaleria isso, também, a uma reversão àquelas crenças irracionais e supersticiosas que se insinuaram imperceptivelmente nos ensinamentos de Jesus Cristo, no primeiro século da era cristã, as quais, cristalizando-se até se tornarem dogmas estabelecidos, tem diminuído a eficácia da Fé Cristã e lhe obscurecido o alvo.
“Afirmo” – é o comentário escrito pelo próprio ´Abdu´l-Bahá sobre a Epístola do Ramo – “que o verdadeiro sentido, o significado real, o segredo íntimo destes versículos, destas palavras, é minha servitude ao sagrado Limiar da Beleza de Abhá, minha abnegação completa, e consciência de ser absolutamente nada perante Ele. Constitui isso minha coroa resplandecente, meu mais precioso adorno. Disso me orgulho no reino da terra e do céu. Está nisso minha glória na companhia dos favorecidos!” “A ninguém é permitido dar a estes versículos qualquer outra interpretação” – Ele nos adverte na passagem que segue logo depois. E afirma, sobre o mesmo ponto: “De acordo com os textos explícitos do Kitáb-i-Aqdas e do Kitáb-i-´Ahd, eu sou o Intérprete manifesto da Palavra de Deus... Quem se desviar de minha interpretação será vítima de sua própria fantasia”.
Além disso, a inevitável dedução da crença na identidade do Autor da nossa Fé com Aquele que é o Centro de Seu Convênio, seria a de colocar ´Abdu´l-Bahá em uma posição superior à do Báb, quando justamente o inverso – muito embora ainda não reconhecido universalmente – é o princípio fundamental desta Revelação. Isso justificaria, também, a acusação com que os violadores do Convênio, durante todo o ministério de ´Abdu´l-Bahá, tentaram envenenar as mentes dos leais adeptos de Bahá´u´lláh e perverter-lhes a compreensão.
Seria mais correto, como também estaria mais de acordo com os princípios estabelecidos por Bahá´u´lláh e pelo Báb se, em vez de mantermos essa identidade fictícia com relação a ´Abdu´l-Bahá, considerássemos como idênticos, na realidade, o Precursor e o Fundador de nossa Fé – verdade essa que o texto do Súratu´l-Haykal afirma inequivocamente. “Tivesse o Ponto Primordial (o Báb) sido outro, como pretendeis, e não Eu mesmo” – é a explícita declaração de Bahá´u´lláh – “e tivesse Ele atingido Minha Presença, nunca teria Ele permitido, na verdade, separar-se de Mim; antes, haveríamos Nós nos deleitado mutuamente com a companhia, um do outro, em Meus Dias”. “Aquele que agora faz ouvir a Palavra de Deus”, afirma Bahá´u´lláh ainda outra vez, “não é senão o Ponto Primordial que novamente se manifestou”. “Ele”, disse Bahá´u´lláh, referindo-se a si Próprio, numa Epístola dirigida a uma das Letras da Vida, “é o mesmo que apareceu no ano sessenta (1260 após a Hégira). Este é, em verdade, um de Seus poderosos sinais”. “Quem” – é Seu apelo no Súriy-i-Damm – “se levantará para conseguir o triunfo da Beleza Primordial (o Báb) revelada no semblante de Seu Manifestante subseqüente?” E, referindo-se à Revelação proclamada pelo Báb, por outro lado, Ele a caracteriza como “Minha própria Revelação anterior”.
Numa declaração de ´Abdu´l-Bahá dirigida a alguns bahá´ís da América do Norte, encontramos mais uma exposição, clara e enfática, dos pontos que desejo acentuar neste capítulo, em suma: que ´Abdu´l-Bahá não é Manifestante de Deus, que recebe Sua luz, Sua inspiração e Seu sustento diretamente da Fonte Principal da Revelação Bahá´í; que é como um espelho límpido e perfeito que reflete os raios da glória de Bahá´u´lláh, não possuindo inerentemente aquela realidade que desafia definição, que tudo penetra e abarca – realidade essa que é o distintivo do Profeta única e exclusivamente; que Suas palavras não são iguais em grau, embora possuam a mesma validade que as de Bahá´u´lláh; e que Ele não deve ser aclamado como Jesus Cristo que tenha voltado – o Filho que virá “na glória do Pai”. Em conclusão, cito as referidas palavras de ´Abdu´l-Bahá: “Escrevestes que há uma divergência entre os crentes a respeito da “Segunda Vinda de Cristo”, Deus Misericordioso! Inúmeras vezes tem surgido essa questão, e a resposta tem emanado da pena de ´Abdu´l-Bahá em termos claros e irrefutáveis: o “Senhor dos Exércitos” e o “Cristo Prometido” mencionados nas profecias referem-se à Abençoada Perfeição (Bahá´u´lláh) e à Sua Santidade o Excelso (o Báb). Meu nome é ´Abdu´l-Bahá. Minha qualificação é ´Abdu´l-Bahá. Minha realidade é ´Abdu´l-Bahá. Meu louvor é ´Abdu´l-Bahá. Ser escravo no limiar da Abençoada Perfeição é meu diadema glorioso e refulgente, e servir a toda a humanidade é minha religião perpétua... Nenhum nome, nenhum título, nenhuma menção, nenhuma recomendação tenho, nem terei jamais, a não ser ´Abdu´l-Bahá. É isso o que desejo – é minha maior aspiração. É minha vida eterna, minha glória imperecível”.
A ORDEM ADMINISTRATIVA
Queridos companheiros de ´Abdu´l-Bahá! Com a ascensão de Bahá´u´lláh, a Estrela Dalva da Guia Divina que – como foi predito por Shaykh Ahmad e Siyyid Kázim, despontou em Shíráz, e, durante o seu percurso para o Ocidente, atingiu o seu zênite em Adrianópolis, mergulhou no horizonte de ´Akká, para não ressurgir antes de um ciclo de mil anos. Com o ocaso de tão fulgente Orbe, terminara definitivamente a época da Revelação Divina – a etapa inicial e mais vitalizadora de toda a Era Bahá´í. Este período, inaugurado pelo Báb e culminando com Bahá´u´lláh, que havia sido antecipado e elogiado pela inteira companhia dos Profetas deste grandioso ciclo profético, foi caracterizado por quase cinqüenta anos de Revelação contínua e progressiva – excetuando-se apenas o pequeno intervalo entre o martírio do Báb e as comoventes experiências de Bahá´u´lláh no Siyáh-Chal de Teerã. No que diz respeito à sua duração e à sua fecundidade, devemos considerar este período como sem paralelo em toda a história espiritual do mundo.
O falecimento de ´Abdu´l-Bahá, por outro lado, assinala o término da Idade Heróica e Apostólica desta mesma Dispensação – do período primitivo de nossa Fé, cujos esplendores jamais serão rivalizados, e muito menos eclipsados, pela grandeza que há forçosamente de distinguir as futuras vitórias da Revelação de Bahá´u´lláh. Pois nem o que realizaram os campeões na ereção das instituições atuais da Fé Bahá´í, nem os triunfos assombrosos que os heróis de sua Idade Áurea hão de conseguir nos dias vindouros, podem ser comparados, ou incluídos na mesma categoria, com as maravilhosas obras associadas aos nomes daqueles que lhe geraram a própria vida e lançaram os alicerces prístinos. O primeiro período da Era Bahá´í, o período criador, deve sobressair pela sua própria natureza, distinguindo-se do período formativo em que já entramos e, igualmente, da idade áurea destinada a sucedê-lo.
´Abdu´l-Bahá, que encarna uma instituição sem paralelo nos reconhecidos sistemas religiosos do mundo, encerrou, pode-se dizer, a Era à qual Ele mesmo pertencia, e abriu esta em que nós agora trabalhamos. Assim, pois, Seu Testamento deve ser considerado o elo perpétuo, indissolúvel, que a mente Daquele que é o Mistério de Deus concebeu a fim de assegurar a continuidade dos três períodos que constituem as partes componentes da Revelação Bahá´í. O período em que a semente da Fé havia pouco a pouco germinado, fica deste modo entrelaçado com este que deve presenciar sua florescência, como também com o ulterior, no qual a semente terá produzido finalmente seus frutos dourados.
As energias criadoras liberadas pela Lei de Bahá´u´lláh, penetrando e evoluindo na mente de ´Abdu´l-Bahá, produziram, pelo próprio contato e pela íntima interação, um Instrumento que pode ser considerado a Carta da Nova Ordem Mundial, a qual é, a um tempo, a glória e a promessa desta Dispensação suprema. Assim pode-se aclamar o Testamento como o fruto inevitável do intercurso místico entre Aquele que comunicou a influência geradora de Seu Plano Divino, e aquele que era seu veículo, o escolhido recipiente. Sendo o Testamento de ´Abdu´l-Bahá, pois, o Filho do Convênio – Herdeiro tanto do Originador como do Intérprete da Lei de Deus – é tão impossível separá-lo Daquele que forneceu o impulso original, motivador, como Daquele que ulteriormente o concebeu. Devemos nos lembrar sempre de que o plano inescrutável de Bahá´u´lláh se infundiu tão completamente na conduta de ´Abdu´l-Bahá, e os motivos de ambos se uniram tão intimamente, que a mera tentativa de desassociar os ensinamentos do primeiro, de qualquer sistema estabelecido pelo Exemplar ideal destes mesmos ensinamentos, constituiria em si um repúdio a uma das verdades mais sagradas e fundamentais da Fé.
A Ordem Administrativa – que vem evoluindo desde a ascensão de ´Abdu´l-Bahá, estabelecendo-se ante os nossos olhos em nada menos de quarenta dos países do mundo* – pode ser considerada a estrutura do próprio Testamento, a inviolável cidadela em que o filho recém-nascido está sendo nutrido e desenvolvido. Essa Ordem Administrativa, à medida que se for estendendo e consolidando, haverá certamente de manifestar as potencialidades e o pleno significado deste poderoso Documento, a mais notável expressão da Vontade de uma das mais notáveis Figuras da Revelação de Bahá´u´lláh. Assim que suas partes componentes, suas instituições orgânicas, entrem em funcionamento com eficiência e vigor, essa Ordem reivindicará sua pretensão e demonstrará sua capacidade de ser considerada não somente o núcleo, mas o verdadeiro padrão da Nova Ordem Mundial destinada a abranger, na plenitude dos tempos, a humanidade inteira.
Devemos notar que esta Ordem Administrativa difere fundamentalmente de qualquer coisa estabelecida pelos Profetas do passado, pois foi o próprio Bahá´u´lláh quem revelou os princípios e determinou as instituições desta Ordem, designando a pessoa para interpretar Sua Palavra e concedendo a devida autoridade ao organismo destinado a suplementar e aplicar Suas ordenanças legislativas. Aí está o segredo da força da Ordem Administrativa, a distinção fundamental e a garantia contra a desintegração e o cisma. Em parte alguma das Sagradas Escrituras de qualquer dos sistemas religiosos do mundo, nem mesmo nos escritos do Inaugurador da Dispensação Bábí, encontramos provisões que estabeleçam um convênio ou uma ordem administrativa que possam ser comparados – no que diz respeito a seu âmbito e sua autoridade – com aqueles que estão na própria base da Revelação Bahá´í. Tomemos, por exemplo, duas que sobressaem entre as reconhecidas religiões do mundo, duas das mais largamente difundidas, o cristianismo e o islamismo. Oferecem elas algo que possa ser considerado igual ou equivalente ao Livro do Convênio de Bahá´u´lláh, ou ao Testamento de ´Abdu´l-Bahá? Será; que o texto do Evangelho ou o do Alcorão conferem autoridade suficiente àqueles líderes e concílios que têm reclamado o direito e assumido a função de interpretar as provisões de suas sagradas escrituras e de administrar os assuntos das suas respectivas comunidades? – Pode Pedro, reconhecido chefe dos apóstolos, ou o Imáme Alí, o primo e legítimo sucessor do Profeta, exibir em apoio da primazia com que ambos foram investidos, afirmativas escritas e explícitas de Cristo e de Maomé que tivessem feito silenciar aqueles que, tanto entre seus contemporâneos como posteriormente, lhes negaram a autoridade e precipitaram com as ações os cismas que persistem até os dias presentes? Onde encontraremos nas palavras registradas de Jesus Cristo – bem podemos perguntar – quer seja sobre o assunto da sucessão, quer no sentido de prover um código de leis específicas e ordenanças administrativas claramente definidas – em distinção a princípios puramente espirituais – onde, perguntamos, encontraremos algo que se aproxime das detalhadas injunções, leis e advertências tão abundantes nas palavras autênticas tanto de Bahá´u´lláh como de ´Abdu´l-Bahá? Pode alguma passagem do Alcorão – o qual, a respeito de seu código legal, suas ordenanças administrativas e devocionais, assinala já um notável progresso sobre as Revelações anteriores e mais corruptas – ser construída como se tivesse colocado sobre uma base inatacável a autoridade indiscutível com que Maomé, verbalmente e em várias ocasiões, investiu o Seu sucessor? Se bem que o Autor da Revelação Bábí conseguisse, mediante as provisões do Bayán Persa, evitar um cisma tão permanente e catastrófico como aqueles que afligiram o cristianismo e o islamismo, será que poderíamos afirmar haver Ele produzido, a fim de salvaguardar Sua Fé, instrumentos tão bem definidos e da mesma eficácia dos que hão de preservar, para todo o sempre, a união dos organizados seguidores da Fé Bahá´í?
Dentre todas as Revelações, até a época atual, somente esta Fé – graças às explícitas instruções, às repetidas advertências e aos autênticos meios de proteção incorporados e elaborados em seus ensinamentos – conseguiu erigir uma estrutura da qual os adeptos de credos falidos e quebrados bem poderiam se aproximar em sua perplexidade, a fim de examiná-la com atenção e procurar, antes que seja tarde demais, a segurança invulnerável de seu refúgio mundial.
Não é de se admirar que Aquele que inaugurou com Seu Testamento uma Ordem tão vasta e incomparável, Aquele que é o Centro de tão grandioso Convênio – tivesse escrito estas palavras: “Tão firme e poderoso é este Convênio que nunca, desde o começo do tempo até o dia de hoje, nenhuma Era religiosa produziu igual.” “Qualquer coisa que esteja latente no recôndito deste sagrado ciclo” , escreveu Ele durante os dias mais escuros e perigosos de Seu ministério, “há de aparecer e se tornar manifesto gradativamente, pois agora é apenas o começo de seu crescimento e a aurora da revelação de seus sinais”. “Não tenhais receio” são Suas palavras confortadoras, prognosticando o surgir da Ordem Administrativa estabelecida por Seu Testamento – “Não tenhais receio, se este Ramo for cortado deste mundo material e despido de suas folhas; não, as folhas hão de medrar, pois este Ramo crescerá após haver sido cortado deste mundo inferior, atingirá os pináculos da glória, e dará frutos cuja fragrância há de perfumar o mundo.”
Essa Ordem Administrativa – ou seja a futura Comunidade Mundial Bahá´í, em sua forma rudimentar – é destinada a manifestar poder e majestade incomparáveis, pois a que outra coisa, senão a isso, podem aludir as seguintes palavras de Bahá´u´lláh? “O equilíbrio do mundo foi perturbado pela influência vibrante desta nova e mais imponente Ordem Mundial. Revolucionou-se a vida ordenada do homem, em virtude deste Sistema sem paralelo, maravilhoso – cujo igual jamais foi visto por olhos mortais”.
O próprio Báb, em Suas referências Àquele Que Deus tornará manifesto”, antecipa o Sistema e glorifica a Ordem Mundial que a Revelação de Bahá´u´lláh é destinada a desenvolver. “Bem-aventurado aquele” – é Sua extraordinária afirmação no terceiro capítulo do Bayán Persa – “que dirigir o olhar à Ordem de Bahá´u´lláh e agradecer a seu Senhor! Pois Ele há seguramente, de se manifestar. Deus, em verdade, ordenou isso, irrevogavelmente, no Bayán.”
Alguns fracos vislumbres, os primeiros prenúncios da natureza da Ordem Administrativa e de sua atuação – as quais eram destinadas a ser proclamadas e formalmente estabelecidas em época posterior, pelo Testamento de ´Abdu´l-Bahá já podemos discernir nas Epístolas de Bahá´u´lláh que designam e estabelecem formalmente as instituições das Casas de Justiça Internacional e Locais; na instituição das Mãos da Causa de Deus, criada primeiro por Bahá´u´lláh e depois por ´Abdu´l-Bahá; na instituição das Assembléias, tanto nacionais como locais, que já funcionavam em estado embrionário antes da ascensão de ´Abdu´l-Bahá, e na autoridade que o Autor de nossa Fé e o Centro de Seu Convênio, segundo Suas Epístolas, se dignaram conferir a estas; na instituição do Fundo Local que operava de acordo com as específicas injunções de ´Abdu´l-Bahá dirigidas a certas Assembléias no Irã, nos versículos do Kitáb-i-Aqdas que antecipam claramente a instituição da Guardiania; e na explicação dada por ´Abdu´l-Bahá numa Epístola, com especial ênfase, do princípio hereditário e da lei da primogenitura, como havendo sido sustentados pelos Profetas do passado. Parece-me oportuno, a esta altura, tentar uma explicação do caráter e das funções dos pilares gêmeos que sustentam esta poderosa Estrutura Administrativa – as instituições da Guardiania e da Casa Universal de Justiça. Uma descrição completa, porém, dos vários elementos que funcionam em conjunto com essas instituições, está além do âmbito e do objetivo desta exposição geral das verdades fundamentais da Fé. Definir acurada e minuciosamente as feições, e fazer uma análise completa, por um lado, da relação que liga esses dois órgãos fundamentais do Testamento de ´Abdu´l-Bahá, e, por outro, da relação que une cada um destes ao Autor da Fé e ao Centro de Seu Convênio, é uma tarefa que futuras gerações cumprirão, sem dúvida, de um modo adequado. É minha intenção aqui elaborar certas feições salientes deste esquema, as quais, embora nós estejamos muito próximos ainda de sua estrutura colossal, já se definiram com tal clareza que não teremos desculpa se as concebermos erroneamente ou lhes negarmos a devida atenção.
Deve-se afirmar, antes de tudo, em termos claros e inequívocos, que essas instituições gêmeas da Ordem Administrativa de Bahá´u´lláh têm que ser consideradas divinas em sua origem, essenciais em suas funções, e complementares quanto a seu objetivo e seu propósito. O que ambas visam, fundamentalmente, é garantir a permanência daquela autoridade divinamente concedida que emana da Fonte de nossa Fé, salvaguardar a união de seus seguidores, e manter a integridade e a flexibilidade de seus ensinamentos. Operando em conjunto, estas duas instituições inseparáveis tratam de lhe administrar os afazeres, coordenar as atividades, promover os interesses, executar as leis e defender as instituições subsidiárias. Cada instituição funciona dentro de uma bem definida esfera de jurisdição, tendo também suas próprias instituições auxiliares – instrumentos designados para o eficiente desempenho de suas responsabilidades e obrigações especiais. Exerce cada uma, dentro dos limites que lhe são impostos, seus poderes, sua autoridade, seus direitos e suas prerrogativas, os quais não são contraditórios, nem detraem, no mínimo grau, da posição que cada uma destas instituições ocupa. Longe de serem incompatíveis ou mutuamente destrutivas, suplementam a autoridade e as funções uma da outra, e são permanente e fundamentalmente unidas em seus objetivos.
Separada da instituição da Guardiania, a Ordem Mundial de Bahá´u´lláh ficaria mutilada e privar-se-ia, permanentemente, daquele princípio hereditário que foi sempre sustentado pela Lei de Deus, segundo nos disse ´Abdu´l-Bahá. “Em todas as Revelações Divinas”, afirma Ele numa Epístola dirigida a um adepto da Fé na Pérsia, “deram ao filho mais velho distinções extraordinárias. Até mesmo o grau de profeta era seu direito hereditário.” Sem essa instituição, periclitaria a integridade da Fé, e a estabilidade da estrutura inteira correria grave perigo. Isso lhe prejudicaria o prestígio, e faltar-lhe-iam, completamente, os meios necessários para conseguir uma visão longa, ininterrupta, abrangendo uma séria de gerações, como também seria retirada totalmente a orientação indispensável para definir a esfera da ação legislativa de seus representantes eleitos.
E se fosse separado da outra instituição, não menos essencial, isto é, da Casa Universal de Justiça, este mesmo Sistema previsto pelo Testamento de ´Abdu´l-Bahá veria paralisar-se sua ação, e privar-se-ia, em absoluto, do poder de encher aquelas lacunas que o Autor do Kitáb-i-Aqdas deixou, deliberadamente, em Seu código legislativo e administrativo.
“Ele é o Intérprete da Palavra de Deus”, assevera ´Abdu´l-Bahá, referindo-se às funções do Guardião da Fé, usando em Seu Testamento o mesmo termo que Ele próprio escolhera ao refutar o argumento daqueles violadores do Convênio que haviam desafiado Seu direito de interpretar as palavras de Bahá´u´lláh. “Após Ele”, acrescenta, “sucederá o primogênito de seus descendentes diretos”. “A poderosa cidadela”, Ele ainda expõe, “conservar-se-á inexpugnável e segura em virtude da obediência àquele que é o Guardião da Causa de Deus”. “Incumbe aos membros da Casa de Justiça, a todos os Aghsán e Afnán, às Mãos da Causa de Deus, demonstrar sua obediência, submissão e subordinação ao Guardião da Causa de Deus”. “Incumbe aos membros da Casa de Justiça”, declara Bahá´u´lláh, por outro lado, na Oitava Folha do Exaltado Paraíso, “deliberarem acerca dos assuntos que não foram revelados exteriormente no Livro, e executar o que lhes aprouver. Deus, em verdade, inspirá-los-á com qualquer coisa que Ele queria, e Ele é, em verdade, o Provedor, o Onisciente”. Ao Sacratíssimo Livro, (o Kitáb-i-Aqdas), afirma ´Abdu´l-Bahá em Seu Testamento, “deve cada um se dirigir, e qualquer assunto que nele não esteja expressamente tratado deve ser referido à Casa Universal de Justiça. O que esta decidir, quer seja por unanimidade quer por maioria, será, de fato, a verdade, e aquilo que o próprio Deus deseja. Quem disso se desviar, será realmente um daqueles que amam a discórdia, terá mostrado malícia e se desviado do Senhor do Convênio”.
E ´Abdu´l-Bahá, em Seu Testamento, não só confirma a declaração de Bahá´u´lláh supracitada, mas também investe a Casa Universal de Justiça com o direito e o poder de ab-rogar, segundo as exigências do tempo, sua própria legislação, bem como a de uma Casa de Justiça anterior. “Assim como a Casa de Justiça” – é Sua explícita afirmação em Seu Testamento – “tem o poder de fazer leis que não estejam expressamente registradas no Livro e que tratem de transações diárias, tem ela também o poder de anulá-las... Pode fazer isso porque estas leis não formam parte do explícito texto divino”.
Com referência ao Guardião e à Casa de Justiça Universal, lemos estas palavras enfáticas: “O sagrado e jovem Ramo, o Guardião da Causa de Deus, bem como a Casa Universal de Justiça, a ser universalmente eleita e estabelecida, estão ambos sob o cuidado e a proteção da Beleza de Abhá, protegidos e guiados infalivelmente pelo Excelso o Báb (Que minha vida seja oferecida por ambos!) Qualquer coisa que eles decidam, é de Deus.”
Em vista destas asserções, pois, torna-se indubitavelmente claro e evidente ser o Guardião da Fé o designado Intérprete da Palavra, e a Casa Universal de Justiça a instituição investida com a função de legislar sobre assuntos não expressamente tratados nos ensinamentos. A interpretação do Guardião, que funciona dentro de sua própria esfera, é tão autorizada e incondicional como o é a legislação da Casa Universal de Justiça, a qual tem a prerrogativa, o direito exclusivo, de dar o parecer e a decisão final nos casos em que Bahá´u´lláh não revelou expressamente leis e ordenanças. Nenhuma das duas instituições poderá, nem há de querer jamais infringir o sagrado domínio prescrito para a outra. Nenhuma delas tentará diminuir a específica e indubitável autoridade com que foram ambas divinamente investidas.
Embora o Guardião da Fé tenha sido designado o permanente chefe de tão augusto organismo, jamais ele poderá, nem sequer provisoriamente, assumir o direito de legislação exclusiva. Não poderá superar a decisão da maioria de seus co-membros, mas será obrigado a insistir que estes reconsiderem qualquer legislação que a consciência lhe mostre ser contrária ao sentido e ao espírito das palavras reveladas por Bahá´u´lláh. Ele interpreta o que foi especificamente revelado, e não pode legislar senão em sua capacidade de membro da Casa Universal de Justiça. Não lhe é permitido estabelecer independentemente a constituição destinada a governar as atividades organizadas de seus co-membros, como tampouco deve ele exercer sua influência de uma maneira que possa usurpar a liberdade daqueles que têm o sagrado direito de eleger o corpo de seus colaboradores.
Devemos lembrar-nos de que ´Abdu´l-Bahá antecipara a instituição da Guardiania, muito antes de Sua própria ascensão, como evidencia uma alusão que Ele fez numa Epístola dirigida a três de Seus amigos na Pérsia. Haviam estes perguntado se seria indicada alguma pessoa a quem todos os bahá´ís se devessem dirigir após Sua ascensão, ao que ´Abdu´l-Bahá deu a seguinte resposta: “Quanto à pergunta que me fizestes, deveis saber, em verdade, que isso é um segredo bem guardado. Assemelha-se a uma jóia oculta dentro de sua concha. Predestina-se a ser revelado. Tempo virá em que sua luz aparecerá, suas evidências se tornarão manifestas, e seus segredos desvendar-se-ão”.
Caríssimos amigos! A despeito da elevada posição da Guardiania e da função vital desta instituição na Ordem Administrativa de Bahá´u´lláh, e por mais acabrunhadora que deva ser a responsabilidade que pesa sobre ela, não se deve, de modo algum, exagerar sua importância, não obstante a linguagem do Testamento. Por grandes que sejam os méritos ou as realizações do Guardião da Fé, jamais deverá ele, sob quaisquer circunstâncias, ser exaltado ao grau que lhe permita participar, com ´Abdu´l-Bahá, da posição ímpar que o Centro do Convênio ocupa, e muito menos ainda deverá ser elevado à condição ordenada exclusivamente para o Manifestante de Deus. Tão grave divergência dos preceitos estabelecidos de nossa Fé nada menos é que aberta blasfêmia. Como já tive ocasião de expor, ao tratar da posição de ´Abdu´l-Bahá, o abismo que O separa do Autor de uma Revelação Divina, se bem que vasto, nunca pode ser comensurável com a distância entre Aquele que é o Centro do Convênio de Bahá´u´lláh e os Guardiães escolhidos como os ministros deste Convênio. Muito, muito maior é a distância que separa o Guardião e o Centro do Convênio, do que a que existe entre o Centro do Convênio e seu Autor.
Sinto-me constrangido a fazer a seguinte declaração para ser registrada: nenhum Guardião da Fé jamais poderá dizer-se o perfeito exemplar dos ensinamentos de Bahá´u´lláh, o espelho imaculado que reflita Sua luz. Embora esteja à sombra da proteção constante, infalível, de Bahá´u´lláh e do Báb, e ainda que participe, com ´Abdu´l-Bahá, do direito e da obrigação de interpretar os ensinamentos bahá´ís, ele é não obstante, essencialmente humano e, se deseja ser fiel à sua incumbência, não pode arrogar a si, sob pretexto algum, os direitos, os privilégios e as prerrogativas que Bahá´u´lláh se dignou conferir ao Seu Filho. À luz desta verdade, pois se orássemos ao Guardião da Fé ou o chamássemos de senhor e mestre, ou o designássemos como sua santidade, procurando sua benção, ou se comemorássemos seu aniversário natalício ou qualquer acontecimento de sua vida, estaríamos divergindo daquelas verdades estabelecidas que nossa amada Fé encerra. O fato de haver sido o Guardião especificamente dotado daquele poder que lhe é necessário, para que ele possa revelar o intuito e o significado das palavras de Bahá´u´lláh não quer dizer que lhe tenha sido conferida uma posição igual à daqueles cujas palavras é incumbido de interpretar. Ele pode exercer este direito, e desempenhar essa obrigação, e contudo permanecer infinitamente inferior a ambos quanto à posição, e diferente em natureza.
Abundante testemunho da integridade deste princípio cardeal de nossa Fé, devemos encontrar nas palavras e nos atos dos seus Guardiães presentes e futuros. Pela conduta e pelo exemplo deverão eles estabelecer a verdade deste princípio sobre um alicerce inatacável, e transmitir, a futuras gerações, evidências irrefutáveis desta realidade.
Se eu, da minha parte, hesitasse em reconhecer uma verdade tão vital, ou vacilasse em proclamar tão firme convicção, isso constituiria uma vergonhosa traição da confiança depositada em mim por ´Abdu´l-Bahá e uma imperdoável usurpação da autoridade com que Ele mesmo foi investido.
Seria oportuna aqui uma palavra sobre a teoria em que se baseia esta Ordem Administrativa, e sobre o princípio que deve governar a operação de suas mais importantes instituições. Criaríamos uma impressão inteiramente errada, se tentássemos fazer uma comparação, sequer, entre esta Ordem sem paralelo, divinamente concebida, e qualquer um dos diversos sistemas inventados pelas mentes dos homens, nos vários períodos da história, para o governo das instituições humanas. Tal tentativa mostraria que nos falta uma adequada apreciação de tão excelente obra do seu grande Autor. Bem sabemos que não poderia ser de outro modo quando nos lembramos de que esta Ordem constitui o verdadeiro padrão daquela civilização divina destinada a ser estabelecida na terra pela Lei todo poderosa de Bahá´u´lláh. Os sistemas políticos humanos, diversos e instáveis que são, sejam do passado ou do presente, quer tenham se originado no Oriente, quer no Ocidente – não oferecem nenhum critério adequado segundo o qual se possa estimar a potência de suas virtudes ocultas, ou avaliar a solidez de seus alicerces.
A Comunidade Bahá´í do futuro, alicerçada unicamente sobre esta vasta Ordem Administrativa, não só desafia qualquer comparação em toda a história das instituições políticas, mas também não encontra paralelo nos anais de qualquer um dos reconhecidos sistemas religiosos do mundo, quer seja em teoria quer na prática. Forma alguma de governo democrático; sistema algum de autocracia ou de ditadura, quer monárquico, quer republicano; nenhum esquema de ordem puramente aristocrático; nem mesmo qualquer dos reconhecidos tipos de teocracia – seja da Comunidade Hebraica, ou das várias organizações eclesiásticas Cristãs, ou da dos Imames ou do Califado no Islã – nenhum destes pode ser considerado idêntico ou conforme a Ordem Administrativa moldada pela mão mestra de seu Arquiteto perfeito.
Esta recém-nascida Ordem Administrativa incorpora, dentro de sua estrutura, certos elementos que se encontram em cada uma das três reconhecidas formas de governo temporal, sem que ela seja, em sentido algum, mera réplica de qualquer destas, e sem que introduza, dentro de seu mecanismo, qualquer uma das feições desfavoráveis que elas inerentemente possuem. Esta Ordem une e harmoniza as verdades salutares contidas, sem dúvida, em cada um destes sistemas – coisa que governo algum moldado por mãos mortais até agora conseguiu fazer – e sem, contudo, viciar a integridade daquelas verdades divinas em que, em última análise, se baseia.
De modo algum deve-se considerar como puramente democrática em caráter a Ordem Administrativa da Fé de Bahá´u´lláh, desde que esta dispensação carece em absoluto, da assunção básica segundo a qual todas as democracias têm de depender do povo, fundamentalmente, para seu mandato. Quando tratam da administração da Fé e da legislação necessária para suplementar as leis do Kitáb-i-Aqdas, os membros da Casa Universal de Justiça – devemos sempre nos lembrar – segundo indicam claramente as palavras de Bahá´u´lláh – não são responsáveis perante as pessoas que eles representam nem lhes é permitido guiar-se pelos sentimentos, pela opinião geral, ou mesmo pelas convicções das massas dos fiéis, ou daqueles que diretamente os elegeram. Devem seguir, antes, numa atitude de prece, a orientação e os ditames da própria consciência. Podem – ainda mais, devem – procurar conhecer as condições que prevalecem entre a comunidade, e devem pesar em suas mentes, desapaixonadamente, os méritos de qualquer caso que lhes seja apresentado para consideração, mas devem contudo reservar para si o direito de uma decisão irrestrita. “Deus, em verdade, inspirá-los-á com aquilo que Lhe aprouver”, é a asseveração incontrastável de Bahá´u´lláh. Assim, pois, eles – e não as pessoas que, direta ou indiretamente, os elegem – são os recipientes da orientação divina que é, a um tempo, o sangue vital e a salvaguarda final desta Revelação. Além disto, aquele que simboliza o princípio hereditário nesta Revelação foi designado o intérprete das palavras de seu Autor e, por conseguinte, em virtude da autoridade real de que foi investido, deixa de ser a figura passiva associada invariavelmente aos prevalecentes sistemas de monarquias constitucionais.
Nem pode a Ordem Administrativa Bahá´í ser relegada à categoria de sistema rígido, inflexível, de uma autocracia incondicional, nem tampouco à de uma vã imitação de qualquer forma de governo eclesiástico absolutista – quer seja o Papado, o Imanato, ou qualquer outra instituição semelhante, por esta razão óbvia: foi concedido aos representantes internacionais pelos adeptos de Bahá´u´lláh o direito exclusivo de legislar sobre questão não expressamente tratadas nas escrituras bahá´ís. Jamais poderá o Guardião da Fé, ou qualquer outra instituição, a não ser a Casa Universal de Justiça, usurpar este poder vital, essencial, ou infringir este sagrado direito. Ainda mais evidência do caráter não-autocrático da Ordem Administrativa Bahá´í e de sua inclinação para métodos democráticos, vemos-las na abolição do clero profissional com seus sacramentos de batismo, comunhão e confissão de pecados, bem como nas leis que requerem a eleição por sufrágio universal de todas as Casas de Justiça locais, nacionais e internacional, e na completa ausência de autoridade episcopal com os privilégios, as corrupções e as tendências burocráticas que a acompanham.
Nem deve essa Ordem, identificada com o nome de Bahá´u´lláh, ser confundida com qualquer sistema de governo puramente aristocrático, pois enquanto, por um lado, ela sustenta o princípio hereditário, e confia ao Guardião da Fé a obrigação de interpretar seus ensinamentos, por outro, providencia a eleição livre e direta, dentre as suas dos fiéis, do corpo que constitui seu mais alto órgão legislativo.
Embora não se possa dizer que esta Ordem Administrativa tenha sido modelada segundo qualquer um dos reconhecidos sistemas de governo, ela incorpora, no entanto, dentro de sua estrutura e reconcilia e assimila, alguns elementos salutares que se encontram em cada um deles. A autoridade hereditária que o Guardião é incumbido de exercer, as funções vitais, essenciais, desempenhadas pela Casa Universal de Justiça, as específicas provisões que exigem sua eleição democrática pelos representantes dos fiéis – tudo isso demonstra a verdade deste fato: esta Ordem divinamente revelada, se bem que não possa ser identificada com qualquer dos tipos padrões aos quais Aristóteles alude em suas obras, aproveita, entretanto, os elementos benéficos possuídos por cada um destes, incorporados e harmonizando-os com as verdades espirituais em que ela mesma se baseia. Sendo excluídos, rígida e permanentemente, os reconhecidos males inerentes a cada um destes sistemas, esta Ordem incomparável – nada importando quanto tempo dure ou quão extensamente se ramifique – jamais poderá degenerar ao ponto de se tornar uma forma daquele despotismo ou daquela oligarquia ou demagogia que, cedo ou tarde, corrompem o mecanismo de todas as instituições políticas, - essencialmente defeituosas que são – feitas pelo homem.
Caríssimos amigos! Por significativas que sejam as origens dessa poderosa estrutura administrativa, e por incomparáveis que sejam suas características, não nos parecem menos notáveis os acontecimentos que anunciaram – podemos dizer – seu nascimento, e que assimilaram a etapa inicial de sua evolução. Como é nítido, e também edificante o contraste entre o processo da lenta e constante consolidação que caracteriza o crescimento de sua força infantil e o ímpeto devastador das forças da desintegração que atacam as instituições já obsoletas, tanto religiosas como seculares, da sociedade atual!
A vitalidade tão claramente mostrada pelas instituições orgânicas desta grande Ordem, que se expande com tanta rapidez; os obstáculos já vencidos pela alta coragem e destemida resolução de seus administradores; o fogo de um entusiasmo inextinguível, ardendo aos corações de seus instrutores itinerantes, com um fervor que não se esvaece; as alturas de abnegação agora sendo atingidas por seus construtores-campeães; a largueza de visão, a esperança confiante, a alegria criadora, a paz interior, a integridade absoluta, a disciplina exemplar, a inabalável união e solidariedade que seus corajosos defensores manifestam; o grau em que seu Espírito impulsor se tem mostrado capaz de assimilar, dentro de seu âmbito, os mais divergentes elementos, purificando-os de toda forma de preconceito e fundindo-os com sua própria estrutura – tudo isso evidencia um poder ao qual uma sociedade desiludida e lastimavelmente agitada não deve deixar de dirigir a atenção.
Comparemos tão esplêndidas manifestações do espírito animando este corpo vibrante da Fé Bahá´í, com os gritos e a agonia, as loucuras e as vaidades, a amargura e os preconceitos, a perversidade e a divisão de um mundo enfermo e caótico. Vejamos o medo que atormenta seus líderes e paralisa a ação de seus estadistas cegos e confusos. Como são violentos os ódios, falsas as ambições, desprezíveis as ocupações, e profundamente arraigadas as suspeitas de seus povos! Quão alarmantes a anarquia, a corrupção, a descrença, que corroem as vísceras de uma civilização cambaleante!
Não será que este processo de constante deterioração, agora invadindo insidiosamente tantos setores de atividade e pensamentos humanos, deva ser considerado como necessariamente concomitante ao surgir deste todo-poderoso Braço de Bahá´u´lláh? Não será que os momentosos eventos que têm agitado tão profundamente todos os continentes da terra, no decorrer dos últimos vinte anos, devam ser vistos como sinais ominosos proclamando simultaneamente a agonia de uma civilização que se desintegra e as angústias do nascimento daquela Ordem Mundial – daquela Arca da salvação humana – que há forçosamente de se erguer sobre suas ruínas?
O tumulto causado no mundo ao surgir este poderoso Órgão da Religião de Bahá´u´lláh é atestado pela queda catastrófica de grandes monarquias e impérios no continente europeu, alguns dos quais mencionados em Suas profecias; é atestado também, pelo declínio que começou, e ainda continua, nas fortunas da hierarquia feita na própria terra natal de Bahá´u´lláh; pela queda da dinastia de Qájár, o inimigo tradicional de Sua Fé, pelo desmoronamento do sultanado e do califado, pilares estes do Islã sunní – evento em que vemos um paralelo notável à destruição de Jerusalém em fins do primeiro século da era Cristã. É atestado pela onda de secularização que está invadindo as instituições eclesiásticas maometanas no Egito, e minando a lealdade de seus mais firmes defensores; e vemos ainda outra evidência nos humilhantes ataques dirigidos contra algumas das mais poderosas igrejas do cristianismo na Rússia, na Europa Ocidental e na América Central; na disseminação daquelas doutrinas subversivas que estão solapando os alicerces e derrubando a estrutura de cidadelas que pareciam inexpugnáveis nas esferas social e política da atividade humana; e, afinal, nos sinais de uma catástrofe iminente – fazendo lembrar extraordinariamente a Queda do Império Romano no Ocidente – e que ameaça engolfar a inteira estrutura de nossa civilização atual. E este tumulto há de ampliar seu âmbito e aumentar sua intensidade na proporção em que se venha a compreender mais completamente o que significa estes Esquema que evolui ininterruptamente, ramificando-se e estendendo-se cada vez mais sobre a superfície do globo.
Ainda uma palavra, em conclusão. O surgir e a consolidação desta Ordem Administrativa – a concha que abriga e encerra tão preciosa jóia – constitui o distintivo do segundo período da era bahá´í – o período formativo. Virá a ser considerada, à medida que se afaste de nossos olhos, tornando-se cada vez mais remota, como o principal agente incumbido de inaugurar a fase final, a consumação, desta gloriosa Dispensação.
Que ninguém – enquanto este Sistema estiver ainda na infância – forme um conceito errôneo de seu caráter, lhe diminua a significação ou lhe atribua um objetivo falso. A rocha que alicerça esta Ordem Administrativa é o Propósito imutável de Deus para a humanidade de hoje. A Fonte de que deriva sua inspiração não é outra senão o Próprio Bahá´u´lláh. Seu escudo e seu defensor são as hostes do Reino de Abhá, que lutam em batalha. Sua semente é o sangue de nada menos de vinte mil mártires que ofereceram as vidas para que essa Ordem nascesse e se desenvolvesse. O eixo, em torno do qual giram suas instituições, são as autênticas provisões da Última Vontade e Testamento de ´Abdu´l-Bahá. Os princípios que a guiam são as verdades tão claramente enunciadas por Aquele Intérprete infalível dos ensinamentos de nossa Fé, em Seus discursos públicos no Ocidente. As leis que lhe governa a operação e limitam as funções são aquelas que foram expressamente ordenadas no Kitáb-i-Aqdas. A sede na qual concentrar-se-ão suas atividades espirituais, humanitárias e administrativas é o Masriqu´l-Adhkár e as suas Dependências. Os pilares que lhe sustentam a autoridade e fortalecem a estrutura são as instituições gêmeas da Guardiania e da Casa Universal de Justiça. O intuito central que a baseia e anima é o estabelecimento da Nova Ordem Mundial segundo esboçada por Bahá´u´lláh. Os métodos que emprega, o padrão que ela inculca, não inclinam nem para Oriente nem Ocidente, judeu ou gentio, nem para rico ou pobre, branco ou preto. Sua divisa é a unificação da espécie humana; seu estandarte, a “Maior Paz”; sua consumação, o advento daquele milênio áureo – o Dia em que os reinos deste mundo terão se transformado no Reino do Próprio Deus, no Reino de Bahá´u´lláh.
Haifa, Palestina.
8 de fevereiro de 1934
Composto e impresso nos Estab. Gráficos Borsoi S.A. Indústria e Comércio,
à Rua Francisco Manuel, 55 – ZC-15, Benfica, Rio de Janeiro, RJ
* N.E. – Escrito em 1934.
POR
SHOGHI EFFENDI
EDITORA BAHÁ´Í – BRASIL
Primeira Edição – 1953
Segunda Edição – 1985
Capa: Flávia Sales
BAHÁ´U´LLÁH
Aos amados de Deus e servos do Misericordioso em todo o Ocidente.
Colaboradores da Vinha Divina:
No dia 23 de Maio deste auspicioso ano, o mundo bahá´í celebrará o nonagésimo aniversário da fundação da Fé estabelecida por Bahá´u´lláh. Nós que nesta hora nos encontramos no limiar da última década do primeiro século da era bahá´í, bem poderíamos nos deter afim de refletir sobre as graças misteriosas de tão augusta e momentosa Revelação. Que vasto e fascinante panorama é o que se desenrola ante nossos olhos com a revolução de noventa anos! Quase que nos acabrunha sua grandeza sobrepujante. Se apenas se contemplar este espetáculo sem paralelo e formar um conceito, por mais inadequado que seja, das circunstâncias que acompanharam o surgir dessa suprema Teofania e seu desenvolvimento gradativo, e se forem lembradas, ainda que em seu mais simples esboço, as dolorosas lutas que proclamaram seu início e aceleraram sua marcha, isto será o bastante para convencer todo observador imparcial daquelas verdades eternas que motivam a vida desta Revelação e devem continuar a impulsioná-la até que alcance sua destinada ascendência.
Dominando todo o âmbito deste deslumbrante espetáculo, sobressai a figura incomparável de Bahá´u´lláh, de transcendente majestade, serena, venerável, de uma sublimidade sem par. Aliado, embora subordinado em grau, e investido da autoridade de presidir, com Ele, os destinos desta suprema dispensação, brilha sobre este quadro mental o Báb, em toda a glória de Sua juventude, com Sua infinita ternura, com Seu encanto irresistível e heroísmo jamais excedido, e Seu paralelo nas circunstâncias dramáticas de Sua curta e momentosa vida. E surge, finalmente, a personalidade vibrante, magnética de ´Abdu´l-Bahá, ainda que num plano próprio e numa categoria inteiramente distinta daquela ocupada pelas Figuras gêmeas que O precederam. Num grau jamais alcançado por homem algum, por elevada que fosse sua posição, reflete ´Abdu´l-Bahá a glória e o poder possuídos por Aqueles – e por Aqueles somente – que são os Manifestantes de Deus.
Com a ascensão de ´Abdu´l-Bahá e, sobretudo, com o falecimento de Sua bem-amada e ilustre irmã, a Folha Mais Sagrada, a última sobrevivente de uma era heróica e gloriosa, encerrou-se o primeiro e o mais comovente capítulo da história bahá´í, marcando a conclusão do Período Primitivo e Apostólico da Fé de Bahá´u´lláh. Foi ´Abdu´l-Bahá quem pelas provisões de Seu poderoso Testamento, forjou o elo vital que há de ligar para sempre a era que acaba de expirar com aquela em que ora vivemos – o Período Transitório e Formativo da Fé – etapa que há de florescer na plenitude dos tempos e frutificar nas proezas e nos triunfos destinados a anunciar a Idade Áurea da Revelação de Bahá´u´lláh.
Meus amados amigos! Graças aos cuidados dos escolhidos de uma Fé de vasto alcance, estão se reunindo e organizando agora, gradualmente, ante os nossos próprios olhos, as forças impetuosas que dois Manifestantes independentes, vindos em rápida sucessão, milagrosamente liberaram. Essas forças estão se cristalizando pouco a pouco em instituições que virão a ser consideradas os marcos gloriosos da era que devemos estabelecer agora e imortalizar pelas nossas obras. Pois das tentativas que fazemos hoje e, sobretudo, da intensidade do nosso esforço por reformar nossas vidas segundo o modelo de sublime heroísmo associado àqueles que nos precederam, deve depender a eficácia dos instrumentos que agora moldamos – instrumentos esses que devem erigir a estrutura daquela bem-aventurada Comunidade que irá assinalar a Idade Áurea de nossa Fé.
