« Zurück zur Einzelansicht Vergleich: Portugiesisch ⇄ 4 Parallelstellen
Portugiesisch — Século de Luz.txt
Século de Luz
Casa Universal de Justiça
2a edição - 2003

Tradução - Osmar Mendes

Prefácio

O término do século vinte deixa os bahá’ís em uma posição singularmente vantajosa para observação. Durante os últimos cem anos, nosso mundo passou por transformações muito mais profundas do que quaisquer outras em sua história, mudanças que são, em sua maior parte, pouco entendidas pela atual geração. Esses mesmos cem anos viram a Causa Bahá’í emergir da obscuridade, demonstrando, em uma escala global, o poder unificador com o qual sua origem divina foi dotada. Com a aproximação do final do século, a convergência desses dois históricos desenvolvimentos tornou-se cada vez mais aparente.

O livro Século de Luz, preparado sob nossa supervisão, analisa esses dois processos e a relação existente entre eles no contexto dos Ensinamentos Bahá’ís. Recomendamos aos amigos que o estudem atentamente, na certeza de que as perspectivas nele descortinadas provarão ser tanto um enriquecimento espiritual como uma ajuda prática ao compartilharem com os outros as implicações desafiadoras da Revelação trazida por Bahá’u’lláh.

A Casa Universal de Justiça
Naw-Rúz, 158 E.B.


Século de Luz


O século vinte, o mais turbulento na história da raça humana, chegou ao fim. Desalentada pela degradação moral e pelo caos social que marcaram seu curso, a generalidade das pessoas do mundo está ansiosa em deixar para trás as recordações dos sofrimentos que essas décadas lhes trouxeram. Não importa quão frágeis possam parecer as bases de confiança no futuro, não importa quão grandes sejam os perigos que assomam no horizonte, a humanidade parece desesperada para acreditar que, por alguma conjunção fortuita de circunstâncias, será possível transformar as condições da vida humana em conformidade com os desejos humanos prevalecentes.
À luz dos ensinamentos de Bahá’u’lláh, tais esperanças não são meramente ilusórias, mas ignoram inteiramente a natureza e o significado do grande momento decisivo pelo qual nosso mundo passou nestes cem anos cruciais. Somente quando a humanidade entender as implicações do que aconteceu durante esse período da história é que será capaz de enfrentar devidamente os desafios que se encontram à sua frente. O valor da contribuição que nós, como bahá’ís, podemos dar às demandas desse tão esperado processo de transformação, exige que estejamos bem conscientes do que significa a transformação histórica forjada pelo século vinte.
O que torna esta compreensão possível para nós é a luz derramada pelo Sol nascente da Revelação de Bahá’u’lláh e a influência que veio exercer nos assuntos humanos. É esta oportunidade o assunto principal tratado nas páginas que se seguem.


RECONHEÇAMOS DE INÍCIO a magnitude da ruína que a raça humana trouxe para si mesma durante o período da história em consideração. Somente no que concerne à perda de vidas, seu número está além de qualquer contagem. A desintegração das instituições básicas da ordem social, a violação – na verdade, o abandono – dos padrões de decência, a traiçoeira renegação da vida da mente pela busca de ideologias tão esquálidas quanto vazias, a invenção e produção de monstruosas armas de aniquilamento em massa, a bancarrota de nações inteiras e a redução de verdadeiras massas de seres humanos a uma pobreza desesperadora, a irresponsável destruição do meio ambiente do planeta – tais são apenas os mais óbvios de um catálogo de horrores desconhecidos até mesmo durante as mais obscuras eras passadas. Apenas para mencioná-las, recordemos as advertências divinas expressas nas palavras de Bahá’u’lláh há um século: “Ó desatentos! Embora as maravilhas de Minha misericórdia tenham envolvido todas as coisas, tanto visíveis como invisíveis, e se bem que as revelações de Minha graça e generosidade tenham penetrado todo átomo do universo, no entanto, a vara com a qual posso castigar os malfeitores é penosa, e é terrível a veemência de Minha ira contra eles.”1
Que nenhum observador da Causa seja tentado a interpretar tais advertências como metafóricas somente. Shoghi Effendi, mencionando algumas de suas implicações históricas, escreveu em 1941:
Uma tempestade de inédita violência varre atualmente a face da terra, e não podemos prever seu curso. Os efeitos imediatos são catastróficos, mas as conseqüências finais serão gloriosas, além do que possamos imaginar. A força que a impele cresce impiedosamente em âmbito e rapidez. Seu poder purificador, se bem que despercebido, aumenta dia a dia. A humanidade, vítima desse inexorável ímpeto assolador, é abatida pelas evidências de sua fúria irresistível. Não percebe sua origem, nem pode sondar seu significado ou discernir seu fim. Perplexa, angustiada, impotente, vê esse grande e poderoso vento do castigo divino invadir as mais remotas e belas regiões, abalando a terra até os fundamentos e perturbando-lhe o equilíbrio; vê desintegrarem-se suas nações, sendo rompidos os lares de seus povos e arrasadas suas cidades; presencia o desterro de seus reis, a demolição de seus baluartes e o desmoronamento de suas instituições, sendo encoberta sua luz e atormentadas as almas de seus habitantes.2

?

Do ponto de vista da riqueza e influência, “o mundo” de 1900 era a Europa e, numa concessão relutante, também os Estados Unidos. Em todo o planeta, o imperialismo ocidental buscava impor, entre as populações de outras terras, o que era considerado como sua “missão civilizatória”. Nas palavras de um historiador, o início da primeira década do século mostrou ser essencialmente uma continuação do “longo século dezenove”,3 uma era cuja desmedida auto-satisfação foi talvez melhor exemplificada pela celebração, em 1897, do jubileu da Rainha Vitória, com um desfile que durou várias horas nas ruas de Londres e que teve uma pompa imperial e uma demonstração de poder militar que ultrapassaram qualquer tentativa similar em civilizações passadas.
No início do século, houve poucas pessoas, qualquer que fosse o seu grau de sensibilidade social ou moral, que perceberam as catástrofes à sua frente e praticamente ninguém que pudesse haver concebido a sua magnitude. As lideranças militares da maioria das nações européias pressentiam que algum tipo de guerra iria ocorrer, mas viam tal possibilidade com equanimidade devido a duas convicções gêmeas, inabaláveis, de que a guerra teria curta duração e seria vencida por elas. Em um grau que parecia um tanto miraculoso, o movimento internacional pela paz recrutava o apoio de estadistas, industriais, estudantes, dos veículos de comunicação e de personalidades influentes, até inacreditáveis, como o czar da Rússia. Se o aumento desenfreado dos armamentos parecia preocupante, a rede de alianças cuidadosamente costuradas, e muitas vezes sobrepostas, parecia garantir que uma conflagração geral seria evitada e as disputas regionais resolvidas, como ocorrera no século anterior. Esta ilusão foi reforçada pelo fato de que as cabeças coroadas da Europa ? a maioria delas membros de uma extensa família, e muitos desses governantes exercendo poder político aparentemente decisivo – chamavam-se uns aos outros, com muita familiaridade, por apelidos, mantinham contínuo contato através de íntima correspondência, casavam-se com as irmãs e filhas uns dos outros, passavam férias juntos por longos períodos, todos os anos, nos castelos e pavilhões de caça de um ou de outro e eram companheiros em competições esportivas de regata. Até mesmo as disparidades dolorosas na distribuição da riqueza estavam sendo objeto de atenção ? embora não muito sistematicamente – das sociedades ocidentais através de legislação destinada a conter os males decorrentes do pior capitalismo selvagem de décadas precedentes e para atender as demandas mais urgentes das crescentes populações urbanas.
A vasta maioria da família humana, vivendo em terras fora do mundo ocidental, usufruía pouco das bênçãos e compartilhava quase nada do otimismo alcançados por seus irmãos europeus e norte-americanos. A China, a despeito de sua antiga civilização e sua auto-imagem de “Reino Médio”, tornara-se vítima indefesa da pilhagem das nações ocidentais e do seu modernizado vizinho, o Japão. As multidões na Índia – cuja economia e vida política haviam caído de forma total sob o domínio de um único poder imperial, excluindo as outras nações poderosas da habitual busca de vantagens – escapou de alguns dos piores abusos que afligiam outras terras, mas observavam, impotentes, seus recursos desesperadamente necessários sendo espoliados. A iminente agonia da América Latina era também claramente visível no sofrimento do México, grande parte do qual havia sido anexada pelo seu grande vizinho do norte e cujos recursos naturais já atraíam a atenção de gananciosas corporações externas. Particularmente embaraçosa, de um ponto de vista ocidental – devido a sua proximidade com tão brilhantes capitais européias, como Berlim e Viena – estava a opressão medieval na qual centenas de milhões de servos na Rússia, que haviam sido libertados da escravatura apenas aparentemente, viviam na mais triste e desesperadora miséria. Mais trágico que tudo foi a situação difícil dos habitantes do continente africano, divididos e em conflito entre si mesmos devido às fronteiras artificiais criadas através de cínicas barganhas feitas entre grandes potências européias. Estima-se que, durante a primeira década do século vinte, mais de um milhão de pessoas no Congo pereceram – de fome, espancamento e maus tratos até a morte para beneficiar seus mestres distantes, num vislumbre do destino que iria engolfar mais de uma centena de milhões de outros seres humanos em toda a Europa e na Ásia antes da chegada do final do século.4
Essas massas da humanidade, desprovidas e maltratadas – mas representando a maioria dos habitantes da terra – não eram vistas como protagonistas, mas essencialmente como objetos do processo civilizatório tão alardeado do novo século. A despeito dos benefícios conferidos a uma minoria deles, os povos coloniais existiam principalmente para serem aproveitados – usados, adestrados, explorados, cristianizados, civilizados, mobilizados – conforme ditavam os diferentes programas dos poderes ocidentais. Esses programas podem ter sido rudes ou suaves em sua execução, iluminados ou egoístas, evangélicos ou exploratórios, mas eram formulados por forças materialistas que determinavam tanto os seus meios como a maioria dos seus fins. Em grande parte, os atos de piedade, religiosos e políticos de várias espécies, mascaravam tanto os fins como os meios dos povos de terras ocidentais, os quais podiam, assim, obter satisfação moral das bênçãos que imaginavam que suas nações estivessem conferindo aos povos menos dignos, enquanto eles mesmos usufruíam dos frutos materiais dessa benevolência.
Ressaltar as falhas de uma grande civilização não significa negar suas realizações. Com a abertura do século vinte, os povos do Ocidente podiam orgulhar-se, justificadamente, dos progressos tecnológicos, científicos e filosóficos pelos quais suas sociedades haviam sido responsáveis. Décadas de experimentações haviam colocado em suas mãos meios materiais que estavam ainda além do alcance do restante da humanidade. Tanto na Europa como na América, grandes indústrias haviam surgido, dedicadas à metalurgia, à manufatura de produtos químicos de todos os tipos, aos têxteis, à construção civil e à produção de instrumentos úteis para todos os aspectos da vida. O processo contínuo de descobertas, design e melhorias estava tornando acessível um poder de magnitude inimaginável – mas, também, de conseqüências ecológicas igualmente imprevisíveis naquele tempo – especialmente com o uso de combustível barato e eletricidade. A “era das ferrovias” estava bem avançada e as embarcações a vapor singravam os oceanos do mundo. Com a proliferação das comunicações via telégrafo e telefone, a sociedade ocidental se preparava para o momento quando seria libertada dos efeitos limitadores que as distâncias geográficas impunham à humanidade desde os primórdios da história.
As mudanças que ocorriam em um profundo nível do pensamento científico eram ainda maiores em suas implicações. O século dezenove estivera ainda sob o jugo do conceito newtoniano do mundo como um vasto sistema mecanicamente regular, mas ao final do século, os avanços intelectuais necessários para desafiar aquele ponto de vista já haviam ocorrido. Novas idéias emergiam e levariam à formulação da mecânica quântica; e não demorou para que o efeito revolucionário da teoria da relatividade questionasse crenças sobre o mundo fenomenal que foram aceitas como realidades durante séculos. Tais inovações foram encorajadas – e sua influência grandemente ampliada – pelo fato de que a ciência já se transformara de uma atividade restrita a pensadores isolados a um esforço sistematizado de uma vasta e influente comunidade internacional, que usufruía dos recursos providos pelas universidades, laboratórios e simpósios para o intercâmbio de descobertas experimentais.
A força das sociedades ocidentais não se limitava aos avanços tecnológicos e científicos. Com a abertura do século vinte, a civilização ocidental já colhia os frutos de uma cultura filosófica que liberava rapidamente as energias de suas populações, e cuja influência logo iria produzir um impacto revolucionário no mundo inteiro. Foi uma cultura que estimulava o governo constitucional, valorizava as regras da lei e respeitava os direitos de todos os membros da sociedade, e erguia diante dos olhos de todos ao seu alcance uma visão de uma próxima era de justiça social. Se as ostentações de liberdade e igualdade que enchiam de orgulho a retórica patriótica em terras ocidentais eram, na verdade, muito distantes das condições que de fato prevaleciam, os ocidentais tinham razão de celebrar seu progresso no sentido desses ideais como uma herança que recebiam do século dezenove.
De uma perspectiva espiritual, a era que se iniciava se confrontava com uma estranha dualidade paradoxal. Em quase todas as direções, o horizonte intelectual era obscurecido por nuvens de superstição produzidas pela incrível perpetuação das imitações de épocas anteriores. Para a maioria dos povos do mundo, as conseqüências variavam de profunda ignorância sobre as potencialidades humanas e físicas do universo, ao inocente apego a teologias que pouco ou nenhuma relação tinham com a experiência das pessoas. Onde os ventos das transformações dispersavam as névoas, entre as classes educadas do Ocidente, as ortodoxias herdadas eram com freqüência substituídas por um secularismo despreparado e agressivo que duvidava tanto da natureza espiritual da humanidade como da autoridade dos próprios valores morais. Em todas as partes, a secularização da alta sociedade parecia caminhar lado a lado com um crescente obscurantismo religioso entre a população em geral. A níveis mais profundos – devido ao fato da influência da religião alcançar o âmago da psique humana e outorgar-se um tipo singular de autoridade – os preconceitos religiosos em todas as partes mantiveram vivas, por sucessivas gerações, as chamas ardentes de uma cruel animosidade cujos resultados seriam vistos nos horrores das próximas décadas.5
NESTE HORIZONTE DE FALSA confiança e desespero profundo, de iluminação científica e obscurantismo espiritual, surgiu, no início do século vinte, a Figura luminosa de ‘Abdu’l-Bahá. A viagem que O levou ao centro deste momento crucial na história da humanidade percorrera mais de cinqüenta anos de exílio, prisão e privações, não tendo havido um mês sequer em Sua vida que Lhe proporcionasse momentos de tranqüilidade e conforto. Ele chegou decidido a proclamar, tanto aos atentos como aos desatentos, o estabelecimento na terra daquele reino prometido de justiça e paz universal que alimentara a esperança humana por séculos e séculos. Sua base de sustentação, declarou, seria a unificação, neste “século de luz”, de todos os povos do mundo:
Nos dias atuais... os meios de comunicação têm-se multiplicado, e os cinco continentes da Terra fundiram-se virtualmente num só. ... De modo igual, todos os membros da família humana, quer povos, quer governos, cidades ou aldeias, têm-se tornado cada vez mais interdependentes. ... Portanto, a unidade de todo o gênero humano pode ser conseguida na época atual. Em verdade, isso não é senão uma das maravilhas desta admirável era, deste século glorioso.6
Durante os longos anos de prisão e exílio que se seguiram à recusa de Bahá’u’lláh em servir aos propósitos políticos das autoridades otomanas, ‘Abdu’l-Bahá recebeu a missão de administrar os assuntos da Fé, com a responsabilidade de atuar como seu porta-voz. Um aspecto significativo deste trabalho era a interação que ‘Abdu’l-Bahá tinha com as autoridades locais e regionais, que buscavam Seus conselhos para a solução dos problemas que as confrontavam. Não eram diferentes as necessidades existentes em Sua terra natal. Já em 1875, atendendo a instruções de Bahá’u’lláh, ‘Abdu’l-Bahá dirigiu aos governantes e ao povo da Pérsia um tratado intitulado O Segredo da Civilização Divina, estabelecendo os princípios espirituais que deviam guiar a reformulação de sua sociedade na era da maturidade da humanidade. Seu texto de abertura convoca o povo iraniano a refletir sobre a lição ensinada pela história sobre a chave do progresso social:
Considerai cuidadosamente: todos estes fenômenos altamente variados, estes conceitos, este conhecimento, estes procedimentos técnicos e sistemas filosóficos, estas ciências, artes, indústrias e inventos – todos são emanações da mente humana. Qualquer pessoa que se aventurou mais profundamente neste ilimitado oceano conseguiu sobrepujar o restante. A felicidade e orgulho de uma nação consistem nisto, que ela deve brilhar como o sol no elevado paraíso do conhecimento. “ Poderão, acaso, equiparar-se os sábios com os insipientes?”7
O Segredo da Civilização Divina pressagia a orientação que iria fluir da pena de ‘Abdu’l-Bahá em décadas subseqüentes. Depois da perda devastadora que representou a ascensão de Bahá’u’lláh, os crentes persas foram reavivados e fortalecidos por uma torrente de Epístolas do Mestre, que proveram não somente a sustentação espiritual de que precisavam, como também a liderança da qual careciam para saber que caminho seguir diante dos tumultos que minavam a ordem das coisas estabelecidas em sua terra natal. Essas comunicações chegavam até mesmo às vilas mais remotas e pequenas em todo o país, respondendo aos apelos e questionamentos levantados por incontável número de crentes, levando-lhes a orientação, o encorajamento e as confirmações de que tanto precisavam. Lemos, por exemplo, uma Epístola dirigida aos crentes da vila de Kishih, mencionando, pelo nome, cerca de cento e sessenta dos crentes. Sobre a era que agora despontava, disse o Mestre: “este é o século da luz”, explicando que o significado desta imagem era a aceitação do princípio da unidade e suas implicações:
O que quero dizer é que os amados do Senhor devem considerar o maldoso como bondoso... Isto é, devem associar-se com o inimigo como se fosse um amigo, e agir com o opressor da maneira que merece um companheiro bondoso. Não devem olhar para as faltas e transgressões de seus inimigos, nem dar atenção à sua inimizade, iniqüidade ou opressão.8
De forma extraordinária, o pequeno grupo de oprimidos crentes, vivendo naquele canto remoto de uma terra que permanecia em grande parte longe do progresso que ocorria em outras partes do mundo na vida intelectual e social, é convocado, por esta Epístola, a desviar seus olhos das preocupações locais, soerguendo-os para ver as implicações da unidade em uma escala global:
Melhor dizendo, devem ver as pessoas à luz do chamado da Abençoada Beleza de que os membros da inteira raça humana são servos do Senhor de poder e glória, pois Ele incluiu a inteira criação na graça de Sua misericordiosa Revelação, e concedeu a todos nós Seu amor e afeição, sabedoria e compaixão, fidelidade e unidade para todos, sem qualquer discriminação.9
Aqui, o chamado do Mestre não é somente para um novo nível de entendimento, mas implica também na necessidade de comprometimento e ação. Na urgência e confiança da linguagem empregada, sente-se o poder que iria produzir as grandes realizações dos crentes persas por décadas que se seguiriam – tanto na promoção mundial da Causa como na aquisição de capacidades para o progresso da civilização:
Ó vós amados do Senhor! Com a maior alegria e satisfação, servi ao mundo humano e amai a inteira raça humana. Afastai vossos olhos das limitações e libertai-vos das restrições, pois... a liberdade decorrente trará consigo graças e bênçãos divinas.
Portanto, não repouseis, sequer por um instante; não buscai descanso, sequer por um minuto, nem repouso, por um momento que seja. Levantai-vos como as vagas de um poderoso oceano, e remai como o leviatã do oceano da eternidade.
Conseqüentemente, enquanto houver um traço de vida em vossas veias, deveis esforçar-vos e agir, e buscar criar uma fundação que o passar dos séculos e ciclos não possa abalar, e construir um edifício que o transcorrer das eras e milênios não possa destruir – um edifício que prove ser eterno e duradouro, de forma que a soberania do coração e da alma possa ser estabelecida e assegurada em ambos os mundos.10
Os historiadores sociais do futuro, com uma perspectiva muito mais desapaixonada e universal da que é atualmente possível se ter, e se beneficiando do livre acesso à documentação original, estudarão minuciosamente a transformação que o Mestre obteve naqueles primeiros anos. Dia após dia, mês após mês, de um exílio distante, onde vivia ameaçado por uma hoste de inimigos que o cercavam, ‘Abdu’l-Bahá não somente foi capaz de estimular a expansão da comunidade bahá’í iraniana, como também organizar seus conceitos sobre a Fé e sua vida comunitária. O resultado foi o surgimento de uma cultura, embora localizada, como a humanidade até então não conhecera. Nosso século, com todos os seus tumultos e grandiloqüentes pretensões de criar uma nova ordem, não tem exemplo que se possa comparar no que tange à aplicação sistemática de poderes de uma única Mente para a construção de uma comunidade singular e bem sucedida, que viu sua esfera de ação final abranger o próprio globo.
Embora sofrendo intermitentes atrocidades nas mãos do clero muçulmano e seus apoiadores – sem proteção dos indolentes monarcas Qájár – a comunidade bahá’í da Pérsia encontrou um novo impulso de vida. O número de crentes multiplicou-se em todas as regiões do país; pessoas proeminentes da sociedade aceitaram a Causa, incluindo inúmeros membros influentes do clero; e os precursores das instituições administrativas emergiram na forma de rudimentares corpos consultivos. A importância deste último desenvolvimento jamais poderá ser devidamente enfatizada, considerando-se que em uma terra e entre um povo acostumado durante séculos a um sistema patriarcal que concentrava todas as tomadas de decisões nas mãos de um monarca absoluto ou dos sacerdotes xiitas, uma comunidade que representava uma fatia representativa da sociedade, que rompera com o passado, tomava em suas próprias mãos a responsabilidade de decidir seus assuntos coletivos através de ação consultiva grupal.
Na sociedade e na cultura que o Mestre estava desenvolvendo, as energias espirituais eram manifestadas nos assuntos práticos da vida diária. A ênfase dos ensinamentos na educação proveu o impulso para o estabelecimento de escolas bahá’ís – incluindo a Escola Tarbíyat para meninas,11 que ganhou renome nacional – na capital e também em outras regiões do país. Com a ajuda de alguns bahá’ís americanos e europeus, foram também instaladas clínicas e outras facilidades médicas. Nos idos de 1925, comunidades em diversas cidades haviam instituído aulas de esperanto, em resposta à sua conscientização pelo ensinamento bahá’í de que alguma forma de língua internacional auxiliar deveria ser adotada. Uma rede de carteiros que cobria todo o país provia à emergente comunidade bahá’í os rudimentos de um serviço postal que para o restante do país praticamente não existia. As transformações ocorridas abrangiam inclusive aspectos bem corriqueiros da vida diária. Um exemplo: em obediência às leis do Kitáb-i-Aqdas, os bahá’ís persas abandonaram o uso dos poluídos banhos públicos, que eram prolíferos na transmissão de infecção e doenças, e começaram a utilizar os chuveiros que utilizavam água fresca.
Todos esses avanços, sejam eles sociais, organi-zacionais ou práticos, deviam sua força propulsora à transformação moral que ocorria entre os crentes, uma transformação que foi rapidamente dando uma distinção especial aos bahá’ís – mesmo aos olhos daqueles que eram hostis à Fé – que foram cada vez mais alcançando a confiança de seus concidadãos. Tão abrangentes transformações, que prontamente criaram um segmento da população persa distinto da grande maioria, antagônica, à sua volta, foi uma demonstração dos poderes liberados pelo Convênio de Bahá’u’lláh com Seus seguidores, e pela assunção por ‘Abdu’l-Bahá da liderança na qual Ele havia sido investido de forma inequívoca por este Convênio.
Durante todos esses anos, a vida política na Pérsia estava quase constantemente em tumulto. Enquanto o sucessor imediato de Násiri’d-Dín Sháh, Muzaffari’d-Dín Sháh, era induzido a aprovar a constituição de 1906, seu sucessor, Muhammad-’Alí Sháh, precipitadamente dissolveu os dois primeiros parlamentos – em um caso atacando com tiros de canhão o edifício onde os membros do parlamento se reuniam. O assim chamado “Movimento Constitucional”, que o derrubou do poder e obrigou o último dos reis da dinastia Qájár, Ahmad Sháh, a convocar um terceiro parlamento, era vítima de facções e abertamente manipulado pelo clero xiita. Os esforços dos bahá’ís para exercer um papel construtivo neste processo de modernização foram sempre frustrados, tanto pelas facções da realeza como pelas populares, ambas inspiradas pelo preconceito religioso prevalecente e que viam na comunidade bahá’í apenas um conveniente bode expiatório. Aqui, novamente, somente uma época politicamente mais madura do que a nossa será capaz de apreciar a forma como o Mestre – dando um exemplo para os futuros desafios que a comunidade bahá’í deve inevitavelmente encontrar – guiava a oprimida comunidade a fazer tudo o que lhe fosse possível para estimular a reforma política e, então, estar disposta a afastar-se quando tais esforços fossem cinicamente rechaçados.
Não foi somente através de Suas Epístolas que ‘Abdu’l-Bahá exercia tal influência em uma comunidade que rapidamente se desenvolvia no berço da Fé. Diferentemente dos ocidentais, os crentes persas não se distinguiam de outras pessoas do Oriente Médio no modo de vestir e em sua aparência física, e por isso, viajantes do berço da Fé não levantavam suspeitas das autoridades otomanas. Conseqüentemente, uma onda crescente de peregrinos persas proviam a ‘Abdu’l-Bahá outro meio poderoso para inspirar os amigos, orientando suas atividades e proporcionando-lhes um entendimento cada vez mais profundo dos propósitos da Revelação de Bahá’u’lláh. Alguns dos maiores nomes da história bahá’í iraniana são daqueles que viajaram a ‘Akká e regressaram aos seus lares preparados para dar suas vidas, se necessário, para a realização da visão do Mestre. O imortal Varqá e seu filho Rúhu’lláh estiveram entre esse número privilegiado, como também Hájí Mírzá Haydar ‘Alí, Mirzá Abu’l Fadl, Mirzá Muhammad-Taqí Afnán e quatro distinguidas Mãos da Causa, Ibn-i-Abhar, Hájí Mulláh Alí Akbar, Adíbu’l-Ulamá e Ibn-i-Asdaq. O espírito que hoje dá sustentação aos pioneiros persas em todas as partes do mundo e que exerce um papel tão criativo na construção da vida comunitária bahá’í, descende diretamente, família a família, daqueles dias heróicos. Em retrospecto, é evidente que o fenômeno que hoje conhecemos como os processos gêmeos de expansão e consolidação tiveram sua origem naqueles anos maravilhosos.
Inspirados pelas palavras do Mestre e pelos relatos levados da Terra Santa, os crentes persas se levantaram para empreender atividades de viagens de ensino para o Extremo Oriente. Durante os últimos dias do Ministério de Bahá’u’lláh, comunidades foram estabelecidas na Índia e na Birmânia, e a Fé havia sido levada a lugares tão distantes como a China; e agora tal trabalho estava sendo reforçado. Uma demonstração dos novos poderes liberados na Causa foi a construção, na província russa do Turquistão – onde uma vigorosa comunidade bahá’í também fora estabelecida – da primeira Casa de Adoração Bahá’í no mundo,12 um projeto inspirado pelo Mestre e guiado por Ele desde a sua concepção.
Foi este amplo campo de atividades, realizado por um corpo de crentes cada vez mais confiante e que se estendia desde o Mediterrâneo até o Mar da China, que criou a base de apoio sobre a qual ‘Abdu’l-Bahá pôde aproveitar as promissoras oportunidades que, com a abertura do século, recém começavam a surgir no Ocidente. Um aspecto não menos importante desta base foi a inclusão de representantes da grande diversidade oriental de raças, nações e religiões. Esta realização proveu a ‘Abdu’l-Bahá os exemplos sobre os quais podia repetidamente referir-Se em Sua proclamação a audiências ocidentais sobre as forças de integração que haviam sido liberadas com o advento de Bahá’u’lláh.
A maior vitória desses primeiros anos foi o sucesso obtido pelo Mestre com a construção, no Monte Carmelo, no local designado pelo próprio Bahá’u’lláh, e com um imenso esforço, do mausoléu para abrigar os restos mortais do Báb, que haviam sido trazidos até a Terra Santa com grande risco e dificuldade. Shoghi Effendi explicou que, enquanto em eras passadas o sangue dos mártires representava a semente da fé pessoal, neste dia tal sangue foi a semente das instituições administrativas da Causa.13 Tal discernimento dá um significado especial à forma pela qual o Centro Administrativo da Ordem Mundial de Bahá’u’lláh seria desenvolvido sob a sombra do Santuário do Profeta-Mártir da Fé. Shoghi Effendi coloca a realização do Mestre dentro de uma perspectiva global e histórica:
Pois, assim como ocorre no reino do espírito, a realidade do Báb foi exaltada pelo Autor da Revelação Bahá’í como “o Ponto em torno do Qual revolvem-se as realidades dos Profetas e Mensageiros” – da mesma forma, neste plano visível, Seus sagrados restos morais constituem o coração e o centro daquilo que pode ser considerado como nove círculos concêntricos14 e, de forma paralela, destacando ainda mais a posição central outorgada pelo Fundador de nossa Fé àquele “do Qual Deus fez surgir o conhecimento de tudo o que era e será”, o “Ponto Primordial do qual foram geradas todas as coisas criadas”.15
O significado, aos olhos do próprio ‘Abdu’l-Bahá, da missão que Ele cumprira com tanto esforço, é descrita com muita emoção por Shoghi Effendi:
Quando tudo terminou e os restos mortais do Profeta-Mártir de Shíráz, afinal, estavam seguramente depositados, para seu descanso eterno, no seio da sagrada montanha de Deus, ‘Abdu’l-Bahá, após haver posto de lado o turbante, removido os sapatos e despido o manto, curvou-Se sobre o sarcófago ainda aberto, com Seu cabelo prateado flutuando em volta da cabeça, estando transfigurada e luminosa Sua face, descansou Sua fronte na beira do ataúde e, em soluços, pranteou de tal modo que todos os presentes choraram com Ele. Naquela noite não pôde Ele dormir, tão acabrunhado estava.16
Em 1908, a chamada “Revolução dos Jovens Turcos” havia libertado não somente muitos dos prisioneiros políticos do Império Otomano, mas também ‘Abdu’l-Bahá. Subitamente, as restrições que O mantinham confinado à cidade-prisão de ‘Akká e suas vizinhanças caíram por completo, deixando o Mestre em uma condição de continuar um empreendimento que mais tarde Shoghi Effendi descreveu como uma das três principais realizações de Seu Ministério: Sua proclamação pública da Causa de Deus a grandes centros populacionais do Mundo Ocidental.

?

Devido ao caráter dramático dos eventos que ocorreram na América do Norte e na Europa, os relatos das históricas viagens do Mestre algumas vezes não se referem à importância do ano inicial que passou no Egito. ‘Abdu’l-Bahá chegou a esse país em setembro de 1910, pretendendo ir diretamente para a Europa, mas foi obrigado a lá permanecer por razões de saúde, residindo em Ramleh, um subúrbio de Alexandria, até agosto do ano seguinte. Como seria de esperar, os meses que se seguiram foram um período de grande produtividade, a plenitude de cujos efeitos sobre os destinos da Causa, no continente africano especialmente, será sentida por muitos anos no futuro. De alguma forma, o caminho sem dúvida havia sido aberto pela calorosa admiração ao Mestre de parte do Shaykh Muhammad ‘Abduh, o qual encontrara-se com Ele, diversas vezes, em Beirute, e que, posteriormente, tornou-se o Mufti do Egito e uma figura de liderança na Universidade Al-Azhar.
Um aspecto da estada do Mestre no Egito que merece atenção especial, foi a oportunidade surgida para a primeira proclamação pública da mensagem da Fé. A relativamente cosmopolita e liberal atmosfera prevalecente em Cairo e em Alexandria naquele tempo, abriu caminho para as conversações, francas e amplas, entre o Mestre e as figuras proeminentes do mundo intelectual do Islã Sunita, que incluíam sacerdotes, parlamentares, administradores e aristocratas. Ainda mais, editores e jornalistas de influentes jornais de língua árabe, cujas informações sobre a Causa haviam sido distorcidas pelos preconceituosos relatos vindos da Pérsia e de Constantinopla, tinham agora a oportunidade de conhecer pessoalmente os fatos da verdadeira situação. Publicações que eram abertamente hostis mudaram de tom. Os editores de tais jornais publicaram um artigo sobre a chegada do Mestre, referindo-se a Ele como “Sua Eminência Mírzá ‘Abbás Effendi, o sábio e erudito Líder dos bahá’ís em ‘Akká e Centro de autoridade para os bahá’ís em todo o mundo”, expressando a satisfação que Sua visita trouxera a Alexandria17. Este e outros artigos prestaram tributo especial ao conhecimento que ‘Abdu’l-Bahá tinha do Islã e aos princípios de unidade e tolerância religiosa que se encontravam no âmago de Seus ensinamentos.
A despeito da doença que se abatera sobre o Mestre, Sua estada no Egito provou ser uma grande bênção. Diplomatas e funcionários ocidentais foram capazes de testemunhar, em primeira mão, o extraordinário sucesso dos contatos de ‘Abdu’l-Bahá com figuras proeminentes em uma região do Oriente Médio de muito interesse em círculos europeus. Dessa forma, quando o Mestre embarcou para Marselha, em 11 de agosto de 1911, Sua fama já O precedera.
UMA EPÍSTOLA ENVIADA por ‘Abdu’l-Bahá a um crente norte-americano em 1905 contém uma declaração que é tanto esclarecedora quanto tocante. Referindo-Se à Sua situação após a ascensão de Bahá’u’lláh, ‘Abdu’l-Bahá falou de uma carta que Ele havia recebido da América, em “um tempo quando um oceano de testes e tribulações se avolumava...”:
Em tal condição nos encontrávamos quando eis que nos chega uma carta dos amigos americanos. Eles haviam pactuado entre si, assim escreveram, de modo a permanecer unidos em todas as coisas, e... votaram fazer sacrifícios na vereda do amor de Deus, para assim obter a vida eterna. No exato momento em que essa carta era lida, com as assinaturas que se lhe seguiam ao termo, ‘Abdu’l-Bahá experimentou um júbilo tão intenso que pena alguma é capaz de descrever...18
Uma análise das circunstâncias nas quais ocorreu a expansão da Causa no Ocidente é vital para os bahá’ís de nossos dias, e por muitas razões. Entenderemos melhor o que vai ser exposto se nos abstrairmos da cultura de comunicação vulgar e superficial que se tornou tão comum na sociedade atual, em especial para que não deixemos passar despercebido o espírito da comunicação utilizada por ‘Abdu’l-Bahá. O que nos chama a atenção é a forma gentil que o Mestre escolheu para apresentar ao público ocidental os conceitos sobre natureza humana e sociedade humana revelados por Bahá’u’lláh, conceitos revolucionários em suas implicações e inteiramente estranhos à experiência de Seus ouvintes. Explica a delicadeza com a qual Ele usa metáforas ou lança mão de exemplos históricos, a forma indireta freqüentemente utilizada em Seus enfoques, a facilidade com que podia resumir os assuntos e a aparentemente ilimitada paciência que tinha ao responder as perguntas que Lhe eram feitas, muitas delas já inteiramente superadas, tendo havia muito tempo perdido qualquer validade que pudessem ter possuído no passado.
Ainda outro aspecto importante, que uma análise imparcial da conjuntura histórica tratada pelo Mestre no Ocidente ajuda a propiciar à nossa geração, é o reconhecimento da grandeza espiritual daqueles que responderam positivamente à Sua mensagem. Essas almas atenderam ao Seu chamado, a despeito, não em razão, do mundo liberal e economicamente avançado que conheciam, um mundo que eles, certamente, apreciavam e valorizavam, e no qual precisavam viver em seu dia-a-dia. Suas respostas procediam de um nível de consciência que discernia, ainda que algumas vezes com dificuldade naquela penumbra, o anseio desesperado da raça humana por iluminação espiritual. Permanecer constante em seu compromisso com esta visão exigia muita firmeza daqueles primeiros crentes – em cujo sacrifício pessoal muitas das atuais estruturas das comunidades bahá’ís, tanto no Ocidente como em muitas outras terras, foram estabelecidas – diante das pressões sofridas, não somente de suas próprias famílias como também da sociedade em que viviam, que se apegava ainda a conceitos obsoletos sobre a vida e a religião. Há um heroísmo muito grande na firmeza desses primeiros bahá’ís ocidentais, que faz lembrar, em alguns aspectos, a firmeza demonstrada por seus co-irmãos na Pérsia, nos mesmos anos, diante das perseguições e mortandade, em sacrifício pela Fé que haviam abraçado.
Na linha de frente dos ocidentais que responderam aos chamados do Mestre, encontram-se os pequenos grupos de intrépidos crentes aos quais o Guardião saudou como “peregrinos intoxicados de amor a Deus” e que tiveram o privilégio de visitar ‘Abdu’l-Bahá na cidade prisão de ‘Akká, de ver por si mesmos a luminosidade de Sua Pessoa e ouvir de Seus próprios lábios palavras que tinham o poder de transformar a vida humana. O efeito sobre esses crentes foi bem expressado por May Maxwell:
“Daquele primeiro encontro,”... “não posso lembrar-me nem de alegria ou dor, nem qualquer sentimento que eu possa nomear. Fui levada subitamente a uma altura demais sublime, minh’alma entrara em contato com o Espírito Divino, e essa força, tão pura, tão santa, tão poderosa, aturdiu-me...”19
O retorno aos seus lares tornou-se, Shoghi Effendi explica, “o sinal para a eclosão de atividades sistemáticas e contínuas, as quais... espalhavam suas ramificações sobre a Europa ocidental e pelos estados e províncias do continente norte-americano...”20 Alimentando seus esforços e os de seus irmãos de fé, e atraindo à Causa um número crescente de novos aderentes, estava a torrente de Epístolas enviadas pelo Mestre aos crentes, em ambos os lados do Atlântico, mensagens que abriam a imaginação de seus receptores a novos conceitos, princípios e ideais contidos na nova Revelação de Deus. O poder desta força criativa pode ser sentido nas palavras com que o primeiro crente norte-americano, Thornton Chase, procurou descrever o que estava observando:
Seus [do Mestre] próprios escritos, espargindo-se como pombos brancos do Centro de Sua Presença até os confins da terra, são tantos (centenas emanando diariamente) que é impossível para Ele ter tempo de analisar em profundidade ou aplicar processos mentais de um erudito a eles. Seus escritos fluem como uma torrente de uma fonte inesgotável. ... .21
Estes sentimentos adicionam sua própria perspectiva à determinação com a qual o Mestre Se levantou para uma aventura tão ambiciosa que deslumbrou muitos daqueles ao Seu redor. Deixando de lado as preocupações levantadas em razão de Sua idade avançada, Sua saúde precária e as limitações físicas deixadas por décadas de prisão, Ele partiu para uma série de viagens que durariam três anos, levando-O até a costa do Pacífico no continente norte-americano. O cansaço e os riscos de uma viagem internacional nos primeiros anos do século foram os mais insignificantes dos obstáculos à concretização de Seus objetivos. Nas palavras de Shoghi Effendi:
Aquele que, em Suas próprias palavras, entrara na prisão na mocidade e a deixara na velhice, que nunca em Sua vida havia enfrentado um auditório público, nem sequer freqüentado uma escola ou Se movido em círculos ocidentais, e que desconhecia os costumes e idiomas ocidentais, levantou-Se agora não somente a fim de proclamar de púlpito e plataforma, em algumas das mais importantes capitais da Europa e nas principais cidades do continente norte-americano, as distintivas verdades entesouradas na Fé de Seu Pai, mas também a fim de demonstrar a origem Divina dos Profetas que Lhe precederam e revelar a natureza do laço ligando-Os àquela Fé.22

?

Nenhum palco mais brilhante para o ato de abertura deste grande drama teria sido melhor que Londres, a capital do maior e mais cosmopolita império que o mundo jamais conheceu. Aos olhos do pequeno grupo de crentes que organizaram Sua visita e que esperavam ansiosamente para ver Sua face, a viagem foi um triunfo que ultrapassou as mais otimistas expectativas. Altos dignitários do governo, eruditos, escritores, editores, industriais, líderes de movimentos reformistas, membros da aristocracia britânica e clérigos importantes de várias tradições religiosas, ansiosamente buscavam Sua presença, convidando-O para suas plataformas, salas de aula, lares e púlpitos, e demonstrando a Ele sua satisfação e concordância com os pontos de vistas por Ele expostos. No domingo, 10 de setembro de 1911, o Mestre falou pela primeira vez em Sua vida para uma platéia, subindo ao púlpito do City Temple. Suas palavras evocaram em Seus ouvintes a visão de uma nova era na evolução da civilização:
Este é um novo ciclo de poder humano. Todos os horizontes do mundo estão iluminados e o mundo tornar-se-á em verdade como um jardim e um paraíso... Vocês estão libertos das antigas superstições que têm mantido os homens em ignorância, destruindo os fundamentos da verdadeira humanidade.
A dádiva de Deus para esta era iluminada é o conhecimento da unidade da humanidade e da unidade fundamental da religião. A guerra cessará entre as nações e, pela vontade de Deus, a Paz Máxima virá; o mundo será visto como um novo mundo e todos os homens viverão como irmãos.23
Depois de uma estada adicional de dois meses em Paris e um retorno a Alexandria para passar o inverno e recuperar a saúde, ‘Abdu’l-Bahá viajou de navio para Nova York, partindo de Alexandria em 25 de março de 1912 e chegando a Nova York em 11 de abril daquele ano. Até mesmo no aspecto físico mais simples, um programa repleto com centenas de palestras públicas, conferências e audiências privadas em mais de quarenta cidades através da América do Norte e dezenove outras na Europa, algumas delas visitadas mais de uma vez, foi um feito que certamente não tem paralelo na história moderna. Em ambos os continentes, mas especialmente na América do Norte, ‘Abdu’l-Bahá teve uma recepção altamente calorosa por parte de distinguidas audiências, devotadas a temas como a paz, direitos da mulher, igualdade racial, reforma social e desenvolvimento moral. Praticamente todos os dias, Suas palestras e entrevistas receberam ampla cobertura em jornais de grande circulação. Ele próprio, mais tarde, escreveria que “encontrou todas as portas abertas... e o poder ideal do Reino de Deus removendo qualquer obstáculo e empecilho”.24
A abertura encontrada por ‘Abdu’l-Bahá permitiu-Lhe proclamar sem qualquer ambigüidade os princípios sociais da nova Revelação. Shoghi Effendi resumiu da seguinte forma as verdades apresentadas:
A independente busca da verdade, não agrilhoada por superstição ou tradição; a unidade da inteira raça humana, sendo este o princípio mais focalizado e a doutrina fundamental da Fé; a unidade básica de todas as religiões; a condenação de todas as formas de preconceito – quer de religião, raça, classe ou nacionalidade; a harmonia que deve existir entre a religião e a ciência; a igualdade do homem e da mulher, sendo eles as duas asas com as quais a ave do gênero humano poderá voar; a introdução da educação compulsória; a adoção de uma língua auxiliar universal; a abolição dos extremos de riqueza e pobreza; a instituição de um tribunal mundial para arbitrar entre nações em casos de disputas; a exaltação do trabalho – se for executado em espírito de serviço – ao grau da adoração; a glorificação da justiça como o princípio dominante na sociedade humana, e da religião como baluarte para a proteção de todos os povos e nações; e o estabelecimento de uma paz universal, permanente, como a meta suprema de toda a humanidade – esses princípios sobressaem como os elementos essenciais daquela política divina por Ele proclamada aos dirigentes de pensamento público, bem como às massas em geral, durante essas viagens missionárias.25
No âmago da mensagem do Mestre estava o anúncio de que havia chegado aquele Dia longamente esperado para a unificação da humanidade e para o estabelecimento do Reino de Deus na terra. Tal Reino, conforme exposto nas cartas e palestras de ‘Abdu’l-Bahá, nada tinha a ver com qualquer dos conceitos mundialmente aceitos decorrentes dos ensinamentos das religiões tradicionais. Pelo contrário, o Mestre proclamou a vinda da era de maturidade da humanidade e a emergência de uma civilização global na qual o desenvolvimento de toda a vastidão do potencial humano seria o fruto da interação entre valores espirituais universais, de um lado, e do outro, o progresso material do qual nem mesmo ainda se sonhara.
Os meios para alcançar esta meta, disse Ele, já existiam. O que se fazia necessário eram apenas a vontade de agir e a fé para persistir:
Todos sabemos que a paz internacional é algo bom, que promove a vida, mas a vontade e a ação são necessárias. Porquanto este século é o século de luz, a capacidade para alcançar a paz está assegurada. Com certeza essas idéias serão espalhadas entre os homens a tal grau que resultarão em ação.26
Embora expressos com infalível cortesia e consideração, os princípios da nova Revelação foram definidos de forma bem clara tanto em encontros privados como públicos. Invariavelmente, as ações do Mestre eram tão eloqüentes quanto as palavras que usava. Nos Estados Unidos, por exemplo, nada explicaria mais claramente a crença bahá’í na unidade da religião do que a prontidão de ‘Abdu’l-Bahá em incluir referências ao Profeta Maomé em Suas palestras a audiências cristãs, e Sua afirmativa da origem divina tanto do Cristianismo como do Islã, na congregação do Templo Emanu-El, em São Francisco. Sua habilidade em inspirar nas mulheres de todas as idades a confiança de que elas possuíam capacidade espiritual e intelectual em igualdade com os homens; Sua não-provocativa mas clara demonstração do significado dos ensinamentos de Bahá’u’lláh sobre a unidade racial, mediante a acolhida que dava a convidados negros, junto com os brancos, em Sua própria mesa de jantar, bem como nas mesas de Suas proeminentes anfitriãs; e Sua insistência sobre a importância vital da unidade em todos os aspectos dos esforços bahá’ís – tais demonstrações da forma pela qual os aspectos espirituais e práticos da vida devem interagir, abriram para os crentes janelas que lhes mostravam claramente as perspectivas de um novo mundo de possibilidades. O espírito de amor incondicional com o qual esses desafios eram apresentados em palavras conseguiu superar os temores e incertezas daquelas aos quais o Mestre Se dirigia.
Maiores ainda que o esforço despendido em Suas exposições públicas da Causa foram o tempo e a energia que o Mestre devotava ao aprofundamento do entendimento dos crentes sobre as verdades espirituais da Revelação de Bahá’u’lláh. Cidade após cidade, desde cedo pela manhã até tarde da noite, as horas que não eram dedicadas aos compromissos públicos de Sua missão eram dedicadas para responder as perguntas dos amigos, atender às suas necessidades e infundir neles um espírito de confiança na contribuição que cada um deles podia fazer para a promoção da Causa que haviam abraçado. Sua visita a Chicago deu oportunidade a ‘Abdu’l-Bahá para colocar, com Suas próprias mãos, a pedra fundamental da primeira Casa de Adoração Bahá’í no Ocidente, um projeto inspirado em outro templo bahá’í já existente em ‘Ishqábád, na Rússia, o qual também havia sido estimulado por ‘Abdu’l-Bahá desde a sua concepção.
O Mashriqu’l-Adhkár é das mais vitais instituições do mundo, e tem muitas ramificações suplementares. Embora seja uma Casa de Adoração, está ligado a um hospital, um dispensário de medicamentos, uma pousada para viajantes, uma escola para órfãos e uma universidade para estudos avançados. … É minha esperança que agora o Mashriqu’l-Adhkár seja estabelecido na América, e que gradualmente a ele sejam acrescidos o hospital, a escola, a universidade, o dispensário e a hospedaria, todos funcionando conforme os mais eficientes e metódicos procedimentos.27
Como ocorre também com o processo simultâneo desenvolvido na Pérsia, somente os historiadores do futuro serão capazes de avaliar adequadamente o poder criativo desta dimensão das viagens de ‘Abdu’l-Bahá no Ocidente. Memórias e cartas dão testemunho da forma pela qual mesmo os encontros rápidos com o Mestre puderam dar sustentação a incontável número de bahá’ís ocidentais através dos anos e anos de esforços e sacrifício que se seguiram, e como eles lutaram para expandir e consolidar a Fé. Sem tal intervenção do próprio Centro do Convênio, seria impossível imaginar pequenos grupos de crentes no Ocidente – carecendo inteiramente da herança espiritual que seus correligionários persas receberam de um longo envolvimento de seus ancestrais nos heróicos eventos da história bábí e dos primórdios da história bahá’í – sendo capazes de tão rapidamente absorverem o que a Causa deles exigia e assumirem tão audaciosas tarefas delas decorrentes.
Seus ouvintes eram convocados a se tornarem agentes amorosos e confiantes de um grande processo civilizatório, cujo pivô é o reconhecimento da unidade da raça humana. Ao levantarem-se para assumir sua missão, ‘Abdu’l-Bahá lhes prometeu que encontrariam ativas em si mesmos, e em seus companheiros, capacidades inteiramente novas com as quais Deus dotara neste Dia a inteira raça humana:
Deveis vos tornar a própria alma do mundo, o espírito vivo no corpo dos filhos dos homens. Nesta Era maravilhosa, neste tempo em que a Antiga Beleza, o Maior Nome, trazendo incontáveis dádivas, elevou-se acima do horizonte do mundo, a Palavra de Deus infundiu tão assombroso poder na mais íntima essência da humanidade, que Ele despiu os homens do efeito das qualidades humanas e, com Seu poder predominante, unificou os povos num vasto mar de unidade.28
Nada, talvez, testemunhe de forma tão destacada a resposta dos crentes a este apelo do que o fato que a unidade estabelecida entre eles não inibia a forma particular de cada um deles, como indivíduos, de expressarem as verdades da Fé. O relacionamento entre o indivíduo e a comunidade tem sido sempre um dos maiores desafios no desenvolvimento da sociedade. Basta apenas ler, mesmo superficialmente, os relatos das vidas dos primeiros bahá’ís no Ocidente para que se tenha uma idéia do alto grau de individualismo que caracterizava muitos deles, particularmente os mais ativos e criativos. Não era raridade o fato de alguns deles só terem encontrado a Fé depois de intensas buscas em outros movimentos espirituais e sociais existentes naquele tempo, e que este amplo entendimento das preocupações e interesses de seus contemporâneos sem dúvida os ajudaram a tornarem-se tão competentes instrutores da Fé. É igualmente claro, porém, que o elevado nível de expressão e entendimento entre eles não os impedia, ou a seus companheiros de fé, de contribuírem decididamente para a criação da unidade coletiva, cuja realidade era a principal atração à Causa. Conforme relatos históricos e lembranças pessoais daquele período deixam evidente, o segredo deste equilíbrio entre o indivíduo e a comunidade era o laço espiritual que ligava os crentes às palavras e ao exemplo do Mestre. Em certo sentido, e de maneira muito importante, ‘Abdu’l-Bahá foi, para todos eles, a Causa Bahá’í.
Nenhuma análise objetiva da missão de ‘Abdu’l-Bahá no Ocidente pode deixar de considerar o fato de que apenas um pequeno número daqueles que aceitavam a Fé – e infinitamente menos ainda entre o público que se aglomerava para ouvir Suas palavras – obtinham dessas preciosas oportunidades mais do que um leve entendimento das implicações de Sua mensagem. Sabedor das limitações de Seus ouvintes, ‘Abdu’l-Bahá não hesitava em apresentar, em Seus contatos com os crentes ocidentais, ações que os elevassem a um nível de consciência bem acima de uma mera tolerância e integração social. Um exemplo marcante do alcance de tais intervenções foi Seu ato, carinhoso porém dramático, de encorajar o casamento de Louis Gregory e Louise Mathew – ele negro, ela branca. A iniciativa definiu um padrão para a comunidade bahá’í americana quanto ao real significado da integração racial, por mais tímida e vagarosa que tenha sido a resposta dos seus membros às implicações centrais deste desafio.
Mesmo sem um entendimento profundo das metas definidas pelo Mestre, os que abraçaram Sua mensagem começaram, quase sempre com grandes sacrifícios pessoais, a dar expressão prática aos princípios por Ele ensinados. O comprometimento para com a causa da paz internacional; a abolição dos extremos de riqueza e pobreza que estavam solapando a unidade da sociedade; a superação dos preconceitos nacionais, raciais e outros; o estímulo à igualdade na educação de meninos e meninas; a necessidade de libertar-se dos grilhões de antigos dogmas que inibiam a livre investigação da realidade – todos estes princípios para o progresso da civilização haviam exercido poderosa impressão em todos eles. Poucos, se alguns existiram, dos ouvintes do Mestre, efetivamente entenderam – ou podiam haver entendido – quão revolucionária seria a mudança na própria estrutura da sociedade e na submissão consciente da natureza humana à Lei Divina, a qual, em última instância, é a única força capaz de produzir as necessárias transformações nas atitudes e na conduta das pessoas.

?

A chave para esta visão da transformação iminente da vida individual e social da humanidade foi a proclamação de ‘Abdu’l-Bahá, logo após Sua chegada à América do Norte, do Convênio de Bahá’u’lláh e do papel central ao qual Ele fora chamado a exercer neste Convênio. Nas próprias palavras do Mestre:
Quanto às principais características da revelação de Bahá’u’lláh, um ensinamento específico, inexistente em revelações anteriores, é a criação e a designação do Centro do Convênio. Com esta designação e provisões decorrentes, Ele salvaguardou e protegeu a religião de Deus contra diferenças e cismas internos, tornando impossível, a quem quer que seja, criar uma nova seita ou facção dentro da Fé.29
Escolhendo a cidade de Nova York para Seu propósito – e designando-a “a Cidade do Convênio” – ‘Abdu’l-Bahá, com muita firmeza, revelou aos crentes ocidentais Sua autoridade, outorgada pelo Fundador da Fé para a interpretação definitiva de Sua Revelação. Uma discípula altamente respeitada, Lua Getsinger, fora chamada pelo Mestre para preparar o grupo de bahá’ís que haviam se reunido na casa onde Ele residia temporariamente, para este histórico anúncio, após o que Ele próprio desceu as escadas e falou, em termos gerais, sobre o sentido das implicações do Convênio. Juliet Thompson, a qual, com um dos tradutores persas presentes, estivera no quarto do andar superior quando tal missão fora dada à sua amiga, deixou um relato das circunstâncias. Ela cita ‘Abdu’l-Bahá, afirmando:
... Eu sou o Convênio, designado por Bahá’u’lláh. E ninguém pode refutar Sua Palavra. Este é o Testamento de Bahá’u’lláh. Vocês o encontrarão no Sacratíssimo Livro do Aqdas. Ide e proclamai, “Este é o Convênio de Deus em vosso meio”.30
Concebido por Bahá’u’lláh como o Instrumento que, nas palavras de Shoghi Effendi, iria “perpetuar a influência dessa Fé, assegurar-lhe a integridade, salvaguardá-la do cisma e estimular-lhe a expansão pelo mundo todo,”31 o Convênio havia sido violado por membros da família do próprio Bahá’u’lláh logo após Sua ascensão. Reconhecendo que a autoridade investida em ‘Abdu’l-Bahá no Kitáb-i-’Ahd, na Epístola do Ramo e em outros documentos relacionados ao Convênio, frustraram a expectativa que tinham de transformar a Causa de acordo com seus interesses pessoais, essas pessoas se lançaram em uma interminável campanha para subverter Sua posição, primeiro na Terra Santa, depois na Pérsia, onde se concentrava a maioria da comunidade bahá’í. Quando tais esquemas falharam, buscaram manipular os receios políticos do governo otomano e a avareza de seus representantes na Palestina. Esta esperança também foi por terra quando a “Revolução dos Jovens Turcos” derrubou o regime em Constantinopla, enforcando cerca de trinta e um de seus principais líderes, incluindo diversos que estavam implicados nos planos dos rompedores do Convênio.
No Ocidente, durante os primeiros anos do ministério do Mestre, representantes enviados por Ele já haviam rechaçado com sucesso as maquinações de Ibrahim Khayru’lláh – ironicamente, a pessoa que havia apresentado a Causa a muitos dos crentes norte-americanos – que tinha como objetivo garantir uma posição de liderança através de sua associação com os rompedores do Convênio na Família Sagrada. Tais experiências haviam preparado, sem dúvida alguma, os crentes ocidentais para a proclamação formal do Mestre sobre Sua posição e para a firmeza que instilou em seus corações para que evitassem qualquer envolvimento com aqueles promotores de desunião. “Certas almas fracas, capciosas, maliciosas e ignorantes… se empenharam em apagar o Divino Convênio e Testamento e turvar a água límpida para nela poderem pescar”.32 Mas seria apenas gradualmente, à medida em que as novas comunidades se esforçavam para superar as diferenças de opiniões e para resistir à perene tentação humana ao sectarismo, que as implicações desta grande lei normativa da nova Dispensação iriam surgir e firmar-se.
Ao mesmo tempo em que descortinava aos olhos das pessoas, tanto em palestras públicas como em conversas particulares, a visão de um mundo de unidade e paz trazida pela Revelação de Deus para a nossa era, o Mestre fazia sérias advertências sobre os perigos que ameaçavam a estabilidade social a curto prazo – tanto para a Fé como para o mundo, prevendo para ambos, nas palavras de Shoghi Effendi, um “inverno de severidade sem precedente”.
Para a Causa de Deus, o inverno incluiria a lamentável traição ao Convênio. Na América do Norte, a inconstância de um pequeno número de indivíduos, frustrados em suas aspirações de liderança pessoal, continuou sendo uma fonte interminável de dificuldades para a comunidade, solapando a fé de alguns e fazendo com que outros simplesmente deixassem de participar na Causa. Na Pérsia, também, a fé dos amigos foi repetidamente testada pelas maquinações de indivíduos ambiciosos que, subitamente, começaram a ver condições de engrandecimento pessoal, que pensavam usufruir ajudando o trabalho do Mestre no Ocidente, trabalho este sempre coroado de êxito. Em ambos os casos, as conseqüências de tais deserções serviram, no final, para aprofundar a devoção dos crentes que se mostraram firmes.
Quanto à humanidade em geral, ‘Abdu’l-Bahá fez advertências bem claras sobre a catástrofe que sentia estar próxima. Embora enfatizando a urgência dos esforços para a reconciliação que poderia aliviar, pelo menos em parte, o sofrimento dos povos do mundo, ‘Abdu’l-Bahá não deixava dúvida, em Seus pronunciamentos, sobre a magnitude do perigo iminente. Em um dos principais jornais de Montreal, onde a cobertura da imprensa à Sua viagem foi particularmente ampla, foi registrado que:
“A Europa inteira é um campo armado. Todo o preparo bélico que se vê necessariamente culminará em uma grande guerra. Os próprios armamentos são produtores de guerra. Este grande arsenal deve pegar fogo. Esta opinião não é nem de natureza profética”, disse ‘Abdu’l-Bahá; “ela é baseada unicamente na razão”.33
Em 5 de dezembro de 1912, a Figura que havia sido saudada como “o Apóstolo da Paz” por toda a América do Norte, deixou Nova York para Liverpool. Depois de uma breve estada em Londres e em outros centros britânicos, Ele visitou diversas cidades no continente, novamente devotando muitas semanas a Paris, onde Ele pôde contar com os serviços de Hippolyte Dreyfus, cuja habilidade de escrever árabe e persa atendia às necessidades do Mestre. Como reconhecida capital cultural da Europa continental, Paris era o centro focal de visitantes de muitas partes do mundo, incluindo o Oriente. Enquanto as palestras feitas durante Suas duas visitas à cidade freqüentemente faziam referência aos grandes temas sociais discutidos em outras partes, elas parecem destacar-se principalmente por uma espiritualidade profunda que deve ter tocado fundo no coração daqueles que tiveram o privilégio de conhecê-Lo:
Elevai vossos corações acima do presente e contemplai o futuro com olhos de fé! Hoje, a semente está lançada, o grão cai sobre a terra, mas observai, virá o dia quando se levantará uma gloriosa árvore cujos ramos estarão carregados de frutos. Regozijai-vos e alegrai-vos porque este dia amanheceu; procurai compreender seu poder, pois é deveras maravilhoso!34
Na manhã de 13 de junho de 1913, ‘Abdu’l-Bahá embarcou em Marselha no vapor S. S. Himalaya, chegando a Port Said, no Egito, quatro dias mais tarde. O que Shoghi Effendi chamou de “Suas viagens históricas” encerrou-se com Seu retorno a Haifa no dia 5 de dezembro de 1913.

?

Dois anos depois, quase no mesmo dia das declarações de ‘Abdu’l-Bahá ao editor do jornal Montreal Daily Star, o mundo, que se mostrava tão confiante e cujas bases de sustentação pareciam inabaláveis, abruptamente desmoronou. A catástrofe, conforme registros históricos, está associada com o assassinato, em Sarajevo, do herdeiro do trono do império austro-húngaro, e certamente a seqüência de erros, de ameaças irresponsáveis e apelos inconseqüentes para “honra”, que levaram diretamente à Primeira Guerra Mundial, teve como estopim esse evento relativamente pequeno. Na realidade, porém, como o Mestre ressaltou, as “reverberações” preliminares ocorridas durante toda a primeira década do século deveriam ter alertado os líderes europeus quanto à fragilidade da ordem então existente.
Nos anos de 1904-1905, os impérios japonês e russo haviam entrado em guerra com uma violência que levou à destruição de virtualmente todas as forças navais da Rússia e à rendição de territórios que ela considerava vitais a seus interesses, uma humilhação que teria longas repercussões, tanto internamente no país como internacionalmente. Em duas ocasiões durante esses primeiros anos do século, uma guerra entre França e Alemanha sobre desígnios imperialistas no Norte da África foi evitada somente através da intervenção de outros países também interessados no motivo do litígio. Em 1911, as ambições da Itália provocaram, de forma semelhante, uma ameaça perigosa à paz internacional quando se apossou, do império Otomano, do que hoje é a Líbia. A instabilidade internacional foi ainda mais longe quando – como o Mestre havia advertido – a Alemanha, sentindo-se ameaçada por uma rede crescente de alianças hostis, iniciou um programa maciço de construção naval com o objetivo de eliminar a até então reconhecida liderança britânica.
Agravando estes conflitos havia tensões entre os súditos dos impérios Romanov, Hapsburg e Otomano. Esperando apenas por alguma reviravolta que quebrasse o jugo dos sistemas em decadência que os oprimiam, bálticos, poloneses, tchecos, sérvios, gregos, albaneses, búlgaros, romenos, curdos, árabes, armênios, e uma multidão de outras nacionalidades esperavam ansiosamente pelo dia de sua libertação. Explorando incansavelmente esta rede de fissuras na ordem prevalecente, havia uma verdadeira hoste de conspirações, grupos de resistência e organizações separatistas. Inspirados em ideologias que variavam desde um anarquismo quase incoerente, em um extremo, a um racismo exacerbado e obsessões nacionalistas, em outro extremo, estas forças subterrâneas compartilhavam de uma convicção ingênua: se uma parte da ordem prevalecente que havia se tornado seu alvo pudesse de alguma forma ser eliminada, a nobreza existente no segmento da humanidade que apoiava seus objetivos – ou a presumida nobreza da humanidade em geral – iria, por si mesma, assegurar uma nova era de liberdade e justiça.
Sozinha entre esses pretensos agentes de uma mudança violenta, um movimento com ampla base popular se desenvolvia sistematicamente, e com clareza implacável de propósito, rumo à meta da revolução mundial. O Partido Comunista, que derivava tanto seu impulso intelectual como sua confiança inabalável de seu triunfo final dos escritos do ideólogo do século dezenove, Karl Marx, conseguia estabelecer grupos de firmes apoiadores na Europa e em vários outros países. Convencidos de que a genialidade de seu mestre havia demonstrado, acima de qualquer dúvida, a natureza essencialmente material das forças que haviam dado nascimento tanto à consciência humana como à organização social, o movimento comunista descartou a validade da religião e dos padrões morais “burgueses”. Em seu modo de ver, fé em Deus era uma fraqueza neurótica incutida na raça humana, uma fraqueza que apenas havia possibilitado que sucessivas classes dominantes manipulassem a superstição como um instrumento de escravização das massas.
Aos líderes do mundo, cegamente afunilando seus caminhos no sentido da conflagração universal que o orgulho e a insensatez haviam preparado, os grandes avanços feitos pela ciência e tecnologia representavam principalmente um meio para conseguir vantagem militar sobre seus rivais. Os oponentes europeus das nações envolvidas, porém, não eram as populações coloniais empobrecidas e em sua maioria ignorantes que elas haviam conseguido subjugar. A falsa confiança que o poderio militar assim lhes inspirava levaram-nos inexoravelmente a uma corrida para equipar seus exércitos e navios com o que de mais avançado existia em armamentos, e isso da forma mais maciça possível. Metralhadoras, canhões de longo alcance, navios de guerra, submarinos, minas terrestres, gás venenoso e aviões de bombardeio – todos representavam conquistas do que um comentarista classificou de “tecnologia da morte”.35 Todos estes instrumentos de aniquilação seriam, como havia advertido ‘Abdu’l-Bahá, utilizados e aprimorados no curso do próximo conflito.
A ciência e a tecnologia também exerciam outra forma de pressão, mais sutil, sobre a ordem então prevalecente. A produção em larga escala, estimulada pela corrida armamentista, havia acelerado o movimento das populações para os centros urbanos. Ao final do século anterior, este processo já minava os padrões e a lealdade herdados, expondo um crescente número de pessoas a novas idéias para a transformação social e excitando o apetite das massas quanto aos benefícios materiais até então ao alcance apenas de segmentos da elite da sociedade. Mesmo sob sistemas relativamente autocratas, o público começava a perceber a medida em que a autoridade civil era dependente, para sua efetividade, de sua habilidade em conseguir amplo apoio popular. Esses desenvolvimentos sociais teriam conseqüências imprevisíveis e de longo alcance. Como a guerra iria arrastar-se indefinidamente, e a crença ingênua em sua simplicidade começou a ser questionada, milhões de homens integrantes dos exércitos de ambos os lados começaram a ver que seus sofrimentos não tinham um significado digno e que eram infrutíferos em termos de suas próprias vidas e do bem-estar de suas famílias.
Além destas implicações decorrentes das transformações tecnológicas e econômicas, o progresso científico parecia encorajar suposições simplistas sobre a natureza humana, um véu quase despercebido do que Bahá’u’lláh havia chamado de “o pó de todo o conhecimento adquirido que o obscurece”36. Esses pontos de vistas eram transmitidos naturalmente nas mensagens passadas a audiências cada vez maiores. O sensacionalismo na imprensa popular, os acerbos debates entre cientistas ou eruditos de um lado e teólogos ou clérigos importantes de outro, juntamente com a rápida expansão do ensino público, continuaram a solapar a autoridade das tradicionais doutrinas religiosas, como também dos padrões morais correntes.
Essas forças divisoras do novo século contribuíram para tornar a situação em que se encontrava o mundo ocidental em 1914 cada vez mais volátil. Quando irrompeu a grande conflagração, portanto, o pesadelo ultrapassou de longe os piores temores imaginados. Não teria propósito aqui analisar exaustivamente o cataclismo da Primeira Guerra Mundial. As estatísticas continuam ainda desafiando o entendimento humano: estima-se que sessenta milhões de homens, até o seu final, participaram desse mais horroroso inferno que a história jamais conheceu, oito milhões deles perecendo no curso dos conflitos e um adicional de dez milhões, ou mais, permanentemente incapacitados devido aos ferimentos que os mutilaram.37 Os historiadores avaliam que o total do custo financeiro pode ter chegado a trinta bilhões de dólares, destruindo uma porção substancial de toda a riqueza da Europa.
Mesmo as perdas maciças não chegam a dar uma idéia do alcance total da ruína. Uma das considerações que retardou muito a proposição feita pelo Presidente Woodrow Wilson ao Congresso dos Estados Unidos para a declaração de guerra que, então, tornara-se virtualmente inevitável, foi a consciência do estrago moral que traria. Dentre as qualidades distintivas que caracterizaram esse homem extraordinário – um estadista cuja visão tanto ‘Abdu’l-Bahá como Shoghi Effendi elogiaram - estava sua compreensão da brutalização da natureza humana, que seria a pior herança da tragédia que engolfava a Europa, um legado além da capacidade humana reverter.38
Uma análise da magnitude do sofrimento que a humanidade experimentou nos quatro anos de guerra – e o conseqüente retrocesso no longo e doloroso processo para civilizar a natureza humana – infelizmente mostra o significado trágico que tiveram as palavras que o Mestre havia dirigido apenas dois ou três anos antes a auditórios em cidades européias como Londres, Paris, Viena, Budapeste e Stuttgart, e também na América do Norte. Falando, certa noite, na residência do Sr. e da Sra. Sutherland Maxwell, em Montreal, Ele dissera:
Hoje, o mundo da humanidade caminha na escuridão porque está afastado do mundo de Deus. É por isso que não vemos os sinais de Deus nos corações humanos. O poder do Espírito Santo não pode exercer sua influência. Quando uma iluminação espiritual divina torna-se manifesta no mundo da humanidade, quando a instrução e a guia divinas aparecem, então ocorre a iluminação, um novo espírito surge no coração humano, novos poderes são despertados, uma nova vida lhe é dada. É como o nascimento do reino animal no reino humano. ... Orarei, e vocês precisam orar também, para que tais bênçãos celestiais possam ocorrer; que a contenda e a inimizade sejam banidas, a guerra e o derramamento de sangue sejam afastados; para que os corações alcancem a comunicação ideal entre si e todos os povos bebam da água da mesma fonte.39
O tratado de paz vingativo imposto pelos poderes Aliados sobre seus inimigos derrotados, resultou apenas, como ‘Abdu’l-Bahá e Shoghi Effendi haviam ressaltado, no plantio das sementes de um novo e muito mais terrível conflito. As ruinosas compensações que exigiam dos conquistados – e a injustiça que os obrigavam a aceitar a culpa total por uma guerra na qual ambos os lados haviam sido, de uma forma ou de outra, responsáveis – situam-se entre os fatores que iriam preparar povos desmoralizados na Europa para abraçarem as promessas totalitárias de alívio, as quais eles poderiam não ter contemplado de outra forma.
Ironicamente, não importando quão duras tenham sido as compensações exigidas dos vencidos, os supostos vencedores despertaram para a inesperada compreensão de que seu triunfo – e a exigência de rendição incondicional que levou a esse triunfo – ocorrera também a um preço igualmente desastroso. As pesadíssimas dívidas bélicas acabaram para sempre com o domínio econômico que essas nações européias haviam adquirido através de três séculos de exploração imperialista do restante do planeta. A morte de milhões de jovens que seriam urgentemente necessários para enfrentar os desafios das décadas à frente foi uma perda que jamais poderia ser reparada. Na verdade, a própria Europa – a qual apenas quatro anos antes havia representado o aparente ápice da civilização e da influência mundial – perdeu, de um só golpe, esta destacada posição, começando a inexorável derrocada durante as décadas seguintes rumo à condição de apenas um coadjuvante de um novo centro de poder na América do Norte.
Inicialmente, pareceu que a visão do futuro concebida por Woodrow Wilson seria agora realizada. Em parte, isso provou ser o caso dos povos dominados na Europa, que ganharam a liberdade de traçar seus próprios destinos ao saírem da ruína dos antigos impérios, formando então um conjunto de novas nações. Ainda mais, os “Quatorze Pontos” do Presidente Wilson, em síntese, tiveram em seus pronunciamentos públicos tão grande autoridade moral na mente de milhões de europeus que nem mesmo o mais recalcitrante dos líderes de seus companheiros dentre as forças Aliadas puderam rechaçar inteiramente os seus postulados. A despeito de meses de disputas sobre as colônias, suas fronteiras e cláusulas no texto dos tratados de paz, o acordo de Versalhes por fim incorporou uma forma atenuada da proposta da Liga das Nações, uma instituição que se esperava pudesse ajustar as futuras disputas entre nações e harmonizar os assuntos internacionais.
O comentário de Shoghi Effendi sobre o significado dessa histórica iniciativa exige uma atenta reflexão de parte de qualquer bahá’í que queira entender os eventos deste século conturbado. Descrevendo dois desenvolvimentos estrei-tamente relacionados entre si e que estão associados com o alvorecer da paz mundial, Shoghi Effendi enfatiza que eles “estão destinados a culminar, no decorrer do tempo, em uma única gloriosa consumação”.40 O primeiro, o Guardião descreve como associado com a missão da comunidade bahá’í no continente da América do Norte; o segundo, com o destino dos Estados Unidos como uma nação. Falando deste último fenômeno, o qual data do início da primeira guerra mundial, Shoghi Effendi escreve:
Ele recebeu seu ímpeto inicial com a formulação dos “Quatorze Pontos” do Presidente Wilson, ligando intimamente, pela primeira vez, aquela república com os destinos do Velho Mundo. Sofreu seu primeiro revés com a dissociação daquela república, não apoiando a recém-nascida Liga das Nações, a qual o Presidente muito trabalhara para criar... Deverá levar, porém, por mais longo e tortuoso que seja o caminho, através de uma série de vitórias e revezes, à unificação política dos Hemisférios Oriental e Ocidental, à emergência de um governo mundial e ao estabelecimento da Paz Menor, conforme predita por Bahá’u’lláh e profetizada pelo Profeta Isaías. Deverá, por fim, culminar no desfraldar da bandeira da Paz Máxima, na Idade Áurea da Dispensação de Bahá’u’lláh.41
Quão trágico, no entanto, foi o destino da concepção que havia inspirado os esforços do Presidente norte-americano. Conforme ficou logo evidente, a Liga das Nações havia nascido sem vida. Embora incluísse tais aspectos como uma legislatura, um judiciário, um executivo e uma burocracia de apoio, negava a autoridade vital ao trabalho que tencionava ostensivamente realizar. Fechada na concepção do século dezenove sobre a imutável soberania nacional, podia tomar decisões somente com o assentimento unânime dos estados membros, uma exigência que em grande parte impedia uma ação efetiva da entidade.42 A superficialidade do sistema estava evidente, também, por falhar em incluir alguns dos mais poderosos estados do mundo; a Alemanha havia sido rejeitada como uma nação derrotada e que foi responsabilizada pela guerra; à Rússia foi inicialmente negada admissão em razão de seu regime bolchevista, e o próprio Estados Unidos se recusou – como resultado do partidarismo estreito no Congresso – participar da Liga ou ratificar seu tratado. Ironicamente, mesmo os fracos esforços feitos para proteger as minorias étnicas que viviam nos recém-criados estados-nações provaram, por fim, ser pouco mais que munições a serem utilizadas nos contínuos conflitos fratricidas na Europa.
Em suma, precisamente no momento da história humana quando uma irrupção sem precedentes de violência havia destruído o baluarte da herança de uma conduta civilizada, a liderança política do mundo ocidental havia castrado o único sistema alternativo da ordem internacional, fruto da experiência daquela catástrofe e que, sozinho, poderia ter aliviado grande parte do sofrimento à sua frente. Nas proféticas palavras de ‘Abdu’l-Bahá: “Paz, Paz... os lábios dos potentados e povos clamam sem cessar, enquanto que o fogo de ódios insaciáveis ainda queima em seus corações.” “Os males que o mundo está sofrendo”, Ele acrescentou em 1920, “multiplicar-se-ão; as trevas que o envolvem aumentarão ainda mais. … Os Poderes subjugados continuarão a se movimentar. Eles recorrerão a todas as medidas que puderem para reascender a flama da guerra”.43

?

Enquanto o inferno da guerra engolfava o mundo, ‘Abdu’l-Bahá voltava Sua atenção para uma importante tarefa remanescente em Seu ministério, a de assegurar que fosse levada aos mais remotos recantos da Terra a mensagem que havia sido negligenciada – ou recebido oposição – tanto da sociedade islâmica como da ocidental. O instrumento que Ele criou para realizar esse propósito foi o Plano Divino, definido em quatorze grandes Epístolas, quatro delas dirigidas à comunidade bahá’í da América do Norte e dez adicionais, dirigidas a cinco segmentos específicos daquela comunidade. Junto à Epístola do Carmelo, de Bahá’u’lláh, e à Última Vontade e Testamento, de ‘Abdu’l-Bahá, as Epístolas do Plano Divino foram descritas por Shoghi Effendi como as “Cartas Magnas” da Causa. Reveladas durante os dias mais obscuros da guerra, em 1916 e 1917, o Plano Divino convoca o pequeno corpo de crentes norte-americanos e canadenses a assumirem o papel de liderança no estabelecimento da Causa de Deus através do planeta. As implicações da confiança neles depositada foram arrebatadoras. Nas palavras do Mestre:
A esperança que ‘Abdu’l-Bahá acaricia para vós é que o mesmo sucesso que tiveram seus esforços na América possa coroar suas atividades em outras partes do mundo, que através de vós a fama da Causa de Deus possa ser difundida através do Oriente e do Ocidente, e o advento do Reino do Senhor das Hostes seja proclamado em todos os cinco continentes do globo. Quando esta Mensagem Divina for levada pelos crentes norte-americanos das praias da América e propagada através dos continentes da Europa, Ásia, África e Austrália, e a regiões distantes como as ilhas do Pacífico, esta comunidade ver-se-á seguramente estabelecida sobre o trono de um domínio imperecível. Então, todos os povos do mundo testemunharão ser esta comunidade espiritualmente iluminada e divinamente guiada. Então, na Terra inteira ressoarão os louvores de sua majestade e grandeza....44
Shoghi Effendi nos lembra que esta histórica missão, descrita por ele como “a certidão de nascimento da Comunidade Bahá’í Norte-Americana”,45 tem suas raízes nas palavras das Manifestações Gêmeas de Deus sobre a era de maturidade da humanidade. Surge, primeiro, nas palavras do Báb, Quem convocou os “povos do Ocidente” a “deixarem suas cidades” para “ajudarem a Deus no Dia em que o Senhor de misericórdia descesse das nuvens do céu...”, e tornarem-se “como verdadeiros irmãos em uma única e indivisível religião de Deus, livre de distinções... para que vocês se vejam refletidos neles, e eles, em vocês.”46. Em Suas chamadas aos “Governantes da América e Presidentes de suas Repúblicas”, o próprio Bahá’u’lláh lhes dá um mandato que não tem paralelo em qualquer outro de Seus manifestos aos líderes mundiais: “Reuni vós os alquebrados com as mãos da justiça e esmagai o opressor que viceja com o bastão dos mandamentos do vosso Senhor, o Ordenador, o Sapientíssimo”.47 Foi Bahá’u’lláh, também, Quem enunciou uma das mais profundas verdades sobre o processo pelo qual a civilização tem evoluído: “No Oriente, a luz de Sua Revelação surgiu; no Ocidente, apareceram os sinais de Seu domínio. Ponderai isso em vossos corações, ó povos...”.48
Embora o Plano Divino, como o Guardião mais tarde iria afirmar, “fosse mantido em suspenso” até que o sistema necessário para a sua execução fosse criado, ‘Abdu’l-Bahá havia selecionado, fortalecido e autorizado um grupo de crentes que iriam tomar a liderança no lançamento de tal empreendimento. Sua própria vida caminhava já para seu fim, mas os três anos que Lhe restaram, após a conclusão da Guerra Mundial, pareciam, em retrospectiva, prover uma visão antecipada das vitórias que a própria Causa iria conhecer com a abertura do novo século. As mudanças políticas ocorridas na Terra Santa liberaram o Mestre para prosseguir, sem impedimentos, com Seu trabalho e criaram as condições pelas quais o brilho de Sua mente e a luz de Seu espírito podiam exercer sua influência junto aos representantes dos governos, visitando dignitários de todas as origens e as várias comunidades que formavam a população da Terra Santa. O próprio Poder Mandatário no país procurou expressar sua satisfação pelo efeito unificador de Seu Exemplo e pelo trabalho filantrópico que fez, conferindo-Lhe a honraria de cavaleiro.49 Mais importante ainda, uma torrente renovada de peregrinos e de Epístolas dirigidas aos bahá’ís tanto do Oriente como do Ocidente, estimulou vigorosamente uma expansão do trabalho de ensino e aprofundou o entendimento dos amigos sobre as implicações da mensagem da Fé.
Nada mais ilustra tão dramaticamente, talvez, o triunfo espiritual que o Mestre havia conquistado no Centro Mundial da Fé, do que os eventos em Haifa ocorridos logo após Sua ascensão nas primeiras horas de 28 de novembro de 1921. No dia seguinte, uma enorme multidão de milhares de pessoas, representando uma grande variedade de raças e seitas religiosas, seguiu o cortejo fúnebre pelas encostas do Monte Carmelo, demonstrando um profundo pesar como a cidade até então jamais presenciara. Foi acompanhado por representantes do governo britânico, membros da comunidade diplomática e pelos chefes de todas as comunidades religiosas daquela área, muitos dos quais participaram das orações e leituras feitas no Santuário do Báb. Tão irrestrita e unida demonstração de pesar refletia a inesperada consciência da perda de uma Figura cujo exemplo servira como centro focal de unidade em uma terra irada e dividida. Em si mesmo, o funeral serviu, para todos os que tinham olhos para ver, como uma comprovação comovente da verdade da unidade da humanidade que o Mestre tão incansavelmente proclamara.
COM O PASSAMENTO DE ‘ABDU’L-BAHÁ, a Idade Apostólica da Causa chegara ao fim. A intervenção divina que começara havia setenta e sete anos, na noite em que o Báb declarara Sua missão a Mullá Husayn – e o próprio ‘Abdu’l-Bahá nascia – havia completado seu trabalho. Foi, nas palavras de Shoghi Effendi, “um período cujo esplendor nenhuma vitória, nesta ou em uma era futura, por mais brilhante que seja, poderá rivalizar...”.50 À frente se encontravam os mil anos ou milhares de anos nos quais todo o potencial que esta força criativa plantou na consciência humana irá aos poucos se manifestar.
Contemplar tão grande conjuntura na história da civilização traz à luz o foco da Figura cuja natureza e papel foram incomparáveis neste processo de seis mil anos. Bahá’u’lláh chamou ‘Abdu’l-Bahá de “O Mistério de Deus”. Shoghi Effendi O descreveu como “o Centro e Pivô” do Convênio de Bahá’u’lláh, o “Exemplar Perfeito” dos ensinamentos da Revelação de Deus para a era de maturidade humana, e “a Fonte da Unidade da Humanidade”. Nenhum fenômeno comparável ao Seu aparecimento jamais ocorreu em qualquer das Dispensações Divinas que tenham dado nascimento a outros grandes sistemas religiosos que a História registra; todos eles foram estágios necessários para preparar a humanidade para a sua idade de maturidade. ‘Abdu’l-Bahá foi a Criação suprema de Bahá’u’lláh, Aquele que tornou tudo possível. Uma compreensão desta verdade levou um atento bahá’í norte-americano a escrever:
Agora, uma mensagem de Deus precisava ser proclamada, mas não havia humanidade para ouvir esta mensagem. Portanto, Deus deu ao mundo ‘Abdu’l-Bahá. ‘Abdu’l-Bahá recebeu a mensagem de Bahá’u’lláh em nome da raça humana. Ele ouviu a voz de Deus; Ele foi inspirado pelo espírito; Ele alcançou de forma completa o espírito e a compreensão do significado desta mensagem, e garantiu que a raça humana responderia à voz de Deus... para mim isto é o Convênio – que havia alguém na terra que podia ser um representante de uma raça ainda a ser criada. Havia apenas tribos, famílias, credos, classes, etc., mas não havia homem algum exceto ‘Abdu’l-Bahá, e ‘Abdu’l-Bahá, como homem, aceitou Ele próprio a mensagem de Bahá’u’lláh e prometeu a Deus que iria levar as pessoas à unidade da humanidade, e criar uma humanidade que pudesse ser o veículo para as leis de Deus.51
Iniciando Sua missão como um prisioneiro de um regime brutal e ignorante, e incansavelmente vituperado por irmãos infiéis, os quais, por fim, arquitetaram Sua morte, o Mestre, sem ajuda, fez da comunidade bahá’í persa uma demonstração brilhante do desenvolvimento social que a Causa pode produzir, inspirou a expansão da Fé no Oriente, levantou comunidades de devotados crentes no Ocidente, criou um Plano para a expansão mundial da Causa, conquistou o respeito e a admiração de líderes de pensamento onde quer que Sua influência chegasse e deixou aos seguidores de Bahá’u’lláh em todo o mundo um vasto acervo de orientações oficiais quanto ao conteúdo e aplicação das leis e ensinamentos da Fé. Nas encostas do Monte Carmelo, Ele erigiu, com enormes sacrifícios e dificuldades, o Santuário que abriga os restos mortais do martirizado Báb, o ponto focal do processo pelo qual a vida de nosso planeta será gradualmente organizada. Do início ao fim, por menor que fosse a ocasião, numa vida cheia de preocupações e demandas de todo tipo – uma vida exposta permanentemente ao exame de inimigos e amigos igualmente – Ele assegurou que a posteridade iria possuir aquele tesouro com o qual poetas, filósofos e místicos sonharam através dos tempos, uma demonstração da imaculada perfeição humana.
E finalmente, foi ‘Abdu’l-Bahá, Quem assegurou que a Ordem Divina concebida por Bahá’u’lláh para a unificação da raça humana e o estabelecimento da justiça na vida coletiva da humanidade seria dotada dos meios previstos para a realização do propósito de seu Fundador. Para a unidade existir entre os seres humanos – até mesmo num nível bem simples – duas condições são fundamentais. Aqueles envolvidos precisam, antes de mais nada, concordar sobre a natureza da realidade que afeta seu relacionamento mútuo e com o mundo fenomenal. Eles precisam, depois, dar assentimento a algum meio reconhecido e autorizado, através do qual sejam tomadas as decisões que afetem sua associação com os outros e que determine suas metas coletivas de ação.
A unidade não é meramente uma condição resultante de boa vontade coletiva e um propósito comum, por mais profundos e sinceros que sejam tais sentimentos, da mesma maneira que um organismo não é o produto de uma associação fortuita e amorfa de vários elementos. A unidade é um fenômeno de poder criativo, cuja existência se torna evidente através dos efeitos que a ação coletiva produz e cuja ausência é denunciada pela impotência de tais esforços. Ainda que muitas vezes tenha sido minada pela ignorância e perversidade, esta força tem sido a influência primária que leva ao avanço da civilização, gerando códigos legais, instituições políticas e sociais, trabalhos artísticos, realizações tecnológicas infindáveis, novos avanços morais, prosperidade material e longos períodos de paz pública, o reflexo de cujo esplendor permaneceu nas memórias de subseqüentes gerações como se tivessem sido “eras douradas”.
Através da Revelação de Deus à era de maturidade da humanidade, o pleno potencial desta força criativa foi por fim liberado, e instituídos os meios necessários para a realização do propósito divino. Em Sua Última Vontade e Testamento, que Shoghi Effendi descreveu como a “Carta Magna” da Ordem Administrativa, ‘Abdu’l-Bahá definiu em detalhes a natureza e o papel das instituições gêmeas que são Seus Sucessores designados e cujas funções complementares asseguram a unidade da Causa Bahá’í e a realização de sua missão durante toda a Dispensação - a Guardiania e a Casa Universal de Justiça. Ele particularmente deu forte ênfase à autoridade assim transmitida:
Qualquer coisa que eles decidam provém de Deus. Quem a ele não obedece, nem a eles, não estará obedecendo a Deus; quem se revoltar contra ele e contra eles, terá se revoltado contra Deus; quem se lhe opuser, terá feito oposição a Deus; quem com eles contender, terá contendido com Deus. ...52
Shoghi Effendi explicou o significado deste extraordinário Texto:
A Ordem Administrativa estabelecida por esse Documento histórico, devemos notar, é, em virtude de sua origem e caráter, única nos anais dos sistemas religiosos do mundo. Nenhum Profeta anterior a Bahá’u’lláh, podemos afirmar sem receio, ... determinou com autoridade e por escrito algo comparável à Ordem Administrativa que o Intérprete autorizado dos ensinamentos de Bahá’u’lláh instituiu... uma Ordem que deve proteger do cisma, e protegerá, a Fé da qual se originou, de modo sem paralelo entre as religiões anteriores.53
Antes da leitura e promulgação da Última Vontade e Testamento, a grande maioria dos membros da Fé imaginavam que o próximo estágio na evolução da Causa seria a eleição da Casa Universal de Justiça, a instituição fundada pelo próprio Bahá’u’lláh no Kitáb-i-Aqdas como o corpo governante supremo do mundo bahá’í. Um fato importante que os bahá’ís de nossos dias precisam entender é que, anterior a este ponto, o conceito de Guardiania era desconhecido da comunidade bahá’í. O regozijo foi geral quando foi anunciada a distinção única conferida pelo Mestre a Shoghi Effendi, e a continuidade do elo com os Fundadores da Fé representada pelo papel que ele iria desempenhar. Até então, porém, não havia pressentimento algum da intenção de Bahá’u’lláh de que tal instituição iria surgir, ou da função de intérprete oficial da Fé que ela teria de exercer – uma função cuja importância vital desde então saltou aos olhos e que eventos subseqüentes deixariam claro que estava implícita em alguns de Seus Escritos.
O que estava inteiramente além da imaginação de qualquer pessoa que vivia naquela época, fosse ele fiel ou mal-intencionado, foi a transformação na vida da Causa que o Testamento do Mestre pôs em movimento. “Se vocês soubessem o que irá ocorrer depois de Meu passamento”, ‘Abdu’l-Bahá declarou, “certamente vocês iriam orar para que Meu fim fosse apressado?”54
UMA APRECIAÇÃO DO LUGAR que tem a Guardiania na história bahá’í deve começar com uma consideração objetiva das circunstâncias nas quais a missão de Shoghi Effendi teve de ser realizada. Particularmente importante é o fato de que metade de seu ministério transcorreu entre duas grandes guerras mundiais, um período marcado por profunda incerteza e ansiedade sobre todos os aspectos da vida humana. De um lado, progressos significativos haviam sido feitos para superar barreiras entre nações e classes sociais; de outro lado, a incapacidade política e a resultante paralisação econômica grandemente prejudicaram os esforços para tirar proveito desses avanços ocorridos na sociedade. Havia em toda parte um sentimento de que alguma redefinição fundamental da natureza da sociedade, e do papel que teriam suas instituições, fazia-se urgentemente necessária – uma redefinição, na verdade, do propósito da própria vida humana.
Em alguns aspectos importantes, a humanidade encontrava-se, no final da Primeira Guerra Mundial, capaz de explorar possibilidades jamais imaginadas. Em toda a Europa e no Oriente Médio, os sistemas absolutistas, que faziam parte das mais poderosas barreiras à unidade, tinham sido extintos. Em grande parte, também, dogmas religiosos fossilizados, que haviam endossado moralmente as forças do conflito e da alienação, eram questionados em todas as partes. Os povos das ex-colônias estavam livres para considerar novos planos quanto ao seu futuro coletivo e para se responsabilizarem por seus inter-relacionamentos, através dos novos estados-nações criados pelo acordo de Versalhes. A mesma criatividade demonstrada na produção de armas de destruição era usada agora para as tarefas, desafiadoras mas compensadoras, da expansão econômica. Histórias comoventes foram contadas dos dias mais obscuros da guerra, como o impulso que rapidamente levou os soldados britânicos e alemães a deixarem as cidadelas de morte das trincheiras para comemorar juntos o nascimento de Cristo, dando uma pequena demonstração da unidade da raça humana que o Mestre incansavelmente proclamara em Suas viagens através daquele mesmo continente. Mais importante que tudo, um extraordinário esforço de imaginação havia levado a unificação da humanidade a dar um imenso passo adiante. Os líderes mundiais, embora relutantes, haviam criado um sistema de consulta internacional, o qual, embora mutilado por interesses bem definidos, dera ao ideal da ordem internacional sua primeira sugestão de formato e estrutura.
O despertar pós-guerra ocorreu espontaneamente no mundo inteiro. Sob a liderança de Sun Yat-sen, o povo chinês derrubara o decadente regime imperial que havia comprometido o bem-estar do país e buscava lançar as bases da grandeza de um país renascido. Em toda a América Latina, a despeito dos terríveis e repetidos contratempos, movimentos populares lutavam, da mesma forma, para ganhar controle sobre o destino de seus países e sobre a utilização das imensas riquezas naturais do continente. Na Índia, uma das figuras mais notáveis do século, Mohandas Gandhi, engajou-se em uma empreitada que iria não somente revolucionar os destinos de seu país, mas também demonstrar conclusivamente ao mundo o que a força espiritual pode alcançar. A África aguardava ainda o tempo de seu destino, como ocorria com os habitantes de outras terras coloniais, mas, para alguém com olhos que vêem, um processo de mudança havia sido colocado em ação, o qual jamais poderia ser suprimido, pois representava os anseios universais da humanidade.
Esses avanços, embora animadores, não podiam esconder a tragédia histórica que havia ocorrido. Durante a segunda metade do século dezenove, a proclamação do Dia de Deus feita por Bahá’u’lláh aos governantes de Seu dia, em cujas mãos encontrava-se o destino da humanidade, fora rejeitada ou ignorada por aqueles que a receberam, tanto no Oriente como no Ocidente. Uma reflexão sobre tão grande ruptura de fé revela a perspectiva sombria da resposta que a missão de ‘Abdu’l-Bahá tivera no Ocidente. Por mais que alguém se regozije pelo louvor demonstrado ao Mestre em todas as partes, os resultados imediatos de Seus esforços representaram ainda outro imenso fracasso moral de parte de uma considerável porção da humanidade e de seus líderes. A mensagem que havia sido suprimida no Oriente foi essencialmente ignorada pelo mundo ocidental, que continuou afundando no caminho da ruína há muito tempo preparado para si pelo excessivo orgulho que levou, finalmente, à traição do ideal incorporado na Liga das Nações.
Em conseqüência, as duas décadas imediatamente após ter Shoghi Effendi assumido suas funções como Guardião da Causa foram um período de profunda melancolia em todo o mundo ocidental, o qual parecia refletir um maciço recuo no processo de integração e iluminação espiritual proclamado de forma tão confiante pelo Mestre. Foi como se a vida econômica, social e política tivesse caído em uma espécie de limbo. Enormes dúvidas se formaram sobre a capacidade da tradição democrática liberal para enfrentar os problemas da época; na verdade, em muitos países da Europa, governos inspirados em tais princípios foram substituídos por regimes totalitários. Logo depois, a derrocada econômica de 1929 provocou uma redução mundial do bem estar material, com todas as posteriores inseguranças morais e psicológicas resultantes.
Uma análise dessas circunstâncias nos ajuda a entender a magnitude do desafio que Shoghi Effendi enfrentava no início de seu ministério. Nada havia na condição objetiva em que se encontrava a humanidade que pudesse ter-lhe inspirado confiança de que aquela visão de um novo mundo, legada a ele pelos Fundadores da Causa Bahá’í, poderia ser levada avante, de forma significativa, durante qualquer número de anos que lhe pudesse ser dado.
Também os instrumentos à sua disposição pareciam não possuir a força, a elasticidade ou a sofisticação que tal tarefa exigia. Em 1923, quando Shoghi Effendi por fim pôde assumir plenamente a direção da Causa, o núcleo básico dos seguidores de Bahá’u’lláh consistia de um grupo de crentes no Irã, de cujo número nem mesmo uma estatística confiável podia, na época, ser levantada. Sem a maioria dos meios necessários para a promoção da Causa, e severamente limitada em recursos materiais, a comunidade iraniana encontrava-se em difícil condição de atuar. Na América do Norte, tendo sobre os ombros as desafiadoras responsabilidades do Plano Divino, pequenas comunidades de crentes encontravam-se em situação muito difícil, até mesmo diante de simples desafios como trabalhar para sua própria subsistência e a de suas famílias, já que a crise econômica rapidamente se avolumava. Na Europa, na Australásia e no Extremo Oriente, pequenos grupos de bahá’ís mantinham viva a chama da Fé, como o faziam grupos isolados, famílias e indivíduos espalhados pelo resto do mundo. A literatura, mesmo em inglês, era inadequada; e a tarefa de traduzir os Escritos Sagrados para os principais idiomas e de encontrar fundos para publicá-los representava um peso quase que impossível de imaginar.
Embora a visão transmitida pelo Mestre brilhasse mais forte do que nunca, os meios à disposição dos bahá’ís devem ter-lhes parecido lamentavelmente inadequados em face das condições prevalecentes em toda parte. As fundações do futuro Templo Mãe do Ocidente, visíveis sobre o lago ao norte de Chicago, com suas obras paralisadas, pareciam zombar da brilhante concepção que havia deslumbrado o mundo da arquitetura apenas alguns anos antes. Em Bagdá, a “Casa Mais Sagrada”, designada por Bahá’u’lláh como centro focal de peregrinação bahá’í, fora apreendida pelos oponentes da Fé. Na própria Terra Santa, a Mansão de Bahá’u’lláh estava caindo em ruínas como resultado da negligência dos Rompedores do Convênio que a haviam ocupado; e o Santuário que abrigava os preciosos restos mortais do Báb e de ‘Abdu’l-Bahá não tivera progresso algum além da simples estrutura erguida pelo Mestre.
Uma série de consultas com proeminentes bahá’ís sobre as tarefas a realizar, deixou claro ao Guardião que mesmo uma conversa formal com alguns crentes qualificados, sobre a criação de um secretariado, seria não somente inútil mas provavelmente contraproducente. Foi sozinho, portanto, que Shoghi Effendi deu início à tarefa de levar avante o vasto empreendimento colocado em suas mãos. O quão inteiramente só ele estava, é algo quase impossível para a presente geração de bahá’ís entender; e quanto mais profundamente alguém entendesse, mais profundamente dolorosa seria sua compreensão.
Inicialmente, o Guardião julgou que os parentes próximos da família do Mestre, cuja destacada linhagem lhes trouxera imenso respeito dos bahá’ís em toda parte, iriam receber com satisfação a oportunidade de ajudá-lo a realizar o propósito que o Mestre definira em uma linguagem tão imperativa e comovente em Sua Última Vontade e Testamento. Da mesma forma, ele convidou seus irmãos, primos e uma de suas irmãs, cuja educação tornara-os qualificados para as finalidades previstas, para prover-lhe apoio administrativo que o volumoso trabalho da Guardiania exigia. Tragicamente, com o passar do tempo, uma após outra dessas pessoas mostraram-se insatisfeitas com o papel de apoiadores que lhes fora dado e desinteressadas no cumprimento de suas funções. Ainda mais seriamente, Shoghi Effendi viu-se diante de uma situação na qual a autoridade a ele outorgada, embora expressa em termos indiscutíveis na Última Vontade e Testamento, foi considerada por seus parentes como apenas relativamente nominal. Essas pessoas preferiam considerar a liderança da Fé como essencialmente um assunto familiar, no qual grande peso deveria depender dos pontos de vistas dos membros mais velhos da família, os quais eram supostamente qualificados para assumir tal prerrogativa. Começando com demonstrações de obstinada resistência, a situação deteriorou rapidamente, a um ponto tal que os filhos e os netos de ‘Abdu’l-Bahá julgaram-se autorizados a discordar de Seu sucessor designado e desobedecer Suas instruções.
Rúhíyyih Khánum, que viu este processo de deterioração em seus últimos estágios, ela própria sofrendo muito ao testemunhar seus efeitos tanto no trabalho da Causa como no Guardião pessoalmente, escreveu:
... devemos compreender a velha história de Caim e Abel, a história de ciúmes em família que, como um fio sombrio no tecido da história, atravessa todas as suas épocas e pode ser reconhecido em todos os seus acontecimentos. ... A fraqueza do coração humano, que tantas vezes se prende a um objeto indigno, a fraqueza da mente humana, propensa à vaidade e confiança em suas próprias opiniões pessoais, tudo isso envolve as pessoas num reboliço de emoções que lhes cegam o juízo e as desviam do caminho. ... Ainda que esse fenômeno do rompimento do Convênio pareça ser um aspecto inerente à religião, isso não quer dizer que deixe de produzir um efeito prejudicial sobre a Causa. ... Acima de tudo, não quer dizer que um efeito devastador não seja produzido no próprio Centro do Convênio. A vida inteira de Shoghi Effendi foi obscurecida pelos malévolos ataques pessoais contra ele. 55
Neste panorama sombrio surge, como uma brilhante luz na vida de Shoghi Effendi, a figura da Folha Mais Sagrada, a irmã de ‘Abdu’l-Bahá e a última sobrevivente da Idade Heróica da Fé, que, com sua presença e suas realizações, manteve inabalável o Convênio de Deus. Bahíyyih Khánum teve um papel vital na defesa e preservação dos interesses da Causa depois do falecimento do Mestre, tornando-se a única efetiva apoiadora de Shoghi Effendi. Sua fidelidade evocou de sua pena talvez a mais profunda e comovente passagem que ele escreveria. As palavras que lhe dirigiu, logo após sua morte em 1932, foram incluídas em uma carta aos bahá’ís “em todo o Ocidente”, a qual, em parte, diz o seguinte:
Somente gerações e penas mais hábeis que a minha, podem e poderão, prestar um tributo condigno à extraordinária grandeza de sua vida espiritual, ao inigualável papel que ela exerceu ao longo dos tumultuados estágios da história bahá’í, às expressões de irrestritos elogios que tanto a pena de Bahá’u’lláh como a de ‘Abdu’l-Bahá, o Centro de Seu Convênio, lhe dirigiram, embora não registrados, e as demonstrações insuspeitas de parte das massas de seus apaixonados admiradores no Oriente e no Ocidente, o papel que teve ao influenciar o curso de alguns dos principais eventos nos anais da Fé, os sofrimentos que suportou, os sacrifícios que fez, os raros dons de irrestrito apoio e compreensão que demonstrou possuir – essas e muitas outras expressões de louvor permanecem tão intimamente ligadas com a estrutura da própria Causa que, no futuro, os historiadores da Fé de Bahá’u’lláh não poderão ignorar ou minimizar... Quais das bênçãos poderia eu recordar que ela, em sua infalível dedicação, não tenha me demonstrado nas horas mais críticas e agitadas de minha vida? Para mim, que tanto preciso da graça vitalizadora de Deus, ela foi um símbolo vivo de muitos dos atributos que aprendi a admirar em ‘Abdu’l-Bahá.56
Por muitos anos, o Guardião sentiu que a proteção da Causa exigia dele que mantivesse silêncio sobre a deteriorante situação na Família Sagrada. Somente quando a oposição finalmente transformou-se em atos de desafio flagrante, envolvendo então a família em vergonhosa colaboração mútua e até mesmo casamentos com membros do próprio bando de rompedores do Convênio, contra cuja traição a Última Vontade e Testamento do Mestre advertira em veemente linguagem, como também com uma família local profundamente hostil à Causa, foi que Shoghi Effendi sentiu-se compelido a expor ao mundo bahá’í a natureza dos atos de delinqüência que tivera de enfrentar.57
É importante que se conheça esta triste história para um entendimento da Causa no século vinte, não somente por causa do que o Guardião chamou de “devastação” que causou na Sagrada Família, mas pelo motivo da luz que ela derrama sobre os desafios que a comunidade bahá’í enfrentaria cada vez mais nos anos à frente, desafios preditos em linguagem bem clara tanto pelo Mestre como pelo Guardião. Além da insinceridade que caracterizava muitos deles, os parentes de Shoghi Effendi demonstraram pouca, ou mesmo nenhuma, compreensão da natureza espiritual do papel a ele conferido na Última Vontade e Testamento. Que a Revelação de Deus à era da maturidade da humanidade iria trazer com ela, como aspecto central de sua missão, uma autoridade essencial para a reestruturação da ordem social, representava um desafio espiritual que eles, ao que se constatou, não podiam ou talvez nunca buscaram entender. O fato deles terem abandonado o Guardião é uma lição que permanecerá para a posteridade através dos séculos da Dispensação Bahá’í. O destino desta muito privilegiada mas indigna companhia de seres humanos demonstra, para todos os que lêem sua história, tanto a importância que o Convênio de Bahá’u’lláh tem para a unificação da humanidade, como as exigências inevitáveis que coloca diante daqueles que buscam seu abrigo.

