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O DIA PROMETIDO CHEGOU
Shoghi Effendi
Como escritor, deixou livros marcantes, como a história dos primeiros cem anos da Fé Bahá’í (1844 / 1944), intitulado A PRESENÇA DE DEUS; e longas mensagens dirigidas às comunidades Bahá’ís publicadas em livros, como O ADVENTO DA JUSTIÇA DIVINA, a ORDEM MUNDIAL DE BAHÁ’U’LLÁH, e o presente livro, O DIA PROMETIDO CHEGOU. Existem inúmeras obras, publicadas em inglês principalmente, com coletâneas de suas cartas e telegramas ao mundo Bahá’í e a comunidades nacionais em particular, como: A ADMINISTRAÇÃO BAHÁ’Í, PRINCÍPIOS DE ADMINISTRAÇÃO BAHÁ’Í, CHAMADO ÀS NAÇÕES, MENSAGENS À AMÉRICA, MENSAGENS AO MUNDO BAHÁ’Í, MENSAGENS À ÍNDIA, MENSAGENS AO CANADÁ, e muitas outras.
Shoghi Effendi
O DIA PROMETIDO CHEGOU
Tradução portuguesa de
LEONORA STIRLING ARMSTRONG
EDITORA BAHÁ’Í – BRASIL
MOGI MIRIM, SP
1998
© 1998
Todos os direitos reservados pela
EDITORA BAHÁ’Í DO BRASIL
Caixa Postal 198
13800-000 Mogi Mirim, SP
1a edição: 1960
Título Original:
The Promised Day is Come
ISBN
85-320-0033-9
Tradução:
Leonora Stirling Armstrong
Revisão:
Coordenação Nacional de Tradução e Revisão
Composto em:
Times 12/14
Impressão:
Abaeté Copiadora e Gráfica Ltda.
São Paulo, SP
ÍNDICE
Introdução .................................................................................................. 3
= Falta Introdução de Shoghi Effendi
1. O Dia Prometido Chegou:
Aos amados de Deus e às servas do Misericordioso em todo
o Ocidente .............................................................................................. 5
2. Este Juízo de Deus ................................................................................ 7
3. Qual a Resposta a Seu Chamado? ......................................................... 10
4. Feições deste Drama Comovente? ......................................................... 18
5. Um Mundo que Dele se Afastou ............................................................ 23
6. Os Receptores da Mensagem ................................................................. 27
7. Epístolas aos Reis .................................................................................. 30
8. Revelada a Maior Lei ............................................................................ 36
9. Epístola Revelada ao Papa .................................................................... 44
10. Outras Epístolas aos Governantes do Mundo ..................................... 46
11. Que o Opressor Desista ....................................................................... 55
12. O Vigário de Deus na Terra ................................................................. 61
13. Humilhação Imediata e Completa ....................................................... 69
14. O Surgir do Bolchevismo .................................................................... 77
15. Fim do Sacro Império Romano ........................................................... 82
16. Qual o Destino da Turquia e da Pérsia? ............................................. 83
17. O Lúgubre Destino da Turquia Imperial ............................................. 86
18. A Retribuição Divina na Dinastia de Qájár ........................................ 90
19. O Declínio nas Fortunas da Realeza ................................................... 97
20. Reconhecimento da Realeza ................................................................ 98
21. O Desmoronamento da Ortodoxia Religiosa ....................................... 103
22. Palavras Dirigidas aos Eclesiásticos Muçulmanos .............................. 117
23. As Minguantes Fortunas do Islã Xiita ................................................ 125
24. O Colapso do Califado ........................................................................ 132
25. Uma Advertência a Todas as Nações .................................................. 137
26. Suas Mensagens aos Dirigentes Cristãos ............................................ 138
27. Nações Cristãs contra Nações Cristãs ................................................. 145
28. A Continuidade da Revelação ............................................................. 148
29. Os Três Falsos Deuses ......................................................................... 156
30. O Enfraquecimento dos Pilares da Religião ........................................ 157
31. O Desígnio de Deus ............................................................................ 160
32. A Grande Era que Está por Vir ............................................................ 161
33. Religião e a Evolução Social ............................................................... 164
34. A Lealdade mais Larga, Inclusiva ....................................................... 168
35. Comunidade Mundial .......................................................................... 169
36. Notas Explicativas ............................................................................... 172
37. Índice Remissivo ................................................................................. 184
INTRODUÇÃO
A primeira edição deste livro em português ocorreu em 1960. Com o decorrer dos anos, e agora às portas do novo milênio, os temas tratados por Shoghi Effendi voltam a ser pontos cruciais da sociedade humana em sua transição para uma nova era, que se descortina com a entrada do novo século. O público brasileiro, portanto, enfrentando também desafios sociais cada vez mais preocupantes, tem o máximo interesse em conhecer as soluções Bahá’ís para os problemas básicos da sociedade, os quais são tratados de forma objetiva pelo Guardião da Fé Bahá’í, com base nos ensinamentos do Mensageiro de Deus para os dias atuais.
Embora escritura durante a Segunda Guerra Mundial, e impulsionada pelos eventos que à época mais e mais obscureciam a visão momentânea de seus contemporâneos, a mensagem intitula “O DIA PROMETIDO CHEGOU” não perdeu, nem perderá, qualquer de seus pontos relevantes e seus significados. Mais pontualmente do que se poderia escrever, as seguintes palavras de Bahá’u’lláh, citadas por Shoghi Effendi, comprovam a importância do tema e de suas implicações na vida coletiva da humanidade: “E quando a hora designada vier, subitamente surgirá aquilo que fará tremer as estruturas da humanidade.”
Este livro extraordinário, dirigido abertamente aos Bahá’ís do Ocidente, é um desafio a todas as pessoas. Rápida e dramaticamente, conta a história do último dos Mensageiros de Deus que se dirigiu à humanidade inteira, mas que foi ouvido apenas por alguns poucos. Mostra as assustadoras conseqüências de tal recalcitrância: a queda da velha ordem e o nascimento, obscuro inicialmente, da nova era. Apresenta a escuridão dos dias atuais e prevê a alvorada de um novo e glorioso dia para a humanidade, que irá responder ao Chamado Divino. Mas, acima de tudo, com toda a clareza e seriedade, o livro relembra ao homem moderno não estar ele sozinho no universo, que sua existência não é algo sem significado, que seu destino é para uma vida muito superior à dos dias atuais, e que o caminho que conduz à verdade e a Deus está novamente aberto para ele.
a EDITORA BAHÁ’Í DO BRASIL
Junho de 1998.
= FALTA A INTRODUÇÃO DE SHOGHI EFFENDI =
1. O DIA PROMETIDO CHEGOU
Aos amados de Deus e às servas do Misericordioso em todo o Ocidente.
Amigos e co-herdeiros do Reino de Bahá’u’lláh:
Uma tempestade de inédita violência varre atualmente a face da terra, e não podemos prever seu curso. Os efeitos imediatos são catastróficos, mas as conseqüências finais serão gloriosas, além do que possamos imaginar. A força que a impele cresce impiedosamente em âmbito e rapidez. Seu poder purificador, se bem que despercebido, aumenta dia a dia. A humanidade, vítima desse inexorável ímpeto assolador, é abatida pelas evidências de sua fúria irresistível. Não percebe sua origem, nem pode sondar seu significado ou discernir seu fim. Perplexa, angustiada, impotente, vê esse grande e poderoso vento do castigo divino invadir as mais remotas e belas regiões, abalando a terra até os fundamentos e perturbando-lhe o equilíbrio; vê desintegrarem-se suas nações, sendo rompidos os lares de seus povos e arrasadas suas cidades; presencia o desterro de seus reis, a demolição de seus baluartes e o desmoronamento de suas instituições, sendo encoberta sua luz e atormentadas as almas de seus habitantes.
“Já veio o tempo da destruição do mundo e de seus povos”, declarou a pena profética de Bahá’u’lláh. E ainda afirma, mais especificamente: “Aproxima-se a hora em que terá aparecido a maior convulsão.” “Chegou o dia prometido, dia em que provações aflitivas surgirão sobre vossas cabeças e sob vossos pés, dizendo: - Saboreai o que vossas mãos fizeram!” – “Dentro em breve o vendaval de Seu castigo vos baterá, e o pó do inferno vos há de amortalhar.” E também: “Ao vir a hora predeterminada, haverá de aparecer subitamente o que fará tremerem os membros da humanidade.” “Aproxima-se o dia em que sua chama (a da civilização) devorará as cidades, em que a Língua da Grandeza haverá de proclamar: - O Reino é de Deus, o Onipotente, O de todos louvado!-” “Breve virá o dia”, escreveu Bahá’u’lláh, ainda, referindo-se aos insensatos da terra, “em que clamarão por socorro sem receberem resposta alguma.” “Aproxima-se o dia”, predisse também, “em que a ira do Onipotente deles se terá apoderado. Em verdade, Deus é o Todo-poderoso, o Predominante, o Supremo. Ele haverá de limpar a terra contaminada pela sua corrupção e dá-la àqueles de Seus servos que Dele se aproximarem.”
O Báb, por sua parte, afirma no Qayyúmu´l-Asmá: “Quanto aos que negam Aquele que é o sublime Portal de Deus, Nós lhes preparamos, segundo o justo decreto divino, um tormento angustioso. E Ele, Deus, é o Poderoso, o Sábio”. E ainda, “Ó povos da terra! Juro por vosso Senhor! Havereis de agir como agiram as gerações anteriores. Adverti-vos a vós próprios, pois, da terrível, da mais penosa vingança divina. Pois, em verdade, Deus é potente sobre todas as coisas”. E também: “Por Minha glória! Com as mãos de Meu poder farei que os infiéis saboreiem retribuições desconhecidas de todos menos de Mim, e sobre os fiéis farei manarem aqueles sopros perfumados de almíscar, nutridos no próprio coração de Meu trono.”
Queridos amigos! A poderosa operação deste titânico cataclismo é incompreensível a todos menos àqueles que reconheceram as Revelações de Bahá’u’lláh e do Báb. Quem Os segue, sabe donde esse cataclismo deriva, e aonde, afinal, nos haverá de conduzir. Embora não saiba a que ponto chegará, reconhece claramente sua gênese, percebe a direção que toma, admite sua necessidade, observa com confiança seus processos misteriosos, ora ardentemente pela mitigação de sua severidade, esforça-se com sabedoria a fim de lhe suavizar a fúria e, com visão inalterável, antecipa a consumação dos receios e das esperanças que deve forçosamente engendrar.
2. ESTE JUÍZO DE DEUS
Este juízo de Deus – segundo o vêem os que reconheceram em Bahá’u’lláh Seu Instrumento e maior Mensageiro na terra – não é apenas uma calamidade retribuidora; é, também, um ato de disciplina santa e suprema. É a um tempo uma visitação de Deus e um processo purificador para toda a humanidade. Seus fogos punem a perversidade da espécie humana, mas haverão de fundir suas partes componentes numa comunidade orgânica, indivisível, mundial. Nestes anos fatídicos que assinalam o término do primeiro século da Era Bahá’í, e ao mesmo tempo proclamam o início de um novo, a humanidade – segundo ordena Aquele que é seu Juiz e também seu Redentor – está sendo chamada a prestar contas de suas passadas ações e, simultaneamente, sujeita-se a uma purificação a fim de se preparar para sua futura tarefa. Não poderá escapar às responsabilidades anteriores, nem recuar das do futuro. Deus, o Vigilante, o Justo, o Amoroso, o Onisciente Ordenador, não poderá permitir, nesta Era Suprema, que os pecados de uma humanidade não regenerada permaneçam impunes, sejam eles de omissão ou de comissão, nem consentirá Ele em abandonar Seus filhos à própria sorte, negando-lhes aquela etapa beatífica e culminante em sua longa, lenta e dolorosa evolução através dos tempos, etapa esta que é seu direito inalienável como também seu verdadeiro destino.
“Despertai, ó povos”, - é por um lado a advertência ominosa do próprio Bahá’u’lláh, em antecipação dos dias da Justiça Divina – “pois já veio a hora prometida”. “Abandonando o que vós possuis, apoderai-vos daquilo que foi trazido por Deus – Aquele que faz curvar a nuca dos homens. Sabei de certo! Se não vos retirardes daquilo que cometestes, o castigo vos alcançará de todos os lados, e vereis coisas mais penosas do que vistes anteriormente”. E também: “Determinamos um tempo para vós, ó povos! Se, na hora designada, não vos volverdes para Deus, Ele, em verdade, vos apreenderá com violência e fará atacar-vos de todos os lados aflições penosas. Quão severo, de fato, o castigo com que vosso Senhor, nessa hora, vos punirá!” E também: “Deus seguramente domina as vidas dos que Nos injuriaram, e está bem consciente de suas ações. Com certeza absoluta, haverá Ele de apreendê-los por causa de seus pecados. Ele, em verdade, é o mais temível dos vingadores”. E finalmente: “ó vós, povos do mundo! Sabei, em verdade, que uma calamidade imprevista vos segue, e retribuição angustiosa vos espera. Não penseis que os atos que cometestes tenham sido apagados de Minha vista. Por Minha Beleza! Todas as vossas ações, Minha Pena as gravou em caracteres nítidos, sobre tábuas de crisólito.”
Bahá’u’lláh afirma enfaticamente, por outro lado, numa previsão do futuro feliz à espera do mundo hoje envolto de trevas: “Toda a terra se acha em estado de prenhez. Aproxima-se o dia em que terá produzido seus mais nobres frutos, em que as mais majestosas árvores, as flores mais encantadoras, as bênçãos mais celestiais dela se terão manifestado.” “Aproxima-se o tempo em que toda coisa criada terá parido. Glória a Deus, por haver Ele concedido esta graça que abrange todas as coisas, sejam vistas ou invisíveis!” “Essas grandes opressões”, escreveu Ele, ainda mais, prognosticando a Idade Áurea que espera a humanidade, “estão preparando-a para o advento da Suprema Justiça”. E, e fato, sobre esta Suprema Justiça, como base única, é que finalmente poderá, e deverá descansar a Suprema Paz, enquanto esta, a Suprema Paz, introduzirá por sua vez aquela Civilização Mundial Suprema que para todo o sempre há de ser associada Aquele designado pelo Nome Supremo.
Queridos amigos! Perto de cem anos já transcorreram desde que a Revelação de Bahá’u’lláh alvoreceu no mundo – Revelação esta, cuja natureza, assim como Ele Próprio afirma, “nenhum dentre os Manifestantes da antiguidade, salvo num grau prescrito, jamais apreendeu.” Já há um século, Deus dá trégua ao homem para que ele tenha oportunidade de reconhecer o Fundador de tão grande Revelação, esposar Sua Causa, proclamar Sua grandeza e estabelecer Sua Ordem. O Portador desta Mensagem já proclamou – como jamais o fez qualquer Profeta anterior – a Missão que Deus Lhe confiara, promulgando-a em cem volumes, todos os quais encerram preceitos de inestimável valor, poderosas leis, princípios incomparáveis e, também, apaixonadas exortações, reiteradas advertências, profecias extraordinárias, invocações sublimes e comentários notáveis. A imperadores, reis, príncipes e potentados, governantes e governos, clero e povos – quer do Oriente ou do Ocidente, cristãos, judeus, muçulmanos ou zoroástricos, dirigia Ele, por quase cinqüenta anos, e em circunstâncias as mais trágicas, aquelas preciosas pérolas de sabedoria que jaziam ocultas dentro do oceano de Sua inigualável expressão. Renunciando fama e fortuna, sofrendo prisão e desterro, indiferente ao ostracismo e opróbrio, sujeito a indignidades físicas e privações cruéis, Ele, o Vice-regente de Deus na terra, submeteu-se ao exílio de lugar em lugar, país em país, até que afinal, na Maior Prisão, ofereceu Seu filho martirizado como resgate pela redenção e unificação de toda a humanidade. “Nós, verdadeiramente”, Ele Próprio já testificou, “não faltamos em Nosso dever – o de exortar os homens e transmitir o que Me foi ordenado por Deus, o Onipotente, o Louvado de todos. Se Me tivessem escutado, teriam visto transformar-se a terra”. E também: “Restará a alguém qualquer desculpa nesta Revelação? Não, por Deus, o Senhor do Trono Poderoso! Meus sinais já envolveram a terra e Meu poder abrangeu toda a humanidade e, no entanto, os homens se deixam mergulhar num sono estranho!”
3. QUAL A RESPOSTA A SEU CHAMADO?
De que modo – bem podemos perguntar a nós mesmos – o mundo, objeto dessa solicitude divina, retribuiu Àquele que tudo sacrificou por sua causa? De que maneira foi Ele acolhido, e qual a resposta dada a Seu apelo? Com um clamor sem paralelo na história do islã xiita, foi recebida a nascente luz da Fé em sua terra natal, em meio a um povo notório por sua densa ignorância, seu feroz fanatismo, sua crueldade bárbara, seus preconceitos arraigados, e pelo predomínio ilimitado exercido sobre as massas por uma hierarquia eclesiástica firmemente entrincheirada. Uma coragem não excedida por aquela que os fogos de Smithfield evocaram – segundo atesta tão eminente autoridade como Lorde Curzon de Kedleston, - foi ateada por uma perseguição que, com trágica rapidez, ceifou nada menos de vinte milhares de seus heróicos seguidores resolvidos a não trocarem sua fé recém-nascida pela segurança e pelas honras efêmeras de uma vida mortal.
Às agonias corporais por eles sofridas, foram acrescentadas acusações inteiramente injustas, de niilismo, ocultismo, anarquia, ecletismo, imoralidade, sectarismo, heresia, partidarismo político, o que – embora cada acusação fosse refutada concludentemente não só pelos preceitos da própria Fé mas também pela conduta dos que a seguiam – aumentou, no entanto, o número dos que injuriavam sua causa, quer inconsciente, quer maliciosamente.
A pertinaz indiferença mostrada à Fé por homens proeminentes; o implacável ódio que lhe manifestaram os dignitários eclesiásticos da Fé da qual derivara; o escárneo extremo por parte do povo em cujo meio nascera; o desprezo completo com que foi tratada pela maioria daqueles reis e governantes aos quais seu Autor se dirigira; as condenações pronunciadas por aqueles sob cujo domínio a Fé primeiro surgira e se disseminara, as ameaças que fizeram e os degredos que decretaram; a interpretação errônea à qual os invejosos e malévolos sujeitaram seus princípios e suas leis, em terras e entre povos muito além do país de sua origem – tudo isto é apenas evidência do tratamento por parte de uma geração imersa na ufania, descuidada de seu Deus, e que não atende os sinais, as profecias, as advertências e as exortações reveladas pelos Seus Mensageiros.
Os pesados golpes desfechados desse modo sobre aqueles que seguiam uma Fé tão inestimável, gloriosa e possante, não lograram, porém, mitigar a animosidade que inflamava seus perseguidores. Nem foram suficientes as representações deliberadamente falsas de seus ensinamentos e objetivos fundamentais, de suas esperanças e aspirações, suas instituições e atividades, para contentar o opressor e o caluniador e lhes deter a mão; pelo contrário, por todos os meios possíveis, tentaram abolir seu nome e extirpar seu sistema. A mão que batera tão vasto número de seus amigos e humildes servos, embora todos inocentes, levantou-se agora para infligir sobre seus Fundadores os golpes mais cruéis.
O Báb – denominado por Bahá’u’lláh, “o Foco em Cujo redor gravitam as realidades dos Profetas e Mensageiros” – foi o primeiro a ser atirado na voragem que engolfou Seus apóstolos. Houve a súbita ordem de prisão mesmo no primeiro ano de Sua breve e espetacular carreira, seguida pela afronta pública infligida deliberadamente na presença dos dignitários eclesiásticos de Shiráz, e pelo estrito e prolongado encarceramento nas gélidas fortalezas das montanhas de Adhirbáyján. Notamos o desdém e o ciúme covarde mostrados respectivamente pelo magistrado chefe do reino e pelo primeiro ministro de seu governo; o interrogatório burlesco cuidadosamente preparado que se realizou na presença do herdeiro ao trono e dos eminentes eclesiásticos de Tabriz, e a vergonha inflição da bastonada na casa de oração pelas mãos dos Shaykhu´l-Islám dessa cidade. Seguiu-se, então o ato final: o de suspendê-Lo na praça do quartel de Tabriz e disparar contra Seu peito juvenil uma carga de cerca de setecentas balas na presença de uma insensível multidão de dez mil pessoas, culminando na ignominiosa exibição de Seus restos mutilados na margem do fosso além do portão da cidade. Foram estas as etapas progressivas no tumultuoso e trágico ministério Daquele Cuja Era inaugurou a consumação de todas as Eras, e Cuja Revelação cumpriu a promessa de todas as Revelações.
“Juro por Deus”, escreveu o próprio Báb, em Sua Epístola a Muhammad Sháh, “soubesses tu o que me sobreveio, no espaço destes quatro anos, nas mãos de teu povo e teu exército, conservarias suspenso teu hálito por temor a Deus... Ai, ai das coisas que a Mim tocaram! Juro pelo Senhor Supremo! Se te fosse dito em que lugar resido, a primeira pessoa a Me mostrar misericórdia serias tu próprio. No coração de uma montanha, está situada uma fortaleza (Mákú)... cujos habitantes se limitam a dois guardas e quatro cães. Imagina, pois, minha situação... Nesta montanha, permaneço só, e em tal estado que nenhum dos que Me antecederam sofreu o que eu tenho sofrido, nem qualquer transgressor suportou o que tenho suportado!”
“A que ponto estais veladas, ó Minhas criaturas!” - assim Ele, falando com a voz de Deus, revelou no Bayán – “...pois, sem direito algum, O relegastes a uma montanha cujos habitantes são indignos de menção... Não se acha com Ele, ou seja Comigo, pessoa alguma salvo aquela que é uma das Letras dos Viventes de Meu Livro. Em Sua Presença, ou seja em Minha Presença, nem sequer existe uma lâmpada à noite! E no entanto, nos lugares (de adoração), os quais se dedicam, em vários graus, à Sua busca, reluzem inúmeras lâmpadas. Tudo o que existe na terra foi criado para Ele, e todos participam com deleite de Seus benefícios, mas Dele se acham tão velados que Lhe negam até uma lâmpada!”
E que dizermos de Bahá’u’lláh, o germe de Cuja Revelação – segundo testemunha o Báb – é dotado de uma potência superior às forças reunidas da Era Bábí? Aquele por Quem o Báb sofrera e sacrificara a vida em circunstâncias tão trágicas e miraculosas – não foi Ele, durante quase meio século, e sob o domínio dos dois mais poderosos potentados do Oriente, objeto de uma conspiração sistemática dificilmente igualada – no que se refere aos seus efeitos e sua duração – nos anais das religiões anteriores?
“As crueldades que Meus opressores Me infligiram” – Ele Próprio, em Sua angústia, exclamou – “fizeram-Me curvar sob seu peso e Me embranqueceram o cabelo. Se te apresentasses ante Meu trono, não poderias reconhecer a Beleza Antiga, pois a frescura de Seu semblante se acha alterada e seu esplendor já esvaeceu, em conseqüência da opressão dos infiéis. Deus é Minha Testemunha! Dissolveram-se Seu coração, Sua alma e Sua vitalidade!” “Foste tu ouvir com Meu ouvido,” declara Ele também, “perceberias como Ali (o Báb) lamenta por Mim na presença do Companheiro Glorioso, como Maomé chora por Mim no Horizonte excelso, e como o Espírito (Jesus) se bate na cabeça, no céu de Meu decreto, por causa daquilo que sobreveio a este Injuriado, das mãos de todo pecador impiedoso.” E em outra Epístola escreve: “Diante de Mim se ergue a serpente da ira com maxilas estendidas para Me engolfar, e atrás de Mim com passo altivo vem o leão da fúria, ávido de me despedaçar, e acima de Minha cabeça, ó Meu Bem-Amado, estão as nuvens de Teu decreto, fazendo que caiam sobre Mim chuvas de tribulações, enquanto debaixo de Mim se acham fixos os dardos do infortúnio, prontos para Me ferir os membros e o corpo.” E afirma ainda: “Se te pudesse ser contado o que sucedeu à Beleza Antiga, fugirias à solidão para chorares com grande pranto. Em tua angústia te baterias na cabeça, exclamando como se tivesses sido aferretoado pelo aguilhão da víbora... Pela justiça de Deus! Toda manhã ao levantar-me do leito, eu descobria as incontáveis hostes de aflições aglomeradas atrás da Minha porta, e toda noite ao Me deitar, eis que Meu coração se dilacerava de agonia por causa daquilo que sofrera da crueldade diabólica de seus inimigos. Com cada pedaço de pão partido pela Beleza Antiga, vem o assalto de uma nova aflição, e, com cada gota sorvida, está misturada a amargura da mais lastimável das provações. Procede-a, a cada passo que dá, um exército de calamidades imprevistas, enquanto à retaguarda seguem legiões de tristezas agonizantes.”
Foi Bahá’u’lláh que, com a idade de apenas vinte e sete anos, se levantara espontaneamente, na qualidade de simples adepto, para defender a nascente Causa do Báb, e que, ao assumir a verdadeira direção de uma seita proscrita e atormentada, expôs Sua própria Pessoa, como também Seus parentes e bens, posição e nome, a graves perigos, a investidas sangrentas, à espoliação geral e às difamações furiosas tanto por parte do governo como por parte do povo. E embora fosse Portador de uma Revelação cujo Dia “cada Profeta anunciara”, pela qual “a alma de todo Mensageiro Divino tem ansiado”, e na qual “Deus pôs à prova os corações da inteira companhia de Seus Mensageiros e Profetas” – ainda que Portador de tal Revelação, Ele, à instância dos eclesiásticos xiitas e pela ordem do próprio Xá, foi aprisionado, durante quatro meses, em completa escuridão, na companhia dos piores criminosos e sob o peso de correntes esfoladoras, tendo de respirar o ar pestilencial de uma masmorra infestada de ratos, em Teerã, lugar que, segundo Ele mesmo declarou subseqüentemente, se converteu, de um modo misterioso, na própria cena do anúncio que Deus Lhe fez de Sua condição de Profeta.
Bahá’u’lláh escreveu em Sua Epístola ao Filho do Lobo: “Por quatro meses fomos relegados a um lugar horrendo além de comparação. Quanto à masmorra em que foram confinados este injuriado e outros semelhantemente injuriados, um abismo estreito e tenebroso era preferível... A masmorra estava envolta em densa escuridão, e Nossos companheiros de prisão eram umas cento e cinqüenta almas – ladrões, assassinos e salteadores. Embora encerrasse tão grande número, não havia saída, mas somente a passagem por onde entramos. Para retratar esse local, a pena falha, nem pode a língua descrever seu nauseabundo odor. A maioria desses homens não tinha vestimenta nem sequer um lençol onde se deitar. Só Deus sabe o que Nos sucedeu nesse lugar fétido e sombrio!” Segundo o escritor, Dr. J.E. Esslemont: “‘Abdu’l-Bahá conta que um dia obteve licença para entrar no pátio da prisão a fim de ver Seu querido Pai quando saísse para o exercício diário. Bahá’u’lláh estava horrivelmente mudado e tão enfermo que mal podia andar, com o cabelo e a barba em desordem, o pescoço ferido e inchado devido à pressão do pesado colar de aço, e o corpo curvado pelo peso das correntes”. “Durante três dias e três noites”, narra Nabíl em sua crônica, “não deram espécie alguma de alimento ou bebida a Bahá’u’lláh, não Lhe sendo possível nem sono nem descanso. O recinto todo estava infestado de ratos, e o fétido dessa tenebrosa morada bastava para esmagar os próprios espíritos daqueles condenados a sofrer seus horrores.” “Tal foi a intensidade de Seu sofrimento que os sinais dessa crueldade permaneceram gravados em Seu corpo durante todos os dias de Sua vida.”
E que dizermos das outras tribulações que O atingiram, não só antes como imediatamente após tão funesto episódio? Que dizermos de Seu encarceramento na casa de um dos Kad-Khudás de Teerã? Ou da violência selvagem com que foi apedrejado pelo povo iroso nas cercanias da aldeia de Níyálá? Ou de Sua prisão pelos emissários do exército do Xá em Mázindarán, e da bastonada ordenada por siyyids e mujtahids em cujas mãos fora entregue pelas autoridades civis de Amul, ordem esta executada em presença deles em assembléia? Ou dos brados de zombaria e abuso com que uma multidão de ferozes Lhe foi subseqüentemente no encalço? Ou da monstruosa acusação feita contra Ele pela Casa Imperial, pela Corte e pelo povo, na ocasião do atentado à vida do Xá Násiri´d-Dín? Que dizermos dos ultrajes infames, do abuso e escárneo amontoados sobre Ele, quando oficiais responsáveis do governo O conduziram preso de Níyávarán, “a pé e acorrentado, descalço e com a cabeça descoberta”, exposto aos raios impiedosos do sol de pleno verão, até o Síyáh-Chál de Teerã? Ou da avidez com que oficiais corruptos saquearam Sua casa, levando todas as Suas possessões e dispondo de Sua fortuna? Ou do edito cruel que veio arrancá-Lo do pequeno grupo de discípulos do Báb – perplexos, caçados e sem pastor – separando-O de parentes e amigos e, em pleno inverno, banindo-O, espoliado e difamado, para Iraque?
Embora fossem tão severas essas tribulações, sucedendo uma após outra com rapidez estonteadora, em conseqüência dos ataques premeditados e das maquinações consistentes da corte, do clero, do governo e do povo – foram, no entanto, apenas o prelúdio de um cativeiro, extenso e impressionante, iniciado formalmente por aquele edito. Prolongando-se por um período de mais de quarenta anos e levando-O sucessivamente a Iraque, Sulaymáníyyih, Constantinopla, Adianopla e, por fim, à colônia penal de ´Akká, este longo exílio terminou, afinal, com Sua morte, aos setenta e cinco anos, findando assim um cativeiro que, em seu âmbito, sua duração, e na diversidade e agudez de suas aflições, é sem paralelo na história das Eras anteriores.
Desnecessário é estendermo-nos sobre os episódios especiais que lançam uma luz nefasta sobre os anais comoventes desse período. Desnecessário é tratarmos minuciosamente do caráter e das ações dos povos, governantes e eclesiásticos que participaram deste maior drama da história espiritual do mundo e concorreram para tornar mais pungentes suas cenas.
4. FEIÇÕES DESTE DRAMA COMOVENTE
Se enumerarmos só algumas das feições que sobressaem neste drama comovedor, será o bastante para que, no leitor destas páginas já familiarizado com a história da Fé, desperte a memória daquelas vicissitudes pelas quais ela passou e que o mundo até agora olha com tão frígida indiferença. Entre estas destacamos: a obrigatória e súbita retirada de Bahá’u’lláh às montanhas de Sulaymáníyyih e as conseqüências angustiantes deste afastamento completo por dois anos; as intrigas contínuas dos expoentes do islã xiita em Najaf e Karbilá, em estreita e perpétua colaboração com os aliados na Pérsia; o aumento das medidas repressivas decretadas pelo Sultão ´Abdu´l-´Azíz, as quais levaram a seu clímax a defecção de certos membros proeminentes da comunidade em exílio; a execução de ainda outra ordem de desterro pelo mesmo sultão, esta vez para aquela longínqua e mais desolada das cidades, causando tamanho desespero que dois dos exilados tentaram suicídio. Notamos a vigilância inexorável à qual foram sujeitados, por oficiais hostis, ao chegarem em ´Akká, e o intolerável encarceramento, por dois anos, no quartel dessa cidade; o interrogatório ao qual o pashá turco submeteu seu prisioneiro, subseqüentemente, na sede do governo, e Sua prisão durante nada menos de oito anos, numa casa humilde rodeada pelo ar viciado dessa cidade, consistindo Seu recreio único em andar no estreito espaço de Seu quarto. Todas estas, bem como outras tribulações, proclamam por um lado a natureza das indignidades que sofreu e, por outro, apontam com o dedo da acusação aqueles poderosos da terra que tão penosamente O maltrataram ou que, ao menos, Lhe negaram seu socorro.
Não é de se admirar haver a Pena Daquele que suportou esta angústia com tão sublime paciência, revelado estas palavras: “Aquele que é o Senhor do visível e do invisível está agora manifesto a todos os homens. Seu abençoado Ser sofreu tal injustiça que, se todos os mares, visíveis e invisíveis, se convertessem em tinta, e tudo o que existe no reino se transformasse em penas, e todos os que estão nos céus e na terra se fizessem escribas, não lograriam, certamente, registrá-lo.” E também: “Durante a maior parte de Minha vida tenho Eu estado, assim como um escravo, sentado sob uma espada suspensa por um fio, não sabendo se cedo ou tarde cairia sobre ele.” E afirma ainda: “Tudo o que esta geração Nos poderia oferecer, foram feridas provenientes de seus dardos, e a única taça com que brindaram Meus lábios foi a taça de seu veneno. Em nosso pescoço temos ainda a marca das correntes, e sobre Nosso corpo se acham gravadas as evidências de uma crueldade inexorável.” “Passaram-se vinte anos, ó Reis,” escreveu Ele, dirigindo-se aos reis da cristandade, no auge de Sua missão, “durante os quais temos, cada dia, experimentado a agonia de uma nova tribulação. Nenhum dos que Nos antecederam suportou as coisas que Nós temos suportado. Oxalá pudésseis percebê-lo! Os que contra Nós se levantaram, mataram-nos, derramaram Nosso sangue, espoliando Nossas propriedades e violando Nossa honra. Embora cientes da maior parte de Nossas aflições, vós, no entanto, não detivestes a mão do agressor. Pois não é claramente vosso dever restringir a tirania do agressor, e tratar vossos súditos com equidade, a fim de que vosso alto sentido de justiça seja plenamente demonstrado a todos os homens?”
Qual governante, seja do Oriente ou do Ocidente – podemos perguntar com confiança – em qualquer ocasião desde o alvorecer de tão transcendente Revelação, se dispôs a levantar a voz para elogiá-la ou para repreender aqueles que a perseguiam? Qual o povo que, no percurso de tão longo cativeiro, se achou constrangido a erguer-se e estancar o fluxo de tamanhas tribulações? Qual o soberano, excetuando-se uma só mulher, radiosa em glória solitária, que se sentisse impelido a responder ao chamado percuciente de Bahá’u’lláh? Quem dentre os grandes da terra inclinou-se a outorgar, à recém-nascida Fé Divina, o benefício de seu reconhecimento ou apoio? Qual das multidões de credos, seitas, raças, partidos e classes, e das altamente diversificadas escolas do pensamento humano, considerou que fosse necessário dirigir o olhar para a nascente luz da Fé, contemplar seu sistema enquanto evoluía, ponderar seus processos ocultos, avaliar sua poderosa mensagem, reconhecer seu poder regenerador, abraçar sua verdade salutífera ou proclamar suas realidades eternas? Quem dentre aqueles versados nos conhecimentos do mundo, os chamados homens de percepção e sabedoria, pode afirmar com justiça – após haver decorrido quase um século – que tenha aprovado desinteressadamente seu tema ou visto com imparcialidade suas pretensões, que haja feito esforços suficientes para se aprofundar em sua literatura, empenhando-se assiduamente em separar os fatos da ficção, ou que tenha dedicado à sua Causa o tratamento merecido? Onde estão os que se sobressaem no campo das artes ou no das ciências – excetuando-se apenas poucos casos isolados – que tenham levantado o dedo, ou sussurrado uma palavra em defesa ou em elogio de uma Fé que proporcionou ao mundo tão inestimável benefício, sofreu por tanto tempo e tão intensamente, e encerra em seu âmago tão extasiante promessa para um mundo assim atribulado, de tal maneira lastimável e tão manifestamente falido?
Ao sempre montante fluxo de provações que acabrunhou o Báb, às prolongadas calamidades que choveram sobre Bahá’u’lláh, às advertências expressas tanto pelo Arauto como pelo Autor da Revelação Bahá’í, devemos acrescentar os sofrimentos pelos quais passou ‘Abdu’l-Bahá por nada menos de setenta anos, bem como Suas exortações e súplicas expressas no anoitecer de Sua vida relativas aos perigos que ameaçavam cada vez mais a humanidade inteira ‘Abdu’l-Bahá nasceu no ano exato em que testemunhou a etapa incipiente da Revelação Babí, sendo batizado com os fogos iniciais de perseguição que se enfureciam em volta dessa Causa ainda na infância; foi testemunha ocular, quando menino de oito anos, das violentas comoções que abalavam a Fé esposada pelo Seu Pai, com quem participou da ignomínia, dos perigos e dos rigores conseqüentes dos sucessivos desterros de Sua pátria para países muito além de seus confins; foi preso e forçado a suportar, numa cela sombria, a indignidade do encarceramento logo após Sua chegada em ´Akká, sendo objeto de repetidas investigações, alvo de ataques e afrontas incessantes sob o domínio despótico do Sultão ´Abdu´l-Hamíd e, mais tarde, sob a inexorável ditadura militar do suspeitoso e cruel Jamál Pashá. Assim também ‘Abdu’l-Bahá, Centro e Pivô do incomparável Convênio de Bahá’u’lláh e perfeito Exemplar de Seus Ensinamentos, teve de sorver o cálice da tribulação oferecido pelas mãos dos potentados, eclesiásticos, governos e povos – o mesmo cálice angustiante que fora sorvido pelo Báb e por Bahá’u’lláh, como também por muitos daqueles que Os seguiam.
Os que trabalham pela divulgação da Fé de Seu Pai no mundo ocidental bem conhecem as advertências procedentes da Pena de ‘Abdu’l-Bahá e de Sua voz, em Epístolas e discursos sem conta, durante a prisão de quase a vida toda, e no percurso de Suas extensas viagens no continente europeu como também no norte-americano. Quão freqüente e fervorosamente apelava Ele às autoridades, e ao público em geral, para que examinassem com imparcialidade os preceitos enunciados pelo Seu Pai! Com quanta precisão, e com que ênfase, desdobrou o sistema da Fé de que era expositor, elucidando-lhe as verdades fundamentais, frisando-lhe as feições distintivas, e proclamando o caráter redentivo de seus princípios! Com quanta insistência prognosticou Ele o caos que ameaçava, os distúrbios que se aproximavam, a conflagração universal que, nos últimos anos de Sua vida, apenas começava a revelar o âmbito de sua força e o que significaria seu impacto sobre a sociedade humana!
Sendo assim, pois, co-participante dos lastimáveis sofrimentos e das frustrações momentâneas que afligiram ao Báb e a Bahá’u’lláh; fazendo durante a vida uma colheita desproporcional a Seus esforços sublimes, árduos e incessantes; sentindo as perturbações iniciais da catástrofe mundial à espera de uma humanidade descrente; curvado de velhice, com os olhos ofuscados pela tempestade iminente, em conseqüência do mau acolhimento que uma geração sem fé dera à Causa de Seu Pai, e com o coração dilacerado ao avistar o destino imediato dos refratários filhos de Deus - ‘Abdu’l-Bahá sucumbiu, afinal, sob o peso de tribulações infligidas a Ele, justamente como a Seus predecessores, por aqueles que seriam chamados, muito breve, a um juízo temível.
“Apressa, ó meu Deus!” – exclamou Ele numa ocasião em que a adversidade O assediara penosamente – “os dias de minha ascensão a Ti, de minha ida para diante de Ti, de minha entrada em Tua Presença, a fim de que eu seja libertado das trevas da crueldade da qual sou vítima, e possa penetrar na atmosfera luminosa de Tua proximidade, ó meu Senhor, o Todo-Glorioso, e repousar à sombra de Tua grande misericórdia.” “Yá-Bahá´u´l-Abhá (Ó Tu, a Glória das Glórias)!” – Ele escreveu numa Epístola revelada durante a última semana de Sua vida – “Renunciei o mundo e seu povo, e meu coração está aflito e dilacerado por causa dos infiéis. Na gaiola deste mundo inquieto-me, assim como um pássaro assustado, e todo dia anseio pela liberdade de voar para Teu Reino. Yá-Bahá´u´l-Abhá! Faze-me sorber o cálice do sacrifício, e põe-me em liberdade. Livra-me destas tribulações e angústias, destes sofrimentos e dificuldades.”
Queridos amigos! Que lástima, mil vezes que lástima, uma Revelação de tão incomparável grandeza, infinito valor e tremenda potência, e tão claramente inócua, ter recebido, das mãos de uma geração tão cega e perversa, esse infame tratamento! “Ó Meus servos!” – assim o próprio Bahá’u’lláh dá testemunho – “Deus Uno e Verdadeiro é Minha Testemunha! Este oceano mais grandioso, insondável e encapelado, está perto, espantosamente perto, de vós. Vede, está mais próximo do que vossa veia vital! Celeremente, como um abrir e fechar de olhos, podereis – se apenas assim desejardes – atingir este favor imperecível, participar desta graça concedida por Deus, desta dádiva incorruptível, desta mercê potentíssima e indizivelmente gloriosa.”
5. UM MUNDO QUE DELE SE AFASTOU
Após o decurso de quase cem anos, com que deparam nossos olhos ao se dirigirem à cena internacional e ao verem, em retrospecto, os primórdios da história Bahá’í? Um mundo convulsionado pelas angústias da contenda entre sistemas, raças e nações, enredado na malha de suas falsidades acumuladas, afastando-se cada vez mais Daquele que é o Autor único de seus destinos, e abismando-se mais e mais profundamente numa carnificina suicida precipitada pelo seu desprezo e pela sua perseguição Àquele que é seu Redentor; e, por outro lado, uma Fé, ainda proscrita, mas que já rompe a crisálida, emergindo da obscuridade de uma repressão secular, e presenciando as terríveis evidências da ira de Deus, enquanto se aproxima de seu destino – o de se erguer acima das ruínas de uma civilização desmoronada. Apresenta-se um mundo desvalido espiritualmente, em estado de bancarrota moral, de desintegração política e convulsão social, economicamente paralisado, agonizante, sangrento, quebrando sob a vara vingativa de Deus; e vemos uma Fé cujo chamado continua desatendido, cuja mensagem foi rejeitada, e cujas advertências encontraram apenas escárneo; uma Fé que viu seus adeptos trucidados, seus objetivos e propósitos pervertidos e seu apelo aos governantes da terra recebido com menosprezo; uma Fé Cujo Arauto sorveu o cálice do martírio, sobre a cabeça de Cujo Autor se enfureceu um mar de tribulações inauditas e Cujo Expoente sucumbiu sob o peso dos desmedidos infortúnios e tristezas que sofrera por toda a vida. Apresenta-se um mundo desorientado, onde a brilhante chama da religião rapidamente se esvaece, enquanto as forças de um nacionalismo e um racismo estrepitosos usurpam os direitos e prerrogativas do próprio Deus; onde um secularismo flagrante – nascido diretamente da irreligião – ergue sua cabeça triunfadora, salientando-se suas feições repulsivas; um mundo em que a “majestade de rei” foi desonrada e os que se revestiam de seus emblemas foram, em sua maior parte, lançados de seus tronos, enquanto as hierarquias eclesiásticas do islã, outrora predominantes, e, em grau menor, as do cristianismo, caíram em descrédito; um mundo em que o vírus do preconceito e da corrupção está carcomendo as vísceras de uma sociedade já gravemente desordenada. E vemos uma Fé cujas instituições – padrão e glória culminante da era que há de vir – têm sido alvo de desprezo, sendo, em alguns casos, espezinhadas e destruídas, e cujo sistema, em vias de evolução, sofreu escárneo e foi em parte danificado e supresso; cuja Ordem nascente – único refúgio de uma civilização nos braços do destino – foi objeto de desdém e de desafio; cujo Templo-Matriz foi apreendido e desapropriado, e cuja “Casa” – “centro de atração de um mundo devoto” – por uma vergonhosa falha da justiça, assim como testemunhou o mais alto tribunal do mundo, foi entregue às mãos de seus inimigos implacáveis e por eles violada.
Vivemos numa era que, de fato – se fôssemos avaliá-la devidamente -, seria considerada testemunha ocular de um fenômeno dual. O primeiro assinala a última agonia de uma ordem gasta e atéia, que se recusou obstinadamente – apesar dos sinais e portentos de uma Revelação secular – a pôr seus processos em harmonia com os preceitos e ideais que lhe oferecera aquela Fé enviada do céu. O segundo proclama o nascimento doloroso de uma Ordem divina e redentora, destinada inevitavelmente a substituir a primeira, e dentro de cuja estrutura administrativa uma civilização embrionária, incomparável e de âmbito mundial, está amadurecendo, embora ainda de modo imperceptível. A primeira ordem está sendo posta de lado, ruindo em opressão, carnificina e destruição. A outra aponta o caminho para uma justiça, uma união, uma paz, uma cultura como jamais foram vistas por qualquer época anterior. A primeira já despendeu suas forças, demonstrou sua falsidade e sua esterilidade, perdeu irreparavelmente sua oportunidade e precipita-se para seu calamitoso fim. A segunda, viril e invencível, está rompendo suas correntes e reivindicando seu título de ser o refúgio único dentro do qual uma humanidade, de há muito alvo de perseguições mas, afinal, purificada de sua escória, possa atingir seu destino.
“Em breve,” profetizou o próprio Bahá’u’lláh, “se haverá posto de lado a Ordem atual e em seu lugar uma nova desdobrar-se-á”. E também: “Por meu próprio Ser! Aproxima-se o dia no qual teremos enrolado o mundo e tudo o que nele se acha, e desdobrando uma Nova Ordem em seu lugar”. Aproxima-se o dia no qual Deus terá feito levantar-se um povo que se lembre de Nossos dias, conte a história de Nossas provações e exija a restituição de Nossos direitos por aqueles que, sem partícula alguma de evidência, nos trataram com injustiça manifesta.”
Queridos amigos! Quanto às provações que afligiram a Fé introduzida por Bahá’u’lláh, uma responsabilidade assombrosa e inescapável cai sobre aqueles em cujas mãos foram entregues as rédeas da autoridade civil e eclesiástica. Tanto os reis da terra como os dirigentes religiosos do mundo, primariamente, haverá de encarar tão terrível responsabilidade. “Cada um bem sabe” – o próprio Bahá’u’lláh dá testemunho – “que todos os reis se afastaram Dele e todas as religiões Lhe fizeram oposição”. E declara: “Desde tempos imemoriais, os exteriormente investidos da autoridade têm impedido os homens e volverem a face para Deus. Não gostaram que os homens se reunissem em volta do Oceano Mais Grandioso, pois vieram a considerar, e ainda consideram que, assim fazendo, causariam a desintegração de sua soberania”, “Os reis,” escreve Ele, ainda mais, “reconheceram que não era de seu interesse admitir Minha declaração, como também os ministros e os sacerdotes, muito embora Meu propósito se tenha revelado do modo mais explícito nos Livros e Epístolas Divinas, e o Verdadeiro tenha proclamado haver esta Revelação Suprema aparecido a fim de melhorar o mundo e exaltar as nações.” “Deus Misericordioso!” escreve o Báb no Dalá´il-i-Sab´ih (Sete Provas) com referência aos “sete poderosos soberanos que regem o mundo” em Seu dia, “Nenhum deles foi informado de Sua Manifestação (do Báb) e, se informado, Nele não acreditou. Quem sabe, eles podem deixar este mundo inferior cheios de desejo e sem terem percebido que já se realizara o que esperavam. Foi o que aconteceu aos monarcas que se prenderam ao Evangelho. Embora esperassem a vinda do Profeta de Deus (Maomé), quando Ele apareceu, não O reconheceram. Vede que grandes somas despenderam esses soberanos, sem ao menos pensarem incumbir um oficial da tarefa de lhes tornar conhecido em seus domínios o Manifestante de Deus! Teriam assim cumprido o fim para que foram criados. Todos os seus desejos concentraram-se, e ainda se concentram, em deixar atrás de si traços de seus nomes”. O Báb, além disso, no mesmo tratado, censurando os sacerdotes cristão por não haverem admitido a verdade da missão de Maomé, faz esta afirmação iluminadora: “A culpa recai sobre seus doutores, pois tivessem estes acreditado, teriam sido seguidos pela generalidade de seus compatriotas. Vede, pois, o que sucedeu! Os sábios do cristianismo são assim considerados em virtude de salvaguardarem os ensinamentos de Cristo, e vede, no entanto, como eles próprios têm sido a causa de os homens deixarem de aceitar a Fé e atingir a salvação!”
6. OS RECEPTORES DA MENSAGEM
Não se deve esquecer de que foi aos reis da terra e dirigentes religiosos do mundo, acima de todas as demais categorias de homens, que tanto o Báb como Bahá’u’lláh dirigiram Sua Mensagem. Em numerosas e históricas Epístolas, foram eles deliberadamente convocados para responder ao chamado de Deus, e a eles se destinaram, em linguagem clara e enfática, os apelos, as admoestações e as advertências de Seus Mensageiros, alvos de tanta perseguição. E, quando a Fé nasceu e, mais tarde, ao ser proclamada sua missão, foram eles, ainda, em sua maior parte, que exerciam autoridade civil e eclesiástica sobre seus súditos e adeptos, de um modo inquestionável e absoluto. E esses dirigentes seculares e religiosos – quer gloriando-se da pompa e do fausto de uma realeza ainda pouco sujeita a limitações constitucionais, quer entrincheirados nas cidadelas de um poder eclesiástico aparentemente inviolável – foram os que assumiram a responsabilidade final por qualquer injúria de que fossem autores aqueles cujos destinos imediatos eles controlavam. Não seria exagero dizermos que, na maioria dos países dos continentes da Europa e da Ásia, o absolutismo por um lado e, por outro, a completa subordinação às hierarquias eclesiásticas, eram ainda as características sobressalentes da vida política e da vida religiosa das massas. E a estas, assim sujeitas a esse predomínio, assim acorrentadas, não era permitida a liberdade necessária para que pudessem avaliar as pretensões e os méritos da Mensagem que lhes fora oferecida, ou abraçar, sem reservas, sua verdade.
Não é de se admirar, pois, haverem o Autor da Fé Bahá’í e, em grau menor, seu Arauto, dirigido aos supremos governantes civis e religiosos do mundo a plena força de Suas Mensagens, enviando-lhes algumas de Suas Epístolas mais sublimes e, em linguagem a um tempo clara e insistente, convidando-os a atender ao Seu chamado. Não é de se admirar haverem Eles se empenhado em lhes aclarar as verdades de Suas respectivas Revelações, e se estendido sobre Suas tribulações e Seus sofrimentos. Não devemos admirar que Eles tivessem acentuado o inestimável valor das oportunidades ao alcance desses governantes, e os advertido, em tons agourentos, das graves responsabilidades que a rejeição da Mensagem de Deus acarretaria, predizendo-lhes, ao serem negados e sujeitados, as temíveis conseqüências de tal rejeição. Não devemos admirar que Aquele Rei dos Reis, Vice-regente do próprio Deus, ao ser abandonado, condenado e perseguido, tivesse pronunciado essa epigramática e momentosa profecia: “O poder foi tirado destas duas categorias dentre os homens: reis e eclesiásticos”.
Quanto aos reis e imperadores que não só simbolizavam em suas pessoas a majestade do domínio terreno, mas que, em sua maior parte, exerciam inatacável autoridade sobre as multidões de seus súditos, sua relação com a Fé introduzida por Bahá’u’lláh constitui um dos episódios mais iluminadores da história das Épocas Heróica e Formativa desta Fé. O Chamado Divino que abrangia dentro de seu âmbito tão grande número das cabeças coroadas não só da Ásia mas também da Europa; o tema e a linguagem das Mensagens que os puseram em contato direto com a Fonte da Revelação de Deus; a natureza de sua reação a tão estupendo impacto; e os resultados que se seguiram, e ainda hoje podem ser verificados – tudo isto – são as feições salientes de um assunto em que eu posso apenas inadequadamente tocar, mas do qual futuros historiadores Bahá’ís tratarão de um modo completo e digno.
O imperador dos franceses, Napoleão II, o mais poderoso governante de seu tempo no continente europeu; o Papa Pio IX, cabeça suprema da mais alta igreja da Cristandade e possuidor do cetro da autoridade temporal bem como espiritual; o onipotente tzar do vasto Império Russo, Alexandre II; a célebre Rainha Vitória, cuja soberania se estendia sobre a maior combinação política jamais vista pelo mundo; Guilherme I, Conquistador de Napoleão III, Rei da Prússia e recém-aclamado monarca de uma Alemanha unificada; Francisco José, autocrático rei-imperador da monarquia austro-húngara, herdeiro do afamado Santo Império Romano; o tirânico ´Abdu´l-Azíz, que incorporava todo o poder do qual foram investidos o sultanato e o califado; o notório Xá Násiri´d-Din, despótico governante da Pérsia e o supremo potentado do islã xiita – numa palavra, a maioria das proeminentes personificações do poder e da soberania em Seu tempo, foi, uma pós outro, objeto da especial atenção de Bahá’u’lláh, e teve de sustentar, em vários graus, o peso da força comunicada por Seus apelos e Suas advertências.
Devemos nos lembrar, entretanto, que Bahá’u’lláh não transmitiu Sua Mensagem exclusivamente a alguns soberanos individuais, por mais potentes que fossem seus respectivos cetros e vastos os domínios por eles governados. A todos os reis da terra, coletivamente, Sua Pena se dirigiu, apelando e advertindo, num tempo em que a estrela de Sua Revelação subia ao zênite, e enquanto Ele se achava preso nas mãos de Seu inimigo real, nas cercanias da corte deste. Numa Epístola memorável, designado o Súriy-i-Múluk (Súrih dos Reis), na qual foram especificamente mencionados e advertidos o próprio Sultão e seus ministros, os reis da cristandade, os embaixadores franceses e persas acreditados junto ao Sublime Porte, os principais eclesiásticos muçulmanos em Constantinopla, como também seus sábios e habitantes, o povo da Pérsia e os filósofos do mundo, Ele assim dirige Suas palavras à inteira companhia dos monarcas do Ocidente e do Oriente:
7. EPÍSTOLAS AOS REIS
“Ó Reis da Terra! Daí ouvidos à Voz de Deus, chamando desta Árvore sublime, cheia de frutos, que brotou da Colina Carmesim, sobre a Planície santa, entoando as palavras: - Não há outro Deus senão Ele, o Grande, o Todo-Poderoso, o Onisciente - ...Temei a Deus, ó assembléia dos reis, e não vos deixeis ser privados desta mais sublime graça. Rejeitai, pois, as coisas que possuis, e segurai-vos ao Amparo de Deus, o Excelso, O Grande. Volvei vossos corações para a Face de Deus e abandonai aquilo que vossos desejos vos tem mandado seguir, e não sejais dos que perecem. Relata-lhes, ó servo, a história de ´Alí (o Báb) quando Ele lhes veio com a verdade, trazendo Seu Livro glorioso e ponderado, segurando nas mãos um testemunho e uma prova concedida por Deus, e emblemas santos, benditos, por Ele enviados. Vós, porém, ó reis, deixastes de atender à lembrança de Deus em Seus dias e de ser guiados pelas luzes surgidas, brilhantes, por cima do horizonte do Céu esplendoroso. Não examinastes Sua Causa, mas se assim tivésseis feito, isso teria sido melhor do que tudo aquilo sobre o qual o sol brilha – pudésseis apenas perceber isto. Vós vos mantivestes indiferentes até que os sacerdotes da Pérsia – aqueles cruéis – pronunciaram sentença contra Ele e injustamente O trucidaram. Seu espírito ascendeu a Deus, e os olhos dos moradores do Paraíso e dos anjos próximos Dele prantearam por causa dessa crueldade. Guardai-vos de descuidar doravante, assim como tendes descuidado até agora. Voltai-vos, pois, para Deus, vosso Criador, e não sejais dos desatentos... Meu semblante saiu de trás dos véus e irradiou seu esplendor sobre tudo o que está no céu e na terra; e, no entanto, não Lhe volvestes a face, embora para Ele fosseis criados, ó assembléia de reis! Segui, pois, o que vos falo, e escutai-o com vossos corações, e não sejais dos que se desviaram. Porque vossa glória não consiste em vossa soberania, mas, antes, em vossa proximidade de Deus e em vossa obediência a Seu mandamento que baixou do céu em Suas Santas Epístolas preservadas. Se alguém de vós tivesse domínio sobre toda a terra, sobre tudo o que se acha dentro dela e sobre ela, seus mares, seus países, suas montanhas e suas planícies, mas, no entanto, não fosse lembrado por Deus, tudo isso proveito algum lhe traria – se apenas pudésseis saber isto... Levantai-vos, pois, e fazei firmes vossos pés e, em compensação por aquilo que vos escapou, dirigir-vos à Sua Santa Corte, à beira de Seu grandioso oceano, a fim de que as pérolas do conhecimento e da sabedoria guardadas por Deus na concha de Seu coração radiante, se vos possam revelar... Guardai-vos de impedir que os sopros de Deus emanem sobre vossos corações – sopros através dos quais se animam os corações dos que para Ele se volveram...”
“Não ponhais de lado o temor a Deus, ó reis da terra” – revelou Ele na mesma Epístola – “e guardai-vos de transgredir os limites fixados pelo Todo-Poderoso. Observai as injunções que vos foram impostas em Seu Livro, e acautelai-vos para que não ultrapasseis seus confins. Sede vigilantes, para não fazerdes injustiça a pessoa alguma, nem que seja nos limites de um grão de mostarda. Trilhai a vereda da justiça, pois esta, em verdade, é o caminho certo. Ajustai vossas diferenças e reduzi vossos armamentos, a fim de que seja diminuído o peso de vossos desembolsos, e vossas mentes e corações se possam tranqüilizar. Saneai as dissensões que vos dividem, e não mais necessitareis de armamentos, salvo o que for exigido para a proteção de vossas cidades e vossos territórios. Temei a Deus e guardai-vos de exceder os limites da moderação e ser incluídos no número dos extravagantes. Fomos informados de que aumentais vossos gastos cada ano e pondes o peso disso sobre vossos súditos. É, em verdade, mais do que podem suportar, e é uma injustiça lamentável. Tomai decisões justas entre os homens; sede entre eles os emblemas da justiça. Isso, se julgardes eqüitativamente, é a coisa que vos convém, que é digna de vossa posição.
“Guardai-vos de tratar de um modo injusto a quem vos fizer apelo ou buscar amparo à vossa sombra. Segui o caminho do temor a Deus, e sede dos que têm uma vida piedosa. Não dependais de vosso poder, nem de vossos exércitos e tesouros. Ponde toda a vossa confiança e Deus, que vos criou, e buscai Sua assistência em tudo. Somente Dele vem socorro. Ele ajuda a quem Lhe aprouver, com as hostes dos céus e da terra.
“Sabei que os pobres são a incumbência de Deus em vosso meio. Cuidai de não trairdes Sua incumbência, não os tratando com injustiça ou seguindo os caminhos dos traiçoeiros. Havereis, certamente, de responder por Sua incumbência, no dia em que for ajustada a Balança da Justiça, no dia em que cada um receberá o que merece, e se pesarão os atos de todos os homens, sejam ricos ou pobres.
“Se não atenderdes aos conselhos que Nós vos revelamos nesta Epístola, em linguagem incomparável e inequívoca, o castigo divino haverá de vos atacar de todos os lados, e a sentença de Sua justiça será pronunciada contra vós. Naquele dia, não tereis poder de Lhe resistir, e reconhecereis vossa própria impotência. Tende compaixão de vós próprios e daqueles sob o vosso domínio e julgai entre eles segundo as normas prescritas por Deus em Sua sacratíssima e excelsa Epístola – Epístola na qual Ele designou para cada coisa sua medida fixa, e deu com clareza uma explicação de todas as coisas, e que, em si, é uma advertência aos que Nele crêem.
“Examinai Nossa Causa, informando-vos das coisas que Nos aconteceram e decidindo com justiça entre Nós e Nossos inimigos, e sede dos que tratam seu próximo com eqüidade. Se não detiverdes a mão do opressor, se deixardes de salvaguardar os direitos dos oprimidos, que razão, pois, tereis de vos ufanar entre os homens? De que tendes o direito de vos jactar? Será de vosso alimento e vossa bebida que vos orgulheis, das riquezas que acumulais em vossos tesouros, ou da variedade e do valor dos ornamentos com que vos adornais? Fosse a glória verdadeira consistir na posse de coisas tão perecedoras, então a terra onde andais e deveria vangloriar sobre vós, pois é ela que vos supre e concede essas coisas, segundo o decreto do Todo-Poderoso. Nas entranhas da terra está contido tudo o que vós possuis, de acordo com o mandamento de Deus. Dela, como sinal de Sua misericórdia, extraís vossas riquezas. Vede, pois, vosso estado, a coisa de que vos gloriais! Oxalá pudésseis perceber isso! Não, por Aquele que segura na mão o domínio da criação inteira! Em parte alguma reside vossa glória verdadeira e durável, senão em vossa firme adesão aos preceitos de Deus, vossa obediência cordial às Suas leis, vossa resolução de não permitir que elas permaneçam sem efeito, e de seguir fielmente o caminho certo...”.
E também nessa mesma Epístola: “Passaram-se vinte anos, ó reis, durante os quais provamos cada dia a agonia de uma nova tribulação. Nenhum de Nossos antecessores suportou o que Nós temos suportado. Oxalá pudésseis perceber isso! Os que contra Nós se levantaram, Nos têm trucidado, derramando Nosso sangue, espoliando-Nos dos bens e violando Nossa honra. Vós, no entanto, embora cientes da maior parte de Nossas aflições, não detivestes a mão do agressor. E não é claramente vosso dever reprimir a tirania do opressor e tratar com eqüidade vossos súditos, a fim de demonstrar plenamente a toda a humanidade vosso alto sentido de justiça?
“Deus entregou às vossas mãos as rédeas do governo do provo para que o possais reger com justiça, salvaguardando os direitos dos espezinhados e punindo os malfeitores. Se descuidardes do dever que Deus vos prescreveu em Seu Livro, vossos nomes serão incluídos entre os daqueles que, a Seu ver, são injustos. Lastimável, de fato, será vosso erro. Quereis aderir àquilo tramado pelas vossas próprias imaginações, repelindo os mandamentos de Deus, o Excelso, o Inatingível, o Predominante, o Todo-Poderoso? Renunciando o que vós possuís, segurai-vos àquilo que Deus vos mandou observar. Sua graça é o que deveis buscar, pois quem a busca trilha Sua Vereda reta.
“Considerai Nosso estado atual, vede Nossas vicissitudes e provações, e não deixeis de Nos atender, nem que seja por um momento, e julgai com eqüidade entre Nós e Nossos inimigos. Isso vos será, seguramente, uma vantagem manifesta. Assim Nós vos relatamos Nossa história e narramos o que Nos sucedeu, a fim de que Nos possais atenuar as injúrias e reduzir o peso das aflições. Quem queira que Nos alivie de Nossas tribulações, e quanto àquele que não deseja fazê-lo, meu Senhor é, com toda a certeza, o Melhor Amparo.
“Adverte e informa o povo, ó Servo, daquilo que Nós fizemos descer a Ti, e não permitas que o medo de pessoa alguma Te acabrunhe, e não sejas dos que vacilam. Aproxima-se o dia em que Deles terá enaltecido Sua Causa e glorificado Seu testemunho aos olhos de todos os que estão nos céus e todos os que estão na terra. Em todas as circunstâncias, põe Tua inteira confiança em Teu Senhor; Nele fixa Teu olhar e afasta-Te de todos os que rejeitam Sua verdade. Que Deus, Teu Senhor, seja Teu socorro suficiente, Teu Amparo. Comprometemo-Nos a assegurar Teu triunfo na terra e exaltar Nossa Causa acima de todos os homens, ainda que não seja encontrado rei algum disposto a volver a face para Ti...”
No Kitáb-i-Aqdas (O Livro Sacratíssimo) – neste tesouro de inestimável valor, que encerra para sempre as mais brilhantes emanações da mente de Bahá’u’lláh, a Carta de Sua Ordem Mundial, o mais importante repositório de Suas leis, o Precursor de Seu Convênio, a Obra essencial que contém algumas de Suas mais nobres exortações, mais ponderosas declarações e profecias agourentas – Livro este revelado quando Suas tribulações estavam no auge e os governantes da terra O haviam definitivamente abandonado – neste Livro lemos o seguinte:
“Ó reis da terra! Já veio Aquele que é o Senhor soberano de todos. O Reino é de Deus, o onipotente Protetor, O que subsiste por Si Próprio. A ninguém adoreis senão a Deus e, com corações radiantes, erguei a face ao Senhor – Senhor de todos os nomes. Esta é uma Revelação com a qual nenhuma de vossas possessões jamais será comparável – pudésseis apenas saber isso. Vemos quanto vos regozijais naquilo que tendes amontoado de outrem, enquanto vos excluís dos mundos que somente Minha Epístola Guardada pode avaliar. Os tesouros que acumulastes vos tem desviado muito de vosso objetivo final. Isso mal vos convém – se apenas pudésseis compreender. Limpai vossos corações de toda corrupção terrena e apressai-vos a entrar no Reino de vosso Senhor, Criador da terra e do céu, que fez tremer o mundo e gemerem todos os seus povos, menos aqueles que renunciaram todas as coisas e aderiram àquilo ordenado pela Epístola Oculta...”
8. REVELADA A MAIOR LEI
E ainda: “Ó reis da terra! A Maior Lei foi revelada neste Lugar, nesta cena de transcendente esplendor. Tudo oculto veio à luz segundo a Vontade do Ordenador Supremo, Aquele que anunciou a Hora Final, através de Quem a Lua se rachou e todo decreto irrevogável foi exposto.
“Sois apenas vassalos, ó reis da terra! Aquele que é o Rei dos Reis apareceu, adornado de Sua glória, a mais maravilhosa, e vos convoca a Ele Mesmo, o Amparo no Perigo, O que subsiste por Si Próprio. Acautelai-vos para que o orgulho não vos detenha de reconhecer a Fonte da Revelação, nem as coisas deste mundo vos excluam, como se o fosse por um véu, Daquele que é o Criador do céu. Levantai-vos e servi Aquele que é o Desejo de todas as nações, que vos criou por uma palavra Sua e ordenou que fosseis, para todo o sempre, os emblemas de Sua soberania.
“Pela retidão divina! Não é Nosso desejo apoderarmo-nos de vossos reinos. É Nossa missão capturarmos e possuirmos os corações dos homens. Nestes é que Bahá fita os olhos. Disso dá testemunho o Reino dos Nomes – pudésseis apenas compreendê-lo. Quem ouve seu Senhor, há de renunciar ao mundo e a tudo o que nele se acha; quanto maior, pois, deve ser o desprendimento daquele que ocupa tão augusta posição! Abandonai vossos palácios e apressai-vos para que sejais admitidos a Seu Reino. Em, verdade, isto vos será proveitoso tanto neste mundo como no vindouro. O Senhor do reino nas alturas dá testemunho disso – se apenas o soubésseis.
“Quão grande ventura espera o rei que levantar a fim de promover Minha Causa em Meu Reino, desprendendo-se de tudo menos de Mim. Tal rei é contado entre os companheiros do Arco Rubro, Arco este que Deus preparou para o povo de Bahá. Todos lhe devem glorificar o nome, reverenciar a posição e prestar auxílio em abrir as cidades com as chaves de Meu Nome, onipotente Protetor de todos os que habitam os reinos visíveis e invisíveis. Tal rei é a própria vista da humanidade, o luminoso ornamento na fronte da criação, manancial de bênçãos para o mundo inteiro. Oferecei, ó povo de Bahá, vossa substância, ainda mais, vossa própria vida, em seu auxílio.”
E também, esta acusação evidente no mesmo Livro: “Nós nada pedimos de vós. Por amor a Deus, em verdade, vos exortamos, e seremos pacientes assim como temos sido pacientes naquilo que Nos sucedeu em vossas mãos, ó assembléia de reis!”
Além disso, em Sua Epístola à Rainha Vitória, Bahá’u’lláh nas seguintes palavras se dirige a todos os reis da terra, convocando-os a aderir à Paz Menor em distinção à Paz Maior, Paz esta a ser proclamada e, afinal, estabelecida, só por aqueles que possuem pleno conhecimento do poder de Sua Revelação e professam abertamente os preceitos de Sua Fé:
“Ó reis da terra! Nós vos vemos aumentardes, todo ano, vossas despesas, o peso das quais pondes sobre vossos súditos. Isso, em verdade, é inteira e vergonhosamente injusto. Temei os suspiros e as lágrimas deste Injuriado e não ponhais encargos excessivos sobre vossos povos. Não os roubeis a fim de erguerdes palácios para vós próprios; não, antes, escolhei para eles o que escolheis para vós mesmos. Assim desdobramos ante vossos olhos o que vos é proveitoso – se apenas o percebêsseis. Vossos povos são vosso tesouros. Acautelai-vos para que vosso governo não viole os mandamentos de Deus, e não entregueis vossos tutelados às mãos de ladrões. Pelos vossos povos é que governais, por meio deles subsistis, pela sua ajuda ganhais vossas vitórias. No entanto, com que desdém olhais para eles! Que estranho, muito estranho!
“Agora que recusastes a Paz Maior, segurai-vos a essa, a Paz Menor, a fim de que possais, em certo grau, melhorar vossa própria condição e a daqueles que de vós dependem.
“Ó governantes da terra! Sede reconciliados entre vós, para que não mais necessiteis de armamentos salvo na medida precisa a fim de proteger vossos territórios e domínios. Guardai-vos de desprezar o conselho do Onisciente, do Fiel.
“Uni-vos, ó reis da terra, pois assim a tempestade da discórdia se aquietará entre vós, e vosso povo encontrará sossego – se sois dos que compreendem. Se alguém dentre vós lançar mão de armas contra outro, levantai-vos todos contra ele, pois isso nada mais é que justiça manifesta.”
Aos reis cristãos, Bahá’u’lláh, além disso, dirige especialmente Suas palavras de censura e, em linguagem inequívoca, revela o verdadeiro caráter de Sua Revelação:
“Ó reis da cristandade! Não ouvistes o que disse Jesus, o Espírito de Deus: - Vou embora e venho outra vez a vós – Por que, então, quando Ele, de fato, vos veio outra vez nas nuvens, do céu, deixastes de vos aproximar Dele a fim de contemplardes Sua face e serdes dos que atingiram Sua Presença? Em outra passagem Ele diz: - Quando Ele vier, o Espírito da Verdade, Ele vos guiará a toda a verdade. E no entanto, quando Ele realmente trouxe a verdade, vede como vos recusastes a volver-Lhe a face e persististes em vos divertir com vossos passatempos e fantasias. Não Lhe destes boas vindas nem buscastes Sua Presença a fim de ouvirdes de Seus próprios lábios os versículos de Deus e participardes da múltipla sabedoria do Onipotente, do Todo-Glorioso, do Onisciente. Por causa dessa falha, impedistes o sopro de Deus de manar sobre vós e privastes vossas almas da doçura de sua fragrância. Continuais a vagar com deleite no vale de vossos desejos corruptos. Vós mesmos passareis, assim como tudo o que possuis. Regressareis, certamente, a Deus e tereis de responder pelos vossos atos, na Presença Daquele que convocará a criação inteira...”
Além disso, o Báb no Qayyúmu´l-Asmá´, Seu célebre comentário sobre o Súrih de José, revelado no primeiro ano de Sua Missão e caracterizado por Bahá’u’lláh como “o primeiro, o maior e o mais poderoso de todos os livros” na Era Babí, fez este comovente apelo aos reis e príncipes da terra:
“Ó assembléia dos reis e filhos dos reis! Renunciai, todos vós, vosso domínio, que pertence a Deus... Vão, em verdade, é vosso domínio, pois Deus determinou que as possessões terrenas pertencessem àqueles que O negaram... Ó assembléia dos reis! Transmiti veraz e celeremente os versículos revelados por Nós aos povos da Turquia e da Índia e, além destas, com poder e com veracidade, às terras não só do Oriente mas também do Ocidente... Por Deus! Se fizerdes bem, em vosso próprio benefício o fareis; e se negardes a Deus e Seus sinais, Nós, em verdade, tendo Deus, bem poderemos dispensar todas as criaturas e todo o domínio terreno.”
E mais adiante: “Temei a Deus, ó assembléia dos reis, para que não permaneçais longe Daquele que é Sua Lembrança (o Báb), depois de a Verdade vos haver vindo com um Livro e Sinais de Deus, segundo os enunciou a maravilhosa língua Daquele que é Sua Lembrança. Em Deus buscai graça, pois Deus vos destinou – após haverdes vós acreditado Nele – um Jardim cuja vastidão é como a vastidão de todo o Paraíso.”
Tais foram, pois, os conselhos e as advertências – dignos de assinalar uma nova época – que o Báb e Bahá’u’lláh dirigiram aos soberanos da terra, coletivamente e, sobretudo, aos reis da cristandade. Deixaria eu de fazer jus a meu tema se não levasse em conta, ou mesmo se tratasse de um modo superficial, aquelas apóstrofes audazes e cheias de augúrios aos monarcas individuais – reis ou imperadores – os quais ou miraram com fria indiferença as tribulações dos Fundadores gêmeos de nossa Fé, ou rejeitaram com desdém Suas advertências. Não posso citar passagens tão extensas como eu deveria, dos dois mil e mais versículos que emanaram da pena de Bahá’u’lláh e, em menor número, da pena do Báb, dirigidos aos monarcas individuais da Europa e da Ásia, nem é meu propósito estender-me sobre as circunstâncias que provocaram tão espantosos dizeres, nem sobre suas conseqüências. O historiador do futuro, contemplando mais amplamente e em mais plena perspectiva os momentosos acontecimentos da Era Apostólica e da Era Formativa da Fé Bahá’í poderá avaliar mais acuradamente sem dúvida, e descrever de um modo circunstancial as causas, as implicações e os efeitos dessas Mensagens Divinas que, em seu âmbito e em sua eficácia, não têm paralelo, de certo, nos anais religiosos da humanidade.
Ao Imperador francês, Napoleão III, Bahá’u’lláh dirigiu estas palavras: “ó Rei de Paris! Dize ao padre que não mais toque os sinos. Por Deus, o Verdadeiro! Apareceu o Sino Mais Poderoso na forma Daquele que é o Maior Nome, e os dedos da vontade de teu Senhor, o Excelso, o Altíssimo, o fazem soar no céu da imortalidade, em Seu Nome, o Todo-Glorioso. Assim os poderosos versículos de teu Senhor se fizeram descer outra vez para ti, a fim de que te levantasses para comemorar a Deus, Criador da terra e do céu, nestes dias em que todas as raças da terra se têm lastimado, e as fundações das cidades tremido, e a poeira da irreligião envolve todos os homens, salvo aqueles aos quais teu Senhor, o Onisciente, a Suma Sabedoria, quis eximir... Dá ouvidos, ó rei, à Voz que chama do Fogo ardendo nesta árvore verdejante, sobre este Sinai que se ergueu acima do sagrado Lugar níveo, além da Cidade Eterna: - Verdadeiramente, não há outro Deus senão Eu, o Infalível Perdão, o Mais Misericordioso! – Nós, em verdade, enviamos Aquele a Quem ajudamos como Espírito Santo (Jesus), a fim de vos anunciar esta Luz que brilhou do horizonte da vontade de vosso Senhor, o Excelso, o Todo-Glorioso, e cujos sinais foram revelados no Ocidente, para que vós volvêsseis a face para Ele (Bahá’u’lláh) neste Dia que Deus exaltou acima de todos os outros dias, e em que o Todo Misericordioso irradiou o esplendor de Sua fulgente glória sobre todos os que estão no céu e todos os que estão na terra. Levante-te para servir a Deus e promover Sua Causa. Ele, em verdade, ajudar-te-á com as hostes dos visíveis e dos invisíveis, e te fará rei de tudo aquilo sobre o que o sol se levanta. Teu Senhor, em verdade, é o Onipotente, o Todo Poderoso... Adorna teu templo com o ornamento de Meu Nome e tua língua com a lembrança de Mim, e teu coração com amor a Mim, o Todo-Poderoso, o Altíssimo. Nada desejamos para ti senão o que te é melhor que todas as tuas possessões e todos os tesouros da terra. Teu Senhor, em verdade, é o Conhecedor, o Onisciente...
“Ó Rei! Ouvimos as palavras que pronunciaste em resposta ao Tzar da Rússia, a respeito da decisão tomada sobre a guerra (Guerra da Criméia). Teu Senhor, em verdade, sabe, está informado de tudo. Disseste: - Eu estava adormecido em meu leito, quando o grito dos oprimidos, afogando no Mar Negro, me acordou – foi o que te ouvimos dizer e, em verdade, teu Senhor é testemunha daquilo que digo. Testificamos que não despertaste por causa de seu grito mas, sim, estimulado pelas tuas próprias paixões, pois Nós te provamos e te julgamos falho. Compreende o significado de Minhas palavras e sê dos que discernem... Tivesses tu sido sincero em tuas palavras, não terias lançado atrás de ti o Livro de Deus quando te foi enviado por Aquele que é o Todo-Poderoso, o Onisciente. Nós te temos provado por seu intermédio e te achado diferente do que professaste. Levanta-te e faze retribuição por aquilo que te escapou. Dentro em breve o mundo e tudo o que tu possuis perecerão e o reino restará a Deus, teu Senhor e o Senhor de teus pais de antanho. Não te convém proceder segundo os ditames de teus desejos. Teme os suspiros deste Injuriado e protege-O contra os dardos daqueles que agem com Injustiça. Por causa daquilo que fizeste, prevalecerá confusão em teu reino, e teu império passará de tuas mãos em punição pelos teus feitos, e saberás, pois, que erraste, claramente. Comoções haverão de apoderar-se de todo o povo nesse país, a menos que te levantes para ajudar esta Causa e sigas Aquele que é o Espírito de Deus (Jesus) neste Caminho reto. Será que tua pompa te haja tornado orgulhoso? Por Minha Vida! Não durará; não, muito breve há de passar, a menos que te segures firmemente a esta Corda forte. Vemos a humilhação se aproximar de ti rapidamente, enquanto tu és dos desatentos... Deixa para o povo dos túmulos teus palácios, e teu império para qualquer um que o desejar, e volve-te, pois, para o Reino. Isto, em verdade, é o que Deus escolheu para ti – fosses tu um dos que a Ele se dirigem – Se desejares suportar o peso de teu domínio, faze-o, então, em auxílio à Causa de teu Senhor. Glorificada seja esta condição – uma condição tal que, quando alguém a tiver atingido, terá atingido a todo o bem que procede Daquele que é o Onisciente, a Suprema Sabedoria... Regozija-te por causa dos tesouros que possuis, sabendo que hão de perecer. Congratulaste porque reges uma nesga de terra, quando o mundo inteiro, na estimativa do povo de Bahá, vale tanto quanto a pupila do olho de uma formiga morta. Abandona-a àqueles que a isso se afeiçoaram e volve-te para Aquele que é o Desejo do mundo. Aonde foram os orgulhosos e seus palácios? Contempla seus túmulos, a fim de aproveitares de seu exemplo, já que fizemos disso uma lição para cada um que os vê. Fossem os sopros da Revelação te atingir, fugirias do mundo, e te volverias para o Reino, e despenderias tudo o que possuis a fim de te poderes aproximar desta Visão sublime.”
9. EPÍSTOLA REVELADA AO PAPA
Ao Papa Pio IX, revelou Bahá’u’lláh o seguinte: “Ó Papa! Rompe os véus. Já veio Aquele que é o Senhor dos Senhores, envolto em nuvens, e o decreto foi cumprido por Deus, o Todo-Poderoso, o Independente... Ele, em verdade, desceu outra vez do céu, assim como daí desceu a primeira vez. Guarda-te de disputar com Ele, do mesmo modo como o fizeram os fariseus com Ele (Jesus), sem evidência clara ou prova alguma. À Sua direita manam as águas vivas da graça, e à Sua esquerda o Vinho escolhido da justiça, enquanto em Sua vanguarda marcham os anjos do Paraíso, levando as bandeiras de Seus sinais. Acautela-te para que nenhum nome te exclua de Deus, o Criador da terra e do céu. Deixa tu o mundo atrás de ti, e volve-te para teu Senhor, através de Quem toda a terra se iluminou... Resides tu em palácios enquanto Aquele que é o Rei da Revelação mora na mais desolada das habitações? Deixo-o àqueles que os desejam, e volve tua face com júbilo e deleite para o Reino... Levante-te em nome de teu Senhor, o Deus de misericórdia, entre os povos da terra, e toma o Cálice da Vida com as mãos da confiança e dele sorve tu primeiro, e então oferece-o a todos os que a ele se dirigirem dentre os povos de todas as crenças...
... “Lembra-te Daquele que foi o Espírito (Jesus) – como, quando veio, os mais doutos do Seu tempo pronunciaram sentença contra Ele em Seu próprio país enquanto aquele que era apenas um pescador, Nele acreditou. Acautelai-vos, pois, vós homens de coração compreensível! Tu, em verdade, és um dos sóis do céu de Seus nomes. Guarda-te, para que a treva não espalhe sobre ti seus véus e te exclua de Sua luz... Considera aqueles que se opuseram ao Filho (Jesus), quando Ele lhes veio com soberania e poder. Quão numerosos os fariseus que esperavam vê-Lo e lamentavam sua separação Dele! E no entanto, ao lhes ser transmitida a fragrância de Sua vinda, e revelada Sua beleza, afastaram-se Dele e com Ele disputaram... Apenas muito poucos, e estes, destituídos de qualquer poder entre os homens, para Ele se volveram. E entretanto, hoje, todo homem dotado de poder e revestido de soberania se orgulha de Seu Nome! Assim também, considera como, nestes dias, são numerosos os monges que se enclausuram em suas igrejas em Meu nome, mas quando se cumprira o tempo predeterminado e Nós revelamos Nossa beleza, não Nos conheceram, embora Me invoquem ao anoitecer e à alvorada...
“A Palavra que o Filho ocultou torna-se manifesta. Fez-se descer na forma do templo humano neste dia. Bendito seja o Senhor que é o Pai! Ele, em verdade, veio às nações em Sua maior majestade. Dirigi-Lhe a face, ó assembléia dos retos!... Este é o dia em que a Pedra (Pedro) exclama e brada, e celebra o louvor de seu Senhor, Possuidor de tudo, o Altíssimo, dizendo: - Eis que veio o Pai, e o que vos foi prometido no Reino, já se cumpre... Meu corpo anseia pela cruz, e Minha cabeça espera o golpe do dardo, no caminho do Todo-Misericordioso, a fim de que o mundo se purifique de suas transgressões...
“Ó Pontífice Supremo! Inclina teu ouvido para o conselho que te dá Aquele que amolda os ossos desintegrantes, o conselho expresso por Aquele que é Seu Maior Nome. Vende todos os elaborados ornamentos que possuis e despende-os no caminho de Deus, que faz a noite seguir ao dia, e o dia à noite. Abandona teu reino aos reis e sai de tua habitação, com a face volvida ao Reino e, desprendido do mundo, proclama os louvores de teu Senhor entre a terra e o céu. Assim te ordena Aquele que é o Possuidor dos Nomes, por parte de teu Senhor, o Todo-Poderoso, o Onisciente. Exorta os reis e dize: - Tratai os homens com eqüidade. Guardai-vos de transgredir os limites fixados no Livro. – Isto, em verdade te convém. Acautela-te para que não te apoderes das coisas do mundo e de suas riquezas. Deixa-as aos que as desejam e segura-te àquilo que te foi ordenado por Aquele que é o Senhor da criação. Se alguém te oferecer todos os tesouros da terra, não te dignes de lançar sobre eles um olhar sequer. Sê assim como tem sido teu Senhor. Deste modo, a Língua da Revelação pronunciou aquilo que Deus fez o ornamento do livro da criação... Se te embeveceres com o vinho de Meus versículos e resolveres acercar-te do trono de teu Senhor, Criador da terra e do céu, faze de Meu amor tua vestimenta, de tua lembrança de Mim teu escudo, e de tua confiança em Deus, o Revelador de todo o poder, tua provisão... Em verdade, já veio o dia da colheita, e todas as coisas foram separadas umas das outras. Ele guardou nos vasos da justiça o que Ele quis e lançou ao fogo aquilo que disto era digno. Assim foi decretado por vosso Senhor, o Poderoso, o Deus de amor, neste Dia prometido. Ele, em verdade, ordena o que Lhe apraz. Não há outro Deus salvo Ele, o Onipotente, que a tudo predomina.”
10. OUTRAS EPÍSTOLAS AOS GOVERNANTES DO MUNDO
Na Epístola dirigida ao Tzar da Rússia, Alexandre II, lemos: “Ó Tzar da Rússia! Inclina teu ouvido à voz de Deus, o Rei, o Santo, e volve-te para o Paraíso, o lugar onde habita Aquele que, dentre a Assembléia no alto, possui os mais excelentes títulos e que, no reino da criação, é chamado pelo Nome de Deus, o Fulgente, o Todo-Glorioso. Acautela-te para que teu desejo não te impeça de te volver para a face de teu Senhor, o Compassivo, o Mais Misericordioso. Nós, em verdade, ouvimos aquilo que suplicaste a teu Senhor enquanto comungavas secretamente com Ele. Por isso os sopros de Minha misericórdia emanavam e o mar de Minha mercê encapelava-se, e Nós respondemos a ti em verdade. Teu Senhor, verdadeiramente, é Quem tudo sabe, o Sapientíssimo. Enquanto eu estava acorrentado e algemado na prisão, um de teus ministros prestou-Me seu auxílio. Por isso Deus te ordenou uma posição que o conhecimento de pessoa alguma pode compreender, salvo Seu conhecimento. Guarda-te de desbaratar essa posição sublime... Acautela-te para que tua soberania não te impeça Daquele que é o Soberano Supremo. Em verdade, Ele veio com Seu Reino, e todos os átomos clamam em altas vozes: - Eis! O senhor vindo em Sua grande majestade! – Aquele que é o Pai já veio, e o Filho (Jesus), no vale santo, exclamava: Eis-me, eis-me, ó Senhor, meu Deus! enquanto Sinai rodeia a Casa, e a Sarça Ardente clama altamente: - Veio o Todo Generoso, montado sobre as nuvens! Bem-aventurado quem Dele se aproxima, e ai dos que estão afastados.
“Levanta-te entre os homens em nome desta Causa predominante e convoca, pois, as nações a Deus, o Excelso, o Grande. Não sejas dos que invocaram a Deus por um de Seus Nomes mas que, ao aparecer Aquele que é Objeto de todos os nomes, O negaram e Dele se afastaram, e finalmente pronunciaram sentença contra Ele, com injustiça manifesta. Considera e recorda os dias em que apareceu o Espírito de Deus (Jesus) e Herodes O condenou. Deus, entretanto, Lhe concedeu o amparo das hostes invisíveis, protegeu-O com a verdade e O mandou para uma outra terra, segundo Sua promessa. Ele, em verdade, ordena o que Lhe apraz. Teu senhor preserva, verdadeiramente, a quem Ele deseja, quer se ache no meio dos mares, quer na garganta da serpente ou debaixo da espada do opressor...”
“Outra vez digo, dá ouvidos a Minha Voz que clama de Minha prisão, a fim de te informares das coisas que sucederam à Minha Beleza nas mãos daqueles que são as manifestações e Minha Glória, e a fim de perceberes como foi grande Minha paciência, não obstante Meu poder, e imensa Minha tolerância, apesar de Meu predomínio. Por Minha Vida! Pudesses tu apenas saber das coisas emitidas por Minha Pena, e descobrir os tesouros de Minha Causa e as pérolas de meus mistérios que jazem ocultas nos mares, dos Meus nomes e nos cálices das Minhas Palavras, tu, em teu amor por Meu nome e em tua ânsia por Meu Reino glorioso e sublime, quererias oferecer tua vida em Meu caminho. Sabe tu que, embora Meu corpo esteja debaixo das espadas dos inimigos e Meus membros assediados de aflições incalculáveis, no entanto, Meu espírito está cheio de uma alegria com a qual todos os prazeres da terra jamais poderão ser comparados.
“Dirige teu coração Àquele que é Alvo da adoração do mundo, e dize: - ó povos da terra! Negastes Aquele em Cuja senda foi martirizado o Portador da verdade, quando trazia o anúncio de vosso Senhor, o Excelso, o Grande? Dize: Este é um Anúncio que regozijou os corações dos Profetas e Mensageiros. É Aquele de Quem o coração do mundo se lembra, o Prometido dos Livros de Deus, o Poderoso, o Onisciente. As mãos dos Mensageiros, em seu desejo de Me encontrar, ergueram-se para Deus, o Poderoso, o Glorificado... Alguns se lamentaram em sua separação de Mim, outros sofreram durezas em Meu caminho e ainda outros sacrificaram a vida por amor à Minha Beleza – pudésseis apenas saber isso. Dize: Eu, em verdade, não visei a exaltar a Mim Mesmo, mas antes ao próprio Deus – fosseis vós julgar com eqüidade. Nada pode ser visto em Mim a não ser Deus e Sua Causa – pudésseis apenas perceber isto. Sou Aquele a Quem a língua de Isaías exaltou, sou Aquele com Cujo nome tanto a Tora como o Evangelho se adornaram... Bem-aventurado o rei cuja soberania não o impediu de reconhecer seu Soberano e que de coração se volveu para Deus. Ele, em verdade, é incluído no número dos que atingiram o que Deus, o Poderoso, o Onisciente, ordenou. Tal rei será em breve contado entre os monarcas dos domínios do Reino. Teu Senhor, em verdade, é potente sobre todas as coisas. Ele dá o que deseja a quem Ele queira; e a quem Ele queira, nega o que Ele deseja. Ele, em verdade, é o Todo-Poderoso, o Onipotente.”
À Rainha Vitória, Bahá’u’lláh escreveu: “Ó Rainha em Londres! Inclina teu ouvido para a voz de teu, Senhor, o Senhor de toda a humanidade, que clama do Loto Divino: - Verdadeiramente, nenhum Deus há senão Eu, o Todo-Poderoso, o Onisciente! Rejeita tudo o que está na terra e, com o diadema da lembrança de teu Senhor, o Todo-Glorioso, cinge a cabeça de teu reino. Ele, em verdade, veio ao mundo em Sua mais plena glória, cumprindo tudo o que foi mencionado no Evangelho. A terra da Síria foi honrada pelas pegadas de seu Senhor, Senhor de todos os homens, e norte e sul, ambos se inebriam com o vinho de Sua Presença. Bem-aventurado o homem que inalou a flagrância do Mais Misericordioso e se voltou para a Alvorada de Sua Beleza, neste Amanhecer resplandecente. A Mesquita de Aqsá vibra com os sopros de seu Senhor, o Todo-Glorioso, enquanto Bathá (Meca) tremula ante a voz de Deus, o Excelso, o Altíssimo. E com isso, cada uma de suas pedras rende louvores ao Senhor por intermédio deste Grande Nome.
“Renuncia teu desejo e dirige teu coração a teu Senhor, o Ancião dos Dias. Fazemos menção de ti por amor a Deus e desejamos que teu nome seja exaltado pela tua comemoração de Deus, Criador da terra e do céu. Ele, em verdade, dá testemunho daquilo que digo. Fomos informados de que tu proibiste o tráfico de escravos, tanto de homens como de mulheres. Isso, em verdade, é o que Deus ordenou nesta Revelação maravilhosa. Deus, em verdade, te destinou uma recompensa por isso. A quem fizer o bem, Ele, em verdade, remunerará devidamente – fosses tu seguir o que te foi enviado por Aquele que é o Onisciente, O de tudo informado. Quanto àquele que se desviar e se inchar de orgulho após lhe haverem vindo os sinais claros, provenientes do Revelador dos sinais, Deus reduzirá sua obra a nada. Ele, em verdade, tem poder sobre todas as coisas. As ações do homem são aceitáveis depois de ele haver reconhecido (o Manifestante). Quem se desviar do Verdadeiro é, de fato, a mais velada dentre Suas criaturas. Assim foi decretado por Aquele que é o Onipotente, o Mais Poderoso.
“Soubemos também que tu havias entregue as rédeas do conselho aos representantes do povo. Em verdade, fizeste bem, pois assim os alicerces do edifício de tuas atividades serão fortalecidos, e os corações de todos os que se acham obrigados à tua sombra, sejam de alta ou de baixa categoria, serão tranqüilizados. Compete-lhes, entretanto, ser dignos de confiança entre Seus servos e considerarem-se a si próprios como os representantes de todos os que habitam na terra. É o que lhes aconselha, nesta Epístola, Aquele que rege, o Onisciente... Bem-aventurado aquele que entra na assembléia por amor a Deus e julga entre os homens com pura justiça. Ele, em verdade, é dos ditosos...
“Dirige-te a Deus e dize: ó meu Senhor Soberano! Eu sou apenas um vassalo Teu, e Tu, em verdade, és o Rei dos Reis. Levantei minhas mãos suplicantes ao céu de Tua graça e Tuas dádivas. Faze descer, pois, sobre mim, das nuvens de Tua generosidade, o que me possa livrar de tudo menos de Ti e me faça aproximar de Ti. Suplico-Te, ó meu Senhor – por Teu nome, que fizeste o rei dos nomes e a manifestação de Ti Próprio para todos os que estão no céu e na terra – rompe os véus que se interpuseram entre mim e meu reconhecimento da Alvorada de Teus sinais e do Amanhecer de Tua Revelação. És, em verdade, o Todo-Poderoso, o Onipotente, o Generosíssimo. Não me prives, ó meu Senhor, das fragrâncias das Vestes de Tua Misericórdia em Teus dias, e inscreve para mim o que increveste para Tuas servas que acreditaram em Ti e em Teus sinais, e Te reconheceram, e dirigiram os corações ao horizonte de Tua Causa. Verdadeiramente, Tu és o Senhor dos mundos e entre aqueles que mostram misericórdia o Mais Misericordioso. Ajuda-me, pois, ó meu Deus, a comemorar-Te entre Tuas servas e promover Tua Causa em Tuas plagas. Aceita, então, o que me escapou ao irradiar-se a luz de Teu semblante. Tu, em verdade, tens poder sobre todas as coisas. Glória a Ti, ó Tu em cuja mão está o reino dos céus e da terra.”
No Kitáb-i-Aqdas, Seu Livro Sacratíssimo, Bahá’u’lláh assim se dirige ao Imperador Alemão, Guilherme I: “Dize: ó Rei de Berlim! Dá ouvidos à Voz que chama deste Templo manifesto: - Em verdade, não há outro Deus senão Eu, o Eterno, o Incomparável, o Antigo dos Dias. Acautela-te para que o orgulho não te impeça de reconhecer a Aurora da Revelação Divina, nem os desejos terrenos te excluam, como se o fosse por um véu, do Senhor do Trono no alto e da terra em baixo. Assim te aconselha a Pena do Altíssimo. Ele, em verdade, é o Mais Misericordioso, o Todo-Generoso. Lembra-te daquele cujo poder transcendeu teu poder (Napoleão III), e cuja posição era superior à tua posição! Onde está ele? Aonde foram as coisas por ele possuídas? Sê advertido, e não sejas dos que estão profundamente adormecidos. Ele foi quem lançou atrás de si a Epístola de Deus quando Nós o informamos daquilo que as hostes da tirania Nos fizeram sofrer. Por isso a desgraça o atacou de todos os lados e, com grande perda, ele se baixou ao pó. Pondera, ó Rei, sobre ele e sobre os outros que, como tu, venceram cidades e dominaram os homens. O Todo-Misericordioso fê-los descerem de seus palácios às suas sepulturas. Sê advertido, sê dos que refletem.”
E mais adiante no mesmo Livro, esta profecia notável: “ó margens do Reno! Nós vos vimos cobertas de sangue porque as espadas da retribuição foram desembainhadas contra vós; e tereis ainda outro turno. E ouvimos os lamentos de Berlim, se bem que hoje esteja em glória conspícua.”
Também se acham registradas no Kitáb-i-Aqdas, estas palavras dirigidas ao Imperador Francisco José: “ó Imperador da Áustria! Aquele que é o Amanhecer da Luz de Deus residia na prisão de ´Akká na ocasião em que tu saíste para visitar a Mesquita de Aqsá (Jerusalém). Passaste sem indagar por Aquele Cuja Presença exalta toda casa, e para quem o mais majestoso portão se descerra. Nós, em verdade, fizemos dessa cidade (Jerusalém) um lugar para o qual o mundo se devesse volver, a fim de Me comemorar, e tu, no entanto, rejeitaste Aquele que é o Objeto dessa comemoração, quando Ele apareceu com o Reino de Deus, teu Senhor e o Senhor dos mundos. Temos estado contigo em todos os tempos e te achado preso ao Ramo sem atenderes à Raiz. Teu Senhor, em verdade, é testemunha do que digo. Lamentamos ver como te volvias ao redor de Nosso Nome, enquanto continuava inconsciente de Nós, embora estivéssemos ante tua face. Abre teus olhos, a fim de poderes contemplar esta Visão gloriosa e reconhecer Aquele a Quem invocas durante o dia e à noite, e fitar a Luz que brilha acima deste Horizonte luminoso.”
No Súriy-i-Múluk, ao Sultão ´Abdu´l-´Azíz, são dirigidas estas palavras: “Ouve, ó rei, o que exprime Aquele que diz a verdade, que não te pede como remuneração as coisas que Deus se dignou te conceder, Aquele que trilha, sem errar, a Senda reta. Ele é Quem te chama para Deus, teu Senhor, e te mostra o caminho certo, o que conduz à verdadeira felicidade, para que talvez sejas dos que estarão bem... Se alguém se dedicar inteiramente a Deus, Deus estará com ele, sem dúvida; e se puser em Deus toda a sua confiança, Deus, em verdade, haverá de protegê-lo de tudo o que lhe possa causar dano e da iniqüidade de cada mau conspirador.
“Fosses tu inclinar o ouvido para Minhas palavras e observar Meu conselho. Deus elevar-te-ia a tão eminente posição que jamais os desígnios de homem algum na terra te poderiam tocar ou ofender. Observa, ó rei, do mais íntimo do coração e de todo o teu ser, os preceitos de Deus, e não andes nos caminhos do opressor. Segura tu, e mantém firmemente nas mãos de teu poder, as rédeas do governo de teu povo, e examina pessoalmente tudo a ele relacionado. Que nada te escape, pois nisso reside o maior bem.
“Agradece a Deus por te haver escolhido do mundo inteiro e te feito rei sobre aqueles que professam tua fé. Incumbe-te apreciar os maravilhosos favores que Deus te concedeu, e magnificar continuamente Seu Nome. Podes melhor louvá-Lo se amas aos Seus amados e proteges Seus servos do mal dos traiçoeiros, a fim de que ninguém mais os oprima. Deves, ainda mais, levantar-te para executar a lei de Deus entre eles, a fim de seres um dos que se acham firmemente estabelecidos em Sua Lei.
“Se fizesses rios de justiça espalharem suas águas entre teus súditos, Deus seguramente te ajudaria com as hostes dos invisíveis e dos visíveis, e te fortaleceria em tuas atividades. Não há Deus senão Ele. Toda a criação e seu império Lhe pertencem. A Ele voltam as obras dos fiéis.
... “Não confies em teus tesouros. Põe tua inteira confiança na graça de Deus, teu Senhor. Seja Ele teu apoio em tudo o que fizeres, e sê um dos que se submeteram à Sua vontade. Faze Dele teu amparo e enriquece-te com Seus tesouros, pois com Ele estão os tesouros dos céus e da terra. Ele os concede a quem Ele queira, e a quem Ele queira, os nega. Não há outro Deus senão Ele, Possuidor de tudo, Alvo de todo louvor. Todos são apenas indigentes à porta de Sua misericórdia; todos se encontram destituídos de poder ante a revelação de Sua soberania, e suplicam Seus favores.
“Não excedas os limites da moderação e trata com justiça àqueles que te servem. Dá-lhes de acordo com suas necessidades e não a tal ponto que possam acumular para si riquezas, se adornar, embelezar suas casas, adquirir as coisas que nenhum benefício lhes trazem, e se contar entre os extravagantes. Trata-os com infalível justiça, de modo que nenhum deles sofra privações, nem goze de excessivo luxo. Isso é apenas justiça manifesta. Não permitas que os abjetos governem e dominem aqueles que são nobres e dignos de honra, nem deixes os magnânimos à mercê dos indignos e desprezíveis, pois foi o que vimos ao chegarmos na Cidade (Constantinopla), e disso damos testemunho...
“Põe diante de teus olhos a infalível Balança de Deus e, como se estivesses em Sua Presença, pesa nesta Balança tuas ações cada dia, a cada momento de tua vida. Julga-te a ti mesmo antes de seres chamados para o juízo, no dia em que nenhum homem terá as forças para se manter em pé por temor a Deus, o Dia em que os corações dos desatentos haverão de tremer...
“Tu és a sombra de Deus na terra. Esforça-te, pois, para te comportares de uma maneira digna de tão eminente, tão augusta posição. Se tu te desviares de seguir as coisas que fizemos descer sobre ti e te ensinamos, estarás, seguramente, diminuindo essa grande e inestimável honra. Volta, pois, e adere completamente a Deus, e limpa teu coração do mundo e de todas suas vaidades, e não permitas que o amor a um estranho nele entre e resida. Antes de purificares teu coração de todo traço de tal amor, não poderá o brilho da luz de Deus irradiar sobre ele seu esplendor, pois a ninguém Deus deu mais de um coração. Isso, em verdade, foi decretado e inscrito em Seu Livro antigo. E assim como o coração humano, segundo foi moldado por Deus, é um só e indivisível, também deves acautelar-te para que suas afeições, igualmente, sejam uma só e indivisíveis. Apega-te, pois, com todo o afeito de teu coração a Seu amor, e retira-o do amor a qualquer um além Dele, a fim de que Ele te possa ajudar a imergir no oceano de Sua unidade e te tornar um verdadeiro sustentáculo de Sua unicidade...”
11. QUE O OPRESSOR DESISTA
“Sejam atentos teus ouvidos, ó rei, às palavras que Nós te dirigimos. Faze que o opressor desista de sua tirania, e afasta os que perpetram injustiças dentre aqueles que professam tua fé. Pela retidão de Deus! As tribulações que suportamos são tais que a pena que as relata não pode deixar de se acabrunhar de angústia. Nenhum dos que realmente crêem na unidade de Deus, e a sustentam, pode tolerar o peso de sua narração. Tão grandes têm sido Nossos sofrimentos que até os olhos de Nossos inimigos choraram por Nós, e além deles os de toda pessoa de discernimento. E a todas essas provações fomos sujeitados apesar de Nossa ação em Nos aproximar de ti e em exortar o povo a entrar em tua sombra, a fim de que tu fosses uma cidadela para aqueles que crêem na unidade de Deus e a sustentam.
“Ó rei, Eu já alguma vez te desobedeci? Em alguma ocasião transgredi qualquer uma de tuas leis? Pode qualquer um de teus ministros que te representam no ´Iráq aduzir uma prova de Minha deslealdade a ti? Não, por Aquele que é o Senhor dos mundos! Nem por um momento Nós nos rebelamos contra ti ou contra qualquer um de teus ministros. Nunca – queira Deus – nos revoltaremos contra ti, nem que sejamos expostos a tribulações ainda mais severas do que qualquer uma sofrida por Nós no passado. Durante o dia e nas horas da noite, no crepúsculo e ao amanhecer, oramos a Deus por ti, para que Ele por sua graça te ajude a Lhe ser obediente e observar os mandamentos, e te proteja contra as hostes dos maus. Faze, pois, como te aprouver, e trata-Nos de um modo que convenha à tua posição e seja digno de tua soberania. Não te esqueças da lei de Deus em tudo o que desejares realizar, nem agora nem nos dias vindouros. Dize: - Louvores a Deus, Senhor de todos os mundos!”
Além disso, no Kitáb-i-Aqdas se encontra esta apóstrofe veemente a Constantinopla: “ó Lugar sito nas praias dos dois mares! O trono da tirania foi, em verdade, estabelecido em ti e a chama do ódio se ateou dentro de teu seio, de tal modo que a Assembléia no alto e aqueles que se movem ao redor do Trono excelso gemeram e se lamentaram. Vemos em ti os insensatos dominarem os sábios, e a treva vangloriar-se sobre a luz. Estás, de fato, cheio de orgulho manifesto. Teu esplendor exterior te terá feito jactancioso? Este – por Aquele que é o Senhor da humanidade – muito breve perecerá, e tuas filhas e tuas viúvas e todas as famílias que em ti residem haverão de se lamentar. Assim te informa o Onisciente, o Sapientíssimo.”
Quanto ao Xá Násiri´d-Dín, a Epístola intitulada Lawh-i-Sultán, enviada de ´Akká – mais longa do que qualquer outra Epístola mandada por Bahá’u’lláh a um soberano – proclama: “Ó rei! Eu era apenas um homem como os outros, adormecido em meu leito, mas eis que os sopros do Todo-Glorioso manaram sobre Mim e Me deram o conhecimento e tudo o que já existia. Isso não provém de Mim, mas de Um que é o Todo-Poderoso o Onisciente. E Ele ordenou que Eu levantasse Minha voz entre a terra e o céu, e por isso me sucedeu o que fez correrem as lágrimas de todo homem de compreensão. A erudição comum entre os homens, não a estudei; nem entrei em suas escolas. Pergunta na cidade em que residi, a fim de teres a certeza de que Eu não sou dos que falam falsamente. Este Ser é apenas uma folha movida pelos ventos da Vontade de teu Senhor, o Todo-Poderoso, Alvo de todo louvor. Poderá aquietar-se quando soprarem os ventos tempestuosos? Não, por Aquele que é o Senhor de todos os Nomes e Atributos! Movem-na a seu bel-prazer. O efêmero afigura-se como nada perante Aquele que é o Sempiterno. Seu chamado predominante atingiu-Me e Me fez expressar Seu louvor entre todos os povos. Em verdade, era Eu feito um morto, quando Seu imperativo foi enunciado. A mão da Vontade de teu Senhor, o Compassivo, o Misericordioso, transformou-Me. Poderá alguém pronunciar espontaneamente o que faça todos os homens, grandes e humildes, contra ele protestarem? Não, por Aquele que ensinou à Pena os mistérios eternos, salvo quem fosse fortalecido pela graça do Onipotente, do Todo-Poderoso. A Pena do Altíssimo a Mim se dirige, dizendo: Não receies. Relata à Sua Majestade o Xá o que te sucedeu. Seu coração, em verdade, está entre os dedos de teu Senhor, o Deus de Misericórdia, de modo que talvez o sol da justiça e da generosidade possa brilhar acima do horizonte de seu coração. Assim foi fixado o decreto irrevogável por Aquele que é o Onisciente.
“Contempla este Jovem, ó rei, com os olhos da justiça; julga tu, pois, com verdade, aquilo que lhes sucedeu. Verdadeiramente, Deus te fez Sua sombra entre os homens e o sinal de Seu poder para todos os que habitam na terra. Julga tu entre Nós e aqueles que Nos injuriaram sem prova e sem um Livro esclarecedor. Os que te rodeiam amam-te por seus próprios interesses, enquanto este Jovem te ama por ti mesmo, nenhum desejo nutrindo a não ser o de te fazer aproximar do assento da graça e te dirigir à direita da justiça. Teu Senhor dá testemunho daquilo que declaro.
“Ó rei! Fosses tu inclinar o ouvido para a nota penetrante da Pena da Glória e o arrulho do Pombo da Eternidade que, nos ramos do Loto além do qual se não pode passar, expressa seus louvores a Deus, Origem de todos os nomes e Criador da terra e do céu – atingirias a condição em que nada contemplarias no mundo dos seres senão a resplandecência do Adorado, vindo a considerar tua soberania como o mais desprezível de tuas possessões, e a abandoná-la a quem a quisesse, volvendo tua face para o Horizonte que fulge com a luz de Seu Semblante. Jamais quererias tu suportar o peso de domínio, salvo com o fim de servir teu Senhor, o Excelso, o Altíssimo. Então a Assembléia no alto abençoar-te-ia. Oh, como é excelente esta mais sublime posição, pudesses tu a ela ascender através do poder de uma soberania reconhecida como oriunda do Nome de Deus!...
“Ó rei da época! Os olhos destes refugiados volvem-se para a clemência do Mais Clemente e nela se fixam. Sem dúvida alguma, estas tribulações serão seguidas pelas emanações de uma misericórdia suprema, e estas adversidades horrendas por uma prosperidade transbordante. Quereríamos esperar, porém, que Sua Majestade o Xá examine, ele mesmo, estes assuntos e dê esperança aos corações. O que submetemos à tua Majestade é, realmente, para teu maior bem. E Deus, em verdade é testemunha suficiente para Mim...
“Oxalá Me permitisse, ó Xá, enviar-te aquilo que poderia alegrar os olhos e tranqüilizar as almas e fazer toda pessoa justa acreditar que com Ele está o conhecimento do Livro... Se não fosse o repúdio dos insensatos e a conivência dos sacerdotes, Eu teria pronunciado um discurso que extasiasse os corações, transportando-os para um reino cujos ventos se fazem ouvir, murmurando: - Nenhum Deus há senão Ele!...
“Tenho visto, ó Xá, no caminho de Deus, o que olhos jamais viram nem ouvidos ouviram... Quão numerosas as tribulações que choveram, e breve choverão, sobre Mim. Sigo adiante, com a face volvida para Aquele que é o Onipotente, o Todo-Generoso, enquanto atrás de Mim desliza a serpente. Meus olhos têm chovido lágrimas até ensopar Meu leito. Minha tristeza não é por Minha própria causa, entretanto. Por Deus! Nunca passei por uma árvore sem que Meu coração não lhe tivesse dirigido estas palavras: - Oxalá fosses cortada em Meu nome, e Meu corpo sobre ti fosse crucificado, na vereda de Meu senhor! - ...Por Deus! Embora a fadiga Me abata e a fome Me consuma, a pedra nua seja Meu leito e os animais do campo Meus companheiros, não Me queixarei mas, sim, sofrerei pacientemente, como sofreram aqueles dotados de constância e firmeza, através do poder de Deus, o Rei Eterno e Criador das nações, e agradecerei a Deus sob todas as condições. Pedimos que, por Sua bondade – exaltado seja Ele – através deste encarceramento Ele livre das cadeias e correntes os pescoços dos homens e os leve a volverem-se, com face sincera, para a Face Daquele que é o Potente, o Generoso. Prontamente responde Ele a quem O invoca, e próximo está de quem com Ele comunga.”
No Qayyúmu´l-Asmá´, o Báb, por Sua parte, assim se dirige ao Xá Muhammad: “Ó rei do islã! Dá teu apoio, com a verdade – após haveres apoiado o Livro – Àquele que é Nossa Maior Lembrança, pois Deus, na absoluta verdade, destinou a ti e aos que te rodeiam, no Dia do Juízo, uma posição responsável em Seu caminho. Deus é Minha Testemunha, ó Xá! Se mostrares inimizade Àquele que é Sua Lembrança, Deus, no Dia da Ressurreição, perante os reis, te há de condenar ao fogo infernal e não haverás de encontrar nesse Dia, realmente, amparo algum a não ser Deus, o Excelso. Purga tu, ó Xá, a Terra Sagrada (Teerã) daqueles que repudiaram o Livro, antes do dia em que vem a Lembrança de Deus, terrível e subitamente, com Sua Causa potente, com a permissão de Deus, o Altíssimo. Deus, em verdade, prescreveu que te submetesses Àquele que é Sua Lembrança, e à Sua Causa, e subjugasses os países com a verdade e por Sua permissão, pois neste mundo foste investido de soberania pela Sua graça, e, no vindouro, residirás perto do Assento da Santidade, com os habitantes do Paraíso de Seu beneplácito. Que tua soberania não te engane, ó Xá, pois ´toda alma há de provar a morte´ e isso, em realidade, se inscreveu como decreto de Deus.”
Em Sua epístola ao Xá Muhammad, ainda mais, o Báb revelou: “Eu sou o Ponto Primaz do qual foram geradas todas as coisas. Sou o Semblante de Deus cujo esplendor jamais se obscurecerá, a Luz de Deus cujo brilho não pode esmorecer. Todas as chaves do céu Deus quis colocá-las à Minha direita, e todas as chaves do inferno à Minha esquerda... Sou um dos pilares que sustentaram a Palavra Primaz de Deus. Quem Me tiver reconhecido, terá sabido que o que é verdadeiro e certo, e terá atingido tudo o que é bom e digno... A substância de que Deus Me criou não é o barro do qual se formaram os outros. A Mim, concedeu Ele aquilo que os sábios do mundo jamais poderão compreender, nem os fiéis descobrir...
“Por Minha vida! Se não fosse a obrigação de reconhecer a Causa Daquele que é a Testemunha de Deus... Eu não te teria anunciado isto... Nesse mesmo ano (no ano 60), enviei-te um mensageiro e um livro, a fim de que desses à Causa Daquele que é a Testemunha de Deus, a acolhida digna da posição de tua soberania...
“Juro pela verdade de Deus! Se aquele que consentiu em Me tratar de tal modo pudesse saber a quem ele assim tratou, nunca mais em sua vida, na verdade, estaria contente. Não, Eu, verdadeiramente, informo-te da verdade do assunto – é como se tivesse aprisionado todos os Profetas, e todos os homens da verdade e todos os eleitos... Ai daquele de cujas mãos provém o mal, e bem-aventurado o homem de cujas mãos emana o bem...
“Deus é Minha Testemunha! Não busco de ti bens terrenos, nem nos limites de um grão de mostarda... Juro pela verdade de Deus! Fosses tu saber o que Eu sei, renunciarias a soberania deste mundo e do vindouro, a fim de poderes atingir Meu beneplácito, em virtude de tua obediência ao Verdadeiro... Se te recusares, o Senhor do Mundo erguerá quem exalte Sua Causa, e o Mandamento de Deus será, em verdade, levado a efeito.”
12. O VIGÁRIO DE DEUS NA TERRA
Caros amigos! Que vasto panorama é estendido diante de nossos olhos por estas pronunciações divinas que nos sondam a alma! Quantas reminiscências elas evocam! Como são sublimes os princípios que elas infundem! Que esperanças engendram e apreensões excitam! E no entanto, se bem que as palavras que acabamos de citar se adaptem aos fins imediatos de meu tema, quanto nos devem aparecer fragmentárias ao serem comparadas com a majestade torrencial que somente a leitura do texto completo nos pode desvelar! Aquele que era o Vigário de Deus na terra, dirigindo-se – no momento mais crítico, quando Sua Revelação atingia seu zênite – àqueles em cujas pessoas se concentravam o esplendor, a soberania e o poder do domínio terreno, não podia, certamente, subtrair um só i ou um só til do peso e da força que a apresentação desta Mensagem tão histórica exigia. Nem os perigos que rapidamente O cercavam, nem o poder formidável da qual a doutrina da soberania absoluta investia, naquele tempo, os imperadores do Ocidente e os potentados do Oriente, conseguiram impedir o Exilado e Prisioneiro em Adianopla de comunicar a plena veemência de Sua Mensagem a Seus perseguidores imperiais gêmeos como também aos demais soberanos.
A magnitude e a diversidade do tema, o argumento tão persuasivo, a linguagem sublime e audaz, prendem nossa atenção e estonteiam-nos a mente. Imperadores, reis e príncipes, cancelários e ministros, o próprio Papa, sacerdotes, monges e filósofos, os expoentes da erudição, parlamentares e deputados, os ricos da terra, os adeptos de todas as religiões, bem como o povo de Bahá – todos são trazidos dentro da esfera de autoridade do Autor destas Mensagens e recebem, cada qual segundo o merecimento, Seus conselhos e Suas advertências. Não menos surpreendente é a diversidade dos assuntos abordados nestas Epístolas. Elas exaltam a transcendente majestade e unidade de um Deus incognoscível e inatingível, e também proclamam e acentuam a unidade de Seus Mensageiros. Frisam o caráter único e universal da Fé Bahá’í e suas potencialidades, bem como o desígnio e os aspectos distintivos da Revelação Babí. Mostram o significado dos sofrimentos e desterros de Bahá’u’lláh; reconhecem e lamentam as tribulações que choveram sobre Seu Arauto e o Portador de Seu Nome. Expressam Seu próprio anseio pela coroa do martírio, que ambos tão misteriosamente ganharam, e prognosticam as glórias e maravilhas inefáveis que esperam Sua própria Revelação. Relatam episódios a um tempo comoventes e admiráveis, em várias etapas de seu ministério, e asseveram repetida e categoricamente a transitoriedade da pompa, fama, soberania e das riquezas terrenas. Apelam forte e insistentemente pelos mais altos princípios em relações humanas e internacionais, e exigem o abandono de convenções e práticas condenáveis e prejudiciais à felicidade, ao crescimento, à prosperidade e à unificação do gênero humano. Estas Epístolas censuram os reis, acusam os dignitários eclesiásticos, condenam ministros e plenipotenciários. A identificação do advento de Bahá’u’lláh com a vinda do próprio Pai é admitida inequivocamente e anunciada repetidas vezes. É predita a violenta queda de alguns desses reis e imperadores, sendo dois deles chamados definitivamente a desafio; à maioria Ele adverte, a todos apela e exorta.
Na Law-i-Sultán (Epístola ao Xá da Pérsia) Bahá’u’lláh declara: “Oxalá o desejo imperial, adorno do mundo, decretasse que este Servo falasse face a face com os sacerdotes da época e apresentasse provas e testemunhos na presença de Sua Majestade o Xá! Este Servo está pronto e tem esperança em Deus de que se realize esse encontro a fim de que a verdade do assunto se torne clara e manifesta diante de Sua Majestade o Xá. Incumbe-te, pois, mandar, e Eu estou pronto, diante do trono de tua soberania. Decide, pois, por Mim ou contra Mim.”
E além disso, na Lawh-i-Ra´ís, Bahá’u’lláh, recordando Sua conversação com o oficial turco encarregado de executar Seu exílio para a cidade-fortaleza de ´Akká, escreveu: “Há um assunto que, se o achares possível, Eu te peço que submetas à Sua Majestade o Sultão: que a este Jovem seja permitida uma entrevista de dez minutos com ele, a fim de que ele possa exigir qualquer testemunho que julgar suficiente, ou considerar prova da veracidade Daquele que é a Verdade. Se Deus O capacitar a apresentá-la, que ele então liberte estes injuriados e os deixe em paz.” “Ele prometeu”, acrescenta Bahá’u’lláh nesta Epístola, “a transmitir esta mensagem e Nos dar sua resposta. Nenhuma notícia, porém, recebemos dele. Embora não convenha Àquele que é a Verdade, apresentar-se diante de pessoa alguma, visto haverem sido todos criados a fim de obedecê-Lo – no entanto, em face da condição destas crianças e do grande número de mulheres tão longe de sua prática e de pessoas amigas, Nós anuímos nesse assunto. Apesar disso, não houve resultado. O próprio ´Umar está vivo e acessível. Inquire-lhe, a fim de que a verdade seja conhecida.”
Referindo-se a essas Epístolas dirigidas aos soberanos da terra, as quais ‘Abdu’l-Bahá aclamou como um “milagre”, Bahá’u’lláh escreveu: “Cada uma delas foi designada por um nome especial. A primeira foi chamada “O Retombo”; a segunda, “O Golpe”; a terceira, “O Inevitável”; a quarta, “O Claro”; a quinta, “A Catástrofe”; e as outras, “O Toque Atordoador de Trombeta”, “O Acontecimento Próximo”, “O Grande Terror”, “A Trombeta”, “O Clarim” e outras semelhantes, de modo que todos os povos da terra possam saber com certeza e testemunhar, com olhos exteriores e interiores, que Aquele, o Senhor dos Nomes, tem prevalecido e continuará a prevalecer sobre todos os homens, sob todas as condições... Desde o princípio do mundo, jamais se havia proclamado a Mensagem tão abertamente... Glorificado seja este Poder irradiante que envolveu os mundos! Este ato do Causador das Causas, ao ser revelado, produziu dois resultados: aguçou as espadas dos infiéis e, ao mesmo tempo, movimentou as línguas daqueles que se volveram para Ele em comemoração e louvor. Eis o efeito dos ventos fecundantes, mencionados outrora na Lawh-i-Haykal. Toda a terra está agora em estado de prenhez. Aproxima-se o dia em que terá produzido seus mais nobres frutos, quando dela terão brotado as mais imponentes árvores, as flores mais encantadoras, as bênçãos mais celestiais. Incomensuravelmente excelso é o sopro que emana das vestes de teu Senhor, o Glorificado! Pois ei-Lo! Emitiu Sua fragrância e renovou todas as coisas! Felizes os que compreendem. Aquele que é o Senhor da Revelação, nenhuma destas coisas queria para Si próprio – isso está indubitavelmente claro e evidente. Embora sabendo que seria causa de tribulações, dificuldades e provações aflitivas, Ele, unicamente como sinal de Sua misericórdia e Seu favor, e com o fim de ressuscitar os mortos e remir todos os que estão na terra, fechando os olhos para Seu próprio bem-estar, suportou o que nenhuma outra pessoa jamais teve nem terá de suportar.”
As mais importantes de Suas Epístolas, dirigidas a soberanos individuais, Bahá’u’lláh mandou escrevê-las em forma de uma estrela pentangular, simbólica do templo humano e contendo, em conclusão, as seguintes palavras que revelam a importância atribuída por Ele a essas Mensagens e indicam sua associação direta à Profecia do Velho Testamento: “Assim construímos o Templo com as mãos do poder e grandeza - pudésseis apenas saber isso. É o Templo que vos é prometido no Livro. Aproximai-vos dele. É o que vos traz proveito – pudésseis apenas compreender isso. Sede justos, ó povos da terra! Qual é preferível, este ou um templo feito de barro? Volvi a face para ele. Assim vos foi ordenado por Deus, o Amparo no Perigo, o Independente. Segui o Seu mando e daí louvores a Deus, vosso Senhor, por aquilo que Ele vos concedeu. Ele, verdadeiramente, é a Verdade. Nenhum Deus há senão Ele. Ele revela o que Lhe apraz, através de Suas palavras: - Sê, e assim é.”
Referindo-se a este mesmo assunto em uma de Suas Epístolas, Ele assim se dirige aos adeptos de Jesus Cristo: “Ó assembléia dos que seguem o Filho! Em verdade, o Templo foi construído pelas mãos da vontade de vosso Senhor, o Onipotente, o Todo-Generoso. Dá testemunho, pois, ó povo, daquilo que Eu digo: - Qual é preferível, o que é construído de barro, ou o que é construído pelas mãos de vosso Senhor, o Revelador dos Versículos? Este é o Templo que vos é prometido nas Epístolas e que vos chama em altas vozes: - ó seguidores das religiões! Apressai-vos a fim de atingirdes Aquele que é a Origem de todas as causas, e não sigais todo infiel e incrédulo.”
Não se deve esquecer que, além destas Epístolas específicas dirigidas aos reis individual e coletivamente, Bahá’u’lláh revelou outras Epístolas – sendo a Lawh-i-Ra´ís um exemplo saliente – bem como, na massa de Seus escritos volumosos, introduziu inúmeras passagens nas quais se dirige, ou se refere, aos ministros, governos e seus acreditados representantes. Não desejo tratar, porém, dessas passagens que, embora vitais, não podem possuir o mesmo significado próprio das mensagens diretas e específicas, expressas pelo Manifestante de Deus e dirigidas aos sumos magistrados do mundo em Seu dia.
Caros amigos: Já se disse o bastante para descrever as tribulações que durante tanto tempo acabrunhavam os Fundadores de tão proeminente Revelação, das quais o mundo deixou de tomar conhecimento, e com resultados tão desastrosos. Atenção suficiente já se prestou também às Mensagens dirigidas àqueles soberanos que, no exercício de sua autoridade incondicional, provocaram deliberadamente esses sofrimentos, ou pelo menos se poderiam ter levantado, na plenitude de seu prestígio, a fim de mitigarem seu efeito ou desviarem seu curso trágico. Consideremos agora as conseqüências que sucederam. A reação desses monarcas, como já dissemos, foi variada e inequívoca e, à medida que a marcha dos acontecimentos se tem desdobrado gradativamente, desastrosa em suas conseqüências. Um dos mais eminentes desses soberanos tratou o Chamado Divino com vergonhoso desrespeito, dando-lhe uma resposta muito breve e pouco civil, escrita por um de seus ministros. Um outro recebeu o portador da Mensagem com violência: depois de o haver torturado e ferrado, trucidou-o brutalmente. Outros preferiram guardar um desdenhoso silêncio. Todos falharam completamente em seu dever de se levantarem e lhe prestarem seu apoio. Dois deles, especialmente, incentivados pelo impulso dual do medo e da zanga, oprimiram com ainda maior severidade a Causa que eles juntamente haviam resolvido desarraigar. Um condenou seu Prisioneiro Divino a ainda outro exílio, “à cidade do aspecto mais desagradável, cujo clima era o mais detestável e água a mais vil”, enquanto o outro, não podendo atacar o Impulsor Primaz de uma Fé odiada, sujeitou a crueldade atrozes e abjetas os adeptos que se achavam sob seu domínio. A descrição dos sofrimentos de Bahá’u’lláh contida nessas Mensagens não lograva despertar compaixão em seus corações. Rejeitaram desdenhosamente Seus apelos, como igual jamais foi registrado, nem nos anais do cristianismo nem nos do islã. Com arrogância, zombaram das ominosas advertências por Ele pronunciadas. De Seus desafios audazes, não tomaram conhecimento. Os castigos por Ele preditos foram objeto de riso.
Em face de tão completa e ignominiosa rejeição, pois, poderíamos considerar o que tem acontecido, e está ainda acontecendo, no decorrer do primeiro século Bahá’í, mais especialmente em seus anos finais, neste século cheio de sofrimentos tão tumultuosos e ultrajes tão violentos para a Fé fundada por Bahá’u’lláh, alvo de tanta perseguição. Impérios caídos no pó, reinos derribados, dinastias extintas, a realeza deturpada, reis assassinados, envenenados, sofrendo exílio ou humilhação em seus próprios domínios, enquanto os poucos tronos restantes tremem diante das repercussões da queda de seus colegas.
Tão gigantesco e catastrófico processo teve início – podemos dizer – naquela noite memorável em que, num obscuro canto de Shíráz, o Báb, na presença da Primeira Letra a crer Nele, revelou o primeiro capítulo de Seu célebre comentário sobre o Súrih de José (O Qayyúmu´l-Asmá), no qual trombeteou Seu Chamado aos soberanos e príncipes da terra. Passou da fase de incubação para a da manifestação visível, ao serem cumpridas as profecias de Bahá’u’lláh entesouradas para sempre no Súriy-i-Haykal, as quais Ele pronunciara antes da queda dramática de Napoleão III e da prisão voluntária do Papa Pio IX no Vaticano. Acelerou-se esse processo quando, nos dias de ‘Abdu’l-Bahá, a Grande Guerra extinguiu as dinastias dos Romanoffs, Hohenzollern e Hapsburgos e converteu em repúblicas as monarquias inveteradas e poderosas. Acelerou-se ainda mais, pouco depois do falecimento de ‘Abdu’l-Bahá, com a extinção da dinastia Qájár na Pérsia e o fragoroso colapso tanto do califado como do sultanato. E está operando ainda, ante nossos próprios olhos, enquanto testemunhamos o destino que alcança as cabeças coroadas, uma após outra, no continente europeu no curso dessa colossal e devastadora luta. Nenhum homem, de certo, ao contemplar imparcialmente as manifestações desse inexorável processo de revolução, dentro de tão curto espaço de tempo, comparativamente, escapará à conclusão de que os últimos cem anos bem podem ser considerados, no que diz respeito às fortunas da realeza, um dos períodos mais cataclísmicos nos anais da humanidade.
13. HUMILHAÇÃO IMEDIATA E COMPLETA
De todos os monarcas do mundo, no tempo em que Bahá’u’lláh, proclamando-lhes Suas Mensagens, revelou o Súriy-i-Múluk em Adrianópolis, os mais augustos e influentes eram o Imperador francês e o Sumo Pontífice. Nas esferas da política e da religião, respectivamente, ocuparam o primeiro lugar, e a humilhação sofrida por ambos foi não só imediata mas também completa.
Napoleão III, filho de Louis Bonaparte (irmão de Napoleão I), na opinião dos historiadores em geral, foi o mais eminente monarca de seu tempo no Oeste. “O Imperador” – dizia-se dele – “era o Estado”. A capital francesa era a mais atraente da Europa; a corte francesa “a mais brilhante e luxuosa do século XIX”. Ele, dominado por uma ambição fixa e indelével, aspirou a emular o exemplo de seu tio imperial e a concluir a obra interrompida. Sonhador, conspirador, de uma natureza vacilante, hipócrita, temerário, ele, o herdeiro ao trono napoleônico, aproveitando a política que visava a alimentar o renovado interesse na carreira de seu grande protótipo, tentar derribar a monarquia. Ao malograr-se sua tentativa, ele foi deportado para a América; mais tarde, quando tentava uma invasão da França, foi preso e condenado a cativeiro perpétuo, conseguindo porém escapar a Londres, onde permaneceu até que, em 1848, a Revolução efetivou seu regresso e o capacitou a tornar nula a constituição, depois do que foi proclamado imperador. Embora capaz de iniciar movimentos de grande alcance, ele não possuía a sagacidade nem a coragem necessária a fim de os controlar.
A esse homem, último imperador dos franceses, que por meio de conquistas no estrangeiro aspirava a ganhar a simpatia de seu povo para sua dinastia, e até alimentara o ideal de tornar a França centro de um renascido Império Romano – a tal homem o Exilado de ´Akká, já três vezes desterrado pelo Sultão ´Abdu´l-Azíz, havia transmitido, de trás dos muros do quartel em que estava encarcerado, uma Epístola que continha esta acusação indubitavelmente clara e esta profecia ominosa: “O que te despertou – disto damos testemunho – não foi seu grito (o dos turcos afogados no Mar Negro) mas, sim, foste incentivado por tuas próprias paixões, pois Nós te experimentamos e achamos falho... Tivesses tu sido sincero em tuas palavras, não terias jogado atrás de ti o Livro de Deus (Epístola anterior) quando te foi enviado por Aquele que é o Todo-Poderoso, o Onisciente. Por causa daquilo que fizeste, teu reino será entregue ao caos e teu império há de passar de tuas mãos como punição por aquilo que cometeste.”
A Mensagem anterior de Bahá’u’lláh, remetida ao Imperador por intermédio de um dos ministros franceses, teve um acolhimento cuja natureza pode ser conjeturada das palavras registradas na “Epístola ao Filho do Lobo”. “A esta (primeira Epístola), porém, ele não respondeu. Após Nossa chegada na Maior Prisão, veio-nos uma carta de seu ministro, a primeira parte da qual estava escrita em persa, e a última de seu próprio punho. Na carta, ele foi cordial, dizendo o seguinte: - Entreguei vossa carta, segundo me pedistes, e até agora não recebi resposta. Temos mandado, entretanto, as recomendações necessárias a nosso ministro em Constantinopla e nossos cônsules nessas regiões. Se desejardes que seja feita qualquer coisa, informai-vos e nós a executaremos. – De suas palavras se tornou evidente haver ele entendido que este Servo lhe queria pedir assistência material.”
Em sua primeira Epístola, Bahá’u’lláh, desejando provar a sinceridade dos motivos do Imperador, assumiu deliberadamente um tom humilde e não provocador, e, após se haver estendido sobre os sofrimentos por ele suportados, lhe dirigira as seguintes palavras: “Duas declarações feitas gentilmente pelo rei da época chegaram aos ouvidos destes injuriados. São, em verdade, o rei de todas as declarações, cujo igual jamais se ouvira de qualquer soberano. A primeira foi a resposta dada ao governo russo quando este perguntou por que a guerra (da Criméia) fora travada contra ele. Tu respondeste: - O grito dos oprimidos, inocentes de qualquer culpa, afogados no Mar Negro, despertou-me à alvorada. Por isso lancei mão das armas contra ti. – Estes oprimidos, porém, sofreram uma injustiça maior e se acham em grande aflição. Enquanto as provações infligidas àquelas pessoas duraram apenas um dia, as tribulações suportadas por estes servos continuam há vinte e cinco anos, cada momento dos quais nos tem trazido uma angústia penosa. A outra declaração imponente de fato uma declaração admirável manifestada ao mundo, foi esta: É nossa a responsabilidade de vingar os oprimidos e socorrer os desamparados. – A fama da justiça e equidade do Imperador tem trazido esperança a muitas almas. Convém ao rei da época informar-se sobre a condição dos injuriados, e incumbe-lhe conceder seu amparo aos fracos. Em verdade, nunca houve, nem há agora na terra, pessoa alguma tão oprimida como nós, nem tão desamparado como estes errantes.”
Diz-se que esse monarca superficial, ardiloso e intoxicado de orgulho, ao receber a primeira Mensagem, arremessou a Epístola, exclamando: “Se esse homem é Deus, eu sou dois deuses!” O portador da segunda Epístola – sabemos de fonte fidedigna – a escondera em seu chapéu a fim de evadir a estrita vigilância dos guardas, podendo assim entregá-la ao agente francês residente em ´Akká, o qual (segundo atesta Nabíl em sua narrativa) a traduziu para o francês e enviou ao Imperador, vindo ele mesmo a aceitar a Fé após haver testemunhado, mais tarde, o cumprimento de tão notável profecia.
Revelou-se, dentro em breve, o significado das palavras sombrias e ponderosas pronunciadas por Bahá’u’lláh em Sua segunda Epístola. Aquele que fora induzido por desejos egoístas a provocar a Guerra da Criméia, sendo incentivado por um ressentimento pessoal contra o Imperador Russo, e estando impaciente para rasgar o Tratado de 1815, a fim de se vingar do desastre de Moscou e realizar sua ambição de cobrir de glória militar o seu trono, foi, ele próprio, dentro de pouco tempo, engolfado por uma catástrofe que o lançou ao pó, fazendo a França descer de sua proeminente posição entre as nações para a de quarta potência na Europa.
A Batalha de Sedan em 1870 selou o destino do Imperador francês. Seu exército inteiro foi posto em debandada e rendeu-se, constituindo isso a maior capitulação até então registrada na história moderna. Exigiu-se uma indenização esmagadora. Ele mesmo foi preso, e seu único filho, o Príncipe Imperial, morreu, poucos anos depois, na Guerra Zulu. Seguiu-se o colapso do Império, sem se haver realizado seu programa. Proclamou-se a República. A cidade de Paris, mais tarde, foi assediada e teve que capitular. Veio então “o ano terrível”, assinalado por guerra civil que excedia em sua ferocidade a Guerra Franco-Germânica. Guilherme I, o rei prussiano, foi proclamado Imperador Alemão no próprio palácio que se erguera como um “poderoso monumento e símbolo do poder e do orgulho de Luis XIV, poder esse que fora atingido em grande parte pela humilhação da Alemanha”. Deposto por um desastre “tão horrendo que repercutia pelo mundo inteiro”, esse monarca falso e jactancioso, sofreu, a final, e até a morte, o mesmo exílio de que, no caso de Bahá’u’lláh, ele tão impiedosamente se recusara a tomar conhecimento.
Uma humilhação menos espetacular porém mais significativa historicamente, esperava o Papa Pio IX. Aquele que se considerava o Vigário de Cristo, Bahá’u’lláh escreveu: “A Palavra que o Filho (Jesus) ocultou, torna-se manifesta”, e também: “Fez-se descer em forma do templo humano”, dizendo que a Palavra era Ele próprio, e Ele próprio o Pai. Foi aquele que se denominava “O servo dos servos de Deus”, a quem o Prometido de todos os tempos, revelando em toda plenitude Sua posição, anunciou: “Aquele que é o Senhor dos Senhores veio, envolto em nuvens”. Foi a ele, pretenso sucessor de São Pedro, que Bahá’u’lláh lembrou: “Este é o dia em que a Pedra (Pedro) clama e brada... dizendo: - Eis o Pai, e já se cumpre o que vos foi prometido no Reino. –“ Ele, ornado da coroa tríplice, foi quem veio a ser mais tarde o primeiro prisioneiro do Vaticano, e a quem o Prisioneiro Divino de ´Akká ordenou “deixar seus palácios para aqueles que os desejassem”, “vender todos os ornamentos embelezados” que possuía e “despendê-los no caminho de Deus”, “abandonar seu reino aos reis” e sair de sua habitação com a face “voltada para o Reino”.
O Conde Mastai-Ferretti, Bispo de Ímola, o ducentésimo qüinquagésimo quarto papa desde o início da primazia de São Pedro, que fora elevado ao trono papal dois anos após a Declaração do Báb, a duração de cujo pontifício excedeu à de qualquer de seus professores, será lembrado permanentemente como autor do édito que declarou ser doutrina da Igreja Imaculada Conceição da Santa Virgem (1854), mencionada no Kitáb-i-Iqán, e como promulgador do novo dogma da Infalibilidade Papal (1870). Era autoritário de natureza, fraco como estadista, não se dispunha à conciliação, resolvido, antes, a preservar toda sua autoridade, mas, se bem que conseguisse melhor definir sua posição e reforçar sua autoridade espiritual, em virtude de haver assumido uma atitude ultramontana, ele não logrou, enfim, manter aquele domínio temporal que os primazes da Igreja Católica vinham exercendo desde tantos séculos.
Esse poder temporal havia minguado através dos séculos até atingir proporções insignificantes. As décadas anteriores à sua extinção foram caracterizadas pelas mais severas vicissitudes. Enquanto o sol da Revelação de Bahá´u ´lláh atingia pleno esplendor merídio, as sombras que assediavam o decrescente patrimônio de São Pedro enegreciam com a mesma celeridade. A Epístola de Bahá’u’lláh dirigida ao Pio IX, precipitou a extinção desse patrimônio. Basta um olhar rápido para o curso de suas fortunas declinantes nessas décadas. Napoleão I expulsara o Papa de suas propriedades. O Congresso de Viena lhas restituiu, com sua administração nas mãos dos sacerdotes. Em vista da corrupção e desorganização, da incapacidade de garantir a segurança interna, e do ressurgimento da inquisição, um historiador sentiu-se capaz de asseverar que “nenhuma parte da Itália, nem talvez da Europa, a não ser a Turquia, é governada como o é esse estado eclesiástico”. Roma era “uma cidade de ruínas, tanto material como moralmente”. Insurreições levaram a Áustria a intervir. Cinco grandes potências insistiram sobre a introdução de reformas de grande alcance, o que o Papa prometeu mas não levou a cabo. A Áustria reivindicou sua posição, sendo oposta pela França. Ambas estreitaram-se mutuamente nas propriedades papais, até 1838, quando, ao se retirarem, o absolutismo foi novamente estabelecido. O poder temporal do Papa foi então estigmatizado por alguns de seus próprios súditos, o que pressagiava sua extinção em 1870. Complicações internas forçaram-no a fugir de Roma na calada da noite, disfarçado como um padre humilde, havendo a Cidade Eterna se declarado república. Mais tarde, os franceses restituíram-na a seu estado anterior. Com a criação do reino da Itália, a mudança de política de Napoleão III, o desastre de Sedan, os delitos do governo papal os quais Clarendon, perante o Congresso de Paris, ao término da Guerra da Criméia, denunciara como uma “vergonha para a Europa” – selou-se o destino daquele domínio cambaleante.
Em 1870, após haver Bahá’u’lláh revelado Sua Epístola a Pio IX, o Rei Vitor Emanuel I fez guerra aos Estados Papais, e suas tropas entraram em Roma. Na véspera dessa entrada vitoriosa o Papa havia se retirado para Latrão e, a despeito de sua idade avançada, subido de joelhos a Scala Santa. Na manhã seguinte, ao iniciar-se a canhonada, ele mandou içar-se a bandeira branca sobre o zimbório de São Pedro. Espoliado, recusou-se a reconhecer essa “criação de revolução”, excomungou os invasores de seus Estados, denunciou Vitor Emanuel como o “Rei ladrão”, “esquecido de todo princípio religioso, desprezador de todo direito, espezinhando toda lei”. Roma, “a Cidade Eterna, sobre a qual repousam vinte e cinco séculos de glória”, governada pelos Papas com autoridade inatacável havia dez séculos, tornou-se, afinal, sede do novo reino e a cena daquela humilhação que Bahá’u’lláh antecipara e o Prisioneiro do Vaticano se impusera a si próprio.
“Os derradeiros anos do velho Papa”, escreve um comentarista sobre sua vida, “foram repletos de angústia. Às enfermidades físicas se acrescentou o desgosto de presenciar, com demasiada freqüência, o ultraje da Fé no próprio coração de Roma, de ver espoliadas e perseguidas as ordens religiosas e impedido aos bispos e padres o exercício de suas funções”.
Todos os esforços no sentido de reparar a situação criada em 1870 foram infrutíferos. O Arcebispo de Posen foi a Versailles a fim de solicitar a intervenção de Bismarck em prol do papado, mas teve uma recepção fria. Mais tarde, se organizou um partido católico na Alemanha com o fim de exercer pressão sobre o Chanceler alemão. Tudo, porém, foi em vão. O poderoso processo ao qual já nos referimos, teve de seguir seu curso inexoravelmente. Mesmo agora, depois de se haver passado mais de meio século, a chamada restauração da soberania temporal nada fez senão por em maior relevo a impotência desse príncipe, outrora tão poderoso, diante de cujo nome reis tremiam, submetendo-se à sua soberania dual sem a mínima oposição. Essa soberania temporal, que se confinava praticamente à cidade minúscula do Vaticano, deixando à Roma a posse indisputável de uma monarquia secular, só foi obtida mediante o reconhecimento incondicional (já tanto tempo negado) do Reino da Itália. O Tratado de Latrão, pretendendo haver resolvido, uma vez por todas, a Questão Romana, de fato assegurou a uma Potência secular, a respeito da Cidade Encravada, uma liberdade de ação que acarreta incerteza e perigo. “As duas almas da Cidade Eterna”, observou um escritor católico, “separaram-se uma da outra, apenas para colidirem mais severamente do que nunca”.
Bem poderia o Sumo Pontífice lembrar-se do mais poderoso dentre seus predecessores, Inocente III, que durante os dezoito anos de seu pontificado erguia e depunha os reis e os imperadores, cujos interditos privavam nações do exercício do culto cristão aos pés de cujo legado o Rei da Inglaterra rendeu sua coroa, e em obediência a cuja voz se empreendeu a quarta cruzada como também a quinta.
E durante os tumultuosos anos com que a humanidade defronta, não poderia o processo ao qual já nos referimos, manifestar, no curso de sua operação, e no mesmo domínio, um distúrbio ainda mais devastador do que qualquer outro até agora produzido?
O colapso dramático tanto do Terceiro Império como da dinastia napoleônica, com a virtual extinção da soberania temporal do Sumo Pontífice, durante a vida de Bahá’u’lláh, foram apenas os precursores de catástrofes ainda maiores que assinalaram, pode-se dizer, o ministério de ‘Abdu’l-Bahá. Podemos atribuir essas terríveis catástrofes às forças desenfreadas por um conflito cuja plena significação ainda não sondamos e que pode ser visto como o prelúdio a esta, a mais assoladora de todas as guerras. O progresso da Guerra de 1914-1918 destronou a Casa de Romanov, enquanto seu término precipitou a queda da dinastia de Hapsburg como também da de Hohenzollern.
14. O SURGIR DO BOLSHEVISMO
O surgir do bolshevismo, em meio à conflagração daquele conflito inconcludente, abalou o trono dos tzares e finalmente o derrubou. A Nicolaevich Alexandre II, Bahá’u’lláh ordenara em Sua Epístola: “Levanta-te... e convoca as nações para Deus”, três vezes lhe advertindo: “Acautela-te para que teu desejo não te impeça de te volver para a face de teu Senhor”, “acautela-te para que não troques tão sublime posição”, “acautela-te para que tua soberania não te prive Daquele que é o Soberano Supremo”. E, embora ele não fosse, realmente, o último dos tzares a governar seu país, foi, no entanto, o iniciador de uma política retrocessiva que se provou, enfim, tão fatal para ele como para sua dinastia.
Na última parte de seu reinado, ele introduziu uma política reacionária que causou desilusão universal e deu origem ao niilismo, o qual, à medida que se espalhava, inaugurou um período de violência sem precedentes, levando por sua vez a vários atentados à sua vida e culminando em seu assassínio. Severa opressão guiou a política de seu sucessor, Alexandre III, que “assumiu uma atitude de hostilidade desafiadora para com inovadores e liberais”. A tradição do absolutismo incondicional e da extrema ortodoxia religiosa foi mantida pelo último dos tzares, Nicolas II, que era de uma severidade ainda maior. Guiado pelos conselhos de um homem que era “a verdadeira encarnação de um despotismo estreito e arrogante”, com o apoio de uma burocracia corrupta, e humilhado pelos efeitos desastrosos de uma guerra estrangeira, ele aumentou o descontentamento geral, tanto dos intelectuais como dos camponeses. Por algum tempo teve o niilismo de operar ocultamente, mas foi intensificado por reveses militares e explodiu, afinal, no meio da Grande Guerra, em forma de uma Revolução que, quanto aos princípios que desafiava, às instituições por ela subvertidas e à destruição causada, dificilmente encontra paralelo na história moderna.
Uma grande agitação abalou os fundamentos do país. Ofuscou-se a luz da religião. Extinguiram-se as instituições eclesiásticas de todas as seitas. A religião oficial perdeu suas doações, foi perseguida e eliminada. Um vasto império desmembrou-se. Um proletariado militante, vencendo, exilou os intelectuais, e procedeu à espoliação e ao massacre da nobreza. Guerra civil e moléstia dizimaram a população que mergulhava na agonia e no desespero. E, finalmente, o Sumo Magistrado de um poderoso domínio, com sua família e sua dinastia, foram levados para o vórtice dessa grande convulsão e pereceram.
A mesma calamidade que amontoou tão temíveis infortúnios sobre o império dos tzares, efetivou, em suas etapas finais, a queda do onipotente Kaiser alemão, bem como a do herdeiro do Santo Império Romano, outrora tão afamado. Demoliu a inteira estrutura da Alemanha Imperial – surgida em conseqüência do desastre que engolfara a dinastia napoleônica – e deu o golpe mortífero à Monarquia Dual.
Bahá’u’lláh, que predissera, em termos claros e ressonantes, a queda ignominiosa do sucessor do grande Napoleão, havia, quase meio século antes, no Kitáb-i-Aqdas, dirigido ao Kaiser Guilherme I, pouco depois de ser ele aclamado vitorioso, uma advertência não menos significativa, pressagiando, em palavras igualmente inequívocas, em Sua apóstrofe às margens do Reno, o pesar que haveria de afligir a capital do império recém-federado.
“Lembra-te” – Bahá’u’lláh assim se lhe dirigiu – “daquele (Napoleão) cujo poder transcendeu teu poder, e cuja posição excedeu à tua posição... Pense nele, ó rei, profundamente, e naqueles que, semelhantes a ti, conquistaram cidades e governaram os homens.” E ainda: “Ó margens do Reno! Nós vos temos visto ensangüentados, desde que as espadas da retribuição se desembainharam contra vós; e virão ainda outra vez. E ouvimos os lamentos de Berlim, embora esteja hoje em glória notável.”
Caiu em vários graus o pleno peso das responsabilidades conseqüentes de tão agoureiras pronunciações sobre aquele que na velhice resistiu a dois atentados contra sua vida, feitos por partidários do crescente fluxo de socialismo, sobre seu filho, Frederico III, cujo reinado de três meses se nublava à face da moléstia mortal, e, finalmente, sobre seu neto, Guilherme II, o monarca obstinado e presunçoso, que arruinou o seu próprio império.
Guilherme I, primeiro imperador alemão e sétimo rei da Prússia, cuja vida inteira, até a data de sua subida ao trono, se passara no exército, foi um governante militarista, autocrata, imbuído de idéias antiquadas, e – com o apoio de um estadista considerado com justiça “um dos gênios de seu século” – introduziu uma política que, podemos dizer, inaugurou uma nova era não só para a Prússia mas também para o mundo. Seguiu ele a esta política do modo absoluto que lhe era característico, sendo ela aperfeiçoada por meio das medidas repressivas tomadas para salvaguardá-la e sustentá-la, por meio das guerras travadas para sua realização e das combinações subseqüentemente formadas com o fim de a exaltar e consolidar – combinações que acarretaram tão terríveis conseqüências para o continente europeu.
Guilherme II, de temperamento ditatorial, sem experiência na política, militarmente agressivo, insincero em sua religião, embora se dissesse apóstolo da paz européia, na realidade insistia sobre o “punho armado” e a “armadura lustrosa”. Irresponsável, indiscreto, desmedidamente ambicioso, seu primeiro ato foi a demissão daquele estadista sagaz, verdadeiro fundador de seu império, à cuja sagacidade Bahá’u’lláh prestara homenagem, e da insensatez de cujo ingrato imperial ‘Abdu’l-Bahá dera testemunho. Guerra tornou-se realmente uma religião de seu país e, pela ampliação do âmbito de suas múltiplas atividades, ele procedeu a preparar o caminho para aquela catástrofe final que viria destronar a ele e a sua dinastia. E quando estourou a guerra, e o poder de seus exércitos parecia haver sobrepujado seus adversários, divulgando-se largamente a notícia de seus triunfos, atingindo até a Pérsia, vozes levantaram-se para ridicularizar aquelas passagens do Kitáb-i-Aqdas que tão claramente prognosticaram os infortúnios destinados a atingir sua capital. De súbito, porém, reveses imprevistos e rápidos alcançaram-no fatalmente. Irrompeu a revolução. Guilherme II, abandonando seus exércitos, fugiu vergonhosamente para a Holanda, seguido pelo príncipe herdeiro. Os príncipes dos estados alemães abdicaram. Seguiu-se um período de caos. A bandeira comunista foi içada na capital, assim vindo esta a ser um foco de confusão e luta civil. O Kaiser assinou sua abdicação. A Constituição de Weimar estabeleceu a República, e a tremenda estrutura, tão laboriosamente erguida através de uma política de sangue e ferro, desabou. Nulos foram todos os esforços assiduamente envidados desde a subida de Guilherme I ao trono prussiano, por meio de legislação interna bem como por guerras estrangeiras. Levantaram-se “os lamentos de Berlim” em sua aflição por causa dos termos de um tratado monstruoso em sua severidade – lamentos estes em notável contraste com os hílares gritos de vitória que haviam ressoado, meio século antes, no Salão dos Espelhos do Palácio de Versailles.
Simultaneamente, o monarca de Hapsburg, herdeiro de séculos de história gloriosa, tombou de seu trono. Foi Francisco José, a quem Bahá’u’lláh repreendera no Kitáb-i-Aqdas por não haver cumprido seu dever de investigar Sua Causa e nem aos menos ter procurado Sua Presença quando isso lhe teria sido tão fácil durante sua visita à Terra Santa. “Tu passaste por Ele – assim Ele reprova o imperador peregrino – e sobre Ele não inquiriste... Temos estado consigo em todos os tempos e visto segurar-te ao Ramo enquanto desatendias a Raiz... Abre teus olhos, a fim de que possas contemplar esta Gloriosa Visão e reconhecer Aquele a quem invocas durante o dia e à noite, e ver a Luz que brilha por cima deste Horizonte luminoso.”
A Casa de Hapsburg, em que o Título Imperial fora praticamente hereditário por quase cinco séculos, estava sendo, desde que foram proferidas estas palavras, cada vez mais ameaçada pelas forças da desintegração interna como também estava lançando as sementes de um conflito externo, sucumbindo, finalmente, a ambas. Francisco José, Imperador da Áustria, Rei da Hungria, governante reacionário, restabeleceu os velhos abusos, descuidou dos direitos das nacionalidades e restituiu aquela centralização burocrática que veio a ser, mais tarde, tão prejudicial a seu império. Repetidas tragédias obscureceram seu reinado. Seu irmão Maximiliano foi fuzilado no México. O Príncipe Herdeiro Rudolfo pereceu em circunstâncias desonrosas. A Imperatriz foi assassinada em Genebra. Mataram o Arquiduque Francisco Ferdinando e sua esposa em Serajevo, episódio que ateou uma guerra durante a qual o próprio Imperador perdeu a vida, e assim chegou ao fim um reinado nunca excedido por qualquer outro no que diz respeito aos desastres infligidos sobre a nação.
15. FIM DO SACRO IMPÉRIO ROMANO
Esforços tardios haviam sido feitos para firmar seu trono prestes a ruir. O “império desconjuntado”, uma mescla de estados, raças e idiomas, desintegrava-se, porém, inexorável e celeremente. A situação política e econômica estava desesperadora. Da derrota da Áustria e da Hungria, na mesma guerra, resultou seu desmembramento, pressagiando sua morte. A Hungria desligou-se. Fez-se partilha do reino conglomerado, e tudo o que restou do Sacro Império Romano, outrora tão temido, foi uma república encolhida que levou uma existência miserável até que, em tempos mais recentes, de um modo distinto ao de sua nação irmã, se extinguiu completamente, sendo apagada do mapa político da Europa.
Tal, pois, foi o destino daqueles impérios – o napoleônico e os dos Romanof, Hohenzollern e Hapsburg, a cada um de cujos governantes, individualmente, também ao soberano ocupante do trono papal, a Pena do Altíssimo se dirigiu, respectivamente punindo, advertindo e condenando, repreendendo e admoestando. O que dizermos do destino daqueles soberanos que exerciam jurisdição política direta sobre a Fé, seus Fundadores e adeptos, no âmbito de cujos domínios a Fé nascera e primeiro se difundira, e que tinham assim liberdade para crucificar seu Arauto, banir seu Fundador e ceifar seus adeptos?
16. QUAL O DESTINO DA TURQUIA E DA PÉRSIA?
Já no tempo de Bahá’u’lláh e, mais tarde, durante o ministério de ‘Abdu’l-Bahá, caiam os primeiros golpes de uma retribuição lenta mas contínua e inexorável sobre os governantes da Casa Turca de ´Uthmán e, igualmente, da dinastia Qájár na Pérsia – os arquiinimigos da recém-nascida Fé Divina. O Sultão ´Abdu´l-´Azíz caiu do poder e foi assassinado pouco após o desterro de Bahá’u’lláh em Adrianopla, enquanto o Xá Násiri´d-Dín sucumbiu diante da pistola de um assassino durante o encarceramento de ‘Abdu’l-Bahá na cidade-fortaleza de ´Akká. Ao Período Formativo da Fé Divina, porém – a era que viu nascer e surgir sua Ordem Administrativa, a qual, como disse em uma comunicação anterior, está criando, à medida que se desenvolve, tão grande transtorno no mundo – coube presenciar não só a extinção de ambas essas dinastias, mas também o fim das instituições gêmeas: o sultanato e o califado. Dos dois déspotas, Abdu´l-´Azíz era o mais poderoso, de posição mais elevada, o mais preeminente em delitos e o mais responsável pelas tribulações e vicissitudes do fundador de nossa Fé. Foi ele quem, através de seus decretos, três vezes exilara a Bahá’u’lláh, e em seus domínios o Manifestante de Deus passou quase todo o cativeiro de quarenta anos. Foi durante seu reinado, como também no e seu sobrinho e sucesso, ´Abdu´l-Hamid II, que o Centro do Convênio de Deus teve de suportar, por nada menos de quarenta anos, na cidade-fortaleza de ´Akká, um encarceramento repleto de perigos, ultrajes e privações.
“Ouve, o rei!” é o chamado de Bahá’u’lláh ao sultão ´Abdu´l-´Azíz, “as palavras Daquele que diz a verdade, Daquele que não te pede como recompensa as coisas que Deus se dignou te conceder, Daquele que segue sem errar o Caminho Reto... Observa, ó rei, do imo de teu coração e com todo o teu ser, os preceitos de Deus, e não andes nos caminhos do opressor... Não ponhas tua confiança na graça de Deus, teu Senhor... Não transgridas os limites da moderação e mostra justiça aos que te servem... Põe ante teus olhos a infalível Balança de Deus e, como se estivesses em Sua Presença, pesa nessa Balança tuas ações cada dia, a cada momento de tua vida. Examina-te a ti próprio antes de seres chamado a juízo, no Dia em que homem algum terá forças para se manter em pé por temor a Deus, Dia em que os corações dos desatentos se farão tremer.”
“Aproxima-se o dia” – Assim prediz Bahá’u’lláh na Lawh-i-Ra´ís – “em que a Terra do Mistério (Adrianópolis) e aquilo que está a seu lado serão mudados e sairão das mãos do rei, em que comoções haverão de aparecer e a voz do lamento se erguerá, o dia em que de todos os lados se revelarão as evidências de dano e o caos se espalhará por causa daquilo que sucedeu a estes cativos nas mãos das hostes opressoras. O curso das coisas há de se alterar, tornando-se tão penosas as condições que as próprias areias nas colinas desoladas gemerão; das árvores, na montanha, se ouvirá choro, e o sangue correrá de todas as cosias. Então verás o povo em angústia extrema.”
“Logo”, escreveu Bahá’u’lláh também, “Sua grande ira atingir-vos-á; a sedição surgirá em vosso meio e vossos domínios haverão de se romper. Nesse tempo havereis de gemer e lastimar, e a ninguém encontrareis que vos preste socorro ou auxílio. Várias vezes vos sobrevieram calamidades e, no entanto, não fostes, em absoluto, advertidos. Uma destas foi a conflagração que devorou a maior parte da cidade (Constantinopla) com as chamas da justiça, e sobre a qual foram escritos muitos poemas nos quais se dizia jamais haver sido testemunhado incêndio igual. E, no entanto, vós vos tornastes mais negligentes... Irrompeu também uma praga, mas ainda deixastes de atender! Sede expectadores, pois a ira de Deus está prestes a vos atingir. Dentro em breve vereis o que desceu da Pena de Meu comando.”
“Pelos vossos atos” – Ele, em outra Epístola, antecipando a queda do sultanato e do califado, assim reprova as forças combinadas do islã sunita e xiita – “a elevada posição do povo foi rebaixada, arrevesando-se o estandarte do islã, e caindo seu poderoso trono.”
E, finalmente, no Kitáb-i-Aqdas, revelado pouco depois do desterro de Bahá’u’lláh para ´Akká, Ele assim interpela a sede do poder imperial turco: “Ó Lugar sito nas praias dos dois mares! O trono da tirania, em verdade, estabeleceu-se sobre ti, e dentro de teu seio se ateou a chama do ódio... Estás realmente cheio de orgulho manifesto. Terá teu esplendor externo te tornado vanglorioso? Por Aquele que é o Senhor da humanidade! Isso em breve perecerá, e tuas filhas e tuas viúvas e todos os congêneres que em ti habitam lamentarão. Assim te informa o Onisciente, o Sapientíssimo.” De fato, numa passagem muito notável da Lawh-i´Fu´ád, a qual faz alusão à morte de Fu´ád Páshá, Ministro de Relações Exteriores da Turquia, encontra-se uma predição inequívoca da queda do próprio sultão: “Breve demitiremos Aquele que lhe era similar, e aprisionaremos seu chefe que governa a terra. Eu, verdadeiramente, sou o Todo-Poderoso, Quem sobre tudo predomina.”
O efeito destas palavras sobre o sultão, relativas à sua pessoa, ao seu império e trono, à sua capital e aos seus ministros, pode ser percebido na recitação dos sofrimentos que infligiu a Bahá’u’lláh, aos quais já nos referimos nas primeiras destas páginas. A extinção do “esplendor externo”, que rodeava aquela orgulhosa sede de poder imperial, é o tema que agora passarei a expor.
17. O LÚGUBRE DESTINO DA TURQUIA IMPERIAL
Um processo cataclísmico, um dos mais notáveis da história moderna, se pusera em movimento desde que Bahá’u’lláh, enquanto prisioneiro em Constantinopla, entregou a um oficial turco Sua Epístola endereçada ao Sultão ´Abdu´l-´Azíz e aos seus ministros, para ser transmitida a ´Alí Páshá, ao Grão-Vizir. Foi esta Epístola que, segundo atesta esse oficial e afirma Nabíl em sua crônica, afetou o Vizir tão profundamente que empalideceu durante sua leitura. Esse processo recebeu novo ímpeto com a revelação da Lawh-i-Ra´is logo depois do exílio final de seu Autor, de Adrianópolis para ´Akká, e, implacável, devastador, com crescente rapidez, desenvolvia-se ominosamente, lesando o prestígio do Império, desmembrando-lhe o território, destituindo os sultãos de seus tronos e varrendo suas dinastias, degradando e depondo seu califa, extirpando-lhe a religião e extinguindo-lhe a glória. O “homem doente” da Europa, de cuja condição fizera o Médico Divino seu diagnóstico certo, pronunciando inevitável sua ruína final, sofreu, durante o reinado de cinco sultãos sucessivos – todos eles degenerados, sendo todos depostos – caindo vítima, enfim, de uma série de convulsões que se provaram ser fatais à sua vida. A Turquia imperial que, sob o domínio de ´Abdu´l-Majid, fora admitida ao Concerto Europeu e emergia vitoriosa da Guerra da Criméia, entrou, sob seu sucessor, ´Abdu´l-´Azíz, num período de célere declínio, culminando, pouco depois do trespasse de ‘Abdu’l-Bahá, na pena pronunciada contra ela pelo julgamento divino.
Levantes na Ilha de Creta e nos Bálcãs assinalaram o reinado deste sultão – trigésimo segundo de sua dinastia – déspota vazio de espírito, temerário ao extremo, de uma extravagância sem limites. A Questão Oriental entrou em fase aguda. Os flagrantes abusos de seu governo deram origem a movimentos destinados a exercer influências de grande alcance em seus domínios, enquanto os empréstimos enormes e contínuos obtidos por ele, levando a um estado de semibancarrota, introduziram o princípio de controle estrangeiro sobre as finanças de seu império. Uma conspiração terminando numa revolução no palácio veio finalmente depô-lo. O mufti denunciou sua incapacidade e sua extravagância. Quatro dias depois, foi assassinado pelo sobrinho, Murád V, cuja mente se reduzira à nulidade pela intemperança e pela longa reclusão na “Gaiola”. Declarando-o imbecil, depuseram-no após um reinado de três meses, quando lhe sucedeu ´Abdu´l-Hamíd II, homem de extrema sutileza e suspicaz, tirânico, que “se provou ser o mais miserável intrigante, o mais astucioso, pérfido e cruel da longa dinastia de ´Uthmán”. Segundo um escritor: “Não se podia saber, de um dia para outro, de quem era o conselho que levara o sultão a contrariar seus ministros ostensíveis, se era de uma favorita de seu harém, de um eunuco, de algum dervis fanático, de um astrólogo ou um espião.” As atrocidades búlgaras prenunciaram o reinado negro deste “Grande Assassino” que fez a Europa vibrar de horror, sendo essas atrocidades caracterizadas por Gladstone como “os mais nefandos e tetros ultrajes registrados nesse (XIX) século”. A guerra de 1877-8, acelerou o processo de desmembramento do império. Nada menos de onze milhões de pessoas emanciparam-se do jugo turco. As tropas russas ocuparam Adrianópolis. A Sérvia, Montenegro e a Romênia proclamaram sua independência. A Bulgária tornou-se estado autônomo, tributário ao sultão. Chipre e Egito foram ocupados. Os franceses assumiram um protetorado sobre a Tunísia. A Rumelia oriental foi cedida à Bulgária. O massacre de armênios em vasta escala, atingindo, direta ou indiretamente, cem mil almas, foi apenas o precursor do derramamento de sangue, de uma forma ainda mais extensa, num reinado posterior. A Bósnia e a Herzegovina foram perdidas à Áustria. A Bulgária obteve sua independência. Desprezo e ódio universais de um soberano infame, sentidos tanto pelos seus súditos cristãos como pelos muçulmanos, culminaram, afinal, numa revolução veloz e de vasto alcance. O Comitê dos Jovens Turcos conseguiu do Shaykhu´l-Islam a condenação do sultão. Deixado ao abandono, sem amigos, objeto da execrações dos súditos e do desdém dos colegas governantes, ele se viu forçado a abdicar, tornando-se prisioneiro do Estado, assim pondo termo a um reinado o “mais desastroso pelas suas perdas imediatas de território e pela certeza de outras vindouras, e mais conspícuo pela piora da situação de seus súditos, do que qualquer outro de seus vinte e três predecessores degenerados, desde a morte de Soliman o Magnífico.”
O fim de tão vergonhoso reinado foi apenas o começo de uma nova era que – embora, de início, acolhida tão auspiciosamente – era destinada a testemunhar o colapso do Estado Otomano tão desconjuntado e carcomido. Muhammad V, irmão de ´Abdu´l-Hamíd II, uma nulidade absoluta, não soube melhorar a condição de seus súditos. As loucuras de seu governo determinaram irrevogavelmente o trágico fim do império. A guerra de 1914-18 forneceu a ocasião. Reveses militares levaram ao ponto fulminante as forças que solapavam suas bases. Enquanto a guerra ainda continuava, a deserção do Xerife de Meca e a revolta das províncias árabes pressagiaram a convulsão que haveria de atacar o trono turco. A fuga precipitada e a destruição completa do exército de Jamál Páshá, comandante-chefe na Síria – aquele que jurara arrasar, após seu regresso triunfante do Egito, o Túmulo de Bahá’u’lláh, e crucificar publicamente o Centro de Seu Convênio numa praça de Constantinopla – eram sinais da némesis que sobreviria a um império angustiado. Nove décimos dos grandes exércitos turcos dissolveram-se. A quarta parte da população inteira havia perecido em conseqüência da guerra, de moléstias, fome e massacre.
Um novo governante, Muhammad VI, último dos vinte e cinco sucessivos sultãos degenerados, tomara posse, entrementes, do trono de seu desgraçado irmão. A estrutura do império estava vacilando agora e prestes a ruir. Mustafá Kamál deu-lhe os golpes finais. A Turquia, tão encolhida que era apenas um pequeno estado asiático, tornou-se uma república. Depuseram o sultão e terminaram o sultanato, extinguindo assim um domínio que permanecera ininterrupto havia seis séculos e meio. Um império que se estendera do centro da Hungria até o Golfo Persa e o Sudão, e do Mar Cáspio até o Orã na África, estava agora tão reduzido ao ponto de constituir uma pequena república asiática. A própria Constantinopla que, após a queda de Bizâncio, havia sido honrada como a metrópole esplendorosa do Império Romano e feita capital do governo otomano, foi abandonada pelos seus conquistadores e despida de sua pompa e sua glória – uma recordação muda da tirania vil que desde tanto tempo lhe maculara o trono.
Tais foram, num breve esboço, as terríveis evidências daquela justa retribuição que tão tragicamente afligiu a ´Abdu´l-´Azíz, a seus sucessores, seu trono e sua dinastia. Que dizermos do Xá Násiri´d-Din, co-participante naquela conspiração imperial que visava extirpar, raiz e ramo, a nascente Fé Divina? Sua reação à Mensagem Divina que lhe fora entregue pelo destemido Badí – o “Orgulho dos Mártires”, que se havia espontaneamente dedicado a essa missão – foi característica daquele ódio implacável que lhe ardia no peito, com tanta ferocidade, por todo seu reinado.
18. A RETRIBUIÇÃO DIVINA NA DINASTIA DE QÁJÁR
O Imperador francês – foi dito – jogara fora a Epístola de Bahá’u’lláh e dera ordem a seu ministro – como nos assevera o próprio Bahá’u’lláh – de dirigir a seu Autor uma resposta irreverente. O grão-vizir de ´Abdu´l-´Azíz – afirma-se de fonte fidedigna – empalideceu ao ler o comunicado dirigido a seu mestre imperial e seus ministros, e fez o seguinte comentário: “É como se o rei dos reis emitisse sua ordem imperativa ao mais humilde rei vassalo e regulasse sua conduta!” Diz-se que a Rainha Vitória, ao ler a Epístola para ela revelada, observou: “Se isso for de Deus, perdurará; se não, nenhum mal poderá fazer.” Ao Xá Násiri´d-Dín, entretanto, coube vingar-se, à instigação dos sacerdotes, Daquele a Quem não mais podia castigar pessoalmente, valendo-se para isso da apreensão de Seu mensageiro, jovem de uns dezessete anos, a quem mandou acorrentar pesadamente, torturando-o no ecúleo e, afinal, pondo termo à sua vida.
A esse soberano despótico Bahá’u’lláh, que o denunciara como o “Príncipe dos Opressores” e como aquele que breve seria feito “um exemplo para o mundo”, escrevera: “Contempla este jovem, ó rei, com os olhos da justiça; julga, pois, com verdade, daquilo que lhe sobreveio. Na realidade, Deus te fez Sua sombra entre os homens, e o sinal de Seu poder para todos os que habitam na terra.” E outra vez: “Ó rei! Fosses tu inclinar teus ouvidos para o tom penetrante da Pena da Glória e o canto do Pombo da Eternidade... atingirias uma condição em que nada perceberias no mundo existente a não ser a fulgência do Adorado, e verias tua soberania como a mais desprezível de tuas possessões, vindo, pois, a abandoná-la a quem a desejasse e dirigir tua face ao horizonte que resplandece com a luz de Seu semblante.” E ainda: “Quereríamos esperar, porém, que Sua Majestade o Xá examinasse, ele próprio, estes assuntos, e desse esperança aos corações. O que Nós te temos submetido é, realmente, para teu maior bem.”
Esta esperança, entretanto, não haveria de se cumprir. Foi, de fato, destruída por um reinado que se inaugurara com a execução do Báb e o encarceramento de Bahá’u’lláh no Síyáh-Chál de Teerã, por um soberano que havia repetidas vezes instigado os sucessivos desterros de Bahá’u’lláh, e por uma dinastia maculada com a trucidação de nada menos de vinte mil de Seus adeptos. O dramático assassínio do Xá, o governo ignóbil dos últimos soberanos da Casa de Qájár, e a extinção daquela dinastia, foram exemplos notáveis da retribuição divina que essas horrendas atrocidades haviam provocado.
Os qájárs, membros da tribo estrangeira turcomana, haviam de fato usurpado o trono persa. Aqá Muhammad Khán, o Xá eunuco e fundador da dinastia, foi um tirano tão brutal, avarento e sanguinário que a memória de nenhum persa é tão detestada e universalmente execrada quanto a sua. A história de seu reinado, assim como do de seus sucessores imediatos, é de vandalismo, de guerras internas, de chefes recalcitrantes e rebeldes, de banditismo e opressão medieval, enquanto que, nos anais dos reinados dos Qájárs ulteriores, sobressaem a estagnação do país, o analfabetismo do povo, corrupção e incompetência do governo, intrigas escandalosas da corte, decadência dos príncipes, irresponsabilidade e extravagância do soberano e sua ignóbil subserviência a uma ordem clerical notoriamente degradada.
O sucessor de Aqá Muhammad Khán, o dissoluto Xá Fath-´Alí, o chamado “Dário da Era”, vaidoso e arrogante, um avarento inescrupuloso, foi notório não só pelo enorme número de suas esposas e concubinas – atingindo mais de mil, e pela prole incalculável, mas também pelos desastres que seu governo trouxe ao país. Foi ele que mandou jogar seu vizir, a quem devia seu trono, numa caldeira de óleo fervendo. Quanto a seu sucessor, o intolerante Xá Muhammad, um dos seus primeiros atos, condenado definitivamente pela pena de Bahá’u’lláh, foi a ordem de estrangular seu primeiro ministro, o ilustre Qá´im-Maqám, imortalizado por esta mesma pena como o “Príncipe da Cidade da Diplomacia e das Habilitações Literárias”, substituindo-o por aquele homem inculto de consumada vileza, Hájí Mirzá Aqásí, que levou o país à beira da bancarrota e da revolução. Foi este mesmo Xá que se recusou a entrevistar o Báb e O encarcerou em Adhirbáyján, e que, aos quarenta anos de idade, foi atingido por uma complicação de moléstias às quais sucumbiu, apressando assim o mau fim pressagiado nestas palavras do Qayyúmu´l-Asmá: “Deus é Minha Testemunha, ó Xá! Se mostrares inimizade Àquele que é Sua Lembrança, Deus, no Dia da Ressurreição, ante os reis, te condenará ao fogo infernal e tu, em verdade, nenhum amparo encontrarás, nesse dia, a não ser Deus, o Excelso.”
O Xá Násiri´d-Din, monarca egoísta, obstinado e imperioso, sucedeu ao trono e, por meio século, coube-lhe o papel de árbitro único do destino de seu desafortunado país. Um obscurantismo desastroso, uma administração caótica nas províncias, a desorganização das finanças do reino, as intrigas, as vinganças e a profligação dos cortesões bajulados e cobiçosos que zumbiam e se enxameavam ao redor de seu trono, seu próprio despotismo – o qual teria sido ainda mais cruel e selvagem, não fossem o medo à restritiva opinião pública européia e o anseio de criar uma boa impressão nas capitais do Ocidente – todas estas características assinalavam o reinado sangrento daquele que se denominava “Vereda do Céu” e “Asilo do Universo”. Uma escuridão tríplice de caos, bancarrota e opressão envolviam o país. Seu próprio assassínio foi o primeiro prognóstico da revolução que iria restringir as prerrogativas de seu filho e sucessor, e depor os últimos dois monarcas da Casa de Qájár, extinguindo-lhes a dinastia. Na véspera de seu jubileu, que inauguraria uma nova era, e para cuja celebração se haviam feito os mais elaborados preparativos, ele caiu, no santuário do Xá ´Abdu´l-Azím, vítima da pistola de um assassino, e sentaram seu cadáver ereto na carruagem real, na frente de seu Grão Vizir, levando-o assim à capital a fim de adiar a difusão da notícia de sua morte.
“Corriam boatos”, escreve uma testemunha ocultar tanto da cerimônia como do assassinato, “que o dia da celebração do Xá seria o maior da história da Pérsia... Aos presos seria concedida liberdade incondicional, proclamando-se uma anistia geral; aos camponeses se prometia isenção de taxas por dois anos, pelo menos... e, aos pobres, alimento por alguns meses. Ministros e oficiais já maquinavam planos para obter do Xá honras e pensões. Sepulcros e lugares santos abriam seus portais para todo peregrino e viandante, e os siyyids e mulas medicavam as gargantas a fim de poderem cantar e entoar elogios ao Xá em todos os púlpitos. As mesquitas foram varridas e preparadas para reuniões gerais e orações públicas em benefício do soberano... Aumentaram as fontes sagradas para que nelas coubesse mais água benta, e as devidas autoridades haviam previsto que muitos milagres seriam realizados no dia do jubileu por meio dessas fontes... O Xá havia declarado que renunciaria suas prerrogativas de déspotas e se proclamaria “O Pai Majestoso de todos os persas”. A autoridade municipal deveria relaxar sua vigilância. Não seriam registrados os nomes dos estranhos que se aglomeravam nos caravançarás, e toda a população teria licença para andar livremente pelas ruas durante a noite inteira.” Até os grandes mujtahids, segundo foi informada essa mesma testemunha ocultar, “decidiram suspender temporariamente a perseguição aos bábís e aos outros infiéis”.
Assim caiu aquele cujo reinado será associado para sempre ao mais hediondo crime da história – o martírio d´Aquele que o Supremo Manifestante proclamou ser o “Foco ao redor do qual giram as realidades dos Profetas e Mensageiros”. Numa Epístola em que a pena de Bahá’u’lláh o condena, lemos: “Entre eles (reis da terra) figura o Rei da Pérsia, que ordenou que suspendessem no ar Aquele que é o Templo da Causa (o Báb) e O matassem, com tal crueldade que todas as coisas criadas e os habitantes do Paraíso, e a Assembléia no alto, por Ele choraram. Trucidou, além disso, alguns de Nossos parentes, saqueou-nos as propriedades e fez os membros de Nossa família cativos nas mãos dos opressores. Uma vez, e ainda outra vez, ele Me aprisionou. Por Deus, o Verdadeiro! Ninguém pode julgar das coisas que Me sucederam na prisão, salvo Deus, o Juiz, o Onisciente, o Todo-Poderoso. Ele Me baniu, depois, e à Minha família, de Meu país, quando, então, chegamos ao Iraque, com tristeza evidente. Detivemo-nos lá até o tempo em que o Rei de Rúm (Sultão da Turquia) se levantou contra Nós e Nos convocou à sede de sua soberania. Quando o alcançamos, manou sobre Nós aquilo que fez regozijar-se o rei da Pérsia. Mais tarde entramos nesta Prisão, onde as mãos de Nossos amados foram arrancadas da borda de Nossas vestes. De tal modo ele Nos tratou!”
Os dias da dinastia Qájár eram então contados. O torpor da consciência nacional esvanecera-se. O reinado do sucessor do Xá Násiri-d-Din, o Xá Muzaffari´d-Dín, criatura fraca e tímida, extravagante e desmedidamente generosa para com os cortesões, conduziu o país pela estrada larga da ruína. O movimento a favor de uma constituição limitando as prerrogativas do soberano, ganhava ascendência e culminou com a assinatura da constituição pelo Xá moribundo, que expirou poucos dias depois. Muhammad´Alí, déspota da pior espécie, inescrupuloso e avarento, sucedeu ao trono. Hostil à constituição, ele, pela sua ação sumária, envolvendo o bombardeio do Baháristán, onde se reunia a Assembléia, precipitou uma revolução em conseqüência da qual foi deposto pelos nacionalistas. Após muitas negociações, aceitou uma generosa pensão e retirou-se vergonhosamente para a Rússia. O menino-rei que o sucedeu, Xá Ahmad, portador de um título nominal, descuidava de seus deveres. As gritantes necessidades do país continuaram a ser desatendidas. Crescente anarquia, a impotência do governo central, o estado das finanças nacionais, a progressiva deterioração da condição geral do país, praticamente abandonado por um soberano que preferia as diversões e frivolidades da vida social das capitais européias ao desempenho das sérias e urgentes responsabilidades que a má situação de seu país exigia – tudo isto pressagiava a morte de uma dinastia que perdera seu direito à coroa, segundo a opinião geral. Enquanto ele estava fora do país, numa de suas viagens periódicas, o parlamento o depôs, proclamando extinta sua dinastia que durante cento e trinta anos ocupara o trono da Pérsia, cujos governantes se orgulhavam de ser descendentes não de outro senão de Jafetí, filho de Noé, e cujos monarcas sucessivos, com apenas uma exceção, foram assassinados, depostos ou atacados de uma moléstia mortal.
As miríades de sua prole, verdadeira “colméia de principelhos”, uma “raça de zangões reais”, eram tanto uma vergonha como uma ameaça a seus patrícios. Agora, porém, esses desditosos descendentes de uma casa caída, despojados de todo poder, alguns deles reduzidos até à mendicância, proclamam em sua miséria as conseqüências dos atos abomináveis perpetrados pelos seus progenitores. Aumentando as fileiras dos desafortunados membros da Casa de ´Uthmán, e dos governantes das dinastias dos Romanovs, Hohenzollern, Hapsburg e de Napoleão, eles vagam pela face da terra, mal percebendo a natureza daquelas forças que operaram tão trágicas revoluções em suas vidas e contribuíram tão poderosamente para seu dilema atual.
Netos tanto do Xá Násiri´d-Din como do Sultão ´Abdu´l-Azíz já se dirigiram, em seu desprestígio e sua miséria, ao Centro Mundial da Fé fundada por Bahá’u’lláh, em busca respectivamente de apoio político e auxílio pecuniário. Quanto ao primeiro, foi recusado pronta e firmemente seu pedido, enquanto que, no segundo caso, foi oferecido sem a mínima hesitação.
19. O DECLÍNIO NAS FORTUNAS DA REALEZA
E à medida que discernimos em outros campos o declínio nas fortunas da realeza – seja nos anos imediatamente anteriores à Grande Guerra ou depois, e contemplamos o destino que sobreveio ao Império Chinês, às monarquias de Portugal e da Espanha e, mais recentemente, as vicissitudes que já afligiram, e ainda afligem os soberanos da Noruega, da Dinamarca e da Holanda, e observamos a fraqueza dos demais reis e notamos o medo e a trepidez que se apoderaram de seus tronos, não devemos associar sua desdita às passagens introdutórias do Súriy-i-Múlúk? Em vista de sua vasta significação, sinto-me impelido a citá-las pela segunda vez: “Temei a Deus, ó assembléia de reis, e não vos deixeis ser privados desta mais sublime graça... Volvei os corações para a face de Deus e abandonai o que vossos desejos vos mandaram seguir, e não sejais dos que perecem... Não examinastes Sua Causa (a do Báb), quando assim fazer vos teria sido melhor do que tudo aquilo sobre o que brilha o sol – pudésseis apenas perceber isso...
“Guardai-vos de ser descuidados doravante, como tendes sido até agora... Minha face saiu de trás dos véus e irradiou-se sobre tudo o que está no céu e na terra e, entretanto, não vos volvestes para Ele... Levantai-vos, pois, em compensação por aquilo que vos escapou... Se deixardes de atender aos conselhos que Nós revelamos nesta Epístola, em linguagem inequívoca e sem igual, punição divina atacar-vos-á de todos os lados, e a sentença de Sua justiça será pronunciada contra vós... Vinte anos já se passaram, ó reis, durante os quais Nós temos provado cada dia a agonia de uma nova tribulação... Embora cientes da maioria de Nossas aflições, vós, no entanto, deixastes de deter a mão do opressor. Pois não é claramente vosso dever restringir a tirania do opressor e tratar com eqüidade vossos súditos, a fim de que vosso alto sentido de justiça se possa demonstrar plenamente a toda a humanidade?”
Não é de admirar haver Bahá’u’lláh, devido ao modo por que O trataram os soberanos da terra, escrito estas palavras, já citadas: “O poder foi tirado de duas categorias entre os homens: reis e eclesiásticos.” De fato, em Sua Epístola dirigida ao Shaykh Salmán, Ele diz, ainda mais: “Um dos sinais da madureza do mundo é que ninguém consentirá em suportar o cargo de realeza. O posto de rei se encontrará sem ninguém que queira suportar sozinho seu peso. Esse dia será o dia em que se manifestará entre a humanidade a sabedoria. Somente a fim de proclamar a Causa de Deus e difundir Sua Fé, será que alguém aceitará assumir esse cargo penoso? Bem-aventurado quem por amor a Deus e à Sua Causa, por devoção a Deus e com o intuito de proclamar Sua Fé, venha concordar a se expor a tão grande perigo e aceitar essa fadiga e esse estorvo.”
20. RECONHECIMENTO DA REALEZA
Que ninguém se engane, entretanto, ou, inconscientemente, represente de um modo errôneo o propósito de Bahá’u’lláh. Por severa que fosse Sua condenação pronunciada contra aqueles soberanos que O perseguiram, e estrita a censura expressa coletivamente contra aqueles que, de uma maneira notável, faltaram a seu dever claro de investigar a verdade de Sua Fé e de restringir a mão do malfeitor, Seus ensinamentos nenhum princípio acarretam que se possa interpretar, de maneira alguma, como um repúdio à instituição da realeza, ou mesmo como desestima, ainda que velada. Não se deve confundir, em absoluto, o futuro prestígio dessa instituição com a queda catastrófica que levou à extinção dinastias e impérios, daqueles monarcas cujo fim desastroso Ele especificamente profetizou, nem com a fortuna declinante dos soberanos de Sua própria geração, geralmente reprovados por Ele, constituindo ambas apenas uma fase transitória na evolução da Fé. De fato, se perscrutarmos os escritos do Autor da Fé Bahá’í, não deixaremos de descobrir inúmeras passagens nas quais Ele elogia o princípio da realeza, exalta a dignidade e a conduta de reis justos e imparciais, prevê o surgir de monarcas que governem com justiça e até professem Sua Fé, e inculca o dever solene de se levantar e assegurar o triunfo dos soberanos Bahá’ís. Se se concluísse das palavras acima citadas, dirigidas por Bahá’u’lláh aos monarcas da terra, ou inferisse da enumeração dos lastimáveis desastres pelos quais foram atingidos tantos deles, que Seus seguidores recomendem ou esperem o extermínio definitivo da instituição da realeza, isso constituiria, de fato, uma deturpação de Seu ensino.
Nada melhor que citarmos alguns testemunhos do próprio Bahá’u’lláh, assim permitindo ao leitor formar seu próprio juízo quanto à falsidade de tal dedução. Sua “Epístola ao Filho do Lobo”, indica a verdadeira origem da realeza: “É divinamente ordenado que se respeite a dignidade do soberano, assim como atestam claramente as palavras dos Profetas de Deus e de Seus eleitos. Perguntou-se Àquele que é o Espírito (Jesus) – paz esteja sobre Ele - ´Ó Espírito de Deus! É legítimo se dar tributo a César, ou não? – E Ele respondeu: - Sim, daí a César as coisas que pertencem a César, e a Deus as coisas que pertencem a Deus´; - Ele não o proibiu. Estas duas injunções são, aos olhos de homens que discernem, uma mesma, pois se aquilo que pertencia a César não tivesse provindo de Deus, Ele o teria proibido. E também no sagrado versículo: - Obedecei a Deus e obedecei ao Apóstolo e àqueles entre vós que possuem autoridade. Por aqueles que possuem autoridade, se quer dizer primária e especialmente Os Imames – repousem sobre Eles as bênçãos de Deus. Eles são, em verdade, as manifestações do poder de Deus e as fontes de Sua autoridade, os repositórios de Seu conhecimento e os alvoreceres de Seus mandamentos. Estas palavras referem-se, secundariamente, aos reis e governantes – àqueles cuja justiça radiosa enche de luz e esplendor os horizontes do mundo.”
E ainda: “Na Epístola aos Romanos escreveu São Paulo: - ´Toda a alma esteja sujeita às potestades superiores. Porque não há potestade senão de Deus; e as potestades que há, são ordenadas por Deus. Por isso quem resiste à potestade, resiste à ordenação de Deus – e também: - Porque ele é o Ministro de Deus, vingador para castigar o que faz o mal! – Diz ele que o aparecimento dos reis, e sua majestade e seu poder são de Deus.”
E ainda mais: “Um rei justo desfruta de maior proximidade de Deus do que qualquer outro. Disso dá testemunho Aquele que fala em Sua Maior Prisão.”
De modo igual, no Bishárát (Boas Novas), assevera Bahá’u’lláh ser “a majestade da realeza um dos sinais de Deus”. Não desejamos”, acrescenta Ele, “que os países do mundo disso se privem.”
Em Kitáb-i-Aqdas, Ele expõe Seu propósito, e elogia o rei que professa Sua Fé: “Pela justiça de Deus! Não é Nosso desejo lançarmos mãos de vossos reinos. Nossa missão consiste em nos apoderarmos dos corações dos homens. Nestes se fixam os olhos de Bahá, como testemunha o Reino dos Nomes – pudésseis vós apenas compreendê-lo. Quem segue o seu Senhor, há de renunciar ao mundo e a tudo o que nele se ache; quanto maior, pois, deve ser o desprendimento daquele a quem cabe um cargo tão augusto!” “Que grande bem-aventurança espera ao rei que se levantar em auxílio à Minha Causa em Meu Reino, que se desligar de tudo, menos de Mim! Tal rei se inclui no número dos Companheiros da Arca Carmesim – Arca preparada por Deus para o povo de Bahá. Todos devem render glória a seu nome, reverência à sua dignidade, e lhe ajudar a abrir as cidades com as chaves de Meu Nome, o Onipotente Protetor de todos os que habitam nos reinos visíveis e invisíveis. Tal rei é a própria visão da humanidade, o luminoso adorno na fronte da criação, manancial de bênçãos para o mundo inteiro. Oferecei, ó povo de Bahá, vossa substância, até vossa própria vida, em seu apoio.”
Na Lawh-i-Sultán, revela Bahá’u’lláh ainda mais a significação da realeza: “Um rei justo é a sombra de Deus na terra. Todos devem buscar amparo à sombra de sua justiça e repousar abrigados pelo seu favor. Não é coisa específica ou limitada em seu âmbito, que se pudesse restringir a uma ou outra pessoa, desde que a sombra fala de Quem a projeta. Deus – glorificado seja Sua lembrança – chamou-se a Si Próprio o Senhor dos mundos, desde que Ele tem nutrido, e ainda nutre a cada um. Glorificada, pois, seja Sua graça que precedeu a todas as coisas criadas, e Sua misericórdia que superou os mundos...”
Em uma de Suas Epístolas, escreveu Bahá’u’lláh também: “Deus Uno e verdadeiro – exaltada seja Sua Glória – concedeu aos reis o governo da terra. A ninguém é dado o direito de agir de uma maneira contrária às ponderadas opiniões dos que possuem a autoridade. O que Ele reservou para Si Próprio são as cidades dos corações dos homens; e neste Dia, os amados Daquele que é a Verdade Soberana são como as chaves destas cidades.”
Na seguinte passagem exprime Ele este desejo: “Nutrimos a esperança de que um dos reis da terra, por amor a Deus, se levante para o triunfo deste povo injuriado, deste povo opresso. Tal rei fruirá de glória e exaltação eternas. Deus prescreveu a este povo o dever de ajudar a qualquer um que o ajude, de lhes servir os melhores interesses e demonstrar sua perene lealdade.”
Na Lawh-i-Rá´is, prediz Ele, de fato, categoricamente, a aparição de tal rei: “Deus em breve fará surgir, dentre os reis, um que ampare Seus amados. Ele, em verdade, abrange todas as coisas. Insuflará nos corações amor a Seus amados. Isso, realmente, é o decreto irrevogável Daquele que é o Todo-Poderoso, o Benéfico.” No Ridvánu´l-´Adl, no qual Ele exalta a virtude da justiça, encontramos uma predição paralela: “Breve Deus tornará manifesto na terra reis que se hão de reclinar nos leitos da justiça e governar entre os homens assim mesmo como se governam a si próprios. Eles, em verdade, figuram entre as mais escolhidas de Minhas criaturas na criação inteira.”
No Kitáb-i-Aqdas, Bahá’u’lláh prevê que em Sua cidade natal – “a Mãe do Mundo” e “o Alvorecer da Luz” – se há de elevar ao trono um rei ataviado dos adornos gêmeos da justiça e da devoção à Sua Fé, referindo-se Ele a isso nestas palavras: “Que nada te entristeça, ó Terra de Tá, pois Deus te escolheu para ser a fonte de júbilo para toda a humanidade. Ele, se for Sua vontade, haverá de abençoar teu trono com alguém que governe com justiça e reúna o rebanho de Deus que os lobos dispersaram. Tal governante volverá a face para o povo de Bahá com alegria e contentamento e lhe concederá seus favores. Em verdade, ele será estimado aos olhos de Deus, como uma jóia entre os homens. Sobre ele descanse para sempre a glória de Deus, a glória de todos os que habitam no reino de Sua Revelação.”
21. O DESMORONAMENTO DA ORTODOXIA RELIGIOSA
Caros amigos! A queda de poder das cabeças coroadas possuidoras da autoridade temporal encontrou paralelo na deterioração, não menos assombrosa, da influência exercida pelos dirigentes espirituais do mundo. Os acontecimentos colossais que prenunciaram a dissolução de tantos reinos e impérios eram quase simultâneos com o desmoronamento das cidadelas da ortodoxia religiosa tidas por invioláveis. Esse mesmo processo que selou rápida e tragicamente o destino de reis e imperadores, extinguindo-lhes as dinastias, operou no caso das autoridades eclesiásticas, tanto do cristianismo como do islã, afetando seu prestígio e, alguma vezes, derrubando suas principais instituições. “O poder foi tirado”, realmente, de ambos – “reis e eclesiásticos”. Eclipsou-se a glória daqueles, enquanto estes perderam seu poder, irreparavelmente.
Àqueles que guiavam e controlavam as hierarquias eclesiásticas de suas respectivas religiões, Bahá’u’lláh exortou, advertiu e censurou, em termos não menos inequívocos do que os usados por Ele ao apostrofar os soberanos que tinham nas mãos os destinos de seus súditos. Pois também eles – e sobretudo os chefes das ordens eclesiásticas muçulmanas – em conjunto com déspotas e potentados, lançaram ataques e vociferaram anátemas contra os Fundadores da Fé Divina, seus adeptos, princípios e instituições. Foram os sacerdotes da Pérsia os primeiros a içar o estandarte e subservientes, e a instigar as autoridades civis com seu clamor e suas ameaças, mentiras, calúnias e acusações, ao ponto de decretarem os exílios, fazerem as leis, lançarem as campanhas punitivas e levarem a efeito as execuções e massacres que enchem as páginas de sua história. Tão abominável e selvagem foi a carnificina realizada num só dia, pela instigação desses sacerdotes, e tão típica da “insensibilidade do bruto e do engenho do demônio” que Renan, em “Les Apôtres”, caracterizou esse dia como “talvez sem paralelo na história do mundo.”
Precisamente através de tais ações, esses sacerdotes espalharam as sementes da desintegração de suas próprias instituições – instituições estas tão potentes, famosas e, de aparência, invulneráveis, quando a Fé surgia. Foram eles que, ao assumirem tão tremendas responsabilidades, de um modo tão irrefletido e insensato, se tornaram agentes primários da libertação daquelas influências violentas e perturbadoras que desencadearam desastres tão catastróficos como os que abateram reis, dinastias e impérios, e que constituem as mais notáveis marcas na história do primeiro século da era Bahá’í.
Esse processo de deterioração, se bem que assustador em suas manifestações iniciais, opera ainda sem decréscimo de suas forças, e há de se acelerar à medida que vá aumentando, de fontes diversas e em campos longínquos, a oposição à Fé Divina, com o que se revelarão evidências cada vez mais extraordinárias de seu poder devastador. Não me é possível – em vista das proporções que este comunicado já assumiu – estender-me tão plenamente como eu desejaria, sobre os aspectos desse ponderoso tema que, juntamente com a reação dos soberanos da terra à Mensagem de Bahá’u’lláh, constitui um dos episódios mais fascinantes e edificativos da história dramática de Sua Fé. Pretendo considerar apenas as repercussões dos violentos ataques dos principais eclesiásticos do islã e, em menor escala, de certos expoentes da ortodoxia cristã, sentidas em suas respectivas instituições. Como prefácio a estas observações, citarei algumas passagens colhidas das volumosas Epístolas de Bahá’u’lláh, as quais se referem, tanto direta como indiretamente, aos sacerdotes muçulmanos e cristãos, e projetam uma poderosa luz sobre os lúgubres desastres que já atingiram, e ainda estão atingindo, as hierarquias eclesiásticas das duas religiões às quais a Fé mais intimamente se relaciona.
Não devemos inferir, disso, porém, haver Bahá’u’lláh dirigido Suas históricas Mensagens às autoridades islâmicas ou cristãs exclusivamente; nem imaginemos que o impacto de uma Fé universal nos baluartes da ortodoxia religiosa se possa limitar às instituições desses dois sistemas religiosos. “O tempo predestinado para as nações e raças da terra”, afirma Bahá’u’lláh, “já veio. Cumpriram-se todas as promessas de Deus, segundo registram as Sagradas Escrituras. É este o Dia glorificado, em todas as Sagradas Escrituras, pela Pena do Altíssimo. Versículo algum nelas se encontra, que não declare a glória de Seu Santo Nome, nem há livro que não dê testemunho da sublimidade deste tema excelso.” “Fôssemos Nós” – acrescenta Ele – “fazer menção de tudo o que tem sido revelado nesses Livros celestiais, nessas Sagradas Escrituras, a respeito dessa Revelação, esta Epístola assumiria dimensões impossíveis.” Como todas as Escrituras das religiões anteriores encerram a promessa da Revelação de Bahá’u’lláh, assim seu Autor dirige-se aos membros dessas religiões e, em particular, àqueles principais responsáveis que se têm interposto entre Ele e as respectivas comunidades. “Em certa época,” escreve Bahá’u’lláh, “dirigimo-nos ao povo da Tora, convocando-o Àquele que é o Revelador dos versículos, vindo Daquele que subjuga os pescoços dos homens... Em outra, dirigimo-nos ao povo do Evangelho, dizendo: - O Todo-Glorioso veio neste Nome através do qual o Sopro de Deus emanou sobre todas as regiões. - ...Em ainda outro tempo, dirigimo-nos ao povo do Alcorão, dizendo: - Temei o Todo-Misericordioso e não zombeis Daquele por Quem foram fundadas todas as religiões. – Sabe tu, além disso, que dirigimos aos Magos Nossas Epístolas, adornadas com Nossa Lei... Nelas revelamos a essência de todas as referências e alusões contidas em seus Livros. O Senhor, em verdade, é o Todo-Poderoso, o Onipotente.”
Dirigindo-se ao povo judaico, Bahá’u’lláh escreveu: “Veio a Lei Suprema, e a Beleza Antiga rege sobre o trono de David. Assim Minha Pena enunciou o que relataram as histórias dos tempos idos. Nesta era, porém, David exclama em altas vozes: - Ó meu Senhor amoroso! Inclui-me no número dos que se têm mantido firmes em Tua Causa, ó Tu através de Quem as faces foram iluminadas e os passos se deslizaram! –“ E também: “O Sopro difundiu-se, a Brisa emanou e de Sião apareceu o que estava oculto, e de Jerusalém se ouve a Voz de Deus, Uno, Incomparável, Onisciente.” Ainda mais, em Sua “Epístola ao Filho do Lobo”, Bahá’u’lláh revelou: “Presta ouvidos à canção de David. Diz Ele: - Quem me levará à Cidade Forte? – A Cidade Forte é ´Akká, denominada a Maior Prisão, que possui uma fortaleza e poderosos baluartes. Ó Shaykh! Lê com atenção o que Isaías expressou em seu Livro. Ele diz: - Ascende a alta montanha, ó Sião, que trazes boas novas; levanta tua voz com força, ó Jerusalém, que trazes boas novas! Levanta-a, não receies; dize às cidades de Judah: - Vede vosso Deus! Vede, o Senhor Deus virá com mão forte, e Seu braço regerá por Ele. – Neste Dia, apareceram todos os sinais. Uma grande Cidade desceu do céu, e Sião treme e se exalta de júbilo por causa da Revelação de Deus, pois de todos os lados ouviu a Voz de Deus.”