Não é meu propósito, ao passar em revista estes anos repletos de proezas, tentar fazer nem sequer um breve relato dos grandiosos acontecimentos ocorridos desde 1844 até hoje. Nem tenciono analisar as forças que os precipitaram, ou avaliar sua influência sobre povos e instituições em quase todos os continentes do globo. Os fatos autênticos registrados sobre a vida dos primeiros crentes do período inicial de nossa Fé, bem como a assídua investigação que deve ser empreendida, por competentes historiadores bahá´ís do futuro transmitirão à posteridade uma exposição da história dessa época, muito mais magistral do que qualquer esforço meu conseguiria fazer. O que mais me preocupa neste período tão desafiador da história bahá´í, é o dever de levar à atenção daqueles destinados a serem os campeões na construção da Ordem Administrativa de Bahá´u´lláh, certas verdades fundamentais cuja elucidação lhes há de facilitar grandemente o eficaz prosseguimento de sua grandiosa obra.
Além disso, a posição internacional já atingida pela Religião de Deus exige imperativamente o esclarecimento definitivo de seus princípios básicos. O ímpeto sem precedente que os brilhantes feitos dos bahá´ís americanos deram à marcha da Fé; o intenso e rápido interesse que o primeiro Mashriqu´l-Adhkár do Ocidente está despertando entre as diversas raças e nações; a consolidação gradual das instituições bahá´ís em nada menos de quarenta dos países mais adiantados do mundo; a disseminação da literatura bahá´í em vinte e cinco dos mais difundidos idiomas; o êxito que coroou os esforços dos bahá´ís persas, recentemente, em seus passos preliminares para o estabelecimento, nos arredores da capital de sua terra natal, do terceiro Mashriqu´l-Adhkár do mundo bahá´í; as medidas que já estão sendo tomadas para a formação imediata de sua primeira Assembléia Espiritual Nacional, que deve representar os interesses da grande maioria dos adeptos bahá´ís; a ereção, já projetada, de mais um pilar da Casa Universal de Justiça, primeiro em seu gênero no hemisfério meridional; os testemunhos, tanto verbais como escritos que a Fé, em seu esforço incansável, tem recebido de realezas, de instituições governamentais, de tribunais internacionais e dignitários eclesiásticos; a publicidade devida às próprias acusações dirigidas contra ela por inimigos inexoráveis, antigos e recentes; o ato formal que libertou uma parte de seus adeptos dos grilhões da ortodoxia muçulmana em um país considerado o mais adiantado entre as nações islâmicas – tudo isso prova sobejamente a crescente rapidez com que a comunidade invencível do Nome Supremo se aproxima da vitória final.
Muito estimados amigos! Numa época em que a luz da publicidade está focalizada cada vez mais sobre nós, considero que minha incumbência – em virtude das obrigações e responsabilidades que eu, como Guardião da Fé de Bahá´u´lláh, devo cumprir – dar ênfase especial a certas verdades que baseiam nossa Fé, e cuja integridade é nosso primeiro dever salvaguardar. Estou convencido de que estas verdades, se forem corajosamente apoiadas, e assimiladas de um modo adequado, reforçarão muito o vigor de nossa vida espiritual e concorrerão para neutralizar as intrigas de um inimigo implacável e vigilante.
É minha convicção inalterável que todo fiel adepto deve ter, como sua primeira obrigação e o objeto de seu constante esforço, adquirir um conhecimento mais adequado do significado da estupenda Revelação de Bahá´u´lláh. Uma compreensão exata e completa de tão vasto sistema, de tão sublime revelação, de tão sagrada incumbência, está, por óbvias razões, fora do alcance de nossas mentes limitadas. Contudo podemos – e é nosso dever incontestável, enquanto trabalhamos na propagação de Sua Fé – procurar derivar nova inspiração e maior apoio, mediante um conceito mais nítido das verdades que essa Fé encerra, e dos princípios em que se baseia.
Ao explicar a posição do Báb, numa das comunicações dirigidas aos crentes americanos, fiz uma ligeira referência à incomparável grandeza da Revelação de que Ele se considerava o humilde Precursor. Ele – aclamado por Bahá´u´lláh no Kitáb-i-Iqán, como o prometido Qá´im – Aquele que manifestou nada menos de vinte e cinco dentre as vinte e sete letras destinadas a ser reveladas por todos os profetas – esse tão grande Revelador testemunhou. Ele mesmo, a respeito da preeminência da Revelação superior que dentro em breve haveria de suceder à Sua própria. “O germe”, assevera o Báb no Bayán persa, “que contém dentro de si as potencialidades da Revelação que há de vir, é dotado de um poder superior às forças reunidas de todos os que Me seguem”. “De todos os tributos que prestei Àquele destinado a Me suceder”, Ele afirma ainda, “o maior é este: Minha confissão, por escrito, de que palavra alguma por Mim proferida poderá descrevê-Lo adequadamente e, tão pouco, referência alguma a Seu respeito em Meu Livro, o Bayán, poderá apresentar, de uma maneira digna, a Sua Causa.” “O Bayán”, declarou Ele categoricamente no mesmo Livro: “e quem quer que nele esteja mencionado, giram em torno das palavras daquele que Deus tornará manifesto, assim como o Alif (o Evangelho) e qualquer um que nele estivesse mencionado giraram ao redor das palavras de Maomé, o Apóstolo de Deus.” “A leitura do Bayán”, disse mais, “ainda que seja feita mil vezes, não poderá igualar a leitura cuidadosa de um só versículo a ser revelado por Aquele que Deus tornará manifesto... O Bayán encontra-se hoje em estado embrionário; a sua perfeição completa será mostrada ao iniciar-se a Revelação daquele que Deus tornará manifesto... O Bayán e todos seus crentes anelam por Ele mais ardentemente do que qualquer amante por sua amada... Toda a glória do Bayán deriva daquele que Deus tornará manifesto... Bem-aventurado quem Nele acreditar, e ai de qualquer um que rejeite Sua Verdade!”
Dirigindo-se a Siyyid Yahyáy-i-Dárábí, conhecido como Vahíd, o mais proeminente entre os adeptos, em virtude de sua erudição, sua eloqüência e seu prestígio, o Báb pronuncia esta advertência: “Pela justiça Daquele cujo poder faz germinar a semente e que infunde o espírito da vida em todas as coisas! Se eu soubesse que, no dia de Sua manifestação, tu O negarias, não vacilaria em te renunciar e repudiar tua fé... Se, por outro lado, Me disserem que um cristão, que não deve lealdade à Minha Fé, virá a crer Nele, a este Eu considerarei como a menina de Meus Olhos.”
Numa de Suas orações, Ele assim comunga com Bahá´u´lláh: “Exaltado sejas, Ó meu Senhor, o Onipotente! Quão insignificantes e desprezíveis parecem minhas palavras e tudo o que me pertence, a não ser que estejam relacionados à Tua grande glória. Permite, pela Tua graça, que qualquer coisa que me pertença seja aceitável ante os Meus olhos.”
No Qayyúmu´l-Asmá – o comentário do Báb sobre o Súrih de José, caracterizado pelo Autor do Iqán como “o primeiro, o maior e o mais poderoso”, dos livros revelados pelo Báb – lemos as seguintes referências a Bahá´u´lláh: “Do simples nada, Ó grande e onipotente Mestre, Tu, através da potência celestial de Tua grandeza, me fizeste aparecer e me levantaste para proclamar esta Revelação. Em ninguém exceto em Ti depositei minha confiança; não dependi senão de Tua vontade... Ó Tu, Remanescente de Deus, sacrifiquei-me inteiramente por Ti; aceitei maldições por Tua causa, e nada anelei senão o martírio no caminho de Teu amor. Testemunho suficiente para mim é Deus, o Excelso, o Protetor, o Ancião dos Dias...” “E quando houver soado a hora designada”, disse o Báb, dirigindo-se novamente a Bahá´u´lláh no mesmo comentário, “deves Tu, com a aprovação de Deus, o Onipotente, revelar das alturas do Monte Místico, do Monte mais sublime, uma centelha ligeira, infinitésima, de Teu impenetrável Mistério, para que aqueles que hajam reconhecido o brilho do Esplendor Sinaico possam esvair-se e falecer ao avistar um fugaz vislumbre da Luz ardente, carmesim, que envolve Tua Revelação.”
Como mais uma prova da grandeza da Revelação de Bahá´u´lláh, podem ser citados os seguintes extratos de uma Epístola dirigida por ´Abdu´l-Bahá a um eminente adepto zoroastriano: “Havias escrito que se encontra nos livros sagrados daqueles que seguem Zoroastro a profecia de que, nos últimos dias, em três Dispensações distintas, o sol haveria de parar. Na primeira Dispensação, segundo a predição, o sol permanecerá imóvel por dez dias; na segunda, por duas vezes este tempo; na terceira, por nada menos de um mês inteiro. A interpretação dessa profecia é a seguinte: a primeira Dispensação a que ela se refere é a Dispensação Maometana, durante a qual o Sol da Verdade permaneceu imóvel por dez dias. Cada dia representa um século. A Era Maometana, portanto, deve ter durado nada menos de mil anos – exatamente o período que transcorreu entre o ocaso da Estrela do Imanato e o advento da Era proclamada pelo Báb. A segunda Dispensação mencionada nesta profecia é aquela inaugurada pelo próprio Báb, sendo que começou no ano 1260 (depois da Hégira) e findou no ano 1280 (depois da Hégira). Quanta à terceira – a Revelação proclamada por Bahá´u´lláh – desde que o Sol da Verdade, ao atingir essa posição, brilha na plenitude de eu esplendor meridiano, fixou-se um mês inteiro como o período de sua duração – o tempo máximo para a passagem do sol por um signo do zodíaco. Disto podes imaginar a magnitude do ciclo bahá´í – um ciclo que há de abranger um período de pelo menos quinhentos mil anos.”
Pelo texto dessa explícita e autorizada interpretação de tão antiga profecia, é evidente quão necessário se torna que todo fiel seguidor da Fé aceite a origem divina da Revelação maometana e sustente sua posição independente. Nestas mesmas passagens, além disso, está implicitamente reconhecida a validade do Imanato – aquela instituição divinamente estabelecida, de cujo membro mais eminente era o próprio Báb descendente direto, e que, por um período não inferior a duzentos e sessenta anos, continuou a ser guiada pelo Todo Poderoso e a ser o depositário de um dos mais preciosos legados do Islã.
Esta mesma profecia – devemos reconhecer – atesta também o caráter independente da Revelação do Báb e corrobora indiretamente o fato de que, segundo o princípio da revelação progressiva, cada Manifestante divino deve, necessariamente, conceder a divina guia à humanidade de Seu Tempo, em escala mais ampla do que teria sido possível em qualquer época anterior privada ainda da capacidade de a receber ou apreciar. Por isso – e não por algum mérito superior, inerente, que se possa atribuir à Fé Bahá´í – essa profecia dá testemunho da glória e do poder sem paralelo, de que foi investida a Dispensação de Bahá´u´lláh – uma Dispensação cujas potencialidades apenas começamos agora a perceber e nunca haveremos de determinar toda a sua plenitude.
A Fé Bahá´í deve ser considerada – se quisermos ser fiéis às tremendas implicações de sua mensagem – como a culminação de um ciclo, a etapa final numa série de revelações sucessivas, preliminares e progressivas. Começando com Adão e terminando com o Báb, estas revelações vêm preparando o caminho para o advento daquele Dia dos Dias, antecipando-o com uma ênfase sempre crescente – o Dia em que o Prometido de Todos os Tempos haveria de se manifestar.
Dessa verdade encontramos, nas palavras de Bahá´u´lláh, amplo testemunho. Basta uma ligeira referência às declarações feitas por Ele mesmo, repetidas vezes, com tanta veemência e tão irresistível poder, para se demonstrar plenamente o caráter da Revelação de que Ele foi o escolhido portador. Às palavras, pois, que emanam de Sua Pena – manancial de tão intensiva Revelação – devemos dirigir nossa atenção se quisermos obter uma compreensão mais nítida de sua importância e significado. Quer seja ao fazer Suas asseverações sem precedentes, quer seja em Suas alusões às forças misteriosas por Ele liberadas, ou em tais passagens que exaltam as glórias de Seu Dia há tanto esperado, ou que engrandeçam a posição destinada àqueles que tenham reconhecido as virtudes ocultas neste Dia – Bahá´u´lláh, e também o Báb e ´Abdu´l-Bahá em grau quase igual, legaram à posteridade tesouros de tão grande valor que nenhum de nós que pertencemos à presente geração podemos avaliar adequadamente. Tais testemunhos acerca deste tema estão impregnados de tal poder, e revelam tanta beleza, que só aqueles versados nos idiomas originais podem dizer que os tenham apreciado devidamente. E tão grande é seu número que seria necessário escrever um volume inteiro para compilar só os mais salientes dentre eles. Tudo o que eu posso aventurar-me a fazer, neste momento, é compartilhar as passagens que pude escolher de Seus volumosos escritos.
“Dou testemunho perante Deus”, proclama Bahá´u´lláh, “da grandeza, da inconcebível grandeza desta Revelação. Repetidamente, na maioria de Nossas Epístolas, temos atestado essa verdade a fim de despertar de sua indiferença o gênero humano”. “Nesta poderosíssima Revelação”, anuncia Ele de modo inequívoco, “todas as Revelações do passado alcançaram sua consumação mais alta e final.” “O que se manifestou nessa Revelação sublime, proeminente, não tem paralelo nos anais do passado, e tão pouco será igualado em épocas futuras.” “Foi Ele”, proclama ainda Bahá´u´lláh referindo-se a Si próprio, “quem o Velho Testamento chamava de Jeová, Aquele designado no Evangelho como o Espírito da Verdade, e no Alcorão aclamado como o Grande Anúncio.” “Se não fosse Ele, a nenhum Mensageiro divino se haveria conferido o manto de profeta, nem se teria revelado nenhuma das sagradas escrituras. Disso dão testemunho todas as coisas criadas.” “A palavra proferida neste Dia, por Deus, Uno e Verdadeiro, ainda que seja a mais comum e familiar das expressões, está investida de distinção suprema, inigualável.” “A maioria da humanidade acha-se, todavia, imatura. Se houvesse adquirido capacidade suficiente, Nós lhe teríamos concedido tão ampla porção de Nossa sabedoria que todos os que habitam na terra e no céu se haveriam tornado – em virtude das graças emanadas de Nossa Pena – completamente independentes de todo o conhecimento, exceto o conhecimento de Deus e teriam se estabelecido com toda segurança no trono da perene tranqüilidade.” “A Sagrada Pena – afirmo solenemente perante Deus – escreveu sobre a nívea brancura de Minha fronte, em letras de refulgente glória, estas palavras radiantes, perfumadas de almíscar, sacratíssima: ´Eis aqui, vós que habitais na terra, e vós, moradores do céu, daí testemunho: Ele, em verdade, é vosso Bem-Amado. É Aquele cujo igual jamais foi visto pelo mundo da criação, cuja deslumbrante beleza deleitou os olhos de Deus, o Ordenador, o Todo-Poderoso, o Incomparável.”
“Seguidores do Evangelho!” exclama Bahá´u´lláh, dirigindo-se à toda a cristandade, “Eis aqui, abertos de par em par, os portais do céu. Aquele que para aí ascendera, veio agora. Escutai a Sua voz, que clama através da terra e do mar, anunciando a toda a humanidade o advento desta Revelação – uma Revelação por cujo intermédio a Língua da Grandeza ora proclama: ´Eis aqui! Cumpriu-se a sagrada Promessa, pois já veio o Prometido!´” “Do santo vale clama a voz do Filho do Homem: ´Eis-Me aqui, eis-Me aqui, Ó Deus, meu Deus!...´ enquanto vem da Sarça Ardente o grito de: ´Vêde, o Desejado do mundo se manifestou em Sua transcendente glória!´ O Pai já veio. Cumpriu-se aquilo que vos foi prometido no Reino de Deus. Eis o Verbo que o Filho revelou quando disse àqueles a Seu redor que naquele tempo não o podiam suportar... Verdadeiramente, o Espírito da Verdade veio a fim de vos guiar a toda a verdade... Ele foi quem glorificou o Filho e Lhe exaltou a Causa...” “O Confortador, prometido em todas as Escrituras, veio agora para vos revelar todo o conhecimento e sabedoria. Buscai-O por toda a superfície da terra, para que possais, porventura, encontrá-Lo.”
“Chama Sião, Ó Carmelo!”, escreve Bahá´u´lláh, “e anuncia as boas novas: ´Já veio Aquele que estava oculto aos olhos mortais; está manifesta Sua soberania suprema; revelou-se Seu esplendor que tudo abarca... Apressa-te e circunda a Cidade Divina descida do céu, a Kaaba celestial, objeto da adoração dos favorecidos de Deus, dos puros de coração, e da companhia dos anjos mais sublimes.” “Eu sou Aquele” afirma Ele em outra ocasião, “que foi louvado pela língua de Isaías, Aquele cujo Nome adornou tanto o Torah como o Evangelho.” “Apressa-se a glória do Sinai a circundar a Aurora desta Revelação, enquanto das alturas do Reino se ouve a voz do Filho de Deus a proclamar: ´Levantai-vos, Ó vós, soberbos da terra, e sem demora aproximai-vos Dele! O Carmelo apressou-se neste Dia, com anelo e adoração, para alcançar Sua Corte, enquanto surge do coração do Sião este brado: ´Cumpriu-se agora a Promessa de todos os tempos. Manifestou-se aqui o que fora anunciado nas Sagradas Escrituras de Deus, o Bem-Amado, o Altíssimo.´” “Hijaz desperta com os sopros divinos que anunciam as novas de uma jubilosa reunião, e ouvimo-la exclamar: ´Louvado sejas, Ó meu Senhor, o Altíssimo! Por causa de minha separação de Ti eu estava morta e os sopros fragrantes de Tua Presença ressuscitaram-me. Feliz de quem se dirigir a Ti, e ai daquele que se desviar.´” “Por Deus, Uno e Verdadeiro, Elias apressou-se para Minha Corte e circundou, dia e noite, o Meu Trono de glória.” “Salomão, em toda a sua majestade, circula-Me em adoração, neste dia, pronunciando estas elevadas palavras: Voltei minha face para Tua face, Ó poderosíssimo Rei do mundo! Estou completamente desprendido de todas as coisas que me pertencem, e anelo por aquilo que Tu possues.” “Se Maomé, o Apóstolo de Deus, houvesse atingido esse Dia”, escreve Bahá´u´lláh, numa Epístola que revelou às vésperas de Seu desterro para a colônia penal de ´Akká, “Ele teria exclamado: Em verdade, Eu Te reconheci, Ó Tu, Desejo dos Mensageiros Divinos. Tivesse Abraão o alcançado, Ele também ter-se-ia prostrado ao solo e com absoluta humildade ante o Senhor teu Deus exclamado: ´Meu coração está cheio de paz. Ó Tu, Senhor de tudo o que existe no céu e na terra! Declaro que Tu desvendaste aos meus olhos toda a glória de Teu poder e a plena majestade de Tua lei!...´ Se o próprio Moisés o tivesse atingido, também teria levantado a voz, dizendo: ´Toda a glória seja a Ti, por haveres feito surgir sobre mim a luz de Teu semblante e me incluído entre aqueles que tiveram o privilégio de contemplar Tua face!´” “Tanto o Norte como o Sul vibram ao ouvir anunciado o advento de Nossa Revelação. Podemos ouvir a voz de Meca exclamando: ´Todo o louvor seja a Ti, Ó Senhor Meu Deus, o Todo Glorioso, por haveres exalado sobre mim os sopros fragrantes de Tua Presença!´E Jerusalém, de modo semelhante, chama em voz alta: ´Louvado e glorificado és Tu, Ó Bem-Amado da terra e do céu, por haveres transformado a agonia de minha separação de Ti em regozijo, pela força ressuscitadora da reunião!´”
“Pela justiça de Deus”, afirma Bahá´u´lláh, desejoso de revelar a plena potência de Seu invencível poder, “se um homem, completamente só, se levantar em nome de Bahá e vestir a armadura de Seu amor, o Todo-Poderoso conceder-lhe-á a vitória, ainda que se juntem contra ele as forças da terra e do céu.” “Por Deus – e não há outro Deus além Dele! – Se qualquer um se esforçar pelo triunfo de Nossa Causa, Deus torná-lo-á vitorioso, embora dezenas de milhares se aliem contra ele. E se seu amor por Mim aumentar, Deus estabelecerá sua ascendência sobre todos os poderes da terra e do céu. Assim insuflamos o espírito do poder em todas as regiões.”
“Este é o Rei dos Dias” – de tal modo Ele exalta a época que testemunhou o advento de Sua Revelação – “o Dia que presenciou a vinda do Mais-Amado, Daquele que é aclamado, desde toda a eternidade, o Desejo do Mundo”. “O mundo existente brilha neste Dia com o esplendor desta Revelação Divina. Todas as coisas criadas elogiam suas graças salvadoras e cantam seus louvores. O universo acha-se envolto num êxtase de júbilo e contentamento. As Escrituras das Dispensações passadas celebram o grande regozijo que há de saudar este, o mais grandioso Dia de Deus. Bem-aventurado quem viveu até ver esse Dia e reconheceu o grau de sua grandeza.” “Se a humanidade desse ouvidos, de uma maneira digna, a apenas uma palavra deste louvor, encher-se-ia de deleite ao ponto de ficar enlevada de admiração. Extasiada, brilharia, pois, resplandecente sobre o horizonte da verdadeira compreensão.”
“Sede justos, Ó vós, povos do mundo!” – assim faz Ele seu apelo à humanidade. – “Será digno e decoroso que ponhais em dúvida a autoridade de um Ser cuja presença “Aquele que conversou com Deus” (Moisés) ansiou por alcançar, a beleza de cujo semblante o “Bem-Amado de Deus” (Maomé) anelou contemplar, graças à potência de cujo amor o “Espírito de Deus” (Jesus) subiu ao céu, e por cuja Causa o “Ponto Primordial” (o Báb) ofereceu em holocausto a sua vida?” “Aproveitai vossa oportunidade”, adverte Ele aos que O seguem, “pois um momento fugaz neste Dia excede em valor séculos de uma era passada... Dia igual jamais foi visto, nem pelo sol nem pela lua... É evidente ter sido divinamente ordenada toda era em que tenha vivido um Manifestante de Deus, podendo ser caracterizada, pois, de certo modo, como o Dia designado de Deus. Este Dia, porém, é incomparável e deve ser distinguido dos que o precederam. A designação de “Selo dos Profetas” revela e demonstra plenamente sua alta posição.”
Dissertando sobre as forças latentes em Sua Revelação, Bahá´u´lláh revela o seguinte: “Com o movimento de Nossa Pena de glória – por imperativo do Onipotente, que tudo ordena – insuflamos uma vida nova em cada ser humano, e imbuímos cada palavra de uma nova potência. Todas as coisas criadas proclamam as provas dessa regeneração universal. São as novas mais grandiosas, mais regozijantes”, acrescenta Ele, “que a Pena deste Injuriado já participou à humanidade”. “Como é grande a Causa!”, exclama Ele em outra passagem, “quão acabunhador o peso de sua mensagem! Este é o dia de que se disse: Ó meu filho! Em verdade, Deus há de revelar tudo, mesmo que tenha apenas o peso de um grão de mostarda e esteja escondido numa rocha, quer no céu, quer na terra, pois Deus é Quem tudo penetra e de tudo está informado.” “Pela retidão de Deus, Uno e Verdadeiro! Se for perdida a mais infinitésima jóia, ficando ela enterrada debaixo de um monte de pedras, e escondida além dos sete mares, a Mão da Onipotência seguramente há de revelá-la neste Dia, pura e livre de escória.” “Quem participar das águas de Minha Revelação provará as incorruptíveis delícias ordenadas por Deus desde o princípio que não teve princípio até o fim que não terá fim.” “Cada uma das letras procedentes de Nossa boca é dotada de um poder regenerador que a torna capaz de fazer aparecer uma nova criação - uma criação cuja magnitude é inescrutável para todos exceto Deus. Ele, em verdade, tem conhecimento de todas as coisas.” “Está em Nosso poder – se assim quisermos – fazer com que uma partícula flutuante de pó, em menos de um abrir e fechar de olhos, gere sóis de infinito e inconcebível esplendor, ou uma gota de orvalho se converta em vastos e inumeráveis oceanos, ou em cada letra seja infundida uma força que a torne capaz de revelar todo o conhecimento das épocas passadas e futuras.” “Possuímos tamanho poder que se for revelado, transmutará o veneno mais mortal em panacéia de infalível eficácia.”
Avaliando a posição do verdadeiro crente, Ele observa: “Pelos pesares que afligem a beleza do Todo Glorioso! É tal a posição destinada ao verdadeiro crente que, se fosse revelada à humanidade uma pequena parte de sua glória – menor até em tamanho que o fundo de uma agulha – todos os que a contemplassem consumir-se-iam na ânsia de alcançá-la. Eis porque se decretou que, nesta vida terrena, ficasse velada para os olhos do crente a glória de sua própria posição em toda a sua plenitude.” “Se se levantasse o véu”, afirma Ele também, “manifestando assim a plena glória da posição dos que se tenham voltado inteiramente para Deus e renunciado o mundo por Seu amor, toda a criação ficaria estupefata.”
Fazendo ressaltar o caráter superlativo de Sua Revelação, comparada com aquela que lhe precedeu, Bahá´u´lláh faz a seguinte afirmação: “Se todos os povos do mundo forem investidos dos poderes e atributos destinados às Letras do Vivente – os discípulos escolhidos do Báb e cuja posição é dez mil vezes mais gloriosa que qualquer das posições alcançadas pelos apóstolos da antiguidade – e se um destes povos hesitar, ou até mesmo todos hesitarem, embora seja por menos de um abrir e fechar de olhos, em reconhecer a luz de Minha Revelação, de nada lhes servirá a sua fé e eles serão contados entre os infiéis.” “Tão tremenda é a efusão das graças divinas nesta Era que, se houvessem mãos mortais bastante ágeis para registrá-las, fluiriam versículos com tal abundância, no breve espaço de um dia e uma noite que equivaleriam ao conteúdo inteiro do Bayán persa.”
“Escutai minha advertência, Ó vós, povo da Pérsia!” – assim Ele se dirige a Seus conterrâneos. – “Se eu for sacrificado por vossas mãos, Deus seguramente fará surgir outro que tomará o lugar deixado vazio com a Minha morte, pois este é o método usado por Deus desde os tempos antigos, e modificação alguma podereis encontrar em Seu modo de proceder.” “Se tentarem ocultar Sua luz no continente, Ele, com toda a certeza, levantará a cabeça no próprio âmago do oceano e, alçando Sua voz, proclamará: “Eu sou quem dá vida ao mundo”...” E se O arrojarem dentro de um fosso escuro, encontrá-Lo-ão sentado nos cumes mais elevados da terra, exclamando a toda a humanidade: “Veio o Desejo do mundo! Ei-Lo em Sua majestade, Sua soberania e Seu domínio transcendente!” E se O sepultarem nas profundezas da terra, Seu espírito, remontando ao ápice do céu, fará ressoar este chamado: “Eis o advento da Glória; vede o Reino de Deus, o Santíssimo, o Clemente, o Todo-Poderoso!” “Há acentos aprisionados na garganta deste Jovem” - consta ainda outra estupenda declaração – “os quais, se forem revelados à humanidade, embora em porção menor que a contida no fundo de uma agulha, bastarão para fazer desmoronarem todas as montanhas, descolorirem-se as folhas das árvores e caírem seus frutos; para obrigar toda cabeça a se inclinar em veneração e toda face a se dirigir em adoração a este Rei onipotente que, em várias épocas e de modos diversos, aparece como uma chuva devoradora, ou um oceano encapelado, ou uma luz radiante, ou como a árvore que, arraigada ao solo da santidade, eleva seus galhos e estende seus ramos até mesmo além do trono da glória perene.”
Antecipado o Sistema que o irresistível poder de Sua Lei estava destinado a desenvolver em épocas subseqüentes. Ele escreve: “O equilíbrio do mundo foi alterado pela vibrante influência desta Ordem grandiosa, desta nova Ordem Mundial. A vida ordenada do gênero humano foi revolucionada pela ação deste Sistema maravilhoso, incomparável, cujo igual jamais foi visto por olhos mortais.” “A mão da Onipotência estabeleceu Sua Revelação sobre alicerces inexpugnáveis, perenes. As tempestades das lutas humanas são impotentes para minar sua base, nem tampouco poderão as fantásticas teorias dos homens danificar-lhe a estrutura.”
No Súratu´l-Haykal, uma das mais imponentes obras de Bahá´u´lláh, encontram-se os seguintes versículos, cada um dos quais prova o irresistível poder infundido pelo seu Autor na Revelação que Ele proclamara: “Em Meu Templo, nada se vê senão o Templo de Deus; em Minha beleza, não se vê senão Sua Beleza; em Meu ser, só é visível Seu Ser; em Mim mesmo, outro não se manifesta senão Ele Mesmo; em Meu movimento se vê apenas Seu Movimento; em Minha aquiescência, se vê apenas Sua Aquiescência, e em Minha pena, apenas Sua Pena, a Poderosa, de todos louvada. Jamais houve em Minh´alma outra coisa senão a Verdade, e em Mim mesmo nada se viu a não ser Deus.” “O Próprio Espírito Santo foi gerado em virtude de uma só letra revelada por este Espírito Supremo – se pudésseis compreender...” “Dentro do tesouro dos Nossos conhecimentos, jaz um que ainda não foi revelado, do qual bastaria uma só palavra – se a quiséssemos divulgar à humanidade – para fazer todo ser humano reconhecer o Manifestante de Deus e admitir Sua onisciência, descobrir os segredos de todas as ciências, e alcançar tal posição que se tornasse completamente independente de toda erudição, quer do passado, quero do futuro. Possuímos outros conhecimentos, também, dos quais nenhuma só letra podemos revelar; tampouco achamos a humanidade capaz de ouvir a mais ligeira referência do seu significado. Assim, Nós nos informamos do conhecimento de Deus, o Onisciente, o Sapientíssimo.” “Aproxima-se o dia em que Deus, por um ato de Sua Vontade, terá criado uma raça de homens cuja natureza será inescrutável para todos exceto para Ele, o Todo-Poderoso, o Independente.” “Muito em breve fará Ele com que se elevem do Seio da Potestade as Mãos da Ascendência e do Poder. – Mãos que se esforçarão pela vitória deste Jovem e purificarão a humanidade da corrupção dos ímpios e degradados. Essas Mãos serão as destemidas campeãs da Fé divina, e, em Meu Nome, o Independente, o Poderoso, subjugarão os povos e raças da terra. Ao entrarem nas cidades, encherão de temor os corações de todos seus habitantes. Tais são as evidências do poder de Deus; como é temível, como é veemente Seu poder!”
Deste modo, queridos amigos, Bahá´u´lláh deu Seu próprio testemunho, por escrito, a respeito da natureza de Sua Revelação. Já me referi às afirmações do Báb, cada uma das quais apóia essas notáveis declarações, aumentando-lhes a força e confirmando-lhes a verdade. O que ainda me resta considerar, relativo a este assunto, são aquelas passagens nos escritos de ´Abdu´l-Bahá – o designado intérprete dessas mesmas declarações – que ampliam e esclarecem mais os diversos aspectos deste cativante tema. Tão enfática, realmente, é Sua linguagem como a de Bahá´u´lláh ou do Báb, e não menos fervoroso é Seu tributo.
“Não apenas séculos mas eras devem passar”, afirma Ele em uma de Suas primeiras Epístolas, “antes que a Estrela Dalva da Verdade volte a brilhar com todo seu fulgor estival, ou apareça outra vez resplandecente em sua glória primaveril... Como devemos ser gratos por havermos sido escolhidos, neste Dia, para sermos os recipientes de tão grandioso favor! Oxalá tivéssemos dez mil vidas para oferecer como ação de graças por tão raro privilégio, tão alta realização e tão inestimável dádiva!” “A mera contemplação da Era inaugurada pela Abençoada Beleza”, acrescenta Ele, “teria sido suficiente para deixar atônitos os santos das eras passadas, os quais tanto anelaram participar, por um momento apenas, de sua grande glória.” “Os santos de eras e séculos passados – todos eles sem exceção – com os olhos vertendo lágrimas na intensidade de seu desejo, anelaram viver no Dia de Deus, ainda que fosse por um só momento. Sem poderem satisfazer sua aspiração, porém, passaram para o Grande Além. Como é generosa, pois a Beleza de Abhá que, sem levar em conta essa falta absoluta de merecimento, graças à Sua Misericórdia, insuflou-me o espírito da vida neste século divinamente iluminado, reuniu-nos sob o estandarte do Bem-Amado do mundo e se dignou a nos conferir aquela dádiva almejada em vão pelos mais poderosos das épocas passadas.” “As almas dos eleitos da Assembléia do alto”, afirma Ele também, “os sagrados habitantes do Paraíso excelso, acham-se sedentos de regressar a este mundo neste dia, a fim de prestarem qualquer serviço de que sejam capazes no limiar da Beleza de Abhá.”
“O Esplendor da refulgente Misericórdia Divina”, declara Ele, num trecho que alude ao crescimento e ao futuro progresso da Fé, “Envolveu todos os povos e raças da terra, ficando o mundo inteiro imerso em sua glória radiante... Breve virá o dia em que a luz da Divina União tenha a tal ponto penetrado o Oriente e o Ocidente que jamais homem algum se atreverá a desprezá-la.” “Agora a Mão do Poder Divino lançou no mundo contingente os alicerces firmes dessa suprema generosidade, desse maravilhoso dom. Tudo o que estiver latente no mais recôndito deste sagrado ciclo há de surgir e se manifestar gradativamente, pois agora é apenas o começo de seu crescimento, a aurora da revelação de seus sinais. Antes do fim deste século e desta era, terá se tornado claro e evidente como foi admirável esse período primaveril, e celestial esse dom!”
Confirmando a elevada posição do verdadeiro crente de que falara Bahá´u´lláh, revelou Ele o seguinte: “A posição a ser atingida por aquele que haja reconhecido verdadeiramente esta Revelação, é igual àquela destinada aos profetas da casa de Israel que não sejam considerados Manifestantes dotados de constância.”
Quanto aos Manifestantes subseqüentes à Revelação de Bahá´u´lláh, a seguinte declaração clara e importante é feita por ´Abdu´l-Bahá: No que concerne aos Manifestantes que futuramente descerão nas sombras das nuvens, saibam que, em verdade, se acham à sombra da Antiga Beleza no que diz respeito à fonte de Sua inspiração. Em Sua relação à época em que aparecem, entretanto, cada um ´faz aquilo que Lhe aprouver.´”
“Ó meu amigo!”, disse Ele em uma de Suas Epístolas, dirigindo-se a uma pessoa de reconhecida autoridade e posição. “O Fogo imperecível que o Senhor do Reino acendeu na Árvore Sagrada, flameja intensamente no âmago do mundo. A conflagração assim provocada há de envolver toda a terra. Suas chamas ardentes iluminarão seus povos e raças. Já se revelaram todos os sinais; já se manifestou aquilo a que os profetas aludiram. Tudo o que as Escrituras do passado encerraram tornou-se evidente. Não mais será possível duvidar ou hesitar... O tempo urge. O Corcel Divino impacienta-se; não mais esperará. É nosso dever apressar-nos e, antes que seja tarde, ganhar a vitória.” E vejamos, finalmente, este trecho tão comovente que Ele, num momento de exultação, se sentiu impelido a dirigir a um de Seus mais fiéis e eminentes adeptos, nos primeiros dias de Seu ministério: “Que mais posso Eu dizer? Que mais pode Minha pena relatar? Com as vibrações de tão forte chamado, que repercute do Reino de Abhá, os ouvidos mortais quase ensurdecem. Toda a criação parece-me cambalear e se desmoronar em conseqüência do chamado Divino que procede do trono da glória. Mais do que isso não posso escrever”.
Caríssimos amigos! Basta o que já foi dito, com os numerosos e variados excertos citados das obras do Báb, de Bahá´u´lláh e de ´Abdu´l-Bahá, para convencer o leitor consciencioso da sublimidade deste ciclo sem paralelo na história religiosa do mundo. Seria absolutamente impossível exagerar sua significação ou dar demasiado valor à influência que exerceu e há de continuar a exercer, cada vez mais, à medida que seu grande sistema vá se desenvolvendo em meio ao tumulto de uma civilização já em colapso.
Antes de prosseguir com o desenvolvimento de meu tema, entretanto, parece-me aconselhável fazer uma advertência a quem quer que leia estas páginas. Aquele que procura, à luz dos trechos supracitados, meditar sobre a natureza da Revelação de Bahá´u´lláh, não deve se enganar a respeito de seu caráter ou interpretar erroneamente a intenção de Seu Autor. De modo algum deve-se admitir um conceito errado da divindade atribuída a um Ser tão grandioso e da encarnação completa dos nomes e das qualidades de Deus numa Pessoa tão sublime. O templo humano que se fez o veículo de tão transcendente Revelação deve – se nos mantivermos fiéis aos princípios de nossa Fé – ficar sempre completamente distinto daquele “Espírito dos Espíritos”, daquela “Eterna Essência das Essências”, daquele Deus invisível, conquanto racional, cuja Realidade infinita, incognoscível, incorruptível, que tudo abrange, de modo algum poderia se encarnar na forma concreta, limitada, de um ser mortal, por mais que exaltemos a divindade daqueles Seres que O manifestam na terra. Com efeito, à luz dos ensinamentos de Bahá´u´lláh, um Deus que pudesse de tal modo encarnar Sua própria Realidade, deixaria imediatamente de ser Deus. Essa teoria tosca, fantástica, de encarnação divina é tão incompatível com os princípios essenciais da crença bahá´í como o são as não menos inadmissíveis concepções panteístas e antropomórficas de Deus, as quais os ensinamentos de Bahá´u´lláh enfaticamente repudiam como falsas.
Aquele que, em inumeráveis passagens, disse ser Sua palavra a “Voz da Divindade, o Chamado do Próprio Deus”, faz no Kitáb-i-Iqán a seguinte afirmação solene: “Para todo coração esclarecido, dotado de discernimento, torna-se evidente ser Deus, a Essência incognoscível, o Divino Ser, incomensuravelmente exaltado acima de todos os atributos humanos, tais como existência corporal, ascensão e descida, saída e regresso... Ele está – e sempre esteve – velado na antiga eternidade de Sua Essência, e permanecerá na Sua Realidade eternamente oculto da vista dos homens... Elevado está, além de toda separação e união, de toda proximidade e de todo afastamento... ´Deus estava só; ninguém havia senão Ele´ é um testemunho seguro dessa verdade”.
“Desde os tempos imemoriais”, explica Bahá´u´lláh, falando de Deus, “Ele, o Ente Divino, esteve velado na inefável santidade de Seu Próprio Ser excelso, e continuará a Essência incognoscível... Dez mil Profetas, cada um Deles um Moisés, ficam atônitos no Sinai de Sua busca, ao ouvirem a voz de Deus assim lhes proibir: ´Jamais Me verás!´, enquanto miríades de Mensageiros, cada um tão grande como Jesus, estão cheios de consternação em Seus tronos celestiais ante a interdição de: ´Minha Essência, nunca a compreenderás!´ “Quanto fico perplexo, insignificante que sou”, afirma Bahá´u´lláh em Sua comunhão com Deus, “ao tentar sondar as sagradas profundezas de Teu conhecimento! Quão fúteis são meus esforços para conceber a magnitude do poder inerente à Tua obra – a revelação de Teu poder criador!” “Quando contemplo, Ó meu Deus, a relação que une a Ti”, testifica Ele em ainda outra oração revelada e escrita de Seu próprio punho, “sinto-me impelido a proclamar a todos os seres criados: ´Em verdade, Eu sou Deus!’; e quando considero meu próprio ser, ei-lo!, parece-me mais grosseiro que o barro!”
“Estando assim fechada diante de todos os seres a porta para o conhecimento do Ancião dos Dias”, diz Bahá´u´lláh ainda no Kitáb-i-Iqán, “Ele, a Fonte das graças infinitas, fez aparecerem do reino do espírito essas luminosas Jóias de Santidade, na nobre forma do templo humano, e se manifestarem ante todos os homens, para que transmitissem ao mundo o conhecimento dos mistérios do Ser imutável e das sutilezas de Sua Essência imperecedoura... Todos os Profetas de Deus, Seus eleitos, Seus santos Mensageiros são, sem exceção, portadores de Seus Nomes e manifestam Seus atributos... Esses Tabernáculos da Santidade, esses Espelhos Primazes que refletem a luz da glória que não se esvaece, são apenas expressões Daquele que é o Invisível dos Invisíveis.”
Apesar da intensidade sobrepujante de Sua Revelação, Bahá´u´lláh deve ser visto como um desses Manifestantes de Deus, não podendo jamais ser identificado com aquela Realidade invisível, a Essência da própria Divindade. Constitui isso um dos princípios básicos de nossa Fé, e nunca deve qualquer adepto permitir que fique obscurecido ou que lhe comprometa a integridade.
Embora a Revelação Bahá´í se declare a culminação de um ciclo profético e o cumprimento da promessa de todas as eras, nem por isso pretende, sob quaisquer circunstâncias, invalidar aqueles princípios primordiais, eternos, que eram vitais e básicos nas religiões que a precederam. Admite e estabelece como sua própria base final e mais firme, a mesma autoridade divina que fora concedida a cada uma dessas religiões. Considera-as como apenas diferentes etapas na história eterna e na evolução constante de uma só religião, divina e indivisível, da qual constitui, ela mesma, uma parte integrante. Não pretende obscurecer-lhes a origem divina, nem menosprezar a reconhecida magnitude de suas realizações colossais. Não admite tentativa alguma de lhes deformar as feições ou de desacreditar as verdades que incutem. Os ensinamentos da Revelação Bahá´í não divergem – nem pela grossura de um fio de cabelo – das verdades que elas também encerram, e de modo algum sua imponente mensagem diminui, por um jota ou til, a influência que as religiões anteriores exercem, ou a lealdade que inspiram. Longe de querer derrubar o alicerce espiritual dos sistemas religiosos do mundo, seu fim declarado e inalterável é o de lhes alargar a base, dando nova expressão aos princípios antigos fundamentais, conciliando-lhes os propósitos e lhes restaurando a vida. Visa demonstrar a unidade inerente a todas, restaurar a pureza primitiva dos ensinamentos de todas, coordenando-lhes as funções e lhes facilitando a realização das mais altas aspirações. Essas religiões divinamente reveladas – assim se expressou graficamente alguém que as observara de perto – “são destinadas não a morrer mas sim a renascer... ´Não é um fato que a criança sucumbe no jovem, e este no homem, e contudo, não perece nem a criança nem o jovem?´”
“Aqueles que são as Luminárias da Verdade e os Espelhos que refletem a luz da Unidade Divina”, explica Bahá´u´lláh no Kitáb-i-Iqán, “em qualquer época ou ciclo que sejam enviados de suas habitações invisíveis de glória antiga, para este mundo, a fim de educar as almas dos homens e revestir de graças todas as coisas criadas, são dotados, invariavelmente, de um poder sobrepujante e uma soberania invencível... Esses Espelhos santificados, essas Auroras da glória antiga, são todos, sem exceção, os expoentes na terra Daquele que é o Orbe central do universo, a essência e o propósito final. Dele recebem o conhecimento e o poder; Dele derivam a soberania. A beleza do semblante deles é apenas um reflexo de Sua Imagem, e o que revelam nada mais é que um sinal de Sua glória perene... Através deles se transmite uma graça que é infinita, e se revela a luz que jamais se esvairá... Nunca poderá língua humana cantar louvores que lhes sejam dignos; jamais palavra humana desvendará seu mistério”. “Essas Aves do Trono celestial”, acrescenta Ele, “já que todas são enviadas do céu da Vontade de Deus e se levantam para proclamar Sua Fé irresistível, devem ser consideradas como uma só alma, com a mesma pessoa... Todas habitam no mesmo Tabernáculo, remontam ao mesmo céu, sentam-se no mesmo Trono, proferem as mesmas palavras e proclamam a mesma Fé. Apenas diferem na intensidade de sua revelação e na potência comparativa de sua luz... Por não haverem essas Essências do Desprendimento manifestado exteriormente um certo atributo divino, não quer isso dizer, de modo algum, que essas Auroras dos atributos de Deus, esses Tesouros de Seus santos Nomes, realmente não possuíssem tal atributo.”
Deve-se lembrar, também, de que esta Revelação, por maior que seja o poder por ela manifestado, e não obstante o vasto alcance da Dispensação que seu Autor inaugurou, repudia enfaticamente a pretensão de ser considerada a revelação final da vontade e do plano de Deus para a humanidade. Adotar-se tal conceito de seu caráter e suas funções equivaleria trair sua causa e negar sua verdade. Estaria em conflito, necessariamente, com o princípio fundamental que constitui o alicerce sólido da crença bahá´í, isto é, que a verdade religiosa não é absoluta, mas relativa: que a Revelação Divina é metódica, contínua e progressiva, e não espasmódica ou final. De fato, a categórica rejeição, pelos adeptos da Fé de Bahá´u´lláh, da pretensão à finalidade avançada por qualquer sistema religioso inaugurado pelos Profetas do passado, é tão clara e enfática como sua própria recusa a fazer essa pretensão no caso da Revelação com que eles se identificam.
“Acreditar que tenha findado toda a revelação, que estejam fechados os portais da Divina Misericórdia, que jamais dos albores da santidade terna possa nascer um sol, que para sempre o oceano das graças imperecedouras tenha deixado de se mover, que não mais se possam manifestar, do tabernáculo da glória antiga, os Mensageiros de Deus” – tal crença deve constituir, aos olhos de todo seguidor da Fé, uma violação grave, imperdoável, de um de seus princípios mais estimados e fundamentais.