?

Ao considerar os eventos do ministério de Shoghi Effendi, os bahá’ís precisam fazer um esforço de imaginação para ver, com seus próprios olhos, a natureza da missão que lhe coubera. Nosso guia será o conjunto de escritos que ele deixou. ‘Abdu’l-Bahá havia proclamado, em um incontável número de Epístolas e palestras, o princípio básico da mensagem de Bahá’u’lláh: “Nesta maravilhosa Revelação, neste século glorioso, o fundamento básico da Fé de Deus e a característica distintiva de Sua Lei é a consciência da Unidade da Humanidade”.58 ‘Abdu’l-Bahá fora igualmente enfático ao afirmar, como já dito, que as transformações revolucionárias que ocorriam em todos os campos do esforço humano haviam tornado a unificação da humanidade um objetivo realístico. Foi esta visão que, durante os trinta e seis anos de sua Guardiania, propiciou ao trabalho de Shoghi Effendi a força organizadora que o distinguiu. Suas implicações foram o tema de algumas das mais importantes mensagens que ele escreveu. Dirigindo-se, em 1931, aos amigos no Ocidente, descortinou para eles um panorama fulgurante:
O princípio da Unidade da Humanidade – em torno do qual giram todos os ensinamentos de Bahá’u’lláh – não é apenas uma exibição de emocionalismo pouco inteligente, nem a expressão de uma vaga e piedosa esperança. O seu apelo não é meramente para ser identificado com um renascimento do espírito de fraternidade e benevolência entre os homens, nem tão pouco é o seu fim apenas a promoção da cooperação harmoniosa entre os diferentes povos e nações. Significa algo mais profundo, pretende algo mais do que qualquer dos Profetas da antigüidade pôde avançar. Sua mensagem não só é aplicável ao indivíduo, mas também trata primariamente da natureza daquelas relações essenciais que hão de ligar todos os estados e todas as nações como membros de uma única família humana. ... Este princípio compreende uma transformação orgânica na estrutura da sociedade atual, uma transformação como o mundo jamais presenciou. ... Exige nada menos que a reconstrução e desmilitarização do inteiro mundo civilizado – um mundo organicamente unificado em todos os aspectos essenciais de sua vida – seu mecanismo político, sua aspiração espiritual, seu comércio e suas finanças, sua escrita e língua, e que é, no entanto, de uma diversidade infinita no que diz respeito às características de suas unidades federadas.59
Um conceito enfatizado fortemente nos escritos do Guardião foi o da metáfora da vida orgânica que Bahá’u’lláh, e depois ‘Abdu’l-Bahá, haviam utilizado tão bem para explicar o processo milenar que levara a humanidade a este ponto culminante de sua história coletiva. A imagem foi a analogia que se pode tirar entre, de um lado, os estágios pelos quais a sociedade humana foi gradualmente organizada e integrada, e, de outro, o processo pelo qual cada ser humano se desenvolve, vagarosamente, partindo das limitações de sua infância para alcançar os poderes da maturidade. Tal analogia aparece, destacadamente, em muitos dos escritos de Shoghi Effendi sobre a transformação que ocorre em nosso tempo:
As longas eras da infância, através das quais a raça humana teve de passar, representam agora o passado. A humanidade começa a experimentar as comoções invariavelmente associadas com o mais turbulento estágio de sua evolução, o estágio da puberdade, quando a impetuosidade da juventude e sua veemência alcançam seu clímax, e precisam ser gradualmente superadas e transformadas na calma, sabedoria e maturidade que caracterizam o estágio da maturidade.60
A meditação sobre este vasto conceito levaria Shoghi Effendi a prover ao mundo bahá’í uma descrição coerente do futuro que, desde então, tem capacitado três gerações de crentes a explicarem aos governos, à mídia e ao público em geral, em todas as partes do mundo, a perspectiva sob a qual a Fé Bahá’í realiza seu trabalho:
A unidade do gênero humano, assim como Bahá’u’lláh a concebeu, compreende o estabelecimento de uma comunidade mundial em que todas as nações, raças, crenças e classes estejam estreita e permanentemente unidas, e em que a autonomia dos estados que a compõem, e a liberdade e iniciativa pessoal dos seus membros individuais, sejam garantidas de um modo definitivo e completo. Tal comunidade mundial deve abranger, segundo nosso conceito, uma legislatura mundial cujos membros, os representantes de todo o gênero humano, virão a controlar todos os recursos das respectivas nações componentes e criar as leis que forem necessárias para regular a vida, satisfazer as necessidades e ajustar as relações de todas as raças e povos entre si. Um executivo mundial, apoiado por uma força internacional, executará as decisões dessa legislatura mundial, aplicará as leis por ela criadas e protegerá a unidade orgânica da inteira comunidade mundial. Um tribunal mundial deverá adjudicar toda e qualquer disputa que surja entre os vários elementos que constituem esse sistema universal. ... Os recursos econômicos do mundo serão organizados, suas fontes de matérias primas serão exploradas e completamente utilizadas, seus mercados serão coordenados e desenvolvidos, e a distribuição de seus produtos será regulada de um modo eqüitativo.61
Escrevendo uma interpretação definitiva da Ordem Administrativa, em A Dispensação de Bahá’u’lláh, Shoghi Effendi faz particular referência ao papel que a instituição que ele próprio representava iria ter para capacitar a Causa a “obter uma longa e ininterrupta visão durante várias gerações. ...”. Esta visão singular foi expressa com clareza inexcedível em sua descrição da natureza dual do processo histórico que ele via se desenvolvendo no século vinte. O panorama dos assuntos internacionais iria, disse ele, ser cada vez mais reformulado pelas forças gêmeas de “integração” e “desintegração”, ambas além do controle humano. À luz daquilo que nossos olhos vêem atualmente, sua previsão da operação deste processo dual é de tirar o fôlego: a criação de “um sistema de intercomunicação mundial... funcionará com admirável rapidez e perfeita regularidade”62; o enfraquecimento da autoridade do estado-nação como o principal árbitro do destino humano; os efeitos devastadores que a crescente ruptura moral no mundo teria na coesão social; a desilusão pública cada vez maior, decorrente da corrupção política; e – inimaginável a outras pessoas daquela geração – o surgimento de órgãos globais dedicados à promoção do bem-estar humano, coordenando a atividade econômica, definindo padrões internacionais e estimulando um senso de solidariedade entre as diversas raças e culturas. Estes e outros fenômenos, o Guardião explicou, iriam alterar funda-mentalmente as condições nas quais a Causa Bahá’í realizaria sua missão nas décadas por virem.
Um dos impressionantes desenvolvimentos desta natureza que Shoghi Effendi discerniu nos Escritos que foi chamado a interpretar diz respeito ao futuro papel dos Estados Unidos como nação e, em menor extensão, de suas nações irmãs no hemisfério ocidental. Sua previsão foi ainda mais notável ao lembrarmos que ele escrevia durante um período da história quando os Estados Unidos estavam determinadamente isolacionistas, tanto em sua política externa como nas convicções da maioria de seus cidadãos. Shoghi Effendi, no entanto, visualizou o país assumindo um “papel ativo e decisivo... na organização e na solução pacífica dos problemas da humanidade”. Ele lembrou aos bahá’ís a previsão feita por ‘Abdu’l-Bahá de que, devido à natureza singular de sua composição social e desenvolvimento político – não significando isso qualquer “excelência inerente ou mérito especial” de seu povo – os Estados Unidos haviam desenvolvido capacidades que poderiam capacitar o país a ser “a primeira nação a estabelecer o alicerce da concórdia internacional”. Na verdade, ele anteviu os governos e povos de todo o hemisfério tornando-se cada vez mais orientados nessa direção.63
O papel que a comunidade bahá’í exerceria para ajudar na realização da consumação do processo histórico havia sido prefigurado nos chamados dirigidos aos Seus seguidores pelo Báb, já no nascimento da Causa:
Ó Meus amados amigos! Vós sois o portadores do nome de Deus neste Dia. ... Sois os humildes, de quem Deus assim falou em Seu Livro: “E Nós desejamos favorecer aqueles que foram criados humildes na terra, e fazer deles líderes espirituais entre os homens, e torná-los Nossos herdeiros.” Vós fostes chamados a esta condição: ireis alcançá-la, se apenas vos levantardes para esmagar sob vossos pés qualquer desejo terreno, e vos esforçardes para vos tornar aqueles “Seus honrados servos que não falam antes de Ele ter falado, e que fazem o que Ele deseja”. ... Não considereis vossa fraqueza e fragilidade; fixai vosso olhar no poder invencível do Senhor, vosso Deus, o Todo-Poderoso. ... Levantai-vos em Seu nome, ponde vossa inteira confiança nEle e estejais seguros da vitória final.64
Já em 1923, Shoghi Effendi foi levado a abrir seu coração sobre este assunto aos amigos na América do Norte:
Oremos a Deus para que, nestes dias de melancolia que envolve o mundo, quando as forças obscuras da natureza, de ódio, rebelião, anarquia e reação, estão ameaçando a própria estabilidade da sociedade humana, quando os frutos mais preciosos da civilização estão passando por testes severos e sem paralelo, possamos todos realizar, mais profundamente do que nunca, que embora sejamos uma mera mão-cheia dentre as acaloradas massas da humanidade, somos neste dia os instrumentos escolhidos das graças de Deus, que nossa missão é mais urgente e vital para o destino da humanidade, e, fortalecidos por estes sentimentos, devemos nos levantar para realizar o propósito de Deus para a humanidade.65

?

Inteiramente consciente da condição na qual a sociedade havia se afundado, das conseqüências da traição de parte dos membros de sua família, em cuja ajuda deveria ter podido contar, e da relativa fraqueza dos recursos disponíveis a ele na própria comunidade bahá’í, Shoghi Effendi levantou-se para criar os meios necessários para realizar a missão a ele legada.
Em grau maior ou menor, a maioria dos bahá’ís, sem dúvida, perceberam que as Assembléias que eles estavam sendo instados a formar tinham um significado muito além da mera administração dos assuntos práticos que deveriam tratar. ‘Abdu’l-Bahá, que havia dado o impulso inicial a esse desenvolvimento, dissera que as Assembléias eram como:
... lâmpadas radiantes e jardins celestiais, donde as fragrâncias de santidade difundem-se por todas as regiões e as luzes do conhecimento irradiam-se sobre todas as coisas criadas. Delas emana, em todas as direções, o espírito da vida. Elas, em verdade, são as poderosas fontes do progresso do homem, em todos os tempos e sob todas as condições.66
Coube a Shoghi Effendi, porém, a missão de ajudar as comunidades a compreenderem o lugar e o papel desses corpos consultivos locais e nacionais no contexto da Ordem Administrativa criada por Bahá’u’lláh e elaborada com mais detalhes na Última Vontade e Testamento do Mestre. Um obstáculo enfrentado por um número significativo de crentes nesse sentido foi a suposição impensada, de muitos deles, de que a Causa era essencialmente uma associação “espiritual”, na qual a organização, embora não necessariamente dispensável, não constituía um aspecto inerente ao propósito divino. Enfatizando que O Kitáb-i-Aqdas e a Última Vontade e Testamento “não são somente complementares, mas... que se confirmam mutuamente, e que são partes inseparáveis de uma unidade completa”67, o Guardião convidou os crentes a refletirem profundamente sobre a verdade central da Causa que haviam abraçado:
Poucos deixarão de reconhecer que o Espírito insuflado por Bahá’u’lláh sobre o mundo, e que se manifesta em variados graus de intensidade através dos esforços conscientemente demonstrados por Seus fiéis apoiadores, e, indiretamente, através de determinadas organizações humanitárias, jamais poderá permear e exercer uma duradoura influência sobre a humanidade, a não ser que, e até que, se encarne em uma Ordem visível, que deverá levar Seu nome, e que se identifique inteiramente com Seus princípios e funcione em conformidade com Suas leis.68
Ele foi além, instando os seguidores da Fé a se conscientizarem da diferença essencial entre a Causa de Bahá’u’lláh, cujos Textos Revelados contêm detalhadas provisões para a existência de tal Ordem de autoridade, e as Revelações anteriores, cujas Escrituras pouco tratam de assuntos administrativos e da interpretação das intenções de seus Fundadores. Nas palavras de Bahá’u’lláh: “O Ciclo Profético terminou, verdadeiramente. A Verdade Eterna é agora revelada. Ele ergueu a Insígnia do Poder. ...”.69 Diferentemente das Dispensações do passado, a Revelação de Deus para esta era deu nascimento, diz Shoghi Effendi, a um “organismo vivo”, cujas leis e instituições constituem “os fatores essenciais de uma Economia Divina”, “um modelo para a sociedade futura” e “o único meio para a unificação do mundo e para a proclamação do reino da retidão e da justiça sobre a Terra”.70
Os amigos devem esforçar-se para avaliar devidamente, o Guardião enfatizava, que as Assembléias Espirituais que estavam sendo laboriosamente estabelecidas no mundo eram as precursoras das “Casas de Justiça” locais e nacionais previstas por Bahá’u’lláh. Como tais, eram partes inseparáveis da Ordem Administrativa que iriam, no tempo devido, “provar sua reivindicação e demonstrar sua capacidade de serem consideradas não somente como o núcleo, mas o próprio modelo da Nova Ordem Mundial destinada a incluir, na plenitude do tempo, a humanidade inteira”.71
Para algumas das jovens comunidades do Ocidente, tal mudança de conceitos tradicionais sobre a natureza e o papel da religião provou ser um grande teste, e as comunidades bahá’ís sofreram a angústia de ver valiosos companheiros de fé se afastarem em busca de objetivos espirituais mais afins com suas inclinações pessoais. Para a maioria dos crentes, no entanto, as grandes mensagens da pena do Guardião, como The Goal of a New World Order (A Meta de Uma Nova Ordem Mundial) e A Dispensação de Bahá’u’lláh, jorravam uma luz muito forte sobre, precisamente, o assunto que mais os preocupava, a relação entre a verdade espiritual e o desenvolvimento social, inspirando neles uma determinação de fazerem sua parte no estabelecimento das fundações do futuro da humanidade.
O Guardião enunciou, também, a estrutura metafórica para este grandioso trabalho. A “Idade Heróica” da Dispensação de Bahá’u’lláh, ele declarou, havia terminado com o passamento de ‘Abdu’l-Bahá. A comunidade bahá’í embarcava agora na “Idade de Ferro”, a “Idade Formativa”, na qual a Ordem Administrativa seria erigida em todo o planeta, suas instituições, estabelecidas e os poderes de “construção da sociedade”, revelados em sua plenitude. No futuro longínquo, afirmou Shoghi Effendi, virá o que ele chamou de “Idade Áurea” da Dispensação de Bahá’u’lláh, a qual levará finalmente ao surgimento da Nação Mundial Bahá’í, que representará o estabelecimento do Reino de Deus na Terra e a criação de uma civilização mundial.72 O impulso inicialmente dado à consciência humana através da revelação da própria Palavra Criativa, cujas revolucionárias implicações sociais haviam sido proclamadas pelo Mestre, estavam sendo agora traduzidas, por seu intérprete designado, em um vocabulário de transformação econômica e política no qual o discurso público do século se expressava em toda parte. Emprestando ao processo uma força irresistível, iluminando sempre novas dimensões da experiência bahá’í e servindo como mola mestra da unificação da humanidade que proclamava, estava o Convênio que Bahá’u’lláh havia estabelecido entre Ele próprio e aqueles que para Ele se voltam.
Embora não inicialmente designadas como “Assembléias Espirituais”, os conselhos que as comunidades locais na Pérsia, estimuladas por ‘Abdu’l-Bahá, haviam criado, tinham assumido a responsabilidade de administrar os assuntos da Fé em sua área. À luz do que iria acontecer, ninguém, com alguma compreensão do que é a História, pode deixar de se entusiasmar com o fato de a primeira Assembléia Espiritual da Fé, a de Teerã, ter sido formada em 1897, o ano do nascimento de Shoghi Effendi. Sob a guia do Mestre, reuniões contínuas realizadas pelas quatro Mãos da Causa na Pérsia foram se desenvolvendo gradualmente até resultar na instituição que serviu, simultaneamente, como a “Assembléia Espiritual Central” da Pérsia e como o corpo governante da comunidade local na capital. Até o falecimento de ‘Abdu’l-Bahá, havia mais de trinta Assembléias Espirituais Locais estabelecidas na Pérsia. Em 1922, Shoghi Effendi autorizou a convocação formal para o estabelecimento da Assembléia Espiritual Nacional da Pérsia, o que demorou até 1934 para ser concretizado, devido às demandas relacionadas com um censo com dados confiáveis da comunidade, como base para a eleição dos delegados.
Fora da Pérsia, os crentes de Ishqábád, no Turquistão russo, elegeram sua primeira Assembléia Espiritual Local, um corpo que assumiu um importante papel no projeto de construção do primeiro Mashriqu’l-Adhkár, em Ishqábád. Na América do Norte, uma variedade de arranjos consultivos – “Corpos de Conselho”, “Diretorias do Conselho”, “Corpos de Consulta” e “Comitês de Trabalho” – realizavam funções análogas, evoluindo gradualmente em corpos eleitos que se constituíram nos precursores das Assembléias Espirituais. Ao tempo do passamento do Mestre, havia talvez quarenta desses conselhos funcionando na América do Norte. Esses desenvolvimentos prepararam o caminho para a futura formação da primeira Assembléia Espiritual Nacional dos Bahá’ís dos Estados Unidos e Canadá, que se desenvolveu do “Conselho de Unidade do Templo”, um corpo criado em 1909 para coordenar a construção da futura Casa de Adoração. Foi formada em 1923, mas exigências administrativas definidas pelo Guardião para esse passo foram satisfeitas apenas em 1925. Antes desta data, porém, Assembléias Espirituais Nacionais já haviam sido estabelecidas nas Ilhas Britânicas, na Alemanha e Áustria, na Índia e Birmânia, e no Egito e Sudão.73
Com a formação das Assembléias Espirituais Locais e Nacionais, o Guardião começou a dar ênfase sobre a importância de obterem reconhecimento oficial como “personalidades jurídicas” sob a lei civil. Assegurando tal registro formal, de qualquer forma que fosse possível, as instituições administrativas bahá’ís poderiam possuir propriedades, fazer contratos e gradualmente adquirir uma ampla gama de direitos legais, vital aos interesses da Causa. A importância que Shoghi Effendi deu a este novo estágio da evolução administrativa torna-se clara pelas fotocópias de tais instrumentos civis que começaram a tornar-se um dos principais aspectos da cobertura fotográfica da expansão da Fé em sucessivos volumes da série The Bahá’í World. Na verdade, quando a Mansão em Bahjí voltou à posse da Fé e foi inteiramente restaurada à sua condição original, e mobiliada apropriadamente, Shoghi Effendi reuniu uma coleção desta valiosa documentação para exposição, com a finalidade de estimular e educar o crescente fluxo de peregrinos ao Centro Mundial.
Os processos de incorporação civil das instituições começaram com a adoção, em 1927, de uma Declaração dos Estatutos e Registro pela Assembléia Espiritual Nacional dos Bahá’ís dos Estados Unidos e Canadá, que recebeu reconhecimento civil como uma instituição voluntária devidamente legalizada dois anos mais tarde. Em 17 de fevereiro de 1932, a primeira Assembléia Local Bahá’í, a de Chicago, adotou documentos de registro, os quais, juntamente com aqueles adotados em Nova York em 31 de março daquele ano, iriam tornar-se um modelo para tais instrumentos de legalização das Assembléias Espirituais em todo o mundo. Em 1949, a Assembléia Espiritual Nacional dos Bahá’ís do Canadá – formada quando as duas comunidades bahá’ís da América do Norte foram separadas no ano anterior – pôde obter reconhecimento formal com status de entidade jurídica através de um Ato especial do Parlamento, uma vitória que Shoghi Effendi exaltou como “um ato sem precedente nos anais da Fé em qualquer país, no Oriente ou no Ocidente”.74
Essas prementes demandas administrativas não desviaram Shoghi Effendi de outras tarefas vitais para a formulação da vida espiritual de uma comunidade global. A mais importante delas foi o árduo trabalho que ele teve de realizar sozinho, provendo ao crescente corpo de crentes, que não tinham antecedentes persas, acesso direto e confiável aos Escritos dos Fundadores da Fé. As Palavras Ocultas, o Kitáb-i-Íqán e os tesouros preciosos reunidos com muito amor e discernimento sob o título de Seleção dos Escritos de Bahá’u’lláh, Orações e Meditações de Bahá’u’lláh, e a Epístola ao Filho do Lobo, proporcionaram nutrição espiritual ao trabalho da Causa, urgentemente necessário, como foi a tradução e editoração por Shoghi Effendi da “Narrativa” de Nabíl sob o título de Os Rompedores da Alvorada.
Os bahá’ís peregrinos recebiam enriquecimento espiritual de ainda outro tipo, nos Lugares Sagrados e nos locais históricos que o Guardião adquiriu – quase sempre ao custo de demoradas e difíceis negociações – e carinhosamente restaurou. Shoghi Effendi, com sua perspectiva histórica, foi igualmente responsivo às inesperadas oportunidades que se apresentavam. Em 1925, uma corte religiosa muçulmana sunita, no Egito, negou reconhecimento civil a casamentos realizados entre mulheres muçulmanas e homens bahá’ís, insistindo que “A Fé Bahá’í é uma nova religião, inteiramente independente”, e que “nenhum bahá’í, pois, pode ser considerado um muçulmano...” (e, portanto, qualificado para casar-se com quem quer que fosse).75 Aproveitando as vastas implicações desta aparente derrota, o Guardião fez amplo uso do julgamento definitivo da corte para reforçar a reivindicação da Causa em círculos internacionais de ser uma Fé independente, separada e distinta de suas raízes islâmicas.

?

À medida em que a comunidade bahá’í construía bases administrativas que iriam lhe possibilitar realizar um papel efetivo nos assuntos humanos, o acelerado processo de desintegração que Shoghi Effendi discerniu estava minando a própria estrutura da ordem social. Suas origens, por mais que muitos dos teóricos sociais e políticos teimem em não reconhecê-las, estão começando, depois de decorridas várias décadas, a ganhar reconhecimento em conferências internacionais dedicadas à paz e ao desenvolvimento. Em nosso próprio tempo, não mais é difícil encontrar, em tais círculos, referências sinceras ao papel essencial que as forças “morais” e “espirituais” devem exercer na busca de soluções a problemas urgentes. Para um leitor bahá’í, tal reconhecimento tardio relembra ecos de advertências feitas mais de um século antes por Bahá’u’lláh aos governantes dos assuntos humanos: “A vitalidade da crença dos homens em Deus está morrendo em toda parte. ... A corrosão da impiedade está penetrando nas vísceras da sociedade humana...”76
A responsabilidade por esta que é a maior das tragédias, o Guardião enfatizou, pesa principalmente sobre os ombros dos líderes religiosos mundiais. A mais severa condenação de Bahá’u’lláh é dirigida àqueles que, presumindo falar em nome de Deus, impuseram às massas crédulas uma gama de dogmas e preconceitos que se constituíram no maior obstáculo contra o qual o avanço da civilização foi obrigado a lutar. Embora reconhecendo os serviços humanitários de incontáveis clérigos individuais, Ele destaca as conseqüências da forma pela qual grupos que se auto-intitularam elites religiosas através da História, interpuseram-se entre a humanidade e todas as vozes do progresso, não excluindo os próprios Mensageiros de Deus. “Qual a ‘aflição’ mais penosa”, Ele pergunta “do que a de uma alma que busca a verdade, desejosa de atingir o conhecimento de Deus, mas que não sabe aonde ir ou de quem buscá-lo?”77 Numa era de progresso científico e na qual a educação popular já estava amplamente espalhada, os efeitos acumulados das desilusões resultantes faziam com que a fé religiosa parecesse irrelevante. Eles próprios impotentes para resolver a crise espiritual, a maioria dos clérigos, de várias Fés, que tomaram conhecimento da mensagem de Bahá’u’lláh, ou não levaram em consideração a influência moral que demonstrava ou se opuseram a ela ativamente.78
O reconhecimento deste aspecto da história não diminui o mal causado por aqueles que buscaram tirar vantagem do vácuo espiritual então deixado. O anseio pela fé é inextinguível, uma parte inerente daquilo que torna uma pessoa humana. Quando é bloqueada ou traída, a alma racional é levada a buscar um novo ponto de apoio, ainda que inadequado ou indigno, em torno do qual possa organizar suas experiências e buscar novamente condições que lhe permitam assumir os riscos que são inevitáveis à vida. Foi nesta perspectiva que Shoghi Effendi advertiu os membros da Fé, em linguagem bastante enfática, que eles deviam tentar entender a calamidade espiritual que engolfava grande parte da humanidade durante as décadas que separaram as duas guerras mundiais:
O próprio Deus foi, de fato, destronado dos corações dos homens, e um mundo idólatra saúda clamorosamente e adora apaixonadamente os falsos deuses que suas próprias vãs fantasias criaram com tamanha fatuidade, e suas mãos desviadas impiamente exaltaram. ... Seus sacerdotes são os políticos e os especialistas do mundo, os chamados sábios da época; seu sacrifício consiste em carne e sangue das multidões trucidadas; seus encantamentos, em lemas obsoletos e fórmulas insidiosas e irreverentes; seu incenso, a fumaça da angústia que se eleva dos corações dilacerados daqueles que perderam os entes queridos, daqueles excluídos e dos sem teto.79
Como males infecciosos oportunistas, ideologias agressivas tiraram vantagem da situação criada com o declínio da vitalidade religiosa. Embora sem se poder distinguir um do outro na corrupção da fé que representavam, os três sistemas de fé que tiveram um papel dominante nos assuntos humanos durante o século vinte diferiam fortemente em suas características secundárias e mais marcantes, para as quais o Guardião chamou a atenção. Ao denunciar “as doutrinas obscuras, falsas e corrompidas” que trariam devastação sobre “qualquer pessoa ou povo que acreditasse nelas”, Shoghi Effendi advertiu particularmente contra os “três deuses do Nacionalismo, Racismo e Comunismo”.80
Sobre o Fascismo, regime criado pela chamada “Marcha sobre Roma” em 1922, pouco precisa ser dito. Muito antes que ele e seu líder tivessem sido varridos ao esquecimento durante os meses finais da Segunda Guerra Mundial, o Fascismo havia se tornado um objeto de ridículo entre a maioria até mesmo daqueles que o haviam inicialmente apoiado. Sua importância reside, na verdade, na onda de imitadores que espalhou e que iriam proliferar no mundo como uma série maléfica de mutações nas décadas seguintes. Alimentada por um nacionalismo maníaco, esta aberração do espírito humano deificava o estado, descobria em tudo ameaças imaginárias ao renascimento nacional de qualquer povo infeliz sobre o qual se atinha e pregava a todos os que lhe davam ouvidos a noção de que a guerra exercia uma influência “nobre” sobre a alma humana. A ópera cômica da parada de uniformes, botas, bandeiras e clarins, usualmente associada com ele, não podia esconder de um observador da época o legado virulento que deixara para nossa própria era, encoberto no vocabulário político com termos angustiantes como “os desaparecidos”.
Embora compartilhando da idolatria do Estado que o Fascismo pregava, sua ideologia irmã, o Nazismo, tornou-se a voz de uma mais antiga e insidiosa perversão. Em seu obscuro âmago encontrava-se uma obsessão com o que seus proponentes chamaram de “raça pura”. A determinação única com a qual perseguiram seus fins criminosos não foi, de forma alguma, enfraquecida pelos postulados comprovadamente falsos sobre os quais se baseava. O sistema nazista era singular na evidente bestialidade da ação mais comum associada com seu nome, o programa de genocídio sistematicamente executado contra populações consideradas ou sem valor ou prejudicial ao futuro da humanidade, um programa que incluía uma tentativa deliberada de exterminar o inteiro povo judeu. Por fim, foi a determinação nazista, de que uma “raça pura” devia dominar o planeta inteiro, a principal responsável pelo cumprimento da advertência profética de ‘Abdu’l-Bahá feita vinte anos antes de que outra guerra, mais terrível que a primeira, devastaria o mundo. Como o Fascismo, o Nazismo deixou um detrito para nosso tempo. Em seu caso, tomou a forma de uma linguagem e símbolos através dos quais elementos periféricos na sociedade atual, desmoralizados pela decadência social e econômica em torno deles, e desesperados com a ausência de soluções, deram vazão à sua ira impotente contra minorias às quais culpavam por seus desapontamentos.
O falso deus que o Mestre foi levado a identificar claramente, e denunciado pelo nome por Shoghi Effendi, havia demonstrado seu caráter logo em seu início ao destruir brutalmente, durante a última parte da Primeira Guerra Mundial, o primeiro governo democrático jamais estabelecido na Rússia. Por muitos anos, o sistema soviético criado por Vladimir Lenin conseguiu mostrar-se a muitos como um benfeitor da humanidade e defensor da justiça social. À luz dos eventos históricos, tais pretensões eram grotescas. A documentação agora disponível provê irrefutável evidência de crimes tão enormes e loucuras tão inimagináveis que não têm paralelo em todos os seis mil anos dos registros históricos da humanidade. A um grau jamais imaginado até então, pelo menos tentado, a conspiração leninista contra a natureza humana também buscou sistematicamente extinguir a fé em Deus. Seja qual for a visão da situação política que os teóricos possam agora ter, ninguém se surpreenderia de que tão deliberada violência contra as raízes da motivação humana levariam inexoravelmente à ruína política e econômica daquelas infelizes sociedades que caíram sob o domínio soviético. Seus duradouros efeitos espirituais tragicamente iriam perverter, ao serviço de sua própria agenda amoral, os anseios legítimos de liberdade e justiça dos povos oprimidos em todo o mundo.
Do ponto de vista bahá’í, a adoração pela humanidade de ídolos de sua própria invenção é de importância não devido aos eventos históricos associados com essas forças, por mais horrorosas que sejam, mas devido à lição que ela representa. Voltando a atenção para o mundo decadente no qual tais forças diabólicas desceriam sobre o futuro da humanidade, a pessoa deve se perguntar qual foi a fraqueza na natureza humana que a tornou tão vulnerável a tais influências. Ter visto em alguém como Benito Mussolini a figura de um “Homem do Destino”, sentir-se obrigado a entender as teorias raciais de Adolf Hitler como algo além de produtos, por si mesmos evidentes, de uma mente doentia, ter de aceitar seriamente a reinterpretação da experiência humana através de dogmas que haviam dado nascimento à União Soviética de Josef Stalin – tão obstinado abandono da razão por parte de um considerável segmento da liderança intelectual da sociedade exige uma prestação de contas para a posteridade. Se feita sem paixões, tal avaliação deve, cedo ou tarde, focalizar sua atenção sobre a verdade que perpassa como eixo central as Escrituras de todas as religiões da humanidade. Nas palavras de Bahá’u’lláh:
Sobre a realidade do homem... focalizou Ele o fulgor de todos os Seus nomes e atributos, e o fez um espelho de Seu próprio Ser... Essas energias... jazem nele latentes, todavia, assim como a chama se oculta dentro da vela e os raios de luz estão presentes, potencialmente, na lâmpada. ... Nem a vela, nem a lâmpada, pode acender-se por seus próprios esforços, nem será possível jamais que o espelho, por si só, se livre de suas impurezas.81
A conseqüência da louca paixão da humanidade para com ideologias criadas por sua própria mente iria produzir uma aceleração terrível no processo de desintegração que estava dissolvendo a estrutura da vida social e alimentando os impulsos mais baixos da natureza humana. A brutalidade que a Primeira Guerra Mundial havia engendrado tornava-se agora um aspecto onipresente da vida social na maior parte do planeta. “Assim, reunimos os obreiros da iniqüidade”, Bahá’u’lláh advertira um século antes. “Nós os vemos apressarem-se em direção a seus ídolos. ... Apressam-se em direção ao Fogo do inferno, e o confundem com a luz”.82
COM A ESTRUTURA ADMINISTRATIVA da Causa tomando forma, Shoghi Effendi voltou sua atenção para a tarefa que fora obrigado a retardar por tanto tempo, a implementação do Plano Divino do Mestre. Na Pérsia, tal desenvolvimento já estava bem avançado. Orientados primeiro por Bahá’u’lláh e, subseqüentemente, por ‘Abdu’l-Bahá, um grupo de instrutores especialmente designados – muballighín – estimulava o trabalho a nível local em todo o país, e a existência de uma vibrante vida comunitária ajudava na relativamente rápida integração dos novos declarantes. Os fundos do Huqúqu’lláh, suplementados pela prática da deputização – que já era uma característica marcante da consciência bahá’í persa – provia os recursos materiais para as atividades de ensino.
No Ocidente, a inspiração para a promoção da Fé havia sido provida pela resposta dada aos apelos do Mestre por parte de destacados indivíduos como Lua Getsinger, May Maxwell e Martha Root. A menção destes nomes é feita para mostrar apenas um aspecto do desenvolvimento da Causa no Ocidente, para o qual o Mestre chamou atenção particular:
Na América, as mulheres superaram os homens neste aspecto e tomaram a liderança neste campo. Elas se esforçam mais em guiar os povos do mundo, e seus esforços são maiores. Elas têm a confirmação das bênçãos e graças divinas.83
No Oriente, as condições sociais da época tinham virtualmente obrigado que as iniciativas na promoção da Causa fossem tomadas em maior proporção pelos homens. Poucas dessas restrições ocorriam na América do Norte e na Europa, onde uma galáxia de inesquecíveis mulheres tornaram-se os principais exponentes da mensagem bahá’í, em ambas as costas do Oceano Atlântico. Pensar em Sarah Farmer, cuja escola em Green Acre proveu à nascente comunidade bahá’í um fórum para a introdução da Fé a influentes pensadores; lembrar de Sara Lady Blomfield, cuja posição social ajudou muito no fortalecimento do ardor com o qual ela promoveu os ensinamentos; Marion Jack, imortalizada por Shoghi Effendi como um modelo para os pioneiros bahá’ís; Laura Dreyfus-Barney, que deu à Fé a valiosa coletânea de palestras do Mestre à mesa de jantar, Respostas a Algumas Perguntas*; Agnes Parsons, co-fundadora das iniciativas intituladas “Amizade Racial”, inspiradas por ‘Abdu’l-Bahá; Corinne True, Keith Ransom-Kehler, Helen Goodall, Juliet Thompson, Grace Ober, Ethel Rosenberg, Clara Dunn, Alma Knobloch e uma distinguida companhia de outras mulheres, a maioria delas pioneiras em alguns novos campos do serviço bahá’í.
A esta lista deve ser acrescentado o nome da Rainha Maria da Romênia, à qual eras futuras irão lembrar como a primeira cabeça coroada a reconhecer a Revelação de Deus para este Dia. A coragem demonstrada por esta mulher solitária, ao declarar publicamente sua fé através de cartas que destemidamente dirigiu a editores de inúmeros jornais, tanto na Europa como na América do Norte, com toda probabilidade introduziu o nome da Causa a uma audiência estimada em milhões de leitores.
A despeito da expressiva resposta que os primeiros desses esforços obtiveram, a falta de meios organizados para trabalhar tais resultados limitaram, de início, os benefícios advindos às comunidades bahá’ís em terras do Ocidente. O desenvolvimento da Ordem Administrativa dramaticamente transformou esta última situação. Com a formação de Assembléias Espirituais Locais, metas foram estabelecidas e recursos levantados para apoiar os esforços de ensino individual, e aqueles que declaravam sua fé viam-se logo envolvidos em muitas atividades de uma vida comunitária bahá’í cada vez mais ativa. Foi então possível traduzir sistematicamente e publicar literatura, compartilhar regularmente notícias de interesse geral, e os laços que ligavam os crentes com o Centro Mundial da Fé tornaram-se cada vez mais fortes.
Os dois principais instrumentos utilizados por Shoghi Effendi para cultivar uma elevada devoção ao ensino, tanto no Oriente como no Ocidente, foram os mesmos nos quais o Mestre também confiara. Uma contínua torrente de cartas, tanto às comunidades como aos indivíduos, abriu aos seus receptores novas dimensões sobre o significado das crenças que haviam abraçado. As mais importantes dessas comunicações, porém, eram aquelas dirigidas às Assembléias Espirituais Nacionais e Locais. O efeito que tiveram foi intensificado pela onda de peregrinos que voltavam da Terra Santa, os quais compartilhavam suas percepções obtidas nos contatos diretos com o Centro da Causa. Através dessas conexões, todos os crentes eram estimulados a ver a si mesmos como instrumentos do poder que fluía do Convênio. A valiosa compilação que posteriormente foi publicada sob o título de Messages to America, 1932-1946 retrata com clareza os passos através dos quais Shoghi Effendi levou os crentes norte-americanos a entenderem, cada vez mais profundamente, as implicações do Plano Divino do Mestre para “a conquista espiritual do planeta”:
Pela sublimidade e serenidade de sua fé, pela firmeza e clareza de sua visão, pela incorruptibilidade de seu caráter, pelo rigor de sua disciplina, pela santidade de sua moral e pelo exemplo inigualável de sua vida comunitária, eles podem, e na verdade devem – em um mundo poluído com uma incurável corrupção, paralisado por seus temores assustadores, arrasado por seus ódios devastadores e languescendo sob o peso de misérias apavorantes – demonstrar a validade de sua reivindicação de serem considerados como o único repositório daquela graça de cuja operação deve depender a libertação completa, a reorganização fundamental e a felicidade suprema de toda a humanidade.84
O Guardião descortinou aos olhos da comunidade bahá’í norte-americana a visão de seu destino espiritual. Seus membros eram, disse ele, “os descendentes espirituais dos heróis da Causa de Deus”, suas nascentes instituições eram “os símbolos visíveis de sua [da Fé] indubitável soberania”, os instrutores e pioneiros que enviavam eram “os porta-estandartes de uma civilização ainda por nascer” e seu desafio coletivo era assumir “um papel preponderante” na fundação das bases da Ordem Mundial que o Báb havia anunciado, que a mente de Bahá’u’lláh havia visionado e cujos aspectos ‘Abdu’l-Bahá, seu Arquiteto, delineou. ...”85
A linguagem das mensagens é magnificente, cativante. Ao mencionar a escuridão criada pela descrença generalizada, pela violência e imoralidade que se alastravam, Shoghi Effendi descreveu o papel que os bahá’ís em todas as partes devem exercer como instrumentos do poder transformador da nova Revelação:
Seu é o dever de manter, elevada e sempre acesa, a tocha da guia divina, enquanto as sombras da noite descem e finalmente irão encobrir a inteira raça humana. Sua é a função, em meio ao seus tumultos, perigos e agonias, de dar testemunho da visão e proclamar a aproximação daquela sociedade recriada, aquele Reino prometido por Cristo, aquela Ordem Mundial cujo impulso gerador é o espírito de ninguém mais senão o próprio Bahá’u’lláh, cujo domínio é o planeta inteiro, cuja palavra de ordem é unidade, cujo poder fortalecedor é a força da Justiça, cujo propósito diretivo é o reino da retidão e da verdade, e cuja suprema glória é a completa, tranqüila e duradoura felicidade da inteira espécie humana.86
Em 1936, o Guardião sentiu que a estrutura administrativa da Causa era suficientemente ampla e estava bem consolidada na América do Norte para que ele pudesse iniciar o primeiro estágio da implementação do próprio Plano Divino. Com o mundo caminhando para outra conflagração mundial, e como o âmbito de alcance dos esforços dos crentes persas estava muito limitado, o foco para a expansão e consolidação da comunidade bahá’í teria que necessariamente concentrar-se no hemisfério Ocidental, em preparação aos empreendimentos muito maiores que ocorreriam no futuro. Convocando os designados “executores” do Plano, os crentes da América do Norte, o Guardião lançou um Plano de Sete Anos, previsto para acontecer de 1937 a 1944. Seus objetivos eram estabelecer pelo menos uma Assembléia Espiritual Local em cada estado dos Estados Unidos e em cada província do Canadá, e, abrir à Causa, em quatorze repúblicas na América Latina. A esses objetivos foi adicionada a tarefa, imensamente pesada para uma comunidade com ainda um número muito limitado de membros e com sérias limitações em seus recursos financeiros, de completar a ornamentação exterior do “Templo Mãe do Ocidente”.
Rúhíyyih Khánum destaca o paralelo notável entre os dois desenvolvimentos naquele período da história. De um lado, nações poderosas lançavam exércitos de invasão cuja meta era tomar posse dos recursos naturais de estados vizinhos – ou simplesmente satisfazer um apetite de conquista. Durante esse mesmo período, Shoghi Effendi mobilizava o grupo, tão pequeno que dava pena, de pioneiros disponíveis a ele, enviando-os às metas de ensino do Plano que ele havia criado. Dentro de poucos anos, os enormes batalhões de agressão seriam desmantelados irrecuperavelmente, seus nomes e conquistas, apagados da história. O pequeno grupo de crentes que havia partido, decididamente, para cumprir a missão que lhes fora confiada pelo Guardião, alcançaria, ou até excederia, todos os seus objetivos – objetivos estes que em pouco tempo se tornariam as fundações de florescentes comunidades.87
Ao estudarem este empreendimento, será de ajuda aos bahá’ís entenderem não somente o papel que o planejamento exerce na vida da Causa, como também a natureza singular deste instrumento em sua expressão bahá’í. A identificação sistemática dos objetivos a serem alcançados e as decisões de como alcançá-los não significa que a comunidade bahá’í tenha assumido a responsabilidade de “delinear” um futuro para si mesma, como está normalmente implícito no conceito de planejamento. O que as instituições fazem, melhor dizendo, é esforçar-se para alinhar o trabalho da Causa com o processo divinamente impelido que, como eles vêem, está se desabrochando cada vez mais no mundo – um processo que, por fim, levará à realização de seu propósito, independentemente das circunstâncias ou dos eventos históricos. O desafio à Ordem Administrativa é assegurar que a ação da Providência tenha livre expressão e os esforços bahá’ís estejam em harmonia com este Plano Maior de Deus, porque, assim fazendo, os poderes implantados na Causa por Bahá’u’lláh irão frutificar. Que as provisões contidas em O Kitáb-i-Aqdas e A Última Vontade e Testamento de ‘Abdu’l-Bahá assegurarão o sucesso dos esforços dos bahá’ís, é algo dramaticamente demonstrado em uma série ininterrupta de triunfos alcançados com o cumprimento dos planos criados por Shoghi Effendi.
Em agosto de 1944, Shoghi Effendi pôde celebrar o término do primeiro Plano de Sete Anos. O Guardião marcou o momento com um presente aos bahá’ís do mundo, que representa uma das maiores realizações de sua vida. A publicação, em 1944, do livro A Presença de Deus, sua completa e analítica história dos primeiros cem anos da Causa, abriu à visão dos crentes, um panorama sobre o processo espiritual pelo qual o propósito de Bahá’u’lláh para a humanidade está sendo realizado.
A história é um instrumento poderoso. Provê uma perspectiva do passado e descortina um panorama do futuro. Povoa a consciência humana com imagens de heróis, santos e mártires, cujo exemplo desperta, em todos que são por ele tocados, capacidades que não imaginavam possuir. Ajuda a dar sentido ao mundo – e à experiência humana. Inspira, consola e ilumina. Enriquece a vida. No enorme conjunto de narrativas e lendas que legou à humanidade, a mão da história pode ser vista em ação, configurando, em grande parte, o curso da civilização – nas lendas que inspiraram os ideais de muitos povos, desde os primórdios dos tempos, como também nos registros épicos do Ramayana, nos atos de heroísmo destacados na Odisséia e no Aeneid, nas sagas nórdicas, no Shahnameh, e em muitas partes da Bíblia e do Alcorão.
A Presença de Deus eleva este grande trabalho da mente a um nível já tentado por muitos mas nunca alcançado por quem quer que fosse em eras passadas. Aqueles que abrem seus olhos à visão que o livro descortina, descobrem nele um instrumento através do qual podem entender o Propósito de Deus, um enfoque convergente com a vastidão da obra desfraldada nas incomparáveis traduções do Guardião dos Textos Revelados. Seu aparecimento no centenário do nascimento da Causa – justamente quando o mundo comemorava o sucesso do primeiro esforço coletivo que lhe fora possível empreender – resumindo para os crentes do mundo inteiro a magnitude e o significado de cem anos de incessantes sacrifícios.

?

Praticamente no início da Segunda Guerra Mundial, o Guardião mostrou aos bahá’ís uma perspectiva daquele conflito inteiramente diferente das que prevaleciam na época. A guerra deveria ser considerada, disse ele, “como uma continuação direta” da conflagração que irrompera em 1914. Será vista como “uma condição essencial à unificação do mundo”. A entrada na guerra pelos Estados Unidos, cujo presidente havia iniciado o projeto de um sistema de ordem internacional, mas que fora rejeitado como uma iniciativa visionária, levaria aquela nação, Shoghi Effendi predisse, a “assumir, em decorrência de adversidades, sua parte preponderante de responsabilidade no estabelecimento definitivo de bases estáveis, mundiais, daquele ainda desacreditado porém imortal Sistema”.88
Estas declarações provaram-se proféticas. Com o fim das hostilidades, tornou-se aos poucos aparente que uma mudança de consciência estava ocorrendo no mundo e que as concepções herdadas, as instituições e as prioridades que haviam sido progressivamente enfraquecidas pelas forças em operação durante a primeira metade do século, estavam agora desmoronando. Se a mudança não podia ser ainda descrita como uma convicção emergente sobre a unidade da humanidade, nenhum observador atento deixaria de reconhecer o fato de que as barreiras que bloqueavam tal realização, que haviam sobrevivido a todos os argumentos levantados contra elas até então, estavam, por fim, cedendo. Oportuno lembrar as proféticas palavras do Alcorão: “E vocês verão as montanhas e pensarão que são sólidas, mas elas passarão como passam as nuvens”. (27:88) O efeito foi inspirar em mentes progressistas a confiança de que seria possível construir um novo tipo de sociedade, a qual não iria apenas preservar uma paz duradoura no mundo, mas também enriquecer a vida de todos os seus habitantes.
Primariamente, este novo surgir de esperança resultara, como Shoghi Effendi havia previsto, da “provação causticante” que conseguira, por fim, “tornar realidade aquele senso de responsabilidade” que os líderes do século anterior procuraram evitar.89 A esta nova consciência foram adicionados os efeitos do temor induzido pela invenção e uso de armas atômicas – uma reação que faz lembrar aos bahá’ís as declarações inspiradas do Mestre na América do Norte de que, por fim, a paz viria porque as nações seriam compelidas a aceitá-la. O jornal Montreal Daily Star havia citado as palavras de ‘Abdu’l-Bahá: “Se [a paz] será universal no século vinte, é porque todas as nações serão forçadas a isso”.90 Os anos imediatamente após 1945 testemunharam os avanços na criação de uma nova ordem social que foram bem além das mais animadoras esperanças de décadas anteriores.
Mais importante de tudo foi a disposição dos governos nacionais de criarem um novo sistema de ordem internacional, e outorgar a ele a autoridade necessária para manter a paz mundial tão tragicamente negada à extinta Liga das Nações. Reunindo-se em São Francisco, em abril de 1945 – em cujo estado ‘Abdu’l-Bahá havia profeticamente declarado, “Que a primeira bandeira da paz internacional seja levantada neste estado” – delegados de cinqüenta nações adotaram a Carta da Organização das Nações Unidas, nome este proposto pelo Presidente Franklin D. Roosevelt.91 A ratificação da Carta pelo número exigido de nações membros ocorreu em outubro, e a primeira Assembléia Geral da nova organização foi realizada em 10 de janeiro de 1946, em Londres. Em outubro de 1949, foi colocada a pedra fundamental da sede permanente das Nações Unidas na cidade de Nova York, designada por ‘Abdu’l-Bahá trinta e sete anos antes como a “Cidade do Convênio”. Durante Sua visita a essa cidade, Ele predisse: “Não há dúvida de que... a bandeira do acordo internacional será desfraldada aqui, para espraiar-se em todas as nações do mundo.”92
Significativamente, foi também por iniciativa de um líder político de uma das nações do hemisfério ocidental mencionadas por Bahá’u’lláh, que Seus apelos por segurança coletiva – pela primeira vez refletidos nas sanções nominais votadas pela Liga das Nações contra a agressão fascista na Etiópia – tiveram, depois de muito tempo, um efeito prático. Em novembro de 1956, Lester Bowles Pearson, então Ministro das Relações Exteriores e mais tarde Primeiro-Ministro do Canadá, conseguiu aprovar a criação, pelas Nações Unidas, de sua primeira força internacional de paz – uma realização que propiciou ao seu autor o Prêmio Nobel da Paz.93 A plenitude da autoridade contida em tal mandado tornar-se-ia um sólido e muito importante aspecto das relações internacionais durante a segunda metade do século. Começando como um programa de ação resultante dos acordos feitos entre nações hostis, o princípio da ação coletiva em defesa da paz gradualmente foi ganhando forma de intervenções militares, tal como aconteceu na Guerra do Golfo, na qual a aplicação das resoluções do Conselho de Segurança foi imposta pela força sobre as facções e estados agressores.
Junto com o estabelecimento do novo sistema das Nações Unidas e dos passos para dar força oficial às suas sanções, uma segunda importante conquista ocorreu. Antes mesmo das hostilidades terem terminado, o público, em todo o mundo, que assistiu o filme da cobertura da libertação dos campos de morte nazistas, ficou horrorizado diante do que foi exposto, mostrando as conseqüências horríveis do racismo. O que mais adequadamente pode ser descrito como um profundo senso de vergonha da profundidade do mal que seres humanos foram capazes de cometer chocou a consciência da humanidade. Diante da janela de oportunidade que tal horror propiciou, um grupo de homens e mulheres dedicados e visionários, sob a inspirada liderança de figuras como Eleanor Roosevelt, conseguiram a adoção da Declaração Universal dos Direitos Humanos pelas Nações Unidas. O comprometimento moral que isso representou foi institucionalizado subseqüentemente, com o estabelecimento da Comissão das Nações Unidas sobre Direitos Humanos. No transcurso do tempo, a própria comunidade bahá’í teria uma boa razão para reconhecer, em primeira mão, a importância do sistema como um escudo de proteção das minorias contra os abusos do passado.
Um fato que ressaltou bem a importância desses avanços foi a decisão das nações que haviam triunfado no conflito que recém terminara, de levar à barra do tribunal figuras de liderança do regime nazista. Pela primeira vez na história, os líderes de uma nação soberana – homens que tentaram argüir a constitucionalidade das posições políticas que haviam ocupado – foram levados perante uma corte pública, onde seus crimes foram analisados e documentados sem indulgência, e condenados legalmente; aqueles que não escaparam pelo suicídio foram enforcados ou condenados a longos períodos de prisão. Nenhum protesto sério fora levantado contra este procedimento, o qual, teoricamente, constituiu-se numa transformação fundamental da aplicação das formas existentes de leis internacionais. Embora a integridade dos procedimentos tenha sido gravemente prejudicada pela participação de juizes designados pela ditadura soviética, cujos crimes se igualaram ou até excederam aos do regime dos acusados, o fato criou um precedente histórico. Demonstrou, pela primeira vez, que o fetiche da “soberania nacional” tem limites legais e reconhecidos.
Começando naqueles mesmos anos, o cumprimento de um ideal longamente sonhado se concretizou com a dissolução dos grandes impérios que não haviam meramente sobrevivido a 1918, mas haviam conseguido até mesmo ampliar seu poder através da aquisição de “mandatos”, “protetorados” e colônias, tomados dos poderes derrotados. Agora, esses sistemas antiquados de opressão política estavam submersos diante da onda que surgia de movimentos de liberação nacional, muito além de suas fracas capacidades de resistência. Com surpreendente rapidez, todos eles, ou voluntariamente abandonaram suas reivindicações ou foram forçados, pelas rebeliões nas colônias, a se submeterem ao mesmo fado que havia derrubado seus antecessores otomanos e hapsburgos no início do século.
Subitamente, os povos do mundo tinham ao seu dispor um lugar onde podiam ser recebidos com dignidade, um fórum no qual podiam expressar as preocupações que mais os afligiam, e o tênue começo de uma participação oficial na tomada de decisões sobre seu próprio futuro e o da humanidade em geral. Uma mudança completa de rumo ocorrera, deixando para trás seis ou mais milênios de história. Apesar de todas as inalteradas desvantagens educacionais, das iniqüidades econômicas e das obstruções criadas pelas manobras políticas e diplomáticas – apesar de todas estas limitações práticas, porém historicamente transitórias – uma nova autoridade entrava em ação no palco dos assuntos humanos, à qual todos podiam razoavelmente esperar poder recorrer. Representantes de povos outrora subjugados, cujos guerreiros, exoticamente vestidos, desfilaram no final da procissão do Jubileu de Ouro em Londres havia apenas cinco décadas, começavam agora a aparecer como delegados no Conselho de Segurança e ocupantes de postos elevados nas Nações Unidas e em Organizações Não-Governamentais de todo tipo. A magnitude da mudança é talvez melhor simbolizada pelo fato de que o Secretário-Geral das Nações Unidas atualmente é um nativo de Gana, e seus dois predecessores, cidadãos nativos, respectivamente, do Egito e do Peru.94
Mas esta transformação não foi meramente de caráter formal ou administrativo. Com o passar do tempo, um número crescente de figuras de destaque em todos os campos de atividade humana iriam superar os conhecidos limites de identidade racial, cultural ou religiosa. Em todos os continentes do globo, nomes como os de Anne Frank, Martin Luther King Jr., Paulo Freire, Ravi Shankar, Gabriel García Marques, Kiri Te Kanawa, Andrei Sakharov, Madre Teresa e Zhang Yimou, tornaram-se fontes de inspiração e encorajamento para grandes números de seus concidadãos.95 Em todos os setores da vida, o heroísmo, a excelência profissional ou a distinção moral cada vez mais falavam por si mesmos, merecendo abraços calorosos da generalidade da humanidade. A onda mundial de afeição e regozijo decorrente da libertação de Nelson Mandela da prisão, e sua subseqüente eleição como presidente de seu país, despertaria em todos os povos, raças e nações a certeza de que aqueles eventos históricos representavam vitórias da família humana como um todo.
Tornou-se evidente, também, que as concepções de antes da guerra, com relação ao uso e distribuição da riqueza, teriam de ser reavaliadas. À parte dos princípios de justiça social, o que sem dúvida influenciou um significativo número daqueles que tratavam dessa área, as deslocações econômicas produzidas pelos eventos das três décadas anteriores, tinham deixado claro que as normas existentes estavam ultrapassadas e mostravam-se ineficazes. Experiências para resolver tais problemas a nível nacional haviam sido tentadas em muitos países para enfrentar a Depressão durante os anos trinta. Agora, um sistema interativo de instituições, obrigadas a reconhecer que as economias nacionais constituem elementos de um todo global, estava dia a dia sendo desenvolvido e colocado em operação. O Fundo Monetário Internacional, o Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio, o Banco Mundial e várias agências subsidiárias, começaram, embora tardiamente, a lutar contra as implicações de um mundo em integração, e com assuntos relacionados à distribuição da riqueza inerente nesse desenvolvimento. Pensadores em países em desenvolvimento não demoraram em dar destaque a tais iniciativas, que buscavam atender, primariamente, às necessidades do mundo Ocidental. No entanto, seu surgimento marcou uma mudança fundamental de direção, a qual iria permitir, cada vez mais, a participação de uma ampla gama de estados e instituições.
Uma iniciativa humanitária de um tipo jamais concebido abriu ainda outra dimensão para a ocorrência da integração global. Começando com o “Plano Marshall”, criado pelo governo dos Estados Unidos para reabilitar as nações européias prejudicadas com a guerra, aquelas nações que foram capazes de conseguir sua reabilitação deram séria atenção a programas que podiam fomentar o desenvolvimento social e econômico das nações emergentes. Ampla publicidade despertou um senso de solidariedade para com o restante do mundo, por parte de pessoas em terras que gozavam de razoáveis níveis de educação, saúde e aplicação da tecnologia. Com o tempo, esta iniciativa ambiciosa chegou a ser condenada por causa das segundas intenções atribuídas a ela. Ninguém pode negar que os resultados a longo prazo dos projetos de desenvolvimento foram lamentavelmente desapontadores, ao falharem na resolução do problema do enorme distanciamento social entre ricos e pobres. Mas há que se reconhecer que nenhuma destas circunstâncias pode obscurecer a consciência humanitária de seus objetivos, que falou, mais eloqüentemente talvez, na resposta que evocou de um exército de jovens idealistas em muitas terras.
Paradoxalmente, no Oriente Médio particularmente, até a própria guerra teve um certo efeito na consciência das pessoas. Já em 1904, o conflito russo-japonês fora visto, em algumas partes do Oriente, como uma evidência animadora de que povos não-ocidentais podiam resistir ao aparentemente invencível poder do Ocidente. O efeito fora ressaltado pelos eventos da Primeira Guerra Mundial e avançou significativamente com o sucesso das armas japonesas em enfrentar, por tão longo tempo, o esforço maciço ocidental para derrotá-las durante o período de 1941-1945. A segunda metade do século viu este novo conhecimento tecnológico dar nascimento às economias modernas em meia dúzia de nações da região, cujos produtos inovadores e energia industrial, particularmente nas áreas de transporte e informática, permitiram-lhes usufruir por si mesmas o que de melhor o restante do mundo podia oferecer.

?

Em 1946, o fim das hostilidades abriu o caminho para o lançamento de um segundo Plano de Sete Anos por Shoghi Effendi, plano este que se beneficiou da nova receptividade que a mensagem da Fé produziu, com uma mudança de consciência que já estava evidente. Mais uma vez, a comunidade bahá’í norte americana foi chamada a assumir o peso da responsabilidade, essencialmente fundamentada nas realizações do Plano anterior e ampliando as mesmas. A grande diferença, no entanto, foi que muitas outras comunidades bahá’ís estavam agora em condição de participar. Já em 1938, os bahá’ís da Índia, Paquistão e Birmânia tinham iniciado um plano de sua própria iniciativa. As hostilidades internacionais gradualmente chegaram ao fim, as Assembléias Espirituais Nacionais da Pérsia, das Ilhas Britânicas, da Austrália e Nova Zelândia, da Alemanha e Áustria, do Egito e Sudão, e a do Iraque – liberadas das limitações que lhes foram impostas pela guerra – embarcaram em projetos de várias durações para expandir a base da Ordem Administrativa, estabelecendo pioneiros em metas tanto internas como no exterior e multiplicando também a literatura bahá’í disponível.
Em 1953, todos esses empreendimentos tinham sido inteiramente concluídos. Três novas Assembléias Espirituais Nacionais foram estabelecidas e haviam, também, adotado planos de ensino suplementares; uma série de novas Assembléias Espirituais Locais foram formadas na Europa; iniciativas de cinco diferentes comunidades nacionais, atuando sob a coordenação da Assembléia Espiritual Nacional das Ilhas Britânicas, levaram ao estabelecimento de pioneiros na África oriental e ocidental, e o grande projeto iniciado pelo Mestre, com a colocação da pedra fundamental do Templo Mãe do Ocidente, fora, por fim, concluído.96
Antes que os crentes pudessem comemorar estas realizações, um novo desafio de dimensões pasmosas foi lançado por Shoghi Effendi. Impelido pelas forças históricas que somente ele tinha condições de avaliar devidamente, o Guardião anunciou o lançamento, no Ridván que estava por vir, de um Plano mundial com a duração de dez anos, que ele chamou de “Cruzada Espiritual”. Reunindo as energias de todas as doze Assembléias Espirituais Nacionais então existentes – a décima segunda sendo a da comunidade ítalo-suíça – o plano previa o estabelecimento da Fé em cento e oitenta e um países e territórios adicionais, juntamente com a formação de quarenta e quatro novas Assembléias Espirituais Nacionais, o registro jurídico de trinta e três delas, um vasto aumento na literatura bahá’í, a construção de Casas de Adoração no Irã e na Alemanha (sendo a primeira substituída pelos Templos tanto na África como na Austrália, quando o projeto de Teerã foi bloqueado), e a expansão do número de Assembléias Espirituais Locais no mundo para um total de cinco mil, das quais trezentos e cinqüenta deveriam ter registros jurídicos. Nada, em sua experiência coletiva, havia preparado os bahá’ís do mundo para tão colossal empreendimento. A magnitude do desafio foi definida por Shoghi Effendi em um cabograma de 8 de outubro de 1952:
Sinto a hora propícia para proclamar ao inteiro mundo bahá’í o lançamento previsto... a Cruzada Espiritual decisiva, arrebatadora, que abarcará o mundo inteiro e durará uma década, envolvendo... a participação conjunta de todas as Assembléias Espirituais Nacionais do mundo bahá’í, visando a expansão imediata do domínio espiritual de Bahá’u’lláh... em todos os remanescentes estados soberanos, territórios dependentes incluindo principados, sultanatos, emirados, territórios de xeques, protetorados, territórios em mandato e colônias coroadas espalhadas por toda a superfície do planeta. O inteiro corpo de fiéis apoiadores da triunfante Fé de Bahá’u’lláh é agora convocado para realizar, em uma única década, feitos que eclipsarão totalmente as realizações que durante o curso das onze décadas precedentes iluminaram os anais do pioneirismo bahá’í.97
Vitória em tão ambicioso empreendimento iria significar que a Fé abrangeria o globo inteiro, que as bases institucionais de sua Ordem Administrativa expandir-se-iam pelo menos cinco vezes mais e que sua vida comunitária seria enriquecida com a participação de crentes oriundos de um vasto número de culturas, nações e tribos ainda não representadas na Causa.
Com efeito, o Plano exigia que a Causa desse um salto gigantesco sobre o que, de outra forma, representaria muitos estágios de sua evolução. O que Shoghi Effendi viu claramente – e algo que somente os poderes de previsão inerentes na Guardiania possibilitavam ver – foi que uma conjunção histórica de circunstâncias apresentava à comunidade bahá’í uma oportunidade que não voltaria novamente e da qual o sucesso de futuros estágios no desenvolvimento do Plano Divino dependeria inteiramente. O que ele não hesitou em chamar de “uma convocação do Senhor das Hostes” foi incorporado em uma mensagem que arrebatou a imaginação dos bahá’ís em todas as partes do mundo:
Não importa quão longo seja o período que os separe da vitória final; embora árdua a tarefa e extraordinários os esforços deles exigidos; por mais obscuros que sejam os dias que a humanidade, perplexa e severamente testada, deva atravessar; por mais severas as provações através das quais aqueles que deverão redimir seus destinos ver-se-ão confrontados. ... Eu os adjuro, pelo sangue precioso derramado em grande profusão pelas vidas de inumeráveis santos e heróis que foram imolados, pelo supremo e glorioso sacrifício do Profeta Arauto de nossa Fé, pelas tribulações suportadas voluntariamente por Seu Fundador para que Sua Causa pudesse viver, Sua Ordem redimir um mundo despedaçado e sua glória difundir-se por todo o planeta – eu os adjuro, nesta hora solene que se aproxima, que resolvam jamais recuar, jamais hesitar, jamais descansar, até que cada um e todos os objetivos dos Planos a serem proclamados posteriormente sejam inteiramente consumados.98
A resposta foi imediata. Dentro de poucos meses mensagens do Centro Mundial começaram a compartilhar notícias de uma sucessão de vitórias em todos os países. Aqueles pioneiros que conseguiram estabelecer a Fé pela primeira vez em um país ou território ainda virgem à Causa foram chamados de “Cavaleiros de Bahá’u’lláh” e seus nomes escritos em um Rol de Honra destinado, no futuro, a ser depositado, como definido pelo Guardião, sob o limiar da entrada do Santuário de Bahá’u’lláh. Nada comprova, porém, tão dramaticamente a presciência incorporada nos sucessivos Planos de Shoghi Effendi do que o fato que em cada uma das novas nações criadas depois da Segunda Guerra Mundial, comunidades bahá’ís e Assembléias Espirituais já faziam parte da estrutura da vida nacional de cada país.
Uma sucessão brilhante de realizações seguiu-se a estas iniciais. Em outubro de 1957, quando a Fé já estava estabelecida em mais de duzentos e cinqüenta países e territórios, Shoghi Effendi pôde anunciar a compra de propriedades para locais de dez novos templos e o início das obras de construção das Casas de Adoração em Kampala, Sidney e Frankfurt; a aquisição de propriedades para quarenta e seis dos Hazíratu’l-Quds aprovados no Plano; um vasto aumento na produção de literatura bahá’í; registros jurídicos de novas Assembléias, elevando o número total para cento e noventa e cinco; o crescente reconhecimento do casamento bahá’í e dos Dias Sagrados Bahá’ís; e o progresso na construção dos Arquivos Bahá’ís Internacionais, o primeiro edifício a ser construído no amplo arco que o Guardião havia traçado na encosta do Monte Carmelo. Ninguém que analise os eventos daqueles dias poderá deixar de se comover profundamente com a atenção paternal com a qual Shoghi Effendi assegurou a realização desses resultados de elevada magnitude, como refletida em sua meticulosa lista nominal, na última mensagem que escreveu sobre a Cruzada, em abril de 1957, de cada um das sessenta e três conferências regionais de ensino e institutos realizados naquele ano no mundo bahá’í.
Tal análise seria incompleta sem um entendimento dos desenvolvimentos paralelos da Ordem Administrativa a nível internacional que o Guardião empreendeu durante aqueles anos. Tais ações provaram-se cruciais, não apenas para ganhar a Cruzada, mas também para consolidar e proteger o futuro da Causa. Juntamente com a autoridade de tomada de decisão outorgada às instituições eleitas da Fé, uma função paralela da Ordem Administrativa é exercer uma influência espiritual, moral e intelectual, tanto sobre as instituições como sobre as vidas dos membros individuais da comunidade. Concebida pelo próprio Bahá’u’lláh, essa responsabilidade de “difundir as Fragrâncias Divinas, elevar as almas dos homens, promover a educação, aperfeiçoar o caráter de todos os homens...” foi investida pela Última Vontade e Testamento do Mestre particularmente nas Mãos da Causa de Deus.99
Durante os ministérios tanto de Bahá’u’lláh como de ‘Abdu’l-Bahá, aqueles crentes aos quais foi dada tão elevada posição haviam desempenhado um papel crucial no avanço do trabalho de ensino no Oriente. Com a concepção da Cruzada de Dez Anos em sua mente, Shoghi Effendi passou a mobilizar o apoio espiritual que essa instituição podia trazer para a realização das tarefas do Plano. Em um cabograma de 24 de dezembro de 1951, ele anunciou a designação do primeiro contingente de doze Mãos da Causas de Deus, alocados em número igual para o trabalho na Terra Santa, na Ásia, nas Américas e na Europa. Esses distinguidos servos da Causa foram convocados a se concentrarem diretamente sobre o desafio de mobilização das energias dos amigos e proverem aos corpos eleitos encorajamento e conselho. Em seguida, o número de Mãos da Causa foi elevado de doze para dezenove.
Os recursos disponíveis para se desincumbirem desta responsabilidade foram grandemente aumentados pela decisão do Guardião, em outubro de 1952, convocando os Mãos da Causa a criar cinco corpos auxiliares, um para cada continente: aqueles nas Américas, Europa e África, consistindo de nove membros cada, enquanto aqueles na Ásia e Australásia, tendo sete e dois, respectivamente. Subseqüentemente, corpos auxiliares separados foram criados para ajudar na proteção da Fé, a outra das duas principais funções das Mãos da Causa.
Uma mensagem de 3 de junho de 1957 comemorou a ação do governo israelita ao executar a decisão final da corte de apelação daquele país, pela qual o grupo sobrevivente dos rompedores do Convênio foi, finalmente, despejado da área do Haram-i-Aqdas, o ponto central do mundo bahá’í em Bahjí.100 Apenas um dia depois, porém, um segundo cabograma anunciava ominosamente a necessidade urgente das principais instituições da Fé de agirem de forma unida para protegê-la de novos perigos que o Guardião percebeu estavam se formando no horizonte. Tal anúncio foi seguido, em outubro, por uma mensagem informando que o número das Mãos da Causa de Deus havia sido elevado de dezenove para vinte e sete, designando esses crentes especiais como “Porta-Estandartes Principais da embrionária Comunidade Mundial de Bahá’u’lláh”, e encarregando-os da responsabilidade de consultarem com as Assembléias Espirituais Nacionais sobre as medidas urgentemente necessárias para a proteção da Fé.
Menos de um mês depois, o mundo bahá’í ficou arrasado com a notícia da morte de Shoghi Effendi, em 4 de novembro de 1957, em decorrência de complicações que se seguiram a um ataque de gripe asiática contraída durante uma visita a Londres. O Centro da Causa, que por trinta e seis anos guiara dia a dia sua evolução, cuja visão englobava o fluxo de eventos e as ações que a comunidade bahá’í deveria tomar, e cujas mensagens de orientação e estímulo haviam sido a linha mestra espiritual de incontáveis bahá’ís no planeta, havia subitamente partido, deixando a grande Cruzada pela metade e o futuro da Ordem Administrativa em crise.

?

A aflição e o sentimento acabrunhador de desolação produzido pela perda do Guardião, tornam ainda maior a importância do triunfo do Plano que ele havia concebido e inspirado. Em 21 de abril de 1963, os votos de delegados de cinqüenta e seis Assembléias Espirituais Nacionais, incluindo quarenta e quatro novos corpos convocados e vitoriosamente formados durante a Cruzada de Dez Anos, trouxeram à existência a Casa Universal de Justiça, o corpo governante da Causa concebido por Bahá’u’lláh e assegurado por Ele inequivocamente da guia Divina no exercício de suas funções:
Incumbe aos Fideicomissários da Casa de Justiça, em conjunto, consultarem a respeito daqueles assuntos que não foram revelados ostensivamente no Livro, e fazerem vigorar o que lhes aprouver. Deus, em verdade, inspirar-lhes-á qualquer coisa que deseje, e Ele, em verdade, é Quem provê, o Onisciente.101
Afigurou-se ser especialmente condigno que a eleição – realizada pelos delegados reunidos e por aqueles que enviaram seu voto pelo correio – tenha ocorrido no lar onde viveu o Mestre, Cuja Última Vontade e Testamento havia descrito, cerca de sessenta anos antes, a razão de ser e o alcance da autoridade outorgada àquela instituição, nas seguintes palavras de Bahá’u’lláh:
Ao Livro Sacratíssimo devem todos se dirigir, e qualquer coisa que nele não esteja expressamente tratada deve ser referida à Casa Universal de Justiça. O que essa Casa resolver, quer seja por unanimidade, quer por maioria, será realmente a Verdade e a expressão da própria Vontade Divina. Qualquer um que se divirja dessa resolução é, em verdade, dos que amam a discórdia, está mostrando malícia e se afastando do Senhor do Convênio.102
Um importante passo preliminar para a eleição havia sido tomado por Shoghi Effendi em 1951, com a indicação dos membros do Conselho Internacional para ajudá-lo em seu trabalho. Em 1961, como explicou seria o caso, o segundo passo no processo foi tomado quando essa instituição evoluiu para um Conselho de nove membros, eleito pelos membros das Assembléias Espirituais Nacionais. Conseqüentemente, quando a Cruzada de Dez Anos chegou vitoriosamente a sua conclusão em 1963, o mundo bahá’í já ganhara importante experiência para o ato desafiador que foi, então, chamado a realizar.
Os historiadores não hesitarão em reconhecer o mérito das Mãos da Causa de Deus por terem mobilizado os esforços que tornaram esse momento possível, provendo a coordenação da qual a perda da liderança do Guardião privara o mundo bahá’í. Viajando incansavelmente pelo mundo para promover o Plano de Shoghi Effendi, reunindo-se em conclaves anuais para prover encorajamento e informação, inspirando os esforços de seus recém-criados auxiliares e afastando as tentativas de um novo grupo de rompedores do Convênio que visavam minar a unidade da Fé, esta pequena companhia de homens e mulheres enlutados conseguiu assegurar que os ambiciosos objetivos da Cruzada fossem alcançados no tempo previsto e que a base necessária fosse erigida, pronta para a eleição da unidade culminante da Ordem Administrativa. Ao solicitarem que seus próprios membros fossem dispensados de serem eleitos para a Casa Universal de Justiça, para que pudessem realizar as tarefas determinadas a eles pelo Guardião, as Mãos da Causa também dotaram ao mundo bahá’í, como um segundo grande legado, uma distinção espiritual sem precedente na história humana. Nunca antes haviam pessoas como elas, cujas mãos retinham o poder supremo de uma grande religião e que recebiam de sua inteira comunidade um reconhecimento incomparável, solicitado não serem consideradas para participação no exercício da autoridade suprema, colocando-se inteiramente a serviço do Corpo a ser escolhido pela comunidade de seus irmãos de fé para desempenhar este papel.103
POR MAIOR QUE SEJA A DISTÂNCIA entre a Guardiania e a posição única do Centro do Convênio, o papel desempenhado por Shoghi Effendi após o passamento do Mestre se destaca como singular na história da Causa. Continuará a ocupar este ponto focal na vida da Fé através dos séculos. Em importantes aspectos, Shoghi Effendi prorrogou, por um período adicional e crítico de trinta e seis anos, a influência da mão orientadora do Mestre na construção da Ordem Administrativa e na expansão e consolidação da Fé de Bahá’u’lláh. Imagine-se apenas qual poderia ter sido o destino da infante Causa de Deus se não estivesse sob o pulso firme, durante um período em que maior era sua vulnerabilidade, de alguém que fora preparado para esse propósito pelo próprio ‘Abdu’l-Bahá e que aceitou servir – no mais amplo sentido da palavra – como seu Guardião.
Embora enfatizando ao corpo de seus irmãos de fé que os Sucessores gêmeos do Mestre eram “inseparáveis” e “complementares” nas funções para as quais foram individualmente designados, é claro que Shoghi Effendi desde logo aceitou as implicações do fato de que a Casa Universal de Justiça não podia ser formada até que um longo processo de desenvolvimento administrativo fosse realizado, para criar a estrutura necessária de Assembléias Espirituais Nacionais e Locais. Ele foi muito franco com a comunidade bahá’í em relação às implicações do fato dele ter sido chamado a exercer sozinho sua suprema responsabilidade. Em suas próprias palavras:
Sem poder contar com a instituição não menos essencial da Casa Universal de Justiça, este mesmo Sistema do Testamento de ‘Abdu’l-Bahá ficaria paralisado em sua ação e seria incapaz de suprir aquelas lacunas que o Autor do Kitáb-i-Aqdas deixou, deliberadamente, no conjunto de Suas provisões legislativas e administrativas.104
Consciente desta verdade, Shoghi Effendi realizou todo o seu trabalho escrupulosamente atento às limitações colocadas sobre ele pelas circunstâncias, com uma fidelidade que seria o orgulho dos seguidores de Bahá’u’lláh por todas as eras futuras. O registro de seus trinta e seis anos de serviços à Fé – um registro, como o de Seu avô, que estará aberto à posteridade para análise – não contém, como ele próprio assegurou à comunidade bahá’í, nenhuma ação de sua parte que pudesse, em qualquer grau, “transgredir o domínio sagrado e inviolável” da Casa Universal de Justiça. Não é que Shoghi Effendi tenha apenas se refreado de legislar; ele foi capaz de cumprir seu mandato introduzindo apenas determinações provisórias, deixando a decisão em tais assuntos inteiramente para a Casa Universal de Justiça.
Em parte alguma este autodomínio é mais impressionante do que na questão central de um sucessor da Guardiania. Shoghi Effendi não tinha herdeiros próprios, e outros ramos da família sagrada haviam violado o Convênio. Os Escritos Bahá’ís não contêm orientação alguma quanto a essa eventualidade, mas a Última Vontade e Testamento do Mestre é explícita quanto à forma de como seriam resolvidos os assuntos sobre os quais pairasse alguma dúvida:
Incumbe a esses membros (da Casa Universal de Justiça) reunir-se num certo lugar e deliberar sobre todos os problemas que tenham causado divergências, sobre questões obscuras e assuntos não expressamente tratados no Livro. O que quer que eles decidam tem o mesmo efeito do próprio Texto.105
Em conformidade com esta orientação da pena do Centro do Convênio, Shoghi Effendi permaneceu silente, deixando a questão de seu sucessor, ou sucessores, nas mãos do único Corpo autorizado para determinar a respeito. Cinco meses após seu estabelecimento, a Casa Universal de Justiça esclareceu o assunto em uma mensagem, de 6 de outubro de 1963, a todas as Assembléias Espirituais Nacionais:
Após um estudo minucioso e profundo dos Textos Sagrados... e após prolongada consideração... a Casa Universal de Justiça chegou à conclusão de que não existe uma forma de indicar ou legislar para tornar possível designar um segundo Guardião para suceder a Shoghi Effendi.106
Ao embarcar em uma missão para a qual não houvera precedente na História, sobre a qual pudesse se basear, Shoghi Effendi não tinha onde buscar orientação a não ser nos Escritos dos Fundadores da Fé e no exemplo da própria vida do Mestre, para o trabalho que dele era exigido. Nenhum corpo de consultores podia determinar-lhe o significado dos Textos que ele devia interpretar para a comunidade bahá’í, que nele depositara toda a confiança. Embora fosse leitor assíduo das obras existentes de historiadores, economistas e pensadores políticos, tais pesquisas não podiam lhe suprir nada mais que o material básico que sua visão inspirada da Causa devia então organizar. A confiança e a coragem exigidas para a mobilização de uma comunidade heterogênea de crentes – para realizar tarefas que estavam, de um ponto de vista bem prático, muito além de suas capacidades – somente podiam ser encontradas nas fontes espirituais de seu próprio coração. Nenhum observador desapaixonado do século vinte, por mais céptico que seja quanto a assuntos religiosos, deixará de reconhecer que a integridade com que esse homem, jovem, nos primeiros anos da terceira década de sua vida, ao aceitar tão assustadora responsabilidade – e a magnitude da vitória que ele conquistou – são evidências de um imenso poder espiritual inerente à Causa que ele promoveu.
Tal reconhecimento leva à compreensão de que as capacidades com as quais o Convênio havia dotado a Guardiania não foram fórmulas mágicas. O trabalho bem sucedido que realizou comprova, como Rúhíyyih Khánum descreveu de forma emocionante, um processo interminável de provações, avaliações e aprimoramento. A pessoa fica estupefata diante da precisão com a qual Shoghi Effendi analisava os processos sociais e políticos nos primeiros estágios de seus desenvolvimentos, e a maestria com que sua mente abrangia um caleidoscópio de eventos, tanto atuais como históricos, relacionando suas implicações com o desdobramento da Vontade da Providência Divina. Que esse trabalho intelectual fosse realizado em um nível muito acima do que a mente humana normalmente opera, não torna o esforço menos real ou menos estressante. Melhor dizendo, considerando sua visão da natureza humana e da motivação humana, que era um aspecto inseparável da instituição que Shoghi Effendi representava, o oposto era o caso.107
Em uma análise dos mais de quarenta anos desde o passamento de Shoghi Effendi, a importância de seu trabalho, a longo prazo, na evolução da Ordem Administrativa, começa a transparecer com uma clareza impressionante. Tivessem sido diferentes as circunstâncias, a Última Vontade e Testamento do Mestre havia deixado aberta a possibilidade de que um ou mais sucessores pudessem dar seguimento à instituição que Shoghi Effendi incorporava. Nós, obviamente, não podemos penetrar na mente de Deus. O que é claro e inegável, porém, é que, através de sua autoridade de interpretação, a estrutura da Ordem Administrativa, como também o curso que seu futuro desenvolvimento seguiria, haviam sido permanentemente fixados pelo cumprimento por Shoghi Effendi – em todos os menores detalhes e na extensão máxima imaginável – do mandato a ele concedido pelo Mestre. Igualmente claro e inegável é o fato de que tanto a estrutura como o curso representam a Vontade de Deus.
COMO SHOGHI EFFENDI HAVIA profeticamente previsto, as forças destrutivas das convicções e sistemas herdados, de todos os tipos, cresciam continuamente, avançando passo a passo com os processos de integração em desenvolvimento no mundo. Não é surpresa, portanto, que a euforia induzida pela restauração da paz, tanto na Europa como no Oriente, provou ser de curtíssima duração. Nem bem haviam as hostilidades terminado, quando divisões ideológicas entre o Marxismo e a democracia liberal irromperam em tentativas de assegurar o domínio nos respectivos blocos de nações que inspiravam. O fenômeno da “Guerra Fria”, na qual a luta pelo predomínio parou bem próxima de um conflito militar, emergiu como o paradigma que iria prevalecer durante as próximas décadas.
A ameaça imposta por uma nova crise na ordem internacional cresceu com os avanços na tecnologia nuclear e pelo sucesso de ambos os blocos de nações em se equiparem com um arsenal cada vez maior de armas de destruição em massa. As imagens horríveis de Hiroshima e Nagasaki haviam despertado a humanidade à terrível possibilidade de uma série de relativamente menores infortúnios, tão imprevistos quanto o processo que teve início com o incidente de Sarajevo em 1914, os quais poderiam desta vez levar à aniquilação de uma parte considerável da população do mundo e deixar grandes áreas do globo inabitáveis. Para os bahá’ís, essa possibilidade podia somente fazer lembrar as advertências sombrias feitas por Bahá’u’lláh algumas décadas antes: “Coisas estranhas e surpreendentes existem na terra, mas se ocultam das mentes e da compreensão dos homens. Essas coisas são capazes de transformar toda a atmosfera da terra, e sua contaminação provará ser letal”.108
Mais que tudo, a maior tragédia resultante desta última disputa pelo domínio do mundo foi a influência nefasta que teve sobre as expectativas de uma oportunidade que os povos antes dominados acreditavam ter alcançado, para construir uma nova vida de acordo com suas próprias deliberações. A determinação obstinada de alguns dos poderes colonialistas sobreviventes para suprimir tais expectativas, embora fadados, aos olhos de um observador atento, a fracassarem, deixaram sem recurso muitos países que sonhavam alcançar a libertação almejada, sendo obrigados a assumirem uma posição de luta revolucionária. Nos anos sessenta, tais movimentos, que haviam sido uma característica da paisagem política durante as décadas anteriores, começavam a ser a forma principal de atividade política interna em muitas das nações subjugadas.
Considerando que a força impulsora do próprio colonialismo era a exploração econômica, foi talvez inevitável que muitos dos movimentos de libertação assumissem amplamente a ideologia socialista. Dentro de apenas poucos anos, essas circunstâncias haviam criado um solo fértil para a exploração pelas superpotências do mundo. Para a União Soviética, a situação parecia oferecer uma oportunidade para induzir uma mudança no vigente alinhamento de nações, conseguindo uma influência preponderante naquilo que começava a ser chamado de “Terceiro Mundo”. A resposta do Ocidente – sempre que falhava a assistência para o desenvolvimento em manter a lealdade das populações ajudadas – foi recorrer ao estímulo e à provisão de armamentos a uma grande variedade de regimes autoritários.
Enquanto forças externas manipulavam novos governos, a atenção se voltava cada vez mais de uma consideração objetiva das necessidades de desenvolvimento para disputas ideológicas e políticas que pouca ou nenhuma relação tinham com a realidade social ou econômica. Os resultados foram uniformemente devastadores. A falência econômica, as flagrantes violações dos direitos humanos, a derrocada da administração civil e o surgimento de elites oportunistas, que viam no sofrimento de seus países apenas oportunidades de enriquecimento – tal era o lamentável destino que engolfava, uma após outra, as novas nações, as quais apenas alguns anos antes, haviam iniciado uma vida tão promissora.
Inspirando essas crises econômicas, sociais e políticas, estavam o crescimento inexorável e a consolidação de uma doença da alma humana infinitamente mais destrutiva que qualquer de suas manifestações específicas. Seu triunfo marcou um novo e assustador estágio no processo da degeneração espiritual e social que Shoghi Effendi havia identificado. Com base no pensamento europeu do século dezenove, adquirindo enorme influência através das realizações da cultura capitalista americana, e alimentada pelo Marxismo, com a falsa credibilidade peculiar àquele sistema, o materialismo emergiu com um impacto enorme na segunda metade do século vinte como uma espécie de religião universal, reivindicando autoridade absoluta tanto na vida individual como social da humanidade. Seu credo era a própria simplicidade. A realidade – incluindo a realidade humana e o processo através do qual evolui – seria essencialmente de natureza material. O objetivo da vida humana seria, ou deveria ser, a satisfação das necessidades e dos desejos materiais. A sociedade existe para facilitar esta busca, e a preocupação coletiva da humanidade deveria ser um aprimoramento contínuo do sistema para dar resultados cada vez mais eficazes na realização de suas tarefas determinadas.
Com o colapso da União Soviética, os impulsos para criar e promover qualquer sistema formal de crença materialista desapareceram. Nem iriam servir tais esforços a qualquer propósito útil, já que o materialismo logo iria passar por uma mudança significativa em muitas partes do mundo. A religião, onde não havia retrocedido à condição de fanatismo e impensada rejeição ao progresso, foi progressivamente reduzida a uma espécie de preferência pessoal, uma predileção, um objetivo criado para satisfazer as necessidades emocionais e espirituais do indivíduo. O senso de missão histórica, que havia caracterizado as principais Fés, teve de contentar-se em apenas prover apoio religioso para campanhas de mudança social realizadas por movimentos seculares. O mundo acadêmico, que fora o cenário das grandes explorações da mente e do espírito, fixou-se no papel de uma espécie de indústria escolástica preocupada apenas com sua maquinaria de dissertações, simpósios, reconhecimento e premiação de suas publicações.
Seja como visão mundial ou como um simples anseio, o efeito do materialismo é afastar da motivação humana – e mesmo do interesse das pessoas – os impulsos espirituais que distinguem a alma racional. “Pois o amor próprio”, disse ‘Abdu’l-Bahá, “é misturado ao próprio barro do homem e não é possível que, sem qualquer esperança de uma recompensa substancial, ele negligencie seus próprios bens materiais atuais”.109 Na ausência de convicções sobre a natureza espiritual da realidade e das realizações que somente ela pode oferecer, não é de se surpreender encontrar no âmago da atual crise da civilização um culto ao individualismo, cada vez mais intenso e que exalta a aquisição e o cultivo das conquistas pessoais como sendo os principais valores culturais. A resultante pulverização da sociedade marcou um novo estágio no processo de desintegração sobre o qual os escritos de Shoghi Effendi falam tão insistentemente.
Aceitar como natural a ruptura dos componentes da estrutura moral que guia e disciplina a vida individual em qualquer sistema social, é um enfoque derrotista da realidade. Se os líderes de pensamento fossem imparciais em sua avaliação das evidências facilmente disponíveis, encontrariam nelas a raiz da causa de tais problemas que aparentemente não se inter-relacionam, como a poluição do meio ambiente, as diferenças econômicas, a violência étnica, a crescente apatia pública, o enorme aumento do crime e as epidemias que arrasam populações inteiras. Por mais importante que seja a aplicação do profissionalismo tecnológico, social e jurídico a tais assuntos, seria utópico imaginar que os esforços nesse sentido irão produzir qualquer recuperação significativa sem uma mudança fundamental na consciência e na conduta moral das pessoas.