À casta sacerdotal, que exerce supremacia eclesiástica sobre aqueles que seguem a Fé zoroastriana, essa mesma Voz, identificando-se com a voz do prometido Sháh-Bahrám, declarou: “Ó principais! Ouvidos vos foram dados a fim de escutarem o mistério Daquele que é o Independente, e olhos para que O contemplassem. Por que fugis? O Amigo Incomparável está manifesto, e profere aquilo em que repousa a salvação. Fosseis vós, ó principais, descobrir o perfume do roseiral da compreensão, a ninguém buscaríeis senão a Ele e haveríeis de reconhecer, em Suas vestes novas, o Onisciente, o Incomparável, e de apartar vossos olhos do mundo e de todos os que a este procuram” e vos levantar em Seu apoio.” “Já se revelou e tornou claro tudo o que foi anunciado nos Livros”, escreveu Bahá’u’lláh a um zoroastriano que perguntara sobre o prometido Sháh-Bahrám. “De todos os lados, os sinais se têm manifestado. O Onipotente chama, neste Dia, e anuncia o aparecimento do Céu Supremo.” “Este não é o dia”, declara Ele em outra Epístola, “em que os principais possam exercer seu domínio e autoridade. Diz vosso Livro que os principais, naquele Dia, desencaminharão os homens e os impedirão de se aproximar Dele. É principal, em verdade, quem viu a luz e se apressou ao caminho que conduz ao Amado.” “Dize, ó principais!” – assim Ele outra vez se lhes dirige – “A Mão da Onipotência estende-se de trás das nuvens; vede-as com olhos novos. Desvelaram-se os sinais de Sua majestade e grandeza; fitai-os com olhos puros... Dize, ó principais! Sois reverenciados por causa de Meu Nome e, no entanto, fugis de Mim! Sois os principais do Templo. Tivésseis sido os principais do Onipotente, estaríeis unidos a Ele e O teríeis reconhecido... Dize, ó principais! De homem algum serão aceitáveis os atos, neste Dia, a menos que ele renuncie ao mundo e a toda possessão humana, e volva a face para o Onipotente.”
Por nenhuma destas duas Crenças, entretanto, é que primariamente nos interessamos. É com o cristianismo e, mais ainda, com o islã, que meu tema se relaciona diretamente. O islã, donde se originou a Fé introduzida por Bahá’u’lláh, assim como do judaísmo proveio o cristianismo, é a religião dentro de cujos confins essa Fé primeiro surgiu e se desenvolveu, de cujas fileiras a grande massa de aderentes Bahá’ís se recrutou, e por cujos dirigentes estes têm sido, e ainda estão sendo perseguidos. O cristianismo, por outro lado, é a religião à qual pertence a vasta maioria dos Bahá’ís de origem não-islâmica, dentro de cujo domínio espiritual a Ordem Administrativa da Fé Divina avança rapidamente, e por cujos expoentes eclesiásticos esta Ordem está sendo cada vez mais atacada. Diferente do hinduísmo, do budismo, do judaísmo e até do zoroastrianismo, os quais, pela maior parte, estão ainda inconscientes das potencialidades da Causa de Deus, e cuja resposta à sua Mensagem é insignificante ainda, as crenças maometana e cristã podem ser consideradas os dois sistemas religiosos que estão sustentando, nesta fase formativa de seu desenvolvimento, o pleno impacto de tão tremenda Revelação.
Consideremos, pois, o que os Fundadores da Fé Bahá’í dirigiram aos reconhecidos expoentes do islã e do cristianismo, ou escreveram a seu respeito. Já consideramos as passagens referentes aos reis do islã, tantos aos califas reinando em Constantinopla como aos xás da Pérsia que governavam o reino como fiduciários provisórios para o esperado Imame. Já notamos também a Epístola que Bahá’u’lláh revelou especificamente para o Pontífice romano, e a mensagem mais geral no Súriy-i-Múlúk dirigida aos reis da cristandade. Não menos desafiadora e ominosa é a Voz que advertiu e julgou os sacerdotes maometanos e o clero cristão.
“Os expoentes da religião” – é a censura clara e universal pronunciada por Bahá’u’lláh no Kitáb-i-Iqán “em cada era, têm impedido seu povo de atingir as praias da salvação eterna, por haverem detido firmemente, em suas mãos poderosas, as rédeas da autoridade. Alguns por cobiça de poder, outros por falta de conhecimento e compreensão, privaram o povo desse bem. Por sua autoridade e sanção, todo Profeta de Deus tem sorvido o cálice do sacrifício e alçado vôo para as alturas da glória. Que crueldades indizíveis não infligiram essas autoridades e esses eruditos, aos verdadeiros Monarcas do mundo, àquelas Jóias da virtude divina! Contentes com um domínio transitório, privaram-se eles de uma soberania eterna.” E ainda, no mesmo Livro: “Entre estes véus da glória, figuram os eclesiásticos e doutos que vivem nos dias do Manifestante de Deus e que, por falta de discernimento e por cobiça e amor à autoridade, não se quiseram submeter à Causa de Deus – ainda mais, recusaram-se a inclinar os ouvidos à Melodia divina. ´Puseram os dedos nos ouvidos´. E o povo também, desprezando inteiramente a Deus, e tomando aqueles por seus mestres, submeteu-se incondicionalmente à autoridade desses líderes pomposos e hipócritas, pois lhe faltam visão, ouvido e coração próprios para poder distinguir entre a verdade e a falsidade. Não obstante as admoestações, divinamente inspiradas, feitas por todos os Profetas, Santos e Eleitos de Deus, que exortam os homens a ver com seus próprios olhos e ouvir com seus próprios ouvidos, eles rejeitam com desdém seus conselhos, seguindo às cegas – e continuarão a seguir – os líderes de sua Fé. Se uma pessoa pobre, obscura, privada da insígnia dos eruditos, se lhes dirigisse, dizendo: - Segue, ó povo, os Mensageiros de Deus! – o povo, muito admirado esta exortação, replicaria: - Quê! Queres dizer que todos esses sacerdotes, todos esses expoentes da erudição, com toda a sua autoridade, sua pompa e seu fausto, tenham errado e não sabido distinguir entre a verdade e a falsidade? E tens tu, e outros iguais a ti, a pretensão de haver compreendido o que eles não compreenderam? – Se o número e a excelência de trajes devessem ser adotados como critério para se julgar da erudição e da verdade, então os povos dos tempos idos, aos quais os de hoje nunca excederam em número, magnificência ou poder, deveriam ser considerados superiores e mais dignos.” Diz também: “Jamais se manifestou um Profeta de Deus que não caísse vítima do ódio implacável, da calúnia, negação e execração do clero de Seu tempo! Ai deles pelas iniqüidades que suas mãos outrora cometeram! Ai deles por aquilo que agora fazem! Existem véus da glória mais lastimáveis do que essas personificações do erro? Pela justiça de Deus! Penetrar tais véus é o maior de todos os atos, e rompê-los o mais meritório de todos os feitos!” Escreveu Ele, além disso: “Em sua língua, a menção de Deus tornou-se um nome vazio; em seu meio, Sua santa Palavra é apenas uma letra morta. Tal é o predomínio de seus desejos que a lâmpada da consciência e do raciocínio se acha apagada em seus corações... Não se encontram duas pessoas que estejam e acordo sobre a mesma lei, pois não procuram outro Deus senão o próprio desejo, e nenhum caminho trilham salvo o do erro. Vêem no prestígio o objetivo final de seus esforços e consideram o orgulho e a arrogância como sendo o mais nobre alvo de suas mais ardentes aspirações. Julgam que suas sórdidas maquinações sejam superiores ao decreto divino; recusam resignar-se à vontade de Deus; ocupam-se em planos egoístas e seguem os caminhos do hipócrita. Com todo o seu poder e todas as suas forças, procuram assegurar-se em suas ocupações triviais, receosos de que o menor descrédito lhes possa minar a autoridade e macular a magnificência que ostentam”.
“A fonte e origem da tirania” , afirmou Bahá’u’lláh em outra Epístola, “têm sido os sacerdotes. Através das sentenças pronunciadas por essas almas arrogantes e perversas, os governantes da terra perpetraram o que ouvistes... As rédeas das massas negligentes têm estado, e ainda estão, nas mãos dos expoentes de vãs fantasias e idéias fúteis. Estes decretam o que queiram. Deus, em verdade, está isento deles, e Nós também estamos isentos deles, como são, igualmente, aqueles que deram testemunho daquilo que a Pena do Altíssimo pronunciou nesta gloriosa Posição.”
“Os líderes dos homens,” asseverou Ele outrossim, “desde tempos imemoriais, impedem o povo de se volver para o Mais Grandioso Oceano. O amigo de Deus (Abraão) foi jogado ao fogo por causa da sentença pronunciada pelos eclesiásticos da época; Àquele que conversou com Deus (Moisés) imputaram mentiras e calúnias. Refleti sobre Aquele que era o Espírito de Deus (Jesus). Embora mostrasse a maior compaixão e ternura, levantaram-se, porém, contra aquela Essência do Ser e Senhor do visível e do invisível, de tal maneira que Ele nenhum refúgio achou em que pudesse repousar. Cada dia vagava em busca de um lugar novo, um novo asilo. Considerai o Selo dos Profetas (Maomé) – que as almas de todos além Dele Lhe sejam um sacrifício! Como foi lastimável o que sucedeu Àquele Senhor de toda a existência, nas mãos dos padres idólatras e dos doutores judeus, após haver Ele pronunciado as benditas palavras que proclamavam a Unidade Divina! Por Minha vida! Minha pena geme, e todas as coisas criadas exclamam por causa daquilo que Lhe atingiu proveniente das mãos dos que violaram o Convênio de Deus e Seu Testamento, negaram Seu testemunho e contradisseram Seus sinais.”
“Os ineptos sacerdotes”, declara outra Epístola, “rejeitaram o Livro de Deus e se ocupam com aquilo que eles próprios inventaram. Já se revelou o Oceano do Saber e se ergue a nota aguda da Pena do Altíssimo e, no entanto, eles, à semelhança do verme, se afligem com o barro de suas vãs idéias e fantasias. Sua relação ao Deus Uno e Verdadeiro é o que os enaltece, mas, apesar disso, Dele se têm afastado! Por Sua causa, tornaram-se famosos e, não obstante, se excluem Dele como se o fosse por um véu!”
“Os padres pagãos,” reza ainda outra Epístola, “e os eclesiásticos judeus e cristãos cometeram os mesmíssimos atos que os sacerdotes desta era, nesta Dispensação, já cometeram e ainda cometem. Ou melhor, estes têm demonstrado uma crueldade mais penosa e uma malícia mais feroz. Todo átomo dá testemunho disto que Eu digo.”
A esses dirigentes que “se julgam as melhores de todas as criaturas, e têm sido considerados os mais vis por Aquele que é a Verdade”, que “ocupam os assentos do saber e da erudição, a ignorância, que chamaram de conhecimento, e deram nome de justiça à opressão”, que “a nenhum Deus adoram senão a seu próprio desejo, a nada prestam lealdade salvo ao ouro, se envolvem nos mais densos véus da erudição e que, emaranhados em sua obscuridade, se perdem nas selvas do erro,” – a estes, Bahá’u’lláh se dignou dirigir estas palavras: “ó assembléia de sacerdotes! Doravante não vos vereis possuidores de poder algum, desde que Nós o retiramos de vós e os destinamos àqueles que crêem em Deus, Uno, Todo-poderoso, Onipotente, Absoluto.”
No Kitáb-i-Aqdas, lemos o seguinte: “Dize: Ó dirigentes da religião! Não peseis o Livro de Deus segundo os padrões e as ciências correntes entre vós, pois o próprio Livro é a infalível Balança estabelecida entre os homens. Nesta, a mais perfeita Balança, deve ser pesado tudo o que as nações e raças da terra possuem, enquanto a medida de seu peso deveria ser verificada segundo seu próprio padrão – se apenas soubésseis isto. Os olhos de Minha misericórdia pranteiam por vossa causa, desde que deixastes de reconhecer Aquele a Quem tendes invocado durante o dia e nas horas da noite, ao anoitecer e à alvorada... ó vós dirigentes da religião! Qual o homem entre vós que Me possa rivalizar em visão ou perspicácia? Onde se há de encontrar quem ouse dizer-se Meu igual no que diz respeito às palavras pronunciadas ou à sabedoria? Não, por Meu Senhor, o Todo-Misericordioso! Tudo na terra passará; e esta é a Face de vosso Senhor, o Onipotente, o Bem-Amado... Dize: Este, em verdade, é o céu em que se entesoura a Obra-Máter – pudésseis vós apenas compreender isto. Ele é Quem fez a Rocha bradar, e a Sarça Ardente erguer a voz sobre o Monte que se eleva acima da Terra Santa, e proclamar: - O reino é de Deus, o Senhor soberano de todos, o Onipotente, o Amoroso! – Nós não temos entrado em nenhuma escola, nem lido qualquer de vossas dissertações. Inclinai vossos ouvidos às palavras deste Iletrado, com as quais Ele vos convoca a Deus, o Sempiterno. Isto vos é melhor que todos os tesouros da terra – pudésseis vós apenas compreender isto.”
“Ó assembléia de eclesiásticos!” escreveu Ele além disso, “Quando se fizeram descer Meus versículos, e Meus sinais claros se revelaram, Nós vos encontramos atrás dos véus. Isso, em verdade, é coisa estranha... Temos rompido os véus. Acautelai-vos para que não excluas o povo por ainda outro véu. Rompei as correntes das vãs fantasias, em nome do Senhor de todos os homens, e não sejais dos insinceros. Se vos volverdes para Deus e abraçardes Sua Causa, não dissemineis nela desordem nem meçais o Livro de Deus segundo vossos desejos egoístas. É este o conselho de Deus, quer no passado, quer no futuro... Tivésseis vós acreditado em Deus quando Ele se revelou, o povo não se teria afastado Dele nem a Nós haveriam sucedido as coisas que hoje testemunhais. Temei a Deus e não sejais dos desatentos... Esta é a Causa que fez tremerem todas as vossas supertições e todos os vossos ídolos... Ó assembléia de eclesiásticos! Guardai-vos de serdes motivo de contenda na terra, assim como fostes causa do repúdio à Fé nos primeiros dias. Reuni o povo em volta desta Palavra que fez exclamarem os seixos: - O Reino é de Deus, Alvorecer de todos os sinais! - ...Rompei os véus de tal modo que os habitantes do Reino possam ouvi-los se rasgarem. Eis o mandamento de Deus em dias passados e dias vindouros. Bem-aventurado o homem que observa o que lhe foi ordenado, e ai do negligente!”
E ainda: “Por quanto tempo, ó assembléia de sacerdotes, alvejareis com os dardos do ódio a face de Bahá? Restringi vossas penas. Eis que a Pena Mais Sublime fala entre a terra e o céu. Temei a Deus, e não sigais vossos desejos que alteraram a face da criação. Purificai vossos ouvidos para que possam escutar a Voz de Deus. Por Deus! Esta se assemelha ao fogo que consome os véus, e à água que lava as almas de todos os que se acham no universo.”
“Dize: ó assembléia de eclesiásticos!” – ainda outra vez a eles se dirige – “Pode alguém de vós competir com o Jovem Divino na arena da sabedoria e das palavras expressas, ou voar com Ele para o céu da significação e explanação esotéricas? Não, por Meu Senhor, o Deus de misericórdia! Todos desfaleceram neste Dia, perante a Palavra de vosso Senhor. Estão mesmo como inanimados, mortos, salvo aquele a quem teu Senhor, o Onipotente, o Absoluto, quis isentar. Tal homem, em verdade, é dos dotados de conhecimento, aos olhos Daquele que é o Onisciente. Os habitantes do Paraíso, e os que residem nos Apriscos sagrados, abençoam-no, ao anoitecer e na alvorada. Pode o possuidor de pernas de madeira resistir àquele cujos pés Deus fez de aço? Não, por Aquele que ilumina a criação inteira!”
“Ao observarmos cuidadosamente”, é Sua advertência significativa, “descobrimos serem Nossos inimigos, pela maior parte, os eclesiásticos”. “Entre o povo se encontram aqueles que disseram: - Ele repudiou aos eclesiásticos. – Dize: - Sim, por Meu Senhor! Fui Eu, em verdade, Quem aboli os ídolos! –“ “Nós, realmente, fizemos soar a Trombeta, ou seja Nossa Pena, a Mais Sublime, e eis que os eclesiásticos e os eruditos, os doutores e os governantes, desfaleceram, salvo aqueles que Deus preservou, como sinal de Sua graça, e Ele é, verdadeiramente, o Todo-Generoso, o Ancião dos Dias.”
“Ó assembléia de eclesiásticos! Lançai de vós as vãs fantasias e idéias fúteis e volvei-vos, pois, para o Horizonte da Certeza. Deus é Minha Testemunha! Nada que possuis vos trará proveito, nem todos os tesouros da terra, nem a autoridade que usurpastes. Temei a Deus e não sejais dos perdidos”. “Dize: Ó assembléia de eclesiásticos! Rejeitai todos os vossos véus e trajes, e daí ouvidos àquilo para que vos chama a Pena Mais Sublime, neste Dia maravilhoso... O mundo está carregado de pó por causa de vossas idéias vãs, e os corações dos agraciados com a proximidade Divina afligem-se perante vossa crueldade. Temei a Deus e sede dos que julgam eqüitativamente.”
“Ó vós, os alvoreceres do conhecimento!” – assim Ele os exorta – “Acautelai-vos para que não vos deixeis mudar, pois do mesmo modo que vos mudardes, mudar-se-á também a maioria dos homens. Isso, em verdade, é uma injustiça a vós mesmos e aos outros... Sois semelhantes a um manancial: se se alterar, de modo igual se alterarão as correntes que dele derivam. Temei a Deus e inclui-vos no número dos pios. Outrossim, se o coração do homem se corromper, também se corromperão seus membros. Semelhantemente, se a raiz de uma árvore se corromper, o mesmo sucederá com seus ramos, seus brotos, suas folhas e seus frutos.”
“Dize: Ó assembléia de eclesiásticos!” - assim Ele apela – “Sede justos, adjuro-vos por Deus, e não anuleis a Verdade com as coisas que possuis. Perscrutai o que Nós fizemos descer com a verdade. Isso, realmente, vos ajudará e vos aproximará de Deus, o Poderoso, o Grande. Considerai e lembrai-vos de que, quando Maomé, o Apóstolo de Deus, apareceu, o povo O negou. Atribuiu-Lhe o que foi causa de lamento ao Espírito (Jesus) em Sua Mais Sublime Posição, e fez bradar o Espírito Fiel. Considerai, ainda mais, as coisas que sucederam aos Apóstolos e Mensageiros de Deus antes Dele, por causa daquilo que as mãos dos injustos perpetraram. Fazemos menção de vós por amor a Deus, e vos lembramos de Seus sinais, e vos anunciamos as coisas ordenadas para aqueles próximos Dele no mais sublime Paraíso e no Céu excelso, e Eu, em verdade, sou o Anunciador, o Onisciente. Ele veio para vossa salvação e suportou tribulações a fim de que vós pudésseis ascender, pela escada da palavra, até o cume do entendimento... Perscrutai com eqüidade e justiça, o que se fez descer. Isto, realmente, vos exaltará através da verdade e vos fará contemplar as coisas das quais fostes impedidos, e vos permitirá sorver Seu Vinho cintilante.”
22. PALAVRAS DIRIGIDAS AOS ECLESIÁSTICOS MUÇULMANOS
Consideremos agora, mais especialmente, as referências específicas e as palavras diretas aos eclesiásticos muçulmanos por parte do Báb e de Bahá’u’lláh. O Báb, segundo atesta o Kitáb-i-Iqán, “revelou especificamente uma Epístola aos sacerdotes de toda cidade, na qual expôs plenamente o caráter da negação e do repúdio por parte de cada um deles.” Enquanto estava em Isfáhán, consagrada cidadela do clero muçulmano, Ele, por intermédio de seu governador, Manúchihr Khán, convidou por escrito os sacerdotes dessa cidade a participar de um debate com Ele, a fim de que – assim Ele o expressou – “se estabelecesse a verdade e dissipasse a mentira”. Nem um só da multidão de sacerdotes que se aglomeravam nessa grande sede de erudição teve a coragem de aceitar o desafio. Bahá’u’lláh, por Sua parte, enquanto se encontrava em Adrianópolis – assim como Sua própria Epístola ao Xá da Pérsia testemunha – indicou Seu desejo de ser “levado face a face com os sacerdotes da época e de produzir provas e testemunhos na presença de Sua Majestade, o Xá”. Esta proposta foi denunciada como “grande presunção e espantosa audácia” pelos sacerdotes de Teerã, que, por seu grande medo, aconselharam seu soberano a punir imediatamente o portador dessa Epístola. Numa ocasião prévia, enquanto em Bagdá, Bahá’u’lláh disse que, se os sacerdotes de Najaf e Karbilá – as cidades gêmeas mais santas depois de Meca e Medina, aos olhos dos xiitas – se reunissem e concordassem sobre o milagre que queriam fosse realizado, assinando e selando uma afirmação de que, ao ser realizado o milagre, admitiriam a verdade de Sua Missão, Ele imediatamente o produziria. A tal desafio – assim como ‘Abdu’l-Bahá anota em Sua obra, “Respostas a Algumas Perguntas” – não souberam fazer melhor resposta do que esta: “Esse homem é encantador; talvez faça algum encantamento e então nós nada mais teremos a dizer”. “Durante doze anos” – o próprio Bahá’u’lláh atestou – “detivemo-nos em Bagdá. Por mais que desejássemos ver uma grande agregação de sacerdotes e homens de eqüidade, a fim de que a verdade se distinguisse do erro e fosse plenamente demonstrada, não se tomou ação alguma”. E ainda: “E do mesmo modo, enquanto estávamos no Iraque, desejávamos reunir-nos com os sacerdotes da Pérsia. Mal souberam disso, fugiram, dizendo: - Ele, de fato, é manifestamente um mágico! – Essa foi a palavra que em outros tempos procedeu dos lábios daqueles que lhes eram iguais. Estes (os sacerdotes) fizeram objeção ao que disseram aqueles e, no entanto, eles mesmos repetem, neste dia, o que foi dito antes, e não o compreendem. Por Minha vida! São como simples cinzas, aos olhos de teu Senhor. Se for Sua vontade, tempestuosos vendavais soprarão sobre eles, tornando-os como pó. Teu Senhor, em verdade, age como Lhe apraz.”
Se esses clérigos xiitas, falsos, cruéis e covardes, não se tivessem intrometido, segundo declarou Bahá’u’lláh, na Pérsia, o poder de Deus teria predominado em pouco mais de dois anos. As seguintes palavras lhes foram dirigidas no Qayyúmu´l-Asmá: “ó assembléia de sacerdotes! Temei a Deus, deste dia em diante, nas opiniões que proferirdes, pois Aquele que é Nossa Lembrança em vosso meio e que vem de Nós e, na verdade absoluta, o Juiz e a Testemunha. Afastai-vos daquilo que segurais, e que o Livro de Deus, o Verdadeiro, não sancionou, pois, no Dia da Ressurreição, tereis de responder, em verdade, pela posição que ocupastes.”
Nesse mesmo Livro, o Báb assim se dirige aos xiitas, bem como ao inteiro grupo dos seguidores do Profeta: “ó assembléia de xiitas! Temei a Deus e à Nossa Causa, que diz respeito Àquele que é a Maior Lembrança de Deus. Pois grande é seu fogo, segundo decreta a Obra-Máter.” “Ó povo do Alcorão! Sois como simplesmente nada, a menos que vos submetais à Lembrança de Deus e a este Livro. Se seguirdes a Causa de Deus, Nós vos perdoaremos os pecados, e se vos afastardes de Nosso mandamento, Nós, em verdade, condenaremos vossas almas, em Nosso Livro, ao Maior Fogo. Nós, verdadeiramente, não tratamos os homens com injustiça, nem nos limites de uma semente de tâmara.”
E enfim, no mesmo comentário, se acha registrada esta profecia espantosa: “Dentro em breve Nós, na verdade absoluta, atormentaremos aqueles que guerrearam contra Husayn (Imame Husayn), na Terra do Eufrates, com o mais aflitivo tormento e a punição mais terrível e exemplar.” “Em breve”, escreveu Ele também, referindo-se ao mesmo povo, nesse mesmo Livro, “haverá Deus de se vingar deles, no tempo de Nossa Volta, e Ele, em verdade, preparou-lhes, no mundo vindouro, um tormento severo.”
Quanto a Bahá’u’lláh, as passagens que cito nestas páginas constituem apenas a fração das referências aos sacerdotes muçulmanos que são abundantes em Seus Escritos. “O Loto, além do qual não se passa”, exclama Ele, “geme por causa da crueldade dos sacerdotes; brada e lamenta”. “Desde o início dessa seita (xiita),” escreve Ele em Sua “Epístola ao Filho do Lobo”, “até o dia presente, que grande número de sacerdotes tem aparecido, nenhum dos quais se tornou ciente da natureza desta Revelação. Qual teria sido a causa de tamanha obstinácia? Fôssemos Nós mencionar isso, seus membros romper-se-iam. É necessário que meditem – meditem, sim, por mil milhares de anos, a fim de que atinjam talvez um salpicar do oceano do saber, e descubram as coisas das quais se olvidam, neste dia. Eu andava na Terra de Tá (Teerã) – onde alvoreceram os sinais de teu Senhor – quando, eis que ouvi o lamento dos púlpitos e a voz de sua súplica a Deus – bendito e glorificado seja Ele! – Exclamaram dizendo: Ó Deus do mundo e Senhor das nações! Tu vês nosso estado e as coisas que nos sobrevieram por causa da crueldade de Teus servos. Tu nos criaste e revelaste para Tua glorificação e Teu louvor. Ouves agora o que os refratários proclamam sobre nós em Teus dias. Por Teu poder! Nossas almas dissolvem-se e nossos membros tremulam. Ai, ai! Oxalá nunca tivéssemos sido criados e revelados por Ti! – Os corações do que fruem da proximidade de Deus consomem-se ao ouvirem tais palavras, e deles se levantam os brados de Seus devotos.”
“Essas nuvens espessas”, declara Ele na mesma Epístola, “se referem aos expoentes de vãs fantasias e idéias fúteis, que outros não são senão os sacerdotes da Pérsia”, “Por sacerdotes na passagem aqui citada”, explica Ele sobre este mesmo ponto, “se entendem aqueles homens que por fora se adornam com as vestes do saber, mas, interiormente, delas se privam. A propósito disso, citamos, da Epístola dirigida à Sua Majestade o Xá, certas passagens de “As Palavras Ocultas” reveladas pela Pena de Abhá sob o título de ´Livro de Fátimih´ - estejam sobre ela as bênçãos de Deus! – a seguir: ó vós que sois insensatos mas tendes nome de sábios! Por que motivo assumis o aspecto de pastores enquanto, intimamente, vos tornastes lobos mirando Meu rebanho? Sois assim como a estrela que antecede o alvorecer e, se bem que pareça radiante e luminosa, desvia os peregrinos de Minha cidade, para os caminhos da perdição. – Outrossim Ele diz: - Ó vós belos de aparência mas interiormente vis! Sois como água límpida porém amarga; exteriormente, parece ter a pureza de cristal, mas quando é experimentada pelo Ensaiador Divino, nenhuma gota é aceita. Sim, o raio solar cai igualmente sobre o pó e o espelho, mas estes diferem em seu poder de refletir, do mesmo modo da estrela e da terra; incomensurável, sim, é a diferença.”
“Temos convidado todos os homens”, declarou Bahá’u’lláh em outra Epístola, “a volverem-se para Deus, e Nós lhes tornamos conhecido o Caminho Reto. Eles (os sacerdotes) levantaram-se contra Nós com tamanha crueldade que solaparam as forças do islã, e, no entanto, a maioria do povo continua desatenta!” “Os filhos Daquele que é o Amigo de Deus (Abraão)”, escreveu Ele além disso, “e herdeiros Daquele que conversou com Deus (Moisés), embora fossem tidos como os mais desprezíveis dos homens, rasgaram os véus, romperam as coberturas, apoderaram-se do Vinho Selado, tomando-o das mãos generosas Daquele que subsiste por Si Próprio, e beberam até se saciarem, enquanto os detestáveis sacerdotes xiitas hesitam, até o tempo presente, e continuam perversos.” E também: “Os sacerdotes da Pérsia cometeram o que povo algum entre os povos do mundo jamais cometeu.”
“Se esta Causa for de Deus”, - Ele assim se dirige ao Ministro do Xá em Constantinopla – “homem algum poderá prevalecer contra ela; e se não for de Deus, os sacerdotes dentre vós, e aqueles que seguem seus desejos corruptos, e todos os que se rebelaram contra Ele, conseguirão certamente predominá-la.”
“De todos os povos do mundo” observa Ele em outra Epístola, “aquele que sofreu o maior prejuízo foi, e ainda é, o povo da Pérsia. Juro pelo Sol da Palavra que brilha sobre o mundo em sua glória merídia! Os lamentos dos púlpitos, nesse país, erguem-se continuamente. Nos primeiros dias, se ouviram tais lamentos na Terra de Tá (Teerã) desde que púlpitos, erigidos para a comemoração do Verdadeiro – exaltada seja Sua glória! – se tornaram, na Pérsia, lugares donde se pronunciam blasfêmias contra Aquele que é o Desejo dos mundos.”
“Neste dia”, é Sua cáustica delação, “o mundo está redolente das fragrâncias das vestes da Revelação do Rei Antigo... e, no entanto, eles (os sacerdotes) se reuniram, estabelecendo-se sobre seus assentos, e disseram o que envergonharia um animal, quanto mais o próprio homem! Pudessem eles se tornar cientes de apenas um de seus atos e perceber o dano por este causado, quereriam, com as próprias mãos, despachar-se para sua morada final.”
“Ó assembléia de sacerdotes!” – assim Bahá’u’lláh os exorta – “...Ponde de lado o que possuis, guardai silêncio, e daí ouvidos, então, àquilo que a Língua da Grandeza e Majestade pronuncia. Quão numerosas as servas veladas que se volveram para Mim e acreditaram, e quantos que usavam o turbante se excluíram de Mim e seguiram nas pegadas das passadas gerações!”
“Juro pelo Sol que brilha sobre o Horizonte da Palavra!” assevera Ele, “Uma partícula da unha de uma das servas crentes é, neste dia, mais estimada, aos olhos de Deus, do que o são os sacerdotes da Pérsia que, após haverem esperado por mil e trezentos anos, perpetraram o que nem os judeus perpetraram, durante a Revelação Daquele que é o Espírito (Jesus).” “Embora se regozijem”, é Sua advertência, “pelas adversidades que Nos atingiram, dia virá em que chorarão e se lamentarão.”
“Ó desatento!” – Ele assim, em Lawh-i-Burhán, se dirige a um notório mujtahid persa cujas mãos estavam manchadas do sangue dos mártires Bahá’ís – “Não confies em tua glória e teu poder. És assim como o último rasto do sol no cume da montanha. Breve haverá de se desvanecer, segundo o decreto de Deus, Possuidor de tudo, o Altíssimo. Tua glória, e a glória dos semelhantes a ti, foi tirada, e isso, em verdade, é o que ordenou Aquele em Cujo poder está a Epístola Mãe..., Por vossa causa o Apóstolo (Maomé) lamentou, a Casta (Fátimih) gemeu, os países foram assolados e a escuridão caiu sobre todas as regiões. Ó assembléia dos sacerdotes! Por vossa causa foi que o povo se degradou, a bandeira do islã se baixou e seu poderoso trono foi subvertido. Toda vez que um homem, de discernimento tenta segurar aquilo que exaltaria o islã, vós clamais e assim é Ele impedido de realizar Seu propósito, enquanto a terra permanece prostrada, em ruína evidente.”
“Dize: Ó assembléia de sacerdotes persas!” Bahá’u’lláh ainda outra vez profetiza, “Em Meu Nome vos apoderastes das rédeas dos homens e ocupastes os assentos de honra, por causa de vossa relação a Mim. Quando Me revelei, entretanto, vós vos afastastes e cometestes aquilo que fez correrem as lágrimas dos que Me reconheceram. Breve haverá de perecer tudo o que possuis, e vossa glória transformar-se-á no mais miserável aviltamento, e vereis a punição por aquilo que perpetrastes, segundo decretou Deus, Quem ordena, a Suma Sabedoria.”
Em Súriy-i Múlúk, referindo-se ao inteiro grupo dos dirigentes eclesiásticos do islã sunita em Constantinopla, capital do Império e sede do Califado, Ele escreveu: “ó vós, sacerdotes da Cidade! Viemos a vós com a verdade, enquanto permanecestes desatentos. Parece-me que sois como mortos, envoltos nas mortalhas de vós próprios. Não procurastes Nossa Presença, quando assim fazer vos teria sido melhor do que todos os vossos atos... Sabei que vossos dirigentes, a quem prestais lealdade, de quem vos orgulhais e fazeis menção dia e noite, por cujos rastos quereis ser guiados – tivessem eles vivido nestes dias, se teriam reunido em volta de Mim, jamais de Mim se separando, nem ao anoitecer nem à alvorada. Vós, porém, não volvestes a face para Minha Face, nem sequer por um momento, mas vos tornastes orgulhosos, desatendendo a este Injuriado, a Quem os homens afligiram ao ponto de com Ele fazerem o que quisessem. Deixastes de inquirir sobre Minha condição, nem vos informastes das coisas que Me sobrevieram. Deste modo, excluístes de vós os ventos da santidade e as brisas da bondade que sopram deste Lugar luminoso e perspícuo. Parece-me que vos apegastes às coisas externas e vos esquecestes das interiores, e dizeis o que não praticais. Vós vos apaixonais por nomes, parecendo vos haverdes entregue a estes. Por isso mencionais os nomes de vossos dirigentes. E se vos viesse alguém semelhante a eles, ou que lhes fosse superior, dele fugiríeis... Pelos seus nomes vos exaltastes e obtivestes vossas posições; por eles viveis e prosperais. E fossem vossos diligentes auxiliares aparecer, não renunciaríeis vossa autoridade, nem vos volveríeis em sua direção, nem para eles voltaríeis a face. Nós vos encontramos justamente como encontramos a maioria dos homens, ocupados com a adoração de nomes, nomes que mencionam durante os dias de sua vida. Mal aparecem, entretanto, os Portadores desses nomes, quando eles os repudiam e tergiversam... Sabei que Deus, neste dia, não aceitará vossos pensamentos nem vossa lembrança Dele, nem vossa constância em vos volverdes para Ele, vossa devoção ou vigilância, a menos que vos renoveis aos olhos deste Servo – pudésseis apenas perceber isto.”
A voz de ‘Abdu’l-Bahá, Centro do Convênio de Deus, ergueu-se, igualmente, anunciando os terríveis infortúnios destinados a atingir, pouco depois de Seu traspasse, as hierarquias eclesiásticas do islã, tanto sunita como xiita. “Essa glória,” escreveu Ele, “há de se tornar o mais abjeto aviltamento, e essa pompa e grandeza se converterão na mais completa subjugação. Seus palácios transformar-se-ão em prisões e o curso de sua estrela ascendente terminará nas profundezas do abismo. Desvanecer-se-ão o riso e o júbilo; ainda mais, erguer-se-á a voz de seu lamento.” “Assim como a neve”, escreveu Ele ainda, “dissolver-se-ão no sol de julho.”
A dissolução do Califado, a completa secularização do estado que encerrava a mais augusta instituição do islã, e o virtual colapso da hierarquia xiita na Pérsia, foram as conseqüências visíveis e imediatas do tratamento que a Causa de Deus recebeu do clero das duas maiores comunhões do mundo muçulmano.
23. AS MINGUANTES FORTUNAS DO ISLÃ XIITA
Consideremos, em primeiro lugar, as vicissitudes que marcaram as declinantes fortunas do islã xiita. As iniqüidades enumeradas no princípio desta obra, pelas quais a ordem eclesiástica xiita na Pérsia deve ser tida por responsável primariamente; iniqüidades que, nas palavras de Bahá’u’lláh, haviam causado “o lamento do Apóstolo (Maomé) e o pranto da Casta (Fátimih)”, fazendo “gemerem todas as coisas criadas e tremularem os membros dos santos”; iniqüidades que haviam crivado de balas o peito do Báb, curvado as costas de Bahá’u’lláh e Lhe branqueado o cabelo, fazendo-O gemer de angústia, que fizeram Maomé chorar por Ele, Jesus se bater na cabeça e o Báb lastimar Sua situação – tais iniqüidades não poderiam nem haveriam de permanecer impunes. Deus, o mais veemente Vingador, espreitava, tendo prometido “não perdoar a injustiça de homem algum”. O flagelo de Seu castigo, veloz, súbito e terrível, foi aplicado, afinal, aos perpetradores dessas iniqüidades.
Uma revolução de estupendas proporções e cujos efeitos foram de vasto alcance, notável pela ausência de carnificina, e até de violência, que assinalou seu progresso, desafiou aquela ascendência eclesiástica que era, desde séculos, da essência do islã nesse país, e praticamente derrubou uma hierarquia no meio da qual o maquinismo do estado e a vida do povo haviam sido inextricavelmente entretecidos. Tal revolução não assinalou a desintegração de uma igreja de estado. Foi, de fato, equivalente à destruição do que se pode chamar um estado eclesiástico – estado este que havia esperançosamente, até mesmo no momento de expirar – aguardado o advento jubiloso do Imame Oculto que não somente haveria de arrancar as rédeas de autoridade do Xá, o sumo magistrado que apenas O representava, mas também teria de assumir domínio sobre toda a terra.
O espírito que essa ordem clerical tão assiduamente se esforçara por esmagar, durante um século inteiro, e a Fé que essa ordem com tão feroz brutalidade tentara extirpar, estavam, agora, por sua vez, graças às forças por eles engendradas no mundo, perturbando o equilíbrio e minando o poder dessa mesma ordem cujas ramificações haviam atingido toda a esfera, todo o dever e o ato da vida nesse país. A muralha de pedra que era o islã, aparentemente inexpugnável, foi agora abalado até os fundamentos e cambaleava, prestes a ruir, ante os olhos dos perseguidos adeptos da Fé introduzida por Bahá’u’lláh. Uma hierarquia sacerdotal que havia desde tanto tempo predominado sobre a Fé Divina, parecendo numa ocasião lhe haver dado um golpe mortal, achou-se agora a presa de uma autoridade civil superior cuja política estabelecida era a de cercá-la com seus tentáculos constante e inexoravelmente.
O vasto sistema dessa hierarquia, com todos os seus elementos e todas as suas pertenças – seus shaykhu´l-Isláms (sumos sacerdotes), seus mujtahids (doutores de lei), seus mullás (padres), seus fuqahás (juristas), seus imames (condutores de oração), seus muezins, seus vu´ázz (pregadores), seus qádís (juízes), seus mutavallís (custódios), seus madrisihs (seminários), seus mudarrisíns (professores), seus tullábs (discípulos), seus qurrás (os que entoam), seus mu´abbiríns (vaticinadores), seus muhaddithíns (narradores), seus musakhkhirins (domadores do espírito), seus dhákiríns (lembradores), seus ´ummál-i-dhakát (os que dão esmolas), seus muqaddasíns (santos), seus munzavís (reclusos), seus súfís, daroêses e os demais – foi paralisado e completamente desprestigiado. Seus mujtahids – incendiários que eram – dotados de poder de vida e morte, a quem, havia muitas gerações, se atribuíam honras de caráter quase regal – foram reduzidos a um número deploravelmente insignificante. Os prelados da igreja islâmica com seus turbantes, - que, nas palavras de Bahá’u’lláh, “adornavam as cabeças de verde e branco, e cometiam o que fez gemer o Espírito Fiel” – foram eliminados sem piedade, salvo uma mão-cheia que, a fim de se salvaguardar contra a fúria de uma população ímpia, é obrigada agora a submeter-se à humilhação de mostrar, em todas as ocasiões que exigem isso, a licença que lhe foi concedida pelas autoridades civis para usar esse emblema desvanecente de uma autoridade que já se desvaneceu. Os demais dessa classe que usava o turbante – fossem siyyids, mullás ou hájís – não somente foram forçados a trocar sua venerável cobertura para a cabeça pelo kuláh-i-farangí (chapéu europeu), que há pouco tempo eles próprios haviam anatematizado, mas também a abandonar suas vestes talares e usar as roupas apertadas do estilo europeu, a introdução das quais em seu país eles, uma geração antes, haviam tão violentamente desaprovado.
“As cúpulas de azul escuro e branco” – alusão por ‘Abdu’l-Bahá às coberturas para a cabeça rotundas e volumosas usadas pelos sacerdotes da Pérsia – haviam sido de fato “invertidas”. Aqueles cujas cabeças foram por elas adornadas, os clérigos arrogantes, fanáticos, pérfidos e retrógrados, “as mãos de cuja autoridade” – assim testifica Bahá’u’lláh – “seguravam as rédeas do povo”, cujas “palavras são o orgulho do mundo,” e cujos “atos são a vergonha das nações”, reconhecendo a miséria de sua própria condição, retiraram-se, humilhados e destituídos de esperança, para suas casas, lá tendo uma existência minguada. Impotentes e achacosos, observam as operações de um processo que, tendo invertido sua política e arruinando a obra de suas mãos, se move irresistivelmente a um clímax.
A pompa e a gala desses príncipes da igreja do islã já esmoreceram. Silenciaram-se seus gritos fanáticos, suas invocações clamorosas, suas ruidosas demonstrações. Suas fatvas (sentenças) pronunciadas tão vergonhosamente e às vezes abrangendo a delação de reis, tornaram-se uma letra morta. O espetáculo das orações congregadas, nas quais participaram milhares de devotos em fileiras após fileiras, desvaneceu-se. Abandonados e entregues ao silêncio se acham os púlpitos donde trovejavam seus anátemas contra poderosos e inocentes igualmente. Foram arrancadas de suas mãos aquelas doações de inestimável valor, tão extensas (waqfs) as terras do esperado Imame – as quais só em Isfahán, numa época, abrangiam a cidade inteira, sendo elas transferidas ao controle de uma administração leiga. Seus seminários (madrisihs), com sua erudição medieval, encontram-se no abandono e na ruína. Os inumeráveis tomos de comentários teológicos, super-comentários, glosas e notas, indignos de serem lidos, improfícuos, produto de engenho e fadiga mal aplicados – tomos que um dos mais esclarecidos pensadores do Islã nos tempos modernos considera obras que obscurecem conhecimentos sãos – se acham agora esquecidos, cobertos de teias e aranha, carunchosos, merecedores de fogo. Anacrônicas se tornaram suas dissertações abstrusas, suas controvérsias veementes, seus debates intermináveis. Abandonadas ou caídas em ruína estão suas mesquitas e imám-zádihs (sepulturas dos santos), que tinha o privilégio de conceder a tantos criminosos o direito de santuário (bast) – o que havia degenerado num monstruoso escândalo – cujas paredes ressoavam com as entoações de um clero hipócrita e dissoluto, cujos adornos rivalizavam com os tesouros dos palácios dos reis. Seus takyihs, os recintos dos pietistas contemplativos, indolentes e passivos, se estão vendendo ou fechando. São proibidas suas ta´zíyihs (obras dramáticas religiosas), exibidas com zelo barbárico e acentuadas por súbitos espasmos de desenfreada exaltação religiosa. Até foram censuradas e restritas suas rawdih-khánís (lamentações), com seus longos e melancólicos gemidos que se erguiam de tantas casas. As sagradas peregrinações a Najaf e Karbilá, os mais veneráveis santuários do mundo xiita, foram reduzidas em número e tornadas cada vez mais difíceis, assim impedindo muitos mulas avarentos de praticar seu hábito secular de cobrar em dobro as peregrinações feitas por eles como substitutos pelos religiosos. A rejeição do véu – medida esta que foi alvo da mais renhida oposição dos mullás; a igualdade dos sexos, proibida pela sua lei; a ereção de tribunais civis que superaram as cortes eclesiásticas; a abolição da síghih (concubinagem) que, quando contraída por períodos curtos, difere pouco da prostituição e que fez da turbulenta e fanática Mashhad (centro nacional de peregrinação) uma das cidades mais imorais da Ásia; e, finalmente, os esforços sendo feitos para desprezar o idioma árabe, sagrada língua do islã e do alcorão, e divorciá-lo do persa – tudo isso contribuiu sucessivamente para a aceleração daquele processo impulsor que vem subordinando à autoridade civil a posição e os interesses dos clérigos muçulmanos num grau nem sonhado por qualquer mullá.
Bem poderia o áqá (mullá) que outrora se distinguia pelo turbante majestoso, pelas longas barbas e pela expressão solene, pausar para refletir por algum tempo sobre os esvaecidos esplendores de seu império morto – aquele que com tanta insolência se intrometia em todo setor de atividade humana e que agora se senta, com cabeça descoberta, privado de suas barbas, na reclusão de sua casa, escutando talvez trechos de música ocidental que rasgam o éter de sua terra pátria. Bem poderia ele contemplar a devastação que o crescente fluxo de nacionalismo e ceticismo efetivou nas inquebrantáveis tradições de seu país. Bem poderia ele recordar os dias alciônicos quando passeava pelos bazares e maydáns de sua cidade natal, montado num burro, quando uma multidão iludida se apressava avidamente para beijar com fervor não só suas mãos mas também a cauda de seu animal, e lembrar do zelo cego com que aclamavam seus atos, e dos prodígios e milagres que lhe atribuíam.
Ele poderia de fato olhar para mais longe no passado e recordar o reinado daqueles monarcas safaví, tão píos, que se deleitavam em se chamar de “cachorros no limiar dos Imaculados Imames”, lembrando-se como um desses reis foi induzido a andar a pé na frente do mujtahid enquanto este passava montado pelo maydán-i-sháh, praça principal de Isfáhán, como sinal de subserviência real ao ministro favorito do Imame Oculto – ministro que em distinção do título do xá, se denominou “o servo do Senhor da Santidade (Imame ´Alí)”.
Não foi esse mesmo Xá ´Abbás, o Grande – bem poderia ele considerar – a quem outro mujtahid se dirigira com arrogância como “o fundador de um império emprestado”, significando que o reino do “rei dos reis” pertencia, de fato, ao esperado Imame, tendo-o o Xá em seu poder apenas na capacidade de fideicomissário temporário? Não foi esse mesmo Xá que andou a pé a distância inteira de oitocentas milhas de Isfáhán a Mashhad – “a glória especial do mundo xiita” – com o fim de oferecer suas orações do único modo digno do sháhansháh, no santuário do Imame Ridá, e que aparou as mil velas que adornavam suas cortes? E o Xá Tahmasp, ao receber uma epístola escrita por ainda outro mujtahid, não se pusera em pé, colocando-a sobre os olhos e beijando-a em êxtase, e, porque ela o chamara de “irmão”, ordenando que fosse posta dentro de sua mortalha e com ele enterrada?
Não deveria esse mesmo mullá contemplar as torrentes de sangue que fluíam a seu mando durante os longos anos em que ele gozava de impunidade de conduta, e se lembrar dos flamejantes anátemas que pronunciava, e do grande exército de órfãos e viúvas, dos desherdados e desonrados, dos privados de seus bens e seus lares, que, no Dia do Juízo, unissonamente haveriam de clamar por vingança e invocar sobre ele a maldição de Deus?
Esse bando infame merecia, em verdade, a degradação em que caíra. Desatendendo persistentemente a sentença funesta traçada sobre a parede pelo dedo de Bahá’u’lláh, prosseguiu, por bem perto de cem anos, seu curso fatídico até que na hora marcada, soaram os sinos que anunciavam sua morte, percutidos por aquelas forças espirituais revolucionárias, as quais, simultaneamente com os primeiros alvores da Ordem Mundial de Sua Fé, estão perturbando o equilíbrio e criando tanta confusão nas antigas instituições da humanidade.
24. O COLAPSO DO CALIFADO
Essas mesmas forças, operando num campo colateral, efetuaram uma revolução ainda mais notável e mais radical, culminando no colapso do Califado Muçulmano, a mais poderosa instituição do inteiro mundo islâmico. Esse acontecimento ominosamente significativo foi, além disso, seguido por uma separação formal e definitiva entre o que restava da fé sunita na Turquia e o Estado, e pela completa secularização da República que surgia sobre as ruínas do Império Otomano teocrático. Essa catastrófica queda, que assombrou o mundo islâmico, e o divórcio, formal e absoluto, declarado entre os poderes espirituais e os temporais, que distinguia a revolução da Turquia daquela ocorrida na Pérsia – agora iremos considerar.
O Islã sunita sofreu – não através da ação de uma potência estrangeira invasora mas pelas mãos de um ditador que professava a fé maometana – um golpe mais doloroso do que aquele que, quase simultaneamente, sobreveio à sua seita irmã na Pérsia. Esse ato retribuidor, dirigido contra o arqui-inimigo da Fé Bahá’í, faz lembrar um desastre semelhante precipitado pela ação de um imperador romano, durante a última parte do primeiro século da era cristã – desastre que arrasou até os fundamentos o Templo de Salomão, destruiu o Santo dos Santos, assolou a cidade de David e extirpou a hierarquia judaica em Jerusalém, massacrando milhares dos judeus – os perseguidores da religião de Jesus Cristo – dispersando o remanescente sobre a face da terra e erigindo em Sião uma colônia pagã.
O Califa, que se designara a si próprio o vigário do Profeta do Islã, exercia uma soberania espiritual, tendo-se investido de um caráter sagrado, o qual o Xá da Pérsia nem possuía nem para si reclamava. Não se deve esquecer de que a esfera de sua jurisdição espiritual se estendia até países muito além dos confins de seu próprio império, abrangendo a grande maioria dos muçulmanos no mundo inteiro. Em sua capacidade de representante do Profeta na terra, ele era considerado, além disso, o protetor das cidades santas de Meca e Medina, o defensor e propagador do Islã e o comandante de seus adeptos em qualquer guerra santa que tivessem de travar.
Em virtude da abolição do sultanato na Turquia, esse tão potente, augusto e sagrado personagem perdeu primeiro aquela autoridade temporal tida pelos expoentes da escola sunita como necessariamente concomitante à sua alta incumbência. Assim o emblema da soberania temporal, a espada, foi arrancada das mãos do comandante a quem se permitiu ocupar, por um breve período, tão anômala e precária posição. Dentro de pouco tempo, porém, se trombeteou ao mundo sunita, sem que lhe houvesse sido feita consulta alguma, a notícia de que o próprio califado fora deserdado permanentemente pelo país que durante mais de quatrocentos anos o havia aceito como apêndice ao seu sultanato. Os turcos, que haviam sido os chefes militantes do mundo maometano desde o declínio árabe, tendo levado o estandarte do islã até aos portais de Viena – sede do governo da primeira potência da Europa – renunciaram sua primazia. O ex-califa, despido de sua pompa real e dos símbolos de vigário, vendo-se abandonado tanto por amigos como por inimigos, teve de fugir de Constantinopla, orgulhosa sede de uma soberania dual, para a terra dos infiéis, e resignar-se à mesma vida de exílio à qual vários de seus colegas soberanos haviam sido, e ainda estavam condenados.
Nem conseguia o mundo sunita, a despeito de resolutos esforços, designar qualquer um em seu lugar que, embora privado da espada de comandante, pudesse ainda agir como custódio do manto e do estandarte do Apóstolo de Deus – os santos emblemas gêmeos do califado. Realizavam-se conferências, seguiam-se discussões, e convocou-se um congresso do califado na capital egípcia, a cidade dos fatímitas, mas tudo isso teve como resultado apenas a pública confissão, largamente difundida, de seu fracasso: “Concordaram em discordar!”
Estranha incrivelmente estranha, deve parecer a posição desse mais poderoso ramo da Fé Islâmica, sem nenhuma cabeça visível para expressar seus sentimentos e suas convicções, estando destruída, irremediavelmente, sua unidade, ofuscado seu brilho, e minada sua lei, e tendo suas instituições caído num caos desesperador. Após treze séculos, desvanecera-se como fumaça essa instituição que havia desafiado os direitos inalienáveis da autorização divina, possuídos pelos Imames da Fé Maometana – uma instituição que infligira golpes tão impiedosos numa Fé cujo Arauto era, Ele Próprio, descendente dos Imames, legítimos sucessores do Apóstolo de Deus.
O que poderia fazer alusão esta notável profecia encerrada na Lawh-i-Burhán, senão à queda desse príncipe coroado dos muçulmanos sunitas? “Ó assembléia de sacerdotes muçulmanos! Por vossa causa, o povo sofreu humilhação e a bandeira do islã foi arriada, e seu poderoso trono foi subvertido”. E que dizer da profecia, indubitavelmente clara e admirável, registrada no Qayyúmu´l- Asmá? “Dentro em breve, Nós, em verdade, atormentaremos aqueles que guerrearam contra Husayn (Imame Husayn) na terra do Eufrates, como o mais aflitivo tormento e a punição mais exemplar.” Que outra interpretação poderemos dar a esta tradição maometana? “Nos últimos dias, uma calamidade penosa sobrevirá a Meu povo, vindo das mãos de seu governante, uma calamidade tal como homem algum jamais viu.”
Isso não foi tudo, entretanto. O desaparecimento do califa, cabeça espiritual de mais de duzentos milhões de maometanos, teve como conseqüência, na terra que infligira tão pesado golpe no islã, a anulação da Lei canônica sharí´ah, a desapropriação dos bens das instituições sunitas, sendo promulgado um código civil, suprimidas as ordens religiosas e ab-rogadas as cerimônias e as tradições que a religião de Maomé inculcara. O shaykhu´l-Islám e seus satélites – inclusive muftís, qádís, hujahs, shaykhs, súfís, hájís, mawlavís, dervixes e os demais – desvaneceram-se com um golpe mais resoluto, mais aberto e mais drástico do que aquele sofrido pelos xiitas nas mãos do xá e de seu governo. As mesquitas da capital – o orgulho e a glória do mundo islâmico – foram abandonadas, sendo a mais bela e famosa delas todas, a incomparável Santa Sofia – “o Segundo Firmamento”, “o Veículo dos Querubins” – convertida em museu pelos vociferantes criadores de um regime temporal. Baniram da terra a língua árabe, idioma do Profeta de Deus, substituindo seu alfabeto por caracteres latinos, e o próprio Alcorão foi traduzido em turco para os poucos que ainda o desejassem ler. A constituição da nova Turquia, com todas suas cláusulas concomitantes e, segundo alguns pareceres, ateísticas, não só proclamou formalmente a desapropriação dos bens do islã e sua desligação do Estado mas também prenunciou várias medidas que visavam a uma humilhação e a um enfraquecimento ainda maiores. Até mesmo a cidade de Constantinopla, “o Zimbório do Islã”, apostrofada em termos tão condenatórios por Bahá’u’lláh, e que o grande Constantino, após a queda de Bizâncio, saudara como “a nova Roma” – tendo sido elevada à posição de metrópole tanto do Império Romano como da Cristandade, e reverenciada, subseqüentemente, como sede dos califas – essa mesma Constantinopla foi relegada agora à condição de cidade provincial e despida de toda sua pompa e glória, vindo assim seus altos e delgados minaretes a tornar-se sentinelas no túmulo de tanto esplendor e poder esvaecidos.
“Ó Lugar sito nas praias dos dois mares!” – assim Bahá’u’lláh apostrofou a Cidade Imperial, em termos que fazem lembrar as palavras proféticas dirigidas por Jesus Cristo a Jerusalém – “O trono da tirania, em verdade, estabeleceu-se sobre ti, e a chama do ódio se ateou em teu seio, de tal modo que a Assembléia no alto, e os que rodeiam o Trono Excelso, tem gemido e lamentado. Nós vemos que em ti os insensatos governam os sábios, e a treva se ufana contra a luz. Estás, de fato, cheio de orgulho manifesto. Teu esplendor externo te fez vanglorioso? Por Aquele que é o Senhor da humanidade! Breve perecerá, e tuas filhas e tuas viúvas e todos os consangüíneos que em ti residem, haverão de lamentar. Assim te informa o Onisciente, o Sapientíssimo.”
Tal foi o destino que atingiu o islã, tanto o xiita como o sunita, nos dois países em que haviam plantado suas bandeiras e erguido suas mais poderosas e célebres instituições. Tal foi seu destino nesses dois países, num dos quais Bahá’u’lláh faleceu em exílio e noutro o Báb sofreu martírio. Tal foi o destino daquele que se denominara Vigário do Profeta de Deus, como também dos ministros favoritos do Imame ainda esperado. “O povo do Alcorão”, assim testifica Bahá’u’lláh, “levantou-se contra Nós e afligiu-nos com tal tormento que o Espírito Santo deplorou, e o trovão rugiu e as nuvens choraram por Nós... Maomé, o Apóstolo de Deus, no excelso Paraíso, lamenta-se por causa de seus atos”. “Será visto por Meu povo o dia” – suas próprias tradições o condena – “em que nada haja remanescido do islã senão um nome, e do Alcorão nada, salvo uma simples aparência. Os doutores daquela era serão os mais maléficos já vistos pelo mundo. Deles o mal procedeu e sobre eles haverá de retornar”. E também: “Constituirão a maioria de Seus inimigos os sacerdotes. A Seu mando não obedecerão, mas sim farão protesto, dizendo: - Isso é contrário àquilo que nos foi transmitido pelos Imames da Fé.” E ainda: “Naquela hora descerá sobre vós Sua maldição, e vossa desgraça vos afligirá e vossa religião se tornará uma palavra vazia em vossas línguas. E quando estes sinais aparecerem entre vós, antecipai o dia em que o vento chamuscador terá soprado sobre vós, ou o dia em que tereis sido desfigurados, ou o dia em que pedras terão chovido sobre vós.”
25. UMA ADVERTÊNCIA A TODAS AS NAÇÕES
Esse bando de sacerdotes degradados, que Bahá’u’lláh estigmatizara de “doutores da dúvida”, “abjetos manifestantes do Príncipe da Treva”, de “lobos” e “faraós”, de “centros focais do fogo infernal”, de “feras vorazes apresando as almas dos homens” e, segundo atestam suas próprias tradições – de fontes bem como de vítimas de malvadez – esses sacerdotes se juntaram às várias aglomerações de sháhzádihs, emires e principelhos de dinastias caídas, como testemunho e advertência para todas as nações daquilo que há, de cedo ou tarde, sobrevir àqueles possuidores do domínio terreno, sejam reais ou eclesiásticos, que se possam atrever a desafiar ou perseguir os designados Instrumentos e as Personificações de autoridade e poder divinos.
O islã, a um tempo o progenitor e o perseguidor da Fé introduzida por Bahá’u’lláh, está – se lermos com acerto os sinais dos tempos – apenas principiando a sustentar o impacto desta Fé triunfante, invencível. Basta recordarmo-nos dos mil e novecentos anos de tribulações extremas e de dispersão pelos quais tiveram de passar, e ainda estão passando, aqueles que acompanharam o Filho de Deus durante o breve período de três anos. Bem nos podemos perguntar a nós mesmos, com sentimentos de temor e reverência, quão severas não deverão ser as tribulações dos que, por nada menos de cinqüenta anos, “atormentaram com um tormento novo a todo instante” Àquele que é o Pai e, além disso, fizeram que Seu Arauto – Ele Próprio um Manifestante de Deus – sorvesse, sob tão trágicas circunstâncias, a taça do martírio.
Nas páginas precedentes, tenho citado certas passagens dirigidas aos membros, coletivamente, da ordem eclesiástica, tanto islâmica como cristã, e depois anotado referências e discursos específicos aos sacerdotes muçulmanos, xiitas e sunitas igualmente, tendo então procedido à descrição das calamidades que afligiram essas hierarquias maometanas, seus chefes, seus membros, suas propriedades, suas cerimônias e instituições. Consideremos agora os discursos dirigidos especificamente aos membros da ordem clerical cristã, os quais, em sua maioria, desatenderam a Fé introduzida por Bahá’u’lláh, enquanto alguns deles, à medida que a Ordem Administrativa da Fé crescia e estendia suas ramificações sobre os países cristãos, se levantaram a fim de lhe deterem o progresso, menosprezarem a influência e obscurecerem o propósito.
26. SUAS MENSAGENS AOS DIRIGENTES CRISTÃOS
Um rápido olhar sobre os escritos do Autor da Revelação Bahá’í patenteará este fato importante e significativo: Aquele que dirigiu uma mensagem imortal a todos os reis da terra, coletivamente, e revelou uma Epístola a cada uma das proeminentes cabeças coroadas da Europa e da Ásia, fazendo Seu chamado aos principais sacerdotes do islã, tanto sunitas como xiitas, nem excluindo de seu âmbito os judeus e os zoroastrianos, também dirigiu mensagens especiais – além de numerosas e repetidas exortações e advertências ao inteiro mundo cristão – algumas gerais, outras precisas e desafiadoras, aos chefes bem como à generalidade das ordens eclesiásticas cristãs – a seu papa, seus reis, seus patriarcas, seus arcebispos, seus bispos, seus padres e seus monges -. Ao tratarmos das mensagens de Bahá’u’lláh às cabeças coroadas do mundo, já consideramos certas feições da Epístola ao Pontífice Romano, bem como as palavras escritas aos reis da cristandade. Que agora prestemos nossa atenção àquelas passagens nas quais a Pena de Bahá’u’lláh discrimina a aristocracia da igreja, e os ministros ordenados, para Suas exortações e advertências:
“Dize: Ó assembléia de patriarcas! Aquele que vos foi prometido nas Epístolas já veio. Temei a Deus e não sigais as vãs fantasias dos supersticiosos. Renunciai as coisas que possuis e segurai nas mãos firmemente a Epístola de Deus, por Seu poder soberano. Isso vos é melhor que todas as vossas possessões. Disso dá testemunho todo coração compreensível, e todo homem e discernimento. Vós vos orgulhais de Meu Nome e, no entanto, vos excluis de Mim como se o fosse por um véu? Isso, de fato, é coisa estranha!”
“Dize: Ó assembléia de arcebispos! Apareceu Aquele que é o Senhor de todos os homens. Na planície da iluminação, chama Ele à humanidade, enquanto vós estais contados no número dos mortos! Grande é a ventura daquele movido pelos Sopros Divinos, e que se tenha levantado dentre os mortos, neste Nome perspícuo.”
“Dize: Ó assembléia de bispos! Tremulam todas as raças da terra, e Aquele que é o Pai eterno clama entre a terra e o céu. Bem-aventurado o ouvido que tenha escutado, e os olhos que tenham visto, e o coração que se haja volvido para Aquele que é o Alvo da Adoração de todos os que estão nos céus e todos os que estão na terra”. “Ó assembléia de bispos! Sois as estrelas do céu de Meu conhecimento. Minha misericórdia não deseja que caiais à terra. Minha justiça, no entanto, declara: - Isto é o que o Filho (Jesus) decretou. – E tudo o que haja procedido de Seus lábios impecáveis, verazes, fidedignos, jamais se poderá alterar. Os sinos, em verdade, badalam Meu Nome e se lamentam por causa de Mim, mas Meu espírito exulta com evidente júbilo. O corpo do Amado anseia pela cruz, e Sua cabeça anela o dardo, no caminho do Todo-Misericordioso. A ascendência do opressor, de modo algum O poderá deter de Seu propósito”. E também: “As estrelas do céu do conhecimento caíram – aqueles que aduzem as provas em seu poder a fim de demonstrarem a verdade de Minha Causa, e fazem menção de Deus em Meu Nome. Quando Eu lhes vim em Minha majestade, porém, afastaram-se de Mim. São, em verdade, dos caídos. Foi isso que o Espírito (Jesus) profetizou quando veio com a verdade, e os doutores judeus Dele zombaram até que cometeram o que motivou a lamentação do Espírito Santo e fez chorarem os olhos dos que fruem proximidade de Deus.”
“Dize: Ó assembléia de padres! Deixai os sinos e saí, então, de vossas igrejas. Cumpre-vos, neste dia, proclamar em altas vozes, entre as nações, o Maior Nome. Preferis guardar silêncio, enquanto toda pedra e toda árvore clama: - Veio o Senhor em Sua grande glória! - ...Quem convoca os homens em Meu Nome é, em verdade, de Mim, e ele há de manifestar o que está além do poder de todos os que estão na terra... Que os sopros de Deus vos despertem. Em verdade, emanaram sobre o mundo. Bem-aventurado quem descobriu sua fragrância e se contra entre os firmes.” E outra vez: “Ó assembléia de padres! Apareceu o Dia do Juízo, Dia em que veio Aquele que estava no céu. Ele, em verdade, é Quem vos foi prometido nos Livros de Deus, o Santo, o Onipotente, Alvo de todo louvor. Quanto tempo vagareis na selva da negligência e da superstição? Volvei-vos, de coração, para vosso Senhor, o Clemente, o Generoso”.
“Dize: Ó assembléia de monges! Não vos enclausureis em igrejas e conventos. Saí por Minha permissão e ocupai-vos naquilo que possa trazer proveito às vossas almas e às almas dos homens. Assim vos ordena o Rei do Dia do Juízo. Enclausurai-vos na cidadela e Meu amor. Esta é, em verdade, uma reclusão digna – fosseis vós dos que isso percebem. Aquele que se confina a uma casa é de fato como um morto. Cumpre ao homem manifestar o que traga benefício a todas as coisas criadas; quem não produz fruto algum, é digno do fogo. Assim vos aconselha vosso Senhor, e ele é, em verdade, o Onipotente, o Todo-Generoso. Entrai em matrimônio, a fim de que alguém depois de vós encha vosso lugar. Nós vos vedamos atos pérfidos e não aquilo que possa demonstrar fidelidade. Tendes vós vos segurado às normas fixadas por vós mesmos, jogando atrás de vós as normas de Deus? Temei a Deus e não sejais dos imprudentes. Se não fosse o homem, quem faria menção de Mim em Minha terra, e como se haveriam revelados Meus atributos e Meu Nome? Ponderai e não sejais dos que se acham velados, profundamente adormecidos. Àquele que não entrou em matrimônio (Jesus) faltava onde se estabelecer ou reclinar a cabeça, por causa daquilo perpetrado pelas mãos dos traiçoeiros. Sua santidade não consiste naquilo que credes ou imaginais, mas, antes, nas coisas que Nós possuímos. Pedi, para que possais compreender Sua condição, elevada acima das fantasias de todos os que habitam a terra. Bem-aventurados os que isso percebem”. E também: “Ó assembléia de monges! Se a Mim elegerdes seguir, Eu vos farei herdeiros de Meu Reino; e se contra Mim transgredirdes, Eu com Minha tolerância suportarei isso pacientemente, e sou, em verdade, Quem sempre perdoa, o Todo-Misericordioso... Belém agita-se com o Sopro de Deus. Ouvimos sua voz dizer: - Ó mais generoso Senhor! Onde se estabeleceu Tua grande glória? As doces fragrâncias de Tua Presença vivificaram-me depois que eu me dissolvera em minha separação de Ti. Louvado sejas Tu por haveres levantado os véus e vindo com poder, em glória evidente. – A ela chamamos detrás do Tabernáculo da Majestade e Grandeza: - Ó Belém! Essa Luz surgiu no Oriente e se moveu para o Ocidente, até que te alcançou no anoitecer de sua vida. Dize-Me, então: Reconhecem os filhos ao Pai e aclamam-No, ou negam-No, assim como o povo de antanho O (Jesus) negou? Com isso ela exclamou, dizendo: - És, em verdade, o Onisciente, o Mais Informado”. E outra vez: “Considerai, também, quão numerosos, neste tempo, são os monges que se enclausuraram em suas igrejas, em Meu Nome, e que, ao chegar a hora marcada, quando lhes desvelamos Nossa beleza, não Me reconheceram, apesar de Me haverem invocado à alvorada e ao anoitecer.” “Ledes o Evangelho” – Ele ainda outra vez se lhes dirige – “e ainda vos recusais a aclamar o Senhor Todo-Glorioso? Isso, de fato, mal vos convém, ó assembléia de eruditos!... As fragrâncias do Todo-Misericordioso sopraram sobre toda a criação. Feliz o homem que renunciou a seus desejos e se segurou à guia.”
Essas “estrelas caídas” do firmamento da cristandade, essas “nuvens espessas” que obscureceram o brilho da verdadeira Fé Divina, esses príncipes da Igreja, os quais se recusaram a admitir a soberania do “Rei dos Reis”, esses iludidos ministros do Filho, os quais, com desdém, se afastaram do prometido Reino que o “Pai Eterno” fez descer do céu, e está agora estabelecendo na terra – estes estão passando por uma crise, neste “Dia do Juízo”, uma crise menos aguda, é verdade, do que aquela que a ordem sacerdotal do islã, os inveterados inimigos da Fé, tiveram de enfrentar, mas uma não menos significativa nem de alcance menor. “O poder foi tirado”, de fato, e cada vez mais está sendo tirado, desses eclesiásticos que falam no nome – mas estão muito longe do espírito – da Fé que professam.
Basta olharmos ao nosso redor, observando as fortunas das ordens eclesiásticas cristãs, para podermos apreciar a incessante deterioração de sua influência, o declínio do seu poder, o enfraquecimento de seu prestígio, o menosprezo à sua autoridade, a diminuição em suas congregações, o relaxamento em sua disciplina, a restrição de sua imprensa, a timidez de seus dirigentes, a confusão em suas forças armadas, o confisco progressivo de suas propriedades, a rendição de algumas de suas mais poderosas cidadelas e o extermínio de outras antigas e consagradas instituições. De fato, constantemente desde que se emitiu o chamado divino e se estendeu o convite, desde que a advertência soou e a condenação foi pronunciada, esse processo – o qual se iniciou, podemos dizer, com o colapso da soberania temporal do Pontífice Romano logo após se haver revelado a Epístola ao Papa – opera com crescente celeridade, ameaçando a própria base sobre que descansa a ordem inteira. Tal processo, facilitado pelas forças que o movimento comunista desencadeou, fortalecido pelas conseqüências políticas da última guerra, acelerado pelo nacionalismo excessivo, cego, intolerante e militarista que ora convulsiona as nações, e estimulado pelo crescente fluxo do materialismo, irreligião e paganismo – esse processo não só tende a subverter as instituições eclesiásticas mas também parece-nos estar levando para a descristianização das massas em muitos países cristãos.
Contentar-me-ei enumerando certas manifestações salientes dessa força que cad vez mais invade o domínio e ataca os mais firmes baluartes de um dos principais sistemas religiosos da humanidade: a virtual extinção do poder temporal do mais proeminente governante da cristandade, imediatamente após a criação do Reino da Itália; a onda de anti-clericalismo que varreu a França depois do colapso do império napoleônico e que culminou na separação completa da igreja católica e o estado, na laicificação da Terceira República, na secularização da educação e na supressão e debandada das ordens religiosas; o rápido e repentino surgir daquela “irreligião religiosa”, o ataque audaz, consciente e organizado lançado na Rússia Soviética contra a Igreja Grega Ortodoxa, que precipitou a separação entre a religião e o estado, massacrou vasto número de seus membros (que contavam originariamente mais de cem milhões de almas), e derribou, fechou ou converteu em museus, teatros e armazéns, muitos milhares de igrejas, conventos, sinagogas e mesquitas, espoliando a igreja de seis e meio milhões de acres de propriedades, assim tentando, com sua Liga de Ateus Militantes e a promulgação de um “plano qüinqüenal de impiedade”, desarraigar de seus fundamentos a vida religiosa das massas; o desmembramento da Monarquia Austro-Húngara, assim dissolvendo, por um só golpe, a mais poderosa unidade leal à Igreja de Roma, que com seus recursos lhe apoiava a administração; o divórcio entre o Estado Espanhol e a mesma Igreja, com o derribamento da monarquia, campeã da Cristandade Católica; a filosofia nacionalista que deu origem a um nacionalismo irrestrito, obsoleto, que, após haver destronado o islã, atacou indiretamente a vanguarda da igreja cristã em terras não cristãs, e está infligindo golpes tão pesados sobre as Missões Católicas, Anglicanas e Presbiterianas na Pérsia, na Turquia e no Extremo Oriente; o movimento revolucionário seguido pela perseguição da Igreja Católica no México; e, finalmente, o evangelho do paganismo moderno, aberto, agressivo e inexorável que, nos anos anteriores ao presente conflito, e cada vez mais desde que este rebentou, se tem estendido pelo continente europeu, invadindo as cidadelas e semeando confusão nos corações daqueles que apoiavam tanto a Igreja Católica como a Grega Ortodoxa e a Luterana, na Áustria, na Polônia, nos estados bálticos e escandinavos e, mais recentemente, na Europa Ocidental, sede das mais poderosas hierarquias da cristandade.
27. NAÇÕES CRISTÃS CONTRA NAÇÕES CRISTÃS
Que triste espetáculo de impotência e ruptura é apresentado por essa guerra fratricida travada por nações cristãs contra nações cristãs – anglicanos enfileirados contra luteranos, católicos contra gregos ortodoxos, católicos contra católicos, e protestantes contra protestantes – em apoio à chamada civilização cristã! Que triste espetáculo, aos olhos dos que já percebiam a bancarrota das instituições que se dizem falar em nome de Jesus Cristo e serem os custódios de sua Fé! A impotência e o desespero da Santa Sé diante dessa luta intestina entre filhos do Príncipe da Paz, que têm a benção e o apoio dos prelados de uma igreja fatalmente dividida – proclamam até que grau de subserviência caíram as instituições, outrora todo-poderosas, da Fé Cristã, e de um modo frisante fazem lembrar o estado paralelo de decadência das hierarquias de sua religião irmã.
Quanto a cristandade se tem desviado! E como é trágico seu desprezo pela alta missão que Aquele que é o verdadeiro Príncipe da Paz exortou todos os cristãos a cumprir, missão esta exposta nas passagens finais de Sua Epístola ao Papa Pio IX – passagens que estabelecem, uma vez por todas, a distinção entre a Missão de Bahá’u’lláh, nesta era, e a de Jesus Cristo: “Dize: Ó assembléia de cristãos! Nós, numa ocasião anterior, Nos revelamos a vós, e não Me reconhecestes. Esta é ainda outra ocasião que vos é concedida. É este o Dia de Deus; volvei-vos para Ele... Ao Amado não apraz que vos consumais pelo fogo de vossos desejos. Se fosseis excluídos Dele como se por um véu, não seria isso por outra causa senão pela vossa própria obstinácia e ignorância. Vós Me mencionais e não Me conheceis. Invocais a Mim e desatendeis Minha Revelação... Ó povo do Evangelho! Os que não estavam no Reino, aí agora entraram, enquanto Nós vos vemos deterdes à porta. Rompei os véus pelo poder de vosso Senhor, onipotente, o Todo-Generoso, e então, em Meu Nome, entrai em Meu Reino. Assim vos exorta Quem deseja para vós a vida eterna... Nós vos vemos, ó filhos do Reino, em trevas. Isso, em verdade, vos é indigno. Tendes medo, à face da luz, por causa de vossos atos? Dirigi-vos a Ele... Em verdade, Ele (Jesus) disse: - Segui a Mim e Eu vos farei pescadores de homens. Neste dia, porém, dizemos: - Segui a Mim para que vos possamos fazer vivificadores da humanidade”. “Dize:” – escreveu Ele, além disso, “Nós em verdade, viemos por vossa causa e suportamos os infortúnios do mundo para vossa salvação. Fugis Daquele que sacrificou a vida a fim de que vós fôsseis ressuscitados? Temei a Deus, ó vós que seguis o Espírito (Jesus) e não andeis nas pegadas de todo sacerdote que se tiver desviado para longe... Abri as portas de vossos corações. Aquele que é o Espírito (Jesus) está, em verdade, em sua frente. Por que razão vos mantendes longe Daquele que intentou vos fazer aproximar de um Lugar Resplandecente? Dize: Nós vos abrimos, em verdade, os portais do Reino. Quereis fechar as portas de vossas casas em Minha face? Isso, em verdade, nada mais é que erro lastimável.”
Tal é o estado ao qual se reduziu o clero cristão – um clero que se interpôs entre seu rebanho e o Cristo vindo de novo na glória do Pai. À medida que a Fé deste Prometido penetra cada vez mais no coração da cristandade, e se multiplicam os recrutas das cidadelas que seu espírito ora ataca, provocando isso uma ação unida e resoluta em defesa dos baluartes da ortodoxia cristã, e à medida que as forças do nacionalismo, do paganismo, do secularismo e do racismo se movem em conjunto para um clímax, não podemos pressagiar que o declínio no poder, autoridade e prestígio desses eclesiásticos se acentuará, demonstrando a verdade, e desdobrando mais plenamente as implicações do pronunciamento de Bahá’u’lláh que pressagia o eclipse dos luminares da Igreja de Jesus Cristo?
De vasto alcance, em verdade, foi a ruína causada nas fortunas da hierarquia xiita na Pérsia, e digna de lástima a sorte reservada para seu remanescente ora gemendo sob o jugo de uma autoridade civil que ela desde séculos havia dominado e desdenhado. Cataclísmico, de fato, foi o colapso da mais proeminente instituição do islã sunita, e irreparável a queda de sua hierarquia num país que fora campeã da causa do chamado vigário do Profeta de Deus. Persistente e inexorável é o processo que trouxe tanta destruição, ignomínia, cisma e fraqueza aos defensores das cidadelas do eclesiasticismo cristão, e negras, em verdade, são as nuvens que lhe obscurecem o horizonte. Em conseqüência das ações dos sacerdotes muçulmanos e cristãos – “ídolos” estigmatizados por Bahá’u’lláh como constituindo a maioria de Seus inimigos, que não Lhe atenderam a injunção de abandonar suas penas e rejeitar suas fantasias e que, se Nele tivessem acreditado, segundo Seu próprio testemunho, teriam realizado a conversão das massas – o islã e o cristianismo já entraram, podemos dizer sem exagero, na fase mais crítica de sua história.
Que ninguém se engane, porém, quanto a meu propósito, nem interprete erroneamente essa verdade cardeal que é da essência da Fé Bahá’í. A origem divina de todos os Profetas de Deus – inclusive Jesus Cristo e o Apóstolo de Deus, os dois maiores Manifestantes anteriores à Revelação do Báb – tem o apoio firme e sem reservas de cada um que segue a religião Bahá’í. É reconhecida claramente a unidade fundamental desses Mensageiros de Deus, afirmada a continuidade de Suas Revelações, admitida a autoridade divina bem como o caráter correlativo de Seus Livros; é proclamada a uniformidade de seus objetivos e propósitos, e acentuado o fato de ser inigualável Sua influência, enquanto se ensina e prevê a reconciliação final entre os ensinamentos de todos e os adeptos de todos. “Todos Eles” – segundo o testemunho de Bahá’u’lláh – “residem no mesmo tabernáculo, voam no mesmo céu, sentam-se no mesmo trono, pronunciam as mesmas palavras e proclamam a mesma Fé.”
28. A CONTINUIDADE DA REVELAÇÃO
A Fé que se identifica com o nome de Bahá’u’lláh não admite qualquer intenção de menosprezar um Profeta anterior, de Lhe diminuir um ensinamento ou ofuscar, no mínimo grau, o brilho de Sua Revelação, de desarraigá-Lo dos corações de Seus adeptos, de ab-rogar os fundamentos de Sua doutrina, de rejeitar qualquer dos Livros revelados ou suprimir as legítimas aspirações de Seus adeptos. Repudiando o suposto direito de qualquer religião de ser a revelação final de Deus ao homem, inclusive Sua própria Revelação, Bahá’u’lláh inculca o princípio básico de ser relativa a verdade religiosa, contínua a Revelação Divina, progressiva a experiência religiosa. Visa Ele a alargar a base de todas as religiões reveladas, e desvendar os mistérios de suas escrituras. Insiste sobre o reconhecimento incondicional de sua unidade de propósito, expressa novamente as eternas verdades que todas elas encerram, coordena-lhes as funções, distingue, em seus ensinamentos, o essencial e autêntico do não-essencial e espúrio, separa as verdades de origem divina das superstições de procedência sacerdotal e, nesta base, proclama ser possível, e até inevitável, sua unificação e a consumação de suas mais altas esperanças.
Quanto a Maomé, o Apóstolo de Deus – que ninguém dentre Seus adeptos pense por um momento, ao ler estas páginas, que o islã, ou seu Profeta, ou Seu Livro, ou Seus Sucessores designados, ou qualquer de Seus autênticos ensinamentos, tenham sido, ou devam ser, no mínimo grau, desprezados. A linhagem do Báb, o descendente do Imame Husayn; as várias evidências tão notáveis, na Narrativa de Nabíl, da atitude do Arauto de nossa Fé para com o Fundador, os Imames e o Livro do islã; a calorosa homenagem prestada por Bahá’u’lláh, no Kitáb-i-Iqán, a Maomé e aos Seus legítimos Sucessores, e, em particular ao Imame Husayn “sem igual e incomparável”; os argumentos que ‘Abdu’l-Bahá aduziu em público, em igrejas e sinagogas, poderosa e intrepidamente, a fim de demonstrar a validez da Mensagem do Profeta Árabe; e, por último, embora não de menor importância, o testemunho escrito da Rainha da Romênia, que apesar de haver nascido na fé anglicana e não obstante a estreita aliança de seu governo com a Igreja Grega Ortodoxa – a religião oficial de seu país adotivo – foi levada, sobretudo por haver lido os discursos públicos de ‘Abdu’l-Bahá, a proclamar seu reconhecimento da função profética de Maomé – tudo isso patenteia, em termos inequívocos, a verdadeira atitude da Fé Bahá’í para com sua religião materna.
“Deus” – é o tributo da Rainha Maria – “é o Todo, e o tudo. Ele é o poder atrás de todos os princípios... É Sua Voz dentro de nós que nos mostra o bem e o mal. Pela maior parte, porém, desatendemos ou interpretamos mal essa Voz. Por isso, fez Ele descerem à terra, para estarem entre nós, Seus Eleitos, a fim de esclarecer Sua Palavra, Seu verdadeiro significado. Por isso, os Profetas; por esta razão, Cristo, Maomé, Bahá’u’lláh, pois o homem necessita, de tempos em tempos, de uma voz na terra para lhe trazer Deus, para lhe aguçar a percepção da existência do Deus verdadeiro. Essas vozes, enviadas a nós, tiveram de se encarnar, a fim de que nós, com nossos ouvidos terrenos, pudéssemos ouvir e entender.”
Que prova maior – podemos perguntar pertinentemente – será exigida pelos sacerdotes da Pérsia, ou da Turquia, para demonstrar o fato de que os adeptos de Bahá’u’lláh reconhecem a excelsa posição do Profeta Maomé entre a inteira companhia dos Mensageiros de Deus? Que maior serviço esperam esses sacerdotes que prestemos à Causa do islã? Que maior evidência de nossa capacidade, poderão eles pedir, do que havermos avivado, em regiões tão além de seu alcance, a centelha de uma ardente e sincera conversão à verdade expressa pelo Apóstolo de Deus, e obtido da pena de uma realeza essa confissão pública e, de fato, histórica, de sua Missão divina?
Quanto à posição do cristianismo, seja afirmado, sem a menor hesitação ou equívoco, que se admite incondicionalmente sua origem divina, que se declara destemidamente a divindade de Jesus Cristo, reconhecendo, pois, plenamente a inspiração divina do Evangelho; que se confessa a realidade do mistério da imaculabilidade da Virgem Maria, e se apóia e defende a primazia de Pedro, Príncipe dos Apóstolos. Bahá’u’lláh denomina o Fundador da Fé Cristã o “Espírito de Deus”, proclamando-O como Aquele que “apareceu do sopro do Espírito Santo” e até O exalta como a “Essência do Espírito”. Descreve Sua mãe como “aquele semblante velado e imortal, o mais belo,” e elogia a posição de seu Filho como uma “posição exaltada acima do que possam imaginar todos os que habitam a terra”, enquanto reconhece a Pedro como aquele de cujos lábios Deus fez “manarem os mistérios da sabedoria e da pronunciação”. “Sabe tu” – atestou Bahá’u’lláh ainda – “que, quando o Filho do Homem entregou a Deus Seu fôlego, a criação inteira chorou, com grande pranto. Pelo Seu sacrifício, porém, se infundiu uma capacidade nova em todas as coisas criadas. As evidências disto, segundo testemunham todos os povos da terra, estão agora manifestas diante de ti. A mais profunda sabedoria pronunciada pelos sábios, a mais vasta erudição desvelada por mente alguma, as artes que as mãos mais hábeis já produziram, a influência que o mais potente dos governantes tem exercido, são apenas manifestações do poder vivificador emanado de Seu Espírito transcendente e esplendoroso que em tudo penetra. Damos testemunho de que Ele, ao vir para o mundo, derramou o esplendor de Sua glória sobre todas as coisas criadas. Por Seu intermédio, o leproso foi curado da lepra da perversidade e da ignorância. Por Seu intermédio, o impuro e o refratário restauraram-se. Graças a Seu poder, oriundo de Deus Onipotente, abriram-se os olhos do cego, e santificou-se a alma do pecador. Ele foi Quem purificou o mundo. Bem-aventurado o homem que, com a face irradiante de luz, se volveu para Ele.”
De fato, um dos requisitos essenciais para que sejam admitidos ao rebanho Bahá’í, judeus, zoroastrianos, hindus, budistas e os que seguem as outras crenças antigas, bem como agnósticos e mesmo ateus, é que aceitem de todo coração e incondicionalmente a origem divina tanto do islã como do cristianismo, as funções de Profeta exercidas por Maomé, bem como por Jesus Cristo, a legitimidade da instituição de Imame, e a primazia de São Pedro, Príncipe dos Apóstolos. Tais são os princípios centrais, sólidos, incontrovertíveis, que constituem a pedra fundamental da crença Bahá’í, princípios estes que a Fé promulgada por Bahá’u’lláh se orgulha de reconhecer, seus instrutores proclamam, seus apologistas defendem, sua literatura dissemina, suas escolas de verão expõem e a generalidade de seus adeptos atesta, tanto por palavra como por ação.
Nem se deve pensar por um momento que os seguidores de Bahá’u’lláh procurem degradar ou menosprezar a posição dos dirigentes religiosos do mundo, sejam cristãos, maometanos ou de qualquer outra fé, contanto que sua conduta esteja em harmonia com sua profissão e digna da posição que ocupam. “Aqueles sacerdotes”, Bahá’u’lláh afirmou, “... que realmente se aformoseam com o adorno do conhecimento, e de um caráter reto, são como uma cabeça para o corpo do mundo, como olhos para as nações. A orientação dos homens tem dependido em todos os tempos, e ainda depende, dessas almas abençoadas”. E também: “O sacerdote cuja conduta é íntegra, e o sábio que é justo, são como o espírito para o corpo do mundo. Feliz aquele cuja cabeça se atavia com a coroa da justiça e cujo templo se embeleza com o adorno da eqüidade”. E ainda: “O sacerdote que se tiver apoderado do mais santo Vinho e dele sorvido, em nome do soberano Ordenador, será como olhos para o mundo. Bem-aventurados os que lhe obedecem e dele se lembram”. “Grande é a bem-aventurança daquele sacerdote”, escreveu Bahá’u’lláh em outra ocasião, “que não tenha permitido que o conhecimento se tornasse um véu entre ele e aquele Ser, Objeto de todo o conhecimento e, ao aparecer o Subsistente por Si Próprio, se haja volvido para ele com a face irradiante. Em verdade, ele é contado entre os sábios. Os habitantes do Paraíso procuram a benção de seu sopro, e sua lâmpada brilha sobre todos os que estão no céu e na terra. Em verdade, ele se inclui no número dos herdeiros dos Profetas. Quem o vir terá, de fato, visto o Verdadeiro, e quem se volver para ele, se terá, realmente volvido para Deus, o Todo-Poderoso, o Onisciente”. “Respeitai os sacerdotes entre vós”, - é Sua exortação – “aqueles cujos atos estiverem em harmonia com o conhecimento por eles possuído, que observarem os estatutos de Deus e decretarem o que Deus decretou no Livro. Sabei que são as lâmpadas que guiam entre a terra e o céu. Os que não têm consideração pela dignidade e pelo mérito dos sacerdotes em seu meio, alteram, em verdade, a generosa graça de Deus que lhes foi concedida”.
Caros amigos! Nas páginas precedentes, tenho tentado apresentar essa tribulação mundial que se apoderou da humanidade, como sendo, primariamente, um juízo de Deus pronunciado contra os povos da terra, os quais, há um século, se recusam a reconhecer Aquele Cujo advento fora prometido a todas as religiões, e em cuja Fé, tão somente, todas as nações podem e devem, afinal, buscar sua verdadeira salvação. Tenho citado, dos escritos de Bahá’u’lláh e do Báb certas passagens que revelam o caráter e prognosticam a vinda dessa visitação de procedência divina. Já enumerei as penosas provações que afligiram a Fé, seu Arauto, seu Fundador e seu Exemplar, e expus a trágica falha da generalidade dos homens e de seus dirigentes que não protestaram contra essas tribulações nem admitiram a verdade da missão Daqueles que as suportaram. Indiquei que uma responsabilidade direta, terrível e inescapável cabia aos soberanos da terra e aos dirigentes religiosos do mundo que, nos dias do Báb e de Bahá’u’lláh, seguravam em suas mãos as rédeas da absoluta autoridade política e religiosa. Também tentei mostrar como, em conseqüência do antagonismo direto e ativo à Fé, por parte de alguns deles, e porque outros se descuidaram de seu inquestionável dever de investigar sua verdade, examinar suas declarações, vindicar sua inocência e punir aqueles que a injuriaram, tanto reis como eclesiásticos têm sofrido, e ainda estão sofrendo, os terríveis castigos que seus pecados de omissão e comissão provocaram. Por ser sua a responsabilidade principal, em vista de sua ascendência indisputável sobre súditos e adeptos, respectivamente, tenho citado extensamente as mensagens, exortações e advertências que lhes foram dirigidas pelos Fundadores de nossa Fé, e também discorrido longamente sobre as conseqüências dessas pronunciações momentosas e históricas.
Embora os responsáveis por essa grande calamidade retribuidora, segundo atesta Bahá’u’lláh, sejam, primariamente, os supremos dirigentes do mundo, tanto seculares como religiosos, não devemos considerá-la – se a quisermos avaliar com acerto – como somente uma visitação divina a um mundo que há cem anos persiste em se recusar a abraçar a verdade de uma Mensagem redentora que lhe é proferida, neste dia, pelo supremo Mensageiro de Deus. Deve ser vista, também, embora em menor grau, como uma retribuição divina pela perversidade da espécie humana em geral, por haver ela se desviado daqueles princípios elementares que, em todos os tempos, hão de governar a vida e o progresso dos homens e, tão somente, os podem salvaguardar. A humanidade, infelizmente, em vez de reconhecer e adorar o Espírito de Deus na forma em que se incorpora em Sua religião neste dia tem preferido, com uma crescente insistência, adorar aqueles ídolos falsos, conceitos inverídicos e meias-verdades que lhe obscurecem as religiões, corrompem a vida espiritual e convulsionam as instituições políticas, corroendo-lhe a textura social e demolindo sua estrutura econômica.
Não somente têm os povos da terra mostrado indiferença, e alguns até atacado uma Fé que é a um tempo a essência e a promessa de todas as religiões, destinada a reconciliá-las e unificá-las, mas também eles se têm afastado de suas próprias religiões, pondo sobre seus altares subvertidos outros deuses inteiramente alienados do espírito, bem como das formas tradicionais de suas antigas crenças.
“A face do mundo”, lamenta Bahá’u’lláh, “alterou-se. O caminho de Deus e a religião de Deus deixaram de ter valor aos olhos dos homens”. “A vitalidade da crença dos homens em Deus”, escreveu Ele também, “está morrendo em toda parte... A corrosão da impiedade consome as vísceras da sociedade humana”. “A religião”, Ele afirma, “é, em verdade, o instrumento principal para estabelecer ordem no mundo e realizar tranqüilidade entre seus povos... Quanto maior o declínio da religião, mais lastimável se torna a obstinação dos ímpios. Isso a nada poderá levar, afinal, senão ao caos e à confusão”. E também: “A religião é uma luz radiante e um baluarte invencível para a proteção e o bem-estar dos povos do mundo”. “Assim como o corpo do homem”, escreveu Ele em outra ocasião, “necessita de vestimenta para vesti-lo, também o corpo da humanidade deve adornar-se com o manto da justiça e sabedoria. Suas vestes são a Revelação que lhe é concedida por Deus.”
29. OS TRÊS FALSOS DEUSES
Essa força vital esmorece, ofusca-se essa luz radiante; é abandonado esse irreduzível baluarte, e rejeitada tão bela vestimenta. O próprio Deus foi, de fato, destronado dos corações dos homens, e um mundo idólatra saúda clamorosamente e adora apaixonadamente os falsos deuses que suas próprias vãs fantasias criaram com tamanha fatuidade. Os ídolos principais no templo execrado da humanidade não são outros que os tríplices deuses, do nacionalismo, racismo e comunismo, diante de cujos altares adoram atualmente, em várias formas e diferentes graus, governos e povos, sejam democráticos ou totalitários, do Oriente ou do Ocidente, cristãos ou islâmicos, quer estejam em paz ou em guerra. Seus sacerdotes são os políticos e os especialistas do mundo, os chamados sábios da época; seu sacrifício consiste na carne e sangue das multidões trucidadas; suas encantações, em shibboleths obsoletos e fórmulas insidiosas e irreverentes; seu incenso, na fumaça da angústia que se eleva dos corações dilacerados daqueles que perderam os entes queridos, daqueles excluídos e dos sem teto.
As teorias e políticas errôneas e perniciosas, que deificam o estado e exaltam a nação acima da humanidade, que visam a subordinar as raças irmãs do mundo a uma só raça superior, que discriminam entre preto e branco e toleram o predomínio de uma classe privilegiada sobre as demais – estas são as doutrinas obscuras, falsas e retorcidas que devem, cedo ou tarde, sujeitar aquele homem ou aquele povo que as seguir ou nelas acreditar à ira e punição de Deus.
“Movimentos”, é a advertência expressa por ‘Abdu’l-Bahá, “recém-nascidos e de âmbito mundial, exercerão seus máximos esforços pela promoção de seus desígnios. O Movimento Esquerdista adquirirá grande importância. Estender-se-á a sua influência.”
Em contraste com tais doutrinas que engendram a guerra e convulsionam o mundo, e irreconciliavelmente opostas a elas, vemos as verdades saneadoras, redentoras e ponderosas proclamadas por Bahá’u’lláh, o Divino Organizador e Salvador de toda a humanidade – verdades estas que devem ser vistas como a força animadora e o distintivo de Sua Revelação: “O mundo é apenas um país e os seres humanos seus cidadãos”. “Que nenhum homem se vanglorie de amar seu país; antes deve se gloriar disto, que ama a sua espécie”. E também: “Sois os frutos de uma só árvore e as folhas de um único ramo”. “Inclinai vossas mentes e vontades para a educação dos povos e raças da terra, a fim de que talvez... todos os seres humanos se possam tornar os sustentáculos de uma só ordem e os habitantes de uma mesma cidade... Viveis em um só mundo e fostes criados pela operação de uma só Vontade.” “Acautelai-vos para que os desejos da carne e de uma inclinação corrupta não motivem divisões entre vós. Sede assim como os dedos de uma só mão, os membros de um só corpo”. E ainda: “Todos os renovos do mundo apareceram de uma só árvore, todas as gotas de um mesmo oceano, e todos os seres devem sua existência a um único Ser”. E ainda mais: “Homem, em verdade, é aquele que se dedica hoje ao serviço da humanidade inteira”.
30. OS ENFRAQUECIDOS PILARES DA RELIGIÃO
Não somente a irreligião e sua monstruosa prole – a tríplice maldição que oprime a alma da humanidade neste dia – devem ser tidas por responsáveis pelos males que tão tragicamente a assediam, mas também outros males e vícios que, em sua maior parte, são conseqüências diretas do “enfraquecimento dos pilares da religião”, devem ser considerados fatores contribuintes para o múltiplo delito do qual indivíduos e nações já se provaram culpados. Os sinais de declínio moral, conseqüência do destronamento da religião e da entronização desses ídolos usurpadores, são muito numerosos e patentes demais para que um observador, mesmo superficial, do estado da sociedade hodierna deixasse de notá-los. O aumento da licenciosidade, da embriaguez, do jogo e do crime; o desmedido amor ao prazer, à riqueza e às outras vaidades terrenas; o desleixo moral, que se revelam na atitude irresponsável para com o casamento, no enfraquecimento do controle paterno, no crescente fluxo do divórcio, na deterioração de normas na literatura e na imprensa, e na promoção de teorias que são a própria negação da pureza, da moralidade e da castidade, todas estas evidências de decadência moral – invadindo tanto o Oriente como o Ocidente, atingindo cada estrato da sociedade e instilando seu veneno em membros de ambos os sexos, jovens e velhos igualmente – denigrem ainda mais o pergaminho sobre o qual se acham inscritas as múltiplas transgressões de uma humanidade impenitente.
Não é de se admirar haver Bahá’u’lláh, o Médico Divino, declarado: “Neste dia, os gostos dos homens mudaram e seu poder de percepção se alterou. Os ventos contrários do mundo, e suas cores, provocaram um resfriamento, assim privando as narinas dos homens das doces fragrâncias da Revelação.”
Transbordante e amargo, realmente, é o cálice à espera de uma humanidade que não respondeu ao chamado de Deus através da voz de Seu Mensageiro Supremo – uma humanidade que deixou ofuscar-se a lâmpada da fé em seu Criador, transferindo, em uma vasta escala, os deuses de sua própria invenção, a lealdade devida a Ele, e se poluindo com os males e vícios que tal transferência haveria forçosamente de engendrar.
Caros amigos! É à luz de tais considerações que nós, os seguidores de Bahá’u’lláh, devemos ver essa visitação de Deus, a qual nos anos finais do primeiro século da era Bahá’í, aflige a generalidade dos seres humanos, e a tal ponto lhes confunde as atividades. Por causa desse delito dual – das coisas que fizeram e das que deixaram de fazer, de suas ofensas bem como de sua falta, tão triste e tão insignificante, de cumprir seu dever claro e inequívoco para com Deus, Seu Mensageiro e Sua Fé – foi que essa penosa provação, nada importando quais, sejam suas causas políticas e econômicas imediatas, tão firmemente dos seres humanos se apoderou.
Deus, porém, assim como mostramos no princípio destas páginas, não somente pune as ofensas de Seus filhos. Ele castiga porque é justo; faz sofrer porque ama. Depois de os haver punido, Ele, com Sua grande misericórdia, não os pode abandonar a seu destino. Em verdade, pelo próprio ato de os castigar, Ele os prepara para o desempenho do papel que foi o motivo de sua criação. “Minha calamidade é Minha providência”, assegura-lhes Ele, pelos lábios de Bahá’u’lláh, “exteriormente é fogo e vingança, mas interiormente é luz e mercê.”
As chamas ateadas pela Sua justiça divina purificam uma humanidade ainda não regenerada e funde seus elementos discordantes, combatentes, como nenhum outro agente os pode purificar ou fundir. Não é apenas um fogo retribuidor e destrutivo, mas também um processo disciplinante e criador, que visa salvar, através da unificação, o planeta inteiro. Misteriosamente, com lentidão mas com poder irresistível, Deus efetua Seu desígnio, embora o espetáculo com que nossos olhos hoje se defrontam seja o de um mundo desesperadamente enredado em suas próprias maranhas, desatendendo por completo a Voz que há um século o chama a Deus, e miseravelmente servil às vozes de sereia que tentam seduzi-lo ao vasto abismo.
31. O DESÍGNIO DE DEUS
Não é outro o desígnio de Deus senão o de inaugurar – por meios que somente Ele pode usar e cuja plena significação Ele, tão somente, pode sondar – a Grande Idade Áurea de uma humanidade desde longo tempo dividida e angustiada. Seu estado atual é obscuro, como também o será, de fato, seu futuro próximo lastimavelmente obscuro. Seu futuro remoto, porém, será radiante, gloriosamente radiante – tão radiante que nenhuma visão o pode abranger.
“Os ventos do desespero”, escreve Bahá’u’lláh, enquanto contempla os destinos imediatos da humanidade, “sopram, infelizmente, de todos os lados, e a contenda que divide e aflige o gênero humano, aumenta dia a dia. Os sinais de convulsões e caos iminentes podem ser discernidos, já que a ordem prevalecente parece ser lamentavelmente defeituosa”. “Tão deplorável será seu estado”, declara Ele em outra ocasião, “que não seria apropriado revelá-lo agora”. “Essas lutas infrutíferas” – Ele, por outro lado, contemplando o futuro da humanidade, predisse enfaticamente durante sua memorável palestra com o orientalista, Edward G. Browne, “essas guerras ruinosas acabarão, e a Maior Paz virá... Essa contenda e essa carnificina e discórdia devem cessar, e todos os homens considerarem-se como uma única raça e uma só família.” “Breve”, Ele prediz, “será a ordem atual posta de lado, e uma nova se desdobrará em seu lugar”. “Após algum tempo”, escreveu Ele também: “todos os governos na terra transformar-se-ão. Opressão haverá de envolver o mundo. E após uma convulsão universal, o sol da justiça levantar-se-á do horizonte do reino invisível”. “Toda a terra”, afirmou Ele, além disso, “está prenhe. Aproxima-se o dia em que terá produzido seus frutos mais nobres, quando dela terão brotado as árvores mais altas, as mais encantadoras flores, as bênçãos mais celestiais”. “Todas as nações e raças”, escreveu ‘Abdu’l-Bahá igualmente, “hão de se tornar uma só nação. Serão eliminados os antagonismos entre religiões e seitas, a hostilidade entre raças e povos, as diferenças entre nações. Todos os homens aderirão a uma única religião, terão uma fé comum, fundir-se-ão numa mesma raça e se tornarão um só povo. Todos viverão numa pátria comum, a qual será o próprio planeta.”
O que testemunhamos no tempo atual, durante “esta mais grave crise na história da civilização”, fazendo lembrar os períodos em que “religiões têm perecido e nascido”, é a fase adolescente na lenta e dolorosa evolução da humanidade, preliminar ao alcance da etapa de adulto, da madureza, a promessa do que é fundamental nos ensinamentos de Bahá’u’lláh e encerrada em Suas profecias. O tumulto desta era de transição é característico da impetuosidade e dos instintos irracionais da mocidade, de suas extravagâncias, sua prodigalidade, sua arrogância, sua completa confiança em si própria, sua rebeldia e seu desdém pela disciplina.
32. A GRANDE ERA QUE ESTÁ POR VIR
Passaram-se as épocas da infância e da juventude, para nunca mais voltarem, enquanto a Grande Época, a consumação de todas as épocas, que há de assinalar o amadurecimento da humanidade inteira, está ainda por vir. As convulsões deste período transitório, o mais turbulento nos anais da humanidade, são os requisitos essenciais e prenunciam a vinda inevitável daquela Época das Épocas, “tempo do fim”, quando a inépcia e o tumulto da contenda que, desde os primórdios da história, enegrece os anais do homem, se terão transmudado na sabedoria e tranqüilidade de uma paz perfeita, universal e duradoura, quando a discórdia e a separação dos filhos dos homens serão substituídas pela reconciliação mundial e pela completa unificação dos diversos elementos que constituem a sociedade humana.
Será isso, de fato, o apropriado clímax daquele processo de integração que, principiando com a família, a menor unidade na escala da organização humana, e manifestando-se sucessivamente na formação de tribo, cidade-estado e nação, deverá continuar a operar até atingir seu ponto culminante na unificação do mundo inteiro – o objeto final e a glória suprema da evolução humana neste planeta. Esta é a etapa da qual a humanidade, querendo ou não, se está aproximando, irresistivelmente. É para esta etapa que a vasta e chamejante provação que ora atribula a humanidade, está preparando, misteriosamente, o caminho. É com esta etapa que se ligam indissoluvelmente, os fortúnios e o propósito da Fé introduzida por Bahá’u’lláh. Foram as energias criadoras oriundas de Sua Revelação no “ano sessenta” e, mais tarde, reforçadas pelas sucessivas efusões de poder celestial concedido no “ano nove” e no “ano oitenta” a todo o gênero humano, que instilaram no homem a capacidade de alcançar essa etapa final em sua evolução orgânica e coletiva. Será com a Idade Áurea de Sua Dispensação que se associará para sempre a consumação desse processo. Será a estrutura de Sua Nova Ordem Mundial, que ora se agita no ventre materno das instituições administrativas por Ele Próprio criadas, que há de servir tanto de padrão como de núcleo para aquela comunidade mundial que é o destino certo, inevitável dos povos e nações da terra.
Assim como a evolução orgânica da humanidade foi lenta e gradativa, envolvendo, sucessivamente, a unificação de família, tribo, cidade-estado e nação, também tem sido lenta e progressiva a luz emitida pela Revelação de Deus em várias etapas na evolução da religião, e refletida nas sucessivas Dispensações do passado. De fato, a medida da Revelação em cada época é proporcional e adaptável ao grau de progresso social atingida nessa época por uma humanidade que constantemente evolui.
“Foi pro Nós decretado”, explica Bahá’u’lláh, “que a Palavra de Deus e todas as suas potencialidades se devem manifestar aos homens em absoluta harmonia com tais condições como foram preordenadas por Aquele que é o Onisciente, o Sapientíssimo... Se fosse permitido que a Palavra libertasse subitamente todas as energias nela latentes, nenhum homem poderia sustentar o peso de tão poderosa Revelação”. “Todas as coisas criadas”, afirmou ‘Abdu’l-Bahá, elucidando essa verdade, “têm seu grau ou etapa de madureza. A idade madura na vida de uma árvore é o tempo de sua frutificação... O animal atinge a etapa de pleno crescimento e consumação e, no reino humano, o homem chega à maturidade quando a luz de sua inteligência alcança seu grau máximo de poder e desenvolvimento... De modo semelhante, há períodos e etapas na vida coletiva da humanidade. Num tempo estava passando pela etapa infantil, num outro, pelo período da mocidade, mas agora entrou em sua fase de madureza, há tanto tempo predita, e cujas evidências se mostram em toda parte... O que era aplicável às necessidades do homem nos primórdios de sua história não podem satisfazer os requisitos deste tempo, deste período de novidade e consumação. A humanidade já emergiu de seu estado antigo de limitação e treino preliminar. O homem agora deve imbuir-se de novos poderes e virtudes, novos padrões morais e novas capacidades. Novas graças, dádivas perfeitas, esperam-no e já se fazem descer sobre ele. Os dons e as bênçãos do período juvenil, embora oportunos e adequados durante a adolescência da humanidade, estão agora incapazes de corresponder aos requisitos de sua madureza”. “Em toda Dispensação”, escreveu Ele além disso, “a luz da Divina Guia focaliza-se num tema central... Nesta maravilhosa Revelação, neste século glorioso, o fundamento da Fé Divina e a feição que mais distingui a Lei de Deus, é a consciência da unidade do gênero humano.”
33. RELIGIÃO E A EVOLUÇÃO SOCIAL
A Revelação associada com a Fé trazida por Jesus Cristo focalizou sua atenção primariamente na redenção do indivíduo e no ajuste de sua conduta, frisando como seu tema central a necessidade de inculcar um elevado padrão de moralidade e disciplina no homem individual, como a unidade fundamental na sociedade humana. Em parte alguma do Evangelho encontramos referência à unidade das nações ou à unificação do gênero humano como um todo. Ao falar com as pessoas em Seu redor, Jesus dirigiu-se a elas como indivíduos em vez de partes componentes de uma só entidade indivisível e universal. Não se havia explorado ainda toda a superfície da terra e, por conseguinte, nem se poderia ter concebido a organização de todos os seus povos e suas nações em uma só unidade, e, muito menos, tê-la proclamado ou estabelecido. Que outra interpretação podemos dar a estas palavras dirigidas por Bahá’u’lláh especificamente aos que seguem o Evangelho? Nelas, pois, se acha definitivamente estabelecida a distinção fundamental entre a Missão de Jesus Cristo, que concerne primariamente ao indivíduo, e Sua própria Mensagem, que é dirigida mais em particular à humanidade como um todo: “Em verdade, Ele (Jesus) disse: Vinde após Mim e Eu vos farei pescadores de homens. Neste dia, porém, dizemos: - Vinde após Mim para que vos possamos tornar os vivificadores da humanidade.”
A Fé Islâmica, elo sucessivo na corrente de Revelação Divina, introduziu – assim atesta o próprio Bahá’u’lláh – o conceito da nação como unidade e etapa vital na organização da sociedade, e incorporou isso em seu ensino. É de fato o que significa a seguinte pronunciação de Bahá’u’lláh, breve, porém altamente significativa e iluminadora: “De antanho (Dispensação Islâmica) se revelou: - Amor à pátria é elemento da Fé Divina”. O Apóstolo de Deus estabeleceu e frisou esse princípio, desde que a evolução da sociedade humana a exigia naquele tempo. Nem se poderia ter concebido uma etapa acima e além dessa, por serem inatingíveis ainda as condições mundiais preliminares ao estabelecimento de uma forma superior de organização. O conceito de nacionalidade, e o alcance à qualidade de nação, podem, pois, ser considerados as características que distinguem a Dispensação Maometana, durante a qual as nações e raças do mundo, em particular na Europa e na América, unificaram-se e atingiram independência política.
O próprio ‘Abdu’l-Bahá elucida essa verdade em uma de Suas Epístolas: “Em ciclos passados, se bem que fosse estabelecida alguma harmonia, não teria sido realizável a unificação de toda a humanidade, por falta de meios. Os continentes permaneciam largamente separados; ainda mais, até entre os povos do mesmo continente, a associação e o intercâmbio de pensamento eram quase impossíveis. Não se podia, pois, estabelecer entendimento e relações mútuas, ou união entre todos os povos e raças da terra. Neste dia, entretanto, multiplicaram-se os meios de comunicação, e os cinco continentes da terra fundiram-se, virtualmente, em um só... De modo semelhante, todos os membros da família humana, tanto povos como governos, cidades e aldeias, têm-se tornado cada vez mais interdependentes. Não mais é possível, para qualquer um, a auto-suficiência, desde que laços políticos unem todos os povos e nações, e os vínculos do comércio e da indústria, da agricultura e da educação, fortalecem-se dia a dia. Assim, pois, pode-se realizar hoje a união de toda a humanidade. Isso, de fato, não é senão uma das maravilhas desta era admirável, deste século glorioso. Disso as épocas passadas foram privadas, pois este século – o século da luz – foi dotado de glória, poder e iluminação incomparáveis, sem precedentes. Por isso vemos o milagroso desabrochar de uma nova maravilha todo dia. Ver-se-á, afinal, com que intensidade suas velas brilharão na assembléia do homem.”
“Vede”, explica Ele ainda, “como sua luz ora amanhece sobre o tenebroso horizonte do mundo. A primeira vela é unidade no domínio político, da qual se percebem já os primeiros vislumbres. A segunda vela é unidade de pensamento em projetos mundiais, da qual se verá, dentro em breve, a consumação. A terceira vela é unidade em liberdade, que há seguramente de se realizar. A quarta vela é a unidade na religião, sendo esta a pedra angular do próprio alicerce, destinada, pelo poder de Deus, a revelar-se em todo o seu esplendor. A quinta vela é a unidade das nações – unidade essa, a ser estabelecida seguramente neste século, e em conseqüência da qual todos os povos do mundo virão a considerar-se os cidadãos de uma pátria comum. A sexta vela é a unidade da raça, fazendo dos que vivem na terra os membros da mesma raça. A sétima vela é a unidade de língua, isto é, a escolha de uma língua que será ensinada a todos os povos, facilitando-lhes assim a conversação. Sucederá, inevitavelmente, tudo isso, dado que o poder do Reino de Deus haverá de ajudar em sua realização.”
“Um dos grandes acontecimentos”, afirmou ‘Abdu’l-Bahá, em “Respostas a Algumas Perguntas”, “a ser visto no Dia da manifestação daquele Ramo Incomparável (Bahá’u’lláh) será a elevação do Estandarte de Deus entre todas as nações. Quer isso dizer que todas as nações e raças se reunirão à sombra dessa Bandeira Divina, que não é senão o próprio Ramo Senhoril, e se tornarão uma só nação. O antagonismo entre religiões e seitas, a hostilidade entre raças e povos, e as divergências entre nações, serão eliminados. Todos os homens aderirão a uma única religião, tendo uma Fé comum; fundir-se-ão numa mesma raça e se tornarão um só povo. Todos viverão numa pátria comum, que será o próprio planeta.”
É desta etapa que o mundo agora se aproxima, etapa da unidade mundial, que, segundo nos assegura ‘Abdu’l-Bahá, será firmemente estabelecida neste século.
“A Língua da Grandeza”, afirma o próprio Bahá’u’lláh, “proclamou... no Dia de Sua Manifestação: - Não se deve orgulhar quem ama seu país, mas sim quem ama o mundo”. E acrescenta: “Através do poder libertado por estas palavras excelsas, prestou Ele um novo impulso e fixou uma nova direção para as aves dos corações humanos, e obliterou todo vestígio de restrição e limitação do Santo Livro de Deus.”
34. A LEALDADE MAIS LARGA, INCLUSIVA
Convinha pronunciarmo-nos, através de uma palavra de advertência, sobre este assunto. O amor à pátria, incutido e acentuado pelos ensinamentos do islã, como “elemento da Fé Divina”, não é condenado nem depreciado por essa declaração, esse toque de clarim, de Bahá’u’lláh. Não se deve – de fato, não se pode – interpretar Suas palavras como sendo um repúdio, ou vê-las como uma censura pronunciada contra um patriotismo são e inteligente; não visam a minar a lealdade de um indivíduo a seu país, nem estão em conflito com as legítimas aspirações ou os devidos direitos e deveres de qualquer estado ou nação individual. Tudo o que Sua declaração realmente envolve e proclama é a insuficiência do patriotismo em vista das mudanças fundamentais efetuadas na vida econômica da sociedade, em face da interdependência das nações e em conseqüência da contração do mundo, por haverem sido revolucionados os meios de transporte e comunicação – condições que não existiam nem podiam existir nos dias de Jesus Cristo ou de Maomé. Sua declaração exige uma lealdade mais larga, que não deve estar em conflito – e de fato não está – com lealdades menores. Insufla um amor que, dado seu âmbito, deve incluir, e não excluir, o amor à pátria. E, através dessa lealdade que ela inspira, e desse amor que infunde, lança o único alicerce sobre o qual o conceito de cidadão do mundo possa evoluir, e a estrutura da unificação mundial possa descansar. Sobre este ponto, entretanto, ela insiste que considerações nacionais e interesses particularistas se subordinem aos requisitos imperativos e supremos da humanidade como um todo, já que, num mundo de nações e povos interdependentes, é da melhoria do todo que deriva a melhoria da parte.
O mundo, em verdade, move-se para seu destino. A interdependência dos povos e nações da terra, - não obstante o que digam ou façam os que incentivam as forças divisoras do mundo – já é fato consumado. Compreende-se e reconhece-se agora sua unidade na esfera econômica. O bem-estar da parte significa o bem-estar do todo, e o sofrimento da parte traz sofrimento ao todo. A Revelação de Bahá´u´lláh – para usarmos Suas próprias palavras – “prestou um novo impulso e fixou uma direção nova” a esse vasto processo que opera atualmente no mundo. Os fogos ateados por essa grande provação são as conseqüências da falha dos homens, por não haverem-na reconhecido. Ainda mais, apressam sua consumação. A longa adversidade mundial, aflitiva, aliada aos caos e à destruição universal, há de convulsionar as nações, despertar a consciência do mundo, desiludir as massas, precipitar uma transformação radical no próprio conceito da sociedade, e coligar, afinal, os membros desunidos e sangrentos da humanidade num só corpo organicamente unido e indivisível.
35. COMUNIDADE MUNDIAL
Ao caráter geral, às implicações e feições dessa comunidade mundial, destinada a emergir, cedo ou tarde, da carnificina, agonia e destruição dessa grande convulsão mundial, já me referi em comunicações anteriores. Basta dizer que esta consumação, por sua própria natureza, há de ser um processo gradativo e deve primeiro, como o próprio Bahá’u’lláh antecipou, levar à realização daquela Paz Menor que as nações da terra por si mesmas estabelecerão, pois embora despercebendo ainda Sua Revelação, estão executando, no entanto, os princípios gerais por Ele enunciados. Esse passo momentoso e histórico, envolvendo a reconstrução da humanidade, em conseqüência do reconhecimento universal de ser ela uma só, de formar um todo, conduzirá à espiritualização das massas, uma vez reconhecido o caráter da Fé introduzida por Bahá’u’lláh e admitida a verdade de suas declarações – condição esta essencial àquela fusão final de todas as raças, crenças, classes e nações, o que deve assinalar o surgir de Sua Nova Ordem Mundial.
Então o amadurecimento de todo o gênero humano será proclamado e celebrado por todos os povos e nações da terra. Içar-se-á, então, a bandeira da Maior Paz. Então a soberania mundial de Bahá’u’lláh – Aquele que estabeleceu o Reino do Pai predito pelo Filho e antecipado pelos Profetas de Deus antes e depois Dele – será reconhecida, aclamada e firmemente estabelecida. Nascerá, então, uma civilização mundial, fadada a florescer e a perpetuar-se, uma civilização com uma plenitude de vida que o mundo jamais viu nem pode ainda conceber. Então se cumprirá completamente o Convênio eterno. Redimir-se-á a promessa encerrada em todos os Livros de Deus, cumprindo-se todas as profecias pronunciadas pelos Profetas de antanho, e sendo assim realizada a visão de videntes e poetas. Então o planeta, galvanizado pela crença universal de seus habitantes em um só Deus, e pela sua lealdade a uma Revelação comum, espelhará, dentro dos limites que lhe forem impostos, as fulgentes glórias da soberania de Bahá’u’lláh, brilhando na plenitude de seu esplendor no Paraíso de Abhá, e se fará os escabelo de Seu Trono no alto; será aclamado como o céu terrestre, capaz de cumprir aquele destino infalível que lhe foi determinado desde tempos imemoriais, pelo amor e sabedoria de seu Criador.
Não cabe a nós, fracos mortais que somos, tentarmos atingir, em tão crítica etapa da longa e variada história do gênero humano, uma compreensão precisa e satisfatória dos sucessivos passos que devam conduzir uma humanidade sangrenta, miseravelmente esquecida de seu Deus e desatenta a Bahá’u’lláh, de seu calvário à sua ressurreição final. Não cabe a nós, testemunhas viventes da potência predominante de Sua Fé, duvidarmos – nem por um momento sequer, e nada importando a negrura da miséria que amortalha o mundo – do poder de Bahá’u’lláh de forjar, com o martelo de Sua Vontade e o fogo da tribulação, sobre a bigorna desta era angustiada, e na forma especial concebida pela Sua mente, estes fragmentos dispersos e mutuamente destrutivos em que um mundo perverso se converteu, fundindo-os em uma só unidade, sólida e indivisível, dotada da capacidade de executar Seu desígnio para os filhos dos homens.
Cabe-nos, sim, o dever – não nos importando a confusão da cena, nem a perspectiva sombria do momento atual, nem a escassez dos recursos a nosso dispor – de trabalharmos serenamente, prestando nosso quinhão de apoio, confiantes e incansáveis, de qualquer modo que as circunstâncias nos permitirem, à operação das forças dispostas e guiadas por Bahá’u’lláh, que deverão conduzir a humanidade fora do vale da miséria e da vergonha, para as mais sublimes alturas de poder e glória.
Shoghi
Haifa, Palestina
28 de março, 1941
36. NOTAS EXPLICATIVAS
Para melhor entendimento de importantes referências que integram o texto completo desta livro, preparamos estas notas, capítulo a capítulo, sempre que ocorre alguma menção a pessoas, locais e eventos históricos especiais.
1. O Dia Prometido Chegou
Longa mensagem escrita por Shoghi Effendi, o Guardião da Fé Bahá’í e seu líder mundial de 1921 a 1957.
Datada de 28 de março de 1941, durante a II Guerra Mundial, a mensagem em questão, que forma este livro, foi enviada a Haifa, Israel, o Centro Mundial da Fé Bahá’í, dirigida aos Bahá’ís do mundo inteiro.
Analisa a receptividade que a Mensagem de Bahá’u’lláh teve de parte dos governantes e líderes religiosos de Seu tempo, o destino de muitos deles, as palavras de admoestação aos Seus contemporâneos, o pensamento Bahá’í quanto à religião, os líderes religiosos, à política internacional e aos governantes em geral. Conclui com as previsões decorrentes da Revelação de Bahá’u’lláh sobre o destino glorioso que a humanidade atingirá, no tempo devido.
2. Este Juízo de Deus:
* Maior Prisão, p. 10. A prisão de ´Akká, na Palestina, onde Bahá’u’lláh e Sua família estiveram encarcerados por dois anos, de 1868 a 1870.
* Ofereceu Seu filho martirizado... p. 10.
Refere-se a Mirzá Mihdi, filho de Bahá’u’lláh, nascido em 1848 e que acompanhou
o Pai em Seus exílios, até ´Akká. Em 1870, na Maior Prisão, enquanto caminhava no teto da prisão, orando, caiu por uma clarabóia, ferindo-se mortalmente. Mirzá Mihdi disse que preferia dar a vida para que todos os seguidores de Bahá’u’lláh pudessem ter acesso a Ele na prisão, em vez de ser possivelmente salvo por intercessão milagrosa de Seu Pai.
3. Qual a resposta ao Seu Chamado?
* Islã Xiita, p. 10
Ramificação do Islamismo, religião fundada por Maomé, na Arábia, no século
sétimo.
Existem duas grandes ramificações do Islã, o grupo sunita e o grupo xiita, decorrentes das divergências havidas entre os seguidores, após a morte de Maomé. Os sunitas adotaram os Califas como os sucessores da Fé islâmica, enquanto que os xiitas seguem a sucessão dos Imames. No Irã, predomina o Islã xiita.
* Lord Curzon, de Kedleston, p. 11
Famoso orientalista e escritor inglês.
* Shaykhu´l-Islám, p. 12
Uma posição elevada no clero islâmico.
* Muhammad Sháh (o Xá) – p. 13
O terceiro monarca da dinastia Qajár.
Reinou de 1834 a 1848.
* Makú, p. 13
Fortaleza no extremo noroeste da Pérsia, em Adharbáyján, na qual o Báb ficou preso por nove meses, em 1847/1848.
* “Epístola ao Filho do Lobo”, p. 15
A última obra grandiosa revelada por Bahá’u’lláh, dirigida a um sacerdote, de nome Xeique Muhammad-Taqí, líder muçulmano conhecido como “o Filho do Logo”, da cidade de Isfáhán, cujo pai, estigmatizado por Bahá’u’lláh como o “Lobo”, havia provocado o martírio de dois ilustres irmãos Bahá’ís daquela cidade, que ficaram conhecidos como o “Rei dos Mártires” e o “Bem-amado dos Mártires”.
* Dr. John E. Esslemont, p. 16
Médico inglês que passou um período na Terra Santa, na época de Shoghi Effendi, sendo o autor do famoso livro “Bahá’u’lláh e a Nova Era”.
* Kad-Khudás, de Teerã, p. 16
Prefeito ou administrador de uma aldeia.
* Aldeia de Niyalá, p. 16
Lugar de veraneio ao norte de Teerã.
* Mazindarán, p. 16
Província ao norte do Irã, da qual Núr faz parte, um distrito onde nasceu Bahá’u’lláh.
* Bastonada, p. 16
Castigo infligido a prisioneiros no Irã, com açoites de chicote na sola dos pés.
* Siyyeds, p. 16
Descendentes do profeta Maomé.
* Mujtadhids, p. 16
Sacerdotes especializados em jurisprudência islâmica.
* Amúl, p. 16
Cidade capital de Mazindarán.
* Xá Nasiri´d-Din, p. 17
O 4o monarca da Dinastia Qajár (1848-1896), foi o rei que autorizou o fuzilamento do Báb e as execuções de milhares de Seus seguidores.
* Siyáh-Chál, p. 17
A Fossa Negra, local onde Bahá’u’lláh ficou preso em Teerã, de 15.8.1852 a 15.12.1852 (4 meses).
* Sulaymániyyih, p. 17
Cidade montanhosa ao norte do Iraque, onde Bahá’u’lláh passou dois anos (1854/1856) em reclusão.
* Constantinopla, p. 17
Capital do Império Turco. Hoje, Istambul. Cidade onde Bahá’u’lláh viveu cerca de 4 meses, após deixar Bagdá, no Iraque em 2 de maio de 1863, onde chegou em 16 de agosto.
* Adrianópolis, p. 17
Cidade situada na região européia da Turquia para onde Bahá’u’lláh foi banido, de Constantinopla, em dezembro de 1863, e onde viveu até agosto de 1868, quando foi exilado para a Terra Santa.
4. Feições deste Drama Comovente:
* Sultão ´Abdu´l-Azíz, p. 18
Sultão que exilou Bahá’u’lláh para Adrianópolis e, depois, para ´Akká, na Palestina.
Governou o Império Turco Otomano de 1861 a 1876. Bahá’u’lláh dirigiu duas Epístolas ao Sultão ´Abdu´l-Azíz, em defesa de Sua inocência, mas não recebeu resposta.
Em 1876, foi deposto após uma revelação palacial e condenado à morte.
A guerra de 1914/1918 resultou na dissolução do Império Otomano, na abolição do Sultanato e na proclamação da república, após um domínio de mais de seis séculos.
* ´Abdu´l-Hamid, p. 21
Sultão, no tempo de ‘Abdu’l-Bahá. Governou de 1876 a 1909. Perdeu o poder com a revolução dos Jovens Turcos, em 1909. Faleceu em 1918.
* Jamal Pashá, p. 21
Comandante do exército turco durante a Primeira Guerra Mundial. Prometera enforcar ‘Abdu’l-Bahá assim que voltasse da batalha contra os ingleses. Foi assassinado, quando refugiado no Cáucaso, para onde fugira para salvar a vida. Um armênio foi quem o matou, cujos compatriotas Jamal Pashá tinha tão impiedosamente perseguido.
6. Os receptores da Mensagem:
* Napoleão III, p. 29
Imperador da França que recebeu duas Epístolas de Bahá’u’lláh. Monarca famoso de um grande império.
Sofreu fragorosa derrota na Batalha de Sedam, em 1870. Perdeu seu reino, passando no exílio os últimos anos da vida. (ver página 72 deste livro).
* Papa Pio IX, p. 29
Chefe da Cristandade no tempo de Bahá’u’lláh. Recebeu Epístola especial. Sofreu humilhação, ao perder os Estados Papais e a própria Roma, nas quais a bandeira papal reinou por mil anos.
A virtual extinção do poder temporal do Papa ocorreu com o reconhecimento formal do Reinado da Itália, restringindo apenas o Vaticano como o território oficial da Igreja.
* Alexandre II, p. 29
Imperador da Rússia, que também recebeu Epístola de Bahá’u’lláh. Acabou sendo assassinado.
* Guilherme I, p. 29
Imperador da Alemanha, foi quem derrotou Napoleão III. Sofreu dois atentados à sua vida.
Recebeu Epístola especial de Bahá’u’lláh, com afirmativas proféticas sobre o fim de seu reino e as lutas sangrentas que ocorreriam às margens do rio Reno, em Berlim. (citado no parágrafo 90 do livro “Kitáb-i-Aqdas).
* Francisco José, p. 30
Imperador da Áustria e Hungria, a quem Bahá’u’lláh se dirige em Seu Livro Sacratíssimo, o Kitáb-i-Aqdas. (parágrafo 85).
* Súriy-i-Múluk, p. 30
Tradução: Epístola aos Reis.
Revelada por Bahá’u’lláh em língua árabe, em Adrianópolis, é uma Epístola dirigida coletivamente aos reis de Sua época. Proclama a posição de Bahá’u’lláh e divulga Seus postulados como Manifestante de Deus para esta era.
* Sublime Porta, p. 30
A corte dos Sultãos da Turquia.
7. Epístolas aos Reis:
* Kitáb-i-Aqdas, p. 35
O Livro das Leis, o Livro Sacratíssimo de Bahá’u’lláh. Revelado em 1873, enquanto Bahá’u’lláh residia na Casa de ´Abbúd, na cidade de ´Akká.
Está traduzido e publicado em português, em edição especial com Notas e uma Sinopse e Codificação.
Os parágrafos 78 a 90 são Epístolas aos Reis.
8. Revelada a Maior Lei:
* Paz Menor, p. 38
Paz a ser assinada entre as nações para eliminar voluntariamente com as guerras. Preparatória à Paz Maior.
* Paz Maior, p. 38
Período, mencionado por Bahá’u’lláh, no qual a paz mundial será definitivamente estabelecida, com a adoção dos ensinamentos revelados pelo Mensageiro Divino para nossa era, livremente aceitos pelos povos do mundo.
* Qayyúmull-Asmá, p. 39
Primeira obra revelada pelo Báb.
Trata-se de um comentário sobre o Surih de José, parte do Alcorão, o seu primeiro capítulo foi revelado na presença do primeiro discípulo do Báb, Mullá Husayn, na noite de 23 de maio de 1844, em Shiráz.
Bahá’u’lláh escreveu que essa obra é “o primeiro, o maior e o mais poderoso de todos os livros”, do Báb.
* Era Apostólica, p. 41
Período na história da Fé Bahá’í que durou de 1844, com a Declaração do Báb em 23 de maio daquele ano, até 1921, com o falecimento de ‘Abdu’l-Bahá, em 28 de novembro. (77 anos)
* Era Formativa da Fé Bahá’í, p. 41
Período iniciado em 1921, com a abertura do Testamento de ‘Abdu’l-Bahá, e que alcançará seu ponto culminante com o início da Era Áurea da Fé, em data ainda não prevista.
* Guerra da Criméia, p. 42
Guerra na qual os turcos, com o apoio de Napoleão III, venceram os russos.
10. Outras Epístolas aos Governantes do Mundo:
* Mesquita de Aqsá, p. 49
Situada em Jerusalém, de cujo lugar, dizem as tradições muçulmanas, Maomé subiu até o 7o céu.
* Bat´ha, p. 49
A cidade de Meca.
* Ancião dos Dias, p. 49
Bahá’u’lláh.
11. Que o Opressor Desista:
* Lawh-i-Sultán, p. 56
Epístola dirigida por Bahá’u’lláh ao Xá da Pérsia, Nasiri´d-Din. É a mais extensa das Epístolas dirigida aos reis.
* ´Akká, p. 56
Cidade prisão do governo turco, na Palestina, para onde Bahá’u’lláh, Seus familiares e alguns discípulos foram banidos em agosto de 1868, em caráter de prisão perpétua.
* Pena da Glória, p. 58
Pena de Bahá’u’lláh, através da qual Suas Palavras foram reveladas.
* Pombo da Eternidade, p. 58
Bahá’u’lláh.
* Ponto Primaz, p. 60
O Báb.
12. O Vigário de Deus na Terra:
* Lawh-i-Ráís, p. 64
Duas Epístolas de Bahá’u’lláh dirigida a ´Alí Pashá, o Primeiro Ministro do Sultão ´Abdu´l-Azíz.
* Súriy-i-Haykal, p. 65
Epístola do Templo. Nesta Epístola, Bahá’u’lláh revela a majestade e a glória do Templo, que é Seu próprio Ser, e desvela novas facetas da Revelação de Deus.
* Impulsor Primaz, p. 67
Bahá’u’lláh.
* Súrih de José, p. 67
Capítulo do Alcorão relatando a história, do Gênese, do Velho Testamento, de José, filho de Jacó, que foi vendido como escravo por seus irmãos, e após alguns anos elevado ao posto de um ministro do Egito. É dito que Maomé revelou este Súrih para provar a veracidade de Sua Missão, em resposta a um desafio.
O comentário do Báb sobre esta Epístola chama-se Qayyúmú´l-Asmá.
* Dinastia dos Romanoffs, p. 68
da Rússia.
* Dinastia dos Honenzollern: p. 68
da Alemanha.
* Dinastia dos Hapsburgos: p. 68
da Áustria e Hungria.
13. Humilhação Imediata e Completa:
* Batalha de Sedán, p. 72
Batalha na qual o exército da França foi derrotado pelo rei da Prússia e Napoleão III foi feito prisioneiro, em 1870.
* Conde Mastai-Ferreti, p. 73
Bispo de Ímola.
* Rei Vitor Emanuel I, p. 75
Rei da Itália, na época de Bahá’u’lláh.
Em 1870, fez guerra aos Estados Papais e suas tropas entraram em Roma, acabando com uma autoridade intocável havia dez séculos.
* Bismarck, p. 76
Primeiro Ministro de Guilherme I, rei da Prússia.
* Inocente III, p. 76
Papa, no período de 1198 a 1216.
16. Qual o destino da Turquia e da Pérsia?
* Casa Turca de ´Uthmán, p. 83
Imperio Otomano.
* ´Abdu´l-Hamid II, p. 84
Sultão do Império Turco, contemporâneo de ‘Abdu’l-Bahá. Reinou de 1876 a 1909, deposto pela Revolução dos Jovens Turcos de 1908. Faleceu em 1918.
* Islã Sunita, p. 85
Uma das duas ramificações mais importantes do Islã, compondo aproximadamente 90% dos muçulmanos.
* Lawh-i-Fuád, p. 86
Epístola de Bahá’u’lláh a Fuad Páshá, Ministro das Relações Exteriores do Sultão ´Abdu´l-Azíz.
* Fuad Páshá, p. 86
Ministro das Relações Exteriores do Governo Turco.
Bahá’u’lláh denunciou-o como o “instigador” de Seu banimento para a prisão de ´Akká, e que assiduamente insistiu junto ao seu colega de ministério, ´Alí Páshá, para instigar medo e suspeita sobre a pessoa de Bahá’u’lláh. Faleceu em 1869, um ano após ter banido Bahá’u’lláh para a Palestina.
17. O lúgubre destino da Turquia Imperial:
* ´Alí Pashá, p. 86
Primeiro Ministro turco, denunciado por Bahá’u’lláh no Lawh-i-Raís (Epístola aos reis) e cuja queda foi prevista no Lawh-i-Fuád em termos inequívocos.
* ´Abdu´l-Majid, p. 87
Sultão da Turquia, avô do Sultão ´Abdu´l-Hamíd.
* Murad V, p. 87
Sultão da Turquia, irmão de ´Abdu´l-Hamid e seu antecessor.
* Rumélia oriental, p. 88
Parte da Turquia européia onde fica Adrianópolis.
* Shaykhu´l-Islam, p. 88 (e pgs. 126 e 135)
Posição elevada no clero muçulmano.
* Xerife, de Meca, p. 89
Principal líder na cidade de Meca.
Posição considerada sagrada.
* Mustafá Kamal, p. 89
Primeiro presidente da República da Turquia, que acabou com o Sultanato, intitulado de Atá Turk (pai dos turcos). Faleceu em 1938.
18. A Retribuição Divina na Dinastia Qajar.
* Grão Vizir, p. 90
Primeiro Ministro do Xá da Pérsia.
* Aqá Muhammad Khán, p. 92
Fundador da Dinastia Qajár, no Irã.
* Xá Fath´Alí, p. 92
Segundo Rei da Dinastia Qajár.
* Qa´Ím-Maqám, p. 92
O eficiente Primeiro Ministro de Muhammad Xá, o qual, por causa de intrigas de invejosos na corte, acabou matando-se.
* Haji Mirzá Aqási, p. 92
Substituto de Qá-im-Magám (considerado o anti-Cristo do Báb).
* Azerbayeján, pgs. 92/93
Província ao noroeste da Pérsia (Irã), onde o Báb ficou prisioneiro durante os últimos três anos de Sua vida e em cuja capital, Tabriz, foi martirizado em 9 de julho de 1850.
* ´Abdu´l-Azím, p. 93
Um santuário ao sul de Teerã.
* Sultão, p. 95
Título aos reis turcos.
* Rei de Rúm, p. 95
Sultão da Turquia.
* Xá Muzaffari´d-Din, p. 95
Substituiu Nasiri´d-Din Xá após seu assassinato, em 1896.
* Xá Ahmad, p. 95
O último Xá da Dinastía Qajár.
19. O Declínio das Fortunas da Realeza:
* Shaykh Salmán, p. 98
Devoto Bahá’í que serviu a Bahá’u’lláh como seu carteiro, levando e trazendo cartas e Epístolas para a Pérsia, na época em que Bahá’u’lláh era prisioneiro em ´Akká.
20. O Reconhecimento da Realeza:
* Ridvánu´l-Adl – p. 102
Literalmente: Paraíso da Justiça.
* Terra de Tá, p. 102
A cidade de Teerã.
22. Palavras dirigidas aos Eclesiásticos Muçulmanos:
* Imame-Husayn – p. 119
Terceiro Imame, dos xiitas, que foi martirizado.
* Pena de Abhá, p. 120
O mesmo que “Pena da Glória”.
* O Livro de Fatiméh, p. 224
Refere-se a Fátima, filha de Maomé. Trata-se do livro “Palavras Ocultas”, revelado por Bahá’u’lláh.
* Lawh-i-Burhán, p. 122
Epístola da Prova, de Bahá’u’lláh.
Revelada em ´Akká, é dirigida ao Imame Jum´ih, de Isfahán, cúmplice do Shaykh Muhammad Báqir, o “Lobo”, no martírio dos irmãos “Rei dos Mártires” e “Bem-Amado dos Mártires”.
* Califado, p. 123
Sistema de governo estabelecido após o falecimento do Profeta Maomé e que se findou com a deposição do Sultão ´Abdu´l-Hamid, em 1908.
23. As Minguantes Fortunas do Islã Xiita:
* Shaykh ´l-Islám, p. 126
Sumo Sacerdote.
* Mujtahids, p. 127
Doutores da Lei (muçulmana)
* Mulás, p. 127
Sacerdotes (padres) Muçulmanos.
* Fuqahás, p. 127
Juristas.
* Imames, p. 127
Condutores de oração.
* Muezins, p. 127
Os que chamam à oração.
* Vu´ázz, p. 127
Pregadores.
* Mutavallís, p. 127
Custódios.
* Madrisis, p. 127
Seminários.
* Mudarrisins, p. 127
Professores.
* Tallábs, p. 127
Noviços.
* Qurrá´s, p. 127
Os que entoam o Alcorão.
* Um ´abbirins, p. 127
Vaticinadores.
* Muhaddithins, p. 127
Narradores.
* Musakhkhirins, p. 127
Domadores de espírito.
* Dhákirins, p. 127
Lembradores.
* ´Umaál-i-dhakát, p. 127
Os que recolhem as esmolas.
* Mugaddasins, p. 127
Santos.
* Munzavís, p. 127
Reclusos.
* Sufís, p. 127
Membros da seita mística do Islã, Sufí.
* Hají, p. 127
Muçulmano que fez peregrinação a Meca.
* Kuláh-i-farangi, p. 127
Chapéu europeu.
* Wagfs, p. 128
Doações de terras e imóveis.
* Mashhád, p. 129
Cidade ao nordeste da Pérsia (Irã), onde se encontra o santuário do oitavo Imame. Ponto de peregrinação.
* Aqá, p. 130
Senhor.
* Xá ´Abbás, p. 130
Grande rei do Irã no século XVII.
* Isfahán, p. 131
Importante cidade da parte central do Irã.
24. O Colapso do Califado:
* Império Otomano, p. 132
Império Turco.
* Califado Muçulmano, p. 132
Sistema de governo no qual o chefe espiritual e temporal é um califa, líder religioso muçulmano.
* Templo de Salomão, p. 132
Histórico templo em Jerusalém, construído pelo rei Salomão. Destruído algumas vezes, tem sido reconstruído. Atualmente, é o conhecido templo em Jerusalém onde está o famoso muro das lamentações.
* Santo dos Santos, p. 132
O Templo de Salomão.
* A cidade de Davi, p. 132
Jerusalém.
* Califa, p. 132
Líder espiritual do Islã Sunita. Em sua capacidade de representante do Profeta na terra, era considerado também o protetor das cidades santas de Meca e Medina.
* Lei canônica Shari´áh, p. 135
* Muftí, Juiz religioso entre os sunitas.
* Qádhi, Juiz.
* Shaykh, sacerdote sunita.
* Mawlaví, seguidor de um ramo do Sufismo.
* Dervixe, seguidor de um ramo do Sufismo.
* Santa Sofia, p. 135
Grande e famosa igreja em Istambul, Turquia.
25. Uma advertência a todas as nações:
* Sháhádih, p. 137
Príncipe.
* Emir, p. 137
Quem comanda; dá ordens.
37. ÍNDICE REMISSIVO
A
Abdu´l-Aziz, Sultão da Turquia, 18, 30, 70, 84, 87, 90, 96
Mensagens de Bahá’u’lláh a, 52, 56, 84/85
‘Abdu’l-Bahá, 21, 68, 80, 84, 87, 89, 117, 124, 149, 156, 161
´Abdu´l-Hamíd, Sultão da Turquia, 21, 84, 87, 88
Abraão, 11, 121
Adhirbáyján, 12, 93/93
Administração, V. Ordem Administrativa da Fé
Adrianópolis, 18, 62, 68/69, 84
Advertências ao mundo, 5/8, 12, 21, 22, 28, 29, 36, 39/42, 137, 152
V. também: Epístolas de Bahá’u’lláh
´Akká, 18/19, 21, 51/52, 56, 64, 70, 73, 84, 86, 87, 106
Alcorão, 105, 119
Alemanha, 76, 79/81
Bismarck, Chanceler da, 76, 80
Política imperial, 79/81
República da, 81
Guilherme I, Imperador da, 29, 73, 80
Mensagem de Bahá’u’lláh a, 51, 79/8’1
Guilherme II, Imperador da, 80/81
Alexandre II, Tzar da Rússia, 30, 42, 77/78
Epístola de Bahá’u’lláh a, 45/49, 77/78
Alexandre III, Tzar da Rússia, 78
´Áqá Muhammad Khán, 92
Aqdas, Livro de, 35/39, 51/52, 56, 79/80, 81, 86, 100, 102, 113
Armamentos, utilidade de, 32, 38/39
redução em, ordenada, 32
Armênios, massacre dos, 88
Atitude do mundo para com a Fé Bahá’í, 10/12, 18, 20/21, 23/25, 89, 108
Áustria-Hungria, 74/75, 79
Francisco José, Imperador da, 30, 81/82
Mensagem de Bahá’u’lláh a, 51/52, 81/82
B
Báb, 7, 12, 13, 15, 21, 24, 28/29, 31, 39/40, 60, 68, 92, 97, 118, 149
martírio do, 12/13, 24, 91, 95, 138
posição do, 61/62
Badí, ´Orgulho dos Mártires´, 90/91
Bagdád, 117/118
Bahá’u’lláh
declaração de Sua qualidade de Profeta, 15/16, 57
missão de, 10, 36/37, 64/65, 100/101, 147/148
perseguições a: 10/11, 13/17, 34/35, 55/56, 59/60, 91
profecias de, 6/7, 8/9, 26, 29, 34/35, 39, 42/43, 50/51, 52/53, 56/61, 69/73, 79/80,
81/82, 102/103, 159/160
posição de, 45/46, 48/49, 73, 138/139, 142/143, 157, 169
Epístolas de, 15, 19, 30/40, 31/61, 73/74, 84/86, 91/92, 97/98, 102/103, 105/106, 119/124, 134, 136, 139/142, 146/147
Túmulo de,
Bayán, 13
Belém, 142
Berlim, 51, 79, 81
Bishárát (Boas Novas), 100
Bismarck, Chanceler da Alemanha, 75/76, 80
Bolshevismo, 77
Browe, Professor Edward G., 160
C
Calamidades, 7/10, 23/27, 68/69, 76/77, 154/155, 158/159, 160
Califa, 87, 132/136
Califado, declínio do, 30, 68/69, 86/87, 123/124, 132/136
Casa de Bahá’u’lláh em Bagdád, 25
Castigo, de Deus, 5/7, 33/34, 126, 127, 154/155, 158/159
Catolicismo: Igreja Católica, declínio de poder, 142/144
V. também: Papado; Papado Pio IX
Causa de Deus, 36, 48, 61/63, 121
Civilização:
crise na história da, 159/161
destruição da, 5/6, 23/26
mundial, 9/10, 168/170
predita pelos Profetas, 170, 171
Clero,
cristão, 26, 103, 107/108, 113/114, 116
decadência do, 103/105, 139/142
muçulmano, 12, 15, 26/27, 30, 59/60, 63/64, 107, 113/114, 117/120, 137
posto a prova por Bahá’u’lláh, 117/118
poder do, 28, 154
poder tirado do, 29, 73/77, 98, 103/105, 113, 132/137, 142/146
sacerdotes pios, 152/153
zoroástrico, 107
Comunismo, 81, 143/144, 156
Constantinopla, 17, 56, 70, 85, 89, 123, 133, 135
Coração, pureza de, 55
Corações, dos homens, pertencem a Deus, 37, 55, 100/101
Confiança em Deus, 32/33, 36, 52/54
Criméia, Guerra da, 42, 72, 75, 87
Crise, significado da mundial, 9, 159/160, 162
Cristandade e a Revelação Bahá’í, 18/19, 27/28, 30, 39/41, 43/45, 66/67, 73/78
Cristãos, Epístolas de Bahá’u’lláh aos, 19/20, 66/67, 105
Cristo, V. Jesus Cristo
Cruzon de Kedleston, Lord, 11
D
Destino do mundo, 5/9, 165/171
Destruição do mundo, 5
Deus, Dia de, 6/7, 15/16, 25/26, 36, 42, 44/45, 105, 140, 146, 165/171
proximidade do, 23/24
objetivo do, 159/160
Deuses, falsos, 156/157
Dia de Deus, Prometido, 6/7, 15/16, 25/26, 36, 41/42, 44/45, 105, 119, 131, 146, 165/175
Dirigentes eclesiásticos: V. Clero
Dispensação (Era ou Revelação)
do Báb, 13, 39, 63
de Bahá’u’lláh, 8, 13, 63
E
Egito, 88
Encarceramento
do Báb, 12, 13
de Bahá’u’lláh, 15/20, 47, 87
Epístolas, excertos das, de
‘Abdu’l-Bahá, 23/24, 124/125
Báb, 7, 13, 27/28, 39/40, 59/61, 91/92, 118/119, 134/135
Bahá’u’lláh, 9/10, 62/66, 69/73, 84/86, 99/102, 139/142
aos cristãos, 73
aos dirigentes eclesiásticos, 105, 108/116, 119/121
aos muçulmanos, 117/123, 134
ao Papa Pio IX, 44/45
aos zoroástricos, 107
ao “Filho do Lobo”, 15, 70, 99, 106, 120
aos judeus, 106
Lawh-i-Ra´ís, 64, 84/85, 102
aos reis, 29/34, 64/65, 97/98
a Alexandre II, Tzar da Rússia, 46/47, 77
a ´Abdu´l-Aziz, sultão da Turquia, 52/56, 84/86
a Francisco José da Áustria, 52, 81/82
a Guilherme I da Alemanha, 31, 79/81
a Napoleão III, Imperador a França, 41/42, 69/70
a Vitória, Rainha da Inglaterra, 28/39, 49, 50
ao Xá Násiri´d-Din, da Pérsia, 56/61, 63/64, 91, 102, 121
Era Bahá’í, primeiro século da, 8/10, 23/25, 29, 40/41, 68, 83/84, 104, 159
Escravidão, proibida, 49
Esslemont, Dr. J. E., 16
Exílio de Bahá’u’lláh, 18, 21, 64, 68, 69/70, 86, 95
F
Fath-´Alí-Sháh, da Pérsia, 92/93
“Filho do Lobo” Epístola ao, 15, 70, 99, 106, 120
França, Napoleão III, Imperador da, 29/31, 69/70, 90
Epístolas de Bahá’u’lláh a, 30/34, 69/73
Francisco Ferdinando, Arqueduque da Áustria, 82
Francisco José, Rei-Imperador da monarquia autro-húngara, 30, 81/83
Mensagem de Bahá’u’lláh a, 52, 81/86
Frederico III, Imperador da Alemanha, 80
G
Gladstone, W.E, citado, 88
Governantes, atitude de, para com
Revelação Bahá’í, 18/21
humilhação, de, 66/67
responsabilidade de, 25/28, 36/39, 66/69, 154/155
Guerra
da Criméia, 42, 72, 76, 88
européia, de 77, 81, 82, 89
franco-germânica, 74
russo-turca (1877/1878), 88/90
Guilherme I, Rei da Prússia e Imperador da Alemanha, 29, 72, 79, 80
Mensagem de Bahá’u’lláh a, 51/52, 79/80
Guilherme II, Imperador da Alemanha, 80/81
H
Hapsburg, Casa de, 68, 77, 82, 96
Hohenzollern, Casa de, 68, 77, 83, 96
Humanidade,
madureza da, 98, 160/164, 168/172
unidade da, 157, 160, 161/164
Humilhação dos governantes, 66/76
Hungria: V. Áustria-Hungria
I
Idade Áurea, 9, 161/164
Igreja católica, declínio no poder da, 143/144
Igreja e Estado, separação de,
cristã, 145/146
muçulmana, 125/131
Igrejas cristãs, desunião das, 145/146
Imanes, 103/105, 117/120, 128/129, 134/137, 149
Império Santo Romano, 75, 82/83
Inglaterra, Vitória, Rainha da, 29, 49/51
Epístola de Bahá’u’lláh a, 38/39, 49/51
Injustiça, 24/25, 32/33, 47, 126
Íqán, Livro de, 74, 109/110, 149
´Iráq, 17, 129
Isaías, profecias do Livro de, 48, 106
Isfáhán, 117, 129, 130, 131
Islã, 10, 19, 30, 60, 86, 103/105, 117/120, 125/131, 132/136
característica distinta do, 165
V. também: clero muçulmano
Itália, 75/74
J
Jamál Pashá, 21, 89
Jerusalém (Aqsá), 49, 52, 106, 132, 136
Jesus Cristo, 14, 28, 39, 44/45, 47, 66, 99, 111, 116, 140, 145, 146, 147, 168
missão de, 146/147, 165
posição de, 150/151
Judeus, 106, 138/139
Juízo, de Deus, 8/9, 23/25, 84/85, 86/89, 140/143, 153/155, 158/160
V. também: Retribuição divina
Justiça, 25/66, 32/33, 38/39, 45, 54, 58, 101/102, 160
Justiça divina, 9/10, 55, 158/159, 160
K
Kitáb-i-Aqdas (Livro de Aqdas), 36, 51/52, 56, 79/80, 85, 100/101, 113
Kitáb-i-Íqán (Livro da Certeza), 74, 109/110, 117, 149
L
Latrão, Tratado de, 76
Lawh-i-Burhám (Epístola de Bahá’u’lláh), 122/123, 134
Lawh-i-Fu´ad (Epístola de Bahá’u’lláh), 86
Lawh-i-Haykal, Epístola de Bahá’u’lláh, 65
Lawh-i-Ra´is (Epístola de Bahá’u’lláh), 64, 66, 84/85, 102
Lawh-i-Sultán (Epístola ao Xá da Pérsia), 63, 66
Leis, Livro das (Aqdas): V. Aqdas, Livro de
M
Mákú, 13
Manifestante de Deus, divinamente inspirado, 57
Maomé, 27, 111, 116, 123, 125, 136, 146, 149, 165
Maria, Virgem: V. Virgem Maria
Marie, Rainha da Romênia, 149, 150
Mashhad, 131
Mashriqu´l-Adhkár em ´Ishqábád (Matriz), 25
Meca, 89, 117, 133
Medina, 117, 133
Missão de Bahá’u’lláh, 10, 37, 64/65, 99/100, 146, 148
Missões, cristãs, 143, 145/147
Moderação recomendada, 54, 85
Moisés (Sarça Ardente), 47, 111, 113
Monges, 44, 141/142
Moralidade, decadência de, 143/144
Muhammad-Sháh, da Pérsia, 13, 59/60, 93/94
Mensagem do Báb a, 59/60/61
Mundo, condição do, 5, 8/9, 23/24, 66/67, 137/138
destino do, 9, 10, 168/171
Ordem do, (Ordem Mundial de Bahá’u’lláh), 8, 10, 162/163, 170
unidade do, 165/168
N
Nabíl, Narrativa de, 16, 72, 87, 149
Nacionalismo, 24/25, 143/144, 156/157, 167/168
Napoleão III, Imperador da França, 29, 51, 69, 74, 79, 90
Epístola de Bahá’u’lláh a, 41, 69/70
Násiri´d-Din, Xá da Pérsia, 15/16, 30/31, 84, 90, 92/93
Epístolas de Bahá’u’lláh a, 56/59, 90, 100, 121
Nicolas II, Czar da Rússia, 77/78
Niilismo, 11, 77/78
Novo Testamento (Evangelho), 48, 143
O
Obediência aos reis, 56, 98, 99
Oposição do clero a Revelação Bahá’í, 25/26, 103/105, 108/109, 122/123, 137/138, 154
V. também: clero.
Ordem Administrativa, da Fé Bahá’í, 24/25, 84, 108, 138, 163
Ordem Mundial, de Bahá’u’lláh, 8/10, 162/163, 169/171
Ordem social, evolução da, 162/169
P
Pai, vinda do, 44/45, 48/49, 63, 74, 138, 141/142, 147, 170
Palavra, de Deus, 44/45, 163
Palavras Ocultas, (Livro de Fátimih),
passagem de, 120
Papa Pio IX, 29, 68, 73/76
Epístola de Bahá’u’lláh a, 44/46, 73, 146
Papado, declínio de, 74/77, 142/143
Paris, Congresso de, 76
Patriotismo, 165/166
Paulo, São, passagem do Evangelho segundo, 100
Paz, Menor, 38/170
Paz, a Maior, 38, 170
Pedro, São, 45, 73, 152
Perseguições
de ‘Abdu’l-Bahá, 21/22, 83/84, 89
do Báb, 12/13, 31, 95
de Bahá’u’lláh, 10/11, 13/15, 35, 55/56, 59, 91, 95
Pérsia
clero da, 113/116
dinastia Qájár da, 68, 84, 90/96
Xás da, 12/13, 15/16, 30, 84, 90/96, 130/131
Epístolas relativas à, 57/61, 63/64, 91/96, 123
Pobres (o povo) tratamento dos, 33/34, 37/38, 53
Preconceito, de classe e raça, 156/157
de religião, 44/45, 47/48, 58/59
Profecias,
do Báb, 6, 60/61, 118/119, 134
de Bahá’u’lláh, 6, 8/9, 26, 29, 33, 39, 42/43, 51/52, 69/71, 84/86, 102/103, 160/161
relativas a ´Abdu´l´Aziz, da Turquia, 84/86
relativas a Constantinopla, 56, 86
relativas a Napoleão III, da França, 41/43, 69/72
relativas ao Papa Pio IX, 73/76
relativas a Vitória, da Inglaterra, 49/51
relativas a Guilherme I, da Alemanha, 51/52, 79/80
de Jesus Cristo, 39
do Velho Testamento, 48, 65, 106
Profetas, unidade dos, 148/149, 152
Progressão, da Revolução, V, Revelação progressivo
Provocações, da humanidade, 5/7, 170
Prússia, Guilherme I, Rei da,
Q
Qájár, dinastia de (Pérsia), 68, 83, 92/95
Qayyúmu´l-Asmá´ (Comentário do Báb sobre a Súrih de José), 6, 39, 60/61, 68, 93,
118/119, 134
R
Racismo, 24, 106
Realeza, declínio nas fortunas da, 24, 68, 97/98
reconhecimento da, 98/102
Reis,
declínio dos, 24, 68, 72, 73/74, 98
Mensagens de Bahá’u’lláh aos, 39/40, 61/62
V. também Epístolas aos reis
Mensagens designadas por nomes, 64/65
oposição à Fé Bahá’í, 25/26, 27, 31/32
poder dos, 29/30, 62/63
verdadeira posição e glória dos, 31, 34/35, 42/43, 48/49, 52/53, 58
Religião, decadência da, 23/25, 28, 41, 123/124, 142/143, 157/159
unidade de, 148/152, 155, 160/161, 170/171
Renan, Ernest, palavras de, citadas, 104
Reno, o Rio, aposrofado por Bahá’u’lláh, 51, 81
Representação em governo, recomendada, 50
Retribuição, Divina, 5/10, 76/77, 82/83, 87/88, 95/96, 103/105, 124/125, 132/136, 153/155
V. também: Juízo de Deus
Revelação de Bahá’u’lláh, 9/10, 13, 15, 20, 23/24, 36/37, 49, 63/64, 66/67, 161/162
em relação ao cristianismo e ao islã, 146/148, 164/167
Revelação, progressiva, 139/140, 145/146, 148/152
Revolução
alemã, 81
persa, 93/94, 96, 132/133
russa, 80
turca, 87/90, 132/133
Ridvánu´l ´Adl (Escrito de Bahá’u’lláh), 102
Roma, 74/75, 76
Romanov, Casa de (Rússia), 83
Rumênia, 88
Marie, Rainha da, 149/150
Rússia, 77/78, 88, 144
Alexandre II, Tzar da, 29, 42, 77/78
Epístola de Bahá’u’lláh a, 46/48, 77/78
Alexandre III, Tzar da, 78
Nicolas II, Tzar da, 77/78
S
Sacerdotes: V. clero
Santo Império Romano, 82/86
Sarajevo, 82
Sedan, Batalha de, 72, 76
Seita sunita do islã, 86, 123/124, 132/133, 134/137, 165/166
Seita xiita do islã, 12, 15/16, 29, 86/88, 117/120, 147
“Sete Provas”, Dalá´il-i Sab´ih (Escritos do Báb), 26
Sháh-Bahrám, 107
Shíráz, 12
Síria, 88/89
Sulaymániyyih, 17
Sultanado, abolição do, 83/85, 133/134
Sultãos, da Turquia, 18/19, 30, 52/57, 63/64, 70, 84/89, 95
Sunitas: V. Seita sunita
Súriy-i-Haykal (Escrito de Bahá’u’lláh), 68
Súriy-i-Múluk (Súrih dos Reis: Escrito de Bahá’u’lláh), 30/36, 52/55, 97/98, 123/124
T
Tabríz, 12
Teerã (Tá), 15, 16, 60, 91, 102, 119, 121
“Templo”, mencionado em profecia do Velho Testamento, 65
Templo (Matriz) em `Ishqábád, Turquestão (Império Russo), 25
Tora, 48, 106
Tribulações
de ‘Abdu’l-Bahá, 21/22
do Báb, 12/15
de Bahá’u’lláh, 13/17, 34/35, 59/61, 70/71, 138
Turcos, Novos, 88
Turquia, 83
queda da, 86/90
República da, 132, 133
Sultões da, 18/19, 30, 52/53, 64, 69/70, 83/89
Mensagens aos, 52/54, 84/85
U
Unidade, ordenada, 32, 39, 160, 161, 165/167
Unidade
econômica, 168
do gênero humano, 157, 160/161, 164/169
de religião, 146/148, 157/159, 164/167
mundial, 168/171
V
Vaticano, 73, 74, 75, 76
Velho Testamento, profecias do, 48, 65, 106
Versailles, Tratado de, 81
Viena, Congresso de, 74/75
Virgem Maria, 74, 150/151
Vitor Emanuel, Rei da Itália, 75
Vitória, Rainha da Inglaterra, 29, 90
Epístola de Bahá’u’lláh a, 38/39, 40/50
W
Weimar, constituição de, 81
X
Xás, da Pérsia, 13/14, 15, 17, 30, 83, 90/96, 130/131
Epístolas concernentes a, 56/61, 63/64, 91/93, 95, 117, 121
Xiitas: V. Seita xiita
Z
Zoroástricos (Magos), 107, 151
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
(Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)
Effendi, Shoghi
O dia prometido chegou / Shoghi Effendi; tradução portuguesa de Leonora
Stirling Armstrong. – 2. ed. ver. E ampl. – São Paulo: Bahá’í do Brasil, 1998.
Título original: The promised day is come.
ISBN 85-320-0033-9
1. Bahá’í 2. Bahá’u’lláh, 1817 – 1892
3. Movimento da Nova Era I. Título.
98-2273 CDD-297.93092
Índices para catálogo sistemático:
1. Bahá’í: Líderes religiosos: Biografia e obra 297.93092
2. Fé Bahá’í: Líderes religiosos: Biografia e obra 297.93092
O DIA PROMETIDO CHEGOU
Este livro extraordinário é um desafio a todas as pessoas. Rápida e dramaticamente conta a história do último dos Mensageiros de Deus que se revelou à humanidade – Bahá’u’lláh (1817/1892) – destacando as Epístolas que enviou aos dirigentes religiosos de Sua época, incluindo o Papa Pio IX, e a reis e governantes do oriente e do ocidente, como Napoleão III, da França, Rainha Vitória, da Inglaterra, e muitos outros soberanos famosos da segunda metade do século passado.
Mostra as assustadoras conseqüências do desatendimento deles ao chamamento de Bahá’u’lláh, quanto à sua integração no processo de transformação da sociedade humana para a Nova Era que Ele veio inaugurar. Descreve a queda da velha ordem social, política e religiosa do mundo, e o nascimento, obscuro inicialmente, da nova era, de paz, progresso e fraternidade para a humanidade inteira.
Acima de tudo, o livro relembra ao homem moderno, com toda a clareza e seriedade, não estar ele sozinho no universo, que sua existência não é algo sem significado, que seu destino é para uma vida muito superior à dos dias atuais, e que o caminho que conduz à verdade e a Deus está novamente aberto para ele.
Shoghi Effendi, o autor deste livro majestoso nasceu em 1897, em ´Akká, na Palestina, (hoje Israel), filho de pais iranianos. Faleceu em 1957, em Londres, Inglaterra.
Nos sessenta anos de vida deixou um acervo de realizações como raros seres humanos puderam fazê-lo.
Aos 25 anos, foi-lhe dada a incumbência de dirigir mundialmente a infante comunidade Bahá’í, então restrita a alguns paises. À época de seu falecimento, tal número cresceria para centenas de países, em todos os continentes.
Sua vida foi também destacada como tradutor das principais obras escritas por seu bisavô, Bahá’u’lláh, para o inglês, idioma no qual foi realmente insuperável, pelo estilo elevado, belo e sintético que utilizava.
Principais traduções:
A NARRATIVA DE NABIL,
AS PALAVRAS OCULTAS DE BAHÁ’U’LLÁH,
KITAB-I-IQAN
ORAÇÕES E MEDITAÇÕES
SELEÇÃO DOS ESCRITOS DE BAHÁ’U’LLÁH
EPÍSTOLA AO FILHO DO LOBO
Shoghi Effendi
Como escritor, deixou livros marcantes, como a história dos primeiros cem anos da Fé Bahá’í (1844 / 1944), intitulado A PRESENÇA DE DEUS; e longas mensagens dirigidas às comunidades Bahá’ís publicadas em livros, como O ADVENTO DA JUSTIÇA DIVINA, a ORDEM MUNDIAL DE BAHÁ’U’LLÁH, e o presente livro, O DIA PROMETIDO CHEGOU. Existem inúmeras obras, publicadas em inglês principalmente, com coletâneas de suas cartas e telegramas ao mundo Bahá’í e a comunidades nacionais em particular, como: A ADMINISTRAÇÃO BAHÁ’Í, PRINCÍPIOS DE ADMINISTRAÇÃO BAHÁ’Í, CHAMADO ÀS NAÇÕES, MENSAGENS À AMÉRICA, MENSAGENS AO MUNDO BAHÁ’Í, MENSAGENS À ÍNDIA, MENSAGENS AO CANADÁ, e muitas outras.
Shoghi Effendi
O DIA PROMETIDO CHEGOU
Tradução portuguesa de
LEONORA STIRLING ARMSTRONG
EDITORA BAHÁ’Í – BRASIL
MOGI MIRIM, SP
1998
© 1998
Todos os direitos reservados pela
EDITORA BAHÁ’Í DO BRASIL
Caixa Postal 198
13800-000 Mogi Mirim, SP
1a edição: 1960
Título Original:
The Promised Day is Come
ISBN
85-320-0033-9
Tradução:
Leonora Stirling Armstrong
Revisão:
Coordenação Nacional de Tradução e Revisão
Composto em:
Times 12/14
Impressão:
Abaeté Copiadora e Gráfica Ltda.
São Paulo, SP
ÍNDICE
Introdução .................................................................................................. 3
= Falta Introdução de Shoghi Effendi
1. O Dia Prometido Chegou:
Aos amados de Deus e às servas do Misericordioso em todo
o Ocidente .............................................................................................. 5
2. Este Juízo de Deus ................................................................................ 7
3. Qual a Resposta a Seu Chamado? ......................................................... 10
4. Feições deste Drama Comovente? ......................................................... 18
5. Um Mundo que Dele se Afastou ............................................................ 23
6. Os Receptores da Mensagem ................................................................. 27
7. Epístolas aos Reis .................................................................................. 30
8. Revelada a Maior Lei ............................................................................ 36
9. Epístola Revelada ao Papa .................................................................... 44
10. Outras Epístolas aos Governantes do Mundo ..................................... 46
11. Que o Opressor Desista ....................................................................... 55
12. O Vigário de Deus na Terra ................................................................. 61
13. Humilhação Imediata e Completa ....................................................... 69
14. O Surgir do Bolchevismo .................................................................... 77
15. Fim do Sacro Império Romano ........................................................... 82
16. Qual o Destino da Turquia e da Pérsia? ............................................. 83
17. O Lúgubre Destino da Turquia Imperial ............................................. 86
18. A Retribuição Divina na Dinastia de Qájár ........................................ 90
19. O Declínio nas Fortunas da Realeza ................................................... 97
20. Reconhecimento da Realeza ................................................................ 98
21. O Desmoronamento da Ortodoxia Religiosa ....................................... 103
22. Palavras Dirigidas aos Eclesiásticos Muçulmanos .............................. 117
23. As Minguantes Fortunas do Islã Xiita ................................................ 125
24. O Colapso do Califado ........................................................................ 132
25. Uma Advertência a Todas as Nações .................................................. 137
26. Suas Mensagens aos Dirigentes Cristãos ............................................ 138
27. Nações Cristãs contra Nações Cristãs ................................................. 145
28. A Continuidade da Revelação ............................................................. 148
29. Os Três Falsos Deuses ......................................................................... 156
30. O Enfraquecimento dos Pilares da Religião ........................................ 157
31. O Desígnio de Deus ............................................................................ 160
32. A Grande Era que Está por Vir ............................................................ 161
33. Religião e a Evolução Social ............................................................... 164
34. A Lealdade mais Larga, Inclusiva ....................................................... 168
35. Comunidade Mundial .......................................................................... 169
36. Notas Explicativas ............................................................................... 172
37. Índice Remissivo ................................................................................. 184
INTRODUÇÃO
A primeira edição deste livro em português ocorreu em 1960. Com o decorrer dos anos, e agora às portas do novo milênio, os temas tratados por Shoghi Effendi voltam a ser pontos cruciais da sociedade humana em sua transição para uma nova era, que se descortina com a entrada do novo século. O público brasileiro, portanto, enfrentando também desafios sociais cada vez mais preocupantes, tem o máximo interesse em conhecer as soluções Bahá’ís para os problemas básicos da sociedade, os quais são tratados de forma objetiva pelo Guardião da Fé Bahá’í, com base nos ensinamentos do Mensageiro de Deus para os dias atuais.
Embora escritura durante a Segunda Guerra Mundial, e impulsionada pelos eventos que à época mais e mais obscureciam a visão momentânea de seus contemporâneos, a mensagem intitula “O DIA PROMETIDO CHEGOU” não perdeu, nem perderá, qualquer de seus pontos relevantes e seus significados. Mais pontualmente do que se poderia escrever, as seguintes palavras de Bahá’u’lláh, citadas por Shoghi Effendi, comprovam a importância do tema e de suas implicações na vida coletiva da humanidade: “E quando a hora designada vier, subitamente surgirá aquilo que fará tremer as estruturas da humanidade.”
Este livro extraordinário, dirigido abertamente aos Bahá’ís do Ocidente, é um desafio a todas as pessoas. Rápida e dramaticamente, conta a história do último dos Mensageiros de Deus que se dirigiu à humanidade inteira, mas que foi ouvido apenas por alguns poucos. Mostra as assustadoras conseqüências de tal recalcitrância: a queda da velha ordem e o nascimento, obscuro inicialmente, da nova era. Apresenta a escuridão dos dias atuais e prevê a alvorada de um novo e glorioso dia para a humanidade, que irá responder ao Chamado Divino. Mas, acima de tudo, com toda a clareza e seriedade, o livro relembra ao homem moderno não estar ele sozinho no universo, que sua existência não é algo sem significado, que seu destino é para uma vida muito superior à dos dias atuais, e que o caminho que conduz à verdade e a Deus está novamente aberto para ele.
a EDITORA BAHÁ’Í DO BRASIL
Junho de 1998.
= FALTA A INTRODUÇÃO DE SHOGHI EFFENDI =
1. O DIA PROMETIDO CHEGOU
Aos amados de Deus e às servas do Misericordioso em todo o Ocidente.
Amigos e co-herdeiros do Reino de Bahá’u’lláh:
Uma tempestade de inédita violência varre atualmente a face da terra, e não podemos prever seu curso. Os efeitos imediatos são catastróficos, mas as conseqüências finais serão gloriosas, além do que possamos imaginar. A força que a impele cresce impiedosamente em âmbito e rapidez. Seu poder purificador, se bem que despercebido, aumenta dia a dia. A humanidade, vítima desse inexorável ímpeto assolador, é abatida pelas evidências de sua fúria irresistível. Não percebe sua origem, nem pode sondar seu significado ou discernir seu fim. Perplexa, angustiada, impotente, vê esse grande e poderoso vento do castigo divino invadir as mais remotas e belas regiões, abalando a terra até os fundamentos e perturbando-lhe o equilíbrio; vê desintegrarem-se suas nações, sendo rompidos os lares de seus povos e arrasadas suas cidades; presencia o desterro de seus reis, a demolição de seus baluartes e o desmoronamento de suas instituições, sendo encoberta sua luz e atormentadas as almas de seus habitantes.
“Já veio o tempo da destruição do mundo e de seus povos”, declarou a pena profética de Bahá’u’lláh. E ainda afirma, mais especificamente: “Aproxima-se a hora em que terá aparecido a maior convulsão.” “Chegou o dia prometido, dia em que provações aflitivas surgirão sobre vossas cabeças e sob vossos pés, dizendo: - Saboreai o que vossas mãos fizeram!” – “Dentro em breve o vendaval de Seu castigo vos baterá, e o pó do inferno vos há de amortalhar.” E também: “Ao vir a hora predeterminada, haverá de aparecer subitamente o que fará tremerem os membros da humanidade.” “Aproxima-se o dia em que sua chama (a da civilização) devorará as cidades, em que a Língua da Grandeza haverá de proclamar: - O Reino é de Deus, o Onipotente, O de todos louvado!-” “Breve virá o dia”, escreveu Bahá’u’lláh, ainda, referindo-se aos insensatos da terra, “em que clamarão por socorro sem receberem resposta alguma.” “Aproxima-se o dia”, predisse também, “em que a ira do Onipotente deles se terá apoderado. Em verdade, Deus é o Todo-poderoso, o Predominante, o Supremo. Ele haverá de limpar a terra contaminada pela sua corrupção e dá-la àqueles de Seus servos que Dele se aproximarem.”
O Báb, por sua parte, afirma no Qayyúmu´l-Asmá: “Quanto aos que negam Aquele que é o sublime Portal de Deus, Nós lhes preparamos, segundo o justo decreto divino, um tormento angustioso. E Ele, Deus, é o Poderoso, o Sábio”. E ainda, “Ó povos da terra! Juro por vosso Senhor! Havereis de agir como agiram as gerações anteriores. Adverti-vos a vós próprios, pois, da terrível, da mais penosa vingança divina. Pois, em verdade, Deus é potente sobre todas as coisas”. E também: “Por Minha glória! Com as mãos de Meu poder farei que os infiéis saboreiem retribuições desconhecidas de todos menos de Mim, e sobre os fiéis farei manarem aqueles sopros perfumados de almíscar, nutridos no próprio coração de Meu trono.”
Queridos amigos! A poderosa operação deste titânico cataclismo é incompreensível a todos menos àqueles que reconheceram as Revelações de Bahá’u’lláh e do Báb. Quem Os segue, sabe donde esse cataclismo deriva, e aonde, afinal, nos haverá de conduzir. Embora não saiba a que ponto chegará, reconhece claramente sua gênese, percebe a direção que toma, admite sua necessidade, observa com confiança seus processos misteriosos, ora ardentemente pela mitigação de sua severidade, esforça-se com sabedoria a fim de lhe suavizar a fúria e, com visão inalterável, antecipa a consumação dos receios e das esperanças que deve forçosamente engendrar.
2. ESTE JUÍZO DE DEUS
Este juízo de Deus – segundo o vêem os que reconheceram em Bahá’u’lláh Seu Instrumento e maior Mensageiro na terra – não é apenas uma calamidade retribuidora; é, também, um ato de disciplina santa e suprema. É a um tempo uma visitação de Deus e um processo purificador para toda a humanidade. Seus fogos punem a perversidade da espécie humana, mas haverão de fundir suas partes componentes numa comunidade orgânica, indivisível, mundial. Nestes anos fatídicos que assinalam o término do primeiro século da Era Bahá’í, e ao mesmo tempo proclamam o início de um novo, a humanidade – segundo ordena Aquele que é seu Juiz e também seu Redentor – está sendo chamada a prestar contas de suas passadas ações e, simultaneamente, sujeita-se a uma purificação a fim de se preparar para sua futura tarefa. Não poderá escapar às responsabilidades anteriores, nem recuar das do futuro. Deus, o Vigilante, o Justo, o Amoroso, o Onisciente Ordenador, não poderá permitir, nesta Era Suprema, que os pecados de uma humanidade não regenerada permaneçam impunes, sejam eles de omissão ou de comissão, nem consentirá Ele em abandonar Seus filhos à própria sorte, negando-lhes aquela etapa beatífica e culminante em sua longa, lenta e dolorosa evolução através dos tempos, etapa esta que é seu direito inalienável como também seu verdadeiro destino.
“Despertai, ó povos”, - é por um lado a advertência ominosa do próprio Bahá’u’lláh, em antecipação dos dias da Justiça Divina – “pois já veio a hora prometida”. “Abandonando o que vós possuis, apoderai-vos daquilo que foi trazido por Deus – Aquele que faz curvar a nuca dos homens. Sabei de certo! Se não vos retirardes daquilo que cometestes, o castigo vos alcançará de todos os lados, e vereis coisas mais penosas do que vistes anteriormente”. E também: “Determinamos um tempo para vós, ó povos! Se, na hora designada, não vos volverdes para Deus, Ele, em verdade, vos apreenderá com violência e fará atacar-vos de todos os lados aflições penosas. Quão severo, de fato, o castigo com que vosso Senhor, nessa hora, vos punirá!” E também: “Deus seguramente domina as vidas dos que Nos injuriaram, e está bem consciente de suas ações. Com certeza absoluta, haverá Ele de apreendê-los por causa de seus pecados. Ele, em verdade, é o mais temível dos vingadores”. E finalmente: “ó vós, povos do mundo! Sabei, em verdade, que uma calamidade imprevista vos segue, e retribuição angustiosa vos espera. Não penseis que os atos que cometestes tenham sido apagados de Minha vista. Por Minha Beleza! Todas as vossas ações, Minha Pena as gravou em caracteres nítidos, sobre tábuas de crisólito.”
Bahá’u’lláh afirma enfaticamente, por outro lado, numa previsão do futuro feliz à espera do mundo hoje envolto de trevas: “Toda a terra se acha em estado de prenhez. Aproxima-se o dia em que terá produzido seus mais nobres frutos, em que as mais majestosas árvores, as flores mais encantadoras, as bênçãos mais celestiais dela se terão manifestado.” “Aproxima-se o tempo em que toda coisa criada terá parido. Glória a Deus, por haver Ele concedido esta graça que abrange todas as coisas, sejam vistas ou invisíveis!” “Essas grandes opressões”, escreveu Ele, ainda mais, prognosticando a Idade Áurea que espera a humanidade, “estão preparando-a para o advento da Suprema Justiça”. E, e fato, sobre esta Suprema Justiça, como base única, é que finalmente poderá, e deverá descansar a Suprema Paz, enquanto esta, a Suprema Paz, introduzirá por sua vez aquela Civilização Mundial Suprema que para todo o sempre há de ser associada Aquele designado pelo Nome Supremo.
Queridos amigos! Perto de cem anos já transcorreram desde que a Revelação de Bahá’u’lláh alvoreceu no mundo – Revelação esta, cuja natureza, assim como Ele Próprio afirma, “nenhum dentre os Manifestantes da antiguidade, salvo num grau prescrito, jamais apreendeu.” Já há um século, Deus dá trégua ao homem para que ele tenha oportunidade de reconhecer o Fundador de tão grande Revelação, esposar Sua Causa, proclamar Sua grandeza e estabelecer Sua Ordem. O Portador desta Mensagem já proclamou – como jamais o fez qualquer Profeta anterior – a Missão que Deus Lhe confiara, promulgando-a em cem volumes, todos os quais encerram preceitos de inestimável valor, poderosas leis, princípios incomparáveis e, também, apaixonadas exortações, reiteradas advertências, profecias extraordinárias, invocações sublimes e comentários notáveis. A imperadores, reis, príncipes e potentados, governantes e governos, clero e povos – quer do Oriente ou do Ocidente, cristãos, judeus, muçulmanos ou zoroástricos, dirigia Ele, por quase cinqüenta anos, e em circunstâncias as mais trágicas, aquelas preciosas pérolas de sabedoria que jaziam ocultas dentro do oceano de Sua inigualável expressão. Renunciando fama e fortuna, sofrendo prisão e desterro, indiferente ao ostracismo e opróbrio, sujeito a indignidades físicas e privações cruéis, Ele, o Vice-regente de Deus na terra, submeteu-se ao exílio de lugar em lugar, país em país, até que afinal, na Maior Prisão, ofereceu Seu filho martirizado como resgate pela redenção e unificação de toda a humanidade. “Nós, verdadeiramente”, Ele Próprio já testificou, “não faltamos em Nosso dever – o de exortar os homens e transmitir o que Me foi ordenado por Deus, o Onipotente, o Louvado de todos. Se Me tivessem escutado, teriam visto transformar-se a terra”. E também: “Restará a alguém qualquer desculpa nesta Revelação? Não, por Deus, o Senhor do Trono Poderoso! Meus sinais já envolveram a terra e Meu poder abrangeu toda a humanidade e, no entanto, os homens se deixam mergulhar num sono estranho!”
3. QUAL A RESPOSTA A SEU CHAMADO?
De que modo – bem podemos perguntar a nós mesmos – o mundo, objeto dessa solicitude divina, retribuiu Àquele que tudo sacrificou por sua causa? De que maneira foi Ele acolhido, e qual a resposta dada a Seu apelo? Com um clamor sem paralelo na história do islã xiita, foi recebida a nascente luz da Fé em sua terra natal, em meio a um povo notório por sua densa ignorância, seu feroz fanatismo, sua crueldade bárbara, seus preconceitos arraigados, e pelo predomínio ilimitado exercido sobre as massas por uma hierarquia eclesiástica firmemente entrincheirada. Uma coragem não excedida por aquela que os fogos de Smithfield evocaram – segundo atesta tão eminente autoridade como Lorde Curzon de Kedleston, - foi ateada por uma perseguição que, com trágica rapidez, ceifou nada menos de vinte milhares de seus heróicos seguidores resolvidos a não trocarem sua fé recém-nascida pela segurança e pelas honras efêmeras de uma vida mortal.
Às agonias corporais por eles sofridas, foram acrescentadas acusações inteiramente injustas, de niilismo, ocultismo, anarquia, ecletismo, imoralidade, sectarismo, heresia, partidarismo político, o que – embora cada acusação fosse refutada concludentemente não só pelos preceitos da própria Fé mas também pela conduta dos que a seguiam – aumentou, no entanto, o número dos que injuriavam sua causa, quer inconsciente, quer maliciosamente.
A pertinaz indiferença mostrada à Fé por homens proeminentes; o implacável ódio que lhe manifestaram os dignitários eclesiásticos da Fé da qual derivara; o escárneo extremo por parte do povo em cujo meio nascera; o desprezo completo com que foi tratada pela maioria daqueles reis e governantes aos quais seu Autor se dirigira; as condenações pronunciadas por aqueles sob cujo domínio a Fé primeiro surgira e se disseminara, as ameaças que fizeram e os degredos que decretaram; a interpretação errônea à qual os invejosos e malévolos sujeitaram seus princípios e suas leis, em terras e entre povos muito além do país de sua origem – tudo isto é apenas evidência do tratamento por parte de uma geração imersa na ufania, descuidada de seu Deus, e que não atende os sinais, as profecias, as advertências e as exortações reveladas pelos Seus Mensageiros.
Os pesados golpes desfechados desse modo sobre aqueles que seguiam uma Fé tão inestimável, gloriosa e possante, não lograram, porém, mitigar a animosidade que inflamava seus perseguidores. Nem foram suficientes as representações deliberadamente falsas de seus ensinamentos e objetivos fundamentais, de suas esperanças e aspirações, suas instituições e atividades, para contentar o opressor e o caluniador e lhes deter a mão; pelo contrário, por todos os meios possíveis, tentaram abolir seu nome e extirpar seu sistema. A mão que batera tão vasto número de seus amigos e humildes servos, embora todos inocentes, levantou-se agora para infligir sobre seus Fundadores os golpes mais cruéis.
O Báb – denominado por Bahá’u’lláh, “o Foco em Cujo redor gravitam as realidades dos Profetas e Mensageiros” – foi o primeiro a ser atirado na voragem que engolfou Seus apóstolos. Houve a súbita ordem de prisão mesmo no primeiro ano de Sua breve e espetacular carreira, seguida pela afronta pública infligida deliberadamente na presença dos dignitários eclesiásticos de Shiráz, e pelo estrito e prolongado encarceramento nas gélidas fortalezas das montanhas de Adhirbáyján. Notamos o desdém e o ciúme covarde mostrados respectivamente pelo magistrado chefe do reino e pelo primeiro ministro de seu governo; o interrogatório burlesco cuidadosamente preparado que se realizou na presença do herdeiro ao trono e dos eminentes eclesiásticos de Tabriz, e a vergonha inflição da bastonada na casa de oração pelas mãos dos Shaykhu´l-Islám dessa cidade. Seguiu-se, então o ato final: o de suspendê-Lo na praça do quartel de Tabriz e disparar contra Seu peito juvenil uma carga de cerca de setecentas balas na presença de uma insensível multidão de dez mil pessoas, culminando na ignominiosa exibição de Seus restos mutilados na margem do fosso além do portão da cidade. Foram estas as etapas progressivas no tumultuoso e trágico ministério Daquele Cuja Era inaugurou a consumação de todas as Eras, e Cuja Revelação cumpriu a promessa de todas as Revelações.
“Juro por Deus”, escreveu o próprio Báb, em Sua Epístola a Muhammad Sháh, “soubesses tu o que me sobreveio, no espaço destes quatro anos, nas mãos de teu povo e teu exército, conservarias suspenso teu hálito por temor a Deus... Ai, ai das coisas que a Mim tocaram! Juro pelo Senhor Supremo! Se te fosse dito em que lugar resido, a primeira pessoa a Me mostrar misericórdia serias tu próprio. No coração de uma montanha, está situada uma fortaleza (Mákú)... cujos habitantes se limitam a dois guardas e quatro cães. Imagina, pois, minha situação... Nesta montanha, permaneço só, e em tal estado que nenhum dos que Me antecederam sofreu o que eu tenho sofrido, nem qualquer transgressor suportou o que tenho suportado!”
“A que ponto estais veladas, ó Minhas criaturas!” - assim Ele, falando com a voz de Deus, revelou no Bayán – “...pois, sem direito algum, O relegastes a uma montanha cujos habitantes são indignos de menção... Não se acha com Ele, ou seja Comigo, pessoa alguma salvo aquela que é uma das Letras dos Viventes de Meu Livro. Em Sua Presença, ou seja em Minha Presença, nem sequer existe uma lâmpada à noite! E no entanto, nos lugares (de adoração), os quais se dedicam, em vários graus, à Sua busca, reluzem inúmeras lâmpadas. Tudo o que existe na terra foi criado para Ele, e todos participam com deleite de Seus benefícios, mas Dele se acham tão velados que Lhe negam até uma lâmpada!”
E que dizermos de Bahá’u’lláh, o germe de Cuja Revelação – segundo testemunha o Báb – é dotado de uma potência superior às forças reunidas da Era Bábí? Aquele por Quem o Báb sofrera e sacrificara a vida em circunstâncias tão trágicas e miraculosas – não foi Ele, durante quase meio século, e sob o domínio dos dois mais poderosos potentados do Oriente, objeto de uma conspiração sistemática dificilmente igualada – no que se refere aos seus efeitos e sua duração – nos anais das religiões anteriores?
“As crueldades que Meus opressores Me infligiram” – Ele Próprio, em Sua angústia, exclamou – “fizeram-Me curvar sob seu peso e Me embranqueceram o cabelo. Se te apresentasses ante Meu trono, não poderias reconhecer a Beleza Antiga, pois a frescura de Seu semblante se acha alterada e seu esplendor já esvaeceu, em conseqüência da opressão dos infiéis. Deus é Minha Testemunha! Dissolveram-se Seu coração, Sua alma e Sua vitalidade!” “Foste tu ouvir com Meu ouvido,” declara Ele também, “perceberias como Ali (o Báb) lamenta por Mim na presença do Companheiro Glorioso, como Maomé chora por Mim no Horizonte excelso, e como o Espírito (Jesus) se bate na cabeça, no céu de Meu decreto, por causa daquilo que sobreveio a este Injuriado, das mãos de todo pecador impiedoso.” E em outra Epístola escreve: “Diante de Mim se ergue a serpente da ira com maxilas estendidas para Me engolfar, e atrás de Mim com passo altivo vem o leão da fúria, ávido de me despedaçar, e acima de Minha cabeça, ó Meu Bem-Amado, estão as nuvens de Teu decreto, fazendo que caiam sobre Mim chuvas de tribulações, enquanto debaixo de Mim se acham fixos os dardos do infortúnio, prontos para Me ferir os membros e o corpo.” E afirma ainda: “Se te pudesse ser contado o que sucedeu à Beleza Antiga, fugirias à solidão para chorares com grande pranto. Em tua angústia te baterias na cabeça, exclamando como se tivesses sido aferretoado pelo aguilhão da víbora... Pela justiça de Deus! Toda manhã ao levantar-me do leito, eu descobria as incontáveis hostes de aflições aglomeradas atrás da Minha porta, e toda noite ao Me deitar, eis que Meu coração se dilacerava de agonia por causa daquilo que sofrera da crueldade diabólica de seus inimigos. Com cada pedaço de pão partido pela Beleza Antiga, vem o assalto de uma nova aflição, e, com cada gota sorvida, está misturada a amargura da mais lastimável das provações. Procede-a, a cada passo que dá, um exército de calamidades imprevistas, enquanto à retaguarda seguem legiões de tristezas agonizantes.”
Foi Bahá’u’lláh que, com a idade de apenas vinte e sete anos, se levantara espontaneamente, na qualidade de simples adepto, para defender a nascente Causa do Báb, e que, ao assumir a verdadeira direção de uma seita proscrita e atormentada, expôs Sua própria Pessoa, como também Seus parentes e bens, posição e nome, a graves perigos, a investidas sangrentas, à espoliação geral e às difamações furiosas tanto por parte do governo como por parte do povo. E embora fosse Portador de uma Revelação cujo Dia “cada Profeta anunciara”, pela qual “a alma de todo Mensageiro Divino tem ansiado”, e na qual “Deus pôs à prova os corações da inteira companhia de Seus Mensageiros e Profetas” – ainda que Portador de tal Revelação, Ele, à instância dos eclesiásticos xiitas e pela ordem do próprio Xá, foi aprisionado, durante quatro meses, em completa escuridão, na companhia dos piores criminosos e sob o peso de correntes esfoladoras, tendo de respirar o ar pestilencial de uma masmorra infestada de ratos, em Teerã, lugar que, segundo Ele mesmo declarou subseqüentemente, se converteu, de um modo misterioso, na própria cena do anúncio que Deus Lhe fez de Sua condição de Profeta.
Bahá’u’lláh escreveu em Sua Epístola ao Filho do Lobo: “Por quatro meses fomos relegados a um lugar horrendo além de comparação. Quanto à masmorra em que foram confinados este injuriado e outros semelhantemente injuriados, um abismo estreito e tenebroso era preferível... A masmorra estava envolta em densa escuridão, e Nossos companheiros de prisão eram umas cento e cinqüenta almas – ladrões, assassinos e salteadores. Embora encerrasse tão grande número, não havia saída, mas somente a passagem por onde entramos. Para retratar esse local, a pena falha, nem pode a língua descrever seu nauseabundo odor. A maioria desses homens não tinha vestimenta nem sequer um lençol onde se deitar. Só Deus sabe o que Nos sucedeu nesse lugar fétido e sombrio!” Segundo o escritor, Dr. J.E. Esslemont: “‘Abdu’l-Bahá conta que um dia obteve licença para entrar no pátio da prisão a fim de ver Seu querido Pai quando saísse para o exercício diário. Bahá’u’lláh estava horrivelmente mudado e tão enfermo que mal podia andar, com o cabelo e a barba em desordem, o pescoço ferido e inchado devido à pressão do pesado colar de aço, e o corpo curvado pelo peso das correntes”. “Durante três dias e três noites”, narra Nabíl em sua crônica, “não deram espécie alguma de alimento ou bebida a Bahá’u’lláh, não Lhe sendo possível nem sono nem descanso. O recinto todo estava infestado de ratos, e o fétido dessa tenebrosa morada bastava para esmagar os próprios espíritos daqueles condenados a sofrer seus horrores.” “Tal foi a intensidade de Seu sofrimento que os sinais dessa crueldade permaneceram gravados em Seu corpo durante todos os dias de Sua vida.”
E que dizermos das outras tribulações que O atingiram, não só antes como imediatamente após tão funesto episódio? Que dizermos de Seu encarceramento na casa de um dos Kad-Khudás de Teerã? Ou da violência selvagem com que foi apedrejado pelo povo iroso nas cercanias da aldeia de Níyálá? Ou de Sua prisão pelos emissários do exército do Xá em Mázindarán, e da bastonada ordenada por siyyids e mujtahids em cujas mãos fora entregue pelas autoridades civis de Amul, ordem esta executada em presença deles em assembléia? Ou dos brados de zombaria e abuso com que uma multidão de ferozes Lhe foi subseqüentemente no encalço? Ou da monstruosa acusação feita contra Ele pela Casa Imperial, pela Corte e pelo povo, na ocasião do atentado à vida do Xá Násiri´d-Dín? Que dizermos dos ultrajes infames, do abuso e escárneo amontoados sobre Ele, quando oficiais responsáveis do governo O conduziram preso de Níyávarán, “a pé e acorrentado, descalço e com a cabeça descoberta”, exposto aos raios impiedosos do sol de pleno verão, até o Síyáh-Chál de Teerã? Ou da avidez com que oficiais corruptos saquearam Sua casa, levando todas as Suas possessões e dispondo de Sua fortuna? Ou do edito cruel que veio arrancá-Lo do pequeno grupo de discípulos do Báb – perplexos, caçados e sem pastor – separando-O de parentes e amigos e, em pleno inverno, banindo-O, espoliado e difamado, para Iraque?
Embora fossem tão severas essas tribulações, sucedendo uma após outra com rapidez estonteadora, em conseqüência dos ataques premeditados e das maquinações consistentes da corte, do clero, do governo e do povo – foram, no entanto, apenas o prelúdio de um cativeiro, extenso e impressionante, iniciado formalmente por aquele edito. Prolongando-se por um período de mais de quarenta anos e levando-O sucessivamente a Iraque, Sulaymáníyyih, Constantinopla, Adianopla e, por fim, à colônia penal de ´Akká, este longo exílio terminou, afinal, com Sua morte, aos setenta e cinco anos, findando assim um cativeiro que, em seu âmbito, sua duração, e na diversidade e agudez de suas aflições, é sem paralelo na história das Eras anteriores.
Desnecessário é estendermo-nos sobre os episódios especiais que lançam uma luz nefasta sobre os anais comoventes desse período. Desnecessário é tratarmos minuciosamente do caráter e das ações dos povos, governantes e eclesiásticos que participaram deste maior drama da história espiritual do mundo e concorreram para tornar mais pungentes suas cenas.
4. FEIÇÕES DESTE DRAMA COMOVENTE
Se enumerarmos só algumas das feições que sobressaem neste drama comovedor, será o bastante para que, no leitor destas páginas já familiarizado com a história da Fé, desperte a memória daquelas vicissitudes pelas quais ela passou e que o mundo até agora olha com tão frígida indiferença. Entre estas destacamos: a obrigatória e súbita retirada de Bahá’u’lláh às montanhas de Sulaymáníyyih e as conseqüências angustiantes deste afastamento completo por dois anos; as intrigas contínuas dos expoentes do islã xiita em Najaf e Karbilá, em estreita e perpétua colaboração com os aliados na Pérsia; o aumento das medidas repressivas decretadas pelo Sultão ´Abdu´l-´Azíz, as quais levaram a seu clímax a defecção de certos membros proeminentes da comunidade em exílio; a execução de ainda outra ordem de desterro pelo mesmo sultão, esta vez para aquela longínqua e mais desolada das cidades, causando tamanho desespero que dois dos exilados tentaram suicídio. Notamos a vigilância inexorável à qual foram sujeitados, por oficiais hostis, ao chegarem em ´Akká, e o intolerável encarceramento, por dois anos, no quartel dessa cidade; o interrogatório ao qual o pashá turco submeteu seu prisioneiro, subseqüentemente, na sede do governo, e Sua prisão durante nada menos de oito anos, numa casa humilde rodeada pelo ar viciado dessa cidade, consistindo Seu recreio único em andar no estreito espaço de Seu quarto. Todas estas, bem como outras tribulações, proclamam por um lado a natureza das indignidades que sofreu e, por outro, apontam com o dedo da acusação aqueles poderosos da terra que tão penosamente O maltrataram ou que, ao menos, Lhe negaram seu socorro.
Não é de se admirar haver a Pena Daquele que suportou esta angústia com tão sublime paciência, revelado estas palavras: “Aquele que é o Senhor do visível e do invisível está agora manifesto a todos os homens. Seu abençoado Ser sofreu tal injustiça que, se todos os mares, visíveis e invisíveis, se convertessem em tinta, e tudo o que existe no reino se transformasse em penas, e todos os que estão nos céus e na terra se fizessem escribas, não lograriam, certamente, registrá-lo.” E também: “Durante a maior parte de Minha vida tenho Eu estado, assim como um escravo, sentado sob uma espada suspensa por um fio, não sabendo se cedo ou tarde cairia sobre ele.” E afirma ainda: “Tudo o que esta geração Nos poderia oferecer, foram feridas provenientes de seus dardos, e a única taça com que brindaram Meus lábios foi a taça de seu veneno. Em nosso pescoço temos ainda a marca das correntes, e sobre Nosso corpo se acham gravadas as evidências de uma crueldade inexorável.” “Passaram-se vinte anos, ó Reis,” escreveu Ele, dirigindo-se aos reis da cristandade, no auge de Sua missão, “durante os quais temos, cada dia, experimentado a agonia de uma nova tribulação. Nenhum dos que Nos antecederam suportou as coisas que Nós temos suportado. Oxalá pudésseis percebê-lo! Os que contra Nós se levantaram, mataram-nos, derramaram Nosso sangue, espoliando Nossas propriedades e violando Nossa honra. Embora cientes da maior parte de Nossas aflições, vós, no entanto, não detivestes a mão do agressor. Pois não é claramente vosso dever restringir a tirania do agressor, e tratar vossos súditos com equidade, a fim de que vosso alto sentido de justiça seja plenamente demonstrado a todos os homens?”
Qual governante, seja do Oriente ou do Ocidente – podemos perguntar com confiança – em qualquer ocasião desde o alvorecer de tão transcendente Revelação, se dispôs a levantar a voz para elogiá-la ou para repreender aqueles que a perseguiam? Qual o povo que, no percurso de tão longo cativeiro, se achou constrangido a erguer-se e estancar o fluxo de tamanhas tribulações? Qual o soberano, excetuando-se uma só mulher, radiosa em glória solitária, que se sentisse impelido a responder ao chamado percuciente de Bahá’u’lláh? Quem dentre os grandes da terra inclinou-se a outorgar, à recém-nascida Fé Divina, o benefício de seu reconhecimento ou apoio? Qual das multidões de credos, seitas, raças, partidos e classes, e das altamente diversificadas escolas do pensamento humano, considerou que fosse necessário dirigir o olhar para a nascente luz da Fé, contemplar seu sistema enquanto evoluía, ponderar seus processos ocultos, avaliar sua poderosa mensagem, reconhecer seu poder regenerador, abraçar sua verdade salutífera ou proclamar suas realidades eternas? Quem dentre aqueles versados nos conhecimentos do mundo, os chamados homens de percepção e sabedoria, pode afirmar com justiça – após haver decorrido quase um século – que tenha aprovado desinteressadamente seu tema ou visto com imparcialidade suas pretensões, que haja feito esforços suficientes para se aprofundar em sua literatura, empenhando-se assiduamente em separar os fatos da ficção, ou que tenha dedicado à sua Causa o tratamento merecido? Onde estão os que se sobressaem no campo das artes ou no das ciências – excetuando-se apenas poucos casos isolados – que tenham levantado o dedo, ou sussurrado uma palavra em defesa ou em elogio de uma Fé que proporcionou ao mundo tão inestimável benefício, sofreu por tanto tempo e tão intensamente, e encerra em seu âmago tão extasiante promessa para um mundo assim atribulado, de tal maneira lastimável e tão manifestamente falido?
Ao sempre montante fluxo de provações que acabrunhou o Báb, às prolongadas calamidades que choveram sobre Bahá’u’lláh, às advertências expressas tanto pelo Arauto como pelo Autor da Revelação Bahá’í, devemos acrescentar os sofrimentos pelos quais passou ‘Abdu’l-Bahá por nada menos de setenta anos, bem como Suas exortações e súplicas expressas no anoitecer de Sua vida relativas aos perigos que ameaçavam cada vez mais a humanidade inteira ‘Abdu’l-Bahá nasceu no ano exato em que testemunhou a etapa incipiente da Revelação Babí, sendo batizado com os fogos iniciais de perseguição que se enfureciam em volta dessa Causa ainda na infância; foi testemunha ocular, quando menino de oito anos, das violentas comoções que abalavam a Fé esposada pelo Seu Pai, com quem participou da ignomínia, dos perigos e dos rigores conseqüentes dos sucessivos desterros de Sua pátria para países muito além de seus confins; foi preso e forçado a suportar, numa cela sombria, a indignidade do encarceramento logo após Sua chegada em ´Akká, sendo objeto de repetidas investigações, alvo de ataques e afrontas incessantes sob o domínio despótico do Sultão ´Abdu´l-Hamíd e, mais tarde, sob a inexorável ditadura militar do suspeitoso e cruel Jamál Pashá. Assim também ‘Abdu’l-Bahá, Centro e Pivô do incomparável Convênio de Bahá’u’lláh e perfeito Exemplar de Seus Ensinamentos, teve de sorver o cálice da tribulação oferecido pelas mãos dos potentados, eclesiásticos, governos e povos – o mesmo cálice angustiante que fora sorvido pelo Báb e por Bahá’u’lláh, como também por muitos daqueles que Os seguiam.