Para estabelecermos sem a menor sombra de dúvida a verdade desse princípio cardial, bastará, certamente, referirmo-nos a algumas das palavras já citadas de Bahá´u´lláh e ´Abdu´l-Bahá. Não poderá também a seguinte passagem das Palavras Ocultas ser interpretada como uma alusão alegórica ao caráter progressivo da Revelação Divina, uma admissão por parte do Autor de que a Mensagem que Lhe fora confiada não seja a última, a expressão final da vontade do Todo Poderoso? “Ó Filho da Justiça! Ao anoitecer a beleza do Ser imortal retirou-se das alturas esmeraldas da fidelidade, indo ao Sadratu´l-Muntahá, onde chorou com tal pranto que a assembléia no alto e os habitantes os reinos do além gemeram por causa de Seu lamento. Com isso se perguntou: Por que os gemidos e choro? E Ele deu a resposta: Assim como Me fora ordenado, Eu, cheio de expectativas, esperava no monte da fidelidade, mas não percebia a fragrância da fidelidade daqueles que habitam na terra. Ao ser chamado a regressar, olhei então, e eis que certas aves da santidade estavam sendo atormentadas nas garras dos cães terrenos. Com isso a Donzela do céu resplandecente, sem véu, apressou-se a sair de Sua mansão mística, perguntou seus nomes e todos foram ditos menos um. E ao se insistir, a primeira letra desse foi pronunciada, quando então os habitantes dos aposentos celestiais apressaram-se a sair de sua morada e glória. E enquanto se pronunciava a segunda letra, cada um prostrou-se sobre o pó. Nesse momento uma voz vinda do mais recôndito do santuário se fez ouvir. “Até aí, e não além. Em verdade damos testemunho daquilo que fizeram e agora fazem”.
Numa de suas Epístolas reveladas em Adrianópolis, atesta Bahá´u´lláh esse fato em linguagem mais explícita: “Saibam que, em verdade, não se levantou completamente o véu que oculta Nosso Semblante. Nós Nos revelamos num grau correspondente à capacidade do povo de Nosso tempo. Se a Beleza Antiga se revelasse na plenitude de Sua glória, a deslumbrante intensidade de Sua Revelação cegaria os olhos mortais.”
No Súriy-i-Sabr, revelado no ano de 1863, no mesmo dia de Sua chegada no Jardim de Ridván, Ele faz a seguinte afirmação: “Deus enviou Seus Mensageiros para suceder a Moisés, e Jesus, e assim continuará a fazer até ´o fim que não tem fim´; de modo que Suas graças possam descer ininterruptamente do céu da Divina Generosidade para os homens.”
“Não estou apreensivo por Minha própria causa”, declara Bahá´u´lláh ainda mais explicitamente, “Meus receios são para Aquele que vos será enviado após Mim – Aquele que será investido de grande soberania e poderoso domínio”. E ainda outra vez escreve Ele, no Súratu´I-Haykal: “Nas palavras que revelei, não me refiro a Mim mesmo, mas Àquele que virá depois de Mim. Testemunha disso é Deus, o Onipotente”. “Não trateis a Ele”, acrescenta Bahá´u´lláh, “como tratastes a Mim”.
Num trecho mais detalhado de Seus escritos, o Báb sustenta a mesma verdade: “É claro e evidente”, escreve Ele no Bayán persa, “que todas as Eras anteriores visaram preparar o caminho para o advento de Maomé, o Apóstolo de Deus. Por sua vez, a Era Maometana juntamente com essas tiveram em mira a Revelação proclamada pelo Qá´im. E é o objetivo desta Revelação, como o foi das precedentes, anunciar do mesmo modo o advento da Fé Daquele que Deus tornará manifesto. E essa Fé – a Fé Daquele que Deus tornará manifesto – por sua vez com todas as Revelações anteriores, tem por objeto a Manifestação destinada a sucedê-la. Também esta última, do mesmo modo que as Revelações precedentes, preparará o caminho para a Revelação futura. Assim o processo do nascer e do por do Sol da verdade há de continuar por um tempo indeterminado – é um processo que não teve começo nem terá fim”.
“Saibam com segurança”, explica Bahá´u´lláh sobre esse ponto, “que em cada Era a Luz da Revelação Divina concedida aos homens é diretamente proporcional à sua capacidade espiritual. Considerem o sol. Como são fracos seus raios no momento em que surge no horizonte. Quão gradual é o aumento em seu calor e sua potência à medida que se aproxima do zênite, permitindo deste modo que todas as coisas criadas se adaptem à crescente intensidade de sua luz. Testemunhamos, em seguida, seu declínio constante até alcançar seu ocaso. Se as suas energias latentes se manifestassem subitamente, isso, sem dúvida, danificaria todas as coisas criadas... De igual maneira, se o Sol da Verdade, nas primeiras etapas de Sua manifestação, revelasse de repente os plenos poderes que a providência do Todo-Poderoso lhe concedeu, a terra da compreensão humana seria danificada, consumir-se-ia, pois os corações dos homens não poderiam suportar a intensidade de sua revelação, nem seriam capazes de refletir o esplendor de sua luz. Consternados e acabrunhados, deixariam de existir”.
É nosso dever óbvio, à luz desta nítida e concludente exposição, tornar indubitavelmente claro – para todo aquele que busca a verdade – que, desde “o começo que não teve começo”, os Profetas de Deus, Uno e Incognoscível, inclusive o próprio Bahá´u´lláh, todos – como intermediários das graças divinas, expoentes de Sua unidade, Espelhos de Sua Luz e Reveladores de Seu plano – foram incumbidos de conceder à humanidade, em medida cada vez maior a Sua verdade, uma sempre crescente compreensão de Sua vontade inescrutável e de Sua divina direção, e continuarão, até “o fim que não terá fim”, a conceder ainda mais completas e poderosas revelações de Sua ilimitada grandeza e glória.
Bem podemos ponderar em nossos corações os seguintes trechos de uma oração revelada por Bahá´u´lláh, pois afirmam de um modo enfático a grande verdade essencial que se encerra no próprio âmago de Sua Mensagem ao gênero humano, e fornecem mais uma evidência de sua realidade: “Louvado Sejas Tu, Ó Senhor meu Deus, pelas maravilhosas revelações de Teu decreto inescrutável e pelas múltiplas provações e angústias que Tu me destinaste. Num tempo, Tu me entregaste às mãos de Nimrod; e em outro, permitiste que a vara de Faraó me perseguisse. Somente Tu – graças à Tua onisciência e à operação de Tua vontade – podes avaliar as incalculáveis aflições que tenho sofrido nas mãos deles. Em outra ocasião, Tu me arrojaste na prisão dos ímpios, só porque me sentia impelido a sussurrar nos ouvidos dos favorecidos habitantes de Teu Reino uma ligeira idéia da visão com que Tu, pelo Teu conhecimento, me inspiraras, e cujo significado, através da eficácia do Teu poder, Tu me havias revelado. E, em outra ocasião, decretaste que eu fosse decapitado pela espada do infiel. Em ainda outra ocasião, fui crucificado, por haver revelado aos olhos dos homens as jóias ocultas de Tua gloriosa unidade, e lhes desvendado os maravilhosos sinais de Teu poder soberano e eterno. Quão amargas as humilhações amontoadas sobre mim, numa época subseqüente, na planície de Karbilá! Como me sentia solitário no meio de Teu povo; a que estado de desamparo fui reduzido naquela terra! Não satisfeitos com tamanhas indignidades, meus perseguidores decapitaram-me e, levando minha cabeça de terra em terra, exibiram-na ante a multidão, incrédula e depositaram-na na sede dos perversos e infiéis. E em outra época ainda, suspenderam-me, e meu peito foi alvo das flechas da crueldade maliciosa de meus inimigos. Crivaram-me de balas os membros do meu corpo e despedaçaram-no. E finalmente, neste dia, vê como meus inimigos traiçoeiros se têm aliado contra mim e tramado continuamente para instilar nas almas de Teus servos o veneno do ódio e da malícia. Recorrem a toda maquinação possível a fim de realizar seu propósito. Por pesaroso que seja meu dilema, Ó Deus, meu Bem-Amado, agradeço-Te, e meu espírito está cheio de gratidão por qualquer coisa que me tenha sucedido no caminho da Tua vontade. Estou muito contente por aquilo que ordenaste para mim, e acolherei com prazer, por mais aflitivas que sejam, as angústias e tristezas que me sobrevierem”.
O BÁB
Caríssimos amigos! Ainda outra verdade fundamental que a Mensagem de Bahá´u´lláh proclama com insistência – e que seus adeptos devem sustentar incondicionalmente – é que o Báb, o iniciador da Era Bábí, deve ser considerado um Manifestante de Deus independente, investido de poder e autoridade soberanos, podendo Ele, assim, exercer todas as prerrogativas de Profeta independente. Um fato que me sinto obrigado a demonstrar, a fazer ressaltar, é que Ele não deve ser julgado apenas um inspirado Precursor da Revelação Bahá´í. Muito ao contrário – como Ele mesmo testifica no Bayán persa – devemos ver em Sua Pessoa o cumprimento da missão de todos os Profetas que O precederam. Faltaríamos, certamente, ao nosso dever para com a Fé que professamos, violaríamos um de seus princípios básicos e sagrados, se, por nossas palavras ou nossa conduta, vacilássemos em reconhecer a inferência deste princípio fundamental da crença bahá´í, ou nos recusássemos a sustentar incondicionalmente sua integridade e demonstrar sua verdade. De fato, ao empreender a tarefa de redigir e traduzir a narrativa imortal de Nabíl, visava eu, antes de tudo, proporcionar a todos os adeptos da Fé no Ocidente a uma compreensão mais fácil e completa do que significa, em suas largas repercussões, a elevada posição do Báb, para que Lhe dedicassem mais ardente admiração e amor.
Constitui a característica mais distintiva da Dispensação Bahá´í, sem a menor dúvida, a dupla missão que o próprio Báb tão intrepidamente proclamou, a qual Lhe fora ordenada pelo Onipotente – missão essa afirmada repetidas vezes por Bahá´u´lláh e sancionada, finalmente, pelo Testamento de ´Abdu´l-Bahá. Essa característica incomparável contribui grandemente para o poder de que foi investido esse sagrado ciclo, para sua força e autoridade misteriosas. Em verdade, a grandeza do Báb consiste, sobretudo, não em ser Ele o Precursor divinamente designado para tão transcendente Revelação, mas, antes, no fato de que possuía aquele poder inerente a quem inicia uma dispensação religiosa distinta, e também no fato de que empunhava o cetro de profeta independente, num grau não rivalizado pelos Profetas anteriores.
Nem a exígua duração de Sua Era, nem o âmbito restrito em que Suas leis e Seus mandatos têm vigorado, devem ser tomados como critério para se julgar a origem divina dessa Era ou avaliar a potência de Sua mensagem. “O fato de haver tão pequeno intervalo”, explica o próprio Bahá´u´lláh, “entre esta maravilhosa e poderosíssima Revelação e Minha Manifestação anterior, é um segredo que homem algum pode descobrir, um mistério que mente alguma é capaz de penetrar. Sua duração foi predestinada, e ninguém jamais perceberá a razão disso, a não ser que e até que ele se informe do conteúdo de Meu Livro Oculto.” “Vede”, expõe Bahá´u´lláh ainda no Kitáb-i-Badí – obra em que refuta os argumentos do povo do Bayán – “vede como, ao se completar o novo ano dessa maravilhosa, benéfica e sacratíssima Revelação, foi consumado imediata mas secretamente o número exigido de almas puras, que demonstraram santidade e consagração absoluta.”
As extraordinárias ocorrências que prenunciaram o advento do Fundador da Era Bábí, as dramáticas circunstâncias de Sua própria vida tão repleta de acontecimentos notáveis, a miraculosa tragédia de Seu martírio, a influência mágica que Ele exercia sobre os mais eminentes e poderosos de Seus conterrâneos – segundo testifica cada capítulo da comovente narrativa de Nabíl – tudo isso devemos aceitar como ampla evidência do direito do Báb a tão elevada posição entre os Profetas com a que Ele para si reclama.
Conquanto nítido o registro de Sua vida que o eminente cronista transmitiu à posteridade, tal brilhante narrativa empalidece diante do luminoso tributo que é prestado ao Báb pela pena de Bahá´u´lláh. E o próprio Báb dá pleno apoio a esse tributo, em Suas claras asseverações, enquanto o testamento de ´Abdu´l-Bahá, por escrito, lhe reforça poderosamente o caráter e elucida o significado.
Onde, a não ser no Kitáb-i-Iqán, pode o estudante da Revelação Bábí encontrar as afirmações que inequivocamente atestem o poder e o espírito que nenhum homem, a não ser um Manifestante Divino, jamais poderá demonstrar? “Poderia tal coisa se manifestar” – exclama Bahá´u´lláh – “se não fora através da potência de uma Revelação Divina e da invencível Vontade de Deus? Pela justiça de Deus! Fosse alguém nutrir no coração uma Revelação tão grandiosa, bastaria só o pensar em tamanha declaração para confundi-lo! Se fossem comprimidos dentro de seu coração os corações de todos os homens, ele ainda hesitaria em se atrever a tão formidável empreendimento.” “Jamais se viu tão grande efusão de graças”, afirma Ele em outra passagem, “nem se ouviu de Revelação igual, de tanta misericórdia. ... Cada um dos Profetas dotados de constância, cuja glória e sublimidade brilham como o sol, foi honrado com um Livro que todos já viram, os versículos do qual foram devidamente averiguados. Enquanto os versículos, porém, que caíram como uma chuva copiosa desta Nuvem da Divina Misericórdia, foram de tal abundância que ninguém conseguiu até agora estimar seu número... Como podem menosprezar esta Revelação? Já houve outra era que visse tão momentosos acontecimentos?”
Comentando o caráter e a influência daqueles heróis e mártires que o espírito do Báb magicamente transformara, Bahá´u´lláh revela o seguinte: “Se não são esses companheiros que verdadeiramente buscam a Deus, haverá outro que possa pretender a tal distinção? ... Se, apesar de todos os seus admiráveis testemunhos e suas maravilhosas obras, esses companheiros forem falsos, quem será digno de reclamar para si a verdade? ... Será que o mundo desde os dias de Adão tenha testemunhado tumulto igual, tão violenta comoção? ... Só em virtude de sua firmeza, parece-me, foi que se revelou a paciência, e a própria fidelidade não foi gerada senão pelos seus feitos.”
Querendo ressaltar a sublimidade da elevada posição do Báb em comparação com a dos Profetas passados, Bahá´u´lláh, na mesma Epístola, assevera: “Nenhuma compreensão pode abranger a natureza de Sua Revelação, nem conhecimento algum abarcar, em toda a plenitude, Sua Fé.” Cita Ele, então, em confirmação ao Seu argumento, estas palavras proféticas: “O conhecimento é representado por vinte e sete letras. Tudo o que os Profetas até agora revelaram foram apenas duas dessas letras. Homem algum já conheceu mais do que essas duas letras. Mas o Qá´im, ao aparecer, fará manifestarem-se as vinte e cinco letras restantes.” “Eis a grandeza, a sublimidade, de Sua posição!”, acrescenta Ele, “Excede a de todos os Profetas, e Sua Revelação transcende a compreensão de todos os Seus eleitos.” “Os Profetas de Deus, Seus Santos e eleitos, não foram informados de Sua Revelação” – diz Ele ainda – “ou, então, segundo o decreto inescrutável de Deus, não a divulgaram.”
Entre todos os atributos que a pena infalível de Bahá´u´lláh se dignou prestar à memória do Báb, Seu “Mais-Amado”, a seguinte passagem, breve porém eloqüente, que tanto relevo dá ao trecho final da mesma Epístola, é o mais memorável e comovente. “Entre todos”, escreve Ele, referindo-se às penosas provações e aos perigos que O cercavam na cidade de Bagdá, “estamos aqui, com a vida na mão, inteiramente resignados à Sua Vontade – porventura, graças à Divina Misericórdia, esta Letra revelada, manifesta, (Bahá´u´lláh) possa oferecer a vida em holocausto no caminho do Ponto Primordial, do Verbo Excelso (o Báb). Por Aquele em virtude de cuja ordem falou o Espírito, se não fosse esse ardente desejo em nossa alma, não mais teríamos demorado – nem por um momento sequer – nesta cidade.”
Caríssimos amigos! Tão ressoante elogio, tão audaz asserção como essa que emanou da pena de Bahá´u´lláh, numa obra tão imponente, é refletida plenamente na linguagem em que a Fonte da Revelação Bábí se dignou expressar Sua própria declaração. “Sou o Templo Místico” – assim, no Qayyúmu´l-Asmá´, o Báb proclama Sua posição – “que a Mão da Onipotência ergueu. Sou a Lâmpada que o Dedo de Deus acendeu dentro de seu nicho e fez brilhar com esplendor imortal. Sou a Chama daquela Luz superna que resplandeceu sobre o Sinai, no Lugar jubiloso, e jazia oculta dentro da Sarça Ardente.” “Ó Qurratu´l-´Ayn!”, exclama Ele, dirigindo-se a si próprio no mesmo comentário, “Não reconheço em Ti senão o “Grande Anúncio” – o Anúncio proclamado pela Assembléia no alto. Por esse nome, testifico, aqueles que circundam o Trono da Glória sempre Te têm conhecido.” “Com cada um dos Profetas que enviamos no passado”, acrescenta Ele ainda, “estabelecemos um Convênio separado relativo à “Lembrança de Deus” e Seu Dia. Manifestos, no reino da glória e através do poder da verdade, estão a “Lembrança de Deus” e Seu Dia ante os olhos dos anjos que rodeiam Seu trono de misericórdia.” “Se for Nosso desejo”, afirma Ele novamente, “está em Nosso poder, por meio de apenas uma letra de Nossa Revelação, compelir o mundo, e tudo o que nele está, a reconhecer, em menos de um abrir e fechar de olhos, a verdade de Nossa Causa.”
“Sou o Ponto Primordial, do qual se geraram todas as coisas criadas” – assim o Báb, da prisão-fortaleza de Máh-kú, se dirige a Muhammad Sháh... “Sou o Semblante de Deus, e nunca Seu esplendor se esvairá; sou a luz divina, e jamais decrescerá o Seu brilho... Todas as chaves do céu, Deus as quis por à Minha Mão direita, e todas as chaves do inferno, à Minha esquerda... Sou um dos pilares que sustentam o Verbo Primaz de Deus. Quem quer que me tenha reconhecido, terá sabido tudo o que seja direito e verdadeiro, terá atingido a tudo o que seja bom e digno... A substância de que Deus Me criou não é a argila de que formou os outros. Ele Me conferiu aquilo que os versados nos conhecimentos do mundo jamais poderão compreender, nem os fiéis descobrir.” “Neste dia”, afirma categoricamente o Báb, desejando frisar as ilimitadas potencialidades latentes em Sua Revelação, “se uma pequenina formiga quisesse possuir o poder de desenredar as mais abstrusas e intrincadas passagens do Alcorão, seu desejo, sem dúvida, seria satisfeito, já que o mistério do poder eterno vibra dentro do âmago de todas as coisas criadas”. “Se tão impotente criatura”, comenta ´Abdu´l-Bahá a respeito desta espantosa afirmação, “pode ser dotada de uma capacidade tão sutil, quanto mais eficaz não deve ser o poder libertado através das graças abundantes de Bahá´u´lláh!”
A essas autorizadas asserções e solenes declarações, feitas por Bahá´u´lláh e pelo Báb, deve ser acrescentado o testemunho incontroverso de ´Abdu´l-Bahá. Ele, o designado intérprete das palavras de Bahá´u´lláh e também do Báb, corrobora a verdade dessas declarações já citadas, não indireta, mas sim, clara e categoricamente, tanto em Suas Epístolas como em Seu Testamento.
Numa Epístola dirigida a um bahá´í em Mázindarán, na qual ´Abdu´l-Bahá explica o que realmente significa uma afirmação acerca do nascer do Sol da Verdade neste século que Lhe fora atribuída e que havia sido mal interpretada, Ele expõe, de um modo resumido porém concludente, o que deve ser para sempre nosso verdadeiro conceito da relação entre os dois Manifestantes associados à Revelação Bahá´í. “Ao fazer tal afirmação”, explica Ele, “não me referia senão ao Báb e a Bahá´u´lláh, sendo meu propósito a elucidação do caráter de Suas Revelações. A do Báb pode ser comparada ao sol, sendo que sua posição corresponde ao primeiro signo do zodíaco, o de Áries, no qual o sol entra no equinócio vernal. A posição da Revelação de Bahá´u´lláh, por outro lado, é representada pelo signo de Leão, a mais elevada posição do sol, a do pleno verão. Quer isso dizer que esta sagrada Revelação é iluminada pela luz do Sol da Verdade brilhando de sua posição mais elevada, na plenitude de seu esplendor, sua glória, e seu ardor.”
“O Báb, o Excelso”, afirma ´Abdu´l-Bahá mais especificamente em outra Epístola, “é o Amanhecer da Verdade, o esplendor de cuja luz brilha através de todas as regiões. Ele é também o Arauto da Luz Suprema, a Luminária de Abhá. A Abençoada Beleza é Aquele prometido pelos Livros Sagrados do passado, a revelação da Fonte de luz que brilhou sobre o Monte Sinai, cujo fogo ardeu no meio da Sarça Ardente. Nós todos somos servos no Seu limiar; cada um de nós é um humilde zelador à Sua porta.” “Todas as provas e profecias” – é Sua advertência ainda mais enfática – “e toda espécie de evidência, quer baseada no raciocínio, quer no texto das escrituras e tradições, devem ser consideradas como focalizadas nas pessoas de Bahá´u´lláh e do Báb. Neles se há de encontrar seu pleno cumprimento.”
E em conclusão, em Seu Testamento, repositório de Suas últimas vontades e instruções finais, Ele põe o selo de Seu testemunho quanto à elevada posição do Báb, na seguinte passagem designada especificamente para expor os princípios guias da crença bahá´í: “A base da crença do povo de Bahá (oxalá lhe seja oferecida em holocausto a minha vida!) é esta: Sua Santidade, o Excelso (o Báb) é a Manifestação da Unidade Divina e o Precursor da Beleza Antiga (Bahá´u´lláh). Sua Santidade, a Beleza de Abhá (Bahá´u´lláh) (oxalá minha vida seja oferecida em holocausto por Seus amigos leais!) é o Supremo Manifestante de Deus e a Aurora de Sua mais divina Essência.” “Todos os outros”, acrescenta Ele significativamente, “são Seus servos e cumpridores de Sua Vontade.”
´ABDU´L-BAHÁ
Caríssimos amigos! Nas páginas precedentes aventurei-me a tentar uma exposição daquelas verdades implícitas – segundo minha firme convicção – na proclamação Daquele que é a Fonte Primaz da Revelação Bahá´í. Tentei, além disso, dissipar quaisquer conceitos errôneos que possam, naturalmente, surgir no espírito de quem contemple tão transcendente manifestação da glória de Deus. Esforcei-me para explicar o significado da divindade com que deve ser investido Aquele que é o veículo de tão misterioso poder. Tentei demonstrar também, o mais que pude, que a Mensagem de que este grande Ser foi incumbido por Deus de transmitir à humanidade, nesta época, admite a origem divina de todas as Revelações inauguradas pelos profetas do passado, lhes sustenta os princípios fundamentais, como também está inextricavelmente relacionada com todas elas. Achei necessário provar e ressaltar, igualmente, o fato de que o Autor desta Fé não diz que Sua Revelação, embora tão vasta, seja final, do mesmo modo que Ele repudia pretensões nesse sentido por parte de líderes de diversas denominações. Que o Báb, não obstante a exígua duração de Sua Dispensação, deve ser considerado primariamente não como o escolhido Precursor da Fé Bahá´í, mas sim, como um Ser investido da autoridade incondicional assumida por cada um dos Profetas independentes vindos no passado – parecia-me ser ainda outro princípio básico cuja elucidação seria extremamente desejável na presente etapa da evolução de nossa Causa.
Urge agora – estou plenamente convencido – tentarmos esclarecer a posição ocupada por ´Abdu´l-Bahá e compreender o seu significado nesta sagrada Dispensação. Seria verdadeiramente difícil – para nós que estamos ainda tão próximos dessa imponente figura e que somos atraídos pelo misterioso poder desta personalidade tão magnética – obter uma compreensão clara e exata do papel e do caráter Daquele que, não somente na Revelação de Bahá´u´lláh, mas em todo o terreno da história religiosa, preenche uma função ímpar. Assim, movendo-se em uma esfera própria e possuindo um grau radicalmente diferente daquele do Autor e do Precursor da Revelação Bahá´í, ´Abdu´l-Bahá forma, juntamente com estes – em virtude da posição que lhe foi ordenada pelo Convênio de Bahá´u´lláh – aquilo que se pode chamar as Três Figuras Centrais de uma Fé que permanece sem par na história espiritual do mundo. Dominando, com eles, os destinos desta nascente Fé divina, ergueu-se de um nível a que jamais poderá aspirar, dentro de um período de mil anos completos, nenhum indivíduo ou grupo que venha a servir os interesses da Fé após Ele. Se alguém tentasse diminuir-lhe o prestígio incomparável, julgando que Seu grau fosse em pouco ou nada superior ao daqueles sobre cujos ombros tenha caído o manto de Sua autoridade, isso seria um ato de impiedade tão grave como a crença, não menos herética, que visa exaltá-Lo a um estado de igualdade absoluta com a Figura central de nossa Fé ou com seu Precursor. Por mais largo que seja o abismo que separa ´Abdu´l-Bahá Daquele que é a Fonte de uma Revelação independente, nunca poderá ser considerado tão vasto como a distância entre Ele, o Centro do Convênio, e Seus ministros que hão de continuar Sua obra, não importando quais sejam os seus nomes, categorias, funções ou futuras realizações. Os que conheceram ´Abdu´l-Bahá e, atraídos pela Sua magnética personalidade, Lhe dedicaram tão fervorosa admiração, devem refletir, à luz dessa afirmação, sobre a grandeza Daquele cuja posição é tão superior.
Que ´Abdu´l-Bahá não é Manifestante Divino, e não ocupa posição similar à posição de Seu Pai, embora seja o sucessor deste, e que ninguém exceto o Báb ou Bahá´u´lláh poderá reclamar para si semelhante grau antes da expiração de mil anos completos – são verdades que encerram as específicas palavras tanto do Fundador de nossa Fé como do Intérprete de Seus ensinamentos.
“Se alguém, antes do término de mil anos completos”, - adverte-nos explicitamente o Kitáb-i-Aqdas – “pretender ser portador de uma Revelação direta de Deus, tal homem seguramente, será um impostor mentiroso. Pedimos a Deus que o ajude, pelas Suas graças, a retratar-se e repudiar tal pretensão. Caso se arrependa, Deus, sem dúvida, perdoá-lo-á, mas se ele persistir em seu erro, Deus enviará alguém, seguramente, que não lhe mostrará piedade. Terrível, em verdade, é Deus, quando pune!” E para tornar ainda mais enfático este ponto, Ele acrescenta: “Quem interpretar este versículo de outro modo, que não seja o óbvio, privar-se-á do Espírito de Deus e de Sua misericórdia que abrange todas as coisas criadas.” “Se aparecer um homem” – é outra afirmação concludente – “antes de se completar um período de mil anos – sendo que cada ano consiste de doze meses, segundo o Alcorão, e de dezenove meses de dezenove dias cada, segundo o Bayán – e se este homem revelar ante vossos olhos todos os sinais de Deus, rejeita-o, sem a menor hesitação!”
Com suas próprias afirmações, ´Abdu´l-Bahá corrobora essa advertência, em termos não menos enfáticos e incondicionais: “Esta é minha convicção firme e inabalável”, declara Ele, “a essência da minha crença manifesta e explícita – uma convicção e uma crença com que estão de pleno acordo os habitantes do Reino de Abhá: A Abençoada Beleza é o Sol da Verdade, e Sua luz é a luz da verdade. Do mesmo modo é o Báb o Sol da Verdade, e Sua luz, a luz da verdade... Minha posição é a da servitude – uma servitude que é completa, pura e real, firmemente estabelecida, durável, óbvia, explicitamente revelada e não condicionada a interpretação alguma... Sou Eu o Intérprete da Palavra de Deus; é essa minha interpretação.”
E no próprio testamento de ´Abdu´l-Bahá – num tom e numa linguagem que bem poderiam confundir até os mais inveterados dos infratores do Convênio de Seu Pai – não torna Ele nula a arma principal daqueles que se haviam esforçado tão persistentemente afim de Lhe imputar a pretensão tácita de ser igual, ou até mesmo superior, a Bahá´u´lláh? “A base da crença do povo de Bahá é esta:” – assim proclama uma das mais imponentes passagens deste último documento, deixado para transmitir, a toda a posteridade, as instruções e vontades de um Mestre que partira – “Sua Santidade O Excelso (o Báb), é a manifestação da Unidade Divina e o Precursor da Beleza Antiga. Sua Santidade a Beleza de Abhá (Bahá´u´lláh) (Oxalá minha vida seja oferecida em holocausto por Seus amigos leais) é o supremo Manifestante de Deus e a Aurora de Sua mais divina Essência. Todos os outros são Seus servos e cumpridores de Sua Vontade”.
Destas declarações, entretanto, tão inequívocas, categóricas, e incompatíveis que são com qualquer pretensão de ser Profeta, não devemos inferir, de modo algum, que ´Abdu´l-Bahá seja apenas um dos servos da Abençoada Beleza, ou mesmo um cuja função se limite à interpretação autorizada dos ensinamentos de Seu Pai. Longe de mim tal noção ou o desejo de incutir tais idéias, julgá-Lo assim seria, claramente, uma traição da inestimável herança que Bahá´u´lláh legou à humanidade. A posição que Lhe foi conferida pela Pena Suprema é incomensuravelmente exaltada acima e além do que se infere dessas, Suas próprias declarações escritas. Quer seja no Kitáb-i-Aqdas, a mais imponente e sagrada de todas as obras de Bahá´u´lláh, quer no Kitáb-i-´Ahd, o Livro de Seu Convênio, ou no Súriy-i-Ghusn (Epístola do Ramo), as referências registradas pela pena de Bahá´u´lláh – referências estas poderosamente reforçadas pelas Epístolas que o Pai de ´Abdu´l-Bahá Lhe dirigiu – investem-no de um poder e o cercam de uma auréola que a presente geração jamais poderá apreciar devidamente.
Ele é – e para todo o sempre deve assim ser considerado – primeiro e acima de tudo, o Centro e Eixo do incomparável e todo abrangente Convênio de Bahá´u´lláh, Sua mais exaltada obra, o imaculado Espelho de Sua Luz, o perfeito Exemplar de Seus ensinamentos, o infalível Intérprete de Sua Palavra, a encarnação de todos os ideais e virtudes bahá´ís, o Mais Poderoso Ramo nascido da Raiz Antiga, o Sustentáculo da Lei de Deus, o Ser “em torno de Quem giram todos os nomes”, o Manancial da Unidade do Gênero Humano, o Porta-Estandarte da Paz Máxima, a Lua do Orbe Central desta mais sagrada Revelação – denominações e títulos estes que são implícitos e que acham sua mais alta, verdadeira e justa expressão no nome mágico: ´Abdu´l-Bahá. Acima e além dessas denominações, Ele é o “Mistério de Deus” – uma expressão que o Próprio Bahá´u´lláh escolhera para designá-Lo e que, embora de modo algum justifique que se Lhe atribua a posição de Profeta, mostra como na pessoa de ´Abdu´l-Bahá se reúnem e harmonizam completamente as incompatíveis características de uma natureza humana e de um conhecimento e perfeição sobre-humanos.
“Quando o Oceano de Minha Presença estiver em refluxo, e o Livro de Minha Revelação houver terminado”, proclama o Kitáb-i-Aqdas, “voltai as faces para Aquele que Deus designou, que brotou desta Raiz Antiga”. E também, “Quando a Pomba Mística tiver alçado vôo de seu Santuário de Louvor e procurado seu destino remoto, sua morada oculta, qualquer coisa que não compreendais no Livro, referi-a Àquele que brotou desta poderosa Estirpe”.
No Kitáb-i-Ahd, além disso, Bahá´u´lláh declara solene e explicitamente: “Incumbe aos Aghsán, aos Afnán e a todos os Meus parentes, voltarem as faces para o Mais Poderoso Ramo. Considerai o que revelamos em Nosso Sacratíssimo Livro. “Quando o oceano de Minha presença estiver em refluxo, e o Livro de Minha Revelação houver terminado, voltai as faces para Aquele que Deus designou, que brotou desta Raiz Antiga”. O objeto deste sagrado versículo não é outro senão o Mais Poderoso Ramo (´Abdu´l-Bahá). Através de Nossas graças, Nós vos revelamos Nossa Potentíssima Vontade, e Eu sou em verdade o Misericordioso, o Onipotente”.
No Súriy-i-Ghusn (Epístola ao Ramo) foram registrados os seguintes versículos: “Brotou do Sadratu´l-Muntahá este sagrado e glorioso Ser, este Ramo de Santidade; bem-aventurado quem tenha buscado Seu amparo e habite à Sua sombra. Em verdade, o Sustentáculo da Lei divina surgiu desta Raiz que Deus plantou firmemente no Solo de Sua Vontade, e cujo Ramo se ergueu até abranger a criação inteira. Glorificado seja Ele, pois, por essa Obra sublime, abençoada, poderosa e exaltada!... Como prova de Nossa misericórdia, emanou uma Palavra da Suprema Epístola – uma Palavra que Deus embelezou com os adornos de Seu próprio Ser e fez soberana sobre a terra e tudo o que nela está, e um sinal de Sua grandeza e poder entre seus povos... Agradecei a Deus, Ó povo, por haver Ele aparecido; pois, em verdade, Ele é a maior de todas as graças, a mais perfeita dádiva a vós; e por Seu intermédio se ressuscitam até os ossos em decomposição. Quem se dirigir a Ele terá se dirigido a Deus, e quem Dele se desviar, terá se desviado de Minha Beleza, terá repudiado Minha Prova e transgredido contra Mim. Ele é Quem Deus confiou a vós, de quem Ele vos incumbiu, Seu manifestante entre vós, e o Seu aparecimento entre Seus servos favorecidos... Fizemo-Lo descer na forma de um templo humano. Bendito e santificado seja Deus, que cria qualquer coisa que deseje através de Seu decreto inviolável, infalível. Aqueles que se privam da sombra do Ramo estão perdidos na solidão do erro, consumidos pelo fogo dos desejos mundanos, são daqueles que, seguramente, hão de perecer”.
“Ó Tu que és a menina de Meus Olhos!” escreve Bahá´u´lláh, de Próprio punho, dirigindo-se a ´Abdu´l-Bahá, “Descansem sobre Ti Minha glória, o oceano de Minha benevolência, o sol de Minha bondade, o céu de Minha misericórdia. Pedimos a Deus que ilumine o mundo através de Teu conhecimento e Tua sabedoria, que ordenes para Ti o que possa alegrar Teu coração e consolar Teus olhos”. “Que a glória de Deus esteja sobre Ti”, Ele diz em outra Epístola, “e sobre qualquer um que Te sirva e se mova a Teu redor. Ai daquele que Te fizer oposição ou Te injuriar. Bem-aventurado quem Te jurar lealdade; e que o fogo infernal atormente quem for Teu inimigo”. “Nós Te fizemos um refúgio para toda a humanidade”, afirma Ele em ainda outra Epístola, “um escudo para todos os que estão no céu e sobre a terra, uma cidadela para quem quer que tenha acreditado em Deus, o Incomparável, o Onisciente. Permita Deus, que por Teu intermédio, Ele os possa enriquecer e sustentar; que Ele Te inspire com aquilo que seja um manancial de riquezas para todas as coisas criadas, um oceano de graças para todos os homens, e a aurora da compaixão para todos os povos”.
“Tu sabes, Ó meu Deus”, suplica Bahá´u´lláh numa oração revelada em honra de ´Abdu´l-Bahá, “que nada desejo para Ele senão o que Tu desejaste, e nenhum destino tenho escolhido para Ele senão aquele que Tu escolheras. Concede-Lhe a vitória, pois, pelos Teus exércitos na terra e no céu... Imploro-Te, pela intensidade de Meu amor a Ti, e por Meu fervoroso desejo de manifestar Tua Causa, que ordenes para Ele, como também para aqueles que O amam, o que Tu destinastes a Teus Mensageiros e aos incumbidos de transmitir a Tua Revelação, Em verdade, Tu és o Todo-Poderoso, o Onipotente”.
Numa carta ditada por Bahá´u´lláh e endereçada por Mirzá Aqá Ján, Seu secretário, a ´Abdu´l-Bahá, durante a estada deste em Beirut, lemos o seguinte: “Louvado seja Ele por ter honrado a Terra de Bá (Beirut) com a presença Daquele em torno de Quem giram todos os nomes. Todos os átomos da terra anunciaram a todas as coisas criadas as novas de que surgira de trás dos portais da Cidade-Prisão, brilhando por cima de seu horizonte, a beleza do grande, do Supremo Ramo de Deus – Seu Mistério antigo e imutável – encaminhando-se para uma outra terra. Tristeza envolve, pois, esta Cidade-prisão, enquanto uma outra terra se regozija... Bendito, duplamente bendito o solo pisado pelos Seus pés, benditos os olhos alegrados pela beleza de Seu semblante, os ouvidos honrados pelo privilégio de escutar Seu chamado, o coração que experimentou a doçura de Seu amor, o peito que vibrou com Sua comemoração, a pena que expressou Seu louvor, o pergaminho a que foi conferido o testemunho de Seus escritos”.
´Abdu´l-Bahá, confirmando a autoridade que Lhe fora conferida por Bahá´u´lláh, declara o seguinte: “De acordo com o explícito texto do Kitáb-i-Aqdas, Bahá´u´lláh designou para ser o Intérprete de Sua Palavra o Centro do Convênio – um Convênio tão firme e poderoso que nunca, desde o princípio do tempo até o dia presente, nenhuma Revelação religiosa produziu igual”.
Não obstante tão elevada posição, porém, e os elogios tão profusos com que Bahá´u´lláh glorificou Seu Filho nestes sagrados Livros e Epístolas, essa distinção sem paralelo nunca deve ser interpretada como prova de ser Sua condição idêntica à condição de Seu Pai, o Próprio Manifestante, ou, de modo algum, equivalente. Dar-se tal interpretação a qualquer dessas passagens citadas teria, obviamente, o efeito imediato de a por em conflito com as asserções e advertências não menos claras e autênticas às quais eu já me referi. De fato – como já tive ocasião de afirmar – os que atribuem a ´Abdu´l-Bahá um grau em demasia elevado são tão repreensíveis como aqueles que Lhe querem diminuir o valor, nem é menos perniciosa a influência destes. E isso pela simples razão de que, quando persistem em suas deduções inteiramente injustificáveis, tiradas dos escritos de Bahá´u´lláh, estão fornecendo ao inimigo, se bem que inadvertidamente, contínuas provas para acusações falsas e ambíguas.
Sinto-me compelido, pois, a declarar inequivocamente e sem a menor hesitação, que não existe no Kitáb-i-Aqdas, nem no Livro do Convênio de Bahá´u´lláh,nem mesmo na Epístola do Ramo ou em outra Epístola, quer revelada por Bahá´u´lláh, quer por ´Abdu´l-Bahá, autoridade alguma para a opinião que tende a sustentar a assim chamada “unidade mística” de Bahá´u´lláh e ´Abdu´l-Bahá, ou a estabelecer a identidade deste com Seu Pai ou com qualquer Manifestante anterior. Tal conceito errôneo pode ser atribuído em parte a uma interpretação inteiramente extravagante de certos termos e certas passagens na Epístola do Ramo, ao fato de se haver introduzido na tradução inglesa certas palavras que não existem no original, ou que dão uma impressão errada, ou são ambíguas em sua conotação. Baseia-se isso principalmente, sem dúvida, numa inferência que não é, em absoluto, justificável, tirada das passagens iniciais de uma Epístola de Bahá´u´lláh, da qual alguns extratos, segundo são reproduzidos na obra “Bahá´í Scriptures”, precedem imediatamente a Epístola do Ramo sem, entretanto, formarem parte integrante da mesma. A todos que lêem estes extratos, deve-se esclarecer que a frase “a Língua do Antigo” se refere somente a Deus, que o termo “O Nome Supremo” é uma referência óbvia a Bahá´u´lláh, e que “o Convênio” não quer dizer o Convênio específico de que Bahá´u´lláh é o Autor imediato e ´Abdu´l-Bahá o Centro, mas sim aquele Convênio geral que – segundo os ensinamentos bahá´ís – o próprio Deus, ao inaugurar uma nova Revelação, estabelece invariavelmente com a humanidade. A “Língua” que “dá” as “boas novas”, como dizem estes extratos, não é outra senão a Voz de Deus referindo-se a Bahá´u´lláh, e não este se referindo a ´Abdu´l-Bahá.
Além disso, se, em vez de vermos na declaração: “Ele é Eu mesmo” uma alusão à unidade mística de Deus e Seus Manifestantes, segundo explica o Kitáb-i-Iqán, tentássemos provar por tal declaração a identidade de ´Abdu´l-Bahá com Bahá´u´lláh, estaríamos violando diretamente o tão frisado princípio da unidade dos Manifestantes de Deus – um princípio que o Autor destes mesmos extratos tenta, por inferência acentuar.
Equivaleria isso, também, a uma reversão àquelas crenças irracionais e supersticiosas que se insinuaram imperceptivelmente nos ensinamentos de Jesus Cristo, no primeiro século da era cristã, as quais, cristalizando-se até se tornarem dogmas estabelecidos, tem diminuído a eficácia da Fé Cristã e lhe obscurecido o alvo.
“Afirmo” – é o comentário escrito pelo próprio ´Abdu´l-Bahá sobre a Epístola do Ramo – “que o verdadeiro sentido, o significado real, o segredo íntimo destes versículos, destas palavras, é minha servitude ao sagrado Limiar da Beleza de Abhá, minha abnegação completa, e consciência de ser absolutamente nada perante Ele. Constitui isso minha coroa resplandecente, meu mais precioso adorno. Disso me orgulho no reino da terra e do céu. Está nisso minha glória na companhia dos favorecidos!” “A ninguém é permitido dar a estes versículos qualquer outra interpretação” – Ele nos adverte na passagem que segue logo depois. E afirma, sobre o mesmo ponto: “De acordo com os textos explícitos do Kitáb-i-Aqdas e do Kitáb-i-´Ahd, eu sou o Intérprete manifesto da Palavra de Deus... Quem se desviar de minha interpretação será vítima de sua própria fantasia”.
Além disso, a inevitável dedução da crença na identidade do Autor da nossa Fé com Aquele que é o Centro de Seu Convênio, seria a de colocar ´Abdu´l-Bahá em uma posição superior à do Báb, quando justamente o inverso – muito embora ainda não reconhecido universalmente – é o princípio fundamental desta Revelação. Isso justificaria, também, a acusação com que os violadores do Convênio, durante todo o ministério de ´Abdu´l-Bahá, tentaram envenenar as mentes dos leais adeptos de Bahá´u´lláh e perverter-lhes a compreensão.
Seria mais correto, como também estaria mais de acordo com os princípios estabelecidos por Bahá´u´lláh e pelo Báb se, em vez de mantermos essa identidade fictícia com relação a ´Abdu´l-Bahá, considerássemos como idênticos, na realidade, o Precursor e o Fundador de nossa Fé – verdade essa que o texto do Súratu´l-Haykal afirma inequivocamente. “Tivesse o Ponto Primordial (o Báb) sido outro, como pretendeis, e não Eu mesmo” – é a explícita declaração de Bahá´u´lláh – “e tivesse Ele atingido Minha Presença, nunca teria Ele permitido, na verdade, separar-se de Mim; antes, haveríamos Nós nos deleitado mutuamente com a companhia, um do outro, em Meus Dias”. “Aquele que agora faz ouvir a Palavra de Deus”, afirma Bahá´u´lláh ainda outra vez, “não é senão o Ponto Primordial que novamente se manifestou”. “Ele”, disse Bahá´u´lláh, referindo-se a si Próprio, numa Epístola dirigida a uma das Letras da Vida, “é o mesmo que apareceu no ano sessenta (1260 após a Hégira). Este é, em verdade, um de Seus poderosos sinais”. “Quem” – é Seu apelo no Súriy-i-Damm – “se levantará para conseguir o triunfo da Beleza Primordial (o Báb) revelada no semblante de Seu Manifestante subseqüente?” E, referindo-se à Revelação proclamada pelo Báb, por outro lado, Ele a caracteriza como “Minha própria Revelação anterior”.
Numa declaração de ´Abdu´l-Bahá dirigida a alguns bahá´ís da América do Norte, encontramos mais uma exposição, clara e enfática, dos pontos que desejo acentuar neste capítulo, em suma: que ´Abdu´l-Bahá não é Manifestante de Deus, que recebe Sua luz, Sua inspiração e Seu sustento diretamente da Fonte Principal da Revelação Bahá´í; que é como um espelho límpido e perfeito que reflete os raios da glória de Bahá´u´lláh, não possuindo inerentemente aquela realidade que desafia definição, que tudo penetra e abarca – realidade essa que é o distintivo do Profeta única e exclusivamente; que Suas palavras não são iguais em grau, embora possuam a mesma validade que as de Bahá´u´lláh; e que Ele não deve ser aclamado como Jesus Cristo que tenha voltado – o Filho que virá “na glória do Pai”. Em conclusão, cito as referidas palavras de ´Abdu´l-Bahá: “Escrevestes que há uma divergência entre os crentes a respeito da “Segunda Vinda de Cristo”, Deus Misericordioso! Inúmeras vezes tem surgido essa questão, e a resposta tem emanado da pena de ´Abdu´l-Bahá em termos claros e irrefutáveis: o “Senhor dos Exércitos” e o “Cristo Prometido” mencionados nas profecias referem-se à Abençoada Perfeição (Bahá´u´lláh) e à Sua Santidade o Excelso (o Báb). Meu nome é ´Abdu´l-Bahá. Minha qualificação é ´Abdu´l-Bahá. Minha realidade é ´Abdu´l-Bahá. Meu louvor é ´Abdu´l-Bahá. Ser escravo no limiar da Abençoada Perfeição é meu diadema glorioso e refulgente, e servir a toda a humanidade é minha religião perpétua... Nenhum nome, nenhum título, nenhuma menção, nenhuma recomendação tenho, nem terei jamais, a não ser ´Abdu´l-Bahá. É isso o que desejo – é minha maior aspiração. É minha vida eterna, minha glória imperecível”.