?

O que o mundo bahá’í realizou durante esses mesmos anos adquire um brilho adicional contra a cena de fundo deste horizonte obscuro. É impossível exagerar a importância dos esforços que trouxeram à existência a Casa Universal de Justiça. Por aproximadamente seis mil anos, a humanidade conheceu quase que uma ilimitada variedade de métodos para a tomada coletiva de decisões. Observada desde o ângulo de visão do século vinte, a história política do mundo apresenta um cenário de constante mudança no qual nada havia que não fosse experimentado pelo engenho humano. Os sistemas baseados em princípios tão diferentes como teocracia, monarquia, aristocracia, oligarquia, república, democracia e quase anarquia têm proliferado livremente, junto com inovações sem fim que têm buscado combinar os diferentes e mais desejáveis aspectos dessas possibilidades. Embora muitas das opções tenham levado a abusos de uma espécie ou outra, a grande maioria, sem dúvida, contribuiu, em graus diferentes, para a realização das esperanças daqueles cujos interesses elas pretensiosamente buscavam servir.
Durante este longo processo evolucionário, populações cada vez maiores e mais diversificadas passaram ao controle de um ou outro sistema de governo, com a tentação de um império universal repetidamente presente na imaginação de Césares e Napoleões dirigindo tal expansão. A resultante série de derrotas calamitosas, que deram à história tanto de sua capacidade de fascinar e também aterrorizar, provê evidência inegável de que a realização desta ambição está longe do alcance de qualquer instituição humana, não importando quão grandes sejam os recursos disponíveis, ou quão firme seja sua confiança na genialidade de uma cultura particular.
No entanto, a unificação da humanidade sob um sistema de governo que possa liberar toda o potencial latente na natureza humana e permitir sua expressão em programas para o benefício de todos, é claramente o próximo estágio na evolução da civilização. A unificação física do planeta em nosso tempo e o despertar das aspirações das massas de seus habitantes, por fim produziram as condições que permitem a realização do ideal, embora de uma forma bem diferente daquela imaginada pelos sonhadores imperiais do passado. Nesse sentido, os governos do mundo contribuíram com a fundação da Organização das Nações Unidas, com todas as suas grandes bênçãos e todas as suas lamentáveis limitações.
Em algum lugar no futuro, encontram-se as grandes mudanças que irão, finalmente, levar à aceitação dos princípios de um governo mundial. A Organização das Nações Unidas não possui tal mandato, e nada existe no discurso atual dos líderes políticos que seriamente indique tão radical restruturação da administração dos assuntos do planeta. Que ela virá no tempo devido é uma assertiva que Bahá’u’lláh deixou indubitavelmente clara. Que ainda outro sofrimento maior e novas desilusões serão necessários para levar a humanidade a esse grande salto à frente, parece, infelizmente, ser igualmente claro. Seu estabelecimento exigirá que os governos nacionais e outros centros de poder apóiem uma fonte de poder internacional, de forma incondicional e irreversível, aceitando integralmente a autoridade irrestrita implícita na palavra “governo”.
Este é o contexto no qual os bahá’ís precisam basear-se para apreciar devidamente a vitória singular que a Causa alcançou em 1963 e que vem se consolidando com o passar dos anos. Um entendimento completo de seu significado está além do alcance da presente geração e talvez das próximas gerações de crentes. Assim que um bahá’í entender isso, ele ou ela não se refreará na sua determinação de servir aos seus propósitos.
O processo que levou à eleição da Casa Universal de Justiça – que foi possível graças ao cumprimento vitorioso dos três estágios iniciais do Plano Divino do Mestre, sob a liderança de Shoghi Effendi – certamente constitui a primeira eleição democrática global na história. Cada uma das eleições subseqüentes realizadas desde então tem sido levada a cabo por um corpo cada vez mais amplo e diversificado de delegados escolhidos pelas comunidades nacionais, um desenvolvimento que atualmente chegou ao ponto de incontestavelmente representar a vontade de uma amostra representativa da inteira raça humana. Nada existe na atualidade – nada realmente previsto por qualquer grupo de pessoas – que de alguma forma se assemelhe a este marco histórico.
Quando alguém considera, ainda mais, a atmosfera espiritual que prevalece durante as eleições bahá’ís e a forma, baseada em princípios, determinada para até mesmo as mais simples de suas operações, a pessoa sente-se humilde diante de tão profunda realidade. No soerguimento da instituição governante suprema de nossa Fé, testemunha-se um esforço máximo da capacidade humana para alcançar o bel-prazer de Deus, uma determinação unida e calorosa no sentido de que nada, qualquer que seja o condicionamento cultural ou os impulsos egoístas que possam existir, possa macular a pureza deste supremo ato coletivo. Nada mais, além disso, está ao alcance do poder humano. Por sua ação, a humanidade fez literalmente tudo o que seria capaz de fazer, e Deus, ao aceitar este esforço consagrado de parte daqueles que abraçaram Sua Causa, dota a instituição, assim criada, com aqueles poderes prometidos no Kitáb-i-Aqdas e na Última Vontade e Testamento de ‘Abdu’l-Bahá. Não é de se admirar que ‘Abdu’l-Bahá tenha previsto no processo que levaria ao momento histórico culminante de 1963, no centenário da Declaração pública de Bahá’u’lláh sobre Sua missão, o cumprimento da visão do profeta Daniel: “Abençoado é aquele que espera e chega aos mil trezentos e trinta e cinco dias”. Nas palavras do Mestre:
Pois de acordo com este cálculo um século terá transcorrido desde o alvorecer do Sol da Verdade; então os ensinamentos de Deus estarão firmemente estabelecidos sobre a terra, e a Luz Divina inundará o mundo do Oriente ao Ocidente. Então, neste dia, os fiéis regozijar-se-ão!110
Com o estabelecimento da Casa Universal de Justiça, a segunda das duas instituições sucessoras designadas por ‘Abdu’l-Bahá para garantir a integridade da Causa havia surgido. O vasto volume dos escritos do Guardião e o modelo de vida administrativa que ele criou, e que foram gravados indelevelmente na consciência bahá’í, dotaram o mundo bahá’í com os meios para assegurar uma concordância universal sobre o objetivo da Revelação de Deus. Na Casa Universal de Justiça também repousa a autoridade máxima concebida por Bahá’u’lláh para o exercício das funções de tomada de decisão da Ordem Administrativa. Como a Última Vontade e Testamento explica, as duas instituições compartilham juntas a promessa Divina de guia infalível:
O sagrado e jovem ramo, o Guardião da Causa de Deus, como também a Casa Universal de Justiça, a ser universalmente eleita e estabelecida, estão ambos sob o cuidado e proteção da Beleza de Abhá, sob o abrigo e infalível guia de Sua Santidade, o Excelso (seja minha vida sacrificada por ambos). Qualquer coisa que eles decidam é de Deus.111
O relacionamento entre estes dois centros de autoridade, Shoghi Effendi mais tarde explicou, é de natureza complementar, no qual algumas funções são compartilhadas em comum, e outras, especializadas para cada uma das duas instituições. No entanto, ele foi muito claro ao enfatizar:
Deve ser... claramente entendido por todo o crente que a instituição da Guardiania, sob circunstância alguma, irá ab-rogar, ou, no menor grau que seja, desviar-se dos poderes assegurados à Casa Universal de Justiça por Bahá’u’lláh no Kitáb-i-Aqdas, repetida e solenemente confirmada por ‘Abdu’l-Bahá em Seu Testamento. Não constitui, de forma alguma, uma contradição ao Testamento e aos Escritos de Bahá’u’lláh, nem anula qualquer de Suas determinações reveladas.112
A compreensão de quão singular foi o que Bahá’u’lláh trouxe à existência faz-nos ver mais claramente a contribuição que a Causa pode fazer para a unificação da humanidade e para a construção de uma sociedade global. A responsabilidade imediata quanto ao estabelecimento de um governo mundial repousa nos ombros das nações. O que a comunidade bahá’í é convocada a fazer, neste estágio da evolução social e política da humanidade, é contribuir com todos os meios a seu dispor para a criação das condições que irão estimular e facilitar este enorme e imperioso empreendimento. Da mesma forma que Bahá’u’lláh assegurou aos monarcas de Sua época, ao afirmar: “Não é Nosso desejo apoderar-Nos dos vossos reinos”113, assim também a comunidade bahá’í não tem interesse político, abstém-se de qualquer envolvimento em atividades partidárias e aceita integralmente a autoridade do governo civil em assuntos públicos. Qualquer preocupação que os bahá’ís possam ter com relação às condições atuais ou sobre as necessidades de seus próprios membros é tratada através dos canais oficiais.
O poder que a Causa possui para influenciar o curso da história repousa, desta forma, não somente na potência espiritual de sua mensagem, mas no exemplo que provê. “Tão poderosa é a luz da unidade”, assegura Bahá’u’lláh, “que pode iluminar a terra inteira”.114 A unidade da humanidade incorporada na Fé representa, como Shoghi Effendi enfatizou, “não uma mera explosão de emocionalismo ignorante, ou uma expressão de esperança vaga e piedosa”. A unidade orgânica do corpo de crentes – e a Ordem Administrativa que torna isso possível – são evidências do que Shoghi Effendi chamou de “o poder que a Fé possui de construir uma sociedade”.115. À medida em que a Causa se expanda e as capacidades latentes de sua Ordem Administrativa se tornem cada vez mais evidentes, ela crescentemente atrairá a atenção dos líderes de pensamento, inspirando mentes progressistas com a confiança de que seus ideais serão por fim atingidos. Nas palavras de Shoghi Effendi:
Líderes religiosos, expoentes de teorias políticas, dirigentes de instituições humanas, os quais no momento estão testemunhando com perplexidade e desalento a falência de seus ideais e a desintegração de suas obras, bem fariam em voltar sua atenção para a Revelação de Bahá’u’lláh e meditar sobre a Ordem Mundial que, entesourada em Seus ensinamentos, está vagarosa e imperceptivelmente se desenvolvendo em meio à confusão e ao caos da atual civilização.116
Tal análise deverá focalizar sua atenção no poder que tornou possível alcançar a unidade bahá’í, consolidá-la e mantê-la. “A luz dos homens”, diz Bahá’u’lláh, “é a Justiça”. Seu propósito, ele acrescenta, “é o aparecimento da unidade entre os homens. O oceano da sabedoria divina surge dentro desta palavra elevada”.117 A designação de “Casas de Justiça” dada às instituições que irão governar a Ordem Mundial por Ele concebida, nos níveis local, nacional e internacional, reflete quão importante é este princípio nos ensinamentos da Revelação e na vida da Causa. À medida em que a comunidade bahá’í vai se tornando mais e mais familiar, participando na vida da sociedade, sua experiência oferecerá cada vez mais comprovações da efetividade desta lei crucial para a cura dos incontáveis males que, em última instância, são as conseqüências da desunião que aflige a família humana. “Sabe tu, em verdade”, explica Bahá’u’lláh, “essas grandes opressões que têm sobrevindo ao mundo estão preparando-o para o advento da Suprema Justiça”.118 Claramente, o estágio culminante na evolução da sociedade humana ocorrerá num mundo muito diferente daquele que hoje conhecemos.
O EFEITO IMEDIATO DA CONCLUSÃO da Cruzada de Dez Anos e do estabelecimento da Casa Universal de Justiça foi dar um impulso poderoso ao avanço da Causa. Desta vez, o progresso – que afetou virtualmente todos os aspectos da vida bahá’í – tomou a forma de desenvolvimentos de longo prazo que são melhor apreciados quando o inteiro período, desde 1963, é visto como um todo. Durante estes trinta e sete anos cruciais o trabalho foi avante rapidamente, sempre ao longo de dois caminhos paralelos: a expansão e a consolidação da própria comunidade bahá’í e, juntamente com ela, um crescimento dramático que a influência da Fé veio a exercer na vida da sociedade. Ao mesmo tempo em que o campo das atividades bahá’ís grandemente se diversificava, a tendência de tais esforços sempre contribuía diretamente a um ou outro destes dois desenvolvimentos principais.
Uma decisão tomada pela Casa de Justiça nos primeiros anos daquele período provou ser crucial para todos os aspectos, tanto do ensino como do desenvolvimento administrativo. A conclusão de que não havia sucessor para Shoghi Effendi trouxe com ela o reconhecimento de que não seria mais possível designar novas Mãos da Causa. Quão essenciais são as funções dessa instituição para o progresso da Fé, havia sido demonstrado com uma força inesquecível durante os anos de expectativa entre 1957 e 1963. Por esta razão, e de acordo com o mandato outorgado para criar novas instituições bahá’ís,119 e como as necessidades da Causa exigiam, a Casa de Justiça criou, em junho de 1968, os Corpos Continentais de Conselheiros. Com a finalidade de dar continuidade às funções das Mãos da Causa para a proteção e propagação da Fé, a nova instituição assumiu a responsabilidade de guiar o trabalho dos já existentes Corpos Auxiliares e compartilhou com as Assembléias Espirituais Nacionais a responsabilidade pelo progresso da Fé. As grandes vitórias comemoradas ao final do Plano de Nove Anos, em 1973, esplêndidas em si mesmas, refletiram a extraordinária facilidade com que a nova entidade administrativa havia assumido seus deveres e a alegria com que foi recebida tanto pelos crentes como pelas Assembléias. O momento foi marcado por outro importante desenvolvimento da Ordem Administrativa, a criação do Centro Internacional de Ensino, o corpo que iria encarregar-se de determinadas responsabilidades realizadas pelo grupo de “Mãos da Causa residindo na Terra Santa”, e, deste ponto em diante, coordenar o trabalho dos Corpos de Conselheiros no mundo inteiro.
Prevendo o curso que o crescimento da Causa teria, Shoghi Effendi havia escrito a respeito do “lançamento de empreendimentos mundiais destinados a serem deslanchados em épocas futuras daquela mesma Era [Formativa] pela Casa Universal de Justiça, que iriam simbolizar a unidade e coordenar e unificar as atividades das... Assembléias Nacionais”.120 Estes empreendimentos globais começaram em 1964 com o Plano de Nove Anos, seguido pelo Plano de Cinco Anos (1974), pelo Plano de Sete Anos (1979), pelo Plano de Seis Anos (1986), pelo Plano de Três Anos (1993), pelo Plano de Quatro Anos (1996) e por um Plano de Doze Meses que terminou no final do século. As mudanças nos enfoques que distinguiram esses esforços sucessivos entre um e outro Plano, provêm um referencial útil sobre o crescimento que a Causa alcançava naquelas décadas e as novas oportunidades e desafios que tal crescimento produziu. Muito mais importante que as diferenças entre cada um deles, porém, é o fato de que as atividades solicitadas em cada Plano foram extensões de iniciativas que haviam sido lançadas por Shoghi Effendi, quem, por sua vez, havia puxado e destrinçado os mesmos fios tecidos pelos Fundadores da Fé – a capacitação das Assembléias Espirituais; a tradução, produção e distribuição de literatura; o estímulo à participação universal dos amigos; atenção ao enriquecimento espiritual da vida bahá’í; esforços no sentido do envolvimento da comunidade bahá’í na vida da sociedade; fortalecimento da vida familiar bahá’í; e a educação das crianças e dos jovens. Embora esses vários processos continuem indefinidamente para trazerem ainda novas possibilidades, o fato de que cada um deles se originou no impulso criativo da própria Revelação demonstra que em tudo que a comunidade bahá’í realiza existe uma força unificadora que é tanto o segredo como a garantia de seu sucesso final.
As primeiras duas décadas do processo estiveram entre os mais produtivos períodos que a comunidade bahá’í viveu. Dentro de um período de tempo surpreendentemente breve, o número de Assembléias Espirituais Locais se multiplicou e a diversidade étnica e cultural de seus membros tornou-se, cada vez mais, um aspecto distintivo da vida bahá’í. Embora a falência da sociedade criasse problemas para as instituições administrativas bahá’ís, um efeito paralelo foi a geração de um enorme interesse na mensagem da Causa. No início, a comunidade recebeu o desafio do “ensino às massas”. Em 1967, foi convocada a “lançar, em uma escala global e a todos os segmentos da sociedade humana, uma proclamação intensiva e duradoura da mensagem alvissareira de que o Prometido já chegou...”121
À medida em que os crentes dos centros urbanos se lançaram em campanhas prolongadas para alcançar as massas dos povos do mundo, que vivem em pequenas vilas e em áreas rurais, encontraram uma receptividade à mensagem de Bahá’u’lláh muito além do que se podia imaginar. Embora a resposta normalmente ocorresse de formas bem diferentes daquelas que os instrutores conheciam, os novos declarados foram calorosamente acolhidos na Causa. Dezenas de milhares de novos bahá’ís adentraram a Causa em áreas como a África, Ásia e América Latina, quase sempre representando a maior parte de inteiras vilas rurais. Os anos sessenta e setenta foram dias de glória para a comunidade bahá’í, cujo maior crescimento fora do Irã sempre havia sido vagaroso e lento. Aos amigos no Pacífico, coube a grande distinção de atrair à Causa o primeiro Chefe de Estado, Sua Alteza Malietoa Tanumafili II, de Samoa, uma distinção cuja adequada avaliação somente será possibilitada por futuros eventos.
No âmago de tal desenvolvimento, como tem ocorrido na Causa desde o seu início, estava o comprometimento assumido pelos crentes individualmente. Já durante o ministério de Shoghi Effendi, pessoas de visão haviam tomado a iniciativa de contatar populações indígenas em países como Uganda, Bolívia e Indonésia. Durante o Plano de Nove Anos, números cada vez maiores de tais instrutores foram atraídos ao trabalho, particularmente na Índia, em várias ilhas do Pacífico, no Alasca, e entre os povos nativos do Canadá e nas populações rurais negras do sul dos Estados Unidos. O pioneirismo deu um apoio vital ao trabalho, estimulando o surgimento de grupos de instrutores entre os próprios crentes indígenas.
Mesmo assim, tornou-se logo aparente que unicamente a iniciativa individual, embora inspirada e ativa, não podia atender adequadamente às oportunidades que se abriam cada vez mais. O resultado foi lançar as comunidades bahá’ís em um vasto campo de projetos coletivos de ensino e proclamação, relembrando os dias heróicos dos rompedores da alvorada. Grupos de ardorosos instrutores descobriram ser então possível apresentar a mensagem da Fé não apenas a interessados individualmente, mas a grupos de pessoas e até mesmo a comunidades inteiras. As dezenas de milhares tornaram-se centenas de milhares. O crescimento da Fé significava que os membros das Assembléias Espirituais – cuja experiência se limitava a confirmar o entendimento da Fé de indivíduos interessados, experiência obtida em culturas de ceticismo ou fanatismo religioso – tiveram de se ajustar às manifestações de aceitação e apoio à Fé de parte de grupos inteiros de pessoas para as quais a consciência religiosa e a observância das leis divinas eram aspectos normais de sua vida diária.
Nenhum segmento da comunidade realizou uma contribuição mais firme ou ativa nesse processo de crescimento do que a juventude bahá’í. Suas façanhas durante aquelas décadas cruciais – como, na verdade, em toda a história dos últimos cento e cinqüenta anos – lembram sempre e cada vez mais o fato de que a grande maioria do exército de heróis que lançaram a Causa em seu curso nos anos da metade do século dezenove foram jovens. O próprio Báb declarou Sua missão quando tinha vinte e cinco anos de idade, e Anís, que alcançou a glória imperecível de sacrificar sua vida com seu Senhor, era apenas um jovem. Quddús respondeu à Revelação aos vinte e dois anos de idade. Zaynab, cuja idade jamais foi registrada, era uma jovem mulher. Shaykh ‘Alí, tão amado que foi, tanto por Quddús como por Mullá Husayn, foi martirizado aos vinte anos, enquanto Muhammad-i-Báqir-Naqsh deu sua vida quando tinha apenas quatorze anos de idade. Tahirih estava em sua terceira década de vida quando abraçou a Causa do Báb.
Seguindo o caminho que essas extraordinárias figuras haviam aberto, milhares de jovens bahá’ís se levantaram nos anos seguintes para proclamar a mensagem da Fé em todos os cinco continentes e ilhas espalhadas em todo o globo. Com o surgimento de uma cultura internacional juvenil na sociedade em fins dos anos sessenta e nos anos setenta, jovens com talentos na música, na dramaturgia e nas artes plásticas demonstraram algo cuja natureza Shoghi Effendi mencionara ao destacar: “Aquele dia a Causa irá espalhar-se como fogo num palheiro, quando seu espírito e seus ensinamentos serão apresentados em palcos ou através das artes e da literatura...”122 O espírito de zelo e entusiasmo característico da juventude também criou um contínuo desafio para a comunidade em geral no sentido de explorar, cada vez mais audaciosamente, as implicações sociais e revolucionárias dos ensinamentos de Bahá’u’lláh.
A explosão de declarações trouxe com ela, porém, problemas igualmente grandes. De imediato, os recursos das comunidades bahá’ís, que eram aplicados no trabalho, tornaram-se logo insuficientes diante da tarefa de prover um aprofundamento contínuo que as massas de novos crentes necessitavam, e para a consolidação das novas comunidades e das Assembléias Espirituais Locais. Além disso, os desafios culturais, como aqueles encontrados pelos primeiros crentes persas que saíram para levar a Fé a terras ocidentais, multiplicavam-se agora no mundo inteiro. Os princípios teológicos e administrativos, que podiam ser de grande interesse aos pioneiros e instrutores, eram raramente aqueles que mais preocupavam os novos declarados de diferentes origens sociais e culturais. Muitas vezes, as diferentes formas de ver as coisas, mesmo sobre determinados assuntos elementares como o uso do tempo ou simples convenções sociais, criavam diferenças de entendimento que tornavam a comunicação extremamente difícil.
Inicialmente, tais problemas provaram-se estimulantes, tanto para as instituições como para os crentes, na medida que procuravam encontrar novas formas de ver as situações – novas formas, na verdade, de entendimento de importantes passagens dos próprios Escritos Bahá’ís. Esforços resolutos foram feitos para seguir as orientações do Centro Mundial de que a expansão e a consolidação eram processos gêmeos que deviam seguir lado a lado. Porém, quando os resultados esperados não se materializavam, ocorriam algumas frustrações e diminuição do entusiasmo. O ritmo de crescimento, inicialmente tão rápido, diminuiu marcadamente em muitos países – o que gerou uma tentação em algumas instituições e comunidades bahá’ís de se voltarem para atividades mais familiares e a públicos mais acessíveis.
O principal efeito dos reveses, porém, foi ter conscientizado as comunidades de que as grandes expectativas dos primeiros anos eram, em alguns aspectos, nada realistas. Embora os sucessos facilmente alcançados nas atividades iniciais de ensino fossem encorajadores, eles, por si mesmos, não construíam uma vida comunitária que pudesse satisfazer as necessidades de seus novos membros e que se auto-perpetuasse. Em vez disso, os pioneiros e os novos crentes igualmente enfrentavam questões para as quais a experiência em terras ocidentais – ou mesmo no Irã – oferecia poucas soluções. Como seriam estabelecidas as Assembléias Espirituais Locais – e uma vez estabelecidas como iriam funcionar – em áreas onde grandes números de novos crentes haviam, da noite para o dia, entrado na Causa, simplesmente com a força da apreensão espiritual que tinham de Sua verdade? Como, em sociedades dominadas por homens desde o início dos tempos, teriam as mulheres os mesmos direitos doravante? Como seria feita a educação de grandes números de crianças, de forma sistemática, em condições culturais onde prevaleciam a pobreza e o analfabetismo? Que prioridades deveriam guiar os ensinamentos morais bahá’ís, e como podiam esses objetivos ser melhor relacionados com as convenções nativas prevalecentes? Como podia ser cultivada uma vibrante vida comunitária que pudesse estimular o crescimento espiritual de seus membros? Que prioridades, também, deveriam ser estabelecidas com respeito à produção da literatura bahá’í, particularmente considerando a súbita explosão que ocorrera no número de idiomas representados na comunidade? Como podia a integridade da instituição bahá’í da Festa de Dezenove Dias ser mantida, ao abrir esta atividade vital à influência enriquecedora de diferentes culturas? E, em todas as áreas de atividade, como seriam levantados e coordenados os recursos necessários, e providos os fundos?
A pressão destes desafios urgentes e interligados lançou o mundo bahá’í em um processo de aprendizado que provou ser tão importante quanto a própria expansão. É correto dizer que durante aqueles anos não houve virtualmente qualquer tipo de atividade de ensino, nenhuma combinação de expansão, consolidação e proclamação, nenhuma opção administrativa, nenhum esforço cultural de adaptação que não fosse energicamente tentado em alguma parte do mundo bahá’í. O resultado final da experiência foi uma educação intensiva de uma grande parte da comunidade bahá’í quanto às implicações do trabalho de ensino em massa, uma educação que não poderia ter ocorrido de outra forma. Por sua própria natureza, o processo foi basicamente local e regional, mais qualitativo do que quantitativo em seus resultados, e incremental, mais que a realização de um progresso em larga escala. Não fosse pelos esforços, sempre difíceis e quase sempre frustrantes, do trabalho de consolidação realizado naqueles anos, a estratégia subseqüente de sistematizar a promoção da entrada em tropas teria sido muito frágil para ser aplicada com sucesso.
O fato de que a mensagem bahá’í estava agora penetrando na vida não de apenas pequenos grupos de indivíduos, mas de inteiras comunidades, também teve o efeito de reviver o aspecto vital de um estágio anterior no avanço da Causa. Pela primeira vez em décadas, a Fé se viu mais uma vez em uma situação onde o ensino e a consolidação eram inseparavelmente relacionadas com o desenvolvimento social e econômico. Nos primeiros anos do século, sob a guia do Mestre e do Guardião, os crentes iranianos – a quem era negada a oportunidade de participar em igualdade de condições em quaisquer benefícios limitados que a sociedade daqueles dias oferecia – levantaram-se, com determinação e muito esforço, para construir uma vida comunitária completa, de uma qualidade além da necessidade ou do alcance dos grupos bahá’ís relativamente isolados existentes na América do Norte e na Europa Ocidental. No Irã, o avanço moral e espiritual, as atividades de ensino, a criação de escolas e clínicas, a formação das instituições administrativas e o estímulo às iniciativas individuais voltadas à auto-suficiência e prosperidade econômicas – todas haviam sido, desde os estágios iniciais, aspectos inseparáveis de um processo organicamente unificado de desenvolvimento. Agora – na África, na América Latina e em algumas partes da Ásia – os mesmos desafios e oportunidades haviam ressurgido.
Embora as atividades de desenvolvimento social e econômico já havia bastante tempo estivessem em andamento, particularmente na América Latina e na Ásia, eram projetos isolados trabalhados por grupos de crentes e sob a guia de suas Assembléias Nacionais, mas não relacionados a plano algum. Em outubro de 1983, porém, as comunidades bahá’ís em todo o mundo foram convocadas a começar a incorporar tais esforços em seus programas regulares de trabalho. Foi criado, no Centro Mundial, um Escritório de Desenvolvimento Social e Econômico para coordenar o aprendizado e ajudar na busca de apoio financeiro.
A década seguinte testemunhou a ocorrência de amplas experiências em um campo de trabalho para o qual a maioria das instituições bahá’ís tinha pouco preparo. Ao mesmo tempo em que se esforçavam para se beneficiar dos modelos que estavam sendo experimentados por muitos dos órgãos encarregados dos projetos de desenvolvimento em operação no mundo, as comunidades bahá’ís enfrentavam o desafio de relacionar o que descobriam em várias áreas de atividade – educação, saúde, alfabetização, agricultura e tecnologia da comunicação – com seu entendimento dos princípios bahá’ís. A tentação era grande, dada a magnitude dos recursos que eram investidos pelos governos e fundações, e marcante a confiança depositada nestes esforços, de apenas utilizar os métodos vigentes ou adaptar os esforços bahá’ís às teorias prevalecentes. À medida em que o trabalho se desenvolvia, porém, as instituições bahá’ís começaram a voltar sua atenção para a meta de criação de paradigmas de desenvolvimento que pudessem harmonizar o que observavam na sociedade externa aos conceitos bahá’ís sobre as potencialidades humanas.
Em nenhum outro lugar as estratégias de Planos sucessivos foram tão impressionantemente marcantes quanto na Índia. A comunidade indiana tornou-se um gigante da Causa, englobando hoje bem mais de um milhão de almas. Seu trabalho se estende através de um vasto subcontinente, lar de uma imensa variedade de culturas, idiomas, grupos étnicos e tradições religiosas. Em muitos aspectos, a experiência deste enorme e abençoado corpo de crentes sintetiza as lutas do mundo bahá’í, suas experiências, revezes e vitórias durante todas essas críticas três décadas. O dramático crescimento de declarações trouxe com ele todos os problemas encontrados em outras partes do mundo, mas em uma escala maciça. O longo caminho trilhado pela comunidade bahá’í indiana até o estado proeminente de hoje foi cercado de muitas e dolorosas dificuldades, algumas delas ameaçando, às vezes, extrapolar seus recursos administrativos disponíveis. As vitórias alcançadas, porém, nos dão uma antevisão das confirmações que, com o decorrer do tempo, abençoarão os esforços das comunidades bahá’ís que hoje lutam para vencer idênticos desafios em outros continentes. Em 1985, o crescimento da Fé na Índia alcançara o ponto onde as necessidades e oportunidades, de tantas e tão diversificadas regiões, exigiram uma atenção muito mais concentrada que a Assembléia Espiritual Nacional sozinha pudesse prover. Assim, nasceu a nova instituição dos Conselhos Regionais Bahá’ís, colocando em ação o processo de descentralização administrativa que desde então tem se provado tão eficaz em muitas outras terras.
Em 1986, a expansão e a consolidação que ocorriam na Índia foram condignamente abençoadas com a inauguração do belíssimo “Templo de Lótus”. Embora o projeto tivesse criado expectativas otimistas com relação ao impacto que seu término teria sobre o reconhecimento público da Fé, a realidade ultrapassou infinitamente as mais elevadas expectativas. Hoje, a Casa de Adoração da Índia tornou-se a maior atração de visitantes no subcontinente, recebendo uma média de mais de dez mil visitantes por dia e se destacando de forma proeminente em publicações, filmes e produções de televisão. O interesse criado por uma Fé que podia inspirar e englobar em si mesma tão magnificente criação deu um novo significado à descrição de ‘Abdu’l-Bahá sobre os Templos Bahá’ís como “instrutores silenciosos” da Fé.
O progresso da comunidade bahá’í indiana, tanto em seu desenvolvimento interno como em seu relacionamento com a sociedade em geral, foi bem ilustrado por uma iniciativa pioneira realizada em novembro de 2000, no campo do desenvolvimento social e econômico. Aproveitando a reputação que conquistara nos círculos progressistas do país, a Assembléia Espiritual Nacional sediou, em colaboração com o Instituto para Estudos de Prosperidade Global, recentemente criado pela Comunidade Internacional Bahá’í,123 um simpósio sobre o tema “Ciência, Religião e Desenvolvimento”. O projeto envolveu a participação de mais de uma centena das mais influentes organizações no país e atraiu cobertura da mídia nacional. Assinalando uma singular contribuição bahá’í à promoção do progresso social, o evento está inspirando outros simpósios, com a mesma finalidade, na África, na América Latina e em outras regiões, onde existem criativas comunidades bahá’ís em condições de incorporar o que bem poderá tornar-se uma das principais histórias bem sucedidas da Fé.
Durante esses mesmos anos, o continente asiático também viu a repentina emergência da comunidade bahá’í da Malásia como um motor do trabalho de expansão, vencendo suas primeiras metas a uma velocidade espantosa e enviando pioneiros e instrutores viajantes para as terras vizinhas. Um desenvolvimento que tornou este extraordinário avanço possível foram os laços de parceria espiritual criados entre os crentes de procedência chinesa e indiana. Visitantes da Malásia relataram, até um tanto espantados, a forma pela qual a comunidade da Malásia, embora trabalhando sob muitas restrições e falta de experiência, parecia ser uma verdadeira incorporação das metáforas militares com as quais os escritos de Shoghi Effendi buscavam retratar o espírito dos esforços de ensino bahá’í.
Nem o crescimento mundial da comunidade bahá’í, nem o processo de aprendizado pelo qual passa atualmente, porém, refletem a história completa dessas décadas tumultuosas e criativas. Quando a história do período for mais tarde escrita, um de seus capítulos mais brilhantes registrará as vitórias espirituais ganhas pelas comunidades bahá’ís, particularmente na África, que sobreviveram à guerra, ao terror, à opressão política e a privações extremas, e que emergiram destas provações com sua fé intacta, determinadas a recomeçar o trabalho interrompido da construção de uma vida bahá’í coletiva efetiva. A comunidade da Etiópia, terra natal de uma das mais antigas e ricas tradições culturais, conseguiu manter o moral de seus membros e a coerência de suas estruturas administrativas sob pressões intermináveis de uma ditadura brutal. Dos amigos em outros países do continente, pode-se dizer que sua firmeza na Causa fez com que passassem por um inferno de sofrimento raramente igualado na história moderna. Os anais da Fé possuem poucos testemunhos tão comoventes sobre o puro poder do espírito do que as histórias de coragem e pureza de coração que emergiram do inferno que engolfou os amigos no que era então o Zaire, histórias que irão inspirar gerações futuras e que representam uma contribuição preciosa à criação de uma cultura bahá’í global. Tais países, como Uganda e Ruanda, somaram suas próprias e inesquecíveis realizações a este registro heróico de luta.
Inspiradora, também, foi a demonstração da capacidade de renovação que é inerente na Causa e que surgiu dos campos de refugiados no Camboja ao longo da fronteira com a Tailândia. Através de esforços heróicos de um punhado de instrutores, Assembléias Espirituais Locais foram estabelecidas entre pessoas que haviam sobrevivido a uma campanha de genocídio quase além da capacidade do coração humano suportar e que roubara incontáveis vidas de amigos queridos, como também tudo o que possuíam em termos de segurança material, mas nos quais ardia ainda o anseio da alma humana pela verdade espiritual. Uma realização extraordinária similar foi a demonstrada pela comunidade bahá’í da Libéria. Expulsos de seus lares e exilados em países vizinhos, muitos desses intrépidos crentes transportaram com eles sua vida comunitária completa, estabelecendo Assembléias Espirituais Locais, dando continuidade ao trabalho de ensino, à educação dos filhos, usando seu tempo para aprender novas habilidades e encontrando na música, na dança e na dramaturgia poderes do espírito que os ajudaram a manter viva sua esperança até que pudessem voltar ao seu país.
À medida em que o processo de educação em métodos de ensino em massa ocorria, o corpo de crentes da Fé foi sendo transformado. Em 1992, o mundo bahá’í comemorou seu segundo Ano Santo, este marcado pelo centenário da ascensão de Bahá’u’lláh e pela promulgação de Seu Convênio. Mais eloqüentemente que as palavras poderiam descrever, a diversidade étnica, cultural e nacional de mais de 27 mil crentes que se reuniram no Centro de Convenções Javits, na cidade de Nova York – juntos com os milhares presentes nas nove conferências auxiliares realizadas, respectivamente, em Bucareste, Buenos Aires, Moscou, Nairóbi, Nova Déli, Cidade do Panamá, Cingapura, Sidney e Samoa Ocidental – deram uma demonstração incontestável do sucesso do trabalho de ensino em todo o mundo. Um momento especial foi aquele quando a rede mundial de transmissão via satélite conectou a reunião em Moscou com a que se realizava em Nova York, e os bahá’ís no mundo inteiro, emocionados diante da saudação em russo – a língua comum de cerca de 280 milhões de pessoas de pelo menos quinze países – que proclamavam uma nova fase da resposta da humanidade a Bahá’u’lláh.
Nas conferências de Moscou e Bucareste, podia-se ter um vislumbre do renascimento das comunidades bahá’ís que haviam sido praticamente extintas sob a opressão do regime soviético e seus colaboradores. Uma das três Mãos da Causa de Deus remanescentes, ‘Alí-Akbar Furútan, que viveu na Rússia, teve a grande alegria de retornar a Moscou, na idade de 86 anos, para a eleição inaugural da Assembléia Espiritual Nacional daquele país. Assembléias Espirituais Locais surgiram em todas as terras recentemente abertas à Fé, e seis novas Assembléias Espirituais Nacionais foram eleitas. Em um breve espaço de tempo, atividades pioneiras e de ensino em países ao longo da margem sul do antigo império soviético – onde a Fé havia sido também proscrita – logo despontaram, trazendo à existência ainda mais Assembléias Espirituais Locais e oito Assembléias Espirituais Nacionais adicionais. A literatura bahá’í foi traduzida em uma grande variedade de novos idiomas, passos enérgicos foram dados para assegurar o reconhecimento civil das instituições bahá’ís, e representantes da Europa oriental e dos países do agora extinto bloco soviético começaram a participar com seus irmãos bahá’ís no trabalho de assuntos externos da Fé no campo internacional.
Gradualmente, também, a mensagem da Fé começou a receber boa acolhida em muitas partes da China e entre a população chinesa no exterior. A literatura bahá’í foi traduzida em mandarim, públicos universitários em muitas cidades chinesas estendiam convites a eruditos bahá’ís, um Centro de Estudos Bahá’ís foi estabelecido no conhecido Instituto das Religiões Mundiais em Beijing124 (que opera dentro da Academia de Ciências Sociais), e muitos dignitários chineses têm sido generosos em suas referências aos princípios que descobriram nos Escritos Bahá’ís. À luz do destacado louvor que o Mestre fez à civilização chinesa e seu papel no futuro da humanidade, pode-se prever a contribuição criativa que os crentes dessa ascendência irão trazer à vida moral e intelectual da Causa nos anos vindouros.125
A importância dessas três décadas de luta, aprendizado e sacrifício tornou-se aparente com a chegada do momento de criar um Plano global que capitalizasse as percepções decorrentes das experiências ganhas e dos recursos que foram desenvolvidos. A comunidade bahá’í que deu início ao Plano de Quatro Anos em 1996 diferenciava-se em muito daquele grupo animado, mas novo e ainda inexperiente, de crentes que, em 1964, haviam se aventurado no primeiro desses empreendimentos mundiais não mais com a guia direta de Shoghi Effendi. Em 1996, tornou-se possível ver todas as diferentes nuanças do empreendimento como partes integrantes de um mesmo todo coerente.
Com essa educação surgiu também outra perspectiva, vitalmente necessária, com relação ao que havia sido realizado. A expansão da Causa durante as três décadas precedentes representara a resposta de muitos milhões de seres humanos que haviam sido afetados por seu encontro com a mensagem de Bahá’u’lláh ao ponto de se identificarem, em diferentes graus, com a Causa de Deus. Ficaram conscientes de que um novo Mensageiro Divino havia surgido, sentiram algo do espírito da Fé e foram fortemente atraídos ao ensinamento bahá’í da unidade da humanidade. Uma pequena minoria entre eles foi capaz de ir além deste ponto. Em sua maioria, porém, esses amigos eram essencialmente os participantes dos programas de ensino realizados por instrutores e pioneiros de fora. Um dos principais pontos fortes das massas da humanidade, das quais os recém-declarados bahá’ís procediam, foi a abertura e sinceridade de seus corações – qualidades com o potencial de gerar uma transformação social duradoura. A maior dificuldade dessas mesmas populações tem sido até agora uma passividade aprendida durante gerações em que foram expostas a influências externas que, por maiores que tenham sido suas vantagens materiais, tinham quase sempre agendas relacionadas apenas tangencialmente – quando muito – com a realidade das necessidades e da vida diária dos povos indígenas.
O Plano de Quatro Anos, que representou um grande avanço em relação aos últimos planos que o precederam, foi destinado a aproveitar as oportunidades e as percepções oferecidas desta maneira. A meta de acelerar o processo de entrada em tropas tornou-se o objetivo fundamental de todos os empreendimentos. As lições aprendidas durante os Planos anteriores levaram-nos agora a enfatizarem o desen-volvimento das capacidades dos crentes – onde quer que estivessem – de tal maneira que todos pudessem se levantar como confiantes protagonistas da missão da Fé. O instrumento para a realização desse objetivo havia sido continuamente aprimorado durante os Planos anteriores e já havia demonstrado sua eficácia.
Como ocorre com outros métodos e atividades através dos quais a Fé tem se desenvolvido, este instrumento tinha sido, da mesma forma, concebido décadas antes pelo Mestre, que clama, nas Epístolas do Plano Divino, por crentes aprofundados para “reunir os jovens do amor de Deus em escolas de instrução e ensinar-lhes todas as provas divinas e os irrefutáveis argumentos, explicar e elucidar a história da Causa, interpretando inclusive as profecias e provas que estão registradas e preservadas nos livros e epístolas divinos a respeito da manifestação do Prometido...”.126 O trabalho pioneiro e a capacitação organizada desta natureza já haviam sido feitos no Irã durante os primeiros anos do século, pelo muito amado Sadru’s-Sudúr.127 Com o passar dos anos, escolas de verão e inverno foram se multiplicando, e sucessivos Planos também estimularam a experimentação no desenvolvimento de institutos bahá’ís.
De longe, o mais significativo avanço neste último processo ocorreu durante um período de mais de duas décadas, começando em 1970, na Colômbia, onde um programa sistemático e contínuo de educação sobre as Escrituras foi concebido e logo adaptado para uso em países vizinhos. Influenciado pelos esforços paralelos da comunidade colombiana no campo do desenvolvimento social e econômico, o resultado foi o mais expressivo, considerando o fato de que foi alcançado contra um pano de fundo de violência e anormalidade que estavam destruindo a vida da sociedade à sua volta.
O sucesso alcançado na Colômbia provou ser uma fonte de grande inspiração e exemplo para as comunidades bahá’ís em outras partes do mundo. Com o término do Plano de Quatro Anos, mais de cem mil crentes estavam envolvidos em programas de âmbito mundial, em mais de trezentos institutos permanentes de capacitação. Ao cumprir esta meta, a maioria dos institutos regionais havia levado o processo a um estágio mais avançado com a criação de redes de “círculos de estudo”, que utilizam o talento dos crentes para reproduzir o trabalho do instituto a nível local. Já é fato comprovado que o sucesso do trabalho do instituto tem reforçado de forma significativa o processo de longo prazo pelo qual um sistema universal de educação bahá’í será estruturado.128
Embora os esforços dessas décadas tenham sido relativamente modestos -– pelo menos quando comparados com os padrões da Idade Heróica – eles provêm à presente geração de bahá’ís um vislumbre daquilo que Shoghi Effendi descreve como a natureza cíclica da história da Fé: “uma série de crises internas e externas, de severidade variável, devastadoras em seus efeitos imediatos, mas cada uma liberando, misteriosamente, uma medida correspondente de poder divino, dando assim um novo impulso a seu desenvolvimento”.129 Estas palavras colocam na perspectiva devida a sucessão de esforços, experiências, frustrações e vitórias que caracterizaram o início do ensino em larga escala e prepararam a comunidade bahá’í para os desafios muito maiores que se encontram à sua frente.
Ao longo da história, as massas da humanidade têm sido, no máximo, apenas espectadoras do avanço da civilização. Seu papel tem sido servir aos desígnios de qualquer elite que temporariamente assuma o controle do processo. Mesmo as sucessivas Revelações Divinas, cujo objetivo foi sempre liberar o espírito humano, foram, em seu tempo, feitas cativas do “ego insistente”, ficando presas aos dogmas, rituais, privilégios clericais e disputas sectárias, todos criados pelos próprios homens, e todas chegaram ao fim com seus propósitos mais elevados frustrados.
Bahá’u’lláh veio para libertar a humanidade desta antiga sujeição, e as últimas décadas do século vinte foram devotadas pela comunidade de Seus seguidores a uma prática criativa utilizando meios pelos quais Seu objetivo pudesse ser realizado. A prossecução do Plano Divino exige nada menos que o envolvimento do inteiro corpo da humanidade no trabalho de seu próprio desenvolvimento social e intelectual. As provações sofridas pela comunidade bahá’í nas décadas posteriores a 1963 são as necessárias para dar refinamento aos esforços e purificar as motivações de todos aqueles que desejem desempenhar um papel digno de tão grande fideicomisso. Tais provações são as evidências mais seguras do processo de maturação que ‘Abdu’l-Bahá com tanta confiança descreveu nas seguintes palavras:
Alguns movimentos surgem, manifestam um curto período de atividade e então são interrompidos. Outros mostram uma medida maior de crescimento e força, mas antes de atingir um desenvolvimento maduro, enfraquecem, desintegram-se e perdem-se no esquecimento... Existe ainda outro tipo de movimento ou causa que, a partir de um início muito pequeno e sem muita importância, vai avante rumo a um progresso seguro e firme, gradualmente ampliando-se e crescendo até assumir dimensões universais. O movimento bahá’í é desta natureza.130
A MISSÃO DE BAHÁ’U’LLÁH não está limitada à construção da comunidade bahá’í. A Revelação de Deus veio para toda a humanidade e terá o apoio das instituições da sociedade à medida em que vejam nela um exemplo de encorajamento e inspiração para seus esforços com vistas ao assentamento dos alicerces de uma sociedade justa. Para apreciar a importância desta segunda preocupação, deve-se apenas lembrar o tempo e a atenção que o próprio Bahá’u’lláh devotou em Seu relacionamento com membros de governos, líderes de pensamento, figuras proeminentes em vários grupos minoritários e representantes diplomáticos de governos estrangeiros em postos de serviço no império otomano. O efeito espiritual deste esforço se comprova pelos tributos prestados ao Seu caráter e aos Seus princípios, até mesmo por inimigos implacáveis como ‘Alí Páshá e o embaixador da Pérsia em Constantinopla, Mirzá Husayn Khán. O primeiro, quem condenou seu Prisioneiro a banimento para a colônia penal de ‘Akká, foi, no entanto, levado a descrevê-Lo como “um homem de grande distinção, de conduta exemplar, grande moderação, e uma figura muito destacada”, cujos ensinamentos eram, na opinião do ministro, “dignos de alta estima”.131 O segundo, cujas maquinações foram também responsáveis pelo envenenamento das mentes de ‘Alí Páshá e seus colegas, abertamente admitiu, anos depois, o grande contraste entre a estrutura moral e intelectual de seu Inimigo e o mal causado nas relações turco-persas pela reputação de ganância e desonestidade que caracterizavam muitos de outros compatriotas que residiam em Constantinopla.
Desde o início, ‘Abdu’l-Bahá interessou-Se por todos os esforços que trouxessem à existência uma nova ordem internacional. É significativo o fato, por exemplo, de que Suas primeiras referências públicas na América do Norte, quanto ao propósito de Sua visita àquele país, colocavam ênfase particular no convite que Lhe foi feito pelo comitê de organização da Conferência de Paz do Lago Mohonk, para que fizesse uso da palavra naquela reunião internacional. Também havia sido generoso no encorajamento que deu à Organização Central para uma Paz Duradoura, em Haia. Ele foi, porém, inteiramente cândido nos conselhos que deu. As cartas que o Comitê Executivo da organização de Haia havia escrito a Ele, durante o período da guerra, deram-Lhe a oportunidade de apresentar uma resposta que chamou a atenção dos organizadores às verdades espirituais enunciadas por Bahá’u’lláh, as quais, em síntese, definem os alicerces para a realização de seus objetivos:
Ó vós, estimados senhores, que sois pioneiros entre aqueles que procuram o bem-estar do mundo inteiro! ... No momento, a Paz Universal é um assunto de grande importância, mas é essencial que haja unidade de consciência, de forma que seus alicerces sejam seguros, firme seu estabelecimento e forte seu edifício. ... Hoje, nada, a não ser o poder do Verbo de Deus, que envolve as realidades de todas as coisas, pode reunir os pensamentos, as mentes, os corações e os espíritos à sombra da mesma Árvore. Ele é potente em todas as coisas, Aquele que vivifica as almas, que preserva e governa o mundo humano.132
Além disso, a lista de pessoas influentes com as quais o Mestre passou horas, pacientemente, em entrevistas tanto na América do Norte como na Europa – particularmente pessoas que lutavam pela promoção da paz mundial e assuntos humanitários – reflete Seu grau de consciência quanto à responsabilidade da Causa para com a humanidade de um modo geral. Tudo o que, de forma extraordinária, ocorreu após Seu passamento, comprova ter Ele mantido esse curso de ação até o final da vida.
Shoghi Effendi assumiu este legado praticamente desde o início de seu ministério. Já em 1925, estimulou o interesse de um crente americano, Jean Stannard, a estabelecer uma “Agência Bahá’í Internacional”, encaminhando-a a Genebra, sede da Liga das Nações. Embora a Agência não tivesse autoridade administrativa, agia, nas palavras do Guardião, “como intermediário entre Haifa e outros centros bahá’ís” e servia como “um centro de informações” no coração da Europa, seu papel sendo formalmente reconhecido quando a editora da Liga das Nações solicitou e publicou um relato das atividades da Agência.133
Como tem acontecido muitas vezes na história da Causa, uma crise inesperada serviu para um grande avanço do envolvimento bahá’í com a sociedade em geral a nível internacional. Em 1928, Shoghi Effendi estimulou a Assembléia Espiritual de Bagdá a apelar à Comissão de Representantes Permanentes da Liga das Nações contra a apreensão, por oponentes xiitas, da Casa de Bahá’u’lláh naquela cidade. Reconhecendo a injustiça que havia sido perpetrada, o Conselho da Liga unanimemente convocou a autoridade do mandato britânico, em março de 1929, a pressionar o governo iraquiano “com vistas a uma imediata reparação pela injustiça sofrida pelos Peticionários”. Repetidas evasivas do governo iraquiano, incluindo a violação de uma promessa solene de parte do próprio monarca, resultou em um processo que se arrastou durante anos em sucessivas sessões da Comissão de Mandatos, deixando a Casa nas mãos daqueles que a haviam apreendido ilegalmente, uma situação que permanece até hoje sem solução.134 Não se deixando abater por esse fato, Shoghi Effendi dirigiu a atenção da comunidade bahá’í para o histórico benefício que o caso trouxe para a Causa. Como já ocorrera anteriormente com o caso da rejeição, pela corte muçulmana sunita, do apelo feito pela comunidade bahá’í egípcia com relação ao casamento religioso bahá’í, o Guardião ressaltou que:
Basta dizer que, a despeito desses intermináveis atrasos, protestos e subterfúgios... a publicidade obtida para a Fé por meio desse memorável litígio, e a defesa de sua causa – a causa da verdade e da justiça – pelo mais alto tribunal do mundo, tem sido tal que deixou os amigos maravilhados e os inimigos totalmente consternados.135
O nascimento das Nações Unidas abriu à Fé um fórum muito mais amplo e mais efetivo para seus esforços em prol do exercício da influência espiritual na vida da sociedade. Já em 1947, um “Comitê da Palestina” das Nações Unidas solicitou os pontos de vista do Guardião sobre o futuro daquele território sob mandato. A resposta que enviou ao Comitê deu-lhe uma oportunidade para que pudesse apresentar uma exposição autorizada da história e dos ensinamentos da Causa. No mesmo ano, com o encorajamento de Shoghi Effendi, a Assembléia Espiritual Nacional dos Estados Unidos e Canadá submeteu à organização internacional um documento intitulado “Uma Declaração Bahá’í sobre Direitos e Obrigações Humanas”, que iria inspirar o trabalho de escritores bahá’ís e porta-vozes da Fé durante as décadas que se seguiram.136 Um ano depois, as oito Assembléias Espirituais Nacionais então existentes no mundo, obtiveram do órgão responsável das Nações Unidas o credenciamento para a instalação da “Comunidade Internacional Bahá’í” como uma organização não-governamental internacional.
Não foi somente o fato da Fé estar emergindo lentamente em seu relacionamento com a nova ordem internacional que obteve um apoio deste tipo do Guardião. As páginas do livro A Presença de Deus e das memórias de Amatu’l-Bahá sobre o Guardião estão cheias de referências sobre as respostas que pessoas e organizações de renome deram às iniciativas lançadas por Shoghi Effendi e para os eventos no mundo em que representantes bahá’ís foram convidados a participar. Na perspectiva da história, a pessoa se surpreende pela enorme disparidade entre muitas dessas ocasiões relativamente inconseqüentes e a atenção que mereceram de uma figura cujo trabalho não só era de importância enorme para o futuro da humanidade, mas que entendia profundamente o que significavam os eventos que ocorriam ao seu redor. O que a comunidade bahá’í herdou desses registros cuidadosamente preservados foram orientações práticas de como aproveitar as oportunidades crescentes decorrentes de inícios modestos.
Desde o momento de seu credenciamento, a Comunidade Internacional Bahá’í teve um desempenho muito ativo nos assuntos das Nações Unidas. Uma das atividades que lhe trouxe grande reconhecimento foi um programa realizado, através da crescente rede de Assembléias Bahá’ís no mundo, para a difusão de informações públicas sobre a própria Organização das Nações Unidas, o que em muito colaborou para o generoso apoio dado ao trabalho das laboriosas entidades da ONU existentes no mundo. Em 1970, a Comunidade Internacional Bahá’í obteve status consultivo junto ao Conselho Econômico e Social (ECOSOC), e em 1974 a associação formal ao Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (UNEP). Em 1976, conseguiu status consultivo junto ao Fundo das Nações Unidas para as Crianças (UNICEF). A influência e o profissionalismo da Comunidade durante esses anos foram comprovados, em 1955 e em 1962, quando a Comunidade Internacional Bahá’í conseguiu a intervenção das Nações Unidas em favor dos sofredores crentes perseguidos no Irã e em Marrocos, respectivamente.

?

Em 1980, as pacientes atividades em assuntos externos das Assembléias Espirituais Nacionais e do Escritório da Comunidade junto às Nações Unidas foram subitamente levadas a um novo estágio de desenvolvimento. O catalisador foi o atentado do clero xiita no Irã para exterminar a Causa na terra de seu nascimento. As conseqüências decorrentes surpreenderam tanto os perseguidores como os defensores da Fé.
Durante longas décadas, nas quais os crentes no berço da Fé sofreram intermitente perseguição em razão de suas crenças religiosas, os mullás*, que instigaram e lideraram esses ataques, agiam em consonância com a sucessão de monarcas no país. O último, ostensivamente absoluto em sua autoridade, foi levado por manobras políticas que o deixaram vulnerável a pressões externas, particularmente de governos do Ocidente. Foi assim que a voz enfurecida das missões diplomáticas russa, inglesa e de outros países, havia compelido Násiri’d-Dín Sháh, contra a sua vontade, a dar um fim à orgia de violência que tirara a vida de tantos crentes no início dos anos cinqüenta do século dezenove e ameaçara até o próprio Bahá’u’lláh. Durante o século vinte, seus sucessores da Dinastia Qájár estiveram também preocupados em aplacar a opinião de outros governos. O padrão foi repetido em 1955, quando o segundo dos xás da Dinastia Pahlaví, que fora induzido pelos mullás a aprovar uma onda de violência anti-bahá’í, viu-se forçado, diante do protesto das Nações Unidas e das objeções por parte do governo americano, a suspender a campanha abruptamente – ambas intervenções precursoras de eventos futuros.
Tais restrições à conduta do clero pareciam ter sido varridas pela Revolução Islâmica de 1979. De repente, os mullás tornaram-se o próprio poder, designando seus próprios candidatos às posições mais altas na nova república e, por fim, eles mesmos assumindo tais postos. “Cortes revolucionárias” foram criadas, respondendo unicamente ao clero mais graduado. Um exército de “guardas revolucionários”, muito mais atuantes que a anterior polícia secreta do xá, e tão brutal quanto ela, assumiu o controle de todos os aspectos da vida pública.
Enquanto a atenção da nova casta dominante se focalizava principalmente no que acreditava serem ameaças dos governos estrangeiros, elementos influentes nela existentes viram uma oportunidade para, finalmente, poder destruir a comunidade bahá’í iraniana.137 Os detalhes angustiantes da campanha que se seguiu não precisam ser revistos aqui. Antes, sua importância reside na resposta dada a esses ataques pelos milhares de indivíduos bahá’ís – homens, mulheres e crianças – em todo o país. Sua recusa em renegar sua fé, mesmo ao custo da vida, inspirou em seus irmãos de fé no mundo inteiro uma dedicação cada vez maior à Causa pela qual esses sacrifícios estavam sendo feitos. Não foram, porém, somente os membros da Fé que foram atingidos por esses eventos. Décadas antes, em 1889, um famoso comentarista ocidental, ao escrever sobre o heroísmo dos rompedores da alvorada da Fé, havia profeticamente dito o seguinte sobre os sacrifícios dos primeiros crentes:
São suas vidas e mortes, sua esperança que não conhece desespero, seu amor que não arrefece, sua firmeza que não titubeia, que marcam este maravilhoso movimento com uma característica inteiramente própria. ... Não se trata de algo pequeno ou fácil de suportar o que eles têm suportado, e certamente o que eles consideram digno da própria vida é o que vale a pena tentar entender. Nada digo da poderosa influência que, como creio, a Fé Bábí [sic] irá exercer no futuro, nem da nova vida que eventualmente possa criar em um povo morto; pois, se será vitoriosa ou derrotada, o heroísmo esplêndido dos mártires do Báb é algo eterno e indestrutível. ... Mas o que espero não ter deixado de transmitir a vocês é o extraordinário zelo desses homens e a influência indescritível que esta dedicação inabalável, combinada com outras qualidades, exerce sobre qualquer um que tenha realmente entrado em contato com eles.138
Estas palavras antevêem o surgimento de um sentimento similar entre os observadores não-bahá’ís durante os anos da revolução islâmica; e isto se tornaria uma das forças mais poderosas que levou a Causa a sair da obscuridade. Tais palavras deixam claro, também, a natureza espiritual de algo que tem sido sempre ameaçado no berço da Fé. Muito além da repulsa diante da insensível brutalidade da perseguição, a opinião pública, cada vez mais numerosa, ficou profundamente comovida com a resposta dos bahá’ís iranianos.
O século vinte, indiscutivelmente, ficou abismado diante do sofrimento de incontáveis vítimas da opressão. O que deu uma característica singular à situação bahá’í foi a atitude adotada por aqueles que suportaram o sofrimento. Os crentes iranianos recusaram-se a aceitar o papel muito familiar de vítimas. Como os Fundadores da Fé antes deles, aceitaram o peso moral decorrente da diferença entre eles e seus adversários. Foram eles, não as cortes ou os guardas revolucionários, que rapidamente definiram os termos do embate; e esta extraordinária atitude afetou não somente os corações, mas também as mentes daqueles que observavam a situação externamente, de fora da Fé Bahá’í. A comunidade perseguida não atacou seus opressores, nem buscou tirar vantagem política da crise. Nem os defensores bahá’ís em outras terras pediram o desmantelamento da constituição iraniana, muitos menos clamaram por vingança. Todos pediam apenas justiça – o reconhecimento dos direitos garantidos pela Declaração Universal dos Direitos Humanos, endossados pela comunidade internacional de nações, ratificados pelo governo iraniano, e muitos deles incorporados até mesmo nas cláusulas da constituição islâmica.
A crise despertou o mundo bahá’í para a realização de feitos extraordinários. As Assembléias Espirituais Nacionais, que tinham pouca ou nenhuma experiência em desenvolver relações de trabalho com autoridades dos governos de seus países, foram convocadas a solicitar o apoio de seus governos nas resoluções em vários níveis do sistema internacional de direitos humanos, e o fizeram com muito sucesso. Ano após ano, por vinte anos ininterruptos, o caso dos bahá’ís iranianos teve continuidade no sistema internacional de direitos humanos, ganhando apoio em sucessivas resoluções, garantindo atenção oficial às injustiças aos bahá’ís nas missões de representantes designados pela Comissão de Direitos Humanos das Nações Unidas, e consolidando esses ganhos através das decisões do Terceiro Comitê da Assembléia Geral das Nações Unidas. Todas as tentativas do regime iraniano de escapar da condenação internacional pelo tratamento infligido aos cidadãos bahá’ís falharam em abalar o apoio que o caso bahá’í recebeu de uma maioria persistente de nações simpatizantes representadas na Comissão. O fato foi ainda mais marcante no contexto da composição dos membros da Comissão, que mudavam constantemente, mas cujos membros mantinham sempre na agenda de trabalhos o tema do desrespeito aos direitos humanos em outros países que afetava milhões de vítimas.
Paralelamente à pressão direta exercida sobre o governo iraniano, o caso atraía uma publicidade sem precedente nos jornais, revistas e na mídia radiofônica e televisiva do mundo inteiro. Jornais como o The New York Times, Le Monde e Frankfurter Allgemeine Zeitung, com enorme público leitor, deram ampla cobertura à perseguição, e as cadeias de televisão da Austrália, Canadá, Estados Unidos e de vários países europeus divulgaram programas que tratavam do caso em profundidade. Os abusos foram denunciados também em fortes editoriais dos jornais. Além do apoio dado, desta forma, aos esforços para assegurar uma efetiva intervenção da Comissão de Direitos Humanos, tal publicidade teve o efeito de divulgar os ensinamentos bahá’ís, quase sempre pela primeira vez, a uma audiência de milhões de pessoas, de uma forma correta e com apreciações sobre a Fé por parte de jornalistas e de pessoas formadoras de opinião. Tanto a publicidade pela mídia, como a campanha realizada através do sistema das Nações Unidas, possibilitaram que autoridades e proeminentes no mundo inteiro pudessem julgar por si mesmos, com base em fatos, tanto os ensinamentos da Causa como o caráter da comunidade bahá’í.
Um problema que surgiu decorrente da perseguição foi o enfrentado por dezenas de milhares de bahá’ís iranianos que se viram, de repente, como que perdidos, sem passaportes válidos nos países onde serviam como pioneiros, ou forçados a fugirem de sua terra natal porque eles, ou seus familiares, haviam sido escolhidos como alvos do programa de extermínio. Em 1983, um Escritório Internacional Bahá’í para Refugiados foi estabelecido no Canadá,139 onde o governo fora particularmente atencioso e cooperativo para com os representantes da Assembléia Espiritual Nacional dos Bahá’ís daquele país. Durante os anos seguintes, com a ajuda do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados, vários outros países, da mesma forma, abriram suas portas para receber mais de dez mil bahá’ís iranianos, muitos deles cumprindo metas pioneiras nas novas regiões onde fixaram residência.

?

Não somente a comunidade bahá’í, mas o próprio sistema de direitos humanos das Nações Unidas, beneficiaram-se com esta longa luta. Inicialmente, depois da revolução islâmica, a comunidade de crentes no Irã enfrentara forte ameaça à sua própria sobrevivência. Com o tempo, a Comissão de Direitos Humanos das Nações Unidas, por mais lenta e burocrática que suas operações possam parecer a alguns observadores externos, teve sucesso em compelir o regime iraniano a interromper a parte pior da perseguição aos bahá’ís no Irã. Deste modo, o “caso dos bahá’ís do Irã” representou uma vitória importante, tanto para a Comissão como para a Fé Bahá’í. Serviu como uma demonstração surpreendente do poder da comunidade das nações, atuando através de uma maquinária criada para tal finalidade, para conseguir controlar as formas de opressão que haviam obscurecido as páginas dos registros da história ao longo das eras.
Esta circunstância enaltece a relevância das atividades da Fé para a vida da maior parte da sociedade na qual esses esforços estão ocorrendo. Junto com a paz mundial, a necessidade da comunidade internacional de tomar ações efetivas para concretizar os ideais da Declaração Universal dos Direitos Humanos e seus convênios é um desafio urgente à frente da humanidade na fase atual de sua história. Existem relativamente poucos lugares no mundo onde populações minoritárias não tenham sido privadas de necessidades humanas básicas de algum tipo, devido aos preconceitos religiosos, étnicos, raciais ou de nacionalidade. Nenhum grupo de pessoas no planeta entende melhor este assunto do que a comunidade bahá’í. Ela sofreu – e continua ainda a sofrer em alguns países – maus tratos por algo que não tem qualquer justificativa razoável, seja legal ou moral; tem produzido mártires e derramado lágrimas de dor, mas permanecido sempre fiel às suas convicções de que o ódio e a retaliação corroem a alma; e tem aprendido, como poucas comunidades o fizeram, como usar o sistema das Nações Unidas para tratar de casos de violação dos direitos humanos, da forma como foi a intenção de seus criadores, sem necessidade de recorrer ao partidarismo político de qualquer natureza, muito menos à violência. Decorrente dessa experiência, ela está hoje engajada em um programa de estímulo aos governos de dezenas de países para instituir programas de educação pública sobre o assunto de direitos humanos, provendo qualquer ajuda prática dentro de suas próprias possibilidades.140 No mundo inteiro, ela é particularmente ativa na promoção dos direitos humanos das mulheres e das crianças. Mais importante que tudo, provê exemplos vivos de fraternidade, dos quais incontável número de pessoas fora de seu alcance deriva coragem e esperança.

?

À medida em que a crise iraniana se desenvolvia, uma iniciativa tomada pela Casa Universal de Justiça subitamente levou o trabalho de assuntos externos da comunidade bahá’í a um patamar inteiramente novo. Em 1985, A Promessa da Paz Mundial, dirigida à generalidade da humanidade, foi divulgada através das Assembléias Espirituais Nacionais. Nela, a Casa de Justiça afirma, em termos não provocativos porém firmes, a confiança bahá’í no advento da paz internacional como o próximo estágio da evolução da sociedade. Foram expostos, também, alguns elementos da forma que este tão aguardado desenvolvimento deve ter, muitos deles bem além dos termos políticos nos quais o assunto é geralmente discutido. A mensagem conclui:
A experiência da comunidade bahá’í pode ser vista como um exemplo desta crescente unidade [da humanidade]. ... Se a experiência bahá’í puder contribuir, de alguma forma, para reforçar a esperança na unidade da raça humana, estamos felizes em oferecê-la como um modelo de estudo.
Enquanto o propósito imediato da divulgação do documento foi prover as instituições e indivíduos bahá’ís com uma linha coerente de discussão para seus contatos com autoridades governamentais, organizações da sociedade civil, a mídia e personalidades influentes, um efeito colateral colocaria em ação uma campanha contínua e intensiva de educação da própria comunidade bahá’í sobre inúmeros e muito importantes ensinamentos bahá’ís. A influência das idéias e das perspectivas no documento logo se fez sentir amplamente em convenções, publicações, escolas de verão e inverno, e no discurso geral dos crentes em todas as partes.
Em muitos aspectos, A Promessa da Paz Mundial pode ser considerada como tendo determinado a agenda para a interação bahá’í com as Nações Unidas e suas organizações colaboradoras nos anos seguintes a 1985. Com base na reputação que já havia alcançado, a Comunidade Internacional Bahá’í tornou-se, em apenas alguns anos, uma das mais influentes das organizações não-governamentais. Por ser inteiramente não-partidária e pelo fato de assim ser vista, ela tem crescentemente recebido a confiança geral como uma voz moderadora em discussões complexas, e quase sempre estressantes, em círculos internacionais, sobre importantes assuntos relacionados ao progresso social. Essa reputação tem se fortalecido pela apreciação do fato de que a Comunidade evita, por questão de princípios, tirar vantagens para si mesma de tal confiança para impor qualquer agenda partidária própria. Em 1968, um representante bahá’í foi eleito como membro do Comitê Executivo das Organizações Não-Governamentais afiliado ao Escritório de Informação Pública, subseqüentemente ocupando os cargos de coordenador e vice-coordenador. Deste ponto em diante, representantes da Comunidade viram-se cada vez mais solicitados a participar de funções como convocadores ou coordenadores de um vasto campo de entidades: comitês, oficinas, grupos de trabalho e corpos consultivos. Durante os últimos quatro anos, a Comunidade atuou como secretário da Conferência das Organizações Não-Governamentais, o corpo coordenador central dos grupos não-governamentais afiliados às Nações Unidas.
A estrutura da Comunidade Internacional Bahá’í reflete os princípios que guiam seu trabalho. Não pode ser rotulada como meramente mais um grupo especial de lobistas. Utilizando todos os recursos especializados e a capacidade executiva de seu Escritório das Nações Unidas e Escritório de Informação Pública, a Comunidade foi reconhecida por suas congêneres organizações não-governamentais como essencialmente uma “associação” de “conselhos” nacionais eleitos democraticamente, representativa de um segmento completo da humanidade. As delegações bahá’ís aos eventos internacionais normalmente incluem membros designados por várias Assembléias Espirituais Nacionais, pessoas experientes nos assuntos em discussão e que colaboram provendo perspectivas regionais aos temas em pauta.
Este aspecto do envolvimento da Fé na vida da sociedade – no qual o princípio motivador e o método operacional representam duas dimensões de um enfoque unificado dado aos assuntos sociais – demonstrou seu poder em uma série de conferências de cúpula e outras conferências relacionadas, organizadas pelas Nações Unidas, durante o período de 1990 a 1996. Nesse período de aproximadamente seis anos, os líderes políticos do mundo reuniram-se várias vezes sob a égide do Secretário-Geral das Nações Unidas para tratar dos desafios principais à frente da humanidade à medida que o século vinte chegava ao seu final. Nenhum bahá’í pode rever os temas desses encontros históricos sem perceber quão intimamente a agenda refletiu os principais ensinamentos de Bahá’u’lláh. Parece ser apropriado que o centenário de Sua ascensão devesse ter ocorrido no ponto mediano do processo, dotando as reuniões, para os bahá’ís, de um significado espiritual bem além de suas metas definidas.
Dentre essas reuniões, a Conferência Mundial sobre Educação para Todos, na Tailândia (em 1990), a Cúpula Mundial para as Crianças, em Nova York (em 1990), a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente, no Rio de Janeiro (em 1992), uma angustiante e caótica Conferência Mundial sobre Direitos Humanos, em Viena (em 1993), a Conferência Internacional sobre Assuntos Populacionais, no Cairo (em 1994), a Cúpula Mundial para o Desenvolvimento Social, em Copenhague (em 1995) e a particularmente vibrante Quarta Conferência Mundial sobre Mulheres, em Beijing (em 1995),141 destacam-se como pontos altos deste processo de debate global sobre os problemas que afligem os povos do mundo. Nas conferências não-governamentais realizadas paralelamente às acima citadas, as delegações bahá’ís, formadas por membros de uma grande variedade de países, tiveram a oportunidade de apresentar os assuntos em uma perspectiva espiritual e social. Evidência da confiança que a Comunidade recebe dentre outras centenas de organizações não-governamentais co-irmãs foi o fato de que as delegações bahá’ís foram sempre selecionadas por seus companheiros para a inclusão dentre aqueles pequenos grupos que tiveram a oportunidade muito especial de usar da palavra nas conferências, falando do pódio, mais do que simplesmente distribuindo cópias impressas dos temas apresentados.

?

Durante os anos finais do século, muitas Assembléias Espirituais Nacionais conquistaram vitórias expressivas por si mesmas no campo de assuntos externos. Dois exemplos marcantes mostram o caráter e a importância de tais progressos. O primeiro foi alcançado pela Assembléia Espiritual Nacional da Alemanha, onde a natureza dos corpos bahá’ís eleitos havia sido questionada pelas autoridades locais como sendo tecnicamente incompatível com as exigências da lei civil alemã. Ao apoiar o apelo da Assembléia Espiritual Local dos Bahá’ís de Tübingen contra esta decisão, a Alta Corte constitucional da Alemanha concluiu que a Ordem Administrativa Bahá’í é uma característica integrante da Fé e, como tal, inseparável da crença bahá’í. A Alta Corte justificou sua jurisdição no caso aduzindo evidência que a própria Fé Bahá’í é uma religião, um julgamento com vastas implicações em uma sociedade onde os oponentes da igreja têm, por muito tempo, procurado descrever enganosamente a Causa como um “culto” ou “seita”. O texto definitivo do julgamento merece ser repetido:
... o caráter da Fé Bahá’í como uma religião e da Comunidade Bahá’í como uma comunidade religiosa é evidente, na realidade da vida diária, na tradição cultural e no entendimento do público em geral, como também da ciência de religiões comparadas.142
Mas coube à comunidade bahá’í brasileira alcançar a vitória no campo dos assuntos externos que é, até o momento, singular na história bahá’í. Em 28 de maio de 1992, o corpo legislativo mais elevado no país, a Câmara dos Deputados, realizou uma reunião especial para prestar tributo a Bahá’u’lláh no centenário de Sua ascensão. O presidente dos trabalhos leu uma mensagem da Casa Universal de Justiça e os representantes de todos os partidos se levantaram, um a um, para prestar reconhecimento público à contribuição da Fé e de seu Fundador ao aperfeiçoamento humano. Um comovente pronunciamento de um proeminente deputado descreveu os ensinamentos bahá’ís como “a mais colossal obra religiosa jamais escrita pela pena de um único Homem”.143
Tais referências à natureza da Causa e ao trabalho que tenta realizar – procedentes, como foram, dos níveis judicial e legislativo mais elevados, respectivamente, de duas das maiores nações do mundo – foram vitórias do espírito tão importantes, em sua forma, como aquelas conquistadas no campo de ensino. Elas ajudaram a abrir aquelas portas através das quais a influência curativa de Bahá’u’lláh começa a influir na vida da própria sociedade humana.

A IMAGEM USADA POR ‘ABDU’L-BAHÁ para comunicar aos seus ouvintes a natureza da transformação vindoura da sociedade foi a da luz. A unidade, declarou, é o poder que ilumina e faz progredir todas as formas do esforço humano. A idade que se iniciava seria considerada no futuro como “o século de luz”, porque nela seria alcançado o reconhecimento universal da unidade da humanidade. Com este fundamento assentado, começaria o processo de construção de uma sociedade global que incorporará os princípios da justiça.
A visão foi enunciada pelo Mestre em várias Epístolas e pronunciamentos públicos. Sua expressão mais completa ocorre em uma Epístola enviada por ‘Abdu’l-Bahá a Jane Elizabeth Whyte, esposa do antigo Presbítero da Igreja Livre da Escócia. A Sra. Whyte era simpatizante ardente dos ensinamentos bahá’ís, visitara o Mestre em ‘Akká e mais tarde estaria preparando a recepção particularmente calorosa que Lhe foi dada em Edimburgo. Usando a metáfora familiar das “velas”, ‘Abdu’l-Bahá escreveu à Sra. Whyte:
Ó honrada senhora!... Vede como sua luz [da unidade] agora alvorece no tenebroso horizonte do mundo. A primeira vela é unidade no campo da política, da qual podem ser discernidos os primeiros vislumbres. A segunda vela é unidade de pensamento em realizações mundiais, cuja consumação dentro em breve se haverá de testemunhar. A terceira vela é unidade em liberdade, a qual seguramente se realizará. A quarta vela é unidade na religião, sendo esta a pedra angular do próprio alicerce, a qual, pelo poder de Deus, será revelada em todo seu esplendor. A quinta vela é a unidade das nações – unidade esta que será seguramente estabelecida neste século, fazendo com que todos os povos do mundo considerem-se cidadãos da mesma pátria. A sexta vela é unidade das raças, fazendo todos que habitam a terra povos e semelhantes de uma raça. A sétima vela é unidade de idioma, isto é, a escolha de uma língua universal na qual todos os povos serão instruídos e conversarão. Tudo isso, sem exceção, haverá de se realizar, inevitavelmente, porque o poder do Reino de Deus ajudará e facilitará sua realização.144
Embora ainda se passem décadas – ou talvez muito mais tempo - antes que a visão contida neste extraordinário documento seja inteiramente realizada, os aspectos essenciais do que está prometido são agora fatos estabelecidos no mundo inteiro. Em várias das grandes transformações previstas – a unidade das raças e a unidade da religião – a intenção das palavras do Mestre é clara e os processos envolvidos estão bem adiantados; porém, poderá ainda ocorrer forte resistência em algumas áreas. Em grande parte, o mesmo se aplica à Sua previsão quanto à unidade de idioma. A necessidade desta unidade já é reconhecida em todas as partes, conforme refletida nas circunstâncias que levaram as Nações Unidas e muitas das comunidades não-governamentais a adotarem diversos “idiomas oficiais”. Até que seja tomada uma decisão por acordo internacional, o efeito do progresso alcançado em áreas como a Internet, o controle do tráfego aéreo, o desenvolvimento dos vocabulários técnicos de vários tipos, a própria educação universal, tornou possível, em boa parte, que a língua inglesa suprisse essa carência.
“A unidade de pensamento nas realizações mundiais”, um conceito para qual as aspirações mais idealistas no início do século vinte careciam até de pontos referenciais, está, também, em grande parte, evidente em todas as partes, nos grandes programas de desenvolvimento social e econômico, de ajuda humanitária e preocupação quanto à proteção do meio ambiente do planeta e seus oceanos. Quanto à “unidade no campo da política”, Shoghi Effendi explicou que a referência é à unidade que os estados soberanos realizam entre si, um processo de desenvolvimento cujo estágio atual é o estabelecimento da Organização das Nações Unidas. A promessa do Mestre da “unidade das nações”, por outro lado, visa a atual aceitação geral entre os povos do mundo do fato que, apesar das grandes diferenças existentes entre eles, são todos habitantes de uma mesma terra natal global.
“A unidade em liberdade” tornou-se hoje, com certeza, uma aspiração universal dos habitantes da Terra. Entre as conquistas principais que consubstanciam essa unidade, o Mestre deve ter tido em mente a dramática extinção do colonialismo e o conseqüente surgimento da auto-determinação como um aspecto dominante da identidade nacional ao fim do século.
Quaisquer que sejam as ameaças que ainda perdurem sobre o futuro da humanidade, o fato é que o mundo foi transformado pelos eventos do vigésimo século. E as características desse processo, que foram descritas pela Voz que o predisse com tal confiança, deveriam levar a uma atenta reflexão por parte de mentes sérias em todas as partes.

?
As mudanças ocorridas na vida social e moral da humanidade receberam endosso poderoso em uma série de reuniões internacionais convocadas pelas Nações Unidas para marcar o iminente fim de um “milênio” e o começo de um novo. De 22 a 26 de maio de 2000, representantes de mais de mil organizações não-governamentais reuniram-se em Nova York, a convite de Kofi Annan, Secretário-Geral das Nações Unidas. Na declaração decorrente dessa reunião, porta-vozes da sociedade civil comprometeram suas organizações com o ideal que afirma: “... somos uma família humana, em toda a nossa diversidade, vivendo em uma pátria comum e compartilhando de um mundo justo, sustentável e pacífico, guiado por princípios universais de democracia...”145
Logo depois, de 28 a 31 de agosto de 2000, uma segunda convocação reuniu líderes da maioria das comunidades religiosas do mundo num encontro que também se realizou na sede de Nações Unidas. A Comunidade Internacional Bahá’í esteve presente, representada por seu Secretário-Geral, que falou em uma das sessões plenárias. Nenhum observador poderia ficar insensível ao chamado formal dos líderes religiosos do mundo para suas comunidades “respeitarem o direito à liberdade de religião, buscarem reconciliação e se engajarem em ações de perdão e de cura das feridas. ...”146
Esses dois eventos preliminares prepararam o caminho para o que havia sido designado como a Cúpula do Milênio, encontro realizado na sede das Nações Unidas de 6 a 8 de setembro de 2000. Reunindo 149 chefes de estado e de governo, as consultas tiveram como objetivo dar esperança e garantia às populações das nações representadas. A reunião de Cúpula aprovou algo bem-vindo e esperado por todos, que foi convidar um porta-voz do Fórum das Organizações Não-Governamentais para compartilhar as preocupações que tinham sido identificadas em sua reunião preparatória. Para os bahá’ís, representou uma oportunidade significativa e gratificante o fato da pessoa escolhida para tão grande honra ter sido um bahá’í, o representante oficial de Comunidade Internacional Bahá’í junto às Nações Unidas, na oportunidade atuando como Co-Presidente do Fórum. Nada ilustra tão dramaticamente a diferença entre o mundo de 1900 e o de 2000 quanto o texto da Resolução da Cúpula, assinada por todos os participantes e enviada por eles à Assembléia Geral das Nações Unidas:
Nós solenemente afirmamos, nesta histórica ocasião, que a Organização das Nações Unidas é o indispensável lar comum da inteira família humana, através da qual buscamos realizar nossas aspirações universais de paz, cooperação e desenvolvimento. Portanto, confirmamos nosso apoio irrestrito a esses objetivos comuns e nossa determinação de realizá-los.147
Ao encerrar essa seqüência de encontros históricos, o Sr. Annan dirigiu-se aos líderes mundiais reunidos em Nova York, em termos surpreendentemente francos – termos que, para muitos bahá’ís, são como que ecos das severas admoestações de Bahá’u’lláh àqueles reis e imperadores, hoje desaparecidos, que foram os predecessores desses líderes atuais: “Está em vosso poder, e, portanto, é vossa responsabilidade, realizar os objetivos por vós definidos. Somente vós podereis determinar se as Nações Unidas estarão à altura do desafio”.148

?