Os que trabalham pela divulgação da Fé de Seu Pai no mundo ocidental bem conhecem as advertências procedentes da Pena de ‘Abdu’l-Bahá e de Sua voz, em Epístolas e discursos sem conta, durante a prisão de quase a vida toda, e no percurso de Suas extensas viagens no continente europeu como também no norte-americano. Quão freqüente e fervorosamente apelava Ele às autoridades, e ao público em geral, para que examinassem com imparcialidade os preceitos enunciados pelo Seu Pai! Com quanta precisão, e com que ênfase, desdobrou o sistema da Fé de que era expositor, elucidando-lhe as verdades fundamentais, frisando-lhe as feições distintivas, e proclamando o caráter redentivo de seus princípios! Com quanta insistência prognosticou Ele o caos que ameaçava, os distúrbios que se aproximavam, a conflagração universal que, nos últimos anos de Sua vida, apenas começava a revelar o âmbito de sua força e o que significaria seu impacto sobre a sociedade humana!
Sendo assim, pois, co-participante dos lastimáveis sofrimentos e das frustrações momentâneas que afligiram ao Báb e a Bahá’u’lláh; fazendo durante a vida uma colheita desproporcional a Seus esforços sublimes, árduos e incessantes; sentindo as perturbações iniciais da catástrofe mundial à espera de uma humanidade descrente; curvado de velhice, com os olhos ofuscados pela tempestade iminente, em conseqüência do mau acolhimento que uma geração sem fé dera à Causa de Seu Pai, e com o coração dilacerado ao avistar o destino imediato dos refratários filhos de Deus - ‘Abdu’l-Bahá sucumbiu, afinal, sob o peso de tribulações infligidas a Ele, justamente como a Seus predecessores, por aqueles que seriam chamados, muito breve, a um juízo temível.
“Apressa, ó meu Deus!” – exclamou Ele numa ocasião em que a adversidade O assediara penosamente – “os dias de minha ascensão a Ti, de minha ida para diante de Ti, de minha entrada em Tua Presença, a fim de que eu seja libertado das trevas da crueldade da qual sou vítima, e possa penetrar na atmosfera luminosa de Tua proximidade, ó meu Senhor, o Todo-Glorioso, e repousar à sombra de Tua grande misericórdia.” “Yá-Bahá´u´l-Abhá (Ó Tu, a Glória das Glórias)!” – Ele escreveu numa Epístola revelada durante a última semana de Sua vida – “Renunciei o mundo e seu povo, e meu coração está aflito e dilacerado por causa dos infiéis. Na gaiola deste mundo inquieto-me, assim como um pássaro assustado, e todo dia anseio pela liberdade de voar para Teu Reino. Yá-Bahá´u´l-Abhá! Faze-me sorber o cálice do sacrifício, e põe-me em liberdade. Livra-me destas tribulações e angústias, destes sofrimentos e dificuldades.”
Queridos amigos! Que lástima, mil vezes que lástima, uma Revelação de tão incomparável grandeza, infinito valor e tremenda potência, e tão claramente inócua, ter recebido, das mãos de uma geração tão cega e perversa, esse infame tratamento! “Ó Meus servos!” – assim o próprio Bahá’u’lláh dá testemunho – “Deus Uno e Verdadeiro é Minha Testemunha! Este oceano mais grandioso, insondável e encapelado, está perto, espantosamente perto, de vós. Vede, está mais próximo do que vossa veia vital! Celeremente, como um abrir e fechar de olhos, podereis – se apenas assim desejardes – atingir este favor imperecível, participar desta graça concedida por Deus, desta dádiva incorruptível, desta mercê potentíssima e indizivelmente gloriosa.”
5. UM MUNDO QUE DELE SE AFASTOU
Após o decurso de quase cem anos, com que deparam nossos olhos ao se dirigirem à cena internacional e ao verem, em retrospecto, os primórdios da história Bahá’í? Um mundo convulsionado pelas angústias da contenda entre sistemas, raças e nações, enredado na malha de suas falsidades acumuladas, afastando-se cada vez mais Daquele que é o Autor único de seus destinos, e abismando-se mais e mais profundamente numa carnificina suicida precipitada pelo seu desprezo e pela sua perseguição Àquele que é seu Redentor; e, por outro lado, uma Fé, ainda proscrita, mas que já rompe a crisálida, emergindo da obscuridade de uma repressão secular, e presenciando as terríveis evidências da ira de Deus, enquanto se aproxima de seu destino – o de se erguer acima das ruínas de uma civilização desmoronada. Apresenta-se um mundo desvalido espiritualmente, em estado de bancarrota moral, de desintegração política e convulsão social, economicamente paralisado, agonizante, sangrento, quebrando sob a vara vingativa de Deus; e vemos uma Fé cujo chamado continua desatendido, cuja mensagem foi rejeitada, e cujas advertências encontraram apenas escárneo; uma Fé que viu seus adeptos trucidados, seus objetivos e propósitos pervertidos e seu apelo aos governantes da terra recebido com menosprezo; uma Fé Cujo Arauto sorveu o cálice do martírio, sobre a cabeça de Cujo Autor se enfureceu um mar de tribulações inauditas e Cujo Expoente sucumbiu sob o peso dos desmedidos infortúnios e tristezas que sofrera por toda a vida. Apresenta-se um mundo desorientado, onde a brilhante chama da religião rapidamente se esvaece, enquanto as forças de um nacionalismo e um racismo estrepitosos usurpam os direitos e prerrogativas do próprio Deus; onde um secularismo flagrante – nascido diretamente da irreligião – ergue sua cabeça triunfadora, salientando-se suas feições repulsivas; um mundo em que a “majestade de rei” foi desonrada e os que se revestiam de seus emblemas foram, em sua maior parte, lançados de seus tronos, enquanto as hierarquias eclesiásticas do islã, outrora predominantes, e, em grau menor, as do cristianismo, caíram em descrédito; um mundo em que o vírus do preconceito e da corrupção está carcomendo as vísceras de uma sociedade já gravemente desordenada. E vemos uma Fé cujas instituições – padrão e glória culminante da era que há de vir – têm sido alvo de desprezo, sendo, em alguns casos, espezinhadas e destruídas, e cujo sistema, em vias de evolução, sofreu escárneo e foi em parte danificado e supresso; cuja Ordem nascente – único refúgio de uma civilização nos braços do destino – foi objeto de desdém e de desafio; cujo Templo-Matriz foi apreendido e desapropriado, e cuja “Casa” – “centro de atração de um mundo devoto” – por uma vergonhosa falha da justiça, assim como testemunhou o mais alto tribunal do mundo, foi entregue às mãos de seus inimigos implacáveis e por eles violada.
Vivemos numa era que, de fato – se fôssemos avaliá-la devidamente -, seria considerada testemunha ocular de um fenômeno dual. O primeiro assinala a última agonia de uma ordem gasta e atéia, que se recusou obstinadamente – apesar dos sinais e portentos de uma Revelação secular – a pôr seus processos em harmonia com os preceitos e ideais que lhe oferecera aquela Fé enviada do céu. O segundo proclama o nascimento doloroso de uma Ordem divina e redentora, destinada inevitavelmente a substituir a primeira, e dentro de cuja estrutura administrativa uma civilização embrionária, incomparável e de âmbito mundial, está amadurecendo, embora ainda de modo imperceptível. A primeira ordem está sendo posta de lado, ruindo em opressão, carnificina e destruição. A outra aponta o caminho para uma justiça, uma união, uma paz, uma cultura como jamais foram vistas por qualquer época anterior. A primeira já despendeu suas forças, demonstrou sua falsidade e sua esterilidade, perdeu irreparavelmente sua oportunidade e precipita-se para seu calamitoso fim. A segunda, viril e invencível, está rompendo suas correntes e reivindicando seu título de ser o refúgio único dentro do qual uma humanidade, de há muito alvo de perseguições mas, afinal, purificada de sua escória, possa atingir seu destino.
“Em breve,” profetizou o próprio Bahá’u’lláh, “se haverá posto de lado a Ordem atual e em seu lugar uma nova desdobrar-se-á”. E também: “Por meu próprio Ser! Aproxima-se o dia no qual teremos enrolado o mundo e tudo o que nele se acha, e desdobrando uma Nova Ordem em seu lugar”. Aproxima-se o dia no qual Deus terá feito levantar-se um povo que se lembre de Nossos dias, conte a história de Nossas provações e exija a restituição de Nossos direitos por aqueles que, sem partícula alguma de evidência, nos trataram com injustiça manifesta.”
Queridos amigos! Quanto às provações que afligiram a Fé introduzida por Bahá’u’lláh, uma responsabilidade assombrosa e inescapável cai sobre aqueles em cujas mãos foram entregues as rédeas da autoridade civil e eclesiástica. Tanto os reis da terra como os dirigentes religiosos do mundo, primariamente, haverá de encarar tão terrível responsabilidade. “Cada um bem sabe” – o próprio Bahá’u’lláh dá testemunho – “que todos os reis se afastaram Dele e todas as religiões Lhe fizeram oposição”. E declara: “Desde tempos imemoriais, os exteriormente investidos da autoridade têm impedido os homens e volverem a face para Deus. Não gostaram que os homens se reunissem em volta do Oceano Mais Grandioso, pois vieram a considerar, e ainda consideram que, assim fazendo, causariam a desintegração de sua soberania”, “Os reis,” escreve Ele, ainda mais, “reconheceram que não era de seu interesse admitir Minha declaração, como também os ministros e os sacerdotes, muito embora Meu propósito se tenha revelado do modo mais explícito nos Livros e Epístolas Divinas, e o Verdadeiro tenha proclamado haver esta Revelação Suprema aparecido a fim de melhorar o mundo e exaltar as nações.” “Deus Misericordioso!” escreve o Báb no Dalá´il-i-Sab´ih (Sete Provas) com referência aos “sete poderosos soberanos que regem o mundo” em Seu dia, “Nenhum deles foi informado de Sua Manifestação (do Báb) e, se informado, Nele não acreditou. Quem sabe, eles podem deixar este mundo inferior cheios de desejo e sem terem percebido que já se realizara o que esperavam. Foi o que aconteceu aos monarcas que se prenderam ao Evangelho. Embora esperassem a vinda do Profeta de Deus (Maomé), quando Ele apareceu, não O reconheceram. Vede que grandes somas despenderam esses soberanos, sem ao menos pensarem incumbir um oficial da tarefa de lhes tornar conhecido em seus domínios o Manifestante de Deus! Teriam assim cumprido o fim para que foram criados. Todos os seus desejos concentraram-se, e ainda se concentram, em deixar atrás de si traços de seus nomes”. O Báb, além disso, no mesmo tratado, censurando os sacerdotes cristão por não haverem admitido a verdade da missão de Maomé, faz esta afirmação iluminadora: “A culpa recai sobre seus doutores, pois tivessem estes acreditado, teriam sido seguidos pela generalidade de seus compatriotas. Vede, pois, o que sucedeu! Os sábios do cristianismo são assim considerados em virtude de salvaguardarem os ensinamentos de Cristo, e vede, no entanto, como eles próprios têm sido a causa de os homens deixarem de aceitar a Fé e atingir a salvação!”
6. OS RECEPTORES DA MENSAGEM
Não se deve esquecer de que foi aos reis da terra e dirigentes religiosos do mundo, acima de todas as demais categorias de homens, que tanto o Báb como Bahá’u’lláh dirigiram Sua Mensagem. Em numerosas e históricas Epístolas, foram eles deliberadamente convocados para responder ao chamado de Deus, e a eles se destinaram, em linguagem clara e enfática, os apelos, as admoestações e as advertências de Seus Mensageiros, alvos de tanta perseguição. E, quando a Fé nasceu e, mais tarde, ao ser proclamada sua missão, foram eles, ainda, em sua maior parte, que exerciam autoridade civil e eclesiástica sobre seus súditos e adeptos, de um modo inquestionável e absoluto. E esses dirigentes seculares e religiosos – quer gloriando-se da pompa e do fausto de uma realeza ainda pouco sujeita a limitações constitucionais, quer entrincheirados nas cidadelas de um poder eclesiástico aparentemente inviolável – foram os que assumiram a responsabilidade final por qualquer injúria de que fossem autores aqueles cujos destinos imediatos eles controlavam. Não seria exagero dizermos que, na maioria dos países dos continentes da Europa e da Ásia, o absolutismo por um lado e, por outro, a completa subordinação às hierarquias eclesiásticas, eram ainda as características sobressalentes da vida política e da vida religiosa das massas. E a estas, assim sujeitas a esse predomínio, assim acorrentadas, não era permitida a liberdade necessária para que pudessem avaliar as pretensões e os méritos da Mensagem que lhes fora oferecida, ou abraçar, sem reservas, sua verdade.
Não é de se admirar, pois, haverem o Autor da Fé Bahá’í e, em grau menor, seu Arauto, dirigido aos supremos governantes civis e religiosos do mundo a plena força de Suas Mensagens, enviando-lhes algumas de Suas Epístolas mais sublimes e, em linguagem a um tempo clara e insistente, convidando-os a atender ao Seu chamado. Não é de se admirar haverem Eles se empenhado em lhes aclarar as verdades de Suas respectivas Revelações, e se estendido sobre Suas tribulações e Seus sofrimentos. Não devemos admirar que Eles tivessem acentuado o inestimável valor das oportunidades ao alcance desses governantes, e os advertido, em tons agourentos, das graves responsabilidades que a rejeição da Mensagem de Deus acarretaria, predizendo-lhes, ao serem negados e sujeitados, as temíveis conseqüências de tal rejeição. Não devemos admirar que Aquele Rei dos Reis, Vice-regente do próprio Deus, ao ser abandonado, condenado e perseguido, tivesse pronunciado essa epigramática e momentosa profecia: “O poder foi tirado destas duas categorias dentre os homens: reis e eclesiásticos”.
Quanto aos reis e imperadores que não só simbolizavam em suas pessoas a majestade do domínio terreno, mas que, em sua maior parte, exerciam inatacável autoridade sobre as multidões de seus súditos, sua relação com a Fé introduzida por Bahá’u’lláh constitui um dos episódios mais iluminadores da história das Épocas Heróica e Formativa desta Fé. O Chamado Divino que abrangia dentro de seu âmbito tão grande número das cabeças coroadas não só da Ásia mas também da Europa; o tema e a linguagem das Mensagens que os puseram em contato direto com a Fonte da Revelação de Deus; a natureza de sua reação a tão estupendo impacto; e os resultados que se seguiram, e ainda hoje podem ser verificados – tudo isto – são as feições salientes de um assunto em que eu posso apenas inadequadamente tocar, mas do qual futuros historiadores Bahá’ís tratarão de um modo completo e digno.
O imperador dos franceses, Napoleão II, o mais poderoso governante de seu tempo no continente europeu; o Papa Pio IX, cabeça suprema da mais alta igreja da Cristandade e possuidor do cetro da autoridade temporal bem como espiritual; o onipotente tzar do vasto Império Russo, Alexandre II; a célebre Rainha Vitória, cuja soberania se estendia sobre a maior combinação política jamais vista pelo mundo; Guilherme I, Conquistador de Napoleão III, Rei da Prússia e recém-aclamado monarca de uma Alemanha unificada; Francisco José, autocrático rei-imperador da monarquia austro-húngara, herdeiro do afamado Santo Império Romano; o tirânico ´Abdu´l-Azíz, que incorporava todo o poder do qual foram investidos o sultanato e o califado; o notório Xá Násiri´d-Din, despótico governante da Pérsia e o supremo potentado do islã xiita – numa palavra, a maioria das proeminentes personificações do poder e da soberania em Seu tempo, foi, uma pós outro, objeto da especial atenção de Bahá’u’lláh, e teve de sustentar, em vários graus, o peso da força comunicada por Seus apelos e Suas advertências.
Devemos nos lembrar, entretanto, que Bahá’u’lláh não transmitiu Sua Mensagem exclusivamente a alguns soberanos individuais, por mais potentes que fossem seus respectivos cetros e vastos os domínios por eles governados. A todos os reis da terra, coletivamente, Sua Pena se dirigiu, apelando e advertindo, num tempo em que a estrela de Sua Revelação subia ao zênite, e enquanto Ele se achava preso nas mãos de Seu inimigo real, nas cercanias da corte deste. Numa Epístola memorável, designado o Súriy-i-Múluk (Súrih dos Reis), na qual foram especificamente mencionados e advertidos o próprio Sultão e seus ministros, os reis da cristandade, os embaixadores franceses e persas acreditados junto ao Sublime Porte, os principais eclesiásticos muçulmanos em Constantinopla, como também seus sábios e habitantes, o povo da Pérsia e os filósofos do mundo, Ele assim dirige Suas palavras à inteira companhia dos monarcas do Ocidente e do Oriente:
7. EPÍSTOLAS AOS REIS
“Ó Reis da Terra! Daí ouvidos à Voz de Deus, chamando desta Árvore sublime, cheia de frutos, que brotou da Colina Carmesim, sobre a Planície santa, entoando as palavras: - Não há outro Deus senão Ele, o Grande, o Todo-Poderoso, o Onisciente - ...Temei a Deus, ó assembléia dos reis, e não vos deixeis ser privados desta mais sublime graça. Rejeitai, pois, as coisas que possuis, e segurai-vos ao Amparo de Deus, o Excelso, O Grande. Volvei vossos corações para a Face de Deus e abandonai aquilo que vossos desejos vos tem mandado seguir, e não sejais dos que perecem. Relata-lhes, ó servo, a história de ´Alí (o Báb) quando Ele lhes veio com a verdade, trazendo Seu Livro glorioso e ponderado, segurando nas mãos um testemunho e uma prova concedida por Deus, e emblemas santos, benditos, por Ele enviados. Vós, porém, ó reis, deixastes de atender à lembrança de Deus em Seus dias e de ser guiados pelas luzes surgidas, brilhantes, por cima do horizonte do Céu esplendoroso. Não examinastes Sua Causa, mas se assim tivésseis feito, isso teria sido melhor do que tudo aquilo sobre o qual o sol brilha – pudésseis apenas perceber isto. Vós vos mantivestes indiferentes até que os sacerdotes da Pérsia – aqueles cruéis – pronunciaram sentença contra Ele e injustamente O trucidaram. Seu espírito ascendeu a Deus, e os olhos dos moradores do Paraíso e dos anjos próximos Dele prantearam por causa dessa crueldade. Guardai-vos de descuidar doravante, assim como tendes descuidado até agora. Voltai-vos, pois, para Deus, vosso Criador, e não sejais dos desatentos... Meu semblante saiu de trás dos véus e irradiou seu esplendor sobre tudo o que está no céu e na terra; e, no entanto, não Lhe volvestes a face, embora para Ele fosseis criados, ó assembléia de reis! Segui, pois, o que vos falo, e escutai-o com vossos corações, e não sejais dos que se desviaram. Porque vossa glória não consiste em vossa soberania, mas, antes, em vossa proximidade de Deus e em vossa obediência a Seu mandamento que baixou do céu em Suas Santas Epístolas preservadas. Se alguém de vós tivesse domínio sobre toda a terra, sobre tudo o que se acha dentro dela e sobre ela, seus mares, seus países, suas montanhas e suas planícies, mas, no entanto, não fosse lembrado por Deus, tudo isso proveito algum lhe traria – se apenas pudésseis saber isto... Levantai-vos, pois, e fazei firmes vossos pés e, em compensação por aquilo que vos escapou, dirigir-vos à Sua Santa Corte, à beira de Seu grandioso oceano, a fim de que as pérolas do conhecimento e da sabedoria guardadas por Deus na concha de Seu coração radiante, se vos possam revelar... Guardai-vos de impedir que os sopros de Deus emanem sobre vossos corações – sopros através dos quais se animam os corações dos que para Ele se volveram...”
“Não ponhais de lado o temor a Deus, ó reis da terra” – revelou Ele na mesma Epístola – “e guardai-vos de transgredir os limites fixados pelo Todo-Poderoso. Observai as injunções que vos foram impostas em Seu Livro, e acautelai-vos para que não ultrapasseis seus confins. Sede vigilantes, para não fazerdes injustiça a pessoa alguma, nem que seja nos limites de um grão de mostarda. Trilhai a vereda da justiça, pois esta, em verdade, é o caminho certo. Ajustai vossas diferenças e reduzi vossos armamentos, a fim de que seja diminuído o peso de vossos desembolsos, e vossas mentes e corações se possam tranqüilizar. Saneai as dissensões que vos dividem, e não mais necessitareis de armamentos, salvo o que for exigido para a proteção de vossas cidades e vossos territórios. Temei a Deus e guardai-vos de exceder os limites da moderação e ser incluídos no número dos extravagantes. Fomos informados de que aumentais vossos gastos cada ano e pondes o peso disso sobre vossos súditos. É, em verdade, mais do que podem suportar, e é uma injustiça lamentável. Tomai decisões justas entre os homens; sede entre eles os emblemas da justiça. Isso, se julgardes eqüitativamente, é a coisa que vos convém, que é digna de vossa posição.
“Guardai-vos de tratar de um modo injusto a quem vos fizer apelo ou buscar amparo à vossa sombra. Segui o caminho do temor a Deus, e sede dos que têm uma vida piedosa. Não dependais de vosso poder, nem de vossos exércitos e tesouros. Ponde toda a vossa confiança e Deus, que vos criou, e buscai Sua assistência em tudo. Somente Dele vem socorro. Ele ajuda a quem Lhe aprouver, com as hostes dos céus e da terra.
“Sabei que os pobres são a incumbência de Deus em vosso meio. Cuidai de não trairdes Sua incumbência, não os tratando com injustiça ou seguindo os caminhos dos traiçoeiros. Havereis, certamente, de responder por Sua incumbência, no dia em que for ajustada a Balança da Justiça, no dia em que cada um receberá o que merece, e se pesarão os atos de todos os homens, sejam ricos ou pobres.
“Se não atenderdes aos conselhos que Nós vos revelamos nesta Epístola, em linguagem incomparável e inequívoca, o castigo divino haverá de vos atacar de todos os lados, e a sentença de Sua justiça será pronunciada contra vós. Naquele dia, não tereis poder de Lhe resistir, e reconhecereis vossa própria impotência. Tende compaixão de vós próprios e daqueles sob o vosso domínio e julgai entre eles segundo as normas prescritas por Deus em Sua sacratíssima e excelsa Epístola – Epístola na qual Ele designou para cada coisa sua medida fixa, e deu com clareza uma explicação de todas as coisas, e que, em si, é uma advertência aos que Nele crêem.
“Examinai Nossa Causa, informando-vos das coisas que Nos aconteceram e decidindo com justiça entre Nós e Nossos inimigos, e sede dos que tratam seu próximo com eqüidade. Se não detiverdes a mão do opressor, se deixardes de salvaguardar os direitos dos oprimidos, que razão, pois, tereis de vos ufanar entre os homens? De que tendes o direito de vos jactar? Será de vosso alimento e vossa bebida que vos orgulheis, das riquezas que acumulais em vossos tesouros, ou da variedade e do valor dos ornamentos com que vos adornais? Fosse a glória verdadeira consistir na posse de coisas tão perecedoras, então a terra onde andais e deveria vangloriar sobre vós, pois é ela que vos supre e concede essas coisas, segundo o decreto do Todo-Poderoso. Nas entranhas da terra está contido tudo o que vós possuis, de acordo com o mandamento de Deus. Dela, como sinal de Sua misericórdia, extraís vossas riquezas. Vede, pois, vosso estado, a coisa de que vos gloriais! Oxalá pudésseis perceber isso! Não, por Aquele que segura na mão o domínio da criação inteira! Em parte alguma reside vossa glória verdadeira e durável, senão em vossa firme adesão aos preceitos de Deus, vossa obediência cordial às Suas leis, vossa resolução de não permitir que elas permaneçam sem efeito, e de seguir fielmente o caminho certo...”.
E também nessa mesma Epístola: “Passaram-se vinte anos, ó reis, durante os quais provamos cada dia a agonia de uma nova tribulação. Nenhum de Nossos antecessores suportou o que Nós temos suportado. Oxalá pudésseis perceber isso! Os que contra Nós se levantaram, Nos têm trucidado, derramando Nosso sangue, espoliando-Nos dos bens e violando Nossa honra. Vós, no entanto, embora cientes da maior parte de Nossas aflições, não detivestes a mão do agressor. E não é claramente vosso dever reprimir a tirania do opressor e tratar com eqüidade vossos súditos, a fim de demonstrar plenamente a toda a humanidade vosso alto sentido de justiça?
“Deus entregou às vossas mãos as rédeas do governo do provo para que o possais reger com justiça, salvaguardando os direitos dos espezinhados e punindo os malfeitores. Se descuidardes do dever que Deus vos prescreveu em Seu Livro, vossos nomes serão incluídos entre os daqueles que, a Seu ver, são injustos. Lastimável, de fato, será vosso erro. Quereis aderir àquilo tramado pelas vossas próprias imaginações, repelindo os mandamentos de Deus, o Excelso, o Inatingível, o Predominante, o Todo-Poderoso? Renunciando o que vós possuís, segurai-vos àquilo que Deus vos mandou observar. Sua graça é o que deveis buscar, pois quem a busca trilha Sua Vereda reta.
“Considerai Nosso estado atual, vede Nossas vicissitudes e provações, e não deixeis de Nos atender, nem que seja por um momento, e julgai com eqüidade entre Nós e Nossos inimigos. Isso vos será, seguramente, uma vantagem manifesta. Assim Nós vos relatamos Nossa história e narramos o que Nos sucedeu, a fim de que Nos possais atenuar as injúrias e reduzir o peso das aflições. Quem queira que Nos alivie de Nossas tribulações, e quanto àquele que não deseja fazê-lo, meu Senhor é, com toda a certeza, o Melhor Amparo.
“Adverte e informa o povo, ó Servo, daquilo que Nós fizemos descer a Ti, e não permitas que o medo de pessoa alguma Te acabrunhe, e não sejas dos que vacilam. Aproxima-se o dia em que Deles terá enaltecido Sua Causa e glorificado Seu testemunho aos olhos de todos os que estão nos céus e todos os que estão na terra. Em todas as circunstâncias, põe Tua inteira confiança em Teu Senhor; Nele fixa Teu olhar e afasta-Te de todos os que rejeitam Sua verdade. Que Deus, Teu Senhor, seja Teu socorro suficiente, Teu Amparo. Comprometemo-Nos a assegurar Teu triunfo na terra e exaltar Nossa Causa acima de todos os homens, ainda que não seja encontrado rei algum disposto a volver a face para Ti...”
No Kitáb-i-Aqdas (O Livro Sacratíssimo) – neste tesouro de inestimável valor, que encerra para sempre as mais brilhantes emanações da mente de Bahá’u’lláh, a Carta de Sua Ordem Mundial, o mais importante repositório de Suas leis, o Precursor de Seu Convênio, a Obra essencial que contém algumas de Suas mais nobres exortações, mais ponderosas declarações e profecias agourentas – Livro este revelado quando Suas tribulações estavam no auge e os governantes da terra O haviam definitivamente abandonado – neste Livro lemos o seguinte:
“Ó reis da terra! Já veio Aquele que é o Senhor soberano de todos. O Reino é de Deus, o onipotente Protetor, O que subsiste por Si Próprio. A ninguém adoreis senão a Deus e, com corações radiantes, erguei a face ao Senhor – Senhor de todos os nomes. Esta é uma Revelação com a qual nenhuma de vossas possessões jamais será comparável – pudésseis apenas saber isso. Vemos quanto vos regozijais naquilo que tendes amontoado de outrem, enquanto vos excluís dos mundos que somente Minha Epístola Guardada pode avaliar. Os tesouros que acumulastes vos tem desviado muito de vosso objetivo final. Isso mal vos convém – se apenas pudésseis compreender. Limpai vossos corações de toda corrupção terrena e apressai-vos a entrar no Reino de vosso Senhor, Criador da terra e do céu, que fez tremer o mundo e gemerem todos os seus povos, menos aqueles que renunciaram todas as coisas e aderiram àquilo ordenado pela Epístola Oculta...”
8. REVELADA A MAIOR LEI
E ainda: “Ó reis da terra! A Maior Lei foi revelada neste Lugar, nesta cena de transcendente esplendor. Tudo oculto veio à luz segundo a Vontade do Ordenador Supremo, Aquele que anunciou a Hora Final, através de Quem a Lua se rachou e todo decreto irrevogável foi exposto.
“Sois apenas vassalos, ó reis da terra! Aquele que é o Rei dos Reis apareceu, adornado de Sua glória, a mais maravilhosa, e vos convoca a Ele Mesmo, o Amparo no Perigo, O que subsiste por Si Próprio. Acautelai-vos para que o orgulho não vos detenha de reconhecer a Fonte da Revelação, nem as coisas deste mundo vos excluam, como se o fosse por um véu, Daquele que é o Criador do céu. Levantai-vos e servi Aquele que é o Desejo de todas as nações, que vos criou por uma palavra Sua e ordenou que fosseis, para todo o sempre, os emblemas de Sua soberania.
“Pela retidão divina! Não é Nosso desejo apoderarmo-nos de vossos reinos. É Nossa missão capturarmos e possuirmos os corações dos homens. Nestes é que Bahá fita os olhos. Disso dá testemunho o Reino dos Nomes – pudésseis apenas compreendê-lo. Quem ouve seu Senhor, há de renunciar ao mundo e a tudo o que nele se acha; quanto maior, pois, deve ser o desprendimento daquele que ocupa tão augusta posição! Abandonai vossos palácios e apressai-vos para que sejais admitidos a Seu Reino. Em, verdade, isto vos será proveitoso tanto neste mundo como no vindouro. O Senhor do reino nas alturas dá testemunho disso – se apenas o soubésseis.
“Quão grande ventura espera o rei que levantar a fim de promover Minha Causa em Meu Reino, desprendendo-se de tudo menos de Mim. Tal rei é contado entre os companheiros do Arco Rubro, Arco este que Deus preparou para o povo de Bahá. Todos lhe devem glorificar o nome, reverenciar a posição e prestar auxílio em abrir as cidades com as chaves de Meu Nome, onipotente Protetor de todos os que habitam os reinos visíveis e invisíveis. Tal rei é a própria vista da humanidade, o luminoso ornamento na fronte da criação, manancial de bênçãos para o mundo inteiro. Oferecei, ó povo de Bahá, vossa substância, ainda mais, vossa própria vida, em seu auxílio.”
E também, esta acusação evidente no mesmo Livro: “Nós nada pedimos de vós. Por amor a Deus, em verdade, vos exortamos, e seremos pacientes assim como temos sido pacientes naquilo que Nos sucedeu em vossas mãos, ó assembléia de reis!”
Além disso, em Sua Epístola à Rainha Vitória, Bahá’u’lláh nas seguintes palavras se dirige a todos os reis da terra, convocando-os a aderir à Paz Menor em distinção à Paz Maior, Paz esta a ser proclamada e, afinal, estabelecida, só por aqueles que possuem pleno conhecimento do poder de Sua Revelação e professam abertamente os preceitos de Sua Fé:
“Ó reis da terra! Nós vos vemos aumentardes, todo ano, vossas despesas, o peso das quais pondes sobre vossos súditos. Isso, em verdade, é inteira e vergonhosamente injusto. Temei os suspiros e as lágrimas deste Injuriado e não ponhais encargos excessivos sobre vossos povos. Não os roubeis a fim de erguerdes palácios para vós próprios; não, antes, escolhei para eles o que escolheis para vós mesmos. Assim desdobramos ante vossos olhos o que vos é proveitoso – se apenas o percebêsseis. Vossos povos são vosso tesouros. Acautelai-vos para que vosso governo não viole os mandamentos de Deus, e não entregueis vossos tutelados às mãos de ladrões. Pelos vossos povos é que governais, por meio deles subsistis, pela sua ajuda ganhais vossas vitórias. No entanto, com que desdém olhais para eles! Que estranho, muito estranho!
“Agora que recusastes a Paz Maior, segurai-vos a essa, a Paz Menor, a fim de que possais, em certo grau, melhorar vossa própria condição e a daqueles que de vós dependem.
“Ó governantes da terra! Sede reconciliados entre vós, para que não mais necessiteis de armamentos salvo na medida precisa a fim de proteger vossos territórios e domínios. Guardai-vos de desprezar o conselho do Onisciente, do Fiel.
“Uni-vos, ó reis da terra, pois assim a tempestade da discórdia se aquietará entre vós, e vosso povo encontrará sossego – se sois dos que compreendem. Se alguém dentre vós lançar mão de armas contra outro, levantai-vos todos contra ele, pois isso nada mais é que justiça manifesta.”
Aos reis cristãos, Bahá’u’lláh, além disso, dirige especialmente Suas palavras de censura e, em linguagem inequívoca, revela o verdadeiro caráter de Sua Revelação:
“Ó reis da cristandade! Não ouvistes o que disse Jesus, o Espírito de Deus: - Vou embora e venho outra vez a vós – Por que, então, quando Ele, de fato, vos veio outra vez nas nuvens, do céu, deixastes de vos aproximar Dele a fim de contemplardes Sua face e serdes dos que atingiram Sua Presença? Em outra passagem Ele diz: - Quando Ele vier, o Espírito da Verdade, Ele vos guiará a toda a verdade. E no entanto, quando Ele realmente trouxe a verdade, vede como vos recusastes a volver-Lhe a face e persististes em vos divertir com vossos passatempos e fantasias. Não Lhe destes boas vindas nem buscastes Sua Presença a fim de ouvirdes de Seus próprios lábios os versículos de Deus e participardes da múltipla sabedoria do Onipotente, do Todo-Glorioso, do Onisciente. Por causa dessa falha, impedistes o sopro de Deus de manar sobre vós e privastes vossas almas da doçura de sua fragrância. Continuais a vagar com deleite no vale de vossos desejos corruptos. Vós mesmos passareis, assim como tudo o que possuis. Regressareis, certamente, a Deus e tereis de responder pelos vossos atos, na Presença Daquele que convocará a criação inteira...”
Além disso, o Báb no Qayyúmu´l-Asmá´, Seu célebre comentário sobre o Súrih de José, revelado no primeiro ano de Sua Missão e caracterizado por Bahá’u’lláh como “o primeiro, o maior e o mais poderoso de todos os livros” na Era Babí, fez este comovente apelo aos reis e príncipes da terra:
“Ó assembléia dos reis e filhos dos reis! Renunciai, todos vós, vosso domínio, que pertence a Deus... Vão, em verdade, é vosso domínio, pois Deus determinou que as possessões terrenas pertencessem àqueles que O negaram... Ó assembléia dos reis! Transmiti veraz e celeremente os versículos revelados por Nós aos povos da Turquia e da Índia e, além destas, com poder e com veracidade, às terras não só do Oriente mas também do Ocidente... Por Deus! Se fizerdes bem, em vosso próprio benefício o fareis; e se negardes a Deus e Seus sinais, Nós, em verdade, tendo Deus, bem poderemos dispensar todas as criaturas e todo o domínio terreno.”
E mais adiante: “Temei a Deus, ó assembléia dos reis, para que não permaneçais longe Daquele que é Sua Lembrança (o Báb), depois de a Verdade vos haver vindo com um Livro e Sinais de Deus, segundo os enunciou a maravilhosa língua Daquele que é Sua Lembrança. Em Deus buscai graça, pois Deus vos destinou – após haverdes vós acreditado Nele – um Jardim cuja vastidão é como a vastidão de todo o Paraíso.”
Tais foram, pois, os conselhos e as advertências – dignos de assinalar uma nova época – que o Báb e Bahá’u’lláh dirigiram aos soberanos da terra, coletivamente e, sobretudo, aos reis da cristandade. Deixaria eu de fazer jus a meu tema se não levasse em conta, ou mesmo se tratasse de um modo superficial, aquelas apóstrofes audazes e cheias de augúrios aos monarcas individuais – reis ou imperadores – os quais ou miraram com fria indiferença as tribulações dos Fundadores gêmeos de nossa Fé, ou rejeitaram com desdém Suas advertências. Não posso citar passagens tão extensas como eu deveria, dos dois mil e mais versículos que emanaram da pena de Bahá’u’lláh e, em menor número, da pena do Báb, dirigidos aos monarcas individuais da Europa e da Ásia, nem é meu propósito estender-me sobre as circunstâncias que provocaram tão espantosos dizeres, nem sobre suas conseqüências. O historiador do futuro, contemplando mais amplamente e em mais plena perspectiva os momentosos acontecimentos da Era Apostólica e da Era Formativa da Fé Bahá’í poderá avaliar mais acuradamente sem dúvida, e descrever de um modo circunstancial as causas, as implicações e os efeitos dessas Mensagens Divinas que, em seu âmbito e em sua eficácia, não têm paralelo, de certo, nos anais religiosos da humanidade.
Ao Imperador francês, Napoleão III, Bahá’u’lláh dirigiu estas palavras: “ó Rei de Paris! Dize ao padre que não mais toque os sinos. Por Deus, o Verdadeiro! Apareceu o Sino Mais Poderoso na forma Daquele que é o Maior Nome, e os dedos da vontade de teu Senhor, o Excelso, o Altíssimo, o fazem soar no céu da imortalidade, em Seu Nome, o Todo-Glorioso. Assim os poderosos versículos de teu Senhor se fizeram descer outra vez para ti, a fim de que te levantasses para comemorar a Deus, Criador da terra e do céu, nestes dias em que todas as raças da terra se têm lastimado, e as fundações das cidades tremido, e a poeira da irreligião envolve todos os homens, salvo aqueles aos quais teu Senhor, o Onisciente, a Suma Sabedoria, quis eximir... Dá ouvidos, ó rei, à Voz que chama do Fogo ardendo nesta árvore verdejante, sobre este Sinai que se ergueu acima do sagrado Lugar níveo, além da Cidade Eterna: - Verdadeiramente, não há outro Deus senão Eu, o Infalível Perdão, o Mais Misericordioso! – Nós, em verdade, enviamos Aquele a Quem ajudamos como Espírito Santo (Jesus), a fim de vos anunciar esta Luz que brilhou do horizonte da vontade de vosso Senhor, o Excelso, o Todo-Glorioso, e cujos sinais foram revelados no Ocidente, para que vós volvêsseis a face para Ele (Bahá’u’lláh) neste Dia que Deus exaltou acima de todos os outros dias, e em que o Todo Misericordioso irradiou o esplendor de Sua fulgente glória sobre todos os que estão no céu e todos os que estão na terra. Levante-te para servir a Deus e promover Sua Causa. Ele, em verdade, ajudar-te-á com as hostes dos visíveis e dos invisíveis, e te fará rei de tudo aquilo sobre o que o sol se levanta. Teu Senhor, em verdade, é o Onipotente, o Todo Poderoso... Adorna teu templo com o ornamento de Meu Nome e tua língua com a lembrança de Mim, e teu coração com amor a Mim, o Todo-Poderoso, o Altíssimo. Nada desejamos para ti senão o que te é melhor que todas as tuas possessões e todos os tesouros da terra. Teu Senhor, em verdade, é o Conhecedor, o Onisciente...
“Ó Rei! Ouvimos as palavras que pronunciaste em resposta ao Tzar da Rússia, a respeito da decisão tomada sobre a guerra (Guerra da Criméia). Teu Senhor, em verdade, sabe, está informado de tudo. Disseste: - Eu estava adormecido em meu leito, quando o grito dos oprimidos, afogando no Mar Negro, me acordou – foi o que te ouvimos dizer e, em verdade, teu Senhor é testemunha daquilo que digo. Testificamos que não despertaste por causa de seu grito mas, sim, estimulado pelas tuas próprias paixões, pois Nós te provamos e te julgamos falho. Compreende o significado de Minhas palavras e sê dos que discernem... Tivesses tu sido sincero em tuas palavras, não terias lançado atrás de ti o Livro de Deus quando te foi enviado por Aquele que é o Todo-Poderoso, o Onisciente. Nós te temos provado por seu intermédio e te achado diferente do que professaste. Levanta-te e faze retribuição por aquilo que te escapou. Dentro em breve o mundo e tudo o que tu possuis perecerão e o reino restará a Deus, teu Senhor e o Senhor de teus pais de antanho. Não te convém proceder segundo os ditames de teus desejos. Teme os suspiros deste Injuriado e protege-O contra os dardos daqueles que agem com Injustiça. Por causa daquilo que fizeste, prevalecerá confusão em teu reino, e teu império passará de tuas mãos em punição pelos teus feitos, e saberás, pois, que erraste, claramente. Comoções haverão de apoderar-se de todo o povo nesse país, a menos que te levantes para ajudar esta Causa e sigas Aquele que é o Espírito de Deus (Jesus) neste Caminho reto. Será que tua pompa te haja tornado orgulhoso? Por Minha Vida! Não durará; não, muito breve há de passar, a menos que te segures firmemente a esta Corda forte. Vemos a humilhação se aproximar de ti rapidamente, enquanto tu és dos desatentos... Deixa para o povo dos túmulos teus palácios, e teu império para qualquer um que o desejar, e volve-te, pois, para o Reino. Isto, em verdade, é o que Deus escolheu para ti – fosses tu um dos que a Ele se dirigem – Se desejares suportar o peso de teu domínio, faze-o, então, em auxílio à Causa de teu Senhor. Glorificada seja esta condição – uma condição tal que, quando alguém a tiver atingido, terá atingido a todo o bem que procede Daquele que é o Onisciente, a Suprema Sabedoria... Regozija-te por causa dos tesouros que possuis, sabendo que hão de perecer. Congratulaste porque reges uma nesga de terra, quando o mundo inteiro, na estimativa do povo de Bahá, vale tanto quanto a pupila do olho de uma formiga morta. Abandona-a àqueles que a isso se afeiçoaram e volve-te para Aquele que é o Desejo do mundo. Aonde foram os orgulhosos e seus palácios? Contempla seus túmulos, a fim de aproveitares de seu exemplo, já que fizemos disso uma lição para cada um que os vê. Fossem os sopros da Revelação te atingir, fugirias do mundo, e te volverias para o Reino, e despenderias tudo o que possuis a fim de te poderes aproximar desta Visão sublime.”
9. EPÍSTOLA REVELADA AO PAPA
Ao Papa Pio IX, revelou Bahá’u’lláh o seguinte: “Ó Papa! Rompe os véus. Já veio Aquele que é o Senhor dos Senhores, envolto em nuvens, e o decreto foi cumprido por Deus, o Todo-Poderoso, o Independente... Ele, em verdade, desceu outra vez do céu, assim como daí desceu a primeira vez. Guarda-te de disputar com Ele, do mesmo modo como o fizeram os fariseus com Ele (Jesus), sem evidência clara ou prova alguma. À Sua direita manam as águas vivas da graça, e à Sua esquerda o Vinho escolhido da justiça, enquanto em Sua vanguarda marcham os anjos do Paraíso, levando as bandeiras de Seus sinais. Acautela-te para que nenhum nome te exclua de Deus, o Criador da terra e do céu. Deixa tu o mundo atrás de ti, e volve-te para teu Senhor, através de Quem toda a terra se iluminou... Resides tu em palácios enquanto Aquele que é o Rei da Revelação mora na mais desolada das habitações? Deixo-o àqueles que os desejam, e volve tua face com júbilo e deleite para o Reino... Levante-te em nome de teu Senhor, o Deus de misericórdia, entre os povos da terra, e toma o Cálice da Vida com as mãos da confiança e dele sorve tu primeiro, e então oferece-o a todos os que a ele se dirigirem dentre os povos de todas as crenças...
... “Lembra-te Daquele que foi o Espírito (Jesus) – como, quando veio, os mais doutos do Seu tempo pronunciaram sentença contra Ele em Seu próprio país enquanto aquele que era apenas um pescador, Nele acreditou. Acautelai-vos, pois, vós homens de coração compreensível! Tu, em verdade, és um dos sóis do céu de Seus nomes. Guarda-te, para que a treva não espalhe sobre ti seus véus e te exclua de Sua luz... Considera aqueles que se opuseram ao Filho (Jesus), quando Ele lhes veio com soberania e poder. Quão numerosos os fariseus que esperavam vê-Lo e lamentavam sua separação Dele! E no entanto, ao lhes ser transmitida a fragrância de Sua vinda, e revelada Sua beleza, afastaram-se Dele e com Ele disputaram... Apenas muito poucos, e estes, destituídos de qualquer poder entre os homens, para Ele se volveram. E entretanto, hoje, todo homem dotado de poder e revestido de soberania se orgulha de Seu Nome! Assim também, considera como, nestes dias, são numerosos os monges que se enclausuram em suas igrejas em Meu nome, mas quando se cumprira o tempo predeterminado e Nós revelamos Nossa beleza, não Nos conheceram, embora Me invoquem ao anoitecer e à alvorada...
“A Palavra que o Filho ocultou torna-se manifesta. Fez-se descer na forma do templo humano neste dia. Bendito seja o Senhor que é o Pai! Ele, em verdade, veio às nações em Sua maior majestade. Dirigi-Lhe a face, ó assembléia dos retos!... Este é o dia em que a Pedra (Pedro) exclama e brada, e celebra o louvor de seu Senhor, Possuidor de tudo, o Altíssimo, dizendo: - Eis que veio o Pai, e o que vos foi prometido no Reino, já se cumpre... Meu corpo anseia pela cruz, e Minha cabeça espera o golpe do dardo, no caminho do Todo-Misericordioso, a fim de que o mundo se purifique de suas transgressões...
“Ó Pontífice Supremo! Inclina teu ouvido para o conselho que te dá Aquele que amolda os ossos desintegrantes, o conselho expresso por Aquele que é Seu Maior Nome. Vende todos os elaborados ornamentos que possuis e despende-os no caminho de Deus, que faz a noite seguir ao dia, e o dia à noite. Abandona teu reino aos reis e sai de tua habitação, com a face volvida ao Reino e, desprendido do mundo, proclama os louvores de teu Senhor entre a terra e o céu. Assim te ordena Aquele que é o Possuidor dos Nomes, por parte de teu Senhor, o Todo-Poderoso, o Onisciente. Exorta os reis e dize: - Tratai os homens com eqüidade. Guardai-vos de transgredir os limites fixados no Livro. – Isto, em verdade te convém. Acautela-te para que não te apoderes das coisas do mundo e de suas riquezas. Deixa-as aos que as desejam e segura-te àquilo que te foi ordenado por Aquele que é o Senhor da criação. Se alguém te oferecer todos os tesouros da terra, não te dignes de lançar sobre eles um olhar sequer. Sê assim como tem sido teu Senhor. Deste modo, a Língua da Revelação pronunciou aquilo que Deus fez o ornamento do livro da criação... Se te embeveceres com o vinho de Meus versículos e resolveres acercar-te do trono de teu Senhor, Criador da terra e do céu, faze de Meu amor tua vestimenta, de tua lembrança de Mim teu escudo, e de tua confiança em Deus, o Revelador de todo o poder, tua provisão... Em verdade, já veio o dia da colheita, e todas as coisas foram separadas umas das outras. Ele guardou nos vasos da justiça o que Ele quis e lançou ao fogo aquilo que disto era digno. Assim foi decretado por vosso Senhor, o Poderoso, o Deus de amor, neste Dia prometido. Ele, em verdade, ordena o que Lhe apraz. Não há outro Deus salvo Ele, o Onipotente, que a tudo predomina.”
10. OUTRAS EPÍSTOLAS AOS GOVERNANTES DO MUNDO
Na Epístola dirigida ao Tzar da Rússia, Alexandre II, lemos: “Ó Tzar da Rússia! Inclina teu ouvido à voz de Deus, o Rei, o Santo, e volve-te para o Paraíso, o lugar onde habita Aquele que, dentre a Assembléia no alto, possui os mais excelentes títulos e que, no reino da criação, é chamado pelo Nome de Deus, o Fulgente, o Todo-Glorioso. Acautela-te para que teu desejo não te impeça de te volver para a face de teu Senhor, o Compassivo, o Mais Misericordioso. Nós, em verdade, ouvimos aquilo que suplicaste a teu Senhor enquanto comungavas secretamente com Ele. Por isso os sopros de Minha misericórdia emanavam e o mar de Minha mercê encapelava-se, e Nós respondemos a ti em verdade. Teu Senhor, verdadeiramente, é Quem tudo sabe, o Sapientíssimo. Enquanto eu estava acorrentado e algemado na prisão, um de teus ministros prestou-Me seu auxílio. Por isso Deus te ordenou uma posição que o conhecimento de pessoa alguma pode compreender, salvo Seu conhecimento. Guarda-te de desbaratar essa posição sublime... Acautela-te para que tua soberania não te impeça Daquele que é o Soberano Supremo. Em verdade, Ele veio com Seu Reino, e todos os átomos clamam em altas vozes: - Eis! O senhor vindo em Sua grande majestade! – Aquele que é o Pai já veio, e o Filho (Jesus), no vale santo, exclamava: Eis-me, eis-me, ó Senhor, meu Deus! enquanto Sinai rodeia a Casa, e a Sarça Ardente clama altamente: - Veio o Todo Generoso, montado sobre as nuvens! Bem-aventurado quem Dele se aproxima, e ai dos que estão afastados.
“Levanta-te entre os homens em nome desta Causa predominante e convoca, pois, as nações a Deus, o Excelso, o Grande. Não sejas dos que invocaram a Deus por um de Seus Nomes mas que, ao aparecer Aquele que é Objeto de todos os nomes, O negaram e Dele se afastaram, e finalmente pronunciaram sentença contra Ele, com injustiça manifesta. Considera e recorda os dias em que apareceu o Espírito de Deus (Jesus) e Herodes O condenou. Deus, entretanto, Lhe concedeu o amparo das hostes invisíveis, protegeu-O com a verdade e O mandou para uma outra terra, segundo Sua promessa. Ele, em verdade, ordena o que Lhe apraz. Teu senhor preserva, verdadeiramente, a quem Ele deseja, quer se ache no meio dos mares, quer na garganta da serpente ou debaixo da espada do opressor...”
“Outra vez digo, dá ouvidos a Minha Voz que clama de Minha prisão, a fim de te informares das coisas que sucederam à Minha Beleza nas mãos daqueles que são as manifestações e Minha Glória, e a fim de perceberes como foi grande Minha paciência, não obstante Meu poder, e imensa Minha tolerância, apesar de Meu predomínio. Por Minha Vida! Pudesses tu apenas saber das coisas emitidas por Minha Pena, e descobrir os tesouros de Minha Causa e as pérolas de meus mistérios que jazem ocultas nos mares, dos Meus nomes e nos cálices das Minhas Palavras, tu, em teu amor por Meu nome e em tua ânsia por Meu Reino glorioso e sublime, quererias oferecer tua vida em Meu caminho. Sabe tu que, embora Meu corpo esteja debaixo das espadas dos inimigos e Meus membros assediados de aflições incalculáveis, no entanto, Meu espírito está cheio de uma alegria com a qual todos os prazeres da terra jamais poderão ser comparados.
“Dirige teu coração Àquele que é Alvo da adoração do mundo, e dize: - ó povos da terra! Negastes Aquele em Cuja senda foi martirizado o Portador da verdade, quando trazia o anúncio de vosso Senhor, o Excelso, o Grande? Dize: Este é um Anúncio que regozijou os corações dos Profetas e Mensageiros. É Aquele de Quem o coração do mundo se lembra, o Prometido dos Livros de Deus, o Poderoso, o Onisciente. As mãos dos Mensageiros, em seu desejo de Me encontrar, ergueram-se para Deus, o Poderoso, o Glorificado... Alguns se lamentaram em sua separação de Mim, outros sofreram durezas em Meu caminho e ainda outros sacrificaram a vida por amor à Minha Beleza – pudésseis apenas saber isso. Dize: Eu, em verdade, não visei a exaltar a Mim Mesmo, mas antes ao próprio Deus – fosseis vós julgar com eqüidade. Nada pode ser visto em Mim a não ser Deus e Sua Causa – pudésseis apenas perceber isto. Sou Aquele a Quem a língua de Isaías exaltou, sou Aquele com Cujo nome tanto a Tora como o Evangelho se adornaram... Bem-aventurado o rei cuja soberania não o impediu de reconhecer seu Soberano e que de coração se volveu para Deus. Ele, em verdade, é incluído no número dos que atingiram o que Deus, o Poderoso, o Onisciente, ordenou. Tal rei será em breve contado entre os monarcas dos domínios do Reino. Teu Senhor, em verdade, é potente sobre todas as coisas. Ele dá o que deseja a quem Ele queira; e a quem Ele queira, nega o que Ele deseja. Ele, em verdade, é o Todo-Poderoso, o Onipotente.”
À Rainha Vitória, Bahá’u’lláh escreveu: “Ó Rainha em Londres! Inclina teu ouvido para a voz de teu, Senhor, o Senhor de toda a humanidade, que clama do Loto Divino: - Verdadeiramente, nenhum Deus há senão Eu, o Todo-Poderoso, o Onisciente! Rejeita tudo o que está na terra e, com o diadema da lembrança de teu Senhor, o Todo-Glorioso, cinge a cabeça de teu reino. Ele, em verdade, veio ao mundo em Sua mais plena glória, cumprindo tudo o que foi mencionado no Evangelho. A terra da Síria foi honrada pelas pegadas de seu Senhor, Senhor de todos os homens, e norte e sul, ambos se inebriam com o vinho de Sua Presença. Bem-aventurado o homem que inalou a flagrância do Mais Misericordioso e se voltou para a Alvorada de Sua Beleza, neste Amanhecer resplandecente. A Mesquita de Aqsá vibra com os sopros de seu Senhor, o Todo-Glorioso, enquanto Bathá (Meca) tremula ante a voz de Deus, o Excelso, o Altíssimo. E com isso, cada uma de suas pedras rende louvores ao Senhor por intermédio deste Grande Nome.
“Renuncia teu desejo e dirige teu coração a teu Senhor, o Ancião dos Dias. Fazemos menção de ti por amor a Deus e desejamos que teu nome seja exaltado pela tua comemoração de Deus, Criador da terra e do céu. Ele, em verdade, dá testemunho daquilo que digo. Fomos informados de que tu proibiste o tráfico de escravos, tanto de homens como de mulheres. Isso, em verdade, é o que Deus ordenou nesta Revelação maravilhosa. Deus, em verdade, te destinou uma recompensa por isso. A quem fizer o bem, Ele, em verdade, remunerará devidamente – fosses tu seguir o que te foi enviado por Aquele que é o Onisciente, O de tudo informado. Quanto àquele que se desviar e se inchar de orgulho após lhe haverem vindo os sinais claros, provenientes do Revelador dos sinais, Deus reduzirá sua obra a nada. Ele, em verdade, tem poder sobre todas as coisas. As ações do homem são aceitáveis depois de ele haver reconhecido (o Manifestante). Quem se desviar do Verdadeiro é, de fato, a mais velada dentre Suas criaturas. Assim foi decretado por Aquele que é o Onipotente, o Mais Poderoso.
“Soubemos também que tu havias entregue as rédeas do conselho aos representantes do povo. Em verdade, fizeste bem, pois assim os alicerces do edifício de tuas atividades serão fortalecidos, e os corações de todos os que se acham obrigados à tua sombra, sejam de alta ou de baixa categoria, serão tranqüilizados. Compete-lhes, entretanto, ser dignos de confiança entre Seus servos e considerarem-se a si próprios como os representantes de todos os que habitam na terra. É o que lhes aconselha, nesta Epístola, Aquele que rege, o Onisciente... Bem-aventurado aquele que entra na assembléia por amor a Deus e julga entre os homens com pura justiça. Ele, em verdade, é dos ditosos...
“Dirige-te a Deus e dize: ó meu Senhor Soberano! Eu sou apenas um vassalo Teu, e Tu, em verdade, és o Rei dos Reis. Levantei minhas mãos suplicantes ao céu de Tua graça e Tuas dádivas. Faze descer, pois, sobre mim, das nuvens de Tua generosidade, o que me possa livrar de tudo menos de Ti e me faça aproximar de Ti. Suplico-Te, ó meu Senhor – por Teu nome, que fizeste o rei dos nomes e a manifestação de Ti Próprio para todos os que estão no céu e na terra – rompe os véus que se interpuseram entre mim e meu reconhecimento da Alvorada de Teus sinais e do Amanhecer de Tua Revelação. És, em verdade, o Todo-Poderoso, o Onipotente, o Generosíssimo. Não me prives, ó meu Senhor, das fragrâncias das Vestes de Tua Misericórdia em Teus dias, e inscreve para mim o que increveste para Tuas servas que acreditaram em Ti e em Teus sinais, e Te reconheceram, e dirigiram os corações ao horizonte de Tua Causa. Verdadeiramente, Tu és o Senhor dos mundos e entre aqueles que mostram misericórdia o Mais Misericordioso. Ajuda-me, pois, ó meu Deus, a comemorar-Te entre Tuas servas e promover Tua Causa em Tuas plagas. Aceita, então, o que me escapou ao irradiar-se a luz de Teu semblante. Tu, em verdade, tens poder sobre todas as coisas. Glória a Ti, ó Tu em cuja mão está o reino dos céus e da terra.”
No Kitáb-i-Aqdas, Seu Livro Sacratíssimo, Bahá’u’lláh assim se dirige ao Imperador Alemão, Guilherme I: “Dize: ó Rei de Berlim! Dá ouvidos à Voz que chama deste Templo manifesto: - Em verdade, não há outro Deus senão Eu, o Eterno, o Incomparável, o Antigo dos Dias. Acautela-te para que o orgulho não te impeça de reconhecer a Aurora da Revelação Divina, nem os desejos terrenos te excluam, como se o fosse por um véu, do Senhor do Trono no alto e da terra em baixo. Assim te aconselha a Pena do Altíssimo. Ele, em verdade, é o Mais Misericordioso, o Todo-Generoso. Lembra-te daquele cujo poder transcendeu teu poder (Napoleão III), e cuja posição era superior à tua posição! Onde está ele? Aonde foram as coisas por ele possuídas? Sê advertido, e não sejas dos que estão profundamente adormecidos. Ele foi quem lançou atrás de si a Epístola de Deus quando Nós o informamos daquilo que as hostes da tirania Nos fizeram sofrer. Por isso a desgraça o atacou de todos os lados e, com grande perda, ele se baixou ao pó. Pondera, ó Rei, sobre ele e sobre os outros que, como tu, venceram cidades e dominaram os homens. O Todo-Misericordioso fê-los descerem de seus palácios às suas sepulturas. Sê advertido, sê dos que refletem.”
E mais adiante no mesmo Livro, esta profecia notável: “ó margens do Reno! Nós vos vimos cobertas de sangue porque as espadas da retribuição foram desembainhadas contra vós; e tereis ainda outro turno. E ouvimos os lamentos de Berlim, se bem que hoje esteja em glória conspícua.”
Também se acham registradas no Kitáb-i-Aqdas, estas palavras dirigidas ao Imperador Francisco José: “ó Imperador da Áustria! Aquele que é o Amanhecer da Luz de Deus residia na prisão de ´Akká na ocasião em que tu saíste para visitar a Mesquita de Aqsá (Jerusalém). Passaste sem indagar por Aquele Cuja Presença exalta toda casa, e para quem o mais majestoso portão se descerra. Nós, em verdade, fizemos dessa cidade (Jerusalém) um lugar para o qual o mundo se devesse volver, a fim de Me comemorar, e tu, no entanto, rejeitaste Aquele que é o Objeto dessa comemoração, quando Ele apareceu com o Reino de Deus, teu Senhor e o Senhor dos mundos. Temos estado contigo em todos os tempos e te achado preso ao Ramo sem atenderes à Raiz. Teu Senhor, em verdade, é testemunha do que digo. Lamentamos ver como te volvias ao redor de Nosso Nome, enquanto continuava inconsciente de Nós, embora estivéssemos ante tua face. Abre teus olhos, a fim de poderes contemplar esta Visão gloriosa e reconhecer Aquele a Quem invocas durante o dia e à noite, e fitar a Luz que brilha acima deste Horizonte luminoso.”
No Súriy-i-Múluk, ao Sultão ´Abdu´l-´Azíz, são dirigidas estas palavras: “Ouve, ó rei, o que exprime Aquele que diz a verdade, que não te pede como remuneração as coisas que Deus se dignou te conceder, Aquele que trilha, sem errar, a Senda reta. Ele é Quem te chama para Deus, teu Senhor, e te mostra o caminho certo, o que conduz à verdadeira felicidade, para que talvez sejas dos que estarão bem... Se alguém se dedicar inteiramente a Deus, Deus estará com ele, sem dúvida; e se puser em Deus toda a sua confiança, Deus, em verdade, haverá de protegê-lo de tudo o que lhe possa causar dano e da iniqüidade de cada mau conspirador.
“Fosses tu inclinar o ouvido para Minhas palavras e observar Meu conselho. Deus elevar-te-ia a tão eminente posição que jamais os desígnios de homem algum na terra te poderiam tocar ou ofender. Observa, ó rei, do mais íntimo do coração e de todo o teu ser, os preceitos de Deus, e não andes nos caminhos do opressor. Segura tu, e mantém firmemente nas mãos de teu poder, as rédeas do governo de teu povo, e examina pessoalmente tudo a ele relacionado. Que nada te escape, pois nisso reside o maior bem.
“Agradece a Deus por te haver escolhido do mundo inteiro e te feito rei sobre aqueles que professam tua fé. Incumbe-te apreciar os maravilhosos favores que Deus te concedeu, e magnificar continuamente Seu Nome. Podes melhor louvá-Lo se amas aos Seus amados e proteges Seus servos do mal dos traiçoeiros, a fim de que ninguém mais os oprima. Deves, ainda mais, levantar-te para executar a lei de Deus entre eles, a fim de seres um dos que se acham firmemente estabelecidos em Sua Lei.
“Se fizesses rios de justiça espalharem suas águas entre teus súditos, Deus seguramente te ajudaria com as hostes dos invisíveis e dos visíveis, e te fortaleceria em tuas atividades. Não há Deus senão Ele. Toda a criação e seu império Lhe pertencem. A Ele voltam as obras dos fiéis.
... “Não confies em teus tesouros. Põe tua inteira confiança na graça de Deus, teu Senhor. Seja Ele teu apoio em tudo o que fizeres, e sê um dos que se submeteram à Sua vontade. Faze Dele teu amparo e enriquece-te com Seus tesouros, pois com Ele estão os tesouros dos céus e da terra. Ele os concede a quem Ele queira, e a quem Ele queira, os nega. Não há outro Deus senão Ele, Possuidor de tudo, Alvo de todo louvor. Todos são apenas indigentes à porta de Sua misericórdia; todos se encontram destituídos de poder ante a revelação de Sua soberania, e suplicam Seus favores.
“Não excedas os limites da moderação e trata com justiça àqueles que te servem. Dá-lhes de acordo com suas necessidades e não a tal ponto que possam acumular para si riquezas, se adornar, embelezar suas casas, adquirir as coisas que nenhum benefício lhes trazem, e se contar entre os extravagantes. Trata-os com infalível justiça, de modo que nenhum deles sofra privações, nem goze de excessivo luxo. Isso é apenas justiça manifesta. Não permitas que os abjetos governem e dominem aqueles que são nobres e dignos de honra, nem deixes os magnânimos à mercê dos indignos e desprezíveis, pois foi o que vimos ao chegarmos na Cidade (Constantinopla), e disso damos testemunho...
“Põe diante de teus olhos a infalível Balança de Deus e, como se estivesses em Sua Presença, pesa nesta Balança tuas ações cada dia, a cada momento de tua vida. Julga-te a ti mesmo antes de seres chamados para o juízo, no dia em que nenhum homem terá as forças para se manter em pé por temor a Deus, o Dia em que os corações dos desatentos haverão de tremer...
“Tu és a sombra de Deus na terra. Esforça-te, pois, para te comportares de uma maneira digna de tão eminente, tão augusta posição. Se tu te desviares de seguir as coisas que fizemos descer sobre ti e te ensinamos, estarás, seguramente, diminuindo essa grande e inestimável honra. Volta, pois, e adere completamente a Deus, e limpa teu coração do mundo e de todas suas vaidades, e não permitas que o amor a um estranho nele entre e resida. Antes de purificares teu coração de todo traço de tal amor, não poderá o brilho da luz de Deus irradiar sobre ele seu esplendor, pois a ninguém Deus deu mais de um coração. Isso, em verdade, foi decretado e inscrito em Seu Livro antigo. E assim como o coração humano, segundo foi moldado por Deus, é um só e indivisível, também deves acautelar-te para que suas afeições, igualmente, sejam uma só e indivisíveis. Apega-te, pois, com todo o afeito de teu coração a Seu amor, e retira-o do amor a qualquer um além Dele, a fim de que Ele te possa ajudar a imergir no oceano de Sua unidade e te tornar um verdadeiro sustentáculo de Sua unicidade...”
11. QUE O OPRESSOR DESISTA
“Sejam atentos teus ouvidos, ó rei, às palavras que Nós te dirigimos. Faze que o opressor desista de sua tirania, e afasta os que perpetram injustiças dentre aqueles que professam tua fé. Pela retidão de Deus! As tribulações que suportamos são tais que a pena que as relata não pode deixar de se acabrunhar de angústia. Nenhum dos que realmente crêem na unidade de Deus, e a sustentam, pode tolerar o peso de sua narração. Tão grandes têm sido Nossos sofrimentos que até os olhos de Nossos inimigos choraram por Nós, e além deles os de toda pessoa de discernimento. E a todas essas provações fomos sujeitados apesar de Nossa ação em Nos aproximar de ti e em exortar o povo a entrar em tua sombra, a fim de que tu fosses uma cidadela para aqueles que crêem na unidade de Deus e a sustentam.
“Ó rei, Eu já alguma vez te desobedeci? Em alguma ocasião transgredi qualquer uma de tuas leis? Pode qualquer um de teus ministros que te representam no ´Iráq aduzir uma prova de Minha deslealdade a ti? Não, por Aquele que é o Senhor dos mundos! Nem por um momento Nós nos rebelamos contra ti ou contra qualquer um de teus ministros. Nunca – queira Deus – nos revoltaremos contra ti, nem que sejamos expostos a tribulações ainda mais severas do que qualquer uma sofrida por Nós no passado. Durante o dia e nas horas da noite, no crepúsculo e ao amanhecer, oramos a Deus por ti, para que Ele por sua graça te ajude a Lhe ser obediente e observar os mandamentos, e te proteja contra as hostes dos maus. Faze, pois, como te aprouver, e trata-Nos de um modo que convenha à tua posição e seja digno de tua soberania. Não te esqueças da lei de Deus em tudo o que desejares realizar, nem agora nem nos dias vindouros. Dize: - Louvores a Deus, Senhor de todos os mundos!”
Além disso, no Kitáb-i-Aqdas se encontra esta apóstrofe veemente a Constantinopla: “ó Lugar sito nas praias dos dois mares! O trono da tirania foi, em verdade, estabelecido em ti e a chama do ódio se ateou dentro de teu seio, de tal modo que a Assembléia no alto e aqueles que se movem ao redor do Trono excelso gemeram e se lamentaram. Vemos em ti os insensatos dominarem os sábios, e a treva vangloriar-se sobre a luz. Estás, de fato, cheio de orgulho manifesto. Teu esplendor exterior te terá feito jactancioso? Este – por Aquele que é o Senhor da humanidade – muito breve perecerá, e tuas filhas e tuas viúvas e todas as famílias que em ti residem haverão de se lamentar. Assim te informa o Onisciente, o Sapientíssimo.”
Quanto ao Xá Násiri´d-Dín, a Epístola intitulada Lawh-i-Sultán, enviada de ´Akká – mais longa do que qualquer outra Epístola mandada por Bahá’u’lláh a um soberano – proclama: “Ó rei! Eu era apenas um homem como os outros, adormecido em meu leito, mas eis que os sopros do Todo-Glorioso manaram sobre Mim e Me deram o conhecimento e tudo o que já existia. Isso não provém de Mim, mas de Um que é o Todo-Poderoso o Onisciente. E Ele ordenou que Eu levantasse Minha voz entre a terra e o céu, e por isso me sucedeu o que fez correrem as lágrimas de todo homem de compreensão. A erudição comum entre os homens, não a estudei; nem entrei em suas escolas. Pergunta na cidade em que residi, a fim de teres a certeza de que Eu não sou dos que falam falsamente. Este Ser é apenas uma folha movida pelos ventos da Vontade de teu Senhor, o Todo-Poderoso, Alvo de todo louvor. Poderá aquietar-se quando soprarem os ventos tempestuosos? Não, por Aquele que é o Senhor de todos os Nomes e Atributos! Movem-na a seu bel-prazer. O efêmero afigura-se como nada perante Aquele que é o Sempiterno. Seu chamado predominante atingiu-Me e Me fez expressar Seu louvor entre todos os povos. Em verdade, era Eu feito um morto, quando Seu imperativo foi enunciado. A mão da Vontade de teu Senhor, o Compassivo, o Misericordioso, transformou-Me. Poderá alguém pronunciar espontaneamente o que faça todos os homens, grandes e humildes, contra ele protestarem? Não, por Aquele que ensinou à Pena os mistérios eternos, salvo quem fosse fortalecido pela graça do Onipotente, do Todo-Poderoso. A Pena do Altíssimo a Mim se dirige, dizendo: Não receies. Relata à Sua Majestade o Xá o que te sucedeu. Seu coração, em verdade, está entre os dedos de teu Senhor, o Deus de Misericórdia, de modo que talvez o sol da justiça e da generosidade possa brilhar acima do horizonte de seu coração. Assim foi fixado o decreto irrevogável por Aquele que é o Onisciente.
“Contempla este Jovem, ó rei, com os olhos da justiça; julga tu, pois, com verdade, aquilo que lhes sucedeu. Verdadeiramente, Deus te fez Sua sombra entre os homens e o sinal de Seu poder para todos os que habitam na terra. Julga tu entre Nós e aqueles que Nos injuriaram sem prova e sem um Livro esclarecedor. Os que te rodeiam amam-te por seus próprios interesses, enquanto este Jovem te ama por ti mesmo, nenhum desejo nutrindo a não ser o de te fazer aproximar do assento da graça e te dirigir à direita da justiça. Teu Senhor dá testemunho daquilo que declaro.
“Ó rei! Fosses tu inclinar o ouvido para a nota penetrante da Pena da Glória e o arrulho do Pombo da Eternidade que, nos ramos do Loto além do qual se não pode passar, expressa seus louvores a Deus, Origem de todos os nomes e Criador da terra e do céu – atingirias a condição em que nada contemplarias no mundo dos seres senão a resplandecência do Adorado, vindo a considerar tua soberania como o mais desprezível de tuas possessões, e a abandoná-la a quem a quisesse, volvendo tua face para o Horizonte que fulge com a luz de Seu Semblante. Jamais quererias tu suportar o peso de domínio, salvo com o fim de servir teu Senhor, o Excelso, o Altíssimo. Então a Assembléia no alto abençoar-te-ia. Oh, como é excelente esta mais sublime posição, pudesses tu a ela ascender através do poder de uma soberania reconhecida como oriunda do Nome de Deus!...
“Ó rei da época! Os olhos destes refugiados volvem-se para a clemência do Mais Clemente e nela se fixam. Sem dúvida alguma, estas tribulações serão seguidas pelas emanações de uma misericórdia suprema, e estas adversidades horrendas por uma prosperidade transbordante. Quereríamos esperar, porém, que Sua Majestade o Xá examine, ele mesmo, estes assuntos e dê esperança aos corações. O que submetemos à tua Majestade é, realmente, para teu maior bem. E Deus, em verdade é testemunha suficiente para Mim...
“Oxalá Me permitisse, ó Xá, enviar-te aquilo que poderia alegrar os olhos e tranqüilizar as almas e fazer toda pessoa justa acreditar que com Ele está o conhecimento do Livro... Se não fosse o repúdio dos insensatos e a conivência dos sacerdotes, Eu teria pronunciado um discurso que extasiasse os corações, transportando-os para um reino cujos ventos se fazem ouvir, murmurando: - Nenhum Deus há senão Ele!...
“Tenho visto, ó Xá, no caminho de Deus, o que olhos jamais viram nem ouvidos ouviram... Quão numerosas as tribulações que choveram, e breve choverão, sobre Mim. Sigo adiante, com a face volvida para Aquele que é o Onipotente, o Todo-Generoso, enquanto atrás de Mim desliza a serpente. Meus olhos têm chovido lágrimas até ensopar Meu leito. Minha tristeza não é por Minha própria causa, entretanto. Por Deus! Nunca passei por uma árvore sem que Meu coração não lhe tivesse dirigido estas palavras: - Oxalá fosses cortada em Meu nome, e Meu corpo sobre ti fosse crucificado, na vereda de Meu senhor! - ...Por Deus! Embora a fadiga Me abata e a fome Me consuma, a pedra nua seja Meu leito e os animais do campo Meus companheiros, não Me queixarei mas, sim, sofrerei pacientemente, como sofreram aqueles dotados de constância e firmeza, através do poder de Deus, o Rei Eterno e Criador das nações, e agradecerei a Deus sob todas as condições. Pedimos que, por Sua bondade – exaltado seja Ele – através deste encarceramento Ele livre das cadeias e correntes os pescoços dos homens e os leve a volverem-se, com face sincera, para a Face Daquele que é o Potente, o Generoso. Prontamente responde Ele a quem O invoca, e próximo está de quem com Ele comunga.”
No Qayyúmu´l-Asmá´, o Báb, por Sua parte, assim se dirige ao Xá Muhammad: “Ó rei do islã! Dá teu apoio, com a verdade – após haveres apoiado o Livro – Àquele que é Nossa Maior Lembrança, pois Deus, na absoluta verdade, destinou a ti e aos que te rodeiam, no Dia do Juízo, uma posição responsável em Seu caminho. Deus é Minha Testemunha, ó Xá! Se mostrares inimizade Àquele que é Sua Lembrança, Deus, no Dia da Ressurreição, perante os reis, te há de condenar ao fogo infernal e não haverás de encontrar nesse Dia, realmente, amparo algum a não ser Deus, o Excelso. Purga tu, ó Xá, a Terra Sagrada (Teerã) daqueles que repudiaram o Livro, antes do dia em que vem a Lembrança de Deus, terrível e subitamente, com Sua Causa potente, com a permissão de Deus, o Altíssimo. Deus, em verdade, prescreveu que te submetesses Àquele que é Sua Lembrança, e à Sua Causa, e subjugasses os países com a verdade e por Sua permissão, pois neste mundo foste investido de soberania pela Sua graça, e, no vindouro, residirás perto do Assento da Santidade, com os habitantes do Paraíso de Seu beneplácito. Que tua soberania não te engane, ó Xá, pois ´toda alma há de provar a morte´ e isso, em realidade, se inscreveu como decreto de Deus.”
Em Sua epístola ao Xá Muhammad, ainda mais, o Báb revelou: “Eu sou o Ponto Primaz do qual foram geradas todas as coisas. Sou o Semblante de Deus cujo esplendor jamais se obscurecerá, a Luz de Deus cujo brilho não pode esmorecer. Todas as chaves do céu Deus quis colocá-las à Minha direita, e todas as chaves do inferno à Minha esquerda... Sou um dos pilares que sustentaram a Palavra Primaz de Deus. Quem Me tiver reconhecido, terá sabido que o que é verdadeiro e certo, e terá atingido tudo o que é bom e digno... A substância de que Deus Me criou não é o barro do qual se formaram os outros. A Mim, concedeu Ele aquilo que os sábios do mundo jamais poderão compreender, nem os fiéis descobrir...
“Por Minha vida! Se não fosse a obrigação de reconhecer a Causa Daquele que é a Testemunha de Deus... Eu não te teria anunciado isto... Nesse mesmo ano (no ano 60), enviei-te um mensageiro e um livro, a fim de que desses à Causa Daquele que é a Testemunha de Deus, a acolhida digna da posição de tua soberania...
“Juro pela verdade de Deus! Se aquele que consentiu em Me tratar de tal modo pudesse saber a quem ele assim tratou, nunca mais em sua vida, na verdade, estaria contente. Não, Eu, verdadeiramente, informo-te da verdade do assunto – é como se tivesse aprisionado todos os Profetas, e todos os homens da verdade e todos os eleitos... Ai daquele de cujas mãos provém o mal, e bem-aventurado o homem de cujas mãos emana o bem...
“Deus é Minha Testemunha! Não busco de ti bens terrenos, nem nos limites de um grão de mostarda... Juro pela verdade de Deus! Fosses tu saber o que Eu sei, renunciarias a soberania deste mundo e do vindouro, a fim de poderes atingir Meu beneplácito, em virtude de tua obediência ao Verdadeiro... Se te recusares, o Senhor do Mundo erguerá quem exalte Sua Causa, e o Mandamento de Deus será, em verdade, levado a efeito.”
12. O VIGÁRIO DE DEUS NA TERRA
Caros amigos! Que vasto panorama é estendido diante de nossos olhos por estas pronunciações divinas que nos sondam a alma! Quantas reminiscências elas evocam! Como são sublimes os princípios que elas infundem! Que esperanças engendram e apreensões excitam! E no entanto, se bem que as palavras que acabamos de citar se adaptem aos fins imediatos de meu tema, quanto nos devem aparecer fragmentárias ao serem comparadas com a majestade torrencial que somente a leitura do texto completo nos pode desvelar! Aquele que era o Vigário de Deus na terra, dirigindo-se – no momento mais crítico, quando Sua Revelação atingia seu zênite – àqueles em cujas pessoas se concentravam o esplendor, a soberania e o poder do domínio terreno, não podia, certamente, subtrair um só i ou um só til do peso e da força que a apresentação desta Mensagem tão histórica exigia. Nem os perigos que rapidamente O cercavam, nem o poder formidável da qual a doutrina da soberania absoluta investia, naquele tempo, os imperadores do Ocidente e os potentados do Oriente, conseguiram impedir o Exilado e Prisioneiro em Adianopla de comunicar a plena veemência de Sua Mensagem a Seus perseguidores imperiais gêmeos como também aos demais soberanos.
A magnitude e a diversidade do tema, o argumento tão persuasivo, a linguagem sublime e audaz, prendem nossa atenção e estonteiam-nos a mente. Imperadores, reis e príncipes, cancelários e ministros, o próprio Papa, sacerdotes, monges e filósofos, os expoentes da erudição, parlamentares e deputados, os ricos da terra, os adeptos de todas as religiões, bem como o povo de Bahá – todos são trazidos dentro da esfera de autoridade do Autor destas Mensagens e recebem, cada qual segundo o merecimento, Seus conselhos e Suas advertências. Não menos surpreendente é a diversidade dos assuntos abordados nestas Epístolas. Elas exaltam a transcendente majestade e unidade de um Deus incognoscível e inatingível, e também proclamam e acentuam a unidade de Seus Mensageiros. Frisam o caráter único e universal da Fé Bahá’í e suas potencialidades, bem como o desígnio e os aspectos distintivos da Revelação Babí. Mostram o significado dos sofrimentos e desterros de Bahá’u’lláh; reconhecem e lamentam as tribulações que choveram sobre Seu Arauto e o Portador de Seu Nome. Expressam Seu próprio anseio pela coroa do martírio, que ambos tão misteriosamente ganharam, e prognosticam as glórias e maravilhas inefáveis que esperam Sua própria Revelação. Relatam episódios a um tempo comoventes e admiráveis, em várias etapas de seu ministério, e asseveram repetida e categoricamente a transitoriedade da pompa, fama, soberania e das riquezas terrenas. Apelam forte e insistentemente pelos mais altos princípios em relações humanas e internacionais, e exigem o abandono de convenções e práticas condenáveis e prejudiciais à felicidade, ao crescimento, à prosperidade e à unificação do gênero humano. Estas Epístolas censuram os reis, acusam os dignitários eclesiásticos, condenam ministros e plenipotenciários. A identificação do advento de Bahá’u’lláh com a vinda do próprio Pai é admitida inequivocamente e anunciada repetidas vezes. É predita a violenta queda de alguns desses reis e imperadores, sendo dois deles chamados definitivamente a desafio; à maioria Ele adverte, a todos apela e exorta.
Na Law-i-Sultán (Epístola ao Xá da Pérsia) Bahá’u’lláh declara: “Oxalá o desejo imperial, adorno do mundo, decretasse que este Servo falasse face a face com os sacerdotes da época e apresentasse provas e testemunhos na presença de Sua Majestade o Xá! Este Servo está pronto e tem esperança em Deus de que se realize esse encontro a fim de que a verdade do assunto se torne clara e manifesta diante de Sua Majestade o Xá. Incumbe-te, pois, mandar, e Eu estou pronto, diante do trono de tua soberania. Decide, pois, por Mim ou contra Mim.”
E além disso, na Lawh-i-Ra´ís, Bahá’u’lláh, recordando Sua conversação com o oficial turco encarregado de executar Seu exílio para a cidade-fortaleza de ´Akká, escreveu: “Há um assunto que, se o achares possível, Eu te peço que submetas à Sua Majestade o Sultão: que a este Jovem seja permitida uma entrevista de dez minutos com ele, a fim de que ele possa exigir qualquer testemunho que julgar suficiente, ou considerar prova da veracidade Daquele que é a Verdade. Se Deus O capacitar a apresentá-la, que ele então liberte estes injuriados e os deixe em paz.” “Ele prometeu”, acrescenta Bahá’u’lláh nesta Epístola, “a transmitir esta mensagem e Nos dar sua resposta. Nenhuma notícia, porém, recebemos dele. Embora não convenha Àquele que é a Verdade, apresentar-se diante de pessoa alguma, visto haverem sido todos criados a fim de obedecê-Lo – no entanto, em face da condição destas crianças e do grande número de mulheres tão longe de sua prática e de pessoas amigas, Nós anuímos nesse assunto. Apesar disso, não houve resultado. O próprio ´Umar está vivo e acessível. Inquire-lhe, a fim de que a verdade seja conhecida.”
Referindo-se a essas Epístolas dirigidas aos soberanos da terra, as quais ‘Abdu’l-Bahá aclamou como um “milagre”, Bahá’u’lláh escreveu: “Cada uma delas foi designada por um nome especial. A primeira foi chamada “O Retombo”; a segunda, “O Golpe”; a terceira, “O Inevitável”; a quarta, “O Claro”; a quinta, “A Catástrofe”; e as outras, “O Toque Atordoador de Trombeta”, “O Acontecimento Próximo”, “O Grande Terror”, “A Trombeta”, “O Clarim” e outras semelhantes, de modo que todos os povos da terra possam saber com certeza e testemunhar, com olhos exteriores e interiores, que Aquele, o Senhor dos Nomes, tem prevalecido e continuará a prevalecer sobre todos os homens, sob todas as condições... Desde o princípio do mundo, jamais se havia proclamado a Mensagem tão abertamente... Glorificado seja este Poder irradiante que envolveu os mundos! Este ato do Causador das Causas, ao ser revelado, produziu dois resultados: aguçou as espadas dos infiéis e, ao mesmo tempo, movimentou as línguas daqueles que se volveram para Ele em comemoração e louvor. Eis o efeito dos ventos fecundantes, mencionados outrora na Lawh-i-Haykal. Toda a terra está agora em estado de prenhez. Aproxima-se o dia em que terá produzido seus mais nobres frutos, quando dela terão brotado as mais imponentes árvores, as flores mais encantadoras, as bênçãos mais celestiais. Incomensuravelmente excelso é o sopro que emana das vestes de teu Senhor, o Glorificado! Pois ei-Lo! Emitiu Sua fragrância e renovou todas as coisas! Felizes os que compreendem. Aquele que é o Senhor da Revelação, nenhuma destas coisas queria para Si próprio – isso está indubitavelmente claro e evidente. Embora sabendo que seria causa de tribulações, dificuldades e provações aflitivas, Ele, unicamente como sinal de Sua misericórdia e Seu favor, e com o fim de ressuscitar os mortos e remir todos os que estão na terra, fechando os olhos para Seu próprio bem-estar, suportou o que nenhuma outra pessoa jamais teve nem terá de suportar.”
As mais importantes de Suas Epístolas, dirigidas a soberanos individuais, Bahá’u’lláh mandou escrevê-las em forma de uma estrela pentangular, simbólica do templo humano e contendo, em conclusão, as seguintes palavras que revelam a importância atribuída por Ele a essas Mensagens e indicam sua associação direta à Profecia do Velho Testamento: “Assim construímos o Templo com as mãos do poder e grandeza - pudésseis apenas saber isso. É o Templo que vos é prometido no Livro. Aproximai-vos dele. É o que vos traz proveito – pudésseis apenas compreender isso. Sede justos, ó povos da terra! Qual é preferível, este ou um templo feito de barro? Volvi a face para ele. Assim vos foi ordenado por Deus, o Amparo no Perigo, o Independente. Segui o Seu mando e daí louvores a Deus, vosso Senhor, por aquilo que Ele vos concedeu. Ele, verdadeiramente, é a Verdade. Nenhum Deus há senão Ele. Ele revela o que Lhe apraz, através de Suas palavras: - Sê, e assim é.”
Referindo-se a este mesmo assunto em uma de Suas Epístolas, Ele assim se dirige aos adeptos de Jesus Cristo: “Ó assembléia dos que seguem o Filho! Em verdade, o Templo foi construído pelas mãos da vontade de vosso Senhor, o Onipotente, o Todo-Generoso. Dá testemunho, pois, ó povo, daquilo que Eu digo: - Qual é preferível, o que é construído de barro, ou o que é construído pelas mãos de vosso Senhor, o Revelador dos Versículos? Este é o Templo que vos é prometido nas Epístolas e que vos chama em altas vozes: - ó seguidores das religiões! Apressai-vos a fim de atingirdes Aquele que é a Origem de todas as causas, e não sigais todo infiel e incrédulo.”
Não se deve esquecer que, além destas Epístolas específicas dirigidas aos reis individual e coletivamente, Bahá’u’lláh revelou outras Epístolas – sendo a Lawh-i-Ra´ís um exemplo saliente – bem como, na massa de Seus escritos volumosos, introduziu inúmeras passagens nas quais se dirige, ou se refere, aos ministros, governos e seus acreditados representantes. Não desejo tratar, porém, dessas passagens que, embora vitais, não podem possuir o mesmo significado próprio das mensagens diretas e específicas, expressas pelo Manifestante de Deus e dirigidas aos sumos magistrados do mundo em Seu dia.
Caros amigos: Já se disse o bastante para descrever as tribulações que durante tanto tempo acabrunhavam os Fundadores de tão proeminente Revelação, das quais o mundo deixou de tomar conhecimento, e com resultados tão desastrosos. Atenção suficiente já se prestou também às Mensagens dirigidas àqueles soberanos que, no exercício de sua autoridade incondicional, provocaram deliberadamente esses sofrimentos, ou pelo menos se poderiam ter levantado, na plenitude de seu prestígio, a fim de mitigarem seu efeito ou desviarem seu curso trágico. Consideremos agora as conseqüências que sucederam. A reação desses monarcas, como já dissemos, foi variada e inequívoca e, à medida que a marcha dos acontecimentos se tem desdobrado gradativamente, desastrosa em suas conseqüências. Um dos mais eminentes desses soberanos tratou o Chamado Divino com vergonhoso desrespeito, dando-lhe uma resposta muito breve e pouco civil, escrita por um de seus ministros. Um outro recebeu o portador da Mensagem com violência: depois de o haver torturado e ferrado, trucidou-o brutalmente. Outros preferiram guardar um desdenhoso silêncio. Todos falharam completamente em seu dever de se levantarem e lhe prestarem seu apoio. Dois deles, especialmente, incentivados pelo impulso dual do medo e da zanga, oprimiram com ainda maior severidade a Causa que eles juntamente haviam resolvido desarraigar. Um condenou seu Prisioneiro Divino a ainda outro exílio, “à cidade do aspecto mais desagradável, cujo clima era o mais detestável e água a mais vil”, enquanto o outro, não podendo atacar o Impulsor Primaz de uma Fé odiada, sujeitou a crueldade atrozes e abjetas os adeptos que se achavam sob seu domínio. A descrição dos sofrimentos de Bahá’u’lláh contida nessas Mensagens não lograva despertar compaixão em seus corações. Rejeitaram desdenhosamente Seus apelos, como igual jamais foi registrado, nem nos anais do cristianismo nem nos do islã. Com arrogância, zombaram das ominosas advertências por Ele pronunciadas. De Seus desafios audazes, não tomaram conhecimento. Os castigos por Ele preditos foram objeto de riso.
Em face de tão completa e ignominiosa rejeição, pois, poderíamos considerar o que tem acontecido, e está ainda acontecendo, no decorrer do primeiro século Bahá’í, mais especialmente em seus anos finais, neste século cheio de sofrimentos tão tumultuosos e ultrajes tão violentos para a Fé fundada por Bahá’u’lláh, alvo de tanta perseguição. Impérios caídos no pó, reinos derribados, dinastias extintas, a realeza deturpada, reis assassinados, envenenados, sofrendo exílio ou humilhação em seus próprios domínios, enquanto os poucos tronos restantes tremem diante das repercussões da queda de seus colegas.
Tão gigantesco e catastrófico processo teve início – podemos dizer – naquela noite memorável em que, num obscuro canto de Shíráz, o Báb, na presença da Primeira Letra a crer Nele, revelou o primeiro capítulo de Seu célebre comentário sobre o Súrih de José (O Qayyúmu´l-Asmá), no qual trombeteou Seu Chamado aos soberanos e príncipes da terra. Passou da fase de incubação para a da manifestação visível, ao serem cumpridas as profecias de Bahá’u’lláh entesouradas para sempre no Súriy-i-Haykal, as quais Ele pronunciara antes da queda dramática de Napoleão III e da prisão voluntária do Papa Pio IX no Vaticano. Acelerou-se esse processo quando, nos dias de ‘Abdu’l-Bahá, a Grande Guerra extinguiu as dinastias dos Romanoffs, Hohenzollern e Hapsburgos e converteu em repúblicas as monarquias inveteradas e poderosas. Acelerou-se ainda mais, pouco depois do falecimento de ‘Abdu’l-Bahá, com a extinção da dinastia Qájár na Pérsia e o fragoroso colapso tanto do califado como do sultanato. E está operando ainda, ante nossos próprios olhos, enquanto testemunhamos o destino que alcança as cabeças coroadas, uma após outra, no continente europeu no curso dessa colossal e devastadora luta. Nenhum homem, de certo, ao contemplar imparcialmente as manifestações desse inexorável processo de revolução, dentro de tão curto espaço de tempo, comparativamente, escapará à conclusão de que os últimos cem anos bem podem ser considerados, no que diz respeito às fortunas da realeza, um dos períodos mais cataclísmicos nos anais da humanidade.
13. HUMILHAÇÃO IMEDIATA E COMPLETA
De todos os monarcas do mundo, no tempo em que Bahá’u’lláh, proclamando-lhes Suas Mensagens, revelou o Súriy-i-Múluk em Adrianópolis, os mais augustos e influentes eram o Imperador francês e o Sumo Pontífice. Nas esferas da política e da religião, respectivamente, ocuparam o primeiro lugar, e a humilhação sofrida por ambos foi não só imediata mas também completa.
Napoleão III, filho de Louis Bonaparte (irmão de Napoleão I), na opinião dos historiadores em geral, foi o mais eminente monarca de seu tempo no Oeste. “O Imperador” – dizia-se dele – “era o Estado”. A capital francesa era a mais atraente da Europa; a corte francesa “a mais brilhante e luxuosa do século XIX”. Ele, dominado por uma ambição fixa e indelével, aspirou a emular o exemplo de seu tio imperial e a concluir a obra interrompida. Sonhador, conspirador, de uma natureza vacilante, hipócrita, temerário, ele, o herdeiro ao trono napoleônico, aproveitando a política que visava a alimentar o renovado interesse na carreira de seu grande protótipo, tentar derribar a monarquia. Ao malograr-se sua tentativa, ele foi deportado para a América; mais tarde, quando tentava uma invasão da França, foi preso e condenado a cativeiro perpétuo, conseguindo porém escapar a Londres, onde permaneceu até que, em 1848, a Revolução efetivou seu regresso e o capacitou a tornar nula a constituição, depois do que foi proclamado imperador. Embora capaz de iniciar movimentos de grande alcance, ele não possuía a sagacidade nem a coragem necessária a fim de os controlar.
A esse homem, último imperador dos franceses, que por meio de conquistas no estrangeiro aspirava a ganhar a simpatia de seu povo para sua dinastia, e até alimentara o ideal de tornar a França centro de um renascido Império Romano – a tal homem o Exilado de ´Akká, já três vezes desterrado pelo Sultão ´Abdu´l-Azíz, havia transmitido, de trás dos muros do quartel em que estava encarcerado, uma Epístola que continha esta acusação indubitavelmente clara e esta profecia ominosa: “O que te despertou – disto damos testemunho – não foi seu grito (o dos turcos afogados no Mar Negro) mas, sim, foste incentivado por tuas próprias paixões, pois Nós te experimentamos e achamos falho... Tivesses tu sido sincero em tuas palavras, não terias jogado atrás de ti o Livro de Deus (Epístola anterior) quando te foi enviado por Aquele que é o Todo-Poderoso, o Onisciente. Por causa daquilo que fizeste, teu reino será entregue ao caos e teu império há de passar de tuas mãos como punição por aquilo que cometeste.”
A Mensagem anterior de Bahá’u’lláh, remetida ao Imperador por intermédio de um dos ministros franceses, teve um acolhimento cuja natureza pode ser conjeturada das palavras registradas na “Epístola ao Filho do Lobo”. “A esta (primeira Epístola), porém, ele não respondeu. Após Nossa chegada na Maior Prisão, veio-nos uma carta de seu ministro, a primeira parte da qual estava escrita em persa, e a última de seu próprio punho. Na carta, ele foi cordial, dizendo o seguinte: - Entreguei vossa carta, segundo me pedistes, e até agora não recebi resposta. Temos mandado, entretanto, as recomendações necessárias a nosso ministro em Constantinopla e nossos cônsules nessas regiões. Se desejardes que seja feita qualquer coisa, informai-vos e nós a executaremos. – De suas palavras se tornou evidente haver ele entendido que este Servo lhe queria pedir assistência material.”
Em sua primeira Epístola, Bahá’u’lláh, desejando provar a sinceridade dos motivos do Imperador, assumiu deliberadamente um tom humilde e não provocador, e, após se haver estendido sobre os sofrimentos por ele suportados, lhe dirigira as seguintes palavras: “Duas declarações feitas gentilmente pelo rei da época chegaram aos ouvidos destes injuriados. São, em verdade, o rei de todas as declarações, cujo igual jamais se ouvira de qualquer soberano. A primeira foi a resposta dada ao governo russo quando este perguntou por que a guerra (da Criméia) fora travada contra ele. Tu respondeste: - O grito dos oprimidos, inocentes de qualquer culpa, afogados no Mar Negro, despertou-me à alvorada. Por isso lancei mão das armas contra ti. – Estes oprimidos, porém, sofreram uma injustiça maior e se acham em grande aflição. Enquanto as provações infligidas àquelas pessoas duraram apenas um dia, as tribulações suportadas por estes servos continuam há vinte e cinco anos, cada momento dos quais nos tem trazido uma angústia penosa. A outra declaração imponente de fato uma declaração admirável manifestada ao mundo, foi esta: É nossa a responsabilidade de vingar os oprimidos e socorrer os desamparados. – A fama da justiça e equidade do Imperador tem trazido esperança a muitas almas. Convém ao rei da época informar-se sobre a condição dos injuriados, e incumbe-lhe conceder seu amparo aos fracos. Em verdade, nunca houve, nem há agora na terra, pessoa alguma tão oprimida como nós, nem tão desamparado como estes errantes.”
Diz-se que esse monarca superficial, ardiloso e intoxicado de orgulho, ao receber a primeira Mensagem, arremessou a Epístola, exclamando: “Se esse homem é Deus, eu sou dois deuses!” O portador da segunda Epístola – sabemos de fonte fidedigna – a escondera em seu chapéu a fim de evadir a estrita vigilância dos guardas, podendo assim entregá-la ao agente francês residente em ´Akká, o qual (segundo atesta Nabíl em sua narrativa) a traduziu para o francês e enviou ao Imperador, vindo ele mesmo a aceitar a Fé após haver testemunhado, mais tarde, o cumprimento de tão notável profecia.
Revelou-se, dentro em breve, o significado das palavras sombrias e ponderosas pronunciadas por Bahá’u’lláh em Sua segunda Epístola. Aquele que fora induzido por desejos egoístas a provocar a Guerra da Criméia, sendo incentivado por um ressentimento pessoal contra o Imperador Russo, e estando impaciente para rasgar o Tratado de 1815, a fim de se vingar do desastre de Moscou e realizar sua ambição de cobrir de glória militar o seu trono, foi, ele próprio, dentro de pouco tempo, engolfado por uma catástrofe que o lançou ao pó, fazendo a França descer de sua proeminente posição entre as nações para a de quarta potência na Europa.
A Batalha de Sedan em 1870 selou o destino do Imperador francês. Seu exército inteiro foi posto em debandada e rendeu-se, constituindo isso a maior capitulação até então registrada na história moderna. Exigiu-se uma indenização esmagadora. Ele mesmo foi preso, e seu único filho, o Príncipe Imperial, morreu, poucos anos depois, na Guerra Zulu. Seguiu-se o colapso do Império, sem se haver realizado seu programa. Proclamou-se a República. A cidade de Paris, mais tarde, foi assediada e teve que capitular. Veio então “o ano terrível”, assinalado por guerra civil que excedia em sua ferocidade a Guerra Franco-Germânica. Guilherme I, o rei prussiano, foi proclamado Imperador Alemão no próprio palácio que se erguera como um “poderoso monumento e símbolo do poder e do orgulho de Luis XIV, poder esse que fora atingido em grande parte pela humilhação da Alemanha”. Deposto por um desastre “tão horrendo que repercutia pelo mundo inteiro”, esse monarca falso e jactancioso, sofreu, a final, e até a morte, o mesmo exílio de que, no caso de Bahá’u’lláh, ele tão impiedosamente se recusara a tomar conhecimento.
Uma humilhação menos espetacular porém mais significativa historicamente, esperava o Papa Pio IX. Aquele que se considerava o Vigário de Cristo, Bahá’u’lláh escreveu: “A Palavra que o Filho (Jesus) ocultou, torna-se manifesta”, e também: “Fez-se descer em forma do templo humano”, dizendo que a Palavra era Ele próprio, e Ele próprio o Pai. Foi aquele que se denominava “O servo dos servos de Deus”, a quem o Prometido de todos os tempos, revelando em toda plenitude Sua posição, anunciou: “Aquele que é o Senhor dos Senhores veio, envolto em nuvens”. Foi a ele, pretenso sucessor de São Pedro, que Bahá’u’lláh lembrou: “Este é o dia em que a Pedra (Pedro) clama e brada... dizendo: - Eis o Pai, e já se cumpre o que vos foi prometido no Reino. –“ Ele, ornado da coroa tríplice, foi quem veio a ser mais tarde o primeiro prisioneiro do Vaticano, e a quem o Prisioneiro Divino de ´Akká ordenou “deixar seus palácios para aqueles que os desejassem”, “vender todos os ornamentos embelezados” que possuía e “despendê-los no caminho de Deus”, “abandonar seu reino aos reis” e sair de sua habitação com a face “voltada para o Reino”.
O Conde Mastai-Ferretti, Bispo de Ímola, o ducentésimo qüinquagésimo quarto papa desde o início da primazia de São Pedro, que fora elevado ao trono papal dois anos após a Declaração do Báb, a duração de cujo pontifício excedeu à de qualquer de seus professores, será lembrado permanentemente como autor do édito que declarou ser doutrina da Igreja Imaculada Conceição da Santa Virgem (1854), mencionada no Kitáb-i-Iqán, e como promulgador do novo dogma da Infalibilidade Papal (1870). Era autoritário de natureza, fraco como estadista, não se dispunha à conciliação, resolvido, antes, a preservar toda sua autoridade, mas, se bem que conseguisse melhor definir sua posição e reforçar sua autoridade espiritual, em virtude de haver assumido uma atitude ultramontana, ele não logrou, enfim, manter aquele domínio temporal que os primazes da Igreja Católica vinham exercendo desde tantos séculos.
Esse poder temporal havia minguado através dos séculos até atingir proporções insignificantes. As décadas anteriores à sua extinção foram caracterizadas pelas mais severas vicissitudes. Enquanto o sol da Revelação de Bahá´u ´lláh atingia pleno esplendor merídio, as sombras que assediavam o decrescente patrimônio de São Pedro enegreciam com a mesma celeridade. A Epístola de Bahá’u’lláh dirigida ao Pio IX, precipitou a extinção desse patrimônio. Basta um olhar rápido para o curso de suas fortunas declinantes nessas décadas. Napoleão I expulsara o Papa de suas propriedades. O Congresso de Viena lhas restituiu, com sua administração nas mãos dos sacerdotes. Em vista da corrupção e desorganização, da incapacidade de garantir a segurança interna, e do ressurgimento da inquisição, um historiador sentiu-se capaz de asseverar que “nenhuma parte da Itália, nem talvez da Europa, a não ser a Turquia, é governada como o é esse estado eclesiástico”. Roma era “uma cidade de ruínas, tanto material como moralmente”. Insurreições levaram a Áustria a intervir. Cinco grandes potências insistiram sobre a introdução de reformas de grande alcance, o que o Papa prometeu mas não levou a cabo. A Áustria reivindicou sua posição, sendo oposta pela França. Ambas estreitaram-se mutuamente nas propriedades papais, até 1838, quando, ao se retirarem, o absolutismo foi novamente estabelecido. O poder temporal do Papa foi então estigmatizado por alguns de seus próprios súditos, o que pressagiava sua extinção em 1870. Complicações internas forçaram-no a fugir de Roma na calada da noite, disfarçado como um padre humilde, havendo a Cidade Eterna se declarado república. Mais tarde, os franceses restituíram-na a seu estado anterior. Com a criação do reino da Itália, a mudança de política de Napoleão III, o desastre de Sedan, os delitos do governo papal os quais Clarendon, perante o Congresso de Paris, ao término da Guerra da Criméia, denunciara como uma “vergonha para a Europa” – selou-se o destino daquele domínio cambaleante.
Em 1870, após haver Bahá’u’lláh revelado Sua Epístola a Pio IX, o Rei Vitor Emanuel I fez guerra aos Estados Papais, e suas tropas entraram em Roma. Na véspera dessa entrada vitoriosa o Papa havia se retirado para Latrão e, a despeito de sua idade avançada, subido de joelhos a Scala Santa. Na manhã seguinte, ao iniciar-se a canhonada, ele mandou içar-se a bandeira branca sobre o zimbório de São Pedro. Espoliado, recusou-se a reconhecer essa “criação de revolução”, excomungou os invasores de seus Estados, denunciou Vitor Emanuel como o “Rei ladrão”, “esquecido de todo princípio religioso, desprezador de todo direito, espezinhando toda lei”. Roma, “a Cidade Eterna, sobre a qual repousam vinte e cinco séculos de glória”, governada pelos Papas com autoridade inatacável havia dez séculos, tornou-se, afinal, sede do novo reino e a cena daquela humilhação que Bahá’u’lláh antecipara e o Prisioneiro do Vaticano se impusera a si próprio.
“Os derradeiros anos do velho Papa”, escreve um comentarista sobre sua vida, “foram repletos de angústia. Às enfermidades físicas se acrescentou o desgosto de presenciar, com demasiada freqüência, o ultraje da Fé no próprio coração de Roma, de ver espoliadas e perseguidas as ordens religiosas e impedido aos bispos e padres o exercício de suas funções”.
Todos os esforços no sentido de reparar a situação criada em 1870 foram infrutíferos. O Arcebispo de Posen foi a Versailles a fim de solicitar a intervenção de Bismarck em prol do papado, mas teve uma recepção fria. Mais tarde, se organizou um partido católico na Alemanha com o fim de exercer pressão sobre o Chanceler alemão. Tudo, porém, foi em vão. O poderoso processo ao qual já nos referimos, teve de seguir seu curso inexoravelmente. Mesmo agora, depois de se haver passado mais de meio século, a chamada restauração da soberania temporal nada fez senão por em maior relevo a impotência desse príncipe, outrora tão poderoso, diante de cujo nome reis tremiam, submetendo-se à sua soberania dual sem a mínima oposição. Essa soberania temporal, que se confinava praticamente à cidade minúscula do Vaticano, deixando à Roma a posse indisputável de uma monarquia secular, só foi obtida mediante o reconhecimento incondicional (já tanto tempo negado) do Reino da Itália. O Tratado de Latrão, pretendendo haver resolvido, uma vez por todas, a Questão Romana, de fato assegurou a uma Potência secular, a respeito da Cidade Encravada, uma liberdade de ação que acarreta incerteza e perigo. “As duas almas da Cidade Eterna”, observou um escritor católico, “separaram-se uma da outra, apenas para colidirem mais severamente do que nunca”.
Bem poderia o Sumo Pontífice lembrar-se do mais poderoso dentre seus predecessores, Inocente III, que durante os dezoito anos de seu pontificado erguia e depunha os reis e os imperadores, cujos interditos privavam nações do exercício do culto cristão aos pés de cujo legado o Rei da Inglaterra rendeu sua coroa, e em obediência a cuja voz se empreendeu a quarta cruzada como também a quinta.
E durante os tumultuosos anos com que a humanidade defronta, não poderia o processo ao qual já nos referimos, manifestar, no curso de sua operação, e no mesmo domínio, um distúrbio ainda mais devastador do que qualquer outro até agora produzido?
O colapso dramático tanto do Terceiro Império como da dinastia napoleônica, com a virtual extinção da soberania temporal do Sumo Pontífice, durante a vida de Bahá’u’lláh, foram apenas os precursores de catástrofes ainda maiores que assinalaram, pode-se dizer, o ministério de ‘Abdu’l-Bahá. Podemos atribuir essas terríveis catástrofes às forças desenfreadas por um conflito cuja plena significação ainda não sondamos e que pode ser visto como o prelúdio a esta, a mais assoladora de todas as guerras. O progresso da Guerra de 1914-1918 destronou a Casa de Romanov, enquanto seu término precipitou a queda da dinastia de Hapsburg como também da de Hohenzollern.
14. O SURGIR DO BOLSHEVISMO
O surgir do bolshevismo, em meio à conflagração daquele conflito inconcludente, abalou o trono dos tzares e finalmente o derrubou. A Nicolaevich Alexandre II, Bahá’u’lláh ordenara em Sua Epístola: “Levanta-te... e convoca as nações para Deus”, três vezes lhe advertindo: “Acautela-te para que teu desejo não te impeça de te volver para a face de teu Senhor”, “acautela-te para que não troques tão sublime posição”, “acautela-te para que tua soberania não te prive Daquele que é o Soberano Supremo”. E, embora ele não fosse, realmente, o último dos tzares a governar seu país, foi, no entanto, o iniciador de uma política retrocessiva que se provou, enfim, tão fatal para ele como para sua dinastia.
Na última parte de seu reinado, ele introduziu uma política reacionária que causou desilusão universal e deu origem ao niilismo, o qual, à medida que se espalhava, inaugurou um período de violência sem precedentes, levando por sua vez a vários atentados à sua vida e culminando em seu assassínio. Severa opressão guiou a política de seu sucessor, Alexandre III, que “assumiu uma atitude de hostilidade desafiadora para com inovadores e liberais”. A tradição do absolutismo incondicional e da extrema ortodoxia religiosa foi mantida pelo último dos tzares, Nicolas II, que era de uma severidade ainda maior. Guiado pelos conselhos de um homem que era “a verdadeira encarnação de um despotismo estreito e arrogante”, com o apoio de uma burocracia corrupta, e humilhado pelos efeitos desastrosos de uma guerra estrangeira, ele aumentou o descontentamento geral, tanto dos intelectuais como dos camponeses. Por algum tempo teve o niilismo de operar ocultamente, mas foi intensificado por reveses militares e explodiu, afinal, no meio da Grande Guerra, em forma de uma Revolução que, quanto aos princípios que desafiava, às instituições por ela subvertidas e à destruição causada, dificilmente encontra paralelo na história moderna.
Uma grande agitação abalou os fundamentos do país. Ofuscou-se a luz da religião. Extinguiram-se as instituições eclesiásticas de todas as seitas. A religião oficial perdeu suas doações, foi perseguida e eliminada. Um vasto império desmembrou-se. Um proletariado militante, vencendo, exilou os intelectuais, e procedeu à espoliação e ao massacre da nobreza. Guerra civil e moléstia dizimaram a população que mergulhava na agonia e no desespero. E, finalmente, o Sumo Magistrado de um poderoso domínio, com sua família e sua dinastia, foram levados para o vórtice dessa grande convulsão e pereceram.
A mesma calamidade que amontoou tão temíveis infortúnios sobre o império dos tzares, efetivou, em suas etapas finais, a queda do onipotente Kaiser alemão, bem como a do herdeiro do Santo Império Romano, outrora tão afamado. Demoliu a inteira estrutura da Alemanha Imperial – surgida em conseqüência do desastre que engolfara a dinastia napoleônica – e deu o golpe mortífero à Monarquia Dual.
Bahá’u’lláh, que predissera, em termos claros e ressonantes, a queda ignominiosa do sucessor do grande Napoleão, havia, quase meio século antes, no Kitáb-i-Aqdas, dirigido ao Kaiser Guilherme I, pouco depois de ser ele aclamado vitorioso, uma advertência não menos significativa, pressagiando, em palavras igualmente inequívocas, em Sua apóstrofe às margens do Reno, o pesar que haveria de afligir a capital do império recém-federado.
“Lembra-te” – Bahá’u’lláh assim se lhe dirigiu – “daquele (Napoleão) cujo poder transcendeu teu poder, e cuja posição excedeu à tua posição... Pense nele, ó rei, profundamente, e naqueles que, semelhantes a ti, conquistaram cidades e governaram os homens.” E ainda: “Ó margens do Reno! Nós vos temos visto ensangüentados, desde que as espadas da retribuição se desembainharam contra vós; e virão ainda outra vez. E ouvimos os lamentos de Berlim, embora esteja hoje em glória notável.”
Caiu em vários graus o pleno peso das responsabilidades conseqüentes de tão agoureiras pronunciações sobre aquele que na velhice resistiu a dois atentados contra sua vida, feitos por partidários do crescente fluxo de socialismo, sobre seu filho, Frederico III, cujo reinado de três meses se nublava à face da moléstia mortal, e, finalmente, sobre seu neto, Guilherme II, o monarca obstinado e presunçoso, que arruinou o seu próprio império.
Guilherme I, primeiro imperador alemão e sétimo rei da Prússia, cuja vida inteira, até a data de sua subida ao trono, se passara no exército, foi um governante militarista, autocrata, imbuído de idéias antiquadas, e – com o apoio de um estadista considerado com justiça “um dos gênios de seu século” – introduziu uma política que, podemos dizer, inaugurou uma nova era não só para a Prússia mas também para o mundo. Seguiu ele a esta política do modo absoluto que lhe era característico, sendo ela aperfeiçoada por meio das medidas repressivas tomadas para salvaguardá-la e sustentá-la, por meio das guerras travadas para sua realização e das combinações subseqüentemente formadas com o fim de a exaltar e consolidar – combinações que acarretaram tão terríveis conseqüências para o continente europeu.
Guilherme II, de temperamento ditatorial, sem experiência na política, militarmente agressivo, insincero em sua religião, embora se dissesse apóstolo da paz européia, na realidade insistia sobre o “punho armado” e a “armadura lustrosa”. Irresponsável, indiscreto, desmedidamente ambicioso, seu primeiro ato foi a demissão daquele estadista sagaz, verdadeiro fundador de seu império, à cuja sagacidade Bahá’u’lláh prestara homenagem, e da insensatez de cujo ingrato imperial ‘Abdu’l-Bahá dera testemunho. Guerra tornou-se realmente uma religião de seu país e, pela ampliação do âmbito de suas múltiplas atividades, ele procedeu a preparar o caminho para aquela catástrofe final que viria destronar a ele e a sua dinastia. E quando estourou a guerra, e o poder de seus exércitos parecia haver sobrepujado seus adversários, divulgando-se largamente a notícia de seus triunfos, atingindo até a Pérsia, vozes levantaram-se para ridicularizar aquelas passagens do Kitáb-i-Aqdas que tão claramente prognosticaram os infortúnios destinados a atingir sua capital. De súbito, porém, reveses imprevistos e rápidos alcançaram-no fatalmente. Irrompeu a revolução. Guilherme II, abandonando seus exércitos, fugiu vergonhosamente para a Holanda, seguido pelo príncipe herdeiro. Os príncipes dos estados alemães abdicaram. Seguiu-se um período de caos. A bandeira comunista foi içada na capital, assim vindo esta a ser um foco de confusão e luta civil. O Kaiser assinou sua abdicação. A Constituição de Weimar estabeleceu a República, e a tremenda estrutura, tão laboriosamente erguida através de uma política de sangue e ferro, desabou. Nulos foram todos os esforços assiduamente envidados desde a subida de Guilherme I ao trono prussiano, por meio de legislação interna bem como por guerras estrangeiras. Levantaram-se “os lamentos de Berlim” em sua aflição por causa dos termos de um tratado monstruoso em sua severidade – lamentos estes em notável contraste com os hílares gritos de vitória que haviam ressoado, meio século antes, no Salão dos Espelhos do Palácio de Versailles.
Simultaneamente, o monarca de Hapsburg, herdeiro de séculos de história gloriosa, tombou de seu trono. Foi Francisco José, a quem Bahá’u’lláh repreendera no Kitáb-i-Aqdas por não haver cumprido seu dever de investigar Sua Causa e nem aos menos ter procurado Sua Presença quando isso lhe teria sido tão fácil durante sua visita à Terra Santa. “Tu passaste por Ele – assim Ele reprova o imperador peregrino – e sobre Ele não inquiriste... Temos estado consigo em todos os tempos e visto segurar-te ao Ramo enquanto desatendias a Raiz... Abre teus olhos, a fim de que possas contemplar esta Gloriosa Visão e reconhecer Aquele a quem invocas durante o dia e à noite, e ver a Luz que brilha por cima deste Horizonte luminoso.”
A Casa de Hapsburg, em que o Título Imperial fora praticamente hereditário por quase cinco séculos, estava sendo, desde que foram proferidas estas palavras, cada vez mais ameaçada pelas forças da desintegração interna como também estava lançando as sementes de um conflito externo, sucumbindo, finalmente, a ambas. Francisco José, Imperador da Áustria, Rei da Hungria, governante reacionário, restabeleceu os velhos abusos, descuidou dos direitos das nacionalidades e restituiu aquela centralização burocrática que veio a ser, mais tarde, tão prejudicial a seu império. Repetidas tragédias obscureceram seu reinado. Seu irmão Maximiliano foi fuzilado no México. O Príncipe Herdeiro Rudolfo pereceu em circunstâncias desonrosas. A Imperatriz foi assassinada em Genebra. Mataram o Arquiduque Francisco Ferdinando e sua esposa em Serajevo, episódio que ateou uma guerra durante a qual o próprio Imperador perdeu a vida, e assim chegou ao fim um reinado nunca excedido por qualquer outro no que diz respeito aos desastres infligidos sobre a nação.
15. FIM DO SACRO IMPÉRIO ROMANO
Esforços tardios haviam sido feitos para firmar seu trono prestes a ruir. O “império desconjuntado”, uma mescla de estados, raças e idiomas, desintegrava-se, porém, inexorável e celeremente. A situação política e econômica estava desesperadora. Da derrota da Áustria e da Hungria, na mesma guerra, resultou seu desmembramento, pressagiando sua morte. A Hungria desligou-se. Fez-se partilha do reino conglomerado, e tudo o que restou do Sacro Império Romano, outrora tão temido, foi uma república encolhida que levou uma existência miserável até que, em tempos mais recentes, de um modo distinto ao de sua nação irmã, se extinguiu completamente, sendo apagada do mapa político da Europa.
Tal, pois, foi o destino daqueles impérios – o napoleônico e os dos Romanof, Hohenzollern e Hapsburg, a cada um de cujos governantes, individualmente, também ao soberano ocupante do trono papal, a Pena do Altíssimo se dirigiu, respectivamente punindo, advertindo e condenando, repreendendo e admoestando. O que dizermos do destino daqueles soberanos que exerciam jurisdição política direta sobre a Fé, seus Fundadores e adeptos, no âmbito de cujos domínios a Fé nascera e primeiro se difundira, e que tinham assim liberdade para crucificar seu Arauto, banir seu Fundador e ceifar seus adeptos?
16. QUAL O DESTINO DA TURQUIA E DA PÉRSIA?
Já no tempo de Bahá’u’lláh e, mais tarde, durante o ministério de ‘Abdu’l-Bahá, caiam os primeiros golpes de uma retribuição lenta mas contínua e inexorável sobre os governantes da Casa Turca de ´Uthmán e, igualmente, da dinastia Qájár na Pérsia – os arquiinimigos da recém-nascida Fé Divina. O Sultão ´Abdu´l-´Azíz caiu do poder e foi assassinado pouco após o desterro de Bahá’u’lláh em Adrianopla, enquanto o Xá Násiri´d-Dín sucumbiu diante da pistola de um assassino durante o encarceramento de ‘Abdu’l-Bahá na cidade-fortaleza de ´Akká. Ao Período Formativo da Fé Divina, porém – a era que viu nascer e surgir sua Ordem Administrativa, a qual, como disse em uma comunicação anterior, está criando, à medida que se desenvolve, tão grande transtorno no mundo – coube presenciar não só a extinção de ambas essas dinastias, mas também o fim das instituições gêmeas: o sultanato e o califado. Dos dois déspotas, Abdu´l-´Azíz era o mais poderoso, de posição mais elevada, o mais preeminente em delitos e o mais responsável pelas tribulações e vicissitudes do fundador de nossa Fé. Foi ele quem, através de seus decretos, três vezes exilara a Bahá’u’lláh, e em seus domínios o Manifestante de Deus passou quase todo o cativeiro de quarenta anos. Foi durante seu reinado, como também no e seu sobrinho e sucesso, ´Abdu´l-Hamid II, que o Centro do Convênio de Deus teve de suportar, por nada menos de quarenta anos, na cidade-fortaleza de ´Akká, um encarceramento repleto de perigos, ultrajes e privações.
“Ouve, o rei!” é o chamado de Bahá’u’lláh ao sultão ´Abdu´l-´Azíz, “as palavras Daquele que diz a verdade, Daquele que não te pede como recompensa as coisas que Deus se dignou te conceder, Daquele que segue sem errar o Caminho Reto... Observa, ó rei, do imo de teu coração e com todo o teu ser, os preceitos de Deus, e não andes nos caminhos do opressor... Não ponhas tua confiança na graça de Deus, teu Senhor... Não transgridas os limites da moderação e mostra justiça aos que te servem... Põe ante teus olhos a infalível Balança de Deus e, como se estivesses em Sua Presença, pesa nessa Balança tuas ações cada dia, a cada momento de tua vida. Examina-te a ti próprio antes de seres chamado a juízo, no Dia em que homem algum terá forças para se manter em pé por temor a Deus, Dia em que os corações dos desatentos se farão tremer.”
“Aproxima-se o dia” – Assim prediz Bahá’u’lláh na Lawh-i-Ra´ís – “em que a Terra do Mistério (Adrianópolis) e aquilo que está a seu lado serão mudados e sairão das mãos do rei, em que comoções haverão de aparecer e a voz do lamento se erguerá, o dia em que de todos os lados se revelarão as evidências de dano e o caos se espalhará por causa daquilo que sucedeu a estes cativos nas mãos das hostes opressoras. O curso das coisas há de se alterar, tornando-se tão penosas as condições que as próprias areias nas colinas desoladas gemerão; das árvores, na montanha, se ouvirá choro, e o sangue correrá de todas as cosias. Então verás o povo em angústia extrema.”
“Logo”, escreveu Bahá’u’lláh também, “Sua grande ira atingir-vos-á; a sedição surgirá em vosso meio e vossos domínios haverão de se romper. Nesse tempo havereis de gemer e lastimar, e a ninguém encontrareis que vos preste socorro ou auxílio. Várias vezes vos sobrevieram calamidades e, no entanto, não fostes, em absoluto, advertidos. Uma destas foi a conflagração que devorou a maior parte da cidade (Constantinopla) com as chamas da justiça, e sobre a qual foram escritos muitos poemas nos quais se dizia jamais haver sido testemunhado incêndio igual. E, no entanto, vós vos tornastes mais negligentes... Irrompeu também uma praga, mas ainda deixastes de atender! Sede expectadores, pois a ira de Deus está prestes a vos atingir. Dentro em breve vereis o que desceu da Pena de Meu comando.”
“Pelos vossos atos” – Ele, em outra Epístola, antecipando a queda do sultanato e do califado, assim reprova as forças combinadas do islã sunita e xiita – “a elevada posição do povo foi rebaixada, arrevesando-se o estandarte do islã, e caindo seu poderoso trono.”
E, finalmente, no Kitáb-i-Aqdas, revelado pouco depois do desterro de Bahá’u’lláh para ´Akká, Ele assim interpela a sede do poder imperial turco: “Ó Lugar sito nas praias dos dois mares! O trono da tirania, em verdade, estabeleceu-se sobre ti, e dentro de teu seio se ateou a chama do ódio... Estás realmente cheio de orgulho manifesto. Terá teu esplendor externo te tornado vanglorioso? Por Aquele que é o Senhor da humanidade! Isso em breve perecerá, e tuas filhas e tuas viúvas e todos os congêneres que em ti habitam lamentarão. Assim te informa o Onisciente, o Sapientíssimo.” De fato, numa passagem muito notável da Lawh-i´Fu´ád, a qual faz alusão à morte de Fu´ád Páshá, Ministro de Relações Exteriores da Turquia, encontra-se uma predição inequívoca da queda do próprio sultão: “Breve demitiremos Aquele que lhe era similar, e aprisionaremos seu chefe que governa a terra. Eu, verdadeiramente, sou o Todo-Poderoso, Quem sobre tudo predomina.”
O efeito destas palavras sobre o sultão, relativas à sua pessoa, ao seu império e trono, à sua capital e aos seus ministros, pode ser percebido na recitação dos sofrimentos que infligiu a Bahá’u’lláh, aos quais já nos referimos nas primeiras destas páginas. A extinção do “esplendor externo”, que rodeava aquela orgulhosa sede de poder imperial, é o tema que agora passarei a expor.
17. O LÚGUBRE DESTINO DA TURQUIA IMPERIAL
Um processo cataclísmico, um dos mais notáveis da história moderna, se pusera em movimento desde que Bahá’u’lláh, enquanto prisioneiro em Constantinopla, entregou a um oficial turco Sua Epístola endereçada ao Sultão ´Abdu´l-´Azíz e aos seus ministros, para ser transmitida a ´Alí Páshá, ao Grão-Vizir. Foi esta Epístola que, segundo atesta esse oficial e afirma Nabíl em sua crônica, afetou o Vizir tão profundamente que empalideceu durante sua leitura. Esse processo recebeu novo ímpeto com a revelação da Lawh-i-Ra´is logo depois do exílio final de seu Autor, de Adrianópolis para ´Akká, e, implacável, devastador, com crescente rapidez, desenvolvia-se ominosamente, lesando o prestígio do Império, desmembrando-lhe o território, destituindo os sultãos de seus tronos e varrendo suas dinastias, degradando e depondo seu califa, extirpando-lhe a religião e extinguindo-lhe a glória. O “homem doente” da Europa, de cuja condição fizera o Médico Divino seu diagnóstico certo, pronunciando inevitável sua ruína final, sofreu, durante o reinado de cinco sultãos sucessivos – todos eles degenerados, sendo todos depostos – caindo vítima, enfim, de uma série de convulsões que se provaram ser fatais à sua vida. A Turquia imperial que, sob o domínio de ´Abdu´l-Majid, fora admitida ao Concerto Europeu e emergia vitoriosa da Guerra da Criméia, entrou, sob seu sucessor, ´Abdu´l-´Azíz, num período de célere declínio, culminando, pouco depois do trespasse de ‘Abdu’l-Bahá, na pena pronunciada contra ela pelo julgamento divino.
Levantes na Ilha de Creta e nos Bálcãs assinalaram o reinado deste sultão – trigésimo segundo de sua dinastia – déspota vazio de espírito, temerário ao extremo, de uma extravagância sem limites. A Questão Oriental entrou em fase aguda. Os flagrantes abusos de seu governo deram origem a movimentos destinados a exercer influências de grande alcance em seus domínios, enquanto os empréstimos enormes e contínuos obtidos por ele, levando a um estado de semibancarrota, introduziram o princípio de controle estrangeiro sobre as finanças de seu império. Uma conspiração terminando numa revolução no palácio veio finalmente depô-lo. O mufti denunciou sua incapacidade e sua extravagância. Quatro dias depois, foi assassinado pelo sobrinho, Murád V, cuja mente se reduzira à nulidade pela intemperança e pela longa reclusão na “Gaiola”. Declarando-o imbecil, depuseram-no após um reinado de três meses, quando lhe sucedeu ´Abdu´l-Hamíd II, homem de extrema sutileza e suspicaz, tirânico, que “se provou ser o mais miserável intrigante, o mais astucioso, pérfido e cruel da longa dinastia de ´Uthmán”. Segundo um escritor: “Não se podia saber, de um dia para outro, de quem era o conselho que levara o sultão a contrariar seus ministros ostensíveis, se era de uma favorita de seu harém, de um eunuco, de algum dervis fanático, de um astrólogo ou um espião.” As atrocidades búlgaras prenunciaram o reinado negro deste “Grande Assassino” que fez a Europa vibrar de horror, sendo essas atrocidades caracterizadas por Gladstone como “os mais nefandos e tetros ultrajes registrados nesse (XIX) século”. A guerra de 1877-8, acelerou o processo de desmembramento do império. Nada menos de onze milhões de pessoas emanciparam-se do jugo turco. As tropas russas ocuparam Adrianópolis. A Sérvia, Montenegro e a Romênia proclamaram sua independência. A Bulgária tornou-se estado autônomo, tributário ao sultão. Chipre e Egito foram ocupados. Os franceses assumiram um protetorado sobre a Tunísia. A Rumelia oriental foi cedida à Bulgária. O massacre de armênios em vasta escala, atingindo, direta ou indiretamente, cem mil almas, foi apenas o precursor do derramamento de sangue, de uma forma ainda mais extensa, num reinado posterior. A Bósnia e a Herzegovina foram perdidas à Áustria. A Bulgária obteve sua independência. Desprezo e ódio universais de um soberano infame, sentidos tanto pelos seus súditos cristãos como pelos muçulmanos, culminaram, afinal, numa revolução veloz e de vasto alcance. O Comitê dos Jovens Turcos conseguiu do Shaykhu´l-Islam a condenação do sultão. Deixado ao abandono, sem amigos, objeto da execrações dos súditos e do desdém dos colegas governantes, ele se viu forçado a abdicar, tornando-se prisioneiro do Estado, assim pondo termo a um reinado o “mais desastroso pelas suas perdas imediatas de território e pela certeza de outras vindouras, e mais conspícuo pela piora da situação de seus súditos, do que qualquer outro de seus vinte e três predecessores degenerados, desde a morte de Soliman o Magnífico.”
O fim de tão vergonhoso reinado foi apenas o começo de uma nova era que – embora, de início, acolhida tão auspiciosamente – era destinada a testemunhar o colapso do Estado Otomano tão desconjuntado e carcomido. Muhammad V, irmão de ´Abdu´l-Hamíd II, uma nulidade absoluta, não soube melhorar a condição de seus súditos. As loucuras de seu governo determinaram irrevogavelmente o trágico fim do império. A guerra de 1914-18 forneceu a ocasião. Reveses militares levaram ao ponto fulminante as forças que solapavam suas bases. Enquanto a guerra ainda continuava, a deserção do Xerife de Meca e a revolta das províncias árabes pressagiaram a convulsão que haveria de atacar o trono turco. A fuga precipitada e a destruição completa do exército de Jamál Páshá, comandante-chefe na Síria – aquele que jurara arrasar, após seu regresso triunfante do Egito, o Túmulo de Bahá’u’lláh, e crucificar publicamente o Centro de Seu Convênio numa praça de Constantinopla – eram sinais da némesis que sobreviria a um império angustiado. Nove décimos dos grandes exércitos turcos dissolveram-se. A quarta parte da população inteira havia perecido em conseqüência da guerra, de moléstias, fome e massacre.
Um novo governante, Muhammad VI, último dos vinte e cinco sucessivos sultãos degenerados, tomara posse, entrementes, do trono de seu desgraçado irmão. A estrutura do império estava vacilando agora e prestes a ruir. Mustafá Kamál deu-lhe os golpes finais. A Turquia, tão encolhida que era apenas um pequeno estado asiático, tornou-se uma república. Depuseram o sultão e terminaram o sultanato, extinguindo assim um domínio que permanecera ininterrupto havia seis séculos e meio. Um império que se estendera do centro da Hungria até o Golfo Persa e o Sudão, e do Mar Cáspio até o Orã na África, estava agora tão reduzido ao ponto de constituir uma pequena república asiática. A própria Constantinopla que, após a queda de Bizâncio, havia sido honrada como a metrópole esplendorosa do Império Romano e feita capital do governo otomano, foi abandonada pelos seus conquistadores e despida de sua pompa e sua glória – uma recordação muda da tirania vil que desde tanto tempo lhe maculara o trono.
Tais foram, num breve esboço, as terríveis evidências daquela justa retribuição que tão tragicamente afligiu a ´Abdu´l-´Azíz, a seus sucessores, seu trono e sua dinastia. Que dizermos do Xá Násiri´d-Din, co-participante naquela conspiração imperial que visava extirpar, raiz e ramo, a nascente Fé Divina? Sua reação à Mensagem Divina que lhe fora entregue pelo destemido Badí – o “Orgulho dos Mártires”, que se havia espontaneamente dedicado a essa missão – foi característica daquele ódio implacável que lhe ardia no peito, com tanta ferocidade, por todo seu reinado.
18. A RETRIBUIÇÃO DIVINA NA DINASTIA DE QÁJÁR
O Imperador francês – foi dito – jogara fora a Epístola de Bahá’u’lláh e dera ordem a seu ministro – como nos assevera o próprio Bahá’u’lláh – de dirigir a seu Autor uma resposta irreverente. O grão-vizir de ´Abdu´l-´Azíz – afirma-se de fonte fidedigna – empalideceu ao ler o comunicado dirigido a seu mestre imperial e seus ministros, e fez o seguinte comentário: “É como se o rei dos reis emitisse sua ordem imperativa ao mais humilde rei vassalo e regulasse sua conduta!” Diz-se que a Rainha Vitória, ao ler a Epístola para ela revelada, observou: “Se isso for de Deus, perdurará; se não, nenhum mal poderá fazer.” Ao Xá Násiri´d-Dín, entretanto, coube vingar-se, à instigação dos sacerdotes, Daquele a Quem não mais podia castigar pessoalmente, valendo-se para isso da apreensão de Seu mensageiro, jovem de uns dezessete anos, a quem mandou acorrentar pesadamente, torturando-o no ecúleo e, afinal, pondo termo à sua vida.
A esse soberano despótico Bahá’u’lláh, que o denunciara como o “Príncipe dos Opressores” e como aquele que breve seria feito “um exemplo para o mundo”, escrevera: “Contempla este jovem, ó rei, com os olhos da justiça; julga, pois, com verdade, daquilo que lhe sobreveio. Na realidade, Deus te fez Sua sombra entre os homens, e o sinal de Seu poder para todos os que habitam na terra.” E outra vez: “Ó rei! Fosses tu inclinar teus ouvidos para o tom penetrante da Pena da Glória e o canto do Pombo da Eternidade... atingirias uma condição em que nada perceberias no mundo existente a não ser a fulgência do Adorado, e verias tua soberania como a mais desprezível de tuas possessões, vindo, pois, a abandoná-la a quem a desejasse e dirigir tua face ao horizonte que resplandece com a luz de Seu semblante.” E ainda: “Quereríamos esperar, porém, que Sua Majestade o Xá examinasse, ele próprio, estes assuntos, e desse esperança aos corações. O que Nós te temos submetido é, realmente, para teu maior bem.”
Esta esperança, entretanto, não haveria de se cumprir. Foi, de fato, destruída por um reinado que se inaugurara com a execução do Báb e o encarceramento de Bahá’u’lláh no Síyáh-Chál de Teerã, por um soberano que havia repetidas vezes instigado os sucessivos desterros de Bahá’u’lláh, e por uma dinastia maculada com a trucidação de nada menos de vinte mil de Seus adeptos. O dramático assassínio do Xá, o governo ignóbil dos últimos soberanos da Casa de Qájár, e a extinção daquela dinastia, foram exemplos notáveis da retribuição divina que essas horrendas atrocidades haviam provocado.
Os qájárs, membros da tribo estrangeira turcomana, haviam de fato usurpado o trono persa. Aqá Muhammad Khán, o Xá eunuco e fundador da dinastia, foi um tirano tão brutal, avarento e sanguinário que a memória de nenhum persa é tão detestada e universalmente execrada quanto a sua. A história de seu reinado, assim como do de seus sucessores imediatos, é de vandalismo, de guerras internas, de chefes recalcitrantes e rebeldes, de banditismo e opressão medieval, enquanto que, nos anais dos reinados dos Qájárs ulteriores, sobressaem a estagnação do país, o analfabetismo do povo, corrupção e incompetência do governo, intrigas escandalosas da corte, decadência dos príncipes, irresponsabilidade e extravagância do soberano e sua ignóbil subserviência a uma ordem clerical notoriamente degradada.
O sucessor de Aqá Muhammad Khán, o dissoluto Xá Fath-´Alí, o chamado “Dário da Era”, vaidoso e arrogante, um avarento inescrupuloso, foi notório não só pelo enorme número de suas esposas e concubinas – atingindo mais de mil, e pela prole incalculável, mas também pelos desastres que seu governo trouxe ao país. Foi ele que mandou jogar seu vizir, a quem devia seu trono, numa caldeira de óleo fervendo. Quanto a seu sucessor, o intolerante Xá Muhammad, um dos seus primeiros atos, condenado definitivamente pela pena de Bahá’u’lláh, foi a ordem de estrangular seu primeiro ministro, o ilustre Qá´im-Maqám, imortalizado por esta mesma pena como o “Príncipe da Cidade da Diplomacia e das Habilitações Literárias”, substituindo-o por aquele homem inculto de consumada vileza, Hájí Mirzá Aqásí, que levou o país à beira da bancarrota e da revolução. Foi este mesmo Xá que se recusou a entrevistar o Báb e O encarcerou em Adhirbáyján, e que, aos quarenta anos de idade, foi atingido por uma complicação de moléstias às quais sucumbiu, apressando assim o mau fim pressagiado nestas palavras do Qayyúmu´l-Asmá: “Deus é Minha Testemunha, ó Xá! Se mostrares inimizade Àquele que é Sua Lembrança, Deus, no Dia da Ressurreição, ante os reis, te condenará ao fogo infernal e tu, em verdade, nenhum amparo encontrarás, nesse dia, a não ser Deus, o Excelso.”
O Xá Násiri´d-Din, monarca egoísta, obstinado e imperioso, sucedeu ao trono e, por meio século, coube-lhe o papel de árbitro único do destino de seu desafortunado país. Um obscurantismo desastroso, uma administração caótica nas províncias, a desorganização das finanças do reino, as intrigas, as vinganças e a profligação dos cortesões bajulados e cobiçosos que zumbiam e se enxameavam ao redor de seu trono, seu próprio despotismo – o qual teria sido ainda mais cruel e selvagem, não fossem o medo à restritiva opinião pública européia e o anseio de criar uma boa impressão nas capitais do Ocidente – todas estas características assinalavam o reinado sangrento daquele que se denominava “Vereda do Céu” e “Asilo do Universo”. Uma escuridão tríplice de caos, bancarrota e opressão envolviam o país. Seu próprio assassínio foi o primeiro prognóstico da revolução que iria restringir as prerrogativas de seu filho e sucessor, e depor os últimos dois monarcas da Casa de Qájár, extinguindo-lhes a dinastia. Na véspera de seu jubileu, que inauguraria uma nova era, e para cuja celebração se haviam feito os mais elaborados preparativos, ele caiu, no santuário do Xá ´Abdu´l-Azím, vítima da pistola de um assassino, e sentaram seu cadáver ereto na carruagem real, na frente de seu Grão Vizir, levando-o assim à capital a fim de adiar a difusão da notícia de sua morte.
“Corriam boatos”, escreve uma testemunha ocultar tanto da cerimônia como do assassinato, “que o dia da celebração do Xá seria o maior da história da Pérsia... Aos presos seria concedida liberdade incondicional, proclamando-se uma anistia geral; aos camponeses se prometia isenção de taxas por dois anos, pelo menos... e, aos pobres, alimento por alguns meses. Ministros e oficiais já maquinavam planos para obter do Xá honras e pensões. Sepulcros e lugares santos abriam seus portais para todo peregrino e viandante, e os siyyids e mulas medicavam as gargantas a fim de poderem cantar e entoar elogios ao Xá em todos os púlpitos. As mesquitas foram varridas e preparadas para reuniões gerais e orações públicas em benefício do soberano... Aumentaram as fontes sagradas para que nelas coubesse mais água benta, e as devidas autoridades haviam previsto que muitos milagres seriam realizados no dia do jubileu por meio dessas fontes... O Xá havia declarado que renunciaria suas prerrogativas de déspotas e se proclamaria “O Pai Majestoso de todos os persas”. A autoridade municipal deveria relaxar sua vigilância. Não seriam registrados os nomes dos estranhos que se aglomeravam nos caravançarás, e toda a população teria licença para andar livremente pelas ruas durante a noite inteira.” Até os grandes mujtahids, segundo foi informada essa mesma testemunha ocultar, “decidiram suspender temporariamente a perseguição aos bábís e aos outros infiéis”.
Assim caiu aquele cujo reinado será associado para sempre ao mais hediondo crime da história – o martírio d´Aquele que o Supremo Manifestante proclamou ser o “Foco ao redor do qual giram as realidades dos Profetas e Mensageiros”. Numa Epístola em que a pena de Bahá’u’lláh o condena, lemos: “Entre eles (reis da terra) figura o Rei da Pérsia, que ordenou que suspendessem no ar Aquele que é o Templo da Causa (o Báb) e O matassem, com tal crueldade que todas as coisas criadas e os habitantes do Paraíso, e a Assembléia no alto, por Ele choraram. Trucidou, além disso, alguns de Nossos parentes, saqueou-nos as propriedades e fez os membros de Nossa família cativos nas mãos dos opressores. Uma vez, e ainda outra vez, ele Me aprisionou. Por Deus, o Verdadeiro! Ninguém pode julgar das coisas que Me sucederam na prisão, salvo Deus, o Juiz, o Onisciente, o Todo-Poderoso. Ele Me baniu, depois, e à Minha família, de Meu país, quando, então, chegamos ao Iraque, com tristeza evidente. Detivemo-nos lá até o tempo em que o Rei de Rúm (Sultão da Turquia) se levantou contra Nós e Nos convocou à sede de sua soberania. Quando o alcançamos, manou sobre Nós aquilo que fez regozijar-se o rei da Pérsia. Mais tarde entramos nesta Prisão, onde as mãos de Nossos amados foram arrancadas da borda de Nossas vestes. De tal modo ele Nos tratou!”
Os dias da dinastia Qájár eram então contados. O torpor da consciência nacional esvanecera-se. O reinado do sucessor do Xá Násiri-d-Din, o Xá Muzaffari´d-Dín, criatura fraca e tímida, extravagante e desmedidamente generosa para com os cortesões, conduziu o país pela estrada larga da ruína. O movimento a favor de uma constituição limitando as prerrogativas do soberano, ganhava ascendência e culminou com a assinatura da constituição pelo Xá moribundo, que expirou poucos dias depois. Muhammad´Alí, déspota da pior espécie, inescrupuloso e avarento, sucedeu ao trono. Hostil à constituição, ele, pela sua ação sumária, envolvendo o bombardeio do Baháristán, onde se reunia a Assembléia, precipitou uma revolução em conseqüência da qual foi deposto pelos nacionalistas. Após muitas negociações, aceitou uma generosa pensão e retirou-se vergonhosamente para a Rússia. O menino-rei que o sucedeu, Xá Ahmad, portador de um título nominal, descuidava de seus deveres. As gritantes necessidades do país continuaram a ser desatendidas. Crescente anarquia, a impotência do governo central, o estado das finanças nacionais, a progressiva deterioração da condição geral do país, praticamente abandonado por um soberano que preferia as diversões e frivolidades da vida social das capitais européias ao desempenho das sérias e urgentes responsabilidades que a má situação de seu país exigia – tudo isto pressagiava a morte de uma dinastia que perdera seu direito à coroa, segundo a opinião geral. Enquanto ele estava fora do país, numa de suas viagens periódicas, o parlamento o depôs, proclamando extinta sua dinastia que durante cento e trinta anos ocupara o trono da Pérsia, cujos governantes se orgulhavam de ser descendentes não de outro senão de Jafetí, filho de Noé, e cujos monarcas sucessivos, com apenas uma exceção, foram assassinados, depostos ou atacados de uma moléstia mortal.
As miríades de sua prole, verdadeira “colméia de principelhos”, uma “raça de zangões reais”, eram tanto uma vergonha como uma ameaça a seus patrícios. Agora, porém, esses desditosos descendentes de uma casa caída, despojados de todo poder, alguns deles reduzidos até à mendicância, proclamam em sua miséria as conseqüências dos atos abomináveis perpetrados pelos seus progenitores. Aumentando as fileiras dos desafortunados membros da Casa de ´Uthmán, e dos governantes das dinastias dos Romanovs, Hohenzollern, Hapsburg e de Napoleão, eles vagam pela face da terra, mal percebendo a natureza daquelas forças que operaram tão trágicas revoluções em suas vidas e contribuíram tão poderosamente para seu dilema atual.
Netos tanto do Xá Násiri´d-Din como do Sultão ´Abdu´l-Azíz já se dirigiram, em seu desprestígio e sua miséria, ao Centro Mundial da Fé fundada por Bahá’u’lláh, em busca respectivamente de apoio político e auxílio pecuniário. Quanto ao primeiro, foi recusado pronta e firmemente seu pedido, enquanto que, no segundo caso, foi oferecido sem a mínima hesitação.
19. O DECLÍNIO NAS FORTUNAS DA REALEZA
E à medida que discernimos em outros campos o declínio nas fortunas da realeza – seja nos anos imediatamente anteriores à Grande Guerra ou depois, e contemplamos o destino que sobreveio ao Império Chinês, às monarquias de Portugal e da Espanha e, mais recentemente, as vicissitudes que já afligiram, e ainda afligem os soberanos da Noruega, da Dinamarca e da Holanda, e observamos a fraqueza dos demais reis e notamos o medo e a trepidez que se apoderaram de seus tronos, não devemos associar sua desdita às passagens introdutórias do Súriy-i-Múlúk? Em vista de sua vasta significação, sinto-me impelido a citá-las pela segunda vez: “Temei a Deus, ó assembléia de reis, e não vos deixeis ser privados desta mais sublime graça... Volvei os corações para a face de Deus e abandonai o que vossos desejos vos mandaram seguir, e não sejais dos que perecem... Não examinastes Sua Causa (a do Báb), quando assim fazer vos teria sido melhor do que tudo aquilo sobre o que brilha o sol – pudésseis apenas perceber isso...
“Guardai-vos de ser descuidados doravante, como tendes sido até agora... Minha face saiu de trás dos véus e irradiou-se sobre tudo o que está no céu e na terra e, entretanto, não vos volvestes para Ele... Levantai-vos, pois, em compensação por aquilo que vos escapou... Se deixardes de atender aos conselhos que Nós revelamos nesta Epístola, em linguagem inequívoca e sem igual, punição divina atacar-vos-á de todos os lados, e a sentença de Sua justiça será pronunciada contra vós... Vinte anos já se passaram, ó reis, durante os quais Nós temos provado cada dia a agonia de uma nova tribulação... Embora cientes da maioria de Nossas aflições, vós, no entanto, deixastes de deter a mão do opressor. Pois não é claramente vosso dever restringir a tirania do opressor e tratar com eqüidade vossos súditos, a fim de que vosso alto sentido de justiça se possa demonstrar plenamente a toda a humanidade?”
Não é de admirar haver Bahá’u’lláh, devido ao modo por que O trataram os soberanos da terra, escrito estas palavras, já citadas: “O poder foi tirado de duas categorias entre os homens: reis e eclesiásticos.” De fato, em Sua Epístola dirigida ao Shaykh Salmán, Ele diz, ainda mais: “Um dos sinais da madureza do mundo é que ninguém consentirá em suportar o cargo de realeza. O posto de rei se encontrará sem ninguém que queira suportar sozinho seu peso. Esse dia será o dia em que se manifestará entre a humanidade a sabedoria. Somente a fim de proclamar a Causa de Deus e difundir Sua Fé, será que alguém aceitará assumir esse cargo penoso? Bem-aventurado quem por amor a Deus e à Sua Causa, por devoção a Deus e com o intuito de proclamar Sua Fé, venha concordar a se expor a tão grande perigo e aceitar essa fadiga e esse estorvo.”
20. RECONHECIMENTO DA REALEZA
Que ninguém se engane, entretanto, ou, inconscientemente, represente de um modo errôneo o propósito de Bahá’u’lláh. Por severa que fosse Sua condenação pronunciada contra aqueles soberanos que O perseguiram, e estrita a censura expressa coletivamente contra aqueles que, de uma maneira notável, faltaram a seu dever claro de investigar a verdade de Sua Fé e de restringir a mão do malfeitor, Seus ensinamentos nenhum princípio acarretam que se possa interpretar, de maneira alguma, como um repúdio à instituição da realeza, ou mesmo como desestima, ainda que velada. Não se deve confundir, em absoluto, o futuro prestígio dessa instituição com a queda catastrófica que levou à extinção dinastias e impérios, daqueles monarcas cujo fim desastroso Ele especificamente profetizou, nem com a fortuna declinante dos soberanos de Sua própria geração, geralmente reprovados por Ele, constituindo ambas apenas uma fase transitória na evolução da Fé. De fato, se perscrutarmos os escritos do Autor da Fé Bahá’í, não deixaremos de descobrir inúmeras passagens nas quais Ele elogia o princípio da realeza, exalta a dignidade e a conduta de reis justos e imparciais, prevê o surgir de monarcas que governem com justiça e até professem Sua Fé, e inculca o dever solene de se levantar e assegurar o triunfo dos soberanos Bahá’ís. Se se concluísse das palavras acima citadas, dirigidas por Bahá’u’lláh aos monarcas da terra, ou inferisse da enumeração dos lastimáveis desastres pelos quais foram atingidos tantos deles, que Seus seguidores recomendem ou esperem o extermínio definitivo da instituição da realeza, isso constituiria, de fato, uma deturpação de Seu ensino.
Nada melhor que citarmos alguns testemunhos do próprio Bahá’u’lláh, assim permitindo ao leitor formar seu próprio juízo quanto à falsidade de tal dedução. Sua “Epístola ao Filho do Lobo”, indica a verdadeira origem da realeza: “É divinamente ordenado que se respeite a dignidade do soberano, assim como atestam claramente as palavras dos Profetas de Deus e de Seus eleitos. Perguntou-se Àquele que é o Espírito (Jesus) – paz esteja sobre Ele - ´Ó Espírito de Deus! É legítimo se dar tributo a César, ou não? – E Ele respondeu: - Sim, daí a César as coisas que pertencem a César, e a Deus as coisas que pertencem a Deus´; - Ele não o proibiu. Estas duas injunções são, aos olhos de homens que discernem, uma mesma, pois se aquilo que pertencia a César não tivesse provindo de Deus, Ele o teria proibido. E também no sagrado versículo: - Obedecei a Deus e obedecei ao Apóstolo e àqueles entre vós que possuem autoridade. Por aqueles que possuem autoridade, se quer dizer primária e especialmente Os Imames – repousem sobre Eles as bênçãos de Deus. Eles são, em verdade, as manifestações do poder de Deus e as fontes de Sua autoridade, os repositórios de Seu conhecimento e os alvoreceres de Seus mandamentos. Estas palavras referem-se, secundariamente, aos reis e governantes – àqueles cuja justiça radiosa enche de luz e esplendor os horizontes do mundo.”
E ainda: “Na Epístola aos Romanos escreveu São Paulo: - ´Toda a alma esteja sujeita às potestades superiores. Porque não há potestade senão de Deus; e as potestades que há, são ordenadas por Deus. Por isso quem resiste à potestade, resiste à ordenação de Deus – e também: - Porque ele é o Ministro de Deus, vingador para castigar o que faz o mal! – Diz ele que o aparecimento dos reis, e sua majestade e seu poder são de Deus.”
E ainda mais: “Um rei justo desfruta de maior proximidade de Deus do que qualquer outro. Disso dá testemunho Aquele que fala em Sua Maior Prisão.”
De modo igual, no Bishárát (Boas Novas), assevera Bahá’u’lláh ser “a majestade da realeza um dos sinais de Deus”. Não desejamos”, acrescenta Ele, “que os países do mundo disso se privem.”
Em Kitáb-i-Aqdas, Ele expõe Seu propósito, e elogia o rei que professa Sua Fé: “Pela justiça de Deus! Não é Nosso desejo lançarmos mãos de vossos reinos. Nossa missão consiste em nos apoderarmos dos corações dos homens. Nestes se fixam os olhos de Bahá, como testemunha o Reino dos Nomes – pudésseis vós apenas compreendê-lo. Quem segue o seu Senhor, há de renunciar ao mundo e a tudo o que nele se ache; quanto maior, pois, deve ser o desprendimento daquele a quem cabe um cargo tão augusto!” “Que grande bem-aventurança espera ao rei que se levantar em auxílio à Minha Causa em Meu Reino, que se desligar de tudo, menos de Mim! Tal rei se inclui no número dos Companheiros da Arca Carmesim – Arca preparada por Deus para o povo de Bahá. Todos devem render glória a seu nome, reverência à sua dignidade, e lhe ajudar a abrir as cidades com as chaves de Meu Nome, o Onipotente Protetor de todos os que habitam nos reinos visíveis e invisíveis. Tal rei é a própria visão da humanidade, o luminoso adorno na fronte da criação, manancial de bênçãos para o mundo inteiro. Oferecei, ó povo de Bahá, vossa substância, até vossa própria vida, em seu apoio.”
Na Lawh-i-Sultán, revela Bahá’u’lláh ainda mais a significação da realeza: “Um rei justo é a sombra de Deus na terra. Todos devem buscar amparo à sombra de sua justiça e repousar abrigados pelo seu favor. Não é coisa específica ou limitada em seu âmbito, que se pudesse restringir a uma ou outra pessoa, desde que a sombra fala de Quem a projeta. Deus – glorificado seja Sua lembrança – chamou-se a Si Próprio o Senhor dos mundos, desde que Ele tem nutrido, e ainda nutre a cada um. Glorificada, pois, seja Sua graça que precedeu a todas as coisas criadas, e Sua misericórdia que superou os mundos...”
Em uma de Suas Epístolas, escreveu Bahá’u’lláh também: “Deus Uno e verdadeiro – exaltada seja Sua Glória – concedeu aos reis o governo da terra. A ninguém é dado o direito de agir de uma maneira contrária às ponderadas opiniões dos que possuem a autoridade. O que Ele reservou para Si Próprio são as cidades dos corações dos homens; e neste Dia, os amados Daquele que é a Verdade Soberana são como as chaves destas cidades.”
Na seguinte passagem exprime Ele este desejo: “Nutrimos a esperança de que um dos reis da terra, por amor a Deus, se levante para o triunfo deste povo injuriado, deste povo opresso. Tal rei fruirá de glória e exaltação eternas. Deus prescreveu a este povo o dever de ajudar a qualquer um que o ajude, de lhes servir os melhores interesses e demonstrar sua perene lealdade.”
Na Lawh-i-Rá´is, prediz Ele, de fato, categoricamente, a aparição de tal rei: “Deus em breve fará surgir, dentre os reis, um que ampare Seus amados. Ele, em verdade, abrange todas as coisas. Insuflará nos corações amor a Seus amados. Isso, realmente, é o decreto irrevogável Daquele que é o Todo-Poderoso, o Benéfico.” No Ridvánu´l-´Adl, no qual Ele exalta a virtude da justiça, encontramos uma predição paralela: “Breve Deus tornará manifesto na terra reis que se hão de reclinar nos leitos da justiça e governar entre os homens assim mesmo como se governam a si próprios. Eles, em verdade, figuram entre as mais escolhidas de Minhas criaturas na criação inteira.”
No Kitáb-i-Aqdas, Bahá’u’lláh prevê que em Sua cidade natal – “a Mãe do Mundo” e “o Alvorecer da Luz” – se há de elevar ao trono um rei ataviado dos adornos gêmeos da justiça e da devoção à Sua Fé, referindo-se Ele a isso nestas palavras: “Que nada te entristeça, ó Terra de Tá, pois Deus te escolheu para ser a fonte de júbilo para toda a humanidade. Ele, se for Sua vontade, haverá de abençoar teu trono com alguém que governe com justiça e reúna o rebanho de Deus que os lobos dispersaram. Tal governante volverá a face para o povo de Bahá com alegria e contentamento e lhe concederá seus favores. Em verdade, ele será estimado aos olhos de Deus, como uma jóia entre os homens. Sobre ele descanse para sempre a glória de Deus, a glória de todos os que habitam no reino de Sua Revelação.”
21. O DESMORONAMENTO DA ORTODOXIA RELIGIOSA
Caros amigos! A queda de poder das cabeças coroadas possuidoras da autoridade temporal encontrou paralelo na deterioração, não menos assombrosa, da influência exercida pelos dirigentes espirituais do mundo. Os acontecimentos colossais que prenunciaram a dissolução de tantos reinos e impérios eram quase simultâneos com o desmoronamento das cidadelas da ortodoxia religiosa tidas por invioláveis. Esse mesmo processo que selou rápida e tragicamente o destino de reis e imperadores, extinguindo-lhes as dinastias, operou no caso das autoridades eclesiásticas, tanto do cristianismo como do islã, afetando seu prestígio e, alguma vezes, derrubando suas principais instituições. “O poder foi tirado”, realmente, de ambos – “reis e eclesiásticos”. Eclipsou-se a glória daqueles, enquanto estes perderam seu poder, irreparavelmente.
Àqueles que guiavam e controlavam as hierarquias eclesiásticas de suas respectivas religiões, Bahá’u’lláh exortou, advertiu e censurou, em termos não menos inequívocos do que os usados por Ele ao apostrofar os soberanos que tinham nas mãos os destinos de seus súditos. Pois também eles – e sobretudo os chefes das ordens eclesiásticas muçulmanas – em conjunto com déspotas e potentados, lançaram ataques e vociferaram anátemas contra os Fundadores da Fé Divina, seus adeptos, princípios e instituições. Foram os sacerdotes da Pérsia os primeiros a içar o estandarte e subservientes, e a instigar as autoridades civis com seu clamor e suas ameaças, mentiras, calúnias e acusações, ao ponto de decretarem os exílios, fazerem as leis, lançarem as campanhas punitivas e levarem a efeito as execuções e massacres que enchem as páginas de sua história. Tão abominável e selvagem foi a carnificina realizada num só dia, pela instigação desses sacerdotes, e tão típica da “insensibilidade do bruto e do engenho do demônio” que Renan, em “Les Apôtres”, caracterizou esse dia como “talvez sem paralelo na história do mundo.”
Precisamente através de tais ações, esses sacerdotes espalharam as sementes da desintegração de suas próprias instituições – instituições estas tão potentes, famosas e, de aparência, invulneráveis, quando a Fé surgia. Foram eles que, ao assumirem tão tremendas responsabilidades, de um modo tão irrefletido e insensato, se tornaram agentes primários da libertação daquelas influências violentas e perturbadoras que desencadearam desastres tão catastróficos como os que abateram reis, dinastias e impérios, e que constituem as mais notáveis marcas na história do primeiro século da era Bahá’í.
Esse processo de deterioração, se bem que assustador em suas manifestações iniciais, opera ainda sem decréscimo de suas forças, e há de se acelerar à medida que vá aumentando, de fontes diversas e em campos longínquos, a oposição à Fé Divina, com o que se revelarão evidências cada vez mais extraordinárias de seu poder devastador. Não me é possível – em vista das proporções que este comunicado já assumiu – estender-me tão plenamente como eu desejaria, sobre os aspectos desse ponderoso tema que, juntamente com a reação dos soberanos da terra à Mensagem de Bahá’u’lláh, constitui um dos episódios mais fascinantes e edificativos da história dramática de Sua Fé. Pretendo considerar apenas as repercussões dos violentos ataques dos principais eclesiásticos do islã e, em menor escala, de certos expoentes da ortodoxia cristã, sentidas em suas respectivas instituições. Como prefácio a estas observações, citarei algumas passagens colhidas das volumosas Epístolas de Bahá’u’lláh, as quais se referem, tanto direta como indiretamente, aos sacerdotes muçulmanos e cristãos, e projetam uma poderosa luz sobre os lúgubres desastres que já atingiram, e ainda estão atingindo, as hierarquias eclesiásticas das duas religiões às quais a Fé mais intimamente se relaciona.
Não devemos inferir, disso, porém, haver Bahá’u’lláh dirigido Suas históricas Mensagens às autoridades islâmicas ou cristãs exclusivamente; nem imaginemos que o impacto de uma Fé universal nos baluartes da ortodoxia religiosa se possa limitar às instituições desses dois sistemas religiosos. “O tempo predestinado para as nações e raças da terra”, afirma Bahá’u’lláh, “já veio. Cumpriram-se todas as promessas de Deus, segundo registram as Sagradas Escrituras. É este o Dia glorificado, em todas as Sagradas Escrituras, pela Pena do Altíssimo. Versículo algum nelas se encontra, que não declare a glória de Seu Santo Nome, nem há livro que não dê testemunho da sublimidade deste tema excelso.” “Fôssemos Nós” – acrescenta Ele – “fazer menção de tudo o que tem sido revelado nesses Livros celestiais, nessas Sagradas Escrituras, a respeito dessa Revelação, esta Epístola assumiria dimensões impossíveis.” Como todas as Escrituras das religiões anteriores encerram a promessa da Revelação de Bahá’u’lláh, assim seu Autor dirige-se aos membros dessas religiões e, em particular, àqueles principais responsáveis que se têm interposto entre Ele e as respectivas comunidades. “Em certa época,” escreve Bahá’u’lláh, “dirigimo-nos ao povo da Tora, convocando-o Àquele que é o Revelador dos versículos, vindo Daquele que subjuga os pescoços dos homens... Em outra, dirigimo-nos ao povo do Evangelho, dizendo: - O Todo-Glorioso veio neste Nome através do qual o Sopro de Deus emanou sobre todas as regiões. - ...Em ainda outro tempo, dirigimo-nos ao povo do Alcorão, dizendo: - Temei o Todo-Misericordioso e não zombeis Daquele por Quem foram fundadas todas as religiões. – Sabe tu, além disso, que dirigimos aos Magos Nossas Epístolas, adornadas com Nossa Lei... Nelas revelamos a essência de todas as referências e alusões contidas em seus Livros. O Senhor, em verdade, é o Todo-Poderoso, o Onipotente.”
Dirigindo-se ao povo judaico, Bahá’u’lláh escreveu: “Veio a Lei Suprema, e a Beleza Antiga rege sobre o trono de David. Assim Minha Pena enunciou o que relataram as histórias dos tempos idos. Nesta era, porém, David exclama em altas vozes: - Ó meu Senhor amoroso! Inclui-me no número dos que se têm mantido firmes em Tua Causa, ó Tu através de Quem as faces foram iluminadas e os passos se deslizaram! –“ E também: “O Sopro difundiu-se, a Brisa emanou e de Sião apareceu o que estava oculto, e de Jerusalém se ouve a Voz de Deus, Uno, Incomparável, Onisciente.” Ainda mais, em Sua “Epístola ao Filho do Lobo”, Bahá’u’lláh revelou: “Presta ouvidos à canção de David. Diz Ele: - Quem me levará à Cidade Forte? – A Cidade Forte é ´Akká, denominada a Maior Prisão, que possui uma fortaleza e poderosos baluartes. Ó Shaykh! Lê com atenção o que Isaías expressou em seu Livro. Ele diz: - Ascende a alta montanha, ó Sião, que trazes boas novas; levanta tua voz com força, ó Jerusalém, que trazes boas novas! Levanta-a, não receies; dize às cidades de Judah: - Vede vosso Deus! Vede, o Senhor Deus virá com mão forte, e Seu braço regerá por Ele. – Neste Dia, apareceram todos os sinais. Uma grande Cidade desceu do céu, e Sião treme e se exalta de júbilo por causa da Revelação de Deus, pois de todos os lados ouviu a Voz de Deus.”
À casta sacerdotal, que exerce supremacia eclesiástica sobre aqueles que seguem a Fé zoroastriana, essa mesma Voz, identificando-se com a voz do prometido Sháh-Bahrám, declarou: “Ó principais! Ouvidos vos foram dados a fim de escutarem o mistério Daquele que é o Independente, e olhos para que O contemplassem. Por que fugis? O Amigo Incomparável está manifesto, e profere aquilo em que repousa a salvação. Fosseis vós, ó principais, descobrir o perfume do roseiral da compreensão, a ninguém buscaríeis senão a Ele e haveríeis de reconhecer, em Suas vestes novas, o Onisciente, o Incomparável, e de apartar vossos olhos do mundo e de todos os que a este procuram” e vos levantar em Seu apoio.” “Já se revelou e tornou claro tudo o que foi anunciado nos Livros”, escreveu Bahá’u’lláh a um zoroastriano que perguntara sobre o prometido Sháh-Bahrám. “De todos os lados, os sinais se têm manifestado. O Onipotente chama, neste Dia, e anuncia o aparecimento do Céu Supremo.” “Este não é o dia”, declara Ele em outra Epístola, “em que os principais possam exercer seu domínio e autoridade. Diz vosso Livro que os principais, naquele Dia, desencaminharão os homens e os impedirão de se aproximar Dele. É principal, em verdade, quem viu a luz e se apressou ao caminho que conduz ao Amado.” “Dize, ó principais!” – assim Ele outra vez se lhes dirige – “A Mão da Onipotência estende-se de trás das nuvens; vede-as com olhos novos. Desvelaram-se os sinais de Sua majestade e grandeza; fitai-os com olhos puros... Dize, ó principais! Sois reverenciados por causa de Meu Nome e, no entanto, fugis de Mim! Sois os principais do Templo. Tivésseis sido os principais do Onipotente, estaríeis unidos a Ele e O teríeis reconhecido... Dize, ó principais! De homem algum serão aceitáveis os atos, neste Dia, a menos que ele renuncie ao mundo e a toda possessão humana, e volva a face para o Onipotente.”
Por nenhuma destas duas Crenças, entretanto, é que primariamente nos interessamos. É com o cristianismo e, mais ainda, com o islã, que meu tema se relaciona diretamente. O islã, donde se originou a Fé introduzida por Bahá’u’lláh, assim como do judaísmo proveio o cristianismo, é a religião dentro de cujos confins essa Fé primeiro surgiu e se desenvolveu, de cujas fileiras a grande massa de aderentes Bahá’ís se recrutou, e por cujos dirigentes estes têm sido, e ainda estão sendo perseguidos. O cristianismo, por outro lado, é a religião à qual pertence a vasta maioria dos Bahá’ís de origem não-islâmica, dentro de cujo domínio espiritual a Ordem Administrativa da Fé Divina avança rapidamente, e por cujos expoentes eclesiásticos esta Ordem está sendo cada vez mais atacada. Diferente do hinduísmo, do budismo, do judaísmo e até do zoroastrianismo, os quais, pela maior parte, estão ainda inconscientes das potencialidades da Causa de Deus, e cuja resposta à sua Mensagem é insignificante ainda, as crenças maometana e cristã podem ser consideradas os dois sistemas religiosos que estão sustentando, nesta fase formativa de seu desenvolvimento, o pleno impacto de tão tremenda Revelação.
Consideremos, pois, o que os Fundadores da Fé Bahá’í dirigiram aos reconhecidos expoentes do islã e do cristianismo, ou escreveram a seu respeito. Já consideramos as passagens referentes aos reis do islã, tantos aos califas reinando em Constantinopla como aos xás da Pérsia que governavam o reino como fiduciários provisórios para o esperado Imame. Já notamos também a Epístola que Bahá’u’lláh revelou especificamente para o Pontífice romano, e a mensagem mais geral no Súriy-i-Múlúk dirigida aos reis da cristandade. Não menos desafiadora e ominosa é a Voz que advertiu e julgou os sacerdotes maometanos e o clero cristão.
“Os expoentes da religião” – é a censura clara e universal pronunciada por Bahá’u’lláh no Kitáb-i-Iqán “em cada era, têm impedido seu povo de atingir as praias da salvação eterna, por haverem detido firmemente, em suas mãos poderosas, as rédeas da autoridade. Alguns por cobiça de poder, outros por falta de conhecimento e compreensão, privaram o povo desse bem. Por sua autoridade e sanção, todo Profeta de Deus tem sorvido o cálice do sacrifício e alçado vôo para as alturas da glória. Que crueldades indizíveis não infligiram essas autoridades e esses eruditos, aos verdadeiros Monarcas do mundo, àquelas Jóias da virtude divina! Contentes com um domínio transitório, privaram-se eles de uma soberania eterna.” E ainda, no mesmo Livro: “Entre estes véus da glória, figuram os eclesiásticos e doutos que vivem nos dias do Manifestante de Deus e que, por falta de discernimento e por cobiça e amor à autoridade, não se quiseram submeter à Causa de Deus – ainda mais, recusaram-se a inclinar os ouvidos à Melodia divina. ´Puseram os dedos nos ouvidos´. E o povo também, desprezando inteiramente a Deus, e tomando aqueles por seus mestres, submeteu-se incondicionalmente à autoridade desses líderes pomposos e hipócritas, pois lhe faltam visão, ouvido e coração próprios para poder distinguir entre a verdade e a falsidade. Não obstante as admoestações, divinamente inspiradas, feitas por todos os Profetas, Santos e Eleitos de Deus, que exortam os homens a ver com seus próprios olhos e ouvir com seus próprios ouvidos, eles rejeitam com desdém seus conselhos, seguindo às cegas – e continuarão a seguir – os líderes de sua Fé. Se uma pessoa pobre, obscura, privada da insígnia dos eruditos, se lhes dirigisse, dizendo: - Segue, ó povo, os Mensageiros de Deus! – o povo, muito admirado esta exortação, replicaria: - Quê! Queres dizer que todos esses sacerdotes, todos esses expoentes da erudição, com toda a sua autoridade, sua pompa e seu fausto, tenham errado e não sabido distinguir entre a verdade e a falsidade? E tens tu, e outros iguais a ti, a pretensão de haver compreendido o que eles não compreenderam? – Se o número e a excelência de trajes devessem ser adotados como critério para se julgar da erudição e da verdade, então os povos dos tempos idos, aos quais os de hoje nunca excederam em número, magnificência ou poder, deveriam ser considerados superiores e mais dignos.” Diz também: “Jamais se manifestou um Profeta de Deus que não caísse vítima do ódio implacável, da calúnia, negação e execração do clero de Seu tempo! Ai deles pelas iniqüidades que suas mãos outrora cometeram! Ai deles por aquilo que agora fazem! Existem véus da glória mais lastimáveis do que essas personificações do erro? Pela justiça de Deus! Penetrar tais véus é o maior de todos os atos, e rompê-los o mais meritório de todos os feitos!” Escreveu Ele, além disso: “Em sua língua, a menção de Deus tornou-se um nome vazio; em seu meio, Sua santa Palavra é apenas uma letra morta. Tal é o predomínio de seus desejos que a lâmpada da consciência e do raciocínio se acha apagada em seus corações... Não se encontram duas pessoas que estejam e acordo sobre a mesma lei, pois não procuram outro Deus senão o próprio desejo, e nenhum caminho trilham salvo o do erro. Vêem no prestígio o objetivo final de seus esforços e consideram o orgulho e a arrogância como sendo o mais nobre alvo de suas mais ardentes aspirações. Julgam que suas sórdidas maquinações sejam superiores ao decreto divino; recusam resignar-se à vontade de Deus; ocupam-se em planos egoístas e seguem os caminhos do hipócrita. Com todo o seu poder e todas as suas forças, procuram assegurar-se em suas ocupações triviais, receosos de que o menor descrédito lhes possa minar a autoridade e macular a magnificência que ostentam”.
“A fonte e origem da tirania” , afirmou Bahá’u’lláh em outra Epístola, “têm sido os sacerdotes. Através das sentenças pronunciadas por essas almas arrogantes e perversas, os governantes da terra perpetraram o que ouvistes... As rédeas das massas negligentes têm estado, e ainda estão, nas mãos dos expoentes de vãs fantasias e idéias fúteis. Estes decretam o que queiram. Deus, em verdade, está isento deles, e Nós também estamos isentos deles, como são, igualmente, aqueles que deram testemunho daquilo que a Pena do Altíssimo pronunciou nesta gloriosa Posição.”
“Os líderes dos homens,” asseverou Ele outrossim, “desde tempos imemoriais, impedem o povo de se volver para o Mais Grandioso Oceano. O amigo de Deus (Abraão) foi jogado ao fogo por causa da sentença pronunciada pelos eclesiásticos da época; Àquele que conversou com Deus (Moisés) imputaram mentiras e calúnias. Refleti sobre Aquele que era o Espírito de Deus (Jesus). Embora mostrasse a maior compaixão e ternura, levantaram-se, porém, contra aquela Essência do Ser e Senhor do visível e do invisível, de tal maneira que Ele nenhum refúgio achou em que pudesse repousar. Cada dia vagava em busca de um lugar novo, um novo asilo. Considerai o Selo dos Profetas (Maomé) – que as almas de todos além Dele Lhe sejam um sacrifício! Como foi lastimável o que sucedeu Àquele Senhor de toda a existência, nas mãos dos padres idólatras e dos doutores judeus, após haver Ele pronunciado as benditas palavras que proclamavam a Unidade Divina! Por Minha vida! Minha pena geme, e todas as coisas criadas exclamam por causa daquilo que Lhe atingiu proveniente das mãos dos que violaram o Convênio de Deus e Seu Testamento, negaram Seu testemunho e contradisseram Seus sinais.”
“Os ineptos sacerdotes”, declara outra Epístola, “rejeitaram o Livro de Deus e se ocupam com aquilo que eles próprios inventaram. Já se revelou o Oceano do Saber e se ergue a nota aguda da Pena do Altíssimo e, no entanto, eles, à semelhança do verme, se afligem com o barro de suas vãs idéias e fantasias. Sua relação ao Deus Uno e Verdadeiro é o que os enaltece, mas, apesar disso, Dele se têm afastado! Por Sua causa, tornaram-se famosos e, não obstante, se excluem Dele como se o fosse por um véu!”
“Os padres pagãos,” reza ainda outra Epístola, “e os eclesiásticos judeus e cristãos cometeram os mesmíssimos atos que os sacerdotes desta era, nesta Dispensação, já cometeram e ainda cometem. Ou melhor, estes têm demonstrado uma crueldade mais penosa e uma malícia mais feroz. Todo átomo dá testemunho disto que Eu digo.”
A esses dirigentes que “se julgam as melhores de todas as criaturas, e têm sido considerados os mais vis por Aquele que é a Verdade”, que “ocupam os assentos do saber e da erudição, a ignorância, que chamaram de conhecimento, e deram nome de justiça à opressão”, que “a nenhum Deus adoram senão a seu próprio desejo, a nada prestam lealdade salvo ao ouro, se envolvem nos mais densos véus da erudição e que, emaranhados em sua obscuridade, se perdem nas selvas do erro,” – a estes, Bahá’u’lláh se dignou dirigir estas palavras: “ó assembléia de sacerdotes! Doravante não vos vereis possuidores de poder algum, desde que Nós o retiramos de vós e os destinamos àqueles que crêem em Deus, Uno, Todo-poderoso, Onipotente, Absoluto.”
No Kitáb-i-Aqdas, lemos o seguinte: “Dize: Ó dirigentes da religião! Não peseis o Livro de Deus segundo os padrões e as ciências correntes entre vós, pois o próprio Livro é a infalível Balança estabelecida entre os homens. Nesta, a mais perfeita Balança, deve ser pesado tudo o que as nações e raças da terra possuem, enquanto a medida de seu peso deveria ser verificada segundo seu próprio padrão – se apenas soubésseis isto. Os olhos de Minha misericórdia pranteiam por vossa causa, desde que deixastes de reconhecer Aquele a Quem tendes invocado durante o dia e nas horas da noite, ao anoitecer e à alvorada... ó vós dirigentes da religião! Qual o homem entre vós que Me possa rivalizar em visão ou perspicácia? Onde se há de encontrar quem ouse dizer-se Meu igual no que diz respeito às palavras pronunciadas ou à sabedoria? Não, por Meu Senhor, o Todo-Misericordioso! Tudo na terra passará; e esta é a Face de vosso Senhor, o Onipotente, o Bem-Amado... Dize: Este, em verdade, é o céu em que se entesoura a Obra-Máter – pudésseis vós apenas compreender isto. Ele é Quem fez a Rocha bradar, e a Sarça Ardente erguer a voz sobre o Monte que se eleva acima da Terra Santa, e proclamar: - O reino é de Deus, o Senhor soberano de todos, o Onipotente, o Amoroso! – Nós não temos entrado em nenhuma escola, nem lido qualquer de vossas dissertações. Inclinai vossos ouvidos às palavras deste Iletrado, com as quais Ele vos convoca a Deus, o Sempiterno. Isto vos é melhor que todos os tesouros da terra – pudésseis vós apenas compreender isto.”
“Ó assembléia de eclesiásticos!” escreveu Ele além disso, “Quando se fizeram descer Meus versículos, e Meus sinais claros se revelaram, Nós vos encontramos atrás dos véus. Isso, em verdade, é coisa estranha... Temos rompido os véus. Acautelai-vos para que não excluas o povo por ainda outro véu. Rompei as correntes das vãs fantasias, em nome do Senhor de todos os homens, e não sejais dos insinceros. Se vos volverdes para Deus e abraçardes Sua Causa, não dissemineis nela desordem nem meçais o Livro de Deus segundo vossos desejos egoístas. É este o conselho de Deus, quer no passado, quer no futuro... Tivésseis vós acreditado em Deus quando Ele se revelou, o povo não se teria afastado Dele nem a Nós haveriam sucedido as coisas que hoje testemunhais. Temei a Deus e não sejais dos desatentos... Esta é a Causa que fez tremerem todas as vossas supertições e todos os vossos ídolos... Ó assembléia de eclesiásticos! Guardai-vos de serdes motivo de contenda na terra, assim como fostes causa do repúdio à Fé nos primeiros dias. Reuni o povo em volta desta Palavra que fez exclamarem os seixos: - O Reino é de Deus, Alvorecer de todos os sinais! - ...Rompei os véus de tal modo que os habitantes do Reino possam ouvi-los se rasgarem. Eis o mandamento de Deus em dias passados e dias vindouros. Bem-aventurado o homem que observa o que lhe foi ordenado, e ai do negligente!”
E ainda: “Por quanto tempo, ó assembléia de sacerdotes, alvejareis com os dardos do ódio a face de Bahá? Restringi vossas penas. Eis que a Pena Mais Sublime fala entre a terra e o céu. Temei a Deus, e não sigais vossos desejos que alteraram a face da criação. Purificai vossos ouvidos para que possam escutar a Voz de Deus. Por Deus! Esta se assemelha ao fogo que consome os véus, e à água que lava as almas de todos os que se acham no universo.”
“Dize: ó assembléia de eclesiásticos!” – ainda outra vez a eles se dirige – “Pode alguém de vós competir com o Jovem Divino na arena da sabedoria e das palavras expressas, ou voar com Ele para o céu da significação e explanação esotéricas? Não, por Meu Senhor, o Deus de misericórdia! Todos desfaleceram neste Dia, perante a Palavra de vosso Senhor. Estão mesmo como inanimados, mortos, salvo aquele a quem teu Senhor, o Onipotente, o Absoluto, quis isentar. Tal homem, em verdade, é dos dotados de conhecimento, aos olhos Daquele que é o Onisciente. Os habitantes do Paraíso, e os que residem nos Apriscos sagrados, abençoam-no, ao anoitecer e na alvorada. Pode o possuidor de pernas de madeira resistir àquele cujos pés Deus fez de aço? Não, por Aquele que ilumina a criação inteira!”
“Ao observarmos cuidadosamente”, é Sua advertência significativa, “descobrimos serem Nossos inimigos, pela maior parte, os eclesiásticos”. “Entre o povo se encontram aqueles que disseram: - Ele repudiou aos eclesiásticos. – Dize: - Sim, por Meu Senhor! Fui Eu, em verdade, Quem aboli os ídolos! –“ “Nós, realmente, fizemos soar a Trombeta, ou seja Nossa Pena, a Mais Sublime, e eis que os eclesiásticos e os eruditos, os doutores e os governantes, desfaleceram, salvo aqueles que Deus preservou, como sinal de Sua graça, e Ele é, verdadeiramente, o Todo-Generoso, o Ancião dos Dias.”
“Ó assembléia de eclesiásticos! Lançai de vós as vãs fantasias e idéias fúteis e volvei-vos, pois, para o Horizonte da Certeza. Deus é Minha Testemunha! Nada que possuis vos trará proveito, nem todos os tesouros da terra, nem a autoridade que usurpastes. Temei a Deus e não sejais dos perdidos”. “Dize: Ó assembléia de eclesiásticos! Rejeitai todos os vossos véus e trajes, e daí ouvidos àquilo para que vos chama a Pena Mais Sublime, neste Dia maravilhoso... O mundo está carregado de pó por causa de vossas idéias vãs, e os corações dos agraciados com a proximidade Divina afligem-se perante vossa crueldade. Temei a Deus e sede dos que julgam eqüitativamente.”
“Ó vós, os alvoreceres do conhecimento!” – assim Ele os exorta – “Acautelai-vos para que não vos deixeis mudar, pois do mesmo modo que vos mudardes, mudar-se-á também a maioria dos homens. Isso, em verdade, é uma injustiça a vós mesmos e aos outros... Sois semelhantes a um manancial: se se alterar, de modo igual se alterarão as correntes que dele derivam. Temei a Deus e inclui-vos no número dos pios. Outrossim, se o coração do homem se corromper, também se corromperão seus membros. Semelhantemente, se a raiz de uma árvore se corromper, o mesmo sucederá com seus ramos, seus brotos, suas folhas e seus frutos.”
“Dize: Ó assembléia de eclesiásticos!” - assim Ele apela – “Sede justos, adjuro-vos por Deus, e não anuleis a Verdade com as coisas que possuis. Perscrutai o que Nós fizemos descer com a verdade. Isso, realmente, vos ajudará e vos aproximará de Deus, o Poderoso, o Grande. Considerai e lembrai-vos de que, quando Maomé, o Apóstolo de Deus, apareceu, o povo O negou. Atribuiu-Lhe o que foi causa de lamento ao Espírito (Jesus) em Sua Mais Sublime Posição, e fez bradar o Espírito Fiel. Considerai, ainda mais, as coisas que sucederam aos Apóstolos e Mensageiros de Deus antes Dele, por causa daquilo que as mãos dos injustos perpetraram. Fazemos menção de vós por amor a Deus, e vos lembramos de Seus sinais, e vos anunciamos as coisas ordenadas para aqueles próximos Dele no mais sublime Paraíso e no Céu excelso, e Eu, em verdade, sou o Anunciador, o Onisciente. Ele veio para vossa salvação e suportou tribulações a fim de que vós pudésseis ascender, pela escada da palavra, até o cume do entendimento... Perscrutai com eqüidade e justiça, o que se fez descer. Isto, realmente, vos exaltará através da verdade e vos fará contemplar as coisas das quais fostes impedidos, e vos permitirá sorver Seu Vinho cintilante.”
22. PALAVRAS DIRIGIDAS AOS ECLESIÁSTICOS MUÇULMANOS
Consideremos agora, mais especialmente, as referências específicas e as palavras diretas aos eclesiásticos muçulmanos por parte do Báb e de Bahá’u’lláh. O Báb, segundo atesta o Kitáb-i-Iqán, “revelou especificamente uma Epístola aos sacerdotes de toda cidade, na qual expôs plenamente o caráter da negação e do repúdio por parte de cada um deles.” Enquanto estava em Isfáhán, consagrada cidadela do clero muçulmano, Ele, por intermédio de seu governador, Manúchihr Khán, convidou por escrito os sacerdotes dessa cidade a participar de um debate com Ele, a fim de que – assim Ele o expressou – “se estabelecesse a verdade e dissipasse a mentira”. Nem um só da multidão de sacerdotes que se aglomeravam nessa grande sede de erudição teve a coragem de aceitar o desafio. Bahá’u’lláh, por Sua parte, enquanto se encontrava em Adrianópolis – assim como Sua própria Epístola ao Xá da Pérsia testemunha – indicou Seu desejo de ser “levado face a face com os sacerdotes da época e de produzir provas e testemunhos na presença de Sua Majestade, o Xá”. Esta proposta foi denunciada como “grande presunção e espantosa audácia” pelos sacerdotes de Teerã, que, por seu grande medo, aconselharam seu soberano a punir imediatamente o portador dessa Epístola. Numa ocasião prévia, enquanto em Bagdá, Bahá’u’lláh disse que, se os sacerdotes de Najaf e Karbilá – as cidades gêmeas mais santas depois de Meca e Medina, aos olhos dos xiitas – se reunissem e concordassem sobre o milagre que queriam fosse realizado, assinando e selando uma afirmação de que, ao ser realizado o milagre, admitiriam a verdade de Sua Missão, Ele imediatamente o produziria. A tal desafio – assim como ‘Abdu’l-Bahá anota em Sua obra, “Respostas a Algumas Perguntas” – não souberam fazer melhor resposta do que esta: “Esse homem é encantador; talvez faça algum encantamento e então nós nada mais teremos a dizer”. “Durante doze anos” – o próprio Bahá’u’lláh atestou – “detivemo-nos em Bagdá. Por mais que desejássemos ver uma grande agregação de sacerdotes e homens de eqüidade, a fim de que a verdade se distinguisse do erro e fosse plenamente demonstrada, não se tomou ação alguma”. E ainda: “E do mesmo modo, enquanto estávamos no Iraque, desejávamos reunir-nos com os sacerdotes da Pérsia. Mal souberam disso, fugiram, dizendo: - Ele, de fato, é manifestamente um mágico! – Essa foi a palavra que em outros tempos procedeu dos lábios daqueles que lhes eram iguais. Estes (os sacerdotes) fizeram objeção ao que disseram aqueles e, no entanto, eles mesmos repetem, neste dia, o que foi dito antes, e não o compreendem. Por Minha vida! São como simples cinzas, aos olhos de teu Senhor. Se for Sua vontade, tempestuosos vendavais soprarão sobre eles, tornando-os como pó. Teu Senhor, em verdade, age como Lhe apraz.”
Se esses clérigos xiitas, falsos, cruéis e covardes, não se tivessem intrometido, segundo declarou Bahá’u’lláh, na Pérsia, o poder de Deus teria predominado em pouco mais de dois anos. As seguintes palavras lhes foram dirigidas no Qayyúmu´l-Asmá: “ó assembléia de sacerdotes! Temei a Deus, deste dia em diante, nas opiniões que proferirdes, pois Aquele que é Nossa Lembrança em vosso meio e que vem de Nós e, na verdade absoluta, o Juiz e a Testemunha. Afastai-vos daquilo que segurais, e que o Livro de Deus, o Verdadeiro, não sancionou, pois, no Dia da Ressurreição, tereis de responder, em verdade, pela posição que ocupastes.”
Nesse mesmo Livro, o Báb assim se dirige aos xiitas, bem como ao inteiro grupo dos seguidores do Profeta: “ó assembléia de xiitas! Temei a Deus e à Nossa Causa, que diz respeito Àquele que é a Maior Lembrança de Deus. Pois grande é seu fogo, segundo decreta a Obra-Máter.” “Ó povo do Alcorão! Sois como simplesmente nada, a menos que vos submetais à Lembrança de Deus e a este Livro. Se seguirdes a Causa de Deus, Nós vos perdoaremos os pecados, e se vos afastardes de Nosso mandamento, Nós, em verdade, condenaremos vossas almas, em Nosso Livro, ao Maior Fogo. Nós, verdadeiramente, não tratamos os homens com injustiça, nem nos limites de uma semente de tâmara.”
E enfim, no mesmo comentário, se acha registrada esta profecia espantosa: “Dentro em breve Nós, na verdade absoluta, atormentaremos aqueles que guerrearam contra Husayn (Imame Husayn), na Terra do Eufrates, com o mais aflitivo tormento e a punição mais terrível e exemplar.” “Em breve”, escreveu Ele também, referindo-se ao mesmo povo, nesse mesmo Livro, “haverá Deus de se vingar deles, no tempo de Nossa Volta, e Ele, em verdade, preparou-lhes, no mundo vindouro, um tormento severo.”
Quanto a Bahá’u’lláh, as passagens que cito nestas páginas constituem apenas a fração das referências aos sacerdotes muçulmanos que são abundantes em Seus Escritos. “O Loto, além do qual não se passa”, exclama Ele, “geme por causa da crueldade dos sacerdotes; brada e lamenta”. “Desde o início dessa seita (xiita),” escreve Ele em Sua “Epístola ao Filho do Lobo”, “até o dia presente, que grande número de sacerdotes tem aparecido, nenhum dos quais se tornou ciente da natureza desta Revelação. Qual teria sido a causa de tamanha obstinácia? Fôssemos Nós mencionar isso, seus membros romper-se-iam. É necessário que meditem – meditem, sim, por mil milhares de anos, a fim de que atinjam talvez um salpicar do oceano do saber, e descubram as coisas das quais se olvidam, neste dia. Eu andava na Terra de Tá (Teerã) – onde alvoreceram os sinais de teu Senhor – quando, eis que ouvi o lamento dos púlpitos e a voz de sua súplica a Deus – bendito e glorificado seja Ele! – Exclamaram dizendo: Ó Deus do mundo e Senhor das nações! Tu vês nosso estado e as coisas que nos sobrevieram por causa da crueldade de Teus servos. Tu nos criaste e revelaste para Tua glorificação e Teu louvor. Ouves agora o que os refratários proclamam sobre nós em Teus dias. Por Teu poder! Nossas almas dissolvem-se e nossos membros tremulam. Ai, ai! Oxalá nunca tivéssemos sido criados e revelados por Ti! – Os corações do que fruem da proximidade de Deus consomem-se ao ouvirem tais palavras, e deles se levantam os brados de Seus devotos.”
“Essas nuvens espessas”, declara Ele na mesma Epístola, “se referem aos expoentes de vãs fantasias e idéias fúteis, que outros não são senão os sacerdotes da Pérsia”, “Por sacerdotes na passagem aqui citada”, explica Ele sobre este mesmo ponto, “se entendem aqueles homens que por fora se adornam com as vestes do saber, mas, interiormente, delas se privam. A propósito disso, citamos, da Epístola dirigida à Sua Majestade o Xá, certas passagens de “As Palavras Ocultas” reveladas pela Pena de Abhá sob o título de ´Livro de Fátimih´ - estejam sobre ela as bênçãos de Deus! – a seguir: ó vós que sois insensatos mas tendes nome de sábios! Por que motivo assumis o aspecto de pastores enquanto, intimamente, vos tornastes lobos mirando Meu rebanho? Sois assim como a estrela que antecede o alvorecer e, se bem que pareça radiante e luminosa, desvia os peregrinos de Minha cidade, para os caminhos da perdição. – Outrossim Ele diz: - Ó vós belos de aparência mas interiormente vis! Sois como água límpida porém amarga; exteriormente, parece ter a pureza de cristal, mas quando é experimentada pelo Ensaiador Divino, nenhuma gota é aceita. Sim, o raio solar cai igualmente sobre o pó e o espelho, mas estes diferem em seu poder de refletir, do mesmo modo da estrela e da terra; incomensurável, sim, é a diferença.”
“Temos convidado todos os homens”, declarou Bahá’u’lláh em outra Epístola, “a volverem-se para Deus, e Nós lhes tornamos conhecido o Caminho Reto. Eles (os sacerdotes) levantaram-se contra Nós com tamanha crueldade que solaparam as forças do islã, e, no entanto, a maioria do povo continua desatenta!” “Os filhos Daquele que é o Amigo de Deus (Abraão)”, escreveu Ele além disso, “e herdeiros Daquele que conversou com Deus (Moisés), embora fossem tidos como os mais desprezíveis dos homens, rasgaram os véus, romperam as coberturas, apoderaram-se do Vinho Selado, tomando-o das mãos generosas Daquele que subsiste por Si Próprio, e beberam até se saciarem, enquanto os detestáveis sacerdotes xiitas hesitam, até o tempo presente, e continuam perversos.” E também: “Os sacerdotes da Pérsia cometeram o que povo algum entre os povos do mundo jamais cometeu.”
“Se esta Causa for de Deus”, - Ele assim se dirige ao Ministro do Xá em Constantinopla – “homem algum poderá prevalecer contra ela; e se não for de Deus, os sacerdotes dentre vós, e aqueles que seguem seus desejos corruptos, e todos os que se rebelaram contra Ele, conseguirão certamente predominá-la.”
“De todos os povos do mundo” observa Ele em outra Epístola, “aquele que sofreu o maior prejuízo foi, e ainda é, o povo da Pérsia. Juro pelo Sol da Palavra que brilha sobre o mundo em sua glória merídia! Os lamentos dos púlpitos, nesse país, erguem-se continuamente. Nos primeiros dias, se ouviram tais lamentos na Terra de Tá (Teerã) desde que púlpitos, erigidos para a comemoração do Verdadeiro – exaltada seja Sua glória! – se tornaram, na Pérsia, lugares donde se pronunciam blasfêmias contra Aquele que é o Desejo dos mundos.”
“Neste dia”, é Sua cáustica delação, “o mundo está redolente das fragrâncias das vestes da Revelação do Rei Antigo... e, no entanto, eles (os sacerdotes) se reuniram, estabelecendo-se sobre seus assentos, e disseram o que envergonharia um animal, quanto mais o próprio homem! Pudessem eles se tornar cientes de apenas um de seus atos e perceber o dano por este causado, quereriam, com as próprias mãos, despachar-se para sua morada final.”
“Ó assembléia de sacerdotes!” – assim Bahá’u’lláh os exorta – “...Ponde de lado o que possuis, guardai silêncio, e daí ouvidos, então, àquilo que a Língua da Grandeza e Majestade pronuncia. Quão numerosas as servas veladas que se volveram para Mim e acreditaram, e quantos que usavam o turbante se excluíram de Mim e seguiram nas pegadas das passadas gerações!”
“Juro pelo Sol que brilha sobre o Horizonte da Palavra!” assevera Ele, “Uma partícula da unha de uma das servas crentes é, neste dia, mais estimada, aos olhos de Deus, do que o são os sacerdotes da Pérsia que, após haverem esperado por mil e trezentos anos, perpetraram o que nem os judeus perpetraram, durante a Revelação Daquele que é o Espírito (Jesus).” “Embora se regozijem”, é Sua advertência, “pelas adversidades que Nos atingiram, dia virá em que chorarão e se lamentarão.”
“Ó desatento!” – Ele assim, em Lawh-i-Burhán, se dirige a um notório mujtahid persa cujas mãos estavam manchadas do sangue dos mártires Bahá’ís – “Não confies em tua glória e teu poder. És assim como o último rasto do sol no cume da montanha. Breve haverá de se desvanecer, segundo o decreto de Deus, Possuidor de tudo, o Altíssimo. Tua glória, e a glória dos semelhantes a ti, foi tirada, e isso, em verdade, é o que ordenou Aquele em Cujo poder está a Epístola Mãe..., Por vossa causa o Apóstolo (Maomé) lamentou, a Casta (Fátimih) gemeu, os países foram assolados e a escuridão caiu sobre todas as regiões. Ó assembléia dos sacerdotes! Por vossa causa foi que o povo se degradou, a bandeira do islã se baixou e seu poderoso trono foi subvertido. Toda vez que um homem, de discernimento tenta segurar aquilo que exaltaria o islã, vós clamais e assim é Ele impedido de realizar Seu propósito, enquanto a terra permanece prostrada, em ruína evidente.”
“Dize: Ó assembléia de sacerdotes persas!” Bahá’u’lláh ainda outra vez profetiza, “Em Meu Nome vos apoderastes das rédeas dos homens e ocupastes os assentos de honra, por causa de vossa relação a Mim. Quando Me revelei, entretanto, vós vos afastastes e cometestes aquilo que fez correrem as lágrimas dos que Me reconheceram. Breve haverá de perecer tudo o que possuis, e vossa glória transformar-se-á no mais miserável aviltamento, e vereis a punição por aquilo que perpetrastes, segundo decretou Deus, Quem ordena, a Suma Sabedoria.”
Em Súriy-i Múlúk, referindo-se ao inteiro grupo dos dirigentes eclesiásticos do islã sunita em Constantinopla, capital do Império e sede do Califado, Ele escreveu: “ó vós, sacerdotes da Cidade! Viemos a vós com a verdade, enquanto permanecestes desatentos. Parece-me que sois como mortos, envoltos nas mortalhas de vós próprios. Não procurastes Nossa Presença, quando assim fazer vos teria sido melhor do que todos os vossos atos... Sabei que vossos dirigentes, a quem prestais lealdade, de quem vos orgulhais e fazeis menção dia e noite, por cujos rastos quereis ser guiados – tivessem eles vivido nestes dias, se teriam reunido em volta de Mim, jamais de Mim se separando, nem ao anoitecer nem à alvorada. Vós, porém, não volvestes a face para Minha Face, nem sequer por um momento, mas vos tornastes orgulhosos, desatendendo a este Injuriado, a Quem os homens afligiram ao ponto de com Ele fazerem o que quisessem. Deixastes de inquirir sobre Minha condição, nem vos informastes das coisas que Me sobrevieram. Deste modo, excluístes de vós os ventos da santidade e as brisas da bondade que sopram deste Lugar luminoso e perspícuo. Parece-me que vos apegastes às coisas externas e vos esquecestes das interiores, e dizeis o que não praticais. Vós vos apaixonais por nomes, parecendo vos haverdes entregue a estes. Por isso mencionais os nomes de vossos dirigentes. E se vos viesse alguém semelhante a eles, ou que lhes fosse superior, dele fugiríeis... Pelos seus nomes vos exaltastes e obtivestes vossas posições; por eles viveis e prosperais. E fossem vossos diligentes auxiliares aparecer, não renunciaríeis vossa autoridade, nem vos volveríeis em sua direção, nem para eles voltaríeis a face. Nós vos encontramos justamente como encontramos a maioria dos homens, ocupados com a adoração de nomes, nomes que mencionam durante os dias de sua vida. Mal aparecem, entretanto, os Portadores desses nomes, quando eles os repudiam e tergiversam... Sabei que Deus, neste dia, não aceitará vossos pensamentos nem vossa lembrança Dele, nem vossa constância em vos volverdes para Ele, vossa devoção ou vigilância, a menos que vos renoveis aos olhos deste Servo – pudésseis apenas perceber isto.”
A voz de ‘Abdu’l-Bahá, Centro do Convênio de Deus, ergueu-se, igualmente, anunciando os terríveis infortúnios destinados a atingir, pouco depois de Seu traspasse, as hierarquias eclesiásticas do islã, tanto sunita como xiita. “Essa glória,” escreveu Ele, “há de se tornar o mais abjeto aviltamento, e essa pompa e grandeza se converterão na mais completa subjugação. Seus palácios transformar-se-ão em prisões e o curso de sua estrela ascendente terminará nas profundezas do abismo. Desvanecer-se-ão o riso e o júbilo; ainda mais, erguer-se-á a voz de seu lamento.” “Assim como a neve”, escreveu Ele ainda, “dissolver-se-ão no sol de julho.”
A dissolução do Califado, a completa secularização do estado que encerrava a mais augusta instituição do islã, e o virtual colapso da hierarquia xiita na Pérsia, foram as conseqüências visíveis e imediatas do tratamento que a Causa de Deus recebeu do clero das duas maiores comunhões do mundo muçulmano.
23. AS MINGUANTES FORTUNAS DO ISLÃ XIITA
Consideremos, em primeiro lugar, as vicissitudes que marcaram as declinantes fortunas do islã xiita. As iniqüidades enumeradas no princípio desta obra, pelas quais a ordem eclesiástica xiita na Pérsia deve ser tida por responsável primariamente; iniqüidades que, nas palavras de Bahá’u’lláh, haviam causado “o lamento do Apóstolo (Maomé) e o pranto da Casta (Fátimih)”, fazendo “gemerem todas as coisas criadas e tremularem os membros dos santos”; iniqüidades que haviam crivado de balas o peito do Báb, curvado as costas de Bahá’u’lláh e Lhe branqueado o cabelo, fazendo-O gemer de angústia, que fizeram Maomé chorar por Ele, Jesus se bater na cabeça e o Báb lastimar Sua situação – tais iniqüidades não poderiam nem haveriam de permanecer impunes. Deus, o mais veemente Vingador, espreitava, tendo prometido “não perdoar a injustiça de homem algum”. O flagelo de Seu castigo, veloz, súbito e terrível, foi aplicado, afinal, aos perpetradores dessas iniqüidades.
Uma revolução de estupendas proporções e cujos efeitos foram de vasto alcance, notável pela ausência de carnificina, e até de violência, que assinalou seu progresso, desafiou aquela ascendência eclesiástica que era, desde séculos, da essência do islã nesse país, e praticamente derrubou uma hierarquia no meio da qual o maquinismo do estado e a vida do povo haviam sido inextricavelmente entretecidos. Tal revolução não assinalou a desintegração de uma igreja de estado. Foi, de fato, equivalente à destruição do que se pode chamar um estado eclesiástico – estado este que havia esperançosamente, até mesmo no momento de expirar – aguardado o advento jubiloso do Imame Oculto que não somente haveria de arrancar as rédeas de autoridade do Xá, o sumo magistrado que apenas O representava, mas também teria de assumir domínio sobre toda a terra.