A ORDEM ADMINISTRATIVA
Queridos companheiros de ´Abdu´l-Bahá! Com a ascensão de Bahá´u´lláh, a Estrela Dalva da Guia Divina que – como foi predito por Shaykh Ahmad e Siyyid Kázim, despontou em Shíráz, e, durante o seu percurso para o Ocidente, atingiu o seu zênite em Adrianópolis, mergulhou no horizonte de ´Akká, para não ressurgir antes de um ciclo de mil anos. Com o ocaso de tão fulgente Orbe, terminara definitivamente a época da Revelação Divina – a etapa inicial e mais vitalizadora de toda a Era Bahá´í. Este período, inaugurado pelo Báb e culminando com Bahá´u´lláh, que havia sido antecipado e elogiado pela inteira companhia dos Profetas deste grandioso ciclo profético, foi caracterizado por quase cinqüenta anos de Revelação contínua e progressiva – excetuando-se apenas o pequeno intervalo entre o martírio do Báb e as comoventes experiências de Bahá´u´lláh no Siyáh-Chal de Teerã. No que diz respeito à sua duração e à sua fecundidade, devemos considerar este período como sem paralelo em toda a história espiritual do mundo.
O falecimento de ´Abdu´l-Bahá, por outro lado, assinala o término da Idade Heróica e Apostólica desta mesma Dispensação – do período primitivo de nossa Fé, cujos esplendores jamais serão rivalizados, e muito menos eclipsados, pela grandeza que há forçosamente de distinguir as futuras vitórias da Revelação de Bahá´u´lláh. Pois nem o que realizaram os campeões na ereção das instituições atuais da Fé Bahá´í, nem os triunfos assombrosos que os heróis de sua Idade Áurea hão de conseguir nos dias vindouros, podem ser comparados, ou incluídos na mesma categoria, com as maravilhosas obras associadas aos nomes daqueles que lhe geraram a própria vida e lançaram os alicerces prístinos. O primeiro período da Era Bahá´í, o período criador, deve sobressair pela sua própria natureza, distinguindo-se do período formativo em que já entramos e, igualmente, da idade áurea destinada a sucedê-lo.
´Abdu´l-Bahá, que encarna uma instituição sem paralelo nos reconhecidos sistemas religiosos do mundo, encerrou, pode-se dizer, a Era à qual Ele mesmo pertencia, e abriu esta em que nós agora trabalhamos. Assim, pois, Seu Testamento deve ser considerado o elo perpétuo, indissolúvel, que a mente Daquele que é o Mistério de Deus concebeu a fim de assegurar a continuidade dos três períodos que constituem as partes componentes da Revelação Bahá´í. O período em que a semente da Fé havia pouco a pouco germinado, fica deste modo entrelaçado com este que deve presenciar sua florescência, como também com o ulterior, no qual a semente terá produzido finalmente seus frutos dourados.
As energias criadoras liberadas pela Lei de Bahá´u´lláh, penetrando e evoluindo na mente de ´Abdu´l-Bahá, produziram, pelo próprio contato e pela íntima interação, um Instrumento que pode ser considerado a Carta da Nova Ordem Mundial, a qual é, a um tempo, a glória e a promessa desta Dispensação suprema. Assim pode-se aclamar o Testamento como o fruto inevitável do intercurso místico entre Aquele que comunicou a influência geradora de Seu Plano Divino, e aquele que era seu veículo, o escolhido recipiente. Sendo o Testamento de ´Abdu´l-Bahá, pois, o Filho do Convênio – Herdeiro tanto do Originador como do Intérprete da Lei de Deus – é tão impossível separá-lo Daquele que forneceu o impulso original, motivador, como Daquele que ulteriormente o concebeu. Devemos nos lembrar sempre de que o plano inescrutável de Bahá´u´lláh se infundiu tão completamente na conduta de ´Abdu´l-Bahá, e os motivos de ambos se uniram tão intimamente, que a mera tentativa de desassociar os ensinamentos do primeiro, de qualquer sistema estabelecido pelo Exemplar ideal destes mesmos ensinamentos, constituiria em si um repúdio a uma das verdades mais sagradas e fundamentais da Fé.
A Ordem Administrativa – que vem evoluindo desde a ascensão de ´Abdu´l-Bahá, estabelecendo-se ante os nossos olhos em nada menos de quarenta dos países do mundo* – pode ser considerada a estrutura do próprio Testamento, a inviolável cidadela em que o filho recém-nascido está sendo nutrido e desenvolvido. Essa Ordem Administrativa, à medida que se for estendendo e consolidando, haverá certamente de manifestar as potencialidades e o pleno significado deste poderoso Documento, a mais notável expressão da Vontade de uma das mais notáveis Figuras da Revelação de Bahá´u´lláh. Assim que suas partes componentes, suas instituições orgânicas, entrem em funcionamento com eficiência e vigor, essa Ordem reivindicará sua pretensão e demonstrará sua capacidade de ser considerada não somente o núcleo, mas o verdadeiro padrão da Nova Ordem Mundial destinada a abranger, na plenitude dos tempos, a humanidade inteira.
Devemos notar que esta Ordem Administrativa difere fundamentalmente de qualquer coisa estabelecida pelos Profetas do passado, pois foi o próprio Bahá´u´lláh quem revelou os princípios e determinou as instituições desta Ordem, designando a pessoa para interpretar Sua Palavra e concedendo a devida autoridade ao organismo destinado a suplementar e aplicar Suas ordenanças legislativas. Aí está o segredo da força da Ordem Administrativa, a distinção fundamental e a garantia contra a desintegração e o cisma. Em parte alguma das Sagradas Escrituras de qualquer dos sistemas religiosos do mundo, nem mesmo nos escritos do Inaugurador da Dispensação Bábí, encontramos provisões que estabeleçam um convênio ou uma ordem administrativa que possam ser comparados – no que diz respeito a seu âmbito e sua autoridade – com aqueles que estão na própria base da Revelação Bahá´í. Tomemos, por exemplo, duas que sobressaem entre as reconhecidas religiões do mundo, duas das mais largamente difundidas, o cristianismo e o islamismo. Oferecem elas algo que possa ser considerado igual ou equivalente ao Livro do Convênio de Bahá´u´lláh, ou ao Testamento de ´Abdu´l-Bahá? Será; que o texto do Evangelho ou o do Alcorão conferem autoridade suficiente àqueles líderes e concílios que têm reclamado o direito e assumido a função de interpretar as provisões de suas sagradas escrituras e de administrar os assuntos das suas respectivas comunidades? – Pode Pedro, reconhecido chefe dos apóstolos, ou o Imáme Alí, o primo e legítimo sucessor do Profeta, exibir em apoio da primazia com que ambos foram investidos, afirmativas escritas e explícitas de Cristo e de Maomé que tivessem feito silenciar aqueles que, tanto entre seus contemporâneos como posteriormente, lhes negaram a autoridade e precipitaram com as ações os cismas que persistem até os dias presentes? Onde encontraremos nas palavras registradas de Jesus Cristo – bem podemos perguntar – quer seja sobre o assunto da sucessão, quer no sentido de prover um código de leis específicas e ordenanças administrativas claramente definidas – em distinção a princípios puramente espirituais – onde, perguntamos, encontraremos algo que se aproxime das detalhadas injunções, leis e advertências tão abundantes nas palavras autênticas tanto de Bahá´u´lláh como de ´Abdu´l-Bahá? Pode alguma passagem do Alcorão – o qual, a respeito de seu código legal, suas ordenanças administrativas e devocionais, assinala já um notável progresso sobre as Revelações anteriores e mais corruptas – ser construída como se tivesse colocado sobre uma base inatacável a autoridade indiscutível com que Maomé, verbalmente e em várias ocasiões, investiu o Seu sucessor? Se bem que o Autor da Revelação Bábí conseguisse, mediante as provisões do Bayán Persa, evitar um cisma tão permanente e catastrófico como aqueles que afligiram o cristianismo e o islamismo, será que poderíamos afirmar haver Ele produzido, a fim de salvaguardar Sua Fé, instrumentos tão bem definidos e da mesma eficácia dos que hão de preservar, para todo o sempre, a união dos organizados seguidores da Fé Bahá´í?
Dentre todas as Revelações, até a época atual, somente esta Fé – graças às explícitas instruções, às repetidas advertências e aos autênticos meios de proteção incorporados e elaborados em seus ensinamentos – conseguiu erigir uma estrutura da qual os adeptos de credos falidos e quebrados bem poderiam se aproximar em sua perplexidade, a fim de examiná-la com atenção e procurar, antes que seja tarde demais, a segurança invulnerável de seu refúgio mundial.
Não é de se admirar que Aquele que inaugurou com Seu Testamento uma Ordem tão vasta e incomparável, Aquele que é o Centro de tão grandioso Convênio – tivesse escrito estas palavras: “Tão firme e poderoso é este Convênio que nunca, desde o começo do tempo até o dia de hoje, nenhuma Era religiosa produziu igual.” “Qualquer coisa que esteja latente no recôndito deste sagrado ciclo” , escreveu Ele durante os dias mais escuros e perigosos de Seu ministério, “há de aparecer e se tornar manifesto gradativamente, pois agora é apenas o começo de seu crescimento e a aurora da revelação de seus sinais”. “Não tenhais receio” são Suas palavras confortadoras, prognosticando o surgir da Ordem Administrativa estabelecida por Seu Testamento – “Não tenhais receio, se este Ramo for cortado deste mundo material e despido de suas folhas; não, as folhas hão de medrar, pois este Ramo crescerá após haver sido cortado deste mundo inferior, atingirá os pináculos da glória, e dará frutos cuja fragrância há de perfumar o mundo.”
Essa Ordem Administrativa – ou seja a futura Comunidade Mundial Bahá´í, em sua forma rudimentar – é destinada a manifestar poder e majestade incomparáveis, pois a que outra coisa, senão a isso, podem aludir as seguintes palavras de Bahá´u´lláh? “O equilíbrio do mundo foi perturbado pela influência vibrante desta nova e mais imponente Ordem Mundial. Revolucionou-se a vida ordenada do homem, em virtude deste Sistema sem paralelo, maravilhoso – cujo igual jamais foi visto por olhos mortais”.
O próprio Báb, em Suas referências Àquele Que Deus tornará manifesto”, antecipa o Sistema e glorifica a Ordem Mundial que a Revelação de Bahá´u´lláh é destinada a desenvolver. “Bem-aventurado aquele” – é Sua extraordinária afirmação no terceiro capítulo do Bayán Persa – “que dirigir o olhar à Ordem de Bahá´u´lláh e agradecer a seu Senhor! Pois Ele há seguramente, de se manifestar. Deus, em verdade, ordenou isso, irrevogavelmente, no Bayán.”
Alguns fracos vislumbres, os primeiros prenúncios da natureza da Ordem Administrativa e de sua atuação – as quais eram destinadas a ser proclamadas e formalmente estabelecidas em época posterior, pelo Testamento de ´Abdu´l-Bahá já podemos discernir nas Epístolas de Bahá´u´lláh que designam e estabelecem formalmente as instituições das Casas de Justiça Internacional e Locais; na instituição das Mãos da Causa de Deus, criada primeiro por Bahá´u´lláh e depois por ´Abdu´l-Bahá; na instituição das Assembléias, tanto nacionais como locais, que já funcionavam em estado embrionário antes da ascensão de ´Abdu´l-Bahá, e na autoridade que o Autor de nossa Fé e o Centro de Seu Convênio, segundo Suas Epístolas, se dignaram conferir a estas; na instituição do Fundo Local que operava de acordo com as específicas injunções de ´Abdu´l-Bahá dirigidas a certas Assembléias no Irã, nos versículos do Kitáb-i-Aqdas que antecipam claramente a instituição da Guardiania; e na explicação dada por ´Abdu´l-Bahá numa Epístola, com especial ênfase, do princípio hereditário e da lei da primogenitura, como havendo sido sustentados pelos Profetas do passado. Parece-me oportuno, a esta altura, tentar uma explicação do caráter e das funções dos pilares gêmeos que sustentam esta poderosa Estrutura Administrativa – as instituições da Guardiania e da Casa Universal de Justiça. Uma descrição completa, porém, dos vários elementos que funcionam em conjunto com essas instituições, está além do âmbito e do objetivo desta exposição geral das verdades fundamentais da Fé. Definir acurada e minuciosamente as feições, e fazer uma análise completa, por um lado, da relação que liga esses dois órgãos fundamentais do Testamento de ´Abdu´l-Bahá, e, por outro, da relação que une cada um destes ao Autor da Fé e ao Centro de Seu Convênio, é uma tarefa que futuras gerações cumprirão, sem dúvida, de um modo adequado. É minha intenção aqui elaborar certas feições salientes deste esquema, as quais, embora nós estejamos muito próximos ainda de sua estrutura colossal, já se definiram com tal clareza que não teremos desculpa se as concebermos erroneamente ou lhes negarmos a devida atenção.
Deve-se afirmar, antes de tudo, em termos claros e inequívocos, que essas instituições gêmeas da Ordem Administrativa de Bahá´u´lláh têm que ser consideradas divinas em sua origem, essenciais em suas funções, e complementares quanto a seu objetivo e seu propósito. O que ambas visam, fundamentalmente, é garantir a permanência daquela autoridade divinamente concedida que emana da Fonte de nossa Fé, salvaguardar a união de seus seguidores, e manter a integridade e a flexibilidade de seus ensinamentos. Operando em conjunto, estas duas instituições inseparáveis tratam de lhe administrar os afazeres, coordenar as atividades, promover os interesses, executar as leis e defender as instituições subsidiárias. Cada instituição funciona dentro de uma bem definida esfera de jurisdição, tendo também suas próprias instituições auxiliares – instrumentos designados para o eficiente desempenho de suas responsabilidades e obrigações especiais. Exerce cada uma, dentro dos limites que lhe são impostos, seus poderes, sua autoridade, seus direitos e suas prerrogativas, os quais não são contraditórios, nem detraem, no mínimo grau, da posição que cada uma destas instituições ocupa. Longe de serem incompatíveis ou mutuamente destrutivas, suplementam a autoridade e as funções uma da outra, e são permanente e fundamentalmente unidas em seus objetivos.
Separada da instituição da Guardiania, a Ordem Mundial de Bahá´u´lláh ficaria mutilada e privar-se-ia, permanentemente, daquele princípio hereditário que foi sempre sustentado pela Lei de Deus, segundo nos disse ´Abdu´l-Bahá. “Em todas as Revelações Divinas”, afirma Ele numa Epístola dirigida a um adepto da Fé na Pérsia, “deram ao filho mais velho distinções extraordinárias. Até mesmo o grau de profeta era seu direito hereditário.” Sem essa instituição, periclitaria a integridade da Fé, e a estabilidade da estrutura inteira correria grave perigo. Isso lhe prejudicaria o prestígio, e faltar-lhe-iam, completamente, os meios necessários para conseguir uma visão longa, ininterrupta, abrangendo uma séria de gerações, como também seria retirada totalmente a orientação indispensável para definir a esfera da ação legislativa de seus representantes eleitos.
E se fosse separado da outra instituição, não menos essencial, isto é, da Casa Universal de Justiça, este mesmo Sistema previsto pelo Testamento de ´Abdu´l-Bahá veria paralisar-se sua ação, e privar-se-ia, em absoluto, do poder de encher aquelas lacunas que o Autor do Kitáb-i-Aqdas deixou, deliberadamente, em Seu código legislativo e administrativo.
“Ele é o Intérprete da Palavra de Deus”, assevera ´Abdu´l-Bahá, referindo-se às funções do Guardião da Fé, usando em Seu Testamento o mesmo termo que Ele próprio escolhera ao refutar o argumento daqueles violadores do Convênio que haviam desafiado Seu direito de interpretar as palavras de Bahá´u´lláh. “Após Ele”, acrescenta, “sucederá o primogênito de seus descendentes diretos”. “A poderosa cidadela”, Ele ainda expõe, “conservar-se-á inexpugnável e segura em virtude da obediência àquele que é o Guardião da Causa de Deus”. “Incumbe aos membros da Casa de Justiça, a todos os Aghsán e Afnán, às Mãos da Causa de Deus, demonstrar sua obediência, submissão e subordinação ao Guardião da Causa de Deus”. “Incumbe aos membros da Casa de Justiça”, declara Bahá´u´lláh, por outro lado, na Oitava Folha do Exaltado Paraíso, “deliberarem acerca dos assuntos que não foram revelados exteriormente no Livro, e executar o que lhes aprouver. Deus, em verdade, inspirá-los-á com qualquer coisa que Ele queria, e Ele é, em verdade, o Provedor, o Onisciente”. Ao Sacratíssimo Livro, (o Kitáb-i-Aqdas), afirma ´Abdu´l-Bahá em Seu Testamento, “deve cada um se dirigir, e qualquer assunto que nele não esteja expressamente tratado deve ser referido à Casa Universal de Justiça. O que esta decidir, quer seja por unanimidade quer por maioria, será, de fato, a verdade, e aquilo que o próprio Deus deseja. Quem disso se desviar, será realmente um daqueles que amam a discórdia, terá mostrado malícia e se desviado do Senhor do Convênio”.
E ´Abdu´l-Bahá, em Seu Testamento, não só confirma a declaração de Bahá´u´lláh supracitada, mas também investe a Casa Universal de Justiça com o direito e o poder de ab-rogar, segundo as exigências do tempo, sua própria legislação, bem como a de uma Casa de Justiça anterior. “Assim como a Casa de Justiça” – é Sua explícita afirmação em Seu Testamento – “tem o poder de fazer leis que não estejam expressamente registradas no Livro e que tratem de transações diárias, tem ela também o poder de anulá-las... Pode fazer isso porque estas leis não formam parte do explícito texto divino”.
Com referência ao Guardião e à Casa de Justiça Universal, lemos estas palavras enfáticas: “O sagrado e jovem Ramo, o Guardião da Causa de Deus, bem como a Casa Universal de Justiça, a ser universalmente eleita e estabelecida, estão ambos sob o cuidado e a proteção da Beleza de Abhá, protegidos e guiados infalivelmente pelo Excelso o Báb (Que minha vida seja oferecida por ambos!) Qualquer coisa que eles decidam, é de Deus.”
Em vista destas asserções, pois, torna-se indubitavelmente claro e evidente ser o Guardião da Fé o designado Intérprete da Palavra, e a Casa Universal de Justiça a instituição investida com a função de legislar sobre assuntos não expressamente tratados nos ensinamentos. A interpretação do Guardião, que funciona dentro de sua própria esfera, é tão autorizada e incondicional como o é a legislação da Casa Universal de Justiça, a qual tem a prerrogativa, o direito exclusivo, de dar o parecer e a decisão final nos casos em que Bahá´u´lláh não revelou expressamente leis e ordenanças. Nenhuma das duas instituições poderá, nem há de querer jamais infringir o sagrado domínio prescrito para a outra. Nenhuma delas tentará diminuir a específica e indubitável autoridade com que foram ambas divinamente investidas.
Embora o Guardião da Fé tenha sido designado o permanente chefe de tão augusto organismo, jamais ele poderá, nem sequer provisoriamente, assumir o direito de legislação exclusiva. Não poderá superar a decisão da maioria de seus co-membros, mas será obrigado a insistir que estes reconsiderem qualquer legislação que a consciência lhe mostre ser contrária ao sentido e ao espírito das palavras reveladas por Bahá´u´lláh. Ele interpreta o que foi especificamente revelado, e não pode legislar senão em sua capacidade de membro da Casa Universal de Justiça. Não lhe é permitido estabelecer independentemente a constituição destinada a governar as atividades organizadas de seus co-membros, como tampouco deve ele exercer sua influência de uma maneira que possa usurpar a liberdade daqueles que têm o sagrado direito de eleger o corpo de seus colaboradores.
Devemos lembrar-nos de que ´Abdu´l-Bahá antecipara a instituição da Guardiania, muito antes de Sua própria ascensão, como evidencia uma alusão que Ele fez numa Epístola dirigida a três de Seus amigos na Pérsia. Haviam estes perguntado se seria indicada alguma pessoa a quem todos os bahá´ís se devessem dirigir após Sua ascensão, ao que ´Abdu´l-Bahá deu a seguinte resposta: “Quanto à pergunta que me fizestes, deveis saber, em verdade, que isso é um segredo bem guardado. Assemelha-se a uma jóia oculta dentro de sua concha. Predestina-se a ser revelado. Tempo virá em que sua luz aparecerá, suas evidências se tornarão manifestas, e seus segredos desvendar-se-ão”.
Caríssimos amigos! A despeito da elevada posição da Guardiania e da função vital desta instituição na Ordem Administrativa de Bahá´u´lláh, e por mais acabrunhadora que deva ser a responsabilidade que pesa sobre ela, não se deve, de modo algum, exagerar sua importância, não obstante a linguagem do Testamento. Por grandes que sejam os méritos ou as realizações do Guardião da Fé, jamais deverá ele, sob quaisquer circunstâncias, ser exaltado ao grau que lhe permita participar, com ´Abdu´l-Bahá, da posição ímpar que o Centro do Convênio ocupa, e muito menos ainda deverá ser elevado à condição ordenada exclusivamente para o Manifestante de Deus. Tão grave divergência dos preceitos estabelecidos de nossa Fé nada menos é que aberta blasfêmia. Como já tive ocasião de expor, ao tratar da posição de ´Abdu´l-Bahá, o abismo que O separa do Autor de uma Revelação Divina, se bem que vasto, nunca pode ser comensurável com a distância entre Aquele que é o Centro do Convênio de Bahá´u´lláh e os Guardiães escolhidos como os ministros deste Convênio. Muito, muito maior é a distância que separa o Guardião e o Centro do Convênio, do que a que existe entre o Centro do Convênio e seu Autor.
Sinto-me constrangido a fazer a seguinte declaração para ser registrada: nenhum Guardião da Fé jamais poderá dizer-se o perfeito exemplar dos ensinamentos de Bahá´u´lláh, o espelho imaculado que reflita Sua luz. Embora esteja à sombra da proteção constante, infalível, de Bahá´u´lláh e do Báb, e ainda que participe, com ´Abdu´l-Bahá, do direito e da obrigação de interpretar os ensinamentos bahá´ís, ele é não obstante, essencialmente humano e, se deseja ser fiel à sua incumbência, não pode arrogar a si, sob pretexto algum, os direitos, os privilégios e as prerrogativas que Bahá´u´lláh se dignou conferir ao Seu Filho. À luz desta verdade, pois se orássemos ao Guardião da Fé ou o chamássemos de senhor e mestre, ou o designássemos como sua santidade, procurando sua benção, ou se comemorássemos seu aniversário natalício ou qualquer acontecimento de sua vida, estaríamos divergindo daquelas verdades estabelecidas que nossa amada Fé encerra. O fato de haver sido o Guardião especificamente dotado daquele poder que lhe é necessário, para que ele possa revelar o intuito e o significado das palavras de Bahá´u´lláh não quer dizer que lhe tenha sido conferida uma posição igual à daqueles cujas palavras é incumbido de interpretar. Ele pode exercer este direito, e desempenhar essa obrigação, e contudo permanecer infinitamente inferior a ambos quanto à posição, e diferente em natureza.
Abundante testemunho da integridade deste princípio cardeal de nossa Fé, devemos encontrar nas palavras e nos atos dos seus Guardiães presentes e futuros. Pela conduta e pelo exemplo deverão eles estabelecer a verdade deste princípio sobre um alicerce inatacável, e transmitir, a futuras gerações, evidências irrefutáveis desta realidade.
Se eu, da minha parte, hesitasse em reconhecer uma verdade tão vital, ou vacilasse em proclamar tão firme convicção, isso constituiria uma vergonhosa traição da confiança depositada em mim por ´Abdu´l-Bahá e uma imperdoável usurpação da autoridade com que Ele mesmo foi investido.
Seria oportuna aqui uma palavra sobre a teoria em que se baseia esta Ordem Administrativa, e sobre o princípio que deve governar a operação de suas mais importantes instituições. Criaríamos uma impressão inteiramente errada, se tentássemos fazer uma comparação, sequer, entre esta Ordem sem paralelo, divinamente concebida, e qualquer um dos diversos sistemas inventados pelas mentes dos homens, nos vários períodos da história, para o governo das instituições humanas. Tal tentativa mostraria que nos falta uma adequada apreciação de tão excelente obra do seu grande Autor. Bem sabemos que não poderia ser de outro modo quando nos lembramos de que esta Ordem constitui o verdadeiro padrão daquela civilização divina destinada a ser estabelecida na terra pela Lei todo poderosa de Bahá´u´lláh. Os sistemas políticos humanos, diversos e instáveis que são, sejam do passado ou do presente, quer tenham se originado no Oriente, quer no Ocidente – não oferecem nenhum critério adequado segundo o qual se possa estimar a potência de suas virtudes ocultas, ou avaliar a solidez de seus alicerces.
A Comunidade Bahá´í do futuro, alicerçada unicamente sobre esta vasta Ordem Administrativa, não só desafia qualquer comparação em toda a história das instituições políticas, mas também não encontra paralelo nos anais de qualquer um dos reconhecidos sistemas religiosos do mundo, quer seja em teoria quer na prática. Forma alguma de governo democrático; sistema algum de autocracia ou de ditadura, quer monárquico, quer republicano; nenhum esquema de ordem puramente aristocrático; nem mesmo qualquer dos reconhecidos tipos de teocracia – seja da Comunidade Hebraica, ou das várias organizações eclesiásticas Cristãs, ou da dos Imames ou do Califado no Islã – nenhum destes pode ser considerado idêntico ou conforme a Ordem Administrativa moldada pela mão mestra de seu Arquiteto perfeito.
Esta recém-nascida Ordem Administrativa incorpora, dentro de sua estrutura, certos elementos que se encontram em cada uma das três reconhecidas formas de governo temporal, sem que ela seja, em sentido algum, mera réplica de qualquer destas, e sem que introduza, dentro de seu mecanismo, qualquer uma das feições desfavoráveis que elas inerentemente possuem. Esta Ordem une e harmoniza as verdades salutares contidas, sem dúvida, em cada um destes sistemas – coisa que governo algum moldado por mãos mortais até agora conseguiu fazer – e sem, contudo, viciar a integridade daquelas verdades divinas em que, em última análise, se baseia.
De modo algum deve-se considerar como puramente democrática em caráter a Ordem Administrativa da Fé de Bahá´u´lláh, desde que esta dispensação carece em absoluto, da assunção básica segundo a qual todas as democracias têm de depender do povo, fundamentalmente, para seu mandato. Quando tratam da administração da Fé e da legislação necessária para suplementar as leis do Kitáb-i-Aqdas, os membros da Casa Universal de Justiça – devemos sempre nos lembrar – segundo indicam claramente as palavras de Bahá´u´lláh – não são responsáveis perante as pessoas que eles representam nem lhes é permitido guiar-se pelos sentimentos, pela opinião geral, ou mesmo pelas convicções das massas dos fiéis, ou daqueles que diretamente os elegeram. Devem seguir, antes, numa atitude de prece, a orientação e os ditames da própria consciência. Podem – ainda mais, devem – procurar conhecer as condições que prevalecem entre a comunidade, e devem pesar em suas mentes, desapaixonadamente, os méritos de qualquer caso que lhes seja apresentado para consideração, mas devem contudo reservar para si o direito de uma decisão irrestrita. “Deus, em verdade, inspirá-los-á com aquilo que Lhe aprouver”, é a asseveração incontrastável de Bahá´u´lláh. Assim, pois, eles – e não as pessoas que, direta ou indiretamente, os elegem – são os recipientes da orientação divina que é, a um tempo, o sangue vital e a salvaguarda final desta Revelação. Além disto, aquele que simboliza o princípio hereditário nesta Revelação foi designado o intérprete das palavras de seu Autor e, por conseguinte, em virtude da autoridade real de que foi investido, deixa de ser a figura passiva associada invariavelmente aos prevalecentes sistemas de monarquias constitucionais.
Nem pode a Ordem Administrativa Bahá´í ser relegada à categoria de sistema rígido, inflexível, de uma autocracia incondicional, nem tampouco à de uma vã imitação de qualquer forma de governo eclesiástico absolutista – quer seja o Papado, o Imanato, ou qualquer outra instituição semelhante, por esta razão óbvia: foi concedido aos representantes internacionais pelos adeptos de Bahá´u´lláh o direito exclusivo de legislar sobre questão não expressamente tratadas nas escrituras bahá´ís. Jamais poderá o Guardião da Fé, ou qualquer outra instituição, a não ser a Casa Universal de Justiça, usurpar este poder vital, essencial, ou infringir este sagrado direito. Ainda mais evidência do caráter não-autocrático da Ordem Administrativa Bahá´í e de sua inclinação para métodos democráticos, vemos-las na abolição do clero profissional com seus sacramentos de batismo, comunhão e confissão de pecados, bem como nas leis que requerem a eleição por sufrágio universal de todas as Casas de Justiça locais, nacionais e internacional, e na completa ausência de autoridade episcopal com os privilégios, as corrupções e as tendências burocráticas que a acompanham.
Nem deve essa Ordem, identificada com o nome de Bahá´u´lláh, ser confundida com qualquer sistema de governo puramente aristocrático, pois enquanto, por um lado, ela sustenta o princípio hereditário, e confia ao Guardião da Fé a obrigação de interpretar seus ensinamentos, por outro, providencia a eleição livre e direta, dentre as suas dos fiéis, do corpo que constitui seu mais alto órgão legislativo.
Embora não se possa dizer que esta Ordem Administrativa tenha sido modelada segundo qualquer um dos reconhecidos sistemas de governo, ela incorpora, no entanto, dentro de sua estrutura e reconcilia e assimila, alguns elementos salutares que se encontram em cada um deles. A autoridade hereditária que o Guardião é incumbido de exercer, as funções vitais, essenciais, desempenhadas pela Casa Universal de Justiça, as específicas provisões que exigem sua eleição democrática pelos representantes dos fiéis – tudo isso demonstra a verdade deste fato: esta Ordem divinamente revelada, se bem que não possa ser identificada com qualquer dos tipos padrões aos quais Aristóteles alude em suas obras, aproveita, entretanto, os elementos benéficos possuídos por cada um destes, incorporados e harmonizando-os com as verdades espirituais em que ela mesma se baseia. Sendo excluídos, rígida e permanentemente, os reconhecidos males inerentes a cada um destes sistemas, esta Ordem incomparável – nada importando quanto tempo dure ou quão extensamente se ramifique – jamais poderá degenerar ao ponto de se tornar uma forma daquele despotismo ou daquela oligarquia ou demagogia que, cedo ou tarde, corrompem o mecanismo de todas as instituições políticas, - essencialmente defeituosas que são – feitas pelo homem.
Caríssimos amigos! Por significativas que sejam as origens dessa poderosa estrutura administrativa, e por incomparáveis que sejam suas características, não nos parecem menos notáveis os acontecimentos que anunciaram – podemos dizer – seu nascimento, e que assimilaram a etapa inicial de sua evolução. Como é nítido, e também edificante o contraste entre o processo da lenta e constante consolidação que caracteriza o crescimento de sua força infantil e o ímpeto devastador das forças da desintegração que atacam as instituições já obsoletas, tanto religiosas como seculares, da sociedade atual!
A vitalidade tão claramente mostrada pelas instituições orgânicas desta grande Ordem, que se expande com tanta rapidez; os obstáculos já vencidos pela alta coragem e destemida resolução de seus administradores; o fogo de um entusiasmo inextinguível, ardendo aos corações de seus instrutores itinerantes, com um fervor que não se esvaece; as alturas de abnegação agora sendo atingidas por seus construtores-campeães; a largueza de visão, a esperança confiante, a alegria criadora, a paz interior, a integridade absoluta, a disciplina exemplar, a inabalável união e solidariedade que seus corajosos defensores manifestam; o grau em que seu Espírito impulsor se tem mostrado capaz de assimilar, dentro de seu âmbito, os mais divergentes elementos, purificando-os de toda forma de preconceito e fundindo-os com sua própria estrutura – tudo isso evidencia um poder ao qual uma sociedade desiludida e lastimavelmente agitada não deve deixar de dirigir a atenção.
Comparemos tão esplêndidas manifestações do espírito animando este corpo vibrante da Fé Bahá´í, com os gritos e a agonia, as loucuras e as vaidades, a amargura e os preconceitos, a perversidade e a divisão de um mundo enfermo e caótico. Vejamos o medo que atormenta seus líderes e paralisa a ação de seus estadistas cegos e confusos. Como são violentos os ódios, falsas as ambições, desprezíveis as ocupações, e profundamente arraigadas as suspeitas de seus povos! Quão alarmantes a anarquia, a corrupção, a descrença, que corroem as vísceras de uma civilização cambaleante!
Não será que este processo de constante deterioração, agora invadindo insidiosamente tantos setores de atividade e pensamentos humanos, deva ser considerado como necessariamente concomitante ao surgir deste todo-poderoso Braço de Bahá´u´lláh? Não será que os momentosos eventos que têm agitado tão profundamente todos os continentes da terra, no decorrer dos últimos vinte anos, devam ser vistos como sinais ominosos proclamando simultaneamente a agonia de uma civilização que se desintegra e as angústias do nascimento daquela Ordem Mundial – daquela Arca da salvação humana – que há forçosamente de se erguer sobre suas ruínas?
O tumulto causado no mundo ao surgir este poderoso Órgão da Religião de Bahá´u´lláh é atestado pela queda catastrófica de grandes monarquias e impérios no continente europeu, alguns dos quais mencionados em Suas profecias; é atestado também, pelo declínio que começou, e ainda continua, nas fortunas da hierarquia feita na própria terra natal de Bahá´u´lláh; pela queda da dinastia de Qájár, o inimigo tradicional de Sua Fé, pelo desmoronamento do sultanado e do califado, pilares estes do Islã sunní – evento em que vemos um paralelo notável à destruição de Jerusalém em fins do primeiro século da era Cristã. É atestado pela onda de secularização que está invadindo as instituições eclesiásticas maometanas no Egito, e minando a lealdade de seus mais firmes defensores; e vemos ainda outra evidência nos humilhantes ataques dirigidos contra algumas das mais poderosas igrejas do cristianismo na Rússia, na Europa Ocidental e na América Central; na disseminação daquelas doutrinas subversivas que estão solapando os alicerces e derrubando a estrutura de cidadelas que pareciam inexpugnáveis nas esferas social e política da atividade humana; e, afinal, nos sinais de uma catástrofe iminente – fazendo lembrar extraordinariamente a Queda do Império Romano no Ocidente – e que ameaça engolfar a inteira estrutura de nossa civilização atual. E este tumulto há de ampliar seu âmbito e aumentar sua intensidade na proporção em que se venha a compreender mais completamente o que significa estes Esquema que evolui ininterruptamente, ramificando-se e estendendo-se cada vez mais sobre a superfície do globo.
Ainda uma palavra, em conclusão. O surgir e a consolidação desta Ordem Administrativa – a concha que abriga e encerra tão preciosa jóia – constitui o distintivo do segundo período da era bahá´í – o período formativo. Virá a ser considerada, à medida que se afaste de nossos olhos, tornando-se cada vez mais remota, como o principal agente incumbido de inaugurar a fase final, a consumação, desta gloriosa Dispensação.
Que ninguém – enquanto este Sistema estiver ainda na infância – forme um conceito errôneo de seu caráter, lhe diminua a significação ou lhe atribua um objetivo falso. A rocha que alicerça esta Ordem Administrativa é o Propósito imutável de Deus para a humanidade de hoje. A Fonte de que deriva sua inspiração não é outra senão o Próprio Bahá´u´lláh. Seu escudo e seu defensor são as hostes do Reino de Abhá, que lutam em batalha. Sua semente é o sangue de nada menos de vinte mil mártires que ofereceram as vidas para que essa Ordem nascesse e se desenvolvesse. O eixo, em torno do qual giram suas instituições, são as autênticas provisões da Última Vontade e Testamento de ´Abdu´l-Bahá. Os princípios que a guiam são as verdades tão claramente enunciadas por Aquele Intérprete infalível dos ensinamentos de nossa Fé, em Seus discursos públicos no Ocidente. As leis que lhe governa a operação e limitam as funções são aquelas que foram expressamente ordenadas no Kitáb-i-Aqdas. A sede na qual concentrar-se-ão suas atividades espirituais, humanitárias e administrativas é o Masriqu´l-Adhkár e as suas Dependências. Os pilares que lhe sustentam a autoridade e fortalecem a estrutura são as instituições gêmeas da Guardiania e da Casa Universal de Justiça. O intuito central que a baseia e anima é o estabelecimento da Nova Ordem Mundial segundo esboçada por Bahá´u´lláh. Os métodos que emprega, o padrão que ela inculca, não inclinam nem para Oriente nem Ocidente, judeu ou gentio, nem para rico ou pobre, branco ou preto. Sua divisa é a unificação da espécie humana; seu estandarte, a “Maior Paz”; sua consumação, o advento daquele milênio áureo – o Dia em que os reinos deste mundo terão se transformado no Reino do Próprio Deus, no Reino de Bahá´u´lláh.
Haifa, Palestina.
8 de fevereiro de 1934
Composto e impresso nos Estab. Gráficos Borsoi S.A. Indústria e Comércio,
à Rua Francisco Manuel, 55 – ZC-15, Benfica, Rio de Janeiro, RJ
* N.E. – Escrito em 1934.
LA DISPENSACIÓN DE BAHÁ'U'LLÁH
SHOGHI EFFENDI
Título original en inglés:
The Dispensation of Bahá'u'lláh
ÍNDICE
La Dispensación de Bahá'u'lláh
Bahá'u'lláh
El Báb
'Abdu'l-Bahá
El orden Administrativo
Apéndice
Cartas de la Casa Universal de Justicia
A los amados de Dios y a las siervas
del Misericordioso de todo el Occidente.
Compañeros de labor en la Viña Divina:
El 23 de mayo de este auspicioso año1, el mundo Bahá'í celebrara el
nonagésimo aniversario de la fundación de la Fe de Bahá'u'lláh. Nosotros, que
en esta hora nos hallamos sobre el umbral de la última década del primer siglo
de la era Bahá'í, bien podemos detenernos a reflexionar sobre las misteriosas
dispensaciones de tan augusta, tan trascendental Revelación. ¡Cuan vasto,
cuan fascinante es el panorama que el transcurso de nueve décadas despliega
ante nuestros ojos! Su descollante grandeza casi nos anonada. Tan solo el
contemplar este espectáculo único, el visualizar, aunque sea oscuramente, las
circunstancias que asistieron al nacimiento y al gradual desenvolvimiento de
est suprema Teofanía, al recordar aun a grandes rasgos las dolorosas luchas
que proclamaron su origen y aceleraron su marcha, ha de bastar para
convencer a todo observador imparcial de esas eternas verdades que motivan
su vida y que deben continuar impulsándola hasta que alcance el ascendiente
a que está destinada.
Dominando toda la extensión de este fascinante espectáculo, sobresale la
incomparable figura de Bahá'u'lláh, trascendental en Su majestuosidad,
serena, imponente, inaccesiblemente gloriosa. Unida a ella, aunque
subordinada en rango, e investido con la autoridad de presidir con Él sobre los
destinos de esta suprema Dispensación, resplandece sobre este cuadro
mental la gloria juvenil del Báb, infinito en Su ternura, irresistible en Su
encanto, sin igualen su heroísmo, incomparable en las dramáticas
circunstancias de Su vida corta pero memorable. Y finalmente surge, aunque
en un plano propio y en una categoría completamente aparte de la ocupada
por las dos Figuras gemelas que Le precedieron, la vibrante, la magnética
personalidad de 'Abdu'l-Bahá, reflejando, hasta un grado tal que ningún
hombre, por más exaltado que sea su posición puede esperar rivalizar, la
gloria y poder de que solo están dotados Aquellos que son las Manifestaciones
de Dios.
Con la ascensión de 'Abdu'l-Bahá y, más particularmente, con la muerte de Su
bien amada e ilustre hermana la más exaltada Hoja -última sobreviviente de
una heroica y gloriosa edad-, se cierra el primer y más conmovedor capítulo de
la historia Bahá'í, marcando el final de la era Primitiva y Apostólica de la Fe de
Bahá'u'lláh. Fue 'Abdu'l-Bahá Quien, por medio de las disposiciones de Su
trascendental Voluntad y Testamento, ha establecido el vinculo vital que debe
unir para siempre la era que acaba de expirar con aquella en la cual ahora
vivimos -el periodo de Transición y de Formación de la Fe-, etapa que en la
plenitud del tiempo ha de llegar a florecer y dar su fruto con las hazañas y
triunfos que anunciaran la Edad de Oro de la Revelación de Bahá'u'lláh.
Muy queridos amigos: Las impetuosas fuerzas liberadas tan milagrosamente
por medio de dos independientes e inmediatamente sucesivas Manifestaciones
van siendo ahora, ante nuestros propios ojos, gradualmente agrupadas y
disciplinadas, gracias al cuidado de los elegidos administradores de una Fe de
tan vastos alcances. Dichas fuerzas se van cristalizando lentamente en
instituciones que llegaran a ser consideradas como el distintivo y la gloria de la
era que estamos nosotros llamados a establecer e inmortalizar con nuestras
obras. Pues de nuestros esfuerzos de hoy y sobre todo al grado en que nos
esforcemos por reformar nuestras vidas conforme al modelo de sublime
heroísmo asociado con aquellos que nos precedieron, debe depender la
eficacia de los instrumentos que ahora modelamos, instrumentos que han de
erigir la estructura de esa bienaventurada Mancomunidad que distinguirá a la
Edad de Oro nuestra Fe.
No es mi propósito, al mirar atrás hacia esos años pletóricos de hechos
heroicos, intentar tan siquiera un sumaria resumen de los poderosos
acontecimientos que han ocurrido desde 1844 hasta nuestro días. Ni tengo
tampoco intención alguna de acometer un análisis de las fuerzas que los han
precipitado, o de evaluar su influencia sobre pueblos e instituciones en casi
todos los continentes del mundo. La biografía autentica de las vidas de los
primeros creyentes en el periodo primitivo de nuestra Fe y la investigación
asidua que emprenderán los competentes historiadores Bahá'í del futuro
transmitirán juntas, a las posteridad, una exposición tan magistral de la historia
de dicha época, que jamás podrían mis propios esfuerzos pretender realizar.
Mi mayor interés en este periodo de desafío de la historia Bahá'í es, más bien,
llamar la atención de aquellos que están destinados a ser los principales
constructores del Orden Administrativo de Bahá'u'lláh hacia ciertas verdades
fundamentales cuya elucidación ha de serles de tremenda ayuda para
proseguir eficazmente su importante obra.
La posición internacional que ya ha alcanzado la Religión de Dios exige
imperiosamente, además, que sus principios básicos sean ahora
definitivamente esclarecidos. El ímpetu sin precedentes que la brillante obra
de los creyentes norteamericanos ha dado al progreso de la Fe; el intenso
interés que el primer Mashriqu'l-Adhkár en occidente está despertando
rápidamente entre diversas razas y naciones; el surgimiento e incesante
consolidación de instituciones Bahá'í en no menos de cuarenta de los países
más adelantados del mundo; la diseminación de literatura Bahá'í en no menos
de veinticinco de los más difundidos idiomas;1el éxito con que recientemente
fueron coronados los esfuerzos de los creyentes persas en todas la nación, en
los primeros pasos dados para establecer el tercer Mashriqu'l-Adhkár del
mundo Bahá'í en los alrededores de la capital de su país nativo; las medidas
que se están tomando para la inmediata formación de su primera Asamblea
Espiritual Nacional, representando los interese de la enorme mayoría de
adherentes Bahá'ís; la erección ya proyectada de aun otra columna más de la
Casa Universal Justicia, la primera en su genero en el hemisferio meridional;
los testimonios verbales y escritos de una Fe que se esfuerza ha recibido de
reyes, instituciones gubernamentales, tribunales internacionales y dignatarios
eclesiásticos; la publicidad que ha recibido con motivo de las acusaciones
dirigidas contra ella por enemigos implacables, antiguos y recientes; la formal
emancipación de una parte de sus creyentes de las cadenas de la ortodoxia
musulmana en un país que puede considerarse como el más ilustrado entre las
naciones islámicas; todo esto prueba ampliamente el creciente impulso con
que la invencible comunidad del más Grande nombre avanza hacia la victoria
final.
Muy queridos amigos: En virtud de las obligaciones y responsabilidades que
como Guardián de la Fe de Bahá'u'lláh estoy llamado a desempeñar,
considero de mi incumbencia en tiempos en que la luz de la publicidad está
siendo enfocada cada vez más sobre nosotros, poner especialmente de relieve
ciertas verdades que forman la base de nuestra Fe, la integridad de las cuales
es nuestra obligación primordial salvaguardar. Estoy convencido de que la
valiente defensa y la debida asimilación de estas verdades reforzaran
poderosamente el vigor de nuestra vida espiritual y serán de gran ayuda para
contra restar las maquinaciones de un implacable y vigilante enemigo.
Estoy firmemente convencido de que debe mantenerse como primera
obligación y como objeto del incesante esfuerzo de todo fiel adherente, el
tratar de adquirir una comprensión más adecuada del significado de la
estupenda Revelación de Bahá'u'lláh. Una comprensión cabal y exacta de tan
vasto sistema, de revelación tan sublime, de custodio tan sagrada, está más
allá, por obvias razones, del alcance y poder de nuestras mentes finitas.
Podemos, sin embargo, y es nuestro deber ineludible mientras trabajamos en
la propagación de la Fe, tratar de conseguir nueva inspiración y mayor sostén,
mediante una concepción más clara de las verdades que ella contiene y de los
principios en que se basa.