A despeito da importância histórica dos encontros e o fato de que a maior parte das lideranças políticas, civis e religiosas tenha delas participado, a Cúpula do Milênio não causou a impressão esperada na mente do público na maioria dos países. Generosa foi a atenção que a mídia deu a alguns dos eventos, mas poucos leitores ou ouvintes deixaram de notar a expressão de ceticismo que caracterizou o tratamento editorial dos assuntos, ou o ar de dúvida – até mesmo de cinismo – demonstrado em muitas das coberturas dadas pela própria mídia. Esta disjunção profunda entre um evento que podia legitimamente considerar-se como sendo um marco de um destacado ponto de mutação na história humana, por um lado, e a falta de entusiasmo ou mesmo de interesse, que teve junto às populações que eram os supostos beneficiários, por outro lado, foi talvez o aspecto mais marcante das observações sobre o milênio, cujo evento acabou expondo a profundidade da crise que o mundo atravessava ao final do século, no qual o processo, tanto de integração como de desintegração, que alcançou destaque durante os últimos cem anos, parece estar se acelerando dia a dia.
Aqueles que anelam crer nas declarações visionárias dos líderes mundiais se defrontam, ao mesmo tempo, com dois fenômenos que solapam sua confiança. O primeiro já foi considerado, parcialmente, nestas páginas. O colapso das bases morais da sociedade deixou a maior parte da humanidade desorientada e sem pontos de referência em um mundo que se torna cada vez mais ameaçador e imprevisível. Sugerir que o processo praticamente chegou ao fim seria apenas levantar falsas esperanças. Pode-se ver que intensos esforços políticos estão sendo feitos, que os impressivos avanços científicos continuam, ou que melhoraram as condições econômicas para uma boa parte da humanidade – sem se ver em tais desenvolvimentos qualquer sinal de esperança de uma vida segura para a pessoa, ou, mais importante, para seus filhos. O sentimento de desilusão que, Shoghi Effendi advertiu, o crescimento da corrupção política iria criar na mente das massas da humanidade, está agora generalizado. O aumento da violência e da ilegalidade tornou-se pandêmico, tanto nos meios urbanos quanto nas áreas rurais em muitas regiões. A falta de controle social, o esforço para justificar as mais estranhas formas de aberração de conduta como sendo principalmente questões de direitos humanos, e a quase universal ocorrência, nas artes e na mídia, da degenerescência e violência – estas e outras manifestações similares de uma condição que se aproxima da anarquia moral, indicam um futuro que paralisa a imaginação. Contra o cenário desta desolada paisagem, o hábito intelectual em voga nesta era, buscando tirar virtudes da triste necessidade, adotou para si o nome e a missão de “desconstrucionismo”.
O segundo desses dois desenvolvimentos que minam a fé no futuro da humanidade, foi o ponto crucial de alguns dos mais angustiantes debates da Cúpula do Milênio. A revolução ocorrida nos sistemas de informação na última década do século, com a invenção da World Wide Web, transformou irreversivelmente muitas das atividades humanas. O processo de “globalização”, que havia seguido uma longa curva ascendente durante um período de vários séculos, foi galvanizado por novos poderes que estão além da imaginação de muitas pessoas. As forças econômicas, que estão rompendo barreiras tradicionais, trouxeram à existência durante as últimas décadas do século uma nova ordem global no planejamento, geração e distribuição da riqueza. O próprio conhecimento tornou-se algo significativamente valioso, mais valioso até mesmo que o capital financeiro e os recursos materiais. Em um impressionantemente curto espaço de tempo, as fronteiras nacionais, já ameaçadas, tornaram-se permeáveis, resultando que enormes somas agora passassem instantaneamente por elas, ao comando de um sinal de computador. Complexas operações de produção foram reconfiguradas de forma a integrar e maximizar as economias disponíveis com a contribuição de um vasto número de participantes especialistas, independentemente do país em que se localizem. Se alguém reduzir seus horizonte a considerações puramente materiais, a terra já assumiu algo do caráter de “um só país” e os habitantes das diferentes terras o status de seus “cidadãos” consumidores.
Nem é esta transformação meramente econômica. De forma crescente, a globalização assume dimensões políticas, sociais e culturais. Tornou-se evidente que os poderes da instituição “estado-nação”, que já foi o juiz e protetor dos destinos da humanidade, foram drasticamente desgastados. Enquanto governos nacionais continuam a exercer um papel crucial em todo o processo de globalização, eles devem agora abrir espaço para os novos centros de poder como as corporações multinacionais, os órgãos das Nações Unidas, as organizações não-governamentais de todos os tipos e os enormes conglomerados da mídia, cuja cooperação geral é vital para o sucesso de muitos programas que visam alcançar significativos fins sociais e econômicos. Assim como a migração do dinheiro de corporações encontra pouca resistência nas fronteiras nacionais, nem podem estas últimas exercer por mais tempo controle efetivo sobre a disseminação do conhecimento. A comunicação via Internet, que tem a habilidade de transmitir em segundos todo o conteúdo de bibliotecas que levaram séculos de estudo para serem reunidas, enriquece vastamente a vida intelectual de alguém que saiba usá-la, como também provê capacitação sofisticada e de amplo alcance em todos os campos profissionais. O sistema, tão profeticamente previsto por Shoghi Effendi há sessenta anos, cria um senso de comunidade compartilhada entre seus usuários, uma comunidade impaciente com outras distâncias, tanto culturais como geográficas.
Os benefícios para muitos milhões de pessoas são óbvios e impressionantes. A efetividade de custo que resulta da coordenação das operações anteriormente competitivas entre si tende a criar bens e serviços ao alcance de populações que até então não podiam esperar usufrui-los. Os enormes aumentos de fundos disponíveis para pesquisa e desenvolvimento expandiram a variedade e quantidade desses benefícios. Algo de efeito nivelador na distribuição de oportunidades de emprego pode ser visto na facilidade com que as operações comerciais podem mudar de uma base para outra em qualquer parte do mundo. O abandono das barreiras ao comércio internacional reduz ainda mais o custo das mercadorias para os consumidores. Não é difícil observar, de uma perspectiva bahá’í, o potencial de tais transformações para o estabelecimento das estruturas da sociedade global prevista nos Escritos de Bahá’u’lláh.
Longe de inspirar otimismo sobre o futuro, porém, a globalização é vista, de uma forma geral e por crescente número de pessoas no mundo, como a principal ameaça àquele futuro. A violência dos distúrbios decorrentes das reuniões da Organização Mundial do Comércio, do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional durante os últimos dois anos, dá testemunho da profundidade do temor e ressentimento que o surgimento da globalização provocou. A cobertura da mídia dessas inesperadas explosões de emoções chamou a atenção pública sobre os protestos contra a enorme disparidade na distribuição de benefícios e oportunidades, os quais a globalização parece somente aumentar, e sobre as advertências de que, se controles efetivos não forem rapidamente impostos, as conseqüências serão catastróficas, em termos sociais e políticos, como também econômicos e ambientais.
Tais preocupações parecem ser justificadas. Olhando apenas para as estatísticas econômicas, pode-se ter um retrato de como são profundamente perturbadoras as atuais condições globais. A distância cada vez maior entre o quinto da população mundial que vive nos países de maior renda e outro quinto que vive nos países de menor renda é suficiente para nos mostrar uma realidade muito lamentável. De acordo com o Relatório sobre o Desenvolvimento Humano, de 1999, publicado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, esta distância representava, em 1990, a proporção de sessenta para um. Isso significa que um segmento da humanidade tinha acesso a sessenta por cento da riqueza do mundo, enquanto outra população, igualmente grande, lutava apenas para sobreviver com um por cento daquela riqueza. Em 1997, como conseqüência do rápido avanço da globalização, o abismo havia se alargado em somente sete anos a uma proporção de setenta e quatro para um. Mesmo este fato assustador não leva em consideração o crescente empobrecimento da maioria dos restantes bilhões de seres humanos confinados num istmo cada vez mais estreito entre esses dois extremos. Longe de ser controlada, a crise claramente se acelera. As implicações para o futuro da humanidade, em termos da privação e desespero que envolvem mais de dois terços da população da Terra, explicam as razões da apatia em relação à celebração pela Cúpula do Milênio de realizações que eram, por todos os critérios razoáveis, verdadeiramente históricos.
A própria globalização é um aspecto intrínseco da evolução da sociedade humana. Trouxe à existência uma cultura sócio-econômica que, a nível prático, constitui o mundo no qual as aspirações da raça humana serão perseguidas no século que se inicia. Nenhum observador objetivo, se for razoável em seu julgamento, negará que ambas as reações contraditórias que estão surgindo são, em grande parte, bem justificadas. A unificação da sociedade humana, forjada pelos fogos do século vinte, é uma realidade que a cada dia que passa abre novas e encorajadoras possibilidades. Uma realidade que também está sendo imposta a mentes importantes em toda parte é a afirmativa de que a justiça é o único meio capaz de arrear essas grandes potencialidades para o progresso da civilização. Não mais se faz necessário o dom da profecia para se entender que o destino da humanidade, no século que agora se inicia, será determinado pelo relacionamento a ser estabelecido entre essas duas forças fundamentais do processo histórico, os princípios inseparáveis de unidade e justiça.

?

Na perspectiva dos ensinamentos de Bahá’u’lláh, o maior perigo, tanto da crise moral como das iniqüidades associadas com a globalização em sua forma atual, é uma atitude filosófica intrínseca que busca justificar e desculpar tais fracassos. A derrubada dos sistemas totalitários do século vinte não significou o fim da ideologia. Pelo contrário. Não existe uma sociedade na história do mundo, por mais pragmática, experimentalista e multiforme que tenha sido, que não haja derivado sua filosofia política de alguma interpretação dos fundamentos da realidade. Tal sistema de pensamento reina ainda hoje através do planeta, praticamente sem ser desafiado, sob a designação nominal de “civilização ocidental”. Filosófica e politicamente, ela se apresenta como um tipo de relativismo liberal; econômica e socialmente, como capitalismo – dois sistemas de valores que agora se ajustaram um ao outro e se tornaram tão mutuamente reforçadores que se constituem numa única e abrangente visão do mundo.
A apreciação dos benefícios – em termos da liberdade pessoal, prosperidade social e progresso científico usufruídos por uma significativa minoria dos povos da Terra – não pode impedir uma pessoa consciente de reconhecer que o sistema está moral e intelectualmente falido. Contribuiu com o que podia para o avanço da civilização, como fizeram os sistemas que o precederam e, como aqueles, é também incapaz de resolver as necessidades de um mundo jamais imaginado pelos profetas que viveram no século dezoito e que conceberam a maioria de seus elementos componentes. Shoghi Effendi não limitou sua atenção às monarquias que reclamavam o direito divino de existir às igrejas estabelecidas ou às ideologias totalitárias, quando questionou, de maneira penetrante: “Por que, em um mundo sujeito à imutável lei de transformação e declínio, tais sistemas estariam isentos da deterioração que deve necessariamente ocorrer em todas as instituições humanas?”149
Bahá’u’lláh convoca a todos os que nEle crêem para ver “com teus próprios olhos e não com os alheios”, a saber “pela tua própria compreensão e não pela compreensão de teu semelhante”. Tragicamente, o que os bahá’ís vêem na sociedade atual é uma exploração desenfreada das massas da humanidade pela ganância que procura se justificar como a operação das “formas impessoais do mercado”. O que seus olhos observam em toda parte é a destruição das bases morais vitais ao futuro da humanidade, pela total auto-indulgência mascarada como “liberdade de expressão”. Aquilo contra o que se vêem lutando diariamente é a pressão de um materialismo dogmático, afirmando ser a voz da “ciência”, que busca excluir, sistematicamente, da vida intelectual, todos os impulsos que surgem do nível espiritual da consciência humana.
E para um bahá’í os assuntos decisivos são espirituais. A Causa não é um partido político, nem uma ideologia, muito menos um instrumento de agitação política contra este ou aquele mal social. O processo de transformação que colocou em ação segue avante buscando criar uma mudança fundamental de consciência, e o desafio que coloca diante de todos os que dela participam é libertar a pessoa dos apegos às preferências e pontos de vistas herdados, que são irreconciliáveis com a Vontade de Deus para a era de maturidade da humanidade. Paradoxalmente, mesmo a angústia causada pelas condições prevalecentes, que violam a consciência da pessoa, ajudam neste processo de libertação espiritual. Em uma análise final, tal desilusão leva o bahá’í a confrontar-se com uma verdade enfatizada repetidamente nos Escritos da Fé:
Dentre o mundo inteiro Ele escolheu os corações de Seus servos e de cada um fez um assento para a revelação de Sua glória. Santificai-os, pois, de toda contaminação, para que neles seja gravadas as coisas para as quais eles foram criados.150
A AFIRMATIVA CONSTANTE do Evangelho, atribuída ao discípulo de Jesus, João – “No começo era o Verbo...” – tem fascinado leitores por dois mil anos. A passagem continua, afirmando, com empolgante simplicidade e clareza, uma verdade espiritual que tem sido um ponto central em todas as religiões reveladas, vindicada continuamente em uma sucessão de civilizações através dos tempos: “Ele estava no mundo, e o mundo foi criado por Ele”. A prometida Manifestação de Deus aparece; uma comunidade de crentes se forma em torno deste ponto focal de vida e autoridade espirituais; um novo sistema de valores começa a reordenar tanto a consciência quanto a conduta; as artes e as ciências respondem; uma reestruturação das leis e da administração dos assuntos sociais ocorre. Vagarosamente, mas de forma irresistível, surge uma nova civilização, uma civilização que satisfaz os ideais e, desta forma, utiliza as capacidades de milhões de seres humanos que, na verdade, constituem um novo mundo, um mundo muito mais real para aqueles que nela “vivem, movem-se e têm sua existência”151 do que as bases terrenas sobre as quais se assenta. Através dos séculos que se seguem, a sociedade continua a depender primariamente, para sua coesão e autoconfiança, do impulso espiritual que a gerou.
Com o aparecimento de Bahá’u’lláh, o fenômeno se repetiu –- agora em uma escala que abrange a totalidade dos habitantes da terra. Nos eventos do século vinte, podem ser vistos os primeiros estágios da transformação universal da sociedade colocada em ação pela Revelação da qual Bahá’u’lláh escreveu:
Dou testemunho de que, tão logo a Primeira Palavra procedeu de Sua boca, através da potência de Tua vontade e propósito... a criação inteira foi revolucionada, e tudo o que há nos céus e tudo o que existe na terra foi abalado profundamente. Através da Palavra, as realidades de coisas criadas foram sacudidas, divididas, separadas, espalhadas, combinadas e reunidas, mostrando, tanto no mundo contingente como no reino celestial, entidades de uma nova criação, e revelando, nos reinos invisíveis, os sinais e símbolos de Tua unidade e unicidade.152
Shoghi Effendi descreve este processo da unificação do mundo como o “Plano Maior” de Deus, cuja operação continuará, reunindo força e ímpeto, até que a raça humana seja unificada em uma sociedade global que terá banido a guerra e assumido seu destino coletivo. O que as lutas do século vinte conseguiram foi a fundamental mudança de direção exigida pelo propósito Divino. Esta mudança é irreversível. Não existe volta a um antigo estado de coisas, embora alguns elementos da sociedade possam, de vez em quando, ser tentados a buscar tal caminho.
A importância do avanço histórico ocorrido não pode ser de forma alguma minimizada pelo reconhecimento que o processo tenha apenas começado. Este deverá levar, com o decorrer do tempo, como Shoghi Effendi deixou bem claro, à espiritualização da consciência humana e ao surgimento de uma civilização global que encarnará a Vontade de Deus. Meramente afirmar a meta é reconhecer a grande distância que a raça humana tem ainda que atravessar. Foi enfrentando a mais intensa resistência em todos os níveis da sociedade, entre governantes e governados de forma igual, que as mudanças conceituais sociais e políticas dos últimos cem anos foram alcançadas. Na realidade, foram conseguidas somente ao custo de terríveis sofrimentos. Seria irreal imaginar que os desafios à frente não irão aumentar em muito a carga que pesa sobre a raça humana, que ainda busca, por todos os meios ao seu alcance, evitar as implicações espirituais das experiências pelas quais está passando. As palavras de Shoghi Effendi sobre as conseqüências desta teimosia, tanto no coração como na mente das pessoas, fazem delas uma leitura que leva a uma reflexão profunda:
Adversidades, assustadoras como não se pode imaginar; crises e revoltas, com as quais nem sonhamos; guerra, fome e doenças, poderão, combinadas, gravar na alma de uma geração desatenta aquelas verdades e princípios que desdenhou reconhecer e seguir.153

?

Apenas um terço do século vinte havia transcorrido quando o Guardião convocou os seguidores de Bahá’u’lláh a uma compreensão bem mais profunda da própria Causa da que até então haviam alcançado. A Fé havia atingido o ponto, disse ele, quando deveria “cessar de designar-se um movimento, uma fraternidade, ou algo semelhante”, designações que, embora talvez apropriadas em um tempo quando a mensagem foi pela primeira vez introduzida no Ocidente, usadas agora “cometiam uma grave injustiça ao seu sistema cada vez mais abrangente”. Deveria ser rejeitado, como inadequado, até mesmo o termo “religião” em seu sentido mais conhecido. Shoghi Effendi destacou que a Fé estava já:
... visivelmente conseguindo demonstrar sua pretensão e seu direito de ser considerada como uma Religião Mundial, destinada a alcançar, com o decorrer do tempo, a condição de uma Comunidade Mundial, que seria ao mesmo tempo o instrumento e o guardião da Paz Máxima anunciada por seu Autor.154
À medida que o século avançou, a mesma Força criativa que estava despertando a generalidade da humanidade para sua unidade, progressivamente liberava os poderes inerentes na Causa, criando um novo papel para ela nos assuntos humanos. Durante as duas primeiras décadas do século, através da atenção carinhosa do Mestre, as bases espirituais e administrativas necessárias ao propósito de Bahá’u’lláh foram estabelecidas. Sobre essas bases, então disponíveis – durante os trinta e seis anos de seu próprio ministério, e nos seis anos subseqüentes durante os quais sua Cruzada Mundial de Dez Anos guiou os esforços da comunidade – Shoghi Effendi devotou-se a aprimorar os instrumentos administrativos necessários para levar avante o Plano Divino. Com o estabelecimento esperado, em 1963, da Casa Universal de Justiça, os bahá’ís do mundo iniciaram o primeiro estágio de uma missão de longa duração: o fortalecimento espiritual da humanidade inteira como protagonista de seu próprio progresso. Ao final do século, este esforço imenso trouxera à existência uma comunidade representativa da diversidade da inteira raça humana, unificada em suas crenças e fidelidade, e comprometida com a construção de uma sociedade global que irá refletir na terra a visão moral e espiritual de seu Fundador.
Este processo foi imensamente fortalecido em 1992 pela publicação da longamente esperada tradução em inglês, em edição enriquecida de notas esclarecedoras, do Kitáb-i-Aqdas, um repositório da guia Divina para a era de maturidade da humanidade. Logo a seguir, começaram a surgir traduções em outros idiomas, provendo aos seguidores da Fé no mundo inteiro acesso direto ao Livro descrito por seu Autor como: “a Alvorada do conhecimento divino, se sois dos que percebem, a Fonte dos mandamentos de Deus, se sois dos que compreendem”.155 Além do reconhecimento do Manifestante de Deus pelo ser humano, nada mais desperta tão grande senso de confiança e vitalidade na consciência humana – tanto individual quanto coletiva – como a força da certeza moral. No Kitáb-i-Aqdas, leis que são fundamentais tanto à vida pessoal como comunitária, foram reformuladas no contexto de uma sociedade que abarca todas as nuanças da diversidade humana. Novas leis e conceitos atendem a todas as necessidades de uma raça humana que está entrando em sua maturidade coletiva. “Ó povos da terra!”, é o apelo de Bahá’u’lláh, “Rejeitai o que possuís e, nas asas do desprendimento, elevai-vos acima de tudo o que foi criado. Assim vos ordena o Senhor da criação, o movimento de Cuja Pena revolucionou a alma da humanidade”.156
Um aspecto dos últimos cem anos do desenvolvimento bahá’í que deve chamar a atenção de qualquer observador é o sucesso da Fé em superar os ataques lançados contra ela. Como ocorreu durante os ministérios do Báb e de Bahá’u’lláh, elementos na sociedade que se ressentiam com o surgimento de uma nova religião, ou temiam os princípios que ensinava, buscaram, de todas as formas possíveis, sufocá-la. Nem sequer uma década do último século passou sem que se testemunhassem tentativas neste sentido – desde perseguições sangrentas incitadas pelo clero xiita e as indecentes falsidades forjadas e espalhadas por suas correlativas cristãs, a esforços sistemáticos para suprimi-la de parte de vários regimes totalitários e, finalmente, violações de seu comprometimento com Bahá’u’lláh por parte de alguns insinceros, ambiciosos e malévolos dentre seus adeptos declarados. Por qualquer medida humana, a Causa deveria ter sucumbido à forte avalanche de oposição, sem paralelo na história de nosso tempo. Longe de sucumbir, floresceu. Sua reputação cresceu, o número de seus adeptos aumentou, sua influência espalhou-se além do que imaginaram gerações anteriores de seus seguidores. As perseguições serviram para galvanizar os esforços de seus seguidores. As calúnias levaram seus crentes a buscarem um entendimento mais maduro de sua história e ensinamentos. E, como prometido, tanto pelo Mestre como pelo Guardião, a violação do Convênio varreu para fora de suas fileiras aquelas pessoas cuja conduta e atitudes ameaçavam solapar a fé de outros crentes e inibir seu progresso. Se a Causa não tivesse qualquer outro testemunho dos poderes que a sustêm, essa sucessão de triunfos seria suficiente, por si só, para prová-los.

?

Três anos antes de seu falecimento, Shoghi Effendi aproveitou a oportunidade para adquirir a última parcela de terra necessária para construir o Edifício dos Arquivos Internacionais, descrevendo ao mundo bahá’í a natureza e a importância do projeto de construção dos edifícios nas encostas do Monte Carmelo, que o Mestre havia inaugurado e a que ele próprio estava dando continuidade:
Estes Edifícios, na forma de um extenso arco, e seguindo um estilo harmonizado de arquitetura, circundarão os sepulcros da Folha Mais Sagrada... de seu Irmão... e de sua Mãe. ... O término final deste estupendo empreendimento marcará a culminação do desenvolvimento de uma Ordem Administrativa, mundial em seu alcance e divinamente ordenada, cujos primórdios datam dos anos finais da Idade Heróica da Fé.157
O estágio atual desta ambiciosa empreitada chegou à sua conclusão de forma vitoriosa no último ano do século. Uma torrente de recursos dos crentes em todo o mundo foi a resposta para tornar realidade a visão de Bahá’u’lláh sobre este local sagrado, anunciada em Sua Epístola do Carmelo: “Exultai, pois Deus, neste Dia, estabeleceu sobre ti Seu trono, fez de ti o alvorecer de Seus sinais e a aurora das evidências de Sua Revelação.” No complexo de majestosos edifícios que se estendem ao longo do Arco e nas escadarias dos jardins em patamares que sobem desde a base da montanha até seu cume, a Causa, cuja influência se expandiu fortemente através do mundo durante o século de luz, emergiu, por fim, com uma presença visível e poderosa. As multidões de visitantes de todas as terras que se aglomeram, todos os dias, na escadaria e nos caminhos que a circundam, e a onda de distinguidos hóspedes que são recebidos nos salões do Centro Mundial, fazem com que mentes atentas sintam, de alguma forma, o alvorecer do cumprimento da visão registrada há 2.300 anos pelo Profeta Isaías: “E virá o tempo, nos últimos dias, que a montanha da casa do Senhor será estabelecida no alto das montanhas, e será exaltada acima das colinas; e todas as nações fluirão para ela”.158
A Causa Bahá’í se distingue, acima de tudo, por sua natureza como um todo orgânico independente. Incorporando o princípio da unidade que se encontra na raiz da Revelação de Bahá’u’lláh, esta natureza é o sinal da presença do Espírito que anima a Fé. Única entre as religiões da história – e a despeito dos repetidos esforços de quebrarem sua unidade – a Causa tem resistido, sempre com sucesso, à constante ameaça de cisma e facções. O sucesso do trabalho de ensino da comunidade é assegurado pelo fato de que os instrumentos que utiliza foram criados pela própria Revelação, que foram os Fundadores da Fé que conceberam os métodos para a realização do Plano Divino, e que foram Eles que guiaram, em todos os detalhes importantes, o lançamento desta empreitada. Durante o século vinte, através dos esforços de ‘Abdu’l-Bahá e do Guardião, o próprio Monte Carmelo tornou-se uma expressão desta unidade da Fé. Em contraste com as circunstâncias de outras religiões mundiais, os centros administrativo e espiritual da Causa estão ligados inseparavelmente neste mesmo local da Terra, suas instituições orientadoras centralizadas no Santuário de seu Profeta martirizado. Para muitos visitantes, mesmo a harmonia que é conseguida com a variedade de flores, árvores e plantas que envolvem os jardins, parece proclamar o ideal de unidade na diversidade que eles reconhecem ser uma característica vital nos ensinamentos da Fé.
Nada marcou de modo mais dramático a conclusão dos cem anos de realizações do que o evento que também causou profundo pesar nos crentes do mundo inteiro. Em 19 de janeiro de 2000, uma mensagem da Casa Universal de Justiça anunciou:
Nas primeiras horas desta manhã, a alma de Amatu’l-Bahá Rúhíyyih Khánum, bem-amada consorte de Shoghi Effendi e o último elo bahá’í remanescente no mundo com a família de ‘Abdu’l-Bahá, foi libertada das limitações desta existência terrena... Seus vinte anos de íntima associação com Shoghi Effendi evocaram de sua pena tais referências como “minha companheira”, “meu escudo”, “minha colaboradora incansável nas árduas tarefas que pesam sobre meus ombros”. ...
Assim que o choque inicial começou a diminuir, o reconhecimento de ainda outra das intermináveis graças de Bahá’u’lláh gradualmente foi tomando seu lugar. Para uma figura cuja longa vida se estendeu pela maior parte do século – e cujo espírito indomável sustentou lutas e sacrifícios pela Fé por mais da metade de sua vida – foi concedida vida e oportunidade para comemorar as magnificentes vitórias para as quais ela, de forma tão grandiosa, contribuíra.

?

Ao convocar aqueles que O reconheceram para compartilhar a mensagem do Dia de Deus com os outros, Bahá’u’lláh utiliza novamente a linguagem da própria criação: “Todo corpo clama por uma alma. Almas celestiais precisam ser despertadas com o sopro do Verbo de Deus, e os corpos mortos vivificados com um novo espírito”.159 O princípio é verdadeiro tanto para a vida coletiva da humanidade, ‘Abdu’l-Bahá assinala, como para a vida de seus membros individuais: “A civilização material é como o corpo. Por infinitas que sejam sua formosura, graça e beleza, ele é morto. A civilização divina é como o espírito, e o corpo obtém sua vida do espírito... .”160
Nesta analogia é resumida a relação entre os dois desenvolvimentos históricos da Vontade de Deus, impulsionados ao longo de convergentes caminhos durante o século de luz. Somente uma pessoa cega às capacidades sociais e intelectuais latentes na raça humana, e insensível às desesperadoras necessidades da humanidade, poderia deixar de sentir profunda satisfação com os avanços alcançados por aquela sociedade nos últimos cem anos, e particularmente com os processos que estão unindo os povos e nações do mundo. Quão mais são tais realizações apreciadas pelos bahá’ís, que vêem nelas o próprio Propósito de Deus. Mas este Corpo da civilização material da humanidade clama em alta voz, anseia cada vez mais desesperadamente a cada dia que passa, por sua Alma. Como toda grande civilização na história, até que essa civilização seja desta forma vivificada, e despertadas suas faculdades espirituais, não encontrará nem paz nem justiça, nem uma unidade que esteja acima do nível de negociação e acordo. Dirigindo-Se aos “representantes eleitos dos povos em todas as terras”, Bahá’u’lláh escreveu:
Aquilo que o Senhor ordenou como o remédio soberano e o mais poderoso instrumento para a cura de todo o mundo é a união de todos os seus povos em uma Causa universal, em uma Fé comum.161
Não é, portanto, apenas a provisão de apoio, nem de encorajamento, nem mesmo de exemplos, que constitui o trabalho principal da Causa. A comunidade bahá’í continuará a contribuir, de todas as formas possíveis, aos esforços que levem à unificação global e à melhoria social; mas tais contribuições são secundárias ao seu propósito. Seu propósito básico é ajudar os povos do mundo a abrirem suas mentes e corações ao único Poder que pode atender ao seu anseio mais profundo. Não existe alguém, exceto aqueles que tenham se despertado à Revelação de Deus, capaz de prover tal ajuda. Não existe alguém que possa oferecer um testemunho evidente da vinda de um mundo de paz e justiça, a não ser aqueles que entendem, embora vagamente, as palavras com as quais a Voz de Deus convocou Bahá’u’lláh a levantar-Se e empreender Sua missão:
Podes tu descobrir qualquer outro, senão Eu, ó Pena, neste Dia? Que sucedeu com a criação e suas manifestações? E com os nomes e seu reino? Aonde foram todas as coisas criadas, quer visíveis ou invisíveis? Que sucedeu com os segredos do universo e suas revelações? Eis, a criação inteira passou! Nada resta senão Minha Face, a Sempiterna, a Resplandecente, a Toda-Gloriosa.
Este é o Dia em que nada pode ser visto a não ser os esplendores da Luz que irradia da face de Teu Senhor, o Clemente, o Mais Generoso. Em verdade, fizemos cada alma expirar em virtude de Nossa soberania irresistível e predominante. Então chamamos para a existência uma criação nova, em sinal de Nossa graça aos homens. Sou, verdadeiramente, o Todo-Generoso, o Ancião dos Dias”.162

Referências

1. Shoghi Effendi, O Advento da Justiça Divina (Rio de Janeiro: Editora Bahá’í do Brasil, 1977), pp. 123-124.
2. Shoghi Effendi, O Dia Prometido Chegou (Mogi-Mirim: Editora Bahá’í do Brasil, 1998), p. 1.
3. Eric Hobsbawm, Age of Extremes: The Short Twentieth Century, 1914-1991 (Londres: Abacus, 1995), p. 584.
4. Leopoldo II, Rei dos Belgas, operou a colônia como uma reserva particular durante cerca de três décadas (1877-1908). As atrocidades perpetradas sob seu desgoverno suscitaram protestos internacionais e, em 1908, ele foi forçado a entregar o território à administração do governo belga.
5. Os processos que resultaram nestas mudanças foram detalhados por A. N. Wilson, et al., God’s Funeral (Londres: John Murray, 1999). Em 1872, um livro publicado por Winwood Reade sob o título The Martyrdom of Man (Londres: Pemberton Publishing, 1968), que se tornou algo como uma “bíblia” secular nas primeiras décadas do século vinte, manifestou a confiança de que “finalmente, os homens dominarão as forças da Natureza. Eles mesmos se tornarão arquitetos de sistemas, fabricantes de mundos. O homem então será perfeito; ele será um criador; portanto, ele será aquilo que os vulgares adoram como um deus”. Citado por Anne Glyn-Jones, Holding up a Mirror: How Civilizations Decline (Londres: Century, 1996), pp. 371-372.
6. ‘Abdu’l-Bahá, Seleção dos Escritos de ‘Abdu’l-Bahá (Mogi-Mirim: Editora Bahá’í do Brasil, 1993), pp. 28-29.
7. ‘Abdu’l-Bahá, O Segredo da Civilização Divina (Mogi-Mirim: Editora Bahá’í do Brasil, 2003), p. 2-3.
8. Makátib-i-’Abdu’l-Bahá (Tablets of ‘Abdu’l-Bahá), vol. 4 (Teerã: Iran National Publishing Trust, 1965), pp. 132-134.
9. Idem.
10. Idem.
11. A escola foi fechada em 1934, por ordem de Reza Sháh, porque havia comemorado os Dias Sagrados bahá’ís como feriados religiosos. Seguiu-se o fechamento de todas as outras escolas bahá’ís no Irã.
12. Vide The Bahá’í World, vol. XIV (Haifa: Bahá’í World Centre, 1975), pp. 479-481, para a história.
13. Shoghi Effendi, The World Order of Bahá’u’lláh (Wilmette: Bahá’í Publishing Trust, 1991), p. 156.
14. “O círculo mais externo deste vasto sistema, o correlativo visível da posição primordial conferida ao Arauto da nossa Fé, é o próprio planeta inteiro. Dentro do coração deste planeta se encontra a ‘Terra Mais Sagrada’, aclamada por ‘Abdu’l-Bahá como ‘o Ninho dos Profetas’, e que deve ser considerado o centro do mundo e o Qiblih das nações. Dentro desta Terra Mais Sagrada se ergue a Montanha de Deus, de santidade imemorial, a Vinha do Senhor, o Retiro de Elias – cujo retorno o próprio Báb simboliza. Repousando no seio desta montanha sagrada se encontram as amplas propriedades permanentemente dedicadas ao, e constituindo o sagrado recinto do, santo Sepulcro do Báb. No meio destas propriedades, reconhecidas como as dotações internacionais da Fé, situa-se o pátio mais sagrado, um invólucro constando de jardins e patamares que ao mesmo tempo embelezam e emprestam um charme todo especial a este recinto sagrado. Abrigado nesta paisagem linda e verdejante ergue-se, em toda sua delicada beleza, o mausoléu do Báb – a concha destinada a preservar e adornar a estrutura original levantada por ‘Abdu’l-Bahá como o sepulcro do Arauto-Mártir da nossa Fé. Dentro desta concha está entesourada aquela Pérola de Grande Valor, o sacrário – aqueles cômodos que constituem o próprio túmulo e que foram construídos por ‘Abdu’l-Bahá. No coração deste sacrário fica o tabernáculo, a câmara mortuária onde repousa o caixão mais sagrado. Dentro desta câmara mortuária descansa o sarcófago alabastrino em que está depositada aquela jóia de valor inestimável, o sagrado pó do Báb”. Shoghi Effendi, Citadel of Faith (Wilmette: Bahá’í Publishing Trust, 1995), pp. 95-96.
15. Idem, p. 95.
16. Shoghi Effendi, A Presença de Deus (Rio de Janeiro: Editora Bahá’í do Brasil, 1981) p. 374.
17. H. M. Balyuzi, ‘Abdu’l-Bahá: The Centre of the Covenant of Bahá’u’lláh, 2a ed. (Oxford: George Ronald, 1992), p. 136.
18. ‘Abdu’l-Bahá, Seleção dos Escritos de ‘Abdu’l-Bahá, op. cit., pp. 221-222.
19. Shoghi Effendi, A Presença de Deus, op. cit., p. 350.
20. Idem, p. 351.
21. The Bahá’í Centenary, compilado pela Assembléia Espiritual Nacional dos Bahá’ís dos Estados Unidos e Canadá, 1944, Wilmette, pp. 140-141.
22. Shoghi Effendi, A Presença de Deus, op. cit., p. 378-379.
23. ‘Abdu’l-Bahá in London: Addresses and Notes of Conversations (Londres, Bahá’í Publishing Trust, 1982), pp. 19-20.
24. ‘Abdu’l-Bahá, Epístolas do Plano Divino (Mogi-Mirim: Editora Bahá’í do Brasil, 2001) p. 96.
25. Shoghi Effendi, A Presença de Deus, op. cit., pp. 380-381.
26. ‘Abdu’l-Bahá, The Promulgation of Universal Peace (Wilmette: Bahá’í Publishing Trust, 1995), p. 121.
27. ‘Abdu’l-Bahá, Seleção dos Escritos de ‘Abdu’l-Bahá, op. cit., p. 90.
28. Idem, p. 18.
29. ‘Abdu’l-Bahá, The Promulgation of Universal Peace, op. cit., pp. 455-456.
30. Juliet Thompson, The Diary of Juliet Thompson (Los Angeles: Kalimát Press, 1983), p. 313.
31. Shoghi Effendi, A Presença de Deus, op. cit., p. 333.
32. Bahá’í World Faith (Wilmette: Bahá’í Publishing Trust, 1976), p. 429.
33. ‘Abdu’l-Bahá in Canada (Forest: National Spiritual Assembly of Canada, 1962), p. 51.
34. ‘Abdu’l-Bahá, Palestras de ‘Abdu’l-Bahá – Paris 1911 (Mogi-Mirim: Editora Bahá’í do Brasil, 1997), p. 50-51.
35. Eric Hobsbawm, Age of Extremes: The Short Twentieth Century, 1914-1991, op. cit., p. 23.
36. Seleção dos Escritos de Bahá’u’lláh (Mogi-Mirim: Editora Bahá’í do Brasil, 2001), seção CXXV.
37. Edward R. Kantowicz, The Rage of Nations (Cambridge: William B. Eerdmans Publishing Company, 1999) p. 139. Kantowicz acrescenta que a perda total de população na Europa foi de quarenta e oito milhões, incluindo quinze milhões que foram “varridos” porque sua condição precária de saúde tornou-os vulneráveis à epidemia de gripe ocorrida depois da guerra, e por motivo da redução causada pela grande queda no coeficiente de natalidade em conseqüência desses desastres. Hobsbawm estima que a França perdeu quase vinte por centro de seus homens em idade militar. A Inglaterra perdeu um quarto de seus graduados de Oxford e Cambridge, que serviram no exército durante a guerra, enquanto que a perda na Alemanha chegou a um milhão e oitocentos, ou treze por cento da população em idade militar (Vide Eric Hobsbawm, Age of Extremes: The Short Twentieth Century, 1914-1991, op. cit., p. 26).
38. O Presidente Wilson teve várias biografias nos anos desde sua morte. Três delas, mais recentes, são: Louis Auchincloss, Woodrow Wilson. (Nova York: Viking Penguin, 2000); A. Clement Kendrich, Woodrow Wilson: World Statesman. (Lawrence: University Press of Kansas, 1987); Thomas J. Knock, To End All Wars: Woodrow Wilson and the Quest for a New World Order. (Oxford: Oxford University Press, 1992).
39. ‘Abdu’l-Bahá, The Promulgation of Univesal Peace, op. cit., p. 305.
40. Shoghi Effendi, Citadel of Faith, op. cit., p. 32.
41. Idem, p. 32-33.
42. Como foi finalmente adotado, o Artigo X do Convênio da Liga das Nações não exigia intervenção militar coletiva em casos de agressão, mas afirmava apenas que “... o Conselho irá recomendar os meios pelos quais esta obrigação será cumprida.”
43. Shoghi Effendi, The World Order of Bahá’u’lláh, op. cit., pp. 29-30.
44. Shoghi Effendi, Citadel of Faith, op. cit., p. 28-29.
45. Idem, p. 7.
46. Seleção dos Escritos do Báb (Rio de Janeiro: Editora Bahá’í do Brasil, 1978), p. 62.
47. Bahá’u’lláh, O Kitáb-i-Aqdas: O Livro Sacratíssimo (Mogi-Mirim: Editora Bahá’í do Brasil), parágrafo 88.
48. Epístolas de Bahá’u’lláh reveladas após o Kitáb-i-Aqdas (Rio de Janeiro: Editora Bahá’í, 1983), p. 22.
49. A citação faz referência ao valor do “conselho” do Mestre às autoridades britânicas que estavam tentando restaurar a vida civil após a derrubada do regime turco na área, acrescentando que “toda a sua influência tem sido para o bem”. Vide Moojan Momen, ed., The Bábí and Bahá’í Religions, 1844-1944 – Some Contemporary Western Accounts (Oxford: George Ronald, 1981), p. 344.
50. The Bahá’í World, vol. XV (Haifa: Bahá’í World Centre, 1976) p. 132.
51. Horace Holley, Religion for Mankind (Londres: George Ronald, 1956), p. 243-244.
52. A Última Vontade e Testamento de ‘Abdu’l-Bahá (Rio de Janeiro: Editora Bahá’í do Brasil, 1982), p. 14.
53. Shoghi Effendi, A Presença de Deus, op. cit., p. 439.
54. Shoghi Effendi, Bahá’í Administration (Wilmette: Bahá’í Publishing Trust, 1998) p. 15.
55. Rúhíyyih Rabbání, A Pérola Inestimável(Mogi-Mirim: Editora Bahá’í do Brasil, 2003), pp. 148-150.
56. Shoghi Effendi, Bahá’í Administration, op. cit., pp. 187-188, 194.
57. Caso após caso, a aberta má conduta por parte dos irmãos, irmãs e primos de Shoghi Effendi, não deixaram a ele outra alternativa senão informar ao mundo bahá’í que aquelas pessoas haviam violado o Convênio.
58. Shoghi Effendi, The World Order of Bahá’u’lláh, op. cit., p. 36.
59. Shoghi Effendi, Chamado às Nações (Rio de Janeiro: Editora Bahá’í do Brasil, 1979), pp. 47-48.
60. Shoghi Effendi, The World Order of Bahá’u’lláh, op. cit., p. 202.
61. Shoghi Effendi, Chamado às Nações, op. cit., pp. 71-72.
62. Shoghi Effendi, Chamado às Nações, op. cit., p. 71.
63. Shoghi Effendi, O Advento da Justiça Divina, op. cit., pp. 137, 31, 130.
64. Nabíl-i-A’zam, The Dawn-Breakers: Nabíl’s Narrative of the Early Days of the Bahá’í Revelation (Wilmette: Bahá’í Publishing Trust, 1999), pp. 92-94.
65. Shoghi Effendi, Bahá’í Administration, op. cit., p. 52.
66. Seleção dos Escritos de ‘Abdu’l-Bahá, op. cit., p. 72.
67. Shoghi Effendi, The World Order of Bahá’u’lláh, op. cit., p. 4.
68. Idem, p. 19.
69. Seleção dos Escritos de Bahá’u’lláh, op. cit., XXV.
70. Shoghi Effendi, The World Order of Bahá’u’lláh, op. cit., p. 19.
71. Idem, p. 144.
72. Shoghi Effendi, A Presença de Deus, op. cit., p. 26.
73. The Bahá’í World, vol. X (Wilmette: Bahá’í Publishing Committee, 1949), pp. 142-149, provê uma detalhada pesquisa sobre a expansão da Causa até a conclusão do primeiro Plano de Sete Anos.
74. Shoghi Effendi, Messages to Canada, 2a ed. (Thornhill: Bahá’í Canada Publications, 1999), p. 114.
75. Shoghi Effendi, A Presença de Deus, op. cit., p. 491.
76. Seleção dos Escritos de Bahá’u’lláh, op. cit., XCIX.
77. Bahá’u’lláh, O Kitáb-i-Íqán (Rio de Janeiro: Editora Bahá’í do Brasil, 1977), p. 24.
78. “Na Europa, no início do século vinte, a maior parte das pessoas aceitaram a autoridade da moralidade. ... [Então] pensadores europeus também estavam aptos a acreditar em progresso moral e a ver a depravação e barbarismo humanos retrocedendo. No final do século, é difícil estarmos certos ou a respeito da lei moral ou sobre o progresso moral”: Jonathon Glover, Humanity: A Moral History of the Twentieth Century (Londres: Jonathan Cape, 1999), p. 1. O estudo de Glover se concentra particularmente na ascensão e influência das ideologias do século vinte.
79. Shoghi Effendi, O Dia Prometido Chegou, op. cit., p. 156.
80. Idem.
81. Seleção dos Escritos de Bahá’u’lláh, op. cit., XXVII.
82. Idem, XVII.
83. Women: Extracts from the Writings of Bahá’u’lláh, ‘Abdu’l-Bahá, Shoghi Effendi and the Universal House of Justice, compilados pelo Departamento de Pesquisa da Casa Universal de Justiça, (Thornhill: Bahá’í Canada Publications, 1986), p. 50.
84. Shoghi Effendi, Messages to America (Wilmette: Bahá’í Publishing Committee, 1947), p. 28.
85. Idem, pp. 9, 10, 14, 22.
86. Idem, p. 28.
87. Rúhíyyih Rabbání, A Pérola Inestimável, op. cit., p. 453.
88. Shoghi Effendi, Messages to America, op. cit., p. 53.
89. Shoghi Effendi, The World Order of Bahá’u’lláh, op. cit., p. 46.
90. ‘Abdu’l-Bahá in Canada, op. cit., p. 51.
91. ‘Abdu’l-Bahá, The Promulgation of Universal Peace, op. cit., p. 377.
92. ‘Abdu’l-Bahá, Foundations of World Unity (Wilmette: Bahá’í Publishing Trust, 1979), p. 21.
93. Lester Bowles Pearson (1897-1972) recebeu o Prêmio Nobel da Paz, em 1957, por sua formulação de políticas internacionais no período logo após a Segunda Guerra Mundial, particularmente por seu plano que levou ao estabelecimento da primeira força de emergência das Nações Unidas para ao Canal de Suez, em 1956 – uma resposta à crise criada com a invasão do Egito pelas forças militares da Inglaterra e da França, atuando em conjunto com as forças de Israel, depois da tomada do Canal de Suez pelo Egito. A primeira votação formal de sanções contra a agressão, feita em 1936 pela Liga das Nações, quando a Itália fascista invadiu a Etiópia, foi exaltada por Shoghi Effendi como “um evento sem paralelo na história humana”. (Vide, Shoghi Effendi, The World Order of Bahá’u’lláh, op. cit., p. 191)
94. Os três Secretários Geral mencionados foram, por ordem cronológica, Javier Pérez de Cuellar (1982-1992), Peru; Boutros Boutros-Ghali (1992-1996), Egito; e Kofi Annan (1997 até os dias atuais), Gana.
95. Anne Frank (1929-1945) – jovem judia, vítima do genocídio nazista, capturada em esconderijo em casa de sua família na Holanda em agosto de 1944. Seu diário foi publicado em 1952 sob o título “O Diário de uma Jovem Mulher”, e posteriormente dramatizado em um filme. Martin Luther King Jr. (1929-1968) – pastor norte americano laureado com o Nobel da Paz, um dos principais líderes do movimento pelos direitos civis na América do Norte, foi assassinado em 4 de abril de 1968, em Memphis, Tennessee. Esse dia é comemorado nos Estados Unidos como feriado, na terceira segunda feira de janeiro. Paulo Freire (1921-1997) – educador brasileiro inovador, cujo trabalho pioneiro na educação de adultos lhe trouxe fama e reconhecimento internacionais, mas que o levou a dois períodos de prisão em seu próprio país. Kiri Te Kanawa (1944-) nascida na Nova Zelândia de origem maori, hoje uma das mais famosas cantoras de opera do mundo. Recebeu a Ordem de Dama Comandante do Império Britânico, outorgada por Sua Majestade a Rainha Elizabeth II, em 1982. Gabriel Garcia Marques (1928-) Escritor colombiano e novelista, vencedor do Nobel de Literatura em 1982, foi compelido a exilar-se de 1960 a 1970 no México e Espanha para escapar da perseguição em sua própria terra natal. Ravi Shankar (1920-) – compositor indiano e citarista, cujo extraordinário talento e recitais pela Europa e América do Norte muito contribuíram para o despertar do interesse pela música da Índia no Ocidente. Andrei Dmitriyevich Sakharov (1921-1989) – Físico nuclear russo, que abandonou a pesquisa científica para tornar-se um líder em prol das liberdades civis na União Soviética, por cujo trabalho recebeu o Prêmio Nobel da Paz de 1975, quando ainda exilado em seu próprio país. “Madre Teresa de Calcutá” (Agnes Gonxha Borjaxhiu, 1910-1997) – Nascida na Albânia, freira da Igreja Católica, fundadora dos Missionários da Caridade, cujo trabalho abnegado em prol dos pobres, dos destituídos e dos famintos em Calcutá mereceu o Prêmio Nobel da Paz em 1979. Zhang Yimou (1951-) Um proeminente diretor de cinema da “Quinta Geração” de diretores da China, vencedor de muitos prêmios internacionais por sua sensibilidade e impressionante trabalho visual.
96. As três Assembléias Espirituais Nacionais eram a do Canadá, que foi formada em 1947 ao ser desmembrada da Assembléia Espiritual Nacional dos Estados Unidos, e as Assembléias Regionais da América Central e das Antilhas, em 1951, e da América do Sul, em 1951 também.
97. Shoghi Effendi, Messages to the Bahá’í World, 1950-1957 (Wilmette: Bahá’í Publishing Trust, 1995), p. 41.
98. Idem, pp. 38-39.
99. A Última Vontade e Testamento de ‘Abdu’l-Bahá, op. cit., p. 17.
100. Sob a liderança de dois meio-irmãos de ‘Abdu’l-Bahá, Muhammad ‘Alí e Badí’u’lláh, juntos com um primo, Madji’d-Dín, o grupo de rompedores do Convênio que por longo tempo ocupou a Mansão de Bahjí depois da morte de Bahá’u’lláh, iniciou uma campanha incansável de ataques e maquinações, tanto contra o Mestre como contra o Guardião. Sob o Mandato Britânico, eles foram obrigados a deixar a Mansão devido à sua negligência, deixando a propriedade em estado de abandono, podendo então o Guardião restaurar a Mansão e estabelecer sua condição aos olhos das autoridades civis como um Lugar Sagrado. Subseqüentemente, Shoghi Effendi conseguiu com o recém formado governo de Israel o reconhecimento de que a inteira propriedade tinha esse caráter privilegiado; e uma ordem oficial foi emitida, exigindo que os remanescentes rompedores do Convênio deixassem definitivamente a propriedade ao lado da Mansão, que ainda ocupavam. Quando o apelo que fizeram à Corte Suprema, contra esse julgamento, falhou, a ordem de despejo foi executada, a casa demolida por instrução do Guardião, e o último obstáculo para o embelezamento da propriedade foi vitoriosamente superado.
101. Epístolas de Bahá’u’lláh, op. cit., p. 79.
102. A Última Vontade e Testamento de ‘Abdu’l-Bahá, op. cit., p. 25.
103. Um relato completo do papel exercido pelas Mãos da Causa durante esses anos críticos foi feito por Amatu’l-Bahá Rúhíyyih Khánum, no livro Ministry of the Custodians (Haifa: Centro Mundial Bahá’í, 1997).
104. Shoghi Effendi, A Dispensação de Bahá’u’lláh, op. cit., p. 70.
105. A Última Vontade e Testamento de ‘Abdu’l-Bahá, op. cit., p. 25.
106. Casa Universal de Justiça, Messages from the Universal House of Justice, 1963-1986: The Third Epoch of the Formative Age (Wilmette: Bahá’í Publishing Trust, 1996), p. 14.
107. O assunto é discutido em vários lugares no livro The Priceless Pearl. Vide particularmente as páginas 79, 85, 90, 128 e 159.
108. Epístolas de Bahá’u’lláh Reveladas após o Kitáb-i-Aqdas, op. cit., p. 80.
109. ‘Abdu’l-Bahá, O Segredo da Civilização Divina, op. cit., pp. 113.
110. J. E. Esslemont, Bahá’u’lláh e a Nova Era (Mogi-Mirim: Editora Bahá’í do Brasil, 2001), p. 239.
111. Última Vontade e Testamento de ‘Abdu’l-Bahá, op. cit., p. 14.
112. Shoghi Effendi, The World Order of Bahá’u’lláh, op. cit., p. 8.
113. Bahá’u’lláh, O Kitáb-i-Aqdas, op. cit., parágrafo 83.
114. Bahá’u’lláh, Epístola ao Filho do Lobo (Mogi-Mirim: Editora Bahá’í do Brasil, 1997), p. 33.
115. Shoghi Effendi, The World Order of Bahá’u’lláh, op. cit., pp. 43, 195.
116. Idem, p. 24.
117. Epístolas de Bahá’u’lláh Reveladas após o Kitáb-i-Aqdas, op. cit., pp. 77-78.
118. Shoghi Effendi, O Advento da Justiça Divina, op. cit., p. 44.
119. The Establishment of the Universal House of Justice, compilado pelo Departamento de Pesquisa da Casa Universal de Justiça (Oakham: Bahá’í Publishing Trust, 1984), p. 17.
120. Universal House of Justice, Messages from the Universal House of Justice, 1963-1986: The Third Epoch of the Formative Age, op. cit., p. 52.
121. Idem, p. 104.
122. Bahá’í News, n. 73, maio de 1933 (Wilmette: Assembléia Espiritual Nacional dos Bahá’ís dos Estados Unidos), p. 7.
123. O Instituto foi criado pela Casa Universal de Justiça em 1998 como um órgão da Comunidade Internacional Bahá’í, reportando-se à Casa Universal de Justiça através do Escritório de Informação Pública. Seu mandato descreve o Instituto como sendo uma agência “dedicada à pesquisa tanto espiritual como material dos fundamentos do conhecimento humano e dos processos de desenvolvimento social”.
124. A finalidade do Centro é descrita como de promover “pesquisa de uma forma sistemática sobre a Fé Bahá’í, incluindo sua cultura religiosa, espírito humanitário e ética religiosa.
125. Citado em Star of the West, vol. 13, n. 7 (outubro de 1922), pp. 184-186.
126. ‘Abdu’l-Bahá, Epístolas do Plano Divino, op. cit., p. 54-55.
127. Começando em aproximadamente 1904, um crente iraniano conhecido como Sadru’s-Sudúr estabeleceu o primeiro curso de capacitação de professores para a juventude bahá’í, em Teerã, com o estímulo de ‘Abdu’l-Bahá. A classe se reunia diariamente, e os graduados, que eram capacitados também sobre as crenças de outras religiões, aprendiam vários aspectos da Fé Bahá’í, contribuíram muito para a expansão e consolidação da Causa em sua terra natal.
128. O modelo em questão é o “Instituto Ruhi”, cujos materiais e métodos foram adaptados por muitas comunidades bahá’ís por todo o mundo. Sua filosofia pedagógica consiste da integração das atividades de serviço com o estudo concentrado dos próprios Escritos Bahá’ís. Organizado como uma série de graus de estudo, que formam um “tronco” central de entendimento básico sobre os pontos essenciais ensinados por Bahá’u’lláh, o sistema permite expansão para o desenvolvimento quase infinito de parte das comunidades que o utilizam com a criação de galhos complementares para atender a necessidades particulares.
129. Shoghi Effendi, A Presença de Deus, op. cit., p. 19.
130. ‘Abdu’l-Bahá, The Promulgation of Universal Peace, op. cit., pp. 43-44.
131. Moojan Momen, The Bábí and Bahá’í Religions, 1844-1944: Some Contemporary Western Accounts, op. cit., pp. 186-187.
132. The Bahá’í World, vol. XV, op. cit., pp. 29, 36.
133. The Bahá’í World, vol. IV (Nova York: Bahá’í Publishing Committee, 1933), pp. 257-261. Provê uma curta história da fundação e do funcionamento da agência.
134. The Bahá’í World, vol. III (Nova York: Bahá’í Publishing Committee, 1930), pp. 257-261. Contém o texto de uma Petição formal à Comissão de Mandatos Permanentes da Liga, de parte dos bahá’ís do Iraque, e que faz um sumário da história do caso.
135. Shoghi Effendi, A Presença de Deus, op. cit., p. 483.
136. O texto completo da Declaração pode ser encontrada em World Order Magazine, abril de 1947, vol. XIII, n. 1.
137. The Bahá’í Question, Iran’s Secret Blueprint for the Destruction of a Religious Community. An Examination of the Persecution of the Bahá’ís of Iran (Nova York: Bahá’í International Community, 1999), preparado pela Comunidade Internacional Bahá’í, Escritório das Nações Unidas, para distribuição aos membros da Comissão de Direitos Humanos das Nações Unidas [este trabalho foi publicado em português pela Câmara de Deputados do Brasil (n.t.)].
138. Excertos de um artigo de Edward Granville Browne, publicado em Religious Systems of the World: A Contribution to the Study of Comparative Religion, 3a. ed. (Nova York: Macmillan, 1892), pp. 352-353.
139. Durante os nove anos de sua existência, o escritório foi responsável pelo estabelecimento de cerca de dez mil refugiados bahá’ís iranianos em vinte e sete países.
140. Até esta data, noventa e nove Assembléias Espirituais Nacionais receberam treinamento intensivo no programa.
141. A Conferência de Mulheres de Beijing permitiu que cinqüenta dentre duas mil organizações não-governamentais participantes apresentassem oralmente suas declarações. Tendo em vista o fato da Comunidade Internacional Bahá’í ter tido este privilégio em duas conferências anteriores, mais especialmente a do Rio de Janeiro sobre o meio ambiente e a de Copenhague sobre desenvolvimento social e econômico, os representantes da Comunidade cederam este privilégio ao Centro de Moscou para o Estudo de Gênero.
142. Um relato completo, incluindo o texto da decisão da Corte Constitucional Federal Alemã, pode ser encontrado em The Bahá’í World, vol. XX (Haifa; Centro Mundial Bahá’í, 1998), pp. 571-606.
143. Sessão Solene da Câmara Federal, Brasília, 28 de maio de 1992 (reimpressa, com uma versão em língua inglesa, pela Assembléia Espiritual Nacional dos Bahá’ís do Brasil, 1992).
144. Seleção dos Escritos de ‘Abdu’l-Bahá, op. cit., p. 29, seção 15.
145. Assembléia Geral das Nações Unidas, Qüinquagésima Quarta Sessão, Agenda Item 149 (b) “United Nations Reform Measures and Proposals: The Millennium Assembly of the United Nations”, 8 de agosto de 2000 (documento no A/54/959), p. 2.
146. Vide Commitment to Global Peace, declaração do “Millennium World Peace Summit of Religions and Spiritual Leaders”, apresentado ao Secretário-Geral das Nações Unidas Kofi Annan em 29 de agosto de 2000 durante sessão de cúpula na Assembléia Geral das Nações Unidas.
147. Assembléia Geral das Nações Unidas, Qüinquagésima Quarta Sessão, Agenda Item 61 (b) “The Millennium Assembly of the United Nations”, 8 de setembro de 2000 (documento no A/55/L.2), seção 32.
148. Os respectivos propósitos dos três encontros do Milênio, bem como o envolvimento da comunidade bahá’í nestes encontros, foram resumidos numa carta da Casa Universal de Justiça a todas as Assembléias Espirituais Nacionais, datada de 24 de setembro de 2000.
149. Shoghi Effendi, The World Order of Bahá’u’lláh, op. cit., p. 42.
150. Seleção dos Escritos de Bahá’u’lláh, op. cit., CXXXVI.
151. Bahá’u’lláh, O Kitáb-i-Íqán, op. cit., p. 25.
152. Bahá’u’lláh, Prayers and Meditations (Wilmette, Bahá’í Publishing Trust, 1998 ), p. 295, (seção CLXXVIII).
153. Shoghi Effendi, The World Order of Bahá’u’lláh, op. cit., p. 193.
154. Idem, p. 196.
155. Bahá’u’lláh, O Kitáb-i-Aqdas, op. cit., parágrafo 186.
156. Idem, parágrafo 54.
157. Shoghi Effendi, Messages to the Bahá’í World, 1950-1957, op. cit., p. 74.
158. Isaías 2:2.
159. Shoghi Effendi, O Advento da Justiça Divina, op. cit., p. 125.
160. Seleção dos Escritos de ‘Abdu’l-Bahá, p. 276.
161. Bahá’u’lláh, A Proclamação de Bahá’u’lláh (Rio de Janeiro: Editora Bahá’í do Brasil, 1977), pp. 79-80.
162. Seleção dos Escritos de Bahá’u’lláh, op. cit., XIV.

Deutsch — Das Jahrhundert des Lichts.txt Einzeln öffnen →
Das Jahrhundert des Lichts á Das Universale Haus der Gerechtigkeit á Bahá'í Verlag GmbH, Auflage 1.03 (O-2002-04-25)

Das Jahrhundert des Lichts
Das Universale Haus der Gerechtigkeit

Vorwort

Das Ende des zwanzigsten Jahrhunderts bietet den Bahá’í eine einzigartige Perspektive. Während der vergangenen hundert Jahre erlebte unsere Welt weit tiefer gehende Veränderungen als in ihrer ganzen bisherigen Geschichte – Veränderungen, die von der heutigen Generation zum größten Teil nur wenig begriffen werden. Dieselben hundert Jahre sahen auch, wie die Bahá’í-Sache nach und nach ins Licht der Öffentlichkeit trat und dabei im globalen Maßstab die einigende Macht zeigte, mit der sie aufgrund ihres göttlichen Ursprungs ausgestattet ist. Während sich das Jahrhundert dem Ende näherte, wurde zunehmend sichtbar, wie beide historische Entwicklungen immer mehr aufeinander zustreben.
Das Jahrhundert des Lichts, das unter unserer Leitung ausgearbeitet wurde, gibt im Lichte der Bahá’í-Lehren einen Überblick über diese beiden Prozesse und ihre Beziehung zueinander. Wir empfehlen den Freunden, es aufmerksam zu studieren im Vertrauen darauf, dass die Perspektiven, die es eröffnet, sich als geistige Bereicherung und als praktische Hilfe herausstellen, wenn wir unsere Mitmenschen an der herausfordernden Bedeutung der Offenbarung Bahá’u’lláhs teilhaben lassen.
Das Universale Haus der Gerechtigkeit
Naw-Rúz, 158 B. E.

Einführung

Das zwanzigste Jahrhundert, das bisher turbulenteste in der Geschichte der Menschheit, ist zu Ende. Das zunehmende moralische und soziale Chaos dieser Zeit versetzte die meisten Völker der Welt in Schrecken, so dass sie sich nichts dringender wünschen, als die Erinnerungen an die Leiden dieser Jahrzehnte hinter sich zu lassen. Ganz gleich, wie schwach die Grundfesten des Vertrauens in die Zukunft sein mögen und wie groß die Gefahren sind, die am Horizont drohen: die Menschheit scheint verzweifelt daran zu glauben, dass sich die Lebensumstände dennoch irgendwie mit den Wünschen der meisten Menschen in Einklang bringen lassen müssten.
Im Lichte der Lehren Bahá’u’lláhs sind solche Hoffnungen nicht nur illusorisch, sondern übersehen auch vollkommen das Wesen und die Bedeutung jener außergewöhnlichen Wendezeit, durch die unsere Welt in diesen entscheidenden Jahren gegangen ist. Nur wenn es der Menschheit gelingt, die Auswirkungen der Ereignisse dieser Geschichtsperiode zu verstehen, wird sie den vor ihr liegenden Herausforderungen gewachsen sein. Der wertvolle Beitrag, den wir als Bahá’í zu diesem Prozess leisten können, erfordert, dass wir selbst die Bedeutung dieser historischen Wandlung begreifen, die das zwanzigste Jahrhundert mit sich brachte.
Was uns dieses Verständnis ermöglicht, ist das Licht, das von der aufgehenden Sonne der Offenbarung Bahá’u’lláhs ausstrahlt und dessen Einfluss jetzt nach und nach in allen Bereichen menschlicher Existenz deutlich wird. Die folgenden Seiten handeln von dieser besonderen Chance.

1

Vergegenwärtigen wir uns zunächst das Ausmaß des Verderbens, das die Menschheit während der Periode, von der die Rede ist, über sich gebracht hat. Allein der Verlust an Menschenleben liegt jenseits jeder begreifbaren Zahl. Der Zerfall grundlegender sozialer Einrichtungen, die Verletzung – ja die Preisgabe – von Anstandsregeln, der Verrat am geistigen Leben durch seine Auslieferung an hohle, phrasenhafte Ideologien, die Erfindung und der Einsatz fürchterlicher Massenvernichtungswaffen, der Bankrott ganzer Nationen und der Abstieg unzähliger Menschen in hoffnungslose Armut, die rücksichtslose Zerstörung der Umwelt – all das sind nur die offensichtlichsten Schrecken in einem Horrorkatalog, der selbst den dunkelsten Zeitaltern der Vergangenheit unbekannt war. Ihre bloße Erwähnung ruft die göttlichen Warnungen in Erinnerung, die Bahá’u’lláh ein Jahrhundert zuvor ausgesprochen hatte: »O ihr Achtlosen! Auch wenn die Wunder Meines Erbarmens alles Erschaffene – ob sichtbar oder unsichtbar – umschließen und die Offenbarungen Meiner Gunst und Gnade jedes Atom des Weltalls durchdringen, ist doch die Rute, mit der Ich die Gottlosen züchtigen kann, schmerzhaft, und furchtbar ist die Gewalt Meines Zornes.«Q1
Damit kein Beobachter der Sache Gottes dazu verleitet werde, solche Warnungen als lediglich metaphorisch misszuverstehen, verdeutlichte Shoghi Effendi 1941, was dies für diese Zeit bedeutet:
»Ein Sturm von beispielloser Gewalt, unberechenbar in seiner Bahn, von verheerendem Ausmaß, langfristig aber mit unvorstellbar herrlichen Folgen fegt heute über das Antlitz der Erde. Unbarmherzig wächst er an Umfang und Gewalt. Zumeist unbemerkt wächst seine reinigende Kraft mit jedem Tag. Die Menschheit – ein Spielball seiner verheerenden Macht – wird zu Boden geschmettert von seinem unwiderstehlichen Wüten. Weder kann sie seine Herkunft erkennen, noch seine Bedeutung erfassen oder seine Folgen abschätzen. Verstört, hilflos und in Todespein muss sie zusehen, wie dieser gewaltige Sturm Gottes über die fernsten und schönsten Länder der Erde hereinbricht, die Grundfesten erschüttert, die Ordnung zerstört, Völker zerstreut, Heime vernichtet, Städte verwüstet, Könige vertreibt, Bollwerke niederreißt, Institutionen entwurzelt, das Licht verdüstert und die Seelen der Bewohner martert.« Q2
*
Was Wohlstand und Einfluss betraf, bestand ›die Welt‹ um 1900 aus Europa und – damals ungern zugestanden – den Vereinigten Staaten von Amerika. Überall auf dem Planeten betrieb der westliche Imperialismus unter der Bevölkerung anderer Länder das, was er als seine ›Mission der Zivilisierung‹ betrachtete. Mit den Worten eines Historikers schien das erste Jahrzehnt des zwanzigsten Jahrhunderts im wesentlichen eine Fortführung des »langen neunzehnten Jahrhunderts«A1 zu sein, einer Ära, deren grenzenlose Selbstzufriedenheit sich vielleicht am deutlichsten in der Feier des diamantenen Thronjubiläums von Königin Viktoria im Jahre 1897 manifestiert. Dabei rollte über viele Stunden eine Parade durch die Straßen Londons, die in ihrer imperialen Aufmachung und Zurschaustellung militärischer Macht weit über alles hinausging, was vergangene Zivilisationen jemals auch nur angestrebt hatten.
Als das zwanzigste Jahrhundert begann, erkannte kaum jemand – gleich wie sensibel er in sozialen und moralischen Fragen auch war – die bevorstehenden Katastrophen, und nur wenige – wenn überhaupt – konnten sich deren Ausmaß vorstellen. Die militärischen Führer der meisten europäischen Länder nahmen an, dass ein Krieg ausbrechen würde, begegneten dieser Aussicht aber mit Gleichmut, weil sie der festen Überzeugung waren, dass er kurz sein würde und nur ihre Seite ihn gewinnen könne. In ganz erstaunlichem Umfang hatte die internationale Friedensbewegung die Unterstützung von Staatsmännern, Industriellen, Gelehrten, Medien und einflussreichen Persönlichkeiten gewinnen können – sogar solcher, die man in diesen Reihen nicht erwartet hätte, wie etwa die des Zaren von Russland. Wenn auch die sich rasch beschleunigende Aufrüstung bedenklich war, so schien doch ein Netzwerk sorgfältig gesponnener und häufig sich überlappender Allianzen zu garantieren, dass der Ausbruch eines Flächenbrandes vermieden werden könnte und regionale Konflikte, wie so oft im vergangenen Jahrhundert, zu lösen seien. Diese Annahme wurde durch die Tatsache bestärkt, dass die gekrönten Häupter Europas – die meisten von ihnen Mitglieder einer ausgedehnten Familie und viele von ihnen scheinbar mit politischer Entscheidungsmacht ausgestattet – einander vertraut mit Spitznamen anredeten, private Korrespondenz pflegten, die Schwestern und Töchter der anderen heirateten und zusammen auf ihren Schlössern, Privatjachten und Jagdhütten eine lange Spanne des Jahres hindurch Ferien machten. Sogar die schmerzlichen Unterschiede in der Verteilung des Reichtums wurden in den westlichen Gesellschaften energisch – wenn auch nicht sehr systematisch – durch eine Gesetzgebung angegangen, die darauf abzielte, der schlimmsten Ausbeutung früherer Jahrzehnte Einhalt zu gebieten und den dringendsten Bedürfnissen der wachsenden städtischen Bevölkerung nachzukommen.
Die große Mehrheit der Menschheitsfamilie, die in Ländern außerhalb der westlichen Welt lebte, hatte nur wenig Anteil an deren Segnungen und teilte auch nicht den Optimismus ihrer europäischen und amerikanischen Brüder. China war trotz seiner alten Zivilisation und seines Selbstverständnisses als ›Reich der Mitte‹ das unglückliche Opfer der Ausplünderung durch westliche Nationen und seines sich modernisierenden Nachbarn Japan geworden. Die großen Massen in Indien – dessen wirtschaftliches und politisches Leben so vollkommen unter die Herrschaft einer einzigen imperialen Macht geraten war, dass dies die üblichen Manöver um kleine Vorteile ausschloss – entgingen zwar einigen der schlimmsten Übergriffe, von denen andere Länder heimgesucht wurden, mussten aber ohnmächtig zusehen, wie ihre verzweifelt benötigten Ressourcen allmählich geplündert wurden. Das bevorstehende Leid Lateinamerikas wurde nur allzu klar im Schicksal Mexikos vorgezeichnet, von dem weite Teile durch seinen großen nördlichen Nachbarn annektiert worden waren und dessen natürliche Ressourcen bereits die Aufmerksamkeit habgieriger ausländischer Großkonzerne erregt hatten. Die mittelalterliche Unterdrückung, unter der hundert Millionen dem Namen nach befreiter Leibeigener in Russland ein Leben in düsterem, hoffnungslosem Elend lebten, war vom westlichem Standpunkt her gesehen wegen der Nähe zu solch strahlenden europäischen Hauptstädten wie Berlin und Wien besonders beschämend. Am tragischsten aber war das schlimme Los der Einwohner Afrikas. Sie wurden durch künstlich gezogene Grenzen voneinander getrennt, die menschenverachtende Abmachungen unter den europäischen Mächten geschaffen hatten. Man schätzt, dass während des ersten Jahrzehnts des zwanzigsten Jahrhunderts im Kongo über eine Million Menschen verschwanden – verhungert, geschlagen, buchstäblich für den Profit ihrer fernen Herren zu Tode geschunden; ein Ausblick auf das Schicksal, das mehr als hundert Millionen Menschen in Europa und Asien ereilen sollte, bevor das Jahrhundert zu Ende ging.A2
Obwohl diese ausgeplünderten und gering geschätzten Massen die überwiegende Anzahl der Erdbewohner repräsentierten, wurden sie nicht als Menschen angesehen, sondern im wesentlichen als Objekte des viel gepriesenen Zivilisationsprozesses des neuen Jahrhunderts. Auch wenn eine Minderheit dabei profitierte: die Kolonialvölker existierten in erster Linie nur dazu, benutzt zu werden – verwendet, angeleitet, ausgebeutet, christianisiert, zivilisiert und mobilisiert – so, wie es die wechselnden Pläne der westlichen Mächte diktierten. Die Umsetzung dieser Pläne mochte hart oder eher moderat sein, aufgeklärt oder selbstsüchtig, das Evangelium verbreitend oder ausbeuterisch – dahinter standen in der Regel materielle Interessen, die sowohl die Mittel als auch die meisten Ziele bestimmten. Religiöse und politische Pietäten verschiedenster Art verbargen diese Mittel und Ziele weitgehend vor der Öffentlichkeit der westlichen Länder, denen es auf diese Weise möglich wurde, moralische Befriedigung aus den Segnungen zu ziehen, die ihre Nationen angeblich den weniger wertvollen Völkern erwiesen, während sie selbst die materiellen Früchte dieser Wohltaten genossen.
Die Fehler einer großen Zivilisation aufzuzeigen heißt nicht, ihre Errungenschaften zu leugnen. Als das zwanzigste Jahrhundert begann, konnten die Völker des Westens zu Recht auf die technischen, wissenschaftlichen und philosophischen Entwicklungen stolz sein, die sie hervorgebracht hatten. Jahrzehnte des Experimentierens hatten ihnen materielle Möglichkeiten eröffnet, die weit jenseits des Verständnisses der restlichen Menschheit lagen. Überall in Europa und Amerika waren ausgedehnte Industrien entstanden, die sich der Metallurgie, der Herstellung von chemischen Produkten aller Art, der Textilfertigung und der Konstruktion von Geräten widmeten, die in allen Lebensbereichen Erleichterung brachten. Ein ständiger Prozess von Entdeckungen, Entwürfen und Verbesserungen machte durch die Nutzung von billigem Treibstoff und Strom Kräfte unvorstellbaren Ausmaßes leicht verfügbar – leider mit zu jener Zeit ebenso unvorstellbaren ökologischen Folgen. Die ›Ära der Eisenbahn‹ war weit fortgeschritten, und Dampfschiffe nahmen ihren Kurs über die Seewege der Welt. Mit der Ausbreitung von telegrafischer und telefonischer Kommunikation näherte sich die westliche Gesellschaft dem Zeitpunkt ihrer Befreiung von den Grenzen, die geographische Entfernungen der Menschheit seit Anbeginn der Geschichte auferlegt hatten.
Noch weiterreichend waren Veränderungen, die auf einer höheren Ebene des wissenschaftlichen Denkens stattfanden. Das neunzehnte Jahrhundert war noch fest im Griff der newtonschen Auffassung von der Welt als einem mechanischen Uhrwerk, aber am Ende des Jahrhunderts hatten sich bereits die intellektuellen Fortschritte vollzogen, die dieses Paradigma anfochten. Neue Ideen tauchten auf, die später zur Formulierung der Quantenmechanik führten, und bald sollte die revolutionäre Wirkung der Relativitätstheorie die Auffassung der sinnlich wahrnehmbaren Welt in Frage stellen, die Jahrhunderte lang als gesunder Menschenverstand akzeptiert worden war. Solche Durchbrüche wurden dadurch ausgelöst und beträchtlich verstärkt, dass die Wissenschaft sich bereits von der Tätigkeit einzelner Denker zum systematisch verfolgten Anliegen einer großen und einflussreichen internationalen Forschergemeinde gewandelt hatte, welche Universitäten, Laboratorien und Symposien zum Austausch experimenteller Entdeckungen nutzen konnte.
Die Stärke der westlichen Gesellschaften war nicht auf den wissenschaftlichen und technischen Fortschritt begrenzt. Zu Beginn des zwanzigsten Jahrhunderts erntete die westliche Zivilisation die Früchte einer sozialphilosophischen Kultur, die immer schneller die Energien ihrer Bevölkerung freisetzte und deren Einfluss bald revolutionäre Auswirkungen auf die ganze Welt haben sollte. Es war eine Kultur, die den Verfassungsstaat stärkte, die der Rolle des Gesetzes und der Achtung der Rechte aller Mitglieder der Gesellschaft große Bedeutung beimaß, und die all denen, die sie erreichte, die Vision eines kommenden Zeitalters sozialer Gerechtigkeit vor Augen führte. Obschon der Stolz auf Freiheit und Gleichheit, der oft die patriotische Rhetorik in den westlichen Ländern aufblähte, weit entfernt war von den tatsächlich herrschenden Verhältnissen, konnten die Abendländer zu Recht die Fortschritte in Richtung dieser Ideale feiern, die im neunzehnten Jahrhundert erreicht worden waren.
In geistiger Hinsicht wurde das Zeitalter von einer eigenartigen, paradoxen Dualität beherrscht. Einerseits verdunkelten Wolken des Aberglaubens, hervorgebracht durch gedankenlose Nachahmung früherer Zeitalter, von fast allen Seiten den intellektuellen Horizont. Beim überwiegenden Teil der Weltbevölkerung reichten die Folgen von tiefster Unkenntnis über die menschlichen Möglichkeiten und das physische Universum bis hin zu naivem Anhängen an Theologien, die wenig oder gar keinen Bezug zur Erfahrung hatten. Andererseits wurde dort, wo in den gebildeten Klassen des Westens die Winde des Wandels diese Nebelschleier vertrieben, ererbtes orthodoxes Denken nur allzu oft durch den schädlichen Einfluss eines aggressiven Säkularismus ersetzt, der gleichermaßen die geistige Natur des Menschen wie die Autorität moralischer Werte an sich in Zweifel zog. Überall schien die Säkularisierung der gesellschaftlichen Oberschicht Hand in Hand zu gehen mit einem immer weiter um sich greifenden religiösen Obskurantismus unter den Massen. Weil der religiöse Einfluss tief in die menschliche Psyche reicht und für sich selbst eine einzigartige Autorität einfordert, hatten in allen Ländern religiöse Vorurteile über Generationen hinweg schwelende Feuer bitterer Feindseligkeit tief im Innern am Leben erhalten. Sie sollten der Zündstoff für die Schrecken der kommenden Jahrzehnte werden.A3

2

In dieser geistigen Landschaft voll falscher Zuversicht und tiefer Hoffnungslosigkeit, wissenschaftlicher Aufklärung und geistigen Dunkels erschien zu Beginn des zwanzigsten Jahrhunderts die leuchtende Gestalt ‘Abdu’l-Bahás. Der Weg, der Ihn an diesen entscheidenden Moment der Menschheitsgeschichte brachte, hatte Ihn durch mehr als fünfzig Jahre Exil, Gefangenschaft und Entbehrung geführt, in denen kaum ein Monat auch nur annähernd in Ruhe und Sorgenfreiheit verstrichen war. Er war entschlossen, den Aufgeschlossenen wie den Gedankenlosen jenes verheißene Reich des universalen Friedens und der Gerechtigkeit auf Erden zu verkünden, auf das die Menschen seit Jahrhunderten gehofft hatten. Er erklärte, dass das Fundament dieses Reiches, die Vereinigung der Völker der Welt, in diesem »Jahrhundert des Lichts«Q3 errichtet werden würde:
»Heute … haben sich die Kommunikationsmittel vervielfacht, und die fünf Kontinente der Erde sind im Grunde zu einem Ganzen verschmolzen … Ebenso sind alle Glieder der menschlichen Familie, ob Völker oder Regierungen, Städte oder Dörfer, in steigendem Maße voneinander abhängig geworden … Folglich ist die Einheit der ganzen Menschheit heutzutage erreichbar geworden. Wahrlich, dies ist nur eines der Wunder dieses wunderbaren Zeitalters, dieses ruhmreichen Jahrhunderts.« Q4
Während der langen Jahre der Gefangenschaft und Verbannung, die der Weigerung Bahá’u’lláhs folgten, den politischen Zielen der osmanischen Obrigkeit zu dienen, war ‘Abdu’l-Bahá mit der Leitung der Glaubensangelegenheiten und der Verantwortung betraut, als Vertreter Seines Vaters aufzutreten. Ein wichtiger Teil dieser Arbeit war die Zusammenarbeit mit Offiziellen auf lokaler Ebene und in den Provinzen, die Seinen Rat zu Problemen suchten, mit denen sie konfrontiert waren. Schon 1875 richtete ‘Abdu’l-Bahá auf Anweisung Bahá’u’lláhs eine Abhandlung an die Regierenden und das Volk Persiens mit dem Titel Das Geheimnis göttlicher Kultur. Darin legte Er ausführlich die geistigen Prinzipien dar, welche die Gestaltung ihrer Gesellschaft im Zeitalter der Reife der Menschheit leiten müssen. Im ersten Abschnitt ruft Er das iranische Volk auf, darüber nachzudenken, was – nach den Lehren der Geschichte – der Schlüssel zu gesellschaftlichem Fortschritt ist:
»Bedenket wohl: All die weitverzweigten Erscheinungen, die Begriffe und Erkenntnisse, die Verfahren der Technik und die Systeme der Philosophie, die Wissenschaften, Künste, Gewerbe und Erfindungen – alle sind Ausstrahlungen des menschlichen Verstandes. Jedes Volk, das sich weiter in dieses uferlose Meer hineinwagte, hat am Ende die anderen Völker überragt. Glück und Stolz einer Nation bestehen darin, dass sie wie die Sonne am Himmel des Wissens erstrahlt. ›Sollen die, welche erkennen, gleich behandelt werden wie die, welche in Unwissenheit leben?‹A4 « Q5
Dieses Werk ließ bereits die Orientierung und Führung erahnen, die in den folgenden Jahrzehnten aus der Feder ‘Abdu’l-Bahás fließen sollten. Nach dem niederschmetternden Verlust, den das Hinscheiden Bahá’u’lláhs für sie bedeutete, wurden die persischen Gläubigen durch eine Flut von Sendschreiben des Meisters wieder aufgerichtet und ermutigt. Diese Sendschreiben gaben ihnen nicht nur den geistigen Beistand, den sie brauchten, sondern auch die Führung, ihren Weg durch den Aufruhr zu finden, der die etablierte Ordnung in ihrem Land aushöhlte. Diese Botschaften, die selbst in das kleinste Dorf gelangten, antworteten auf Bitten und Fragen unzähliger einzelner Gläubiger und brachten Führung, Ermutigung und Zuversicht. So lesen wir etwa in einem Brief, der sich an die Gläubigen im Dorf Kishih richtet und fast einhundertsechzig von ihnen namentlich erwähnt, über das gerade erwachende Zeitalter: »Dies ist das Jahrhundert des Lichts.« Dabei erklärte der Meister, dass die Bedeutung dieser Metapher die Annahme des Prinzips der Einheit und seiner Folgen sei:
»Damit will ich sagen, dass die Geliebten des Herrn jeden, der ihnen Übel will, so betrachten sollten, als wolle er ihnen Gutes … Das heißt, den Feind sollten sie so behandeln, wie es sich für einen Freund geziemt, und den Unterdrücker so, wie es sich für einen liebevollen Gefährten schickt. Sie sollen ihren Blick nicht auf die Fehler und Vergehen ihrer Widersacher richten, noch ihrer Feindseligkeit, Ungerechtigkeit oder Unterdrückung achten.« Q6
Es ist bemerkenswert, dass die kleine Gruppe verfolgter Gläubiger in diesem Brief aufgerufen wird, ihren Blick über lokale Fragen zu erheben und die Auswirkungen der Einheit in globalem Kontext zu sehen – lebten sie doch in dieser entlegenen Ecke eines Landes, das noch weitgehend unberührt war von den Entwicklungen, die sich anderswo im sozialen und intellektuellen Leben vollzogen.
»Vielmehr sollten sie die Menschen im Lichte des Gebots der Gesegneten Schönheit sehen, dass alle Diener des Herrn der Macht und Herrlichkeit sind, so wie Er die ganze Schöpfung Seinem gnadenvollen Wort unterworfen und uns auferlegt hat, Liebe und Zuneigung, Klugheit und Mitgefühl, Aufrichtigkeit und Eintracht ohne Ausnahme gegenüber allen zu bezeigen.« Q7
In diesem Aufruf des Meisters geht es nicht nur um eine neue Ebene des Verständnisses, sondern auch um die Notwendigkeit von Engagement und Tat. Seine Sprache zeigt Dringlichkeit und Vertrauen und lässt die Kraft spüren, aus der die großen Leistungen der persischen Gläubigen in den folgenden Jahrzehnten hervorgehen sollten – sowohl bei der weltweiten Verbreitung der Sache Gottes als auch beim Erwerb solcher Fähigkeiten, die die Zivilisation voranbringen:
»O ihr Geliebten des Herrn! Dient der Menschenwelt mit größter Glückseligkeit und Freude, und liebt die Menschheit. Überseht alle Begrenzungen und befreit euch von Beschränkungen, denn … von ihnen frei zu sein bringt göttliche Segnungen und Gaben.
Rastet daher nicht, und sei es auch nur für einen kurzen Augenblick, haltet nicht eine Minute um Atem inne, noch sucht einen Moment Ruhe. Wogt wie die Wellen der mächtigen See und toset gleich dem Leviathan des Ozeans der Ewigkeit.
Deshalb muss jeder, solange auch nur eine Spur von Leben in seinen Adern pulst, streben und sich mühen, um ein Fundament zu legen, das die vorübergleitenden Jahrhunderte und Zyklen nicht zersetzen können, und ein Gebäude zu erbauen, das dahinfließende Zeitalter und Äonen nicht niederreißen können – ein Gebäude, das sich als ewig und dauerhaft erweist, so dass die Herrschaft von Herz und Seele in beiden Welten errichtet und gesichert werde.« Q8
Künftige Sozialhistoriker – mit dem Vorzug einer weit sachlicheren und universelleren Sicht als gegenwärtig möglich und mit dem Vorteil eines ungehinderten Zugangs zu allen wichtigen Unterlagen – werden sehr sorgfältig den Wandel studieren, den der Meister in diesen frühen Jahren bewirkte. Tag für Tag, Monat für Monat, aus einem fernen Exil, in dem Er ständig von einer Unzahl Ihn umringender Feinde gequält wurde, gelang es ‘Abdu’l-Bahá, nicht nur die Ausweitung der persischen Bahá’í-Gemeinde in Gang zu bringen, sondern auch ihr Bewusstsein und ihr Leben zu formen. Das Ergebnis gipfelte im Entstehen einer, wenn auch räumlich begrenzten Kultur, die anders war als alles, was die Menschheit bis jetzt gesehen hatte. Unser Jahrhundert, mit all seinen Umwälzungen und hochtrabenden Versprechungen, eine neue Ordnung zu schaffen, lieferte kein vergleichbares Beispiel, in dem ein einziger herausragender Geist systematisch seine Fähigkeiten darauf konzentrierte, eine unverwechselbare und erfolgreiche Gemeinschaft aufzubauen, die letztlich den gesamten Globus als ihren Wirkungsbereich begreift.
Obwohl die persische Bahá’í-Gemeinde immer und immer wieder unter den Gräueltaten der muslimischen Geistlichkeit und deren Helfer zu leiden hatte – ohne jeden Schutz seitens der aufeinanderfolgenden Monarchen aus der Dynastie der Qájáren – fand sie doch zu einem neuen Leben. Die Zahl der Gläubigen vervielfachte sich in allen Regionen des Landes, bekannte Persönlichkeiten des gesellschaftlichen Lebens, darunter einige einflussreiche Angehörige der Geistlichkeit, schlossen sich dem Glauben an, und die Vorläufer der späteren Gemeindeinstitutionen entstanden in Form erster beratender Gremien. Allein die Wichtigkeit dieser letztgenannten Entwicklung kann nicht hoch genug bewertet werden. In einem Land, einem Volk, das über Jahrhunderte ein patriarchalisches System gewohnt war, in dem jegliche Entscheidungsgewalt in den Händen eines absoluten Monarchen oder shí‘itischer MujtahidsA5 lag, brach eine Gemeinde, die einen Querschnitt der Gesellschaft repräsentierte, mit der Vergangenheit, indem sie die Verantwortung für die Entscheidung ihrer Angelegenheiten durch einen neuartigen Prozess der gemeinsamen Beratung in die eigenen Hände nahm.
In der Gesellschaft und Kultur, die sich unter den Händen des Meisters entwickelte, fanden die geistigen Energien in den praktischen Dingen des alltäglichen Lebens ihren Ausdruck. Die große Bedeutung, die die Bahá’í-Lehren der Erziehung beimessen, gab den Impuls zur Einrichtung von Bahá’í-Schulen in der Hauptstadt und in Provinzzentren – einschließlich der Tarbíyat-Schule für Mädchen, die bald im ganzen Land einen hervorragenden Ruf genoss.A6 Mit der Unterstützung amerikanischer und europäischer Bahá’í folgten Kliniken und andere medizinische Einrichtungen. Bereits 1925 hatten Gemeinden in einer Anzahl von Städten Esperantoklassen eingerichtet und setzten so die Forderung der Bahá’í-Lehren um, dass eine internationale Hilfssprache gewählt werden müsse. Ein landesweites Netzwerk an Kurieren versah die aufstrebende Bahá’í-Gemeinde mit einem elementaren Postwesen, das im übrigen Land völlig fehlte. Die Veränderungen, die im Gange waren, berührten die einfachsten Dinge des täglichen Lebens. Zum Beispiel gaben die persischen Bahá’í im Gehorsam gegenüber den Gesetzen des Kitáb-i-Aqdas den Besuch der unsauberen öffentlichen Bäder auf, durch die Infektionen und Seuchen verbreitet wurden, und begannen, Duschen mit frischem Wasser zu benutzen.
Die Quelle all dieser Fortschritte, ob im sozialen, organisatorischen oder praktischen Bereich, war die moralische Wandlung der Gläubigen, ein Wandel, der die Bahá’í – sogar in den Augen derer, die dem Glauben feindlich gegenüberstanden – immer wieder als Kandidaten für Vertrauenspositionen empfahl. Dass solch weitreichende Veränderungen einen Teil der persischen Bevölkerung so schnell von der großen – zumeist feindseligen – Mehrheit unterschieden, war ein lebendiger Beweis für die Kräfte, die durch den Bund Bahá’u’lláhs mit Seinen Anhängern freigesetzt wurden und durch die Führungsrolle ‘Abdu’l-Bahás, die in diesem Bund Ihm allein übertragen war.
All diese Jahre hindurch war das politische Leben Persiens fast ständig in Aufruhr. Während Náṣiri’d-Dín Sháhs unmittelbarer Nachfolger Muẓaffari’d-Dín Shah 1906 einer Verfassung zustimmen musste, löste sein Nachfolger Muḥammad-‘Alí Sháh die ersten beiden Parlamente rücksichtslos auf. In einem Fall ließ er mit Kanonen auf das Gebäude feuern, in dem sich die Legislative traf. Die sogenannte ›Konstitutionelle Bewegung‹, die ihn stürzte und den letzten Qájárenkönig, Aḥmad Sháh, zwang, ein drittes Parlament einzuberufen, war schon bald in konkurrierende Parteien zerrissen und wurde schamlos von der schiitischen Geistlichkeit manipuliert. Die Bemühungen der Bahá’í, in diesem Modernisierungsprozess eine konstruktive Rolle zu spielen, wurden wiederholt von den Royalisten und von den Volksparteien vereitelt, die beide durch die vorherrschenden religiösen Vorurteile beeinflusst waren und in der Bahá’í-Gemeinde einen willkommenen Sündenbock sahen. Hier wird wieder nur ein politisch reiferes Zeitalter als unseres wirklich ermessen können, wie der Meister die heimgesuchte Gemeinde führte, die alles in ihren Kräften Stehende tat, um politische Reformen zu fördern, dann aber auch bereit war, beiseite zu treten, wenn diese Anstrengungen zynisch zurückgewiesen wurden. Er gab damit ein Beispiel für künftige Herausforderungen, auf welche die Bahá’í-Gemeinde unvermeidlich stoßen wird.
Nicht nur durch Seine Sendschreiben übte ‘Abdu’l-Bahá Einfluss auf die sich rasant entwickelnde Bahá’í-Gemeinde in der Wiege des Glaubens aus. Anders als westliche Besucher waren die persischen Gläubigen nicht von anderen Orientalen durch Kleidung und Aussehen zu unterscheiden, und deshalb erregten Reisende aus Persien bei der osmanischen Obrigkeit keinen Verdacht. Ein ständiger Strom von Pilgern gab ‘Abdu’l-Bahá ein weiteres wirkungsvolles Mittel an die Hand, die Freunde zu inspirieren, ihre Aktivitäten zu leiten und sie immer tiefer in das Verständnis der Absicht Bahá’u’lláhs einzuführen. Unter denen, die nach ‘Akká reisten und – bereit, ihr Leben zu geben, um die Vision des Meisters zu verwirklichen – in ihre Heimat zurückkehrten, finden sich einige der bekanntesten Namen aus der persischen Bahá’í-Geschichte. Der unsterbliche Varqá und sein Sohn Rúḥu’lláh gehörten zu denen, die dieses Vorrecht hatten, ebenso Ḥájí Mírzá Ḥaydar-‘Alí, Mírzá Abu’l-Faḍl, Mírzá Muḥammad-Taqí Afnán und vier Hände der Sache, Ibn-i-Abhar, Ḥájí Mullá ‘Alí Akbar, Adíbu’l-‘Ulamá und Ibn-i-Aṣdaq. Der Geist, der heute die persischen Pioniere in jedem Teil der Welt stärkt und eine so schöpferische Rolle im Aufbau des Bahá’í-Gemeindelebens spielt, geht in gerader Linie von Familie zu Familie zurück auf diese heroischen Tage. Rückblickend ist klar erkennbar, dass das Phänomen, das wir heute als den Zwillingsprozess der Ausbreitung und Festigung kennen, seinen Ursprung in diesen wundervollen Jahren hat.
Inspiriert durch die Worte des Meisters und die Berichte, die aus dem Heiligen Land mit nach Hause gebracht wurden, erhoben sich die persischen Gläubigen, um Lehrreisen in den Fernen Osten zu unternehmen. Während der letzten Jahre der Amtszeit Bahá’u’lláhs wurden Gemeinden in Indien und Birma aufgebaut und der Glaube bis ins ferne China getragen, und diese Tätigkeit wurde nun verstärkt. Ein Beweis für die neuen Kräfte, die in der Sache freigesetzt wurden, war die Errichtung des ersten Bahá’í-Hauses der Andacht der Welt in der russischen Provinz TurkestanA7, wo sich auch ein vitales Bahá’í-Gemeindeleben entwickelt hatte. Dieses Projekt war vom Meister angeregt worden, und Er hatte es von Anfang an mit Seinem Rat unterstützt.
Diese vielfältigen und weitreichenden Aktivitäten, die von einer zunehmend zuversichtlichen Gemeinde getragen wurden und sich vom Mittelmeer bis zum Chinesischen Meer erstreckten, bildeten das Fundament, von dem aus ‘Abdu’l-Bahá die vielversprechenden Möglichkeiten verfolgen konnte, die sich zu Beginn des neuen Jahrhunderts im Westen zu entfalten begannen. Dass diejenigen, die an diesem Fundament mitgebaut hatten, die große ethnische, religiöse und nationale Vielfalt des Orients widerspiegelten, war dabei von nicht geringer Bedeutung. Diese Besonderheit lieferte ‘Abdu’l-Bahá ein Beispiel für die integrierenden Kräfte, die durch das Kommen Bahá’u’lláhs freigesetzt worden waren, und bei Seiner Verkündung des Glaubens vor westlichem Publikum sollte Er dieses Beispiel immer wieder heranziehen.
Den größten Sieg in diesen frühen Jahren errang der Meister auf dem Berg Karmel, wo Er an dem von Bahá’u’lláh bestimmten Platz mit größter Anstrengung ein Mausoleum für die sterblichen Überreste des Báb errichtete. Unter großen Risiken und Schwierigkeiten waren diese ins Heilige Land gebracht worden. Shoghi Effendi erklärt, dass in vergangenen Zeitaltern das Blut der Märtyrer der Same für den Glauben der Einzelnen war, dass es heute aber die Saat für die Gemeindeinstitutionen darstellt.A8 Die Tatsache, dass das Weltzentrums des Glaubens Bahá’u’lláhs im Schatten des Schreins seines Märtyrerpropheten entstand und sich entfaltete, gewinnt vor diesem Hintergrund besondere Bedeutung. Shoghi Effendi rückt das vom Meister Erreichte in eine globale historische Perspektive:
»Denn so wie im Reich des Geistes die Wirklichkeit des Báb vom Urheber der Bahá’í-Offenbarung als ›Punkt, den die Wirklichkeiten der Propheten und Boten umkreisen‹Q9 gepriesen worden war, so bilden in dieser sichtbaren Welt Seine heiligen Überreste das Herz und den Mittelpunkt dessen, was man als neun konzentrische Kreise verstehen kann.A9 Dies symbolisiert und unterstreicht die zentrale Stellung, die vom Stifter unseres Glaubens Dem zugemessen wird, ›von dem Gott die Erkenntnis ausgehen ließ von allem, was war und was sein wird‹Q10, dem Ersten Punkt, ›aus dem alles Erschaffene erzeugt ward‹Q11.« Q12
Die Bedeutung, die ‘Abdu’l-Bahá selbst in der Aufgabe sah, die Er unter solchen Opfern erfüllt hatte, wird von Shoghi Effendi sehr bewegend beschrieben:
»Als dies geschehen und die irdischen Überreste des Märtyrerpropheten aus Shíráz endlich im Schoß des heiligen Berges Gottes zur ewigen Ruhe gebettet waren, legte ‘Abdu’l-Bahá Turban, Schuhe und Mantel ab und neigte sich tief über den noch offenen Sarkophag, legte die Stirn auf den Rand des hölzernen Sarges und schluchzte laut auf. Sein silbernes Haar wehte Ihm um das Haupt, und sein leuchtendes Antlitz war völlig verwandelt. Er weinte so bitterlich, daß alle Anwesenden mit Ihm weinten. In jener Nacht war Er so aufgewühlt, daß Er nicht schlief.« Q13
1908 hatte die sogenannte Jungtürkische Revolution nicht nur die meisten politischen Gefangenen des Osmanischen Reiches, sondern auch ‘Abdu’l-Bahá befreit. So waren plötzlich die Beschränkungen weggefallen, die Seinen Bewegungsradius auf die Gefängnisstadt ‘Akká und deren unmittelbare Umgebung begrenzt hatten, und der Meister konnte Seine Tätigkeiten mit einer Unternehmung fortsetzen, die Shoghi Effendi später als eine der drei großen Hauptleistungen Seiner Amtszeit beschrieb: die öffentliche Bekanntmachung der Sache Gottes in den großen Bevölkerungszentren der westlichen Welt.
*
Wegen der dramatischen Ereignisse in Nordamerika und Europa übersehen die Berichte über die historischen Reisen des Meisters oft das bedeutende Anfangsjahr in Ägypten. ‘Abdu’l-Bahá kam dort im September 1910 an und beabsichtigte eigentlich, direkt nach Europa weiterzureisen, wurde jedoch durch eine Krankheit gezwungen, bis August des nächsten Jahres in Ramlah, einem Vorort von Alexandria, zu bleiben. Wie sich herausstellen sollte, waren die folgenden Monate eine Zeit großer Produktivität, deren Auswirkungen auf das Geschick der Sache – insbesondere auf dem afrikanischen Kontinent – noch viele Jahre zu spüren sein werden. Bis zu einem gewissen Grad wurde der Weg für den Meister sicherlich durch die Bewunderung Shaykh Muḥammad ‘Abduhs geebnet, der Ihn bereits bei einigen Gelegenheiten in Beirut getroffen hatte und der später Mufti von Ägypten und eine führende Persönlichkeit an der Al-Azhar-Universität geworden war.
Ein Aspekt des Aufenthalts in Ägypten, der besondere Aufmerksamkeit verdient, war die Gelegenheit zur ersten öffentlichen Bekanntmachung der Botschaft des Glaubens. Die relativ kosmopolitische und liberale Atmosphäre in Kairo und Alexandria zu dieser Zeit eröffnete einen Weg zu freimütigen und sachorientierten Diskussionen zwischen dem Meister und bekannten Persönlichkeiten aus der intellektuellen Welt des sunnitischen Islams. Dazu gehörten Geistliche, Parlamentarier, führende Beamte und Aristokraten. Darüber hinaus hatten nun Herausgeber und Journalisten einflussreicher arabischer Zeitungen, deren Informationen über die Sache bisher durch vorurteilsvolle Berichte aus Persien und Konstantinopel gefärbt waren, die Gelegenheit, Informationen aus erster Hand zu erhalten. Bislang ausgesprochen feindselige Publikationsorgane änderten ihren Ton. Die Herausgeber einer solchen Zeitung begannen ihren Artikel über die Ankunft des Meisters mit den Worten »Seine Eminenz Mírzá ‘Abbás Effendi, das erfahrene und gelehrte Oberhaupt der Bahá’í in ‘Akká und die höchste Autorität für die Bahá’í der ganzen Welt« und begrüßten ausdrücklich den Besuch ‘Abdu’l-Bahás in Alexandria.A10 Diese und andere Artikel zollten besonders ‘Abdu’l-Bahás Verständnis des Islam und den Prinzipien der Einheit und religiösen Toleranz, die im Zentrum Seiner Lehren standen, Hochachtung.
Trotz der angegriffenen Gesundheit des Meisters, die den Zwischenaufenthalt in Ägypten notwendig gemacht hatte, erwies sich dieser als großer Segen. Westliche Diplomaten und Offizielle konnten dadurch selbst den außergewöhnlichen Erfolg ‘Abdu’l-Bahás im souveränen Umgang mit führenden Persönlichkeiten in einer Region des Nahen Ostens beobachten, die für europäische Kreise von höchstem Interesse war. Als sich der Meister am 11. August 1911 nach Marseille einschiffte, war Ihm Sein Ruf bereits vorausgeeilt.