O espírito que essa ordem clerical tão assiduamente se esforçara por esmagar, durante um século inteiro, e a Fé que essa ordem com tão feroz brutalidade tentara extirpar, estavam, agora, por sua vez, graças às forças por eles engendradas no mundo, perturbando o equilíbrio e minando o poder dessa mesma ordem cujas ramificações haviam atingido toda a esfera, todo o dever e o ato da vida nesse país. A muralha de pedra que era o islã, aparentemente inexpugnável, foi agora abalado até os fundamentos e cambaleava, prestes a ruir, ante os olhos dos perseguidos adeptos da Fé introduzida por Bahá’u’lláh. Uma hierarquia sacerdotal que havia desde tanto tempo predominado sobre a Fé Divina, parecendo numa ocasião lhe haver dado um golpe mortal, achou-se agora a presa de uma autoridade civil superior cuja política estabelecida era a de cercá-la com seus tentáculos constante e inexoravelmente.
O vasto sistema dessa hierarquia, com todos os seus elementos e todas as suas pertenças – seus shaykhu´l-Isláms (sumos sacerdotes), seus mujtahids (doutores de lei), seus mullás (padres), seus fuqahás (juristas), seus imames (condutores de oração), seus muezins, seus vu´ázz (pregadores), seus qádís (juízes), seus mutavallís (custódios), seus madrisihs (seminários), seus mudarrisíns (professores), seus tullábs (discípulos), seus qurrás (os que entoam), seus mu´abbiríns (vaticinadores), seus muhaddithíns (narradores), seus musakhkhirins (domadores do espírito), seus dhákiríns (lembradores), seus ´ummál-i-dhakát (os que dão esmolas), seus muqaddasíns (santos), seus munzavís (reclusos), seus súfís, daroêses e os demais – foi paralisado e completamente desprestigiado. Seus mujtahids – incendiários que eram – dotados de poder de vida e morte, a quem, havia muitas gerações, se atribuíam honras de caráter quase regal – foram reduzidos a um número deploravelmente insignificante. Os prelados da igreja islâmica com seus turbantes, - que, nas palavras de Bahá’u’lláh, “adornavam as cabeças de verde e branco, e cometiam o que fez gemer o Espírito Fiel” – foram eliminados sem piedade, salvo uma mão-cheia que, a fim de se salvaguardar contra a fúria de uma população ímpia, é obrigada agora a submeter-se à humilhação de mostrar, em todas as ocasiões que exigem isso, a licença que lhe foi concedida pelas autoridades civis para usar esse emblema desvanecente de uma autoridade que já se desvaneceu. Os demais dessa classe que usava o turbante – fossem siyyids, mullás ou hájís – não somente foram forçados a trocar sua venerável cobertura para a cabeça pelo kuláh-i-farangí (chapéu europeu), que há pouco tempo eles próprios haviam anatematizado, mas também a abandonar suas vestes talares e usar as roupas apertadas do estilo europeu, a introdução das quais em seu país eles, uma geração antes, haviam tão violentamente desaprovado.
“As cúpulas de azul escuro e branco” – alusão por ‘Abdu’l-Bahá às coberturas para a cabeça rotundas e volumosas usadas pelos sacerdotes da Pérsia – haviam sido de fato “invertidas”. Aqueles cujas cabeças foram por elas adornadas, os clérigos arrogantes, fanáticos, pérfidos e retrógrados, “as mãos de cuja autoridade” – assim testifica Bahá’u’lláh – “seguravam as rédeas do povo”, cujas “palavras são o orgulho do mundo,” e cujos “atos são a vergonha das nações”, reconhecendo a miséria de sua própria condição, retiraram-se, humilhados e destituídos de esperança, para suas casas, lá tendo uma existência minguada. Impotentes e achacosos, observam as operações de um processo que, tendo invertido sua política e arruinando a obra de suas mãos, se move irresistivelmente a um clímax.
A pompa e a gala desses príncipes da igreja do islã já esmoreceram. Silenciaram-se seus gritos fanáticos, suas invocações clamorosas, suas ruidosas demonstrações. Suas fatvas (sentenças) pronunciadas tão vergonhosamente e às vezes abrangendo a delação de reis, tornaram-se uma letra morta. O espetáculo das orações congregadas, nas quais participaram milhares de devotos em fileiras após fileiras, desvaneceu-se. Abandonados e entregues ao silêncio se acham os púlpitos donde trovejavam seus anátemas contra poderosos e inocentes igualmente. Foram arrancadas de suas mãos aquelas doações de inestimável valor, tão extensas (waqfs) as terras do esperado Imame – as quais só em Isfahán, numa época, abrangiam a cidade inteira, sendo elas transferidas ao controle de uma administração leiga. Seus seminários (madrisihs), com sua erudição medieval, encontram-se no abandono e na ruína. Os inumeráveis tomos de comentários teológicos, super-comentários, glosas e notas, indignos de serem lidos, improfícuos, produto de engenho e fadiga mal aplicados – tomos que um dos mais esclarecidos pensadores do Islã nos tempos modernos considera obras que obscurecem conhecimentos sãos – se acham agora esquecidos, cobertos de teias e aranha, carunchosos, merecedores de fogo. Anacrônicas se tornaram suas dissertações abstrusas, suas controvérsias veementes, seus debates intermináveis. Abandonadas ou caídas em ruína estão suas mesquitas e imám-zádihs (sepulturas dos santos), que tinha o privilégio de conceder a tantos criminosos o direito de santuário (bast) – o que havia degenerado num monstruoso escândalo – cujas paredes ressoavam com as entoações de um clero hipócrita e dissoluto, cujos adornos rivalizavam com os tesouros dos palácios dos reis. Seus takyihs, os recintos dos pietistas contemplativos, indolentes e passivos, se estão vendendo ou fechando. São proibidas suas ta´zíyihs (obras dramáticas religiosas), exibidas com zelo barbárico e acentuadas por súbitos espasmos de desenfreada exaltação religiosa. Até foram censuradas e restritas suas rawdih-khánís (lamentações), com seus longos e melancólicos gemidos que se erguiam de tantas casas. As sagradas peregrinações a Najaf e Karbilá, os mais veneráveis santuários do mundo xiita, foram reduzidas em número e tornadas cada vez mais difíceis, assim impedindo muitos mulas avarentos de praticar seu hábito secular de cobrar em dobro as peregrinações feitas por eles como substitutos pelos religiosos. A rejeição do véu – medida esta que foi alvo da mais renhida oposição dos mullás; a igualdade dos sexos, proibida pela sua lei; a ereção de tribunais civis que superaram as cortes eclesiásticas; a abolição da síghih (concubinagem) que, quando contraída por períodos curtos, difere pouco da prostituição e que fez da turbulenta e fanática Mashhad (centro nacional de peregrinação) uma das cidades mais imorais da Ásia; e, finalmente, os esforços sendo feitos para desprezar o idioma árabe, sagrada língua do islã e do alcorão, e divorciá-lo do persa – tudo isso contribuiu sucessivamente para a aceleração daquele processo impulsor que vem subordinando à autoridade civil a posição e os interesses dos clérigos muçulmanos num grau nem sonhado por qualquer mullá.
Bem poderia o áqá (mullá) que outrora se distinguia pelo turbante majestoso, pelas longas barbas e pela expressão solene, pausar para refletir por algum tempo sobre os esvaecidos esplendores de seu império morto – aquele que com tanta insolência se intrometia em todo setor de atividade humana e que agora se senta, com cabeça descoberta, privado de suas barbas, na reclusão de sua casa, escutando talvez trechos de música ocidental que rasgam o éter de sua terra pátria. Bem poderia ele contemplar a devastação que o crescente fluxo de nacionalismo e ceticismo efetivou nas inquebrantáveis tradições de seu país. Bem poderia ele recordar os dias alciônicos quando passeava pelos bazares e maydáns de sua cidade natal, montado num burro, quando uma multidão iludida se apressava avidamente para beijar com fervor não só suas mãos mas também a cauda de seu animal, e lembrar do zelo cego com que aclamavam seus atos, e dos prodígios e milagres que lhe atribuíam.
Ele poderia de fato olhar para mais longe no passado e recordar o reinado daqueles monarcas safaví, tão píos, que se deleitavam em se chamar de “cachorros no limiar dos Imaculados Imames”, lembrando-se como um desses reis foi induzido a andar a pé na frente do mujtahid enquanto este passava montado pelo maydán-i-sháh, praça principal de Isfáhán, como sinal de subserviência real ao ministro favorito do Imame Oculto – ministro que em distinção do título do xá, se denominou “o servo do Senhor da Santidade (Imame ´Alí)”.
Não foi esse mesmo Xá ´Abbás, o Grande – bem poderia ele considerar – a quem outro mujtahid se dirigira com arrogância como “o fundador de um império emprestado”, significando que o reino do “rei dos reis” pertencia, de fato, ao esperado Imame, tendo-o o Xá em seu poder apenas na capacidade de fideicomissário temporário? Não foi esse mesmo Xá que andou a pé a distância inteira de oitocentas milhas de Isfáhán a Mashhad – “a glória especial do mundo xiita” – com o fim de oferecer suas orações do único modo digno do sháhansháh, no santuário do Imame Ridá, e que aparou as mil velas que adornavam suas cortes? E o Xá Tahmasp, ao receber uma epístola escrita por ainda outro mujtahid, não se pusera em pé, colocando-a sobre os olhos e beijando-a em êxtase, e, porque ela o chamara de “irmão”, ordenando que fosse posta dentro de sua mortalha e com ele enterrada?
Não deveria esse mesmo mullá contemplar as torrentes de sangue que fluíam a seu mando durante os longos anos em que ele gozava de impunidade de conduta, e se lembrar dos flamejantes anátemas que pronunciava, e do grande exército de órfãos e viúvas, dos desherdados e desonrados, dos privados de seus bens e seus lares, que, no Dia do Juízo, unissonamente haveriam de clamar por vingança e invocar sobre ele a maldição de Deus?
Esse bando infame merecia, em verdade, a degradação em que caíra. Desatendendo persistentemente a sentença funesta traçada sobre a parede pelo dedo de Bahá’u’lláh, prosseguiu, por bem perto de cem anos, seu curso fatídico até que na hora marcada, soaram os sinos que anunciavam sua morte, percutidos por aquelas forças espirituais revolucionárias, as quais, simultaneamente com os primeiros alvores da Ordem Mundial de Sua Fé, estão perturbando o equilíbrio e criando tanta confusão nas antigas instituições da humanidade.
24. O COLAPSO DO CALIFADO
Essas mesmas forças, operando num campo colateral, efetuaram uma revolução ainda mais notável e mais radical, culminando no colapso do Califado Muçulmano, a mais poderosa instituição do inteiro mundo islâmico. Esse acontecimento ominosamente significativo foi, além disso, seguido por uma separação formal e definitiva entre o que restava da fé sunita na Turquia e o Estado, e pela completa secularização da República que surgia sobre as ruínas do Império Otomano teocrático. Essa catastrófica queda, que assombrou o mundo islâmico, e o divórcio, formal e absoluto, declarado entre os poderes espirituais e os temporais, que distinguia a revolução da Turquia daquela ocorrida na Pérsia – agora iremos considerar.
O Islã sunita sofreu – não através da ação de uma potência estrangeira invasora mas pelas mãos de um ditador que professava a fé maometana – um golpe mais doloroso do que aquele que, quase simultaneamente, sobreveio à sua seita irmã na Pérsia. Esse ato retribuidor, dirigido contra o arqui-inimigo da Fé Bahá’í, faz lembrar um desastre semelhante precipitado pela ação de um imperador romano, durante a última parte do primeiro século da era cristã – desastre que arrasou até os fundamentos o Templo de Salomão, destruiu o Santo dos Santos, assolou a cidade de David e extirpou a hierarquia judaica em Jerusalém, massacrando milhares dos judeus – os perseguidores da religião de Jesus Cristo – dispersando o remanescente sobre a face da terra e erigindo em Sião uma colônia pagã.
O Califa, que se designara a si próprio o vigário do Profeta do Islã, exercia uma soberania espiritual, tendo-se investido de um caráter sagrado, o qual o Xá da Pérsia nem possuía nem para si reclamava. Não se deve esquecer de que a esfera de sua jurisdição espiritual se estendia até países muito além dos confins de seu próprio império, abrangendo a grande maioria dos muçulmanos no mundo inteiro. Em sua capacidade de representante do Profeta na terra, ele era considerado, além disso, o protetor das cidades santas de Meca e Medina, o defensor e propagador do Islã e o comandante de seus adeptos em qualquer guerra santa que tivessem de travar.
Em virtude da abolição do sultanato na Turquia, esse tão potente, augusto e sagrado personagem perdeu primeiro aquela autoridade temporal tida pelos expoentes da escola sunita como necessariamente concomitante à sua alta incumbência. Assim o emblema da soberania temporal, a espada, foi arrancada das mãos do comandante a quem se permitiu ocupar, por um breve período, tão anômala e precária posição. Dentro de pouco tempo, porém, se trombeteou ao mundo sunita, sem que lhe houvesse sido feita consulta alguma, a notícia de que o próprio califado fora deserdado permanentemente pelo país que durante mais de quatrocentos anos o havia aceito como apêndice ao seu sultanato. Os turcos, que haviam sido os chefes militantes do mundo maometano desde o declínio árabe, tendo levado o estandarte do islã até aos portais de Viena – sede do governo da primeira potência da Europa – renunciaram sua primazia. O ex-califa, despido de sua pompa real e dos símbolos de vigário, vendo-se abandonado tanto por amigos como por inimigos, teve de fugir de Constantinopla, orgulhosa sede de uma soberania dual, para a terra dos infiéis, e resignar-se à mesma vida de exílio à qual vários de seus colegas soberanos haviam sido, e ainda estavam condenados.
Nem conseguia o mundo sunita, a despeito de resolutos esforços, designar qualquer um em seu lugar que, embora privado da espada de comandante, pudesse ainda agir como custódio do manto e do estandarte do Apóstolo de Deus – os santos emblemas gêmeos do califado. Realizavam-se conferências, seguiam-se discussões, e convocou-se um congresso do califado na capital egípcia, a cidade dos fatímitas, mas tudo isso teve como resultado apenas a pública confissão, largamente difundida, de seu fracasso: “Concordaram em discordar!”
Estranha incrivelmente estranha, deve parecer a posição desse mais poderoso ramo da Fé Islâmica, sem nenhuma cabeça visível para expressar seus sentimentos e suas convicções, estando destruída, irremediavelmente, sua unidade, ofuscado seu brilho, e minada sua lei, e tendo suas instituições caído num caos desesperador. Após treze séculos, desvanecera-se como fumaça essa instituição que havia desafiado os direitos inalienáveis da autorização divina, possuídos pelos Imames da Fé Maometana – uma instituição que infligira golpes tão impiedosos numa Fé cujo Arauto era, Ele Próprio, descendente dos Imames, legítimos sucessores do Apóstolo de Deus.
O que poderia fazer alusão esta notável profecia encerrada na Lawh-i-Burhán, senão à queda desse príncipe coroado dos muçulmanos sunitas? “Ó assembléia de sacerdotes muçulmanos! Por vossa causa, o povo sofreu humilhação e a bandeira do islã foi arriada, e seu poderoso trono foi subvertido”. E que dizer da profecia, indubitavelmente clara e admirável, registrada no Qayyúmu´l- Asmá? “Dentro em breve, Nós, em verdade, atormentaremos aqueles que guerrearam contra Husayn (Imame Husayn) na terra do Eufrates, como o mais aflitivo tormento e a punição mais exemplar.” Que outra interpretação poderemos dar a esta tradição maometana? “Nos últimos dias, uma calamidade penosa sobrevirá a Meu povo, vindo das mãos de seu governante, uma calamidade tal como homem algum jamais viu.”
Isso não foi tudo, entretanto. O desaparecimento do califa, cabeça espiritual de mais de duzentos milhões de maometanos, teve como conseqüência, na terra que infligira tão pesado golpe no islã, a anulação da Lei canônica sharí´ah, a desapropriação dos bens das instituições sunitas, sendo promulgado um código civil, suprimidas as ordens religiosas e ab-rogadas as cerimônias e as tradições que a religião de Maomé inculcara. O shaykhu´l-Islám e seus satélites – inclusive muftís, qádís, hujahs, shaykhs, súfís, hájís, mawlavís, dervixes e os demais – desvaneceram-se com um golpe mais resoluto, mais aberto e mais drástico do que aquele sofrido pelos xiitas nas mãos do xá e de seu governo. As mesquitas da capital – o orgulho e a glória do mundo islâmico – foram abandonadas, sendo a mais bela e famosa delas todas, a incomparável Santa Sofia – “o Segundo Firmamento”, “o Veículo dos Querubins” – convertida em museu pelos vociferantes criadores de um regime temporal. Baniram da terra a língua árabe, idioma do Profeta de Deus, substituindo seu alfabeto por caracteres latinos, e o próprio Alcorão foi traduzido em turco para os poucos que ainda o desejassem ler. A constituição da nova Turquia, com todas suas cláusulas concomitantes e, segundo alguns pareceres, ateísticas, não só proclamou formalmente a desapropriação dos bens do islã e sua desligação do Estado mas também prenunciou várias medidas que visavam a uma humilhação e a um enfraquecimento ainda maiores. Até mesmo a cidade de Constantinopla, “o Zimbório do Islã”, apostrofada em termos tão condenatórios por Bahá’u’lláh, e que o grande Constantino, após a queda de Bizâncio, saudara como “a nova Roma” – tendo sido elevada à posição de metrópole tanto do Império Romano como da Cristandade, e reverenciada, subseqüentemente, como sede dos califas – essa mesma Constantinopla foi relegada agora à condição de cidade provincial e despida de toda sua pompa e glória, vindo assim seus altos e delgados minaretes a tornar-se sentinelas no túmulo de tanto esplendor e poder esvaecidos.
“Ó Lugar sito nas praias dos dois mares!” – assim Bahá’u’lláh apostrofou a Cidade Imperial, em termos que fazem lembrar as palavras proféticas dirigidas por Jesus Cristo a Jerusalém – “O trono da tirania, em verdade, estabeleceu-se sobre ti, e a chama do ódio se ateou em teu seio, de tal modo que a Assembléia no alto, e os que rodeiam o Trono Excelso, tem gemido e lamentado. Nós vemos que em ti os insensatos governam os sábios, e a treva se ufana contra a luz. Estás, de fato, cheio de orgulho manifesto. Teu esplendor externo te fez vanglorioso? Por Aquele que é o Senhor da humanidade! Breve perecerá, e tuas filhas e tuas viúvas e todos os consangüíneos que em ti residem, haverão de lamentar. Assim te informa o Onisciente, o Sapientíssimo.”
Tal foi o destino que atingiu o islã, tanto o xiita como o sunita, nos dois países em que haviam plantado suas bandeiras e erguido suas mais poderosas e célebres instituições. Tal foi seu destino nesses dois países, num dos quais Bahá’u’lláh faleceu em exílio e noutro o Báb sofreu martírio. Tal foi o destino daquele que se denominara Vigário do Profeta de Deus, como também dos ministros favoritos do Imame ainda esperado. “O povo do Alcorão”, assim testifica Bahá’u’lláh, “levantou-se contra Nós e afligiu-nos com tal tormento que o Espírito Santo deplorou, e o trovão rugiu e as nuvens choraram por Nós... Maomé, o Apóstolo de Deus, no excelso Paraíso, lamenta-se por causa de seus atos”. “Será visto por Meu povo o dia” – suas próprias tradições o condena – “em que nada haja remanescido do islã senão um nome, e do Alcorão nada, salvo uma simples aparência. Os doutores daquela era serão os mais maléficos já vistos pelo mundo. Deles o mal procedeu e sobre eles haverá de retornar”. E também: “Constituirão a maioria de Seus inimigos os sacerdotes. A Seu mando não obedecerão, mas sim farão protesto, dizendo: - Isso é contrário àquilo que nos foi transmitido pelos Imames da Fé.” E ainda: “Naquela hora descerá sobre vós Sua maldição, e vossa desgraça vos afligirá e vossa religião se tornará uma palavra vazia em vossas línguas. E quando estes sinais aparecerem entre vós, antecipai o dia em que o vento chamuscador terá soprado sobre vós, ou o dia em que tereis sido desfigurados, ou o dia em que pedras terão chovido sobre vós.”
25. UMA ADVERTÊNCIA A TODAS AS NAÇÕES
Esse bando de sacerdotes degradados, que Bahá’u’lláh estigmatizara de “doutores da dúvida”, “abjetos manifestantes do Príncipe da Treva”, de “lobos” e “faraós”, de “centros focais do fogo infernal”, de “feras vorazes apresando as almas dos homens” e, segundo atestam suas próprias tradições – de fontes bem como de vítimas de malvadez – esses sacerdotes se juntaram às várias aglomerações de sháhzádihs, emires e principelhos de dinastias caídas, como testemunho e advertência para todas as nações daquilo que há, de cedo ou tarde, sobrevir àqueles possuidores do domínio terreno, sejam reais ou eclesiásticos, que se possam atrever a desafiar ou perseguir os designados Instrumentos e as Personificações de autoridade e poder divinos.
O islã, a um tempo o progenitor e o perseguidor da Fé introduzida por Bahá’u’lláh, está – se lermos com acerto os sinais dos tempos – apenas principiando a sustentar o impacto desta Fé triunfante, invencível. Basta recordarmo-nos dos mil e novecentos anos de tribulações extremas e de dispersão pelos quais tiveram de passar, e ainda estão passando, aqueles que acompanharam o Filho de Deus durante o breve período de três anos. Bem nos podemos perguntar a nós mesmos, com sentimentos de temor e reverência, quão severas não deverão ser as tribulações dos que, por nada menos de cinqüenta anos, “atormentaram com um tormento novo a todo instante” Àquele que é o Pai e, além disso, fizeram que Seu Arauto – Ele Próprio um Manifestante de Deus – sorvesse, sob tão trágicas circunstâncias, a taça do martírio.
Nas páginas precedentes, tenho citado certas passagens dirigidas aos membros, coletivamente, da ordem eclesiástica, tanto islâmica como cristã, e depois anotado referências e discursos específicos aos sacerdotes muçulmanos, xiitas e sunitas igualmente, tendo então procedido à descrição das calamidades que afligiram essas hierarquias maometanas, seus chefes, seus membros, suas propriedades, suas cerimônias e instituições. Consideremos agora os discursos dirigidos especificamente aos membros da ordem clerical cristã, os quais, em sua maioria, desatenderam a Fé introduzida por Bahá’u’lláh, enquanto alguns deles, à medida que a Ordem Administrativa da Fé crescia e estendia suas ramificações sobre os países cristãos, se levantaram a fim de lhe deterem o progresso, menosprezarem a influência e obscurecerem o propósito.
26. SUAS MENSAGENS AOS DIRIGENTES CRISTÃOS
Um rápido olhar sobre os escritos do Autor da Revelação Bahá’í patenteará este fato importante e significativo: Aquele que dirigiu uma mensagem imortal a todos os reis da terra, coletivamente, e revelou uma Epístola a cada uma das proeminentes cabeças coroadas da Europa e da Ásia, fazendo Seu chamado aos principais sacerdotes do islã, tanto sunitas como xiitas, nem excluindo de seu âmbito os judeus e os zoroastrianos, também dirigiu mensagens especiais – além de numerosas e repetidas exortações e advertências ao inteiro mundo cristão – algumas gerais, outras precisas e desafiadoras, aos chefes bem como à generalidade das ordens eclesiásticas cristãs – a seu papa, seus reis, seus patriarcas, seus arcebispos, seus bispos, seus padres e seus monges -. Ao tratarmos das mensagens de Bahá’u’lláh às cabeças coroadas do mundo, já consideramos certas feições da Epístola ao Pontífice Romano, bem como as palavras escritas aos reis da cristandade. Que agora prestemos nossa atenção àquelas passagens nas quais a Pena de Bahá’u’lláh discrimina a aristocracia da igreja, e os ministros ordenados, para Suas exortações e advertências:
“Dize: Ó assembléia de patriarcas! Aquele que vos foi prometido nas Epístolas já veio. Temei a Deus e não sigais as vãs fantasias dos supersticiosos. Renunciai as coisas que possuis e segurai nas mãos firmemente a Epístola de Deus, por Seu poder soberano. Isso vos é melhor que todas as vossas possessões. Disso dá testemunho todo coração compreensível, e todo homem e discernimento. Vós vos orgulhais de Meu Nome e, no entanto, vos excluis de Mim como se o fosse por um véu? Isso, de fato, é coisa estranha!”
“Dize: Ó assembléia de arcebispos! Apareceu Aquele que é o Senhor de todos os homens. Na planície da iluminação, chama Ele à humanidade, enquanto vós estais contados no número dos mortos! Grande é a ventura daquele movido pelos Sopros Divinos, e que se tenha levantado dentre os mortos, neste Nome perspícuo.”
“Dize: Ó assembléia de bispos! Tremulam todas as raças da terra, e Aquele que é o Pai eterno clama entre a terra e o céu. Bem-aventurado o ouvido que tenha escutado, e os olhos que tenham visto, e o coração que se haja volvido para Aquele que é o Alvo da Adoração de todos os que estão nos céus e todos os que estão na terra”. “Ó assembléia de bispos! Sois as estrelas do céu de Meu conhecimento. Minha misericórdia não deseja que caiais à terra. Minha justiça, no entanto, declara: - Isto é o que o Filho (Jesus) decretou. – E tudo o que haja procedido de Seus lábios impecáveis, verazes, fidedignos, jamais se poderá alterar. Os sinos, em verdade, badalam Meu Nome e se lamentam por causa de Mim, mas Meu espírito exulta com evidente júbilo. O corpo do Amado anseia pela cruz, e Sua cabeça anela o dardo, no caminho do Todo-Misericordioso. A ascendência do opressor, de modo algum O poderá deter de Seu propósito”. E também: “As estrelas do céu do conhecimento caíram – aqueles que aduzem as provas em seu poder a fim de demonstrarem a verdade de Minha Causa, e fazem menção de Deus em Meu Nome. Quando Eu lhes vim em Minha majestade, porém, afastaram-se de Mim. São, em verdade, dos caídos. Foi isso que o Espírito (Jesus) profetizou quando veio com a verdade, e os doutores judeus Dele zombaram até que cometeram o que motivou a lamentação do Espírito Santo e fez chorarem os olhos dos que fruem proximidade de Deus.”
“Dize: Ó assembléia de padres! Deixai os sinos e saí, então, de vossas igrejas. Cumpre-vos, neste dia, proclamar em altas vozes, entre as nações, o Maior Nome. Preferis guardar silêncio, enquanto toda pedra e toda árvore clama: - Veio o Senhor em Sua grande glória! - ...Quem convoca os homens em Meu Nome é, em verdade, de Mim, e ele há de manifestar o que está além do poder de todos os que estão na terra... Que os sopros de Deus vos despertem. Em verdade, emanaram sobre o mundo. Bem-aventurado quem descobriu sua fragrância e se contra entre os firmes.” E outra vez: “Ó assembléia de padres! Apareceu o Dia do Juízo, Dia em que veio Aquele que estava no céu. Ele, em verdade, é Quem vos foi prometido nos Livros de Deus, o Santo, o Onipotente, Alvo de todo louvor. Quanto tempo vagareis na selva da negligência e da superstição? Volvei-vos, de coração, para vosso Senhor, o Clemente, o Generoso”.
“Dize: Ó assembléia de monges! Não vos enclausureis em igrejas e conventos. Saí por Minha permissão e ocupai-vos naquilo que possa trazer proveito às vossas almas e às almas dos homens. Assim vos ordena o Rei do Dia do Juízo. Enclausurai-vos na cidadela e Meu amor. Esta é, em verdade, uma reclusão digna – fosseis vós dos que isso percebem. Aquele que se confina a uma casa é de fato como um morto. Cumpre ao homem manifestar o que traga benefício a todas as coisas criadas; quem não produz fruto algum, é digno do fogo. Assim vos aconselha vosso Senhor, e ele é, em verdade, o Onipotente, o Todo-Generoso. Entrai em matrimônio, a fim de que alguém depois de vós encha vosso lugar. Nós vos vedamos atos pérfidos e não aquilo que possa demonstrar fidelidade. Tendes vós vos segurado às normas fixadas por vós mesmos, jogando atrás de vós as normas de Deus? Temei a Deus e não sejais dos imprudentes. Se não fosse o homem, quem faria menção de Mim em Minha terra, e como se haveriam revelados Meus atributos e Meu Nome? Ponderai e não sejais dos que se acham velados, profundamente adormecidos. Àquele que não entrou em matrimônio (Jesus) faltava onde se estabelecer ou reclinar a cabeça, por causa daquilo perpetrado pelas mãos dos traiçoeiros. Sua santidade não consiste naquilo que credes ou imaginais, mas, antes, nas coisas que Nós possuímos. Pedi, para que possais compreender Sua condição, elevada acima das fantasias de todos os que habitam a terra. Bem-aventurados os que isso percebem”. E também: “Ó assembléia de monges! Se a Mim elegerdes seguir, Eu vos farei herdeiros de Meu Reino; e se contra Mim transgredirdes, Eu com Minha tolerância suportarei isso pacientemente, e sou, em verdade, Quem sempre perdoa, o Todo-Misericordioso... Belém agita-se com o Sopro de Deus. Ouvimos sua voz dizer: - Ó mais generoso Senhor! Onde se estabeleceu Tua grande glória? As doces fragrâncias de Tua Presença vivificaram-me depois que eu me dissolvera em minha separação de Ti. Louvado sejas Tu por haveres levantado os véus e vindo com poder, em glória evidente. – A ela chamamos detrás do Tabernáculo da Majestade e Grandeza: - Ó Belém! Essa Luz surgiu no Oriente e se moveu para o Ocidente, até que te alcançou no anoitecer de sua vida. Dize-Me, então: Reconhecem os filhos ao Pai e aclamam-No, ou negam-No, assim como o povo de antanho O (Jesus) negou? Com isso ela exclamou, dizendo: - És, em verdade, o Onisciente, o Mais Informado”. E outra vez: “Considerai, também, quão numerosos, neste tempo, são os monges que se enclausuraram em suas igrejas, em Meu Nome, e que, ao chegar a hora marcada, quando lhes desvelamos Nossa beleza, não Me reconheceram, apesar de Me haverem invocado à alvorada e ao anoitecer.” “Ledes o Evangelho” – Ele ainda outra vez se lhes dirige – “e ainda vos recusais a aclamar o Senhor Todo-Glorioso? Isso, de fato, mal vos convém, ó assembléia de eruditos!... As fragrâncias do Todo-Misericordioso sopraram sobre toda a criação. Feliz o homem que renunciou a seus desejos e se segurou à guia.”
Essas “estrelas caídas” do firmamento da cristandade, essas “nuvens espessas” que obscureceram o brilho da verdadeira Fé Divina, esses príncipes da Igreja, os quais se recusaram a admitir a soberania do “Rei dos Reis”, esses iludidos ministros do Filho, os quais, com desdém, se afastaram do prometido Reino que o “Pai Eterno” fez descer do céu, e está agora estabelecendo na terra – estes estão passando por uma crise, neste “Dia do Juízo”, uma crise menos aguda, é verdade, do que aquela que a ordem sacerdotal do islã, os inveterados inimigos da Fé, tiveram de enfrentar, mas uma não menos significativa nem de alcance menor. “O poder foi tirado”, de fato, e cada vez mais está sendo tirado, desses eclesiásticos que falam no nome – mas estão muito longe do espírito – da Fé que professam.
Basta olharmos ao nosso redor, observando as fortunas das ordens eclesiásticas cristãs, para podermos apreciar a incessante deterioração de sua influência, o declínio do seu poder, o enfraquecimento de seu prestígio, o menosprezo à sua autoridade, a diminuição em suas congregações, o relaxamento em sua disciplina, a restrição de sua imprensa, a timidez de seus dirigentes, a confusão em suas forças armadas, o confisco progressivo de suas propriedades, a rendição de algumas de suas mais poderosas cidadelas e o extermínio de outras antigas e consagradas instituições. De fato, constantemente desde que se emitiu o chamado divino e se estendeu o convite, desde que a advertência soou e a condenação foi pronunciada, esse processo – o qual se iniciou, podemos dizer, com o colapso da soberania temporal do Pontífice Romano logo após se haver revelado a Epístola ao Papa – opera com crescente celeridade, ameaçando a própria base sobre que descansa a ordem inteira. Tal processo, facilitado pelas forças que o movimento comunista desencadeou, fortalecido pelas conseqüências políticas da última guerra, acelerado pelo nacionalismo excessivo, cego, intolerante e militarista que ora convulsiona as nações, e estimulado pelo crescente fluxo do materialismo, irreligião e paganismo – esse processo não só tende a subverter as instituições eclesiásticas mas também parece-nos estar levando para a descristianização das massas em muitos países cristãos.
Contentar-me-ei enumerando certas manifestações salientes dessa força que cad vez mais invade o domínio e ataca os mais firmes baluartes de um dos principais sistemas religiosos da humanidade: a virtual extinção do poder temporal do mais proeminente governante da cristandade, imediatamente após a criação do Reino da Itália; a onda de anti-clericalismo que varreu a França depois do colapso do império napoleônico e que culminou na separação completa da igreja católica e o estado, na laicificação da Terceira República, na secularização da educação e na supressão e debandada das ordens religiosas; o rápido e repentino surgir daquela “irreligião religiosa”, o ataque audaz, consciente e organizado lançado na Rússia Soviética contra a Igreja Grega Ortodoxa, que precipitou a separação entre a religião e o estado, massacrou vasto número de seus membros (que contavam originariamente mais de cem milhões de almas), e derribou, fechou ou converteu em museus, teatros e armazéns, muitos milhares de igrejas, conventos, sinagogas e mesquitas, espoliando a igreja de seis e meio milhões de acres de propriedades, assim tentando, com sua Liga de Ateus Militantes e a promulgação de um “plano qüinqüenal de impiedade”, desarraigar de seus fundamentos a vida religiosa das massas; o desmembramento da Monarquia Austro-Húngara, assim dissolvendo, por um só golpe, a mais poderosa unidade leal à Igreja de Roma, que com seus recursos lhe apoiava a administração; o divórcio entre o Estado Espanhol e a mesma Igreja, com o derribamento da monarquia, campeã da Cristandade Católica; a filosofia nacionalista que deu origem a um nacionalismo irrestrito, obsoleto, que, após haver destronado o islã, atacou indiretamente a vanguarda da igreja cristã em terras não cristãs, e está infligindo golpes tão pesados sobre as Missões Católicas, Anglicanas e Presbiterianas na Pérsia, na Turquia e no Extremo Oriente; o movimento revolucionário seguido pela perseguição da Igreja Católica no México; e, finalmente, o evangelho do paganismo moderno, aberto, agressivo e inexorável que, nos anos anteriores ao presente conflito, e cada vez mais desde que este rebentou, se tem estendido pelo continente europeu, invadindo as cidadelas e semeando confusão nos corações daqueles que apoiavam tanto a Igreja Católica como a Grega Ortodoxa e a Luterana, na Áustria, na Polônia, nos estados bálticos e escandinavos e, mais recentemente, na Europa Ocidental, sede das mais poderosas hierarquias da cristandade.
27. NAÇÕES CRISTÃS CONTRA NAÇÕES CRISTÃS
Que triste espetáculo de impotência e ruptura é apresentado por essa guerra fratricida travada por nações cristãs contra nações cristãs – anglicanos enfileirados contra luteranos, católicos contra gregos ortodoxos, católicos contra católicos, e protestantes contra protestantes – em apoio à chamada civilização cristã! Que triste espetáculo, aos olhos dos que já percebiam a bancarrota das instituições que se dizem falar em nome de Jesus Cristo e serem os custódios de sua Fé! A impotência e o desespero da Santa Sé diante dessa luta intestina entre filhos do Príncipe da Paz, que têm a benção e o apoio dos prelados de uma igreja fatalmente dividida – proclamam até que grau de subserviência caíram as instituições, outrora todo-poderosas, da Fé Cristã, e de um modo frisante fazem lembrar o estado paralelo de decadência das hierarquias de sua religião irmã.
Quanto a cristandade se tem desviado! E como é trágico seu desprezo pela alta missão que Aquele que é o verdadeiro Príncipe da Paz exortou todos os cristãos a cumprir, missão esta exposta nas passagens finais de Sua Epístola ao Papa Pio IX – passagens que estabelecem, uma vez por todas, a distinção entre a Missão de Bahá’u’lláh, nesta era, e a de Jesus Cristo: “Dize: Ó assembléia de cristãos! Nós, numa ocasião anterior, Nos revelamos a vós, e não Me reconhecestes. Esta é ainda outra ocasião que vos é concedida. É este o Dia de Deus; volvei-vos para Ele... Ao Amado não apraz que vos consumais pelo fogo de vossos desejos. Se fosseis excluídos Dele como se por um véu, não seria isso por outra causa senão pela vossa própria obstinácia e ignorância. Vós Me mencionais e não Me conheceis. Invocais a Mim e desatendeis Minha Revelação... Ó povo do Evangelho! Os que não estavam no Reino, aí agora entraram, enquanto Nós vos vemos deterdes à porta. Rompei os véus pelo poder de vosso Senhor, onipotente, o Todo-Generoso, e então, em Meu Nome, entrai em Meu Reino. Assim vos exorta Quem deseja para vós a vida eterna... Nós vos vemos, ó filhos do Reino, em trevas. Isso, em verdade, vos é indigno. Tendes medo, à face da luz, por causa de vossos atos? Dirigi-vos a Ele... Em verdade, Ele (Jesus) disse: - Segui a Mim e Eu vos farei pescadores de homens. Neste dia, porém, dizemos: - Segui a Mim para que vos possamos fazer vivificadores da humanidade”. “Dize:” – escreveu Ele, além disso, “Nós em verdade, viemos por vossa causa e suportamos os infortúnios do mundo para vossa salvação. Fugis Daquele que sacrificou a vida a fim de que vós fôsseis ressuscitados? Temei a Deus, ó vós que seguis o Espírito (Jesus) e não andeis nas pegadas de todo sacerdote que se tiver desviado para longe... Abri as portas de vossos corações. Aquele que é o Espírito (Jesus) está, em verdade, em sua frente. Por que razão vos mantendes longe Daquele que intentou vos fazer aproximar de um Lugar Resplandecente? Dize: Nós vos abrimos, em verdade, os portais do Reino. Quereis fechar as portas de vossas casas em Minha face? Isso, em verdade, nada mais é que erro lastimável.”
Tal é o estado ao qual se reduziu o clero cristão – um clero que se interpôs entre seu rebanho e o Cristo vindo de novo na glória do Pai. À medida que a Fé deste Prometido penetra cada vez mais no coração da cristandade, e se multiplicam os recrutas das cidadelas que seu espírito ora ataca, provocando isso uma ação unida e resoluta em defesa dos baluartes da ortodoxia cristã, e à medida que as forças do nacionalismo, do paganismo, do secularismo e do racismo se movem em conjunto para um clímax, não podemos pressagiar que o declínio no poder, autoridade e prestígio desses eclesiásticos se acentuará, demonstrando a verdade, e desdobrando mais plenamente as implicações do pronunciamento de Bahá’u’lláh que pressagia o eclipse dos luminares da Igreja de Jesus Cristo?
De vasto alcance, em verdade, foi a ruína causada nas fortunas da hierarquia xiita na Pérsia, e digna de lástima a sorte reservada para seu remanescente ora gemendo sob o jugo de uma autoridade civil que ela desde séculos havia dominado e desdenhado. Cataclísmico, de fato, foi o colapso da mais proeminente instituição do islã sunita, e irreparável a queda de sua hierarquia num país que fora campeã da causa do chamado vigário do Profeta de Deus. Persistente e inexorável é o processo que trouxe tanta destruição, ignomínia, cisma e fraqueza aos defensores das cidadelas do eclesiasticismo cristão, e negras, em verdade, são as nuvens que lhe obscurecem o horizonte. Em conseqüência das ações dos sacerdotes muçulmanos e cristãos – “ídolos” estigmatizados por Bahá’u’lláh como constituindo a maioria de Seus inimigos, que não Lhe atenderam a injunção de abandonar suas penas e rejeitar suas fantasias e que, se Nele tivessem acreditado, segundo Seu próprio testemunho, teriam realizado a conversão das massas – o islã e o cristianismo já entraram, podemos dizer sem exagero, na fase mais crítica de sua história.
Que ninguém se engane, porém, quanto a meu propósito, nem interprete erroneamente essa verdade cardeal que é da essência da Fé Bahá’í. A origem divina de todos os Profetas de Deus – inclusive Jesus Cristo e o Apóstolo de Deus, os dois maiores Manifestantes anteriores à Revelação do Báb – tem o apoio firme e sem reservas de cada um que segue a religião Bahá’í. É reconhecida claramente a unidade fundamental desses Mensageiros de Deus, afirmada a continuidade de Suas Revelações, admitida a autoridade divina bem como o caráter correlativo de Seus Livros; é proclamada a uniformidade de seus objetivos e propósitos, e acentuado o fato de ser inigualável Sua influência, enquanto se ensina e prevê a reconciliação final entre os ensinamentos de todos e os adeptos de todos. “Todos Eles” – segundo o testemunho de Bahá’u’lláh – “residem no mesmo tabernáculo, voam no mesmo céu, sentam-se no mesmo trono, pronunciam as mesmas palavras e proclamam a mesma Fé.”
28. A CONTINUIDADE DA REVELAÇÃO
A Fé que se identifica com o nome de Bahá’u’lláh não admite qualquer intenção de menosprezar um Profeta anterior, de Lhe diminuir um ensinamento ou ofuscar, no mínimo grau, o brilho de Sua Revelação, de desarraigá-Lo dos corações de Seus adeptos, de ab-rogar os fundamentos de Sua doutrina, de rejeitar qualquer dos Livros revelados ou suprimir as legítimas aspirações de Seus adeptos. Repudiando o suposto direito de qualquer religião de ser a revelação final de Deus ao homem, inclusive Sua própria Revelação, Bahá’u’lláh inculca o princípio básico de ser relativa a verdade religiosa, contínua a Revelação Divina, progressiva a experiência religiosa. Visa Ele a alargar a base de todas as religiões reveladas, e desvendar os mistérios de suas escrituras. Insiste sobre o reconhecimento incondicional de sua unidade de propósito, expressa novamente as eternas verdades que todas elas encerram, coordena-lhes as funções, distingue, em seus ensinamentos, o essencial e autêntico do não-essencial e espúrio, separa as verdades de origem divina das superstições de procedência sacerdotal e, nesta base, proclama ser possível, e até inevitável, sua unificação e a consumação de suas mais altas esperanças.
Quanto a Maomé, o Apóstolo de Deus – que ninguém dentre Seus adeptos pense por um momento, ao ler estas páginas, que o islã, ou seu Profeta, ou Seu Livro, ou Seus Sucessores designados, ou qualquer de Seus autênticos ensinamentos, tenham sido, ou devam ser, no mínimo grau, desprezados. A linhagem do Báb, o descendente do Imame Husayn; as várias evidências tão notáveis, na Narrativa de Nabíl, da atitude do Arauto de nossa Fé para com o Fundador, os Imames e o Livro do islã; a calorosa homenagem prestada por Bahá’u’lláh, no Kitáb-i-Iqán, a Maomé e aos Seus legítimos Sucessores, e, em particular ao Imame Husayn “sem igual e incomparável”; os argumentos que ‘Abdu’l-Bahá aduziu em público, em igrejas e sinagogas, poderosa e intrepidamente, a fim de demonstrar a validez da Mensagem do Profeta Árabe; e, por último, embora não de menor importância, o testemunho escrito da Rainha da Romênia, que apesar de haver nascido na fé anglicana e não obstante a estreita aliança de seu governo com a Igreja Grega Ortodoxa – a religião oficial de seu país adotivo – foi levada, sobretudo por haver lido os discursos públicos de ‘Abdu’l-Bahá, a proclamar seu reconhecimento da função profética de Maomé – tudo isso patenteia, em termos inequívocos, a verdadeira atitude da Fé Bahá’í para com sua religião materna.
“Deus” – é o tributo da Rainha Maria – “é o Todo, e o tudo. Ele é o poder atrás de todos os princípios... É Sua Voz dentro de nós que nos mostra o bem e o mal. Pela maior parte, porém, desatendemos ou interpretamos mal essa Voz. Por isso, fez Ele descerem à terra, para estarem entre nós, Seus Eleitos, a fim de esclarecer Sua Palavra, Seu verdadeiro significado. Por isso, os Profetas; por esta razão, Cristo, Maomé, Bahá’u’lláh, pois o homem necessita, de tempos em tempos, de uma voz na terra para lhe trazer Deus, para lhe aguçar a percepção da existência do Deus verdadeiro. Essas vozes, enviadas a nós, tiveram de se encarnar, a fim de que nós, com nossos ouvidos terrenos, pudéssemos ouvir e entender.”
Que prova maior – podemos perguntar pertinentemente – será exigida pelos sacerdotes da Pérsia, ou da Turquia, para demonstrar o fato de que os adeptos de Bahá’u’lláh reconhecem a excelsa posição do Profeta Maomé entre a inteira companhia dos Mensageiros de Deus? Que maior serviço esperam esses sacerdotes que prestemos à Causa do islã? Que maior evidência de nossa capacidade, poderão eles pedir, do que havermos avivado, em regiões tão além de seu alcance, a centelha de uma ardente e sincera conversão à verdade expressa pelo Apóstolo de Deus, e obtido da pena de uma realeza essa confissão pública e, de fato, histórica, de sua Missão divina?
Quanto à posição do cristianismo, seja afirmado, sem a menor hesitação ou equívoco, que se admite incondicionalmente sua origem divina, que se declara destemidamente a divindade de Jesus Cristo, reconhecendo, pois, plenamente a inspiração divina do Evangelho; que se confessa a realidade do mistério da imaculabilidade da Virgem Maria, e se apóia e defende a primazia de Pedro, Príncipe dos Apóstolos. Bahá’u’lláh denomina o Fundador da Fé Cristã o “Espírito de Deus”, proclamando-O como Aquele que “apareceu do sopro do Espírito Santo” e até O exalta como a “Essência do Espírito”. Descreve Sua mãe como “aquele semblante velado e imortal, o mais belo,” e elogia a posição de seu Filho como uma “posição exaltada acima do que possam imaginar todos os que habitam a terra”, enquanto reconhece a Pedro como aquele de cujos lábios Deus fez “manarem os mistérios da sabedoria e da pronunciação”. “Sabe tu” – atestou Bahá’u’lláh ainda – “que, quando o Filho do Homem entregou a Deus Seu fôlego, a criação inteira chorou, com grande pranto. Pelo Seu sacrifício, porém, se infundiu uma capacidade nova em todas as coisas criadas. As evidências disto, segundo testemunham todos os povos da terra, estão agora manifestas diante de ti. A mais profunda sabedoria pronunciada pelos sábios, a mais vasta erudição desvelada por mente alguma, as artes que as mãos mais hábeis já produziram, a influência que o mais potente dos governantes tem exercido, são apenas manifestações do poder vivificador emanado de Seu Espírito transcendente e esplendoroso que em tudo penetra. Damos testemunho de que Ele, ao vir para o mundo, derramou o esplendor de Sua glória sobre todas as coisas criadas. Por Seu intermédio, o leproso foi curado da lepra da perversidade e da ignorância. Por Seu intermédio, o impuro e o refratário restauraram-se. Graças a Seu poder, oriundo de Deus Onipotente, abriram-se os olhos do cego, e santificou-se a alma do pecador. Ele foi Quem purificou o mundo. Bem-aventurado o homem que, com a face irradiante de luz, se volveu para Ele.”
De fato, um dos requisitos essenciais para que sejam admitidos ao rebanho Bahá’í, judeus, zoroastrianos, hindus, budistas e os que seguem as outras crenças antigas, bem como agnósticos e mesmo ateus, é que aceitem de todo coração e incondicionalmente a origem divina tanto do islã como do cristianismo, as funções de Profeta exercidas por Maomé, bem como por Jesus Cristo, a legitimidade da instituição de Imame, e a primazia de São Pedro, Príncipe dos Apóstolos. Tais são os princípios centrais, sólidos, incontrovertíveis, que constituem a pedra fundamental da crença Bahá’í, princípios estes que a Fé promulgada por Bahá’u’lláh se orgulha de reconhecer, seus instrutores proclamam, seus apologistas defendem, sua literatura dissemina, suas escolas de verão expõem e a generalidade de seus adeptos atesta, tanto por palavra como por ação.
Nem se deve pensar por um momento que os seguidores de Bahá’u’lláh procurem degradar ou menosprezar a posição dos dirigentes religiosos do mundo, sejam cristãos, maometanos ou de qualquer outra fé, contanto que sua conduta esteja em harmonia com sua profissão e digna da posição que ocupam. “Aqueles sacerdotes”, Bahá’u’lláh afirmou, “... que realmente se aformoseam com o adorno do conhecimento, e de um caráter reto, são como uma cabeça para o corpo do mundo, como olhos para as nações. A orientação dos homens tem dependido em todos os tempos, e ainda depende, dessas almas abençoadas”. E também: “O sacerdote cuja conduta é íntegra, e o sábio que é justo, são como o espírito para o corpo do mundo. Feliz aquele cuja cabeça se atavia com a coroa da justiça e cujo templo se embeleza com o adorno da eqüidade”. E ainda: “O sacerdote que se tiver apoderado do mais santo Vinho e dele sorvido, em nome do soberano Ordenador, será como olhos para o mundo. Bem-aventurados os que lhe obedecem e dele se lembram”. “Grande é a bem-aventurança daquele sacerdote”, escreveu Bahá’u’lláh em outra ocasião, “que não tenha permitido que o conhecimento se tornasse um véu entre ele e aquele Ser, Objeto de todo o conhecimento e, ao aparecer o Subsistente por Si Próprio, se haja volvido para ele com a face irradiante. Em verdade, ele é contado entre os sábios. Os habitantes do Paraíso procuram a benção de seu sopro, e sua lâmpada brilha sobre todos os que estão no céu e na terra. Em verdade, ele se inclui no número dos herdeiros dos Profetas. Quem o vir terá, de fato, visto o Verdadeiro, e quem se volver para ele, se terá, realmente volvido para Deus, o Todo-Poderoso, o Onisciente”. “Respeitai os sacerdotes entre vós”, - é Sua exortação – “aqueles cujos atos estiverem em harmonia com o conhecimento por eles possuído, que observarem os estatutos de Deus e decretarem o que Deus decretou no Livro. Sabei que são as lâmpadas que guiam entre a terra e o céu. Os que não têm consideração pela dignidade e pelo mérito dos sacerdotes em seu meio, alteram, em verdade, a generosa graça de Deus que lhes foi concedida”.
Caros amigos! Nas páginas precedentes, tenho tentado apresentar essa tribulação mundial que se apoderou da humanidade, como sendo, primariamente, um juízo de Deus pronunciado contra os povos da terra, os quais, há um século, se recusam a reconhecer Aquele Cujo advento fora prometido a todas as religiões, e em cuja Fé, tão somente, todas as nações podem e devem, afinal, buscar sua verdadeira salvação. Tenho citado, dos escritos de Bahá’u’lláh e do Báb certas passagens que revelam o caráter e prognosticam a vinda dessa visitação de procedência divina. Já enumerei as penosas provações que afligiram a Fé, seu Arauto, seu Fundador e seu Exemplar, e expus a trágica falha da generalidade dos homens e de seus dirigentes que não protestaram contra essas tribulações nem admitiram a verdade da missão Daqueles que as suportaram. Indiquei que uma responsabilidade direta, terrível e inescapável cabia aos soberanos da terra e aos dirigentes religiosos do mundo que, nos dias do Báb e de Bahá’u’lláh, seguravam em suas mãos as rédeas da absoluta autoridade política e religiosa. Também tentei mostrar como, em conseqüência do antagonismo direto e ativo à Fé, por parte de alguns deles, e porque outros se descuidaram de seu inquestionável dever de investigar sua verdade, examinar suas declarações, vindicar sua inocência e punir aqueles que a injuriaram, tanto reis como eclesiásticos têm sofrido, e ainda estão sofrendo, os terríveis castigos que seus pecados de omissão e comissão provocaram. Por ser sua a responsabilidade principal, em vista de sua ascendência indisputável sobre súditos e adeptos, respectivamente, tenho citado extensamente as mensagens, exortações e advertências que lhes foram dirigidas pelos Fundadores de nossa Fé, e também discorrido longamente sobre as conseqüências dessas pronunciações momentosas e históricas.
Embora os responsáveis por essa grande calamidade retribuidora, segundo atesta Bahá’u’lláh, sejam, primariamente, os supremos dirigentes do mundo, tanto seculares como religiosos, não devemos considerá-la – se a quisermos avaliar com acerto – como somente uma visitação divina a um mundo que há cem anos persiste em se recusar a abraçar a verdade de uma Mensagem redentora que lhe é proferida, neste dia, pelo supremo Mensageiro de Deus. Deve ser vista, também, embora em menor grau, como uma retribuição divina pela perversidade da espécie humana em geral, por haver ela se desviado daqueles princípios elementares que, em todos os tempos, hão de governar a vida e o progresso dos homens e, tão somente, os podem salvaguardar. A humanidade, infelizmente, em vez de reconhecer e adorar o Espírito de Deus na forma em que se incorpora em Sua religião neste dia tem preferido, com uma crescente insistência, adorar aqueles ídolos falsos, conceitos inverídicos e meias-verdades que lhe obscurecem as religiões, corrompem a vida espiritual e convulsionam as instituições políticas, corroendo-lhe a textura social e demolindo sua estrutura econômica.
Não somente têm os povos da terra mostrado indiferença, e alguns até atacado uma Fé que é a um tempo a essência e a promessa de todas as religiões, destinada a reconciliá-las e unificá-las, mas também eles se têm afastado de suas próprias religiões, pondo sobre seus altares subvertidos outros deuses inteiramente alienados do espírito, bem como das formas tradicionais de suas antigas crenças.
“A face do mundo”, lamenta Bahá’u’lláh, “alterou-se. O caminho de Deus e a religião de Deus deixaram de ter valor aos olhos dos homens”. “A vitalidade da crença dos homens em Deus”, escreveu Ele também, “está morrendo em toda parte... A corrosão da impiedade consome as vísceras da sociedade humana”. “A religião”, Ele afirma, “é, em verdade, o instrumento principal para estabelecer ordem no mundo e realizar tranqüilidade entre seus povos... Quanto maior o declínio da religião, mais lastimável se torna a obstinação dos ímpios. Isso a nada poderá levar, afinal, senão ao caos e à confusão”. E também: “A religião é uma luz radiante e um baluarte invencível para a proteção e o bem-estar dos povos do mundo”. “Assim como o corpo do homem”, escreveu Ele em outra ocasião, “necessita de vestimenta para vesti-lo, também o corpo da humanidade deve adornar-se com o manto da justiça e sabedoria. Suas vestes são a Revelação que lhe é concedida por Deus.”
29. OS TRÊS FALSOS DEUSES
Essa força vital esmorece, ofusca-se essa luz radiante; é abandonado esse irreduzível baluarte, e rejeitada tão bela vestimenta. O próprio Deus foi, de fato, destronado dos corações dos homens, e um mundo idólatra saúda clamorosamente e adora apaixonadamente os falsos deuses que suas próprias vãs fantasias criaram com tamanha fatuidade. Os ídolos principais no templo execrado da humanidade não são outros que os tríplices deuses, do nacionalismo, racismo e comunismo, diante de cujos altares adoram atualmente, em várias formas e diferentes graus, governos e povos, sejam democráticos ou totalitários, do Oriente ou do Ocidente, cristãos ou islâmicos, quer estejam em paz ou em guerra. Seus sacerdotes são os políticos e os especialistas do mundo, os chamados sábios da época; seu sacrifício consiste na carne e sangue das multidões trucidadas; suas encantações, em shibboleths obsoletos e fórmulas insidiosas e irreverentes; seu incenso, na fumaça da angústia que se eleva dos corações dilacerados daqueles que perderam os entes queridos, daqueles excluídos e dos sem teto.
As teorias e políticas errôneas e perniciosas, que deificam o estado e exaltam a nação acima da humanidade, que visam a subordinar as raças irmãs do mundo a uma só raça superior, que discriminam entre preto e branco e toleram o predomínio de uma classe privilegiada sobre as demais – estas são as doutrinas obscuras, falsas e retorcidas que devem, cedo ou tarde, sujeitar aquele homem ou aquele povo que as seguir ou nelas acreditar à ira e punição de Deus.
“Movimentos”, é a advertência expressa por ‘Abdu’l-Bahá, “recém-nascidos e de âmbito mundial, exercerão seus máximos esforços pela promoção de seus desígnios. O Movimento Esquerdista adquirirá grande importância. Estender-se-á a sua influência.”
Em contraste com tais doutrinas que engendram a guerra e convulsionam o mundo, e irreconciliavelmente opostas a elas, vemos as verdades saneadoras, redentoras e ponderosas proclamadas por Bahá’u’lláh, o Divino Organizador e Salvador de toda a humanidade – verdades estas que devem ser vistas como a força animadora e o distintivo de Sua Revelação: “O mundo é apenas um país e os seres humanos seus cidadãos”. “Que nenhum homem se vanglorie de amar seu país; antes deve se gloriar disto, que ama a sua espécie”. E também: “Sois os frutos de uma só árvore e as folhas de um único ramo”. “Inclinai vossas mentes e vontades para a educação dos povos e raças da terra, a fim de que talvez... todos os seres humanos se possam tornar os sustentáculos de uma só ordem e os habitantes de uma mesma cidade... Viveis em um só mundo e fostes criados pela operação de uma só Vontade.” “Acautelai-vos para que os desejos da carne e de uma inclinação corrupta não motivem divisões entre vós. Sede assim como os dedos de uma só mão, os membros de um só corpo”. E ainda: “Todos os renovos do mundo apareceram de uma só árvore, todas as gotas de um mesmo oceano, e todos os seres devem sua existência a um único Ser”. E ainda mais: “Homem, em verdade, é aquele que se dedica hoje ao serviço da humanidade inteira”.
30. OS ENFRAQUECIDOS PILARES DA RELIGIÃO
Não somente a irreligião e sua monstruosa prole – a tríplice maldição que oprime a alma da humanidade neste dia – devem ser tidas por responsáveis pelos males que tão tragicamente a assediam, mas também outros males e vícios que, em sua maior parte, são conseqüências diretas do “enfraquecimento dos pilares da religião”, devem ser considerados fatores contribuintes para o múltiplo delito do qual indivíduos e nações já se provaram culpados. Os sinais de declínio moral, conseqüência do destronamento da religião e da entronização desses ídolos usurpadores, são muito numerosos e patentes demais para que um observador, mesmo superficial, do estado da sociedade hodierna deixasse de notá-los. O aumento da licenciosidade, da embriaguez, do jogo e do crime; o desmedido amor ao prazer, à riqueza e às outras vaidades terrenas; o desleixo moral, que se revelam na atitude irresponsável para com o casamento, no enfraquecimento do controle paterno, no crescente fluxo do divórcio, na deterioração de normas na literatura e na imprensa, e na promoção de teorias que são a própria negação da pureza, da moralidade e da castidade, todas estas evidências de decadência moral – invadindo tanto o Oriente como o Ocidente, atingindo cada estrato da sociedade e instilando seu veneno em membros de ambos os sexos, jovens e velhos igualmente – denigrem ainda mais o pergaminho sobre o qual se acham inscritas as múltiplas transgressões de uma humanidade impenitente.
Não é de se admirar haver Bahá’u’lláh, o Médico Divino, declarado: “Neste dia, os gostos dos homens mudaram e seu poder de percepção se alterou. Os ventos contrários do mundo, e suas cores, provocaram um resfriamento, assim privando as narinas dos homens das doces fragrâncias da Revelação.”
Transbordante e amargo, realmente, é o cálice à espera de uma humanidade que não respondeu ao chamado de Deus através da voz de Seu Mensageiro Supremo – uma humanidade que deixou ofuscar-se a lâmpada da fé em seu Criador, transferindo, em uma vasta escala, os deuses de sua própria invenção, a lealdade devida a Ele, e se poluindo com os males e vícios que tal transferência haveria forçosamente de engendrar.
Caros amigos! É à luz de tais considerações que nós, os seguidores de Bahá’u’lláh, devemos ver essa visitação de Deus, a qual nos anos finais do primeiro século da era Bahá’í, aflige a generalidade dos seres humanos, e a tal ponto lhes confunde as atividades. Por causa desse delito dual – das coisas que fizeram e das que deixaram de fazer, de suas ofensas bem como de sua falta, tão triste e tão insignificante, de cumprir seu dever claro e inequívoco para com Deus, Seu Mensageiro e Sua Fé – foi que essa penosa provação, nada importando quais, sejam suas causas políticas e econômicas imediatas, tão firmemente dos seres humanos se apoderou.
Deus, porém, assim como mostramos no princípio destas páginas, não somente pune as ofensas de Seus filhos. Ele castiga porque é justo; faz sofrer porque ama. Depois de os haver punido, Ele, com Sua grande misericórdia, não os pode abandonar a seu destino. Em verdade, pelo próprio ato de os castigar, Ele os prepara para o desempenho do papel que foi o motivo de sua criação. “Minha calamidade é Minha providência”, assegura-lhes Ele, pelos lábios de Bahá’u’lláh, “exteriormente é fogo e vingança, mas interiormente é luz e mercê.”
As chamas ateadas pela Sua justiça divina purificam uma humanidade ainda não regenerada e funde seus elementos discordantes, combatentes, como nenhum outro agente os pode purificar ou fundir. Não é apenas um fogo retribuidor e destrutivo, mas também um processo disciplinante e criador, que visa salvar, através da unificação, o planeta inteiro. Misteriosamente, com lentidão mas com poder irresistível, Deus efetua Seu desígnio, embora o espetáculo com que nossos olhos hoje se defrontam seja o de um mundo desesperadamente enredado em suas próprias maranhas, desatendendo por completo a Voz que há um século o chama a Deus, e miseravelmente servil às vozes de sereia que tentam seduzi-lo ao vasto abismo.
31. O DESÍGNIO DE DEUS
Não é outro o desígnio de Deus senão o de inaugurar – por meios que somente Ele pode usar e cuja plena significação Ele, tão somente, pode sondar – a Grande Idade Áurea de uma humanidade desde longo tempo dividida e angustiada. Seu estado atual é obscuro, como também o será, de fato, seu futuro próximo lastimavelmente obscuro. Seu futuro remoto, porém, será radiante, gloriosamente radiante – tão radiante que nenhuma visão o pode abranger.
“Os ventos do desespero”, escreve Bahá’u’lláh, enquanto contempla os destinos imediatos da humanidade, “sopram, infelizmente, de todos os lados, e a contenda que divide e aflige o gênero humano, aumenta dia a dia. Os sinais de convulsões e caos iminentes podem ser discernidos, já que a ordem prevalecente parece ser lamentavelmente defeituosa”. “Tão deplorável será seu estado”, declara Ele em outra ocasião, “que não seria apropriado revelá-lo agora”. “Essas lutas infrutíferas” – Ele, por outro lado, contemplando o futuro da humanidade, predisse enfaticamente durante sua memorável palestra com o orientalista, Edward G. Browne, “essas guerras ruinosas acabarão, e a Maior Paz virá... Essa contenda e essa carnificina e discórdia devem cessar, e todos os homens considerarem-se como uma única raça e uma só família.” “Breve”, Ele prediz, “será a ordem atual posta de lado, e uma nova se desdobrará em seu lugar”. “Após algum tempo”, escreveu Ele também: “todos os governos na terra transformar-se-ão. Opressão haverá de envolver o mundo. E após uma convulsão universal, o sol da justiça levantar-se-á do horizonte do reino invisível”. “Toda a terra”, afirmou Ele, além disso, “está prenhe. Aproxima-se o dia em que terá produzido seus frutos mais nobres, quando dela terão brotado as árvores mais altas, as mais encantadoras flores, as bênçãos mais celestiais”. “Todas as nações e raças”, escreveu ‘Abdu’l-Bahá igualmente, “hão de se tornar uma só nação. Serão eliminados os antagonismos entre religiões e seitas, a hostilidade entre raças e povos, as diferenças entre nações. Todos os homens aderirão a uma única religião, terão uma fé comum, fundir-se-ão numa mesma raça e se tornarão um só povo. Todos viverão numa pátria comum, a qual será o próprio planeta.”
O que testemunhamos no tempo atual, durante “esta mais grave crise na história da civilização”, fazendo lembrar os períodos em que “religiões têm perecido e nascido”, é a fase adolescente na lenta e dolorosa evolução da humanidade, preliminar ao alcance da etapa de adulto, da madureza, a promessa do que é fundamental nos ensinamentos de Bahá’u’lláh e encerrada em Suas profecias. O tumulto desta era de transição é característico da impetuosidade e dos instintos irracionais da mocidade, de suas extravagâncias, sua prodigalidade, sua arrogância, sua completa confiança em si própria, sua rebeldia e seu desdém pela disciplina.
32. A GRANDE ERA QUE ESTÁ POR VIR
Passaram-se as épocas da infância e da juventude, para nunca mais voltarem, enquanto a Grande Época, a consumação de todas as épocas, que há de assinalar o amadurecimento da humanidade inteira, está ainda por vir. As convulsões deste período transitório, o mais turbulento nos anais da humanidade, são os requisitos essenciais e prenunciam a vinda inevitável daquela Época das Épocas, “tempo do fim”, quando a inépcia e o tumulto da contenda que, desde os primórdios da história, enegrece os anais do homem, se terão transmudado na sabedoria e tranqüilidade de uma paz perfeita, universal e duradoura, quando a discórdia e a separação dos filhos dos homens serão substituídas pela reconciliação mundial e pela completa unificação dos diversos elementos que constituem a sociedade humana.
Será isso, de fato, o apropriado clímax daquele processo de integração que, principiando com a família, a menor unidade na escala da organização humana, e manifestando-se sucessivamente na formação de tribo, cidade-estado e nação, deverá continuar a operar até atingir seu ponto culminante na unificação do mundo inteiro – o objeto final e a glória suprema da evolução humana neste planeta. Esta é a etapa da qual a humanidade, querendo ou não, se está aproximando, irresistivelmente. É para esta etapa que a vasta e chamejante provação que ora atribula a humanidade, está preparando, misteriosamente, o caminho. É com esta etapa que se ligam indissoluvelmente, os fortúnios e o propósito da Fé introduzida por Bahá’u’lláh. Foram as energias criadoras oriundas de Sua Revelação no “ano sessenta” e, mais tarde, reforçadas pelas sucessivas efusões de poder celestial concedido no “ano nove” e no “ano oitenta” a todo o gênero humano, que instilaram no homem a capacidade de alcançar essa etapa final em sua evolução orgânica e coletiva. Será com a Idade Áurea de Sua Dispensação que se associará para sempre a consumação desse processo. Será a estrutura de Sua Nova Ordem Mundial, que ora se agita no ventre materno das instituições administrativas por Ele Próprio criadas, que há de servir tanto de padrão como de núcleo para aquela comunidade mundial que é o destino certo, inevitável dos povos e nações da terra.
Assim como a evolução orgânica da humanidade foi lenta e gradativa, envolvendo, sucessivamente, a unificação de família, tribo, cidade-estado e nação, também tem sido lenta e progressiva a luz emitida pela Revelação de Deus em várias etapas na evolução da religião, e refletida nas sucessivas Dispensações do passado. De fato, a medida da Revelação em cada época é proporcional e adaptável ao grau de progresso social atingida nessa época por uma humanidade que constantemente evolui.
“Foi pro Nós decretado”, explica Bahá’u’lláh, “que a Palavra de Deus e todas as suas potencialidades se devem manifestar aos homens em absoluta harmonia com tais condições como foram preordenadas por Aquele que é o Onisciente, o Sapientíssimo... Se fosse permitido que a Palavra libertasse subitamente todas as energias nela latentes, nenhum homem poderia sustentar o peso de tão poderosa Revelação”. “Todas as coisas criadas”, afirmou ‘Abdu’l-Bahá, elucidando essa verdade, “têm seu grau ou etapa de madureza. A idade madura na vida de uma árvore é o tempo de sua frutificação... O animal atinge a etapa de pleno crescimento e consumação e, no reino humano, o homem chega à maturidade quando a luz de sua inteligência alcança seu grau máximo de poder e desenvolvimento... De modo semelhante, há períodos e etapas na vida coletiva da humanidade. Num tempo estava passando pela etapa infantil, num outro, pelo período da mocidade, mas agora entrou em sua fase de madureza, há tanto tempo predita, e cujas evidências se mostram em toda parte... O que era aplicável às necessidades do homem nos primórdios de sua história não podem satisfazer os requisitos deste tempo, deste período de novidade e consumação. A humanidade já emergiu de seu estado antigo de limitação e treino preliminar. O homem agora deve imbuir-se de novos poderes e virtudes, novos padrões morais e novas capacidades. Novas graças, dádivas perfeitas, esperam-no e já se fazem descer sobre ele. Os dons e as bênçãos do período juvenil, embora oportunos e adequados durante a adolescência da humanidade, estão agora incapazes de corresponder aos requisitos de sua madureza”. “Em toda Dispensação”, escreveu Ele além disso, “a luz da Divina Guia focaliza-se num tema central... Nesta maravilhosa Revelação, neste século glorioso, o fundamento da Fé Divina e a feição que mais distingui a Lei de Deus, é a consciência da unidade do gênero humano.”
33. RELIGIÃO E A EVOLUÇÃO SOCIAL
A Revelação associada com a Fé trazida por Jesus Cristo focalizou sua atenção primariamente na redenção do indivíduo e no ajuste de sua conduta, frisando como seu tema central a necessidade de inculcar um elevado padrão de moralidade e disciplina no homem individual, como a unidade fundamental na sociedade humana. Em parte alguma do Evangelho encontramos referência à unidade das nações ou à unificação do gênero humano como um todo. Ao falar com as pessoas em Seu redor, Jesus dirigiu-se a elas como indivíduos em vez de partes componentes de uma só entidade indivisível e universal. Não se havia explorado ainda toda a superfície da terra e, por conseguinte, nem se poderia ter concebido a organização de todos os seus povos e suas nações em uma só unidade, e, muito menos, tê-la proclamado ou estabelecido. Que outra interpretação podemos dar a estas palavras dirigidas por Bahá’u’lláh especificamente aos que seguem o Evangelho? Nelas, pois, se acha definitivamente estabelecida a distinção fundamental entre a Missão de Jesus Cristo, que concerne primariamente ao indivíduo, e Sua própria Mensagem, que é dirigida mais em particular à humanidade como um todo: “Em verdade, Ele (Jesus) disse: Vinde após Mim e Eu vos farei pescadores de homens. Neste dia, porém, dizemos: - Vinde após Mim para que vos possamos tornar os vivificadores da humanidade.”
A Fé Islâmica, elo sucessivo na corrente de Revelação Divina, introduziu – assim atesta o próprio Bahá’u’lláh – o conceito da nação como unidade e etapa vital na organização da sociedade, e incorporou isso em seu ensino. É de fato o que significa a seguinte pronunciação de Bahá’u’lláh, breve, porém altamente significativa e iluminadora: “De antanho (Dispensação Islâmica) se revelou: - Amor à pátria é elemento da Fé Divina”. O Apóstolo de Deus estabeleceu e frisou esse princípio, desde que a evolução da sociedade humana a exigia naquele tempo. Nem se poderia ter concebido uma etapa acima e além dessa, por serem inatingíveis ainda as condições mundiais preliminares ao estabelecimento de uma forma superior de organização. O conceito de nacionalidade, e o alcance à qualidade de nação, podem, pois, ser considerados as características que distinguem a Dispensação Maometana, durante a qual as nações e raças do mundo, em particular na Europa e na América, unificaram-se e atingiram independência política.
O próprio ‘Abdu’l-Bahá elucida essa verdade em uma de Suas Epístolas: “Em ciclos passados, se bem que fosse estabelecida alguma harmonia, não teria sido realizável a unificação de toda a humanidade, por falta de meios. Os continentes permaneciam largamente separados; ainda mais, até entre os povos do mesmo continente, a associação e o intercâmbio de pensamento eram quase impossíveis. Não se podia, pois, estabelecer entendimento e relações mútuas, ou união entre todos os povos e raças da terra. Neste dia, entretanto, multiplicaram-se os meios de comunicação, e os cinco continentes da terra fundiram-se, virtualmente, em um só... De modo semelhante, todos os membros da família humana, tanto povos como governos, cidades e aldeias, têm-se tornado cada vez mais interdependentes. Não mais é possível, para qualquer um, a auto-suficiência, desde que laços políticos unem todos os povos e nações, e os vínculos do comércio e da indústria, da agricultura e da educação, fortalecem-se dia a dia. Assim, pois, pode-se realizar hoje a união de toda a humanidade. Isso, de fato, não é senão uma das maravilhas desta era admirável, deste século glorioso. Disso as épocas passadas foram privadas, pois este século – o século da luz – foi dotado de glória, poder e iluminação incomparáveis, sem precedentes. Por isso vemos o milagroso desabrochar de uma nova maravilha todo dia. Ver-se-á, afinal, com que intensidade suas velas brilharão na assembléia do homem.”
“Vede”, explica Ele ainda, “como sua luz ora amanhece sobre o tenebroso horizonte do mundo. A primeira vela é unidade no domínio político, da qual se percebem já os primeiros vislumbres. A segunda vela é unidade de pensamento em projetos mundiais, da qual se verá, dentro em breve, a consumação. A terceira vela é unidade em liberdade, que há seguramente de se realizar. A quarta vela é a unidade na religião, sendo esta a pedra angular do próprio alicerce, destinada, pelo poder de Deus, a revelar-se em todo o seu esplendor. A quinta vela é a unidade das nações – unidade essa, a ser estabelecida seguramente neste século, e em conseqüência da qual todos os povos do mundo virão a considerar-se os cidadãos de uma pátria comum. A sexta vela é a unidade da raça, fazendo dos que vivem na terra os membros da mesma raça. A sétima vela é a unidade de língua, isto é, a escolha de uma língua que será ensinada a todos os povos, facilitando-lhes assim a conversação. Sucederá, inevitavelmente, tudo isso, dado que o poder do Reino de Deus haverá de ajudar em sua realização.”
“Um dos grandes acontecimentos”, afirmou ‘Abdu’l-Bahá, em “Respostas a Algumas Perguntas”, “a ser visto no Dia da manifestação daquele Ramo Incomparável (Bahá’u’lláh) será a elevação do Estandarte de Deus entre todas as nações. Quer isso dizer que todas as nações e raças se reunirão à sombra dessa Bandeira Divina, que não é senão o próprio Ramo Senhoril, e se tornarão uma só nação. O antagonismo entre religiões e seitas, a hostilidade entre raças e povos, e as divergências entre nações, serão eliminados. Todos os homens aderirão a uma única religião, tendo uma Fé comum; fundir-se-ão numa mesma raça e se tornarão um só povo. Todos viverão numa pátria comum, que será o próprio planeta.”
É desta etapa que o mundo agora se aproxima, etapa da unidade mundial, que, segundo nos assegura ‘Abdu’l-Bahá, será firmemente estabelecida neste século.
“A Língua da Grandeza”, afirma o próprio Bahá’u’lláh, “proclamou... no Dia de Sua Manifestação: - Não se deve orgulhar quem ama seu país, mas sim quem ama o mundo”. E acrescenta: “Através do poder libertado por estas palavras excelsas, prestou Ele um novo impulso e fixou uma nova direção para as aves dos corações humanos, e obliterou todo vestígio de restrição e limitação do Santo Livro de Deus.”
34. A LEALDADE MAIS LARGA, INCLUSIVA
Convinha pronunciarmo-nos, através de uma palavra de advertência, sobre este assunto. O amor à pátria, incutido e acentuado pelos ensinamentos do islã, como “elemento da Fé Divina”, não é condenado nem depreciado por essa declaração, esse toque de clarim, de Bahá’u’lláh. Não se deve – de fato, não se pode – interpretar Suas palavras como sendo um repúdio, ou vê-las como uma censura pronunciada contra um patriotismo são e inteligente; não visam a minar a lealdade de um indivíduo a seu país, nem estão em conflito com as legítimas aspirações ou os devidos direitos e deveres de qualquer estado ou nação individual. Tudo o que Sua declaração realmente envolve e proclama é a insuficiência do patriotismo em vista das mudanças fundamentais efetuadas na vida econômica da sociedade, em face da interdependência das nações e em conseqüência da contração do mundo, por haverem sido revolucionados os meios de transporte e comunicação – condições que não existiam nem podiam existir nos dias de Jesus Cristo ou de Maomé. Sua declaração exige uma lealdade mais larga, que não deve estar em conflito – e de fato não está – com lealdades menores. Insufla um amor que, dado seu âmbito, deve incluir, e não excluir, o amor à pátria. E, através dessa lealdade que ela inspira, e desse amor que infunde, lança o único alicerce sobre o qual o conceito de cidadão do mundo possa evoluir, e a estrutura da unificação mundial possa descansar. Sobre este ponto, entretanto, ela insiste que considerações nacionais e interesses particularistas se subordinem aos requisitos imperativos e supremos da humanidade como um todo, já que, num mundo de nações e povos interdependentes, é da melhoria do todo que deriva a melhoria da parte.
O mundo, em verdade, move-se para seu destino. A interdependência dos povos e nações da terra, - não obstante o que digam ou façam os que incentivam as forças divisoras do mundo – já é fato consumado. Compreende-se e reconhece-se agora sua unidade na esfera econômica. O bem-estar da parte significa o bem-estar do todo, e o sofrimento da parte traz sofrimento ao todo. A Revelação de Bahá´u´lláh – para usarmos Suas próprias palavras – “prestou um novo impulso e fixou uma direção nova” a esse vasto processo que opera atualmente no mundo. Os fogos ateados por essa grande provação são as conseqüências da falha dos homens, por não haverem-na reconhecido. Ainda mais, apressam sua consumação. A longa adversidade mundial, aflitiva, aliada aos caos e à destruição universal, há de convulsionar as nações, despertar a consciência do mundo, desiludir as massas, precipitar uma transformação radical no próprio conceito da sociedade, e coligar, afinal, os membros desunidos e sangrentos da humanidade num só corpo organicamente unido e indivisível.
35. COMUNIDADE MUNDIAL
Ao caráter geral, às implicações e feições dessa comunidade mundial, destinada a emergir, cedo ou tarde, da carnificina, agonia e destruição dessa grande convulsão mundial, já me referi em comunicações anteriores. Basta dizer que esta consumação, por sua própria natureza, há de ser um processo gradativo e deve primeiro, como o próprio Bahá’u’lláh antecipou, levar à realização daquela Paz Menor que as nações da terra por si mesmas estabelecerão, pois embora despercebendo ainda Sua Revelação, estão executando, no entanto, os princípios gerais por Ele enunciados. Esse passo momentoso e histórico, envolvendo a reconstrução da humanidade, em conseqüência do reconhecimento universal de ser ela uma só, de formar um todo, conduzirá à espiritualização das massas, uma vez reconhecido o caráter da Fé introduzida por Bahá’u’lláh e admitida a verdade de suas declarações – condição esta essencial àquela fusão final de todas as raças, crenças, classes e nações, o que deve assinalar o surgir de Sua Nova Ordem Mundial.
Então o amadurecimento de todo o gênero humano será proclamado e celebrado por todos os povos e nações da terra. Içar-se-á, então, a bandeira da Maior Paz. Então a soberania mundial de Bahá’u’lláh – Aquele que estabeleceu o Reino do Pai predito pelo Filho e antecipado pelos Profetas de Deus antes e depois Dele – será reconhecida, aclamada e firmemente estabelecida. Nascerá, então, uma civilização mundial, fadada a florescer e a perpetuar-se, uma civilização com uma plenitude de vida que o mundo jamais viu nem pode ainda conceber. Então se cumprirá completamente o Convênio eterno. Redimir-se-á a promessa encerrada em todos os Livros de Deus, cumprindo-se todas as profecias pronunciadas pelos Profetas de antanho, e sendo assim realizada a visão de videntes e poetas. Então o planeta, galvanizado pela crença universal de seus habitantes em um só Deus, e pela sua lealdade a uma Revelação comum, espelhará, dentro dos limites que lhe forem impostos, as fulgentes glórias da soberania de Bahá’u’lláh, brilhando na plenitude de seu esplendor no Paraíso de Abhá, e se fará os escabelo de Seu Trono no alto; será aclamado como o céu terrestre, capaz de cumprir aquele destino infalível que lhe foi determinado desde tempos imemoriais, pelo amor e sabedoria de seu Criador.
Não cabe a nós, fracos mortais que somos, tentarmos atingir, em tão crítica etapa da longa e variada história do gênero humano, uma compreensão precisa e satisfatória dos sucessivos passos que devam conduzir uma humanidade sangrenta, miseravelmente esquecida de seu Deus e desatenta a Bahá’u’lláh, de seu calvário à sua ressurreição final. Não cabe a nós, testemunhas viventes da potência predominante de Sua Fé, duvidarmos – nem por um momento sequer, e nada importando a negrura da miséria que amortalha o mundo – do poder de Bahá’u’lláh de forjar, com o martelo de Sua Vontade e o fogo da tribulação, sobre a bigorna desta era angustiada, e na forma especial concebida pela Sua mente, estes fragmentos dispersos e mutuamente destrutivos em que um mundo perverso se converteu, fundindo-os em uma só unidade, sólida e indivisível, dotada da capacidade de executar Seu desígnio para os filhos dos homens.
Cabe-nos, sim, o dever – não nos importando a confusão da cena, nem a perspectiva sombria do momento atual, nem a escassez dos recursos a nosso dispor – de trabalharmos serenamente, prestando nosso quinhão de apoio, confiantes e incansáveis, de qualquer modo que as circunstâncias nos permitirem, à operação das forças dispostas e guiadas por Bahá’u’lláh, que deverão conduzir a humanidade fora do vale da miséria e da vergonha, para as mais sublimes alturas de poder e glória.
Shoghi
Haifa, Palestina
28 de março, 1941
36. NOTAS EXPLICATIVAS
Para melhor entendimento de importantes referências que integram o texto completo desta livro, preparamos estas notas, capítulo a capítulo, sempre que ocorre alguma menção a pessoas, locais e eventos históricos especiais.
1. O Dia Prometido Chegou
Longa mensagem escrita por Shoghi Effendi, o Guardião da Fé Bahá’í e seu líder mundial de 1921 a 1957.
Datada de 28 de março de 1941, durante a II Guerra Mundial, a mensagem em questão, que forma este livro, foi enviada a Haifa, Israel, o Centro Mundial da Fé Bahá’í, dirigida aos Bahá’ís do mundo inteiro.
Analisa a receptividade que a Mensagem de Bahá’u’lláh teve de parte dos governantes e líderes religiosos de Seu tempo, o destino de muitos deles, as palavras de admoestação aos Seus contemporâneos, o pensamento Bahá’í quanto à religião, os líderes religiosos, à política internacional e aos governantes em geral. Conclui com as previsões decorrentes da Revelação de Bahá’u’lláh sobre o destino glorioso que a humanidade atingirá, no tempo devido.
2. Este Juízo de Deus:
* Maior Prisão, p. 10. A prisão de ´Akká, na Palestina, onde Bahá’u’lláh e Sua família estiveram encarcerados por dois anos, de 1868 a 1870.
* Ofereceu Seu filho martirizado... p. 10.
Refere-se a Mirzá Mihdi, filho de Bahá’u’lláh, nascido em 1848 e que acompanhou
o Pai em Seus exílios, até ´Akká. Em 1870, na Maior Prisão, enquanto caminhava no teto da prisão, orando, caiu por uma clarabóia, ferindo-se mortalmente. Mirzá Mihdi disse que preferia dar a vida para que todos os seguidores de Bahá’u’lláh pudessem ter acesso a Ele na prisão, em vez de ser possivelmente salvo por intercessão milagrosa de Seu Pai.
3. Qual a resposta ao Seu Chamado?
* Islã Xiita, p. 10
Ramificação do Islamismo, religião fundada por Maomé, na Arábia, no século
sétimo.
Existem duas grandes ramificações do Islã, o grupo sunita e o grupo xiita, decorrentes das divergências havidas entre os seguidores, após a morte de Maomé. Os sunitas adotaram os Califas como os sucessores da Fé islâmica, enquanto que os xiitas seguem a sucessão dos Imames. No Irã, predomina o Islã xiita.
* Lord Curzon, de Kedleston, p. 11
Famoso orientalista e escritor inglês.
* Shaykhu´l-Islám, p. 12
Uma posição elevada no clero islâmico.
* Muhammad Sháh (o Xá) – p. 13
O terceiro monarca da dinastia Qajár.
Reinou de 1834 a 1848.
* Makú, p. 13
Fortaleza no extremo noroeste da Pérsia, em Adharbáyján, na qual o Báb ficou preso por nove meses, em 1847/1848.
* “Epístola ao Filho do Lobo”, p. 15
A última obra grandiosa revelada por Bahá’u’lláh, dirigida a um sacerdote, de nome Xeique Muhammad-Taqí, líder muçulmano conhecido como “o Filho do Logo”, da cidade de Isfáhán, cujo pai, estigmatizado por Bahá’u’lláh como o “Lobo”, havia provocado o martírio de dois ilustres irmãos Bahá’ís daquela cidade, que ficaram conhecidos como o “Rei dos Mártires” e o “Bem-amado dos Mártires”.
* Dr. John E. Esslemont, p. 16
Médico inglês que passou um período na Terra Santa, na época de Shoghi Effendi, sendo o autor do famoso livro “Bahá’u’lláh e a Nova Era”.
* Kad-Khudás, de Teerã, p. 16
Prefeito ou administrador de uma aldeia.
* Aldeia de Niyalá, p. 16
Lugar de veraneio ao norte de Teerã.
* Mazindarán, p. 16
Província ao norte do Irã, da qual Núr faz parte, um distrito onde nasceu Bahá’u’lláh.
* Bastonada, p. 16
Castigo infligido a prisioneiros no Irã, com açoites de chicote na sola dos pés.
* Siyyeds, p. 16
Descendentes do profeta Maomé.
* Mujtadhids, p. 16
Sacerdotes especializados em jurisprudência islâmica.
* Amúl, p. 16
Cidade capital de Mazindarán.
* Xá Nasiri´d-Din, p. 17
O 4o monarca da Dinastia Qajár (1848-1896), foi o rei que autorizou o fuzilamento do Báb e as execuções de milhares de Seus seguidores.
* Siyáh-Chál, p. 17
A Fossa Negra, local onde Bahá’u’lláh ficou preso em Teerã, de 15.8.1852 a 15.12.1852 (4 meses).
* Sulaymániyyih, p. 17
Cidade montanhosa ao norte do Iraque, onde Bahá’u’lláh passou dois anos (1854/1856) em reclusão.
* Constantinopla, p. 17
Capital do Império Turco. Hoje, Istambul. Cidade onde Bahá’u’lláh viveu cerca de 4 meses, após deixar Bagdá, no Iraque em 2 de maio de 1863, onde chegou em 16 de agosto.
* Adrianópolis, p. 17
Cidade situada na região européia da Turquia para onde Bahá’u’lláh foi banido, de Constantinopla, em dezembro de 1863, e onde viveu até agosto de 1868, quando foi exilado para a Terra Santa.
4. Feições deste Drama Comovente:
* Sultão ´Abdu´l-Azíz, p. 18
Sultão que exilou Bahá’u’lláh para Adrianópolis e, depois, para ´Akká, na Palestina.
Governou o Império Turco Otomano de 1861 a 1876. Bahá’u’lláh dirigiu duas Epístolas ao Sultão ´Abdu´l-Azíz, em defesa de Sua inocência, mas não recebeu resposta.
Em 1876, foi deposto após uma revelação palacial e condenado à morte.
A guerra de 1914/1918 resultou na dissolução do Império Otomano, na abolição do Sultanato e na proclamação da república, após um domínio de mais de seis séculos.
* ´Abdu´l-Hamid, p. 21
Sultão, no tempo de ‘Abdu’l-Bahá. Governou de 1876 a 1909. Perdeu o poder com a revolução dos Jovens Turcos, em 1909. Faleceu em 1918.
* Jamal Pashá, p. 21
Comandante do exército turco durante a Primeira Guerra Mundial. Prometera enforcar ‘Abdu’l-Bahá assim que voltasse da batalha contra os ingleses. Foi assassinado, quando refugiado no Cáucaso, para onde fugira para salvar a vida. Um armênio foi quem o matou, cujos compatriotas Jamal Pashá tinha tão impiedosamente perseguido.
6. Os receptores da Mensagem:
* Napoleão III, p. 29
Imperador da França que recebeu duas Epístolas de Bahá’u’lláh. Monarca famoso de um grande império.
Sofreu fragorosa derrota na Batalha de Sedam, em 1870. Perdeu seu reino, passando no exílio os últimos anos da vida. (ver página 72 deste livro).
* Papa Pio IX, p. 29
Chefe da Cristandade no tempo de Bahá’u’lláh. Recebeu Epístola especial. Sofreu humilhação, ao perder os Estados Papais e a própria Roma, nas quais a bandeira papal reinou por mil anos.
A virtual extinção do poder temporal do Papa ocorreu com o reconhecimento formal do Reinado da Itália, restringindo apenas o Vaticano como o território oficial da Igreja.
* Alexandre II, p. 29
Imperador da Rússia, que também recebeu Epístola de Bahá’u’lláh. Acabou sendo assassinado.
* Guilherme I, p. 29
Imperador da Alemanha, foi quem derrotou Napoleão III. Sofreu dois atentados à sua vida.
Recebeu Epístola especial de Bahá’u’lláh, com afirmativas proféticas sobre o fim de seu reino e as lutas sangrentas que ocorreriam às margens do rio Reno, em Berlim. (citado no parágrafo 90 do livro “Kitáb-i-Aqdas).
* Francisco José, p. 30
Imperador da Áustria e Hungria, a quem Bahá’u’lláh se dirige em Seu Livro Sacratíssimo, o Kitáb-i-Aqdas. (parágrafo 85).
* Súriy-i-Múluk, p. 30
Tradução: Epístola aos Reis.
Revelada por Bahá’u’lláh em língua árabe, em Adrianópolis, é uma Epístola dirigida coletivamente aos reis de Sua época. Proclama a posição de Bahá’u’lláh e divulga Seus postulados como Manifestante de Deus para esta era.
* Sublime Porta, p. 30
A corte dos Sultãos da Turquia.
7. Epístolas aos Reis:
* Kitáb-i-Aqdas, p. 35
O Livro das Leis, o Livro Sacratíssimo de Bahá’u’lláh. Revelado em 1873, enquanto Bahá’u’lláh residia na Casa de ´Abbúd, na cidade de ´Akká.
Está traduzido e publicado em português, em edição especial com Notas e uma Sinopse e Codificação.
Os parágrafos 78 a 90 são Epístolas aos Reis.
8. Revelada a Maior Lei:
* Paz Menor, p. 38
Paz a ser assinada entre as nações para eliminar voluntariamente com as guerras. Preparatória à Paz Maior.
* Paz Maior, p. 38
Período, mencionado por Bahá’u’lláh, no qual a paz mundial será definitivamente estabelecida, com a adoção dos ensinamentos revelados pelo Mensageiro Divino para nossa era, livremente aceitos pelos povos do mundo.
* Qayyúmull-Asmá, p. 39
Primeira obra revelada pelo Báb.
Trata-se de um comentário sobre o Surih de José, parte do Alcorão, o seu primeiro capítulo foi revelado na presença do primeiro discípulo do Báb, Mullá Husayn, na noite de 23 de maio de 1844, em Shiráz.
Bahá’u’lláh escreveu que essa obra é “o primeiro, o maior e o mais poderoso de todos os livros”, do Báb.
* Era Apostólica, p. 41
Período na história da Fé Bahá’í que durou de 1844, com a Declaração do Báb em 23 de maio daquele ano, até 1921, com o falecimento de ‘Abdu’l-Bahá, em 28 de novembro. (77 anos)
* Era Formativa da Fé Bahá’í, p. 41
Período iniciado em 1921, com a abertura do Testamento de ‘Abdu’l-Bahá, e que alcançará seu ponto culminante com o início da Era Áurea da Fé, em data ainda não prevista.
* Guerra da Criméia, p. 42
Guerra na qual os turcos, com o apoio de Napoleão III, venceram os russos.
10. Outras Epístolas aos Governantes do Mundo:
* Mesquita de Aqsá, p. 49
Situada em Jerusalém, de cujo lugar, dizem as tradições muçulmanas, Maomé subiu até o 7o céu.
* Bat´ha, p. 49
A cidade de Meca.
* Ancião dos Dias, p. 49
Bahá’u’lláh.
11. Que o Opressor Desista:
* Lawh-i-Sultán, p. 56
Epístola dirigida por Bahá’u’lláh ao Xá da Pérsia, Nasiri´d-Din. É a mais extensa das Epístolas dirigida aos reis.
* ´Akká, p. 56
Cidade prisão do governo turco, na Palestina, para onde Bahá’u’lláh, Seus familiares e alguns discípulos foram banidos em agosto de 1868, em caráter de prisão perpétua.
* Pena da Glória, p. 58
Pena de Bahá’u’lláh, através da qual Suas Palavras foram reveladas.
* Pombo da Eternidade, p. 58
Bahá’u’lláh.
* Ponto Primaz, p. 60
O Báb.
12. O Vigário de Deus na Terra:
* Lawh-i-Ráís, p. 64
Duas Epístolas de Bahá’u’lláh dirigida a ´Alí Pashá, o Primeiro Ministro do Sultão ´Abdu´l-Azíz.
* Súriy-i-Haykal, p. 65
Epístola do Templo. Nesta Epístola, Bahá’u’lláh revela a majestade e a glória do Templo, que é Seu próprio Ser, e desvela novas facetas da Revelação de Deus.
* Impulsor Primaz, p. 67
Bahá’u’lláh.
* Súrih de José, p. 67
Capítulo do Alcorão relatando a história, do Gênese, do Velho Testamento, de José, filho de Jacó, que foi vendido como escravo por seus irmãos, e após alguns anos elevado ao posto de um ministro do Egito. É dito que Maomé revelou este Súrih para provar a veracidade de Sua Missão, em resposta a um desafio.
O comentário do Báb sobre esta Epístola chama-se Qayyúmú´l-Asmá.
* Dinastia dos Romanoffs, p. 68
da Rússia.
* Dinastia dos Honenzollern: p. 68
da Alemanha.
* Dinastia dos Hapsburgos: p. 68
da Áustria e Hungria.
13. Humilhação Imediata e Completa:
* Batalha de Sedán, p. 72
Batalha na qual o exército da França foi derrotado pelo rei da Prússia e Napoleão III foi feito prisioneiro, em 1870.
* Conde Mastai-Ferreti, p. 73
Bispo de Ímola.
* Rei Vitor Emanuel I, p. 75
Rei da Itália, na época de Bahá’u’lláh.
Em 1870, fez guerra aos Estados Papais e suas tropas entraram em Roma, acabando com uma autoridade intocável havia dez séculos.
* Bismarck, p. 76
Primeiro Ministro de Guilherme I, rei da Prússia.
* Inocente III, p. 76
Papa, no período de 1198 a 1216.
16. Qual o destino da Turquia e da Pérsia?
* Casa Turca de ´Uthmán, p. 83
Imperio Otomano.
* ´Abdu´l-Hamid II, p. 84
Sultão do Império Turco, contemporâneo de ‘Abdu’l-Bahá. Reinou de 1876 a 1909, deposto pela Revolução dos Jovens Turcos de 1908. Faleceu em 1918.
* Islã Sunita, p. 85
Uma das duas ramificações mais importantes do Islã, compondo aproximadamente 90% dos muçulmanos.
* Lawh-i-Fuád, p. 86
Epístola de Bahá’u’lláh a Fuad Páshá, Ministro das Relações Exteriores do Sultão ´Abdu´l-Azíz.
* Fuad Páshá, p. 86
Ministro das Relações Exteriores do Governo Turco.
Bahá’u’lláh denunciou-o como o “instigador” de Seu banimento para a prisão de ´Akká, e que assiduamente insistiu junto ao seu colega de ministério, ´Alí Páshá, para instigar medo e suspeita sobre a pessoa de Bahá’u’lláh. Faleceu em 1869, um ano após ter banido Bahá’u’lláh para a Palestina.
17. O lúgubre destino da Turquia Imperial:
* ´Alí Pashá, p. 86
Primeiro Ministro turco, denunciado por Bahá’u’lláh no Lawh-i-Raís (Epístola aos reis) e cuja queda foi prevista no Lawh-i-Fuád em termos inequívocos.
* ´Abdu´l-Majid, p. 87
Sultão da Turquia, avô do Sultão ´Abdu´l-Hamíd.
* Murad V, p. 87
Sultão da Turquia, irmão de ´Abdu´l-Hamid e seu antecessor.
* Rumélia oriental, p. 88
Parte da Turquia européia onde fica Adrianópolis.
* Shaykhu´l-Islam, p. 88 (e pgs. 126 e 135)
Posição elevada no clero muçulmano.
* Xerife, de Meca, p. 89
Principal líder na cidade de Meca.
Posição considerada sagrada.
* Mustafá Kamal, p. 89
Primeiro presidente da República da Turquia, que acabou com o Sultanato, intitulado de Atá Turk (pai dos turcos). Faleceu em 1938.
18. A Retribuição Divina na Dinastia Qajar.
* Grão Vizir, p. 90
Primeiro Ministro do Xá da Pérsia.
* Aqá Muhammad Khán, p. 92
Fundador da Dinastia Qajár, no Irã.
* Xá Fath´Alí, p. 92
Segundo Rei da Dinastia Qajár.
* Qa´Ím-Maqám, p. 92
O eficiente Primeiro Ministro de Muhammad Xá, o qual, por causa de intrigas de invejosos na corte, acabou matando-se.
* Haji Mirzá Aqási, p. 92
Substituto de Qá-im-Magám (considerado o anti-Cristo do Báb).
* Azerbayeján, pgs. 92/93
Província ao noroeste da Pérsia (Irã), onde o Báb ficou prisioneiro durante os últimos três anos de Sua vida e em cuja capital, Tabriz, foi martirizado em 9 de julho de 1850.
* ´Abdu´l-Azím, p. 93
Um santuário ao sul de Teerã.
* Sultão, p. 95
Título aos reis turcos.
* Rei de Rúm, p. 95
Sultão da Turquia.
* Xá Muzaffari´d-Din, p. 95
Substituiu Nasiri´d-Din Xá após seu assassinato, em 1896.
* Xá Ahmad, p. 95
O último Xá da Dinastía Qajár.
19. O Declínio das Fortunas da Realeza:
* Shaykh Salmán, p. 98
Devoto Bahá’í que serviu a Bahá’u’lláh como seu carteiro, levando e trazendo cartas e Epístolas para a Pérsia, na época em que Bahá’u’lláh era prisioneiro em ´Akká.
20. O Reconhecimento da Realeza:
* Ridvánu´l-Adl – p. 102
Literalmente: Paraíso da Justiça.
* Terra de Tá, p. 102
A cidade de Teerã.
22. Palavras dirigidas aos Eclesiásticos Muçulmanos:
* Imame-Husayn – p. 119
Terceiro Imame, dos xiitas, que foi martirizado.
* Pena de Abhá, p. 120
O mesmo que “Pena da Glória”.
* O Livro de Fatiméh, p. 224
Refere-se a Fátima, filha de Maomé. Trata-se do livro “Palavras Ocultas”, revelado por Bahá’u’lláh.
* Lawh-i-Burhán, p. 122
Epístola da Prova, de Bahá’u’lláh.
Revelada em ´Akká, é dirigida ao Imame Jum´ih, de Isfahán, cúmplice do Shaykh Muhammad Báqir, o “Lobo”, no martírio dos irmãos “Rei dos Mártires” e “Bem-Amado dos Mártires”.
* Califado, p. 123
Sistema de governo estabelecido após o falecimento do Profeta Maomé e que se findou com a deposição do Sultão ´Abdu´l-Hamid, em 1908.
23. As Minguantes Fortunas do Islã Xiita:
* Shaykh ´l-Islám, p. 126
Sumo Sacerdote.
* Mujtahids, p. 127
Doutores da Lei (muçulmana)
* Mulás, p. 127
Sacerdotes (padres) Muçulmanos.
* Fuqahás, p. 127
Juristas.
* Imames, p. 127
Condutores de oração.
* Muezins, p. 127
Os que chamam à oração.
* Vu´ázz, p. 127
Pregadores.
* Mutavallís, p. 127
Custódios.
* Madrisis, p. 127
Seminários.
* Mudarrisins, p. 127
Professores.
* Tallábs, p. 127
Noviços.
* Qurrá´s, p. 127
Os que entoam o Alcorão.
* Um ´abbirins, p. 127
Vaticinadores.
* Muhaddithins, p. 127
Narradores.
* Musakhkhirins, p. 127
Domadores de espírito.
* Dhákirins, p. 127
Lembradores.
* ´Umaál-i-dhakát, p. 127
Os que recolhem as esmolas.
* Mugaddasins, p. 127
Santos.
* Munzavís, p. 127
Reclusos.
* Sufís, p. 127
Membros da seita mística do Islã, Sufí.
* Hají, p. 127
Muçulmano que fez peregrinação a Meca.
* Kuláh-i-farangi, p. 127
Chapéu europeu.
* Wagfs, p. 128
Doações de terras e imóveis.
* Mashhád, p. 129
Cidade ao nordeste da Pérsia (Irã), onde se encontra o santuário do oitavo Imame. Ponto de peregrinação.
* Aqá, p. 130
Senhor.
* Xá ´Abbás, p. 130
Grande rei do Irã no século XVII.
* Isfahán, p. 131
Importante cidade da parte central do Irã.
24. O Colapso do Califado:
* Império Otomano, p. 132
Império Turco.
* Califado Muçulmano, p. 132
Sistema de governo no qual o chefe espiritual e temporal é um califa, líder religioso muçulmano.
* Templo de Salomão, p. 132
Histórico templo em Jerusalém, construído pelo rei Salomão. Destruído algumas vezes, tem sido reconstruído. Atualmente, é o conhecido templo em Jerusalém onde está o famoso muro das lamentações.
* Santo dos Santos, p. 132
O Templo de Salomão.
* A cidade de Davi, p. 132
Jerusalém.
* Califa, p. 132
Líder espiritual do Islã Sunita. Em sua capacidade de representante do Profeta na terra, era considerado também o protetor das cidades santas de Meca e Medina.
* Lei canônica Shari´áh, p. 135
* Muftí, Juiz religioso entre os sunitas.
* Qádhi, Juiz.
* Shaykh, sacerdote sunita.
* Mawlaví, seguidor de um ramo do Sufismo.
* Dervixe, seguidor de um ramo do Sufismo.
* Santa Sofia, p. 135
Grande e famosa igreja em Istambul, Turquia.
25. Uma advertência a todas as nações:
* Sháhádih, p. 137
Príncipe.
* Emir, p. 137
Quem comanda; dá ordens.
37. ÍNDICE REMISSIVO
A
Abdu´l-Aziz, Sultão da Turquia, 18, 30, 70, 84, 87, 90, 96
Mensagens de Bahá’u’lláh a, 52, 56, 84/85
‘Abdu’l-Bahá, 21, 68, 80, 84, 87, 89, 117, 124, 149, 156, 161
´Abdu´l-Hamíd, Sultão da Turquia, 21, 84, 87, 88
Abraão, 11, 121
Adhirbáyján, 12, 93/93
Administração, V. Ordem Administrativa da Fé
Adrianópolis, 18, 62, 68/69, 84
Advertências ao mundo, 5/8, 12, 21, 22, 28, 29, 36, 39/42, 137, 152
V. também: Epístolas de Bahá’u’lláh
´Akká, 18/19, 21, 51/52, 56, 64, 70, 73, 84, 86, 87, 106
Alcorão, 105, 119
Alemanha, 76, 79/81
Bismarck, Chanceler da, 76, 80
Política imperial, 79/81
República da, 81
Guilherme I, Imperador da, 29, 73, 80
Mensagem de Bahá’u’lláh a, 51, 79/8’1
Guilherme II, Imperador da, 80/81
Alexandre II, Tzar da Rússia, 30, 42, 77/78
Epístola de Bahá’u’lláh a, 45/49, 77/78
Alexandre III, Tzar da Rússia, 78
´Áqá Muhammad Khán, 92
Aqdas, Livro de, 35/39, 51/52, 56, 79/80, 81, 86, 100, 102, 113
Armamentos, utilidade de, 32, 38/39
redução em, ordenada, 32
Armênios, massacre dos, 88
Atitude do mundo para com a Fé Bahá’í, 10/12, 18, 20/21, 23/25, 89, 108
Áustria-Hungria, 74/75, 79
Francisco José, Imperador da, 30, 81/82
Mensagem de Bahá’u’lláh a, 51/52, 81/82
B
Báb, 7, 12, 13, 15, 21, 24, 28/29, 31, 39/40, 60, 68, 92, 97, 118, 149
martírio do, 12/13, 24, 91, 95, 138
posição do, 61/62
Badí, ´Orgulho dos Mártires´, 90/91
Bagdád, 117/118
Bahá’u’lláh
declaração de Sua qualidade de Profeta, 15/16, 57
missão de, 10, 36/37, 64/65, 100/101, 147/148
perseguições a: 10/11, 13/17, 34/35, 55/56, 59/60, 91
profecias de, 6/7, 8/9, 26, 29, 34/35, 39, 42/43, 50/51, 52/53, 56/61, 69/73, 79/80,
81/82, 102/103, 159/160
posição de, 45/46, 48/49, 73, 138/139, 142/143, 157, 169
Epístolas de, 15, 19, 30/40, 31/61, 73/74, 84/86, 91/92, 97/98, 102/103, 105/106, 119/124, 134, 136, 139/142, 146/147
Túmulo de,
Bayán, 13
Belém, 142
Berlim, 51, 79, 81
Bishárát (Boas Novas), 100
Bismarck, Chanceler da Alemanha, 75/76, 80
Bolshevismo, 77
Browe, Professor Edward G., 160
C
Calamidades, 7/10, 23/27, 68/69, 76/77, 154/155, 158/159, 160
Califa, 87, 132/136
Califado, declínio do, 30, 68/69, 86/87, 123/124, 132/136
Casa de Bahá’u’lláh em Bagdád, 25
Castigo, de Deus, 5/7, 33/34, 126, 127, 154/155, 158/159
Catolicismo: Igreja Católica, declínio de poder, 142/144
V. também: Papado; Papado Pio IX
Causa de Deus, 36, 48, 61/63, 121
Civilização:
crise na história da, 159/161
destruição da, 5/6, 23/26
mundial, 9/10, 168/170
predita pelos Profetas, 170, 171
Clero,
cristão, 26, 103, 107/108, 113/114, 116
decadência do, 103/105, 139/142
muçulmano, 12, 15, 26/27, 30, 59/60, 63/64, 107, 113/114, 117/120, 137
posto a prova por Bahá’u’lláh, 117/118
poder do, 28, 154
poder tirado do, 29, 73/77, 98, 103/105, 113, 132/137, 142/146
sacerdotes pios, 152/153
zoroástrico, 107
Comunismo, 81, 143/144, 156
Constantinopla, 17, 56, 70, 85, 89, 123, 133, 135
Coração, pureza de, 55
Corações, dos homens, pertencem a Deus, 37, 55, 100/101
Confiança em Deus, 32/33, 36, 52/54
Criméia, Guerra da, 42, 72, 75, 87
Crise, significado da mundial, 9, 159/160, 162
Cristandade e a Revelação Bahá’í, 18/19, 27/28, 30, 39/41, 43/45, 66/67, 73/78
Cristãos, Epístolas de Bahá’u’lláh aos, 19/20, 66/67, 105
Cristo, V. Jesus Cristo
Cruzon de Kedleston, Lord, 11
D
Destino do mundo, 5/9, 165/171
Destruição do mundo, 5
Deus, Dia de, 6/7, 15/16, 25/26, 36, 42, 44/45, 105, 140, 146, 165/171
proximidade do, 23/24
objetivo do, 159/160
Deuses, falsos, 156/157
Dia de Deus, Prometido, 6/7, 15/16, 25/26, 36, 41/42, 44/45, 105, 119, 131, 146, 165/175
Dirigentes eclesiásticos: V. Clero
Dispensação (Era ou Revelação)
do Báb, 13, 39, 63
de Bahá’u’lláh, 8, 13, 63
E
Egito, 88
Encarceramento
do Báb, 12, 13
de Bahá’u’lláh, 15/20, 47, 87
Epístolas, excertos das, de
‘Abdu’l-Bahá, 23/24, 124/125
Báb, 7, 13, 27/28, 39/40, 59/61, 91/92, 118/119, 134/135
Bahá’u’lláh, 9/10, 62/66, 69/73, 84/86, 99/102, 139/142
aos cristãos, 73
aos dirigentes eclesiásticos, 105, 108/116, 119/121
aos muçulmanos, 117/123, 134
ao Papa Pio IX, 44/45
aos zoroástricos, 107
ao “Filho do Lobo”, 15, 70, 99, 106, 120
aos judeus, 106
Lawh-i-Ra´ís, 64, 84/85, 102
aos reis, 29/34, 64/65, 97/98
a Alexandre II, Tzar da Rússia, 46/47, 77
a ´Abdu´l-Aziz, sultão da Turquia, 52/56, 84/86
a Francisco José da Áustria, 52, 81/82
a Guilherme I da Alemanha, 31, 79/81
a Napoleão III, Imperador a França, 41/42, 69/70
a Vitória, Rainha da Inglaterra, 28/39, 49, 50
ao Xá Násiri´d-Din, da Pérsia, 56/61, 63/64, 91, 102, 121
Era Bahá’í, primeiro século da, 8/10, 23/25, 29, 40/41, 68, 83/84, 104, 159
Escravidão, proibida, 49
Esslemont, Dr. J. E., 16
Exílio de Bahá’u’lláh, 18, 21, 64, 68, 69/70, 86, 95
F
Fath-´Alí-Sháh, da Pérsia, 92/93
“Filho do Lobo” Epístola ao, 15, 70, 99, 106, 120
França, Napoleão III, Imperador da, 29/31, 69/70, 90
Epístolas de Bahá’u’lláh a, 30/34, 69/73
Francisco Ferdinando, Arqueduque da Áustria, 82
Francisco José, Rei-Imperador da monarquia autro-húngara, 30, 81/83
Mensagem de Bahá’u’lláh a, 52, 81/86
Frederico III, Imperador da Alemanha, 80
G
Gladstone, W.E, citado, 88
Governantes, atitude de, para com
Revelação Bahá’í, 18/21
humilhação, de, 66/67
responsabilidade de, 25/28, 36/39, 66/69, 154/155
Guerra
da Criméia, 42, 72, 76, 88
européia, de 77, 81, 82, 89
franco-germânica, 74
russo-turca (1877/1878), 88/90
Guilherme I, Rei da Prússia e Imperador da Alemanha, 29, 72, 79, 80
Mensagem de Bahá’u’lláh a, 51/52, 79/80
Guilherme II, Imperador da Alemanha, 80/81
H
Hapsburg, Casa de, 68, 77, 82, 96
Hohenzollern, Casa de, 68, 77, 83, 96
Humanidade,
madureza da, 98, 160/164, 168/172
unidade da, 157, 160, 161/164
Humilhação dos governantes, 66/76
Hungria: V. Áustria-Hungria
I
Idade Áurea, 9, 161/164
Igreja católica, declínio no poder da, 143/144
Igreja e Estado, separação de,
cristã, 145/146
muçulmana, 125/131
Igrejas cristãs, desunião das, 145/146
Imanes, 103/105, 117/120, 128/129, 134/137, 149
Império Santo Romano, 75, 82/83
Inglaterra, Vitória, Rainha da, 29, 49/51
Epístola de Bahá’u’lláh a, 38/39, 49/51
Injustiça, 24/25, 32/33, 47, 126
Íqán, Livro de, 74, 109/110, 149
´Iráq, 17, 129
Isaías, profecias do Livro de, 48, 106
Isfáhán, 117, 129, 130, 131
Islã, 10, 19, 30, 60, 86, 103/105, 117/120, 125/131, 132/136
característica distinta do, 165
V. também: clero muçulmano
Itália, 75/74
J
Jamál Pashá, 21, 89
Jerusalém (Aqsá), 49, 52, 106, 132, 136
Jesus Cristo, 14, 28, 39, 44/45, 47, 66, 99, 111, 116, 140, 145, 146, 147, 168
missão de, 146/147, 165
posição de, 150/151
Judeus, 106, 138/139
Juízo, de Deus, 8/9, 23/25, 84/85, 86/89, 140/143, 153/155, 158/160
V. também: Retribuição divina
Justiça, 25/66, 32/33, 38/39, 45, 54, 58, 101/102, 160
Justiça divina, 9/10, 55, 158/159, 160
K
Kitáb-i-Aqdas (Livro de Aqdas), 36, 51/52, 56, 79/80, 85, 100/101, 113
Kitáb-i-Íqán (Livro da Certeza), 74, 109/110, 117, 149
L
Latrão, Tratado de, 76
Lawh-i-Burhám (Epístola de Bahá’u’lláh), 122/123, 134
Lawh-i-Fu´ad (Epístola de Bahá’u’lláh), 86
Lawh-i-Haykal, Epístola de Bahá’u’lláh, 65
Lawh-i-Ra´is (Epístola de Bahá’u’lláh), 64, 66, 84/85, 102
Lawh-i-Sultán (Epístola ao Xá da Pérsia), 63, 66
Leis, Livro das (Aqdas): V. Aqdas, Livro de
M
Mákú, 13
Manifestante de Deus, divinamente inspirado, 57
Maomé, 27, 111, 116, 123, 125, 136, 146, 149, 165
Maria, Virgem: V. Virgem Maria
Marie, Rainha da Romênia, 149, 150
Mashhad, 131
Mashriqu´l-Adhkár em ´Ishqábád (Matriz), 25
Meca, 89, 117, 133
Medina, 117, 133
Missão de Bahá’u’lláh, 10, 37, 64/65, 99/100, 146, 148
Missões, cristãs, 143, 145/147
Moderação recomendada, 54, 85
Moisés (Sarça Ardente), 47, 111, 113
Monges, 44, 141/142
Moralidade, decadência de, 143/144
Muhammad-Sháh, da Pérsia, 13, 59/60, 93/94
Mensagem do Báb a, 59/60/61
Mundo, condição do, 5, 8/9, 23/24, 66/67, 137/138
destino do, 9, 10, 168/171
Ordem do, (Ordem Mundial de Bahá’u’lláh), 8, 10, 162/163, 170
unidade do, 165/168
N
Nabíl, Narrativa de, 16, 72, 87, 149
Nacionalismo, 24/25, 143/144, 156/157, 167/168
Napoleão III, Imperador da França, 29, 51, 69, 74, 79, 90
Epístola de Bahá’u’lláh a, 41, 69/70
Násiri´d-Din, Xá da Pérsia, 15/16, 30/31, 84, 90, 92/93
Epístolas de Bahá’u’lláh a, 56/59, 90, 100, 121
Nicolas II, Czar da Rússia, 77/78
Niilismo, 11, 77/78
Novo Testamento (Evangelho), 48, 143
O
Obediência aos reis, 56, 98, 99
Oposição do clero a Revelação Bahá’í, 25/26, 103/105, 108/109, 122/123, 137/138, 154
V. também: clero.
Ordem Administrativa, da Fé Bahá’í, 24/25, 84, 108, 138, 163
Ordem Mundial, de Bahá’u’lláh, 8/10, 162/163, 169/171
Ordem social, evolução da, 162/169
P
Pai, vinda do, 44/45, 48/49, 63, 74, 138, 141/142, 147, 170
Palavra, de Deus, 44/45, 163
Palavras Ocultas, (Livro de Fátimih),
passagem de, 120
Papa Pio IX, 29, 68, 73/76
Epístola de Bahá’u’lláh a, 44/46, 73, 146
Papado, declínio de, 74/77, 142/143
Paris, Congresso de, 76
Patriotismo, 165/166
Paulo, São, passagem do Evangelho segundo, 100
Paz, Menor, 38/170
Paz, a Maior, 38, 170
Pedro, São, 45, 73, 152
Perseguições
de ‘Abdu’l-Bahá, 21/22, 83/84, 89
do Báb, 12/13, 31, 95
de Bahá’u’lláh, 10/11, 13/15, 35, 55/56, 59, 91, 95
Pérsia
clero da, 113/116
dinastia Qájár da, 68, 84, 90/96
Xás da, 12/13, 15/16, 30, 84, 90/96, 130/131
Epístolas relativas à, 57/61, 63/64, 91/96, 123
Pobres (o povo) tratamento dos, 33/34, 37/38, 53
Preconceito, de classe e raça, 156/157
de religião, 44/45, 47/48, 58/59
Profecias,
do Báb, 6, 60/61, 118/119, 134
de Bahá’u’lláh, 6, 8/9, 26, 29, 33, 39, 42/43, 51/52, 69/71, 84/86, 102/103, 160/161
relativas a ´Abdu´l´Aziz, da Turquia, 84/86
relativas a Constantinopla, 56, 86
relativas a Napoleão III, da França, 41/43, 69/72
relativas ao Papa Pio IX, 73/76
relativas a Vitória, da Inglaterra, 49/51
relativas a Guilherme I, da Alemanha, 51/52, 79/80
de Jesus Cristo, 39
do Velho Testamento, 48, 65, 106
Profetas, unidade dos, 148/149, 152
Progressão, da Revolução, V, Revelação progressivo
Provocações, da humanidade, 5/7, 170
Prússia, Guilherme I, Rei da,
Q
Qájár, dinastia de (Pérsia), 68, 83, 92/95
Qayyúmu´l-Asmá´ (Comentário do Báb sobre a Súrih de José), 6, 39, 60/61, 68, 93,
118/119, 134
R
Racismo, 24, 106
Realeza, declínio nas fortunas da, 24, 68, 97/98
reconhecimento da, 98/102
Reis,
declínio dos, 24, 68, 72, 73/74, 98
Mensagens de Bahá’u’lláh aos, 39/40, 61/62
V. também Epístolas aos reis
Mensagens designadas por nomes, 64/65
oposição à Fé Bahá’í, 25/26, 27, 31/32
poder dos, 29/30, 62/63
verdadeira posição e glória dos, 31, 34/35, 42/43, 48/49, 52/53, 58
Religião, decadência da, 23/25, 28, 41, 123/124, 142/143, 157/159
unidade de, 148/152, 155, 160/161, 170/171
Renan, Ernest, palavras de, citadas, 104
Reno, o Rio, aposrofado por Bahá’u’lláh, 51, 81
Representação em governo, recomendada, 50
Retribuição, Divina, 5/10, 76/77, 82/83, 87/88, 95/96, 103/105, 124/125, 132/136, 153/155
V. também: Juízo de Deus
Revelação de Bahá’u’lláh, 9/10, 13, 15, 20, 23/24, 36/37, 49, 63/64, 66/67, 161/162
em relação ao cristianismo e ao islã, 146/148, 164/167
Revelação, progressiva, 139/140, 145/146, 148/152
Revolução
alemã, 81
persa, 93/94, 96, 132/133
russa, 80
turca, 87/90, 132/133
Ridvánu´l ´Adl (Escrito de Bahá’u’lláh), 102
Roma, 74/75, 76
Romanov, Casa de (Rússia), 83
Rumênia, 88
Marie, Rainha da, 149/150
Rússia, 77/78, 88, 144
Alexandre II, Tzar da, 29, 42, 77/78
Epístola de Bahá’u’lláh a, 46/48, 77/78
Alexandre III, Tzar da, 78
Nicolas II, Tzar da, 77/78
S
Sacerdotes: V. clero
Santo Império Romano, 82/86
Sarajevo, 82
Sedan, Batalha de, 72, 76
Seita sunita do islã, 86, 123/124, 132/133, 134/137, 165/166
Seita xiita do islã, 12, 15/16, 29, 86/88, 117/120, 147
“Sete Provas”, Dalá´il-i Sab´ih (Escritos do Báb), 26
Sháh-Bahrám, 107
Shíráz, 12
Síria, 88/89
Sulaymániyyih, 17
Sultanado, abolição do, 83/85, 133/134
Sultãos, da Turquia, 18/19, 30, 52/57, 63/64, 70, 84/89, 95
Sunitas: V. Seita sunita
Súriy-i-Haykal (Escrito de Bahá’u’lláh), 68
Súriy-i-Múluk (Súrih dos Reis: Escrito de Bahá’u’lláh), 30/36, 52/55, 97/98, 123/124
T
Tabríz, 12
Teerã (Tá), 15, 16, 60, 91, 102, 119, 121
“Templo”, mencionado em profecia do Velho Testamento, 65
Templo (Matriz) em `Ishqábád, Turquestão (Império Russo), 25
Tora, 48, 106
Tribulações
de ‘Abdu’l-Bahá, 21/22
do Báb, 12/15
de Bahá’u’lláh, 13/17, 34/35, 59/61, 70/71, 138
Turcos, Novos, 88
Turquia, 83
queda da, 86/90
República da, 132, 133
Sultões da, 18/19, 30, 52/53, 64, 69/70, 83/89
Mensagens aos, 52/54, 84/85
U
Unidade, ordenada, 32, 39, 160, 161, 165/167
Unidade
econômica, 168
do gênero humano, 157, 160/161, 164/169
de religião, 146/148, 157/159, 164/167
mundial, 168/171
V
Vaticano, 73, 74, 75, 76
Velho Testamento, profecias do, 48, 65, 106
Versailles, Tratado de, 81
Viena, Congresso de, 74/75
Virgem Maria, 74, 150/151
Vitor Emanuel, Rei da Itália, 75
Vitória, Rainha da Inglaterra, 29, 90
Epístola de Bahá’u’lláh a, 38/39, 40/50
W
Weimar, constituição de, 81
X
Xás, da Pérsia, 13/14, 15, 17, 30, 83, 90/96, 130/131
Epístolas concernentes a, 56/61, 63/64, 91/93, 95, 117, 121
Xiitas: V. Seita xiita
Z
Zoroástricos (Magos), 107, 151
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
(Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)
Effendi, Shoghi
O dia prometido chegou / Shoghi Effendi; tradução portuguesa de Leonora
Stirling Armstrong. – 2. ed. ver. E ampl. – São Paulo: Bahá’í do Brasil, 1998.
Título original: The promised day is come.
ISBN 85-320-0033-9
1. Bahá’í 2. Bahá’u’lláh, 1817 – 1892
3. Movimento da Nova Era I. Título.
98-2273 CDD-297.93092
Índices para catálogo sistemático:
1. Bahá’í: Líderes religiosos: Biografia e obra 297.93092
2. Fé Bahá’í: Líderes religiosos: Biografia e obra 297.93092
O DIA PROMETIDO CHEGOU
Este livro extraordinário é um desafio a todas as pessoas. Rápida e dramaticamente conta a história do último dos Mensageiros de Deus que se revelou à humanidade – Bahá’u’lláh (1817/1892) – destacando as Epístolas que enviou aos dirigentes religiosos de Sua época, incluindo o Papa Pio IX, e a reis e governantes do oriente e do ocidente, como Napoleão III, da França, Rainha Vitória, da Inglaterra, e muitos outros soberanos famosos da segunda metade do século passado.
Mostra as assustadoras conseqüências do desatendimento deles ao chamamento de Bahá’u’lláh, quanto à sua integração no processo de transformação da sociedade humana para a Nova Era que Ele veio inaugurar. Descreve a queda da velha ordem social, política e religiosa do mundo, e o nascimento, obscuro inicialmente, da nova era, de paz, progresso e fraternidade para a humanidade inteira.
Acima de tudo, o livro relembra ao homem moderno, com toda a clareza e seriedade, não estar ele sozinho no universo, que sua existência não é algo sem significado, que seu destino é para uma vida muito superior à dos dias atuais, e que o caminho que conduz à verdade e a Deus está novamente aberto para ele.
Shoghi Effendi, o autor deste livro majestoso nasceu em 1897, em ´Akká, na Palestina, (hoje Israel), filho de pais iranianos. Faleceu em 1957, em Londres, Inglaterra.
Nos sessenta anos de vida deixou um acervo de realizações como raros seres humanos puderam fazê-lo.
Aos 25 anos, foi-lhe dada a incumbência de dirigir mundialmente a infante comunidade Bahá’í, então restrita a alguns paises. À época de seu falecimento, tal número cresceria para centenas de países, em todos os continentes.
Sua vida foi também destacada como tradutor das principais obras escritas por seu bisavô, Bahá’u’lláh, para o inglês, idioma no qual foi realmente insuperável, pelo estilo elevado, belo e sintético que utilizava.
Principais traduções:
A NARRATIVA DE NABIL,
AS PALAVRAS OCULTAS DE BAHÁ’U’LLÁH,
KITAB-I-IQAN
ORAÇÕES E MEDITAÇÕES
SELEÇÃO DOS ESCRITOS DE BAHÁ’U’LLÁH
EPÍSTOLA AO FILHO DO LOBO
DER VERHEISSENE TAG IST GEKOMMEN
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Fußnoten befinden sich ia am Ende des jeweiligen Absatzes
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#1
S H O G H I E F F E N D I
DER VERHEISSENE TAG IST GEKOMMEN
#2
#3
SHOGHI EFFENDI
DER VERHEISSENE TAG IST GEKOMMEN
BAHÁ'Í-Verlag GmbH . FRANKFURT AM MAIN
#4
Deutsch auf Grund der englischen Ausgabe "The Promised Day is Come",
Wilmette /Ill., USA 1943
Alle Rechte vorbehalten (c) Bahá'í-Verlag GmbH 1967 (Bahá'í- Jahr 124)
#5
INHALT
Einführung: Die Bahá'í-Weltreligion 7
Vorwort 15
1 Der verheißene Tag ist gekommen 21
2 Das Gottesgericht 23
3 Welche Antwort auf Seinen Ruf? 26
4 Schlaglichter dieses ergreifenden Dramas 33
5 Eine Welt rückte von Ihm ab 38
6 EmpfängerderBotsclrafl 42
7 Tablets an die Könige 45
8 Das Größte Gesetz geoffenbart 51
9 Dem Papste geoffenbart 58
10 Halte den Unrerdrücker ab 70
11 Gottes Stellvertreter auf Erden 76
12 Rasche und vollständige Demütigung 84
13 Der Aufsrieg des Bolschewismus 92
14 Das Ende des Heiligen Römischen Reiches 97
15 Was geschah mir der Türkei und Persien? 98
16 Der Untergang des türkischen Reiches 101
17 Göttliche Vergeltung am Hause der Kadscharen 105
18 Der Niedergang im Geschick des Königrums 112
19 Anerkennung des Königtums 113
20 Der Zerfall religiöser Orthodoxie 118
21 Worte an die muhammadanischen Geistlichen 132
22 Das sinkende Glück des schiischen Islám 141
23 Der Zusammenbruch des Kalifates 147
24 Eine Warnung an alle Völker 153
25 Seine Borschaften an christliche Führer 154
26 Christliche Nationen gegen christliche Nationen 161
27 Die Fortdauer der Offenbarung 164
28 DiedreifalschenGötter 172
29 Die geschwächten Pfeiler der Religion173
30 Gottesplan 176
31 Das künftige Große Zeitalter 178
32 Religion und soziale Entwicklung 180
33 Die weitere, umfassende Treue 184
34 Ein Weltstaatenbund 185
35 Erläuterungen 189
36 Index 202
#7
DIE BAHÁ'Í-WELTRELIGION
Der Glaube, der von Bahá'u'lláh begründet wurde, entstand in Persien um die Mitte des neunzehnten Jahrhunderts. Nach längerer Verbannung des Gründers, zuletzt nach der türkischen Strafkolonie 'Akká, und späterhin nach Seinem Tod und Seiner Beisetzung bei 'Akká, hat der Glaube sein endgültiges Zentrum im Heiligen Land gefunden. Heute ist er im Begriff, die Grundlagen seines Verwaltungszentrums für die ganze Welt in der Stadt Haifa aufzubauen.
Wenn man seinen Anspruch, wie er unmißverständlich durch seinen Begründer verfochten wurde, und die Art des Wachstums der Bahá'í-Gemeinde in allen Teilen der Welt betrachtet, dann kann dieser Glaube nicht anders angesehen werden als eine Weltreligion, die dazu bestimmt ist, sich im Laufe der Zeiten zu einem weltumfassenden Gemeinwesen zu entwicheln. Das Kommen dieses Glaubens kündigt das Goldene Zeitalter der Menschheit an, jenes Zeitalter, das die Einheit des Menschengeschlechtes unerschütterlich begründen, seine Reife erreichen und seine Bestimmung durch die Geburt und Verwirklichung einer alles umfassenden Zivilisation erfüllen wird.
Neue Darlegung ewiger Wahrheiten
Obwohl dem schiitischen Islám entsprungen und in den ersten Entwicklungsphasen von den Anhängern des muhammadanischen und des christlichen Glaubens nur als eine obskure Sekte, ein asiatischer Kult oder ein Ableger der muhammadanischen Religion betrachtet, beweist dieser Glaube nunmehr in wachsendem Maße sein Anrecht auf eine andere Beurteilung als nur die eines weiteren religiösen Systems, das sich den bekämpfenden Glaubensbekenntnissen zugesellte, die so viele Geschlechter lang die Menschheit zerspalten und ihr Wohlergehen gestört haben. Vielmehr ist er eine neue Darlegung der ewigen Wahrheiten, die allen Religionen der Vergangenheit zugrunde liegen. Dieser Glaube ist eine einigende Macht, die den Anhängern dieser Religion einen neuen geistigen Antrieb, eine neue Hoffnung und Liebe zur Menschheit gibt und sie durch eine neue Betrachtungsart, die der grundsätzlichen Einheit der religiösen Lehren, anfeuert. Er zeigt vor ihren Augen die herrliche Berufung auf, die dem Menschengeschlecht winkt.
Die Anhänger dieses Glaubens stehen fest zu dem grundlegenden Prinzip, wie es von Bahá'u'lláh verkündet worden ist, daß religiöse Wahrheit nicht absolut, sondern relativ ist, daß Gottesoffenbarung ein fortdauerndes und fortschreitendes Geschehnis ist, daß alle großen Religionen der Welt göttlich in ihrem Ursprung sind, daß ihre Grundsätze miteinander in völligem Einklang stehen, daß ihre Ziele und Absichten ein und dieselben sind, daß ihre Lehren nur Widerspiegelungen der einen Wahrheit sind, daß ihr Wirken sich ergänzt, daß sie sich nur in unwesentlichen Teilen ihrer Lehren unterscheiden und daß ihre Sendungen aufeinanderfolgende geistige Entwichlungsstufen der Menschheit darstellen.
#8
Die Versöhnung der sich streitenden Bekenntnisse
Das Ziel Bahá'u'lláhs, des Gottesoffenbarers dieses neuen und großen Zeitalters, in das die Menschheit eingetreten ist - sein Kommen erfüllt die Prophezeiungen des Neuen und Alten Testamentes wie auch des Qur'án (Korans), die sich auf das Erscheinen des Verheißenen am Ende der Zeiten, am Tage des Gerichts beziehen - ist nicht die Aufhebung, sondern die Erfüllung der Offenbarungen der Vergangenheit. Er bringt die Versöhnung, nicht die Betonung der Gegensätze der sich streitenden Glaubensbekenntnisse, welche die heutige Menschheit noch zerreißen.
Bahá'u'lláh ist weit davon entfernt, die Stufe der Ihm vorausgegangenen Gottesoffenbarer herabsetzen oder Ihre Lehren schmälern zu wollen. Vielmehr will Er die Grundwahrheiten, die in allen diesen Lehren liegen, in einer Weise neu darlegen, wie sie den Nöten der Menschheit entspricht, auf ihre Fassungskraß abgestimmt ist und auf Fragen, Leiden und Verwirrungen der Zeit, in der wir leben, angewendet werden kann.
Seine Sendung ist zu verkünden, daß die Zeiten der Kindheit und Unreife des Menschengeschlechtes vorüber sind, daß die Erschütterungen der heutigen Stufe der Jugend langsam und schmerzvoll die Stufe der Reife vorbereiten und das Nahen jener Zeit der Zeiten verkünden, da die Schwerter in Pflugscharen umgewandelt werden, das von Jesus Christus verheißene Reich begründet und der Friede auf diesem Planeten endgültig und dauernd gesichert sein wird.
Auch erhebt Bahá'u'lláh nicht den Anspruch auf Endgültigkeit Seiner eigenen Offenbarung. Er erklärt vielmehr ausdrücklich, daß in den späteren Phasen der endlos weiterschreitenden Menschheitsentwicklung ein volleres Maß der Wahrheit enthüllt werden muß als Ihm von dem Allmächtigen in einem für die Menschheit so kritischen Zeitpunkt gestattet wurde.
#9
Einheit des Menschengeschlechtes
Der Bahá'í-Glaube hält die Einheit Gottes hoch, anerkennt die Einheit seiner Offenbarer und betont vor allem den Grundsatz der Einheit und Harmonie aller Menschenrassen.
Er verkündet, daß die Einigung der Menschheit notwendig und unumgänglich ist, hebt hervor, daß wir uns dieser langsam nähern, und stellt die These auf, daß nichts anderes als der verwandelnde Geist Gottes, der durch sein erwähltes Sprachrohr an diesem Tage wirkt, letzten Endes diesen Zustand herbeiführeii kann.
Der Bahá'í-Glaube erlegt seinen Anhängern vor allem die Pflicht des ungehemmten Suchens nach Wahrheit auf, verwirft alle Arten von Vorurteil und Aberglauben und erklärt, daß der Zweck der Religion die Förderung von Freundschaft und Einracht sei.
Dieser Glaube werkünder in wesentlichen Fragen seine Übereinstimmung mit der Wissenschafl und erkennt diese als die größte Kraft für die Befriedigung und den geregelten Fortschritt der Menschheit.
Er hält eindeutig den Grundsatz gleicher Rechte, gleicher Möglichkeiten und Vorrechte für Männer und Frauen hoch, besteht auf guter Erziehung als Pflicht, beseitigt die Extreme von Armut und Reichtum, schafft die Einrichtung des Priesterstandes ab, verbietet Sklaverei, Askese, Bettelei und Mönchtum, schreibt die Einehe vor, mißbilligt die Scheidung, betont die Notwendigkeit des Gehorsams gegenüber der Regierung, erhöht jede Arbeit, die im Geiste des Dienstes getan wird, zum Rang des Gottesdienstes, drängt auf die Schaffung oder Auswahl einer Welthilfssprache und gibt einen Umriß für die Einrichtungen, welche den Weltfrieden begründen und dauerhaft machen sollen.
#10
Der Herold
Der Bahá'í-Glaube kreist um drei Hauptgestalten, deren erste ein Jüngling aus Shíráz (Schiras) namens Mírzá 'Alí Muhammad war, bekannt als der Báb (das Tor). Er erhob im Mai 1844, im Alter von 25 Jahren, unter Berufung auf die Heiligen Schriften früherer Offenbarungen den Anspruch, der Vorbote und Wegbereiter für das Kommen eines Größeren als Er selbst zu sein. Die Sendung dieses Einen sei, entsprechend diesen Schriften, eine Ära des Friedens und der Gerechtigkeit einzuleiten, die als die Vollendung aller früheren Sendungen begrüßt würde, und einen neuen Zyklus in der Religionsgeschichte der Menschheit zu begründen. - Rasch setzte strenge Verfolgung ein, die von den organisierten Mächten der Kirche und des Staates seines Geburtslandes ausging und schließlich zu seiner Gefangenschaff, Verbannung und Hinrichtung im Juli 1850 in Tabríz (Täbris) führte. Nicht weniger als 20 000 seiner Anhänger wurden mir so barbarischer Grausamkeit hingemordet, daß sie das warme Mitgefühl und die unbegrenzte Bewunderung abendländischer Schriftsteller, Diplomaten, Reisender und Gelehrter hervorrief.
#11
Bahá'u'lláh
Mírzá Husayn-'Alí, genannt Bahá'u'lláh (die Herrlichkeit Gottes), aus der Provinz Mázindarán stammend, dessen Kommen der Báb verkündet hatte, wurde von diesen gleichen Mächten der Unwissenheit und des Fanatismus angegriffen, in Tihrán Teheran) eingekerkert, 1852 aus Seinem Heimatland nach Baghdád, von dort nach Konstantinopel und Adrianopel (heute Edirne) und schließlich in die Gefängnisstadt 'Akká verbannt, wo Er nicht weniger als 24 Jahre lang gefangengehalten wurde. Unweit davon starb Er im Jahre 1892. In der Zeit Seiner Verbannung, vor allem in Adrianopel und in 'Akká, gab Er den Gesetzen und Vorschriften seiner Sendung Ausdruck. Er erklärte in mehr als einhundert Schriften die Grundsätze seines Glaubens und verkündete seine Botschaft den Königen und Herrschern des Ostens und des Westens, Christen sowohl wie Muhammadanern.
'Abdu'l-Bahá
Sein ältester Sohn, 'Abbás Effendi, bekannt als 'Abdu'l-Bahá (Diener Gottes), war von Bahá'u'lláh zu seinem gesetzlichen Nachfolger und bevollmächtigten Ausleger Seiner Lehren ernannt worden. Er war seit Seiner frühesten Kindheit Seinem Vater eng verbunden und teilte dessen Verbannung und Leiden. Er blieb ein Gefangener bis 1908, wo Er nach der jungtürkischen Revolution aus der Haft entlassen wurde. Nunmehr verlegte Er seinen Wohnsitz nach Haifa, brach dann bald zu einer drei Jahre währenden Reise nadi Ägypten, Europa und Nordamerika auf, in deren Verlauf Er vor vielen Menschen die Lehren seines Vaters auslegte und das Nahen der Katastrophe voraussagte, die bald darauf die Menschheit überkommen sollte. Seine Rückkehr erfolgte am Vorabend des Ersten Weltkrieges, in dem Er bis zur Befreiung Palästinas dauernden Gefahren ausgesetzt war.
1921 verschied 'Abdu'l-Bahá. Er wurde auf dem Berge Karmel in dem Grabmal beigesetzt, das nadi dem Gebot Bahá'u'lláhs für die sterblichen Reste des Báb errichtet worden war.
#12
Die Verwaltungsordnung
Das Hinscheiden 'Abdu'l-Bahás bedeutete das Ende des Heroischen Zeitalters des Bahá'í-Glaubens und bezeichnete zugleich den Beginn des Gestaltgebenden Zeitalters, das den schrittweisen Ausbau der Verwaltungsordnung des Glaubens bringen soll. Ihre Errichtung war vom Báb vorhergesagt, ihre Gesetze von Bahá'u'lláh geoffenbart und ihre Umrisse durch 'Abdu'l-Bahá in seinem Willen und Testament vorgezeichnet worden.
Die Verwaltungsordnung des Glaubens von Bahá'u'lláh ist dazu bestimmt, sich zu einem Bahá'í-Weltgemeinwesen zu entwickeln. sie hat schon die Angriffe überdauert, die so furchtbare Feinde wie die Könige der Kadscharen-Dynastie, die Kalifen des Islám, die führenden Geistlichen Ägyptens und die Nationalsozialisten in Deutschland gegen ihre Institutionen gerichtet hatten. Sie hat ihre Zweige in alle Teile der Erde von Island bis zum südlichsten Chile ausgebreitet und zählt in ihren Reihen die Vertreter von nicht weniger als 31 Rassen, darunter Christen verschiedener Konfessionen, Mnlammadaner der sunnitischen und schiitischen Bekenntnisse, Juden, Hindus, Sikhs, Zoroastrier und Buddhisten. Sie hat durch ihre eingesetzten Organe Bahá'íSchriften in 48 Sprachen veröffentlicht und verbreitet¹.
Diese Verwaltungsordnung ist, im Unterschied zu den anderen Systemen, die sich nach dem Tode der Gründer in den verschiedenen Religionen entwickelt haben, göttlich in ihrem Ursprung. sie ruht fest auf den Gesetzen, Vorschriften, Verordnungen und Einrichtungen, die vom Begründer des Glaubens selbst ausdrücklich niedergelegt und festgesetzt sind. Sie wirkt in genauer Übereinstimmung mit den eindeutig bevollmächtigten Auslegern der heiligen Texte.
Der Glaube, dem diese Ordnung dient, den sie schützt und fördert, ist, wie in diesem Zusammenhang klar gesagt werden sollte, in seinem Wesen übernatürlich, übernational, völlig unpolitisch, parteilos und allen Systemen oder Schulen von Ideen, die irgendeine besondere Rasse, Klasse oder Nation über die andere zu stellen suchen, völlig entgegengesetzt. Er ist frei von jeglicher Form von Kirdientum, kennt weder Priesterstand noch Riten und wird allein durch freiwillige Gaben seiner erklärten Anhänger getragen.
Obwohl die Bekenner des Bahá'í-Glaubens ihren Regierungen treu ergeben, in Liebe ihrem Vaterland verbunden und darauf bedacht sind, zu allen Zeiten deren Wohl zu fördern, so werden sie doch, weil sie die Menschheit als eine Einheit betrachten und sich deren Lebensinteressen tief verpflichtet fühlen, ohne Zögern jedes Einzelwohl, sei es persönlich oder national, dem übergeordneten Wohl der Mensdiheit als Ganzem unterordnen, sie wissen sehr wohl, daß in einer Welt der gegenseitigen Abhängigkeit der Völker und Nationen der Vorteil des Teiles am besten durch den Vorteil des Ganzen erreicht werden kann und daß kein Dauererfolg durch einen der zugehörigen Teile erlangt werden kann, wenn das Allgemeinwohl des Ganzen hintangestellt wird.
Shoghi Effendi
¹ heute auf weit über 300 Sprachen angewachsen.
#14
Anm.: Shoghi Effendi starb im Jahre 1957. Von seinem Tode bis 1963 wurde der Glaube durch eine von ihm ernannte Körperschaft, die Hände der Sache Gottes, verwaltet. Im April 1963 berief diese Körperschaft die Mitglieder der zu dieser Zeit bestehenden 56 nationalen administrativen Einrichmngen zur Wahl des Universalen Hauses der Gerechtigkeit. Nach vollzogener Wahl übernahm diese Körperschaft die Verwaltung und Führung der Bahá'í-Religion.
#15
VORWORT
Die Feststellung, daß wir in einer Zeit der Krise leben, ist ein Gemeinplatz. Hunderte von Büchern, tausende von Artikeln, Ansprachen, Predigten und Vorträgen verbreiten sich vielfältig über dieses erschreiende Thema. Der nachgiebige Optimismus eines H. G. Wells, das irrationale Vertrauen in die automatischen Verbesserungen im menschlichen Leben, die zuversichtlichen Erwartungen eines allumfassenden Triumphes von Frieden und Demokratie sind der Angst, Furcht und Verzweiflung gewichen. Es besteht eine bemerkenswerte Übereinstimmung darüber, daß die Welt krank ist, daß "etwas schiefgelaufen ist" mit der westlichen Zivilisation gerade zu einem Zeitpunkt, da sie im Begriff war, zur Weltzivilisation zu werden, daß die früheren Utopien sich als grausam enttäuschend erwiesen haben und daß die Zukunfl des Menschen bedroht wird durch seine eigenen zerstörerischen Triebe, die viel stärker sind als er vermutete und zu deren Kontrolle er unfähig scheint. Auf der anderen Seite besteht jedoch nur eine geringe Übereinstimmung über die Ursachen dieser Krise, und sie fehlt ganz bezüglich ihrer notwendigen Heilung. Verloren in einem Labyrinth einander widerstreitender Ideologien, geblendet durch glitzernde Theorien, die ihn für eine kurze Zeit ablenken, und eines lebensnotwendigen Wertesystems ermangelnd, folgt der moderne Mensch wider sein besseres Wissen dem Weg zur Katastrophe und Selbstvernichtung.
Weil der moderne Mensch seiner geistigen Natur abgeschworen und sich zu nichts mehr als zu einem höheren Tier erklärt hat, ist er bis jetzt unfähig, die einfache Wahrheit zu erkennen, daß sein Glück und sein bloßes Überleben von der Erreichung der Harmonie zwischen seinem eigenen Willen und dem Willen des Urhebers dieses Universums abhängen. Der Grund für diese Tragödie des Menschen liegt in seiner Zurückweisung derjenigen Grundsätze, die die einzige sichere Basis für das menschliche Dasein bieten, Grundsätze, die ebenso wirklich sind wie physikalische Gesetze, die aber eher durch Vernunft und Glauben als durch Vernunft und Verstand zu begreifen sind.
#16
Vor mehr als zwanzig Jahren, während des Zweiten Weltkrieges, richtete Shoghi Effendi an die Bahá'í des Westens einen langen Brief, der zu einem Buch wurde. In klarer und machtvoller Sprache legte er darin das Bahá'í-Verständnis der Krise unseres Zeitalters dar. "Die mächtigen Auswirkungen dieser titanischen Umwälzung", so verkündet Shoghi Effendi unzweideutig, "sind nur allein denen verständlich, die die Ansprüche sowohl Bahá'u'lláhs als auch des Báb anerkannt haben. Ihre Anhänger wissen wohl, was sie ausgelöst hat und wohin sie schließlich führen wird." Die Gewißheit dieser Worte leitet sich her aus dem Glauben an Bahá'u'lláh als den göttlichen Boten, der eine neue Ara in der menschlichen Geschichte eröffnete.
Während in den letzten einhundert Jahren die meisten Denker versuchten, die Geschichte aus sich selbst heraus zu interpretieren - was eine nicht zu verwirklichende Aufgabe ist - oder die Gesamtheit menschlicher Tätigkeit nach ihren einzelnen Ausprägungen zu deuten, wie z. B. in bezug auf Volkswirtschaft oder Politik - was ebenfalls nicht möglich ist - betrachtet Shoghi Effendi die Geschichte im Lichte ihres eigentlichen Wesens: der Beziehung zwischen dem vergänglichen Menschen und dem ewigen Gott. So gesehen offenbart die Geschichte einen sinn und ein Bild, wie sie zuvor nicht erkennbar waren. Das Handeln des Menschen erlangt seine Bedeutung, wenn man dartut, daß es seine eigene Widerspenstigkeit und seine Zurückweisung des göttlichen Willens sind, die zu der Unruhe und den Umwälzungen führten, in die er so hoffnungslos verstrickt ist. In einem gewissen sinne können die Schrecken dieses Jahrhunderts als Gottes strafe für den Menschen angesehen werden, weil er die Bande zwischen sich und seinem Schöpfer zerrissen hat. In einem anderen Sinne ist die Not des Menschen das Ergebnis seiner eigenen hartnäckigen Weigerung, seine geistige Natur und die der sie regierenden geistigen Gesetze zu erkennen.
#17
Shoghi Effendi kennzeichnet beredt und kraßvoll die Grundzüge der Sendung Bahá'u'lláhs und die Wirkungen, die sie hervorrief. In zahlreichen Botschaften an "Kaiser, Könige und Fürsten, Kanzler und Minister, den Papst, Priester, Mönche und Philosophen, die größten Gelehrten, Politiker und Abgeordnete, die Reichen dieser Erde und die Anhänger aller Religionen" verkündete Bahá'u'lláh seine Sendung und entfaltete vor den unaufmerksamen Augen der Herrscher der Welt den Göttlichen Plan, der dazu bestimmt ist, die Menschheit auf eine höhere Stufe ihrer Entwicklung zu heben und eine neue, geistig gesündere Welt zu schaffen.
Die Zersetzung der althergebrachten Grundlagen der zivilisierten Gesellschaft und der Sturz ihrer ehrwürdigen Institutionen und Werte ließen ein Vakuum entstehen, das notwendigerweise wieder ausgefüllt werden mußte. Als die Menschheit Bahá'u'lláh den Rücken kehrte und sich weigerte, seine Sendung anzunehmen, öffnete sie falschen und verderbten Lehren Tür und Tor, die schnell ihren Geist und ihr Herz ergriffen ...
Obgleich die Gegenwart dunkel und trüb ist, trägt sie doch die Verheißung einer leuchtenden Zukunft in sich. Die zerfallende alte Ordnung hat bereits eine neue geboren. Dem Prozeß der Zersetzung läuft beinahe unsichtbar ein solcher des Wachstums parallel. Dieselben Leiden, die sich die Menschheit auferlegt hat, schaffen langsam aber sicher die notwendigen Voraussetzungen für die Vereinigung der Menschheit. Wiederholt betonte Shoghi Effendi, wie geheimnisvoll und "unwiderstehlich Gott seinen Plan verwirklicht, obgleich das, was wir heute sehen, das Bild einer in ihren schlingen hoffnungslos verfangenen Welt ist", die zudem ihre hohe Bestimmung mißachtet.
"Der verheißene Tag ist gekommen" ist keine Geschichte des letzten Jahrhunderts oder eine Philosophie der Geschichte im eigentlichen Sinne des Wortes. Dennoch gibt dieses Buch auf weniger als 170 Seiten ein wahreres Bild der umwälzenden Geschehnisse, die sich in Europa und Asien seit der Mitte des 19. Jahrhunderts ereigneten, als ganze Bibliotheken schwerer wissenschaftlicher Werke. Die Analyse, die Shoghi Effendi vornimmt, dringt zum Wesen der Ereignisse und Persönlichkeiten vor. Seine kurzen Charakteristiken von Napoleon III., Papst Pius IX., Násiri'd-Dín Sháh und Wilhelm II. sind glänzende Beispiele kühner und treffender Zusammenfassung, in der wenige Sätze genügen, um die wesentlichsten Eigensdiaften eines jeden herauszuarbeiten. Dieselbe Begabung zur prägnanten Formulierung erweist sich auch in der Besprechung so verwickelter Erscheinungen, wie der Untergang monarchistischer Institutionen, der Zusammenbruch des Kalifats, der Niedergang religiöser Orthodoxie oder der Aufstieg des Bolschewismus. Unfehlbar kennzeichnet er die wesentlichen Grundzüge einer jeden, und das Geschehen, die Institution oder die Bewegung werden lebendig und enthüllen dem verwunderten Leser ihre eigentliche Bedeutung.
#18
Der exakte und sorgfältig ausgearbeitete Stil ist einzigartig. Einige Leser mögen ihn zunächst schwierig finden, aber sie werden bald entdecken, wie genau er der Aufgabe entspricht, die sich der Verfasser setzte, und wie vollkommen er zu dem dargestellten Gegenstand paßt. Die Sätze sind lang und der Wortschatz sehr groß, aber nirgends ist etwas überflüssig. Jedes Substantiv, jedes Verb und jedes Adjektiv ist dem Ziel des Verfassers untergeordnet und trägt seinen Teil zu dem bedeutenden Eindruck bei, den dieses Buch immer wieder auf den aufmerksamen Leser macht.
Obgleich es während des Zweiten Weltkrieges geschrieben und unmittelbar von den Ereignissen geprägt wurde, die bereits im Gedächtnis der Menschen zu verblassen beginnen, hat das Buch "Der verheißene Tag ist gekommen" nichts von seiner Wichtigkeit und Bedeutung verloren und wird dies auch nicht in Zukunft tun. Im Gegenteil, seine Botschaft will uns nur noch dringlicher für eine Generation erscheinen, die unter dem drohenden Schatten der Bombe lebt, sie sollte besser als je zuvor die volle Bedeutung dieser Worte Bahá'u'lláhs verstehen, die Shoghi Effendi übersetzte und anführte: "Und wenn die vorbestimmte Stunde gekommen ist, wird plötzlich das erscheinen, was die Glieder der Menschen erzittern läßt."
#19
Dieses ursprünglich an die Bahá'í im Westen gerichtete bedeutsame Buch ist eine Herausforderung an jeden. In raschem und dramatischem Fluß berichtet es die Geschichte des neuesten Gottesboten, der sich an die ganze Menschheit wandte, auf den aber nur einige wenige hörten. Es stellt auch die erschreckenden Folgen dieser Widerspenstigkeit dar: den Niedergang der alten Ordnung und die verborgene Geburt der neuen. Es zeigt aber auch die tiefe schwärze der heutigen Dunkelheit und verheißt eine neue Morgendämmerung für eine Menschheit, die dem göttlichen Ruf Folge leistet. Vor allem aber erinnert es den modernen Menschen eindringlich daran, daß er in diesem Universum nicht allein steht, daß sein Dasein nicht bedeutungslos, sondern vielmehr seine Bestimmung eine wesentliche ist, und daß der Weg zu Gott ihm wiederum geöffnet wurde.
Firuz Kazemzadeh, a.o. Professor für Geschichte an der Yale Universität
New Haven, Connecticut, Juni 1961
#20
+1 #21
DER VERHEISSENE TAG IST GEKOMMEN
An die Geliebten Gottes und die Dienerinnen des Allerbarmers im Westen:
+1:2
Freunde und Miterben des Reiches von Bahá'u'lláh!
+1:3
Ein Sturm von beispielloser Heftigkeit und unberechenbarer Bahn, von verheerenden Wirkungen, aber unvorstellbar herrlichen späteren Folgen fegt heute über das Antlitz der Erde. seine Gewalt wällist unbarmherzig an Raum und Ausmaß. Seine säubernde Kraft, die zwar meist übersehen wird, nimmt mit jedem Tage zu. Ein Spielball seiner verheerenden Macht, wird die Menschheit bei den Ausbrüchen seines unwiderstehlichen Wütens zu Boden geschmettert. Sie kann weder seine Herkunfl erkennen noch sein Ausmaß begreifen oder seine Folgen abschätzen. Zu Tode verstört und ohnmächtig muß sie zusehen, wie dieser gewaltige Sturm Gottes über die fernsten und schönsten Länder der Erde hereinbricht, ihre Grundfesten erschüttert, ihr Gleichgewicht zerstört, ihre Völker spaltet, die Heime ihrer Bewohner vernichtet, ihre Städte verwüstet, ihre Könige verstößt, ihre Bollwerke niederreißt, ihre Ordnungen zerschmettert, ihr Licht verdüstert und die seelen ihrer Bewohner quält.
+1:4
"Die Zeit für die Zerstörung der Welt und ihrer Menchen ist gekommen", hat die prophetische Feder Bahá'u'lláhs verkündet. "Die Stunde naht", so bekräftigt Er ausdrücklich, "da die heftigste Zuckung auftreten wird". "Der werheißene Tag ist da, der Tag, da qualwolle Heimsuchungen über euren Häuptern und unter euren Füßen aufbrechen und künden: `Schmecket, was eure Hände angerichtet haben!`" "Bald werden die Schläge Seiner Züchtigung euch treffen und wird euch der Staub der Hölle verhüllen." Und weiter: "Und wenn die festgesetzte Stunde gekommen ist, wird plötzlich erscheinen, was die Glieder der Menschheit erzittern macht." "Der Tag naht, da ihre (der Zivilisation) Flamme die Städte verzehren und die Zunge der Erhabenheit werkünden wird: `Das Reich ist Gottes, des Allmächtigen, des Allgepriesenen!`" "Bald kommt der Tag", hat Er, auf die Narren der Welt weisend, geschrieben, "da sie um Hilfe schreien und keine Antwort erhalten werden". "Der Tag rückt heran", hat Er des weiteren geweissagt, "da der Ingrimm des Allmächtigen sie packen wird. Er ist wahrlich der Allmächtige, der Allbezwinger, der Machtwollste! Er wird die Erde von der Befleckung ihrer Verderbnis reinigen und zum Erbe denen Seiner Diener geben, die Ihm nahe sind."
+1:5 #22
"Für jene aber, die Ihn, das Erhabene Tor Gottes, verleugnen", so hat auch der Báb im Qayyámu'l-Asmá' bekräftigt, "haben Wir nach Gottes gerechtem Ratschluß schmerzliche Qualen Gorbereitet. Und Er, Gott, ist der Mächtige, der Weise." Und weiter: "O Völker der Erde! Ich schwöre bei eurem Herrn! Ihr werdet tun, wie frühere Geschlechter getan. So warnt euch denn selbst vor der schrecklichen, schmerzlichsten Vergeltung Gottes. Denn wahrlich, Gott ist aller Dinge mächtig." Und wiederum: "Bei Meiner Herrlichkeit! Ich will mit den Händen Meiner Macht die Ungläubigen Vergeltungen spüren lassen, die nur Ich kenne, und will über die Getreuen die moschusgewürzten Düfte wehen lassen, die Ich im innersten Herzen Meines Thrones gehegt habe."
+1:6
Liebe Freunde! Das machtvolle Walten dieses gewaltigen Umbruchs ist nur für die faßbar, die den Anspruch Bahá'u'lláhs wie auch des Báb anerkannt haben. Ihre Anhänger wissen gar wohl woher es kommt und wohin es letzten Endes führen wird. Mögen sie auch nicht wissen, wie weit es reichen wird, so erkennen sie doch klar seinen Ursprung, ahnen seine Richtung, bejahen seine Notwendigkeit, beobachten zuversichtlich seinen geheimnisvollen Verlauf, flehen um Milderung seiner Strenge, mühen sich einsichtig um eine Abschwächung seines Wütens und richten ihren ungetrübten Blick voraus auf das Ende der schrecknisse und die Hoffnungen, die es zwangsläufig zeitigen muß.
+2 #23
Das Gottesgericht
Dieses Gericht Gottes, wie es denen erscheint, die Bahá'u'lláh als sein Sprachrohr und seinen größten Boten auf Erden erkannt haben, ist eine furchtbare Vergeltung, aber auch ein Akt der heiligen, höchsten Züchtigung. Es ist eine göttliche Heimsuchung und zugleich eine Läuterung für die ganze Menschheit. Seine Feuerbrände strafen die Verderbnis des Menschengeschlechts und schweißen dessen einzelne Teile zu einer organischen, unteilbaren, weltweiten Gemeinschaff zusammen. In diesen schicksalsschweren Jahren, Ausklang des ersten und zugleich Anbruch eines neuen Jahrhunderts des Bahá'í-Zeitalters, wird die Menschheit, wie von Ihm, dem Richter und Erlöser des Menschengeschlechts verordnet, zur Rechenschaft für ihre Taten gerufen und zugleich für ihre künftige Sendung geläutert und gerüstet, sie kann weder die Verantwortung für die Vergangenheit abschütteln noch der für die Zukunft ausweichen. Gott, der Wachsame, der Gerechte, der Liebende, der allweise Verordner, kann in dieser höchsten Sendung die Sünden einer noch nicht neugeborenen Menschheit, ob Unterlassungs- oder Tatsünden, nicht ungestraft lassen, noch wird Er gewillt sein, seine Kinder ihrem Schicksal zu überlassen oder ihnen in ihrem langen, mühsamen, schmerzensreichen Werdegang durch die Zeitalter hindurch jenen Gipfel des Segens zu versagen, der ihr unveräußerliches Recht und zugleich ihre eigentliche Bestimmung ist.
+2:2 #24
"Regt euch, ihr Völker", ist einmal die schicksalhafte Warnung, die Bahá'u'lláh selbst gegeben hat, "in der Erwartung der Tage göttlicher Gerechtigkeit, denn die verheißene Stunde ist nun da!" "Gebt hin, was ihr besitzt, und ergreift, was Gott, der den Menschen den Nacken beugt, brachte! Wißt wahrlich, daß, wenn ihr euch nicht von dem abkehrt, was ihr begangen habt, von allen Seiten Züchtigung über euch kommen wird und ihr schmerzlichere Dinge schauen werdet als je zuwor!" "Wir haben euch eine Zeit bestimmt, o Menschen! Wenn ihr versäumt, euch zur festgesetzten Stunde Gott zuzuwenden, so wird Er, wahrlich, gewaltig Hand an euch legen und euch mit schmerzlicher Trübsal von allen Seiten bedecken. wahrlich, streng ist die Züchtigung, mit der euch euer Herr dann heimsucht!" Und weiter: "Gott herrscht gewißlich über das Leben derer, die Uns Unrecht taten, und Er sieht ihr Treiben wohl. Er wird sie sicherlich um ihrer Sünden willen ergreifen. Er ist der grimmigste Rächer." Und schließlich: "O Völker dieser Welt! Wißt wahrlich, daß unerwartete Trübsal euch verfolgt und schmerzhafte Vergeltung eurer harrt. Denkt nicht, daß vor Meinem Antlitz getilgt ist, was ihr begangen habt. Bei Meiner Schönheit! Mit offenen Lettern hat Mein Griffel all euer Tun auf Tafeln von Chrysolith geschrieben." (Verborgene Worte, persisch 63).
+2:3
Bahá'u'lláh erklärt ein anderes Mal mit Nachdruck, wobei Er einer jetzt verdunkelten Welt eine strahlende Zukunft voraussagt: "Die ganze Erde ist jetzt im Zustand der Trächtigkeit. Der Tag naht, da sie die edelsten Früchte hervorbringen wird, da ihr die stolzesten Bäume, die entzückendsten Blüten, die himmlischsten Segnungen entsprießen werden." "Die Zeit ist nahe, da alles Erschaffene seine Bürde abwerfen wird. Verherrlicht sei Gott, der diese Gnade gewährt, die alle Dinge, ob sichtbar oder unsichtbar, umfängt." "Diese großen Unterdrückungen", hat Er ferner im Vorausblick auf das goldene Zeitalter der Menschheit geschrieben, "bereiten die Menschheit auf das Kommen der Größten Gerechtigkeit vor." Diese Größte Gerechtigkeit ist die Gerechtigkeit, auf der sich der Bau des Größten Friedens allein gründen kann und muß, während der Größte Friede hinwiederum jene größte Weltkultur einleiten wird, die für immer mit Dem verbunden sein wird, der den Größten Namen trägt.
+2:4 #25
Geliebte Freunde!
Schon an die hundert Jahre sind vergangen, seit die Offenbarung Bahá'u'lláhs für die Welt angebrochen ist, eine Offenbarung, deren Wesen, wie Er selbst bestätigt, "keiner der Offenbarer der alten Zeiten, es sei denn bis zu einem vorgezeichneten Grade, jemals voll begriffen hat".
Ein volles Jahrhundert lang hat Gott dem Menschengeschlecht Zeit gegeben, den Begründer einer solchen Offenbarung anzuerkennen, sich seine Sache zu eigen zu machen, seine Größe zu verkünden und seine Ordnung aufzurichten.
In einhundert Bänden, den Aufbewahrungsorten unschätzbarer Lehren, starker Gesetze, einzigartiger Grundsätze, inständiger Ermahnungen, wiederholter Warnungen, erstaunlicher Weissagungen, erhabener Anrufungen und bedeutsamer Auslegungen, hat der Träger einer solchen Botschaft, wie kein Offenbarer zuvor, die Sendung verkündet, die Gott Ihm anvertraut hatte.
An Kaiser, Könige, Fürsten und Machthaber, an Herrscher, Regierungen, Geistlichkeiten und Völker in Ost und West, an Christen, Juden, Muhammadaner und Zoroastrier sandte Er vor nahezu fünfzig Jahren unter den tragischsten Umständen diese unschätzbaren Perlen der Erkenntnis und Weisheit, die im Weltmeer Seiner unvergleichlichen Äußerungen verborgen lagen.
Ansehen und Reichtum entsagend, bereit zu Kerker und Verbannung, blind für Verruf und Schmähung, leibliche Unbill und grausame Entbehrungen auf sich nehmend ließ Er, der Statthalter Gottes auf Erden, sich von Ort zu Ort, von Land zu Land verbannen, bis Er zuletzt, im Größten Gefängnis, seinen gemarterten Sohn für die Erlösung und Einigung der ganzen Menschheit als Pfand darbrachte. "Wir haben wahrlich", so hat Er selbst bezeugt, "Unsere Pflicht nicht versäumt, die Menschen zu ermahnen und ihnen zu bringen, was Wir von Gott, dem Allmächtigen, dem Allgepriesenen, geheißen wurden.
Hätten sie auf Mich gehört, so hätten sie die Erde als eine andere Erde gesehen."
Und weiter: "Gibt es noch irgendeine Entschuldigung für irgend jemanden in dieser Offenbarung?
Bei Gott, dem Herrn des mächtigen Thrones, nein!
Meine Zeichen sind um die Erde gegangen, und Meine Macht hat das ganze Menschengeschlecht umfaßt, und dennoch liegen die Menschen in einem seltsamen Schlaf."
+3 #26
Welche Antwort auf seinen Ruf?
Wie hat - so mögen wir wohl fragen - die Welt, der Gegenstand solcher göttlicher Fürsorge, Dem gedankt, der ihretwillen alles geopfert hat? Was für ein Willkommen hat sie Ihm bereitet, und was für eine Antwort hat sein Ruf geweckt? Ein in der Geschichte des schiitischen Islám nie dagewesenes Getöse begrüßte das junge Licht des Glaubens in seinem Geburtslande inmitten eines Volkes, das verrufen war für seine krasse Unwissenheit, seinen wilden Fanatismus, seine barbarische Grausamkeit, seine eingefleischten Vorurteile und die grenzenlose Macht, mit der eine fest verschanzte Geistlichkeit die Massen an sich kettete. Die Verfolgung, die einen Mut entflammte, der, nach dem Zeugnis keines Geringeren als des verstorbenen Lord Curzon of Kedleston, von dem Mut, den die Feuer von Smithfield entfachten, nicht übertroffen ward, mähte mit verhängnisvoller schnelle nicht weniger als zwanzigtausend heldenhafte Gläubige nieder, die sich geweigert hatten, ihren neuen Glauben gegen die flüchtigen Ehren und die Geborgenheit eines sterblichen Lebens einzutauschen.
+3:2
Zu den leiblichen Qualen, die diesen Duldlern bereitet wurden, kamen die so unverdienten Anschuldigungen, wie Leugnung aller Werte, Okkultismus, Verneinung der staatlichen Ordnung, Religionsklitterung, Unsittlichkeit, Sektenbildung, Ketzerei, parteiliche Umtriebe, deren jede durch die Glaubenssätze selbst und den Lebenswandel der Gläubigen überzeugend widerlegt wurden, die aber die Zahl derer anschwellen ließen, die aus Unwissenheit oder Bosheit diesen Glauben schädigten.
+3:3 #27
Die erschreckende Gleichgültigkeit der Männer von stand und Rang, der unerbittliche Haß der geistlichen Wiürdenträger eben des Glaubens, dem er entsprungen war, der höhnische Spott des Volkes, in dem die Religion entstanden war, die äußerste Mißachtung, die die meisten Könige und Herrscher ihrem Stifter gegenüber zeigten, als Er sich an sie wandte, die Verurteilungen, Drohungen und Verbannungen, die von jenen beschlossen wurden, unter deren Macht der Glaube groß geworden war und sich zuerst verbreitet hatte, die Verdrehung, die seine Grundsätze und Gesetze durch die Neider und Böswilligen in Ländern und Völkern weitab von seinem Ursprungslande erfuhren - dies alles sind nur die Beweise der Behandlung durch ein Geschlecht, das in Selbstzufriedenheit versunken war, sich um Gott nicht kümmerte und die von seinen Boten geoffenbarten Vorzeichen, Weissagungen, Warnungen und Mahnungen vergessen hatte.
+3:4
Die Schläge, die so schwer auf die Jünger eines kostbaren, herrlichen und starken Glaubens niederfielen, konnten jedoch nicht den Grimm seiner Verfolger besänftigen. Auch die absichtlichen, böswilligen Verdrehungen seiner Grundlehren, seiner Ziele und Zwecke, seines Hoffens und Strebens, seiner Einrichtungen und Tätigkeiten waren noch nicht genug, um die Hand des Unterdrückers und des Verleumders zurückzuhalten, die mit allen ihnen zu Gebote stehenden Mitteln seinen Namen zu vernichten und seine Ordnung auszurotten suchten. Die Hand, die eine so große Zahl untadeliger, demütiger Verehrer und Diener des Glaubens niedergeschmettert hatte, wurde jetzt erhoben, um den Begründern des Glaubens die schwersten und grausamsten Schläge zu erteilen.
+3:5 #28
Der Báb - "der Punkt", wie Bahá'u'lláh bestätigte, "um den die Wirklichkeiten der Propheten und Gottesboten kreisen" - geriet als erster in den Strudel, der seine Anhänger verschlingen sollte. Plötzliche Gefangennahme und Einkerkerung im ersten Jahre seiner kurzen, ereignisreichen Laufbahn; absichtliche öffentliche Beschimpfung vor den geistlichen Würdenträgern in Shíráz; strenge und lange Kerkerhaft in den kahlen Bergfesten von Adhirbáyján; verachtende Geringschätzung und feige Eifersucht von seiten des höchsten Richters des Reiches und des ersten Ministers der Regierung; ein sorgfältig abgekartetes, possenhaftes Verhör vor dem Thronerben und hochgestellten Geistlichen in Tabríz; eine schändliche Bastonade im Bethaus durch die Hand des Shaykhu'l-Islám der Stadt; schließlich die Aufhängung im Kasernenhof in Tabríz und die Feuergarbe von über siebenhundert Kugeln auf seine jugendliche Brust unter den Augen einer verstockten Menge von zehntausend Menschen, und als Gipfel die schmähliche Schaustellung seiner zerfetzten Überreste am Grabenrande draußen vor dem Stadttor - dies waren nacheinander die Abschnitte der wildbewegten, tragischen Wirkungszeit eines Mannes, dessen Zeitalter die Vollendung aller Zeitalter einleitete und dessen Offenbarung die Verheißung aller Offenbarungen erfüllte.
+3:6
"Ich schwöre bei Gott", so hat der Báb selbst in seinem Tablet an Muhammad-Sháh geschrieben, "wüßtest du, was Mir alles in diesen vier Jahren aus den Händen deines Volkes und deines Heeres widerfahren ist, so würde dir aus Furcht vor Gott der Atem stocken ... Wehe, wehe ob der Dinge, die Mich betroffen haben! Ich schwöre bei dem Allerhöchsten! Würde man dir erzählen, an was für einem Ort Ich hause, so würdest du selbst als erster Erbarmen mit Mir empfinden. Im Herzen eines Gebirges ragt eine Festung (Máh-kú) ... nur von zwei Wächtern und vier Hunden bewohnt. So male dir denn Meine Bedrängnis aus ... In diesem Gebirge mußte Ich allein verbleiben, und keiner von Meinen Vorgängern hat erlitten, was Ich erlitten habe, und kein Übeltäter hat ertragen, was Ich ertragen habe."
+3:7 #29
"Wie verblendet seid ihr doch, o Meine Geschöpfe", hat Er, als Stimme Gottes redend, im Bayán geoffenbart, "... die ihr, ohne jedes Recht, Ihn auf einen Berg (Máh-kú) verbannt habt, von dessen Bewohnern nicht einer der Erwähnung wert ist ... Bei Dem, der bei Mir ist, ist nur der eine Buchstabe des Lebendigen Meines Buches. In Seiner Gegenwart, die Meine Gegenwart ist, scheint nachts nicht einmal eine Lampe. Und doch leuchten an Stätten (der Andacht), die in vielerlei Weise sich Ihm zukehren, unzählige Lampen! Alles, was auf Erden ist, ist für Ihn erschaffen, und alle haben mit Wonne an Seinen Wohltaten teil, und doch sind jene Ihm gegenüber so verblendet, daß sie Ihm sogar eine Lampe verweigern."
+3:8
Und was ist Bahá'u'lláh widerfahren, dessen Offenbarung in ihrem Kern, wie vom Báb bezeugt ist, mit einer Kraft begabt wurde, die die vereinten Kräfte der Sendung des Báb übertrifll? Wurde Er, für den der Báb litt und unter so tragischen und wundersamen Umständen starb, nicht fast ein halbes Jahrhundert lang unter der Herrschaft der beiden mächtigsten Gewalthaber des Morgenlandes zur Zielscheibe einer mit List ausgeheckten Verschwörung gemacht, die an Wirkung und Dauer kaum ihresgleichen in der Geschichte früherer Religionen findet?
+3:9
"Die Grausamkeiten, die Mir Meine Unterdrücker zufügten", so hat Er selbst in seiner Qual ausgerufen, "haben Mich gebeugt und Mein Haar gebleicht.
Solltest du vor Meinem Throne erscheinen, so würdest du die Urewige Schönheit nicht wiedererkennen, denn die Frische ihres Antlitzes ist verwandelt und ihr Glanz ist in der Bedrängnis durch die Ungläubigen erloschen.
Ich schwöre bei Gott!
Ihr Herz, ihre Seele und ihre Lebenskraft sind geschwunden." "Könntest du mit Meinem Ohre hören", so erklärt Er des weiteren, "dann würdest du hören, wie 'Alí (der Báb) Mich vor dem Allherrlichen Gefährten beklagt, wie Muhammad um Mich am höchsten Horizont weint und wie der Geist (Jesus) sich im Himmel Meines Ratschlusses dessentwegen aufs Haupt schlägt, was diesem Mißhandelten von seiten eines jeden gottlosen Sünders zugestoßen ist." "Vor Mir", hat Er an anderer Stelle geschrieben, "reckt sich die Schlange der Wut mit aufgesperrten Kiefern, Mich zu verschlingen, hinter Mir schleicht der Löwe des Zorns, Mich zu zerreißen, und über Mir, o Mein Geliebter, ziehen die Wolken Deines Ratschlusses und regnen auf Mich die Schauer der Trübsale, während unter Mir die Speere des Unglücks starren, Meine Glieder und Meinen Leib zu durchbohren." "Könnte man dir erzählen", so bekräftigt Er weiterhin, "was die Urewige Schönheit befallen hat, so würdest du in die Wildnis fliehen und bitterlich weinen.
In deinem Gram würdest du dich aufs Haupt schlagen und wie von der Natter gestochen aufschreien ...
Bei der Gerechtigkeit Gottes!
Jeden Morgen, wenn Ich aufstand, sah Ich unzählige Trübsale hinter Meiner Tür lauern, und jeden Abend, wenn Ich Mich niederlegte, war, ach, Mein Herz von Qual zerrissen durch alles, was es von der tükischen Grausamkeit der Feinde zu erleiden hatte.
Mit jedem Stück Brot, das die Urewige Schönheit bricht, ist der Ansturm einer neuen Trübsal gepaart, und jedem Tropfen, den sie trinkt, ist die Bitternis der schmerzlichsten Prüfungen beigemischt.
Jedem Schritt, den sie tut, zieht ein Heer ungeahnten Elends woran, während Legionen quälender Sorgen ihr nach folgen."
+3:10 #30
Ist Er nicht schon im jugendlichen Alter von siebenundzwanzig Jahren aus freien Stücken aufgestanden, um als einfacher Anhänger die im Werden begriffene Sache des Báb zu verfechten? Hat Er nicht mit der Übernahme der tatsächlichen Führung einer geächteten, gehetzten Glaubensgemeinschaft sich selbst, seine Familie, seine Habe, seinen Stand und seinen Ruf schweren Gefahren, blutigen Angriffen, allgemeiner Plünderung und wütenden Schmähungen von seiten der Regierung wie auch des Volkes ausgesetzt? Wurde nicht Er, ein Offenbarer, dessen Tag "jeder Prophet angekündigt hat", nach dem "die Seele jedes Gottgesandten gedürstet hat" und in dem "Gott die Herzen der ganzen Schar Seiner Boten und Propheten geprüft hat", auf Anstiften der schiitischen Geistlichkeit und auf Geheiß des Sháh selbst nicht weniger als vier Monate lang gezwungen, in gänzlicher Finsternis zu leben, in der Gesellschaft gemeinster Verbrecher, von wundreibenden Ketten niedergezogen, in der Pestluft des ungezieferverseuchten unterirdischen Kerkers in Tihrán, einem Orte, der, wie Er später erklärte, auf geheimnisvolle Weise gerade zum Schauplatz der Verkündigung wurde, die Gott Ihm über sein Prophetenamt machte?
+3:11 #31
"Wir wurden", so schrieb Er in seinem "Brief an den Sohn des Wolfes", "vier Monate lang an einen unvorstellbar stinkenden Ort verwiesen.
Dem Verlies, worin dieser Unterdrückte und andere ebenso Mißhandelte festgehalten waren, wäre eine dunkle, enge Grube vorzuziehen ...
Das Verlies war in dichte Finsternis getaucht, und Unsere Mitgefangenen zählten nahezu hundertfünfzig Seelen:
Diebe, Mörder und Straßenräuber.
Obwohl überfüllt, hatte es keinen anderen Ausgang als den Durchlaß, durch den Wir hereingekommen waren.
Keine Feder kann jenen Ort beschreiben, keine Zunge seinen Gestank schildern.
Die meisten dieser Männer hatten weder Kleider noch Bettzeug, darauf zu liegen.
Gott allein weiß, was Wir an dem faulig stinkenden, finsteren Ort zu erdulden hatten!" "'Abdu'l-Bahá", schreibt Dr.
J.
E.
Esslemont, "erzählt, wie Ihm eines Tages erlaubt wurde, den Gefängnishof zu betreten, um seinen geliebten Vater zu sehen, wenn Er zu seiner täglichen Bewegung herauskam.
Bahá'u'lláh war schrecklich entstellt und so krank, daß Er kaum gehen konnte, sein Haar und Bart waren ungekämmt, sein Hals wund und geschwollen vom Druck eines schweren Eisenringes, Sein Leib gebeugt vom Gewicht der Ketten." "Drei Tage und drei Nächte", so hat Nabíl in seiner Chronik verzeichnet, "erhielt Bahá'u'lláh weder Speise noch Trank.
Ruhe oder Schlaf waren Ihm unmöglich.
Der Ort war voll Ungeziefer, und der Gestank dieser grauenhaftcn Behausung konnte wohl die Lebensgeister derer ersticken, die seine Schrecken zu erdulden hatten." "so heftig waren Seine Leiden, daß die Spuren jener Grausamkeit seinem Leib auf Lebzeiten eingekerbt blieben."
+3:12 #32
Welche anderen Trübsale trafen Ihn vor und unmittelbar nach diesem schrecklichen Geschehen?
Wie war es mit seiner Festsetzung im Hause eines Bezirksbürgermeisters von Tihrán?
Und was war mit der ungezügelten Gewalttat, als Er von einer wütenden Volksmenge bei dem Dorfe Níyálá gesteinigt wurde?
Und wie war es mit seiner Einkerkerung durch die Schergen aus dem Heer des Sháh in Mázindarán und die Bastonade, die Er auf Befehl und in Gegenwart der versammelten Siyyids und höchsten Geistlichen erhielt, denen Er durch die Behörden von Ámul ausgeliefert worden war?
Was war mit dem Hohn- und Spottgeheul, mit dem eine Menge roher Raufbolde Ihn weiterhin verfolgte?
Und was war mit der ungeheuerlichen Anklage, die das Kaiserhaus, der Hof und das Volk gegen Ihn erhoben, als der Anschlag auf Násiri'd-Dín Sháh verübt worden war?
Was war mit den schändlichen Beschimpfungen, der Schmach und dem Spott, mit denen Er überhäuft wurde, als Er von den Beamten der Regierung verhaftet und aus Níyávarán "zu Fuß und in Ketten, barhaupt, barfuß" und, der prallen Hochsommersonne schutzlos preisgegeben, nach dem Siyáh-Chál in Tihrán geführt wurde?
Und was war mit der Habgier, womit bestechliche Beamte sein Haus plünderten, seinen ganzen Besitz wegschleppten und über seine Habe verfügten?
Und was war mit dem grausamen Erlaß, durch den Er von der kleinen Schar der verwirrten, gehetzten, hirtenlosen Anhänger des Báb hinweggerissen, von Verwandten und Freunden getrennt und im tiefen Winter, beraubt und verleumdet, nach dem 'Iráq verbannt wurde?
+3:13
So hart diese Trübsale waren, die mit verwirrender Schnelligkeit einander folgten als Ergebnis vorbedachter Angriffe und planmäßiger Machenschaften des Hofes, der Geistlichkeit, der Regierung und des Volkes, so waren sie doch nur das Vorspiel einer qualvollen, langwährenden Gefangenschaft, die jener Erlaß der Form nach eingeleitet hatte. Diese lange Verbannung währte mehr als vierzig Jahre, führte Ihn nacheinander nach dem 'Iráq, nach Sulaymáníyyih, Konstantinopel, Adrianopel und zuletzt in die Strafkolonie 'Akká und endete erst bei seinem Tode mit über siebzig Jahren. So kam eine Gefangenschaft zum Abschluß, die an Tragweite, Dauer, Vielfalt und Härte ihrer Leiden in der Geschichte früherer Gottesoffenbarungen kein Beispiel hat.
+3:14
Es ist nicht nötig, sich über die einzelnen Geschehnisse zu verbreiten, die ein düsteres Licht auf die erschütternde Geschichte jener Jahre werfen, oder bei Charakter und Taten der Völker, Herrscher und Geistlichen zu verweilen, die mitwirkten und dazu beitrugen, die Szenen dieses größten Dramas in der Geistesgeschichte der Welt noch bitterer zu machen.
+4 #33
Schlaglichter dieses ergreifenden Dramas
Einige wenige Schlaglichter dieses ergreifenden Dramas sollen genügen, um den mit der Geschichte des Glaubens vertrauten Leser an die Wechselfälle zu erinnern, die diese Sache durchgemacht und die die Welt bisher mit so kalter Gleichgültigkeit betrachtet hat.
Der erzwungene, jähe Rückzug Bahá'u'lláhs in die Berge von Sulaymáníyyih und die schmerzlichen Folgen, die Seine zweijährige völlige Zurückgezogenheit zeitigte; das unaufhörliche Ränkespiel, dem sich die Spitzen des schiitischen Islám in Najaf und Karbilá in ständiger enger Fühlung mit ihren Verbündeten in Persien hingaben; die Verschärfung der unterdrückenden Maßnahmen durch Sultán 'Abdu'l-'Azíz, die den Treubruch gewisser hervorragender Mitglieder der verbannten Gemeinde auslöste; die Durchführung einer weiteren Verbannung auf Befehl des Sultáns, dieses Mal nach einer entlegenen, sehr öden Stadt, was solche Verzweiflung hervorrief, daß zwei der Verbannten zum Selbstmordversuch getrieben wurden; die scharfe Überwachung, die sie bei der Ankunft in 'Akká durch feindlich gesinnte Beamte erfuhren, und die unerträgliche zweijährige Gefangenschaft in der Kaserne der Stadt, das Verhör, dem hernach der türkische Páshá seinen Gefangenen im Amtsgebäude unterzog; seine nicht weniger als acht Jahre währende Haft in einer bescheidenen Behausung, die von der verpesteren Luft dieser Stadt umgeben war, wobei seine einzige Erholung darauf beschränkt war, den engen Raum seines Zimmers abzuschreiten - diese und andere Trübsale künden von der Art der schweren Prüfungen und erlittenen Beleidigungen, weisen aber auch mit dem Finger der Anklage auf jene Mächtigen auf Erden hin, die ihn entweder so schmerzlich mißhandelt oder ihm absichtlich ihre Hilfe vorenthalten haben.
+4:2 #34
Kein Wunder, daß von der Feder Dessen, der diese Qual mit so erhabener Geduld trug, diese Worte geoffenbart wurden: "Er, der Herr des Sichtbaren und Unsichtbaren, ist nun allen offenbar. sein gesegnetes Selbst ist mit solchem Leid gequält worden, daß, wenn alle Meere, die sichtbaren und die unsichtbaren, zu Tinte würden, alle Bewohner des Reiches zu Federn und alle im Himmel und auf Erden zu Schreibern, sie gewiß unfähig wären, dies aufzuzeichnen."
Und wiederum: "Die meisten Meiner Lebenstage bin Ich wie ein Sklave, der unter einem Schwerte sitzt, das an einem Faden hängt, und der nicht weiß, ob es früher oder später auf ihn herabfällt." "Alles", so bekräftigt Er, "was dieses Geschlecht Uns bieten konnte, waren Wunden von seinen Pfeilen, und der einzige Kelch, den es Unseren Lippen reichte, war der Kelch seines Giftes.
Auf Unserem Hals tragen wir noch die Narben von Ketten, und Unserem Leib sind die Beweise unbarmherziger Grausamkeit aufgedrückt." "Zwanzig Jahre sind verronnen, o Könige!" hat Er auf dem Höhepunkt seiner Sendung an die Könige der Christenheit geschrieben, "in denen Wir jeden Tag die herben Qualen einer neuen Trübsal geschmeckt haben.
Keiner vor Uns hat erduldet, was Wir erduldet haben.
Könntet ihr dies doch fassen!
Die, welche sich gegen Uns erhoben, haben Uns dem Tode ausgeliefert, Unser Blut vergossen, Unsere Habe geplündert und Unsere Ehre werletzt.
Obwohl ihr um die meisten Unserer Leiden wußtet, habt ihr es doch unterlassen, dem Angreifer in den Arm zu fallen.
Ist es nicht eure klare Pflicht, die Tyrannei des Unterdrückers zu verhindern und eure Untertanen unparteiisch zu behandeln, auf daß eure hohe Gerechtigkeit der ganzen Menschheit woll bewiesen werde?"
+4:3 #35
Wo ist der Herrscher im Osten oder Westen - so darf man vertrauensvoll fragen -, der irgendwann seit dem Heraufdämmern einer so überragenden Offenbarung sich entschlossen hätte, seine Stimme zu ihrem Ruhme oder gegen ihre Verfolger zu erheben?
Welche Menschen haben im Laufe einer so langen Gefangenschaft den Drang verspürt, aufzustehen und die Flut solcher Trübsale einzudämmen?
Eine einzige Frau ausgenommen, die in einsamer Glorie leuchtet -, wo ist der Herrscher, der sich in noch so bescheidenem Maße zu einer Antwort auf den durchdringenden Ruf Bahá'u'lláhs getrieben gefühlt hätte?
Wer unter den Großen der Erde war geneigt, diesem jungen Gottesglauben die Wohltat seiner Anerkennung oder Unterstützung zu gewähren?
Welche der vielen Bekenntnisse, Sekten, Rassen, Parteien und Klassen und der so mannigfaltigen Schulen des menschlichen Denkens hielt es für nötig, den Blick auf das aufsteigende Licht dieses Glaubens zu richten, seine sich entfaltende Ordnung zu betrachten, sein unauffälliges Wachstum zu bedenken, seine gewichtige Botschaft zu würdigen, seine lebenerneuemde Kraft anzuerkennen, seine heilbringende Wahrheit anzunehmen oder seine ewigen Wahrheiten zu verkünden?
Wer unter den Weisen der Welt und den sogenannten Männern der Einsicht und der Weisheit kann, nahezu ein Jahrhundert danach, mit Recht behaupten, er habe den Kerngedanken dieses Glaubens selbstlos gutgeheißen, seine Ansprüche unparteiisch erwogen, sich genügend mit seinen Schriften beschäftigt, beharrlich die Trennung von Wahrheit und Dichtung betrieben oder seiner Sache die geziemende Behandlung gewährt?
Wo sind, wenige Einzelfälle ausgenommen, die hervorragenden Vertreter der Künste oder Wissenschaften, die einen Finger gerührt oder ein Wort der Empfehlung gemurmelt hätten, um seinen Glauben zu verteidigen oder zu preisen, der der Welt eine so unschätzbare Wohltat beschert, der so lange und schmerzlich gelitten hat und der in sich eine so begeisternde Verheißung für eine so zerschlagene, so augenfällig bankrotte Welt bewahrt?
+4:4 #36
Zu der Flut der Prüfungen, die den Báb niederwarfen, den langwährenden Trübsalen, die über Bahá'u'lláh hereinbrachen, den Warnungen, die vom Herold wie vom Stifter der Bahá'íReligion erschollen, kommen die nicht weniger als siebzig Jahre lang von 'Abdu'l-Bahá erduldeten Leiden, seine Beschwörungen und dringenden Bitten, die Er an seinem Lebensabend in bezug auf die in wachsendem Maße die ganze Menschheit bedrohenden Gefahren aussprach, in dem Jahre geboren, das Zeuge des Anfangs der Bábí-Religion war, mit den ersten Feuern der Verfolgung getauft, die um diese keimende Sache wüteten; als achtjähriger Knabe Augenzeuge der gewaltsamen Umwälzungen, die den Glauben, dessen sein Vater sich angenommen hatte, erschütterten; sein Gefährte bei den Schmähungen, in den Gefahren und Unbilden, die die mehrfachen Verbannungen aus der Heimat in weit entfernte Länder nach sich zogen; verhaftet und gezwungen, bald nach seiner Ankunft in 'Akká den Schimpf der Gefangenschaft in dunkler Zelle zu ertragen; Gegenstand wiederholter Untersuchungen und Zielscheibe dauernder Angriffe und Beleidigungen unter der gewalttätigen Herrschaft des Sultáns 'Abdu'l-Hamíd und später unter der unbarmherzigen Militärdiktatur des argwöhnischen, grausamen Jamál Páshá - hatte auch Er, der Mittelpunkt und die Achse des unvergleichlichen Bündnisses von Bahá'u'lláh und vollkommenes Vorbild seiner Lehren, aus den Händen von Machthabern, Geistlichen, Regierungen und Untertanen den Schmerzenskelch zu kosten, den der Báb, Bahá'u'lláh und so viele ihrer Anhänger geleert hatten.
+4:5 #37
Die Warnungen, die seine Feder und seine Stimme in zahllosen Tablets und Reden während einer fast lebenslangen Haft und auf seinen ausgedehnten Reisen in Europa und Amerika gegeben haben, sind allen, die sich um die Verbreitung des Glaubens seines Vaters in der westlichen Welt mühen, genügend bekannt.
Wie oft und wie leidenschaftlich mahnte Er Menschen von Einfluß und die breite Öffentlichkeit, die von seinem Vater verkündeten Lehren unbefangen zu prüfen!
Wie eingehend, wie nachdrücklich entwickelte Er die Lehren des von Ihm ausgelegten Glaubens, erläuterte Er dessen Grundwahrheiten, betonte Er dessen Merkmale und verkündete Er die erlösende Kraft seiner Grundsätze!
Wie eindringlich deutete Er das drohende Chaos an, die nahenden Umwälzungen, den Weltbrand, der in Seinen letzten Lebensjahren das Ausmaß seiner Gewalt und die Stärke seines Einbruchs in die menschliche Gesellschaft erst ahnenließ! von den schmerzlichen Prüfungen und plötzlichen Enttäuschungen mitbetroffen, die den Báb und Bahá'u'lláh heimsuchten; zu Lebzeiten mit einem Erfolg bedacht, der zu seinen überragenden, unaufhörlichen, regen Bemühungen in gar keinem Verhältnis stand; noch Augenzeuge der ersten Verwirrungen der welterschütternden Katastrophe, die einer ungläubigen Menshheit wartete; vom Alter gebeugt, das Auge verdüstert von dem heraufziehenden Gewitter, das eine glaubenslose Generation durch den Empfang der Sache seines Vaters heraufbeschwor; blutenden Herzens über das den eigensinnigen Kindern Gottes drohende Verhängnis - so erlag Er zuletzt dem Gewicht von Mühsalen, für die jene, die sie Ihm und denen vor Ihm auferlegt hatten, bald zu einer schrecklichen Abrechnung geladen werden sollten.
+4:6 #38
"Beschleunige, o mein Gott", so rief Er aus, als das Unglück Ihn schmerzlich überfallen hatte, "die Tage meines Aufstiegs zu Dir, meiner Ankunft bei Dir und meines Zutritts zu Dir, auf daß ich von der finsteren Grausamkeit befreit werde, die sie mir zugefügt haben, in das Lichtmeer Deiner Nähe eingehe und im Schatten Deines größten Erbarmens raste, o mein Herr, Du Allherrlicher." "Yá Bahá'u'l-Abhá" (o Herrlichkeit der Herrlichkeiten), schrieb Er in einem Tablet in der letzten Woche seines Lebens, "ich habe der Welt und ihren Menschen entsagt, mein Herz ist gebrochen und bedrückt wegen der Ungläubigen. Im Käfig dieser Welt flattere ich wie ein geängstigter Vogel umher und sehne mich jeden Tag, zu Deinem Reich aufzufliegen. Yá Bahá'u'l-Abhá! Lasse mich wom Kelche des Opfers trinken und mache mich frei! Erlöse mich von diesen Leiden und Prüfungen, diesen Mühen und Trübsalen!"
+4:7
Liebe Freunde! Wehe, tausendmal wehe, daß eine so unvergleichlich große, so unendlich kostbare, so urgewaltige, so offensichtlich lautere Offenbarung von einem so blinden, verdorbenen Geschlecht eine so schändliche Behandlung erfahren hat! "O Meine Diener!" bezeugt Bahá'u'lláh selbst. "Der eine wahre Gott ist Mein Zeuge! Dieser größte, unergründliche, wogende Ozean ist euch nahe, wunderbar nahe. Seht, er ist euch näher als eure Halsschlagader! Schnell, wie ein Augenaufschlag, könnt ihr, wenn ihr nur wollt, diese unvergängliche Gunst, diese Gottesgnade, dieses dauerhafte Geschenk, diese stärkste und unaussprechlich herrliche Güte erlangen und an ihr teilhaben."
+5 #39
Eine Welt rückte von Ihm ab
Fast hundert Jahre sind seit jener Umwälzung vergangen; was erblickt nun das Auge, das die Weltbühne betrachtet und auf die Frühzeit der Bahá'í-Geschichte zurückschaut?
Es bietet sich ihm eine Welt, in die Todeskämpfe streitender Ordnungen, Rassen und Völker verkrampft, in die Schlingen ihrer angehäuften Falschheiten verstrickt, von Dem immer weiter abrückend, der der alleinige Urheber ihrer Geschicke ist, und immer tiefer in ein selbstmörderisches Blutbad versinkend, das durch die Mißachtung und Verfolgung Dessen, der ihr Erlöser ist, verursacht worden war.
Das Auge erblickt einen noch immer geächteten Glauben, der aber schon durch seine Puppenhülle hindurchbricht, aus dem Dunkel einer hundertjährigen Unterdrückung auftaucht, den schrecklichen Beweisen des Ingrimms Gottes gegenübersteht und ausersehen ist, sich über die Trümmer einer zerschmetterten Kultur zu erheben.
Es ist eine Welt, die geistig ausgeplündert ist, sittlich bankrott, politisch zerrüttet, gesellschaftlich erschüttert, wirtschaftlich gelähmt, zuckend, blutend und zerbrechend unter der strafenden Rute Gottes.
Und es ist ein Glaube, dessen Ruf unerhört verhallte, dessen Ansprüche verworfen, dessen Warnungen verschmäht, dessen Anhänger niedergemäht, dessen Zwecke und Ziele verleumdet, dessen Aufforderungen an die Herrscher der Erde mißachtet wurden, dessen Herold den Kelch des Märtyrertums leerte, über dessen Stifter eine Flut unerhörter Trübsale hereinbrach und dessen Vorbild dem Gewicht lebenslanger Kümmernisse und schrecklicher Mißgeschicke erlag.
Es ist eine Welt, die ihren Halt verloren hat, in der die helle Flamme der Religion dem Erlöschen nahe ist, in der die Kräfte eines lärmenden Nationalismus und Rassenwahns die Rechte und Vorrechte Gottes selbst an sich gerissen haben, in der eine offen wütende Verweltlichung als unmittelbare Folge der Glaubenslosigkeit siegestrunken ihr Haupt erhoben hat und ihre häßlichen Kennzeichen zeigt, in der die "Majestät des Königtums" geschändet worden ist und diejenigen, die seine Wahrzeichen trugen, größtenteils vom Thron gestoßen worden sind; in der die einst allmächtige Geistlichkeit des Islám und, in geringerem Maße, des christentums in Verruf gekommen sind und in der das Gift von Vorurteilen und Unredlichkeit an den Lebensorganen einer schon zerrütteten Gesellschaft nagt.
Es ist ein Glaube, dessen Einrichtungen - das Vorbild und die krönende Glorie des kommenden Zeitalters - mißachtet und zuweilen sogar zerstört und vernichtet wurden, dessen sich entfaltendes System verhöhnt und teilweise unterdrückt und verstümmelt wurde, dessen sich entwickelnde Ordnung, die einzige Zuflucht einer vom Verhängnis ereilten Zivilisation, verschmäht und in Frage gestellt, dessen Muttertempel beschlagnahmt und enteignet und dessen "Haus", "Leitstern einer anbetenden Welt", durch einen, wie vom höchsten Weltgerichtshof bezeugt, groben Rechtsmißbrauch seinen unversöhnlichen Feinden ausgeliefert und von ihnen geschändet worden ist.
+5:2 #40
Wir leben in einer Zeit, in der man zur richtigen Einschätzung zwei Vorgänge auseinanderhalten muß. Erstens: Die letzten Zuckungen einer verbrauchten, gottlosen Ordnung, die sich trotz der Zeichen und Fingerzeige einer hundert Jahre alten Offenbarung hartnäckig geweigert hat, ihre Handlungsweise den Geboren und Idealen dieses vom Himmel gesandten Glaubens anzupassen. Zweitens : Die Geburtswehen einer erlösenden, göttlichen Ordnung, die zwangsläufig die bestehende ablösen wird und in deren Verwaltungsgefüge keimhaft eine unvergleichliche, weltweite Kultur im Stillen heranreift. Die eine ist daran, abgebaut zu werden, und geht in Bedrängnis, Blutvergießen und Trümmern unter. Die andere eröffnet neue Ausblicke auf Gerechtigkeit, Einigkeit, Frieden und Kultur, wie kein Zeitalter sie je gesehen hat. Die erstere hat ihre Kraft erschöpft, ihre Falschheit und Unfruchtbarkeit erwiesen, ihre Gelegenheit unwiederbringlich verscherzt und eilt ins Verderben. Die letztere, mannhaft und unüberwindlich, zersprengt ihre Ketten und verficht ihren Anspruch, die einzige Zuflucht zu sein, in der die leidgeprüfte Menschheit, von ihren Schlacken gereinigt, ihre Bestimmung erreichen kann.
+5:3
"Bald", hat Bahá'u'lláh geweissagt, "wird die Ordnung des heutigen Tages zusammengerollt und eine neue an ihrer Statt ausgebreitet werden." Und weiter: "Bei Mir selbst! Der Tag naht heran, da Wir die Welt und alles, was darinnen ist, zusammengerollt und eine neue Ordnung an ihrer Statt ausgebreitet haben werden." "Der Tag naht heran, da Gott ein Volk erweckt, das Unsere Tage ins Gedächtnis rufen, die Geschichten Unserer Prüfungen erzählen und die Herstellung Unserer Rechte fordern wird von denen, die ohne einen Funken Beweis Uns mit offenkundiger Ungerechtigkeit behandelt haben."
+5:4 #41
Liebe Freunde!
Für die Prüfungen, die den Glauben Bahá'u'lláhs betroffen haben, liegt die erschreckende, unentrinnbare Verantwortung bei denen, in deren Hände die Zügel der weltlichen und geistlichen Gewalt gelegt waren.