En el curso de mi explicación acerca de la posición del Báb, en una
comunicación dirigida a los creyentes norteamericanos, hice una ligera
referencia a la incomparable grandeza de la Revelación de la cual Él se
considera el humilde Precursor. Él, a Quien Bahá'u'lláh aclamo en el Kitáb-i-
Íqán como le prometido Qá'im que ha manifestado nada menos que veinticinco
de las veintisiete letras que todos los Profetas estaban destinados a revelar,
siendo Revelador tan grande, ha dado Él mismo testimonio acerca de la
preeminencia de esa Revelación superior que tan pronto había de remplazar a
la Suya. "El germen", asevera el Báb en el Bayán Persa, "que contiene dentro
de si las potencialidades de la Revelación que vendrá, está dotada de un
poder superior que el de la totalidad de las fuerzas de todos los que me
siguen". "Entre todos los tributos", Él afirma nuevamente, "que yo he hecho a
Aquel que vendrá después de Mi, el mayor es este, Mi confección escrita, de
que ninguna de Mis palabras puede describirlo a Él adecuadamente, ni
ninguna referencia acerca de Él, en Mi Libro el Bayán, puede hacer justicia a
Su Causa". "El Bayán", declara Él categóricamente en el mismo Libro, "y
quienquiera que en el este, gira alrededor de las palabras de 'Aquel a Quien
Dios manifestara, lo mismo que el Alif (el Evangelio) y quienquiera estuvo en
el, giro alrededor de las palabras de Mahoma, el Apóstol de Dios." "Mil lecturas
cuidadosas del Bayán", Él hace notar además, "no puede igualarse con la
lectura cuidadosa de un solo versículo que ha de revelar 'Aquel a Quien Dios
manifestara'...El Bayán se en cuenta hoy en estado de simiente; su perfección
definitiva se pondrá en evidencia al principio de la manifestación de 'Aquel a
Quien Dios manifestara',...El Bayán y todos los que son sus creyentes tienen
un anhelo por Él, más ardiente que al anhelo de un amante por su amada...El
Bayán deriva toda su gloria de 'Aquel a Quien Dios manifestará'. Todas las
bendiciones sean con quien crea en Él y el dolor advenga a quien rechace Su
verdad
Dirigiéndose el Báb a Siyyid Ya¥yáy-i-Dárábí de sobrenombre Va¥íd, el más
instruido, más elocuente e influyente entre Sus seguidores pronuncia esta
advertencia: "Por la rectitud de Aquel Cuyo poder hace germinar la semilla e
infunde el espíritu de vida en todas las cosas, si estuviera yo seguro de que en
el día de Su manifestación tu habrías de negarle, no vacilaría en desconocerte
y repudiar tu fe...Si, por el contrario, se me dijera que un cristiano, que no
profesa lealtad a Mi Fe, creerá en Él, a tal consideraría como la niña de Mis
ojos".
En una de Sus oraciones, Él así comulga con Bahá'u'lláh: "¡Exaltado seas, Oh
Señor mío Omnipotente! ¡Cuan insignificantes y despreciables aparecen mi
palabra y todo lo que me pertenece, a menos que estén relacionados con Tu
Gran Gloria! Concédeme que por medio de la ayuda de Tu gracia, todo aquello
que me pertenezca sea aceptable ante Tus ojos".
En el Qayyúm-i-Asmá', el comentario del Báb sobre la sura de José,
caracterizado por el Autor del Íqán como "el primero, el más grande y el más
poderoso" de los libro revelados por el Báb, leemos las siguientes referencias
acerca de Bahá'u'lláh: "De la nada absoluta, oh grande y omnipotente Maestro,
Tu, por medio de la celestial potencia de Tu fuerza, me has hecho surgir y
levar para proclamar esta Revelación. Solo en Ti he puesto mi fe; no he
dependido de ninguna voluntad más que de Tu voluntad...!Oh Tu Jirón de
Dios! Me he sacrificado totalmente por Ti. He anhelado que el martirio en el
sendero de Tu amor. Testigo suficiente es para mi, Dios, el Exaltado, el
Protector, el Antiguo de los Días". "Y cuando la hora designada haya sonado",
se dirige nuevamente a Bahá'u'lláh en ese mismo comentario, y "revela Tu con
la majestad de Dios, el Omnipotente, un débil e infinitesimal fulgor de Tu
impenetrable Misterio, desde las alturas del más Alto y Místico Monte, para
que aquellos que han reconocido el brillo del Esplendor Sinaico puedan
desvanecerse y morir al ver un fugaz vislumbre de la Luz ardiente y carmesí
que envuelve Tu Revelación".
Como testimonio de la grandeza de la Revelación identificada con Bahá'u'lláh,
puedan citarse los siguientes extractos de una tabla dirigida por 'Abdu'l-Bahá a
un eminente zoroastriano, seguidor de la Fe: "Has escrito que en los libros
sagrados de los creyentes de Zoroastro, está escrito que, en los últimos días,
el sol tendrá necesariamente que detenerse en tres Dispensaciones
separadas, En la primera Dispensación está predicho que el sol permanecerá
inmóvil por diez días; en la segunda, por dos veces ese tiempo; en la tercera,
por lo menos todo un mes. La interpretación de esta profecía es esta: La
primera Dispensación a que se hace referencia es la Dispensación
Mahometana, durante la cual el Sol de la Verdad permaneció inmóvil diez días.
Cada día se calcula en un siglo. La Dispensación Mahometana debió durar
entonces no menos de mil años, que es exactamente el periodo que
transcurrió desde que se puso la Estrella del Imanato hasta el advenimiento de
la Dispensación proclamada por el Báb. La segunda Dispensación que se
menciona en esta profecía, es la inaugurada por el mismo Báb, que empezó en
el año 1260 D.H. y finalizo en 1280 D.H. Respecto a la tercera Dispensación,
la Revelación proclamada por Bahá'u'lláh, como el Sol de la Verdad al llegar a
esa posición brilla en la plenitud de Su meridiano esplendor, se ha fijado su
duración en un periodo de un mes entero, que es el tiempo máximo que el Sol
emplea para pasar por un signo del Zodiaco. De ahí puedes imaginarte la
magnitud del ciclo Bahá'í, ciclo que ha de durar por lo menos un periodo de
quinientos mil años".
Por el texto de esta explícita y autorizada interpretación de tan antigua
profecía, resulta evidente cuan necesario que todo fiel seguidor de la Fe
acepte el origen divino y sostenga la posición independiente de la
Dispensación Mahometana. Además, en estos mismos pasajes queda
implícitamente reconocida la validez del Imanato, esa institución divinamente
establecida, de la cual el mismo Báb era descendiente directo de su miembro
más distinguido, y la cual continuo siendo por un periodo de no menos de
doscientos sesenta años la receptora elegida de la guía del Todopoderoso y el
depositario de uno de los dos legados más preciosos del Islam.
Debemos también reconocer que esta misma profecía atestigua el carácter
independiente de la Dispensación Bábí y corrobora indirectamente la verdad
de que, de acuerdo con el principio de la revelación progresiva, cada
Manifestación de Dios debe necesariamente otorgar a la humanidad de Su
tiempo mayor guía divina que la que haya podido recibir o apreciar una edad
anterior y menos receptiva. Es por esta razón y no por mérito superior alguno
que puede considerarse inherente a la Fe Bahá'í, por lo que esa profecía da
testimonio de la gloria y pode sin rival con que ha sido investida la
Dispensación de Bahá'u'lláh, dispensación cuyas potencialidades apenas
estemos comenzando a percibir y cuyo alcance total jamás podremos
determinar.
Si deseamos ser fieles a las tremendas significaciones que Su mensaje
implica, la Fe de Bahá'u'lláh debe ser considerada, en verdad, como la
culminación de un ciclo, como la etapa final de una serie de revelaciones
sucesivas, preliminares y progresivas. Comenzando éstas con Adán y
terminando con el Báb, han preparado el camino y anticipado con énfasis
siempre creciente el advenimiento de ese Día de Días, en que habría de
manifestarse Aquel que es la Promesa de todas las Edades.
Las palabras de Bahá'u'lláh pronuncian abundante testimonio de esa verdad.
Una simple referencia a las manifestaciones que repetidas veces Él mismo ha
hecho en Vehemente lenguaje y con impotente fuerza, no puede menos que
demostrar plenamente el carácter de la Revelación de la que Él fue el portador
elegido. Si deseamos tener una comprensión más clara de su significado e
impotencia, debemos, pues, dirigir nuestra atención a las palabras que
emanaron de Su Pluma, fuente maestra de tan impetuosa Revelación. Tanto
en la aserción de Su posición sin precedentes que Él reclama, o en Sus
alusiones a las misteriosas fuerzas por Él liberadas, o en esos pasajes donde
se exaltan las glorias de Su tan esperado Día o se magnifica la posición que
han de alcanzar los que han reconocido sus ocultas virtudes, Bahá'u'lláh y, en
grado casi similar, el Báb y 'Abdu'l-Bahá, han legado a la posteridad minas de
tan inestimable riquezas, que ninguno de los que pertenecemos a la presente
generación podemos estimar convenientemente. Tales testimonios
relacionados con este tema se hallan impregnados de un poder tal y revelan
tal belleza, que solamente aquellos que son versados en los idiomas en que
fueron originalmente revelados pueden pretender haberlos apreciado
suficientemente. Son tan numerosos esos testimonios, que seria necesario
escribir todo un volumen para compilar los principales entre ellos. Todo lo que
puedo aventurarme a intentar, por el momento, es compartir con vosotros solo
aquellos pasajes que he podido escoger entre Sus voluminosos escritos.
"Doy testimonio ante Dios", proclama Bahá'u'lláh "de la grandeza, la
inconcebible grandeza de esta Revelación de Nuestras Tablas, esta verdad,
para que la humanidad sea despertada de su negligencia." "En esta
potentísima Revelación", anuncia Él, de modo inequívoco, "todas las
dispensaciones del pasado han alcanzado su más elevada y final
consumación". "Aquello que ha sido puesto de manifiesto en esta preeminente,
en esta muy exaltada Revelación, no tiene paralelo en los anales del pasado y
nada similar han de presenciar edades futuras". "Él es Quien", proclama
Bahá'u'lláh refiriéndose a Si mismo, "en el Antiguo Testamento fue llamado
Jehová, Quien en los Evangelios ha sido designado como el Espíritu de la
Verdad, y en el Corán, aclamado como el Gran Anuncio". "A no ser por Él,
ningún Mensajero Divino habría sido investido con el manto de profeta, ni
habría sido revelada ninguna de las sagradas escrituras. De ello dan
testimonio todas las cosas creadas". "La palabra que el Dios único y verdadero
pronuncia en este día, aunque esa palabra sea el más común y familiar de los
términos está investida de suprema y única distinción". "La mayor parte de la
humanidad no está aun madura. Si hubiera adquirido capacidad suficiente,
habríamos Nosotros derramado sobre ella una medida tan grande de Nuestro
conocimiento que todos los que residen sobre la tierra y en el cielo se habría
encontrado, por virtud de la gracia que fluye de Nuestra pluma, completamente
liberados de todo conocimiento que no fuera el conocimiento de Dios, y se
habría establecido firmemente en le trono de perenne tranquilidad." "Ante Dios,
afirmo solemnemente, que la Pluma de Santidad ha escrito sobre la nívea
blancura de Mi frente, en letras de refulgente gloria, estas resplandecientes y
santas palabras de almizclada fragancia: '¡Oh vosotros que habitáis en la
tierra, mirad! ¡Oh vosotros, los moradores del cielo, sed testigos! Él es, en
verdad, vuestro Bienamado. Él es Aquel Cuyo igual el mundo de la creación no
ha visto, Aquel Cuya deslumbrante belleza ha deleitado los ojos de Dios, el
Ordenador, el Todopoderoso, el Incomparable!'"
"Seguidores del Evangelio", exclama Bahá'u'lláh dirigiéndose a toda la
cristiandad, "he aquí, abiertas de par en par, las puertas del cielo. Aquel que
ascendió a él ha venido ya. Escuchad como llama en alta voz sobre la tierra y
los mares anunciando a toda la humanidad el advenimiento de esta
Revelación, Revelación por cuyo medio la Lengua de Grandeza está ahora
proclamando: '¡He aquí la sagrada Promesa que se ha cumplido, porque Él, el
Prometido, ha llegado!'" "Desde el valle sagrado, exclama la voz del Hijo del
Hombre: 'Heme aquí, Heme aquí, ¡Oh Dios, mi Dios!'...mientras que desde la
Zarza Ardiente viene el grito de: 'He aquí el Anhelo del mundo, puesto de
manifiesto en Su trascendental gloria!' El Padre ha llegado. Aquello que os fue
prometido en el Reino de Dios, se ha cumplido. Esta es la Palabra que el Hijo
dejo sin revelar, cuando dijo a aquellos que le rodeaban que no podrían ellos
soportar.... Verdaderamente, el Espíritu de la Verdad ha venido, para guiaros
hacia toda verdad...Él es Aquel que glorifico al Hijo y exalto Su causa..." "El
confortador Cuyo advenimiento prometieron todas las Escrituras ha llegado
para revelarnos todo conocimiento y toda sabiduría. Buscad a Él por toda la
superficie de la tierra: afortunadamente habréis de encontrarla".
"Llama a Sión, oh Carmelo", escribe Bahá'u'lláh, "y anuncia las felices nuevas:
¡El que estaba oculto a los ojos mortales ha venido! Su soberanía que todo lo
subyuga está manifiesta; Su esplendor que todo lo abarca se ha revelado...
Apresúrate y circunda la Ciudad de Dios que ha descendido del cielo, la
celestial Kaaba a cuyo derredor han circundado en adoración los favorecidos
de Dios, los puros de corazón y la compañía de los más excelsos ángeles".
"Yo Soy Aquel", afirma Él en otra ocasión, "Quien fue ensalzado por boca de
Isaías, Aquel con Cuyo nombre fueron adornados tanto el Tora como el
evangelio". "Apresuróse la gloria del Sinaí a circundar el Amanecer de esta
Revelación, mientras desde las alturas de Reino se oye la voz del Hijo de Dios
que proclama: '¡Oh vosotros los soberbios de la tierra, levantaos y daos prisa
en ir hacia Él'. El Carmel se ha dado prisa en este día para llegar a Su corte en
anhelante adoración, y desde el corazón de Sión llega el grito: 'La promesa de
todas las edades ha sido ahora cumplida. Se ha puesto de manifiesto aquello
que había sido anunciado en las sagradas escrituras de Dios, el Bienamado, el
Altísimo'. "Héyaz se halla excitada por las brisas que anuncian las nuevas de
una jubilosa reunión. La oímos exclamar: 'Alabado sea, oh mi Señor, el
Altísimo, a causa de mi separación de Ti estaba muerta; la brisa saturada con
la fragancia de Tu presencia me ha vuelto a la vida. Feliz aquel que se ha
vuelto hacia Ti y pobre de aquel que se extravía'." "Por el Dios único y
verdadero, Elías apresuróse en venir a Mi corte y ha circulado de día y de
noche por mi trono de gloria". "Salomón, en toda su majestad, circula en
adoración a Mi alrededor en este día, pronunciando esta exaltadísima palabra:
'he vuelto mi rostro hacia Tu rostro, ¡Oh Todopoderoso Gobernante del mundo!
Me he desprendido por entero de todas las cosas que me pertenecen y anhelo
aquello que Tu posees!'." "Si Mahoma, el apóstol de Dios, hubiera alcanzado
este Día". escribe Bahá'u'lláh en una Tabla que revelo la víspera de Su
destierro a la colonia penal de 'Akká, "habría exclamado: '¡Oh Tu, Anhelo de
los Divinos Mensajeros, en verdad, Te he reconocido!' Si Abraham hubiera
alcanzado este Día, Él también, cayendo postrado en el suelo y con extrema
humildad ante el Señor, tu Dios, habría exclamado: 'Mi corazón está lleno de
paz, ¡Oh Tu, Señor de todo lo que existe en el cielo y en la tierra! Yo declaro
que Tu has descubierto ante mis ojos toda la gloria de Tu poder y la plena
majestad de Tu ley!'...Si el mismo Moisés hubiera alcanzado este Día. Él
también habría alzado Su voz, diciendo: 'Todas las loas sean para Ti, por
haber levantado sobre mi la luz de Tu semblante y haberme incluido entre
aquellos que tuvieron el privilegio de contemplar Tu rostro!'" "Norte u Sur,
ambos vibran al llamado anunciando el advenimiento de nuestra Revelación.
Podemos oír la voz de la Meca, aclamando: 'Toda alabanza sea a Ti. ¡ Oh
Señor, mi Dios, Todo Glorioso! por haber exhalado sobre mi el aliento envuelto
en al fragancia de Tu presencia'. También Jerusalén está llamando en alta
voz: ' Alabando y exaltado seas Tu, ¡Oh Bienamado de la tierra y del cielo, por
haber cambiado la agonía de mi separación de Ti por el gozo de una
vivificante reunión!'"
"Por la justicia de Dios", afirma Bahá'u'lláh, deseando revelar toda la potencia
de Su invencible poder, "Si un hombre, completamente solo, se levanta en
nombre de Bahá y se coloca la armadura de Su amor, a ese hombre el
Omnipotente hará victorioso, aunque se juntaren contra él fuerzas de la tierra y
del cielo". "Por Dios, fuera de Quien no hay otro Dios! Si alguien se levanta
para el triunfo de nuestra Causa, a ese hará Dios victorioso, aunque se aliaren
contra él decenas de miles de enemigos. Y si su amor por Mi crece, Dios
establecerá su ascendente sobre todos los poderes terrestres y celestiales.
Así, hemos puesto el soplo del espíritu de poder en todas las regiones".
"Este es el Rey de los Días", así Él ensalza la edad que ha presenciado el
advenimiento de Su Revelación, "el Día que ha presenciado la llegada dl más
Amado, de Aquel que a través de toda de eternidad fuera aclamado como el
Anhelo del Mundo". "el mundo de la existencia brilla en este Día con el
resplandor de esta Divina Revelación. Todas las cosas creadas cantan las
alabanzas y ensalzan su salvadora gracia. El universo se halla envuelto en un
éxtasis de jubilo y regocijo. Las Escrituras de las pasadas Dispensaciones
celebran el gran jubileo que necesariamente debe saludar a este, el más
grande de los Días de Dios. Dichoso de aquel que ha vivido para presenciar
este Día y ha reconocido su posición". "Si la humanidad llegara a fijarse
debidamente en solo una palabra de semejante alabanza, se llenaría de tanta
delicia que quedaría extasiada de admiración. Fascinada, brillaría entonces
resplandecientemente sobre el horizonte de verdadera comprensión".
"Sed justas, ¡Oh vosotras, gentes de mundo!" dice Él dirigiéndose a la
humanidad "¿es acaso propio y natural que pongáis en duda la autoridad de
Aquel Cuya presencia 'El que converso con Dios' (Moisés) ansío alcanzar, la
belleza de Cuyo semblante el 'Bienamado de Dios' (Mahoma) anhelo
contemplar, por medio de la potencia de Cuyo amor el 'Espíritu de Dios'
(Jesús) ascendió al cielo, por Quien el 'Punto primordial' (el Báb) ofreció su
Vida?" "Aprovechad vuestra oportunidad", advierte Él a Sus discípulos, "puesto
que un fugaz momento en este Día sobrepasa a siglos de una era pasada... Ni
el sol ni la luna presenciaron Día como este... Es evidente que toda edad en
que ha vivido una Manifestación de Dios está divinamente dispuesta y puede
en cierto modo ser caracterizada como el Día designado de Dios. Sin embargo,
este Día es único y debe ser distinguido de los que lo han precedido. La
designación de 'Sello de los Profetas' revela y demuestra plenamente su alta
posición".
Explayándose respecto a las fuerzas latentes en Su Revelación, Bahá'u'lláh
revela lo siguiente: "Por el movimiento de Nuestra Pluma de Gloria, por deseo
del Omnipotente Ordenador, hemos inspirado una nueva vida en toda
estructura humana y hemos infundido una nueva potencia a cada palabra.
Todas las cosas creadas proclamando loa indicios de esta regeneración
mundial". "Estas son", agrega Él. "las más grandes, las más regocijantes
nuevas que la Pluma de este Agraviado ha impartido a la humanidad". "¡Cuan
grande es ", exclama Él, en otro pasaje, "esta Causa! ¡Cuan abrumador es el
paso de su mensaje! Este es le Día del cual se ha dicho: '¡Oh hijo mío! en
verdad, Dios ha de revelar todo, aunque tan solo fuese el peso de un grano de
mostaza y estuviera oculto en una roca, o en los cielos o en la tierra; porque
Dios lo penetra todo, de todo está informado!" "¡Por la rectitud del Dios único y
verdadero! Si se perdiera una partícula pequeñísima de una joya y quedara
enterrada debajo de una montaña de piedras y escondida detrás de los siete
mares, la Mono de Omnipotencia con seguridad la revelaría en este Día, pura
y limpia de modo". "Aquel que participe de las aguas de mi Revelación, ha de
gustar de todas las incorruptibles delicias dispuestas por Dios desde el
principio que no tiene principio hasta el fin que no tiene fin". "Cada letra
procedente Nuestra boca está dotada de tal poder generador, que la
capacitara para traer a la existencia una nueva creación, creación cuya
magnitud es inescrutable para todos, salvo Dios. Él ciertamente tiene
conocimiento de todo". "Si así Nosotros lo desearemos, estar en Nuestro poder
capacitar a una partícula flotante de polvo para que, en menos de un abrir y
cerrar de ojos, genere soles de infinito e inconcebible esplendor; hacer que
una gota de rocío se convierta en vastos e innumerables océanos; infundir en
cada letra una fuerza tal, que le de poder para revelar todo el saber de edades
pasadas y futuras". "Poseemos tal poder, que de ser este triado a luz, ha de
transmutar el más mortífero veneno en panacea de eficacia infalible".
Juzgando el valor de la posición del verdadero creyente, Él hace notar: "!Por la
tristeza que aflige la belleza del Todo Glorioso! Tal es la posición ordenada
para el verdadero creyente, que si en medida menor que el ojo de una aguja
fuese revelada a la humanidad la gloria de esta posición, todo observador se
consumiría en su anhelo por alcanzarla. Por esta razón, se ha decretado que,
en este vida terrenal, la medida completa de la gloria de su propia posición
permanezca oculta a los ojos de tal creyente". "Si se levantara el vuelo". Él
afirma igualmente, "y se manifestara la gloria plena de la posición de aquellos
que se han vuelto completamente hacia Dios y han renunciado al mundo, por
amor a Él, toda la creación quedaría atónita".
Haciendo resaltar el carácter superlativo de Su Revelación, comparada con la
Dispensación precedente, Bahá'u'lláh afirma: "Si todos los pueblos del mundo
fueran investidos con los poderes y tributos destinados a las Letras del
Viviente; los discípulos escogidos del Báb, cuya posición es diez mil veces
más gloriosa que cualesquiera de las alcanzadas por los apóstoles de la
antigüedad, y si uno o todos esos pueblos titubean, tanto sea como en abrir y
cerrar de ojos, en reconocer la luz de Mi Revelación, de nada les serviría su fe
y serían considerados infieles". Tan formidable es la efusión de Divina gracia
en esta Dispensación que de haber manos mortales suficientemente ágiles
para registrarlos, fluirían los versículos en torrentes de tal número durante el
espacio de solo un día y una noche, que equivaldrían a la totalidad del Bayán
Persa".
"Escuchad mi advertencia, ¡Oh pueblo de Persia!", así se dirige Él a Sus
compatriotas; "Si fuere yo sacrificado por vuestra monos, Dios, con seguridad,
hará surgir otro tomara el lugar dejado vacante por mi muerte; porque ese es el
método que ha usado Dios en el pasado y no encontrareis cambio en la
manera de proceder de Dios". "Si traten de ocultar Su luz en le continente, Él,
de seguro, levantara la cabeza en el centro mismo del corazón del océano, y
alzando Su voz proclamara: 'Yo soy Quien da vida al mundo!'... Y si Lo
arrojaren dentro de un foso obscuro Lo hallaran a Él sentado sobre las
cumbres más elevadas de la tierra, anunciando en alta voz a toda la
humanidad: '¡He aquí!; ha llegado al anhelo del mundo, en Su majestuosidad,
soberanía y trascendente dominio'. Y si Lo sepultaren en las Profundidades de
la tierra, Su Espíritu, remontándose a lo más alto del cielo, hará resonar este
llamado: '¡Ved! he aquí, ha llegado la Gloria; sed testigos del Reino de Dios, el
Santísimo, el Clemente, el Todopoderoso'." "En la garganta de este Joven", es,
además, otra sorprendente manifestación, "hay acentos aprisionados que, de
revelarse a la humanidad, aunque menos que lo equivalente al ojo de una
aguja, bastaría para causar el derrumbe de todas las montañas; para
descolorar las hojas de los arboles y hacer caer sus frutos; para hacer inclinar
todas las frente en veneración y hacer volver todos los rostros en adoración
hacia este omnipotente Gobernante, Quien, en diversas edades y de distintas
maneras, apareció como una llama devoradora, como el árbol que, arraigado
en el suelo de santidad, eleva sus ramas y expande sus miembros hasta más
allá del trono de inmortal gloria".
Anunciando el Sistema que el irresistible poder de Su Ley estaba destinado a
desarrollar en una época posterior, Él escribió: "El equilibrio del mundo ha sido
trastornado por la vibrante influencia de este grandiosa, este nuevo Orden
Mundial. La vida ordenada de la humanidad ha sido revolucionada por la
acción de este único, maravilloso Sistema, nada semejante al cual ojos
mortales han presenciado jamás". "La mano de la Omnipotencia ha establecido
Su Revelación sobre cimientos inatacables y perdurables. las tormentas de
disensiones humanas no tienen poder para mirar sus bases, ni tampoco será
dañada su estructuras por las teorías imaginarias de los hombres".
En el Súriy-i-Haykal, una de las obras de Bahá'u'lláh que más respeto impone,
se registran los siguientes versículos, cada uno de los cuales prueba el
irresistible poder infinito de la Revelación proclamada por su Autor: "Nada se
ve en Mi templo, más que el Templo de Dios, y en mi Belleza, solo Su Belleza,
y en Mi ser, solo Su Sed, y en Mi realidad, solo Su Realidad, y en Mi
movimiento solo Su Movimiento, y en Mi aquiescencia, solo Su aquiescencia y
en Mi Pluma, solo su Pluma, Poderosa, de todos Loada. En mi alma ha existido
solamente la Verdad, y en Mi solo se pudo ver a Dios". "El Mismo Espíritu
Santo ha sido generado por medio de la acción de una sola letra revelada por
este Espíritu Supremo, fuerais vosotros de aquellos que comprenden..."
"Dentro del tesoro de Nuestra Sabiduría, yace oculto un conocimiento que, si
optáramos por divulgar a la humanidad, bastaría una sola letra del mismo para
ser que todo ser humano reconociese a la Manifestación de Dios y confesase
Su omnisciencia; capacitaría a cada cual para descubrir los secretos de todas
las ciencias y para alcanzar una posición tan alta que cada uno se hallaría
completamente independiente de todo el saber del pasado y del futuro.
Poseemos también otros conocimientos, ni una sola letra de los cuales
podemos revelar, ni consideramos a la humanidad capacitada para escuchar ni
siquiera las más sencillas referencias a su significado. Con esto os hemos
informado del conocimiento de Dios, el Omnisciente, el Sapientísimo". "Se
aproxima el Día en que Dios, por un acto de Su Voluntad, habrá de crear una
raza de hombres cuya naturaleza es inescrutable para todos excepto para
Dios, el Todopoderoso, el Que Subsiste por Si Mismo". "Pronto hará Él surgir
del Seno de potestad, las Manos de Poder y Ascendencia, Manos que se
levantaran para hacer triunfar a este Joven y que purificaran a la humanidad
de la corrupción de los viles y de los impíos. Estas Manos se aprestaran a
ganar victorias para la Fe de Dios, y en Mi nombre, el que subsiste por si
mismo, el poderoso, someterán a los pueblos y razas de la tierra. Entraran en
las ciudades e infundirán temor en los corazones de sus habitantes. Tales son
las evidencias del poder de Dios; ¡cuan temible y vehemente es Su poder!"
Tal es, muy queridos amigos, el testimonio escrito de Bahá'u'lláh sobre la
naturaleza de Su Revelación. Ya me he referido a las afirmaciones del Báb,
cada una de las cuales aumenta la fuerza y confirmar la verdad de estas
notables declaraciones. Lo que me queda por considerar a este respecto son
pasajes de los escritos de 'Abdu'l-Bahá, el designado Interprete de esas
mismas declaraciones, que arrojan mayor luz y amplían diversos aspectos de
este cautivante tema. El tono de Su lenguaje es, realmente, tan enfática en Su
tributo tan brillante como los de Bahá'u'lláh o del Báb.
"Siglos, y hasta edades han de pasar", Él afirma en una de Sus primeras
Tablas, "antes de que el Sol de la Verdad brille nuevamente con fulgor estival
o aparezca una vez más en el esplendor de su gloria primaveral... ¡Cuan
agradecidos debemos nosotros estar por habérsenos hecho en este día
receptores de tan grandioso favor! ¡Ojalá tuviésemos diez mil vidas que
pudiésemos sacrificar en acción de gracias por tan raro privilegio, por tan alta
realización, por tan inestimable bondad!" "La sola contemplación", agrega Él,
"de la Dispensación inaugurada por la Bendita Belleza, hubiera bastado para
anonadar a los santos de otras épocas, santos que ansiaban participar, por un
momento, de Su grandiosa gloria". "Los santos de pasadas edades y siglos,
todos y cada uno de ellos, anhelaron, llenos sus ojos de lagrimas, vivir, aunque
fuera un momento, en el Día de Dios. Sin haber satisfecho sus ardientes
aspiraciones ellos al más Gran Más Allá. Cuan grande es, pues, la
munificencia de la Belleza de Abhá, Quien. no obstante nuestro extremado
demérito, ha infundido en nosotros, por medio de Su gracia, misericordia, el
soplo de espíritu de vida en este siglo de vida divinamente iluminado; nos ha
reunido bajo el estandarte del Amado del mundo; y ha optado por conferir en
nosotros una munificencia por la que en vano imploraron los poderosos de
tiempos pasados". "Las almas de los elegidos del Concurso de lo alto", Él
afirma igualmente, "los moradores sagrados del Paraíso excelso, se hallan en
este día llenos de ardientes deseos por volver a este mundo, a fin de poder
prestar todo el servicio de que son capaces el umbral de la Belleza de Abhá".
"La refulgencia de la esplendorosa misericordia de Dio", declara Él en un
pasaje que alude al crecimiento y futuro desarrollo de la Fe, "ha envuelto a los
pueblos y razas de la tierra, y todo el mundo está bañado en su brillante
gloria...pronto llegara el día en que la luz de la Divina unión habrá penetrado el
Oriente y el Occidente, de tal manera, que ningún hombre se atreverá a
ignorarla por más tiempos". "La Mano de divino poder ya ha colocado
firmemente en el mundo de la existencia los cimientos de esa omniexcelsa
munificencia y de este maravillosa don. Todo lo latente en lo más recóndito de
este sagrado ciclo ha de aparecer y ser puesto de manifiesto gradualmente,
por cuanto ahora es solo el principio de su crecimiento y el amanecer de la
revelación de sus signos. ¡Antes de finalizar este siglo y esta edad se habrá
hecho claro y evidente lo maravilloso que fue este periodo primaveral y lo
celestial de ese don!"
Confirmando la exaltación del rango del verdadero creyente, de la cual hablo
Bahá'u'lláh. Él reveló lo siguiente: "La posición que ha de alcanzar aquel que
en verdad haya reconocido esta Revelación, es igual a la dispuesta para
aquellos profetas de la casa de Israel que no son considerados
Manifestaciones 'dotadas de constancia'".
Con respecto a las Manifestaciones destinadas a seguir la Revelación de the
Bahá'u'lláh, 'Abdu'l-Bahá hace esta definida e importante declaración: "En lo
que concierne a las Manifestaciones que en el futuro han de descender 'en las
sombras de las nubes', sabed en verdad que, en lo que respecta a su relación
con la fuente de su inspiración, se hallan a la sombra de la Antigua Belleza.
Pero en lo que respecta a su relación con la edad en que aparecen, todas y
cada una de ellas 'hacen todo lo que es Su voluntad'".
"Oh mi amigo!", dice Él dirigiéndose en una de Sus Tablas a un hombre de
reconocida autoridad y posición: "El fuego imperecedero que el Señor del
Reino ha encendido en el centro del Árbol sagrado, arde ferozmente en el
centro mismo del corazón del mundo. La conflagración que el ha de provocar
envolverá a toda la Tierra. Sus resplandecientes llamas iluminaran sus
pueblos y razas. Todos los signos han sido revelados; todas las alusiones
proféticas han sido puestas de manifiesto. Todo cuanto encerraban todas las
Escrituras del pasado ha sido hacho evidente. Ya no es posible dudar ni
vacilar. ...El tiempo apremia. El Divino Corcel está impaciente y ay no puede
aguardar mas. Nuestro deber es abalanzar y, antes de que sea demasiado
tarde, ganar la victoria". Y, por fin, se halla este más conmovedor pasaje que
en uno de Sus momentos de vehemente alegríaÉl se sintió impulsado a dirigir
en los primeros tiempos de Su ministerio a uno de sus más fieles y eminentes
seguidores: "¿Que más puedo decir? ¿Que más puede referir mi pluma? Es
tan fuerte el llamado que reverbera desde el Reino de Abhá, que los oídos
humanos están casi ensordecidos por sus vibraciones. Paréceme que toda la
creación se rompe y salta en pedazos a causa de la devastadora influencia del
Divino llamado del trono de gloria. más que esto, no puede escribir".
Muy queridos amigos: Es bastante lo dicho y son suficientemente numerosos y
variados los extractos de los escritos de Báb, de Bahá'u'lláh y 'Abdu'l-Bahá
que han sido citados, para convencer al lector consciente de la sublimidad de
este ciclo único en la historia religiosa del mundo. Seria completamente
imposible exagerar demasiado su significación o excederse en la valoración de
la influencia que ha ejercido y que han de seguir ejerciendo cada vez mas, a
medida que su gran sistema vaya desenvolviéndose en medio del tumulto de
una civilización que se derrumba.
Antes de seguir con el desarrollo de mi argumento, creo aconsejable, sin
embargo, hacer una advertencia a quienquiera que lea estas paginas. Que
nadie, al meditar sobre la naturaleza de la Relación de Bahá'u'lláh, a la luz de
los pasajes previamente citados, se equivoque respecto al carácter de la
misma o interprete mal la intención de su Autor. Bajo ninguna circunstancia
han de comprenderse o interpretarse erróneamente ni la divinidad atribuida a
Ser tan grande, ni la encarnación plena de los hombres y atributos de Dios en
tan exaltada Persona. Si hemos de ser fieles a los principios de nuestra Fe,
debemos hacer para siempre una distinción cabal entre el templo humano que
fuera el vehículo de tan pasmosa Revelación, y ese "intimo Espíritu de los
Espíritus", "eterna Esencia de las Esencias", ese Dios invisible, pero racional,
Quien por más que ensalcemos su divinidad de Sus Manifestaciones sobre la
tierra, de ninguna manera puede encarnar Su infinita, Su impenetrable, Su
incorruptible y Su omnímoda Realidad, en la concreta y limitada forma de un
ser mortal. En efecto, a la luz de las enseñanzas de Bahá'u'lláh, Dios que
pudiese así encarnar Su propia realidad cesaría de inmediato de ser Dios. Tan
cruda y fantástica teoría de encarnación Divina se halla tan lejos de esta
incompatible con los principios esenciales de la creencia Bahá'í, como los no
menos inadmisibles conceptos panteísticos y antropomórficos sobre Dios,
casas ambas enfáticamente repudiadas y su falacia puesta en evidencia por
las palabras de Bahá'u'lláh.
Aquel, Quien en innumerables pasajes ha dicho que Su palabra es la "Voz de
la Divinidad, el Llamado de Dios Mismo", solemnemente afirma en el Kitáb-i-
Íqán: "Es evidente parar todo corazón perspicaz e iluminado que Dios, la
Esencia incognoscible, el Ser divino, es inmensamente exaltado por encima de
todo atributo humano, tal como existencia corpórea, ascenso y descenso,
salida y retorno...Él está y ha estado siempre velado en la antigua eternidad de
Su Esencia, y permanecerá en Su realidad eternamente oculto a la vista de los
hombres... Se mantiene exaltado más allá y por encima de toda separación y
unión, de toda proximidad y alejamiento.... 'Dios estaba solo; no había nadie
junto a Él', es testimonio cierto de su verdad".
"Desde tiempo inmemorial", explica Bahá'u'lláh hablando de Dios, "Él ha
estado cubierto con el velo de la infalible santidad de Su exaltado Ser, y para
siempre continuara envuelto en el impenetrable misterio de Su incognoscible
Esencia...Diez mil Profetas, cada uno de Moisés, están amilanados en el Sinaí
de su búsqueda ante Su prohibitoria Voz: Tu jamás Me contemplaras', mientras
que una miríada de Mensajeros, cada uno con tan grande como Jesús
permanecen consternados en su trono celestial por la interdicción: 'Tu jamás
comprenderás mi Esencia'". "¡Cuan desconcertante es para mi, dentro de mi
insignificancia", afirma Bahá'u'lláh en Su comunión con Dios, "el intento de
sondear las sagradas profundidades de Tu conocimiento! ¡Cuan vanos son mis
esfuerzos para visualizar la magnitud de la fuerza inherente a Tu obra, la
revelación de Tu fuerza creadora!" "Cuando contemplo, ¡Oh mi Dios!, la
relación que me une a Ti", asevera Bahá'u'lláh aun en otra oración revelada y
escrita de Su puño y letra: "Me impulso a proclamar ante todas las cosa
creadas: '¡en verdad, Yo soy Dios!'; y cuando considero mi propio ser, ¡he aquí
que lo encuentro más tosco que la arcilla!"
"Estando así cerrada la puerta del conocimiento del Antiguo de los Días a la
faz de todos los seres, la Fuente de gracia infinita ha hecho que...aparezcan
del reino del espíritu aquellas luminosas Joyas de Santidad, en la noble forma
del templo humano, y sean reveladas a todos los hombres, a fin de que
comuniquen al mundo los misterios del Ser inmutable y hablen de las sutilezas
de Su Esencia imperecedera... Todos las Profetas de Dios, Sus favorecidos,
santos y escogidos Mensajeros san sin excepción los portadores de sus
Nombres y la personificación de Sus atributos... Estos Tabernáculos de
santidad y Espejos primordiales que reflejan la luz de gloria inmarcesible, no
son sino expresiones de Aquel Quien es el Invisible de los Invisibles".
Que Bahá'u'lláh, a pesar de la abrumadora intensidad de Su Revelación, debe
ser considerado esencialmente como una de las Manifestaciones de Dios y
jamás ser identificado con esa invisible Realidad que es en Si misma la
Esencia de Divinidad, es una de las creencias básicas de nuestra Fe, creencia
que jamás deberá ser oscurecida y cuya integridad ninguno de sus seguidores
debe permitir que se comprometa.
Ni tampoco, sosteniendo, como lo hace la Revelación Bahá'í, que es la
culminación de un ciclo profético y el cumplimiento de la promesa de todas las
edades, ella pretende bajo circunstancia alguna invalidar esos eternos y
primordiales principios que animan y sirven de base a las religiones que la han
precedido. Ella admite y establece como su más firme y definitiva base, la
autoridad, otorgada por Dios, con la que cada un de ellas está investida. No
las considera bajo otra luz sino como etapas diferentes en la historia eterna y
en la evolución constante de una religión Divina e indivisible, de la cual ella
misma solo es parte integrante. Ni tampoco trata de oscurecer el Divino origen
de estas religiones, ni de menoscabar la reconocida magnitud de sus colosales
obras. No aprueba intento alguno que tienda a deformar su rasgos o a denigrar
las verdades que inculcan. Las enseñanzas de la Revelación Bahá'í no se
apartan en lo más mínimo de las verdades que ellas encierran, ni el peso de su
mensaje resta un ápice ni un tilde a la influencia que ejercen o a la fidelidad
que inspiran. Lejos de proponerse derribar el cimiento espiritual de los
sistemas religiosos del mundo, su fin declarado e inalterable es el de
ensanchar su bases y volver a proclamar sus principios fundamentales,
reconciliar sus propósitos, reanimar su vida, demostrar su unidad, restaurar la
prístina pureza de sus enseñanzas, coordinar sus funciones y ayudar a la
realización de sus más altas aspiraciones. Como lo expreso en forma gráfica
un profundo observador, esas religiones divinamente reveladas, "están
condenadas, no a morir, sino a renacer... '¿Acaso no sucumbe el niño en la
adolescente y el adolescente en el hombre, y sin embargo no perecen ni el
niño ni el adolescente?'".
"Aquellos que son las Lumbreras de la verdad y los Espejos que reflejan la luz
de la Unidad divina", explica Bahá'u'lláh en el Kitáb-i-Íqán, "cualquiera que sea
la época o siglo en que se les envíe a este mundo desde sus invisibles
moradas de antigua gloria, para educar las almas de los hombres y dotar de
gracia a todo el credo, están sin excepción provistos de un poder que todo lo
somete, e investidos de invisible soberanía... Todos y cada uno de estos
Espejos santificados, estas Auroras de antigua gloria, son Exponentes en la
tierra de Aquel Quien es el Astro central del universo, su Esencia y Propósito
último. De Él proceden su conocimiento y poder; de Él proviene su soberanía.
La belleza de su semblante es solamente un reflejo de su Imagen; su
revelación, un signo de Su gloria inmortal... A través de ellos se transmite una
gracia que es infinita, y por ellos se revela la luz que jamás palidece.... Nunca
podrá lengua humana cantar adecuadamente sus alabanzas, ni voz humana
revelar su misterio". "Ya que esas aves del Trono Celestial son todas enviadas
del cielo de la Voluntad de Dios, y como todas surgen para proclamar su
irresistible Fe, son por tanto consideradas como un alma y una misma
persona...todas habitan en el mismo tabernáculo, vuelan en el mismo cielo,
están sentadas en el mismo trono, pronuncian las mismas palabras, proclaman
la misma Fe... Solo difieren en la intensidad de su relación y la relativa
potencia de su luz... Que determinado atributo de Dios no haya sido
exteriormente manifiesto por eses Esencias de Desprendimiento, no implica de
manera alguna que no lo haya poseído realmente aquellos que son las
Auroras de los atributos de Dios y los tesoros de Sus santos nombres".
Debe igualmente tenerse presente que, no obstante la grandeza del poder
manifestado por esta Revelación y lo vasto del alcance de la Dispensación
inaugurada por su Autor, ella repudia enfáticamente la pretensión de ser
considerada como la revelación final de la Voluntad de Dios y de Su designio
para la humanidad. El sostener una concepción semejante de su carácter y
funciones equivaldría a traicionar su causa y anegar su verdad. Esto se
hallaría necesariamente en pugna con el principio fundamental que constituye
la roca en que descansa la creencia Bahá'í, a saber, el principio de verdad
religiosa no es absoluta sino relativa; que la Revelación Divina es ordenada,
continua y progresiva, y no espasmódica o final. En efecto, es tan claro y
enfático el categórico rechazo que los seguidores de la Fe de Bahá'u'lláh
hacen del derecho al absolutismo que pueden pretender cualesquiera de los
sistemas religiosos inaugurados por los Profetas del pasado, como es el
repudio que ellos hacen de esa misma pretensión para la Religión con la que
ellos están identificados. "el creer que toda revelación ha terminado, que los
portales de la Divina misericordia están cerrados, que de los albores de eterna
santidad ya no ha de aparecer el sol, que el océano de perenne munificencia
ha sido por siempre reprimido y que cesaron de ser puestos de manifiesto los
Mensajeros de Dios, procedentes del Tabernáculo de antigua gloria", ha de
significar, ante los ojos de cada seguidor de la Fe, desviarse grave e
inexcusablemente de uno de sus más preciados y fundamentales principios.
Bastara, de seguro, referirse a algunas de las palabras de Bahá'u'lláh y de
'Abdu'l-Bahá, ya citados, para establecer sin la menor duda, la verdad de este
principio cardinal. ¿No puede acaso también el siguiente pasaje de las
Palabras Ocultas interpretarse como una alegórica alusión al carácter
progresivo de la Revelación Divina y como una admisión, por parte de su
Autor, de que el Mensaje con que Él fuera confiado no es la expresión final y
definitiva de la voluntad y guía del Todopoderoso?: "¡Oh hijo de Justicia!
Durante la noche, la belleza del ser inmortal se dirigió desde la cima
esmeralda de la fidelidad, hacia el Sadratu'l-Muntahá, y lloro con tal llanto, que
el concurso de lo alto y los moradores de los reinos celestiales gimieron al oír
Su lamento. Entonces se oyó la pregunta: ¿por que estos lamentos y llanto? Él
respondió: Como se Me ordenara, espere atento en la montaña de la lealtad,
más no respiré la fragancia de fidelidad de quienes habitan en la tierra. luego,
llamado a regresar mire, y ¡he aquí! ciertas palomas de santidad eran
atormentadas por las garras de los perros de la tierra. Entonces, la Doncella
del cielo apareció rápidamente desde su Mística mansión, desprovista de velos
y resplandeciente, y pregunto por sus nombres, y todos fueron dados salvo
uno. Y al insistir, fue pronunciada primera letra; entonces los moradores de los
a aposentos celestiales salieron precipitadamente de sus moradas de gloria. Y
mientras se pronunciaba la segunda letra, cayeron sobre el polvo todos y cada
uno de ellos. En ese momento se oyó una voz proveniente del más intimo
santuario: 'Hasta aquí; no más allá'. En verdad, damos testimonio de lo que
han hecho y de lo que lo hacen ahora".