3

In einem Brief, den ‘Abdu’l-Bahá 1905 an einen amerikanischen Gläubigen richtete, findet sich eine Aussage, die ebenso aufschlussreich wie anrührend ist. ‘Abdu’l-Bahá spricht darin über Seine Situation nach dem Hinscheiden Bahá’u’lláhs, und erwähnt einen Brief, der Ihn aus Amerika erreichte, zu »einer Zeit, da hoch ein Meer von Prüfungen und Leiden brandete … «Q14
»In dieser Lage befanden wir uns, als uns ein Brief der amerikanischen Freunde erreichte. Sie hatten sich geschworen, so schrieben sie, in allen Dingen einig zu bleiben. Die Unterzeichnenden hatten allesamt gelobt, auf dem Pfade der Liebe Gottes Opfer zu bringen, um ewiges Leben zu gewinnen. In dem Augenblick, als dieser Brief mit all den Unterschriften am Ende verlesen wurde, überkam ‘Abdu’l-Bahá so große Freude, dass keine Feder sie zu beschreiben vermag.« Q15
Aus einer Reihe von Gründen müssen heute lebende Bahá’í unbedingt die Umstände verstehen lernen, unter denen sich die Ausbreitung des Glaubens im Westen vollzog. Dies hilft, uns von der Kultur einer derben, aufdringlichen Kommunikationsweise zu lösen, die in der heutigen Gesellschaft etwas so Alltägliches geworden ist, dass sie kaum noch auffällt. Es lenkt unsere Aufmerksamkeit auf die liebevolle, behutsame Art, mit der der Meister Seinen westlichen Zuhörern die Konzepte der Natur des Menschen und der menschlichen Gesellschaft, wie Bahá’u’lláh sie offenbart hatte, nahebrachte – Konzepte, die in ihren Auswirkungen revolutionär waren und jenseits des Erfahrungshorizontes der Hörerschaft lagen. Es erklärt die Feinfühligkeit, mit der Er Metaphern gebrauchte oder historische Beispiele heranzog, Seine häufig indirekte Herangehensweise, die Vertrautheit, die Er nach Belieben schaffen konnte, und die offenbar grenzenlose Geduld, mit der Er auf Fragen antwortete, auch wenn die ihnen zugrunde liegenden Vorstellungen oftmals schon seit langem jede Gültigkeit, die sie vielleicht einmal besessen haben mochten, verloren hatten.
Eine weitere Erkenntnis, zu der eine leidenschaftslose Betrachtung der geschichtlichen Situation, in der sich der Meister an den Westen wandte, unserer Generation verhelfen kann, liegt in der Wertschätzung der geistigen Größe jener, die auf Ihn hörten. Diese Seelen antworteten Seinem Ruf trotz, nicht wegen der liberalen und wirtschaftlich hoch entwickelten Welt, die sie kannten, einer Welt, die ihnen zweifellos lieb und teuer war und in der sie notgedrungen ihrem täglichen Leben nachgehen mussten. Ihre Antwort rührte von einem, wenn auch manchmal nur vagen, Bewusstsein her, dass die Menschheit geistiger Erleuchtung bitter bedurfte. Standhaftigkeit in ihrer Hingabe an diese Einsicht verlangte von diesen frühen Gläubigen – auf deren selbstlosem Opfer die Grundlagen der heutigen Bahá’í-Gemeinden im Westen und in vielen anderen Ländern größtenteils errichtet wurden –, dass sie nicht nur dem Druck ihrer Familien und der Gesellschaft standhielten, sondern auch den leichtfertigen Argumenten und moralischen Verbrämungen einer Weltanschauung, mit der sie aufgewachsen und der sie überall stets und ständig ausgesetzt waren. In der Standhaftigkeit dieser frühen westlichen Gläubigen lag ein Heldenmut, der auf seine Art ebenso bewegend ist wie der ihrer persischen Glaubensgeschwister, die in denselben Jahren für ihren Glauben Verfolgung und Tod erlitten.
An der Spitze jener, die im Westen auf den Ruf des Meisters antworteten, waren die kleinen Gruppen unerschrockener Gläubiger, die Shoghi Effendi als »gott-trunkene Pilger«Q16 gepriesen hatte, und die das Vorrecht hatten, ‘Abdu’l-Bahá in der Gefängnisstadt ‘Akká zu besuchen, mit eigenen Augen das Leuchten Seiner Person zu sehen und aus Seinem Mund Worte zu hören, die das Leben der Menschen von Grund auf zu verwandeln vermochten. Den Eindruck auf diese Gläubigen schildert May Maxwell:
»Ich erinnere mich weder an Freude, noch an Schmerz, noch an irgend etwas anderes in Worte zu Fassendes bei diesem ersten Beisammensein. Ich war plötzlich zu hoch emporgehoben, meine Seele war mit dem göttlichen Geist in Berührung gekommen und diese so reine, heilige und mächtige Kraft hatte mich überwältigt … « Q17
Mit ihrer Heimkehr, so erklärt Shoghi Effendi, »begann eine ununterbrochene, systematische Tätigkeit, die … ihre Stützpunkte bis nach Westeuropa und in die Staaten und Provinzen Nordamerikas vorschob … «Q18 Eine Flut von Briefen, die der Meister an Empfänger auf beiden Seiten des Atlantiks richtete, trieben die Bemühungen dieser frühen Pilger und ihrer Mitgläubigen an. In der Folge schlossen sich immer mehr Menschen dem Glauben an. Diese Botschaften öffneten die Vorstellungskraft für die Konzepte, Prinzipien und Ideale der neuen Offenbarung Gottes. Die Kraft dieser schöpferischen Macht lässt sich in folgenden Worten nachempfinden, mit denen der erste amerikanische Gläubige, Thornton Chase, zu beschreiben versuchte, was er sah:
»Seine [des Meisters] eigenen Schriften, die sich wie weißgeflügelte Tauben aus der Mitte Seiner Gegenwart bis ans Ende der Welt ausbreiten, sind so zahlreich (Hunderte entströmen Seiner Feder täglich), dass Er unmöglich Zeit darauf verwandt haben kann, über sie nachzusinnen oder die Denkprozesse eines Gelehrten darauf anzuwenden. Sie ergießen sich wie Ströme aus einer sprudelnden Quelle … «A11
Diese Worte vermitteln einen Eindruck von der Entschlossenheit, mit der der Meister ein derart kühnes Unterfangen anging, dass viele in Seiner unmittelbaren Umgebung darüber erschraken. Ungeachtet der oft geäußerten Besorgnis wegen Seines hohen Alters, Seiner angegriffenen Gesundheit und den körperlichen Leiden, die von den Jahrzehnten der Gefangenschaft herrührten, begab Er sich auf eine Reihe von Reisen, die nahezu drei Jahre dauern und Ihn bis an die Pazifikküste des nordamerikanischen Kontinentes führen sollten. Die Belastungen und Gefahren, die die Reisen nach Übersee in den frühen Jahren des Jahrhunderts mit sich brachten, waren noch die geringsten Hindernisse auf dem Wege zur Verwirklichung der Ziele, die Er sich gesetzt hatte. Mit den Worten Shoghi Effendis:
»Er, der, wie Er selbst sagte, als Jüngling ins Gefängnis und erst als alter Mann wieder herausgekommen war, der niemals im Leben vor einem Auditorium gestanden, nie die Schule besucht, nie in Kreisen westlicher Menschen verkehrt hatte, deren Sprachen und Sitten Ihm fremd waren, machte sich auf, um von Kanzel und Katheder in Europas Hauptstädten und in führenden Städten Nordamerikas nicht nur die der Religion Seines Vaters eigenen Wahrheiten zu verkünden, sondern auch den göttlichen Ursprung der Propheten vor Bahá’u’lláh darzulegen und die Art ihrer Verbundenheit mit dem neuen Glauben aufzudecken.« Q19
*
Keine glanzvollere Bühne hätte man sich für den ersten Akt dieses großartigen Schauspiels wünschen können als London, die Hauptstadt des größten und kosmopolitischsten Weltreiches, das die Welt je gesehen hat. In den Augen der kleinen Gruppen von Gläubigen, die die praktischen Vorbereitungen getroffen hatten und sich nach dem Anblick Seines Antlitzes sehnten, war die Reise ein Triumph, der ihre kühnsten Hoffnungen weit übertraf. Inhaber öffentlicher Ämter, Gelehrte, Schriftsteller, Publizisten, Industrielle, Führer von Reformbewegungen, Mitglieder des britischen Adels und einflussreiche Geistliche zahlreicher Konfessionen suchten Ihn eifrig auf, luden Ihn ein, auf ihren Bühnen, von ihren Kanzeln, in ihren Hörsälen und Häusern zu sprechen, und zollten den Ansichten, die Er darlegte, die größte Wertschätzung. Am Sonntag, dem 10. September 1911, sprach der Meister von der Kanzel der städtischen Synagoge zum ersten Mal überhaupt zu einem öffentlichen Publikum. Seine Worte ließen für Seine Zuhörer die Vision eines neuen Zeitalters in der kulturellen Entwicklung lebendig werden:
»Dies ist ein neuer Zyklus menschlicher Fähigkeiten. Alle Horizonte der Welt sind strahlend hell, und die Welt wird wie ein Garten und ein Paradies werden … Ihr seid befreit von altem Aberglauben, der die Menschen in Unwissenheit gehalten und die Grundlagen wahren Menschseins zerstört hat.
Die Gabe Gottes an dieses erleuchtete Zeitalter ist die Erkenntnis der Einheit der Menschheit und der grundlegenden Einheit der Religionen. Der Krieg zwischen den Nationen wird aufhören, und mit Gottes Willen wird der Größte Friede kommen; die Welt wird als eine angesehen werden, und alle Menschen werden wie Brüder leben.« Q20
Nach einem weiteren zweimonatigen Aufenthalt in Paris und einer vorübergehenden Rückkehr nach Alexandria, um dort den Winter zu verbringen und Seine Gesundheit wieder herzustellen, fuhr ‘Abdu’l-Bahá am 25. März 1912 mit einem Schiff nach New York ab und kam dort am 11. April dieses Jahres an. Allein was die körperliche Belastung angeht, war ein derart volles Programm, mit Hunderten öffentlichen Ansprachen, Konferenzen und persönlichen Gesprächen in mehr als vierzig Städten überall in Nordamerika und neunzehn weiteren in Europa, von denen einige mehrmals besucht wurden, eine Leistung, die in der modernen Geschichte wohl ihresgleichen sucht. Auf beiden Kontinenten, besonders aber in Nordamerika, wurde ‘Abdu’l-Bahá von hochrangigen Hörern, die sich etwa dem Frieden, den Rechten der Frau, der Gleichberechtigung der Rassen, sozialen Reformen und der moralischen Entwicklung verschrieben hatten, mit großer Wertschätzung begrüßt. Fast täglich wurde über Seine Vorträge und Gespräche in zahlreichen auflagenstarken Zeitungen berichtet. Er selbst sollte später schreiben, dass Er »alle Türen offen [fand] … und sah, wie die geistige Macht des Reiches Gottes jedes Hemmnis und Hindernis beseitigte«A12.
Die Offenheit, mit der man Ihm begegnete, ermöglichte es ‘Abdu’l-Bahá, die sozialen Prinzipien der neuen Offenbarung unzweideutig darzulegen. Shoghi Effendi fasst die Wahrheiten, die so verkündet wurden, zusammen:
»Die unabhängige, von Aberglauben und Tradition befreite Wahrheitssuche; die Einheit des ganzen Menschengeschlechts – Hauptlehre und Leitprinzip des Glaubens –; die grundlegende Einheit aller Religionen; strikte Ablehnung jeglichen Vorurteils, ob religiöser, rassischer, gesellschaftlicher oder ethnischer Art; der unabdingbare Einklang von Religion und Wissenschaft; Gleichheit für Mann und Frau, die beiden Flügel, mit denen der Vogel Menschheit sich aufschwingen kann; die Einführung der Schulpflicht; die Adoption einer universellen Hilfssprache; die Beseitigung der Extreme von Reichtum und Armut; die Einrichtung eines Welttribunals zur Schlichtung von Streit unter Völkern; die Würdigung jeglicher im Geist des Dienstes geleisteten Arbeit als Gottesdienst; die Verherrlichung der Gerechtigkeit als herrschendes Prinzip in der menschlichen Gesellschaft und der Religion als Bollwerk für den Schutz aller Menschen und Völker; die Stiftung eines dauernden universalen Friedens als das erhabenste Ziel für die ganze Menschheit – dies sind die Grundelemente dieser göttlichen Verfassung, die Er im Verlauf Seiner Lehrreisen den Meinungsführern wie dem großen Publikum verkündete.« Q21
Der Kern der Botschaft des Meisters war die Verkündigung, dass der seit langem verheißene Tag der Vereinigung der Menschheit und der Errichtung von Gottes Königreich auf Erden gekommen ist. Dieses Reich, wie ‘Abdu’l-Bahá es in Seinen Briefen und Ansprachen enthüllte, hatte nicht das geringste gemein mit den weltfernen Auffassungen, die aus den Lehren traditioneller Religionen bekannt waren. Vielmehr verkündete der Meister den Eintritt der Menschheit in ihr Reifealter und die Herausbildung einer Weltkultur, in der das Zusammenspiel universeller geistiger Werte und eines bislang unvorstellbaren materiellen Fortschritts in die Entwicklung der gesamten Bandbreite menschlicher Möglichkeiten münden wird.
Die Mittel, dieses Ziel zu erreichen, so sagte ‘Abdu’l-Bahá, seien schon vorhanden. Jetzt bedürfe es des Willens zum Handeln, der festen Überzeugung und Durchhaltekraft:
»Wir alle wissen, dass Weltfriede gut ist, dass er die Grundlage des Lebens ist, aber Wille und Tat sind vonnöten. Weil dies das Jahrhundert des Lichts ist, wurde dem Menschen die Fähigkeit verliehen, den Frieden zu erreichen. Es steht fest, dass diese Gedanken so weit unter den Menschen verbreitet werden, dass sie zu Taten führen.« Q22
Zwar stets voller Höflichkeit und Rücksicht, jedoch klar und unmissverständlich wurden die Prinzipien der neuen Offenbarung bei privaten wie bei öffentlichen Anlässen dargelegt. Zu jeder Zeit waren die Handlungen des Meisters ebenso überzeugend wie Seine Worte. Beispielsweise hätte in den Vereinigten Staaten nichts den Glauben der Bahá’í an die Einheit der Religionen deutlicher vermitteln können als die Bereitschaft ‘Abdu’l-Bahás, sich in Ansprachen an eine christliche Hörerschaft auch auf den Propheten Muḥammad zu beziehen, und Sein entschiedenes Eintreten für den göttlichen Ursprung von Christentum wie Islam vor der Versammlung in der Emanu-El-Synagoge in San Francisco. Seine Fähigkeit, in Frauen aller Altersgruppen das Vertrauen darauf zu wecken, dass sie geistige und intellektuelle Fähigkeiten besaßen, die denen der Männer in nichts nachstanden; Seine unprovokante aber dennoch unmissverständliche Demonstration der Bedeutung der Lehren Bahá’u’lláhs über die Einheit der Rassen, indem er schwarze wie weiße Gäste an Seinem eigenen Tisch und an dem Seiner prominenten Gastgeberinnen willkommen hieß; Sein Bestehen auf der absoluten Vorrangigkeit der Einheit bei allen Aspekten von Bahá’í-Unternehmungen – mit anschaulichen Beispielen, wie die geistigen und praktischen Aspekte des Lebens zusammenwirken müssen, öffnete Er den Gläubigen Pforten in eine Welt neuer Möglichkeiten. Durch den Geist der Liebe, in dem all diese herausfordernden Erklärungen vorgebracht wurden, gelang es, die Ängste und Zweifel derer zu überwinden, an die der Meister sich wandte.
Noch größer als die Anstrengungen, mit der Er den Glauben in der Öffentlichkeit vorstellte, war jedoch Sein Einsatz an Zeit und Energie, um die Gläubigen in ihrem Verständnis der geistigen Wahrheiten der Offenbarung Bahá’u’lláhs zu vertiefen. In einer Stadt nach der anderen, vom frühen Morgen bis spät in die Nacht, verbrachte Er die Stunden, die nicht von den öffentlichen Verpflichtungen Seiner Mission beansprucht wurden, damit, auf die Fragen der Freunde zu antworten, ihren Bedürfnissen nachzukommen und ihnen einen Geist des Vertrauens darauf einzuflößen, dass jeder von ihnen zur Verbreitung des Glaubens, den sie angenommen hatten, beitragen konnte. Sein Besuch in Chicago gab ‘Abdu’l-Bahá die Möglichkeit, eigenhändig den Grundstein des ersten Bahá’í-Hauses der Andacht im Westen zu legen, ein Projekt, das vom bereits begonnenen Bau des Hauses der Andacht in ‘Ishqábád inspiriert war und ebenso vom ersten Moment der Planung an von ‘Abdu’l-Bahá gefördert wurde.
»Der Mashriqu’l-Adhkár ist eine der wichtigsten Institutionen auf der Welt. Er hat viele ergänzende Einrichtungen. Zwar ist er ein Haus der Andacht, ihm sind aber ein Krankenhaus, eine Apotheke, ein Hospiz für Reisende, eine Schule für Waisen und eine Universität für fortgeschrittene Studien angeschlossen … Es ist meine Hoffnung, dass in Amerika jetzt der Mashriqu’l-Adhkár errichtet werde und dass dann allmählich das Krankenhaus, die Schule, die Universität, die Apotheke und das Hospiz folgen werden, alle nach dem wirksamsten, zweckmäßigsten Verfahren arbeitend.« Q23
Ebenso wie bei der Entwicklung, die sich zeitgleich in Persien vollzog, werden wohl auch erst zukünftige Historiker imstande sein, die schöpferische Kraft dieser Dimension der Reise in den Westen angemessen zu würdigen. Memoiren und Briefe zeugen davon, wie selbst kurze Begegnungen mit dem Meister zahllosen westlichen Bahá’í Kraft gaben für die folgenden Jahre der Anstrengungen und Opfer, in denen sie sich um die Ausbreitung und Festigung des Glaubens mühten. Ohne ein solches Eingreifen des Mittelpunktes des Bundes selbst wäre es unvorstellbar gewesen, dass kleine Gruppen westlicher Gläubiger – denen das geistige Erbe vollständig fehlte, das ihre persischen Glaubensgeschwister von Eltern und Großeltern und deren langjähriger Verbindung mit den heroischen Ereignissen der Bábí- und der frühen Bahá’í-Geschichte übernommen hatten – so schnell hätten erfassen können, was der Glaube von ihnen verlangte, und die erforderlichen immensen Aufgaben hätten vollbringen können.
Seine Zuhörer waren aufgerufen, liebevolle und zuversichtliche Träger eines großen Zivilisationsprozesses zu werden, dessen Dreh- und Angelpunkt die Erkenntnis der Einheit des Menschengeschlechtes ist. Wenn sie sich erhöben, ihre Mission zu erfüllen, so versprach Er ihnen, dann würden sie in sich selbst und anderen gänzlich neue Fähigkeiten freigesetzt finden, mit denen Gott die Menschheit an diesem Tage ausgestattet hat:
»Ihr müsst die wahre Seele der Welt werden, der Lebenshauch im Leib der Menschenkinder. In diesem wundervollen Zeitalter, da die Urewige Schönheit, der Größte Name mit zahllosen Gaben am Horizont der Welt erschienen ist, flößt Gott durch Sein Wort dem innersten Wesenskern der Menschheit solche erstaunlichen Kräfte ein, dass Er menschlichen Eigenschaften alle Wirkung nimmt und die Völker mit Seiner allbezwingenden Macht in einem weiten Meer der Einheit zusammenführt.« Q24
Die Antwort, die die Gläubigen diesem Aufruf entgegenbrachten, wird wohl am deutlichsten durch die Tatsache, dass die unter ihnen errichtete Einheit sie nicht daran hinderte, die Wahrheiten des Glaubens auf sehr unterschiedliche persönliche Art und Weise auszudrücken. Das Verhältnis zwischen dem Einzelnen und der Gemeinschaft war schon immer eine der herausforderndsten Fragen gesellschaftlicher Entwicklung. Schon das flüchtige Lesen der Lebensgeschichten der frühen westlichen Gläubigen zeigt, dass die meisten ein hohes Maß an Individualität auszeichnete, besonders die aktivsten und kreativsten. Nicht selten hatten sie erst nach der intensiven Beschäftigung mit verschiedenen geistigen und sozialen Bewegungen jener Zeit zum Glauben gefunden. Dieses tiefe Verständnis der Sorgen und Bedürfnisse ihrer Zeitgenossen machte sie zweifellos zu derart wirksamen Lehrern des Glaubens. Ebenso klar ist jedoch, dass die vielen verschiedenen Ausdrucks- und Sichtweisen sie nicht davon abhielten, zur Entwicklung einer gemeinsamen Einheit beizutragen, die die Hauptanziehungskraft des Glaubens war. Wie die Memoiren und historischen Aufzeichnungen jener Zeit deutlich machen, war das Geheimnis dieser Balance zwischen dem Einzelnen und der Gemeinschaft das geistige Band, das alle Gläubigen mit den Worten und dem Vorbild des Meisters verband. Für sie alle war ‘Abdu’l-Bahá der Bahá’í-Glauben.
Keine objektive Rückschau auf ‘Abdu’l-Bahás Mission im Westen darf die ernüchternde Tatsache ignorieren, dass nur eine geringe Zahl derer, die den Glauben angenommen hatten – und noch viel weniger unter der öffentlichen Zuhörerschaft, die in Scharen herbeigeströmt war, um Seine Worte zu hören –, bei diesen unschätzbaren Gelegenheiten mehr als ein verhältnismäßig vages Verständnis der Bedeutung Seiner Botschaft erlangte. Obwohl ‘Abdu’l-Bahá die begrenzte Einsicht seitens Seiner Zuhörer bewusst war, zögerte Er nicht, im Umgang mit westlichen Gläubigen ein Verhalten an den Tag zu legen, das sie zu einer Geisteshaltung rief, die über bloßen gesellschaftlichen Liberalismus oder pure Toleranz weit hinaus ging. Ein Beispiel, das hier für viele solcher Eingriffe stehen soll, war Seine behutsame und doch zukunftsweisende Ermutigung der Hochzeit von Louis Gregory und Louise Mathew – der eine schwarz, die andere weiß. Die Initiative setzte für die amerikanische Bahá’í-Gemeinde den Maßstab für die wahre Bedeutung der Zusammenführung der Rassen, wie zögerlich und langsam ihre Mitglieder auch der tieferen Bedeutung dieses herausfordernden Prinzips entsprechen mochten.
Auch ohne ein wirklich tiefgehendes Verständnis der Ziele des Meisters machten sich die, die Seiner Botschaft folgten, oft unter hohen eigenen Kosten auf, den Prinzipien, die Er lehrte, praktischen Ausdruck zu verleihen. Hingabe an die Sache des Weltfriedens; die Abschaffung der Extreme von Reichtum und Armut, die die Einheit der Gesellschaft untergruben; das Überwinden nationaler, rassischer und anderer Vorurteile; die Förderung gleicher Erziehung für Jungen und Mädchen; die Notwendigkeit, die Fesseln alter Dogmen abzuschütteln, die die Erforschung der Wirklichkeit behinderten – diese Prinzipien für den Fortschritt der Zivilisation hatten einen tiefen Eindruck hinterlassen. Was, wenn überhaupt, nur wenige der Zuhörer des Meisters erfassten – vielleicht erfassen konnten –, war die revolutionäre Umwandlung der grundlegenden Struktur der Gesellschaft und die willentliche Unterwerfung der menschlichen Natur unter das göttliche Gesetz, die letzten Endes allein die notwendigen Veränderungen in Einstellung und Verhalten bewirken können.
*
Der Schlüssel zu dieser Vision der bevorstehenden Umwandlungen im persönlichen und gesellschaftlichen Leben der Menschheit war ‘Abdu’l-Bahás Verkündigung des Bundes Bahá’u’lláhs, die kurz nach Seiner Ankunft in Nordamerika erfolgte, und der zentralen Rolle, die Er selbst darin einzunehmen aufgerufen worden war. Mit den Worten des Meisters:
»Das herausragendste Merkmal der Offenbarung Bahá’u’lláhs, eine Besonderheit, die bei keinem der früheren Propheten zu finden ist, ist das Amt und die Designation des ›Mittelpunktes des Bundes‹. Durch diese Einrichtung und die gleichzeitige Designation sichert und schützt Bahá’u’lláh die Religion Gottes gegen Meinungsstreit und Schisma, so dass niemand mehr eine Sekte oder Fraktion bilden kann.« Q25
Als Ort dieser Verkündigung wählte Er New York, nannte es »die Stadt des Bundes« und erklärte den westlichen Gläubigen hier, wie der Stifter ihres Glaubens die Autorität, Seine Offenbarung bindend auszulegen, übertragen hatte. Eine hochgeachtete Gläubige, Lua Getsinger, war vom Meister aufgefordert worden, die Gruppe von Bahá’í, die in dem Haus, in dem Er vorübergehend wohnte, versammelt war, auf diesen historischen Moment vorzubereiten. Im Anschluss daran begab Er sich selbst ins Erdgeschoss und sprach über einige der Bedeutungen des Bundes im allgemeinen. Juliet Thompson, die zusammen mit einem der persischen Übersetzer im Raum im Obergeschoss gewesen war, als ihre Freundin diesen Auftrag erhielt, hinterlässt einen Bericht über die näheren Umstände. Sie zitiert ‘Abdu’l-Bahá:
»Ich bin der Bund, ernannt durch Bahá’u’lláh. Und niemand kann Sein Wort widerlegen. Dies ist das Testament Bahá’u’lláhs. Ihr werdet es im heiligen Buch Aqdas finden. Geht hin und verkündet: ›Dies ist der Bund Gottes in eurer Mitte.‹« Q26
Von Bahá’u’lláh als das Instrument vorgesehen, das, mit den Worten Shoghi Effendis, die »Unverletzbarkeit [des Glaubens] gewährleisten, ihn vor Spaltung bewahren und seine weltweite Ausdehnung fördern sollte«Q27, war der Bund beinahe sofort nach Seinem Hinscheiden von Mitgliedern Seiner eigenen Familie verletzt worden. Als diese erkannten, dass die Autorität, die dem Meister im Kitáb-i-‘Ahd, in der Tafel vom Zweig und in damit zusammenhängenden Dokumenten übertragen worden war, ihre eigenen Hoffnungen, den Glauben zu ihrem persönlichen Vorteil ausnutzen zu können, zunichte machte, begannen sie – zuerst im Heiligen Land und dann in Persien, wo der Großteil der Bahá’í-Gemeinde ansässig war – eine hartnäckige Kampagne mit dem Ziel, ‘Abdu’l-Bahás Position zu schwächen. Als diese Vorhaben scheiterten, versuchten sie die Angst der osmanischen Regierung und die Habsucht ihrer Vertreter in Palästina für sich zu nutzen. Auch diese Hoffnungen wurden zerstört, als die Jungtürkische Revolution das Regime in Konstantinopel entmachtete und einunddreißig ihrer führenden Amtsträger gehenkt wurden, darunter mehrere, die in die Pläne der Bundesbrecher verwickelt waren.
Im Westen hatten bereits in den ersten Jahren der Amtszeit des Meisters einige von Ihm beauftragte Gläubige erfolgreich den Machenschaften Ibráhím Khayru’lláhs entgegengewirkt – ausgerechnet desjenigen, der viele amerikanische Gläubige mit der Sache Gottes bekannt gemacht, der jedoch schließlich durch die Verbindung mit den Bundesbrechern innerhalb der heiligen Familie versucht hatte, selbst eine Machtposition einzunehmen. Solche Erfahrungen hatten die westlichen Gläubigen zweifellos auf die offizielle Erklärung der Stufe des Meisters vorbereitet, und auf die Bestimmtheit, mit der Er sie mahnte, jegliche Verbindung zu solchen Zwietrachtstiftern zu meiden. »Einige schwache, launenhafte, übelmeinende und unwissende Seelen … bemühen sich, den Bund Gottes und Sein Testament auszutilgen. Sie wollen das klare Wasser verschmutzen, um dann im Trüben zu fischen.«Q28 Die Bedeutung dieses großen Gesetzes, das die neue Offenbarung ordnete, sollte jedoch erst allmählich klar werden, während die neuen Gemeinden sich darum mühten, Meinungsverschiedenheiten zu überwinden und der ständigen Versuchung zu widerstehen, über unterschiedliche Ansichten in Splittergruppen zu zerfallen.
Während der Meister in öffentlichen Ansprachen und privaten Gesprächen die Vision einer Welt in Einheit und Frieden verkündete, die die Offenbarung Gottes für diesen Tag hervorbringen wird, warnte Er ebenso nachdrücklich vor den Gefahren, die unmittelbar bevorstanden – für den Glauben und für die Welt. Für beide sah ‘Abdu’l-Bahá – mit den Worten Shoghi Effendis – »ein[en] Winter, streng wie nie zuvor«Q29 voraus.
Die Sache Gottes würde in diesem Winter erschütternden Verrat am Bund erleben. In Nordamerika blieb der Wankelmut einiger weniger, die in ihrem Streben nach persönlicher Macht enttäuscht worden waren, eine nie versiegende Quelle von Schwierigkeiten für die Gemeinde, untergrub den Glauben einiger und veranlasste andere, sich aus dem aktiven Gemeindeleben zurückzuziehen. Auch in Persien wurde der Glauben der Freunde wiederholt durch die Intrigen ehrgeiziger Individuen geprüft, die in den Erfolgen der Arbeit des Meisters im Westen die Chance sahen, sich selbst in den Vordergrund drängen zu können. In beiden Fällen wurden die standhaften Gläubigen durch diese Vorkommnisse letztendlich nur in ihrer Ergebenheit gestärkt.
Auch was das Schicksal der gesamten Menschheit anging, warnte ‘Abdu’l-Bahá in aller Deutlichkeit vor der Katastrophe, die Er herannahen sah. Während Er betonte, wie dringend notwendig Bemühungen um Versöhnung waren, die das Leid der Weltbevölkerung bis zu einem gewissen Grad würden lindern können, ließ Er doch Seine Hörer nicht im Zweifel über das Ausmaß der Gefahr. Eine der führenden Zeitungen von Montreal, wo besonders ausführlich über Seine Reise berichtet wurde, zitierte Ihn folgendermaßen:
»Ganz Europa gleicht einem Waffenlager. Diese kriegerischen Vorbereitungen werden notgedrungen in einem großen Krieg enden. Allein schon die Aufrüstung muss zum Krieg führen. Dieses große Arsenal muss in Flammen aufgehen. Zu dieser Ansicht gehört keine prophetische Gabe«, sagte ‘Abdu’l-Bahá, »sie basiert auf rein logischem Denken.«Q30
Am 5. Dezember 1912 fuhr Er, der in ganz Nordamerika als ›Apostel des Friedens‹ bejubelt worden war, von New York nach Liverpool. Nach relativ kurzen Aufenthalten in London und anderen britischen Städten, besuchte Er verschiedene Städte auf dem Kontinent und verbrachte abermals mehrere Wochen in Paris, wo Ihm die Dienste von Hippolyte Dreyfus zur Verfügung standen, dessen Fähigkeit, Arabisch und Persisch zu schreiben, den Anforderungen des Meisters entsprach. Als anerkannte Kulturhauptstadt Europas war Paris ein wichtiges Zentrum für Besucher aus vielen Teilen der Welt, einschließlich des Orients. Die während der zwei ausgedehnten Besuche gehaltenen Vorträge bezogen sich zwar oft auf die großen sozialen Fragen, die auch andernorts diskutiert wurden, zeichneten sich jedoch besonders durch eine tiefe Geistigkeit aus, die die Herzen derer, die das Vorrecht hatten, sie zu hören, zutiefst berührt haben muss:
»Hebt Eure Herzen über die Gegenwart hinaus und blickt mit gläubigen Augen in die Zukunft. Jetzt ist die Zeit der Saat, der Same fällt zu Boden, aber siehe, der Tag wird kommen, da aus ihm ein herrlicher Baum ersteht, und seine Zweige werden reiche Früchte tragen. Jubelt und seid froh, dass dieser Tag angebrochen ist. Trachtet, seine Macht zu erkennen, denn er ist wahrhaft wunderbar.« Q31
Am Morgen des 13. Juni 1913 schiffte ‘Abdu’l-Bahá sich in Marseilles auf der S. S. Himalaja ein und erreichte vier Tage später Port Said in Ägypten. Seine, wie Shoghi Effendi sagte, »historischen Reisen« endeten mit Seiner Rückkehr nach Haifa am 5. Dezember 1913.
*
Fast auf den Tag genau zwei Jahre nach ‘Abdu’l-Bahás Gespräch mit dem Herausgeber des Montreal Daily Star brach diese Welt – samt ihrem wahnhaften Selbstvertrauen und ihren scheinbar unerschütterlichen Grundfesten – plötzlich in sich zusammen. Als Anlass der Katastrophe wird gemeinhin die Ermordung des habsburgischen Thronfolgers in Sarajevo gesehen, und sicherlich wurde die Kette von groben politischen Fehlern, leichtsinnigen Drohungen und sinnleeren Appellen an die ›Ehre‹, die direkt zum Ersten Weltkrieg führte, durch dieses relativ unbedeutende Ereignis in Gang gesetzt. In Wahrheit jedoch hätten die europäischen Führer durch das vorausgehende ›Donnergrollen‹ während der gesamten ersten Dekade des Jahrhunderts, auf das der Meister aufmerksam gemacht hatte, vor der Zerbrechlichkeit der bestehenden Ordnung gewarnt sein müssen.
In den Jahren 1904 und 1905 bekriegten sich das Japanische und das Russische Reich mit einer Gewalt, die zur Zerstörung fast der gesamten russischen Marine und dem Verlust von Territorien führte, die Russland als unverzichtbar betrachtete; eine Demütigung, die nicht ohne lang anhaltende nationale und internationale Folgen blieb. Während dieser frühen Jahre des Jahrhunderts wurde zweimal ein Krieg zwischen Frankreich und Deutschland um imperiale Vorhaben in Nordafrika nur dadurch knapp verhindert, dass andere Mächte aus reinem Eigeninteresse intervenierten. 1911 provozierten ähnliche Ambitionen Italiens erneut eine gefährliche Bedrohung des internationalen Friedens durch die Besetzung des heutigen Libyen, das damals zum Osmanischen Reich gehörte. Die internationale Instabilität – auch davor hatte der Meister gewarnt – wurde dadurch noch verstärkt, dass Deutschland sich durch das wachsende Netz feindlicher Allianzen gezwungen fühlte, ein massives Marineprogramm zu beginnen, welches darauf abzielte, der vormals akzeptierten Überlegenheit der britischen Seemacht ein Ende zu setzen.
Verschärft wurden diese Konflikte durch Spannungen zwischen den verschiedenen Volksgruppen in Russland, Österreich-Ungarn und im Osmanischen Reich. Polen, Tschechen, Slowaken, Balten, Rumänen, Kurden, Araber, Armenier, Griechen, Mazedonier, Slawen und Albaner konnten den Tag kaum erwarten, da der Lauf der Dinge sie aus der Umklammerung der altersschwachen Systeme, von denen sie unterdrückt wurden, befreien würde. Diese Risse, die die bestehende Ordnung durchzogen, wurden von zahlreichen Verschwörungen, Widerstandsgruppen und separatistischen Organisationen unermüdlich ausgenutzt. Inspiriert durch Ideologien, die von wirrem Anarchismus bis zu aggressiver rassistischer und nationalistischer Besessenheit reichten, teilten diese im Untergrund wirkenden Kräfte eine naive Überzeugung: Wenn nur der jeweilige Teil der bestehenden Ordnung, den sie zum Ziel ihrer Angriffe gemacht hatten, gestürzt werden könnte, so würden schon allein die edlen Ziele ihrer Vordenker und die edle Natur der Menschheit überhaupt ein neues Zeitalter der Freiheit und Gerechtigkeit garantieren.
Von diesen selbsternannten Kämpfern für gewaltsame Veränderung arbeitete eine weit verbreitete Bewegung systematisch und mit rücksichtsloser Entschlossenheit auf das Ziel der Weltrevolution hin. Der Kommunistischen Partei, die ihre intellektuelle Stoßkraft und das unerschütterliche Vertrauen auf ihren letztlichen Triumph aus der Ideologie von Karl Marx bezog, war es gelungen, in ganz Europa und verschiedenen anderen Ländern Parteikader zu bilden. In der Überzeugung, dass der Genius ihres Meisters zweifelsfrei demonstriert habe, dass menschliches Bewusstsein und gesellschaftliche Ordnung im wesentlichen durch materielle Kräfte hervorgebracht würden, sprach die kommunistische Bewegung der Religion wie den ›bourgeoisen‹ moralischen Maßstäben den Geltungsanspruch ab. Aus ihrer Sicht war der Glaube an Gott eine neurotische Schwäche, der die Menschheit verfallen war, eine bloße Sucht, die es den jeweils herrschenden Klassen erlaubte, den Aberglauben als Instrument zur Versklavung der Massen zu benutzen.
Den Führern der Welt, die sich blind auf die weltumfassende Feuersbrunst hinbewegten, welche Stolz und Torheit vorbereitet hatten, dienten die großen Fortschritte in Wissenschaft und Technik hauptsächlich dazu, militärischen Vorteil gegenüber ihren Rivalen zu erlangen. Doch jetzt waren die Gegner andere europäische Nationen und nicht die verarmten und größtenteils ungebildeten kolonialen Völker, die sie zu unterwerfen vermocht hatten. Die falsche Sicherheit, die solche Waffenstärke vermittelte, führte unausweichlich zu einem Wettrüsten der Land- und Seestreitkräfte mit den fortschrittlichsten modernen Waffensystemen. Die immer weiter entwickelten Maschinengewehre, weitreichende Geschütze, Zerstörer, Unterseebote, Landminen, Giftgase und die Möglichkeit, Flugzeuge für Bombenangriffe auszurüsten, wurden von einem Historiker als »Technologie des Todes«A13 bezeichnet. Alle diese Vernichtungsinstrumente sollten, wie ‘Abdu’l-Bahá gewarnt hatte, im Verlauf des kommenden Konfliktes eingesetzt und noch perfektioniert werden.
Auch anderen, mehr unterschwelligen Druck übten Wissenschaft und Technik auf die bestehende Ordnung aus. Die industrielle Großproduktion, die durch das Wettrüsten noch angekurbelt wurde, beschleunigte die Bevölkerungsabwanderung in die städtischen Ballungsräume. Schon am Ende des vorangegangenen Jahrhunderts hatte dieser Prozess ererbte Maßstäbe und Treuepflichten untergraben, hatte wachsende Menschenmengen mit neuen Ideen darüber, wie soziale Veränderungen zu erwirken wären, bekannt gemacht und den Wunsch der Massen nach einem Lebensstandard geweckt, der vormals nur den führenden Schichten der Gesellschaft zur Verfügung stand. Sogar in vergleichsweise autokratischen Systemen begann die Bevölkerung wahrzunehmen, wie sehr politische Machthaber in ihrer Funktion davon abhängig waren, die breite Unterstützung des Volkes zu gewinnen. Diese gesellschaftlichen Entwicklungen sollten unvorhersehbare und weitreichende Folgen haben. Während der Krieg sich endlos hinzog und der bedenkenlose Glaube daran, dass er leicht zu gewinnen sein werde, ins Wanken geriet, erkannten Millionen wehrpflichtiger Männer in den Armeen beider Seiten, dass ihr Leiden sinnlos war und weder ihnen selbst noch ihren Familien nützen werde.
Über diese Auswirkungen technologischer und wirtschaftlicher Veränderungen hinaus schien der wissenschaftliche Fortschritt zu leichtfertigen Annahmen über die Natur des Menschen zu ermutigen – es bildete sich ein fast unbemerkter Überzug aus dem »trübenden Staub allen erworbenen Wissens«Q32, wie Bahá’u’lláh es genannt hatte. Dieses Halbwissen teilte sich einem immer größeren Publikum mit. Sensationslust der Presse, hitzige Debatten zwischen Wissenschaftlern oder Gelehrten auf der einen Seite und Theologen oder einflussreichen Kirchenmännern auf der anderen, dazu die rasche Zunahme staatlicher Bildungseinrichtungen, trugen weiter dazu bei, die Autorität bislang akzeptierter religiöser Lehrmeinungen und gängiger moralischer Maßstäbe zu untergraben.
Diese eruptiven Kräfte des neuen Jahrhunderts machten die Situation, in der sich die westliche Welt 1914 befand, höchst brisant. Als die große Feuersbrunst schließlich ausbrach, übertraf daher der Albtraum die schlimmsten Befürchtungen vorausschauender Denker bei weitem. Es wäre zwecklos, an dieser Stelle die oft dargestellten Verheerungen durch den Ersten Weltkrieg aufzuzählen. Die bloße Statistik übersteigt schon fast jegliche Vorstellung: sechzig Millionen Männer, so schätzt man, wurden in das schrecklichste Inferno, das die Geschichte bisher erlebt hatte, gestürzt. Acht Millionen von ihnen kamen während des Krieges um und zehn Millionen oder mehr waren für den Rest ihres Lebens gezeichnet durch Verkrüppelung, ausgebrannte Lungen und entsetzliche Entstellungen.A14 Historiker schätzen, dass der finanzielle Schaden um die dreißig Milliarden Dollar betrug, wodurch ein erheblicher Teil des europäischen Gesamtkapitals vernichtet wurde.
Nicht einmal diese schlimmen Verluste lassen das volle Ausmaß des Verderbens erahnen. Einer der Gründe, die Präsident Woodrow Wilson lange davon abgehalten haben, dem Kongress der Vereinigten Staaten nahezulegen, die Kriegserklärung auszusprechen – was zu diesem Zeitpunkt fast unumgänglich schien –, war der moralische Schaden, den er daraus folgen sah. Er erkannte, dass die Verrohung der menschlichen Natur das schlimmste Erbe der Tragödie, in der Europa damals versank, sein würde, ein Erbe, das menschliche Macht nicht mehr würde umkehren können. Diese Einsicht war nur eine der besonderen Fähigkeiten, die jenen außergewöhnlichen Staatsmann, dessen Weitblick ‘Abdu’l-Bahá wie Shoghi Effendi rühmten, kennzeichneten.A15
Wenn man über das Ausmaß des Leides nachdenkt, das die Menschheit während der vier Kriegsjahre erlitt, und sich vor Augen führt, welchen Rückschlag dies für den langen, schmerzvollen Prozess der Zivilisierung der menschlichen Natur bedeutet, so verleiht dies den Worten des Meisters, die Er erst zwei oder drei Jahre zuvor an Seine Zuhörer in europäischen Städten wie London, Paris, Wien, Budapest und Stuttgart, und auch in Nordamerika gerichtet hatte, tragischen Weitblick. Als Er eines Abends im Hause von Mr. und Mrs. Sutherland Maxwell in Montreal sprach, sagte Er:
»Die Menschenwelt wandelt heute im Dunkeln, denn sie hat den Kontakt zur Welt Gottes verloren. Aus diesem Grunde sehen wir die Zeichen Gottes in den Herzen der Menschen nicht. Die Kraft des Heiligen Geistes hat keinen Einfluss. Wenn eine Erleuchtung durch den göttlichen Geist in der Menschenwelt offenbar wird, wenn göttliche Weisung und Führung erscheinen, dann folgt Erleuchtung, ein neuer Geist verwirklicht sich im Innern, eine neue Kraft kommt herab und neues Leben wird geschenkt. Es ist wie die Geburt aus dem Tierreich ins Menschenreich hinein … Ich werde dafür beten, und ihr müsst auch dafür beten, dass solch himmlische Freigebigkeit gewährt wird, dass Zwietracht und Feindschaft gebannt werden, Krieg und Blutvergießen enden, dass die Verbindung der Herzen vollkommen werde und dass alle Menschen aus derselben Quelle trinken.« Q33
Der Friedensvertrag von Versailles, durch den die Alliierten sich im Grunde an den besiegten Feinden rächten, säte nur den Samen eines anderen, noch schrecklicheren Konfliktes, darauf wiesen sowohl ‘Abdu’l-Bahá als auch Shoghi Effendi hin. Die ruinösen Reparationszahlungen, die von den Besiegten verlangt wurden, und die Ungerechtigkeit, die sie dazu verpflichtete, die volle Schuld für einen Krieg zu tragen, den mehr oder weniger alle Parteien zu verantworten hatten, trugen dazu bei, die demoralisierten Völker Europas empfänglich zu machen für totalitäre Bewegungen, die ihnen eine bessere Zukunft versprachen. Andernfalls hätten sie ihnen vielleicht nie Gehör geschenkt.
Wie hoch auch die Reparationen waren, die von den Besiegten verlangt wurden, so dämmerte doch den vermeintlichen Siegern langsam die schreckliche Erkenntnis, dass ihr Triumph – und die bedingungslose Kapitulation, die sie verlangten –, nur zu einem lähmenden Preis zu haben war. Horrende Kriegsschulden beendeten für immer die wirtschaftliche Vormachtstellung, die die europäischen Länder in den letzten drei Jahrhunderten durch die imperialistische Ausbeutung des restlichen Planeten erlangt hatten. Der Tod von Millionen junger Männer, die dringend dafür benötigt worden wären, die Herausforderungen der bevorstehenden Jahrzehnte anzugehen, war ein Verlust, der nie wieder gut gemacht werden konnte. Ja, Europa – das noch vor vier Jahren den anerkannten Höhepunkt der Zivilisation und des Einflusses in der Welt verkörperte – verlor auf einen Schlag die Vorherrschaft und begann während der folgenden Jahrzehnte den unerbittlichen Abstieg zur Hilfstruppe eines aufstrebenden neuen Machtzentrums in Nordamerika.
Anfänglich schien es so, als würde die Zukunftsvision Woodrow Wilsons jetzt verwirklicht. Teilweise traf dies auch zu: In ganz Europa erlangten zuvor unterdrückte Völker die Freiheit, ihr Schicksal selbst zu bestimmen in einer Reihe neuer Nationalstaaten, die aus den Ruinen der alten Reiche hervorgingen. Außerdem verliehen in den Augen von Millionen Europäern die ›Vierzehn Punkte‹ des Präsidenten seinen öffentlichen Reden solch immense moralische Autorität, dass nicht einmal die widerwilligsten unter den übrigen Führern der Alliierten seine Wünsche vollkommen missachten konnten. Trotz monatelangen Feilschens um Kolonien, Grenzen und Klauseln in den Friedensbedingungen, sah der Versailler Vertrag schließlich eine abgeschwächte Form des von Präsident Wilson angeregten Völkerbundes vor, einer Institution, von der man hoffte, dass sie zukünftige Auseinandersetzungen unter den Nationen beilegen und die internationalen Beziehungen harmonisieren könnte.
Shoghi Effendis Kommentar zur Bedeutung dieser historischen Initiative sollte von jedem Bahá’í, der die Ereignisse dieses turbulenten Jahrhunderts zu verstehen sucht, sorgfältig gelesen werden. Er beschreibt zwei in enger Beziehung stehende Entwicklungen, die mit dem Anbruch des Weltfriedens zusammenhängen, und betont, dass sie »dazu bestimmt sind, gemeinsam ihren Höhepunkt und ihre herrliche Erfüllung zu finden, wenn die Zeit gekommen ist«Q34. Die erste, so erklärt der Hüter, betrifft die Mission der Bahá’í-Gemeinde des nordamerikanischen Kontinents, die zweite das Schicksal der Vereinigten Staaten als Nation. Über dieses zweite Phänomen, das auf den Ausbruch des ersten Weltkrieges zurückgeht, schreibt Shoghi Effendi:
»Seinen anfänglichen Auftrieb erhielt es durch die Formulierung von Präsident Wilsons Vierzehn Punkten, die erstmalig diese Republik mit den Geschicken der Alten Welt in Verbindung brachte. Es erfuhr seinen ersten Rückschlag durch den Rückzug dieser Republik vom neugeschaffenen Völkerbund, auf dessen Gründung der Präsident hingearbeitet hatte … Wie lang und schmerzvoll der Weg auch sein mag, so muss es doch durch eine Reihe von Siegen und Niederlagen zur politischen Einheit der östlichen und westlichen Hemisphäre führen, zur Entstehung eines Weltparlaments und zur Errichtung des Geringeren Friedens, wie von Bahá’u’lláh verkündet und vom Propheten Jesaja vorausgesagt. Am Ende muss es in der Entfaltung des Banners des Größten Friedens gipfeln, im Goldenen Zeitalter der Offenbarung Bahá’u’lláhs.« Q35
Wie tragisch war deshalb das Schicksal des Planes, der die Bemühungen des amerikanischen Präsidenten beflügelt hatte. Wie bald deutlich wurde, war der Völkerbund eine Totgeburt. Obwohl er Formen einer Legislative, einer Judikative, einer Exekutive und einer unterstützenden Verwaltungsstruktur enthielt, so wurde ihm doch die Autorität verweigert, welche für die Funktion, die er angeblich erfüllen sollte, unerlässlich war. Gefesselt durch die aus dem neunzehnten Jahrhundert übernommene Idee uneingeschränkter nationaler Souveränität, konnte er Entscheidungen nur mit der geschlossenen Zustimmung aller Mitgliedsstaaten treffen, eine Auflage, die wirksames Handeln weitgehend unmöglich machte.A16 Die Hohlheit dieses Systems zeigte sich auch darin, dass einige der mächtigsten Staaten der Welt nicht aufgenommen wurden: Deutschland wies man als besiegte Nation, die für den Krieg verantwortlich gemacht wurde, zurück; Russland wurde anfänglich aufgrund seines bolschewistischen Regimes der Eintritt verwehrt, und die Vereinigten Staaten selbst verweigerten – in der Folge engstirniger Parteipolitik im Kongress – sowohl den Beitritt zum Völkerbund als auch die Ratifizierung des Vertrages. Selbst die halbherzigen Anstrengungen zum Schutz der ethnischen Minderheiten, die in den neu geschaffenen Nationalstaaten lebten, erwiesen sich schließlich nur als Waffen, die in den anhaltenden brudermörderischen Konflikten Europas eingesetzt werden konnten.
Kurz, in genau dem Augenblick der Menschheitsgeschichte, da ein beispielloser Ausbruch an Gewalt die überlieferten Bollwerke zivilisierten Gebarens ausgehöhlt hatte, entmachtete die politische Führung der westlichen Welt das einzige alternative System internationaler Ordnung, das die eben durchlebte Katastrophe geboren hatte, und das allein die noch größeren bevorstehenden Leiden hätte mildern können. Mit den prophetischen Worten ‘Abdu’l-Bahás: »Friede, Friede! … unaufhörlich verkünden die Lippen der Machthaber und der Völker ›Frieden, Frieden‹, während das Feuer ungestillten Hasses noch in ihren Herzen schwelt.« »Die Krankheiten, an denen die Welt jetzt leidet«, fügte Er 1920 hinzu, »werden sich vervielfachen; die Dunkelheit, die sie umschließt, wird sich vertiefen … Die besiegten Mächte werden weiterwühlen. Sie werden zu jeder Maßnahme greifen, die die Flamme des Krieges wieder entzündet.«Q36
*
Während das Inferno des Krieges die Welt in eisernem Griff hielt, widmete ‘Abdu’l-Bahá Seine Aufmerksamkeit der einen großen Aufgabe, die Ihm in Seiner Amtszeit verblieb, nämlich der, für die Verbreitung der Botschaft, die in islamischen und in westlichen Gesellschaften missachtet oder gar angefeindet wurde, bis in die abgelegensten Gegenden der Erde Sorge zu tragen. Das Instrument, das Er zu diesem Zweck einsetzte, war der Göttliche Plan, der in vierzehn wunderbaren Sendschreiben dargelegt wurde, von denen vier an die nordamerikanische Bahá’í-Gemeinde und zehn weitere an fünf Teilgruppen dieser Gemeinde gerichtet waren. Zusammen mit Bahá’u’lláhs Tafel vom Karmel und dem Testament des Meisters, wurden die Sendschreiben zum göttlichen Plan von Shoghi Effendi als eine von drei »Chartas« des Glaubens bezeichnet. Der Göttliche Plan, offenbart in den dunkelsten Tagen des Krieges 1916 und 1917, rief die kleine Zahl der amerikanischen und kanadischen Gläubigen dazu auf, die Führungsrolle in der Begründung der Sache Gottes auf dem ganzen Planeten zu übernehmen. Die Tragweite dieses Auftrags war ehrfurchtgebietend. Mit den Worten des Meisters:
»‘Abdu’l-Bahás Hoffnung für euch ist, dass derselbe Erfolg, der eure Bemühungen in Amerika begleitet, auch eure Anstrengungen in anderen Teilen der Welt kröne; dass durch euch der Ruhm der Sache Gottes über den Osten und den Westen verbreitet werde; dass in allen fünf Kontinenten des Erdballs das Kommen des Herrn der Heerscharen und Seines Reiches verkündet werde. Sobald die amerikanischen Gläubigen diese göttliche Botschaft über die Küsten Amerikas hinaustragen und sie quer durch die Kontinente Europa, Asien, Afrika und Australasien, bis weit auf die pazifischen Inseln verkünden, wird sich diese Gemeinde unverrückbar auf den Thron ewiger Herrschaft gesetzt sehen. Dann werden alle Völker der Welt bezeugen, dass diese Gemeinde geistig erleuchtet und göttlich geführt ist. Dann wird die ganze Erde widerhallen vom Lobpreis ihrer Majestät und Größe.« Q37
Shoghi Effendi erinnert uns daran, dass diese historische, von ihm als »das Geburtsrecht der nordamerikanischen Bahá’í-Gemeinde«Q38 beschriebene Mission ihre Wurzeln in den Worten der Zwillingsoffenbarer über das Reifealter der Menschheit hat. Sie tauchte zuerst in den Worten des Báb auf, der die »Völker des Westens« aufrief: »Kommt hervor aus euren Städten … und steht Gott bei noch vor dem Tag, da der Herr des Erbarmens zu euch herabkommen wird im Schatten der Wolken … Werdet wie wahre Brüder in der einen, unteilbaren Religion Gottes, ohne Unterschied … so dass ihr euch in ihnen und sie sich in euch gespiegelt finden.«Q39 In Seinem Aufruf an die »Herrscher Amerikas und die Präsidenten seiner Republiken« gab Bahá’u’lláh jenen einen Auftrag, der in Seinen anderen Sendscheiben an die Führer der Welt seinesgleichen sucht: »Verbindet den Verletzten mit den Händen der Gerechtigkeit und zermalmet den Unterdrücker auf der Höhe seiner Macht mit der Rute der Gebote eures Herrn, des Gesetzgebers, des Allweisen.«Q40 Bahá’u’lláh formulierte auch eine der tiefsten Wahrheiten über den Prozess der Entwicklung der Kultur wie folgt: »Im Osten ist das Licht Seiner Offenbarung angebrochen, im Westen erscheinen die Zeichen Seiner Herrschaft. Sinnt darüber nach in euren Herzen, o Menschen … «Q41
Obwohl der Göttliche Plan, wie der Hüter später sagen sollte, noch zurückgehalten wurde, bis das für seine Durchführung notwendige System geschaffen war, so hatte doch ‘Abdu’l-Bahá eine Schar von Gläubigen ausgewählt, bestärkt und beauftragt, zu Beginn des Unternehmens die Führung zu übernehmen. Zwar kam nun das Ende Seines eigenen Lebens immer näher, rückblickend jedoch gaben die drei Ihm verbleibenden Jahre nach Kriegsende einen Vorgeschmack auf die Siege, die die Sache Gottes im Laufe des Jahrhunderts erleben sollte. Die veränderten Bedingungen im Heiligen Land gaben dem Meister die Freiheit, Seine Arbeit ungehindert zu verfolgen, und schafften die Voraussetzungen, unter denen Sein brillanter Verstand und Sein erleuchteter Geist ihren Einfluss auf Regierungsvertreter, Würdenträger aller Art, die Ihn aufsuchten, und die verschiedenen Bevölkerungsgruppen im Heiligen Land ausüben konnte. Die britische Mandatsmacht selbst suchte ihrer Anerkennung der einigenden Wirkung Seines Vorbildes und Seiner philanthropischen Werke dadurch Ausdruck zu verleihen, dass sie Ihm die Ritterwürde verlieh.A17 Noch bedeutender war jedoch, dass wieder ein Strom von Pilgern und zahllose Briefe an Bahá’í-Gemeinden im Osten wie im Westen eine Ausweitung der Lehrtätigkeit und die Vertiefung der Freunde in ihrem Verständnis der Tragweite der Botschaft des Glaubens bewirkte.
Nichts zeigt vielleicht deutlicher den geistigen Triumph, den der Meister im Weltzentrum des Glaubens errungen hatte, als die Ereignisse in Haifa nach Seinem Hinscheiden in den frühen Morgenstunden des 28. November 1921. Am nächsten Tag folgte eine riesige Schar Tausender Menschen, die die bunte Vielfalt der in der Region vertretenen Volksgruppen und Religionen widerspiegelten, dem Begräbniszug den Hang des Karmel hinauf in einem Zustand aufrichtiger Trauer, wie sie die Stadt noch nie zuvor gesehen hatte. Der Zug wurde angeführt von Vertretern der Britischen Regierung, Mitgliedern des Diplomatischen Korps und den Führern aller religiösen Gemeinden der Region, von denen mehrere an der Andacht am Schrein des Báb teilnahmen. Dieser rückhaltlose vereinte Ausbruch der Trauer spiegelte die plötzliche Erkenntnis wider, dass man mit dem Meister eine Gestalt verloren hatte, deren Vorbild ein Brennpunkt der Einheit in einem hasserfüllten, geteilten Land gewesen war. Für alle, die Augen hatten zu sehen, war diese Versammlung selbst ein lebendiger Beweis der Wahrheit der Einheit der Menschheit, die der Meister so unermüdlich verkündet hatte.

4

Mit dem Hinscheiden ‘Abdu’l-Bahás war das Apostolische Zeitalter der Sache zu Ende gegangen. Das unmittelbare Wirken der göttlichen Vorsehung, die vor siebenundsiebzig Jahren – in der Nacht, in der der Báb Seine Sendung Mullá Ḥusayn erklärte und in der ‘Abdu’l-Bahá geboren wurde – in die Geschicke der Menschheit eingegriffen hatte, war nun abgeschlossen. Es war – mit den Worten Shoghi Effendis – »ein Zeitraum … so strahlend, dass weder die heute, noch in irgendeinem zukünftigen Zeitalter errungenen Siege, so großartig sie auch sein mögen, ihm gleichkommen können … «Q42 Vor uns liegen tausend oder Tausende von Jahren, in denen die Entwicklungsmöglichkeiten, die diese schöpferische Kraft im menschlichen Bewusstsein angelegt hat, sich allmählich entfalten werden.
Betrachtet man diese höchst bedeutende Zeit in der Kulturgeschichte, so rückt unvermeidlich die Persönlichkeit ins Zentrum, deren Wesen und Rolle in diesem sechstausendjährigen Prozess einzigartig ist. Bahá’u’lláh nannte ‘Abdu’l-Bahá »das Geheimnis Gottes«Q43. Shoghi Effendi beschrieb Ihn als den »Mittelpunkt und die Achse« des Bundes Bahá’u’lláhs, als das »vollkommene Beispiel« der Lehren der göttlichen Offenbarung für das Zeitalter der menschlichen Reife, und »die Triebkraft der Vereinigung der Menschheit«Q44. Ein mit Seinem Auftreten auch nur annähernd vergleichbares Phänomen hatte keine der göttlichen Offenbarungen, aus denen die anderen der Geschichtsschreibung bekannten großen Religionen hervorgingen, begleitet; sie alle waren im wesentlichen Vorstufen, die die Menschheit auf ihr Reifealter vorbereiteten. ‘Abdu’l-Bahá war Bahá’u’lláhs höchste Schöpfung, der Eine, der alles andere möglich machte. Die Erkenntnis dieser Wahrheit ließ einen verständigen amerikanischen Bahá’í folgendes niederschreiben:
»Nun war eine Botschaft von Gott zu überbringen, und die Menschheit wollte die Botschaft nicht hören. Darum schenkte Gott der Welt ‘Abdu’l-Bahá. ‘Abdu’l-Bahá empfing die Botschaft Bahá’u’lláhs im Namen der Menschheit. Er vernahm die Stimme Gottes; Er war vom Geist durchdrungen; Er erlangte vollkommenes Verständnis und Wissen über die Bedeutung dieser Botschaft, und Er gelobte, dass die Menschheit auf die Stimme Gottes hören würde … das ist für mich der Bund, dass es in der Welt jemanden gab, der für ein bis heute unerschaffenes Geschlecht stand. Es gab nur Stämme, Familien, Konfessionen, Klassen, und so weiter, aber es gab keinen Menschen außer ‘Abdu’l-Bahá. Und der Mensch ‘Abdu’l-Bahá verinnerlichte die Botschaft Bahá’u’lláhs und versprach Gott, dass Er die Menschen zur Einheit der Menschheit führen und ein Menschengeschlecht schaffen werde, das Träger des göttlichen Gesetzes sein kann.«A18
Seine Sendung begann der Meister als Gefangener eines grausamen, ignoranten Regimes, Er wurde unbarmherzig von treulosen Brüdern angegriffen, die Ihn schließlich töten wollten, und doch formte Er – allein auf sich gestellt – die persische Bahá’í-Gemeinde zu einem leuchtenden Beispiel – einem Beispiel für die gesellschaftliche Entwicklung, die die Sache Gottes hervorbringen kann. Er förderte die Ausbreitung des Glaubens im ganzen Orient, rief überall im Westen Gemeinden von ergebenen Gläubigen ins Leben, entwarf einen Plan für die weltweite Verbreitung der Sache, gewann, soweit Sein Einfluss reichte, die Achtung und Bewunderung namhafter Denker und hinterließ den Anhängern Bahá’u’lláhs in der ganzen Welt einen Fundus autoritativer Erklärungen zu den Gesetzen und Lehren des Glaubens. Am Hang des Karmel errichtete Er unter gewaltigen Mühen und Schwierigkeiten den Schrein, der die sterblichen Überreste des Báb birgt – der Brennpunkt jenes Prozesses, durch den das Leben auf dem ganzen Planeten nach und nach geordnet wird. Gleichzeitig sorgte Er Sein Leben lang dafür – ein Leben voller Sorgen und Anforderungen aller Art, das Freund und Feind gleichermaßen zu jeder Zeit einsehen konnten –, dass die Nachwelt jenen Schatz besitzen konnte, von dem die Dichter, Philosophen und Mystiker aller Zeitalter träumten: ein ungetrübtes Beispiel menschlicher Vollkommenheit.
Und schließlich stellte ‘Abdu’l-Bahá sicher, dass die göttliche Ordnung, die Bahá’u’lláh offenbart hatte, um die Menschheit zu einen und Gerechtigkeit im Zusammenleben der Menschheit zu begründen, mit den Werkzeugen ausgestattet wurde, die zur Verwirklichung der Absicht ihres Stifters erforderlich sind. Damit Einheit unter den Menschen bestehen kann – selbst auf der einfachsten Ebene – müssen zwei Grundvoraussetzungen erfüllt sein. Als erstes bedarf es einer grundlegenden Übereinstimmung über das Wesen der Wirklichkeit, da dies die Beziehungen zwischen den Menschen und zur Welt bestimmt. Zweitens braucht es allgemein anerkannte, verbindliche Instrumente und Entscheidungsregeln, die das Verhältnis zwischen den Menschen regulieren und ihre gemeinsamen Ziele bestimmen.
Das bedeutet, dass Einheit nicht bloß durch ein Gefühl gegenseitigen guten Willens und gemeinsamer Absicht entsteht, so tiefgehend und aufrichtig solche Empfindungen auch sein mögen, ebenso wenig wie ein Organismus das Produkt einer zufälligen und formlosen Verbindung verschiedener Elemente ist. Einheit ist eine Erscheinungsform schöpferischer Kraft, deren Existenz in den Wirkungen gemeinschaftlichen Handelns sichtbar wird, und deren Abwesenheit sich in der Fruchtlosigkeit solcher Bemühungen zeigt. So oft Unwissenheit und Eigensinn sie auch behinderten, war diese Kraft doch der wichtigste Antrieb im Fortschritt der Zivilisation und brachte Gesetzesbücher, gesellschaftliche und politische Institutionen, künstlerische Werke, zahllose technologische Errungenschaften, sittliche Durchbrüche, materiellen Wohlstand und lange Friedenszeiten hervor, an deren Abglanz sich spätere Generationen als ›Goldenes Zeitalter‹ erinnerten.
Die Offenbarung Gottes, welche das Zeitalter der Mündigkeit der Menschheit einleiten soll, setzt die Möglichkeiten dieser schöpferischen Kraft endlich ganz frei und begründet die zur Verwirklichung der göttlichen Absicht notwendigen Instrumente. ‘Abdu’l-Bahá legt in Seinem Testament, das Shoghi Effendi als »Charta« der Gemeindeordnung bezeichnet hat, ausführlich Wesen und Funktion der Zwillingsinstitutionen dar, die Er zu Seinen Nachfolgern ernannt hat: das Hütertum und das Universale Haus der Gerechtigkeit. Ihre sich ergänzenden Funktionen sichern die Einheit der Bahá’í-Sache und die Erfüllung ihres Auftrags während der gesamten Dauer der Sendung Bahá’u’lláhs. Er betont besonders ausdrücklich die damit übertragene Autorität:
»Was immer sie entscheiden, ist von Gott. Wer ihm nicht gehorcht oder ihnen nicht gehorcht, hat Gott nicht gehorcht. Wer sich gegen ihn oder gegen sie auflehnt, hat sich gegen Gott aufgelehnt. Wer sich ihm entgegenstellt, hat sich Gott entgegengestellt. Wer sie bekämpft, hat Gott bekämpft.« Q45
Shoghi Effendi erklärt die Bedeutung dieses einzigartigen Textes:
»Es sei gesagt, dass die mit diesem historischen Dokument geschaffene Verwaltungsordnung kraft ihres Ursprungs und ihrer Eigenart in der Geschichte der religiösen Systeme der Welt einzig dasteht. Man kann bestimmt sagen, dass vor Bahá’u’lláh von keinem Propheten … irgend etwas maßgebend und schriftlich festgesetzt wurde, das mit der Verwaltungsordnung zu vergleichen wäre, die der befugte Ausleger der Lehren Bahá’u’lláhs schuf, einer Ordnung, die … den Glauben, dem sie entstammt, vor Spaltungen bewahren muss und wird, in einer Weise, wie es bei keiner früheren Religion der Fall war.« Q46
Bevor das Testament verlesen und verbreitet wurde, hatte die große Mehrheit der Gläubigen angenommen, dass die nächste Stufe in der Entwicklung der Sache die Wahl des Universalen Hauses der Gerechtigkeit sein würde, der Institution, die Bahá’u’lláh selbst im Kitáb-i-Aqdas als leitende Körperschaft der Bahá’í-Welt eingesetzt hatte. Für die heutigen Bahá’í ist es wichtig zu verstehen, dass der Bahá’í-Gemeinde vor diesem Zeitpunkt das Konzept des Hütertums völlig unbekannt war. Die Freude über die einzigartige Auszeichnung, die der Meister Shoghi Effendi verliehen hatte, und darüber, dass in des Hüters Rolle nun ein Bindeglied zu den Stiftern des Glaubens fortbestehen würde, war groß. Bis zu diesem Zeitpunkt wusste man jedoch nicht, dass Bahá’u’lláh eine solche Institution vorgesehen hatte noch erahnte man, dass dieser Institution die Aufgabe der Auslegung übertragen war – eine Funktion, die – wie rückblickend erkennbar – bereits in manchen Seiner Schriften vorweggenommen war und deren zentrale Bedeutung offensichtlich ist.
Völlig jenseits der Vorstellungskraft eines jeden, der damals lebte, gleich ob gläubig oder übelgesinnt, war die Transformation im Leben der Sache, die das Testament des Meisters in Gang setzte. »Wenn ihr wüsstet, was nach mir geschehen wird«, hatte ‘Abdu’l-Bahá erklärt, »dann würdet ihr sicherlich beten, dass sich mein Ende beschleunige.«Q47