Die Könige der Erde und die geistlichen Führer der Welt müssen in erster Linie die Wucht einer so furchtbaren Verantwortung tragen. "Ein jeder weiß wohl", bezeugt Bahá'u'lláh selbst, "daß sich alle Könige von Ihm weggewandt und alle Religionen sich Ihm widersetzt haben." "Seit unwordenklichen Zeiten", erklärte Er, "haben jene, die äußerlich mit Vollmacht ausgestattet waren, die Menschen gehindert, ihr Angesicht Gott zuzuwenden.
Sie verübelten es den Menschen, sich um den Größten Ozean zu versammeln, da sie schon immer und auch heute noch darin den Grund für die Untergrabung ihrer eigenen Hoheit erblicken." "Die Könige", hat Er ferner geschrieben, "haben wie die Minister und Geistlichen bemerkt, daß es nicht zu ihrem Vorteil war, Mich anzuerkennen, obwohl Mein Vohaben in den göttlichen Büchern und Tablets ganz deutlich offenbart worden ist und der Allwahre laut werkündet hat, daß diese Größte Offenbarung für die Besserung der Wielt und die Erhöhung der Völker erschienen ist." "Barmherziger Gott!" schreibt der Báb in den "sieben Beweisen" (Dalá'il-i-Sab'ih) über die "sieben mächtigen Herrscher der Welt" zu seiner Zeit, "keiner Von ihnen ist von Seiner (des Báb) Offenbarung benachrichtigt worden, und wäre er es, hätte keiner an Ihn geglaubt.
Wer weiß, sie verlassen wohl die Welt hienieden floller Sehnsucht und ohne gemerkt zu haben, daß das, worauf sie gewartet haben, eingetreten ist.
Gerade das ist einst den Herrschern zugestoßen, die am Ewangelium festhielten.
Sie harrten des Propheten Gottes (Muhammad), und als Er wirklich erschien, erkannten sie Ihn nicht.
Schaut, wie diese Herrscher hohe Geldsummen ausgeben, ohne auch nur daran zu denken, einen Beamten zu ernennen, der ihnen in ihren Reichen von der Offenbarung Gottes berichten würde!
Sie hätten dadurch den Zweck erfüllt, zu dem sie erschaffen worden sind.
Alle ihre Wünsche waren und sind darauf gerichtet, Spuren ihrer Namen zurückzulassen."
In derselben Abhandlung rügt der Báb auch die christlichen Geistlichen, die Wahrheit der Sendung Muhammads nicht anerkannt zu haben, und gibt folgcnde erleuchtende Darlegung: "Der Tadel gebührt ihren Gelehrten, denn wenn diese geglaubt hätten, wäre die Masse ihrer Landsleute ihnen gefolgt.
So seht denn, was geschehen ist!
Die Gelehrten der Christenheit werden für gelehrt gehalten, weil sie die Lehren Christi rein erhalten - aber bedenkt nun, wie sie selbst bewirkten, daß die Menschen den Glauben nicht angenommen haben, noch zur Erlösung gelangt sind!"
+6 #42
Empfänger der Botschaft
Man darf nicht vergessen, daß es die Könige der Erde und die religiösen Führer der Welt waren, die vor allen anderen Klassen von Menschen zu unmittelbaren Empfängern der vom Báb und von Bahá'u'lláh verkündeten Botschaft gemacht wurden.
Sie waren es, die in zahlreichen historischen Tablets mit Bedacht angeredet und aufgefordert wurden, auf den Ruf Gottes zu hören, und an die in klarer, zwingender Sprache die Aufrufe, Ermahnungen und Warnungen durch seine verfolgten Boten gerichtet wurden, sie, die Könige und Führer, waren es, die, als der Glaube geboren, und später, als seine Sendung verkündet wurde, noch größtenteils unbestrittene und unumschränkte weltliche und kirchliche Gewalt über ihre Untertanen und Anhänger ausübten. sie waren es, die, thronend in Pomp und Prunk eines durch konstitutionelle Begrenzungen kaum erst eingeengten Königtums oder verschanzt in den Bollwerken einer scheinbar unverletzlichen kirchlichen Macht, letzten Endes die Verantwortung für jede Art von Unrecht trugen, das durch jene begangen wurde, deren Schicksal sie unmittelbar beherrschten.
Es ist keine Übertreibung zu sagcn, daß in den meisten Ländern des europäischen und asiatischen Festlandes Absolutismus einerseits und völlige Unterwürfigkeit unter die Kirchenherrschaft andererseits noch auffallende Charakterzüge des politischen und religiösen Lebens der Massen waren.
Diese, beherrscht und gefesselt, waren der nötigen Freiheit beraubt, die sie befähigt hätte, den Anspruch und die Verdienste der ihnen dargebrachten Botschaft abzuschätzen oder vorbehaltlos ihre Wahrheit anzunehmen.
+6:2 #43
Kein Wunder denn, daß der Begründer des Bahá'í-Glaubens, und in geringercm Maße auch sein Herold, auf die höchsten Herrscher und religiösen Führer der Welt die volle Kraft ihrer Botschaften gerichtet, sie zu Empfängern einiger Ihrer erhabensten Tablets gemacht und sie in ebenso klarer wie eindringlicher Sprache aufgefordert haben, auf Ihren Ruf zu achten. Kein Wunder, daß sie sich der Mühe unterzogen haben, vor deren Augen die Wahrheit Ihrer Offenbarungen zu entfalten und Ihre schmerzen und Leiden zu schildern. Kein Wunder, daß sie die Kostbarkeit günstiger Gelegenheiten betont haben, die zu ergreifen in der Macht dieser Herrscher und Führer lag, und sie in bedeutsamer Sprache vor der schweren Verantwortung gewarnt haben, welche mit der Verwerfung von Gottes Botschaft auf sie zurückfallen würde, und daß sie, nachdem sie zurückgestoßen und abgewiesen worden waren, ihnen die furchtbaren Folgen voraussagten, die solch eine Abweisung mit sich bringt. Kein Wunder, daß Er, der König der Könige und Statthalter Gottes, als Er verlassen, verschmäht und verfolgt war, diese kurze und bedeutungsvolle Weissagung ausgesprochen hat: "Zwei Gruppen von Menschen wurde die Macht entzogen: Königen und Geistlichen."
+6:3
Was die Könige und Kaiser betrifft, die nicht nur in ihrer Person die Majestät irdischer Herrschaff versinnbildlichten, sondern meistens auch tatsächlich eine unanfechtbare Gewalt über die Massen ihrer Untertanen ausübten, so bildet ihre Beziehung zum Glauben Bahá'u'lláhs eine der aufschlußreichsten Episoden des Heroischcn und des Gestaltgebenden Zeitalters dieses Glaubens: Die göttlichen Forderungen, deren Reichweite eine so große Zahl gekrönter Häupter Europas und Asiens erfaßte, der Inhalt und die sprache der Botschaften, die sie in unmittelbare Berührung mit dem Quell von Gottes Offenbarung brachten, die Art ihrer Reaktion auf einen so eindrucksvollen Anstoß und die Folgen, die sich ergaben und deren Zeuge wir heute noch sind - das sind die hervorragenden Züge eines Themas, das ich nur unzulänglich streifen kann und das voll und angemessen von künftigen Bahá'í-Geschichtsschreibern behandelt werden wird.
+6:4 #44
Der Kaiser von Frankreich, Napoleon III., der mächtigste Herrscher seiner Zeit auf dem europäischen Festland; Papst Pius IX., das oberste Haupt der größtcn Kirche des christentums und Zepterträger weltlicher wie geistlicher Gewalt; Alexander II., der allmädlitige Zar des weiten russischen Reiches; die berühmte Königin Viktoria, deren Herrschaft sich über das größte politische Bundesgebiet ausdehnte, das die Welt je gesehen hat; Wilhelm I., der Besieger Napoleons III., König von Preußen und neu ausgerufener Kaiser des geeinigten Deutschland; Franz Joseph, der selbstherrliche Kaiser und König der österreichisch-ungarischen Monarchie, der Erbin des weltberühmten Heiligen Römischen Reiches; der tyrannische 'Abdu'l'Azíz, der die zusammengefaßte Macht des Sultanats und Kalifats verkörperte; der berüchtigte Násiri'd-Dín Sháh, der despotische Beherrscher Persiens und mächtige Potentat des schiitischen Islám - mit einem Wort, die meisten der hervorragenden Verkörperungen der Macht und der Herrschergewalt seiner Zeit, wurden einer nach dem anderen Gegenstand von Bahá'u'lláhs besonderer Aufmerksamkeit und hatten in verschiedenem Maße die Wucht der Kraft, die von seinen Rufen und Warnungen ausging, zu ertragen.
+6:5
Es sollte indessen immer festgehalten werden, daß Bahá'u'lláh sich nicht darauf beschränkt hat, seine Botschaft nur an einige wenige Herrscher zu senden, wie mächtig auch das Zepter war, das jeder einzelne trug, und wie weitläufig auch die Gebiete, die sie regierten. Alle Könige der Erde wurden gemeinsam durch seine Feder angeredet, angerufen und gewarnt zu einer Zeit, da der stern seiner Offenbarung zum Zenit stieg und Er als Gefangener in den Händen und in der Nähe des Hofes seines königlichen Feindes lag. In einem denkwürdigen Tablet, der Súriy-i-Mulúk (Súrih der Könige), in welchem der Sultán, seine Minister, die Könige der Christenheit, der französische und der persische Botschafter an der Hohen Pforte, die muhammadanischen geistlichen Führer in Konstantinopel, die Gelehrten und die Bewohner dieser Stadt, das Volk Persiens und die Philosophen der Welt ausdrücklich angeredet und ermahnt worden sind, richtet Er das Wort an die Schar der Monarchen im Osten und Westen wie folgt:
+7 #45
Tablets an die Könige
"O Könige der Erde!
Hört auf die Stimme Gottes, die von diesem erhabenen, früchtebeladenen Baume aus ruft, der den Karminroten Hügeln auf der heiligen Ebene entsprossen ist, und die die Worte anstimmt: `Es gibt keinen Gott außer Ihm, dem Mächtigen, dem Allvermögenden, dem Allweisen` ...
Fürchtet Gott, o ihr Könige, und laßt euch diese erhabenste Gnade nicht entgehen.
So werft denn euren Besitz hinweg und klammert euch an den Halt Gottes, des Erhabenen, des Großen.
Wendet eure Herzen dem Antlitz Gottes zu, gebt auf, wonach euch eure Wünsche trachten ließen, und seid nicht bei denen, die zugrunde gehen.
O Diener, berichtet ihnen die Geschichte 'Alís (des Báb), wie Er zu ihnen kam mit der Wahrheit, mit Seinem herrlichen und gewichtigen Buch, in Seinen Händen ein Zeugnis und einen Beweis von Gott und mit heiligen und gesegneten Zeichen von Ihm.
Ihr jedoch, o Könige, habt versäumt, auf die Erwähnung Gottes in Seinen Tagen zu achten und euch von den Lichtern führen zu lassen, die aufgingen und aufleuchteten über dem Horizonte eines strahlenden Himmels.
Ihr erforschtet nicht Seine Sache, wo dies zu tun doch besser für euch gewesen wäre als alles, was die Sonne bescheint - o könntet ihr es doch verstehen!
Ihr bliebt unachtsam, bis die Geistlichen Persiens, diese Grausanten, das Urteil über Ihn fällten und Ihn zu Unrecht töteten.
Sein Geist stieg zu Gott empor, und die Augen der Bewohner des Paradieses und die Engel, die Ihm nahe sind, weinten schmerzlich über diese Grausamkeit.
Hütet euch, weiterhin so nachlässig zu sein, wie ihr es ehedem wart.
So kehrt denn zu Gott zurück, eurem Schöpfer, und gesellt euch nicht zu den Achtlosen ...
Mein Antlitz kam aus den Schleiern hervor und goß seine Strahlen auf alles, was im Himmel und auf Erden ist.
Dennoch habt ihr euch Ihm nicht zugewandt, obwohl ihr für Ihn geschaffen seid, o ihr Könige!
Befolgt daher, was Ich euch sage, hört darauf mit euren Herzen und gehört nicht zu denen, die sich abgewandt haben.
Denn euer Ruhm besteht nicht in eurer Herrschaft, sondern wielmehr in eurer Nähe zu Gott und im Befolgen Seines Gebotes, wie es in Seinen heiligen und verwahrten Tablets herniedergesandt wurde.
Sollte einer von euch über die ganze Erde herrschen und über alles, was darinnen und darauf besteht, ihre Meere, ihre Länder, ihre Berge und ihre Ebenen, und doch nicht von Gott erwähnt werden, so würde ihm all dies nichts nützen - o könntet ihr es doch erkennen!...
So erhebt euch denn, seid standhaft, macht wieder gut, was euch entgangen ist, und geht Seinem heiligen Hofe, am Strande Seines mächtigen Ozeans, entgegen, auf daß die Perlen der Erkenntnis und Weisheit, die Gott für euch in der Hülle Seines strahlenden Herzens aufgespeichert hat, euch offenbart werden mögen ...
Hütet euch, daß ihr den Odem Gottes nicht hindert, über eure Herzen zu wehen, den Odem, durch welchen die Herzen derer, die sich Ihm zugewandt haben, lebendig gemacht werden können ..."
+7:2 #46
"Legt die Gottesfurcht nicht ab, o Könige der Erde", hat Er in demselben Tablet geoffenbart, "und hütet euch, die Grenzen zu überschreiten, die der Allmächtige bestimmt hat. Befolgt, was Er euch in Seinem Buche eingeschärft hat, und gebt wohl acht, dessen Schranken nicht zu übertreten. Seid wachsam, daß ihr niemandem ein Unrecht zufügt, und sei es auch so klein wie ein Senfkorn. Beschreitet den Pfad der Gerechtigkeit, denn dieser, wahrlich, ist der gerade Pfad. Legt eure Streitigkeiten bei und setzt eure Kriegsrüstung herab, so daß die Last eurer Ausgaben erleichtert und eure Gemüter und Herzen beruhigt werden. Heilt die Zwistigkeiten, die euch zerspalten, und ihr werdet nicht länger Kriegsrüstungen benötigen, ausgenommen, was der Schutz eurer Städte und Gebiete erfordert. Fürchtet Gott und gebt acht, nicht über die Grenzen der Mäßigung hinauszugehen und zu den Unbesonnenen gezählt zu werden. Wir haben erfahren, daß ihr jedes Jahr eure Ausgaben wermefirt und die Lasten dafür euren Untertanen aufbürdet. Dies, wahrlich, ist mehr, als sie tragen können, und eine drückende Ungerechtigkeit. Entscheidet gerecht zwischen den Menschen und seid die Symbole der Gerechtigkeit unter ihnen. Dies ist, wenn ihr ehrlich urteilt, was euch geziemt und was eurer Stufe angemessen ist.
+7:3 #47
Hütet euch, ungerecht zu handeln an jemandem, der euch anruft und unter eurem Schutze steht. Wandelt in der Furcht Gottes und seid unter denen, die ein Gott gefälliges Leben führen. Verlaßt euch nicht auf eure Macht, eure Waffen und Schätze. Setzt euer ganzes Vertrauen und eure Zuwersicht in Gott, der euch erschaffen hat, und sucht Seine Hilfe in allen euren Angelegenheiten. Beistand kommt von Ihm allein. Er hilft, wem Er will, mit den Heerscharen der Himmel und der Erde.
+7:4
Wißt, daß die Armen das Pfand Gottes in eurer Mitte sind, Seid achtsam, daß ihr Sein Pfand nicht weruntreut, daß ihr nicht ungerecht an ihnen handelt und daß ihr nicht auf den Wegen der Verräter wandelt. Ihr werdet ganz sicherlich zur Rechenschaft über Sein Pfand gerufen werden an dem Tage, da die Waage der Gerechtigkeit aufgestellt ist, an dem Tage, da jedermann das seinige zugeteilt wird, da die Taten aller Menschen, ob reich oder arm, gewogen werden.
+7:5 #48
Wenn ihr den Ratschlägen, die Wir in unvergleichlicher und unzweideutiger Sprache in diesem Tablet geoffenbart haben, keine Beachtung schenkt, dann wird von allen Seiten göttliche Züchtigung über euch kommen, und der Urteilsspruch Seiner Gerechtigkeit wird gegen euch verkündet werden. An jenem Tage werdet ihr keine Macht haben, Ihm zu widerstehen, und ihr werdet eure eigene Ohnmacht erkennen. Habt Erbarmen mit euch selbst und mit denen, die euch unterstellt sind, und richtet sie nach den von Gott in Seinem heiligsten und erhabenen Tablet verordneten Geboten, einem Tablet, in dem Er allem und jedem Sein das festgesetzte Maß zugewiesen hat, in dem Er deutlich eine Erklärung aller Dinge gegeben hat, die in sich selbst schon eine Ermahnung ist an alle, die an Ihn glauben.
+7:6
Prüft Unsere Sache, erforscht die Dinge, die Uns befallen haben, entscheidet gerecht zwischen Uns und Unseren Feinden und gesellt euch zu jenen, die gegen ihre Nächsten unparteiisch handeln. Wenn ihr dem Unterdrücker nicht in den Arm fallt, wenn ihr versäumt, die Rechte der Niedergetretenen zu schützen, welches Recht habt ihr dann, euch unter den Menschen zu rühmen? Wessen könnt ihr euch mit Recht preisen? Ist es euer Essen und Trinken, auf das ihr sto!z seid, sind es die Reichtümer, die in euren Schatzkammern lagern, die Buntheit und der Wert des Schmuckes, mit dem ihr euch bedeckt? Wenn wahrer Ruhm im Besitz solch vergänglicher Dinge bestünde, dann mußte notwendigerweise die Erde, auf der ihr wandelt, sich vor euch rühmen, denn sie versorgt und beschenkt euch nach dem Ratschluß des Allmächtigen gerade mit diesen Dingen. In ihrem Innern ist alles, was ihr besitzt, enthalten, so wie Gott es werordnet hat. von ihr leitet ihr eure Reichtümer als ein Zeichen Seiner Gnade her. So schaut denn euren Zustand, dessen ihr euch so rühmt. Könntet ihr ihn doch erkennen! Nein, bei Ihm, der das Königreich der ganzen Schöpfung in Seiner Gewalt hält! Euer wahrer und dauernder Ruhm liegt nur in eurem Festhalten an den Geboten Gottes, im Befolgen Seiner Gesetze aus ganzem Herzen, in eurem Entschluß, sie erfüllt zu sehen und unbeirrt den rechten Weg zu wandeln ..."
+7:7 #49
Und wiederum im selben Tablet: "Zwanzig Jahre sind verronnen, o Könige, während derer Wir jeden Tag die herben Qualen einer neuen Trübsal empfunden haben. Keiner vor Uns hat das erduldet, was Wir erduldet haben. Könntet ihr es doch fassen! Die sich gegen Uns erhoben, haben Uns hingerichet, Unser Blut vergossen, Unseren Besitz geplündert und Unsere Ehre verletzt. Obwohl der meisten Unserer Leiden gewahr, habt ihr es dennoch unterlassen, dem Angreifer in den Arm zu fallen. Ist es denn nicht eure klare Pflicht, der Tyrannei des Unterdrückers Einhalt zu gebieten und eure Untertanen unparteiisch zu behandeln, auf daß euer hoher Gerechtigkeitssinn der ganzen Menschheit voll bewiesen werde?"
+7:8
"Gott hat euren Händen die Zügel der Regierung des Volkes übergeben, daß ihr in Gerechtigkeit über die Menschen herrschen, die Rechte der Niedergetretenen schützen und die Übeltäter strafen möget. Wenn ihr die Pflicht vernachlässigt, die Gott euch in Seinem Buche vorgeschrieben hat, so werden eure Namen in Seinen Augen zu denen der Ungerechten gezählt werden. Schmerzlich, in der Tat, wird euer Irrtum für euch sein. Wollt ihr euch an das hängen, was euch eure Einbildung vorgespiegelt hat, und die Gebote Gottes, des Erhabensten, des Unerreichbaren, des Allbezwingers, des Allmächtigen, werwerfen? Werft die Dinge, die ihr besitzt, hinweg und haltet euch an das, was Gott euch zu tun geboten hat. Sucht Seine Gnade, denn wer sie sucht, der wandelt auf Seinem geraden Pfad."
+7:9
"Bedenkt den Zustand, in dem Wir Uns befinden, und betrachtet die Leiden und übel, mit denen Wir geprüft worden sind! Vernachlässigt Uns nicht, und sei es auch nur für einen Augenblick, und urteilt unparteiisch über Uns und Unsere Feinde! Dies wird sicherlich ein offenbarer Vorteil für euch sein. Also berichten Wir euch Unsere Geschichte und erzählen im einzelnen die Dinge, die Uns zugestoßen sind, damit ihr Unsere Leiden von Uns nehmen und Unsere Bürde erleichtern möget. Laßt den, der es will, Uns von Unserem Übel befreien, und was den betrifft, der nicht will -, Mein Herr ist sicherlich der Beste aller Helfer."
+7:10 #50
"Warne das Volk, o Diener, und mache es bekannt mit den Dingen, die Wir dir herabgesandt haben. Lasse dich durch die Furcht vor niemandem bestürzen und geselle dich nicht zu den Wankenden. Der Tag naht heran, da Gott Seine Sache erhöht und Sein Zeugnis verherrlicht haben wird vor den Augen aller, die in den Himmeln und auf Erden sind. Setze dein ganzes Vertrauen in allen Lebenslagen auf deinen Herrn, richte deinen Blick auf Ihn und wende dich ab von all denen, die Seine Wahrheit verschmähen. Lasse Gott, deinen Herrn, dir als Beistand und Helfer genügen. Wir haben gelobt, deinen Triumph auf Erden zu sichern und Unsere Sache über alle Menschen zu erheben, auch wenn kein König zu finden wäre, der dir seinen Blick zuwendete ..."
+7:11
Im Kitáb-i-Aqdas (dem Heiligsten Buche), dieser unsdiätzbaren Schatzkammer, die für alle Zeiten die hellsten Ausstrahlungen des Geistes Bahá'u'lláhs in sich birgt, der Charta seiner Weltordnung, dem Hauptverwahrungsort seiner Gesetze, dem Vorläufer seines Bündnisses, dem Hauptwerk, das einige seiner edelsten Ermahnungen, gewichtigsten Aussprüche und unheilverkündenden Prophezeiungen enthält, das geoffenbart wurde während der Hochflut seiner Trübsale, zu einer Zeit, da die Herrscher der Erde Ihn endgültig preisgegeben hatten - in einem solchen Buche lesen wir folgendes:
+7:12
"O Könige der Erde! Er, der höchste Herr über alle, ist gekommen. Das Reich ist Gottes, des allmächtigen Beschützers, des Selbstbestehenden. Betet niemanden an außer Gott und erhebt euer Angesicht mit strahlendem Herzen zu eurem Herrn, dem Herrn aller Namen. Dies ist eine Offenbarung, welcher nichts, was immer ihr besitzt, gleichgestellt werden kann - könntet ihr es doch erkennen! Wir sehen, daß ihr euch über das freut, was ihr von anderen angesammelt habt und das euch ausschließt von den Welten, die nichts außer Meinem Verwahrten Tablet ermessen kann. Die Schätze, die ihr gesammelt habt, lenken euch weit ab von eurem letzten Ziel. Dies ziemt euch schlecht - o könntet ihr das doch verstehen! Reinigt eure Herzen Von allen irdischen Verunreinigungen und eilt, einzutreten in das Königreich eures Herrn, des Schöpfers von Erde und Himmel, der die Welt erzittern und alle ihre Völker wehklagen ließ, ausgenommen jene, die auf alle Dinge Gerzichtet haben und sich an dem festhielten, was im Verborgenen Tablet verordnet wurde."
+8 #51
Das Größte Gesetz geoffenbart
Und weiterhin: "O Könige der Erde! Das Größte Gesetz ist an diesem Ort geoffenbart worden, auf diesem Schauplatz höchsten Glanzes. Alles Verborgene ist ans Licht gebracht worden kraft des Willens des Höchsten Gesetzgebers, Dessen, der die letzte Stunde angekündigt hat, durch welchen der Mond gespalten und jeder unwiderruflicfie Befehl gedeutet worden ist."
+8:2
"Ihr seid nur Vasallen, o Könige der Erde. Er, der König der Könige, ist im Gewande Seiner wunderbarsten Herrlichkeit erschienen und lädt euch vor sich, den Helfer in der Gefahr, den Selbstbestehenden. Hütet euch, daß euch nicht der Hochmut davon abhalte, den Quell der Offenbarung zu erkennen, daß die Dinge dieser Welt euch nicht wie mit einem Schleier von Ihm, dem Schöpfer des Himmels, ausschließen. Erhebt euch und dient Ihm, der Sehnsucht aller Völker, der euch durch ein Wort erschuf und verordnete, daß ihr für alle Zeiten die Wahrzeichen Seiner Herrschaft sein sollt."
"Bei der Gerechtigkeit Gottes! Es ist nicht Unser Wunsch, Hand an eure Königreiche zu legen. Unsere Bestimmung ist, die Herzen der Menschen zu ergreifen und zu besitzen. Auf sie sind die Augen Bahás gerichtet. Dies bezeugt das Königreich der Namen - könntet ihr es doch verstehen! Wer seinem Herrn nachfolgt, wird der Welt und allem, was darinnen ist, entsagen. Wieviel größer muß dann die Loslösung Dessen sein, der eine so erhabene Stufe innehat! Verlaßt eure Paläste und eilt, Einlaß in Sein Königreich zu gewinnen. Dies wird euch in dieser und in der nächsten Welt von Nutzen sein. Das bezeugt der Herr des Reiches in der Höhe - würdet ihr es doch erkennen!"
+8:3 #52
"Wie groß ist die Glückseligkeit, die den König erwartet, der sich erheben wird, Meiner Sache in Meinem Königreich zu helfen, und der sich von allem außer Mir loslösen wird! Solch ein König wird zu den Gefährten der Roten Arche gezählt, der Arche, die Gott dem Volk von Bahä bereitet hat. Alle müssen seinen Namen werherrlichen, seine Stufe ehren und ihm helfen, die Städte aufzuschließen mit den Schlüsseln Meines Namens, des allmächtigen Beschützers aller, die die sichtbaren und unsichtbaren Reiche bewohnen. Solch ein König ist das wahre Auge der Menschheit, der leuchtende Schmuck auf der Stirne der Schöpfung, der Urquell von Segnungen für die ganze Welt. O Volk von Bahá, opfere deinen Besitz, ja selbst dein Leben, um ihm beizustehen."
+8:4
Und weiterhin die offensichtliche Anklage in jenem selben Buch: "Wir haben nichts von euch erbeten. Wahrlich, um der Sache Gottes willen ermahnen Wir euch und werden Wir Uns gedulden, wie Wir es in dem taten, was Uns in euren Händen, o Schar der Könige, befallen hat!"
+8:5
In seinem Tablet an Königin Viktoria redet Bahá'u'lláh darüber hinaus alle Könige der Erde an und fordert sie auf, sich an den Geringeren Frieden zu halten; dieser ist vom Größten Frieden zu unterscheiden, der nur von allen jenen, die sich der Macht seiner Offenbarung voll bewußt sind und die sich offen zu den Grundsätzen seines Glaubens bekennen, verkündet werden kann und schließlich errichtet werden muß:
+8:6 #53
"O Könige der Erde! Wir sehen euch jedes Jahr eure Ausgaben wermehren und deren Lasten euren Untertanen aufbürden. Das ist, wahrlich, ungerecht. Fürchtet die Seufzer und Tränen dieses Unterdrückten und ladet nicht übermäßige Lasten auf eure Völker. Beraubt sie nicht, um für euch selbst Paläste zu errichten. Nein, wählt vielmehr für sie das, was ihr für euch selbst wählt. So entrollen Wir vor euren Augen das, was euch nützt - würdet ihr es doch erkennen! Eure Völker sind eure Schätze. Hütet euch, durch eure Herrschaft die Gebote Gottes zu verletzen und eure Mündel den Händen der Räuber auszuliefern! Durch sie herrscht ihr, durch sie besteht ihr, mit ihrer Hilfe siegt ihr. Und doch, wie verächtlich schaut ihr auf sie herab! Wie seltsam, wie höchst seltsam!"
+8:7
"Nun, da ihr den Größten Frieden zurückgewiesen habt, haltet euch an den Geringeren Frieden, auf daß ihr wenigstens einigermaßen eure eigene Lage und die der von euch Abhängigen bessern möget."
+8:8
"O Herrscher der Erde! Versöhnt euch miteinander, so daß ihr nicht mehr Kriegsrüstungen benötigt, als dem Schutze eurer Gebiete und Länder angemessen ist. Hütet euch, den Rat des Allwissenden, des Glaubwürdigen zu mißachten."
+8:9
"Seid einig, o Könige der Erde, denn dadurch wird der Sturm des Haders gestillt und eure Völker finden Ruhe - wenn ihr doch unter denen wäret, die das verstehen! Sollte einer unter euch gegen einen anderen die Waffen ergreifen, so erhebt euch alle gegen ihn, denn dies ist nichts als offenbare Gerechtigkeit."
+8:10
An die christlichen Könige richtet Bahá'u'lláh des weiteren besondere Worte des Tadels und erschließt in unmißverständlicher Sprache die wahre Wesensart seiner Offenbarung:
+8:11
"O Könige der Christenheit! Hörtet ihr nicht die Worte Jesu, des Geistes Gottes: 'Ich gehe von hinnen und komme wieder zu euch?' Warum also versäumtet ihr, Ihm zu nahen, als Er in den Wolken des Himmels zu euch wiederkam, auf daß ihr Sein Antlitz schautet und zu denen gehörtet, die in Seine Gegenwart gelangen? An einer anderen stelle sagt Er: 'Wenn Er, der Geist der Wahrheit, kommt, wird Er euch in alle Wahrheit leiten.' Und doch - seht, was geschah: Als Er die Wahrheit brachte, weigertet ihr euch, das Angesicht Ihm zuzuwenden, und verharrtet dabei, euch mit euren Zerstreuungen und Phantastereien zu vergnügen. Ihr botet Ihm kein Willkommen noch suchtet ihr Seine Gegenwart, um die Verse Gottes aus Seinem eigenen Munde zu hören und teilzuhaben an der vielfältigen Weisheit des Allmächtigen, des Allherrlichen, des Allweisen. Ihr habt durch euer Versäumnis den Atem Gottes nicht über euch wehen lassen und habt eure Seelen der Süße Seiner Düfte beraubt. Ihr streift weiterhin mit Ergötzen im Tale eurer lasterhaften Wünsche umher. Ihr selbst und alles, was ihr besitzt, wird vergehen. Wahrlich, ihr werdet zu Gott zurückkehren und zur Rechenschaft gerufen werden für eure Taten in der Gegenwart Dessen, der die ganze Schöpfung versammeln wird ..."
+8:12 #54
Der Báb hat des weiteren im Qayyúmu'l-Asmá', seinem berühmten Kommentar der Súrih Joseph, offenbart im ersten Jahr seiner Sendung und von Bahá'u'lláh als "das erste, das größte und mächtigste aller Bücher" der Bábí-Sendung bezeichnet, den aufrüttelnden Ruf an die Könige und Fürsten der Erde ergehen lassen:
+8:13
"O ihr Könige und Königssöhne! Legt allesamt eure Herrschaft, die Gott gehört, beiseite ... Eitel fürwahr ist eure Herrschaft, denn Gott hat den irdischen Besitz derer, die Ihn verleugnet haben, verworfen ... O ihr Könige! Übergebt in Treue und in aller Eile die von Uns herabgesandten Verse den Völkern der Türkei und Indiens, und darüber hinaus, mit Macht und in Treue, den Ländern des Ostens und des Westens ... Bei Gott! Wenn ihr recht handelt, so handelt ihr recht zu eurem eigenen Nutzen, und wenn ihr Gott und Seine Zeichen leugnet, so können Wir, die Wir Gott haben, wahrlich alle Geschöpfe und jegliche irdische Herrschaft wohl entbehren."
+8:14 #55
Und wiederum: "Fürchtet Gott, o ihr Könige, auf daß ihr nicht Ihm fern bleibt, der Seine Erwähnung ist (der Báb), nachdem nun die Wahrheit unter euch gekommen ist mit einem Buch und mit Zeilen von Gott, wie es durch die wunderbare Zunge dessen, der Seine Erwähnung ist, ausgesprochen wurde. Sucht Gnade bei Gott; denn Gott hat euch, wenn ihr an Ihn glaubt, einen Garten bestimmt, dessen Weite wie die Weite des ganzen Paradieses ist."
+8:15
So viel von den epochemachenden Ratschlägen und Warnungen, die der Báb und Bahá'u'lláh an die Herrscher der Erde insgesamt und an die Könige der Christenheit im besonderen gerichtet haben. Ich würde meinem Thema nicht gerecht werden, wollte ich die kühnen, schicksalschweren Botschaften an die einzelnen Monarchen, die, als Könige oder Kaiser, die Trübsale der beiden Begründer unseres Glaubens mit kalter Gleichgültigkeit betrachtet oder Ihre Warnungen mit Verachtung verworfen haben, übergehen oder nur kurz behandeln. Ich kann weder so vollständig, wie ich sollte, aus den zweitausend und mehr Versen zitieren, die aus der Feder von Bahá'u'lláh und, in geringerem Maße, aus der des Báb geströmt sind und an die einzelnen Monarchen in Europa und Asien gerichtet waren, noch ist es mein Plan, mich weitläufig über die Umstände auszulassen, welche jene erstaunlichen Aussprüche hervorgerufen haben, oder über die Folgen, die daraus entstanden. Der Geschichtsschreiber der Zukunft, der in weiterem Abstand und mit besserem Überblick die schicksalschweren Ereignisse des Heroischen und des Gestaltgebenden Zeitalters des Glaubens von Bahá'u'lláh betrachten kann, wird zweifellos imstande sein, die Ursachen, Verwicklungen und Auswirkungen dieser göttlichen Botschaften genau einzuschätzen und eingehend zu beschreiben, sie haben in ihrer Reichweite und ihrer Wirkungskraft sicherlich nicht ihresgleichen in den religiösen Annalen des Menschengeschlechtes.
+8:16 #56
An Kaiser Napoleon III. richtete Bahá'u'lláh folgende Worte: "O König von Paris!
Sage den Priestern, sie sollen die Glocken nicht länger läuten.
Bei Gott, dem Wahren!
Die Mächtigste Glocke ist in der Gestalt des Größten Namens erschienen, und die Finger des Willens deines Herrn, des Hocherhabenen, des Höchsten, schwingen sie weit im Himmel der Unsterblichkeit in Seinem Namen, dem Allherrlichen.
So sind die mächtigen Verse deines Herrn aufs neue zu dir herabgesandt worden, auf daß du dich erheben mögest, Gottes zu gedenken, des Schöpfers von Himmel und Erde, in diesen Tagen, da alle Geschlechter der Erde trauern, die Grundmauern der Städte erzittern und der Staub des Unglaubens alle Menschen einhüllt, ausgenommen solche, die dein Herr, der Allwissende, der Allweise, zu verschonen gewillt war ...
Lausche, o König, der Stimme, die aus dem Feuer ruft, das in diesem frisch grünenden Baume brennt, auf diesem Sinai, der über dem geheiligten, schneeweißen Orte, jenseits der ewigen Stadt, erhoben wurde: `Wahrlich, es gibt keinen anderen Gott außer Mir, dem EwigGergebenden, dem Barmherzigsten!` Wahrlich, Wir haben Ihn gesandt, dem Wir beistanden mit dem Heiligen Geiste (Jesus), daß Er euch dieses Licht ankünde, das am Horizonte des Willens eures Herrn, des Erhabensten, des Allherrlichen, erschien, dessen Zeichen im Westen geoffenbart wurden, auf daß ihr euer Angesicht Ihm (Bahá'u'lláh) zuwenden möget an diesem Tage, den Gott erhöht hat über alle anderen Tage und an welchem der Allbarmherzige Seinen strahlenden Glorienglanz auf alle ergoß, die im Himmel und auf Erden sind.
Erhebe dich, um Gott zu dienen und Seiner Sache beizustehen.
Er wird dir wahrlich beistehen mit den Heerscharen des Sichtbaren und des Unsichtbaren und dich zum König über alles, was die Sonne bescheint, einsetzen.
Dein Herr ist der Allgewaltige, der Allmächtige .., Schmücke deinen Tempel mit der Zier Meines Namens, deine Zunge mit Meiner Erwähnung und dein Herz mit der Liebe zu Mir, dem Allmächtigen, dem Höchsten.
Wir haben nichts für dich gewünscht als das, was besser für dich ist als dein Besitz und alle Schätze der Erde.
Dein Herr, wahrlich, weiß darum, und Er kennt alles ..."
+8:17 #57
"O König!
Wir hörten die Worte, die du dem Zaren von Rußland als Antwort gabst, deinen Entschuß zum Krieg (Krimkrieg) betre ffend.
Dein Herr, wahrlich, wei ß dies, und Er kennt alles.
Du sagtest: `Ich lag schlafend auf meinem Bette, als der Schrei der Unterdrückten, die im Schwarzen Meer ertranken, mich weckte.` Dies hörten Wir dich sagen, und wahrlich, dein Herr ist Zeuge dessen, was Ich sage.
Wir bezeugen, daß das, was dich weckte, nicht ihr Schrei war, sondern die Einflüsterungen deiner eigenen Leidenschaften.
Denn Wir prüften dich und fanden dich mangelhaft.
Erfasse die Bedeutung Meiner MWorte und sei einer der Einsichtsvollen ...
Wärest du aufrichtig gewesen in deinen Worten, so hättest du das Buch Gottes nicht beiseite geworfen, als es dir zugesandt wurde von Ihm, dem Allmächtigen, dem Allweisen.
Wir haben dich damit geprüft und fanden dich anders, als du vorgibst.
Erhebe dich und suche nachzuholen, was du versäumt hast.
Binnen kurzem werden die Welt und all dein Besitz untergehen, und das Reich wird Gottes bleiben, deines Herrn und des Herrn deiner Väter.
Es geziemt dir nicht, deine Angelegenheiten nach den Befehlen deiner Wünsche zu führen.
Fürchte die Seufzer dieses Unterdrückten und schirme Ihn vor den Speeren der Ungerechten.
Für das, was du getan hast, wird dein Reich in Verwirrung gestürzt werden, und dein Kaiserreich wird deinen Händen entgleiten zur Strafe für das, was du begonnen hast.
Dann wirst du erkennen, wie sehr du dich geirrt hast.
Aufruhr wird das ganze Volk jenes Landes ergreifen, es sei denn, du hilfst dieser Sache und folgst Ihm, dem Geist Gottes (Jesus), auf diesem, dem geraden Pfade.
Hat dein Pomp dich stolz gemacht?
Bei Meinem Leben!
Er wird nicht on Dauer sein, nein, er wird bald dahinschwinden, es sei denn, du hältst dir standhaft an dieses feste Seil, wir sehen Erniedrigung dich verfolgen, während du einer der Achtlosen bist ... überlasse deine Paläste den Leuten der Gräber und dein Kaiserreich jedem, der es begehrt, und tuende dich dann dem Reiche Gottes zu.
Dies, wahrlich, ist es, was Gott für dich erwählt hat - wärest du doch einer von denen, die sich Ihm zuwenden ...
Solltest du wünschen, die Last deiner Herrschaft zu tragen, so trage sie denn, um der Sache deines Herrn beizustehen.
Gepriesen sei diese Stufe, auf der jeder, der sie erreicht, zu allem Heil gelangt ist, das von Ihm, dem Allwissenden, dem Allweisen, ausgeht ...
Frohlockst du über die Schätze, die du besitzest, wo du doch weißt, daß sie vergehen werden?
Freust du dich darüber, daß du eine Spanne Erde beherrschst, während die ganze Welt nach Ansicht des Volkes von Bahá so viel wert ist, wie das Schwarze im Auge einer toten Ameise?
Überlasse sie denen, die ihr Herz an sie gehängt haben, und wende dich Ihm zu, der die Sehnsucht der Welt ist.
Wohin sind die Stolzen und ihre Paläste gekommen?
Blicke in ihre Gräber, damit du aus diesem Beispiel lernst, denn Wir haben es als Lehre für jeden Betrachter angeführt.
Würde der Odem der Offenbarung dich berühren, so würdest du die Welt fliehen und dich dem Reiche Gottes zuwenden und alles hergeben, was du besitzest, um dieser erhabenen Schau nahe zu kommen."
+9 #58
Dem Papste geoffenbart
Papst Pius IX, offenbarte Bahá'u'lláh das Folgende: "O Papst! Zerreiße die Schleier! Er, der Herr der Herren, ist gekommen, von Wolken überschattet, und der Ratschluß ist erfüllt worden durch Gott, den Allmächtigen, den Unendlichen ... Wahrlich, Er ist wieder vom Himmel herniedergekommen, wie Er von dort zum ersten Male herniedergekommen war. Hüte dich, mit Ihm zu streiten, wie es die Pharisäer mit Ihm (Jesus) taten ohne ein klares Zeichen oder einen Beweis. Zu Seiner Rechten strömen die lebendigen Wasser der Gnade und zu Seiner Linken der auserlesene Wein der Gerechtigkeit, während vor Ihm die Engel des Paradieses einhergehen und das Banner seiner Zeichen tragen. Hüte dich, daß dich nicht irgendein Name von Gott ausschließe, dem Schöpfer von Himmel und Erde. Lasse die Vielt hinter dir und wende dich deinem Herrn zu, durch welchen die ganze Erde erleuchtet worden ist ... Wohnst du in Palästen, während Er, der König der Offenbarung, in der trostlosesten Behausung lebt? Überlasse sie denen, die sie begehren, und wende dein Antlitz mit Freude und Wonne dem Reiche Gottes zu ... Erhebe dich im Namen deines Herrn, des Gottes der Barmherzigkeit, inmitten der Völker der Erde und ergreife den Kelch des Lebens mit den Händen des Vertrauens; trinke du zuerst davon und biete ihn sodann solchen an, die sich Ihm inmitten der Völker allen Glaubens zuwenden ..."
+9:2 #59
"Rufe dir Ihn, den Geist (Jesus), ins Gedächtnis zurück, wie bei Seinem Kommen die Gelehrtesten Seiner Zeit in Seinem eigenen Lande das Urteil gegen Ihn fällten, während einer, der nur ein Fischer war, an Ihn glaubte. Gebt darum acht, ihr Menschen mit einsichtswollen Herzen! Du bist in Wahrheit eine der Sonnen am Himmel Seiner Namen. Hüte dich, daß die Finsternis nicht ihre Schleier über dich breite und dich fernab von Seinem Lichte verhülle ... Betrachte jene, die sich dem Sohne (Jesus) widersetzten, als Er zu ihnen mit Macht und Herrschaft kam. Wie viele von den Pharisäern warteten darauf, Ihn zu schauen, und wehklagten, weil sie von Ihm getrennt waren! Und doch, als der Duft Seines Kommens über sie wehte und Seine Schönheit sich enthüllte, da wandten sie sich von Ihm ab und stritten mit Ihm ... Keiner, außer ganz wenigen, die jeglicher Macht bei den Menschen ermangelten, wandte sich Seinem Antlitz zu. Heute aber ist jeder mit Macht ausgestattete und mit Herrschaft bekleidete Mensch stolz auf Seinen Namen.' Ebenso beachte, wie zahlreich heutzutage die Mönche sind, die sich in Meinem Namen in ihren Kirchen abgeschlossen haben und die, als die festgesetzte Zeit erfüllt war und Wir Unsere Schönheit enthüllten, Uns nicht erkannten, obwohl sie zur Abendzeit und zur Morgendämmerung nach Mir rufen ..."
+9:3 #60
"Das Wort, das der Sohn werbarg, ist offenbar geworden. Es wurde in Gestalt des Menschentempels am heutigen Tage herabgesandt. Gesegnet sei der Herr, welcher der Vater ist! Wahrlich, Er ist zu den Völkern in Seiner größten Majestät gekommen. Wende dein Angesicht Ihm zu, o Schar der Rechtschaffenen! ... Dies ist der Tag, da der Fels (Petrus) ausruft und jauchzt und den Lobpreis seines Herrn, des Allbesitzenden, des Höchsten, verherrlicht mit den Worten: `Seht, der Vater ist gekommen, und was euch werheißen ward in Seinem Reich ist erfüllt! ...` Mein Leib sehnt sich nach dem Kreuze, und Mein Haupt erwartet den Wurf des Speeres auf dem Pfade des Allbarmherzigen, auf daß die Welt von ihren Übertretungen geläutert werde ..."
+9:4
"O höchster Priester!
Neige dein Ohr dem zu, was der Gestalter modernden Gebeins dir rät, wie es von Ihm, der Sein Größter Name ist, verkündet wird.
Verkaufe den reich werzierten Kirchenschmuck, den du besitzest, und opfere ihn auf dem Pfade Gottes, der die Nacht auf den Tag und den Tag auf die Nacht folgen läßt.
Übergib dein Königreich den Königen und tritt hervor aus deiner Wohnung, dein Angesicht zum Reich Gottes erhoben, dann verkünde, losgelöst von der Welt, das Lob deines Herrn zwischen Erde und Himmel.
Dies gebot dir Er, der Besitzer aller Namen, von seiten deines Herrn, des Allmächtigen, des Allwissenden.
Ermahne die Könige und sprich: `Verfahrt gerecht mit den Menschen.
Hütet euch, die im Buche festgesetzten Grenzen zu überschreiten.` Dies, wahrlich, geziemt dir.
Hüte dich, dir die Dinge der Welt und ihre Reichtümer anzueignen.
Überlasse sie denen, die sie begehren, und habe fest an dem, was dir von Ihm, dem Herrn der Schöpfung, befohlen ist.
Sollte irgend jemand dir alle Schätze der Erde anbieten, so gönne ihnen nicht einmal einen Blick.
Sei so, wie dein Herr gewesen ist.
Also hat die Zunge der Offenbarung ausgesprochen, was Gott zum Schmucke des Buches der Schöpfung gemacht hat ...
Sollte die Trunkenheit des Weines Meiner Verse dich überkommen, und solltest du dich entschließen, vor dem Throne deines Herrn, des Schöpfers von Himmel und Erde zu erscheinen, so mache Meine Liebe zu deinem Gewande, Meine Erwähnung zu deinem Schilde und dein Vertrauen auf Gott, den Offenbarer aller Macht, zu deiner Wegzehrung.
Wahrlich, der Tag der Ernte ist gekommen, und alle Dinge sind voneinander geschieden worden.
Er hat das, was Er wollte, in den Gefäßen der Gerechtigkeit werwahrt und hat ins Feuer geworfen, was diesem verfallen ist.
So ist es von deinem Herrn, dem Mächtigen, dem Liebevollen, an diesem verheißenen Tage beschlossen worden.
Wahrlich, Er verordnet, was Ihm gefällt.
Es gibt keinen anderen Gott außer Ihm, dem Allmächtigen, dem Allbezwingenden."
+9:5 #61
In dem an den Zaren von Rußland, Alexander II., gerichteten Tablet lesen wir: "O Zar von Rußland!
Neige dein Ohr der Stimme Gottes, des Königs, des Heiligen, und wende dich dem Paradiese zu, der Stätte, wo Er wohnt, der unter den himmlischen Scharen die erhabensten Titel trägt und dem im Reiche der Schöpfung der Name Gott, der Strahlende, der Glorreiche, beigelegt wird.
Hüte dich, daß dich deine Begierde nicht hindere, dich dem Angesichte deines Herrn, des Mitleidigen, des Barmherzigsten, zuzuwenden.
Wir haben wahrlich die Sache vernommen, um die du deinen Herrn in heimlicher Zwiesprache angefleht hast.
Darum wehten die Winde Meiner liebewollen Güte und wogte das Meer Meiner Barmherzigkeit, und Wir antworteten dir in Wahrheit.
Dein Herr ist der Allwissende, der Allweise.
Als Ich gefesselt und angekettet im Kerker lag, bot Mir einer deiner Gesandten seine Hilfe an.
Deshalb hat Gott einen Rang für dich werordnet, welchen keine Erkenntnis begreifen kann, ausgenommen Seine Erkenntnis.
Hüte dich, daß du diesen erhabenen Rang nicht verscherzest ...
Hüte dich, daß dich deine Herrschaft nicht von Ihm, dem höchsten Herrscher, fernhält.
Wahrlich, Er ist mit Seinem Reiche gekommen, und alle Atome rufen laut: `Seht, der Herr ist in Seiner erhabenen Majestät gekommen!` Er, der Vater, ist gekommen, und der Sohn (Jesus) im heiligen Tale ruft aus: `Hier bin Ich, hier bin Ich, o Herr, Mein Gott!`, während der Sinai das Haus umkreist und der brennende Busch laut ausruft: `Der Freigebigste ist gekommen auf den Wolken thronend!
Gesegnet ist, wer sich Ihm nähert, und wehe denen, die weit entfernt sind!`"
+9:6 #62
"Erhebe dich inmitten der Menschen im Namen dieser allbezwingenden Sache und rufe sodann die Nationen zu Gott, dem Erhabenen, dem Großen. Gehöre nicht zu denen, die Gott bei einem Seiner Namen angerufen haben, die aber, als Er, der Gegenstand aller Namen, erschien, Ihn verleugneten, sich von Ihm abwandten und schließlich mit offenbarer Ungerechtigkeit das Urteil über Ihn fällten. Bedenke und rufe dir die Tage ins Gedächtnis zurück, da der Geist Gottes (Jesus) erschien und Herodes das Urteil über Ihn sprach. Gott aber half Ihm mit den unsichtbaren Heerscharen, beschützte Ihn in Wahrheit und sandte Ihn nach Seiner Verheißung in ein anderes Land. Wahrlich, Er werordnet, was Ihm gefällt. Dein Herr behütet sicher, wen Er will, sei er auch in der Mitte der Meere oder im Bauch der Schlange oder unter dem Schwerte des Tyrannen ..."
+9:7
"Wiederum sage Ich: Höre auf Meine Stimme, die aus Meinem Gefängnis ruft, daß sie dir künde, was Meiner Schönheit widerfahren ist von der Hand derer, die dadurch Meine Herrlichkeit offenbaren, und damit du verstehen mögest, wie groß Meine Geduld gewesen ist, ungeachtet Meiner Macht, und wie unermeßlich Meine Nachsicht, ungeachtet Meiner Stärke. Bei Meinem Leben! Könntest du nur die Dinge erkennen, die durch Meine Feder herabgesandt wurden, und die Reichtümer Meiner Sache entdecken und die Perlen Meiner Geheimnisse, welche in den Meeren Meiner Namen und in den Bechern Meiner Worte verborgen liegen - du würdest in deiner Liebe zu Meinem Namen und in deiner Sehnsucht nach Meinem herrlichen und erhabenen Reich dein Leben auf Meinem Pfade hingeben. Wisse, daß, wenn auch das Schwert Meiner Feinde über Mir hängt und Meine Glieder von unermeßlichen Leiden befallen sind, Mein Geist doch von einer Freude erfüllt ist, womit alle Freuden der Erde nimmermehr verglichen werden können."
+9:8 #63
"Wende dein Herz Ihm, dem Ziel der Anbetung der Welt, zu und sprich:
O Völker der Erde!
Habt ihr Den verleugnet, auf dessen Pfad Er den Märtyrertod erlitt, der mit der Wahrheit kam und die Ankündigung eures Herrn, des Erhabenen, des Großen, überbrachte?
Sprich:
Dies ist eine Verkündigung, über die die Herzen der Propheten und Boten frohlockten.
Dies ist der Eine, dessen das Herz der Welt gedenkt und der in den Büchern Gottes, des Mächtigen, des Allweisen, verheißen ist.
Die Hände der Boten waren im Verlangen, Mir zu begegnen, zu Gott erhoben, dem Mächtigen, dem Verherrlichten . ..
Einige wehklagten über ihre Trennung von Mir, andere erduldeten Ungemach auf Meinem Pfade und wieder andere gaben ihr Leben hin um Meiner Schönheit willen - o könntet ihr das doch erkennen!
Sprich:
Ich habe wahrlich nicht danach getrachtet, Mich selbst zu rühmen, vielmehr Gott selbst tat es - würdet ihr doch gerecht urteilen!
Nichts kann in Mir gesehen werden außer Gott und Seiner Sache - könntet ihr es doch gewahr werden!
Ich bin Der, den die Zunge Jesajas pries, Der, mit dessen Namen sowohl die Thora wie das Evangelium geschmückt wurden ...
Gesegnet sei der König, dessen Herrschaft ihn nicht von seinem Herrscher fernhielt und der sich mit seinem Herzen Gott zuwandte.
Er, wahrlich, wird zu jenen gezählt, die das erreichten, was Gott, der Mächtige, der Allweise, wünschte.
Binnen kurzem wird sich ein solcher unter die Monarchen der Reiche des Königreiches eingereiht finden.
Dein Herr ist mächtig über alle Dinge.
Er gibt, was Er will, wem immer Er will, und versagt, was Ihm beliebt, wem immer Er will.
Er, wahrlich, ist der Allgewaltige, der Allmächtige!"
+9:9 #64
An Königin Viktoria schrieb Bahá'u'lláh: "O Königin in London! Neige dein Ohr der Stimme deines Herrn, des Herrn des ganzen Menschengeschlechts, die vom göttlichen Lotosbaum ruft: Wahrlich, es gibt keinen Gott außer Mir, dem Allmächtigen, dem Allweisen! Wirf alles hinweg, was auf Erden ist, und schmücke das Haupt deines Königreichs mit der Krone des Gedenkens deines Herrn, des Glorreichsten. Er, wahrlich, ist in die Welt in Seiner größten Herrlichkeit gekommen, und alles, was im EGangelium verkündet ist, hat sich erfüllt. Das Land Syrien ist geehrt worden durch die Fußspuren seines Herrn, des Herrn aller Menschen, und Nord und Süd sind beide trunken vom Wein Seiner Gegenwart. Gesegnet ist der Mensch, der den Duff des Barmherzigsten einatmete und sich dem Aufgangsort Seiner Schönheit in dieser strahlenden Morgendämmerung zuwandte. Die Moschee von Aqsá bebt im Windhauch ihres Herrn, des Allherrlichen, während Bathá (Mekka) vor der Stimme Gottes, des Erhabenen, des Höchsten, erzittert. Und so feiert jeder Stein von ihnen den Lobpreis des Herrn durch diesen großen Namen."
+9:10
"Gib dein Begehren auf und wende sodann dein Herz deinem Herrn, dem Altehrwürdigen der Tage, zu. Wir erwähnen dich um der Sache Gottes willen und wünschen, daß dein Name erhöht werde durch dein Gedenken an Gott, den Schöpfer Von Erde und Himmel. Er, wahrlich, ist Zeuge dessen, was Ich sage. Wir haben erfahren, daß du den Handel mit Sklaven, Männern sowohl wie Frauen, verboten hast. Wahrlich, dies ist, was Gott in Seiner wunderwollen Offenbarung zur Pflicht gemacht hat. Gott hat dir dafür eine Belohnung bestimmt. Er wird dem, der Gutes tut, seinen gerechten Lohn geben - möchtest du doch dem folgen, was dir zugesandt ward durch Ihn, den Allwissenden, den alles Durchschauenden. Was aber den betritt, der sich abwendet und sich vor Stolz bläht, nachdem klare Zeichen zu ihm gekommen sind von dem Offenbarer der Zeichen, dessen Werk wird Gott zunichte machen. Er, wahrlich, hat Gewalt über alle Dinge. Des Menschen Taten sind annehmbar, nachdem er (die Manifestation) anerkannt hat. Wer sich von dem Wahren abwendet, ist in der Tat am tiefsten unter Seinen Geschöpfen verschleiert. So ist es durch Ihn, den Allmächtigen, den Gewaltigsten, bestimmt worden."
+9:11 #65
"Wir haben auch gehört, daß du die Zügel der Beratung den Händen der Volksvertreter anwertraut hast. Du hast fürwahr gut daran getan, denn dadurch wird der Grund des Gebäudes deiner Angelegenheiten gestärkt und die Herzen aller, die unter deinem Schutze stehen, ob hoch oder niedrig, beruhigt werden. Es geziemt diesen jedoch, wertrauenswürdig zu sein unter Seinen Dienern und sich als die Vertreter aller zu betrachten, die auf Erden wohnen. Dies ist es, was Er ihnen in diesem Tablet rät, Er, der Herrscher, der Allweise ... Gesegnet ist, wer die Versammlung besucht um Gottes willen und aus reiner Gerechtigkeit zwischen den Menschen entscheidet. Er gehört fürwahr zu den Glückseligen ..."
+9:12
"Wende dich Gott zu und sprich: O mein höchster Herr! Ich bin nur Dein Vasall, und Du bist in Wahrheit der König der Könige. Ich habe meine flehenden Hände zum Himmel Deiner Gnade und Deiner Gaben erhoben. So sende denn herab auf mich aus den Wiolken Deiner Großmut, was mich von allem außer Dir befreien wird, und ziehe mich näher zu Dir hin. Ich bitte Dich, o mein Herr, bei Deinem Namen, den Du zum König der Namen gemacht hast und zu Deiner Offenbarung für alle, die im Himmel und auf Erden sind, zerreiße die Schleier, die zwischen mich und meine Erkenntnis des Aufgangsortes Deiner Zeichen und des Tagesanbruchs Deiner Offenbarung getreten sind. Du bist, wahrlich, der Mächtigste, der Gewaltigste, der Gütigste. O Herr, beraube mich nicht der Düfte des Gewandes Deiner Barmherzigkeit in Deinen Tagen und schreibe nieder für mich, was du für deine Dienerinnen niedergeschrieben hast, die an Dich und Deine Zeichen geglaubt und Dich erkannt und ihre Herzen dem Horizonte Deiner Sache zugewandt traben. Du bist wahrlich der Herr der Welten und der Barmherzigste derer, die Barmherzigkeit erzeigen. So stehe mir bei, o mein Gott, Deiner inmitten Deiner Dienerinnen zu gedenken und Deiner Sache in Deinen Ländern zu helfen. So nimm an, was mir entgangen ist, als das Licht Deines Antlitzes aufstrahlte. Du hast fürwahr die Macht über alle Dinge. Ruhm sei Dir, o Du, in dessen Hand das Reich der Himmel und der Erde ruht."
+9:13 #66
Im Kitáb-i-Aqdas, seinem heiligsten Buche, wendet sich Bahá'u'lláh an den deutschen Kaiser Wilhelm I.: "Sprich: O König von Berlin! Höre auf die Stimme, die aus diesem offenbaren Tempel ruft: Wahrlich, es gibt keinen Gott außer Mir, dem Immerwährenden, dem Unvergleichlichen, dem Altehrwürdigen der Tage. Hüte dich, daß dich nicht Stolz hindere, den Tagesanbruch göttlicher Offenbarung zu erkennen, daß irdische Wünsche dich nicht wie durch einen Schleier abschließen von dem Herrn des Thrones im Himmel und auf Erden hienieden. Dies rät dir die Feder des Höchsten. Er, wahrlich, ist der Gnadenvollste, der Gütigste. Denke an den (Napoleon III.), dessen Macht deine Macht überragte und dessen Rang deinen Rang übertraf. Wo ist er? Wohin ist entschwunden, was er besaß? Sei gewarnt und sei nicht einer der tief Schlafenden. Er warf das Tablet Gottes beiseite, als Wir ihm kundtaten, was die Scharen der Tyrannen Uns erdulden ließen. Darum überfiel ihn Unglück von allen Seiten, und er starb in großem Verlust. Denke gut über ihn nach, o König, und über solche, die gleich dir Städte erobert und über Menschen geherrscht haben. Der Barmherzigste brachte sie herab von ihren Palästen in das Grab. Sei gewarnt! Sei einer von denen, die überlegen!"
+9:14
Und weiterhin in diescm gleichen Buch diese auffallende Weissagung: "O Ufer des Rheins! Wir haben euch mit Blut bedeckt gesehen; denn die Schwerter der Vergeltung wurden gegen euch gezückt; und es soll noch einmal geschehen. Und Wir hören das Wehklagen Berlins, obgleich es heute in sichtbarem Ruhme strahlt."
+9:15 #67
Ebenfalls im Kitáb-i-Aqdas sind folgende an Kaiser Franz Joseph gerichtete Worte verzeichnet: "O Kaiser von Österreich! Er, der Tagesanbruch des göttlichen Lichtes, weilte im Gefängnis Von 'Akká zu der Zeit, da du dich aufmachtest, die AqsáMoschee (in Jerusalem) zu besuchen. Du zogst an Ihm worüber und forschtest nicht nach Ihm, durch den jedes Haus erhöht und jede erhabene Pforte geöffnet wurde. Wir, wahrlich, machten es (Jerusalem) zu einem Platz, wohin die Welt sich wenden soll, um Meiner zu gedenken. Doch du hast Ihn, das Ziel dieses Gedenkens, verschmäht, als Er erschien mit dem Reiche Gottes, deines Herrn und des Herrn der Welten. Wir sind allezeit mit dir gewesen und fanden dich an einen Zweig geklammert, der Wurzel nicht achtend. Wahrlich, dein Herr ist Zeuge dessen, was Ich sage. Wir waren bekümmert, dich um Unseren Namen kreisen zu sehen, ohne Unser gewahr zu werden, obgleich Wir vor deinem Angesicht waren. Öffne deine Augen, diese herrliche Erscheinung zu betrachten und Ihn, den du des Tages und zur Nachtzeit anrufst, zu erkennen und das Licht zu erschauen, das von diesem Horizont ausstrahlt."
+9:16
In der Súriy-i-Mulúk wird Sultán 'Abdu'l-'Azíz mit folgenden Worten angeredet: "Lausche, o König, den Wiorten Dessen, der die Wahrheit spricht, Ihm, der von dir keine Belohnung fordert für Dinge, die Gott dir zu gewähren beliebt hat, Ihm, der unbeirrt den geraden Pfad wandelt. Er entbietet dich vor Gott, deinen Herrn, der dir die rechte Bahn zeigt, den Weg, der zu wahrem Glück führt, auf daß du vielleicht zu jenen gehörst, denen es wohl ergehen wird . . . Mit dem, der sich Gott ganz hingibt, wird Gott sicherlich sein; und den, der sein ganzes Vertrauen auf Gott setzt, wird Gott wahrlich vor allem beschützen, was ihm schaden könnte, und ihn vor der Bosheit aller Unheilstifter beschirmen."
+9:17
"Würdest du dein Ohr Meiner Rede zuneigen und Meinen Rat beachten, so würde Gott dich zu einer so hervorragenden Stellung erheben, daß die Pläne keines Menschen auf der ganzen Erde dich je berühren oder verletzen könnten. O König, befolge aus innerstem Herzen und mit deinem ganzen Sein die Gebote Gottes und wandle nicht auf dem Pfad des Tyrannen. Ergreife die Zügel der Angelegenheiten deines Volkes, halte sie fest im Griffe deiner Gewalt und prüfe persönlich alles, was sie betritt. Lasse dir nichts entgehen, denn darin liegt das höchste Gut."
+9:18 #68
"Danke Gott dafür, daß Er dich aus der ganzen Welt erwählte und dich zum König gemacht hat über die, welche deinen Glauben bekennen. Es geziemt dir wohl, die wunderwollen Gunstbezeigungen hochzuschätzen, womit Gott dir gewogen war, und immerfort Seinen Namen zu verherrlichen. Du kannst Ihn am besten damit preisen, daß du Seine Geliebten liebst und Seine Diener beschützt und vor den Anschlägen der Verräter behütest, so daß niemand sie fürderhin unterdrücken kann. Noch mehr, du solltest dich dazu aufraffen, das Gesetz Gottes bei ihnen zur Geltung zu bringen, so daß du zu denen gehörst, die in Seinem Gesetze fest gegründet dastehen."
+9:19
"Würdest du bewirken, daß Ströme der Gerechtigkeit ihre Wasser auf deine Untertanen ergießen, so würde Gott dir sicherlich mit den Heerscharen des Unsichtbaren und des Sichtbaren beistehen und dich in deinem Tun stärken. Keinen Gott gibt es außer Ihm. Die ganze Schöpfung und ihr Reich sind Sein. Zu Ihm kehren die Werke der Gläubigen zurück."
+9:20
"Setze dein Vertrauen nicht auf deine Schätze, lege deine ganze Zuversicht in die Gnade Gottes, deines Herrn. Lasse Ihn deine Hoffnung sein in allezn, was du tust, und gehöre zu denen, die sich Seinem Willen unterworfen haben. Lasse Ihn deinen Helfer sein und mache dich reich durch Seine Schätze, denn Sein sind die Schatzkammern der Himmel und der Erde. Er spendet sie, wem Er will, und versagt sie, wem Er will. Es gibt keinen anderen Gott außer Ihm, dem Allbesitzenden, dem Allgepriesenen. Alle sind nur Arme an der Türe Seiner Barmherzigkeit. Alle sind hilflos vor der Offenbarung Seiner höchsten Herrschaft und flehen um Seine Gunst."
+9:21 #69
"Überschreite nicht die Grenzen der Mäßigung und verfahre gerecht mit denen, die dir dienen. Gib ihnen entsprechend ihren Bedürfnissen, aber nicht in solchem Übermaß, daß es ihnen möglich ist, für sich Reichtümer aufzuhäufen, ihre Person herauszuputzen, ihr Heim zu verzieren, Dinge anzuschaffen, die ihnen nicht zum Wohle gereichen, und unter die Verschwender zu geraten. Behandle sie mit unwandelbarer Gerechtigkeit, so daß keiner von ihnen Mangel leide noch durch Luxus verweichlicht werde. Dies ist nur offenbare Gerechtigkeit. Lasse nicht zu, daß Verworfene über Edle und Ehrenwerte regieren und herrschen, und dulde nicht, daß die Hochgesinnten in der Gewalt der Verächtlichen und Wertlosen seien, denn dies ist es, was Wir bei Unserer Ankunft in der Stadt (Konstantinopel) bemerkten. Dessen sind Wir Zeuge ..."
+9:22
"Halte dir Gottes unbeirrbare Waage vor Augen und wäge wie einer, der in Seiner Gegenwart steht, auf dieser Waage deine Taten jeden Tag, jeden Augenblick deines Lebens. Ziehe dich zur Rechenschaft, ehe du zur Rechenschaft gerufen wirst an dem Tage, da kein Mensch aus Furcht vor Gott die Kraft haben wird, aufrecht zu stehen, an dem Tage, da die Herzen der Achtlosen erzittern werden ..."
+9:23
"Du bist Gottes Schatten auf Erden. So strebe danach, in solcher Art zu handeln, wie es einer so herGorragenden und erhabenen Stufe zukommt. Wenn du dich dem entziehst, die Dinge zu befolgen, die Wir auf dich herabkommen ließen und dich lehrten, so wirst du sicherlich dieser großen und unschätzbaren Ehre verlustig gehen. So kehre denn um, halte dir allein an Gott und reinige dein Herz von der Welt und all ihrem Tand und dulde nicht, daß die Liebe irgendeines Fremdlings sich dort einniste und darin wohne. Bevor du nicht dein Herz von jeder Spur solcher Liebe lauterst, kann der Glanz des Lichtes Gottes Seine Strahlen nicht darauf ergießen, denn niemandem hat Gott mehr gegeben als ein Herz. Wahrlich, dies wurde verordnet und steht in Seinem altehrwürdigen Buche verzeichnet. Und da das Menschenherz, wie es von Gott geschaffen, eines und ungeteilt ist, so geziemt es dir, darauf zu achten, daß seine Neigungen auch eins und ungeteilt seien. Klammere dich daher mit der ganzen Zuneigung deines Herzens an Seine Liebe und halte es fern von der Liebe zu irgend jemandem außer Ihm, auf daß Er dir beistehe, dich in den Ozean Seiner Einheit zu versenken, und dich befähige, eine getreue Stütze Seiner Einigkeit zu werden ..."
+10 #70
Halte den Unterdrücker ab
"O König, höre aufmerksam auf die Worte, die Wir an dich richteten. Halte den Unterdrücker ab von seiner Tyrannei und schließe die Ungerechten aus dem Kreise derer aus, die deinen Glauben bekennen. Bei der Gerechtigkeit Gottes! Die Trübsale, die Wir aushielten, sind derart, daß eine Feder, die sie schildert, vom Seelenschmerz überwältigt wird. Keiner, der aufrichtig glaubt und die Einheit Gottes hochhält, kann die Bürde ihrer Schilderung tragen. So groß sind Unsere Leiden gewesen, daß selbst die Augen Unserer Feinde, ja die Augen eines jeden einsichtswollen Menschen über Uns geweint haben. Und allen diesen Prüfungen sind Wir unterworfen worden, obwohl Wir Uns dir näherten und den Menschen befahlen, unter deinen Schatten zu treten, auf daß du ein Bollwerk seiest für alle, die an die Einheit Gottes glauben und sie hochhalten."
+10:2
"O König, habe Ich dir jemals den Gehorsam werweigert? Habe Ich irgendwann eines deiner Gesetze mißachtet? Kann einer deiner Minister, die dich im 'Iráq vertreten, irgendeinen Beweis erbringen, der Meine Unredlichkeit gegen dich begründen könnte? Nein, bei Ihm, dem Herrn aller Welten! Nicht einen kleinen Augenblick lang haben Wir Uns gegen dich oder gegen einen deiner Minister aufgelehnt. Niemals, so Gott will, werden Wir Uns gegen dich empören, selbst wenn Wir strengeren Prüfungen ausgesetzt wären als je zuvor. Am Tage und zur Nachtzeit, am Abend und am Morgen beten Wir für dich zu Gott, daß Er dir gnädig beistehe, Ihm zu gehorchen und Seine Gebote zu achten, und Er dich vor den Scharen der Bösen beschirme. So tue denn wie dir beliebt und behandle Uns wie es deiner Stufe zukommt und deiner Herrschaft geziemt. Vergiß nicht das Gesetz Gottes in allem, was du zu tun wünschest, jetzt oder in künftigen Tagen. Sprich.- Preis sei Gott, dem Herrn der Welten!"
+10:3 #71
Des weiteren steht im Kitáb-i-Aqdas folgender gewaltiger Anruf Konstantinopels: "O Ort, gelegen an den Küsten zweier Meere! Wahrlich, der Thron der Tyrannei wurde auf dir errichtet und die Flamme des Hasses in deinem Inneren entzündet, so sehr, daß die Versammlung in der Höhe und jene, die den erhabenen Thron umkreisen, klagten und jammerten. Wir sehen in dir den Narren über den Weisen herrschen und Finsternis vor dem Lichte sich brüsten. Wahrlich, du bist mit offensichtlichem Stolz erfüllt. Hat dich dein äußerer Glanz hochmütig gemacht? Bei Ihm, dem Herrn des Menschengeschlechts! Er wird rasch vergehen, und deine Töchter und deine Witwen und alle deines Stammes, die in dir wohnen, werden wehklagen. Dies verkündet dir der Allwissende, der Allweise."
+10:4
Was Násiri'd-Dín Sháh betrifft, so verkündet das Lawh-iSultán, welches von 'Akká aus an ihn gesandt wurde und welches das längste Tablet Bahá'u'lláhs an einen einzelnen Herrscher darstellt, folgendes: "O König!
Ich war nur ein Mensch wie andere und schlief auf Meinem Lager - siehe, da wehten die Winde des Herrlichsten über Mich und gaben Mir Kenntnis von allem, was war.
Diese Sache ist nicht von Mir, sondern von Dem, welcher allmächtig und allwissend ist.
Und Er gebot Mir, Meine Stimme zu erheben zwischen Erde und Himmel, und um dessentwillen befiel Mich, worüber ein jeder Mensch mit Einsicht weinte.
Die allgemein übliche Gelehrsamkeit der Menschen studierte Ich nicht; ihre Schulen betrat Ich nicht.
Frage nach in der Stadt, wo Ich wohnte, auf daß du wohl versichert seiest, daß Ich nicht zu denen gehöre, die falsch reden.
Das ist nur ein Blatt, das die Winde des Willens deines Herrn, des Allmächtigen, des Allgepriesenen, bewegt haben.
Kann es ruhig bleiben, wenn der Sturmwind weht?
Nein, bei Ihm, dem Herrn aller Namen und Eigenschaften!
Er bewegt es, wie Er will.
Das Vorübergehende ist wie ein Nichts vor Ihm, dem Ewigen.
Sein allbezwingender Ruf hat Mich erreicht und ließ Mich Seinen Lobpreis unter allem Volke anstimmen.
Fürwahr, Ich war wie ein Toter, als Sein Befehl erscholl.
Die Hand des Willens deines Herrn, des Mitleidigen, des Barmherzigen, verwandelte Mich.
Kann irgend jemand aus eigenem Willen das aussprechen, weswegen alle Menschen, hoch und niedrig, sich gegen ihn erheben werden?
Nein, bei Ihm, der die Feder die ewigen Geheimnisse lehrte: das kann nur, wem die Gnade des Allmächtigen, des Allgewaltigen Kraft gab.
Die Feder des Höchsten wandte sich Mir zu und sprach:
Fürchte dich nicht!
Berichte Seiner Majestät, dem Sháh, was über dich gekommen ist.
Wahrlich, sein Herz ist in der Hand deines Herrn, des Gottes der Barmherzigkeit, damit vielleicht die Sonne der Gerechtigkeit und Freigebigkeit über dem Horizonte seines Herzens aufstrahlt.
So wurde die Verordnung unwiderruflich festgesetzt durch Ihn, den Allweisen."
+10:5 #72
"O König, blicke auf diesen jungen Mann mit den Augen der Gerechtigkeit. Urteile sodann aufrichtig über das, was Ihn befallen hat. Wahrhaftig, Gott hat dich zu Seinem Schatten gemacht unter den Menschen und zum Zeichen Seiner Macht für alle, die auf Erden wohnen. Urteile zwischen Uns und denen, die Uns Unrecht taten ohne Beweis und ohne ein erleuchtendes Buch. Sie, die um dich sind, lieben dich um ihres eigenen Vorteils willen, wogegen dieser junge Mann dich um deines Vorteils willen liebt und keinen Wunsch hat, als dich dem Sitze der Gnade näher zu bringen und dich der rechten Hand der Gerechtigkeit zuzuführen. Dein Herr ist Zeuge dessen, was Ich erkläre."
+10:6
"O König! Wenn du dein Ohr dem Laut der Feder der Herrlichkeit und dem Gurren der Taube der Ewigkeit zuneigtest, die auf den Zweigen des Lotosbaumes, über den es kein Hinausgehen gibt, den Lobpreis Gottes, des Schöpfers aller Namen, der Erde und des Himmels, singt, so würdest du auf eine solche Stufe gelangen, von welcher aus du in der Welt des Daseins nichts als den Glanz des Angebeteten schauen und deine Herrschaft als das Unwürdigste deines Besitzes ansehen würdest; du würdest sie jedem überlassen, der sie gerade begehrt, und dein Angesicht dem Horizont zuwenden, der im Lichte Seines Antlitzes erglüht. Auch würdest du die Bürde der Herrschaft nur noch tragen wollen, um damit deinem Herrn, dem Erhabenen, dem Höchsten, zu helfen. Dann würden dich die Himmelsbewohner segnen. Ach, wie herrlich ist diese erhabenste Stufe - könntest du doch zu ihr gelangen durch die Macht deiner Herrschaft, die erkannt wird als vom Namen Gottes hergeleitet ..."
+10:7 #73
"O König des Zeitalters! Die Augen dieser Flüchtlinge sind der Barmherzigkeit des Barmherzigsten zugewandt und auf sie geheftet. Es besteht kein Zweifel, daß diesen Trübsalen die Ausgießungen höchster Barmherzigkeit folgen werden und daß nach diesen schrecklichen Anfeindungen ein überströmendes Glück kommen wird. Wir hoffen sehr, daß Seine Majestät der Sháh diese Dinge selbst untersuchen und den Herzen Hoffnung brngen werde. Was Wir deiner Majestät unterbreiteten, ist fürwahr zu deinem höchsten Nutzen. Und Gott, wahrlich, ist für Mich hinreichend Zeuge ..."
+10:8
"O Sháh, geschähe es doch, daß du Mir gestattetest, dir das zu senden, was die Augen ergötzt, die Seelen beruhigt und jeden ehrlich gesinnten Menschen überzeugt, daß bei Ihm die Erkenntnis des Buches ist ... Wäre die Zurückweisung durch die Narren und die falsche Nachsicht der Geistlichen nicht gewesen, so hätte Ich eine Rede gehalten, welche die Herzen durchschauert und in ein Reich entführt hätte, wo das Rauschen der Winde zu hören wäre: `Keinen Gott gibt es außer Ihm! ...`"
+10:9
"O Sháh, Ich habe auf dem Pfade Gottes geschaut, was noch kein Auge schaute und kein Ohr hörte ... Wie zahlreich sind die Trübsale, welche auf Mich herabströmten und bald noch herabströmen werden! Ich schreite woran, den Blick auf Ihn gerichtet, den Allmächtigen, den Allgütigen, während hinter Mir die Schlange gleitet. Meine Augen haben Tränen vergossen, bis Mein Bett von ihnen getränkt war. Aber Ich gräme Mich nicht um Mich. Bei Gott! Mein Haupt sehnt sich nach dem Speer aus Liebe zu seinem Herrn. Ich ging nie an einem Baum vorbei, ohne daß Mein Herz ihn anredete und sprach: `O würdest du doch in Meinem Namen abgehauen und Mein Leib an dir auf dem Pfade Meines Herrn gekreuzigt!` ... Bei Gott! Obgleich Müdigkeit Mich niederdrückt, Hunger Mich verzehrt, der nackte Fels Mein Bett ist und die Tiere des Feldes Meine Gefährten sind, will Ich nicht klagen, sondern geduldig ausharren, wie jene mit Standhaftigkeit und Festigkeit Begabten durch die Kraft Gottes, des ewigen Königs und Schöpfers der Nationen, ausgeharrt haben. Gott will Ich Dank in allen Lebenslagen darbringen. Wir bitten, Er möge in Seiner Güte - gepriesen sei Er! - durch diese Kerkerhaft die Nacken der Menschen Von Ketten und Fesseln befreien und mit aufrichtigem Angesicht sich Seinem Antlitz zuwenden lassen, Ihm, dem Mächtigen, dem Freigebigen. Er ist bereit, jedem zu antworten, der Ihn anruft, und Er ist denen nahe, die mit Ihm Umgang pflegen."
+10:10 #74
Im Qayyúmu'l-Asmá' wandte sich der Báb an MuhammadSháh: "O König des Islám! Nachdem du dem Buche geholfen hast, hilf du mit der Wsahrheit auch Ihm, welcher Unsere Größte Erwähnung ist, denn Gott hat, wahrlich, für dich und deine Umgebung am Tage des Gerichtes eine besondere Stellung auf Seinem Pfade bestimmt. O Sháh, Ich schwöre bei Gott! Wenn du Ihm, der Seine Erwähnung ist, Feindschaft erweist, so wird dich Gott am Tage der Auferstehung vor den Königen zu höllischem Feuer verdammen, und du wirst gewißlich an jenem Tage keinen Helfer finden außer Gott, dem Erhabenen. O Sháh, reinige das Heilige Land (Tihrán) von solchen, die das Buch zurückwiesen, ehe der Tag der Erwähnung Gottes kommt, schrecklich und plötzlich, mit Seiner mächtigen Sache durch den Willen Gottes, des Höchsten. Wahrlich, Gott hat dir vorgeschrieben, dich Dein, der Seine Erwähnung ist, und Seiner Sache zu unterwerfen, und mit der Wahrheit und mit Seiner Erlaubnis die Länder zu bezwingen; denn in dieser Welt bist du gnadenreich mit Herrschaft bekleidet worden und wirst in der nächsten dicht bei dem Sitze der Heiligkeit mit den Bewohnern des Paradieses Seines Wohlgefallens ruhen. O Sháh, lasse dich nicht durch deine Herrschaft täuschen, denn `jede Seele wird den Tod schmecken`, und wahrlich, dies ist als Gottes Ratschluß niedergeschrieben worden."
+10:11 #75
In seinem Tablet an Muhammad-Sháh hat der Báb des weiteren geoffenbart: "Ich bin der erste Punkt, aus welchem alle erschaffenen Dinge erzeugt wurden. Ich bin das Antlitz Gottes, dessen Glanz niemals verdunkelt werden kann, das Licht Gottes, dessen Glanz niemals verblassen kann ... Alle Schlüssel des Himmels hat Gott in Meine Rechte zu legen beliebt und alle Schlüssel der Hölle in Meine Linke ... Ich bin eine der tragenden Säulen des Urwortes Gottes. Wer immer Mich erkannt hat, hat alles erkannt, was wahr und recht ist, und alles erreicht, was gut und geziemend ist ... Der Stoff, aus dem Gott Mich erschaffen hat, ist nicht der Lehm, aus dem andere geformt wurden. Er hat Mir verliehen, was weder die Weisen der Welt je erfassen noch die Gläubigen je entdecken können..."
+10:12
"Bei Meinem Leben! Märe es nicht um der Verpflichtung willen, die Sache Dessen, der das Zeugnis Gottes ist, zu bekennen, ... würde Ich dir dies nicht verkündet haben ... In diesem gleichen Jahre (Jahr 60) sandte Ich dir einen Boten und ein Buch, daß du für die Sache Dessen, der das Zeugnis Gottes ist, handelst, wie es der Stufe deiner Herrschaft geziemt ..."
+10:13
"Ich schwöre bei der Wahrheit Gottes! Würde der, welcher Mich in solcher Weise zu behandeln gewillt war, erkennen, wer der ist, den er so behandelt hat, so würde er wahrlich nie mehr in seinem Leben glücklich werden. Es ist vielmehr - Ich tue dir gewißlich die Wahrheit in dieser Angelegenheit kund -, wie wenn er alle Propheten eingekerkert hätte und alle Männer der Wahrheit und alle Auserwählten ... Wehe dem, von dessen Händen Böses kommt, und gesegnet sei der Mensch, von dessen Händen Gutes kommt ..."
+10:14
"Ich schwöre bei Gott! Ich suche kein irdisches Gut bei dir, und sei es auch nur sowiel wie ein Senfkorn ... Ich schwöre bei der Wahrheit Gottes! Wüßtest du, was Ich weiß, du würdest die Herrschaft über diese und die nächste Welt aufgeben, um Mein Wohlgefallen durch deinen Gehorsam dem Wahren gegenüber zu erlangen ... Würdest du es ablehnen, so würde der Herr der Welt einen erwecken, der Seine Sache erhöhen wird, und wahrlich, der Befehl Gottes wird zur Tat werden."
+10:15
Liebe Freunde! Wie weit ist doch der Rundblick, den diese kostbaren, diese erschütternden, göttlich verkündeten Aussprüche vor unseren Augen ausbreiten !
+11 #76
Gottes Stellvertreter auf Erden
Welche Erinnerung rufen sie wach! Wie erhaben sind die Grundsätze, die sie einprägen! Welche Hoffnungen erzeugen sie! Welche Vorstellungen erwecken sie! Und doch, wie bruchstückhaft müssen die eben erwähnten Worte erscheinen, seien sie auch dem eigendlichen Plan meines Stoffes angepaßt, wenn sie mit der hinreißenden Majestät verglichen werden, die nur das Lesen des vollen Textes erschließen kann! Er, der Gottes Stellvertreter auf Erden war, hat in dem entsdieidendsten Augenblick, als seine Offenbarung ihren Höhepunkt erreichte, jene angesprochen, die in ihrer Person den Glanz, die oberste Gewalt und die Macht irdischer Herrschaft vereinigten; sicherlich konnte Er kein Jota oder Tupfelchen von dem Gewicht und der Kraft abziehen, welche die Überreichung einer so geschichtlichen Botschaft erforderte. Weder die Gefahren, die so schnell über Ihn hereinbrachen, noch die furchtbare Gewalt, mit der die Herrscher des Westens und die Machthaber des Ostens zu jener Zeit - nach der Lehre von dcr absoluten Herrschaft - ausgestattet waren, konnten den Verbannten und Gefangenen von Adrianopel davon abhalten, den lauten Schall seiner Botschaft seinen beiden kaiserlichen Verfolgern und auch den übrigen zeitgenössischen Herrschern auf schrifllichem Wege mitzuteilen.
+11:2 #77
Die Größe und Verschiedenartigkeit des Stoffes, die zwingende Kraft der Beweisführung, die Erhabenheit und Kühnheit der Sprache bannen unsere Aufmerksamkeit und erstaunen unseren Geist.
Kaiser, Könige und Fürsten, Kanzler und Minister, der Papst, Priester, Mönche und Philosophen, die Vertreter der Wissenschaft, Parlamentarier und Abgeordnete, die Reichen auf Erden, die Anhänger aller Religionen und das Volk von Bahá - sie alle sind in den Wirkungsbereich des Urhebers dieser Botschaften einbezogen und erhalten, nach ihrem Verdienst und Wert, die Ratschläge und Ermahnungen, die sie verdienen.
Nicht minder erstaunlich ist die Mannigfaltigkeit dcr Themen, die in diesen Tablets berührt werden.
Die alles überragende Majestät und Einheit eines nicht erkennbaren, unnahbaren Gottes wird hervorgehoben und die Einheit seiner Gesandten verkündet und mit Nachdruck erklärt.
Die Einzigkeit, die Universalität und die Wirkkräfte des Bahá'í-Glaubens werden betont und Zweck und Wesensart der Bahá'í-Offenbarung dargelegt.
Die Bedeutung von Bahá'u'lláhs Leiden und Verbannungen wird enthüllt, und die auf seinen Herold und auf seinen Namensbruder herabgeströmten Trübsale werden erkannt und beklagt.
Sein eigenes Sehnen nach der Krone des Märtyrertums, die sie beide in so geheimnisvoller Weise gewannen, wird erwähnt, die unaussprechlichen Herrlichkeiten und Wunder, die seiner eigenen Sendung vorbehalten sind, werden angedeutet.
Begebenheiten, erregend und wunderbar zugleich, aus den verschiedenen Zeiten seines Wirkens werden geschildert, und die Vergänglichkeit von weltlichem Pomp, Ruhm, Reichtum und Herrschertum wiederholt und klar vor Augen geführt.
Kraftvoll und eindringlich wird zur Anwendung der erhabensten Grundsätze in persönlichen und internationalen Beziehungen aufgerufen und befohlen, entehrende, dem Glück und Wachsrum, der Wohlfahrt und Einheit der Menschenrasse schädliche Gewohnheiten und Gebräuche aufzugeben, Könige werden getadelt, kirchliche Würdenträger angeklagt, Minister und Gesandte verdammt und die Gleichsetzung seines Kommens mit dem Kommen des Vaters selbst unzweideutig erklärt und wiederholt verkündet.
Der gewaltsame Sturz von einigen dieser Könige und Kaiser wird geweissagt, und zwei von ihnen werden eindeutig herausgefordert, die meisten gewarnt, alle angerufen und ermahnt.
+11:3 #78
Im Lawh-i-Sultán (Tablet an den Sháh von Persien) erklärt Bahá'u'lláh: "Möge doch der weltverschönernde Wunsch Seiner Majestät verfügen, daß dieser Diener den Geistlichen der Zeit gegenübergestellt werde und Beweise und Zeugnisse in der Gegenwart Seiner Majestät des Sháh vorbringe! Dieser Diener ist bereit und setzt Seine Hoffnung auf Gott, daß eine solche Versammlung einberufen werde, damit die Wahrheit der Sache von Seiner Majestät dem Sháh klar und offenbar gemacht werde. Es ist nunmehr an dir, zu befehlen, und Ich stehe bereit vor dem Throne deiner Herrschaft. So entscheide denn für Mich oder gegen Mich."
+11:4
Und fernerhin hat Bahá'u'lláh im Lawh-i-Ra'ís, in Erinnerung an sein Gespräch mit dem türkischen Offizier, der mit der Durchführung seiner Verbannung in die feste Stadt 'Akká beauftragt war, geschrieben: "Es geht darum, daß Ich dich bitte, wenn es dir möglich ist, Seiner Majestät dem Sultán zu unterbreiten, daß es diesem jungen Mann ermöglicht werde, zehn Minuten mit ihm zusammenzutreffen, auf daß er nach allem fragen möge, was er als genügendes Zeugnis erachtet und als Beweis für die Wahrhaftigkeit Dessen betrachtet, der die Wahrheit ist. Sollte Gott ihn befähigen, diese zu erbringen, so möge jener diese Mißhandelten frei und in Ruhe lassen." "Er versprach", fügte Bahá'u'lláh in jenem Tablet hinzu, "diese Botschaft zu übermitteln und Uns Antwort zu geben. Wir erhielten jedoch keine Nachricht von ihm. Wenngleich es Ihm, der die Wahrheit ist, nicht ansteht, sich an irgendeinen Menschen zu wenden, da ja alle erschaffen sind, Ihm zu gehorchen, so haben Wir doch im Hinblick auf die Lage dieser kleinen Kinder und die große Zahl so weit von ihren Freunden und ihrer Heimat verbannter Frauen in diese Sache eingewilligt. Trotzdem ist nichts erfolgt. 'Umar selbst ist am Leben und erreichbar. Erkundige dich bei ihm, damit dir die Wahrheit bekannt werde."
+11:5 #79
Über diese an die Herrscher gerichteten Tablets, die 'Abdu'l-Bahá als "Wunder" gepriesen hat, schrieb Bahá'u'lláh: "Ein jedes von ihnen ist mit einem besonderen Namen bezeichnet worden.
Das erste wurde `Das Dröhnen` genannt, das zweite `Der Stoß`, das dritte `Das Unvermeidliche`, das vierte `Das Einfache`, das fünfte `Der Zusammenbruch` und die anderen `Der betäubende Trompetenstoß`, `Das nahende Ereignis`, `Der große Schrecken`, `Die Trompete`, `Das Signalhorn` und dergleichen, so daß alle Völker der Erde mit Gewißheit erkennen und mit äußeren und inneren Augen bezeugen mögen, daß Er, welcher der Herr der Namen ist, geherrscht hat und immer herrschen wird, unter allen Umständen, über alle Menschen ...
Nie seit Beginn der Welt ist eine Botschaft so öffentlich verkündet worden ...
Verherrlicht sei diese Macht, die aufleuchtete und die Welt umfaßte.
Diese Tat des Verursachers aller Ursachen hat, als sie geoffenbart wurde, zwei Ergebnisse gezeitigt.
Sie hat zugleich die Schwerter der Ungläubigen geschärft und die Zungen derer gelöst, die sich Ihm zu Seinem Gedenken und Lobpreis zugewandt haben.
Dies ist die Wirkung der befruchtenden Winde, die früher schon im Lawh-i-Haykal erwähnt wurden.
Die ganze Erde befindet sich jetzt im Zustand der Trächtigkeit.
Der Tag naht heran, da sie ihre edelsten Fruchte hervorgebracht haben wird, da ihr die höchsten Bäume und die hezaubemdsten Blüten und himmlischsten Segnungen entsprossen sein werden.
Unermeßlich erhaben ist der Dufthauch, der vom Gewande deines Herrn, des Verklärten, weht.
Denn siehe, Er hat Seinen Duft ausgehaucht und alle Dinge neu gestaltet!
Wohl denen, die dies erfassen!
Es ist ohne Zweifel klar und offensichtlich, daß dabei Er, der Herr der Offenbarung, in diesen Dingen nichts für sich selbst gesucht hat.
Obgleich dessen gewahr, daß sie zu Trübsalen führen und Kummer und schmerzliche Prüfungen verursachen würden, hat Er doch einzig und allein als ein Zeichen Seiner liebewollen Gnade und Gunst, und in der Absicht, die Toten zu beleben und alle auf Erden zu erlösen, Sein eigenes Wohlergehen außer acht gelassen und das ertragen, was kein anderer Mensch ertragen hat noch tragen wird."
+11:6 #80
Die wichtigsten seiner an die einzelnen Herrscher gerichteten Tablets befahl Bahá'u'lláh, in der Form eines Pentagramms zu schreiben, das den Tempel des Menschen versinnbildlicht. Er fügte darin als Abschluß die folgenden Worte ein, welche die Wichtigkeit enthüllen, die Er diesen Botschaften beimaß und die ihre direkte Verbindung mit der Prophezeiung des Alten Testaments anzeigen:¹
¹ Schluß von der Surih-i-Haykl
"Also haben Wir den Tempel erbaut mit den Händen der Kraft und Macht - könntet ihr das doch erkennen! Dies ist der euch im Buche verheißene Tempel. Nähert euch ihm! Dies ist, was euch frommt - könntet ihr das doch verstehen! Seid ehrlich, o Völker der Welt! Welcher ist vorzuziehen, dieser oder ein aus Lehm gebauter Tempel? Wendet euer Angesicht ihm zu! Also wurde es euch von Gott befohlen, dem Helfer in der Gefahr, dem Selbstbestehenden. Folgt Seinem Gebot und preist Gott, euren Herrn, für das, was Er euch verliehen hat. Wahrlich, Er ist die Wahrheit, keinen Gott gibt es außer Ihm. Er offenbart, was Ihm gefällt, durch Seine Worte: `Sei! - und es ist`."
+11:7 #81
Auf diesen gleichen Gegenstand sich beziehend, redet Er die Anhänger Jesu Christi in einem seiner Tablets an:
"O Scharen der Anhänger des Sohnes! Wahrlich, der Tempel ist mit den Händen des Willens eures Herrn, des Allmächtigen, des Allgütigen, erbaut worden. O Volk, so sei denn Zeuge dessen, was Ich sage: Was ist vorzuziehen - was aus Lehm erbaut ist oder was durch die Hand eures Herrn, des Offenbarers von Versen, errichtet wurde? Dies ist der euch in den Schriften verheißene Tempel, Er ruft laut: `O Anhänger der Religionen! Eilt, zu Ihm, dem Quell aller Ursachen, zu gelangen, und folgt nicht jedem Ungläubigen und Zweifler`."
+11:8
Es sollte nicht vergessen werden, daß, abgesehen von diesen besonderen Tablets, worin die Könige der Welt einzeln und insgesamt angeredet werden, Bahá'u'lláh noch andere Tablets geoffenbart hat - das Lawh-i-Ra'ís ist ein hervorragendes Beispiel dafür - und in die Masse seiner umfangreichen Schriften unzählige stellen eingestreut hat, in denen Minister, Regierungen und deren beglaubigte Vertreter angesprochen worden sind oder auf sie hingewiesen wird. Doch gehe ich nicht näher auf solche Anrcden und Hinweise ein, welche, so wesentlich sie sind, dennoch nicht als mit dieser besonderen Bedeutung ausgestattet betrachtet werden können, welche direkte und bestimmte Botschaften, vom Offenbarer Gottes geäußert und an die höchsten Stellen der Welt seines Tages gerichtet, besitzen müssen.
+11:9
Liebe Freunde!
Genug ist nun gesagt worden, um die Trübsale zu schildern, die so lange Zeit die Begründer einer so überragenden Offenbarung überhäuft haben und welche die Welt in so unheilvoller Weise unbeachtet gelassen hat.
Genügend Aufmerksamkeit ist auch den Botschaften an jene selbständigen Herrscher geschenkt worden, welche in Ausübung ihrer absoluten Gewalt diese Leiden absichtlich hervorgerufen haben oder die in der Fülle ihrer Macht sich hätten erheben können, deren Auswirkungcn zu mildern oder ihren tragischen Verlauf abzuwenden.
Laßt uns nun die Folgen, die sich ergeben haben, betrachten.
Die Reaktion der Monarchen war, wie schon erwähnt, verschieden und unverkennbar und, wie der Gang der Dinge schrittweise enthüllte, unheilvoll in ihren Folgen.
Einer der hervorragendsten dieser Herrscher behandelte die göttliche Mahnung mit plumper Mißachtung und wies sie mit einer kurzen, unverschämten, von einem seiner Minister geschriebenen Antwort zurück.
Ein anderer ließ den Überbringer der Botschaft gewaltsam ergreifen, foltern, brandmarken und brutal erschlagen.
Andere zogen es vor, ein geringsdiätziges schweigen zu wahren.
Alle versäumten gänzlich ihre Pflicht, sich aufzumachen und Unterstützung zu gewähren.
Besonders aber zwei von ihnen, von Furcht und Zorn zugleich getrieben, faßten die Sache, die sie gemeinsam zu vertilgen entschlossen waren, noch härter an.
Der eine verdammte seinen göttlichen Gefangenen zu einer weiteren Verbannung, in "die Stadt von ärmlichstem Aussehen, mit dem abscheulichsten Klima und mit dem fauligsten Wasser", während der andere, ohnmächtig, an den Urheber eines ihm verhaßten Glaubens Hand anzulegen, dessen Anhänger abscheulichen und wilden Grausamkeiten unterwarf.
Die Kunde von Bahá'u'lláhs Leiden, in jene Botschaften eingekleidet, konnte kein Mitgefühl in ihren Herzen erwecken, seine Appelle, dergleichen weder in den Annalen des Christentums noch selbst in denen des Islám verzeichnet sind, wurden mit Geringschätzung zurückgewiesen.
Die düsteren Warnungen, die Er verkündete, wurden hochmütig verhöhnt.
Die kühnen Herausforderungen, die Er aussprach, wurden übersehen, die Züchtigungen, die Er vorhersagte, spöttisch abgetan.
+11:10 #82
Was - so könnten wir uns fragen - ist nun angesichts einer so völligen und schändlichen Ablehnung geschehen und was geschieht noch im weiteren Verlauf und besonders in den abschließenden Jahren dieses ersten Bahá'í-Jahrhunderts, eines Jahrhunderts, das angefüllt ist mit solch ungestümen Leiden und heftigen Gewalttätigkeiten gegen den verfolgten Glauben Bahá'u'lláhs? - In Staub zerfallene Kaiserreiche, gestürzte Königreiche, ausgelöschte Herrscherhäuser, verdunkelte Königswürde, ermordete, vergiftete, in die Verbannung getriebene, in ihren eigenen Reichen unterjochte Könige, während die wenigen übriggebliebenen Throne durch die Erschütterungen des Falles ihrer Gefährten erzittern.
+11:11 #83
Dieser so gigantische und verhängnisvolle Ablauf der Geschehnisse hatte, so darf man wohl sagen, in jener denkwürdigen Nacht seinen Anfang genommen, da in einem dunklen Winkel von Shiráz der Báb in Gegenwart des ersten "Buchstabens", der an ihn glaubte, das Anfangskapitel seiner berühmten Auslegung der Súrih von Joseph (Qayyúmu'l-Asmá') offenbarte, aus der sein Ruf wie ein Trompetenstoß an die Herrscher und Fürsten der Welt erscholl.
Dieser Vorgang ging aus dem Keimzustand in die sichtbare Offenbarung über, als sich die Weissagungen von Bahá'u'lláh erfüllten, die für alle Zeit in der Súriy-i-Haykal verwahrt und vor dem dramatischen Sturz Napoleons III. und der selbstauferlegten Gefangenschaft von Papst Pius IX. ausgesprochen wurden.
Er gewann an Bedeutung, als zu 'Abdu'l-Bahás Lebzeiten der große Krieg die Herrscherhäuser der Romanow, der Hohenzollern und der Habsburger vernichtete und mächtige, altehrwürdige Monarchien in Republiken verwandelte.
Er beschleunigte sich weiterhin bald nadi 'Abdu'l-Bahás Hinscheiden durch das Erlöschen des Herrscherhauses der Kadscharen in Persien und durch den erstaunlichen Zusammenbruch des Sultanats und des Kalifats zugleich.
Er wirkt noch weiter unter unseren eigenen Augen, wenn wir das Schicksal betrachten, das im Verlauf des riesigen, verheerenden Ringens die gekrönten Häupter des europäischen Kontinents nacheinander überfallen hat.
Sicherlich kann sich niemand bei leidenschaftsloser Betrachtung der Erscheinungen dieses unbarmherzigen, in so verhältnismäßig kurzer Zeit umwälzenden Geschehens der Schlußfolgerung entziehen, daß die letzten hundert Jahre, soweit sie das Los des Königtums betreffen, sehr wohl als einer der umwälzendsten Zeitabschnitte in den Annalen der Menschheit betrachtet werden können.
+12 #84
Rasche und vollständige Demütigung
Zu der Zeit, als Bahá'u'lláh seine Botschaften an die Könige in der Súriy-i-Mulúk in Adrianopel offenbarte, waren die erhabensten und einflußreichsten Herrscher der französische Kaiser und der Papst. Im politischen und religiösen Bereich hatten sie den höchsten Rang inne, und die Demütigung, die beide erlitten, war gleichermaßen rasch und vollständig.
+12:2
Napoleon III., der Sohn von Louis Bonaparte (dem Bruder Napoleons I.) war, wie wohl wenige Historiker bestreiten werden, der überragende Monarch seiner Zeit im Westen. "Der Kaiser ist der Staat", so sagte man von ihm. Die französische Hauptstadt war die reizvollste in Europa, der französische Hof "der glänzendste und üppigste des neunzehnten Jahrhunderts". Besessen von einem starren, unzerstörbaren Ehrgeiz, trachtete er danach, dem Vorbild seines kaiserlichen Oheims nachzueifern und dessen unterbrochenes Werk zu vollenden. Ein Träumer und Verschwörer verschlagener Natur, heuchlerisch und rücksichtslos, hatte er, der Erbe des napoleonischen Thrones, seinen Vorteil aus der Politik gezogen, die das wiederauflebende Interesse für die Laufbahn seines großen Vorbildes nährte, und hatte darum versucht, die Monarchie zu stürzen. Aber sein Bemühen scheiterte, und er wurde nach Amerika verbannt. Später beim Versuch einer gewaltsamen Rückkehr nach Frankreich wieder gefangen und zu lebenslänglicher Haft verurteilt, entkam er nach London, bis 1848 die Revolution seine Rückkehr ermöglichte und ihn in den Stand setzte, die Verfassung umzustürzen. Daraufhin wurde er zum Kaiser ausgerufen. wenngleich fähig, weitreichende Bewegungcn einzuleiten, besaß er weder den Scharfsinn noch den Mut, sie zu heherrschen.
+12:3
Diesem Manne, dem letzten Kaiser Frankreichs, welcher durch auswärtige Eroberungen dem Volke seine Dynastie wert zu machen strebte, welcher sogar den Traum hegte, Frankreich zum Mittelpunkt eines neuerweckten Römischen Reiches zu machen - einem solchen Manne hatte der verbannte von 'Akká - schon dreimal durch Sultán 'Abdu'l-'Azíz verbannt, aus der Kaserne, hinter deren Mauern Er eingekerkert lag - ein Tablet übermittelt, welches diese zweifellos klare Beschuldigung und unheilvolle Weissagung enthielt: "Wir bezeugen, daß das, was dich weckte, nicht ihr (der im schwarzen Meer ertränkten Türken) Schrei war, sondern die Einflüsterungen deiner eigenen Leidenschaften; denn wir prüften dich und fanden dich fehlerhaft ... Wärest du aufrichtig gewesen in deinen Worten, so hättest du nicht das Buch Gottes (das erste Tablet) beiseite geworfen, als es dir von Ihm, dem Allmächtigen, dem Allweisen, gesandt wurde ... Für das, was du getan hast, wird dein Reich in Verwirrung gestürzt werden, und das Kaisertum wird deinen Händen entgleiten als Strafe für dein Tun."
+12:4 #85
Bahá'u'lláhs erste Botschaft war, durch einen der französischen Gesandten dcs Kaisers weitergeleitet, in einer Art und Weise aufgenommen worden, wie sie aus den im "Brief an den Sohn des Wolfes" verzeichneten Worten vermutet werden kann: "Auf dieses (das erste Tablet) antwortete er jedoch nicht. Nach Unserer Ankunft im Größten Gefängnis erreichte Uns ein Brief seines Gesandten, dessen erster Teil in persisch, der zweite in seiner eigenen Handschrift geschrieben war. Darin war er herzlich und schrieb: `Ich habe, wie sie mich baten, Ihren Brief übergeben, bis heute aber noch keine Antwort erhalten. Wir haben jedoch die nötigen Empfehlungen an unseren Botschafter in Konstantinopel und an unsere Konsuln in jenen Gegenden gesandt. Wenn Sie noch irgendwelche Wünsche haben, teilen sie sie uns mit, und wir wollen sie ausführen.` Aus diesen Worten geht klar hervor, daß er die Absicht dieses Dieners so verstand, als ob sie eine Bitte um mateiiellen Beistand gewesen sei."
+12:5
In seinem ersten Tablet hatte Bahá'u'lláh in dem Wunsche, die Aufrichtigkeit der Beweggründe des Kaisers zu prüfen, mit Vorbedacht einen freundlichen, nicht herausfordernden Ton angenommen.
Er hatte die Leiden, die Er zu erdulden hatte, ausführlich geschildert und dann die folgenden Worte an ihn gerichtet: "Zwei durch den König dieser Zeit gnädig ausgesprochene Bemerkungen haben die Ohren dieser Mißhandelten erreicht.
Diese Erklärungen sind wahrlich der König aller Erklärungen, dergleichen noch niemals von einem Herrscher gehört worden sind.
Die erste war die Antwort an die russische Regierung, auf deren Frage, warum der (Krim-)Krieg gegen sie geführt werde.
Du antwortetest: `Der Schrei der Unterdrückten, die ohne Schuld und Tadel im Schwarzen Meer ertränkt wurden, weckte mich zur Zeit der Morgendämmerung.
Daher ergriff ich die Waffen gegen dich.` Diese Unterdrückten jedoch haben noch größeres Unrecht erlitten und sind in noch größerer Not.
Während die jenen Menschen angetane Trübsal nur einen Tag dauerte, haben sich die von diesen Dienern ertragenen Leiden fünfundzwanzig Jahre lang hingezogen, in denen uns jeder Augenblick qualvolle Pein brachte.
Die zweite gewichtige Äußerung - wahrlich eine erstaunliche Äußerung, die du der Welt verkündetest - war diese: `Uns obliegt es, die Unterdrückten zu rächen und den Hilflosen beizustehen.` Der Ruhm der Gerechtigkeit und Aufrichtigkeit des Kaisers hat sehr vielen Seelen Hoffnung gebracht.
Es geziemt dem König dieses Zeitalters, nach der Lage derer zu forschen, denen Unrecht getan wurde, und es obliegt ihm, den Schwachen seine Sorge angedeihen zu lassen.
Wahrlich, es gab nicht, noch gibt es heute auf Erden irgend jemanden, der so unterdrückt ist, wie wir es sind, oder so hilflos, wie diese Wanderer."
+12:6 #86
Es wird berichtet, daß nach Erhalt dieser ersten Botschaft jener oberflächliche, verschlagene und hochmutstrunkene Monarch das Tablet zu Boden geschleudert habe mit den Worten: "Wenn dieser Mann Gott ist, dann bin ich zwei Götter!" Der Überbringer des zweiten Tablets, so ist zuverlässig berichtet, hatte, um der strengen Aufsicht der wachen zu entgehen, dieses in seinem Hut verborgen, so war er imstande, es dem französischeii Gesclräflsträger in 'Akká zu übergeben, der, wie Nabíl in seinem Buch bezeugte, es ins Französische übersetzte und dem Kaiser sandte. Er selbst wurde ein Gläubiger, als er später die Erfüllung einer so bemerkenswerten Voraussage erlebte.
+12:7 #87
Die Bedeutung der düsteren und schicksalsschwangeren Worte Bahá'u'lláhs in seinem zweiten Tablet enthüllte sich bald. Er, der zur Herausforderung des Krimkrieges durch selbstische Wünsche getrieben und durch persönlichen Groll gegen den russisclren Kaiser gereizt war, der voll Ungeduld war, den Vertrag von 1815 zu zerreißen, um das Mißgeschick von Moskau zu rächen, und der mit kriegerischem Ruhm seinen Thron zu schmücken suchte, wurde bald selbst von einer Katastrophe verschlungen, die ihn in den Staub warf und Frankreich von seiner überragenden Stellung unter den Nationen zur viertrangigen Macht in Europa herabsinken ließ.
+12:8
Die Schlacht bei Sedan 1870 besiegelte das Schicksal des französischen Kaisers. Die Masse seines Heeres löste sich auf und ergab sich, wobei dies die größte Kapitulation darstellte, die bis dahin in der modernen Geschichte verzeichnet wurde. Eine erdrückende Kriegsentschädigung wurde eingetrieben. Er selbst wurde gefangengenommen. Sein einziger Sohn, der Kronprinz, fiel einige Jahre später im Kriege gegen die Zulukaffern. Das Kaiserreich brach zusammen, sein Programm blieb unverwirklicht. Die Republik wurde ausgerufen. Paris wurde daraufhin belagert und kapitulierte. "Das Schreckensjahr" folgte, durch einen Bürgerkrieg gekennzeichnet, der in seiner Wildheit noch den deutsch-französischen Krieg übertraf. Wilhelm I., der preußische König, wurde zum Deutschen Kaiser gerade in jenem schlosse gekrönt, das errichtet war als "mächtiges Denkmal und Sinnbild der Macht Ludwigs XIV., einer Macht, welche bis zu einem gewissen Grade durch die Demütigung Deutschlands gesichert worden war". Entthront durch ein Unheil, "so schauderhaft, daß es in der ganzen Welt widerhallte", verfiel dieser falsche und prahlerische Monarch schließlich, und bis zu seinem Tode, der gleichen Verbannung wie jene, die er im Falle von Bahá'u'lláh so herzlos übersehen hatte.
+12:9 #88
Eine weniger dramatische, aber geschichtlich noch bedeutsamere Demütigung erwartete Papst Pius IX. An ihn, der sich als den Vertreter Christi ansah, schrieb Bahá'u'lláh, daß "das Wort, welches der Sohn (Jesus) verbarg, geoffenbart wurde", daß "es in Gestalt des menschlichen Tempels herabgesandt wurde", daß Er selbst das Wort und der Vater sei. Ihm, der sich als "Diener der Diener Gottes" betitelte, verkündete der verheißene aller Zeitalter, seine Stufe in ihrer ganzen Fülle entschleiernd, daß "Er, der Herr der Herrn, gekommen ist, überschattet von Wolken". Der Papst war es, der bei seinem Anspruch, der Nachfolger Petri zu sein, von Bahá'u'lláh gemahnt wurde: "Dies ist der Tag, da der Fels (Petrus) ausruft und jauchzt .., mit den Worten: Sehet, der Vater ist gekommen, und was euch im Königreiche verheißen wurde ist erfüllt." Er, der Träger der dreifachen Krone, war es, der später zum ersten Gefangenen des Vatikans wurde und dem der göttliche Gefangene von 'Akká befahl, "seine Paläste denen zu überlassen, die sie begehren", "allen verzierten Kirchenschmuck zu verkaufen", den er besaß, und "den Erlös auf dem Pfade Gottes dahinzugeben", "sein Königreich den Königen zu überlassen" und aus seiner Behausung herauszutreten, sein Angesicht "dem Königreiche zugewandt".
+12:10
Graf Mastai-Ferretti, Bischof von Imola - der 254. Papst seit dem Beginn des Primats des Apostel Petrus - der zwei Jahre nach der Erklärung des Báb auf den apostolischen Thron erhoben wurde und dessen Pontifikat an Dauer das jedes seiner Vorgänger übertraf, wird für immer in der Erinnerung bleiben als Verfasser der Bulle, welche die unbefleckte Empfängnis der gebenedeiten Jungfrau erklärte (1854), was im Kitáb-i-Íqán als Kirchenlehrsatz erwähnt wird, und als Verkünder des neuen Dogmas von der Unfehlbarkeit des Papstes (1870). Eine herrschsüchtige Natur, ein schlechter Staatsmann, unversöhnlich, entschlossen, alle seine Machtbefugnisse zu wahren, konnte er, obgleich er durch Annahme einer ultramontanen Haltung seine Stellung fortwährend abgrenzte und seine geistige Amtsgewalt stärkte, schließlich jene weltliche Herrschaft doch nicht behaupten, die so viele Jahrhunderte lang von den Häuptern der katholischen Kirche ausgeübt worden war.
+12:11 #89
Diese weltliche Macht war im Laufe der Zeiten auf einen unbedeutenden Bruchteil zusammengeschrumpft.
Die Jahrzehnte, die ihrem Erlöschen vorangingen, waren voll der schwersten Wechselfälle.
Als die Sonne der Offenbarung Bahá'u'lláhs zum vollen Mittagsglanze aufstieg, wurden die Schatten, welche das dahinschwindende Patrimonium Petri befielen, entsprechend tiefer.
Das Tablet Bahá'u'lláhs an Pius IX. beschleunigte den Untergang.
Ein flüchtiger Blick auf die Bahn seines sinkenden Glückes während jener Jahrzehnte wird genügen:
Napoleon I. hatte den Papst aus seinem Besitz vertrieben.
Der Wiener Kongreß hatte ihn als dessen Oberhaupt und die Priester in dessen Verwaltung wieder eingesetzt.
Korruption, Zerrüttung und die Unfähigkeit, die innere Sicherheit zu verbürgen, sowie die Wiederherstellung der Inquisition hatten einen Geschichtsschreiber zu der Behauptung veranlaßt, daß "kein Land in Italien, ja in Europa, mit Ausnahme der Türkei, so regiert werde wie dieser Kirchenstaat". "Rom war eine Ruinenstadt, materiell wie moralisch."
Aufstände führten zum Eingreifen Österreichs.
Fünf Großmächte verlangten die Einführung weitreichender Reformen, welche der Papst versprach, aber nicht durchführen konnte.
Österreich griff wiederum ein, erfuhr aber den Widerstand Frankreichs.
Beide belauerten sich wegen der päpstlichen Besitzungen bis 1838, als mit ihrem Rückzug der Absolutismus aufs neue eingeführt wurde.
Die weltliche Macht des Papstes wurde nunmehr von einigen seiner eigenen Untertanen öffentlich angeprangert und damit ihr Untergang im Jahre 1870 angekündigt.
Innere Verwicklungen zwangen ihn, in stockfinsterer Nacht und als einfacher Priester verkleidet, zur Flucht aus Rom, das zur Republik erklärt wurde.
Später wurde durch die Franzosen sein früherer Status wiederhergestellt.
Die schaffung eines Königreiches Italien, die unzuverlässige Politik Napoleons III., das Unheil von Sedan und die von Clarendon auf dem den Krimkrieg abschließenden Pariser Kongreß öffentlich als ein "schandfleck Europas" bezeichneten Untaten der päpstlichen Regierung besiegelten das Schicksal dieser wankenden Herrschaft.
+12:12 #90
1870, nachdem Bahá'u'lláh seinen Brief an Pius IX. geoffenbart hatte, trat Viktor Emanuel I. in den Krieg mit den päpstlichen Staaten, und seine Truppen zogen in Rom ein und besetzten es. Am Vorabend dieser Besetzung begab sich der Papst in den Lateran und stieg, das Gesicht in Tränen gebadet, trotz seines Alters mit gebeugten Knien die Scala Santa hinan. Am nächsten Morgen, als die Beschießung begann, befahl er, die weiße Flagge über dem Petersdom zu hissen. Seines Besitzes beraubt, weigerte er sich, diese "Schöpfung der Revolution" anzuerkennen, exkommunizierte die Eindringlinge in seine Staaten und klagte Viktor Emanuel öffentlich an als "Räuberkönig" und als "jeden religiösen Grundsatzes bar, als Verächter des Rechts und Vergewaltiger jeden Gesetzes". Rom, "die ewige Stadt, auf welcher fünfundzwanzig Jahrhunderte des Ruhmes ruhen" und über welcher die Päpste mit nie bestrittenem Rechte zehn Jahrhunderte lang geherrscht hatten, wurde schließlich zum Sitze eines neuen Königreiches und zum Schauplatz der Demütigung, die Bahá'u'lláh vorausgeschaut und die der Gefangene des Vatikans sich selbst aufgebürdet hatte.
+12:13
"Die letzten Jahre des alten Papstes", schreibt ein Biograph, "waren mit Qualen erfüllt. Zu seinen körperlichen Gebrechen trat noch der Gram, allzuoft sogar im Herzen Roms den Glauben gröblich beleidigt, die religiösen Orden beraubt und verfolgt, die Bischöfe und Priester an der Ausübung ihrer Amtshandlungen verhindert zu sehen."
+12:14
Jede Anstrengung, die 1870 geschaffene Lage wieder rückgängig zu machen, erwies sich als vergeblich. Der Erzbischof von Posen ging nach Versailles, um Bismarcks Einschreiten zugunsten des Papsttums zu erbitten, wurde aber kühl empfangen. später wurde eine katholische Partei in Deutschland gebildet, um einen politischen Druck auf den deutschen Reichskanzler auszuüben. Aber alles war vergebens. Das mächtige, schon erwähnte Geschehen mußte unerbittlich seinen Lauf nehmen. Noch jetzt, nachdem über ein halbes Jahrhundert vergangen ist, hat die sogenannte Restauration der weltlichen Herrschaft nur dazu gedient, die Hilflosigkeit dieses ehemals mächtigen Herrschers noch stärker hervortreten zu lassen, bei dessen Namen Könige zitterten und dessen Doppelherrschaft sie sich völlig unterwarfen. Diese weltliche Herrschaft des Papstes, die tatsächlich auf die Zwergstadt des Vatikans begrenzt war und Rom als unbestrittenen Besitz einer anderen weltlichen Monarchie überließ, wurde erlangt für den Preis einer rückhaltlosen, so lange verweigenen Anerkennung des Königreiches Italien. Der Lateranvertrag, der ein für alle Mal die römische Frage gelöst haben will, hat tatsächlich einer weltlichen Macht hinsichtlich der eingeschlossenen Stadt eine Handlungsfreiheit gesichert, die voll Ungewißheit und Gefahr ist. "Die beiden Seelen der ewigen Stadt", hat ein katholischer Schrillsteller bemerkt, "sind voneinander getrennt worden, nur um noch härter als je zuvor zusammenzustoßen".
+12:15 #91
Der höchste Priester mag sich wohl die Regierung des mächtigsten seiner Vorgänger, Innozenz III., ins Gedächtnis rufen, de in den achtzehn Jahren seines Pontifikates Könige und Kaiser einsetzte und absetzte, dessen Interdikte Völker vom christlichen Gottesdienst ausschlossen, dessen Gesandtem der König von England seine Krone zu Füßen legte, und auf dessen Ruf der vierte und der fünfte Kreuzzug unternommen wurden.
+12:16
Könnte nicht das schon geschilderte Geschehen, im Laufe seines Wirkens während der wildbewegten Jahre, die der Menschheit noch bevorstehen, auf diesem selben Gebiet eine noch verheerendere Erschütterung zutage treten lassen, als sie bereits von ihm verursacht wurde?
+12:17
Der dramatische Zusammenbruch des dritten Kaiserreiches und des napoleonisdien Herrscherhauses und der eigentliche Untergang der weltlichen Herrschaft des Papstes zu Lebzeiten von Bahá'u'lláh waren nur die Vorläufer noch größerer Katastrophen, von denen gesagt werden kann, daß sie die WirkungsZeit 'Abdu'l-Bahás gekennzeichnet haben. Die Kräfte, entfesselt durch einen Konflikt, dessen volle Bedeutung noch unergründet ist und der als Vorspiel zu diesem verheerendsten aller Kriege betrachtet werden kann, können wohl als Anlaß zu diesen schrecklichen Umwälzungen (des 2. Weltkrieges - Anm, d. Herausg.) angesehen werden. Der Verlauf des Krieges von1914-1918 entthronte das Haus Romanow, während sein Abschluß den Sturz der Herrscherhäuser Habsburg und Hohenzollern beschleunigte.
+13 #92
Der Aufstieg des Bolschewismus
Der Aufstieg des in den Feuern jenes erfolglosen Ringens geborenen Bolschewismus erschütterte und stürzte den Thron des Zaren. Alexander II. Nikolajewitsch, welchem Bahá'u'lláh in seinem Tablet befohlen hatte, "sich zu erheben und die Völker vor Gott zu laden", welcher dreimal gewarnt worden war: "Hüte dich, daß dich deine Begierde nicht davon abhalte, dich dem Antlitz deines Herrn zuzuwenden", "hüte dich, daß du diesen erhabenen Rang nicht verscherzest", "hüte dich, daß dich deine Herrschaft nicht von Ihm fernhalte, welcher der oberste Herrscher ist" - war wohl nicht der letzte der Zaren, die im Lande herrschten, aber doch der Urheber einer rückschrittlichen Politik, welche sich am Ende für ihn selbst wie auch für seine Dynastie als verhängnisvoll erwies.
+13:2
In der letzten Zeit seiner Regierung führte er eine reaktionäre Politik ein, die weithin Enttäuschung hervorrief und den Nihilismus aufkommen ließ, der bei seinem Ausbreiten eine Periode des Terrorismus mit beispiellosen Gewaltakten einleitete, schließlich zu verschiedenen Anschlägen auf das Leben des Zaren führte und in seiner Ermordung gipfelte, strenge Unterdrückung kennzeichnete auch die Politik seines Nachfolgers, Alexanders III., der "eine Haltung herausfordernder Feindseligkeit den Neuerem und Liberalen gegenüber einnahm". Die überlieferten Grundsätze eines unberechtigten Absolutismus und einer extremen, streng kirchlichen Richtung wurden durch den noch strengeren Nikolaus II. aufrechterhalten, den letzten der Zaren. Er wurde von den Ratschlägen eines Mannes geleitet, der "die Verkörperung eines beschränkten, unbeugsamen Despotismus" war; durch eine verdorbene Bürokratie unterstützt und durch die unheilvolle Auswirkung eines fremden Krieges gedemütigt, vermehrte er die allgemeine Unzufriedenheit sowohl der Intelligenz wie der Bauern. Für eine Zeitlang in unterirdische Kanäle getrieben und durch militärische Rückschläge entfacht, äußerte sie sich schließlich explosionsartig mitten im großen Krieg in Form einer Revolution, die in der Schaffung einer Ideologie, im Umsturz von Einrichtungen und in dem Gemetzel, das sie beging, kaum ihresgleichen in der modernen Geschichte hat.
+13:3 #93
Ein großes Beben ergriff und erschütterte die Grundlagen jenes Landes. Das Licht der Religion wurde verdüstert. Kirchliche Institutionen jedweden Namens wurden hinweggefegt. Der Staatsreligion wurde die Unterstützung entzogen, sie wurde verfolgt und abgeschafft. Ein ungeheures Weltreich wurde zerstückelt. Ein kämpferisches, triumphierendes Proletariat vertrieb die Geistesarbeiter und plünderte und ermordete den Adel. Bürgerkrieg und Krankheit verminderten eine Bevölkerung, die sich ohnehin in den Qualen der Todesangst und Verzweiflung wand. Und schließlich wurde das Haupt des mächtigen Reiches zusammen mit seinen Gefährten, seiner Familie und seiner Dynastie in den Wirbel dieser großen Erschütterung gerissen und ging darin unter.
+13:4
Dasselbe Gottesgericht, das so gräßliches Unglück auf das Reich des Zaren häufte, brachte in seiner Abschlußphase den Fall des allmächtigen Deutschen Kaisers und des Erben des einst berühmten Heiligen Römischen Reiches. Es zerschmetterte das ganze Gefüge des kaiserlichen Deutschland, das sich aus dem Unheil, welches das napoleonische Herrscherhaus verschlang, erhoben hatte, und gab auch der Doppelmonarchie den Todesstoß.
+13:5 #94
Fast ein halbes Jahrhundert vorher harte Bahá'u'lláh, der in klaren, weithin hallenden Worten den schmählichen Fall des Nachfahren des großen Napoleon vorausgesagt hatte, im Kitáb-i-Aqdas an Kaiser Wilhelm I., den gerade bejubelten Sieger, eine nicht weniger bedeutungsvolle Warnung gerichtet. In Seiner Anrede der Ufer des Rheins hatte Er in ebenso unmißverständlichen Worten das Wehklagen vorausgesagt, welches die Hauptstadt des neu vereinigten Reiches befallen würde.
+13:6
"Denke an den" (Napoleon III.), so redete ihn Bahá'u'lláh an, "dessen Macht deine Macht überragte und dessen Rang deinen Rang übertraf ... O König, denke genau über ihn nach, über ihn und über jene, die gleich dir Städte erobert und Menschen beherrscht haben." Und ferner: "O Ufer des Rheins! Wir traben euch mit Blut bedeckt gesehen, denn die Schwerter der Vergeltung waren gegen euch gezückt, und ihr werdet es ein zweites Mal erleiden. Und Wir hören das Wehklagen Berlins, obgleich es heute in sichtbarem Ruhm erstrahlt."
+13:7
Auf ihn, der in seinem hohen Alter noch zwei von Verfechtern des heranflutenden Sozialismus verübte Anschläge auf sein Leben überstand, auf seinen Sohn Friedrich III., dessen drei Monate währende Regierung von einer tödlichen Krankheit überschattet war, und schließlich auf seinen Enkel Wilhelm II., den eigenwilligen und anmaßenden Monarchen und Zerstörer seines eigenen Kaiserreiches - auf sie alle fiel in verschiedenem Maße das volle Gewicht der Verantwortung, welche die Folge dieser schrecklichen Verkündigungen war.
+13:8
Wilhelm I., der erste Deutsche Kaiser und siebte König von Preußen, der sein ganzes Leben bis zu seiner Thronbesteigung im Heere zugebracht hatte, war ein kriegerischer, selbstherrlicher, mit veralteten Ideen erfüllter Herrscher. Mit Hilfe eines Staatsmannes, der zu Recht als "eines der Genies seines Jahrhunderts" betrachtet wurde, rief er eine Politik ins Leben, die sozusagen ein neues Zeitalter nicht nur für Preußen, sondern für die ganze Welt eingeleitet hat. Diese Politik wurde mit charakteristischer Gründlichkeit verfolgt und vervollkommnet durch Unterdrückungsmaßnahmen, die sie sichern und stützen sollten, durch Kriege, die zu ihrer Verwirklichung geführt wurden, und durch politische Bündnisse, die dann zu ihrer Erhöhung und Festigung geschlossen wurden, Bündnisse, die voll schrecklicher Konsequenzen für den europäischen Erdteil waren.
+13:9 #95
Wilhelm II., vom Temperament her ein Diktator, politisch unerfahren, militärisch aggressiv und religiös unaufrichtig, gab sich als Apostel des europäischen Friedens aus, bestand jedoch in Wirklichkeit auf "der gepanzerten Faust" und "der glänzenden Rüstung".
Verantwortungslos, taktlos und übermäßig ehrgeizig, war seine erste Tat, jenen klugen Staatsmann, den wahren Begründer seines Kaiserreiches, zu entlassen, dessen Weisheit Bahá'u'lláh anerkannt hatte, während die Unklugheit seines kaiserlichen, undankbaren Herrn von 'Abdu'l-Bahá bezeugt worden war.
Der Krieg wurde im Lande des Kaisers zur Religion, und durch Erweiterung der Ziele seiner mannigfaltigen Tätigkeiten fuhr er fort, den weg zu jenem schließlichen Zusammenbruch zu bereiten, der ihn und sein Haus entthronen sollte.
Als der Krieg ausbrach, die Macht seiner Heere seine Gegner scheinbar überwältigt hatte und die Nachrichten seiner Triumphe ins Ausland drangen und auch im fernen Persien widerhallten, da erhoben sich Stimmen, die jene stellen des Kitáb-i-Aqdas bespöttelten, welche so klar das Unglück, das seine Haupstadt befallen sollte, voraussagten, jedoch plötzlich überraschten ihn verhängnisvoll schnelle, unvorhergesehene Rückschläge.
Die Revolution brach aus, Wilhelm II. verließ sein Heer und floh schmachvoll nach Holland, gefolgt vom Kronprinzen.
Die Fürsten der deutschen Staaten dankten ab.
Eine Zeit des Chaos folgte.
Die kommunistische Fahne wurde in der Hauptstadt gehißt, die zu einem Hexenkessel der vorwirrung und des Bürgerkrieges wurde.
Der Kaiser unterzeichnete seine Abdankung.
Die Verfassung von Weimar errichtete die Republik und ließ auf diese weise den ungeheuren, durch die Politik von Blut und Eisen so mühsam aufgeführten Bau vollends krachend zusammenstürzen.
Alle die einstigen Anstrengungen nach jenem Ziel, das seit der Besteigung des preußischen Thrones durch Wilhelm I, mit inneren Gesetzen und äußeren Kriegen stets so emsig erstrebt worden war, wurden zunichte. "Das Wehklagen Berlins", das durch die Bedingungen eines ungeheuerlich strengen Vertrages gequält wurde, erscholl im Gegensatz zu den freudigen Siegesrufen, die ein halbes Jahrhundert vorher im Spiegelsaal des Schloßes von Versailles laut geworden waren.
+13:10 #96
Der Habsburger Monarch, der Erbe einer jahrhundertealten ruhmvollen Geschichte, stürzte zu gleicher Zeit vom Throne. Es war Franz Joseph, den Bahá'u'lláh im Kitáb-i-Aqdas tadelte, nicht seine Sache erforscht und seine Gegenwart aufgesucht zu haben, als er dies so leicht hätte tun können, während er das Heilige Land besuchte. "Du zogst an Ihm vorbei", so wirft Er dem Pilgerkaiser vor, "und forschtest nicht nach Ihm ... wir sind allezeit mit dir gewesen und fanden dich den Zweig festhaltend und der Wurzel nicht achtend ... Öffne deine Augen, auf daß du diese herrliche Erscheinung schauen und Ihn, den du des Tages und zur Nachtzeit anrufst, erkennen und das Licht, das über diesem leuchtenden Horizont strahlt, erblicken mögest."
+13:11
Das Haus Habsburg, in welchem der Kaisertitel fast fünf Jahrhunderte lang erblich geblieben war, wurde, seit jene Worte ausgesprochen waren, in zunehmendem Maße durch die Kräfte innerer Zersetzung bedroht und säte die Saaten äußeren Konflikts. Beiden mußte es schließlich erliegen. Franz Joseph, Kaiser von Österreich und König von Ungarn, ein reaktionärer Herrscher, führte alte Mißstände wieder ein, übersah die Rechte der Nationalitäten und stellte jene Zentralisierung der Ämter wieder her, die sich schließlich seinem Reiche so nachteilig erwies. Wiederholte Tragödien verdüsterten seine Regierungszeit. Sein Bruder Maximilian wurde in Mexiko erschossen. Kronprinz Rudolf ging in einer unehrenhaften Affäre unter. Die Kaiserin wurde in Genf ermordet. Erzherzog Franz Ferdinand und seine Gemahlin wurden in Serajewo ermordet. Dies löste einen Krieg aus, in dessen Verlauf der Kaiser selbst starb und damit eine Regierungszeit abschloß, die an Unheil, das sie dem Volk brachte, von keiner anderen übertroffen wurde.
+14 #97
Das Ende des Heiligen Römischen Reiches
Verspätete Anstrengungen waren noch gemacht worden, seinen wankenden Thron zu festigen. Das "morsche Kaiserreich", ein Gemisch von Staaten, Rassen und Sprachen, ging jedoch unaufhaltsam und schnell seiner Auflösung entgegen. Die politische und wirtschaflliche Situation war verzweifelt. Die Niederlage Österreich-Ungarns in eben diesem Kriege läutete seine Totenglocken und brachte seine Zerstückelung. Ungarn löste seine Verbindung. Das zusammengewürfelte Reich wurde zerrissen und alles, was von dem einst gefürchteten Heiligen Römischen Reich übrigblieb, war eine zusammengeschrumpfte Republik, die ein elendes Dasein führte, bis sie in neuerer Zeit (1941 - Anm. d. Herausg.), anders als ihr Schwestervolk, von der politischen Karte Europas völlig ausgelöscht und weggestrichen wurde.
+14:2
Das war das Schicksal der Reiche der Napoleoniden, der Romanow, der Hohenzollern und der Habsburger, deren Herrscher einschließlich des souveränen Inhabers des päpstlichen Thrones von der Feder des Höchsten einzeln angeredet und dann, je nachdem, vermahnt, vorher gewarnt, verurteilt, zurechtgewiesen und belehrt wurden.
+14:3
Welches Schicksal erfuhren nun jene Herrscher, die eine direkte staatliche Rechtsgewalt über den Glauben, seine Begründer und Anhänger ausübten und in deren Herrschaftsbereichen dieser Glaube geboren und zuerst verbreitet wurde, denen es also freistand, seinen Verkünder zu kreuzigen, seinen Begründer zu verbannen und seine Anhänger niederzumetzeln?
+15 #98
Was geschah mit der Türkei und Persien?
Schon zu Lebzeiten Bahá'u'lláhs und später während des Wirkens von 'Abdu'l-Bahá fielen die ersten Schläge einer langsamen, doch andauernden und unbarmherzigen Vergeltung gleicherweise auf die Herrscher des türkischen Hauses der Osmanen wie auf das Geschlecht der Kadscharen in Persien, die Erzfeinde des jungen Gottesglaubens, Sultán 'Abdu'l-'Azíz verlor seine Macht und wurde bald nach Bahá'u'lláhs Verbannung aus Adrianopel ermordet, während Násiri'd-Dín Sháh zur Zeit der Einkerkerung 'Abdu'l-Bahás in der Festungsstadt 'Akká einem Mordanschlag erlag. Es war jedoch der formbildenden Periode des Gottesglaubens vorbehalten, dem Zeitalter der Geburt und des Aufstiegs der Verwaltungsordnung - die, wie bereits dargelegt, mit ihrer Entfaltung solchen Aufruhr in die Welt bringt -, Zeuge zu sein nicht nur des Untergangs der beiden Herrschergeschlechter, sondern auch der Zwillingseinrichtung des Sultanats und des Kalifats.
+15:2
Von den beiden Gewaltherrschern war 'Abdu'l-'Azíz der mächtigere, ranghöhere, an Schuld beladenere, und er war mehr an der Trübsal und dem Geschick des Gründers unseres Glaubens beteiligt. Er hatte durch seine Erlasse Bahá'u'lláh dreimal verbannt, und in seinem Herrschaftsgebiet verbrachte der Offenbarer fast die ganze Zeit seiner vierzigjährigen Gefangenschaft während seiner Regierung und der seines Neffen und Nachfolgers 'Abdu'l-Hamid II. hatte der Mittelpunkt des Bündnisses ('Abdu'l-Bahá) nicht weniger als vierzig Jahre lang in der Gefängnisstadt 'Akká eine von vielen Gefahren, Beleidigungen und Entbehrungen erfüllte Kerkerhaft auszuhalten.
+15:3
"Lausche, o König", so lautet die von Bahá'u'lláh an Sultán 'Abdu'l-'Azíz gerichtete Mahnung, "den Worten Dessen, der die Wahrheit spricht, Ihm, der von dir keine Belohnung für sich fordert durch Dinge, die Gott dir zu gewähren beliebt hat, Ihm, der unbeirrt den Geraden Pfad wandelt ... Befolge, o König, aus innerstem Herzen und mit deinem ganzen Sein die Gebote Gottes und wandle nicht auf dem Pfade des Tyrannen ... Setze dein Vertrauen nicht auf deine Schätze. Lege deine ganze Zuversicht in die Gnade Gottes, deines Herrn ... überschreite nicht die Grenzen der Mäßigung und verfahre gerecht mit denen, die dir dienen ... Halte dir Gottes unbeirrbare Waage vor Augen und wäge wie einer, der in Seiner Gegenwart steht, auf dieser Waage deine Taten jeden Tag, jeden Augenblick deines Lebens. Ziehe dich zur Rechenschaft, ehe du zur Abrechnung gerufen wirst an dem Tage, da kein Mensch aus Furcht vor Gott die Kraft haben wird, aufrecht zu stehen, an dem Tage, da die Herzen der Achtlosen erzittern werden."
+15:4 #99
"Der Tag naht heran", so weissagt Bahá'u'lláh im Lawh-i-Ra'ís, "da das Land der Geheimnisse (Adrianopel) und seine Umgebung verwandelt und den Händen des Königs entgleiten werden, Aufruhr wird entstehen, die Stimme des Wehklagens erschallen und die Zeilen des Unheils werden überall offenbar werden, und Verwirrung wird sich ausbreiten um dessentwillen, was diesen Gefangenen zugestoßen ist von den Scharen der Unterdrücker. Der Lauf der Dinge wird sich ändern, und die Zustände werden so drückend werden, daß sogar die Sandkörner auf den öden Hügeln stöhnen und die Bäume auf den Bergen weinen werden, und Blut wird überall fließen. Dann wirst du das Volk in schmerzlichem Elend schauen."
+15:5
"Bald", hat Er weiter geschrieben, "wird Er euch in Seinem grimmen Zorn ergreifen, Aufruhr wird sich in eurer Mitte erheben und eure Herrschaftsgebiete werden auseinandergerissen werden. Dann werdet ihr heulen und wehklagen und werdet niemanden finden, der euch helfen und beistehen könnte ... Manches Mal hat Unglück euch befallen, und doch habt ihr völlig versäumt, dessen zu achten. Eines davon war die Feldersbrunst, die den größten Teil der Stadt (Konstantinopel) mit den Flammen der Gerechtigkeit verzehrte und worüber viele Gedichte geschrieben wurden, die besagten, daß ein solches Feuer noch nie gesehen wurde. Und doch wurdet ihr noch achtloser ... Desgleichen brach eine Seuche aus, und ihr beachtetet dies immer noch nicht. Doch seid auf eurer Hut, denn Gottes Zorn wird euch befallen. Binnen kurzem werdet ihr schauen, was aus der Feder Meines Befehls herabgesandt wurde."
+15:6 #100
In einem anderen Tablet, in dem Er den Fall des Sultanats und des Kalifats vorausschaut, tadelt Er die vereinten Mächte des sunnitischen und des schiitischen Islám: "Durch eure Taten ist die erhabene Stufe des Volkes erniedrigt, die Standarte des Islám umgestoßen und sein mächtiger Thron gestürzt worden."
+15:7
Und schließlich im Kitáb-i-Aqdas, das bald nach Bahá'u'lláhs Verbannung nadi 'Akká geoffenbart wurde, redet Er den Sitz der türkischen kaiserlichen Macht also an: "O Ort, der du an den Küsten zweier Meere gelegen bist! Wahrlich, der Thron der Tyrannei ist auf dir errichtet und die Flamme des Hasses ist in deinem Busen entzündet worden ... In der Tat, du bist von offenbarem Stolz erfüllt. Hat deine äußere Pracht dich hochmütig gemacht? Bei Ihm, dem Herrn des Menschengeschlechtes! Sie wird rasch vergehen, und deine Töchter und deine Witwen und alle deines Stammes, die in dir wohnen, werden wehklagen. Dies verkündet dir der Allwissende, der Allweise."
+15:8
Tatsächlich wird an einer höchst bemerkenswerten Stelle im Lawh-i-Fu'ád, worin der Tod des türkischen Außenministers Fu'ád Páshá erwähnt ist, der Sturz des Sultáns selbst unmißverständlich vorausgesagt: "Bald werden Wir den einen ('Alí Páshá), der ihm glich, hinwegnehmen und werden an ihr Oberhaupt (Sultán 'Abdu'l-'Azíz), welches das Land regiert, Hand legen, denn Ich bin wahrlich der Allmächtige, der Allbezwinger."
+15:9
Des Sultáns Reaktion auf diese, auf seine Person, sein Reich, seinen Thron, seine Hauptstadt und seine Minister bezüglichen Worte kann aus der Schilderung der Leiden, die er Bahá'u'lláh zufügte und die schon am Anfang dieses Buches berichtet sind, entnommen werden. Das Erlöschen der "äußeren Pracht", die diesen Sitz kaiserlicher Macht umgab, ist der Gegenstand, den ich nun des weiteren erklären werde.
+16 #101
Der Untergang des türkischen Reiches
Ein umwälzendes Geschehen, eines der bemerkenswertesten der neuesten Geschichte, geriet von der Zeit an in Bewegung, da Bahá'u'lláh als Gefangener in Konstantinopel einem türkischen Beamten seine an Sultán 'Abdu'l-'Azíz und dessen Minister gerichtete Schrift übergab, die an 'Alí Páshá, den Großwesir, weitergeleitet werden sollte.
Es war dieses Tablet, das, wie durch diesen Beamten bezeugt und durch Nabíl in seiner Chronik bestätigt wird, den Großwesir beim Lesen so tief ergriff, daß er erbleichte.
Dieses Geschehen erhielt neuen Antrieb, als das Lawh-i-Ra'ís zu Beginn der letzten der Verbannungen seines Verfassers von Adrianopel nach 'Akká geoffenbart wurde.
Unbarmherzig, verheerend, mit immer gesteigerter Wucht wuchs es sich zum Verhängnis aus, schädigte das Ansehen des Reiches, zerstückelte sein Gebiet, entthronte seine Sultáne, fegte deren Dynastie hinweg, nahm seinen Kalifen Amt und Würden, löste seine Religion vom Staat und löschte seinen Ruhm aus.
Der "kranke Mann"
Europas, dessen Zustand von dem göttlichen Arzt unfehlbar diagnostiziert und dessen Untergang als unvermeidlich verkündet worden war, brach während der Regierung von fünf Sultánen - alle entartet, alle entthront - als Raub einer Reihe von Erschütterungen zusammen, die sich auf die Dauer als verhängnisvoll für sein Leben erwiesen.
Das türkische Sultanat, das unter 'Abdu'l-Majíd in das europäische Konzert aufgenommen und siegreich aus dem Krimkrieg hervorgegangen war, geriet unter dessen Nachfolger 'Abdu'l-'Azíz in eine Zeit raschen Niedergangs, die bald nach 'Abdu'l-Bahás Hinscheiden in dem Untergang endete, den Gottes Gericht über dieses Reich ausgesprochen hatte.
+16:2 #102
Aufstände in Kreta und auf dem Balkan kennzeichneten die Regierung dieses 32.
Sultáns seines Geschlechtes, eines Despoten, dessen Gemüt leer und dessen Leichtsinn ungeheuer waren und dessen Ausschweifungen keine Grenzen kannten.
Die östliche Frage trat in ein akutes Stadium.
Seine grobe Mißregierung ließ Bewegungen aufkommen, die weitreichende Wirkungen auf sein Reich ausüben sollten, während seine fortwährenden, übermäßigen Anleihen ihn an den Rand des Bankrottes brachten und das System ausländisdier Kontrolle über die Finanzen seines Reiches einleiteten.
Eine Verschwörung, die zu einer Palastrevolution führte, setzte ihn schließlich ab.
Eine Fatvá (Urteil, Rechtsgutachten) des Muftí bezichtigte ihn der Unfähigkeit und der Verschwendung.
Vier Tage später wurde er ermordet, sein Nachfolger war sein Neffe, Murád V., dessen Geist durch Ausschweifung und durch eine lange Abgeschlossenheit im Gefängnis zu einem Nichts geworden war.
Für schwachsinnig erklärt, wurde er nach einer Regierung von drei Monaten abgesetzt. sein Nachfolger war der heimtückische, wendige, argwöhnische, tyrannische 'Abdu'l-Hamid II., der "sich als der gemeinste, listigste, unzuverlässigste und grausamste Ränkeschmied des alten Herrschergeschlechtes der Osmanen erwies". "Niemand", so wurde über ihn geschrieben, "wußte, wer gerade an diesem Tag die Person war, auf deren Rat hin der Sultán über seine Ministerpuppen schaltete, ob eine Lieblingsfrau seines Harems oder ein Eunuch oder irgendein fanatischer Derwisch oder ein Astrologe oder ein Spion".
Die Unmenschlichkeiten in Bulgarien eröffneten die finstere Regierung dieses "großen Meuchelmörders", die Europa vor Schaudern erzittern ließen und von Gladstone als "der gemeinste und schwärzeste Schandfleck in der Chronik jenes (19.) Jahrhunderts" gekennzeichnet wurden.
Der Krieg von 1877-78 beschleunigte den Prozeß der Zerstückelung des Reiches.
Nicht weniger als elf Millionen Menschen wurden vom türkischen Joche befreit.
Russische Truppen besetzten Adrianopel. serbien, Montenegro und Rumänien erklärten ihre Unabhängigkeit.
Bulgarien wurde ein dem Sultán tributpflichtiger Staat mit eigener Regierung.
Zypern und Ägypten wurden besetzt.
Die Franzosen übernahmen das Protektorat über Tunis.
Ostrumelien wurde an Bulgarien abgetreten.
Die Massenabschlachtungen der Armenier, die unmittelbar und mittelbar hunderttausend Menschen erfaßten, waren nur ein Vorgeschmack der noch ausgedehnteren Gemetzel, die unter einer späteren Regierung folgten.
Bosnien und die Herzegowina gingen an Österreich verloren.
Bulgarien erreichte seine Unabhängigkeit.
Allgemeine Verachtung und Haß gegen einen schändlichen Herrscher, gleicherweise von seinen christlichen wie von seinem muhammadanischen Untertanen gehegt, gipfelten schließlich in einer raschen und alles hinwegfegenden Revolution.
Der Ausschuß der Jungtürken sicherte sich vom Shaykhu'lIslám die Verurteilung des Sultáns.
Verlassen und ohne Freunde, verabscheut von seinen Untertanen und verachtet von den anderen Herrschern, wurde er zur Abdankung gezwungen und zum staatsgefangenen gemacht.
So endete seine Regierung, die "unheilvoller war durch ihre unmittelbaren Gebietsverluste und durch die Gewißheit, daß noch andere folgen würden, und auffallender durch die Verschlechterung der Lebensbedingungen der Untertanen, als die irgendeiner anderen seiner dreiundzwanzig entarteten Vorgänger seit dem Tode Solimans des Prächtigen".
+16:3 #103
Das Ende einer so schändlichen Regierung war aber der Beginn einer neuen Zeit, die, wie freudig sie auch zuerst begrüßt wurde, doch dazu bestimmt war, Zeuge des Zusammenbruchs des wackeligen und wurmstichigen osmanisdien Staates zu sein. Muhammad V., ein Bruder 'Abdu'l-Hamíds II., eine reine Null, erwies sich unfähig, den Zustand seiner Untertanen zu verbessern. Die Torheiten seiner Regierung besiegelten schließlich den Untergang des Reiches. Der Krieg von 1914-18 brachte die Gelegenheit. Militärische Ruckschläge ließen die Kräfte hochkommen, die seine Grundlagen untergruben. während der Krieg noch ausgefochten wurde, deuteten der Abfall des Emirs von Mekka und der Aufstand der arabischen Provinzen schon auf die Erschütterungen hin, welche den türkischen Thron bedrohten. Die überstürzte Flucht und völlige Auflösung des Heeres Jamál Päshäs, des Oberbefehlshabers in syrien - der nach seiner siegreichen Rückkehr aus Ägypten geschworen hatte, das Grab Bahá'u'lláhs dem Erdboden gleichzumachen und den Mittelpunkt des Bündnisses auf einem Marktplatz in Konstantinopel vor aller Augen zu kreuzigen - war das Signal für die Rachegöttin, die ein Reich in Not stürzen sollte. Neun Zehntel der großen türkischen Armee war dahingeschmolzen. Ein Viertel der ganzen Bevölkerung war durch Krieg, Seuchen, Hunger und Gemetzel umgekommen.
+16:4 #104
Ein neuer Herrscher, Muhammad VI., der letzte in der Reihe der fünfundzwanzig entarteten Sultáne, war nun seinem jämmerlichen Bruder nachgefolgt. Der Bau seines Reiches zitterte und wankte jetzt seinem Sturz entgegen. Mustafá Kamál gab ihm den Gnadenstoß: Die Türkei, nunmehr zu einem kleinen asiatischen Staat zusammengeschrumpft, wurde eine Republik. Der Sultán wurde abgesetzt, das osmanische Sultanat war zu Ende, ein Herrschertum, das sechseinhalb Jahrhunderte ununterbrochen gedauert hatte, war erloschen. Ein Reich, das sich von der Mitte Ungarns bis zum Persischen Golf und zum Sudan und vom Kaspischen Meer bis oran in Afrika erstreckt hatte, war nun zu einer kleinen asiatischen Republik herabgesunken. Konstantinopel selbst, das nach dem Fall von Byzanz als die glänzende Metropole des Römischen Reiches geehrt und zur Hauptstadt des osmanischen Reiches gemacht worden war, wurde von seinen einstigen Eroberern aufgegeben und seines Pompes und Ruhmes entkleidet - ein stummer Zeuge der gemeinen Tyrannei, die so lange seinen Thron befleckt hatte.
+16:5
Das waren in knappen Umrissen die schrecklichen Beweise jener vergeltenden Gerechtigkeit, die so tragisch 'Abdu'l-'Azíz, seine Nachfolger, seinen Thron und seine Dynastie befiel. Was geschah nun mit Násiri'd-Dín Sháh, dem anderen Teilnehmer an jener kaiserlichen Verschwörung, die den keimenden Gottesglauben mit Wurzeln und Zweigen auszurotten suchte? seine Reaktion auf die göttliche Botschaft, die ihm von dem furchtlosen Badí, dem "Stolz der Märtyrer", gebracht wurde, der sich aus freiem Entschluß dazu erboten hatte, war kennzeichnend für jenen unversöhnlichen Haß, der seine ganze Regierungszeit hindurch so heftig in seiner Brust glühte.
+17 #105
Göttliche Vergeltung am Hause der Kadscharen
Der französische Kaiser hatte, wie berichtet, Bahá'u'lláhs Tablet fortgeschleudert und, wie Bahá'u'lláh selbst bestätigt, seinen Minister angewiesen, dem Verfasser eine unehrerbietige Antwort zu senden. Der Großwesir von 'Abdu'l-'Azíz - das ist zuverlässig festgestellt - erbleichte, als er die Mitteilung an seinen kaiserlichen Herrn und dessen Minister las, und tat folgende Äußerung: "Es ist, als gäbe der König der Könige seinen Befehl an seinen untersten Vasallenkönig und rüge dessen Verhalten." Königin Viktoria soll beim Lesen des für sie geoffenbarten Tablets bemerkt haben: "Wenn dies von Gott ist, wird es fortdauern; wenn nicht, kann es keinen Schaden anrichten." Es war jedoch Násiri'd-Dín Sháh vorbehalten, auf Anstiften der Geistlichen hin seine Rache an ihm, den er nicht länger persönlich strafen konnte, dadurch auszuüben, daß er diesen Boten, einen Jüngling von etwa 17 Jahren, gefangennahm, mit Ketten belud, auf der Folter quälte und schließlich tötete.
+17:2
Diesem despotischen Herrscher hatte Bahá'u'lláh, dcr ihn als den "Fürsten der Unterdrücker" bezeichnete und als einen, der bald zu einem "Schulbeispiel für die Welt" werden würde, geschrieben: "O König, blicke auf diesen jungen Mann mit den Augen der Gerechtigkeit. Beurteile sodann aufrichtig, was Ihn (d.i. Bahá'u'lláh) befallen hat. Wahrlich, Gott hat dich unter den Menschen zu Seinem Schatten gemacht und zum Zeichen Seiner Macht für alle, die auf Erden wohnen." Und ferner: "O König! Würdest du dein Ohr dem Zirpen der Feder der Herrlichkeit und dem Gurren der Taube der Ewigkeit zuneigen ..., so würdest du zu einer Stufe gelangen, von der aus du in der Welt des Daseins nichts als den Glanz des Angebeteten schauen und deine Herrschaft als das Verachtungswürdigste deiner Besitztümer ansehen würdest und sie jedem überließest, der sie gerade begehrt, und du würdest dein Angesicht dem Horizonte zuwenden, der im Lichte Seines Antlitzes erglüht." Und wiederum: "Wir sind jedoch geneigt zu hoffen, daß Seine Majestät der Sháh diese Dinge selbst erforschen und den Herzen Hoffnung bringen werde. Was Wir dir unterbreitet haben, dient fürwahr deinem höchsten Glück."
+17:3 #106
Diese Hoffnung sollte jedoch unerfüllt bleiben. sie wurde in der Tat vernichtet durch eine Regierung, die mit der Hinrichtung des Báb und der Einkerkerung Bahá'u'lláhs im Siyáh-Chál von Tihrán begonnen hatte, durch einen Herrscher, der wiederholt Bahá'u'lláhs aufeinanderfolgende Verbannungen veranlaßt hatte, und durch ein Herrscherhaus, das sich durch die Hinmetzelung von nicht weniger als zwanzigtausend seiner Anhänger befleckt hatte. Die dramatische Ermordung des Sháh, die schimpfliche Regierung der letzten Herrscher aus dem Hause der Kadscharen und das Verlöschen dieses Geschlechtes waren die Kennzeichen der göttlichen Vergeltung, die von diesen Abscheulichkeiten herausgefordert worden war.
+17:4
Die Kadscharen aus dem fremden Turkmenenstamme hatten den persischen Thron tatsächlich zu Unrecht an sich gerissen. Áqá Muhammad Khán, der Eunuchenschah und Begründer des Herrscherhauses, war ein so abscheulicher, gieriger, blutdürstiger Tyrann, daß das Andenken keines Persers so verabscheut und allgemein verflucht ist wie das seine. Die Chronik seiner Regierung und der seiner unmittelbaren Nachfolger zeugt von Wandalismus, inneren Kriegen, widerspenstigen und aufrührerischen Häuptlingen, von Räubereien und mittelalterlicher Unterdrückung, während die Annalen späterer Kadscharen durch den Stillstand der Nation, die Unwissenheit des Volkes, die Verdorbenheit und Unfähigkeit der Regierung, die schändlichen Ränke des Hofes, die Entartung der Prinzen, die Verantwortungslosigkeit und die Ausschweifungen des Herrschers und seine elende Unterwürfigkeit unter eine offenkundig heruntergekommene Priesterkaste gekennzeichnet sind.
+17:5 #107
Der Nachfolger Áqá Muhammad Khans, der den Frauen verfallene, nachkommenreiche Fath-'Alí-Sháh, der sogenannte "Darius des Zeitalters", war ein eitler, anmaßender, gewissenloser Geizhals, berüchtigt wegen der Unzahl seiner Frauen und Kebsweiber, die sich auf über tausend belief, wegen seiner zahllosen Nachkommenschaft und wegen des Unheils, das seine Regierung über das Land brachte.
Er war es, der befahl, seinen Wesir, dem er den Thron verdankte, in einen Kessel mit siedendem Öl zu werfen.
Was seinen Nachfolger, den frömmelnden Muhammad-Sháh betrifft, so war eine seiner ersten, durch Bahá'u'lláhs Feder klar verdammten Taten der Befehl, seinen obersten Minister, den erlauchten Qá'ím-Maqám, der von derselben Feder als der "Fürst in der Stadt der Staatskunst und der literarischen Bildung" unsterblich gemacht wurde, zu erdrosseln und ihn durch den gemeinen, abgefeimten Schurken Hájí Mírzá Áqásí, der das Land an den Rand des Bankrotts und der Revolution brachte, zu ersetzen.
Es war eben dieser Sháh, der dem Báb eine Unterredung verweigerte und ihn in Ádhirbáyján gefangensetzte und der im Alter von vierzig Jahren von einer Reihe von Krankheiten befallen wurde, denen er erlag, somit das Schicksal beschleunigend, das durch die folgenden Worte im "Qayyúmu'l-Asmá'" vorausgesagt war: "O Sháh!
Ich schwöre bei Gott!
Wenn du Ihm, welcher Sein Gedenken ist, Feindschaft erweist, wird dich Gott am Tage der Auferstehung vor den Königen zu höllischem Feuer verdammen, und du wirst, das ist gewißlich wahr, an jenem Tage keinen Helfer finden außer Gott, dem Erhabenen."
+17:6 #108
Násiri'd-Dín Sháh, ein selbstsüchtiger, launischer, anmaßender Monarch, folgte auf den Thron und war dazu bestimmt, ein halbes Jahrhundert lang der einzige Gebieter über die Geschicke dieses unglücklichen Landes zu bleiben.
Unheilvolle Geheimnistuerei, chaotische Verwaltung der Provinzen, die Zerrüttung der Finanzen des Reiches, die Ränke, Rachsucht und Verruchtheit der verzärtelten und gierigen Höflinge, die seinen Thron umschwirrten und umschwärmten, und seine eigene Gewaltherrschaft, die nur durch die sein Tun in Schranken haltende Furcht vor der öffentlichen Meinung Europas und dem wunsche, daß man in den Hauptstädten des Westens gut über ihn denke, nicht noch grausamer und wilder gewesen war - das waren die Charakterziige der blutigen Regierung eines Menschen, der sich selbst als "Fußpfad des Himmels" und "Asyl des Weltalls" bezeichnete.
Eine dreifache Finsternis von Chaos, Bankrott und Unterdrückung hüllte das Land ein.
Seine Ermordung war das erste Vorzeichen der Revolution, welche die Vorrechte seines Sohnes und Nachfolgers beschränken, die beiden letzten Herrscher aus dem Hause der Kadscharen absetzen und ihre Dynastie austilgen sollte.
Am Vorabend seines Jubiläums, das ein neues Zeitalter eröffnen sollte und dessen Fest bis ins einzelne vorbereitet war, fiel er am Grabmal von Sháh 'Abdu'l-'Azím einem Mordanschlag zum Opfer; sein Leichnam wurde in seinen Palast zurückgefahren, in der Königskutsche dem Großwesir gegenüber aufgestützt, um so die Nachricht seiner Ermordung hinauszuschieben.
+17:7
"Es wurde geflüstert", schreibt ein Augenzeuge sowohl der Zeremonie wie auch der Ermordung, "daß der Festtag des Sháh der größte in der Geschichte Persiens werden sollte ...
Gefangene sollren bedingungslos freigelassen und eine allgemeine Amnestie sollte verkündet werden; den Bauern wurde Steuerbefreiung für mindestens zwei Jahre versprochen ...
Die Armen sollten auf Monate hinaus ernährt werden.
Minister und Beamte spannen schon ihre Ränke wegen Ehrungen und Pensionen von seiten des Sháh.
Grabstätten und heilige Plätze sollten ihre Pforten allen Reisenden und Pilgern öffnen, und die Siyyids und Mullas nahmen eine Medizin ein, um ihre Stimmen für den Preisgesang auf den Sháh auf allen Kanzeln bereitzumachen.
Die Moscheen wurden ausgekehrt und für Massenversammlungen und öffentliche Gebete für das Staatsoberhaupt vorbereitet ...
Geweihte Quellen wurden erweitert, um mehr heiliges Wasser fassen zu können, denn die Behörden hatten vorausgesehen, daß mit Hilfe dieser Brunnen viele Wunder am Jubiläumstag geschehen könnten ...
Der Sháh hatte erklärt ..., daß er auf seine Vorrechte als Alleinherrscher verzichten und sich zum `erhabenen Vater aller Perser` erklären würde.
Die Stadtbehörde sollte ihre strenge Wachsamkeit mildern.
Kein Verzeichnis sollte über die Fremden geführt werden, die in den Karawansereien zusammenströmten, und der Bevölkerung sollte es freistehen, die ganze Nacht durch die Straßen zu wandern."
Sogar die großen Mujtahids hatten, soweit durch denselben Augenzeugen berichtet worden ist, "beschlossen, für den Augenblick die Verfolgung der Bábí und anderer Ungläubigen zu unterbrechen".
+17:8 #109
So fiel der, dessen Regierung für immer mit dem verruchtesten Verbrechen der Geschichte verbunden sein wird - dem Märtyrertod Dessen, den die höchste Manifestation Gottes als "Punkt, um den die Wirklichkeiten der Propheten und Gottgesandten kreisen", verkündigt hat. In einem Tablet, worin die Feder Bahá'u'lláhs den Sháh verdammt, lesen wir: "Unter ihnen (den Königen der Erde) ist der König von Persien, der Ihn, den Tempel der Sache (den Báb), im Freien aufhängen und hinrichten ließ mit einer solchen Grausamkeit, daß alle erschaffenen Dinge, die Bewohner des Paradieses und die Heerscharen der Höhe um Ihn weinten. Darüber hinaus erschlug er etliche aus Unserer Verwandtschaft, plünderte Unseren Besitz und machte Unsere Familien zu Gefangenen in den Händen der Unterdrücker. Immer wieder kerkerte er auch Mich ein. Bei Gott, dem Wahren! Keiner kann ermessen, was Mich im Kerker befiel, außer Gott, der die Abrechnung hält, dem Allwissenden, dem Allmächtigen. Später verbannte er Mich und Meine Familie aus Meinem Vaterlande, worauf wir im 'Iráq in offensichtlicher Trübsal anlangten. Wir weilten dort bis zu der Zeit, da der König von Rúm (der Sultán der Türkei) sich gegen Uns wandte und Uns vor den Thron seiner Herrschaft entbot. Als Wir ihn erreichten, befiel Uns, was den König von Persien erfreute. Später kamen Wir in dieses Gefängnis, in dem Unsere geliebten Gefährten von Uns weggerissen wurden. In solcher Weise hat er an Uns gehandelt."
+17:9 #110
Die Tage des Kadscharenhauses waren nun gezählt.
Die Erstarrung des Nationalbewußtseins war verschwunden.
Die Regierung des Muzaffari'd-Dín Sháh, des Nachfolgers von Násiri'd-Dín Sháh, ein schwaches und ängstliches Geschöpf, verschwenderisch und nachgiebig seinen Höflingen gegenüber, führte das Land die breite Straße hinab ins Verderben.
Die Bewegung für eine Verfassung, die die Vorrechte des Oberhauptes beschränkte, gewann an Macht und gipfelte in der Unterzeichnung der Verfassung durch den sterbenden Sháh, der wenige Tage später den Geist aufgab.
Muhammad-'Alí Sháh, ein Despot schlimmster Sorte, ohne feste Grundsätze und geizig, folgte ihm auf den Thron.
Verfassungsfeindlich eingestellt, beschleunigte er durch sein rasches Vorgehen mit der Beschießung des Baháristán, wo die Versammlung tagte, eine Revolution, die zu seiner Absetzung durch die Nationalisten führte.
Nachdem er nach langem Herumfeilschen eine große Pension angenommen harte, zog er sich schmählich nach Rußland zurück.
Der knabenhafte König Ahmad-Sháh, der auf ihn folgte, war eine reine Null und kümmerte sich nicht um seine Pflichten.
Die schreiende Not seines Landes blieb weiterhin unbeachtet.
Wachsende Gesetzlosigkeit, die Ohnmacht der Zentralregierung, der Zustand der nationalen Finanzen, die fortschreitende Verschlechterung der allgemeinen Lage des Landes, das tatsächlich im Stich gelassen war von einem Staatsoberhaupt, das die fröhliche Leichtfertigkeit des gesellschafllichen Lebens in den europäischen Hauptstädten der Erfüllung der ernsten, dringenden, vom Zustand seines Volkes erheischten Verantwortung vorzog, dies alles läutete das Grabgeläute für ein Herrscherhaus, das, wie jeder fühlte, die Krone verwirkt hatte.
+17:10 #111
Während der Sháh auf einem seiner regelmäßigen Besuche im Ausland weilte, setzte ihn das Parlament ab und erklärte das Ende seiner Dynastie, die den Thron Persiens einhundertdreißig Jahre eingenommen hatte, deren Herrscher stolz beanspruchten, von keinem Geringeren als von Japhet, dem Sohne Noahs, abzustammen, und deren aufeinanderfolgende Monarchen mit nur einer Ausnahme entweder ermordet, abgesetzt oder von tödlicher Krankheit dahingerafft worden waren.
+17:11
Ihre zahllose Nachkommenschaft, ein wahrer "Bienenstock von Prinzchen", eine "Brut königlicher Drohnen", war eine Schande und eine Bedrohung für ihre Landsleute. Nun machen auch noch diese unglücklichen Nachkömmlinge eines gestürzten Hauses - aller Macht beraubt und teilweise gar bis zur Bettelei herabgesunken - in ihrem Unglück die Folgen der scheußlichkeiten, die ihre Vorfahren verübt haben, öffentlich bekannt. Die Reihen der unseligen Sprößlinge des Hauses der Osmanen, der Romanow, der Hohenzollern, der Habsburger und der napoleonischen Dynastie vermehrend, irren sie in der Welt umher, des Wesens jener Kräfte kaum bewußt, die so tragische Umwälzungen in ihrem Leben bewirkt und so stark zu ihrer jetzigen mißlichen Lage beigetragen haben.
+17:12
Schon haben Enkel sowohl von Násiri'd-Dín Sháh wie auch von Sultán 'Abdu'l-'Azíz sich in ihrer Hilflosigkeit und Not an das Weltzentrum des Glaubens Bahá'u'lláhs gewandt und um politischen Beistand und finanzielle Unterstützung nachgesucht. Im Falle des ersteren wurde die Bitte sofort und entschieden abgelehnt, während sie im Falle des letzteren unverzüglich gewährt wurde.
+18 #112
Der Niedergang im Geschick des Königtums
Wenn wir den Niedergang im Geschick des Königtums in anderen Bereichen betrachten, sei es in den dem großen Kriege unmittelbar vorausgehenden Jahren, sei es später, und über das Schicksal nachdenken, welches das chinesische Reich, die portugiesische und die spanische Monarchie und etwas später die Herrscher von Norwegen, Dänemark und Holland in den Wechselfällen der Vergangenheit und Gegenwart befallen hat, wenn wir die Ohnmacht der übrigen Herrscher sehen und die Furcht und das Zittern bemerken, die ihre Throne ergriffen haben, können wir da nicht ihre Lage mit den Anfangsstellen der Súriy-i-Mulúk in Zusammenhang bringen, die angesichts ihrer folgenschweren Bedeutung ein zweitesmal auszuführen ich mich bewogen fühle: "O Schar der Könige, fürchtet Gott und laßt euch diese höchsterhabene Gnade nicht entgehen ...
Wendet eure Herzen dem Antlitz Gottes zu und gebt auf, wonach euch eure Wünsche trachten ließen, und gehört nicht zu denen, die zugrunde gehen ...
Ihr erforschtet nicht Seine (des Báb) Sache, wo dies zu tun doch besser für euch gewesen wäre als alles, was die Sonne bescheint - o könntet ihr es doch werstehen! ...
Hütet euch, weiterhin so nachlässig zu sein, wie ihr es ehedem gewesen seid ...
Mein Antlitz kam hinter den Schleiern hervor und goß seine Strahlen auf alles, was im Himmel und auf Erden ist.
Und doch habt ihr euch Ihm nicht zugewandt ...
So erhebt euch denn .., und macht wieder gut, was euch entgangen ist ...
Wenn ihr den Ratschlägen, die wir in unvergleichlicher und unzweideutiger Sprache in diesem Tablet geoffenbart haben, keine Beachtung schenkt, dann wird von allen Seiten göttliche Züchtigung über euch kommen, und der Urteilsspruch Seiner Gerechtigkeit wird gegen euch werkündet werden ...
Zwanzig Jahre sind verronnen, o Könige, während derer Wir jeden Tag die herben Qualen einer neuen Trübsal empfunden haben ...
Obwohl der meisten Unserer Leiden gewahr, habt ihr es dennoch unterlassen, dem Angreifer in den Arm zu fallen.
Ist es denn nicht eure klare Pflicht, der Tyrannei des Unterdrückers Einhalt zu gebieten und eure Untertanen unparteiisch zu behandeln, auf daß euer hoher Gerechtigkeitssinn der ganzen Menschheit voll bewiesen werde?"
+18:2
Kein Wunder, daß Bahá'u'lláh angesichts der Ihm von den Herrschern der Erde zugemessenen Behandlung, wie schon angeführt, diese Worte schreiben mußte: "Zwei Gruppen von Menschen wurde die Macht entzogen: Königen und Geistlichen." Er geht sogar noch weiter und stellt in seinem Tablet an Shaykh Salmán fest: "Eines der Reifezeichen der Welt ist, daß es niemand auf sich nehmen wird, die Last der Königswürde zu tragen. Das Königtum wird niemanden finden, der seine Last allein zu tragen gewillt wäre. Jener Tag wird der Tag sein, an dem die Weisheit unter der Menschheit offenbar gemacht werden wird. Nur um die Sache Gottes zu verkünden und Seinen Namen weithin zu verbreiten, wird sich jemand finden, der gewillt ist, diese drückende Bürde zu tragen. Wohl dem, der aus Liebe zu Gott und zu Seiner Sache und um Gottes willen und in der Absicht, Seinen Glauben zu werkünden, sich dieser großen Gefahr aussetzen und diese Mühen und Beschwerden auf sich nehmen will."
+19 #113
Anerkennung des Königtums
Gleichwohl soll niemand, aus Irrtum oder Unwissen, die Absicht Bahá'u'lláhs falsch darstellen, so streng Er auch jene ihn verfolgenden Herrscher verurteilte, und so scharf Er auch jene tadelte, die offenkundig ihre klare Pflicht versäumten, die Wahrheit seines Glaubens zu erforschen und dem Übeltäter Einhalt zu gebieten, so enthalten doch seine Lehren keinen Grundsatz, der irgendwie als eine Nichtanerkennung oder gar als eine, wenn auch noch so verschleierte, Verächtlichmachung der Einrichtung des Königtums ausgelegt werden dürfte.
Der verhängnisvolle Sturz und der Untergang der Herrscherhäuser und Reiche jener Monarchen, deren unheilvolles Ende Er im besonderen geweissagt hatte, und das sinkende Glück der Staatsoberhäupter seiner eigenen Generation, die Er allgemein tadelte - beides bildete einen vorübergehenden Entwicklungsabschnitt des Glaubens - sollten in keiner Weise mit der zukünftigen Stellung dieser Einrichtung verwechselt werden.
In der Tat, wenn wir in den Schriften des Begründers des Bahá'íGlaubens forschen, werden wir unzweifelhaft zahllose stellen finden, in denen mit Ausdrücken, die niemand falsch darstellen kann, das Prinzip des Königtums gelobt und der Rang und das Verhalten von gerechten und edelgesinnten Königen gerühmt werden.
Das Kommen von Herrschern, die mit Gerechtigkeit regieren und sich sogar zu seinem Glauben bekennen, wird vorausgeschaut, und die feierliche Pflicht, sich zu erheben und den Sieg der Bahá'í-Herrscher zu verbürgen, wird allen nahegelegt.
Aus den oben angeführten, von Bahá'u'lláh an die Monarchen der Erde gerichteten Worte zu schließen, und aus der Schilderung der beklagenswerten Verhängnisse, die so viele von ihnen befallen haben, zu folgern, daß seine Anhänger die völlige Aufhebung des Königtums entweder vertreten oder erwarten, wäre in der Tat gleichbedeutend mit einer Verzerrung seiner Lehre.
+19:2 #114
Ich kann nichts Besseres tun, als einige der eigenen Zeugnisse von Bahá'u'lláh anzuführen und es dem Leser zu überlassen, sich sein eigenes Urteil über die Unrichtigkeit solcher Schlußfolgerung zu bilden, in seinem "Brief an den Sohn des Wolfes" zeigt Er die wahre Quelle des Königtums auf: "Achtung vor dem Rang der Staatsoberhäupter ist von Gott verordnet, wie es klar durch die Worte der Offenbarer Gottes und Seiner Erwählten bezeugt ist. Er, welcher der Geist ist (Jesus) - Friede ruhe auf Ihm - wurde gefragt: `O Geist Gottes! Ist es rechtens, dem Kaiser Tribut zu zahlen, oder nicht?` Und Er gab zur Antwort: `Ja, gebt dem Kaiser, was des Kaisers ist, und Gott, was Gottes ist.` Er verbot es nicht. Diese beiden Sätze sind in den Augen einsichtsvoller Menschen ein und dasselbe, denn wenn, was des Kaisers ist, nicht von Gott gekommen wäre, so hätte Er es verboten. Und ebenso in dem geheiligten Verse: `Gehorchet Gott und gehorchet dem Glaubensboten und denen unter euch, die mit Autorität bekleidet sind.` Unter den mit `Autorität Bekleideten` sind vor allem und im besonderen die Imáme gemeint - Gottes Segen ruhe auf ihnen. Wahrlich, sie sind die Offenbarung der Macht Gottes, die Quellen Seiner Autorität, die Verwahrungsorte Seiner Erkenntnis und die Tagesanbrüche Seiner Gebote. In zweiter Linie beziehen sich diese Worte auf die Könige und Herrscher, auf jene, durch deren Glanz der Gerechtigkeit die Horizonte der Welt strahlend und hell werden."
+19:3 #115
Und ferner: "Im Römerbrief hat Paulus geschrieben: `Laßt jedermann untertan sein den Obrigkeiten, denn es ist keine Obrigkeit ohne von Gott; wo aber Obrigkeit ist, die ist von Gott verordnet. Darum, wer immer der Gewalt sich widersetzt, widersetzt sich Gottes Verordnung.` Und weiterhin: `Denn er ist ein Gehilfe Gottes und ein Rächer des Zornes über den, der übles tut.` Er sagt, daß das Auftreten der Könige und ihre Majestät und Macht von Gott sind."
+19:4
Und wiederum: "Ein gerechter König erfreut sich näheren Zugangs zu Gott als sonst jemand. Dies bezeugt Er, welcher in Seinem Größten Gefängnis spricht."
+19:5
Ebenso erklärt Bahá'u'lláh in den Bishárát (Frohe Botschaften), daß "die Majestät des Königtums eines der Zeichen Gottes" ist. "Wir wünschen nicht", fügt Er hinzu, "daß die Länder der Welt dessen beraubt würden."
+19:6
Im Kitáb-i-Aqdas tut Er seinen Plan kund und lobt den König, der sich zu seinem Glauben bekennen wird: "Bei der Gerechtigkeit Gottes! Es ist nicht Unser Wunsch, Hand an eure Königreiche zu legen. Unsere Sendung ist, die Menschenherzen zu erfassen und zu besitzen. Auf sie sind die Augen Bahás gerichtet. Dies bezeugt das Reich der Namen - könntet ihr es doch begreifen. Wer seinem Herrn folgt, wird auf die Welt verzichten und auf alles, was darinnen ist. Wieviel größer muß dann die Loslösung Dessen sein, der eine so erhabene Stufe innehat.!" "Wie groß ist der Segen, der des Königs wartet, der sich erheben wird, Meine Sache in Meinem Reiche zu unterstützen, der sich von allem loslösen wird außer von Mir! Solch ein König wird unter die Gefährten der Hochroten Arche gezählt werden, der Arche, die Gott dem Volke Bahás bereitet hat. Alle müssen seinen Namen verherrlichen, seiner Stufe huldigen und ihm helfen, die Städte mit den Schlüsseln Meines Namens zu erschließen, des allmächtigen Beschützers aller, welche die sichtbaren und die unsichtbaren Reiche bewohnen. Solch ein König ist das wirkliche Auge der Menschheit, der leuchtende Schmuck auf der Stirn der Schöpfung, der Segensquell für die ganze Welt. O Volk von Bahá, opfere dein Vermögen, ja sogar dein Leben, zu seinem Beistand."
+19:7 #116
In dem Lawh-i-Sultán enthüllt Bahá'u'lláh des weiteren die Bedeutung des Königtums: "Ein gerechter König ist der Schatten Gottes auf Erden. Alle sollten unter dem Schatten seiner Gerechtigkeit Zuflucht suchen und im Schutz seiner Gunst ruhen. Dies ist keine Sache, die abgesondert oder in ihrer Reichweite begrenzt ist, so daß sie auf die eine oder andere Person beschränkt wäre, da der Schatten ja von dem Einen kündet, der ihn wirft. Gott - verherrlicht sei Sein Gedenken - hat sich selbst Herr der Welten genannt, denn Er hat einen jeden erzogen und erzieht ihn noch. Verherrlicht sei darum Seine Gnade, die allen erschaffenen Dingen voranging, und Seine Barmherzigkeit, die alle Welten übertroffen hat."
+19:8
In einem seiner Tablets hat Bahá'u'lláh zudem geschrieben: "Der eine wahre Gott - erhaben sei Sein Ruhm - hat die Regierung der Erde den Königen anvertraut. Keiner hat das Recht, in irgendeiner Weise zu handeln, die den wohlüberlegten Ansichten derer zuwiderläuft, die die Autorität besitzen. Wäs Er für sich selbst vorbehalten hat, sind die Städte der Menschenherzen, und an diesem Tage sind die Geliebten von Ihm, der die höchste Wahrheit ist, wie deren Schlüssel."
+19:9 #117
In der folgenden Stelle drückt Er diesen Wunsch aus: "Wir hegen die Hoffnung, daß sich einer der Könige der Erde um der Sache Gottes willen für den Triumph dieser mißhandelten, unterdrückten Menschen erheben werde. Ein solcher König wird ewig gerühmt und verherrlicht werden. Gott hat es diesen Menschen zur Pflicht gemacht, jedem zu helfen, der ihnen helfen wird, seinem höchsten Wohle zu dienen und ihm ihre dauernde Treue zu beweisen."
+19:10
Im Lawh-i-Ra'ís weissagt Er bestimmt und eindeutig das Erscheinen eines solchen Königs: "Binnen kurzem wird Gott unter den Königen einen erheben, der Seinen Geliebten helfen wird. Wahrlich, Er umfaßt alle Dinge. Er wird den Herzen die Liebe zu Seinen Geliebten einflößen. Wahrlich, dies ist unwiderruflich beschlossen durch den Einen, den Allmächtigen, den Wohltätigen." Im Ridvánu'l-'Adl, in dem die Tugend der Gerechtigkeit gepriesen wird, gibt Er eine gleichgerichtete Weissagung: "Binnen kurzem wird Gott Könige auf Erden erscheinen lassen, welche sich auf das Lager der Gerechtigkeit stützen und unter den Menschen herrschen werden, ebenso wie sie sich selbst beherrschen. Wahrlich, in der gesamten Schöpfung gehören sie zu den Auserwähltesten Meiner Geschöpfe."
+19:11
Im Kitáb-i-Aqdas schaut Er in den folgenden Worten voraus, wie in seiner Geburtsstadt, "der Mutter der Welt" und "dem Tagesanbruch des Lichtes", ein König auf den Thron erhoben wird, der mit dem doppelten Schmuck der Gerechtigkeit und der Ergebenheit in seinen Glauben geziert sein wird. "O Land von Tá, lasse dich durch nichts betrüben, denn Gott hat dich dazu erwählt, der Freudenquell der ganzen Menschheit zu sein. Er wird, wenn es Sein Wille ist, deinen Thron mit einem segnen, der in Gerechtigkeit herrscht und die Herde Gottes, welche die Wölfe zerstreut haben, sammelt. Ein solcher Herrscher wird in Freude und Frohsinn sein Antlitz dem Volke Bahás zuwenden und ihm seine Gunst erweisen. Wahrlich, er wird in den Augen Gottes wie ein Kleinod unter den Menschen betrachtet. Auf ihm ruhe für immer die Herrlichkeit Gottes und die Herrlichkeit aller, die im Reiche Seiner Offenbarung wohnen."
+20 #118
Der Zerfall religiöser Orthodoxie
Liebe Freunde! Der Niedergang in den Schicksalen der Inhaber weltlicher Macht spielte sich zur selben Zeit ab wie die nicht minder erschiitternde Abnahme des Einflusses der geistigen Führer der Welt. Die gewaltigen Ereignisse, die der Auflösung so vieler König- und Kaiserreiche vorausgingen, sind zeitlich nahezu zusammengefallen mit der Zerstörung der scheinbar unverletzlichen Bollwerke religiöser Orthodoxie. Dieses gleiche Geschehen, das in tragischer Schnelle den Urteilsspruch über Könige und Kaiser besiegelte und ihre Herrscherhäuser auslöschte, hat auch das Ansehen der kirchlichen Führer des Christentums und des Islám geschädigt und in einigen Fällen den Sturz ihrer höchsten Einrichtungen bewirkt. Wahrhaftig, "die Macht ist entrissen" beiden, "Königen und Geistlichen". Die Glorie dieser ist verdunkelt, die Macht jener ist unwiderruflich dahin.
+20:2
Jene Führer, die Leitung und Aufsicht über die geistlichen Hierarchien ihrer betreffenden Religionen ausübten, sind von Bahá'u'lláh ebenfalls angerufen, gewarnt und getadelt worden, und dies in nicht weniger deutlichen Ausdrücken als die Herrscher, die das Schicksal ihrer Untertanen bestimmten. Auch sie, und ganz besonders die Häupter der muslimischen Orden, haben zusammen mit Despoten und Machthabern ihre Angriffe gegen die Begründer des Gottesglaubens, dessen Anhänger, Grundsätze und Einrichtungen geführt und ihre Bannflüche gegen sie geschleudert. Waren nicht die Geistlichen Persiens die ersten, welche die Fahne der Empörung hißten, die unwissenden und unterwürfigen Massen gegen diesen Glauben aufwiegelten und die Behörden durch ihr Geschrei, ihre Drohungen, Lügen, Verleumdungen und Beschuldigungen dazu anstifteten, Verbannungen zu verordnen, Gesetze zu erlassen, Strafexpeditionen auszuschicken und die Hinrichtungen und Metzeleien auszuführen, welche die Blätter seiner Geschichte füllen? So abscheulich und wild waren die an einem einzigen Tag auf Antreiben dieser Geistlichen begangenen Schlächtereien und so kennzeichnend für die "Gefühllosigkeit des Rohlings und die List des bösen Feindes", daß Renan in seinem Werk "Les Apotres" diesen Tag als "vielleicht beispiellos in der Weltgeschichte" darstellte.
+20:3 #119
Diese Geistlichen waren es, die gerade durch solche Taten die Saaten der Zersetzung ihrer eigenen Einrichtungen säten, die einst so mächtig und berühmt waren und so unverwundbar erschienen zu der Zeit, als der Glaube geboren wurde, sie waren es, die so leichtfertig und töricht schreckliche Verantwortung auf sich nahmen und damit in erster Linie für die Auslösung so gewaltsamer und zersetzender Einflüsse verantwortlich waren, die nun solch verhängnisvolles Unheil entfesselten, daß es Könige, Herrscherhäuser und Kaiserreiche überwältigte und die denkwürdigsten Daten in der Geschichte des ersten Jahrhunderts des Bahá'í-Zeitalters bildet.
+20:4
Dieser Zersetzungsprozeß, wie bestürzend er auch gerade in seinen Anfangserscheinungen gewesen war, geht noch weiterhin mit unveränderter Kraft vor sich und wird, da die Gegnerschaft des Gottesglaubens von verschiedenen Seiten und auf weiten Gebieten zunehmen wird, sich fernerhin beschleunigen und noch bedeutendere Beweise seiner zerstörenden Macht offenbaren.
Angesichts des Ausmaßes, welches diese Schilderung schon angenommen hat, kann ich mich nicht so ausführlich, wie ich es wünschte, über die Gesichtspunkte dieses wichtigen Stoffes auslassen, der, zusammen mit der Haltung der Herrscher der Erde gegen die Botschaft Bahá'u'lláhs, eine der fesselndsten und lehrreichsten Begebnisse in der dramatischen Geschichte seines Glaubens ist. Ich will hier nur die heftigen Angriffe der Kirchenführer des Islám und, in geringerem Maße, gewisser Häupter der christlichen Orthodoxie und die daraus entstandenen Rückschläge auf ihre entsprechenden eigenen Einrichtungen betrachten. Diesen Bemerkungen möchte ich einige Stellen aus der großen Anzahl der Tablets Bahá'u'lláhs vorausschicken, die sowohl unmittelbar als auch mittelbar muslimische und christliche Geistliche betreffen und die ein kraftvolles Licht auf das düstere Unheil werfen, das die geistlichen Hierarchien der beiden Religionen, mit denen der Glaube unmittelbar in Berührung kam, ergriffen hat und noch ergreift.
+20:5 #120
Jedoch darf nicht daraus gefolgert werden, daß Bahá'u'lláh seine historischen Schreiben ausschließlich an die Führer des Islám und der Christenheit richtete oder daß sich der Ansturm eines alles durchdringenden Glaubens gegen die Bollwerke religiöser Strenggläubigkeit auf die Einrichtungen dieser beiden Religionssysteme beschränken sollte. "Die den Völkern und Geschlechtern der Erde vorbestimmte Zeit ist jetzt gekommen", versichert Bahá'u'lláh. "Gottes Verheißungen, wie sie in den Heiligen Schriften verzeichnet stehen, sind alle erfüllt worden ... Dies ist der Tag, den die Feder des Höchsten in allen Heiligen Schriften verherrlicht hat. Es gibt keinen Vers in ihnen, der nicht den Ruhm Seines heiligen Namens werkündet, und kein Buch, das nicht die Höhe dieses erhabensten Gegenstandes bezeugt." "Würden Wir", so fügt Er hinzu, "all dessen, was in diesen himmlischen Büchern und Heiligen Schriften über diese Offenbarung enthüllt ist, Erwähnung tun, so würde dieses Tablet unmögliche Ausmaße annehmen."
+20:6 #121
Da die Verheißung des Glaubens Bahá'u'lláhs in allen schriften vergangener Religionen eingeschlossen ist, wendet sich sein Begründer selbst an ihre Anhänger und besonders an ihre verantwortlichen Führer, die zwischen ihn und ihre betreffenden Gemeinden traten. "Einmal", schreibt Bahá'u'lláh, "wenden wir Uns an das Volk der Thora und laden es vor Ihn, den offenbarer von Versen, der gekommen ist von Dem, der die Nacken der Menschen beugt ... Ein anderes Mal wenden wir Uns an das Volk des Evangeliums und sprechen: `Der Allherrliche ist gekommen in diesem Namen, durch den der Odem Gottes über alle Bereiche wehte` ... Und wieder ein anderes Mal wenden wir Uns an das Volk des Qur'án und sagen: `Fürchtet den Allbarmherzigen und verspottet nicht Ihn, durch den alle Religionen begründet wurden.` ... Wisse des weiteren, daß wir an die Magier (Zoroastrier) Tablets gerichtet und sie mit Unserem Gesetze geschmückt haben ... Wir haben darin das Wesen aller in ihren Büchern enthaltenen Hinweise und Gleichnisse geoffenbart. Wahrlich, der Herr ist der Allmächtige, der Allwissende."
+20:7
Dem jüdischen Volk hat Bahá'u'lláh geschrieben: "Das Größte Gesetz ist gekommen und die Urewige Schönheit herrscht auf dem Throne Davids.
So hat Meine Feder gesprochen, was die Chroniken vergangener Zeitalter berichtet haben.
Heute aber ruft David laut und spricht.- `O mein liebreicher Herr!
Zähle Du mich zu denen, die standhaft geblieben sind in Deiner Sache, o Du, durch den die Angesichter erleuchtet wurden und die Schritte gestrauchelt sind!`"
Und wiederum: "Der Odem wurde ausgesandt, und der Windhauch hat geweht, und von Zion ist erschienen, was verborgen war, und von Jerusalem ist die Stimme Gottes, des Einen, des Unvergleichlichen, des Allwissenden, gehört worden."
Und weiter hat Bahá'u'lláh in seinem "Brief an den Sohn des Wolfes" geoffenbart: "Lausche dem Gesang Davids.
Er sagt `Wer wird mich in die feste Stadt bringen?` Die feste Stadt ist 'Akká, welches das Größte Gefängnis genannt wurde und welches eine Festung und mächtige Wälle besitzt.
O Shaykh!
Lies genau, was Jesaja in seinem Buche gesprochen hat.
Er sagt: `Steige auf den hohen Berg, o Zion, die du frohe Botschaften bringest; erhebe deine Stimme mit Macht, o Jerusalem, die du frohe Botschaften bringest.
Erhebe sie und fürchte dich nicht.
Sprich unter den Städten Judas:
Schauet auf euren Gott!
Sehet, der Herr Gott wird kommen mit starker Hand und Sein Arm soll für Ihn herrschen.` Heute sind alle Zeichen erschienen.
Eine große Stadt ist vom Himmel herabgestiegen und Zion bebt und jubelt vor Freude über die Offenbarung Gottes, denn sie hat die Stimme Gottes auf allen Seiten vernommen."
+20:8 #122
Der Priesterkaste, welche die geistliche Macht über die Anhänger des Glaubens Zoroasters besitzt, hat dieselbe Stimme, die mit der stimme des verheißenen Sháh-Bahrám gleichgesetzt ist, erklärt: "O Hohepriester!
Ohren sind euch gegeben worden, damit sie dem Geheimnis Dessen, welcher der Selbstbestehende ist, lauschen, und Augen, damit sie Ihn erschauen.
Wovor flieht ihr?
Der unvergleichliche Freund ist offenbar.
Er spricht Worte, in denen Erlösung ruht.
O Hohepriester!
Würdet ihr den Duft vom Rosengarten des Verstehens wahrnehmen, so würdet ihr keinen anderen außer Ihm suchen, und ihr würdet den Allweisen und Unvergleichlichen in Seinem neuen Gewande entdecken und eure Augen von der Welt und von allen, die sie suchen, abwenden, und euch erheben, Ihm zu helfen."
Bahá'u'lláh hat einem Zoroastrier, der ihn über den verheißenen SháhBahrám befragt hatte, geantwortet: "Was immer in den Büchern verkündet wurde, ist enthüllt und erklärt worden.
Überall wurden die Zeichen geoffenbart.
Der Allmächtige ruft an diesem Tage und kündet das Erscheinen des Erhabensten Himmels an." "Dies ist nicht der Tag", erklärt Er in einem anderen Tablet, "an dem die Hohepriester noch befehlen und ihre Amtsgewalt ausüben können.
In eurem Buche ist dargelegt, daß die Hohepriester an jenem Tage die Menschen irreführen und daran hindern werden, Ihm zu nahen.
Wahrlich, nur der ist ein Hoherpriester, der das Licht geschaut hat und auf dem Wege worangeeilt ist, der zu dem Geliebten führt." "Sprecht, o Hohepriester.!" redet Er sie wiederum an: "Die Hand der Allmacht ist aus den Wolken hervor ausgestreckt.
Betrachtet sie mit neuen Augen.
Die Zeichen Seiner Erhabenheit und Größe sind enthüllt.
Blickt auf sie mit reinen Augen ...
Sprecht, o Hohepriester!
Ihr genießt Verehrung um Meines Namens willen und doch flieht ihr Mich.
Ihr seid die Hohepriester des Tempels.
Wäret ihr die Hohepriester des Allmächtigen gewesen, so wäret ihr mit Ihm vereint worden und ihr hättet Ihn erkannt ...
Sprecht, o Hohepriester!
Keines Menschen Taten werden angenommen werden an diesem Tage, es sei denn, er entsage der Menschheit und allem, was Menschen besitzen, und wende sein Antlitz dem Allmächtigen zu."
+20:9 #123
Es ist jedoch keine dieser beiden Religionen, mit der wir uns in erster Linie beschäftigen wollen. Es ist der Islám und in geringerem Maße das Christentum, auf die sich mein Thema geradewegs bezieht. Der Islám, aus dem der Glaube Bahá'u'lláhs so entstanden ist, wie das Christentum aus dem Judentum entsprang, ist die Religion, in deren Bereich sich dieser Glaube zuerst erhob und entwickelte, aus deren Reihen die große Masse der Bahá'í-Anhänger hervorging, von deren Führern sie verfolgt wurden und auch jetzt noch verfolgt werden. Das Christentum andererseits ist die Religion, der die große Mehrheit der Bahá'í nichtmuhammadanischer Herkunft angehört, in deren geistigem Bereich die Verwaltungsordnung des Gottesglaubens schnell voranschreitet und durch dessen geistliche Vertreter diese Ordnung in wachsendem Maße angegriffen wird. Anders als der Hinduismus, der Buddhismus, das Judentum und sogar die zoroastrische Religion, die im wesentlichen die verborgenen Kräfte der Gottessache noch nicht erkannt haben und deren Antwort auf ihre Botschaft noch nicht beachtet zu werden braucht, können der muhammadanische und der christliche Glaube als die beiden religiösen Systeme angesehen werden, die in diesem formbildenden Entwicklungszustand des Bahá'í-Glaubens die volle Wucht einer so gewaltigen Offenbarung auszuhalten haben.
+20:10 #124
So wollen wir denn betrachten, womit sich die Begründer des Bahá'í-Glaubens an die anerkannten Führer des Islám und des Christentums gewendet oder was sie über sie geschrieben haben. Wir haben schon die Stellen bezüglich der Könige des Islám betrachtet, seien es die in Konstantinopel regierenden Kalifen oder die Herrscher Persiens, die ihr Reich als weltliche Bevollmächtigte des erwarteten Imáms regierten. Wir haben auch das Tablet erwähnt, das Bahá'u'lláh im besonderen für den römischen Papst offenbarte, und die allgemeinere Botschaft in der Súriy-i-Mulúk, die an die Könige des Christentums gerichtet ist. Nicht weniger herausfordernd und drohend ist die Stimme, welche die muhammadanischen Geistlichen und den christlichen Klerus gewarnt und zur Verantwortung gerufen hat.
+20:11 #125
"Religiöse Führer", so lautet Bahá'u'lláhs klarer und allgemeiner, im Kitáb-i-Íqán ausgesprochener Tadel, "haben in jedem Zeitalter ihr Volk daran gehindert, die Ufer des ewigen Heils zu erreichen, da sie die Zügel der Autorität in ihrem mächtigen Griff hielten.
Einige sind aus Lust am Führertum, andere aus Mangel an Erkenntnis und Einsicht die Ursache dieses schweren Verlustes fiir die Menschen gewesen.
Mit ihrer Billigung und durch ihre Autorität hat jeder Offenbarer Gottes den Opferkelch getrunken und Seinen Flug in die Höhe der Herrlichkeit genommen.
Welche unaussprechlichen Grausamkeiten haben sie, die Orte der Autorität und Gelehrsamkeit, den wahren Königen der Welt, den Edelsteinen göttlicher Tugend, zugefügt!
Zufrieden mit einer vergänglichen Gewalt, haben sie sich einer ewigen Herrschaft beraubt."
Und wiederum im gleichen Buche: "Unter diesen `Schleiern der Herrlichkeit` befinden sich die in den Tagen der Manifestation Gottes lebenden Geistlichen und Gelehrten, welche aus Mangel an Einsicht und aus Liebe und Gier nach Führerschaft versäumt haben, sich der Sache Gottes zu unterwerfen, ja, sich sogar geweigert haben, ihr Ohr der göttlichen Melodie zuzuneigen. `Sie haben die Finger in die Ohren gesteckt.` Und auch das Volk, das Gott völlig unbeachtet ließ und sie zu ihren Meistern nahm, hat sich rückhaltlos unter den Einfluß dieser hochtrabenden, heuchlerischen Führer gestellt, denn es hat kein eigenes Gesicht, kein Gehör, kein Herz, um Wahrheit von Falschheit zu unterscheiden.
Ungeachtet der von Gott eingegebenen Ermahnungen aller Propheten, Heiligen und Auserwählten Gottes, die dem Volke einschärften, mit eigenen Augen zu sehen und mit eigenen Ohren zu hören, hat es ihren Rat geringschätzig verworfen und ist den Führern seines Glaubens blind gefolgt und wird dies weiterhin tun.
Sollte ein armer, unbekannter Mensch, bar des Glanzes der Gelehrsamkeit, sie anreden und sagen: `O Menschen, folgt den Gottgesandten`, dann würden sie, höchlich erstaunt über solchen Spruch, erwidern: `Was?
Meinst du, alle diese Geistlichen, alle diese Vertreter der Gelehrsamkeit mit ihrer Autorität, ihrem Pomp und Prunk hätten sich geirrt und Wahrheit von Falschheit nicht unterscheiden können?
Behauptest du und deinesgleichen, das erfaßt zu haben, was sie nicht verstanden haben?` Wenn Anzahl und vorzügliche Leistung als Maßstab für Wissen und Wahrheit angesehen werden, dann müßten die Völker vergangener Zeiten, die an Zahl, Pracht und Macht bis heute nie übertroffen worden sind, wahrlich als höhere und wertvollere Völker angesehen werden."
Des weiteren: "Nicht ein Offenbarer Gottes ist herabgesandt worden, der nicht diesem unbarmherzigen Haß zum Opfer gefallen wäre, diesen Anklagen, dieser Verleugnung und Verfluchung durch die Geistlichen Seines Tages!
Wehe ihnen ob der Missetaten, die ihre Hände einst verübt haben!
Wehe ihnen ob dessen, was sie jetzt tun!
Welche Schleier der Herrlichkeit sind schlimmer als diese Verkörperungen des Irrtums!
Bei der Gerechtigkeit Gottes!
Diese Schleier durchzureißen ist die größte aller Taten und sie zu zerstören das verdienstvollste aller Werke!" "Auf ihrer Zunge", hat Er des weiteren geschrieben,"ist dieErwähnung Gottes ein leerer Name geworden und in ihrer Schar Sein heiliges Wort ein toter Buchstabe.
So stark ist der Sturm ihrer Begierden, daß die Leuchte des Gewissens und der Vernunft in ihren Herzen verlöscht ist . . .
Nicht zwei von ihnen sind bereit, ein und dasselbe Gesetz anzunehmen, denn sie suchen keinen Gott außer ihrem eigenen Begehren und wandeln auf keinem anderen Pfad als auf dem Pfade des Irrtums.
Führer zu sein, das ist das letzte Ziel ihres Strebens, und in Stolz und Dunkel sehen sie die höchste Erfüllung ihres Herzenswunsches.
Sie haben ihre schmutzigen Ränke über den göttlichen Ratschluß gestellt, haben die Ergebung in Gottes Willen hochmütig abgetan, haben sich selbstsüchtigen Berechnungen hingegeben und sind den Weg des Heuchlers gegangen.
Mit aller Macht und Kraft trachten sie danach, sich hinter ihren kleinlichen Schlichen sicher zu fühlen, ängstlich darauf bedacht, daß nicht das geringste Mißtrauen ihre Würde untergrabe oder das Gepränge ihrer Herrlichkeit trübe."
+20:12 #126
"Quelle und Ursprung der Tyrannei", hat Bahá'u'lláh in einem anderen Tablet versichert, "sind die Geistlichen gewesen. Durch das von diesen hochmütigen und eigensinnigen Seelen ausgesprochene Urteil haben die Herrscher der Erde getan, was ihr gehört habt ... Die Leitung der achtlosen Massen lag und liegt immer noch in den Händen der Verkörperungen eitler Hirngespinste und hohler Einbildungen. Sie schreiben vor, was ihnen gefällt. Wahrlich, Gott hat wie Wir nichts mit ihnen zu tun, und so auch jene, die bezeugten, was die Feder des Höchsten auf dieser herrlichen Stufe gesprochen hat."