En una de Sus Tablas, revelada en Adrianópolis, Bahá'u'lláh atestigua esta
verdad en lenguaje más explícito: "Sabed, en verdad, que le velo que cubre
Nuestro semblante no ha sido completamente descorrido. Nos hemos revelado
hasta un grado que corresponde a la capacidad de la gente de Nuestra edad.
Si la Antigua Belleza se revelase en la Plenitud de Su gloria. los ojos mortales
se cegarían con la deslumbrante intensidad de Su Revelación".
En el Súriy-i-«abr, cuya revelación se remonta al año 1863, el mismo día de su
llegada al jardín de Ri¤ván, Él afirmo: "Dios ha enviado al mundo Sus
Mensajeros para suceder a Moisés y a Jesús, y Él continuara haciéndolo hasta
'el fin que no tiene fin'. para que desde el cielo de Munificencia Divina pueda la
humanidad continuamente recibir el don de Su Gracia".
"No temo Yo por Mi Mismo", declara Bahá'u'lláh aun más explícitamente. "Mis
aprensiones son por Aquel que será enviado entre vosotros después de Mi;
por Aquel que estará investido con gran soberanía y poderoso dominio". Y,
nuevamente, en el Súriy-i-Haykal, escribe: "En las palabras que Yo he
revelado, no me refiero a Mi Mismo, sino ha aquel que vendrá después de Mi.
Testigo de ello es Dios, el Omnisapiente". "No le tratéis a Él", agrega
Bahá'u'lláh, "como me habéis tratado a Mi".
El Báb, en un pasaje más detallado de Sus escritos, sostiene la misma verdad:
"Es claro y evidente", escribe en el Bayán Persa, "que el objeto de todas las
Dispensaciones precedentes han sido preparar el camino para el advenimiento
de Mahoma, el Apóstol de Dios. Todas ellas, incluso la Dispensación
Mahometana ha tenido a su ves como objeto la Revelación proclamada por el
Qá'im. El fin de esta Revelación como el de las que precedieron, es igualmente
el de anunciar el advenimiento de la Fe de 'Aquel a Quien Dios manifestara'. Y
esta Fe -la Fe de Aquel a Quien Dios manifestara- tiene a su vez, como
objetivo, lo mismo que todas las revelaciones anteriores. la Manifestación que
está destinada a sucederla. Y no menos que todas las Revelaciones
precedentes, prepara el camino para la Revelación que todavía ha de surgir.
Así continuara, indefinidamente, el proceso de salida y puesta del sol de la
Verdad, proceso que no tiene principio y no tendrá fin".
"Sabe con certeza que, en cada Dispensación, la luz de la Divina Revelación
ha sido otorgada a los hombres en proporción directa a su capacidad
espiritual. considera el sol. Cuan débiles son sus rayos en el momento an que
aparece en el horizonte. Como, gradualmente, su calor y potencia aumentara a
medida que se aproxima a su cenit, permitiendo, mientras tanto, a todas las
cosa creadas adaptarse a la intensidad creciente de su luz. Y como declina
paulatinamente hasta alcanzar su ocaso. Si manifestara súbitamente las
energías latentes en el, sin duda dañaría todas las cosas creadas... De igual
manera, si el Sol de la Verdad revelara repentinamente, en el comienzo de Su
manifestación. todas la potencialidades que la providencia del Todopoderoso
le ha conferido, la tierra de la comprensión humana quedaría desolada y se
marchitaría; porque el corazón de los hombres no podría soportar la intensidad
de su revelación, ni podría reflejar el brilla de su luz. Consternados y
abrumados, dejarían de existir".
Es nuestro deber, a la luz de estas claras y concluyentes exposiciones,
evidenciar de manera indudable, ante todo aquel que busca la verdad, el
hecho de que, desde "el principio que no tubo principio", los Profetas del Dios
único e incognoscible, incluyendo el mismo Bahá'u'lláh, fueron todos
consumidos, como canales de gracia de Dios, exponentes de Su unidad,
espejos de Su luz y reveladores de Su designio, para revelara a la humanidad
una medida cada vez mayor de Su Verdad, de Su Voluntad inescrutable y de
Su Divina guía, y que han de continuar dispensando todavía, hasta "el fin que
no tiene fin", mayores y más potentes revelaciones de Su gloria y Su poder sin
limites.
Bien podemos meditar en nuestros corazones los pasajes siguientes de una
oración revelada por Bahá'u'lláh, los cuales afirman de manera conspicua y
hacen aun más evidente la realidad de esa grande y esencial verdad que yace
en el centro mismo de Su Mensaje a la humanidad: "Alabado seas, oh Señor
Mi Dios, por las maravillosas Revelaciones de tu inescrutable mandato y las
múltiples aflicciones y pruebas que Tu has destinado para Mi. En una época
Tu me entregaste en manos de Nimrod; en otra Tu permitiste que la vara del
Faraón me persiguiera. Solo Tu, mediante Tu conocimiento que todo lo abarca
y la acción de Tu Voluntad, puedes valorar las incalculables aflicciones que he
sufrido en sus manos. Otra vez, Tu me arrojaste al calabozo de los descreídos,
solo porque me sentí impulsado a susurrar a los oídos de los bienamados de
Tu Reino, un indicio de la visión, con que tu, mediante Tu conocimiento me
habías inspirado y cuyo significado Me habías revelado mediante la potencia
de Tu poder. Posteriormente, Tu decretaste que la espada del infiel cortara mi
cabeza. En otra ocasión fui crucificado, por haber descubierto ante los ojos de
los hombres las gemas ocultas de Tu gloriosa unidad, por haberles revelado
los maravillosos signos de Tu soberanía y eterno poder. ¡Cuan amargas las
humillaciones que fueron amontonadas sobre Mi, en una época posterior, en la
llanura de Karbilá! ¡Cuan solitario Me sentí entre Tu pueblo! ¡A que estado de
impotencia fui reducido en aquella tierra! Insatisfechos con tales indignidades,
Mis perseguidores Me decapitaron y llevando en alto Mi cabeza de país en
país, la exhibieron a la vista de la multitud incrédula y la depositaron en las
moradas de los perversos y los infieles. En otra edad fui suspendido y Mi
pecho se convirtió en blanco de los dardos de la maliciosa crueldad de Mis
enemigos. Mis miembros fueron acribillados con proyectiles y Mi cuerpo
despedazado. Finalmente, mira como en este Día, Mis traidores enemigos se
han aliado contra Mi y están continuamente conspirando para inculcar el
veneno del odio y malicia en las almas de Tus servidores. Están tramando, con
todo su poder para llevar a cabo su objetivo... A pesar de lo penosa que es Mi
tribulación, oh Dios, Mi Bienamado, Te doy gracias y Mi Espíritu está
agradecido por todo lo que Me ha acontecido en el sendero de Tu placer.
Estoy contento con todo lo que Tu has ordenado para Mi y doy la bienvenida a
las penas y sufrimientos que tengo que soportar, por calamitosas que estas
sean".
EL BÁB
Muy queridos amigos: Que el Báb, Quien inauguró la Dispensación Bábí, tiene
completo derecho el rango de una de las autosuficientes Manifestaciones de
Dios; que Él ha sido investido con poder y autoridad soberanos y que ejerce
todos los derechos y prerrogativas de Profeta independiente, es además otra
verdad fundamental proclamada insistentemente en el Mensaje de Bahá'u'lláh
y que sus creyentes deben inflexiblemente sostener. Que no ha de ser
considerado meramente como un inspirador Precursor de la Revelación Bahá'í,
que en Su persona como lo atestigua Él mismo en el Bayán Persa, se ha
cumplido el objeto de todos los Profetas que Le precedieron, es una verdad
que considero mi deber demostrar y hacer resaltar. Faltaríamos ciertamente a
nuestro deber hacia la Fe que profesamos y violaríamos uno de sus básicos y
sagrados principios si en nuestra palabras o con nuestra conducta
vacilaríamos en reconocer las inferencias de este principio fundamental de la
creencia Bahá'í, o rehusaremos sostener incondicionalmente su integridad y
mostrar su verdad. Realmente, el motivo principal que me ha impulsado a
emprender la tarea de editar y traducir la inmortal Narración de Nabíl, ha sido
el de capacitar a todo el que sigue la Fe en Occidente para una mejor
comprensión y una captación más inmediata de las tremendas inferencias de
Su exaltada posición, y para que sea más ardientemente admirado y amado.
No puede haber duda que el derecho de la posición dual dispuesta por el
Todopoderoso para el Báb. derecho que Él mismo presento tan
intrépidamente, que Bahá'u'lláh afirmo repetidamente y la cual, por último, La
Voluntad y Testamento de 'Abdu'l-Bahá dio la sanción de su testimonio,
constituye el rasgo más distintivo de la Dispensación Bahá'í. Es una mayor
evidencia de su carácter único, una tremenda accesión a la fuerza, al
misterioso poder de la autoridad con que este sagrado ciclo ha sido investido.
En verdad, la grandeza del Báb consiste, ante todo, no en el hecho de ser El
precursor divinamente designado parra tan trascendente Revelación, sino, más
bien, en haber sido investido con los poderes propios de quien inicia una
Dispensación religiosa aparte, y en haber ejercido el centro de Profeta
independiente hasta un grado no rivalizado por los Mensajeros que Le
precedieron.
El breve tiempo que duro Su Dispensación, el radio limitado dentro del cual
han sido puestas en vigor Sus leyes y ordenanzas, no suministran criterio
alguno por donde pudiera juzgarse su Divino origen y evaluarse la potencia de
su mensaje. "Que un lapso tan breve" explica Bahá'u'lláh mismo, "haya
separado esta tan poderosa y maravillosa Revelación de Mi propio anterior
Manifestación, es secreto que ningún hombre puede desentrañar, y un misterio
tal, que ninguna mente puede penetrar. Su duración estaba preordenada y
jamás hombre alguno descubrirá su motivo, al menos hasta que sea informado
del contenido de Mi Libro Oculto". "Observad", sigue explicando Bahá'u'lláh en
el Kitáb-i-Badí, una de Sus obras que refutan los argumentos de la gente del
Bayán, "observad como inmediatamente después de haberse cumplido el
noveno año de esa maravillosa, santísima y misericordiosa Dispensación, el
numero requerido de almas puras, enteramente consagradas y santificadas, se
había consumado dentro del mayor secreto".
Los maravillosos sucesos anunciados del advenimiento del Fundador de la
Dispensación Bábí, las dramáticas circunstancias de Su vida llena de
acontecimiento que Su influencia ejerció sobre los más eminentes y poderosos
de Sus conciudadanos, de todo lo cual da testimonio cada uno de los capítulos
de la conmovedora narración de Nabíl, deben por si solos ser considerados
como suficiente evidencia de la validez de Su derecho a tan exaltada posición
entre los Profetas. Pese a lo vivido del testimonio que el eminente cronista de
Su vida ha trasmitido a la posteridad, tan luminosa narración palidece ante el
brillante tributo que la pluma de Bahá'u'lláh ha hecho al Báb. El mismo Báb ha
apoyado ampliamente este tributo con la clara aserción de Su posición,
mientras que el testimonio escrito de 'Abdu'l-Bahá ha reforzado
poderosamente su carácter y elucidado su significación.
¿Donde sino en le Kitáb-i-Íqán puede el estudiante de la Dispensación Bábí
buscar para hallar esas afirmaciones que inequívocamente atestiguan al poder
y el espíritu que ningún hombre puede manifestar a menos que sea una
Manifestación de Dios? "¿Podría manifestarse como semejante", exclama
Bahá'u'lláh, "si no fuera por el poder de una Revelación divina y la potencia de
la invencible Voluntad de Dios? ¡Por la rectitud de Dios, si alguien guardara en
su corazón Revelación tan grande, el solo pensamiento de tal declaración le
confundiría! Si se juntase en su corazón Los corazones de todos los hombres,
aun así vacilaría ante tan temible empresa". En todo pasaje, Él afirma: "Ningún
ojo ha visto tan grande efusión de generosidad, ni oído alguno ha escuchado
sobre semejante revelación de amorosa bondad...Los Profetas 'dotados de
constancia', cuya majestad y gloria brillan como el sol, fueron honrados cada
uno con un Libro que todos han visto, y cuyos versículos han sido
debidamente fijados. En tanto los versículos que se han vertido de esta Nube
de misericordia divina son tan abundantes que hasta ahora nadie ha podido
estimar su número...¿Como pueden despreciar esta Revelación? ¿Ha
presenciado época alguna acontecimientos tan trascendentales?"
Comentando sobre el carácter y la influencia de aquellos héroes y mártires a
quienes el espíritu del Báb había tan magníficamente transformado, Bahá'u'lláh
revelo lo siguiente: "Si estos compañeros no fuesen los que verdaderamente
se afanan por llegar a Dios, ¿A quienes podría considerarse como tales?...Si
estos compañeros, con todos sus maravillosos testimonios y prodigiosas
obras, fueses falsos, ¿Quien entonces podría dignamente pretender que tiene
la verdad? ¿Ha presenciado al mundo, desde los días de Adán, semejante
tumulto, tan violenta conmoción?... Me parece que la paciencia fue revelada
solo fue engendrada por sus obras".
Deseando hacer notar su sublimidad de la exaltada posición del Báb, en
comparación con la de los Profetas del pasado, Bahá'u'lláh, en la misma
epístola, asevera: "ningún entendimiento puede concebir la naturaleza de Su
Revelación, ni conocimiento alguno comprender la amplitud de Su Fe". Luego,
confirmando Su argumento cita estas palabras proféticas: "El conocimiento es
veintisiete letras. Todos lo que los Profetas han revelado son dos de esas
letras. Ningún hombre hasta ahora ha conocido más que esas dos letras. Pero
cuando aparezca el Qá'im, revelara las restantes veinticinco letras". "¡Que
magna y sublime es Su posición ", agrega Él, además, "o bien los Profetas de
Dios, Sus santos y elegidos no han sido informados de ella, o bien, en
cumplimiento del inescrutable Decreto de Dios, no la han dado a conocer".
De todos los atributos que la infalible pluma de Bahá'u'lláh eligió rendir a la
memoria del Báb, su "Bien Amado", el más memorable y conmovedor es este
breve pero elocuente pasaje que tan grandemente realza el valor de pasajes
finales de esa misma epístola: "En medio de todo esto", escribe Él, refiriéndose
a las aflictivas pruebas y peligros que sufría en la ciudad de Bagdad,
"dispuesto a entregar Nuestra vida, Nos resignamos enteramente a Su
voluntad, para que quizás, mediante la cariñosa bondad y gracia de Dios, esta
Letra revelada y manifiesta pueda entregar Su vida como sacrificio en el
sendero del Punto Primordial, la exaltadísima Palabra. ¡Por Aquel por Cuyo
mandato ha hablado el Espíritu! Si no fuera por este anhelo de Nuestra alma,
no Nos hubiéramos quedado ni un solo momento más en esta ciudad".
Muy amados amigos: Tan resonante loa, tan intrépida aserción, emanadas de
la pluma de Bahá'u'lláh en obra de tanto peso, están completamente reflejadas
en el lenguaje que el Manantial de la Revelación Bábí eligió para expresar los
derechos que Él mismo ha presentado. Soy el Templo Místico", así, en el
Qayyú-i-Asmá'' proclama el Báb Su posición, "que la Mano del Omnipotente ha
levantado. Soy la Lampara que el Dedo de Dios ha mencionado dentro de Su
Nicho y hecho que brille con inmortal esplendor. Soy la llama de esa celeste
luz que alumbro en el Punto regocijante del Sinaí y que reposaba oculta en
medio de la Zarza Ardiente". "¡Oh Qurratu'l-Ayn!" exclama, dirigiéndose Él a Si
mismo en el mismo comentario, "No reconozco en Ti a otro más que al 'Gran
Anuncio', el Anuncio proclamado por el Concurso de lo alto. Doy fe que con
este nombre siempre Te han conocido aquellos que circundan el Trono de
Gloria". "Con todos y cada uno de los Profetas que hemos hecho descender en
el pasado", continua, "hemos establecido un convenio por separado tocante al
'Recuerdo de Dios' y Su Día. Manifiestos están, en el reino de la gloria y por el
poder de la verdad, el 'Recuerdo de Dios' y Su Día ante los ojos de los ángeles
que circundan Su trono de misericordia". "Si así lo deseáramos", afirma Él
nuevamente, "estaría en Nuestro poder el compeler, por medio de acción de
tan solo una letra de Nuestra Revelación, a que el mundo y todo lo que está en
él reconociera, en monos de un abrir y cerrar de ojos, la verdad de Nuestra
Causa".
"Yo soy el Punto Primordial", dice el Báb, dirigiéndose a Mu¥ammad Sháh
desde la prisión de la fortaleza de Máh-Kú, "desde el cual se generaron todas
las cosas creadas.... Yo soy la Faz de Dios, Cuyo esplendor jamás puede
desvanecerse....Todas las llaves del Cielo Dios escogió ponerlas a Mi
derecha, y todas las llaves del infierno, a Mi izquierda... Soy una de las
columnas que sustenta el Verba Primor dial de Dios. Quienquiera que Me haya
reconocido ha sabido todo lo que es verdadero y justo y ha alcanzado todo lo
que es bueno y conveniente... La substancia de la cual Dios Me ha creado no
es de arcilla con lo cual otros fueron formados. Él ha conferido en Mi aquello
que los mundanamente sabios jamás podrán comprender, ni los fieles
descubrir". "Si una pequeña hormiga", afirma de manera característica el Báb
en Su deseo de hacer resaltar las ilimitadas potencialidades latentes de Su
Dispensación, "deseara en este día hallarse poseída de un poder tal que le
permitiese desenredar los más abstrusos e intrincados pasajes del Corán, su
deseo veríase indudablemente colmado, puesto que el misterio del eterno
vibra dentro de los más recónditos de la existencia de todo lo creado". "Si tan
indefensa criatura", comenta 'Abdu'l-Bahá, sobre tan sorprendente afirmación,
"puede estar dotado de tan sutil capacidad, ¡cuanto más eficaz ha de ser el
poder que se desprende de las liberales efusiones de la gracia de Bahá'u'lláh.
A estas autorizadas aserciones y solemnes declaraciones hechas por
Bahá'u'lláh y el Báb, debe añadirse el testimonio incontrovertible de 'Abdu'l-
Bahá. Él, designado interprete de las palabras, tanto de Bahá'u'lláh como del
Báb, corrobora, no por inferencia sino en lenguaje claro y categórica, tanto en
Sus Tablas como en Su Testimonio, la verdad de las manifestaciones a las
cuales ya me he referido.
En una tabla dirigida a un Bahá'í de Mázindarán, en la cual Él revela el
significado de una mal interpretada expresión que se Le atribuía respecto a la
salida del Sol de la Verdad en este siglo, Él expone breve pero
concluyentemente lo que debe quedar para siempre como nuestra verdadera
concepción de la relación entre las dos Manifestaciones asociadas a la
Dispensación Bahá'í. "Al expresarme así", explica, "solo tenia en mente al Báb
y a Bahá'u'lláh, el carácter de Cuyas Revelaciones era mi propósito elucidar.
La Revelación del Báb puede ser considerada como el sol, correspondiendo su
posición al primer signo del Zodíaco, el signo de Aries, en el cual entra el sol
en el equinoccio de primavera. La posición de la Revelación de Bahá'u'lláh por
otro parte, se halla representada por el signo de Leo, el sol en medio del
verano en su más alta posición. Ello significa que esta santa Dispensación
está iluminada por la luz del Sol de la Verdad brillado desde su más exaltada
posición y en la plenitud de su resplandor, su calor y su gloria".
"El Báb, el Exaltado", afirma más específicamente 'Abdu'l-Bahá en otra Tabla,
"es la Aurora de la Verdad, el esplendor de Cuya luz brilla en todas las
regiones. Él es también el Precursor de la más Grande Luz, la Lumbrera de
Abhá. la Bendita Belleza es Aquel prometido por los libros sagrados del
pasado, la revelación de la Fuente de luz que resplandeció sobre el Monte
Sinaí, Cuyo fuego brillo en medio de la Zarza Ardiente. Nosotros somos, todos
y cada uno, siervo de Su umbral y nos encontramos cada cual como humildes
guardianes ante Su puerta". "Toda prueba y profecía", advierte aun más
enfáticamente, "toda clase de evidencia, ya sea basada en la razón o en el
texto de las escrituras y tradiciones, han de considerarse centradas en las
personas de Bahá'u'lláh y el Báb. En Ellos se encuentra su completa
realización".
Y, finalmente, en Su Voluntad y Testamento, repositorio de Sus últimos deseos
y sus instrucciones, en el siguiente pasaje, llamado especialmente a
establecer los principios que gobierna la creencia Bahá'í, Él pone el sello de
Su testimonio sobre la dual y exaltada posición del Báb: "La base de la
creencia de la gente de Bahá (que mi vida sea ofrecida por ellos) es esta: Su
Santidad, el Exaltado (el Báb), es la Manifestación de la unidad y la unicidad
de Dios y el Precursor de la Antigua Belleza (Bahá'u'lláh). Su Santidad, la
Belleza de Abhá (Bahá'u'lláh) (que mi vida sea sacrificada para Sus fieles
amigos), es la suprema Manifestación". "Todos los demás", agrega de manera
significativa, "son sus siervos y obedecen Su mandato".
'ABDU'L-BAHÁ
Muy queridos amigos: En las paginas que anteceden he intentado exponer
aquellas verdades que firmemente creo están implícitas en la investidura de
Aquel, que es el Manantial de la Revelación Bahá'í Me he esforzado, además,
en disipar aquellos malentendidos que naturalmente pueden suscitarse en la
mente de cualquiera que contemple tan sobrehumana manifestación de la
gloria de Dios. Me he esforzado por explicar el significado de la divinidad con
que necesariamente debe estar investido Aquel que es el vehículo de energía
tan misteriosa. He tratado también de demostrar al máximo de mi capacidad
que el Mensaje que ha sido comisionado por Dios a un Ser tan grande para
entregarlo a la humanidad en esta época, reconoce el principio divino y
sostiene los primeros principios de todas las Dispensaciones inauguradas por
los Profetas del pasado y se mantiene inextricablemente entrelazado con cada
una de ellas. De la misma manera, he creído necesario probar y hacer resaltar
que el Autor de esa Fe, Quien repudia el derecho al absolutismo sostenido por
los líderes de varias creencias, lo ha negado para Si mismo, no obstante la
amplitud de su Revelación. Otro principio básico, cuya elucidación también me
ha parecido extremadamente deseable en el presente grado de evolución de
nuestra Causa, ha sido que el Báb, no obstan te la duración de Su
Dispensación, debe ser considerada ante todo, no como el escogido Precursor
de la Fe Bahá'í, sino como Aquel que fue investido de la indivisa autoridad
asumida por cada uno de los Profetas independientes del pasado.
Estimo ahora muy necesario que hagamos un esfuerzo por esclarecer nuestra
mente respecto a la posición que ocupa 'Abdu'l-Bahá y a la significación de Su
posición en esta Santa Dispensación. Seria verdaderamente difícil para
nosotros, que estamos tan cerca de tan tremenda figura y atraídos por el
misterioso poder de tan magnética personalidad, el obtener una comprensión
clara y exacta del rol y carácter de Uno que, no solo en la Dispensación de
Bahá'u'lláh, sino en todo el campo de historia religiosa, llena de una función
única. Aunque moviéndose en una esfera propia y manteniendo un rango
radicalmente diferente al del Autor y la del Precursor de la Revelación Bahá'í,
Él por virtud de la posición dispuesta para Él en le Convenio de Bahá'u'lláh,
forma, junto con ellos, lo que puede designarse las Tres Figuras centrales de
una Fe que se encuentra sin igual dentro de la historia espiritual de mundo.
Junto con Ellos, Él se yergue por encima de los destinos de esta joven Fe de
Dios desde una altura que jamás podrá esperar alcanzar ningún individuo o
grupo que sirva a las necesidades de ella después de Él y por un periodo
completo no menor que años. El degradar Su alto rango identificando Su
posición de aquellos en quienes ha recaído el manto de Su autoridad, seria un
acto de impiedad tan grave como la no menos herética creencia que se inclina
a exaltarlo a un estado de absoluta igualdad, ya sea con la Figura central o
con el Precursor de nuestra Fe. Grande como es el abismo que separa a
'Abdu'l-Bahá de Aquel que es la Fuente de una Revelación independiente
jamás podrá considerarse conmensurable con la mayor distancia que existe
entre Aquel que es el Centro del convenio y Sus ministros, encargados de
continuar Su tarea, cualesquiera que sean sus nombres, rangos, funciones o
sus realizaciones futuras. A la luz de esta exposición, aquellos que conocieron
a 'Abdu'l-Bahá y que por contacto con Su magnética personalidad llegaron a
sustentar admiración tan ferviente por Él, deben reflexionar sobre la grandeza
de Aquel que está tan por encima de Él en posición.
Que 'Abdu'l-Bahá no es una Manifestación de Dios; que, aunque sucesor de
Su Padre, no ocupa una posición análoga; que nadie, a excepción del Báb y
de Bahá'u'lláh, podrá jamás reclamar para si esa posición antes de la
expiración de un periodo completo de mil años, son verdades que es hallan
incrustadas en las específicas declaraciones tanto del Fundador de nuestra Fe
como del Interprete de Sus enseñanzas.
"Quienquiera que eleve la pretensión de una Revelación directa de Dios", es la
advertencia expresa pronunciada en el Kitáb-i-Aqdas, "antes de la expiración
de un plazo de mil años, tal hombre es de seguro un impostor. Oramos a Dios
para que Él benignamente le ayude a retractarse de tal pretensión y a
repudiarla. Si se arrepintiera, Dios, sin duda, le perdonara. Si, no obstante,
persistiera en su error, Dios, de seguro, enviara a uno que le tratara sin
misericordia. !Terrible, de verdad, es Dios en Su castigo!" "Quienquiera que',
agrega Él para dar más énfasis, "interprete este verso de otro modo que no
sea su significado obvio, está privado del Espíritu de Dios y de Su misericordia
que envuelve a todas las cosas creadas". Y aun otra declaración concluyente:
"Si apareciera un hombre antes de un lapso completo de mil años -cada año
de doce meses, según el Corán, y de diecinueve meses de diecinueve días,
según el Bayán-, y tal hombre revelara ante nuestros ojos todos los signos de
Dios, !rechazadlo sin titubear!"
Las propias declaraciones de 'Abdu'l-Bahá, confirmando esta advertencia no
son menos enfáticas ni de menor precepto: "Esta es", declara, "mi convicción
firme, invariable, la esencia de mi abierta y explícita creencia, convicción y
creencia que los moradores del Reino de Abhá comparten plenamente: La
Bendita Belleza es del Sol de la Verdad y Su Luz, la Luz de la Verdad.
Igualmente, el Báb es le Sol de la Verdad y Su Luz es la Luz de la Verdad... Mi
posición es la posición de servidumbre, servidumbre completa, pura y real,
firmemente establecida, permanente, obvia, explícitamente revelar y no sujeta
a interpretación alguna... Soy el Interprete de la palabra de Dios; tal es mi
interpretación".
'Abdu'l-Bahá, en Su propio Testamento en tono y lenguaje que bien puede
confundir al más inveterado de los violadores de Convenio de Su Padre, ?no
les quita su arma principal a los que tanto y tan persistentemente se
esforzaron en imputarle el cargo de haber tácticamente pretendido una
posición igual, si no superior, a la de Bahá'u'lláh? "la base de la creencia de la
gente de Bahá es esta": así proclama uno de los pasajes de mayor peso de
ese documento póstumo dejado para declarar a perpetuidad las directivas y los
deseos de un Maestro Fallecido, "Su Santidad, el Exaltado (el Báb), es la
Manifestación de la unidad y la unicidad de Dios y el Precursor de la Antigua
Belleza. Su Santidad la Belleza de Abhá (Bahá'u'lláh) (que mi vida sea
ofrecida en sacrificio por Sus firmes amigos), es la Suprema Manifestación de
Dios y la Aurora de Su más Divina Esencia. Todos los demás son Sus siervos
y obedecen Su mandato".
De estas claras y formalmente expuestas manifestaciones, incomparables
como son con cualquier aserción de pretender la posición de Profeta, no
debemos, de manera alguna, inferior que 'Abdu'l-Bahá es meramente uno de
los casos, uno cuya función sea solo la de un autorizado interprete de las
enseñanzas de Su Padre. Lejos de mi está el mantener semejante idea o
desear inculcar tales sentimientos. El considerar a 'Abdu'l-Bahá bajo esa luz es
una manifiesta traición a la humanidad. La posición conferida a Él por la Pluma
Suprema es exaltada en grado inconmensurable por encima de las inferencias
de estas, Sus propias afirmaciones escritas. Tanto en el Kitáb-i-Aqdas, la de
mayor peso y más sagrada de todas las obras de Bahá'u'lláh, como en el
Kitáb-i-'Ahd, el Libro de Su Convenio, y en el Súriy-i-GhuÐn (la Tabla de la
Rama), las referencias que hace la pluma de Bahá'u'lláh -referencias
poderosamente reforzadas en las Tablas dirigidas por Él por Su padre-,
invisten a 'Abdu'l-Bahá con un poder y lo rodean con un halo, que jamás podrá
llegar la presente generación a apreciar en su justo valor.
Él es y debe por siempre ser considerado, primeramente y ante todo, como el
Centro y Pivote del Convenio incomparable, que todo lo abarca, de Bahá'u'lláh,
Su más exaltada obra, el Espejo inmaculado de Su luz, el perfecto Ejemplo de
Sus enseñanzas, el infalible Interprete de Su Palabra, la personificación de
cada uno de los ideales Bahá'ís, la encarnación de cada una de las virtudes
Bahá'ís, la más Poderoso Rama salida de la Antigua Raíz, el Miembro de la
Ley de Dios el Ser "a Cuyo alrededor giran todos los nombres", el Resorte
Principal de la Unidad del Genero Humano, la Insignia de la más Grande Paz,
la Luna del Astro Central de esa santísima Dispensación, nombres y títulos
que están implícitos y hallan sus más real, su más alta y hermosa expresión en
el mágico nombre: 'Abdu'l-Bahá. el es, por encima y más allá de estos
nombres, el "Misterio de Dios", expresión que el mismo Bahá'u'lláh, se han
unido y armonizado completamente las incompatibles características de una
naturaleza humana y de una sobrehumana sabiduría y perfección.
"Cuando el océano de Mi presencia haya refluido y el Libro de Mi revelación
haya terminado", proclama el Kitáb-i-Aqdas, "tornad vuestros semblantes hacia
Aquel a Quien Dios ha designado, Quien ha salido de esta Antigua Raíz". Y,
nuevamente, "Cuando la Mística Paloma haya levantado su vuelo desde su
Santuario de Alabanza e ido en busca de su distante meta, su oculta morada,
dirigíos por cualquier cosa que no comprendáis del Libro, hacia Aquel que
salió de este poderoso Tronco".
En el Kitáb-i-'Ahd, además, Bahá'u'lláh declara solemne y explícitamente:
"incumbe a los AghÐán, los Afnán y Mis parientes, a todos y cada uno de ellos,
dirigir sus semblantes hacia la más Poderosa Rama. considerad lo que hemos
revelado en Nuestro Libro más Sagrado: 'Cuando el océano de Mi Presencia
ha ya refluido y el Libro de Mi Revelación haya terminado tornad vuestros
semblantes hacia Aquel a Quien Dios ha designado, Quien ha salido de esta
Antigua Raíz. El objeto de este sagrado versículo no es otro que la más
Poderosa Rama ('Abdu'l-Bahá). Así os hemos revelado benignamente, Nuestra
potente Voluntad y, en verdad, soy el Misericordioso, el todopoderoso".
En el Súriy-i-GhuÐn (Tabla de la Rama), han sido registrados los versículos
siguientes: "Rama del Sadratu'l-Muntahá es este sagrado y gloriosa Ser, esta
Rama de Santidad; bienaventurado es aquel que ha buscado refugia en Él y
ha morado bajo Su sombra. En verdad, el Miembro de la Ley de Dios ha
brotado de esta Raíz que Dios implanto firmemente en la Tierra de Su
Voluntad y Cuya Rama ha sido tan elevada que ha abarcado todo la creación.
¡Sea Él, pues, magnificado por esta sublime, bendita, poderosa y exaltada
Obra!... Como signo de Nuestra gracia, una Palabra ha salido de la más
Grande Tabla, palabra que Dios ha adornado con el ornamente de Si mismo y
hecho soberana de la tierra y de todo lo que en ella existe, en signo de Su
grandeza y poder entre su pueblo... Dad gracias a Dios, ¡Oh pueblo! por haber
Él aparecido, pues, en verdad, Él es el más grande Favor que os ha hecho, la
más perfecta munificencia prodigada en vosotros, y por Él huesos pulverizados
vuelven a la vida. Todo aquel que se vuelve hacia Él, se ha vuelto hacia Dios,
y todo aquel que se aleje de Él, se ha alejado de Mi Belleza, ha repudiado Mi
Prueba y transgredido contra Mi. Él es el Fideicomiso de Dios entre vosotros,
lo que Dios ha puesto a vuestra custodia, Su manifestación a vosotros y Su
aparición entre Sus favorecidos siervos... Lo hemos hecho descender en la
forma de un cuerpo humano, Bienaventurado y Santificado sea Dios, que ha
creado toso lo que Él quiere mediante Su inviolable, Su infalible decreto.
Aquellos que se privan a si mismos de la sombra de la Rama se pierde en el
desierto del error, se consume en el calor de los deseos humanos y son los
que de seguro perecerán".
"¡Oh Tu que eres la niña de Mis ojos!", así Bahá'u'lláh se dirige a 'Abdu'l-Bahá,
escribiendo de Su puño y letra. "Mi gloria, el océano de Mi amorosa bondad, el
sol de Mi munificencia y el cielo de Mi misericordia descansan en Ti. Rogamos
a Dios que ilumine al mundo a través de Tu conocimiento y sabiduría, que
disponga para Ti aquello que regocije Tu corazón e imparta consuelo a Tus
ojos". La gloria de Dios descanse en Ti", escribe Él en otra Tabla, "y en
quienquiera que Te sirva en este Tu alrededor. Calamidad, gran calamidad
acaezca a quien se oponga y Te injurie. Bienhadado aquel que jure fidelidad
hacia Ti; que el fuego del infierno atormente a quien sea Tu enemigo". "Te
hemos hecho amparo del genero humano", afirma Bahá'u'lláh en otra Tabla,
"refugio para todos los que están en el cielo y en la tierra, fortaleza para todos
los que han creído en Dios, el Incomparable, el Omnisciente. Quiera Dios que
por Tu intermedio Él los proteja, los enriquezca y los sostenga; que Te inspire
con aquello que sea un manantial de riqueza para todo lo creado, un océano
de munificencia para todos los hombres y la aurora de misericordia para todos
los pueblos".
"Tu sabes, ¡Oh Dios mío!", suplica Bahá'u'lláh en una oración revelada en
honor de 'Abdu'l-Bahá, "que no deseo para Él sino lo que Tu deseas y que no
Lo he elegido para otro fin que el que Tu tienes asignado para Él. Hazlo, pues,
victorioso mediante Tus huestes de la tierra y del cielo... Te imploro, por el
ardor de mi amor por Ti y por Mi anhelo de manifestar Tu Causa, que
dispongas para Él y para aquellos que Le aman lo que Tu tienes destinado
para Tus Mensajeros y para los Depositarios de Tu Revelación. En verdad, Tu
eres el Todopoderoso, el Omnipotente!"
En una carta dictada por Bahá'u'lláh y dirigida por Mírzá Áqá Ján, Su
amanuense, a 'Abdu'l-Bahá, mientras este se hallaba de visita en Beirut,
leemos lo siguiente: "Loado sea Aquel que ha horado la tierra de Bá (Beirut)
con la presencia de Aquel a Cuyo alrededor giran todos los hombres. Todos
los átomos de la tierra han anunciado a la creación entera que desde taras de
las puertas de la ciudad-prisión y sobre su horizonte, apareció y brillo el Astro
de belleza de la grande, la más Poderosa Rama de Dios, Su antiguo e
inmutable Misterio, encaminándose hacia otra tierra. El pesar envuelve por eso
a esta ciudad-prisión, mientras que otro tierra se regocija... Bendito, dos veces
bendito es el suelo que recibió Sus pisadas, los ojos que gozaron de belleza
de Sus semblante, los oídos que fueron honrados escuchando Su llamado, el
corazón que gusto de dulzura de Su amor, el pecho que se ha henchido con
Su recuerdo, la pluma que proclamo Sus alabanzas, el papel que recibió el
testimonio de Sus escritos".
Al escribir confirmando la autoridad en Él conferida por Bahá'u'lláh, hace
'Abdu'l-Bahá la siguiente manifestación: "De acuerdo con el texto explícito del
Kitáb-i-Aqdas, Bahá'u'lláh ha hecho el Centro del Convenio el Interprete de Su
Palabra, un Convenio tan firme y poderoso, que ninguna Dispensación
religiosa desde el principio de los tiempos hasta el presente día ha producido
algo semejante".
Exaltado como es el rango de 'Abdu'l-Bahá y profusas como son las alabanzas
con que Bahá'u'lláh ha glorificado a Su hijo en estos Libros y Tablas Sagradas,
estas distinciones únicas no deben jamás ser interpretadas como si confirieran
a su recipiente una posición idéntica o equivalente a la de Su Padre, que es la
Manifestación Misma. Una interpretación semejante de cualquiera de los
pasajes mencionados estaría inmediatamente, y por obvias razones, en
conflicto con las no menos claras y autenticas aserciones y advertencias a las
cuales ya me he referido. En efecto, según lo he manifestado ya, aquellos que
sobre estiman la posición de 'Abdu'l-Bahá, son tan reprensibles y hacen tanto
daño cono los que la estiman menos. Y esto por lo sola razón de que al insistir
sobre una deducción completamente injustificada de los escritos de
Bahá'u'lláh, ellos inadvertidamente justifican y sin cesar suministran al
enemigo pruebas para sus acusaciones falsas y manifestaciones erróneas.
Creo necesario, por lo tanto, manifestar sin ningún equivoco o vacilación, que
ni en el Kitáb-i-Aqdas, ni en el Libro del Convenio de Bahá'u'lláh, ni aun en la
Tabla de la Rama, ni en ninguna otra Tabla, ya sea revelada por Bahá'u'lláh o
por 'Abdu'l-Bahá, existe autoridad alguna para la opinión que se inclina a
sostener la llamada "unión mística" de Bahá'u'lláh y 'Abdu'l-Bahá, o establecer
la identidad de este último con Su Padre o con cualquier Manifestación
anterior. Este erróneo concepto podrá ser debido, en parte, a una
interpretación completamente extravagante de ciertos términos y pasajes de la
Tabla de la Rama, a la introducción en su traducción al ingles de ciertas
palabras que, o no existen, o son erróneas o ambiguas en su connotación. No
hay duda de que está basada principalmente en una deducción del todo
injustificada de los pasajes iniciales de una Tabla de Bahá'u'lláh, cuyos
extractos, según se reproducen en Bahá'í Scriptures, preceden
inmediatamente, pero no forman parte de dicha Tabla de la Rama. Debe
aclararse a todo el que lea esos extractos, que con la frase "La Lengua del
Sempiterno", no se hace referencia a nadie más que a Dios, y que le termino
"el más Grande Nombre" es una referencia obvia a Bahá'u'lláh, y que "el
Convenio" a que se hace mención, no es el Convenio mismo del cual
Bahá'u'lláh es el Autor inmediato y 'Abdu'l-Bahá su Centro, sino el Convenio
general que, según lo inculca la enseñanza Bahá'í, Dios mismo establece
invariablemente con la humanidad cuando Él inaugura una nueva
Dispensación. "La Lengua" que "proclama", según expresan esos extractos. la
"buena nueva", no es otra cosa que la Voz de Dios, refiriéndose a Bahá'u'lláh,
y no Bahá'u'lláh refiriéndose a 'Abdu'l-Bahá.
Además, el sostener que la aserción "Él es yo Mismo" establece la identidad
de Bahá'u'lláh con 'Abdu'l-Bahá, en lugar de la mística unión de Dios con Sus
Manifestaciones, como se explica en el Kitáb-i-Íqán, constituiría una violación
directa del muy repetido principio de la unidad de las Manifestaciones de Dios,
principio que el Autor de estos mismos extractos trata por inducción de hacer
resaltar.
Significaría también revertir a esas irracionales y supersticiosas creencias que
durante el primer siglo de la era cristiana se deslizaron insensiblemente en las
enseñanzas de Jesucristo y que, al cristianismo en dogmas aceptados,
dañaron la eficiencia y oscurecieron el propósito de la Fe cristiana.
"Afirmo", dice 'Abdu'l-Bahá en el comentario escrito por Él mismo sobre la
Tabla de la Rama, "que el verdadero sentido, el significado real, el secreto
intimo de estos versículos, de estas precisas palabras, es mi propia
servidumbre al sagrado Umbral de la Belleza de Abhá, mi propia completa
insignificancia, ni anulación extrema ante Él. Esta en mi corona
resplandeciente, mi preciosísimo adorno. De esto me enorgullezco en el reino
de la tierra y del cielo. ¡De ello me glorifico en medio de la compañía de los
bien favorecidos!" "A nadie le está permitido", nos advierte Él en el pasaje que
sigue de inmediato, "dar a estos versículos ninguna otra interpretación". "Soy",
afirma Él, a este mismo respecto, "según loe textos explícitos del Kitáb-i-Aqdas
y del Kitáb-i-'Ahd, el claro Interprete de la Palabra de Dios... Quienquiera que
se desvíe de mi interpretación, es víctima de su propia imaginación".
Además, la inevitable deducción resultante de la creencia en la identidad del
Autor de nuestra Fe con Aquel que es el Centro de Su Convenio, seria colocar
a 'Abdu'l-Bahá en una posición superior a la del Báb, cuando lo contrario es el
principio fundamental de esta Revelación, aunque todavía no universalmente
reconocido. También justificaría la acusación con que durante todo el
ministerio de 'Abdu'l-Bahá los violadores del Convenio trataron de envenenar
las mentes y pervertir el conocimiento de los fieles seguidores de Bahá'u'lláh.
Seria más correcto y en consonancia con los principios establecidos de
Bahá'u'lláh y del Báb, si en lugar de sostener esta ficticia identidad con
relación a 'Abdu'l-Bahá, miráramos al Precursor y Fundador de nuestra Fe
como idénticos en realidad, verdad esta que es el texto del Súriy-i-Haykal
afirma de manera inequívoca: "Si el Punto Primordial (el Báb) hubiera sido otro
que Yo, según pretendéis", manifestar explícitamente Bahá'u'lláh, "y hubiese
llegado a Mi presencia, en verdad que Él jamás habría permitido separase de
Mi y, por el contrario habríamos tenido mutuo gozo durante Mis Días". "Aquel
que ahora proclama la Palabra de Dios", Bahá'u'lláh afirma nuevamente, "no
es otro sino que el Punto Primordial, Quien ha sido nuevamente puesto de
manifiesto". "Él es", dice refiriéndose a Si mismo en una Tabla dirigida a una
de las Letras del Viviente, "el mismo Aquel que apareció el año sesenta (1260
D.H.). Este es en verdad uno de Sus potentes signos". "¿Quien se levantara",
pregunta Bahá'u'lláh en el Súriy-Damm, "para obtener el triunfo de la Belleza
Primordial (el Báb) revelada en el semblante de Su subsiguiente
Manifestación?" Refiriéndose a la Revelación proclamada por el Báb, Él
recíprocamente la caracteriza coco "Mi Propia anterior Manifestación".
Que 'Abdu'l-Bahá no es una Manifestación de Dios, que Él recibe Su luz, su
inspiración y su sostén directamente de la Fuente Principal de la Revelación
Bahá'í; que Él refleja como un Espejo claro y perfecto los rayos de la gloria de
Bahá'u'lláh, y que no posee de manera inherente esa realidad indefinible pero
omnipresente, cuya exclusiva posesión es la característica de la condición de
Profeta; que Sus palabras no son iguales en rango, aunque poseen igual
validez que las de Bahá'u'lláh; que Él no debe ser aclamado como el retorno
de Jesucristo, el Hijo que vendrá "en la gloria del Padre", son verdades estas
que encuentran mayor justificación y se reafirman más en las siguientes
exposición de 'Abdu'l-Bahá, dirigida a algunos creyentes de America, y con ella
bien puedo concluir con esta sección: "Habéis escrito que existe una
divergencia entre los creyentes, respecto a la 'Segunda Venida de Cristo'.
!Alabado sea Dios! Muchas veces se ha suscitado esta pregunta y su
respuesta ha emanado de una declaración clara e irrefutable de la pluma de
'Abdu'l-Bahá, en le sentido de que 'el Señor de las Huestes' y el 'Cristo
Prometido' en las profecías, se refieren a la Bienaventurada Perfección
(Bahá'u'lláh) y a Su Santidad, el Exaltado (el Báb). Mi nombre es 'Abdu'l-Bahá.
Mi calificación es 'Abdu'l-Bahá. Mi realidad es 'Abdu'l-Bahá. Mi alabanza es
'Abdu'l-Bahá Esclavitud a la Bienaventurada perfección es mi gloriosa y
refulgente diadema, y servidumbre a toda la raza humana mi religión
perpetua... No tengo ni jamás tendré otro nombre, titulo, mención o elogio más
que el de 'Abdu'l-Bahá. esta es mi vida eterna. Esta es mi eterna gloria".
EL ORDEN ADMINISTRATIVO
Muy queridos hermanos en 'Abdu'l-Bahá: Con la ascensión de Bahá'u'lláh, el
Sol de Guía Divina, el cual -según lo predijeran Shaykh A¥mad y Siyyid
Ká1/2im- se levanto en Shíráz, y, en su marcha hacia el oeste, llegó al cenit en
Adrianópolis, fue a ponerse finalmente detrás del horizonte de 'Akká, para no
volver más antes del transcurso de un periodo completo de mil años. La puesta
de Astro tan refulgente dio termino definitivo al periodo de Divina Revelación,
la etapa inicial y más vivificante de la era Bahá'í. Este periodo, el cual fue
inaugurado por el Báb y que culmino en Bahá'u'lláh, al cual esperaba y loaba
todo el conjunto de Profetas de este gran ciclo profético, fue caracterizado,
excepción hecha del corto intervalo entre el martirio del Báb y las terribles
experiencias de Bahá'u'lláh en el Síyáh-Chál de Teherán, por una Revelación
progresiva y continua de casi cincuenta años, periodo que por su duración y
fecundidad debe ser considerado sin paralelo en todo el campo de la historia
espíritu del mundo.