5

Wenn man die Stellung des Hütertums in der Bahá’í-Geschichte richtig würdigen will, dann muss man sich zuerst ganz objektiv die Umstände vergegenwärtigen, unter denen Shoghi Effendi seinen Auftrag zu erfüllen hatte. Besonders wichtig ist dabei die Tatsache, dass die erste Hälfte seiner Amtszeit einen Zeitraum zwischen zwei Kriegen umfasste, der von wachsender Unsicherheit und Angst in allen Lebensbereichen geprägt war. Zwar hatte man hinsichtlich der Überwindung von Schranken zwischen den Nationen und Klassen beachtliche Fortschritte gemacht, aber andererseits behinderten politische Unfähigkeit und eine daraus resultierende wirtschaftliche Lähmung alle Bemühungen, Vorteile aus diesen sich eröffnenden Möglichkeiten zu ziehen. Überall hatte man das Gefühl, dass das Wesen der Gesellschaft und die Rolle ihrer Institutionen von Grund auf neu definiert werden müsse – ja, dass man den Sinn des Menschenlebens selbst neu definieren müsse.
In wichtigen Bereichen boten sich der Menschheit am Ende des ersten Weltkrieges nie gekannte Möglichkeiten. In ganz Europa und im Nahen Osten waren absolutistische Systeme, die zu den mächtigsten Hindernissen auf dem Weg zur Einheit gehört hatten, hinweggefegt worden. Vielerorts wurden auch erstarrte religiöse Dogmen, die zuvor Konflikte und Entfremdung moralisch gestützt hatten, in Frage gestellt. Durch die im Versailler Vertrag neu geschaffenen Nationalstaaten stand es ehemals unterdrückten Völkern jetzt frei, die eigene Zukunft zu planen und selbst Verantwortung für ihre außenpolitischen Beziehungen zu übernehmen. Der gleiche Erfindungsgeist, der bisher Waffen der Zerstörung geschaffen hatte, wandte sich nun den herausfordernden aber lohnenden Aufgaben der wirtschaftlichen Expansion zu. Selbst aus den schwärzesten Zeiten des Krieges werden ergreifende Geschichten berichtet, zum Beispiel wie britische und deutsche Soldaten spontan ihre Schützengräben verlassen hatten, um gemeinsam Christi Geburt zu feiern – ein Aufflackern der Einheit der Menschheit, die der Meister während Seiner Reisen durch jenen Kontinent so unermüdlich verkündet hatte. Am wichtigsten aber war, dass durch eine außergewöhnlich kraftvolle Vision die Einigung der Menschheit einen immensen Schritt vorangebracht wurde. Die Führer der Welt hatten, wenn auch zögerlich, im Völkerbund ein internationales Beratungssystem geschaffen, das, obwohl durch einzelstaatliche Interessen deutlich geschwächt, doch dem Ideal einer internationalen Ordnung erstmals vage Form und Struktur verlieh.
Der neue Aufbruch nach dem Krieg war weltweit spürbar. Mit Sun Yat-sen als Führer hatte das chinesische Volk sich der dekadenten kaiserlichen Herrschaft, die das Wohlergehen des Landes gefährdet hatte, entledigt und versuchte, die Grundlagen für eine Wiedergeburt der Größe Chinas zu legen. In ganz Südamerika kämpften Volksbewegungen trotz wiederholter schlimmer Rückschläge um die Kontrolle über das Schicksal ihrer Länder und die Nutzung der ungeheueren Naturschätze ihres Kontinentes. In Indien war eine der bemerkenswertesten Persönlichkeiten des Jahrhunderts, Mahatma Gandhi, ein Wagnis eingegangen, das nicht nur die Geschicke seines Landes verändern sollte, sondern der Welt deutlich zeigte, was geistige Kraft zu erreichen vermag. Afrika wartete noch auf seine Stunde, ebenso die Bewohner anderer Kolonialstaaten, aber jeder scharfsichtige Mensch erkannte, dass ein Wandlungsprozess in Gang gekommen war und nicht mehr unterdrückt werden konnte, weil er den Sehnsüchten der Menschheit entsprach.
Diese ermutigenden Fortschritte konnten die historische Tragödie, die sich abgespielt hatte, nicht verbergen. In der zweiten Hälfte des 19. Jahrhunderts hatte Bahá’u’lláh den Herrschern Seiner Zeit, in deren Händen die Geschicke der Menschheit lagen, den Tag Gottes verkündet – und diese Verkündigung war von den Adressaten in Ost und West zurückgewiesen oder ignoriert worden. Ein derartiger Glaubensbruch rückt auch die späteren Reaktionen auf die Mission ‘Abdu’l-Bahás im Westen in eine ernüchternde Perspektive. Man mag sich noch so sehr über die Anerkennung freuen, mit der der Meister von allen Seiten überschüttet wurde – die unmittelbaren Ergebnisse Seiner Bemühungen zeigten nur das erneute moralische Versagen eines beträchtlichen Teils der Menschheit und ihrer Führer. Die im Osten unterdrückte Botschaft wurde von der westlichen Welt weitgehend ignoriert. In anmaßender Selbstzufriedenheit hatte sie schon lange den eigenen Ruin vorbereitet und schließlich die Ideale des Völkerbundes verraten.
Die beiden Jahrzehnte, die der Amtsübernahme Shoghi Effendis folgten, waren in der ganzen westlichen Welt eine zunehmend düstere Zeit, scheinbar ein deutlicher Rückschlag im Prozess der Integration und Aufklärung, den der Meister doch so zuversichtlich verkündet hatte. Das politische, soziale und wirtschaftliche Leben erstarrte. Tiefe Zweifel kamen auf an der Fähigkeit der liberalen demokratischen Tradition, der Probleme der Zeit Herr zu werden. So verdrängten in einer Reihe europäischer Staaten autoritäre Regime die Regierungen, die in diesen Prinzipien wurzelten. Der wirtschaftliche Zusammenbruch im Jahre 1929 führte schon bald zu einem weltweiten Rückgang des Wohlstands mit all den daraus resultierenden moralischen und psychologischen Unsicherheiten.
Wenn wir diese Umstände berücksichtigen, können wir eher verstehen, vor welch ungeheurer Herausforderung Shoghi Effendi zu Beginn seiner Amtszeit stand. Die Stifter des Bahá’í-Glaubens hatten ihm die Vision einer Neuen Welt hinterlassen. Aber angesichts der konkreten Bedingungen, die er vorfand, sprach absolut nichts dafür, dass er dieses Erbe nennenswert voranbringen könnte, ganz gleich wie viel Zeit ihm dafür bleiben würde.
Auch schien der ihm zur Verfügung stehende Apparat weder kraftvoll, noch belastbar, noch entwickelt genug zu sein, um diese Aufgabe zu erfüllen. Als Shoghi Effendi 1923 endlich in der Lage war, in vollem Maße die Leitung der Sache Gottes zu übernehmen, lebte der Großteil der Anhänger Bahá’u’lláhs im Írán. Damals hätte man nicht einmal ihre Zahl zuverlässig schätzen können. Auch wurde die íránische Gemeinde, der die meisten Wege zur Förderung der Sache versperrt und deren verfügbare materielle Mittel äußerst begrenzt waren, durch ständige Schikanen behindert. In Nordamerika, wo die Freunde mit der schwerwiegenden Verantwortung für den Göttlichen Plan betraut waren, mussten die kleinen Gemeinden der Gläubigen, als sich die Wirtschaftskrise immer mehr vertiefte, um den bloßen Lebensunterhalt für sich und ihre Familien kämpfen. In Europa, Australasien und im Fernen Osten waren es noch kleinere Bahá’í-Gruppen, welche die Flamme des Glaubens am Brennen hielten, ebenso isolierte Gruppen, Familien und Einzelne in den übrigen Teilen der Welt. Selbst in englischer Sprache gab es nur sehr wenig Bahá’í-Literatur, und die Aufgabe, die Schriften in andere wichtige Sprachen zu übersetzen und Geldmittel für deren Veröffentlichung zu finden, stellte eine fast nicht zu bewältigende Bürde dar.
Die vom Meister übermittelte Vision strahlte zwar so hell wie je, die dafür verfügbaren Mittel aber müssen den Bahá’í angesichts der überall herrschenden Umstände jammervoll unzureichend erschienen sein. Der ungestalte nackte Unterbau des zukünftigen Muttertempels des Westens am Seeufer nördlich von Chicago schien des glänzenden Entwurfs zu spotten, der noch vor wenigen Jahren die Bewunderung der Architekten erregt hatte. In Bagdad war das Heiligste Haus, das Bahá’u’lláh zum Mittelpunkt der Bahá’í-Pilgerreise bestimmt hatte, in die Hände von Gegnern des Glaubens gefallen. Im Heiligen Land selbst verfiel das Landhaus Bahá’u’lláhs, weil die Bundesbrecher, die es in Besitz genommen hatten, es nicht in Stand hielten, und der Schrein, der die kostbaren sterblichen Überreste des Báb und ‘Abdu’l-Bahás barg, bestand noch immer nur aus dem schlichten, vom Meister errichteten Steingebäude.
In einer Reihe von Sondierungsberatungen mit führenden Bahá’í wurde dem Hüter klar, dass schon ein formelles Gespräch mit erfahrenen, fähigen Gläubigen über die Bildung eines internationalen Sekretariats nicht nur nutzlos, sondern wahrscheinlich kontraproduktiv sein würde. Daher machte sich Shoghi Effendi ganz allein an die Aufgabe, das seinen Händen anvertraute ungeheure Unternehmen voranzutreiben. Wie völlig allein er war, kann die heutige Bahá’í-Generation kaum erfassen, doch allein schon unser vages Verständnis ist äußerst schmerzvoll.
Ursprünglich hatte der Hüter angenommen, dass die Mitglieder der weitverzweigten Familie des Meisters, deren edle Abstammung ihnen die Hochachtung aller Bahá’í eintrug, ihm gern helfen würden, die Absicht, die in des Meisters Testament in so gebieterischer und eindringlicher Sprache dargelegt war, zu verwirklichen. So hatte er seine Brüder, Vettern und eine seiner Schwestern, deren Ausbildung sie alle für diesen Zweck qualifizierte, eingeladen, bei der vom Hüteramt zu bewältigenden anspruchsvollen Arbeit zu helfen. Unglücklicherweise erwies sich im Laufe der Zeit einer nach dem anderen als unzufrieden mit der ihm übertragenen, nur unterstützenden Rolle, und kam den übernommenen Aufgaben nicht sorgfältig nach. Schlimmer noch, Shoghi Effendi sah sich der Situation gegenüber, dass seine Verwandten die ihm verliehene Autorität, obgleich unzweideutig im Testament niedergelegt, lediglich als nominell betrachteten. Für sie war die Führung des Glaubens im wesentlichen eine Familienangelegenheit, wobei großes Gewicht auf die Ansicht der Älteren unter ihnen zu legen sei, die man für ein solches Vorrecht als qualifiziert erachtete. Zunächst kam es nur zu eigensinnigem Widerstand, allmählich aber verschlimmerte sich die Situation so sehr, dass die Kinder und Enkel ‘Abdu’l-Bahás glaubten, Seinem ernannten Nachfolger widersprechen und seinen Anweisungen den Gehorsam verweigern zu können.
Rúḥíyyih Khánum, die diesen Zersetzungsprozess in einer späteren Phase verfolgte und sehr unter den Auswirkungen auf die Arbeit für den Glauben und auf den Hüter selbst litt, schrieb dazu:
[Hierfür] … »muss [man] die alte Erzählung von Kain und Abel verstehen, die Erzählung von Familieneifersucht, die wie ein dunkler Faden im Gewebe der Geschichte durch alle ihre Epochen läuft und in allen ihren Ereignissen aufgespürt werden kann … Die Schwäche des Menschenherzens, das sich so oft an einen unwürdigen Gegenstand klammert, die Schwäche des menschlichen Geistes mit seinem Hang zu Eitelkeit und Selbstzufriedenheit in persönlichen Ansichten, erzeugen in den Menschen einen solchen Wirrwarr der Gefühle, dass ihre Urteilskraft eingeschränkt wird und sie weit in die Irre geführt werden … Obgleich dieser Vorgang des Bundesbruchs ein der Religion innewohnender Aspekt zu sein scheint, bedeutet es nicht, dass er keine schädigende Auswirkung auf die Sache hat … Vor allem bedeutet es auch nicht, dass es auf den Mittelpunkt des Bundes selbst keine verheerende Wirkung gehabt hätte. Shoghi Effendis ganzes Leben war durch die auf ihn gerichteten bösartigen persönlichen Angriffe getrübt.«A19
Vor diesem dunklen Hintergrund erstrahlen die Leistungen des Größten Heiligen Blattes, der Schwester ‘Abdu’l-Bahás und letzten Vertreterin des Heroischen Zeitalters des Glaubens, in umso hellerem Licht. Bahíyyih Khánum spielte eine entscheidende Rolle, als sie nach des Meisters Tod über die Interessen des Glaubens wachte und zur einzigen echten Stütze für Shoghi Effendi wurde. Ihre Treue ließ seiner Feder Worte entströmen, die vielleicht tiefer bewegen als alles, was er je schreiben sollte. Der feierliche Nachruf, den er nach ihrem Hinscheiden 1932 an sie richtete, findet sich in einem Brief an die Bahá’í »im Westen« und lautet auszugsweise:
»Nur zukünftige Generationen und Federn, fähiger als die meine, können und werden der überragenden Größe ihres geistigen Lebens würdigen Tribut zollen, wie auch der einzigartigen Rolle, die sie während so bewegter Abschnitte der Bahá’í-Geschichte spielte, und dem uneingeschränkten Lobpreis, der den Federn Bahá’u’lláhs und ‘Abdu’l-Bahás, dem Mittelpunkt des Bundes, entströmte. Obgleich nicht schriftlich belegt und im wesentlichen von den meisten ihrer glühenden Verehrer in Ost und West nicht für möglich gehalten, ist der Einfluss, den sie auf den Verlauf einiger der bedeutendsten Ereignisse in der Geschichte des Glaubens hatte, die Leiden, die sie ertrug, die Opfer, die sie erbrachte, die seltene Gabe unerschöpflicher Zuneigung, die sie so bemerkenswert zeigte – all das und vieles darüber hinaus so unauflöslich mit dem Glaubensgefüge verwoben, dass kein zukünftiger Historiker der Religion Bahá’u’lláhs es ignorieren oder schmälern könnte … Welche der Segnungen soll ich erwähnen, mit denen sie mich in ihrer nie versagenden Fürsorge in den kritischsten und aufwühlendsten Stunden meines Lebens überschüttete? Für mich, der ich so dringend der belebenden Gnade Gottes bedurfte, war sie das lebendige Symbol vieler Eigenschaften, die ich bei ‘Abdu’l-Bahá zu bewundern gelernt hatte.« Q48
Viele Jahre lang war der Hüter der Ansicht, dass der Schutz der Sache Gottes von ihm verlange, über die sich verschlimmernde Situation innerhalb der heiligen Familie Stillschweigen zu bewahren. Erst als sich die Opposition in offenem Widerstand äußerte, sah Shoghi Effendi sich veranlasst, der Bahá’í-Welt die Art der Vergehen bekannt zu geben, mit denen er sich auseinandersetzen musste. Zu diesem Zeitpunkt arbeitete die Familie schließlich schändlich mit Mitgliedern eben der Gruppe von Bundesbrechern zusammen, vor deren Niedertracht das Testament des Meisters so eindringlich gewarnt hatte. Es kam sogar zu Eheschließungen mit ihnen und auch mit einer ortsansässigen Familie, die der Sache Gottes gegenüber äußerst feindlich gesinnt war.A20
Diese traurige Geschichte ist von Bedeutung für das Verständnis der Sache im zwanzigsten Jahrhundert, nicht nur wegen der »Verheerungen«, die, wie der Hüter sagte, in der heiligen Familie angerichtet wurden, sondern weil sie Licht auf die Herausforderungen wirft, mit denen die Bahá’í-Gemeinde künftig konfrontiert sein wird, und die eindeutig vom Meister und vom Hüter vorhergesagt wurden. Abgesehen von ihrer Unaufrichtigkeit, bewiesen die allermeisten Verwandten Shoghi Effendis wenig oder gar kein Verständnis für die geistige Bedeutung der Aufgabe, die ihm das Testament zugewiesen hatte. Wesentlich zur Offenbarung Gottes für das Zeitalter der Mündigkeit der Menschheit gehört die Einsetzung einer Autorität, die unverzichtbar für die Wiederherstellung der gesellschaftlichen Ordnung ist. Für die Verwandten Shoghi Effendis bedeutete dies eine geistige Herausforderung, die sie nicht zu begreifen schienen oder vielleicht gar nicht zu begreifen versuchten. Ihre Abkehr vom Hüter ist eine Lehre, welche die Nachwelt in der Bahá’í-Sendung Jahrhunderte lang begleiten wird. Das Schicksal dieser hoch privilegierten aber unwürdigen Gruppe von Menschen unterstreicht für alle, die ihre Geschichte lesen, was der Bund Bahá’u’lláhs für die Einigung der Menschheit bedeutet, und was er von jenen rückhaltlos zu geben fordert, die seinen Schutz suchen.
*
Wenn die Bahá’í überdenken, was sich während der Amtszeit Shoghi Effendis ereignete, müssen sie sich in das Wesen des ihm übertragenen Auftrags hineinversetzen und versuchen, diesen Auftrag mit seinen Augen zu sehen. Der Schlüssel dazu ist die Vielzahl der Schriften, die er hinterlassen hat. ‘Abdu’l-Bahá hatte in zahllosen Briefen und Reden das der Botschaft Bahá’u’lláhs zugrunde liegende Prinzip verkündet: »In dieser wundersamen Offenbarung, diesem herrlichen Jahrhundert, ist die Grundlage des Glaubens Gottes und das hervorstechende Merkmal Seines Gesetzes das Bewusstsein der Einheit der Menschheit.«Q49 Wie schon gesagt, hatte ‘Abdu’l-Bahá ebenso nachdrücklich betont, dass der revolutionäre Wandel, der sich auf allen erdenklichen Feldern menschlichen Strebens vollzog, die Einigung der Menschheit zu einem realistischen Ziel machte. Diese Vision war in den sechsunddreißig Jahren des Hütertums die ordnende Kraft, die Shoghi Effendis Arbeit beflügelte. Die Folgerungen daraus waren Thema einiger seiner wichtigsten Botschaften. In einem Brief an die Freunde des Westens aus dem Jahre 1931 eröffnete er ihnen eine großartige Sicht:
»Der Grundsatz der Einheit der Menschheit – der Angelpunkt, um den alle Lehren Bahá’u’lláhs kreisen – ist kein bloßer Ausdruck unkundiger Gefühlsseligkeit oder unklarer frommer Hoffnung. Sein Ruf ist nicht gleichbedeutend mit einer bloßen Wiedererweckung des Geistes der Brüderlichkeit und des guten Willens unter den Menschen, noch geht es nur um die Förderung harmonischer Zusammenarbeit zwischen einzelnen Völkern und Ländern. Die Folgerungen gehen tiefer, der Anspruch ist höher als alles, was den früheren Propheten zu äußern erlaubt war. Die Botschaft gilt nicht nur dem Einzelnen, sondern befasst sich in erster Linie mit der Natur jener notwendigen Beziehungen, die alle Staaten und Nationen als Glieder einer menschlichen Familie verbinden müssen. Der Grundsatz der Einheit … verlangt eine organische, strukturelle Veränderung der heutigen Gesellschaft, eine Veränderung, wie sie die Welt noch nicht erlebt hat … Er fordert nichts Geringeres als die Neuordnung und Entmilitarisierung der ganzen zivilisierten Welt, einer Welt, die in allen Grundfragen des Lebens, in ihren politischen Strukturen, ihren geistigen Bestrebungen, in Handel und Finanzwesen, Schrift und Sprache organisch zusammengewachsen und doch in den nationalen Eigentümlichkeiten ihrer Bundesstaaten von unendlicher Mannigfaltigkeit ist.« Q50
Ein Konzept, das immer wieder in den Schriften des Hüters auftaucht, ist das Bild eines lebenden Organismus. Mit dieser Metapher hatten bereits Bahá’u’lláh und nach Ihm ‘Abdu’l-Bahá den Jahrtausende langen Prozess veranschaulicht, der die Menschheit zu diesem Höhepunkt ihrer kollektiven Geschichte geführt hat. Der Vergleich bezieht sich auf die Analogie zwischen den Entwicklungsstufen, in denen sich die Gesellschaft schrittweise organisiert und zusammenschließt, und dem Prozess, in dem jeder einzelne langsam aus seiner beschränkten kindlichen Existenz zur vollen Reife heranwächst. Dieses Bild findet sich an herausragenden Stellen in mehreren Schriften Shoghi Effendis über den Wandel, der sich gegenwärtig vollzieht:
»Die langen Zeiten der Kindheit und der Minderjährigkeit, welche die Menschheit zu durchschreiten hatte, sind in den Hintergrund getreten. Die Menschheit erlebt jetzt den Aufruhr, der unabänderlich mit der stürmischsten Stufe ihrer Entwicklung, dem Jünglingsalter, verbunden ist. In dieser Zeit erreichen jugendliche Unbändigkeit und Heftigkeit den Höhepunkt; sie müssen Schritt für Schritt von der Ruhe, der Weisheit und der Vollendung abgelöst werden, welche die Stufe des Mannesalters kennzeichnen.« Q51
Die Folgerungen aus diesem weitreichenden Konzept ermöglichten Shoghi Effendi einen klaren Blick auf die Zukunft, der es seitdem schon drei Generationen von Bahá’í ermöglicht hat, gegenüber Regierungen, Medien und der Öffentlichkeit in aller Welt die Perspektive zu verdeutlichen, die das Wirken des Glaubens bestimmt:
»Die Einheit des Menschengeschlechts, wie sie Bahá’u’lláh vorausschaut, umschließt die Begründung eines Weltgemeinwesens, in welchem alle Nationen, Rassen, Glaubensbekenntnisse und Klassen eng und dauerhaft vereint, die Autonomie seiner nationalstaatlichen Glieder sowie die persönliche Freiheit und Selbständigkeit der einzelnen Menschen, aus denen es gebildet ist, ausdrücklich und völlig gesichert sind. Dieses Gemeinwesen muss, soweit wir es uns vorstellen können, aus einer Weltlegislative bestehen, deren Mitglieder als Treuhänder der ganzen Menschheit die gesamten Hilfsquellen aller Mitgliedstaaten überwachen. Sie muss die erforderlichen Gesetze geben, um das Leben aller Rassen und Völker zu steuern, ihre Bedürfnisse zu befriedigen und ihre wechselseitigen Beziehungen anzupassen. Eine Weltexekutive, gestützt auf eine internationale Streitmacht, wird die Beschlüsse jener Weltlegislative ausführen, deren Gesetze anwenden und die organische Einheit des ganzen Gemeinwesens sichern. Ein Weltgerichtshof wird seine bindende, endgültige Entscheidung in sämtlichen Streitfragen, die zwischen den vielen Gliedern dieses allumfassenden Systems auftreten können, fällen und zustellen … Die wirtschaftlichen Hilfsmittel der Welt werden organisiert, ihre Rohstoffquellen erschlossen und restlos nutzbar gemacht, ihre Märkte aufeinander abgestimmt und entwickelt, die Verteilung ihrer Erzeugnisse unparteiisch geregelt werden.« Q52
Als er in Die Sendung Bahá’u’lláhs die Gemeindeordnung ausführlich darstellte, ging Shoghi Effendi besonders auf die Rolle ein, welche die Institution, die er selbst repräsentierte, dabei spielen würde, nämlich dem Glauben »die Mittel für einen weiten ununterbrochenen Ausblick auf eine Reihe von Generationen«Q53 zu geben. Diese einzigartige Gabe drückte sich besonders klar in seiner Beschreibung des zweifachen historischen Prozesses aus, den er sich im zwanzigsten Jahrhundert entfalten sah. Die internationale Politik würde zunehmend von den Zwillingskräften des »Aufbaus« und des »Zerfalls« geprägt, beide letztlich menschlicher Kontrolle entzogen. Angesichts dessen, was wir heute beobachten, ist seine Vorhersage über den Verlauf dieses zweifachen Prozesses atemberaubend: »Ein Netzwerk weltweiter Kommunikation wird ersonnen werden; es wird … mit wunderbarer Schnelligkeit und vollkommener Pünktlichkeit ablaufen«Q54; der Niedergang des Nationalstaats als oberstem Herr über das Schicksal der Menschen; der zerstörerische Einfluss, den der zunehmende moralische Verfall weltweit auf den sozialen Zusammenhalt haben würde; die weitverbreitete Desillusionierung der Bevölkerung aufgrund politischer Korruption und – unvorstellbar für alle anderen in seiner Generation – der Aufbau weltumspannender Einrichtungen mit dem Ziel, die Wohlfahrt zu fördern, die Wirtschaft zu koordinieren, internationale Maßstäbe festzulegen, und das Zusammengehörigkeitsgefühl der Menschen verschiedener Rassen und Kulturen zu stärken. Diese und andere Entwicklungen, erklärte der Hüter, würden die Bedingungen, unter denen die Bahá’í-Sache in den folgenden Jahrzehnten ihren Auftrag verfolgen würde, von Grund auf ändern.
Eine der bemerkenswerten Entwicklungen dieser Art, die Shoghi Effendi in den heiligen Schriften, welche er zu interpretieren berufen war, erkannte, betraf die zukünftige Rolle der Vereinigten Staaten als Nation und in geringerem Maße ihrer Schwesternationen in der westlichen Hemisphäre. Seine prophetische Sicht ist umso beachtenswerter, wenn man sich vergegenwärtigt, dass er zu einer Zeit schrieb, in der die Außenpolitik wie auch die Überzeugung der meisten Bürger der Vereinigten Staaten entschieden isolationistisch waren. Shoghi Effendi sah jedoch eine »aktive und entscheidende Rolle, die [diese Nation] bei der Organisation und friedlichen Regelung der Angelegenheiten der Menschheit zu spielen haben wird«Q55, voraus. Er erinnerte die Bahá’í an ‘Abdu’l-Bahás Erwartung, dass die Vereinigten Staaten wegen der Einzigartigkeit ihrer sozialen Zusammensetzung und politischen Entwicklung – nicht etwa auf Grund »einer angeborenen Vortrefflichkeit oder eines besonderen Verdienstes«Q56 ihrer Bürger – Fähigkeiten entwickelt hätten, die es ihnen ermöglichen könnten, »die erste Nation [zu] sein, welche die Grundlage für internationale Verständigung errichtet«Q57. Er sah sogar voraus, dass sich die Regierungen und Völker der ganzen Hemisphäre zunehmend in diese Richtung orientieren würden.
Die Rolle, welche die Bahá’í-Gemeinde spielen muss, um diesen historischen Prozess vollenden zu helfen, war schon bei der Geburt des Glaubens im Aufruf des Báb an Seine Anhänger vorgegeben:
»O Meine geliebten Freunde! Ihr seid die Träger des Namens Gottes an diesem Tage … Ihr seid die Geringen, von denen Gott so in Seinem Buch gesprochen hat: ›Und Wir wollen Unsere Gunst denen erweisen, welche die Geringen im Lande sind, und wollen sie zu geistigen Führern unter den Menschen machen und zu Unseren Erben.‹ Zu dieser Stufe seid ihr berufen worden; ihr werdet sie aber nur dann erreichen, wenn ihr euch aufmacht, jedes irdische Begehren unter eure Füße zu treten, und euch bemüht, zu jenen ›Seinen geehrten Dienern zu werden, die nicht sprechen, bevor Er nicht gesprochen hat, und die Seinen Willen tun‹ … Achtet nicht eurer Schwachheit oder Furcht; richtet euren Blick auf die unüberwindliche Macht des Herrn, eures Gottes, des Allmächtigen … Erhebt euch denn in Seinem Namen, setzt euer Vertrauen ganz auf Ihn und seid sicher, dass ihr letztlich siegen werdet.« Q58
Schon 1923 eröffnete Shoghi Effendi den Freunden in Nordamerika, was ihn zu diesem Thema bewegte:
»Dies sind Tage weltumspannender Finsternis, da die dunklen Mächte der Natur – Hass, Aufruhr, Anarchie und Reaktion – den Bestand der Gesellschaft bedrohen. Die kostbarsten Früchte der Kultur sind schweren, nie gekannten Prüfungen ausgesetzt. Lasst uns zu Gott beten, dass wir alle klar erkennen, besser als je zuvor, dass wir an diesem Tag die auserwählten Werkzeuge göttlicher Gnade sind. Auch wenn wir angesichts der brodelnden Massen der Welt nur eine kleine Handvoll sind, ist unsere Aufgabe für das Schicksal der Menschheit doch äußerst dringlich und lebenswichtig. Gestärkt durch dieses Bewusstsein müssen wir uns erheben, um Gottes heilige Absicht für die Menschheit zu verwirklichen.« Q59
*
Im vollen Bewusstsein des desolaten gesellschaftlichen Zustands, der Folgen des Verrates, den die Mitglieder seiner Familie verübt hatten, auf deren Unterstützung er doch hätte vertrauen können müssen, und der vergleichsweise bescheidenen Ressourcen, die ihm in der Bahá’í-Gemeinde selbst zur Verfügung standen, machte Shoghi Effendi sich daran, die Werkzeuge zu schmieden, die er zur Erfüllung der ihm überantworteten Mission benötigte.
Die meisten Bahá’í waren sich wohl der Tatsache mehr oder weniger bewusst, dass die Bedeutung der Räte, die sie bilden sollten, über die bloße Verwaltung praktischer Belange hinausging. ‘Abdu’l-Bahá, der diese Entwicklung angeleitet hatte, nannte die Räte:
»… strahlende Leuchten und himmlische Gärten, aus denen die Düfte der Heiligkeit über alle Regionen wehen und die Leuchten der Erkenntnis über alles Erschaffene strahlen. Von ihnen strömt der Geist des Lebens nach allen Richtungen. Sie sind wahrlich zu allen Zeiten und unter allen Umständen die mächtigen Quellen des Fortschritts für alle Menschen.« Q60
Shoghi Effendi jedoch fiel es zu, in der Gemeinde das Verständnis für den Platz und die Rolle zu entwickeln, die diese nationalen und örtlichen Beratungsgremien im Rahmenwerk der von Bahá’u’lláh geschaffenen und in des Meisters Testament genauer beschriebenen Gemeindeordnung einnahmen. Eine beträchtliche Anzahl von Gläubigen hatte dabei das Problem, dass sie die Sache Gottes einfach für einen im Wesentlichen ›spirituellen‹ Zusammenschluss hielten, indem Organisation zwar der göttlichen Absicht nicht unbedingt zuwider lief, jedoch kein Wesensmerkmal derselben war. Der Hüter betonte nun jedoch, dass der Kitáb-i-Aqdas und das Testament ‘Abdu’l-Bahás »einander nicht nur ergänzen, sondern gegenseitig bestätigen und untrennbare Teile eines vollendeten Ganzen sind«Q61, und regte damit die Gläubigen an, über eine zentrale Wahrheit ihres neuen Glaubens tiefer nachzusinnen:
»Fast jeder wird anerkennen, dass der Geisteshauch Bahá’u’lláhs auf diese Welt, wie er sich mit unterschiedlicher Stärke durch die bewussten Anstrengungen Seiner erklärten Anhänger, mittelbar durch gewisse menschendienliche Organisationen offenbart, die Menschheit nur durchdringen und einen dauernden Einfluss auf sie nur ausüben kann, sofern und sobald er sich in einer sichtbaren Ordnung verkörpert, die Seinen Namen trägt, sich völlig mit Seinen Grundsätzen verbindet und in Übereinstimmung mit Seinen Gesetzen arbeitet.« Q62
Weiter drängte er die Anhänger des Glaubens, den wesentlichen Unterschied zu erkennen zwischen der Sendung Bahá’u’lláhs, deren heilige Texte genaue Vorkehrungen hinsichtlich einer solchen maßgebenden Ordnung enthalten, und den früheren Offenbarungen, deren Schriften über die Verwaltung der Gemeinde oder die Interpretation der Absicht ihres jeweiligen Stifters weitgehend geschwiegen hatten. Mit den Worten Bahá’u’lláhs: »Der prophetische Zyklus ist wahrlich beendet. Nun ist Er, die Ewige Wahrheit, gekommen. Er hat das Banner der Macht aufgerichtet … «Q63 Im Gegensatz zu den Sendungen der Vergangenheit, so sagt Shoghi Effendi, hat die Offenbarung Gottes für unsere Zeit einen »lebendige[n] Organismus« geschaffen, dessen Gesetze und Institutionen »das Wesentliche für eine göttliche Ökonomie« darstellen, ein »Modell für die zukünftige Gesellschaft«, »die Wirkkraft für die Einigung der Welt [und] die Verkündigung des Reiches der Tugend und Gerechtigkeit auf Erden«Q64.
Daher, so mahnte der Hüter, müssten die Freunde sich bemühen, die Geistigen Räte, die sie unter großen Anstrengungen in aller Welt errichteten, als Vorläufer der von Bahá’u’lláh vorgesehenen örtlichen und nationalen ›Häuser der Gerechtigkeit‹ zu verstehen. Als solche sind sie untrennbarer Bestandteil einer Gemeindeordnung, die mit der Zeit »ihren Anspruch geltend machen und ihre Eignung dartun [wird], nicht nur als der erste Anfang, sondern geradezu als das Modell der neuen Weltordnung angesehen zu werden, die dazu bestimmt ist, zur festgesetzten Zeit die ganze Menschheit zu umfassen«Q65.
Für einige Mitglieder der jungen Gemeinden im Westen bedeutete diese Abkehr vom traditionellen Verständnis des Wesens und der Rolle der Religion eine zu große Prüfung, und so mussten manche Bahá’í-Gemeinden schmerzvoll mit ansehen, wie geschätzte Mitarbeiter sich abwandten und nach geistigen Strömungen suchten, die eher ihren eigenen Neigungen entsprachen. Für die allermeisten Gläubigen warfen jedoch die großen Botschaften aus des Hüters Feder wie etwa Das Ziel: Die neue Weltordnung oder Die Sendung Bahá’u’lláhs ein strahlend helles Licht auf genau die Thematik, die sie am brennendsten interessierte – die Frage nach der Beziehung zwischen geistiger Wahrheit und gesellschaftlicher Entwicklung –, und weckten ihre feste Entschlossenheit, zum Errichten des Fundamentes für die Zukunft der Menschheit ihren Beitrag zu leisten.
Der Hüter entwarf auch den Rahmenplan, um dieses mächtige Werk zu ordnen. Er erklärte, dass das »Heroische Zeitalter«Q66 der Offenbarung Bahá’u’lláhs mit dem Hinscheiden ‘Abdu’l-Bahás beendet war. Die Bahá’í-Gemeinde trat nun in das »Eherne Zeitalter«Q67 ein, das »Gestaltende Zeitalter«Q68, während dessen die Gemeindeordnung auf dem gesamten Planeten errichtet und die ihr innewohnenden »gesellschaftsbildende[n]«Q69 Kräfte vollständig enthüllt werden. In ferner Zukunft liegt, was Shoghi Effendi als »Goldenes Zeitalter« der Offenbarung bezeichnete, das schließlich zur Herausbildung des Bahá’í-Weltgemeinwesens führen wird, welches die Errichtung des Reiches Gottes auf Erden und die Schaffung einer Weltkultur bedeutet.A21 Der neue Impuls, der dem menschlichen Bewusstsein zuerst durch die Offenbarung des schöpferischen Wortes selbst eingegeben worden war, dessen revolutionäre gesellschaftliche Bedeutung der Meister verkündet hatte, wurde nun durch ihren ernannten Ausleger in die Sprache politischer und ökonomischer Neuordnung übersetzt, in der die öffentliche Diskussion in diesem Jahrhundert geführt wurde. Der Bund Bahá’u’lláhs, den Er mit jenen, die sich Ihm zuwandten, errichtet hatte, verlieh diesem Prozess unwiderstehliche Kraft, eröffnete den Bahá’í immer neue Erfahrungsdimensionen und ist die Triebfeder für die von Ihm verkündete Vereinigung der Menschheit.
Die Räte, die der Meister die persischen Gemeinden zu bilden ermutigt hatte, hießen zwar ursprünglich nicht ›Geistige Räte‹, hatten aber die Verantwortung für die Verwaltung der Gemeinde übernommen. Angesichts der Entwicklungen, die folgen sollten, muss jedem, der ein Gespür für geschichtliche Zusammenhänge hat, die bemerkenswerte Tatsache auffallen, dass der erste Geistige Rat des Glaubens, der Rat von Teheran, im Jahre 1897 gebildet wurde, dem Geburtsjahr Shoghi Effendis. Unter der Führung des Meisters hatten sich regelmäßige Treffen der vier in Persien ansässigen Hände der Sache nach und nach zu dieser Institution entwickelt, die gleichzeitig als ›Zentraler Geistiger Rat Persiens‹ und als leitendes Gremium der Gemeinde in der Hauptstadt diente. Zur Zeit des Hinscheidens ‘Abdu’l-Bahás gab es in Persien über dreißig örtliche Geistige Räte. 1922 wies Shoghi Effendi die offizielle Bildung des ersten Nationalen Geistigen Rates von Persien an, was sich aber bis 1934 verzögerte, da als Grundlage für die Wahl der Abgeordneten zunächst alle Gläubigen zuverlässig erfasst werden mussten.
Außerhalb Persiens wählten die Gläubigen in ‘Ishqábád im russischen Turkestan ihren ersten Geistigen Rat – ein Gremium, das später eine wichtige Rolle beim Bau des ersten Mashriqu’l-Adhkár in ‘Ishqábád spielte. In Nordamerika erfüllte eine Reihe beratender Gremien – ›Ratsversammlungen‹, ›Ratskomitees‹, ›Beratungsausschüsse‹, und ›Arbeitskomitees‹ – eine entsprechende Funktion und entwickelte sich nach und nach zu gewählten Gremien, den Vorläufern der Geistigen Räte. Zur Zeit des Hinscheidens des Meisters arbeiteten in Nordamerika etwa vierzig solcher Räte. Diese Entwicklungen bereiteten den Weg für die spätere Bildung des Nationalen Geistigen Rates der Bahá’í in den Vereinigten Staaten und Kanada, der aus dem ›Temple Unity Board‹ hervorging, einem 1909 eingerichteten Gremium, das den Bau des Hauses der Andacht koordinierte. Der Nationale Rat wurde zwar 1923 gebildet, doch erst 1925 waren alle vom Hüter hierfür aufgestellten administrativen Erfordernisse erfüllt. 1923 und 1924 wurden bereits die Nationalen Geistigen Räte der Britischen Inseln, von Deutschland und Österreich, von Indien und Birma, von Ägypten und dem Sudan gebildet.A22
Während die Bahá’í nun nationale und örtliche Geistige Räte bildeten, drängte der Hüter darauf, diesen den Rechtsstatus anerkannter Körperschaften zu sichern. Wo dies erfolgte – unabhängig davon, wie das im Einzelfall praktisch vonstatten ging –, waren Bahá’í-Institutionen in der Lage, Eigentum zu besitzen und Verträge abzuschließen, und nach und nach kamen zahlreiche weitere Rechte hinzu, die für die Interessen des Glaubens von grundlegender Bedeutung waren. Welche Wichtigkeit Shoghi Effendi dieser neuen Stufe in der Entwicklung der Gemeindeordnung beimaß, zeigt ein Blick in die Bände von The Bahá’í World, wo zahlreiche Reproduktionen entsprechender Urkunden bald ihren festen Platz unter den Fotografien zu den Berichten über die Verbreitung der Sache Gottes fanden. Als das Landhaus von Bahjí schließlich, von den Bundesbrechern zurückgewonnen, in seinem ursprünglichen Zustand wiederhergestellt und passend möbliert war, stellte Shoghi Effendi sogar eigens eine Auswahl dieser von ihm so hochgeschätzten Dokumente dort aus, um so den wachsenden Strom der Pilger zu ermutigen und anzuleiten.
Der Prozess rechtlicher Anerkennung begann 1927, mit einer Declaration of Trust and By-Laws [Treuhandschaftserklärung und Satzung] für den Nationalen Geistigen Rat der Vereinigten Staaten von Amerika und Kanada, der zwei Jahre später die rechtliche Anerkennung als ›voluntary trust‹ erlangte. Am 17. Februar 1932 nahm der Geistige Rat von Chicago als erster eine Satzung an, die, zusammen mit der des Geistigen Rats von New York vom 31. März desselben Jahres, weltweit als Vorlage für ein solches Prozedere dienen sollte. 1949 konnte der Nationale Geistige Rat der Bahá’í in Kanada, der sich zwei Jahre zuvor bei der Trennung der beiden nordamerikanischen Gemeinden gebildet hatte, seine offizielle rechtliche Anerkennung durch einen Parlamentsbeschluss erwirken – ein Sieg, den Shoghi Effendi als »in den Annalen des Glaubens in jedem Land, Ost wie West, völlig beispiellosen Beschluss«Q70 rühmte.
Diese dringenden administrativen Erfordernisse hielten den Hüter jedoch nicht von anderen Aufgaben ab, die für die Ausformung des geistigen Lebens einer Weltgemeinde ebenso unerlässlich waren. Die wichtigste dieser Aufgaben war jene mühsame Arbeit, die nur er allein vollbringen konnte: der wachsenden Zahl der Gläubigen, die nicht persischer Abstammung waren, den direkten und verlässlichen Zugang zu den Schriften des Stifters ihres Glaubens zu verschaffen. Die Verborgenen Worte, der Kitáb-i-Íqán, der unermessliche Schatz aus mehreren Schriften Bahá’u’lláhs, den er so kenntnisreich und liebevoll unter dem Titel Ährenlese zusammengetragen hatte, die Gebete und Meditationen und der Brief an den Sohn des Wolfes waren für die Arbeit im Dienste der Sache Gottes die so dringend nötige geistige Nahrung, ebenso die von Shoghi Effendi besorgte Übersetzung und Veröffentlichung von Nabíls Bericht, im Englischen unter dem Titel The Dawn-Breakers.
Bahá’í-Pilger erlebten einen geistigen Gewinn anderer Art an den Heiligen Stätten und historischen Orten, die der Hüter – oftmals in scheinbar endlos sich hinziehenden Verhandlungen – erwarb und restaurierte. Ebenso sensibel war Shoghi Effendi für ungeahnt sich bietende Möglichkeiten, die er mit seinem historisch geschulten Blick sofort erkannte. 1925 verweigerte ein sunnitisch-muslimisches Gericht Ehen zwischen Frauen muslimischen Glaubens und Bahá’í-Männern die rechtliche Anerkennung, weil es darauf bestand, dass der »Bahá’í-Glaube eine neue, völlig unabhängige Religion« sei, und dass daher »kein Bahá’í … als Muslim gelten« kann (und so die Ehe mit einer Muslima eingehen könne).A23 Shoghi Effendi ergriff sofort die Gelegenheit und nutzte die weitreichende Bedeutung dieses Urteils, das nur auf den ersten Blick wie eine Niederlage aussah, um international den Anspruch des Glaubens zu untermauern, eine unabhängige Religion zu sein, die unbedingt losgelöst von ihren islamischen Wurzeln gesehen werden muss.
Während die Bahá’í-Gemeinde dabei war, die Grundlagen der Gemeindeordnung zu errichten, die sie in die Lage versetzen sollte, eine gesellschaftlich wirkungsvolle Rolle zu übernehmen, unterhöhlte der von Shoghi Effendi beschriebene Prozess des Zerfalls die Ordnung der Gesellschaft. Die Ursachen dieses Prozesses, die zunächst von vielen Sozial- und Politikwissenschaftlern hartnäckig ignoriert wurden, werden inzwischen – nachdem Jahrzehnte verstrichen sind – bei internationalen Konferenzen für Frieden und Entwicklung immer deutlicher erkannt. Inzwischen ist es nicht mehr ungewöhnlich, wenn in solchen Kreisen offen über die essentielle Rolle ›geistiger‹ und ›moralischer‹ Kräfte bei der Lösung drängender Probleme gesprochen wird. Einem Bahá’í-Leser klingen angesichts solch verspäteter Eingeständnisse die Warnungen im Ohr wider, die Bahá’u’lláh vor über einem Jahrhundert an die Führer der Menschheit richtete: »Die Lebenskraft des Glaubens stirbt aus in allen Landen … Der Schwamm der Gottlosigkeit frisst sich in das Mark der menschlichen Gesellschaft.«Q71
Die Verantwortung für diese größte Tragödie tragen hauptsächlich die religiösen Führer der Welt, wie der Hüter immer wieder betonte. Das schärfste Urteil Bahá’u’lláhs trifft jene, die vorgeben, in Gottes Namen zu sprechen, und dabei nur leichtgläubigen Massen eine Flut von Dogmen und Vorurteilen auferlegen – das größte Hindernis, gegen das der kulturelle Fortschritt anzukämpfen hat. Er anerkennt die menschenfreundlichen Dienste zahlloser Geistlicher, zeigt jedoch auch die Folgen dessen auf, dass sich zu allen Zeiten selbst ernannte religiöse Eliten zwischen die Menschheit und alle Stimmen des Fortschritts gestellt haben – einschließlich der Gottesboten selbst. »Welche ›Trübsal‹ ist schmerzlicher«, fragt Er, »als die, dass eine nach Wahrheit suchende, sich nach Gotteserkenntnis sehnende Seele nicht weiß, wohin sie sich wenden und wo sie suchen soll?«Q72 Die Folge war eine allgemeine Desillusionierung: In einem Zeitalter wissenschaftlichen Fortschritts und weit verbreiteter staatlicher Schulbildung schien religiöser Glaube schließlich bedeutungslos zu werden. Die meisten Geistlichen der verschiedenen Religionen waren selbst völlig unfähig, dieser geistigen Krise Herr zu werden, und wenn sie von Bahá’u’lláhs Botschaft erfuhren, ignorierten sie entweder die darin so deutlich werdende sittliche Kraft, oder bekämpften sie offen.A24
Diese historische Tatsache macht allerdings den Schaden nicht geringer, den jene angerichtet haben, die Vorteil aus dem so entstandenen geistigen Vakuum zu schlagen suchten. Die Sehnsucht nach Glauben lässt sich nicht auslöschen, sie ist uns angeboren und macht uns erst zum Menschen. Wird sie blockiert oder verraten, muss sich die vernunftbegabte Seele einen anderen Orientierungspunkt suchen – gleichgültig wie unangemessen oder unwürdig –, um den herum sie Erfahrungen ordnen kann. Nur so ist sie in der Lage Risiken einzugehen, die ja unausweichlich ein Aspekt unseres Lebens sind. Dies im Blick warnte Shoghi Effendi die Gläubigen in ungewöhnlich deutlichen Worten und hielt sie an, sich um ein Verständnis der geistigen Katastrophe zu bemühen, die während der Jahrzehnte zwischen den beiden Weltkriegen einen großen Teil der Menschheit heimsuchte:
»Tatsächlich ist Gott selbst in den Herzen der Menschen entthront worden. Eine götzendienerische Welt grüßt und verehrt leidenschaftlich lärmend diese von ihrem eigenen Wahn erschaffenen falschen Götter, die ihre missgeleiteten Hände so gotteslästerlich aufgestellt haben … Ihre Hohepriester sind die Politiker und die Weltklugen, die sogenannten Weisen dieses Zeitalters. Ihr Opfer sind das Fleisch und Blut der niedergemetzelten Massen, ihre Beschwörungsformeln sind abgegriffene Losungen, trügerische und heillose Bekenntnisformeln, ihr Weihrauch ist der Gestank der Seelenpein, der aus den zerrissenen Herzen der Verwaisten, Verstümmelten und Heimatlosen aufsteigt.« Q73
Wie opportunistische Seuchen schlugen aggressive Ideologien Kapital aus der Leere, die das Absterben der Religion verursacht hatte. Obwohl sie sich hinsichtlich ihrer Korrumpierung des Glaubens kaum voneinander unterschieden, waren die drei Weltanschauungen, die im zwanzigsten Jahrhundert im Leben der Menschen eine vorrangige Rolle spielten, doch in ihren sekundären, aber augenfälligen Merkmalen, sehr gegensätzlich. Shoghi Effendi prangerte »die finsteren, falschen und verschrobenen Doktrinen« an, die Zerstörung über »jede[n] Mensch[en] oder jedes Volk, das an sie glaubt oder nach ihnen handelt«, bringen würden, und warnte besonders vor den »drei Götter[n] des Nationalismus, des Rassismus und des Kommunismus«.A25
Man muss nicht viel sagen über das Regime, das 1922 mit dem ›Marsch auf Rom‹ entstand und das den Faschismus begründete. Schon lange bevor er mit seinem Führer während der letzten Monate des zweiten Weltkriegs in der Versenkung verschwand, war der Faschismus selbst unter den meisten seiner früheren Anhänger verpönt und verlacht. Seine gefährliche Wirksamkeit liegt vielmehr in den Scharen von Nachahmern, die er hervorbrachte und die sich in den folgenden Jahrzehnten wie wuchernde Krebsgeschwüre auf der ganzen Welt ausbreiteten. Angetrieben von geradezu manischem Nationalismus vergötterte diese Verirrung menschlichen Geistes den jeweiligen Staat, erfand Legenden von Bedrohungen und dem Überlebenskampf des jeweiligen unglücklichen Volkes, in dem er sich eingenistet hatte, und predigte allen, die es hören wollten, dass der Krieg einen ›veredelnden‹ Einfluss auf die menschliche Seele habe. Die lächerlich operettenhafte Parade der Uniformen, Militärstiefel, Fahnen und Trompeten, die wir für gewöhnlich damit assoziieren, dürfen den heutigen Beobachter nicht über das noch immer lebendige Erbe hinwegtäuschen, das dem politischen Vokabular so schmerzliche Begriffe wie ›los desaparecidos‹ (›die Verschwundenen‹) hinterlassen hat.
Die Schwesterideologie des Faschismus, der Nationalsozialismus, teilte mit dem ersten zwar die Vergötterung des Staates, machte sich darüber hinaus aber zum Sprachrohr einer viel älteren und heimtückischeren Perversion der menschlichen Natur. Sein schwarzer Kern war die Besessenheit von einer Idee, die seine Befürworter ›Rassenreinheit‹ nannten. Diese so offensichtlich falsche Grundidee schwächte keineswegs die unbeirrbare Entschlossenheit, mit der er sein mörderisches Ziel verfolgte. Das Nazisystem ist einzig in der schieren Bestialität dessen, was man allgemein mit ihm verbindet: der zum Programm erhobene Genozid, die systematische Verfolgung solcher Bevölkerungsgruppen, die entweder als wertlos oder als schädlich für die Zukunft der Menschheit galten, ein Programm, das darauf abzielte, das gesamte jüdische Volk auszulöschen. Letztlich war das nationalsozialistische Ziel, dass eine selbsternannte ›Herrenrasse‹ den gesamten Planeten beherrschen müsse, hauptverantwortlich dafür, dass ‘Abdu’l-Bahás zwanzig Jahre zuvor ausgesprochene prophetische Warnung sich bewahrheiten sollte: Ein weiterer Krieg, weitaus schrecklicher noch als der erste, würde die Welt verheeren. Wie der Faschismus hat auch der Nationalsozialismus unserer Zeit seine Überreste hinterlassen, in diesem Fall in Form von Symbolen und einer Sprache, mit denen heute gesellschaftliche Randgruppen – verzweifelt vom wirtschaftlichen und sozialen Niedergang um sie herum und ohne Hoffnung auf eine Lösung – ihre ohnmächtige Wut an Minderheiten auslassen, die sie für ihre Enttäuschung verantwortlich machen.
Der dritte falsche Götze, den schon der Meister ausdrücklich benannte und den Shoghi Effendi namentlich anprangerte, zeigte sein wahres Gesicht gleich zu Beginn, als er während der letzten Jahre des Ersten Weltkriegs die erste demokratische Regierung, die jemals in Russland geschaffen worden war, brutal stürzte. Lange Jahre gelang es dem sowjetischen System des Wladimir Lenin, sich vielen als Wohltäter der Menschheit und Verfechter sozialer Gerechtigkeit darzustellen. Im Lichte der historischen Ereignisse allerdings sind solche Anmaßungen geradezu grotesk. Der heutige Forschungsstand beweist unwiderlegbar so ungeheure Verbrechen und so abgründige Verirrungen, dass sie in sechstausendjähriger Geschichtsschreibung ihresgleichen nicht finden. In einem Ausmaß, das sich früher niemand auch nur vorstellen konnte, versuchte die leninistische Verschwörung gegen die menschliche Natur auch, den Glauben an Gott systematisch auszulöschen. Ganz gleich, wie Politikwissenschaftler die Situation gegenwärtig betrachten mögen, niemand kann überrascht sein, dass eine derart vorsätzliche Verletzung der Wurzeln menschlicher Motivation unausweichlich zum wirtschaftlichen und politischen Ruin jener Gesellschaften führen musste, die das Unglück hatten, unter sowjetische Herrschaft zu fallen. Dass der Kommunismus die begründete Sehnsucht unterdrückter Völker auf der ganzen Welt nach Freiheit und Gerechtigkeit im Sinne des eigenen verderbten Programms irreleitete, gehört tragischerweise zu seinen langfristigen geistigen Auswirkungen.
Dass die Menschheit immer wieder Götzenbilder eigener Erfindung anbetet, ist aus Bahá’í-Sicht nicht allein wegen der mit diesen Kräften assoziierten historischen Ereignisse wichtig, wie entsetzlich sie auch waren, sondern wegen der Lehren, die man daraus ziehen sollte. Schaut man zurück auf jene Welt des Zwielichts, in der solch teuflische Mächte die Zukunft der Menschheit verfinsterten, dann drängt sich die Frage auf, welche Wesensschwäche den Menschen gegenüber derartigen Einflüssen so empfänglich und verwundbar macht. In jemandem wie Benito Mussolini einen ›vom Schicksal Auserwählten‹ zu sehen; die Rassentheorien Adolf Hitlers als etwas anderes denn als Produkt eines so offensichtlich kranken Geistes zu verstehen; menschliche Erfahrung ernsthaft im Lichte jener Dogmen zu interpretieren, welche die Sowjetunion eines Josef Stalin hervorbrachten – für eine derart bewusste Preisgabe der Vernunft durch einen beträchtlichen Teil der intellektuellen Elite muss vor der Nachwelt Rechenschaft abgelegt werden. Wo eine solche Bewertung leidenschaftslos erfolgt, stößt sie früher oder später auf eine Wahrheit, die sich wie ein roter Faden durch die Schriften aller Religionen der Welt zieht. Mit den Worten Bahá’u’lláhs:
»Die Wirklichkeit des Menschen … jedoch hat Er zum Brennpunkt für das Strahlen aller Seiner Namen und Attribute und zum Spiegel Seines eigenen Selbstes erkoren … Diese Kräfte … sind jedoch latent in ihm, gleich wie die Flamme in der Kerze verborgen und das Licht potentiell in der Lampe ist … Weder die Kerze noch die Lampe können durch eigenes Streben und ohne Hilfe entzündet werden, noch ist es dem Spiegel jemals möglich, sich selbst von seinem Schmutze zu befreien.« Q74
Die Verblendung der Menschheit durch selbsterdachte Ideologien hatte zur Folge, dass sich der Zerfallsprozess, der die sozialen Lebensstrukturen auflöste und die niedersten Triebe der menschlichen Natur kultivierte, erschreckend beschleunigte. Die durch den Ersten Weltkrieg bewirkte Verrohung prägte nun das gesellschaftliche Zusammenleben in weiten Teilen des Planeten. »So haben Wir die Missetäter versammelt«, warnte Bahá’u’lláh über ein Jahrhundert zuvor. »Wir sehen, wie sie zu ihrem Götzen stürmen … Sie eilen dem Feuer der Hölle zu und halten es für Licht.«Q75

6

Jetzt, da die Gemeindeordnung des Glaubens Gestalt annahm, richtete Shoghi Effendi seine Aufmerksamkeit auf die Aufgabe, die er so lange hatte aufschieben müssen – den Göttlichen Plan des Meisters in die Tat umzusetzen. In Persien ging es damit bereits gut voran. Eine Reihe eigens berufener Lehrer, die ›Muballighín‹, die erst von Bahá’u’lláh und später von ‘Abdu’l-Bahá angeleitet worden waren, inspirierte im ganzen Land die Arbeit auf der örtlichen Ebene, und da ein lebendiges Gemeindeleben bestand, konnten neuerklärte Gläubige relativ schnell in die Gemeinde integriert werden. Ḥuqúqu’lláh-Fonds und das übliche Vorgehen, Reiselehrer zu unterstützen, falls es einem selbst nicht möglich war, sich aufzumachen – eine im Bewusstsein der persischen Bahá’í bereits fest verankerte Praxis –, stellten die materiellen Mittel für diese Lehraktivitäten bereit.
Im Westen war der Glauben vor allem gefördert worden durch so herausragende Gläubige wie Lua Getsinger, May Maxwell und Martha Root, die den Aufrufen des Meisters gefolgt waren. Allein schon diese Namen heben ein Merkmal der Ausbreitung der Sache Gottes im Westen hervor, auf das der Meister besonders hingewiesen hatte:
»In Amerika haben die Frauen die Männer darin übertroffen und die Führung übernommen. Sie mühen sich härter, die Völker der Welt zu führen, und ihre Anstrengungen sind größer. Sie werden durch himmlische Gnadengaben und Segnungen bestätigt.« Q76
Im Osten hatten die gesellschaftlichen Umstände es geradezu erzwungen, dass vor allem Männer die Initiative zur Förderung des Glaubens ergriffen. In Nordamerika und Europa jedoch war man weitgehend frei von solchen Einschränkungen, und auf beiden Seiten des Atlantik wurde eine herausragende Schar unvergesslicher Frauen zu den wichtigsten Trägern der Botschaft Gottes. Man denke etwa an Sarah Farmer, deren Schule in Green Acre der jungen Bahá’í-Gemeinde ein Forum dafür bot, den Glauben einflussreichen Denkern bekannt zu machen; an Sara Lady Blomfield, deren gesellschaftliche Stellung ihrem leidenschaftlichen Eintreten für die Lehren besondere Wirkkraft verlieh; an Marion Jack, die Shoghi Effendi als Vorbild für Bahá’í-Pioniere unsterblich machte; an Laura Dreyfus-Barney, die dem Glauben jene unschätzbare Sammlung von Tischgesprächen des Meisters, die Beantworteten Fragen, hinterließ; an Agnes Parsons, welche gemeinsam mit Louis Gregory die vom Meister angeregte Initiative ›Race Amity‹ begründete; an Corinne True, Keith Ransom-Kehler, Helen Goodall, Juliet Thompson, Grace Ober, Ethel Rosenberg, Clara Dunn, Alma Knobloch und eine Reihe anderer herausragender Frauen, von denen die meisten Pionierarbeit auf einem neuen Feld des Dienstes leisteten.
Ein Name darf in dieser Aufzählung nicht fehlen: Königin Marie von Rumänien, die man allezeit als erstes gekröntes Haupt, das die Offenbarung Gottes an diesem Tage erkannte, preisen wird. Durch den Mut dieser einsamen Frau, die Briefe an die Herausgeber etlicher Zeitungen richtete und darin ihren Glauben furchtlos öffentlich erklärte, erfuhren höchstwahrscheinlich Millionen von Lesern den Namen der Sache Gottes.
Trotz der beindruckenden Reaktionen, die diese frühen Bemühungen hervorriefen, fehlten doch die organisatorischen Mittel, ihre Ergebnisse nutzbar zu machen, so dass der sich daraus ergebende Vorteil für die Gemeinden im Westen begrenzt blieb. Das änderte sich deutlich mit der Entwicklung der Gemeindeordnung. Wo sich Geistige Räte bildeten, wurden Ziele gesetzt und Finanzmittel zur Unterstützung der Lehrbemühungen der Einzelnen bereitgestellt, und wer sich zum Glauben erklärte, konnte sich an vielen Aktivitäten eines umfangreichen Bahá’í-Gemeindelebens beteiligen. Jetzt war die systematische Übersetzung und Veröffentlichung von Literatur möglich, Nachrichten von allgemeinem Interesse wurden regelmäßig ausgetauscht und die Verbindung der Gläubigen zum Weltzentrum festigte sich zunehmend.
Die beiden Mittel, mit denen Shoghi Effendi begann, bei den Freunden im Osten wie im Westen eine stetig wachsende Hingabe an das Lehren zu entwickeln, waren dieselben, die schon ‘Abdu’l-Bahá verwendet hatte. Ein ständiger Strom von Briefen an die Gemeinden wie auch an Einzelne eröffnete den Empfängern neue Dimensionen des von ihnen angenommenen Glaubens. Die wichtigsten Mitteilungen waren allerdings nun an die Nationalen und örtlichen Geistigen Räte gerichtet. Ihre Wirkung wurde durch den Strom zurückkehrender Pilger verstärkt, die Einsichten weitergaben, welche sie durch den unmittelbaren Kontakt mit dem Mittelpunkt des Glaubens gewonnen hatten. Durch diese Verbindungen wurde jeder einzelne Gläubige ermutigt, sich als Instrument der durch den Bund strömenden Kraft zu empfinden. Die unschätzbare Zusammenstellung, die unter dem Titel Messages to America, 1932 - 1946 veröffentlicht wurde, gibt einen Überblick über die Schritte, durch die Shoghi Effendi die nordamerikanischen Gläubigen immer tiefer in die eigentliche Bedeutung des Göttlichen Plans des Meisters zur »geistigen Eroberung des Planeten« einführte:
»In einer von unheilbarer Korruption verderbten, von quälenden Ängsten gelähmten, von zerstörerischem Hass zerrissenen und unter dem Gewicht schrecklichen Elends dahinsiechenden Welt, können, ja, müssen sie durch ihren erhabenen, unerschütterlichen Glauben, durch ihre stete, klare Vision, ihren unbestechlichen Charakter, ihre strenge Disziplin, ihre reine Moral und das einzigartige Beispiel ihres Gemeindelebens ihren begründeten Anspruch darlegen, als einziger Hort jener Gnade zu gelten, von deren Wirken die vollkommene Erlösung, die grundlegende Neuordnung und die höchste Glückseligkeit der gesamten Menschheit abhängt.« Q77
Der nordamerikanischen Bahá’í-Gemeinde hielt der Hüter die Vision ihrer geistigen Bestimmung vor Augen. Ihre Mitglieder, so sagte er, waren »die geistigen Nachkommen der Helden der Sache Gottes«, ihre sich entwickelnden Institutionen »die sichtbaren Symbole seiner [des Glaubens] unbestreitbaren Herrschaft«, ihre ausgesandten Lehrer und Pioniere die »Fackelträger einer noch ungeborenen Kultur«, ihre gemeinsame Herausforderung, den »Hauptanteil« beim Legen des Fundaments der Weltordnung zu übernehmen, »die der Báb angekündigt, der Geist Bahá’u’lláhs erschaut und deren Grundriss ‘Abdu’l-Bahá, ihr Architekt, entworfen hat … «Q78
Die Sprache dieser Botschaften ist großartig und fesselnd. Angesichts der Dunkelheit, welche Gottlosigkeit, Gewalt und schleichende Unmoral zunehmend verbreiteten, beschreibt Shoghi Effendi die Rolle, die Bahá’í in der ganzen Welt als Werkzeuge der verwandelnden Kraft der neuen Offenbarung spielen müssen:
»Gerade sie haben die Pflicht, die Fackel göttlicher Führung hell strahlend emporzuhalten, da jetzt die Schatten der Nacht sich senken, bis sie schließlich die ganze Menschheit umgeben werden. Gerade sie haben die Aufgabe, inmitten der Unruhen, Gefahren und Schrecken Zeugnis für die Vision jener neu erschaffenen Gesellschaft abzulegen und ihr Nahen zu verkünden – jenes von Christus verheißenen Königreichs, jener Weltordnung, die durch nichts Geringeres als den Geist Bahá’u’lláhs selbst ins Leben gerufen wurde, deren Herrschaftsgebiet der ganze Planet, deren Losung Einheit, deren Lebenskraft Gerechtigkeit, deren Leitziel die Herrschaft von Rechtschaffenheit und Wahrheit ist, und deren höchster Ruhm die vollkommene, ungestörte und ewige Glückseligkeit der ganzen Menschheit.« Q79
1936 entschied der Hüter, dass die Gemeindestruktur in Nordamerika so ausreichend verbreitet und gefestigt sei, dass er beginnen konnte, die erste Phase des Göttlichen Plans in die Tat umzusetzen. Zu einer Zeit, da die Welt auf eine neue Feuersbrunst zutrieb und der Spielraum für die Anstrengungen der persischen Gläubigen eng begrenzt war, musste die Konzentration notwendigerweise auf die Ausbreitung und Festigung der Bahá’í-Gemeinden in der westlichen Hemisphäre gerichtet sein, um sie auf künftige, weit größere Aufgaben vorzubereiten. Der Hüter wandte sich an die vom Meister mit der Ausführung des Plans Betrauten, die Gläubigen in Nordamerika, und entwarf einen Siebenjahresplan, der von 1937 bis 1944 dauern sollte. Sein Ziel war, wenigstens einen örtlichen Geistigen Rat in jedem Staat der Vereinigten Staaten und in jeder Provinz Kanadas zu errichten und vierzehn Republiken in Lateinamerika dem Glauben zu erschließen. Dazu kam als weitere Aufgabe, die kunstvoll gestaltete Fassade am ›Muttertempel des Westens‹ fertigzustellen, was für jene Gemeinde mit noch immer wenigen Mitgliedern und äußerst beschränkten finanziellen Mitteln eine ungeheure Herausforderung war.
Rúḥíyyih Khánum hat auf die verblüffende Parallele zwischen zwei Entwicklungen in dieser Zeit hingewiesen. Auf der einen Seite schickten mächtige Staaten Invasionsarmeen aus, um sich der Bodenschätze benachbarter Staaten zu bemächtigen – oder einfach, um ihre Eroberungslust zu befriedigen. Zur gleichen Zeit mobilisierte Shoghi Effendi die so kleine Schar von Pionieren, die ihm zur Verfügung stand, und sandte sie aus, die Lehrziele des von ihm entworfenen Plans zu erfüllen. Innerhalb weniger Jahre waren die mächtigen Armeen am Boden zerschlagen und ihre Namen und Eroberungen aus den Seiten der Geschichte getilgt. Die kleine Schar von Gläubigen aber hatte ihr Leben in die Hand genommen und war ausgezogen, um die ihr vom Hüter übertragene Aufgabe zu erfüllen. Sie hatte alle ihre Ziele erreicht oder sogar übertroffen und damit die Grundlage für bald blühende Gemeinden gelegt.A26
Um dieses Unternehmen würdigen zu können, ist es für die Bahá’í hilfreich, wenn sie nicht nur die Rolle verstehen, die Planung im Leben der Sache Gottes spielt, sondern auch die einzigartige Wirkkraft dieses Mittels, wenn es im Bahá’í-Sinne angewandt wird. Systematisch ausgesuchte Ziele und ebenso systematisch getroffene Entscheidungen über die Wege dahin, bedeuten nicht, dass die Bahá’í-Gemeinde meint, sich in eigener Verantwortung eine Zukunft ›entwerfen‹ zu müssen, was man ja gemeinhin unter dem Begriff Planung versteht. Vielmehr bemühen sich die Bahá’í-Institutionen, die Arbeit für den Glauben in Einklang mit dem Wirken Gottes zu bringen, das sie sich in der Welt stetig entfalten sehen – ein Prozess, der schließlich sein Ziel unabhängig von den historischen Umständen und Ereignissen erreichen wird. Die Herausforderung an die Gemeindeordnung besteht nun darin, dafür zu sorgen, dass – so es die Vorsehung erlaubt – die Bemühungen der Bahá’í mit dem größeren Plan Gottes harmonieren, denn wenn sie das tun, tragen die von Bahá’u’lláh in der Sache Gottes angelegten Möglichkeiten Früchte. Dass die Vorkehrungen des Kitáb-i-Aqdas und des Testaments ‘Abdu’l-Bahás den Erfolg der Bemühungen der Bahá’í sichern, wird eindrucksvoll durch die lückenlose Kette von Siegen bewiesen, mit denen die von Shoghi Effendi entworfenen Pläne beendet wurden.
Im August 1944 konnte Shoghi Effendi den erfolgreichen Abschluss des ersten Siebenjahresplanes bekannt geben. Zur gleichen Zeit machte der Hüter der Bahá’í-Welt ein Geschenk, das eine seiner größten Lebensleistungen darstellt. Die Veröffentlichung von Gott geht vorüber, dem umfassenden Geschichtswerk, das die ersten hundert Jahre in der Entwicklung der Sache Gottes reflektiert, eröffnete den Gläubigen einen Ausblick auf den geistigen Prozess, durch den sich Bahá’u’lláhs Absicht für die Menschheit verwirklicht.
Die Geschichte ist ein machtvolles Werkzeug. Im besten Fall eröffnet sie ein Verständnis der Vergangenheit und einen Ausblick in die Zukunft. Sie bevölkert das menschliche Bewusstsein mit Helden, Heiligen und Märtyrern, deren Beispiel in jedem, der durch sie berührt wird, völlig ungeahnte Kräfte weckt. Sie verhilft dazu, die Welt zu verstehen – und die Menschen. Sie inspiriert, tröstet und erhellt. Sie bereichert das Leben. In dem großen Literatur- und Sagenschatz, den die Menschheit ihr verdankt, kann man die Hand der Geschichte am Werk sehen, wie sie den Lauf der Kultur maßgeblich lenkt – in den Sagen, die seit Anbeginn der Überlieferung in allen Völkern Ideale geweckt haben, in den Epen des Ramajana, den berühmten Heldentaten der Odyssee und der Äneis Homers, den nordischen Sagas, Firdawsis Sháhnámeh und vielerorts in der Bibel und im Qur’án.
Gott geht vorüber hebt diese gewaltige Geistesarbeit auf eine leidenschaftlich erstrebte, doch zu keiner Zeit erreichte Stufe. Wer für seine Vision offen ist, entdeckt darin einen breiten Weg zum Verständnis der Absicht Gottes, einen Weg, der der unermesslichen Weite, die Shoghi Effendis einzigartige Übersetzungen der offenbarten Texte eröffnen, zustrebt. Die Veröffentlichung des Werkes zur Jahrhundertfeier der Geburt der Sache Gottes – gerade als die Bahá’í-Welt den Erfolg des ersten Unternehmens feierte, das sie gemeinsam hatten bewältigen können – bündelte für die Gläubigen in der ganzen Welt die erhabene Majestät und die Bedeutung von hundert Jahren ständiger Opfer.
*
Bald nach Beginn des zweiten Weltkriegs eröffnete der Hüter den Bahá’í eine Deutung dieses Konflikts, die sich stark von der gängigen Auffassung unterschied. Er sagte, dass man den Krieg als »direkte Fortsetzung« des 1914 entzündeten Weltbrandes sehen müsse. Man würde ihn später als »wesentliche Voraussetzung für die Einigung der Welt« erkennen. Der Kriegseintritt der Vereinigten Staaten – die selbst die visionäre Initiative des von ihrem Präsidenten Woodrow Wilson initiierten internationalen Ordnungssystems verworfen hatten – würde die Nation dazu führen, »aus Not einen wesentlichen Anteil der Verantwortung dafür zu übernehmen, dass dieses verkannte aber unsterbliche System ein für alle Mal umfassend, weltweit und unerschütterlich begründet wird«Q80.
Diese Aussage erwies sich als prophetisch. Nach dem Ende der Feindseligkeiten wurde zunehmend deutlich, dass auf der ganzen Welt ein grundlegender Bewusstseinswandel im Gange war und dass überkommene Postulate, Institutionen und Prioritäten, die schon während der ersten Hälfte des Jahrhunderts immer mehr ins Wanken geraten waren, jetzt zusammenbrachen. Wenn auch diese Veränderungen noch kein Zeichen für eine erwachte Überzeugung von der Einheit der Menschheit waren, so konnte doch kein objektiver Beobachter verkennen, dass die Barrieren, die eine solche Erkenntnis verhindert und dem Ansturm früherer Jahrhunderte widerstanden hatten, jetzt schließlich fielen. Es kommen einem die prophetischen Worte des Qur’án 27:88 in den Sinn: »Und du siehst die Berge, von denen du meinst, dass sie unbeweglich seien, sich von der Stelle bewegen, wie Wolken das tun.« All dies erweckte bei fortschrittlichen Denkern ein Gefühl der Zuversicht, dass es möglich werden könne, eine neue Gesellschaft aufzubauen, die nicht nur den Weltfrieden langfristig bewahren, sondern auch das Leben aller Bewohner bereichern werde.
In erster Linie folgte diese neu aufkeimende Hoffnung aus der vorangegangenen ›Feuerprobe‹, die, wie Shoghi Effendi es vorhergesehen hatte, jenes »Gefühl für … Verantwortung einbrennen« konnte, das die Führungspersönlichkeiten in den Anfangsjahren des Jahrhunderts nicht hatten aufkommen lassen wollen.A27 Zu diesem neuen Bewusstsein kam noch die Angst hinzu, die die Erfindung und der Einsatz von Atomwaffen auslöste, was die Bahá’í an die früheren Aussagen des Meisters in Nordamerika erinnert, dass der Friede schließlich kommen werde, weil die Nationen förmlich dazu getrieben würden. Im Montreal Daily Star wird ‘Abdu’l-Bahá zitiert: »Er [der Friede] wird im zwanzigsten Jahrhundert die Welt umfassen. Alle Nationen werden dazu gezwungen werden.«Q81 Die Jahre unmittelbar nach 1945 erlebten einen Fortschritt beim Aufbau einer neuen Gesellschaftsordnung, der die glühendsten Hoffnungen früherer Jahrzehnte noch bei Weitem übertraf.
Am wichtigsten war dabei die Bereitschaft nationaler Regierungen, ein neues System internationaler Ordnung zu schaffen und es mit der friedenssichernden Autorität zu versehen, die dem inzwischen untergegangenen Völkerbund leider verweigert worden war. Im April 1945 trafen sich Delegierte aus fünfzig Staaten in San Francisco – in Kalifornien, wo ‘Abdu’l-Bahá prophetisch verkündet hatte: »Möge die erste Flagge des internationalen Friedens in diesem Staate gehisst werden.«Q82 – und nahmen die Charta der Vereinten Nationen (UNO)A28 an, deren Namen Präsident Franklin D. Roosevelt vorgeschlagen hatte. Die Ratifizierung durch die erforderliche Anzahl von Mitgliedsstaaten erfolgte im Oktober desselben Jahres, und die erste Generalversammlung der neuen Organisation trat am 10. Januar 1946 in London zusammen. In New York, der Stadt, die ‘Abdu’l-Bahá siebenunddreißig Jahre zuvor als »Stadt des Bundes« gerühmt hatte, wurde im Oktober 1949 der Grundstein zum Sitz der Vereinten Nationen gelegt. Bei Seinem Besuch hatte der Meister vorausgesagt: »Zweifellos … wird hier das Banner internationaler Verständigung entfaltet werden und sich immer weiter über alle Nationen der Welt ausbreiten.«Q83
Praktische Folgen hatte Bahá’u’lláhs Aufruf zu Maßnahmen kollektiver Sicherheit bezeichnenderweise endlich auf Initiative eines Politikers aus einer der westlichen Nationen, an die Er Seine Botschaft gerichtet hatte: erstmals in den nominellen Sanktionen des Völkerbundes gegen die faschistische Aggression in Äthiopien. Im November 1956 erreichte Lester Bowles Pearson, damals Außenminister, später Premierminister von Kanada, dass die Vereinten Nationen die erste friedenerhaltende Streitmacht aufstellten. Diese Leistung trug ihm den Friedensnobelpreis ein.A29 Die in einem solchen Auftrag enthaltenen weitreichenden Befugnisse stellten sich während der zweiten Hälfte des Jahrhunderts immer deutlicher als wichtiger Bestandteil internationaler Beziehungen heraus. Wurden anfangs nur Vereinbarungen zwischen feindlichen Staaten überwacht, so nahm der Grundsatz kollektiven Vorgehens zum Erhalt des Friedens nun schrittweise die Gestalt militärischer Interventionen an, wie zum Beispiel im Golfkrieg, als gegenüber den Aggressoren die Einhaltung der Resolutionen des Sicherheitsrates mit Gewalt durchgesetzt wurde.
Neben der Errichtung der Vereinten Nationen und der Schritte, mit denen ihren Sanktionen jetzt Nachdruck verliehen werden konnte, gab es noch einen zweiten wichtigen Durchbruch. Noch vor dem Ende der Kampfhandlungen wurden die Filmaufnahmen von der Befreiung der nationalsozialistischen Todeslager veröffentlicht, und auf der ganzen Welt waren die Menschen fassungslos über die hier offen gezeigten grauenvollen Auswirkungen des Rassismus. Die tiefempfundene Scham angesichts des Entsetzlichen, dessen der Mensch sich fähig gezeigt hatte, erschütterte das Bewusstsein der gesamten Menschheit. Die Chance, die sich hier kurzfristig bot, wurde von einer Gruppe weitsichtiger, entschlossener Männer und Frauen ergriffen, die unter der begeisternden Führung solcher Persönlichkeiten wie Eleanor Roosevelt dafür sorgten, dass die Vereinten Nationen die Allgemeine Erklärung der Menschenrechte annahmen. Die moralische Verantwortung, die damit übernommen wurde, institutionalisierte sich später in der Gründung der Menschenrechtskommission der Vereinten NationenA30. Zu gegebener Zeit sollte die Bahá’í-Gemeinde selbst von der Bedeutung dieser Institution als Schutz von Minderheiten vor den in der Vergangenheit üblichen Übergriffen profitieren.
Die Bedeutung dieser beiden Errungenschaften tritt besonders hervor durch die Entscheidung der Siegermächte des Zweiten Weltkriegs, führenden Nationalsozialisten den Prozess zu machen. Zum ersten Mal in der Geschichte wurden die Führer eines unabhängigen Staates – Männer, die sich mit der Verfassungsmäßigkeit der von ihnen bekleideten politischen Ämter zu rechtfertigen suchten – vor ein öffentliches Gericht gestellt, ihre Verbrechen schonungslos aufgedeckt und dokumentiert und sie selbst, sofern sie dem nicht durch Selbstmord entgingen, rechtmäßig verurteilt, entweder zum Tod durch den Strang oder zu langen Haftstrafen. Dieses Vorgehen rief keinen ernsthaften Protest hervor, obwohl es eigentlich eine grundlegende Abkehr von bestehenden Normen des Völkerrechts bedeutete. Obwohl die Glaubwürdigkeit des Verfahrens darunter litt, dass auch Richter eingesetzt wurden, die von der Sowjetdiktatur – deren eigene Verbrechen denen der Angeklagten gleichkamen oder sie sogar noch übertrafen – ernannt worden waren, so hat der Prozess doch einen historischen Präzedenzfall geschaffen. Zum ersten Mal wurde hier demonstriert, dass der Fetisch der ›nationalen Souveränität‹ erkennbare und durchsetzbare Grenzen hat.
In diesen Jahren begann auch die schon lange überfällige Verwirklichung eines anderen Ideals: die großen Reiche, die 1918 nicht nur überlebt hatten, sondern ihren Einflussbereich durch den Erwerb von ›Mandatsgebieten‹, ›Protektoraten‹ und den besiegten Mächten abgenommenen Kolonien sogar noch hatten erweitern können, lösten sich allmählich auf. Diese veralteten Systeme politischer Unterdrückung brachen zusammen unter der Flut nationaler Befreiungsbewegungen, der sie mit ihren geschwächten Kräften nicht mehr standhalten konnten. Erstaunlich schnell gaben sie ihre Ansprüche entweder freiwillig auf oder wurden durch Kolonialaufstände gezwungen, sich in das gleiche Schicksal zu fügen, das früher im Jahrhundert schon das Reich der Habsburger und das Osmanische Reich ereilt hatte.
Plötzlich war den Völkern der Welt ihre Würde wiedergegeben. In den Vereinten Nationen hatten sie jetzt ein Forum, wo sie ihre tiefsten Besorgnisse äußern konnten, und allmählich begannen sie, eine Rolle bei Entscheidungen über ihre eigene Zukunft und die der ganzen Menschheit zu spielen. Eine Wende war eingetreten, die sechs oder mehr Jahrtausende Menschheitsgeschichte hinter sich ließ. Zwar blieben Nachteile im Bereich der Bildung, es gibt weiterhin wirtschaftliche Ungerechtigkeit und politisch und diplomatisch geschaffene Hindernisse – doch trotz all dieser praktischen aber historisch gesehen vorübergehenden Begrenzungen setzte sich jetzt eine neue Autorität für die Belange der Menschen ein, an die sich alle hoffnungsvoll wenden konnten. Vertreter einst unterdrückter Völker, deren exotisch gekleidete Krieger nur fünf Jahrzehnte zuvor bei dem diamantenen Thronjubiläum von Königin Victoria in London den Festzug beschlossen hatten, traten jetzt als Delegierte im Sicherheitsrat auf, bekleideten hohe Posten bei den Vereinten Nationen und in allen möglichen Nichtstaatlichen Organisationen. Vielleicht wird das Ausmaß dieses Wandels am besten dadurch symbolisiert, dass der gegenwärtige Generalsekretär der Vereinten Nationen aus Ghana stammt und seine beiden unmittelbaren Amtsvorgänger aus Ägypten und Peru.A31
Auch war dies keineswegs nur ein formaler oder administrativer Wandel. Mit der Zeit befreiten sich immer mehr herausragende Persönlichkeiten verschiedenster sozialer Herkunft aus den Fesseln ethnischer, kultureller oder religiöser Zugehörigkeit. In jedem Kontinent der Erde wurden Namen wie Anne Frank, Martin Luther King Jr., Paolo Freire, Ravi Shankar, Gabriel García Márquez, Kiri Te Kanawa, Andrej Sacharow, Mutter Theresa und Zhang Yimou Quellen der Inspiration und des Mutes für unzählige ihrer Mitbürger.A32 In allen Lebensbereichen sprachen Heldenhaftigkeit, herausragendes berufliches Können oder eine hohe Moral zunehmend für sich selbst und wurden von den Menschen anerkannt und hoch geschätzt. Die weltweite Welle der Verbundenheit und Freude, die die Haftentlassung Nelson Mandelas und seine folgende Wahl zum Präsidenten Südafrikas auslöste, spiegelte ein Bewusstsein bei den Völkern aller Rassen und Nationen dafür wider, dass diese historischen Ereignisse Siege der ganzen Menschheitsfamilie sind.
Außerdem wurde klar, dass die vor dem Krieg bestehenden Vorstellungen über die Verteilung und Verwendung des Reichtums gründlich überholt werden mussten. Neben den Prinzipien sozialer Gerechtigkeit, die zweifellos eine beträchtliche Zahl der an dieser Aufgabe Beteiligten beflügelten, hatten vor allem auch die durch die Ereignisse der vergangenen drei Jahrzehnte hervorgerufenen wirtschaftlichen Erschütterungen deutlich gemacht, dass die bestehenden Handelsvereinbarungen veraltet und ineffizient waren. In mehreren Ländern waren als Reaktion auf die Weltwirtschaftskrise der dreißiger Jahre bereits Versuche unternommen worden, solche Probleme auf nationaler Ebene zu lösen. Jetzt wurde nach und nach ein System ineinandergreifender Institutionen entwickelt und eingesetzt, das sich an der Erkenntnis orientierte, dass die Wirtschaft eines Landes Teil eines globalen Ganzen ist. Der Weltwährungsfonds, das Allgemeine Zoll- und Handelsabkommen (GATT)A33, die Weltbank und verschiedene Hilfsorganisationen begannen, wenn auch spät, sich mit den Folgen einer zusammenwachsenden Welt auseinander zu setzen, einschließlich der damit einhergehenden Frage nach der Verteilung des Reichtums. Sehr bald schon wiesen führende Denker aus den Entwicklungsländern darauf hin, dass solche Schritte hauptsächlich den Interessen des Westens dienten. Alles in allem kennzeichnete die Bildung dieser Einrichtungen jedoch einen grundlegenden Richtungswandel, der nach und nach die Einbeziehung zahlreicher Staaten und Institutionen ermöglichen würde.
Eine humanitäre Initiative neuer, bisher unbekannter Art erschloss der laufenden globalen Integration noch eine andere Dimension. Es begann mit dem von der Regierung der Vereinigten Staaten entworfenen ›Marshallplan‹ zum Wiederaufbau der durch den Krieg zerstörten europäischen Länder. Später erwogen dann Staaten, die wirtschaftlich dazu in der Lage waren, Programme, mit denen aufstrebenden Nationen bei der sozialen und wirtschaftlichen Entwicklung geholfen werden könnte. Diese Überlegungen wurden öffentlich geführt und weckten bei Völkern, die ein ausgereiftes Bildungssystem und Gesundheitsfürsorge hatten und technisch entwickelt waren, ein Gefühl der Solidarität mit der übrigen Welt. Schon bald wurden dieser ambitionierten Initiative zweifelhafte Motive vorgeworfen. Auch ist nicht zu leugnen, dass auf längere Sicht die Ergebnisse der Entwicklungsprojekte äußerst enttäuschend waren, denn es ist ihnen nicht gelungen, die gähnende Kluft zwischen Arm und Reich zu schließen. Trotz allem ist jedoch festzuhalten, dass sich hier eine Sicht von der einen Menschheit mit einem gemeinsamen Ziel auftat. Am deutlichsten war das wohl an der Reaktion unzähliger idealistischer junger Menschen aus vielen Ländern abzulesen.
Im Fernen Osten hatte der Krieg paradoxerweise sogar eine gewisse befreiende Wirkung auf das Bewusstsein. Schon 1904 betrachtete man im Osten vielerorts den russisch-japanischen Konflikt als ermutigenden Beweis dafür, dass nichtwestliche Völker der scheinbar unbesiegbaren Übermacht des Westens widerstehen konnten. Dieser Eindruck vertiefte sich aufgrund der Ereignisse des Ersten Weltkriegs und wurde dadurch verstärkt, dass die japanische Armee zwischen 1941 und 1945 den massiven Bemühungen der Alliierten, sie zu besiegen, lange standhalten konnte. Während der zweiten Hälfte des Jahrhunderts brachte dieses technologische Wissen denn auch in einem halben Dutzend asiatischer Länder moderne Volkswirtschaften hervor, deren innovative Produkte und industrielle Energie, vor allem im Transportwesen und in der Informationstechnologie, sich ohne weiteres mit den Spitzenerzeugnissen der übrigen Industrieländer messen können.
*
Nach dem Ende der Kampfhandlungen war 1946 der Weg für den zweiten Siebenjahresplan des Hüters geebnet, der von der neuen Aufnahmebereitschaft für die Botschaft des Glaubens profitierte, die der zu jener Zeit schon deutlich erkennbare Bewusstseinswandel hervorrief. Wieder war die nordamerikanische Bahá’í-Gemeinde aufgerufen, große Verantwortung zu übernehmen, im Wesentlichen auf den Errungenschaften des früheren Plans aufzubauen und diese weiter zu entwickeln. Der große Unterschied bestand allerdings darin, dass jetzt auch zahlreiche andere Bahá’í-Gemeinden in der Lage waren, sich an der Ausführung des Planes zu beteiligen. Die Bahá’í von Indien, Birma und Pakistan hatten bereits 1938 einen eigenen Plan begonnen. Mit dem Ende der Kampfhandlungen unternahmen nach und nach auch die Nationalen Geistigen Räte von Persien, der Britischen Inseln, von Australien und Neuseeland, Deutschland und Österreich, Ägypten und dem Sudan und des Irak – die jetzt von den Einschränkungen befreit waren, die der Krieg ihnen auferlegt hatte – Projekte unterschiedlicher Dauer mit dem Ziel, das Fundament der Gemeindeordnung auszuweiten, Pioniere in Zielgebiete im eigenen Land und im Ausland anzusiedeln und Bahá’í-Literatur vermehrt verfügbar zu machen.
Bis 1953 waren alle diese Unternehmungen erfolgreich abgeschlossen. Drei neue Nationale Geistige Räte waren gebildet worden und hatten ergänzende Lehrpläne in Angriff genommenA34; in Europa war eine ganze Reihe örtlicher Räte gebildet worden; durch die Zusammenarbeit von fünf nationalen Gemeinden, koordiniert von dem Nationalen Geistigen Rat der Britischen Inseln, konnten Pioniere in Ost- und Westafrika angesiedelt werden; und das große Projekt, das mit der Grundsteinlegung des Muttertempels des Westens durch den Meister begonnen hatte, war endlich abgeschlossen.
Noch bevor die Bahá’í-Gemeinde diese Erfolge feiern konnte, kündigte Shoghi Effendi ihnen eine neue Herausforderung von atemberaubenden Ausmaßen an. Angetrieben von geschichtlichen Kräften, die nur er erkennen konnte, gab der Hüter bekannt, dass mit dem nächsten Riḍván-Fest ein zehn Jahre andauernder weltumspannender Plan beginnen werde, den er als ›geistigen Kreuzzug‹ bezeichnete. Dieser Plan bündelte die Energie aller damals bestehenden Nationalen Geistigen Räte – den zwölften bildeten die Gemeinden Italiens und der Schweiz – und rief dazu auf, einhundertdreiunddreißig neue Länder und Territorien für den Glauben zu eröffnen und zugleich vierundvierzig Nationale Geistige Räte zu bilden, von denen dreiunddreißig Rechtsfähigkeit erlangen sollten; eine enorme Zunahme an Bahá’í-Literatur; die Errichtung von Häusern der Andacht im Írán und in Deutschland, (nachdem das Bauprojekt in Teheran blockiert wurde, wurden stattdessen Tempel in Afrika und Australien errichtet); und die Erhöhung der Zahl der Geistigen Räte auf fünftausend weltweit, von denen dreihundertfünfzig Rechtsfähigkeit erlangen sollten. Durch nichts, was die Bahá’í in der ganzen Welt bisher erlebt hatten, waren sie auf ein derart gigantisches Unternehmen vorbereitet. Das immense Ausmaß der Herausforderung legte Shoghi Effendi in einem Telegramm vom 8. Oktober 1952 dar:
»Sehe Stunde gekommen, der ganzen Bahá’í-Welt den geplanten Beginn … des schicksalsschweren, seelenergreifenden, ein Jahrzehnt währenden, weltumfassenden geistigen Kreuzzuges bekannt zu machen, der … die gemeinsame Teilnahme aller Nationalen Geistigen Räte der Bahá’í-Welt einschließt, um die geistige Herrschaft Bahá’u’lláhs unverzüglich auszudehnen auf sämtliche verbleibenden, über den Planeten verstreute souveräne Staaten, Hoheitsgebiete – einschließlich der Fürstentümer, Sultanate, Emirate, Scheichtümer, Protektorate, Mandatsgebiete – und Kronkolonien. Die gesamte Gemeinde der Träger des alles besiegenden Glaubens Bahá’u’lláhs ist jetzt aufgerufen, in einem einzigen Jahrzehnt Taten zu vollbringen, die in ihrer Gesamtheit das, was im Laufe der elf vorangegangenen Jahrzehnte vollbracht wurde und die Annalen der Bahá’í-Pionierarbeit erstrahlen ließ, in den Schatten stellt.« Q84
Der Sieg in diesem ambitionierten Unternehmen würde bedeuten, dass der Glaube schließlich den ganzen Erdball umspannen, dass die Zahl der seiner Gemeindeordnung zugrundeliegenden Institutionen sich verfünffachen und dass sein Gemeindeleben bereichert würde durch die Einbeziehung von Gläubigen aus sehr vielen bisher vom Glauben noch nicht berührten Kulturen, Nationen und Stämmen.
Der Plan verlangte praktisch, dass der Glaube einen riesigen Schritt nach vorn machte und so mehrere Stufen seiner Entwicklung in einem Sprung nahm. Shoghi Effendi erkannte klar und deutlich – und das war nur durch die dem Hütertum innewohnende Kraft der Voraussicht möglich –, dass ein historisches Zusammentreffen verschiedener Umstände der Bahá’í-Gemeinde eine Möglichkeit eröffnete, die nicht wiederkehren würde und von der der Erfolg künftiger Phasen in der Durchführung des Göttlichen Planes gänzlich abhängen würde. Was er ohne Zögern den »Ruf des Herrn der Heerscharen« nannte, ist in einer Botschaft enthalten, welche die Vorstellungskraft der Bahá’í in allen Teilen der Welt beflügelte:
»Ganz gleich wie viel Zeit sie [die Gläubigen] auch vom endgültigen Sieg trennt; wie mühsam die Aufgabe; wie groß die von ihnen geforderte Anstrengung; wie dunkel die Tage, die die Menschheit, verwirrt und schwer geprüft, zur Stunde ihrer Pein durchleiden muss; wie schwer die Prüfungen, welche jene, die ihr Glück wieder herstellen sollen, zu bestehen haben … Ich beschwöre sie bei dem kostbaren Blut, das so reichlich floss; bei den zahllosen Heiligen und Helden, die ihr Leben opferten; bei dem höchst ruhmreichen Opfertod des Herolds unseres Glaubens; bei den Leiden, die sein Stifter selbst bereitwillig auf sich nahm, damit Seine Sache lebe, Seine Ordnung eine zerrüttete Welt erlöse und ihre Herrlichkeit den ganzen Planeten durchströme – ich beschwöre sie, da diese ernste Stunde naht, fest entschlossen zu sein, niemals zurückzuweichen, niemals zu zögern, niemals nachzulassen, bis jedes einzelne Ziel des noch zu verkündenden Planes vollständig erreicht ist.« Q85
Die Reaktion ließ nicht lange auf sich warten. Innerhalb weniger Monate berichteten Botschaften aus dem Weltzentrum von immer neuen Siegen in einem Land nach dem anderen. Die Pioniere, die in einem Land oder Territorium den ersten Stützpunkt des Glaubens errichten konnten, wurden zu ›Rittern Bahá’u’lláhs‹ ernannt, und ihre Namen wurden in eine Ehrenrolle eingetragen, die, so bestimmte es der Hüter, später unter der Türschwelle zum Schrein Bahá’u’lláhs niedergelegt werden sollte. Nichts bezeugt so eindrucksvoll die visionäre Kraft Shoghi Effendis in seinen aufeinanderfolgenden Plänen wie die Tatsache, dass Bahá’í-Gemeinden und Geistige Räte in jedem der nach dem Zweiten Weltkrieg neu entstandenen Nationalstaaten bereits in das öffentliche Leben eingebunden waren.
Weitere großartige Siege folgten diesen ersten. Im Oktober 1957, als der Glaube in über zweihundertfünfzig Ländern und Gebieten begründet war, konnte Shoghi Effendi bekannt geben, dass zehn neue Grundstücke für künftige Häuser der Andacht gekauft werden konnten und die Arbeit an den Häusern der Andacht in Kampala, Sydney und Frankfurt begonnen hatte; dass Grundstücke für die sechsundvierzig benötigten nationalen Ḥaẓíratu’l-Quds gekauft worden waren; dass die Veröffentlichung von Bahá’í-Literatur beträchtlich zugenommen hatte; dass weitere Räte Rechtsfähigkeit erlangt hatten und ihre Zahl damit auf einhundertfünfundneunzig gestiegen war; Bahá’í-Eheschließungen und -Feiertage zunehmend anerkannt wurden und die Arbeit am Internationalen Bahá’í-Archiv voranging, dem ersten Gebäude, das an dem von Shoghi Effendi entworfenen weiten Bogen am Hang des Berges Karmel errichtet wurde. Wer auf die damaligen Ereignisse zurückblickt, muss von der väterlichen Fürsorge, mit der Shoghi Effendi das Erreichen dieser großartigen Ergebnisse sicherte, tief berührt sein. Sie zeigt sich auch darin, wie er in der letzten Botschaft zum Zehnjahreskreuzzug, die er im April 1957 an die Bahá’í richtete, sorgfältig jede der dreiundsechzig Lehrkonferenzen und Seminare, die in jenem Jahr in der ganzen Bahá’í-Welt abgehalten wurden, namentlich aufführte.
Solch eine Übersicht wäre unvollständig, wenn sie nicht auch die parallele Entwicklung der Gemeindeordnung auf internationaler Ebene berücksichtigte, der sich der Hüter in diesen Jahren widmete. Diese Schritte erwiesen sich als äußerst wichtig, nicht nur für den erfolgreichen Abschluss des Zehnjahresplanes, sondern auch für die Festigung und den Schutz des Glaubens in der Zukunft. Zusätzlich zu der den gewählten Institutionen übertragenen Entscheidungskompetenz hat die Gemeindeordnung auch einen geistigen, moralischen und intellektuellen Erziehungsauftrag, der sich gleichermaßen auf diese Institutionen wie auf jedes Mitglied der Gemeinde bezieht. Die von Bahá’u’lláh selbst vorgesehene Verantwortung »die göttlichen Düfte zu verbreiten, die Menschenseelen zu erbauen, die Bildung zu fördern, alle Menschen zu bessern … «Q86, wird im Testament des Meisters hauptsächlich den Händen der Sache Gottes übertragen.
Während der Amtszeit Bahá’u’lláhs und ‘Abdu’l-Bahás hatten die Gläubigen, denen dieser hohe Rang verliehen worden war, eine entscheidende Rolle bei der Förderung der Lehrarbeit im Orient gespielt. Als die Idee des Zehnjahreskreuzzuges im Geiste Shoghi Effendis Gestalt annahm, suchte er die geistige Unterstützung zu aktivieren, die diese Institution beitragen konnte, um die Ziele des Plans zu erreichen. In einem Telegramm vom 24. Dezember 1951 verkündete er die Ernennung des ersten Kontingents von zwölf Händen der Sache Gottes, die gleichermaßen der Arbeit im Heiligen Land, in Asien, Nord- und Südamerika und Europa zugeordnet waren. Diese herausragenden Diener der Sache Gottes sollten sich völlig darauf konzentrieren, die Energien der Freunde anzufachen und die gewählten Körperschaften zu ermutigen und zu beraten. Bald darauf wurde die Zahl der Hände der Sache von zwölf auf neunzehn erhöht.
Ihrer Verantwortung konnten die Hände der Sache deutlich leichter nachkommen, nachdem der Hüter im Oktober 1952 entschieden hatte, dass sie fünf Hilfsämter einrichten sollten, in jedem Kontinent eins: in Amerika, in Europa und Afrika bestanden sie aus je neun Mitgliedern, in Asien und Australasien aus sieben beziehungsweise zwei. Später wurden gesonderte Hilfsämter für den Schutz des Glaubens geschaffen, neben der Verbreitung des Glaubens die zweite der beiden wichtigsten Aufgaben der Hände der Sache Gottes.
Eine Botschaft des Hüters vom 3. Juni 1957 begrüßte die Maßnahme der israelischen Regierung, mit der sie die endgültige Entscheidung des Appellationsgerichts jenes Landes umsetzte und die noch überlebenden Bundesbrecher zwang, sich völlig aus dem Ḥaram-i-Aqdas zurückzuziehen, der den heiligsten Ort der Bahá’í-Welt in Bahjí umgibt.A35 Nur einen Tag später jedoch warnte ein zweites Telegramm die führenden Institutionen des Glaubens eindringlich, dass es dringend notwendig sei, den Glauben durch gemeinsames Handeln vor neuen Gefahren, die der Hüter am Horizont drohen sah, zu schützen. Dem folgte im Oktober eine Botschaft mit der Bekanntmachung, dass die Zahl der Hände der Sache Gottes von neunzehn auf siebenundzwanzig erhöht worden sei. Er bezeichnete diese ranghöchsten Persönlichkeiten als »›Hauptsachwalter‹ der keimenden Weltordnung Bahá’u’lláhs«Q87 und betraute sie mit der Aufgabe, mit den Nationalen Geistigen Räten über dringend notwendige Maßnahmen zum Schutz des Glaubens zu beraten.
Kaum einen Monat später wurde die Bahá’í-Welt von der Nachricht erschüttert, dass Shoghi Effendi am 4. November 1957 an den Folgen einer asiatischen Grippe gestorben war, die er sich bei einem Besuch in London zugezogen hatte. Der Mittelpunkt der Sache Gottes, der sechsunddreißig Jahre lang ihre Entwicklung Tag für Tag geleitet hatte, dessen visionäre Schau sowohl den Lauf der Ereignisse erfasste als auch die von der Bahá’í-Gemeinde zu leistende Arbeit und dessen ermutigende Botschaften die geistige Lebensader zahlloser Bahá’í auf dem ganzen Planeten gewesen waren, war plötzlich gegangen und musste den großen Kreuzzug unvollendet und die Zukunft der Gemeindeordnung im Ungewissen hinterlassen.
*
Die große Trauer und das übermächtige Gefühl der Verlassenheit nach dem Verlust des Hüters verleihen dem Triumph des Planes, den er entworfen und beflügelt hatte, eine noch größere Bedeutung. Am 21. April 1963 wählten die Delegierten der sechsundfünfzig Nationalen Geistigen Räte – darunter auch die vierundvierzig neuen, die im Zehnjahresplan, wie vorgesehen, gebildet worden waren – in geheimer Wahl das erste Universale Haus der Gerechtigkeit, die von Bahá’u’lláh eingesetzte leitende Körperschaft der Sache Gottes, der Er unmissverständlich göttliche Führung bei der Ausübung ihrer Aufgaben zusichert:
»Die Vertrauensleute des Hauses der Gerechtigkeit haben über jene Dinge zu beraten, die nicht ausdrücklich im Buche offenbart sind, und zu vollziehen, was sie für gut halten. Gott wird ihnen wahrlich eingeben, was Er will, und Er ist, wahrlich, der Versorger, der Allwissende.« Q88
Es schien besonders angemessen, dass die Wahl – durch anwesende Delegierte und Briefwähler – im Hause des Meisters stattfinden sollte, dessen Testament vor nahezu sechzig Jahren die wahre Bedeutung und das Ausmaß der von Bahá’u’lláh verliehenen Autorität beschrieben hatte:
»Dem Heiligsten Buche muss sich jeder zuwenden, und was darin nicht ausdrücklich verwahrt ist, ist dem Universalen Haus der Gerechtigkeit vorzulegen. Was diese Körperschaft einstimmig oder mit Stimmenmehrheit beschließt, ist die Wahrheit und Gottes eigener Wille. Wer davon abweicht, gehört fürwahr zu denen, die Zwietracht lieben, böse Absichten bekunden und sich vom Herrn des Bundes abwenden.« Q89
Einen wichtigen, die Wahl vorbereitenden Schritt hatte Shoghi Effendi schon 1951 unternommen, als er die Mitglieder des Internationalen Rats ernannte, die ihn bei seiner Arbeit unterstützen sollten. In einem zweiten Schritt, der ebenfalls vom Hüter vorgesehen war, wurde dieser Rat 1961 zu einem neunköpfigen Gremium, das von den Mitgliedern der Nationalen Geistigen Räte gewählt wurde. Daher hatte die Bahá’í-Welt, als der Zehnjahreskreuzzug 1963 siegreich abgeschlossen wurde, bereits wertvolle Erfahrungen gesammelt für die Herausforderung, die die nun anstehende Wahl bedeutete.
Geschichtswissenschaftler werden den Händen der Sache Gottes ohne Zögern das Verdienst zuschreiben, die Anstrengungen, die diesen historischen Augenblick ermöglichten, unterstützt zu haben, denn sie hatten der Bahá’í-Welt die koordinierende Führung gegeben, derer sie nach dem Verlust des Hüters beraubt war. Diese kleine Gruppe leidgeprüfter Männer und Frauen war unermüdlich um die Welt gereist, um Shoghi Effendis Plan voranzubringen, hatte sich jährlich zu Konklaven getroffen, um Ermutigung und Information geben zu können, hatte die Bemühungen der Mitglieder der gerade geschaffenen Hilfsämter inspiriert und die Angriffe einer neuen Schar von Bundesbrechern auf die Einheit des Glaubens abgewehrt. So hatten sie erfolgreich dafür gesorgt, dass die hochgesteckten Ziele des Planes in der vorgesehenen Zeit erfüllt wurden und das nötige Fundament für die Errichtung jener Körperschaft gelegt war, die die Gemeindeordnung krönte. Und noch ein zweites Erbe hinterließen die Hände der Sache der Bahá’í-Welt, eine geistige Auszeichnung, die in der Geschichte ohnegleichen ist. Sie baten darum, davon abzusehen, sie selbst in das Universale Haus der Gerechtigkeit zu wählen, damit sie die ihnen von Shoghi Effendi übertragenen Dienste weiter erbringen könnten. Nie zuvor hatten Menschen, in deren Hände die höchste Macht einer großen Religion gefallen war und die eine Wertschätzung genossen, die niemandem sonst in ihrer Gemeinde zuteil wurde, darum gebeten, nicht an der Ausübung oberster Autorität teilzuhaben, und sich damit vollständig in den Dienst jener Institution gestellt, welche ihre Mitgläubigen für diese Aufgabe wählten.A36

7

Der Unterschied zwischen der Stufe des Hüters und der ‘Abdu’l-Bahás, des Mittelpunktes des Bundes, ist immens – gleichwohl hatte Shoghi Effendi nach dem Hinscheiden des Meisters eine einzigartige Aufgabe in der Geschichte der Sache Gottes, und sie wird diesen zentralen Platz im Leben des Glaubens während der kommenden Jahrhunderte behalten. In manch wichtiger Hinsicht kann man sagen, dass Shoghi Effendi die Führung durch die Hand des Meisters beim Aufbau der Gemeindeordnung und bei der Ausbreitung und Festigung des Glaubens Bahá’u’lláhs noch einmal um sechsunddreißig entscheidende Jahre verlängert hat. Es ist eine bedrückende Vorstellung, was mit der gerade erst geborenen Sache Gottes geworden wäre, hätte sie zur Zeit ihrer größten Verwundbarkeit nicht fest in der Hand dessen geruht, der von ‘Abdu’l-Bahá auf diese Aufgabe vorbereitet wurde und bereit war, im wahrsten Sinne des Wortes als ihr Hüter zu dienen.
Zwar wies Shoghi Effendi die Gläubigen immer wieder darauf hin, dass die beiden Institutionen in der Nachfolge des Meisters »untrennbar« sind und sich in ihren jeweiligen Funktionen »ergänzen«, doch akzeptierte er schon früh die Tatsache, dass das Universale Haus der Gerechtigkeit nicht gebildet werden könnte, ehe im Verlauf der Entwicklung der Gemeindeordnung die als seine Stütze notwendige Struktur an örtlichen und Nationalen Geistigen Räten geschaffen wäre. Er kam deshalb nicht umhin, seine herausragende Verantwortung gänzlich allein auszuüben und legte dies der Bahá’í-Gemeinde mit allen praktischen Konsequenzen auch ganz offen dar. Mit seinen eigenen Worten:
»Getrennt von der nicht minder wesentlichen Institution des Universalen Hauses der Gerechtigkeit wäre diese nämliche Ordnung des Willens ‘Abdu’l-Bahás in ihrer Wirksamkeit gehemmt und außerstande, die Lücken auszufüllen, die der Schöpfer des Kitáb-i-Aqdas mit Bedacht im Gefüge Seiner Gesetzes- und Verwaltungsanordnungen gelassen hat.« Q90
Diese Wahrheit vor Augen beachtete Shoghi Effendi genauestens die Beschränkungen, welche die Umstände ihm auferlegten. Dies bezeugt eine Treue gegenüber dem Testament des Meisters, die in den kommenden Jahrhunderten der Stolz der Anhänger Bahá’u’lláhs sein wird. Die Geschichte seines sechsunddreißig Jahre währenden Dienstes als Hüter des Glaubens – eine Geschichte, die wie die seines Großvaters von der Nachwelt studiert und angemessen bewertet werden muss – enthält, wie er auch selbst der Bahá’í-Gemeinde versichert hatte, nichts, das in irgendeiner Weise »in das geweihte und festgelegte Gebiet der anderen [Institution, das heißt des Universalen Hauses der Gerechtigkeit] übergreifen«Q91 würde. Shoghi Effendi sah nicht nur davon ab, Gesetze zu erlassen, er konnte vielmehr seine Aufgabe erfüllen, indem er lediglich provisorische Anordnungen traf und endgültige Entscheidungen in den fraglichen Angelegenheiten jeweils dem Universalen Haus der Gerechtigkeit überließ.
Nirgends wird diese Zurückhaltung deutlicher als bei der so wichtigen Frage nach dem Nachfolger im Amt des Hüters. Shoghi Effendi selbst hatte keine Nachkommen, und die anderen Zweige der heiligen Familie hatten den Bund gebrochen. Die Bahá’í-Schriften geben für einen derartigen Fall keine eindeutige Führung, aber das Testament des Meisters erklärt ausdrücklich, wie all jene Fragen, in denen keine Klarheit herrscht, zu regeln sind:
»Es obliegt diesen Mitgliedern [des Universalen Hauses der Gerechtigkeit], an einem bestimmten Ort zusammenzukommen und alle Fragen zu beraten, die kontrovers, unklar oder nicht ausdrücklich im Buche behandelt sind. Was sie entscheiden, hat dieselbe Geltung wie der heilige Text.« Q92
Dieser Führung aus der Feder des Mittelpunktes des Bundes folgend schwieg Shoghi Effendi und legte die Frage seines Nachfolgers oder seiner Nachfolger in die Hände jener Institution, die allein zur Entscheidung der Angelegenheit befugt war. Fünf Monate nach seiner Entstehung erklärte das Universale Haus der Gerechtigkeit in der Botschaft vom 6. Oktober 1963 an alle Nationalen Geistigen Räte folgendes zu diesem Thema:
»Nach sorgfältigem Studium der heiligen Texte … und nach ausgedehnter Beratung … sieht das Universale Haus der Gerechtigkeit keinen Weg, einen zweiten Hüter zur Nachfolge von Shoghi Effendi zu ernennen oder ein Gesetz zu erlassen, das eine solche Ernennung ermöglicht.« Q93
Als Shoghi Effendi seine Aufgabe antrat, für die er in der Geschichte kein Vorbild fand, konnte er nirgends die für seine Arbeit notwendige Führung suchen als nur in den Schriften der Stifter des Glaubens und im Beispiel des Meisters. Kein Ratgeberstab konnte ihm dabei helfen, die Bedeutung der Texte zu ermitteln, die auszulegen er berufen war – für eine Bahá’í-Gemeinde, die all ihr Vertrauen in ihn setzte. Obwohl er die Werke von Historikern, Wirtschafts- und Politikwissenschaftlern studierte, konnte solches Forschen ihm doch nur Rohmaterial bieten, das seine inspirierte Vision der Sache Gottes dann ordnen und zusammenfügen musste. Die Zuversicht und der Mut, die notwendig waren, um eine so heterogene Gemeinde von Gläubigen dazu zu motivieren, Aufgaben anzugehen, die rein sachlich betrachtet weit jenseits ihrer Möglichkeiten lagen, konnte er allein aus der geistigen Kraft seines Herzens schöpfen. Jeder objektive Beobachter des zwanzigsten Jahrhunderts – so skeptisch er auch gegenüber religiösen Ansprüchen sein mag – muss doch anerkennen, dass die Integrität, mit der ein junger Mann Anfang zwanzig eine so ehrfurchtgebietende Verantwortung übernahm und einen so überwältigenden Sieg errang, beweisen, welch immense geistige Kraft der Sache innewohnt, an deren Fortschritt er arbeitete.
Wer all dies anerkennt, muss gleichzeitig verstehen, dass die Fähigkeiten, mit denen der Bund das Hütertum ausstattete, keine magischen Kräfte sind. Sie erfolgreich einzusetzen erforderte, wie Rúḥíyyih Khánum in bewegender Weise schildert, einen nie endenden Prozess des Ausprobierens, Evaluierens und Verbesserns. Die Genauigkeit, mit der Shoghi Effendi politische und soziale Vorgänge schon in ihren frühen Entwicklungsstadien analysierte, und die Souveränität, mit der sein Verstand ein Kaleidoskop unterschiedlichster Ereignisse – vergangener wie gegenwärtiger – erfasste, um sie zu deuten und zum sich entfaltenden göttlichen Willen in Beziehung zu setzen, flößen größten Respekt ein. Dass dieses große Werk des Intellekts sich auf einer Ebene vollzog, die weit über der liegt, auf der menschlicher Verstand normalerweise funktioniert, verringerte keineswegs die damit verbundene Anstrengung. Im Gegenteil: Es gehört zu den Kennzeichen der von Shoghi Effendi verkörperten Institution, dass weder das Wesen, noch die Motivation, noch die Kraftreserven ihres Trägers übermenschlich sind.A37
Jetzt, in der Rückschau über mehr als vierzig Jahre seit seinem Hinscheiden, beginnt sich strahlend klar herauszukristallisieren, dass das Werk Shoghi Effendis für die Entwicklung der Gemeindeordnung eine unvergängliche Bedeutung hat und sich noch lange auf sie auswirken wird. Das Testament des Meisters hätte – wären die Umstände anders gewesen – durchaus die Möglichkeit für einen oder mehrere Nachfolger in dem von Shoghi Effendi verkörperten Amt eröffnet. Die Wege Gottes sind uns unergründlich. Klar und unbestreitbar ist jedoch, dass die Struktur der Gemeindeordnung sowie auch die Richtung ihrer künftigen Entwicklung von Shoghi Effendi durch seine Auslegungsbefugnis festgelegt wurden, indem er die ihm vom Meister übertragene Aufgabe in jeder Hinsicht und im größt denkbaren Maße erfüllte. Ebenso klar und unbestreitbar ist, dass Struktur und Entwicklungsrichtung der Gemeindeordnung dem Willen Gottes entsprechen.