+20:13
"Die Führer der Menschen", hat Er gleicherweise bekundet, "haben seit undenklicher Zeit das Volk daran gehindert, sich dem Größten Ozean zuzuwenden. Der Freund Gottes (Abraham) wurde durch den Urteilsspruch der Geistlichen Seiner Zeit ins Feuer geworfen, und Lügen und Verleumdungen wurden auf Ihn, der mit Gott redete (Moses), gehäuft. Denke über den Einen nach, welcher der Geist Gottes war ( Jesus). Obwohl Er nur Mitleid und Nachsicht zeigte, erhoben sie sich doch gegen dieses innerste Wesen des Seins und gegen diesen Herrn des Sichtbaren und des Unsichtbaren in solcher Art, daß Er weder Zuflucht noch Ruhe finden konnte. Jeden Tag wanderte Er an einen anderen Platz und suchte einen anderen Schutz, Betrachte das Siegel der Propheten (Muhammad) - mögen die Seelen aller außer Ihm ein Opfer für Ihn sein! Wie schmerzlich waren die Dinge, die diesen Herrn des ganzen Daseins aus den Händen der Priester des Götzendienstes und der jüdischen Gelehrten befielen, nachdem Er die gesegneten Worte geäußert hatte, die die Einheit Gottes erkünden! Bei Meinem Leben! Meine Feder stöhnt und alles Erschaffene schreit auf wegen der Dinge, die Ihn von den Händen derer betroffen haben, die das Bündnis Gottes und Sein Testament brachen, Sein Zeugnis verleugneten und Seinen Zeichen widersprachen."
+20:14 #127
"Die törichten Geistlichen", so heißt es in einem anderen Tablet, "haben das Buch Gottes weggelegt und sich mit dem befaßt, was sie sich selbst geschaffen haben. Der Ozean der Erkenntnis ist geoffenbart, und der Klang der Feder des Höchsten wurde deutlich, und doch sind sie wie Regenwürmer mit dem Lehm ihrer Vorstellungen und Einbildungen behaftet. Sie sind durch ihre Beziehung zu dem einen wahren Gott erhöht, und doch haben sie sich von Ihm abgewandt. Durch Ihn sind sie berühmt geworden, und doch sind sie wie durch einen Schleier Von Ihm getrennt."
+20:15
"Die heidnischen Priester", steht ferner in einem anderen Tablet geschrieben, "und die jüdischen und die christlichen Geistlichen haben genau die Dinge begangen, welche die Geistlichen im Zeitalter dieser Sendung begangen haben und noch begehen. Nein, sie haben sogar schlimmere Grausamkeit und wildere Bosheit gezeigt. Jedes Atom ist Zeuge dessen, was Ich sage."
+20:16
Diese Führer, die "sich selbst für die besten aller Geschöpfe halten und von Ihm, der Wahrheit, als die schlechtesten betrachtet worden sind", welche "die Sitze der Erkenntnis und Gelehrsamkeit besetzen und Unwissen Erkenntnis und Unterdrückung Gerechtigkeit genannt haben", die "keinen Gott, sondern ihr eigenes Begehren anbeten, die nichts huldigen als dem Gold, in die dichtesten Schleier der Gelehrsamkeit verwickelt sind und, in seiner Finsternis verfangen, in der Wildnis des Irrtums verloren sind" - diese hat Bahá'u'lláh mit folgenden Worten anzureden beliebt: "O Schar der Geistlichen! Ihr werdet euch künftighin nicht mehr im Besitze irgendeiner Macht sehen, denn wir haben sie von euch genommen und für solche bestimmt, die an Gott geglaubt haben, den Einen, den Allgewaltigen, den Allmächtigen, den Unbeschränkten."
+20:17 #128
Im Kitáb-i-Aqdas lesen wir folgendes: "Sprich:
O Führer der Reiligion!
Wägt nicht das Buch Gottes mit solchen Maßen und Kenntnissen, wie sie unter euch allgemein gültig sind, denn das Buch selbst ist die untrügliche, inmitten der Menschen aufgestellte Waage.
Auf dieser vollkommensten Waage muß alles gewogen werden, was die Völker und Geschlechter der Erde besitzen, während das Maß des Gewichtes dieser Waage nach ihrer eigenen Norm geprüft werden muß - würdet ihr das doch erkennen!
Das Auge Meiner liebevollen Gnade weint schmerzlich über euch, da ihr versäumt habt, den Einen zu erkennen, nach welchem ihr gerufen habt am Tage und zur Nachtzeit, am Morgen und am Abend ...
O ihr Führer der Religion!
Wo ist der Mensch unter euch, der es Mir in der Schau oder Einsicht gleichtun kann?
Wo ist der zu finden, der zu dem Anspruch sich erkühnt, Mir gleich zu sein in der Verkündung oder in der Weisheit?
Nein, bei Meinem Herrn, dem Allbarmherzigen!
Alles auf Erden wird dahinschwinden,- doch dies ist das Antlitz eures Herrn, des Allmächtigen, des Vielgeliebten ...
Sprich:
Wahrlich, das ist der Himmel, in welchem das Mutterbuch werwahrt ist - könntet ihr es doch begreifen!
Er ließ den Felsen aufjauchzen und den Brennenden Busch seine Stimme erheben auf dem Berg, der über dem Heiligen Lande aufsteigt, und verkünden: `Das Reich ist Gottes, des obersten Herrn über alles, des Allgewaltigen, des Liebenden!` Wir sind in keine Säule gegangen und haben keine eurer Abhandlungen gelesen.
Neigt euer Ohr den Worten dieses Ungelehrten, mit denen Er euch vor Gott lädt, den Ewigwährenden.
Dies ist besser für euch als alle Schätze der Erde - könntet ihr es doch begreifen!"
+20:18 #129
"O Scharen der Geistlichen", hat Er noch weiter geschrieben, "als Meine Verse herabgesandt und Meine klaren Zeichen enthüllt wurden, fanden Wir euch hinter Schleiern.
Dies, wahrlich, ist etwas Seltsames ...
Wir haben die Schleier zerrissen.
Hütet euch, daß ihr das Volk nicht durch noch einen anderen Schleier ausschließt.
Zerbrecht die Ketten eitler Einbildungen im Namen des Herrn aller Menschen und gehört nicht zu den Betrügern.
Solltet ihr euch Gott zuwenden und Seine Sache annehmen, so sät keine Unordnung in sie und meßt nicht das Buch Gottes mit euren selbstsüchtigen Wünschen.
Wahrlich, dies ist Gottes Rat ehedem und immerdar ...
Hättet ihr an Gott geglaubt, als Er sich offenbarte, so hätte sich das Volk nicht von Ihm abgewandt, noch hätte Uns das befallen, dessen ihr heute Zeuge seid.
Fürchtet Gott und gesellt euch nicht zu den Achtlosen!...
Dies ist die Sache, die alle eure abergläubischen Meinungen und eure Götzenbilder ins Wanken brachte ...
O Schar der Geistlichen!
Hütet euch, zur Ursache des Streites im Lande zu werden, so wie ihr in seinen früheren Tagen zur Ursache der Zurückweisung des Glaubens wurdet.
Sammelt das Volk um dieses Wort, das die Steine ausrufen ließ: `Das Reich ist Gottes, des Aufgangsortes aller Zeichen!` ...
Zerreißt die Schleier in einer solchen Weise, daß es die Bewohner des Königreiches hören.
Dies ist der Befehl Gottes in den vergangenen Tagen und für die kommenden.
Gesegnet der Mensch, der befolgt, was ihm befohlen wurde, und wehe den Nachlässigen."
+20:19
Und wiederum: "O Schar der Geistlichen! Wie lange wollt ihr die Speere des Hasses auf das Antlitz Bahás richten? Zügelt eure Feder! Seht, die Erhabenste Feder spricht zwischen Erde und Himmel. Fürchtet Gott und folgt nicht euren Wünschen, die das Antlitz der Schöpfung entstellt haben! Reinigt eure Ohren, auf daß sie der Stimme Gottes lauschen. Bei Gott! Sie ist wie ein Feuer, das die Schleier verzehrt, und wie Wasser, das die Seelen all derer reinigt, die im Weltall sind."
+20:20 #130
"Sprich: O Schar der Geistlichen!", so redet Er sie weiter an, "kann sich einer von euch mit dem göttlichen Jüngling in der Arena der Weisheit und der Verkündung messen oder sich mit Ihm in den Himmel der inneren Bedeutung und der Auslegung erheben? Nein, bei Meinem Herrn, dem Gott der Barmherzigkeit! Alle wurden am heutigen Tage durch das Wort deines Herrn ohnmächtig. Sie sind sogar wie tot und leblos außer dem, den dein Herr, der Allmächtige, der Unbeschränkte, zu verschonen gewillt ist. Ein solcher Mensch gehört wahrlich zu den mit Erkenntnis Begabten in den Augen Dessen, der der Allwissende ist. Die Insassen des Paradieses und die Bewohner der geheiligten Stätten segnen ihn zur Abendzeit und zur Morgendämmerung. Kann einer mit Holzbeinen einem Widerstand leisten, dessen Füße Gott aus Stahl gemacht hat? Nein, bei Ihm, der das All der Schöpfung erleuchtet!"
+20:21
"Als Wir genau darauf achteten", äußert Er bedeutungsvoll, "entdeckten Wir, daß Unsere Feinde zum größten Teil Geistliche sind". "Unter dem Volke sind welche, die sagten: `Er hat die Geistlichen verworfen.` Sprich: `Ja, bei Meinem Herrn! Ich war gewißlich Der, welcher die Götzenbilder zerschlug.`" "Wahrlich, Wir haben die Trompete, die Unsere Erhabenste Feder ist, erschallen lassen, und siehe, die Geistlichen und die Gelehrten, die Doktoren und die Herrscher fielen betäubt nieder, ausgenommen solche, die Gott als Zeichen Seiner Gnade bewahrte, und Er, wahrlich, ist der Allgütige, der Urewige aller Tage."
+20:22
"O Schar der Geistlichen! Werft eitle Phantasiegebilde und Einbildungen beiseite und wendet euch dann dem Horizonte der Gewißheit zu. Ich schwöre bei Gott: Alles, was ihr besitzt, wird euch nichts nützen, weder alle Schätze der Erde noch die Führerschaft, die ihr euch angeeignet habt. Fürchtet Gott und gehört nicht zu den Ver!orenen!" "Sprich: O Schar der Geistlichen! Legt alle eure Schleier und Hüllen beiseite. Schenkt euer Ohr dem, wozu euch die Erhabenste Feder an diesem wunderbaren Tage ruft ... Die Welt ist durch eure eitlen Einbildungen mit Staub beladen, und die Herzen der Gott Nahen werden von eurer Grausamkeit gequält. Fürchtet Gott und gesellt euch zu denen, die gerecht urteilen."
+20:23 #131
"O ihr Dämmerungsorte der Erkenntnis", so ermahnt Er sie, "hütet euch davor, daß man euch ändere. Denn wenn ihr euch ändert, werden sich die meisten Menschen desgleichen ändern. Wahrlich, dies ist ein Unrecht an euch und an anderen ... Ihr gleicht einer Quelle. Wenn sie sich verändert, werden die Ströme, die ihr entstammen, sich verändern. Fürchtet Gott und gesellt euch zu den Gottesfürchtigen! Wenn das Herz des Menschen verdorben wird, werden seine Glieder gleicherweise verdorben werden. Und ähnlich, wenn die Wurzel eines Baumes verdorben wird, so werden seine Äste, seine Triebe, seine Blätter und seine Früchte verdorben werden."
+20:24
"Sprich: O Schar der Geistlichen", so ruft Er sie an, "seid und wird euch Gott, dem Mächtigen, dem Großen, nahe bringen. Bedenkt und ruft euch ins Gedächtnis, wie das Volk Muhammad, den Apostel Gottes, verleugnete, als Er erschien. Sie beschuldigten Ihn derart, daß der Geist (Jesus) auf Seiner Erhabensten Stufe wehklagte und der Geist der Treue aufschrie. Bedenkt weiter, was vor Ihm die Apostel und Gottgesandten durch die Hände der Ungerechten befallen hat. Wir erwähnen euch um Gottes willen, erinnern euch an Seine Zeichen und verkünden euch die Dinge, die denen verordnet sind, die Ihm im erhabensten Paradiese und im allerhöchsten Himmel nahe sind. Wahrlich, Ich bin der Verkünder, der Allwissende. Er ist um eurer Erlösung willen gekommen und hat die Leiden ertragen, damit ihr auf der Leiter der Äußerungen zum Gipfel des Verstehens emporsteigen mögt ... Bedenkt mit Aufrichtigkeit und Gerechtigkeit das, was herabgesandt wurde. Wahrlich, dies wird euch durch die Wahrheit erhöhen und Dinge schauen lassen, die euch verschlossen waren, und es wird euch befähigen, Seinen perlenden Wein zu trinken."
+21 #132
Worte an die muhammadanischen Geistlichen
Laßt uns jetzt die besonderen Hinweise und die vom Báb und von Bahá'u'lláh unmittelbar an die muhammadanischen Geistlichen gerichteten Worte noch genauer betrachten.
Der Báb hat, wie im Kitáb-i-Íqán bezeugt wurde, "ein besonderes Tablet an die Geistlichen einer jeden Stadt geoffenbart, worin Er die Wesensart der Verleugnung und Zurückweisung durch einen jeden von ihnen ausführlich darlegte".
Während Er in Isfáhán weilte, jenem altehrwürdigen Bollwerk muhammadanischer Geistlichkeit, lud Er durch Vermittlung des Gouverneurs Manúchihr Khán die Geistlichen jener Stadt schriftlich ein, eine Aussprache mit ihm zu vereinbaren, um, wie Er es ausdrückte, "die Wahrheit festzustellen und die Falschfreit zu zerstreuen".
Nicht einer aus der Menge der Geistlichen, die sich um diesen großen sitz der Gelehrsamkeit drängten, hatte den Mut, die Herausforderung anzunehmen.
Bahá'u'lláh seinerseits gab, während Er in Adrianopel weilte, wie es in seinem Tablet an den Sháh von Persien bezeugt ist, seinem Wunsch Ausdruck, "Auge in Auge den Geistlichen Seiner Zeit gegenübergestellt zu werden und Beweise und Zeugnisse in der Gegenwart Seiner Majestät des Sháh geben zu können".
Dieses Anerbieten wurde als "eine große Anmaßung und erstaunliche Kühnheit" von den Geistlichen in Tihrán gerügt, und sie rieten in ihrer Furcht ihrem Staatsoberhaupt, augenblicklich den Überbringer jenes Tablets zu bestrafen.
Früher schon hatte Bahá'u'lláh, während Er in Baghdád weilte, seine Bereitwilligkeit ausgesprochen, unverzüglich ein Wunder zu vollbringen, unter der Voraussetzung, daß sich die Geistlichen von Najaf und Karbilá - in den Augen der Schiiten die beiden heiligsten Städte nächst Mekka und Medina - versammelten und über irgendein Wunder, das sie wünschten, übereinkämen und eine Erklärung unterzeichneten und siegelten, die versicherte, daß sie bei Vollbringung dieses Wunders die Wahrheit seiner Sendung anerkennen würden.
Auf diese Herausforderung konnten sie, wie durch'Abdu'l-Bahá in seinen "Beantworteten Fragen" bezeugt ist, keine bessere Antwort finden als diese: "Dieser Mann ist ein Zauberer.
Vielleicht will er ein Zauberkunststück vorführen, und dann würden wir nichts mehr zu sagen haben." "Zwölf Jahre lang", hat Bahá'u'lláh selbst bezeugt, "haben Wir in Bahgdád geweilt.
So sehr Wir auch wünschten, eine große Versammlung Geistlicher und ehrlich gesinnter Männer käme zusammen, so daß Wahrheit von Falschheit unterschieden und völlig bewiesen werde, so ist doch nichts dazu geschehen."
Und wiederum: "
Und ebenso, während Wir im 'Iráq waren, wünschten wir, mit den Geistlichen Persiens zusammenzukommen.
Kaum hörten sie davon, so flohen sie und sprachen: `Er ist tatsächlich ein offenkundiger Zauberer!` Dieses Wort kam schon früher von den Lippen von ihresgleichen.
Diese (Geistlichen) tadelten, was jene gesagt hatten, und wiederholen heutzutage doch selbst, was vor ihnen gesprochen wurde, und sie begreifen es nicht.
Bei Meinem Leben!
Sie sind wie Asche in den Augen deines Herrn.
Wenn Er will, werden gewaltige Stürme über sie brausen und sie zu Staub machen.
Wahrlich, dein Herr tut, was Ihm beliebt."
+21:2 #133
Diese falschen, grausamen und feigen schiitischen Geistlichen, ohne deren Einmischung, wie Bahá'u'lláh erklärte, Persien in kaum mehr als zwei Jahren von der Kraft Gottes ergriffen worden wäre, sind im Qayyúmu'l-Asmá' folgendermaßen angeredet worden: "O Schar der Geistlichen! Fürchtet Gott von diesem Tage an in den Ansichten, die ihr äußert, denn Er, welcher Unser Erwähner in eurer Mitte ist und welcher von Uns kommt, ist in Wahrheit der Richter und der Zeuge. Wendet euch ab von dem, was ihr festhaltet und was das Buch Gottes, des Wahren, nicht bestätigt hat, denn am Tage der Auferstehung werdet ihr auf der Brücke für die Haltung, die ihr einnahmt, wahrlich verantwortlich gemacht werden."
+21:3 #134
Im gleichen Buche redet der Báb sowohl die Schiiten als auch die ganze Anhängerschaft des Propheten folgendermaßen an: "O Schar der Schiiten! Fürchtet Gott und Unsere Sache, die Ihn, den Größten Erwähner Gottes, betritt. Denn groß ist sein Feuer, wie im Mutterbuch verordnet ist." "O Volk des Qur'án! Ihr seid wie nichts, es sei denn, ihr unterwerft euch dem Erwähner Gottes und diesem Buch. Wenn ihr der Sache Gottes folgt, werden Wir euch eure Sünden vergeben, und wenn ihr euch von Unserem Befehl abwendet, werden Wir wahrlich eure Seelen in Unserem Buche zum Größten Feuer verdammen. Wahrlich, Wir verfahren nicht ungerecht mit den Menschen, auch nicht so viel wie ein Fleckchen auf einem Dattelkern."
+21:4
Und schließlich ist in dem gleichen Kommentar diese erschreckende Weissagung verzeichnet: "Binnen kurzem werden Wir wahrlich jene, die gegen Husayn (Imám Husayn) im Lande des Euphrat Krieg führten, mit der schmerzlichsten Qual und mit der schrecklichsten und abschreckendsten Strafe heimsuchen." "Binnen kurzem", hat Er in dem nämlichen Buch in bezug auf dieses gleiche Volk geschrieben, "wird Gott an ihnen zur Zeit Unserer Wiederkehr Seine Vergeltung üben, und wahrlich, Er hat für sie in der künftigen Welt eine schwere Pein vorbereitet."
+21:5
Was Bahá'u'lláh betrifft, so bilden die stellen, die ich auf diesen Seiten anführe nur einen Bruchteil der in seinen schriften häufigen Hinweise auf muhammadanische Geistliche. so ruft Er aus: "Der Lotoshaum, über den hinaus keiner gehen kann, weint auf ob der Grausamkeit der Geistlichen.
Er schreit laut und wehklagt über sich selbst."
In seinem "Brief an den Sohn des Wolles" hat Er geschrieben: "Wie groß auch seit Beginn dieser Sekte (der Schiiten) bis auf den heutigen Tag die Zahl der Geistlichen gewesen ist, die gelebt haben, so hat doch keiner von ihnen die Natur dieser Offenbarung erkannt.
Was mag die Ursache dieser Verirrung gewesen sein?
Wollten Wir sie erwähnen, so würden ihre Glieder zerreißen.
Es tut ihnen not, nachzusinnen, ja, tausendmal tausend Jahre lang nachzusinnen, damit sie vielleicht ein paar Tropfen aus dem Ozean der Erkenntnis erlangen und entdecken mögen, was sie an diesem Tage nicht beachten.
Ich wandelte im Lande Tá (Tihrán), dem Tagesanbruch der Zeichen deines Herrn - siehe, da hörte Ich das Wehklagen der Kanzeln und die Stimme ihres Flehens zu Gott - gesegnet und verherrlicht sei Er, Sie riefen aus und sagten: `O Gott der Welt und Herr der Völker!
Du siehst unseren Zustand und was über uns gekommen ist durch die Grausamkeit Deiner Diener.
Du hast uns erschaffen und geoffenbart zu Deiner Verherrlichung und zu Deinem Preis.
Du hörst nun, was die widerspenstigen über uns in Deinen Tagen verkünden.
Bei Deiner Macht!
Unsere Seelen zerfließen und unsere Glieder erzittern.
Wehe!
Wehe!
Wären wir doch nie von Dir erscha ffen und geoffenbart worden!` Die Herzen jener, die Gott nahe sind, werden von diesen Worten verzehrt und lassen die Wehrufe derer ertönen, die Ihm ergeben sind."
+21:6 #135
"Diese dicken Wolken", hat Er in demselben Tablet dargelegt, "sind Auswüchse nutzloser Phantasie und eitler Einbildungen, die von keinen anderen stammen, als von den Geistlichen Persiens". Und Er erklärt im gleichen Zusammenhang: "Unter `Geistlichen` werden an der oben erwähnten Stelle jene Menschen verstanden, die sich äußerlich mit dem Kleide der Erkenntnis schmücken, aber innerlich ihrer beraubt sind. In diesem Zusammenhang führen Wir aus dem Tablet an Seine Majestät den Sháh einige Stellen aus den `Verborgenen Worten` an, die durch die Feder Abhás unter dem Namen `Buch der Fátimih`- möge Gottes Segen auf ihr ruhen - geoffenbart wurden. `O ihr Toren, die ihr als weise geltet! Warum verkleidet ihr euch als Hirten, da ihr doch innerlich zu Wölfen wurdet, die nach Meiner Herde trachten? Ihr gleicht dem Morgenstern, der vor der Dämmerung strahlend und hell scheint und der doch die Wanderer zu Meiner Stadt in die Irre und auf den Pfad des Verderbens leitet.` Und ebenso spricht Er: `O ihr scheinbar Vollkommenen, doch innerlich Unvollkommenen! Ihr seid wie reines, doch bitteres Wasser, das äußerlich kristallklar scheint, von dem aber bei der Probe durch den göttlichen Prüfer nicht ein Tropfen angenommen wird. Ja, der Sonnenstrahl fällt gleicherweise auf den Staub wie den Spiegel, doch in ihrem Widerschein unterscheiden sie sich wie der Stern von der Erde - ja mehr noch, der Unterschied ist unermeßlich!`"
+21:7 #136
"Wir haben alle Menschen eingeladen", hat Bahá'u'lláh in einem anderen Tablet klargelegt, "sich Gott zuzuwenden, und traben sie mit dem Geraden Pfad bekannt gemacht. Sie (die Geistlichen) erhoben sich gegen Uns mit solcher Grausamkeit, daß dies die Kraft des Islám untergraben hat, und doch sind die meisten Leute achtlos!" "Die Kinder Dessen, welcher der Freund Gottes ist (Abraham)", so hat Er des weiteren geschrieben, "und die Erben Dessen, der mit Gott verkehrte (Moses), die zu den Verworfensten unter den Menschen gezählt wurden, haben die Schleier zerrissen und die Hüllen abgeworfen und den versiegelten Wein aus den gütigen Händen des Selbstbestehenden ergriffen und sich satt getrunken, während die verabscheuungswürdigen schiitischen Geistlichen bis heute zaudernd und werstockt geblieben sind." Und weiter: "Die Geistlichen Persiens begingen, was kein Volk unter den Völkern der Welt begangen hat."
+21:8 #137
"Wenn diese Sache von Gott ist", so redete Er den Gesandten des Sháh in Konstantinopel an, "so kann kein Mensch gegen sie aufkommen, und wenn sie nicht won Gott ist, so werden die Geistlichen unter euch und die, welche ihren verdorbenen Wünschen folgen, und jene, die sich wider Ihn aufgelehnt haben, sicherlich genügen, sie zu überwältigen."
+21:9
"Von allen Völkern der Welt", so bemerkt Er in einem anderen Tablet, "ist dasjenige, das den größten Verlust erlitten hat, das Volk Persiens gewesen und ist es noch. Ich schwöre bei der Sonne der Äußerungen, die in ihrem Mittagsglanze auf die Welt scheint! Das Wehklagen der Kanzeln in diesem Lande ertönt immerfort. Schon in den ersten Tagen wurden solche Wehklagen im Lande Tá (Tihrán) gehört, denn Kanzeln, die zur Erwähnung des Einen Wahren errichtet wurden - erhaben sei seine Herrlichkeit - sind jetzt in Persien zu Orten geworden, von denen aus Lästerungen gegen Ihn, die Sehnsucht der Welt, ausgesprochen werden."
+21:10
"An diesem Tage", so lautet seine scharfe Rüge, "ist die Welt mit den Wohlgerüchen vom Gewande der Offenbarung des altehrwürdigen Königs erfüllt ..., und doch haben sie (die Geistlichen) sich versammelt und sich auf ihren Sitzen breitgemacht und gesprochen, was ein Tier Scham empfinden lassen würde, wieviel mehr den Menschen selbst. Würden sie sich einer ihrer Taten bewußt werden und das Unheil erkennen, das sie angerichtet haben, so würden sie sich mit eigener Hand zu ihrem endgültigen Wohnort befördern."
+21:11
"O Schar der Geistlichen!", so befiehlt ihnen Bahá'u'lláh, "... Legt beiseite, was ihr besitzt, haltet Frieden und hört sodann auf das, was die Zunge der Größe und Erhabenheit spricht. Wie viele verschleierte Dienerinnen wandten sich Mir zu und glaubten, und wie viele Turbanträger waren von Mir ausgeschlossen und folgten den Fußstapfen vergangener Geschlechter!"
+21:12 #138
"Ich schwöre bei der Sonne, die über dem Horizont der Äußerung scheint", so sagt Er aus, "ein Spänchen vom Fingernagel einer der gläubigen Dienerinnen wird am heutigen Tage vor den Augen Gottes mehr geachtet als die Geistlichen Persiens, die nach dreizehnhundert Jahren Wartezeit das verübten, was die Juden nicht taten während der Offenbarung Dessen, welcher der Geist ist (Jesus)." "Obwohl sie sich über die Trübsale, die Uns getroffen haben, freuen", lautet Seine Warnung, "so wird doch der Tag kommen, da sie wehklagen und weinen werden".
+21:13
"O Achtloser", so redet Er im Lawh-i-Burhán einen berüchtigten persischen Mujtahiden an, dessen Hände mit dem Blut von Bahá'í-Märtyrern befleckt waren, "verlasse dich nicht auf deinen Ruhm und deine Macht. Du gleichst der letzten Spur des Sonnenlichtes auf dem Bergesgipfel. Bald wird es dahinschwinden, wie es beschlossen ist von Gott, dem Allbesitzenden, dem Höchsten. Dein Ruhm und der Ruhm von deinesgleichen sind von euch genommen, und dies ist wahrlich von dem Einen, bei dem das Mutterbuch ist, verordnet worden... Um euretwillen klagte der Apostel (Muhammad), und die Reine (Fátimih) schrie auf, und die Länder wurden verwüstet, und Finsternis fiel auf alle Regionen. O Schar der Geistlichen! Um euretwillen wurde das Volk erniedrigt, das Banner des Islám niedergeholt und sein mächtiger Thron umgestürzt. Jedesmal, wenn ein Mensch mit Verstand an dem festzuhalten suchte, was den Islám erhöhen würde, habt ihr ein Geschrei erhoben, und dadurch wurde er verhindert, seinen Plan auszuführen, während das Land offensichtlich dem Verderben preisgegeben war."
+21:14
"Sprich: O Schar persischer Geistlicher", so weissagt Bahá'u'lláh wiederum, "in Meinem Namen habt ihr die Zügel der Macht über die Menschen ergriffen, und durch eure Beziehung zu Mir nehmt ihr die Ehrensitze ein. Als Ich Mich aber offenbarte, wandtet ihr euch ab und begingt, was die Tränen derer, die Mich erkannten, fließen ließ. Binnen kurzem wird alles, was ihr besitzt, zugrunde gehen, und euer Ruhm wird sich in jämmerlichste Erniedrigung verwandeIn, und ihr werdet die Strafe sehen für das, was ihr getan habt, wie es von Gott, dem VerOrdner, dem Allweisen, beschlossen wurde."
+21:15 #139
In der Súriy-i-Mulúk hat Er sich an sämtliche kirchlichen Führer des sunnitischen Islám in Konstantinopel, der Hauptstadt des Reiches und dem Sitz des Kalifates, gewandt und geschrieben: "O ihr Geistlichen der Stadt!
Wir kamen zu euch mit der Wahrheit, ihr aber achtetet ihrer nicht.
Mir dünkt, ihr gleicht Toten, eingewickelt in die Hüllen eures eigenen Selbstes.
Ihr suchtet nicht Unsere Gegenwart, als dies zu tun besser für euch gewesen wäre als alle eure Taten ...
Wißt, daß, ' wenn eure Führer, denen ihr Treue schuldet, auf die ihr stolz seid, die ihr bei Tag und Nacht erwähnt und in deren Fußspuren ihr Führung sucht -, wenn sie in diesen Tagen gelebt hätten, so wären sie um Mich gewesen und hätten sich nimmer von Mir getrennt, weder am Abend noch am Morgen.
Ihr jedoch wandtet euer Antlitz, auJ nicht für einen einzigen Augenblick, Meinem Antlitz zu, und ihr wurdet hochmütig und achtetet nicht auf diesen Mißhandelten, der von den Menschen so gequält wurde, da sie mit Ihm verfuhren, wie es ihnen beliebte.
Ihr habt es unterlassen, über Meine Lage nachzuforschen, auch unterrichtetet ihr euch nicht über das, was Mir zustieß.
Dadurch habt ihr das Wehen der Heiligkeit und die Lüfte der Güte, die von diesem leuchtenden und sichtbaren Orte ausgehen, von euch abgehalten.
Mich dünkt, ihr habt euch an äußerlichkeiten gehängt und das Innere vergessen, und ihr sagt, was ihr nicht tut.
Ihr liebt Namen lind scheint euch ihnen ganz hingegeben zu haben.
Aus diesem Grunde erwähnt ihr die Namen eurer Führer.
Und würde irgendeiner wie sie, oder ein Besserer als sie, zu euch kommen, so würdet ihr ihn fliehen.
Durch jene Namen habt ihr euch erhöht und euch eure Stellung gesichert, und ihr lebt und gedeiht durch sie.
Und würden eure Führer wieder erscheinen, so würdet ihr weder auf eure Führerschaft verzichten, noch würdet ihr euch ihnen zuzuenden oder euer Antlitz auf sie richten.
Wir fanden, daß ihr, wie die meisten Menschen, Namen anbetet, die sie alle Tage ihres Lebens erwähnen und mit denen sie sich befassen.
Kaum jedoch erscheinen die Träger dieser Namen, da werwerfen sie sie und kehren ihnen den Rücken ...
Wißt, daß Gott an diesem Tage weder eure Gedanken annehmen wird noch euer Gedenken an Ihn, auch nicht eure Haltung Ihm gegenüber, eure Andachtsübungen und eure Wachsamkeit, es sei denn, ihr werdet neuerschaffen in der hohen Achtung diesem Diener gegenüber - könntet ihr es doch begreifen."
+21:16 #140
Die Stimme 'Abdu'l-Bahás, des Mittelpunktes des Gottesbündnisses, hat sich gleicherweise erhoben und das gräßliche Unheil angekündigt, das bald nach Seinem Hinscheiden die geistliche Herrschaft des sunnitischen und schiitischen Islám befallen sollte. "Diese Herrlichkeit", hat Er geschrieben, "wird sich in die elendeste Erniedrigung verwandeIn, und dieser Pomp und diese Macht zuerden sich in völlige Unterwerfung verkehren. Ihre Paläste werden in Gefängnisse umgewandelt zuerden, und die Bahn ihres hochstrahlenden Gestirns wird in den Tiefen des Abgrundes enden. Lachen und Fröhlichkeit werden dahinschwinden, nein noch mehr, ihre Klagestimme wird sich erheben." "Wie der Schnee in der Julisonne", so hat Er des weiteren geschrieben, "werden sie dahinschwinden".
+21:17
Die Auflösung des Kalifats, die vollständige Verweltlichung des Staates, der die erhabenste Einrichtung des Islám beherbergt hatte, und der tatsächliche Zusammenbruch der schiitischen Priesterherrschaft in Persien - das waren die sichtbaren und unmittelbaren Folgen der Behandlung, die der Gottessache durch die Geistlichkeit der beiden größten Gemeinschaften der muhammadanischen Welt zuteil geworden war.
+22 #141
Das sinkende Glück des schiitischen Islám
Laßt uns zuerst die Heimsuchungen betrachten, welche das sinkende Glück des schiitischen Islám gekennzeichnet haben. Die zu Beginn dieser Zeilen aufgezählten Schändlichkeiten, für die die schiitische Geistlichkeit Persiens in erster Linie verantwortlich zu machen ist, Schändlichkeiten, die nach den Worten Bahá'u'lláhs "den Apostel (Muhammad) wehklagen und die Reine (Fátimih) aufschreien" und "alle erschaffenen Dinge stöhnen und die Glieder der Heiligen zittern ließen", Schändlichkeiten, welche die Brust des Báb mit Kugeln durchlöcherten, Bahá'u'lláh niederbeugten, Sein Haar bleichten und Ihn vor Qual aufseufzen, Muhammad über Ihn weinen, Jesus sich aufs Haupt schlagen und den Báb Seinen Zustand beklagen ließen - solche Schändlichkeiten konnten und durften wahrlich nicht ungestraft bleiben. Gott, der grimmigste Rächer, wachte und gelobte, "keines Menschen Ungerechtigkeit zu vergeben". Die Geißel Seiner Züchtigung traf endlich, rasch, plötzlich und schrecklich, die Verüber dieser Schändlichkeiten.
+22:2
Eine Umwälzung, die in ihrem Verlauf furchtbar in ihren Ausmaßen, weitreichend in ihrer Rückwirkung, aber erstaunlich durch das Fehlen von Blutvergießen oder gar Gewalttätigkeiten war, forderte die Vorrangstellung der Geistlichkeit heraus, die seit Jahrhunderten das Kennzeichen des Islám in diesem Lande gewesen war, und stürzte eine Herrschaft der Geistlichen, mit der das Räderwerk des Staates und das Leben des Volkes unauflöslich verwoben waren. Eine solche Umwälzung ließ nicht die Aufhebung der staatlichen geistlichen Herrschaft erkennen; sie bedeutete vielmehr das Zerbrechen dessen, was ein Kirchenstaat genannt werden konnte - eines Staates, der sogar bis zum Augenblick seines Verlöschens hoffnungsvoll die erfreuliche Ankunft des verborgenen Imám erwartet hatte, eines Imámes, der dann nicht nur die Zügel der Amtsgewalt des Sháh, der obersten Behörde, die ihn nur vertrat, ergreifen, sondern sogar die Herrschaft über die ganze Erde übernehmen würde.
+22:3 #142
Der Geist, den diese Priesterkaste ein ganzes Jahrhundert lang so hartnäckig zu zermalmen bestrebt war, der Glaube, den sie mit wilder Roheit auszurotten versucht hatte, waren jetzt ihrerseits dabei, durch die Kräfte, die sie in der Welt erzeugt hatten, das Gleichgewicht eben dieser Ordnung - deren Verzweigungen sich in jede Sphäre, Pflicht und lebenswichtige Handlung in jenem Lande ausgedehnt hatten - zu stören und ihre Stärke zu untergraben. Der Felswall des Islám, scheinbar unüberwindlich, war nun in seinen Grundlagen erschüttert worden und brach jetzt vor den Augen der verfolgten Anhänger des Glaubens Bahá'u'lláhs zusammen. Eine Priesterherrschaft, die den Glauben Gottes so lange geknechtet hatte und ihn einmal sogar tödlich niedergestreckt zu haben schien, wurde jetzt selbst zur Beute einer überlegenen weltlichen Macht, deren entschlossene Politik es war, stetig und erbarmungslos ihre Schlingen um jene Herrschaft zu legen.
+22:4
Das weite System jener Priesterherrschaft, mit allen seinen Bestandteilen und Organen - seinen Shaykhu'l-Islám (Hohenpriestem), seinen Mujtahids (Doktoren der Gesetze), seinen Mullás (Priestern), Fuqahás (Juristen), Imámen (Vorbetern), Mu'adhdhins (Gebetsrufern), Vu'ázz (Predigern), Qádís (Richtern), Mutavallís (Hütern), Madrisihs (Seminaren), Mudarrisíns (Lehrern), Tullábs (Schülern), Qurrás (Vorsängern), Mu'abbiríns (Wahrsagern), Muhaddithíns (Erzählern), Musakhkhiríns (Geisterbeschwörern), Dhákirins (Erinnerern), 'Ummál-i-dhakáts (Almosengebern), Muqaddasíns (Heiligen), Munzavís (Einsiedlern), seinen Súfís, seinen Derwischen und was sonst noch alles - war gelähmt und gänzlich in Mißkredit geraten. seine Mujtahids, jene Aufwiegler, die Macht über Leben und Tod hatten und denen durch lange Generationen hindurch Ehren fast königlicher Art gewährt worden waren, wurden auf eine kläglich unbedeutende Zahl vermindert.
Die turbantragenden Prälaten der islámischen Kirche, die nach den Worten Bahá'u'lláhs "ihre Häupter mit Grün und Weiß bedeckten und verübten, was den Geist der Religion seufzen ließ", wurden unbarmherzig hinweggefegt.
Nur eine Handvoll machte eine Ausnahme, und sie ist jetzt gezwungen, um sich gegen das Wüten eines glaubenslosen Volkes zu schützen, sich der Demütigung zu unterziehen, immer, wenn die Gelegenheit es fordert, die ihnen von den weltlichen Behörden gewährte Erlaubnis einzuholen, dieses dahinschwindende Sinnbild einer verschwundenen Würde zu tragen.
Der Rest dieser turbantragenden Klasse, ob Siyyids, Mullás oder Hájís, wurde gezwungen, nicht nur seine ehrwürdige Kopfbedeckung mit dem Kuláh-i-farangí (europäischen Hut) zu vertauschen, den sie selbst nicht viel früher verflucht hatten, sondern sogar ihre fließenden Gewänder abzulegen und die engsitzenden Anzüge europäischen Schnittes anzuziehen, deren Einführung in ihrem Lande sie vor einem Menschenalter so heftig verworfen hatten.
+22:5 #143
"Die dunkelblauen und weißen Dome" - eine Anspielung 'Abdu'l-Bahás auf den rundlichen, massigen Kopfschmuck der Priester Persiens - sind wahrlich "umgestülpt" worden. Jene, deren Häupter sie getragen hatten, die anmaßenden, fanatischen, treulosen und rückschrittlichen Geistlichen, " in deren autoritärem Griff", wie Bahá'u'lláh bezeugt, "die Zügel der Herrschaft über das Volk lagen", deren "Worte der Stolz der Welt sind" und deren "Taten die Schmach der Völker sind", erkannten die Erbärmlichkeit ihrer Lage und zogen sich niedergeschlagen und aller Hoffnungen bar in ihre Häuser zurück, um dort ein jämmerliches Dasein zu verbringen. Machtlos und mürrisch beobachten sie den Ablauf eines Geschehens, das ihre Politik umgestürzt und ihre Schöpfung zerstört hat und nun unwiderstehlich seinem Höhepunkt zustrebt.
+22:6 #144
Der Pomp und Prunk dieser geistlichen Fürsten des Islám sind bereits vergangen.
Ihr fanatisches Geschrei, ihre lärmenden Gebetsrufe und ihre geräuschvollen Kundgebungen sind verstummt.
Ihre Fatvás (Rechtssprüche oder Rechtsgutachten), einst mit solcher Scharmlosigkeit verkündet und zeitweise Anklagen gegen Könige enthaltend, sind tote Buchstaben.
Das Schauspiel von Versammlungsgebeten, an denen Tausende Andächtiger in Reihen aufgestellt teilnahmen, ist verschwunden.
Die Kanzeln, von denen aus sie den Donner ihrer Verfludiungen in gleicher Weise gegen Mächtige und Unschuldige entluden, sind verlassen und still.
Ihre Waqfs, diese unschätzbaren und weithin verbreiteten Stiftungen, der Landbesitz des erwarteten Imám - die einstmals allein in Isfáhán die ganze Stadt umfaßten -, sind ihren Händen entwunden und unter die Aufsicht einer weltlichen Verwaltung gestellt worden.
Ihre Madrisihs (Seminare) mit ihrem mittelalterlichen Schulwissen sind verlassen und verfallen.
Die unzähligen Bände theologischer Auslegungen, Nebenkommentare, Randbemerlcungen und Anmerkungcn, unleserlich, unnütz, Erzeugnisse irregeleiteter Begabung und Mühe, von einem der erleuchtetsten Denker des Islám in neuerer Zeit alsWerke bezeichnet, die das gesunde Erkennen verdunkeln, Würmer hervorbringen und nur noch des Feuers wert sind, wurden nun weggepackt, mit Spinngewebe überzogen und vergessen. lhre abstrusen Abhandlungen, ihre heftigen Wortgefechte und endlosen Auseinandersetzungen sind außer Mode und aufgegeben.
Ihre Masjids (Moscheen) und Imám-Zádihs (Heiligengräber), welche das Vorrecht hatten, das Bast (Asylrecht) auf mancherlei Verbrecher auszudehnen, und die zu einem allgemeinen Ärgernis geworden waren, deren Wände von den Gesängen einer heuchlerischen und ruchlosen Geistlichkeit widerhallten und deren Ornamente mit den Schätzen der Königspaläste wetteiferten, sind verlassen oder verfallen.
Ihre Takyihs, die Schlupfwinkel der faulen, untätigen und beschaulichen Pietisten, sind verkauft oder geschlosscn worden.
Ihre mit barbarischem Eifer gespielten und durch plötzliches Aufzucken ungezügelter religiöser Erregung gesteigerten Ta'zíyihs (Spiele) sind verboten.
Sogar ihre Rawdih-Khánís (Klagegesänge) mit ihren langgezogenen klagenden Schreien, die aus so vielen Häusern aufstiegen, sind beschränkt und verhindert worden.
Die heiligen Pilgerfahrten nach Najaf und Karbilá, den heiligsten Grabstätten der schiitischen Welt, sind an Zahl zurückgegangen und immer mehr erschwert worden, wodurch mancher habgierige Mullá verhindert wird, in seinem altehrwürdigen Gewande doppelte Forderungen dafür zu erheben, daß er solche Pilgerfahrten in Vertretung religiös gesinnter Menschen unternimmt.
Die Abschaffung des Schleiers, die zu verhindern die Mullás mit Zähnen und Nägeln fochten, die Gleichberechtigung der Geschlechter, die ihr Gesetz verbot, die Errichtung weltlicher Gerichte, die ihe geistlichen Gerichte ersetzten, die Abschaffung des Síghih (Konkubinat), das, wenn für kurze Zeit eingegangen, kaum von einer Art Prostitution zu unterscheiden ist, und das aus dein wilden und fanatischen Mashad, dem nationalen Mittelpunkt der Wallfahrten, eine der sittenlosesten Städte Asiens machte, und endlich die Anstrengungen, die gemacht werden, um das Arabische, die heilige Sprache des Islám und des Qur'án, herabzusetzen und es vom Persischen zu trennen - all dies hat der Reihe nach seinen Teil zu der Beschleunigung dieses unaufhaltsamen Geschehens beigetragen, das den Rang und die Vorteile der muhammadanischen Geistlichen den weltlichcn Bchörden in einem Grade untergeordnet hat, den kein Mullá erträumt hatte.
+22:7 #145
Nun mag der einst hochbeturbante, langbärtige, strengblickende Áqá (Mulla), der sich so unverschämt auf jedem Gebiet menschlicher Tätigkeit eingemischt hatte, wenn er jetzt hutlos und glattrasiert in der Abgeschlossenheit Seines Hauses dasitzt und vielleicht den Tönen westlicher Musik lauscht, die über die Ätherwellen seines Heimatlandes schmettern, innehalten, um eine Weile an den verblaßten Glanz seines dahingegangenen Reiches zu denken. Nun mag er über die Verheerung nachsinnen, welche die aufsteigende Flut des Nationalismus und Skeptizismus unter den scheinbar unzerstörbaren Trachtionen seines LIandes geschaffen hat. Nun mag er sich die schönen Tage zurückrufen, da er auf einem Esel sitzend durch die Bazare und Maydáne (Plätze) seiner Heimatstadt paradierte und eine eifrige, aber betrogene Menge herbeistürzte, um nicht nur seine Hände mit Inbrunst zu küssen, sondern sogar den Schwanz des Tieres, das er ritt. Nun mag er des blinden Eifers gedenken, womit sie seinen Weihehandlungen Beifall spendeten, und der Zeichen und Wunder, die sie deren Verrichtung beilegten.
+22:8 #146
Er mag sogar noch weiter zurückschauen und sich die Regierung jener frommen safawitischen Monarchen ins Gedächtnis rufen, die sich gerne "Hunde an der Schwelle der makellosen Imáme" nannten. Er mag bei dem Bilde verweilen, wie einer jener Könige sich bewogen fühlte, vor dem Mujtahid, der über den Maydán-i-Sháh, den Hauptplatz Isfáháns, ritt, zu Fuß einherzugehen als Zeichen königlicher Unterwürfigkeit vor dem höchsten Priester des verborgenen Imám, einem Priester, der sich zum Unterschied von dem Titel des Sháh als "Diener des Herrn der Heiligkeit" (Imam 'Alí) bezeichnete.
+22:9
War es nicht, so mag er wohl erwägen, eben dieser Sháh 'Abbás der Große, der von einem anderen Mujtahid anmaßend als "Begründer eines entliehenen Reiches" angeredet wurde, womit ausgedrückt sein sollte, daß das Reich des "Königs der Könige" in Wirklichkeit dem erwarteten Imám gehörte und vom Sháh lediglich in der Eigenschaft eines zeitweiligen Treuhänders verwaltet wurde? War es nicht derselbe Sháh, der die ganze Strecke von achthundert Meilen von Isfáhán bis Mashhad, dem "besonderen Ruhme der schiitischen Welt", zu Fuß wanderte, um seine Gebete in der einzigen Weise, die einem Sháh-inSháh geziemt, am Grabe des Imám Ridá darzubringen, und der die tausend Kerzen, die dessen Höfe schmückten, beschnitt? War nicht Sháh Tahmasp (I.) beim Empfang einer von einem anderen Mujtahid geschriebenen Epistel aufgesprungen, hatte er sie nicht an die Augen gedrückt, voll Entzücken geküßt und, weil er mit "Bruder" angeredet worden war, befohlen, sie in sein Leichentuch zu legen und mit ihm zu begraben?
+22:10
Mag nicht derselbe Mullá auch an die Ströme von Blut denken, welche in all den langen Jahren, da er sich einer straflosen Lebensführung erfreute, auf sein Geheiß flossen, an die glühenden Verfluchungen, die er ausgestoßen, an das große Heer von Waisen und Witwen, an die Enterbten, Entehrten, Verlassenen und Heimatlosen, die am Tage der Vergeltung einstimmig nach Rache schreien und Gottes Fluch auf ihn herabrufen werden?
+22:11
Jene verruchte Schar hatte sehr wohl die Erniedrigung verdient, in die sie hinabgesunken ist. Sie übersah hartnäckig den Schicksalsspruch, den der Finger Bahá'u'lláhs an die Wand geschrieben hatte; sie folgte fast hundert Jahre lang ihrem verhängnisvollen Lauf, bis ihr zur festgesetzten Stunde die Totenglocke geläutet wurde von jenen umwälzenden Geisteskräften, die, gleichzeitig mit dem ersten Dämmern der Weltordnung Seines Glaubens, das Gleichgewicht ins Wanken bringen und die althergebrachten Einrichtungen der Menschheit in solche Verwirrung stürzen.
+23 #147
Der Zusammenbruch des Kalifates
Diese selben Kräfte haben, in einer gleichlaufenden Richtung wirkend, eine noch bemerkenswertere und gründlichere Umwälzung zustande gebracht, die im Zusammenbruch und Sturz des muhammadanischen Kalifates gipfelte, der mächtigsten Einrichtung der ganzen Islámischen Welt. Diesem Ereignis von verhängnisvoller Bedeutung folgte noch dazu eine förmliche und endgültige Trennung dessen vom Staate, was in der Türkei vom sunnitischen Glauben übriggeblieben war, und darüber hinaus die völlige Verweltlichung der Republik, die sich auf den Ruinen des theokratischen ottomanischen Reiches erhoben hat. Diesen katastrophalen Fall, der die Welt des Islám betäubte, und die offen erklärte, bedingungslose und förmliche Trennung der geistlichen von der weltlichen Macht, welche die Revolution in der Türkei von der in Persien eingetretenen unterschied, will ich nunmehr betrachten.
+23:2
Der sunnitische Islám hat, nicht durch das Eingreifen einer ausländischen Macht, die in das Land einfiel, sondern durch einen den Glauben Muhammads ausdrücklich bekennenden Diktator, einen schmerzlicheren Schlag erlitten als jenen, der fast gleichzeitig auf sein Schwesterbekenntnis in Persien fiel. Dieser Vergeltungsakt gegen den Erzfeind des Glaubens Bahá'u'lláhs ruft ein ähnliches, durch das Vergehen eines römischen Kaisers gegen Ende des ersten Jahrhunderts christlicher Zeitrechnung beschleunigtes Unheil in Erinnerung - ein Unheil, das den Tempel Salomos von Grund auf zerstörte, das Allerheiligste vernichtete, die Stadt Davids verwüstete, die jüdische Priesterherrschaft in Jerusalem entwurzelte, Tausende des jüdischen Volkes - des Verfolgers der Religion Jesu Christi - ermordete, den Rest über die Erde zerstreute und eine heidnische Kolonie auf Zion errichtete.
+23:3 #148
Der Kalif, der sich selbst zum Stellvertreter des Propheten des Islám ernannt hatte, übte eine geistige Oberherrschaft aus und war mit einer geheiligten Würde bekleidet, wie sie der Sháh von Persien weder beanspruchte noch besaß. Es sollte auch nicht vergessen werden, daß sich der Bereich seiner geistlichen Rechtsprechung auf Länder weit jenseits der Grenzen seines eigenen Reiches erstreckte und die überwältigende Mehrheit der Muhammadaner in der ganzen Welt umfaßte. Er wurde außerdem in seiner Eigenschaft als der Vertreter des Propheten auf Erden, als Beschützer der heiligen Städte Mekka und Medina angesehen, als Verteidiger und Verbreiter des Islám und als Befehlshaber seiner Anhänger in jedem heiligen Krieg, der ausgerufen werden mochte.
+23:4
Eine so mächtige, erhabene und geheiligte Persönlichkeit wurde, zugleich mit der Abschaffung des Sultanats in der Türkei, jener weltlichen Amtsgewalt entkleidet, welche die Vertreter der sunnitischen Schule als notwendigerweise mit diesem hohen Amte verbunden betrachtet haben. Das Schwert, das Sinnbild weltlicher Oberherrschaft, wurde den Händen des Befehlshabers entwunden, dem gestattet war, für eine kurze Zeit eine so ungewöhnliche und gefährliche Stellung zu bekleiden. Bald wurde jedoch in der sunnitischen Welt, die vorher nicht im geringsten um Rat gefragt worden war, ausposaunt, daß das Kalifat selbst nun ausgelöscht worden sei und daß das Land, welches es als Zubehör zu seinem Sultanat mehr als vierhundert Jahre lang angenommen hatte, es nunmehr für immer verleugnet habe. Die Türken, die seit dem arabischen Niedergang die kriegerischen Führer der muhammadanischen Welt gewesen waren und das Banner des Islám bis vor die Tore Wiens, des Herrschersitzes von Europas erster Macht, getragen hatten, waren nun von ihrer Führerschaft zurückgetreten. Der Exkalif, seines königlichen Pomps entkleidet, der Sinnbilder seiner Stellvertreterschaft entblößt und von Freund und Feind gleicherweise verlassen, war gezwungen, aus Konstintinopel, dem stolzen Sitz einer Doppelherrschaft, in das Land der Ungläubigen zu fliehen und sich dem gleichen Leben in der Verbannung zu ergeben, zu dem eine Anzahl anderer Herrscher verdammt worden war und noch wird.
+23:5 #149
Auch ist es der sunnitischen Welt trotz entschiedener Anstrengungen nicht gelungen, jemanden an seiner Statt zu bestimmen, der, wenn auch des Schwertes des Befehlshabers beraubt, dennoch als Wächter von Mantel und Banner des Gottgesandten, der beiden heiligen Sinnbilder des Kalifates, auftreten würde. Konferenzen wurden abgehalten, Besprechungen geführt, ein Kalifatskongreß wurde in der ägyptischen Hauptstadt, der Stadt der Fátimiden, einberufen, der doch mit dem weithin bekannten und öffentlichen Bekenntnis seines Scheiterns endete: "Man hat sich dahingehend geeinigt, sich nicht zu einigen!"
+23:6
Seltsam, unsagbar seltsam muß die Stellung dieses mächtigsten Zweiges des Islámischen Glaubens erscheinen: Ohne ein äußerlich sichtbares Haupt, um seinen Gefühlen und Überzeugungen Ausdruck zu verleihen, seine Einheit unwiederbringlich erschüttert, sein Glanz verdüstert, sein Gesetz untergraben und seine Einrichtungen in hoffnungslose Verwirrung gestürzt. Diese Institution, welche die unveräußerlichen, von Gott verordneten Rechte der Imáme des Glaubens Muhammads herausgefordert hatte, war nun nach Verlauf von dreizehn Jahrhunderten wie Rauch dahingeschwunden, eine Institution, die einem Glauben, dessen Herold selbst ein Nachkomme der Imáme, der gesetzmäßigen Nachfolger des Apostels Gottes, war, so unbarmherzige Schläge erteilt hatte.
+23:7 #150
Worauf sonst könnte diese bemerkenswerte, im Lawb-i-Burhán enthaltene Weissagung anspielen als auf den Sturz des gekrönten Oberherrn der sunnitischen Muhammadaner? "O Schar der muhammadanischen Geistlichen! Um euretwillen wurde das Volk erniedrigt, das Banner des Islám niedergeholt und sein mächtiger Thron gestürzt." Was ist mit der unzweifelhaft klaren und bestürzenden, im Qayyúmu'l-Asmá' aufgezeichneten Weissagung: "Wahrlich, binnen kurzem werden Wir jene mit der schmerzlichsten Qual und der schrecklichsten und exemplarischsten Strafe peinigen, die gegen Husayn (Imám Husayn) im Lande des Euphrat Krieg führten"? Welche andere Auslegung kann dieser muhammadanischen Überlieferung gegeben werden : "In den späteren Tagen wird schmerzliches Unglück Mein Volk von seiten seines Herrschers befallen, ein Unglück, desgleichen kein Mensch je erlebt hat"?
+23:8
Dies war jedoch nicht alles.
Das Verschwinden des Kalifen, des geistigen Hauptes von über zweihundert Millionen Muhammadanern, brachte anschließend dem Lande, das dem Islám einen so schweren Schlag versetzt hatte, die Ungültigkeit des kanonischen Gesetzes der Sharí'ah, die Aufhebung sunnitischer Einrichtungen, die Verbreitung eines weltlichen Gesetzbuches, die Unterdrückung religiöser Orden und die Abschaffung der durch die Religion Muhammads vorgeschriebenen Zeremonien und Überlieferungen.
Der Shaykhu'l-Islám und seine Anhänger, einschließlich der Muftís, Qádís, Hujahs, Shaykhs, Súfís, Hájís, Mawlavís, Derwische und anderer, verschwanden durch einen entschiedeneren, offeneren und kräftigeren Schlag als jener war, der den Schiiten durch den Sháh und seine Regierung erteilt worden war.
Die Moscheen der Hauptstadt, der Stolz und Ruhm der islámischen Welt, wurden verlassen, und die schönste und berühmteste unter ihnen, die unvergleichliche Hagia Sophia, "das zweite Himmelszelt", "der Wagen der Cherubim", wurde durch die dreisten Schöpfer eines weltlichen Regimes in ein Museum verwandelt.
Die arabische Sprache, die Sprache des Propheten Gottes, wurde aus dem Lande verbannt, ihr Alphabet durch lateinische Buchstaben ersetzt und der Qur'án selbst ins Türkische übersetzt für die wenigen, die ihn noch lesen wollten.
Die Verfassung der neuen Türkei mit allen sie begleitenden und manchen atheistisch erscheinenden Verordnungen proklamierte nicht nur förmlich die Entstaatlichung und Enteignung des Islám, sondern kündigte sogar verschiedene Maßnahmen an, die auf dessen weitere Demütigung und Schwächung hinzielten.
Sogar die Stadt Konstantinopel, "der Dom des Islám", von Bahá'u'lláh mit verdammenden Worten angeredet, einst nach dem Fall von Byzanz durch den großen Konstantin als "das neue Rom" ausgerufen, zum Range einer Metropole sowohl des römischen Reiches als auch des Christentums erhoben und späterhin als Sitz der Kalifen verehrt, wurde zum Range einer Provinzstadt erniedrigt und all ihres Pomps und Ruhmes entblößt, so daß ihre erhabenen, schlanken Minarette nun Wache stehen am Grabe von so viel entschwundener Pracht und Macht.
+23:9 #151
"O Ort, der du an den Küsten zweier Meere liegst!" so hat Bahá'u'lláh die Kaiserstadt mit Worten angeredet, welche uns die prophetischen Worte Jesu Christi über Jerusalem ins Gedächtnis rufen. "Wahrlich, der Thron der Tyrannei ist auf dir errichtet und die Flamme des Hasses in deinem Busen entzündet worden, so sehr, daß die Heerscharen in der Höhe und jene, die den erhabenen Thron umkreisen, klagten und jammerten. Wir sehen in dir den Narren über den Weisen herrschen und Finsternis sich vor dem Lichte rühmen. In der Tat, du bist von offenbarem Hochmut erfüllt. Hat dir dein äußerer Glanz prahlerisch gemacht? Bei Ihm, dem Herrn des Menschengeschlechtes! Er wird rasch vergehen und deine Töchter, deine Witwen und alle deines Stammes, die in dir wohnen, werden wehklagen. Das verkündet dir der Allwissende, der Allweise."
+23:10 #152
Dies war das Geschick, das über beide, den schiitischen und den sunnitischen Islám, in den zwei Ländern kam, wo sie ihre Banner aufgepflanzt und ihre mächtigsten und weltberühmten Einrichtungen aufgebaut hatten.
Dies war ihr Geschick in den zwei Ländern, in deren einem Bahá'u'lláh als Verbannter starb und in deren anderem der Báb den Märtyrertod erlitt.
Dies war das Geschick des selbsternannten Stellvertreters des Propheten Gottes und der begünstigten Geistlichen des immer noch erwarteten Imám. "Das Volk des Qur'án", so bezeugt Bahá'u'lláh, "hat sich gegen Uns erhoben und quälte Uns mit solcher Pein, daß der Heilige Geist wehklagte, der Donner grollte und die Wolken über Uns weinten ...
Muhammad, der Apostel Gottes, beklagt ihre Taten im allerhöchsten Paradiese." "Mein Volk wird einen Tag erleben", so verdammen sie ihre eigenen Überlieferungen, "an dem wom Islám nichts übriggeblieben sein wird als der Name und wom Qur'án nichts als die äußere Erscheinung.
Die Gelehrten jener Zeit werden das größte Übel sein, das die Welt je gesehen hat.
Unheil ist von ihnen ausgegangen und wird auf sie zurückfallen."
Und wiederum: "Die meisten Seiner Feinde werden unter den Geistlichen sein.
Seinem Befehl werden sie nicht gehorchen, sondern sie werden widersprechen und sagen: `Dies ist das Gegenteil dessen, was uns durch die Imame des Glaubens überliefert worden ist.`"
Und nochmals: "Zu jener Stunde wird Sein Fluch über euch kommen, eure Verwünschung wird euch treffen und eure Religion wird ein leeres Wort auf euren Zungen bleiben.
Und wenn diese Zeichen unter euch erscheinen, so seid des Tages gewärtig, du der rotglühende Wind über euch hinfegen wird, oder des Tages, da ihr verunstaltet werdet oder da Steine auf euch regnen werden."
+24 #153
Eine Warnung an alle Völker
Diese Horde abgesetzter Priester, von Bahá'u'lláh als "Doktoren des Zweifels", "verworfene Offenbarungen des Fürsten der Finsternis", "Wölfe" und "Pharaonen", als "Brennpunkte des Höllenfeuers" und als "gefräßige Tiere, die um Aase der Menschenseelen nagen" gebrandmarkt und, wie auch durch ihre eigenen Überlieferungen bezeugt, sowohl Quelle als auch Opfer des Unheils, hat sich mit den verschiedensten Schwärmen der Sháh-Zádihs, Emire und Fürstensprößlinge gefallener Herrscherhäuser vereinigt - für alle Völker Zeugnis und Warnung dessen, was früher oder später über solche königlichen oder kirchlichen Herrscher über irdischen Besitz kommen muß, die sich erdreisten, die berufenen Kanäle und Verkörperungen göttlicher Vollmacht und Gewalt herauszufordern oder zu verfolgen.
+24:2
Der Islám, Ahnherr und Verfolger des Glaubens Bahá'u'lláhs zugleich, hat, wenn wir die Zeichen der Zeiten richtig lesen, erst begonnen, den Ansturm dieses unbesieglichen und triumphierenden Glaubens auszuhalten. Wir brauchen uns nur die neunzehnhundert Jahre erniedrigenden Elends und Zerstreutseins in Erinnerung zu rufen, die jene, die während des kurzen Zeitraums von drei Jahren den Sohn Gottes verfolgten, auszuhalten hatten und noch aushalten. Wir mögen uns wohl mit gemischten Gefühlen von Furcht und heiliger Scheu fragen, wie schwer die Leiden derer sein müssen, die nicht weniger als fünfzig Jahre lang Ihn, welcher der Vater ist, "jeden Augenblick mit neuen Qualen gepeinigt" haben und die dazu Seinen Herold, selbst eine Manifestation Gottes, unter solch tragischen Umständen den Kelch des Märtyrertums trinken ließen.
+24:3
Ich habe auf den unmittelbar vorhergehenden Seiten einige Stellen angeführt, die an die islámische wie christliche Geistlichkeit insgesamt gerichtet sind. Dann habe ich eine Anzahl von Botschaften und Bezugnahmen auf schiitische und sunnitische Geistliche aufgezählt und schließlich das Unglück beschrieben, das diese muhammadanischen Priesterherrschaften, ihre Häupter, Glieder, Besitztümer, Zeremonien und Einrichtungen traf. Laßt uns nun die Botschaften betrachten, die im besonderen an die Glieder der christlichen Geistlichkeit gerichtet wurden, die größtenteils den Glauben Bahá'u'lláhs nicht beachtete, während einige wenige unter ihnen, als Seine Verwaltungsordnung Gestalt gewann und ihre Verzweigungen über die christlichen Länder ausdehnte, sich daran machten, seinen Fortschritt zu hemmen, seinen Einfluß zu verringern und seine Absicht zu verdunkeln.
+25 #154
Seine Botschaften an christliche Führer
Ein Blick auf die Schriften des Begründers der Bahá'í-Offenbarung wird die wichtige und bedeutungsvolle Tatsache enthüllen, daß Er, der eine unvergängliche Botschaft an alle Könige der Erde insgesamt sandte, der für jedes der hervorragenden Häupter Europas und Asiens ein Tablet offenbarte, der Seinen Ruf an die geistlichen Führer des sunnitischen und schiitischen Islám ergehen ließ und der auch die Juden und Zoroastrier aus Seinem Wirkungskreis nicht ausschloß - daß Er außer Seinen zahlreichen, wiederholten Ermahnungen und Warnungen besondere Botschaften an die ganze Christenwelt gerichtet hat. Einige sind allgemein gehalten, andere bestimmt und sowohl die hohe wie die niedrige Geistlichkeit des Christentums herausfordernd - so den Papst, die Könige, Patriarchen, Erzbischöfe, Bischöfe, Priester und Mönche. In Verbindung mit den Botschaften Bahá'u'lláhs an die gekrönten Oberhäupter der Welt haben wir bereits einige Grundzüge aus dem Tablet an den römischen Hohenpriester und von den an die Könige der Christenheit gerichteten Worten erörtert. Wir wollen nun unsere Aufmerksamkeit jenen Stellen zuwenden, wo die Kirchenaristokratie und ihre geweihten Diener von der Feder Bahá'u'lláhs zur Ermahnung und Warnung herausgegriffen werden.
+25:2 #155
"Sprich: O Schar der Patriarchen! Er, der euch in den Schriften verheißen wurde, ist gekommen. Fürchtet Gott und folgt nicht den eitlen Einbildungen der Abergläubischen. Legt die Dinge, die ihr besitzt, beiseite und haltet euch am Tablet Gottes durch Seine höchste Macht fest. Dies ist besser für euch als alle eure Besitztümer. Dies bezeugt jedes verständige Herz und jeder einsichtsvolle Mensch. Seid ihr stolz auf Meinen Namen und schließt euch doch von Mir ab wie mit einem Schleier? Wahrlich, das ist seltsam!"
+25:3
"Sprich: O Schar der Erzbischöfe! Er, der Herr aller Menschen, ist erschienen. Auf dem Felde der Führung ruft Er die Menschheit, während ihr zu den Toten gezählt werdet! Groß ist die Glückseligkeit dessen, der durch Gottes Hauch erweckt wird und in diesem klaren Namen von den Toten aufersteht."
+25:4
"Sprich: O Schrar der Bischöfe! Zittern hat alle Geschlechter der Erde ergriffen, und Er, der ewige Vater, ruft laut zwischen Erde und Himmel. Gesegnet das Ohr, das gehört hat, und das Auge, das gesehen hat, und das Herz, das sich Ihm zugewandt hat, dem Punkte der Anbetung aller, die in den Himmeln und auf Erden sind." "O Schar der Bischöfe! Ihr seid die Sterne des Himmels Meiner Erkenntnis. Meine Barmherzigkeit wünscht nicht, daß ihr auf die Erde fallt. Meine Gerechtigkeit aber erklärt: `Dies ist, was der Sohn (Jesus) bestimmt hat.` Und was immer aus Seinem untadeligen, die Wahrheit sprechenden, glaubwürdigen Munde kam, kann niemals geändert werden. Wahrlich, die Glocken verkünden Meinen Namen und wehklagen über Mir, aber Mein Geist jubelt in offenkundiger Freude. Der Körper des Geliebten sehnt sich nach dem Kreuz, und Sein Haupt begehrt den Speer auf dem Pfade des Allbarmherzigen. Die Gewalt des Unterdrückers kann Ihn in keiner Weise von Seinem Ziel abhalten." Und wiederum: "Die Sterne am Himmel der Erkenntnis sind gefallen, sie, die ihre Beweise anführen, um die Wahrheit Meiner Sache zu beweisen, und die von Gott in Meinem Namen reden. Als Ich zu ihnen in Meiner Majestät kam, wandten sie sich dennoch von Mir ab, Wahrlich, sie gehören zu den Gefallenen. Das ist es, was der Geist (Jesus) weissagte, als Er in der Wahtheit kam und Ihn die jüdischen Gelehrten schmähten, bis sie begingen, was den Heiligen Geist wehklagen und die Augen derer, die Gott nahe sind, weinen ließ."
+25:5 #156
"Sprich: O Schar der Priester! Laßt die Glocken und kommt dann aus euren Kirchen. Es geziemt euch, an diesem Tage den Größten Namen laut unter den Völkern zu verkünden. Zieht ihr vor, stille zu sein, während jeder Stein und jeder Baum laut aufjauchzt: `Der Herr ist in Seiner größten Herrlichkeit gekommen!`... Er, der die Menschen in Meinem Namen versammelt, ist wahrlich von Mir und wird verkünden, was die Macht aller übersteigt, die auf Erden sind ... Laßt den Odem Gottes euch erwecken. Wahrlich, er hat über die Welt geweht. Wohl dem, der seinen Duft empfunden hat und unter die ganz Sicheren gezählt worden ist!" Und wiederum: "O Schar der Priester! Der Tag der Abrechnung ist gekommen, der Tag, da Er, der im Himmel war, erschienen ist. Wahrlich, Er ist der Eine, der euch verheißen wurde in den Büchern Gottes, des Heiligen, des Allmächtigen, des Allgepriesenen. Wie lange werdet ihr in der Wildnis der Achtlosigkeit und des Aberglaubens wandern? Wendet euch mit euren Herzen eurem Herrn zu, dem Vergebenden, dem Großmütigen."
+25:6 #157
"Sprich:
O Schar der Mönche!
Schließt euch nicht ab in Kirchen und Klöstern.
Kommt mit Meiner Erlaubnis hervor und befaßt euch mit dem, was euren Seelen und den Seelen der Menschen nützen wird.
Dies befiehlt euch der König des Tages der Abrechnung.
Schließt euch in die Feste Meiner Liebe ein.
Wahrlich, dies ist eine angemessene Abgeschlossenheit - wäret ihr doch unter denen, die dies wahrnehmen.
Wer sich in einem Haus abschließt, ist fürwahr wie ein Toter.
Es geziemt dem Menschen, das aufzuzueisen, was allem Erschaffenen Nutzen bringt: und wer keine Frucht hervorbringt, der taugt für das Feuer.
Solches rät euch euer Herr, und Er, wahrlich, ist der Allmächtige, der Allgütige.
Schließt die Ehe, damit nach euch ein anderer euren Platz ausfüllen möge.
Wir haben euch treulose Taten verboten, nicht aber das, was Treue beweisen wird.
Habt ihr euch an die Normen geklammert, die euer eigenes Selbst aufgestellt hat, und das Richtmaß Gottes von euch geworfen?
Fürchtet Gott und gesellt euch nicht zu den Narren.
Wenn nicht der Mensch, wer könnte Mich auf Meiner Erde erwähnen, und wie könnten Meine Merkmale und Mein Name geoffenbart worden sein?
Denkt darüber nach und gehört nicht zu denen, die verhüllt sind und fest schlafen.
Er, der nicht heiratete (Jesus), fand keinen Platz, wo Er wohnen oder Sein Haupt niederlegen konnte um dessentwillen, was die Hände der Verräter Ihm angetan haben.
Seine Heiligkeit besteht nicht in dem, was ihr glaubt oder euch einbildet, sondern vielmehr in dem, was Wir besitzen.
Bittet, auf daß ihr Seine Stufe begreifen möget, die erhöht wurde über die Vorstellung aller, die auf Erden wohnen.
Gesegnet sind, die dies verstehen."
Und wiederum: "O Schar der Mönche!
Wenn ihr Mir folgen werdet, dann werde Ich euch zu Erben Meines Königreiches machen.
Und wenn ihr gegen Mich fehlt, so werde Ich es in Meiner Langmut geduldig ertragen, denn Ich bin wahrlich der Ewigvergebende, der Allbarmherzige ...
Bethlehem ist in Bewegung durch den Odem Gottes.
Wir hören seine Stimme sprechen: `O großmütigster Herr!
Wo ist Deine große Herrlichkeit aufgerichtet?
Die süßen Düfte Deiner Gegenwart haben mir erquickt, nachdem ich durch meine Trennung von Dir verzagt war.
Gepriesen seist Du, daß Du die Schleier gehoben hast und mit Macht in offenbarer Herrlichkeit gekommen bist.` Wir riefen ihm zu aus dem Heiligtum der Hoheit und Größe: `O Bethlehem!
Dieses Licht ist im Osten aufgegangen und nach dem Westen gezogen, bis es dich um Abend seines Lebens erreicht hat.
So sage Mir:
Erkennen die Söhne den Vater und anerkennen sie Ihn, oder verleugnen sie Ihn, wie Ihn (Jesus) ehemals das Volk verleugnete?` Darauf schrie es auf und sprach: `Du bist in Wahrheit der Allwissende, der Bestunterrichtete.`"
+25:7 #158
Und wiederum: "Bedenkt gleicherweise, wie zahlreich heutzutage die Mönche sind, die sich in den Kirchen in Meinem Namen abgeschlossen haben und die, als die festgesetzte Zeit gekommen war und Wir ihnen Unsere Schönheit enthüllten, verfehlten, Mich zu erkennen, obwohl sie nach Mir in der Morgendämmerung und zur Abendzeit rufen." "Lest ihr das Evangelium", so redet Er sie wiederum an, "und weigert euch dennoch, den allherrlichen Herrn anzuerkennen? Wahrlich, dies geziemt dir nicht, o Schar gelehrter Männer! ... Die Düfte des Allbarmherzigen haben über alle Schöpfung geweht. Glücklich der Mensch, der seinen Wünschen entsagt und an der Führung festgehalten hat."
+25:8
Diese "gefallenen Sterne" am Himmelsgewölbe des Christentums, diese "dicken Wolken", die den Glanz des echten Gottesglaubens verdunkelten, diese Kirchenfürsten, die verfehlten, die höchste Herrschaft des "Königs der Könige" anzuerkennen, diese betrogenen Diener des Sohnes, die das verheißene Königreich, das der "Ewige Vater" vom Himmel heniederbrachte und jetzt auf Erden errichtet, mieden und übersahen -, sie erleben nun, an diesem "Tag der Abrechnung", eine Krise, zwar nicht so entscheidend wie jene, welcher die Priesterschaft des Islám, der eingefleischte Feind des Glaubens, sich gegenübersah, aber eine nicht weniger weitgreifende und bedeutsame. "Die Macht ist weggenommen worden" in der Tat, und sie wird noch weiter weggenommen von diesen Geistlichen, die im Namen des Glaubens reden, den sie bekennen und von dessen Geist sie doch so weit entfernt sind.
+25:9 #159
Wir brauchen, wenn wir die Schicksale der christlichen Geistlichkeit überblicken, uns nur umzusehen, um die ständige Abnahme ihres Einflusses, das Sinken ihrer Macht, die Schädigung ihres Ansehens, die Verspottung ihrer Autorität, das zahlenmäßige Abnehmen ihrer Gemeinden, das Erschlaffen ihrer Disziplin, die Beschränkung ihrer Presse, die Mutlosigkeit ihrer Führer, die Verwirrung in ihren Reihen, die fortschreitende Beschlagnahme ihrer Besitztümer, die Übergabe einiger ihrer mächtigsten Bollwerke und das Verlöschen anderer alter und besonders geliebter Einrichtungen richtig abzuschätzen.
Von der Zeit an, da der göttliche Ruf erhoben und die Aufforderung erfolgt war, die Warnung laut geworden und die Verdammung ausgesprochen wurde, hat tatsächlich dieses Geschehen - das, wie man wohl sagen darf, mit dem Zusammenbruch der weltlichen Herrschaft des römischen Hohenpriesters nach der Offenbarung des Tablets an den Papst eingeleitet worden war - bald mit wachsender Wucht eingesetzt, und es hat sogar die Grundlage selbst bedroht, auf der die ganze Ordnung ruht.
Unterstützt von den Kräften, welche die kommunistische Bewegung entfesselt hat, verstärkt durch die politischen Nachwirkungen des letzten Krieges (1914-1918), beschleunigt durch den übermäßigen, blinden, unduldsamen und kriegerischen Nationalismus, der jetzt die Völker erschüttert, und angetrieben durch die hochgehende Flut von Materialismus, Religionslosigkeit und Heidentum, zielt dieses Geschehen nicht nur dahin, kirchliche Einrichtungen umzustürzen, sondern scheint sogar zur raschen Entchristlichung der Massen in vielen christlichen Ländern zu führen.
+25:10 #160
Ich werde mich mit der Aufzählung gewisser hervorstechender Auswirkungen dieser Kräfte begnügen, die in wachsendem Maße in den Bereich eines der führenden religiösen Systeme der Menschheit eindringen und gegen seine festen Wälle anstürmen.
Die tatsächliche Vernichtung der weltlichen Macht des höchsten Herrschers in der Christenheit, unmittelbar nach der Schaffung des Königreiches Italien; die Woge der Kirchenfeindlichkeit, die nach dem Zusammenbruch des napoleonischen Kaiserreiches über Frankreich hinrollte und in der völligen Trennung der katholischen Kirche vom Staat, in der Verweltlichung der Dritten Republik, in der Überrahme der Erziehung durch staatliche Einrichtungen und in der Unterdrückung und Zerstreuung religiöser Orden gipfelte; der rasche und plötzliche Aufstieg jenes "religiösen Unglaubens", jenes kühnen, bewußten und organisierten Angriffes, der in Sowjetrußland gegen die griechisch-orthodoxe Kirche begonnen wurde, der die Aufhebung der Staatsreligion beschleunigte, der eine große Zahl ihrer Mitglieder, die ursprünglich über einhundert Millionen Seelen zählten, niedermetzelte, der Tausende und aber Tausende von Kirchen, Klöstern, Synagogen und Moscheen niederriß, schloß oder in Museen, Theater und Warenhäuser verwandelte, der der Kirche rund 26 000 qkm Landbesitz wegnahm und durch die Liga der kämpfenden Atheisten und die Durchführung eines "Fünfjahresplanes der Gottlosigkeit" das religiöse Leben der Massen von seinen Grundlagen zu lösen suchte; die Zerstückelung der österreichisch-ungarischen Monarchie, die mit einem Schlag die mächtigste Einheit auflöste, die der Kirche Roms Treue schuldete und durch ihre Hilfskräfte deren Verwaltung stützte; die Trennung des spanischen Staates von dieser gleichen Kirche und der Sturz der Monarchie, der Vorkämpferin der katholischen Christenheit; die nationalistische Philosophie, die Mutter eines ungezügelten, veralteten Nationalismus, der, nachdem er den Islám entthront, indirekt die Frontlinie der christlichen Kirche in nichtchristlichen Ländern angegriffen hat und den katholischen, anglikanischen und presbyterianischen Missionen in Persien, der Türkei und dem Fernen Osten so schwere Schläge austeilt; die Umsturzbewegung, die in ihrem Gefolge die Verfolgung der katholischen Kirche in Mexiko nach sich zog; und endlich das Evangelium eines modernen Heidentums, unverhohlen, angreiferisch und unerbittlich, das in den Jahren, die dem gegenwärtigen Aufruhr vorangingen, und in wachsendem Maße seit dessen Ausbruch, über den Erdteil Europa gebraust und in seine Festen eingedrungen ist und das Verwirrung gesät hat in die Herzen der Verfechter der katholischen, griechisch-orthodoxen und lutherischen Kirche in Österreich, Polen, den baltischen und skandinavischen Staaten und neuerdings auch in Westeuropa, der Heimat und dem Mittelpunkt der mächtigsten Kirchenherrschaft des Christentums.
+26 #161
Christliche Nationen gegen christliche Nationen
Dieser brudermörderische Krieg (1939-1945), den christliche Nationen gegen christliche Nationen führen, in dem Anglikaner gegen Lutheraner, Katholiken gegen Griechisch-Orthodoxe, Katholiken gegen Katholiken, Protestanten gegen Protestanten kämpfen, um eine sogenannte christliche Zivilisation zu unterstützen, bietet wahrhaftig einen traurigen Anblick der Ohnmacht und Zerrissenheit den Augen derjenigen, die bereits den Ruin der Einrichtungen bemerken, die vorgeben, im Namen der Religion von Jesus Christus zu sprechen und Seine Treuhänder zu sein! Die Machtlosigkeit und Verzweiflung des Heiligen Stuhles, diesem mörderischen Kampf Einhalt zu gebieten, in den die Kinder des Friedefürsten verwickelt sind - geweiht und unterstützt von den Segnungen und feierlichen Ansprachen der hohen Geistlichen einer hoffnungslos zerspaltenen Kirche -, zeigen den Grad von Unterwürfigkeit, zu dem die einst allmächtigen Einrichtungen des christlichen Glaubens abgesunken sind, und erinnern deutlich an den gleichen Verfall, dem die Priesterherrschaften ihrer Schwesterreligion unterlegen sind.
+26:2 #162
Auf welch tragische Weise hat die Christenheit die hohe Mission übersehen und wie weit ist sie von ihr abgewichen, zu deren Erfüllung Er, der wahre Friedefürst, sie in den letzten Abschnitten Scines Tablets an Papst Pius IX. gerufen hat, in der Er die Gesamtheit der Christenheit ansprach - Abschnitte, die für alle Zeit den Unterschied zwischen der Mission von Bahá'u'lláh in unserem Zeitalter und der von Jesus Christus feststellen: "Sprich:
O Schar der Christen!
Wir haben Uns euch schon zu einem früheren Zeitpunkt offenbart, und ihr habt Mich nicht erkannt.
Dies ist noch einmal eine günstige Gelegenheit, die euch gewährt wird.
Dies ist der Tag Gottes, wendet euch Ihm zu ...
Der Geliebte wünscht nicht, daß ihr vom Feuer eurer Leidenschaften verzehrt werdet.
Wäret ihr von Ihm wie durch einen Schleier abgeschlossen, so wäre dies aus keinem anderen Grunde als eurer eigenen Widerspenstigkeit und Unwissenheit.
Ihr erwähnt Mich und kennt Mich doch nicht.
Ihr ruft Mich an, aber ihr achtet nicht auf Meine Offenbarung ...
O Völker des Evangeliums!
Sie, die nicht im Königreich waren, sind jetzt eingetreten, während Wir euch an diesem Tage zögernd am Tore stehen sehen.
Zerreißt die Schleier durch die Kraft eures Herrn, des Allmächtigen, des Allgütigen, und tretet dann in Meinem Numen ein in Mein Königreich.
So befiehlt euch Er, der euch ewiges Leben wünscht ...
O Kinder des Königreiches!
Wir sehen euch in Finsternis.
Wahrlich, dies geziemt euch nicht.
Habt ihr angesichts des Lichtes Furcht wegen eurer Taten?
Wendet euch Ihm zu ...
Wahrlich, Er (Jesus) sagte: `Folget Mir nach, und Ich will euch zu Menschenfischern machen.` Am heutigen Tage jedoch sagen Wir: `Folget Mir nach, auf daß Wir euch zu Lebensspendern der Menschheit machen`"
Weiter hat Er geschrieben: "Sprich:
Wahrlich, Wir sind um euretwillen gekommen und haben die Trübsal der Welt um eurer Rettung willen getragen.
Flieht ihr Den, der Sein Leben aufopferte, damit ihr belebt werdet?
Fürchtet Gott, o ihr Anhänger des Geistes (Jesus), und wandelt nicht in den Fußstapfen eines jeden Geistlichen, der weit in die Irre gegangen ist ...
Öffnet die Türen eurer Herzen.
Wahrlich, Er, der Geist (Jesus), steht davor.
Warum haltet ihr euch fern von Ihm, der euch zu einer strahlenden Höhe bringen will?
Sprich:
Wahrlich, Wir haben euch die Pforten des Königreiches geöffnet.
Wollt ihr vor Meinem Antlitz die Türen eurer Häuser verriegeln?
Wahrlich, dies ist nichts als ein schmerzlicher Irrtum."
+26:3 #163
Das ist nun der Engpaß, in den die christliche Geistlichkeit geraten ist - eine Geistlichkeit die sich zwischen ihre Herde und den in der Glorie des Vaters wiedergekommenen Christus gestellt hat. Da der Glaube dieses Verheißenen mehr und mehr in das Herz der Christenheit eindringt, da sich seine Kämpfer aus den Besatzungen, gegen die Sein Geist anstürmt, vervielfachen und die Bollwerke christlicher Rechtgläubigkeit zu gemeinsamen, entschlossenen Verteidigungsmaßnahmen herausfordern, da die Kräfte des Nationalismus, der Gottlosigkeit, des Säkularismus und der Rassenlehre allesamt einem Höhepunkt zustreben - dürfen wir da nicht erwarten, daß der Niedergang der Macht, der Autorität und des Ansehens dieser Geistlichen noch mehr hervortreten und die Wahrheit und den tieferen Sinn von Bahá'u'lláhs Verkündung noch deutlicher beweisen werden, welche die Verfinsterung der Leuchten der Kirche Jesu Christi voraussagt.
+26:4
Wahrhaft verheerend war die Zerstörung im Schicksal der schiitischen Priesterschaft in Persien und erbärmlich das Los, das ihren Resten beschieden ist, die jetzt unter dem Joche einer jahrhundertelang verachteten und beherrschten weltlichen Macht stöhnen. Sintflutartig war in der Tat der Zusammenbruch der höchsten Einrichtung des sunnitischen Islám und unheilbar der Sturz seiner Priesterschaft in einem Lande, das die Sache des selbsternannten Stellvertreters des Propheten Gottes verfochten hat. Stetig und erbarmungslos ist das Geschehen, das den Verteidigern der Bollwerke christlicher Kirchenherrschaft so viel Zerstörung, Schande, Spaltung und Schwäche gebracht hat, und wahrhaft schwarz sind die Wolken, die den Horizont dieser Herrschaft verfinstern. Durch die muhammadanischen und christlichen Geistlichen - "Götzen", wie Bahá'u'lláh jene brandmarkte, die die Mehrheit Seiner Feinde bildeten -, die nicht, wie von Ihm befohlen, ihre Federn beiseite gelegt und ihre Einbildungen aufgegeben haben, und die, wie Er selbst bezeugte, wenn sie an Ihn geglaubt hätten, die Umwandlung der Massen zustande gebracht haben würden, (durch sie und ihre Taten) sind der Islám und das Christentum, und dies zu sagen ist keine Übertreibung, in den kritischsten Abschnitt ihrer Geschichte eingetreten.
+26:5 #164
Niemand soll jedoch meine Absicht mißverstehen oder diese Grundwahrheit falsch auslegen, die zum Wesen des Glaubens von Bahá'u'lláh gehört. Der göttliche Ursprung aller Offenbarer Gottes - einschließlich Jesu Christi und des Boten Gottes, Muhammad, den beiden größten Manifestationen, die der Offenbarung des Báb vorangingen - wird vorbehaltlos und unerschütterlich von einem jeden Anhänger der Bahá'í-Religion bejaht. Die grundsätzliche Einheit dieser Gottgesandten wird klar erkannt, der Zusammenhang Ihrer Offenbarungen wird bestätigt, die gottgegebene Autorität und die Wechselbeziehungen Ihrer Bücher werden zugegeben, die Einzigkeit Ihrer Ziele und Zwecke wird verkündet, die Einzigartigkeit Ihres Einflusses nachdrücklich betont und die endliche Aussöhnung Ihrer Lehrer und Anhänger gelehrt und vorausgesehen. "Sie alle wohnen", nach Bahá'u'lláhs Zeugnis, "in dem gleichen Heiligtum, erheben sich in den gleichen Himmel, sitzen auf dem gleichen Throne, reden die gleiche Sprache und verkünden die gleiche Religion."
+27 #165
Die Fortdauer der Offenbarung
Der Glaube, der mit dem Namen Bahá'u'lláhs identisch ist, verwirft jede Absicht, irgendeinen der ihm vorangegangenen Offenbarer zu verkleinern, irgendeine Ihrer Lehren zu heschneiden, den Glanz Ihrer Offenbarungen, und sei es noch so wenig, zu verdunkeln, sie aus den Herzen Ihrer Anhänger zu verdrängen, die Grundlagen Ihrer Lehrsätze ahzuschaffen, irgendeines Ihrer geoffenbarten Bücher aufzugehen oder die berechtigten Bestrebungen Ihrer Anhänger zu unterdrücken. Indem Bahá'u'lláh den Anspruch jeder Religion, die endgültige Offenbarung Gottes für den Menschen zu sein, verwirft und Endgültigkeit auch für Seine eigene Offenbarung ablehnt, betont Er nachdrücklich den Grundsatz der Relativität religiöser Wahrheit, die Fortdauer göttlicher Offenbarung und das Fortschreiten religiöser Erfahrung. Sein Ziel ist, die Grundlage aller geoffenharten Religionen zu erweitern und die Geheimnisse ihrer Schriften zu enträtseln. Er besteht auf der vorhehaltlosen Anerkennung der Einheit ihrer Ziele, bestätigt die ewigen Wahrheiten, die sie enthalten, stimmt ihr Wirken aufeinander ab, scheidet das Wesentliche und Verbürgte vom Unwesentlichen und Unechten in ihren Lehren, trennt die von Gott gegebenen Wahrheiten von dem von Geistlichen aufgebrachten Aberglauben und verkündet auf dieser Grundlage die Möglichkeit, ja sogar die Unvermeidlichkeit ihrer Vereinigung und die Erfüllung ihrer höchsten Hoffnungen.
+27:2
Was Muhammad, den Apostel Gottes, betrifft, so möge keiner Seiner Anhänger, der diese Zeilen liest, auch nur einen Augenblick denken, daß der Islám, sein Prophet, dessen Buch, seine ernannten Nachfolger oder irgendeine seiner verbürgten Lehren herabgesetzt worden seien oder auf irgendeine Weise, und sei es auch noch so unbedeutend, herabgesetzt werden. Die Familie des Báb, des Nachkommen von Imám Husayn, die verschiedenen eindrucksvollen Beweise in Nabíls Bericht über die Haltung des Heroldes unseres Glaubens gegenüber dem Begründer, den Imámen und dem Buche des Islám, die glühenden Tribute, die Bahá'u'lláh in Seinem Kitáb-i-Íqán Muhammad und Seinen rechtmäßigen Nachfolgern und besonders dem "einzigartigen und unvergleichlichen" Imám Husayn zollte, die von 'Abdu'l-Bahá eindringlich, furchtlos und öffentlich in Kirchen und Synagogen dargelegten Beweise, um die Gültigkeit der Botschaft des arabischen Propheten zu verdeutlichen, und nicht zuletzt das schriffliche Zeugnis der Königin von Rumänien, die sich, hauptsächlich durch ihr Studium dieser öffentlichen Reden 'Abdu'l-Bahás, veranlaßt fühlte, ihre Erkenntnis des prophetischen Wirkens von Muhammad zu verkünden - und dies, obwohl sie im anglikanischen Glauben geboren war und ihre Regierung mit der griechisch-orthodoxen Kirche, der Staatsreligion ihres neuen Vaterlandes, ein enges Bündnis eingegangen war - sie alle erklären in unzweideutigen Worten die wahre Haltung des Bahá'í-Glaubens gegenüber seiner Mutterreligion.
+27:3 #166
"Gott", so lautet ihr königlicher Tribut, "ist Alles, Jegliches. Er ist die Macht hinter allem Handeln ... Sein ist die Stimme in uns, die uns Gut und Böse zeigt. Aber meistens überhören oder mißverstehen wir diese Stimme. Daher gefiel es Ihm, Seine Auserwählten zu uns auf Erden herabkommen zu lassen, um Sein Wort und Seine Absicht zu verkünden. Darum die Propheten, darum Christus, Muhammad, Bahá'u'lláh; denn der Mensch braucht von Zeit zu Zeit eine Stimme auf Erden, die ihm Gott nahebringt und das Bewußtsein vom Dasein des wahren Gottes schärft. Diese uns gesandten Stimmen mußten Fleisch werden, so daß wir fähig wurden, mit unseren irdischen Ohren zu hören und zu verstehen."
+27:4
Welch größeren Beweis, so darf man schließlich fragen, können die Geistlichen von Persien oder der Türkei noch fordern, um durch ihn von den Anhängern Bahá'u'lláhs die Anerkennung der erhabenen Stellung, die der Offenbarer Muhammad in der Gesamtheit der Gottgesandten innehatte, darzulegen? Welchen größeren Dienst erwarten diese Geistlichen, den wir der Sache des Islám noch erweisen könnten? Welchen größeren Beweis unserer Zuständigkeit können sie verlangen, als daß wir, in Gegenden weit jenseits ihres Bereiches, den Funken einer glühenden und aufrichtigen Bekehrung zu der Wahrheit entfachen, die vom Apostel Gottes ausgesprochen wurde, und daß wir von der Feder einer königlichen Persönlichkeit dieses öffentliche und wahrlich historische Bekenntnis Seiner gottgeschenkten Sendung erlangten?
+27:5 #167
Was die Stellung des Christentums betrifft, so sei ohne Zögern und unzweideutig festgestellt, daß sein göttlicher Ursprung bedingungslos bejaht, die Sohnschaft und Göttlichkeit von Jesus Christus furchtlos behauptet, die göttliche Eingebung des Evangeliums voll anerkannt, die Wirklichkeit des Mysteriums der Unbeflecktheit der Jungfrau Maria angenommen und der Vorrang Petri, des Fürsten der Apostel, hochgehalten und verteidigt werden.
Der Begründer des christlichen Glaubens wird von Bahá'u'lláh als der "Geist Gottes" bezeichnet, als Derjenige, welcher "aus dem Odem des Heiligen Geistes" erschien, und Er wird sogar als "das Wesen des Geistes" gepriesen.
Seine Mutter wird als "das verhüllte und unsterbliche, das schönste Antlitz" beschrieben und die Stufe ihres Sohnes verherrlicht als eine "Stufe, die erhöht wurde über die Vorstellungen aller, die auf Erden wohnen", während Petrus als einer anerkannt wird, dem Gott "die Geheimnisse der Weisheit und der Verkündung aus dem Munde strömen" ließ. "Wisse", hat Bahá'u'lláh überdies bezeugt, "daß die ganze Schöpfung in großer Traur weinte, als der Menschensohn Seinen Geist zu Gott aufgab.
Durch Seine Selbstaufopferung wurde jedoch allen erschaffenen Dingen eine neue Fähigkeit eingeflößt.
Ihre Beweise, wie sie bei allen Völkern der Erde wahrgenommen werden, liegen jetzt offen vor dir.
Die tiefste Weisheit, welche die Weisen ausgesprochen haben, das tiefgründigste Wissen, das irgendein Geist entfaltet hat, die Künste, welche die fähigsten Hände hervorgebracht haben, der Einfluß, der von den mächtigsten der Herrscher ausgeübt wurde, sie alle sind nur Offenbarungen der belebenden Kraft, die durch Seinen überragenden, Seinen alles durchdringenden und strahlenden Geist ausgelöst wurden.
Wir bezeugen, daß Er, als Er in die Welt kam, den Glanz Seiner Herrlichkeit auf alle erschaffenen Dinge ergoß.
Durch Ihn genas der Aussätzige vom Aussatz der Verdorbenheit und des Unwissens.
Durch Ihn wurden der Unreine und der Eigensinnige geheilt.
Durch Seine Macht, aus dem allmächtigen Gott geboren, wurden die Augen des Blinden geöffnet und die Seele des Sünders geheiligt ...
Er machte die Welt rein.
Gesegnet der Mensch, der sich Ihm mit hellstrahlendem Antlitz zugewandt hat."
+27:6 #168
In der Tat ist die wesentliche Vorbedingung der Aufnahme von Juden, Zoroastriern, Hindus, Buddhisten und Anhängern anderer alter Glaubensbekenntnisse, von Agnostikern und sogar Atheisten in die Bahá'í-Gemeinschaft die ehrliche und unbedingte Anerkennung des göttlichen Ursprungs sowohl des Islám als auch des Christentums, des prophetischen Wirkens sowohl von Muhammad als auch von Jesus Christus, der Rechtlichkeit der Einsetzung des Imamats und des Vorrangs von Petrus, dem Fürsten der Apostel. Dies sind die zentralen, festen, unbestreitbaren Grundsätze, welche den Grundstock des Bahá'í-Glaubens bilden, welche die Religion Bahá'u'lláhs anzuerkennen stolz ist, welche seine Lehrer verkünden, seine Verteidiger bewahren, sein Schrifttum verbreitet, seine Sommerschulen erklären und das Heer seiner Anhänger durch Wort und Tat bezeugt.
+27:7
Auch sollte man keinen Augenblick denken, daß die Anhänger Bahá'u'lláhs den Rang der religiösen Führer der Welt, ob christlich, muhammadanisch oder irgendeines anderen Namens, jemals herabzusetzen oder zu verkleinern suchen, sofern ihr Betragen mit ihren Bekenntnissen übereinstimmt und sie der Stellung wert sind, die sie einnehmen. "Jene Geistlichen", hat Bahá'u'lláh bestätigt, "die wahrhaft mit dem Schmuck der Erkenntnis geziert sind und einen rechtschaffenen Chrarakter besitzen, sind wahrlich wie ein Haupt für den Körper der Welt und wie Augen für die Völker.
Die Führung der Menschheit ist allezeit von diesen gesegneten Seelen abhängig gewesen und ist es noch."
Und wiederum: "Der Geistliche, dessen Betragen rechtschaffen ist, und der Weise, der gerecht ist, sind wie der Geist für den Körper der Welt.
Wohl dem Geistlichen, dessen Haupt mit der Krone der Gerechtigkeit geschmückt und dessen Tempel (Körper) mit dem Schmucke der Rechtschaffenheit geziert ist."
Und noch einmal: "Der Geistliche, der den heiligsten Wein im Namen des höchsten Verordners ergriffen und getrunken hat, ist wie ein Auge für die Welt.
Wohl denen, die ihm gehorchen und seiner gedenken." "Groß ist die Glückseligkeit jenes Geistlichen", hat Er in anderem Zusammenhang geschrieben, "der die Erkenntnis nicht zum Schleier werden ließ zwischen sich und dem Einen, der das Ziel aller Erkenntnis ist, und der, als der Selbstbestehende erschien, sich Ihm mit strahlendem Antlitz zugewandt hat.
Er wird in Wahrheit zu den Gelehrten gezählt.
Die Bewohner des Paradieses suchen die Segnung seines Odems, und seine Leuchte ergießt ihren Glanz über alle, die im Himmel und auf Erden sind.
Wahrlich, er wird unter die Erben der Offenbarer gezählt.
Wer ihn erschaut, hat fürwahr den Einen Wahren erschaut, und wer sich ihm zuzuendet, hat sich fürwahr Gott zugewandt, dem Allmächtigen, dem Allzueisen." "Achtet die Geistlichen unter euch", so lautet Seine Ermahnung, "sie, deren Taten mit der Erkenntnis, die sie besitzen, übereinstimmen, welche die Gesetze Gottes beachten und die Dinge verordnen, die Gott im Buche verordnet hat.
Wisse, daß sie die Lampen der Führung zwischen Erde und Himmel sind.
Jene, die keine Rücksicht auf Stellung und Verdienste der Geistlichen unter sich nehmen, haben, wahrlich, die ihnen zugedachte Güte Gottes verändert."
+27:8 #169
Liebe Freunde!
Ich habe auf den vorangehenden Seiten diese welterschütternde Heimsuchung, deren Gewalt die ganze Menschheit ergriffen hat, in erster Linie als ein von Gott ausgesprochenes Gericht über die Völker der Erde darzustellen versucht, die schon ein Jahrhundert lang sich geweigert haben, den Einen anzuerkennen, dessen Kommen allen Religionen verheißen wurde und in dessen Glauben allein alle Völker ihre wahre Rettung suchen können und schließlich suchen müssen.
Ich habe bestimmte Stellen aus den Schriften von Bahá'u'lláh und dem Báb angeführt, welche die Wesensart dieser von Gott verhängten Heimsuchung enthüllen und ihr Kommen andeuten.
Ich habe die leidvollen Prüfungen aufgezählt, die dem Glauben, seinem Herold, seinem Begründer und seinem Vorbild auferlegt worden sind, und das tragische Versagen der Menschheit im allgemeinen und ihrer Führer dargelegt, gegen diese Trübsale einzuschreiten und die Ansprüche Derer, die sie ertragen mußten, anzuerkennen.
Ich habe weiter gezeigt, daß eine unmittelbare, furchtbare, unentrinnbare Verantwortung auf den Staatsoberhäuptern der Erde und auf den religiösen Führern der Welt ruht, die in den Tagen des Báb und Bahá'u'lláhs die Zügel unumschränkter politischer und religiöser Gewalt in ihren Händen hielten.
Ich habe mich auch zu beweisen bemüht, daß als Ergebnis der unmittelbaren und tätlichen Feindschaft einiger von ihnen gegen den Glauben, und bei anderen die Vernachlässigung ihrer unbestreitbaren Pflicht, seine Wahrheit und seine Ansprüche zu erforschen, seine Unschuld zu verteidigen und das ihm angetane Unrecht zu ahnden, sowohl Könige wie Geistliche den furchtbaren Strafen unterworfen worden sind und noch werden, die ihre Taten und Unterlassungssünden herausgefordert haben.
Ich habe, angesichts der Hauptverantwortung, die sie als Ergebnis des unbestrittenen Einflusses auf sich nahmen, den sie auf ihre Untertanen und Anhänger ausübten, ausführlich aus den Botschaften, Ermahnungen und Warnungen zitiert, die durch die Begründer unseres Glaubens an sie gerichtet wurden, und mich über die Folgen verbreitet, die von diesen bedeutsamen, epochemachenden Aussprüchen ausgegangen sind.
+27:9 #170
Dieses große Unheil der Vergeltung, für das, wie Bahá'u'lláh bezeugt, die höchsten weltlichen und geistlichen Führer der Erde in erster Linie verantwortlich sind, sollte jedoch nicht, wenn wir es richtig einschätzen wollen, einzig als eine Strafe angesehen werden, die Gott einer Welt zuteilt, die hundert Jahre lang auf ihrer Weigerung beharrt hat, die Wahrheit der Erlösungsbotschaft anzunehmen, die ihr durch den höchsten Gottgesandten an diesem Tage gebracht wurde. Es sollte vielmehr, wenn auch nur in zweiter Linie, im Lichte einer Vergeltung für die Verdorbenheit des Menschengeschlechtes im allgemeinen angesehen werden, dafür, daß es sich abwandte von jenen Grundsätzen, die allezeit allein Leben und Fortschritt der Menschheit beherrschen müssen und schützen können. Die Menschheit hat es leider mit wachsendem Starrsinn vorgezogen, anstatt den Geist Gottes, wie Er in Seiner Religion an diesem Tage verkörpert ist, zu erkennen und anzubeten, jene erdichteten Götzenbilder, Unwahrheiten und Halbwahrheiten zu verehren, die ihre Religionen verdunkeln, ihr geistiges Lehen verderben, ihre politischen Einrichtungen erschüttern, ihr soziales Gefüge zerfressen und ihre wirtschaftliche Struktur zerbrechen.
+27:10 #171
Die Völker der Erde haben nicht nur einen Glauben, der zugleich das Wesen, die Verheißung, der Versöhner und der Vereiniger aller Religionen ist, übersehen und - einige von ihnen - sogar angegriffen, sondern sie sind von ihren eigenen Religionen ahgewichen und haben andere Götter auf ihre umgestürzten Altäre gesetzt, die nicht nur dem Geiste, sondern auch den überlieferten Formen ihrer alten Glaubensbekenntnisse völlig fremd sind.
+27:11
"Das Antlitz der Welt", so klagt Bahá'u'lláh, "hat sich verändert. Der Weg Gottes und die Religion Gottes haben aufgehört, in den Augen der Menschen noch irgendeinen Wert zu besitzen." "Die Lebenskraft des Glaubens der Menschen an Gott", so hat Er ebenfalls geschrieben, "liegt in jedem Lande im Sterben ... Die zersetzende Gottlosigkeit frißt sich in die Lebenskraft der menschlichen Gesellschaft ein." "Religion", so bekräftigt Er, "ist wahrlich das wichtigste Mittel zur Errichtung der Ordnung in der Welt und der Ruhe unter den Völkern ... Je größer der Niedergang der Religion, um so schlimmer ist der Starrsinn der Gottlosen. Dies kann am Ende nur zu Chaos und Verwirrung führen." Und wiederum: "Religion ist ein strahlendes Licht und eine uneinnehmbare Festung zum Schutz und zur Wohlfahrt der Völker der Welt." In einem anderen Zusammenhang hat Er geschrieben: "Wie der Körper des Menschen ein Gewand braucht, sich zu bekleiden, so muß der Körper der Menschheit notwendigerweise mit dem Mantel der Gerechtigkeit und Weisheit geschmückt werden. Sein Gewand ist die ihm von Gott gewährte Offenbarung."
+28 #172
Die drei falschen Götter
Diese lebendige Kraft ist im Aussterben, diese mächtige Wirksamkeit wurde verachtet, dieses strahlende Licht verdunkelt, diese unüberwindliche Festung verlassen und dieses herrliche Gewand abgelegt. Gott selbst ist in der Tat in den Herzen der Menschen entthront worden, und eine götzendienerische Welt grüßt und verehrt leidenschafllich und lärmend diese von ihren eigenen unnützen Phantasien erschaffenen falschen Götter, die ihre mißleiteten Hände so gotteslästerlich erhöht haben.
+28:2
Die größten Götzenbilder in diesem entweihten Tempel der Menschheit sind keine anderen als die drei Götter des Nationalismus, des Rassismus und des Kommunismus, an deren Altären Regierungen und Völker, demokratische wie totalitäre, im Krieg oder im Frieden, im Osten oder im Westen, christliche oder islámische, jetzt in verschiedenartigen Formen und in verschiedenen Graden Gottesdienst halten. Ihre Hohepriester sind die Politiker und die Weltklugen, die sogenannten Weisen dieses Zeitalters, ihre Opfer sind das Fleisch und das Blut der niedergemetzelten Massen, ihre Zaubermittel sind abgegriffene Schibboleths (d. h. Losungsworte) und trügerische und belanglose Bekenntnisformeln, ihr Weihrauch ist der Rauch der Seelenangst, der aus den zerrissenen Herzen der Verwaisten, der Verstümmelten und Heimatlosen aufsteigt.
+28:3
Diese ungesunden, verderblichen Theorien und Methoden, die den Staat vergöttern und die Nation über die Menschheit erheben, die die Schwesterrassen auf der Welt einer einzigen Rasse unterzuordnen suchen, die zwischen Schwarz und Weiß unterscheiden und die das Übergewicht einer bevorzugten Klasse über alle anderen zulassen - das sind die finsteren, falschen und verschrobenen Lehrsätze, für die jeder Mensch oder jedes Volk, das an sie glaubt oder nach ihnen handelt, sich früher oder später den Zorn und die Züchtigung Gottes zuziehen muß. Die von 'Abdu'l-Bahá ausgesprochene Warnung lautet: "Neugeschaffene und weltweite Bewegungen werden die größten Anstrengungen machen, um ihre Pläne zu fördern. Die Bewegung der Linken wird große Bedeutung erlangen. Ihr Einfluß wird sich ausbreiten."
+28:4 #173
Im Gegensatz zu diesen kriegerzeugenden, welterschütternden Lehrsätzen, und ihnen unversöhnlich entgegengesetzt, stehen die heilenden, rettenden, inhaltsschweren, von Bahá'u'lláh, dem göttlichen Organisator und Erlöser des ganzen Menschengeschlechtes, verkündeten Wahrheiten - Wahrheiten, die als die beseelende Kraft und als Kennzeichen Seiner Offenbarung betrachtet werden sollten: "Die Welt ist nur ein Land und die Menschheit ihre Bürger." "Laßt keinen Menschen sich rühmen, daß er sein Land liebt, sondern laßt ihn sich dessen rühmen, daß er die ganze Menschheit liebt." Und wiederum: "Ihr seid die Früchte eines Baumes und die Blätter eines Zweiges." "Richtet Verstand und Willen auf die Erziehung der Völker und Geschlechter der Erde, damit vielleicht ... alle Menschen zu Stützen einer Ordnung und zu Bewohnem einer Stadt werden mögen ... Ihr wohnt in einer Welt und seid erschaffen worden durch das Walten eines Willens." "Hütet euch, daß nicht die Begierden des Fleisches und einer verdorbenen Neigung Zwiespalt unter euch hervorrufen. Seid wie die Finger einer Hand, wie die Glieder eines Körpers." Und noch einmal: "Alle jungen Bäume der Welt sind einem Baum entsprossen, und alle Tropfen kamen aus einem Ozean, und alle Wesen verdanken ihr Dasein einem Wesen." Und weiterhin: "Wahrlich, der ist ein Mensch, der sich heute dem Dienst am ganzen Menschengeschlecht widmet."
+29 #174
Die geschwächten Pfeiler der Religion
Der Unglaube und seine gräßliche Brut, der dreifache Fluch, der die Seele der Menschheit an diesem Tage bedrückt, dürfen nicht allein für die Krankheiten, die sie auf so tragische Weise bedrängen, verantwortlich gemacht werden, sondern auch andere Übel und Laster, die zum größten Teil eine direkte Folge der "Schwächung der Pfeiler der Religion" sind, müssen ebenfalls als mitwirkende Faktoren zu der mannigfachen Schuld angesehen werden, die Einzelmenschen und Völker auf sich geladen haben.
Die Zeichen moralischen Verfalls als Folge der Entthronung der Religion und der Thronbesteigung dieser unrechtmäßigen Götzen sind zu zahlreich und zu offenbar, um nicht selbst von einem nur oberflächlichen Beobachter des Zustandes der heutigen Gesellschafl bemerkt zu werden.
Die Verbreitung von Gesetzlosigkeit, Trunksucht, Glücksspiel und Verbrechen, die zügellose Sucht nach Vergnügen, Reichtum und anderen irdischen Nichtigkeiten, die Laxheit der Moral, die sich äußert in einer verantwortungslosen Haltung gegenüber der Ehe, in einer Schwächung der elterlichen Aufsicht, in einer Hochflut von Ehescheidungen, im Sinken des Durchschnittsniveaus von Literatur und Presse und in einer Befürwortung von Theorien, welche eine glatte Verleugnung von Reinheit, Moral und Keuschheit darstellen - alle diese Beweise moralischen Verfalls, die in den Osten wie in den Westen eindringen, jede Gesellschaffsschicht durchsetzen und ihr Gift in deren Glieder beiderlei Geschlechts, jung wie alt, einträufeln - schwärzen noch weiter die Rolle, auf der die mannigfachen Übertretungen einer Menschheit aufgeschrieben sind, die nichts bereut.
+29:2
Was Wunder, daß Bahá'u'lláh, der göttliche Arzt, erklärt hat: "An diesem Tage haben sich die Neigungen der Menschen gewandelt, und ihre Fassungskraft hat sich geändert. Die widrigen Winde der Welt und deren Art haben eine Erkältung verursacht und das Geruchsvermögen des Menschen der süßen Düfte der Offenbarung beraubt."
+29:3
Randvoll und bitter fürwahr ist der Kelch für die Menschheit, die versäumte, den Aufforderungen Gottes zu entsprechen, welche ihr durch Seinen höchsten Gesandten verkündet wurden, der Menschheit, die die Lampe ihres Glaubens an ihren Schöpfer verdunkelte, die in so hohem Maße die Ihm gebührende Ergebenheit auf die Götter ihrer eigenen Erfindung übertrug und die sich mit den ÜbeIn und Lastern befleckte, welche eine solche Übertragung notwendigerweise nach sich ziehen muß.
+29:4 #175
Liebe Freunde! In diesem Lichte sollten wir, die Anhänger Bahá'u'lláhs, diese Heimsucllung Gottes betrachten, die in den abschließenden Jahren des ersten Jahrhunderts des Bahá'í-Zeitalters die Allgemeinheit des Menschengeschlechtes betroffen und ihre Angelegenheit in so bestürzende Verwirrung gebracht hat. Wegen dieser doppelten Schuld, wegen der Dinge, die die Menschen getan, und derer, die sie unterlassen haben, wegen ihrer Missetaten und ihres verhängnisvollen, deutlichen Versagens in Erfüllung ihrer klaren und unmißverständlichen Pflicht gegenüber Gott, Seinen Gesandten und Seinem Glauben, hält dieses schmerzliche Gottesgericht - was immer seine unmittelbaren politischen und wirtschafllichen Ursachen sein mögen - sie mit diamanthartem Griff umspannt.
+29:5
Gott jedoch - wie es schon zu Beginn dieses Buches dargetan wurde - straft nicht nur die Übeltaten Seiner Kinder. Er züchtigt, weil Er gerecht ist, und Er läutert, weil Er liebt. Nachdem Er sie gezüchtigt hat, überläßt Er sie in Seiner großen Barmherzigkeit nicht ihrem Schicksal. Gerade durch den Akt der Züchtigung bereitet Er sie vor für die Lebensaufgabe, für die Er sie erschaffen hat. "Deine Prüfung ist Meine Vorsehung", so hat Er ihnen durch den Mund Bahá'u'lláhs versichert. "Äußerlich scheint sie Feuer und Züchtigung, in Wirklichkeit ist sie lauter Licht und Gnade."
+29:6
Die Flammen, die von Seiner göttlichen Gerechtigkeit entfacht wurden, läutern eine noch nicht wiedergeborene Menschheit und verschmelzen ihre uneinigen und widerstreitenden Elemente wie kein anderes Walten und Wirken sie läutern und verschmelzen könnte. Es ist nicht nur ein vergeltendes und zerstörendes Feuer, sondern auch ein erzieherisches und schöpferisches Geschehen, dessen Ziel die Rettung des ganzen Planeten durch Einigung ist. Geheimnisvoll, langsam und unwiderstehlich erfüllt Gott Seinen Plan, wenngleich der Anblick, dem unsere Augen an diesem Tage begegnen, das Schauspiel einer Welt sein mag, die, hoffnungslos in ihre eigenen Netze verwickelt, der Stimme, welche sie ein Jahrhundert lang zu Gott rief, nicht achtet, den Sirenenstimmen aber, die sie in den unermeßlichen Abgrund locken wollen, erbärmlich hörig ist.
+30 #176
Gottes Plan
Gottes Plan ist kein anderer, als auf Wegen, die Er allein bereiten und deren volle Bedeutung Er allein ergründen kann, das Große, das Goldene Zeitalter für eine lange zerspaltene und gequälte Menschheit einzuleiten. Ihr gegenwärtiger Zustand, ja auch ihre unmittelbare Zukunfl, ist finster, schmerzlich finster. Die fernere Zukunfl aber ist strahlend, herrlich strahlend - so strahlend, daß sie sich kein Auge vorstellen kann.
+30:2
"Die Stürme der Verzweiflung", schreibt Bahá'u'lláh, während Er das unmittelbare Schicksal der Menschheit überblickt, "blasen, ach, von allen Seiten, und der Hader, der das Menschengeschlecht spaltet und quält, wächst täglich.
Die Zeichen drohender Erschütterungen und des Chaos sind jetzt erkennbar, denn die herrschende Ordnung erscheint beklagenswert mangelhaft." "Ihr Zustand wird so sein", hat Er in anderem Zusammenhang erklärt, "daß, ihn jetzt zu enthüllen, nicht passend und ziemlich wäre". "Diese fruchtlosen Streitigkeiten", hat Er andererseits bei Betrachtung der Zukunft der Menschheit im Verlaufe seiner denkwürdigen Unterredung mit dem englischen Orientalisten Edward G.
Browne mit Nachdruck geweissagt, "diese verderblichen Kriege werden vergehen, und der `Größte Friede` wird kommen ...
Diese Streitigkeiten, dieses Blutwergießen und diese Zwietracht müssen aufhören und alle Menschen wie ein Volk und eine Familie sein." "Bald", weissagt Er, "wird die Ordnung des heutigen Tages aufgerollt und eine neue an ihrer Statt ausgebreitet werden". "Nach einiger Zeit", hat Er ebenfalls geschrieben, "werden sich alle Regierungen der Erde ändern.
Unterdrückung wird die Welt umhüllen.
Und im Anschluß an eine weltumfassende Erschütterung wird die Sonne der Gerechtigkeit am Horizonte des unsichtbaren Reiches aufgehen." "Die ganze Erde", so hat Er weiter dargelegt, "ist jetzt in einem Zustand der Trächtigkeit.
Der Tag naht heran, da sie die edelsten Früchte hervorbringen wird, da ihr die höchsten Bäume, die entzückendsten Blüten, die himmlischsten Segnungen entsprossen sein werden." "Alle Nationen und Stämme", hat 'Abdu'l-Bahá gleicherweise geschrieben, "... werden eine einzige Nation werden.
Der Widerstreit zwischen den Religionen und Sekten, die Feindseligkeit zwischen den Rassen und Völkern und die Zwistigkeiten unter den Nationen werden ausgemerzt werden.
Alle Menschen werden einer Religion angehören, einen gemeinsamen Glauben haben, sich zu einer Rasse vermischen und ein einziges Volk werden.
Alle werden in einem gemeinsamen Vaterland wohnen, welches der Planet selbst ist."
+30:3 #177
Wessen wir gegenwärtig Zeuge sind, während "dieser schwersten Krise in der Geschichte der Zivilisation", die uns an Zeiten mahnt, da "Religionen untergehen und geboren werden", das ist das Jünglingsalter in der langsamen und schmerzensreichen Entwicklung der Menschheit, die Vorbereitung zur Erreichung des Zustandes des Mannesalters und der Reife, dessen Verheißung in den Lehren Bahá'u'lláhs enthalten und in Seinen Weissagungen eingeschlossen ist. Der Aufruhr dieses Übergangszeitalters ist charakteristisch für das Ungestüm und die unvernünftigen Naturtriebe der Jugend, für ihre Tollheiten, ihre Verschwendung, ihren Stolz, ihre Selbstsicherheit, ihr aufrührerisches Wesen und ihre Mißachtung von Disziplin.
+31 #178
Das künftige Große Zeitalter
Die Zeitalter der Unmündigkeit und Kindheit der Menschheit sind vorbei und kehren nie mehr wieder, während das Große Zeitalter, die Vollendung aller Zeitalter, welches das Kommen des Zeitalters des ganzen Menschengeschlechtes bedeutet, erst noch kommen muß. Die Erschütterungen dieses stürmischen Übergangsabschnittes in der Geschichte der Menschheit sind die wesentlichen Vorbedingungen des Zeitalters der Zeitalter und kündigen sein unvermeidliches Nahen an, "die Zeit des Endes", in welcher die Torheit und die Wirrnis des Streites, die seit dem Dämmern der Geschichte die Annalen der Menschheit schwärzte, endlich in die Wahrheit und Ruhe eines ungestörten, allumfassenden und dauerhaften Friedens umgewandelt sein wird, und in welchem die Zwietracht und Trennung der Menschenkinder einer weltumschließenden Aussöhnung und einer völligen Vereinigung der verschiedenen Elemente der menschlichen Gesellschafl gewichen sein werden.
+31:2
Dies wird fürwahr die würdige Krönung jenes Prozesses der Vereinigung sein, der, ausgehend von der Familie, der kleinsten Einheit auf der Stufenleiter menschlicher Organisation, nacheinander den Stamm, den Stadtstaat und die Nation ins Leben gerufen hat und fortwährend weiterwirken muß, bis er in der Vereinigung der ganzen Welt gipfelt, dem Endziel und dem krönenden Ruhm der menschlichen Entwicklung auf diesem Planeten.
Dieser Stufe nähert sich die Menschheit unwiderstehlich, freiwillig oder gezwungen.
Für diese Stufe ebnet das ungeheure, flammende Gottesgericht, welches die Menschheit über sich ergehen lassen muß, auf geheimnisvolle Weise den Weg.
Mit dieser Stufe sind die Geschicke und der Plan des Glaubens Bahá'u'lláhs unlöslich verkettet.
Diese schöpferischen Kräfte, die Seine Offenbarung im "Jahre sechzig" frei gemacht hat und die später verstärkt wurden durch die aufeinanderfolgenden Ausgießungen himmlischer Macht, welche im "Jahre neun" und im "Jahre achtzig" dem ganzen Menschengeschlecht gewährt wurden, haben der Menschheit die Fähigkeit eingeflößt, dieses Endstadium ihrer organischen und gemeinsamen Entwicklung zu erreichen.
Mit dem Goldenen Zeitalter Seiner Sendung wird die Vollendung dieses Geschehens für immer verbunden sein.
Das Gefüge Seiner neuen Weltordnung, die sich jetzt im Schoße der Verwaltungseinrichtungen, die Er selbst geschaffen hat, regt, wird als Muster und als Kern jenes Weltstaatenbundes dienen, der das sichere, unumgängliche Geschick der Völker und Nationen der Erde ist.
+31:3 #179
So, wie die organische Entwicklung der Menschheit langsam und stufenweise vor sich gegangen ist und nacheinander die Einigung der Familie, des Stammes, des Stadtstaates und der Nation in sich schloß, so ist das durch die Gottesoffenbarung gewährte Licht auf den verschiedenen Entwicklungsstufen der Religion, das sich in den aufeinanderfolgenden Sendungen der Vergangenheit widerspiegelt, langsam und fortschreitend gewesen. Tatsächlich ist das Maß göttlicher Offenbarung in jedem Zeitalter dem Grade sozialen Fortschrittes angepaßt und entsprechend gewesen, der in jenem Zeitalter von einer stetig sich entwickelnden Menschheit erreicht worden war.
+31:4
"Es wurde von Uns beschlossen", erklärt Bahá'u'lláh, "daß das Wort Gottes und alle Möglichkeiten daraus den Menschen geoffenbart werden, genau entsprechend den Verhältnissen, wie sie von Ihm, dem Allwissenden, dem Allweisen, vorherbestimmt wurden ...
Würde dem Wort erlaubt sein, plötzlich alle in ihm verborgenen Kräfte zu entfesseln, so könnte kein Mensch die Last einer so mächtigen Offenbarung ertragen." "Alle erschaffenen Dinge", hat 'Abdu'l-Bahá, diese Wahrheit erläuternd, be-. stätigt, "haben ihren Grad oder ihre Stufe der Reife.
Die Zeit der Reife im Leben eines Baumes ist die Zeit, da er Fruchte trägt ...
Das Tier erreicht eine Stufe vollen Wachstums und der Vollkommenheit, und im Menschenreich gelangt der Mensch zur Reife, wenn das Licht seines Verstandes seine größte Macht und Entwicklung erreicht .., ähnlich gibt es Zeiten und Stufen im gemeinsamen Leben der Menschheit.
Einmal durchwanderte sie ihre Kindheitsstufe, späterhin ihre Jugendzeit, aber jetzt ist sie in ihre lange vorhergesagte Reifezeit eingetreten, deren Beweise überall in Erscheinung treten ...
Was den Bedürfnissen des Menschen in seiner früheren Geschichte angemessen war, ist weder passend noch genügend für die Erfordernisse des heutigen Tages, dieser Zeit des Neuen, der Vollendung.
Die Menschheit hat sich aus der einstigen Stufe der Beschränkung und der Vorerziehung erhoben.
Der Mensch muß mit neuen Tugenden und Kräften, neuen sittlichen Mußstäben und Fähigkeiten erfüllt werden.
Neue Wohltaten und vollkommene Gaben warten auf ihn und senken sich schon auf ihn herab.
Die Gaben und Segnungen der Jugendzeit, wenngleich passend und genügend während des Heranwachsens der Menschheit, sind jetzt nicht imstande, den Erfordernissen ihrer Reifezeit zu entsprechen." "In jeder Sendung", hat Er weiter geschrieben, "wurde das Licht göttlicher Führung im Brennpunkt einer Hauptaufgabe gesammelt ...
In dieser wunderbaren Offenbarung, diesem glorreichen Jahrhundert, ist die Grundluge der Religion Gottes und das untersleidende Merkmal Seines Gesetzes das Bewußtsein der Einheit der Menschheit."
+32 #180
Religion und soziale Entwicklung
Die mit dem Glauben Jesu Christi verbundene Offenbarung richtete ihr Augenmerk in erster Linie auf die Erlösung des einzelnen Menschen und auf die Formung seines Betragens und betonte als ihre Hauptaufgabe die Notwendigkeit, dem Menschen, als der Grundeinheit der menschlichen Gesellschaft, ein hohes Maß von Sittlichkeit und Disziplin einzuprägen. Nirgends in den Evangelien finden wir einen Hinweis auf die Einheit der Nationen oder die Vereinigung der Menschheit insgesamt. Als Jesus zu denen sprach, die um Ihn waren, redete Er sie in erster Hinsicht als Einzelmenschen an, weniger als Bestandteil einer umfassenden, unteilbaren Einheit. Fast die ganze Erdoberfläche war noch unerforscht, und die Organisation aller ihrer Völker und Nationen zu einer Einheit konnte darum noch nicht ins Auge gefaßt, geschweige denn verkündet oder errichtet werden. Welche andere Auslegung kann jenen Worten gegeben werden, mit denen Bahá'u'lláh im besonderen die Anhänger des Evangeliums anredete, worin die grundsätzliche Unterscheidung zwischen der in erster Linie den Einzelmenschen betreffenden Sendung Jesu Christi und Seiner eigenen, mehr und vor allem an die gesamte Menschheit gerichteten Botschaft genau festgestellt wird: " Wahrlich, Er (Jesus) sagte: `Folget Mir nach, und Ich will euch zu Menschenfischern machen.` Am heutigen Tage jedoch sagen Wir: `Folget Mir nach, auf daß Wir euch zu Lebensspendern der Menschheit machen.`"
+32:2 #181
Der Glaube des Islám, das nächste Glied in der Kette göttlicher Offenbarung, führte, wie Bahá'u'lláh selbst bezeugt, den Begriff der Nation als eine Einheit und wesentliche Stufe in der Organisation der menschlichen Gesellschaft ein und machte ihn zu einem Bestandteil seiner Lehre. Dies ist in der Tat mit dem kurzen, doch höchst bedeutsamen und erleuchtenden Ausspruch Bahá'u'lláhs gemeint: "Ehedem (in der Sendung des Islám) ist geoffenbart worden: `Liebe zum Vaterland ist ein Element der Religion Gottes.`" Dieser Grundsatz wurde durch den Gesandten Gottes aufgestellt und betont, da dies die Entwicklung der menschlichen Gesellschaft zu jener Zeit erforderte. Auch konnte keine Stufe über und jenseits von ihm ins Auge gefaßt werden, da Weltverhältnisse, welche die Errichtung einer noch höheren Organisationsform einleiten konnten, noch nicht erreichbar waren. Der Begriff der Nationalität und das Erreichen der Stufe der Vereinigung zur Nation mögen daher als die kennzeichnenden Merkmale der muhammadanischen Sendung gelten, in deren Verlauf die Nationen und Rassen der Welt, besonders in Europa und Amerika, geeint wurden und politische Unabhängigkeit erlangten.
+32:3 #182
'Abdu'l-Bahá erläutert diese Wahrheit in einem Seiner Tablets: "In vergangenen Zyklen konnte, wann auch immer ein Zusammenklang herrschte, doch aus Mangel an Möglichkeiten die Einheit der ganzen Menschheit nicht zustande kommen.
Die Erdteile blieben weit voneinander getrennt, ja selbst unter den Völkern eines und desselben Erdteiles waren Verbindungen und Gedankenaustausch nahezu unmöglich.
Darum waren Verkehr, Verständnis und Einheit unter allen Völkern und Stämmen der Erde noch unerreichbar.
Heute aber haben sich die Verkehrsmittel vervielfacht, und die fünf Kontinente sind tatsächlich zu einem verschmolzen ...
In gleicher Weise sind alle Glieder der menschlichen Familie, ob Völker oder Regierungen, Städte oder Dörfer, in wachsendem Maße voneinander abhängig geworden.
Für keines ist Selbstgenügsamkeit noch länger möglich, da ja politische Verbindungen alle Völker und Nationen vereinigten und die Bande des Handels und der Industrie, der Landwirtschaff und der Erziehung jeden Tag fester werden.
Daher besteht nun die Möglichkeit, die Einheit der ganzen Menschheit zu schaffen.
Wahrlich, dies ist nichts anderes als eines der Wunder dieses herrlichen Zeitalters, dieses glorreichen Jahrhunderts.
Vergangene Zeiten waren dessen beraubt, denn dieses Jahrhundert, das Jahrhundert des Lichtes, ist mit einzigartiger und nie dagewesener Herrlichkeit, Macht und Erleuchtung begabt worden.
Daher die erstaunliche Entfaltung eines neuen Wunders an jedem Tage.
Bald wird man sehen, wie hell seine Lichter in der Vereinigung der Menschen brennen."
+32:4
"Seht", so erklärt Er weiterhin, "wie sein Licht jetzt am verdunkelten Welthorizont dämmert. Das erste Licht ist Einheit im politischen Bereich, dessen beginnender Schimmer jetzt beobachtet werden kann. Das zweite Licht ist Einheit des Denkens in Weltunternehmungen, deren Vollendung binnen kurzem wahrgenommen werden kann. Das dritte Licht ist Einheit in Freiheit, die sicher eintreffen wird. Das vierte Licht ist Einheit in der Religion, die der Eckstein des Fundamentes selbst ist und durch Gottes Macht in all ihrem Glanz geoffenbart werden wird. Das fünfte Licht ist die Einheit der Nationen, eine Einheit, die in diesem Jahrhundert sicher errichtet werden wird, so daß alle Völker der Welt sich als Bürger eines gemeinsamen Vaterlandes betrachten. Das sechste Licht ist Einheit der Rassen, die aus allen Menschen, welche die Erde bewohnen, Völker und Stämme einer Rasse macht. Das siebte Licht ist Einheit der Sprache, das heißt die Wahl einer Weltsprache, in der alle Völker unterrichtet werden und miteinander sprechen. Eine jede von diesen Einheiten wird unvermeidlich zustande kommen, da die Macht des Reiches Gottes helfen und ihre Verwirklichung unterstützen wird."
+32:5 #183
"Eines der großen Ereignisse", so versichert 'Abdu'l-Bahá in Seinem Buch "Beantwortete Fragen", "das am Tage des Erscheinens dieses unvergleichlichen Sprosses eintreten soll, ist das Hissen des Banners des Herrn unter allen Völkern. Das heißt, daß alle Völker und Stämme unter den Schutz dieses göttlichen Banners, das kein anderes als der Glanzwolle Sproß selbst ist, kommen und zu einem einzigen Volke werden. Die Gegensätze der Glaubensbekenntnisse und Religionen, die Feindschaft zwischen Rassen und Völkern und die Verschiedenheiten vaterländischer Interessen werden verschwinden. Alle werden einer Religion, einem Bekenntnis, einer Rasse und einem Volk angehören und in einem Vaterland wohnen, das die ganze Erde ist."
+32:6
Dies ist die Stufe, der sich die Welt jetzt nähert, die Stufe der Welteinheit, die, wie 'Abdu'l-Bahá uns versichert, in diesem Jahrhundert bestimmt errichtet wird. "Die Zunge der Größe", so bestätigt Bahá'u'lláh, "hat ... am Tage Seiner Offenbarung verkündet: `Nicht der soll sich rühmen, der sein Land liebt, sondern der, welcher die Welt liebt.`" "Durch die Macht", fügt Er hinzu, "die durch diese erhabenen Worte ausgelöst wird, hat Er den Vögeln der Menschenherzen einen frischen Impuls verliehen und eine neue Richtung gewiesen und jede Spur Von Beschränkung und Begrenzung aus Gottes Heiligem Buche gestrichen."
+33 #184
Die weitere umfassende Treue
Ein Wort der Warnung sollte jedoch in diesem Zusammenhang ausgesprochen werden.
Die Liebe zum eigenen Land, wie sie durch die Lehre des Islám als "ein Element der Religion Gottes" eingeprägt und betont wird, ist durch diese Erklärung, diesen Posaunenruf Bahá'u'lláhs weder verdammt noch herabgesetzt worden.
Er sollte und kann in der Tat nicht als Ablehnung einer gesunden und verständigen Vaterlandsliebe ausgelegt oder im Lichte eines Tadels, der gegen sie ausgesprochen wird, betrachtet werden, noch versucht er, die Ergebenheit und Treue irgendeines einzelnen zu seinem Lande zu untergraben oder den rechtmäßigen Bestrebungen, Rechten und Pflichten eines einzelnen Staates oder Volkes zu widersprechen.
Alles, was er besagt und verkündet, ist die Unzulänglichkeit des Patriotismus im Hinblick auf den grundlegenden Wandel, der im wirtschafllichen Leben der Gesellschafl und in der gegenseitigen Abhängigkeit der Nationen und infolge des Zusammenschrumpfens der Welt durch die Revolution auf dem Gebiet der Verkehrs- und Nachrichtenmittel eingetreten ist.
Dies sind Zustände, die in den Tagen Jesu Christi oder Muhammads nicht bestanden noch bestehen konnten.
Er ruft nach einer umfassenderen Treue, die den kleineren Formen der Treue nicht widerstreiten sollte und es tatsächlich auch nicht tut.
Er gibt eine Liebe ein, die, im Hinblick auf ihre Weite, die Liebe zum eigenen Lande ein- und nicht ausschließen muß.
Er legt durch die Treue, die er eingibt, und die Liebe, zu der er anregt, den einzigen Grund, auf dem der Entwurf des Weltbürgertums gedeihen und der Bau einer Welteinheit ruhen kann.
Er besteht jedoch auf der Unterordnung nationaler Gesichtspunkte und sonderstaatlicher Belange unter die gebieterischen und höheren Ansprüche der gesamten Menschheit, zumal in einer Welt voneinander abhängiger Nationen und Völker der Nutzen des Teiles am besten durch den Nutzen des Ganzen erreicht wird.
+33:2 #185
Die Welt bewegt sich wahrlich ihrem vorherbestimmten Geschick entgegen. Die gegenseitige Abhängigkeit der Völker und Nationen der Erde ist, was immer die Führer der spaltenden Kräfte in der Welt sagen oder tun mögen, bereits eine vollendete Tatsache. Ihre Einheit im wirtschafllichen Bereich wird jetzt verstanden und anerkannt. Die Wohlfahrt des Teiles bedeutet Wohlfahrt des Ganzen, und die Not des Teiles bringt Not dem Ganzen. Die Offenbarung Bahá'u'lláhs hat, nach Seinen eigenen Worten, diesem gewaltigen, jetzt in der Welt waltenden Geschehen "einen neuen Impuls verliehen und eine neue Richtung gewiesen". Die durch das große Gottesgericht entzündeten Feuer sind Folgen des Versagens der Menschen, dieses Geschehen zu erkennen. Sie beschleunigen zudem seine Vollendung. Fortgesetzte, weltumfassende, schmerzliche, dem Chaos und der allgemeinen Zerstörung verbündete Trübsal muß notwendigerweise die Nationen erschüttern, das Gewissen der Welt aufrütteln, die Massen ernüchtern, im Gesellschaflsbegriff selbst den völligen Wandel beschleunigen und schließlich die ausgerenkten, blutenden Glieder der Menschheit zu einem einzigen, organisch vereinten und unteilbaren Körper verbinden.
+34 #186
Ein Weltstaatenbund
Auf die allgemeine Wesensart, die Folgerungen und Merkmale dieses Weltstaatenbundes, der früher oder später aus dem Blutbad, dem Todeskampf und der Verwüstung dieser großen Welterschütterung aufzusteigen bestimmt ist, habe ich schon in den vorhergehenden Ausführungen hingewiesen. Es genügt zu sagen, daß diese Vollendung, entsprechend ihrer Wesensart, einen schrittweisen Verlauf nehmen wird, und, wie Bahá'u'lláh selbst vorausgesehen hat, zuerst zur Gründung jenes "Kleineren Friedens" führen muß, den die Nationen der Erde von sich aus errichten werden, noch ohne Seiner Offenbarung- bewußt zu sein und noch ohne Wisscn darüber, daß sie die allgemeinen Grundsätze durchsetzen, die Er verkündet hat. Dieser bedeutungsvolle und historische Schritt, der die Wiederherstellung der Menschheit als Ergebnis allgemeiner Erkenntnis ihrer Einheit und Ganzheit enthält, wird die Vergeistigung der Massen unmittelbar mit sich bringen, die auf die Erkenntnis der Wesensart und die Anerkennung der Ansprüche des Glaubens Bahá'u'lláhs folgt. Sie sind die wesentlichen Vorbedingungen zu jener endlichen Verschmelzung aller Rassen, Glaubensbekenntnisse, Klassen und Nationen, welche das Aufsteigen Seiner Neuen Weltordnung kennzeichnen wird.
+34:2
Dann wird die Zeit der Reife des ganzen Menschengeschlechtes von allen Völkern und Nationen der Erde verkündet und gefeiert werden. Dann wird das Banner des "Größten Friedens" gehißt werden. Dann wird die weltweite Herrschaft Bahá'u'lláhs, des Begründers des Reiches vom Vater, wie sie vom Sohne geweissagt und von den offenbarem Gottes vor und nach Ihm vorausgeschaut ist, anerkannt, mit Freude begrüßt und fest errichtet werden. Dann wird eine Weltzivilisation geboren werden, blühen und für immer fortdauern, eine Zivilisation mit einer Lebensfülle, wie sie die Welt weder gesehen hat noch bis jetzt begreifen kann. Dann wird der Ewige Bund voll erfüllt werden. Dann wird die in allen Büchern Gottes eingeschlossene Verheißung eingelöst werden, alle durch die Propheten alter Zeiten ausgesprochene Weissagungen werden eintreffen, und die Gesichte der Seher und Dichter werden sich verwirklichen. Dann wird der Planet, vergoldet durch den allumfassenden Glauben seiner Bewohner an einen Gott und ihre Ergebenheit in eine allgemeine Offenbarung, in den ihm gesetzten Grenzen den strahlenden Ruhm der Herrschaft Bahá'u'lláhs widerspiegeln, der in der Fülle seines Glanzes im Abhá-Paradiese leuchtet. Er wird zum Schemel Seines Thrones in der Höhe gemacht und als der Himmel auf Erden bejubelt werden, der fähig ist, das unaussprechliche Schicksal zu erfüllen, das ihm seit undenklichen Zeiten durch die Liebe und Weisheit seines Schöpfers bestimmt war.
+34:3 #187
Es ist nicht an uns, die wir winzige Sterbliche sind, in einem so kritischen Ahschnitt der langen, buntbewegten Atenschheitsgeschichte zu versuchen, zu einem genauen und befriedigenden Verständnis der Schritte zu gelangen, welche eine blutende Menschheit, die ihren Gott erbärmlich vergessen und Bahá'u'lláh nicht beachtet hat, nach und nach von ihrem Golgatha zu ihrer endlichen Auferstehung führen müssen. Es ist nicht an uns, den lebenden Zeugen der allbezwingenden Macht Seines Glaubens, auch nur für einen Augenblick, wie finster das Elend, das die Welt umhüllt, sein mag, die Fähigkeit Bahá'u'lláhs in Frage zu stellen, diese zerstreuten und einander zerstöreiiden Bruchstücke, in die eine verderbte Welt zerfallen ist, mit dem Hammer Seines Willens und durch das Feuer der Trübsal auf dem Amboß dieses in Wehen kreißenden Zeitalters in die besondere Form zu schmieden, die Sein Geist erschaut hat - zu einer einzigen, festen und unteilbaren Einheit, die fähig ist, Seinen Plan für die Menschenkinder auszuführen.
+34:4
Wie verwirrt der Schauplatz, wie trübe der gegenwärtige Ausblick, wie engbegrenzt die uns verfügbaren Hilfsmittel auch seien, unser ist die Pflicht, heiter, vertrauensvoll und unaufhörlich zu arbeiten und, auf welche Weise auch immer die Umstände uns dazu befähigen mögen, unseren Anteil zu gehen für das Wirken der Kräfte, die, von Bahá'u'lláh geleitet und gelenkt, die Menschheit aus dem Tal des Elends und der Schmach auf die erhabensten Höhen der Macht und der Herrlichkeit führen.
Shoghi Effendi
Haifa, Palästina, 28. März 1941
#188
#189
ERLÄUTERUNGEN
'Abdu'l-'Azíz: Sultán des Türk. Reiches; regierte von 1861-1876
'Abdu'l-Bahá: Sohn Bahá'u'lláhs, Mittelpunkt des Bündnisses, autorisierter Ausleger Seiner Schriften und vollkommenes Beispiel Seines Glaubens; lebte von 1844-1921
'Abdu'l-Hamíd II.: Sultán des Türk. Reiches, Neffe und Nachfolger von 'Abdu'l-'Azíz, 1909 abgesetzt.
'Abdu'l-Majíd: Sultán des Türk. Reiches von 1839-1861
Abhá: herrlicher, ruhmvoller, glorreicher (Steigerungsform des Wortes "Bahá" - herrlich, ruhmvoll, glorreich).
Adhirbáyján: Provinz in Nordwestpersien
Adrianopel: arab. Adirnih; türk. Edirne. Stadt in der europ. Türkei
'Akká: alte Gefängnisstadt nördlich des Berges Karmel im heutigen Israel, in welche Bahá'u'lláh zuletzt verbannt wurde; Er traf dort im Jahre 1868 ein.
'Alí: 'Alí-ibn-i-Abí-Tálib, Heiliger, der Schwiegersohn und rechtmäßige Nachfolger Muhammads; er war der erste Imám und der vierte Kalif und fand im Jahre 40 d. H. (661 n.Chr.) den Märtyrertod.
Ámul: persische Stadt in der Nähe des Kaspischen Meeres, in der Bahá'u'lláh im Jahre 1848 in Gegenwart der versammelten Geistlichen die Bastonade erhielt.
Apostel Gottes: Beiname Muhammads
Aqdas: vgl. Kitáb-i-Aqdas
Aqsá-Moschee: unter diesem Namen wird im Qur'án auf den Tempel Salomos in Jerusalem hingewiesen (vgl. Qur'án 17 :1); nach der Kaaba in Mekka der heiligste Ort des Islám
Arche: vgl. Rote Arche
Báb: wörtlich das "Tor", der Vorläufer Bahá'u'lláhs, der eine eigene Sendung als selbständiger Offenbarer Gottes begründete; Er wurde 1819 geboren und fand 1850 den Märtyrertod.
Bábí-Religion: Religion, die 1844 vom Báb begründet wurde und in der Bahá'í-Religion aufging.
Badí': (`wunderbar`) Áqá Buzurg aus Khurásán, der Übermittler eines Tablets von Bahá'u'lláh aven Sháh; ausgezeichnet mit dem Titel "Stolz der Märtyrer".
Bahá: "Herrlichkeit", "Ruhm", "Glanz", "Licht", Titel Bahá'u'lláhs.
Bahá'í-Zeitalter: religiöses Zeitalter, das mit der Erklärung des Báb am 22. Mai 1844 begann und mindestens 1000 Jahre währt.
Baháristán: ehemaliges Palais in Tihrán, in dem das Parlament seine Sitzungen abhält.
Bahá'u'lláh: wörtlich "Herrlichkeit Gottes", der Begründer der Bahá'í-Religion und Verheißene aller Zeiten; geboren Tihrán 12. November 1817, gestorben Bahjí bei 'Akká in Israel 29. Mai 1892.
Bathá: zentraler und niedrigstgelegener Teil der Stadt Mekka
Bayán: das wichtigste Buch des Báb über die Glaubenslehren Seiner Offenbarung, enthält neben Gesetzen zahllose Hinweise auf das Kommen des Verheißenen. Das Wort wurde vom Báb auch als Bezeichnung für Seine Sendung, vor allem Seine Bücher, benutzt.
Bishárát: "Frohe Botschaften", ein Tablet Bahá'u'lláhs aus dem Heiligen Land
Brief an den Sohn des Wolfes: Tablet Bahá'u'lláhs an Shaykh Muhammad-Taqíy-i-Najafí, den Sohn eines erbitterten Gegners des jungen Glaubens gehört mit zu den letzten Schriften des Offenbarers.
Buchstaben des Lebendigen: die ersten 18 Anhänger des Báb; der Báb selbst war der 19. Buchstabe des Lebendigen.
Cherub: Engel und himmlischer Wächter
Clarendon: George William Frederick Villiers, Earl of Clarendon, englischer Staatsmann und Diplomat; lebte von 1800 bis 1870.
Curzon of Kedleston: George Nathaniel, Marquis Curzon of Kedleston, englischer Staatsmann; lebte von 1859-1925.
Dalá'íl-i-Sah'ih: "sieben Beweise", die wichtigste aller polemischen Schriften des Báb.
David: König von Juda und Israel, Nachfolger Sauls, lebte in der ersten Hälfte des 10. Jahrhunderts v. Chr.
Derwisch: islámischer Bettelmönch und Mystiker
Emir von Mekka: arab. Fürst von Mekka
Erster Punkt: Beiname des Báb
Esslemont, Dr. John E.: Dr. John E. Esslemont, der Verfasser des weitverbreiteten Buches "Bahá'u'lláh und das Neue Zeitalter"
Europäisches Konzert: Bezeichnung für den Zusammenschluß der Großmächte Europas nach 1815 zur Sicherung der Beschlüsse des Wiener Kongresses.
Fátimide: Angehöriger einer islámischen Dynastie schiitischer Richtung, die von 909-1169 herrschte.
Frieden: vgl. Geringerer Frieden und Größter Frieden
Geist Gottes: Beiname von Jesus Christus im Qur'án
Geringerer Frieden: politische Einigung zwischen den Nationen, die einer Verwirklichung der allgemeinen Grundsätze Bahá'u'lláhs entspricht, wobei jedoch die Nationen ihre göttliche Quelle noch nicht erkennen; geht dem Größten Frieden voraus.
Gestaltgebendes Zeitalter: auch Formgehendes Zeitalter genannt; es soll "von der Sammlung und Gestaltung der durch seine (Bahá'u'lláhs) Offenbarung ausgelösten schöpferischen Kräfte Zeugnis ablegen".
Größte Offenbarung: die Offenbarung Bahá'u'lláhs
Größter Frieden: das Goldene Zeitalter des Glaubens, das Reich Gottes auf Erden; der Geringere Frieden und die Entfaltung der administrativen Bahá'í-Ordnung finden hierin ihre Krönung; in dieser Zeit beginnt die Bahá'í-Zivilisation, die "göttlich inspiriert, einzig in ihren Merkmalen, weltumfassend in ihrem Ausmaß und grundsätzlich geistig in ihrem Wesen" ist.
Größter Name: Yá Bahá'u'l-Abhá = O Du Herrlichkeit der Herrlichkeiten - benutzt als Anruf Gottes; Allah-u-Abhá = Gott ist der Allherrlichste - unter den Bahá'í als Grußformel üblich.
Größtes Gefängnis: ehem. Gefängnis in 'Akká, in dem Bahá'u'lláh eingekerkert war; von hier aus sandte Er Seine Tablets an die Könige und Herrscher der Erde.
Hájí: gläubiger Muhammadaner, der die Pilgerreise nach Mekka untemommen hat.
Hájí Mírzá Áqásí: Großwesir (Premierminister) von Persien - der Antichrist der Bábí-Religion.
Haus: bezeichnet das Haus in Baghdád, in dem Bahá'u'lláh wohnte.
Heroisches Zeitalter: das Zeitalter "des Urzustandes und der Apostelzeit des Glaubens Bahá'u'lláhs", das durch den Märtyrertod von mehr als zwanzigtausend Gläubigen geprägt wurde.
Hohe Pforte: Bezeichnung des Hofes und der Regierung des Sultans der Türkei und des Türk. Reiches.
Hujah: (als Titel) Ehrwürden, seine Eminenz
Imám 'Alí: s. 'Alí
Imám: Titel der zwölf schiitischen Nachfolger Muhammads, auch Bezeichnung hoher geistlicher und weltlicher Würdenträger.
Imám Husayn: Sohn 'Alís und der Fátimih, Enkel Muhammads, der dritte Imám; er fand 61 d. H. oder 680 n. Chr. den Märtyrertod.
Imám Ridá: eigtl. Name 'Alí-ibn-i-Músá; achter Imám, fand 203 d.H. den Märtyrertod.
Íqán: vgl. Kitáb-i-Íqán
Islám: Name der durch Muhammad begründeten Religion; bezeichnet die Unterwerfung des eigenen Willens unter den Willen Gottes.
Jahr achtzig: 1280 d. H. oder 1863 n. Chr., das Jahr, in dem Bahá'u'lláh zum ersten Male öffentlich seine Sendung erklärte: im Garten Ridván bei Baghdád am 21. April 1863.
Jahr neun: bezeichnet im "Bayán", dem Mutterbuch der Bábí-Religion, das Jahr, in dem die Gläubigen das Ziel ihrer Wünsche erreichen, d. h., es ist das Jahr, in dem Bahá'u'lláh selbst von seiner Sendung als Offenbarer Gottes erfuhr: im unterirdischen Verlies von Tihrán, Síyáh-Chál, im August 1852 (1269 d. H.), 9 Jahre nach der Erklärung des Báb.
Jahr sechzig: 1260 d. H. oder 1844 n. Chr., das Jahr, in dem der Báb Seine Sendung erklärte: am 22. Mai 1844 in Shíráz in Persien.
Jamál Páshá: türkisccher Oberstkommandierender in Syrien, der geschworen hatte, das Grabmal Bahá'u'lláhs dem Erdboden gleichzumachen und 'Abdu'l-Bahá auf einem öffentlichen Platz in Konstantinopel zu kreuzigen; er wurde vernichtend geschlagen.
Kadscharen: turkmenischer Stamm, der sich widerrechtlich des persischen Thrones bemächtigte, die Dynastie regierte von 1795-1925.
Kalifat: ehemals höchstes geistliches und weltliches Amt im (sunnitischen) Islám.
Karbilá: Stadt im 'Iráq, in der Imám Husayn den Märtyrertod fand (680 n. Chr.) und in der sich sein Grab befindet.
Kitáb-i-Aqdas: das "Heiligste Buch" der Bahá'í-Religion, das im Jahre 1873 in 'Akká geoffenbart wurde und als ein Hauptwerk Bahá'u'lláhs Seine Gesetze und die Charta Seiner Neuen Weltordnung enthält.
Kitáb-i-Íqán: das "Buch der Gewißheit", von Bahá'u'lláh im Jahre 1862 in Baghdád offenbart, ist das wichtigste religiöse Buch der Bahá'í-Religion.
Kleinerer Frieden: vgl. Geringerer Frieden
Krimkrieg: russisch-türkischer Krieg, 1853-1856
Lateranvertrag: Bezeichnung für einen Vertrag zwischen dem Heiligen Stuhl und Italien. Die Lateranverträge von 1929 regelten das Verhältnis des Papsttums zum italienischen Staat.
Lawh-i-Burhán: Tablet des Beweises, ein Werk, das von Bahá'u'lláh im Heiligen Land an einen Gegner des Glaubens, den "Wolf" (Shaykh Muhammad-Báqir) gerichtet wurde.
Lawh-i-Fu'ád: Tablet an Fu'ád Páshá, einen türkischen Außenminister, das den Sturz des Sultáns voraussagte.
Lawh-i-Haykal: auch Súratu'l-Haykal oder Súriy-i-Haykal; Súrih des Tempels, geoffenbart von Bahá'u'lláh; zusammen mit dem wichtigsten Seiner Tablets an die Herrscher der Erde ließ Er dieses Tablet in der Form eines Drudenfußes schreiben, um damit den "Tempel" (Körper) des Menschen zu symbolisieren und ihn als den von Sacharja erwähnten "Tempel" zu kennzeichnen.
Lawh-i-Ra'ís: Bahá'u'lláhs Tablet an den Großwesir des Türk. Reiches,'Alí Páshá.
Lawh-i-Sultán: Bahá'u'lláhs Tablet an den Sháh von Persien
Lotesbaum: auch Sadratu'l-Muntahá genannt; Baum, den die Araber früher an das Ende der Wege als Markierung pflanzten; symbolisch der offenbarer Gottes, der "göttliche Lotosbaum", der "Baum, über den hinaus keiner gehen kann". In der Bahá'í-Religion symbolisiert der Lotosbaum den offenbarer oder die Manifestation Gottes, d. h. in dieser Sendung Bahá'u'lláh.
Magier: Bezeichnung für den Gelehrtenstand, eine Priesterkaste oder einen geistlichen Orden im alten Medien und Persien. Zoroaster kann ein Magier gewesen sein, und die Perser benutzen das Wort, um damit einen Zoroastrier zu bezeichnen.
Máh-kú: Festung in der Nähe des Berges Ararat, in der der Báb eingekerkert war.
Manúchihr Khán: Gouverneur von Isfáhán, der dem Báb sehr ergeben war
Mashhad: Hauptstadt von Khurásán; hier befindet sich der Schrein des Imám Ridá, des "besonderen Ruhmes der schiitischen Welt".
Mawlaví: Orden der Tanzenden Derwische, der im 13. Jahrhundert von Jalál-i-Dín Rúmí gegründet wurde.
Mázindarán: persische Provinz am Kaspischen Meer, in der die Heimatstadt der Familie Bahá'u'lláhs, Nur, liegt.
Medina: westarabische Stadt nördlich von Mekka; neben Mekka der bedeutendste muhammadanische Wallfahrtsort, in dem sich die Gräber Muhammads und Seiner Lieblingstochter befinden.
Mekka: Hauptstadt von Hedschas, Saudi-Arabien, nahe der Küste des Roten Meeres; bedeutendster Wallfahrtsort des Islám und Geburtsort Muhammads.
Mittelpunkt des Gottesbündnisses: kennzeichnet 'Abdu'l-Bahá, den Sohn Bahá'u'lláhs, als Dessen autorisierten Nachfolger und bevollmächltigten Ausleger der heiligen Schriften der Bahá'í-Religion.
Muftí: Ausleger des muslimischen Gesetzes, der eine Fatvá (Urteilsspruch) in einem religionsrechtlichen Fall ergehen läßt.
Muhammad: Offenbarer Gottes (570-632 n. Chr.), der Stifter des Islám; Er offenharte das Heilige Buch des Qur'án.
Muhammad-Sháh: Sháh von Persien; er regierte von 1834-1848
Mullá: muhammadanischer Geistlicher, Theologe oder Richter
Murád V.: Nachfolger von Sultán 'Abdu'l-'Azíz,1876 Sultán, im selben Jahr abgesetzt.
Mustafá Kamál: Mustafá Kamál Páshá, auch Kamál Atatürk genannt, ein Führer der Jungtürkischen Bewegung, der erste Präsident der türkischen Republik, 1880-1938.
Mutterbuch: das Buch göttlichen Wissens, die Quelle der Offenbarung für alle Heiligen Schriften. Für die Bahá'í bedeutet das "Mutterbuch", das "verwahrte Tablet" oder das "behütete Tablet" das Wort Gottes, die Manifestation Gottes oder Sein Buch. Das Mutterbuch der Sendung des Báb ist der Persische Bayán, das der Bahá'í-Religion das Kitáb-i-Aqdas.
Muttertempel: das jeweils auf einem Kontinent erste Haus der Anbetung der Bahá'í; sie werden auch Mashriqu'l-Adhkár, Aufgangsorte des Lohpreises und der Erinnerung Gottes genannt. Heute gibt es Muttertempel in Wilmette (Illinois, USA), Kampala (Uganda), Sidney (Australien) und Langenhain bei Frankfurt am Main; weitere Mashriqu'l-Adhkár oder Häuser der Andacht sind geplant.
Nabíl Nabíl-i-A'zam, Beiname von Mullá Muhammad-i-Zarandí.: Er verfaßte das sehr bedeutende zeitgenössische Geschichtswerk der Bahá'í-Religion, "The Dawn-Breakers". Der Beiname bedeutet der "Größte Nabíl". Nabíl wird auch als Poeta Laureatus, der gekrönte Dichter Bahá'u'lláhs bezeichnet.
Najaf: einer der beiden heiligsten Schreine der schiitischen Welt; er befindet sich im 'Iráq, südlich von Karbilá.
Násiri'd-Dín Sháh: Sháh von Persien 1848-1896; der mächtigste Herrscher des schiitischen Islám. Er erhielt von Bahá'u'lláh den Beinamen: "Fürst der Bedrücker".
Níyálá: persische Stadt, in deren Nähe Bahá'u'lláh gesteinigt wurde
Níyávarán: Dorf nördlich von Tihrán am Gebirgsrand mit einem Palais des Sháh
Páshá: Ehrentitel, der früher in der Türkei hohen Offizieren verliehen wurde
Qayyumu'l-Asmá': auch Qayyúm-i-Asmá'. Kommentar zur Súrih von Joseph (Qur'án 12), die erste Offenbarungsschrift des Báb, in er die Leiden vorausgesagt werden, die Bahá'u'lláh von Seinem ungläubigen Bruder zu erdulden hatte. Bahá'u'lláh bezeichnet dieses in der Nacht der Erklärung der Sendung des Báb (23. Mai 1844) entstandene Werk als "das erste, größte und mächtigste aller Bücher" in dcr Offenbarung des Báb.
Qá'ím-Maqám: Titel, vor allem des erlauchten Ministers von Muhammad Sháh Qájár, der auf Befehl des Sháh erdrosselt wurde.
Qur'án: das Heilige Buch des Islám, das von Muhammad offenhart wurde; Bahá'u'lláh nennt es das "nicht irrende Buch".
Renan: Ernest, 1823-1892, franz. Religionswissenschaftler und Orientalist
Ridvánu'l-'Adl: Paradies der Gerechtigkeit: ein Werk Bahá'u'lláhs, das das Kommen gerechter Könige vorhersagt.
Rote Arche: "Arche" ist die Bezeichnung für jede der vorausgegangenen Offenbarungen Gottes. Die "Rote Arche" kennzeichnet die Sendung Bahá'u'lláhs.
Safawiden: persische Dynastie, die von 1500-1736 n.Chr. herrschte
Scala santa: in der Vorhalle der alten Hauskapelle Sancta Sanctorum der Päpste befindliche Heilige Treppe, die nach der Legende aus dem Palast des Pilatus zu Jerusalem stammen soll; über sie soll Christus zum Verhör hinaufgestiegen sein.
Schiitischer Islám: Bezeichnung für die eine der beiden großen Glaubensrichtungen im Islám. Die sogenannte Zwölferschia ist Staatsreligion in Irán.
Sháh-Bahrám: der Erlöser der Welt und Verheißene in der zoroastrischen Religion ; diese Beinamen beziehen sich auf Bahá'u'lláh und finden in Ihm ihre Erfüllung.
Sháh in Sháh: persischer Herrschertitel: König der Könige
Sháh-Zádih: persische Rangbezeichnung: Prinz
Sharí'ah: auch Sharí'at; kanonisches Recht des Islám
Shaykh: verehrungswürdiger alter Mann; Anführer, Gelehrter, Oberster eines Derwischordens usw.
Shaykh Salmán: ein ergebener Gläubiger, der die Briefe der Bahá'í zu Bahá'u'lláh brachte und Seine Botschaften und Sendschreiben ihren Empfängern zutrug.
Shaykhu'l-Islám: muhammadanischer Hoherpriester; die höchste geistliche Würde im Islám. Das Oberhaupt des religiösen Gerichtshofes, das für jede große Stadt vom Sháh ernannt wurde.
Shíráz: Stadt in Südpersien, in der der Báb am 22. Mai 1844 Seine Sendung erklärte.
Sieben Beweise: vgl. Dalá'il-Sab'ih
Siegel der Propheten: Beiname Muhammads. Die Bezeichnung verdeutlicht, daß Er die letzte Manifestation des Prophetischen Zyklus vor dem Kommen des Tages Gottes, d.i. das Erscheinen Bahá'u'lláhs, war.
Síyáh-Chál: das "Schwarze Loch" in den Elendsvierteln von Tihrán, in das Bahá'u'lláh 1852 zusammen mit Dieben und Mördern geworfen wurde. Hier wurde Er selbst zum ersten Mal mit Seiner hohen Sendung bekannt. Es ist der heiligste Platz der Bahá'í in der persischen Hauptstadt.
Siyyid: Nachkomme des Propheten Muhammad
Smithfield: Hinrichtungsstätte bei London; hier wurden unter Maria der Katholischen (1516-1558 ) zahlreiche Protestanten ihres Glaubens wegen auf dem Scheiterhaufen verbrannt.
Sohn Gottes: Beiname von Jesus Christus
Sommerschulen: in jedem jahr und in vielen Ländern der Welt stattfindende Lehr- und Arbeitstagungen der Bahá'í und ihrer Freunde.
Súfí: Mystiker im Islám; sie erstreben die Vereinigung mit Gott, von dem alle Dinge emanieren, durch Ekstase und Kontemplation.
Sulaymáníyyih: Stadt im Nordosten des 'Iráq. Bahá'u'lláh lebte in völliger Zurückgezogenheit zwei Jahre lang in Kurdistan, zuerst auf einem einsamen Berg namens Sar-Galú, später in der Stadt Sulaymáníyyih in einem theologischen Seminar.
Sultanat: hohes Herrscheramt in muhammadanischen Ländern, vor allem höchster Titel der osmanischen Türken.
Sunnitischer Islám: Bezeichnung für die größte der beiden Glaubensrichtungen im Islám, die die ersten Kalifen als rechtmäßige Nachfolger Muhammads ansieht.
Súrih von Joseph: Súrih des Qur'án. Der Báb offenharte hierzu einen Kommentar, der in der Person von Joseph Bahá'u'lláh deutete.
Súriy-i-Mulúk: Súrih der Könige, "das bedeutendste Tablet, das von Bahá'u'lláh geoffenbart wurde".
Tá: der Buchstabe "T", der für Tihrán (Teheran) steht
Tablet: Bezeichnung für ein vom Báb, von Bahá'u'lláh oder 'Abdu'l-Bahá geoffenbartes Werk.
Tabríz: Stadt in Nordwestpersien, wo der Báb am 9. Juli 1850 den Märtyrertod fand.
Tempel des Menschen: in den Bahá'í-Schriften häufig die Bezeichnung für den Körper oder die Gestalt des Menschen.
Tihrán: Teheran, Hauptstadt Persiens, Geburtsort Bahá'u'lláhs
Thora: die fünf Bücher Mose, die im Judentum auf Rollen aufgezeichnet und in der Synagoge aufbewahrt werden.
Turbanträger: der Turban in verschiedenen Farben und Größen wurde in islámischen Ländern von religiös hochstehenden und ausgezeichneten Männern getragen.
'Umar: der zweite Kalif, 634-643
Urewige Schönheit: Beiname Bahá'u'lláhs
Verborgene Worte: bedeutsames Werk, geoffenbart von Bahá'u'lláh, um "den Geist der Menschen neu auszurichten, ihre Seelen zu erbauen und ihr Verhalten zu bessern".
Volk von Bahá: Bezeichnung für die Bahá'í
Yá Bahá'u'l-Abhá: "O Du Herrlichkeit der Herrlichkeiten!" Eine andere Form des Größten Namens, vgl. ebd.
#202
Index nicht eingefügt.
ENDE
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#1
S H O G H I E F F E N D I
DER VERHEISSENE TAG IST GEKOMMEN
#2
#3
SHOGHI EFFENDI
DER VERHEISSENE TAG IST GEKOMMEN
BAHÁ'Í-Verlag GmbH . FRANKFURT AM MAIN
#4
Deutsch auf Grund der englischen Ausgabe "The Promised Day is Come",
Wilmette /Ill., USA 1943
Alle Rechte vorbehalten (c) Bahá'í-Verlag GmbH 1967 (Bahá'í- Jahr 124)
#5
INHALT
Einführung: Die Bahá'í-Weltreligion 7
Vorwort 15
1 Der verheißene Tag ist gekommen 21
2 Das Gottesgericht 23
3 Welche Antwort auf Seinen Ruf? 26
4 Schlaglichter dieses ergreifenden Dramas 33
5 Eine Welt rückte von Ihm ab 38
6 EmpfängerderBotsclrafl 42
7 Tablets an die Könige 45
8 Das Größte Gesetz geoffenbart 51
9 Dem Papste geoffenbart 58
10 Halte den Unrerdrücker ab 70
11 Gottes Stellvertreter auf Erden 76
12 Rasche und vollständige Demütigung 84
13 Der Aufsrieg des Bolschewismus 92
14 Das Ende des Heiligen Römischen Reiches 97
15 Was geschah mir der Türkei und Persien? 98
16 Der Untergang des türkischen Reiches 101
17 Göttliche Vergeltung am Hause der Kadscharen 105
18 Der Niedergang im Geschick des Königrums 112
19 Anerkennung des Königtums 113
20 Der Zerfall religiöser Orthodoxie 118
21 Worte an die muhammadanischen Geistlichen 132
22 Das sinkende Glück des schiischen Islám 141
23 Der Zusammenbruch des Kalifates 147
24 Eine Warnung an alle Völker 153
25 Seine Borschaften an christliche Führer 154
26 Christliche Nationen gegen christliche Nationen 161
27 Die Fortdauer der Offenbarung 164
28 DiedreifalschenGötter 172
29 Die geschwächten Pfeiler der Religion173
30 Gottesplan 176
31 Das künftige Große Zeitalter 178
32 Religion und soziale Entwicklung 180
33 Die weitere, umfassende Treue 184
34 Ein Weltstaatenbund 185
35 Erläuterungen 189
36 Index 202
#7
DIE BAHÁ'Í-WELTRELIGION
Der Glaube, der von Bahá'u'lláh begründet wurde, entstand in Persien um die Mitte des neunzehnten Jahrhunderts. Nach längerer Verbannung des Gründers, zuletzt nach der türkischen Strafkolonie 'Akká, und späterhin nach Seinem Tod und Seiner Beisetzung bei 'Akká, hat der Glaube sein endgültiges Zentrum im Heiligen Land gefunden. Heute ist er im Begriff, die Grundlagen seines Verwaltungszentrums für die ganze Welt in der Stadt Haifa aufzubauen.
Wenn man seinen Anspruch, wie er unmißverständlich durch seinen Begründer verfochten wurde, und die Art des Wachstums der Bahá'í-Gemeinde in allen Teilen der Welt betrachtet, dann kann dieser Glaube nicht anders angesehen werden als eine Weltreligion, die dazu bestimmt ist, sich im Laufe der Zeiten zu einem weltumfassenden Gemeinwesen zu entwicheln. Das Kommen dieses Glaubens kündigt das Goldene Zeitalter der Menschheit an, jenes Zeitalter, das die Einheit des Menschengeschlechtes unerschütterlich begründen, seine Reife erreichen und seine Bestimmung durch die Geburt und Verwirklichung einer alles umfassenden Zivilisation erfüllen wird.
Neue Darlegung ewiger Wahrheiten
Obwohl dem schiitischen Islám entsprungen und in den ersten Entwicklungsphasen von den Anhängern des muhammadanischen und des christlichen Glaubens nur als eine obskure Sekte, ein asiatischer Kult oder ein Ableger der muhammadanischen Religion betrachtet, beweist dieser Glaube nunmehr in wachsendem Maße sein Anrecht auf eine andere Beurteilung als nur die eines weiteren religiösen Systems, das sich den bekämpfenden Glaubensbekenntnissen zugesellte, die so viele Geschlechter lang die Menschheit zerspalten und ihr Wohlergehen gestört haben. Vielmehr ist er eine neue Darlegung der ewigen Wahrheiten, die allen Religionen der Vergangenheit zugrunde liegen. Dieser Glaube ist eine einigende Macht, die den Anhängern dieser Religion einen neuen geistigen Antrieb, eine neue Hoffnung und Liebe zur Menschheit gibt und sie durch eine neue Betrachtungsart, die der grundsätzlichen Einheit der religiösen Lehren, anfeuert. Er zeigt vor ihren Augen die herrliche Berufung auf, die dem Menschengeschlecht winkt.
Die Anhänger dieses Glaubens stehen fest zu dem grundlegenden Prinzip, wie es von Bahá'u'lláh verkündet worden ist, daß religiöse Wahrheit nicht absolut, sondern relativ ist, daß Gottesoffenbarung ein fortdauerndes und fortschreitendes Geschehnis ist, daß alle großen Religionen der Welt göttlich in ihrem Ursprung sind, daß ihre Grundsätze miteinander in völligem Einklang stehen, daß ihre Ziele und Absichten ein und dieselben sind, daß ihre Lehren nur Widerspiegelungen der einen Wahrheit sind, daß ihr Wirken sich ergänzt, daß sie sich nur in unwesentlichen Teilen ihrer Lehren unterscheiden und daß ihre Sendungen aufeinanderfolgende geistige Entwichlungsstufen der Menschheit darstellen.
#8
Die Versöhnung der sich streitenden Bekenntnisse
Das Ziel Bahá'u'lláhs, des Gottesoffenbarers dieses neuen und großen Zeitalters, in das die Menschheit eingetreten ist - sein Kommen erfüllt die Prophezeiungen des Neuen und Alten Testamentes wie auch des Qur'án (Korans), die sich auf das Erscheinen des Verheißenen am Ende der Zeiten, am Tage des Gerichts beziehen - ist nicht die Aufhebung, sondern die Erfüllung der Offenbarungen der Vergangenheit. Er bringt die Versöhnung, nicht die Betonung der Gegensätze der sich streitenden Glaubensbekenntnisse, welche die heutige Menschheit noch zerreißen.
Bahá'u'lláh ist weit davon entfernt, die Stufe der Ihm vorausgegangenen Gottesoffenbarer herabsetzen oder Ihre Lehren schmälern zu wollen. Vielmehr will Er die Grundwahrheiten, die in allen diesen Lehren liegen, in einer Weise neu darlegen, wie sie den Nöten der Menschheit entspricht, auf ihre Fassungskraß abgestimmt ist und auf Fragen, Leiden und Verwirrungen der Zeit, in der wir leben, angewendet werden kann.
Seine Sendung ist zu verkünden, daß die Zeiten der Kindheit und Unreife des Menschengeschlechtes vorüber sind, daß die Erschütterungen der heutigen Stufe der Jugend langsam und schmerzvoll die Stufe der Reife vorbereiten und das Nahen jener Zeit der Zeiten verkünden, da die Schwerter in Pflugscharen umgewandelt werden, das von Jesus Christus verheißene Reich begründet und der Friede auf diesem Planeten endgültig und dauernd gesichert sein wird.
Auch erhebt Bahá'u'lláh nicht den Anspruch auf Endgültigkeit Seiner eigenen Offenbarung. Er erklärt vielmehr ausdrücklich, daß in den späteren Phasen der endlos weiterschreitenden Menschheitsentwicklung ein volleres Maß der Wahrheit enthüllt werden muß als Ihm von dem Allmächtigen in einem für die Menschheit so kritischen Zeitpunkt gestattet wurde.
#9
Einheit des Menschengeschlechtes
Der Bahá'í-Glaube hält die Einheit Gottes hoch, anerkennt die Einheit seiner Offenbarer und betont vor allem den Grundsatz der Einheit und Harmonie aller Menschenrassen.
Er verkündet, daß die Einigung der Menschheit notwendig und unumgänglich ist, hebt hervor, daß wir uns dieser langsam nähern, und stellt die These auf, daß nichts anderes als der verwandelnde Geist Gottes, der durch sein erwähltes Sprachrohr an diesem Tage wirkt, letzten Endes diesen Zustand herbeiführeii kann.
Der Bahá'í-Glaube erlegt seinen Anhängern vor allem die Pflicht des ungehemmten Suchens nach Wahrheit auf, verwirft alle Arten von Vorurteil und Aberglauben und erklärt, daß der Zweck der Religion die Förderung von Freundschaft und Einracht sei.
Dieser Glaube werkünder in wesentlichen Fragen seine Übereinstimmung mit der Wissenschafl und erkennt diese als die größte Kraft für die Befriedigung und den geregelten Fortschritt der Menschheit.
Er hält eindeutig den Grundsatz gleicher Rechte, gleicher Möglichkeiten und Vorrechte für Männer und Frauen hoch, besteht auf guter Erziehung als Pflicht, beseitigt die Extreme von Armut und Reichtum, schafft die Einrichtung des Priesterstandes ab, verbietet Sklaverei, Askese, Bettelei und Mönchtum, schreibt die Einehe vor, mißbilligt die Scheidung, betont die Notwendigkeit des Gehorsams gegenüber der Regierung, erhöht jede Arbeit, die im Geiste des Dienstes getan wird, zum Rang des Gottesdienstes, drängt auf die Schaffung oder Auswahl einer Welthilfssprache und gibt einen Umriß für die Einrichtungen, welche den Weltfrieden begründen und dauerhaft machen sollen.
#10
Der Herold
Der Bahá'í-Glaube kreist um drei Hauptgestalten, deren erste ein Jüngling aus Shíráz (Schiras) namens Mírzá 'Alí Muhammad war, bekannt als der Báb (das Tor). Er erhob im Mai 1844, im Alter von 25 Jahren, unter Berufung auf die Heiligen Schriften früherer Offenbarungen den Anspruch, der Vorbote und Wegbereiter für das Kommen eines Größeren als Er selbst zu sein. Die Sendung dieses Einen sei, entsprechend diesen Schriften, eine Ära des Friedens und der Gerechtigkeit einzuleiten, die als die Vollendung aller früheren Sendungen begrüßt würde, und einen neuen Zyklus in der Religionsgeschichte der Menschheit zu begründen. - Rasch setzte strenge Verfolgung ein, die von den organisierten Mächten der Kirche und des Staates seines Geburtslandes ausging und schließlich zu seiner Gefangenschaff, Verbannung und Hinrichtung im Juli 1850 in Tabríz (Täbris) führte. Nicht weniger als 20 000 seiner Anhänger wurden mir so barbarischer Grausamkeit hingemordet, daß sie das warme Mitgefühl und die unbegrenzte Bewunderung abendländischer Schriftsteller, Diplomaten, Reisender und Gelehrter hervorrief.
#11
Bahá'u'lláh
Mírzá Husayn-'Alí, genannt Bahá'u'lláh (die Herrlichkeit Gottes), aus der Provinz Mázindarán stammend, dessen Kommen der Báb verkündet hatte, wurde von diesen gleichen Mächten der Unwissenheit und des Fanatismus angegriffen, in Tihrán Teheran) eingekerkert, 1852 aus Seinem Heimatland nach Baghdád, von dort nach Konstantinopel und Adrianopel (heute Edirne) und schließlich in die Gefängnisstadt 'Akká verbannt, wo Er nicht weniger als 24 Jahre lang gefangengehalten wurde. Unweit davon starb Er im Jahre 1892. In der Zeit Seiner Verbannung, vor allem in Adrianopel und in 'Akká, gab Er den Gesetzen und Vorschriften seiner Sendung Ausdruck. Er erklärte in mehr als einhundert Schriften die Grundsätze seines Glaubens und verkündete seine Botschaft den Königen und Herrschern des Ostens und des Westens, Christen sowohl wie Muhammadanern.
'Abdu'l-Bahá
Sein ältester Sohn, 'Abbás Effendi, bekannt als 'Abdu'l-Bahá (Diener Gottes), war von Bahá'u'lláh zu seinem gesetzlichen Nachfolger und bevollmächtigten Ausleger Seiner Lehren ernannt worden. Er war seit Seiner frühesten Kindheit Seinem Vater eng verbunden und teilte dessen Verbannung und Leiden. Er blieb ein Gefangener bis 1908, wo Er nach der jungtürkischen Revolution aus der Haft entlassen wurde. Nunmehr verlegte Er seinen Wohnsitz nach Haifa, brach dann bald zu einer drei Jahre währenden Reise nadi Ägypten, Europa und Nordamerika auf, in deren Verlauf Er vor vielen Menschen die Lehren seines Vaters auslegte und das Nahen der Katastrophe voraussagte, die bald darauf die Menschheit überkommen sollte. Seine Rückkehr erfolgte am Vorabend des Ersten Weltkrieges, in dem Er bis zur Befreiung Palästinas dauernden Gefahren ausgesetzt war.
1921 verschied 'Abdu'l-Bahá. Er wurde auf dem Berge Karmel in dem Grabmal beigesetzt, das nadi dem Gebot Bahá'u'lláhs für die sterblichen Reste des Báb errichtet worden war.
#12
Die Verwaltungsordnung
Das Hinscheiden 'Abdu'l-Bahás bedeutete das Ende des Heroischen Zeitalters des Bahá'í-Glaubens und bezeichnete zugleich den Beginn des Gestaltgebenden Zeitalters, das den schrittweisen Ausbau der Verwaltungsordnung des Glaubens bringen soll. Ihre Errichtung war vom Báb vorhergesagt, ihre Gesetze von Bahá'u'lláh geoffenbart und ihre Umrisse durch 'Abdu'l-Bahá in seinem Willen und Testament vorgezeichnet worden.
Die Verwaltungsordnung des Glaubens von Bahá'u'lláh ist dazu bestimmt, sich zu einem Bahá'í-Weltgemeinwesen zu entwickeln. sie hat schon die Angriffe überdauert, die so furchtbare Feinde wie die Könige der Kadscharen-Dynastie, die Kalifen des Islám, die führenden Geistlichen Ägyptens und die Nationalsozialisten in Deutschland gegen ihre Institutionen gerichtet hatten. Sie hat ihre Zweige in alle Teile der Erde von Island bis zum südlichsten Chile ausgebreitet und zählt in ihren Reihen die Vertreter von nicht weniger als 31 Rassen, darunter Christen verschiedener Konfessionen, Mnlammadaner der sunnitischen und schiitischen Bekenntnisse, Juden, Hindus, Sikhs, Zoroastrier und Buddhisten. Sie hat durch ihre eingesetzten Organe Bahá'íSchriften in 48 Sprachen veröffentlicht und verbreitet¹.
Diese Verwaltungsordnung ist, im Unterschied zu den anderen Systemen, die sich nach dem Tode der Gründer in den verschiedenen Religionen entwickelt haben, göttlich in ihrem Ursprung. sie ruht fest auf den Gesetzen, Vorschriften, Verordnungen und Einrichtungen, die vom Begründer des Glaubens selbst ausdrücklich niedergelegt und festgesetzt sind. Sie wirkt in genauer Übereinstimmung mit den eindeutig bevollmächtigten Auslegern der heiligen Texte.
Der Glaube, dem diese Ordnung dient, den sie schützt und fördert, ist, wie in diesem Zusammenhang klar gesagt werden sollte, in seinem Wesen übernatürlich, übernational, völlig unpolitisch, parteilos und allen Systemen oder Schulen von Ideen, die irgendeine besondere Rasse, Klasse oder Nation über die andere zu stellen suchen, völlig entgegengesetzt. Er ist frei von jeglicher Form von Kirdientum, kennt weder Priesterstand noch Riten und wird allein durch freiwillige Gaben seiner erklärten Anhänger getragen.
Obwohl die Bekenner des Bahá'í-Glaubens ihren Regierungen treu ergeben, in Liebe ihrem Vaterland verbunden und darauf bedacht sind, zu allen Zeiten deren Wohl zu fördern, so werden sie doch, weil sie die Menschheit als eine Einheit betrachten und sich deren Lebensinteressen tief verpflichtet fühlen, ohne Zögern jedes Einzelwohl, sei es persönlich oder national, dem übergeordneten Wohl der Mensdiheit als Ganzem unterordnen, sie wissen sehr wohl, daß in einer Welt der gegenseitigen Abhängigkeit der Völker und Nationen der Vorteil des Teiles am besten durch den Vorteil des Ganzen erreicht werden kann und daß kein Dauererfolg durch einen der zugehörigen Teile erlangt werden kann, wenn das Allgemeinwohl des Ganzen hintangestellt wird.
Shoghi Effendi
¹ heute auf weit über 300 Sprachen angewachsen.
#14
Anm.: Shoghi Effendi starb im Jahre 1957. Von seinem Tode bis 1963 wurde der Glaube durch eine von ihm ernannte Körperschaft, die Hände der Sache Gottes, verwaltet. Im April 1963 berief diese Körperschaft die Mitglieder der zu dieser Zeit bestehenden 56 nationalen administrativen Einrichmngen zur Wahl des Universalen Hauses der Gerechtigkeit. Nach vollzogener Wahl übernahm diese Körperschaft die Verwaltung und Führung der Bahá'í-Religion.
#15
VORWORT
Die Feststellung, daß wir in einer Zeit der Krise leben, ist ein Gemeinplatz. Hunderte von Büchern, tausende von Artikeln, Ansprachen, Predigten und Vorträgen verbreiten sich vielfältig über dieses erschreiende Thema. Der nachgiebige Optimismus eines H. G. Wells, das irrationale Vertrauen in die automatischen Verbesserungen im menschlichen Leben, die zuversichtlichen Erwartungen eines allumfassenden Triumphes von Frieden und Demokratie sind der Angst, Furcht und Verzweiflung gewichen. Es besteht eine bemerkenswerte Übereinstimmung darüber, daß die Welt krank ist, daß "etwas schiefgelaufen ist" mit der westlichen Zivilisation gerade zu einem Zeitpunkt, da sie im Begriff war, zur Weltzivilisation zu werden, daß die früheren Utopien sich als grausam enttäuschend erwiesen haben und daß die Zukunfl des Menschen bedroht wird durch seine eigenen zerstörerischen Triebe, die viel stärker sind als er vermutete und zu deren Kontrolle er unfähig scheint. Auf der anderen Seite besteht jedoch nur eine geringe Übereinstimmung über die Ursachen dieser Krise, und sie fehlt ganz bezüglich ihrer notwendigen Heilung. Verloren in einem Labyrinth einander widerstreitender Ideologien, geblendet durch glitzernde Theorien, die ihn für eine kurze Zeit ablenken, und eines lebensnotwendigen Wertesystems ermangelnd, folgt der moderne Mensch wider sein besseres Wissen dem Weg zur Katastrophe und Selbstvernichtung.
Weil der moderne Mensch seiner geistigen Natur abgeschworen und sich zu nichts mehr als zu einem höheren Tier erklärt hat, ist er bis jetzt unfähig, die einfache Wahrheit zu erkennen, daß sein Glück und sein bloßes Überleben von der Erreichung der Harmonie zwischen seinem eigenen Willen und dem Willen des Urhebers dieses Universums abhängen. Der Grund für diese Tragödie des Menschen liegt in seiner Zurückweisung derjenigen Grundsätze, die die einzige sichere Basis für das menschliche Dasein bieten, Grundsätze, die ebenso wirklich sind wie physikalische Gesetze, die aber eher durch Vernunft und Glauben als durch Vernunft und Verstand zu begreifen sind.
#16
Vor mehr als zwanzig Jahren, während des Zweiten Weltkrieges, richtete Shoghi Effendi an die Bahá'í des Westens einen langen Brief, der zu einem Buch wurde. In klarer und machtvoller Sprache legte er darin das Bahá'í-Verständnis der Krise unseres Zeitalters dar. "Die mächtigen Auswirkungen dieser titanischen Umwälzung", so verkündet Shoghi Effendi unzweideutig, "sind nur allein denen verständlich, die die Ansprüche sowohl Bahá'u'lláhs als auch des Báb anerkannt haben. Ihre Anhänger wissen wohl, was sie ausgelöst hat und wohin sie schließlich führen wird." Die Gewißheit dieser Worte leitet sich her aus dem Glauben an Bahá'u'lláh als den göttlichen Boten, der eine neue Ara in der menschlichen Geschichte eröffnete.
Während in den letzten einhundert Jahren die meisten Denker versuchten, die Geschichte aus sich selbst heraus zu interpretieren - was eine nicht zu verwirklichende Aufgabe ist - oder die Gesamtheit menschlicher Tätigkeit nach ihren einzelnen Ausprägungen zu deuten, wie z. B. in bezug auf Volkswirtschaft oder Politik - was ebenfalls nicht möglich ist - betrachtet Shoghi Effendi die Geschichte im Lichte ihres eigentlichen Wesens: der Beziehung zwischen dem vergänglichen Menschen und dem ewigen Gott. So gesehen offenbart die Geschichte einen sinn und ein Bild, wie sie zuvor nicht erkennbar waren. Das Handeln des Menschen erlangt seine Bedeutung, wenn man dartut, daß es seine eigene Widerspenstigkeit und seine Zurückweisung des göttlichen Willens sind, die zu der Unruhe und den Umwälzungen führten, in die er so hoffnungslos verstrickt ist. In einem gewissen sinne können die Schrecken dieses Jahrhunderts als Gottes strafe für den Menschen angesehen werden, weil er die Bande zwischen sich und seinem Schöpfer zerrissen hat. In einem anderen Sinne ist die Not des Menschen das Ergebnis seiner eigenen hartnäckigen Weigerung, seine geistige Natur und die der sie regierenden geistigen Gesetze zu erkennen.
#17
Shoghi Effendi kennzeichnet beredt und kraßvoll die Grundzüge der Sendung Bahá'u'lláhs und die Wirkungen, die sie hervorrief. In zahlreichen Botschaften an "Kaiser, Könige und Fürsten, Kanzler und Minister, den Papst, Priester, Mönche und Philosophen, die größten Gelehrten, Politiker und Abgeordnete, die Reichen dieser Erde und die Anhänger aller Religionen" verkündete Bahá'u'lláh seine Sendung und entfaltete vor den unaufmerksamen Augen der Herrscher der Welt den Göttlichen Plan, der dazu bestimmt ist, die Menschheit auf eine höhere Stufe ihrer Entwicklung zu heben und eine neue, geistig gesündere Welt zu schaffen.
Die Zersetzung der althergebrachten Grundlagen der zivilisierten Gesellschaft und der Sturz ihrer ehrwürdigen Institutionen und Werte ließen ein Vakuum entstehen, das notwendigerweise wieder ausgefüllt werden mußte. Als die Menschheit Bahá'u'lláh den Rücken kehrte und sich weigerte, seine Sendung anzunehmen, öffnete sie falschen und verderbten Lehren Tür und Tor, die schnell ihren Geist und ihr Herz ergriffen ...
Obgleich die Gegenwart dunkel und trüb ist, trägt sie doch die Verheißung einer leuchtenden Zukunft in sich. Die zerfallende alte Ordnung hat bereits eine neue geboren. Dem Prozeß der Zersetzung läuft beinahe unsichtbar ein solcher des Wachstums parallel. Dieselben Leiden, die sich die Menschheit auferlegt hat, schaffen langsam aber sicher die notwendigen Voraussetzungen für die Vereinigung der Menschheit. Wiederholt betonte Shoghi Effendi, wie geheimnisvoll und "unwiderstehlich Gott seinen Plan verwirklicht, obgleich das, was wir heute sehen, das Bild einer in ihren schlingen hoffnungslos verfangenen Welt ist", die zudem ihre hohe Bestimmung mißachtet.
"Der verheißene Tag ist gekommen" ist keine Geschichte des letzten Jahrhunderts oder eine Philosophie der Geschichte im eigentlichen Sinne des Wortes. Dennoch gibt dieses Buch auf weniger als 170 Seiten ein wahreres Bild der umwälzenden Geschehnisse, die sich in Europa und Asien seit der Mitte des 19. Jahrhunderts ereigneten, als ganze Bibliotheken schwerer wissenschaftlicher Werke. Die Analyse, die Shoghi Effendi vornimmt, dringt zum Wesen der Ereignisse und Persönlichkeiten vor. Seine kurzen Charakteristiken von Napoleon III., Papst Pius IX., Násiri'd-Dín Sháh und Wilhelm II. sind glänzende Beispiele kühner und treffender Zusammenfassung, in der wenige Sätze genügen, um die wesentlichsten Eigensdiaften eines jeden herauszuarbeiten. Dieselbe Begabung zur prägnanten Formulierung erweist sich auch in der Besprechung so verwickelter Erscheinungen, wie der Untergang monarchistischer Institutionen, der Zusammenbruch des Kalifats, der Niedergang religiöser Orthodoxie oder der Aufstieg des Bolschewismus. Unfehlbar kennzeichnet er die wesentlichen Grundzüge einer jeden, und das Geschehen, die Institution oder die Bewegung werden lebendig und enthüllen dem verwunderten Leser ihre eigentliche Bedeutung.
#18
Der exakte und sorgfältig ausgearbeitete Stil ist einzigartig. Einige Leser mögen ihn zunächst schwierig finden, aber sie werden bald entdecken, wie genau er der Aufgabe entspricht, die sich der Verfasser setzte, und wie vollkommen er zu dem dargestellten Gegenstand paßt. Die Sätze sind lang und der Wortschatz sehr groß, aber nirgends ist etwas überflüssig. Jedes Substantiv, jedes Verb und jedes Adjektiv ist dem Ziel des Verfassers untergeordnet und trägt seinen Teil zu dem bedeutenden Eindruck bei, den dieses Buch immer wieder auf den aufmerksamen Leser macht.
Obgleich es während des Zweiten Weltkrieges geschrieben und unmittelbar von den Ereignissen geprägt wurde, die bereits im Gedächtnis der Menschen zu verblassen beginnen, hat das Buch "Der verheißene Tag ist gekommen" nichts von seiner Wichtigkeit und Bedeutung verloren und wird dies auch nicht in Zukunft tun. Im Gegenteil, seine Botschaft will uns nur noch dringlicher für eine Generation erscheinen, die unter dem drohenden Schatten der Bombe lebt, sie sollte besser als je zuvor die volle Bedeutung dieser Worte Bahá'u'lláhs verstehen, die Shoghi Effendi übersetzte und anführte: "Und wenn die vorbestimmte Stunde gekommen ist, wird plötzlich das erscheinen, was die Glieder der Menschen erzittern läßt."
#19
Dieses ursprünglich an die Bahá'í im Westen gerichtete bedeutsame Buch ist eine Herausforderung an jeden. In raschem und dramatischem Fluß berichtet es die Geschichte des neuesten Gottesboten, der sich an die ganze Menschheit wandte, auf den aber nur einige wenige hörten. Es stellt auch die erschreckenden Folgen dieser Widerspenstigkeit dar: den Niedergang der alten Ordnung und die verborgene Geburt der neuen. Es zeigt aber auch die tiefe schwärze der heutigen Dunkelheit und verheißt eine neue Morgendämmerung für eine Menschheit, die dem göttlichen Ruf Folge leistet. Vor allem aber erinnert es den modernen Menschen eindringlich daran, daß er in diesem Universum nicht allein steht, daß sein Dasein nicht bedeutungslos, sondern vielmehr seine Bestimmung eine wesentliche ist, und daß der Weg zu Gott ihm wiederum geöffnet wurde.
Firuz Kazemzadeh, a.o. Professor für Geschichte an der Yale Universität
New Haven, Connecticut, Juni 1961
#20
+1 #21
DER VERHEISSENE TAG IST GEKOMMEN
An die Geliebten Gottes und die Dienerinnen des Allerbarmers im Westen:
+1:2
Freunde und Miterben des Reiches von Bahá'u'lláh!
+1:3
Ein Sturm von beispielloser Heftigkeit und unberechenbarer Bahn, von verheerenden Wirkungen, aber unvorstellbar herrlichen späteren Folgen fegt heute über das Antlitz der Erde. seine Gewalt wällist unbarmherzig an Raum und Ausmaß. Seine säubernde Kraft, die zwar meist übersehen wird, nimmt mit jedem Tage zu. Ein Spielball seiner verheerenden Macht, wird die Menschheit bei den Ausbrüchen seines unwiderstehlichen Wütens zu Boden geschmettert. Sie kann weder seine Herkunfl erkennen noch sein Ausmaß begreifen oder seine Folgen abschätzen. Zu Tode verstört und ohnmächtig muß sie zusehen, wie dieser gewaltige Sturm Gottes über die fernsten und schönsten Länder der Erde hereinbricht, ihre Grundfesten erschüttert, ihr Gleichgewicht zerstört, ihre Völker spaltet, die Heime ihrer Bewohner vernichtet, ihre Städte verwüstet, ihre Könige verstößt, ihre Bollwerke niederreißt, ihre Ordnungen zerschmettert, ihr Licht verdüstert und die seelen ihrer Bewohner quält.
+1:4
"Die Zeit für die Zerstörung der Welt und ihrer Menchen ist gekommen", hat die prophetische Feder Bahá'u'lláhs verkündet. "Die Stunde naht", so bekräftigt Er ausdrücklich, "da die heftigste Zuckung auftreten wird". "Der werheißene Tag ist da, der Tag, da qualwolle Heimsuchungen über euren Häuptern und unter euren Füßen aufbrechen und künden: `Schmecket, was eure Hände angerichtet haben!`" "Bald werden die Schläge Seiner Züchtigung euch treffen und wird euch der Staub der Hölle verhüllen." Und weiter: "Und wenn die festgesetzte Stunde gekommen ist, wird plötzlich erscheinen, was die Glieder der Menschheit erzittern macht." "Der Tag naht, da ihre (der Zivilisation) Flamme die Städte verzehren und die Zunge der Erhabenheit werkünden wird: `Das Reich ist Gottes, des Allmächtigen, des Allgepriesenen!`" "Bald kommt der Tag", hat Er, auf die Narren der Welt weisend, geschrieben, "da sie um Hilfe schreien und keine Antwort erhalten werden". "Der Tag rückt heran", hat Er des weiteren geweissagt, "da der Ingrimm des Allmächtigen sie packen wird. Er ist wahrlich der Allmächtige, der Allbezwinger, der Machtwollste! Er wird die Erde von der Befleckung ihrer Verderbnis reinigen und zum Erbe denen Seiner Diener geben, die Ihm nahe sind."
+1:5 #22
"Für jene aber, die Ihn, das Erhabene Tor Gottes, verleugnen", so hat auch der Báb im Qayyámu'l-Asmá' bekräftigt, "haben Wir nach Gottes gerechtem Ratschluß schmerzliche Qualen Gorbereitet. Und Er, Gott, ist der Mächtige, der Weise." Und weiter: "O Völker der Erde! Ich schwöre bei eurem Herrn! Ihr werdet tun, wie frühere Geschlechter getan. So warnt euch denn selbst vor der schrecklichen, schmerzlichsten Vergeltung Gottes. Denn wahrlich, Gott ist aller Dinge mächtig." Und wiederum: "Bei Meiner Herrlichkeit! Ich will mit den Händen Meiner Macht die Ungläubigen Vergeltungen spüren lassen, die nur Ich kenne, und will über die Getreuen die moschusgewürzten Düfte wehen lassen, die Ich im innersten Herzen Meines Thrones gehegt habe."
+1:6
Liebe Freunde! Das machtvolle Walten dieses gewaltigen Umbruchs ist nur für die faßbar, die den Anspruch Bahá'u'lláhs wie auch des Báb anerkannt haben. Ihre Anhänger wissen gar wohl woher es kommt und wohin es letzten Endes führen wird. Mögen sie auch nicht wissen, wie weit es reichen wird, so erkennen sie doch klar seinen Ursprung, ahnen seine Richtung, bejahen seine Notwendigkeit, beobachten zuversichtlich seinen geheimnisvollen Verlauf, flehen um Milderung seiner Strenge, mühen sich einsichtig um eine Abschwächung seines Wütens und richten ihren ungetrübten Blick voraus auf das Ende der schrecknisse und die Hoffnungen, die es zwangsläufig zeitigen muß.
+2 #23
Das Gottesgericht
Dieses Gericht Gottes, wie es denen erscheint, die Bahá'u'lláh als sein Sprachrohr und seinen größten Boten auf Erden erkannt haben, ist eine furchtbare Vergeltung, aber auch ein Akt der heiligen, höchsten Züchtigung. Es ist eine göttliche Heimsuchung und zugleich eine Läuterung für die ganze Menschheit. Seine Feuerbrände strafen die Verderbnis des Menschengeschlechts und schweißen dessen einzelne Teile zu einer organischen, unteilbaren, weltweiten Gemeinschaff zusammen. In diesen schicksalsschweren Jahren, Ausklang des ersten und zugleich Anbruch eines neuen Jahrhunderts des Bahá'í-Zeitalters, wird die Menschheit, wie von Ihm, dem Richter und Erlöser des Menschengeschlechts verordnet, zur Rechenschaft für ihre Taten gerufen und zugleich für ihre künftige Sendung geläutert und gerüstet, sie kann weder die Verantwortung für die Vergangenheit abschütteln noch der für die Zukunft ausweichen. Gott, der Wachsame, der Gerechte, der Liebende, der allweise Verordner, kann in dieser höchsten Sendung die Sünden einer noch nicht neugeborenen Menschheit, ob Unterlassungs- oder Tatsünden, nicht ungestraft lassen, noch wird Er gewillt sein, seine Kinder ihrem Schicksal zu überlassen oder ihnen in ihrem langen, mühsamen, schmerzensreichen Werdegang durch die Zeitalter hindurch jenen Gipfel des Segens zu versagen, der ihr unveräußerliches Recht und zugleich ihre eigentliche Bestimmung ist.
+2:2 #24
"Regt euch, ihr Völker", ist einmal die schicksalhafte Warnung, die Bahá'u'lláh selbst gegeben hat, "in der Erwartung der Tage göttlicher Gerechtigkeit, denn die verheißene Stunde ist nun da!" "Gebt hin, was ihr besitzt, und ergreift, was Gott, der den Menschen den Nacken beugt, brachte! Wißt wahrlich, daß, wenn ihr euch nicht von dem abkehrt, was ihr begangen habt, von allen Seiten Züchtigung über euch kommen wird und ihr schmerzlichere Dinge schauen werdet als je zuwor!" "Wir haben euch eine Zeit bestimmt, o Menschen! Wenn ihr versäumt, euch zur festgesetzten Stunde Gott zuzuwenden, so wird Er, wahrlich, gewaltig Hand an euch legen und euch mit schmerzlicher Trübsal von allen Seiten bedecken. wahrlich, streng ist die Züchtigung, mit der euch euer Herr dann heimsucht!" Und weiter: "Gott herrscht gewißlich über das Leben derer, die Uns Unrecht taten, und Er sieht ihr Treiben wohl. Er wird sie sicherlich um ihrer Sünden willen ergreifen. Er ist der grimmigste Rächer." Und schließlich: "O Völker dieser Welt! Wißt wahrlich, daß unerwartete Trübsal euch verfolgt und schmerzhafte Vergeltung eurer harrt. Denkt nicht, daß vor Meinem Antlitz getilgt ist, was ihr begangen habt. Bei Meiner Schönheit! Mit offenen Lettern hat Mein Griffel all euer Tun auf Tafeln von Chrysolith geschrieben." (Verborgene Worte, persisch 63).
+2:3
Bahá'u'lláh erklärt ein anderes Mal mit Nachdruck, wobei Er einer jetzt verdunkelten Welt eine strahlende Zukunft voraussagt: "Die ganze Erde ist jetzt im Zustand der Trächtigkeit. Der Tag naht, da sie die edelsten Früchte hervorbringen wird, da ihr die stolzesten Bäume, die entzückendsten Blüten, die himmlischsten Segnungen entsprießen werden." "Die Zeit ist nahe, da alles Erschaffene seine Bürde abwerfen wird. Verherrlicht sei Gott, der diese Gnade gewährt, die alle Dinge, ob sichtbar oder unsichtbar, umfängt." "Diese großen Unterdrückungen", hat Er ferner im Vorausblick auf das goldene Zeitalter der Menschheit geschrieben, "bereiten die Menschheit auf das Kommen der Größten Gerechtigkeit vor." Diese Größte Gerechtigkeit ist die Gerechtigkeit, auf der sich der Bau des Größten Friedens allein gründen kann und muß, während der Größte Friede hinwiederum jene größte Weltkultur einleiten wird, die für immer mit Dem verbunden sein wird, der den Größten Namen trägt.
+2:4 #25
Geliebte Freunde!
Schon an die hundert Jahre sind vergangen, seit die Offenbarung Bahá'u'lláhs für die Welt angebrochen ist, eine Offenbarung, deren Wesen, wie Er selbst bestätigt, "keiner der Offenbarer der alten Zeiten, es sei denn bis zu einem vorgezeichneten Grade, jemals voll begriffen hat".