La muerte de 'Abdu'l-Bahá, por otro lado, marca el termino de la Edad Heroica
y Apostólica de esta misma Dispensación, eses periodo primitivo de nuestra Fe
cuyos esplendores jamás habrán de ser rivalizados ni mucho menos
eclipsados por la magnificencia que necesariamente ha de distinguir a las
futuras victorias de la Revelación de Bahá'u'lláh. Porque ni los hechos
realizados por los grandes organizadores de las actuales instituciones de la Fe
de Bahá'u'lláh, ni los ruidosos triunfos que los héroes de su Edad de Oro
conseguirán ganar en los días venideros, podrán equipararse o ser puestos en
la misma categoría que las maravillosas obras asociadas a los nombres de
aquellos que generaron la vida misma de esa Fe y echaron sus prístinos
cimientos. Esa primera y creadora época de la era Bahá'í ha de destacarse por
su propia naturaleza por encima y aparte del periodo de formación en que
hemos entrado y de la edad de oro que está destinada a sucederle.
'Abdu'l-Bahá, Quien encarna una institución de la cual no podemos hallar
paralelo alguno en ninguno de los reconocidos sistemas religiosos del mundo,
puede decirse que ha cerrado la Edad a la cual Él mismo pertenecía y ha
abierto aquella en la cual nosotros ahora bregamos. Así, pues, Su Voluntad y
Testamento ha de considerarse como el perpetuo e indisoluble vinculo
concebido por la mente de Aquel que es el Misterio de Dios, para asegurar la
continuidad de las tres épocas que constituyen las partes componentes de la
Dispensación Bahá'í. El periodo en el cual la simiente de la Fe estaba
lentamente germinando, se halla así entrelazado tanto con el periodo que ha
de presenciar su florescencia como con el subsiguiente, en que la semilla
habrá finalmente dado su precioso fruto.
Las energías creadoras liberadas por la Ley de Bahá'u'lláh. al penetrar y
desarrollarse en la mente de 'Abdu'l-Bahá, dieron lugar por su propio impacto y
estrecha acción mutua, al nacimiento de un Instrumento que puede
considerarse como la Carta Magna del Nuevo orden Mundial, el cual es a la
vez la gloria y la promesa de esta sublime Dispensación. Puede así ser
aclamado el Testamento como el inevitable resultado de esa mística unión
entre Aquel que comunico la influencia generatriz de Su divino Designio y
Aquel fue el vehículo receptor elegido. Siendo el Testamento de 'Abdu'l-Bahá
el Vástago del Convenio -el Heredero tanto de Quien origino la Ley de Dios
como de Aquel que la interpretó- no puede separársele ni de Quien fuer el
impulso original que lo motivo, ni de Aquel que finalmente lo concibió Debemos
siempre tener presente que el inescrutable designio de Bahá'u'lláh ha sido tan
cabalmente infundido en la conducta de 'Abdu'l-Bahá, y los motivos de ambos
han sido tan estrechamente unidos, que la menor tentativa de disociar las
enseñanzas del primero de cualquier sistema establecido por el que fue
Ejemplo ideal de esas mismas enseñanzas, significaría repudiar una de las
básicas y más sagradas verdades de la Fe.
El Orden Administrativo que desde la ascensión de 'Abdu'l-Bahá se ha
desenvuelto y tomar forma a nuestra propia vista en no menos de cuarenta
países1 del mundo puede considerarse como la armazón del testamento
mismo, como la fortaleza inviolable dentro de la cual ese recién nacido vástago
se cría y desarrolla. A medida que este Orden Administrativo se expanda y
consolide, pondrá de manifiesto, sin duda, sus potencialidades y revelara todo
el significado de este importantísimo Documento de esta admirable expresión
de la Voluntad de Una de las figuras más notables de la Dispensación de
Bahá'u'lláh. A medida que sus partes componentes, sus instituciones
orgánicas comiencen a funcionar con vigor y eficacia, ha de aseverar su
derecho y demostrar su capacidad para que se le considere no solo como el
núcleo, sino como el modelo mismo del Nuevo Orden Mundial que con el
tiempo está destinado a abarcar a toda la humanidad.
Debe notarse al respecto, que este Orden Administrativo es fundamentalmente
diferente a todo lo que Profeta alguno haya establecido hasta ahora, puesto
que Bahá'u'lláh mismo es Quien ha revelado sus principios, establecidos sus
instituciones, designando la persona para interpretar Su Palabra y conferido la
autoridad necesaria en el cuerpo destinado a suplementar y aplicar Sus
ordenanzas legislativas. He ahí el secreto de la fuerza, su deferencia
fundamental y la garantía contra el cisma y la desintegración. En ninguna parte
de las sagradas escrituras de cualquiera de los sistemas religiosos del mundo,
ni aun en los escritos del Inaugurador de la Dispensación Bábí, hallamos
disposiciones que establezcan un convenio o que provean un orden
administrativo comparables en alcance y autoridad, con las que yacen en las
bases mismas de la Dispensación Bahá'í. ¿tiene acaso la Cristiandad o el
Islam, tomando por ejemplo dos de las más difundidas y destacadas entre las
reconocidas religiones del mundo, algo que ofrecer que sea comparable o
pueda considerarse equivalente, ya sea al Libro del Convenio de Bahá'u'lláh o
a la Voluntad y Testamento de 'Abdu'l-Bahá? ¿Acaso el texto, ya sea de los
Evangelios o del Corán, confiere autoridad suficiente a los líderes y concilios
que han reclamado el derecho y asumido la función de interpretes de las
disposiciones de las sagradas escrituras y de administradores de los asuntos
de sus respectivas comunidades? ¿Podría Pedro, el reconocido jefe de los
Apóstoles, o el imán 'Alí, primo y legitimo sucesor de Profeta, presentar
afirmaciones explícitas escritas por Cristo y Mahoma para apoyar la primacía
con que ambos fueron investidos y acallar a los que, entre sus
contemporáneos o en épocas posteriores, repudiaron los cismas que persisten
hoy día? Podemos confiadamente preguntar: ¿donde, en los documentados
dichos de Jesucristo, ya sea en materia de sucesión o de provisión de una
serie de leyes especificas y disposiciones administrativas claramente
definidas, que se distinguen de principios puramente espirituales, podemos
hallar algo que se aproxime a los detallados mandatos, leyes y advertencias
que abundan en las autenticas palabras tanto de Bahá'u'lláh como de 'Abdu'l-
Bahá? ¿Puede pasaje alguno del Corán, el que con respecto a su código legal,
preceptos administrativos y disposiciones para el culto marca ya un notable
adelanto sobre anteriores y más viciadas Revelaciones, ser interpretado como
colocando sobre una base inatacable la indudable autoridad de Mahoma,
verbalmente y en varias ocasiones, confiera a Su sucesor? ¿Puede acaso
decirse que el Autor de la Dispensación Bábí 'por más que gracias a las
provisiones del Bayán Persa haya logrado evitar un cisma tan
permanentemente y catastrófico como los que afligieron a la Cristiandad y al
Islamismo- haya producido instrumentos para la salvaguardia de Su Fe que
sean tan definidos y eficaces como los que han de preservar para siempre la
unión de los organizados adherentes de la Fe de Bahá'u'lláh?
Solo esta Fe, entre todas las Revelaciones anteriores, gracias a las explícitas
instrucciones, repetidas advertencias, autenticas salvaguardias, incorporadas
y explicadas en sus enseñanzas, ha logrado levantar una estructura a la que
los perplejos adherentes de credos quebrantados y en bancarrota bien harían
en acercarse y examinar críticamente y buscar, antes de que sea demasiado
tarde, el invulnerable abrigo de su universal refugio.
No es de extrañar que Aquel que por obra de Su Testamento ha inaugurado
Orden tan vasto y único, y Quien es el Centro de tan poderoso Convenio, haya
escrito estas palabras: "Tan firme y poderoso es este Convenio, que desde el
principio de los tiempos hasta el presente ninguna Dispensación religiosa ha
producido algo similar". "Todo lo que está latente en lo intimo de este sagrado
ciclo", escribió Él durante los más negros y peligrosos días de Su ministerio,
"ha de aparecer y manifestarse gradualmente, pues ahora solo es el principio
de su crecimiento y el amanecer de la revelación de sus signos". "No temáis",
son Sus palabras tranquilizadoras al prevenir el surgimiento del Orden
Administrativo establecido en Su Testamento: "no temáis si esta Rama es
cortada de este mundo material y sus hojas echadas a un lado; en verdad, sus
hojas han de florecer, porque esta Rama cercare después que haya sido
separada de este mundo terrenal, alcanzaran los más altos pináculos de la
gloria y dará frutos tales que han de perfumar el mundo con su fragancia".
?A que otra cosa puede hacer alusión las siguientes palabras de Bahá'u'lláh,
sino al poder y majestad que está destinado a manifestar este Orden
Administrativo, rudimentario de la futura Mancomunidad Bahá'í que todo lo
abarca?: "El equilibrio del mundo ha sido trastornado mediante la vibrante
influencia de este grandioso, este nuevo Orden Mundial. La vida ordenada de
la humanidad ha sido revolucionada por la acción de este único, maravilloso
Sistema, nada semejante al cual ojos mortales han presenciado jamás".
El mismo Báb, en el curso de sus referencias a "Aquel a Quien Dios
manifestara", anticipa es Sistema y glorifica el Orden Mundial que la
Revelación de Bahá'u'lláh está destinada a desarrollar. "Bienaventurado
aquel", dice Él en su notable expresión del capítulo tercero del Bayán Persa,
"que haya fijado su atención en el Orden de Bahá'u'lláh y haya dado gracias a
su Señor. Pues, de seguro, será Él puesto de manifiesto. En verdad, así la ha
dispuesto Dios irrevocablemente en el Bayán".
En las Tablas de Bahá'u'lláh, donde se designa específicamente y se
establece formalmente la la institución de la Casa de Justicia, tanto
Internacional como Local; en la institución de las Manos de la Causa de Dios,
puestas en existencia primero por Bahá'u'lláh y luego por 'Abdu'l-Bahá; en la
institución de las Asambleas tanto locales como nacionales que en forma
embrionaria ya funcionaban en los días que precedieron a la ascensión de
'Abdu'l-Bahá; en la autoridad que en Sus Tablas han dispuesto conferir a estas
el Autor de nuestra Fe y el Centro de Su Convenio; en la institución del Fondo
Local que operaba según los mandatos específicos dados por 'Abdu'l-Bahá a
ciertas Asambleas de Persia; en los versículos del Kitáb-i-Aqdas, cuyas
inferencias anticipan claramente la institución del Guardián; en la explicación
que en una de Sus Tablas ha dado 'Abdu'l-Bahá y en el énfasis que Él ha
puesto en el principio hereditario y a la ley de primogenitura que fueron
sostenidos por los Profetas del pasado; en todo esto podemos discernir una
débil vislumbre y descubrir los primeros indicios de la naturalezas y del
funcionamiento del Orden Administrativo que estaba destinado a ser más tarde
proclamado y formalmente establecido por el Testamento de 'Abdu'l-Bahá.
Por la presente coyuntura que atravesamos, creo que debe hacerse un
esfuerzo ara explicar el carácter y las funciones de las instituciones de la
Guardianía y de la Casa Universal de Justicia, los dos pilares que soportan
esta poderosa Estructura Administrativa. Está más allá del alcance y propósito
de esta exposición general de las verdades fundamentales de la Fe, el
describir en su totalidad los diversos elementos que funcionan conjuntamente
con estas instituciones. No hay duda de que las generaciones futuras has de
realizar adecuadamente la tarea de definir con detalle y precisión las
características y analizar en forma cabal la naturaleza de las relaciones que,
por un lado, ligan entre si a estos dos órganos fundamentales del testamento
de 'Abdu'l-Bahá y, por otro lado, conectan cada uno de ellos con el Autor de la
Fe y el Centro de Su Convenio. Mi atención, por el momento, es explayar
ciertos rasgos salientes de este plan, los que, a pesar de lo cerca que nos
hallamos de su colosal estructura, están ya tan claramente definidos que
hallamos inexcusable ignorarlos o interpretarlos incorrectamente.
Debe decirse ante todo, clara e inequívocamente, que estas instituciones
gemelas del Orden Administrativo de Bahá'u'lláh han de ser consideradas
divinas en su origen, esenciales en sus funciones y complementarias en su
objeto y sus fines. Su objeto común y fundamental es asegurar la continuidad
de esa divinamente instituida autoridad que fluye de la Fuente de nuestra Fe,
resguardar la unidad de sus seguidores y mantener la integridad y flexibilidad
de sus enseñanzas. Actuando conjuntamente, estas dos inseparables
instituciones, administran sus asuntos, coordinan sus actividades, promueven
sus intereses, ejecutan sus leyes y defienden sus instituciones subsidiarias.
Separadamente, cada una opera dentro de una esfera de jurisdicción
claramente definida; cada una tiene sus propias instituciones auxiliares,
instrumentos designados para el eficaz desempeño de sus determinados
deberes y responsabilidades. Cada una ejerce, dentro de las limitaciones que
le han sido impuestas, sus poderes, su autoridad, sus derechos y
prerrogativas. Estas no son ni contradictorias ni reducen en los más mínimo la
posición que cada una de estas instituciones ocupa. Lejos de ser
incompatibles o mutuamente destructivas, complementan entre si su autoridad
y sus funciones.
Divorciado de la institución de la Guardianía, el Orden Mundial de Bahá'u'lláh
quedaría mutilado y privado permanentemente de ese principio hereditario
que, como ha escrito 'Abdu'l-Bahá, ha sido invariablemente sostenido por la
Ley de Dios. "En todas las Dispensaciones Divinas", afirma en una tabla
dirigida a un creyente de Persia, "al hijo mayor le fueron dadas distinciones
extraordinarias. Incluso la posición de profeta ha sido su derecho de
nacimiento". Sin esta institución peligraría la integridad de la Fe y la
estabilidad de toda la estructura correría grave peligro. Su prestigio sufriría;
carecería por completo del medio requerido para una larga e ininterrumpida
perspectiva a través de una serie de generaciones y se vería totalmente
privada de la guía necesaria para definir la esfera de la acción legislativa de
sus representantes elegidos.
Sin la no menos esencial institución de la Casa Universal de Justicia, este
mismo Sistema del Testamento de 'Abdu'l-Bahá quedaría paralizado en su
acción y resultaría impotente para llenar esos claros que el Autor del Kitáb-i-
Aqdas dejo deliberadamente en el cuerpo de Sus mandatos administrativos e
legislativos. "Él es el Intérprete de la palabra de Dios", asevera 'Abdu'l-Bahá,
refiriéndose a las funciones del Guardián de la Fe y asuntos en Su testamento
la expresión idéntica que Él Mismo eligió cuando refuto los argumentos de los
violadores del Convenio, quienes desafiaron Su derecho a interpretar las
palabras de Bahá'u'lláh. "Después de el", agrega 'Abdu'l-Bahá, "le sucederá el
primogénito de sus descendientes directos". "La poderosa fortaleza", sigue Él
explicando, "permanecerá inexpugnable y segura mediante la obediencia hacia
el quien es el Guardián de la Causa de Dios". "Incumbe a los miembros de la
Casa de Justicia, a todos los AghÐán, los Afnán, las Manos de la Causa de
Dios, mostrar obediencia, sumisión y subordinación al Guardián de la Causa
de Dios".
"Incumbe a los miembros de la Casa de Justicia". declarar por otro lado
Bahá'u'lláh, en la Octava Hoja del Excelso Paraíso, "tomar consejo mutuo
sobre aquellas cosa que no han sido reveladas exteriormente en el Libro y
hacer cumplir aquello en que estén conformes. En verdad, Él es El Que
Provee, el Omnisciente". "Todos deben volverse hacia el Libro más Sagrado"
(el Kitáb-i-Aqdas) dice 'Abdu'l-Bahá en Su Testamento, "y todo lo que no este
anotado expresamente allí debe ser referido a la Casa Universal de Justicia.
Aquello que dicho cuerpo apruebe, ya sea por unanimidad o por mayoría, es
por cierto la verdad y el propósito de Dios Mismo. Quienquiera que se
desviase de ello pertenece, en verdad, a aquellos que aman la discordia,
muestran maldad y se apartan del Señor del Convenio".
No solo confirman 'Abdu'l-Bahá en Su Testamento las palabras de Bahá'u'lláh
arriba mencionadas, sino que confiere a este cuerpo el derecho y el poder
adicionales de abrogar, de acuerdo con las exigencias de la época, tanto sus
propios decretos como los de una Casa de Justicia precedente. "Ya que la
Casa de Justicia", manifiesta explícitamente en Su Testamento, "tiene poder
para promulgar leyes no anotadas expresamente en el Libro y que se refieren
a transacciones diarias, así también tiene poder para derogarlas... Puede
hacer esto, porque esas leyes no forman parte del explícito texto divino".
Refiriéndose tanto al Guardián como a la Casa Universal de Justicia, leemos
estas enfáticas palabras: "La sagrada y joven Rama, el Guardián de la Causa
de Dios, así como la Casa Universal de Justicia que será universalmente
elegida y establecida, se encuentran bajo el cuidado y protección de la Belleza
de Abhá, bajo el amparo de la guía infalible del Exaltado (el Báb) (sea mi vida
ofrecida por ambos). Cualquier cosa que ellos deciden es de Dios".
De lo afirmado se desprenden con todas claridad y en forma evidente que el
Guardián de la Fe ha sido designado como Interprete de la Palabra y que la
Casa Universal de Justicia ha sido investida con la función de legislar sobre
asuntos no mencionados expresamente en las enseñanzas, La interpretación
del Guardián, funcionando en su propia esfera, tiene tanta autoridad y
obligatoriedad como los decretos de la Casa Internacional de Justicia, cuyo
exclusivo derecho y prerrogativa es pronunciar y dar el fallo final sobre
aquellas leyes y ordenanzas que Bahá'u'lláh no ha revelado expresamente.
Ninguno de ellos puede, ni podrá jamás, infringir el sagrado y prescrito dominio
del otro. Ninguno tratara de restringir la autoridad especifica e indudable con
que ambas han sido divinamente investidas.
Aun cuando el Guardián de la Fe ha sido designado cabeza permanente de
tan augusto cuerpo, el no puede, ni siquiera transitoriamente, asumir el
derecho de exclusiva legislación. Él no puede anular la decisión de la mayoría
de los miembros, pero está obligado a insistir en que reconsideren cualquier
decreto del cual el firmemente crea que entra en conflicto con el significado de
las palabras reveladas de Bahá'u'lláh y que se aparta del espíritu de ellas.
Él interpreta lo que ha sido explícitamente revelado y no puede legislar
excepto en sus atribuciones como miembro de la Casa Universal de Justicia,
Le está vedado el dictar independientemente la constitución que ha de
gobernar las actividades organizadas de sus miembros y de ejercer su
influencia de manera que pueda coartar la libertad de aquellos cuyo sagrado
derecho es el de elegir los que han de formar el cuerpo de sus colaboradores.
Debe tenerse en cuenta que la institución del Guardián fue anticipada por
'Abdu'l-Bahá, en una alusión que Él hizo antes de Su ascensión, en una tabla
dirigida a tres amigos Suyos en Persia. A la pregunta de ellos, que si habría
alguna persona a quien todos los Bahá'í estarían llamados a recurrir después
de Su ascensión, Él les contestó: "Respecto a la pregunta que me habéis
hecho saber que en verdad es este un bien guardado secreto. Es igual que
una joya oculta en concha. Está predestinado que ha de ser revelado. Llegara
el tiempo en que aparecerá su luz, cuando sus evidencias serán puestas de
manifiesto y sus secretos desentrañados".
Muy queridos amigos: Por más que la institución del Guardián dentro del
Orden Administrativo de Bahá'u'lláh sea exaltada en su posición y vital en sus
funciones, y por abrumador que sea el peso de la responsabilidad que ella
reviste, su importancia no debe bajo punto de vista alguno ser acentuada
sobremanera, pese al lenguaje del Testamento. Bajo ninguna circunstancia y
cualesquiera sean sus méritos y obras, debe el Guardián de la Fe ser exaltado
al rango que lo haga copartícipe con 'Abdu'l-Bahá de la posición única
ocupada por el Centro del Convenio, y mucho menos la posición dispuesta tan
solo para la Manifestación de Dios, Tan grave alejamiento de los establecidos
principios de nuestra Fe es nada menos que abierta blasfemia. Como he dicho
ya en el curso de mis referencias a la posición de 'Abdu'l-Bahá, grande como
es la distancia que separa a Aquel que es el Centro del Convenio de
Bahá'u'lláh. de los Guardianes, que son sus elegidos ministros. Hay una
distancia grande, mucho más grande, entre el Guardián y el Centro del
Convenio que entre el Centro del Convenio y su Autor.
Creo que es mi deber solemne dejar constancia que jamás Guardián alguno de
la Fe podrá pretender ser el perfecto Ejemplo de las enseñanzas de
Bahá'u'lláh o el inmaculado espejo que refleja Su luz. Aunque se halla bajo la
infaltable e infalible protección de Bahá'u'lláh y del Báb, y por más que
compartan con 'Abdu'l-Bahá el derecho y la obligación de interpretar las
enseñanzas Bahá'ís, el no deja de ser esencialmente humano, y si quiere
permanecer leal a su fideicomiso no puede, bajo pretexto alguno, arrogarse los
derechos, privilegios y prerrogativas que Bahá'u'lláh ha elegido conferir a Su
hijo. A la luz de esta verdad, el orar el Guardián de la Fe, dirigirse a el como
amo y señor, designarlo como su santidad, pedirle su bendición, celebrar su
cumpleaños o conmemorar cualquier hecho relacionado con su vida,
equivaldría a separarse de esas establecidas verdades que se hallan
guardadas dentro de nuestra Fe, Él hecho de que el Guardián haya sido
específicamente dotado con los poderes de que ha menester para revelar el
significado y las inferencias de las palabras de Bahá'u'lláh y de 'Abdu'l-Bahá,
no le confiere necesariamente una posición equivalente a la de Aquellos a
quienes el está llamado a servir de interprete. Puede ejercer ese derecho y
desempeñar esta obligación y, sin embargo, ser infinitamente inferior en rango
y diferente a ambos en naturaleza.
Las palabras y las obras del Guardián actual y de los futuros Guardianes
deberán atestiguar abundantemente la integridad de este principio cardinal de
nuestra Fe. Por su conducta y ejemplo deben necesariamente establecer su
verdad sobre una base inatacable y transmitir a las generaciones futuras
evidencias incontestables de su realidad
Por lo que a mi concierne, vacilar en reconocer verdad tan vital o titubear en
proclamar convicción tan firme, constituiría una vergonzosa traición a la
confianza en mi depositada por 'Abdu'l-Bahá y una imperdonable usurpación
de la autoridad con que Él fue investido.
Ahora, es necesario decir una palabra con respecto a la teoría sobre el cual
está basado el Orden Administrativo y al principio que debe gobernar el
funcionamiento de sus instituciones principales. Seria extremadamente
erróneo intentar una comparación entre este Orden, único, divinamente
concebido, y cualquiera de los diversos sistemas inventados por la mente de
los hombres para el gobierno de las instituciones humanas en los varios
periodos de su historia. Semejante intento evidenciaría una completa falta de
apreciación de la excelencia de la obra de su gran Autor. ¿Y como no habría
de ser así se recordamos que este Orden constituyen el modelo mismo de esa
divina civilización que la omnipotente Ley de Bahá'u'lláh está destinada a
establecerse sobre la tierra? Los diversos y siempre variante sistemas de
gobierno humano, ya sea del pasado o del presente, originarios del Este o del
Oeste, no ofrecen criterio adecuado para estimar la potencia de sus virtudes
ocultas o apreciar la solidez de sus bases.
La Mancomunidad Bahá'í del futuro, de la cual este Orden Administrativo
constituye su sola armazón, es teórica y prácticamente no solo única en la
historia entera de las instituciones políticas, sino que no tiene paralelo en los
anales de ninguno de los reconocidos sistemas religiosos del mundo. Ninguna
forma de gobierno democrático; ningún sistema de autocracia o dictadura, ya
sea monárquico o republicano; ningún plan intermediario de orden puramente
aristocrático; ni aun ninguno de los reconocidos tipos de teocracias, ya sea el
Estado Hebreo las varias organizaciones eclesiásticas cristianas, o el Imanato
o el Califato en Islam; ninguno de estos puede identificarse o decirse que
conforma con el Orden Administrativo creado por la mano maestra de su
perfecto Arquitecto.
Este recién nacido Orden Administrativo incorpora dentro de su estructura
ciertos elementos que se hallan dentro de cada una de las letras reconocidas
formas de gobierno secular, sin constituir de manera alguna una mera replica
de alguna de ellas, ni introducir dentro de su mecanismo ninguna de las
características objetables que los inherentemente posean. Como ningún
gobierno establecido por mortales ha podido aun realizar, funde y armoniza las
sanas verdades que cada uno de esos sistemas indudablemente contiene, sin
viciar la integridad de aquellas verdades divinas en que está por último
fundado.
El Orden Administrativo de la Fe de Bahá'u'lláh no puede ser considerado
desde ningún punto de vista como de carácter puramente democrático, puesto
que esta Dispensación carece de postulado básico según el cual todas las
democracias, para la obtención de su mandato, dependen fundamentalmente
del pueblo. Ha de tenerse en cuenta que en la dirección de los asuntos
administrativos de la Fe, en la sanción de la legislación necesaria para
suplementar las leyes del Kitáb-i-Aqdas. los miembros de la Casa Universal de
Justicia, como lo significan las palabras claras de Bahá'u'lláh, no son
responsables ante aquellos a quienes representan, ni les está permitido
atenerse a los sentimientos, a la opinión general, ni aun a las convicciones de
las masas de fieles o de aquellos que los eligen directamente, En actitud de
oración, deben seguir los dictados y los impulsos de su conciencia. Ellos
pueden, más bien deben, enterarse de las condiciones prevalecientes dentro
de la comunidad, pesar desapasionadamente en sus mentes los méritos de
cualquier asunto presentado a su consideración, pero han de reservarse el
derecho de dar un fallo libre de toda influencia. "Dios, en verdad, los inspirara
con lo que fuere Su Voluntad", asegura de manera incontrovertible Bahá'u'lláh.
Ellos, pues, y no el conjunto de los que directa o indirectamente los eligen, han
sido hechos recipientes de la guía divina, que es a la vez la sangre de vida y la
salvaguardia final de esta Revelación. Además, aquel que simboliza el
principio hereditario en esta Dispensación ha sido hecho interprete de las
palabras de su Autor y, por consiguiente, en virtud de la autoridad efectiva
conferida en el, cesa de ser cabeza figurativa como en los sistemas
prevalecientes de monarquías constitucionales.
Tampoco puede descartarse el Orden Administrativo Bahá'í como duro y rígido
sistema de severa autocracia, o vana imitación de cualquier forma absolutista
de gobierno eclesiástico, como el Papado, el Imanato o cualquiera otra
institución similar, por la razón obvia de que el derecho de legislar en materias
no reveladas expresamente en los escritos Bahá'ís, ha sido conferida
exclusivamente a los elegidos representantes internacionales de los
seguidores de Bahá'u'lláh. Ni el Guardián de la Fe, ni ninguna institución que
no sea la Casa Internacional de Justicia, puede jamás usurpar este vital y
esencial poder, o coartar ese sagrado derecho. La abolición del sacerdocio
profesional y los sacramentos que lo acompañan, bautismo, comunión y
confesión de pecados; las leyes que establecen la elección por sufragio
universal de todas las Casas de Justicia locales, nacionales e internacionales;
la ausencia completa de autoridad episcopal con sus consiguientes privilegios,
corrupciones y tendencias burocráticas, son evidentes adicionales del carácter
no-autocrático del Orden Administrativo Bahá'í y de su inclinación hacia
métodos democráticos en la administración de sus asuntos.
Tampoco debe este Orden, identificado con el nombre de Bahá'u'lláh, ser
confundido con ningún sistema de gobierno puramente aristocrático, por el
hacho de que, al sostener por un lado el principio hereditario y confiar al
Guardián de la Fe la obligación de interpretar sus enseñanzas, provee por el
otro la libre y directa elección, de entre la masa de los fieles, del cuerpo que
constituye se más alto órgano legislativo.
Si bien no puede decirse que este Orden Administrativo ha sido modelado
según alguno de estos reconocidos sistemas de gobierno, sin embargo
incorpora, reconcilia y asimila dentro de su estructura aquellos sanos
elementos que pueden encontrarse en cada uno de ellos. La autoridad
hereditaria que el Guardián está llamado a ejercer; las funciones vitales y
esenciales que desempeña la Casa Universal de Justicia; las provisiones
especificas que establecen su elección democrática por los representantes de
los fieles, todo demuestra la verdad de que este Orden, divinamente revelado
que jamás podrá identificarse con ninguna de las formas típicas de gobierno a
que se refiere Aristóteles en sus obras, incorpora y funde los benéficos
principios que se encuentran dentro de cada una de ellas, con las verdades
espirituales en que está basado. Estando los consabidos males inherentes a
cada uno de estos sistemas de gobierno rígido y permanentemente excluidos
de este Orden único, jamás, por más que dure y se extiendan sus
ramificaciones, podrá el degenerar el forma alguna de despotismo, oligarquía o
demagogia, con que tarde o temprano se corrompen los mecanismos de todas
las instituciones políticas, esencialmente defectuosas, hechas por el hombre
Muy queridos amigos: Significativos como son los orígenes de esta poderosa
estructura administrativa, y no obstante el carácter único de sus rasgos, los
acontecimientos que puede decirse sirvieron de heraldo a su nacimiento y
señalaron la etapa inicial de su evolución, parecen ser no menos notables.
¡Cuan sorprendente y edificante es el contraste entre el proceso de lenta y
continua consolidación que caracteriza el crecimiento de sus nacientes fuerzas
y el torrente devastador de las fuerzas de desintegración que atacan a las
consumadas instituciones tanto religiosas como seculares de la sociedad
actual!
La vitalidad que las instituciones orgánicas de este grande y siempre creciente
Orden tan poderosamente evidencia; los obstáculos que el gran valor y la
intrépida resolución de sus administradores ya han salvado; el fuego del
inagotable entusiasmo que arde con fervor constante en el corazones de sus
maestros viajeros; las alturas de sacrificio personal a que están ahora llegando
sus constructores principales: la amplitud de visión, la confiada esperanza, el
gozo creativo, la paz interior, la inexorable integridad, la disciplina ejemplar, la
inflexible unión y solidaridad que manifiestan sus valientes defensores; el
grado hasta el cual el Espíritu que anima a este Orden se ha mostrado capaz
de asimilar los diversos elementos dentro de su esfera y de limpiarlos de toda
clase de prejuicios y amalgamarlos dentro de su estructura, son evidentes de
un poder que mal puede permitirse ignorar una sociedad desilusionada y
tristemente atormentada.
Comparad estas espléndidas manifestaciones del espíritu que anima este
vibrante cuerpo de la Fe de Bahá'u'lláh con los llantos de agonía, las locuras y
vanidades, las amarguras y prejuicios, la maldad y las divisiones de un mundo
enfermo y caótica. Observad el temor que atormenta a sus líderes y paralizan
la acción de sus ciegos y desordenados estadistas. ¡Cuan feroces los odios,
cuan falsas las ambiciones, cuan estrechas las finalidades, cuan arraigadas
las sospechas de sus pueblos! !Cuan inquietamente el desacato a las leyes, la
corrupción. la incredulidad, que están carcomiendo los órganos vitales de una
tambaleante civilización!
¿No puede acaso este proceso de continua deterioración que está invadiendo
insidiosamente tantas ramas de la actividad y del pensamiento humanos ser
considerados como elemento necesario para que se levante el omnipotente
Brazo de Bahá'u'lláh? ¿No podríamos acaso, en los tremendos
acontecimientos que han agitado tan profundamente a todos los continentes
de la Tierra en el curso de los últimos veinte años2 ver los presagios signos
que proclaman simultáneamente las agonías de una civilización
desintegrándose y los dolores del nacimiento de ese Orden Mundial, esa Arca
de salvación que debe necesariamente levantarse sobre sus ruinas?
La caída catastrófica de poderosos imperios y monarquías en le continente
europeo, alusiones a algunos de los cuales pueden hallarse en las profecías
de Bahá'u'lláh; el declinar que ha comenzado y continua, de la suerte de la
jerarquía Shi'i en su propia tierra natal; la caídas de la dinastía Qájár, enemiga
tradicional de la Fe de Bahá'u'lláh; el derrocamiento del Sultanato y de
Califato, columnas de apoyo del Islam Sunní, lo cual presenta un sorprendente
paralelo con la destrucción de Jerusalén en la segunda parte del primer siglo
de la era cristiana; la ola de secularización que está invadiendo a las
instituciones eclesiásticas mahometanas en Egipto y minando la lealtad de sus
más firmes defensores; los golpes humillantes que han sufrido algunas de las
más poderosas iglesias de la cristiandad en Rusia, Europa Occidental y Centro
América; la diseminación de esas doctrinas subversivas que están
carcomiendo las bases y derrumbando las estructuras de las, al parecer,
impregnables fortalezas de al actividad humana dentro de las esferas políticas
y sociales: los signos de una inminente catástrofe que amenaza envolver toda
la estructura de la actual civilización, extraordinariamente reminiscentes de la
Caída del Imperio Romano en Occidente -todo ello es pruebe de la conmoción
que el nacimiento de este poderoso Órgano de la Religión de Bahá'u'lláh ha
puesto en el mundo- conmoción que ha de aumentar en alcance e intensidad a
medida que la significación de este Plan que está en constante
desenvolvimiento se vaya comprendiendo más y que sus ramificaciones se
extienden más ampliamente sobre la superficie del globo.
Una palabra más para terminar. El nacimiento y fundación del Orden
Administrativo -concha que abriga y guarda joya tan preciosa- constituye el
rasgo distintivo de esta, la segunda y formativa edad de la era Bahá'í. A
medida que se aleje más y más de nuestra vista llegara a ser considerado
como el principal medio capacitado para iniciar la fase final, la consumación de
esta gloriosa Dispensación.
Mientras este Sistema se halle todavía en su infancia, que nadie se haga una
concepción errónea de su caracter, juzgue a la ligera su significación o
exponga incorrectamente su finalidad. La roca firme sobre la cual este Orden
Administrativo ha sido fundado es el inmutable Designio de Dios para la
humanidad de este día. La Fuente de donde deriva su inspiración es nada
menos que el mismo Bahá'u'lláh. Su escudo y defensa son las huestes de
batalla del Reino de Abhá. Su simiente la constituye la sangre de no menos de
veinte mil mártires que ofrecieron sus vidas para que pueda nacer y florecer. El
eje alrededor del cual giran sus instituciones son las autenticas disposiciones
de la Voluntad y Testamento de 'Abdu'l-Bahá. Los principios que lo guían son
las verdaderas expuestas tan claramente en sus conferencias publicas a
través de Occidente por Aquel que es el infalible Interprete de las enseñanzas
de nuestra Fe. Las leyes que gobiernan su funcionamiento y limitan sus
atribuciones son las que han sido expresamente dispuestas en el Kitáb-i-
Aqdas. La sede alrededor de la cual estarán reunidas sus actividades
espirituales, humanitarias y administrativas son el Mashriqu'l-Adhkár y sus
Dependencias. Las columnas que sostienen su autoridad y refuerzan su
estructura son las instituciones gemelas del Guardián y de la Casa Universal
de Justicia. El propósito central y fundamental que lo anima es el de establecer
el Nuevo Orden Mundial esbozado por Bahá'u'lláh. Los métodos que emplea,
las normas que inculca, no lo inclinan ni al Este ni al Oeste, ni hacia los judíos
ni hacia los gentiles, ni hacia los ricos ni hacia los pobres, ni hacia los blancos,
ni hacia los negros. Su palabra de orden es la unificación de la raza humana;
su estandarte, la "Mas Grande Paz" su consumación, el advenimiento del
milenio de oro. el Día en que los reino de este mundo se habrán convertido en
le Reino de Dios Mismo, el Reino de Bahá'u'lláh.
SHOGHI EFFENDI
Haifa, Palestina
Febrero 8. 1934.
APÉNDICE
CARTAS DE LA CASA UNIVERSAL DE JUSTICIA
9 de Marzo de 1965
A la Asamblea Espiritual Nacional de Holanda
Queridos amigos Bahá'í:
Nos alegra que ustedes hayan atraído nuestra atención hacia las preguntas
que causan perplejidad a algunos de los creyentes. Es mucho mejor que estas
preguntas se formulen libre y abiertamente en lugar de que, sin haber sido
expresadas, acongojen el corazón de los creyentes devotos. Una vez que se
han comprendido ciertos principios fundamentales de la Revelación de
Bahá'u'lláh, esas dudas se disipan fácilmente. Con esto no se quiere decir que
la Casa de Dios no contiene misterios. No hay duda de que hay misterios, pero
no son de naturaleza tal como para hacer vacilar nuestra fe, una vez que se
comprenden con claridad los principios esenciales de a Causa y los hecho
indiscutibles de una situación dada.
Las preguntas hachas por varios creyentes se dividen en tres grupos. El primer
grupo tiene por punto principal las siguientes dudas: ¿Por que se tomaron
pasos para elegir la Casa Universal de Justicia sabiendo de antemano que no
habría Guardián? ¿Era propicio el momento para semejante acción? ¿No
podía haber seguido el Consejo Internacional Bahá'í con la tarea?
En el momento de fallecer nuestro amado Shoghi Effendi era evidente que,
dadas las circunstancias y en vista de los requisitos explícitos de los textos
Sagrados, que le había sido imposible designar a un sucesor de acuerdo con
las provisiones de la Voluntad y Testamento de 'Abdu'l-Bahá. Esta situación,
en la que el Guardián falleció sin haber podido designar a un sucesor, creaba
una situación oscura que no estaba contenida en el Texto Sagrado explícito y
que era necesario referir a la Casa Universal de Justicia. Los amigos deben
comprender claramente que, antes de la elección de la Casa Universal de
Justicia, no había conocimiento de que no habría Guardián. No podía existir
ningún conocimiento anticipado, no importa cuales pudieran haber sido las
opiniones de los creyentes individualmente. Ni las Manos de la Causa de Dios,
ni el Consejo Internacional Bahá'í ni ningún otro cuerpo existente podía tomar
una decisión sobre materia de tanta autoridad para pronunciarse sobre el
particular. Esta era una de las razones urgentes para convocar la elección de
la Casa Universal de Justicia cuanto antes.
Después del fallecimiento del Guardián la administración internacional de la Fe
fue llevada a cabo por las Manos de la Causa de Dios con el acuerdo total y
completa lealtad de las Asambleas Espirituales Nacionales y el conjunto de los
creyentes. esto estaba de acuerdo con la designación de las Manos por el
Guardián como los "Fideicomisarios Principales de la embrionaria
Mancomunidad Mundial de Bahá'u'lláh.
Desde el primer momento de su fideicomiso de la Causa de Dios, las Manos
comprendieron que, ya que no tenia seguridad alguna de guía divina como la
que fue concedida incontrovertiblemente al Guardián y a la Casa Universal de
Justicia, la única ruta segura que podían seguir era cumplir indefinidamente las
instrucciones y política de Shoghi Effendi. En toda la historia de las religiones
no se encuentra registro un caso comparable de autodisciplina tan estricta, de
lealtad tan completa y de devoción tan absoluta de los dirigentes de una
religión que de pronto se encontraron privados de su divinamente inspirada
guía. La deuda de gratitud que debe la humanidad por generaciones, aun mas,
por edades futuras, a este puñado de almas acongojadas, firmes y heroicas, es
incalculable.
El Guardián había dado al mundo Bahá'í planes detallados y explícitos que
cubrían el periodo hasta Ri¤ván 1963, el fin de la Cruzada de Diez Años. A
partir de ese momento era esencial una nueva guía divina para no poner en
peligro a la Fe. esta era la segunda razón urgente para convocar a la elección
de la Casa Universal de Justicia. Que el momento era el correcto se ve
confirmado además en las cartas de Shoghi Effendi, en las cuales menciona
que la Cruzada de Diez Años seria seguida por otros planes bajo la dirección
de la Casa Universal de Justicia. Una de estas referencias es el siguiente
pasaje de una carta escrita a la Asamblea Espiritual Nacional de la Islas
Británicas el 25 de esa Asamblea, el que precedió en forma inmediata a la
Cruzada de Diez Años:
"Del éxito de esta empresa, sin precedentes en su envergadura, sin par en su
caracter y de potencialidades espirituales inmensas, debe depender la
iniciación, en un periodo ulterior de la Edad Formativa de la Fe, de empresas
que incluyen en sus alcances a todas las Asambleas Nacionales que
funcionan a través del mundo Bahá'í, empresas que constituyen ellas mismas
un preludio al lanzamiento de proyectos mundiales que deberán ser
emprendidos, en épocas futuras de esa misma Edad, por la Casa Universal de
Justicia la que será el símbolo de la unidad de esas Asambleas Nacionales y
coordinara y unificara sus actividades",
Después de haber estado a cargo de la Casa de Dios por seis años, con la fe
absoluta en las Escrituras Sagradas, las Manos hicieron un llamado a los
amigos para que eligieran la Casa Universal de Justicia, e incluso fueron al
extremo de pedir que no se votara por ellos. El único y triste caso de alguien
que sucumbió a la tentación del poder fue el lamentable intento de Charles
Mason Remey al tratar de usurpar la Guardianía.
Las siguientes citas de una Tabla de 'Abdu'l-Bahá afirma en forma clara y
enfática los primeros que los amigos ya conocen de la Voluntad y Testamento
del Maestro y de las numerosas cartas de Shoghi Effendi, y explica las bases
para la elección de la Casa Universal de Justicia. Esta Tabla la envió a Persia
el mismo amado Guardian, en los primeros años de su ministerio, para que se
la hiciera circular entre los amigos:
"...por cuanto 'Abdu'l-Bahá se encuentra en medio de una tormenta de peligros
y siente aborrecimiento sin fin por las diferencias de opinión .... Alabado sea
Dios, no hay bases para diferencias.
"El Báb, el Exaltado, es la Aurora de la Verdad, el esplendor de Cuya luz brilla
en todas las regiones. Él es también el Precursor de la más Grande Luz, la
Lumbrera de Abhá. La bendita Belleza es Aquel prometido por los libros
sagrados del pasado la revelación de la Fuente de Luz que resplandeció sobre
el Monte Sinaí, Cuyo fuego brillo en medio de la Zarza Ardiente. Nosotros
somos, todos y cada uno, siervos de Su umbral y nos encontramos cada cual
como humildes guardianes ante Su puerta.
"Mi propósito es este, que antes del transcurso de mil años nadie tiene
derecho a pronunciar una sola palabra, ni siquiera pretender el rango de
Guardian. El Libro más Sagrado es el Libro a que deben referirse todos los
pueblos y en el han siso reveladas todas las Leyes de Dios. Leyes no
mencionadas en el Libro deberán se referidas a la decisión de la Casa
Universal de Justicia. No habrá bases para diferencias... Guardaos, guardaos,
no vaya a ser que alguien provoque una división o promueva la sedición. Si
hubiera diferencias de opinión, la Casa Suprema de Justicia resolverá los
problemas de inmediato. Cualquiera que sea su decisión, por voto de mayoría,
será la verdad misma, ya que dicha Casa se encuentra bajo la protección y
guía infalibles del Señor Único y Verdadero. Él la protegería del error y la
cobijará el ala de Su santidad e infalibilidad. Quienquiera se oponga a el será
expulsado y eventualmente será de los derrotados.
"La Suprema Casa de Justicia deberá ser elegido de acuerdo con el sistema
que sigue en el elección de los parlamentos de Europa. Y cuando los países
obtengan guía, Las Casas de Justicia de los diversos países elegirán a la
Suprema Casa de Justicia.
"En cualquier momento en que los amados de Dios en cada país designen a
sus delegados y estos a su vez elijan a sus representantes y estos
representantes elijan un cuerpo, ese cuerpo será considerado como la
Suprema Casa de Justicia. El establecimiento de la Casa de Justicia no
depende de la conversión de todas las naciones del mundo. Por ejemplo, si la
situación fuera favorable y no se produjeran trastornos, los amigos de Persia
elegirían sus representantes y lo mismo harían los amigos de America, en la
India y en otras regiones, y estos representantes elegirían una Casa de
Justicia. Aquella Casa de Justicia seria la Suprema Casa de Justicia. Eso es
todo".3
Los amigos deben comprender que no hay nada en los Textos que indique que
la elección de la Casa Universal de Justicia podía ser convocada únicamente
por el Guardian. Por el contrario, 'Abdu'l-Bahá considero la posibilidad de
convocar para su elección cuando Él estaba vivo. En una época en que el
Guardián describió como "los momentos más oscuros de Su vida (la del
Maestro)", bajo el régimen de 'Abdu'l-Æamíd, cuando estaba a punto de ser
deportado a las regiones más inhóspitas del norte de África, cuando estaba
amenazado de muerte, 'Abdu'l-Bahá escribió a Æájí Mírzá Taqí Afnán, el primo
del Báb y arquitecto principal del Templo de Ishqábád, ordenándole que
hiciera los arreglo para la elección de la Casa Universal si llegaran a
materializarse las amenazas contra el Maestro. La segunda parte del
Testamento del Maestro también guarda relación con dicha situación y los
amigos deberían estudiarlo.
La segunda serie de problemas que preocupa a algunos de los amigos se
refiere al asunto de la infalibilidad de funcionar sin la presencia del Guardian.