8

Wie Shoghi Effendi warnend vorhergesagt hatte, griffen parallel zum Prozess des Aufbaus, der weltweit in Gang war, weiterhin auch solche Kräfte um sich, die ererbte Überzeugungen und Systeme untergruben. Daher kann es nicht überraschen, dass die Friedenseuphorie in Europa und im Orient sich als äußerst kurzlebig erwies. Kaum hatten die Kriegshandlungen ein Ende gefunden, als auch schon der ideologische Konflikt zwischen Marxismus und liberaler Demokratie neu aufbrach und beide Staatenblöcke immer wieder versuchten, sich die Vormachtstellung zu sichern. Das Phänomen des ›Kalten Krieges‹, in dem der Kampf um die Vorherrschaft nur knapp vor der militärischen Auseinandersetzung Halt machte, bildete die vorherrschende weltpolitische Konstante der kommenden Jahrzehnte.
Die Bedrohung, die diese neue Krise in der internationalen Ordnung darstellte, wurde noch verstärkt durch die Fortschritte in der Nukleartechnik. Beiden Blöcken gelang es, sich mit einem immer größeren Arsenal an Massenvernichtungswaffen zu rüsten. Die grauenvollen Bilder Hiroshimas und Nagasakis hatten die Menschheit aufgerüttelt und ihr die furchterregende Möglichkeit vor Augen gehalten, dass ein paar vergleichsweise unbedeutende Zwischenfälle – so unvorhersehbar wie die Ereignisse, die 1914 durch den Vorfall in Sarajevo ins Rollen gebracht wurden – diesmal dazu führen könnten, dass ein Großteil der Weltbevölkerung ausgelöscht und weite Teile der Erde unbewohnbar würden. Den Bahá’í brachte diese Vorstellung jene düsteren Warnungen lebhaft in Erinnerung, die Bahá’u’lláh Jahrzehnte zuvor ausgesprochen hatte: »Seltsame, verblüffende Dinge gibt es in der Erde; aber sie sind dem Geist und Verständnis der Menschen verborgen. Diese Dinge sind imstande, die ganze Erdatmosphäre zu verwandeln, und eine Verseuchung mit ihnen wäre tödlich.«Q94
Die bei weitem schlimmste Tragödie, die dieser jüngste Kampf um die Vorherrschaft in der Welt mit sich brachte, war die Vereitelung aller Hoffnungen der bisher unterworfenen Völker, ihr Leben nun selbst in die Hand nehmen und gestalten zu können. Die Bestrebungen mancher der überlebenden Kolonialmächte, diese Hoffnungen zu unterdrücken, waren für jeden objektiven Beobachter zwar zum Scheitern verurteilt, aber angesichts ihres Starrsinns konnte der Freiheitsdrang vieler Länder nur Zuflucht zu gewaltsamer Revolution nehmen. Derartige Bewegungen prägten zunehmend die politische Landschaft. Um 1960 waren sie dann in den meisten abhängigen Gebieten die bei der einheimischen Bevölkerung verbreiteste Form politischen Engagements.
Die Triebkraft des Kolonialismus war wirtschaftliche Ausbeutung. Die meisten Befreiungsbewegungen nahmen deshalb, vielleicht zwangsläufig, eine im weiteren Sinne sozialistische Prägung an. In nur wenigen Jahren war so ein Nährboden geschaffen für die Ausbeutung durch die Supermächte. Der Sowjetunion bot sich die Möglichkeit, über die politische Umorientierung etlicher Länder einen dominanten Einfluss auf jene Gruppe von Ländern zu gewinnen, die man jetzt begann, die ›Dritten Welt‹ zu nennen. Der Westen reagierte darauf, indem er – wo es nicht gelang, durch Entwicklungshilfe die Loyalität der Empfängernationen zu sichern – eine Vielzahl autoritärer Regime förderte und bewaffnete.
Diese neuen Regierungen, durch auswärtige Kräfte manipuliert, konzentrierten sich immer weniger auf die realen Entwicklungsbedürfnisse, sondern verwickelten sich zunehmend in ideologische und politische Kämpfe, die mit der sozialen und wirtschaftlichen Realität wenig oder nichts zu tun hatten. Die Folgen waren durchweg verheerend. Wirtschaftlicher Bankrott, grobe Verletzungen der Menschenrechte, der Zusammenbruch der öffentlichen Ordnung und die Herausbildung opportunistischer Eliten, die im Elend ihrer Länder nur die Möglichkeit sahen, sich selbst zu bereichern – all das gehörte zum erschütternden Schicksal, das nach und nach die neuen Nationen befiel, deren Bildung erst vor wenigen Jahren so viel zu verheißen schien.
Diese politischen, sozialen und wirtschaftlichen Probleme wurden verursacht durch eine Krankheit der menschlichen Seele, die unaufhaltsam immer weiter um sich griff und sich einnistete, und deren zerstörerische Kraft ungleich größer ist als jede ihrer konkreten Formen. Ihr Triumph kennzeichnete ein neues, unheilvolles Stadium in der Entfaltung des Prozesses wirtschaftlichen und gesellschaftlichen Zerfalls, den Shoghi Effendi beschrieben hatte. Diese Krankheit – der Materialismus – wurzelt in der europäischen Philosophie des neunzehnten Jahrhunderts, sie gewann enormen Einfluss durch die Errungenschaften der kapitalistischen Zivilisation in den Vereinigten Staaten; der Marxismus verlieh ihr seinen systemtypischen Anschein von Wahrheit: Der Materialismus entwickelte sich in der zweiten Hälfte des zwanzigsten Jahrhunderts regelrecht zu einer Art Universalreligion mit totalitärem Anspruch auf das individuelle und gesellschaftliche Leben. Sein Kredo ist extrem simpel: Die Wirklichkeit – einschließlich der Wirklichkeit des Menschen und des Prozesses, durch den sie sich entwickelt – ist ihrem Wesen nach materiell. Der Sinn des Lebens ist die Befriedigung materieller Bedürfnisse – oder er sollte es zumindest sein. Der Zweck der Gesellschaft ist, dieses Ziel zu unterstützen und zu erleichtern, und das kollektive Bestreben der Menschheit sollte sein, dieses System ständig zu optimieren, damit es seine Aufgabe immer effizienter erfüllen kann.
Mit dem Zusammenbruch der Sowjetunion verschwand auch jeglicher Antrieb, ein formelles materialistisches Wertesystem zu entwickeln und zu propagieren. Dies war auch gar nicht mehr nötig, denn in den meisten Teilen der Welt sah sich der Materialismus sowieso schon bald keiner nennenswerten Gegenströmung mehr ausgesetzt. Die Religion wurde da, wo sie nicht schlichtweg zu Fanatismus und gedankenlosem Widerstand gegen den Fortschritt verkam, zu einer Privatsache reduziert, zu einem Faible, einer Freizeitbeschäftigung, allein auf die Befriedigung individueller spiritueller und emotionaler Bedürfnisse ausgerichtet. Das Bewusstsein, eine historische Mission zu erfüllen, das die großen Religionen kennzeichnete, ging verloren. Man lernte sich damit zu begnügen, rein säkulare Programme gesellschaftlichen Wandels religiös abzusegnen. Die Welt der Wissenschaft, einst Schauplatz großer Heldentaten von Verstand und Geist, richtete sich ein in der Rolle einer Art Wissenschafts-Industrie, die sich ganz auf die Pflege ihres Apparates aus Dissertationen, Symposien, Publikationen und Förderungsmitteln konzentriert.
Der Materialismus, ganz gleich ob als Weltanschauung oder als bloße Gewinnlust, raubt dem Menschen den Antrieb für geistige Impulse die die vernunftbegabte Seele auszeichnen, ja, er nimmt ihm jegliches Interesse am Geistigen. »Denn Eigenliebe«, sagt ‘Abdu’l-Bahá, »ist in jenen Klumpen Lehm, aus dem der Mensch gemacht ist, hineingeknetet, und ohne die Aussicht auf eine ansehnliche Belohnung wird keiner seinen handgreiflichen materiellen Nutzen hintanstellen.«Q95 Ohne die Überzeugung, dass die Wirklichkeit im Wesentlichen geistig ist, und ohne die Erfüllung, die allein diese Überzeugung bietet, ist es nicht verwunderlich, dass sich im Kern der gegenwärtigen zivilisatorischen Krise ein Kult des Individualismus findet, der immer weniger Beschränkungen erträgt, Besitzstreben und persönliches Vorankommen zu allgemein gültigem kulturellen Wert erhebt. Die daraus resultierende Atomisierung der Gesellschaft ist eine neue Stufe im Prozess gesellschaftlicher Desintegration, von dem die Schriften Shoghi Effendis so eindringlich sprechen.
Jedes Gesellschaftssystem braucht ein moralisch-ethisches Geflecht, das den einzelnen stützt und ihm Grenzen setzt. Wer in Kauf nimmt, dass ein Strang nach dem anderen davon zerreißt, hat von der Wirklichkeit nicht viel verstanden. Wären die maßgeblichen Denker in ihrer Beurteilung der offenkundigen Fakten nur ehrlicher, dann könnte man hier die Ursache finden für scheinbar unzusammenhängende Probleme wie der Umweltverschmutzung, für wirtschaftliches Chaos, rassistische Gewalt, die in der Gesellschaft um sich greifende Teilnahmslosigkeit, die enorm ansteigende Kriminalität und für Epidemien, die ganze Völker dahinraffen. So wichtig es zweifellos ist, solche Probleme mit Hilfe von rechtlichem, soziologischem oder technischem Sachverstand anzugehen – es wäre doch falsch zu glauben, dass solche Bemühungen eine nennenswerte Besserung bewirken können, wenn sie nicht mit einem grundlegenden Wandel im Moralverständnis und im sittlichen Verhalten einhergehen.
*
Vor diesem dunklen Horizont erstrahlt das, was die Bahá’í-Welt während eben jener Jahre erreichte, in noch hellerem Licht. Die Bedeutung der Leistung, die das Universale Haus der Gerechtigkeit entstehen ließ, kann nicht genug betont werden. Sechstausend Jahre lang hatte die Menschheit mit den unterschiedlichsten Methoden kollektiver Entscheidungsfindung experimentiert. Aus der Perspektive des zwanzigsten Jahrhunderts stellt sich die politische Weltgeschichte als ständig wechselndes Bild dar, in dem der menschliche Einfallsreichtum jede sich bietende Möglichkeit ausprobierte. So unterschiedliche Systeme wie die Theokratie, die Monarchie, die Aristokratie, die Oligarchie, die Republik, die Demokratie und solche, die der Anarchie nahe kamen, breiteten sich ungehindert aus, daneben auch zahlreiche Konstrukte, die verschiedene einzelne Merkmale der jeweiligen Gesellschaftsformen zu kombinieren versuchten. Obwohl die meisten dieser Systeme sich für verschiedene Zwecke missbrauchen ließen, trug die Mehrheit von ihnen doch in unterschiedlichem Maß dazu bei, die Hoffnungen derer zu erfüllen, deren Interessen sie zu dienen behaupteten.
Während dieses langen Entwicklungsprozesses, in dessen Verlauf immer mehr und gleichzeitig sehr unterschiedliche Völker unter die Herrschaft des einen oder anderen Regierungssystems fielen, ergriff die Idee eines Weltreiches immer wieder die Vorstellungskraft eines Cäsar oder Napoleon, der sie zur Grundlage seiner expansiven Politik machte. Die katastrophalen Fehlschläge, mit denen uns die Geschichte gleichzeitig so fasziniert und erschreckt, sollten eigentlich hinreichend beweisen, dass die Verwirklichung dieses Ziels weit über das menschliche Vermögen hinausgeht, ganz gleich welche Hilfsmittel zur Verfügung stehen oder wie groß das Vertrauen in den Genius der jeweiligen Kultur ist.
Und doch ist die Vereinigung der Menschheit unter einem Regierungssystem, das die dem Wesen des Menschen innewohnenden Potentiale sich voll entfalten lässt und Programme ermöglicht, die dem Wohle aller dienen, eindeutig der nächste Schritt in der zivilisatorischen Entwicklung. Die reale Vereinigung der Welt, die wir heute erleben, und die erwachenden Hoffnungen und Ziele der Masse der Erdbevölkerung haben nun endlich die Bedingungen dafür geschaffen, dass dieses Ideal erreicht werden kann – wenn es sich auch ganz anders gestaltet, als in den imperialistischen Träumen der Vergangenheit. Zu dieser gemeinsamen Anstrengung haben die Regierungen der Welt die Gründung der Vereinten Nationen beigetragen, mit all dem Guten, das sie bringen, und auch mit all ihren beklagenswerten Mängeln.
In der Zukunft erwarten uns weitere große Veränderungen, die letztlich zur Anerkennung des Prinzips einer ›Weltregierung‹ führen werden. Dies ist nicht der Auftrag der Vereinten Nationen, noch finden sich in der gegenwärtigen Diskussion unter politischen Führern ernsthafte Ansätze einer derart radikalen Umgestaltung der globalen politischen Strukturen. Dass dies jedoch zu gegebener Zeit so kommen wird, sagt Bahá’u’lláh klar und unmissverständlich voraus. Ebenso klar scheint leider aber auch, dass erst noch größeres Leid und noch tiefere Desillusionierung kommen müssen, um die Menschheit zu diesem großen Sprung vorwärts zu bewegen. Die Einrichtung einer solchen Weltregierung verlangt von den Regierungen der Staaten und anderen Machtzentren, jegliche finale Autorität, die dem Begriff ›Regierung‹ innewohnt, bedingungslos und unwiderruflich internationaler Entscheidungsgewalt unterzuordnen.
Die Bahá’í müssen lernen, den einzigartigen Sieg, den die Sache Gottes im Jahre 1963 errang und der sich seitdem weiter festigte, in diesem Zusammenhang zu sehen. Seine tiefste innere Bedeutung zu erfassen, übersteigt das Begriffsvermögen der heutigen und vielleicht auch noch der nächsten Generationen von Gläubigen. In dem Ausmaß aber, in dem ein Bahá’í sie doch versteht, wird er der sich in diesem Prozess entfaltenden Absicht rückhaltlos und fest entschlossen dienen.
Das bei der Bildung des Universalen Hauses der Gerechtigkeit angewandte Wahlverfahren – was ja erst möglich wurde durch den erfolgreichen Abschluss der ersten drei Stufen des Göttlichen Planes ‘Abdu’l-Bahás unter der Führung Shoghi Effendis – war wohl die erste weltweite demokratische Wahl, die es je gab. Jede der folgenden Wahlen des Universalen Hauses der Gerechtigkeit wurde nun von immer mehr Delegierten der Gemeinde von immer unterschiedlicherer Herkunft durchgeführt. Diese Entwicklung ist inzwischen so weit fortgeschritten, dass die Wahl des Hauses unbestreitbar den Willen eines Querschnitts der gesamten Menschheit darstellt. Nichts auf der Welt – ja, nichts, was irgendeine Gruppe derzeit anstrebt – kommt dieser Errungenschaft auch nur annähernd gleich.
Wenn man außerdem die geistige Atmosphäre bedenkt, in der Bahá’í-Wahlen durchgeführt werden, und die Grundsätze und Prinzipien, an die jeder Wähler sich beim Wahlvorgang hält, wird einem noch etwas weitaus Wichtigeres bewusst. Bei der Bildung der höchsten Körperschaft unseres Glaubens wird man Zeuge eines Bemühens um das Wohlgefallen Gottes – so gut Menschen dies vermögen – einer geeinten, glühenden Entschlossenheit, die nichts, weder eigener kultureller Prägung, noch irgendwelchen persönlichen Neigungen, erlaubt, die Reinheit dieses höchsten gemeinsamen Handelns zu beeinträchtigen. Mehr können Menschen nicht leisten. Mit diesem Akt tut die Menschheit buchstäblich ihr Möglichstes, und Gott, der die hingebungsvollen, aufrichtigen Bemühungen jener annimmt, die zu Seinem Glauben gefunden haben, begabt die so geschaffene Institution mit eben jenen Kräften, die ihr im Kitáb-i-Aqdas und im Testament des Meisters versprochen sind. So ist es kein Wunder, dass ‘Abdu’l-Bahá den Prozess, welcher in jenem historischen Augenblick des Jahres 1963 gipfelte, der auch der hundertste Jahrestag der Erklärung der Sendung Bahá’u’lláhs war, als Erfüllung der Vision des Propheten Daniel voraussah: »Wohl dem, der da wartet und erreicht tausenddreihundertfünfunddreißig Tage!«Q96 Mit den Worten des Meisters:
»Wenn nach dieser Berechnung ein Jahrhundert vergangen ist nach dem Tagesanbruch der Sonne der Wahrheit, dann werden die Lehren Gottes fest errichtet sein auf der Erde, und das göttliche Licht wird die Welt überfluten vom Osten bis zum Westen. Dann werden die Gläubigen an diesem Tage voll Freude sein.« Q97
Mit der Errichtung des Universalen Hauses der Gerechtigkeit war die zweite der beiden Nachfolge-Institutionen ins Leben getreten, die ‘Abdu’l-Bahá als Garanten der Einheit der Sache Gottes bezeichnet hatte. Die umfangreichen Schriften des Hüters und die Struktur der Gemeindeordnung, die er entworfen hatte und die den Gläubigen unauslöschlich ins Bewusstsein eingeprägt war, hatten der Bahá’í-Welt das Werkzeug dafür an die Hand gegeben, ein gemeinsames Verständnis über Absicht und Zweck der Offenbarung Gottes zu erlangen. Mit dem Universalen Haus der Gerechtigkeit besaß sie jetzt auch jene von Bahá’u’lláh vorgesehene höchste Autorität, welcher die entscheidungsfindende Funktion der Gemeindeordnung übertragen ist. Wie im Testament ‘Abdu’l-Bahás erklärt wird, haben beide Institutionen gleichermaßen Teil am göttlichen Versprechen unfehlbarer Führung:
»Der heilige, jugendliche Ast, der Hüter der Sache Gottes, wie auch das Universale Haus der Gerechtigkeit, das allgemein zu wählen und einzusetzen ist, stehen beide unter der Fürsorge und dem Schutz der Schönheit Abhá, unter dem Schirm der unfehlbaren Führung Seiner Heiligkeit des Erhabenen [des Báb] – möge mein Leben ein Opfer für sie beide sein. Was immer sie entscheiden, ist von Gott.« Q98
Diese beiden Institutionen, so erklärte Shoghi Effendi weiter, ergänzen einander und haben einige Aufgaben gemeinsam, andere obliegen jeweils der einen oder der anderen Institution. Gleichwohl war er stets darum bemüht festzustellen:
»Jeder Gläubige muss … voll begreifen, dass die Institution des Hütertums die Gewalten, die Bahá’u’lláh dem Universalen Haus der Gerechtigkeit im Kitáb-i-Aqdas verliehen und die ‘Abdu’l-Bahá wiederholt und feierlich in Seinem Testament bestätigt hat, unter keinen Umständen aufhebt oder sie im geringsten schmälert. Das Hütertum stellt auf keinen Fall einen Widerspruch zu dem Testament und den Schriften Bahá’u’lláhs dar, noch hebt es irgendeine Seiner offenbarten Weisungen auf.« Q99
Dieses Verständnis der Einzigartigkeit dessen, was Bahá’u’lláh geschaffen hat, öffnet den Blick dafür, was die Sache Gottes zur Vereinigung der Menschheit und zur Errichtung einer Weltgesellschaft leisten kann. Die unmittelbare Verantwortung für die Errichtung einer Weltregierung liegt bei den Nationalstaaten. Die Aufgabe der Bahá’í-Gemeinde zum jetzigen Zeitpunkt in der sozialen und politischen Evolution der Menschheit ist, mit allen ihr zu Gebote stehenden Kräften dazu beizutragen, solche Bedingungen zu schaffen, die dieses höchst anspruchsvolle Unterfangen fördern und begünstigen. So wie Bahá’u’lláh den Herrschern Seiner Zeit versicherte: »Wir haben nicht den Wunsch, Hand an eure Reiche zu legen«Q100, so verfolgt auch die Bahá’í-Gemeinde keine eigenen politischen Interessen, vermeidet alle Handlungen parteiischen Charakters und anerkennt vorbehaltlos die legitimen Machtbefugnisse der Regierung. Was immer die Bahá’í über die gegenwärtigen Zustände oder die Bedürfnisse der Mitglieder ihrer Gemeinde zu sagen haben, vollzieht sich auf dem Boden der jeweiligen Verfassung und des gesetzten Rechts.
Die Macht der Sache Gottes, den Lauf der Geschichte zu beeinflussen, liegt demnach nicht nur in der geistigen Kraft ihrer Botschaft, sondern auch in dem Beispiel, das sie bietet. »So machtvoll ist das Licht der Einheit«, erklärt Bahá’u’lláh, »dass es die ganze Erde erleuchten kann.«Q101 Die Einheit der Menschheit, die der Glaube verkörpert, so betont Shoghi Effendi, »ist kein bloßer Ausdruck unkundiger Gefühlsseligkeit oder unklarer frommer Hoffnung«Q102. Die organische Einheit aller Gläubigen – und die Gemeindeordnung, die diese ermöglicht – sind Beweise für die vom Hüter so bezeichnete »gesellschaftsbildende Macht ihres Glaubens«Q103. Während die Sache Gottes sich ausbreitet und die in ihrer Gemeindeordnung verborgenen Kräfte immer klarer erkennbar werden, wird sie zunehmend die Aufmerksamkeit führender Denker erregen und den fortschrittlichen unter ihnen das Vertrauen einflößen, dass ihre Ideale letztlich doch erreichbar sind. Mit den Worten Shoghi Effendis:
»Religionsführer, Vertreter politischer Theorien, Verwalter menschlicher Institutionen, die heutzutage verwirrt und bestürzt den Bankrott ihrer Ideen, den Zusammenbruch ihrer Lebensarbeit feststellen – sie alle täten gut daran, ihren Blick auf die Offenbarung Bahá’u’lláhs zu richten und über die Weltordnung nachzudenken, die in Seinen Lehren beschlossen ist und sich langsam, kaum merklich aus dem Wirrwarr und Chaos der gegenwärtigen Zivilisation erhebt.« Q104
Im Zentrum derartiger Überlegungen wird die Kraft stehen, die es den Bahá’í ermöglichte, ihre Einheit zu erlangen, zu festigen und zu erhalten. »Der Menschen Licht«, erklärt Bahá’u’lláh, »ist die Gerechtigkeit.« Ihr Zweck, fährt Er fort, »ist das Zustandekommen von Einheit unter den Menschen. Das Meer göttlicher Weisheit wogt in diesem erhabenen Wort … «Q105 Die Bezeichnung ›Häuser der Gerechtigkeit‹ für die Institutionen, welche die von Ihm entworfene Weltordnung auf örtlicher, nationaler und internationaler Ebene leiten, spiegelt den zentralen Stellenwert des Gerechtigkeitsprinzips in der Offenbarung und im Leben des Glaubens wieder. In dem Maße, wie die Bahá’í-Gemeinde zunehmend am Leben der Gesellschaft teilhat, wird ihre Erfahrung immer ermutigendere Belege für die Gültigkeit dieses Gesetzes bei der Heilung der zahllosen Leiden liefern, welche die Menschheit quälen. Sie alle sind in letzter Konsequenz eine Folge der Uneinigkeit. »Wisse wahrlich«, erklärt Bahá’u’lláh, »diese großen Heimsuchungen, die über die Welt gekommen sind, bereiten sie vor auf das Kommen der größten Gerechtigkeit.«Q106 Offensichtlich wird aber diese höchste Stufe in der gesellschaftlichen Evolution erst in einer Welt erreicht, die sich von der uns heute bekannten deutlich unterscheidet.

9

Durch die Erfüllung der Ziele des Zehnjahresplanes und die Errichtung des Universalen Hauses der Gerechtigkeit erfuhr der Glaube einen mächtigen Schub voran. Diesmal zeigte sich der Fortschritt – der praktisch alle Bereiche des Bahá’í-Lebens ergriff – in Form längerfristiger Entwicklungen, die man am besten versteht, wenn man den Zeitraum seit 1963 als Ganzes betrachtet. In diesen entscheidenden siebenunddreißig Jahren entwickelte sich die Arbeit des Glaubens zügig in zwei parallelen Bereichen: zum einen wurden große Fortschritte in der Ausbreitung und Festigung der Bahá’í-Gemeinde erzielt, zum anderen gewann der Glaube deutlich an Einfluss im Leben der Gesellschaft. Mit der Zeit betätigten sich die Bahá’í auf immer mehr und immer unterschiedlicheren Feldern, und viele dieser Bemühungen förderten unmittelbar die eine oder die andere der beiden wesentlichen Entwicklungslinien.
Eine Entscheidung, die das Haus der Gerechtigkeit schon früh in diesem Zeitraum traf, erwies sich als besonders wichtig für alle Aspekte des Lehrens und für die Entwicklung der Gemeindeordnung. Die Erkenntnis, dass es keinen Nachfolger Shoghi Effendis geben konnte, brachte es mit sich, dass auch keine neuen Hände der Sache mehr ernannt werden konnten. Wie wichtig aber die Aufgaben dieser Institution für den Fortschritt des Glaubens waren, hatte sich in den sechs kritischen Jahren zwischen 1957 und 1963 gezeigt. Daher richtete das Haus der Gerechtigkeit – in dessen Kompetenz es ausdrücklich liegt, neue Bahá’í-Institutionen ins Leben zu rufen, wenn die Belange der Sache Gottes es erfordernA38 – im Juni 1968 die Kontinentalen Beraterämter ein. Dieser neuen Institution wurde die Aufgabe übertragen, in Zukunft die beiden Hauptaufgaben der Hände der Sache, nämlich den Schutz und die Verbreitung des Glaubens, weiter auszuüben, sie leitete von nun an die Arbeit der bereits bestehenden Hilfsämter an und half den Nationalen Räten die Verantwortung für den Fortschritt des Glaubens zu schultern. Die großen Erfolge, die 1973 am Ende des Neunjahresplanes gefeiert werden konnten, zeigen, wie reibungslos das neue Organ der Gemeindeordnung seine Pflichten übernommen hatte, und wie bereitwillig und freudig die Gläubigen wie die Räte sich ihm zuwandten. In diese Zeit fiel noch ein weiterer wichtiger Schritt in der Entwicklung der Gemeindeordnung: das Internationale Lehrzentrum wurde geschaffen, das Gremium, das in der Zukunft etliche Aufgaben weiterführen sollte, welche die »im Heiligen Land lebenden Hände der Sache« wahrgenommen hatten, und das vom Augenblick seiner Entstehung an die Arbeit der Beraterämter weltweit koordinierte.
Shoghi Effendi hatte die Richtung, in die das Wachstum des Glaubens sich entwickelte, bereits vorausgesehen und geschrieben, dass das Universale Haus der Gerechtigkeit »später in diesem [dem Gestaltenden] Zeitalter weltweite Unternehmungen angehen wird, welche die Einheit der Nationalen Räte symbolisieren, ihre Arbeit koordinieren und harmonisieren werden«Q107. Diese weltweiten Unternehmungen begannen 1964 mit dem Neunjahresplan, gefolgt von einem Fünfjahresplan (1974), einem Siebenjahresplan (1979), einem Sechsjahresplan (1986), einem Dreijahresplan (1993), einem Vierjahresplan (1996) und einem Zwölfmonatsplan, der das Jahrhundert abschloss. An den Schwerpunkten, durch die diese Pläne sich unterschieden, lässt sich das Wachstum der Sache Gottes während dieser Jahrzehnte ablesen, wie auch die dadurch entstandenen neuen Möglichkeiten und Herausforderungen. Wichtiger als die unterschiedlichen Schwerpunkte ist allerdings, dass die Aktivitäten, zu denen die einzelnen Pläne aufrufen, Fortsetzungen der unter Shoghi Effendi begonnen Initiativen sind, der seinerseits die von den Stiftern des Glaubens gesponnenen Fäden aufgegriffen und weiterentwickelt hatte: die Schulung Geistiger Räte; die Übersetzung, Veröffentlichung und Verbreitung von Bahá’í-Literatur; die Ermutigung der Freunde zu universeller Beteiligung; die geistige Bereicherung des Bahá’í-Lebens; die Bemühung um die Einbindung der Bahá’í-Gemeinde in das Leben der Gesellschaft; die Stärkung des Bahá’í-Familienlebens sowie die Erziehung von Kindern und Jugendlichen. Diese verschiedenen Prozesse werden bis in alle Zukunft immer neue Möglichkeiten eröffnen; dabei verleiht die Tatsache, dass jeder seinen Ausgangspunkt im schöpferischen Impuls der Offenbarung selbst hat, allem, was die Bahá’í-Gemeinde tut, eine vereinigende Kraft und ist gleichzeitig das Geheimnis und die Garantie ihres letztlichen Erfolges.
Die ersten beiden Jahrzehnte dieses Prozesses gehören zu den fruchtbarsten Perioden, die die Bahá’í-Gemeinde je erlebt hat. In kürzester Zeit vervielfachte sich die Anzahl der Geistigen Räte, und das Bahá’í-Leben war zunehmend durch die ethnische und kulturelle Vielfalt der Gemeindemitglieder gekennzeichnet. Zwar bereitete der Zerfall der Gesellschaft den Bahá’í-Institutionen Probleme, gleichzeitig erhöhte sich dadurch aber auch das Interesse an der Botschaft der Sache Gottes. Zu Beginn dieser Zeit wurde die Gemeinde vor die Herausforderung gestellt, »die Massen zu lehren«. 1967 war sie dann aufgerufen, »einen nachhaltigen Prozess in Gang zu setzen und die heilende Botschaft, dass der Verheißene erschienen ist, allen sozialen Schichten zu verkünden«Q108.
Als die Bahá’í aus den städtischen Ballungsräumen sich aufmachten und Projekte begannen, mit denen die Massen der Weltbevölkerung in den Dörfern und ländlichen Gegenden erreicht werden sollten, erlebten sie eine viel größere Aufnahmebereitschaft für die Botschaft Bahá’u’lláhs, als sie sich je vorgestellt hatten. Zwar unterschied sich die Reaktion der Menschen hier grundlegend von dem, was die Lehrer bisher gekannt hatten, aber die Neuerklärten wurden freudig willkommen geheißen. In Afrika, Asien und Lateinamerika nahmen Zehntausende den Glauben an, dabei handelte es sich oft um den Großteil der Bewohner eines ganzen Dorfes. Die sechziger und siebziger Jahre waren für die Bahá’í-Gemeinde, deren Wachstum außerhalb des Íráns ja bisher langsam und gleichmäßig gewesen war, begeisternde Zeiten. Den Freunden im Pazifikraum wurde die große Auszeichnung zuteil, das erste Staatsoberhaupt, Seine Hoheit Malietoa Tanumafili II. von Samoa, zum Glauben zu führen – eine Auszeichnung, die erst zukünftige Ereignisse in einen angemessenen Rahmen setzen können.
Kernstück dieser Entwicklung war, wie zu allen Zeiten in der Geschichte des Glaubens, das Engagement des einzelnen Gläubigen. Schon während der Amtszeit Shoghi Effendis hatten weitsichtige Freunde die Initiative ergriffen und sich aufgemacht, um einheimische Völker in Ländern wie Uganda, Bolivien und Indonesien zu erreichen. Während des Neunjahresplans wurden nun immer mehr Lehrer in diese Arbeit eingebunden, besonders in Indien, mehreren afrikanischen Ländern und den meisten Gegenden in Lateinamerika, ebenso auf den pazifischen Inseln, in Alaska und beim Lehren der einheimischen Stämme in Kanada sowie der farbigen Landbevölkerung im Süden der Vereinigten Staaten. Die Unterstützung dieser Arbeit durch Pioniere erwies sich als lebenswichtig; auf diese Weise wurden die einheimischen Gläubigen ermutigt und dabei unterstützt, sich selbst als Lehrer der Sache zu erheben.
Dennoch wurde sehr bald deutlich, dass durch persönliche Initiative allein, von wie viel Geist und Tatkraft sie auch durchdrungen war, nicht angemessen auf die sich eröffnenden Möglichkeiten reagiert werden konnte. Also machten sich Bahá’í-Gemeinden an vielfältige gemeinsame Lehr- und Proklamationsprojekte, die die heldenhaften Tage der Dawnbreakers ins Gedächtnis rufen. Teams begeisterter Bahá’í-Lehrer stellten fest, dass es jetzt möglich war, nicht nur eine Reihe von Interessenten mit der Botschaft des Glaubens bekannt zu machen, sondern gleich Gruppen oder sogar ganze Dorfbevölkerungen. Aus den Zehntausenden wurden Hunderttausende. Mitglieder von Geistigen Räten hatten bisher nur Erfahrung damit, Einzelne – aufgewachsen in Kulturen voller Skepsis oder geprägt von religiösem Fanatismus – in ihrem Verständnis des Bahá’í-Glaubens zu vertiefen. Das Wachstum des Glaubens bedeutete nun, dass man lernen musste, mit Glaubensäußerungen großer Gruppen umzugehen, für die Religion selbstverständlich zum Alltag gehörte.
Kein Teil der Gemeinde trug mehr zu diesem dramatischen Wachstumsprozess bei als die Bahá’í-Jugend. Ihre Leistungen während dieser entscheidenden Jahrzehnte – ja während der gesamten hundertfünfzigjährigen Geschichte des Glaubens – erinnern immer wieder daran, dass die überwiegende Mehrzahl der Heldinnen und Helden, die Mitte des neunzehnten Jahrhunderts die Entwicklung des Glaubens in Gang brachten, sehr jung waren. Der Báb selbst war fünfundzwanzig Jahre alt, als Er Seine Sendung erklärte, und Anís, der den unsterblichen Ruhm erlangte, gemeinsam mit seinem Herrn zu sterben, war noch jugendlich. Quddús erkannte die Wahrheit der Offenbarung mit zweiundzwanzig. Zaynab, deren genaues Alter wir nicht kennen, war eine sehr junge Frau. Shaykh ‘Alí, den Quddús und Mullá Ḥusayn so liebten und schätzten, starb mit zwanzig den Märtyrertod; Muḥammad-i-Báqir-Naqsh war erst vierzehn, als er sein Leben hingab; und als Ṭáhirih den Glauben des Báb annahm, war sie Mitte zwanzig.
Tausende Bahá’í-Jugendliche, die dem Pfad folgten, den jene herausragenden Gestalten eröffnet hatten, erhoben sich in den folgenden Jahren, um die Botschaft des Glaubens in allen fünf Kontinenten und auf den verstreuten Inseln des Erdballs zu verkünden. Mit der Herausbildung einer internationalen Jugendkultur in den späten sechziger und den siebziger Jahren, konnten Gläubige, die in den Bereichen Musik, Theater und Kunst begabt waren, zeigen, was Shoghi Effendi gemeint hatte als er sagte: »An jenem Tag wird die Sache Gottes sich wie ein Lauffeuer verbreiten, wenn ihr Geist und ihre Lehren auf der Bühne oder in der Kunst und Literatur dargestellt werden.«Q109 Auch forderte die für die Jugend so typische Begeisterung und Hingabe den Großteil der Gemeinde ständig dazu heraus, immer kühner die für das soziale Leben revolutionäre Bedeutung der Lehren Bahá’u’lláhs in der Praxis zu erproben.
Der enorme Anstieg der Zahl der Erklärungen brachte allerdings auch große Probleme mit sich. Zunächst überstieg die Aufgabe, für die anhaltende Vertiefung, derer die neuen Gläubigen bedurften, und für die Festigung der neuen Gemeinden und Geistigen Räte zu sorgen, bald die begrenzten Möglichkeiten der an dieser Arbeit beteiligten Bahá’í-Gemeinden. Darüber hinaus wiederholten sich jetzt auf der ganzen Welt die kulturellen Herausforderungen, denen sich vormals jene persischen Gläubigen gegenübersahen, die als erste den Glauben im Westen zu etablieren versucht hatten. Theologische und administrative Prinzipien, die für die Pioniere und Reiselehrer vielleicht von höchster Wichtigkeit waren, standen selten im Zentrum des Interesses der Neuerklärten, deren soziale und kulturelle Wurzeln so ganz andere waren. Oftmals brachten unterschiedliche Ansichten über so simple Dinge wie die Anfangszeit von Veranstaltungen oder elementare soziale Umgangsformen Verständnisprobleme, die die Kommunikation extrem erschwerten.
Anfangs erwiesen sich solche Probleme als sehr anregend, denn Institutionen wie Gläubige bemühten sich darum, eine neue Sichtweise zu entwickeln – ja, wichtige Passagen der Schrift neu zu verstehen. Viele Gemeinden taten ihr Möglichstes, um der Führung aus dem Weltzentrum zu folgen, dass Ausbreitung und Festigung Zwillingsprozesse sind, die Hand in Hand gehen müssen. Dort jedoch, wo die erhofften Ergebnisse sich nicht so bald einstellten, machte sich oft eine gewisse Entmutigung breit. In vielen Ländern ging die Zahl der Neuerklärungen rapide zurück, was einige Bahá’í-Institutionen und -Gemeinden dazu verleitete, sich wieder altbekannten Aktivitäten und leichter erreichbaren Zielgruppen zuzuwenden.
Vor allem jedoch machten die Rückschläge den Gemeinden klar, dass die hohen Erwartungen der frühen Jahre der Massenlehrarbeit in mancher Hinsicht unrealistisch waren. Obwohl die schnellen Erfolge der ersten Lehraktivitäten sehr ermutigend waren, schufen sie allein noch kein Gemeindeleben, das den Bedürfnissen der neuen Mitglieder gerecht werden und sich aus eigener Kraft weiter entwickeln konnte. Vielmehr sahen sich Pioniere und neue Gläubige gleichermaßen Fragen gegenüber, auf welche die Erfahrung der Bahá’í im Westen – und selbst im Írán – kaum Antwort geben konnte. Wie sollten Geistige Räte gebildet werden – und, einmal gebildet, auch funktionieren – in Gegenden, in denen über Nacht große Zahlen Neuerklärter den Glauben angenommen hatten, allein aufgrund ihrer geistigen Fähigkeit, seine Wahrheit zu erkennen? Wie konnte man in Gesellschaften, die seit Menschengedenken von Männern dominiert wurden, Frauen zu einer gleichwertigen Stimme verhelfen? Wie sollte man die Erziehung und Ausbildung einer großen Zahl von Kindern angehen, wenn im kulturellen Umfeld Armut und Analphabetentum vorherrschten? Welche Schwerpunkte sollten in der moralischen Erziehung verfolgt werden, und wie konnte man diese Ziele zu den jeweiligen Lebensbedingungen eingeborener Völker in Beziehung setzen? Wie war ein dynamisches Gemeindeleben zu entwickeln, das das geistige Wachstum der Mitglieder anregte? Worauf sollte man sich bei der Herausgabe von Bahá’í-Literatur konzentrieren, besonders im Hinblick darauf, dass plötzlich so enorm viele verschiedene Sprachen in der Gemeinde vertreten waren? Wie konnten Würde und Funktion der so wichtigen Institution des Neunzehntagefestes gewahrt bleiben, während es sich gleichzeitig dem bereichernden Einfluss verschiedener Kulturen öffnete? Und schließlich – die Frage betraf alle Bereiche – woher sollte die erforderliche personelle und finanzielle Unterstützung kommen und wie konnte ihr Einsatz koordiniert werden?
Unter dem Druck dieser dringenden, ineinandergreifenden Herausforderungen trat die Bahá’í-Welt in einen Lernprozess ein, der sich als ebenso wichtig wie die Ausbreitung selbst erwies. Man kann getrost sagen, dass es während dieser Jahre buchstäblich keine Art von Lehraktivität gab, keine Kombination von Ausbreitung, Festigung und Proklamation, keine administrative Variante, keine Bemühung um kulturelle Anpassung, die nicht in irgendeinem Teil der Bahá’í-Welt energisch versucht wurde. Unter dem Strich lehrte diese Erfahrung einen Großteil der Bahá’í-Gemeinde, was es praktisch bedeutet, die Massen zu lehren – eine Erkenntnis, die anders nicht hätte gewonnen werden können. Seinem Wesen gemäß war der Prozess in seiner Schwerpunktsetzung vor allem lokal und regional, die Ergebnisse waren eher qualitative als quantitative, und der erreichte Fortschritt zeigte sich eher in kleinen Entwicklungsschritten als im Großen. Ohne die sorgfältige, immer schwierige und oft frustrierende Festigungsarbeit dieser Jahre hätte allerdings die später folgende Strategie, die Förderung des Beitritts in Scharen zu systematisieren, kaum eine Basis gehabt.
Aufgrund der Tatsache, dass die Botschaft Bahá’u’lláhs nicht mehr nur das Leben kleiner Gruppen von Gläubigen durchdrang, sondern das ganzer Gemeinden, wurde jetzt auch ein Merkmal früherer Entwicklungsphasen des Glaubens wieder belebt. Zum ersten Mal seit Jahrzehnten erlebte die Sache Gottes wieder, dass Lehren und Vertiefung untrennbar mit sozialer und wirtschaftlicher Entwicklung verbunden waren. Die iranischen Gläubigen – denen ja verwehrt wurde, an den begrenzten Möglichkeiten, die ihre Gesellschaft bot, gleichberechtigt teilzuhaben – hatten sich in den frühen Jahren des Jahrhunderts unter der Führung des Meisters und des Hüters mit großem Einsatz daran gemacht, ein umfassendes Gemeindeleben aufzubauen. Die relativ vereinzelten Bahá’í-Gruppen in Nordamerika und Westeuropa bedurften eines solchen Gemeindelebens noch nicht, auch lag es nicht im Bereich ihrer Möglichkeiten. Geistige und moralische Erziehung, Lehraktivitäten, die Errichtung von Schulen und Krankenhäusern, der Aufbau von Verwaltungen und die Unterstützung von Initiativen zur Förderung von wirtschaftlicher Unabhängigkeit und Wohlstand – all diese waren im Írán schon früh nicht wegzudenkende Aspekte eines organischen, geeinten Entwicklungsprozesses. Jetzt boten sich in Afrika, Lateinamerika und Teilen Asiens dieselben Herausforderungen und Möglichkeiten erneut.
Zwar hatte es vor allem in Lateinamerika und in Asien schon lange Projekte im Bereich sozialer und wirtschaftlicher Entwicklung gegeben, doch das waren isolierte Unternehmungen durch Gruppen von Gläubigen unter der Führung einzelner Nationaler Räte. Im Oktober 1983 wurden nun die Bahá’í-Gemeinden in aller Welt aufgerufen, solche Aktivitäten zu einem festen Bestandteil ihrer Tätigkeit zu machen. Im Weltzentrum wurde ein Büro für soziale und wirtschaftliche Entwicklung eingerichtet, welches das Gelernte allgemein nutzbar machte und bei der Suche nach finanzieller Unterstützung half.
Im folgenden Jahrzehnt wurde viel experimentiert in diesem Bereich, auf den die meisten Bahá’í-Gemeinden kaum vorbereitet waren. Man versuchte, von den Modellen zu lernen, die die vielen auf der ganzen Welt arbeitenden Entwicklungsorganisationen erprobten. Gleichzeitig mussten die Bahá’í-Gemeinden auch die Bedingungen, die sie in den verschiedenen Entwicklungsbereichen vorfanden – Erziehung, Gesundheitswesen, Alphabetisierung, Landwirtschaft und Kommunikationstechnologie –, zu ihrem Verständnis der Bahá’í-Prinzipien in Beziehung setzen. Angesichts der enormen Mittel, die Regierungen und Stiftungen investieren konnten, und dem Selbstvertrauen, mit der solche Bemühungen verfolgt wurden, war die Versuchung groß, einfach gängige Methoden zu übernehmen oder die Bemühungen der Bahá’í an aktuelle Theorien anzupassen. Als die Arbeit sich weiterentwickelte, begannen die Bahá’í-Institutionen sich jedoch auf das Ziel zu konzentrieren, Entwicklungsgrundsätze auszuarbeiten, die geeignet waren, die gesellschaftlichen Gegebenheiten mit dem einzigartigen Menschenbild des Glaubens zu verbinden.
Nirgends zeigte sich der Erfolg der Strategie der ineinandergreifenden Pläne so eindrucksvoll wie in Indien. Die dortige Gemeinde ist heute ein Gigant des Glaubens und zählt weit über eine Million Mitglieder. Ihre Arbeit erstreckt sich über einen riesigen Subkontinent und bezieht eine enorme Vielfalt an Kulturen, Sprachen, ethnischen Gruppen und religiösen Traditionen ein. In vieler Hinsicht fassen die Erfahrungen dieser gesegneten Gemeinde die Mühen, Experimente, Rückschläge und Siege zusammen, die die Bahá’í-Welt in diesen drei entscheidenden Jahrzehnten erlebte. Der drastische Anstieg der Erklärungen brachte dieselben Probleme mit sich, denen man auch anderswo auf der Welt begegnete, aber in ganz anderem Ausmaß. Der lange Weg zur heute so herausragenden Stellung der indischen Gemeinde war voll größter Schwierigkeiten, von denen einige zeitweise die verfügbaren administrativen Ressourcen zu übersteigen drohten. Die Siege lassen jedoch die Bestätigungen erahnen, die in Zukunft die Bemühungen der Bahá’í-Gemeinden auf anderen Kontinenten segnen werden, die es mit denselben Herausforderungen zu tun haben. 1985 hatte das Wachstum des Glaubens in Indien einen Punkt erreicht, an dem die Bedürfnisse und Möglichkeiten so vieler verschiedener Regionen mehr Aufmerksamkeit verlangten, als der Nationale Geistige Rat allein sie zu geben vermochte. So wurde die neue Institution der Regionalen Bahá’í-Räte geboren, womit ein Prozess der Dezentralisierung der Verwaltung begann, die sich inzwischen auch in vielen anderen Ländern als sehr effektiv erwiesen hat.
1986 wurde die Ausbreitung und Festigung der Sache Gottes in Indien mit der Einweihung des wunderschönen ›Lotustempels‹ gebührend gekrönt. Zwar hatte man mit diesem Gebäude schon recht optimistische Erwartungen hinsichtlich der öffentlichen Anerkennung des Glaubens verbunden, die Wirklichkeit übertraf jedoch die kühnsten Hoffnungen bei weitem. Das indische Haus der Andacht zieht heute mehr Besucher an als irgendein anderer Ort auf dem Subkontinent, jeden Tag besichtigen es über zehntausend Menschen, und es erfährt große Aufmerksamkeit in Büchern und Artikeln, Filmen und Fernsehproduktionen. Das Interesse, das ein Glaube erregt, dessen Geist sich in so einem großartigen Bauwerk verkörpert, verleiht ‘Abdu’l-Bahás Bezeichnung der Häuser der Andacht als ›stille Lehrer‹ des Glaubens eine ganz neue Bedeutung.
Der Fortschritt der indischen Bahá’í-Gemeinde, gleichermaßen in ihrer inneren Entwicklung wie in ihrer Beziehung zur Gesellschaft, zeigte sich im November 2000 in einer bahnbrechenden Initiative im Bereich sozialer und wirtschaftlicher Entwicklung. Der Nationale Geistige Rat machte sich den guten Ruf, den er verdientermaßen in fortschrittlichen Kreisen genießt, zunutze, und lud, in Zusammenarbeit mit dem gerade neu gegründeten Institut für Studien zum sozialen WohlstandA39 der Internationalen Bahá’í-Gemeinde zu einem Symposion zum Thema ›Religion, Wissenschaft und Fortschritt‹ ein. Über hundert der einflussreichsten Entwicklungsorganisationen Indiens nahmen an dem Projekt teil, und die Medien berichteten landesweit darüber. Die Initiative stellte einen Beitrag zur Förderung des gesellschaftlichen Fortschritts dar, den nur die Bahá’í leisten können, und bereitete den Boden für ähnliche Symposien in Afrika, Lateinamerika und anderen Regionen. Dort können kreative Bahá’í-Gemeinden einem Prozess Gestalt verleihen, der vielleicht der größte Erfolg des Glaubens werden kann.
Während dieser Jahre trat plötzlich auch die Bahá’í-Gemeinde Malaysias als Motor der Ausbreitung des Glaubens hervor; sie erfüllte ihre Ziele in überwältigend kurzer Zeit und sandte Pioniere und Reiselehrer in die Nachbarländer aus. Dieser bedeutende Fortschritt wurde vor allem möglich durch die Bande geistiger Partnerschaft, die zwischen Gläubigen chinesischer und indischer Abstammung geknüpft wurden. Wer von Besuchen in Malaysia zurückkehrte, sprach beinahe ehrfürchtig darüber, wie die dortige Gemeinde, obwohl sie unter vielen Einschränkungen und Behinderungen zu arbeiten hatte, die Metaphern aus dem Militärwesen, mit denen die Schriften Shoghi Effendis versuchten, den Geist der Lehrbemühungen der Bahá’í auszudrücken, geradezu verkörperten.
Weder das weltweite Wachstum der Bahá’í-Gemeinde noch der Lernprozess, den sie durchlief, erzählen jedoch die ganze Geschichte dieser stürmischen, schöpferischen Jahrzehnte. Wenn die Geschichte dieser Zeit einmal niedergeschrieben wird, dann wird eins ihrer glanzvollsten Kapitel von den geistigen Siegen jener Bahá’í-Gemeinden berichten, die, vor allem in Afrika, Krieg, Terror, politische Unterdrückung und extreme Armut überlebten und aus diesen Prüfungen ungebrochen in ihrem Glauben hervorgingen, fest entschlossen, gemeinsam die unterbrochene Arbeit am Aufbau einer lebensfähigen Bahá’í-Gemeinde wieder aufzunehmen. Der Gemeinde in Äthiopien – Heimat eines kulturellen Erbes, das zu den ältesten und reichsten der Welt zählt – war es gelungen, trotz der gnadenlosen Unterdrückung durch eine brutale Diktatur sowohl den Geist der Zuversicht bei ihren Mitgliedern als auch eine intakte Gemeindeordnung zu bewahren. Auch über die Freunde in anderen afrikanischen Ländern kann man sagen, dass ihre Treue zur Sache Gottes sie wahrhaft durch eine Hölle von Leiden führte – die moderne Geschichte berichtet nur wenig Vergleichbares. In den Annalen des Glaubens kann kaum etwas die pure Kraft des Geistes eindrucksvoller bezeugen als jene Geschichten über Mut und Herzensreinheit, die aus dem Inferno, das die Freunde im damaligen Zaire umgab, nach außen drangen – Geschichten, die künftige Generationen inspirieren werden und ein unschätzbarer Beitrag zur Schaffung einer globalen Bahá’í-Kultur sind. Länder wie Uganda und Ruanda fügen dieser Liste heldenhaften Ringens ihre eigenen unvergesslichen Siege hinzu.
Sehr eindrucksvoll zeigte sich die dem Glauben innewohnende erneuernde Kraft auch in kambodschanischen Flüchtlingslagern an der thailändischen Grenze. Durch die heldenhaften Anstrengungen einer Handvoll Lehrer konnten dort Menschen Geistige Räte bilden, die gerade einem Völkermord entgangen waren, dessen Grausamkeit beinahe die Fassungskraft übersteigt. Sie hatten so viele geliebte Menschen und alles, was sie an materieller Sicherheit besaßen, verloren, aber in ihnen brannte immer noch das Verlangen der Seele nach geistiger Wahrheit. Eine ähnlich herausragende Leistung vollbrachte die liberianische Bahá’í-Gemeinde. Viele dieser unerschrockenen Gläubigen nahmen, als sie aus ihrer Heimat in die Nachbarländer vertrieben wurden, ihr gesamtes Gemeindeleben mit ins Exil: sie errichteten Geistige Räte, trieben die Lehrarbeit voran, setzten die Erziehung und Ausbildung ihrer Kinder fort, nutzen ihre Zeit, um neue Fähigkeiten zu erwerben und fanden in Musik, Theater und Tanz geistige Kräfte, die ihnen halfen, die Hoffnung nicht zu verlieren, bis sie in ihr Heimatland würden zurückkehren können.
Während der Lernprozess hinsichtlich der Methoden der Massenlehrarbeit voranging, änderte sich das Bild der Bahá’í-Weltgemeinde. 1992 beging die Gemeinde ihr zweites Heiliges Jahr, das diesmal den hundertsten Jahrestag des Hinscheidens Bahá’u’lláhs und der Verkündigung Seines Bundes bezeichnete. Die ethnische, kulturelle und nationale Vielfalt der siebenundzwanzigtausend Teilnehmer des Zweiten Bahá’í-Weltkongresses, die im Javits Convention Center in New York zusammenkamen, bezeugte den Erfolg der weltweiten Lehrbemühungen eindrucksvoller, als Worte dies je gekonnt hätten. Gleichzeitig versammelten sich weltweit Tausende Gläubige bei neun parallelen Konferenzen in Bukarest, Buenos Aires, Moskau, Nairobi, Neu Delhi, Panama City, Singapur, Sydney und West-Samoa. Die Liveschaltung zwischen der Konferenz in Moskau und der in New York bei der Satelliten-Übertragung, die alle Konferenzen miteinander verband, war besonders bewegend, und die weltweit versammelten Bahá’í jubelten begeistert, als sie die Grüße auf Russisch vernahmen – der gemeinsamen Sprache von zweihundertachtzig Millionen Menschen aus mindestens fünfzehn Ländern –, die für eine neue Phase in der Antwort der Menschheit auf den Ruf Bahá’u’lláhs standen.
In den Konferenzen in Moskau und Bukarest spiegelte sich die Wiedergeburt von Bahá’í-Gemeinden, die durch das Sowjetregime und seiner Satellitenregime unterdrückt und beinahe ausgelöscht worden waren. ‘Alí-Akbar Furútan, eine der drei letzten lebenden Hände der Sache, der in Russland geboren wurde, erlebte die große Freude, im Alter von sechsundachtzig Jahren anlässlich der Wahl des ersten Nationalen Geistigen Rates seines Heimatlandes nach Moskau zurückzukehren. In jedem der neu erschlossenen Länder schossen Geistige Räte aus dem Boden, und sechs neue Nationale Geistige Räte wurden gewählt. Sehr bald schon entstanden mit Hilfe von Pionieren und Lehraktivitäten noch mehr örtliche und acht neue Nationale Geistige Räte in den Ländern am südlichen Rand des früheren Sowjetreiches, wo der Glaube ebenfalls vormals verboten war. Bahá’í-Literatur wurde in eine Vielzahl von neuen Sprachen übersetzt, man setzte sich energisch für die zivilrechtliche Anerkennung der Bahá’í-Institutionen ein, und Vertreter aus Osteuropa und den Ländern der früheren Sowjetunion widmeten sich schon bald gemeinsam mit ihren Mitgläubigen der Öffentlichkeitsarbeit der Bahá’í-Gemeinde auf internationaler Ebene.
Nach und nach wandten sich auch die Menschen in vielen Teilen Chinas und im Ausland lebende Chinesen der Botschaft des Glaubens zu. Bahá’í-Literatur wurde ins Mandarin übersetzt; viele chinesische Universitäten luden Bahá’í-Wissenschaftler zu Gastvorlesungen ein; am angesehenen Pekinger Institut für Weltreligionen, das im Rahmen der Akademie für Sozialwissenschaften tätig ist, wurde eine Abteilung für Bahá’í-Studien eingerichtet,A40 und viele chinesische Würdenträger drückten ihre Wertschätzung für die Prinzipien, die sie in den Schriften finden, aus. Wenn man sich vergegenwärtigt, wie lobend der Meister die chinesische Kultur und ihre Rolle für die Zukunft der Menschheit hervorhob, gewinnt man eine Vorstellung des schöpferischen Beitrags, den Gläubige mit diesen kulturellen Wurzeln in Zukunft zum intellektuellen und moralischen Leben des Glaubens leisten werden.A41
Die große Bedeutung dieser drei Jahrzehnte der Mühen, des Lernens und der Opfer trat klar zutage, als der Moment gekommen war, einen globalen Plan zu entwerfen, der die gewonnenen Einsichten und das entwickelte Potential jetzt nutzen würde. Die Bahá’í-Gemeinde, die sich 1996 an die Erfüllung des Vierjahresplanes machte, war nicht mehr dieselbe wie die zwar eifrige, aber junge und noch unerfahrene Gemeinde, die 1964 das erste Unternehmen dieser Art anging, das nicht mehr durch die führende Hand Shoghi Effendis angeleitet wurde. 1996 war es möglich geworden, die einzelnen Stränge des Unternehmens als Teile eines zusammenhängenden Ganzen zu sehen.
Diese Erfahrung brachte auch den dringend erforderlichen Rückblick auf das Erreichte mit sich. Die Ausbreitung der Sache Gottes während der letzten drei Jahrzehnte zeigte, dass die Begegnung mit der Botschaft Bahá’u’lláhs mehrere Millionen Menschen so beeindruckt hatte, dass sie sich – in unterschiedlichem Maße – mit der Sache Gottes identifizierten. Ihnen war bewusst, dass ein neuer Gottesbote erschienen war, sie waren vom Geist des Glaubens berührt und wurden durch die Lehre von der Einheit der Menschheit angezogen. Einige wenige von ihnen waren in der Lage, noch weiter zu gehen. Die meisten dieser Freunde blieben jedoch Adressaten von Lehr- und Vertiefungsprogrammen, welche Reiselehrer und Pioniere von außerhalb durchführten. Eine der größten Stärken der Massen der Menschheit, aus denen diese neuerklärten Gläubigen kamen, liegt in der Offenheit der Herzen, durch die ein nachhaltiger gesellschaftlicher Wandel vollzogen werden kann. Die größte Schwäche dieser Massen war bisher eine gewisse Passivität, die – unter dem ständigen Einfluss fremder Mächte – über Generationen hinweg eingeübt worden war. Unabhängig davon, welche materiellen Vorteile dieser Einfluss auch gebracht haben mag, die Ziele, welche diese Mächte verfolgten, hatten meist nur sehr indirekt, wenn überhaupt, mit dem alltäglichen Leben und den tatsächlichen Bedürfnissen der eingeborenen Völker zu tun.
Der Vierjahresplan, ein deutlicher Schritt über die bisherigen Pläne hinaus, war darauf angelegt, aus den neuen Möglichkeiten und den gewonnenen Einsichten vollen Nutzen zu ziehen. Ein klares Ziel durchdrang das gesamte Unternehmen: die Förderung des Prozesses des Beitritts in Scharen. Aufgrund der Erfahrungen während der früheren Pläne wurde jetzt der Schwerpunkt weltweit auf die Entwicklung der Fähigkeiten der Gläubigen gelegt, so dass alle sich voller Vertrauen würden erheben können, um die Mission des Glaubens voranzutragen. Das Instrumentarium, mit dem dieses Ziel erreicht werden konnte, war während der letzten Pläne ständig überarbeitet und verbessert worden und hatte seine Wirksamkeit inzwischen bewiesen.
So wie die meisten anderen Methoden und Aktivitäten, mit deren Hilfe der Glaube voranschritt, war auch dieses Instrument schon Jahrzehnte zuvor in ‘Abdu’l-Bahás Sendschreiben zum göttlichen Plan vorgesehen: Vertiefte Gläubige, so erklärt der Meister, sollten »die Jugend der Liebe Gottes in Schulen der Unterweisung um sich scharen und sie all die göttlichen Beweise und unwiderleglichen Argumente lehren, ihnen die Geschichte der Sache erläutern und erklären, auch die Verheißungen und Beweise auslegen, die in den göttlichen Büchern und Episteln enthalten sind über die Manifestation des Verheißenen … «Q110 Der so geliebte Ṣadru’ṣ-ṢudúrA42 hatte während der frühen Jahre des Jahrhunderts auf diesem Feld Pionierarbeit geleistet und im Írán systematisch Unterricht dieser Art abgehalten. Mit der Zeit fanden immer mehr Winter- und Sommerferienkurse statt, und ein Plan nach dem anderen ermutigte die Gemeinden, sich an der Entwicklung von Trainingsinstituten zu versuchen.
Der mit Abstand bedeutendste Fortschritt auf diesem Gebiet wurde in Kolumbien erreicht: Über einen Zeitraum von gut zwanzig Jahren, beginnend in den Siebzigern, entwickelten die Freunde dort ein systematisches, längerfristig angelegtes Programm zum Unterricht in den Schriften des Glaubens, das bald auch in den Nachbarländern aufgegriffen wurde. Diese Leistung, die stark von den Bemühungen der kolumbianischen Gemeinde im Bereich sozialer und wirtschaftlicher Entwicklung beeinflusst war, beeindruckt vor allem deshalb so sehr, weil sie in einer Umgebung gelang, in der Gewalt und Gesetzlosigkeit das Leben der Gesellschaft zunehmend zersetzten.
Das Beispiel der kolumbianischen Freunde begeisterte und ermutigte auch anderswo auf der Welt Bahá’í-Gemeinden. Am Ende des Vierjahresplanes hatten weltweit über hunderttausend Gläubige an den Programmen der über dreihundert fest eingerichteten Trainingsinstitute teilgenommen. Um dieses Ziel zu erreichen, waren die meisten Institute noch einen Schritt weiter gegangen, indem sie ein Netzwerk von Studienkreisen schufen, in denen die Fähigkeiten der Gläubigen dafür eingesetzt wurden, die Arbeit der Institute auch auf örtlicher Ebene weiterzuführen. Schon jetzt wird deutlich, dass der Erfolg der Tätigkeit der Institute den Prozess wesentlich beschleunigt hat, der langfristig zur Herausbildung eines universellen Bahá’í-Erziehungssystems führen wird.A43
Obwohl die Anstrengungen dieser Jahrzehnte noch relativ moderat waren – zumindest im Vergleich zum Heroischen Zeitalter –, gewähren sie doch der heutigen Generation von Bahá’í einen Eindruck dessen, was Shoghi Effendi als die Zyklen bezeichnet, in denen sich der Glaube entwickelt. Seine Geschichte, so schreibt er, gliedert sich »in eine Folge von mehr oder weniger schweren inneren und äußeren Krisen, die sich zunächst verheerend auswirkten, dann aber auf geheimnisvolle Weise ein entsprechendes Maß göttlicher Kraft auslösten und dadurch dem Glauben einen frischen Impuls zum Fortschritt vermittelten«Q111. Diese Worte rücken all die Anstrengungen ins rechte Licht, die Experimente, die entmutigenden Rückschläge und die Siege, die den Beginn der großangelegten Lehrtätigkeit kennzeichneten und die Bahá’í-Gemeinde auf die noch größeren vor ihr liegenden Herausforderungen vorbereiteten.
Durch die gesamte Geschichte hindurch wohnte der Großteil der Menschheit dem Fortschritt der Zivilisation immer nur als Zuschauer bei. Ihre Rolle bestand darin, den Plänen der jeweiligen Elite zu dienen, die den Zivilisationsprozess gerade anführte. Sogar die aufeinanderfolgenden göttlichen Offenbarungen, deren Zweck ja die Befreiung des menschlichen Geistes war, gerieten mit der Zeit in die Gefangenschaft des »beharrenden Selbstes«Q112; sie erstarrten zu menschengemachten Dogmen, Ritualen, Führungsprivilegien und interkonfessionellen Streitereien, und schließlich ging ihre Zeit zu Ende, ohne dass sie ihr Ziel erreicht hätten.
Bahá’u’lláh ist gekommen, um die Menschheit aus dieser langen Knechtschaft zu befreien, und die Gemeinde Seiner Anhänger verwendete die letzten Jahrzehnte des zwanzigsten Jahrhunderts darauf, verschiedene Mittel zu ersinnen und auszuprobieren, mit denen Seine Absicht verwirklicht werden kann. Die Verfolgung des Göttlichen Planes verlangt nichts Geringeres, als die ganze Menschheit in die Arbeit an ihrer eigenen geistigen, sozialen und intellektuellen Entwicklung einzubinden. Die Schwierigkeiten, denen die Bahá’í-Gemeinde in der Zeit seit 1963 begegnete, waren notwendig, um die Anstrengungen noch zielgerichteter einzusetzen und die Beweggründe zu läutern, damit jene, die mit dieser Arbeit betraut sind, einer solchen Verantwortung würdig werden. Solche Prüfungen sind ganz eindeutige Kennzeichen des Reifungsprozesses, den ‘Abdu’l-Bahá so zuversichtlich beschreibt:
»Manche Bewegungen tauchen auf, erleben eine kurze Wirkungszeit und verlaufen dann im Sande. Andere wachsen weiter und entwickeln mehr Kraft; bevor sie sich jedoch zur Reife entfalten, werden sie schwächer, zerfallen und verschwinden schließlich in der Versenkung … Es gibt noch eine dritte Art von Bewegung oder Sache, die klein und unauffällig beginnt, dann sicher und stetig voranschreitet, mit der Zeit immer größer und breiter wird, bis sie schließlich eine weltumfassende Dimension erreicht. Eine solche Bewegung ist die Bahá’í-Sache.« Q113

10

Die Mission Bahá’u’lláhs beschränkt sich nicht auf den Aufbau der Bahá’í-Gemeinde. Die Offenbarung Gottes richtet sich an die gesamte Menschheit, und sie wird in einem solchen Maße die Unterstützung der gesellschaftlichen Institutionen gewinnen wie diese in ihrem Beispiel Ermutigung und Inspiration für eigene Bemühungen finden, das Fundament für eine gerechte Gesellschaft zu legen. Um die Bedeutung dieses zweiten Aspektes zu erfassen, braucht man sich nur zu vergegenwärtigen, wie viel Zeit und Sorgfalt Bahá’u’lláh selbst darauf verwendete, die Beziehungen zu Regierungsvertretern, führenden Denkern und einflussreichen Persönlichkeiten aus verschiedenen Minderheiten zu pflegen wie auch zu den ins Osmanische Reich entsandten Diplomaten und Gesandten. Die geistige Auswirkung dieser Bemühung zeigt sich in der Hochachtung, die sogar so erbitterte Feinde wie ‘Alí Páshá und der persische Botschafter in Konstantinopel, Mírzá Ḥusayn Khán, Seiner Charakterstärke und Seinen Prinzipien zollten. Der Erstere, der Ihn, seinen Gefangenen, in die Strafkolonie ‘Akká verbannte, beschrieb Ihn dennoch als einen »Mann von großer Vornehmheit und vorbildlichem Verhalten, mit stets gemäßigten Ansichten, eine höchst würdevolle Persönlichkeit«, deren Lehren nach Ansicht des Ministers »hohe Wertschätzung verdienten«A44. Der Letztere, dessen Machenschaften vor allem ‘Alí Páshá und seine Mitarbeiter gegen die Bahá’í einnahmen, gab in späteren Jahren offen zu, dass ein großer Gegensatz bestände zwischen dem moralischen und intellektuellen Format seines Feindes und dem Ruf der meisten seiner in Konstantinopel lebenden Landsleute, gierig und unehrenhaft zu sein, was in den persisch-türkischen Beziehungen Schaden angerichtet hatte.
Von Anfang an zeigte ‘Abdu’l-Bahá reges Interesse für die verschiedenen Bemühungen, eine neue internationale Ordnung zu schaffen. So ist es etwa sehr bezeichnend, dass Er in Seinen ersten öffentlichen Ansprachen in Nordamerika über den Zweck Seines Besuches besonders darauf einging, dass Er vom Organisationskomitee der Lake Mohonk Friedenskonferenz eingeladen worden war, um zu dieser internationalen Versammlung zu sprechen. Auch die Zentralorganisation für einen dauernden Frieden im Haag hatte Er in hohem Maße bestärkt, äußerte aber Seinen Rat trotzdem frei und offen. In Seinem Antwortschreiben auf Briefe, die der Exekutivausschuss der Organisation im Haag während des Krieges an Ihn gerichtet hatte, lenkte Er die Aufmerksamkeit der Organisatoren auf die von Bahá’u’lláh verkündeten geistigen Wahrheiten, die allein die Grundlage für die Verwirklichung ihrer Ziele sein könnten:
»O ihr Hochgeehrten, die ihr Pioniere seid unter den Wohltätern der Menschenwelt! … Heute ist der Weltfriede von großer Bedeutung, aber die Einheit des Gewissens ist dabei wesentlich, damit des Friedens Grundlage gesichert, sein Gefüge fest und sein Bau stark sei … Heute kann allein die Macht des Wortes Gottes, das die Wirklichkeit aller Dinge umschließt, die Gedanken, Gemüter, Herzen und Geister im Schatten des einen Baumes versammeln. Er ist der Mächtige in allen Dingen, der Beleber der Seelen, der Erhalter und Beherrscher der Menschenwelt.« Q114
Darüber hinaus zeigt sich auch in der Reihe einflussreicher Persönlichkeiten, mit denen der Meister in Nordamerika und Europa geduldig Stunde um Stunde verbrachte – vor allem Menschen, die sich um die Förderung des Weltfriedens und humanitärer Belange bemühten –, dass Er sich der Verantwortung, die der Glaube gegenüber der ganzen Menschheit hat, stets bewusst war. Wie die außergewöhnlichen Reaktionen auf Sein Hinscheiden belegen, verfolgte Er diesen Kurs bis an Sein Lebensende.
Shoghi Effendi griff dieses Erbe fast unmittelbar nach Beginn seiner Amtszeit auf. Schon 1925 förderte er die Absicht einer amerikanischen Gläubigen, Jean Stannard, ein ›Internationales Bahá’í-Büro‹ einzurichten, und wies sie an, nach Genf zu gehen, dem Sitz des Völkerbundes. Zwar hatte das Büro keine offizielle Autorität, fungierte aber, in den Worten des Hüters, »als Mittler zwischen Haifa und anderen Bahá’í-Zentren« und diente als zentrale Informationsstelle im Herzen Europas. Offizielle Anerkennung wurde dem Büro zuteil, als der Verlag des Völkerbundes einen Bericht über seine Aktivitäten erbat und diesen veröffentlichte.A45
Wie so oft in der Geschichte des Glaubens diente eine unerwartete Krise dazu, die Beziehung der Bahá’í auf internationaler Ebene zur Gesellschaft im Ganzen ein gutes Stück voranzubringen. 1928 ermutigte Shoghi Effendi den Geistigen Rat von Bagdad, sich an die Ständige Mandatskommission des Völkerbundes zu wenden und Einspruch gegen die Besetzung des Hauses Bahá’u’lláhs in ihrer Stadt durch schiitische Gegner zu erheben. Der Rat des Völkerbundes erkannte das Unrecht an und forderte im März 1929 die britische Mandatsmacht einstimmig auf, Druck auf die irakische Regierung auszuüben »mit dem Ziel, das den Antragstellern zugefügte Unrecht sofort wieder gutzumachen«. Aufgrund immer neuer Ausflüchte der irakischen Regierung, einschließlich des Bruches eines feierlichen Versprechens seitens des Monarchen selbst, zog sich der Fall jahrelang über verschiedene Sitzungen der Mandatskommission hin, und bis zum heutigen Tag ist das Haus in den Händen der Besetzer.A46 Unbeeindruckt von diesem Fehlschlag lenkte Shoghi Effendi die Aufmerksamkeit der Bahá’í-Gemeinde auf den historischen Nutzen, den das Verfahren für die Sache Gottes brachte. Wie schon zuvor als ein sunnitisch-muslimisches Gericht den Einspruch der ägyptischen Bahá’í-Gemeinde gegen ein Urteil verworfen hatte, das Bahá’í-Eheschließungen nicht anerkannte, erklärte der Hüter auch hier:
»Es genüge die Feststellung, dass trotz endloser Verzögerungen, Proteste und Ausflüchte … dieser denkwürdige Rechtsstreit und die Verteidigung der Sache des Glaubens, der Sache der Wahrheit und Gerechtigkeit durch den höchsten Gerichtshof der Welt die Freunde des Glaubens staunen machte und seine Feinde in Bestürzung versetzte.« Q115
Die Gründung der Vereinten Nationen eröffnete dem Glauben ein noch größeres und wirkungsvolleres Forum für seine Bemühungen, geistigen Einfluss auf das Leben der Gesellschaft zu nehmen. Schon 1947 erbat ein eigens berufener ›Palästinaausschuss‹ der Vereinten Nationen die Ansichten des Hüters über die Zukunft dieses Mandatsgebietes. In seiner Antwort auf diese Anfrage hatte er die Möglichkeit, eine autoritative Darstellung der Geschichte und der Lehren des Glaubens zu geben. Im selben Jahr legte der Nationale Geistige Rat der Vereinigten Staaten und Kanadas, ermutigt von Shoghi Effendi, der internationalen Organisation ein Dokument mit dem Titel Eine Bahá’í-Erklärung zu Menschenrechten und Menschenpflichten vor, das in den folgenden Jahrzehnten die Arbeit von Bahá’í-Autoren und -Sprechern inspirieren sollte.A47 Ein Jahr später erwirkten die acht zu jener Zeit bestehenden Nationalen Geistigen Räte vom zuständigen Gremium der Vereinten Nationen die Akkreditierung der ›Internationalen Bahá’í-Gemeinde‹ als einer internationalen Nichtstaatlichen Organisation.
Nicht nur die sich langsam herausbildende Beziehung des Glaubens zur neuen internationalen Ordnung unterstützte der Hüter in dieser Weise. In Gott geht vorüber und in den Erinnerungen Amatu’l-Bahás an den Hüter finden sich seitenlange Berichte über Reaktionen einflussreicher Persönlichkeiten und Organisationen auf Initiativen Shoghi Effendis wie auch auf Ereignisse überall in der Welt, zu denen auch Vertreter der Bahá’í eingeladen waren. Es ist aus geschichtlicher Sicht beeindruckend, wie vielen vergleichsweise unbedeutenden Gelegenheiten Aufmerksamkeit durch einen Mann zuteil wurde, dessen Wirken nicht nur außerordentlich wichtig für die Zukunft der Menschheit ist, sondern der auch die Ereignisse um sich herum in ihrer relativen Bedeutung sicher erfasste. Der Bahá’í-Gemeinde ist mit diesen sorgfältigen Berichten ein Leitfaden an die Hand gegeben, wie sie zunehmend Gelegenheiten aufgreifen muss, die aus bescheidenen Anfängen erwachsen.
Vom Zeitpunkt ihrer Akkreditierung an engagierte sich die Internationale Bahá’í-Gemeinde nachdrücklich bei den Vereinten Nationen. Viel Anerkennung wurde ihr zuteil für ein Programm, das mit Hilfe des sich ausbreitenden Netzwerkes an Bahá’í-Räten öffentlich über die Vereinten Nationen selbst informierte, und damit die mühevolle Arbeit vieler Unterorganisationen der Vereinten Nationen weltweit tatkräftig unterstützte. 1970 erlangte die Internationale Bahá’í-Gemeinde beratenden Status beim Wirtschafts- und Sozialrat der Vereinten Nationen (ECOSOC). Seit 1974 ist sie offiziell mit dem Umweltprogramm der Vereinten Nationen (UNEP) assoziiert, und erhielt 1976 beratenden Status beim Weltkinderhilfswerk der Vereinten Nationen (UNICEF). Der Einfluss und die Sachkenntnis, die sich in dieser Zeit entwickelten, zeigten sich 1955 und 1962, als die Internationale Bahá’í-Gemeinde die Intervention der Vereinten Nationen zugunsten der Gläubigen erwirkte, die im Írán beziehungsweise in Marokko verfolgt wurden.
*
1980 erreichte die geduldige Öffentlichkeitsarbeit der Nationalen Geistigen Räte und des Büros der Bahá’í-Weltgemeinde bei den Vereinten Nationen plötzlich gezwungenermaßen eine neue Stufe in ihrer Entwicklung. Auslöser war der Versuch der schiitischen Geistlichkeit im Írán, den Glauben in seinem Geburtsland auszulöschen. Die Folgen sahen weder die Verfolger des Glaubens noch seine Verteidiger voraus.
Während all der Jahrzehnte, da die Bahá’í in der Wiege des Glaubens immer wieder wegen ihrer Glaubensüberzeugung verfolgt worden waren, handelten die Mullás, die diese Angriffe anzettelten und anführten, mit der Zustimmung des jeweiligen Monarchen des Landes. Die Monarchen, die scheinbar absolute Macht hatten, waren in Wirklichkeit durch politisches Kalkül gebunden, das sie für Druck von außen – vor allem seitens westlicher Regierungen – empfänglich machte. So hatte die Empörung russischer, britischer und anderer Diplomaten Náṣiri’d-Dín Sháh gezwungen, gegen seinen Willen der Gewaltorgie ein Ende zu setzen, durch die zu Beginn der 1850er Jahre so viele Gläubige zu Tode kamen und sogar Bahá’u’lláhs Leben bedroht war. Im zwanzigsten Jahrhundert waren die ihm nachfolgenden Qájáren ähnlich besorgt um die Meinung fremder Regierungen. Das Muster wiederholte sich 1955, als der zweite Schah aus der Pahlaví-Dynastie, den die Mullás überredet hatten, eine gegen die Bahá’í gerichtete Welle der Gewalt zu billigen, durch den Protest der Vereinten Nationen und die Einwände der amerikanischen Regierung gezwungen wurde, die Angriffe sofort zu stoppen – beide Interventionen scheinen Vorboten dessen gewesen zu sein, was folgen sollte.
Die Islamische Revolution von 1979 schien derartige Kontrollmechanismen und Bremsen für das Verhalten der Geistlichkeit hinwegzufegen. Plötzlich waren die Mullás selbst an der Macht; sie besetzten die höchsten Posten in der neuen Republik mit ihren eigenen Kandidaten, und übernahmen diese Ämter schließlich selbst. ›Revolutionsgerichte‹ wurden eingesetzt, verantwortlich nur der hohen Geistlichkeit. Eine Unzahl von sogenannten ›Revolutionswächtern‹, weit effizienter als die Geheimpolizei des Schahs und ebenso brutal, übernahm die Kontrolle über alle Bereiche des öffentlichen Lebens.
Zwar konzentrierte sich die Aufmerksamkeit der neuen Führungsschicht besonders auf vermutete Bedrohungen von außen, doch sahen einige einflussreiche Mitglieder jetzt auch eine Gelegenheit, endlich die iranische Bahá’í-Gemeinde zu vernichten.A48 Auf die grauenvollen Einzelheiten der Verfolgungen muss an dieser Stelle nicht näher eingegangen werden. Von Bedeutung ist vielmehr die Reaktion Tausender Bahá’í überall im Land – Männer, Frauen und Kinder – auf die Angriffe. Ihre Weigerung, ihren Glauben aufzugeben, selbst wenn es ihr Leben kostete, veranlasste ihre Mitgläubigen auf der ganzen Welt, sich mehr als zuvor in den Dienst der Sache zu stellen, für die diese Opfer gebracht wurden. Aber nicht nur die Anhänger des Glaubens wurden von diesen Ereignissen tief berührt. Jahrzehnte zuvor, 1889, hatte ein angesehener westlicher Beobachter angesichts des Heldenmutes der frühen Gläubigen über deren Leiden prophetisch geschrieben:
»Ihr Leben und ihr Tod, ihre Hoffnungen, die nie verzweifeln, ihre Liebe, die nie erkaltet, ihre Standhaftigkeit, die niemals wankt, verleihen dieser wunderbaren Bewegung einen ganz eigenen Charakter … Was sie erdulden, ist nicht einfach oder leicht zu tragen, und wofür sie bereit sind, ihr Leben zu geben, ist wert, dass man es zu verstehen sucht. Von dem gewaltigen Einfluss, den der Bábí-Glaube [sic], wie ich meine, in Zukunft ausüben wird, oder dem neuen Leben, das er vielleicht einem toten Volk einhauchen mag, spreche ich nicht; denn gleich, ob der Glaube sich durchsetzt oder nicht, der strahlende Heldenmut der Bábí-Märtyrer ist ewig und unzerstörbar … Was ich jedoch nicht hoffen kann Ihnen zu vermitteln, ist die außerordentliche Ernsthaftigkeit dieser Menschen, und der unbeschreibliche Einfluss, den diese Ernsthaftigkeit in Verbindung mit anderen Eigenschaften auf jeden ausübt, der mit ihnen in Berührung kommt.«A49
Diese Worte deuten schon auf ähnliche Reaktionen seitens Nicht-Bahá’í-Beobachtern während der Jahre der islamischen Revolution hin. Derartige Gefühle sollten dann auch eine der wichtigsten Kräfte werden, die den Glauben aus der Verborgenheit hervortreten ließen. Auch ist schon in diesen Worten die im Wesentlichen geistige Natur all dessen eingefangen, was in der Wiege des Glaubens schon immer auf dem Spiel stand. Immer mehr ausländische Meinungsträger empörten sich nicht nur über die besinnungslose Brutalität der Verfolgung, sondern waren auch von der Reaktion der iranischen Bahá’í tief bewegt.
Das Leid zahlloser Opfer von Unterdrückung prägt die Geschichte des zwanzigsten Jahrhunderts. Was die Lage der Bahá’í einzigartig macht, war die Haltung derer, die das Leid ertrugen. Die iranischen Gläubigen fanden sich nicht mit der allbekannten Opferrolle ab. Wie zuvor die Stifter des Glaubens übernahmen sie die moralische Führung in der Auseinandersetzung mit den Gegnern. Schon bald bestimmten sie – und nicht die Revolutionsgerichte oder die Revolutionswächter – den Ton bei den Konfrontationen, und diese beispiellose Haltung berührte nicht nur die Herzen der Unbeteiligten von außerhalb des Glaubens, sondern machte sie auch nachdenklich. Die verfolgte Gemeinde griff ihre Unterdrücker nicht an, noch versuchte sie, aus der Notlage politischen Vorteil zu ziehen. Ebenso wenig riefen die Bahá’í in anderen Ländern bei der Verteidigung ihrer verfolgten Mitgläubigen zum Bruch der iranischen Verfassung auf, geschweige denn zu Rache. Sie alle forderten nur Gerechtigkeit – die Anerkennung jener Rechte, die die Allgemeine Erklärung der Menschenrechte garantiert, welche die Staatengemeinschaft angenommen und auch die iranische Regierung ratifiziert hatte – Rechte, die größtenteils sogar in den Bestimmungen der islamischen Verfassung enthalten waren.
Die Krise trieb die Bahá’í-Welt zu außergewöhnlichen Höchstleistungen an. Nationale Räte, die nur wenig oder gar keine Erfahrung darin hatten, Arbeitskontakte zu den Regierungsvertretern ihres Landes aufzubauen, waren jetzt aufgerufen, bei ihrer Regierung die Unterstützung von Resolutionen auf den verschiedenen Ebenen des internationalen Menschenrechtssystems zu erbitten – und ihre Bemühungen waren sehr erfolgreich. Jahr für Jahr, zwei Jahrzehnte lang, beschäftigte der Fall der Bahá’í im Írán die internationalen Menschenrechtsinstitutionen und erfuhr Unterstützung in immer neuen Resolutionen. Die von der Menschenrechtskommission der Vereinten Nationen beauftragten Berichterstatter registrierten aufmerksam die Leiden der Bahá’í, und diese Erfolge wurden durch Entscheidungen des Dritten Ausschusses der Generalversammlung der Vereinten Nationen untermauert. Kein Versuch des iranischen Regimes, der internationalen Verurteilung wegen seines Umgangs mit den im Lande lebenden Bahá’í zu entgehen, vermochte die Unterstützung zu erschüttern, die dem Fall der Bahá’í von einer stabilen Mehrheit wohlgesinnter Staaten in der Menschenrechtskommission zuteil wurde. Dass dies erreicht werden konnte, ist umso bemerkenswerter, als die Mitglieder der Kommission ständig wechselten und auf ihrer umfangreichen Tagesordnung auch Menschenrechtsverletzungen in anderen Ländern standen, die Millionen von Opfern betrafen.
Diese vielfältigen Aktionen übten direkten Druck auf die iranische Regierung aus – und gleichzeitig erregte der Fall in der ganzen Welt auch breite öffentliche Aufmerksamkeit durch Presseorgane sowie Rundfunk- und Fernsehanstalten. Zeitungen wie The New York Times, Le Monde und die Frankfurter Allgemeine Zeitung mit internationaler Leserschaft berichteten ausführlich über die Verfolgung, und Fernsehanstalten in Australien, Kanada, den Vereinigten Staaten und einer Reihe europäischer Länder strahlten gut recherchierte Dokumentationen aus. In Leitartikeln wurden die Gewalttaten oft scharf verurteilt. Dieses Medieninteresse verlieh nicht nur den Bemühungen um ein wirkungsvolles Eingreifen der Menschenrechtskommission Nachdruck, sondern informierte auch ein millionenfaches Publikum – oftmals zum ersten Mal – wahrheitsgetreu und achtungsvoll über Lehren und Inhalte des Bahá’í-Glaubens. Sowohl die Berichterstattung als auch die Bemühungen durch die Kanäle der Vereinten Nationen ermöglichten einflussreichen Regierungsvertretern auf der ganzen Welt, zu einem eigenen Urteil über die Lehren des Glaubens und das Wesen der Bahá’í-Gemeinde zu finden.
Durch die Verfolgung ergab sich das Problem, dass mehrere tausend iranische Bahá’í in Ländern, in denen sie als Pioniere dienten, ohne gültigen Pass festsaßen, oder gezwungen waren, aus dem Írán zu fliehen, weil sie oder ihre Familien Zielscheibe des Pogroms wurden. 1983 wurde in Kanada, wo die Regierung besonders kooperativ auf die Vorstellungen des dortigen Nationalen Geistigen Rates reagiert hatte, ein internationales Bahá’í-Flüchtlingsbüro eingerichtet.A50 Während der nächsten Jahre öffneten mit Hilfe des Hochkommissars für Flüchtlinge der Vereinten Nationen eine Reihe anderer Länder ihre Tore für mehr als zehntausend iranische Bahá’í, die dort dann oftmals Pionierziele erfüllten.
*
Nicht nur für die Bahá’í-Gemeinde, sondern auch für das Menschenrechtssystem der Vereinten Nationen selbst war dieser lange Kampf von Nutzen. Unmittelbar nach der islamischen Revolution war das Überleben der iranischen Bahá’í-Gemeinde bedroht. Mit der Zeit gelang es der Menschenrechtskommission der Vereinten Nationen – wie langwierig und vergleichsweise schwerfällig ihre Arbeitsweise dem Außenstehenden auch scheinen mag –, das iranische Regime zu zwingen, den schlimmsten Verfolgungen Einhalt zu gebieten. In diesem Sinne bezeichnet ›der Fall der Bahá’í im Írán‹ sowohl für die Kommission als auch für den Glauben einen bedeutenden Sieg. Eindrucksvoll demonstriert er die Macht der Staatengemeinschaft, Formen der Unterdrückung, wie sie leider in jedem Zeitalter zu beklagen waren, mittels des zu diesem Zweck geschaffenen Apparats unter Kontrolle zu bringen.
Dieser Sachverhalt unterstreicht die Bedeutung der Aktivitäten des Glaubens für die Gesellschaft, innerhalb derer sie stattfinden. Zu diesem Zeitpunkt ihrer Geschichte steht die Menschheit – neben der Errichtung des Weltfriedens – vor einer weiteren dringenden Herausforderung: Die internationale Gemeinschaft muss wirkungsvolle Schritte unternehmen, um die Ideale der Allgemeinen Erklärung der Menschenrechte und darauf bezogener Abkommen zu verwirklichen. Kaum einen Ort gibt es auf der Erde, an dem nicht die einfachsten menschlichen Bedürfnisse von Minderheiten noch immer auf die eine oder andere Weise missachtet werden aufgrund religiöser, ethnischer oder nationaler Vorurteile. Keine Volksgruppe auf dem ganzen Planeten könnte dieses Problem besser verstehen als die Bahá’í-Gemeinde. Sie erlitt – und erleidet in einigen Ländern noch immer – Misshandlungen ohne erkennbare legale oder moralische Rechtfertigung, sie opferte ihre Märtyrer und vergoss ihre Tränen, und blieb doch ihrer Überzeugung treu, dass Hass und Vergeltung die Seele zerstören, und sie lernte wie kaum eine andere Gemeinschaft, die Menschenrechtsordnung der Vereinten Nationen so zu nutzen, wie ihre Urheber es vorgesehen hatten, ohne Zuflucht zu irgendwelchen parteipolitischen Aktivitäten zu nehmen, geschweige denn zu Gewalt. Auf der Grundlage dieser Erfahrung unterstützt die Bahá’í-Gemeinde heute zahlreiche Länder dabei, staatliche Programme zur Menschenrechtserziehung einzuführen, und bietet dazu jede ihr mögliche praktische Hilfe an.A51 Weltweit engagiert sie sich besonders für die Rechte von Frauen und Kindern. Vor allem jedoch bietet sie ein lebendiges Beispiel für gemeinschaftliches Miteinander, aus dem zahllose Menschen außerhalb ihres Kreises Mut und Hoffnung schöpfen.
*
Während sich die Krise im Írán zuspitzte, hob eine Initiative des Universalen Hauses der Gerechtigkeit die Öffentlichkeitsarbeit der Bahá’í-Gemeinde auf eine völlig neue Ebene. 1985 wurde die Erklärung Die Verheißung des Weltfriedens, die sich an alle Menschen weltweit richtete, durch die Nationalen Geistigen Räte verbreitet. Darin schreibt das Universale Haus der Gerechtigkeit unprovokativ, aber klar und unmissverständlich, dass die Bahá’í fest darauf vertrauen, dass der internationale Frieden als nächste Stufe in der Evolution der Gesellschaft kommen wird. Wege und Schritte zu dieser so lang erwarteten Entwicklung werden dargelegt, und vieles geht dabei über das hinaus, was gemeinhin in der politischen Diskussion erwogen wird. Am Ende der Erklärung heißt es:
»In den Erfahrungen der Bahá’í-Gemeinschaft kann man ein Beispiel für diese wachsende Einheit [der Menschheit] sehen … Wenn die Erfahrungen der Bahá’í, in welchem Ausmaß auch immer, etwas dazu beitragen können, die Hoffnung auf Einheit des Menschengeschlechts zu stärken, schätzen wir uns glücklich, sie als Studienmodell anzubieten.« Q116
Während der unmittelbare Zweck der Veröffentlichung darin bestand, Bahá’í-Institutionen und einzelnen Gläubigen eine schlüssige Diskussionsgrundlage für ihren Umgang mit Regierungsvertretern, gesellschaftlichen Organisationen, den Medien und einflussreichen Persönlichkeiten an die Hand zu geben, setzte sie dadurch auch einen Prozess in Gang, in dessen Verlauf die Bahá’í-Gemeinde selbst in verschiedenen wichtigen Bahá’í-Lehren intensiv und nachhaltig unterrichtet wurde. Der Einfluss der in diesem Dokument enthaltenen Ideen und Sichtweisen war schon bald weithin spürbar – bei Tagungen, Sommer- und Winterferienkursen, in Veröffentlichungen und allenthalben in den Gesprächen der Gläubigen.
In vieler Hinsicht kann man sagen, dass Die Verheißung des Weltfriedens in den Jahren seit 1985 programmatisch wurde für die Zusammenarbeit der Bahá’í mit den Vereinten Nationen und den ihnen angeschlossenen Organisationen. Aufbauend auf dem guten Ruf, den die Internationale Bahá’í-Gemeinde schon zuvor hatte, wurde sie nun innerhalb weniger Jahre eine der einflussreichsten Nichtstaatlichen Organisationen. Weil sie völlig unparteiisch ist und auch so gesehen wird, vertraut man ihr zunehmend als vermittelnder Kraft bei schwierigen und oft zähen Diskussionen in internationalen Kreisen über wichtige Fragen zum Fortschritt der Gesellschaft. Dieser gute Ruf wird noch dadurch gefestigt, dass die Gemeinde grundsätzlich solches Vertrauen niemals dazu missbraucht, eigene Interessen durchzusetzen. 1968 wurde ein Vertreter der Bahá’í in das Exekutivkomitee der Nichtstaatlichen Organisationen gewählt, und fungierte dann dort als Vorsitzender beziehungsweise stellvertretender Vorsitzender. Von da an wurden immer häufiger Vertreter der Gemeinde gebeten, Ausschüsse, Einsatz- und Arbeitsgruppen oder Beiräte einzuberufen oder in ihnen den Vorsitz zu übernehmen. Während der letzten vier Jahre fungierte der Repräsentant der Internationalen Bahá’í-Gemeinde als geschäftsführender Sekretär der Konferenz der Nichtstaatlichen Organisationen, des zentralen koordinierenden Gremiums nicht-regierungsgebundener Gruppen, bei den Vereinten Nationen.
In der Struktur der Internationalen Bahá’í-Gemeinde spiegeln sich die Prinzipien wider, die auch ihre Arbeit prägen. Es ist ihr gelungen, nicht einfach als eine weitere Lobby oder Interessengruppe abgestempelt zu werden. Während sie die Fachkompetenz und Organisationsmöglichkeiten ihres UN-Büros und des Büros für Öffentlichkeitsarbeit (OPI) voll ausschöpft, wird sie von anderen Nichtstaatlichen Organisationen inzwischen als ›Verbund‹ demokratisch gewählter nationaler ›Räte‹ angesehen, die einen Querschnitt der Menschheit repräsentieren. Zu den Bahá’í-Delegationen bei internationalen Zusammenkünften gehören in der Regel von verschiedenen Nationalen Geistigen Räten ernannte Mitglieder, die Erfahrungen auf dem jeweils zur Diskussion stehenden Gebiet haben und regionale Sichtweisen beitragen können.
Wie einflussreich der Glauben im Leben der Gesellschaft wirkt – wobei Beweggrund und Arbeitsweise zwei Dimensionen sind, die sich vereint Problemen nähern – zeigte sich bei den verschiedenen Weltgipfeln und damit verbundenen Konferenzen, die die Vereinten Nationen zwischen 1990 und 1996 veranstalteten. Während dieser fast sechs Jahre trafen sich die politischen Führer der Welt immer wieder unter der Schirmherrschaft des Generalsekretärs der Vereinten Nationen, um über die großen Herausforderungen zu sprechen, denen sich die Menschheit gegen Ende des zwanzigsten Jahrhunderts gegenüber sah. Die Liste der Themen dieser historischen Zusammenkünfte muss jeden Bahá’í tief beeindrucken, spiegeln sie doch erstaunlich getreu zentrale Lehren Bahá’u’lláhs wider. Es scheint nur stimmig, dass der hundertste Jahrestag Seines Hinscheidens mitten in diese Zeit fiel; wodurch diese Zusammenkünfte in den Augen der Bahá’í eine geistige Bedeutung erlangten, die weit über ihre erklärten Ziele hinausging.
Unter diesen Veranstaltungen sind einige Höhepunkte im Prozess des weltweiten Diskurses über Probleme, unter denen die Völker leiden: die Weltkonferenz für Erziehung 1990 in Thailand, der Weltkindergipfel 1990 in New York, der Umweltgipfel der Vereinten Nationen 1992 in Rio de Janeiro, die leidvolle, chaotische Weltkonferenz für Menschenrechte 1993 in Wien, der Weltbevölkerungsgipfel 1994 in Kairo, die Weltkonferenz für soziale Entwicklung 1995 in Kopenhagen und die besonders lebhafte vierte Weltfrauenkonferenz 1995 in PekingA52. Bei den gleichzeitigen Konferenzen der Nichtregierungsorganisationen hatten die Bahá’í-Delegationen, deren Mitglieder aus den verschiedensten Ländern kamen, Gelegenheit, strittige Fragen sowohl unter geistigen als auch unter sozialen Gesichtspunkten darzustellen. Das Vertrauen, das die Internationale Bahá’í-Gemeinde bei den vielen hundert Nichtstaatlichen Organisationen genießt, zeigt sich darin, dass Bahá’í-Delegationen von den anderen Teilnehmern immer wieder zu der ehrenvollen Aufgabe ausgewählt wurden, als eine von ganz wenigen Gruppen direkt vom Podium aus zur Konferenz zu sprechen, anstatt Stellungnahmen nur schriftlich verteilen zu können.
*
Während der letzten Jahre des Jahrhunderts errangen viele Nationale Geistige Räte bei ihren eigenen Außenbeziehungen eindrucksvolle Erfolge. Zwei herausragende Beispiele sollen deren Wesen und Bedeutung verdeutlichen. Das erste Beispiel stammt aus Deutschland, wo Gerichtsentscheidungen ergangen waren, denen zufolge die Satzungen der gewählten Bahá’í-Körperschaften unvereinbar mit dem deutschen Zivilrecht seien. Das Bundesverfassungsgericht hat der dagegen eingelegten Verfassungsbeschwerde des Geistigen Rates der Bahá’í von Tübingen stattgegeben und entschieden, dass die Bahá’í-Gemeindeordnung integraler Bestandteil des Glaubens und daher von den Glaubensinhalten untrennbar sei. Das Verfassungsgericht hat seine Entscheidung unter anderem damit begründet, dass der Bahá’í-Glaube eine Religion sei – ein Urteil von weitreichender Bedeutung in einer Gesellschaft, in der kirchliche Funktionsträger den Glauben lange als Kult oder Sekte abtaten. Die unzweideutige Sprache des Urteils verdient hier zitiert zu werden:
»… der Charakter des Bahá’í-Glaubens als Religion und der Bahá’í-Gemeinschaft als Religionsgemeinschaft [ist] nach aktueller Lebenswirklichkeit, Kulturtradition und allgemeinem wie auch religionswissenschaftlichem Verständnis offenkundig … «A53
Der brasilianischen Bahá’í-Gemeinde blieb ein Sieg im Bereich der Außenbeziehungen vorbehalten, der in der Bahá’í-Geschichte bis heute einzigartig dasteht. Am 28. Mai 1992 kam das höchste gesetzgebende Gremium des Landes, das Abgeordnetenhaus, zu einer Feierstunde anlässlich des hundertsten Jahrestages des Hinscheidens Bahá’u’lláhs zusammen. Der Sprecher verlas eine Botschaft des Universalen Hauses der Gerechtigkeit und die Abgeordneten aller Parteien erhoben sich einer nach dem anderen, um den Beitrag des Glaubens und seines Stifters zum Wohlergehen der Menschen zu würdigen. In einer bewegenden Ansprache bezeichnete ein bekannter Abgeordneter die Bahá’í-Lehren als »gewaltigstes religiöses Werk, das je die Feder eines einzelnen Mannes niederschrieb«A54.
Solche Wertschätzung der Wesensart des Glaubens und der Arbeit, die die Gemeinde sich zu leisten bemüht – wie sie hier von Seiten der höchsten rechtsprechenden beziehungsweise gesetzgebenden Ebene zweier der bedeutendsten Länder der Welt kamen –, sind geistige Siege, die auf ihre Weise genauso wichtig sind wie die Siege auf dem Feld des Lehrens. Sie helfen die Türen zu öffnen, durch die Bahá’u’lláhs heilsamer Einfluss das Leben der Gesellschaft selbst zu berühren beginnt.