Ein volles Jahrhundert lang hat Gott dem Menschengeschlecht Zeit gegeben, den Begründer einer solchen Offenbarung anzuerkennen, sich seine Sache zu eigen zu machen, seine Größe zu verkünden und seine Ordnung aufzurichten.
In einhundert Bänden, den Aufbewahrungsorten unschätzbarer Lehren, starker Gesetze, einzigartiger Grundsätze, inständiger Ermahnungen, wiederholter Warnungen, erstaunlicher Weissagungen, erhabener Anrufungen und bedeutsamer Auslegungen, hat der Träger einer solchen Botschaft, wie kein Offenbarer zuvor, die Sendung verkündet, die Gott Ihm anvertraut hatte.
An Kaiser, Könige, Fürsten und Machthaber, an Herrscher, Regierungen, Geistlichkeiten und Völker in Ost und West, an Christen, Juden, Muhammadaner und Zoroastrier sandte Er vor nahezu fünfzig Jahren unter den tragischsten Umständen diese unschätzbaren Perlen der Erkenntnis und Weisheit, die im Weltmeer Seiner unvergleichlichen Äußerungen verborgen lagen.
Ansehen und Reichtum entsagend, bereit zu Kerker und Verbannung, blind für Verruf und Schmähung, leibliche Unbill und grausame Entbehrungen auf sich nehmend ließ Er, der Statthalter Gottes auf Erden, sich von Ort zu Ort, von Land zu Land verbannen, bis Er zuletzt, im Größten Gefängnis, seinen gemarterten Sohn für die Erlösung und Einigung der ganzen Menschheit als Pfand darbrachte. "Wir haben wahrlich", so hat Er selbst bezeugt, "Unsere Pflicht nicht versäumt, die Menschen zu ermahnen und ihnen zu bringen, was Wir von Gott, dem Allmächtigen, dem Allgepriesenen, geheißen wurden.
Hätten sie auf Mich gehört, so hätten sie die Erde als eine andere Erde gesehen."
Und weiter: "Gibt es noch irgendeine Entschuldigung für irgend jemanden in dieser Offenbarung?
Bei Gott, dem Herrn des mächtigen Thrones, nein!
Meine Zeichen sind um die Erde gegangen, und Meine Macht hat das ganze Menschengeschlecht umfaßt, und dennoch liegen die Menschen in einem seltsamen Schlaf."
+3 #26
Welche Antwort auf seinen Ruf?
Wie hat - so mögen wir wohl fragen - die Welt, der Gegenstand solcher göttlicher Fürsorge, Dem gedankt, der ihretwillen alles geopfert hat? Was für ein Willkommen hat sie Ihm bereitet, und was für eine Antwort hat sein Ruf geweckt? Ein in der Geschichte des schiitischen Islám nie dagewesenes Getöse begrüßte das junge Licht des Glaubens in seinem Geburtslande inmitten eines Volkes, das verrufen war für seine krasse Unwissenheit, seinen wilden Fanatismus, seine barbarische Grausamkeit, seine eingefleischten Vorurteile und die grenzenlose Macht, mit der eine fest verschanzte Geistlichkeit die Massen an sich kettete. Die Verfolgung, die einen Mut entflammte, der, nach dem Zeugnis keines Geringeren als des verstorbenen Lord Curzon of Kedleston, von dem Mut, den die Feuer von Smithfield entfachten, nicht übertroffen ward, mähte mit verhängnisvoller schnelle nicht weniger als zwanzigtausend heldenhafte Gläubige nieder, die sich geweigert hatten, ihren neuen Glauben gegen die flüchtigen Ehren und die Geborgenheit eines sterblichen Lebens einzutauschen.
+3:2
Zu den leiblichen Qualen, die diesen Duldlern bereitet wurden, kamen die so unverdienten Anschuldigungen, wie Leugnung aller Werte, Okkultismus, Verneinung der staatlichen Ordnung, Religionsklitterung, Unsittlichkeit, Sektenbildung, Ketzerei, parteiliche Umtriebe, deren jede durch die Glaubenssätze selbst und den Lebenswandel der Gläubigen überzeugend widerlegt wurden, die aber die Zahl derer anschwellen ließen, die aus Unwissenheit oder Bosheit diesen Glauben schädigten.
+3:3 #27
Die erschreckende Gleichgültigkeit der Männer von stand und Rang, der unerbittliche Haß der geistlichen Wiürdenträger eben des Glaubens, dem er entsprungen war, der höhnische Spott des Volkes, in dem die Religion entstanden war, die äußerste Mißachtung, die die meisten Könige und Herrscher ihrem Stifter gegenüber zeigten, als Er sich an sie wandte, die Verurteilungen, Drohungen und Verbannungen, die von jenen beschlossen wurden, unter deren Macht der Glaube groß geworden war und sich zuerst verbreitet hatte, die Verdrehung, die seine Grundsätze und Gesetze durch die Neider und Böswilligen in Ländern und Völkern weitab von seinem Ursprungslande erfuhren - dies alles sind nur die Beweise der Behandlung durch ein Geschlecht, das in Selbstzufriedenheit versunken war, sich um Gott nicht kümmerte und die von seinen Boten geoffenbarten Vorzeichen, Weissagungen, Warnungen und Mahnungen vergessen hatte.
+3:4
Die Schläge, die so schwer auf die Jünger eines kostbaren, herrlichen und starken Glaubens niederfielen, konnten jedoch nicht den Grimm seiner Verfolger besänftigen. Auch die absichtlichen, böswilligen Verdrehungen seiner Grundlehren, seiner Ziele und Zwecke, seines Hoffens und Strebens, seiner Einrichtungen und Tätigkeiten waren noch nicht genug, um die Hand des Unterdrückers und des Verleumders zurückzuhalten, die mit allen ihnen zu Gebote stehenden Mitteln seinen Namen zu vernichten und seine Ordnung auszurotten suchten. Die Hand, die eine so große Zahl untadeliger, demütiger Verehrer und Diener des Glaubens niedergeschmettert hatte, wurde jetzt erhoben, um den Begründern des Glaubens die schwersten und grausamsten Schläge zu erteilen.
+3:5 #28
Der Báb - "der Punkt", wie Bahá'u'lláh bestätigte, "um den die Wirklichkeiten der Propheten und Gottesboten kreisen" - geriet als erster in den Strudel, der seine Anhänger verschlingen sollte. Plötzliche Gefangennahme und Einkerkerung im ersten Jahre seiner kurzen, ereignisreichen Laufbahn; absichtliche öffentliche Beschimpfung vor den geistlichen Würdenträgern in Shíráz; strenge und lange Kerkerhaft in den kahlen Bergfesten von Adhirbáyján; verachtende Geringschätzung und feige Eifersucht von seiten des höchsten Richters des Reiches und des ersten Ministers der Regierung; ein sorgfältig abgekartetes, possenhaftes Verhör vor dem Thronerben und hochgestellten Geistlichen in Tabríz; eine schändliche Bastonade im Bethaus durch die Hand des Shaykhu'l-Islám der Stadt; schließlich die Aufhängung im Kasernenhof in Tabríz und die Feuergarbe von über siebenhundert Kugeln auf seine jugendliche Brust unter den Augen einer verstockten Menge von zehntausend Menschen, und als Gipfel die schmähliche Schaustellung seiner zerfetzten Überreste am Grabenrande draußen vor dem Stadttor - dies waren nacheinander die Abschnitte der wildbewegten, tragischen Wirkungszeit eines Mannes, dessen Zeitalter die Vollendung aller Zeitalter einleitete und dessen Offenbarung die Verheißung aller Offenbarungen erfüllte.
+3:6
"Ich schwöre bei Gott", so hat der Báb selbst in seinem Tablet an Muhammad-Sháh geschrieben, "wüßtest du, was Mir alles in diesen vier Jahren aus den Händen deines Volkes und deines Heeres widerfahren ist, so würde dir aus Furcht vor Gott der Atem stocken ... Wehe, wehe ob der Dinge, die Mich betroffen haben! Ich schwöre bei dem Allerhöchsten! Würde man dir erzählen, an was für einem Ort Ich hause, so würdest du selbst als erster Erbarmen mit Mir empfinden. Im Herzen eines Gebirges ragt eine Festung (Máh-kú) ... nur von zwei Wächtern und vier Hunden bewohnt. So male dir denn Meine Bedrängnis aus ... In diesem Gebirge mußte Ich allein verbleiben, und keiner von Meinen Vorgängern hat erlitten, was Ich erlitten habe, und kein Übeltäter hat ertragen, was Ich ertragen habe."
+3:7 #29
"Wie verblendet seid ihr doch, o Meine Geschöpfe", hat Er, als Stimme Gottes redend, im Bayán geoffenbart, "... die ihr, ohne jedes Recht, Ihn auf einen Berg (Máh-kú) verbannt habt, von dessen Bewohnern nicht einer der Erwähnung wert ist ... Bei Dem, der bei Mir ist, ist nur der eine Buchstabe des Lebendigen Meines Buches. In Seiner Gegenwart, die Meine Gegenwart ist, scheint nachts nicht einmal eine Lampe. Und doch leuchten an Stätten (der Andacht), die in vielerlei Weise sich Ihm zukehren, unzählige Lampen! Alles, was auf Erden ist, ist für Ihn erschaffen, und alle haben mit Wonne an Seinen Wohltaten teil, und doch sind jene Ihm gegenüber so verblendet, daß sie Ihm sogar eine Lampe verweigern."
+3:8
Und was ist Bahá'u'lláh widerfahren, dessen Offenbarung in ihrem Kern, wie vom Báb bezeugt ist, mit einer Kraft begabt wurde, die die vereinten Kräfte der Sendung des Báb übertrifll? Wurde Er, für den der Báb litt und unter so tragischen und wundersamen Umständen starb, nicht fast ein halbes Jahrhundert lang unter der Herrschaft der beiden mächtigsten Gewalthaber des Morgenlandes zur Zielscheibe einer mit List ausgeheckten Verschwörung gemacht, die an Wirkung und Dauer kaum ihresgleichen in der Geschichte früherer Religionen findet?
+3:9
"Die Grausamkeiten, die Mir Meine Unterdrücker zufügten", so hat Er selbst in seiner Qual ausgerufen, "haben Mich gebeugt und Mein Haar gebleicht.
Solltest du vor Meinem Throne erscheinen, so würdest du die Urewige Schönheit nicht wiedererkennen, denn die Frische ihres Antlitzes ist verwandelt und ihr Glanz ist in der Bedrängnis durch die Ungläubigen erloschen.
Ich schwöre bei Gott!
Ihr Herz, ihre Seele und ihre Lebenskraft sind geschwunden." "Könntest du mit Meinem Ohre hören", so erklärt Er des weiteren, "dann würdest du hören, wie 'Alí (der Báb) Mich vor dem Allherrlichen Gefährten beklagt, wie Muhammad um Mich am höchsten Horizont weint und wie der Geist (Jesus) sich im Himmel Meines Ratschlusses dessentwegen aufs Haupt schlägt, was diesem Mißhandelten von seiten eines jeden gottlosen Sünders zugestoßen ist." "Vor Mir", hat Er an anderer Stelle geschrieben, "reckt sich die Schlange der Wut mit aufgesperrten Kiefern, Mich zu verschlingen, hinter Mir schleicht der Löwe des Zorns, Mich zu zerreißen, und über Mir, o Mein Geliebter, ziehen die Wolken Deines Ratschlusses und regnen auf Mich die Schauer der Trübsale, während unter Mir die Speere des Unglücks starren, Meine Glieder und Meinen Leib zu durchbohren." "Könnte man dir erzählen", so bekräftigt Er weiterhin, "was die Urewige Schönheit befallen hat, so würdest du in die Wildnis fliehen und bitterlich weinen.
In deinem Gram würdest du dich aufs Haupt schlagen und wie von der Natter gestochen aufschreien ...
Bei der Gerechtigkeit Gottes!
Jeden Morgen, wenn Ich aufstand, sah Ich unzählige Trübsale hinter Meiner Tür lauern, und jeden Abend, wenn Ich Mich niederlegte, war, ach, Mein Herz von Qual zerrissen durch alles, was es von der tükischen Grausamkeit der Feinde zu erleiden hatte.
Mit jedem Stück Brot, das die Urewige Schönheit bricht, ist der Ansturm einer neuen Trübsal gepaart, und jedem Tropfen, den sie trinkt, ist die Bitternis der schmerzlichsten Prüfungen beigemischt.
Jedem Schritt, den sie tut, zieht ein Heer ungeahnten Elends woran, während Legionen quälender Sorgen ihr nach folgen."
+3:10 #30
Ist Er nicht schon im jugendlichen Alter von siebenundzwanzig Jahren aus freien Stücken aufgestanden, um als einfacher Anhänger die im Werden begriffene Sache des Báb zu verfechten? Hat Er nicht mit der Übernahme der tatsächlichen Führung einer geächteten, gehetzten Glaubensgemeinschaft sich selbst, seine Familie, seine Habe, seinen Stand und seinen Ruf schweren Gefahren, blutigen Angriffen, allgemeiner Plünderung und wütenden Schmähungen von seiten der Regierung wie auch des Volkes ausgesetzt? Wurde nicht Er, ein Offenbarer, dessen Tag "jeder Prophet angekündigt hat", nach dem "die Seele jedes Gottgesandten gedürstet hat" und in dem "Gott die Herzen der ganzen Schar Seiner Boten und Propheten geprüft hat", auf Anstiften der schiitischen Geistlichkeit und auf Geheiß des Sháh selbst nicht weniger als vier Monate lang gezwungen, in gänzlicher Finsternis zu leben, in der Gesellschaft gemeinster Verbrecher, von wundreibenden Ketten niedergezogen, in der Pestluft des ungezieferverseuchten unterirdischen Kerkers in Tihrán, einem Orte, der, wie Er später erklärte, auf geheimnisvolle Weise gerade zum Schauplatz der Verkündigung wurde, die Gott Ihm über sein Prophetenamt machte?
+3:11 #31
"Wir wurden", so schrieb Er in seinem "Brief an den Sohn des Wolfes", "vier Monate lang an einen unvorstellbar stinkenden Ort verwiesen.
Dem Verlies, worin dieser Unterdrückte und andere ebenso Mißhandelte festgehalten waren, wäre eine dunkle, enge Grube vorzuziehen ...
Das Verlies war in dichte Finsternis getaucht, und Unsere Mitgefangenen zählten nahezu hundertfünfzig Seelen:
Diebe, Mörder und Straßenräuber.
Obwohl überfüllt, hatte es keinen anderen Ausgang als den Durchlaß, durch den Wir hereingekommen waren.
Keine Feder kann jenen Ort beschreiben, keine Zunge seinen Gestank schildern.
Die meisten dieser Männer hatten weder Kleider noch Bettzeug, darauf zu liegen.
Gott allein weiß, was Wir an dem faulig stinkenden, finsteren Ort zu erdulden hatten!" "'Abdu'l-Bahá", schreibt Dr.
J.
E.
Esslemont, "erzählt, wie Ihm eines Tages erlaubt wurde, den Gefängnishof zu betreten, um seinen geliebten Vater zu sehen, wenn Er zu seiner täglichen Bewegung herauskam.
Bahá'u'lláh war schrecklich entstellt und so krank, daß Er kaum gehen konnte, sein Haar und Bart waren ungekämmt, sein Hals wund und geschwollen vom Druck eines schweren Eisenringes, Sein Leib gebeugt vom Gewicht der Ketten." "Drei Tage und drei Nächte", so hat Nabíl in seiner Chronik verzeichnet, "erhielt Bahá'u'lláh weder Speise noch Trank.
Ruhe oder Schlaf waren Ihm unmöglich.
Der Ort war voll Ungeziefer, und der Gestank dieser grauenhaftcn Behausung konnte wohl die Lebensgeister derer ersticken, die seine Schrecken zu erdulden hatten." "so heftig waren Seine Leiden, daß die Spuren jener Grausamkeit seinem Leib auf Lebzeiten eingekerbt blieben."
+3:12 #32
Welche anderen Trübsale trafen Ihn vor und unmittelbar nach diesem schrecklichen Geschehen?
Wie war es mit seiner Festsetzung im Hause eines Bezirksbürgermeisters von Tihrán?
Und was war mit der ungezügelten Gewalttat, als Er von einer wütenden Volksmenge bei dem Dorfe Níyálá gesteinigt wurde?
Und wie war es mit seiner Einkerkerung durch die Schergen aus dem Heer des Sháh in Mázindarán und die Bastonade, die Er auf Befehl und in Gegenwart der versammelten Siyyids und höchsten Geistlichen erhielt, denen Er durch die Behörden von Ámul ausgeliefert worden war?
Was war mit dem Hohn- und Spottgeheul, mit dem eine Menge roher Raufbolde Ihn weiterhin verfolgte?
Und was war mit der ungeheuerlichen Anklage, die das Kaiserhaus, der Hof und das Volk gegen Ihn erhoben, als der Anschlag auf Násiri'd-Dín Sháh verübt worden war?
Was war mit den schändlichen Beschimpfungen, der Schmach und dem Spott, mit denen Er überhäuft wurde, als Er von den Beamten der Regierung verhaftet und aus Níyávarán "zu Fuß und in Ketten, barhaupt, barfuß" und, der prallen Hochsommersonne schutzlos preisgegeben, nach dem Siyáh-Chál in Tihrán geführt wurde?
Und was war mit der Habgier, womit bestechliche Beamte sein Haus plünderten, seinen ganzen Besitz wegschleppten und über seine Habe verfügten?
Und was war mit dem grausamen Erlaß, durch den Er von der kleinen Schar der verwirrten, gehetzten, hirtenlosen Anhänger des Báb hinweggerissen, von Verwandten und Freunden getrennt und im tiefen Winter, beraubt und verleumdet, nach dem 'Iráq verbannt wurde?
+3:13
So hart diese Trübsale waren, die mit verwirrender Schnelligkeit einander folgten als Ergebnis vorbedachter Angriffe und planmäßiger Machenschaften des Hofes, der Geistlichkeit, der Regierung und des Volkes, so waren sie doch nur das Vorspiel einer qualvollen, langwährenden Gefangenschaft, die jener Erlaß der Form nach eingeleitet hatte. Diese lange Verbannung währte mehr als vierzig Jahre, führte Ihn nacheinander nach dem 'Iráq, nach Sulaymáníyyih, Konstantinopel, Adrianopel und zuletzt in die Strafkolonie 'Akká und endete erst bei seinem Tode mit über siebzig Jahren. So kam eine Gefangenschaft zum Abschluß, die an Tragweite, Dauer, Vielfalt und Härte ihrer Leiden in der Geschichte früherer Gottesoffenbarungen kein Beispiel hat.
+3:14
Es ist nicht nötig, sich über die einzelnen Geschehnisse zu verbreiten, die ein düsteres Licht auf die erschütternde Geschichte jener Jahre werfen, oder bei Charakter und Taten der Völker, Herrscher und Geistlichen zu verweilen, die mitwirkten und dazu beitrugen, die Szenen dieses größten Dramas in der Geistesgeschichte der Welt noch bitterer zu machen.
+4 #33
Schlaglichter dieses ergreifenden Dramas
Einige wenige Schlaglichter dieses ergreifenden Dramas sollen genügen, um den mit der Geschichte des Glaubens vertrauten Leser an die Wechselfälle zu erinnern, die diese Sache durchgemacht und die die Welt bisher mit so kalter Gleichgültigkeit betrachtet hat.
Der erzwungene, jähe Rückzug Bahá'u'lláhs in die Berge von Sulaymáníyyih und die schmerzlichen Folgen, die Seine zweijährige völlige Zurückgezogenheit zeitigte; das unaufhörliche Ränkespiel, dem sich die Spitzen des schiitischen Islám in Najaf und Karbilá in ständiger enger Fühlung mit ihren Verbündeten in Persien hingaben; die Verschärfung der unterdrückenden Maßnahmen durch Sultán 'Abdu'l-'Azíz, die den Treubruch gewisser hervorragender Mitglieder der verbannten Gemeinde auslöste; die Durchführung einer weiteren Verbannung auf Befehl des Sultáns, dieses Mal nach einer entlegenen, sehr öden Stadt, was solche Verzweiflung hervorrief, daß zwei der Verbannten zum Selbstmordversuch getrieben wurden; die scharfe Überwachung, die sie bei der Ankunft in 'Akká durch feindlich gesinnte Beamte erfuhren, und die unerträgliche zweijährige Gefangenschaft in der Kaserne der Stadt, das Verhör, dem hernach der türkische Páshá seinen Gefangenen im Amtsgebäude unterzog; seine nicht weniger als acht Jahre währende Haft in einer bescheidenen Behausung, die von der verpesteren Luft dieser Stadt umgeben war, wobei seine einzige Erholung darauf beschränkt war, den engen Raum seines Zimmers abzuschreiten - diese und andere Trübsale künden von der Art der schweren Prüfungen und erlittenen Beleidigungen, weisen aber auch mit dem Finger der Anklage auf jene Mächtigen auf Erden hin, die ihn entweder so schmerzlich mißhandelt oder ihm absichtlich ihre Hilfe vorenthalten haben.
+4:2 #34
Kein Wunder, daß von der Feder Dessen, der diese Qual mit so erhabener Geduld trug, diese Worte geoffenbart wurden: "Er, der Herr des Sichtbaren und Unsichtbaren, ist nun allen offenbar. sein gesegnetes Selbst ist mit solchem Leid gequält worden, daß, wenn alle Meere, die sichtbaren und die unsichtbaren, zu Tinte würden, alle Bewohner des Reiches zu Federn und alle im Himmel und auf Erden zu Schreibern, sie gewiß unfähig wären, dies aufzuzeichnen."
Und wiederum: "Die meisten Meiner Lebenstage bin Ich wie ein Sklave, der unter einem Schwerte sitzt, das an einem Faden hängt, und der nicht weiß, ob es früher oder später auf ihn herabfällt." "Alles", so bekräftigt Er, "was dieses Geschlecht Uns bieten konnte, waren Wunden von seinen Pfeilen, und der einzige Kelch, den es Unseren Lippen reichte, war der Kelch seines Giftes.
Auf Unserem Hals tragen wir noch die Narben von Ketten, und Unserem Leib sind die Beweise unbarmherziger Grausamkeit aufgedrückt." "Zwanzig Jahre sind verronnen, o Könige!" hat Er auf dem Höhepunkt seiner Sendung an die Könige der Christenheit geschrieben, "in denen Wir jeden Tag die herben Qualen einer neuen Trübsal geschmeckt haben.
Keiner vor Uns hat erduldet, was Wir erduldet haben.
Könntet ihr dies doch fassen!
Die, welche sich gegen Uns erhoben, haben Uns dem Tode ausgeliefert, Unser Blut vergossen, Unsere Habe geplündert und Unsere Ehre werletzt.
Obwohl ihr um die meisten Unserer Leiden wußtet, habt ihr es doch unterlassen, dem Angreifer in den Arm zu fallen.
Ist es nicht eure klare Pflicht, die Tyrannei des Unterdrückers zu verhindern und eure Untertanen unparteiisch zu behandeln, auf daß eure hohe Gerechtigkeit der ganzen Menschheit woll bewiesen werde?"
+4:3 #35
Wo ist der Herrscher im Osten oder Westen - so darf man vertrauensvoll fragen -, der irgendwann seit dem Heraufdämmern einer so überragenden Offenbarung sich entschlossen hätte, seine Stimme zu ihrem Ruhme oder gegen ihre Verfolger zu erheben?
Welche Menschen haben im Laufe einer so langen Gefangenschaft den Drang verspürt, aufzustehen und die Flut solcher Trübsale einzudämmen?
Eine einzige Frau ausgenommen, die in einsamer Glorie leuchtet -, wo ist der Herrscher, der sich in noch so bescheidenem Maße zu einer Antwort auf den durchdringenden Ruf Bahá'u'lláhs getrieben gefühlt hätte?
Wer unter den Großen der Erde war geneigt, diesem jungen Gottesglauben die Wohltat seiner Anerkennung oder Unterstützung zu gewähren?
Welche der vielen Bekenntnisse, Sekten, Rassen, Parteien und Klassen und der so mannigfaltigen Schulen des menschlichen Denkens hielt es für nötig, den Blick auf das aufsteigende Licht dieses Glaubens zu richten, seine sich entfaltende Ordnung zu betrachten, sein unauffälliges Wachstum zu bedenken, seine gewichtige Botschaft zu würdigen, seine lebenerneuemde Kraft anzuerkennen, seine heilbringende Wahrheit anzunehmen oder seine ewigen Wahrheiten zu verkünden?
Wer unter den Weisen der Welt und den sogenannten Männern der Einsicht und der Weisheit kann, nahezu ein Jahrhundert danach, mit Recht behaupten, er habe den Kerngedanken dieses Glaubens selbstlos gutgeheißen, seine Ansprüche unparteiisch erwogen, sich genügend mit seinen Schriften beschäftigt, beharrlich die Trennung von Wahrheit und Dichtung betrieben oder seiner Sache die geziemende Behandlung gewährt?
Wo sind, wenige Einzelfälle ausgenommen, die hervorragenden Vertreter der Künste oder Wissenschaften, die einen Finger gerührt oder ein Wort der Empfehlung gemurmelt hätten, um seinen Glauben zu verteidigen oder zu preisen, der der Welt eine so unschätzbare Wohltat beschert, der so lange und schmerzlich gelitten hat und der in sich eine so begeisternde Verheißung für eine so zerschlagene, so augenfällig bankrotte Welt bewahrt?
+4:4 #36
Zu der Flut der Prüfungen, die den Báb niederwarfen, den langwährenden Trübsalen, die über Bahá'u'lláh hereinbrachen, den Warnungen, die vom Herold wie vom Stifter der Bahá'íReligion erschollen, kommen die nicht weniger als siebzig Jahre lang von 'Abdu'l-Bahá erduldeten Leiden, seine Beschwörungen und dringenden Bitten, die Er an seinem Lebensabend in bezug auf die in wachsendem Maße die ganze Menschheit bedrohenden Gefahren aussprach, in dem Jahre geboren, das Zeuge des Anfangs der Bábí-Religion war, mit den ersten Feuern der Verfolgung getauft, die um diese keimende Sache wüteten; als achtjähriger Knabe Augenzeuge der gewaltsamen Umwälzungen, die den Glauben, dessen sein Vater sich angenommen hatte, erschütterten; sein Gefährte bei den Schmähungen, in den Gefahren und Unbilden, die die mehrfachen Verbannungen aus der Heimat in weit entfernte Länder nach sich zogen; verhaftet und gezwungen, bald nach seiner Ankunft in 'Akká den Schimpf der Gefangenschaft in dunkler Zelle zu ertragen; Gegenstand wiederholter Untersuchungen und Zielscheibe dauernder Angriffe und Beleidigungen unter der gewalttätigen Herrschaft des Sultáns 'Abdu'l-Hamíd und später unter der unbarmherzigen Militärdiktatur des argwöhnischen, grausamen Jamál Páshá - hatte auch Er, der Mittelpunkt und die Achse des unvergleichlichen Bündnisses von Bahá'u'lláh und vollkommenes Vorbild seiner Lehren, aus den Händen von Machthabern, Geistlichen, Regierungen und Untertanen den Schmerzenskelch zu kosten, den der Báb, Bahá'u'lláh und so viele ihrer Anhänger geleert hatten.
+4:5 #37
Die Warnungen, die seine Feder und seine Stimme in zahllosen Tablets und Reden während einer fast lebenslangen Haft und auf seinen ausgedehnten Reisen in Europa und Amerika gegeben haben, sind allen, die sich um die Verbreitung des Glaubens seines Vaters in der westlichen Welt mühen, genügend bekannt.
Wie oft und wie leidenschaftlich mahnte Er Menschen von Einfluß und die breite Öffentlichkeit, die von seinem Vater verkündeten Lehren unbefangen zu prüfen!
Wie eingehend, wie nachdrücklich entwickelte Er die Lehren des von Ihm ausgelegten Glaubens, erläuterte Er dessen Grundwahrheiten, betonte Er dessen Merkmale und verkündete Er die erlösende Kraft seiner Grundsätze!
Wie eindringlich deutete Er das drohende Chaos an, die nahenden Umwälzungen, den Weltbrand, der in Seinen letzten Lebensjahren das Ausmaß seiner Gewalt und die Stärke seines Einbruchs in die menschliche Gesellschaft erst ahnenließ! von den schmerzlichen Prüfungen und plötzlichen Enttäuschungen mitbetroffen, die den Báb und Bahá'u'lláh heimsuchten; zu Lebzeiten mit einem Erfolg bedacht, der zu seinen überragenden, unaufhörlichen, regen Bemühungen in gar keinem Verhältnis stand; noch Augenzeuge der ersten Verwirrungen der welterschütternden Katastrophe, die einer ungläubigen Menshheit wartete; vom Alter gebeugt, das Auge verdüstert von dem heraufziehenden Gewitter, das eine glaubenslose Generation durch den Empfang der Sache seines Vaters heraufbeschwor; blutenden Herzens über das den eigensinnigen Kindern Gottes drohende Verhängnis - so erlag Er zuletzt dem Gewicht von Mühsalen, für die jene, die sie Ihm und denen vor Ihm auferlegt hatten, bald zu einer schrecklichen Abrechnung geladen werden sollten.
+4:6 #38
"Beschleunige, o mein Gott", so rief Er aus, als das Unglück Ihn schmerzlich überfallen hatte, "die Tage meines Aufstiegs zu Dir, meiner Ankunft bei Dir und meines Zutritts zu Dir, auf daß ich von der finsteren Grausamkeit befreit werde, die sie mir zugefügt haben, in das Lichtmeer Deiner Nähe eingehe und im Schatten Deines größten Erbarmens raste, o mein Herr, Du Allherrlicher." "Yá Bahá'u'l-Abhá" (o Herrlichkeit der Herrlichkeiten), schrieb Er in einem Tablet in der letzten Woche seines Lebens, "ich habe der Welt und ihren Menschen entsagt, mein Herz ist gebrochen und bedrückt wegen der Ungläubigen. Im Käfig dieser Welt flattere ich wie ein geängstigter Vogel umher und sehne mich jeden Tag, zu Deinem Reich aufzufliegen. Yá Bahá'u'l-Abhá! Lasse mich wom Kelche des Opfers trinken und mache mich frei! Erlöse mich von diesen Leiden und Prüfungen, diesen Mühen und Trübsalen!"
+4:7
Liebe Freunde! Wehe, tausendmal wehe, daß eine so unvergleichlich große, so unendlich kostbare, so urgewaltige, so offensichtlich lautere Offenbarung von einem so blinden, verdorbenen Geschlecht eine so schändliche Behandlung erfahren hat! "O Meine Diener!" bezeugt Bahá'u'lláh selbst. "Der eine wahre Gott ist Mein Zeuge! Dieser größte, unergründliche, wogende Ozean ist euch nahe, wunderbar nahe. Seht, er ist euch näher als eure Halsschlagader! Schnell, wie ein Augenaufschlag, könnt ihr, wenn ihr nur wollt, diese unvergängliche Gunst, diese Gottesgnade, dieses dauerhafte Geschenk, diese stärkste und unaussprechlich herrliche Güte erlangen und an ihr teilhaben."
+5 #39
Eine Welt rückte von Ihm ab
Fast hundert Jahre sind seit jener Umwälzung vergangen; was erblickt nun das Auge, das die Weltbühne betrachtet und auf die Frühzeit der Bahá'í-Geschichte zurückschaut?
Es bietet sich ihm eine Welt, in die Todeskämpfe streitender Ordnungen, Rassen und Völker verkrampft, in die Schlingen ihrer angehäuften Falschheiten verstrickt, von Dem immer weiter abrückend, der der alleinige Urheber ihrer Geschicke ist, und immer tiefer in ein selbstmörderisches Blutbad versinkend, das durch die Mißachtung und Verfolgung Dessen, der ihr Erlöser ist, verursacht worden war.
Das Auge erblickt einen noch immer geächteten Glauben, der aber schon durch seine Puppenhülle hindurchbricht, aus dem Dunkel einer hundertjährigen Unterdrückung auftaucht, den schrecklichen Beweisen des Ingrimms Gottes gegenübersteht und ausersehen ist, sich über die Trümmer einer zerschmetterten Kultur zu erheben.
Es ist eine Welt, die geistig ausgeplündert ist, sittlich bankrott, politisch zerrüttet, gesellschaftlich erschüttert, wirtschaftlich gelähmt, zuckend, blutend und zerbrechend unter der strafenden Rute Gottes.
Und es ist ein Glaube, dessen Ruf unerhört verhallte, dessen Ansprüche verworfen, dessen Warnungen verschmäht, dessen Anhänger niedergemäht, dessen Zwecke und Ziele verleumdet, dessen Aufforderungen an die Herrscher der Erde mißachtet wurden, dessen Herold den Kelch des Märtyrertums leerte, über dessen Stifter eine Flut unerhörter Trübsale hereinbrach und dessen Vorbild dem Gewicht lebenslanger Kümmernisse und schrecklicher Mißgeschicke erlag.
Es ist eine Welt, die ihren Halt verloren hat, in der die helle Flamme der Religion dem Erlöschen nahe ist, in der die Kräfte eines lärmenden Nationalismus und Rassenwahns die Rechte und Vorrechte Gottes selbst an sich gerissen haben, in der eine offen wütende Verweltlichung als unmittelbare Folge der Glaubenslosigkeit siegestrunken ihr Haupt erhoben hat und ihre häßlichen Kennzeichen zeigt, in der die "Majestät des Königtums" geschändet worden ist und diejenigen, die seine Wahrzeichen trugen, größtenteils vom Thron gestoßen worden sind; in der die einst allmächtige Geistlichkeit des Islám und, in geringerem Maße, des christentums in Verruf gekommen sind und in der das Gift von Vorurteilen und Unredlichkeit an den Lebensorganen einer schon zerrütteten Gesellschaft nagt.
Es ist ein Glaube, dessen Einrichtungen - das Vorbild und die krönende Glorie des kommenden Zeitalters - mißachtet und zuweilen sogar zerstört und vernichtet wurden, dessen sich entfaltendes System verhöhnt und teilweise unterdrückt und verstümmelt wurde, dessen sich entwickelnde Ordnung, die einzige Zuflucht einer vom Verhängnis ereilten Zivilisation, verschmäht und in Frage gestellt, dessen Muttertempel beschlagnahmt und enteignet und dessen "Haus", "Leitstern einer anbetenden Welt", durch einen, wie vom höchsten Weltgerichtshof bezeugt, groben Rechtsmißbrauch seinen unversöhnlichen Feinden ausgeliefert und von ihnen geschändet worden ist.
+5:2 #40
Wir leben in einer Zeit, in der man zur richtigen Einschätzung zwei Vorgänge auseinanderhalten muß. Erstens: Die letzten Zuckungen einer verbrauchten, gottlosen Ordnung, die sich trotz der Zeichen und Fingerzeige einer hundert Jahre alten Offenbarung hartnäckig geweigert hat, ihre Handlungsweise den Geboren und Idealen dieses vom Himmel gesandten Glaubens anzupassen. Zweitens : Die Geburtswehen einer erlösenden, göttlichen Ordnung, die zwangsläufig die bestehende ablösen wird und in deren Verwaltungsgefüge keimhaft eine unvergleichliche, weltweite Kultur im Stillen heranreift. Die eine ist daran, abgebaut zu werden, und geht in Bedrängnis, Blutvergießen und Trümmern unter. Die andere eröffnet neue Ausblicke auf Gerechtigkeit, Einigkeit, Frieden und Kultur, wie kein Zeitalter sie je gesehen hat. Die erstere hat ihre Kraft erschöpft, ihre Falschheit und Unfruchtbarkeit erwiesen, ihre Gelegenheit unwiederbringlich verscherzt und eilt ins Verderben. Die letztere, mannhaft und unüberwindlich, zersprengt ihre Ketten und verficht ihren Anspruch, die einzige Zuflucht zu sein, in der die leidgeprüfte Menschheit, von ihren Schlacken gereinigt, ihre Bestimmung erreichen kann.
+5:3
"Bald", hat Bahá'u'lláh geweissagt, "wird die Ordnung des heutigen Tages zusammengerollt und eine neue an ihrer Statt ausgebreitet werden." Und weiter: "Bei Mir selbst! Der Tag naht heran, da Wir die Welt und alles, was darinnen ist, zusammengerollt und eine neue Ordnung an ihrer Statt ausgebreitet haben werden." "Der Tag naht heran, da Gott ein Volk erweckt, das Unsere Tage ins Gedächtnis rufen, die Geschichten Unserer Prüfungen erzählen und die Herstellung Unserer Rechte fordern wird von denen, die ohne einen Funken Beweis Uns mit offenkundiger Ungerechtigkeit behandelt haben."
+5:4 #41
Liebe Freunde!
Für die Prüfungen, die den Glauben Bahá'u'lláhs betroffen haben, liegt die erschreckende, unentrinnbare Verantwortung bei denen, in deren Hände die Zügel der weltlichen und geistlichen Gewalt gelegt waren.
Die Könige der Erde und die geistlichen Führer der Welt müssen in erster Linie die Wucht einer so furchtbaren Verantwortung tragen. "Ein jeder weiß wohl", bezeugt Bahá'u'lláh selbst, "daß sich alle Könige von Ihm weggewandt und alle Religionen sich Ihm widersetzt haben." "Seit unwordenklichen Zeiten", erklärte Er, "haben jene, die äußerlich mit Vollmacht ausgestattet waren, die Menschen gehindert, ihr Angesicht Gott zuzuwenden.
Sie verübelten es den Menschen, sich um den Größten Ozean zu versammeln, da sie schon immer und auch heute noch darin den Grund für die Untergrabung ihrer eigenen Hoheit erblicken." "Die Könige", hat Er ferner geschrieben, "haben wie die Minister und Geistlichen bemerkt, daß es nicht zu ihrem Vorteil war, Mich anzuerkennen, obwohl Mein Vohaben in den göttlichen Büchern und Tablets ganz deutlich offenbart worden ist und der Allwahre laut werkündet hat, daß diese Größte Offenbarung für die Besserung der Wielt und die Erhöhung der Völker erschienen ist." "Barmherziger Gott!" schreibt der Báb in den "sieben Beweisen" (Dalá'il-i-Sab'ih) über die "sieben mächtigen Herrscher der Welt" zu seiner Zeit, "keiner Von ihnen ist von Seiner (des Báb) Offenbarung benachrichtigt worden, und wäre er es, hätte keiner an Ihn geglaubt.
Wer weiß, sie verlassen wohl die Welt hienieden floller Sehnsucht und ohne gemerkt zu haben, daß das, worauf sie gewartet haben, eingetreten ist.
Gerade das ist einst den Herrschern zugestoßen, die am Ewangelium festhielten.
Sie harrten des Propheten Gottes (Muhammad), und als Er wirklich erschien, erkannten sie Ihn nicht.
Schaut, wie diese Herrscher hohe Geldsummen ausgeben, ohne auch nur daran zu denken, einen Beamten zu ernennen, der ihnen in ihren Reichen von der Offenbarung Gottes berichten würde!
Sie hätten dadurch den Zweck erfüllt, zu dem sie erschaffen worden sind.
Alle ihre Wünsche waren und sind darauf gerichtet, Spuren ihrer Namen zurückzulassen."
In derselben Abhandlung rügt der Báb auch die christlichen Geistlichen, die Wahrheit der Sendung Muhammads nicht anerkannt zu haben, und gibt folgcnde erleuchtende Darlegung: "Der Tadel gebührt ihren Gelehrten, denn wenn diese geglaubt hätten, wäre die Masse ihrer Landsleute ihnen gefolgt.
So seht denn, was geschehen ist!
Die Gelehrten der Christenheit werden für gelehrt gehalten, weil sie die Lehren Christi rein erhalten - aber bedenkt nun, wie sie selbst bewirkten, daß die Menschen den Glauben nicht angenommen haben, noch zur Erlösung gelangt sind!"
+6 #42
Empfänger der Botschaft
Man darf nicht vergessen, daß es die Könige der Erde und die religiösen Führer der Welt waren, die vor allen anderen Klassen von Menschen zu unmittelbaren Empfängern der vom Báb und von Bahá'u'lláh verkündeten Botschaft gemacht wurden.
Sie waren es, die in zahlreichen historischen Tablets mit Bedacht angeredet und aufgefordert wurden, auf den Ruf Gottes zu hören, und an die in klarer, zwingender Sprache die Aufrufe, Ermahnungen und Warnungen durch seine verfolgten Boten gerichtet wurden, sie, die Könige und Führer, waren es, die, als der Glaube geboren, und später, als seine Sendung verkündet wurde, noch größtenteils unbestrittene und unumschränkte weltliche und kirchliche Gewalt über ihre Untertanen und Anhänger ausübten. sie waren es, die, thronend in Pomp und Prunk eines durch konstitutionelle Begrenzungen kaum erst eingeengten Königtums oder verschanzt in den Bollwerken einer scheinbar unverletzlichen kirchlichen Macht, letzten Endes die Verantwortung für jede Art von Unrecht trugen, das durch jene begangen wurde, deren Schicksal sie unmittelbar beherrschten.
Es ist keine Übertreibung zu sagcn, daß in den meisten Ländern des europäischen und asiatischen Festlandes Absolutismus einerseits und völlige Unterwürfigkeit unter die Kirchenherrschaft andererseits noch auffallende Charakterzüge des politischen und religiösen Lebens der Massen waren.
Diese, beherrscht und gefesselt, waren der nötigen Freiheit beraubt, die sie befähigt hätte, den Anspruch und die Verdienste der ihnen dargebrachten Botschaft abzuschätzen oder vorbehaltlos ihre Wahrheit anzunehmen.
+6:2 #43
Kein Wunder denn, daß der Begründer des Bahá'í-Glaubens, und in geringercm Maße auch sein Herold, auf die höchsten Herrscher und religiösen Führer der Welt die volle Kraft ihrer Botschaften gerichtet, sie zu Empfängern einiger Ihrer erhabensten Tablets gemacht und sie in ebenso klarer wie eindringlicher Sprache aufgefordert haben, auf Ihren Ruf zu achten. Kein Wunder, daß sie sich der Mühe unterzogen haben, vor deren Augen die Wahrheit Ihrer Offenbarungen zu entfalten und Ihre schmerzen und Leiden zu schildern. Kein Wunder, daß sie die Kostbarkeit günstiger Gelegenheiten betont haben, die zu ergreifen in der Macht dieser Herrscher und Führer lag, und sie in bedeutsamer Sprache vor der schweren Verantwortung gewarnt haben, welche mit der Verwerfung von Gottes Botschaft auf sie zurückfallen würde, und daß sie, nachdem sie zurückgestoßen und abgewiesen worden waren, ihnen die furchtbaren Folgen voraussagten, die solch eine Abweisung mit sich bringt. Kein Wunder, daß Er, der König der Könige und Statthalter Gottes, als Er verlassen, verschmäht und verfolgt war, diese kurze und bedeutungsvolle Weissagung ausgesprochen hat: "Zwei Gruppen von Menschen wurde die Macht entzogen: Königen und Geistlichen."
+6:3
Was die Könige und Kaiser betrifft, die nicht nur in ihrer Person die Majestät irdischer Herrschaff versinnbildlichten, sondern meistens auch tatsächlich eine unanfechtbare Gewalt über die Massen ihrer Untertanen ausübten, so bildet ihre Beziehung zum Glauben Bahá'u'lláhs eine der aufschlußreichsten Episoden des Heroischcn und des Gestaltgebenden Zeitalters dieses Glaubens: Die göttlichen Forderungen, deren Reichweite eine so große Zahl gekrönter Häupter Europas und Asiens erfaßte, der Inhalt und die sprache der Botschaften, die sie in unmittelbare Berührung mit dem Quell von Gottes Offenbarung brachten, die Art ihrer Reaktion auf einen so eindrucksvollen Anstoß und die Folgen, die sich ergaben und deren Zeuge wir heute noch sind - das sind die hervorragenden Züge eines Themas, das ich nur unzulänglich streifen kann und das voll und angemessen von künftigen Bahá'í-Geschichtsschreibern behandelt werden wird.
+6:4 #44
Der Kaiser von Frankreich, Napoleon III., der mächtigste Herrscher seiner Zeit auf dem europäischen Festland; Papst Pius IX., das oberste Haupt der größtcn Kirche des christentums und Zepterträger weltlicher wie geistlicher Gewalt; Alexander II., der allmädlitige Zar des weiten russischen Reiches; die berühmte Königin Viktoria, deren Herrschaft sich über das größte politische Bundesgebiet ausdehnte, das die Welt je gesehen hat; Wilhelm I., der Besieger Napoleons III., König von Preußen und neu ausgerufener Kaiser des geeinigten Deutschland; Franz Joseph, der selbstherrliche Kaiser und König der österreichisch-ungarischen Monarchie, der Erbin des weltberühmten Heiligen Römischen Reiches; der tyrannische 'Abdu'l'Azíz, der die zusammengefaßte Macht des Sultanats und Kalifats verkörperte; der berüchtigte Násiri'd-Dín Sháh, der despotische Beherrscher Persiens und mächtige Potentat des schiitischen Islám - mit einem Wort, die meisten der hervorragenden Verkörperungen der Macht und der Herrschergewalt seiner Zeit, wurden einer nach dem anderen Gegenstand von Bahá'u'lláhs besonderer Aufmerksamkeit und hatten in verschiedenem Maße die Wucht der Kraft, die von seinen Rufen und Warnungen ausging, zu ertragen.
+6:5
Es sollte indessen immer festgehalten werden, daß Bahá'u'lláh sich nicht darauf beschränkt hat, seine Botschaft nur an einige wenige Herrscher zu senden, wie mächtig auch das Zepter war, das jeder einzelne trug, und wie weitläufig auch die Gebiete, die sie regierten. Alle Könige der Erde wurden gemeinsam durch seine Feder angeredet, angerufen und gewarnt zu einer Zeit, da der stern seiner Offenbarung zum Zenit stieg und Er als Gefangener in den Händen und in der Nähe des Hofes seines königlichen Feindes lag. In einem denkwürdigen Tablet, der Súriy-i-Mulúk (Súrih der Könige), in welchem der Sultán, seine Minister, die Könige der Christenheit, der französische und der persische Botschafter an der Hohen Pforte, die muhammadanischen geistlichen Führer in Konstantinopel, die Gelehrten und die Bewohner dieser Stadt, das Volk Persiens und die Philosophen der Welt ausdrücklich angeredet und ermahnt worden sind, richtet Er das Wort an die Schar der Monarchen im Osten und Westen wie folgt:
+7 #45
Tablets an die Könige
"O Könige der Erde!
Hört auf die Stimme Gottes, die von diesem erhabenen, früchtebeladenen Baume aus ruft, der den Karminroten Hügeln auf der heiligen Ebene entsprossen ist, und die die Worte anstimmt: `Es gibt keinen Gott außer Ihm, dem Mächtigen, dem Allvermögenden, dem Allweisen` ...
Fürchtet Gott, o ihr Könige, und laßt euch diese erhabenste Gnade nicht entgehen.
So werft denn euren Besitz hinweg und klammert euch an den Halt Gottes, des Erhabenen, des Großen.
Wendet eure Herzen dem Antlitz Gottes zu, gebt auf, wonach euch eure Wünsche trachten ließen, und seid nicht bei denen, die zugrunde gehen.
O Diener, berichtet ihnen die Geschichte 'Alís (des Báb), wie Er zu ihnen kam mit der Wahrheit, mit Seinem herrlichen und gewichtigen Buch, in Seinen Händen ein Zeugnis und einen Beweis von Gott und mit heiligen und gesegneten Zeichen von Ihm.
Ihr jedoch, o Könige, habt versäumt, auf die Erwähnung Gottes in Seinen Tagen zu achten und euch von den Lichtern führen zu lassen, die aufgingen und aufleuchteten über dem Horizonte eines strahlenden Himmels.
Ihr erforschtet nicht Seine Sache, wo dies zu tun doch besser für euch gewesen wäre als alles, was die Sonne bescheint - o könntet ihr es doch verstehen!
Ihr bliebt unachtsam, bis die Geistlichen Persiens, diese Grausanten, das Urteil über Ihn fällten und Ihn zu Unrecht töteten.
Sein Geist stieg zu Gott empor, und die Augen der Bewohner des Paradieses und die Engel, die Ihm nahe sind, weinten schmerzlich über diese Grausamkeit.
Hütet euch, weiterhin so nachlässig zu sein, wie ihr es ehedem wart.
So kehrt denn zu Gott zurück, eurem Schöpfer, und gesellt euch nicht zu den Achtlosen ...
Mein Antlitz kam aus den Schleiern hervor und goß seine Strahlen auf alles, was im Himmel und auf Erden ist.
Dennoch habt ihr euch Ihm nicht zugewandt, obwohl ihr für Ihn geschaffen seid, o ihr Könige!
Befolgt daher, was Ich euch sage, hört darauf mit euren Herzen und gehört nicht zu denen, die sich abgewandt haben.
Denn euer Ruhm besteht nicht in eurer Herrschaft, sondern wielmehr in eurer Nähe zu Gott und im Befolgen Seines Gebotes, wie es in Seinen heiligen und verwahrten Tablets herniedergesandt wurde.
Sollte einer von euch über die ganze Erde herrschen und über alles, was darinnen und darauf besteht, ihre Meere, ihre Länder, ihre Berge und ihre Ebenen, und doch nicht von Gott erwähnt werden, so würde ihm all dies nichts nützen - o könntet ihr es doch erkennen!...
So erhebt euch denn, seid standhaft, macht wieder gut, was euch entgangen ist, und geht Seinem heiligen Hofe, am Strande Seines mächtigen Ozeans, entgegen, auf daß die Perlen der Erkenntnis und Weisheit, die Gott für euch in der Hülle Seines strahlenden Herzens aufgespeichert hat, euch offenbart werden mögen ...
Hütet euch, daß ihr den Odem Gottes nicht hindert, über eure Herzen zu wehen, den Odem, durch welchen die Herzen derer, die sich Ihm zugewandt haben, lebendig gemacht werden können ..."
+7:2 #46
"Legt die Gottesfurcht nicht ab, o Könige der Erde", hat Er in demselben Tablet geoffenbart, "und hütet euch, die Grenzen zu überschreiten, die der Allmächtige bestimmt hat. Befolgt, was Er euch in Seinem Buche eingeschärft hat, und gebt wohl acht, dessen Schranken nicht zu übertreten. Seid wachsam, daß ihr niemandem ein Unrecht zufügt, und sei es auch so klein wie ein Senfkorn. Beschreitet den Pfad der Gerechtigkeit, denn dieser, wahrlich, ist der gerade Pfad. Legt eure Streitigkeiten bei und setzt eure Kriegsrüstung herab, so daß die Last eurer Ausgaben erleichtert und eure Gemüter und Herzen beruhigt werden. Heilt die Zwistigkeiten, die euch zerspalten, und ihr werdet nicht länger Kriegsrüstungen benötigen, ausgenommen, was der Schutz eurer Städte und Gebiete erfordert. Fürchtet Gott und gebt acht, nicht über die Grenzen der Mäßigung hinauszugehen und zu den Unbesonnenen gezählt zu werden. Wir haben erfahren, daß ihr jedes Jahr eure Ausgaben wermefirt und die Lasten dafür euren Untertanen aufbürdet. Dies, wahrlich, ist mehr, als sie tragen können, und eine drückende Ungerechtigkeit. Entscheidet gerecht zwischen den Menschen und seid die Symbole der Gerechtigkeit unter ihnen. Dies ist, wenn ihr ehrlich urteilt, was euch geziemt und was eurer Stufe angemessen ist.
+7:3 #47
Hütet euch, ungerecht zu handeln an jemandem, der euch anruft und unter eurem Schutze steht. Wandelt in der Furcht Gottes und seid unter denen, die ein Gott gefälliges Leben führen. Verlaßt euch nicht auf eure Macht, eure Waffen und Schätze. Setzt euer ganzes Vertrauen und eure Zuwersicht in Gott, der euch erschaffen hat, und sucht Seine Hilfe in allen euren Angelegenheiten. Beistand kommt von Ihm allein. Er hilft, wem Er will, mit den Heerscharen der Himmel und der Erde.
+7:4
Wißt, daß die Armen das Pfand Gottes in eurer Mitte sind, Seid achtsam, daß ihr Sein Pfand nicht weruntreut, daß ihr nicht ungerecht an ihnen handelt und daß ihr nicht auf den Wegen der Verräter wandelt. Ihr werdet ganz sicherlich zur Rechenschaft über Sein Pfand gerufen werden an dem Tage, da die Waage der Gerechtigkeit aufgestellt ist, an dem Tage, da jedermann das seinige zugeteilt wird, da die Taten aller Menschen, ob reich oder arm, gewogen werden.
+7:5 #48
Wenn ihr den Ratschlägen, die Wir in unvergleichlicher und unzweideutiger Sprache in diesem Tablet geoffenbart haben, keine Beachtung schenkt, dann wird von allen Seiten göttliche Züchtigung über euch kommen, und der Urteilsspruch Seiner Gerechtigkeit wird gegen euch verkündet werden. An jenem Tage werdet ihr keine Macht haben, Ihm zu widerstehen, und ihr werdet eure eigene Ohnmacht erkennen. Habt Erbarmen mit euch selbst und mit denen, die euch unterstellt sind, und richtet sie nach den von Gott in Seinem heiligsten und erhabenen Tablet verordneten Geboten, einem Tablet, in dem Er allem und jedem Sein das festgesetzte Maß zugewiesen hat, in dem Er deutlich eine Erklärung aller Dinge gegeben hat, die in sich selbst schon eine Ermahnung ist an alle, die an Ihn glauben.
+7:6
Prüft Unsere Sache, erforscht die Dinge, die Uns befallen haben, entscheidet gerecht zwischen Uns und Unseren Feinden und gesellt euch zu jenen, die gegen ihre Nächsten unparteiisch handeln. Wenn ihr dem Unterdrücker nicht in den Arm fallt, wenn ihr versäumt, die Rechte der Niedergetretenen zu schützen, welches Recht habt ihr dann, euch unter den Menschen zu rühmen? Wessen könnt ihr euch mit Recht preisen? Ist es euer Essen und Trinken, auf das ihr sto!z seid, sind es die Reichtümer, die in euren Schatzkammern lagern, die Buntheit und der Wert des Schmuckes, mit dem ihr euch bedeckt? Wenn wahrer Ruhm im Besitz solch vergänglicher Dinge bestünde, dann mußte notwendigerweise die Erde, auf der ihr wandelt, sich vor euch rühmen, denn sie versorgt und beschenkt euch nach dem Ratschluß des Allmächtigen gerade mit diesen Dingen. In ihrem Innern ist alles, was ihr besitzt, enthalten, so wie Gott es werordnet hat. von ihr leitet ihr eure Reichtümer als ein Zeichen Seiner Gnade her. So schaut denn euren Zustand, dessen ihr euch so rühmt. Könntet ihr ihn doch erkennen! Nein, bei Ihm, der das Königreich der ganzen Schöpfung in Seiner Gewalt hält! Euer wahrer und dauernder Ruhm liegt nur in eurem Festhalten an den Geboten Gottes, im Befolgen Seiner Gesetze aus ganzem Herzen, in eurem Entschluß, sie erfüllt zu sehen und unbeirrt den rechten Weg zu wandeln ..."
+7:7 #49
Und wiederum im selben Tablet: "Zwanzig Jahre sind verronnen, o Könige, während derer Wir jeden Tag die herben Qualen einer neuen Trübsal empfunden haben. Keiner vor Uns hat das erduldet, was Wir erduldet haben. Könntet ihr es doch fassen! Die sich gegen Uns erhoben, haben Uns hingerichet, Unser Blut vergossen, Unseren Besitz geplündert und Unsere Ehre verletzt. Obwohl der meisten Unserer Leiden gewahr, habt ihr es dennoch unterlassen, dem Angreifer in den Arm zu fallen. Ist es denn nicht eure klare Pflicht, der Tyrannei des Unterdrückers Einhalt zu gebieten und eure Untertanen unparteiisch zu behandeln, auf daß euer hoher Gerechtigkeitssinn der ganzen Menschheit voll bewiesen werde?"
+7:8
"Gott hat euren Händen die Zügel der Regierung des Volkes übergeben, daß ihr in Gerechtigkeit über die Menschen herrschen, die Rechte der Niedergetretenen schützen und die Übeltäter strafen möget. Wenn ihr die Pflicht vernachlässigt, die Gott euch in Seinem Buche vorgeschrieben hat, so werden eure Namen in Seinen Augen zu denen der Ungerechten gezählt werden. Schmerzlich, in der Tat, wird euer Irrtum für euch sein. Wollt ihr euch an das hängen, was euch eure Einbildung vorgespiegelt hat, und die Gebote Gottes, des Erhabensten, des Unerreichbaren, des Allbezwingers, des Allmächtigen, werwerfen? Werft die Dinge, die ihr besitzt, hinweg und haltet euch an das, was Gott euch zu tun geboten hat. Sucht Seine Gnade, denn wer sie sucht, der wandelt auf Seinem geraden Pfad."
+7:9
"Bedenkt den Zustand, in dem Wir Uns befinden, und betrachtet die Leiden und übel, mit denen Wir geprüft worden sind! Vernachlässigt Uns nicht, und sei es auch nur für einen Augenblick, und urteilt unparteiisch über Uns und Unsere Feinde! Dies wird sicherlich ein offenbarer Vorteil für euch sein. Also berichten Wir euch Unsere Geschichte und erzählen im einzelnen die Dinge, die Uns zugestoßen sind, damit ihr Unsere Leiden von Uns nehmen und Unsere Bürde erleichtern möget. Laßt den, der es will, Uns von Unserem Übel befreien, und was den betrifft, der nicht will -, Mein Herr ist sicherlich der Beste aller Helfer."
+7:10 #50
"Warne das Volk, o Diener, und mache es bekannt mit den Dingen, die Wir dir herabgesandt haben. Lasse dich durch die Furcht vor niemandem bestürzen und geselle dich nicht zu den Wankenden. Der Tag naht heran, da Gott Seine Sache erhöht und Sein Zeugnis verherrlicht haben wird vor den Augen aller, die in den Himmeln und auf Erden sind. Setze dein ganzes Vertrauen in allen Lebenslagen auf deinen Herrn, richte deinen Blick auf Ihn und wende dich ab von all denen, die Seine Wahrheit verschmähen. Lasse Gott, deinen Herrn, dir als Beistand und Helfer genügen. Wir haben gelobt, deinen Triumph auf Erden zu sichern und Unsere Sache über alle Menschen zu erheben, auch wenn kein König zu finden wäre, der dir seinen Blick zuwendete ..."
+7:11
Im Kitáb-i-Aqdas (dem Heiligsten Buche), dieser unsdiätzbaren Schatzkammer, die für alle Zeiten die hellsten Ausstrahlungen des Geistes Bahá'u'lláhs in sich birgt, der Charta seiner Weltordnung, dem Hauptverwahrungsort seiner Gesetze, dem Vorläufer seines Bündnisses, dem Hauptwerk, das einige seiner edelsten Ermahnungen, gewichtigsten Aussprüche und unheilverkündenden Prophezeiungen enthält, das geoffenbart wurde während der Hochflut seiner Trübsale, zu einer Zeit, da die Herrscher der Erde Ihn endgültig preisgegeben hatten - in einem solchen Buche lesen wir folgendes:
+7:12
"O Könige der Erde! Er, der höchste Herr über alle, ist gekommen. Das Reich ist Gottes, des allmächtigen Beschützers, des Selbstbestehenden. Betet niemanden an außer Gott und erhebt euer Angesicht mit strahlendem Herzen zu eurem Herrn, dem Herrn aller Namen. Dies ist eine Offenbarung, welcher nichts, was immer ihr besitzt, gleichgestellt werden kann - könntet ihr es doch erkennen! Wir sehen, daß ihr euch über das freut, was ihr von anderen angesammelt habt und das euch ausschließt von den Welten, die nichts außer Meinem Verwahrten Tablet ermessen kann. Die Schätze, die ihr gesammelt habt, lenken euch weit ab von eurem letzten Ziel. Dies ziemt euch schlecht - o könntet ihr das doch verstehen! Reinigt eure Herzen Von allen irdischen Verunreinigungen und eilt, einzutreten in das Königreich eures Herrn, des Schöpfers von Erde und Himmel, der die Welt erzittern und alle ihre Völker wehklagen ließ, ausgenommen jene, die auf alle Dinge Gerzichtet haben und sich an dem festhielten, was im Verborgenen Tablet verordnet wurde."
+8 #51
Das Größte Gesetz geoffenbart
Und weiterhin: "O Könige der Erde! Das Größte Gesetz ist an diesem Ort geoffenbart worden, auf diesem Schauplatz höchsten Glanzes. Alles Verborgene ist ans Licht gebracht worden kraft des Willens des Höchsten Gesetzgebers, Dessen, der die letzte Stunde angekündigt hat, durch welchen der Mond gespalten und jeder unwiderruflicfie Befehl gedeutet worden ist."
+8:2
"Ihr seid nur Vasallen, o Könige der Erde. Er, der König der Könige, ist im Gewande Seiner wunderbarsten Herrlichkeit erschienen und lädt euch vor sich, den Helfer in der Gefahr, den Selbstbestehenden. Hütet euch, daß euch nicht der Hochmut davon abhalte, den Quell der Offenbarung zu erkennen, daß die Dinge dieser Welt euch nicht wie mit einem Schleier von Ihm, dem Schöpfer des Himmels, ausschließen. Erhebt euch und dient Ihm, der Sehnsucht aller Völker, der euch durch ein Wort erschuf und verordnete, daß ihr für alle Zeiten die Wahrzeichen Seiner Herrschaft sein sollt."
"Bei der Gerechtigkeit Gottes! Es ist nicht Unser Wunsch, Hand an eure Königreiche zu legen. Unsere Bestimmung ist, die Herzen der Menschen zu ergreifen und zu besitzen. Auf sie sind die Augen Bahás gerichtet. Dies bezeugt das Königreich der Namen - könntet ihr es doch verstehen! Wer seinem Herrn nachfolgt, wird der Welt und allem, was darinnen ist, entsagen. Wieviel größer muß dann die Loslösung Dessen sein, der eine so erhabene Stufe innehat! Verlaßt eure Paläste und eilt, Einlaß in Sein Königreich zu gewinnen. Dies wird euch in dieser und in der nächsten Welt von Nutzen sein. Das bezeugt der Herr des Reiches in der Höhe - würdet ihr es doch erkennen!"
+8:3 #52
"Wie groß ist die Glückseligkeit, die den König erwartet, der sich erheben wird, Meiner Sache in Meinem Königreich zu helfen, und der sich von allem außer Mir loslösen wird! Solch ein König wird zu den Gefährten der Roten Arche gezählt, der Arche, die Gott dem Volk von Bahä bereitet hat. Alle müssen seinen Namen werherrlichen, seine Stufe ehren und ihm helfen, die Städte aufzuschließen mit den Schlüsseln Meines Namens, des allmächtigen Beschützers aller, die die sichtbaren und unsichtbaren Reiche bewohnen. Solch ein König ist das wahre Auge der Menschheit, der leuchtende Schmuck auf der Stirne der Schöpfung, der Urquell von Segnungen für die ganze Welt. O Volk von Bahá, opfere deinen Besitz, ja selbst dein Leben, um ihm beizustehen."
+8:4
Und weiterhin die offensichtliche Anklage in jenem selben Buch: "Wir haben nichts von euch erbeten. Wahrlich, um der Sache Gottes willen ermahnen Wir euch und werden Wir Uns gedulden, wie Wir es in dem taten, was Uns in euren Händen, o Schar der Könige, befallen hat!"
+8:5
In seinem Tablet an Königin Viktoria redet Bahá'u'lláh darüber hinaus alle Könige der Erde an und fordert sie auf, sich an den Geringeren Frieden zu halten; dieser ist vom Größten Frieden zu unterscheiden, der nur von allen jenen, die sich der Macht seiner Offenbarung voll bewußt sind und die sich offen zu den Grundsätzen seines Glaubens bekennen, verkündet werden kann und schließlich errichtet werden muß:
+8:6 #53
"O Könige der Erde! Wir sehen euch jedes Jahr eure Ausgaben wermehren und deren Lasten euren Untertanen aufbürden. Das ist, wahrlich, ungerecht. Fürchtet die Seufzer und Tränen dieses Unterdrückten und ladet nicht übermäßige Lasten auf eure Völker. Beraubt sie nicht, um für euch selbst Paläste zu errichten. Nein, wählt vielmehr für sie das, was ihr für euch selbst wählt. So entrollen Wir vor euren Augen das, was euch nützt - würdet ihr es doch erkennen! Eure Völker sind eure Schätze. Hütet euch, durch eure Herrschaft die Gebote Gottes zu verletzen und eure Mündel den Händen der Räuber auszuliefern! Durch sie herrscht ihr, durch sie besteht ihr, mit ihrer Hilfe siegt ihr. Und doch, wie verächtlich schaut ihr auf sie herab! Wie seltsam, wie höchst seltsam!"
+8:7
"Nun, da ihr den Größten Frieden zurückgewiesen habt, haltet euch an den Geringeren Frieden, auf daß ihr wenigstens einigermaßen eure eigene Lage und die der von euch Abhängigen bessern möget."
+8:8
"O Herrscher der Erde! Versöhnt euch miteinander, so daß ihr nicht mehr Kriegsrüstungen benötigt, als dem Schutze eurer Gebiete und Länder angemessen ist. Hütet euch, den Rat des Allwissenden, des Glaubwürdigen zu mißachten."
+8:9
"Seid einig, o Könige der Erde, denn dadurch wird der Sturm des Haders gestillt und eure Völker finden Ruhe - wenn ihr doch unter denen wäret, die das verstehen! Sollte einer unter euch gegen einen anderen die Waffen ergreifen, so erhebt euch alle gegen ihn, denn dies ist nichts als offenbare Gerechtigkeit."
+8:10
An die christlichen Könige richtet Bahá'u'lláh des weiteren besondere Worte des Tadels und erschließt in unmißverständlicher Sprache die wahre Wesensart seiner Offenbarung:
+8:11
"O Könige der Christenheit! Hörtet ihr nicht die Worte Jesu, des Geistes Gottes: 'Ich gehe von hinnen und komme wieder zu euch?' Warum also versäumtet ihr, Ihm zu nahen, als Er in den Wolken des Himmels zu euch wiederkam, auf daß ihr Sein Antlitz schautet und zu denen gehörtet, die in Seine Gegenwart gelangen? An einer anderen stelle sagt Er: 'Wenn Er, der Geist der Wahrheit, kommt, wird Er euch in alle Wahrheit leiten.' Und doch - seht, was geschah: Als Er die Wahrheit brachte, weigertet ihr euch, das Angesicht Ihm zuzuwenden, und verharrtet dabei, euch mit euren Zerstreuungen und Phantastereien zu vergnügen. Ihr botet Ihm kein Willkommen noch suchtet ihr Seine Gegenwart, um die Verse Gottes aus Seinem eigenen Munde zu hören und teilzuhaben an der vielfältigen Weisheit des Allmächtigen, des Allherrlichen, des Allweisen. Ihr habt durch euer Versäumnis den Atem Gottes nicht über euch wehen lassen und habt eure Seelen der Süße Seiner Düfte beraubt. Ihr streift weiterhin mit Ergötzen im Tale eurer lasterhaften Wünsche umher. Ihr selbst und alles, was ihr besitzt, wird vergehen. Wahrlich, ihr werdet zu Gott zurückkehren und zur Rechenschaft gerufen werden für eure Taten in der Gegenwart Dessen, der die ganze Schöpfung versammeln wird ..."
+8:12 #54
Der Báb hat des weiteren im Qayyúmu'l-Asmá', seinem berühmten Kommentar der Súrih Joseph, offenbart im ersten Jahr seiner Sendung und von Bahá'u'lláh als "das erste, das größte und mächtigste aller Bücher" der Bábí-Sendung bezeichnet, den aufrüttelnden Ruf an die Könige und Fürsten der Erde ergehen lassen:
+8:13
"O ihr Könige und Königssöhne! Legt allesamt eure Herrschaft, die Gott gehört, beiseite ... Eitel fürwahr ist eure Herrschaft, denn Gott hat den irdischen Besitz derer, die Ihn verleugnet haben, verworfen ... O ihr Könige! Übergebt in Treue und in aller Eile die von Uns herabgesandten Verse den Völkern der Türkei und Indiens, und darüber hinaus, mit Macht und in Treue, den Ländern des Ostens und des Westens ... Bei Gott! Wenn ihr recht handelt, so handelt ihr recht zu eurem eigenen Nutzen, und wenn ihr Gott und Seine Zeichen leugnet, so können Wir, die Wir Gott haben, wahrlich alle Geschöpfe und jegliche irdische Herrschaft wohl entbehren."
+8:14 #55
Und wiederum: "Fürchtet Gott, o ihr Könige, auf daß ihr nicht Ihm fern bleibt, der Seine Erwähnung ist (der Báb), nachdem nun die Wahrheit unter euch gekommen ist mit einem Buch und mit Zeilen von Gott, wie es durch die wunderbare Zunge dessen, der Seine Erwähnung ist, ausgesprochen wurde. Sucht Gnade bei Gott; denn Gott hat euch, wenn ihr an Ihn glaubt, einen Garten bestimmt, dessen Weite wie die Weite des ganzen Paradieses ist."
+8:15
So viel von den epochemachenden Ratschlägen und Warnungen, die der Báb und Bahá'u'lláh an die Herrscher der Erde insgesamt und an die Könige der Christenheit im besonderen gerichtet haben. Ich würde meinem Thema nicht gerecht werden, wollte ich die kühnen, schicksalschweren Botschaften an die einzelnen Monarchen, die, als Könige oder Kaiser, die Trübsale der beiden Begründer unseres Glaubens mit kalter Gleichgültigkeit betrachtet oder Ihre Warnungen mit Verachtung verworfen haben, übergehen oder nur kurz behandeln. Ich kann weder so vollständig, wie ich sollte, aus den zweitausend und mehr Versen zitieren, die aus der Feder von Bahá'u'lláh und, in geringerem Maße, aus der des Báb geströmt sind und an die einzelnen Monarchen in Europa und Asien gerichtet waren, noch ist es mein Plan, mich weitläufig über die Umstände auszulassen, welche jene erstaunlichen Aussprüche hervorgerufen haben, oder über die Folgen, die daraus entstanden. Der Geschichtsschreiber der Zukunft, der in weiterem Abstand und mit besserem Überblick die schicksalschweren Ereignisse des Heroischen und des Gestaltgebenden Zeitalters des Glaubens von Bahá'u'lláh betrachten kann, wird zweifellos imstande sein, die Ursachen, Verwicklungen und Auswirkungen dieser göttlichen Botschaften genau einzuschätzen und eingehend zu beschreiben, sie haben in ihrer Reichweite und ihrer Wirkungskraft sicherlich nicht ihresgleichen in den religiösen Annalen des Menschengeschlechtes.
+8:16 #56
An Kaiser Napoleon III. richtete Bahá'u'lláh folgende Worte: "O König von Paris!
Sage den Priestern, sie sollen die Glocken nicht länger läuten.
Bei Gott, dem Wahren!
Die Mächtigste Glocke ist in der Gestalt des Größten Namens erschienen, und die Finger des Willens deines Herrn, des Hocherhabenen, des Höchsten, schwingen sie weit im Himmel der Unsterblichkeit in Seinem Namen, dem Allherrlichen.
So sind die mächtigen Verse deines Herrn aufs neue zu dir herabgesandt worden, auf daß du dich erheben mögest, Gottes zu gedenken, des Schöpfers von Himmel und Erde, in diesen Tagen, da alle Geschlechter der Erde trauern, die Grundmauern der Städte erzittern und der Staub des Unglaubens alle Menschen einhüllt, ausgenommen solche, die dein Herr, der Allwissende, der Allweise, zu verschonen gewillt war ...
Lausche, o König, der Stimme, die aus dem Feuer ruft, das in diesem frisch grünenden Baume brennt, auf diesem Sinai, der über dem geheiligten, schneeweißen Orte, jenseits der ewigen Stadt, erhoben wurde: `Wahrlich, es gibt keinen anderen Gott außer Mir, dem EwigGergebenden, dem Barmherzigsten!` Wahrlich, Wir haben Ihn gesandt, dem Wir beistanden mit dem Heiligen Geiste (Jesus), daß Er euch dieses Licht ankünde, das am Horizonte des Willens eures Herrn, des Erhabensten, des Allherrlichen, erschien, dessen Zeichen im Westen geoffenbart wurden, auf daß ihr euer Angesicht Ihm (Bahá'u'lláh) zuwenden möget an diesem Tage, den Gott erhöht hat über alle anderen Tage und an welchem der Allbarmherzige Seinen strahlenden Glorienglanz auf alle ergoß, die im Himmel und auf Erden sind.
Erhebe dich, um Gott zu dienen und Seiner Sache beizustehen.
Er wird dir wahrlich beistehen mit den Heerscharen des Sichtbaren und des Unsichtbaren und dich zum König über alles, was die Sonne bescheint, einsetzen.
Dein Herr ist der Allgewaltige, der Allmächtige .., Schmücke deinen Tempel mit der Zier Meines Namens, deine Zunge mit Meiner Erwähnung und dein Herz mit der Liebe zu Mir, dem Allmächtigen, dem Höchsten.
Wir haben nichts für dich gewünscht als das, was besser für dich ist als dein Besitz und alle Schätze der Erde.
Dein Herr, wahrlich, weiß darum, und Er kennt alles ..."
+8:17 #57
"O König!
Wir hörten die Worte, die du dem Zaren von Rußland als Antwort gabst, deinen Entschuß zum Krieg (Krimkrieg) betre ffend.
Dein Herr, wahrlich, wei ß dies, und Er kennt alles.
Du sagtest: `Ich lag schlafend auf meinem Bette, als der Schrei der Unterdrückten, die im Schwarzen Meer ertranken, mich weckte.` Dies hörten Wir dich sagen, und wahrlich, dein Herr ist Zeuge dessen, was Ich sage.
Wir bezeugen, daß das, was dich weckte, nicht ihr Schrei war, sondern die Einflüsterungen deiner eigenen Leidenschaften.
Denn Wir prüften dich und fanden dich mangelhaft.
Erfasse die Bedeutung Meiner MWorte und sei einer der Einsichtsvollen ...
Wärest du aufrichtig gewesen in deinen Worten, so hättest du das Buch Gottes nicht beiseite geworfen, als es dir zugesandt wurde von Ihm, dem Allmächtigen, dem Allweisen.
Wir haben dich damit geprüft und fanden dich anders, als du vorgibst.
Erhebe dich und suche nachzuholen, was du versäumt hast.
Binnen kurzem werden die Welt und all dein Besitz untergehen, und das Reich wird Gottes bleiben, deines Herrn und des Herrn deiner Väter.
Es geziemt dir nicht, deine Angelegenheiten nach den Befehlen deiner Wünsche zu führen.
Fürchte die Seufzer dieses Unterdrückten und schirme Ihn vor den Speeren der Ungerechten.
Für das, was du getan hast, wird dein Reich in Verwirrung gestürzt werden, und dein Kaiserreich wird deinen Händen entgleiten zur Strafe für das, was du begonnen hast.
Dann wirst du erkennen, wie sehr du dich geirrt hast.
Aufruhr wird das ganze Volk jenes Landes ergreifen, es sei denn, du hilfst dieser Sache und folgst Ihm, dem Geist Gottes (Jesus), auf diesem, dem geraden Pfade.
Hat dein Pomp dich stolz gemacht?
Bei Meinem Leben!
Er wird nicht on Dauer sein, nein, er wird bald dahinschwinden, es sei denn, du hältst dir standhaft an dieses feste Seil, wir sehen Erniedrigung dich verfolgen, während du einer der Achtlosen bist ... überlasse deine Paläste den Leuten der Gräber und dein Kaiserreich jedem, der es begehrt, und tuende dich dann dem Reiche Gottes zu.
Dies, wahrlich, ist es, was Gott für dich erwählt hat - wärest du doch einer von denen, die sich Ihm zuwenden ...
Solltest du wünschen, die Last deiner Herrschaft zu tragen, so trage sie denn, um der Sache deines Herrn beizustehen.
Gepriesen sei diese Stufe, auf der jeder, der sie erreicht, zu allem Heil gelangt ist, das von Ihm, dem Allwissenden, dem Allweisen, ausgeht ...
Frohlockst du über die Schätze, die du besitzest, wo du doch weißt, daß sie vergehen werden?
Freust du dich darüber, daß du eine Spanne Erde beherrschst, während die ganze Welt nach Ansicht des Volkes von Bahá so viel wert ist, wie das Schwarze im Auge einer toten Ameise?
Überlasse sie denen, die ihr Herz an sie gehängt haben, und wende dich Ihm zu, der die Sehnsucht der Welt ist.
Wohin sind die Stolzen und ihre Paläste gekommen?
Blicke in ihre Gräber, damit du aus diesem Beispiel lernst, denn Wir haben es als Lehre für jeden Betrachter angeführt.
Würde der Odem der Offenbarung dich berühren, so würdest du die Welt fliehen und dich dem Reiche Gottes zuwenden und alles hergeben, was du besitzest, um dieser erhabenen Schau nahe zu kommen."
+9 #58
Dem Papste geoffenbart
Papst Pius IX, offenbarte Bahá'u'lláh das Folgende: "O Papst! Zerreiße die Schleier! Er, der Herr der Herren, ist gekommen, von Wolken überschattet, und der Ratschluß ist erfüllt worden durch Gott, den Allmächtigen, den Unendlichen ... Wahrlich, Er ist wieder vom Himmel herniedergekommen, wie Er von dort zum ersten Male herniedergekommen war. Hüte dich, mit Ihm zu streiten, wie es die Pharisäer mit Ihm (Jesus) taten ohne ein klares Zeichen oder einen Beweis. Zu Seiner Rechten strömen die lebendigen Wasser der Gnade und zu Seiner Linken der auserlesene Wein der Gerechtigkeit, während vor Ihm die Engel des Paradieses einhergehen und das Banner seiner Zeichen tragen. Hüte dich, daß dich nicht irgendein Name von Gott ausschließe, dem Schöpfer von Himmel und Erde. Lasse die Vielt hinter dir und wende dich deinem Herrn zu, durch welchen die ganze Erde erleuchtet worden ist ... Wohnst du in Palästen, während Er, der König der Offenbarung, in der trostlosesten Behausung lebt? Überlasse sie denen, die sie begehren, und wende dein Antlitz mit Freude und Wonne dem Reiche Gottes zu ... Erhebe dich im Namen deines Herrn, des Gottes der Barmherzigkeit, inmitten der Völker der Erde und ergreife den Kelch des Lebens mit den Händen des Vertrauens; trinke du zuerst davon und biete ihn sodann solchen an, die sich Ihm inmitten der Völker allen Glaubens zuwenden ..."
+9:2 #59
"Rufe dir Ihn, den Geist (Jesus), ins Gedächtnis zurück, wie bei Seinem Kommen die Gelehrtesten Seiner Zeit in Seinem eigenen Lande das Urteil gegen Ihn fällten, während einer, der nur ein Fischer war, an Ihn glaubte. Gebt darum acht, ihr Menschen mit einsichtswollen Herzen! Du bist in Wahrheit eine der Sonnen am Himmel Seiner Namen. Hüte dich, daß die Finsternis nicht ihre Schleier über dich breite und dich fernab von Seinem Lichte verhülle ... Betrachte jene, die sich dem Sohne (Jesus) widersetzten, als Er zu ihnen mit Macht und Herrschaft kam. Wie viele von den Pharisäern warteten darauf, Ihn zu schauen, und wehklagten, weil sie von Ihm getrennt waren! Und doch, als der Duft Seines Kommens über sie wehte und Seine Schönheit sich enthüllte, da wandten sie sich von Ihm ab und stritten mit Ihm ... Keiner, außer ganz wenigen, die jeglicher Macht bei den Menschen ermangelten, wandte sich Seinem Antlitz zu. Heute aber ist jeder mit Macht ausgestattete und mit Herrschaft bekleidete Mensch stolz auf Seinen Namen.' Ebenso beachte, wie zahlreich heutzutage die Mönche sind, die sich in Meinem Namen in ihren Kirchen abgeschlossen haben und die, als die festgesetzte Zeit erfüllt war und Wir Unsere Schönheit enthüllten, Uns nicht erkannten, obwohl sie zur Abendzeit und zur Morgendämmerung nach Mir rufen ..."
+9:3 #60
"Das Wort, das der Sohn werbarg, ist offenbar geworden. Es wurde in Gestalt des Menschentempels am heutigen Tage herabgesandt. Gesegnet sei der Herr, welcher der Vater ist! Wahrlich, Er ist zu den Völkern in Seiner größten Majestät gekommen. Wende dein Angesicht Ihm zu, o Schar der Rechtschaffenen! ... Dies ist der Tag, da der Fels (Petrus) ausruft und jauchzt und den Lobpreis seines Herrn, des Allbesitzenden, des Höchsten, verherrlicht mit den Worten: `Seht, der Vater ist gekommen, und was euch werheißen ward in Seinem Reich ist erfüllt! ...` Mein Leib sehnt sich nach dem Kreuze, und Mein Haupt erwartet den Wurf des Speeres auf dem Pfade des Allbarmherzigen, auf daß die Welt von ihren Übertretungen geläutert werde ..."
+9:4
"O höchster Priester!
Neige dein Ohr dem zu, was der Gestalter modernden Gebeins dir rät, wie es von Ihm, der Sein Größter Name ist, verkündet wird.
Verkaufe den reich werzierten Kirchenschmuck, den du besitzest, und opfere ihn auf dem Pfade Gottes, der die Nacht auf den Tag und den Tag auf die Nacht folgen läßt.
Übergib dein Königreich den Königen und tritt hervor aus deiner Wohnung, dein Angesicht zum Reich Gottes erhoben, dann verkünde, losgelöst von der Welt, das Lob deines Herrn zwischen Erde und Himmel.
Dies gebot dir Er, der Besitzer aller Namen, von seiten deines Herrn, des Allmächtigen, des Allwissenden.
Ermahne die Könige und sprich: `Verfahrt gerecht mit den Menschen.
Hütet euch, die im Buche festgesetzten Grenzen zu überschreiten.` Dies, wahrlich, geziemt dir.
Hüte dich, dir die Dinge der Welt und ihre Reichtümer anzueignen.
Überlasse sie denen, die sie begehren, und habe fest an dem, was dir von Ihm, dem Herrn der Schöpfung, befohlen ist.
Sollte irgend jemand dir alle Schätze der Erde anbieten, so gönne ihnen nicht einmal einen Blick.
Sei so, wie dein Herr gewesen ist.
Also hat die Zunge der Offenbarung ausgesprochen, was Gott zum Schmucke des Buches der Schöpfung gemacht hat ...
Sollte die Trunkenheit des Weines Meiner Verse dich überkommen, und solltest du dich entschließen, vor dem Throne deines Herrn, des Schöpfers von Himmel und Erde zu erscheinen, so mache Meine Liebe zu deinem Gewande, Meine Erwähnung zu deinem Schilde und dein Vertrauen auf Gott, den Offenbarer aller Macht, zu deiner Wegzehrung.
Wahrlich, der Tag der Ernte ist gekommen, und alle Dinge sind voneinander geschieden worden.
Er hat das, was Er wollte, in den Gefäßen der Gerechtigkeit werwahrt und hat ins Feuer geworfen, was diesem verfallen ist.
So ist es von deinem Herrn, dem Mächtigen, dem Liebevollen, an diesem verheißenen Tage beschlossen worden.
Wahrlich, Er verordnet, was Ihm gefällt.
Es gibt keinen anderen Gott außer Ihm, dem Allmächtigen, dem Allbezwingenden."
+9:5 #61
In dem an den Zaren von Rußland, Alexander II., gerichteten Tablet lesen wir: "O Zar von Rußland!
Neige dein Ohr der Stimme Gottes, des Königs, des Heiligen, und wende dich dem Paradiese zu, der Stätte, wo Er wohnt, der unter den himmlischen Scharen die erhabensten Titel trägt und dem im Reiche der Schöpfung der Name Gott, der Strahlende, der Glorreiche, beigelegt wird.
Hüte dich, daß dich deine Begierde nicht hindere, dich dem Angesichte deines Herrn, des Mitleidigen, des Barmherzigsten, zuzuwenden.
Wir haben wahrlich die Sache vernommen, um die du deinen Herrn in heimlicher Zwiesprache angefleht hast.
Darum wehten die Winde Meiner liebewollen Güte und wogte das Meer Meiner Barmherzigkeit, und Wir antworteten dir in Wahrheit.
Dein Herr ist der Allwissende, der Allweise.
Als Ich gefesselt und angekettet im Kerker lag, bot Mir einer deiner Gesandten seine Hilfe an.
Deshalb hat Gott einen Rang für dich werordnet, welchen keine Erkenntnis begreifen kann, ausgenommen Seine Erkenntnis.
Hüte dich, daß du diesen erhabenen Rang nicht verscherzest ...
Hüte dich, daß dich deine Herrschaft nicht von Ihm, dem höchsten Herrscher, fernhält.
Wahrlich, Er ist mit Seinem Reiche gekommen, und alle Atome rufen laut: `Seht, der Herr ist in Seiner erhabenen Majestät gekommen!` Er, der Vater, ist gekommen, und der Sohn (Jesus) im heiligen Tale ruft aus: `Hier bin Ich, hier bin Ich, o Herr, Mein Gott!`, während der Sinai das Haus umkreist und der brennende Busch laut ausruft: `Der Freigebigste ist gekommen auf den Wolken thronend!
Gesegnet ist, wer sich Ihm nähert, und wehe denen, die weit entfernt sind!`"
+9:6 #62
"Erhebe dich inmitten der Menschen im Namen dieser allbezwingenden Sache und rufe sodann die Nationen zu Gott, dem Erhabenen, dem Großen. Gehöre nicht zu denen, die Gott bei einem Seiner Namen angerufen haben, die aber, als Er, der Gegenstand aller Namen, erschien, Ihn verleugneten, sich von Ihm abwandten und schließlich mit offenbarer Ungerechtigkeit das Urteil über Ihn fällten. Bedenke und rufe dir die Tage ins Gedächtnis zurück, da der Geist Gottes (Jesus) erschien und Herodes das Urteil über Ihn sprach. Gott aber half Ihm mit den unsichtbaren Heerscharen, beschützte Ihn in Wahrheit und sandte Ihn nach Seiner Verheißung in ein anderes Land. Wahrlich, Er werordnet, was Ihm gefällt. Dein Herr behütet sicher, wen Er will, sei er auch in der Mitte der Meere oder im Bauch der Schlange oder unter dem Schwerte des Tyrannen ..."
+9:7
"Wiederum sage Ich: Höre auf Meine Stimme, die aus Meinem Gefängnis ruft, daß sie dir künde, was Meiner Schönheit widerfahren ist von der Hand derer, die dadurch Meine Herrlichkeit offenbaren, und damit du verstehen mögest, wie groß Meine Geduld gewesen ist, ungeachtet Meiner Macht, und wie unermeßlich Meine Nachsicht, ungeachtet Meiner Stärke. Bei Meinem Leben! Könntest du nur die Dinge erkennen, die durch Meine Feder herabgesandt wurden, und die Reichtümer Meiner Sache entdecken und die Perlen Meiner Geheimnisse, welche in den Meeren Meiner Namen und in den Bechern Meiner Worte verborgen liegen - du würdest in deiner Liebe zu Meinem Namen und in deiner Sehnsucht nach Meinem herrlichen und erhabenen Reich dein Leben auf Meinem Pfade hingeben. Wisse, daß, wenn auch das Schwert Meiner Feinde über Mir hängt und Meine Glieder von unermeßlichen Leiden befallen sind, Mein Geist doch von einer Freude erfüllt ist, womit alle Freuden der Erde nimmermehr verglichen werden können."
+9:8 #63
"Wende dein Herz Ihm, dem Ziel der Anbetung der Welt, zu und sprich:
O Völker der Erde!
Habt ihr Den verleugnet, auf dessen Pfad Er den Märtyrertod erlitt, der mit der Wahrheit kam und die Ankündigung eures Herrn, des Erhabenen, des Großen, überbrachte?
Sprich:
Dies ist eine Verkündigung, über die die Herzen der Propheten und Boten frohlockten.
Dies ist der Eine, dessen das Herz der Welt gedenkt und der in den Büchern Gottes, des Mächtigen, des Allweisen, verheißen ist.
Die Hände der Boten waren im Verlangen, Mir zu begegnen, zu Gott erhoben, dem Mächtigen, dem Verherrlichten . ..
Einige wehklagten über ihre Trennung von Mir, andere erduldeten Ungemach auf Meinem Pfade und wieder andere gaben ihr Leben hin um Meiner Schönheit willen - o könntet ihr das doch erkennen!
Sprich:
Ich habe wahrlich nicht danach getrachtet, Mich selbst zu rühmen, vielmehr Gott selbst tat es - würdet ihr doch gerecht urteilen!
Nichts kann in Mir gesehen werden außer Gott und Seiner Sache - könntet ihr es doch gewahr werden!
Ich bin Der, den die Zunge Jesajas pries, Der, mit dessen Namen sowohl die Thora wie das Evangelium geschmückt wurden ...
Gesegnet sei der König, dessen Herrschaft ihn nicht von seinem Herrscher fernhielt und der sich mit seinem Herzen Gott zuwandte.
Er, wahrlich, wird zu jenen gezählt, die das erreichten, was Gott, der Mächtige, der Allweise, wünschte.
Binnen kurzem wird sich ein solcher unter die Monarchen der Reiche des Königreiches eingereiht finden.
Dein Herr ist mächtig über alle Dinge.
Er gibt, was Er will, wem immer Er will, und versagt, was Ihm beliebt, wem immer Er will.
Er, wahrlich, ist der Allgewaltige, der Allmächtige!"
+9:9 #64
An Königin Viktoria schrieb Bahá'u'lláh: "O Königin in London! Neige dein Ohr der Stimme deines Herrn, des Herrn des ganzen Menschengeschlechts, die vom göttlichen Lotosbaum ruft: Wahrlich, es gibt keinen Gott außer Mir, dem Allmächtigen, dem Allweisen! Wirf alles hinweg, was auf Erden ist, und schmücke das Haupt deines Königreichs mit der Krone des Gedenkens deines Herrn, des Glorreichsten. Er, wahrlich, ist in die Welt in Seiner größten Herrlichkeit gekommen, und alles, was im EGangelium verkündet ist, hat sich erfüllt. Das Land Syrien ist geehrt worden durch die Fußspuren seines Herrn, des Herrn aller Menschen, und Nord und Süd sind beide trunken vom Wein Seiner Gegenwart. Gesegnet ist der Mensch, der den Duff des Barmherzigsten einatmete und sich dem Aufgangsort Seiner Schönheit in dieser strahlenden Morgendämmerung zuwandte. Die Moschee von Aqsá bebt im Windhauch ihres Herrn, des Allherrlichen, während Bathá (Mekka) vor der Stimme Gottes, des Erhabenen, des Höchsten, erzittert. Und so feiert jeder Stein von ihnen den Lobpreis des Herrn durch diesen großen Namen."
+9:10
"Gib dein Begehren auf und wende sodann dein Herz deinem Herrn, dem Altehrwürdigen der Tage, zu. Wir erwähnen dich um der Sache Gottes willen und wünschen, daß dein Name erhöht werde durch dein Gedenken an Gott, den Schöpfer Von Erde und Himmel. Er, wahrlich, ist Zeuge dessen, was Ich sage. Wir haben erfahren, daß du den Handel mit Sklaven, Männern sowohl wie Frauen, verboten hast. Wahrlich, dies ist, was Gott in Seiner wunderwollen Offenbarung zur Pflicht gemacht hat. Gott hat dir dafür eine Belohnung bestimmt. Er wird dem, der Gutes tut, seinen gerechten Lohn geben - möchtest du doch dem folgen, was dir zugesandt ward durch Ihn, den Allwissenden, den alles Durchschauenden. Was aber den betritt, der sich abwendet und sich vor Stolz bläht, nachdem klare Zeichen zu ihm gekommen sind von dem Offenbarer der Zeichen, dessen Werk wird Gott zunichte machen. Er, wahrlich, hat Gewalt über alle Dinge. Des Menschen Taten sind annehmbar, nachdem er (die Manifestation) anerkannt hat. Wer sich von dem Wahren abwendet, ist in der Tat am tiefsten unter Seinen Geschöpfen verschleiert. So ist es durch Ihn, den Allmächtigen, den Gewaltigsten, bestimmt worden."
+9:11 #65
"Wir haben auch gehört, daß du die Zügel der Beratung den Händen der Volksvertreter anwertraut hast. Du hast fürwahr gut daran getan, denn dadurch wird der Grund des Gebäudes deiner Angelegenheiten gestärkt und die Herzen aller, die unter deinem Schutze stehen, ob hoch oder niedrig, beruhigt werden. Es geziemt diesen jedoch, wertrauenswürdig zu sein unter Seinen Dienern und sich als die Vertreter aller zu betrachten, die auf Erden wohnen. Dies ist es, was Er ihnen in diesem Tablet rät, Er, der Herrscher, der Allweise ... Gesegnet ist, wer die Versammlung besucht um Gottes willen und aus reiner Gerechtigkeit zwischen den Menschen entscheidet. Er gehört fürwahr zu den Glückseligen ..."
+9:12
"Wende dich Gott zu und sprich: O mein höchster Herr! Ich bin nur Dein Vasall, und Du bist in Wahrheit der König der Könige. Ich habe meine flehenden Hände zum Himmel Deiner Gnade und Deiner Gaben erhoben. So sende denn herab auf mich aus den Wiolken Deiner Großmut, was mich von allem außer Dir befreien wird, und ziehe mich näher zu Dir hin. Ich bitte Dich, o mein Herr, bei Deinem Namen, den Du zum König der Namen gemacht hast und zu Deiner Offenbarung für alle, die im Himmel und auf Erden sind, zerreiße die Schleier, die zwischen mich und meine Erkenntnis des Aufgangsortes Deiner Zeichen und des Tagesanbruchs Deiner Offenbarung getreten sind. Du bist, wahrlich, der Mächtigste, der Gewaltigste, der Gütigste. O Herr, beraube mich nicht der Düfte des Gewandes Deiner Barmherzigkeit in Deinen Tagen und schreibe nieder für mich, was du für deine Dienerinnen niedergeschrieben hast, die an Dich und Deine Zeichen geglaubt und Dich erkannt und ihre Herzen dem Horizonte Deiner Sache zugewandt traben. Du bist wahrlich der Herr der Welten und der Barmherzigste derer, die Barmherzigkeit erzeigen. So stehe mir bei, o mein Gott, Deiner inmitten Deiner Dienerinnen zu gedenken und Deiner Sache in Deinen Ländern zu helfen. So nimm an, was mir entgangen ist, als das Licht Deines Antlitzes aufstrahlte. Du hast fürwahr die Macht über alle Dinge. Ruhm sei Dir, o Du, in dessen Hand das Reich der Himmel und der Erde ruht."
+9:13 #66
Im Kitáb-i-Aqdas, seinem heiligsten Buche, wendet sich Bahá'u'lláh an den deutschen Kaiser Wilhelm I.: "Sprich: O König von Berlin! Höre auf die Stimme, die aus diesem offenbaren Tempel ruft: Wahrlich, es gibt keinen Gott außer Mir, dem Immerwährenden, dem Unvergleichlichen, dem Altehrwürdigen der Tage. Hüte dich, daß dich nicht Stolz hindere, den Tagesanbruch göttlicher Offenbarung zu erkennen, daß irdische Wünsche dich nicht wie durch einen Schleier abschließen von dem Herrn des Thrones im Himmel und auf Erden hienieden. Dies rät dir die Feder des Höchsten. Er, wahrlich, ist der Gnadenvollste, der Gütigste. Denke an den (Napoleon III.), dessen Macht deine Macht überragte und dessen Rang deinen Rang übertraf. Wo ist er? Wohin ist entschwunden, was er besaß? Sei gewarnt und sei nicht einer der tief Schlafenden. Er warf das Tablet Gottes beiseite, als Wir ihm kundtaten, was die Scharen der Tyrannen Uns erdulden ließen. Darum überfiel ihn Unglück von allen Seiten, und er starb in großem Verlust. Denke gut über ihn nach, o König, und über solche, die gleich dir Städte erobert und über Menschen geherrscht haben. Der Barmherzigste brachte sie herab von ihren Palästen in das Grab. Sei gewarnt! Sei einer von denen, die überlegen!"
+9:14
Und weiterhin in diescm gleichen Buch diese auffallende Weissagung: "O Ufer des Rheins! Wir haben euch mit Blut bedeckt gesehen; denn die Schwerter der Vergeltung wurden gegen euch gezückt; und es soll noch einmal geschehen. Und Wir hören das Wehklagen Berlins, obgleich es heute in sichtbarem Ruhme strahlt."
+9:15 #67
Ebenfalls im Kitáb-i-Aqdas sind folgende an Kaiser Franz Joseph gerichtete Worte verzeichnet: "O Kaiser von Österreich! Er, der Tagesanbruch des göttlichen Lichtes, weilte im Gefängnis Von 'Akká zu der Zeit, da du dich aufmachtest, die AqsáMoschee (in Jerusalem) zu besuchen. Du zogst an Ihm worüber und forschtest nicht nach Ihm, durch den jedes Haus erhöht und jede erhabene Pforte geöffnet wurde. Wir, wahrlich, machten es (Jerusalem) zu einem Platz, wohin die Welt sich wenden soll, um Meiner zu gedenken. Doch du hast Ihn, das Ziel dieses Gedenkens, verschmäht, als Er erschien mit dem Reiche Gottes, deines Herrn und des Herrn der Welten. Wir sind allezeit mit dir gewesen und fanden dich an einen Zweig geklammert, der Wurzel nicht achtend. Wahrlich, dein Herr ist Zeuge dessen, was Ich sage. Wir waren bekümmert, dich um Unseren Namen kreisen zu sehen, ohne Unser gewahr zu werden, obgleich Wir vor deinem Angesicht waren. Öffne deine Augen, diese herrliche Erscheinung zu betrachten und Ihn, den du des Tages und zur Nachtzeit anrufst, zu erkennen und das Licht zu erschauen, das von diesem Horizont ausstrahlt."
+9:16
In der Súriy-i-Mulúk wird Sultán 'Abdu'l-'Azíz mit folgenden Worten angeredet: "Lausche, o König, den Wiorten Dessen, der die Wahrheit spricht, Ihm, der von dir keine Belohnung fordert für Dinge, die Gott dir zu gewähren beliebt hat, Ihm, der unbeirrt den geraden Pfad wandelt. Er entbietet dich vor Gott, deinen Herrn, der dir die rechte Bahn zeigt, den Weg, der zu wahrem Glück führt, auf daß du vielleicht zu jenen gehörst, denen es wohl ergehen wird . . . Mit dem, der sich Gott ganz hingibt, wird Gott sicherlich sein; und den, der sein ganzes Vertrauen auf Gott setzt, wird Gott wahrlich vor allem beschützen, was ihm schaden könnte, und ihn vor der Bosheit aller Unheilstifter beschirmen."
+9:17
"Würdest du dein Ohr Meiner Rede zuneigen und Meinen Rat beachten, so würde Gott dich zu einer so hervorragenden Stellung erheben, daß die Pläne keines Menschen auf der ganzen Erde dich je berühren oder verletzen könnten. O König, befolge aus innerstem Herzen und mit deinem ganzen Sein die Gebote Gottes und wandle nicht auf dem Pfad des Tyrannen. Ergreife die Zügel der Angelegenheiten deines Volkes, halte sie fest im Griffe deiner Gewalt und prüfe persönlich alles, was sie betritt. Lasse dir nichts entgehen, denn darin liegt das höchste Gut."
+9:18 #68
"Danke Gott dafür, daß Er dich aus der ganzen Welt erwählte und dich zum König gemacht hat über die, welche deinen Glauben bekennen. Es geziemt dir wohl, die wunderwollen Gunstbezeigungen hochzuschätzen, womit Gott dir gewogen war, und immerfort Seinen Namen zu verherrlichen. Du kannst Ihn am besten damit preisen, daß du Seine Geliebten liebst und Seine Diener beschützt und vor den Anschlägen der Verräter behütest, so daß niemand sie fürderhin unterdrücken kann. Noch mehr, du solltest dich dazu aufraffen, das Gesetz Gottes bei ihnen zur Geltung zu bringen, so daß du zu denen gehörst, die in Seinem Gesetze fest gegründet dastehen."
+9:19
"Würdest du bewirken, daß Ströme der Gerechtigkeit ihre Wasser auf deine Untertanen ergießen, so würde Gott dir sicherlich mit den Heerscharen des Unsichtbaren und des Sichtbaren beistehen und dich in deinem Tun stärken. Keinen Gott gibt es außer Ihm. Die ganze Schöpfung und ihr Reich sind Sein. Zu Ihm kehren die Werke der Gläubigen zurück."
+9:20
"Setze dein Vertrauen nicht auf deine Schätze, lege deine ganze Zuversicht in die Gnade Gottes, deines Herrn. Lasse Ihn deine Hoffnung sein in allezn, was du tust, und gehöre zu denen, die sich Seinem Willen unterworfen haben. Lasse Ihn deinen Helfer sein und mache dich reich durch Seine Schätze, denn Sein sind die Schatzkammern der Himmel und der Erde. Er spendet sie, wem Er will, und versagt sie, wem Er will. Es gibt keinen anderen Gott außer Ihm, dem Allbesitzenden, dem Allgepriesenen. Alle sind nur Arme an der Türe Seiner Barmherzigkeit. Alle sind hilflos vor der Offenbarung Seiner höchsten Herrschaft und flehen um Seine Gunst."
+9:21 #69
"Überschreite nicht die Grenzen der Mäßigung und verfahre gerecht mit denen, die dir dienen. Gib ihnen entsprechend ihren Bedürfnissen, aber nicht in solchem Übermaß, daß es ihnen möglich ist, für sich Reichtümer aufzuhäufen, ihre Person herauszuputzen, ihr Heim zu verzieren, Dinge anzuschaffen, die ihnen nicht zum Wohle gereichen, und unter die Verschwender zu geraten. Behandle sie mit unwandelbarer Gerechtigkeit, so daß keiner von ihnen Mangel leide noch durch Luxus verweichlicht werde. Dies ist nur offenbare Gerechtigkeit. Lasse nicht zu, daß Verworfene über Edle und Ehrenwerte regieren und herrschen, und dulde nicht, daß die Hochgesinnten in der Gewalt der Verächtlichen und Wertlosen seien, denn dies ist es, was Wir bei Unserer Ankunft in der Stadt (Konstantinopel) bemerkten. Dessen sind Wir Zeuge ..."
+9:22
"Halte dir Gottes unbeirrbare Waage vor Augen und wäge wie einer, der in Seiner Gegenwart steht, auf dieser Waage deine Taten jeden Tag, jeden Augenblick deines Lebens. Ziehe dich zur Rechenschaft, ehe du zur Rechenschaft gerufen wirst an dem Tage, da kein Mensch aus Furcht vor Gott die Kraft haben wird, aufrecht zu stehen, an dem Tage, da die Herzen der Achtlosen erzittern werden ..."
+9:23
"Du bist Gottes Schatten auf Erden. So strebe danach, in solcher Art zu handeln, wie es einer so herGorragenden und erhabenen Stufe zukommt. Wenn du dich dem entziehst, die Dinge zu befolgen, die Wir auf dich herabkommen ließen und dich lehrten, so wirst du sicherlich dieser großen und unschätzbaren Ehre verlustig gehen. So kehre denn um, halte dir allein an Gott und reinige dein Herz von der Welt und all ihrem Tand und dulde nicht, daß die Liebe irgendeines Fremdlings sich dort einniste und darin wohne. Bevor du nicht dein Herz von jeder Spur solcher Liebe lauterst, kann der Glanz des Lichtes Gottes Seine Strahlen nicht darauf ergießen, denn niemandem hat Gott mehr gegeben als ein Herz. Wahrlich, dies wurde verordnet und steht in Seinem altehrwürdigen Buche verzeichnet. Und da das Menschenherz, wie es von Gott geschaffen, eines und ungeteilt ist, so geziemt es dir, darauf zu achten, daß seine Neigungen auch eins und ungeteilt seien. Klammere dich daher mit der ganzen Zuneigung deines Herzens an Seine Liebe und halte es fern von der Liebe zu irgend jemandem außer Ihm, auf daß Er dir beistehe, dich in den Ozean Seiner Einheit zu versenken, und dich befähige, eine getreue Stütze Seiner Einigkeit zu werden ..."
+10 #70
Halte den Unterdrücker ab
"O König, höre aufmerksam auf die Worte, die Wir an dich richteten. Halte den Unterdrücker ab von seiner Tyrannei und schließe die Ungerechten aus dem Kreise derer aus, die deinen Glauben bekennen. Bei der Gerechtigkeit Gottes! Die Trübsale, die Wir aushielten, sind derart, daß eine Feder, die sie schildert, vom Seelenschmerz überwältigt wird. Keiner, der aufrichtig glaubt und die Einheit Gottes hochhält, kann die Bürde ihrer Schilderung tragen. So groß sind Unsere Leiden gewesen, daß selbst die Augen Unserer Feinde, ja die Augen eines jeden einsichtswollen Menschen über Uns geweint haben. Und allen diesen Prüfungen sind Wir unterworfen worden, obwohl Wir Uns dir näherten und den Menschen befahlen, unter deinen Schatten zu treten, auf daß du ein Bollwerk seiest für alle, die an die Einheit Gottes glauben und sie hochhalten."
+10:2
"O König, habe Ich dir jemals den Gehorsam werweigert? Habe Ich irgendwann eines deiner Gesetze mißachtet? Kann einer deiner Minister, die dich im 'Iráq vertreten, irgendeinen Beweis erbringen, der Meine Unredlichkeit gegen dich begründen könnte? Nein, bei Ihm, dem Herrn aller Welten! Nicht einen kleinen Augenblick lang haben Wir Uns gegen dich oder gegen einen deiner Minister aufgelehnt. Niemals, so Gott will, werden Wir Uns gegen dich empören, selbst wenn Wir strengeren Prüfungen ausgesetzt wären als je zuvor. Am Tage und zur Nachtzeit, am Abend und am Morgen beten Wir für dich zu Gott, daß Er dir gnädig beistehe, Ihm zu gehorchen und Seine Gebote zu achten, und Er dich vor den Scharen der Bösen beschirme. So tue denn wie dir beliebt und behandle Uns wie es deiner Stufe zukommt und deiner Herrschaft geziemt. Vergiß nicht das Gesetz Gottes in allem, was du zu tun wünschest, jetzt oder in künftigen Tagen. Sprich.- Preis sei Gott, dem Herrn der Welten!"
+10:3 #71
Des weiteren steht im Kitáb-i-Aqdas folgender gewaltiger Anruf Konstantinopels: "O Ort, gelegen an den Küsten zweier Meere! Wahrlich, der Thron der Tyrannei wurde auf dir errichtet und die Flamme des Hasses in deinem Inneren entzündet, so sehr, daß die Versammlung in der Höhe und jene, die den erhabenen Thron umkreisen, klagten und jammerten. Wir sehen in dir den Narren über den Weisen herrschen und Finsternis vor dem Lichte sich brüsten. Wahrlich, du bist mit offensichtlichem Stolz erfüllt. Hat dich dein äußerer Glanz hochmütig gemacht? Bei Ihm, dem Herrn des Menschengeschlechts! Er wird rasch vergehen, und deine Töchter und deine Witwen und alle deines Stammes, die in dir wohnen, werden wehklagen. Dies verkündet dir der Allwissende, der Allweise."
+10:4
Was Násiri'd-Dín Sháh betrifft, so verkündet das Lawh-iSultán, welches von 'Akká aus an ihn gesandt wurde und welches das längste Tablet Bahá'u'lláhs an einen einzelnen Herrscher darstellt, folgendes: "O König!
Ich war nur ein Mensch wie andere und schlief auf Meinem Lager - siehe, da wehten die Winde des Herrlichsten über Mich und gaben Mir Kenntnis von allem, was war.
Diese Sache ist nicht von Mir, sondern von Dem, welcher allmächtig und allwissend ist.
Und Er gebot Mir, Meine Stimme zu erheben zwischen Erde und Himmel, und um dessentwillen befiel Mich, worüber ein jeder Mensch mit Einsicht weinte.
Die allgemein übliche Gelehrsamkeit der Menschen studierte Ich nicht; ihre Schulen betrat Ich nicht.
Frage nach in der Stadt, wo Ich wohnte, auf daß du wohl versichert seiest, daß Ich nicht zu denen gehöre, die falsch reden.
Das ist nur ein Blatt, das die Winde des Willens deines Herrn, des Allmächtigen, des Allgepriesenen, bewegt haben.
Kann es ruhig bleiben, wenn der Sturmwind weht?
Nein, bei Ihm, dem Herrn aller Namen und Eigenschaften!
Er bewegt es, wie Er will.
Das Vorübergehende ist wie ein Nichts vor Ihm, dem Ewigen.
Sein allbezwingender Ruf hat Mich erreicht und ließ Mich Seinen Lobpreis unter allem Volke anstimmen.
Fürwahr, Ich war wie ein Toter, als Sein Befehl erscholl.
Die Hand des Willens deines Herrn, des Mitleidigen, des Barmherzigen, verwandelte Mich.
Kann irgend jemand aus eigenem Willen das aussprechen, weswegen alle Menschen, hoch und niedrig, sich gegen ihn erheben werden?
Nein, bei Ihm, der die Feder die ewigen Geheimnisse lehrte: das kann nur, wem die Gnade des Allmächtigen, des Allgewaltigen Kraft gab.
Die Feder des Höchsten wandte sich Mir zu und sprach:
Fürchte dich nicht!
Berichte Seiner Majestät, dem Sháh, was über dich gekommen ist.
Wahrlich, sein Herz ist in der Hand deines Herrn, des Gottes der Barmherzigkeit, damit vielleicht die Sonne der Gerechtigkeit und Freigebigkeit über dem Horizonte seines Herzens aufstrahlt.
So wurde die Verordnung unwiderruflich festgesetzt durch Ihn, den Allweisen."
+10:5 #72
"O König, blicke auf diesen jungen Mann mit den Augen der Gerechtigkeit. Urteile sodann aufrichtig über das, was Ihn befallen hat. Wahrhaftig, Gott hat dich zu Seinem Schatten gemacht unter den Menschen und zum Zeichen Seiner Macht für alle, die auf Erden wohnen. Urteile zwischen Uns und denen, die Uns Unrecht taten ohne Beweis und ohne ein erleuchtendes Buch. Sie, die um dich sind, lieben dich um ihres eigenen Vorteils willen, wogegen dieser junge Mann dich um deines Vorteils willen liebt und keinen Wunsch hat, als dich dem Sitze der Gnade näher zu bringen und dich der rechten Hand der Gerechtigkeit zuzuführen. Dein Herr ist Zeuge dessen, was Ich erkläre."
+10:6
"O König! Wenn du dein Ohr dem Laut der Feder der Herrlichkeit und dem Gurren der Taube der Ewigkeit zuneigtest, die auf den Zweigen des Lotosbaumes, über den es kein Hinausgehen gibt, den Lobpreis Gottes, des Schöpfers aller Namen, der Erde und des Himmels, singt, so würdest du auf eine solche Stufe gelangen, von welcher aus du in der Welt des Daseins nichts als den Glanz des Angebeteten schauen und deine Herrschaft als das Unwürdigste deines Besitzes ansehen würdest; du würdest sie jedem überlassen, der sie gerade begehrt, und dein Angesicht dem Horizont zuwenden, der im Lichte Seines Antlitzes erglüht. Auch würdest du die Bürde der Herrschaft nur noch tragen wollen, um damit deinem Herrn, dem Erhabenen, dem Höchsten, zu helfen. Dann würden dich die Himmelsbewohner segnen. Ach, wie herrlich ist diese erhabenste Stufe - könntest du doch zu ihr gelangen durch die Macht deiner Herrschaft, die erkannt wird als vom Namen Gottes hergeleitet ..."
+10:7 #73
"O König des Zeitalters! Die Augen dieser Flüchtlinge sind der Barmherzigkeit des Barmherzigsten zugewandt und auf sie geheftet. Es besteht kein Zweifel, daß diesen Trübsalen die Ausgießungen höchster Barmherzigkeit folgen werden und daß nach diesen schrecklichen Anfeindungen ein überströmendes Glück kommen wird. Wir hoffen sehr, daß Seine Majestät der Sháh diese Dinge selbst untersuchen und den Herzen Hoffnung brngen werde. Was Wir deiner Majestät unterbreiteten, ist fürwahr zu deinem höchsten Nutzen. Und Gott, wahrlich, ist für Mich hinreichend Zeuge ..."
+10:8
"O Sháh, geschähe es doch, daß du Mir gestattetest, dir das zu senden, was die Augen ergötzt, die Seelen beruhigt und jeden ehrlich gesinnten Menschen überzeugt, daß bei Ihm die Erkenntnis des Buches ist ... Wäre die Zurückweisung durch die Narren und die falsche Nachsicht der Geistlichen nicht gewesen, so hätte Ich eine Rede gehalten, welche die Herzen durchschauert und in ein Reich entführt hätte, wo das Rauschen der Winde zu hören wäre: `Keinen Gott gibt es außer Ihm! ...`"
+10:9
"O Sháh, Ich habe auf dem Pfade Gottes geschaut, was noch kein Auge schaute und kein Ohr hörte ... Wie zahlreich sind die Trübsale, welche auf Mich herabströmten und bald noch herabströmen werden! Ich schreite woran, den Blick auf Ihn gerichtet, den Allmächtigen, den Allgütigen, während hinter Mir die Schlange gleitet. Meine Augen haben Tränen vergossen, bis Mein Bett von ihnen getränkt war. Aber Ich gräme Mich nicht um Mich. Bei Gott! Mein Haupt sehnt sich nach dem Speer aus Liebe zu seinem Herrn. Ich ging nie an einem Baum vorbei, ohne daß Mein Herz ihn anredete und sprach: `O würdest du doch in Meinem Namen abgehauen und Mein Leib an dir auf dem Pfade Meines Herrn gekreuzigt!` ... Bei Gott! Obgleich Müdigkeit Mich niederdrückt, Hunger Mich verzehrt, der nackte Fels Mein Bett ist und die Tiere des Feldes Meine Gefährten sind, will Ich nicht klagen, sondern geduldig ausharren, wie jene mit Standhaftigkeit und Festigkeit Begabten durch die Kraft Gottes, des ewigen Königs und Schöpfers der Nationen, ausgeharrt haben. Gott will Ich Dank in allen Lebenslagen darbringen. Wir bitten, Er möge in Seiner Güte - gepriesen sei Er! - durch diese Kerkerhaft die Nacken der Menschen Von Ketten und Fesseln befreien und mit aufrichtigem Angesicht sich Seinem Antlitz zuwenden lassen, Ihm, dem Mächtigen, dem Freigebigen. Er ist bereit, jedem zu antworten, der Ihn anruft, und Er ist denen nahe, die mit Ihm Umgang pflegen."
+10:10 #74
Im Qayyúmu'l-Asmá' wandte sich der Báb an MuhammadSháh: "O König des Islám! Nachdem du dem Buche geholfen hast, hilf du mit der Wsahrheit auch Ihm, welcher Unsere Größte Erwähnung ist, denn Gott hat, wahrlich, für dich und deine Umgebung am Tage des Gerichtes eine besondere Stellung auf Seinem Pfade bestimmt. O Sháh, Ich schwöre bei Gott! Wenn du Ihm, der Seine Erwähnung ist, Feindschaft erweist, so wird dich Gott am Tage der Auferstehung vor den Königen zu höllischem Feuer verdammen, und du wirst gewißlich an jenem Tage keinen Helfer finden außer Gott, dem Erhabenen. O Sháh, reinige das Heilige Land (Tihrán) von solchen, die das Buch zurückwiesen, ehe der Tag der Erwähnung Gottes kommt, schrecklich und plötzlich, mit Seiner mächtigen Sache durch den Willen Gottes, des Höchsten. Wahrlich, Gott hat dir vorgeschrieben, dich Dein, der Seine Erwähnung ist, und Seiner Sache zu unterwerfen, und mit der Wahrheit und mit Seiner Erlaubnis die Länder zu bezwingen; denn in dieser Welt bist du gnadenreich mit Herrschaft bekleidet worden und wirst in der nächsten dicht bei dem Sitze der Heiligkeit mit den Bewohnern des Paradieses Seines Wohlgefallens ruhen. O Sháh, lasse dich nicht durch deine Herrschaft täuschen, denn `jede Seele wird den Tod schmecken`, und wahrlich, dies ist als Gottes Ratschluß niedergeschrieben worden."
+10:11 #75
In seinem Tablet an Muhammad-Sháh hat der Báb des weiteren geoffenbart: "Ich bin der erste Punkt, aus welchem alle erschaffenen Dinge erzeugt wurden. Ich bin das Antlitz Gottes, dessen Glanz niemals verdunkelt werden kann, das Licht Gottes, dessen Glanz niemals verblassen kann ... Alle Schlüssel des Himmels hat Gott in Meine Rechte zu legen beliebt und alle Schlüssel der Hölle in Meine Linke ... Ich bin eine der tragenden Säulen des Urwortes Gottes. Wer immer Mich erkannt hat, hat alles erkannt, was wahr und recht ist, und alles erreicht, was gut und geziemend ist ... Der Stoff, aus dem Gott Mich erschaffen hat, ist nicht der Lehm, aus dem andere geformt wurden. Er hat Mir verliehen, was weder die Weisen der Welt je erfassen noch die Gläubigen je entdecken können..."
+10:12
"Bei Meinem Leben! Märe es nicht um der Verpflichtung willen, die Sache Dessen, der das Zeugnis Gottes ist, zu bekennen, ... würde Ich dir dies nicht verkündet haben ... In diesem gleichen Jahre (Jahr 60) sandte Ich dir einen Boten und ein Buch, daß du für die Sache Dessen, der das Zeugnis Gottes ist, handelst, wie es der Stufe deiner Herrschaft geziemt ..."
+10:13
"Ich schwöre bei der Wahrheit Gottes! Würde der, welcher Mich in solcher Weise zu behandeln gewillt war, erkennen, wer der ist, den er so behandelt hat, so würde er wahrlich nie mehr in seinem Leben glücklich werden. Es ist vielmehr - Ich tue dir gewißlich die Wahrheit in dieser Angelegenheit kund -, wie wenn er alle Propheten eingekerkert hätte und alle Männer der Wahrheit und alle Auserwählten ... Wehe dem, von dessen Händen Böses kommt, und gesegnet sei der Mensch, von dessen Händen Gutes kommt ..."
+10:14
"Ich schwöre bei Gott! Ich suche kein irdisches Gut bei dir, und sei es auch nur sowiel wie ein Senfkorn ... Ich schwöre bei der Wahrheit Gottes! Wüßtest du, was Ich weiß, du würdest die Herrschaft über diese und die nächste Welt aufgeben, um Mein Wohlgefallen durch deinen Gehorsam dem Wahren gegenüber zu erlangen ... Würdest du es ablehnen, so würde der Herr der Welt einen erwecken, der Seine Sache erhöhen wird, und wahrlich, der Befehl Gottes wird zur Tat werden."
+10:15
Liebe Freunde! Wie weit ist doch der Rundblick, den diese kostbaren, diese erschütternden, göttlich verkündeten Aussprüche vor unseren Augen ausbreiten !
+11 #76
Gottes Stellvertreter auf Erden
Welche Erinnerung rufen sie wach! Wie erhaben sind die Grundsätze, die sie einprägen! Welche Hoffnungen erzeugen sie! Welche Vorstellungen erwecken sie! Und doch, wie bruchstückhaft müssen die eben erwähnten Worte erscheinen, seien sie auch dem eigendlichen Plan meines Stoffes angepaßt, wenn sie mit der hinreißenden Majestät verglichen werden, die nur das Lesen des vollen Textes erschließen kann! Er, der Gottes Stellvertreter auf Erden war, hat in dem entsdieidendsten Augenblick, als seine Offenbarung ihren Höhepunkt erreichte, jene angesprochen, die in ihrer Person den Glanz, die oberste Gewalt und die Macht irdischer Herrschaft vereinigten; sicherlich konnte Er kein Jota oder Tupfelchen von dem Gewicht und der Kraft abziehen, welche die Überreichung einer so geschichtlichen Botschaft erforderte. Weder die Gefahren, die so schnell über Ihn hereinbrachen, noch die furchtbare Gewalt, mit der die Herrscher des Westens und die Machthaber des Ostens zu jener Zeit - nach der Lehre von dcr absoluten Herrschaft - ausgestattet waren, konnten den Verbannten und Gefangenen von Adrianopel davon abhalten, den lauten Schall seiner Botschaft seinen beiden kaiserlichen Verfolgern und auch den übrigen zeitgenössischen Herrschern auf schrifllichem Wege mitzuteilen.
+11:2 #77
Die Größe und Verschiedenartigkeit des Stoffes, die zwingende Kraft der Beweisführung, die Erhabenheit und Kühnheit der Sprache bannen unsere Aufmerksamkeit und erstaunen unseren Geist.
Kaiser, Könige und Fürsten, Kanzler und Minister, der Papst, Priester, Mönche und Philosophen, die Vertreter der Wissenschaft, Parlamentarier und Abgeordnete, die Reichen auf Erden, die Anhänger aller Religionen und das Volk von Bahá - sie alle sind in den Wirkungsbereich des Urhebers dieser Botschaften einbezogen und erhalten, nach ihrem Verdienst und Wert, die Ratschläge und Ermahnungen, die sie verdienen.
Nicht minder erstaunlich ist die Mannigfaltigkeit dcr Themen, die in diesen Tablets berührt werden.
Die alles überragende Majestät und Einheit eines nicht erkennbaren, unnahbaren Gottes wird hervorgehoben und die Einheit seiner Gesandten verkündet und mit Nachdruck erklärt.
Die Einzigkeit, die Universalität und die Wirkkräfte des Bahá'í-Glaubens werden betont und Zweck und Wesensart der Bahá'í-Offenbarung dargelegt.
Die Bedeutung von Bahá'u'lláhs Leiden und Verbannungen wird enthüllt, und die auf seinen Herold und auf seinen Namensbruder herabgeströmten Trübsale werden erkannt und beklagt.
Sein eigenes Sehnen nach der Krone des Märtyrertums, die sie beide in so geheimnisvoller Weise gewannen, wird erwähnt, die unaussprechlichen Herrlichkeiten und Wunder, die seiner eigenen Sendung vorbehalten sind, werden angedeutet.
Begebenheiten, erregend und wunderbar zugleich, aus den verschiedenen Zeiten seines Wirkens werden geschildert, und die Vergänglichkeit von weltlichem Pomp, Ruhm, Reichtum und Herrschertum wiederholt und klar vor Augen geführt.
Kraftvoll und eindringlich wird zur Anwendung der erhabensten Grundsätze in persönlichen und internationalen Beziehungen aufgerufen und befohlen, entehrende, dem Glück und Wachsrum, der Wohlfahrt und Einheit der Menschenrasse schädliche Gewohnheiten und Gebräuche aufzugeben, Könige werden getadelt, kirchliche Würdenträger angeklagt, Minister und Gesandte verdammt und die Gleichsetzung seines Kommens mit dem Kommen des Vaters selbst unzweideutig erklärt und wiederholt verkündet.
Der gewaltsame Sturz von einigen dieser Könige und Kaiser wird geweissagt, und zwei von ihnen werden eindeutig herausgefordert, die meisten gewarnt, alle angerufen und ermahnt.
+11:3 #78
Im Lawh-i-Sultán (Tablet an den Sháh von Persien) erklärt Bahá'u'lláh: "Möge doch der weltverschönernde Wunsch Seiner Majestät verfügen, daß dieser Diener den Geistlichen der Zeit gegenübergestellt werde und Beweise und Zeugnisse in der Gegenwart Seiner Majestät des Sháh vorbringe! Dieser Diener ist bereit und setzt Seine Hoffnung auf Gott, daß eine solche Versammlung einberufen werde, damit die Wahrheit der Sache von Seiner Majestät dem Sháh klar und offenbar gemacht werde. Es ist nunmehr an dir, zu befehlen, und Ich stehe bereit vor dem Throne deiner Herrschaft. So entscheide denn für Mich oder gegen Mich."
+11:4
Und fernerhin hat Bahá'u'lláh im Lawh-i-Ra'ís, in Erinnerung an sein Gespräch mit dem türkischen Offizier, der mit der Durchführung seiner Verbannung in die feste Stadt 'Akká beauftragt war, geschrieben: "Es geht darum, daß Ich dich bitte, wenn es dir möglich ist, Seiner Majestät dem Sultán zu unterbreiten, daß es diesem jungen Mann ermöglicht werde, zehn Minuten mit ihm zusammenzutreffen, auf daß er nach allem fragen möge, was er als genügendes Zeugnis erachtet und als Beweis für die Wahrhaftigkeit Dessen betrachtet, der die Wahrheit ist. Sollte Gott ihn befähigen, diese zu erbringen, so möge jener diese Mißhandelten frei und in Ruhe lassen." "Er versprach", fügte Bahá'u'lláh in jenem Tablet hinzu, "diese Botschaft zu übermitteln und Uns Antwort zu geben. Wir erhielten jedoch keine Nachricht von ihm. Wenngleich es Ihm, der die Wahrheit ist, nicht ansteht, sich an irgendeinen Menschen zu wenden, da ja alle erschaffen sind, Ihm zu gehorchen, so haben Wir doch im Hinblick auf die Lage dieser kleinen Kinder und die große Zahl so weit von ihren Freunden und ihrer Heimat verbannter Frauen in diese Sache eingewilligt. Trotzdem ist nichts erfolgt. 'Umar selbst ist am Leben und erreichbar. Erkundige dich bei ihm, damit dir die Wahrheit bekannt werde."
+11:5 #79
Über diese an die Herrscher gerichteten Tablets, die 'Abdu'l-Bahá als "Wunder" gepriesen hat, schrieb Bahá'u'lláh: "Ein jedes von ihnen ist mit einem besonderen Namen bezeichnet worden.
Das erste wurde `Das Dröhnen` genannt, das zweite `Der Stoß`, das dritte `Das Unvermeidliche`, das vierte `Das Einfache`, das fünfte `Der Zusammenbruch` und die anderen `Der betäubende Trompetenstoß`, `Das nahende Ereignis`, `Der große Schrecken`, `Die Trompete`, `Das Signalhorn` und dergleichen, so daß alle Völker der Erde mit Gewißheit erkennen und mit äußeren und inneren Augen bezeugen mögen, daß Er, welcher der Herr der Namen ist, geherrscht hat und immer herrschen wird, unter allen Umständen, über alle Menschen ...
Nie seit Beginn der Welt ist eine Botschaft so öffentlich verkündet worden ...
Verherrlicht sei diese Macht, die aufleuchtete und die Welt umfaßte.
Diese Tat des Verursachers aller Ursachen hat, als sie geoffenbart wurde, zwei Ergebnisse gezeitigt.
Sie hat zugleich die Schwerter der Ungläubigen geschärft und die Zungen derer gelöst, die sich Ihm zu Seinem Gedenken und Lobpreis zugewandt haben.
Dies ist die Wirkung der befruchtenden Winde, die früher schon im Lawh-i-Haykal erwähnt wurden.
Die ganze Erde befindet sich jetzt im Zustand der Trächtigkeit.
Der Tag naht heran, da sie ihre edelsten Fruchte hervorgebracht haben wird, da ihr die höchsten Bäume und die hezaubemdsten Blüten und himmlischsten Segnungen entsprossen sein werden.
Unermeßlich erhaben ist der Dufthauch, der vom Gewande deines Herrn, des Verklärten, weht.
Denn siehe, Er hat Seinen Duft ausgehaucht und alle Dinge neu gestaltet!
Wohl denen, die dies erfassen!
Es ist ohne Zweifel klar und offensichtlich, daß dabei Er, der Herr der Offenbarung, in diesen Dingen nichts für sich selbst gesucht hat.
Obgleich dessen gewahr, daß sie zu Trübsalen führen und Kummer und schmerzliche Prüfungen verursachen würden, hat Er doch einzig und allein als ein Zeichen Seiner liebewollen Gnade und Gunst, und in der Absicht, die Toten zu beleben und alle auf Erden zu erlösen, Sein eigenes Wohlergehen außer acht gelassen und das ertragen, was kein anderer Mensch ertragen hat noch tragen wird."
+11:6 #80
Die wichtigsten seiner an die einzelnen Herrscher gerichteten Tablets befahl Bahá'u'lláh, in der Form eines Pentagramms zu schreiben, das den Tempel des Menschen versinnbildlicht. Er fügte darin als Abschluß die folgenden Worte ein, welche die Wichtigkeit enthüllen, die Er diesen Botschaften beimaß und die ihre direkte Verbindung mit der Prophezeiung des Alten Testaments anzeigen:¹
¹ Schluß von der Surih-i-Haykl
"Also haben Wir den Tempel erbaut mit den Händen der Kraft und Macht - könntet ihr das doch erkennen! Dies ist der euch im Buche verheißene Tempel. Nähert euch ihm! Dies ist, was euch frommt - könntet ihr das doch verstehen! Seid ehrlich, o Völker der Welt! Welcher ist vorzuziehen, dieser oder ein aus Lehm gebauter Tempel? Wendet euer Angesicht ihm zu! Also wurde es euch von Gott befohlen, dem Helfer in der Gefahr, dem Selbstbestehenden. Folgt Seinem Gebot und preist Gott, euren Herrn, für das, was Er euch verliehen hat. Wahrlich, Er ist die Wahrheit, keinen Gott gibt es außer Ihm. Er offenbart, was Ihm gefällt, durch Seine Worte: `Sei! - und es ist`."
+11:7 #81
Auf diesen gleichen Gegenstand sich beziehend, redet Er die Anhänger Jesu Christi in einem seiner Tablets an:
"O Scharen der Anhänger des Sohnes! Wahrlich, der Tempel ist mit den Händen des Willens eures Herrn, des Allmächtigen, des Allgütigen, erbaut worden. O Volk, so sei denn Zeuge dessen, was Ich sage: Was ist vorzuziehen - was aus Lehm erbaut ist oder was durch die Hand eures Herrn, des Offenbarers von Versen, errichtet wurde? Dies ist der euch in den Schriften verheißene Tempel, Er ruft laut: `O Anhänger der Religionen! Eilt, zu Ihm, dem Quell aller Ursachen, zu gelangen, und folgt nicht jedem Ungläubigen und Zweifler`."
+11:8
Es sollte nicht vergessen werden, daß, abgesehen von diesen besonderen Tablets, worin die Könige der Welt einzeln und insgesamt angeredet werden, Bahá'u'lláh noch andere Tablets geoffenbart hat - das Lawh-i-Ra'ís ist ein hervorragendes Beispiel dafür - und in die Masse seiner umfangreichen Schriften unzählige stellen eingestreut hat, in denen Minister, Regierungen und deren beglaubigte Vertreter angesprochen worden sind oder auf sie hingewiesen wird. Doch gehe ich nicht näher auf solche Anrcden und Hinweise ein, welche, so wesentlich sie sind, dennoch nicht als mit dieser besonderen Bedeutung ausgestattet betrachtet werden können, welche direkte und bestimmte Botschaften, vom Offenbarer Gottes geäußert und an die höchsten Stellen der Welt seines Tages gerichtet, besitzen müssen.
+11:9
Liebe Freunde!
Genug ist nun gesagt worden, um die Trübsale zu schildern, die so lange Zeit die Begründer einer so überragenden Offenbarung überhäuft haben und welche die Welt in so unheilvoller Weise unbeachtet gelassen hat.
Genügend Aufmerksamkeit ist auch den Botschaften an jene selbständigen Herrscher geschenkt worden, welche in Ausübung ihrer absoluten Gewalt diese Leiden absichtlich hervorgerufen haben oder die in der Fülle ihrer Macht sich hätten erheben können, deren Auswirkungcn zu mildern oder ihren tragischen Verlauf abzuwenden.
Laßt uns nun die Folgen, die sich ergeben haben, betrachten.
Die Reaktion der Monarchen war, wie schon erwähnt, verschieden und unverkennbar und, wie der Gang der Dinge schrittweise enthüllte, unheilvoll in ihren Folgen.
Einer der hervorragendsten dieser Herrscher behandelte die göttliche Mahnung mit plumper Mißachtung und wies sie mit einer kurzen, unverschämten, von einem seiner Minister geschriebenen Antwort zurück.
Ein anderer ließ den Überbringer der Botschaft gewaltsam ergreifen, foltern, brandmarken und brutal erschlagen.
Andere zogen es vor, ein geringsdiätziges schweigen zu wahren.
Alle versäumten gänzlich ihre Pflicht, sich aufzumachen und Unterstützung zu gewähren.
Besonders aber zwei von ihnen, von Furcht und Zorn zugleich getrieben, faßten die Sache, die sie gemeinsam zu vertilgen entschlossen waren, noch härter an.
Der eine verdammte seinen göttlichen Gefangenen zu einer weiteren Verbannung, in "die Stadt von ärmlichstem Aussehen, mit dem abscheulichsten Klima und mit dem fauligsten Wasser", während der andere, ohnmächtig, an den Urheber eines ihm verhaßten Glaubens Hand anzulegen, dessen Anhänger abscheulichen und wilden Grausamkeiten unterwarf.
Die Kunde von Bahá'u'lláhs Leiden, in jene Botschaften eingekleidet, konnte kein Mitgefühl in ihren Herzen erwecken, seine Appelle, dergleichen weder in den Annalen des Christentums noch selbst in denen des Islám verzeichnet sind, wurden mit Geringschätzung zurückgewiesen.
Die düsteren Warnungen, die Er verkündete, wurden hochmütig verhöhnt.
Die kühnen Herausforderungen, die Er aussprach, wurden übersehen, die Züchtigungen, die Er vorhersagte, spöttisch abgetan.
+11:10 #82
Was - so könnten wir uns fragen - ist nun angesichts einer so völligen und schändlichen Ablehnung geschehen und was geschieht noch im weiteren Verlauf und besonders in den abschließenden Jahren dieses ersten Bahá'í-Jahrhunderts, eines Jahrhunderts, das angefüllt ist mit solch ungestümen Leiden und heftigen Gewalttätigkeiten gegen den verfolgten Glauben Bahá'u'lláhs? - In Staub zerfallene Kaiserreiche, gestürzte Königreiche, ausgelöschte Herrscherhäuser, verdunkelte Königswürde, ermordete, vergiftete, in die Verbannung getriebene, in ihren eigenen Reichen unterjochte Könige, während die wenigen übriggebliebenen Throne durch die Erschütterungen des Falles ihrer Gefährten erzittern.
+11:11 #83
Dieser so gigantische und verhängnisvolle Ablauf der Geschehnisse hatte, so darf man wohl sagen, in jener denkwürdigen Nacht seinen Anfang genommen, da in einem dunklen Winkel von Shiráz der Báb in Gegenwart des ersten "Buchstabens", der an ihn glaubte, das Anfangskapitel seiner berühmten Auslegung der Súrih von Joseph (Qayyúmu'l-Asmá') offenbarte, aus der sein Ruf wie ein Trompetenstoß an die Herrscher und Fürsten der Welt erscholl.
Dieser Vorgang ging aus dem Keimzustand in die sichtbare Offenbarung über, als sich die Weissagungen von Bahá'u'lláh erfüllten, die für alle Zeit in der Súriy-i-Haykal verwahrt und vor dem dramatischen Sturz Napoleons III. und der selbstauferlegten Gefangenschaft von Papst Pius IX. ausgesprochen wurden.
Er gewann an Bedeutung, als zu 'Abdu'l-Bahás Lebzeiten der große Krieg die Herrscherhäuser der Romanow, der Hohenzollern und der Habsburger vernichtete und mächtige, altehrwürdige Monarchien in Republiken verwandelte.
Er beschleunigte sich weiterhin bald nadi 'Abdu'l-Bahás Hinscheiden durch das Erlöschen des Herrscherhauses der Kadscharen in Persien und durch den erstaunlichen Zusammenbruch des Sultanats und des Kalifats zugleich.
Er wirkt noch weiter unter unseren eigenen Augen, wenn wir das Schicksal betrachten, das im Verlauf des riesigen, verheerenden Ringens die gekrönten Häupter des europäischen Kontinents nacheinander überfallen hat.
Sicherlich kann sich niemand bei leidenschaftsloser Betrachtung der Erscheinungen dieses unbarmherzigen, in so verhältnismäßig kurzer Zeit umwälzenden Geschehens der Schlußfolgerung entziehen, daß die letzten hundert Jahre, soweit sie das Los des Königtums betreffen, sehr wohl als einer der umwälzendsten Zeitabschnitte in den Annalen der Menschheit betrachtet werden können.
+12 #84
Rasche und vollständige Demütigung
Zu der Zeit, als Bahá'u'lláh seine Botschaften an die Könige in der Súriy-i-Mulúk in Adrianopel offenbarte, waren die erhabensten und einflußreichsten Herrscher der französische Kaiser und der Papst. Im politischen und religiösen Bereich hatten sie den höchsten Rang inne, und die Demütigung, die beide erlitten, war gleichermaßen rasch und vollständig.
+12:2
Napoleon III., der Sohn von Louis Bonaparte (dem Bruder Napoleons I.) war, wie wohl wenige Historiker bestreiten werden, der überragende Monarch seiner Zeit im Westen. "Der Kaiser ist der Staat", so sagte man von ihm. Die französische Hauptstadt war die reizvollste in Europa, der französische Hof "der glänzendste und üppigste des neunzehnten Jahrhunderts". Besessen von einem starren, unzerstörbaren Ehrgeiz, trachtete er danach, dem Vorbild seines kaiserlichen Oheims nachzueifern und dessen unterbrochenes Werk zu vollenden. Ein Träumer und Verschwörer verschlagener Natur, heuchlerisch und rücksichtslos, hatte er, der Erbe des napoleonischen Thrones, seinen Vorteil aus der Politik gezogen, die das wiederauflebende Interesse für die Laufbahn seines großen Vorbildes nährte, und hatte darum versucht, die Monarchie zu stürzen. Aber sein Bemühen scheiterte, und er wurde nach Amerika verbannt. Später beim Versuch einer gewaltsamen Rückkehr nach Frankreich wieder gefangen und zu lebenslänglicher Haft verurteilt, entkam er nach London, bis 1848 die Revolution seine Rückkehr ermöglichte und ihn in den Stand setzte, die Verfassung umzustürzen. Daraufhin wurde er zum Kaiser ausgerufen. wenngleich fähig, weitreichende Bewegungcn einzuleiten, besaß er weder den Scharfsinn noch den Mut, sie zu heherrschen.
+12:3
Diesem Manne, dem letzten Kaiser Frankreichs, welcher durch auswärtige Eroberungen dem Volke seine Dynastie wert zu machen strebte, welcher sogar den Traum hegte, Frankreich zum Mittelpunkt eines neuerweckten Römischen Reiches zu machen - einem solchen Manne hatte der verbannte von 'Akká - schon dreimal durch Sultán 'Abdu'l-'Azíz verbannt, aus der Kaserne, hinter deren Mauern Er eingekerkert lag - ein Tablet übermittelt, welches diese zweifellos klare Beschuldigung und unheilvolle Weissagung enthielt: "Wir bezeugen, daß das, was dich weckte, nicht ihr (der im schwarzen Meer ertränkten Türken) Schrei war, sondern die Einflüsterungen deiner eigenen Leidenschaften; denn wir prüften dich und fanden dich fehlerhaft ... Wärest du aufrichtig gewesen in deinen Worten, so hättest du nicht das Buch Gottes (das erste Tablet) beiseite geworfen, als es dir von Ihm, dem Allmächtigen, dem Allweisen, gesandt wurde ... Für das, was du getan hast, wird dein Reich in Verwirrung gestürzt werden, und das Kaisertum wird deinen Händen entgleiten als Strafe für dein Tun."
+12:4 #85
Bahá'u'lláhs erste Botschaft war, durch einen der französischen Gesandten dcs Kaisers weitergeleitet, in einer Art und Weise aufgenommen worden, wie sie aus den im "Brief an den Sohn des Wolfes" verzeichneten Worten vermutet werden kann: "Auf dieses (das erste Tablet) antwortete er jedoch nicht. Nach Unserer Ankunft im Größten Gefängnis erreichte Uns ein Brief seines Gesandten, dessen erster Teil in persisch, der zweite in seiner eigenen Handschrift geschrieben war. Darin war er herzlich und schrieb: `Ich habe, wie sie mich baten, Ihren Brief übergeben, bis heute aber noch keine Antwort erhalten. Wir haben jedoch die nötigen Empfehlungen an unseren Botschafter in Konstantinopel und an unsere Konsuln in jenen Gegenden gesandt. Wenn Sie noch irgendwelche Wünsche haben, teilen sie sie uns mit, und wir wollen sie ausführen.` Aus diesen Worten geht klar hervor, daß er die Absicht dieses Dieners so verstand, als ob sie eine Bitte um mateiiellen Beistand gewesen sei."
+12:5
In seinem ersten Tablet hatte Bahá'u'lláh in dem Wunsche, die Aufrichtigkeit der Beweggründe des Kaisers zu prüfen, mit Vorbedacht einen freundlichen, nicht herausfordernden Ton angenommen.
Er hatte die Leiden, die Er zu erdulden hatte, ausführlich geschildert und dann die folgenden Worte an ihn gerichtet: "Zwei durch den König dieser Zeit gnädig ausgesprochene Bemerkungen haben die Ohren dieser Mißhandelten erreicht.
Diese Erklärungen sind wahrlich der König aller Erklärungen, dergleichen noch niemals von einem Herrscher gehört worden sind.
Die erste war die Antwort an die russische Regierung, auf deren Frage, warum der (Krim-)Krieg gegen sie geführt werde.
Du antwortetest: `Der Schrei der Unterdrückten, die ohne Schuld und Tadel im Schwarzen Meer ertränkt wurden, weckte mich zur Zeit der Morgendämmerung.
Daher ergriff ich die Waffen gegen dich.` Diese Unterdrückten jedoch haben noch größeres Unrecht erlitten und sind in noch größerer Not.
Während die jenen Menschen angetane Trübsal nur einen Tag dauerte, haben sich die von diesen Dienern ertragenen Leiden fünfundzwanzig Jahre lang hingezogen, in denen uns jeder Augenblick qualvolle Pein brachte.
Die zweite gewichtige Äußerung - wahrlich eine erstaunliche Äußerung, die du der Welt verkündetest - war diese: `Uns obliegt es, die Unterdrückten zu rächen und den Hilflosen beizustehen.` Der Ruhm der Gerechtigkeit und Aufrichtigkeit des Kaisers hat sehr vielen Seelen Hoffnung gebracht.
Es geziemt dem König dieses Zeitalters, nach der Lage derer zu forschen, denen Unrecht getan wurde, und es obliegt ihm, den Schwachen seine Sorge angedeihen zu lassen.
Wahrlich, es gab nicht, noch gibt es heute auf Erden irgend jemanden, der so unterdrückt ist, wie wir es sind, oder so hilflos, wie diese Wanderer."
+12:6 #86
Es wird berichtet, daß nach Erhalt dieser ersten Botschaft jener oberflächliche, verschlagene und hochmutstrunkene Monarch das Tablet zu Boden geschleudert habe mit den Worten: "Wenn dieser Mann Gott ist, dann bin ich zwei Götter!" Der Überbringer des zweiten Tablets, so ist zuverlässig berichtet, hatte, um der strengen Aufsicht der wachen zu entgehen, dieses in seinem Hut verborgen, so war er imstande, es dem französischeii Gesclräflsträger in 'Akká zu übergeben, der, wie Nabíl in seinem Buch bezeugte, es ins Französische übersetzte und dem Kaiser sandte. Er selbst wurde ein Gläubiger, als er später die Erfüllung einer so bemerkenswerten Voraussage erlebte.
+12:7 #87
Die Bedeutung der düsteren und schicksalsschwangeren Worte Bahá'u'lláhs in seinem zweiten Tablet enthüllte sich bald. Er, der zur Herausforderung des Krimkrieges durch selbstische Wünsche getrieben und durch persönlichen Groll gegen den russisclren Kaiser gereizt war, der voll Ungeduld war, den Vertrag von 1815 zu zerreißen, um das Mißgeschick von Moskau zu rächen, und der mit kriegerischem Ruhm seinen Thron zu schmücken suchte, wurde bald selbst von einer Katastrophe verschlungen, die ihn in den Staub warf und Frankreich von seiner überragenden Stellung unter den Nationen zur viertrangigen Macht in Europa herabsinken ließ.
+12:8
Die Schlacht bei Sedan 1870 besiegelte das Schicksal des französischen Kaisers. Die Masse seines Heeres löste sich auf und ergab sich, wobei dies die größte Kapitulation darstellte, die bis dahin in der modernen Geschichte verzeichnet wurde. Eine erdrückende Kriegsentschädigung wurde eingetrieben. Er selbst wurde gefangengenommen. Sein einziger Sohn, der Kronprinz, fiel einige Jahre später im Kriege gegen die Zulukaffern. Das Kaiserreich brach zusammen, sein Programm blieb unverwirklicht. Die Republik wurde ausgerufen. Paris wurde daraufhin belagert und kapitulierte. "Das Schreckensjahr" folgte, durch einen Bürgerkrieg gekennzeichnet, der in seiner Wildheit noch den deutsch-französischen Krieg übertraf. Wilhelm I., der preußische König, wurde zum Deutschen Kaiser gerade in jenem schlosse gekrönt, das errichtet war als "mächtiges Denkmal und Sinnbild der Macht Ludwigs XIV., einer Macht, welche bis zu einem gewissen Grade durch die Demütigung Deutschlands gesichert worden war". Entthront durch ein Unheil, "so schauderhaft, daß es in der ganzen Welt widerhallte", verfiel dieser falsche und prahlerische Monarch schließlich, und bis zu seinem Tode, der gleichen Verbannung wie jene, die er im Falle von Bahá'u'lláh so herzlos übersehen hatte.
+12:9 #88
Eine weniger dramatische, aber geschichtlich noch bedeutsamere Demütigung erwartete Papst Pius IX. An ihn, der sich als den Vertreter Christi ansah, schrieb Bahá'u'lláh, daß "das Wort, welches der Sohn (Jesus) verbarg, geoffenbart wurde", daß "es in Gestalt des menschlichen Tempels herabgesandt wurde", daß Er selbst das Wort und der Vater sei. Ihm, der sich als "Diener der Diener Gottes" betitelte, verkündete der verheißene aller Zeitalter, seine Stufe in ihrer ganzen Fülle entschleiernd, daß "Er, der Herr der Herrn, gekommen ist, überschattet von Wolken". Der Papst war es, der bei seinem Anspruch, der Nachfolger Petri zu sein, von Bahá'u'lláh gemahnt wurde: "Dies ist der Tag, da der Fels (Petrus) ausruft und jauchzt .., mit den Worten: Sehet, der Vater ist gekommen, und was euch im Königreiche verheißen wurde ist erfüllt." Er, der Träger der dreifachen Krone, war es, der später zum ersten Gefangenen des Vatikans wurde und dem der göttliche Gefangene von 'Akká befahl, "seine Paläste denen zu überlassen, die sie begehren", "allen verzierten Kirchenschmuck zu verkaufen", den er besaß, und "den Erlös auf dem Pfade Gottes dahinzugeben", "sein Königreich den Königen zu überlassen" und aus seiner Behausung herauszutreten, sein Angesicht "dem Königreiche zugewandt".
+12:10
Graf Mastai-Ferretti, Bischof von Imola - der 254. Papst seit dem Beginn des Primats des Apostel Petrus - der zwei Jahre nach der Erklärung des Báb auf den apostolischen Thron erhoben wurde und dessen Pontifikat an Dauer das jedes seiner Vorgänger übertraf, wird für immer in der Erinnerung bleiben als Verfasser der Bulle, welche die unbefleckte Empfängnis der gebenedeiten Jungfrau erklärte (1854), was im Kitáb-i-Íqán als Kirchenlehrsatz erwähnt wird, und als Verkünder des neuen Dogmas von der Unfehlbarkeit des Papstes (1870). Eine herrschsüchtige Natur, ein schlechter Staatsmann, unversöhnlich, entschlossen, alle seine Machtbefugnisse zu wahren, konnte er, obgleich er durch Annahme einer ultramontanen Haltung seine Stellung fortwährend abgrenzte und seine geistige Amtsgewalt stärkte, schließlich jene weltliche Herrschaft doch nicht behaupten, die so viele Jahrhunderte lang von den Häuptern der katholischen Kirche ausgeübt worden war.
+12:11 #89
Diese weltliche Macht war im Laufe der Zeiten auf einen unbedeutenden Bruchteil zusammengeschrumpft.
Die Jahrzehnte, die ihrem Erlöschen vorangingen, waren voll der schwersten Wechselfälle.
Als die Sonne der Offenbarung Bahá'u'lláhs zum vollen Mittagsglanze aufstieg, wurden die Schatten, welche das dahinschwindende Patrimonium Petri befielen, entsprechend tiefer.
Das Tablet Bahá'u'lláhs an Pius IX. beschleunigte den Untergang.
Ein flüchtiger Blick auf die Bahn seines sinkenden Glückes während jener Jahrzehnte wird genügen:
Napoleon I. hatte den Papst aus seinem Besitz vertrieben.
Der Wiener Kongreß hatte ihn als dessen Oberhaupt und die Priester in dessen Verwaltung wieder eingesetzt.
Korruption, Zerrüttung und die Unfähigkeit, die innere Sicherheit zu verbürgen, sowie die Wiederherstellung der Inquisition hatten einen Geschichtsschreiber zu der Behauptung veranlaßt, daß "kein Land in Italien, ja in Europa, mit Ausnahme der Türkei, so regiert werde wie dieser Kirchenstaat". "Rom war eine Ruinenstadt, materiell wie moralisch."
Aufstände führten zum Eingreifen Österreichs.
Fünf Großmächte verlangten die Einführung weitreichender Reformen, welche der Papst versprach, aber nicht durchführen konnte.
Österreich griff wiederum ein, erfuhr aber den Widerstand Frankreichs.
Beide belauerten sich wegen der päpstlichen Besitzungen bis 1838, als mit ihrem Rückzug der Absolutismus aufs neue eingeführt wurde.
Die weltliche Macht des Papstes wurde nunmehr von einigen seiner eigenen Untertanen öffentlich angeprangert und damit ihr Untergang im Jahre 1870 angekündigt.
Innere Verwicklungen zwangen ihn, in stockfinsterer Nacht und als einfacher Priester verkleidet, zur Flucht aus Rom, das zur Republik erklärt wurde.
Später wurde durch die Franzosen sein früherer Status wiederhergestellt.
Die schaffung eines Königreiches Italien, die unzuverlässige Politik Napoleons III., das Unheil von Sedan und die von Clarendon auf dem den Krimkrieg abschließenden Pariser Kongreß öffentlich als ein "schandfleck Europas" bezeichneten Untaten der päpstlichen Regierung besiegelten das Schicksal dieser wankenden Herrschaft.
+12:12 #90
1870, nachdem Bahá'u'lláh seinen Brief an Pius IX. geoffenbart hatte, trat Viktor Emanuel I. in den Krieg mit den päpstlichen Staaten, und seine Truppen zogen in Rom ein und besetzten es. Am Vorabend dieser Besetzung begab sich der Papst in den Lateran und stieg, das Gesicht in Tränen gebadet, trotz seines Alters mit gebeugten Knien die Scala Santa hinan. Am nächsten Morgen, als die Beschießung begann, befahl er, die weiße Flagge über dem Petersdom zu hissen. Seines Besitzes beraubt, weigerte er sich, diese "Schöpfung der Revolution" anzuerkennen, exkommunizierte die Eindringlinge in seine Staaten und klagte Viktor Emanuel öffentlich an als "Räuberkönig" und als "jeden religiösen Grundsatzes bar, als Verächter des Rechts und Vergewaltiger jeden Gesetzes". Rom, "die ewige Stadt, auf welcher fünfundzwanzig Jahrhunderte des Ruhmes ruhen" und über welcher die Päpste mit nie bestrittenem Rechte zehn Jahrhunderte lang geherrscht hatten, wurde schließlich zum Sitze eines neuen Königreiches und zum Schauplatz der Demütigung, die Bahá'u'lláh vorausgeschaut und die der Gefangene des Vatikans sich selbst aufgebürdet hatte.
+12:13
"Die letzten Jahre des alten Papstes", schreibt ein Biograph, "waren mit Qualen erfüllt. Zu seinen körperlichen Gebrechen trat noch der Gram, allzuoft sogar im Herzen Roms den Glauben gröblich beleidigt, die religiösen Orden beraubt und verfolgt, die Bischöfe und Priester an der Ausübung ihrer Amtshandlungen verhindert zu sehen."
+12:14
Jede Anstrengung, die 1870 geschaffene Lage wieder rückgängig zu machen, erwies sich als vergeblich. Der Erzbischof von Posen ging nach Versailles, um Bismarcks Einschreiten zugunsten des Papsttums zu erbitten, wurde aber kühl empfangen. später wurde eine katholische Partei in Deutschland gebildet, um einen politischen Druck auf den deutschen Reichskanzler auszuüben. Aber alles war vergebens. Das mächtige, schon erwähnte Geschehen mußte unerbittlich seinen Lauf nehmen. Noch jetzt, nachdem über ein halbes Jahrhundert vergangen ist, hat die sogenannte Restauration der weltlichen Herrschaft nur dazu gedient, die Hilflosigkeit dieses ehemals mächtigen Herrschers noch stärker hervortreten zu lassen, bei dessen Namen Könige zitterten und dessen Doppelherrschaft sie sich völlig unterwarfen. Diese weltliche Herrschaft des Papstes, die tatsächlich auf die Zwergstadt des Vatikans begrenzt war und Rom als unbestrittenen Besitz einer anderen weltlichen Monarchie überließ, wurde erlangt für den Preis einer rückhaltlosen, so lange verweigenen Anerkennung des Königreiches Italien. Der Lateranvertrag, der ein für alle Mal die römische Frage gelöst haben will, hat tatsächlich einer weltlichen Macht hinsichtlich der eingeschlossenen Stadt eine Handlungsfreiheit gesichert, die voll Ungewißheit und Gefahr ist. "Die beiden Seelen der ewigen Stadt", hat ein katholischer Schrillsteller bemerkt, "sind voneinander getrennt worden, nur um noch härter als je zuvor zusammenzustoßen".
+12:15 #91
Der höchste Priester mag sich wohl die Regierung des mächtigsten seiner Vorgänger, Innozenz III., ins Gedächtnis rufen, de in den achtzehn Jahren seines Pontifikates Könige und Kaiser einsetzte und absetzte, dessen Interdikte Völker vom christlichen Gottesdienst ausschlossen, dessen Gesandtem der König von England seine Krone zu Füßen legte, und auf dessen Ruf der vierte und der fünfte Kreuzzug unternommen wurden.
+12:16
Könnte nicht das schon geschilderte Geschehen, im Laufe seines Wirkens während der wildbewegten Jahre, die der Menschheit noch bevorstehen, auf diesem selben Gebiet eine noch verheerendere Erschütterung zutage treten lassen, als sie bereits von ihm verursacht wurde?
+12:17
Der dramatische Zusammenbruch des dritten Kaiserreiches und des napoleonisdien Herrscherhauses und der eigentliche Untergang der weltlichen Herrschaft des Papstes zu Lebzeiten von Bahá'u'lláh waren nur die Vorläufer noch größerer Katastrophen, von denen gesagt werden kann, daß sie die WirkungsZeit 'Abdu'l-Bahás gekennzeichnet haben. Die Kräfte, entfesselt durch einen Konflikt, dessen volle Bedeutung noch unergründet ist und der als Vorspiel zu diesem verheerendsten aller Kriege betrachtet werden kann, können wohl als Anlaß zu diesen schrecklichen Umwälzungen (des 2. Weltkrieges - Anm, d. Herausg.) angesehen werden. Der Verlauf des Krieges von1914-1918 entthronte das Haus Romanow, während sein Abschluß den Sturz der Herrscherhäuser Habsburg und Hohenzollern beschleunigte.
+13 #92
Der Aufstieg des Bolschewismus
Der Aufstieg des in den Feuern jenes erfolglosen Ringens geborenen Bolschewismus erschütterte und stürzte den Thron des Zaren. Alexander II. Nikolajewitsch, welchem Bahá'u'lláh in seinem Tablet befohlen hatte, "sich zu erheben und die Völker vor Gott zu laden", welcher dreimal gewarnt worden war: "Hüte dich, daß dich deine Begierde nicht davon abhalte, dich dem Antlitz deines Herrn zuzuwenden", "hüte dich, daß du diesen erhabenen Rang nicht verscherzest", "hüte dich, daß dich deine Herrschaft nicht von Ihm fernhalte, welcher der oberste Herrscher ist" - war wohl nicht der letzte der Zaren, die im Lande herrschten, aber doch der Urheber einer rückschrittlichen Politik, welche sich am Ende für ihn selbst wie auch für seine Dynastie als verhängnisvoll erwies.
+13:2
In der letzten Zeit seiner Regierung führte er eine reaktionäre Politik ein, die weithin Enttäuschung hervorrief und den Nihilismus aufkommen ließ, der bei seinem Ausbreiten eine Periode des Terrorismus mit beispiellosen Gewaltakten einleitete, schließlich zu verschiedenen Anschlägen auf das Leben des Zaren führte und in seiner Ermordung gipfelte, strenge Unterdrückung kennzeichnete auch die Politik seines Nachfolgers, Alexanders III., der "eine Haltung herausfordernder Feindseligkeit den Neuerem und Liberalen gegenüber einnahm". Die überlieferten Grundsätze eines unberechtigten Absolutismus und einer extremen, streng kirchlichen Richtung wurden durch den noch strengeren Nikolaus II. aufrechterhalten, den letzten der Zaren. Er wurde von den Ratschlägen eines Mannes geleitet, der "die Verkörperung eines beschränkten, unbeugsamen Despotismus" war; durch eine verdorbene Bürokratie unterstützt und durch die unheilvolle Auswirkung eines fremden Krieges gedemütigt, vermehrte er die allgemeine Unzufriedenheit sowohl der Intelligenz wie der Bauern. Für eine Zeitlang in unterirdische Kanäle getrieben und durch militärische Rückschläge entfacht, äußerte sie sich schließlich explosionsartig mitten im großen Krieg in Form einer Revolution, die in der Schaffung einer Ideologie, im Umsturz von Einrichtungen und in dem Gemetzel, das sie beging, kaum ihresgleichen in der modernen Geschichte hat.
+13:3 #93
Ein großes Beben ergriff und erschütterte die Grundlagen jenes Landes. Das Licht der Religion wurde verdüstert. Kirchliche Institutionen jedweden Namens wurden hinweggefegt. Der Staatsreligion wurde die Unterstützung entzogen, sie wurde verfolgt und abgeschafft. Ein ungeheures Weltreich wurde zerstückelt. Ein kämpferisches, triumphierendes Proletariat vertrieb die Geistesarbeiter und plünderte und ermordete den Adel. Bürgerkrieg und Krankheit verminderten eine Bevölkerung, die sich ohnehin in den Qualen der Todesangst und Verzweiflung wand. Und schließlich wurde das Haupt des mächtigen Reiches zusammen mit seinen Gefährten, seiner Familie und seiner Dynastie in den Wirbel dieser großen Erschütterung gerissen und ging darin unter.
+13:4
Dasselbe Gottesgericht, das so gräßliches Unglück auf das Reich des Zaren häufte, brachte in seiner Abschlußphase den Fall des allmächtigen Deutschen Kaisers und des Erben des einst berühmten Heiligen Römischen Reiches. Es zerschmetterte das ganze Gefüge des kaiserlichen Deutschland, das sich aus dem Unheil, welches das napoleonische Herrscherhaus verschlang, erhoben hatte, und gab auch der Doppelmonarchie den Todesstoß.
+13:5 #94
Fast ein halbes Jahrhundert vorher harte Bahá'u'lláh, der in klaren, weithin hallenden Worten den schmählichen Fall des Nachfahren des großen Napoleon vorausgesagt hatte, im Kitáb-i-Aqdas an Kaiser Wilhelm I., den gerade bejubelten Sieger, eine nicht weniger bedeutungsvolle Warnung gerichtet. In Seiner Anrede der Ufer des Rheins hatte Er in ebenso unmißverständlichen Worten das Wehklagen vorausgesagt, welches die Hauptstadt des neu vereinigten Reiches befallen würde.
+13:6
"Denke an den" (Napoleon III.), so redete ihn Bahá'u'lláh an, "dessen Macht deine Macht überragte und dessen Rang deinen Rang übertraf ... O König, denke genau über ihn nach, über ihn und über jene, die gleich dir Städte erobert und Menschen beherrscht haben." Und ferner: "O Ufer des Rheins! Wir traben euch mit Blut bedeckt gesehen, denn die Schwerter der Vergeltung waren gegen euch gezückt, und ihr werdet es ein zweites Mal erleiden. Und Wir hören das Wehklagen Berlins, obgleich es heute in sichtbarem Ruhm erstrahlt."
+13:7
Auf ihn, der in seinem hohen Alter noch zwei von Verfechtern des heranflutenden Sozialismus verübte Anschläge auf sein Leben überstand, auf seinen Sohn Friedrich III., dessen drei Monate währende Regierung von einer tödlichen Krankheit überschattet war, und schließlich auf seinen Enkel Wilhelm II., den eigenwilligen und anmaßenden Monarchen und Zerstörer seines eigenen Kaiserreiches - auf sie alle fiel in verschiedenem Maße das volle Gewicht der Verantwortung, welche die Folge dieser schrecklichen Verkündigungen war.
+13:8
Wilhelm I., der erste Deutsche Kaiser und siebte König von Preußen, der sein ganzes Leben bis zu seiner Thronbesteigung im Heere zugebracht hatte, war ein kriegerischer, selbstherrlicher, mit veralteten Ideen erfüllter Herrscher. Mit Hilfe eines Staatsmannes, der zu Recht als "eines der Genies seines Jahrhunderts" betrachtet wurde, rief er eine Politik ins Leben, die sozusagen ein neues Zeitalter nicht nur für Preußen, sondern für die ganze Welt eingeleitet hat. Diese Politik wurde mit charakteristischer Gründlichkeit verfolgt und vervollkommnet durch Unterdrückungsmaßnahmen, die sie sichern und stützen sollten, durch Kriege, die zu ihrer Verwirklichung geführt wurden, und durch politische Bündnisse, die dann zu ihrer Erhöhung und Festigung geschlossen wurden, Bündnisse, die voll schrecklicher Konsequenzen für den europäischen Erdteil waren.
+13:9 #95
Wilhelm II., vom Temperament her ein Diktator, politisch unerfahren, militärisch aggressiv und religiös unaufrichtig, gab sich als Apostel des europäischen Friedens aus, bestand jedoch in Wirklichkeit auf "der gepanzerten Faust" und "der glänzenden Rüstung".
Verantwortungslos, taktlos und übermäßig ehrgeizig, war seine erste Tat, jenen klugen Staatsmann, den wahren Begründer seines Kaiserreiches, zu entlassen, dessen Weisheit Bahá'u'lláh anerkannt hatte, während die Unklugheit seines kaiserlichen, undankbaren Herrn von 'Abdu'l-Bahá bezeugt worden war.
Der Krieg wurde im Lande des Kaisers zur Religion, und durch Erweiterung der Ziele seiner mannigfaltigen Tätigkeiten fuhr er fort, den weg zu jenem schließlichen Zusammenbruch zu bereiten, der ihn und sein Haus entthronen sollte.
Als der Krieg ausbrach, die Macht seiner Heere seine Gegner scheinbar überwältigt hatte und die Nachrichten seiner Triumphe ins Ausland drangen und auch im fernen Persien widerhallten, da erhoben sich Stimmen, die jene stellen des Kitáb-i-Aqdas bespöttelten, welche so klar das Unglück, das seine Haupstadt befallen sollte, voraussagten, jedoch plötzlich überraschten ihn verhängnisvoll schnelle, unvorhergesehene Rückschläge.
Die Revolution brach aus, Wilhelm II. verließ sein Heer und floh schmachvoll nach Holland, gefolgt vom Kronprinzen.
Die Fürsten der deutschen Staaten dankten ab.
Eine Zeit des Chaos folgte.
Die kommunistische Fahne wurde in der Hauptstadt gehißt, die zu einem Hexenkessel der vorwirrung und des Bürgerkrieges wurde.
Der Kaiser unterzeichnete seine Abdankung.
Die Verfassung von Weimar errichtete die Republik und ließ auf diese weise den ungeheuren, durch die Politik von Blut und Eisen so mühsam aufgeführten Bau vollends krachend zusammenstürzen.
Alle die einstigen Anstrengungen nach jenem Ziel, das seit der Besteigung des preußischen Thrones durch Wilhelm I, mit inneren Gesetzen und äußeren Kriegen stets so emsig erstrebt worden war, wurden zunichte. "Das Wehklagen Berlins", das durch die Bedingungen eines ungeheuerlich strengen Vertrages gequält wurde, erscholl im Gegensatz zu den freudigen Siegesrufen, die ein halbes Jahrhundert vorher im Spiegelsaal des Schloßes von Versailles laut geworden waren.
+13:10 #96
Der Habsburger Monarch, der Erbe einer jahrhundertealten ruhmvollen Geschichte, stürzte zu gleicher Zeit vom Throne. Es war Franz Joseph, den Bahá'u'lláh im Kitáb-i-Aqdas tadelte, nicht seine Sache erforscht und seine Gegenwart aufgesucht zu haben, als er dies so leicht hätte tun können, während er das Heilige Land besuchte. "Du zogst an Ihm vorbei", so wirft Er dem Pilgerkaiser vor, "und forschtest nicht nach Ihm ... wir sind allezeit mit dir gewesen und fanden dich den Zweig festhaltend und der Wurzel nicht achtend ... Öffne deine Augen, auf daß du diese herrliche Erscheinung schauen und Ihn, den du des Tages und zur Nachtzeit anrufst, erkennen und das Licht, das über diesem leuchtenden Horizont strahlt, erblicken mögest."
+13:11
Das Haus Habsburg, in welchem der Kaisertitel fast fünf Jahrhunderte lang erblich geblieben war, wurde, seit jene Worte ausgesprochen waren, in zunehmendem Maße durch die Kräfte innerer Zersetzung bedroht und säte die Saaten äußeren Konflikts. Beiden mußte es schließlich erliegen. Franz Joseph, Kaiser von Österreich und König von Ungarn, ein reaktionärer Herrscher, führte alte Mißstände wieder ein, übersah die Rechte der Nationalitäten und stellte jene Zentralisierung der Ämter wieder her, die sich schließlich seinem Reiche so nachteilig erwies. Wiederholte Tragödien verdüsterten seine Regierungszeit. Sein Bruder Maximilian wurde in Mexiko erschossen. Kronprinz Rudolf ging in einer unehrenhaften Affäre unter. Die Kaiserin wurde in Genf ermordet. Erzherzog Franz Ferdinand und seine Gemahlin wurden in Serajewo ermordet. Dies löste einen Krieg aus, in dessen Verlauf der Kaiser selbst starb und damit eine Regierungszeit abschloß, die an Unheil, das sie dem Volk brachte, von keiner anderen übertroffen wurde.
+14 #97
Das Ende des Heiligen Römischen Reiches
Verspätete Anstrengungen waren noch gemacht worden, seinen wankenden Thron zu festigen. Das "morsche Kaiserreich", ein Gemisch von Staaten, Rassen und Sprachen, ging jedoch unaufhaltsam und schnell seiner Auflösung entgegen. Die politische und wirtschaflliche Situation war verzweifelt. Die Niederlage Österreich-Ungarns in eben diesem Kriege läutete seine Totenglocken und brachte seine Zerstückelung. Ungarn löste seine Verbindung. Das zusammengewürfelte Reich wurde zerrissen und alles, was von dem einst gefürchteten Heiligen Römischen Reich übrigblieb, war eine zusammengeschrumpfte Republik, die ein elendes Dasein führte, bis sie in neuerer Zeit (1941 - Anm. d. Herausg.), anders als ihr Schwestervolk, von der politischen Karte Europas völlig ausgelöscht und weggestrichen wurde.
+14:2
Das war das Schicksal der Reiche der Napoleoniden, der Romanow, der Hohenzollern und der Habsburger, deren Herrscher einschließlich des souveränen Inhabers des päpstlichen Thrones von der Feder des Höchsten einzeln angeredet und dann, je nachdem, vermahnt, vorher gewarnt, verurteilt, zurechtgewiesen und belehrt wurden.
+14:3
Welches Schicksal erfuhren nun jene Herrscher, die eine direkte staatliche Rechtsgewalt über den Glauben, seine Begründer und Anhänger ausübten und in deren Herrschaftsbereichen dieser Glaube geboren und zuerst verbreitet wurde, denen es also freistand, seinen Verkünder zu kreuzigen, seinen Begründer zu verbannen und seine Anhänger niederzumetzeln?
+15 #98
Was geschah mit der Türkei und Persien?
Schon zu Lebzeiten Bahá'u'lláhs und später während des Wirkens von 'Abdu'l-Bahá fielen die ersten Schläge einer langsamen, doch andauernden und unbarmherzigen Vergeltung gleicherweise auf die Herrscher des türkischen Hauses der Osmanen wie auf das Geschlecht der Kadscharen in Persien, die Erzfeinde des jungen Gottesglaubens, Sultán 'Abdu'l-'Azíz verlor seine Macht und wurde bald nach Bahá'u'lláhs Verbannung aus Adrianopel ermordet, während Násiri'd-Dín Sháh zur Zeit der Einkerkerung 'Abdu'l-Bahás in der Festungsstadt 'Akká einem Mordanschlag erlag. Es war jedoch der formbildenden Periode des Gottesglaubens vorbehalten, dem Zeitalter der Geburt und des Aufstiegs der Verwaltungsordnung - die, wie bereits dargelegt, mit ihrer Entfaltung solchen Aufruhr in die Welt bringt -, Zeuge zu sein nicht nur des Untergangs der beiden Herrschergeschlechter, sondern auch der Zwillingseinrichtung des Sultanats und des Kalifats.
+15:2
Von den beiden Gewaltherrschern war 'Abdu'l-'Azíz der mächtigere, ranghöhere, an Schuld beladenere, und er war mehr an der Trübsal und dem Geschick des Gründers unseres Glaubens beteiligt. Er hatte durch seine Erlasse Bahá'u'lláh dreimal verbannt, und in seinem Herrschaftsgebiet verbrachte der Offenbarer fast die ganze Zeit seiner vierzigjährigen Gefangenschaft während seiner Regierung und der seines Neffen und Nachfolgers 'Abdu'l-Hamid II. hatte der Mittelpunkt des Bündnisses ('Abdu'l-Bahá) nicht weniger als vierzig Jahre lang in der Gefängnisstadt 'Akká eine von vielen Gefahren, Beleidigungen und Entbehrungen erfüllte Kerkerhaft auszuhalten.
+15:3
"Lausche, o König", so lautet die von Bahá'u'lláh an Sultán 'Abdu'l-'Azíz gerichtete Mahnung, "den Worten Dessen, der die Wahrheit spricht, Ihm, der von dir keine Belohnung für sich fordert durch Dinge, die Gott dir zu gewähren beliebt hat, Ihm, der unbeirrt den Geraden Pfad wandelt ... Befolge, o König, aus innerstem Herzen und mit deinem ganzen Sein die Gebote Gottes und wandle nicht auf dem Pfade des Tyrannen ... Setze dein Vertrauen nicht auf deine Schätze. Lege deine ganze Zuversicht in die Gnade Gottes, deines Herrn ... überschreite nicht die Grenzen der Mäßigung und verfahre gerecht mit denen, die dir dienen ... Halte dir Gottes unbeirrbare Waage vor Augen und wäge wie einer, der in Seiner Gegenwart steht, auf dieser Waage deine Taten jeden Tag, jeden Augenblick deines Lebens. Ziehe dich zur Rechenschaft, ehe du zur Abrechnung gerufen wirst an dem Tage, da kein Mensch aus Furcht vor Gott die Kraft haben wird, aufrecht zu stehen, an dem Tage, da die Herzen der Achtlosen erzittern werden."
+15:4 #99
"Der Tag naht heran", so weissagt Bahá'u'lláh im Lawh-i-Ra'ís, "da das Land der Geheimnisse (Adrianopel) und seine Umgebung verwandelt und den Händen des Königs entgleiten werden, Aufruhr wird entstehen, die Stimme des Wehklagens erschallen und die Zeilen des Unheils werden überall offenbar werden, und Verwirrung wird sich ausbreiten um dessentwillen, was diesen Gefangenen zugestoßen ist von den Scharen der Unterdrücker. Der Lauf der Dinge wird sich ändern, und die Zustände werden so drückend werden, daß sogar die Sandkörner auf den öden Hügeln stöhnen und die Bäume auf den Bergen weinen werden, und Blut wird überall fließen. Dann wirst du das Volk in schmerzlichem Elend schauen."
+15:5
"Bald", hat Er weiter geschrieben, "wird Er euch in Seinem grimmen Zorn ergreifen, Aufruhr wird sich in eurer Mitte erheben und eure Herrschaftsgebiete werden auseinandergerissen werden. Dann werdet ihr heulen und wehklagen und werdet niemanden finden, der euch helfen und beistehen könnte ... Manches Mal hat Unglück euch befallen, und doch habt ihr völlig versäumt, dessen zu achten. Eines davon war die Feldersbrunst, die den größten Teil der Stadt (Konstantinopel) mit den Flammen der Gerechtigkeit verzehrte und worüber viele Gedichte geschrieben wurden, die besagten, daß ein solches Feuer noch nie gesehen wurde. Und doch wurdet ihr noch achtloser ... Desgleichen brach eine Seuche aus, und ihr beachtetet dies immer noch nicht. Doch seid auf eurer Hut, denn Gottes Zorn wird euch befallen. Binnen kurzem werdet ihr schauen, was aus der Feder Meines Befehls herabgesandt wurde."
+15:6 #100
In einem anderen Tablet, in dem Er den Fall des Sultanats und des Kalifats vorausschaut, tadelt Er die vereinten Mächte des sunnitischen und des schiitischen Islám: "Durch eure Taten ist die erhabene Stufe des Volkes erniedrigt, die Standarte des Islám umgestoßen und sein mächtiger Thron gestürzt worden."
+15:7
Und schließlich im Kitáb-i-Aqdas, das bald nach Bahá'u'lláhs Verbannung nadi 'Akká geoffenbart wurde, redet Er den Sitz der türkischen kaiserlichen Macht also an: "O Ort, der du an den Küsten zweier Meere gelegen bist! Wahrlich, der Thron der Tyrannei ist auf dir errichtet und die Flamme des Hasses ist in deinem Busen entzündet worden ... In der Tat, du bist von offenbarem Stolz erfüllt. Hat deine äußere Pracht dich hochmütig gemacht? Bei Ihm, dem Herrn des Menschengeschlechtes! Sie wird rasch vergehen, und deine Töchter und deine Witwen und alle deines Stammes, die in dir wohnen, werden wehklagen. Dies verkündet dir der Allwissende, der Allweise."
+15:8
Tatsächlich wird an einer höchst bemerkenswerten Stelle im Lawh-i-Fu'ád, worin der Tod des türkischen Außenministers Fu'ád Páshá erwähnt ist, der Sturz des Sultáns selbst unmißverständlich vorausgesagt: "Bald werden Wir den einen ('Alí Páshá), der ihm glich, hinwegnehmen und werden an ihr Oberhaupt (Sultán 'Abdu'l-'Azíz), welches das Land regiert, Hand legen, denn Ich bin wahrlich der Allmächtige, der Allbezwinger."
+15:9
Des Sultáns Reaktion auf diese, auf seine Person, sein Reich, seinen Thron, seine Hauptstadt und seine Minister bezüglichen Worte kann aus der Schilderung der Leiden, die er Bahá'u'lláh zufügte und die schon am Anfang dieses Buches berichtet sind, entnommen werden. Das Erlöschen der "äußeren Pracht", die diesen Sitz kaiserlicher Macht umgab, ist der Gegenstand, den ich nun des weiteren erklären werde.
+16 #101
Der Untergang des türkischen Reiches
Ein umwälzendes Geschehen, eines der bemerkenswertesten der neuesten Geschichte, geriet von der Zeit an in Bewegung, da Bahá'u'lláh als Gefangener in Konstantinopel einem türkischen Beamten seine an Sultán 'Abdu'l-'Azíz und dessen Minister gerichtete Schrift übergab, die an 'Alí Páshá, den Großwesir, weitergeleitet werden sollte.
Es war dieses Tablet, das, wie durch diesen Beamten bezeugt und durch Nabíl in seiner Chronik bestätigt wird, den Großwesir beim Lesen so tief ergriff, daß er erbleichte.
Dieses Geschehen erhielt neuen Antrieb, als das Lawh-i-Ra'ís zu Beginn der letzten der Verbannungen seines Verfassers von Adrianopel nach 'Akká geoffenbart wurde.
Unbarmherzig, verheerend, mit immer gesteigerter Wucht wuchs es sich zum Verhängnis aus, schädigte das Ansehen des Reiches, zerstückelte sein Gebiet, entthronte seine Sultáne, fegte deren Dynastie hinweg, nahm seinen Kalifen Amt und Würden, löste seine Religion vom Staat und löschte seinen Ruhm aus.
Der "kranke Mann"
Europas, dessen Zustand von dem göttlichen Arzt unfehlbar diagnostiziert und dessen Untergang als unvermeidlich verkündet worden war, brach während der Regierung von fünf Sultánen - alle entartet, alle entthront - als Raub einer Reihe von Erschütterungen zusammen, die sich auf die Dauer als verhängnisvoll für sein Leben erwiesen.
Das türkische Sultanat, das unter 'Abdu'l-Majíd in das europäische Konzert aufgenommen und siegreich aus dem Krimkrieg hervorgegangen war, geriet unter dessen Nachfolger 'Abdu'l-'Azíz in eine Zeit raschen Niedergangs, die bald nach 'Abdu'l-Bahás Hinscheiden in dem Untergang endete, den Gottes Gericht über dieses Reich ausgesprochen hatte.
+16:2 #102
Aufstände in Kreta und auf dem Balkan kennzeichneten die Regierung dieses 32.
Sultáns seines Geschlechtes, eines Despoten, dessen Gemüt leer und dessen Leichtsinn ungeheuer waren und dessen Ausschweifungen keine Grenzen kannten.
Die östliche Frage trat in ein akutes Stadium.
Seine grobe Mißregierung ließ Bewegungen aufkommen, die weitreichende Wirkungen auf sein Reich ausüben sollten, während seine fortwährenden, übermäßigen Anleihen ihn an den Rand des Bankrottes brachten und das System ausländisdier Kontrolle über die Finanzen seines Reiches einleiteten.
Eine Verschwörung, die zu einer Palastrevolution führte, setzte ihn schließlich ab.
Eine Fatvá (Urteil, Rechtsgutachten) des Muftí bezichtigte ihn der Unfähigkeit und der Verschwendung.
Vier Tage später wurde er ermordet, sein Nachfolger war sein Neffe, Murád V., dessen Geist durch Ausschweifung und durch eine lange Abgeschlossenheit im Gefängnis zu einem Nichts geworden war.
Für schwachsinnig erklärt, wurde er nach einer Regierung von drei Monaten abgesetzt. sein Nachfolger war der heimtückische, wendige, argwöhnische, tyrannische 'Abdu'l-Hamid II., der "sich als der gemeinste, listigste, unzuverlässigste und grausamste Ränkeschmied des alten Herrschergeschlechtes der Osmanen erwies". "Niemand", so wurde über ihn geschrieben, "wußte, wer gerade an diesem Tag die Person war, auf deren Rat hin der Sultán über seine Ministerpuppen schaltete, ob eine Lieblingsfrau seines Harems oder ein Eunuch oder irgendein fanatischer Derwisch oder ein Astrologe oder ein Spion".
Die Unmenschlichkeiten in Bulgarien eröffneten die finstere Regierung dieses "großen Meuchelmörders", die Europa vor Schaudern erzittern ließen und von Gladstone als "der gemeinste und schwärzeste Schandfleck in der Chronik jenes (19.) Jahrhunderts" gekennzeichnet wurden.
Der Krieg von 1877-78 beschleunigte den Prozeß der Zerstückelung des Reiches.
Nicht weniger als elf Millionen Menschen wurden vom türkischen Joche befreit.
Russische Truppen besetzten Adrianopel. serbien, Montenegro und Rumänien erklärten ihre Unabhängigkeit.
Bulgarien wurde ein dem Sultán tributpflichtiger Staat mit eigener Regierung.
Zypern und Ägypten wurden besetzt.
Die Franzosen übernahmen das Protektorat über Tunis.
Ostrumelien wurde an Bulgarien abgetreten.
Die Massenabschlachtungen der Armenier, die unmittelbar und mittelbar hunderttausend Menschen erfaßten, waren nur ein Vorgeschmack der noch ausgedehnteren Gemetzel, die unter einer späteren Regierung folgten.
Bosnien und die Herzegowina gingen an Österreich verloren.
Bulgarien erreichte seine Unabhängigkeit.
Allgemeine Verachtung und Haß gegen einen schändlichen Herrscher, gleicherweise von seinen christlichen wie von seinem muhammadanischen Untertanen gehegt, gipfelten schließlich in einer raschen und alles hinwegfegenden Revolution.
Der Ausschuß der Jungtürken sicherte sich vom Shaykhu'lIslám die Verurteilung des Sultáns.
Verlassen und ohne Freunde, verabscheut von seinen Untertanen und verachtet von den anderen Herrschern, wurde er zur Abdankung gezwungen und zum staatsgefangenen gemacht.
So endete seine Regierung, die "unheilvoller war durch ihre unmittelbaren Gebietsverluste und durch die Gewißheit, daß noch andere folgen würden, und auffallender durch die Verschlechterung der Lebensbedingungen der Untertanen, als die irgendeiner anderen seiner dreiundzwanzig entarteten Vorgänger seit dem Tode Solimans des Prächtigen".
+16:3 #103
Das Ende einer so schändlichen Regierung war aber der Beginn einer neuen Zeit, die, wie freudig sie auch zuerst begrüßt wurde, doch dazu bestimmt war, Zeuge des Zusammenbruchs des wackeligen und wurmstichigen osmanisdien Staates zu sein. Muhammad V., ein Bruder 'Abdu'l-Hamíds II., eine reine Null, erwies sich unfähig, den Zustand seiner Untertanen zu verbessern. Die Torheiten seiner Regierung besiegelten schließlich den Untergang des Reiches. Der Krieg von 1914-18 brachte die Gelegenheit. Militärische Ruckschläge ließen die Kräfte hochkommen, die seine Grundlagen untergruben. während der Krieg noch ausgefochten wurde, deuteten der Abfall des Emirs von Mekka und der Aufstand der arabischen Provinzen schon auf die Erschütterungen hin, welche den türkischen Thron bedrohten. Die überstürzte Flucht und völlige Auflösung des Heeres Jamál Päshäs, des Oberbefehlshabers in syrien - der nach seiner siegreichen Rückkehr aus Ägypten geschworen hatte, das Grab Bahá'u'lláhs dem Erdboden gleichzumachen und den Mittelpunkt des Bündnisses auf einem Marktplatz in Konstantinopel vor aller Augen zu kreuzigen - war das Signal für die Rachegöttin, die ein Reich in Not stürzen sollte. Neun Zehntel der großen türkischen Armee war dahingeschmolzen. Ein Viertel der ganzen Bevölkerung war durch Krieg, Seuchen, Hunger und Gemetzel umgekommen.
+16:4 #104
Ein neuer Herrscher, Muhammad VI., der letzte in der Reihe der fünfundzwanzig entarteten Sultáne, war nun seinem jämmerlichen Bruder nachgefolgt. Der Bau seines Reiches zitterte und wankte jetzt seinem Sturz entgegen. Mustafá Kamál gab ihm den Gnadenstoß: Die Türkei, nunmehr zu einem kleinen asiatischen Staat zusammengeschrumpft, wurde eine Republik. Der Sultán wurde abgesetzt, das osmanische Sultanat war zu Ende, ein Herrschertum, das sechseinhalb Jahrhunderte ununterbrochen gedauert hatte, war erloschen. Ein Reich, das sich von der Mitte Ungarns bis zum Persischen Golf und zum Sudan und vom Kaspischen Meer bis oran in Afrika erstreckt hatte, war nun zu einer kleinen asiatischen Republik herabgesunken. Konstantinopel selbst, das nach dem Fall von Byzanz als die glänzende Metropole des Römischen Reiches geehrt und zur Hauptstadt des osmanischen Reiches gemacht worden war, wurde von seinen einstigen Eroberern aufgegeben und seines Pompes und Ruhmes entkleidet - ein stummer Zeuge der gemeinen Tyrannei, die so lange seinen Thron befleckt hatte.
+16:5
Das waren in knappen Umrissen die schrecklichen Beweise jener vergeltenden Gerechtigkeit, die so tragisch 'Abdu'l-'Azíz, seine Nachfolger, seinen Thron und seine Dynastie befiel. Was geschah nun mit Násiri'd-Dín Sháh, dem anderen Teilnehmer an jener kaiserlichen Verschwörung, die den keimenden Gottesglauben mit Wurzeln und Zweigen auszurotten suchte? seine Reaktion auf die göttliche Botschaft, die ihm von dem furchtlosen Badí, dem "Stolz der Märtyrer", gebracht wurde, der sich aus freiem Entschluß dazu erboten hatte, war kennzeichnend für jenen unversöhnlichen Haß, der seine ganze Regierungszeit hindurch so heftig in seiner Brust glühte.
+17 #105
Göttliche Vergeltung am Hause der Kadscharen
Der französische Kaiser hatte, wie berichtet, Bahá'u'lláhs Tablet fortgeschleudert und, wie Bahá'u'lláh selbst bestätigt, seinen Minister angewiesen, dem Verfasser eine unehrerbietige Antwort zu senden. Der Großwesir von 'Abdu'l-'Azíz - das ist zuverlässig festgestellt - erbleichte, als er die Mitteilung an seinen kaiserlichen Herrn und dessen Minister las, und tat folgende Äußerung: "Es ist, als gäbe der König der Könige seinen Befehl an seinen untersten Vasallenkönig und rüge dessen Verhalten." Königin Viktoria soll beim Lesen des für sie geoffenbarten Tablets bemerkt haben: "Wenn dies von Gott ist, wird es fortdauern; wenn nicht, kann es keinen Schaden anrichten." Es war jedoch Násiri'd-Dín Sháh vorbehalten, auf Anstiften der Geistlichen hin seine Rache an ihm, den er nicht länger persönlich strafen konnte, dadurch auszuüben, daß er diesen Boten, einen Jüngling von etwa 17 Jahren, gefangennahm, mit Ketten belud, auf der Folter quälte und schließlich tötete.
+17:2
Diesem despotischen Herrscher hatte Bahá'u'lláh, dcr ihn als den "Fürsten der Unterdrücker" bezeichnete und als einen, der bald zu einem "Schulbeispiel für die Welt" werden würde, geschrieben: "O König, blicke auf diesen jungen Mann mit den Augen der Gerechtigkeit. Beurteile sodann aufrichtig, was Ihn (d.i. Bahá'u'lláh) befallen hat. Wahrlich, Gott hat dich unter den Menschen zu Seinem Schatten gemacht und zum Zeichen Seiner Macht für alle, die auf Erden wohnen." Und ferner: "O König! Würdest du dein Ohr dem Zirpen der Feder der Herrlichkeit und dem Gurren der Taube der Ewigkeit zuneigen ..., so würdest du zu einer Stufe gelangen, von der aus du in der Welt des Daseins nichts als den Glanz des Angebeteten schauen und deine Herrschaft als das Verachtungswürdigste deiner Besitztümer ansehen würdest und sie jedem überließest, der sie gerade begehrt, und du würdest dein Angesicht dem Horizonte zuwenden, der im Lichte Seines Antlitzes erglüht." Und wiederum: "Wir sind jedoch geneigt zu hoffen, daß Seine Majestät der Sháh diese Dinge selbst erforschen und den Herzen Hoffnung bringen werde. Was Wir dir unterbreitet haben, dient fürwahr deinem höchsten Glück."
+17:3 #106
Diese Hoffnung sollte jedoch unerfüllt bleiben. sie wurde in der Tat vernichtet durch eine Regierung, die mit der Hinrichtung des Báb und der Einkerkerung Bahá'u'lláhs im Siyáh-Chál von Tihrán begonnen hatte, durch einen Herrscher, der wiederholt Bahá'u'lláhs aufeinanderfolgende Verbannungen veranlaßt hatte, und durch ein Herrscherhaus, das sich durch die Hinmetzelung von nicht weniger als zwanzigtausend seiner Anhänger befleckt hatte. Die dramatische Ermordung des Sháh, die schimpfliche Regierung der letzten Herrscher aus dem Hause der Kadscharen und das Verlöschen dieses Geschlechtes waren die Kennzeichen der göttlichen Vergeltung, die von diesen Abscheulichkeiten herausgefordert worden war.
+17:4
Die Kadscharen aus dem fremden Turkmenenstamme hatten den persischen Thron tatsächlich zu Unrecht an sich gerissen. Áqá Muhammad Khán, der Eunuchenschah und Begründer des Herrscherhauses, war ein so abscheulicher, gieriger, blutdürstiger Tyrann, daß das Andenken keines Persers so verabscheut und allgemein verflucht ist wie das seine. Die Chronik seiner Regierung und der seiner unmittelbaren Nachfolger zeugt von Wandalismus, inneren Kriegen, widerspenstigen und aufrührerischen Häuptlingen, von Räubereien und mittelalterlicher Unterdrückung, während die Annalen späterer Kadscharen durch den Stillstand der Nation, die Unwissenheit des Volkes, die Verdorbenheit und Unfähigkeit der Regierung, die schändlichen Ränke des Hofes, die Entartung der Prinzen, die Verantwortungslosigkeit und die Ausschweifungen des Herrschers und seine elende Unterwürfigkeit unter eine offenkundig heruntergekommene Priesterkaste gekennzeichnet sind.
+17:5 #107
Der Nachfolger Áqá Muhammad Khans, der den Frauen verfallene, nachkommenreiche Fath-'Alí-Sháh, der sogenannte "Darius des Zeitalters", war ein eitler, anmaßender, gewissenloser Geizhals, berüchtigt wegen der Unzahl seiner Frauen und Kebsweiber, die sich auf über tausend belief, wegen seiner zahllosen Nachkommenschaft und wegen des Unheils, das seine Regierung über das Land brachte.
Er war es, der befahl, seinen Wesir, dem er den Thron verdankte, in einen Kessel mit siedendem Öl zu werfen.
Was seinen Nachfolger, den frömmelnden Muhammad-Sháh betrifft, so war eine seiner ersten, durch Bahá'u'lláhs Feder klar verdammten Taten der Befehl, seinen obersten Minister, den erlauchten Qá'ím-Maqám, der von derselben Feder als der "Fürst in der Stadt der Staatskunst und der literarischen Bildung" unsterblich gemacht wurde, zu erdrosseln und ihn durch den gemeinen, abgefeimten Schurken Hájí Mírzá Áqásí, der das Land an den Rand des Bankrotts und der Revolution brachte, zu ersetzen.
Es war eben dieser Sháh, der dem Báb eine Unterredung verweigerte und ihn in Ádhirbáyján gefangensetzte und der im Alter von vierzig Jahren von einer Reihe von Krankheiten befallen wurde, denen er erlag, somit das Schicksal beschleunigend, das durch die folgenden Worte im "Qayyúmu'l-Asmá'" vorausgesagt war: "O Sháh!
Ich schwöre bei Gott!
Wenn du Ihm, welcher Sein Gedenken ist, Feindschaft erweist, wird dich Gott am Tage der Auferstehung vor den Königen zu höllischem Feuer verdammen, und du wirst, das ist gewißlich wahr, an jenem Tage keinen Helfer finden außer Gott, dem Erhabenen."
+17:6 #108
Násiri'd-Dín Sháh, ein selbstsüchtiger, launischer, anmaßender Monarch, folgte auf den Thron und war dazu bestimmt, ein halbes Jahrhundert lang der einzige Gebieter über die Geschicke dieses unglücklichen Landes zu bleiben.
Unheilvolle Geheimnistuerei, chaotische Verwaltung der Provinzen, die Zerrüttung der Finanzen des Reiches, die Ränke, Rachsucht und Verruchtheit der verzärtelten und gierigen Höflinge, die seinen Thron umschwirrten und umschwärmten, und seine eigene Gewaltherrschaft, die nur durch die sein Tun in Schranken haltende Furcht vor der öffentlichen Meinung Europas und dem wunsche, daß man in den Hauptstädten des Westens gut über ihn denke, nicht noch grausamer und wilder gewesen war - das waren die Charakterziige der blutigen Regierung eines Menschen, der sich selbst als "Fußpfad des Himmels" und "Asyl des Weltalls" bezeichnete.
Eine dreifache Finsternis von Chaos, Bankrott und Unterdrückung hüllte das Land ein.
Seine Ermordung war das erste Vorzeichen der Revolution, welche die Vorrechte seines Sohnes und Nachfolgers beschränken, die beiden letzten Herrscher aus dem Hause der Kadscharen absetzen und ihre Dynastie austilgen sollte.
Am Vorabend seines Jubiläums, das ein neues Zeitalter eröffnen sollte und dessen Fest bis ins einzelne vorbereitet war, fiel er am Grabmal von Sháh 'Abdu'l-'Azím einem Mordanschlag zum Opfer; sein Leichnam wurde in seinen Palast zurückgefahren, in der Königskutsche dem Großwesir gegenüber aufgestützt, um so die Nachricht seiner Ermordung hinauszuschieben.
+17:7
"Es wurde geflüstert", schreibt ein Augenzeuge sowohl der Zeremonie wie auch der Ermordung, "daß der Festtag des Sháh der größte in der Geschichte Persiens werden sollte ...
Gefangene sollren bedingungslos freigelassen und eine allgemeine Amnestie sollte verkündet werden; den Bauern wurde Steuerbefreiung für mindestens zwei Jahre versprochen ...
Die Armen sollten auf Monate hinaus ernährt werden.
Minister und Beamte spannen schon ihre Ränke wegen Ehrungen und Pensionen von seiten des Sháh.
Grabstätten und heilige Plätze sollten ihre Pforten allen Reisenden und Pilgern öffnen, und die Siyyids und Mullas nahmen eine Medizin ein, um ihre Stimmen für den Preisgesang auf den Sháh auf allen Kanzeln bereitzumachen.
Die Moscheen wurden ausgekehrt und für Massenversammlungen und öffentliche Gebete für das Staatsoberhaupt vorbereitet ...
Geweihte Quellen wurden erweitert, um mehr heiliges Wasser fassen zu können, denn die Behörden hatten vorausgesehen, daß mit Hilfe dieser Brunnen viele Wunder am Jubiläumstag geschehen könnten ...
Der Sháh hatte erklärt ..., daß er auf seine Vorrechte als Alleinherrscher verzichten und sich zum `erhabenen Vater aller Perser` erklären würde.
Die Stadtbehörde sollte ihre strenge Wachsamkeit mildern.
Kein Verzeichnis sollte über die Fremden geführt werden, die in den Karawansereien zusammenströmten, und der Bevölkerung sollte es freistehen, die ganze Nacht durch die Straßen zu wandern."
Sogar die großen Mujtahids hatten, soweit durch denselben Augenzeugen berichtet worden ist, "beschlossen, für den Augenblick die Verfolgung der Bábí und anderer Ungläubigen zu unterbrechen".
+17:8 #109
So fiel der, dessen Regierung für immer mit dem verruchtesten Verbrechen der Geschichte verbunden sein wird - dem Märtyrertod Dessen, den die höchste Manifestation Gottes als "Punkt, um den die Wirklichkeiten der Propheten und Gottgesandten kreisen", verkündigt hat. In einem Tablet, worin die Feder Bahá'u'lláhs den Sháh verdammt, lesen wir: "Unter ihnen (den Königen der Erde) ist der König von Persien, der Ihn, den Tempel der Sache (den Báb), im Freien aufhängen und hinrichten ließ mit einer solchen Grausamkeit, daß alle erschaffenen Dinge, die Bewohner des Paradieses und die Heerscharen der Höhe um Ihn weinten. Darüber hinaus erschlug er etliche aus Unserer Verwandtschaft, plünderte Unseren Besitz und machte Unsere Familien zu Gefangenen in den Händen der Unterdrücker. Immer wieder kerkerte er auch Mich ein. Bei Gott, dem Wahren! Keiner kann ermessen, was Mich im Kerker befiel, außer Gott, der die Abrechnung hält, dem Allwissenden, dem Allmächtigen. Später verbannte er Mich und Meine Familie aus Meinem Vaterlande, worauf wir im 'Iráq in offensichtlicher Trübsal anlangten. Wir weilten dort bis zu der Zeit, da der König von Rúm (der Sultán der Türkei) sich gegen Uns wandte und Uns vor den Thron seiner Herrschaft entbot. Als Wir ihn erreichten, befiel Uns, was den König von Persien erfreute. Später kamen Wir in dieses Gefängnis, in dem Unsere geliebten Gefährten von Uns weggerissen wurden. In solcher Weise hat er an Uns gehandelt."
+17:9 #110
Die Tage des Kadscharenhauses waren nun gezählt.
Die Erstarrung des Nationalbewußtseins war verschwunden.
Die Regierung des Muzaffari'd-Dín Sháh, des Nachfolgers von Násiri'd-Dín Sháh, ein schwaches und ängstliches Geschöpf, verschwenderisch und nachgiebig seinen Höflingen gegenüber, führte das Land die breite Straße hinab ins Verderben.
Die Bewegung für eine Verfassung, die die Vorrechte des Oberhauptes beschränkte, gewann an Macht und gipfelte in der Unterzeichnung der Verfassung durch den sterbenden Sháh, der wenige Tage später den Geist aufgab.
Muhammad-'Alí Sháh, ein Despot schlimmster Sorte, ohne feste Grundsätze und geizig, folgte ihm auf den Thron.
Verfassungsfeindlich eingestellt, beschleunigte er durch sein rasches Vorgehen mit der Beschießung des Baháristán, wo die Versammlung tagte, eine Revolution, die zu seiner Absetzung durch die Nationalisten führte.
Nachdem er nach langem Herumfeilschen eine große Pension angenommen harte, zog er sich schmählich nach Rußland zurück.