Ha habido dificultades especiales para comprender las implicaciones de la
siguiente afirmación del amado Guardian:
"Divorciado de la institución de la Guardianía, el Orden Mundial de Bahá'u'lláh
quedaría mutilado y privado permanentemente de ese principio hereditario
que, como ha escrito 'Abdu'l-Bahá, ha sido invariablemente sostenido por la
Ley de Dios. "En todas las Dispensaciones Divinas', afirma en una Tabla
dirigida a un creyente de Persia, 'al hijo mayor le fueron dadas distinciones
peligraría la integridad de la Fe y la estabilidad de toda la estructura correría
grave peligro. Su prestigio sufriría; carecería por completo del medio requerido
para una larga e ininterrumpida perspectiva a través de una serie de
generaciones y se vería totalmente privada de la guía necesaria para definir la
esfera de la acción legislativa de sus representantes elegidos".4
Que los amigos que desean una comprensión más clara de este texto en el
momento actual, lo consideren a la luz de los otros numerosos textos que
tratan el mismo tema, por ejemplo los siguientes párrafos seleccionados de las
cartas de Shoghi Effendi:
"Ellos también han designado, en lenguaje inequívoco y enfático, a esas
instituciones gemelas de la Casa Universal de Justicia y de la Guardianía
como sus Sucesores elegidos, las que están destinadas a aplicar los
principios, promulgar sus leyes, proteger las instituciones, adaptar leal e
inteligentemente la Fe a los requisitos de una sociedad que progresa y
consumar el legado incorruptible que los Fundadores de la Fe han dejado para
el mundo".5
También cada creyente debe comprender claramente que la institución de la
Guardianía no abroga, bajo ninguna circunstancia, ni tampoco reduce en lo
más mínimo los poderes concedidos por Bahá'u'lláh a la Casa Universal de
Justicia en el Kitáb-i-Aqdas, los que fueron repetida y solemnemente
confirmados por 'Abdu'l-Bahá en Su Testamento. No constituye bajo ninguna
circunstancia una contradicción al Testamento y Escritos de Bahá'u'lláh y
tampoco anula ninguna de Sus instrucciones reveladas. Aumenta el prestigio
de aquella exaltada asamblea, estabiliza su posición suprema, protege su
unidad, asegura la continuidad de sus esfuerzos, sin presumir, en lo más
mínimo, infringir la inviolabilidad de su esfera de jurisdicción claramente
definida. En verdad, nos encontramos demasiado cerca de un documento tan
monumental como para asegurar que hemos comprendido plenamente todas
sus implicaciones o para presumir que sin duda contiene".6
"De lo afirmado se desprende con toda claridad y en forma evidente que el
Guardián de la Fe ha sido designado como Interprete de la Palabra y que la
Casa Universal de Justicia ha sido investida con la función de legislar sobre
asuntos no mencionados expresamente en las enseñanzas. La interpretación
del Guardian, funcionando en su propia esfera, tiene tanta autoridad y
obligatoriedad como los decretos de la Casa Internacional de Justicia, cuyo
exclusivo derecho y prerrogativas es pronunciar y dar el fallo final sobre
aquellas leyes y ordenanzas que Bahá'u'lláh no ha revelado expresamente.
Ninguno de ellos puede, ni podrá jamás, infringir el sagrado y prescrito dominio
del otro. Ninguno tratara de restringir la autoridad especifica e indudable con
que ambas han sido divinamente investidas".7
"Cada una ejerce, dentro de las limitaciones que le han sido impuestas, sus
poderes, su autoridad, sus derechos y prerrogativas. Estas no son ni
contradictorias ni reducen en lo más mínimo la posición que cada una de estas
instituciones ocupa".8
"Aun cuando el Guardián de la Fe ha sido designado cabeza permanente de
tan augusto cuerpo, el nunca puede, ni siquiera transitoriamente, asumir el
derecho de exclusiva legislación. Él no puede anular la decisión de la mayoría
de los miembros...."9
Por encima de todo, que estas palabras de Bahá'u'lláh infundan confianza en
los corazones de los amigos:
"La Mano de la Omnipotencia ha establecido Su Revelación sobre cimientos
inatacables y perdurables. Las tormentas de disensiones humanas no tienen
poder para mirar sus bases, ni tampoco será dañada su estructura por las
teorías imaginarias de los hombres".10
y estas palabras de 'Abdu'l-Bahá:
"En verdad, Dios hace lo que Él desea; ¡nada puede anular Su Convenio; nada
puede detener Su gracia ni oponerse a Su Causa! ¡Por Su Voluntad Él hace lo
que Le place y Él se poderoso por sobre todas las cosas!"11
Los amigos deben comprender que, antes de legislas sobre algún asunto, La
Casa Universal de Justicia estudia cuidadosamente y en forma exhaustiva
tanto los Textos Sagrados como los escritos de Shoghi Effendi relacionados
con el tema. Las interpretaciones escritas por el amado Guardián se refieren q
gran numero de materiales y tienen obligatoriedad como el Texto mismo.
Hay una diferencia profunda entre las interpretaciones del Guardián y las
elucidaciones de la Casa de Justicia en ejercicio de sus funciones de
"deliberar sobre todos los problemas que han sido causa de divergencias,
cuestiones que no están claras y asuntos que no han sido expresamente
escritas en el Libro". El Guardián revela lo que la Escritura significa; su
interpretación es una exposición de verdad que no puede ser modificado. En
palabras del Guardian, a la Casa Universal de Justicia le "ha sido conferido el
derecho exclusivo de legislar sobre materias no reveladas expresamente en
los escritos Bahá'í. Sus pronunciamientos, que son susceptibles de ser
enmendados o abrogados por la propia Casa de Justicia, sirven para
suplementar y aplicar la Ley de Dios. Aun cuando no ha sido investida con la
función de interpretar, la Casa Universal de Justicia se encuentra en situación
para hacer todo lo que sea necesario para establecer el Orden Mundial de
Bahá'u'lláh sobre la Tierra. La unidad doctrinaria se mantiene gracias a la
existencia de los textos auténticos de las Escrituras y las voluminosas
interpretaciones de 'Abdu'l-Bahá y Shoghi Effendi, junto con la prohibición
absoluta de que alguien exponga interpretaciones "autorizadas" o "inspiradas"
o que usurpe la función de Guardian. La unidad de la administración está
asegurada por la autoridad de la Casa Universal de Justicia.
"Tal es", en palabras de Shoghi Effendi, "la inmutabilidad de Su Palabra
revelada. Tal es la elasticidad que caracteriza las funciones de Sus ministros
designados. La primera conserva la identidad de Su Fe y preserva la
integridad de Su Ley. La segunda le permite, así como un organismo viviente,
expandirse y adaptarse a las necesidades y requisitos de una sociedad que
cambia continuamente".12
Todo creyente verdadero debe, si ha de profundizar su comprensión de la
Causa de Bahá'u'lláh, necesariamente combinar una fe profunda en la infalible
eficacia de Su Mensaje y de Su Convenio, con la humildad de reconocer que
nadie puede, en esta generación, pretender haber abarcado la vastedad de Su
Causa ni de haber comprendido los múltiples misterios y potencialidades que
contiene. Las palabras de Shoghi Effendi son amplio testimonio de este hecho:
"¡Cuan vasta es la Revelación de Bahá'u'lláh! ¡Cuan grande es la magnitud de
Sus bendiciones derramadas sobre la humanidad en este día! ¡Y sin embargo
cuan pobre e inadecuado es nuestro concepto de su significado y gloria! Esta
generación se encuentra demasiado cerca de tan colosal Revelación como
para comprender, en toda su magnitud, las potencialidades infinitas de Su Fe,
el carácter sin precedentes de Su Causa y las misteriosas dispensaciones de
Su Providencia".13
"En Su Voluntad y testamento, nuestro amado Maestro nos exhorto no solo a
que lo aceptáramos ( el nuevo Order Mundial de Bahá'u'lláh) sin reservas, sino
también que diéramos a conocer sus méritos a todo el mundo. Tratar de medir
la totalidad de su valor y de captar su significado exacto, después de un
periodo tan corto desde su inauguración seria una acción prematura y
presuntuosa de nuestra parte. Debemos confiar en le tiempo y en la guía de la
Casa Universal de Justicia de Dios, para lograr una comprensión más clara y
completa de sus provisiones e implicaciones".14
"En cuanto a la disposición y manejo de los asuntos espirituales de los amigos,
lo que es muy importante en el mundo actual en la consolidación de las
asambleas espirituales en cada centro, ya que sobre estas bases fuertes e
inmovibles será erigida y firmemente establecida la Suprema Casa de Justicia
de Dios en los días venideros. Una vez que este grandioso Edificio haya sido
erigido sobre cimientos tan inmóviles, el propósito de Dios, Su sabiduría, las
verdades universales, los misterios y realidades del Reino, que la revelación
mística de Bahá'u'lláh ha depositado en la Voluntad y Testamento de 'Abdu'l-
Bahá, serán gradualmente revelados y manifestados".15
Afirmaciones como las que anteceden indican que el pleno significado de la
Voluntad y Testamento de 'Abdu'l-Bahá así como una comprensión de las
implicaciones del Orden Mundial introducido por ese Documento extraordinario
solo pueden ser revelados gradualmente a los ojos de los hombres y después
de que se haya constituido la Casa Universal de Justicia. Se solicita a los
amigos que depositan su confianza en el tiempo y que esperen la guía de la
Casa Universal de Justicia, la que, a medida que lo exijan las circunstancias,
hará declaraciones que resolverán y aclararan puntos oscuros.
El tercer grupo de preguntas hechas por los amigos se refiere a detalles sobre
el funcionamiento de la Casa Universal de Justicia en ausencia del Guardian,
especialmente el asunto de la expulsión de miembros de la Casa de Justicia.
Cuestiones como estas serán aclaradas en la Constitución de la Casa de
Justicia, cuya formulación es una de las metas del Plan de Nueve Años. Entre
tanto se informa a los amigos que cualquier miembro que cometa un "pecado
dañino para el bienestar general" puede ser expulsado como miembro de la
Casa Universal de Justicia por un voto de la mayoría de la Casa misma. Si
algún miembro -Dios lo prohíba- fuera culpable de violar el Convenio, las
Manos de la Causa de Dios investigarían el asunto y el violador del Convenio
seria expulsado por decisión de las Manos de la Causa de Dios residentes en
Tierra Santa, sujeto a la aprobación de la Casa Universal de Justicia, como en
el caso de cualquier otro creyente. En tal situación la decisión de las Manos
seria anunciada al mundo Bahá'í por la Casa Universal de Justicia.
Tenemos la seguridad de que, cuando ustedes compartan esta carta con los
amigos y cuando se les haya atraído la atención a estas citas de las Escrituras
y de los textos del Guardian, se disiparan sus dudas y aprehensiones y podrán
dedicar todas sus energías a difundir el Mensaje de Bahá'u'lláh con serena
confianza en el poder de Su Convenio para vencer cualesquiera pruebas que
una Providencia inescrutable puede hacer llover sobre el, demostrar así su
capacidad para redimir un mundo dolorido y de enarbolar el Estandarte del
Reino de Dios sobre la Tierra.
Con cariñosos saludos,
La Casa Universal de Justicia.
Pasajes de una carta escrita por la Casa Universal de Justicia el 27 de mayo
de 1966 como respuesta a preguntas hechas por un creyente sobre la relación
entre la Guardianía y la Casa Universal de Justicia.
_______________
Estimado amigo Bahá'í:
...Usted pregunta acerca del tiempo en que se hizo la elección de la Casa
Universal de Justicia en vista de la afirmación del Guardian: "...dadas
circunstancias favorables en que los Bahá'í de Persia y de los países vecinos
que están bajo mando soviético sean habilitados para elegir a sus
representantes nacionales... habrá sido eliminado el último obstáculo que
queda para la formación definitiva de la Casa Internacional de Justicia". El 19
de abril de 1947, el Guardian, en una carta escrita en su nombre por su
secretario, respondió a la pregunta de un creyente acerca de este pasaje:
"Cuando el se refirió a Rusia, aun habían Bahá'ís allí; ahora la comunidad
prácticamente ha dejado de existir; por eso, la formación de la Casa
Internacional de Justicia no puede depender de una A.E.N. de Rusia, pero
será necesario que se formen otras A.E.N. fuertes antes de que ella pueda ser
establecida".
Usted sugiere la posibilidad de que, en bien de la Causa, no se haya dado
cierta información a los creyentes concerniente a la sucesión de Shoghi
Effendi. Le aseguramos que nada, en lo absoluto, ha sido ocultado a los
amigos por ninguna razón. No hay duda de que, en la Voluntad y Testamento
de 'Abdu'l-Bahá, Shoghi Effendi era la autoridad designada para nombrar un
sucesor, pero el no tuvo hijos y todos los AghÐán sobrevivientes habían
violado el Convenio. Por lo tanto, como las Manos de la Causa lo declararon
en 1957, es claro que no había nadie a quien el pudiera nombrar de acuerdo
con las disposiciones de la Voluntad. Hacer un nombramiento fuera de las
disposiciones claras y precisas de la Voluntad y Testamento del Maestro
hubiera sido obviamente una acción imposible e inimaginable para el
Guardian, el divinamente nombrado sostenedor del Convenio. Además, ese
mismo Testamento había provisto un medio claro para la confirmación del
nombramiento de Guardián de su sucesor, como usted sabe. Las nueve Manos
a ser elegidas por el cuerpo de las Manos debían aprobar por voto secreto la
elección hecha por el Guardian. En 1957, todo el cuerpo de las Manos,
después de haber investigado plenamente el asunto, anuncio que Shoghi
Effendi no había nombrado ningún sucesor ni dejado testamento alguno. Esto
está documentado y establecido.
El hecho de que Shoghi Effendi no dejara un testamento no puede ser aducido
como prueba de que no haya obedecido a Bahá'u'lláh; más bien, debemos
reconocer que en este silencio hay una sabiduría y un signo de su guía
infalible. Deberíamos reflexionar profundamente sobre los escritos que
tenemos y tratar de entender la multitud de significados que con tienen No
olvide que Shoghi Effendi dijo que dos cosas eran necesarias para un
entendimiento creciente del Orden Mundial de Bahá'u'lláh: el transcurso del
tiempo y la guía de la Casa Universal de Justicia.
La infalibilidad de la Casa Universal de Justicia, cuando opera en la esfera que
le ha sido ordenada, no se ha hecho para que dependan de la presencia del
Guardián de la Causa entre sus miembros. Aun cuando lo que pronuncia el
Guardián en la esfera de la interpretación de Guardian, funcionando en su
propia esfera, tiene tanta autoridad y obligatoriedad como los decretos de la
Casa Internacional de Justicia, cuyo exclusivo derecho y prerrogativas es
pronunciar y dar el fallo final sobre aquellas leyes y ordenanzas que
Bahá'u'lláh no ha revelado expresamente. Ninguno puede, ni podrá jamás,
infringir el sagrado y prescrito dominio del otro. Ninguno tratara de restringir la
autoridad especifica e indudable con que ambos han sido investidos
divinamente.
"Aun cuando el Guardián de la Fe ha sido designado cabeza permanente de
tan augusto cuerpo, el no puede, ni siquiera transitoriamente, asumir el
derecho de exclusiva legislación. Él no puede anular la decisión de la mayoría
de los miembros, pero está obligado a insistir en que reconsideren cualquier
decreto del cual el firmemente crea que entra en conflicto con el significado de
las palabras reveladas de Bahá'u'lláh y que se aparta del espíritu de ellas".
Sin embargo, aparte de su función como miembro y cabeza sagrada y vitalicia
de la Casa Universal de Justicia, el Guardian, cuando se desempeñaba dentro
de su propia esfera, tenia el derecho y deber de "definir la esfera de acción
legislativa" de la Casa Universal de Justicia. En otras palabras, tenia la
autoridad de determinar si algún asunto ya había sido tratado por los Textos
Sagrados, y, por tanto, si la Casa Universal de Justicia tenia autoridad para
legislar sobre el. Ninguna otra persona sino el Guardián tiene el derecho o
autoridad de hacer tales definiciones. Por tanto, surge la pregunta: ¿En
ausencia del Guardian, está la Casa Universal de Justicia en peligro de salir
de su propia esfera y caer así en el error? respecto a esto, debemos recordar
tres cosas: Primero; Shoghi Effendi, durante sus 36 años de Guardianía, ya
hizo innumerables definiciones, suplementando aquellas dadas por 'Abdu'l-
Bahá y por Bahá'u'lláh Mismo. Como se ha anunciado ya a los amigos, un
estudio cuidadoso de las Escrituras e interpretaciones de cualquier materia
sobre la cual la Casa Universal de Justicia se proponga legislar siempre
antecede a su proceso de legislación. Segundo, la Casa Universal de Justicia,
teniendo ella misma la seguridad de guía divina, está consciente de la
ausencia del Guardián y enfocara todas las materias de legislación solo
cuando se halle segura de su esfera de jurisdicción, esfera que el Guardián ha
descrito con certeza como "claramente definida". Tercero, no debemos olvidar
la decisión escrita del Guardián acerca de estas dos Instituciones: "Ninguno
puede, ni podrá jamás, infringir el sagrado y prescrito dominio del otro".
Respecto de la necesidad de tener deducciones hechas de las Escrituras para
ayudar en la formulación de los decretos de la Casa de Justicia, existe el
siguiente texto escrito por la pluma de 'Abdu'l-Bahá:
"Aquellas materias de importancia mayor que constituyen el fundamento de la
Ley de Dios están registradas explícitamente en el Texto, pero las leyes
subsidiarias se dejan a la Casa de Justicia. La sabiduría de esto consiste en
que las condiciones nunca permanecen iguales, pues el cambio es cualidad
necesaria y atributo esencias de este mundo, y de tiempo y lugar. Por tanto, la
Casa de Justicia actuara de acuerdo con esto.
"No vaya a pensar que la Casa de Justicia tomara cualquier decisión de
acuerdo con sus propios conceptos y opiniones. ¡Dios lo prohiba! La Suprema
Casa de Justicia tomara decisiones y establecerá leyes por la inspiración y
confirmación del Espíritu Santo, porque es resguardada por la Antigua Belleza
y está bajo Su amparo y protección; y obediencia a sus decisiones es un deber
imprescindible y esencial, y una obligación absoluta, y no hay escapatoria para
nadie.
"Di, oh Pueblo: En verdad, la Suprema Casa de Justicia está bajo las alas de
vuestro Señor, el Compasivo, el Todo Misericordioso, esto es, bajo Su
protección a los creyentes firmes a obedecer a aquel bendito y santificado
cuerpo que todo lo sojuzga, cuya soberanía es divinamente ordenada y es del
Reino del Cielo, y cuyas leyes son inspiradas y espirituales.
"Brevemente, esta es la sabiduría de referir las leyes de la sociedad a la Casa
de Justicia. Similarmente, en la religión del Islam, no todas las ordenanzas
fueron reveladas explícitamente; menos aun: ni siquiera una décima parte de
una décima de ellas fue incluida en el Texto; aun cuando se refirió a todas las
materias de importancia mayor, indudablemente hubo miles de leyes que no
fueron especificadas. Fueron ideas por los sacerdotes de una época posterior,
de acuerdo con las leyes de jurisprudencia del islam, y sacerdotes individuales
hicieron deducciones incompatibles a partir de las ordenanzas reveladas
originalmente. Todas ellas se pusieron en vigor. Hoy día, este proceso de
deducción es le derecho del cuerpo de la Casa de Justicia, y las deducciones
y conclusiones de individuos doctos do tiene autoridad, a menos que estén
sancionados por las Casa de Justicia. La deferencia está precisamente en que
las conclusiones y sanciones del cuerpo de la Casa de Justicia, cuyos
miembros son elegidos por la comunidad Bahá'í del mundo entero y conocido
de ella, no aparecerán diferencias; en tanto que las conclusiones de teólogos y
eruditos individuales llevaría a diferencias, y tendrían como resultado el cisma,
división y dispersión. La unicidad de la Palabra seria destruida, la unidad de la
Fe desaparecería, y el edificio de la Fe de Dios seria remecido".
En el Orden de Bahá'u'lláh hay ciertas funciones que están reservadas a
determinadas instituciones, y otras que se comparten en común, aun cuando
puedan estar más en la jurisdicción de uno o de otro. Por ejemplo, aunque las
Manos de Causa de Dios tienen las funciones especificas de protección y
propagación, y están especializadas para ejercer estas funciones, es también
deber de la Casa Universal de Justicia y las Asambleas Espirituales proteger y
enseñar la Causa -de hecho, enseñar es la obligación impuesta por Bahá'u'lláh
sobre todo creyente-. Similarmente, aunque después del Maestro la
interpretación autoritativa fue conferida exclusivamente al Guardian, y aunque
la legislación es función exclusiva de la Casa universal de Justicia, ambas
Instituciones son, según las palabras de Shoghi Effendi, "complementarias en
su objeto y propósito". "Su objetivo común y fundamental es asegurar la
continuidad de esa divinamente instituida autoridad que fluye de la Fuente de
nuestra Fe, resguardar de unidad de sus seguidores y mantener la integridad y
flexibilidad de sus enseñanzas". En tanto ninguna función que perteneció
exclusivamente al Guardian, debe continuar con el propósito que comparte
junto con la Guardianía.
Como usted lo indica con muchas citas, Shoghi Effendi hizo hincapié
repetidamente en la inseparabilidad de estas dos instituciones. Aun cuando el
obviamente contemplaba su funcionamiento en conjunto, no puede deducirse
en ausencia del otro. Durante el total de los treinta y seis a años de
Guardianía, Shoghi Effendi funciono sin la Casa Universal de Justicia. Ahora,
la Casa Universal de Justicia debe funcionar sin el Guardián, pero el principio
de inseparabilidad permanece. La Guardianía no pierde su significado ni su
posición en le Orden de Bahá'u'lláh meramente porque no hay Guardián
viviente. Debemos cuidarnos de dos extremos: uno es argüir que porque no
hay Guardian, todo lo que ha sido escrito sobre la Guardianía, y su posición en
el Orden Mundial Bahá'í es letra muerta y no tuvo importancia; el otro es
sentirse tan abismado por el significado de la Guardianía como para
subestimar la fuerza del Convenio, o para ser tentado a transigir con los claros
textos con el fin de encontrar, de alguna forma, a un "Guardian".
El servicio a la Causa de Dios requiere absoluta fidelidad e integridad y fe
inconmovible en Él. Ningún bien sino solo mal puede provenir de tomar la
responsabilidad del futuro de la Casa de Dios en nuestras manos y tratar de
forzarla a tomar caminos que nosotros deseamos, sin considerar los claros
textos y nuestras propias limitaciones. Es Su Causa. Él ha prometido que su
luz no fallara. Lo que nos toca es aferrarnos tenazmente a la Palabra revelada
y a las Instituciones que Él ha creado para preservar Su Convenio.
Precisamente, en conexión con esto, deben los creyentes reconocer la
importancia de la honestidad y humildad intelectuales. En dispensaciones
pasadas surgieron muchos errores porque los creyentes en la Revelación de
Dios estaban en extremos ansiosos lo encerrar el Mensaje Divino dentro del
marco de su limitado entendimiento, de definir doctrinas donde las definiciones
estaban más allá de su poder, de explicar misterios que solo la sabiduría y la
experiencia de una época posterior podría hacer comprensibles, de argüir que
algo era verdadero porque parecía ser deseable y necesario. Tales
transigencias de la verdad esencial, semejantes orgullo intelectual, debemos
evitarlos escrupulosamente.
Si algunas de las declaraciones de la Casa Universal de Justicia no son
detalladas, los amigos deben darse cuenta de que la causa de esto no es
secreto, sino más bien, la determinación de este cuerpo de abstenerse de
interpretar las enseñanzas y preservar la verdad de la declaración del
Guardian: "Jefes religiosos, representantes de teorías políticas, gobernantes
de instituciones humanas... no deben tener duda ni ansiedad respecto de la
naturaleza, el origen o validez de las instituciones que los adherentes de la Fe
están construyendo en todo el mundo. Pues ellas están fijas en las
enseñanzas mismas, no adulteradas ni oscurecidas por inferencias
injustificadas o interpretaciones no autorizadas de Su Palabra".
En nuestra Fe se hace clara distinción entre la interpretación autoritativa y la
interpretación o comprensión a que llega cada individuo por su propio estudio
de las enseñanzas de ella. Mientras que lo primero está restringido al
Guardián mismo, no debe en modo alguno ser suprimido. De hecho, tal
interpretación individual se considera como el fruto del poder racional del
hombre y que conduce a mejor comprensión de las escrituras, con tal que ni
surjan disputas ni contiendas entre los amigos y que el individuo mismo
comprenda y aclare que sus puntos de vista son meramente los propios. La
interpretación individual cambia continuamente en tanto que uno comprende
cada vez más las enseñanzas. Como escribió Shoghi Effendi: "Profundizas en
la Causa significa leer las escrituras de Bahá'u'lláh y del Maestro tan
cuidadosamente como para poder transmitir a otros en su forma más pura. Hay
muchos que tienen alguna idea superficial sobre lo que representa la Causa;
por tanto, ellos la presentan junto con todo tipo de ideas propias suyas. Como
la Causa aun está en sus días tempranos, debemos se muy cuidadosos: no
sea que caigamos en este error y perjudiquemos del Movimiento que tanto
adoramos. El estudio de la Casa no tiene limite. Cuanto más leemos las
Escrituras, tanto más verdades podemos encontrar en Ellas, tanto mejor
veremos que nuestras nociones previas eran erróneas". Así, aunque las
percepciones personales puedan ser iluminadoras y provechosas, pueden
también desviar. Los amigos deben, por tanto, aprender a escuchar las
opiniones de otros sin dejar que estas les intimiden ni permitir que su fe sea
remecida, y a expresar sus propios pareceres sin imponérselos s sus amigos
Bahá'í.
La Casa de Dios es orgánica: crece y se desarrolla como en ser viviente.
Continuamente ha enfrentado crisis que han dejado perplejos a los creyentes,
pero, cada vez, la Causa, impelida por el propósito inmutable de Dios, supero
la crisis y siguió avanzando hacia alturas mayores.
Por muy grande que sea nuestra incapacidad de comprender el misterio y lo
que implica el fallecimiento de Shoghi Effendi, la fuente cuerda a que todos
deben aferrarse con seguridad es el Convenio. El lenguaje enfático y vigoroso
de la Voluntad y Testamento de 'Abdu'l-Bahá es, en este tiempo, ase como
también en el tiempo de Su propio fallecimiento, la salvaguardia de la Casa:
"Todos deben volverse hacia el Libro más Sagrado, y todo lo que no este
anotado expresamente allí debe ser referido a la Casa Universal de Justicia.
Aquellos que dicho cuerpo apruebe, ya sea por unanimidad o por mayoría, es
por cierto la Verdad y Propósito de Dios Mismo. Quienquiera se desvie de ello
pertenece, en verdad, a aquellos que aman la discordia, muestran maldad y se
apartan del Señor del Convenio". Y nuevamente: "Todos deben buscar guía y
volverse hacia el Centra de la Causa y la Casa de Justicia. Quienquiera se
vuelva a cualquier otro lado, en verdad, se encuentra en grave error".
La Casa Universal de Justicia, de la cual dijo el Guardián que seria
considerado por la posteridad como "el último refugio de una civilización
tambaleante" es ahora, en ausencia del Guardian, la única institución en el
mundo guiada infaliblemente, a la cual todos deben volverse, y sobre ella
descansa la responsabilidad de asegurar la unidad y el progreso de la Causa
de Dios de acuerdo con la Palabra revelada. Hay declaraciones del Maestro y
del Guardián que indican que la Casa Universal de Justicia, además de ser el
más Alto Cuerpo Legislativo de la Fe, es también el cuerpo al que todos deben
volverse, y es el "ápice" del Orden Administrativo Bahá'í, al igual que también,
"el órgano supremo de la Mancomunidad Bahá'í. En sus escritos, el Guardián
ha especificado para la Casa de Justicia funciones fundamentales como el
formulamiento de planes futuros de enseñanza para todo el mundo, la
conducción de los asuntos administrativos de la Fe y la guía, organizada y
unificación de los asuntos de la Causa en todo el mundo. Además, en Dios
Pasa, el Guardián hace la siguiente declaración: "El Kitáb-i-Aqdas.. no solo
preserva para le posteridad las leyes y ordenanzas básicas sobre las cuales
debe descansar la estructura de Su futuro Orden Mundial. sino que ordena,
además de la función de interpretación que confiere a Su sucesor. las
instituciones necesarias que son las únicas por las cuales la integridad y
unidad de Su Fe pueden ser resguardadas". Él también ha escrito en La
Dispensación de Bahá'u'lláh que los miembros de la Casa Universal de
Justicia, "y no el cuerpo de aquellos que directa o indirectamente los elige, han
sido hechos los receptores de la guía divina que es a la vez la sangre vital y
salvaguardia última de esta Revelación".
Como ya lo ha comunicado la Casa Universal de Justicia, ella no puede
legislar para hacer posible la designación de un sucesor de Shoghi Effendi, ni
tampoco puede legislar para hacer posible la designación de más Manos de la
Causa, pero debe hacer todo lo que este en su poder para asegurar el
cumplimiento de todas las funciones que comparte con estas dos poderosas
Instituciones. Debe tomar medidas para que en le futuro se cumplan en forma
apropiada las funciones de protección y propagación, que los cuerpos
administrativos comparten con la Guardianía y las Manos la Causa; debe en
ausencia del Guardian, recibir y desembolsar el Æuqúqu'lláh, de acuerdo con
la siguiente declaración de 'Abdu'l-Bahá: "Disponer del Æuqúq, total a
parcialmente, es permisible, pero esto deberá hacerse con permiso de la
autoridad de la Causa, a la que todos deben volverse"; debe hacer
prescripciones en su Constitución para remoción de cualquier de sus
miembros que cometa un pecado "que dañe el bien común". Sobre todo, debe,
con perfecta fe en Bahá'u'lláh, proclamar Su Causa y hacer cumplir su Ley de
modo que la más Grande Paz sea establecida firmemente es este mundo y se
efectúe la fundación del Reino de Dios sobre la Tierra.
Con cariñosos saludos Bahá'ís
La Casa Universal de Justicia.
7 de diciembre de 1969
Querido amigo Bahá'í:
Su reciente carta, en la que usted nos expone preguntas que se les han
ocurrido a algunos de los jóvenes al estudiar La Dispensación de Bahá'u'lláh,
ha sido estudiada cuidadosamente y creemos que es conveniente comentar el
pasaje que usted menciona específicamente y otro pasaje relacionado, de la
misma obra, porque ambos tratan de la relación entre la Guardianía y la Casa
Universal de Justicia.
El primer pasaje trata del deber del Guardián de insistir en una
reconsideración por parte de los otros miembros de la Casa Universal de
Justicia de cualquier derecho del cual el cree que está en conflicto con el
significado y que se desvía del espíritu de las Sagradas Escrituras. El segundo
pasaje trata de la infalibilidad de la Casa Universal de Justicia sin el Guardian,
a saber, la afirmación de Shoghi Effendi de que "sin esta institución (la
Guardianía)... se vería totalmente privada de la guía necesaria para definir la
esfera de la acción legislativa de sus representantes elegidos".
Usted señala que algunos de los jóvenes se sentían perplejos porque no
sabían como acomodar el primero de estos dos pasajes con tales
afirmaciones, como la del Testamento de 'Abdu'l-Bahá que afirma que la Casa
Universal de Justicia está "libre de todo error".
Lo mismo que la Voluntad y Testamento de 'Abdu'l-Bahá no contradice de
manera alguna del Kitáb-i-Aqdas", sino que, en las palabras del Guardian,
"confirma, completamente y pone en correlación las provisiones del Aqdas",
tampoco los escritos del Guardián contradicen ni la palabra revelada ni las
interpretaciones del Maestro. Al tratar de comprender las Escrituras, por lo
tanto, hay que darse cuenta ante todo de que no hay ni puede haber en ellas
ninguna verdadera contradicción, y bajo esta luz podemos buscar con
confianza la unidad de significado que contienen.
El Guardián y la Casa Universal de Justicia tienen en común ciertos deberes y
funciones; cada uno, además, opera en una esfera diferente y distinta. Como
lo explica Shoghi Effendi, "...se desprende con toda claridad y en forma
evidente que el Guardián de la Fe ha sido designado como Interprete de la
Palabra y que la Casa Universal de Justicia ha sido investida con la función de
legislar sobre asuntos no mencionados expresamente en las enseñanzas. La
interpretación del Guardian, funcionando en su propia esfera, tiene tanta
autoridad y obligatoriedad como los decretos de la Casa Universal de Justicia,
cuyo exclusivo derecho y prerrogativa es pronunciar y dar el fallo final sobre
aquellas leyes y ordenanzas que Bahá'u'lláh no ha revelado expresamente". A
continuación afirma: "Ninguno de ellos puede, ni podrá jamás, infringir el
sagrado y prescrito dominio del otro. Ninguno tratara de restringir la autoridad
especifica e indudable con que ambos han sido divinamente investidos". Es
imposible concebir que dos centros de autoridad, que el Maestro ha declarado
"están ambos bajo el cuidado y protección de la Belleza de Abhá, bajo el
amparo y guía infalible de Su Santidad el Exaltado", pudieran estar en conflicto
uno con el otro, por cuanto ambos son vehículos de la misma Guía Divina.
La Casa Universal de Justicia, aparte de su función de establecer legislación,
ha sido investida con las funciones más generales de proteger y administrar la
Causa, de resolver cuestiones oscuras y de decidir sobre materias que hayan
causado diferencias. En ninguna parte se afirma que la infalibilidad de la Casa
Universal de Justicia se debe al hecho de que el Guardián sea un miembro o
este presente en ese cuerpo. En realidad, tanto 'Abdu'l-Bahá en Su
Testamento como Shoghi Effendi en su Dispensación de Bahá'u'lláh han
afirmado explícitamente que los miembros elegidos de la Casa Universal de
Justicia, al deliberar, son los receptores de la Guía Divina infalible. Además, el
Guardián mismo en The World Order of Bahá'u'lláh declaro: "También se debe
comprender claramente por parte de cada creyente que la institución de la
Guardianía no abroga, bajo ninguna circunstancia, ni tampoco reduce en lo
más mínimo los poderes concedidos por Bahá'u'lláh, los que fueron repetida y
solemnemente confirmados por 'Abdu'l-Bahá en Su Testamento. No constituye
bajo ninguna circunstancia una contradicción al Testamento y Escritos de
Bahá'u'lláh y tampoco anula ninguna de Sus instrucciones reveladas".
Aun cuando la responsabilidad especifica del Guardián es la interpretación de
la Palabra, está investido también con todos los poderes y prerrogativas
necesarias para desempeñar su función como Guardián de la Causa, la
Cabeza y protector supremo de ella. Él es, además, designado la cabeza
inamovible y miembro permanente del supremo cuerpo legislativo de la Fe. Es
en su calidad de cabeza de la Casa Universal de Justicia, y de miembro de ese
cuerpo, que el Guardián participan en el proceso legislativo. Si el siguiente
pasaje, el cual dio origen a sus preguntas, es considerado a la luz de esta
última relación, usted vera que no hay contradicción entre el y los otros textos:
"Aun cuando el Guardián de la Fe ha sido designado cabeza permanente de
tan augusto cuerpo, el derecho de exclusiva legislación. Él no puede anular la
decisión de la mayoría de los miembros, pero está obligado a insistir en que
reconsideren cualquier decreto del cual el firmemente crea que está en
conflicto don el significado de las palabras reveladas de Bahá'u'lláh y que se
aparte del espíritu de ellas".
Aunque el Guardian, con relación a los miembros de la Casa Universal de
Justicia, no puede anular la decisión de la mayoría, es inconcebible que los
otros miembros pasaran por alto cualquier objeción que el pondría durante la
consulta, o que aprueben legislación en contra de lo que el declara estar en
armonía con el espíritu de la Casa. Después de todo, es el fallo final
pronunciado por la Casa Universal de Justicia al que la infalibilidad ha sido
otorgada y no a algún punto de vista que haya sido expresado en el curso del
proceso de legislación.
Puede verse, por lo tanto, que no hay desacuerdo entre las afirmaciones del
Maestro respecto a la guía divina infalible conferida a la Casa Universal de
Justicia y el citado pasaje de La Dispensación de Bahá'u'lláh.
Quizás los amigos comprenderán mejor esta revelación si están informados de
los procedimientos que sigue la Casa Universal de Justicia al legislar. En
primer lugar, por supuesto, estudia con máximo cuidado los textos Sagrados y
las interpretaciones del Guardian, así como también considera los puntos de
vista de todos los miembros. Después de prolongada consulta, se inicia el
proceso de redactar un pronunciamiento. Durante este proceso es posible que
se vuelva a considerar el asunto en todos sus aspectos. El resultado de esta
nueva consideración podría ser que el fallo final sea substancialmente
diferente de la conclusión apoyada al principio, o posiblemente se decida no
legislar en ese momento sobre la materia. Puede apreciarse cuanta atención
se prestaría a las ideas del Guardián durante tal proceso si el estuviera vivo.
Al considerar el segundo pasaje debemos adherirnos nuevamente al principio
de que las enseñanzas no se contradicen.
En las Escritas es evidente que se contemplaba y se refería a futuros
Guardianes, pero en ninguna parte hay promesa o garantía alguna de que la
línea de Guardianes duraría para siempre; al contrario, hay claras indicaciones
de que la línea podría ser cortada. Si embargo, a pesar de ello, hay una
reiterada insistencia en las escrituras sobre la indestructibilidad del Convenio y
la inmutabilidad del Propósito de Dios para este Día.
Uno de los más notables pasajes que contempla la posibilidad de tal
rompimiento en la línea de Guardianes se halla en el propio Kitáb-i-Aqdas:
"Las dotaciones destinadas a la caridad recurren a Dios, al Revelador de los
Signos. Nadie tiene derecho de tomarlos sin la venia del Punto del Amanecer
de la Revelación. Después de Él, la decisión corresponde a los AghÐán
(Ramas), y después de ellos a la Casa de Justicia -si entonces estuviera
establecida en el mundo- para que ellos empleen estas dotaciones en
beneficio de los Sitios exaltados en esta Causa, y en aquello que Dios, el
Omnisciente, el Todopoderoso, les ha ordenado. De otra manera, las
dotaciones deben ser referidas al pueblo de Bahá, el cual no hable sin Su
venia y el cual no forme juicio a no ser que este conforme con aquello que Dios
ha ordenado en esta Tabla, el cual es le campeón de la victoria entre el cielo y
la tierra, para que pueda emplearlas en aquello que ha sido decretado en le
Libro Sagrado por Dios, el Poderoso, el Generoso".
El fallecimiento de Shoghi Effendi en 1957 precipito la misma situación prevista
en este pasaje, porque la línea de las AghÐán termino antes de que se eligiera
la Casa de Justicia. Aunque, como se ha observado, se dio providencias para
la terminación, en alguna época, de la línea de los AghÐán,, nunca debemos
desestimar la enorme perdida que ha sufrido la Fe. El propósito de Dios para
la humanidad, sin embargo, queda inalterado, y le poderoso Convenio de
Bahá'u'lláh queda inexpugnable. ¿Acaso Bahá'u'lláh no ha declarado
categóricamente: "La Mano de la Omnipotencia ha establecido Su Revelación
sobe cimientos inatacables y perdurables"? 'Abdu'l-Bahá por Su parte afirma:
"En verdad, Dios hace lo que Él desea; ¡nada puede anular Su Convenio; nada
puede detener Su gracia ni oponerse a Su Causa!"; "Todo está sujeto a la
corrupción; más el Convenio de vuestro Señor continuará compenetrándose en
todas las regiones"; "Las pruebas de cada dispensación son en proporción
directa a la grandeza de la Causa; y como hasta ahora no se ha establecido
tan manifiesto Convenio, escrito por la Pluma Suprema, las pruebas son
correspondientemente más severas... Estas agitaciones de los violadores no
son más que la espuma del mar.. esta espuma del mar no durara y pronto
desaparecerá y desvanecerá; en cambio, el océano del Convenio se agitara y
bramara eternamente". Y Shoghi Effendi ha afirmado claramente: "El lecho de
roca en que está cimentado este Orden Administrativo es le propósito
inmutable de Dios para la humanidad en este día". "...Esta gema inapreciable
de Revelación Divina aun en su estado embrionario, evolucionara dentro de la
concha de Su Ley, y avanzará, integra e inalterada, hasta que abrace a la
humanidad entera".
En la Fe Bahá'í han sido nombrados dos centros autorizados hacia los cuales
creyentes deben dirigirse, pues en realidad el Interprete de la Palabra es una
extensión de aquel centro que es la Palabra misma. El Libro es al registro de la
expresión de Bahá'u'lláh, en tanto que el Interprete divinamente inspirado es el
Portavoz viviente de aquel Libro; es el y solo el que pude exponer
autoritativamente el significado del Libro. Así, un centro es el Libro con su
Interprete, y el otro ese la Casa Universal de Justicia guiada por Dios para
resolver todo lo que no este explícitamente revelado en el Libro. Este modelo
de centros y sus relaciones es evidente en cada etapa en el desarrollo de la
Causa. En el Kitáb-i-Aqdas Bahá'u'lláh informa a los creyentes que, después
de Su fallecimiento, deben recurrir al Libro, y a "Aquel a Quien Dios ha
señalado, Quien ha salido de esta Antigua Raíz". En el Kitáb-i-'Ahd (el Libro
del Convenio de Bahá'u'lláh), Él aclara que esto se refiere a 'Abdu'l-Bahá. En
el Aqdas, Bahá'u'lláh también establece la institución de la Casa Universal de
Justicia, y le confiere la autoridad necesaria para el desempeño de sus
funciones prescritas. El Maestro, en Su Voluntad y Testamento establece en
forma explícita la Guardianía, la cual, Shoghi Effendi afirma, estuvo claramente
prevista en los versículos del Kitáb-i-Aqdas, reafirma y elucide la autoridad de
la Casa Universal de Justicia, y otra vez refiere a los creyentes al Libro: "todos
deben volverse hacia el Libro más Sagrado, y todo lo que no este anotado
expresamente allí debe ser referido a la Casa Universal de Justicia", y al final
mismo del Testamento Él dice: "Todos deben buscar la guía y volverse hacia el
Centro de la Causa y la Casa de Justicia. Quienquiera se vuelva a cualquier
otro lado, en verdad, se encuentra en grave error".
Ya que la esfera de jurisdicción de la Casa Universal de Justicia en cuestiones
de legislación abarca todo lo que no este explícitamente revelado en el Texto
Sagrado, es evidente que el Libro mismo es la autoridad máxima y que
deslinda la esfera de acción de la Casa de Justicia. Asimismo, el Intérprete del
Libro debe necesariamente tener le autoridad para definir la esfera de la
acción legislativa de los representantes elegidos de la Casa. Los escritos del
Guardián y los consejos dados por el durante los treinta y seis años de su
Guardianía, demuestran la manera en que el ejerció esta función en relación a
la Casa Universal de Justicia y a las Asambleas Espirituales Nacionales y
Locales.
Del hecho de que el Guardián tiene la autoridad de definir la esfera de acción
legislativa de la Casa Universal de Justicia no se deduce el corolario de que
sin tal guía la Casa Universal de Justicia podría ir más allá de los limites de su
señalada autoridad; semejante deducción estaría en conflicto con todos los
demás textos referentes a se infalibilidad, y específicamente con la clara
afirmación del Guardián de que la Casa Universal de Justicia no puede, ni
jamás podrá, infringir el dominio sagrado y prescrito de la Guardianía. debe
tenerse en cuenta, sin embargo, que aunque las Asambleas Espirituales
Nacionales y Locales pueden recibir guía divina si consultan de la manera y en
el espíritu señalado por 'Abdu'l-Bahá, no participan de las garantías explícitas
de infalibilidad conferidas a la Casa Universal de Justicia. El atento estudiante
de la Causa puede apreciar con que cuidado el Guardián guió, después del
fallecimiento de 'Abdu'l-Bahá, a estos representantes elegidos de los creyentes
en la laboriosa edificación de las Constituciones Bahá'í Locales y Nacionales.
Confiamos en que estas elucidaciones ayudaran a los amigos para logra una
más clara comprensión de estas relaciones, pero todos debemos tener
presente que nos encontramos demasiado cerca de los comienzos del Sistema
establecido por Bahá'u'lláh como para poder comprender cabalmente sus
potencialidades o las mutuas relaciones de sus partes componentes. Como lo
escribiera el secretario de Shoghi Effendi, en nombre de el, e un creyente el 25
de marzo de 1930: "El contenido del Testamento del Maestro está mucho más
allá de lo que la presente generación pueda comprender Requiere por lo
menos un siglo de efectiva operación antes de que los tesoros de sabiduría
contenidos en el puedan ser revelados..."
Con cariñosos saludos Bahá'ís
La Casa Universal de Justicia.
1 Escrito en 1934.
1 En 1973 la Fe ha sido establecido en más de 330 países, islas y
dependencias y su literatura ha sido editada an mas de 570 idiomas.
1 Escrito en 1934.
2 Escrito en 1934.
3 Tablas de 'Abdu'l-Bahá en persa y árabe, vol. III, págs. 499-501.
4 La Dispensación de Bahá'u'lláh, págs. 75-76.
5 Carta fechada 21 de Marzo de 1930, The World Order of Bahá'u'lláh, pág.
20.
6 Carta del 27 de febrero de 1929, The World Order of Bahá'u'lláh, pág. 8.
7 La Dispensación de Bahá'u'lláh, pág, 77-78.
8 La Dispensación de Bahá'u'lláh, pág, 75.
9 La Dispensación de Bahá'u'lláh, pág, 78.
10 Citado pág. 109 en The World Order of Bahá'u'lláh.
11 Tablets of 'Abdu'l-Bahá, Vol. III, pág. 598.
12 Carta fechada el 21 de marzo de 1930, The World Order of Bahá'u'lláh,
pág. 23.
13 Carta fechada el 21 de marzo de 1930, The World Order of Bahá'u'lláh,
pág. 24.
14 Carta del 23 de febrero de 1924, Bahá'í Administration, pág. 62.
15 Carta escrita en persa el 19 de diciembre de 1922.
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