11

Um Seinen Zuhörern die bevorstehende gesellschaftliche Wandlung verständlich zu machen, verwendete ‘Abdu’l-Bahá die Metapher des Lichts. Einheit, so erklärte Er, ist die Kraft, die jedwedes menschliche Bemühen erleuchtet und voranbringt. Die mit dem zwanzigsten Jahrhundert anbrechende Zeit werde man in Zukunft als »Jahrhundert des Lichts« ansehen, da in ihr die Einheit der Menschheit allgemein anerkannt werde. Und auf dieser Grundlage werde dann eine Weltgesellschaft errichtet werden, die den Prinzipien der Gerechtigkeit folgt.
Diese Vision beschrieb der Meister in zahlreichen Sendschreiben und Ansprachen. Ihren deutlichsten Ausdruck findet sie in einem Schreiben an Jane Elizabeth Whyte, der Frau eines früheren Synodalpräsidenten der Free Church of Scotland. Frau Whyte war eine begeisterte Freundin der Bahá’í-Lehren, hatte den Meister in ‘Akká besucht und traf später die Vorbereitungen für den besonders herzlichen Empfang, der Ihm in Edinburgh bereitet wurde. In Seinem Sendbrief an sie bediente sich ‘Abdu’l-Bahá der bekannten Metapher des Lichts:
»O verehrte Dame! … Sieh, wie dieses Licht [der Einheit] nun am dunklen Horizont der Welt zu dämmern beginnt! Der erste Lichtstrahl ist die Einheit im politischen Bereich, der allererste Schimmer davon lässt sich nunmehr erkennen. Der zweite Lichtstrahl ist die Einheit des Denkens in weltweiten Unternehmungen, die bald vollzogen werden wird. Der dritte Lichtstrahl ist die Einheit in der Freiheit, die sicherlich eintreten wird. Der vierte Lichtstrahl ist die Einheit in der Religion, der Eckstein, auf dem die Grundlage ruht; auch sie wird durch die Macht Gottes in ihrer ganzen Strahlenfülle offenbar werden. Der fünfte Lichtstrahl ist die Einheit der Nationen – eine Einheit, die in diesem Jahrhundert sicher begründet werden wird, so dass sich alle Völker der Welt als Bürger eines gemeinsamen Vaterlandes betrachten. Der sechste Lichtstrahl ist die Einheit der Rassen, die alle Erdenbewohner zu Völkern und Geschlechtern einer Rasse macht. Der siebte Lichtstrahl ist die Einheit der Sprache, das heißt die Wahl einer universalen Sprache, in der alle Menschen unterrichtet werden und miteinander verkehren. All dies wird unausweichlich eintreten, weil die Macht des Reiches Gottes seine Verwirklichung fördern und unterstützen wird.« Q117
Zwar wird es sicherlich noch Jahrzehnte – und vielleicht auch noch sehr viel länger – dauern, bis die in diesem bemerkenswerten Dokument dargelegte Vision ganz verwirklicht ist, doch sind die Wesensmerkmale dessen, was hier verheißen ist, schon heute weltweit erkennbar. Bei einigen der großen Veränderungen, die hier vorhergesehen werden – der Einheit der Rassen und der Einheit der Religionen – ist klar, worauf die Worte des Meisters hindeuten, und die damit einhergehenden Prozesse sind recht weit fortgeschritten, wie groß auch der Widerstand aus einigen Lagern sein mag. Weitgehend trifft dies auch auf die Einheit der Sprache zu. Dass eine gemeinsame Sprache notwendig ist, wird heutzutage allerorts anerkannt, wie sich auch daran zeigt, dass die Vereinten Nationen und ein großer Teil der Nichtstaatlichen Organisationen gezwungen waren, mehrere ›Amtssprachen‹ zuzulassen. Bis im internationalen Einvernehmen eine Entscheidung getroffen ist, kann das Englische diese Lücke bis zu einem gewissen Grad ausfüllen, was durch Entwicklungen wie das Internet, die Steuerung des Flugverkehrs, die Herausbildung allgemein anerkannter Fachtermini und des allgemeinen Schulwesens ermöglicht wurde.
Auch »die Einheit des Denkens in weltweiten Unternehmungen« – eine Vorstellung, für die es zu Beginn des zwanzigsten Jahrhunderts selbst den idealistischsten Bestrebungen an Anhaltspunkten fehlte – ist jetzt deutlich erkennbar in großangelegten Programmen zur sozialen und wirtschaftlichen Entwicklung, zu humanitärer Hilfe und zum Einsatz für den weltweiten Umweltschutz und dem Schutz der Ozeane. Bei der »Einheit im politischen Bereich«, so erklärt Shoghi Effendi, geht es um die zwischen den unabhängigen Staaten erlangte Einheit, ein Entwicklungsprozess, dessen jetzige Stufe die Vereinten Nationen sind. Andererseits verweist die vom Meister verheißene »Einheit der Nationen« auf die heute weitverbreitete Einsicht der Völker der Welt, dass sie alle Bewohner desselben globalen Heimatlandes sind, wie groß auch die Unterschiede zwischen ihnen sein mögen.
Die »Einheit in der Freiheit« ist heute natürlich zu einem gemeinsamen Ziel aller Erdenbewohner geworden. Unter den Entwicklungen, die dieses Ziel vor allem vorantreiben, könnte der Meister hauptsächlich an das rasche Ende des Kolonialismus gedacht haben und die daraus folgende Selbstbestimmung, die gegen Ende des Jahrhunderts ein wesentliches Kennzeichen nationaler Identität geworden war.
Was auch immer die Zukunft der Menschheit noch bedrohen mag: die Welt hat sich durch die Ereignisse des zwanzigsten Jahrhunderts verändert. Dass die Kennzeichen dieses Wandlungsprozesses von der Stimme Dessen beschrieben wurden, der ihn so zuversichtlich vorhersagte, sollte aufmerksame Menschen überall veranlassen, gründlich darüber nachzudenken.
*
Die im sozialen und ethischen Leben der Menschheit errungenen Veränderungen wurden nachdrücklich durch eine Reihe internationaler Zusammenkünfte bekräftigt, die die Vereinten Nationen zum Ende des alten und zu Beginn des neuen Jahrtausends einberiefen. Auf Einladung des Generalsekretärs der Vereinten Nationen, Kofi Annan, versammelten sich vom 22. bis zum 26. Mai 2000 Vertreter von über tausend Nichtstaatlichen Organisationen in New York. In einer aus diesem Treffen hervorgegangenen Verlautbarung verpflichteten Sprecher der Zivilgesellschaft ihre Organisationen auf das Ideal, dass »… wir in all unserer Vielfalt nur eine Menschheitsfamilie sind, die in einem gemeinsamen Heimatland lebt und sich in eine gerechte, erhaltbare und friedliche Welt teilt, die von den universellen Prinzipien der Demokratie geleitet wird … «A55.
Kurz darauf kamen bei einem zweiten Treffen vom 28. bis zum 31. August zweitausend Führer der meisten Religionsgemeinschaften zusammen, ebenfalls im Sitz der Vereinten Nationen in New York. Die Internationale Bahá’í-Gemeinde war durch ihren Generalsekretär vertreten, der auch zu einer der Plenarveranstaltungen sprach. Der feierliche Aufruf der religiösen Führer der Welt an ihre Gemeinden, »das Recht auf Religionsfreiheit zu respektieren, Versöhnung zu suchen und sich für gegenseitige Vergebung und Heilung alter Wunden einzusetzen … «A56 musste jeden Beobachter tief beeindrucken.
Diese beiden Veranstaltungen bereiteten den Weg für den eigentlichen Millenniumsgipfel vom 6. bis 8. September am Sitz der Vereinten Nationen in New York. Die bei den Beratungen versammelten einhundertneunundvierzig Staats- und Regierungschefs waren bemüht, der Bevölkerung der vertretenen Nationen Hoffnung und Zuversicht zu geben. Besonders willkommen war die Einladung an einen Sprecher des Forums der Nichtregierungsorganisationen, beim Gipfeltreffen selbst die Gedanken und Bedenken des im Mai vorangegangenen Treffens vorzustellen. Für die Bahá’í war es ebenso bedeutsam wie erfreulich, dass diese hohe Ehre dem Ständigen Vertreter der Internationalen Bahá’í-Gemeinde bei den Vereinten Nationen in seiner Eigenschaft als Co-Vorsitzendem des Forums zuteil wurde. Nichts könnte den Unterschied zwischen der Welt um 1900 und der um 2000 deutlicher machen als der Text der beim Gipfel verabschiedeten Resolution, die von allen Teilnehmern unterschrieben und der Generalversammlung der Vereinten Nationen vorgelegt wurde:
»Zu diesem historischen Anlass bestätigen wir feierlich, dass die Vereinten Nationen das unverzichtbare gemeinsame Haus der gesamten Menschheitsfamilie sind, mit deren Hilfe wir unser gemeinsames Streben nach Frieden, Zusammenarbeit und Entwicklung verwirklichen wollen. Wir geloben daher, diese Ziele vorbehaltlos zu unterstützen und sind fest entschlossen, sie zu erreichen.«A57
Zum Abschluss dieser Reihe historischer Zusammenkünfte wandte Kofi Annan sich selbst mit überraschend deutlichen Worten an die versammelten Führer der Welt – mit Worten, in denen für viele Bahá’í die ernsten Mahnungen Bahá’u’lláhs an die inzwischen untergegangenen Könige und Kaiser die den heutigen Führern vorangingen, widerhallten: »Es liegt in Ihrer Macht und ist daher Ihre Verantwortung, die Ziele zu erreichen, die Sie sich gesetzt haben. Nur Sie können bestimmen, ob die Vereinten Nationen sich der Herausforderung gewachsen zeigen.«A58
*
Trotz der historischen Bedeutung der Treffen und der Tatsache, dass die meisten politischen, gesellschaftlichen und religiösen Führer der Welt daran teilnahmen, erregte der Millenniumsgipfel doch in den wenigsten Ländern öffentliches Interesse. Zwar wurde über einige Veranstaltungen ausführlich in den Medien berichtet, doch spürten die meisten Leser oder Hörer die Skepsis, mit der die Journalisten das Thema behandelten, oder den zweifelnden, teils gar zynischen Unterton in vielen solcher Berichte. Dieser krasse Unterschied zwischen einer Veranstaltung, die mit Fug und Recht beanspruchen kann, einen wichtigen Wendepunkt in der Geschichte der Menschheit zu bezeichnen, einerseits, und dem Mangel an Begeisterung oder auch nur Interesse seitens der Bevölkerungen, die eigentlich ihre Nutznießer sein sollten, andererseits, war das vielleicht auffälligste Merkmal der Ereignisse zum Millennium. Dieser Unterschied zeigt deutlich die Tiefe der Krise, die die Welt am Ende des Jahrhunderts durchlebte und noch durchlebt, da die Prozesse des Aufbaus und des Zerfalls, die während der vergangenen hundert Jahre an Schubkraft gewannen, sich jetzt mit jedem neuen Tag zu beschleunigen scheinen.
Wer den visionären Erklärungen der Führer der Welt Glauben schenken will, kämpft gleichzeitig gegen zwei Phänomene an, die solche Zuversicht untergraben. Vom ersten ist hier schon ausführlich gesprochen worden. Die moralischen Grundlagen der Gesellschaft sind zusammengebrochen, und der Großteil der Menschheit irrt ohne Orientierungspunkte in einer Welt umher, die mit jedem Tag bedrohlicher und unberechenbarer wird. Zu behaupten, dass dieser Prozess jetzt bald zu Ende sei, würde nur falsche Hoffnungen wecken. Man kann zwar anerkennen, dass es ernsthafte politische Bemühungen gibt, dass weiterhin beeindruckende wissenschaftliche Fortschritte erzielt werden oder dass sich die wirtschaftlichen Bedingungen für einen Teil der Menschheit tatsächlich bessern – all das jedoch, ohne daraus auch nur die leiseste Hoffnung auf ein sicheres Leben für sich selbst oder, noch viel wichtiger, für das unserer Kinder schöpfen zu können. Enttäuschung, die, wie Shoghi Effendi warnte, die zunehmende Korrumpierung der Politik bei der Masse der Menschheit auslösen würde, ist heute weitverbreitet. Ausbrüche von Gesetzlosigkeit ziehen sich in vielen Staaten wie Seuchen durch Stadt und Land. Das Versagen gesellschaftlicher Kontrolle, der Versuch, selbst die extremsten Formen abnormen Verhaltens als gerechtfertigt zu entschuldigen, und die fast überall verbreitete Verherrlichung von Gewalt in der Kunst und den Medien – diese und ähnliche Symptome eines Zustands, der moralischer Anarchie gleichkommt, zeichnen ein äußerst düsteres Bild unserer Zukunft. Vor diesem desolaten Hintergrund versucht die intellektuelle Mode unserer Zeit aus bitterer Not eine Tugend zu machen und bezeichnet sich selbst und ihre Aufgabe als ›Dekonstruktivismus‹.
Die zweite der beiden Entwicklungen, die den Glauben an die Zukunft untergraben, war Gegenstand einiger der hitzigsten Debatten des Gipfels. Die informationstechnologische Revolution, die die Erfindung des World Wide Web im letzten Jahrzehnt des zwanzigsten Jahrhunderts mit sich brachte, hat viele Lebensbereiche unumkehrbar verändert. Der Prozess der ›Globalisierung‹, der über mehrere Jahrhunderte einer langsam ansteigenden Kurve gefolgt war, wurde nun durch neue Kräfte in einer Weise beschleunigt, die die meisten Menschen sich nicht vorzustellen vermochten. Wirtschaftliche Kräfte, die sich jetzt von den Begrenzungen der Vergangenheit frei machten, brachten im letzten Jahrzehnt ein globales System hervor, in dem Reichtum neu umrissen, geschaffen und verteilt wurde. Wissen selbst wurde schnell wertvoller als sogar Kapital und Rohstoffe. In erstaunlich kurzer Zeit wurden Ländergrenzen, die sowieso schon brüchig geworden waren, durchlässig, so dass heute auf ein Computersignal hin sofort große Geldbeträge hindurchfließen können. Komplexe Produktionsverfahren wurden so restrukturiert, dass die geeignetsten Anbieter weltweit integriert werden können, gleich in welchem Land sie sich befinden. Rein materiell gesehen ist die Erde in gewisser Weise schon jetzt ›ein Land‹, und als Konsumenten sind die Bewohner der verschiedenen Staaten die ›Bürger‹ dieses Landes.
Doch geht der Wandel weit über solch wirtschaftliche Aspekte hinaus. Die Globalisierung nimmt zunehmend politische, soziale und kulturelle Dimensionen an. Die Macht des Nationalstaates, einst Herr und Beschützer der Geschicke der Menschen, ist offensichtlich stark angeschlagen. Zwar spielen die Regierungen der einzelnen Staaten noch immer eine maßgebliche Rolle, doch müssen sie jetzt neu aufstrebenden Machtzentren wie multinationalen Gesellschaften, Einrichtungen der Vereinten Nationen, Nichtstaatlichen Organisationen aller Art und gigantischen Medienkonzentrationen Platz einräumen, deren Zusammenarbeit entscheidend für den Erfolg der meisten Programme mit bedeutenden wirtschaftlichen oder sozialen Zielen ist. So wie der Kapitalfluss oder die Verlagerung von Produktionsstätten kaum noch durch Ländergrenzen behindert wird, können sie auch die Verbreitung von Wissen und Kenntnissen nicht mehr nennenswert kontrollieren. Das Internet – das in Sekunden den Inhalt ganzer Bibliotheken übertragen kann, die zusammenzustellen es Jahrhunderte gebraucht hatte – bereichert das intellektuelle Leben eines jeden, der es zu benutzen weiß, ganz beträchtlich, und bietet außerdem die Möglichkeit gut fundierter Ausbildung in einer breiten Palette von Berufen. Dieses System, das Shoghi Effendi sechzig Jahre zuvor so prophetisch vorausgesehen hatte, schafft unter seinen Nutzern ein Gefühl von Gemeinschaft, das keinen Raum mehr lässt für geographische Entfernungen oder kulturellen Abstand.
Die Vorteile für viele Millionen Menschen sind augenfällig und eindrucksvoll. Kosteneffizienz durch Koordinierung ehemals wettstreitender Geschäftsinteressen macht jetzt Güter und Dienstleistungen Bevölkerungsgruppen zugänglich, die zuvor nicht hoffen konnten, in ihren Genuss zu kommen. Eine gewaltige Zunahme an Mitteln, die für Forschung und Entwicklung zur Verfügung stehen, vervielfältigt ihren Nutzen und steigert ihre Qualität. Dass Geschäftsunternehmen ihre Standorte leicht von einem Teil der Welt in einen anderen verlegen können, bewirkt einen gewissen Ausgleich in der Verteilung von Arbeitsplätzen. Das Niederbrechen der Schranken im transnationalen Handel macht die Güter für den Verbraucher noch erschwinglicher. Aus Bahá’í-Sicht ist leicht vorstellbar, welches Potential diese Veränderungen haben, um den Boden für die in den Schriften Bahá’u’lláhs vorausgesehene Weltgesellschaft zu bereiten.
Allerdings stimmt die Globalisierung nicht überall optimistisch, vielmehr sehen immer mehr Menschen auf der ganzen Welt in ihr die größte Bedrohung für unsere Zukunft. Die Ausschreitungen während der Konferenzen der Welthandelsorganisation, der Weltbank und des Internationalen Währungsfonds in den letzten Jahren zeigen, wie tief Angst und Vorbehalte angesichts der fortschreitenden Globalisierung sitzen. Medienberichte über diese unerwarteten Ausbrüche machten die Öffentlichkeit auf Proteste gegen die grobe Ungerechtigkeit bei der Verteilung von Privilegien und Möglichkeiten aufmerksam, die man durch die Globalisierung nur wachsen sieht, und auf Warnungen, dass die Folgen, wenn man nicht schnellstens wirksame Kontrollen einführt, katastrophal sein werden, sowohl in sozialer und politischer, als auch in ökonomischer und ökologischer Hinsicht.
Solche Bedenken scheinen begründet zu sein. Allein schon wirtschaftliche Statistiken zeigen ein Bild der auf der Welt herrschenden Bedingungen, das zutiefst beunruhigt. Die immer breiter werdende Kluft zwischen dem Fünftel der Weltbevölkerung, das in den Ländern mit dem höchsten Einkommen lebt, und dem Fünftel, das in den Ländern mit dem niedrigsten Einkommen lebt, illustriert das schonungslos. Laut des vom Entwicklungsprogramm der Vereinten Nationen 1999 veröffentlichten Entwicklungsberichtes klaffte die Kluft 1990 im Verhältnis sechzig zu eins auseinander. Das heißt, ein Fünftel der Weltbevölkerung verfügte über sechzig Prozent des Reichtums in der Welt, während ein anderes Fünftel mit nur einem Prozent dieses Reichtums kaum überleben konnte. Bis 1997 hatte sich das Verhältnis im Zuge der schnell voranschreitenden Globalisierung in nur sieben Jahren auf vierundsiebzig zu eins verschärft. Und diese erschreckenden Zahlen berücksichtigen noch nicht die unaufhaltsame Verarmung der meisten der übrigen Milliarden Menschen, die sich auf dem erbarmungslos schmaler werdenden Grat zwischen den beiden Extremen drängen. Das Problem ist noch lange nicht unter Kontrolle, sondern spitzt sich eindeutig zu. Was das für die Zukunft der Menschheit bedeutet – Not und Verzweiflung, die über zwei Drittel der Erdbevölkerung erfassen –, lässt das Desinteresse am Millenniumsgipfel und der dort gefeierten Errungenschaften verstehen, obwohl sie eigentlich unter jedem vernünftigen Gesichtspunkt als historisch anzusehen sind.
Globalisierung an sich ist ein Wesensmerkmal der Evolution der menschlichen Gesellschaft. Sie hat eine sozioökonomische Kultur hervorgebracht, die auf der praktischen Ebene die Welt ist, in der die Menschheit im jetzt beginnenden Jahrhundert ihre Ziele verfolgen wird. Jeder objektive Beobachter mit Urteilsvermögen wird anerkennen, dass beide gegensätzlichen Reaktionen auf diese Tatsache in gewisser Weise gerechtfertigt sind. Die Vereinigung der Menschheit, die im Feuer der Ereignisse des zwanzigsten Jahrhunderts geschmiedet wurde, ist eine Wirklichkeit, die mit jedem neuen Tag atemberaubende Möglichkeiten eröffnet. Und noch einer weiteren Wirklichkeit kann der ernsthafte Denker sich nicht verschließen: Die Gerechtigkeit ist das einzige Werkzeug, das diese großartigen Möglichkeiten für den Fortschritt der Zivilisation nutzbar machen kann. Man muss kein Prophet sein um zu erkennen, dass das Schicksal der Menschheit im jetzt beginnenden Jahrhundert bestimmt wird durch das Verhältnis, das zwischen diesen beiden dem historischen Prozess zugrundeliegenden Kräften begründet wird: Einheit und Gerechtigkeit als untrennbare Prinzipien.
*
Aus der Sicht der Lehren Bahá’u’lláhs ist die größte Gefahr, die die Wertekrise einerseits und die mit der Globalisierung in ihrer heutigen Form einhergehende Ungerechtigkeit andererseits mit sich bringt, dass sich eine philosophische Haltung festsetzt, die diese Missstände zu rechtfertigen und zu entschuldigen sucht. Der Sturz der totalitären Systeme des zwanzigsten Jahrhunderts bedeutet nicht das Ende jeglicher Ideologie. Im Gegenteil. Nie gab es in der Welt eine Gesellschaft – wie pragmatisch, experimentierfreudig und vielgestaltig auch immer –, die ihren Antrieb nicht aus einer ihr zugrunde liegenden Interpretation der Wirklichkeit gewonnen hätte. Ein solches Denksystem regiert heute praktisch unangefochten auf dem ganzen Planeten unter der Bezeichnung ›westliche Zivilisation‹. Philosophisch und politisch präsentiert es sich als eine Art liberaler Relativismus, wirtschaftlich und sozial als Kapitalismus – zwei Wertesysteme, die sich inzwischen so aufeinander abgestimmt haben und sich gegenseitig so verstärken, dass sie im Grunde zu einer einzigen umfassenden Weltanschauung geworden sind.
Mag man auch Vorteile der westlichen Zivilisation – die persönliche Freiheit, den gesellschaftlichen Wohlstand und den wissenschaftlichen Fortschritt, die eine beachtliche Minderheit der Weltbevölkerung genießt – anerkennen, so muss doch ein denkender Mensch einsehen, dass das System moralisch und intellektuell am Ende ist. Was es konnte, hat es zum Fortschritt der Zivilisation beigetragen, wie auch seine Vorläufer, und wie diese ist es nun ebenfalls machtlos, den Bedürfnissen einer Welt gerecht zu werden, welche die Visionäre des achtzehnten Jahrhunderts sich niemals hätten ausmalen können, wenn sie sich auch von den meisten ihrer einzelnen Merkmale eine Vorstellung machten. Shoghi Effendi hatte nicht nur Monarchien von Gottes Gnaden, etablierte Kirchen oder totalitäre Systeme im Sinn, als er bohrend fragte: »Warum sollten sie in einer Welt, die dem unabänderlichen Gesetz des Wandels und des Verfalls unterliegt, von der Entartung verschont bleiben, die alle menschlichen Einrichtungen zwangsläufig ereilt?«Q118
Bahá’u’lláh hält die, die an Ihn glauben, an, »mit eigenen Augen [zu] sehen, nicht mit denen anderer, und durch die eigene Erkenntnis Wissen [zu] erlangen, nicht durch die deines Nächsten«Q119. Was sich den Bahá’í unseligerweise in der heutigen Gesellschaft zeigt, ist die zügellose Ausbeutung der Massen der Menschheit aus einer Gier heraus, die sich mit dem Wirken ›anonymer Kräfte des Marktes‹ entschuldigt. Überall sehen sie, dass die für die Zukunft der Menschheit so lebenswichtigen moralischen Grundlagen zerstört sind durch maßlose Hemmungslosigkeit unter dem Deckmantel der ›Redefreiheit‹. Täglich müssen sie gegen den Druck eines dogmatischen Materialismus ankämpfen, der beansprucht, die Stimme der ›Wissenschaft‹ zu sein, und aus dem intellektuellen Leben systematisch alle Impulse auszuschließen sucht, die von der geistigen Ebene des menschlichen Bewusstseins kommen.
Für einen Bahá’í aber sind die wirklich wichtigen Fragen des Lebens die geistigen. Die Sache Gottes ist keine politische Partei oder Ideologie, und noch viel weniger ein Werkzeug politischer Agitation gegen das eine oder andere gesellschaftliche Übel. Der Wandlungsprozess, den die Sache Gottes in Gang gesetzt hat, kommt durch einen grundlegenden Bewusstseinswandel voran, und die Herausforderung, vor die sie jeden ihrer Diener stellt, ist, sich loszulösen von der Bindung an überkommene Ansichten und Wunschvorstellungen, die mit dem Willen Gottes für das Reifealter der Menschheit unvereinbar sind. Gerade die Verzweiflung angesichts von Zuständen, die das Gewissen verletzen, kann im Prozess der geistigen Befreiung hilfreich sein. Letztlich wird diese Desillusionierung einen Bahá’í zur Erkenntnis jener Wahrheit bringen, die in den Schriften des Glaubens immer wieder hervorgehoben wird:
»Er hat auf der ganzen Welt die Herzen Seiner Diener auserwählt und jedes zu einem Thron für die Offenbarung Seiner Herrlichkeit gemacht. So heiligt sie denn von jeder Befleckung, damit ihnen das eingeprägt werde, wofür sie erschaffen wurden.« Q120

12

Der erste Satz des Johannesevangeliums: »Im Anfang war das Wort … « – fasziniert seit zweitausend Jahren seine Leser. Weiter spricht die Passage bestechend klar und einfach eine geistige Wahrheit aus, die in allen Offenbarungsreligionen von zentraler Bedeutung ist und sich bei allen in der Geschichte aufeinander folgenden Kulturen immer wieder bestätigt hat: »Er war in der Welt, und die Welt ist durch ihn gemacht … «Q121 Die verheißene Manifestation Gottes erscheint; um dieses Zentrum des geistigen Lebens und der Autorität entwickelt sich eine Gemeinde von Gläubigen; ein neues Wertesystem richtet Bewusstsein und Verhalten neu aus; Künste und Wissenschaften zeigen sich empfänglich; Gesetze und die gesellschaftliche Ordnung werden neu strukturiert. Langsam aber unaufhaltsam blüht eine neue Kultur auf, die so sehr die Ideale von Millionen von Menschen verkörpert und ihre Fähigkeiten einbindet, dass sie wirklich eine neue Welt darstellt – eine Welt, die für jene, die in ihr »leben … bewegt [werden] und … ihr Sein [haben]«Q122 weit wirklicher ist als die irdischen Grundlagen, auf denen sie ruht. Während der folgenden Jahrhunderte hängen Zusammenhalt und Selbstvertrauen der Gesellschaft weiter von jenem geistigen Impuls ab, der ihr Leben gab.
Mit dem Erscheinen Bahá’u’lláhs vollzieht sich dieses Phänomen von neuem – dieses Mal in einer Dimension, die alle Erdenbewohner umfasst. Die Ereignisse des zwanzigsten Jahrhunderts können als erste Stufen jener umfassenden Transformation der Gesellschaft angesehen werden, die durch eine Offenbarung in Gang gesetzt wurde, von der Bahá’u’lláh schreibt:
»Ich bezeuge: Kaum war das Erste Wort kraft Deines Willens und Deines Ratschlusses von Seinem Munde ausgegangen … da war die ganze Schöpfung umgewälzt; alle in den Himmeln und alle auf Erden wurden bis tief ins Herz aufgewühlt. Jenes Wort erschütterte die Wirklichkeit alles Erschaffenen; es schied, trennte, verstreute, verknüpfte und vereinte sie wieder, um in der Welt des Zufalls wie im himmlischen Reich Wesen einer neuen Schöpfung ans Licht zu bringen und in den Reichen des Unsichtbaren die Zeichen Deiner Einheit und Einzigkeit zu offenbaren.« Q123
Shoghi Effendi beschreibt diesen Prozess der Einigung der Welt als den »Größeren Plan« Gottes, der sich weiter entfalten und an Stärke und Schubkraft zunehmen wird, bis die Menschheit in einer globalen Gesellschaft vereint ist, die den Krieg geächtet und die Verantwortung für ihr gemeinsames Schicksal übernommen hat. Die Kämpfe des zwanzigsten Jahrhunderts haben den für die göttliche Absicht notwendigen grundlegenden Richtungswandel bewirkt. Dieser Richtungswandel ist unumkehrbar. Es gibt keinen Weg zurück zum früheren Stand der Dinge, so sehr einige von Zeit zu Zeit auch versucht sein mögen, einen solchen zu suchen.
Die Bedeutung dieses historischen Durchbruchs wird keineswegs dadurch geschmälert, dass der Prozess gerade erst begonnen hat. Zu gegebener Zeit, so erklärte Shoghi Effendi, muss er zur Vergeistigung des menschlichen Bewusstseins führen und zur Entstehung einer Weltkultur, die den Willen Gottes verkörpert. Allein schon, indem man das Ziel nennt, räumt man ein, dass der Weg, den die Menschheit bis dorthin noch zurücklegen muss, weit ist. Der Wandel im Denken sowie die politischen und sozialen Veränderungen der letzten hundert Jahre wurden gegen den erbitterten Widerstand aller Gesellschaftsgruppen, Herrscher und Beherrschte gleichermaßen, erreicht. Im Grunde waren unermessliche Leiden der dafür zu zahlende Preis. Man muss davon ausgehen, dass die kommenden Herausforderungen einen noch höheren Preis von einer Menschheit fordern, die sich mit aller Macht gegen den geistigen Gehalt der Erfahrung, die sie durchlebt, verschließt. Shoghi Effendis Worte über die Folgen solcher Verstocktheit von Herz und Verstand lesen sich ernüchternd:
»Unvorstellbar schreckliche Not, ungeahnte Krisen und Aufstände, Krieg, Hunger und Pestilenz mögen sich wohl vereinen, um in die Seele eines achtlosen Geschlechts jene Wahrheiten und Grundsätze einzugraben, die anzuerkennen und zu befolgen es verschmäht hat.« Q124
*
Kaum ein Drittel des zwanzigsten Jahrhunderts war verstrichen, als der Hüter die Anhänger Bahá’u’lláhs zu einem Verständnis der Sache Gottes aufrief, das über alles hinausging, was sie sich bisher vorgestellt hatten. Der Glaube hatte einen Punkt erreicht, so sagte er, an dem er »aufgehört [hat], sich als eine Bewegung zu verstehen, als eine Bruderschaft oder dergleichen«, Bezeichnungen, die vielleicht angemessen waren, als die Botschaft erstmals im Westen verkündet wurde, die nun aber »seinem stetig sich entfaltenden System grobes Unrecht getan haben«Q125. Sogar den Begriff ›Religion‹ im üblichen Sinn wies der Hüter als unzutreffend zurück, und erklärte:
»Vielmehr beweist der Glaube Bahá’u’lláhs nunmehr mit sichtbarem Erfolg seinen Anspruch und sein Anrecht auf Anerkennung als eine Weltreligion, dazu bestimmt, in der Fülle der Zeit die Stellung eines weltumfassenden Gemeinwesens einzunehmen, das gleichzeitig Werkzeug und Hüter des von seinem Begründer angekündigten Größten Friedens ist.« Q126
Im Laufe des Jahrhunderts setzte dieselbe schöpferische Macht, welche einem Großteil der Menschheit ihre Einheit bewusst machte, allmählich auch die der Sache Gottes innewohnenden Kräfte frei und eröffnete ihr eine neue Rolle im Leben der Menschen. Während der ersten beiden Jahrzehnte des Jahrhunderts wurden unter der liebevollen Obhut des Meisters die geistigen und administrativen Grundlagen gelegt, die notwendig waren, um Bahá’u’lláhs Absicht zu verwirklichen. Auf diesem Fundament aufbauend vervollkommnete Shoghi Effendi während der sechsunddreißig Jahre seiner eigenen Amtszeit – und den anschießenden sechs Jahren, in denen sein Zehnjahresplan die Bemühungen der Gemeinde lenkte – den administrativen Apparat, der erforderlich war, um den Göttlichen Plan voranzubringen. Als das Universale Haus der Gerechtigkeit im Jahre 1963 errichtet worden war, brachen die Bahá’í in der ganzen Welt zur ersten Etappe einer langwierigen Mission auf: die geistige Stärkung aller Menschen auf Erden als Protagonisten ihres eigenen Fortschritts. Am Ende des Jahrhunderts hatte diese gewaltige Anstrengung eine Gemeinde hervorgebracht, die die Vielfalt der Menschheit repräsentiert, die geeint ist in Glauben und Treue, und die dem Aufbau einer Weltgesellschaft verpflichtet ist, welche die geistige und sittliche Vision ihres Stifters auf Erden widerspiegeln wird.
Dieser Prozess wurde unermesslich gestärkt, als 1992 die langersehnte, ausführlich kommentierte erste englischsprachige Ausgabe des Kitáb-i-Aqdas erschien, eine Quelle göttlicher Führung für das Reifealter der Menschheit. Die zügig vorgenommenen Übersetzungen ermöglichten den Anhängern des Glaubens auf der ganzen Welt schon bald den Zugang zu einem Buch, das von seinem Autor beschrieben wird als »der Morgen göttlichen Wissens, so ihr zu denen gehört, die verstehen, und der Dämmerort der Befehle Gottes, so ihr zu denen gehört, die begreifen«Q127. Außer der Erkenntnis der Manifestation Gottes durch die Seele flößt nichts dem menschlichen Bewusstsein – des Einzelnen wie der Gemeinschaft – solche Zuversicht und Lebenskraft ein wie die Macht moralischer Gewissheit. Im Kitáb-i-Aqdas werden Gesetze, die wesentlich für das persönliche wie für das gemeinschaftliche Leben sind, neu formuliert im Kontext einer Gesellschaft, welche die Menschheit in ihrer ganzen Vielfalt umfasst. Neue Gesetze und Begriffe wenden sich an die neuen Bedürfnisse einer Menschheit, die dabei ist, in ihr gemeinsames Reifealter einzutreten. »O Völker der Erde!«, so der Aufruf Bahá’u’lláhs, »Gebt auf, was ihr besitzet, und erhebt euch auf den Schwingen der Loslösung über alles Erschaffene. So gebietet euch der Herr der Schöpfung, der durch die Bewegung Seiner Feder der Menschheit Seele verwandelt.«Q128
Dass der Glaube all den Angriffen, denen er ausgesetzt war, erfolgreich standhielt, ist ein Aspekt, der jedem, der die Entwicklung des Glaubens während der letzten hundert Jahre beobachtet, besonders auffallen muss. Wie schon zur Wirkungszeit des Báb und Bahá’u’lláhs gab es immer wieder Gesellschaftsgruppen, denen entweder der Aufstieg der neuen Religion missfiel oder denen die Prinzipien, die sie lehrt, Angst machten, und die alles in ihrer Macht Stehende versuchten, um sie zu vernichten. Kaum ein Jahrzehnt im zwanzigsten Jahrhundert, das nicht derartige Versuche erlebt hätte – von den blutigen Verfolgungen durch die schiitische Geistlichkeit und den schamlosen Lügen, die ihr christliches Pendant ausbrütete und verbreitete, über systematische Unterdrückung durch verschiedene totalitäre Regierungen, bis hin zu den Unaufrichtigen, Ehrgeizigen oder Böswilligen unter den erklärten Anhängern des Glaubens, die ihre Treuepflicht gegenüber Bahá’u’lláh brachen. Nach menschlichem Ermessen hätte die Sache Gottes so mächtigem Widerstand, der in der jüngeren Geschichte ohnegleichen ist, erliegen müssen. Sie erlag ihm aber keineswegs, sondern blühte auf. Ihr Ansehen wuchs, die Zahl ihrer Anhänger vervielfachte sich, ihr Einfluss überstieg die kühnsten Träume früherer Bahá’í-Generationen. Verfolgungen trieben die Gläubigen nur weiter an in ihren Bemühungen. Verleumdungen bewirkten, dass sie ein reiferes Verständnis der Geschichte des Glaubens und seiner Lehren zu erlangen suchten. Und Bundesbruch entfernte – wie der Meister und der Hüter es verheißen hatten – aus den Reihen der Gläubigen nur solche, deren Verhalten und Ansichten den Glauben anderer geschwächt und den Fortschritt behindert hatten. Könnte die Sache Gottes auch keinen anderen Beweis für die sie erhaltenden Kräfte erbringen, wäre allein diese Kette von Siegen Beweis genug.
*
Drei Jahre vor seinem Hinscheiden nahm Shoghi Effendi den Erwerb des letzten Grundstücks, das zur Errichtung des Internationalen Archivgebäudes benötigt wurde, zum Anlass, der Bahá’í-Welt Wesen und Bedeutung des Bauprojektes am Hang des Karmel zu erklären, welches der Meister begonnen hatte und er selbst nun weiterführte:
»Diese Bauwerke werden in einem weithin geschwungenen Bogen und in einem harmonischen architektonischen Stil die Ruheplätze des Größten Heiligen Blattes … ihres Bruders … und beider Mütter … umgeben. Die schließliche Vollendung dieses gewaltigen Unternehmens wird den Gipfel der Entwicklung einer weltweiten göttlich eingesetzten Gemeindeordnung kennzeichnen, deren Beginn sich bis in die letzten Jahre des Heroischen Zeitalters des Glaubens zurückverfolgen lässt.« Q129
Im letzten Jahr des zwanzigsten Jahrhunderts wurde der gegenwärtige Abschnitt dieses ambitionierten Unternehmens erfolgreich abgeschlossen. Gläubige in der ganzen Welt trugen freigebig mit ihren Spenden dazu bei, die Vision Bahá’u’lláhs für diesen heiligen Ort zu verwirklichen, die Er in Seiner Tafel vom Karmel verkündet: »Frohlocke, denn Gott hat an diesem Tage Seinen Thron auf dir errichtet, hat dich zum Aufgangsort Seiner Zeichen und zum Tagesanbruch der Beweise Seiner Offenbarung gemacht.«Q130 In dem Komplex majestätischer Gebäude, die sich entlang des Bogens erheben, und den Terrassengärten, die sich vom Fuße des Berges bis zu seinem Gipfel hinaufziehen, tritt die Sache Gottes, deren weltweiter Einfluss sich während des Jahrhunderts des Lichts immer weiter verbreitete, sichtbar, unleugbar in Erscheinung. Für aufgeschlossene Beobachter beginnt sich mit den Besucherscharen aus aller Herren Länder, die tagtäglich die Treppen und Wege entlangströmen, wie auch mit den zahlreichen Ehrengästen, die in den Empfangsräumen des Weltzentrums begrüßt werden, die zweitausenddreihundert Jahre alte Vision des Propheten Jesaja zu erfüllen: »Es wird zur letzten Zeit der Berg, da des Herrn Haus ist, fest stehen, höher als alle Berge und über alle Hügel erhaben, und alle Heiden werden herzulaufen, und viele Völker werden hingehen … «Q131.
Der Bahá’í-Glaube zeichnet sich vor allem dadurch aus, dass er eindeutig ein organisches Ganzes ist. Dieses Wesensmerkmal verkörpert das Prinzip der Einheit, das Kernstück der Offenbarung Bahá’u’lláhs, und kennzeichnet den Geist, der den Glauben erfüllt und ihn belebt. Als einziger Religion in der Geschichte ist es diesem Glauben gelungen, dem ständigen Pesthauch von Schisma und Spaltung standzuhalten, trotz wiederholter Angriffe auf diese Einheit. Der Erfolg der Gemeinde beim Lehren wird dadurch gewährleistet, dass das dabei eingesetzte Rüstzeug durch die Offenbarung selbst geschaffen wurde, dass die Stifter des Glaubens die Methoden für die Umsetzung des Göttlichen Planes selbst benannt haben, und dieses Unternehmen anfangs bis ins Detail selbst leiteten. Durch die Bemühungen ‘Abdu’l-Bahás und des Hüters wurde der Berg Karmel im zwanzigsten Jahrhundert selbst Ausdruck dieser Wesenseinheit des Glaubens. Im Gegensatz zu anderen Weltreligionen sind das geistige und das administrative Zentrum der Sache Gottes an diesem Punkt der Erde untrennbar miteinander verbunden, seine leitenden Institutionen sind um den Schrein des Märtyrerpropheten angeordnet. Für viele Besucher zeugt selbst die Harmonie der verschiedenartigen Blumen, Bäume und Büsche in den Gärten, die den Schrein umgeben, von dem Ideal der Einheit in der Vielfalt, das sie in den Lehren des Glaubens so anziehend finden.
Nichts könnte das Ende dieses Jahrhunderts voller Errungenschaften deutlicher kennzeichnen als ein Ereignis, das die Gläubigen in der ganzen Welt in tiefe Trauer stürzte. In einer Botschaft vom 19. Januar 2000 gab das Universale Haus der Gerechtigkeit bekannt:
»In den frühen Morgenstunden des heutigen Tages wurde die Seele von Amatu’l-Bahá Rúḥíyyih Khánum – Shoghi Effendis geliebter Gefährtin und letztes Bindeglied der Bahá’í-Welt zur Familie ‘Abdu’l-Bahás – aus der Enge dieses irdischen Daseins befreit … Zwanzig Jahre inniger Verbindung mit Shoghi Effendi ließen seine Feder sie mit Worten ehren wie ›meine Gefährtin‹, ›mein Schutz und Schirm‹, ›meine unermüdliche Mitarbeiterin bei den schwierigen Aufgaben, die auf mir lasten‹.«
Als der erste Schock und die tiefe Trauer langsam nachließen, wurden die Freunde empfänglich für eine weitere der unerschöpflichen Gnadengaben Bahá’u’lláhs. Einer Persönlichkeit, deren langes Leben fast das ganze Jahrhundert währte, und deren unbezwingbarer Geist den Bahá’í während der zweiten Hälfte des Jahrhunderts die Kraft zu Opfern und Anstrengungen gab, war es gegeben gewesen, die großartigen Siege zu erleben und mitzufeiern, zu denen sie so großartig beigetragen hatte.
*
Als Bahá’u’lláh diejenigen, die Ihn erkannt haben, aufruft, die Botschaft vom Tage Gottes mit anderen zu teilen, bedient Er sich wiederum der Sprache der Schöpfung selbst: »Durch den Atem des Wortes Gottes müssen himmlische Seelen die toten Körper mit frischem Geist beleben.«Q132 Dieses Prinzip gilt, so erklärt ‘Abdu’l-Bahá, sowohl für das kollektive Leben der Menschheit insgesamt als auch für das Leben des Einzelnen: »Die materielle Zivilisation ist wie der Leib. Sei er auch noch so anmutig, elegant und schön, so ist er dennoch tot. Die göttliche Kultur ist wie der Geist; der Leib erhält sein Leben durch den Geist … «Q133
Diese bestechende Analogie bringt die Beziehung zwischen den beiden historischen Entwicklungen, die der Wille Gottes im Jahrhundert des Lichts auf zwei demselben Ziel zustrebenden Bahnen vorantrieb, klar zum Ausdruck. Wer nicht blind gegenüber der in der Menschheit angelegten intellektuellen und sozialen Kraft ist, und wer ihre schlimmen Nöte erkennt, der muss mit großer Genugtuung die Fortschritte zur Kenntnis nehmen, die die Gesellschaft in den letzten hundert Jahren gemacht hat, und ganz besonders jene Entwicklungen, die die Völker und Nationen der Welt miteinander verknüpft haben. Wie viel mehr noch wissen die Bahá’í diese Leistungen zu schätzen, erkennen sie doch in ihnen die Absicht Gottes. Dieser Körper jedoch – die materielle Zivilisation der Menschheit – sehnt sich, schreit mit jedem Tag verzweifelter nach seiner Seele. Wie jede ältere große Zivilisation kann auch sie weder Frieden noch Gerechtigkeit finden, noch eine Einheit, die nicht nur auf Verhandlungen und Kompromissen beruht, ehe sie beseelt ist und ihre geistigen Kräfte geweckt sind. An die »gewählten Vertreter des Volkes in allen Ländern« schrieb Bahá’u’lláh:
»Die wirksamste Arznei, das mächtigste Mittel, das der Herr für die Heilung der Welt verfügt hat, ist die Vereinigung aller Völker in einer allumfassenden Sache, in einem gemeinsamen Glauben.« Q134
Die Sache Gottes hat daher im Wesentlichen nicht die Aufgabe, zu unterstützen, zu ermutigen, ja nicht einmal Beispiel zu sein. Natürlich wird die Bahá’í-Gemeinde weiterhin auf jede mögliche Weise Bemühungen unterstützen, die der Einigung der Welt und der Verbesserung der gesellschaftlichen Zustände dienen, doch derartige Beiträge sind für ihr Ziel nur zweitrangig. Ihr Ziel ist es, den Menschen der ganzen Welt dabei zu helfen, Herz und Verstand jener einen Kraft zu öffnen, die ihre tiefsten Sehnsüchte stillen kann. Niemand außer jenen, die selbst die Offenbarung Gottes erkannt haben, kann diese Hilfe leisten. Niemand kann glaubhaft bezeugen, dass tatsächlich eine Welt des Friedens und der Gerechtigkeit kommen wird, außer jenen, die, wenn auch unzulänglich, die Worte verstehen, mit denen die Stimme Gottes Bahá’u’lláh aufruft, sich zu erheben und Seine Mission zu erfüllen:
»Kannst du, o Feder, an diesem Tage einen anderen außer Mir entdecken? Was ist aus der Schöpfung und ihren Offenbarungen geworden? Was aus den Namen und ihrem Reich? Wohin ist alles Erschaffene – Sichtbares oder Unsichtbares – entschwunden? Was ist mit den verborgenen Geheimnissen des Alls und seinen Offenbarungen geschehen? Siehe, die ganze Schöpfung ist vergangen! Nichts ist geblieben außer Meinem Antlitz, dem Ewigbleibenden, dem Strahlenden, dem Allherrlichen.
Dies ist der Tag, an dem nichts außer dem Glanz des Lichtes wahrgenommen werden kann, das vom Angesicht Deines Herrn ausstrahlt, des Gnädigen, des Gütigen. Wahrlich, Wir haben kraft Unserer unwiderstehlichen, allunterwerfenden Herrschaft jede Seele verhauchen lassen. Dann haben Wir eine neue Schöpfung ins Leben gerufen als Zeichen Unserer Gnade für die Menschen. Ich bin wahrlich der Allgütige, der Altehrwürdige der Tage.« Q135

Literatur

Primärquellen

Bahá’u’lláh
Ährenlese, Eine Auswahl aus den Schriften Bahá’u’lláhs, zusammengestellt und ins Englische übertragen von Shoghi Effendi, Hofheim 1999
Botschaften aus ‘Akká, Hofheim 1982
Gebete und Meditationen, Hofheim1992
Der Kitáb-i-Aqdas, Das Heiligste Buch, Hofheim 2000
Der Kitáb-i-Íqán, Das Buch der Gewissheit, Hofheim 2000
Verborgene Worte – Worte der Weisheit, Hofheim 2001
Der Báb
Eine Auswahl aus Seinen Schriften, Hofheim 1991
‘Abdu’l-Bahá
‘Abdu’l-Bahá in Canada, o. O. 1962
‘Abdu’l-Bahá in London, London 1982
Ansprachen in Paris, Hofheim 2000
Briefe und Botschaften, Hofheim 1998
Foundations of World Unity, Wilmette 1979
Das Geheimnis göttlicher Kultur, Oberkalbach 1973
Makátíb-i-‘Abdu’l-Bahá (Briefe ‘Abdu’l-Bahás), Bd. 4, Teheran 1965
The Promulgation of Universal Peace, Talks Delivered by ‘Abdu’l-Bahá during His Visit to the United States and Canada in 1912, Wilmette 1982
Sendschreiben zum göttlichen Plan, Hofheim 1989
Der Weltfriedensvertrag. Ein Brief an die Zentralorganisation für einen dauernden Frieden, Hofheim 1988
Shoghi Effendi
Bahá’í Administration, Wilmette 1998
Citadel of Faith, Wilmette 1995
Gott geht vorüber, Hofheim 2001
Hüterbotschaften an die Bahá’í-Welt, (1952–1957), Frankfurt 1962
Das Kommen göttlicher Gerechtigkeit, Frankfurt 1969
Messages to America, Wilmette 1947
Messages to Canada, Thornhill 1999
Messages to the Bahá’í-World, 1950–1957, Wilmette 1995
Der verheißene Tag ist gekommen, Frankfurt 1967
Die Weltordnung Bahá’u’lláhs, Hofheim 1977
Das Universale Haus der Gerechtigkeit
Botschaften des Universalen Hauses der Gerechtigkeit, 1963–1968, Bd. 1, Hofheim 1981
Botschaften 1963–1996, in: Bahá’í-Literatur, CDROM-Publikation, Hofheim 1998
Die Verheißung des Weltfriedens. Eine Botschaft des Universalen Hauses der Gerechtigkeit an die Völker der Welt, Hofheim 1985

Kompilationen

Dokumente des Bündnisses. Bahá’u’lláh: Kitáb-i-‘Ahd, Das Buch des Bundes – ‘Abdu’l-Bahá: Das Testament, Hofheim 1989
The Establishment of the Universal House of Justice, compiled by the Research Department of the Universal House of Justice, Oakham 1984
Frauen, Aus den Bahá’í-Schriften zusammengestellt von der Forschungsabteilung des Universalen Hauses der Gerechtigkeit, Hofheim 1986
Frieden, Eine Textzusammenstellung der Forschungsabteilung des Universalen Hauses der Gerechtigkeit, Hofheim 1986
Der Gottesbund, Hofheim 1997
Bahá’í World Faith, Wilmette 1976

Sonstige Literatur

H. M. Balyuzi, ‘Abdu’l-Bahá – Der Mittelpunkt des Bündnisses Bahá’u’lláhs, 2 Bde., Hofheim 1983/84
The Bahá’í Centenary, 1844 - 1944, compiled by the National Spiritual Assembly of the Bahá’ís of the United States and Canada, Wilmette 1944
The Diary of Juliet Thompson, Los Angeles 1983
Esslemont, John E., Bahá’u’lláh und das neue Zeitalter, Hofheim 1976
Hobsbawm, Eric, Age of Extremes: The Short Twentieth Century, 1914–1991, London 1995
Holley, Horace, Religion for Mankind, London 1956
Momen, Moojan (Hg.), The Bábí and Bahá’í Religions, 1844 - 1944: Some Contemporary Western Accounts, Oxford 1981
Nabíl-i-A‘ẓam, Nabíls Bericht. Aus den frühen Tagen der Bahá’í-Offenbarung, 3 Bde., Hofheim 1975, 1982, 1991
Rabbání, Rúḥíyyih, Ministry of the Custodians, Haifa 1997
–, Die unschätzbare Perle, Hofheim 1982
The Bahá’í World, Bd. 3, New York 1930; Bd. 4, New York 1933; Bd. 10, Wilmette 1949; Bd. 14, Haifa 1975; Bd. 15, Haifa 1976; Bd. 20, Haifa 1998

Quellenangaben

Q1 In: Shoghi Effendi, Das Kommen göttlicher Gerechtigkeit, S. 127f.
Q2 Der verheißene Tag ist gekommen, S. 21
Q3 Briefe und Botschaften 15:6; The Promulgation of Universal Peace, S. 65, 74, 322, 334
Q4 Briefe und Botschaften 15:6
Q5 Das Geheimnis göttlicher Kultur, S. 13f.
Q6 Makátíb-i-‘Abdu’l-Bahá, Bd. 4, S. 132ff. (vorläufige Übersetzung)
Q7 a. a. O.
Q8 Makátíb-i-‘Abdu’l-Bahá, Bd. 4, S. 132ff.
Q9 Vgl. Shoghi Effendi, Gott geht vorüber 4:17
Q10 Vgl. Shoghi Effendi, Gott geht vorüber 4:17
Q11 Vgl. Shoghi Effendi, Gott geht vorüber 4:17
Q12 Shoghi Effendi, Citadel of Faith, S. 95
Q13 Gott geht vorüber 18:10
Q14 Briefe und Botschaften 200:1
Q15 a. a. O., 200:3
Q16 Gott geht vorüber 16:16
Q17 Gott geht vorüber 16:13
Q18 Gott geht vorüber 16:16
Q19 Gott geht vorüber 19:5
Q20 ‘Abdu’l-Bahá in London, S. 19f.
Q21 Gott geht vorüber 19:7
Q22 ‘Abdu’l-Bahá, The Promulgation of Universal Peace, S. 121 (aus dem Persischen übersetzt)
Q23 ‘Abdu’l-Bahá, Briefe und Botschaften 64:1
Q24 ‘Abdu’l-Bahá, Briefe und Botschaften 7:2
Q25 In: Der Gottesbund 17
Q26 In: Juliet Thompson, The Diary of Juliet Thompson, S. 313
Q27 Gott geht vorüber 15:3
Q28 Bahá’í World Faith, S. 429
Q29 Die Weltordnung Bahá’u’lláhs, S. 131
Q30 ‘Abdu’l-Bahá in Canada, S. 51
Q31 Ansprachen in Paris 21:6 (S. 51)
Q32 Ährenlese 125:1
Q33 The Promulgation of Universal Peace, S. 305
Q34 Citadel of Faith, S. 32
Q35 a. a. O., S. 32f.
Q36 In: Shoghi Effendi, Die Weltordnung Bahá’u’lláhs, S. 50f.
Q37 ‘Abdu’l-Bahá, Sendschreiben zum göttlichen Plan 7:4-5
Q38 Citadel of Faith, S. 7
Q39 Eine Auswahl aus Seinen Schriften 2:24:1-2
Q40 Kitáb-i-Aqdas 88
Q41 Botschaften aus ‘Akká 2:15
Q42 The Bahá’í World, Bd. 15, S. 132
Q43 Vgl. Shoghi Effendi, Die Weltordnung Bahá’u’lláhs, S. 195
Q44 a. a. O.
Q45 Das Testament. In: Dokumente des Bündnisses I:17
Q46 Gott geht vorüber 22:7
Q47 In: Shoghi Effendi, Bahá’í Administration, S. 15
Q48 Bahá’í Administration, S. 187f., 194
Q49 In: Shoghi Effendi, Die Weltordnung Bahá’u’lláhs, S. 60
Q50 Die Weltordnung Bahá’u’lláhs, S. 70
Q51 Die Weltordnung Bahá’u’lláhs, S. 295
Q52 Die Weltordnung Bahá’u’lláhs, S. 297f.
Q53 a. a. O., S. 213
Q54 a. a. O., S. 297
Q55 Das Kommen göttlicher Gerechtigkeit, S. 141
Q56 Das Kommen göttlicher Gerechtigkeit, S. 33
Q57 a. a. O., S. 134
Q58 In: Nabíls Bericht, Bd. 1, S. 125ff.
Q59 Bahá’í Administration, S. 52
Q60 Briefe und Botschaften 38:5
Q61 Shoghi Effendi, Die Weltordnung Bahá’u’lláhs, S. 16
Q62 a. a. O., S. 37
Q63 Ährenlese 25
Q64 Die Weltordnung Bahá’u’lláhs, S. 38, 44
Q65 a. a. O., S. 206f.
Q66 Shoghi Effendi, Gott geht vorüber 1:1, 21:1
Q67 a. a. O., V:7, 22:3
Q68 a. a. O., V:9; Die Weltordnung Bahá’u’lláhs, S. 225
Q69 Die Weltordnung Bahá’u’lláhs, S. 283
Q70 Messages to Canada, S. 114
Q71 Ährenlese 99
Q72 Kitáb-i-Íqán 29
Q73 Der verheißene Tag ist gekommen, S. 172
Q74 Ährenlese 27:2, 3
Q75 a. a. O. 17:3, 4
Q76 ‘Abdu’l-Bahá, in: Frauen 100 (S. 78)
Q77 Messages to America, S. 28
Q78 Messages to America, S. 9f., 14, 22
Q79 a. a. O., S. 28
Q80 Shoghi Effendi, Messages to America, S. 53
Q81 In: Frieden, S. 36
Q82 The Promulgation of Universal Peace, S. 377
Q83 ‘Abdu’l-Bahá, Foundations of World Unity, S. 21
Q84 Messages to the Bahá’í World, S. 41; vgl. Hüterbotschaften an die Bahá’í-Welt, S. 1f.
Q85 Messages to the Bahá’í-World, S. 38f.
Q86 Dokumente des Bündnisses - Testament II:21
Q87 In: Bahá’u’lláh, Kitáb-i-Aqdas, E 183
Q88 Botschaften aus ‘Akká 6:29
Q89 ‘Abdu’l-Bahá, in: Dokumente des Bündnisses - Testament II:8
Q90 Die Weltordnung Bahá’u’lláhs, S. 213
Q91 a. a. O., S. 215
Q92 ‘Abdu’l-Bahá, Das Testament. In: Dokumente des Bündnisses II:9
Q93 Botschaften des Universalen Hauses der Gerechtigkeit, Bd. 1, S. 12
Q94 Botschaften aus ‘Akká 6:32
Q95 Das Geheimnis göttlicher Kultur, S. 87f.
Q96 Daniel 12, 12
Q97 ‘Abdu’l-Bahá, zitiert in: Esslemont, Bahá’u’lláh und das neue Zeitalter, S. 281
Q98 Das Testament. In: Dokumente des Bündnisses I:17
Q99 Die Weltordnung Bahá’u’lláhs, S. 22
Q100 Kitáb-i-Aqdas 83
Q101 Ährenlese 132:3
Q102 Die Weltordnung Bahá’u’lláhs, S. 69
Q103 a. a. O., S. 283
Q104 a. a. O., S. 44
Q105 Botschaften aus ‘Akká 6:26
Q106 In: Das Kommen göttlicher Gerechtigkeit, S. 46
Q107 In: Botschaften des Universalen Hauses der Gerechtigkeit, Bd. 1, S. 30
Q108 Botschaften des Universalen Hauses der Gerechtigkeit, S. 67
Q109 Bahá’í News, Nr. 73, Wilmette, Mai 1933, S. 7
Q110 ‘Abdu’l-Bahá, Sendschreiben zum göttlichen Plan 8:15
Q111 Gott geht vorüber V:6
Q112 ‘Abdu’l-Bahá, Briefe und Botschaften 206:15
Q113 The Promulgation of Universal Peace, S. 43f.
Q114 ‘Abdu’l-Bahá, Der Weltfriedensvertrag, S. 22
Q115 Gott geht vorüber 23:14
Q116 Das Universale Haus der Gerechtigkeit, Die Verheißung des Weltfriedens, S. 36
Q117 Briefe und Botschaften 15:6-7
Q118 Die Weltordnung Bahá’u’lláhs, S. 69
Q119 Die Verborgenen Worte, arab. 2
Q120 Bahá’u’lláh, Ährenlese 136:5
Q121 Johannes 1:1,10
Q122 Bahá’u’lláh, Kitáb-i-Íqán 31
Q123 Gebete und Meditationen 178:3
Q124 Die Weltordnung Bahá’u’lláhs, S. 281
Q125 Die Weltordnung Bahá’u’lláhs, S. 285
Q126 a. a. O., S. 286
Q127 Bahá’u’lláh, Der Kitáb-i-Aqdas 186
Q128 a. a. O. 54
Q129 Hüterbotschaften, S. 51f.
Q130 Botschaften aus ‘Akká 1:3
Q131 Jesaja 2, 2
Q132 In: Shoghi Effendi, Das Kommen göttlicher Gerechtigkeit, S. 129
Q133 Briefe und Botschaften 227:22
Q134 Ährenlese 120:1, 3
Q135 Ährenlese 14:4, 5

Anmerkungen

A1 Eric Hobsbawm, Age of Extremes, London 1995, S. 584
A2 Leopold II., König der Belgier, führte über drei Jahrzehnte (1877–1908) die Kolonie als Privatbesitz. Die Gräueltaten, die unter seinem Regime begangen wurden, führten zu internationalen Protesten. Er wurde 1908 gezwungen, das Territorium der belgischen Regierung zur Verwaltung zu übergeben.
A3 Die Prozesse, die diese Veränderungen hervorbrachten, werden ausführlich von A. N. Wilson et al. in God’s Funeral (London 1999) besprochen. 1872 veröffentlichte Winwood Reade ein Buch unter dem Titel The Martyrdom of Man (London 1968), das in den frühen Jahrzehnten des zwanzigsten Jahrhunderts eine Art weltliche ›Bibel‹ wurde. Darin wurde die Erwartung ausgedrückt, dass »die Menschen schließlich die Kräfte der Natur meistern werden. Sie selbst werden Architekten von Systemen, Erbauer von Welten werden. Der Mensch wird dann vollkommen sein, ein Schöpfer; deswegen wird er das sein, was einfache Gemüter als einen Gott anbeten.« Zitiert in: Anne Glyn-Jones, Holding up a Mirror: How Civilizations Decline, London 1996, S. 371f.
A4 Qur’án 39:12
A5 mujtahid (jemand, der sich anstrengt, abmüht), Partizip Aktiv des arabischen Verbes ijtahada (sich anstrengen, sich mühen); hier: Titel aus der juristischen Terminologie. Bezeichnet jemanden, der aufgrund seiner Kenntnis der Prinzipien der Rechtsgelehrsamkeit dazu befähigt und berechtigt ist, durch eigene Denkanstrengung verbindliche Entscheidungen in juristischen und kultischen Fragen zu treffen. (Anm. des Übersetzers)
A6 Die Schule wurde 1934 auf Anordnung Reza Schahs geschlossen, da sie die Bahá’í-Feiertage als arbeitsfreie religiöse Festtage eingehalten hatte. Die Schließung sämtlicher weiterer Bahá’í-Schulen im Írán folgte.
A7 Siehe: The Bahá’í World, Bd. 14, S. 479–481
A8 Die Weltordnung Bahá’u’lláhs, S. 225
A9 »Der äußerste Kreis in diesem ausgedehnten System, das sichtbare Gegenstück der Zentralstellung, die dem Herold unseres Glaubens verliehen wurde, ist nichts anderes als der ganze Planet. Mitten im Herzen dieses Planeten liegt das ›Heiligste Land‹, von ‘Abdu’l-Bahá als die ›Heimstatt der Propheten‹ gerühmt, die als der Mittelpunkt der Welt und die Qiblih der Völker zu betrachten ist. Mitten in diesem Heiligsten Land erhebt sich der Berg Gottes in undenklicher Heiligkeit, der Weinberg des Herrn, der Zufluchtsort Elias’, dessen Wiederkehr der Báb symbolisiert. Ruhend am Herzen dieses heiligen Berges liegen die ausgedehnten Grundstücke – auf ewig die geweihten Bezirke der heiligen Grabstätte des Báb. In der Mitte dieser Grundstücke – anerkannt als internationale Stiftungen des Glaubens – liegt der heiligste Hof, ein eingefasster Bereich, der Gärten und Terrassen umschließt, die diese geweihten Bezirke schmücken und ihnen zugleich einen besonderen Zauber verleihen. Umrahmt von dieser lieblichen grünen Umgebung steht in all seiner erlesenen Schönheit das Mausoleum des Báb, dessen äußere Verkleidung entworfen wurde, um den ursprünglichen Bau, den ‘Abdu’l-Bahá als das Grab des Märtyrerherolds unseres Glaubens errichtet hatte, zu schützen und zu zieren. In dieser äußeren Hülle liegt jene kostbare Perle, das Allerheiligste, jene Kammern, die das Grab bilden und die von ‘Abdu’l-Bahá erbaut wurden. Im Herzen des Allerheiligsten befindet sich das Tabernakel, das Gewölbe, in dem der heiligste Sarg ruht. In diesem Gewölbe steht der Sarkophag aus Alabaster, in dem jenes unschätzbare Juwel, der heilige Staub des Báb, zur letzten Ruhe gebettet wurde.« Shoghi Effendi, Citadel of Faith, S. 95f.
A10 Hasan M. Balyuzi, ‘Abdu’l-Bahá, S. 200
A11 In: The Bahá’í Centenary, 1844 – 1944, S. 140f.
A12 Sendschreiben zum göttlichen Plan 13:4
A13 Eric Hobsbawm, Age of Extremes, S. 23
A14 Vgl. Edward R. Kantowicz, The Rage of Nations, Cambridge 1999, S. 138. Kantowicz errechnet für Europa einen Gesamtverlust von achtundvierzig Millionen Menschen, einschließlich fünfzehn Millionen ›Hinweggeraffter‹, die wegen ihres geschwächten Gesundheitszustands Opfer der Grippeepidemie der Nachkriegszeit wurden, und einschließlich der erheblichen Geburtenausfälle in der Folge dieser Katastrophen. Hobsbawm schätzt, dass Frankreich fast zwanzig Prozent seiner wehrtauglichen Männer verlor, Großbritannien ein Viertel seiner Oxford- und Cambridge-Absolventen, die während des Krieges in der Armee dienten, und Deutschland 1,8 Millionen oder dreizehn Prozent seiner wehrpflichtigen Bevölkerung. Vgl. Eric Hobsbawm, Age of Extremes, S. 26.
A15 Präsident Wilson wurden in den Jahren seit seinem Tode zahlreiche Biographien gewidmet. An dieser Stelle sei auf drei jüngere Werke verwiesen: Louis Auchincloss, Woodrow Wilson, New York 2000; A. Clements Kendrick, Woodrow Wilson: World Statesman, Lawrence 1987; Thomas J. Knock, To End All Wars: Woodrow Wilson and the Quest for a New World Order, Oxford 1992.
A16 In der schließlich verabschiedeten Fassung verlangte Artikel X des Völkerbundes im Angriffsfall nicht die kollektive militärische Intervention, sondern legte lediglich fest, dass »der Rat die Mittel festlegen soll, durch die diese Pflicht erfüllt wird«.
A17 In der Laudatio wird Bezug genommen auf den ›Rat‹, den der Meister den britischen Militärbehörden gab, die darum bemüht waren, nach dem Sturz des türkischen Regimes das öffentliche Leben in der Region wieder aufzubauen. Weiter heißt es dort, dass »all sein Einfluss nur zum Guten war«. Vgl. Moojan Momen, Hg., The Bábí and Bahá’í Religions, S. 344.
A18 Horace Holley, Religion for Mankind, S. 243f.
A19 Rúḥíyyih Rabbání, Die unschätzbare Perle, S. 201, 204
A20 In einem Fall nach dem anderen ließ das offensichtliche Fehlverhalten seiner Brüder, Schwestern und Vettern Shoghi Effendi keine andere Möglichkeit, als die Bahá’í-Welt davon zu unterrichten, dass diese Personen den Bund verletzt hatten.
A21 Gott geht vorüber 2:15
A22 Ein detaillierter Überblick zur Ausbreitung des Glaubens bis zum Ende des ersten Siebenjahresplans findet sich in The Bahá’í World, Bd. 10, S. 142ff.
A23 Shoghi Effendi, Gott geht vorüber 24:5
A24 »Im Europa des beginnenden zwanzigsten Jahrhunderts akzeptierten die meisten Menschen die Autorität der Moral … den Rückgang menschlicher Brutalität und Barbarei vor Augen, konnte der gebildete Europäer an einen sittlichen Fortschritt glauben. Zum Ende des Jahrhunderts ist es schwer, überhaupt noch auf ein moralisches Gesetz oder auf einen sittlichen Fortschritt zu vertrauen.« Jonathon Glover, Humanity: A Moral History of the Twentieth Century, London 1999, S. 1. Glovers Studie hat vor allem den Aufstieg und den Einfluss der Ideologien des zwanzigsten Jahrhunderts zum Thema.
A25 Der verheißene Tag ist gekommen, S. 172
A26 Rúḥíyyih Rabbání, Die unschätzbare Perle, S. 554
A27 Shoghi Effendi, Die Weltordnung Bahá’u’lláhs, S. 75
A28 United Nations Organization
A29 Lester Bowels Pearson (1897–1972) wurde 1957 der Friedensnobelpreis verliehen für sein Wirken in der internationalen Politik in der Zeit nach dem Zweiten Weltkrieg und besonders für seinen Plan, der 1956 zum ersten Einsatz von UN-Truppen zur Friedenssicherung am Suez-Kanal führte. Mit diesem Einsatz reagierte man auf den Einmarsch britischer und französischer Truppen in Ägypten (mit israelischem Einverständnis) nach der Besetzung des Suez-Kanals durch Ägypten. Der erste offizielle Beschluss internationaler Sanktionen gegen einen Aggressor, den der Völkerbund 1936 fasste, nachdem Truppen aus dem faschistischen Italien in Äthiopien einmarschiert waren, rühmte Shoghi Effendi als »Ereignis ohnegleichen in der Geschichte« (vgl. Shoghi Effendi, Die Weltordnung Bahá’u’lláhs, S. 277f.).
A30 United Nations Commission on Human Rights
A31 Die drei erwähnten Generalsekretäre der Vereinten Nationen sind, in chronologischer Reihenfolge, Javier Pérez de Cuellar (1982-1991) aus Peru; Boutros Boutros-Ghali (1992-96) aus Ägypten; Kofi Annan (seit 1997) aus Ghana.
A32 Anne Frank (1929–1945) – eine jüdische Jugendliche, die dem Völkermord der Nationalsozialisten zum Opfer fiel. Im August 1944 wurde sie in dem Familienversteck in den Niederlanden gefangengenommen und in das Konzentrationslager Bergen-Belsen gebracht, wo sie ein Jahr später starb. Ihr Tagebuch wurde 1952 als Tagebuch der Anne Frank veröffentlicht und diente Film und Theater als Vorlage. Martin Luther King Jr. (1929–1968) – amerikanischer Geistlicher und Nobelpreisträger, einer der herausragenden Vertreter der amerikanischen Bürgerrechtsbewegung, wurde am 4. April 1968 in Memphis, Tennessee, ermordet. Seinem Gedenken ist in den Vereinigten Staaten ein nationaler Feiertag, der dritte Montag im Januar, gewidmet. Paulo Freire (1921–1997) – innovativer brasilianischer Pädagoge, dem für seine Pionierarbeit in der Erwachsenenbildung internationale Anerkennung zuteil wurde, der jedoch in seinem eigenen Land zweimal zu Gefängnisstrafen verurteilt wurde. Kiri Te Kanawa (geb. 1944) – in Neuseeland als Nachkomme von Maoris geboren, ist heute eine der führenden Operndiven der Welt. Sie wurde 1982 von Königin Elisabeth II. mit dem Verdienstorden ›Dame Commander of the British Empire‹ ausgezeichnet. Gabriel García Márquez (geb. 1928) – kolumbianischer Schriftsteller und Romancier, Literaturnobelpreisträger 1982, war gezwungen, die sechziger und siebziger Jahre im freiwilligen Exil in Mexiko und Spanien zu verbringen, um der Verfolgung in seinem Heimatland zu entgehen. Ravi Shankar (geb. 1920) – indischer Komponist und Sitar-Spieler, dessen beeindruckende Begabung sowie seine Konzertreisen in Europa und Nordamerika dazu beitrugen, im Westen Interesse für indische Musik zu wecken. Andrej Dimitrijewitsch Sacharow (1921–1989) – russischer Atomphysiker, der seine wissenschaftliche Forschung aufgab, um Vorkämpfer für die Bürgerrechte in der Sowjetunion zu werden, wofür er 1975 den Friedensnobelpreis erhielt, während er im eigenen Land verbannt war. ›Mutter Theresa‹, Agnes Gonxha Borjaxhiu (1910–1997) – römisch-katholische Nonne, in Albanien geboren, gründete in Indien den Orden der Wohltätigkeit. Ihre selbstaufopfernde Arbeit für die Armen, Heimatlosen und Sterbenden in Kalkutta trug ihr 1979 den Friedensnobelpreis ein. Zhang Yimou (geb. 1951) – ein führender Produzent unter Chinas Filmemachern der ›Fünften Generation‹. Er erhielt mehrere Fachpreise für seine einfühlsame und visuell beeindruckende Arbeit.
A33 General Agreement on Tariffs and Trades
A34 Diese drei Nationalen Geistigen Räte waren der Nationale Geistige Rat von Kanada – die kanadische Gemeinde trennte sich 1948 von der in den Vereinigten Staaten –, der Regionale Geistige Rat der Antillen (1953) und der Regionale Geistige Rat von Südamerika (ebenfalls 1953).
A35 Unter der Führung zweier Brüder ‘Abdu’l-Bahás, Muḥammad-‘Alí und Badí‘u’lláh sowie deren Vetter Majdi’d-Dín, hatte die Gruppe von Bundesbrechern, die nach dem Tode Bahá’u’lláhs lange Zeit das Landhaus in Bahjí besetzt hatten, einen gnadenlosen Verleumdungs- und Intrigenfeldzug gegen den Meister und Shoghi Effendi geführt. Unter der britischen Mandatsverwaltung waren sie gezwungen worden, das Landhaus zu räumen, weil sie es hatten verfallen lassen, wodurch der Hüter die Möglichkeit erhielt, das Gebäude zu renovieren und ihm in den Augen der Behörden den Status einer heiligen Stätte zu geben. Später erreichte Shoghi Effendi, dass die neue israelische Regierung dem ganzen Besitz diesen besonderen Status zugestand, und es wurde offiziell angeordnet, dass die verbleibenden Bundesbrecher das unansehnliche Gebäude, das sie noch immer in der Nähe des Landhauses bewohnten, räumen mussten. Als deren Berufung gegen diese Anordnung vom obersten Gericht abgewiesen worden war, erhielten sie einen Räumungsbefehl. Das Gebäude wurde auf Anweisung des Hüters abgerissen, und damit war das letzte Hindernis für die Verschönerung des Besitzes beseitigt.
A36 Einen ausführlichen Bericht über die Rolle der Hände der Sache Gottes während dieser kritischen Jahre gibt Amatu’l-Bahá Rúḥíyyih Khánum in Ministry of the Custodians.
A37 Das Thema wird mehrfach in Rabbání, Rúḥíyyih, Die unschätzbare Perle behandelt. Siehe besonders S. 142f., 150, 159, 210f., 254f.
A38 Vgl. The Establishment of the Universal House of Justice, S. 17
A39 Das Institut wurde 1998 vom Universalen Haus der Gerechtigkeit als Organ der Internationalen Bahá’í-Gemeinde eingerichtet; es untersteht dem Haus indirekt über das Office of Public Information. Laut Aufgabenbeschreibung dient das Institut »der Erforschung sowohl der geistigen und materiellen Grundlagen menschlichen Wissens als auch der Prozesse des gesellschaftlichen Fortschritts«.
A40 Ihre Aufgabe ist die »systematische Erforschung des Bahá’ítums, einschließlich seiner religiösen Kultur, seines humanitären Geistes und seiner religiösen Ethik«.
A41 Zitiert in Star of the West, Bd. 13, Nr. 7, Oktober 1922, S. 184ff.
A42 Etwa 1904 begann der gelehrte iranische Gläubige, den wir unter dem Namen Ṣadru’ṣ-Ṣudúr kennen, mit Ermutigung ‘Abdu’l-Bahás, eine erste Bahá’í-Lehrer-Schulung mit Jugendlichen in Teheran durchzuführen. Die Studiengruppe traf sich täglich, und die Absolventen, die in den Glaubensinhalten anderer Religionen unterrichtet wurden und verschiedene Aspekte des Bahá’í-Glaubens studierten, trugen wesentlich zur Ausbreitung und Festigung der Sache Gottes in ihrem Heimatland bei.
A43 Bei dem Modell handelt es sich um das ›Ruhi-Institut‹, dessen Methoden und Materialien von vielen Bahá’í-Gemeinden in der ganzen Welt übernommen wurden. Sein Grundgedanke ist die Verbindung von aktiven Dienstleistungen mit intensivem Studium der Bahá’í-Schriften. Das System besteht aus mehreren Studienniveaus, die einen zentralen Stamm des Grundverständnisses der wesentlichen Lehren Bahá’u’lláhs bilden, von dem dann eine fast unbegrenzte Zahl von Untergruppen abzweigen, die von den verschiedenen nationalen Gemeinden nach ihren eigenen Bedürfnissen entwickelt werden können.
A44 Moojan Momen, The Bábí and Bahá’í Religions, S. 186f.
A45 Einen kurzen Bericht über die Gründung des Büros und seine Tätigkeit bietet The Bahá’í World, Bd. 4, S. 257ff.
A46 The Bahá’í World, Bd. 3, S. 198–206 enthält den Text der offiziellen Petition der Bahá’í des Irak an die Ständige Mandatskommission des Völkerbundes und fasst die Geschichte des Falls zusammen.
A47 Der volle Text der Erklärung findet sich in World Order Magazine, April 1947, Bd. 13, Nr. 1
A48 The Bahá’í Question, Írán’s Secret Blueprint for the Destruction of a Religious Community, An Examination of the Persecutions of the Bahá’ís of Írán, Bahá’í International Community, New York 1999 (erarbeitet vom Büro der Internationalen Bahá’í-Gemeinde bei den Vereinten Nationen, bestimmt für Mitglieder der Menschenrechtskommission der Vereinten Nationen); vgl. auch Die Bahá’í im Írán. Dokumentation der Verfolgung einer religiösen Minderheit, Hofheim 1985
A49 Auszug aus einer Ansprache von Edward Granville Browne, in: Religious Systems of the World: A Contribution to the Study of Comparative Religion, New York 1892, S. 352f.
A50 Während seiner neunjährigen Tätigkeit sorgte das Büro dafür, dass sich schätzungsweise zehntausend iranische Bahá’í-Flüchtlinge in siebenundzwanzig Ländern niederlassen konnten.
A51 Bis heute haben neunundneunzig Nationale Geistige Räte an einem Intensivtraining zu diesem Programm teilgenommen.
A52 Die Weltkonferenz für Frauen in Beijing (Peking) gab fünfzig der zweitausend Nichtstaatlichen Organisationen die Möglichkeit, ihre Statements mündlich vorzutragen. Da der Internationalen Bahá’í-Gemeinde dieses Vorrecht bei früheren Konferenzen gewährt worden war, insbesondere in Rio de Janeiro bei der Umweltkonferenz und in Kopenhagen bei der Konferenz über soziale und wirtschaftliche Entwicklung, verzichtete der Bahá’í-Vertreter auf den ihm schon zugewiesenen Platz zu Gunsten des Moskauer Zentrums für Geschlechterstudien.
A53 Bundesverfassungsgericht, Beschluss des Zweiten Senats vom 5. Februar 1991. Ein ausführlicher Bericht sowie der Text der Urteilsbegründung finden sich in The Bahá’í World, Bd. 20, S. 571–606; Zitat: S. 580, CI
A54 Sessão Solene da Câmara Federal, Brasiliá, 28 de Maio, 1992 (Nachdruck mit englischer Übersetzung durch den Nationalen Geistigen Rat der Bahá’í von Brasilien, 1992)
A55 Generalversammlung der Vereinten Nationen, 54. Sitzung, TOP 49 (b), United Nations Reform Measures and Proposals: the Millennium Assembly of the United Nations, 8. August 2000 (Dokument Nr. A/54/959), S. 2
A56 Commitment to Global Peace, Erklärung des Millennium-Weltfriedensgipfels der religiösen und geistigen Führer, dem Generalsekretär der Vereinten Nationen Kofi Annan am 29. August 2000 während einer Sitzung der Vollversammlung der Vereinten Nationen zum Millenniumsgipfel vorgelegt.
A57 Generalversammlung der Vereinten Nationen, 54. Sitzung, TOP 61 (b), The Millennium Assembly of the United Nations, 8. September 2000 (Dokument Nr. A/55/L.2), Abschnitt 32
A58 Die Ziele und Ergebnisse der drei Veranstaltungen zum Millennium, und die Beteiligung der Bahá’í-Gemeinde daran, wurden in einem Brief des Universalen Hauses der Gerechtigkeit vom 24. September 2000 an alle Nationalen Geistigen Räte zusammengefasst.