Der knabenhafte König Ahmad-Sháh, der auf ihn folgte, war eine reine Null und kümmerte sich nicht um seine Pflichten.
Die schreiende Not seines Landes blieb weiterhin unbeachtet.
Wachsende Gesetzlosigkeit, die Ohnmacht der Zentralregierung, der Zustand der nationalen Finanzen, die fortschreitende Verschlechterung der allgemeinen Lage des Landes, das tatsächlich im Stich gelassen war von einem Staatsoberhaupt, das die fröhliche Leichtfertigkeit des gesellschafllichen Lebens in den europäischen Hauptstädten der Erfüllung der ernsten, dringenden, vom Zustand seines Volkes erheischten Verantwortung vorzog, dies alles läutete das Grabgeläute für ein Herrscherhaus, das, wie jeder fühlte, die Krone verwirkt hatte.
+17:10 #111
Während der Sháh auf einem seiner regelmäßigen Besuche im Ausland weilte, setzte ihn das Parlament ab und erklärte das Ende seiner Dynastie, die den Thron Persiens einhundertdreißig Jahre eingenommen hatte, deren Herrscher stolz beanspruchten, von keinem Geringeren als von Japhet, dem Sohne Noahs, abzustammen, und deren aufeinanderfolgende Monarchen mit nur einer Ausnahme entweder ermordet, abgesetzt oder von tödlicher Krankheit dahingerafft worden waren.
+17:11
Ihre zahllose Nachkommenschaft, ein wahrer "Bienenstock von Prinzchen", eine "Brut königlicher Drohnen", war eine Schande und eine Bedrohung für ihre Landsleute. Nun machen auch noch diese unglücklichen Nachkömmlinge eines gestürzten Hauses - aller Macht beraubt und teilweise gar bis zur Bettelei herabgesunken - in ihrem Unglück die Folgen der scheußlichkeiten, die ihre Vorfahren verübt haben, öffentlich bekannt. Die Reihen der unseligen Sprößlinge des Hauses der Osmanen, der Romanow, der Hohenzollern, der Habsburger und der napoleonischen Dynastie vermehrend, irren sie in der Welt umher, des Wesens jener Kräfte kaum bewußt, die so tragische Umwälzungen in ihrem Leben bewirkt und so stark zu ihrer jetzigen mißlichen Lage beigetragen haben.
+17:12
Schon haben Enkel sowohl von Násiri'd-Dín Sháh wie auch von Sultán 'Abdu'l-'Azíz sich in ihrer Hilflosigkeit und Not an das Weltzentrum des Glaubens Bahá'u'lláhs gewandt und um politischen Beistand und finanzielle Unterstützung nachgesucht. Im Falle des ersteren wurde die Bitte sofort und entschieden abgelehnt, während sie im Falle des letzteren unverzüglich gewährt wurde.
+18 #112
Der Niedergang im Geschick des Königtums
Wenn wir den Niedergang im Geschick des Königtums in anderen Bereichen betrachten, sei es in den dem großen Kriege unmittelbar vorausgehenden Jahren, sei es später, und über das Schicksal nachdenken, welches das chinesische Reich, die portugiesische und die spanische Monarchie und etwas später die Herrscher von Norwegen, Dänemark und Holland in den Wechselfällen der Vergangenheit und Gegenwart befallen hat, wenn wir die Ohnmacht der übrigen Herrscher sehen und die Furcht und das Zittern bemerken, die ihre Throne ergriffen haben, können wir da nicht ihre Lage mit den Anfangsstellen der Súriy-i-Mulúk in Zusammenhang bringen, die angesichts ihrer folgenschweren Bedeutung ein zweitesmal auszuführen ich mich bewogen fühle: "O Schar der Könige, fürchtet Gott und laßt euch diese höchsterhabene Gnade nicht entgehen ...
Wendet eure Herzen dem Antlitz Gottes zu und gebt auf, wonach euch eure Wünsche trachten ließen, und gehört nicht zu denen, die zugrunde gehen ...
Ihr erforschtet nicht Seine (des Báb) Sache, wo dies zu tun doch besser für euch gewesen wäre als alles, was die Sonne bescheint - o könntet ihr es doch werstehen! ...
Hütet euch, weiterhin so nachlässig zu sein, wie ihr es ehedem gewesen seid ...
Mein Antlitz kam hinter den Schleiern hervor und goß seine Strahlen auf alles, was im Himmel und auf Erden ist.
Und doch habt ihr euch Ihm nicht zugewandt ...
So erhebt euch denn .., und macht wieder gut, was euch entgangen ist ...
Wenn ihr den Ratschlägen, die wir in unvergleichlicher und unzweideutiger Sprache in diesem Tablet geoffenbart haben, keine Beachtung schenkt, dann wird von allen Seiten göttliche Züchtigung über euch kommen, und der Urteilsspruch Seiner Gerechtigkeit wird gegen euch werkündet werden ...
Zwanzig Jahre sind verronnen, o Könige, während derer Wir jeden Tag die herben Qualen einer neuen Trübsal empfunden haben ...
Obwohl der meisten Unserer Leiden gewahr, habt ihr es dennoch unterlassen, dem Angreifer in den Arm zu fallen.
Ist es denn nicht eure klare Pflicht, der Tyrannei des Unterdrückers Einhalt zu gebieten und eure Untertanen unparteiisch zu behandeln, auf daß euer hoher Gerechtigkeitssinn der ganzen Menschheit voll bewiesen werde?"
+18:2
Kein Wunder, daß Bahá'u'lláh angesichts der Ihm von den Herrschern der Erde zugemessenen Behandlung, wie schon angeführt, diese Worte schreiben mußte: "Zwei Gruppen von Menschen wurde die Macht entzogen: Königen und Geistlichen." Er geht sogar noch weiter und stellt in seinem Tablet an Shaykh Salmán fest: "Eines der Reifezeichen der Welt ist, daß es niemand auf sich nehmen wird, die Last der Königswürde zu tragen. Das Königtum wird niemanden finden, der seine Last allein zu tragen gewillt wäre. Jener Tag wird der Tag sein, an dem die Weisheit unter der Menschheit offenbar gemacht werden wird. Nur um die Sache Gottes zu verkünden und Seinen Namen weithin zu verbreiten, wird sich jemand finden, der gewillt ist, diese drückende Bürde zu tragen. Wohl dem, der aus Liebe zu Gott und zu Seiner Sache und um Gottes willen und in der Absicht, Seinen Glauben zu werkünden, sich dieser großen Gefahr aussetzen und diese Mühen und Beschwerden auf sich nehmen will."
+19 #113
Anerkennung des Königtums
Gleichwohl soll niemand, aus Irrtum oder Unwissen, die Absicht Bahá'u'lláhs falsch darstellen, so streng Er auch jene ihn verfolgenden Herrscher verurteilte, und so scharf Er auch jene tadelte, die offenkundig ihre klare Pflicht versäumten, die Wahrheit seines Glaubens zu erforschen und dem Übeltäter Einhalt zu gebieten, so enthalten doch seine Lehren keinen Grundsatz, der irgendwie als eine Nichtanerkennung oder gar als eine, wenn auch noch so verschleierte, Verächtlichmachung der Einrichtung des Königtums ausgelegt werden dürfte.
Der verhängnisvolle Sturz und der Untergang der Herrscherhäuser und Reiche jener Monarchen, deren unheilvolles Ende Er im besonderen geweissagt hatte, und das sinkende Glück der Staatsoberhäupter seiner eigenen Generation, die Er allgemein tadelte - beides bildete einen vorübergehenden Entwicklungsabschnitt des Glaubens - sollten in keiner Weise mit der zukünftigen Stellung dieser Einrichtung verwechselt werden.
In der Tat, wenn wir in den Schriften des Begründers des Bahá'íGlaubens forschen, werden wir unzweifelhaft zahllose stellen finden, in denen mit Ausdrücken, die niemand falsch darstellen kann, das Prinzip des Königtums gelobt und der Rang und das Verhalten von gerechten und edelgesinnten Königen gerühmt werden.
Das Kommen von Herrschern, die mit Gerechtigkeit regieren und sich sogar zu seinem Glauben bekennen, wird vorausgeschaut, und die feierliche Pflicht, sich zu erheben und den Sieg der Bahá'í-Herrscher zu verbürgen, wird allen nahegelegt.
Aus den oben angeführten, von Bahá'u'lláh an die Monarchen der Erde gerichteten Worte zu schließen, und aus der Schilderung der beklagenswerten Verhängnisse, die so viele von ihnen befallen haben, zu folgern, daß seine Anhänger die völlige Aufhebung des Königtums entweder vertreten oder erwarten, wäre in der Tat gleichbedeutend mit einer Verzerrung seiner Lehre.
+19:2 #114
Ich kann nichts Besseres tun, als einige der eigenen Zeugnisse von Bahá'u'lláh anzuführen und es dem Leser zu überlassen, sich sein eigenes Urteil über die Unrichtigkeit solcher Schlußfolgerung zu bilden, in seinem "Brief an den Sohn des Wolfes" zeigt Er die wahre Quelle des Königtums auf: "Achtung vor dem Rang der Staatsoberhäupter ist von Gott verordnet, wie es klar durch die Worte der Offenbarer Gottes und Seiner Erwählten bezeugt ist. Er, welcher der Geist ist (Jesus) - Friede ruhe auf Ihm - wurde gefragt: `O Geist Gottes! Ist es rechtens, dem Kaiser Tribut zu zahlen, oder nicht?` Und Er gab zur Antwort: `Ja, gebt dem Kaiser, was des Kaisers ist, und Gott, was Gottes ist.` Er verbot es nicht. Diese beiden Sätze sind in den Augen einsichtsvoller Menschen ein und dasselbe, denn wenn, was des Kaisers ist, nicht von Gott gekommen wäre, so hätte Er es verboten. Und ebenso in dem geheiligten Verse: `Gehorchet Gott und gehorchet dem Glaubensboten und denen unter euch, die mit Autorität bekleidet sind.` Unter den mit `Autorität Bekleideten` sind vor allem und im besonderen die Imáme gemeint - Gottes Segen ruhe auf ihnen. Wahrlich, sie sind die Offenbarung der Macht Gottes, die Quellen Seiner Autorität, die Verwahrungsorte Seiner Erkenntnis und die Tagesanbrüche Seiner Gebote. In zweiter Linie beziehen sich diese Worte auf die Könige und Herrscher, auf jene, durch deren Glanz der Gerechtigkeit die Horizonte der Welt strahlend und hell werden."
+19:3 #115
Und ferner: "Im Römerbrief hat Paulus geschrieben: `Laßt jedermann untertan sein den Obrigkeiten, denn es ist keine Obrigkeit ohne von Gott; wo aber Obrigkeit ist, die ist von Gott verordnet. Darum, wer immer der Gewalt sich widersetzt, widersetzt sich Gottes Verordnung.` Und weiterhin: `Denn er ist ein Gehilfe Gottes und ein Rächer des Zornes über den, der übles tut.` Er sagt, daß das Auftreten der Könige und ihre Majestät und Macht von Gott sind."
+19:4
Und wiederum: "Ein gerechter König erfreut sich näheren Zugangs zu Gott als sonst jemand. Dies bezeugt Er, welcher in Seinem Größten Gefängnis spricht."
+19:5
Ebenso erklärt Bahá'u'lláh in den Bishárát (Frohe Botschaften), daß "die Majestät des Königtums eines der Zeichen Gottes" ist. "Wir wünschen nicht", fügt Er hinzu, "daß die Länder der Welt dessen beraubt würden."
+19:6
Im Kitáb-i-Aqdas tut Er seinen Plan kund und lobt den König, der sich zu seinem Glauben bekennen wird: "Bei der Gerechtigkeit Gottes! Es ist nicht Unser Wunsch, Hand an eure Königreiche zu legen. Unsere Sendung ist, die Menschenherzen zu erfassen und zu besitzen. Auf sie sind die Augen Bahás gerichtet. Dies bezeugt das Reich der Namen - könntet ihr es doch begreifen. Wer seinem Herrn folgt, wird auf die Welt verzichten und auf alles, was darinnen ist. Wieviel größer muß dann die Loslösung Dessen sein, der eine so erhabene Stufe innehat.!" "Wie groß ist der Segen, der des Königs wartet, der sich erheben wird, Meine Sache in Meinem Reiche zu unterstützen, der sich von allem loslösen wird außer von Mir! Solch ein König wird unter die Gefährten der Hochroten Arche gezählt werden, der Arche, die Gott dem Volke Bahás bereitet hat. Alle müssen seinen Namen verherrlichen, seiner Stufe huldigen und ihm helfen, die Städte mit den Schlüsseln Meines Namens zu erschließen, des allmächtigen Beschützers aller, welche die sichtbaren und die unsichtbaren Reiche bewohnen. Solch ein König ist das wirkliche Auge der Menschheit, der leuchtende Schmuck auf der Stirn der Schöpfung, der Segensquell für die ganze Welt. O Volk von Bahá, opfere dein Vermögen, ja sogar dein Leben, zu seinem Beistand."
+19:7 #116
In dem Lawh-i-Sultán enthüllt Bahá'u'lláh des weiteren die Bedeutung des Königtums: "Ein gerechter König ist der Schatten Gottes auf Erden. Alle sollten unter dem Schatten seiner Gerechtigkeit Zuflucht suchen und im Schutz seiner Gunst ruhen. Dies ist keine Sache, die abgesondert oder in ihrer Reichweite begrenzt ist, so daß sie auf die eine oder andere Person beschränkt wäre, da der Schatten ja von dem Einen kündet, der ihn wirft. Gott - verherrlicht sei Sein Gedenken - hat sich selbst Herr der Welten genannt, denn Er hat einen jeden erzogen und erzieht ihn noch. Verherrlicht sei darum Seine Gnade, die allen erschaffenen Dingen voranging, und Seine Barmherzigkeit, die alle Welten übertroffen hat."
+19:8
In einem seiner Tablets hat Bahá'u'lláh zudem geschrieben: "Der eine wahre Gott - erhaben sei Sein Ruhm - hat die Regierung der Erde den Königen anvertraut. Keiner hat das Recht, in irgendeiner Weise zu handeln, die den wohlüberlegten Ansichten derer zuwiderläuft, die die Autorität besitzen. Wäs Er für sich selbst vorbehalten hat, sind die Städte der Menschenherzen, und an diesem Tage sind die Geliebten von Ihm, der die höchste Wahrheit ist, wie deren Schlüssel."
+19:9 #117
In der folgenden Stelle drückt Er diesen Wunsch aus: "Wir hegen die Hoffnung, daß sich einer der Könige der Erde um der Sache Gottes willen für den Triumph dieser mißhandelten, unterdrückten Menschen erheben werde. Ein solcher König wird ewig gerühmt und verherrlicht werden. Gott hat es diesen Menschen zur Pflicht gemacht, jedem zu helfen, der ihnen helfen wird, seinem höchsten Wohle zu dienen und ihm ihre dauernde Treue zu beweisen."
+19:10
Im Lawh-i-Ra'ís weissagt Er bestimmt und eindeutig das Erscheinen eines solchen Königs: "Binnen kurzem wird Gott unter den Königen einen erheben, der Seinen Geliebten helfen wird. Wahrlich, Er umfaßt alle Dinge. Er wird den Herzen die Liebe zu Seinen Geliebten einflößen. Wahrlich, dies ist unwiderruflich beschlossen durch den Einen, den Allmächtigen, den Wohltätigen." Im Ridvánu'l-'Adl, in dem die Tugend der Gerechtigkeit gepriesen wird, gibt Er eine gleichgerichtete Weissagung: "Binnen kurzem wird Gott Könige auf Erden erscheinen lassen, welche sich auf das Lager der Gerechtigkeit stützen und unter den Menschen herrschen werden, ebenso wie sie sich selbst beherrschen. Wahrlich, in der gesamten Schöpfung gehören sie zu den Auserwähltesten Meiner Geschöpfe."
+19:11
Im Kitáb-i-Aqdas schaut Er in den folgenden Worten voraus, wie in seiner Geburtsstadt, "der Mutter der Welt" und "dem Tagesanbruch des Lichtes", ein König auf den Thron erhoben wird, der mit dem doppelten Schmuck der Gerechtigkeit und der Ergebenheit in seinen Glauben geziert sein wird. "O Land von Tá, lasse dich durch nichts betrüben, denn Gott hat dich dazu erwählt, der Freudenquell der ganzen Menschheit zu sein. Er wird, wenn es Sein Wille ist, deinen Thron mit einem segnen, der in Gerechtigkeit herrscht und die Herde Gottes, welche die Wölfe zerstreut haben, sammelt. Ein solcher Herrscher wird in Freude und Frohsinn sein Antlitz dem Volke Bahás zuwenden und ihm seine Gunst erweisen. Wahrlich, er wird in den Augen Gottes wie ein Kleinod unter den Menschen betrachtet. Auf ihm ruhe für immer die Herrlichkeit Gottes und die Herrlichkeit aller, die im Reiche Seiner Offenbarung wohnen."
+20 #118
Der Zerfall religiöser Orthodoxie
Liebe Freunde! Der Niedergang in den Schicksalen der Inhaber weltlicher Macht spielte sich zur selben Zeit ab wie die nicht minder erschiitternde Abnahme des Einflusses der geistigen Führer der Welt. Die gewaltigen Ereignisse, die der Auflösung so vieler König- und Kaiserreiche vorausgingen, sind zeitlich nahezu zusammengefallen mit der Zerstörung der scheinbar unverletzlichen Bollwerke religiöser Orthodoxie. Dieses gleiche Geschehen, das in tragischer Schnelle den Urteilsspruch über Könige und Kaiser besiegelte und ihre Herrscherhäuser auslöschte, hat auch das Ansehen der kirchlichen Führer des Christentums und des Islám geschädigt und in einigen Fällen den Sturz ihrer höchsten Einrichtungen bewirkt. Wahrhaftig, "die Macht ist entrissen" beiden, "Königen und Geistlichen". Die Glorie dieser ist verdunkelt, die Macht jener ist unwiderruflich dahin.
+20:2
Jene Führer, die Leitung und Aufsicht über die geistlichen Hierarchien ihrer betreffenden Religionen ausübten, sind von Bahá'u'lláh ebenfalls angerufen, gewarnt und getadelt worden, und dies in nicht weniger deutlichen Ausdrücken als die Herrscher, die das Schicksal ihrer Untertanen bestimmten. Auch sie, und ganz besonders die Häupter der muslimischen Orden, haben zusammen mit Despoten und Machthabern ihre Angriffe gegen die Begründer des Gottesglaubens, dessen Anhänger, Grundsätze und Einrichtungen geführt und ihre Bannflüche gegen sie geschleudert. Waren nicht die Geistlichen Persiens die ersten, welche die Fahne der Empörung hißten, die unwissenden und unterwürfigen Massen gegen diesen Glauben aufwiegelten und die Behörden durch ihr Geschrei, ihre Drohungen, Lügen, Verleumdungen und Beschuldigungen dazu anstifteten, Verbannungen zu verordnen, Gesetze zu erlassen, Strafexpeditionen auszuschicken und die Hinrichtungen und Metzeleien auszuführen, welche die Blätter seiner Geschichte füllen? So abscheulich und wild waren die an einem einzigen Tag auf Antreiben dieser Geistlichen begangenen Schlächtereien und so kennzeichnend für die "Gefühllosigkeit des Rohlings und die List des bösen Feindes", daß Renan in seinem Werk "Les Apotres" diesen Tag als "vielleicht beispiellos in der Weltgeschichte" darstellte.
+20:3 #119
Diese Geistlichen waren es, die gerade durch solche Taten die Saaten der Zersetzung ihrer eigenen Einrichtungen säten, die einst so mächtig und berühmt waren und so unverwundbar erschienen zu der Zeit, als der Glaube geboren wurde, sie waren es, die so leichtfertig und töricht schreckliche Verantwortung auf sich nahmen und damit in erster Linie für die Auslösung so gewaltsamer und zersetzender Einflüsse verantwortlich waren, die nun solch verhängnisvolles Unheil entfesselten, daß es Könige, Herrscherhäuser und Kaiserreiche überwältigte und die denkwürdigsten Daten in der Geschichte des ersten Jahrhunderts des Bahá'í-Zeitalters bildet.
+20:4
Dieser Zersetzungsprozeß, wie bestürzend er auch gerade in seinen Anfangserscheinungen gewesen war, geht noch weiterhin mit unveränderter Kraft vor sich und wird, da die Gegnerschaft des Gottesglaubens von verschiedenen Seiten und auf weiten Gebieten zunehmen wird, sich fernerhin beschleunigen und noch bedeutendere Beweise seiner zerstörenden Macht offenbaren.
Angesichts des Ausmaßes, welches diese Schilderung schon angenommen hat, kann ich mich nicht so ausführlich, wie ich es wünschte, über die Gesichtspunkte dieses wichtigen Stoffes auslassen, der, zusammen mit der Haltung der Herrscher der Erde gegen die Botschaft Bahá'u'lláhs, eine der fesselndsten und lehrreichsten Begebnisse in der dramatischen Geschichte seines Glaubens ist. Ich will hier nur die heftigen Angriffe der Kirchenführer des Islám und, in geringerem Maße, gewisser Häupter der christlichen Orthodoxie und die daraus entstandenen Rückschläge auf ihre entsprechenden eigenen Einrichtungen betrachten. Diesen Bemerkungen möchte ich einige Stellen aus der großen Anzahl der Tablets Bahá'u'lláhs vorausschicken, die sowohl unmittelbar als auch mittelbar muslimische und christliche Geistliche betreffen und die ein kraftvolles Licht auf das düstere Unheil werfen, das die geistlichen Hierarchien der beiden Religionen, mit denen der Glaube unmittelbar in Berührung kam, ergriffen hat und noch ergreift.
+20:5 #120
Jedoch darf nicht daraus gefolgert werden, daß Bahá'u'lláh seine historischen Schreiben ausschließlich an die Führer des Islám und der Christenheit richtete oder daß sich der Ansturm eines alles durchdringenden Glaubens gegen die Bollwerke religiöser Strenggläubigkeit auf die Einrichtungen dieser beiden Religionssysteme beschränken sollte. "Die den Völkern und Geschlechtern der Erde vorbestimmte Zeit ist jetzt gekommen", versichert Bahá'u'lláh. "Gottes Verheißungen, wie sie in den Heiligen Schriften verzeichnet stehen, sind alle erfüllt worden ... Dies ist der Tag, den die Feder des Höchsten in allen Heiligen Schriften verherrlicht hat. Es gibt keinen Vers in ihnen, der nicht den Ruhm Seines heiligen Namens werkündet, und kein Buch, das nicht die Höhe dieses erhabensten Gegenstandes bezeugt." "Würden Wir", so fügt Er hinzu, "all dessen, was in diesen himmlischen Büchern und Heiligen Schriften über diese Offenbarung enthüllt ist, Erwähnung tun, so würde dieses Tablet unmögliche Ausmaße annehmen."
+20:6 #121
Da die Verheißung des Glaubens Bahá'u'lláhs in allen schriften vergangener Religionen eingeschlossen ist, wendet sich sein Begründer selbst an ihre Anhänger und besonders an ihre verantwortlichen Führer, die zwischen ihn und ihre betreffenden Gemeinden traten. "Einmal", schreibt Bahá'u'lláh, "wenden wir Uns an das Volk der Thora und laden es vor Ihn, den offenbarer von Versen, der gekommen ist von Dem, der die Nacken der Menschen beugt ... Ein anderes Mal wenden wir Uns an das Volk des Evangeliums und sprechen: `Der Allherrliche ist gekommen in diesem Namen, durch den der Odem Gottes über alle Bereiche wehte` ... Und wieder ein anderes Mal wenden wir Uns an das Volk des Qur'án und sagen: `Fürchtet den Allbarmherzigen und verspottet nicht Ihn, durch den alle Religionen begründet wurden.` ... Wisse des weiteren, daß wir an die Magier (Zoroastrier) Tablets gerichtet und sie mit Unserem Gesetze geschmückt haben ... Wir haben darin das Wesen aller in ihren Büchern enthaltenen Hinweise und Gleichnisse geoffenbart. Wahrlich, der Herr ist der Allmächtige, der Allwissende."
+20:7
Dem jüdischen Volk hat Bahá'u'lláh geschrieben: "Das Größte Gesetz ist gekommen und die Urewige Schönheit herrscht auf dem Throne Davids.
So hat Meine Feder gesprochen, was die Chroniken vergangener Zeitalter berichtet haben.
Heute aber ruft David laut und spricht.- `O mein liebreicher Herr!
Zähle Du mich zu denen, die standhaft geblieben sind in Deiner Sache, o Du, durch den die Angesichter erleuchtet wurden und die Schritte gestrauchelt sind!`"
Und wiederum: "Der Odem wurde ausgesandt, und der Windhauch hat geweht, und von Zion ist erschienen, was verborgen war, und von Jerusalem ist die Stimme Gottes, des Einen, des Unvergleichlichen, des Allwissenden, gehört worden."
Und weiter hat Bahá'u'lláh in seinem "Brief an den Sohn des Wolfes" geoffenbart: "Lausche dem Gesang Davids.
Er sagt `Wer wird mich in die feste Stadt bringen?` Die feste Stadt ist 'Akká, welches das Größte Gefängnis genannt wurde und welches eine Festung und mächtige Wälle besitzt.
O Shaykh!
Lies genau, was Jesaja in seinem Buche gesprochen hat.
Er sagt: `Steige auf den hohen Berg, o Zion, die du frohe Botschaften bringest; erhebe deine Stimme mit Macht, o Jerusalem, die du frohe Botschaften bringest.
Erhebe sie und fürchte dich nicht.
Sprich unter den Städten Judas:
Schauet auf euren Gott!
Sehet, der Herr Gott wird kommen mit starker Hand und Sein Arm soll für Ihn herrschen.` Heute sind alle Zeichen erschienen.
Eine große Stadt ist vom Himmel herabgestiegen und Zion bebt und jubelt vor Freude über die Offenbarung Gottes, denn sie hat die Stimme Gottes auf allen Seiten vernommen."
+20:8 #122
Der Priesterkaste, welche die geistliche Macht über die Anhänger des Glaubens Zoroasters besitzt, hat dieselbe Stimme, die mit der stimme des verheißenen Sháh-Bahrám gleichgesetzt ist, erklärt: "O Hohepriester!
Ohren sind euch gegeben worden, damit sie dem Geheimnis Dessen, welcher der Selbstbestehende ist, lauschen, und Augen, damit sie Ihn erschauen.
Wovor flieht ihr?
Der unvergleichliche Freund ist offenbar.
Er spricht Worte, in denen Erlösung ruht.
O Hohepriester!
Würdet ihr den Duft vom Rosengarten des Verstehens wahrnehmen, so würdet ihr keinen anderen außer Ihm suchen, und ihr würdet den Allweisen und Unvergleichlichen in Seinem neuen Gewande entdecken und eure Augen von der Welt und von allen, die sie suchen, abwenden, und euch erheben, Ihm zu helfen."
Bahá'u'lláh hat einem Zoroastrier, der ihn über den verheißenen SháhBahrám befragt hatte, geantwortet: "Was immer in den Büchern verkündet wurde, ist enthüllt und erklärt worden.
Überall wurden die Zeichen geoffenbart.
Der Allmächtige ruft an diesem Tage und kündet das Erscheinen des Erhabensten Himmels an." "Dies ist nicht der Tag", erklärt Er in einem anderen Tablet, "an dem die Hohepriester noch befehlen und ihre Amtsgewalt ausüben können.
In eurem Buche ist dargelegt, daß die Hohepriester an jenem Tage die Menschen irreführen und daran hindern werden, Ihm zu nahen.
Wahrlich, nur der ist ein Hoherpriester, der das Licht geschaut hat und auf dem Wege worangeeilt ist, der zu dem Geliebten führt." "Sprecht, o Hohepriester.!" redet Er sie wiederum an: "Die Hand der Allmacht ist aus den Wolken hervor ausgestreckt.
Betrachtet sie mit neuen Augen.
Die Zeichen Seiner Erhabenheit und Größe sind enthüllt.
Blickt auf sie mit reinen Augen ...
Sprecht, o Hohepriester!
Ihr genießt Verehrung um Meines Namens willen und doch flieht ihr Mich.
Ihr seid die Hohepriester des Tempels.
Wäret ihr die Hohepriester des Allmächtigen gewesen, so wäret ihr mit Ihm vereint worden und ihr hättet Ihn erkannt ...
Sprecht, o Hohepriester!
Keines Menschen Taten werden angenommen werden an diesem Tage, es sei denn, er entsage der Menschheit und allem, was Menschen besitzen, und wende sein Antlitz dem Allmächtigen zu."
+20:9 #123
Es ist jedoch keine dieser beiden Religionen, mit der wir uns in erster Linie beschäftigen wollen. Es ist der Islám und in geringerem Maße das Christentum, auf die sich mein Thema geradewegs bezieht. Der Islám, aus dem der Glaube Bahá'u'lláhs so entstanden ist, wie das Christentum aus dem Judentum entsprang, ist die Religion, in deren Bereich sich dieser Glaube zuerst erhob und entwickelte, aus deren Reihen die große Masse der Bahá'í-Anhänger hervorging, von deren Führern sie verfolgt wurden und auch jetzt noch verfolgt werden. Das Christentum andererseits ist die Religion, der die große Mehrheit der Bahá'í nichtmuhammadanischer Herkunft angehört, in deren geistigem Bereich die Verwaltungsordnung des Gottesglaubens schnell voranschreitet und durch dessen geistliche Vertreter diese Ordnung in wachsendem Maße angegriffen wird. Anders als der Hinduismus, der Buddhismus, das Judentum und sogar die zoroastrische Religion, die im wesentlichen die verborgenen Kräfte der Gottessache noch nicht erkannt haben und deren Antwort auf ihre Botschaft noch nicht beachtet zu werden braucht, können der muhammadanische und der christliche Glaube als die beiden religiösen Systeme angesehen werden, die in diesem formbildenden Entwicklungszustand des Bahá'í-Glaubens die volle Wucht einer so gewaltigen Offenbarung auszuhalten haben.
+20:10 #124
So wollen wir denn betrachten, womit sich die Begründer des Bahá'í-Glaubens an die anerkannten Führer des Islám und des Christentums gewendet oder was sie über sie geschrieben haben. Wir haben schon die Stellen bezüglich der Könige des Islám betrachtet, seien es die in Konstantinopel regierenden Kalifen oder die Herrscher Persiens, die ihr Reich als weltliche Bevollmächtigte des erwarteten Imáms regierten. Wir haben auch das Tablet erwähnt, das Bahá'u'lláh im besonderen für den römischen Papst offenbarte, und die allgemeinere Botschaft in der Súriy-i-Mulúk, die an die Könige des Christentums gerichtet ist. Nicht weniger herausfordernd und drohend ist die Stimme, welche die muhammadanischen Geistlichen und den christlichen Klerus gewarnt und zur Verantwortung gerufen hat.
+20:11 #125
"Religiöse Führer", so lautet Bahá'u'lláhs klarer und allgemeiner, im Kitáb-i-Íqán ausgesprochener Tadel, "haben in jedem Zeitalter ihr Volk daran gehindert, die Ufer des ewigen Heils zu erreichen, da sie die Zügel der Autorität in ihrem mächtigen Griff hielten.
Einige sind aus Lust am Führertum, andere aus Mangel an Erkenntnis und Einsicht die Ursache dieses schweren Verlustes fiir die Menschen gewesen.
Mit ihrer Billigung und durch ihre Autorität hat jeder Offenbarer Gottes den Opferkelch getrunken und Seinen Flug in die Höhe der Herrlichkeit genommen.
Welche unaussprechlichen Grausamkeiten haben sie, die Orte der Autorität und Gelehrsamkeit, den wahren Königen der Welt, den Edelsteinen göttlicher Tugend, zugefügt!
Zufrieden mit einer vergänglichen Gewalt, haben sie sich einer ewigen Herrschaft beraubt."
Und wiederum im gleichen Buche: "Unter diesen `Schleiern der Herrlichkeit` befinden sich die in den Tagen der Manifestation Gottes lebenden Geistlichen und Gelehrten, welche aus Mangel an Einsicht und aus Liebe und Gier nach Führerschaft versäumt haben, sich der Sache Gottes zu unterwerfen, ja, sich sogar geweigert haben, ihr Ohr der göttlichen Melodie zuzuneigen. `Sie haben die Finger in die Ohren gesteckt.` Und auch das Volk, das Gott völlig unbeachtet ließ und sie zu ihren Meistern nahm, hat sich rückhaltlos unter den Einfluß dieser hochtrabenden, heuchlerischen Führer gestellt, denn es hat kein eigenes Gesicht, kein Gehör, kein Herz, um Wahrheit von Falschheit zu unterscheiden.
Ungeachtet der von Gott eingegebenen Ermahnungen aller Propheten, Heiligen und Auserwählten Gottes, die dem Volke einschärften, mit eigenen Augen zu sehen und mit eigenen Ohren zu hören, hat es ihren Rat geringschätzig verworfen und ist den Führern seines Glaubens blind gefolgt und wird dies weiterhin tun.
Sollte ein armer, unbekannter Mensch, bar des Glanzes der Gelehrsamkeit, sie anreden und sagen: `O Menschen, folgt den Gottgesandten`, dann würden sie, höchlich erstaunt über solchen Spruch, erwidern: `Was?
Meinst du, alle diese Geistlichen, alle diese Vertreter der Gelehrsamkeit mit ihrer Autorität, ihrem Pomp und Prunk hätten sich geirrt und Wahrheit von Falschheit nicht unterscheiden können?
Behauptest du und deinesgleichen, das erfaßt zu haben, was sie nicht verstanden haben?` Wenn Anzahl und vorzügliche Leistung als Maßstab für Wissen und Wahrheit angesehen werden, dann müßten die Völker vergangener Zeiten, die an Zahl, Pracht und Macht bis heute nie übertroffen worden sind, wahrlich als höhere und wertvollere Völker angesehen werden."
Des weiteren: "Nicht ein Offenbarer Gottes ist herabgesandt worden, der nicht diesem unbarmherzigen Haß zum Opfer gefallen wäre, diesen Anklagen, dieser Verleugnung und Verfluchung durch die Geistlichen Seines Tages!
Wehe ihnen ob der Missetaten, die ihre Hände einst verübt haben!
Wehe ihnen ob dessen, was sie jetzt tun!
Welche Schleier der Herrlichkeit sind schlimmer als diese Verkörperungen des Irrtums!
Bei der Gerechtigkeit Gottes!
Diese Schleier durchzureißen ist die größte aller Taten und sie zu zerstören das verdienstvollste aller Werke!" "Auf ihrer Zunge", hat Er des weiteren geschrieben,"ist dieErwähnung Gottes ein leerer Name geworden und in ihrer Schar Sein heiliges Wort ein toter Buchstabe.
So stark ist der Sturm ihrer Begierden, daß die Leuchte des Gewissens und der Vernunft in ihren Herzen verlöscht ist . . .
Nicht zwei von ihnen sind bereit, ein und dasselbe Gesetz anzunehmen, denn sie suchen keinen Gott außer ihrem eigenen Begehren und wandeln auf keinem anderen Pfad als auf dem Pfade des Irrtums.
Führer zu sein, das ist das letzte Ziel ihres Strebens, und in Stolz und Dunkel sehen sie die höchste Erfüllung ihres Herzenswunsches.
Sie haben ihre schmutzigen Ränke über den göttlichen Ratschluß gestellt, haben die Ergebung in Gottes Willen hochmütig abgetan, haben sich selbstsüchtigen Berechnungen hingegeben und sind den Weg des Heuchlers gegangen.
Mit aller Macht und Kraft trachten sie danach, sich hinter ihren kleinlichen Schlichen sicher zu fühlen, ängstlich darauf bedacht, daß nicht das geringste Mißtrauen ihre Würde untergrabe oder das Gepränge ihrer Herrlichkeit trübe."
+20:12 #126
"Quelle und Ursprung der Tyrannei", hat Bahá'u'lláh in einem anderen Tablet versichert, "sind die Geistlichen gewesen. Durch das von diesen hochmütigen und eigensinnigen Seelen ausgesprochene Urteil haben die Herrscher der Erde getan, was ihr gehört habt ... Die Leitung der achtlosen Massen lag und liegt immer noch in den Händen der Verkörperungen eitler Hirngespinste und hohler Einbildungen. Sie schreiben vor, was ihnen gefällt. Wahrlich, Gott hat wie Wir nichts mit ihnen zu tun, und so auch jene, die bezeugten, was die Feder des Höchsten auf dieser herrlichen Stufe gesprochen hat."
+20:13
"Die Führer der Menschen", hat Er gleicherweise bekundet, "haben seit undenklicher Zeit das Volk daran gehindert, sich dem Größten Ozean zuzuwenden. Der Freund Gottes (Abraham) wurde durch den Urteilsspruch der Geistlichen Seiner Zeit ins Feuer geworfen, und Lügen und Verleumdungen wurden auf Ihn, der mit Gott redete (Moses), gehäuft. Denke über den Einen nach, welcher der Geist Gottes war ( Jesus). Obwohl Er nur Mitleid und Nachsicht zeigte, erhoben sie sich doch gegen dieses innerste Wesen des Seins und gegen diesen Herrn des Sichtbaren und des Unsichtbaren in solcher Art, daß Er weder Zuflucht noch Ruhe finden konnte. Jeden Tag wanderte Er an einen anderen Platz und suchte einen anderen Schutz, Betrachte das Siegel der Propheten (Muhammad) - mögen die Seelen aller außer Ihm ein Opfer für Ihn sein! Wie schmerzlich waren die Dinge, die diesen Herrn des ganzen Daseins aus den Händen der Priester des Götzendienstes und der jüdischen Gelehrten befielen, nachdem Er die gesegneten Worte geäußert hatte, die die Einheit Gottes erkünden! Bei Meinem Leben! Meine Feder stöhnt und alles Erschaffene schreit auf wegen der Dinge, die Ihn von den Händen derer betroffen haben, die das Bündnis Gottes und Sein Testament brachen, Sein Zeugnis verleugneten und Seinen Zeichen widersprachen."
+20:14 #127
"Die törichten Geistlichen", so heißt es in einem anderen Tablet, "haben das Buch Gottes weggelegt und sich mit dem befaßt, was sie sich selbst geschaffen haben. Der Ozean der Erkenntnis ist geoffenbart, und der Klang der Feder des Höchsten wurde deutlich, und doch sind sie wie Regenwürmer mit dem Lehm ihrer Vorstellungen und Einbildungen behaftet. Sie sind durch ihre Beziehung zu dem einen wahren Gott erhöht, und doch haben sie sich von Ihm abgewandt. Durch Ihn sind sie berühmt geworden, und doch sind sie wie durch einen Schleier Von Ihm getrennt."
+20:15
"Die heidnischen Priester", steht ferner in einem anderen Tablet geschrieben, "und die jüdischen und die christlichen Geistlichen haben genau die Dinge begangen, welche die Geistlichen im Zeitalter dieser Sendung begangen haben und noch begehen. Nein, sie haben sogar schlimmere Grausamkeit und wildere Bosheit gezeigt. Jedes Atom ist Zeuge dessen, was Ich sage."
+20:16
Diese Führer, die "sich selbst für die besten aller Geschöpfe halten und von Ihm, der Wahrheit, als die schlechtesten betrachtet worden sind", welche "die Sitze der Erkenntnis und Gelehrsamkeit besetzen und Unwissen Erkenntnis und Unterdrückung Gerechtigkeit genannt haben", die "keinen Gott, sondern ihr eigenes Begehren anbeten, die nichts huldigen als dem Gold, in die dichtesten Schleier der Gelehrsamkeit verwickelt sind und, in seiner Finsternis verfangen, in der Wildnis des Irrtums verloren sind" - diese hat Bahá'u'lláh mit folgenden Worten anzureden beliebt: "O Schar der Geistlichen! Ihr werdet euch künftighin nicht mehr im Besitze irgendeiner Macht sehen, denn wir haben sie von euch genommen und für solche bestimmt, die an Gott geglaubt haben, den Einen, den Allgewaltigen, den Allmächtigen, den Unbeschränkten."
+20:17 #128
Im Kitáb-i-Aqdas lesen wir folgendes: "Sprich:
O Führer der Reiligion!
Wägt nicht das Buch Gottes mit solchen Maßen und Kenntnissen, wie sie unter euch allgemein gültig sind, denn das Buch selbst ist die untrügliche, inmitten der Menschen aufgestellte Waage.
Auf dieser vollkommensten Waage muß alles gewogen werden, was die Völker und Geschlechter der Erde besitzen, während das Maß des Gewichtes dieser Waage nach ihrer eigenen Norm geprüft werden muß - würdet ihr das doch erkennen!
Das Auge Meiner liebevollen Gnade weint schmerzlich über euch, da ihr versäumt habt, den Einen zu erkennen, nach welchem ihr gerufen habt am Tage und zur Nachtzeit, am Morgen und am Abend ...
O ihr Führer der Religion!
Wo ist der Mensch unter euch, der es Mir in der Schau oder Einsicht gleichtun kann?
Wo ist der zu finden, der zu dem Anspruch sich erkühnt, Mir gleich zu sein in der Verkündung oder in der Weisheit?
Nein, bei Meinem Herrn, dem Allbarmherzigen!
Alles auf Erden wird dahinschwinden,- doch dies ist das Antlitz eures Herrn, des Allmächtigen, des Vielgeliebten ...
Sprich:
Wahrlich, das ist der Himmel, in welchem das Mutterbuch werwahrt ist - könntet ihr es doch begreifen!
Er ließ den Felsen aufjauchzen und den Brennenden Busch seine Stimme erheben auf dem Berg, der über dem Heiligen Lande aufsteigt, und verkünden: `Das Reich ist Gottes, des obersten Herrn über alles, des Allgewaltigen, des Liebenden!` Wir sind in keine Säule gegangen und haben keine eurer Abhandlungen gelesen.
Neigt euer Ohr den Worten dieses Ungelehrten, mit denen Er euch vor Gott lädt, den Ewigwährenden.
Dies ist besser für euch als alle Schätze der Erde - könntet ihr es doch begreifen!"
+20:18 #129
"O Scharen der Geistlichen", hat Er noch weiter geschrieben, "als Meine Verse herabgesandt und Meine klaren Zeichen enthüllt wurden, fanden Wir euch hinter Schleiern.
Dies, wahrlich, ist etwas Seltsames ...
Wir haben die Schleier zerrissen.
Hütet euch, daß ihr das Volk nicht durch noch einen anderen Schleier ausschließt.
Zerbrecht die Ketten eitler Einbildungen im Namen des Herrn aller Menschen und gehört nicht zu den Betrügern.
Solltet ihr euch Gott zuwenden und Seine Sache annehmen, so sät keine Unordnung in sie und meßt nicht das Buch Gottes mit euren selbstsüchtigen Wünschen.
Wahrlich, dies ist Gottes Rat ehedem und immerdar ...
Hättet ihr an Gott geglaubt, als Er sich offenbarte, so hätte sich das Volk nicht von Ihm abgewandt, noch hätte Uns das befallen, dessen ihr heute Zeuge seid.
Fürchtet Gott und gesellt euch nicht zu den Achtlosen!...
Dies ist die Sache, die alle eure abergläubischen Meinungen und eure Götzenbilder ins Wanken brachte ...
O Schar der Geistlichen!
Hütet euch, zur Ursache des Streites im Lande zu werden, so wie ihr in seinen früheren Tagen zur Ursache der Zurückweisung des Glaubens wurdet.
Sammelt das Volk um dieses Wort, das die Steine ausrufen ließ: `Das Reich ist Gottes, des Aufgangsortes aller Zeichen!` ...
Zerreißt die Schleier in einer solchen Weise, daß es die Bewohner des Königreiches hören.
Dies ist der Befehl Gottes in den vergangenen Tagen und für die kommenden.
Gesegnet der Mensch, der befolgt, was ihm befohlen wurde, und wehe den Nachlässigen."
+20:19
Und wiederum: "O Schar der Geistlichen! Wie lange wollt ihr die Speere des Hasses auf das Antlitz Bahás richten? Zügelt eure Feder! Seht, die Erhabenste Feder spricht zwischen Erde und Himmel. Fürchtet Gott und folgt nicht euren Wünschen, die das Antlitz der Schöpfung entstellt haben! Reinigt eure Ohren, auf daß sie der Stimme Gottes lauschen. Bei Gott! Sie ist wie ein Feuer, das die Schleier verzehrt, und wie Wasser, das die Seelen all derer reinigt, die im Weltall sind."
+20:20 #130
"Sprich: O Schar der Geistlichen!", so redet Er sie weiter an, "kann sich einer von euch mit dem göttlichen Jüngling in der Arena der Weisheit und der Verkündung messen oder sich mit Ihm in den Himmel der inneren Bedeutung und der Auslegung erheben? Nein, bei Meinem Herrn, dem Gott der Barmherzigkeit! Alle wurden am heutigen Tage durch das Wort deines Herrn ohnmächtig. Sie sind sogar wie tot und leblos außer dem, den dein Herr, der Allmächtige, der Unbeschränkte, zu verschonen gewillt ist. Ein solcher Mensch gehört wahrlich zu den mit Erkenntnis Begabten in den Augen Dessen, der der Allwissende ist. Die Insassen des Paradieses und die Bewohner der geheiligten Stätten segnen ihn zur Abendzeit und zur Morgendämmerung. Kann einer mit Holzbeinen einem Widerstand leisten, dessen Füße Gott aus Stahl gemacht hat? Nein, bei Ihm, der das All der Schöpfung erleuchtet!"
+20:21
"Als Wir genau darauf achteten", äußert Er bedeutungsvoll, "entdeckten Wir, daß Unsere Feinde zum größten Teil Geistliche sind". "Unter dem Volke sind welche, die sagten: `Er hat die Geistlichen verworfen.` Sprich: `Ja, bei Meinem Herrn! Ich war gewißlich Der, welcher die Götzenbilder zerschlug.`" "Wahrlich, Wir haben die Trompete, die Unsere Erhabenste Feder ist, erschallen lassen, und siehe, die Geistlichen und die Gelehrten, die Doktoren und die Herrscher fielen betäubt nieder, ausgenommen solche, die Gott als Zeichen Seiner Gnade bewahrte, und Er, wahrlich, ist der Allgütige, der Urewige aller Tage."
+20:22
"O Schar der Geistlichen! Werft eitle Phantasiegebilde und Einbildungen beiseite und wendet euch dann dem Horizonte der Gewißheit zu. Ich schwöre bei Gott: Alles, was ihr besitzt, wird euch nichts nützen, weder alle Schätze der Erde noch die Führerschaft, die ihr euch angeeignet habt. Fürchtet Gott und gehört nicht zu den Ver!orenen!" "Sprich: O Schar der Geistlichen! Legt alle eure Schleier und Hüllen beiseite. Schenkt euer Ohr dem, wozu euch die Erhabenste Feder an diesem wunderbaren Tage ruft ... Die Welt ist durch eure eitlen Einbildungen mit Staub beladen, und die Herzen der Gott Nahen werden von eurer Grausamkeit gequält. Fürchtet Gott und gesellt euch zu denen, die gerecht urteilen."
+20:23 #131
"O ihr Dämmerungsorte der Erkenntnis", so ermahnt Er sie, "hütet euch davor, daß man euch ändere. Denn wenn ihr euch ändert, werden sich die meisten Menschen desgleichen ändern. Wahrlich, dies ist ein Unrecht an euch und an anderen ... Ihr gleicht einer Quelle. Wenn sie sich verändert, werden die Ströme, die ihr entstammen, sich verändern. Fürchtet Gott und gesellt euch zu den Gottesfürchtigen! Wenn das Herz des Menschen verdorben wird, werden seine Glieder gleicherweise verdorben werden. Und ähnlich, wenn die Wurzel eines Baumes verdorben wird, so werden seine Äste, seine Triebe, seine Blätter und seine Früchte verdorben werden."
+20:24
"Sprich: O Schar der Geistlichen", so ruft Er sie an, "seid und wird euch Gott, dem Mächtigen, dem Großen, nahe bringen. Bedenkt und ruft euch ins Gedächtnis, wie das Volk Muhammad, den Apostel Gottes, verleugnete, als Er erschien. Sie beschuldigten Ihn derart, daß der Geist (Jesus) auf Seiner Erhabensten Stufe wehklagte und der Geist der Treue aufschrie. Bedenkt weiter, was vor Ihm die Apostel und Gottgesandten durch die Hände der Ungerechten befallen hat. Wir erwähnen euch um Gottes willen, erinnern euch an Seine Zeichen und verkünden euch die Dinge, die denen verordnet sind, die Ihm im erhabensten Paradiese und im allerhöchsten Himmel nahe sind. Wahrlich, Ich bin der Verkünder, der Allwissende. Er ist um eurer Erlösung willen gekommen und hat die Leiden ertragen, damit ihr auf der Leiter der Äußerungen zum Gipfel des Verstehens emporsteigen mögt ... Bedenkt mit Aufrichtigkeit und Gerechtigkeit das, was herabgesandt wurde. Wahrlich, dies wird euch durch die Wahrheit erhöhen und Dinge schauen lassen, die euch verschlossen waren, und es wird euch befähigen, Seinen perlenden Wein zu trinken."
+21 #132
Worte an die muhammadanischen Geistlichen
Laßt uns jetzt die besonderen Hinweise und die vom Báb und von Bahá'u'lláh unmittelbar an die muhammadanischen Geistlichen gerichteten Worte noch genauer betrachten.
Der Báb hat, wie im Kitáb-i-Íqán bezeugt wurde, "ein besonderes Tablet an die Geistlichen einer jeden Stadt geoffenbart, worin Er die Wesensart der Verleugnung und Zurückweisung durch einen jeden von ihnen ausführlich darlegte".
Während Er in Isfáhán weilte, jenem altehrwürdigen Bollwerk muhammadanischer Geistlichkeit, lud Er durch Vermittlung des Gouverneurs Manúchihr Khán die Geistlichen jener Stadt schriftlich ein, eine Aussprache mit ihm zu vereinbaren, um, wie Er es ausdrückte, "die Wahrheit festzustellen und die Falschfreit zu zerstreuen".
Nicht einer aus der Menge der Geistlichen, die sich um diesen großen sitz der Gelehrsamkeit drängten, hatte den Mut, die Herausforderung anzunehmen.
Bahá'u'lláh seinerseits gab, während Er in Adrianopel weilte, wie es in seinem Tablet an den Sháh von Persien bezeugt ist, seinem Wunsch Ausdruck, "Auge in Auge den Geistlichen Seiner Zeit gegenübergestellt zu werden und Beweise und Zeugnisse in der Gegenwart Seiner Majestät des Sháh geben zu können".
Dieses Anerbieten wurde als "eine große Anmaßung und erstaunliche Kühnheit" von den Geistlichen in Tihrán gerügt, und sie rieten in ihrer Furcht ihrem Staatsoberhaupt, augenblicklich den Überbringer jenes Tablets zu bestrafen.
Früher schon hatte Bahá'u'lláh, während Er in Baghdád weilte, seine Bereitwilligkeit ausgesprochen, unverzüglich ein Wunder zu vollbringen, unter der Voraussetzung, daß sich die Geistlichen von Najaf und Karbilá - in den Augen der Schiiten die beiden heiligsten Städte nächst Mekka und Medina - versammelten und über irgendein Wunder, das sie wünschten, übereinkämen und eine Erklärung unterzeichneten und siegelten, die versicherte, daß sie bei Vollbringung dieses Wunders die Wahrheit seiner Sendung anerkennen würden.
Auf diese Herausforderung konnten sie, wie durch'Abdu'l-Bahá in seinen "Beantworteten Fragen" bezeugt ist, keine bessere Antwort finden als diese: "Dieser Mann ist ein Zauberer.
Vielleicht will er ein Zauberkunststück vorführen, und dann würden wir nichts mehr zu sagen haben." "Zwölf Jahre lang", hat Bahá'u'lláh selbst bezeugt, "haben Wir in Bahgdád geweilt.
So sehr Wir auch wünschten, eine große Versammlung Geistlicher und ehrlich gesinnter Männer käme zusammen, so daß Wahrheit von Falschheit unterschieden und völlig bewiesen werde, so ist doch nichts dazu geschehen."
Und wiederum: "
Und ebenso, während Wir im 'Iráq waren, wünschten wir, mit den Geistlichen Persiens zusammenzukommen.
Kaum hörten sie davon, so flohen sie und sprachen: `Er ist tatsächlich ein offenkundiger Zauberer!` Dieses Wort kam schon früher von den Lippen von ihresgleichen.
Diese (Geistlichen) tadelten, was jene gesagt hatten, und wiederholen heutzutage doch selbst, was vor ihnen gesprochen wurde, und sie begreifen es nicht.
Bei Meinem Leben!
Sie sind wie Asche in den Augen deines Herrn.
Wenn Er will, werden gewaltige Stürme über sie brausen und sie zu Staub machen.
Wahrlich, dein Herr tut, was Ihm beliebt."
+21:2 #133
Diese falschen, grausamen und feigen schiitischen Geistlichen, ohne deren Einmischung, wie Bahá'u'lláh erklärte, Persien in kaum mehr als zwei Jahren von der Kraft Gottes ergriffen worden wäre, sind im Qayyúmu'l-Asmá' folgendermaßen angeredet worden: "O Schar der Geistlichen! Fürchtet Gott von diesem Tage an in den Ansichten, die ihr äußert, denn Er, welcher Unser Erwähner in eurer Mitte ist und welcher von Uns kommt, ist in Wahrheit der Richter und der Zeuge. Wendet euch ab von dem, was ihr festhaltet und was das Buch Gottes, des Wahren, nicht bestätigt hat, denn am Tage der Auferstehung werdet ihr auf der Brücke für die Haltung, die ihr einnahmt, wahrlich verantwortlich gemacht werden."
+21:3 #134
Im gleichen Buche redet der Báb sowohl die Schiiten als auch die ganze Anhängerschaft des Propheten folgendermaßen an: "O Schar der Schiiten! Fürchtet Gott und Unsere Sache, die Ihn, den Größten Erwähner Gottes, betritt. Denn groß ist sein Feuer, wie im Mutterbuch verordnet ist." "O Volk des Qur'án! Ihr seid wie nichts, es sei denn, ihr unterwerft euch dem Erwähner Gottes und diesem Buch. Wenn ihr der Sache Gottes folgt, werden Wir euch eure Sünden vergeben, und wenn ihr euch von Unserem Befehl abwendet, werden Wir wahrlich eure Seelen in Unserem Buche zum Größten Feuer verdammen. Wahrlich, Wir verfahren nicht ungerecht mit den Menschen, auch nicht so viel wie ein Fleckchen auf einem Dattelkern."
+21:4
Und schließlich ist in dem gleichen Kommentar diese erschreckende Weissagung verzeichnet: "Binnen kurzem werden Wir wahrlich jene, die gegen Husayn (Imám Husayn) im Lande des Euphrat Krieg führten, mit der schmerzlichsten Qual und mit der schrecklichsten und abschreckendsten Strafe heimsuchen." "Binnen kurzem", hat Er in dem nämlichen Buch in bezug auf dieses gleiche Volk geschrieben, "wird Gott an ihnen zur Zeit Unserer Wiederkehr Seine Vergeltung üben, und wahrlich, Er hat für sie in der künftigen Welt eine schwere Pein vorbereitet."
+21:5
Was Bahá'u'lláh betrifft, so bilden die stellen, die ich auf diesen Seiten anführe nur einen Bruchteil der in seinen schriften häufigen Hinweise auf muhammadanische Geistliche. so ruft Er aus: "Der Lotoshaum, über den hinaus keiner gehen kann, weint auf ob der Grausamkeit der Geistlichen.
Er schreit laut und wehklagt über sich selbst."
In seinem "Brief an den Sohn des Wolles" hat Er geschrieben: "Wie groß auch seit Beginn dieser Sekte (der Schiiten) bis auf den heutigen Tag die Zahl der Geistlichen gewesen ist, die gelebt haben, so hat doch keiner von ihnen die Natur dieser Offenbarung erkannt.
Was mag die Ursache dieser Verirrung gewesen sein?
Wollten Wir sie erwähnen, so würden ihre Glieder zerreißen.
Es tut ihnen not, nachzusinnen, ja, tausendmal tausend Jahre lang nachzusinnen, damit sie vielleicht ein paar Tropfen aus dem Ozean der Erkenntnis erlangen und entdecken mögen, was sie an diesem Tage nicht beachten.
Ich wandelte im Lande Tá (Tihrán), dem Tagesanbruch der Zeichen deines Herrn - siehe, da hörte Ich das Wehklagen der Kanzeln und die Stimme ihres Flehens zu Gott - gesegnet und verherrlicht sei Er, Sie riefen aus und sagten: `O Gott der Welt und Herr der Völker!
Du siehst unseren Zustand und was über uns gekommen ist durch die Grausamkeit Deiner Diener.
Du hast uns erschaffen und geoffenbart zu Deiner Verherrlichung und zu Deinem Preis.
Du hörst nun, was die widerspenstigen über uns in Deinen Tagen verkünden.
Bei Deiner Macht!
Unsere Seelen zerfließen und unsere Glieder erzittern.
Wehe!
Wehe!
Wären wir doch nie von Dir erscha ffen und geoffenbart worden!` Die Herzen jener, die Gott nahe sind, werden von diesen Worten verzehrt und lassen die Wehrufe derer ertönen, die Ihm ergeben sind."
+21:6 #135
"Diese dicken Wolken", hat Er in demselben Tablet dargelegt, "sind Auswüchse nutzloser Phantasie und eitler Einbildungen, die von keinen anderen stammen, als von den Geistlichen Persiens". Und Er erklärt im gleichen Zusammenhang: "Unter `Geistlichen` werden an der oben erwähnten Stelle jene Menschen verstanden, die sich äußerlich mit dem Kleide der Erkenntnis schmücken, aber innerlich ihrer beraubt sind. In diesem Zusammenhang führen Wir aus dem Tablet an Seine Majestät den Sháh einige Stellen aus den `Verborgenen Worten` an, die durch die Feder Abhás unter dem Namen `Buch der Fátimih`- möge Gottes Segen auf ihr ruhen - geoffenbart wurden. `O ihr Toren, die ihr als weise geltet! Warum verkleidet ihr euch als Hirten, da ihr doch innerlich zu Wölfen wurdet, die nach Meiner Herde trachten? Ihr gleicht dem Morgenstern, der vor der Dämmerung strahlend und hell scheint und der doch die Wanderer zu Meiner Stadt in die Irre und auf den Pfad des Verderbens leitet.` Und ebenso spricht Er: `O ihr scheinbar Vollkommenen, doch innerlich Unvollkommenen! Ihr seid wie reines, doch bitteres Wasser, das äußerlich kristallklar scheint, von dem aber bei der Probe durch den göttlichen Prüfer nicht ein Tropfen angenommen wird. Ja, der Sonnenstrahl fällt gleicherweise auf den Staub wie den Spiegel, doch in ihrem Widerschein unterscheiden sie sich wie der Stern von der Erde - ja mehr noch, der Unterschied ist unermeßlich!`"
+21:7 #136
"Wir haben alle Menschen eingeladen", hat Bahá'u'lláh in einem anderen Tablet klargelegt, "sich Gott zuzuwenden, und traben sie mit dem Geraden Pfad bekannt gemacht. Sie (die Geistlichen) erhoben sich gegen Uns mit solcher Grausamkeit, daß dies die Kraft des Islám untergraben hat, und doch sind die meisten Leute achtlos!" "Die Kinder Dessen, welcher der Freund Gottes ist (Abraham)", so hat Er des weiteren geschrieben, "und die Erben Dessen, der mit Gott verkehrte (Moses), die zu den Verworfensten unter den Menschen gezählt wurden, haben die Schleier zerrissen und die Hüllen abgeworfen und den versiegelten Wein aus den gütigen Händen des Selbstbestehenden ergriffen und sich satt getrunken, während die verabscheuungswürdigen schiitischen Geistlichen bis heute zaudernd und werstockt geblieben sind." Und weiter: "Die Geistlichen Persiens begingen, was kein Volk unter den Völkern der Welt begangen hat."
+21:8 #137
"Wenn diese Sache von Gott ist", so redete Er den Gesandten des Sháh in Konstantinopel an, "so kann kein Mensch gegen sie aufkommen, und wenn sie nicht won Gott ist, so werden die Geistlichen unter euch und die, welche ihren verdorbenen Wünschen folgen, und jene, die sich wider Ihn aufgelehnt haben, sicherlich genügen, sie zu überwältigen."
+21:9
"Von allen Völkern der Welt", so bemerkt Er in einem anderen Tablet, "ist dasjenige, das den größten Verlust erlitten hat, das Volk Persiens gewesen und ist es noch. Ich schwöre bei der Sonne der Äußerungen, die in ihrem Mittagsglanze auf die Welt scheint! Das Wehklagen der Kanzeln in diesem Lande ertönt immerfort. Schon in den ersten Tagen wurden solche Wehklagen im Lande Tá (Tihrán) gehört, denn Kanzeln, die zur Erwähnung des Einen Wahren errichtet wurden - erhaben sei seine Herrlichkeit - sind jetzt in Persien zu Orten geworden, von denen aus Lästerungen gegen Ihn, die Sehnsucht der Welt, ausgesprochen werden."
+21:10
"An diesem Tage", so lautet seine scharfe Rüge, "ist die Welt mit den Wohlgerüchen vom Gewande der Offenbarung des altehrwürdigen Königs erfüllt ..., und doch haben sie (die Geistlichen) sich versammelt und sich auf ihren Sitzen breitgemacht und gesprochen, was ein Tier Scham empfinden lassen würde, wieviel mehr den Menschen selbst. Würden sie sich einer ihrer Taten bewußt werden und das Unheil erkennen, das sie angerichtet haben, so würden sie sich mit eigener Hand zu ihrem endgültigen Wohnort befördern."
+21:11
"O Schar der Geistlichen!", so befiehlt ihnen Bahá'u'lláh, "... Legt beiseite, was ihr besitzt, haltet Frieden und hört sodann auf das, was die Zunge der Größe und Erhabenheit spricht. Wie viele verschleierte Dienerinnen wandten sich Mir zu und glaubten, und wie viele Turbanträger waren von Mir ausgeschlossen und folgten den Fußstapfen vergangener Geschlechter!"
+21:12 #138
"Ich schwöre bei der Sonne, die über dem Horizont der Äußerung scheint", so sagt Er aus, "ein Spänchen vom Fingernagel einer der gläubigen Dienerinnen wird am heutigen Tage vor den Augen Gottes mehr geachtet als die Geistlichen Persiens, die nach dreizehnhundert Jahren Wartezeit das verübten, was die Juden nicht taten während der Offenbarung Dessen, welcher der Geist ist (Jesus)." "Obwohl sie sich über die Trübsale, die Uns getroffen haben, freuen", lautet Seine Warnung, "so wird doch der Tag kommen, da sie wehklagen und weinen werden".
+21:13
"O Achtloser", so redet Er im Lawh-i-Burhán einen berüchtigten persischen Mujtahiden an, dessen Hände mit dem Blut von Bahá'í-Märtyrern befleckt waren, "verlasse dich nicht auf deinen Ruhm und deine Macht. Du gleichst der letzten Spur des Sonnenlichtes auf dem Bergesgipfel. Bald wird es dahinschwinden, wie es beschlossen ist von Gott, dem Allbesitzenden, dem Höchsten. Dein Ruhm und der Ruhm von deinesgleichen sind von euch genommen, und dies ist wahrlich von dem Einen, bei dem das Mutterbuch ist, verordnet worden... Um euretwillen klagte der Apostel (Muhammad), und die Reine (Fátimih) schrie auf, und die Länder wurden verwüstet, und Finsternis fiel auf alle Regionen. O Schar der Geistlichen! Um euretwillen wurde das Volk erniedrigt, das Banner des Islám niedergeholt und sein mächtiger Thron umgestürzt. Jedesmal, wenn ein Mensch mit Verstand an dem festzuhalten suchte, was den Islám erhöhen würde, habt ihr ein Geschrei erhoben, und dadurch wurde er verhindert, seinen Plan auszuführen, während das Land offensichtlich dem Verderben preisgegeben war."
+21:14
"Sprich: O Schar persischer Geistlicher", so weissagt Bahá'u'lláh wiederum, "in Meinem Namen habt ihr die Zügel der Macht über die Menschen ergriffen, und durch eure Beziehung zu Mir nehmt ihr die Ehrensitze ein. Als Ich Mich aber offenbarte, wandtet ihr euch ab und begingt, was die Tränen derer, die Mich erkannten, fließen ließ. Binnen kurzem wird alles, was ihr besitzt, zugrunde gehen, und euer Ruhm wird sich in jämmerlichste Erniedrigung verwandeIn, und ihr werdet die Strafe sehen für das, was ihr getan habt, wie es von Gott, dem VerOrdner, dem Allweisen, beschlossen wurde."
+21:15 #139
In der Súriy-i-Mulúk hat Er sich an sämtliche kirchlichen Führer des sunnitischen Islám in Konstantinopel, der Hauptstadt des Reiches und dem Sitz des Kalifates, gewandt und geschrieben: "O ihr Geistlichen der Stadt!
Wir kamen zu euch mit der Wahrheit, ihr aber achtetet ihrer nicht.
Mir dünkt, ihr gleicht Toten, eingewickelt in die Hüllen eures eigenen Selbstes.
Ihr suchtet nicht Unsere Gegenwart, als dies zu tun besser für euch gewesen wäre als alle eure Taten ...
Wißt, daß, ' wenn eure Führer, denen ihr Treue schuldet, auf die ihr stolz seid, die ihr bei Tag und Nacht erwähnt und in deren Fußspuren ihr Führung sucht -, wenn sie in diesen Tagen gelebt hätten, so wären sie um Mich gewesen und hätten sich nimmer von Mir getrennt, weder am Abend noch am Morgen.
Ihr jedoch wandtet euer Antlitz, auJ nicht für einen einzigen Augenblick, Meinem Antlitz zu, und ihr wurdet hochmütig und achtetet nicht auf diesen Mißhandelten, der von den Menschen so gequält wurde, da sie mit Ihm verfuhren, wie es ihnen beliebte.
Ihr habt es unterlassen, über Meine Lage nachzuforschen, auch unterrichtetet ihr euch nicht über das, was Mir zustieß.
Dadurch habt ihr das Wehen der Heiligkeit und die Lüfte der Güte, die von diesem leuchtenden und sichtbaren Orte ausgehen, von euch abgehalten.
Mich dünkt, ihr habt euch an äußerlichkeiten gehängt und das Innere vergessen, und ihr sagt, was ihr nicht tut.
Ihr liebt Namen lind scheint euch ihnen ganz hingegeben zu haben.
Aus diesem Grunde erwähnt ihr die Namen eurer Führer.
Und würde irgendeiner wie sie, oder ein Besserer als sie, zu euch kommen, so würdet ihr ihn fliehen.
Durch jene Namen habt ihr euch erhöht und euch eure Stellung gesichert, und ihr lebt und gedeiht durch sie.
Und würden eure Führer wieder erscheinen, so würdet ihr weder auf eure Führerschaft verzichten, noch würdet ihr euch ihnen zuzuenden oder euer Antlitz auf sie richten.
Wir fanden, daß ihr, wie die meisten Menschen, Namen anbetet, die sie alle Tage ihres Lebens erwähnen und mit denen sie sich befassen.
Kaum jedoch erscheinen die Träger dieser Namen, da werwerfen sie sie und kehren ihnen den Rücken ...
Wißt, daß Gott an diesem Tage weder eure Gedanken annehmen wird noch euer Gedenken an Ihn, auch nicht eure Haltung Ihm gegenüber, eure Andachtsübungen und eure Wachsamkeit, es sei denn, ihr werdet neuerschaffen in der hohen Achtung diesem Diener gegenüber - könntet ihr es doch begreifen."
+21:16 #140
Die Stimme 'Abdu'l-Bahás, des Mittelpunktes des Gottesbündnisses, hat sich gleicherweise erhoben und das gräßliche Unheil angekündigt, das bald nach Seinem Hinscheiden die geistliche Herrschaft des sunnitischen und schiitischen Islám befallen sollte. "Diese Herrlichkeit", hat Er geschrieben, "wird sich in die elendeste Erniedrigung verwandeIn, und dieser Pomp und diese Macht zuerden sich in völlige Unterwerfung verkehren. Ihre Paläste werden in Gefängnisse umgewandelt zuerden, und die Bahn ihres hochstrahlenden Gestirns wird in den Tiefen des Abgrundes enden. Lachen und Fröhlichkeit werden dahinschwinden, nein noch mehr, ihre Klagestimme wird sich erheben." "Wie der Schnee in der Julisonne", so hat Er des weiteren geschrieben, "werden sie dahinschwinden".
+21:17
Die Auflösung des Kalifats, die vollständige Verweltlichung des Staates, der die erhabenste Einrichtung des Islám beherbergt hatte, und der tatsächliche Zusammenbruch der schiitischen Priesterherrschaft in Persien - das waren die sichtbaren und unmittelbaren Folgen der Behandlung, die der Gottessache durch die Geistlichkeit der beiden größten Gemeinschaften der muhammadanischen Welt zuteil geworden war.
+22 #141
Das sinkende Glück des schiitischen Islám
Laßt uns zuerst die Heimsuchungen betrachten, welche das sinkende Glück des schiitischen Islám gekennzeichnet haben. Die zu Beginn dieser Zeilen aufgezählten Schändlichkeiten, für die die schiitische Geistlichkeit Persiens in erster Linie verantwortlich zu machen ist, Schändlichkeiten, die nach den Worten Bahá'u'lláhs "den Apostel (Muhammad) wehklagen und die Reine (Fátimih) aufschreien" und "alle erschaffenen Dinge stöhnen und die Glieder der Heiligen zittern ließen", Schändlichkeiten, welche die Brust des Báb mit Kugeln durchlöcherten, Bahá'u'lláh niederbeugten, Sein Haar bleichten und Ihn vor Qual aufseufzen, Muhammad über Ihn weinen, Jesus sich aufs Haupt schlagen und den Báb Seinen Zustand beklagen ließen - solche Schändlichkeiten konnten und durften wahrlich nicht ungestraft bleiben. Gott, der grimmigste Rächer, wachte und gelobte, "keines Menschen Ungerechtigkeit zu vergeben". Die Geißel Seiner Züchtigung traf endlich, rasch, plötzlich und schrecklich, die Verüber dieser Schändlichkeiten.
+22:2
Eine Umwälzung, die in ihrem Verlauf furchtbar in ihren Ausmaßen, weitreichend in ihrer Rückwirkung, aber erstaunlich durch das Fehlen von Blutvergießen oder gar Gewalttätigkeiten war, forderte die Vorrangstellung der Geistlichkeit heraus, die seit Jahrhunderten das Kennzeichen des Islám in diesem Lande gewesen war, und stürzte eine Herrschaft der Geistlichen, mit der das Räderwerk des Staates und das Leben des Volkes unauflöslich verwoben waren. Eine solche Umwälzung ließ nicht die Aufhebung der staatlichen geistlichen Herrschaft erkennen; sie bedeutete vielmehr das Zerbrechen dessen, was ein Kirchenstaat genannt werden konnte - eines Staates, der sogar bis zum Augenblick seines Verlöschens hoffnungsvoll die erfreuliche Ankunft des verborgenen Imám erwartet hatte, eines Imámes, der dann nicht nur die Zügel der Amtsgewalt des Sháh, der obersten Behörde, die ihn nur vertrat, ergreifen, sondern sogar die Herrschaft über die ganze Erde übernehmen würde.
+22:3 #142
Der Geist, den diese Priesterkaste ein ganzes Jahrhundert lang so hartnäckig zu zermalmen bestrebt war, der Glaube, den sie mit wilder Roheit auszurotten versucht hatte, waren jetzt ihrerseits dabei, durch die Kräfte, die sie in der Welt erzeugt hatten, das Gleichgewicht eben dieser Ordnung - deren Verzweigungen sich in jede Sphäre, Pflicht und lebenswichtige Handlung in jenem Lande ausgedehnt hatten - zu stören und ihre Stärke zu untergraben. Der Felswall des Islám, scheinbar unüberwindlich, war nun in seinen Grundlagen erschüttert worden und brach jetzt vor den Augen der verfolgten Anhänger des Glaubens Bahá'u'lláhs zusammen. Eine Priesterherrschaft, die den Glauben Gottes so lange geknechtet hatte und ihn einmal sogar tödlich niedergestreckt zu haben schien, wurde jetzt selbst zur Beute einer überlegenen weltlichen Macht, deren entschlossene Politik es war, stetig und erbarmungslos ihre Schlingen um jene Herrschaft zu legen.
+22:4
Das weite System jener Priesterherrschaft, mit allen seinen Bestandteilen und Organen - seinen Shaykhu'l-Islám (Hohenpriestem), seinen Mujtahids (Doktoren der Gesetze), seinen Mullás (Priestern), Fuqahás (Juristen), Imámen (Vorbetern), Mu'adhdhins (Gebetsrufern), Vu'ázz (Predigern), Qádís (Richtern), Mutavallís (Hütern), Madrisihs (Seminaren), Mudarrisíns (Lehrern), Tullábs (Schülern), Qurrás (Vorsängern), Mu'abbiríns (Wahrsagern), Muhaddithíns (Erzählern), Musakhkhiríns (Geisterbeschwörern), Dhákirins (Erinnerern), 'Ummál-i-dhakáts (Almosengebern), Muqaddasíns (Heiligen), Munzavís (Einsiedlern), seinen Súfís, seinen Derwischen und was sonst noch alles - war gelähmt und gänzlich in Mißkredit geraten. seine Mujtahids, jene Aufwiegler, die Macht über Leben und Tod hatten und denen durch lange Generationen hindurch Ehren fast königlicher Art gewährt worden waren, wurden auf eine kläglich unbedeutende Zahl vermindert.
Die turbantragenden Prälaten der islámischen Kirche, die nach den Worten Bahá'u'lláhs "ihre Häupter mit Grün und Weiß bedeckten und verübten, was den Geist der Religion seufzen ließ", wurden unbarmherzig hinweggefegt.
Nur eine Handvoll machte eine Ausnahme, und sie ist jetzt gezwungen, um sich gegen das Wüten eines glaubenslosen Volkes zu schützen, sich der Demütigung zu unterziehen, immer, wenn die Gelegenheit es fordert, die ihnen von den weltlichen Behörden gewährte Erlaubnis einzuholen, dieses dahinschwindende Sinnbild einer verschwundenen Würde zu tragen.
Der Rest dieser turbantragenden Klasse, ob Siyyids, Mullás oder Hájís, wurde gezwungen, nicht nur seine ehrwürdige Kopfbedeckung mit dem Kuláh-i-farangí (europäischen Hut) zu vertauschen, den sie selbst nicht viel früher verflucht hatten, sondern sogar ihre fließenden Gewänder abzulegen und die engsitzenden Anzüge europäischen Schnittes anzuziehen, deren Einführung in ihrem Lande sie vor einem Menschenalter so heftig verworfen hatten.
+22:5 #143
"Die dunkelblauen und weißen Dome" - eine Anspielung 'Abdu'l-Bahás auf den rundlichen, massigen Kopfschmuck der Priester Persiens - sind wahrlich "umgestülpt" worden. Jene, deren Häupter sie getragen hatten, die anmaßenden, fanatischen, treulosen und rückschrittlichen Geistlichen, " in deren autoritärem Griff", wie Bahá'u'lláh bezeugt, "die Zügel der Herrschaft über das Volk lagen", deren "Worte der Stolz der Welt sind" und deren "Taten die Schmach der Völker sind", erkannten die Erbärmlichkeit ihrer Lage und zogen sich niedergeschlagen und aller Hoffnungen bar in ihre Häuser zurück, um dort ein jämmerliches Dasein zu verbringen. Machtlos und mürrisch beobachten sie den Ablauf eines Geschehens, das ihre Politik umgestürzt und ihre Schöpfung zerstört hat und nun unwiderstehlich seinem Höhepunkt zustrebt.
+22:6 #144
Der Pomp und Prunk dieser geistlichen Fürsten des Islám sind bereits vergangen.
Ihr fanatisches Geschrei, ihre lärmenden Gebetsrufe und ihre geräuschvollen Kundgebungen sind verstummt.
Ihre Fatvás (Rechtssprüche oder Rechtsgutachten), einst mit solcher Scharmlosigkeit verkündet und zeitweise Anklagen gegen Könige enthaltend, sind tote Buchstaben.
Das Schauspiel von Versammlungsgebeten, an denen Tausende Andächtiger in Reihen aufgestellt teilnahmen, ist verschwunden.
Die Kanzeln, von denen aus sie den Donner ihrer Verfludiungen in gleicher Weise gegen Mächtige und Unschuldige entluden, sind verlassen und still.
Ihre Waqfs, diese unschätzbaren und weithin verbreiteten Stiftungen, der Landbesitz des erwarteten Imám - die einstmals allein in Isfáhán die ganze Stadt umfaßten -, sind ihren Händen entwunden und unter die Aufsicht einer weltlichen Verwaltung gestellt worden.
Ihre Madrisihs (Seminare) mit ihrem mittelalterlichen Schulwissen sind verlassen und verfallen.
Die unzähligen Bände theologischer Auslegungen, Nebenkommentare, Randbemerlcungen und Anmerkungcn, unleserlich, unnütz, Erzeugnisse irregeleiteter Begabung und Mühe, von einem der erleuchtetsten Denker des Islám in neuerer Zeit alsWerke bezeichnet, die das gesunde Erkennen verdunkeln, Würmer hervorbringen und nur noch des Feuers wert sind, wurden nun weggepackt, mit Spinngewebe überzogen und vergessen. lhre abstrusen Abhandlungen, ihre heftigen Wortgefechte und endlosen Auseinandersetzungen sind außer Mode und aufgegeben.
Ihre Masjids (Moscheen) und Imám-Zádihs (Heiligengräber), welche das Vorrecht hatten, das Bast (Asylrecht) auf mancherlei Verbrecher auszudehnen, und die zu einem allgemeinen Ärgernis geworden waren, deren Wände von den Gesängen einer heuchlerischen und ruchlosen Geistlichkeit widerhallten und deren Ornamente mit den Schätzen der Königspaläste wetteiferten, sind verlassen oder verfallen.
Ihre Takyihs, die Schlupfwinkel der faulen, untätigen und beschaulichen Pietisten, sind verkauft oder geschlosscn worden.
Ihre mit barbarischem Eifer gespielten und durch plötzliches Aufzucken ungezügelter religiöser Erregung gesteigerten Ta'zíyihs (Spiele) sind verboten.
Sogar ihre Rawdih-Khánís (Klagegesänge) mit ihren langgezogenen klagenden Schreien, die aus so vielen Häusern aufstiegen, sind beschränkt und verhindert worden.
Die heiligen Pilgerfahrten nach Najaf und Karbilá, den heiligsten Grabstätten der schiitischen Welt, sind an Zahl zurückgegangen und immer mehr erschwert worden, wodurch mancher habgierige Mullá verhindert wird, in seinem altehrwürdigen Gewande doppelte Forderungen dafür zu erheben, daß er solche Pilgerfahrten in Vertretung religiös gesinnter Menschen unternimmt.
Die Abschaffung des Schleiers, die zu verhindern die Mullás mit Zähnen und Nägeln fochten, die Gleichberechtigung der Geschlechter, die ihr Gesetz verbot, die Errichtung weltlicher Gerichte, die ihe geistlichen Gerichte ersetzten, die Abschaffung des Síghih (Konkubinat), das, wenn für kurze Zeit eingegangen, kaum von einer Art Prostitution zu unterscheiden ist, und das aus dein wilden und fanatischen Mashad, dem nationalen Mittelpunkt der Wallfahrten, eine der sittenlosesten Städte Asiens machte, und endlich die Anstrengungen, die gemacht werden, um das Arabische, die heilige Sprache des Islám und des Qur'án, herabzusetzen und es vom Persischen zu trennen - all dies hat der Reihe nach seinen Teil zu der Beschleunigung dieses unaufhaltsamen Geschehens beigetragen, das den Rang und die Vorteile der muhammadanischen Geistlichen den weltlichcn Bchörden in einem Grade untergeordnet hat, den kein Mullá erträumt hatte.
+22:7 #145
Nun mag der einst hochbeturbante, langbärtige, strengblickende Áqá (Mulla), der sich so unverschämt auf jedem Gebiet menschlicher Tätigkeit eingemischt hatte, wenn er jetzt hutlos und glattrasiert in der Abgeschlossenheit Seines Hauses dasitzt und vielleicht den Tönen westlicher Musik lauscht, die über die Ätherwellen seines Heimatlandes schmettern, innehalten, um eine Weile an den verblaßten Glanz seines dahingegangenen Reiches zu denken. Nun mag er über die Verheerung nachsinnen, welche die aufsteigende Flut des Nationalismus und Skeptizismus unter den scheinbar unzerstörbaren Trachtionen seines LIandes geschaffen hat. Nun mag er sich die schönen Tage zurückrufen, da er auf einem Esel sitzend durch die Bazare und Maydáne (Plätze) seiner Heimatstadt paradierte und eine eifrige, aber betrogene Menge herbeistürzte, um nicht nur seine Hände mit Inbrunst zu küssen, sondern sogar den Schwanz des Tieres, das er ritt. Nun mag er des blinden Eifers gedenken, womit sie seinen Weihehandlungen Beifall spendeten, und der Zeichen und Wunder, die sie deren Verrichtung beilegten.
+22:8 #146
Er mag sogar noch weiter zurückschauen und sich die Regierung jener frommen safawitischen Monarchen ins Gedächtnis rufen, die sich gerne "Hunde an der Schwelle der makellosen Imáme" nannten. Er mag bei dem Bilde verweilen, wie einer jener Könige sich bewogen fühlte, vor dem Mujtahid, der über den Maydán-i-Sháh, den Hauptplatz Isfáháns, ritt, zu Fuß einherzugehen als Zeichen königlicher Unterwürfigkeit vor dem höchsten Priester des verborgenen Imám, einem Priester, der sich zum Unterschied von dem Titel des Sháh als "Diener des Herrn der Heiligkeit" (Imam 'Alí) bezeichnete.
+22:9
War es nicht, so mag er wohl erwägen, eben dieser Sháh 'Abbás der Große, der von einem anderen Mujtahid anmaßend als "Begründer eines entliehenen Reiches" angeredet wurde, womit ausgedrückt sein sollte, daß das Reich des "Königs der Könige" in Wirklichkeit dem erwarteten Imám gehörte und vom Sháh lediglich in der Eigenschaft eines zeitweiligen Treuhänders verwaltet wurde? War es nicht derselbe Sháh, der die ganze Strecke von achthundert Meilen von Isfáhán bis Mashhad, dem "besonderen Ruhme der schiitischen Welt", zu Fuß wanderte, um seine Gebete in der einzigen Weise, die einem Sháh-inSháh geziemt, am Grabe des Imám Ridá darzubringen, und der die tausend Kerzen, die dessen Höfe schmückten, beschnitt? War nicht Sháh Tahmasp (I.) beim Empfang einer von einem anderen Mujtahid geschriebenen Epistel aufgesprungen, hatte er sie nicht an die Augen gedrückt, voll Entzücken geküßt und, weil er mit "Bruder" angeredet worden war, befohlen, sie in sein Leichentuch zu legen und mit ihm zu begraben?
+22:10
Mag nicht derselbe Mullá auch an die Ströme von Blut denken, welche in all den langen Jahren, da er sich einer straflosen Lebensführung erfreute, auf sein Geheiß flossen, an die glühenden Verfluchungen, die er ausgestoßen, an das große Heer von Waisen und Witwen, an die Enterbten, Entehrten, Verlassenen und Heimatlosen, die am Tage der Vergeltung einstimmig nach Rache schreien und Gottes Fluch auf ihn herabrufen werden?
+22:11
Jene verruchte Schar hatte sehr wohl die Erniedrigung verdient, in die sie hinabgesunken ist. Sie übersah hartnäckig den Schicksalsspruch, den der Finger Bahá'u'lláhs an die Wand geschrieben hatte; sie folgte fast hundert Jahre lang ihrem verhängnisvollen Lauf, bis ihr zur festgesetzten Stunde die Totenglocke geläutet wurde von jenen umwälzenden Geisteskräften, die, gleichzeitig mit dem ersten Dämmern der Weltordnung Seines Glaubens, das Gleichgewicht ins Wanken bringen und die althergebrachten Einrichtungen der Menschheit in solche Verwirrung stürzen.
+23 #147
Der Zusammenbruch des Kalifates
Diese selben Kräfte haben, in einer gleichlaufenden Richtung wirkend, eine noch bemerkenswertere und gründlichere Umwälzung zustande gebracht, die im Zusammenbruch und Sturz des muhammadanischen Kalifates gipfelte, der mächtigsten Einrichtung der ganzen Islámischen Welt. Diesem Ereignis von verhängnisvoller Bedeutung folgte noch dazu eine förmliche und endgültige Trennung dessen vom Staate, was in der Türkei vom sunnitischen Glauben übriggeblieben war, und darüber hinaus die völlige Verweltlichung der Republik, die sich auf den Ruinen des theokratischen ottomanischen Reiches erhoben hat. Diesen katastrophalen Fall, der die Welt des Islám betäubte, und die offen erklärte, bedingungslose und förmliche Trennung der geistlichen von der weltlichen Macht, welche die Revolution in der Türkei von der in Persien eingetretenen unterschied, will ich nunmehr betrachten.
+23:2
Der sunnitische Islám hat, nicht durch das Eingreifen einer ausländischen Macht, die in das Land einfiel, sondern durch einen den Glauben Muhammads ausdrücklich bekennenden Diktator, einen schmerzlicheren Schlag erlitten als jenen, der fast gleichzeitig auf sein Schwesterbekenntnis in Persien fiel. Dieser Vergeltungsakt gegen den Erzfeind des Glaubens Bahá'u'lláhs ruft ein ähnliches, durch das Vergehen eines römischen Kaisers gegen Ende des ersten Jahrhunderts christlicher Zeitrechnung beschleunigtes Unheil in Erinnerung - ein Unheil, das den Tempel Salomos von Grund auf zerstörte, das Allerheiligste vernichtete, die Stadt Davids verwüstete, die jüdische Priesterherrschaft in Jerusalem entwurzelte, Tausende des jüdischen Volkes - des Verfolgers der Religion Jesu Christi - ermordete, den Rest über die Erde zerstreute und eine heidnische Kolonie auf Zion errichtete.
+23:3 #148
Der Kalif, der sich selbst zum Stellvertreter des Propheten des Islám ernannt hatte, übte eine geistige Oberherrschaft aus und war mit einer geheiligten Würde bekleidet, wie sie der Sháh von Persien weder beanspruchte noch besaß. Es sollte auch nicht vergessen werden, daß sich der Bereich seiner geistlichen Rechtsprechung auf Länder weit jenseits der Grenzen seines eigenen Reiches erstreckte und die überwältigende Mehrheit der Muhammadaner in der ganzen Welt umfaßte. Er wurde außerdem in seiner Eigenschaft als der Vertreter des Propheten auf Erden, als Beschützer der heiligen Städte Mekka und Medina angesehen, als Verteidiger und Verbreiter des Islám und als Befehlshaber seiner Anhänger in jedem heiligen Krieg, der ausgerufen werden mochte.
+23:4
Eine so mächtige, erhabene und geheiligte Persönlichkeit wurde, zugleich mit der Abschaffung des Sultanats in der Türkei, jener weltlichen Amtsgewalt entkleidet, welche die Vertreter der sunnitischen Schule als notwendigerweise mit diesem hohen Amte verbunden betrachtet haben. Das Schwert, das Sinnbild weltlicher Oberherrschaft, wurde den Händen des Befehlshabers entwunden, dem gestattet war, für eine kurze Zeit eine so ungewöhnliche und gefährliche Stellung zu bekleiden. Bald wurde jedoch in der sunnitischen Welt, die vorher nicht im geringsten um Rat gefragt worden war, ausposaunt, daß das Kalifat selbst nun ausgelöscht worden sei und daß das Land, welches es als Zubehör zu seinem Sultanat mehr als vierhundert Jahre lang angenommen hatte, es nunmehr für immer verleugnet habe. Die Türken, die seit dem arabischen Niedergang die kriegerischen Führer der muhammadanischen Welt gewesen waren und das Banner des Islám bis vor die Tore Wiens, des Herrschersitzes von Europas erster Macht, getragen hatten, waren nun von ihrer Führerschaft zurückgetreten. Der Exkalif, seines königlichen Pomps entkleidet, der Sinnbilder seiner Stellvertreterschaft entblößt und von Freund und Feind gleicherweise verlassen, war gezwungen, aus Konstintinopel, dem stolzen Sitz einer Doppelherrschaft, in das Land der Ungläubigen zu fliehen und sich dem gleichen Leben in der Verbannung zu ergeben, zu dem eine Anzahl anderer Herrscher verdammt worden war und noch wird.
+23:5 #149
Auch ist es der sunnitischen Welt trotz entschiedener Anstrengungen nicht gelungen, jemanden an seiner Statt zu bestimmen, der, wenn auch des Schwertes des Befehlshabers beraubt, dennoch als Wächter von Mantel und Banner des Gottgesandten, der beiden heiligen Sinnbilder des Kalifates, auftreten würde. Konferenzen wurden abgehalten, Besprechungen geführt, ein Kalifatskongreß wurde in der ägyptischen Hauptstadt, der Stadt der Fátimiden, einberufen, der doch mit dem weithin bekannten und öffentlichen Bekenntnis seines Scheiterns endete: "Man hat sich dahingehend geeinigt, sich nicht zu einigen!"
+23:6
Seltsam, unsagbar seltsam muß die Stellung dieses mächtigsten Zweiges des Islámischen Glaubens erscheinen: Ohne ein äußerlich sichtbares Haupt, um seinen Gefühlen und Überzeugungen Ausdruck zu verleihen, seine Einheit unwiederbringlich erschüttert, sein Glanz verdüstert, sein Gesetz untergraben und seine Einrichtungen in hoffnungslose Verwirrung gestürzt. Diese Institution, welche die unveräußerlichen, von Gott verordneten Rechte der Imáme des Glaubens Muhammads herausgefordert hatte, war nun nach Verlauf von dreizehn Jahrhunderten wie Rauch dahingeschwunden, eine Institution, die einem Glauben, dessen Herold selbst ein Nachkomme der Imáme, der gesetzmäßigen Nachfolger des Apostels Gottes, war, so unbarmherzige Schläge erteilt hatte.
+23:7 #150
Worauf sonst könnte diese bemerkenswerte, im Lawb-i-Burhán enthaltene Weissagung anspielen als auf den Sturz des gekrönten Oberherrn der sunnitischen Muhammadaner? "O Schar der muhammadanischen Geistlichen! Um euretwillen wurde das Volk erniedrigt, das Banner des Islám niedergeholt und sein mächtiger Thron gestürzt." Was ist mit der unzweifelhaft klaren und bestürzenden, im Qayyúmu'l-Asmá' aufgezeichneten Weissagung: "Wahrlich, binnen kurzem werden Wir jene mit der schmerzlichsten Qual und der schrecklichsten und exemplarischsten Strafe peinigen, die gegen Husayn (Imám Husayn) im Lande des Euphrat Krieg führten"? Welche andere Auslegung kann dieser muhammadanischen Überlieferung gegeben werden : "In den späteren Tagen wird schmerzliches Unglück Mein Volk von seiten seines Herrschers befallen, ein Unglück, desgleichen kein Mensch je erlebt hat"?
+23:8
Dies war jedoch nicht alles.
Das Verschwinden des Kalifen, des geistigen Hauptes von über zweihundert Millionen Muhammadanern, brachte anschließend dem Lande, das dem Islám einen so schweren Schlag versetzt hatte, die Ungültigkeit des kanonischen Gesetzes der Sharí'ah, die Aufhebung sunnitischer Einrichtungen, die Verbreitung eines weltlichen Gesetzbuches, die Unterdrückung religiöser Orden und die Abschaffung der durch die Religion Muhammads vorgeschriebenen Zeremonien und Überlieferungen.
Der Shaykhu'l-Islám und seine Anhänger, einschließlich der Muftís, Qádís, Hujahs, Shaykhs, Súfís, Hájís, Mawlavís, Derwische und anderer, verschwanden durch einen entschiedeneren, offeneren und kräftigeren Schlag als jener war, der den Schiiten durch den Sháh und seine Regierung erteilt worden war.
Die Moscheen der Hauptstadt, der Stolz und Ruhm der islámischen Welt, wurden verlassen, und die schönste und berühmteste unter ihnen, die unvergleichliche Hagia Sophia, "das zweite Himmelszelt", "der Wagen der Cherubim", wurde durch die dreisten Schöpfer eines weltlichen Regimes in ein Museum verwandelt.
Die arabische Sprache, die Sprache des Propheten Gottes, wurde aus dem Lande verbannt, ihr Alphabet durch lateinische Buchstaben ersetzt und der Qur'án selbst ins Türkische übersetzt für die wenigen, die ihn noch lesen wollten.
Die Verfassung der neuen Türkei mit allen sie begleitenden und manchen atheistisch erscheinenden Verordnungen proklamierte nicht nur förmlich die Entstaatlichung und Enteignung des Islám, sondern kündigte sogar verschiedene Maßnahmen an, die auf dessen weitere Demütigung und Schwächung hinzielten.
Sogar die Stadt Konstantinopel, "der Dom des Islám", von Bahá'u'lláh mit verdammenden Worten angeredet, einst nach dem Fall von Byzanz durch den großen Konstantin als "das neue Rom" ausgerufen, zum Range einer Metropole sowohl des römischen Reiches als auch des Christentums erhoben und späterhin als Sitz der Kalifen verehrt, wurde zum Range einer Provinzstadt erniedrigt und all ihres Pomps und Ruhmes entblößt, so daß ihre erhabenen, schlanken Minarette nun Wache stehen am Grabe von so viel entschwundener Pracht und Macht.
+23:9 #151
"O Ort, der du an den Küsten zweier Meere liegst!" so hat Bahá'u'lláh die Kaiserstadt mit Worten angeredet, welche uns die prophetischen Worte Jesu Christi über Jerusalem ins Gedächtnis rufen. "Wahrlich, der Thron der Tyrannei ist auf dir errichtet und die Flamme des Hasses in deinem Busen entzündet worden, so sehr, daß die Heerscharen in der Höhe und jene, die den erhabenen Thron umkreisen, klagten und jammerten. Wir sehen in dir den Narren über den Weisen herrschen und Finsternis sich vor dem Lichte rühmen. In der Tat, du bist von offenbarem Hochmut erfüllt. Hat dir dein äußerer Glanz prahlerisch gemacht? Bei Ihm, dem Herrn des Menschengeschlechtes! Er wird rasch vergehen und deine Töchter, deine Witwen und alle deines Stammes, die in dir wohnen, werden wehklagen. Das verkündet dir der Allwissende, der Allweise."
+23:10 #152
Dies war das Geschick, das über beide, den schiitischen und den sunnitischen Islám, in den zwei Ländern kam, wo sie ihre Banner aufgepflanzt und ihre mächtigsten und weltberühmten Einrichtungen aufgebaut hatten.
Dies war ihr Geschick in den zwei Ländern, in deren einem Bahá'u'lláh als Verbannter starb und in deren anderem der Báb den Märtyrertod erlitt.
Dies war das Geschick des selbsternannten Stellvertreters des Propheten Gottes und der begünstigten Geistlichen des immer noch erwarteten Imám. "Das Volk des Qur'án", so bezeugt Bahá'u'lláh, "hat sich gegen Uns erhoben und quälte Uns mit solcher Pein, daß der Heilige Geist wehklagte, der Donner grollte und die Wolken über Uns weinten ...
Muhammad, der Apostel Gottes, beklagt ihre Taten im allerhöchsten Paradiese." "Mein Volk wird einen Tag erleben", so verdammen sie ihre eigenen Überlieferungen, "an dem wom Islám nichts übriggeblieben sein wird als der Name und wom Qur'án nichts als die äußere Erscheinung.
Die Gelehrten jener Zeit werden das größte Übel sein, das die Welt je gesehen hat.
Unheil ist von ihnen ausgegangen und wird auf sie zurückfallen."
Und wiederum: "Die meisten Seiner Feinde werden unter den Geistlichen sein.
Seinem Befehl werden sie nicht gehorchen, sondern sie werden widersprechen und sagen: `Dies ist das Gegenteil dessen, was uns durch die Imame des Glaubens überliefert worden ist.`"
Und nochmals: "Zu jener Stunde wird Sein Fluch über euch kommen, eure Verwünschung wird euch treffen und eure Religion wird ein leeres Wort auf euren Zungen bleiben.
Und wenn diese Zeichen unter euch erscheinen, so seid des Tages gewärtig, du der rotglühende Wind über euch hinfegen wird, oder des Tages, da ihr verunstaltet werdet oder da Steine auf euch regnen werden."
+24 #153
Eine Warnung an alle Völker
Diese Horde abgesetzter Priester, von Bahá'u'lláh als "Doktoren des Zweifels", "verworfene Offenbarungen des Fürsten der Finsternis", "Wölfe" und "Pharaonen", als "Brennpunkte des Höllenfeuers" und als "gefräßige Tiere, die um Aase der Menschenseelen nagen" gebrandmarkt und, wie auch durch ihre eigenen Überlieferungen bezeugt, sowohl Quelle als auch Opfer des Unheils, hat sich mit den verschiedensten Schwärmen der Sháh-Zádihs, Emire und Fürstensprößlinge gefallener Herrscherhäuser vereinigt - für alle Völker Zeugnis und Warnung dessen, was früher oder später über solche königlichen oder kirchlichen Herrscher über irdischen Besitz kommen muß, die sich erdreisten, die berufenen Kanäle und Verkörperungen göttlicher Vollmacht und Gewalt herauszufordern oder zu verfolgen.
+24:2
Der Islám, Ahnherr und Verfolger des Glaubens Bahá'u'lláhs zugleich, hat, wenn wir die Zeichen der Zeiten richtig lesen, erst begonnen, den Ansturm dieses unbesieglichen und triumphierenden Glaubens auszuhalten. Wir brauchen uns nur die neunzehnhundert Jahre erniedrigenden Elends und Zerstreutseins in Erinnerung zu rufen, die jene, die während des kurzen Zeitraums von drei Jahren den Sohn Gottes verfolgten, auszuhalten hatten und noch aushalten. Wir mögen uns wohl mit gemischten Gefühlen von Furcht und heiliger Scheu fragen, wie schwer die Leiden derer sein müssen, die nicht weniger als fünfzig Jahre lang Ihn, welcher der Vater ist, "jeden Augenblick mit neuen Qualen gepeinigt" haben und die dazu Seinen Herold, selbst eine Manifestation Gottes, unter solch tragischen Umständen den Kelch des Märtyrertums trinken ließen.
+24:3
Ich habe auf den unmittelbar vorhergehenden Seiten einige Stellen angeführt, die an die islámische wie christliche Geistlichkeit insgesamt gerichtet sind. Dann habe ich eine Anzahl von Botschaften und Bezugnahmen auf schiitische und sunnitische Geistliche aufgezählt und schließlich das Unglück beschrieben, das diese muhammadanischen Priesterherrschaften, ihre Häupter, Glieder, Besitztümer, Zeremonien und Einrichtungen traf. Laßt uns nun die Botschaften betrachten, die im besonderen an die Glieder der christlichen Geistlichkeit gerichtet wurden, die größtenteils den Glauben Bahá'u'lláhs nicht beachtete, während einige wenige unter ihnen, als Seine Verwaltungsordnung Gestalt gewann und ihre Verzweigungen über die christlichen Länder ausdehnte, sich daran machten, seinen Fortschritt zu hemmen, seinen Einfluß zu verringern und seine Absicht zu verdunkeln.
+25 #154
Seine Botschaften an christliche Führer
Ein Blick auf die Schriften des Begründers der Bahá'í-Offenbarung wird die wichtige und bedeutungsvolle Tatsache enthüllen, daß Er, der eine unvergängliche Botschaft an alle Könige der Erde insgesamt sandte, der für jedes der hervorragenden Häupter Europas und Asiens ein Tablet offenbarte, der Seinen Ruf an die geistlichen Führer des sunnitischen und schiitischen Islám ergehen ließ und der auch die Juden und Zoroastrier aus Seinem Wirkungskreis nicht ausschloß - daß Er außer Seinen zahlreichen, wiederholten Ermahnungen und Warnungen besondere Botschaften an die ganze Christenwelt gerichtet hat. Einige sind allgemein gehalten, andere bestimmt und sowohl die hohe wie die niedrige Geistlichkeit des Christentums herausfordernd - so den Papst, die Könige, Patriarchen, Erzbischöfe, Bischöfe, Priester und Mönche. In Verbindung mit den Botschaften Bahá'u'lláhs an die gekrönten Oberhäupter der Welt haben wir bereits einige Grundzüge aus dem Tablet an den römischen Hohenpriester und von den an die Könige der Christenheit gerichteten Worten erörtert. Wir wollen nun unsere Aufmerksamkeit jenen Stellen zuwenden, wo die Kirchenaristokratie und ihre geweihten Diener von der Feder Bahá'u'lláhs zur Ermahnung und Warnung herausgegriffen werden.
+25:2 #155
"Sprich: O Schar der Patriarchen! Er, der euch in den Schriften verheißen wurde, ist gekommen. Fürchtet Gott und folgt nicht den eitlen Einbildungen der Abergläubischen. Legt die Dinge, die ihr besitzt, beiseite und haltet euch am Tablet Gottes durch Seine höchste Macht fest. Dies ist besser für euch als alle eure Besitztümer. Dies bezeugt jedes verständige Herz und jeder einsichtsvolle Mensch. Seid ihr stolz auf Meinen Namen und schließt euch doch von Mir ab wie mit einem Schleier? Wahrlich, das ist seltsam!"
+25:3
"Sprich: O Schar der Erzbischöfe! Er, der Herr aller Menschen, ist erschienen. Auf dem Felde der Führung ruft Er die Menschheit, während ihr zu den Toten gezählt werdet! Groß ist die Glückseligkeit dessen, der durch Gottes Hauch erweckt wird und in diesem klaren Namen von den Toten aufersteht."
+25:4
"Sprich: O Schrar der Bischöfe! Zittern hat alle Geschlechter der Erde ergriffen, und Er, der ewige Vater, ruft laut zwischen Erde und Himmel. Gesegnet das Ohr, das gehört hat, und das Auge, das gesehen hat, und das Herz, das sich Ihm zugewandt hat, dem Punkte der Anbetung aller, die in den Himmeln und auf Erden sind." "O Schar der Bischöfe! Ihr seid die Sterne des Himmels Meiner Erkenntnis. Meine Barmherzigkeit wünscht nicht, daß ihr auf die Erde fallt. Meine Gerechtigkeit aber erklärt: `Dies ist, was der Sohn (Jesus) bestimmt hat.` Und was immer aus Seinem untadeligen, die Wahrheit sprechenden, glaubwürdigen Munde kam, kann niemals geändert werden. Wahrlich, die Glocken verkünden Meinen Namen und wehklagen über Mir, aber Mein Geist jubelt in offenkundiger Freude. Der Körper des Geliebten sehnt sich nach dem Kreuz, und Sein Haupt begehrt den Speer auf dem Pfade des Allbarmherzigen. Die Gewalt des Unterdrückers kann Ihn in keiner Weise von Seinem Ziel abhalten." Und wiederum: "Die Sterne am Himmel der Erkenntnis sind gefallen, sie, die ihre Beweise anführen, um die Wahrheit Meiner Sache zu beweisen, und die von Gott in Meinem Namen reden. Als Ich zu ihnen in Meiner Majestät kam, wandten sie sich dennoch von Mir ab, Wahrlich, sie gehören zu den Gefallenen. Das ist es, was der Geist (Jesus) weissagte, als Er in der Wahtheit kam und Ihn die jüdischen Gelehrten schmähten, bis sie begingen, was den Heiligen Geist wehklagen und die Augen derer, die Gott nahe sind, weinen ließ."
+25:5 #156
"Sprich: O Schar der Priester! Laßt die Glocken und kommt dann aus euren Kirchen. Es geziemt euch, an diesem Tage den Größten Namen laut unter den Völkern zu verkünden. Zieht ihr vor, stille zu sein, während jeder Stein und jeder Baum laut aufjauchzt: `Der Herr ist in Seiner größten Herrlichkeit gekommen!`... Er, der die Menschen in Meinem Namen versammelt, ist wahrlich von Mir und wird verkünden, was die Macht aller übersteigt, die auf Erden sind ... Laßt den Odem Gottes euch erwecken. Wahrlich, er hat über die Welt geweht. Wohl dem, der seinen Duft empfunden hat und unter die ganz Sicheren gezählt worden ist!" Und wiederum: "O Schar der Priester! Der Tag der Abrechnung ist gekommen, der Tag, da Er, der im Himmel war, erschienen ist. Wahrlich, Er ist der Eine, der euch verheißen wurde in den Büchern Gottes, des Heiligen, des Allmächtigen, des Allgepriesenen. Wie lange werdet ihr in der Wildnis der Achtlosigkeit und des Aberglaubens wandern? Wendet euch mit euren Herzen eurem Herrn zu, dem Vergebenden, dem Großmütigen."
+25:6 #157
"Sprich:
O Schar der Mönche!
Schließt euch nicht ab in Kirchen und Klöstern.
Kommt mit Meiner Erlaubnis hervor und befaßt euch mit dem, was euren Seelen und den Seelen der Menschen nützen wird.
Dies befiehlt euch der König des Tages der Abrechnung.
Schließt euch in die Feste Meiner Liebe ein.
Wahrlich, dies ist eine angemessene Abgeschlossenheit - wäret ihr doch unter denen, die dies wahrnehmen.
Wer sich in einem Haus abschließt, ist fürwahr wie ein Toter.
Es geziemt dem Menschen, das aufzuzueisen, was allem Erschaffenen Nutzen bringt: und wer keine Frucht hervorbringt, der taugt für das Feuer.
Solches rät euch euer Herr, und Er, wahrlich, ist der Allmächtige, der Allgütige.
Schließt die Ehe, damit nach euch ein anderer euren Platz ausfüllen möge.
Wir haben euch treulose Taten verboten, nicht aber das, was Treue beweisen wird.
Habt ihr euch an die Normen geklammert, die euer eigenes Selbst aufgestellt hat, und das Richtmaß Gottes von euch geworfen?
Fürchtet Gott und gesellt euch nicht zu den Narren.
Wenn nicht der Mensch, wer könnte Mich auf Meiner Erde erwähnen, und wie könnten Meine Merkmale und Mein Name geoffenbart worden sein?
Denkt darüber nach und gehört nicht zu denen, die verhüllt sind und fest schlafen.
Er, der nicht heiratete (Jesus), fand keinen Platz, wo Er wohnen oder Sein Haupt niederlegen konnte um dessentwillen, was die Hände der Verräter Ihm angetan haben.
Seine Heiligkeit besteht nicht in dem, was ihr glaubt oder euch einbildet, sondern vielmehr in dem, was Wir besitzen.
Bittet, auf daß ihr Seine Stufe begreifen möget, die erhöht wurde über die Vorstellung aller, die auf Erden wohnen.
Gesegnet sind, die dies verstehen."
Und wiederum: "O Schar der Mönche!
Wenn ihr Mir folgen werdet, dann werde Ich euch zu Erben Meines Königreiches machen.
Und wenn ihr gegen Mich fehlt, so werde Ich es in Meiner Langmut geduldig ertragen, denn Ich bin wahrlich der Ewigvergebende, der Allbarmherzige ...
Bethlehem ist in Bewegung durch den Odem Gottes.
Wir hören seine Stimme sprechen: `O großmütigster Herr!
Wo ist Deine große Herrlichkeit aufgerichtet?
Die süßen Düfte Deiner Gegenwart haben mir erquickt, nachdem ich durch meine Trennung von Dir verzagt war.
Gepriesen seist Du, daß Du die Schleier gehoben hast und mit Macht in offenbarer Herrlichkeit gekommen bist.` Wir riefen ihm zu aus dem Heiligtum der Hoheit und Größe: `O Bethlehem!
Dieses Licht ist im Osten aufgegangen und nach dem Westen gezogen, bis es dich um Abend seines Lebens erreicht hat.
So sage Mir:
Erkennen die Söhne den Vater und anerkennen sie Ihn, oder verleugnen sie Ihn, wie Ihn (Jesus) ehemals das Volk verleugnete?` Darauf schrie es auf und sprach: `Du bist in Wahrheit der Allwissende, der Bestunterrichtete.`"
+25:7 #158
Und wiederum: "Bedenkt gleicherweise, wie zahlreich heutzutage die Mönche sind, die sich in den Kirchen in Meinem Namen abgeschlossen haben und die, als die festgesetzte Zeit gekommen war und Wir ihnen Unsere Schönheit enthüllten, verfehlten, Mich zu erkennen, obwohl sie nach Mir in der Morgendämmerung und zur Abendzeit rufen." "Lest ihr das Evangelium", so redet Er sie wiederum an, "und weigert euch dennoch, den allherrlichen Herrn anzuerkennen? Wahrlich, dies geziemt dir nicht, o Schar gelehrter Männer! ... Die Düfte des Allbarmherzigen haben über alle Schöpfung geweht. Glücklich der Mensch, der seinen Wünschen entsagt und an der Führung festgehalten hat."
+25:8
Diese "gefallenen Sterne" am Himmelsgewölbe des Christentums, diese "dicken Wolken", die den Glanz des echten Gottesglaubens verdunkelten, diese Kirchenfürsten, die verfehlten, die höchste Herrschaft des "Königs der Könige" anzuerkennen, diese betrogenen Diener des Sohnes, die das verheißene Königreich, das der "Ewige Vater" vom Himmel heniederbrachte und jetzt auf Erden errichtet, mieden und übersahen -, sie erleben nun, an diesem "Tag der Abrechnung", eine Krise, zwar nicht so entscheidend wie jene, welcher die Priesterschaft des Islám, der eingefleischte Feind des Glaubens, sich gegenübersah, aber eine nicht weniger weitgreifende und bedeutsame. "Die Macht ist weggenommen worden" in der Tat, und sie wird noch weiter weggenommen von diesen Geistlichen, die im Namen des Glaubens reden, den sie bekennen und von dessen Geist sie doch so weit entfernt sind.
+25:9 #159
Wir brauchen, wenn wir die Schicksale der christlichen Geistlichkeit überblicken, uns nur umzusehen, um die ständige Abnahme ihres Einflusses, das Sinken ihrer Macht, die Schädigung ihres Ansehens, die Verspottung ihrer Autorität, das zahlenmäßige Abnehmen ihrer Gemeinden, das Erschlaffen ihrer Disziplin, die Beschränkung ihrer Presse, die Mutlosigkeit ihrer Führer, die Verwirrung in ihren Reihen, die fortschreitende Beschlagnahme ihrer Besitztümer, die Übergabe einiger ihrer mächtigsten Bollwerke und das Verlöschen anderer alter und besonders geliebter Einrichtungen richtig abzuschätzen.
Von der Zeit an, da der göttliche Ruf erhoben und die Aufforderung erfolgt war, die Warnung laut geworden und die Verdammung ausgesprochen wurde, hat tatsächlich dieses Geschehen - das, wie man wohl sagen darf, mit dem Zusammenbruch der weltlichen Herrschaft des römischen Hohenpriesters nach der Offenbarung des Tablets an den Papst eingeleitet worden war - bald mit wachsender Wucht eingesetzt, und es hat sogar die Grundlage selbst bedroht, auf der die ganze Ordnung ruht.
Unterstützt von den Kräften, welche die kommunistische Bewegung entfesselt hat, verstärkt durch die politischen Nachwirkungen des letzten Krieges (1914-1918), beschleunigt durch den übermäßigen, blinden, unduldsamen und kriegerischen Nationalismus, der jetzt die Völker erschüttert, und angetrieben durch die hochgehende Flut von Materialismus, Religionslosigkeit und Heidentum, zielt dieses Geschehen nicht nur dahin, kirchliche Einrichtungen umzustürzen, sondern scheint sogar zur raschen Entchristlichung der Massen in vielen christlichen Ländern zu führen.
+25:10 #160
Ich werde mich mit der Aufzählung gewisser hervorstechender Auswirkungen dieser Kräfte begnügen, die in wachsendem Maße in den Bereich eines der führenden religiösen Systeme der Menschheit eindringen und gegen seine festen Wälle anstürmen.
Die tatsächliche Vernichtung der weltlichen Macht des höchsten Herrschers in der Christenheit, unmittelbar nach der Schaffung des Königreiches Italien; die Woge der Kirchenfeindlichkeit, die nach dem Zusammenbruch des napoleonischen Kaiserreiches über Frankreich hinrollte und in der völligen Trennung der katholischen Kirche vom Staat, in der Verweltlichung der Dritten Republik, in der Überrahme der Erziehung durch staatliche Einrichtungen und in der Unterdrückung und Zerstreuung religiöser Orden gipfelte; der rasche und plötzliche Aufstieg jenes "religiösen Unglaubens", jenes kühnen, bewußten und organisierten Angriffes, der in Sowjetrußland gegen die griechisch-orthodoxe Kirche begonnen wurde, der die Aufhebung der Staatsreligion beschleunigte, der eine große Zahl ihrer Mitglieder, die ursprünglich über einhundert Millionen Seelen zählten, niedermetzelte, der Tausende und aber Tausende von Kirchen, Klöstern, Synagogen und Moscheen niederriß, schloß oder in Museen, Theater und Warenhäuser verwandelte, der der Kirche rund 26 000 qkm Landbesitz wegnahm und durch die Liga der kämpfenden Atheisten und die Durchführung eines "Fünfjahresplanes der Gottlosigkeit" das religiöse Leben der Massen von seinen Grundlagen zu lösen suchte; die Zerstückelung der österreichisch-ungarischen Monarchie, die mit einem Schlag die mächtigste Einheit auflöste, die der Kirche Roms Treue schuldete und durch ihre Hilfskräfte deren Verwaltung stützte; die Trennung des spanischen Staates von dieser gleichen Kirche und der Sturz der Monarchie, der Vorkämpferin der katholischen Christenheit; die nationalistische Philosophie, die Mutter eines ungezügelten, veralteten Nationalismus, der, nachdem er den Islám entthront, indirekt die Frontlinie der christlichen Kirche in nichtchristlichen Ländern angegriffen hat und den katholischen, anglikanischen und presbyterianischen Missionen in Persien, der Türkei und dem Fernen Osten so schwere Schläge austeilt; die Umsturzbewegung, die in ihrem Gefolge die Verfolgung der katholischen Kirche in Mexiko nach sich zog; und endlich das Evangelium eines modernen Heidentums, unverhohlen, angreiferisch und unerbittlich, das in den Jahren, die dem gegenwärtigen Aufruhr vorangingen, und in wachsendem Maße seit dessen Ausbruch, über den Erdteil Europa gebraust und in seine Festen eingedrungen ist und das Verwirrung gesät hat in die Herzen der Verfechter der katholischen, griechisch-orthodoxen und lutherischen Kirche in Österreich, Polen, den baltischen und skandinavischen Staaten und neuerdings auch in Westeuropa, der Heimat und dem Mittelpunkt der mächtigsten Kirchenherrschaft des Christentums.
+26 #161
Christliche Nationen gegen christliche Nationen
Dieser brudermörderische Krieg (1939-1945), den christliche Nationen gegen christliche Nationen führen, in dem Anglikaner gegen Lutheraner, Katholiken gegen Griechisch-Orthodoxe, Katholiken gegen Katholiken, Protestanten gegen Protestanten kämpfen, um eine sogenannte christliche Zivilisation zu unterstützen, bietet wahrhaftig einen traurigen Anblick der Ohnmacht und Zerrissenheit den Augen derjenigen, die bereits den Ruin der Einrichtungen bemerken, die vorgeben, im Namen der Religion von Jesus Christus zu sprechen und Seine Treuhänder zu sein! Die Machtlosigkeit und Verzweiflung des Heiligen Stuhles, diesem mörderischen Kampf Einhalt zu gebieten, in den die Kinder des Friedefürsten verwickelt sind - geweiht und unterstützt von den Segnungen und feierlichen Ansprachen der hohen Geistlichen einer hoffnungslos zerspaltenen Kirche -, zeigen den Grad von Unterwürfigkeit, zu dem die einst allmächtigen Einrichtungen des christlichen Glaubens abgesunken sind, und erinnern deutlich an den gleichen Verfall, dem die Priesterherrschaften ihrer Schwesterreligion unterlegen sind.
+26:2 #162
Auf welch tragische Weise hat die Christenheit die hohe Mission übersehen und wie weit ist sie von ihr abgewichen, zu deren Erfüllung Er, der wahre Friedefürst, sie in den letzten Abschnitten Scines Tablets an Papst Pius IX. gerufen hat, in der Er die Gesamtheit der Christenheit ansprach - Abschnitte, die für alle Zeit den Unterschied zwischen der Mission von Bahá'u'lláh in unserem Zeitalter und der von Jesus Christus feststellen: "Sprich:
O Schar der Christen!
Wir haben Uns euch schon zu einem früheren Zeitpunkt offenbart, und ihr habt Mich nicht erkannt.
Dies ist noch einmal eine günstige Gelegenheit, die euch gewährt wird.
Dies ist der Tag Gottes, wendet euch Ihm zu ...
Der Geliebte wünscht nicht, daß ihr vom Feuer eurer Leidenschaften verzehrt werdet.
Wäret ihr von Ihm wie durch einen Schleier abgeschlossen, so wäre dies aus keinem anderen Grunde als eurer eigenen Widerspenstigkeit und Unwissenheit.
Ihr erwähnt Mich und kennt Mich doch nicht.
Ihr ruft Mich an, aber ihr achtet nicht auf Meine Offenbarung ...
O Völker des Evangeliums!
Sie, die nicht im Königreich waren, sind jetzt eingetreten, während Wir euch an diesem Tage zögernd am Tore stehen sehen.
Zerreißt die Schleier durch die Kraft eures Herrn, des Allmächtigen, des Allgütigen, und tretet dann in Meinem Numen ein in Mein Königreich.
So befiehlt euch Er, der euch ewiges Leben wünscht ...
O Kinder des Königreiches!
Wir sehen euch in Finsternis.
Wahrlich, dies geziemt euch nicht.
Habt ihr angesichts des Lichtes Furcht wegen eurer Taten?
Wendet euch Ihm zu ...
Wahrlich, Er (Jesus) sagte: `Folget Mir nach, und Ich will euch zu Menschenfischern machen.` Am heutigen Tage jedoch sagen Wir: `Folget Mir nach, auf daß Wir euch zu Lebensspendern der Menschheit machen`"
Weiter hat Er geschrieben: "Sprich:
Wahrlich, Wir sind um euretwillen gekommen und haben die Trübsal der Welt um eurer Rettung willen getragen.
Flieht ihr Den, der Sein Leben aufopferte, damit ihr belebt werdet?
Fürchtet Gott, o ihr Anhänger des Geistes (Jesus), und wandelt nicht in den Fußstapfen eines jeden Geistlichen, der weit in die Irre gegangen ist ...
Öffnet die Türen eurer Herzen.
Wahrlich, Er, der Geist (Jesus), steht davor.
Warum haltet ihr euch fern von Ihm, der euch zu einer strahlenden Höhe bringen will?
Sprich:
Wahrlich, Wir haben euch die Pforten des Königreiches geöffnet.
Wollt ihr vor Meinem Antlitz die Türen eurer Häuser verriegeln?
Wahrlich, dies ist nichts als ein schmerzlicher Irrtum."
+26:3 #163
Das ist nun der Engpaß, in den die christliche Geistlichkeit geraten ist - eine Geistlichkeit die sich zwischen ihre Herde und den in der Glorie des Vaters wiedergekommenen Christus gestellt hat. Da der Glaube dieses Verheißenen mehr und mehr in das Herz der Christenheit eindringt, da sich seine Kämpfer aus den Besatzungen, gegen die Sein Geist anstürmt, vervielfachen und die Bollwerke christlicher Rechtgläubigkeit zu gemeinsamen, entschlossenen Verteidigungsmaßnahmen herausfordern, da die Kräfte des Nationalismus, der Gottlosigkeit, des Säkularismus und der Rassenlehre allesamt einem Höhepunkt zustreben - dürfen wir da nicht erwarten, daß der Niedergang der Macht, der Autorität und des Ansehens dieser Geistlichen noch mehr hervortreten und die Wahrheit und den tieferen Sinn von Bahá'u'lláhs Verkündung noch deutlicher beweisen werden, welche die Verfinsterung der Leuchten der Kirche Jesu Christi voraussagt.
+26:4
Wahrhaft verheerend war die Zerstörung im Schicksal der schiitischen Priesterschaft in Persien und erbärmlich das Los, das ihren Resten beschieden ist, die jetzt unter dem Joche einer jahrhundertelang verachteten und beherrschten weltlichen Macht stöhnen. Sintflutartig war in der Tat der Zusammenbruch der höchsten Einrichtung des sunnitischen Islám und unheilbar der Sturz seiner Priesterschaft in einem Lande, das die Sache des selbsternannten Stellvertreters des Propheten Gottes verfochten hat. Stetig und erbarmungslos ist das Geschehen, das den Verteidigern der Bollwerke christlicher Kirchenherrschaft so viel Zerstörung, Schande, Spaltung und Schwäche gebracht hat, und wahrhaft schwarz sind die Wolken, die den Horizont dieser Herrschaft verfinstern. Durch die muhammadanischen und christlichen Geistlichen - "Götzen", wie Bahá'u'lláh jene brandmarkte, die die Mehrheit Seiner Feinde bildeten -, die nicht, wie von Ihm befohlen, ihre Federn beiseite gelegt und ihre Einbildungen aufgegeben haben, und die, wie Er selbst bezeugte, wenn sie an Ihn geglaubt hätten, die Umwandlung der Massen zustande gebracht haben würden, (durch sie und ihre Taten) sind der Islám und das Christentum, und dies zu sagen ist keine Übertreibung, in den kritischsten Abschnitt ihrer Geschichte eingetreten.
+26:5 #164
Niemand soll jedoch meine Absicht mißverstehen oder diese Grundwahrheit falsch auslegen, die zum Wesen des Glaubens von Bahá'u'lláh gehört. Der göttliche Ursprung aller Offenbarer Gottes - einschließlich Jesu Christi und des Boten Gottes, Muhammad, den beiden größten Manifestationen, die der Offenbarung des Báb vorangingen - wird vorbehaltlos und unerschütterlich von einem jeden Anhänger der Bahá'í-Religion bejaht. Die grundsätzliche Einheit dieser Gottgesandten wird klar erkannt, der Zusammenhang Ihrer Offenbarungen wird bestätigt, die gottgegebene Autorität und die Wechselbeziehungen Ihrer Bücher werden zugegeben, die Einzigkeit Ihrer Ziele und Zwecke wird verkündet, die Einzigartigkeit Ihres Einflusses nachdrücklich betont und die endliche Aussöhnung Ihrer Lehrer und Anhänger gelehrt und vorausgesehen. "Sie alle wohnen", nach Bahá'u'lláhs Zeugnis, "in dem gleichen Heiligtum, erheben sich in den gleichen Himmel, sitzen auf dem gleichen Throne, reden die gleiche Sprache und verkünden die gleiche Religion."
+27 #165
Die Fortdauer der Offenbarung
Der Glaube, der mit dem Namen Bahá'u'lláhs identisch ist, verwirft jede Absicht, irgendeinen der ihm vorangegangenen Offenbarer zu verkleinern, irgendeine Ihrer Lehren zu heschneiden, den Glanz Ihrer Offenbarungen, und sei es noch so wenig, zu verdunkeln, sie aus den Herzen Ihrer Anhänger zu verdrängen, die Grundlagen Ihrer Lehrsätze ahzuschaffen, irgendeines Ihrer geoffenbarten Bücher aufzugehen oder die berechtigten Bestrebungen Ihrer Anhänger zu unterdrücken. Indem Bahá'u'lláh den Anspruch jeder Religion, die endgültige Offenbarung Gottes für den Menschen zu sein, verwirft und Endgültigkeit auch für Seine eigene Offenbarung ablehnt, betont Er nachdrücklich den Grundsatz der Relativität religiöser Wahrheit, die Fortdauer göttlicher Offenbarung und das Fortschreiten religiöser Erfahrung. Sein Ziel ist, die Grundlage aller geoffenharten Religionen zu erweitern und die Geheimnisse ihrer Schriften zu enträtseln. Er besteht auf der vorhehaltlosen Anerkennung der Einheit ihrer Ziele, bestätigt die ewigen Wahrheiten, die sie enthalten, stimmt ihr Wirken aufeinander ab, scheidet das Wesentliche und Verbürgte vom Unwesentlichen und Unechten in ihren Lehren, trennt die von Gott gegebenen Wahrheiten von dem von Geistlichen aufgebrachten Aberglauben und verkündet auf dieser Grundlage die Möglichkeit, ja sogar die Unvermeidlichkeit ihrer Vereinigung und die Erfüllung ihrer höchsten Hoffnungen.
+27:2
Was Muhammad, den Apostel Gottes, betrifft, so möge keiner Seiner Anhänger, der diese Zeilen liest, auch nur einen Augenblick denken, daß der Islám, sein Prophet, dessen Buch, seine ernannten Nachfolger oder irgendeine seiner verbürgten Lehren herabgesetzt worden seien oder auf irgendeine Weise, und sei es auch noch so unbedeutend, herabgesetzt werden. Die Familie des Báb, des Nachkommen von Imám Husayn, die verschiedenen eindrucksvollen Beweise in Nabíls Bericht über die Haltung des Heroldes unseres Glaubens gegenüber dem Begründer, den Imámen und dem Buche des Islám, die glühenden Tribute, die Bahá'u'lláh in Seinem Kitáb-i-Íqán Muhammad und Seinen rechtmäßigen Nachfolgern und besonders dem "einzigartigen und unvergleichlichen" Imám Husayn zollte, die von 'Abdu'l-Bahá eindringlich, furchtlos und öffentlich in Kirchen und Synagogen dargelegten Beweise, um die Gültigkeit der Botschaft des arabischen Propheten zu verdeutlichen, und nicht zuletzt das schriffliche Zeugnis der Königin von Rumänien, die sich, hauptsächlich durch ihr Studium dieser öffentlichen Reden 'Abdu'l-Bahás, veranlaßt fühlte, ihre Erkenntnis des prophetischen Wirkens von Muhammad zu verkünden - und dies, obwohl sie im anglikanischen Glauben geboren war und ihre Regierung mit der griechisch-orthodoxen Kirche, der Staatsreligion ihres neuen Vaterlandes, ein enges Bündnis eingegangen war - sie alle erklären in unzweideutigen Worten die wahre Haltung des Bahá'í-Glaubens gegenüber seiner Mutterreligion.
+27:3 #166
"Gott", so lautet ihr königlicher Tribut, "ist Alles, Jegliches. Er ist die Macht hinter allem Handeln ... Sein ist die Stimme in uns, die uns Gut und Böse zeigt. Aber meistens überhören oder mißverstehen wir diese Stimme. Daher gefiel es Ihm, Seine Auserwählten zu uns auf Erden herabkommen zu lassen, um Sein Wort und Seine Absicht zu verkünden. Darum die Propheten, darum Christus, Muhammad, Bahá'u'lláh; denn der Mensch braucht von Zeit zu Zeit eine Stimme auf Erden, die ihm Gott nahebringt und das Bewußtsein vom Dasein des wahren Gottes schärft. Diese uns gesandten Stimmen mußten Fleisch werden, so daß wir fähig wurden, mit unseren irdischen Ohren zu hören und zu verstehen."
+27:4
Welch größeren Beweis, so darf man schließlich fragen, können die Geistlichen von Persien oder der Türkei noch fordern, um durch ihn von den Anhängern Bahá'u'lláhs die Anerkennung der erhabenen Stellung, die der Offenbarer Muhammad in der Gesamtheit der Gottgesandten innehatte, darzulegen? Welchen größeren Dienst erwarten diese Geistlichen, den wir der Sache des Islám noch erweisen könnten? Welchen größeren Beweis unserer Zuständigkeit können sie verlangen, als daß wir, in Gegenden weit jenseits ihres Bereiches, den Funken einer glühenden und aufrichtigen Bekehrung zu der Wahrheit entfachen, die vom Apostel Gottes ausgesprochen wurde, und daß wir von der Feder einer königlichen Persönlichkeit dieses öffentliche und wahrlich historische Bekenntnis Seiner gottgeschenkten Sendung erlangten?
+27:5 #167
Was die Stellung des Christentums betrifft, so sei ohne Zögern und unzweideutig festgestellt, daß sein göttlicher Ursprung bedingungslos bejaht, die Sohnschaft und Göttlichkeit von Jesus Christus furchtlos behauptet, die göttliche Eingebung des Evangeliums voll anerkannt, die Wirklichkeit des Mysteriums der Unbeflecktheit der Jungfrau Maria angenommen und der Vorrang Petri, des Fürsten der Apostel, hochgehalten und verteidigt werden.
Der Begründer des christlichen Glaubens wird von Bahá'u'lláh als der "Geist Gottes" bezeichnet, als Derjenige, welcher "aus dem Odem des Heiligen Geistes" erschien, und Er wird sogar als "das Wesen des Geistes" gepriesen.
Seine Mutter wird als "das verhüllte und unsterbliche, das schönste Antlitz" beschrieben und die Stufe ihres Sohnes verherrlicht als eine "Stufe, die erhöht wurde über die Vorstellungen aller, die auf Erden wohnen", während Petrus als einer anerkannt wird, dem Gott "die Geheimnisse der Weisheit und der Verkündung aus dem Munde strömen" ließ. "Wisse", hat Bahá'u'lláh überdies bezeugt, "daß die ganze Schöpfung in großer Traur weinte, als der Menschensohn Seinen Geist zu Gott aufgab.
Durch Seine Selbstaufopferung wurde jedoch allen erschaffenen Dingen eine neue Fähigkeit eingeflößt.
Ihre Beweise, wie sie bei allen Völkern der Erde wahrgenommen werden, liegen jetzt offen vor dir.
Die tiefste Weisheit, welche die Weisen ausgesprochen haben, das tiefgründigste Wissen, das irgendein Geist entfaltet hat, die Künste, welche die fähigsten Hände hervorgebracht haben, der Einfluß, der von den mächtigsten der Herrscher ausgeübt wurde, sie alle sind nur Offenbarungen der belebenden Kraft, die durch Seinen überragenden, Seinen alles durchdringenden und strahlenden Geist ausgelöst wurden.
Wir bezeugen, daß Er, als Er in die Welt kam, den Glanz Seiner Herrlichkeit auf alle erschaffenen Dinge ergoß.
Durch Ihn genas der Aussätzige vom Aussatz der Verdorbenheit und des Unwissens.
Durch Ihn wurden der Unreine und der Eigensinnige geheilt.
Durch Seine Macht, aus dem allmächtigen Gott geboren, wurden die Augen des Blinden geöffnet und die Seele des Sünders geheiligt ...
Er machte die Welt rein.
Gesegnet der Mensch, der sich Ihm mit hellstrahlendem Antlitz zugewandt hat."
+27:6 #168
In der Tat ist die wesentliche Vorbedingung der Aufnahme von Juden, Zoroastriern, Hindus, Buddhisten und Anhängern anderer alter Glaubensbekenntnisse, von Agnostikern und sogar Atheisten in die Bahá'í-Gemeinschaft die ehrliche und unbedingte Anerkennung des göttlichen Ursprungs sowohl des Islám als auch des Christentums, des prophetischen Wirkens sowohl von Muhammad als auch von Jesus Christus, der Rechtlichkeit der Einsetzung des Imamats und des Vorrangs von Petrus, dem Fürsten der Apostel. Dies sind die zentralen, festen, unbestreitbaren Grundsätze, welche den Grundstock des Bahá'í-Glaubens bilden, welche die Religion Bahá'u'lláhs anzuerkennen stolz ist, welche seine Lehrer verkünden, seine Verteidiger bewahren, sein Schrifttum verbreitet, seine Sommerschulen erklären und das Heer seiner Anhänger durch Wort und Tat bezeugt.
+27:7
Auch sollte man keinen Augenblick denken, daß die Anhänger Bahá'u'lláhs den Rang der religiösen Führer der Welt, ob christlich, muhammadanisch oder irgendeines anderen Namens, jemals herabzusetzen oder zu verkleinern suchen, sofern ihr Betragen mit ihren Bekenntnissen übereinstimmt und sie der Stellung wert sind, die sie einnehmen. "Jene Geistlichen", hat Bahá'u'lláh bestätigt, "die wahrhaft mit dem Schmuck der Erkenntnis geziert sind und einen rechtschaffenen Chrarakter besitzen, sind wahrlich wie ein Haupt für den Körper der Welt und wie Augen für die Völker.
Die Führung der Menschheit ist allezeit von diesen gesegneten Seelen abhängig gewesen und ist es noch."
Und wiederum: "Der Geistliche, dessen Betragen rechtschaffen ist, und der Weise, der gerecht ist, sind wie der Geist für den Körper der Welt.
Wohl dem Geistlichen, dessen Haupt mit der Krone der Gerechtigkeit geschmückt und dessen Tempel (Körper) mit dem Schmucke der Rechtschaffenheit geziert ist."
Und noch einmal: "Der Geistliche, der den heiligsten Wein im Namen des höchsten Verordners ergriffen und getrunken hat, ist wie ein Auge für die Welt.
Wohl denen, die ihm gehorchen und seiner gedenken." "Groß ist die Glückseligkeit jenes Geistlichen", hat Er in anderem Zusammenhang geschrieben, "der die Erkenntnis nicht zum Schleier werden ließ zwischen sich und dem Einen, der das Ziel aller Erkenntnis ist, und der, als der Selbstbestehende erschien, sich Ihm mit strahlendem Antlitz zugewandt hat.
Er wird in Wahrheit zu den Gelehrten gezählt.
Die Bewohner des Paradieses suchen die Segnung seines Odems, und seine Leuchte ergießt ihren Glanz über alle, die im Himmel und auf Erden sind.
Wahrlich, er wird unter die Erben der Offenbarer gezählt.
Wer ihn erschaut, hat fürwahr den Einen Wahren erschaut, und wer sich ihm zuzuendet, hat sich fürwahr Gott zugewandt, dem Allmächtigen, dem Allzueisen." "Achtet die Geistlichen unter euch", so lautet Seine Ermahnung, "sie, deren Taten mit der Erkenntnis, die sie besitzen, übereinstimmen, welche die Gesetze Gottes beachten und die Dinge verordnen, die Gott im Buche verordnet hat.
Wisse, daß sie die Lampen der Führung zwischen Erde und Himmel sind.
Jene, die keine Rücksicht auf Stellung und Verdienste der Geistlichen unter sich nehmen, haben, wahrlich, die ihnen zugedachte Güte Gottes verändert."
+27:8 #169
Liebe Freunde!
Ich habe auf den vorangehenden Seiten diese welterschütternde Heimsuchung, deren Gewalt die ganze Menschheit ergriffen hat, in erster Linie als ein von Gott ausgesprochenes Gericht über die Völker der Erde darzustellen versucht, die schon ein Jahrhundert lang sich geweigert haben, den Einen anzuerkennen, dessen Kommen allen Religionen verheißen wurde und in dessen Glauben allein alle Völker ihre wahre Rettung suchen können und schließlich suchen müssen.
Ich habe bestimmte Stellen aus den Schriften von Bahá'u'lláh und dem Báb angeführt, welche die Wesensart dieser von Gott verhängten Heimsuchung enthüllen und ihr Kommen andeuten.
Ich habe die leidvollen Prüfungen aufgezählt, die dem Glauben, seinem Herold, seinem Begründer und seinem Vorbild auferlegt worden sind, und das tragische Versagen der Menschheit im allgemeinen und ihrer Führer dargelegt, gegen diese Trübsale einzuschreiten und die Ansprüche Derer, die sie ertragen mußten, anzuerkennen.
Ich habe weiter gezeigt, daß eine unmittelbare, furchtbare, unentrinnbare Verantwortung auf den Staatsoberhäuptern der Erde und auf den religiösen Führern der Welt ruht, die in den Tagen des Báb und Bahá'u'lláhs die Zügel unumschränkter politischer und religiöser Gewalt in ihren Händen hielten.
Ich habe mich auch zu beweisen bemüht, daß als Ergebnis der unmittelbaren und tätlichen Feindschaft einiger von ihnen gegen den Glauben, und bei anderen die Vernachlässigung ihrer unbestreitbaren Pflicht, seine Wahrheit und seine Ansprüche zu erforschen, seine Unschuld zu verteidigen und das ihm angetane Unrecht zu ahnden, sowohl Könige wie Geistliche den furchtbaren Strafen unterworfen worden sind und noch werden, die ihre Taten und Unterlassungssünden herausgefordert haben.
Ich habe, angesichts der Hauptverantwortung, die sie als Ergebnis des unbestrittenen Einflusses auf sich nahmen, den sie auf ihre Untertanen und Anhänger ausübten, ausführlich aus den Botschaften, Ermahnungen und Warnungen zitiert, die durch die Begründer unseres Glaubens an sie gerichtet wurden, und mich über die Folgen verbreitet, die von diesen bedeutsamen, epochemachenden Aussprüchen ausgegangen sind.
+27:9 #170
Dieses große Unheil der Vergeltung, für das, wie Bahá'u'lláh bezeugt, die höchsten weltlichen und geistlichen Führer der Erde in erster Linie verantwortlich sind, sollte jedoch nicht, wenn wir es richtig einschätzen wollen, einzig als eine Strafe angesehen werden, die Gott einer Welt zuteilt, die hundert Jahre lang auf ihrer Weigerung beharrt hat, die Wahrheit der Erlösungsbotschaft anzunehmen, die ihr durch den höchsten Gottgesandten an diesem Tage gebracht wurde. Es sollte vielmehr, wenn auch nur in zweiter Linie, im Lichte einer Vergeltung für die Verdorbenheit des Menschengeschlechtes im allgemeinen angesehen werden, dafür, daß es sich abwandte von jenen Grundsätzen, die allezeit allein Leben und Fortschritt der Menschheit beherrschen müssen und schützen können. Die Menschheit hat es leider mit wachsendem Starrsinn vorgezogen, anstatt den Geist Gottes, wie Er in Seiner Religion an diesem Tage verkörpert ist, zu erkennen und anzubeten, jene erdichteten Götzenbilder, Unwahrheiten und Halbwahrheiten zu verehren, die ihre Religionen verdunkeln, ihr geistiges Lehen verderben, ihre politischen Einrichtungen erschüttern, ihr soziales Gefüge zerfressen und ihre wirtschaftliche Struktur zerbrechen.
+27:10 #171
Die Völker der Erde haben nicht nur einen Glauben, der zugleich das Wesen, die Verheißung, der Versöhner und der Vereiniger aller Religionen ist, übersehen und - einige von ihnen - sogar angegriffen, sondern sie sind von ihren eigenen Religionen ahgewichen und haben andere Götter auf ihre umgestürzten Altäre gesetzt, die nicht nur dem Geiste, sondern auch den überlieferten Formen ihrer alten Glaubensbekenntnisse völlig fremd sind.
+27:11
"Das Antlitz der Welt", so klagt Bahá'u'lláh, "hat sich verändert. Der Weg Gottes und die Religion Gottes haben aufgehört, in den Augen der Menschen noch irgendeinen Wert zu besitzen." "Die Lebenskraft des Glaubens der Menschen an Gott", so hat Er ebenfalls geschrieben, "liegt in jedem Lande im Sterben ... Die zersetzende Gottlosigkeit frißt sich in die Lebenskraft der menschlichen Gesellschaft ein." "Religion", so bekräftigt Er, "ist wahrlich das wichtigste Mittel zur Errichtung der Ordnung in der Welt und der Ruhe unter den Völkern ... Je größer der Niedergang der Religion, um so schlimmer ist der Starrsinn der Gottlosen. Dies kann am Ende nur zu Chaos und Verwirrung führen." Und wiederum: "Religion ist ein strahlendes Licht und eine uneinnehmbare Festung zum Schutz und zur Wohlfahrt der Völker der Welt." In einem anderen Zusammenhang hat Er geschrieben: "Wie der Körper des Menschen ein Gewand braucht, sich zu bekleiden, so muß der Körper der Menschheit notwendigerweise mit dem Mantel der Gerechtigkeit und Weisheit geschmückt werden. Sein Gewand ist die ihm von Gott gewährte Offenbarung."
+28 #172
Die drei falschen Götter
Diese lebendige Kraft ist im Aussterben, diese mächtige Wirksamkeit wurde verachtet, dieses strahlende Licht verdunkelt, diese unüberwindliche Festung verlassen und dieses herrliche Gewand abgelegt. Gott selbst ist in der Tat in den Herzen der Menschen entthront worden, und eine götzendienerische Welt grüßt und verehrt leidenschafllich und lärmend diese von ihren eigenen unnützen Phantasien erschaffenen falschen Götter, die ihre mißleiteten Hände so gotteslästerlich erhöht haben.
+28:2
Die größten Götzenbilder in diesem entweihten Tempel der Menschheit sind keine anderen als die drei Götter des Nationalismus, des Rassismus und des Kommunismus, an deren Altären Regierungen und Völker, demokratische wie totalitäre, im Krieg oder im Frieden, im Osten oder im Westen, christliche oder islámische, jetzt in verschiedenartigen Formen und in verschiedenen Graden Gottesdienst halten. Ihre Hohepriester sind die Politiker und die Weltklugen, die sogenannten Weisen dieses Zeitalters, ihre Opfer sind das Fleisch und das Blut der niedergemetzelten Massen, ihre Zaubermittel sind abgegriffene Schibboleths (d. h. Losungsworte) und trügerische und belanglose Bekenntnisformeln, ihr Weihrauch ist der Rauch der Seelenangst, der aus den zerrissenen Herzen der Verwaisten, der Verstümmelten und Heimatlosen aufsteigt.
+28:3
Diese ungesunden, verderblichen Theorien und Methoden, die den Staat vergöttern und die Nation über die Menschheit erheben, die die Schwesterrassen auf der Welt einer einzigen Rasse unterzuordnen suchen, die zwischen Schwarz und Weiß unterscheiden und die das Übergewicht einer bevorzugten Klasse über alle anderen zulassen - das sind die finsteren, falschen und verschrobenen Lehrsätze, für die jeder Mensch oder jedes Volk, das an sie glaubt oder nach ihnen handelt, sich früher oder später den Zorn und die Züchtigung Gottes zuziehen muß. Die von 'Abdu'l-Bahá ausgesprochene Warnung lautet: "Neugeschaffene und weltweite Bewegungen werden die größten Anstrengungen machen, um ihre Pläne zu fördern. Die Bewegung der Linken wird große Bedeutung erlangen. Ihr Einfluß wird sich ausbreiten."
+28:4 #173
Im Gegensatz zu diesen kriegerzeugenden, welterschütternden Lehrsätzen, und ihnen unversöhnlich entgegengesetzt, stehen die heilenden, rettenden, inhaltsschweren, von Bahá'u'lláh, dem göttlichen Organisator und Erlöser des ganzen Menschengeschlechtes, verkündeten Wahrheiten - Wahrheiten, die als die beseelende Kraft und als Kennzeichen Seiner Offenbarung betrachtet werden sollten: "Die Welt ist nur ein Land und die Menschheit ihre Bürger." "Laßt keinen Menschen sich rühmen, daß er sein Land liebt, sondern laßt ihn sich dessen rühmen, daß er die ganze Menschheit liebt." Und wiederum: "Ihr seid die Früchte eines Baumes und die Blätter eines Zweiges." "Richtet Verstand und Willen auf die Erziehung der Völker und Geschlechter der Erde, damit vielleicht ... alle Menschen zu Stützen einer Ordnung und zu Bewohnem einer Stadt werden mögen ... Ihr wohnt in einer Welt und seid erschaffen worden durch das Walten eines Willens." "Hütet euch, daß nicht die Begierden des Fleisches und einer verdorbenen Neigung Zwiespalt unter euch hervorrufen. Seid wie die Finger einer Hand, wie die Glieder eines Körpers." Und noch einmal: "Alle jungen Bäume der Welt sind einem Baum entsprossen, und alle Tropfen kamen aus einem Ozean, und alle Wesen verdanken ihr Dasein einem Wesen." Und weiterhin: "Wahrlich, der ist ein Mensch, der sich heute dem Dienst am ganzen Menschengeschlecht widmet."
+29 #174
Die geschwächten Pfeiler der Religion
Der Unglaube und seine gräßliche Brut, der dreifache Fluch, der die Seele der Menschheit an diesem Tage bedrückt, dürfen nicht allein für die Krankheiten, die sie auf so tragische Weise bedrängen, verantwortlich gemacht werden, sondern auch andere Übel und Laster, die zum größten Teil eine direkte Folge der "Schwächung der Pfeiler der Religion" sind, müssen ebenfalls als mitwirkende Faktoren zu der mannigfachen Schuld angesehen werden, die Einzelmenschen und Völker auf sich geladen haben.
Die Zeichen moralischen Verfalls als Folge der Entthronung der Religion und der Thronbesteigung dieser unrechtmäßigen Götzen sind zu zahlreich und zu offenbar, um nicht selbst von einem nur oberflächlichen Beobachter des Zustandes der heutigen Gesellschafl bemerkt zu werden.
Die Verbreitung von Gesetzlosigkeit, Trunksucht, Glücksspiel und Verbrechen, die zügellose Sucht nach Vergnügen, Reichtum und anderen irdischen Nichtigkeiten, die Laxheit der Moral, die sich äußert in einer verantwortungslosen Haltung gegenüber der Ehe, in einer Schwächung der elterlichen Aufsicht, in einer Hochflut von Ehescheidungen, im Sinken des Durchschnittsniveaus von Literatur und Presse und in einer Befürwortung von Theorien, welche eine glatte Verleugnung von Reinheit, Moral und Keuschheit darstellen - alle diese Beweise moralischen Verfalls, die in den Osten wie in den Westen eindringen, jede Gesellschaffsschicht durchsetzen und ihr Gift in deren Glieder beiderlei Geschlechts, jung wie alt, einträufeln - schwärzen noch weiter die Rolle, auf der die mannigfachen Übertretungen einer Menschheit aufgeschrieben sind, die nichts bereut.
+29:2
Was Wunder, daß Bahá'u'lláh, der göttliche Arzt, erklärt hat: "An diesem Tage haben sich die Neigungen der Menschen gewandelt, und ihre Fassungskraft hat sich geändert. Die widrigen Winde der Welt und deren Art haben eine Erkältung verursacht und das Geruchsvermögen des Menschen der süßen Düfte der Offenbarung beraubt."
+29:3
Randvoll und bitter fürwahr ist der Kelch für die Menschheit, die versäumte, den Aufforderungen Gottes zu entsprechen, welche ihr durch Seinen höchsten Gesandten verkündet wurden, der Menschheit, die die Lampe ihres Glaubens an ihren Schöpfer verdunkelte, die in so hohem Maße die Ihm gebührende Ergebenheit auf die Götter ihrer eigenen Erfindung übertrug und die sich mit den ÜbeIn und Lastern befleckte, welche eine solche Übertragung notwendigerweise nach sich ziehen muß.
+29:4 #175
Liebe Freunde! In diesem Lichte sollten wir, die Anhänger Bahá'u'lláhs, diese Heimsucllung Gottes betrachten, die in den abschließenden Jahren des ersten Jahrhunderts des Bahá'í-Zeitalters die Allgemeinheit des Menschengeschlechtes betroffen und ihre Angelegenheit in so bestürzende Verwirrung gebracht hat. Wegen dieser doppelten Schuld, wegen der Dinge, die die Menschen getan, und derer, die sie unterlassen haben, wegen ihrer Missetaten und ihres verhängnisvollen, deutlichen Versagens in Erfüllung ihrer klaren und unmißverständlichen Pflicht gegenüber Gott, Seinen Gesandten und Seinem Glauben, hält dieses schmerzliche Gottesgericht - was immer seine unmittelbaren politischen und wirtschafllichen Ursachen sein mögen - sie mit diamanthartem Griff umspannt.
+29:5
Gott jedoch - wie es schon zu Beginn dieses Buches dargetan wurde - straft nicht nur die Übeltaten Seiner Kinder. Er züchtigt, weil Er gerecht ist, und Er läutert, weil Er liebt. Nachdem Er sie gezüchtigt hat, überläßt Er sie in Seiner großen Barmherzigkeit nicht ihrem Schicksal. Gerade durch den Akt der Züchtigung bereitet Er sie vor für die Lebensaufgabe, für die Er sie erschaffen hat. "Deine Prüfung ist Meine Vorsehung", so hat Er ihnen durch den Mund Bahá'u'lláhs versichert. "Äußerlich scheint sie Feuer und Züchtigung, in Wirklichkeit ist sie lauter Licht und Gnade."
+29:6
Die Flammen, die von Seiner göttlichen Gerechtigkeit entfacht wurden, läutern eine noch nicht wiedergeborene Menschheit und verschmelzen ihre uneinigen und widerstreitenden Elemente wie kein anderes Walten und Wirken sie läutern und verschmelzen könnte. Es ist nicht nur ein vergeltendes und zerstörendes Feuer, sondern auch ein erzieherisches und schöpferisches Geschehen, dessen Ziel die Rettung des ganzen Planeten durch Einigung ist. Geheimnisvoll, langsam und unwiderstehlich erfüllt Gott Seinen Plan, wenngleich der Anblick, dem unsere Augen an diesem Tage begegnen, das Schauspiel einer Welt sein mag, die, hoffnungslos in ihre eigenen Netze verwickelt, der Stimme, welche sie ein Jahrhundert lang zu Gott rief, nicht achtet, den Sirenenstimmen aber, die sie in den unermeßlichen Abgrund locken wollen, erbärmlich hörig ist.
+30 #176
Gottes Plan
Gottes Plan ist kein anderer, als auf Wegen, die Er allein bereiten und deren volle Bedeutung Er allein ergründen kann, das Große, das Goldene Zeitalter für eine lange zerspaltene und gequälte Menschheit einzuleiten. Ihr gegenwärtiger Zustand, ja auch ihre unmittelbare Zukunfl, ist finster, schmerzlich finster. Die fernere Zukunfl aber ist strahlend, herrlich strahlend - so strahlend, daß sie sich kein Auge vorstellen kann.
+30:2
"Die Stürme der Verzweiflung", schreibt Bahá'u'lláh, während Er das unmittelbare Schicksal der Menschheit überblickt, "blasen, ach, von allen Seiten, und der Hader, der das Menschengeschlecht spaltet und quält, wächst täglich.
Die Zeichen drohender Erschütterungen und des Chaos sind jetzt erkennbar, denn die herrschende Ordnung erscheint beklagenswert mangelhaft." "Ihr Zustand wird so sein", hat Er in anderem Zusammenhang erklärt, "daß, ihn jetzt zu enthüllen, nicht passend und ziemlich wäre". "Diese fruchtlosen Streitigkeiten", hat Er andererseits bei Betrachtung der Zukunft der Menschheit im Verlaufe seiner denkwürdigen Unterredung mit dem englischen Orientalisten Edward G.
Browne mit Nachdruck geweissagt, "diese verderblichen Kriege werden vergehen, und der `Größte Friede` wird kommen ...
Diese Streitigkeiten, dieses Blutwergießen und diese Zwietracht müssen aufhören und alle Menschen wie ein Volk und eine Familie sein." "Bald", weissagt Er, "wird die Ordnung des heutigen Tages aufgerollt und eine neue an ihrer Statt ausgebreitet werden". "Nach einiger Zeit", hat Er ebenfalls geschrieben, "werden sich alle Regierungen der Erde ändern.
Unterdrückung wird die Welt umhüllen.
Und im Anschluß an eine weltumfassende Erschütterung wird die Sonne der Gerechtigkeit am Horizonte des unsichtbaren Reiches aufgehen." "Die ganze Erde", so hat Er weiter dargelegt, "ist jetzt in einem Zustand der Trächtigkeit.
Der Tag naht heran, da sie die edelsten Früchte hervorbringen wird, da ihr die höchsten Bäume, die entzückendsten Blüten, die himmlischsten Segnungen entsprossen sein werden." "Alle Nationen und Stämme", hat 'Abdu'l-Bahá gleicherweise geschrieben, "... werden eine einzige Nation werden.
Der Widerstreit zwischen den Religionen und Sekten, die Feindseligkeit zwischen den Rassen und Völkern und die Zwistigkeiten unter den Nationen werden ausgemerzt werden.
Alle Menschen werden einer Religion angehören, einen gemeinsamen Glauben haben, sich zu einer Rasse vermischen und ein einziges Volk werden.
Alle werden in einem gemeinsamen Vaterland wohnen, welches der Planet selbst ist."
+30:3 #177
Wessen wir gegenwärtig Zeuge sind, während "dieser schwersten Krise in der Geschichte der Zivilisation", die uns an Zeiten mahnt, da "Religionen untergehen und geboren werden", das ist das Jünglingsalter in der langsamen und schmerzensreichen Entwicklung der Menschheit, die Vorbereitung zur Erreichung des Zustandes des Mannesalters und der Reife, dessen Verheißung in den Lehren Bahá'u'lláhs enthalten und in Seinen Weissagungen eingeschlossen ist. Der Aufruhr dieses Übergangszeitalters ist charakteristisch für das Ungestüm und die unvernünftigen Naturtriebe der Jugend, für ihre Tollheiten, ihre Verschwendung, ihren Stolz, ihre Selbstsicherheit, ihr aufrührerisches Wesen und ihre Mißachtung von Disziplin.
+31 #178
Das künftige Große Zeitalter
Die Zeitalter der Unmündigkeit und Kindheit der Menschheit sind vorbei und kehren nie mehr wieder, während das Große Zeitalter, die Vollendung aller Zeitalter, welches das Kommen des Zeitalters des ganzen Menschengeschlechtes bedeutet, erst noch kommen muß. Die Erschütterungen dieses stürmischen Übergangsabschnittes in der Geschichte der Menschheit sind die wesentlichen Vorbedingungen des Zeitalters der Zeitalter und kündigen sein unvermeidliches Nahen an, "die Zeit des Endes", in welcher die Torheit und die Wirrnis des Streites, die seit dem Dämmern der Geschichte die Annalen der Menschheit schwärzte, endlich in die Wahrheit und Ruhe eines ungestörten, allumfassenden und dauerhaften Friedens umgewandelt sein wird, und in welchem die Zwietracht und Trennung der Menschenkinder einer weltumschließenden Aussöhnung und einer völligen Vereinigung der verschiedenen Elemente der menschlichen Gesellschafl gewichen sein werden.
+31:2
Dies wird fürwahr die würdige Krönung jenes Prozesses der Vereinigung sein, der, ausgehend von der Familie, der kleinsten Einheit auf der Stufenleiter menschlicher Organisation, nacheinander den Stamm, den Stadtstaat und die Nation ins Leben gerufen hat und fortwährend weiterwirken muß, bis er in der Vereinigung der ganzen Welt gipfelt, dem Endziel und dem krönenden Ruhm der menschlichen Entwicklung auf diesem Planeten.
Dieser Stufe nähert sich die Menschheit unwiderstehlich, freiwillig oder gezwungen.
Für diese Stufe ebnet das ungeheure, flammende Gottesgericht, welches die Menschheit über sich ergehen lassen muß, auf geheimnisvolle Weise den Weg.
Mit dieser Stufe sind die Geschicke und der Plan des Glaubens Bahá'u'lláhs unlöslich verkettet.
Diese schöpferischen Kräfte, die Seine Offenbarung im "Jahre sechzig" frei gemacht hat und die später verstärkt wurden durch die aufeinanderfolgenden Ausgießungen himmlischer Macht, welche im "Jahre neun" und im "Jahre achtzig" dem ganzen Menschengeschlecht gewährt wurden, haben der Menschheit die Fähigkeit eingeflößt, dieses Endstadium ihrer organischen und gemeinsamen Entwicklung zu erreichen.
Mit dem Goldenen Zeitalter Seiner Sendung wird die Vollendung dieses Geschehens für immer verbunden sein.
Das Gefüge Seiner neuen Weltordnung, die sich jetzt im Schoße der Verwaltungseinrichtungen, die Er selbst geschaffen hat, regt, wird als Muster und als Kern jenes Weltstaatenbundes dienen, der das sichere, unumgängliche Geschick der Völker und Nationen der Erde ist.
+31:3 #179
So, wie die organische Entwicklung der Menschheit langsam und stufenweise vor sich gegangen ist und nacheinander die Einigung der Familie, des Stammes, des Stadtstaates und der Nation in sich schloß, so ist das durch die Gottesoffenbarung gewährte Licht auf den verschiedenen Entwicklungsstufen der Religion, das sich in den aufeinanderfolgenden Sendungen der Vergangenheit widerspiegelt, langsam und fortschreitend gewesen. Tatsächlich ist das Maß göttlicher Offenbarung in jedem Zeitalter dem Grade sozialen Fortschrittes angepaßt und entsprechend gewesen, der in jenem Zeitalter von einer stetig sich entwickelnden Menschheit erreicht worden war.
+31:4
"Es wurde von Uns beschlossen", erklärt Bahá'u'lláh, "daß das Wort Gottes und alle Möglichkeiten daraus den Menschen geoffenbart werden, genau entsprechend den Verhältnissen, wie sie von Ihm, dem Allwissenden, dem Allweisen, vorherbestimmt wurden ...
Würde dem Wort erlaubt sein, plötzlich alle in ihm verborgenen Kräfte zu entfesseln, so könnte kein Mensch die Last einer so mächtigen Offenbarung ertragen." "Alle erschaffenen Dinge", hat 'Abdu'l-Bahá, diese Wahrheit erläuternd, be-. stätigt, "haben ihren Grad oder ihre Stufe der Reife.
Die Zeit der Reife im Leben eines Baumes ist die Zeit, da er Fruchte trägt ...
Das Tier erreicht eine Stufe vollen Wachstums und der Vollkommenheit, und im Menschenreich gelangt der Mensch zur Reife, wenn das Licht seines Verstandes seine größte Macht und Entwicklung erreicht .., ähnlich gibt es Zeiten und Stufen im gemeinsamen Leben der Menschheit.
Einmal durchwanderte sie ihre Kindheitsstufe, späterhin ihre Jugendzeit, aber jetzt ist sie in ihre lange vorhergesagte Reifezeit eingetreten, deren Beweise überall in Erscheinung treten ...
Was den Bedürfnissen des Menschen in seiner früheren Geschichte angemessen war, ist weder passend noch genügend für die Erfordernisse des heutigen Tages, dieser Zeit des Neuen, der Vollendung.
Die Menschheit hat sich aus der einstigen Stufe der Beschränkung und der Vorerziehung erhoben.
Der Mensch muß mit neuen Tugenden und Kräften, neuen sittlichen Mußstäben und Fähigkeiten erfüllt werden.
Neue Wohltaten und vollkommene Gaben warten auf ihn und senken sich schon auf ihn herab.
Die Gaben und Segnungen der Jugendzeit, wenngleich passend und genügend während des Heranwachsens der Menschheit, sind jetzt nicht imstande, den Erfordernissen ihrer Reifezeit zu entsprechen." "In jeder Sendung", hat Er weiter geschrieben, "wurde das Licht göttlicher Führung im Brennpunkt einer Hauptaufgabe gesammelt ...
In dieser wunderbaren Offenbarung, diesem glorreichen Jahrhundert, ist die Grundluge der Religion Gottes und das untersleidende Merkmal Seines Gesetzes das Bewußtsein der Einheit der Menschheit."
+32 #180
Religion und soziale Entwicklung
Die mit dem Glauben Jesu Christi verbundene Offenbarung richtete ihr Augenmerk in erster Linie auf die Erlösung des einzelnen Menschen und auf die Formung seines Betragens und betonte als ihre Hauptaufgabe die Notwendigkeit, dem Menschen, als der Grundeinheit der menschlichen Gesellschaft, ein hohes Maß von Sittlichkeit und Disziplin einzuprägen. Nirgends in den Evangelien finden wir einen Hinweis auf die Einheit der Nationen oder die Vereinigung der Menschheit insgesamt. Als Jesus zu denen sprach, die um Ihn waren, redete Er sie in erster Hinsicht als Einzelmenschen an, weniger als Bestandteil einer umfassenden, unteilbaren Einheit. Fast die ganze Erdoberfläche war noch unerforscht, und die Organisation aller ihrer Völker und Nationen zu einer Einheit konnte darum noch nicht ins Auge gefaßt, geschweige denn verkündet oder errichtet werden. Welche andere Auslegung kann jenen Worten gegeben werden, mit denen Bahá'u'lláh im besonderen die Anhänger des Evangeliums anredete, worin die grundsätzliche Unterscheidung zwischen der in erster Linie den Einzelmenschen betreffenden Sendung Jesu Christi und Seiner eigenen, mehr und vor allem an die gesamte Menschheit gerichteten Botschaft genau festgestellt wird: " Wahrlich, Er (Jesus) sagte: `Folget Mir nach, und Ich will euch zu Menschenfischern machen.` Am heutigen Tage jedoch sagen Wir: `Folget Mir nach, auf daß Wir euch zu Lebensspendern der Menschheit machen.`"
+32:2 #181
Der Glaube des Islám, das nächste Glied in der Kette göttlicher Offenbarung, führte, wie Bahá'u'lláh selbst bezeugt, den Begriff der Nation als eine Einheit und wesentliche Stufe in der Organisation der menschlichen Gesellschaft ein und machte ihn zu einem Bestandteil seiner Lehre. Dies ist in der Tat mit dem kurzen, doch höchst bedeutsamen und erleuchtenden Ausspruch Bahá'u'lláhs gemeint: "Ehedem (in der Sendung des Islám) ist geoffenbart worden: `Liebe zum Vaterland ist ein Element der Religion Gottes.`" Dieser Grundsatz wurde durch den Gesandten Gottes aufgestellt und betont, da dies die Entwicklung der menschlichen Gesellschaft zu jener Zeit erforderte. Auch konnte keine Stufe über und jenseits von ihm ins Auge gefaßt werden, da Weltverhältnisse, welche die Errichtung einer noch höheren Organisationsform einleiten konnten, noch nicht erreichbar waren. Der Begriff der Nationalität und das Erreichen der Stufe der Vereinigung zur Nation mögen daher als die kennzeichnenden Merkmale der muhammadanischen Sendung gelten, in deren Verlauf die Nationen und Rassen der Welt, besonders in Europa und Amerika, geeint wurden und politische Unabhängigkeit erlangten.
+32:3 #182
'Abdu'l-Bahá erläutert diese Wahrheit in einem Seiner Tablets: "In vergangenen Zyklen konnte, wann auch immer ein Zusammenklang herrschte, doch aus Mangel an Möglichkeiten die Einheit der ganzen Menschheit nicht zustande kommen.
Die Erdteile blieben weit voneinander getrennt, ja selbst unter den Völkern eines und desselben Erdteiles waren Verbindungen und Gedankenaustausch nahezu unmöglich.
Darum waren Verkehr, Verständnis und Einheit unter allen Völkern und Stämmen der Erde noch unerreichbar.
Heute aber haben sich die Verkehrsmittel vervielfacht, und die fünf Kontinente sind tatsächlich zu einem verschmolzen ...
In gleicher Weise sind alle Glieder der menschlichen Familie, ob Völker oder Regierungen, Städte oder Dörfer, in wachsendem Maße voneinander abhängig geworden.
Für keines ist Selbstgenügsamkeit noch länger möglich, da ja politische Verbindungen alle Völker und Nationen vereinigten und die Bande des Handels und der Industrie, der Landwirtschaff und der Erziehung jeden Tag fester werden.
Daher besteht nun die Möglichkeit, die Einheit der ganzen Menschheit zu schaffen.
Wahrlich, dies ist nichts anderes als eines der Wunder dieses herrlichen Zeitalters, dieses glorreichen Jahrhunderts.
Vergangene Zeiten waren dessen beraubt, denn dieses Jahrhundert, das Jahrhundert des Lichtes, ist mit einzigartiger und nie dagewesener Herrlichkeit, Macht und Erleuchtung begabt worden.
Daher die erstaunliche Entfaltung eines neuen Wunders an jedem Tage.
Bald wird man sehen, wie hell seine Lichter in der Vereinigung der Menschen brennen."
+32:4
"Seht", so erklärt Er weiterhin, "wie sein Licht jetzt am verdunkelten Welthorizont dämmert. Das erste Licht ist Einheit im politischen Bereich, dessen beginnender Schimmer jetzt beobachtet werden kann. Das zweite Licht ist Einheit des Denkens in Weltunternehmungen, deren Vollendung binnen kurzem wahrgenommen werden kann. Das dritte Licht ist Einheit in Freiheit, die sicher eintreffen wird. Das vierte Licht ist Einheit in der Religion, die der Eckstein des Fundamentes selbst ist und durch Gottes Macht in all ihrem Glanz geoffenbart werden wird. Das fünfte Licht ist die Einheit der Nationen, eine Einheit, die in diesem Jahrhundert sicher errichtet werden wird, so daß alle Völker der Welt sich als Bürger eines gemeinsamen Vaterlandes betrachten. Das sechste Licht ist Einheit der Rassen, die aus allen Menschen, welche die Erde bewohnen, Völker und Stämme einer Rasse macht. Das siebte Licht ist Einheit der Sprache, das heißt die Wahl einer Weltsprache, in der alle Völker unterrichtet werden und miteinander sprechen. Eine jede von diesen Einheiten wird unvermeidlich zustande kommen, da die Macht des Reiches Gottes helfen und ihre Verwirklichung unterstützen wird."
+32:5 #183
"Eines der großen Ereignisse", so versichert 'Abdu'l-Bahá in Seinem Buch "Beantwortete Fragen", "das am Tage des Erscheinens dieses unvergleichlichen Sprosses eintreten soll, ist das Hissen des Banners des Herrn unter allen Völkern. Das heißt, daß alle Völker und Stämme unter den Schutz dieses göttlichen Banners, das kein anderes als der Glanzwolle Sproß selbst ist, kommen und zu einem einzigen Volke werden. Die Gegensätze der Glaubensbekenntnisse und Religionen, die Feindschaft zwischen Rassen und Völkern und die Verschiedenheiten vaterländischer Interessen werden verschwinden. Alle werden einer Religion, einem Bekenntnis, einer Rasse und einem Volk angehören und in einem Vaterland wohnen, das die ganze Erde ist."
+32:6
Dies ist die Stufe, der sich die Welt jetzt nähert, die Stufe der Welteinheit, die, wie 'Abdu'l-Bahá uns versichert, in diesem Jahrhundert bestimmt errichtet wird. "Die Zunge der Größe", so bestätigt Bahá'u'lláh, "hat ... am Tage Seiner Offenbarung verkündet: `Nicht der soll sich rühmen, der sein Land liebt, sondern der, welcher die Welt liebt.`" "Durch die Macht", fügt Er hinzu, "die durch diese erhabenen Worte ausgelöst wird, hat Er den Vögeln der Menschenherzen einen frischen Impuls verliehen und eine neue Richtung gewiesen und jede Spur Von Beschränkung und Begrenzung aus Gottes Heiligem Buche gestrichen."
+33 #184
Die weitere umfassende Treue
Ein Wort der Warnung sollte jedoch in diesem Zusammenhang ausgesprochen werden.
Die Liebe zum eigenen Land, wie sie durch die Lehre des Islám als "ein Element der Religion Gottes" eingeprägt und betont wird, ist durch diese Erklärung, diesen Posaunenruf Bahá'u'lláhs weder verdammt noch herabgesetzt worden.
Er sollte und kann in der Tat nicht als Ablehnung einer gesunden und verständigen Vaterlandsliebe ausgelegt oder im Lichte eines Tadels, der gegen sie ausgesprochen wird, betrachtet werden, noch versucht er, die Ergebenheit und Treue irgendeines einzelnen zu seinem Lande zu untergraben oder den rechtmäßigen Bestrebungen, Rechten und Pflichten eines einzelnen Staates oder Volkes zu widersprechen.
Alles, was er besagt und verkündet, ist die Unzulänglichkeit des Patriotismus im Hinblick auf den grundlegenden Wandel, der im wirtschafllichen Leben der Gesellschafl und in der gegenseitigen Abhängigkeit der Nationen und infolge des Zusammenschrumpfens der Welt durch die Revolution auf dem Gebiet der Verkehrs- und Nachrichtenmittel eingetreten ist.
Dies sind Zustände, die in den Tagen Jesu Christi oder Muhammads nicht bestanden noch bestehen konnten.
Er ruft nach einer umfassenderen Treue, die den kleineren Formen der Treue nicht widerstreiten sollte und es tatsächlich auch nicht tut.
Er gibt eine Liebe ein, die, im Hinblick auf ihre Weite, die Liebe zum eigenen Lande ein- und nicht ausschließen muß.
Er legt durch die Treue, die er eingibt, und die Liebe, zu der er anregt, den einzigen Grund, auf dem der Entwurf des Weltbürgertums gedeihen und der Bau einer Welteinheit ruhen kann.
Er besteht jedoch auf der Unterordnung nationaler Gesichtspunkte und sonderstaatlicher Belange unter die gebieterischen und höheren Ansprüche der gesamten Menschheit, zumal in einer Welt voneinander abhängiger Nationen und Völker der Nutzen des Teiles am besten durch den Nutzen des Ganzen erreicht wird.
+33:2 #185
Die Welt bewegt sich wahrlich ihrem vorherbestimmten Geschick entgegen. Die gegenseitige Abhängigkeit der Völker und Nationen der Erde ist, was immer die Führer der spaltenden Kräfte in der Welt sagen oder tun mögen, bereits eine vollendete Tatsache. Ihre Einheit im wirtschafllichen Bereich wird jetzt verstanden und anerkannt. Die Wohlfahrt des Teiles bedeutet Wohlfahrt des Ganzen, und die Not des Teiles bringt Not dem Ganzen. Die Offenbarung Bahá'u'lláhs hat, nach Seinen eigenen Worten, diesem gewaltigen, jetzt in der Welt waltenden Geschehen "einen neuen Impuls verliehen und eine neue Richtung gewiesen". Die durch das große Gottesgericht entzündeten Feuer sind Folgen des Versagens der Menschen, dieses Geschehen zu erkennen. Sie beschleunigen zudem seine Vollendung. Fortgesetzte, weltumfassende, schmerzliche, dem Chaos und der allgemeinen Zerstörung verbündete Trübsal muß notwendigerweise die Nationen erschüttern, das Gewissen der Welt aufrütteln, die Massen ernüchtern, im Gesellschaflsbegriff selbst den völligen Wandel beschleunigen und schließlich die ausgerenkten, blutenden Glieder der Menschheit zu einem einzigen, organisch vereinten und unteilbaren Körper verbinden.
+34 #186
Ein Weltstaatenbund
Auf die allgemeine Wesensart, die Folgerungen und Merkmale dieses Weltstaatenbundes, der früher oder später aus dem Blutbad, dem Todeskampf und der Verwüstung dieser großen Welterschütterung aufzusteigen bestimmt ist, habe ich schon in den vorhergehenden Ausführungen hingewiesen. Es genügt zu sagen, daß diese Vollendung, entsprechend ihrer Wesensart, einen schrittweisen Verlauf nehmen wird, und, wie Bahá'u'lláh selbst vorausgesehen hat, zuerst zur Gründung jenes "Kleineren Friedens" führen muß, den die Nationen der Erde von sich aus errichten werden, noch ohne Seiner Offenbarung- bewußt zu sein und noch ohne Wisscn darüber, daß sie die allgemeinen Grundsätze durchsetzen, die Er verkündet hat. Dieser bedeutungsvolle und historische Schritt, der die Wiederherstellung der Menschheit als Ergebnis allgemeiner Erkenntnis ihrer Einheit und Ganzheit enthält, wird die Vergeistigung der Massen unmittelbar mit sich bringen, die auf die Erkenntnis der Wesensart und die Anerkennung der Ansprüche des Glaubens Bahá'u'lláhs folgt. Sie sind die wesentlichen Vorbedingungen zu jener endlichen Verschmelzung aller Rassen, Glaubensbekenntnisse, Klassen und Nationen, welche das Aufsteigen Seiner Neuen Weltordnung kennzeichnen wird.
+34:2
Dann wird die Zeit der Reife des ganzen Menschengeschlechtes von allen Völkern und Nationen der Erde verkündet und gefeiert werden. Dann wird das Banner des "Größten Friedens" gehißt werden. Dann wird die weltweite Herrschaft Bahá'u'lláhs, des Begründers des Reiches vom Vater, wie sie vom Sohne geweissagt und von den offenbarem Gottes vor und nach Ihm vorausgeschaut ist, anerkannt, mit Freude begrüßt und fest errichtet werden. Dann wird eine Weltzivilisation geboren werden, blühen und für immer fortdauern, eine Zivilisation mit einer Lebensfülle, wie sie die Welt weder gesehen hat noch bis jetzt begreifen kann. Dann wird der Ewige Bund voll erfüllt werden. Dann wird die in allen Büchern Gottes eingeschlossene Verheißung eingelöst werden, alle durch die Propheten alter Zeiten ausgesprochene Weissagungen werden eintreffen, und die Gesichte der Seher und Dichter werden sich verwirklichen. Dann wird der Planet, vergoldet durch den allumfassenden Glauben seiner Bewohner an einen Gott und ihre Ergebenheit in eine allgemeine Offenbarung, in den ihm gesetzten Grenzen den strahlenden Ruhm der Herrschaft Bahá'u'lláhs widerspiegeln, der in der Fülle seines Glanzes im Abhá-Paradiese leuchtet. Er wird zum Schemel Seines Thrones in der Höhe gemacht und als der Himmel auf Erden bejubelt werden, der fähig ist, das unaussprechliche Schicksal zu erfüllen, das ihm seit undenklichen Zeiten durch die Liebe und Weisheit seines Schöpfers bestimmt war.
+34:3 #187
Es ist nicht an uns, die wir winzige Sterbliche sind, in einem so kritischen Ahschnitt der langen, buntbewegten Atenschheitsgeschichte zu versuchen, zu einem genauen und befriedigenden Verständnis der Schritte zu gelangen, welche eine blutende Menschheit, die ihren Gott erbärmlich vergessen und Bahá'u'lláh nicht beachtet hat, nach und nach von ihrem Golgatha zu ihrer endlichen Auferstehung führen müssen. Es ist nicht an uns, den lebenden Zeugen der allbezwingenden Macht Seines Glaubens, auch nur für einen Augenblick, wie finster das Elend, das die Welt umhüllt, sein mag, die Fähigkeit Bahá'u'lláhs in Frage zu stellen, diese zerstreuten und einander zerstöreiiden Bruchstücke, in die eine verderbte Welt zerfallen ist, mit dem Hammer Seines Willens und durch das Feuer der Trübsal auf dem Amboß dieses in Wehen kreißenden Zeitalters in die besondere Form zu schmieden, die Sein Geist erschaut hat - zu einer einzigen, festen und unteilbaren Einheit, die fähig ist, Seinen Plan für die Menschenkinder auszuführen.
+34:4
Wie verwirrt der Schauplatz, wie trübe der gegenwärtige Ausblick, wie engbegrenzt die uns verfügbaren Hilfsmittel auch seien, unser ist die Pflicht, heiter, vertrauensvoll und unaufhörlich zu arbeiten und, auf welche Weise auch immer die Umstände uns dazu befähigen mögen, unseren Anteil zu gehen für das Wirken der Kräfte, die, von Bahá'u'lláh geleitet und gelenkt, die Menschheit aus dem Tal des Elends und der Schmach auf die erhabensten Höhen der Macht und der Herrlichkeit führen.
Shoghi Effendi
Haifa, Palästina, 28. März 1941
#188
#189
ERLÄUTERUNGEN
'Abdu'l-'Azíz: Sultán des Türk. Reiches; regierte von 1861-1876
'Abdu'l-Bahá: Sohn Bahá'u'lláhs, Mittelpunkt des Bündnisses, autorisierter Ausleger Seiner Schriften und vollkommenes Beispiel Seines Glaubens; lebte von 1844-1921
'Abdu'l-Hamíd II.: Sultán des Türk. Reiches, Neffe und Nachfolger von 'Abdu'l-'Azíz, 1909 abgesetzt.
'Abdu'l-Majíd: Sultán des Türk. Reiches von 1839-1861
Abhá: herrlicher, ruhmvoller, glorreicher (Steigerungsform des Wortes "Bahá" - herrlich, ruhmvoll, glorreich).
Adhirbáyján: Provinz in Nordwestpersien
Adrianopel: arab. Adirnih; türk. Edirne. Stadt in der europ. Türkei
'Akká: alte Gefängnisstadt nördlich des Berges Karmel im heutigen Israel, in welche Bahá'u'lláh zuletzt verbannt wurde; Er traf dort im Jahre 1868 ein.
'Alí: 'Alí-ibn-i-Abí-Tálib, Heiliger, der Schwiegersohn und rechtmäßige Nachfolger Muhammads; er war der erste Imám und der vierte Kalif und fand im Jahre 40 d. H. (661 n.Chr.) den Märtyrertod.
Ámul: persische Stadt in der Nähe des Kaspischen Meeres, in der Bahá'u'lláh im Jahre 1848 in Gegenwart der versammelten Geistlichen die Bastonade erhielt.
Apostel Gottes: Beiname Muhammads
Aqdas: vgl. Kitáb-i-Aqdas
Aqsá-Moschee: unter diesem Namen wird im Qur'án auf den Tempel Salomos in Jerusalem hingewiesen (vgl. Qur'án 17 :1); nach der Kaaba in Mekka der heiligste Ort des Islám
Arche: vgl. Rote Arche
Báb: wörtlich das "Tor", der Vorläufer Bahá'u'lláhs, der eine eigene Sendung als selbständiger Offenbarer Gottes begründete; Er wurde 1819 geboren und fand 1850 den Märtyrertod.
Bábí-Religion: Religion, die 1844 vom Báb begründet wurde und in der Bahá'í-Religion aufging.
Badí': (`wunderbar`) Áqá Buzurg aus Khurásán, der Übermittler eines Tablets von Bahá'u'lláh aven Sháh; ausgezeichnet mit dem Titel "Stolz der Märtyrer".
Bahá: "Herrlichkeit", "Ruhm", "Glanz", "Licht", Titel Bahá'u'lláhs.
Bahá'í-Zeitalter: religiöses Zeitalter, das mit der Erklärung des Báb am 22. Mai 1844 begann und mindestens 1000 Jahre währt.
Baháristán: ehemaliges Palais in Tihrán, in dem das Parlament seine Sitzungen abhält.
Bahá'u'lláh: wörtlich "Herrlichkeit Gottes", der Begründer der Bahá'í-Religion und Verheißene aller Zeiten; geboren Tihrán 12. November 1817, gestorben Bahjí bei 'Akká in Israel 29. Mai 1892.
Bathá: zentraler und niedrigstgelegener Teil der Stadt Mekka
Bayán: das wichtigste Buch des Báb über die Glaubenslehren Seiner Offenbarung, enthält neben Gesetzen zahllose Hinweise auf das Kommen des Verheißenen. Das Wort wurde vom Báb auch als Bezeichnung für Seine Sendung, vor allem Seine Bücher, benutzt.
Bishárát: "Frohe Botschaften", ein Tablet Bahá'u'lláhs aus dem Heiligen Land
Brief an den Sohn des Wolfes: Tablet Bahá'u'lláhs an Shaykh Muhammad-Taqíy-i-Najafí, den Sohn eines erbitterten Gegners des jungen Glaubens gehört mit zu den letzten Schriften des Offenbarers.
Buchstaben des Lebendigen: die ersten 18 Anhänger des Báb; der Báb selbst war der 19. Buchstabe des Lebendigen.
Cherub: Engel und himmlischer Wächter
Clarendon: George William Frederick Villiers, Earl of Clarendon, englischer Staatsmann und Diplomat; lebte von 1800 bis 1870.
Curzon of Kedleston: George Nathaniel, Marquis Curzon of Kedleston, englischer Staatsmann; lebte von 1859-1925.
Dalá'íl-i-Sah'ih: "sieben Beweise", die wichtigste aller polemischen Schriften des Báb.
David: König von Juda und Israel, Nachfolger Sauls, lebte in der ersten Hälfte des 10. Jahrhunderts v. Chr.
Derwisch: islámischer Bettelmönch und Mystiker
Emir von Mekka: arab. Fürst von Mekka
Erster Punkt: Beiname des Báb
Esslemont, Dr. John E.: Dr. John E. Esslemont, der Verfasser des weitverbreiteten Buches "Bahá'u'lláh und das Neue Zeitalter"
Europäisches Konzert: Bezeichnung für den Zusammenschluß der Großmächte Europas nach 1815 zur Sicherung der Beschlüsse des Wiener Kongresses.
Fátimide: Angehöriger einer islámischen Dynastie schiitischer Richtung, die von 909-1169 herrschte.
Frieden: vgl. Geringerer Frieden und Größter Frieden
Geist Gottes: Beiname von Jesus Christus im Qur'án
Geringerer Frieden: politische Einigung zwischen den Nationen, die einer Verwirklichung der allgemeinen Grundsätze Bahá'u'lláhs entspricht, wobei jedoch die Nationen ihre göttliche Quelle noch nicht erkennen; geht dem Größten Frieden voraus.
Gestaltgebendes Zeitalter: auch Formgehendes Zeitalter genannt; es soll "von der Sammlung und Gestaltung der durch seine (Bahá'u'lláhs) Offenbarung ausgelösten schöpferischen Kräfte Zeugnis ablegen".
Größte Offenbarung: die Offenbarung Bahá'u'lláhs
Größter Frieden: das Goldene Zeitalter des Glaubens, das Reich Gottes auf Erden; der Geringere Frieden und die Entfaltung der administrativen Bahá'í-Ordnung finden hierin ihre Krönung; in dieser Zeit beginnt die Bahá'í-Zivilisation, die "göttlich inspiriert, einzig in ihren Merkmalen, weltumfassend in ihrem Ausmaß und grundsätzlich geistig in ihrem Wesen" ist.
Größter Name: Yá Bahá'u'l-Abhá = O Du Herrlichkeit der Herrlichkeiten - benutzt als Anruf Gottes; Allah-u-Abhá = Gott ist der Allherrlichste - unter den Bahá'í als Grußformel üblich.
Größtes Gefängnis: ehem. Gefängnis in 'Akká, in dem Bahá'u'lláh eingekerkert war; von hier aus sandte Er Seine Tablets an die Könige und Herrscher der Erde.
Hájí: gläubiger Muhammadaner, der die Pilgerreise nach Mekka untemommen hat.
Hájí Mírzá Áqásí: Großwesir (Premierminister) von Persien - der Antichrist der Bábí-Religion.
Haus: bezeichnet das Haus in Baghdád, in dem Bahá'u'lláh wohnte.
Heroisches Zeitalter: das Zeitalter "des Urzustandes und der Apostelzeit des Glaubens Bahá'u'lláhs", das durch den Märtyrertod von mehr als zwanzigtausend Gläubigen geprägt wurde.
Hohe Pforte: Bezeichnung des Hofes und der Regierung des Sultans der Türkei und des Türk. Reiches.
Hujah: (als Titel) Ehrwürden, seine Eminenz
Imám 'Alí: s. 'Alí
Imám: Titel der zwölf schiitischen Nachfolger Muhammads, auch Bezeichnung hoher geistlicher und weltlicher Würdenträger.
Imám Husayn: Sohn 'Alís und der Fátimih, Enkel Muhammads, der dritte Imám; er fand 61 d. H. oder 680 n. Chr. den Märtyrertod.
Imám Ridá: eigtl. Name 'Alí-ibn-i-Músá; achter Imám, fand 203 d.H. den Märtyrertod.
Íqán: vgl. Kitáb-i-Íqán
Islám: Name der durch Muhammad begründeten Religion; bezeichnet die Unterwerfung des eigenen Willens unter den Willen Gottes.
Jahr achtzig: 1280 d. H. oder 1863 n. Chr., das Jahr, in dem Bahá'u'lláh zum ersten Male öffentlich seine Sendung erklärte: im Garten Ridván bei Baghdád am 21. April 1863.
Jahr neun: bezeichnet im "Bayán", dem Mutterbuch der Bábí-Religion, das Jahr, in dem die Gläubigen das Ziel ihrer Wünsche erreichen, d. h., es ist das Jahr, in dem Bahá'u'lláh selbst von seiner Sendung als Offenbarer Gottes erfuhr: im unterirdischen Verlies von Tihrán, Síyáh-Chál, im August 1852 (1269 d. H.), 9 Jahre nach der Erklärung des Báb.
Jahr sechzig: 1260 d. H. oder 1844 n. Chr., das Jahr, in dem der Báb Seine Sendung erklärte: am 22. Mai 1844 in Shíráz in Persien.
Jamál Páshá: türkisccher Oberstkommandierender in Syrien, der geschworen hatte, das Grabmal Bahá'u'lláhs dem Erdboden gleichzumachen und 'Abdu'l-Bahá auf einem öffentlichen Platz in Konstantinopel zu kreuzigen; er wurde vernichtend geschlagen.
Kadscharen: turkmenischer Stamm, der sich widerrechtlich des persischen Thrones bemächtigte, die Dynastie regierte von 1795-1925.
Kalifat: ehemals höchstes geistliches und weltliches Amt im (sunnitischen) Islám.
Karbilá: Stadt im 'Iráq, in der Imám Husayn den Märtyrertod fand (680 n. Chr.) und in der sich sein Grab befindet.
Kitáb-i-Aqdas: das "Heiligste Buch" der Bahá'í-Religion, das im Jahre 1873 in 'Akká geoffenbart wurde und als ein Hauptwerk Bahá'u'lláhs Seine Gesetze und die Charta Seiner Neuen Weltordnung enthält.
Kitáb-i-Íqán: das "Buch der Gewißheit", von Bahá'u'lláh im Jahre 1862 in Baghdád offenbart, ist das wichtigste religiöse Buch der Bahá'í-Religion.
Kleinerer Frieden: vgl. Geringerer Frieden
Krimkrieg: russisch-türkischer Krieg, 1853-1856
Lateranvertrag: Bezeichnung für einen Vertrag zwischen dem Heiligen Stuhl und Italien. Die Lateranverträge von 1929 regelten das Verhältnis des Papsttums zum italienischen Staat.
Lawh-i-Burhán: Tablet des Beweises, ein Werk, das von Bahá'u'lláh im Heiligen Land an einen Gegner des Glaubens, den "Wolf" (Shaykh Muhammad-Báqir) gerichtet wurde.
Lawh-i-Fu'ád: Tablet an Fu'ád Páshá, einen türkischen Außenminister, das den Sturz des Sultáns voraussagte.
Lawh-i-Haykal: auch Súratu'l-Haykal oder Súriy-i-Haykal; Súrih des Tempels, geoffenbart von Bahá'u'lláh; zusammen mit dem wichtigsten Seiner Tablets an die Herrscher der Erde ließ Er dieses Tablet in der Form eines Drudenfußes schreiben, um damit den "Tempel" (Körper) des Menschen zu symbolisieren und ihn als den von Sacharja erwähnten "Tempel" zu kennzeichnen.
Lawh-i-Ra'ís: Bahá'u'lláhs Tablet an den Großwesir des Türk. Reiches,'Alí Páshá.
Lawh-i-Sultán: Bahá'u'lláhs Tablet an den Sháh von Persien
Lotesbaum: auch Sadratu'l-Muntahá genannt; Baum, den die Araber früher an das Ende der Wege als Markierung pflanzten; symbolisch der offenbarer Gottes, der "göttliche Lotosbaum", der "Baum, über den hinaus keiner gehen kann". In der Bahá'í-Religion symbolisiert der Lotosbaum den offenbarer oder die Manifestation Gottes, d. h. in dieser Sendung Bahá'u'lláh.
Magier: Bezeichnung für den Gelehrtenstand, eine Priesterkaste oder einen geistlichen Orden im alten Medien und Persien. Zoroaster kann ein Magier gewesen sein, und die Perser benutzen das Wort, um damit einen Zoroastrier zu bezeichnen.
Máh-kú: Festung in der Nähe des Berges Ararat, in der der Báb eingekerkert war.
Manúchihr Khán: Gouverneur von Isfáhán, der dem Báb sehr ergeben war
Mashhad: Hauptstadt von Khurásán; hier befindet sich der Schrein des Imám Ridá, des "besonderen Ruhmes der schiitischen Welt".
Mawlaví: Orden der Tanzenden Derwische, der im 13. Jahrhundert von Jalál-i-Dín Rúmí gegründet wurde.
Mázindarán: persische Provinz am Kaspischen Meer, in der die Heimatstadt der Familie Bahá'u'lláhs, Nur, liegt.
Medina: westarabische Stadt nördlich von Mekka; neben Mekka der bedeutendste muhammadanische Wallfahrtsort, in dem sich die Gräber Muhammads und Seiner Lieblingstochter befinden.
Mekka: Hauptstadt von Hedschas, Saudi-Arabien, nahe der Küste des Roten Meeres; bedeutendster Wallfahrtsort des Islám und Geburtsort Muhammads.
Mittelpunkt des Gottesbündnisses: kennzeichnet 'Abdu'l-Bahá, den Sohn Bahá'u'lláhs, als Dessen autorisierten Nachfolger und bevollmächltigten Ausleger der heiligen Schriften der Bahá'í-Religion.
Muftí: Ausleger des muslimischen Gesetzes, der eine Fatvá (Urteilsspruch) in einem religionsrechtlichen Fall ergehen läßt.
Muhammad: Offenbarer Gottes (570-632 n. Chr.), der Stifter des Islám; Er offenharte das Heilige Buch des Qur'án.
Muhammad-Sháh: Sháh von Persien; er regierte von 1834-1848
Mullá: muhammadanischer Geistlicher, Theologe oder Richter
Murád V.: Nachfolger von Sultán 'Abdu'l-'Azíz,1876 Sultán, im selben Jahr abgesetzt.
Mustafá Kamál: Mustafá Kamál Páshá, auch Kamál Atatürk genannt, ein Führer der Jungtürkischen Bewegung, der erste Präsident der türkischen Republik, 1880-1938.
Mutterbuch: das Buch göttlichen Wissens, die Quelle der Offenbarung für alle Heiligen Schriften. Für die Bahá'í bedeutet das "Mutterbuch", das "verwahrte Tablet" oder das "behütete Tablet" das Wort Gottes, die Manifestation Gottes oder Sein Buch. Das Mutterbuch der Sendung des Báb ist der Persische Bayán, das der Bahá'í-Religion das Kitáb-i-Aqdas.
Muttertempel: das jeweils auf einem Kontinent erste Haus der Anbetung der Bahá'í; sie werden auch Mashriqu'l-Adhkár, Aufgangsorte des Lohpreises und der Erinnerung Gottes genannt. Heute gibt es Muttertempel in Wilmette (Illinois, USA), Kampala (Uganda), Sidney (Australien) und Langenhain bei Frankfurt am Main; weitere Mashriqu'l-Adhkár oder Häuser der Andacht sind geplant.
Nabíl Nabíl-i-A'zam, Beiname von Mullá Muhammad-i-Zarandí.: Er verfaßte das sehr bedeutende zeitgenössische Geschichtswerk der Bahá'í-Religion, "The Dawn-Breakers". Der Beiname bedeutet der "Größte Nabíl". Nabíl wird auch als Poeta Laureatus, der gekrönte Dichter Bahá'u'lláhs bezeichnet.
Najaf: einer der beiden heiligsten Schreine der schiitischen Welt; er befindet sich im 'Iráq, südlich von Karbilá.
Násiri'd-Dín Sháh: Sháh von Persien 1848-1896; der mächtigste Herrscher des schiitischen Islám. Er erhielt von Bahá'u'lláh den Beinamen: "Fürst der Bedrücker".
Níyálá: persische Stadt, in deren Nähe Bahá'u'lláh gesteinigt wurde
Níyávarán: Dorf nördlich von Tihrán am Gebirgsrand mit einem Palais des Sháh
Páshá: Ehrentitel, der früher in der Türkei hohen Offizieren verliehen wurde
Qayyumu'l-Asmá': auch Qayyúm-i-Asmá'. Kommentar zur Súrih von Joseph (Qur'án 12), die erste Offenbarungsschrift des Báb, in er die Leiden vorausgesagt werden, die Bahá'u'lláh von Seinem ungläubigen Bruder zu erdulden hatte. Bahá'u'lláh bezeichnet dieses in der Nacht der Erklärung der Sendung des Báb (23. Mai 1844) entstandene Werk als "das erste, größte und mächtigste aller Bücher" in dcr Offenbarung des Báb.
Qá'ím-Maqám: Titel, vor allem des erlauchten Ministers von Muhammad Sháh Qájár, der auf Befehl des Sháh erdrosselt wurde.
Qur'án: das Heilige Buch des Islám, das von Muhammad offenhart wurde; Bahá'u'lláh nennt es das "nicht irrende Buch".
Renan: Ernest, 1823-1892, franz. Religionswissenschaftler und Orientalist
Ridvánu'l-'Adl: Paradies der Gerechtigkeit: ein Werk Bahá'u'lláhs, das das Kommen gerechter Könige vorhersagt.
Rote Arche: "Arche" ist die Bezeichnung für jede der vorausgegangenen Offenbarungen Gottes. Die "Rote Arche" kennzeichnet die Sendung Bahá'u'lláhs.
Safawiden: persische Dynastie, die von 1500-1736 n.Chr. herrschte
Scala santa: in der Vorhalle der alten Hauskapelle Sancta Sanctorum der Päpste befindliche Heilige Treppe, die nach der Legende aus dem Palast des Pilatus zu Jerusalem stammen soll; über sie soll Christus zum Verhör hinaufgestiegen sein.
Schiitischer Islám: Bezeichnung für die eine der beiden großen Glaubensrichtungen im Islám. Die sogenannte Zwölferschia ist Staatsreligion in Irán.
Sháh-Bahrám: der Erlöser der Welt und Verheißene in der zoroastrischen Religion ; diese Beinamen beziehen sich auf Bahá'u'lláh und finden in Ihm ihre Erfüllung.
Sháh in Sháh: persischer Herrschertitel: König der Könige
Sháh-Zádih: persische Rangbezeichnung: Prinz
Sharí'ah: auch Sharí'at; kanonisches Recht des Islám
Shaykh: verehrungswürdiger alter Mann; Anführer, Gelehrter, Oberster eines Derwischordens usw.
Shaykh Salmán: ein ergebener Gläubiger, der die Briefe der Bahá'í zu Bahá'u'lláh brachte und Seine Botschaften und Sendschreiben ihren Empfängern zutrug.
Shaykhu'l-Islám: muhammadanischer Hoherpriester; die höchste geistliche Würde im Islám. Das Oberhaupt des religiösen Gerichtshofes, das für jede große Stadt vom Sháh ernannt wurde.
Shíráz: Stadt in Südpersien, in der der Báb am 22. Mai 1844 Seine Sendung erklärte.
Sieben Beweise: vgl. Dalá'il-Sab'ih
Siegel der Propheten: Beiname Muhammads. Die Bezeichnung verdeutlicht, daß Er die letzte Manifestation des Prophetischen Zyklus vor dem Kommen des Tages Gottes, d.i. das Erscheinen Bahá'u'lláhs, war.
Síyáh-Chál: das "Schwarze Loch" in den Elendsvierteln von Tihrán, in das Bahá'u'lláh 1852 zusammen mit Dieben und Mördern geworfen wurde. Hier wurde Er selbst zum ersten Mal mit Seiner hohen Sendung bekannt. Es ist der heiligste Platz der Bahá'í in der persischen Hauptstadt.
Siyyid: Nachkomme des Propheten Muhammad
Smithfield: Hinrichtungsstätte bei London; hier wurden unter Maria der Katholischen (1516-1558 ) zahlreiche Protestanten ihres Glaubens wegen auf dem Scheiterhaufen verbrannt.
Sohn Gottes: Beiname von Jesus Christus
Sommerschulen: in jedem jahr und in vielen Ländern der Welt stattfindende Lehr- und Arbeitstagungen der Bahá'í und ihrer Freunde.
Súfí: Mystiker im Islám; sie erstreben die Vereinigung mit Gott, von dem alle Dinge emanieren, durch Ekstase und Kontemplation.
Sulaymáníyyih: Stadt im Nordosten des 'Iráq. Bahá'u'lláh lebte in völliger Zurückgezogenheit zwei Jahre lang in Kurdistan, zuerst auf einem einsamen Berg namens Sar-Galú, später in der Stadt Sulaymáníyyih in einem theologischen Seminar.
Sultanat: hohes Herrscheramt in muhammadanischen Ländern, vor allem höchster Titel der osmanischen Türken.
Sunnitischer Islám: Bezeichnung für die größte der beiden Glaubensrichtungen im Islám, die die ersten Kalifen als rechtmäßige Nachfolger Muhammads ansieht.
Súrih von Joseph: Súrih des Qur'án. Der Báb offenharte hierzu einen Kommentar, der in der Person von Joseph Bahá'u'lláh deutete.
Súriy-i-Mulúk: Súrih der Könige, "das bedeutendste Tablet, das von Bahá'u'lláh geoffenbart wurde".
Tá: der Buchstabe "T", der für Tihrán (Teheran) steht
Tablet: Bezeichnung für ein vom Báb, von Bahá'u'lláh oder 'Abdu'l-Bahá geoffenbartes Werk.
Tabríz: Stadt in Nordwestpersien, wo der Báb am 9. Juli 1850 den Märtyrertod fand.
Tempel des Menschen: in den Bahá'í-Schriften häufig die Bezeichnung für den Körper oder die Gestalt des Menschen.
Tihrán: Teheran, Hauptstadt Persiens, Geburtsort Bahá'u'lláhs
Thora: die fünf Bücher Mose, die im Judentum auf Rollen aufgezeichnet und in der Synagoge aufbewahrt werden.
Turbanträger: der Turban in verschiedenen Farben und Größen wurde in islámischen Ländern von religiös hochstehenden und ausgezeichneten Männern getragen.
'Umar: der zweite Kalif, 634-643
Urewige Schönheit: Beiname Bahá'u'lláhs
Verborgene Worte: bedeutsames Werk, geoffenbart von Bahá'u'lláh, um "den Geist der Menschen neu auszurichten, ihre Seelen zu erbauen und ihr Verhalten zu bessern".
Volk von Bahá: Bezeichnung für die Bahá'í
Yá Bahá'u'l-Abhá: "O Du Herrlichkeit der Herrlichkeiten!" Eine andere Form des Größten Namens, vgl. ebd.
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Index nicht eingefügt.
ENDE
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